Episódios de Chá das Cinco Com Literatura

#98 – Lembramos para você a preço de atacado, de Philip K. Dick

23 de julho de 20261h34min
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Oi, gente, nesse episódio conversamos sobre “Lembramos para você a preço de atacado” (1938), de Philip K. Dick e suas adaptações. Considerando os temas da obra, falamos sobre os conflitos de classe, capitalismo e as distopias e expectativas para um futuro baseado no nosso presente. Além disso, mencionamos a problemática dos avanços tecnológicos que não servem para o bem-estar comum, mas sim para manter status quo. Por fim, falamos sobre Marte e as (não) possibilidades de vida. Quem participou desse episódio foi o William, que também conversou com a gente sobre “O problema dos três corpos”, do Cixin Liu.

Livros citados:

Música da nossa trilha sonora:

Artista: https://soundcloud.com/dyallas/not-my-first-rodeo

 

Deixe seus comentários aqui para gente. Sempre que acabamos de gravar, lembramos de algo mais que poderia ser dito, logo o tema sempre fica em aberto.

Podcast:
00:00:05 Apresentação
00:5:00 Distopias e o futuro
01:20:00 Encerramento

Apoiadores no apoia.se:

Philippe Sartin
MARIA A N GOMES
LOUISE COSTA PESSANHA
Belísia Agulhô Lopes Sayão
Pedro de Castro Lscher
Mari Castro
RONY CARLOS BRAGA OLIVEIRA
Lilian Diniz
Rafael Sanches Dias
Scarleth Darlem Gama Franco
Olivia Gutierrez
MARINA Tramonte
Izabela Guimarães Torquetti dos Santos
LEONARDO HENRIQUE GUALBERTO MOREIRA
Mariana dos Santos Freitas
Alba Manoela Lopes

Total Recall (1990) https://www.imdb.com/fr/title/tt0100802/
Total Recall (2012) https://www.imdb.com/fr/title/tt1386703/

 

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Participantes neste episódio2
L

Liv

Host
W

William

ConvidadoNarrador
Assuntos9
  • Inteligência artificial e manipulação de conteúdoRoubo de dados · Cambridge Analytica · Brexit · Neuromancer · Vieses em IA · Manipulação de opinião
  • Uso consciente da tecnologiaCapitalismo · Luta de classe · Distopias · Governos autoritários · Oceanografia
  • Simulação da realidadeRedes sociais · Programas de viagem · Jogos eletrônicos · Memória e esquecimento
  • Philip K. Dick· CulturaLembramos para Você a Preço de Atacado · Vingador do Futuro · Minority Report · Screamer · O Homem no Castelo Alto · Previsão do Tempo · Do Androids Dream of Electric Sheep · O Filme Blade Runner
  • Mercantilização de recursos essenciaisVenda de oxigênio enlatado · Água doce · MBL · Privatização da água · Filme de Fernando Meirelles
  • Abordagens coletivas versus individuaisHerói individualista · Soluções coletivas · O Problema dos Três Corpos · Elon Musk · Mark Zuckerberg
  • Futuro da exploração e colonização espacialDistância Terra-Marte · Motor iônico · Lua como ponto de partida · Atmosfera de Marte · Radiação espacial · Gravidade em Marte · Biosfera 2
  • Conflito e ComunicaçãoEmpatia · Racionalidade vs. Crueldade · Barbárie · Colonização · Educação e comportamento
  • Mortes de cientistas e armas secretasNASA · Energia limpa · Indústria petrolífera · Cota para carros elétricos
Transcrição166 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
WWilliam

Olá pessoal, estamos de volta com mais um episódio do Chá das 5 com a Literatura e quem tá aqui comigo hoje é o William. Seja bem-vindo, William.

WWilliam

Oi, tudo bom pessoal? Aqui é o William, já participei algumas vezes e tô aí de volta.

WWilliam

É, o último episódio inclusive foi do problema dos 3 corpos, a gente falou bastante, a gente viajou muito, né? Elegemos aquele livro como um queridinho, inclusive. E aí, por isso eu convidei o William para estar aqui de novo, porque eu estava dando aula para um dos alunos que eu tenho, que é da geração Z, e eu soltei assim: ah, igual naquele filme O Vingador do Futuro. E ele me olhou como se eu não estivesse falando francês, mas um outro idioma, né?

E aí que eu vi que, nossa, talvez essas gerações não conheçam este clássico dos anos 90. E aí, aí a gente foi atrás do conto do Philip K. Dick para a gente poder vai então falar da adaptação de 1990, adaptação de 2012, e do conto que a tradução em português foi Lembramos para Você a Preço de Atacado, que virou Vingador do Futuro, que são as adaptações, né?

WWilliam

Isso. E eu confesso que eu não fiquei muito animado quando você me chamou, porque eu já tinha lido O Homem no Castelo Alto e visto a série, e eu achei a série muito melhor que o livro. Então fiquei assim, ai, não sei se eu vou ter paciência para ler, mas foi um bom convite. Obrigado por ter me feito ler esse livro, pelo menos alguns contos.

WWilliam

Aí depois, esse que a gente leu é uma edição que tem vários contos, né? Aí depois você leu o Minority Report lá também, ficou animado para fazer outros episódios, né? Sim, porque na verdade ele é um autor aí estadunidense muito conhecido, né? Assim, ele tem uma fanbase gigante, né? Ele escreveu romances, contos, ensaios, tudo de ficção científica, né? E é fato que as obras dele inspiraram muito o cinema, né? A gente tem esse que você já citou aí, O Homem no Castelo Alto, O Tempo Desarticulado, que vai ser o Truman Show, que eu agora fiquei querendo muito fazer um episódio também, Os Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas, que vai dar lá no Blade Runner, e aí o Ghost in the Shell também, né?

O que a gente vai discutir hoje, que são essas duas adaptações, Minority Report, Screamers, enfim. Então assim, essa ficção dele, né, ela vai explorar muito essas questões filosóficas aí que a gente vai discutir um pouco, né? E também questões sociais, né? De múltiplas realidades, essa percepção da natureza humana, identidade. E é interessante que geralmente esses personagens que estão, digamos, lutando, né, contra essas realidades alternativas, ambientes ilusórios, grandes corporações.

Então a gente tem muito essa questão da paranoia, né, contra governos autoritários. Enfim, não culpo ele, né. Também estados alterados de consciência. Ele mesmo teve muitos problemas aí com anfetamina durante a vida, viveu experiências místicas, né. Né, ele também sofreu perseguição lá por, enfim, ele foi acusado de ser comunista, né. Então enfim, tem todo um pouco histórico aí de viver essas relações aí dentro dessas sociedades de estados autoritários, né.

E uma coisa que eu não sabia, e eu tava lendo aí para esse nosso episódio, né, que essas obras dele elas são assim, esse alicerce bem interessante assim talvez seria uma das principais inspirações filosóficas para o cyberpunk, né? Não necessariamente a estética, porque isso aí foi um outro livro, né, de 84, o Neuromancer, né, que vai um pouco definir como gênero literário, né? Mas essa base filosófica de estudo que eu falei aqui é um pouco que dele, né, que essa profunda e paranoica investigação dessa realidade, né, a identidade e humanidade em um mundo cada vez mais dominado pela tecnologia, que é exatamente o ponto em que nos encontramos em 2026, né?

Então por isso que eu acho que é um episódio, que pode ser interessante da gente discutir, né?

WWilliam

Sim, é. Inclusive, eu até brinco muito com você, né, que se pudesse dar um título para o episódio, talvez seria assim: Futuro chegou e ele é distópico. Porque a gente tá nesse momento, né, tem as tecnologias aí tornando realidade muitas das coisas que a gente só via na ficção.

WWilliam

E foi justamente essa conversa que eu tava lendo com esse aluno meu, que a gente tava falando de coisas básicas virarem commodity, né? Eu falei Ah, igual oxigênio, haha, no Vingador do Futuro. E ele, ah, aí eu, ah, nossa, realmente, né, tem um salto aí de geração. Talvez essa história não seja tão popular enquanto já foi um dia, né. Mas vamos lá então, este conto, né, ele de 1966. Você faz uma pequena síntese aí para gente, William?

WWilliam

Sim, então esse conto, ele conta a história do Douglas Crail, que é um funcionário assim, tem uma vida bem pacata. E ele tem dentro dele essa vontade de ir para Marte, ele tem essa coisa dentro dele assim, ah, eu quero ir para Marte. Mas ele percebe que com a vida dele, com o patamar de ganhos dele, ele nunca vai conseguir ir para Marte. Ou até por uma questão assim, acho que, acho que no conto até tem essa coisa de, acho que só militares vão para Marte, alguma coisa nesse sentido.

Então ele sabe que ele nunca vai para Marte. E aí ele vê essa propaganda da Recall, que é uma empresa que promete, além de implantar memórias e te dar a impressão de que você viveu aquelas experiências, ele ainda faz tudo. Ele tem um kit que ele vai tipo colocar souvenirs na sua casa, de como se fosse provas assim, ah, sei lá, o ímã da geladeira da coisa marciana. Então assim, e aí ele chega um dia, ele fala, olha, eu vou fazer isso, e mesmo tendo riscos, etc.

E só que na hora que ele vai fazer, ele descobre que já tem uma memória suprimida dentro dele, que é exatamente essa viagem de Marte, que é usada como referência para fazer o arquivo ou a linha histórica que é colocada na cabeça das pessoas. E aí isso gera toda uma perseguição, é toda uma uma perseguição e questionamentos dele, né, do que aconteceu. E aí ele tenta voltar e aí ele fica com essas duas memórias paralelas, né, correspondentes ao mesmo tempo, mas em uma memória ele foi para Marte, na outra ele tava vivendo aqui.

E aí nesse ponto eles vão tentar resolver, né, o que que vai fazer com ele e E aí assim, talvez possa dar um spoiler porque é um ponto muito interessante também, que é assim, alguém faz um estudo com ele, entende qual seria a fantasia primordial desse cara que suprimiria essas memórias. E aí seria uma coisa que você seria um herói, que a vida na Terra ia depender de você. É spoiler, né, gente? Não, tô falando assim, se não quiser spoiler, se não leu ainda, para ler e depois volta.

WWilliam

Mas quem já viu as adaptações Insiders tá tudo, né, tá um pouco nessa linha de ser um agente incrível, agente dupla, agente secreto. Então tem um pouco esse elemento, né, por mais que seja um pouco diferente.

WWilliam

E o spoiler do conto nesse caso é que quando ele fala assim, ah, então tem essa sua fantasia de que você é um agente, que você negociou a existência da Terra, e isso depende da sua vida para continuar. E quando eles vão fazer o procedimento para colocar essa memória, ele descobre que essa memória também já está lá suprimida. Então ele viveu essas coisas. Então assim, isso vem muito na minha cabeça assim, a questão do ímpeto humano, dos nossos desejos.

