Episódios de Start Ups N' Downs

EP 201 - Como adaptar a estrutura organizacional à IA

11 de maio de 202652min
0:00 / 52:26

O impacto mais evidente da IA é a velocidade, mas a velocidade também expõe empresas que ainda operam com estruturas lentas, processos engessados e propostas de valor cansadas.

A discussão central passa por entender quando o uso incremental da IA é suficiente e quando se torna necessário reconstruir a forma como a empresa gera valor.

Mais do que tecnologia, o tema envolve liderança, cultura, coragem para abrir mão do legado e capacidade de formar pessoas preparadas para um novo ciclo de competição e relevância.

Participantes neste episódio2
C

César

Host
R

Ricardo

HostPublicitário
Assuntos8
  • Transformação e MudançaUso incremental da IA em processos existentes · Transformação de modelos de negócios com IA · Mudança de comportamento do cliente e do mercado · Impacto da IA na velocidade de entrega e produtividade · Desafio de contratar e desenvolver habilidades para a nova era da IA
  • Desafios e Oportunidades da IADificuldade em ser relevante em um mercado saturado de conteúdo · O paradoxo de produzir mais e crescer menos · A necessidade de repensar a proposta de valor · O papel do fundador e da liderança na condução da transformação · A importância de não terceirizar a responsabilidade pela transformação
  • Transformação organizacional e liderança na era da IAAdaptação da estrutura organizacional à IA · Mudança de frameworks de trabalho e processos · Liderança e coragem para a transformação · Formação de pessoas e desenvolvimento de novas habilidades · Cultura de inovação e tolerância ao erro
  • São Paulo na LiderançaLiderança como eixo transformacional · Coragem para tomar decisões difíceis e assumir riscos · Responsabilidade do empreendedor pela transformação · A IA como ferramenta de apoio, não substituta da decisão humana
  • O Papel do CMO na Era da IADificuldade em ser relevante em um mercado saturado de conteúdo e produtos · A IA facilita a produção, mas aumenta a dificuldade de se destacar · A importância de entender a dor do cliente para criar soluções com IA · O diferencial está na proposta de valor e não apenas na tecnologia
  • Desafios de Implementação em Instituições ComplexasResistência à mudança e baixas de pessoal · Dificuldade em delegar e terceirizar a responsabilidade pela transformação · Foco em artefatos periféricos em vez de problemas reais · Falta de clareza sobre o que a IA pode ou não fazer
  • Eficiência Energética e OperacionalEficiência: fazer o certo do jeito certo · Eficácia: fazer o certo · A IA pode otimizar a eficiência, mas a eficácia requer mudança de estratégia
  • Futuro do TrabalhoMudança no formato de contratação e compra · Novas estruturas organizacionais mais fluidas · A necessidade de adaptação contínua em um cenário de alta velocidade
Transcrição145 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Cesar, imagino que toda empresa que você interage hoje está falando sobre IA, mas você vê mais empresas usando IA ou você tem visto empresas que estão realmente se transformando a partir da IA?

Acho que está todo mundo na busca da transformação, mas ainda você vê mais a utilização mais incremental mesmo no dia a dia, em alguns processos, aplicando IA. Está vendo aquele conceito que a gente trabalhou bem daquele livro que a gente comentou aqui sobre IA, do AI Value Creators, que fala do mais IA e do IA mais. Eu acho que a gente ainda está vivendo um momento ainda de muita coisa mais IA.

Então, aplicando IA nos processos, mas as empresas na busca de como fazer o seu AI first, ou seja, qual é a oferta, é que há mudança.

Parece que é simples, mas é muito profunda, porque a IA está ao mesmo tempo também mudando os comportamentos dos clientes. E isso independe se é B2C ou B2B, porque no final das contas todo B2B tem um C por detrás dele. E muda o jeito que o cara avalia, do jeito que o cara vê valor nas coisas.

Então eu acho que a gente ainda está tateando. Então uma resposta simples é está todo mundo ainda muito no mais IA mesmo. Eu tenho visto também muito pouco. Eu vejo empresas ou founders que estão mais avançados em IA, mas ainda careço de ver casos de empresas totalmente transformadas. Tem o caso de empresas que já nasceram na era da AI e já nascem com uma estrutura diferente, uma pegada diferente.

Mas a maior parte das empresas que eu conheço tem mais ou menos a mesma idade, mesmo tamanho da Hamper. Eu vejo uma galera que já está bem versada, bem avançada com o uso da IA, mas ainda é aquela empresa de antes otimizada por IA. Talvez no caminho de se transformar, mas ainda não transformada.

Você pega qualquer ferramenta mais famosa, que vai Salesforce, ou seja, você ainda vê a inserção de features de IA dentro da ferramenta, eles tentando vender, lógico, novos módulos ali, mas não é isso que está ainda...

ainda causando nenhuma grande transformação. Então você vê que é muita coisa incremental. E as empresas com dificuldade até de, se eu vou contratar uma solução dessa, como é que eu uso? O que muda para mim? Então, existe, é como se fosse assim, a gente está com a possibilidade de colocar um carro novo num cockpit antigo.

Então tem muito da estrutura das empresas, se elas estão adaptadas para essa transformação. E talvez aqui seja o principal assunto do nosso episódio. Ou seja, como esse shift entre mais IA...

do IA+, ele passa muito por uma reorganização da empresa e das suas habilidades. E mudar a estrutura é a parte mais engessada da empresa. Vamos combinar, a empresa pode mudar produto, ela pode mudar código do produto, ela pode mudar posicionamento.

Go to market, mais estrutura, galera. A gente sempre brinca com isso. A empresa revisa o pitch deck todo ano, mas o design organizacional, o organograma é sempre o mesmo. Sim, e o principal problema é que, se tem uma característica do que a gente está vivendo, é a velocidade. E o mercado não preparou recursos.

para esse shift de habilidades que a gente está fazendo. Então, como é que as empresas têm que lidar com isso se eu vou para o mercado e eu não consigo contratar as pessoas que já estão preparadas para este novo cenário? Se eu nem sei direito, muitas vezes, o que eu preciso contratar dessas habilidades, porque eu ainda estou testando muita coisa. Então, o grande desafio hoje, me parece, é bem a prontidão humana mesmo, é como que a gente se organiza para essa nova realidade. É menos na tecnologia mesmo.

Total. Boa. Bom, para você que está ouvindo o Startups Undowns agora, saiba que a gente é o podcast de cabeceira da jornada de quem empreende e a nossa é abordar os temas que não estão tão bem cobertos pela mídia especializada, tão pouco que viraram frameworks. A nossa é falar sobre os temas que estão tirando o sono dos empreendedores e empreendedoras. A gente aborda alguns temas

mais de caráter estratégico, a gente fala muito também sobre temas mais ligados à gestão da empresa e invariavelmente a gente tem falado muito sobre inteligência artificial. Aqui talvez a gente tenha até que em algum momento repensar o nome, né? Startups and Downs, até que vira alguma coisa de IA's and Downs, não sei, né? Alguma coisa nessa linha de tanto que a gente tem... Certamente a gente falou mais de IA do que de startup.

