Governo do Reino Unido leva “sova” nas autárquicas, Escócia e Gales: fim da linha para Starmer?
As eleições locais de 7 de maio foram mesmo o banho de sangue que se esperava para o governante Partido Trabalhista. Menos de dois anos depois de subir ao poder, Keir Starmer é cada vez mais empurrado para a porta de saída, visto como o principal culpado do desaire nas urnas.
Aguentará o primeiro-ministro? Ninguém melhor para explicar o que se passa do que a Francisca Ferreira Marques, correspondente do Expresso em Londres. É a convidada deste episódio, conduzido pelo editor da secção internacional, Pedro Cordeiro, com os cuidados técnicos do Gustavo Carvalho e João Luís Amorim.
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- Futuro de Felipe LuizPressão para renúncia · Assunção de responsabilidade · Instabilidade em Downing Street · Falta de carisma e jogo de cintura político · Caso Peter Mendelssohn
- Sucessão no Partido TrabalhistaAusência de sucessor óbvio · Andy Burnham como potencial líder · Angela Rayner como alternativa · Ed Miliband e Steve Reed como opções · Risco de 'Portillo Moment' para Burnham
- Eleições na Escócia e País de GalesPerda de poder do Partido Trabalhista no País de Gales · Potencial maioria para nacionalistas galeses · Crescimento do Reform UK em Gales · Nacionalistas escoceses e possibilidade de novo referendo · Reform UK como segundo partido na Escócia
- Eleições no Reino UnidoImpacto do Brexit na independência escocesa · Crescimento do Sinn Féin na Irlanda do Norte · Possibilidade de novos referendos de independência · Desafios à união do reino
- Políticas de MigraçãoDebate sobre imigração · Abordagem humanista vs. restritiva · Capitalização pelo Reform UK · Pressão sobre serviços públicos
- AntissemitismoAtaques em Golders Green · Dificuldade em identificar origem · Sensibilidade do tema
Olá, bem-vindos a mais um episódio do podcast O Mundo a Seus Pés, um programa semanal da secção internacional do Expresso, que eu, Pedro Cordeiro, tenho o prazer de chefiar. Estamos a gravar na sexta-feira, 8 de maio, enquanto no Reino Unido se contam votos das eleições locais em partes de Inglaterra.
e também regionais na Escócia e no país de Gales. São, portanto, eleições diferentes, em alguns casos com escolha direta do mayor, em outros casos com municípios governados coletivamente e ainda, como diziam, os parlamentos autónomos de dois dos países que compõem o Reino Unido.
Há uma coisa comum a todas estas eleições, parece ser um castigo gigantesco ao governo do Partido Trabalhista, ou ao Partido Trabalhista, que por sua vez é o partido que está no governo nacional em Westminster. Para nos explicar e ajudar a perceber o que se está a passar e contar-nos como está o mood para lá do Canal da Mancha, convidei a Francisca Ferreira Marques, que é a correspondente do Expresso.
em Londres, e que está a seguir isto tudo com imensa atenção e tem escrito para nós sobre as agruras do Primeiro-Ministro Keir Starmer, que menos de dois anos depois de uma maioria absoluta avassaladora parece estar prestes a ser empurrado para a porta de saída. Este episódio tem ainda os cuidados técnicos do Gustavo Carvalho. Sem mais, vamos avançar para perceber o que se passa.
Olá, sou Tony Gonçalves. Sou português, vivo nos Estados Unidos desde os quatro anos e tenho um podcast. The Heart and Hustle of Portugal. Converso com quem está a levar Portugal mais longe. Empreendedores, artistas, sonhadores. É o primeiro podcast de inglês do Expresso feito com paixão nacional. Ouça todas as semanas em expresso.pt ou na sua app de podcasts. Vamos, vamos lá.
Olá, Francisca. Olá, Pedro. Então, como é que está o... não vou perguntar o tempo, mas há nuvens em Downing Street? Olha, o tempo está condizente com o mood em Downing Street, está cinzento hoje e a previsão para Keir Starmer também é cinzenta. Ele hoje de manhã, ainda passava pouco das 8 horas da manhã e ele já falava, acho que numa tentativa de controlar a narrativa eleitoral ainda havia...