Se suprimir uma memória, a gente vai continuar. Porque no caso dele era isso, né? Ele tinha esse ímpeto de ir para Marte. Talvez a realização da vida dele fosse trabalhar com o que ele de fato fez, mas como essa memória foi suprimida, ele tinha dentro dele essa vontade de viver aquilo que ia fazer dele uma pessoa realizada. Então assim, começa mais essa filosofia no conto, né, mais essa filosofia do que realmente uma discussão de se a tecnologia leva ou é possível implantar memórias ou não sei o quê.

Aí para mim, pelo menos, veio mais essa coisa da filosofia assim do que que são as nossas vontades, né, do que que são os nossos desejos e o quanto eles resistem, né, a esse tipo de coisa.

WWilliam

Aí é ótimo isso que você tá falando, porque a parte humana, né, existe uma insistência de um apagamento humano, da gente ser totalmente automatizado, sabe? E aí eu pegando outro filme aí também já, que é O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, que é isso, existe uma resistência a abandonar certas memórias, que aí nesse conto é desse jeito. Nossa, mas isso aqui ele viveu, vai, uma é um buraco de cobra de memórias, na verdade, que a gente tem no conto.

E aí a gente pode puxar o primeiro primeiro tema assim que a gente pode discutir, que é a questão das memórias falsas, né, o simulacro de realidade que os jogos, os filmes, programas de TV, sobretudo redes sociais, né, em que medida elas podem suprir a real experiência ou até aquele sentimento de sentir realizado pelo outro, sabe? Como que isso lhe dá, como que a gente lida com isso, né, com essas tecnologias, né?

WWilliam

É uma coisa que a gente tá vivendo hoje, né? A gente tem, na verdade, a gente tem vários níveis disso e várias formas de absorver esse tipo de conteúdo, né, que eu vejo pelo menos. Tem até um programa, uma piada do Hermes e Renato, acho que até recente, que é um vídeo deles assim: fica em casa enquanto eu viajo, quero o programa de viagem deles. E é isso, sabe? Tipo assim, às vezes tem muita gente que que vai assistir esses programas de viagem vai se inspirar e vai fazer uma viagem, vai ver aquilo, vai querer ir lá conhecer o lugar.

Mas tem muita gente também que não vai ter condições e vai se realizar, vai meio que se contentar vendo uma outra pessoa passar por aquelas experiências, né? Então isso vale para o programa, vale muito para questão de rede social, né, que mostra a pessoa lá abrindo uma bolsa muito cara, ostentando coisas caras. Então assim, às vezes a pessoa tem o desejo de fazer aquilo, mas ela não vai ter condições, ela não vai ter tempo. Então assim, também essa coisa da memória falsa, igual é apresentado no conto, né, a pessoa não tem a perspectiva de viver aquilo e compra a memória, para mim também já começa a acontecer, né, e de forma mais acelerada hoje, né, com essas coisas de perfil, de Muitas vezes coisas mais antigas também, mas assim, filmes ou jogos, né, eletrônicos, que meio que são mais imersivos assim.

E aí, óbvio que para algumas experiências vai ser isso, né, não tem alternativa. Ah, eu vou ser um cavaleiro medieval, precisa só você.

WWilliam

Eu pensei a mesma coisa, eu falo, ah, nossa, deixa eu ir lá ser um, pegar minha espadinha, sabe? Exato.

WWilliam

Só que assim, você não vai ser, sabe, não tem como mais. Então assim, até na época, própria época medieval, era super difícil ser um cavaleiro medieval.

WWilliam

Somos todos camponeses, ponto.

WWilliam

Eu, eu lendo, ai, não sei se eu posso divergir tanto assim, porque eu lendo 1984, que é uma ficção também, assim, a primeira vez que eu li eu fiquei muito na pele do principal ali, mas a segunda vez que eu li eu fiquei assim, não, gente, eu tô longe de ser a pessoa perseguida pelo governo, eu sou o prole, sou trabalhador que eles deixam até fazer algumas coisas assim fora do controle, que eles não estão nem aí. É tipo, então assim, Tem algumas experiências, tipo, ah, tem gente que vai pilotar um avião no simulador porque não vai passar pelo processo de virar um piloto.

Mas tem muitas experiências básicas que elas estão se tornando apenas simuladas. Será que a gente não vai chegar numa realidade em que, igual também puxando um outro livro que é o Snow Crash, que é o que cunhou o termo metaverso, que é as pessoas vivem uma vida horrível e aí elas põem aquele óculos e para viver uma realidade um pouco melhor assim, poder ter essa sensação de sair de casa num lugar bonito, num lugar, entendeu? E não numa cidade que é uma selva de cimento opressora, entendeu?

Então tem muita essa questão também das condições, o que que uma pessoa pode viver e do que que ela quer viver, e se a simulação vai suprimir isso, né, para o ser humano.

WWilliam

É, eu acho que a adaptação de 2012, ela é totalmente baseada na de 1990, né, o filme lá do Schwarzenegger e tudo, né, que tem a questão em Marte mesmo. Enfim, eles pegam o miolo do conto e faz uma outra coisa muito X lá e tal, né. Mas eu acho que o início da de 2012 é bem legal para mostrar essa coisa de todos somos proletariado, porque houve um cataclisma lá e aí só sobrou Inglaterra e Oceania. E aí todo mundo na Oceania trabalha para ilha.

E aí o início é todo mundo caminhando igual gado para pegar esse transporte para ir trabalhar. Então assim, ele tem uma vida lá igual você falou, escapar dessa vida horrível para viver uma fantasia. É exatamente isso. E ele sempre sonhando, ai, quero ir para Marte, quero ir para Marte, né? Mas é exatamente isso. A gente, sei lá, né, a experiência de assistir o filme, você achando que seu herói, não, a gente é aquele milhão de pessoas andando na rua lá na colônia, né?

O lugar chama colônia, escuro, não tem comida direito, aquela coisa horrível, né? Então esse que é um ponto que eu acho que é uma questão que é interessante da adaptação.

WWilliam

Agora, no filme de 90 tem também a questão de que ele é um operário.

WWilliam

Então assim, ele tá lá, né?

WWilliam

O homem comum. Acho que eles até mudaram, porque eu acho que no conto ele é um funcionário público. Eu não tô lembrando agora, mas é um com uma vida assim extremamente comum, assim, né, mediana. Então assim, ele fica lá meio— eu acho que a época também, né, acho que era uma época que os Estados Unidos tava vivendo uma vida muito industrial, muita construção, né. Então cidadão mais comum era esse, né. Então, e era isso, né, qual que é a perspectiva de um cidadão da construção que fica lá quebrando pedra com martelete fazer uma viagem espacial, sabe?

WWilliam

Então, exatamente. E eu acho que você falou bem aí, falou assim, não, uma vida horrível, né? E aí vamos focar na vida horrível, porque, né, assim, é o que é o comum, todo mundo sabe do que a gente tá falando. E aí que entra para mim a questão da tecnologia, né? 2002, eu achei que foi uma adaptação da adaptação muito boa, porque ela deixa isso bem claro, assim, existe uma tecnologia incrível que é pegar os trabalhadores na Oceania e levar em segundos para trabalhar na Inglaterra.

Então assim, a tecnologia ela avança incrivelmente para as coisas, mas não para melhorar a vida das pessoas comuns. Ah, tá, Liv, você tá falando o óbvio. Sim, mas o óbvio precisa ser dito, né? Porque eu acho que é isso assim, quando fala de neutralidade da ciência, da tecnologia, eu acho que a gente entra nisso, né? Assim, a gente não consegue pensar um mundo fora da lógica da exploração ou de império. E aí, quando marxista fala em luta de classe, ai, mas nossa, tudo é luta de classe!

Sim, vou repetir aqui, sim, porque até as utopias e as distopias, quando elas são pensadas, existe uma projeção com essas expectativas de uma continuação infinita de exploração, como se isso fosse estado natural. Ah, sempre foi assim, gente, é uma escolha, né? Assim, enfim, eu tava vendo um analista aí falando sobre IA, sobre aplicativos, enfim. Eu acho que foi um fórum de IA na França, uma coisa assim. Eu acho que era um cara do Senegal e ele falou isso, ele falou que as inovações de fato úteis, né, elas vão surgir exatamente do sul global, porque é onde as necessidades básicas ainda não foram resolvidas.

WWilliam

É, eu até penso nisso e eu até fiquei um pouco surpreso assim de ter uma vacina para dengue que é japonesa, porque eu sempre vi assim, eu sempre, não sempre, mas assim de uns tempos para cá eu comecei a pensar isso assim, olha, tem muita doença, muita coisa que tem no terceiro mundo, né, principalmente países tropicais, que a gente não pode ficar esperando um outro país que tem uma tecnologia mais avançada vir resolver, porque eles não vão resolver, porque não vai dar dinheiro, porque esse país não tem condição de pagar caro em tratamentos, e eles não têm a doença lá.

Então assim, eu fiquei até surpreso, não sei se tem dengue ou se tem um potencial tão grande assim de vacinas de dengue em outros países que o Japão possa ter visto isso. Não, exato. Mas assim, por exemplo, você vai vender para o Brasil, não é um país que tem um costume de pagar caro em medicamento, sabe? Então assim, eu até fiquei bem surpreso de ter uma vacina japonesa para dengue.

WWilliam

Ah, então eu acho que é isso assim, doenças que já deveriam ter sido erradicadas, sabe? Saneamento básico, tem um monte de coisas muito básicas. E aí ele falou, mas vai vir destes país, justamente porque Norte Global fica inventando necessidade, aplicativo para isso, há uma cápsula de não sei o quê, entendeu? Então assim, adaptação de 2012, eu acho que ela é bem certeira para mostrar assim, a gente tá vivendo, nossa, esse transporte incrível que vocês criaram aí, os robôs lá, né, que a guardinha é incrível, mas a gente tem ainda um monte de mazela, esgoto a céu aberto, Drogas, isso fica implícito, né?

Usuário de droga na rua, prostituição, gente esmolando. Então assim, tem cor. Por isso que assim, a neutralidade da ciência, tecnologia, não existe, não existe. Ela está a serviço dessa exploração. E aí assim, a gente tem que ser claro, né? Por isso que a gente vê o fascismo sendo normalizado de novo e os governos topando fascismo, porque para essa exploração você precisa continuar com repressão, né? Não é à toa que os robôs são incríveis, é quase uma guarda imperial.

Não sei se você reparou. A semelhança, né? É quase uma guarda imperial, precisa de continuar reprimindo para que a colônia continue trabalhando, sabe? Então assim, nossa, muito complicado. Essa é a parte que é o desespero de conto futurista, porque é cansativo, sabe? Não é como se não tivesse solução, mas não existe essa escolha. As pessoas não querem, né? Assim, a elite não quer, o status quo não vai permitir, né?

WWilliam

E hoje, se você for pensar, a tecnologia, ela vem sendo desenvolvida, ela não é, ela não vem sendo desenvolvida para melhorar a vida do ser humano é um segundo plano. O primeiro plano é manter o sistema. Então assim, você citou aí o grande transporte, né, que é o que seria fenomenal ter um tipo de transporte desse, né, mas que ele só vai ser desenvolvido no dia que tiver um lugar com a elite. Quer dizer, na utopia dessa ficção ele só vai ser desenvolvido a partir da necessidade de manter as pessoas longe, mas elas têm que vir trabalhar, entendeu?