Nos últimos tempos eu tenho certeza que esse episódio vai te ajudar, por isso eu vou pedir para você deixar o teu like, para garantir também que você está seguindo a gente, seja pelo YouTube ou pelo Spotify. Deixa cinco estrelinhas para a gente também no Spotify.

E encaminha esse episódio naquele grupo de empreendedores onde a galera está discutindo o modelo da vez ou quem está voando mais com o Cloud Code, mas ainda está fazendo as coisas como sempre fizeram antes, não conseguiram transformar a empresa de fato. É que a gente vai entrar um pouco em discutir o desafio, né, César? Trazendo um pouco do nosso ângulo também, de que a IA é muito mais do que uma ferramenta para empoderar mais pessoas e áreas. A IA, de fato, é algo que vai causar um...

já está causando uma transformação na forma como empresas fazem negócios, como as pessoas trabalham. A gente ainda vê isso pouco materializado, porque talvez não dê o tempo de maturação suficiente para a gente ter todos os cases, mas eu acho que é fato que essa é a direção. Talvez daqui um ano ou dois as empresas já vão estar trabalhando num jeito muito diferente da forma como a gente trabalha hoje. Sim.

A gente tem que olhar o seguinte, o impacto que a IA tem até agora é a velocidade. Um adjetivo para você já cunhar junto com a IA é a velocidade. Ou seja, a gente já tem a percepção que determinadas atividades com a IA você faz em um tempo muito menor do que você fazia antes de forma manual.

Então, cara, isso daqui é inexorável. Acho que ninguém discorda dessa parte. A questão é que nem sempre você fazia as coisas mais rápidas quer dizer que você foi mais produtivo. Ou que isso gerou algum valor.

Então, vou dar um exemplo. Eu posso ter construído, por exemplo, uma apresentação no notebook LM mais rápido. Então, eu economizei meu tempo. Mas eu, com certeza, trouxe outras atividades para eu fazer que nem sempre elas estão gerando algum valor a mais.

E a minha função não é ficar fazendo apresentação. Eu só deixei de ocupar alguém ou gastar um pouco mais de tempo para isso. Mas no final das contas, o tempo que eu estou usando para aprender sobre A e a velocidade na transformação talvez está me gerando mais trabalho do que antes quando eu tinha que fazer só a apresentação. Então, eu só fiz uma troca.

Eu ganhei num lugar, mas eu já ocupei esse espaço com outra coisa. Então, produtividade em si, o resultado palpável, eu acabei não trazendo. Na realidade, eu só estou fazendo mais. Talvez eu só estou contratando um burnout para mim. Então, esse é o cuidado que talvez as empresas têm que fazer. Eu acho que a gente tem algumas coisas que estão acontecendo muito claras também. Ou seja, o comportamento está mudando.

Então, se a gente tinha um comportamento de compra muito baseado em pesquisas no Google e tudo mais,

A gente já vê hoje a IA. Então, hoje provavelmente quando você tem alguma dúvida, algum problema na sua casa, alguma coisa, a primeira coisa que você vai é no chat EPT fazer a pergunta. Com certeza. Você manda uma foto e ele já te responde. Você vai para o Diminay, você vai para alguma coisa. Então, o nosso comportamento como pessoas mudou. Isso quer dizer que nas empresas o comportamento da compra também. Porque na hora de comprar ele fala, cara, será que eu preciso isso ou será que eu posso fazer a mesma coisa lá que eu faço com a IA?

E aí o tempo de decisão ou se isso é melhor mesmo ou se não dá para eu fazer mais rápido com uma IA. Então mudou o comportamento inteiro. Então os frameworks que ajudavam a gente, por exemplo, a vender ou o framework que a gente usava, por exemplo, para desenvolver software.

Vamos pegar o desenvolvimento de software. Você tinha lá, então, você usava a metodologia Scrum. Ou você usa Kanban. Será que hoje, com o modelo que a gente está de desenvolvimento, ainda é aplicável aquele processo do jeito que a gente fazia? Você atribuir um card e ter alguém que vai atribuir o card para o cara e o cara vai desenvolver esse card e depois esse card volta para alguém para testar e tal, não sei o quê. Ou será que esse processo vai ter que ser totalmente remodelado? Será que eu vou aplicar IA?

para acelerar parte desse processo ou eu tenho que mudar o processo como um todo? Então, essa é um pouco da discussão que a gente tem que estar tendo. Então, muitas vezes, quando a gente só enxerta a IA num processo existente, talvez a gente está limitando o ganho que a gente pode ter com a IA. Acho que esse é um dos questionamentos que está todo mundo meio que fazendo. Total.

Eu gosto muito dessa parte do framework, porque para mim é o segundo impacto visto dentro das empresas. Então talvez o primeiro impacto é os profissionais da empresa começam a usar um copilot ou automatizar alguns pedacinhos da jornada e começam individualmente a render mais. Essa é a primeira etapa.

Pegando a própria área de desenvolvimento do software. Significa você manter o mesmo framework, mantém o mesmo job tube dando, só que agora você tem o dev usando o Cloud Code, ou o Cursor, ou qualquer outra coisa, para ele se tornar um super dev. Ele começa a render quase que por três ali, porque ele já entrega mais. Mas o segundo efeito percebido, isso já começa a mexer com estrutura, e começa a mexer até com cultura, é quando altera o framework.

Porque na medida que você começa a usar, vou manter o mesmo use case aqui de desenvolvimento, você começa a usar IA dentro da área de desenvolvimento, você fala assim, cara, isso daqui é mais do que entregar código mais rápido. Eu posso atravessar mais a cadeia de valor, porque talvez eu não precise mais ter um cara de qualidade, porque a IA já faz qualidade. Talvez eu já não precise mais ter aquela etapa tortuosa de wireframe, Figma, front-end, porque o lovable eu prompto.

ele já me entrega pronto, se eu não gostei eu jogo fora e faço de novo. E aí você começa antes uma área que tinha, sei lá, seis etapas entre wireframe, UI, front-end, back-end, QA, DevOps. Você atravessa quase essa cadeia de valor inteira.

