O Diabo Veste Prada 2
O Diabo Veste Prada 2 chega aos cinemas com a promessa de reeditar o sucesso do primeiro filme que foi um impacto grande ao discutir moda, jornalismo e estruturas de poder com muito sarcasmo, mas se perde ao esquecer o que funcionou da primeira vez.
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PODCAST DO CINEMAQUI
Apresentação: Rodrigo Monteiro e Vinicius Carlos Vieira
Participação:
Produção: CinemAqui
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- O Diabo Veste Prada 2Análise do filme · Comparação com o primeiro filme · Crise no jornalismo impresso e digital · Mudanças na indústria da moda · Papel das redes sociais e influenciadores · Representação de personagens femininas fortes · Uso de tropos narrativos em roteiros · Discussão sobre fast fashion e mão de obra escrava · Crítica à falta de profundidade e objetividade do filme · Atraso temático do filme em relação à realidade
- Jornalismo e CinemaRede de Intrigas (Network) · O Zodíaco (Zodiac) · Todos os Homens do Presidente (All the President's Men) · Spotlight: Segredos Revelados (Spotlight) · Quase Famosos (Almost Famous) · O Papel do Jornalista na Sociedade · A influência da mídia · Investigação jornalística
- Crise no Jornalismo EditorialDeclínio do impresso versus ascensão do digital · Modelos de negócio para revistas · Mercado editorial nos Estados Unidos · Mercado editorial no Brasil · Nichos de mercado
- Stanley TucciAtuação em O Diabo Veste Prada 2 · Paciente Zero (Patient Zero) · Viagens pela Itália com Stanley Tucci · Qualidade de suas atuações
- Moda e LuxoDiferença entre riqueza e luxo · Estética do primeiro filme · Fast fashion · Marcas de luxo (Balenciaga, Farfetch) · Tendências de moda e estilo
- Discussão sobre tropos e roteiroDeus Ex Machina · Arma de Chekhov · Tropo do viajante · Tropo da viúva · Interpretação de legendas
- Arte e ConservaçãoDiscussão sobre a Santa Ceia · Preservação de obras de arte
Bom hoje! Bem-vindos ao Podcast Cinema Aqui, eu sou Rodrigo Monteiro e hoje eu não estou na companhia do editor canal de sempre Vinícius Carlos Vieira, pelo menos não por enquanto. Tô gravando essa introduçãozinha aqui à parte porque a gente gravou pela primeira vez dentro do Substack com a ideia de que os nossos ouvintes e inscritos possam acompanhar a gravação ao vivo por lá.
e depois deixar disponível para todo mundo no Spotify. Mas uma coisa que nós não sabíamos é que o Substack aparentemente edita a parte dos conteúdos. Então nós perdemos toda a introdução e você vai ver que a gente começa direto da análise do filme da semana. Então não estranhe a falta de introdução, vamos direto para o papo com, agora sim, o editor canal de sempre, Vinícius Carlos Vieira.
E aí, entramos na pauta de hoje, depois de três minutos enrolando. Não é muito, né? Os maiores podcasts do Brasil enrolam 25 minutos pra entrar na pauta, não é? É, é um vídeo. Nós vamos falar sobre O Diabo Veste Prada 2, que é o filme que mobilizou uma galera aí pra ver. Talvez seja o filme-evento mais recente, Vini? Assim? Talvez seja o filme-evento do ano? Ou muito nicho?
nicho, né? Acho que o Michael Jackson foi mais evento. Será? Eu tenho a impressão que o Michael teve mais gente querendo assistir, mas o Diabas de Prada 2 foi um evento, assim, pra galera ter essa impressão. Mas o Michael Jackson tinha o pessoal gravando na frente do...
fazendo muauki na frente do cartaz, tinha o pessoal deitando de muauki na sala, tinha o pessoal fantasiado, eu acho mais evento. Teve a Dani Polito dançando na frente do cartaz, que é maravilhoso, procurem. Exatamente, até porque...
com defeitos é uma novidade, né? O diabo veste prata, não. Não sei se... Em tempos de saudo mesmo? É, talvez, não sei. Não pensei a respeito dessa questão. Na verdade, assim... Nem se deu o trabalho de pensar. Não, eu não...
Eu não julguei isso. Eu demorei um tempo para pensar a respeito da necessidade da existência do filme. Sabe aquele negócio que... Que filme que precisa ter? E aí eu fiquei... Não foi um problema para mim. Eu não julguei nesse sentido. Sério mesmo. A continuação com o Monte. É um filme famoso.
É um filme que teve uma certa relevância para o momento dele lá e tal. Tem um impacto também de referência. De referência. Aí eu só fui pensar nisso, assim, de...
precisava ou não, ouvi alguém falando, falei, pô, mas não, mas nem precisa. Não deveria ser. É uma coisa que o mundo não precisa é cinema, né? A gente faz porque gosta. Precisa porque, vamos lá, precisa porque é arte, precisa porque a gente precisa ter esse tipo de contato e tal, mas eu acho que o cinema não devia ser julgado por ser necessário ou não, o filme ser necessário ou não.
Se o filme é bom, se o filme é... Tem alguma coisa diferente ali, tem alguma coisa para ser contada, alguma discussão a ser feita, é necessário dentro do cinema. Então, não sei esse papo de mas só fez para ganhar dinheiro, é? Porque os outros não. Os outros foram feitos para perder dinheiro. Os outros são caridades. É outra caridade. Não sei, eu acho que é um...
um esvaziamento de uma discussão que poderia ser um pouco mais complexa, sabe? Já que o filme vai existir, o que a gente vai fazer com ele, né? Não, eu concordo bastante.
Vamos lá. A verdade é que quando alguém vem com um argumento, mas esse filme precisa existir, eu acho que é meio babaca. Eu acho que a pessoa já está tentando criar uma opinião forte sobre algo assim, no sentido de, ah, mas o capitalismo, pô, isso é chato demais, cara. Não se pega nisso, sabe? O que é necessário, o que não é necessário.
Eu acho que tem um pedantismo também, um quê de moralismo. É, então. Já começamos assim, odiando as pessoas. Isso. Mas, se ele não precisava existir ou precisava, por que a gente vai falar dele hoje? Estreou. Perfeito. Estreou e o que ele deve fazer é porque ele estreou. Porque ele estreou e foi isso que a gente escolheu para falar.
Ótimo. Estreou na última semana, então... É um bom argumento pra... Por que falar desse filme? Porque ele estreou. Porque... A nossa ideia é falar de um filme, né? Ou de vários, ou de ligado ao cinema, mas enfim. Contextualizando pra quem está chegando, talvez não tenha visto, o Diabete Prada 1 saiu lá em 2006.
O segundo saiu agora 20 anos depois. E tem um misto ali de muita gente que pedia uma continuação, que queria por causa das personagens que todo mundo gosta. Em geral, são personagens bem escritos. Mas ao mesmo tempo, as duas não viam tanto sentido, pelo que eu dei uma pesquisada. Conta a Meryl Streep e conta a Anne Hatch.
elas falavam, pô, não tem porquê a história tá lá, e aí venderam uma história pra elas agora e elas compraram então chegou o Diabo Veste Prada 2 e ele quais vocês acham que são as principais diferenças, ou semelhanças? eu tenho uma diferença que eu acho o primeiro, posicionando primeiro era sobre essa moça que virou assistente não é nem assistente ela é repórter, né então
É uma assistente ali. É uma assistente, mas ela seria o quê? Uma assistente executiva? Seria algo do tipo assim? Não, acho que é uma assistente de redação. Ela não é bem secretária, não é? Ela é uma assistente dessa editora, dessa revista Runaway, que ela representa uma mulher que eu não lembro o nome dela, mas que é uma moça muito famosa, de uma revista de moda, e que ela era muito famosa justamente por essa...
É a editora da Vogue. Da Vogue, né? É um trato excêntrico e uma... uma capacidade de ser... de ser babaca com todo mundo ao redor dela.
Mas foi um negócio meio caricato histórico dela E aí fizeram esse filme fazendo uma referência a ela É óbvio que o filme não é autobiográfico É um filme que partia dessa ideia Para falar um pouco sobre esse mundo da imprensa da moda
que não necessariamente é o mundo da imprensa e não necessariamente é o mundo da moda, mas é o mundo da imprensa dessas revistas. Porque se você parar para analisar, as revistas de moda meio que têm uma...
uma vida própria, elas têm um rolê meio específico delas, aqueles ensaios e tal, é muito grudado até a parte de propaganda, com a parte de conteúdo, enfim. Então o primeiro filme era sobre isso e sobre essa moça entendendo o lugar dela no mundo do jornalismo. Tinha uma lição de moral lá, meio esquisita, no final, que ninguém se importa.