Foi o caso, por exemplo, o caso da pandemia demonstrou que o mundo tem como desenvolver as coisas rápido, né? Então assim, a vacina, é óbvio que já tinha, vinha sendo pesquisada coisas relacionadas, né, a vacina já há muito tempo. Então muitas plataformas já estavam sendo desenvolvidas, etc. Mas assim, o o mundo parou. E aí, em pouco tempo, teve o desenvolvimento de uma vacina. E aí você vê, depois que aplicou a vacina, as mortes pararam.

Morria um avião de gente por dia no Brasil, chegou a morrer mais do que isso. Então assim, capacidade tem. A questão é que, e hoje principalmente, quem tá no controle dessa tecnologia é quem é da elite. Então, ou quem subiu servindo a uma elite que agora não pode dar as costas, sabe? Tem um monte desse tipo de questão assim.

WWilliam

E tem mais, porque no de 2012, ai, um cataclisma climático. Não, a gente já sabe que são os data centers que vão causar isso para gente, né? E assim, eu não sei se ficou claro isso que a gente tá dizendo quando você falou do grande transporte, gente, mas a gente tá falando de imigrantes. Ou seja, o império precisa da mão de obra, mas não quer essas pessoas morando lá assim. Por isso que eu acho que adaptação de 2012, ela desenhou de um jeito tão claro que eu pensei, não, mas quem assistiu esse filme não nunca captou assim, nem desenhando mais vai entender essa história, sabe?

E aí, qual que é a questão lá do grande governador, né? Não cabe mais gente na ilha, né? Aí eles estão tentando migrar pessoas de volta para colônia, e enfim, vai matar uma galera para desocupar um espaço para os colonizadores. Olha que interessante, né? Então assim, tá muito desenhado isso, né?

WWilliam

Sim, sim. E isso até me lembrou assim, tem outros, né, outras coisas que são imaginadas assim. Tem aquele filme do, que é um, virou uma série na Netflix também, que era um trem que sai circulando a Terra porque o mundo ficou congelado. Eu esqueci, em inglês é Pierce alguma coisa, mas o filme é até com o Chris Evans. E aí é isso também, né, aí um cataclisma congelou a Terra.

WWilliam

Por quê?

WWilliam

Porque tava esquentando, resolveram esfriar por conta própria e errar a mão e congelar a Terra. Então assim, e continua dentro do trem o sistema de exploração com castas. Isso, e com castas e trabalhadores braçais e elites que comem bem, não sei o quê, não sei o quê. Então assim, sempre tem esse transporte desse tipo. É óbvio também que isso pode aparecer como solução e como crítica, né? Né? Assim, isso pode parecer na ficção como uma crítica ao sistema que a gente vive, né?

Então assim, olha só, se isso fosse numa situação de fim do mundo assim, como que daria errado, né? Na maioria das histórias acaba dando errado.

WWilliam

Por isso que a minha crítica é essa: a gente tem que tentar pensar fora de uma lógica de império, sabe? É isso, é muito difícil, é muito difícil porque a história é ensinada desse jeito. Desse jeito. A história ensinada desse jeito. E aí quando alguém fala, ah, é radical, ah, é exagerado. Então assim, gente, e a construção de utopia e tudo mais, é o material, é o impossível mesmo. A gente tem que partir de algum lugar, né? Só que é isso, quem está dizendo ou quem tá produzindo produtos culturais não tem bem essa ideia de acabar com isso, né?

Eu acho que é um pouco essa questão, que ele era muito desesperado, o autor. Eu acho que é isso, ele tinha esse desespero, ele já tá lá nos anos 60 vendo isso, esse autoritarismo que tinha, né, passado aí do nazismo e dos fascismos na Europa. Mas ele já tava vendo aquilo ali, né, uma paranoia desses governos que— ah, nossa, olha, teve um dia que eu tava lendo a reportagem, eu comecei a rir sozinha, né, porque fizeram um ranking de cidades mais vigiadas no mundo e todo mundo: ai, China, não sei o quê. É Londres, gente, é Londres!

WWilliam

Eu acho que tem até umas obras do Banksy a respeito disso, não é?

WWilliam

Como as coisas, ninguém vai te falar que é autoritário, entendeu? Assim, todas essas manifestações pró-Palestina, o pau cantando em Berlim, entendeu? Então assim, eu não entendo até que ponto, o quão óbvio vai ter que ficar para as pessoas entenderem que essas democracias do Ocidente, elas flertam com fascismo o tempo todo, entendeu?

WWilliam

Eu acho também que pode ser um pouco difícil assim, uma vez que você cresceu dentro desse sistema, você imaginar uma coisa muito diferente que dê certo, né? É meio difícil às vezes você encaixar isso na cabeça. Mas isso cai até num livro que eu li bem interessante assim, que é o Ficção Científica Capitalista, que ele fala disso, né? De como que algumas ficções elas são material para perpetuar esse modo, essa dominação. Ele até cita, né, os esses tech bros aí que leem muita ficção, que inclusive tem lugar que o Snow Crash mesmo é uma leitura meio que obrigatória quem começa a trabalhar no lugar.

O próprio nome Meta veio daí, né? E só que aí tem algumas coisas que às vezes houve tempos em que os próprios autores da ficção científica, eles escreviam, eles já nem se consideravam muito literatura, eles escreviam falando assim, não, nós vamos escrever coisas que depois alguém vai construir. Então começou a vir aquelas ficções científicas, né, que descreviam muito bem os equipamentos, funcionamentos. A história não tinha nada assim, nada muito, muito excepcional acontecia na história de fato, mas que tinha ali uma tecnologia descrita.

Isso inspirava outras pessoas a estudarem e tornarem realidade aquilo que tava escrito, né, naquela ficção. E aí inclusive teve autores de ficção que foram contratados para trabalhar para essas grandes corporações de tecnologia. E o autor do Snow Crash mesmo, ele falou que ele não tinha nada a ver com o metaverso, mas não é necessariamente de um ponto de vista de crítica, é mais porque ele não era contratado da Meta. Então assim, olha, não tô ganhando dinheiro com isso, não é meu, não tem nada a ver com isso.

Era mais isso. Então assim, quer dizer, pelo que eu li, pelo que eu entendi do livro, né, era mais isso. Então Então tem essa coisa da ficção, ao mesmo tempo que ela critica, ela também promover essa imaginação que sempre vai estar limitada nesse raciocínio que a gente tem hoje, né, desse capitalismo exploratório mesmo. E até pelo tipo de história, assim, muitos livros é uma pessoa que ela com seu empreendedorismo e genialidade ela vai lutar contra o governo o malvado que controla, nananã.

WWilliam

Então assim, individualiza, né?

WWilliam

Exatamente, individualiza, coloca o governo sempre como, ou a própria lentidão do governo, né, como um inimigo. Eu até comentei isso, eu não sei se eu comentei isso na gravação, mas eu tenho certeza que eu comentei isso com você, que a diferença que eu via quando eu li O Problema dos Três Corpos com o que eu já tinha lido de ficção era isso, porque nas ficções, por exemplo, desse filme que saiu do Andy Weir, que é o Devorador de Estrelas, que eu tinha lido ele na mesma época assim.

E aí eu fiquei assim, porque num estilo, né, sempre uma pessoa, um herói, né, que vai lá e com sua genialidade salva o mundo. E normalmente esse herói americano, entendeu? E no Problema dos Três Corpos não, é um problema que ele é colocado para o mundo. E aí a história se desenrola, óbvio que com alguns personagens papais, mas a solução ela vai sendo trabalhada em conjunto, é coletivo. Então assim, é óbvio que tem, ah, mas aí a China predomina.

Ok, o autor é chinês e a história começa na China também. Então, e por causa de um contexto chinês, né, assim, que a mulher ficou decepcionada com uma coisa que aconteceu na China. Então tem uma justificativa um pouco melhor, sabe? Mas aí, por exemplo, no do Devorador de Estrelas, que não briguem comigo gosto, porque eu adoro esse livro assim. Eu li, fui, fiquei 2 horas e 40 no cinema sem ar-condicionado, com ar-condicionado estragado, vendo esse filme e adorando cada parte que tinha uma coisa científica.

Mas ele, a nave até tinha mais gente, mas morrem logo no início, e aí só sobra ele para salvar o mundo, entendeu? Então assim, é uma crítica que hoje eu tenho, né? Porque algumas ficções é isso, é um herói, e e dá essa ideia de que, ah não, vai ter uma pessoa, um Elon Musk, um Zuckerberg, que nos drible, que vai salvar o mundo. E não é, sabe?

WWilliam

A gente tem que mudar o foco. Eles são os vilões, sabe? Não são salvadores. Esses tech bros, gente, são os vilões, sabe? Vamos encarar a realidade aí, sabe?

WWilliam

Inclusive com ideias de supervilão, que é explodir bomba atômica em Marte para terraformar Marte, para fazer a as colônias lá marcianas.

WWilliam

Mas isso tudo que o William falou, a gente comentou lá no episódio sobre os 3 corpos. Então ouçam aquele episódio lá, se vocês não ouviram ainda, porque foi muito gritante, né, essa questão do individualismo e soluções coletivas. Foi interessante de observar, né? Mas ouçam lá. Eu quero trazer um elemento, porque a adaptação de 90, ela expandiu para uma outra coisa bem mais aleatória, mas trouxe um elemento interessante, que era eles foram morar Marte, só que aí não tinha oxigênio, né?

Então era uma forma de controlar a população, né? Você tinha bolhas de cidade com oxigênio. Qualquer faísca de motim ou de revolta popular e tudo, o grande governador lá ele cortava o oxigênio. Era sobre isso que eu conversava com meu aluno Geração Z. E aí corta para a gente vendo essas coisas acontecendo hoje, né? Essa mercantilização do que é fundamental, do que é básico para a vida, né? É, eu lembrei também do filme do James Bond de 2008, que o vilão era um empresário que tentava monopolizar e estocar água doce.

E aí, enfim, né, novamente o James Bond lá deixa ele largado no deserto com um negócio de petróleo lá para ele beber e tudo mais, né. Corta também para 2005, o CEO da Nestlé Internacional falando que a água deveria ser tratada como alimento, ser regulada por oferta e demanda, e chegou classificar de extremista quem falou que deveria ser acesso universal e gratuito, né? E aí assim, a Nestlé é a maior, né, a líder mundial de venda de água engarrafada, né?

Então assim, parar de achar que essas pessoas elas são heróis, né? Eles constroem essa narrativa, essa imagem de, nossa, tudo começou na minha garagem. Não, irmão, você teve além de tudo, né? Você teve incentivo do Estado para estar onde está. Ou no caso do Kiko dos Foguetes aí, que era um herdeiro, né?

WWilliam

Mas eu acho assim, a gente Todos eles, todos eles tiveram alguma coisa assim, uma conexão, alguma coisa.