E você tem talvez uma pessoa de negócios que ela mais cloud, mais lovable, consegue criar um protótipo funcional. Não estou falando de uma coisa que é só casca, mas uma coisa que dá para rodar em um cliente para validar. E se validado, você passa para a equipe de desenvolvimento que transforma aquilo em produto final. Então perceba que antes uma cadeia de valor que passaria por...

no mínimo seis etapas, agora talvez se divide em duas. Chega no ponto que você falou da velocidade, porque talvez em poucas horas ou em poucos dias você consiga fazer o protótipo funcional. E depois, para transformar o protótipo funcional, como tem menos atrito em entender, porque está muito claro, é só transformar aquele protótipo em produto definitivo.

não tem aquela discussão de regra de negócio que consome muito cognitivo do time, o time de desenvolvimento também não vai levar seis meses para transformar aquilo em produto, porque o desenvolvedor também, mais IA, rende muito mais. Então a gente começa a entregar software numa velocidade. E eu acho que isso daqui chega no cerne do que para mim tem um valor.

que atua diretamente na cultura da área ou da empresa. Pelo seguinte, hoje, se você conversar com 10 empreendedores, 9 vão reclamar da velocidade de entrega do time de desenvolvimento. É um fato. Todo mundo.

Porque todo mundo implementou os métodos ágeis, que presumiam, pô, vamos sair do waterfall lá, vamos botar agilidade. Pô, foi muito bom por muito tempo, mas hoje burocratizou, deve estar remoto, ninguém vê aquela... Isso, todo mundo vai reclamar disso. Pô, é seis meses para fazer qualquer...

para fazer qualquer coisa. A mudança disso não é uma mudança incremental. Não é assim, ah, você já experimentou por IA no seu dev. Já existe uma cultura impregnada de levar muito tempo para entregar as coisas e passar por muitas etapas. O que vai mudar a cultura daquela era? Trocar o framework.

Cara, tira agilidade, e não tem problema nenhum com agilidade, né? Ou talvez até tenha um pouco. Tira agilidade e põe... Eu tô usando um pouco dos devs de bota expiatória, mas podia ser marketing. O framework de marketing dos últimos anos é o do inbound, os papéis, etc. É o que a HubSpot pregou, é o que a RD pregou. Cai na mesma. Pô, a minha área de marketing não entrega, é arte, é copyright, mas de fato o negócio mesmo não tá gerando. O que vai mudar essa cultura é trocar o framework.

hoje a IA, para mim, o próximo passo é que a IA viabiliza a troca de framework, não é mais só acelerar o trabalho, é trocar o método de trabalho de uma área. E aí você começa a ver um rendimento diferente. Você entrar no método melhor ou pior, mas a área passa a ter um funcionamento diferente.

Sim, e aí é que entra, se eu tenho acesso a essa tecnologia e eu consigo pegar essa tecnologia rapidamente, aplicar no meu processo atual e fazê-la render alguma coisa no meu dia a dia, ou seja, a gente está falando aqui, já abrindo um pouco, a gente está falando quase que de um modelo incremental, ou seja, eu estou usando a IA para, de alguma forma, incrementar uma parte do meu processo.

Isso não cria diferencial. Não cria. Porque até aqui a gente falou de usar a IA como forma de trabalho, ou até como método para continuar fazendo a mesma coisa que a gente fazia antes, só que talvez de um jeito melhor. A gente não mudou a coisa que a gente faz. Isso. E pensa assim, a gente talvez vai viver um momento, eu tenho defendido um pouco nas minhas conversas, um pouco desse racional. Eu acho que a gente demorava nove meses para fazer alguma coisa.

Que a gente usava durante 4 anos. E aí depois a gente tinha 3, 4 anos. Depois a gente tinha que criar uma nova versão. E tudo mais. A palavra-chave da IA é velocidade. Então eu acho que uma coisa. Que a gente demorava 9 meses para criar. A gente vai criar em 1 ano. Em 1 mês. Só que criando em 1 mês. Ele vai ser usado por 6 meses. Sim.

Então, o que vai acontecer, eu tenho um pouco da dúvida dessa questão da produtividade, porque na realidade eu vou ter muito mais coisa para fazer. Eu tenho como se fosse uma demanda oprimida que ela vai ser liberada. E você já começa a ver alguns índices, por exemplo, a quantidade de apps nas stores.

né? Cara, já aumentou absurdamente, porque não existe mais essa frição de criar, né? Você cria qualquer coisa e você vai criar um monte de porcaria, né? Então a gente vai errar muito criando software, né? Sim. Eu acho que em outras áreas também a gente vai criar muita arte errada em marketing, a gente cara, e a gente vai testar muito mais rápido, porque você consegue fazer, então as campanhas, tudo vai ser muito rápido. Sim. E rápido também pra copiarem.

Quando eu criar alguma coisa, eu crio um framework, eu crio alguma coisa, vai ser muito rápido alguém se adaptar a isso. Então, onde que está o diferencial? Está no uso dessa aplicação? Ou está em alguma outra coisa? Ou está na nossa fórmula secreta? Como que a gente se organiza para ser esta empresa que consegue responder rápido nesses ciclos menores?

E a gente vai aplicar IA e a gente continuar sendo relevante para os nossos clientes. Você tocou na palavra-chave para mim. Relevância. Está muito mais fácil produzir, está muito mais difícil ser relevante. Porque se está todo mundo subindo o app novo na App Store, qual que é o diferencial? O diferencial é quem realmente importa, quem realmente é relevante. Porque um usuário, uma pessoa...

Ela usa o que? Entre 5 e 10 apps no dia a dia dela? Esse volume não vai aumentar porque tem mais app na App Store. Então a gente está falando de um volume muito maior de players disputando uma mesma janela de atenção que já existia antes. Essa é a loucura. E acho que isso está acontecendo em muitos mercados.

E isso justifica por que tanta gente está com dificuldade de crescer. A gente falou um pouco desse paradoxo enquanto a gente estava no warm-up do episódio. A gente nunca conseguiu produzir tanto, criar novos produtos, criar conteúdo. Você pensa um desejo de marketing e no dia seguinte você consegue implementar porque tirou essa restrição de você, só que nunca foi tão difícil crescer.

Nunca foi tão difícil ser relevante para o cliente, né cara? Sim, sim. E soma-se a isso a mudança de comportamento. Então como todo mundo vê que é tão fácil fazer, se ele olha o que você está fazendo e ele fala cara, mas isso daqui com my eye eu também faço. Isso daqui em X tempo, ele fica reticente de contratar.

um serviço ou um software ou qualquer coisa assim, porque todo mundo está mudando o seu comportamento. Então, eu acho que a questão aqui é, a gente está num momento de muita... Se a gente fosse pegar essa mudança de estrutura que as empresas precisam pensar, é que a IA está trazendo, se você for pensar como estratégia de diferenciação, não é aplicar a IA de forma incremental.