E aí esse segundo filme é sobre... Ele é um pouco sobre a derrocada do jornalismo impresso, falando sobre o jornalismo digital, e como uma revista dessa que, no final das contas, ela sobrevivia pelo papel, porque a pessoa precisava pegar aquele papel, porque aquele papel ditaria...
as tendências daquele momento, aquela revista mensal ia ditar essas tendências. Como está fazendo essa mudança? E aí a revista entra em crise?
E aí, por causa dessa crise, eles acabam contratando a personagem da Anne Hathaway, que agora virou uma jornalista hipersérie e tal, ganhando o prêmio. E aí ela vai para lá, porque ela foi mandada embora do emprego, e ela vai lá para ser uma editora de especiais, que na teoria a gente não sabe exatamente o que é também. Então já fica aí uma...
uma questão para discutir mais, enfim. E aí o filme é sobre o novo velho relacionamento dela com a Miranda. E só um ponto, para reforçar ali antes, o primeiro filme é inspirado num livro que foi escrito pela Lauren Weisberger, que ela era assistente da Anna Wintour, que era editora da Vogue. Só reforçando, é a Vogue mesmo. Agora, o que você falou da grande diferença entre os dois filmes?
Eu não sei, passou 20 anos, 20 anos, né? 20 anos. 20 anos, cramado. E... Eu não sei...
Naquela época, existia uma mudança, estava começando, não sei se existia realmente uma mudança no jornalismo naquela época. Eu já estava trabalhando nesse lugar e eu já enxergava que essa mudança já existia há uns cinco anos, as pessoas que não estavam entendendo ainda. Então, ali naquele momento não era uma novidade, então aquilo ali não foi discutido.
Mas também acho que isso hoje ser discutido é um negócio meio ultrapassado. Então também não sei... Acho que a diferença é porque o primeiro filme tinha um objetivo muito claro de falar sobre a moda, sobre o...
que... Essa ideia dessa mistura entre o jornalismo e a tendência fashion e esse eu acho que está falando mais de jornalismo mesmo. Ele está falando mais de... de... das mudanças e tal. Eu acho que são filmes diferentes. Eu não acho nem que esse filme é muito de moda. Sobre moda.
É exatamente esse meu ponto. Pra mim, esse não é um filme de moda, assim. É meio triste, porque eu vou ver o Diabo Veste Prado esperando um filme de moda. Não é um filme de moda. Tanto no visual, pra mim, não é um filme de moda. Tem muito mais o que a gente tava falando aqui antes de começar. Pra mim, tem mais essa cara de executivo, sabe? Terninho, vestidinho de advogada, assim, com alguns momentos.
que tem moda, moda mesmo, mas eu achei muito fraco nesse sentido, pra mim não é um filme de moda. Eu acho que isso de cara já é a primeira coisa que eu acho que dá uma certa... Dá uma estranheza. Estranheza, né? Em que momento o filme vai começar a discutir realmente...
a indústria da moda, a indústria do jornalismo da moda hoje. Porque existe uma diferença hoje em termos de rede social, em termos de... A revista continua existindo e continuam existindo revistas, mas é muito mais para tentar... É...
agradar uma grande casa, sei lá, Gucci da vida, para ter aquele negócio ali como uma revista de mesa de centro, talvez, do que era como conteúdo, porque realmente o conteúdo está na internet. Então, eu fiquei esperando o momento em que o filme ia dar essa mínima guinada para discutir essas diferenças, de como...
Como você faz isso, né? Até porque, por exemplo, tem um momento que ela entrega um... Eu não vou lembrar o nome da personagem da Amy Hathaway. Tem um momento que ela entrega um texto para a Miranda que, maluco, tinha umas seis páginas.
aquilo na internet é um inferno, ninguém ia ler aquele troço, tá ligado? A não ser que seja um negócio muito específico, uma revista virtual, imagina um post de seis páginas, não é seis páginas, é um monte de páginas.
Você vai ler na Piauí, né? É, sabe? É muito específico. Não é uma revista de uma circulação de um público que claramente não se importa em ler aquilo. Eu não entendi. Eu pensei que ia chegar nesse lugar de tipo...
porra, seis páginas não, né, Andy? Faz um... Divide aí, sabe? Alguma coisa para tentar entender a mudança. Não, ela entregou seis páginas, e depois você descobre o que as pessoas estão lendo. Imagina seis páginas no celular. Seis páginas daquela no celular, cara, é um livro. Tipo, você pega um livro, você vai abrir a página, vai aparecer o tempo que falta.
tipo o Kindle, tipo de leitura. Uma hora e 42 minutos. Sem espaço. O celular não vai, cara. Assim, é lógico que ninguém está falando. A Piauí lança, sei lá, um monte de sites lança, sites de cultura, de arte, todos eles lançam porque você tem um público que está disposto a isso e procurando isso agora.
Na Runaway, não sei. Não sei se é esse tipo de especial. Tem veículos de moda dispostos a isso, mas não é o caso da Runaway, né? Runaway é visual. É, tipo, o New Yorker publica isso, mas, cara, a pessoa vai ver o New Yorker porque ela quer essa grande reportagem. Agora, então, assim, eu não sei, eu pensei que ia discutir isso em algum momento, né? Mas aí ele vai pra um outro lugar que eu acho também meio vazio. Tipo, eu quero comprar, compra você.
não entendi. Eu acho que tinha espaço pra ir mais pro rolê de influenciadores ali, por exemplo. Putz, o grande embate com influenciadores, como isso tá destruindo a indústria da moda, o desespero ali, tipo, do acesso às altas costuras e como isso deixa de ter um sentido e precisa se diferenciar. Os clientes já não lêem aquilo, já não compram aquilo. Então, como você faz pra chegar nesses novos clientes?
Acho que faltou um Michel Coforado aí na sua de redação. Eu não sei quem é essa pessoa, mas... É o cara do Coisa de Pico. Mas, por exemplo, uma coisa que eu senti falta, justamente isso que você falou. Era um... Era entender... Tem um momento que eles citam até, mas é muito, como diriam...
os franceses, é muito un passant, assim, que eles citam que agora você tem que, eles falam alguma coisa de que na estreia também tem que ter o pessoal das redes sociais, sabe, é uma frase, solta uma frase. Eu falei, porra, olha que lugar legal, você tem que, você tem que... A Miranda rivalizada com uma influencer rica, tá ligado? Uma influencer, tipo, uma herdeira que não tem nada a fazer que vire influencer. E a Miranda tendo que disputar o conteúdo da revista dela com a...
com o blog, sei lá, o vlog, sei lá, o Instagram. É, tipo, da mina, assim, que a gente mostra o look do dia. Sabe? E aí, tipo, por que eles não fizeram isso? Eu sei por que eles não fizeram isso, porque eles não querem ridicularizar e nem enxergar. Mas eu acho que com um pouquinho de carinho dá pra fazer essa brincadeira, essa piada aí de...
De, ah, é um... Agora tá assim, era assim, sabe? Não sei, eu acho que era possível. Com carinho, eles conseguiram pegar a Miranda, que é uma pessoa horrível, e transformar ela sendo uma pessoa que a gente gosta. Pra caralho, que personagem legal. A lição de moral do primeiro já não é essa.
Não, então, eu tô falando isso com carinho. No primeiro, eles conseguiram fazer isso. Então, com carinho, dá pra criar outras coisas, sabe? Ali no roteiro. Com carinho, a gente faz cuidado, assim, parar, prestar atenção, entender onde amarra essas pontas, o que faz sentido. Se a ideia era fazer isso, né? Se a ideia era pegar e fazer um filme da Miranda... Nunca é um filme da Miranda, mas se é um filme de como ela lida ali com as coisas, né? Porque eu acho que ela é uma...
uma cretina, né? E, obviamente, você sabe que ela está fingindo certas coisas, mas aí, aos poucos, você vai sentindo que ela é muito amigável, assim, sabe? E aí você fica pensando assim, pô...
