Episódios de Antenados

Antenados #319 - Danilo Gobatto entrevista Clarice Niskier, Ronaldo Ciambroni, Rogerio Fabiano e Marcio Louzada

04 de maio de 20261h4min
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Antenados #319 - Danilo Gobatto conversa com a atriz Clarice Niskier, que está em cartaz em São Paulo, no Teatro Vivo, com o espetáculo “A Esperança na Caixa de Chicletes Ping-Pong”! Texto indicado ao Prêmio de Melhor Dramaturgia em 2022 pela APCA, é um belo cordel lírico pop escrito e interpretado por Clarice, que, inspirada nas músicas e letras do compositor Zeca Baleiro, responde ao filho por que nunca desejou morar em outro país. E como, com a ajuda da MPB, criou um sentido de vida ético/estético que a enraizou definitivamente na cultura popular brasileira. Tem ainda um bate papo com Ronaldo Ciambroni, Rogerio Fabiano e Marcio Louzada, que chegam ao palco do Teatro Itália com “Romeu e Romeu”. Inspirada em “Romeu e Julieta”, a adaptação de Ciambroni, mantém o amor como temática principal e destaca as dificuldades do cotidiano do casal Romeu e Zinho, os ciúmes, os dilemas domésticos e, certamente, o preconceito. Apresentação, produção e edição: Danilo Gobatto. Sonorização: Cayami Martins
Participantes neste episódio4
D

Danilo Gobato

HostApresentador
C

Clarice Niskier

ConvidadoAtriz
R

Rogério Fabiano

ConvidadoDiretor
R

Ronaldo Ciambroni

ConvidadoAutor
Assuntos5
  • A Esperança na Caixa de Chicletes Ping PongInspiração nas músicas de Zeca Baleiro · A pergunta do filho sobre morar fora do Brasil · Identidade e cultura brasileira · Origem familiar e imigração polonesa · A metáfora do louva-a-Deus (esperança) · O significado da esperança para o brasileiro · O cordel lírico pop como formato · A história da peça e sua produção
  • Romeu e RomeuAdaptação de Romeu e Julieta para um casal gay · Escrito originalmente na década de 80 · Direção de Rogério Fabiano e adaptação contemporânea · Uso de MMA e Caravaggio na direção · Figurinos e cenografia minimalista · Trilha sonora original e coreografias · Abordagem de temas como preconceito e homossexualidade · Sucesso de público e crítica · Turnê nacional e internacional
  • Carreira de Clarice NiskierSonho de ser jornalista · Experiência no Jornal do Brasil · Ansiedade e gastrite · Início no teatro e paixão avassaladora · Apoio familiar na mudança de carreira · Prêmio Shell por Alma Imoral · A importância do teatro como utopia
  • Punição de AntonelliVersatilidade como autor (comédia, drama, infantil) · Escrita de novelas e séries para TV · O processo criativo e a inspiração · A peça 'Dona Ana' em cartaz há 55 anos · A peça 'Terezinha Jesus' e sua abordagem social · Denúncia de questões sociais e preconceitos
  • A importância da arte e do teatroTeatro como espaço de utopia e reflexão · A importância da conexão com o público · Desafios do teatro contemporâneo · A força da arte em tempos sombrios · A IA e o futuro do teatro
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Olá, está no ar o Antenados aqui pela rede Bandeirantes de Rádio, pelo aplicativo Bandplay e também radiobandeirantes.com.br. Eu sou o Danilo Gobato e recebo hoje no programa a atriz Clarice Nisquier, que está em cartaz em São Paulo, no Teatro Vivo, com o espetáculo A Esperança na Caixa de Chicletes Ping Pong.

Texto indicado ao prêmio de melhor dramaturgia em 2022 pela APCA, é um cordel lírico pop escrito e interpretado por Clarice, que inspirada nas músicas e letras do compositor Zeca Baleiro, responde ao filho porque nunca desejou morar em outro país e como, com a ajuda da MPB, criou um sentido de vida ético-estético que a enraizou definitivamente na cultura popular brasileira.

Tem ainda um bate-papo com Ronaldo, Ciambroni, Rogério e Fabiano e Márcio Lousada, que chegam ao palco do Teatro Itália com Romeu e Romeu. Inspirada em Romeu e Julieta, a adaptação de Ciambroni mantém o amor como temática principal e destaca as dificuldades do cotidiano do casal Romeu e Zinho, os ciúmes, os dilemas domésticos e certamente o preconceito. Lembrando que você pode interagir conosco pelas redes sociais em arroba Danilo Gobato.

Antenados na Bandeirantes, com Danilo Gobato. Muito bem, conforme anunciamos, estamos recebendo hoje nos estúdios da Rádio Bandeirantes em São Paulo. Ela, Clarice Nisquier. Tudo bem, Clarice? Como você está? Tudo bem, querido. Eu adoro vir aqui conversar com você, conversar com vocês, ouvintes. Não, e você sempre com novidades, não é? Peças rodando. Bom, uma de enorme sucesso já há 14, 15 anos.

20 anos. 20 anos, Alma Imoral? É, 20 anos. A gente estreou em 2006. Uau, que sucesso. E até hoje em cartaz, né, rodando. E você tá aqui agora pra falar de uma outra peça. A gente vai falar de Alma Imoral também, mas a novidade mesmo que estreou, que chegou aqui em São Paulo em cartaz no Teatro Vivo, é a Esperança na Caixa de Chicletes Ping Pong.

Eu fui assistir, fui na estreia, uma graça, lindo espetáculo, emocionante, sentar ao lado do Zeca, a gente estava ali trocando olhares, comentando, e é uma delícia mesmo, né? Agora, queria saber, é verdade que essa peça você levou 20 anos de pesquisa, de estudo, ouvindo as músicas do Zeca? Como que foi esse início, esse start?

Não, na verdade a peça até ficar pronta, assim, um tratamento que eu considerava assim, olha, esse aqui já dá para estrear, demorou uns quatro anos. Eu pesquisei profundamente a discografia, as canções, todo o trabalho do Zé Cabaleiro, porque a peça é totalmente inspirada nas canções dele, nas letras de música dele.

E durou uns quatro anos. Só para vocês terem uma ideia, a Alma e Moral, eu fiz 18 tratamentos em dois anos, do livro, do Newton Bonder. Essa demorou quatro anos, eu fiz 40. É o quadragésimo tratamento que está em cena. Porque é um quebra-cabeça muito gigantesco. É um quebra-cabeça de quase 5 mil peças. Porque eu conhecia muito a obra do Zeca, mas depois que eu mergulhei, eu vi que a obra dele ainda era maior do que...

do que eu pensava. Então, eu quis ouvir tudo, tudo, tudo, tudo. Eu tinha um caderno, assim, que separava por temas, solidão, amor, crítica social, tudo. Eu ia listando as músicas e teve uma hora que eu fiquei doida e ele me ajudou muito a fazer uma seleção, assim, sobre...

Como eu queria falar sobre o Brasil, a gente tirou, como ele falou, esquece minhas músicas românticas. Houve agora então mais essas daqui e eu fui limpando, fui limpando também meu texto até que chegamos a uma síntese. Então, mas quando você fala quatro anos, é de já ter o texto e ir ajustando, fazendo pequenos ajustes, não? Não, quatro anos montando o quebra-cabeça, sem saber onde eu chegaria, como eu chegaria, montando mesmo, fazendo... Da ideia então, do rascunho mesmo.

Quero fazer tudo, então. Quatro anos. Demorou quatro anos para eu dizer, olha, começo, meio e fim, a dramaturgia está montada. E a partir disso eu ainda mudei muita coisa, de ordem. Mas a dramaturgia ficou pronta depois de quatro anos. Eu faço a comparação com o quebra-cabeça mesmo, porque o quebra-cabeça, você espalha aquelas peças, mas você tem uma imagem final que vai te conduzindo. Você imagina eu ter mil peças sem saber a imagem final.

porque era uma investigação minha, para as pessoas compreenderem, eu sempre achei que a obra do Zeca Baleiro tinha uma textura teatral, isso eu sempre achei. E uma vez, o meu filho, quando estava com 16, 17 anos, já tem uns 10 anos atrás, ele me perguntou, mãe, por que você nunca quis ir embora do Brasil, você nunca quis morar em outro país? Ele estava frustrado com umas questões e ele estava, enfim, pensando nisso, de estudar música lá fora.

