Brasileiro detido em Israel pode ser enquadrado na lei antiterror
Esse conteúdo é uma parceria entre RW Cast e RFI.
Elcio Ramalho
Henry Galsky
Lubna Tuma
- Tortura e ViolenciaAbusos psicológicos · Interrogatórios prolongados · Ameaças de morte e prisão · Isolamento total · Privação de sono
- Lei antiterrorismo de IsraelFiliação à organização terrorista · Assistência ao terrorismo · Periculosidade do acusado · Tempo de prisão
- Acusados e suas acusaçõesApoio a organizações terroristas · Hezbollah · Hamas · Regime iraniano · Hassan Nasrallah · Alegações de corrupção · Conduta inadequada com mulheres
- Posição oficial do Brasil e EspanhaSequestro de cidadãos · Retorno imediato · Garantias de segurança · Acesso consular
- Posição oficial de IsraelAção em conformidade com o direito internacional · Alegações falsas e infundadas · Obstrução física contra funcionários israelenses
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Israel vai solicitar nesta terça-feira, em audiência judicial, uma prorrogação de seis dias da prisão preventiva de dois ativistas da flotilha de Gaza, o espanhol Saif Abu Keshach e o brasileiro Tiago Ávila. A informação é da ONG Adalah, que defende os dois ativistas. A audiência judicial está marcada para hoje em Ashkelon, no norte do país, onde eles estão detidos. O tribunal israelense aprovou no domingo...
uma primeira prorrogação de dois dias da prisão preventiva dos dois ativistas, que faziam parte da flotilha que buscava romper o bloqueio de Israel e do Egito à faixa de Gaza. No total, 20 embacações foram interceptadas e todos os ativistas enviados à Grécia, à exceção de Tiago Ávila e de Saif Abu Keshak.
Para entender a situação atual, vamos a Israel conversar com o nosso correspondente, Henry Galsky. Olá, Henry, bom dia. Quais são exatamente as razões pelas quais esses dois advistas estão presos aí em Israel? Saif Abu Keshach é suspeito de filiação a uma organização terrorista.
segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel. Já Tiago Ávila é suspeito de atividade ilegal. Em resposta à RFI, o Ministério das Relações Exteriores israelense declarou que Ávila expressou publicamente apoio a diversas organizações terroristas, incluindo o Hezbollah, o Hamas e o regime iraniano.
Em fevereiro de 2025, Tiago Ávila compareceu ao funeral do secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah, morto no final do ano anterior por Israel. Ávila foi implicado em múltiplas alegações de corrupção e enfrentou acusações de conduta inadequada com mulheres que participavam da flotilha. Ele também foi detido brevemente para interrogatório nos últimos meses em aeroportos da Bélgica, Panamá, Tunísia e Argentina, declarou o Ministério Israelense.
Em nota, os Ministérios das Relações Exteriores do Brasil e da Espanha descreveram a situação como o sequestro de seus cidadãos. Os governos do Brasil e da Espanha exigem do governo de Israel o retorno imediato de seus cidadãos, com plenas garantias de segurança e que se facilite o acesso consular imediato para sua assistência e proteção.
E, Henry, há relatos de tortura e violência contra o brasileiro. O que você conseguiu apurar sobre essas denúncias? A Adalah, Organização de Direitos Humanos em Israel que defende os dois ativistas detidos, informou que ambos estão sofrendo maus tratos e abusos psicológicos. Segundo os relatos das advogadas da organização, Tiago Ávila contou ter sido submetido a interrogatórios de até oito horas de duração.
Ainda de acordo com Adalah, os interrogadores o ameaçaram explicitamente, afirmando que ele seria morto ou passaria 100 anos na prisão. Os ativistas são mantidos em isolamento total. Suas celas têm iluminação constante de alta intensidade 24 horas por dia, uma prática conhecida do serviço prisional israelense projetada para induzir privação de sono e causar desorientação.
A RFI conversou com Lubna Tuma, advogada da Adalah, que esteve com Tiago Ávila e que é responsável pela defesa do brasileiro. Segundo ela, a Organização de Direitos Humanos Israelense continua a exigir a libertação imediata dos dois ativistas e o fim dos procedimentos legais.
Tuma explicou também que, segundo a acusação israelense, Tiago Avila é suspeito de cinco ofensas de segurança que se enquadram na lei anti-terrorismo de Israel, como filiação à organização terrorista e assistência ao terrorismo durante período de guerra.
É importante deixar claro que a acusação está buscando enquadrá-lo como alguém realmente perigoso. Isso é uma tentativa de exagerar a situação, explicou. Se a justiça israelense condenar os ativistas, o tempo de prisão pode variar entre 5 a até mais de 20 anos.
E, Henrique Gausschi, qual é a posição oficial de Israel sobre a situação desses dois ativistas? Sim, em primeiro lugar, diante da abordagem e captura das embarcações em águas internacionais, o Ministério das Relações Exteriores de Israel disse à RFI que isso ocorreu devido ao grande número de embarcações e à necessidade de evitar o rompimento de um bloqueio legal. Israel considera que a ação ocorreu em conformidade com o direito internacional.
Sobre a acusação de violência contra os ativistas, o ministério disse à RFI que são alegações falsas e infundadas preparadas previamente e que Tiago Ávila e Saif Abu Keshach não foram submetidos à tortura em momento algum, mas que causaram obstrução física contra funcionários israelenses que, por sua vez, tiveram de agir para impedir tais ações.
Ainda de acordo com a resposta de Israel aos questionamentos da RFI, todas as medidas foram tomadas em conformidade com a lei. A RFI também entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, que, em resposta, afirmou estar prestando toda a assistência consular ao brasileiro e acompanhando as audiências na justiça.
Muito obrigado, Henrique Gauss, que correspondente da RF em Israel, que participou do Linha Direta de hoje, da Rádio França Internacional, em parceria com a Agência Rádio Web de Paris, Elcio Ramalho.
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