Episódios de Posto 8 - O Podcast do TDS

Terapia hormonal de afirmação de gênero e desempenho físico: o que a ciência nos mostra?

06 de maio de 202626min
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Fonte: Cheung AS, Zwickl S, Miller K, Nolan BJ, Wong AFQ, Jones P, Eynon N. The Impact of Gender-Affirming Hormone Therapy on Physical Performance. J Clin Endocrinol Metab. 2024 Jan 18;109(2):e455-e465. doi: 10.1210/clinem/dgad414. PMID: 37437247; PMCID: PMC10795902.

Participantes neste episódio1
B

Bruno Rosa

HostProfissional de saúde
Assuntos6
  • Terapia de reposição de testosterona (TRT)Impacto da terapia hormonal em homens trans · Impacto da terapia hormonal em mulheres trans · Diferenças fisiológicas entre homens e mulheres cis · Inclusão de pessoas trans no esporte · Limitações da evidência científica atual
  • Diferenças de resposta entre sexosAumento de massa muscular e força · Melhora no desempenho físico · Aproximação do desempenho de homens cis
  • Conclusão e benefícios práticos do livroEvidência limitada e necessidade de mais pesquisa · Abordagem modalidade por modalidade · Inclusão e individualização no treino · Cuidado com extrapolação para atletas de elite
  • Método científicoRevisão narrativa · Bases de dados e período de busca · Critérios de inclusão de estudos · Limitações dos estudos analisados
  • TransfobiaEvitar pânico moral e discussões superficiais · Considerar vantagens inerentes ao esporte · Importância de perguntas específicas
  • Treino FísicoDesempenho de mulheres trans antes da terapia · Queda no desempenho após terapia hormonal · Limitações dos testes militares
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Fala, time, sejam muito bem-vindos, bem-vindas, bem-vindes a mais um episódio do Posto 8, o podcast do TDS. Meu nome é Bruno Rosa, vocês me conhecem como Sapo.

já pedindo desculpa de antemão pela minha voz que não está lá essas coisas, mas queria gravar esse episódio para a gente continuar com a atualização, continuar com informação de qualidade nesse mar de muitas vezes desinformação que rola na internet. Lembrando que todos os episódios estão disponíveis tanto no YouTube como no Spotify.

ativa o sininho, segue, se inscreve, comenta, compartilha, dá joinha, enfim, interage para que chegue mais gente, informação de qualidade, beleza? Lembrando também que tudo agora sobre mim você encontra no brunosapo.com.br, valores e planos para treinar comigo.

episódios do Posto 8, link da loja, enfim, está tudo lá, brunosapo.com.br. Beleza? Vamos para esse episódio?

Eu vou falar com calma, vou falar com parcimônia, porque é um tema que normalmente é sinônimo de mexer no vespeiro. Mas vou compartilhar com vocês um artigo que eu li, achei interessante. E quanto mais sobre esse assunto vocês tiverem informação de qualidade, melhor para não ficar discutindo baseado...

em opinião, baseado em nada, baseado muitas vezes em preconceitos ou coisas que vocês ouviram falar. Beleza? O tema do episódio é terapia hormonal de afirmação de gênero e desempenho físico, o que a ciência realmente nos mostra.

então é um episódio que mistura ciência, mistura esporte, mas também mistura política, inclusão e, como eu falei, muita opinião mal informada. A participação de pessoas trans no esporte e o impacto da terapia hormonal de afirmação de gênero no desempenho físico.

O artigo em si é uma revisão narrativa publicada no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism em 2024. E o título em inglês é The Impact of Gender Affirming Hormone Therapy on Physical Performance. A pergunta central do artigo...

É o que acontece com a força, massa muscular, composição corporal, hemoglobina, capacidade cardiorrespiratória e desempenho físico em pessoas trans depois da terapia hormonal de afirmação de gênero. E aqui...

já vale começar com cuidado para nós termos. Como eu falei, não é um tema simples, não pode ser reduzido a uma frase no Instagram, em rede social, não é reduzir a tem vantagem, não tem vantagem, de forma genérica.