É óbvio que ela está... Eu fico falando aí... O bagulho fica falando do meu lado aqui. A Siri. A Siri. Acho que o Diabo Veste Prada está deixando ela nervosa. E aí eu acho que ela vira isso muito fácil, né? No momento que ela convida a...
protagonista para aquela festa e tal, e ela apresenta ela. Aí você fica pensando, porra, é por causa que ela se deu bem, ela precisa dela e tal. Fica um negócio meio egoísta, mas aí você vê que tem uma delicadeza. Eu não sei se é erro do personagem, erro do roteiro, ou erro de apontar para a Meryl Streep, porque a Meryl Streep não vai fazer uma personagem uma megera. A Meryl Streep não errou no tom.
ponto, a gente sabe, não existe, nunca errou, não vai ser agora. Então, se a ideia era ela ser simpática em algum momento, é o tom do filme que errou, assim, porque ela se torna muito simpática, ela vai lá, fala com ela, tá tudo bem, finge que lembra dela pra falar que na verdade tava fingindo, sabe, pô, cria um carinho, tal, e aí você fala, pô, mas...
Aí acabou embaixo. Se a gente não lembra, seria foda. Ela simplesmente apagou da memória. Que engraçadíssimo ela não saber quem são as mulheres. Eu achei muito boa aquela ideia. É óbvio que você sabia que ela estava falando isso só para... Mas ela só deixa no ar ali. Não, não sei. E aí eu sinto que eles fazem isso, eles chegam nesse lugar, você fala, porra, na verdade ela é simpática. E aí eles vão fazer um outro filme.
Eles vão abrindo alguns filmes ali no meio, né? Tem uns filmes alterados a gente. Não é sobre... Não é sobre ela se adaptar ao... A esse novo mundo. Porque, teoricamente, ela se deu bem. Se adaptou, foi entrevistar a Lucy Liu. E, caraca, ganhei na vida. Acabou o filme. Ela falou, por causa disso, a gente vai fazer outra coisa. Aí começa um outro filme.
E aí você fala, ah, entendi, o cara vai morrer. E aí você percebe que ali começou um outro filme e aí tudo que foi feito até aquele momento não serve para mais nada. Literalmente, assim. A equipe que ela formou não existe, a equipe que ela formou ela nem fala, ela só fala com o rapaz. Aí tem o negócio do contrato do livro que...
não vai importância, porque você não vê ela escrevendo o livro, né? Você não sabe se ela está escrevendo o livro bem, se ela está falando mal. Você vê que ela está digitando coisas, né? Não tem um... E aí ele vai passar para um outro lugar, para um... para uma estrutura quase de filme de roubo, né? Aquele negócio de fazer escondido. É meio estranho aquilo. Essa é outra diferença. Eu sinto que o primeiro é muito objetivo no que ele quer.
É bem objetivo. E ele vai até o final. Ele quer falar dela. Vai abrindo leques assim. Vai andando aí. Você vê onde você chega. Em algum momento a gente chega em algum lugar. Ele parece mais sem objetivo. Ele não tem tanta clareza de onde ele quer chegar. Ele chega por um acaso. Me parece. É. Porque a hora que ele apresenta o personagem do...
Justin Terro, lá o... Esqueci, o trilhardário lá que vai comprar. Cara, aquele personagem é incrível, porque ele é horroroso. Ele não consegue se comportar como ser humano em nenhum lugar, ainda mais em um lugar que, teoricamente, ele teria que ser minimamente intelectualizado para entender. Ele é horroroso e o personagem é ótimo e é super caricato. Ele é tech boy, né?
É, não, não, o Justin Terow é o... Não, não, perdão, Justin Terow. É o que me abriceu. Aham, sim. Que ele é o Roloso. Eu estou viajando com o B.J. Novak. Sim, o cara do office lá, esse é o futebol inteiro, né? Mas o Juss Terow, ele vai indo assim, e ele é péssimo, e ele vai, e ele fala barbaridades, porque ele não tem... Parece que ele não tem...
sociabilidade com as pessoas, porque ele está falando coisas absurdas do lugar que ele está. É verdade. E é um lugar super cheio de cerimoniais e coisas que você não pode fazer, e ele está quebrando tudo, sutilmente, porque ele aparentemente é um cara trilhardário que é meio burro, né? E aí você fala, pô, que legal isso. E aí você fala, ele é o vilão? Não, ele não é o vilão, ele não é nada, ele fica ali...
orbitando para ser manipulado pelo roteiro. O roteiro quer manipular ele porque ele precisa de um milionário. Aí, sabe, isso... Ele não é um perigo, ele não está comprando por maldade. O outro cara também, o herdeiro, não está fazendo por maldade. O herdeiro é meio... Ele seria essa cara...
do jovem herdeiro e tal, mas o que ele está fazendo também não é por maldade, é por resultado e tal, é uma outra visão. Então, assim, você fica falando, tá, vai ter um momento em que essas pessoas vão colocar em risco a sobrevivência das duas, não vão, não... Sabe, aí a Miranda discute o negócio da aposentadoria dela, mas também não é profundo o suficiente.
E eles solucionam com Deus Ex Machina lá, gigantesco. Explica o que é Deus Ex Machina, Vini. Deus Ex Machina é um... Um tropo. Um recurso. Não, para com o tropo. Vamos falar de um tropo. Eu achei engraçado quando você tem uma moda aqui, pelo amor de Deus. Deus Ex Machina é um tropo. Deus Ex Machina é um recurso.
que os gregos no teatro grego usavam, porque eles estavam contando uma história, e eles contavam essa história, e é difícil.
Os gregos já tinham essa dificuldade e a gente continua tendo, em termos de narrativa, de fechar essa história de um jeito que tudo que foi aberto se feche. E aí eles solucionavam isso com um... no final da peça, para resolver as coisas, saía de trás uma figura...
tipo um deus, uma figura exótica, divina, e essa figura exótica resolvia todos os problemas do teatro. Aí não sei quem ficou com não sei quem, não sei quem fez isso, aquela pessoa morreu, e aí eles seguiram a vida delas, e essa pessoa ia embora, e esse recurso era chamado de deus ex machina. É basicamente você achar, você tem um monte de coisa aberta que você não sabe como resolver, você acha tipo um...
Uma cartada milagrosa, assim. Não literalmente milagrosa, mas você tem algo que, tipo... Os gregos faziam isso, que era um recurso, porque realmente estavam gatinhando nessa ideia de narrativa, e eles queriam reforçar esse final de um jeito mais esclarecedor, porque tinham coisas que eles não iam conseguir fazer ali, em termos de teatro. Então era um recurso que, para eles, era necessário, mas, com o tempo, as pessoas foram usando isso, assim, como uma...
uma referência e como uma certa preguiça, né? Porque geralmente você faz alguma coisa que, por exemplo, no caso delas, ah, essa moça aqui, essa mulher aqui é uma mulher perfeita, ela é a entrevista perfeita. E aí ela fala, na entrevista dela ela fala que isso é a faca do, como é que é, a arma do Chekhov, né? Ela fala, ó, e eu tenho um monte de dinheiro e eu vou morrer, eu vou doar esse dinheiro. E você fala, pô!
boa essa informação, porque não tem nada a ver com o filme. Ela não fala, não tem a ver com moda, a mulher não tem nada com moda, a mulher não tem a ver com nada. E ela fala assim, vou casar. Ah, é? Com quem? Não. O cara aqui não quer aparecer, ele não conhece. Então, por que você falou que não vai casar? Não importa para o filme. Nada na entrevista dela dá a entender de por que ela é tão importante para o mercado da moda.
querer tanto entrevistar ela, mas ela fala, eu tenho muito dinheiro aqui, eu não tenho o que fazer, eu vou jogar tudo fora, vou doar. Por quê? Porque no final elas vão usar isso como ela. Então, assim, é... Sabe? Então...
Só reforçando a arma de Tchaikov é outro tropo de roteiro. Não é tropo nada, é outro recurso que o Tchaikov usava, que era tipo, se você quer mostrar uma arma no final pra matar alguém, não tira essa arma de lugar nenhum, aparece, põe ela no primeiro ato, alguém olhando pra... alguém passando pela casa, você tem uma arma, a pessoa fala, ela fica aí jogada, pronto, aí você continua contando a história.
e no final você pega a arma. A ideia do Chekhov é que você não deveria usar coisas no terceiro ato que não tenham sido apresentadas antes, mesmo que sejam, como eu poderia dizer, pareçam aleatórias. Hoje eu estou teórico, mas eu não vou usar tropo, cara. Eu odeio tropo.
Vem aí, ó. Podcast Cinema Key. 20 tropos de roteiro.
todo mundo falava clichê, falava um monte de coisa, cara. De repente alguém falou tropo e todo mundo falou, tropo, tropo, tropo. E aí você fala para as pessoas, você fala assim, cara, mas nunca usou tropo. Lógico, a gente fala tropo desde sempre, não usa não, cara. Nunca li um livro, o tropo de não sei quem, sabe? O Jung não falava em tropo.
