#692 - Dedê [Ídolo do Borussia Dortmund]
A Charla de hoje é com Dedê, Campeão da Bundesliga e ídolo do Borussia Dortmund.
- FutebolInício na base do Atlético Mineiro · Profissionalização e primeiros contratos · Desenvolvimento como lateral esquerdo · Ascensão ao profissionalismo · Seleção Brasileira
- Experiência no Borussia DortmundAdaptação na Alemanha · Campeonato Bundesliga · Anos de permanência no clube · Status de ídolo · Legado e impacto na torcida
- Dificuldades econômicas na juventudePobreza e falta de recursos · Roubo de cartão bancário · Perda de dois mil reais · Apoio de colegas e técnico · Solidariedade do elenco
- Relacionamentos FamiliaresComunidade perigosa em BH · Seis irmãos · Sacrifício para ajudar família · Infância com dois lados · Gratidão a Deus e pais
- Mentoria e InfluênciasPai como figura importante · Técnico Eduardo Moraes · Marques como referência · Jogadores veteranos como exemplo · Formação de caráter fora de campo
- Evolução dos salários e contratosPrimeiros salários mínimos · Aumento progressivo · Diferença salarial entre épocas · Contrato profissional · Comparação com valores atuais
- Lateral esquerdo como posiçãoDesenvolvimento na posição · Cruzamentos · Comparação com outros laterais · Evolução tática · Jogos em outras posições
- Mudanca para EuropaPrimeira vez fora do Brasil · Adaptação ao novo país · Dificuldade de comunicação · Custos de telefone internacional · Saudade da família
- Confrontos e brigas em campoClássico tenso · Briga durante partida · Interferência da polícia · Ambiente violento · Gol apesar da confusão
Charla Podcast no ar. E aí, tranquilidade, beleza? Seja muito bem-vindo. Não sei que horas são agora no Brasil, Beto. Estamos no meio do planeta Terra. É. Atravessamos o Oceano Atlântico. Quatro horas de fuso pra cá. Quatro horas de fuso. Essa é para quatro, cinco, enfim. Pra frente de que você tá no Brasil. A parada é a seguinte. Beto Júnior, chegamos. Pela primeira vez o Charla Podcast direto da Europa. Montamos nossa casinha. Isso. Já viemos à Europa, já viemos à Alemanha,
pela primeira vez o podcast feito daqui, beleza? Sensacional. Primeiro, agradecendo ao meu parceiro Bruno Sacramento, a galera da Bundesliga. Já é uma parceria que deu muito certo. Com certeza. É isso aí. Fechamento total. E outra parada, ó, só pra avisar pra vocês, estamos diretamente... Você pode chamar de duas formas, ok? Westfalen Stadium, ou Signal Idona Park. Escolha aí, Beto Júnior. O estádio do Borussia Dortmund, onde fica a muralha amarela. Sensacional. Mítico estádio. Vou te falar. Estou arrepiando.
Ah, eu já chorei aqui, galera, já. Quando cheguei aqui, veio de frente pra essa vista aqui, pô. É, demais. Eu falo pra galera, ó, o estádio que eu mais queria conhecer na minha vida. A gente tá aqui, eu ainda não tô acreditando, não. Eu tô realizando, tem dois míticos estádios que eu tenho vontade de conhecer e vou conhecer. Eu tô matando essa vontade hoje e quero conhecer Enfield Road. Também, né? Liverpool também. Mas aqui é a melhor torcida da Europa, não tem jeito.
Esquece. Quem não acha, isso tá me vendo errado. Estamos diante da Yellow Wall, o paretão amarelo.
Pela primeira vez o charla feito na Europa. Pela primeira vez de muitas, com certeza. Então, voadora no peito do like. Quanto mais likes a gente tiver pra mais gente, aparece a nossa resenha, beleza? Estamos direto aqui do Westfalen Stadium, o Signal Idol na Parque, o estádio do Borussia Dortmund, aqui na cidade de Dortmund. Sensacional! Onde o bicho vai pegar, vai sair faísca. A bola vai rolar pra Borussia Dortmund, bairro de Munique, o maior clássico alemão.
Estaríamos lá, né? Vamos ver isso aí. Ó, salve pra galera que tá ouvindo a gente no Spotify.
E também pra galera do YouTube, Charlo. Porque Charlo segue a gente nas duas plataformas. Se você tá com a gente no Spotify, fazendo a gente ser o podcast esportivo mais ouvido e visto também no Spotify, essa moral monstra, obrigado do coração. Mas se você tá no Spotify e não tá no YouTube, vai pro YouTube e ajuda a gente aí na campanha dos dois milhões. Batemos essa primeira meta do milhão, agora não vamos parar. E se você tá no YouTube e já dá essa moral pra gente já há muito tempo, são cinco anos de sucesso, amém. Vai pro nosso...
Spotify também. Isso aí. Deixa eu juntar com essa galera que já faz o Charla ser primeiro lugar lá também. Arroba Charla Podcast em todas as redes sociais. Instagram, TikTok, Twitter. E Kawai, se quiser, me segue aí. Eu sou o Bruno Cantarelli. Direto de Dortmund. E você quem é? Isso, papai. Me segue lá. Arroba o Beto Júnior Underline. Chega que já tem foto aqui do local, vídeo e tudo mais. É mesmo, Beto? Já tem. Muitos vídeos.
Já tem. Pô, usando o nosso bom Oclimeta. É, isso aí. Uma experiência imersiva, né? Isso aí. Cara, como a gente não tinha como ser diferente.
um dos maiores ilos da história desse clube aqui. Uma lenda. Uma lenda, né? 12, 13 anos de clube. É muito tempo, cara. Acompanhou várias fases do Borussia Dortmund, conquistas, momentos difíceis também. E, cara, falou em Borussia Dortmund, falou em brasileiro, tem que falar no nosso nome. Um dos mais respeitados para a torcida do Borussia, para a comunidade aqui do Borussia Dortmund, nosso convidado de hoje, é o homem. A chave daqui, a galera tem a chave. Lateral esquerdo, cruzamento dele para gol de título da Bundesliga,
Beleza, Everton? Agradeço o homem, hein? Com esse GPS no pé é fácil, né? É isso aí. Palmas pro Dedê com a gente aqui no Charla Podcast. Ô, Dedê, sensacional te receber no Charla. Prazer, hein? Mas, cara, uma honra ser recebido por você aqui em Dortmund. Tamo junto, cara. Sem palavras, agradecer vocês pelo convite. É um prazer estar recebendo vocês aqui na nossa casa, aqui no estádio do Borussia Dortmund. A gente fica feliz em ver vocês falarem tão bem assim. Dá pra sentir a emoção.
de estar nesse estádio aqui, a mesma que eu sinto até hoje, mesmo depois de tanto tempo. Satisfação, cara. Acompanho vocês já. Parabéns pelo trabalho, trazendo sempre diversão, falando um pouco da vida. Acho que o pessoal quer uma coisa mais verdadeira, né? Então, é uma honra pra mim estar participando com vocês, cara. Cara, você é um cara assim, você é muito ídolo aqui, né, mano? Até hoje, assim, você circulando por aqui, como é que é a tua vida?
Tu me falou que mora aqui numa cidade aqui do lado, né? Como é que é a tua vida hoje de ídolo do Borussia Dortmund? É ídolo, assim,
Eu deixo pra torcida, pras pessoas falarem assim, eu agradeço pelo respeito que a torcida tem por mim aqui, pelo carinho. 13 anos de Borussia Dortmund, assim, as melhores fases, a pior fase do clube, que foi quase a falência. Assim, só agradecer, cara, Deus, o que Deus, a minha história aqui. E poder estar aqui até hoje. Pra quem chegou aqui e falou que ia ficar 3 anos, eu falei, porra, tenho que ficar 3 anos, ajudar minha família e depois sumir daqui, que na época não existia nem internet, pô. Era outro mundo. Era um marco na época, não era nem euro,
E aí, de três anos, já tenho 27 anos. Cara, sensacional, assim. E tu tava me contando, conta a tua história, tu é de BH, né? Qual é a comunidade que tu é lá de BH, mano? É, fui criado, nasci em Cachoeirinha, depois fui pra favela do Céu Azul, né? Tive a oportunidade de... Tive seis irmãos, né? Meu pai, minha mãe, e Deus me colocou sempre, orientou e me colocou em pessoas muito boas, assim, no Atlético Mineiro, que foi onde me abriu aqui. Foi dez anos, um profissional, foram só dois, mas as pessoas certas.