O próprio artigo mostra que a evidência ainda é limitada, os estudos são pequenos e muitos não são controlados e quase todos foram feitos em pessoas trans, não atletas. Beleza? De novo, tudo que eu falar aqui vai ser de acordo com o artigo que o link eu vou botar na descrição também. Porque esse artigo é importante.

Inclusão de pessoas trans no esporte tem sido um dos temas mais debatidos nos últimos anos. Federações esportivas, comitês, clubes e organizações precisam tomar decisões sobre regras de participação, principalmente na categoria feminina. O foco da discussão costuma estar nas mulheres trans e pessoas não binárias designadas homens ao nascer.

porque existe a preocupação de uma possível vantagem física associada à puberdade masculina anterior. Mas o artigo faz uma crítica importante. Há muito debate e pouca evidência direta.

A maioria das discussões parte de dados sobre homens e mulheres cis, mas há poucos estudos avaliando o que acontece depois da terapia hormonal em pessoas trans, especialmente em atletas. O artigo também lembra que pessoas trans enfrentam barreiras importantes para participar do esporte.

A participação esportiva é menor entre jovens trans e o medo de discriminação, ausências de políticas inclusivas e ambientes hostis são barreiras relevantes. Então, esse artigo é importante porque tenta organizar...

o que existe de evidência até agora, sem ignorar os aspectos fisiológicos nem o contexto social. Falando em contexto fisiológico, por que existe diferença média de desempenho entre homens e mulheres cis? Então, primeiro, antes de falar de pessoas trans, o artigo revisa um ponto básico.

que é, em média, homem cis tem vantagem e desempenho sobre mulher e cis em muitas modalidades, principalmente após a puberdade. Essa diferença está muito relacionada à exposição à testosterona em níveis típicos masculinos durante a puberdade. Isso influencia altura, massa muscular, massa óssea, concentração de hemoglobina, menor percentual de gordura e maior força.

Mas o artigo também deixa claro que a testosterona não é o único fator. Desempenho esportivo depende de muitas variáveis, como tamanho corporal, composição corporal, força, potência, capacidade aeróbica, técnica, coordenação, genética, estratégia, treinamento e contexto da modalidade. Ou seja...

Mesmo quando a testosterona é importante, o esporte não é só testosterona. E aí você que chegou aqui está perguntando, tá, mas o que é terapia hormonal de afirmação de gênero? O artigo explica que a terapia hormonal de afirmação de gênero, e eles abreviam para GAT, G-A-H-T,

é usada por muitas pessoas trans para induzir características físicas alinhadas à sua identidade de gênero. Nos homens trans e pessoas não binárias designadas mulheres ao nascer,

A terapia geralmente envolve testosterona. Ela tende a elevar concentrações de testosterona dentro da faixa masculina e pode induzir voz grave, crescimento de pelos, interrupção da menstruação, aumento da massa muscular e redução de gordura corporal.

Nas mulheres trans e pessoas não binárias designadas homens ao nascer, a terapia feminilizante geralmente envolve estradiol e, muitas vezes, antiandrogênicos. O objetivo é reduzir a ação e a concentração de testosterona, promovendo a redistribuição de gordura, desenvolvimento mamário, redução de massa muscular, redução de libido e mudanças em pele pelos corporais.

O ponto importante aqui é, algumas coisas mudam com a terapia hormonal, outras não. Altura, tamanho ósseo e, em geral, dimensões esquelétricas adquiridas na puberdade não mudam de forma relevante.

Como eu falei, o artigo é uma revisão narrativa. Os autores buscaram estudos nas bases Medline, em base até 1º de novembro de 2022. Eles procuraram estudos envolvendo pessoas trans, terapia hormonal de afirmação de gênero e desfechos relacionados a desempenho físico, como massa muscular, composição corporal, osso, hemoglobina, endurance, exercício, esporte e aptidão cardiorrespiratória.

E aqui entra uma limitação importante do nosso estudo. Os estudos, em geral, no caso, os estudos existentes são, em grande parte, transversais, pequenos, sem grupo controle ou com curta duração. E a maioria envolve pessoas trans não atletas. Então, o artigo não consegue responder...

com segurança absoluta, o que acontece em atletas trans de elite. Ele ajuda mais a entender as tendências fisiológicas e mudanças em pessoas trans adultas após a terapia hormonal. Principais resultados em homens trans. Nos homens trans, a testosterona aumentou massa muscular e força.

