44. Por que você diz SIM, quando deveria dizer NÃO?
Você sabe o quanto dizer mais "não" pode transformar a sua vida?
Você vive por suas escolhas, ou no automático das circunstâncias?
Quantas vezes a vida já tentou te mudar, e você chamou isso de acaso?
Levi Lourenço
- Dizer não e autoconhecimentoBurnout · Evitação experiencial · Sustentação emocional
- Impacto de Decisoes
- Importância de Dizer NãoCriar espaço · Identificar o custo · Começar pequeno · Sustentar o desconforto
Aqui no Infusões a gente fala sobre fazer uma pausa para refletir. E pausa combina com café. Por isso, o Infusões tem parceria com a Dili Cafés Especiais, que entrega café fresquinho todo mês na sua casa. Então, quer evitar o drama de descobrir que acabou o café bem na hora da sua pausa? Vai lá em diliclub.com.br, escolhe o seu plano e aproveita.
Agora sim, bora preparar o café e começar mais um episódio do Infusões.
Bem-vinda, bem-vindo a Infusões. Que bom ter você aqui. Eu sou Levi Lourenço, sou um apaixonado incondicional por desenvolvimento pessoal e por café. Meu trabalho é ajudar pessoas como você a se conhecerem melhor, a desenvolverem a inteligência emocional, para viverem uma vida mais feliz, com mais autoconsciência.
No dicionário, infusão significa mergulhar uma substância em água para extrair dessa substância algum princípio ativo. Aqui, infusão significa a gente mergulhar em informações para extrair de nós o autoconhecimento.
O Infusões é uma pausa para quem quer investir em si mesmo É uma dose quentinha de autoconhecimento E se o que você vai ouvir aqui fizer sentido para você Compartilha com quem você acha que pode se beneficiar Nossa jornada é sempre mais leve quando temos companhia Então, pega sua xícara, eu estou te esperando aqui com o meu café
Hoje eu vou começar a nossa infusão, como dizem, com o pé no peito. Sem introdução, sem aquecimento, só com uma frase. Toda vez que você diz sim, sem querer dizer sim, você toma uma decisão contra você. Sabe qual é o maior perigo disso? É que, na maioria das vezes, ninguém percebe.
Nem quem pediu, nem quem recebeu o seu sim. E principalmente, nem você percebe. Sabe por quê? Porque você aprendeu a nomear isso com outros nomes. Te ensinaram a chamar isso de educação, de maturidade, de flexibilidade, de ser alguém fácil de lidar.
Só que na maioria das vezes isso tem outro nome. Dificuldade de se posicionar. Agora que eu já cheguei com o pé no peito, bora sair da teoria e procurar os caminhos para sair dessa. Deixa eu te mostrar como isso aparece na sua vida na prática.
Uma cliente minha, que já tinha feito um processo comigo, me procurou no fim do ano, e uma das últimas coisas que ela me falou foi o nosso processo foi fundamental para eu chegar onde eu estou hoje, mas eu percebi que eu exagerei em alguns pontos. Ela hoje é executiva de uma empresa multinacional, extremamente competente, respeitada na empresa, mas voltou a me procurar agora perdida.
Agenda cheia, time grande, resultados consistentes. Por fora, para qualquer um que olha, está tudo certo. Mas por dentro, ela estava na fronteira de um conhecido nosso que está muito na moda, chamado Burnout. E aí a gente começou o processo e na primeira sessão ela soltou uma frase que resume muita coisa. Levi, eu não tenho mais espaço na minha vida.
mas eu continuo dizendo sim. Olha o peso dessa frase. E mais do que isso, olha que importante que é o papel do autoconhecimento aqui para a pessoa ter autonomia de chegar numa constatação como essa. Eu não tenho mais espaço na minha vida, mas eu continuo dizendo sim.
E aí, durante o processo dela, quando a gente começou a olhar todo o cenário com mais cuidado, uma coisa ficou clara. O problema não era a quantidade de trabalho, e sim a incapacidade dela de dizer não.
Ela aceitava reuniões desnecessárias, ela aceitava demandas mal definidas, ela aceitava responsabilidades que não eram dela. E tudo isso por um motivo, evitar o desconforto. Para evitar parecer uma pessoa difícil, para evitar conflitos. Só que o que ela não percebia é que cada sim que ela falava era um pequeno afastamento dela mesmo.
