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🎙267 - O tênis brasileiro vai virar filme de cinema pelas mãos de Leandro Lima

04 de maio de 202641min
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O tênis brasileiro vai chegar ao cinema. Esse é o projeto de quatro anos que o premiado cineasta Leandro Lima determinou para a realização de um trabalho de fôlego, tentando acompanhar o desenvolvimento das principais promessas nacionais passo a passo.

Inclusão social e empoderamento são temas que Leandro aborda em seu trabalho de mais de 20 anos e ele acredita que isso também vale para o tênis, esporte que passou a praticar há dois anos e se apaixonou.

"Costumo bater bola no Pelezão, que tem quadras públicas aqui na Zona Oeste de São Paulo, e um dia deparei com um morador de rua jogando tênis. Achei a história incrível e percebi que o esporte tem muita história para contar".

Participantes neste episódio2
J

José Newton Dalsim

HostJornalista
L

Leandro Lima

ConvidadoCineasta
Assuntos2
  • Torneio de TênisO tênis como esporte caro e de clubes fechados · Histórias de atletas de origem humilde · Oportunidades e desafios para jovens tenistas · O papel de patrocinadores e apoio familiar · Exemplos de atletas como João Fonseca e Naná Silva
  • Cinema e AudiovisualInício no cinema como técnico de som · Trabalhos como documentarista · Filme sobre André Pederneiras (Dedé Pederneiras) · Documentário sobre o juiz Odilon de Oliveira · Série Sintonia para Netflix
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Podcast Tênis Brasil com José Newton Dalsim. Oferecimento Faberg Tour Experience. Pioneira e líder no mercado de turismo esportivo no Brasil. Olá pessoal, sejam bem-vindos a mais um podcast de Tênis Brasil.

O tênis já chegou muitas vezes às telas de cinema, mas o tênis brasileiro nunca teve ainda essa oportunidade. E hoje vocês vão conhecer Leandro Lima, que tem justamente um projeto para colocar o tênis também no cinema e nas telas da sua casa. Leandro Lima, antes de mais nada, é um grande prazer ter você aqui com a gente no podcast Tênis Brasil.

É, Newton, o prazer é meu. É uma honra, na verdade, poder estar aqui falando com você, participando desse projeto tão importante. Você que é um jornalista, um especialista que está há tanto tempo cobrindo o tênis aqui no Brasil, eu fico muito honrado de estar aqui participando junto com você.

Pois é, a gente se conheceu agora há pouco tempo, nós estávamos ali no Roland Rose Junior Series, ali nos lançamentos e tal, e eu soube até que você fez uma filmagem já no ano passado sobre o evento, e aí que nós começamos a bater papo, você me contou da ideia de você fazer alguma coisa com o tênis brasileiro nos seus vários projetos.

Mas antes de a gente falar, especificamente, do tênis, Leandro, acho que seria legal você se apresentar para o pessoal que está em casa, todo o teu trabalho, que é vasto, né? Você mandou para mim um currículo realmente muito legal, vi vários dos seus trabalhos ali. Conta para a gente como é que o cinema entrou na sua vida, como é que essa produção audiovisual tem feito aí, como você tem feito todo esse trabalho tão legal. Então, cinema entrou na minha vida através da minha mãe. Eu, quando tinha 17 anos, terminando o colégio,

apaixonado por música, pedi para fazer um estágio com captação de som, porque era o mais próximo da música e algo que eu gosto bastante, não toco nada, mas eu escuto. Então, fui para um set de filmagem achando que o som, naquele momento, teria alguma conexão com a música.

e na verdade eu só fui entender mesmo essa correlação anos depois. Eu fiz alguns trabalhos, alguns anos como um estagiário assistente de som, até assinar o primeiro filme como técnico de som, que foi um documentário chamado Estamira, que é um documentário sobre uma personagem que morava num lixão lá no Rio de Janeiro.

Partindo disso, muito conectado na produtora Video Filmes, na produtora do Walter Salles, eu acabei trabalhando com o Eduardo Coutinho, trabalhando com o próprio Walter, com o João Moira Salles, Sérgio Machado, Guilherme Coelho, e assim eu fui fazendo filmes como técnico de som.

fiz os Tropas de Elite, Diários de Motocicleta, Cidade Baixa, O Céu de Sueli, recentemente uma série para Netflix chamada Sintonia, para Globoplay, O Jogo que Mudou a História, entre muitos outros trabalhos. E chegou um momento que eu tive uma necessidade de contar as histórias que faziam sentido para mim, não só estar num set de filmagem ouvindo.