Os estudos longitudinais mostram que no primeiro ano de terapia com testosterona, há aumento de aproximadamente 10% na massa magra e redução de aproximadamente 10% na massa gorda. Tudo com avaliação por ressonância magnética da coxa, a área muscular aumentou cerca de 19% em 3 anos. Mas a maior parte da mudança parece ter ocorrido já no primeiro ano.

A força de prensão manual, a força de pega, também aumentou. Um estudo mostrou um aumento médio de 18% em 12 meses e outro estudo maior encontrou aumento de 6,1 kg na força de prensão também em 12 meses.

Quando o artigo fala de desempenho físico, os dados vêm principalmente de testes físicos da força aérea com flexões abdominais e corridas de 1,5 milha, aproximadamente 2,4 quilômetros. Nos homens trans, depois do início da testosterona, houve melhora progressiva nas flexões, nos abdominais e no tempo de corrida.

Em alguns dados, o desempenho se aproximou do de homens cis em um ou dois anos. Em análises mais recentes, as flexões e corridas levaram até três anos para chegar ao nível médio dos homens cis. A síntese do artigo em relação a isso é...

Em homens trans não atletas, a terapia com testosterona aumenta a massa muscular, força, desempenho físico e esses marcadores se aproximam dos homens cis após 1 a 3 anos. Principais resultados em mulheres trans. Nas mulheres trans, a terapia hormonal feminilizante produziu mudanças importantes, mas nem tudo na mesma velocidade.

A gordura corporal aumenta, o artigo cita aumento de 28% a 30% na massa gorda após 12 meses. A massa magra diminui, mas de forma mais modesta no primeiro ano, aproximadamente 3% a 5% em 12 meses. Em alguns estudos, a área muscular da coxa caiu cerca de 9% em um ano e 12% em três anos. Isso é importante?

porque mostra que a redução de massa muscular não é instantânea. E também mostra que, desculpa, mesmo com a redução, algumas medidas absolutas podem continuar maiores em mulheres trans do que em mulheres cis, em parte porque mulheres trans podem ser mais altas em média. Mas quando os dados são corrigidos ou relativizados, o quadro muda.

O artigo aponta que percentual de massa magra, percentual de gordura e força corrigida pela massa magra em mulheres trans após a terapia hormonal não foram diferentes dos valores encontrados em mulheres cis em alguns estudos. Sobre a força, vou dar um gole aqui, valei da minha garganta. Sobre a força, a prensão manual caiu em alguns estudos.

com reduções de 4% a 7% em 12 meses. Mas o artigo alerta que...

Esse dado sozinho é um marcador muito limitado. Ele não representa todo o desempenho esportivo e se relaciona melhor com algumas modalidades do que com outras. Na força de membros inferiores, os dados ainda são poucos. Um estudo transversal com mulheres trans, em média 8 anos após a terapia hormonal, mostrou força de extensão de joelho 25% menor do que em homens cis. Já um estudo pequeno.

de 12 meses não encontrou mudança significativa em força de flexão e extensão de joelho, sugerindo que, em 12 meses, talvez seja pouco tempo para grandes mudanças nesse desfecho. Em relação à hemoglobina e endurance,

Um dos resultados mais claros do estudo é sobre a hemoglobina. A hemoglobina é maior em homens cis do que em mulheres cis. E isso tem relação com a capacidade de transporte de oxigênio e desempenho em modalidades de endurance.

A terapia hormonal muda a hemoglobina de forma rápida e consistente. Em homens trans, a hemoglobina sobe para a faixa masculina. Em mulheres trans, a hemoglobina cai para a faixa feminina. Segundo o artigo, isso pode ocorrer em cerca de três meses.