WWilliam

Mas eles fazem essa caminhada de self-made man, e aí um monte de boçal fica defendendo milionário porque acredita que vai ser um dia, entendeu? Mas a minha questão é, voltando, a gente não consegue imaginar o mundo fora de império, exploração, e a gente não consegue nem pensar que tem coisas que são direito e não deveriam ser mercadoria. Comida, água, sabe?

WWilliam

E assim, até que se você for olhar assim, em Marte você vai ter ali algum mecanismo para gerar esse oxigênio, né? Então assim, ah, talvez em Marte faça sentido ter uma cobrança, não sei, cobrar isso igual água. Assim, depende, lá ainda tem essa coisa, mas aqui, sabe?

WWilliam

A água cai do céu, assim, literalmente, né? Mas olha a pergunta que você falou: faz sentido para essas pessoas que nos enxergam como esse gado indo para entrar no grande transporte? Gente, não é nenhuma questão.

WWilliam

É, mas o que eu tô falando é assim, é mais um pouco isso de você vai gastar coisas, você vai ter um custo para produzir. Assim, naquela, naquela, naquela ideia até romântica, né, de economia, de que você vai cobrir os custos, né? Não é porque a pessoa simplesmente quer encher o dinheiro, entendeu?

WWilliam

Não dá, não dá.

WWilliam

Porque assim, mesmo, vamos supor assim, ah não, vai ser tudo igualitário, assim, vai chegar lá, vai ter um custo, e isso vai ter que ser coberto de alguma forma, né? Não sei se por trabalho, se vai ter um mecanismo de uma moeda, né? Porque a moeda acho que ela precede o capitalismo.

WWilliam

Então assim, essa é a parte das utopias, de pensar soluções.

WWilliam

É isso, entendeu?

WWilliam

Mas olha, a gente não vai sair com a solução daqui hoje.

WWilliam

Não, a gente só vai jogar pedra em milionários, sabe? Também, também. E filosofar sobre, sobre o avanço da humanidade.

WWilliam

Não, mas eu entendo sobre os custos, não é isso que eu tô dizendo. Mas não existe uma, quer dizer, não existe não, existe gente falando sobre isso, mas a tônica, e a gente aprende na faculdade, eles ficam o tempo todo martelando a gente na cultura pop aí de que alguém tem que pagar por isso, e é sempre o andar de baixo, gente.

WWilliam

E aí tem essa coisa, e aí se você vê também que aí volta no que eu tinha começado a falar, que é isso, né? Se lá em Marte para ter ar respirável você tem um custo de produção desse ar, aqui na Terra da terra não. Então assim, a água cai do céu. É assim, ainda temos a questão que eu não sei se até hoje é assim, mas acho que no Brasil mesmo a gente paga teoricamente pelo tratamento da água, não pela água em si. Então ainda tem isso.

Mas a ideia dessas grandes empresas é que tudo seja mercadoria, inclusive a água, de qualquer forma. Tanto que nos Estados Unidos tem gente que é processada privatizado por coletar água da chuva.

WWilliam

Nossa, eu vi esse caso aí.

WWilliam

Teve aquela coisa, você falou do cara, o vilão do James Bond na Bolívia. Teve algum outro país que inclusive inspirou aquele filme A Chuva também, com o Gael Garcia, que é sobre uma revolução que teve num país aí porque a água foi privatizada. E aí as pessoas estavam sendo punidas por tentarem pegar água da chuva, porque nesse no caso desse filme, era ainda pior, porque as pessoas não tinham, tinha muita gente que não tinha condição de pagar, né, pelo que a empresa que comprou o sistema tava cobrando.

WWilliam

Então, e não se enganem, hein, Kamala Harris, quando tava fazendo campanha presidencial, falou que a guerra no futuro era por água, que a gente tinha que ficar de olho na Amazônia. Gente, ela verbalizou isso, sabe? Essa que é a minha questão, da gente ficar fingindo que o Ocidente ou essas democracias fake aí, sabe? Gente, se puder, vai ser exatamente o design social que está lá na de 2012. Eles na ilhazinha lá em cima vivendo a vidinha normal e a gente no esgoto fazendo as coisinhas para eles, entendeu?

Assim, e olha aqui, vou fazer a minha propaganda aqui contra Estragos Unidos. Você reparou as placas na colônia? Tudo escrito em russo e chinês.

WWilliam

Eu acho que não reparei. E ótimo.

WWilliam

Eu falei assim, gente do céu, que saco, sabe? Essa máquina de propaganda, não aguento mais. Todas as placas, fora que os barquinhos todos chineses, aqueles chapeuzinhos de palha, mas do nada uma plaquinha em russo assim. Então tipo assim, é o que sobrou e é a barbárie, sabe? Vocês aí que estão aí nesse esgoto, sabe? Ou é impressionante? Não, impressionante, cansativo.

WWilliam

Então é nesse raciocínio aí do capitalismo, né, e da mentalidade das pessoas. Eu vi um vídeo do canal Ciência Todo Dia que ele fala justamente sobre como colonizar Marte seria mais difícil do que a gente imagina. E aí ele termina o vídeo falando assim, que Marte seria um prêmio para uma humanidade que crescesse e passasse da sua infância tecnológica. Mas eu acho que essa infância não é só tecnológica, ela é uma infância de mentalidade mesmo e de comportamentos, né?

Porque você imagina assim, e o livro da ficção científica capitalista também fala disso, que é assim, as pessoas pensam em explorar o espaço, em colonizar o espaço, mas vai reproduzir as mesmas estruturas que estão destruindo o planeta Terra. Então assim, você pega Marte, que não tem oxigênio na atmosfera, atmosfera é rarefeita, e tem muitos outros problemas assim para sobrevivência a mais do que a gente tem no planeta Terra. E como é que você vai fazer isso funcionar nesse cenário, se o cenário que você tem tudo entregue, tudo já na natureza, isso não funciona, entendeu?

É até complicado o exercício de imaginar esse sistema funcionando no espaço afora, que é muito mais difícil do que—

WWilliam

muito mais hostil.

WWilliam

Exatamente, a palavra é essa, muito mais hostil. Imagina os mesmos conflitos, tipo, ai, países diferentes em guerra, em Marte. O primeiro tiro que você dá estraga uma estrutura, joga todo mundo para fora da atmosfera controlada, morre todo mundo.

WWilliam

Então assim, o que acontece nos anos 90, olha que visionários!

WWilliam

Isso, exatamente.

WWilliam

Na adaptação, né, quebra o vidro lá e aí escapa o ar. É isso.

WWilliam

E aí, e aí eu acho que é isso. Eu acho que se a humanidade não evoluir nesse sentido de resolver esses problemas aqui na Terra, de muito difícil colonizar o espaço.

WWilliam

E é por isso que eu acho que entra nessas questões da obra dele que a gente começou a falar, que é muito difícil. Como você disse, a gente cresce com isso, mas aí quando surgem pessoas falando, nossa, é muito difícil falar contra porque existe toda uma estrutura construída isso, né? Assim, a gente, eu tô pensando aqui, enfim, eu tô muito focada em data center porque eu vi um vídeo que um cara filmou, ele mora, eu não sei se é Michigan, o barulho do data center 24 horas, insuportável.

WWilliam

Não, e olha como é que é a coisa, né? Estados Unidos, Hemisfério Norte de uma forma geral, mas Estados Unidos, Europa estão vivendo ondas calor. E aí você tem pessoas morrendo de calor e ao mesmo tempo data centers climatizados, porque a máquina não pode ficar no calor. E aí você tem o estádio da Copa, tem estádio climatizado, alguns estádios são climatizados. E eu até li um negócio, esses, esses tipo comentariozinho de Twitter assim que alguém printa e e faz um post assim, que era a pessoa contando assim que o trabalhador, acho que da, acho que não sei se foi do Walmart, da Amazon, sei lá, uma dessas grandes empresas aí de comércio, falando assim que tava meio p da vida porque enquanto eles estavam era só gente trabalhando, o galpão não era climatizado e todo mundo morria de calor.

E aí quando começaram a colocar máquinas, as máquinas, a máquina não podia ficar no calor, e aí climatizaram o galpão inteiro, deram um jeito, sabe?

WWilliam

Então Amazon.

WWilliam

Então é isso, a tecnologia ela tem sido para fomentar o sistema, não necessariamente o ser humano.

WWilliam

Por isso que a minha briga com essa encheção de saco que a gente tem que usar IA para tudo. Gente, vejam que eu não sou essas tiazona que vai contra o progresso, jamais. Não vou ficar falando, ai, não vou usar para nada, não é isso. Mas se eles insistem muito com isso, tem alguma coisa errada. Sobretudo que é de graça, sabe? Isso é claro que tem as versões pagas, mas se não fosse uma coisa que eles ficassem assim, eu tô igual ele, cheio de paranoia.

Mas é isso, então insistindo muito e o negócio é de graça, é porque, né, a gente sabe que o que que é de graça é a gente mesmo, né, os nossos dados e tudo mais. Então assim, meu problema é isso, assim, coisas que a gente sempre fez, uma ferramenta que veio supostamente para melhorar as coisas, mas a que preço, sabe? A gente vai destruir tudo, entendeu? Assim, e tem o tal do conceito de que um dia essa bolha vai explodir. Ah, essa bolha vai explodir hoje mesmo, passou na minha timeline um videozinho de um carinha falando que essa bolha de ar vai explodir.

E aí eles vão para cima de quem, gente? Do Estado malvadão, para cobrir esses buracos de dinheiro. Vai ou não vai?

WWilliam

Não, até certas manobras assim são feitas para garantir dinheiro para gastar com inteligência artificial, né? Com desenvolvimento e aprimoramento e treinamento e data center, mesmo que não tenha tido talvez um retorno tão grande assim, né? Então você vê certas manobras em empresas fazendo emissões. A inteligência artificial ainda não resolve tudo, mas de alguma forma a empresa de repente decidiu jogar uma tonelada de dinheiro em inteligência artificial, né?

Então é uma guerra para além, para além de simplesmente desenvolver a tecnologia, né? Porque inteligência artificial ela tem esse potencial de ser vista como esse oráculo, né? Então se você junta isso com essa questão do roubo de dados, e o roubo de dados não pensa assim, ai, é só porque vai me mostrar propaganda. Não, hoje aquele escândalo da Cambridge Analytica, que era identificar perfis que eram mais vulneráveis a certas propagandas e mudar a opinião política dessas pessoas, mudar o que que elas aprovam, o que que elas não aprovam.

Então assim, você vira um ponto que vai ser vendido entre empresas para falar assim: essa, esse corte aqui eu consigo fazer votar em você, esse corte aqui eu consigo fazer ter medo de alguma coisa, ou consigo entender o medo dele e convencer ele de que o seu produto vai resolver o problema dele.

WWilliam

Um grande exemplo disso foi o Brexit. Brexit, né? É, o Brexit eu não, eu não, porque depois que voltou foram ver as consultas no Google, todo mundo pesquisando o que que era Comunidade Europeia, juro.

