#694 - Cacau [Ex-jogador da Seleção Alemã e ídolo do Stuttgart]
A Charla de hoje é com Cacau, lenda da bundesliga pelo Stuttgart e ex-jogador da seleção alemã.
- Títulos e conquistas no StuttgartCampeonato Bundesliga 2007 · Rivalidade com Schalke 04 · Última rodada dramática · Recuperação espetacular · Mentalidade do time · Pressão e alívio
- Carreira na Bundesliga alemãChegada na Alemanha aos 17-18 anos · Quinta divisão · Times de migrantes · Naturalização alemã · Primeira divisão · Desenvolvimento como jogador
- Trajetória de vida e origemInfância em Santo André e Mogi das Cruzes · Pobreza e dificuldades familiares · Alcoolismo paterno · Papel da mãe como sustentadora · Futebol como escape da realidade · Resiliência e superação
- O Papel da Fé e EspiritualidadeBíblia como refúgio · Música e louvor · Igreja na Alemanha · Momentos de desespero · Conforto e força espiritual · Oração e perdão
- Primeiros jogos profissionaisJogo contra Levereceisen · Dois gols na estreia · Pressão como estreante · Encontro com Roberto Carlos · Transição para primeira divisão
- Desafios iniciais na AlemanhaSalário baixo (250 euros/mês) · Clube declarou falência · 7 meses sem receber · Vida com amigos · Persistência apesar da dificuldade
- Filosofia e PensamentoNunca voltar atrás · Sempre ser o melhor · Humildade de origem · Dedicação constante · Foco no futuro · Resiliência diante de obstáculos
- Adaptação ao futebol alemãoDiferenças técnicas · Marca registrada: chute de longe · Treinamento intenso · Clima e condições · Primeiro inverno na Alemanha · Aprendizado de paciência
- Reconciliação familiarMorte do pai · Violência doméstica · Perdão paterno · Apoio da mãe · Relacionamento com irmãos · Copa do Mundo 2010 com família
- TreinadoresImportância da posição de treinador · Estilo de liderança · Metodologia de treino · Relacionamento com jogadores · Comparação: Felipão vs Mourinho vs Pep
- Naturalização e seleção alemãProcesso de nacionalização · Cerimônia oficial de germanização · Apelido Helmut · Participação na Copa do Mundo 2010 · Comparação Brasil vs Alemanha
- Analise Jogadores TecnicosFutebol do passado vs futebol moderno · Mentalidade e disciplina · Sofrimento no treino · Falta de personalidade atual · Influência da metodologia · Desenvolvimento infantilizado
- Enfrentamentos memoráveisJogo contra Barcelona · Cristiano Ronaldo Champions League · Roberto Carlos no Leverkusen · Puyol e defesas fortes · Ronaldo Fenômeno · Ibrahimovic
- Domínio Técnico e CompetitividadeHegemonia de títulos · Investimentos financeiros · Distância entre clubes · Comparação com contexto brasileiro · Necessidade de trabalho estruturado
- Transicao Administrativa GovernamentalSaída de campeões · Novo ciclo 2010-2014 · Mudança de estilo de jogo · Copas 2018 e 2022 · Dificuldade em recriar dominância · Falta de liderança
É o Charla Podcast. Seja muito bem-vindo ao nosso programa, Beto Júnior. Ó, check, mais uma realização, né? Que coisa sensacional. Estamos... Eu vou falar o nome antigo, pode ser? Pode. Antiga Mercedes-Benz Arena, em Stuttgart, na Alemanha. Espetacular. Na área VIP do estádio. Irmão, chegamos, beleza? Aqui é a sala do CEO, amigo. Estamos aqui no topo do poder, né? É isso, é isso, cara.
Sensacional, cara. Olha esse estádio absurdo. Quando a gente chegou aqui, eu falei, cara, um estádio lindo, né? Muito, muito bonito. 60 mil lugares. Uma arena, assim, um brinco, uma joia. A gente teve acesso no jogo à área da imprensa. Uma área maravilhosa, um espaço para a imprensa trabalhar incrível. Sem contar a estrutura do estádio, o entorno. E agora estamos conhecendo aqui esse espaço que é absurdo também. É outro patamar, né?
A gente está no futebol alemão, Europa. A gente fala muito do Brasil, mas a gente está tendo contato.
Tô vendo que é a realidade, né? 60 mil lugares foram aqui e a seleção alemã por vezes joga aqui também. Grandes jogos na Alemanha aqui. E casa do Stuttgart, que foi um momento muito bom, né? Tá terminando sempre ali entre os três primeiros. Sim, a gente viu o jogo, né? Por exemplo, e a gente viu o jogo com a vitória de 4x0 em cima do Wolfsburg. Exatamente. E o time jogando muita bola, o time muito habilidoso, o time toque de bola.
Tá entre os líderes do campeonato, né? Sim. Voadora no peito do like. Quanto mais likes a gente tiver pra mais gente aparecer.
esse nosso episódio, beleza? Manda aí a sua mensagem que eu leio aqui no ar. E outra parada, cara, o Charla está em Stuttgart nesse estádio espetacular. Então dá o like aí. Charludo, que é Charludo de verdade. É, tá mostrando tudo aqui, né? A galera tá vendo aí um... Um espetáculo. Beto Júnior, você está aqui. Me recorta e assiste essa vista maravilhosa aqui. É isso. Charludo, que é Charludo. Segue o Charla em todas as plataformas. Então você que segue no YouTube, você tem que seguir a gente no
Spotify e você que segue no Spotify tem que assistir no YouTube também, né? Exatamente, não dá mole. Você que já faz o Shala, seu podcast esportivo mais ouvido e assistido no Spotify do Brasil, se você é do YouTube e não tá lá no Spotify, vem pro Spotify pra dar essa moral pro Shala. Se você tá no YouTube e a gente tem mais de um milhão de inscritos, você sai do Spotify e vem pro YouTube pra assistir a campanha dos dois milhões, né?
Batemos um milhão, mas não paramos por aqui, né? Não paramos por aqui. Seguinte, arroba Shala Podcast
as redes sociais, Instagram, TikTok, Twitter e também no Kawaii. Beleza? Tamo junto. Cara, com a gente, um dos maiores ídolos da história desse clube. O embaixador. O embaixador. O título de 2007 é pesado demais e a camisa está aqui. Simplesmente um manto. Essa é a camisa do título, né? Relíquia, amigo. Sensacional. E, cara, um brasileiro que tem uma história fascinante, né? Joga uma Copa do Mundo pela Alemanha. Incrível como é respeitado aqui. Sim. Onde vai?
sensacional. E eu falo, o futebol é um instrumento de ascensão social. Acho que dos mais potentes. Não foram mais potentes, né? O esporte e o futebol criam pontes assim, destrutíveis, pra tirar as pessoas de uma situação, de uma realidade difícil e colocar em outra situação. Ídolo da história do Stuttgart, jogador de Copa do Mundo pela seleção da Alemanha. Palmas pro Cacau com a gente no Chala Podcast. Cacau, que honra receber você com a gente, cara.
coisa sensacional. Seja bem-vindo ao Charlo. É isso. Um prazer e uma alegria grande e emocionante também estar aqui falando com vocês na minha nova casa, no meu novo país, no estádio onde muita coisa aconteceu. Espero poder contar um pouco das histórias, de muitas histórias que passaram aqui. Obrigado pelo convite. Obrigado por poder estar batendo esse papo com vocês. Cara, pra começar, Cacau, assim, ontem já conversando e no que você falou, a gente participou de uma coletiva
Cacau, sensacional. E você falava sobre a sua origem, né? Então vou começar por aí. De onde você é no Brasil e como é que você começou a jogar futebol? Cara, eu nasci em Santo André, na ABC Paulista, mas fui criado em Mogi das Cruzes. Então fui cedo pra lá com a família, na época com a minha mãe, meu pai e meus irmãos, os dois irmãos. E comecei a jogar futebol ali. Na época jogava muito em casa, então eram dois irmãos.
o irmão mais velho era atacante, eu era atacante, então o mais novo tinha que ir pro gol, pra defender as nossas... Então a gente tinha essa alegria, o prazer de estar jogando ali sempre em casa, e com oito anos eu disputei meu primeiro campeonato de futsal, na época, então foi a primeira competição, primeira experiência fora de casa, então a partir dali veio essa, não a paixão, a paixão veio antes, mas essa coisa de competitividade,
de sair fora. Então, a partir dali, comecei a jogar futsal, comecei a jogar alguns campeonatos também, depois, no campo, ali na cidade de Mogi das Cruzes, na época, no Clube Onze Unidos, chamava. Então, ali foi onde tudo começou. E perguntava pra você, se sua infância no Brasil, como é que era? Se era uma infância difícil, se era tranquila, enfim. Vocês querem já começar emocionante, né? Cara, uma realidade difícil.
Talvez a realidade de muitos jogadores no Brasil. Não venho, por assim dizer, de uma favela, mas uma realidade bem pobre. Minha mãe trabalhava como faxineira. Hoje, infelizmente, eu perdi minha mãe o ano passado, em abril. Mas minha mãe foi a principal apoiadora, a principal lutadora para a gente, como família, poder chegar onde chegou. Então, tinha o problema que meu pai,
ele tinha problema com álcool, então problema psicológico, psiquiátrico. Então foi internado 15, 20 vezes e a gente vivia uma realidade ali de violência doméstica e tudo em casa. E o único escape era o futebol. Então a gente conseguia, através do futebol, sair daquela realidade do dia a dia. Então minha mãe saía para trabalhar, às vezes a gente ficava sozinho,
a casa e jogava bola o dia inteiro, aí no fim da tarde minha mãe chegava do trabalho, a gente via ela na esquina, os três saíam correndo pra dar aquele tapa ainda no final pra tentar enganar ela e depois ela sempre falava pra gente que ela deixava um tempo lá, ficava conversando com as vizinhas pra a raiva não ser tão grande e dá tempo de a gente arrumar ali, então nessa realidade a gente cresceu
pobre ali do bairro e tudo. Então, o nosso escape era o futebol. Eu lembro que meu irmão falava, ele trocou de colégio, foi para eu estudar no colégio no centro da cidade, um colégio mais bem estruturado, SESI, em Mogi das Cruzes. Então, ali, tipo, as pessoas, a maioria são filhos de pais que trabalhavam na indústria. Então, como que vocês integrarem? O bom que tinha o uniforme da escola, então todo mundo igual.
E aí, no primeiro dia de jogo, ele jogava bem pra caramba, jogou, deitou. Então, todo mundo queria que ele jogasse no time. Então, através do futebol, ele conseguiu entrar também ali na parte social da escola. Então, tanto no menor, ali na escola, quanto depois, com tudo que aconteceu, o futebol realmente ajudou a gente a atingir outros objetivos. Isso é importante falar, porque é uma realidade de muitas famílias.
Muitos? No Brasil, né? Você tem a questão do alcoolismo, que é algo que tem que ser tratado, algo que tem que ser, enfim, cuidado. E você tem a questão da mãe, praticamente mãe solo, né? Que tem que gerir a família e... Trabalhar. Trabalhar, exatamente. Pra o tempo de estar fora de casa e as crianças em casa. É, exatamente. Então isso é uma realidade que acontece muito e infelizmente nem todas as crianças que crescem nesse ambiente conseguem essa...
estabilidade depois, né? Eu ia te perguntar, Cacau, você... Ontem, a gente conversando um pouquinho nessa conferência que teve aqui no estádio, você dizia de como você teve quando chega na Alemanha que se... De abraçar tudo isso aqui, uma cultura chegou muito nova, né? É, pra poder vencer, né? Você tinha isso na cabeça, tinha que vencer. Isso tudo foi forjado nessa história que você contou, imagino, né? O que você tinha que fazer desde moleque, tendo uma infância com parte lúdica,
futebol, mas com responsabilidade já desde cedo. Isso já te talhou e te preparou pra chegar aí e ter esse desafio que você teve aqui na Alemanha. O seu sonho já era assim, quando você jogava futebol, cara, vamos mudar a vida da minha família por aqui? De novo, como o sonho de muitos, era o meu sonho óbvio, né? Então eu assistia muito futebol, gostava de futebol, então eu queria, através disso, ajudar a minha família. Não pensava no que poderia levar, eu queria, na verdade, simplesmente
a realizar o sonho e dar uma vida melhor pra minha família, principalmente na época pra minha mãe. E vocês tocaram um ponto extremamente importante. Por um lado, foi uma realidade difícil, foi algo que eu olhando pra trás, eu não quero que meus filhos, nem que outras crianças vivam essa realidade, mas no final foi uma realidade que me preparou pra viver e pra vencer como eu venci aqui na Alemanha. Então minha mãe sempre falava,
lembro e soa até hoje a voz dela na minha mente. Ela falava, tipo, não importa onde você está, você tem que ser o melhor. Então eu estava lá no time do bairro, eu tinha que ser o melhor. Ela estava no time melhor da cidade, tinha que ser o melhor. Aí na época eu fui jogar na base do Palmeiras, tem que ser o melhor. E o que eu aprendi com isso? Que eu não necessariamente era o melhor do time. Não era essa questão, mas é que eu tinha que tirar o melhor de mim.
Isso me fez sempre avançar e sempre vencer e depois conseguir conquistar o meu espaço aqui na Alemanha, porque eu não estava satisfeito com aquilo ali. Eu vim aqui para a quinta divisão, era só o caminho, o processo para chegar onde eu queria chegar. Então, sempre dando o melhor, sempre lutando, tipo, várias adversidades. Antes de chegar e conquistar o meu espaço aqui na Alemanha, eu joguei na quinta divisão,
aqui da Alemanha. Então, até um time de imigrantes, um time turco em Munique, então comecei a jogar lá. Então foi o caminho de abertura aqui na Alemanha pra eu poder ter esse espaço no futebol. Então, ali a questão era simplesmente poder jogar e ter a documentação pra estar legal na Alemanha. Tem alguma cena da tua infância que fala assim, cara, eu não posso voltar aqui, tem que mudar tudo o que aconteceu.
Na verdade, praticamente tudo. Um dos lemas que eu aprendi, inclusive, com uma pessoa que é tanto ídolo no esporte quanto como pessoa, que é o Jorginho, lateral direito, campeão do mundo com o Brasil, e ele sempre falava que, tipo, não esqueça de onde você veio. Então, com essa frase, duas coisas acontecem. A primeira é, não esquecendo de onde eu venho, eu falo, tipo, nunca mais quero voltar lá.
Então eu vou fazer de tudo. No momento de fraqueza você vai lembrar daquilo lá e não ceder. Não vou voltar, eu vou vencer. Então dá o passo disso aí. E não lembrar de onde eu vim também traz a humildade, que é lembrar lá de onde estava, das pessoas que estavam lá, as pessoas que ajudaram, as pessoas que apoiaram. Então é uma frase com, por assim dizer, um duplo sentido, que dá uma alavanca pra sair e que dá o chão, a humildade pra poder voltar lá também.
aqui, e é uma entrada no futebol europeu muito diferente. Você chega na quinta divisão, num time de imigrantes. Como é que foi o tempo que você ficou nesse time e como é que você sai dessa divisão e você é pensado já para o Nuremberg, já para a primeira divisão? Ou você ainda passa pela B? Como é que faz essa trajetória até chegar na primeira divisão alemã? E como é que você vai parar na Alemanha assim, do nada? Na época, pulando um pouco, dando um resumo,
Joguei três anos na base do Palmeiras, aí com 16 anos, quando era pra jogar o Paulista Sub-17, chegou um novo treinador, então dispensou a maioria dos meninos, eu fui um deles, e aí, tipo, praticamente com 16 anos eu tava na rua, sem uma perspectiva de um clube bom no Brasil, sem jogar um campeonato paulista ou algo desse tipo, tipo, sonhando em ser profissional. Então, tipo, tudo lutando contra. É, desmoronando, né? Tipo, e aí foi a primeira vez que eu pensei, poxa, meu sonho,
desmoronando e eu não vou conseguir chegar onde eu quero chegar. E essa dispensa, e aí, tipo, de novo, né, o papel da minha mãe. Eu cheguei em casa triste e tal, aí minha mãe falou, levanta, vai lá, liga pro treinador, que era seu treinador no Palmeiras, pergunta se ele tem espaço no time onde ele tá, vai lá e corre atrás. Não dá pra ficar lamentando agora, tipo, que foi dispensado e sem saber onde você vai poder jogar, onde você vai poder se desenvolver. Aí fui lá e fiz, depois fiz teste no nacionalismo,
Joguei dois meses no Nacional lá em São Paulo, que era um time conhecido na época de base. É forte. Cheguei a jogar um jogo do Campeonato Paulista na época contra o Santos. Meu único jogo numa arena importante no Brasil, que foi na época na Vila Belmiro. Era sub-17 no Campeonato Paulista. Aí, tipo, joguei lá, só que na época financeiramente estava ruim. Aí eu saí do Nacional e fui jogar num...
que era praticamente uma escolinha de futebol e fizeram um projeto com, na época era time de empresários, tipo fazer uma peneira, pegar os melhores jogadores e colocar esses jogadores nos times ou do interior ou até da capital. Tinha um que falou fazer uma peneira para colocar no Corinthians, para levar lá para fazer uma avaliação e tudo. E aí fizemos essa avaliação, tínhamos um time bom, só que acabou não dando certo, mudou a diretoria do Corinthians na época, então não fomos levados lá.
Aí, meu irmão e um outro amigo meu, que depois jogou na Ucrânia, até na seleção, eles foram levados para o Independente de Limeira. Aí fizeram a avaliação lá e ficaram jogados. E na minha categoria, tipo, não tinha, não teve essa avaliação. Então, eu fiquei jogando praticamente numa escolinha de futebol, com 17, 18 anos. O campeonato... Já é a hora da virada, né, cara? Isso, tipo, muitos, hoje em dia, principalmente, com 17, 18 anos, já estão jogando lá em cima.