E aí eu fui responder, ele falou, mãe, você está sempre com a mesma resposta, e eu falei, você está certo, eu vou atualizar meu pensamento, vou atualizar meu sentimento. Então, eu comecei a unir, mas você imagina como que foi nascendo, foi nascendo de uma ideia muito intuitiva, muito...

instintiva ainda, eu não tinha nada muito concreto, mas o meu amor pelo Brasil passa pela música popular brasileira, eu amo a música popular brasileira, sim, é uma música que, sinceramente, eu não conheço todas as músicas do mundo, mas eu acho a melhor música do mundo que existe.

Mas é isso, essa peça então parte das composições, das letras, das poesias do Zeca Baleiro para contar uma história, na verdade, responder a essa pergunta, essa indagação do seu filho. E aí você discorre o espetáculo inteiro, um amor mesmo pelo Brasil, a nossa identidade, o que é nosso, a comparação com outros países, porque na verdade você traz uma história sua mesmo, que acho que é sua avó. É isso, você é neta de Polonês.

Isso, meus quatro avós são poloneses, vieram para sobreviver da Segunda Guerra Mundial, são sobreviventes da Segunda Guerra Mundial, entre a Primeira e a Segunda eles vieram, e eu sou neta de imigrantes e fui educada como brasileira, sabe, para contribuir para a cultura desse país, eles gostavam muito do Brasil.

Então, eu nunca tive essa questão de ir embora. Pelo contrário, eu sou grata a esse país por ter feito com que minha família sobrevivesse aqui. E é uma história muito importante para mim, muito pessoal mesmo, muito íntima. E eu vi meus pais, meus avós, meus tios, uma família grande.

Todos ficaram aqui, né? Todos lutaram, construíram, ajudaram a construir escolas, são ligados à cultura. Porque o que eu entendo, que eu atualizei meu pensamento, é que meu filho me fez essa pergunta, eu tinha 30 e poucos anos, né? Não, desculpa, 30 e poucos anos é... Imagina, eu tinha muito mais. Tinha 50 e poucos anos.

eu fui percebendo quando ele me cobrou uma coisa mais atualizada que eu já tenho um pertencimento à cultura popular brasileira como atriz de teatro. Porque uma coisa é você ter 20 anos, 30 anos, está começando e fala, não, vou lutar para conseguir firmar meu pé aqui na cultura, no teatro. Depois de 40 anos que eu completei, 40 anos de teatro, você já tem um pezinho nessa cultura, já fez uma história. Então você...

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tem mais compromisso ainda. O teu entusiasmo é até maior, porque você sente que pertence a uma história. Numa contribuição mínima dentro dessa coisa gigante que é a cultura popular brasileira. Então, eu acho que a peça vai mostrando os sentimentos dessa atriz que tem um compromisso, um amor e uma paixão pela cultura brasileira, muito grande. E onde que eu vou sentir isso?

Na Noruega, na Suécia. Então eu sinto que a minha vida material poderia ser melhor em outro país. Se eu fosse uma atriz americana, provavelmente com o volume de trabalho que eu tenho, eu já poderia estar muito mais tranquila do que aqui. Europa também? Sim, provavelmente sim. Mas, gente, aonde que eu ia sentir as coisas que eu sinto falando para o público brasileiro?

aqui, sabe, coisas que só quem, né, tem uma coisa imaterial da cultura que é um entendimento que é tão profundo que essa comunicação ela só se dá entre pessoas de uma mesma nação cultural. Agora, com o espetáculo já aí rodando, não é? Seu filho ficou satisfeito com a resposta? Ficou.

No início ele achava tudo, ai mãe, lá vem você. Mas agora que ele completou 26 anos, ele está trabalhando, está mais engajado e está menos frustrado, vamos dizer, que é uma geração, essa geração não é brincadeira. Assim, em termos de tudo é fim do mundo, apocalíptico, violência, nossa, parece que nada tem solução e tudo é para ontem. Eu acho que agora ele encontrou.

Um caminho bonito para ele. E ele olha para essa peça e fala. Pô mãe, realmente. Agora eu te entendo muito mais. Mas ele demorou a entender. Porque não fazia sentido. Uma ligação tão profunda com o passado. Uma ligação tão profunda com o futuro. Já que essa geração. Romper com o passado. Não tem futuro. Tudo tem que ser agora.

Então, devido à internet, devido a muitas coisas, ele caiu nessa cilada. Mas agora que ele já saiu dessa cilada, ele entende a importância do passado, do futuro e como esse presente se amplia quando você está linkado com tudo isso.

Clarice, tem uma história de uma música, primeiro, que você ouviu do Zeca, que te tocou. Samba do Approach. É, que alguém apresentou numa audição, não tem isso? Tem, cara. A minha irmã mais nova fazia aula com a mesma professora de canto que eu, e todo ano tinha sarau dos alunos. Ela escolheu Samba do Approach pra ela cantar, e eu não conhecia essa música.

E aí quando ela acabou a música, eu falei, cara, eu amei essa música, essa letra de quem é? Zeca Baleiro. Comecei a ouvir sem parar. E foi então ela que me iniciou na obra dele. Na discografia, que você ficou apaixonada, virou fã, acompanhou. E aí quando você, então, que você já explicou que ficou há quatro anos debruçada nisso. E aí quando você encontra com o Zeca, conta pra ele essa ideia de um espetáculo. Como que foi essa conversa, esse contato entre vocês? E aí

Então, a vida conspirou, Danilo, a verdade é essa, porque olha só como as coisas eram fragmentadas. Fã de um compositor, fazendo a alma e moral na Livraria Cultura de São Paulo, tinha um gestor, um gerente chamado Gil Torres, do Maranhão, amigo de Zeca Baleiro.

estava ali, e a gente vivendo aquela relação de alma e moral e tal, um dia, eu acho que eu, vem Zé Cabaleiro assim, à tona, e eu falei cara, eu adoro as músicas dele e um dia penso em fazer alguma coisa com as letras dele, ele registrou, olha só.

Corta. Antes do Gil Torres, um artista chamado Charlot, que fez o manto vermelho que eu uso na peça para o Zeca Baleiro, em 1999, no show Vou Embolar, me conheceu via Alma e Mural também, no Rio de Janeiro. Então, eu tinha... Mas, por enquanto, não tinha nenhuma relação com o Zeca Baleiro, era tudo Alma e Mural e tal. Eu acho que o Charlot, um dia, ele ia muito ver...

assistiu um sarau da Elisa Lucinda, no Rio de Janeiro, que ela tinha uma casa de poesia em Botafogo, que o Zé Cabaleiro estaria presente. Falou, Clarice, você quer assistir um sarau? Falei, quero, com o Zé Cabaleiro lá para debate. Pronto, nos conhecemos pessoalmente, foi apresentado para o Chalô, fui embora. Não dava, era muita gente, não falamos nada.

Eu acho que até foi por isso que eu falei do Gil Torres, em São Paulo, quando eu fui, que eu conheci ele pessoalmente. Aí o Gil falou, Clarice, vai ter um evento da Livraria da Vila, na Amazônia. Eu vou convidar você para fazer uma peça chamada A Lista e o Zé Cabaleiro vai para fazer um show. Não acredito. Gil, aí eu vou conversar com ele, porque agora toda hora eu estou vendo o Zé Cabaleiro, toda hora. Entende como a vida conspirou?

Fui para esse barco e lá ele estava, apresentou o show, ele me viu atuando e aí um dia a gente conversou. Falei, Zé, que eu sou muito sua... Ah, ainda tem uma coisa. Ele falou, olha, Clarice, se um dia você quiser fazer uma costura com as minhas músicas, está autorizado, vou ficar muito feliz, muito obrigada. Voltei para São Paulo.