Muitos votos por contar, não tínhamos quase resultados nenhums ainda, mas ele surgiu de imediato a dizer que não se demite. Admitiu que os resultados vão ser provavelmente maus, que os que já se sabiam eram maus e que não havia maneira de fugir à responsabilidade, assumiu essa responsabilidade ele próprio, mas sem dúvida que…
Daqui para a frente vai haver mais instabilidade ainda em Downing Street, porque não há aqui uma maneira de dar a volta a este resultado. Os números não estão a ser contados, ainda falta saber Escócia e País de Gales, mas para já a estimativa é que o Labour perca cerca de 1445 lugares, é quase metade do que os estímulos. Estamos a falar de vereadores, mas lá para dar uma equivalência mais ou menos a Portugal seriam lugares de vereadores.
Exatamente. Portanto, é um resultado muito mau para os trabalhistas e que demonstra que o bipartidarismo, como escrevia Próxpressa esta semana, já não é o que era aqui no Reino Unido. Estamos a ver uma fragmentação do espaço político com o Reform UK a ser o partido de Nigel Farage.
a ser o grande vencedor da noite, mas também com o Partido dos Verdes a ganhar mais terreno e com os liberais democratas a consolidarem o que já têm. Tudo o que não for os dois partidos que historicamente têm governado o reino, não é? Exatamente. Os próprios conservadores que são a oposição oficial, não é? Esse estatuto existe no Reino Unido. His Majesty Most Loyal Opposition.
Mas estão, perdem quase tanto como o Labour. Portanto, há a roda, neste momento, com a contagem ainda em curso, pelo menos 200 lugares de variação perdidos pelos conservadores, quase 300 pelos trabalhistas.
A alternativa a um governo trabalhista que nem dois anos tem não parece residir no partido que durante os 14 anos anteriores esteve a ocupar o poder. E realmente aparece-nos o Reforma, o partido que no fundo é o herdeiro do partido do Brexit, é a força de Nigel Farage que levou o país para fora da União Europeia.
Embora as pessoas, muitas pessoas, sintam efeitos negativos dessa saída, a verdade é que continuam a apostar neste homem e no seu partido num momento em que sentem o vazio nos partidos tradicionais. É um bocadinho esta a leitura possível, não é?
Exatamente, sim. É uma leitura que não é exclusiva do Renan Unido, como sabemos. Estes partidos mais fora do sistema, os partidos mais recentes a ganharem, sem dúvida, terreno. E acho que neste momento, como sabemos, o Reform UK e também os partidos verdes têm muito pouca representação parlamentar em Westminster neste momento, fruto dos resultados que tiveram.
nas eleições de 2024, há menos de dois anos. E, portanto, até agora o que nós tínhamos eram sondagens. Sondagens que davam claramente a entender este crescimento. E, por exemplo, uma sondagem desta semana, a última publicada nas eleições locais.
para umas potenciais eleições legislativas, que não estão marcadas até de 2029, é importante dizer, mas que seria com o Reform UK a liderar 25% das intenções de voto e depois seguidas pelos trabalhistas, os conservadores, os verdes, os democratas, mas tudo com uma margem muito pequena, estamos a falar de dois, três pontos entre eles. Uma fragmentação crescente, onde antes havia bipartidarismo, há agora fragmentação.
Exatamente, mas até agora o que nós tínhamos era isto, eram sondagens e uma sensação de que estes partidos estavam a ganhar terreno. Com estas eleições locais, o que nós temos é pela primeira vez nas urnas estas intenções a materializarem-se. Nós tínhamos do partido do Reform UK.
ter apenas três representantes, vamos chamar-lhes autárquicos, porque eles só começaram a concorrer depois das legislativas, portanto só tinham ainda conseguido três lugares. Neste momento, à hora em que falamos, já vão em mais de 600, mais de 650 até. Portanto, é aqui uma ascensão meteórica a nível de representação no país e uma representação que está espalhada por todo o reino e isso demonstra...