WWilliam

Depois que voltou assim, não, pois é, gente, até esticando o assunto um pouco assim também para o neuromancer, porque isso acontece no neuromancer, né? Eu não sei se a Lívia vai querer fazer um episódio depois de neuromance? Quem sabe, quem sabe. Vai ter série na Apple, hein? Há um momento em que algumas inteligências artificiais, elas viram deuses nessa Matrix, que é de lá que vem o conceito, né, da Matrix como esse espaço virtual, né, no ciberespaço assim.

E aí elas viram deuses lá dentro. Então fora da Matrix você tem gente da religião que adora os deuses que estão lá dentro da Matrix. E que até assim, se você tem um mundo completamente conectado, e se você tem inteligências artificiais muito poderosas, você, a inteligência artificial, ela conseguiria manipular coisas em data centers, em bases de dados, etc. Outra, fazer uma pessoa ficar rica e a outra ficar pobre. Então assim, e isso em algum momento no livro acontece, né?

Então eu fiquei pensando nisso, assim, gente, então você, se tiver essas inteligências que são deuses, talvez elas te atendam, porque você vai rezar para acontecer uma coisa, ela pode manipular assim, ah, se eu derrubar um cargueiro automatizado, vai ter a consequência tal e tal e tal, e no fim essa pessoa vai ter o que queria, sabe? Então, e eu acho que é isso que eles estão correndo atrás, porque quem ganhar a corrida da inteligência artificial meio que vai ter o oráculo na mão para ditar as respostas que as pessoas vão receber quando perguntar.

WWilliam

Olha, diante da amostra dos brotex que tem aí, não vai dar nada bom.

WWilliam

É, e aí você já vê a diferença assim do que que cada um responde, Por exemplo, até a inteligência artificial chinesa mesmo, ela vai responder, por exemplo, a questão de Taiwan, ela vai responder do ponto de vista dos chineses. E se você perguntar à inteligência artificial ocidental, vai responder do ponto de vista norte-americano.

WWilliam

Então assim, Israel, Palestina também, é bizarro você fazer isso, né?

WWilliam

Quando tiver uma opinião pública, se um assunto estourar e todo mundo falando na inteligência artificial e perguntar assim, quem tá certo, quem tá errado, como que foi isso, você pode voltar lá no 1984 e reescrever a história. Você pode fazer a inteligência artificial responder coisas que não aconteceram como se ela tivesse acontecido e manipular o passado. E aí você controlar as pessoas.

WWilliam

É por isso eu volto na questão lá do início do episódio da não neutralidade da tecnologia. Não existe isso, sobretudo porque são as pessoas que ensinam, que treinam ela, ou o algoritmo e tudo mais, né?

WWilliam

Exato, exato. E nessa questão, eu até tenho um conto que eu achei interessantíssimo no livro do— que tem o mesmo desse da Recall, que é um conto— eu não vou lembrar o nome do conto agora, mas é um que fala das garras, que são equipamentos bélicos desenvolvidos para proteger áreas militares, e elas têm uma inteligência, a fábrica delas tem uma inteligência E aí, de novo, vou dar spoiler, porque essa é a parte interessante ao final.

Então, se você não quiser spoiler, quiser ser surpreendido que nem eu fui, para agora, vai ler o conto e depois volta a escutar. Que é: as inteligências artificiais, elas começam a se diferenciar. As inteligências não, os equipamentos, né, com a inteligência, eles conseguem se diferenciar, eles conseguem se dar forma de pessoas para enganar outras pessoas, mas Mas essas, essas diferentes máquinas, elas não conversam entre si. Então tem essa coisa de carregar a natureza humana do conflito dentro delas, porque tem uma hora que uma máquina ela tem uma arma que neutraliza outra máquina, que a origem foi a mesma, mas que em algum momento elas se diferenciaram.

E aí o cara, no momento, o ser humano lá, no momento de derrota, Ele ri porque ele percebe que do mesmo jeito que os humanos se destruíram, inventaram máquinas para se destruir, as máquinas também tinham começado esse processo. Então, que em algum momento elas também iam se destruir. Então assim, esse foi o momento do conto que eu fiquei, caramba, o cara era muito bom, o autor era muito bom.

WWilliam

E você tá falando disso aí, eu pensei naquela discussão que a gente fez, eu acho, fora aqui do episódio, né, sobre natureza humana, que é o que aparece muito nas obras dele, né, sobre a capacidade de empatia. E voltando àquilo que você falou dessa infância da humanidade, né, assim, eu acho que a gente pode concordar aqui que a gente já vive numa barbárie, sabe? Essa ideia de civilização e barbárie, ela nunca foi completamente correta, né?

Quem civilizou, supostamente, entre aspas, civilizou, foi através da barbárie, né? Se a gente pensa em colonização e tudo mais, sabe? E aí é interessante ver nessas histórias que às vezes a máquina às vezes tem mais empatia que os próprios seres humanos, sabe?

WWilliam

Às vezes não necessariamente empatia, mas a máquina pelo menos ela é mais racional.

WWilliam

E aí ela faz a conta e fala assim, ó, pela crueldade a gente faz escolha.

WWilliam

É isso, a máquina não escolhe a crueldade, ela escolhe o que vai resolver o problema.

WWilliam

É isso, entendeu? E aí E isso é muito, isso, essa é a parte que eu acho que é desesperadora e que eu acho que ele devia toda hora pensar nisso, sabe? Por isso que tem essa parte muito sombria, eu acho, porque a gente vê isso, a gente tá vivendo isso.

WWilliam

É, e no caso é isso, né? Tanto que tem histórias de ficção que a máquina às vezes toma a decisão de eliminar pessoas, e aí a gente meio que volta na barbárie. Mas aí ela tem uma lógica ali por trás, né? Ela foi programada.

WWilliam

É, mas eu penso que a barbárie ela é humana, e aí a máquina aprende isso com a gente.

WWilliam

Exatamente. Inclusive, tanto da barbárie assim, mas se pegar exemplos assim, por exemplo, ah, vamos usar inteligência artificial para fazer julgamentos. Eles pegam todos os processos que já foram julgados e alimenta inteligência artificial. Só que os vieses todos, os preconceitos e tudo tá nesses processos. Então você vai treinar uma inteligência artificial para ela julgar que nem um juiz humano, cheio de vieses e preconceitos. E ela Vamos esquecer tudo, tudo que tem aí.

WWilliam

Eu não esqueço uma feira de robô, as robozinhas sensualizando. Eu falei, gente, não é possível, sabe? Vai fazer robô para isso, entendeu? Assim, são essas questões que eu acho que a gente tem que pensar, sabe? O que— ah, mas eles nunca vão se revoltar com a gente porque a gente que ensina eles. Mas assim, está ensinando isso, como você falou, racismo e tudo, entendeu? Assim, não dá.

WWilliam

E aí, querendo ou não, principalmente hoje assim, a inteligência a inteligência artificial, ela impressiona muito porque ela concentra muito conhecimento. É difícil uma pessoa ter aquele conhecimento todo, mas ela é uma repetição, ela repete o que já existe.

WWilliam

Isso.

WWilliam

Então assim, se você pergunta a ela e ela te responde o que que é um fone de ouvido, ela é porque ela foi alimentada com vários conceitos do que que é um fone de ouvido e ela tem, tira uma média do que que é e fala o mais provável é que seja isso e vai te responder isso. Então com os preconceitos, os vieses, tudo vai estar lá no meio também.

WWilliam

Exato. Bom, a gente teve a questão de Marte na adaptação de 90, a gente falou do oxigênio e tudo. E aí eu queria que você trouxesse para gente em que pé que tá essa história aí na vida real.

WWilliam

Ai, Marte, né? Esse sonho, né, de Esse sonho do ser humano, esse ímpeto de explorar tudo, né? Então, o que eu tenho acompanhado assim, tem algumas evoluções tecnológicas, mas ainda é algo bem difícil de ser feito na realidade, né? Começa pela distância. Marte, quando ele tá mais perto, do planeta Terra é uma distância de 55 milhões de quilômetros. Então essa viagem, tendo que aproveitar essa janela de que acontece de 2 em 2 anos, ela demoraria aí uns 6, 7 meses, né, navegando no espaço com as tecnologias que a gente tem hoje.

Houve alguns desenvolvimentos assim, por exemplo, que para o foguete sair ele faz uma combustão do do material lá, né, do combustível. Só que, por exemplo, quando você queima um combustível dentro do motor do carro, ele tá pegando oxigênio da atmosfera mais a gasolina ou álcool e queimando lá na coisa e soltando o gás carbônico na atmosfera de novo. O foguete no espaço, ele não vai ter de onde tirar o oxigênio. Então você tem que levar o que você vai queimar mais o oxigênio.

Então você já aumentou a quantidade de coisa. Quando quanto mais combustível você põe no foguete, mais pesado o foguete fica. Então mais combustível você precisa para levantar esse foguete. Então assim, tanto que estima-se que para você levar 1 tonelada de carga útil é entre 25 e 50 toneladas de combustível que você precisa. Então é uma eficiência bem baixa assim. Teve alguns desenvolvimentos recentes, teve uma, uma sonda, é um veículo espacial chinês aí para ir na Estação Internacional Espacial, é que eles estrearam um motor iônico que pelo funcionamento dele, ele vai transformar o material em plasma e vai ionizar esse material, e aí com campos eletromagnéticos ele vai expulsar esse material de dentro da nave, né, de dentro do motor.

Que porque o foguete, a combustão, ele faz isso, né, ele, a combustão gera um gás que expande, expulsa isso do foguete, gera força para o outro lado. E aí o motor iônico faria isso, só que como ele acelera as cargas desse material com campo eletromagnético, ele gasta menos combustível, mas menos massa de combustível para poder, para poder acelerar. Parece que ele não tem ainda uma capacidade de empuxo muito grande, né, para poder, por exemplo, tirar um foguete da órbita da Terra.

Mas como ele usa pouco material e essas viagens são muito longas, se você consegue acelerar o foguete durante muito tempo no espaço, então você teria aí uma vantagem de ter que levar menos material e manter o foguete acelerando talvez por mais tempo, e aí talvez reduzir esse tempo, esse tempo de viagem. Tem também a questão de que agora parece que tá voltando assim esse interesse na Lua, porque isso também, porque a Lua poderia ser um ponto de partida para Marte que você não precisaria escapar da atmosfera, não precisaria escapar da atmosfera da Terra, da atmosfera não, da gravidade da Terra, né?

Então seria, então ou se você consegue fazer fábricas na Lua, aí você fabrica tudo na Lua e leva para Marte, né? E aí, e aí tem a questão também que é o espaço é um lugar muito hostil, né? A atmosfera de Marte é basicamente, tem muito gás carbônico, não tem oxigênio, ela é mais de 100 vezes, cerca de 170 vezes menos densa da Terra. Então, obviamente, você não vai respirar lá. O solo não também tem compostos que são nocivos, né, ao ser humano.