Tafarel, um pai, Marques. Peguei aquela atlética, assim, de pessoas, assim, fora de campo, assim, que me iluminaram a ser homem aqui no Borussia Dortmund. Mas era uma... Como é que era a tua infância, assim? Infância na comunidade? Era de boa? Era uma comunidade que tinha perigo? Tinha outro caminho pra seguir? Ah, tinha, né? Vocês também sabem, né? A comunidade tem os dois lados, né? Mas graças a Deus, Deus guardou a gente, o papai do céu guardou eu, meus seis irmãos, meu pai e minha mãe, e a gente conseguiu ir pro lado bom.
e só agradecer a Deus, cara. Hoje só a gente tá em pé, respirando. Você citou pessoas que apareceram no seu caminho pra pontuais e que ajudaram na trajetória até você chegar aqui e se realizar fora do Brasil, né? Fala pra gente, assim, algum perrengue que você teve e que a galera chegou junto e, assim, os amigos da bola, né? Que você fez na época, assim, você ainda é novo. Imagino que chegando no Atlético Mineiro nos anos 90 ali, né? Era um Atlético Mineiro também que tava conturbado
Mas, imagina, era uma salvação, né? Jogar numa camisa como um atlete e resolver a vida. Conta algum perrengue que você teve nessa época e que a galera da bola te salvou ali. Até porque tu sobe ganhando muito dinheiro já, né? Muito, bastante. Resolveram a vida, né? É, subir com salário de 450 reais, cara. Profissional do gato. Profissional, pô. 450 reais, posso falar hoje assim, né? Como se fosse hoje uns 2 mil reais, vamos falar assim.
é isso aí. Mas na época era e só agradecer a Deus, cara, assim, foram muitas coisas, cara, que eu já... Às vezes eu deixava de ir com o ônibus do Atlético, né? Que pegava uma avenida Antônio Carlos ali, a gente morava na Cachoeirinha na época, bem longe, assim, só pra ficar vendo o treino do profissional, que depois do treino do profissional sobrava Gatorade. Pô, Gatorade era igual picanha, né? Então os caras jogavam fora, então não tinha ninguém, o treino do profissional era o último a acabar, a base já tinha ido embora e ficava eu e mais dois amigos ali pra tomar, o quê? Uns três
guetorei de cada um e depois andar duas horas pra chegar em casa. Ele tinha perdido o guetorei de chegar em casa e valia a pena, cara. Foi muita história, assim, maravilhosa. Só agradecer a Deus, assim, cara. Subir profissional do Atlético, eu tive a chance, assim, de trabalhar igual o Alfredo Tafarel, o meu pai. Levava a gente à categoria de base. Os meninos tinham acabado de subir e fazer churrasco na casa dele. Ele levava os amorosos.
Levava, levava. Fazia, levava a gente na igreja e depois de churrasco, minha mãe já cantava do meu filho, sobar a carninha, falava com o Tafarel lá. Aí o Tafarel já sabia, fazia uma carninha a mais, punha na sacolinha, chegava em casa,
e maior, carne pra moçada toda. Itafarel, assim, cara. Doriva, Marques. Então, assim, só agradecer. Valdir Bigode. Almir. Quanto tempo do time do Galo até sair? Acho que não fiquei nem dois anos, assim, no Atlético. Titular foi um ano só. Base foram oito anos, mas quando eu subi, foram muito rápidos, assim. Graças a Deus. Eu assinei o contrato vindo pro Leverkusen. Em janeiro de 98, eu ganho bola de prata no Campeonato Brasileiro.
A atuação do 97 foi destacada na Bola de Prata. Junto com Felipe e Atiço. Dois fenômenos, assim. Pouca qualidade na cara da esquerda, né? Os dois são referência pra mim. Olha o que o cara tinha que lidar, né? E ganhou a Bola de Prata. A seleção, a gente tá falando de sonho de 97, né? Que é o campeonato que você faz. Vasco campeão, final contra o Palmeiras ali. O Edmundo faz recordes de gols, né? O posto vai ser almejado era de um cara. Roberto Carlos.
E brigando, né? Ah, tinha Silvinho, e tinha muitos, pô, nem... Serginho, Serginho. Pô, Serginho, cara. Pô, eu encontrei com ele agora, tem pouco tempo aí, tava no time de lenda do Milan, assim. Então, naquela época, pô, então, quando os outros falam que eu não tive muita chance na seleção brasileira, cara, foi pra mim um orgulho. Eu tava lidando com, pra mim, uns melhores. Sim. Então, tive a chance que eu fui lá na Bahia, na primeira convocação, chego lá, dou de cara com o Ronaldo Fenômeno, o Rivaldo. Pô, eu vou cruzar, a perna tá tremendo assim, pô. Aquela, pô, tá louco.
só tenho que agradecer a Deus as oportunidades que Deus me deu quantos laterais aqui estou lembrando a Tirson e o Felipe disputaram com o Tigo a bola de prata e sem contar estou esquecendo aqui, não tinha vários outros Marco Aurélio do São Paulo Fábio Aurélio do Bolívio depois Silvinho, Serginho, Roberto Carlos Tirson, Felipe cara, não tem mais
Muito mais. Todo time de lateral, os laterais, né? Direita e esquerda. Era um destaque. É, e do outro lado, também. Agora, Dede, tu sempre foi lateral, mano? Sempre lateral. É mesmo? Ou foi porque tinha mais espaço ali e tal? É, não. Sempre fui lateral, assim. Graças a Deus, sempre fui lateral. Cheguei aqui no Borussia e vim jogar em outras posições também, que aqui é normal, né? O treinador, quando precisa, o jogo, a situação, mas sempre fui lateral. E tu falou de encontrar
lendas, né? E tu já falou de início, assim, de encontrar, pô, pra mim, uma goleira história do futebol brasileiro, né? Tafa, é? Tu concentrava com ele, cara? Pô, cara, primeira concentração no quarto, eu e Itafarel, cara. Puta! Não, é assim, já entra, né? Pô, cara não pode roncar, tem que tomar cuidado, dormir, tomar cuidado pra não rocar, não pode peidar, não pode fazer... O cara dorme e toma cuidado pra não roncar, né? Aquela sensação de quem tá do seu lado ali, mas um cara, assim, um exemplo pra mim. O que ele tem de ida,
É a simplicidade dele. Na concentração, eu ficava de cueca, pegava balde de salada e comia, brincava com as tias, abraçava, assim, um exemplo. E a fase nossa é difícil. Quatro meses atrasado de salário. Já não ganhava bem, quatro meses atrasado. E o Tafarel ali, os funcionários, ajudava todo mundo. É assim, cara. Mas eu falo assim, eu vim de uma época que formou jogadores e homens. Então eu agradeço a Deus por isso. Tem ditado que diz, né? Tempos difíceis formam homens fortes.
O momento da crise. E tu falou da situação do Tafariu deixar uma carninha e tal pra tu levar pra casa. Tem alguma outra história dele te ajudar assim, mano? Porque ele já era campeão do mundo e vai jogar no Galo, cara. Sim. Ele é tetracampeão, depois de 95, 96, ele vai pro Galo. Tem até um... Poxa, cai numa cena dele brigando, saindo dos voadores. Jogar na Independência. Independência, na Independência. Campeonato Mineiro, Independência. Ele perdeu a... Chutou o cara depois assim. Mas foi... Acontece, ser humano.
mas assim, o cara, a gente brinca com ele. Tirar o Tafanel do sério, o cara deve ter feito muita coisa. O alemão que perdeu naquele momento, o irmão Tafa pediu desculpa, ele igual o Tafa era um exemplo pra gente lá, cara. Tem uma situação que aconteceu comigo, que foi, eu tava juntando dois mil reais, eu morava lá no céu azul já, e ajudando meu pai, fazendo a compra, batendo uma laje, que vazava muita água ainda, e aí eu tava com mil novecentos e sessenta reais, não esqueço disso. Juntar dois mil. E aí eu falei, pô, cara, próximo mês aí,
era dois mil reais. Caramba, assim, é aquele sonho, né, cara? Pô, e aí eu fui no banco, eu tava indo pro TEN, eu fui no banco conferir, né? E aí, o cara falou que o cartão não conseguia digitar, digitava a senha, mas não aparecia. E aí tinha um cara grandão, engravatado lá e falou, aconteceu alguma coisa aí? Eu falei, cara, não tô conseguindo ver minha conta acessar aqui. Não, eu vou te ajudar aí, vira pra lá. Aí ele falou, aí ele foi, pode digitar a senha e virou pra lá, né?
E eu, assim, pensava que era um gerente de alguma coisa. Digitei a senha e falou, é, você tá com problema mesmo.
o cartão, só que ele tinha colocado, acho que chupa cabra, sei lá. Clonou. É, clonou. Me deu um outro cartão, eu nem percebi. E aí, quando eu saí dali, fui pro treino correndo, e aí, no outro dia, eu fui no banco, quando eu chego no banco, né, vou colocar o cartão, já vejo que não é o meu cartão, e aí, quando eu vou lá dentro do gerente, a gente entra no saldo, o seu saldo é 10 reais. Caraca. Acumulando pra fazer 2 mil. Pô, cara, desespero puro, não lembro, um dos dias mais, assim, tristes e felizes da minha vida, né, porque eu lembro que eu chorei, aí, eu entrei no
ônibus, eu tinha que ir por centro da cidade, não tinha carro, fui de ônibus. E aí fui chorando, todo mundo dentro do ônibus, lotado, busão lotado, os pessoal olhando, deve ter perdido alguém aí e tal, e eu nem me ligando. E aí vou no gerente, eu sinto muito, assinei os documentos tudo, né? Aí falou pro ladrão não roubar mais. Eu falei, vou roubar mais o que, gerente? Pô, você tá no monte de erro, hein? E aí vou pro treino, chego no treino, era Eduardo Mourinho treinado ainda, e era três horas, chego no treino quase quatro horas, e eu era o chodolado dos caras, graças a Deus, o pessoal todo mundo gostava
de mim, aí eu desço a escada da Vila Olímpica, entro no vestiário trocando de roupa, o roupeiro vem, eu tô chorando, o que que foi que aconteceu? Eu conto pra ele rápido assim, corro pro campo, né, eu vou no treinador, no doado Mourinho, explicar pra ele chorando, e falo, calma dele, não entra lá pra ele, não professor, deixa eu correr aí, e os caras já gritando, é o favelado, você tá chegando atrasado, você não tem nem dinheiro pra pagar a multa, e os caras zoando, não sabia a situação.