o som e as histórias dos filmes que eu estava ali fazendo a captação de som, mas eu quis também contar as minhas histórias. Em 2016, eu lancei meu primeiro filme, um documentário sobre o técnico do José Aldo, o André Pederneiras, conhecido como Dedé Pederneiras, um filme que foi lançado num sábado à noite na TV Globo, com mais de oito pontos de bop, mais de um milhão de pessoas assistiram um filme, foi uma...

dobradinha assim com o UFC... nessa noite o José Aldo lutou lá no Rio... e após a luta o meu filme passou... o meu documentário passou... então tendo esse... belíssimo alcance. Em paralelo a esse filme... eu comecei uma pesquisa sobre o meu segundo documentário... que hoje está na plataforma da Max... antiga HBO...

É um documentário sobre um juiz federal chamado Odilon de Oliveira. O Odilon prendeu grandes traficantes, importantes traficantes, são importantes ou grandes, ou não sei qual adjetivo dá para eles, mas o Odilon é um juiz federal que tem a cabeça premium, a cabeça dele vale dois milhões e meio de reais, e eu acompanhei a vida do Odilon por quatro anos,

do ano de 2017 ao ano de 2021. No final do 21 o filme lançou na HBO, hoje na Max, e segue em cartaz lá. Então, resumindo um pouco da minha história, vem por esse lugar. Eu tinha o sonho de ser arquiteto e...

Curiosamente, hoje, o meu primo Frederico Guedes faleceu, que foi um arquiteto, um cara que eu admirava muito, e tinha uma paixão ali, sabe, pelo desenho, pela arquitetura, mas nunca tive a capacidade, meu desenho é horrível, sabe, o meu bonequinho é aquele bonequinho de pauzinho, assim, sabe, bem tosco, então o desenho não foi uma arte que...

eu consegui avançar e acabei indo para o cinema... e a partir do momento que eu comecei a trabalhar com cinema... foi uma cachaça... um mosquitinho que me picou... e cá estou eu... picado novamente pelo mosquito do tênis... e fazendo esse filme.

Mas olha, arquitetura, desenho, tem muito a ver com o cinema, né? Uma obra sua, você tem que elaborar os tijolinhos todos ali para construir, né? Com certeza, sim. E esse processo de construção de um filme é um processo muito árduo. Eu, no meu filme, sobre o André Pederneiras...

Eu fiz uma pesquisa de dois anos e filmei por quatro anos. O filme sobre o Odilon de Oliveira, que está no aplicativo da Max hoje. Eu fiz uma pesquisa de quatro anos e filmei por quatro anos também. E agora, no projeto sobre o tênis, eu almejo também acompanhar alguns atletas contando essa história do tênis no Brasil, também por quatro anos, para que a gente possa entender.

o caminho que esses jovens irão percorrer. É natural, dentro do trabalho do audiovisual, desse cinema que você está fazendo, esses projetos serem de longo prazo, é natural esse timing que você está me falando? Olha, Zé Newton, eu trabalhei com alguns diretores documentaristas, o Marcos Prado, o Coutinho, o João Manoel Salles, que são diretores que o Guilherme Coelho...

que vão muito a fundo, querendo entender, de fato, a história desses personagens. O que me chama muita atenção são as histórias das pessoas, e fazer um filme sem acompanhar essas histórias, para mim, não faz muito sentido. Obviamente...

eu posso fazer um filme encomendado, que vai ser mais curto, que tem uma linha cronológica menor, mas o meu intuito sempre foi poder acompanhar o processo. O André Pederneiras, o Dedé, ele manteve o José Aldo por 10 anos campeão do UFC. Então, quando eu cheguei na academia,

e pedi para ele para fazer o filme, eu perguntei quem serão os próximos campeões. Ele me apontou dois atletas, o Renan Barão, que foi campeão do UFC, e o Dudu Dantas, que foi o campeão do Bellator, que é um outro campeonato de luta que tinha.

Então eu entendi que eu precisava acompanhar esse processo. O Dedé deixava a família para treinar os atletas e sempre acolhendo atletas de baixa renda, atletas de comunidades carentes do Rio, do Brasil inteiro, como a história do José Aldo, que o José Aldo chega na academia dele sem condições, com um sonho de ser campeão, e o Dedé acaba...

seguindo esse movimento. Então, quando eu fui fazer o filme sobre o juiz Odilon de Oliveira, eu queria entender como era o dia a dia dele, e acompanhei por quatro anos entendendo que no primeiro ano ele estava ainda trabalhando, julgando, e com uma escolta totalmente ostensiva, e a partir desse primeiro ano ele perde a escolta porque ele se aposenta, se candidata ao governo,

perde essa campanha política e segue por mais dois anos ali com um certo receio do que poderia acontecer com ele. Então eu tenho seguido essa receita, sabe, de poder acompanhar esses personagens e assim ter uma curva cronológica desse momento que eu estou escolhendo observar.