Eu tava lá na, tipo, praticamente na Várzea de São Paulo, jogando no campeonato. Nem era paulista, era... A gente chamava de meio que... Não é Copa São Paulo de Juniões, mas Copa São Paulo, assim, na região. Então jogava na Zona Leste ali, São Miguel, Itaim Paulista, ali em Ferraz e tudo. Itaquera. Itaquera. Tipo, era toda a região que a gente jogava contra os times ali no meio da favela. Ali é madeira, hein? Escola para atacante.
Aí eu lembro, pô, jogando ali, você tinha que jogar bem, mas não podia jogar muito. Pra não humilhar os caras. Então, tudo isso foi me forjando, mas era a minha realidade com 17, 18 anos. Aí quando eu tava jogando nesse time, o meu treinador, na época, ele tinha um primo que morava em Munique. E aí eles fizeram contato nas férias. Treinador, cara. Treinador, o primo dele morava em Munique, ele era músico. E aí falou com ele, ah, você...
tá lá na Alemanha, tem um moleque aqui que joga bem, leva ele pra lá, ele gostava de futebol, leva ele pra lá pra fazer um teste e tudo. E aí chegou isso no meu ouvido, eu falei, é, Alemanha, tipo, eu tô jogando aqui na Varz, em São Paulo, vou lá pra Alemanha. Aí as conversas foram evoluindo, o dono da escolinha de futebol ajudou e depois na época realmente aconteceu, eu vim pra Alemanha fazer um teste e me pagaram a passagem, tudo, era pra ficar duas semanas, fiquei dois meses fazendo avaliação, fiz avaliação nesse time,
da quinta divisão. Bom nome do time. É Turku 2 Menchin, que é um time da quinta divisão. Tipo de imigrantes, eu até trouxe uma coisa aqui pra lembrar. Como minha mãe faleceu, tipo, a gente foi arrumar o armário dela e eu achei essa relíquia lá e trouxe aqui pra vocês. Esse é a camisa do Turku 2 Menchin. Pode arrepiar, cara. Esse aí é da quinta divisão na época da Alemanha. Sensacional. Então aí as cores aí muito da Turquia, como
Vivem muitos turcos na Alemanha e na região de Munique. Essa camisa foi a primeira da história ali na Alemanha. Isso é um troféu, né? Não vou falar o nome do time. Turc Gutsu. Turc Gutsu. É tipo meio com... Gutsu. Turc Gutsu. Muito maneiro, cara. Cara, que coisa sensacional, cara. Essa aqui é a moedinha de 50 centavos do tio Pati.
Barra da Ana pra lembrar. Exatamente. Que maneiro, cara. Como é jogar a quinta divisão da Alemanha? Imagina que é. Então... Mais madeira do que a barra do Brasil. É, então, foi... São os processos que te levam depois a chegar lá onde você pode chegar. Então, eu cheguei lá, eu falei, pô, jogar a quinta divisão na Alemanha, né, vamos ver. Tipo, os caras tudo grandes, 1,80m, 1,90m, zagueiro forte, tudo.
Campo Lama. Até no campo que a gente treinava era um campo bom, era uma graminha. Tipo, eu vim da Varsa de São Paulo. Então qualquer coisa... Aí era a quinta divisão alemã. Isso, comparado com hoje, é ruim, mas na época era muito bom. Treinando lá, foi uma escola. Indiscutivelmente, foi uma escola de preparação, jogando aqui numa divisão menor.
a realidade era, tipo, eu precisava de uma documentação pra ficar na Alemanha. Então, era um time, tipo assim, um time onde eu podia jogar, conhecer o estilo de jogo e poder ficar aqui. Pô, mas no treino os caras batiam muito, os caras não entendiam o jogo. E aí foi quando eu comecei a perceber que eu tinha que mudar ou diversificar o meu jogo. Que se eu ficasse com aquela parte técnica do Brasil, tentando dar o drible e tal, fazer uma tabela,
tudo, eu não ia vencer. Isso é mais objetivo. Isso, eu tinha que me adaptar. Eu falei, putz, como que eu posso fazer isso? Aí eu comecei a aprender. Tipo, tinha que correr muito, roubar a bola, roubar a bola e já finalizar, chutar de longe, que depois ficou uma das marcas registradas minha aqui na bunda. Você desenvolveu quando chega aqui. É, porque eu tinha que fazer. Pô, no Brasil era aquela tabela de driblar o goleiro, fazer gol, dar um tapinha por cima do goleiro. E aqui, tipo assim, eu não chegava a essa situação. Pô, eu pegava
ganhava a bola, quase não tinha bola na quinta divisão, pegava a bola de 20, 30 metros, pegava e batia no gol. Pagar o aço de fora. Voltar pra marcar. Pô, o treinador pegava no meu pé, volta pra marcar, volta pra marcar. Falei, pô, eu tenho que vencer aqui. Não é o estilo de jogo que eu gosto. Mas eu tenho que fazer pra poder avançar. Então eu aprendi a voltar a marcar. A parte tática também de fazer o trabalho ali junto com a defesa pra poder estar bem estruturado, estar com uma linha
as linhas mais próximas pra poder ganhar espaço. Então tudo isso eu fui aprendendo na quinta divisão. Parte tática também, né? Isso. E aí foi uma boa escola porque, entre aspas, eu não tinha pressão. Eu tinha pressão pessoal. Sim, de vencer. E até uma história lá na época. Na época eu ganhava 500 marcos por mês. Mais ou menos 250 euros por mês. E aí, tipo, é nada. Vivia sozinho ou viveu com alguém? Eu vivia na casa desse amigo
que abriu as portas lá. E aí eu vivia com ele, então tinha toda a parte de alimentação lá. Então esses 250 era o primeiro que eu ganhei, até uma parte eu mandava pra minha mãe, e aí cumpri um celular pra ter a comunicação na época. E depois de três meses o clube declarou falência. Então tipo, não recebia dinheiro nenhum mais. Eles podiam continuar jogando a liga, mas eu não recebia nada. Tinha salário? Não tinha salário. Colaborador.
sem receber. Nada, zero. Como é que tu viveu aqui? E aí, tipo, eu vivia, né? Esse amigo... Tinha o básico, né? Tinha alimentação, tinha moradia. E aquela coisa, né? De novo, era a preparação pra poder chegar. Tipo, a sua pergunta foi extremamente pertinente, né? Importante, tipo, olhar pra trás e falar, putz, lá eu não posso voltar, eu não quero voltar. Então eu tenho que passar por essa realidade aqui pra poder avançar e ter uma oportunidade no futuro.
com frio, com coisas novas? Pô, eu fui treinar em janeiro, que era voltando das férias de inverno. Pô, cheguei o campo tudo branco. E aí eu falei, pô, vai ter uma palestra e vai voltar pra casa. Os caras tudo se trocando, colocando tênis, chuteira e treinando em cima da neve. Pô, em outubro, tava mais ou menos 10 graus, 9 graus. Pô, meu pé deu bolha, eu pedi pro treinador pra eu sair do jogo. O treinador me xingou um monte. Pô, nunca substituí um jogador porque tava com bolha no pé.
E aí, tipo, passando frio, sem dinheiro, e só o sonho. Você pensou em algum momento assim, cara, vai dar isso aqui, melhor voltar? Cara, eu tive bastante noites e tardes no meu quarto, e eu lembro que era meu quarto, eu tinha na época um Walkman, eu ouvia bastante música, louvores, e eu tinha minha Bíblia. Então esse era o meu refúgio.
momentos mais difíceis, onde talvez eu pensava em desistir, eu ia ali, pegava a Bíblia, lia um versículo que me dava força, e tudo isso, e os amigos na época, eu conheci o pessoal na igreja, onde a gente tinha essa conversa, foi o conforto e a força para eu não pensar em desistir. Hoje, olhando para trás, eu agradeço a Deus por ter encontrado essas pessoas, por ter recebido
que eu lembre, eu pensei, vou voltar, eu vou desistir. Mas teve muita noite de choro, teve muitos momentos ali de tristeza e de pensar, poxa, como que eu vou conseguir passar essa situação, como eu vou conseguir vencer pra chegar no objetivo que eu quero chegar, que não é só vencer pra mim, né, pessoalmente, é também vencer pra minha família, pra ajudar minha mãe, pra ajudar meus irmãos e tudo. Cara, sensacional isso, porque é uma história muito diferente, né, cara?
É foda, Cacau, porque eu não passei um décimo do que você passou na tua vida. Mas identificando parte de carreira, já me imaginei momentos assim de não vai dar. Mesma intervenção da sua mãe que você disse, eu também tive. Continua, faz, tenta, não vai ser esse obstáculo que vai te parar.
E você falou agora de ficar no seu quarto ouvindo música, louvor. Eu não sou religioso, mas tive momentos na carreira que estava achando que não ia dar. E ouvi muito também e me ajudou bastante. Não sei se você dá uma centrada na tua energia interior. E, assim, as coisas aconteceram. As portas se abriram. Está aí na tua frente aqui, o embaixador do Stuttgart.
E ouvir você contando como é que foi essa trajetória é um exemplo muito forte. Acho que é um... A gente poder transmitir essa mensagem, poder transmitir essa história para a eternidade, isso aqui vai ficar, né? Para as pessoas que estão... Para os jogadores, para os garotos, para os jovens, para quem está tentando não só ser um jogador de futebol, mas tentando ser alguém na vida. É um prêmio para a gente absurdo.
É uma história muito bonita, parabéns. Obrigado, eu estava me segurando até na emoção, mas realmente é algo fora do normal. Eu gosto de contar, eu fico feliz de saber também, eu sei da história de vocês, no final ninguém sabe o que passou realmente ali, em quatro paredes, no quarto e tudo, mas a gente sabe que no final a gente acaba sendo exemplo até para pessoas
que a gente nem conhece e nunca teve contato. Cara, você agradece a mim, eu agradeço a vocês de poder contar com bastante detalhes a minha história. Fico triste, por um lado, de minha mãe não poder ver e vivenciar essa realidade, porque ela foi a principal pessoa que fez que eu chegasse onde eu cheguei. Infelizmente, depois de um longo tempo de luta,
nos deixou ali em abril do ano passado, mas eu sei, eu sou muito grato, eu sei que ela deixou marcas na nossa vida, na minha vida, na vida do meu irmão, no final, adiantando um pouco a história, ela teve na África do Sul, assistiu a Copa do Mundo lá presencialmente, a disputa de terceiro lugar, até mesmo, eu falei do meu pai, da história dele, meu pai faleceu já há um tempo a mais, 4, 5 anos, meu pai teve na África do Sul também,
Porque no meio do caminho eu também percebi, eu tava no dilema entre, pô, o que eu faço? É meu pai. A gente passou essa história triste, difícil pra ele. Fico com raiva ou perdoa? Aí tipo, no meio do caminho eu falei, eu decidi perdoar, porque no final é meu pai, é meu sangue. Eu agradeço muito a minha mãe também por causa disso, porque tudo que passou, até meu pai teve parte de violência contra minha mãe, mas mesmo assim, minha mãe nunca falou mal do meu pai pra gente. Ela nunca criou barreira pra que a gente tivesse contato com ele.
E isso ajudou também a gente poder ter esse relacionamento com ele, poder perdoar o que ele fez. Então, depois poder ter vivido isso, poder ter colocado em prática aquilo que eu aprendi também na palavra de Deus, na minha própria família e poder viver essa realidade. Pô, meu pai, minha mãe, meus irmãos estavam lá no estádio na África do Sul assistindo o jogo. Então, pra mim, isso é a maior realização que eu tive com toda a história que a gente teve.
Então, obrigado vocês por dar essa oportunidade, a plataforma de poder contar essa história,
que muitos passam por isso, muitos vivem essa realidade. Se você me perguntar, pô, por que foi você? Eu não vou saber responder. Eu sei que tem dedicação, tem que ter qualidade, mas no final eu acredito que é Deus também preparando o caminho e trazendo até onde eu pude chegar e no final pra ser exemplo também pra muitos outros que viriam depois. Quem não vai emocionar tá vendo errado. Palmas pro Cacau.
Mais exemplos desse, né? Não só no esporte, como na vida, né? Porque a gente vive hoje em dia uma crise... Uma crise humana, né? De valores, né? De valores e tudo mais, então... Saber o que importa. É lógico, e assim, ter uma história como essa do Cacau de merecimento, de gratidão, de resiliência, assim, é mostrando que... Porque a gente tem uma juventude que tá, assim, às vezes se apoiando em... Já que se é pra ter um ídolo, né?
que não seja seu pai e sua mãe, que tenham ídolos como o Cacau, que tenham que mostrar o que dar de exemplo pras pessoas. É uma história incrível. Não é por nada
Não foi por acaso que você, quando chega no palco do futebol, você atropelou. Aí é fácil. Depois de uma construção dessa, chega no filé, chega no creme de la creme, você vai desfrutar. O pior já passou, realmente. Às vezes eu até falo na história aqui na Alemanha e muitas vezes não consegue imaginar. Poxa, foi tão duro. Foi duro, foi difícil e tudo, mas foi a época que forjou.
sobre pressão e tudo. Pô, jogar aqui com 50, 60 mil pessoas. Cara, é claro que é uma pressão gostosa, mas é uma pressão gostosa. Você venceu o desafio. Pô, a pressão maior, o desafio maior ficou lá atrás. É o que preparou pra poder chegar até aqui, de novo, terminando. Até a quinta divisão foi a preparação pra depois chegar. E essa pinçada, essa saída daí? Como é que você usou a palavra, aliás, a expressão,
creme de la creme. Como é que você sai da quinta divisão e vai pra cá? Na época, né? Pra chegar na bunda de cima. Essa primeira divisão, né? Eu tava jogando lá na quinta divisão, aí o time tava mal, na primeira fase a gente, no primeiro turno, távamos ali em primeiro lugar, aí o time financeiramente ruim, a maioria dos melhores jogadores saíram, então a gente começou a cair e começou a lutar contra o rebaixamento. E eu não podia sair
do time. São várias divisões na Alemanha, desculpa. Eu diria que vai até talvez décima, décima primeira, não consigo. Mas hoje em dia mudou o sistema, porque colocaram uma terceira divisão profissional. Então, na época, somando as divisões, elas vão ficando cada vez mais regionais. Mais bairro, quase. Isso, exato. Então você tem a nacional, que é a primeira, segunda e terceira. Depois a quarta já fica por região. E a quinta fica mais...
estreito possível, então vai ficando mais... E os times podem subir? E os times podem subir, tipo, e aí vai vencendo as ligas, vai construindo pra poder chegar lá em cima. Eu vi que tem um time, o Heidenheim, que tem o Frank Schmidt, né? Isso, exato. Técnico há não sei quantos anos. Ele vem lá de baixo. Vem lá subindo com o time. Exatamente. Exatamente. A história é essa. O Heidenheim na época, o Hoffenheim também teve uma história parecida pra poder chegar. É, no ano que você narrou, eu até assisti um jogo com você,
eles ganharam o Bayern né uma loucura exatamente lateral esquerdo muito bom da seleção da Alemanha esqueci o nome Lourinho esqueci jogava no Heidenheim Heidenheim eles ganharam do Bayern com o Harry Kane jogando assim é então tipo foi o time de o time de uma cidade bem pequena que tipo ganhou do super poderoso Bayern de Munique então jogando essa divisão lá embaixo aí claro o objetivo era sempre isso aí na época eu cheguei a fazer um teste
no Bayern de Munique não deu certo e aí a gente teve contato com um scout do Nuremberg pra poder ir no time B porque todos os times tem o time da Bundesliga e o time B que joga geralmente a quarta ou a quinta divisão e o Nuremberg o segundo time jogava a quarta divisão mas já era uma melhor estrutura na minha cabeça era um time ali pra poder chegar no primeiro no final eu soube depois que
praticamente não tem nada a ver. Cada time tem o seu e só se você se destacar muito, você acaba chegando lá. Mas na minha cabeça não tinha barreira, era só pular o muro do treino. Aí você não tem a pressão ou essa barreira tão alta. E aí ele foi ver um jogo, eu lembro que falou, pô, não dá pra avaliar aqui, o nível é muito ruim, ele falou. E aí eu acabei indo pra o Nuremberg pra poder fazer um teste. Eu fiz o teste no...
No time B, o time deu, tipo, logo depois do segundo treino, o treinador falou, não, eu quero esse jogador, aí me deram um contrato, e aí começou um pouco essa vida mais profissional, porque o time B do Nuremberg, eu tinha um salário ok, onde eu podia viver daquilo, podia pagar meu aluguel, podia ter o dia a dia, e a perspectiva de estar num clube que se eu fosse bem, eu ia poder chegar na primeira equipe.
aprendizado da minha mãe, tipo, você tem que ser o melhor ali pra você onde você tá, e aí foi o que eu fiz tipo, eu perguntava pros caras lá, e aí você já jogou, já treinou com o profissional não, não, lá é difícil, o treinador eu falei, pô, você tá aqui, tem que destacar pra poder chegar lá, então esse foi o primeiro passo, e aí depois de três meses, teve uma confusão no time, eles quatro cinco jogadores por conta de disciplina ou indisciplina treinaram num grupo separado
e aí pegaram os melhores da equipe B pra treinar junto com eles. E aí eu tava treinando ali nessa fase na frente do treinador do profissional. Por conta dessa indisciplina dos jogadores e tudo. E aí eu pude me destacar. E aí foi quando eu tava na cara deles. E aí eu pude ter oportunidade de jogar no profissional e tudo. Então em maio eu joguei a quinta divisão e em novembro eu tava estreando na Bundesliga. Cara!