E a gente está aplicando muito ainda de forma incremental. Que talvez também seja um arco de maturidade. Toda evolução começa assim. Não dá para começar transformando. Isso, toda evolução começa assim. E aí o ponto-chave que está todo mundo é, ok, eu tenho quase que obrigação de fazer as coisas incrementais. Então eu tenho que jogar num processo para melhorar uma produtividade. Eu vejo hoje questionamentos, Ricardo, de produtividade interessante. Eu tenho uma empresa que eles têm medido.

a produtividade dos seus funcionários usando, por exemplo, Cloud Code. Vamos falar mais de desenvolvimento, que é a área que está sendo muito impactada hoje. E olha que interessante. E talvez isso se repita em outras áreas também. Eu acho que vai ser o mesmo comportamento. Se ele usar o método que ele usa hoje de desenvolvimento...

Então o que ele tem? Ele tem provavelmente um tech lead que paga, ou o Scrum Master que vai olhar ali o processo inteiro e tal, vai fazer as rotinas, os rituais, e vamos pensar que ele pegou um card para trabalhar. Ele pega esse card e vai usar a IA para fazer mais rápido, ou ele está orquestrando mesmo a IA, ele está falando cara, deixa eu pegar isso daqui e a IA vai produzir o software.

Todo mundo vê que o seguinte, para você criar um software do zero, a curva é exponencial, exponencialmente mais rápida. Do que você ter uma equipe, esse processo inteiro, é muito mais rápido. Você prototipa rápido, você já testa, é muito mais rápido.

mas na hora de você fazer a gestão desse software criado, se você for usar IA ela ainda comete, ou seja você tem que ter mais interações para uma pequena coisa você vai ter que ter mais interações é mais rápido? na maioria das vezes é mais rápido

mas o que acontece é o seguinte, é a mesma pessoa e aí começa a se perceber o processo é, eu recebo um card e eu tenho que entregar aquele card então o que eu vou fazer naquele momento se eu estou com aquilo atribuído para mim eu estou com a IA, a IA demorou 10 minutos para processar o meu comando eu estou de meio de braço cruzado esperando a IA terminar o processamento para eu ver a entrega dela, se está ok ou não se eu passo para frente ou não

E aí não ficou legal, eu tenho que mandar de novo. Aí fica lá cinco minutos processando. E eu vou de novo, ou eu vou alterando e ela vai... Ou seja, a produtividade, muitas vezes, nesse tipo de atividade está ruim ainda.

porque o processo ainda não está legal. A gente ainda não aprendeu a trabalhar do jeito novo. A gente não mudou o processo, a gente não mudou a estrutura na qual a gente está organizado. Então, a gente implementou alguma coisa que está salvando tempo, mas ele não está gerando valor.

porque de alguma forma eu estou ficando 10 minutos, eu posso tomar um café enquanto ele está processando. Porque aí você fala, não, então vamos fazer o seguinte, vamos botar o cara com três tarefas para ele receber. Mas será que ele vai ter condição de ficar com as três tarefas e qual é o tempo que ele vai fazer?

Será que é a melhor forma? Ou a melhor forma não é pivotar esse processo inteiro? Mudar a estrutura, mudar a jornada, o processo e a estrutura envolvida, os papéis. Quais são as habilidades que você precisa? Então, você vê que a gente está falando de tudo menos tecnologia. Sim. É tudo menos. Então, é como as pessoas se organizam.

Quais são as habilidades que elas precisam ter? Como que vai ser esse processo? São as perguntas hoje principais que você tem que ver para você sair do modo incremental, que é você usar IA para melhorar, para você partir para o modo transformacional. Mas mesmo assim, esse modo transformacional, eu acho que uma coisa que mudaria, talvez a gente sair do modo incremental para o transformacional, é se eu visse a receita mudando.

Ou seja, uma oferta, alguma coisa que eu aplicando IA realmente mudou, fez eu crescer a quantidade de grana que está entrando. Ou seja, a gente poderia caracterizar aqui como incremental, eu continuo fazendo a mesma coisa que eu fazia antes, agora eu uso o IA. Talvez estou gastando menos. Estou gastando menos, estou fazendo mais eficiência, estou fazendo mais rápido. Estou mandando gente embora e tenho mais margem, etc.

O transformacional é... A IA realmente impactou o modelo de negócios. Graças à IA eu consigo gerar valor de uma forma diferente para o mercado. É porque você fala, cara, beleza, eu estou fazendo... Em vez de fazer com 10 pessoas, eu estou fazendo com 5. Mas sua receita continua a mesma?

Então, eu preferia que você continuasse com as 10 pessoas se você tivesse dobrado a receita. Caracendo, é. Entendeu? Se você fizesse com as 10 pessoas e dobrando a receita. Mas enquanto a pessoa, às vezes, não tem clareza de como dobrar, cara, ganha eficiência nesse negócio. Então, você vê. Então, a IA ainda... As empresas ainda não conseguiram trabalhar na IA para ela...

Mudar essa receita. Quem está ganhando receita é quem está vendendo flecha. IA. É verdade. Quem está vendendo bala para as pistolas. É isso. Quem vende a infraestrutura de IA. É isso. Então, a gente ainda está nessa busca. Então, eu vejo muita empresa no incremental, mas o grande desafio é o transformacional.

Mas aí eu te pergunto, será que toda empresa, assim, para a galera que acho que nos escuta, eu vou dizer que 80% deve ser empresa relacionada à tecnologia. Essas eu acredito demais que é o transformacional. Será que toda empresa vai ter que viver a jornada do transformacional ou para muitas empresas só o incremental vai estar bom? Eu acho que não. Eu acho que por enquanto a gente não tem evidências claras.

que já chegou a vez de alguns setores nessa brincadeira. Ou seja, ainda eles estão em ganhos incrementais. Eu não consigo identificar para alguns setores. Se você for falar no setor de tecnologia...

desenvolvimento de software, com certeza. A gente já está num momento transformacional. Perfeito. A gente vai ter que remodelar porque a tendência é que todo mundo tente fazer usando as tecnologias que já estão disponíveis. Então você tem que mudar a oferta. Você vai ter que trabalhar. Mas eu não acredito que...

Talvez o grande negócio aqui seja assim. Se você está... Vamos pensar se a gente fosse criar uma lógica. Se você continua crescendo, tudo que está acontecendo agora de A, mas o seu negócio, se continua crescendo, talvez mudou um custo, um caque, mas se continua crescendo, os clientes ainda estão comprando. Você está bem posicionado. Você está bem posicionado. Talvez você aplicando a IA de forma incremental, ela vai ajudar você a continuar vendendo bem ou até vender um pouco mais. Sim.

O que eu estou falando do transformacional é... Cara, eu já cheguei num ponto que... Tem um cansaço na minha proposta de valor. Me parece que tem algum cansaço. Cara, você tem que ter uma estratégia para o transformacional. Porque você já está sentindo impactos. Não quer dizer que quem está no incremental não tem que já pensar no transformacional. Com certeza tem que pensar. Porque o transformacional pode aumentar o seu crescimento de 50% para um crescimento de 300%.