Dá para ver bem no teu trabalho, Leandro, que inclusão social, empoderamento, são temas sempre recorrentes ali, parece que você tem um viés muito claro para esses assuntos. Sim, eu cheguei a esse lugar como técnico de som, premiado, fazendo filmes muito interessantes, porque...

alguém escutou, alguém me deu uma oportunidade, eu sou autodidata, eu não me formei em cinema, então eu tive uma base, um apoio que me faz querer dividir também com as pessoas, eu acredito muito que dividindo a gente soma, e acredito que se a gente tem oportunidade, qualquer pessoa consegue.

Então a gente vive num país que infelizmente poucas pessoas têm oportunidades, e essas histórias, esses projetos que eu venho fazendo, me chamam muita atenção, essa questão das oportunidades, e muito curioso sobre o tênis, que é um esporte de elite, um esporte que sempre teve muito fechado dentro dos clubes.

E eu aqui em São Paulo eu vou muito no Pelezão jogar tênis, que é um parque na Lapa, muito no Vila Lobos. Eu já joguei com um mendigo que foi acolhido pela comunidade do tênis do Parque Pelezão. E esse mendigo joga tênis.

Ele não tem casa, ele não tem casa, ele mora na rua, só que um desses integrantes ali do grupo, o Sérgio, deu de presente para ele um tênis, deu de presente para ele uma raquete, são quadras de saibro ali que a gente joga no Pelezão, tem duas quadras de saibro e uma rápida, mas a gente joga sempre nas quadras de saibro. E eu comecei a perceber que é possível, com a oportunidade,

até um mendigo jogar tênis, né, não desmerecendo quem mora na rua, quem não tem condição, mas é sobre, de novo, essa oportunidade. E isso, cara, me chamou muita atenção quando me deu a vontade de fazer o filme no ano passado, né, eu jogo tênis há dois anos, eu venho do Jiu-Jitsu por causa do filme, comecei a fazer Jiu-Jitsu no segundo ano que eu estava filmando, o Dedé me deu de presente um kimono e falou, cara,

Você já está aqui há dois anos treinando, filmando e vem treinar com a gente. E aí comecei a treinar, cheguei aqui em São Paulo. E a Academia Nova União, que é a Academia do Dedé, só existe em Guarulhos, aqui em São Paulo. Então eu moro aqui na Vila Leopoldina, na Zona Oeste, é longe. E vou voltar todo dia para treinar. E o Jiu Jitsu tem uma questão muito como o futebol, dessa rivalidade dos times, das equipes.

Então sempre que eu chegava numa academia, me matriculando e tentando conhecer, eu falava, olha, eu sou um cineasta que comecei a treinar, porque eu fiz um filme, um filme com a equipe Nova União, o Dedé, todo mundo conhece a equipe Nova União, todo mundo conhece o Dedé, só que todo mundo queria me provar que aquela equipe que eu estava treinando era melhor do que a Nova União. Eu nunca fiz um exame de faixa, eu sigo faixa branca, nunca quis fazer um exame de faixa, o Dedé insistia para eu fazer, mas...

De novo, eu estava ali fazendo um filme, eu estava ali querendo me conectar com os atletas, tenho uma relação muito próxima com alguns atletas de MMA que estavam no UFC, alguns que estão ainda, e para mim não é importante mudar de faixa. De certa forma até me arrependo, entre aspas, mas eu falo, pô, se eu tivesse mudado de faixa, talvez hoje eu estivesse muito próximo a ter uma faixa preta, porque fazem quase 10 anos que eu lancei esse filme.

Então, de tanto me machucar, para provar que a minha faixa branca era uma faixa de respeito, eu desisti do Jiu-Jitsu. Eu falei, ah, eu vou buscar outro esporte. Tenho dois filhos que são atletas, hoje o Miguel...

Ele joga no beat soccer do Botafogo, treina com alguns atletas da seleção brasileira de beat soccer. O Francisco estuda na UERJ, estuda direito, mas também totalmente ligado ao time de futebol de direito da UERJ lá no Rio. E eu sinto uma necessidade de acompanhar os meninos, que têm 19, 20 anos, eu tenho 46. Então, eu quero me manter ativo.

