Diogo Moreira vive ‘sonho’ ao recolocar Brasil na MotoGP, a Fórmula 1 do motociclismo
Aos 22 anos, Diogo Moreira vive sua primeira temporada na MotoGP, a principal categoria do motociclismo mundial. O piloto brasileiro chega à elite depois de passar pelas categorias de base – Moto3 e Moto2 – e conquistar, em 2025, o título mundial da Moto2, um resultado inédito para o Brasil. “Depois de tanto esforço, está sendo um sonho”, diz Moreira em entrevista à RFI.
Luiza Ramos, da RFI em Paris
A promoção para a MotoGP em 2026 marca uma nova etapa da carreira do jovem, com motos mais potentes, corridas mais longas e um nível de exigência maior, tanto física quanto técnica.
A estreia de Diogo Moreira na MotoGP, pela equipe LCR Honda, na temporada de 2026, representa o fim de um jejum histórico para o Brasil, que ficou quase duas décadas fora do grid da elite da motovelocidade. Alex Barros, último representante brasileiro na categoria, se aposentou em 2007, quando competia pela equipe Ducati.
Neste fim de semana, de 8 a 10 de maio, Moreira vai disputar, pela primeira vez, uma prova da MotoGP no clássico circuito Bugatti, no Grande Prêmio da França, em Le Mans. A etapa foi palco da vitória de Johann Zarco em 2025.
“Depois de tantos anos, o pessoal no Brasil está muito animado. Eu acho que eu ter voltado para o Mundial, e ainda mais depois de ter ganhado o campeonato [Moto2] ano passado, fez o pessoal voltar a ver as corridas. Acho que está impulsionando muito mais o campeonato no Brasil, os fãs", diz. "Para mim está sendo uma honra também. Vou continuar fazendo o que estou fazendo e tentar melhorar a cada corrida. Está sendo uma motivação a mais”, afirma o piloto, natural de Guarulhos.
Além disso, Diogo passa a ser uma referência atual para uma nova geração que acompanha o esporte no país, justamente em um momento em que o motociclismo brasileiro busca se fortalecer, com o retorno do Brasil ao circuito internacional após mais de duas décadas fora do calendário do campeonato. A prova realizada no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia, no penúltimo fim de semana de março, contou com um público de quase 150 mil pessoas e reforçou o interesse do público local pela competição.
Diogo vive desde a adolescência na Espanha, quando decidiu se dedicar ao esporte. “Eu sempre sonhei em correr no Brasil e ainda mais na MotoGP. Para mim foi um fim de semana muito, muito emocionante, muita gente da minha família, muitos amigos. Foi muito legal para mim e para todos os brasileiros”, comentou ele, que foi o 13º colocado no Grande Prêmio do Brasil de MotoGP, em 22 de março.
Parceria com francês e amizade com grandes nomes da Espanha
Na competição, o brasileiro divide pista com alguns dos nomes mais reconhecidos da modalidade, como os irmãos espanhóis Alex e Marc Márquez, além de correr na mesma equipe do francês Johann Zarco, um dos pilotos mais experientes do grid.
“Eu acho que a gente faz uma boa dupla. A gente tenta sempre melhorar um com o outro. Agora, no momento, estou aprendendo muito mais com ele. Vai chegar um momento em que a gente vai conseguir aprender os dois juntos”, aposta o jovem talento.
Antes do GP da França neste fim de semana , Diogo ocupa a 17ª posição na classificação geral, entre 24 pilotos.
“Estou em uma fase de aprendizado da categoria, da moto, mas acho que a gente está fazendo um bom trabalho. Estou no melhor campeonato do mundo e na melhor categoria", comemora. "Mais do que isso é difícil. Então, a gente tem que ter calma agora e tentar melhorar a cada fim de semana”, completa.
Treinamento mais intenso na MotoGP
Na Moto2, as motos têm motor único e padronizado, um tricilíndrico de 765 cc, com cerca de 140 cavalos de potência, atingindo velocidades próximas de 300 km/h, o que reduz as diferenças técnicas e valoriza a habilidade do piloto. Já na MotoGP, categoria principal do Mundial, as motos são protótipos de fábrica, com motores de até 1000 cc, mais de 250 cavalos e velocidades acima de 350 km/h. Por isso, a Moto2 é vista como uma categoria de formação, uma etapa intermediária em que jovens pilotos se desenvolvem antes de chegar à elite do motociclismo mundial.
Diogo Moreira conta que os treinamentos são mais intensos agora que está na MotoGP. “O fim de semana é muito mais curto, a gente tem menos tempo livre fora da moto. É quase o fim de semana inteiro em cima da moto. Mas também é o que eu sempre quis, então, estou me divertindo muito no momento. Fisicamente estou me preparando muito mais”, revela.
Ídolos e inspirações
O convívio diário com atletas consolidados faz parte do processo de adaptação à nova categoria, principalmente com Marc Márquez, campeão da MotoGP em 2025, em quem Diogo se inspira. “A gente tem uma boa relação, quando a gente vai treinar juntos. Desde que eu comecei na motovelocidade, eu o vi ganhar. Então, para mim é um ídolo”, destaca.
Além de Marc Márquez, o piloto também cita Ayrton Senna, ícone brasileiro morto há 32 anos e que Diogo não chegou a ver competir: "Desde o começo da minha carreira, ainda no motocross, eu sempre me inspirei na história do Ayrton Senna, que é muito interessante. Até hoje eu continuo entendendo um pouquinho mais da história dele. Por isso que eu sempre gostei, sempre vou gostar”, declara.