Ninguém fala de tropo, cara. Mas assim, e tem um ponto só para fechar esse parênteses, eu vejo o tropo sendo usado tanto para recurso narrativo quanto para arquétipo também. Qualquer coisa, né? O tropo virou qualquer coisa também, né? É. Ferramenta, recurso narrativo, arquétipo, é tudo tropo, é o tropo, é o tropo. O clichê é tropo, tudo tropo.
Cada um tem uma função, né? O tropo do viajante. Porra, não, caralho. É um arquétipo, caralho. O tropo do viajante é foda. Já vi esses bagulhos, cara. É o tropo da viúva. O tropo da viúva, cara. O tropo da viúva tem nome de pornô chanchado, aí, Vini. Vamos ver se ele tá ali. O tropo da viúva.
E a viúva de um grande cinegrafista, tá ligado? Meio rico falido, assim, que tem o apartamento às traças. Sim. Enfim, acho que esse é o problema do filme, assim. Tem uma hora que ele abre e vai pra um lugar, e ele vai pro outro.
e aí ele vai para o outro, e aí você fica... Eu fiquei com a impressão de que ele não estava discutindo nada daquilo, nada, nada, nada. Você não estava discutindo o jornalismo, você não estava discutindo o... Como é que se fala? A moda. Você não estava sendo o Hulk, porque ele poderia ser o Hulk. Eu até pensei que...
poderia ser o Woke, porque eu vi a Anne Hathaway e a Meryl Streep numa entrevista falando que alguém perguntou pra elas sobre essa ideia da modelo, da magreza da modelo, tal, de como que elas encaravam isso, né? E aí elas falam não, a gente não pode falar nada sobre isso, porque vai dar spoiler do filme.
E eu fiquei esperando isso no filme, assim, que momento que eles foram discutir a moça cabide, sabe?
Porque, tipo, eu não vi, não entendi por que que é onde que era spoiler. Tirando a música da Lady Gaga lá, o resto não tem nada, cara. Não tem essa discussão, não existe essa discussão. O que é um desperdício, porque seria um momento muito interessante pra você discutir isso. Mais até que do que... Mais do que as influencers. Mais do que as influencers, por exemplo. Discutir realmente isso, assim, de tipo...
Será que a moda é isso ainda? Será que a gente... A gente ficou preso no tempo, a gente não consegue entender mais o que a moda reflete.
Essa discussão do corpo mesmo, eu achei que... E isso nem vai só para corpo, tá ligado? Vai tipo, putz, a alta costura hoje olha muito para streetwear, por exemplo. A gente não está olhando para streetwear, a gente não está olhando para as pessoas na rua, a gente se afastou das pessoas, e por isso a gente está perdendo audiência, sejam corpos, ideias. Ok, isso eu entendo, mas eu achei que... Eu achei que o negócio do corpo ia ser discutido.
Porque eu acho que é um assunto muito importante, é um assunto que hoje move muita mulher, a discussão mesmo do peso, da relevância daquilo, do quanto aquilo é violento e do quanto aquilo prejudica uma sociedade inteira de mulheres do mundo. E por causa dessa resposta das duas, eu falei, caralho, legal, vai ter um...
Vai ter um corpo gordo desfilando, sabe? Um modelo gordo desfilando, né? O único gordo que aparece é o secretário, ele nem levanta da cadeira. Ele é ajudante, secretário. Não pode cansar, né? E aí eu falei, caralho, cara, perder... Ah, é...
Enfim, eu não... Isso eu não estou falando que eu... Ah, eu queria isso, então o filme é ruim. Não, porque eu nem acho que o filme é tão ruim assim. Eu só acho que ele se perde. Eu não sei nem o que eu queria. As propostas que ele me apresentou e que ele não me entregou. Estou falando que a entrevista das duas, eu achei que ia chegar nesse lugar. Não chegou também, então... Não, mesmo na falência do jornalismo. Mas esse lugar, pelo menos, em nenhum momento do filme, elas falam que vão chegar, pelo menos.
A parte do jornalismo da moda eles até tentam, né? É. Não, eu concordo 100%. É um filme... Eu acho ele completamente esquecível, diferente do primeiro, assim. Não é o pior filme, nada disso. Mas é um filme que, nossa, ninguém vai lembrar. O primeiro é tão lembrado, depois era o segundo, né? É. O primeiro é lembrado e referenciado na cultura pop.
Por anos, assim. O nome eu acho muito bom. É incrível esse nome. Inclusive, eu gosto muito da cena do The Office, do dia que o Michael assistiu o Diableth Prada, que ele chega... Ele é muito fã da Mary Strieff, ele chega imitando a Miranda, assim, no escritório, e agindo igual a ela. Aquilo é incrível. É, senhor, é um... Acho que a Miranda, né? A... A...
O personagem ficou... Ela ficou para a cultura pop, por causa do trabalho da Mary Striep. O trabalho da Mary Striep, na primeira, é incrível. Ela é uma megera. Incrível. Acho que isso ficou assim, de você olhar para ela e enxergar. Até pela recriação, até pelo ser uma personagem baseada no personagem real.
todo esse rolê e tal. Então, acho que isso ficou para a posteridade do primeiro. Esse segundo, não. Esse segundo vai ser esquecido daqui a, sei lá, três semanas. Não, é mesmo...
Quando chegar o filme da quinzena Da Anne Hedwig A galera esquece Odisseia Quando virem ela no Odisseia Já vão esquecer do E vão esquecer inclusive dos looks Porque Não tem né O primeiro é marcante Tanto que a galera ficou copiando Para ir no cinema Ficou se vestindo para ir no cinema O segundo E vai no cinema
O segundo teve um momento muito engraçado, assim. Alguém ao meu redor no cinema, a hora que ela está... Alguém leu o que eu estava pensando, né? Ela falou alto. A hora que ela está... Antes de ela ir para a viagem para a casa da Miranda, que o cara fala... Ela fala, e esse está aqui, esse vestido. E não aparece o vestido, né?
E aí ele fala, não, esse você não vai, porque ele é muito não sei o que. Ela fala, esse. Não, esse você não vai, porque não sei o que, porque não tem nada a ver. Ele, não, mas eu quero esse, tal. E aí corta. E aí aparece ela saindo do carro, né? E aí eu pensei, mas é esse vestido? Sabe, tipo, é esse mesmo? Tipo, tudo colorido, né? Bonito e tal, mas...
É esse que eles estão fazendo uma... A discussão toda era sobre ele? A discussão toda era sobre esse vestido. E aí alguém que estava em volta de mim falou, mas é só esse vestido? Sabe, eu senti um alto, assim, é exatamente a coisa que eu falei, é isso também, porque é isso, não tem um... Quando eles falaram, eu pensei que ia ser um negócio assim, de falar, caralho...
Olha, uma coisa muito louca, sabe? Tipo, alguma coisa saída do armário da Lady Gaga, sabe? Uma coisa meio Matt Gala, né? É, vestido colorido só, tá ligado? Vestido com cores, várias cores só. É que gente elegante não usa cor, né? Você não acompanha o TikTok, a galera que mostra como ricos de verdade se vestem. Gente elegante não usa cor, é isso? Não, nem passa máquina no cabelo, aprendi isso, Vini.
Não passa máquina. Não, degradê é coisa de pobre. Rico de verdade, faz aquele cortinho na tesoura que você penteia todo pra trás, assim, ou de lado.
Mas eu não tenho trás nem lado, mas se eu não raspar, eu fico... Presta atenção dos senadores, que também não tem trás nem lado, eles também não rasgam. Eu faço o degradê, eu começo aqui assim, aí ele vai até o meio do cabelo, aí depois eu... Eu gosto muito dessas ideias do que é coisa de rico, de modo rico.
Eu acho triste, na verdade, né? Convenhamos. Não, é triste pra caralho. Enfim, eu acho que até... É que fugiu o nome, aquela riqueza clássica, a galera quer emular fugiu. Sabe o rico antigo, tipo o berço de ouro? Sim. Gatsby. Gatsby. É que tem o nome em português. Decadente. É. Talvez.
Enfim, eu acho que o filme falta se... Talvez tentar ser mais ele, talvez tentar ser mais eles. Sei lá, não sei. Mas eu acho que tem... A impressão é que tem um anseio de ser um filme grandioso. Tem uns momentos ali que...