Eu falei, a gente mudou para um condomínio, eu e minha companheira, aqui em São Paulo, que tem uma quadra de tênis, tem aula de tênis. Eu falei, por que não experimentar o tênis? Sem dúvida. Então foi um processo que foi muito natural, sabe, começar a jogar, fazendo essas aulas.

me apaixonei desde o primeiro momento que eu fiz a primeira aula de tênis, e depois, quando eu tive condições de ir num parque e dizer que eu podia jogar com alguém, conheci esse grande personagem, que é um morador de rua, que jogava junto com a gente, falei, caraca, que legal isso, eu quero poder contar um pouco essa história do tênis.

E aí fui parar no Roland Garros Júnior no ano passado, com a minha câmera de Super 8, querendo filmar os jovens atletas com esse olhar dos anos 60, 50, com essa nostalgia da película, que hoje é muito difícil ainda ser usada, porque estamos na era digital. Então eu fiz essa brincadeira de filmar em Super 8.

E fui calorosamente abraçado pela Confederação Brasileira de Tênis, pela equipe de Roland Garros, o Aymery, que desde o primeiro momento ele me deixou muito à vontade, me ofereceu uma credencial para estar não só filmando da arquibancada, porque eu estava ali com aqueles convites, aqueles ingressos que a gente consegue na internet.

E assim eu comecei uma relação hoje, estou muito próximo do Raul Mor, para que a gente possa usar esse material do Memorial de Tênis Brasileiro, e parabéns você também, Zé Newton, pelo seu trabalho junto a essa história, porque é impossível contar a história desses jovens que estão chegando hoje.

com um nível impressionante... sem contar sobre quem veio antes da gente. Então... eu estou muito empolgado, muito feliz com o acolhimento que eu tive... através dessas instituições.

Sem dúvida, porque acho que esse apoio é importante. Você que não é uma pessoa normalmente do ambiente do tênis, que não está dentro dos campeonatos o tempo inteiro, para você, obviamente, chegar e conseguir começar um trabalho e se identificar com as pessoas é um processo um pouco mais difícil. O tênis parece muito aberto, mas no fundo você vai descobrir que ele é um mundinho bastante fechado com determinadas situações. Então, acho que essa...

Teu aval via confederação, essa ajuda do Memorial do Tênis, que você citou, o Valmorelias, que é o presidente do Memorial, acho que são todos pilares aí bons para você construir. Mas qual é a tua ideia desse projeto, Leandro? Olha, a minha ideia e meu sonho é acompanhar jovens atletas, já estou em contato com algumas famílias, algumas equipes.

para que a gente possa não interferir nos treinos, não interferir no dia a dia desses atletas, porque são crianças, né? A Dudinha, que foi campeã esse ano, lá daqui do evento de Roland Garros, Sérgio, tem 13 anos de idade. Então, não dá para que a gente pense, que a gente tente querer.

interferir ou se aproximar com tanto afinco... como eu me aproximei do juiz Odilon de Oliveira... como eu me aproximei do Dedé, do José Aldo e dos outros atletas. Então o meu intuito é... acompanhar essas rotinas desses atletas... durante um período de aproximadamente quatro anos... e em paralelo a isso... vir desenhando a história do tênis aqui no Brasil... para a gente chegar...

nesse momento dos jovens, e entender aonde chegarão esses jovens. Porque, com o exemplo hoje do João Fonseca, que tem 19 anos e está entre os 40 maiores tenistas do mundo, 40 talvez, se eu não me engano, no número da posição dele. Está 31, né, Corre? 31. 31, olha só. O João hoje com 19...

com 19 anos ele está entre os 35 melhores tenistas do mundo. Então, isso é muito importante, eu acho, para essa conexão de outros jovens, para essa adesão do tênis como um esporte muito incrível que fez com que a minha cabeça mudasse completamente nesses dois anos que eu venho jogando.

No meu trabalho, na minha vida, eu nunca tentei ser melhor do que ninguém, porém, com os filmes que eu fiz eu fui premiado algumas vezes, só que no tênis, se você não entra querendo ganhar, você pode perder e o outro vai ganhar.

Então é muito bonito ver quando termina um jogo de tênis, o carinho que tem entre os dois tenistas, ou as duas tenistas, ou as duplas, porém durante o jogo eles não se olham, eles vão sentar ali no banco, não tem um sorriso, não tem um carinho, porra, tamo junto, não tem nada. Cada um tá ali no seu foco.

buscando a sua vitória, independente dessa amizade que existe nas quadras. Então, uma frase que eu falo muito, Zé Newton, que é o afeto afeta, eu acho que foi nesse lugar que o tênis me pegou e eu consegui dividir com a Confederação Brasileira de Tênis.

com o Valmor, com a Emeric, com você... rapidamente naquele dia no hotel ali durante a cerimônia de abertura do evento... para a gente se conectar e estar aqui hoje. Então, mais uma vez, cara, eu te agradeço a sua atenção.