que a expressão que o partido tinha está claramente a crescer e o que parecia, se calhar, impossível há um ou dois anos de ter Nigel Farage como Primeiro-Ministro do Reino Unido parece uma hipótese cada vez mais sólida e mais possível. Sim, essa hipótese é corroborada pelas sondagens, porque se até agora o Reino Unido é aquele sistema do chamado First Pass to Boston, para recordar os nossos ouvintes, quando se elege o Parlamento do Reino Unido, a Câmara dos Comuns,
Há 650 lugares e eles são disputados individualmente, tanto em ciclos uninominais, o que, em teoria, dificulta a vida a partidos que não os dois grandes partidos ou aqueles que têm uma implantação regional muito concentrada, como os nacionalistas galeses ou escoceses nos seus respectivos feudos. Mas a verdade é que mesmo agora há sondagens que já usam uma técnica para apurar...
portanto, para terem em conta esse sistema eleitoral, e elas voltam a dar, de facto, o reforme, mesmo estas, não só em percentagem de voto, como em potencial número de deputados eleitos, o reforme é a última destas sondagens, tanto são as sondagens com o sistema MRP, que é, portanto, uma técnica de distribuição.
Eles aparecem, de facto, como o partido mais votado e com o maior número de deputados, mais do dobro do partido trabalhista, que, como eu dizia, há menos de dois anos ganhou uma maioria gigante em Westminster, com mais de 400 deputados destes 650. O que é que leva, ou seja, já se percebeu que o governo...
e que o Starmer em particular são um ativo tóxico e que provavelmente há muito bom candidato que tem resultados abaixo do que o próprio Merci ou do apreço que o povo localmente lhe teria, porque a repulsa pelo Governo Central é enorme.
O que é que fez em tão pouco tempo, a menos de dois anos, que irse estar-me a tornar-se um vencedor esmagador de umas eleições a alguém que toda a gente parece querer ver pelas costas?
É engraçado porque quando nós escrevemos o perfil de Keir Starmer a propósito das eleições há dois anos, na altura falámos com várias pessoas próximas dele e que nos diziam que apesar da vitória esmagadora, o entusiasmo que se sentia...
nas ruas e mesmo nos eleitores era muito diferente do resultado que acabou por conquistar. E até me lembro, agora não tenho aqui o artigo comigo, mas até penso que a parte final do artigo dizia qualquer coisa como vamos ver se Keir Starmer é o primeiro-ministro para 10 anos, que é um...
Dizemos assim uma tradição quase no Reino Unido, a maior parte dos partidos que conseguem, portanto quando os conservadores roubam, digamos assim, Westminster, australianistas depois ficam por mais do que o mandato de 5 anos e a questão final do artigo era, será que ele vai ser um Primeiro-Ministro para 10 anos ou será que vai ser o Primeiro-Ministro de Transição entre 14 anos de Tories e o líder Nigel Farage?
E portanto, mesmo há dois anos, mesmo com a vitória que ele conquistou, esta sombra já existia. Eu acho que o que se tem confirmado é que a sombra efetivamente se mantém por aqui e que Erzheimer não tem conseguido entusiasmar os eleitores e mesmo o próprio partido. E eu acho que para além da falta, chamemos-lhe assim, de algum carisma político, eu acho que a falta de...
De jogo de cintura político se tem provado muito gostoso também. Eu acho que o caso de Peter Mendelssohn acaba por ser o exemplo disso. A mensagem muito forte dos trabalhistas era que vinham para mudar o paradigma que tinha sido, de certa maneira, imposto pelos conservadores de alguma promiscuidade na política. E sobretudo durante o tempo do Boris Johnson, não é?
Exatamente, e portanto alguma, esta ideia de uma constante suspeição para com os decisores políticos. E depois, digamos assim, na primeira oportunidade que Keir Starmer teve de mostrar que era diferente, que era algo que muitas pessoas próximas dele nos diziam que ele ia impor, salientavam muito o facto de ele ser um homem de serviço, do serviço público, do caráter. Até o lado aborrecido parecia positivo no sentido em que deixava as protagonias dos anteriores, não é?
Era isso mesmo, portanto, parecia que essa parte, ou seja, as pessoas estavam dispostas a abdicar, de se calhar essa parte mais carismática para ter um líder que privilegiasse, digamos, a moral, digamos assim. E depois, na primeira oportunidade, Kirstarmer teve de mostrar isso.
que foi o caso de Peter Mendelssohn, acabou por ceder. Seja porque foi mal aconselhado ou por outras razões, o que é certo é que já era óbvio para toda a gente que Peter Mendelssohn estava extremamente próximo de Jeffrey Epstein, portanto, que tinha uma rede de pedofilia, exatamente. Era óbvio para toda a gente, já há vários trabalhos jornalísticos. Era uma bomba à espera de inventar. Nós, tu e eu que não somos candidatos a primeiros-ministros do Reino Unido, julgo que não tocaríamos em Peter Mendelssohn nem com uma vara de 7 metros.