Esse é um ponto muito relevante, segundo o artigo, porque em esportes de resistência, a capacidade de transportar oxigênio é uma variável muito importante. Então, para mulheres trans, a queda da hemoglobina pode contribuir para a queda.

do desempenho aeróbico. Capacidade cardiorrespiratória em mulheres trans. O artigo encontrou apenas um estudo transversal avaliando VO2 pico em mulheres trans. Esse estudo comparou 15 mulheres trans em terapia hormonal por média de 14 anos com mulheres cis e homens cis. Em valores absolutos, as mulheres trans parecem ficar em uma posição intermediária entre mulheres cis.

e homens cis. Mas quando o VO2 pico foi corrigido pelo peso corporal ou pela massa magra, não houve diferença estatística entre mulheres trans e mulheres cis. E os valores foram menores do que o dos homens cis. Esse é um ponto importante.

porque, dependendo de como se compara, a conclusão muda. O valor absoluto pode sugerir uma coisa, o valor corrigido por peso ou massa magra pode sugerir outra. Achei esse ponto importante e achei legal colocar aqui, que é o desempenho físico em testes militares. A parte mais próxima do desempenho físico prático vem de estudos com pessoas trans em testes físicos da Força Aérea.

dos Estados Unidos. Esses testes incluem flexões abdominais e corridas de 1,5 milhas. Nas mulheres trans, antes da terapia hormonal, o desempenho era superior ao das mulheres cis em flexões abdominais e corridas. Depois da terapia hormonal, houve uma queda progressiva. Após dois anos...

Um estudo encontrou que flexões abdominais não eram mais diferentes das mulheres cis, mas a corrida ainda era mais rápida. Já uma análise maior encontrou que o tempo da corrida das mulheres trans não era diferente do das mulheres cis após dois anos.

Quatro anos de terapia hormonal, os abdominais não eram diferentes das mulheres cis, mas as flexões ainda permaneciam estatisticamente melhores. Isso sugere que pode haver uma vantagem residual em alguns componentes de força de membros superiores.

Mas o artigo mesmo pede cautela e fala que esses estudos têm limitações importantes. São dados retrospectivos, os testes têm padrão mínimo de aprovação, dependem do esforço, não medem desempenho máximo, não controlam o tipo de treino, intensidade de treino, função militar.

ou estilo de vida. Além disso, houve muita perda de participantes ao longo do tempo que pode gerar um viés de sobrevivência, ou seja, quem permanece no serviço militar pode ser justamente quem mantém o maior nível de aptidão física. E aí, enquanto a gente está indo para o final, o que o artigo conclui? Chegando aí a 20 minutos de episódio...

o que o artigo conclui? A conclusão principal é que a evidência ainda é limitada, mas sugere que o desempenho físico de pessoas trans não atletas que passaram por pelo menos dois anos de terapia hormonal se aproxima do desempenho de controle cisgênero.

Nos homens trans, a testosterona aumenta a massa muscular, força e desempenho físico com aproximação aos homens cis em 1 a 3 anos.

Nas mulheres trans, a terapia hormonal feminilizante reduz hemoglobina, massa muscular, força e alguns marcadores de desempenho. Depois de dois anos, não foi observada vantagem em tempo de corrida em alguns dados. Depois de quatro anos, não houve vantagem em abdominais, mas a performance em flexões ainda permaneceu maior do que mulheres cis em uma análise.

O artigo também destaca que não existe uma resposta única para todos os esportes. Cada modalidade exige capacidades diferentes. Força de membros superiores, força de membros inferiores, endurance, potência, técnica, coordenação, tática, flexibilidade, composição corporal têm pesos diferentes dependendo de cada esporte.

Então, políticas públicas deveriam considerar especificidades de cada modalidade e não usar uma regra simplista para todos os esportes. Quando o debate...

sobre pessoas trans no esporte aparece, normalmente ele costuma ser tratado como se já existisse uma resposta científica fechada. Mas o artigo justamente mostra o contrário, mostra que ainda falta pesquisa de qualidade. Também...

Também existe uma confusão entre vantagem média, vantagem individual, vantagem injusta e o esporte é cheio de vantagens aceitas. Altura, envergadura, tamanho de mão, capacidade pulmonar, resposta ao treinamento.

acesso à estrutura, nutrição, tempo para treinar, genética e contexto social. Isso não significa que toda vantagem seja relevante. Significa que a discussão precisa ser feita com critério, modalidade por modalidade, e não com pânico moral. Um outro ponto é que o artigo fala de pessoas trans não atletas.