Me dá um ar até meio Onze Homens e um Segredo, sabe, esse filme. Que eu acho que é o que você falou, que tem um momento que ele vira um filme de roubo. Eu acho que é isso. Eu não tinha parado pra pensar nisso, mas tem um momento que eu olho ali e falo, cara, tem uma coisa meio Onze Homens e um Segredo. Eles estão fazendo um plano ali, né? Porque existe uma regra, né? Existe uma regra no cinema, um tropo.
Ou o tropo. Existe o tropo. Existe uma regra que é assim. Se você vai fazer um roubo ou um golpe no cinema, você tem dois jeitos de mostrar esse golpe. Você mostra... Se você mostrar o plano antes...
se você juntar os personagens e falar assim, você vai entrar por aqui, você vai entrar por aqui, você vai entrar por aqui, é que esse plano vai dar errado. E aí, no primeiro momento que alguém entrar, vai dar errado, eles vão ter que fazer um outro plano. Agora, se você fala, eu tenho um plano, e aí ele começa a contar o plano enquanto o filme está acontecendo, enquanto vai acontecendo, é que o plano vai dar certo. Então, você quer saber?
Se o plano vai dar certo ou dá errado, você espera o personagem explicar o plano. Se ele explicar o plano inteiro, vai dar errado. Se cortar e começar o plano, é que vai dar certo. Então, por isso que me deu essa impressão, que na hora que a Miranda fala assim, não, eu tenho um jeito, só que a gente precisa fazer isso só...
É tipo a Selma, a Velma, a DCGente. Ela falou, agora tem um plano. Como eles não mostraram nada, ela vai fazer alguma coisa, vai chegar outra coisa, e elas vão comprar a revista. Mas como ela chegou nisso também não importa, porque elas entraram no avião, não foi nada assim. Ela começou a falar com as pessoas no telefone e entrou no avião.
que tá ali também pra poder dar pro cara apresentar o ego dele e tal, que é um negócio que tinha sido discutido lá. Pô, cara, que isso mesmo? É só isso? Bom, eu acho que o problema do Diabo Best Prado é que tem vários... É só esse vestido mesmo assim? É só isso? Não tem nada mais mesmo? É, você criou esse alguém todo pra isso.
É, é tudo isso. E é isso que eu falei de tentar ser grandioso demais. Ele sempre está tentando criar essa expectativa de que olha como é grandioso. E aí ele perde a oportunidade de só se divertir no meio do filme, de fazer algo divertido. De fazer umas piadas, de discutir umas coisas mais profundas. Ou assim, você falou, se divertir, ou até discutir coisas mais complexas. E fica ali só. Só se vestir mesmo.
A relação da Meryl Streep com a nova assistente dela, que é a parte woke do filme, né? Que ela vai cortando a Meryl Streep. Porra, seria incrível se ela, tipo, tivesse um atrito real ali, tá ligado? Ela ficando puta porque...
E nem são coisas muito absurdas que a Mary Strieg está falando. É muito aquele woke americano ultra sensível. Não pode mais falar nada. Não é isso. Eu até entendo que... Mas também tem um negócio. O roteiro não ia permitir que ela fosse muito mais profunda que isso, senão ela ia ficar detestável. Ela ia falar coisas absurdas que o público do filme não ia curtir.
Mas justamente pra não falar tantas barbaridades, tipo, o Teresita, ele se fala, caralho, não posso falar mais nada hoje, porra, pelo amor de Deus, me larga aqui, deixa eu falar, sabe? Essa gente chata, hoje em dia não pode nem bater no funcionário que o pessoal já achar ruim.
O cara fala que... Ele fala que antigamente ela jogava o casaco em cima dos funcionários, que é uma coisa do primeiro filme. Você fala, caraca, que violência, que coisa absurda.
É desrespeitoso pra caralho, né? É desrespeitoso, mas... E aí você mostra a moça, a senhora é tão inútil que ela não consegue pôr um casaco no cabide, né? Aí você fala, pô, complicado, né? Então, é só isso mesmo. Só esse vestido.
É só esse vestido. Seria muito bom, assim, uma crítica. Espero que esse seja o nome. É só esse vestido. Estou esperando. O Diabo Vésperado 2 é só esse vestido. É só esse vestido. Porque é isso mesmo, assim. É sensação.
Eu não acho que a intenção do filme seja ser um filme esquecível. Não é. Não é, mas é esquecível. Mas a intenção do filme é ser mostrar o jornalismo, a crise no jornalismo. É, mas falha. Falha, falha o bastante. Falha com força, sim.
se você é que nós dois somos do mercado de comunicação, mas se você não faz a menor ideia do que é a crise no jornalismo você sai de lá ainda não se importando com isso, não sabendo até porque a crise nem está ali
A Runway... A Runway está numa crise... Ela tem uma crise... Nossa, estamos em crise. Aí você descobre que tem quatro andares de Runway no prédio. Pô, vocês não estão em crise, cara. Vocês não estão em crise. A redação é enorme, né? Aquela redação com um monte de gente. Estúdio. Você não está em crise. Não existe crise na Runway.
Até porque, vamos lá, as revistas de moda elas fazem também uma coisa chamada editorial, né, que costuma ser uma grana para se fazer isso, então não é como se não tivesse dinheiro entrando, se tem um mercado que não sofre tanto, inclusive o mercado de luxo subiu pra caralho nos últimos anos, não faz sentido. Tá aí nossa querida Malu Borges.
E ainda assim, nos Estados Unidos ainda, informações, o mercado editorial nos Estados Unidos, ele meio que está ressurgindo das cinzas, as pessoas estão lançando revistas, as pessoas estão voltando a hábitos de leitura físicos que não existiam.
misturado com assinatura, quer dizer, já é um outro momento. Isso também me incomodou demais. Você está discutindo um negócio que é muito... Eles estão discutindo em 2015. Eles estão discutindo em 2015. Em 2026, as pessoas estão lançando revista semestral que a pessoa assina e ela tem o conteúdo digital. É um outro momento já, sabe? A redação que faliu, que tinha seis pessoas, agora já tem 20 de novo.
Me parece que o filme está atrasado ainda. Em 2026, as redações já descobriam autofinanciamento, programas de assinatura, colabos e tudo mais. Já virou um outro... Não, vamos lá, vou deixar claro. Não estão falando do Brasil. A gente está falando do mercado editorial dos Estados Unidos, que o filme se passa. Então a gente está falando do mercado editorial dos Estados Unidos.
O mercado do Brasil... Isso já é bem avançado, assim. Tem um monte de veículos se virando bem. Sim. O mercado do Brasil é uma outra discussão. Então, a gente não está querendo cagar uma regra aqui do mercado e tal. A gente está falando do mercado que eles estão tentando enxergar. Até porque o mercado brasileiro te...
publicações, do mesmo jeito que ele demorou, sei lá, cinco, seis anos para entender o que os americanos estavam fazendo, eles vão demorar cinco, seis anos para entender de novo o que os americanos estão fazendo, isso é normal, porque é muito dinheiro investido e às vezes a pessoa tem que bater ali até o final para...
antes de mudar. E é difícil mudar. A gente não está falando do mercado brasileiro, a gente está falando do americano. O mercado editorial americano hoje é completamente diferente. E o mercado digital, editorial digital dos Estados Unidos...
também não sofre tanto quanto se diz assim, sabe? Nossa, as pessoas não ficaram continuou funcionando então parece que o filme está conversando sobre algo que não que nem, que está velho já, né? Isso, isso vale tipo, eu não estou falando necessariamente de mercado editorial, mas se você pegar ali um mercado feminino e conhece, tipo, sei lá jogos de tabuleiro E aí
Se você olhar pro mercado americano, um criador ali que fala sobre jogos de tabuleiro com seus 50 mil seguidores, inscritos. Mano, esse cara vive tranquilamente disso, tá ligado? Ele não faz outra coisa da vida. No Brasil... No YouTube o cara tá de boa. Essa pessoa que você falou aí no YouTube ele tá vivendo. Vivendo, vivendo bem, assim. No Brasil ele não paga o que ele tá gastando com o jogo.
Por exemplo, nos Estados Unidos tem imprensa escrita que o cara vive disso. Sim. Tipo...
de coisas específicas, joga de tabuleiro, é, o cara vive, tem sites e revistas digitais com redações que vivem disso, ponto, não tem outra coisa. Imagino se nos negócios quebrados assim que...