E, exatamente, e portanto acaba por ser difícil para o K-Stormer manter essa imagem e acho que é um dos casos que o tem desgastado mais. Claro que junto a isto há fatores mais macro, a instabilidade global em que vivemos, obviamente que afeta o custo de vida das pessoas.
Temas que não estão tão relacionados, mas que as pessoas também sentem que o Governo não tem sido capaz de proteger, não tem sido capaz de melhorar o seu estilo de vida, seja no acesso a serviços públicos, seja nos encargos que têm. E por último, a questão da imigração continua a ser muito central no Reino Unido, vê-se isso tanto para um lado, seja para os partidos dos verdes que defendem uma abordagem que eles consideram mais humanista, há o tema da imigração e que se calhar sentem que Keir Starmer não tem sido tão...
à esquerda como poderia-se imaginar e por outro lado o Reform UK a capitalizar muito essa insatisfação numa altura em que os serviços públicos estão muito pressionados e que portanto as pessoas têm uma tendência muito grande para então olhar para as pessoas que vieram de fora, que estão a usar os nossos serviços, que estão a ser mais um problema para as nossas comunidades.
e tem capitalizado muito aí. Portanto, o que eu sinto é que há um esvaziar do capital político dos trabalhistas, tanto à direita como à esquerda, e portanto há claramente aqui um…
como alguns têm dito hoje, um fim do bipartidarismo. Nigel Farage disse isso no seu discurso, Zach Palansky disse isso no seu discurso, que há aqui uma mudança de paradigma iniciada ou confirmada hoje nestas eleições locais, que vamos ver como é que evoluem até às próximas eleições gerais, que para já continuam só a ser esperadas em 2029.
Falando de, continuando ainda com Starmer, mas agora pensando nele e na relação com o partido, se por um lado foi o homem que conduziu o Labour depois de um, a Downing Street depois de um longo, numa longa travessia do deserto de 14 anos, por outro lado neste momento já se percebeu que é uma bola de ferro atada ao pé de qualquer candidato que concorra por aquele partido.
Nós sabemos também que no Reino Unido, muitas vezes, é mais fácil um Primeiro-Ministro sair defenestrado pelos seus do que vencido pela oposição. Nós vimos como durante os 14 anos de governo dos Tories houve 5.
Primeiros-ministros, Cameron May, Boris Johnson, Liz Truss, que quase que eu fiquei nem desse por ela, e finalmente o Rishi Sunak, já como coveiro. Mas é possível que o Labour se vire contra nós temos... Já há vozes a dizê-lo abertamente, e já havia antes destas eleições e neste momento...
Reforçam-se, aparecem mais pessoas a apontar a porta de saída, ou pelo menos a pedir um calendário para uma saída voluntária de Starmer, que dê tempo, julgo eu, que também é essa a ideia de outro líder se afirmar até umas legislativas que, como tu dizias, não precisam de acontecer até 2029, e que a oposição não tem grandes instrumentos que permitam provocar.
Mas o que é que vai acontecer? É o partido que o vai mandar embora depois destes resultados? É o suficiente? Ou o que é que joga a favor e contra de uma golpada interna que manda embora Starmer?
Eu acho que a nível de organização do partido, estamos a começar a entrar aqui numa fase em que ou há realmente uma certa unanimidade no plano ou fica difícil, e eu acho que é isso que o Kirstomer tem tido, digamos assim, sorte, o balão de oxigênio dele tem sido não haver uma sucessão óbvia. Eu acho que aqui neste caso...
O Andy Burnham não estar no Parlamento neste momento é o maior entrave, até porque uma sondagem recente desta semana só sobre líderes e personagens políticas dava Andy Burnham como a pessoa mais consensual a nível de aprovação dos partidos, entre todos os partidos, entre todos os líderes políticos, ministros, etc.