É esse o tamanho da oportunidade. Então, a gente tem que olhar e ir muito mais como a oportunidade do top line da receita do que do bottom line só do resultado. Então, essa talvez seja a diferença entre o incremental e o transformacional. Mas eu acho que esse é um indicador. Se você vê que você está já sendo impactado, está na hora de você buscar dentro das suas ferramentas, ou seja, como eu preciso reinventar a minha oferta. E aí é transformacional.

E o que poderiam ser sinais? Eu posso falar, eu converso com muito empreendedor e eu também tenho sinais da minha operação. O papo de geral é assim, cara, está cada vez mais difícil de gerar leads, está cada vez mais difícil de vender, talvez esses sejam sinais de que... E a resposta está sempre assim, cara, será que eu mudo o canal?

Será que é o meu time de vendas que é meio devagar e se eu botasse os vendedores? É lógico que toda operação sempre tem algum mato alto para cortar. Mas respeitado isso, será que mexer isso realmente é a resposta de crescimento? Isso seriam bons sinais para que talvez seja o momento de rever o que a empresa faz.

E aí, cara, é o contexto de cada empresa. E volta para uma coisa que a gente já falou várias vezes aqui, que é a ambidestria entre eficácia e eficiência. Como que você está se medindo nesses dois casos. Então, a gente sempre fala, eficiência é fazer o certo e eficácia do jeito certo. Desculpa. O contrário. O contrário. Eficácia é fazer o certo e eficiência do jeito certo.

Se você tem um processo que você está trabalhando na eficiência dele, está trabalhando na eficiência dele, mas ele não está mudando, ou ele muda muito pouco, chegou o momento de você olhar para o lado da eficácia. Será que você está fazendo errado do jeito certo? Será que o mercado mudou? E aí entra o transformacional.

Aqui você tem que falar na eficácia, a IA é talvez trabalhar no IA+, ou seja, do IA first. É que você tem que realmente mudar alguma coisa, porque aquilo já não está mais encaixando, já não está ornando o que o mercado quer.

Então, eu acho que esse é um outro sinal bem legal dos empresários, dos empreendedores estarem bem atentos. Total. Agora, a empresa que decidiu que o caminho dela é o transformacional. Ela tem os sinais, ela fala, cara, eu tenho receio, a minha proposta de valor está mal posicionada, a IA pode acabar comigo, etc. E ela vai viver essa jornada.

Você acredita que a transformação pode acontecer mais de dentro para fora? Vamos dizer assim, eu começo pondo IA para aumento de produtividade, vou trocando os frameworks e vou mudando as estruturas das áreas e quando eu perceber a empresa já virou uma empresa de AI? Ou de fora para dentro, do tipo, eu preciso reencontrar qual é a minha proposta de valor e reconstruir a nova empresa a partir dessa nova proposta de valor?

já dentro do modus operandi de IA. E de repente até paralelizar. Eu mantenho o legado, o as is ainda funcionando, mas eu estou reconstruindo a coisa ali. Que caminho você acha que é mais viável? A gente trabalhou lá o nosso episódio sobre como trabalhar bem o legado. Como trabalhar com o legado, essa questão da transformação. Eu acho que ali já tem bastante dicas, mas se for fazer um resumo...

Eu acho que está do tamanho do impacto que você já está recebendo. Se você já está recebendo um impacto muito grande, Ricardo, você tem que correr para realmente... Você tem que separar recursos e reinventar a empresa. Porque é como se fosse uma curva que aquilo que você faz não tem mais fôlego para subir. É dali para baixo.

Então, cara, para você não ir para baixo, você tem que inventar um negócio novo. Não tem jeito. Então, vai depender muito do contexto, da posição da empresa, como ela está posicionada, para o quanto ela tem que correr. Mas todos esses que você falou, seja esse que eu preciso parar o que eu estou fazendo, deixe o meu legado em modo UTI. Modo sobrevivência. Modo sobrevivência ali, por aparelhos, e tenho que construir um novo, e vou direcionar todo mundo para isso. Seja o cara que... Cara, dá para eu...

Eu ainda tenho caldo para tirar do meu legado e eu preciso construir o novo. Ou aquele cara que fala, cara, o meu legado está bombando, ele já está meio que preparado, o meu negócio é meio imune a essa questão da IA. Qualquer um deles, mesmo o cara que é imune, ele precisa desenvolver novos processos.

novas estruturas e principalmente novas habilidades. Todos eles, seja habilidade para eu fazer um incremental, eu estou sendo pouco afetado, mas eu posso usar de forma incremental a IA, eu vou precisar rever processos, eu vou precisar rever estrutura e eu vou precisar ver habilidades que eu preciso para aplicar isso de forma adequada. Seja no outro extremo o cara que está pivotando tudo, ele vai ter que descobrir, será que as pessoas que estavam fazendo o legado têm as habilidades necessárias para o trabalho?

para fazer o novo? Eu já dou a resposta. Não, senão a gente já tinha feito. Será que eu acho no mercado as habilidades? Eu vou no mercado e consigo contratar? O mercado já preparou? O mercado de educação já preparou as pessoas para o que eu preciso? E se a gente pensar em especialização, eu preciso de... Não é preparar alguém que sabe usar o cloud.

Total. É alguém que conheça do meu business. E saiba aplicar no cloud. E saiba aplicar no cloud. Então, o mercado preparou isso? Não, não teve nem tempo para isso. Será que na estrutura, eu não preciso pensar uma estrutura de educação, então, para isso? Como é que eu preparo pessoas para esse cenário? Já que eu preciso dessas habilidades. Eu não acho no mercado. Cara, eu vou ter que formar.

eu tenho um método para isso, eu tenho uma forma, ou eu posso usar a própria IA, vamos pensar um negócio que tem empresas usando, que é super legal, já que eu sou o fundador da empresa, vamos pensar uma startup, eu sou o founder da empresa, eu conheço para caramba desse negócio, o quanto que eu já gastei tempo de criar uma IA,

Que seria o amiguinho virtual de um cara júnior. Para quando ele estiver prestando um serviço, é como se eu estivesse meio onipresente ali. É o meu avatar. Mentorando ele, né? Mentorando ele ou ajudando ele, escutando o que está acontecendo e ajudando ele e orientando o que ele tem que fazer.

Em vez de criar um treinamento, uma educação toda formal e tal, será que não é um formato diferente? O quanto que a gente se preparou para isso? Isso começa a ser transformacional. Mas a transformação ocorre principalmente em redesenhar os processos.