Aí eu liguei pro Gil Torres, falei, Gil, conheci o Zeca, ele falou que essa ideia é doida, mas ele dá maior força. Aí eu costurei umas quatro músicas e mostrei só pro Gil. Falei, Gil, isso aqui é uma coisa muito incipiente, mas olha só, tá entendendo o que eu tô pensando em fazer? Ele, tô entendendo. Ele me convidou pra ver um show do Zeca, na época se chamava...

Ai, aquele de quatro mil lugares aqui em São Paulo. Crédio Carrol? É. Agora vibra. É isso, a gente foi. Aí ele falou, Clarice, o Zeca está convidando, porque ele é muito amigo, o Ju é muito amigo do Zeca, ele está convidando todo mundo para um jantar num baião de dois aí, um restaurante nordestino aqui em São Paulo, vamos, vamos. Aí ele me entregou e falou assim para o Zeca, Zeca, Clarice já começou a escrever, eu levei um susto.

Eu falei, Gil, ele falou, lê pra ele, Clarice. Aí na mesa desse restaurante, eu li essa costura, que tinha uma página e meia, um negocinho. Ele falou, pô, que legal, vai em frente. Aí. E permaneceu? Porque você disse que já fez várias modificações. Esse trechinho não permaneceu, Clarice? Não, permaneceu, vamos dizer assim, o princípio da costura permaneceu, mas eu mudei tanto, você não tem ideia. Quanto mais eu escutava, mais eu mudava.

E aí vocês então passaram a se reunir, periodicamente? De dois em dois meses, de três em três meses, como a gente estava conversando, o Zeca Baleiro trabalha muito e a agenda dele é incrivelmente ocupada e tal, então a gente se falava muito pelo telefone, mas de dois em dois meses, de três em três meses, eu ia na casa dele e mostrava a nova costura.

O Anteirados faz o primeiro intervalo comercial e na volta tem mais bate-papo com Clarice Nisquier, que está em cartaz em São Paulo, no Teatro Vivo, com o espetáculo A Esperança na Caixa de Chicletes Ping Pong. Continuamos antenados na Bandeirantes.

O Antenados está de volta e hoje recebendo nos estúdios da Rádio Bandeirantes em São Paulo a atriz Clarice Nisquier.

Aí como que eram esses encontros? Você mostrava o texto, você lia, você encenava? Eu lia. E na época, casado com a Mara Fernandes, tinha sempre um lanche, tinha sempre um jantar, tinha sempre alguns amigos, tinha algumas pessoas da própria família, os filhos. Então quem estivesse na casa dele, naquele momento, a gente lia e tinha muito debate. Convidava também muitos amigos, a gente ia vendo o que funcionava, o que não funcionava.

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O que era chato, o que não era, o que era explicativo, o que não era. E tiveram... Nossa! E a alma imoral continuava e depois eu fiz uma outra peça e depois veio ainda a pandemia. Aí a gente estreou em 2020, a Esperança. Aí veio a pandemia. Vocês estrearam no...

No Teatro Leblon, na época, Rio, fizemos uma semana, uma semana, e veio o lockdown. Aí até hoje eu tenho o vídeo que eu gravei, gente, são só 15 dias, vamos lá, vai parar, e ficaram dois anos, né? Foram dois anos, então foi muito difícil. Então a esperança ficou um pouco sem lugar, porque quando o teatro voltou,

Eu me separei, escrevi uma nova peça chamada Coração de Campanha, fizemos no CCBB. Eu fiquei descapitalizada um pouco por causa da pandemia. Eu precisava muito fazer a alma, precisava fazer outras coisas. Como é que a gente ia levar a esperança à frente? Estava sem patrocínio naquele momento e tal. Então a gente nunca... Olha...

O Zé Cabaleiro, ele nunca deixou de provocar e falar e a esperança, vamos levar à frente, vamos. Às vezes tinha momentos muito complicados, ele realmente é um incentivador dessa peça. Eu estou aqui em São Paulo muito graças ao esforço dele, ao esforço também do Zé Maria, meu diretor de produção, que também faz a direção de produção da Alma.

Essa peça também conta com a parceria do Amir Haddad, com quem eu fiz a alma, fiz a esperança. Amigo de muitos anos. 20 anos já, ele é sempre o diretor do meu repertório, graças ao João e a Estela, que fazem assessoria. Então, a gente, Aurélio de Simone, José Dias, Kika Lopes, Charlô.

Carol, é uma equipe gigantesca que a gente fez um esforço, né? A Fernanda Sten, que é a secretária, que trabalha com o Zeca há muito tempo também. Todo mundo se uniu e vamos, vamos. Aí o André Scioli, muito obrigado, André, o Teatro Vivo. Ele que convidou, ele falou, vem, claro. Eu falei, eu vou.

Bom, a gente vai passar o serviço, está em cartaz aqui no Teatro Vivo, em São Paulo, tem a temporada onde vende os ingressos, já vou passar tudo isso, mas um atítulo de curiosidade aqui, no Rio de Janeiro, o Esperança tem um outro significado, que aqui em São Paulo a gente chama de louva a Deus, não é isso? E é uma história bonitinha, porque você criava Esperança, você criava louva a Deus, Clarice? Criava.

Eu ia para uma colônia de férias que era no meio do mato, num lugar muito bonito, num lugar no estado do Rio de Janeiro chamado Sacra Família do Tinguá. E é uma colônia de férias linda, Kinderland, que é o nome da colônia de férias. Existe até hoje. Então a gente levava umas caixas de chiclete ping-pong vazias, aquela de 25 unidades, porque eu era viciada em sorvete da Kibom. E quando a caixa esvaziava porque venderam...

Todos os chicletes foram vendidos e o sorveteiro me dava essas caixas. Então eu levava de três a quatro caixas para a colônia de férias, cobria de folhinha verde e toda esperança que entrava no quarto, ou então que eu via na mata, eu pegava assim, super delicada, e eram minhas amigas. E durante os 20 dias da colônia de férias eu criava essas esperanças. Elas não fugiam, elas ficavam na caixa, era uma coisa mágica para mim.

Então, e no Rio de Janeiro, o louva-a-Deus se chama esperança, traz bons presságios, todo mundo dizia que fazia muito bem para a alma criar aquele bichinho, porque ia dar muita sorte, você ia poder, como é que era, você ia namorar aquele cara que você estava afim, se criasse a esperança.

esperança não fugisse, tinha mil crenças bonitinhas, populares ligadas a esse inseto. Então eu criava, quando eu comecei a escrever eu vi que a esperança é um é um dado muito forte para o brasileiro, né? Você hoje em dia conversa com qualquer pessoa na rua, ah, eu já perdi a esperança, eu não tenho mais esperança.

sobre esse país, porque enquanto eu estava escrevendo, eu conversava muito com as pessoas, eu tenho esse hábito. Adoro conversar com as pessoas, dentro do táxi, com o motorista, dentro do ônibus. Eu gosto de saber o que elas estão pensando sobre o país. Mais do que só assistir o jornal, da TV, também conversar com as pessoas da rua. Isso é um hábito que eu trouxe do jornalismo.

Então, a esperança é sempre uma palavra muito forte para o brasileiro. Paulo Freire tem o esperançar, para não ser um esperançoso resignado, mas o esperançar como um verbo. Então, a esperança faz parte da nossa...

índole da nossa alma brasileira. Então, eu trouxe essa história porque, como eu estava com muitas memórias, falei, vou fazer uma metáfora, né? E eu sinto que agora as pessoas compreendem melhor o título, eu fico até mais feliz, porque quando eu estreei, tinham pessoas que achavam que a peça era um infantil.

A esperança na caixa de chiclete pingue-pongue é como se fosse uma coisa... É, é um verso do cordel, né? Da peça, que é só para as pessoas entenderem. A esperança na caixa, essa peça, ela é toda escrita em versos. Ela é um cordel pop, eu chamo cordel pop lírico. Então, é um dos versos. Posso falar aqui? Sim, claro, claro.