Quero muito poder jogar tênis na hora do almoço com você em algum momento. E assim a gente conseguir construir um novo momento do tênis no Brasil. Porque mesmo o Guga sendo o campeão que ele foi...

o tênis não teve uma adesão naquele momento como está tendo hoje. Imagina o João Fonseca sendo um campeão de um grande slam, de um Master 1000, enfim, já temos 250 da Argentina.

ele campeão de duplas agora no Rio Open, o Guto Miguel chegando também com 17 anos, se eu não me engano, a Naná, a Vitória, a Pietra, o Pedro...

A Dudinha, o Léo Storck, é uma safra muito, muito boa. O Paulo, esqueci o sobrenome dele agora, que me chamou muita atenção, que é um filho de empregada e de servente de pedreiro. Sabe o que eu estou falando? Paulo de Brasília, é isso que você está falando? Isso aí, esqueci o sobrenome dele. Cara, eu vi uma entrevista dele, e quero muito chegar nele para poder falar sobre o filme,

Ele dizendo que quando ele era pequeno, estava começando a jogar, a mãe dele falou... filho, esse esporte é um esporte para rico, não um esporte para a gente. E aí ele falou assim... mãe... os ricos jogam por esporte, por hobby. Eu vou jogar para mudar a nossa vida. Ele é um atleta que tem, se eu não me engano, 28 anos. Ele... tem uma jornada ainda incrível.

mas ele está sendo observado, ele está conseguindo a partir de apoio de marcas, de pessoas que contam passagem, dessa conexão muito verdadeira entre as pessoas, porque muitas vezes é isso, um patrocinador, um empresário quer saber do rendimento, de quanto vai vir. Cara, estive conversando lá no Clube Harmonia.

com um dos patrocinadores da Dudinha, que tem 13 anos, eles apoiam a Dudinha desde os 10 anos de idade.

Isso para mim é incrível, porque, de novo, eu tenho filhos que são atletas, e é muito difícil você conseguir que alguém olhe e tenha esse cuidado desde pequeno, a não ser que seja o novo Neymar. E no tênis é difícil, porque é um nível muito parecido, você vê jogando a Dudinha com a Maria Eduarda, ou a Natália Torrinho.

13, 14, 15, 16 anos... está igual. Não dá para entender muito aonde elas vão chegar, como que eles estarão quando adultos... e esse é o intuito do filme.

Legal, olha só para o pessoal estar em casa, o Paulo de Brasília, o Leandro da Zevenina, é o Paulo Saraiva, que tem jogado muito bem, que tem uma história realmente muito legal, acho que é uma história que se pode levar para o filme, sim. E, aliás, eu ia até comentar com você, Leandro, que acho que são aspectos muito distintos do tênis brasileiro, que você também pode abordar, ainda mais que você tenha essa abordagem tão social, que você pega dois mundos completamente distintos. Então, João Fonseca...

que é uma pessoa que tem um background financeiro familiar extraordinário, que tem muito dinheiro, que construiu uma estrutura específica para ele se desenvolver, nada contra isso, só que isso não é a realidade do tênis brasileiro. Ele desenvolveu uma estrutura toda para ele, como se fosse uma academia para ele poder treinar, porque no clube...

ele jogava, que era o Hilltelander Country Club, não havia essa possibilidade, então se montou uma estrutura, estrutura completa, para que ele pudesse se desenvolver, e obviamente isso deu muito certo, né, e aí você pega num outro pilar completamente oposto, a Naná Silva, a Ana Ana Silva, que é uma, muito humilde, que tem um pai,

professor de tênis que a levou, Paulinho, que a leva pra quadra e tal, desde o comecinho, começou a jogar em quadra pública, que ainda mora em comunidade aqui em São Paulo. Então são dois universos, e a Naná, hoje já, com seus patrocinadores, com seu sucesso, né, cada dia crescendo mais no circuito. Então você vê que você tem dois extremos aí, né, do...

de um profissional milionário, com uma condição de vida muito boa, que ele pôde colocar ali no tênis e tal, e a Naná completamente oposta. Ele pega apenas dois exemplos, porque nós vamos ter um monte por aí, como você acabou de dizer, do Paulo Saray. Então, eu acho que esse contraste é muito curioso, porque as mesmas dificuldades que você vai passar em termos de crescimento técnico, a Naná também vai. Claro que ele tem uma facilidade, que é ter muito dinheiro.