A transformação ocorre em criar novas estruturas na empresa. Será que é aquele negócio de marketing, vendas, operação, tecnologia, CS, está em que área? Será que é isso daqui? Será que o CS vai continuar sendo o mesmo?

o suporte técnico vai continuar sendo o mesmo? É isso que a gente vai prestar? Talvez até exista em forma de papel, mas não em forma de área. Essas caixas que você desenhou são estruturas muito blocadas. A empresa começa a crescer e começa a travar. E talvez com o IA a coisa seja mais fluida, mais misturadas essas papéis e competências. Sim, sim. Então, talvez seja aqui que o gestor... E aí, é interessante.

Se a IA fosse super inteligente, bastaria você perguntar para ela. Então, meu cenário é esse, IA. Qual é a nova estrutura que eu preciso?

E, cara, ela vai te responder as estruturas normais. Ela não vai te responder nada espetacular. Porque a IA, de alguma forma, ela aprende com o nosso passado. Ela aprendeu com o nosso passado. Ela não está conseguindo visualizar o que é esse futuro da gestão. Então, aqui entra naquele negócio que a gente já falou em outros episódios de que a gente precisa de líder. A gente precisa de líder de gestão.

O grande shift dessa mudança inteira é o líder, cara. É o líder poder interpretar o seu contexto, é ele poder tomar decisão mais do que saber o que fazer, é ter coragem de fazer. Sim. É ter coragem de falar, eu vou deixar de fazer isso e a consequência eu sei qual que é. E aí quem tem força para fazer isso é o empreendedor. É o C-level da empresa, é o CEO da empresa. Então ele precisa se apropriar muito dessa força. Boa.

A gente entrou num ponto importante, aí eu queria te trazer junto nessa reflexão. Vamos tentar criar, caso existisse, o caminho dourado para quem vai fazer essa transformação dentro da empresa e trazer alguns elementos que a gente considera importantes, até porque eu vou ter a ousadia de dizer que muita gente vai ficar no caminho nessa transformação. Não vai ter espaço para todo mundo do outro lado, ou seja, a hora...

A hora que a música parar na dança das cadeiras, todo mundo for tentar sentar, não vai ter cadeira pra todo mundo. Vai ter gente que vai quebrar pelo caminho. Pra quem vai dar certo nessa história, você falou duas coisas muito importantes. Uma é as habilidades das pessoas e começar a investir o quanto antes nisso pra transformar. Eu acho que tem muita gente ainda na mentalidade errada, do tipo, o time que eu tenho não serve pra trabalhar, eu preciso trazer especialistas de AI.

Aí você vai trazer um cara que manja tudo de cloud, mas não manja do teu negócio, provavelmente não vai dar certo. Talvez o caminho seja formar as pessoas que entendem do negócio, entendem do cliente, etc. E deixá-las mais versadas sobre o uso da IA. O outro ponto importante que você falou, o segundo, é a importância da liderança ser o eixo transformacional. Da liderança...

bancar e talvez começar pelo founder, talvez nessa história de quem que vai recriar a proposta de valor. Eu gosto, você brinca muito daquele negócio de reconexão com o sonho lá inicial. Cara, quem que criou a primeira versão do Humper? O Ricardo. O primeiro amor. O primeiro amor da startup que você teve. O que você lembra lá do começo? Você virou noite fazendo.

Viramos noite fazendo. Era eu mais o co-founder ali, eu prototipando ele, codando. E em um mês a gente arrepiou e já tinha uma versão. Talvez a pessoa mais competente dentro da organização, por uma série de fatores, para recriar a proposta de valor, seja eu. Não estou falando que eu vou recriar a empresa inteira em mim, fazer o produto inteiro sozinho. Talvez essa resposta, que é uma resposta difícil de encontrar, ela vai partir dos founders e...

Talvez um erro que eu vejo ainda muito founder quer delegar isso. Vou criar uma área de inovação ou passo para a área de produto. Criar talvez a área de produto sem desmerecer ninguém. Ela vai conseguir visualizar melhorias incrementais, mas ela não vai chegar com a resposta de qual é a nova proposta de valor da empresa. E a gente está falando quase que de um processo de inovação aqui. E o que mais tem na inovação, a cada 10 tentativas, 9 vão falhar.

Então tem que mexer também na cultura. Outra coisa, a cada 50, 48 vão falhar. Então, quem tem o culhão para tomar um índice de assertividade de 5% do que você investiu de dinheiro? Entendeu? É quem tem poder para isso. Quem tem poder para isso?

É o fundador, é o CEO da empresa. São poucas pessoas que tem. Então, mesmo que não seja ele que vai executar, é ele que tem que tomar o risco. E muitas vezes a gente não está disposto a tomar esse risco, porque a gente está confortável em uma posição.

com medo de falar, cara, como é que nesta posição eu mudo isso para esse novo cenário que eu não tenho certeza, o dinheiro está curto e aí você pode ter empresas que estão na crise de não estar conseguindo vender tão bem, então eu tenho que me esforçar ainda aqui, porque esse negócio é o cash call e esse outro negócio não está indo, mas, cara, talvez a resposta seja não precisa ter dinheiro aqui envolvido.

Talvez seja você se reestruturar. Então, imagina você se reestruturando com a IA, fazendo primeiro um processo incremental no seu SIS, para você criar Slack, para você investir no teu transformacional. Então, o ganho que você vai ter aqui é para você investir no seu transformacional. Mas tem que ser ganho de verdade. Não esse ganho que eu falei que você só ganhou velocidade. Economizou tempo. Não, você tem que gerar valor. Tem que sobrar dinheiro lá no final.

ou tem que gerar recurso que está livre, que pode estar 100% nesse negócio. A pior decisão aqui é você ficar no incremental, mas o transformacional pivotando ao mesmo tempo. Eu acho que a cabeça da pessoa fica meio viciada no que a gente faz, no exis. Quem está olhando o transformacional tem que olhar realmente fora da caixa.

Acho que tem uma transformação também de cultura. Você pega, por exemplo, o meu modelo de negócios na Humper é o SaaS. Toda cartilha de SaaS vai dizer que depois que você atinge product market fit, é ripar no que deu certo e deployar o máximo de recursos para você crescer rápido naquele espaço.

você vira uma empresa viciada em fazer muito bem as mesmas coisas que você sempre fez. Esse shift de mentalidade é custoso, é difícil. E é por causa do tempo que a gente tinha. Você inventar uma coisa e esse negócio funcionar, você tinha um espaço de quatro anos, cinco anos para você... Aí você vai fazendo só algumas mudanças incrementais e o negócio vai indo.

Hoje, o que a IA trouxe é velocidade. Então, aquilo que você faz em nove meses para vender durante quatro, cinco anos, agora você vai fazer em um mês e talvez ele não dure um ano. Daqui a um ano você vai ter que refazer de novo. Então, para você estar estruturado para isso, você precisa mudar completamente a forma como você faz as coisas. As habilidades das pessoas precisam ser diferentes.

