A DÉCIMA TERCEIRA PORTA NÃO CONSTAVA NO MAPA | Um conto de Necropia: Terra dos Mortos RPG + Ilustração para o 3d6WORLD – Sistema de RPG Narrativista-Simulacionista Customizável
A DÉCIMA TERCEIRA PORTA NÃO CONSTAVA NO MAPA | Um conto de Necropia: Terra dos Mortos RPG
A porta apareceu depois que o anão quebrou o selo errado.
Bronco Martelo-Ruivo ficou com o cinzel na mão, a barba cheia de pó de ferrugem, olhando para a parede da masmorra como se ela tivesse cometido uma grosseria pessoal.
— Eu bati onde você mandou — disse ele.
Skadi, a maga elfa loira, ergueu o lume azul na palma ensanguentada. Seus cabelos claros estavam presos com fio de prata; o sangue do feitiço já secava na unha do polegar. Três gotas, preço justo para iluminar uma ruína. A quarta ainda não caíra, porque até o próprio corpo dela parecia negociar com má vontade.
— Eu mandei bater no selo — disse ela. — Não insultar a arquitetura.
A pedra abriu uma fenda vertical. Dentro dela não havia corredor, mas uma sala estreita cheia de nichos numerados. Em cada nicho, uma mão morta segurava uma chave.
Moremi, guerreira elfa negra dos dreadlocks marcados com contas de osso, encostou a lâmina curva no batente.
— Toda porta quer alguma coisa. Esta quer testemunha.
Bronco cuspiu no chão.
— Portas não querem. Gente quer. Morto obedece.
Uma das mãos nos nichos se abriu. A chave caiu sem som.
— Claro — murmurou Moremi. — Quando o morto começa a oferecer objeto, alguém vivo já está atrasado para morrer.
Skadi leu o número gravado acima da chave: 13. Depois viu o mesmo número tatuado, em tinta funerária, no pulso de Bronco.
O anão parou de respirar. Não por medo, teria dito ele depois, se sobrevivesse e encontrasse um público burro o bastante. Tinha enterrado o irmão sem corpo, pagando só metade do rito. Em Necropia, metade de um rito era quase sempre uma dívida; a outra metade era uma desculpa oficial para cobrar mais.
Moremi percebeu primeiro a mudança no chão. As lajes não estavam cobertas de musgo. Eram placas de inventário. Nomes, pesos, estado dos dentes, utilidade provável. Crianças. Soldados. Ladrões. Esposas. Mineiros. Todos classificados antes de morrerem.
— Isto não é tumba — disse ela. — É armazém.
— Odeio quando a morte tem melhor contabilidade que os vivos — disse Bronco.
Do fundo da sala veio a voz do irmão dele, limpa demais, sem cerveja, sem tosse, sem vergonha.
— Pendência de restituição.
Skadi fechou a mão, apagando o lume. A escuridão não caiu; ficou arquivada nas paredes.
Bronco pegou a chave.
— Quanto?
A resposta veio de todas as mãos mortas ao mesmo tempo.
— Um vivo equivalente.
Moremi sorriu sem mostrar os dentes.
— Então eles ainda não sabem contar.
Ela cortou o dreadlock mais antigo, o que guardava as contas funerárias da mãe, e o lançou entre os nichos.
Skadi olhou para ela.
— Isso era sagrado?
— Era. Agora é útil. Necropia deve aprovar a promoção.
Skadi sangrou a quarta gota sobre o cabelo cortado. Bronco esmagou a chave com o martelo.
Por um segundo, a masmorra lembrou o nome de todos que tinha guardado ali.
Depois esqueceu de fechar a porta.
— Péssima administração — disse Bronco, passando primeiro.
Escrito por Newton Nitro 11/06/26