Então você pode construir uma equipe multidisciplinar que ele tem hoje. Ele viaja, um garoto com 18 anos, viajar um mundo com uma equipe multidisciplinar, como ele faz, pai e mãe ainda acompanhando, é uma coisa extremamente rara em qualquer parte do mundo. Nenhuma outra estrutura no mundo inteiro, um jogador pode se dar o luxo disso. Tem uma condição...

para fazer isso, é muito difícil. E você vê o outro lado, a Naná, com muito menos condições, graças a Deus agora ela tem o apoio da Rede Tênis, que ajuda muito, e ela também vai galgando seus passos. Então, dá para contar muita história, Leandro. Com certeza, mas você vê, por exemplo, a Naná fechou recentemente com o Itaú. Isso. E o Paulinho, a Naná estava na Espanha.

e o Paulinho estava lá na harmonia, junto com a família da Maria Eduarda, que eles treinam juntos. O Paulinho, que é o técnico e pai da Naná, não foi para o campeonato importantíssimo que a Naná foi convidada para participar, possivelmente por causa de recursos, imagino eu. É, muito provável, não tenho ideia exatamente, mas é possível.

Porque eu acho que o Paulinho ficaria ali na Harmonia, a Naná indo jogar um Master 1000 convidada na Espanha, por toda a trajetória, por todo o caminho que ele vem construindo com ela, mas isso mostra também que é possível, mesmo uma menina...

de uma família carente, conseguiu chegar no Itaú. Hoje tem um patrocínio, a rede de tênis. Mérito dela, mérito deles. Mérito dessa vontade de fazer, de acreditar e seguir em frente. Então, isso me chama muita atenção também. É, e nós temos várias outras histórias no tênis brasileiro, né? O pessoal um pouquinho mais antigo vai se lembrar disso, de jogadores que começaram como...

pegadores de bola, uma entidade que praticamente não existe mais do tênis brasileiro, infelizmente, mas começaram lá pegando bola, sem nem entender absolutamente nada das regras do tênis, então nós temos um monte de gente que teve um sucesso incrível na carreira, se você pensar bem, o Julinho Silva, para dizer um exemplo bem mais recente, o pessoal vai se lembrar facilmente, o Julinho Silva começou a pegar bola com 13 anos, ele não sabia nem quem era tênis com 13 anos de idade.

e o cara chega a ser 150 do mundo, saindo de uma condição financeira bem difícil que ele tinha, quer dizer, é uma coisa extraordinária, é um baita de um exemplo de sucesso, né? E você tem muitos outros, Givaldo Arbosa, Júlio Góes, Edivaldo Oliveira, o Alcides Procopio, que era esse que foi homenageado lá no Harmonia, ele era filho do dono do bar do Harmonia. Olha, eu tô arrepiado aqui. Me conta. Não, eu ia falar exatamente isso, assim, eu não sabia disso, é...

a importância que ele tem nessa expansão do nosso tênis para o mundo, da construção do Banana Bolt comparado com o Orange Bolt, e ele era filho...

do dono do bar, que arrendou o bar num clube harmonia, e mesmo assim foi possível. Clube de elite, de total elite em São Paulo. Sim, sim. Então, realmente é possível, e essa história tem que ser contada, porque eu acredito que o Paulinho, pai da Naná, acreditou desde sempre por isso.

Porque tinham exemplos, tiveram outras pessoas que conseguiram também. Então, ele, imagino eu, né? Ele olha e fala, cara, não é só a família bem-sucedida que consegue fazer com que o seu filho ou sua filha atleta consiga chegar lá.

porque a gente tem outros exemplos aqui no nosso tênis... e eu acho que isso é muito sobre a história do nosso país... Muito. Danilton... sobre como nós fomos roubados... escravizados... e... até hoje é uma história mal contada. Sim.

Perdemos a nossa autoestima e é um país que nunca valorizou cultura, esporte, educação, nunca valorizou devidamente esse processo todo. Por isso que o esporte brasileiro ainda, e vai eternamente sofrer, eu não consigo imaginar, precisa até olhar menos para o futebol, que é um esporte de enorme sucesso, que é o que mais dá dinheiro no Brasil, mas quantos vêm lá da base, quanto vêm da pobreza, quantos jogadores conseguem galgar posições?

através dessa dificuldade toda. Então, o esporte brasileiro, e o tênis é muito curioso por isso, né, Leandro, porque ele é um esporte de elite, extremamente caro, não dá, hoje se faz um cálculo, e olha, nos Estados Unidos, esse cálculo é feito ainda no Brasil, para você ter um juvenil, treinar um jogador juvenil e levá-lo às portas do profissionalismo, a família tem que gastar 100 mil dólares.

não é pouco dinheiro, né? Isso é um investimento médio. Mil dólares médio. Isso é o padrão do mundo inteiro, né? Você tem viagem, você tem treinamento, você tem equipamento, você tem toda uma dedicação que a família tem que dar pra criança. Então você imagina uma pessoa que hoje, como se conta do morador de rua, que obviamente o esporte deve ser a décima prioridade dele, né? Porque ele precisa sobreviver acima de tudo.