Em maio, quinta divisão. Em novembro, na Bundesliga. E você vê como é que as coisas têm que acontecer. Acontecer. Eventos aconteceram, situações de disciplina e tudo mais. Pra te colocar naquele momento onde o técnico tava ali pra te olhar. Então, quando tem que rolar, assim, você vai tá num lugar que tem que tá. Pra fazer uma cagada. É. E aí, a rodação tem uma reação. Saiu, o cara que eu pôde treinar e o técnico viu. E nesse técnico de ver, já é o...
Klaus Augenthala. É um zagueiro bem conhecido do Bayern de Munique, foi campeão do mundo em 90, com a seleção alemã. Só uma história também, na primeira equipe, ele treinava junto com o time, ele era o melhor do time com quase 50 anos. Então, tipo, era o cara batia de direita, de esquerda ali. E aí ele que acabou vendo o jogo do segundo time, me dando a oportunidade de treinar com o profissional e aí poder jogar o primeiro jogo
na época em casa, contra o Hansa Rostock. E depois, em novembro... Caraca, Hansa Rostock. Esse time não sumiu o time. É, agora está, acredito, na terceira divisão. Acabou caindo. E aí, depois, teve dois jogos onde eu não fui relacionado. E aí, uma outra história que bate também com o que você falou, os eventos que acontecem. O Paulo Rink. Paulo Rink, Atlético Paranaense, jogou na seleção alemã. Paulo Rink e Oséas. Era, exatamente.
de ataque absurdo. E aí ele tava jogando no Leverkusen, foi emprestado pro Nuremberg. E aí na época a gente tava jogando junto e tudo. Me ajudou bastante no começo. E aí tinha uma cláusula no contrato de empréstimo do Leverkusen com o Nuremberg de que se ele jogasse contra o Leverkusen, o Nuremberg tinha que pagar 400, 500 mil. O Nuremberg não tinha dinheiro, tava lutando contra o rebaixamento. Ele não pôde jogar. Tinha vários outros atacantes que estavam machucados ou suspensos nessa lista.
E aí foi a oportunidade que eu tive de jogar contra o Leverkusen. Foi o Leverkusen que foi vice nos três campeonatos que disputou. O Neverkusen, né? Chegava no vencido. O Wissenkusen, né? Wissenkusen. Que foi no final dessa temporada que jogaram a final da Champions League contra o Real Madrid. Foi a temporada 2001, 2002. E perde o campeonato alemão na última rodada. Exatamente.
Aí eu estreiei como titular, jogando contra o Bayer Leverkusen. Tava Balak, Bastogs, Roberto, Lúcio, tipo o Ulf Kirsten, só jogador top. E aí eu cheguei lá, e aí uma história incrível também desse jogo. Fui lá, o primeiro jogo que eu joguei, joguei sem nome na camisa, pelo Nuremberg. O segundo tava como Barreto na camisa. No estádio tava Jerônimo, que é meu segundo sobrenome. E todo mundo me conhecia como Cacau. Então, tipo, eu tava lá na lista do jogo,
Como titular, ninguém sabia quem eu era. E aí, pô, marquei dois gols nesse jogo. O primeiro, o gol de sobra. E o segundo, peguei a bola no meio do campo, aí driblei o Lúcio. E aí, fiz o gol de fora da área. E aí, tipo assim, exatamente, exatamente. Esse é o meu pensamento. Tipo, o cara é jogador de seleção. Aí, tipo, você poder estar ali no meio, fazendo gol. No final, a gente acabou perdendo de 4x2 esse jogo.
Mas eu fiz os dois gols e aí foi a ascensão pra Bundesliga. O segundo é golaço? O segundo é golaço. O segundo é driblando, no meio do campo recebo a bola, aí vou pra cima do Lúcio, eu driblo ele, aí vou levando, o zagueiro vai recuando, recuando, aí eu chuto de fora da área, mais ou menos ali 18, 19 metros no canto, aí foi o gol pro 2x1 na partida e no final acabamos perdendo. Cara, que sensacional. Você fez 88 na liga, na Bundesliga aqui.
Foi mais ou menos isso. Mais de 300 jogos. Com o Nuremberg e o Stuttgart. Algum brasileiro, nesse jogo, tinha Zé Roberto, Luz, chegaram pra você, pô, moleque, tu é bom aí, cara. Cara, a gente já, né, os brasileiros são muito unidos nesse sentido. Na época, um apoiava o outro. E com o Zé Roberto tinham uma relação seria demais, mas a gente se conhecia, assim, por amigos em comum. E aí, inclusive, foi bem interessante. Eu fiz o gol e levantei uma camisa, escrito,
Jesus te amo. E aí o Zé Roberto fez o gol logo em seguida, um a um, levantou a camisa também sem a gente saber. E depois do jogo a gente foi lá, se abraçou e deu parabéns e falou, pô, sucesso pra você. E no futuro vai ser um futuro promissor e tal. Cara, que sensacional. Pô, sensacional. Pô, tô arrepiado aqui, porque aí você já entra na Bundesliga, assim, da quinta divisão pra primeira divisão, dribulúcio, faz dois gols e é o jogo que muda a sua vida, eu imagino. É o jogo que muda,
Muda a minha vida e muda a minha história dentro da Alemanha, no futebol alemão, porque a partir dali, tipo assim, eu tava dentro do jogo. Ou eu continuaria no Nuremberg, que não foi o caso, ou iria pra um outro clube pra fazer a história. Nesse teu primeiro jogo, você ainda tava muito fresco do que você jogava embaixo, né? Nas quinta divisão. O que você passou na quinta divisão te facilitou nesse futebol?
Por exemplo, imagino que o jogo era mais aberto na primeira divisão, mais tocado, mais franco, e você encarava defesas mais baixas na primeira divisão. Sem câmera. Além disso, madeirada. Isso tudo, você se sentiu logo de cara, assim, pô, pelo que eu jogava onde eu tava, esse ambiente aqui é maravilhoso, né? Vou voar. Falou realmente a voz da experiência, porque às vezes não é arrogância falar, mas é a realidade. Às vezes é mais fácil você jogar na primeira divisão
a divisão do que numa equipe a divisão. O jogador fala isso. O cara bate muito, você não tem espaço, você recebe a bola, os outros não te entendem. Pô, ali em cima, ainda mais por eu ser novo, ninguém me conhecer, eu pegava a bola e os caras pensavam, deixa esse cara aí. E aí você tem esse espaço, né? Tanto que é um gol que eu nem sei se tenho ainda em vídeo, mas pô, eu vou do meio de campo, vou pra cima, tipo, ninguém marca, ninguém chega em cima. Pendo obra de marcação.
Pô, na quinta divisão já teria dois zagueiros quebrando, já no domínio de bola o cara ia estar em cima. Então realmente poder jogar com os caras melhores e com o time melhor que deixa mais espaço, acaba sendo no final mais confortável, principalmente pra mim no começo que ninguém me conhecia, por grama melhor, o campo maior e tudo, com mais espaço, acabava sendo entre aspas mais fácil. Isso aqui, gente, é pra quem tem futebol, né? Você em casa achar que...
Jogar aqui no Pelada. Vai ser mais fácil. Eu tô aqui no meu bairro. Pô, Madeira. Vou agora no Maracanã. Jogar no tipo de divisão. Vai se voar, não. É pro cara que joga bola, né? Tô aqui na Pelada. Jogar terro. Difícil, pô. Jogar no Flamengo. Agora eu vou voar. Agora, Cacau. Aí você faz história nesse clube que é fantástico, assim, né? Inclusive, eu vou fazer um estrago na loja já, já. Cartãozinho dele daqui, já assim. Cara fantástico. Stuttgart.
automobilismo na Alemanha, né? Você tem várias marcas, Mercedes-Benz, Porsche, exatamente, que são daqui, né? É uma cidade muito desenvolvida, tudo mais, e um estádio pra 60 mil pessoas, um clube, na Alemanha pode-se dizer um clube gigante, né? Gigante elite, né? Primeiro eu queria saber, assim, pra ser ídolo desse clube, você teve que se inserir na cultura alemã, assim, de modo de vida, e o que, principalmente, você teve que mudar na sua vida,
porque a gente observa você agindo aqui. Você é um alemão. O que você teve que mudar para se adequar à sociedade aqui e se isso facilitou você ser um ídolo de um clube desses? Com certeza foi um processo. Na época eu tinha a proposta do Dortmund, eu tinha uma proposta do Leverkusen, tive proposta na época do Wolfsburg, 860 de Munique, que depois acabou.
caindo de 1860. Exatamente. Divide o estádio Bayern, né? Bayern, exatamente, Aliança Arena. E aí, eu decidi pelo Stuttgart, na época o Félix Magath era o treinador. Por quê? Não foi por causa dele. Não. No final, realmente não. Você adorava correr. 12 quilômetros por jogo. Isso, apesar que no começo eu pensei, pô, o cara deve ser um cara que puxa muito, mas não
é tanto, pô, no final foi pior do que eu imaginava. E aí, mas o que que me levou a decidir pelo Stuttgart? Eles tinham um time muito jovem, né, então na época eles eram conhecidos por isso, classificaram no final pra Champions League com um time com jogadores de 19, 20 anos. Então eu falei, pô, se é um time que aposta em jovens, eles querem me contratar, eu vou ter minha chance lá. E aí aquela coisa de construção e de ter passado na escola pra
poder resistir os momentos desafiadores que aparecem no meio do caminho. Por quê? Pô, cheguei aqui, aí comecei jogando, aí tinha outros atacantes, o Kurani tava aqui na época. É o Kurani de Petrópolis, ok? Exatamente, exatamente. E aí eu cheguei e falei, pô, tem outros atacantes agora do nível mais alto, um da seleção da Hungria, onde a gente disputava posições. E aí, no começo, eu comecei a não jogar. Jogava e não jogava, jogava e não jogava.
não jogava mais. Alguns jogos históricos aqui na época Champions League, a estreia do Cristiano Ronaldo na Champions League foi aqui em Stuttgart. O Stuttgart ganhou de 2 a 1 contra o Manchester United na época Van Nistelrooy. E o Cristiano Ronaldo aqui não teve um jogo brilhante. Ele mudou muito como jogador, né? Sim, com certeza. Na época ele era bem mais individual e tal. E aí depois ele se adaptou também. E aí o que que... Esse é um jogo histórico pro Stuttgart, só que pra mim não tem
a mesma história, por quê? Porque eu não joguei. Eu não joguei esse jogo, eu fiquei muito bravo. E aí, no final do primeiro turno, eu recebi uma ligação do diretor, ou meu agente, do Hertha Berlin, falando, pô, a gente tem interesse em você, você não tá jogando a N-Stuttgart e tal, você não quer vir pra cá depois de seis meses. Então a história poderia ter sido outra se eu aceitasse esse convite. Do Hertha. Do Hertha Berlin. E aí, no final, parei e falei, não, pô, eu cheguei aqui seis meses,
mês, eu não vou desistir no primeiro desafio. Então, de novo, a escola me levou a ser resiliente pra poder passar pra situação. Depois, no final, a gente terminou bem, eu voltei a jogar e foi uma preparação pra temporada depois de 2004, 2005, que foi uma excelente pra mim. E durante o tempo eu fui me adaptando e fui construindo a história aqui no Stuttgart. Através do quê? Através de voltar pra marcar, através
de me sacrificar pro time através de talvez, né? E às vezes as pessoas falam, pô, o cara tem 300 e poucos gols e só 80 e poucos gols. Eu não era o centroavante número 9. Eu era o segundo atacante. Quase um meia muitas vezes. Eu. Eu não te vejo jogar. Você flutuando muito ali. Sim. Enfim, atrás do centroavante, por exemplo. Exato. Então era o segundo atacante quase um mês. É, um cara que participava da construção do jogo.
Exato. Eu dei bastante assistência também para os atacantes. Na época eu joguei com o Kevin Curani, mas sempre depois, quando a gente foi campeão, com o Mário Gomes. Então, era um atacante de referência na frente que a gente fazia ele jogar. Então, era o meu estilo de jogo e era a maneira com que eu me encontrei dentro do Stuttgart e dentro da Bundesliga para me adaptar. Você falou da questão de o que tem que fazer para se dar bem aqui.
para poder entender, para poder xingar de volta. E essa questão do idioma? Calma aí, não, calma aí. Aprender o idioma. Cara, alemão é difícil de aprender, hein? Já me ensinaram uma parada, assim, né? Espero que seja bom. O nosso amigo do Goat, o Willian Fu, me ensinou o seguinte, que o alemão, ele vai somando as palavras separadas na mesma palavra. Mais ou menos isso, né? Por exemplo, me ensinou a...
Como é que é, Bruno? É um fluxoic. Coisa que voa. Coisa que voa, é um negócio que voa, exatamente. Uma coisa que voa é uma palavra só. Exatamente. Coisa que voa. Exatamente. Fus, que é o pé, e bala é bola. Então, fus, bala, o futebol é o pé e a bola, tipo... Mas aí tem a palavra que os caras vão juntando. E aí fica gigante. Não é assim? Exatamente. Pra xingar.
O que eu tenho que fazer? Ensina aí. No Brasil ninguém vai dizer nada. Os caras falam, pô, o Cacau é um exemplo, ensinando os caras a xingar a galera. Porque eu fiquei pensando que é o contrário. Brasileiro, quando recebe os gringos lá também, ensina a xingar a galera. É que, tipo assim, né? Só pra eu reorganizar a minha fala. O que é o xingar de volta? É você saber se defender. Por quê? Pô, você tá dentro do campo. Os caras vão lá e falam, pô, você tem que correr, você tem que fazer isso e aquilo.
que os caras estão falando no contexto, os caras vão deitar em cima de você. Pô, o cara vem e fala, pô, corre pra trás. Eu falei, pô, já corri, vai você, é a sua posição. E aí você se depender e poder falar com os caras de volta, isso ajudou bastante. Eu vou perguntar em português, xingamentos alemão, vai. Cara, uma coisa que... Vamos dizer assim, né? Que tá ali no... Meu Deus do céu, onde eu me meti? Tá no limite, vamos dizer assim.
que tá no limite, mas tipo, pô, o cara tá falando com você, você pode falar, vamos falar, halt die Klappe, tipo, cala a boca. Sim. Tipo assim, é uma expressão forte, né, pra, mas não é um xingamento. Halt? Pô, vai com, halt die Klappe. Halt? Cala a sua boca. Escuta. Ó, usar essa, ela queria gerar o Dortmund, se eu soubesse, eu ia usar essa no Dortmund.
Halt e clap. Halt e clap. Ah, meu Deus do céu. Vamos ficar nisso, Bruno. Mas assim, imagino que futebol é universal, né? Bruno não me ensinou isso aí. Ele segura, né? Imagino que isso é universal na bola, assim, xingamento no futebol. Dá pra dizer assim, xinga mais no Brasil, xinga mais... É igual, né? Dentro do campo... Quem vai pedir por favor, toca essa bola. Por favor, recua ali.
E xingar português direto também. Eles não entendem. Cara, aí... Tinha o brasileiro que a gente falava os códigos entre a gente pra poder falar dos caras. O arbitragem. Fala pro barco aquele lance, não dá aquele pedro, vai mandar pra outro lugar, né? Apesar que, realmente, eu xingava muito, muito, muito. Depois que eu me converti, eu falei, pô, é uma coisa que eu tenho que mudar. Então eu usava outras palavras pra... Pô, você tá maluco? Você é louco?