Aí eu chorando, o Mourinho chamou Tafarel, Tafarel... Pra completar a laje da tua casa, lá na casa do senhor. É, fazendo tudo ali, pagando a conta, comprando um somzinho com CD que não tinha ainda e tal.
E aí o Tafarel vem, o Tafarel vem assim, eu tô de costas, ele fala, é, favelado, céu azul, você não tem jeito mesmo, né? Quando ele olha assim, meu semblante chorando, desespero, o que foi que aconteceu? O cara me abraça, e aí eu falo, Tafarel, solução, né? Aí ele fala, aí ele era foda, ele arrumava uma maneira de quebrar o clima, você é burro pra caramba também, né, pô? E dá um tapa na cabeça assim, tipo assim, eu moro em... Aí dá risada, aí eu moro em...
Aí eu falo, treinando, vou correr um pouquinho só pra... Não, então vai correr só, o pessoal... Aí eu vou correr, acaba o treino depois de 10 minutos, o pessoal entra,
pro vestiário. Aí eu falo, como é que é Deus, né, cara? Assim, eu correndo e só imaginando. Pô, Deus, eu ia fazer, completar dois mil real. E... E aí, quando eu chego no vestiário, todo mundo já tinha lá tomando banho, os caras começam a zoar, batendo a cabeça, aqueles negócios lá. É, você é burro demais e tal. Aí o Tafara me abraça, assim, e leva no meu armário. Quando abre, assim, tem um envelope, assim, e aí tem dois mil reais, cara.
Que você precisava. Precisava, não. Que eu achava, que era meu, assim, que o ladrão roubou, assim, cada um deu vinte real, o Leandro, o Gutenberg,
É até difícil esquecer o nome do Clay. Tem muito jogador assim. Peço até desculpas. Cada um deu 20, 30 reais que podia, né? Todo mundo atrasado. 3, 4 meses, pô. E tinha muito jogador novo na época. E o Tafarel completa... Era um ganhável que ganha hoje, né? E o Tafarel completa com o cheque de mil reais dele. O cheque tava lá dentro. Caraca. E tu ganhava quanto na época que tu falou? 500 reais, mas livre 450. Cara. E eu falo assim...
Mas eu falo como é que Deus é, cara? Aí, cara... Não dá pra explicar, assim, a felicidade. Chego em casa, conto pra minha mãe.
Tanta notícia boa como a ruim e a boa de novo, né? É, teve isso, né? Tu contou o que aconteceu, mas já tinha solução, né? Roubou, já tinha solução assim, já chegou com dinheiro, cara. Desci pro vestiário, fala como era a união nossa. E aí, cara, assim, foi um dos momentos mais marcantes na minha vida. O banco não é obrigado a pagar, mas a influência do Tafarel foi no banco comigo uma semana depois. E o gerente viu o Tafarel, viu um marketing, né?
Foi o Bradesco, posso até falar o nome. E o Bradesco foi e devolveu o dinheiro depois de dois meses.
Pra devolver eles não tem obrigação. O banco tem obrigação quando o banco faz algum trâmite que perde o dinheiro. Mas aí eu recupero esse dinheiro, chego em casa, meu pai fala pra mim, vai lá no clube e devolve o dinheiro que a gente deu. Aí eu chego lá pra treinar no dia, conto pra todo mundo, vou devolver o dinheiro. Quem devolveu o dinheiro? Nem o dinheiro que nós te deu, você já tem mais, você deve ter. Aquela brincadeira, Suíra. Não, não, fala quanto que deu. Ah, não sei, não.
Aí o Gutenberg, eu dei 4 mil, era só 2 mil. Aquela zoeira pra quebrar o clima. E aí, aquela zoeira. E aí eu falo com todo mundo que eu não ia ficar com o dinheiro mesmo. Eu agradeço. Não é pra quem eu, pra ser orgulhoso jamais. E aí, contra a Farel, a gente consegue uma solução de dar 4 meses de cesta básica, 500 reais por mês, aos funcionários da Vila Olímpica, que tava 5, 6 meses atrasado. E que é a galera do clube que... Lógico, que nessa época... Mas a galera sente mais ainda. Nossa, tá louco, cara. Sem palavras.
da faxina ali que paga a luz. Então assim, foi o... Eu falo como é que Deus me usou como instrumento, né, cara, de ser roubado ali. Apesar que o Tafariu já ajudava esse pessoal, mas não dessa maneira, né? 500 reais na época era muito dinheiro pra comprar muito acesso à base. Então quatro meses eu tirava o dinheiro todo mês e acesso à base chegava todo mundo assim e a gente... Tem algumas coisas nessa história assim, né, Dê? Porque, assim, primeiro é como é que futebol é um instrumento de ascensão social foda, né, cara? Porque... Olha onde a gente tá com...
hoje. Esse cara não anda aqui na Alemanha. E na época, né? Como é que era a situação? Era difícil pra você, assim. Aí tem outras coisas no meio. Como na época os jogadores não ganhavam tanto, principalmente quando subiam, né? Eu acho que tinha mais fome por isso também, né? Cara, eu acho que valeu a pena. Hoje a molecada já sobe com salário no time histórico. Tinga meu irmão, Tinga meu parceiro, Tinga fala. Um dos problemas hoje de não formar tanto jogador mais é que os caras
na base, já estão ganhando dinheiro pra caramba. Quando os caras estão com 20 anos, se souber cuidar, nem tem mais aquela fome de ser profissional, né? É lógico que naquela época o sonho era ser profissional. Meu sonho era entrar no Mineirão e ver a torcida gritar meu nome. Eu nem pensava em salário. Tanto é que naquela época, eu lembro, eu tava jogando já, arrebentando. Era titular, aí os caras me chamam lá na sede, vai aumentar seu salário.
Vai lá os caras, pô. Cheguei lá o diretor, vou aumentar seu salário. Vou dobrar seu salário. Passou pra mil, pô.
Isso aí foi... Eu lembro, cara. Isso aí foi os três primeiros aumentos meus. Depois cheguei lá, depois de dois meses, vou aumentar. Dois mil. Quando eu saí do Galo, eu ganhei uns cinco mil reais. Caraca, mano. Isso de um ano e meio, assim. Foi assim. Mas, cara, hoje eu tenho orgulho de falar isso. E agradeço a Deus por ter passado isso aí. Foi muito bom. Mas aí, quando tu chega aqui, que tu vem... E assim, foi muito rápido, né? Você apareceu, assim...
Já deu no grupo campeão da Comembol, né? Isso, fomos campeão da Comembol. Tomamos o cacete lá na final, porra. Deu uma, afundou a cara. O jogo da porrada. A polícia deu porrada em vocês, né? Pô, todo mundo, cara. Conta essa história aí pra molecada. Final da Copa Comembol. Primeiro jogo, lá na Argentina. Isso. E aí, a gente... É o Lanús, não é? É, é o Lanús. E aí, primeiro jogo... Ah, é o Lanús. Ele de novo. Lanús. E aí, eu lembro,
que a gente tem a felicidade de começar o jogo e já fazer um a zero, e as coisas estavam muito ameninadas, assim, aí fizemos dois a zero, três a zero no primeiro rápido, assim, e eu, a gente tava nem acreditando. E aí, Valde Bigode, muito bem, Marques, Marques é um empresário, assim, cara, Paul Lincoln, meu irmão, assim, caçapa, uma galera, assim. E eu falo assim, aí, Jorginho, Jorginho, o Coroa, o Jorginho, tinha, parecia que tinha cem anos. É! Mas o cara, assim,
Chegou lá, a torcida do Atlético. Os caras meio... Era o nosso maestro, assim. Doriva. Então, assim, a gente tinha um... O time era bom, né? E aí... Sempre achei o caçapos aqui. Tinha muito time nosso, muita gente da base também. Então, eu falo assim, a gente faz o quarto a zero e eu lembro, cara, que aí os caras já começam a dar porrada. Aí os caras dão uma pancada lá, não sei em quem, não sei quem que foi, o cara que o nosso time começa a rir. Tipo assim,
Pô, bateu de uma risada assim, o cara está rindo. Você vai ver. Acaba o primeiro tempo, cara, a gente já sente a impressão. A gente vem da comunidade, já sabe a hora que aparecem que vai dar a briga. E naquela época não tinha VAR, não tinha nada. Segundo tempo foi o tempo todo, cara. Porra! Os caras chegando atrasados já e dando. Tum! E tum! E aí o cara falou, faltava uns 10 minutos depois do jogo que vocês vão ver. Um zagueirão deles lá, não esqueço.