Andy Burnham é quem apresenta uma figura que poderia congregar mais pessoas à sua volta. Andy Burnham é um homem com muita experiência política, já foi ministro de várias pastas, é há uns anos para cá e com muito êxito o autarca da grande Manchester, e alguém que mete medo aqui de estar-me de tal forma que quando ele recebeu, há uns meses tentou aproveitar uma vaga, uma demissão de um deputado para se candidatar ao Parlamento.
o que no Reino Unido é pré-requisito para depois, segundo a Convenção, tem sido pré-requisito para ser depois líder do Partido e candidato a Primeiro-Ministro, a verdade é que Starmer mexeu cordelinhos internamente para ele não poder ser o candidato naquele ciclo eleitoral e, portanto, fica...
Exatamente. Eu acho que é uma posição de enorme fraqueza de Starmer, de não ter-lhe deixado de concorrer, porque mostrou que tem medo. E Bernam é de facto alguém por quem muitos trabalhistas anseiam. Eu julgo que eu não vejo, tu dir-me-ás se concordas, eu não vejo na esfera trabalhista outro com o mesmo brilho que Andy Bernam ou com a mesma...
estrelinha, digamos assim, por já estar também na cabeça dos militantes para eventualmente suceder a Starmer. Embora haja outros nomes. Exatamente. Exatamente, há outros nomes e até agora, mais recentemente esta semana, começou a falar-se até de uma dupla solução, que seria Angela Rayner avançar já por estar no Parlamento e depois, mais à frente, mais perto das legislativas, haver uma transição para Andy Burnham, que seria então o candidato que levaria ao partido.
até às próximas eleições legislativas, porque só para dar contexto exatamente como estavas a explicar, esse pré-requisito de ter que estar no Parlamento é o que está neste momento a bloquear Andy Burnham. Tentou, depois na Constituição que acabou por ser ganha pelos verdes, tentaram que Andy Burnham fosse concorrer aí, não aconteceu e neste momento há outro perigo ainda, que é alguns, pelo menos é o que se diz na esfera do Westminster.
Alguns colegas do Parlamento já se manifestaram disponíveis para ceder o lugar deles e assim provocar uma by-election nessa Constituição para que o Andy Burnham pudesse concorrer, mas há um perigo que é, ainda assim, têm de ir a votos e Andy Burnham tem de ganhar e os trabalhistas têm de ganhar. E com este panorama atual podia ser um…
É uma jogada bastante arriscada e que pode até acabar por fragilizar Andy Burnham e roubar mais um deputado aos trabalhistas da WCN para subir, por exemplo, por Reform UK. Exatamente. Podia ter aquilo que se chama na gíria política britânica um Portillo Moment, que é uma...
Michael Portillo era um homem que esteve durante muito tempo na calha para ser líder dos conservadores, na altura em que acabou o período de Margaret Thatcher e depois de John Major. Acontece que, em umas eleições legislativas em que ele era candidato a um lugar e supostamente ia ganhar,
perdeu e com isso a sua carreira política morreu. E de facto, Barnum podia arriscar-se a isto. Porque eu acho que os outros nomes que se falam, Angela Rayner, que foi vice-primeira-ministra e que seria a primeira mulher a chefiar o Labour, é um partido progressista que nunca teve uma mulher à frente, é lamentar, não é o único, em Portugal também os temos.
e seria outro nome, como aliás o ministro da Saúde, o S. Tweeting, também tem algumas ambições, quando eu acho que tem menos hipóteses. Ed Miliband, que já foi líder e que é ministro do Ambiente, também tem aparecido nos totaloutes que os jornais vão fazendo, mas de facto nenhum deles, provavelmente nenhum deles com o brilho de Dandy Burnham.
Talvez jogue a favor de Starmer, de facto, essa ausência de um rival claro e em condições, falando de ter lugar em Westminster, na Câmara dos Comuns, talvez isso jogue a favor dele. Mas se isso lhe der tempo, o que é que ele pode fazer com esse tempo?