Quando pequena, não, não é assim que começa, desculpem. A felicidade é terrena e quando vem é do tamanho de um bong. Quando pequena, eu criava esperanças dentro de uma caixa de chicletes ping-pong. O sorveteiro da carrocinha da esquina me dava aquela caixa vazia, a de 25 unidades. Eu cobria de folhinhas verdes, era uma das minhas manias. Criar esperança é muito bom, evita mal-olhado, resolve problemas sexuais e traz o futuro em três dias.

Que lindo, que lindo. Olha, tudo isso em cartaz no Teatro Vivo. Fiquei devendo aqui o serviço para os nossos ouvintes. A Esperança na Cássia de Chicletes Ping Pong no Teatro Vivo, ali na Avenida Doutor Chucris Aidan, 2460, até 7 de junho. Isso. Até 7 de junho, sessões às sextas e sábados às 8 horas da noite e no domingo mais cedo às 18 horas às 6 da tarde. Isso. Os ingressos na própria bilheteria ou então no simpla.com.br. Tem um perfil aqui também.

no Instagram que vocês criaram, com as fotos de divulgação, a agenda, porque vai rodar bastante, o depoimento de quem já passou ali, meu amigo Tolentino aqui, que estava ali no dia da estreia, o depoimento de muita gente querida, a esperança na caixa, arroba a esperança na caixa, é o perfil do espetáculo, já tem ali o link do Simpla.

aí o ouvinte já consegue clicar ali e comprar os seus ingressos. Da Clarice também, que ela não para, ainda bem, sempre com vários projetos e as novidades, é claricinisquier, é arroba claricinisquier também no Instagram. Na reta final aqui, mais duas coisinhas para a gente dividir com os nossos ouvintes. Você falou que parte disso vem da sua paixão pelo jornalismo, de gostar de conversar com as pessoas. Você queria muito ser jornalista, né?

Clarice, você trabalhou por quatro anos? Isso. Quatro anos em redação? Isso. Jornal impresso? Isso. Assim que eu entrei para a faculdade de comunicação, eu estudei na PUC, fiz comunicação na PUC, eu fiz um estágio num jornal chamado Jornal Repórter, no Rio de Janeiro, e de lá eu fui chamada para fazer um estágio no Jornal do Brasil, na redação do Jornal do Brasil, e depois de um ano...

ou de seis meses, acredito, agora já não lembro direito, né? Eu fui contratada. E eu fiquei dois anos no total no Jornal do Brasil. Eu amava de paixão. Era meu sonho. Eu tenho um tio, meu tio Arnaldo, Nisquet, querido, foi jornalista da Manchete, diretor da Manchete há muitos anos. Então, desde criança, eu visitava a Manchete. Eu sempre falei, eu vou ser jornalista, eu vou ser jornalista e fui.

Mas o que aconteceu? Quando eu, dois anos depois de JB, eu tive uma gastrite. Eu era muito ansiosa, eu fui uma jovem, assim, muito...

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Ai, assim, eu ruía a unha, sabe? Porque eu queria fazer muita coisa. Eu tinha muitas ideias. Eu queria colocar todas as pautas para os editores aceitarem tudo. Eu trabalhava até meia-noite, eu estudava. E eu tinha um namorado na PUC que fazia teatro.

E quando então eu fiquei com gastrite, eu falei, eu vou fazer análise. O meu médico, gastroenterologista, falou que eu tenho que fazer terapia, que eu estou com uma ansiedade monstra. Ele falou, você devia fazer teatro. Eu falei, imagina, eu sou muito tímida. E eu sou muito tímida. Ele era ator? Ele era estudante de comunicação, também fazia jornalismo, mas ele curtia teatro e era estudante de teatro no Tablado, que é a escola da Maria Clara Machado, no Rio de Janeiro.

E porque eu gostava dele, Carlos Nepomuceno, né? Que eu sou grata a ele até hoje. Eu fui, mas eu fui assim, mais pra agradá-lo do que achando que eu ia ser atriz na vida. Menino.

Eu nunca podia imaginar que o encontro com o teatro ia mudar a minha vida assim, porque eu já tinha feito teatro nas colônias de férias, de brincadeira na escola, mas naquele momento, com aquela professora, com aquela turma, naquela idade que eu estava, eu estava com 20 anos já.

Foi uma paixão tão avassaladora que eu me lembro, já trabalhando, já contratada, né? Já tinha meu salário, já morava fora da casa dos meus pais. Estava com 20 para 21 anos e eu falei para eles, gente, eu acho que eu vou mudar o rumo da minha vida.

Meus pais muito abertos, muito progressistas, muito apaixonados por arte. Minha mãe ficou temerosa, mas meu pai falou, se é isso, minha filha, conte com o meu apoio. Então eu quero agradecer, papai já partiu, infelizmente partiu de Covid em 2020. Uma das primeiras levas, ele estava com 94 anos.

É, pai, eu sempre vou te agradecer porque, olha, eu saí, ele é advogado, ele falou, pede uma licença sem vencimentos ao Jornal do Brasil, porque você já está contratada, minha filha, isso é muito privilégio. Pedi, fiquei seis meses ainda vinculada à empresa, mas sem receber. Estreiei uma peça que eu fui convidada para fazer a protagonista. Assim que eu me apresentei no final do ano no tablado, já me chamaram.

Eu levava jeito mesmo, sabe? Então, assim, era uma paixão minha, era o destino. Fiz uma peça chamada Porcos com Asas. De lá já tive outro convite. Falei, pai, não vou voltar. Ele falou, então conte comigo. Então, quando o Lula, em 2006, Bolsa Família, toda essa história de Bolsa Família, quando eu ganhei o prêmio Shell com a Alma Moral, eu falei, gente, quem inventou a Bolsa Família foi meu pai.

porque depois que eu saí do jornalismo, eu precisei de uma Bolsa Família até me garantir financeiramente no teatro, que demora um pouco, por mais que te dêem trabalho, você ainda é muito jovem, muito criança, você ainda não tem um nome.

Então até você firmar demorou, mas quero agradecer então essa confiança que minha família realmente depositou e todos os diretores e todas as pessoas. Fiz parte da equipe do grupo do Domingos Oliveira, do Eduardo Wotzig, até que encontrei o Amir.

e estamos agora com essa parceria maravilhosa. Então, é muita história, é muito agradecimento, é muita gratidão, e é o que eu falo para o meu filho e falo aqui para as gerações que estão me ouvindo, se você, que é jovem, confie no tempo, esquece esse negócio de apocalipse, de fim de mundo, porque isso é uma loucura que está acontecendo, e se Deus quiser...

vai desanuviar e os horizontes vão ficar mais... Não perca a perspectiva de que, historicamente, o planeta sempre viveu tempos muito sombrios. Meus avós são frutos...

de tempos muito sombrios. E estamos aqui e está novamente sombrio. Você vê, eu estreiei a O Memoral em 2006, nunca pensei que o Brasil ia voltar a ser um lugar estreito. A gente achou que pronto, passou. Não passou.

volta um ciclo, né? Então, eu acho que, infelizmente, eu não queria que fosse assim, mas é assim, e eu gostaria de dizer a todos vocês, como eu digo ao meu filho, não percam.

A fé nem a esperança de que o horizonte existe. Não é nenhuma questão de fé, existe. Objetivamente existe. Após as nuvens mais carregadas, existe um céu gigantesco. É que tem uma hora que a gente não vê mais, porque a fumaça e a poeira da guerra e a poeira dessa violência machuca os olhos e o coração e a alma. Eu sei disso porque eu passo por isso.

Mas realmente a arte, sabe, Danilo, o teatro é um lugar muito real. E o Amir Haddad sempre diz, o teatro tem que ser o lugar onde a gente transmite, onde a gente pode transmitir uma utopia. A gente não pode deixar de apontar uma utopia para o espectador. É um dever nosso.