Cara, dito e feito, mano. E aí, na hora que acabou o jogo, não deu nem pra correr, mano. Não deu nem pra correr.
e todo mundo, assim, cara, se juntou, assim, cara, e aí, pô, encosta a gente no alambrado, assim, a gente vai descer, se os caras fecham ali, pra você não descer, pra... Foi tocar, né? É, e aí o alambrado, assim, esse cara, o Roberto, o volante, apanhou pra cá, os caras encostam a gente na arquibancada, os torcedores dando voadora lá na arquibancada, e os caras dando daqui. Puta merda, cara, corredor polonês. Pô, cara, nem... E a polícia...
Acertaram o Emerson Leandro, o técnico do Galvão. Ele vem por trás, assim, dá um soquebra o máximo. Afundou, né? E ele tentando separar,
Aí eu lembro, assim, que aí chega no vestiário, né? Aí eu tô na maca, os caras já... Brasileiro é foda. Aquela fase ali, os caras já brincando, falando que eu falo na maca, assim, diz que eu desmaiei, fala, ah, cadê a comida? Que eu comia pra caralho. Os caras brincando, ah, cadê a comida? Os caras, nada a ver, assim. Mas no meio da confusão. É, os caras... Aí no vestiário, depois, já começam a rir no vestiário, e graças a Deus, assim, a gente foi pro Mineirão, falamos, chegamos, esse cara tá fodido. É, mas aí, graças a Deus,
a gente trabalhou o Tafarel e todo mundo trabalhou durante acho que uma semana ou duas semanas pra não... Não vamos fazer o que eles fizeram, não. Vamos ganhar na bola e conquistamos esse título aí. Foi maravilhoso. Copa comembol. Até o Atlético conquistar a Libertadores era o título internacional que tinha o Galo, né? Sim. Até a Libertadores do Ronaldinho. Isso aí, na época era muito importante esse título. Dede, quando tu vem pra Alemanha, tu imaginou até hoje tu mora aqui.
Tu imaginou, cara, vou lá pra fazer minha vida, vou seguir minha vida lá, vou morar lá. Ah, jamais, cara.
Como eu falei, na época não tinha nem internet quando eu cheguei aqui. Eu lembro. Eu ligava. Na época era Marco. Eu pagava 5 mil de Marco de telefone. É como se fosse bem caro mesmo. Era a moeda aqui da Alemanha. Era o Marco. Eu falava, oi mãe, beleza? Chama o pai aí. Era o telefone. Amanhã eu falo, é seis irmãos. Amanhã eu falo com os outros. Mas o Zé Lias estava no Liverpool, por exemplo. Pagava bem mais. O Zé também estava no Liverpool.
em 98, em dezembro de 97, o Leverkusen me compra. Eu venho pro Leverkusen em 98, em dezembro, em janeiro, logo no começo do ano, fazia os exames de medicina e volto pro Brasil pra ficar até o meio do ano pra vir pro Leverkusen. E no meio disso aí, o Juan Figo, o empresário, pô, ele era águia. O Zé Roberto já tava, o Zé Roberto estourou na portuguesa, né? O Zé Roberto, pô, outro aí. Mas eu tinha acabado de casa, eu tinha que sair de lá já. O Zé, pô, gente boa,
cara, e fez história na Alemanha também. O Zé tá no Liverpool, no Real Madrid. Aí o Juanfiga chega e fala, pô, você vai pagar seis milhões no DD, com todo o respeito. O Zé Roberto tá aqui pelos mesmos seis milhões, e daqui quatro meses vai disputar a Copa do Mundo em 98, que era em 98. Falou pro pessoal do... Falou pro Leverkusen. E o Leverkusen já tinha pagado meio milhão de dólar, que era como se fosse cinco milhões de dólar hoje.
O Leverkusen perdia o dinheiro. O Leverkusen perdeu a opção e trouxe o Zé Roberto. Melou, o Zé Juanfiga melou, graças a Deus, eu caí nisso aqui.
Como é que Deus é generoso comigo, cara? Cara, que loucura. Tu ia pro ele vermelho. 20 mil pessoas, caem na muralha amarela aqui, cara. E, assim, eu falo assim, é coisa de Deus mesmo. Se a gente conta, ninguém acredita, né? Fiquei triste em abril, quando eu fiquei sabendo. O Levi Cruz pagou professor de alemão, tava estudando no Brasil alemão. Estudando assim, não sabia nem português, mas tava lá. E aí, cara, vem, cai aqui... Ah, cara, sem palavras. Vira sua vida isso aqui, cara. Quantos anos de Dortmund? 13 anos. Jogando.
Os últimos dois anos eu machuquei, tive um ligamento cruzado logo quando o croco vem. Mas volto jogando, depois começo a ter várias lesões. O último ano eu não joguei muito, mas... Cara, sem palavras, só tenho que agradecer a Deus mesmo. Cara, se eu for te perguntar, desculpa, Beto. Você falou da Muralha Amarela, já deu uma arrepiada. É de longe a melhor torceira da Europa? Ah, cara, é sempre difícil a gente falar do pai e da mãe da gente. O pai e a mãe da gente é melhor, né, cara? Mas acho que números diz tudo aí.
difícil achar uma torcida fiel como a do Borussia, porque eu vivia uma das melhores fases. O clube teve dinheiro na época, em 2002, trouxe o Rosiski, amoroso, 22 milhões de dólar em 2000. Se era dinheiro, é como se fosse 100 milhões hoje. Trouxe o Everton, Rosiski, Kola, montou um time pra bater de frente, porque três anos antes o Borussia tinha sido campeão da Champions. E no Mundial, em cima do Cruzeiro. Então, aí depois dá uma caída, aí chega e o Borussia fala, não, nós temos que ganhar de novo. E aí traz todo mundo e monta um
time, um planejamento pra ganhar daqui dois anos, e quando chega o Amoroso, o Everton, o Ivanilson, os brasileiros, você sabe, não, não vamos ser campeões esse ano, o Amoroso é, não vamos ser campeões esse ano, e a gente dava entrevista depois do jogo, logo no começo, e falava que estamos lutando pro título, o diretor, o Zork, que me trouxe, que é uma lenda aí também, foi a primeira contratação dele, ele fala dele, por favor, pede pros caras não falar de título e tal, tal, tal, não tinha jeito, eu fui falar com o Amoroso Carlos, que era toda entrevista, e acabou que fomos campeão, cara.
Chegamos e foi um ano assim que a gente bateu de frente com o Bayern e brincamos assim. Cara. Eu gosto de jogar. Fetalidade campeã, pô. Eu apanhei pra cara do Bayern de Munique. Já tomei de 8x2, 8x3. Nossa, tá louco, cara. Bayern de Munique sempre, mas esse ano aí a gente teve a chance de ser campeão, cara. É o ano do gol do Everton? Isso, o gol do Everton. Lembra aí pra gente o gol do título dessa Bundesliga, como é que foi? Porque você chegou na final da Copa da UEFA, não é isso? Isso aí. E bate aí na trave ali.
Isso, perdemos uma semana depois foi a final. Uma semana antes foi a final da Bundesliga, que foi uma final histórica. No último jogo, Borussia, Bahia Leverkusen, que tinha um timão. Zé Roberto, Balaka. Os caras tinham uma máquina. Mas era o Neverkusen. O Leverkusen. Neverkusen. E o Bahia de Munique. O que perdesse e o outro ganhasse, os dois perdessem, era campeão.
Última rodada. É, última rodada. E a gente começa o jogo tomando 1x0 pro time do Ailton. Ah, Bremen. Logo no começo do jogo. Aí no final do primeiro tempo, o Iancola, quatro média altura, chuta, a bola entra lá, 1x1, vamos pro intervalo, voltamos e aí fazemos um segundo tempo maravilhoso assim, e aí acontece, eu lembro ainda... Lembro o lance. Eu lembro assim que eu era tradutor na época, eu tinha que traduzir, peguei muito rabo com isso aí, traduzir pra Moroso, Everton, Evanilson,
Zama era um treinador que gostava muito de mexer, principalmente na frente, revezar. Então tinha o Toado, o Billy Renner, tinha vários jogadores. Lassim, que fez o gol da Champions League, que hoje é o diretor principal aqui. E aí o Zama, antes do jogo, ele ia no hotel, no quarto e batia. Era eu e Everton no quarto. Quando ele batia assim, nós brincavamos brasileiros. Aí os caras, se ouvir a porta bater, não abre não. Que é o Zama, vai tirar o cedo. Vai pro banco. Cara, o Zama bate na porta, cara.