Usar esses dados diretamente para decidir regras de esporte de elite exige muito cuidado, segundo o artigo.

Atletas de elite são uma população completamente diferente. São pessoas altamente selecionadas com anos de treinamento, características físicas fora da média e respostas individuais muito específicas. Então, o melhor uso desse artigo não é encerrar o debate, mas melhorar a qualidade dele. Para nós...

profissionais de educação física, treinadores, pessoas que trabalham com exercício, esse artigo reforça algumas ideias importantes. E eu separei aqui quatro ideias importantes. Primeiro, um, pessoas trans devem ser incluídas em ambientes de exercício com segurança, respeito e individualização. Dois,

Terapia hormonal pode alterar composição corporal, força hemoglobina, capacidade física e isso precisa ser considerado no planejamento do treino sem transformar a pessoa num caso político. Terceiro, a resposta ao treino e a terapia hormonal pode variar. Então, mais do que assumir capacidade com base em identidade de gênero, o profissional deve avaliar a pessoa que está na frente dele.

Histórico, objetivo, nível de treinamento, saúde, força, resistência, preferências e todo o contexto.

E, por último, no esporte competitivo, principalmente de elite, as decisões precisam ser baseadas em evidência, modalidade específica e acompanhamento contínuo. Regras genéricas podem ser injustas, tanto por excluir sem necessidade, quanto por ignorar demandas reais de algumas modalidades.

Como eu falei, algumas limitações. A maioria dos estudos é pequeno, curto e sem grupo controle. Muitos dados são transversais, comparam grupos em um único momento, sem acompanhar a evolução real. Grande parte dos estudos que foram analisados por esse estudo envolvem pessoas trans não atletas. Não dá para transferir e extrapolar isso automaticamente para o alto rendimento.

E também faltam estudos sobre vários componentes importantes no desempenho, como potência máxima, coordenação, flexibilidade, economia de movimento, limiar de lactato, função cardíaca direta, função pulmonar, técnica e desempenho específico em modalidades específicas. E, além disso, alguns estudos houve grande perda de participantes no acompanhamento, o que pode distorcer um pouco os resultados. É...

Para a gente finalizar, o impacto da terapia hormonal de afirmação de gênero no desempenho físico existe, é mensurável e varia conforme o marcador avaliado. Em homens trans, a testosterona tende a aumentar a massa muscular, força e desempenho.

Em mulheres trans, a terapia feminilizante tende a reduzir a hemoglobina, massa muscular, força e desempenho em alguns testes físicos. Mas a ciência disponível ainda não permite respostas absolutas para todos os esportes, principalmente no alto rendimento. A discussão séria precisa fugir dos dois extremos, de negar qualquer diferença fisiológica com a missão.

ou usar as diferenças fisiológicas que existem como justificativa automática para a exclusão. Então, o caminho mais honesto seria olhar para a evidência, reconhecer suas limitações, considerar cada modalidade e construir políticas que sejam, ao mesmo tempo, justas, específicas e inclusivas.

E aí vou deixar uma reflexão, um pensamento para vocês, que é, quando a gente fala de pessoas trans no esporte, a pergunta não deveria só ser tem vantagem ou não tem vantagem. A pergunta melhor deve ser qual vantagem, em qual modalidade, depois de quanto tempo de terapia hormonal, em qual nível competitivo,

Medida de que forma? Comparado com quem? Sem essas perguntas, a gente não está debatendo ciência, não está se embasando para discutir. A gente está só repetindo opinião com aparência de ciência. Beleza? Episódio um pouquinho mais longo.

porque eu acho que esse tema merece sempre estar aqui. Já não é a primeira vez que eu falo de um estudo de atletas trans por aqui, mas eu acho que quanto mais informações a gente tiver, melhor, mais rico vai ser a discussão, de novo, baseada em ciência. Beleza? Se você chegou até aqui, deixa seu like, deixa seu comentário.

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