Tem muito menos dinheiro. Imagina de moda. De moda é... Eu ia falar isso. E aí uma coisa que a gente sabe é que os grandes veículos morreram, mas os nichos ficaram, né? Morreram, entre aspas, infinitas. É, muitas aspas. Coloca uma linha inteira de aspas. Mas assim, os nichos ficaram, porque o dinheiro está no nicho, tá ligado? É Runaway é nicho, é moda, luxo.
quem pode pagar, tá ligado? É onde o dinheiro não parou de circular. Pelo contrário, né? Você conseguiu focar muito mais no seu público ainda, né? Enfim, mais um problema. Me parece um filme discutindo algo com 10 anos de atraso, assim. Eu não sei se isso é falta de visão.
Ou se isso foi uma tentativa. O filme teve essa, sei lá, dez anos atrás tentaram fazer o filme e ele já tinha essa ideia. E é difícil filmar e conseguir o orçamento. E aí isso foi ficando no roteiro. Não sei, a gente não tem como saber. Teria que se aprofundar mais. Mas a minha impressão é da essa que o filme está discutindo um negócio de dez anos atrás. Eu concordo.
E não discutindo algo que... Eu tenho certeza que ninguém entrou no filme para saber sobre jornalismo. O futuro do jornalismo. Tenho certeza absoluta. Eu entrei para ver looks legais e discussões de moda de gente babaca. Até porque ele não discute isso também. O filme só tem uma discussão profunda. Que é uma discussão que eles têm na frente da Santa Ceia.
que o cara fala de ah mas isso daqui foi feito e tal tem um bilhão delas por aí mas essa aqui foi feita o que que sobrou às vezes o império tal aí você fala pô isso é uma discussão interessante mas também acabou né porque depois põe um monte de mesa lá umas lâmpadas lá que eu que promete aquilo ali não poderia existir aquele monte de gordura no ar e e esses quadros são todos os v oppression é tipo a Monalisa
Aquilo ali não estava protegido. Não estava. Era dentro de uma igreja. Enfim. Imagina, você tem um quadro da Santa Céia. O original da Santa Céia disponível dentro da igreja, só para entrar e ver.
Me incomodou muito eles comendo perto do bagulho. Porque é um lugar fechado. O Vinicius saindo do filme e falando vou criar um curso de muso... Qual que é? Um curso só de museu. Musólogo. Você não poderia comer ali na frente. Só para deixar claro. Não é porque a pessoa vai pegar a comida e jogar. É porque a comida...
qualquer temperatura que seja lá. Respinga, pô, caloria. Não, não é respingar mesmo, o ar, né, você, ou por exemplo, você pega um bife, o bife sai aquela fumacinha do bife lá, aquela fumacinha tem partículas de gordura, aquela fumacinha sobe, né, ela fica no ar, e aí você não tem como tirar aquela gordura daí se você tiver um exaustor em cima, e aquilo ali, ele vai circular naquele ar, em algum momento ele vai grudar naquele quadro.
E aquilo ali vai criar uma mancha daqui a, sei lá, dez anos, cinco anos. E você vai prejudicar. Isso é real. Por isso que você tem... Todo quadro grande tem restauração, porque o bagulho degrada. O mundo está rodando em volta dos quadros. É por isso que você tem que limpar a cozinha toda semana, e não só o chão. Exatamente. Então, se você não vai... É, exatamente. Eu não frito nada. Eu não cozinho. O meu filtro não está perto da minha...
onde a panela frita. Mas ele fica com... Você vai limpar ali. Então, assim, aquilo ali não aconteceria. Acho que nem o Papa consegue comer na... Na frente de uma Santa Ceia original? Acho que não. Acho que não.
E até porque também eles não estão se importando com aquele quadro, né? Porque ele está ali só para ser fundo, né? Ah, é só a prova de riqueza também, né? Como tudo no filme, né? Tudo no filme é isso, né? Tudo no filme é... Eu tenho esse assunto aqui, ó.
Esse assunto é legal, hein? Mas ele vai ficar aqui. Vou ficar aqui e deixar ele um fundinho aqui. Eu tenho esse assunto também aqui. Essa mulher aqui, ó. Hiper independente, mas ela só vai... Você não vai entender por que ela é independente. Ah, eu tenho esse cara aqui que constrói prédio, constrói casa chique dentro de prédio velho. Mas eu também não vou discutir esse assunto. Eu vou deixar ele aqui para você saber. Chama retrofit.
sabe assim, o tempo inteiro ela tá jogando os quadros atrás e o filme não tá fazendo nada com esses assuntos eu não tinha pensado nisso antes eu tô pensando agora, então talvez salhe merda porque eu vou pensando e formulando então com certeza eu vou falar merda mas eu acho que então não fala, cara não fala se vai falar, pensa, não é o que não ofenda ninguém
Não, não, não vou ofender. Quem eu vou ofender não importa, pode ser ofendido. Tá bom.
Eu acho que o primeiro filme tem uma estética muito, tipo, luxo. Luxo, luxo, assim. Luxo real. O mundo de luxo é aquela coisa que é o espanto da indie. De olhar e falar assim, caralho, isso daqui custa esse preço. Como? E ao mesmo tempo, eu quero, tá ligado? Que massa. Jamais pagaria, mas que foda. A gente tem essa relação com coisas de luxo no dia a dia. Não, você tem, eu não.
Vini, você ficou navegando o site da Farfetch'd mês passado. Não, não foi por minha causa. Fique claro que eu fui obrigado a... O Vini ficou olhando o catálogo da Farfetch'd. Vou deixar isso claro aqui. Lugar horroroso. Pior lugar da face da terra.
Esse segundo filme não tem essa sensação. Tem aquela coisa do novo rico, que você olha que o cara quer mostrar que ele tem dinheiro, tá ligado? Não é pelo luxo, é pelo dinheiro. Então é muito mais esse rolê. Você colocou aqui na nossa pauta, de ser mais sobre ego, por exemplo, do que sobre...
os outros assuntos. Eu acho que é isso. O cara quer se mostrar rico. A Ultra quer se mostrar poderosa. Quer se mostrar mulher independente. É muito no ego ali e não é tanto do luxo. Falta o luxo. É isso. É tudo riqueza e pouco luxo. A personagem da Lucy Liu claramente quer se vingar do ex. O filho do cara quer claramente mostrar que ele é melhor que o pai.
A Anne Hathaway também quer provar o ponto de vista de que qualquer revista precisa do jornalismo. Só tem uma pessoa no filme que não tem ego, é a Miranda. O que é bizarro, porque ela deveria ser a pessoa com mais ego no filme todo. A Miranda é a única pessoa que não trabalha com ego.
O personagem do Stanitude tem aquele negócio de ter escondido o próprio ego porque ele não queria aparecer, pavonear e tal. A Miranda não, a Miranda só está preocupada com o futuro da revista, por incrível que pareça, ela só está preocupada com o futuro da revista, com o futuro editorial da revista, e com ela, se ela está boa para se aposentar, tá ligado?
Sendo que o filme começa com ataques ao ego dela, né? Ela deveria ser a pessoa mais ego, mais ofendida, mais destruída ali no meio. E eu nem entendi direito por que ela está sendo cancelada. Juro que eu não sei. Eu acho que ela falou o negócio de um lugar que tinha mão de obra escrava, era isso, né? Não se aprofunda, né?
Eu acho que algum rolê em relação a fast fashion e mão de obra escrava, se não me engano. É, mas ele não se aprofunda nisso. Então, assim, por que ela está sendo cancelada por causa disso, a gente não sabe. A declaração dela foi uma... Você não...
Talvez prestando mais atenção exatamente no que é. Eu não entendi, confesso. Acho que foi muito rápido. E aí eu achei que ia discutir mais aquilo e não discute. E aí eu fiquei meio perdido. Não entendi que ela estava sendo cancelada, que é o suficiente para a trama. Mas... Fiquei esquisito isso, assim, de não...
não se aprofundar nesse lugar também, que para mim é um outro problema. Então acho que o filme tem vários problemas. Isso é um problema, o filme tem vários problemas.
Não, mas é isso mesmo, ela aposta... Eu tô resetando. É alguma coisa que eles fazem de fast fashion acusado como mão de obra escrava. Então são duas crises ao mesmo tempo, né? Mão de obra escrava e fast fashion ao invés de luxo ali. O que é fast fashion? O que explica para as pessoas? Moda rápida. Cara, você pode dizer a palavra, pelo amor de Deus. Eu expliquei Deus Ex Machina.