Eu não posso convidar você para a minha casa, que é o teatro, para te deixar desesperançoso e dizer que tudo é uma M e que não tem solução e você sai do teatro pior do que entrou. Não. Você tem que conhecer alguma coisa ali dentro no teatro, alguma coisa eu tenho que te dar de real, nada de conto da carochinha, mas de real, através da poesia, da ficção, de alguma história, que você diga realmente.

a algo que eu não sabia ou então que eu não estava vendo e que pode me fazer caminhar fazer caminhar é a função do teatro, quando bate, bate forte e bateu forte mesmo a peça Esperança na Caixa de Chicletes Ping Pong linda, linda, reforça aqui o convite em cartaz no Teatro Vivo Avenida Doutor Chucris Aidan 2460 até 7 de junho sessões às sextas e sábados às 8 horas da noite aos domingos que acontece

Mais cedo, às 6 da tarde, perdemos uma jornalista, mas ganhamos uma superatriz. Obrigada. Só vou dar um spoiler aqui, rapidinho mesmo. A Clarice vai voltar também em breve com a Alma Moral, 20 anos em cartaz. Mas para quem não viu ou quer rever, já fica aí, fica no ar. E depois a gente conta aqui na programação quando voltar. Você volta aqui também para falar especificamente sobre a Alma Moral. Clarice, brigadíssimo. Muito obrigada também. Até, gente. Obrigada. Um beijo.

O Antenados faz mais um intervalo e na volta tem um bate-papo com Ronaldo Ciambroni, Rogério Fabiano e Márcio Lousada, que chegam ao palco do Teatro Itália com o Romeu e Romeu. Voltamos já! Antenados, na Bandeirantes.

Muito bem, conforme anunciamos, estamos recebendo hoje nos estúdios da Rádio Bandeirantes em São Paulo um trio, hein? Ronaldo Ciambroni, Rogério Fabiani, Márcio Lousada. Como vocês estão? Sejam muito bem-vindos, prazer enorme, viu? Que prazer estar aqui com você pra falar de Romeu, Romeu. Obrigado aí pelo prazer enorme aqui.

Olha, consegui reunir o autor, o diretor, parte do elenco, né? Pra gente falar sobre Romeu. Romeu, que tá em cartaz no Teatro Itália, aqui em São Paulo, às terças e quartas, às oito horas da noite. A gente vai passar o serviço completo, dizer onde que tá vendendo os ingressos, né? E é um sucesso. Eu fui assistir essa semana. Fui lá na terça-feira e tá lotado, né? Cadeiras extras ali, um sucesso. Desde a estreia, graças a Deus. Vocês estrearam em abril? Foi no dia 14. Agora, é.

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mas a semana que vem também já tá com poucos ingressos, e é muito raro né, uma temporada já abrir assim, com ingressos cotados pra três semanas, é muito difícil e os ingressos estão pela Simpla vale a pena conferir a gente vai dar o serviço aqui completo, tem Instagram tem página pra seguir e acompanhar

Mas aproveitar que a gente está aqui com o autor do texto, que é o Ronaldo, e tem o diretor também, parte do elenco, a gente vai conseguir falar sobre cada parte do espetáculo. E aí eu queria começar te perguntando, Ciambroni, você escreveu na verdade já na década de 80 esse texto? É isso? É isso mesmo? Exatamente, é.

Esse tempo todo aí. Mas lá atrás, quando você escreveu, claro, a inspiração é de William Shakespeare, Romeo e Julieta, e é o espetáculo que a gente vê hoje. É esse espetáculo que eu vi que você escreveu lá na década de 80? Mudou muito? Mudou pouco? Mudou tudo, né?

inclusive o espetáculo como ele foi montado, porque eu mesmo não acompanhei, e falei, o que será que eu vou ver, né? E fiquei impactado, né? Porque achei o espetáculo muito bonito, sou suspeito a falar, mas fiquei feliz também que o meu texto ficou.

na íntegra posso dizer, né, ele foi respeitado, né, e com uma linguagem totalmente diferente, né, eu já esperava uma coisa nova do Rogério, né, a gente sempre fica, vamos ver o que ele vai fazer agora.

A gente também tem uma linha de peças espíritas que a gente tem, ele sempre coloca, eu também fiz há dois de um ano, fiz a adaptação, a vida do Chico, então a gente tem uma ligação aí, uma conexão. Ah, mas então o texto é preservado. Sim, sim, você percebe que é, mas a...

A roupa é totalmente diferente. Já começa de que o espetáculo, o texto, é para dois atores. E ele conseguiu fazer com seis, né? Cinco. Com cinco. E de uma forma dinâmica, os figurinos são incríveis. E também, esse eu já conhecia.

Sou um fã dele, que é o Ciro Marcelo. Um amigo querido. Um abraço para ele. Nossa, é tanto dizer. Inclusive, a gente se encontrou na França. Foi uma alegria lá o sucesso que eles estavam fazendo. Então, tudo isso juntou. Sem eu estar lá presente, de repente...

Fui na estreia e fiquei, como falei, impactado com o espetáculo, com a direção, com essa movimentação que o espetáculo tem. É muito bonito. Um elenco também, um elenco bonito. É um elenco talentoso.

E aí, quem gosta de musical vai ver um pouco de musical, quem gosta do teatro, o teatro vai encontrar também. Enfim, agrada a todos. Eu queria estender para vocês três, porque na década de 80, contar essa história, ela tinha um outro olhar, uma outra abordagem, impactava de uma outra forma, não é? Você falar sobre a peça, já no título, já diz tudo, né? Romeu e Romeu, então são...

É a relação de dois homens apaixonados e que tem todas as questões familiares ali, o embate, as lutas ali, o preconceito. Então, contar essa história na década de 80 tinha uma questão. Eu acho, particularmente, não sei vocês, eu acho que a gente evoluiu muito pouco. Evoluímos, mas muito pouco, não é? Alguns assuntos ainda chamam atenção, ainda é notícia, sendo que na verdade deveria ser tratado de uma forma ali muito natural, orgânica, não é?

Queria saber de vocês três, como que é agora trazer esse espetáculo, trazer essa história, a casa cheia e a repercussão também para 2026? Olha, a minha direção, desde quando a Luciene Cunha, que é a nossa produtora da Ramacria Produções, ela queria muito, como todos nós da classe artística, temos muito amor ao Ronaldo Sembroni. Ela queria fazer uma homenagem ao Ronaldo e queria que fosse com o Romeu Romeu.

Aí eu falei, Lu, eu acho maravilhoso, vamos fazer. Como a peça, a ideia do Ronaldo é brilhante, porque você pega um casal icônico, um mundial eterno, que é a Romeu e a Julieta, e traz essa mesma história para um universo gay, homossexual. E aí já é muito criativa essa ideia, né? E a peça acompanha com os personagens tendo os mesmos conflitos que a história original do Shakespeare tem.

Com esse olhar, como eu falei. O texto é tão bonito e tão romântico. Nos anos 80, a gente tinha o Cazuza morrendo, a AIDS tomando conta do mundo, e o homossexualismo era morte. Isso hoje mudou. Eu acho que mudou.

Hoje nem se fala mais do homossexualismo, né? Não tem mais esse tempo. É assim, as pesquisas que eu vejo hoje com as redes sociais que a gente não tinha, o mundo mudou, né? Tecnologicamente a gente mudou em muito. Então, como eu tenho dirigido muito teatro ultimamente, todos os meus espetáculos, por exemplo, quando a peça começa, eu crio um código de espantar o público para as pessoas entrarem ali.

Porque tem gente que fica, às vezes, não é o caso do Romeu Romeu, com o celular, eu já vi peça que eu dirijo, uma moça sentou, ela começou a ficar no celular, no primeiro sinal, continuou no segundo, no terceiro, e foi até os aplausos no celular. E eu não sei o que ela foi fazer no teatro. Então você tem que conseguir com que a pessoa fique. Hoje, passou de uma hora e meia, as pessoas não aguentam ficar sentadas.

e você encontra o celular também então você tem que ter uma coisa de impacto eu falei, gente, tem que fazer alguma coisa com essa peça do Ronaldo contemporânea aí eu acordei com a ideia da luta a luta tem na peça uma força, porque um dos personagens sem querer matou o primo do outro então aquela luta pra mim eu acordei com aquilo, vou trazer pra uma luta de MMA

E aí fui evoluindo essa ideia. O Ciro é o quinto espetáculo que eu faço com ele, que ele faz direção de movimento e eu faço a direção geral.