As temperaturas também são muito extremas, chega a -153 graus, então, dependendo da região, mas pode, uma média seria -55. Então assim, tem essa questão também, né, de que teria que ser um ambiente pressurizado, hermeticamente fechado. Tem a questão da comida, né, que você não vai— na verdade assim, pode crescer um vegetal em Marte? Não sabemos ainda. Fazer igual minha irmã resumiu aquele filme Perdido em Marte: ah, é o filme do homem que planta batata em Marte?

WWilliam

É um bom resumo, real.

WWilliam

Mas é isso. E na verdade tem muitas coisas, porque, por exemplo, você não vai conseguir ir para Marte, é igual, é meio que a época das grandes navegações, né? Demorava meses para chegar num lugar, no outro. Então você ia, era para ficar. Então assim, dificilmente você ia ficar indo e voltando. Exatamente. Então assim, e aí chegando lá tem essa questão do abrigo, tem a questão da radiação, porque a gente tem a nossa atmosfera com o nosso campo campo magnético da Terra natural que desvia muita, muita radiação que vem do Sol.

Então até por isso a gente tem uma atmosfera mais densa, né, porque esses ventos solares eles meio que varrem a atmosfera se você não tem algo que desvie o vento solar, e o campo magnético da Terra faz isso. E aí a gente tem a camada de ozônio que filtra raio ultravioleta. Lá em Marte não ter. Então você tem uma série de radiações e perigos que a gente não tem aqui na Terra. E aí, se você vai colonizar, isso implica multiplicar a população lá.

E aí, como é que é uma criança nascer nesse ambiente, né, que não tem gravidade a mesma da Terra, a gravidade menor? Então você pode ter problema de circulação, problema na formação de osso.

WWilliam

Você pode— 90, bota isso, né, as pessoas que são que são, que têm deformidades por causa da ausência de oxigênio também, né? Eles flertam um pouco com a coisa dos extraterrestres aí, mistura de humanos com extraterrestres, que são essas pessoas com deformidades, né?

WWilliam

Então, e isso até na viagem mesmo é uma questão, porque nunca houve, eu acho que nunca houve um estudo. Os astronautas, eles não ficam muito tempo na Estação Internacional.

WWilliam

Mas não teve agora um acidente? Mas ficou um casal perdido um tempinho além do previsto, você lembra dessa história?

WWilliam

Mas eu acho que o tempo deles era programado para um pouco, para pouco tempo, entendeu? A gente tá falando de 6, 7 meses sem gravidade. Mas esse já causou apreensão, do tipo assim, não, os caras vão ficar além do previsto, e eles nem Tavam, né, assim, é ali, acho que, acho que a apreensão foi mais porque assim, olha, o sistema que a gente considerava que era super seguro, que ia buscar vocês, estragou. Então assim, a gente não sabe quando a gente vai buscar exatamente.

Então assim, e ali você já tem uma questão que assim, ali você tem pessoas que se prepararam a vida inteira para ficar enclausurados ali dentro daquela estação espacial. No caso de uma colônia Amazônia, você não vai, você não vai ter esse luxo de ter essas pessoas tão bem preparadas.

WWilliam

E aí, então quem que vai ser enviado?

WWilliam

Então depende, porque, por exemplo, inicialmente talvez seriam esses, essas pessoas super preparadas, né, astronautas da NASA, da União da Rússia, né, que tem um programa espacial relevante, da China, pessoas que passam a vida inteira estudando e treinando para fazer esse tipo de coisa. Mas a partir do momento que a colônia se estabelece, você começa a ter pessoas que podem ou nascer lá, e aí ela vai falar assim: nossa, eu vivo essa vida de merda aqui, podia estar lá na Terra, sabe, na grama, correndo, sentindo o ventinho na minha cara, e não sinto isso porque alguém resolveu vir me fazer aqui em Marte.

Então assim, e a outra questão também é que assim, você vai ter pessoas igual— eu tô assistindo uma série também muito boa, tem suas críticas, mas muito boa, boa, que é a For All Mankind na Apple TV. E ela conta essa história de um universo paralelo, assim, de uma realidade paralela onde a corrida espacial foi muito mais rápida do que o que a gente viveu. Então a gente chega no momento que a Lua é colonizada, Marte é colonizado, e aí tem um cara lá— eu, isso não é um grande spoiler— que ele tá precisando de emprego, porque na história lá, até para tecnologia andar, que é questão da geração de energia numa colônia e etc.

Eles conseguem achar uma energia limpa, mas aí as pessoas que trabalhavam em plataforma de petróleo, essas coisas, elas de repente estão desempregadas. Isso vira um grande problema, etc. E aí ele vai procurar para trabalhar na Lua. Aí, para a Lua só vou ter vaga para te mandar daqui a 2 anos. Pô, mas minha mulher tá me deixando porque não tem emprego e não para o emprego, não sei o quê. E o cara Olha, tem para Marte. Então assim, você já pensou?

Você até ganha mais indo para Marte. E aí você de repente vai ter essa pessoa que ela só queria viver a vida dela.

WWilliam

Exatamente.

WWilliam

E ir para um lugar onde ela vai ficar fechada, enclausurada, com pouco espaço, sendo forçada a conviver com gente que pode surgir conflito. Então, e isso no ambiente hostil, isso já dá problema aqui na Terra.

WWilliam

E imagina, você tirou as palavras da minha boca. Eu ia falar, gente, isso é metáfora das imigrações, dos migrantes forçados, né? Hoje a gente tem os migrantes climáticos, mas as guerras, os imigrantes, é isso aí, ué.

WWilliam

E aí você vai ter esse tipo de conflito no lugar onde, dependendo da besteira que você faz, você mata a colônia inteira, porque a despressuriza, acaba oxigênio, acaba a climatização e mata a colônia inteira. Então assim, assim, como que isso vai ser resolvido se a gente não evoluir como sociedade, né? E aí tem, tem, tem, tem muitas questões, né? Tem a questão, essa questão da energia, né, que então a gente, a gente tá nesse, nesse ponto aí que uma saída seria fusão nuclear, porque o que hoje a gente tem é fissão, que é você quebrar os componentes, os componentes, os átomos, e nessa quebra ele gera a energia, mas isso produz lixo radioativo.

E aí você vê caso, por exemplo, Fukushima ou de lá Chernobyl, que tem acidentes, e esse material vaza. Então assim, é um negócio perigoso que seria interessante não mandar no foguete para o espaço hostil. Então, na série, eles até resolvem isso com a questão da fusão, que é uma coisa muito pesquisada ainda, mas que a gente ainda não gera energia. Mas que se gerasse, seria uma grande saída, assim. Inclusive, tem um material que é o hélio-3, que é um hélio específico que que na Terra tem pouco dele, mas que poderia ser usado nessa fusão.

E aonde que tem esse hélio-3 em grande quantidade? Estima-se que seja na Lua, porque os ventos solares teriam trazido isso para superfície da Lua. Então tem essa série de problemas para resolver. Aí tem o problema que Marte tem água, mas ela tá ou congelada no subterrâneo ou ou congelada nos polos, ou ela vira um gás porque a pressão é muito baixa. Então achar água líquida, manter a água em estado líquido em Marte seria uma grande questão também.

Eles estimam que dependendo de como que o solo pode ter se formado e fazendo a pressão em cima desse gelo que poderia existir no subsolo, certas regiões com essa pressão do solo em cima poderia tornar água líquida. Mas aí você tirar essa água também é um negócio assim que demanda toda uma técnica específica, porque se você simplesmente cava e deixa e expõe isso para atmosfera, aquela água que tá congelada lá ela sublima por causa da baixa pressão.

E aí você vai escapar isso para atmosfera E aí o vento solar vai vir, vai varrer, e você vai ficar sem nada. Então assim, tem isso, a questão da temperatura. Inclusive tem uma fantasia, que aí é uma fantasia dos Stark Bros, né, que é a questão de descongelar o gás carbônico que existe congelado em Marte, porque aí o efeito estufa, olha só, ele vai esquentar Marte para a vida humana. Então assim, é o efeito estufa do bem. Então Tem essa série de coisas.

Então assim, tem um monte de obstáculos aí atualmente que estão avançando, mas ainda tem certas paredes que a tecnologia bate assim, que talvez às vezes demora para passar, né, para achar uma alternativa ou para desenvolver de fato a tecnologia. E aí quando você vai começar a ver assim, ah, mas aí, beleza, você vai ter pessoas, aí você vai ter aquele domo fechado, e aí como é que você vai ser autossuficiente? Aí você vai começar, então você, que tal colocar plantas para gerar oxigênio e algas?

Mas aí essas plantas e algas precisam de adubos e coisa, então você tem que reprocessar o material do que seria do esgoto, né, para poder adubar as plantas. Então você teria que injetar, colocar coisas nesse ecossistema fechado para ele entrar. E olha só, em equilíbrio. Sabe o que que é um ecossistema fechado em equilíbrio que a gente precisaria atingir um equilíbrio? Chama Planeta Terra.

WWilliam

Olha que coisa gozada!

WWilliam

Que interessante, né?

WWilliam

A gente tá falando tudo e eu tô assim, um sentimento ambíguo, porque eu tô assim, nossa, é tudo muito fascinante, mas assim, por que Por que não investir em continuar mantendo isso habitável, que já tem, sabe?

WWilliam

Então é isso, sabe? Nossa, a questão é que assim, se na Terra já tem e não estamos conseguindo manter, como que a gente conseguiria manter isso no lugar que não tem?

WWilliam

Mas é, mas aí que entra essa coisa dessa vaidade desses tech bros malditos assim, se acham uns mini deuses aí, sabe? É isso que é insuportável.

WWilliam

E aí a questão da exploração espacial como preservação da espécie humana é uma furada, né? Porque você tinha um sistema que era quase fechado, que é o planeta Terra, que a energia vem de fora, né? Vem do sol, mas todo o resto tá aqui dentro, né? E isso não está sendo mantido pelo sistema individual. Então como é que você vai se dar à missão de preservar a espécie humana levando esse sistema para um lugar onde não, onde a situação é muito pior?

Então assim, é uma ambiguidade que não se resolve, no meu ver, assim, né, como argumento, na verdade. É, então assim, tem outros motivos também, né? Você pode pensar em minerar a Lua, minerar minerar Marte. Mas aí vem a questão, né, assim, quem que vai, como assim, como que você vai minerar Marte e levar e trazer esse material?

WWilliam

E assim, sendo que aqui na Terra se faz muito mais barato, e o que que a mineração também faz aqui, entendeu?

WWilliam

É exatamente.

WWilliam

Então assim, até destruiu Minas Gerais, entendeu? É isso assim. Então umas coisas que não dá assim, a gente não consegue pensar fora de lógicas tão exploratórias, entendeu? É isso a questão, sabe?

WWilliam

É exatamente. Até a questão de castas também, né? Assim, você ter a pessoa que ela vai, exato, para ser mandar e ter regalias, e ter o peão que tem que ser mantido sob controle, sabe? Tem que ser, ter uma vida miserável e ter a sua dependência atrelada, que é a ideia do Elon Musk, né? Que no Brasil é considerado trabalho análogo à escravidão, que é viajar. E aí, para você pagar a viagem para Marte, você trabalha para o Elon Musk lá. Então assim, no Brasil você trabalha na escravidão.