Ainda na quinta etapa do campeonato de 22 fases no total, que termina em novembro em Valência, Diogo mantém os pés no chão ao projetar o futuro.
“Eu estou bem satisfeito. Eu acho que a gente pode continuar melhorando ainda muito mais. Então, vai chegar com calma. A gente tem o campeonato inteiro pela frente. É muito cedo ainda para falar", avalia. "A gente tem que se concentrar nesse ano e tentar, a cada fim de semana, melhorar. O que for para o ano que vem vai estar bom.”
Luísa Ramos
Luiza Ramos
Diogo Moreira
- Diogo Moreira e ídolosInspiração em Marc Márquez · Inspiração em Ayrton Senna
- Possível candidatura de Márcio FrançaDisputa no circuito Bugatti em Le Mans · Etapa de maio no campeonato
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Aos 22 anos, Diogo Moreira vive sua primeira temporada na MotoGP, a principal categoria do motociclismo mundial. O piloto brasileiro chega à elite depois de passar por categorias de base e conquistar, em 2025, o título mundial da Moto2, um resultado inédito para o Brasil.
A chegada à MotoGP em 2026 marca uma nova etapa para o país, que não tem representantes desde 2007 e também na carreira do jovem, com motos mais potentes, corridas mais longas e um nível de exigência maior, tanto na parte física quanto técnica.
Acho que primeiramente, pra mim, tá... Sempre eu falei que tá sendo um sonho, né? Pra mim. Tá vindo muito... Acho que tudo muito rápido. Por isso que também a gente tem que estar contente e feliz, né? Depois de tanto esforço que a gente fez. Depois de tantos anos, tá...
O pessoal aí no Brasil está muito animado. Eu acho que eu ter voltado para o Mundial e ainda mais ter ganhado o campeonato ano passado, o pessoal começou a voltar a ver as corridas. Então, acho que está impulsionando muito mais o campeonato no Brasil, a aficiência no Brasil, os fãs. Então, acho que para mim está sendo uma honra também. Continuar fazendo o que eu estou fazendo, cada dia melhorar e tentar esse ano, cada corrida melhorar. Então, para mim, está sendo uma motivação a mais.
Diogo, natural de Guarulhos e que vive desde a adolescência na Espanha, quando decidiu se dedicar ao esporte, passa a ser uma referência atual para uma nova geração que acompanha o esporte no país, justamente em um momento em que o Brasil retorna ao circuito internacional após mais de duas décadas fora do calendário do campeonato.
A prova, realizada no renovado Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia, no penúltimo fim de semana de março, contou com um público de quase 150 mil pessoas e reforçou o interesse do público local pela competição.
Então, eu sempre sonhei em correr no Brasil. E pra mim foi um fim de semana muito emocionante. Muita gente da minha família, muitos amigos. E poder ter voltado a correr no Brasil e ainda mais na Modip. Pra mim, pra todos os brasileiros, foi bem legal. A gente conseguiu fazer um fim de semana muito bom.
Pra mim, agora eu tô numa fase que eu tô aprendendo ainda da categoria, da moto. Eu acho que eu tenho muito o que aprender ainda, mas eu acho que a gente tá fazendo um bom trabalho. A gente tá no melhor campeonato do mundo e na melhor categoria, né? Então, eu acho que mais que isso é difícil. Então, a gente tem que ter calma agora e, como eu falei antes, tentar cada fim de semana melhorar.
Nas competições, o brasileiro divide pista com alguns dos nomes mais reconhecidos da modalidade, como os irmãos espanhóis Alex e Marc Marques, além de correr na mesma equipe do francês Joan Zarco, um dos pilotos mais experientes do GRID.
Sempre me inspirei no Marques, eu acho que a gente tem uma boa relação quando a gente vai treinar juntos, então desde que eu comecei na motovolocidade eu vi ele ganhar, então pra mim é um ídolo.
Além de Marc Marques, Diogo também cita Ayrton Senna como ídolo. Desde o começo da minha carreira no motocross, eu sempre me inspirei na história do Ayrton Senna. Acho que é uma história muito interessante. Eu sempre me inspirei nele. Até no dia de hoje, eu continuo assistindo a história, eu continuo entendendo um pouquinho mais da história dele. Então, por isso que eu sempre gostei e sempre vou gostar.
Neste segundo fim de semana de maio, Diogo disputa pela primeira vez uma prova da MotoGP no clássico circuito Bugatti, no Grande Prêmio da França em Le Mans. Ainda na quinta etapa do campeonato, de 22 fases no total, que termina em novembro em Valência, Diogo mantém os pés no chão ao projetar o futuro. Ainda é muito cedo para falar.
A gente não está nem na metade do campeonato ainda, a gente tem o campeonato inteiro pela frente. A gente tem que concentrar nesse ano e tentar cada fim de semana melhorar. Então, o que for para o ano que vem vai estar bom. Estou bem satisfeito, acho que a gente está fazendo um bom trabalho e acho que a gente pode continuar melhorando e ainda muito mais. Então, vai chegar com calma.
O programa Esporte em Foco com o piloto brasileiro da MotoGP, Diogo Moreira, termina por aqui. Até a próxima!
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