E aí eu falei, Ciro, vamos fazer um Caravaggio. Eu acordei com a ideia do Caravaggio. Então era a luta e o Caravaggio. A partir daí, eu tive a ideia de transformar o Romeu e o Romeuzinho ter alter-egos para ter um jogral, para ficar uma palavra mais incômoda, mais ativa para quem assiste. Verbalmente era mais dinâmico. Aí o Ciro trouxe a ideia da consciência. Então ficaram cinco personagens, Romeu, Romeuzinho, alter-ego 1, alter-ego 2 e a consciência.

E aí eu peguei na internet uns poemas lindos sobre o assunto para abrir a primeira coreografia. E a partir daí, a peça é a do Ronaldo Sembroni. Eu só, no finalzinho que eu fiz uma... Que ele me perdoe. Na história do Ronaldo, que é muito divertido, porque ela tem uma ingenuidade... O Ronaldo é um dos maiores autores brasileiros. A palavra do Ronaldo vem orgânica.

A gente é de uma sensibilidade. A história daquele amor daqueles dois dá vontade de levar pra casa. Aí a gente vem com uma coisa contemporânea de visual agressivo, que é o caso, os atores ficam praticamente desnudados, porque eles têm só uma tanguinha. É uma coisa meio quase o homem das cavernas, né? E a partir daí tem um balé. Eu fiz um espetáculo todo marcado. Eu tenho um consílio nessa parceria, eu desenho a minha cena e ele vai e faz um carnaval em cima. E é muito bom.

E aí ficou esse impacto. No final a gente optou em fazer uma tragédia. Os dois se matam, morrem por amor.

No original do Shakespeare é assim. O Roussel Boni tinha um final muito engraçado. Que ele tomava uma vitamina C. Lembra disso? Aí eu falei, o Roussel Boni vai me perdoar. Mas eu vou fazer uma tragédia grega aqui. Grega, enfim. E aí, é lindo o espetáculo. Ficou uma coisa, quando eu assisti. E a gente teve uma forte colaboração da parte do iluminador. Que é o Igor Franco. Eu falava, Igor, vamos fazer uma luz sem cor.

E ele fez uma luz branca. Parece que você está vendo um filme de Fassbinder. Entende? Eu falei, vamos botar muita torre lateral. E ele encheu de torre. Parece que uma luz de farol. E os atores ficam lindos e tem um sombreado junto. Numa caixa preta. Numa caixa preta. Muito simples, né? Sem cenário, só com os figurinos ali. Os figurinos.

São adereços, os fisicurinos a gente Praticamente Os personagens periféricos Porque na peça do Sembroni Todos os personagens periféricos eram feitos pelo Romeu e pelo Romeuzinho Agora a maioria é feita pelos alter-egos

Todos eles, né? Eu acho que todos, né? Sim, todos. Ô Márcio, a gente tá ouvindo aqui, né? Um pouco do texto do Cian Bruni e como que o Rogério trouxe essa direção. E realmente, ali tem muita dança, né? É uma dança mesmo, uma coreografia, não é? Sim. Que precisa. Uma coreografia, uma trilha composta pelo Eduardo Menga do início ao fim. Não tem um buraco, não tem um silêncio na peça, né? Tem o silêncio dos atores, dos diálogos. Mas tem música...

A música, né, que é composta especialmente para o Romano e o Romero, e com as coreografias também. O teatro é movimento o tempo todo, as partituras. É tudo ali como uma música mesmo no corpo. O desafio maior para você que está em cena ali, qual foi, hein? Qual é?

Olha, desafio maior com certeza, porque eu faço seis papéis ali. Eu faço o ego do Romeu, do Romeuzão, e além de tudo eu faço o pai, a figura do pai, que é aquele arquétipo preconceituoso que ele diz. Eu prefiro um filho morto a um filho viato. Aquilo é muito forte. Eu sinto quando eu falo isso, que ele já está caminhando para o fim da peça.

Ah, tem um silêncio, uma respiração, assim, uma coisa... E realmente, num espetáculo desse que tem essa movimentação, essa coreografia, que tem uma engenharia muito precisa, você ali insere seis personagens com o psicológico de cada um deles é um desafio, mas assim, pra mim é um gozo também, enquanto ator. Ô, Ronaldo, e aí, assistir tudo isso, não é? É, porque...

Mudou muito, né? Claro, se era uma peça pra duas pessoas, pra dois atores, agora o palco ganha mais vida, não é? Fica mais cheio com essa coreografia, com essa dança, com a iluminação. A primeira cena, já vou dar um spoiler aqui pro nosso ouvinte, né? O público vai entrando no teatro e só vê um corpo estirado ali no palco, né? Sem respirar.

Não, e é verdade mesmo, a dúvida era, eu fui no dia que foi o André Ascioli, que ele disse também, e aí a dúvida era, mas é um manequim, é um ator, porque é aquele corpo que não se mexe. Eu mesmo quei dúvida.

E aí, hein, Ronaldo? Assisti tudo isso agora ganhando uma outra vida, uma outra forma. Um texto que você escreveu na década de 80, esse sucesso em 2026. Era, de qualquer forma, uma outra época. A dinâmica que o espetáculo ganhou agora, com essas coisas todas colocadas, eu acho que o espetáculo pegou um dinamismo impressionante. Isso ajudou muito.

Eu, primeiro, que eu sou ótimo espectador. Eu vou para o teatro para gostar. Eu não tenho essa postura. Eu não vou gostar. Ah, que fizeram com a minha obra. Ou se o texto não é meu, ficar procurando pelo para... Não.

Eu amo teatro, eu gosto de teatro, eu vivo o teatro em si. Então eu já tenho uma disposição para gostar do que eu vou ver. Agora, quando eu gosto, imagine como eu gosto. Agora, você não tem ciúmes assim? Ou então, como o Rogério explicou, que ele acabou alterando o final, você é compreensível assim e deixa mexer?

Já me agredi muito pra eu... Ficou tão emocionado no dia que ele foi. Ele chorava, assim, quando foi recebido no palco. Foi lindo, foi lindo aquele dia. Eu fiquei... Primeiro que eu também tô um tempo de cama, né? Por causa que tive alguns problemas pra andar e tal. E ainda queria continuar em cena, porque eu sou ator também. Antes de mais nada, eu sou ator, né? Então eu não consigo ficar longe do palco.

E aí, na peça que eu estava fazendo, o fantasma da minha sogra, eu volto logo para o nosso. O fantasma da sogra. Eu achei que ainda eu podia ficar mais velho ainda, para passar a sogra. Ficar mais velhinha ainda. Aí eu inventei de entrar de cadeira de rodas.

Eu caí com a cadeira e tudo. Fui me rasgando assim, a perna no palco. E realmente eu tive que ficar mais tempo ainda. Tanto é que agora a minha mulher, a minha irmã, aonde eu vou, a Cristina que é atriz também. Eu fiquei dependente, sabe? Então foram poucas vezes que eu saí. E eu saí já pra me emocionar, pra me pegar, pra me emocionar.

Ah, foi a primeira vez que você saiu depois do acidente? Eu tinha ido assistir uma outra peça minha. Porque era pra estrear o Romeu e a John, né? Mas enfim, eu acho que eu não tenho esses ciúmes, já é meu mesmo, né? E das pessoas que eu gosto e que eu tenho a certeza que ainda vão fazer uma coisa que vai acrescentar.

Como no caso, eu realmente fico só agradecido, né? O Antenados faz mais um intervalo e no quarto e último bloco vamos continuar o bate-papo com Ronaldo Ciambroni, Rogério Fabiano e Márcio Lousada falando sobre Romeu e Romeu, em Catais, no Teatro Itália, em São Paulo. Antenados, na Rádio Bandeirantes.