Mas a briga ali no campo é sempre igual. Você falou que tinha os códigos com os brasileiros? Sim, porque a gente tinha que ir entre nós para o adversário e entre nós dentro do time também. Na época, por exemplo, em 2007, estava o Fernando Meira. Ano do título do Stuttgart. Do Stuttgart, o Fernando Meira jogou português. Zagueiro, né? Zagueiro, um dos melhores que eu joguei juntos. Na seleção, é. Na época estava o Tony da Silva, que era um brasileiro também,
que jogou no Mainz e depois no Dortmund. Tinha os mexicanos, o Osório e o Pardo. Então tinha ali a... É aqui os latinos, eles se... Os latinos se unem, muito. Jogou com o Bordão aqui? Bordão, quando eu cheguei, eu joguei um ano aqui. E o Bordão também foi um dos que preparou... Já tinha preparado o caminho, né? E, tipo, inclusive, ele é um dos que tá no... O time... Os 11 eternos do Stuttgart, o Bordão tá... Talvez o único jogador que esteja tanto em dois times, né?
e no Schalke. Então, ele preparou o caminho também. E é outro, né? Mesma coisa, né? Mentalidade alemã e tal. Trabalhava, lutava e fez história aqui e acabou não tendo o mesmo reconhecimento no Brasil. Vive aqui? Ele vive hoje no Brasil, em Ribeirão Preto. Tem alguns jogadores, a gente trouxe já o Dedê aqui no Charla, que foi sensacional. Dedê, Cacau, Elber, Bordon, são jogadores que, assim, de repente a galera no Brasil olha assim e não... Ah, cara, não
lembra esse cara jogando e tal. Mas na Alemanha os caras são, meu irmão. O Ailton. Ailton queixada. Ailton fazia gol demais. Ronaldo, zagueiro. Zagueiro. Então, tipo, tem jogadores que realmente... É teu amigaço nosso, o Lincoln. O Lincoln jogou aqui. O Lincoln fez chover aqui. Robson Ponte também. Tipo, pô, quem lembra do Robson Ponte no Brasil? Jogou no Leverkusen aqui. Jogou na época no Wolfsburg. Tipo, fez um nome.
excelente aqui na Alemanha. Robson Ponte, cara. Muito boa, né? Com jogadores brasileiros. Que foi crescendo, né? Se você pegar no seu momento pra cá, então cresceu muito. Tivemos o Leverkusen com muitos brasileiros. Depois chegou o Juan. Exato. Renato Augusto. O povo do Bayern, né? Depois chegou o Paulinho. Paulinho. Sim, isso. Aí se veio depois. Infelizmente, né? Historicamente, na época a gente tinha 25, 26. Acho que no pico, 29 a 30 jogadores brasileiros. E aí foi diminuído.
durante o tempo, hoje a gente tem menos, né? E às vezes os que tem não são os top de seleção como era na época, por N fatores, né? Ascensão de outras ligas? Eu acho que primeiro, ascensão inclusive do Brasileirão, Brasil, porque tipo o jogador fala, pô, eu recebo mesmo aqui no Brasil, o que eu vou fazer no frio da Alemanha? Tem isso. Você tem a Inglaterra que não, historicamente, não era um campeonato que contratava brasileiro e hoje
tem muitos lá. Você tem a Espanha, que continua sendo um objetivo claro por conta do estilo de futebol, o idioma e calor. E Portugal, que é a porta de entrada para muitos. Também por conta do idioma, clima e o estilo de jogo. Se eu te perguntar assim, você teve essa sua passagem, né? Entrando na Bundesliga. Qual foi... Vou roubar o que eles costumam perguntar. O que foi o primeiro ou os primeiros caras, assim,
que você falou, caramba, mano, tava na pequena divisão. Agora eu tô aqui sendo marcado pro fulano. Tô metendo gol no Oliver. É, assim. Tava de frente no campo, assim, que você ficou, caramba, olha esse cara, mano. Tô com ele ao vivo aqui. De fato, foi esse jogo emblemático pra mim, histórico, contra o Leverkusen. Primeiro jogo, né? Porque, tipo assim, foi o meu primeiro jogo como titular, e o Leverkusen, historicamente, muitos brasileiros, já falei do Jorginho, que fez história lá. Então, sempre,
olhava pra lá. Pô, o Zé Roberto, eu vi o Zé Roberto começando na portuguesa. Crack. Lateral esquerdo. Pô, o Lúcio era jogador de seleção. Pô, eu tava olhando lá pro Lúcio. Aí, de repente, você tá no campo junto com os caras. Tipo, você tá... O adversário. Tipo, você tá... O cenário, a seleção, a parada. Tipo, na hora, claro, você tem que controlar toda essa emoção. Você tem que jogar ali, tipo, pau a pau, concentrar. Mas, tipo, depois, daí você começa a ver as imagens. Hoje eu olho
atrás, tipo, surreal, tipo, pra mim. Então foi emblemático, assim, chegar, e fora os outros de outras seleções, né? Tinha o Balak, que era, tipo, outro black da seleção alemã, tipo, o Wolf Kirsten, era um atacante antigo da seleção alemã, os zagueiros, né? Placente, que era da Argentina, bom, lateral também, então, tipo, todos esses caras você tá ali jogando contra, né? E aí depois, claro, você joga contra o Bayern de Munique, Giovanni Elber, Paulo Sérgio, e na época o Oliver Kahn, e tudo,
É louco, né? Fez gol no Oliver K, não? Eu fiz dois gols quando a gente foi campeão aqui na temporada. A gente ganhou de 2 a 0, eu pude marcar. E é incrível você perguntar isso. Todo mundo que fala, né, campeonato alemão, Oliver K, pô, chegava no Brasil, ah, você já marcou contra o Oliver K? O cara criou um nome tão forte, tipo, que era, tipo, como um título, né, marcar contra ele. Falando até essa questão de, né, com quem jogou contra, uma história com a minha família, porque na época,
não tinha muito acesso a assistir a Bundesliga. Transmissão, né? Transmissão era difícil, não sei se era ESPN e a cultura na época, mas acho que nessa época era canal fechado, ESPN, e minha família não tinha condições, não tinha acesso. E aí, a minha família, na época, era minha namorada, minha esposa, meus irmãos, tipo, eles foram para o centro da cidade, tipo, numa loja, sei lá se era Casas do Paio, alguma coisa,
tinha a TV e lá os caras tinham o canal fechado, pago. Aí tava lá assistindo, aí quando dava horário, falava pro cara da loja, pode colocar na ESPN que tá passando o campeonato alemão e meus... No centro da cidade, no calçadão, põe lá que meu genro ia estar jogando. O cara deve ter pensado, esses caras tão tudo maluco. E aí depois criou tipo uma história pra trás disso, porque quando tinha jogo aqui, e na época era o Nuremberg,
era muito... É, vai ser difícil transmitir. Eu lembro que foi um jogo Nuenberg e o Hertha Berlim, que o Hertha estava melhor. E aí foi um jogo que eles assistiram. Uma série do Paraíba, talvez. Exatamente. Alex Alves, na época. Alex Alves. E aí o pessoal assistiu o jogo lá em frente da Casas do Bahia, torcendo lá. E no final, o cara não acreditando e todo mundo no final torcendo. Cara, sensacional. É, no dia de hoje, a família é brincadeira. Calma, manda um vídeo pro rapaz aqui acreditar. Valeu, galera.
A torcida aí nas caras de bairro. É isso aí, obrigado por colocá-la. Agora aqui, ó. Quero saber a importância dessa camisa aqui. Que talvez seja o ano que você se torna, de fato, se carimba ser ídolo desse clube, que é o Stuttgart, campeão da Bundesliga. Exato. 2007? 2000 e campeão 2006, 2007. No ano de 2007 a gente consagrou campeão. E é incrível que como toda a história
tipo de realização tem uma história por trás. Eu falo sempre que em tudo foi uma preparação. Antes da temporada 2006-2007 a gente tinha trocado treinador na temporada anterior e o treinador e o diretor não estavam muito satisfeitos comigo. Eles queriam me vender. Antes dessa temporada ele falou pode procurar outro time que se a gente tem seis atacantes no elenco se o sexto machucar o sétimo
da segunda
equipe e você não vai jogar. Isso foi na pré-temporada desse campeonato. E aí, tipo, a gente tava lá e eu lembro até hoje, tava um amigo em casa, tava com a minha esposa, e a gente falou e a gente foi orar pra saber qual caminho ia tomar. E eu sabia que ia ser uma temporada difícil, eu sabia que provavelmente eu ia estar muitos jogos na arquibancada, porque a chance de jogar realmente era pouca. Mesmo assim, a gente falou, não, a gente sentiu no coração de Deus que é pra
ficar aqui. E, tipo, a gente tava em paz, e eu falei, não importa o que acontecer, eu vou dar o meu melhor no treino, o que vem. E aí eu comecei a jogar pré-temporada, o treinador tinha outros jogadores, na época o Yondar Thomason, que era inclusive do Milan. Thomason, sim. É, e tal, ele tava aqui, então tava na frente. Dinamarquês. Dinamarquês, na seleção, tipo, nome bem conceituado no futebol da época. E aí tudo na minha frente. E aí eu comecei a treinar e jogar, o treinador começou a ver o meu
mesmo com toda a situação, nos treinos, nos jogos. E aí eu lembro que a gente jogou um amistoso, perdeu um amistoso pro time de segunda divisão. Tava meio numa crise ali. E aí na época, inclusive, quando esse diretor falou, a gente falou, ó, toma cuidado, pode ser que Cacau faça um gol que vai salvar o seu emprego do treinador. Falou pra ele. Falou. Tipo aquela discussão ali, o cara fala, pô, você não vai jogar e o outro... E aí a gente jogou contra o Nuremberg em casa, perdeu de 3 a 0.
entrei no segundo tempo, faltando 30 minutos pra acabar o jogo, como sempre, dedicando e tal, tentando fazer. Aí o treinador falou depois desse jogo, que eu entrei bem, os outros formaram, falou, ó, não, Cacau vai ser titular do meu time. E aí, a partir do segundo jogo, eu fui titular absoluto, inclusive, no segundo jogo, foi contra o Bielefeld, foi um dos gols mais bonitos que eu fiz pelo Stuttgart. Lembra o gol pra gente. Foi um gol de... a gente tava... fez 1x0,
Empatou um a um, eles empataram dois a dois e a gente estava com dois homens a menos. Dois tomaram vermelho. E aí eu recebi uma bola do Pavel Pardo, o volante da seleção mexicana. Pardo, sim. E aí eu virei, eu estava a 35 metros do gol. Tipo, eu falei, vou chutar. Tipo, não tem como chegar daqui. Aí eu bati, a bola fez uma curva imensa, tipo, ficou indefensável para o goleiro. A gente no final ganhou de três a dois, com dois a menos.
entre aspas, salvou o emprego do treinador. Consequentemente, provavelmente do diretor. A profecia do agente se concretizou, né? E aí a gente foi arrancado ali pra o time se unir, pra gente ver que a gente tinha capacidade de chegar. Era o Arminia Biffel. Arminia Biffel. Caralho, tem times assim. Participava muito, né? Ele lembrou do Hansa Rostock. Hansa Rostock.
Times assim que estavam na Bundesliga na época. E agora os dois, inclusive, estão na... O Bielefeld, eu acredito que está na segunda agora. Ah, eu também lembro do Fortuna do Soldof, que está na segunda. Exato, está na segunda. É o Schalke. O Schalke já é histórico, que está, infelizmente, na segunda. Esperamos que volte agora para a Bundesliga. O próprio Eta, né? Exato, que está na segunda. Inclusive o Schalke, que foi o nosso concorrente até o final desse campeonato de 2007.
Era o Schalke do Lincoln, do Raul? O Schalke do Lincoln, o Bordão, acho que o Rafinha tava lá já, não sei se o Rafinha tava lá. Foi antes do Raul. Antes do Raul. Foi... Noia já? Noia já tava no gol. Era o time top. Esse time é clássico. Tipo, a gente tava jogando a disputa ali, mano a mano, o Bayern deu uma caída, a gente depois ganhou deles aqui em casa. Inclusive, ficou claro que eles não iam pra Champions League,
O Oliver Kahn, a última temporada dele não ia ser na Champions League. Então, foi algo marcante. Cara, o Bayern não estar na Champions League é um acontecimento, né? É, tragédia. Então, é algo que, tipo, hoje, né? Pra geração de agora, que nos últimos, sei lá, 15 anos só viu o Bayern praticamente ser campeão. Tipo, é algo inimaginável, né? Imaginável. Mas, na época, era a realidade da Bundesliga. Bom, você fala isso. Eu ia te perguntar como é que é jogar na Liga, onde tem uma equipe que ganha muito. Mas, você falou agora, eu me refleti.
É verdade. Na tua época, na época dos brasileiros que você estava citando, nesse momento dos anos 2000, você tinha o Schalke, você tinha o Stuttgart, o Leverkusen. Mas só lembrar do título do Werder Bremen. Werder Bremen, exatamente. O Dortmund. Os times venciam. Lógico que o Bayern sempre foi o Bayern. O que aconteceu aqui na Alemanha que é só grana? Aumentou a grana do Bayern? Por que o Bayern é muito distante? Hoje é muito. De 11, 12, ganhou 9, 10.
É, na verdade, eu acho que, vamos dizer, dos últimos 12 títulos, o Bayern ganhou... Não, dos últimos 13, o Bayern ganhou 12. E o Leverkusen ganhou um. Cara, é... Não, e agora, pra você ter uma ideia, o Dortmund perde o campeonato esse ano. Sabe quantas derrotas tem o Dortmund? Na Bundesliga esse ano? Duas. E não vai ser que o Vião. Não, pro Bayern na ida e pro Bayern na volta. É, tipo... Cara, isso é surreal. E é assim, e foi... Eu acredito, né, a minha teoria pessoal é...
essa disputa, Bayern Dortmund, que fez o Bayern virar a chave também. Porque o Dortmund ganhou, acho que, duas vezes a liga seguida, se eu não me engano. E aí o Bayern ficou, os caras falaram, não, vamos pegar dinheiro, vamos investir, que a gente quer voltar a ser o top da Bundesliga. E aí eles investiram, não sei se foi a época do Luca Toni, investiram muito e começaram a ganhar. E aí começaram a ganhar, ganhar, ganhar. E é claro, né, você vai ganhando, aí eles ganharam a Champions League,
também, você tem mais dinheiro, você tem mais poder financeiro, você compra mais, e aí você ganha de novo, os outros times enfraqueceram, tanto financeiramente, quanto no estilo de trabalho também, tem que se dizer, tipo, aí não fizeram um trabalho tão bom de, talvez, sei lá, descalço, contratação e tudo, e aí o Bayern começou, a distância do Bayern para os outros times na Bundesliga foi aumentando cada vez mais, e aí, tipo, ficou impossível de ganhar o Bayern, então, tipo, o Bayern às vezes tropeçava, os outros tropeçavam
também. Ah, o Bayern não ganhava, o outro não ganhava, tipo, e pra ganhar do Bayern tem que fazer uma temporada como o Leverkusen fez. É que no Brasil, por exemplo, a gente usa o Bayern como exemplo de, tipo, a Liga Alemã hoje ficou aquele exemplo assim, aí discute o Brasil, por exemplo, o momento de Flamengo e de Palmeiras, assim, aí, ó, temos que tomar cuidado, os clubes têm que se organizar pra não ter um Bayern de Munique que vai botar o chicote embaixo do braço e disparar, né? É claro que, né, os dois exemplos,
são exemplos de time que hoje tem dinheiro pra poder fazer acontecer, mas você tem que preparar pra que quando o dinheiro chega você possa continuar fazendo um bom trabalho. Só que muitos pensam, igual no Brasil, fazendo uma excursão um pouco pra lá, ah, o clube vai virar SAF e já vai resolver tudo. Não é só virar SAF e entrar dinheiro que vai funcionar. Você tem que ter uma base de estrutura de construção pra poder em cima dessa base o dinheiro que vier seja bem investido.
pra levar o time a essa nova parte. Mas é algo debatido aqui? Se essa disparidade é discutida? Precisamos botar uma liga mais competitiva? Sempre é discutido, mas é algo aqui na Alemanha que é difícil você artificialmente falar, vamos mudar essa competitividade. O que tem que fazer? Os outros times têm que fazer um bom trabalho, como o Leverkusen fez, ter um bom ano.
torcer para que o Bayern tropece e aí para vencer o Bayern. E eu acho que muitos precisam arriscar mais, precisam fazer um trabalho de scout, um trabalho de contratação um pouquinho mais arrojado, não no sentido de gastar mais dinheiro, mas de pegar jogadores diferentes, igual o Leverkusen fez, um Frimpon, a coragem de colocar um Virtus, um jogador jovem ali para jogar, e toda essa...
e tudo. Se tem um elenco ali top, aí você pode ter concorrência com o Bayern de Munique. Apesar de que o Leverkusen não é o time mais pobre dali. Mas você precisa fazer um bom trabalho pra bater. E sempre é discutido, mas essa hegemonia do Bayern é difícil você vencer e romper porque eles têm uma base de anos. Muitos anos sempre ali no topo, sempre Champions League, que ajuda eles a estar no topo
da Europa. Esse ano do Leverkusen eu tive a sorte de narrar. O único ano que eu narrei a Bundesliga foi esse ano, que é o dos 12, o que foge. E, cara, é fantástico o que o Xabi Alonso fez também. Foi um trabalho incrível. Ele como pessoa, como ele cativou o time, como ele começou, como ele fez o time jogar e fez o inimaginável. Um jogo diferente, né, Cacau? Um jogo técnico.
Exatamente. Votação, assim, muito, muito, muito legal. A gente teve a oportunidade de vir aqui, a convite da Bundesliga no ano passado, foi a primeira vez, né? Nosso Brunão aqui deu essa moral. E a gente pôde assistir exatamente o último jogo. Do Xavi. Do Leverkusen. Contra o Dortmund, né? E aí a gente viu a idolatria, né? A paixão do torcedor, assim. Ele foi lá na torcida, nos ultras, e aí falou naquele megafone, então. A relação, ele e o Tah, né? Que o Tah também estava...