E a arma do Chekhov. Pelo amor de Deus, explica. É literalmente o mercado de moda rápida. É as roupas que nós, classe média pobres, no geral, temos acesso. Ceia, Riachuelo, Marisa. São roupas que não estão preocupadas com a qualidade. Elas estão preocupadas com o alto volume de produção. Então é vender muito, muita coleção, venda rápida. E daqui três meses você já vai trocar de roupa. Tá ligado? É muito mais a velocidade do que o...
E aí nisso vai mão de obra escrava, vai baixa qualidade. Sim, sim, sim. Não estou dizendo que as marcas que a gente citou tenham mão de obra escrava, baixa qualidade e tudo mais, mas são características que acontecem no meio da Fast Fashion e talvez algumas delas já tenham sido acusadas. Claro que se qualquer uma delas patrocinar a gente, a gente automaticamente vai começar a falar bem delas em todos os programas. Inclusive essa daqui é da C.A., ó.
qualquer filme que a gente estiver falando, qualquer pauta que a gente tiver, eu prometo que eu encaixo um elogio à marca que estiver patrocinando a gente, tá? Qualquer marca que seja. Eu saio o desafio. Vou dar a dica pro Vini, sem ser pago, me paga, Céá. Céá tá fazendo roupas pra gordos com gramatura boa, caimento bom. Sem ser aquela coisa... Tá sim, tá sim. É caro pra caralho. Mas tá.
Enfim, não, não vou, porque eu não entro em fast fashion. Eu só entro em lugar que tem... Só nazaram, é contra trabalho escravo, ele só comprou nazar. Ai, caralho. É isso aí.
Temos um ótimo programa, Vini, mas a gente combinou também de... Só pra fechar, eu acho uma pena, porque é um filme que tinha um potencial enorme. Eu acho que é um filme que tinha a marca na mão já, né? Eu acho que poderia discutir um monte de coisa legal.
Ia levar as pessoas no cinema para discutir sobre isso, sabe? Você ia pegar as pessoas... Imagina, você fala sobre essas imposições de corpo todos, e você meio que surpreender as pessoas com esse tipo de discussão, já que tem uma marca, já que as pessoas já iam. Então, eu acho que o meu maior problema com o filme é o desperdício de...
do que desperdiça muita coisa é eu fico muito muito triste porque a marca desperdiçada né não vai ter o terceiro provavelmente mas se tiver o terceiro provavelmente a Anne Hathaway vai estar com a mesma cara também a a a a também a cara é impressionante
Os três, né? A coisinha também parece que foi saída do filme. Emily Blunt, a Amy Hathaway e o Stanley Tucci também. Eu falo que o Stanley Tucci também, Paul. Parece que eles estavam filmando o filme quarta-feira passada e fizeram a sequência hoje. Impressionante. Parabéns por nós todos. Os dermatologistas e esteticistas dos quadros.
os outros estão com trabalho incrível assim a gente não citou muito mas o personagem do Stanley Tutti é fantástico assim é fantástico Ah ele é incrível vamos lá eu vou vou deixar puxar a sardinha do Stanley Tutti vou criar uma regra aqui eu acho que qualquer personagem do Stanley Tutti é fantástico
Sim. Uma vez eu vi um filme do Stanley Tucci que eu não sabia que era com o Stanley Tucci, que era um filme sobre um zumbi, que o pessoal capturou um zumbi. Era uma cabine maluca aí. Vou até procurar aqui o nome dele. E aí... E aí você fala assim, é um filme sobre um cara que capturou um zumbi.
E aí, quando abre o Zompiante, você fala, pô, o filme valeu. E o filme vale, assim, é impressionante como o filme fica bom. A partir do momento que você vai estar leitando. Exatamente. E o filme não é bom. Aquelas séries dele, tipo, viajando pela Itália. Você já viu? Sim, qualquer coisa que ele fizer é incrível, cara. Ele é impressionante. É impressionante. Bom demais. Mas enfim.
A gente ficou... Eu vou ver se eu acho o nome do filme aqui enquanto você fala. Não, tudo bem. A gente ficou de listar alguns filmes no final aqui, nos apresentarmos dois filmes. Mas antes de apresentar os dois filmes...
Eu quero apresentar quatro filmes, né? Dois cada um, sobre o jornalismo. Mas antes disso, quero convidar quem chegou até aqui, ouviu o nosso programa praticamente todo, no Spotify, se inscrever, deixar cinco estrelas, comentar. Pode também deixar cinco estrelas e se inscrever em qualquer outra plataforma de podcast. E vai lá no Substack, assina cinema.que.substack.com. Assina toda semana agora. A gente tem os cinco filmes que eu sempre assisti essa semana. Começou agora. E prometemos manter a recorrência. A ideia é...
É um tema difícil, assim como é difícil explicar o Fast Fest É difícil explicar a newsletter Porque são cinco filmes Pra você assistir essa semana Então toda semana é só caixa de entrada E como já falamos no próximo programa As lives do Cinema Key Pra gravação de podcast vão ser transmitidas lá Se você quer comentar ou participar Inscreva-se no sub-stack do Cinema Key Você lembrou qual filme, Vini? Não
Mas tudo bem. Transformers. Não, Transformers. Transformers é um filme que não fica bom com o storytelling. Tá. Quer começar, Vini, com o filme? Paciente Zero é o nome do filme. Ah, sim.
O nome do filme do Stanley Tucci é Paciente Zero. Ele é um horroroso filme. Ele só fica bom por causa do Stanley Tucci. Eu separei dois filmes sobre jornalismo. Eu gosto muito sobre...
sobre a ideia de... E são filmes de jornalismo diferentes. O primeiro é o... Rede de Intrigas, de... 1976, o Network, que é uma... É um filme meio...
É óbvio que ele é um filme sério, mas tem um momento em que ele vira um delírio, e ele discute essa ideia do... Você estar na frente da TV, você estar dando a notícia, a importância que você pode ser para as pessoas, e o quanto isso pode transformar e influenciar as pessoas, e o quanto isso é um risco, isso é uma arma.
Então, quem não viu Rede de Intrigas do Sidney Lumet, com o William Holden, com o Peter Finch, com a Faye Dano e com o Robert Duvall, incrível, o filme é um ganho do Oscar, é um de boa.
um dos filmes mais importantes do cinema. E discute muito essa ideia da influência na TV, de como a TV pode ser influência, mas ele inteiro se passa meio que nos bastidores da televisão, do programa, do canal. Minha primeira indicação. Qual é a sua primeira indicação? Sua primeira indicação tem o Estreitute?
Não, eu ia falar isso. A minha indicação. Eu fiquei sujei, não coloquei. Mas tem um filme de jornalismo de talento. Talvez tenha na minha lista ou na sua. Vamos ver. Podemos colocar a convenção rosa. Eu fiquei sujei um pouco do óbvio. E aí me diga se eu estou roubando. Senão eu puxo o outro, tá bom? Mas...
fugindo um pouco do óbvio, O Zodíaco, que é um filme de investigação jornalística. Ele quase entrou na minha lista, porque eu vi ele semana passada. É um filme de jornalismo, lógico. Sim. Até porque o único personagem útil naquele filme é o jornalista. É o jornalista.
É, que basicamente começa com um assassino em série mandando cartas para o jornal e querendo publicar ali, se não vai matar as vítimas e tal. E vai acontecendo os assassinatos, as publicações, e o jornalista vai investigando. E tem muito desse envolvimento do jornalismo com a situação, com o caso, onde você vai e qual é o seu limite. É bem legal. E não é um filme óbvio sobre jornalismo. Ele é um filme de serial killers, de assassinato, mas é um filme... É, ele é um filme sobre um cartunista, na verdade.
É, ele é um cart... Mas é... O Manu do Gaza lá. É o jornalista. Como que é? Ele esqueceu o nome do Faixa de Gaza. Como assim? O Cartunista, pô, do Faixa de Gaza. Que ele é jornalista também, pô.