O Antenados está de volta e hoje recebendo nos estúdios da Rádio Bandeirantes em São Paulo, Ronaldo Ciambroni, Rogério Fabiano e Márcio Lousada.

O Ronaldo, além de ser essa pessoa iluminada, eu quando dirijo, já dirigi, acho que, sei lá, uns 70 espetados na minha trajetória, nesses 47 anos de carreira. E aí, eu sempre fico preocupado em respeitar a obra, né? Mas a gente sente que, por exemplo, quando são obras mais antigas, eu passei por isso recentemente,

Eu comecei a falar aqui no início da entrevista. Os tempos mudaram com a tecnologia. Essa coisa, gente, a rede social virou uma coisa de doido. Então, se você não segurar o público com o arco...

quase que assustou na corda, você não consegue manter as pessoas ali. Elas vão pegar o seu lado. Mas a história de amor do casal, do preconceito, que é muito forte ainda, a gente sabe, ele preservou isso. A gente preservou, porque você tem que ter uma noção, o plot, o ponto dramático do texto, você tem que respeitar. Senão você está sendo aliviando com a obra de um autor.

Mas tem certas coisinhas que a gente bota ou tira, em função disso que eu falo, principalmente, eu tenho visto muito, eu dirigi um espetáculo há quatro anos, que é um grande sucesso, chamado Casa Comida e Alma Lavada, com a Bia Carinaldi e com o Júnior Andrade, que está viajando. Também da mesma produtora da Ramacria. E o texto, eu lá, eu pirei, o do Ronaldo eu troquei só o final. Lá eu cortei 40% do texto.

E o autor já era meu amigo. E eu falei, Jesus, ele vai me matar. Cara, ele pulou no meu colo de agradecimento. Porque o que eu cortei eram coisas que na época, que nem eu dirigi uma peça também do João Bittencourt.

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chamada Tempo de Canalista na Nossa Cama, que a terapia na época dos anos 70 era uma coisa só para rico. Hoje qualquer um faz terapia. Então tinha um primeiro ato só de terapias que não interessava ao público. Então na última vez que eu montei a peça, eu cortei o primeiro ato inteiro. Já pulei da primeira cena para o segundo ato. A família amou do João, que o João já se foi, porque é o tempo de modernos.

Mas assim, eu tenho muito medo quando eu faço essas coisas em respeito ao autor. Mas eu volto a te dizer, quando são textos mais antigos, se hoje o encenador não tiver uma tesouradinha, não consegue. Precisa de uma modernidade. Pender atenção. É, tempos modernos. Você vê a própria TV aberta, as novelas não se seguram mais na TV aberta.

E os teatros estão cheios, estão lotados. O nosso espetáculo está lotado. A única obra viva acaba sendo teatro. Claro, esse não acaba. Agora você faz... Eu conheço dubladores que estão perdendo emprego. Porque você faz voz artificial. Eu perdi muita coisa, porque eu sou dublador também. E o bendito celular aí que está.

Pois é. O ator sofre mais, porque ele tá na cara do público. É uma exposição, né? Você vê, a própria novela tá indo agora virou novela vertical. Que são novelas curtas feitas pro celular. Então, assim, tudo tá entrando no celular. O teatro não vai entrar no celular, porque não tem como. Só se você botar no palco o quê? E o público quer sangue, né? Ele quer ver o ator ali nesses pontos. E ali a gente tá respirando. Você vê, o Ronaldo contou uma tragédia, mas ele caiu da cadeira em cena.

o momento do ato chatral ele é sagrado porque existe um pacto entre os atores e a plateia o que você vai me dar o que o ator vai dar pra plateia você pode tropear, eu já rasguei a mão num prego, eu já levei uma bengalada aqui, eu já caí de quatro no chão, eu já tive uma dor de barriga no musical que eu fazia com uma roupa assim, isso me ajudou pelo menos, eu tinha uma dor de barriga séria eu já desmaiei em pé eu já desmaiei

numa peça, porque a roupa era muito quente e o ar estava quebrado. E aí, cara, desmaiar em pé. Você acredita? Era eu e Claudio Cavalcante. Eu virei de costas e comecei a fazer uma respiração de cachorrinho, aquela... Pra ver se voltava. E o Claudio olhando pra mim e eu falei, continua, continua, casa lotada, continua. Cara, são coisas que isso nunca... Isso não tem... A IA não vai tirar isso.

É o Teatro Vivo, que mantém casa cheia em Romeu e Romeu, muito bacana mesmo ver essa energia e essa troca mesmo, que é uma comunhão, palco-plateia. O Rogério falou bastante da amizade da parceria dele com o Ronaldo. Você já tinha trabalhado com os dois? Então, era um desejo nosso.

de muitos anos. Somos cariocas, né? Somos cariocas. É, esses cariocas. Eu tô aqui em São Paulo faz 11 anos. Eu há 7. Conheci o Ciro também, que o Ciro é primo de uma professora minha de canto lírico, colocou na escola de canto lá, que tô me formando, inclusive, a Laura de Souza, que faleceu. E também tínhamos esse desejo de...

juntarmos, né? E aí o Rogério, quando eu soube do Romeu, eu mandei uma mensagem pra ele, eu falei, já conheci o texto, eu falei, e aí? Você conheceu o texto? Sim, claro. Essa peça no meio artístico, ela é muito falada. Porque ela teve várias montagens, algumas de certa repercussão forte, né? Então, já tinha uma visão. E o Ronaldo é muito conhecido no nosso meio. O Márcio, além de um excelente ator, tem uma carreira brilhante em teatro. E foi ótimo, porque eu tô muito feliz.

Em cena, o outro ator, o Guilherme Cicelucci, que é um puto ator também, e ele já quer trabalhar comigo há muito tempo. E ele é espírita, tinha interesse de ir para esse caminho, que eu também trabalho muito com esse segmento no teatro. E aí eu falei, Guilherme, vamos brincar um pouquinho? E foi uma delícia. Tem o Pedro Pilar, que é o menino que está na quarta peça que ele faz comigo. E ele é um expoente, um talento, um ser humano, né? A gente fala muito sobre isso. Sim, nossa.

Tem o Wallace Guimarães, que é um ator que foi indicado para o amigo do Ciro, porque ele é bailarino profissionalérrimo. Ele dançou em várias companhias. Ele faz aquele solo no final, né? Tem uns solos que ele faz. E tem o menino que a gente está lançando, que foi uma indicação do Ciro, que é o Juan Alves, que tem 20 e poucos anos, que é uma figura muito bonita no palco. Que é o que abre. Que abre a peça e fecha. Que é o que a gente chama, o personagem, a consciência.

Mas então vocês não tinham... Então você ainda não tinha trabalhado nem com o Rogério, nem com o Ronaldo. E nem os meninos também, então. Não, não. Só o Pedro, né? Não, só o Pedro comigo. Ah, sim. Tem o único contato dali. E Ciro e eu na direção artística. Agora, então...

cinco em cena. Ouvinte, claro, a gente já foi falando aqui um pouco mais sobre a peça, sobre a sinopse, mas então vocês pegam, o Ronaldo pegou a história de Shakespeare e trouxe para dois personagens masculinos, o Romeu e o Romeuzinho. E aí as discussões todas, elas continuam. Os debates todos no palco continuam.

A mãe, o pai, as duas famílias. A questão da religião que tem aquele sacristão, que ele se aproveita do menino menor de idade, a questão da pedofilia, da política também, que se mistura do poder do prefeito, que eu faço as personagens. O Ronaldo denuncia tudo isso na peça. Tudo isso. De uma forma muito suave até, mas está tudo ali. Ronaldo, você escreve todo dia? Você vai tendo ideias, vai colocando no papel? Como que é esse processo todo?

Bom, eu tenho agora muito pouco.

Mas a inspiração, eu prefiro quando eu tenho uma inspiração, uma coisa própria aqui, né? Porque aí eu fiquei muito tempo escrevendo novelas, coisas para a televisão, séries, coisas assim que eu tinha que, era obrigado a escrever o que me pediam, né? E isso me afastou um pouquinho, né? Dessa coisa da inspiração. Agora, quando eu...