Então é esse, se todos nós concordamos que o paradigma que a IA, todo mundo concorda que o que ela mudou é velocidade, o que a gente precisa entender é quais são as estruturas que precisam existir para responder a esta velocidade, porque as coisas vão rodar em geral até o que o consumidor quer comprar, em um ano ele vai falar, cara, não quero mais isso, eu quero outro, porque ele vai enjoar rápido, ele vai querer experimentar outras coisas, o formato de contratação dele, o formato de compra dele vai ser diferente. Então, vamos lá.

Dentro das empresas que você acompanha, se a gente fosse trabalhar com o Casey um pouco mais, sem citar nomes aqui, mas para a gente tentar tangibilizar esse caminho dourado de transformação, quem você acha que está mandando melhor e por que? Como ela está se ajustando? Quais decisões foram tomadas?

Cara, eu ainda não tenho nenhum caso que eu falei para você, nossa, o cara já acertou. Eu tenho casos de incremental já muito bem efetuados, mas eu ainda não tenho um caso de falar, caramba, ele mudou a oferta dele, agora ele é um IA+, e ele não está usando só, eu vejo muito mais IA.

Mas eu vejo empresas que já estão estruturadas para chegar lá. E você já vê que é visível o caminho para onde ela está indo. Eu vejo empresas que conseguiram falar o seguinte, cara, o meu negócio aqui está desse jeito, está tocando a vida dele, mas eu vou separar. E eles estão naquela questão com muito patrocínio de falar o seguinte, cara, estão mais errando ainda do que acertando. Estão errando, mas estão tentando, estão tentando.

Eu tenho empresa do portfólio que demorava um ano, dois anos para fazer um software novo. Cara, um processo muito lento. Aquele negócio, cara, de uma burocra, validar com o cliente. Um customer validation demorava dois, três meses. Um negócio muito burocrático para construir os wireframes, para construir no Figma, aprovar, depois tem que passar, o arquiteto e tal. Um processo engessado e um negócio que é uma adoração pela forma. Sim.

e não pelo resultado. E as empresas meio que se acostumaram nessa velocidade e agora elas quebraram. É uma empresa que, cara, o fundador, ele, cara, resolveu criar um produto, ele aprender, se infornou, fez o produto, finalizou, ele não é programador, foi vender, vendeu, já está faturando...

protótipo. Já vendeu? É o MVP. Ele fez o MVP com o IA, validou e é um negócio que transforma o formato de trabalho. Coisas que são pontuais, mas é aquela venda rápida. Ele fala, isso daqui é o que o cliente está precisando agora. Ele faz isso e fala, é exatamente isso que eu preciso. E um setor que está sendo muito impactado, que ele atua. E ele está conseguindo vender coisa que os outros não estão conseguindo. Então, o que o cliente está conseguindo?

Ou seja, e aí ele está questionando até a estrutura inteira dele agora. Ele falou, cara, eu consegui provar para a minha estrutura que eu consigo construir o que eles estavam fazendo, então eu preciso mudar o formato inteiro de trabalho. E ele está reconstruindo a empresa a partir desse negócio. Então, ele já testou...

teve ganhos, mas ele fez um esforço próprio. E agora o grande questionamento dele é o seguinte, como que é a dança das cadeiras aqui? Ele está nesse desenho, quais são as habilidades que eu preciso? Eu tenho outra empresa que já está testando, já testou, já está há mais de oito meses botando grana, equipe separada, desenvolvendo nisso. Cara, muita coisa que já deu errada.

Que foram um monte de falso positivo, não andou, mas eles persistem continuando, falando, cara, isso aqui é o futuro da empresa. Eu preciso continuar investindo aqui. Não acharam ainda, mas estão em busca. Então, se estruturaram para isso. Agora, o que eu mais vejo é a empresa que está naquele dilema de que...

Cara, eu não consigo porque eu não tenho dinheiro. E aí, o que eu tenho... Cara, não precisa ter dinheiro. Talvez seja só reorganizar as caixas. Talvez seja só falar o seguinte, cara, eu vou perder muito pouco abrindo mão disso. Abre mão de alguma coisa. Você não tem dinheiro porque todo o seu capital já está imobilizado no Exist. Você vai ter que liberar um pouco de espaço do que está no Exist para você poder criar um novo. E aí, cara, a resposta pode estar na própria IA.

de um uso incremental da IA. Então, acho que esse é o questionamento. Para mim, a resposta para todos esses negócios está em um redesign da empresa. E o redesign seja das estruturas organizacionais, seja das habilidades que você precisa e seja dos processos. Se você gastar tempo pensando nisso, talvez mude a sua visão de que eu preciso de mais dinheiro. Talvez você não precise de mais dinheiro, é só de reorganização. Total.

Bora para os ups and downs? Vamos lá, quer puxar aí primeiro? Vou puxar um primeiro up. Em alguns momentos você falou sobre a coragem de mudar. Eu ainda não tenho o case completo de transformação da Humper, mas ainda vou poder contar aqui no programa e quem é a audiência vai ser os primeiros a saber. Mas eu já tenho cases de transformação de...

E o que você fala sobre a coragem de bancar é muito real, porque a gente começou uma jornada de transformação em várias áreas, mas eu vou destacar a área de tecnologia e você participou bastante disso comigo, mais ou menos no meio do ano passado. Então a gente já tem uns 10 meses nesse arco.

A primeira implementação foi colocar os próprios desenvolvedores para usar inteligência artificial. E a gente já teve baixa logo no primeiro momento com devs mais preciosistas que não concordavam com o uso e não concordavam com algumas decisões de linguagem que estavam sendo tomadas. Falou, cara, eu estudei até aqui para ser um dev PHP, vou continuar sendo um dev PHP, não sirvo para trabalhar nesse novo modelo. Olha que doido, né? A gente só mudou um pouco o jeito de trabalhar, já tivemos algumas baixas.

Aí a gente caminhou mais um pouco e mudamos o framework de trabalho. A gente não vai mais trabalhar naquele framework que você descreveu há pouco tempo atrás. O Figma, front-end, back-end, agora é um negócio muito mais rápido. Prototipo, o protótipo foi validado, vira produto em desenvolvimento, tudo numa esteira muito rápida. A minha baixa total nessa transformação foi de 80% do time.

de tecnologia que foi trocado, incluindo gestão, ao longo de 10 meses. Se a gente não tivesse coragem pra bancar, eu tava muito convencido do caminho. Mas você sabe bem, porque eu precisei te ligar até de final de semana, eventualmente, porque teve hora que deu borboleta no estômago e eu falei, César, eu sabia que a corda ia tensionar, mas, cara, eu acho que tá tensionando muito rápido, meu medo é romper esse troço. Mas...