WWilliam

É um trambiqueiro, é um trambiqueiro. Podemos entrar na parte do chapeuzinho de alumínio, de teoria da conspiração?

WWilliam

Deixa eu só falar mais uma coisa, a questão dos conflitos humanos também. Também foi feito um experimento há um tempo, chamava Biosfera 2. Eles fizeram um domo, eu não sei se foi nos Estados Unidos ou na Inglaterra, acho que foi nos Estados Unidos. E aí eles colocaram 8 pessoas lá dentro e para viver meio que simulando essas condições assim de tipo, ah, uma vida no lugar hostil que você tem que viver dentro desse domo. E aí para ter conflito basta ter 2 pessoas, né?

Com 8, elas se dividiram em 2 grupos de 4 e se odiaram a ponto de um grupo ignorar o outro. Então assim, e não sustentou, oxigênio começou a baixar lá dentro. E é isso, né? Aí é a hora que eu falo da questão de sair da infância em questão de mentalidade e comportamento, é porque todos os problemas que a gente tem fora foram lá para dentro. Teve problema de assédio, teve problema de briga, teve problemas de tudo. Então assim, e na verdade esse experimento nem foi tão bem documentado que parece que uma empresa que fez isso e não, não exatamente seguimentos científicos e não registrou de acordo, né?

WWilliam

Então assim, mas essa infância a gente não vai sair dela enquanto for o sistema capitalista desse jeito. Aqui eu já vou avisar, gente, não tem, não tem. A nossa educação ela é feita para isso, para disputa. Não é, é o individual, não é o coletivo, entendeu? Assim, por isso que a gente fica desesperado, difícil de pensar, mas é isso, ele não vai desde tempos muito muito remotos assim, se for considerar assim.

WWilliam

O capitalismo não existiu para sempre, mas o que que existia antes também era um sistema um tanto explorador assim, né?

WWilliam

Então, mas olha, a gente já teve ideia de comunidade, elas existem. Ela foi destruída, a ideia de comunidade. É isso que eu tô dizendo, o capitalismo teve início, vai ter fim. A gente tem que pensar que vai ter fim, por mais que eles nos convençam que o mundo vai acabar antes disso. Gente, isso também é uma ideia que eles querem que a gente aceite. Ah, nosso mundo vai acabar antes do capitalismo. Aqui não, ele vai acabar. Eu não sei quando e como, mas vai.

WWilliam

E na verdade ele acaba, na verdade assim, durante a história foi isso, né? As coisas vão se transformando em outras, né? Exato. Transformando em outra coisa.

WWilliam

Mas assim, temos que pensar outras lógicas, sabe? Não, assim, a gente viveu uma pandemia horrível e aí vem uma desilusão. Nossa, realmente o mundo vai acabar assim. Falar assim, não, esse sistema que tem que acabar e vai surgir outra coisa. Nada surge do nada, realmente assim, né? As rupturas na história estão aí para mostrar isso mesmo.

WWilliam

É, eu quando eu falo assim a infância no sentido de mentalidade, e isso faz parte, né? Enquanto tiver essa questão de um grupo querer dominar o outro, querer se impor ao outro e querer brigar com o outro e fazer uma corrida com o outro, Em partes isso, por exemplo, algumas coisas, principalmente espacial, teve a corrida espacial e aí as tecnologias avançaram bastante na área, né? Então, mas talvez esse pensamento todo de competição e exploração ele traga muito mais prejuízos do que benefícios, né, para a vida na Terra.

Então no espaço isso, o espaço é muito mais hostil. Inclusive nessa série For All Mankind tem muito disso, dessa questão dos preconceitos, da mentalidade e dos conflitos saírem da Terra e irem para o espaço, quanto do— e essa questão também de como que o espaço ele é hostil. Então assim, um erro no espaço ele pode custar vidas, né? Então pode dar muito problema. Então assim, a questão é, se a gente não conseguir resolver isso na Terra e parar de ver o espaço como uma saída, um escape, não vai ser bem-sucedido esse, essa coisa de salvar a humanidade correndo para o espaço.

WWilliam

E antes que venham falar que é da natureza humana, sei lá, querer concentrar coisa e tudo, Não é. A gente sabe de que teve navegações do continente africano, eles passaram pela América, eles vieram, oi, tudo bem, e foram embora. Porque essa ideia de que você tem que chegar para conquistar, isso é uma coisa do Ocidente colonizador civilizacional, entendeu? Assim, que civilização tinha nada, sabe? Então é isso que eu quero dizer, a gente tem que tentar pensar formas diferentes.

Então assim, a gente tem outras pessoas pensando isso, sabe? É isso que eu quero dizer. Porque, ai, é inato do ser humano explorar, querer ganhar. Não, a gente é educado para isso, gente. A gente é educado para isso. Assim como racismo é inato, racismo a gente já sabe que não, entende? Então assim, a gente tem que tentar desconstruir essas coisas, porque é a cultura pop, é a nossa educação formal, universidade liberal, é isso tudo dizendo para gente que é isso, e não é. Porque não é.

WWilliam

E aí você imagina assim, aí tem outras camadas, né, que daí vem o ímpeto humano, às vezes para o bem, às vezes para o mal. Imagina, você tá lá no espaço dentro da sua cápsula pressurizada, e aí vem o YouTuber e fala que não, que a atmosfera de Marte na verdade ela é, dá para sobreviver nela, que na verdade as grandes corporações que querem que você fique aí pagando por oxigênio e pressão e água líquida. E aí as pessoas vão querer querer uma revolução para sair do ambiente controlado, para descobrir lá fora que não dá para viver, sabe?

Então assim, tem essa coisa do comportamento humano também de querer ganhar com tudo, de querer inventar essas coisas também, que pode ser catastrófico.

WWilliam

Mas eu acho que isso é aprendido pelo meio, do jeito que a gente tá, entende? Eu não acho que isso é inato, é isso que eu tô fazendo.

WWilliam

Não é assim, é que eu falei da natureza humana, mas eu tô falando assim, talvez dessa nossa educação faz a gente pensar isso.

WWilliam

Tanto que a gente ficou, deu um tilt na hora que a gente leu uma ficção científica e que a solução é coletiva, de tão acostumado que a gente tá com herói de Brotec aí, que é eles que vão salvar o mundo, entendeu? Então assim, a cultura pop forma esse sentimento na gente também, faz a gente acostumar. Por isso que eu acho que contos como o dele, né, trazem essa discussão aqui que a gente tá fazendo, né? Mas estou aqui colocando meu chapeuzinho de alumínio.

Você acompanhou? Eu não sei bem assim se você acompanhou isso, mas acho que sim, porque a gente conversou isso já outras vezes, do tanto de pesquisador, do tanto de gente da NASA que tá aparecendo morto.

WWilliam

Sim, a gente comentou isso. E eram sempre áreas assim muito no limite do conhecimento humano.

WWilliam

Exato.

WWilliam

E era umas áreas assim, a mulher aparecia numa live.

WWilliam

Ah, porque foi muito interessante isso, isso, isso. Passou um tempo, nossa, fulana foi encontrada morta. Gente, foram vários assim. E aí eu comentei com uma outra amiga, ela falou assim, Liv, mas você tá muito chapeuzinho de domínio. Foi, gente, será que estou? Porque eu tô tão desesperançada. O que que é isso, né?

WWilliam

Normal isso não é. Até porque várias dessas mortes estão sendo investigadas pelo FBI.

WWilliam

Justamente.

WWilliam

Então assim, mas assim, para ter interesses aí por trás e eles concluírem nada também não custa, né? Então, mas assim, é muito estranho porque são, foram mortes, são muito interessantes.

WWilliam

Né?

WWilliam

É, e muitas delas inclusive ligadas com essa questão da energia, de uma energia que seria muito mais limpa, muito mais barata, muito mais. Então assim, fica mesmo essa pulga atrás da orelha de que a indústria, a oligarquia, quer que seja o nome assim essa elite, ela manipula o mundo para continuar dessa forma, né? Então isso já aconteceu em graus menores. Eu lembro que eu vi um documentário sobre o carro elétrico antes, na verdade eu acho que tava numa época que a Tesla ela tava indo pedir socorro para o Barack Obama junto com a GM, porque ambas estavam à beira de quebrar, acho que por causa da crise de 2008.

Então esse documentário deve ser por ali 2010, eles contando a história daquele carro da GM que a GM lançou uma época nos Estados Unidos que chamava, acho que era eVolt, era um carro elétrico, ele não tinha autonomia grande, mas era um carro elétrico que já prometia muito assim, e que como as empresas de petróleo não eram as que detinham as patentes de baterias, patentes do motor elétrico, etc., elas foram começar a sabotar tudo, começar a comprar empresa de bateria e afundar a pesquisa.

Elas começaram a fazer lobby no governo americano, é, para poder, para poder Tanto que o documentário inclusive chama Quem Matou o Carro Elétrico. E aí mostra essa coisa de que a GM tentou, distribuiu alguns carros, e aí todo mundo adorou os carros. O Tom Hanks teve um carro desse, e o Tom Hanks deu uma entrevista falando como que ele adorava o carro, que era um carro muito diferente, que dirigir esse carro era muito mais satisfatório.

E E aí de repente o projeto foi cancelado e eles pegaram esses carros elétricos e destruíram. Eles nem deixaram a pessoa comprar o carro elétrico, eles tomaram o carro de volta, processaram quem não queria devolver e destruíram todos os carros. Então assim, como que você não coloca o chapeuzinho de papel alumínio sabendo que a indústria é capaz dessas coisas, né? Então assim, agora que o Tech Bro lançou o carro elétrico, agora pode, né?

WWilliam

Agora pode, com subsídio do governo, vale lembrar, com subsídio do governo.

WWilliam

A SpaceX tem contratos bilionários com a NASA. Então assim, nunca é só porque se faz o malvadão para os outros, para ele, se não tiver boa vontade do governo, nenhuma dessas empresas vai para frente, né? 2008 Acho que o governo americano ele chegou a comprar uma parte da GM, que depois que passou a crise, não sei se eles venderam isso depois, não sei, mas o governo atuou. Então assim, essa história de que, ai, a empresa, eu trabalho na empresa e não depende do governo, isso é muito questionável assim, né?

Até toda a tecnologia, a base de toda a tecnologia que a gente tem Ela nasce de pesquisas militares, né, que bem ou mal é um investimento público. Então tem, tem própria invenção do chip de computador, ela vem dessa coisa militar porque nasceu da necessidade de melhorar a pontaria dos mísseis na guerra do Vietnã, eu acho. E aí que começou esse desenvolvimento de sistemas eletrônicos e etc. Então assim, sempre vai ter, tem muita pesquisa nos Estados Unidos, muita universidade que é particular lá, né?