Então, nós vemos uma realidade muito difícil de você tocar, né? Então, o tênis, que hoje é um grande sucesso no Brasil, graças aí à Bia Dade, à João Fonseca, à Luiz Estefani, que estão lá no topo, né? Mas ele tem uma base muito difícil também, né? Que muita gente se perde no meio do caminho, porque ela não consegue aguentar essa dificuldade que ia chegar na carreira, né? Então, aí você tem, olha, você tem um universo de histórias aí extraordinário para você contar, viu, Leandro?

Não, é verdade, é verdade. Eu queria muito ver o seu trabalho, essas coisas, porque acho que essa realidade do tênis brasileiro, que acho que muita gente conhece lá em casa, mas dá para esmiuçar muito bem, vai ser muito legal de você abordar nesse aspecto do impacto social que ele carrega. Não, e uma curiosidade aqui, eu conversando com a Alessandra, a mãe da Luísa Stefani, né, ela contando que a família toda joga, e aí eu perguntei para ela, eu falei, mas você que levou a Luísa,

Ela falou, foi. Eu comecei a jogar e falei, vamos jogar todo mundo, e de repente eu fiquei para trás, a Luiza virou a campeã que ela é hoje, medalhista olímpica, acho que é um grande feito aqui no esporte, no nosso país, conseguir alcançar essa medalha olímpica.

Mas, de novo, é um esporte muito... Você sabe que a família da Luísa, quando ela conseguiu mudar para treinar nos Estados Unidos, ela tinha 15 anos, eles venderam tudo que eles tinham aqui para ir para lá acompanhar a menina, né? Venderam tudo. Então, também é uma história também difícil. Não foi nada fácil para ela conseguir chegar lá. E com 15 anos eu não tenho certeza de nada, né? É um risco total. Aí você vê, e hoje...

E hoje eles têm lá um projeto social em Paraty, que está abraçando jovens, que está fazendo essa inclusão através do esporte. Então você vê, é uma troca muito bonita, que durante a partida os atletas mal se olham, mas quando termina tem esse carinho, esses dias eu vi uma...

uma entrevista do Meligeni falando como era legal perder para alguns atletas... e aí ele deu o exemplo do Guga... ele falou... cara... eu perdia para o Guga... o Guga vinha... porra... o Meligeni... você viu... eu dei uma bola lá no fundo... porra... esse meu saque... o Meligeni imitando ali o Guga... é isso cara... durante o jogo... estava um querendo ganhar do outro... até o último ponto... porém...

existe uma troca de carinho, uma troca de afeto e essa parceria que eu acho muito bonito no tênis. Porque no futebol tem uma competição muito acirrada, meu filho Miguel é goleiro, e ele treina muito, goleiro é uma função também que é muito individual e é de muito treino, e ele tem os amigos no time, porém...

Um querendo ser melhor do que o outro o tempo inteiro, mas tem parceria, acaba o treino, o Miguel sempre fala, pô, estou aqui com o Pedrão, que é o outro goleiro lá do Botafogo, o Bitsoc, é da categoria dele, que quando acaba o treino eles estão juntos, vão tomar um açaí, vão ajudar a desmontar lá o campo, ali na praia de Copacabana.

essa conexão do esporte, essa relação de parceria, eu acho muito interessante.

E é, sem dúvida. Eu acho que isso se fundamenta muito, Leandro, no respeito que você tem, porque você sabe que o outro, teu adversário no futebol, ou no tênis especificamente, tem um enorme sacrifício pra chegar até ali. Você sabe que ele não foi nada fácil pra ele chegar até naquele ponto em que ele tá competindo com você, ainda mais nós estamos falando em esporte de alto rendimento, então mais ainda, né? Então existe o respeito porque você sabe que todo mundo passou por...

muito problema, muito perrengue, mesmo os que têm dinheiro passam por perrengues, obviamente, ao longo da sua carreira. Então acho que esse respeito vem disso, de você saber que todo mundo batalha muito. Então você vê as entrevistas dos tenistas pós-jogo, mesmo agora no nível profissional lá em cima, todo mundo sempre fala, olha, parabéns para a sua equipe, parabéns pelo teu trabalho, nós sabemos o quanto você treina, o quanto você luta, porque, exceção feita alguma rusga muito pessoal, todos eles respeitam pelo trabalho que eles desenvolvem.