Ficou amoroso o Ivanilson, que os caras ficavam brincando assim, os palhaços. Ia lá no quarto do outro bater, né? Pra assustar. Pô, vou lá abrir a porta, o Zama. Aí eu... Eu sempre tive a... Eu era lateral e tava... O Everton também, tudo não tava bem, mas o time tava tão bem que ele podia fazer isso aí, mudar. Aí eu já começo a tremer, porque eu sei que eu vou traduzir. E eu já tinha traduzido antes pra Everton, pra Moroso. Cada um que eu passei aqui, cara, de tradutor, já não falava bem o alemão. Nem pra mim. Traduzir pro cara, você fica com aquela responsabilidade.
Tentar falar o melhor possível, mas entender também que você... Aí o Zama só joelho, o Everton só senta assim, aquele jeito dele. Meu irmão Zass, cara. Na minha casa, Everton abraça, irmão. Aí o Everton senta assim. Aí eu já... Ô, Dedê, você fala pro Everton que eu vou pitar, não sei quem que foi lá na época. E... Vai pro banco. Ele vai pro banco. Aí eu viro pro Everton, o Everton... Ô, Everton, ele só deixa pra cá. Ele já deixa pra cá. Aí... Não, já sei já, Everton. Já sei já, Dedê.
Beleza, velho. Beleza, beleza. Puta, sim. Aí o Zama fala... Não, tá beleza. Ele tá nervoso. Não, não. Beleza. E o Zama era aquele cara que tem uma história aqui também, pô. O Champions League aí. O Zama sai do jogo, né? O Évito dá um soco na cama, não sei o que o outro. Fala, você vai ver. Tipo, eu vou entrar no jogo, eu vou fazer o gol. Era a cara do Évito. Quem conhece o Évito sabe que o Évito tem uma personalidade assim... Cara, e não é que...
Agora mexeu comigo. Agora eu vou... Não é que ele... Um a um jogo, ele entra. Pode pegar aí. Tá na internet, no YouTube.
Ele entra depois de três minutos. Uma tabela assim com o Rosice. O Rosice manda e eu puxo a bola pra dentro da área. A bola vai passando assim. Quem tá lá no segundo pó e coloca pra dentro? O Everton. Predestinado, Everton. Ele, cara. Porra, cara. Está de abaixo, né? Porra. Caralho, mano. Até rupi, cara. Caraca. E aí a gente é... Acaba o jogo. Aí eu fui ver. Quando acaba o jogo, eu fui ver. Já conhecia a torcida, né? Graças a Deus.
Sempre fui muito bem tratada, acolhida aqui. Igual falam, mas quando acaba o jogo, cara, o que esses caras fazem aí? Depois de um... No outro dia, quando sai lá do centro da cidade, vem com o tri elétrico andando aí, é... Porra, cara, assim. Surreal, né? É, surreal. É basicamente diferente, né? Tem os vídeos na internet da torcida do Borussia, todo mundo sabe, graças a Deus. É um clube até bem simpático, assim, humilde, de trabalhador, assim, é legal. É, tem uma história ligada...
As minas, o pessoal que trabalha. Por isso tem essa situação de a comunidade fazer questão de ter o menor ticket médio, não deixar o ingresso aumentar. Tem essa luta, né, cara? Das principais ligas europeias, o menor ticket médio é do seguro na parque. É mesmo, cara? O DT tá me falando antes de a gente começar que tem região aqui do estádio que custa 8 euros. Lá na sua tribuna, na parede amarela, né? Lá no paredão. 8, 12 euros, assim. Igual eu falei, e são cartas que passam do...
Pisa avô pro vô, pro pai, pro filho. Se você entregar essa carta, você não consegue mais. É fila de espera. Acho que o Borussia, não sei a quantidade, acho que pode vender 55 mil ingressos. O resto não pode vender. Mais ou menos assim, não sei o número, mas mais ou menos isso aí, porque o resto é pra torcida adversária, pra fã, pro estado. São ingressos que tem que ser comercializados próximo ao jogo, assim. 13 anos. Você jogou aqui com menos de 81 mil. Quando eu cheguei aqui era 68, né? Só jogou
Porque o Jardim está aí. É, porque vocês estão vendo aqui, essas quinas aqui eram fechadas, onde é que a gente está aqui. E aí, depois que a gente foi campeão, o presidente investiu, porque ele já não cabia, né? Então, investiu, e depois disso aí, igual eu falo, quando eu falo assim, cara, que é uma coisa surreal, o Borussia Dortmund, e é verdade, não é porque eu joguei aqui, não, mas eu peguei aqui a pior fase do clube, que foi a falência em 2004, 2005.
Então, explica pra galera, cara, assim, isso aconteceu com alguns clubes na Europa,
administração, apenas clubes brasileiros, não. Isso já aconteceu muitas vezes aqui, só que aqui tem regra, assim, o clube se parar de pagar, né, deixar de cumprir uma série de coisas, o clube é rebaixado, vão jogar o clube na quarta divisão, terceira divisão, e o Borussia Dortmund chegou por pouco a passar por isso aí, né? Eu vou ter a votação, cara, e eu lembro que na época não tinha esses milionários, esses caras ricos não comprava clube. Na época não tinha isso, né, mas já teve a ideia, na época,
Tanto era que alguns tentaram comprar, mas a torcida não deixou. Preferia cair pra quarta divisão que ser comandado, né? Eu lembro disso ainda, não esqueço. É mesmo, cara? Eu lembro que a gente teve que reduzir o salário em 40%. Pô, que momento, cara. Além de reduzir, eu tenho que traduzir pros brasileiros, cara. Não sai lá do Brasil pra vir ganhar dinheiro aqui. E aí chegar... Cara, velho, pô. E aí eu que tinha, pô, como assim, de todo lado do clube.
Nada a ver, cara. Eu era o tradutor, assim, uma coisa que nessa... Eu passei muita coisa em mim.
Em ter que traduzir era uma situação muito difícil pra mim. Ficava com medo de falar. Não falo perfeito até hoje, mas a gente tentava se virar. E aí deu uma hora. Reduziu o caramba. Fizemos reunião com os brasileiros. Mostra, senhora. E vira medo. Vou reduzir, vou nada e tal. Aquela brigada. Mas depois, todo mundo trocou uma ideia. Amoroso, todo mundo. Everton, Vanilson. E... A gente, na época, até meu irmão jogou aqui. Tava aqui.
Graças a Deus, foi um sonho na minha vida. Joguei a Champions League com o Léo de Deus. Porra, cara. Os dois títulos lá.
o jogo mais nervoso da minha vida. É o de Deus, sim. Quando a gente, o Matias Sama escalou o time um dia antes, eu nem dormia a noite. Foi o dia mais nervoso da minha vida. Poder jogar eu e meu irmão. Um jogo de Champions. Cara, assim, meus quatro irmãos jogaram no Atlético profissional. Quatro irmãos foram profissionais no Atlético, menino. Família abençoada. E o Kaká, eu e o Léo. Os quatro jogaram profissional no Atlético. E aí a gente reduziu o salário, 40%. Chegamos a um acordo
reduzimos o salário, mas aí logo depois o Borussia mesmo assim tinha que vender jogador. E falando uma coisa muito importante, cara, o Borussia é quebrado, nunca atrasou o salário. Olha como é que é, cara. Eu só fico assim, uma coisa, tô te falando, verdade, né, assim... O clube faliu... Mas tem tinha o planejamento, né, pro clube antes de começar a temporada, tem que apresentar planejamento, tanto de patrocínio, tanto de torcida, já calcula, né, a média de público, então assim, a gente reduziu, aí logo um ano depois,
teve que vender o Rosisky, o Senal, o Amoroso foi vendido também, o Everton foi pra Espanha. Valência? Valência, né? Não, acho que foi Saragossa. Saragossa, perdão, isso. E aí outros jogadores também, e aí a base do time ficou só eu, assim, pode dizer, eu e o Sebastian Queiro. O Vadenfila não era nem titular na época, né? É. E aí a gente apanhou, cara. É, né? Apanhamos. Caramba, cara.
brincando. Borussia, todo mundo vinha aqui, pegava a pressão dessa torcida, depois os caras, pô, agora o cachorro morto, todo mundo queria bater na gente. É, né? Na época boa, eu não conseguia. Então, na época, todo mundo vinha cá, cara, aí a gente... Já peguei seis, sete, oito jogos sem ganhar aqui direto. Quase caiu, não. É, sempre dois anos foram lutando assim. Pra não cair. É. E... Igual eu falei, a grandeza de um time grande, é a mesma coisa se você pegar um Atlético, um Flamengo numa faixa ruim, os outros times querem ganhar mesmo, pá. É. Porque sabe quando o time tá bem, tá bem mesmo. É, elimina agora logo.