Para o Bayern, né? Para o Bayern de Munique. É, e tipo, claro, né? Acabou saindo com título, né? Com algo histórico, né? O que o Leverkusen não conseguiu durante anos. Tipo, fez história. E é algo que, né? Trazendo aqui para o Stuttgart. É algo que o Stuttgart fez na... Não na temporada passada, na anterior. Tipo, treinador. E eu tenho um diretor da Bundesliga, Christian Heidegger,
ele falou que a pessoa ou a posição mais importante do clube é a posição do treinador. Você achar o treinador certo é muito difícil, e quando acha, tem que valorizar. O Stuttgart achou o treinador certo, estava lutando contra o rebaixamento, estava em 18º lugar, se não me engano, estava em último. Ele conseguiu sair do rebaixamento no campeonato seguinte, começou a jogar, e esse futebol bonito que vocês viram, contra o Wolfsburg,
com a bola no pé, de jogar, fazer os jogadores ficarem melhores e ter essa qualidade. E aí ele conseguiu chegar em segundo lugar na Bundesliga. Foi quando o Leverkusen foi campeão. O Stuttgart fez uma competição impecável. Tipo, em qualquer outro, sei lá, nos anos 2000, seria campeão fácil. Só que aí... O Leverkusen foi campeão invicto. O Leverkusen foi campeão invicto e o Bayern deu uma tropeçada na última temporada. E o Stuttgart
foi pra segundo lugar. Então, levou o time pra Champions League. E assim, praticamente surgiu e tal, fez muitos gols. Então, a importância de você ter a pessoa certa, no lugar certo, e através disso construir, e é isso que o Stuttgart tem feito desde então, né? Tem apostado no treinador, dando pra ele, não carta branca, mas dando a ele o material que ele precisa pra trabalhar, e aí acaba sendo um futebol bonito. E aí você espera que, jogando esse futebol,
o Bayern acaba tropeçando, os outros clubes acabam tropeçando porque você não tem a força financeira que os outros têm, mas que leva você ali ao topo e possivelmente chegar de novo à Champions League. Agora, vai. Eu ia sair um pouco do estúdio. Eu vou para a seleção. Eu ia aproveitar a sua experiência aqui para te perguntar isso. A gente vê uma Alemanha numa transição muito forte.
pós o título, são duas Copas da Alemanha caem na paz de grupos, né? A Alemanha vem na... A gente tá acostumado com isso. E com bons jogadores, sabe? Sim, você tem a safra da Alemanha. É uma entre-safra, mas você vê espalhado pelos clubes, bons jogadores alemães. Qual é a expectativa aqui do povo alemão pra Copa? Pra Copa com os Estados Unidos? Assim... Cobra final ou cobra uma boa campanha? Não, eu acho que os torcedores em geral,
até os experts no futebol, ali na mídia, estão bem cautelosos. Claro, sempre a expectativa, tipo, a Alemanha ainda é a Alemanha. Então, a expectativa de ter uma boa Copa do Mundo, mas a expectativa de ser campeão, chegar à final, não tem. E você falou dessa transição que veio lá de trás, né? Tipo, teve a Copa de 2006, que eles foram bem, mas ainda com futebol, aquele futebol, entre aspas, alemão.
aí veio 2010 que eu pude participar e foi pra semifinal com a Espanha e foi ali o Johann Löw que colocou o estilo de jogo que a gente vê hoje na Alemanha, esse futebol bem jogado, de tratar bem a bola, junto com a mentalidade de disciplina e de força alemã. Então essa combinação mudou o futebol da seleção a partir de 2010.
em 2010, uma boa participação. 2014, campeão. E acontece o que eu acho que acontece em muitas seleções. Você acaba sendo campeão do mundo, aí você talvez perca um pouco a mão ali de autoridade e disciplina. Uma base deixou a seleção, né? Saiu, saiu Close, Filipe Lam, Metersaka e tudo. E aí, 2018, cai na fase de grupo. Aí vem de novo mais quatro anos. 2022, cai também.
na fase de grupo. E tudo isso deixou marcas na seleção alemã. A última, no Catac, foi pro Japão, né? Tem jogo do Japão, né? Foi um jogo louco. Cheio de gol. O Japão fez gol no final até. E não, igual jogou. No Catacinho, o Havertz já. Agora tem o Wirtz, por exemplo. O Mundave. O Musiala, né? Foi a estrela. Então, tipo assim, você tinha talento, só que você não tinha uma base de jogadores ali que trazia...
E aí, por muito tempo, e eu acho que a Alemanha está tentando se encontrar ou reencontrar de novo, a Alemanha passou essa parte mais de jogar futebol e tal, esse futebol mais jogado, tocado e tudo, e perdeu um pouco a parte de mentalidade, disciplina e tudo. Então, acho que a Alemanha está tentando agora reencontrar essa junção, que é o que fez a Alemanha nos últimos anos ser a força que
E sua experiência, assim, você falou, chegou primeiro do lado de dois caras que foram a Copas do Mundo também, um brasileiro também, que é o Kevin Curani e o Mário Gomes, né? Os dois foram pra seleção. Como surge pra você, assim, Cacau? Você pode se naturalizar pra jogar pela Alemanha? Como é que chega nesse ponto? Como é que isso acontece pra você, assim? Na verdade, foi ao contrário.
quando você vive na Alemanha, na época eram oito anos, né? Então, vivendo legalmente, pagando os impostos e tudo, aí você tem direito à nacionalidade. Ah, é assim? E aí eu lembro que eu, junto com a minha esposa, por alguns motivos familiares, a gente falou, pô, faz sentido a gente agora dar entrada no passaporte alemão pra gente ter algumas vantagens e aqui e tudo. Sua esposa é brasileira também. Sua esposa é brasileira. E aí na parte de documentação. E aí a gente fez o processo, falei,
Eu fui conversar lá no departamento de estrangeiros e tudo o que precisava fazer. E aí eu fiz esse caminho, levei toda a documentação, escrevi a carta que tinha que escrever, fiz os testes que precisavam fazer de alemão, de conhecimentos gerais e dei a entrada. E aí no começo de 2009, quando eu fui receber o papel que eu poderia então dar entrada no passaporte, aí lá no serviço de estrangeiro tinha um cara que ele queria,
ele descobriu que era eu e queria aproveitar pra fazer uma cerimônia mais vista, tipo, até pra ele também, tá vendo a foto. Aí convidou jornal, televisão e tudo, apesar de eu não querer. Eu queria ser uma coisa bem neutra, assim, pra não chamar atenção. E aí, por conta disso, acabou tendo uma visibilidade muito maior do que eu esperava. E aí todo mundo, pô, o Cacau virou alemão, o Cacau virou alemão e tudo. E aí, nessa level, os caras falam, pô, você virou alemão,
apelido alemão, aí deram o apelido de Helmut, aqui na Alemanha. Ah, seu nome aqui é alemão. É, eles falaram, brinca com Helmut. Helmut. É porque é um nome tradicional antigo alemão. Ah. Pra ser um nome marcante. O Francisco, assim. Isso, exatamente. Ou o João, tipo, o cara falou. E aí, nessa brincadeira virou, e aí todo mundo ficou sabendo, pô, o Cacau tem o passaporte alemão agora. E nessa temporada a gente tava jogando muito bem, era a temporada 2008, 2009,
Inclusive, depois de um jogo contra o Wolfsburg em casa, que a gente ganhou de 4 a 0. Acho que o Mário Gomes fez os quatro gols. E aí eu dei assistência pra ele em dois ou três. E aí, depois desse jogo, o Joachim Löw chamou a mim, mas... Eu falo o nome dele, desculpa. Joachim Löw. A gente chamou de Joachim Löw. Joachim Löw. Joachim Löw. Joachim... Eu lembro disso no Guedes Verde.
Gerd Vence é o fenômeno. Tinha que não chala, né? Gerd Vence. Tchau, tchau. Tchau, tchau. Tchau, tchau, né? Aí o Gerd Vence, uma vez eu ouvi ele falando o nome do treinador. Aí todo mundo... Todo mundo, não, porque o Joaquim Lowe, o Joaquim Lowe... Joaquim Lowe. É isso, é isso. Só um detalhe, você tem... Você não tem contato com ele, não, né? Com... Assim, tem, a gente... Como a gente tem vários convites dos jogadores, ex-jogadores e tal, ele tá geralmente aqui, inclusive.
nessa área aqui durante o jogo e a gente se conversa e tal, se vê. Assim, não é aquele contato pessoal, mas a gente sempre se vê. Não sei se ele não vai assistir, né? Ele não vai ver. Se ele ver, ele não vai traduzir pro alemão, né? Por que ele tem tanta fome na beira do campo? Ele tá... Sabe? O mundo inteiro... O mundo inteiro... O que eu vou falar, né? Eu tinha feito na sua frente.
É uma mania. Ai, caramba. Salão do Sul. Mas é incrível como deu uma repercussão mundial e não tão muito dentro da Alemanha. Não sei se seguraram ou não. Foi qual a Copa que ele ganha? Não foi no Brasil, foi... Cara, não sei. Foi 2010. Foi 2010, né? Foi 2010. Eu não vi nada. Não veio me colocar ela.
correndo. Às vezes acontece o quê? Às vezes a transmissão alemã não faz uma transmissão diferente, mas e aí a transmissão de fora pega esses detalhes aqui em cima. Isso, exatamente. Todo dia tem 10 programas pra discutir um jogo só. E a FIFA manda pra quem compra o direito, manda aquela imagem pra todo mundo. Você escolhe o que você quer ficar explorando. Brasil, sabe como é que é? Agora, é o treinador que, você falou, que fez o Alemão
jogar futebol, né? Total. Total, total. Tipo assim, e eu lembro... E era auxiliar do Klisman, né? Isso, em 2006, ele tava como auxiliar do Klisman, assumiu depois como treinador principal, né? 2008, foi pra final da Eurocopa e tudo, e começou a fazer a Alemanha chegar de novo no topo com futebol bem jogado. E eu lembro como hoje, né? Chegando lá no treino, falei, pô, inclusive falei pra ele, pô, você quer que eu...
depois da temporada. Você quer me convocar mesmo ou é só pra eu tapar buraco de alguém que não quer ir? Não, você vai ter sua chance lá e tudo. E eu lembro que no treino ele sempre falava, por exemplo, ele queria que era só passe no chão. Então o campo era top. Então ele não queria, tipo, bola meia altura e tal. Não podia. Era dominar e tocar no chão. Todo mundo que errava um, ele parava e falava, tipo, não quero isso. Às vezes realmente era o campo, ele falava, não, eu quero a bola no chão.
Por quê? Pra ficar ali na mente de que ele... Não quero que dê carrinho. Vai de pé, se o cara passar por você no drible, você consegue recuperar. Você der o carrinho, o cara passa por você, você tá. Então, algumas coisas assim que marcaram e depois você vai ver os jogos, né? Em 2010, tipo, é só jogo bem jogado, construção de jogada. O jogo contra a Argentina é espetacular. A gente falando, né, sobre o jogo contra a Argentina, a gente tinha um time de análise de adversário top. Então, a gente jogou,
a oitava de final. Infelizmente, eu me machuquei no jogo contra a Gana. Foi o último da fase de grupo. E aí, eu não joguei os três principais jogos dessa Copa. Inglaterra, Argentina e Espanha. Oitava, quarta. O jogo contra a Inglaterra também jogasse. O gol que não foi dado. É de novo. E aí, contra a Argentina, a gente teve a pré-eleção dois dias antes.
analisando a adversária. Aí os caras da análise mostraram a Argentina, eu falei, a gente vai ganhar fácil. Porque no começo foi contra a Argentina, o Messi e tal. Quando eu vi a análise, eu falei, a gente vai ganhar fácil. E aí, um dos exemplos, o lateral, aqui o campo, o lateral, ele sempre, ele não vai só até o meio, ele passa do meio e vai praticamente para a outra lateral direita. Então, quando tiver a bola aqui, vira para o outro lado, tipo, sem pensar. E o outro que está aqui já fica aqui esperando.
Ah, sim, Cacau? Se for ver os gols, eu acho que dois gols foi claramente. Pegou a bola, virou. Isso é a orientação do análise de desempenho. Como é importante ser bem utilizado. Cara, isso é fantástico. Isso é estratégia de jogo. Ganhar bem da Argentina. Com o Maradona treinando a Argentina. Você estava ali, né? Acho que o nosso... Acho que o Maradona estando ali como técnico...
ajudou o nosso analista de desempenho. Eu não estou dizendo nem por minha análise, mas os argentinos questionam muito aquele período do Maradona, que era muito mais um personagem, um para-raio no banco, do que alguém que, de fato, desse uma estrutura tática para o time. Não no modo pejorativo, mas tipo uma pessoa folclórica ali no banco, tipo alguém de expressão, que às vezes, talvez, ganhava mais na emoção do que na parte tática.
Inclusive tem uma história, a gente jogou homens todos contra a Argentina antes da Copa. Aí eu entrei no jogo, aí o Maradona começou a me xingar, eu xingava de volta. Aí me xingou de filho, não sei do quê. Filho da puta. E aí minha mãe ouviu, minha mãe realmente ouviu na televisão. Aí eu falei, ah, o Maradona xingou meu filho. Pra ela, você falou. Ela tá nem me xingando mesmo. Você falou, Maradona, pô. Te ligou Cacau, o Maradona te xingou.
Praticamente xingou ela, mas ela ficou feliz que era o Maradona. Maradona, porra. Ter visto na televisão o Maradona acabando com a Copa do Mundo, gol de irmão, gol de branco do moço. Agora, Cacá, o assunto que a gente tem que entrar e que causa curiosidade, principalmente por conta da questão do Vini, né? Cara, você é preto e joga na seleção da Alemanha. Como é que foi isso? A gente conversou em outro momento sobre essa situação. Como é que foi isso pra você?
E como é que você vê o caso do Vini, assim, especificamente? Eu queria separar, né? Primeiro falar da minha experiência pessoal, sem comparar necessariamente. Como eu falei, eu venho de uma realidade no Brasil, né? Preto e pobre. Então a gente sabe o que significa no Brasil, né? Então, tipo, tinha que andar com documento no bolso, a polícia passava por mim sempre e parava, né? Eu voltava à noite da casa da minha namorada, tipo, tinha que estar com documento no bolso e, tipo assim,
Era a minha realidade. Eu entrava na loja, o pessoal olhando meio torto. Quem passou sabe que é assim. E tipo, eu aprendi a viver com isso, a conviver. E sem juízo de valor, tipo, é uma realidade. E o que minha mãe falava sempre? Tipo, ninguém tem o direito de dizer quem você é ou o que você tem que fazer ou deixar de fazer. Tipo, você é quem você é, você entra de cabeça erguida, sai de cabeça erguida e você faz.
vai vencer, você não pode baixar a cabeça pra ninguém. E com isso eu fui vivendo. Então, vivia várias coisas e acabava passando por cima, algumas coisas ficavam quietas e tudo pra... E essa foi a minha realidade no Brasil. Quando eu vim pra Alemanha, muitos falavam, pô, toma cuidado na Alemanha, a Alemanha tem um histórico, racismo e tudo e tal. E às vezes até de muita gente que nunca teve na Alemanha. E na época, quando eu vim pra cá, eu falei, pô, beleza, vamos ver, né, como que é. Só que eu tava, entre astros, meio calejado,
do Brasil. E quando eu venho pra Alemanha, cara, eu entrava na loja, eu não tinha dinheiro, tipo, eu ia entrar na loja e experimentar chuteira. Cara, eu podia experimentar chuteira, ninguém ficava olhando pra mim. Eu ia num restaurante comer, ninguém ficava olhando, falando, pô, será que ele vai poder pagar ou não? Então eu comecei a ver que, tipo assim, eu não tinha o mesmo sentimento do que eu tinha no Brasil. Aí eu comecei a jogar na quinta divisão, como eu falei, aí o pessoal às vezes fala, mas...
É que você não vem jogador. Isso, aí muitos falam, ah, mas você é jogador conhecido. Eu falei, sim, mas eu joguei
a quinta divisão, ninguém me conhecia. Pô, jogava numa cidadezinha pequenininha lá. Interior da Alemanha. Interior, tipo, não só da Alemanha, né? Da Bavária, que tinha uma região mais conservadora ainda. Exatamente. E aí, tipo, eu jogava lá e, tipo, os velhinhos, pô, quem que esse cara aí tá jogando, tá jogando bem? Então tinha um respeito, né? O rapaz tava comigo traduzir e falava. Então, eu nunca tive, no contexto ali, aquela coisa de falar, pô, quem que esse cara, a gente não quer ele aqui porque ele é preto e vem do Brasil. E eu cresci com isso aqui na Alemanha.
E eu sempre falo, de novo, é minha experiência pessoal, que eu sofri mais preconceito no Brasil do que eu vivi na Alemanha. E aí depois, claro, subo, vou pra Bundesliga, jogo. Teve um ou outro jogo, né, às vezes nem de tanta expressão, é da Copa da Alemanha, onde um ou outro torcedor tenta falar alguma coisa e tal. E aí, tipo assim, no momento, na época eu falei, tipo, deixa falar, aí no final a gente foi lá, ganhou o jogo, tava ok.
a realidade do dia a dia era totalmente boa e até hoje eu tenho um relacionamento nesse sentido muito bom. E é bom a gente falar isso assim. Bom não, né? É necessário. Tem que falar. Bom não é detestável falar sobre isso. Como o Brasil é um país racista, né? É? E somente... E um racismo social, como o próprio Cacau falou. Se você é preto e não tem
dinheiro, vive ali a margem da sociedade, é isso que o Cacau diz, você convive com olhares, convive com desconfiança, convive com a famosa dura direto da polícia. Exatamente, é tipo, pô, você não consegue isso, aí você não consegue, uma vez estava conversando, já tinha conquistado algo, estava no Brasil, num hotel lá e tudo, aí tinha um funcionário e tal, como que é pra você? Ah, pô, eu venho ali da comunidade e tal, se eu, é difícil conseguir emprego, as pessoas perguntam de onde é, eu tenho que falar que eu sou de outro lugar,
pra conseguir emprego. Essa realidade, né, ali no Brasil. E o que que hoje tento passar ali pro Brasil? Tipo, o que minha mãe falou pra mim, tipo, ninguém tem o direito de falar o que você pode ou não pode fazer. Você quer fazer um podcast? Vai lá e faz um podcast. Você quer ser um doutor? Você quer ser um piloto? Você
vai lá e faz. É claro que depende de N fatores, mas não pode ser os olhares, as palavras que podem determinar o que você é e o que você passou. Dito isso... Dito isso, falando do Vini Júnior, eu acredito sinceramente de que ele passou a mesma coisa no Brasil e de que ele criou algo dentro dele parecido. Tipo, não vou ligar porque fala, vou falar, vou mostrar quem eu sou,
Só que eu vejo hoje que chegou num nível que ultrapassou todos e qualquer limite. Não é provocação. Não é tentativa de desestabilizar. Exatamente. É tipo de diminuir, de humilhar e tal. Se você falar pra ele, você é fraco, você não sabe dribar. Isso, vai dar risada. Mas a partir do momento que você chega e
o próprio jogador fala, ah, você é macaco, ou a torcida Atlético de Madrid foi lá, um boneco pendurou como se estivesse enforcando o cara. Pô, como que isso não é algo que, tipo, gera aversão em um país, no caso na Espanha? Tipo, eu não entendo isso. Ah, não, isso faz parte do jogo. A provocação. Faz parte da realidade. Você tá maluco? Não, não. Tipo, aí isso extrapola tudo. E ele tomou a frente dessa luta,
de mostrar pra todos. Ele tem um nome, ele tem uma voz. Imagina se ele não tivesse a voz. Ele ia ser calado. Com essa voz ele já tem pessoas tentando calar ele. E de novo, tentar diminuir tudo isso. Falando que por conta do estilo dele, de driblar, de dançar depois do gol, ele merece passar por isso. Aí pra mim isso perde qualquer direito de discussão e tudo, porque você não pode
através de um estilo de jogo, através de um estilo de vida e tal, dar direito de outras pessoas a falar que você é macaco. Cara, isso é perfeito o que você disse, Cacau. A gente falou na transmissão, eu repito aqui, racismo não é questão de opinião, racismo é crime. Exatamente. Aqui e no Brasil. E nem é fator de provocação. Aqui na Alemanha também. Exatamente. Não é como que o Mourinho citou isso. Ah, ele provocou, ele ouviu. Não, ele podia ter falado N coisas pra ele. Não isso. Se o cara falar isso, porque o cara é.