Uma das pessoas com quem falava, um académico da Universidade de Manchester, Andrew Westwood, que também já assurou vários governos e a Câmara dos Lords, dizia-nos que este pode acabar por ser um momento de viragem. Claro que Starmer já tem feito muitos destes nos últimos meses.
momentos em que ele vai voltar a reiterar a sua visão para o país e tentar fazer aqui um momento de reset na comunicação com o país. E o que Andrew Westwood me dizia era que há possibilidade de ele perceber que tem que se tornar mais firme e mais...
com mais horizonte e mais exigente com o seu governo e com as propostas que são apresentadas. E que, portanto, este pode ser um momento em que ele apresenta mais investimento para o país, em que joga mais com as causas que preocupam mais as pessoas. Eu acho que a dificuldade aqui é que eu não sei se neste momento, com esta dispersão...
partidária que se vê, é fácil para o primeiro-ministro identificar o caminho. Porque eu acho que vai haver quem no seu círculo político lhe diga a imigração é um tema central, deviam era apostar nisto, mas nisto, tal como noutros países, incluindo em Portugal, muitas vezes o que depois se percebe é que as pessoas preferem o original à cópia.
E portanto se há um partido que já fez do tema da imigração a sua bandeira vir outro, tentar usar algumas das mesmas medidas ou de alguma das mesmas bandeiras, não cai tão bem com o eleitorado. E depois ao mesmo tempo…
Há aqui uma data de assuntos mais internacionais que têm tido consequências muito palpáveis na comunidade britânica, como por exemplo os ataques que tivemos a duas pessoas, a dois judeus, em plena luz do dia em Golden Green, há cerca de uma semana, ataques antisemitas com dificuldade de depois se perceber exatamente.
de onde é que estes fenómenos começam, de onde é que surgem. São temas muito sensíveis e delicados que eu acho que não vai ser fácil para a Career Starmer unir as pessoas nesta fase em relação a isso. Portanto, eu acho que esta pode ser uma oportunidade para que ele...
reorganiza as prioridades e tente ser mais aspiracional na sua comunicação, mas para já é difícil ver como é que isso poderá acontecer. E eu acho que mesmo com outro líder, eu não sei se para já é possível inverter esta queda dos partidos.
a que estamos habituados no Reino Unido, os trabalhistas e os conservadores. Pois, entretanto, também mesmo em termos de dar nova dinâmica ao governo, também já não deve ser fácil recrutar, por exemplo, para uma potativa remodelação, ou assim, quem é que quer ser ministro de um barco que se está a afundar, não é?
Eu gostava que se olhássemos também um bocadinho para a Escócia e o país de Gales, embora ainda tínhamos muito poucos resultados, aliás, eu pelo que vejo aqui nos jornais britânicos ainda não há resultados oficiais, há alguns resultados dos países de Gales, mas são muitíssimo poucos. Sim, não dá ainda para tirar conclusões.
Mesmo assim já são provavelmente um pronúncio do que aí vem, porque temos o Partido Nacionalista Galês e o Reformo do Nádio Faraz, portanto a direita populista, ali neste momento à frente, é muito incipiente ainda, mas à frente da contagem e é de facto o que as sondagens dizem. O que eu acho extraordinário também é mais um sintoma do que se está a passar.
É que o Partido Trabalhista governa o país de Gales, portanto, em termos do governo autónomo, do governo regional, desde que há autonomia. Desde os anos 90, quando foi criado o Parlamento Galês, vai, seguramente, é quase certo que vai perder o poder desta vez e arrisca-se a ficar em terceiro lugar, atrás dos nacionalistas, que ganhariam, segundo as sondagens, e do Reform, que passa à frente.
E na Escócia, os nacionalistas independentistas escoceses que estão no poder desde 2007, até há quase 20 anos, e que promoveram o referendo à independência em 2014, e querem outro, também vão ganhar?
Não se sabe se vão ter maioria absoluta, não é muito fácil, ou se somam maioria absoluta com os verdes escoceses, que são diferentes dos ingleses e são para a independência. Portanto, pode estar na calha um novo referente. E, de novo, o segundo partido na Escócia também possivelmente será o Reforma e não o Labour. Portanto, é o que ainda mostra o partido que promoveu a autonomia dos países que constituem o Reino Unido.
a ser também, portanto, por eles castigado, mesmo em eleições do foro regional, em que Kirsten Starrmann não é ou não devia ser um protagonista. Podemos, achas que...
que isto pode, de facto, trazer uma poluição nacionalista acrescida na Escócia e que, uma vez que também, entretanto, já passaram mais de 10 anos sobre o referendo em que o não à independência venceu por 55-45%, é possível que isto faça de novo folgo a essas poluções separatistas lá para o Norte?