Então, o Borussia... É baixar o Borussia. Então, essa torcida aqui, os caras vinham e ficavam ganhados de 3x0. E os caras estavam desfilando, cara, assim. Desfilando. Então, eu lembro. Não esqueço disso. E logo depois, chega... A gente consegue segurar esse rojão aí. E chega o Tinga. O Tinga, um irmãozaço. Um dos melhores caras que eu conheci na minha vida. E eu lembro o Tinga. Um cara brincalhão, assim. Eu lembro. Ele tá na fase ruim ainda, né? É. Só porrada. E aí, a gente perdendo.
quatro, seis jogos direto, trocando treinador de seis, seis meses, o Tinga, e acaba o jogo, a parede amarela tá aqui, né? E aí os carros ficavam ali de baixo, a gente ia lá, passava lá no meio, lá, e a torcida, bora, cara, próximo jogo e tal, tal, isso já há dois anos. Apoiando. Apoiando. E o Tinga ainda vira e fala, ô, chupacaba, ô, Dedê, cagar, pô, a culpa é dessa torcida aí, mano, os caras não jogam uma pedra, não quebram um carro, pô, assim, o Tinga.
Apoiando, pô. Fica batendo palma aí, os caras há três anos assim já, pô, o Tinga assim, nervoso, o Tinga não gosta de entender. Não faz o sufoco.
Mas é o Tinga aí. O Tinga vira e fala, Dedê, que isso aí, cara, não existe, não. Isso aqui não existe, Dedê. Pode perguntar ao Tinga, cara. Casa cheia, todo jogo, casa cheia. Por isso que eu falo assim, quando eu falo de Borussia, cara... Além de terem impedido de alguém comprar o clube, né? Comprar o clube. Então, eu falo assim, a história não é contador de história. É só procurar a história do Borussia e o que eu tô falando é verdade.
No cacete. Então, eu falo assim, que torcida. Eu desafio que torcida que faz isso aí. Por isso o ingresso aqui é o mesmo preço, o modo de falar aumenta, mas devagar assim todos os anos. Por isso essa fidelidade aí, cara. Futebol é isso aí, cara.
assim, é até difícil falar assim, cara. Eu sou um... Eu, assim, não gosto desse negócio de falar ídolo, não. Eu acho que deixo pros outros falarem assim. Eu acho que eu representei, assim, como brasileiro. Lógico que tem o Júlio César, que pra mim é o presidente, campeão da Champions League. Depois da Champions League, o Borussia é outro time. O Julião, cara que eu tive a oportunidade depois de... Ele foi pro Botafogo e volta.
Fico seis meses com ele aqui, ele me ensina muita coisa. Aqui, aí, a minha vida melhorou bastante, que eu falo aqui. Quando eu venho pro Borussia, cara, é...
Eu fui ganhar dinheiro, assim. Um salário bom. Mas foi os primeiros anos, seis meses mais triste e fora de campo da minha vida. Sério? É. Cara, eu não tinha tradutor. Frio. Não tinha nada. Pô, frio. Chegava no supermercado, grandão, carteira cheia. É mó de falar assim. É. Comprava ketchup com pimenta. Por causa do entendimento das coisas, né? Entendimento das coisas, entendeu? Várias outras coisas, assim. Várias outras coisas, assim. Então, eu falo assim. E aí, eu falei... A barreira da língua é brabo.
adaptação, né? É, cara, mas eu falo assim, por isso naquela época era bem normal o brasileiro chegar, pegar 15%, alunos que falam, né? Vou pegar os 15% e vou voltar pro Brasil. Aquela época era moda, né? É, você ia contar um caso. E aí eu vou ir no... Eu aqui, cara, eu falei, eu tenho que comprar a casa do meu pai. Pelo menos três anos eu tenho que ficar aqui. Eu tenho que ficar aqui. E já chorando ali logo no começo, logo que eu tava no hotel, com duas semanas o Borussia
arrumou a casa, eu tô na casa, a gente joga no sábado contra o Stuttgart, não esqueço, meu primeiro jogo, machuco, saio de campo, a gente volta 5 horas de ônibus, aí tô em casa no domingo, eu e meu irmão com a televisão ligada, só tá ligado, você não tá entendendo bosta nenhuma, não tem internet nada, eu e meu irmão ali, a porta abre, cara, eu tô de cueca fazendo gelo no joelho e meu irmão sentado no sofá, aí entra um casal mais velho assim, a mulher e o cara, gritando, eu falei, meu irmão já levantou assim, que isso aí, Dedê? Eu falei,
assustado assim, coloca a mão assim, fala aí a mulher já sobe a escada pra cima assim no segundo andar pro quarto e o cara vai na cozinha, o meu irmão foi pegar a faca, eu falei, ô Berá mas na casa de vocês? na casa minha, pode falar, a casa era dele, é o auxiliar técnico que morava lá e não tinha tirado as coisas a roupa, tinha a chave tinha acabado de sair no meio do ano, a mulher tinha até falado que as roupas tá aí, mas ele vai tirar mas chega, ele nem avisou, chega, nem o clube me avisou
Cara, isso foi um sufoco, assim, cara. Poucas pessoas sabem disso aí. Aí só sei que toca meu telefone, toca meu telefone e a mulher falando espanhol, e eu, assim, não, dona lá, casa, isso, aquilo, outro, e meu amigo fala, falar espanhol só coloco lá na frente que vai o resto. Aí chega um cara do clube lá, com a van, pega minhas coisas, eu e meu irmão levam pro hotel de novo. Cara, cada situação que eu passei aqui... Casa era dele.
clube, mas o cara tava as coisas dele, não tinha saído. E o clube mandou entrar. Ah, entendi. Assim, tudo no Senado, assim, os primeiros meses, assim, foi pra assim, foi desafio. Aprovação. Aprovação, cara. Dentro de campo, não, cara. Dentro de campo, eu já tava com a camisa mais vendida. E olha que eu joguei com o Andres Müller. Porra, Andres Müller. Deus do futebol, que é Ezra. Um baixinho da Alemanha, assim, cara. Sim, cara. O Müller, Müller. Lembra? Tia Sama.
Matias Samba. Quando cheguei logo, infelizmente, ele tava com infecção no joelho, mas o sexto primeiro mês, assim. Então eu falo assim, cara, eu chego aqui, o moleque, mano. Acabava o treino, juntava a bola. Naquela época era normal, cara. Era um orgulho poder pegar a bola pra esses caras aí. Hoje você mandar um menino no Brasil aqui pegar a bola, tá... Mas aí eu te perguntei, mas tu começa, depois passa o tempo, né? Ele queria ficar três anos. Ficou 13, né? Vira quase, mora aqui até hoje. E aí tu começa a ficar parceiro,
Tu ficou parceiro da dupla da República Tcheca, foi isso? O Rozinski... E o Kohler? O Kohler é um soldado universal. E o coração dele, cara. Maneiro, é? Os dois eram fechados com a legião brasileira, cara. Os dois, é? Ficava só junto com a gente, com o Amoroso, com todo mundo. Era jogo dentro de casa e fora. Sempre quando a gente ia fazer as baguncinhas, os dois gostavam muito. São caras, assim... Igual eu falo, graças a Deus, só agradecer a Deus. O Kohler gostava da baguncinha.
É, aquele grandão lá. Mas essa bagunceira é saudável, assim, pode dizer. Mas, assim, tomava uma ou não? É, tomava uma, não mal, mas... Mas os gringos tomam uma serra igual a gente ou não? Mais vodka mesmo, assim. É, né? É, mas o... Quente, né? Mas como eu falei, os caras... Aquela época da antiga, você vê, Romário, todo mundo, os caras que tomavam, os caras... Dia do jogo é dia do jogo, mano. É. De mundo, você pega esse cara aí.
Não, não, romava muito e os caras fumaram, vexado. Pô, tomar vinho antes... Pô, tomar cerveja na concentração à noite, os caras tomando... Normal.
cerveja. Pô, e eu falei, vou tomar cerveja, amanhã vou estar bambu. Vai dar ruim. Os caras tomando vinho, assim. É. É, pô, pergunta, amor, os caras que jogaram na Itália, isso é normal tomar um vinho, isso aqui. Eu ia te perguntar, você falou, dentro de campo não, eu tava aí fora de campo na adaptação. Tu entrou dentro de campo, foi rápido? Tá rápido. Chegou aqui, mas tu acredita que foi rápido por causa de quê? Você, lógico, a tua vontade de vencer, a forma de jogar, ou, porque naquela época, nos anos 90, o lateral brasileiro,
chegava com uma fama, né? Geralmente, onde o lateral brasileiro chegava, o lateral esquerdo, o direito, os técnicos europeus botavam na segunda linha. Segunda linha, jogando muito ofensivamente. A técnica, a qualidade, o Zé Roberto, por exemplo. O Zé Roberto, cara... É. Igual eu falei, o Felipe, cara. O Felipe é lateral. Sim. Pode falar? A qualidade. Igual eu falei, tantos aí mais. Eu sou orgulhoso de ter participado dessa geração aí.
Vários outros nomes aí, né? O Júnior também, que depois... Serginho, igual a gente falou aí. Então, dentro de campo, eu, dentro de campo,
eu peguei aquilo pra mim no treino e dentro de campo, era o momento mais feliz, meu. Ali não tinha, ali era tudo igual. Mesmo não entendendo a língua, quando o treinador ia dar palestra, eu sentava ali, ele falava e eu só balançava a cabeça. Ele pegava o telefone, ligava no celular pra a secretária, a Keppon, que tá aqui até hoje, ela falava espanhol. Lá, jogava cinco horas daqui e ela passava o telefone pra mim e ela traduzia, entendeu? O treinador falou isso aqui, só pra falar pra ela, ia, ia, ia, ia, ia nada, pô.