Só pra gente não deixar de tocar antes de terminar, a gente falou da vida do Cacau, né, do início, da vida dele e tudo mais, e você, graças a Deus, e com a sua consciência muito a ser diferente, você devolve isso pra sociedade, com o seu projeto lá no Brasil, né? Só falar um pouquinho disso, porque agora também o estúdio te ajuda nisso, é um parceiro, né? Eu acho que é algo importante, porque eu sempre lutei pra chegar, né, onde eu acabei chegando, e minha mente, meu pensamento é sempre, de novo, né, não esquecer,
de onde você veio e eu tornei isso prático por volta de 2012, 2013 onde a gente criou o projeto ali em Mogi das Cruzes, projeto Esportes para a Vida junto com o Instituto Sementinha, onde a gente ajuda crianças através do esporte a olhar pra fora da realidade delas, a dar oportunidade pra que elas possam ter uma entrada depois na parte de trabalho, onde possa estudar, possa ter aquilo que
talvez a escola ou a realidade do dia a dia não permite pra elas. E ter alguém também como exemplo de que passou, viveu numa realidade pobre, teve um pai que foi alcoólatra na época, passou necessidade pra poder chegar onde chegou e conseguiu chegar. E tipo, que eles não se limitem a pensar só no mundo deles ali, que eles podem pensar fora. Então poder, com esse projeto, ajudar essas crianças, com esse projeto, poder
Contribuir um pouco do que o futebol me deu é algo muito gratificante e poder ver que essas crianças também tem como exemplo alguém que viveu essa realidade. Isso também é algo impagável e que eu fico feliz que hoje também o Stuttgart é parte dessa parceria com o Stuttgart Foundation também, que ajuda no projeto em algumas atividades e tipo para as crianças ver, pô, tem um clube alemão, tem os alemães que vêm aqui visitando
a gente foi lá com o sub-17, sub-19, tentando falar alemão, tentando falar inglês, então tudo isso faz parte de abrir o horizonte das crianças e viver uma nova realidade. Eu vou te fazer uma última pergunta pra terminar, mas a gente vai receber um convidado por aqui. Que isso, hein? Internacional, convida. Pô, isso é espetacular. Grande Fernando. Palmas pro Fernando Leira. Prazer.
Adoro falar brasileiro. Está muito certo. Estou ouvindo vocês falarem. Desacionais. Só bem dividir o microfone, Cacau. Vamos, vamos. Zagueiro Fernando Meira, seleção portuguesa, ídolo do estúdio. Praus pra ele. Obrigado, obrigado. Queria que você repetisse, Fernando, o que você falou fora do microfone. Adora falar o quê? Brasileiro. Brasileiro. Brasileiro é fera. O Cacau é um dos responsáveis disso mesmo. Com ele, sempre falava brasileiro.
que até costuma brincar comigo e falar, cara, por que tu não fala português normal quando tá com brasileiro? E eu acostumei muito a falar com o Cacau, com o Kevin Corani, com o Bordom, com o Ademar. Até os caras riem quando a gente fala Ademar. É verdade. A gente chegou com o Ademar. Ademar jogou no Stuttgart. É isso aí. É porque o Ademar é um jogador muito... É um jogador da resenha. Ele surge no São Caetano, que era um time pequeno do Brasil, que faz um baita sucesso.
O Ademar é o cara do São Caetano. O cara é muito... O cara era muito gente boa, muito alegre. Tem uma história, se puder contar, se não tiver tempo aí pra contar. Tem uma hora que o cara era muito fominha, né? Ele pra largar dinheiro, cara, era demais. O cara guardava tudo que ganhava, o cara guardava. Não investia nada. Então, teve uma hora que a gente começa a ganhar um pouquinho mais de dinheiro e o cara... Eu ia no avião, a gente lá viajando. Eu do lado dele, eu falava, pô, Ademar, que relógio.
esse cara, gasta um dinheirinho no relógio, amigo. Tá mandando tudo pro Brasil. E ele, ah, Fernando, para com isso. A gente com o Rolex, um relógio mais fera já de jogador, né? Ele com aquele Cassio, sabe? Digital. Ele olhava pro meu relógio e falava assim, pô, Fernando, isso relógio, olha aí. Tem joguinho? Tem luzinha? O cara só sempre brincando com o negócio do relógio não ter joguinho, não ter luzinha. Porque relógio pica e não tem luzinha. Só o Cassio é que tem
joguinho e luzinha. Então toda hora o cara ficava zoando com isso. Sensacional. Ademar, um canhão. Eu soube que ele fez três gols na estreia dele aqui, não foi isso? Verdade, verdade. Mas depois, enfim. Ademar, tem que vir no charla. Sensacional. Agora, Fernando, quero saber de você. Vou aproveitar. Português, jogou na seleção e tudo mais. Cristiano Ronaldo é gente boa, não? Não, o Cristiano Ronaldo é gente boa, claro que sim. Pra além... Pra além de ser fera como jogador,
muito com ele, né? Chega uma hora que tu o cara quando chegou na seleção com 17 anos a gente percebia que era um moleque com muita vontade mas tem muito moleque assim com muita vontade. Importante não é demonstrar quando chega na seleção é fácil tu quando chega na seleção e demonstrar vontade e querer difícil é manter esse comportamento e o Ronaldo sempre demonstrou essa vontade, esse foco em ser melhor, em ser um exemplo pra todo mundo pra além
além das qualidades que ele tem como jogador, isso foi aquilo que mais me impactou. A mim e a todo mundo, né? Ele mudou muito, né, assim, desse garoto que você tá falando. Sempre, sempre muito focado. Mas ele se tornou um jogador completamente diferente do que ele era no início da carreira. É, mas no início da carreira, sabe, ele era o primeiro que chegava, ele era o último a sair, porque ele tinha muita paixão por aquilo que fazia, sabe?
Sempre um cara muito crente, confiante nas suas qualidades. Eu vou ser o melhor, eu sou o melhor. Se você é mais rápido que eu, tranquilo, eu vou trabalhar pra ser mais rápido que você.
E o cara sempre trabalhava nessa evolução das qualidades dele como jogador. Então eu achei isso incrível como jogador porque o moleque quando chegou tu pensava isso vai ser agora durante esses dias que o cara está na seleção. Quando chegar no clube o cara vai pipocar. Nunca pipocou. Sempre querendo mais e mais e mais. E isso foi aquilo que mais impactou na gente lá em Portugal. Foi essa qualidade bem patente mas o foco de querer ser melhor todo dia.
E esse cara do seu lado, jogava bola ou não? Não, esse cara do meu lado, para além de ser uma, como pessoa, ser um cara espetacular, um exemplo para todo mundo, pela simplicidade que ele tem, pela pessoa que ele é, é um cara que sempre demonstrou resiliência, sempre acreditou naquilo que eram as qualidades dele, sabia perfeitamente aquilo que era o seu potencial e trabalhou muito no seu potencial. Foi um cara que criou um impacto em mim, no Bordão, no primeiro ano que a gente jogou contra o Cacau.
Sempre que jogava contra a gente, o cara sempre metia gol. O cara é foda. Como jogador, o cara é rápido, agressivo. Eu lembro, desculpa interromper, eu lembro do jogo que a gente jogou com o Neuberg aqui, contra o Stuttgart, e a gente tava lutando contra o rebaixamento, e o Stuttgart tava lutando pra chegar na Champions League. Antes do jogo, você já vai estar aqui o ano que vem, você quer jogar Champions ou não quer? Tem que ser, né? Tu quer jogar Champions em quê?
quer meter gol aqui? Vai com calma, né? E o pior é que a gente no final ganhou esse jogo de 2x0. E tu fez gol? Não, nesse jogo eu não fiz gol, mas no jogo anterior a gente ganhou de 3x2. Eu fiz dois gols na época, mas eu lembro desse jogo que foi antes da vinda pra cá, foi muito marcante pra mim e eu ficava assim, putz, e agora? Jogar contra os meus futuros colegas, mas no final a vontade de vencer era maior. E ele jogava num clube que era
rival do Stuttgart, né? Agora tá na segunda divisão, mas era Nuremberg e Stuttgart era rivalidade, né? Mas o cara era, como jogador, incrível. Era muito rápido, agressivo. Parece que tinha um motorzinho nas pernas. Nunca para, cara. E eu acho que eu, como zagueiro, eu gostava mais de pegar centroavante grandão, sabe? Forte, de posição. Essa ventoinha aqui é foda. O cara é rápido, o cara não para. O cara tem técnica, tem gol, chuta pra caralho com os dois pés também. Mais forte que o direito, claro. Mas muito
chato, e esse centroavante é o tipo de centroavante que pra um zagueiro é muito difícil de pegar. E aquela coisa de novo, né, tipo assim, a gente tá falando, era craques, né, o Bordon e o Fernando Meira na zaga, tipo, você vem num time pequeno, tipo, o time desconhecido, e você também tentando fazer seu nome, então, era o único jeito de você conseguir vencer, era tipo, correndo, marcando, tentando fazer acontecer, porque você fica ali parado, tentando só dar um drible, o outro, o Fernando, tipo,
Muitos não sabem, o Fernando na época de time, a gente tinha o Mário Gomes, tinha outros caras muito... O Fernando era como o zagueiro mais rápido do time. Então, tipo... Não, não, não. Peraí, peraí. Era, pá. Peraí, era. Aí está tirando a moral pra mim. Eu era o mais rápido do time, cara. Do time. Do time? Do time, é essa. Tá vendo? Ficou surpreso o moleque aqui, hein? Não, é isso que eu tô falando. Não, era mais rápido que o Gomes, que o Cleve.
Não era o zagueiro mais rápido. Não, não era o zagueiro. Era o jogador mais rápido. Não, mas é isso que eu quis dizer.
Você tinha o Gomes, tinha outro, mas o zagueiro, o Fernando, era o mais rápido que todo mundo. Ele tava acostumado a falar alemão e o cara tava a perder qualidade como se fosse brasileiro. Por isso que eu tenho que interromper ele e fazer correção. Tem que fazer correção, né? Aproveitar que o Fernando... Aproveitar que o Fernando é resenha. Se eu sair pra ir no bairro rapidinho... Porra! Pode? Fernando, é... Nesse... Pegar o ano de vocês foram campeões, né?
Aqui com o estúdio. Tem alguma resenha de vocês, assim, que marcou aquela campanha? Porque...
É um título emblemático, né, Marco? A carreira de todo mundo. Alguma resenha que você lembra, um jogo muito complicado que virou a chave, alguma coisa com seu investiário. O último jogo foi... Tu sabe como foi o último jogo? Não. Então eu vou te contar. Aquilo é assim, a gente estava brigando com o Schalke, né? A gente fez os últimos 10 jogos, a gente ganhou todos os jogos, fez uma recuperação espetacular. E no último jogo, a gente tinha que vencer, ou então se a gente empatasse, ou seja, se a gente não vencesse, o Schalke tinha que vencer por mais de 3 gols. Sim.
Cara, 20 minutos do jogo, a gente perdendo 1x0 e o Schalke ganhando 3x0. Aqui, sabe? E tu pensa, caralho, a gente lutou, fez tudo, brigou e tal, chegou no último jogo, pipocou. Sabe? Tu fica sempre, tu pensa, claro, quando começa o jogo tu pensa positivo, mas depois tudo começa a levar para o lado que, cara, não vai dar para a gente. Então, 3x0 para o Schalke jogando em casa, a gente perdendo 1x0 para um time fraco, a gente pensou assim, não vai dar para a gente. Cara, depois a gente faz dois gols,
incríveis, um de bola parada do Itzpelberger e outro do Kedira de cabeça. Dá uma virada e segurou e quando... Os caras tiveram que fechar a cidade, cara. A cidade entrou... Estava entrando gente a mais em Stuttgart. A organização da cidade tiveram que fechar para não deixar entrar mais pessoal. Foi uma doideira aqui. Foi um ano difícil, um ano espetacular. Um ano que o Bayern de Munique pipocou, porque só assim é que outro time
consegue ser campeão. É verdade. A gente falou sobre isso. É verdade. A gente tinha... Eu acho que a gente deu sorte pra gente porque a gente não tinha o melhor time da época. O Schalke tinha um timão. Sim. O Schalke veio buscar o Bordão, veio buscar o Kurani. Na altura, ele... Pra além do Ozil, pra além do Alten top, pra além... Não, os caras tinham... Sacanagem. O Rafinha, lateral, ou já tinha saído? O Rafinha. Não, timão. Os caras tinham timão. A gente tinha um time bom. Guerreiro. Muita molecada. Porque foi esse...
o virar da época no início da temporada, eu lembro de falar com o presidente e falar, presidente, a gente tem muita molecada boa, só precisa de uma chance. Vamos dar uma chance para os moleques, porque a gente vinha de uma época do Trapatone, do time pica, de vamos ser campeão, vamos contratar o Gronkair e o Tomasson, dois jogadores pica dinamarquês para ser campeão e a gente quase caía de visão. Chegou em dezembro, o presidente
Contratou o treinador que foi campeão com a gente. No verão contratou um assistente top também. E com muita molecada que entrou no nosso time, a gente... Era um time muito competitivo, sabe? Sim. O Kedir era um moleque, o Sérgio Dataski, o Mário Gomes, que fez uma época espetacular. E outros moleques que a gente tinha no time que estavam crescendo, os dois mexicanos jogavam pra caralho. Aqui o Cacau. O Cardo e o Osor, tipo, eu peguei só o começo da pergunta.
que tiveram, eu lembro que antes, não sei se o Fernando vai lembrar, antes dessa temporada, que você estava na fase de transição querendo fazer acontecer, acho que a gente jogou em Augsburgo, eles estavam acho que na segunda divisão, e eu acho que a gente até perdeu esse jogo lá, e antes desse jogo a gente estava lá conversando e o Pavepardo, o cara estava acostumado a ser campeão lá no México, o cara tem acho que 150 jogos com a seleção mexicana, então o cara está acostumado, jogou a Copa do Mundo 2006 aqui, e aí chegou, pô, e aí o Fernando vai dar para ser campeão? O Fernando falou assim, pô,
Calma aí, a gente vai ter que brigar pra não cair. O time tá tão ruim, tá difícil a situação, que a gente tem que brigar pra não cair no final. Teve a reviravolta. Não, porque a Bundesliga é complicada, né? Tu tem seis, oito times brigando pra ser campeão, né? Claro que o nosso foco não era ser campeão. Mas chega uma hora que tu... E a gente até a última aguentou pra falar, não, a gente quer ser campeão. Claro que a gente queria ser campeão, mas pra que jogar essa pressão pra fora, sabe? Aquilo que a gente tinha que fazer,
E era aquilo que a gente fazia. A gente jogava com paixão, né? A gente treinava com paixão e com alegria. E tu quando treina com alegria e com paixão, você tem qualidade, é tudo muito mais fácil, né? Então aquilo que a gente promovia dentro do time era alegria, confiança entre os parceiros e competitividade, né? Dá sempre o máximo, cobrança. Claro que depois, o que eu acho que faz a diferença? É tu perceber qual o cara que precisa de carinho
qual é o cara que precisa de ser picado, sabe? Então acho que nesse ano tudo deu certo para a gente, a começar pelo ano fraco do Bayern de Munique. E eu acho que, claro, que a gente também teve... Essa camisa. A gente também teve a sorte de Deus, mas lá em Portugal, e eu acho que no Brasil também deve ser igual, e eu ainda agora numa entrevista aqui para o Stuttgart falei a mesma expressão, que é a gente no futebol tem que ter sorte, mas para ter sorte a gente tem que trabalhar para caralho, né? E acho que foi um ano que deu sorte para a gente,
E também fomentou muito aquilo que é preciso num desporto coletivo que nem o futebol, que é a camaradagem, o espírito do grupo. O Cacau lembra, muitas vezes a gente fazia resenha no vestiário depois do treino, a gente juntava o time para ir fora para comer. E eu acho que a grande diferença entre esse futebol do nosso tempo e o futebol de agora é que isso aí veio foder futebol.
atual e o jogador de há 20 anos pra trás. Hoje em dia, o futebol é mais... A gente olha pro jogador que é mais infantil. Não tem tanto... Não tem personalidade de cobrança. Não sabe o que é difícil. Eu acho que o futebol hoje em dia tá mais fácil. E a gente, no nosso tempo, o futebol é mais sofrido. Hoje em dia, cara, os caras... Se um time desses, qualquer elenco que nem o Stuttgart tem agora, se pegasse um Felix Magath...
de novo. Os caras iam chorar, amigo. A gente tá rindo, mas os caras iam chorar. Chegar numa pré-temporada e ter três treinos num dia, os caras iam chorar, meu amigo. Grafite contou pra gente escalar montanha. Não, tu não tem... E tu fica rindo, mas é verdade. E você precisava também. Nem dois minutos. Nem dois minutos. Cara, é verdade. O jogador vomitando. Não, para com isso. A gente sofria, cara. A gente sofria.