Mas aí, porque lá tem assim temas polêmicos assim, por exemplo, célula-tronco. Por que que quase nenhuma universidade tem pesquisado células-tronco? Tem pouquíssimas pesquisas de células-tronco, porque isso o governo dos Estados Unidos atualmente não apoia. Então, se você tem dinheiro do governo na pesquisa, você não pode fazer isso que ele não apoia. Eu não sei exatamente o mecanismo jurídico, mas aí no fim quase todo laboratório de pesquisa dessas faculdades particulares, universidades quase tem algum dinheiro do governo.

Então quase todos têm certas restrições ao que que eles podem pesquisar. Então aí você já vê, não tem muito, não tem, não tem mais dos liberais. Estamos aqui para isso, né?

WWilliam

Com a realidade, basicamente com a realidade.

WWilliam

Aí eles ficam lá. Tanto que eu acho que até aquele desenvolvimento assim de pegar uma célula da pessoa e fazer um esse tratamento e fazer ela voltar a ser célula, não exatamente a célula-tronco, mas é tipo uma célula pluripotente, multipotente, não sei o quê. Eles estão pesquisando muito mais isso porque aí não cai na questão de usar um embrião para gerar as células-tronco, entendeu? Acho que a questão é essa. Então quase toda pesquisa que você vai ver vai ser fazendo esse tratamento aí com sinalizadores químicos para célula voltar e não fazendo com embrião.

Por quê? Porque eles, ai, pró-vida, não vamos gastar embrião? Não, porque que tem dinheiro do governo, e se eles fizerem, eles vão perder tudo.

WWilliam

Então, bom, então a gente vai caminhando aí para o final, vamos para o veredito, né? Bom, eu não tinha lido o conto, né? Eu fui pelo filme, tudo esse evento aí de gerações que não conheciam essa discussão. Eu achei legal. E assim, incrivelmente, nunca antes na história deste país é a primeira vez que o gosto das duas adaptações, mesmo elas sendo bastante diferentes da história, porque geralmente eu tenho um pouco de ranço quando muda muito, né?

Mas assim, são 3 produtos diferentes, são 3 construções diferentes, e eu achei muito bom assim. O de 2012 eu não lembrava, eu assisti de novo, eu amei, achei muito bom assim para o que se propõe como filme assim, achei bem interessante.

WWilliam

É, e até a questão assim que a gente até nem comentou das diferenças, né, entre o conto, filme, etc., tem essa questão também da, por exemplo, Schwarzenegger, porque no conto a pessoa, a personalidade ali que viveu, que tem a memória, que viveu as coisas de verdade, é a mesma. E no filme ele vira uma coisa meio, é uma dualidade, né? Mas assim, o mal é aquele que não lembra, é o que tá lá na tela que deixou o vídeo para ele, sabe? Exatamente.

WWilliam

Aí ele decide que ele não quer voltar a ser mau.

WWilliam

Exatamente. Então assim, acabou com essa dualidade, que é uma coisa que eu achei bastante interessante no conto.

WWilliam

É verdade.

WWilliam

E aí o filme também, o que eu lembrava de Sessão da Tarde, Tela Quente, sei lá, era Cabeça da Mulher de Vidino.

WWilliam

Ah, excelente.

WWilliam

E Mulher de Três Peitos.

WWilliam

Então a datação de 2012 recupera isso na hora de passar no detector de metal, aparece a senhorinha. Mas aí volta na minha crítica de gênero, assim, as coisas bizarras de mulheres não avançam mesmo com o ápice da tecnologia, porque são esses homens que estão fazendo essas coisas. Prostituição, tanto que olha, os anos 90, a companheira dele tá lá naqueles barzinhos lá que é bar, né, tipo boteco da zona, isso, dos 90, muito isso, né, bem tosco.

E aí 2012 tem isso bem pouco mais disfarçado. E aí é isso assim, nossa, daqui 50 anos nós vamos continuar reproduzindo esses estereótipos de gênero, sabe?

WWilliam

É, tem, tem isso realmente, né, apesar de que assim, é não toda, toda ficção, né? Mas porque de fato no Philip K. Dick, no Minority Report, o herói é um homem, apesar de que tem a precog lá, mas no livro é bem diferente. Nesse também o herói é o herói, né, entre aspas, é um homem também, né?

WWilliam

Então realmente tem essa, essa, tem uma mulher que é a vilã, que nos anos 90 é um cara, né, que fica perseguindo ele o filme todo. E aí 2012 é o ápice ali do empoderamento. Eles pensaram, ah, bora botar uma vilã, né, que aí as mulheres vão adorar. Aqui, juro que é isso que eles fizeram.

WWilliam

Você sabe que foi vendendo agora, hein? Ah, vamos ver, vamos colocar uma mulher mais importante aqui.

WWilliam

E aí tem uma lutinha das duas lá, entendeu? Assim, claramente é isso. Tirando isso, eu acho que é um bom filme.

WWilliam

Então eu não sei, eu acho que depois que eu vi umas coisas sobre a filosofia do se quando dá o problema no filme, se a partir dali é uma realidade ou é uma alucinação dele provocada pelas memórias que eles iam implantar que deu errado, aí para mim ficou mais interessante. Sim, mas é o que você falou, o de 90 bem aleatório assim, né? Tem umas coisas muito malucas, épocas dos anos 90 mesmo.

WWilliam

É muito anos 90. Mas eu acho que o ganho de falar, putz, oxigênio, olha, vamos fazer isso aqui de mercadoria, eu acho que isso é legal, eu acho que isso é interessante assim, porque não é tão absurdo hoje, entendeu? Assim, ó, corta para 2026.

WWilliam

Exatamente. Você sabe que tem lata de ar, né, à venda? Então, olha aí, de florestas canadenses e quem compra é a China. Não sei se atualmente, mas alguns anos tinha.

WWilliam

Provavelmente hoje não, porque ela tá reflorestando tudo. O que tá cheio de reportagem aí, China reflorestando não sei onde, sabe?

WWilliam

Então assim, então assim, tem um filme, é uma animação até, que é O Segredo de— ah, esqueci. Eu sei que é um cara que tá procurando uma última árvore, eu acho. Foi uma animação. E aí tem uma cena, eu não lembro o nome do filme, mas eu lembro dessa cena perfeitamente, que é o cara mostrando um quadro e falando assim: se você coloca coisas numa garrafa, as pessoas compram. E aí a questão deles é vender ar engarrafado. E aí tem a propaganda com a mulher, sabe, tipo igual propaganda de cerveja, sabe, a festa, todo mundo muito legal. E aí abre a lata de ar e aí o cabelo esvoar, saca, aquele ar Kaspersky, sabe?

WWilliam

O que era uma paródia e tudo, vamos ver aí para frente. É isso, né?

WWilliam

Exatamente. Então a gente pode estar, se não fizermos nada, podemos estar chegando aí nesse futuro distópico aí onde tudo é vendido, até o ar para respirar. E esses problemas vêm, essas soluções vendidas vêm de problemas que o próprio capitalismo que gerou, né, com a poluição da água e do ar. Então justamente é nesse caminho que estamos.

WWilliam

Bom, vamos passar para as indicações. Você falou de vários livros aí, né, e tudo mais. Acho que você pode falar para o pessoal. Eu só indicaria o filme Brilho Eterno de Momentos Sem Lembranças, de 2004. Também já, nós já vai fazer 22 anos memórias, hein? Mas assim, era um filme muito interessante, que é para isso, é um apagamento de memórias. Que engraçado, um é para a gente viver experiências que não viveu, e O Brilho Eterno é apagar experiências doloridas, traumáticas, apagar experiências que você não quer lembrar mais.

Mas trabalha com essa mesma ideia do ímpeto, assim, de tentar lembrar, né? O Quaid tava sempre com aquilo ali dentro dele, né? Então tem um pouco isso também, né?

WWilliam

Então acho que tem até um clipe da Ariana Grande que é inspirado nisso, que ela termina com o boy, aí ela vai nessa, quero esquecer, aí ela vai lá, ela chora assim e tal, aí destrói as memórias, ela cruza com o boy na rua, ela nem lembra.

WWilliam

Olha aí, melhor.

WWilliam

E também tem uma série maravilhosa que você falou desse negócio de esquecer as dores, E é a ruptura também na Apple TV. E é, gente, aquela série é assim, é um negócio que explodiu minha cabeça em muitos níveis, porque ela mistura essa coisa de separar as dores com você separar a sua mente em duas pessoas diferentes, uma que vai trabalhar e a outra que vai viver fora do trabalho. E aí, cara, essa série é sensacional. E Aí chega um momento lá que tem pessoas usando o procedimento, e era para pessoa ter uma personalidade diferente, uma memória diferente no trabalho.

Para isso, aí eu vou passar um momento dolorido, aí faz o procedimento, uma outra personalidade vive aquela dor e tal, depois chaveia de volta, estamos aí sem lembrar de nada, sabe? É uma série maravilhosa, maravilhosa. Já começa aí com a minha primeira indicação, certo? Outras indicações que que eu tenho é O Homem do Castelo Alto, que eu citei no início, né, que eu não gostei muito do livro, mas a série eu achei sensacional. Ela tava no Amazon Prime.

Tem For All Mankind também, que essa questão da corrida espacial, etc., colonizar a Lua, colonizar Marte também, que também tô gostando bastante do livro, né, do que tem esse conto do UOL. Eu li esse Minority Report e esse outro das Garras, que eu não lembro o nome, mas que são contos também muito interessantes. Então eu indico a leitura, quero ver se eu leio os outros. Também tem um livro, esse livro que eu citei também, do Ficção Científica Capitalista, do Michel Nieva, que é desse ano inclusive, que ele fala muito dessa questão de como que jornalismo se apropriou, né, de algumas ideias da ficção, como que certas ficções foram produzidas dentro dessas ideias, saídas, etc.

E também, e por último, que você falou sobre a questão de personagens femininas relevantes, acho que Neuromancer tem personagens femininas relevantes. Então também, apesar de que tende um pouco para ser um principal masculino, mas tem personagens femininos bastante importantes na história. Então fica aí minhas várias, várias sugestões aí para quem gosta de ficção.

WWilliam

Perfeito. Bom, mas então é isso, chegamos ao final. Queria agradecer o William de novo por vir trazer aí para gente, né, essas discussões. A gente fica um pouco sem esperança, mas não podemos Eu acho. A gente tá sempre conversando sobre isso, né? Tem que acabar tudo, por mim mata, guilhotina.

WWilliam

Inclusive esse Ficção Científica Capitalista, ele fala uma coisa que você me falou de uma outra autora, que essa questão de olhar como os povos originários encararam a questão, porque para eles o mundo acabou, o mundo já acabou quando chegou o colonizador. Então eles viveram isso. Então eles falam dessa questão de olhar para isso e tal, de imaginar outras ficções Então é um livro que eu acho que eu vou ter que ler de novo também, mas eu não entendi tudo ainda.

WWilliam

Bom, então é isso. Agradecer, William, agradecer quem ouviu até aqui. Estamos lá em todas as redes, considerem nos apoiar lá no Apoia.se. E é isso, até mais!

WWilliam

Falou, obrigado pelo convite, e eu adoro conversar sobre essas coisas. Então é isso, tchau para vocês, espero que vocês gostem da conversa.

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