Dentro de campo, vamos defender, entrar pra dentro, igual que eu tiver com a bola, eu vou pra dentro. Então, foi o primeiro ano que eu tava aqui, mesmo com esses caras tudo aí, fui o jogador que mais vendeu camisa. Cara, olha só. O jogador que mais vendeu camisa, assim, dentro de campo, igual eu falei, meu contrato foi bem complicado, assim. Eu lembro que fiz exame médico lá em Belo Horizonte, o Nilo Lasmal, referência de médico, né?
Pai do Rodrigo Lasmal. Isso. Aí eu lembro que eu tô lá na clínica, deitado, de coelho,
e o médico alemão e o doutor. Aí o médico... Eu tive colateral, ligamento colateral ao joelho. Então o joelho no Brasil não trata com gesso. Então fica o joelho bamba, é normal. Eu voltei e tava jogando. Tanto que eu joguei o brasileiro todinho, senão eu adoro. Pô, você tá maluco. Eu tenho isso aí. Mas olha que o médico pega o meu joelho... É mole. E pega o outro médico, bate a mão na mesa assim, já prendo pro Nele das Marias.
Os dois já começam a discutir assim em inglês. E eu falei, o doutor, cala a boca.
E eu na mesa assim, eu falei, meu Deus, pensando, cara. Aí sai da mesa, pega o joelho, pega o joelho aí, meu contrato, eu lembro, foram seis milhões, pagava dois milhões agora e parcelas, né? E se eu tivesse problema no joelho, poderia me devolver, né? Eu não esqueço disso. E com sete meses de Borussia, era três anos de contrato e mais dois de opção. Mas com seis anos, em janeiro, o Borussia já operou, já pagou o resto do dinheiro,
E renovou meu contrato. Em vez de três anos, passou pra cinco. Aumentou meu salário, assim. E, cara, assim, coisa de Deus, assim, cara. O que tu acha que a tua característica caiu nas graças? Que você, eu lembro bem, assim, era um lateral de potência, né? De força, de arrastar, assim. E eu lembro um pouco de você no Galo, você mesmo já apareceu assim. Um lateral com muita força, com muito pulmão. Você acha que isso que tu encaixou na...
encaixou no time, mas caiu nas graças da galera por esse perfil. Isso, cara. Eu gostava muito de... Eu era muito disciplinado também. Eu gostava muito de aprender. E quando eu cheguei aqui, a Alemanha sempre... Taticamente, aquele negócio... Era muito diferente. Tinha um zagueiro aí que chamava Deus do futebol, Coxa. Coxa. Me ajudou muito, assim. Então, eu marcava. Era rápido, gostava de marcar. No Brasil, eu já marcava. Mas ele me ensinou coisa aqui.
E aí, cara, fui melhorando a marcação. E no ataque, eu era muito confiante, assim. Eu era mais ou menos o estilo de Felipe.
pegar a bola, tanto é que nos primeiros anos o treinador, quando os caras, depois de seis meses que o treinador já conhecia eu, o treinador punha dois laterais pra jogar contra o Borussia. Um lateral e o outro lateral pra marcar a minha subida. E mesmo assim, eu ia pra dentro, assim, então as coisas, cara, eu fui muito feliz dentro de campo, assim, posso dizer assim, fui muito feliz e igual eu falei, eu precisava ajudar meu pai e minha mãe, eu precisava, era a chance que Deus me deu e eu não podia voltar pra trás.
Esse era o maior combustível, né? Ó, cara. Agora, Dede, perguntando pra você, assim, você já listou
jogadores. Pedi pra você listar os craques que mais te impressionaram jogando contigo primeiro aqui no Borussia Dortmund. Tu começou lá de trás. Andréas, Meller, quando tu chegou, Matias. Vai listando os caras que te impressionaram, assim, nessa... 13 anos. Vai de lá pra cá. Cara, é assim, é até difícil falar, cara, porque, como eu falei, chapuiçar. Chapuiçar, cara. Chapuiçar? Faiazinha. É no Líbero. Eu falo assim, é até difícil falar, assim, eu falo assim,
a gente acaba esquecendo o nome, cara. É. Vamos ouvindo, vamos ouvindo. É, isso aí eu já falei, né? Esses caras aí, eu falo assim, e eu falo, é importante, quanto maior a maioria, pelo menos, que eu convivi, graças a Deus, quanto maior foi, os caras mais simples foram assim. Sempre é assim, né? Esses caras, e eles percebiam dentro, eu sempre falava, tá bom, os caras, eles olhavam pra mim, eles começavam
Aí, depois que eu comecei a entender, os caras começaram a falar que falavam assim, com todo respeito, nada de preconceito. Ah, você é um brasileiro, viado. Aí eu falava, eu não tava entendendo nada. Ah, você... Concordava com tudo. Por quê, cara? Eu não entendia nada. Eu não tinha tempo pra discutir o quê, cara? Eu não fiz mal a ninguém, então tá tudo bem. Os caras discutiam ali, a Alemanha é bem... O Jens Leman, goleirão, que depois foi pra ser mal. Leman, sim.
Avala assim, nós empatando o jogo de 1x1. E eu não tava bem... O que tá acontecendo com vocês? Tá desfilando aqui? E assim... E aí eu lembro, o Matias Samen tá no vestiário, assim, no intervalo da Dura e o Stefan Reuter, um líder também. Igual eu falei, é muito cara. Sandy Olizeu, um africano. Muita gente, igual eu falei... E os caras falaram, Treando, dá pra você dar pra gente cinco minutinhos aí? Aí o Matias Samen saiu de lá e nós resolvíamos o nosso problema lá. É, assim, é.
Naquela época, cara, eu dei uma entrevista pra um jornal alemão ontem, que eu falo assim, que legal, cara, aquela época 90, 2000. Cara, eu joguei contra o Milan, com o Maldini, Gattuso, Pirlo, Rivaldo, Serginho, Senadores. A gente fez uma semifinal contra eles, o Moroso fez aqui, lembra ainda, a gente ganhou desde a semifinal da UEFA. É um jogo marcante pra mim.
Dei três chapéus seguidos, assim, na sorte. Mas dei, assim, esse é um... Quem? Quem? Foi o Gattuso primeiro, o Pirlo e o Ambrosini. Mas só tinha cara fera. Mas só tinha cara fera. Mas foi a situação do lance, né? Eu lembro que poucos minutos antes eu fiz uma jogada legal e o Gattuso chegou, aquela maneira dele de querer me intimidar. Eu vou te pegar, você novo, bem pra caramba. Aí você quer mesmo. E aí...
Aí vem um lance, logo um lance, a bola vem virada assim, do Stefan Reut, e eu tenho essa felicidade aí. Um atrás do outro? É, um atrás do outro, assim. Aí eu tenho essa felicidade, mas assim, cara, o Cafu já deu quatro em seguida, o Ronaldinho, eu falo assim, mas foi um lance assim, que é muito marcado, que a torcida lembra muito, assim, né? Então, naquela época, todo o time, cara, até no Brasil, tinha no mínimo três, quatro líder, cara.
Ah, não. Para e analisa aí pra você ver, cara. Sim. Você pega aqui na Europa aqui, Juventus, depois você entra lá, cara, a gente tava conversando ontem, deu uma entrevista grande,
quando eu toco aí, falo, o que você acha que mudou muito no futebol hoje em dia? Que assim, o que falta que não é... Aí os caras comentam, o Neymar tá sozinho, né? O Neymar foi o único jogador. Fera do... É, fora do comum. Mas falta liderança. Porque jogou sozinho, cara. Você pega fenômeno. Rivalda. Quem tinha do lado? Zico. Tudo do lado. Porra. Mário depois. Cara, assim, então os caras... Todo clube tinha dois, três caras.