Claro que eu falando aqui, contextualizando todo o cenário, parece algo fácil da gente evitar. É só não aceitar o que não é seu, é só treinar a dizer mais não, é só deixar algumas regras mais claras. Mas será que é simples assim?
Quer exercitar essa situação comigo? Então, traz isso para a sua vida. Mas Levi, eu não sou diretora, eu não sou diretor. Não precisa. Sabe por quê? Porque isso aparece em qualquer lugar, em qualquer contexto, em qualquer família, em qualquer relação, em qualquer profissão. Sabe onde isso aparece? Naquela mensagem que você responde na hora, mesmo sem querer.
naquele convite que você aceita, mesmo sem vontade, naquela conversa que você evita para não gerar tensão, aparece naquela responsabilidade que você assume, mesmo já estando com a água batendo no pescoço.
E aqui mora uma verdade que incomoda. Você não fala sim porque você quer ajudar. Na maioria das vezes, você fala sim porque você não quer lidar com o que vem depois do não. E isso muda tudo. Porque nessa hora, o problema deixa de ser comportamento e passa a ser o que é o grande propósito do Infusões, que é a sua capacidade emocional.
Na psicologia, isso se conecta com uma coisa chamada evitação experiencial, que é basicamente a tentativa de fugir de emoções desconfortáveis. Todos nós somos configurados assim. Seu cérebro faz isso o tempo todo. Ele quer te proteger de rejeição, de conflito, de desaprovação, de desconforto social.
E como ele faz isso? Escolhendo o caminho mais fácil no curto prazo. E aí, muitas vezes, esse caminho mais fácil, qual é? É dizer sim. Só que quando o seu cérebro faz isso, ele não está preocupado com o seu longo prazo. Ele quer alívio agora, já. E aí você entra num padrão que é evita um desconforto pequeno agora e cria um desconforto maior depois.
Quando eu fui transferido da Varig para a Gol, eu vivi uma situação que deixou isso muito claro. Eu estava num momento de muitos projetos acontecendo ao mesmo tempo. E eu comecei a aceitar mais coisas do que fazia sentido. Viagens, propostas, estudos, certificações. Tudo para mim parecia oportunidade, parecia importante. E eu fui só dizendo sim.
Até que chegou um ponto que eu não tinha mais espaço. Eu não tinha agenda, eu não tinha energia, eu não tinha nem clareza. E aí eu percebi que o problema não era o excesso de oportunidades, era a minha falta de critério. E o problema é que critério exige uma coisa que pouca gente sustenta. Adivinha? Exatamente. Dizer não.
Para mim foi um processo incômodo sair disso, sabe por quê? Porque dizer não gera desconforto, gera dúvida, gera aquele pensamento, será que eu estou perdendo alguma coisa? Só que no fim, felizmente, foi exatamente esse movimento que reorganizou tudo. E eu digo felizmente porque eu não tinha a maturidade que eu tenho hoje.
Eu não conhecia nem de perto o quanto eu me conheço hoje e eu não tinha nenhum profissional que pudesse me ajudar a enxergar com clareza o que estava acontecendo para eu redesenhar a estratégia do meu jogo. E foi justamente por ter passado por isso sozinho que esse acabou se tornando o meu trabalho.
ajudar pessoas a estruturarem decisões que envolvem risco, carreira, família, mas com clareza, com critério, com responsabilidade. Então, na época eu tive esse estalo, mas eu fui na tentativa e erro. E hoje eu sei que sem a ajuda de um profissional, eu estava colocando em risco a minha carreira, os meus projetos, a minha família.
Agora, deixa eu te mostrar o custo real disso que a gente está falando aqui. Porque esse episódio não é sobre agenda cheia. Dizer não impacta diretamente três coisas na sua vida. As suas decisões, os seus limites e a sua identidade. Decisões. Quando você diz sim, sem querer, você começa a construir uma vida baseada em reação.
não em direção. Você vai aceitando o que aparece em vez de escolher o que faz sentido. Limites. Quando você não sustenta o não, você ensina as pessoas que o seu limite é flexível. E o mundo não respeita limite que você mesmo não sustenta.