Tô brincando. É, dá certo. Eu não aguento vir do hotel pra... Tu pegava o Magath e ficava benzinho lá. Pré-temporada já era. E aí me ajudava. Pô, é três, três, três. Tipo, acordava sete e meia, despertava sete e quinze da manhã, sete e meia, você tinha que estar lá embaixo, você não sabia pra onde ia correr, quanto ia correr, em qual velocidade. Tipo, ele ia atrás, tinha dois auxiliares que colocava, ia lá pra frente, você ia correr atrás dos caras sem saber o destino. E o Magath, o cara que
fazia maratona, o cara ia no fundo. Ou seja, se tu quisesse dar uma relaxada e ficar longe dos caras que vão lá na frente, não dava. O cara obrigava você a grudar sempre lá no grupo da frente. É louco. E depois não é só isso, sabe? Isso que eu não gosto e eu acho que não é bom pro futebol é que pra além dessa metodologia do cara de ser muito forte na vertente física, o cara sempre chegava no treino, o cara não ria pra ninguém, o cara não interagia com uma brincadeira com ninguém. Então tu vai pro treino e já sabe, puta que pariu de novo.
Era uma guerra psicológica. Não, é que tu tem que se automotivar pra pegar um pouco de paixão, de alegria num treino que já sabe que vai ser triste e de sofrimento. Sabe, se tu acredita que o melhor método pra ter sucesso que é na vertente física, tu pode tentar quase convencer os caras que tu tá treinando que a vertente física é o mais importante, mas vamos tentar criar com um pouco mais de alegria, né? Sim. O cara não, pá. O cara é sempre...
sabe o que era assim sempre na vertente física muito a gente ia no sofrimento e psicologicamente tu já caía sabe então eu acho que eu acho que a gente aprendeu muito a sofrer na nossa época pré-temporada e muito imagina com o Maga se não ganhava ou se tu perdesse o jogo tu já sabia que no próximo dia tu ia correr filho não tem massagem não tem bobinho é corrida sem bola sabe é sempre assim é tipo uma
Uma liderança através do medo, praticamente. É isso. E a gente que já tinha um pouco de personalidade um pouco mais forte, ainda conseguia levar. Agora imagina um moleque que não tem... Por isso que eu te falo, a gente hoje em dia vê qualquer time, a grande maioria, falta personalidade forte. No Brasil é igual, em todo mundo. Tu compara a seleção brasileira da agora com a seleção brasileira de há 20 ou 30 anos, não tem comparação.
filho, sabe? Não, tu vai ver depois a individualidade, a personalidade dos caras, a liderança, não tem, sabe? E claro que eu acho que hoje em dia no Brasil ainda tem um ou outro que tem essa liderança, que nem o Casimiro, por exemplo, mas esse tipo de jogador tá acabando. Difícil, né? O capitão, é difícil você apontar um capitão na seleção brasileira. Três perguntas. Mas em Portugal é igual, né? A gente tem o Pepe, que vocês conheciam, tem agora o Ronaldo, quando acabar o Ronaldo, estamos fodidos, né? Não tem igual.
É verdade, né? Cara, é igual. Eu ia perguntar três coisas. Só uma coisinha. Aproveitar que ele citou técnico e tudo mais. Só trabalhar com o Filipão, assim, foi muito diferente do que você tinha encontrado na carreira. Era um técnico de alto nível. Igual essa relação com o jogador. Porque no Brasil, o Filipão ganhou a Copa do Mundo com a expressão família escolares, né? Claro. Em Portugal, parece que ele fez algo também com a população e a seleção. Não parece. Fez mesmo, né? Fez mesmo.
se há algo diferente que o Scolari fez, ele conseguiu aproximar muito a população de Portugal com a seleção portuguesa. Ele conseguiu criar um ambiente, uma relação muito forte entre a população portuguesa e a seleção, fazer com que todo português vibrasse com a nossa seleção, se preocupou muito em aproximar essa relação e era um cara que no vestiário era sagrado, né? Pra gente, tudo que era
o futebol, o cara era muito sério. Tu faz besteira, o cara vai apontar a sua besteira. O cara não vai apontar a sua besteira porque você é o Ronaldo, porque é o Figo, porque é o Pauleta, sabe? Então isso, qualquer jogador percebe isso, sabe? Quando tem um treinador que sabe que existe, que a gente perde porque o cara lá cometeu um erro, mas o treinador não vai falar pra ele porque é o Ferão. E o Felipão não existia isso. Então a gente sentia que havia compromisso, que havia também um pouco de... com uma diretriz muito...
muito sincera, porque ele tem isso. E depois era um cara que na vertente psicológica era foda. Ele conseguia motivar muito a gente. O cara tinha vídeo, tinha palestra de motivação. Sempre com uma metodologia de treino muito específica. O cara gostava muito de trabalhar individualmente por posição também aos jogadores. E eu acho que um treinador tem que ser isso, sabe? Tem que ser forte dentro do campo, mais fora do campo. E eu acho que até é mais importante fora do campo do que dentro do campo.
E eu tenho, se você me permite, na minha época, ou se eu olhar para trás para todos os treinadores que eu peguei, tem dois que se destacam. Mourinho pela parte psicológica, pela relação, e o Spalletti por aquilo que é o método de jogar, que é uma coisa incrível. O cara tinha uma metodologia de treino e de jogo que é apaixonante e que é diferente de tudo e de todos.
depois na vertente pessoal, o cara era fraco demais. Muito fraco mesmo. E Mourinho tinha isso, sabe? Mourinho, na vertente pessoal, o cara é uma relação muito direta, sempre criticando quando tem que ter crítica. Conseguia distinguir aquele cara que precisa de carinho, de motivação, de confiança, do que aquele cara que tinha toda hora que se é picado. Então, quando tem um treinador assim, treinador jovem, com método de treino fácil, porque o Mourinho foi um cara que em Portugal impressionou muito por essa relação,
pelo fato do cara falar também. Sempre que o Mourinho fala, o cara sempre vai falar algo diferente. Tem uma história dele específica? Tem uma que me marcou muito, que foi numa segunda-feira a gente acabou de jogar... O Mourinho chegou em Portugal numa altura que o Benfica estava mal. Então a crítica pegava muito forte na gente. E depois tem aqueles caras que gostavam de ser os ferão. Os caras que jogavam
Jogaram no Benfica e gostavam de criticar. Toda hora ficava criticando, criticando, criticando. Então teve uma hora que um treinador do campo maiorense, que era o Diamantino Miranda, que era um cara que já tinha jogado no Benfica, falou que a grande maioria do elenco do Benfica, nessa altura, não tinha qualidade para estar no Benfica. Capa de jornal. Então o Mourinho não disse nada. Ué, a entrevista saiu na segunda-feira e o cara não vai falar nada.
Terça, quarta, quinta, a gente vai jogar em campo maiorense para a taça no final de semana. Parou o campeonato, a gente foi jogar lá.
a gente faz o esquentamento e tal, chegamos no vestiário para trocar camisa e para entrar, e o cara bate a porta, fecha a porta do vestiário, e na porta do vestiário tem a entrevista do cara lá, em grande, mas não era nem o tamanho do jornal, era o dobro, grandona. E falou, esse cara aqui apontando para a entrevista, esse cara aqui falou que vocês não têm qualidades para jogar no Benfica, vamos lá para dentro provar se a gente tem qualidades ou não para ganhar desse cara e para vocês jogarem aqui no Benfica.
Claro, aí tu fica... Amassou. A gente não amassou, mas ganhamos de 1x0, né? Ganhamos de 1x0. Com sangue nos olhos. Não, com sangue no olho e com vontade de quebrar o cara no meio, sabe? E eu acho que qualquer treinador teria defendido o grupo na terça-feira, na quarta-feira. Ele não, ele esperou. Não, vou usar isso na hora do jogo. Isso parece que não, mas qualquer time motivado... Claro. É um time diferente.
E a gente tinha... Brasileiro é outra parada. A gente tinha alguma qualidade, não tinha a qualidade do mesmo time, por exemplo, do Porto, que tinha a grande maioria dos jogadores jogando na seleção. Destaque no Porto nessa altura era o Deco. Nesse ano o Mourinho vai para o Porto, ganha a Liga Europa, no ano seguinte ganha a Liga dos Campeões, com Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Paulo Ferreira, Vitor Bahia, Jorge Costa, Deco, Manish, Timão, Derley, Timão... E Carlos Alberto. Carlos Alberto, é verdade.
Depois teve o Diego. Diego estava no primeiro ano, acho eu. Não, o Diego chega no Mundial só. Ele não ganha Champions, ele chega para o jogo contra o Nascimento. Depois da Champions. Ok. Não, mas o Porto nesse ano tinha um timão e a gente no Benfica sentia que... Porque na pressão, o Benfica é muita pressão. É o time com maior exposição em Portugal. E Porto e Sporting também são os considerados times grandes lá, né? E quando tu sente que tem um time que está...
elenco destacado, tu fica, tu já fica... Correr atrás. Cara, não era fácil pra gente. Então a pressão grande. Um time do Benfica sem... Eu não... Imagina, eu tinha chegado no Benfica no ano anterior, no meu segundo ano do Benfica já era capitão do time. Por quê? Porque não tinha mística, não tinha jogador da seleção portuguesa com destaque. Eu acho que um time grande tem que ter isso. Não pode perder aquilo que é as referências do clube. Tem que ter uma referência. Então, pra mim,
chegar num clube pequeno que é o Vitória, é o clube do meu coração, mas comparado com o Benfica, não tem a mesma dimensão. E no ano seguinte, já ser capitão de equipa, isso transmite também um pouco daquilo que era o momento difícil que o Benfica estava vivendo. Humildade dessa parte, tipo assim, o Fernando era e é capitão nato, alguém que chama responsabilidade. Vai ali, chama a responsa com o treinador, com o diretor e tudo, e quando é dentro do campo, chama ali também.
outros e depois, na hora que sai fora. Então, claro, tem a humildade da sua parte nesse sentido, mas foi e é um capitão nato. Um pra cada um. Cacau, zagueiro mais difícil. Não vale o Fernando, olha aí. Aí, aí, parceiro. Obrigado. Não vai falar eu, né, parceiro. O zagueiro mais difícil que tu enfrentou, assim. Olha... Isso é difícil. Bota dois, pelo menos. É, dois ou três. Não, eu não. Não, porque
Porque eu tô pensando, imagina, pra mim vai ser difícil também. Já vou perguntar o contor.
Tentando os caras feras, falar só um é difícil, né? É que a gente jogou muito a Bundesliga e depois a gente teve tempo na Champions League, né? Então a gente pegou United, pegou... Seleção alemã também. Isso, então. Mas, assim, na Bundesliga, realmente pra jogar contra, que era mais duro, era o Bordom, né? Bordom é... Ele era rápido e forte, tipo ali pra passar e sair de cima. E alguém que o povo conhece também.
Depois, por jogar tanto na Champions League quanto com a seleção alemã, tipo um Puyol. O cara... O Piquet é um craque também, sabe jogar bola e tudo. Mas acaba sendo até o Rafa Marques na época que a gente jogou aqui. Mas é um cara que sabe jogar e acaba deixando jogar. Mas o Puyol era louco. Chegava em cima, marcava, pisava. Pegou o Rio Ferdinand também, né? Peguei o Rio Ferdinand. É, tipo... Em 2003. É, então.
Tipo, a gente pegou o John Terry também no Chelsea. Ricardo Carvalho também, né? Ricardo Carvalho. Ou não? Acaba na época. Ricardo Carvalho e Terry Lampardo no meio. Então, tipo assim, bastante nomes aí conhecidos. Tipo, são caras difíceis de jogar contra que no final você olha pra trás. Putz, você tá junto com esses caras. Pra você os atacantes. Começou logo pro Drogba, né? Drogba tem o paquete, é o carro full extra, né? Tem tudo. Tem tudo. O cara era forte,
forte, era... Era foda no ar, o cara é rápido. Incrível. Pra mim, ele, o Ronaldo Fenômeno e o... E o Ibramovic. Ibramovic era... A gente fala peladeiro, né? No Brasil. Todos diferentes, né? Peladeiro. Eu não imagino, tipo, você em campo, um cara desse vindo pra cima, assim. Deve ser um negócio, meu. Mas o quê, né? O que eu acho estranho é que, imagina, o cara mais... Eu depois peguei outros amempicos. Imagina, o Vanessa Roy.
Cara inteligente pra caralho, com o movimento que tu, naquela época, tu, o que o cara tá fazendo? O cara que é no pé, procura a profundidade e vem pegar no pé, sabe? Tudo isso que é a escola holandesa, que normalmente a gente aprende com treinador que é pique. Hoje em dia, claro, qualquer treinador já passa esse princípio pra um jogador. Por isso que eu acho que hoje em dia é muito mais fácil, se tu quiser aprender, evoluir, tu tem quase toda a equipa técnica que tu vai passar isso pra você. No nosso tempo, esse detalhe,
pro menor não existia, filho. Tu tem que buscar, ou tem ou não tem, sabe? É difícil tu ter na nossa época um treinador que passa esse detalhe pra você. E eu aprendi com 30 anos o que era bola coberta e bola descoberta, né? Sabe o que é bola coberta e descoberta? Você sabe o que é? Então, bola coberta é quando, imagina, um médio lá, os caras que tem a bola, quando o cara tem a bola e tá de costas pra você, a bola tá descoberta. Tu pode subir a zaga.
Na hora que a bola fica coberta, ou seja, que o cara vira pro jogo e pode botar a bola nas suas costas, já tem que proteger a profundidade. Aprendi isso com 30 anos, amigo. Por quê? Com os paletes. Mas por quê? Porque não tive treinador que ensinasse pra mim, né? Era na intuição, né? Na intuição você pensava, pô, o cara virou pro jogo, eu vou ficar atento aqui. Que nem quando vem um centroavante pra você, como é que tu deve ir?
Assim com os pés paralelos ou apoiado assim? Hoje em dia todo mundo sabe que é assim. Na minha aula,
Na minha época, ninguém ensinava, não tinha um treinador que falava assim, ô Fernando, quando o cara vem pra você, já se bota do lado. Posiciona. Já se posiciona, sabe? Hoje em dia, todo jogador tem esses detalhes e mais não sei quantos. Na minha época, na nossa época, a gente não tinha um treinador que fala assim, ô Cacau, quando quer buscar no pé, procura na profundidade e depois vai buscar no pé. Na época era tipo, ou você faz, se faz, joga, se não faz, você sai fora. Tipo, era meio... O Vanessa Roy tinha isso, sabe? Esse movimento de...
o timing de ganhar a sua frente, sabe? Quando tá saindo o cruzamento, o cara já não fica aqui do seu lado, que tu tá vendo a bola e o centroavante, já fica aqui numa posição mais atrás, que tu já tem que, sabe? E depois o timing certo, sabe? O cara... Acho que o centroavante que normalmente é perigoso é o cara que sabe ler esse timing, perceber quando é que tem que atacar a frente, ou que parece que vai atacar a frente e depois dá um passivo e entra nas suas costas e você quase que chega, sabe? Você falou do Rafa Marques, queria perguntar pra vocês
enfrentar o Barcelona no Ronaldinho. Ué, eu posso contar só uma resenha do jogo aqui em casa que a gente pegou o Barcelona. Barcelona que era só filé mignon, né? Não tinha gordura, não tinha osso. A carinha só... É brasileiro. Português com a resenha do Brasil igual esse. Não tem, não tem. E a gente, aqui em casa, o treinador alemão tem uma expressão que chama Zweikampfgewinnen, que é
ganhar o duelo, sabe? Quando pega uma dividida, tu tem que ganhar. Como é que chama? Zweikampf gewinnen. Ok. É? Gostou? Repete aí comigo. Não consigo. De novo, né? Zweikampf é dois e Kampf é luta. Vai juntando, né? Juntando a palavra, Zweikampf, que quer dizer dividida, é a luta. Ah, Zweikampf gewinnen, não é isso? Zweikampf gewinnen. Vocês lembram aquela resenha do Zé Roberto que ele falou lá do Barcelona, né?
com o Oliver Kahn. É um pouco isso, né? A gente pegou esse Barcelona do Sol Filamignon. E a gente tinha um treinador aqui que o cara antes do jogo falou aqui só tem uma pra ganhar no Barcelona. É Zweikampfgevina. A gente tem que ganhar o duelo. Cara, a gente, claro que a gente queria ganhar. Mas chegou no intervalo, o cara falou foda-se, a gente não tá ganhando o Zweikampf. E eu falei, treinador, eu lembro de falar no intervalo.