Ah, sim, sim. Que é o Saco. É, o Saco. É, não. Mas no caso, ele é um cartunista do Zodíaco, né? O cara que depois escreve o livro e vira jornalista. Isso. Uma coisa que eu achei muito problemática, muito, muito problemática.
isso, voltando um pouco no filme, para eu poder falar do outro filme, já lembrando disso, uma coisa muito, muito, muito problemática, e isso é culpa de vocês, vocês, Rodrigo e vocês, vocês desse mundo corporativo de agência aí, existe um momento no filme em que ela está, depois que a Anne Hathaway está, que ela recebe a proposta da Runaway, e ela é
ela está numa mesa com os amigos dela, ex-empregados, todos mandados embora, e ela fala claramente assim, porque aí eu vou fazer uma reportagem e eu vou precisar de writers. Writers, anota aí, writers. A legenda, o desgraçado da legenda, ele traduz a legenda como redatores.
ele coloca redatores. Isso é muito, muito errado. Eu acho que se eu sou do Sindicato Geralista do Brasil, eu processo a pessoa que fez essa legenda.
porque eles são claramente jornalistas, eles poderiam falar jornalista, poderiam falar escritor. A única coisa que eles não poderiam traduzir na legenda era redator. Porque, cara, eles não são redatores. Aquelas quatro pessoas, elas são qualquer coisa ou menos redatores. Se elas se tornassem redatores, elas iam ser as pessoas mais diferentes do mundo. Concorda, Rodrigo? Concordo, até porque redação...
e tal. E eles, como redator, eu quase levantei do cinema e fui embora. Mentira, mas fiquei bravo. Fiquei bravo. Mas poderia. Não, não poderia ser. Se eles fracassassem, aqueles caras fracassassem na vida, eles iam ser redatores. Fica uma dica aí pra vocês que são redatores. Amo vocês. Redatores, meu coração.
Não que eu não seja um redator. Ofendendo 90% dos amigos dele com uma única fala. Eu também falo. Eu sou um redator. Um redator robusto, mas é um redator. Dito isso, o outro filme que eu vou indicar é...
É um outro filme que ganhou o Oscar também, de 1976 também, chamado Todos os Homens do Presidente. Que, para mim, é o... Era o que eu iria indicar se você não indicasse. É o ápice do filme de jornalismo. Para mim, é o ápice do filme de jornalismo. Para quem não sabe, Todos os Homens do Presidente é um filme sobre...
a criação dessa série de reportagens do Washington Post sobre a invasão do escritório dos democratas, que teve lá, que no final culmina com o pedido de impeachment do Nixon e do Nixon indo embora do governo. E o filme não é sobre uma reportagem, mas ele é sobre toda a série de reportagens e como eles vão...
Na verdade, é um livro, né? Escrito pelo Bob Woodward, né? Se não me engano. E aí ele conta essa história de como eles foram construindo, né? E é um... E é assim... É trabalho de jornalista, assim, de como você enxerga, assim, o que é jornalismo? Jornalismo é aquilo ali, assim.
Você, quando você, por exemplo, eu olho o Fecho de Todos os Homens do Presidente, eu tenho certeza absoluta que eu não sou jornalista, que eu não devia nem usar a palavra jornalismo, sabe? Porque é fonte, e sabe, um negócio, e você várias fontes, tudo que você aprendeu na faculdade está no Todos os Homens do Presidente. É um filme incrível, assim, é um filme...
hiper, hiper, hiper tenso. É um negócio... É um suspense que parece... Se você não viu durante a faculdade, eu não sei nem como você tem diploma. É muito tenso, é um filme muito nervoso, porque as coisas parecem que vão dar errado, e aí você vai vendo eles construindo mesmo a informação. Enfim, então...
Não estão discutindo a relevância do jornalismo, eles estão discutindo como fazer uma série de jornalismo, uma série de reportagens. Eu acho incrível, e é um filme incrível, em todos os sentidos, todos. Boa, eu estou no dilema. Obrigado, eu estou no dilema.
É, eu vou falar do Stanley Tucci. Eu queria falar de outros filmes. Porque, na real, eu estava na dúvida se eu falo do Stanley Tucci ou de um outro. Mas eu vou falar sobre o Stanley Tucci, eu vou deixar o outro para uma menção honrosa, que você vai me entender. Mas é basicamente...
o Spotlight, e o Vini na Maldade deixou isso, que foi um caratólico. Mas é basicamente... É a melhor parte do filme. É basicamente o filme que mostra os batidores do...
da investigação ali, de todos os dilemas, de investigar o Vaticano e como ele cobria casos de abusos de menores. E foi do jornal, que era o Boston Globe, que revelou esse escândalo nos Estados Unidos.
Isso foi talvez uma das maiores reportagens no mundo nos últimos 20 anos. Não é hipérbole, né, Vini, dizer isso. Sim, é um negócio impressionante o trabalho que eles fizeram, que é um trabalho de investigação mesmo, de ir atrás dos personagens, de ir atrás da situação, de bater tudo. E se você pega o material original, o material que foi escrito, é um negócio impressionante a quantidade de informação.
que aquela equipe conseguiu juntar num texto conciso. É impressionante mesmo. E diferente dos outros que a gente falou, esse é um filme de redação. É um filme, tipo, vamos mostrar a redação e o trabalho jornalístico dentro da redação. É assim que isso daqui funciona. Ou é assim que deveria funcionar sempre.
É basicamente isso. E tem o Stanley Tucci, Mark Rufalo. Os jornalistas usam gravata, aquele negócio do jornalista de gravata. Não, aqui é camiseta rasgada, shorts com mancha de café. Mas eu gosto muito do Spotlight. Eu gosto menos do Spotlight do que as pessoas veneram ele.
É, eu não vejo nada tanto não, mas é que eu acho ele incrível. Não, eu sei que você não vê nada. Mas quando as pessoas falam dele, elas falam... Elas meio que esquecem, tipo, por exemplo, Todos Homens do Presidente, sabe? Parece que... Não, não. Eu priorizaria a minha versão de Todos Homens do Presidente do que o Spotlight, né? Eu não, eu tô concordando com você. Até, por exemplo, Minha Menção Honrosa seriam quase famosos. Mas... É um roubo de jornalismo.
É, o jornalismo. Porra, tem uma geração que foi estudar jornalismo por causa de coisas famosas, cara. Que frustrante, né? Vendeu o sonho do jornalismo musical ali. Aí, tipo, você vai viver de música mesmo se você for um fracassado que não sabe fazer música, tá ligado? E você vai... Você pode ser um rockstar sem ser um rockstar. Sim. Tem uma geração ali. Conheço uma galera que foi...
Caralho, você virar jornalista é focando no... É muito triste, não é? Não vai acontecer. Não, mas pensando para o cara que gosta de música, tipo, putz, eu quero rodar a estrada acompanhando bandas, tá ligado?
fazer aquele bagulho da MTV, sabe? Na estrada da MTV, matéria da Rolling Stones. É isso. Uma galera foi fazer. Por isso que era minha menção honrosa. Mas sem... Se você, tipo... Sem Spotlight e sem todos os homens do presidente na lista, não tem como você estar quase famoso, pô. É impossível. Sim, sim.
Uma ótima lista. Vejam esses filmes. Vejam todos. Bons filmes. Todos bons.
Só reforçando, o seu primeiro foi o... Rede de Intrigas. Rede de Intrigas. Network. Falei do Zodíaco, Todos os Homens do Presidente e o Spotlight. Todos filmes bem famosos, inclusive fáceis de achar. Não tem segredo assim. Vamos ver. E não precisam virar jornalistas depois disso. Mas leiam, vou ler, não vou assistir.
Muito obrigado pelo nosso programa, cara. Tem algum recado final que você quer deixar pra galera? Além de não virem jornalistas? Não comprei nada Fast Fashion. Isso. Só comprei coisas que foram assinadas por uma casa. Por uma... Casa. Casa que fala, né? House House. Maison. Maison.
Sabe o que quer dizer maison, né? Maison. Sabe o que quer dizer maison, né? É uma mansão, né? Não vou te falar, é casa. Não, mas é que pelo luxo tem que chamar assim. É, tudo bem.
Você não pode chamar de casa, você tem que chamar de mês. Se for para comprar roupa que vai estragar, compre em Balanciaga, porque ela já vem estragada. Então, faça esse tipo de coisa. Gaste mal o seu dinheiro com roupa. Acessem a Farfetch me mandem presentes. Vou fazer uma listinha de tênis da Farfetch que eu gostaria. Eu vou deixar lá como uma lista de presentes para vocês me mandarem.
Fica um short. E vou pôr um shortinho pro Vini também, assim, ó. Acima do joelho. Acima do joelho. Com... Com... Metade da coxa pra fora. Metade da coxa pra fora, óbvio. E com uma legging um pouquinho maior do que os shorts, assim. Pra dar um charme. Por favor. Vou pôr essa. Tava só 1500 quando eu vim. Fechado, Vini? Fechou.
Valeu, gente. Muito obrigado, Vindi. Valeu pela live de hoje. Abraço. Até semana que vem. Voltamos semana que vem. Um beijo. Tchau, tchau.