E identidade, esse é o mais profundo porque com o tempo você para de saber o que você quer de verdade. Você só sabe o que você topa e isso é perigoso. Eu li um estudo publicado na área de neurociência comportamental que diz que tomar decisões que vão contra os seus valores ativa regiões do cérebro associadas a estresse e conflito interno. Ou seja...
O seu corpo sente quando você se abandona, mesmo que você não perceba conscientemente. E aí, quando isso se repete, o que acontece? Vira padrão. E padrão repetido vira identidade. Aliás, um influencer muito famoso já falava isso 350 anos antes de Cristo. O nome dele era Aristóteles. Já ouviu falar?
Sabe o que esse cara disse sobre essa questão do padrão virar identidade? Ele disse uma frase que você já deve ter lido ou ouvido. Nós somos o que fazemos repetidamente. A excelência, então, não é um ato, mas um hábito. O que esse pensamento reforça?
Que as nossas virtudes são adquiridas através da prática. E que a excelência é o resultado de hábitos cultivados. Ou seja, a consistência diária, a prática regular e o esforço contínuo é que vão moldar o nosso caráter e a nossa competência. E isso é mais importante para o seu sucesso do que você ter momentos extraordinários.
Então, a pergunta que você precisa fazer hoje não é Levi, como eu aprendo a dizer mais não? A pergunta que você deve fazer hoje é Levi, o que eu preciso sustentar emocionalmente para conseguir dizer não? Bingo! É aqui que está o enrosco. É isso que trava. Não é técnica. Não é carrossel de Instagram com frase pronta.
É sustentação emocional. Levi, o que diabo significa sustentação emocional? Sustentação emocional é a sua capacidade de aguentar o desconforto de uma decisão sem voltar atrás. Eita!
Pois é, no caso de você dizer não, é você conseguir lidar com a possível frustração do outro, com o silêncio ou com aquele clima estranho, com a culpa que aparece, com o medo de você ser mal interpretado, sem você se justificar demais, sem acabar cedendo, sem se abandonar.
Então, resumindo, sustentação emocional não é sobre você saber o que fazer. É sobre você conseguir sustentar o que você decidiu, mesmo quando for muito desconfortável.
Então, vamos sair dessa nossa infusão filosófica com algo mais prático. Como sempre, sem fórmula mágica, mas com direção. Anota aí. Primeiro, cria espaço. Você não precisa responder tudo na hora. Uma das formas mais simples de você começar a mudar isso é ganhe tempo. Oh, deixa eu dar uma olhada aqui e eu vou confirmar e te falo. Isso já muda o jogo.
Segundo, identifica o custo. O que é isso? Antes de dizer sim, se pergunta, o que esse sim vai me custar? É tempo? É energia? É clareza? Se você entender que o custo vai ser alto, talvez o sim não faça sentido. Terceiro, começa pequeno. Você não precisa começar dizendo não para grandes coisas, muito menos para tudo.
Começa no simples, no cotidiano, no que já está te incomodando, mesmo que seja um não no seu dia. Quarto, sustenta o desconforto. Aqui que o bicho pega. É desconfortável dizer não. Se não fosse, ninguém sofreria com isso. Se não fosse, eu não teria clientes.
Sustentar o desconforto é o mais importante. Você vai se sentir estranho a estranho. Vai parecer que você está sendo egoísta. Vai dar vontade de voltar atrás. Não volta. Não volta. Porque é aqui que o padrão muda. Antes de terminar, eu quero te deixar uma última frase. E essa é uma daquelas frases para você lembrar no meio do seu dia. Anota aí.
Dizer não não é rejeitar o outro. Dizer não é não se abandonar. No fim, a questão não é sobre você ser mais firme, mais duro ou mais frio. Dizer não é sobre você ser mais honesta, mais honesto com você. E quando você começa a fazer isso, pode reparar, alguma coisa aí dentro se organiza.
As decisões ficam mais claras, os limites ficam mais naturais e as suas relações ficam mais verdadeiras. Talvez não mais fáceis, mas mais verdadeiras eu garanto. E isso vale mais do que tudo. Um abraço e até a próxima.
Veroo Cafés Especiais
Café fresquinho