Posso, eu tenho a possibilidade, a oportunidade de escrever uma coisa minha, uma inspiração que é minha. Aí eu fico realmente... é outra coisa, é outro resultado. Mas ainda...

Estou escrevendo. Quantas peças? Desculpa, eu vi o seu Wikipedia, fala de 80 peças, é isso? É mais, é menos? É mais ou menos. Você perdeu a conta já de tanta peça, né? Tem um sobrinho que fica contando. É muito texto. Mas é que agora o Sam Brani falou que está escrevendo um pouco menos, porque a gente já descobri ali no elevador, sabe como jornalista fica ali ouvindo as conversas, não é?

Que é a biografia, né? Se você vai conseguir contar toda essa história, tem que ter três volumes, né? Se é uma... Não sei, mas eu acho que sim. As pessoas querem que eu... Quando eu falo que eu estou escrevendo a minha vida, ou coisa assim, as pessoas... Ah, mas você vai contar lá o que aconteceu. As coisas engraçadas, entendeu?

E na hora que eu estou escrevendo, eu dou mais valor para as coisas sérias. E eu acho que realmente, se eu for contar as palhaçadas todas que acontecem em torno e comigo, eu acho que aí daria esse montão que você está falando. Mas tem muita história, né? Tem muita história.

Porque também eu sempre fui muito versátil nessa coisa de escrever comédia, drama. Eu escrevi o primeiro musical infantil. E essas coisas, eu tenho essa liberdade comigo mesmo de variar. E é o que eu mais gosto. Agora, ultimamente, algumas...

Algumas limitações, dificuldades que eu estou tendo, que está me prendendo um pouquinho, segurando um pouquinho. Mas, Siambrano, dessa trajetória toda que você transita muito bem, né? Entre o teatro, a televisão, as novelas, os diferentes formatos, o que mais te pega mesmo? É o palco? É escrever para o teatro? Ou não tem essa de ser melhor e gostar mais de um e de outro?

Eu já percebi que se eu fico longe do palco Eu sinto falta Mas como ator Como ator Porque não é só texto meu O seu valor é um artista completo Ele escreve, dirige, atua, produz O que mais? No começo O que mais me irritava Eram os rótulos Que me davam Eu escrevi Peça infantil Aí eu fiquei como autor de teatro infantil Bem

sempre tinha começado a dizer o autor de teatro infantil que agora é viajando pelo teatro adulto e não sei o que aí depois as meninas eu chamo carinhosamente meninas as atrizes que passaram do do cinema pornô né pro teatro

E elas eram as mais icônicas, né? E, de repente, eu virei o autor que escrevia peças... Por novo. Por novo, entendeu? E assim por diante, né? Então, Dona Ana é um espetáculo que eu faço como ator, e a peça é minha, e já está há 55 anos em cartaz. Então, aí eu fiquei muito tempo... E...

apagando um pouco as outras coisas, não o que eu quisesse, porque também não tenho esse problema, né? Como o Romeu Romeu, Terezinha Jesus, que já foi André, peças que fizeram sucesso, que fazem. Até hoje me cobram de eu remontar a Terezinha Jesus. A Terezinha Jesus...

Foi mais ou menos como o Romeu e Romeu, porque o que eu via no palco, nos textos que pegavam esse tema homossexual, sempre o homossexual entrava como uma piada.

E peças que fizeram sucesso, mas era para ser engraçado. O gay sempre acabava se ferrando na história. Então, eu quis escrever mostrando o lado humano. Terezinha Jesus era um espetáculo que a mulher...

trouxer para que aquela figura da Terezinha na época nem se falava em trance falava travesti, mas não tinha essa coisa que abre portas para o carinho para a atitude mais humana das pessoas, então Terezinha Jesus foi isso, o Romeu também

tanto é que no Romeu Romeu o final que ele no final eu não vou botar, como é que eu vou fazer a história da morte agora porque o gay não vai não vai aceitar essa história né aí eu peguei porque Romeu e Julieta eles morrem né

E aí o que eu fiz? Tem toda essa coisa que é uma farsa, que eles fazem, né? E no final, quando a plateia pensa que eles se mataram, essa coisa toda, inclusive saiu um grupo que veio de alguma cidade, né? Saiu um grupo...

revoltado. Ah, vamos embora, não sei o que, não sei o que lá, as bichas morreram, não sei o que, não sei o que lá. E daqui a pouco, um grita, olha, não morreu não, volta, volta. E no final do espetáculo, eles voltaram pra assistir o resto da peça.

Agora, fiquei sabendo também, além dessa história que eu ouvi no elevador da sua biografia, uma outra que eu ouvi também é que as terças e quartas estão aqui em São Paulo, no Teatro Itália, mas final de semana rodando. É, eu não sei dizer as cidades, mas assim... Dia 20 de maio, dia 20 de maio já vamos estar em Ribeirão Preto, no teatro lá, aquele teatro Pedro II, né? Às 20 horas também, é uma quinta-feira. E no Nordeste já tem uma turnê de duas semanas, isso em julho, mas pelo Instagram...

Você consegue acessar, a gente vai divulgando as viagens, as temporadas. A gente vai estar, ó, dia 20 em Ribeirão Preto, 22 em Petrolina.

de maio. Aí em julho a gente vai pra João Pessoa, Recife, Caruaru, Mossoró, Fortaleza, Teresina. Em agosto a gente tá em São Luís. Já é o primeiro de agosto. Já estamos com essa frente de pauta. E continua, enquanto estiver lotando no Teatro Itália, a gente continua, mantém as viagens de sexta a domingo e fica de terça e quarta no Itália.

Então vamos lá, passar aqui o serviço direitinho, Romeu e Romeu, por essa nem Shakespeare esperava, em cartaz no Teatro Itália, na Avenida Ipiranga, 344, temporada até 24 de junho, às terças e quartas, às 8 horas da noite, ingressos em simpla.com.br, tem uma página aqui no Instagram, é só seguir romeu.eromeu, arroba romeu.eromeu.

Lá tem o link que já redireciona para o site da Simpla, tem as fotos de divulgação, depoimento de quem passou já pelo espetáculo, e aí vai rodar. É só seguir essa página que tem a agenda completa, as cidades todas, no fim de semana aproveitar a sexta, sábado e domingo, rodando por cidades do interior, em outras capitais, outras praças.

Passar aqui o Instagram do Márcio, lá acompanhar também as novidades todas, musicais, projetos. Tem uma amiga querida, né, que eu faço questão aqui de deixar um abraço, Claudete Soares, que é uma amiga. É só seguir aqui, arroba Márcio Lousada.

O A é dobrado no final, Márcio Lousada no Instagram, tem todos os projetos, na música, no teatro. Do Rogério, também aqui, todas as peças que o Rogério dirige, rogériofabianooficial, arroba rogériofabianooficial, tem todas as peças, tem várias aqui que também eu fui já dando, fui maratonando, Nunca Dizesse de Seus Sonhos, Futuro da Humanidade, todas essas já fui assistir, tá lá também no Instagram do Rogério.

e passar aqui do Ronaldo também, arroba Ronaldo Ciambroni, arroba Ronaldo Ciambroni no Instagram. Queria agradecer demais a participação de vocês, passa rápido mesmo, brigadíssimo por dividir as novidades. Feliz em saber o espetáculo estar de volta com casa cheia, viu? Brigadíssimo. Obrigado pelo carinho, pelo espaço. E tudo de bom para todos os ouvintes. Um abraço, até.

E ponto final na edição de hoje do Antenados. Não deixe de seguir o programa no seu agregador de podcast favorito. É só pesquisar por Programa Antenados no Spotify, Deezer, TuneIn, Apple Podcast e ouvir quantas vezes quiser.

A sonorização foi de Cayame Martins e a apresentação foi minha, Danilo Gobato. Obrigado pela companhia, pela audiência e seguimos antenados por aqui. Tchau! Antenados, na Pandeirantes.