Sim, sim, realmente é fascinante isso, né, acho que esse exemplo do João Fonseca nesses jogos com o Cine e com o Alcaraz, os dois foram falar super bem do João, desse momento dele, o jogo com o americano jovem também, me fugiu o nome, é... É...

Ben Shelton também sabe que é outro garoto também que está ali disputando e poderia ter uma questão de cotovelada né são jovens promessas que estão chegando mas não.

uma entrevista muito bonita, assim, no fim do jogo, eu acho incrível isso. Sem dúvida, o tênis coloca muito isso, e achei bem legal isso, o tênis desde os primórdios, desde lá atrás, quando o tênis foi criado, em 1877, aquela questão de você se cumprimentar depois do jogo, você termina o jogo, você tem que cumprimentar seu adversário, acho que isso é um negócio muito legal. E aí depois, desculpa. Imagina.

Não, mas aí depois de se cumprimentar, quem perdeu às vezes pega a raquete, quebra a raquete e fica puto. Verdade, verdade. Mas vai lá, antes de quebrar a raquete, ele vai dar um abraço, vai agradecer, vai dizer que foi ótimo, vai cumprimentar o juiz. Vai elogiar geralmente o adversário, jogou bem, bem jogado. Mesmo aquela coisa muito simples ali, bem informal, mas bem jogado, parabéns. Ele existe esse respeito, eu acho isso muito legal.

Isso o tênis ensina muito, né? Acho que o valor do tênis, essas questões de disciplina, de bom comportamento, de companheirismo, o ambiente social, o tênis ele forma um cidadão muito bem estruturado, viu, Leandro? É verdade, e eu tô vendo isso na pele, porque de novo, eu jogo há dois anos, eu jogo há dois anos só, tenho 46 anos, com uma...

ideia de vida, posicionamento muito formado, e... o tênis... fez com que minha cabeça mudasse completamente, Zé Newton, completamente, e está sendo muito legal a cada dia aprender mais e dividir um pouco o que eu aprendo, e também... aprender com quem sabe mais, porque nem todo mundo quer ensinar...

Mas é muito legal isso, porque às vezes na quadra, muito jogando dupla, as pessoas estão dispostas a dividir. Obviamente quando você vai jogar simples, até quando acaba o jogo, o parceiro fala, ó, bike range ali, abaixo do joelho, sei lá, o slice. Mas na dupla tem essa troca durante o jogo também e é muito legal.

Sem dúvida nenhuma. Você já se apaixonou pelo tênis? Não, está tudo bem, Leandro. Você já pegou o vírus do tênis? Completamente, completamente. Leandro Lima, nós vamos seguir acompanhando aqui o teu trabalho pelo Tênis Brasil. Obviamente, nos colocamos à sua disposição para que você precisar de ajuda.

de conhecimento, de bate-papo, de você precisar conhecer pessoas e entrar nos meandros do tênis, obviamente a gente se coloca à disposição, certamente você vai ter ajuda de muita gente também legal do tênis, confederação, memorial, os clubes, os dirigentes, os técnicos, os treinadores, principalmente aqueles que vêm mais de baixo, estão sempre muito abertos para bater papo, acho que você vai encontrar ainda um ambiente muito legal no tênis para você desenvolver o seu trabalho.

Mas ficamos aqui à sua disposição e vamos cobrar você, que daqui a quatro anos, que mais ou menos você projetou aí, nós vamos querer saber como é que terminou o seu projeto, que certamente vai estar muito legal. Não, com certeza pode cobrar e estar dividindo com você, Zé Newton, durante esse processo, porque estar aqui divulgando esse trabalho, dividindo com...

com as pessoas em casa, um pouco sobre essa história do tênis, tem sido muito interessante eu assistir algumas das suas lives, das suas entrevistas, e de novo, eu acredito que essa conexão e essa troca real, ela pode nos levar a lugares inimagináveis.

Muito obrigado. Leandro Lima, muito obrigado você pela tua presença aqui no podcast Tênis Brasil. Parabéns já pela tua carreira excepcional e sucesso nesse projeto com o tênis. Valeu, um abração. Podcast Tênis Brasil com José Newton Dalsim. Oferecimento Faberg Tour Experience, pioneira e líder no mercado de turismo esportivo no Brasil.

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