Como é que a gente vai ganhar o Zweikampf? Porque a gente sempre chega, quando chega a bola já não tá lá. Depois do Zweikampf.
sabe? É verdade, sabe? O Barcelona é isso. Os Vai Campos já foi, cara. Porque acho que essa era a mais-valia do Barcelona. A bola sempre tava circulando. Recebia, dava. Recebia, dava. Tu não tem um cara que recebe que já vai inventar, já vai tentar fazer alguma coisa sozinho. Dá uma porrada ou não dá? Quer ganhar a bola, como é que tu vai ganhar se não tem o Vai Campos? Não tem dividida sequer. Então eu lembro no intervalo de falar isso pro treinador. Olha o treinador, para comigo.
que a gente não tem sequer tempo pra chegar na divisão, cara. E esse jogo, o Ronaldinho aqui, tanto que muitos falam, teve dois jogos épicos aqui no Stuttgart. Um foi Nápoles contra o Stuttgart, que foi, acho que, a final da Copa da UEFA. Maradona veio jogar aqui. E antes do jogo, ele jogava a bola pra cima, pra lá. E tipo, a torcida falou, só o aquecimento já valeu o ingresso. E o segundo foi o jogo contra o Barcelona. O Ronaldinho, mesma coisa. Pegava, jogava a bola pra cima. Tive um sorriso lá em cima e tava jogando.
forte, hoje eu vou acabar com... E muitos lances, ou alguns lances que aparecem dele, highlight e tudo, é, inclusive, aqui contra o Estúdio, é que ele pega e vira a bola, que todo mundo quer pegar, ele não pega, dá o passe por cima, acho que na época estava o Thierry Henry, ainda no Barcelona, tipo, fez chover aqui, tipo, e nem foi os melhores jogos dele, mas tipo assim, fora da curva, totalmente, eu acredito que você tem a camisa dele desse jogo. A minha sorte é que eu tinha o Deco, né? E tu quando chega no final do jogo,
Quando chega no final do jogo e tu vai encarar o deck e pensa assim, caralho, agora que camisa que eu vou pedir. Gente que eu quero, né? Já nem quero falar da saca, né? Mas só do meio tinha. Busquets, Iniesta, Xavi. Depois na frente, Henry, Ronaldinho, Messi. Eu falei, o deck. Ronaldinho e Messi no jogo. Ronaldinho, Messi, Thierry Henry. Ainda tem um ano que tinha o Ibra. Tem o Eto'o. Cara, o que é que tu vai fazer? Eu falei, o deck, tem que conseguir cinco camisas pra mim.
Ele conseguiu cinco num jogo e cinco no outro. Verdade, cara. Verdade. Deco, te amo, hein? Verdade, verdade. O Fernando tem o mini-museu de Barcelona de história. Cara, assim, primeiro eu queria falar uma coisa que pra gente é uma honra estar aqui. Uma conquista. Pra mim também, amigo. Estar aqui no Stuttgart, nesse estádio espetacular. A gente começou um, né? A gente começou um projeto.
5 anos atrás. Enfim, com um sonho, mas a gente não imaginava que ia dar tão certo assim de chegar... Vai chorar agora, não vai chorar. Um estádio como esse, na Alemanha, num país que não é o nosso. E aí eu queria falar... Pô, o Fernando é um cara espetacular brasileiro, né? É. Dá o CPF pro cara que... E falar de um cara que eu acho que representa o que o futebol significa mais, principalmente pro nosso país,
que é um instrumento de ascensão social, que a gente devia ter mais no país, através da educação e tudo mais, mas a gente tem no futebol. E tá aqui um cara que é um exemplo disso, um sonhador, um cara da periferia, um cara que venceu na vida. E, cara, dá muito orgulho pra gente ver os alemães te colocando num patamar, você não consegue andar aqui, de ídolo, como eu falei com o Dedê também, os caras,
que são idolatrados em outro país, e a gente sabe da dificuldade que o Brasil vive, a sua história é a história de milhares de brasileiros, muito parecida. Então, assim, Cacau, uma honra pra gente ter tido você no Charla, de verdade. Talvez o episódio mais especial pra gente, por ser aqui, na Alemanha, nesse estádio espetacular, nesse clube espetacular. Então, é uma conquista pra gente, e muito foda ver o que você conquistou aqui, de verdade, assim, cara, e o cara que você é. Cara, só tenho a agradecer,
Um dos episódios mais especiais, se não o mais especial da história do Charla. Obrigado. Obrigado por estar com você nesse tempo aqui. Obrigado. Que isso, eu que agradeço. Obrigado. Chorei aqui. Não jogo. É, foi espetacular. Assim, o Cacá, você lá embaixo, o que a Tere falou. Falei aqui durante o programa também da experiência incrível que foi e contar a tua história pro nosso público, né? É importante, isso vai ficar um legado, né?
É muito bacana. Estar aqui é muito especial. Essa entrada do Fernando aqui foi também...
Demais. Sensacional. A gente tá programando uma... Depois da Copa, talvez, no ano que vem, a gente tá amadurecendo uma volta pra Europa, por Portugal, que a gente tinha recebido muita mensagem dos portugueses que gostam muito. Então, assim, já foi uma prévia com o Fernando. Com certeza. Obrigado pela tua disponibilidade e pelo teu espírito de entrar aqui aberto. Obrigado, amigo. Sabe o que eu acho que...
Parabéns para vocês por essa ascensão. E eu acho que o futebol tem isso mesmo. O futebol e o cacau é um exemplo daquilo que é bonito de ver no futebol. Que é o cara que vem da roça. E eu também vim da roça. Você estava falando do cacau. Mas eu também venho do nada. Eu sou de uma família onde cresci com a minha avó. Os meus pais tiveram que vir trabalhar para a Suíça. Eu fiquei vivendo sozinho com a minha avó. Numa aldeia lá perto de Guimarães, da minha cidade. Então também cresci do nada. Obviamente tinha comida na mesa, mas...
Era uma vida mais simples, né? Eu acho que o futebol tem isso mesmo. Por vezes dá a oportunidade e a chance e o reconhecimento do cara que vai à procura de ajudar a sua família, os seus amigos. E é um exemplo também para a sociedade. Mas aquilo que eu acho que é mais notório no Cacau e aquilo que eu mais admiro nele, e eu também sou assim, que é os caras que conseguem ter uma carreira legal e a personalidade continua a mesma ou mais simples ainda.
ainda, sabe? Tem muito cara que na hora que começa a ter um pouco de foco, já muda. Flutua. Já muda, muda de celular, não liga pra você, não liga pros caras que estão na rua, não quer dar entrevista, sabe? E isso é aquilo que eu mais odeio na vida, é ver gente que com um pouco mais de sucesso, um pouco mais de dinheiro, já muda a personalidade. Então a gente tem que ser um exemplo pros outros, e o Cacau é um exemplo daquilo que é simplicidade.
Primeiro a resiliência, aquilo que é importante que a gente tem na vida, porque a minha vida,
hoje em dia, eu também tenho competitividade no meu negócio, que é o futebol, que eu sou agente FIFA. O Cacau também sabe o que é crescer na competitividade, é importante a gente, vocês também têm hoje em dia muita gente também competindo com vocês, tendo podcast, e se você não tentar inovar, crescer, criar ideias novas, também vai ser ultrapassado pelos outros. Por isso é que a gente tem que aprender a ser competitivo, mas nunca perder a essência daquilo que é importante, que é ser simples,
ser humilde e valorizar aquilo que Deus deu pra gente, que é a oportunidade de ser feliz ter saúde e poder também ajudar quem precisa ser ajudado eu que mais uma vez agradecer a vocês pela oportunidade de dar essa plataforma de poder falar tantas palavras de gente que eu admiro muito e poder estar aqui junto com vocês foi algo especial, estou feliz e ansioso por essa transmissão e com certeza
Eu espero que uma ou outra pessoa possa receber isso como um incentivo, um exemplo e tudo isso. Obrigado pela conversa e obrigado o português mais brasileiro que eu conheço que consegue na conversa já mudar do português de Portugal para o Brasil. Obrigado por ter participado. Foi demais. Fernando, você está convidado a participar. Tem um episódio seu aqui no Chala. Para a gente vai ser uma honra. Só para terminar, você é parceiro de algum técnico que
foi treinar no Brasil? Arthur Jorge, Abel, Jorge Jesus. O que é que tu acha? Tu não conhece aquela música do Roberto Carlos? Esse cara sou eu. O cara que eu conheço. O técnico que treina no Brasil. Esse cara sou eu. Conheço, sim, conheço. O Abel, conheço muito bem o Abel. Gente muito boa. Um cara que, desde o início da sua
sua carreira, que deu para perceber que era um cara diferente sabe, e eu lembro de uma antes dele ir para o Brasil, a gente teve lá um almoço com ele eu, os meus sócios Pedro Mendes, Nuna Cis e o Abel porque ele treinava o Paulinho que é um centroavante que a gente tem que estar jogando no México, ele treinava o Paulinho no Braga, ele que quis contratar o Paulinho então o Paulinho teve um sucesso incrível no Braga se adaptou, chegou à seleção portuguesa, jogou no Sporting agora está no México, três anos consecutivamente
o melhor goleador da Liga do México, e o cara é um cara muito, primeiro, na relação com o jogador, muito forte, na pré-eleção, o cara é um cara que sabe incentivar, no relacionamento com o jogador dá para perceber que é um cara muito forte, e a forma de ele jogar, de ele se posicionar no seu time, de ele criar, principalmente a nível ofensivo também, soluções diferentes, o cara é inovador. Então, desde muito cedo, deu para perceber que era um cara
ia ter sucesso. Quando tem um treinador que tem essas duas vertentes, forte na relação humana e na motivação e forte no campo, tem tudo só... Tem tudo para dar certo, não é? E eu fico contente por... Principalmente por perceber que os técnicos portugueses que estão indo para o Brasil, alguns deles estão tendo sucesso. Eu entendo que é difícil... Três campeões de libertadores, não é? É difícil, para mim... Porque eu também consigo...
Eu me consigo colocar também do lado do brasileiro, que está vendo que o futebol
é Brasil, futebol é Brasil e a gente está tendo sucesso num produto português que é bom, mas não pode comparar com o Brasil. Futebol Brasil está aqui depois, ou seja, estão os outros times aqui e o Brasil pra mim e pra grande maioria do futebol, o Brasil é tudo aquilo que é o produto brasileiro é forte, então e tem treinador brasileiro que também é bom, né? E eu acho que a gente está vivendo uma fase agora no Brasil que por vezes até é um exagero
treinador português está indo para lá. E eu consigo me colocar no lado do treinador brasileiro que pensa, pô, porque como é que os caras... Não é fácil, né? Não é fácil para o treinador brasileiro e também não é fácil para o treinador português que vai ter cobrança porque o futebol brasileiro não é fácil, né? Mas fico feliz porque eu acho que o treinador português também tem representando muito bem aquilo que é a evolução do treinador e hoje em dia a gente tem muito treinador português que é muito bom. E isso aconteceu um pouco em Portugal nos anos 80.
É verdade. Muitos brasileiros. É verdade. A gente conversou com o próprio... Quando a gente conversou com o Luiz Castro e com... Você falou com o Arthur Jorge. Essa coisa do... Como que a quantidade de brasileiros nos grandes times de Portugal fez com que essa mudança lá do Vitor Fraz e tudo mais... Mas é diferente. Essa guinada dos portugueses. É diferente. Eu vou explicar pra você qual é a minha maneira de pensar. E tô falando contra mim, contra o meu país, Portugal.
Portugal é pequenininho ao lado do Brasil, né? E quando tem um monstro que nem...
que nem é o Brasil, que nem é aquilo que representa pra todo mundo o futebol brasileiro. Tá vindo 20, 30, 40 treinadores pra Portugal, é normal. Porque o jogador brasileiro também, a maioria do jogador brasileiro tá em Portugal. Ou seja, em Portugal a maioria do jogador de fora é do Brasil. É normal, porque o Brasil é o Brasil. Então pra gente receber treinador brasileiro é normal. Agora, de um clube, de um país pequeno, que nem Portugal, tá mandando tanto treinador pra um gigante que nem o Brasil,
é que é uma surpresa, e tem sido uma surpresa. Surpresa boa, porque o treinador português, e eu também tenho que reconhecer isso, está evoluindo, está crescendo, está sendo um produto muito forte a nível mundial, e eu acho que também tem dado conta daquilo que é a exigência do futebol brasileiro, e tem tido sucesso, porque também está preparado para isso. E o final, acho que o grande sucesso, principalmente agora, por último, do Abel, claro, Jorge Jesus, um grande treinador, mas já mais experiente,
pegou um time forte do Flamengo e tal. Mas tipo, o que o Abel fez e faz, do meu ponto de vista, é sensacional. Até hoje o cara tem a mesma energia, tem a mesma motivação e consegue cativar o jogador. Então isso consegue potencializar pra todos os outros treinadores portugueses. Então tipo, ficou o adjetivo treinador português, treinador bom, por conta do Abel, do meu ponto de vista. Então aí com isso acabou tendo esse...
Acabou tendo essa vinda dos treinadores portugueses e abriu a porta para outros. Eu acho que se a gente fazer uma análise daquilo que é o protótipo de um treinador português, eu acho que hoje em dia o treinador português, para além da relação humana, o cara no campo é muito forte. Na análise, no vídeo, no ensinamento para o jogador, é um cara muito mais evoluído. Daqueles detalhes que a gente estava falando aqui. Eu acho que deve ser também uma matéria de reflexão para o treinador brasileiro,
se preparar melhor, sabe? Por vezes um treinador brasileiro, cara, é que nem um jogador. Tu só porque sai de uma academia de um time grande não quer dizer que você é um grande jogador. Tem que se preparar da melhor maneira. E hoje em dia o treinador brasileiro tem que se preparar melhor ainda, sabe? Porque tem ferramenta também pra isso, sabe? O passaporte é de valor, só porque é brasileiro já é bom, porque tudo que é jogador brasileiro também já olha de uma maneira diferente. Se tu vai olhar um jogador do Azerbaijão com todo o respeito, tu já não olha da
da mesma maneira, porque a cervejão, tu já fica na dúvida, né? Brasileiro, tu já pensa. O cara tem escola, né? Tem que ter bola. Então, eu acho que o treinador brasileiro, de uma maneira geral, deu uma relaxada, só porque pensa, ué, não é preciso a gente ir a esse detalhe, porque o jogador já é bom, sabe? O jogador brasileiro já é bom. Se a gente tiver uma boa química, uma boa relação, já tá bom pra ser treinador. Não, cara, tem que querer mais.
O futebol, hoje em dia, requer mais, porque tem outros caras, que nem os portugueses,
tem um tipo de aprendizagem, de ensinamento completamente diferente. Então, tu tem que crescer mais. Eu acho que essa que é a grande linha quase de pensamento que tem que ter um treinador brasileiro, que hoje em dia tem que ter uma formação melhor, tem que se preocupar mais em ser mais evoluído tecnicamente, porque acho que é essa a grande diferença do treinador português desses dias agora pra 20 anos atrás. É o cara que hoje em dia no ensinamento é um cara muito mais profundo. Então, hoje em dia a gente tem tanta ferramenta pra onde tu pode aprender.
Só não aprende se não quiser, né? É isso aí. Se deixar a charla, vai ir a charla. É verdade. Bernardo já tá convidado a participar do charla do episódio dele, cara. Ó, palmas pra essa resenha histórica espetacular. Aqui, ó. Uma honra sensacional. Olha que, cara, é a camisa do jogo. Beleza, Beto? Eu já vi muitas vezes essa camisa indo pro gol, olhando assim pra trás.
Cara, ó, o Charla esteve com o Cacau. Obrigado, Cacau. Obrigado, Fernando. Aqui em Stuttgart Histórico, Betão. Pô, fera demais. Isso aí. Tamo junto. Ó, tem os filhos dos nossos patrocinadores, né? Primeiramente, a Brahma. O Charla é Brahma. A Brahma. Tu gosta, né? Quem não gosta? Quem não gosta? O Charla é Brahma, o Charla é Sabe, Sociedade Anônima da Brahma.
delivery e aí 10% de qualquer valor que você comprar vai pro seu time de coração. Se for a Brahma Zero, você vai dirigir 20% do valor vai pro seu time de coração, beleza? Tamo junto, Brahma. O Charla é Brahma, o Charla é Sabe, beleza? Tamo junto. É assim, né? Pro título, né? Amém! Vocês acreditam mesmo que o Brasil vai ser campeão? Ah, não, é. Eu tô com ele. Eu tô com ele aí, né?
O Carleto vai dar uma arrumada ali. Não acho, não acho. Não, eu adoro. Sua participação foi boa. Não, vamos... Não, vamos falar sério. Eu não acho... Imagina, a potência que é o Brasil, a potência que é a Argentina, eu não acho que esteja ao nível de uma grande seleção europeia. França, por exemplo. Eu acho que França é o principal favorito. Espanha, né? E Portugal. Também eu não acho que esteja... Portugal está nos times que podem lutar, que nem o Brasil.
Brasil, por exemplo. Mas eu acho que a França tá... Não me concordo. Mas você como brasileiro, né? Não, o Brasil, como individualidade, tá... E o treinador... Quem não gosta do Antilote? É, então. Eu acho que é... Se tem um treinador certo pro Brasil, é o Antilote. Não há dúvida. Agora vamos ver como é que o Brasil vai ser coletivamente. Como é que você colocou ele? França? Espanha? Não, eu coloco a França como o principal favorito. Tem um grande elenco. Depois tem...
Alemanha, Alemanha é forte. Mas eu acho que a Alemanha, se tiver todo o elenco bem, um Virtus, um Musiala, cuidado, hein? É time difícil de pegar. Espanha, pela forma da Espanha jogar, porque tem jogador bom. Já fez um Euro. Tem uma bagagem já... Acho que todo time já sabe as ideias do treinador e isso ajuda muito. E depois eu acho que tem um Portugal, a Argentina, o Brasil. Não acho que tenha o mesmo... Pelo menos o mesmo percentual pra ganhar...
pra quem assistiu. Sim, sim, sim. Tem a gente falar de quem também, Paulinho? Me ajuda aí. Sporting Bet é a Casa de Apostas que é parceira do Xala Podcast. Sensacional. Começando um ano aqui, né? Voando, levando o Xala pelo mundo. Tamo junto. E ó, QR Code tá aqui. Faça sua fezinha. Mas sempre importante lembrar, tá? Não se comprometa financeiramente. Aposta é entretenimento, não é investimento. Tu não vai ficar rico. Então a parada é essa.
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Estamos na Alemanha. Stuttgart. Eu vou avisar logo que eu não vou votar mais, hein?
Tchau, tchau!