Teve o meu patrocínio e eu estava disposto a bancar. Eu sabia que no meu caso a resposta era virada de mesa. Não era o incremental, não é? Vamos fazer num pace aqui que daqui três anos vai estar completamente diferente. Falar que eu não tenho. Eu não tenho três anos. Eu preciso estar completamente diferente em um ano.

E a gente precisou ter essa coragem para bancar. Então, o que eu deixaria de recomendação para a nossa audiência é que, na medida que você começar a tensionar a transformação, não vão vir só os efeitos desejados. Você vai ter baixas de pessoas que não vão concordar, de coisas que vão deixar de funcionar. Você vai ter que ter estômago para bancar isso. Sim, sim.

Se eu for trazer um up do que eu tenho visto das empresas, eu acho que tem um pouco também dessa coragem.

Mas eu iria pelo outro lado, é saber claramente abrir mão e saber quais são as consequências. Ou seja, as empresas que têm mais clareza de falar, eu vou parar de fazer isso, isso vai causar tal problema aí, está tudo bem?

eu acho que elas estão tendo mais facilidade de navegar nesse momento de incerteza do que aquelas empresas que ficam muito fincadas nas verdades que eles já assumiram. Então, isso a gente não pode abrir mão. Isso daqui a gente não vai fazer. Esse processo aqui, eu preciso daquele recurso vital. Então, empresas... Eu acho que tem um pouco até daquele episódio que a gente falou da cultura.

Ou seja, você está acostumado com alguma coisa muito estável, muito processual, já está tudo encaixado. Só que agora está exigindo de você uma questão de flexibilidade total e não tem processo funcionando. Então você tem que ter autonomia e independência para fazer o negócio acontecer. Cara, são forças distintas.

quem não tem problema de abrir mão desse conforto dessas coisas que você já construiu no passado e abrir mão de determinadas coisas tem maior sucesso então eu admiro bastante empreendedor que sabe com clareza o que ele está abrindo mão e o que ele vai perder por causa da escolha dele mas mesmo assim ele vai pra frente boa, muito bom

Um down para mim, eu ainda vejo muitos empreendedores que estão usando a IA para criar artefatos dentro da empresa, mas muito com uma mentalidade de eu criei isso porque já é possível fazer isso com o IA.

E uma das coisas que me marcou muito quando eu te fiz a pergunta, tentando trazer um case prático de alguém que estava na transformação, que estava bem na jornada de transformação, para mim o que teve no cerne da sua resposta não era a competência do founder de usar a IA, mas você passou rápido, por isso eu queria frisar, que é o cara está agindo muito rápido em entender a dor que o cliente dele tem e como que ele traduz aquela dor em uma solução rápida construída por IA.

Então pra mim o Down é isso, a galera ainda tá gastando muita energia, queimando muito token, criando artefatos que são periféricos, são legaizinhos, mas criou aquilo porque dá pra fazer com o IA e não porque precisava ser feito porque era um problema real da empresa.

Eu acho que a coisa muda quando a gente começa realmente a reordenar os próximos problemas que a gente vai resolver aqui dentro da empresa tem que ser resolvido com o IA. Então a gente precisava de um... Está todo mundo ainda buscando aplicações assim, cara, eu quero trabalhar com o IA, mas eu ainda não sei como eu vou pôr o IA.

na minha área. Sabe como você vai pôr IA na sua área? O próximo problema você já vai resolver usando IA. Você vai criando consciência de como a IA vai transformar a sua área. Para mim o DAO é empreendedor que culpa a equipe. Ou C-level que culpa a equipe. Ah, a equipe é ruim, a equipe não entende. Eu falo e a equipe não entende. Essas frases me irritam um pouco.

Porque, cara, é uma falta de visão de que o principal responsável é ele. O responsável pela transformação, esse movimento transformacional é do empreendedor. E ele ainda está querendo terceirizar para alguém. E ele está querendo terceirizar para alguém, cara. E vem aquela sempre, mas eu pago um salário alto para os caras, para os caras não sei o que. E tal, cara, muitas vezes você criou uma cultura que o cara não tem autonomia total para fazer uma mudança dessa.

E essa é uma mudança que afeta 100% da empresa. Todas as áreas. Afeta tudo. Afeta a visão dela com o mercado. Poucas pessoas têm essa força. E aí você joga a culpa em todo mundo, porque muitas vezes você... Ah, eu não...

cara, faz tempo que eu não faço mais isso, eu não tenho que fazer isso. Cara, no mínimo você tem que ser o patrocinador, mas o patrocinador não é aquele cara que, ah, não, faz aí galera, não. Aquele cara que tá ali é o primeiro da linha de frente, é na hora da batalha o que tá na frente e tá indo correndo na frente de todo mundo, porque você vai brigar com o cara do outro lado.

Ficar lá atrás só falando, estou coordenando e tal, batendo palminha não é o melhor cenário. Então, eu questiono muito. Eu tenho falado muito para os empreendedores que eu tenho conversado e falo, cara, tenta refletir qual é a tua responsabilidade nisso. E aí, um dos sinais que eu pergunto é, o quanto você está usando a IA?

se você não está usando ainda, você não comeu nem sua própria comidinha de cachorro. Você já vem falando que, ah, não, com a IA o cara vai render X vezes mais. Cara, você já fez alguma coisa para saber se vai dar X vezes mais? Quais são as dificuldades que ele vai enfrentar? O que você precisa proporcionar para ele poder realmente ter um ganho efetivo? Então, isso me irrita. Eu entendo.

Aqui a gente está falando de coisas ligadas à direção do negócio. Um bom time executa muito bem, bate as metas, faz as entregas dentro do que já estava combinado. O time não muda o combinado. O teu melhor vendedor é muito bom em vender dentro do processo que já existe. Ele não sabe criar um novo método.

ou talvez até saiba, mas o dia que ele criar um método novo ele vai empreender com a empresa dele, ele não vai trabalhar mais na sua isso também serve pro melhor dev e por aí vai, quem muda a direção, quem tem cognitivo e tem força pra mudar a direção é o empreendedor, né? E se for colocar um segundo down, aí quando o cara chega com alguma coisa e fala, não, mas eu perguntei pra IA e a IA me deu mais ou menos essa dica cara, aí também eu fico, cara

Esse founder tem tendência a sempre terceirizar tudo, porque se não é o time foi a IA. É, e aí eu uso o exemplo que a gente usou no outro episódio do exemplo lá do Lava Rápido, né? E aí o cara tá mandando você ir pro Lava Rápido a pé.

porque a IA não vai ter condição você não vai dar todo o contexto pra ela talvez você não consiga, ela não tem essa visão completa, você está delegando pra alguém que realmente vai te dar um monte de falsos positivos, um monte de obviedades total, beleza? fechou, valeu, até o próximo

Anunciantes1

Startups Undowns

Podcast
external