O próprio líder dos nacionalistas pôs um número muito concreto, disse que se conquistarem mais do que 65 ou 65 membros do Parlamento, então que vão forçar ou vão convocar um referendo.
ou seja, vão forçar que o Westminster autorize, porque o Westminster tem que autorizar este referendo, é importante ressalvar, mas que sentem que a legitimidade deles está reforçada para então pedir um referendo em 2028 novamente sobre a questão da independência. E portanto…
vamos ver como é que são os resultados parece que pode haver ali alguma mudança para o Reform UK que não permita chegar a este resultado mas acho que é inevitável que isto volte a surgir e acho que sobretudo contagiado pelo país de galos porque se nós efetivamente tivermos o país de galos a ser liderado com as sondagens
indicam a ter uma maioria de nacionalistas também no país de Galos pela primeira vez, a coesão do reino vai voltar a surgir. Como lembravas há pouco, o resultado do referendo, que foi agora quase há 10 anos, foi muito próximo, não encerrou a questão, apesar...
de ter sido esse o objetivo de ambos os lados que acordaram em fazê-lo, não é? Acabou por não encerrar a questão por completo. E acho que se tivermos, e vamos ver o que é que também acontece na Irlanda do Norte, que neste momento não está a votos, mas que vai estar ainda, antes das próximas eleições... E onde os nacionalistas também estão muito bem nos estudos de opinião e nas intenções de voto. Exatamente. O Sinn Fé, no partido que quer tirar a Irlanda do Norte ao Reino Unido e metê-la na Irlanda propriamente dita, está com intenções de voto muito simpáticas.
Portanto, se tivermos aqui um quadro geral em que todos os partidos nacionalistas estão com maioria nos seus parlamentos regionais, eu acho que é inevitável que a questão da união do reino e da coesão territorial do reino volte a surgir, sobretudo também na altura...
quando tivemos também um trabalho pós-expresso mais sobre a independência da Escócia e como é que estava a opinião das pessoas alguns anos após o referendo, o que também percebemos foi que a saída da União Europeia, portanto o Brexit, veio ainda mais aumentar a vontade da independência para que então possam tentar.
voltar a integrar o espaço europeu comum e portanto tudo isto vão ser conversas que vão ter que ser tidas e que acho que era a última coisa que Keir Starmer queria ter que lidar quando já tem tanta coisa em cima disto tudo ser o primeiro ministro do fim do reino seria muito cruel de facto
Sim, eu acho que todas estas alturas em que também o custo de vida afeta as pessoas, estas questões da coesão social, tudo isso são alturas também muito propícias a que esta questão das independências voltem a surgir e, portanto, acho que vai ser um tema para continuarmos a acompanhar nos próximos meses e nos próximos anos.
Muito bem, e com isto estamos aqui a tocar a meia hora e vamos iniciar as despedidas. Com aquela pergunta que eu gosto de fazer aos convidados todos e que tu já respondeste umas vezes, vamos ver para onde é que te leva a imaginação hoje. Francisca, se pudesses viajar agora para qualquer parte do mundo à tua escolha, para fazeres tudo o que te apetecesse, para onde é que ias e porquê?
Eu acho que agora iria para o Brasil. É um país que eu tenho muita curiosidade em conhecer, onde nunca fui e que me tem chamado muita atenção também nos últimos tempos e que estou com muita curiosidade de...
de conhecer, portanto acho que hoje era o Brasil. Muito bem e percebo que o clima britânico deu ainda mais vontade de ir para o Brasil. Eu apesar de estar em paragens um bocadinho mais quentes também iria de bom grado ao Brasil agora se tivesse ocasião.
Não tendo, fico por aqui e agradeço-te a tua participação neste podcast, agradeço a edição técnica do Gustavo Carvalho e agradeço também, claro, aos nossos ouvintes que são a razão de ser do mundo a seus pés, que volta para a semana com outros protagonistas, outros assuntos. Até lá, até breve e até sempre.
Olá, sou Tony Gonçalves. Sou português, vivo nos Estados Unidos desde os quatro anos e tenho um podcast. The Heart and Hustle of Portugal. Converso com quem está a levar Portugal mais longe. Empreendedores, artistas, sonhadores. É o primeiro podcast em inglês do Expresso feito com paixão nacional. Ouça todas as semanas em expresso.pt ou na sua app de podcasts. Vamos, let's go!