E 98 era uma geração que misturou com a geração campeã de 94. É. Aí você vai deburando. Ele vem em 2002. Vai chegando o Ronaldo, Roberto Carlos e Rivaldo, mas tá lá Dunga, ainda Romário e Bebeto. Aí em 2002, galera de 98 com uma galera nova que chegou. Mas é uma galera com o final de Copa do Mundo. Então assim, sempre o destaque da vez tinha o respaldo do craque mais veterano. Craques e líderes, né? Por nem mais, 14, sozinho. E quando chegava jogador novo, cara, que a gente sempre é mais assim,
não tem a visão, que é normal, a gente é novo, a gente joga alegria nas pernas de jogar, pega o Denilson. Porra! Pô, tive a oportunidade de concentrar com ele na primeira convocação pra seleção 98, um cara assim, um abraço, Denilson. Vanderlei te convocou? É, 98, aí cheguei lá na Bahia, um amistoso, igual eu falei, assim, nem durmo, é assim, uma grenalinha, parece que eu tomei uma injeção, assim, cara, igual eu falei, primeiro treino, vai cruzar, vou cruzar, eu e o Roberto Carlos, já tô ali, o Roberto Carlos, calma, garoto, pô, aí ele já zoa, os caras,
Então o Juvenil tá levando, professores. Primeira convocação, já do lado do cara com uma série de convocações. Aí o cara vai cruzar quem tá aí, tá lá o Fenômeno, que pra mim é uma referência, assim, pra mim o melhor de todos, assim, o Fenômeno. Aí, Fenômeno e Vivaldo, porra, vai cruzar, porra, cara. Assim, foi assim, me ajudou muito, assim. Eu falei, só agradecer a Deus mesmo por ter essa oportunidade de jogar essa época aí. Tu falou agora, porra, tu jogando com esses craques do lado de craques, tu jogou pra caramba e tu fala,
do Ronaldo fenômeno, assim, o maior do... E a gente cai em alguns cortes no Instagram assim, pô, fulano ou fulano? R9. R9. Tudo R9. R9. R9. Cara, o Ronaldo é o que você viu, assim, ou jogou na seleção teve essa oportunidade. Mas, assim, aqui na Europa, era muito acima dos outros. Pra mim era, cara. Pra mim, pra muito. Igual falei, cara, tem todos... Igual falei, o Kedimundo fez 97. Eu lembro que o Leão, nós tava no intervalo Atlético e Vasco,
o Leão entrou no vestiário, quebrando no jogo do Maracanã, quebrando tudo e xingando a gente. Eu, Bruno, Roberto, igual eu falei, Neguete, geração nova, jogador novo assim. Para, para, tem que parar o Edmundo, caramba, vocês estão de sacanagem. Aí o Leão saiu do vestiário e os caras, pô, para, como? Só se der um tiro nele, pô. Um monte de Vitão Edmundo naquela época também jogou pra caralho. Muito jogador, o Rivaldo, o Giovani, muito cara bom assim. Mas o fenômeno, igual eu falo assim, cara, é um cara assim que,
Eu tô no Atlético, né? E ele sobe no Cruzeiro. Ele é 7'6, eu sou dois anos mais velho. Aí sobe ele o Ronaldo e o Reinaldo. Tinha o Reinaldo pretinho. Mas reagou, mano. Reinaldo, meu irmão, cara. É... Pô, um pretinho maravilhoso, tem uma banda de pagode hoje, um abraço assim. Eu lembro, ele tinha um Eclipse. Eu falei, meu Deus, será que um dia eu vou comprar um Eclipse? Porque na época era o carro do... Na moda da época. Ele era o artilheiro do carro. E não era o Reinaldo lá dos anos 80. Reinaldo dos anos 90. Isso aí.
tem o Reinaldo também, né? Reinaldo tem o Reinaldo. Reinaldo, Reinaldo. E aí, eu falo assim, você vê os caras falando do fenômeno, cara. Você vê, tá aí, você vê o... Você viu o moleque, deixa eu enfrentar ele aqui, não? Cheguei, pô. Cara, Deus me deu o privilégio de jogar contra a seleção dentro de um time, que foi o Galáxia do Real Madrid. David Eberkamp, Zidane, Roberto Ocalo, Raul, Figo. Ah, cara, assim, o cara,
Tem a foto de jogo aqui, cara. Não esqueça, nós perdemos lá de 1x0. E... Olha lá. É a galera vendo o D&D aí, ó. E aí... E aí a gente... Perderam lá de 1x0. E aqui, empatamos de 2x2 no último minuto. Faltando 3 minutos, tomamos gol. Eu ainda saio desse jogo que eu sinto uma lesão. Matias Sama mete. A gente toma o gol no final, assim. Mas eu falo assim... Tanto é o Roberto Carlos, os caras... O Zidane elogiam o nosso estádio. Os caras falam, que estádio, cara? É, assim... Pô, Zidane, Roberto Carlos.
Cara, pô, não sabe, cara, Figo. Cara, e Figo? Guti, pô, os passos que o Guti dava, irmão. Subvalorizado o Guti. Ele achava que ele não jogava nada. É, porque no mínimo esses caras... É isso aí, cara. O Moniente, o centroavante, que era reserva. Cara, os caras tinham um time assim, cara, que eu falei assim, pô, o Ronaldo deu uma caneta no Cristiano. Pô, aí eu era jogador fã, né? Eu tava jogando, mas de hoje não mudou. Assim, mas agora o Roberto Calo, que pra mim é a minha referência. Ele deu uma caneta em quem, o Ronaldo? O Cristiano Bosa, um zagueiro nosso.
Não fez gol, não? Não, não, não fez gol, não. Eu acho que não, é. Eu só lembro, assim, igual eu falei, assim... Você deve entrar em outro planeta, né? Você tá em campo, assim, olhar esses caras, meu. Tá louco? O Figo, cara, o maior jogador que eu marquei, cara, assim, na minha vida. Nunca tô... Lá em Madrid, lá ele bagunçou eu. É. Porrada nele. Não cai no chão, não olha pra sua cara, não é disso, aquilo, outro. Ele não reclama.
Não tem como intimidar. Pô, no jogo aqui, no jogo aqui, graças a Deus, eu consegui jogar muito bem, engolir ele aqui, mas assim, eu juntei dentro do jogo,
O campo, assim, meu Deus, não. E assim, deu certo. Fiz um grande jogo aqui. Mas eu falo assim, então, foi que satisfação jogar contra esse Milan. Esse Milan aí, contra esse Real Madrid. Igual eu falei, o Henry. Peguei o Henry lá no Arsenal. O Henry no Arsenal. O Henry era da minha geração. Como eu cheguei no Borussia, era um talento aqui. Ele era lá no Liverpool também. Cara, assim, foi assim, eu peguei anos maravilhosos da minha vida. Eu posso falar, eu sou orgulhoso.
contra esses caras e contra esses caras. Deu uma porrada maneira em algum momento. Já dei bastante, cara. Já dei, cara. Já dei. Eu, de beladeiro, assim, eu vou enfrentar um craque. Aquela machadada, né? Aquele uniforme branquinho. Gostava de dar um... Vai mergulhar na lama, amigo. É isso aí. Eu dava esses carrinhos que os caras falavam Dedê, Dedê. Eu dava esses carrinhos que se hoje, hoje com o vai, eu tava exposto. Com o vai, hoje eu tava exposto. Vai naquele ombro combo que é mais
Corte do que ombro. Eles largavam a mão aqui pra dar aquela intimidada no campo. Primeiro lance, né? Não tinha vai. Então, assim, Felipe Lan, o cara que eu admiro, ele mesmo quando começou, ele falava que eu era referência dele, né? O Lan falava isso pra tu. O Lan era menininho, né? Ele falava que eu fui um dos jogadores das posições que eu fui escolhido na Bundesliga, acho que cinco ou seis vezes melhor lateral, né? Só isso. É, não. Eu falo assim, mas aí o Lan...
o melhor lateral do Bulegen. E o Lan... Porque o Zé Roberto já tava no meio, deitando. É. O Zé... Mas eu falo assim, e... E ele falou isso pra tu, cara? É, um dia que a gente jogou contra o Stuttgart, ele pediu pra trocar a camisa comigo, né? Cara, que foda. Foi emprestado o Baia pro Stuttgart. Depois ele volta pro Baia de novo e toma... Um cara assim... Então, assim, é... É bem legal, assim, cara. A gente... Pô, isso é foda demais, cara.
É, cara, assim, eu passo um filme, cara, assim, na cabeça da gente. Quando a gente para, igual eu tô falando com vocês, assim, dentro de casa eu não...
no dia a dia, quando às vezes a gente vai mexer nas coisas antigas, a gente vê recorte de jornal e aí começa a ver fotos e você fala, ah, é eu mesmo? Imagina o Filipe Lan, chega pra você assim, tu é minha referência. Não, mas o Filipe Lan, não é esse Filipe Lan, que hoje pra mim foi um dos melhores. Não, ele tinha só registrado. Então eu falo assim, mas depois o cara vira, beleza. Então assim, é muito legal, muito legal mesmo.
Pô, é absurdo. Tinha o Nonato no Cruzeiro. Sim. O Roberto no Atlético. O Roberto, os dois, mandaram em Minas Gerais os dois. Isso é uma referência pra mim também. O Nonato era bravo. Eu lembro, igual falou, teve o Centenário no Atlético. Foi o jogo que me consagrou no Atlético como titular. E pra torcida foi o Centenário de Belo Horizonte que jogou o Atlético Mineiro contra o Milan. Aí tava o Jorge Uéar. Cacete, olha isso. Bah, o Maldini. Bah. Lembra? Ibrahim Bah. Porra, Niguinho. E eu correndo?
Aquele neguinho passou de mim, eu falei, eu achei que eu tava correndo, ele era da ponta direita. Arisco. Cara, foi o jogo da minha vida, cara. Eu dei carrinho de cara, aí nós ganhamos esse jogo, cara. Acabou o jogo, a imprensa toda dando moral assim, aí as pessoas começaram a me ver de uma outra maneira. Foi um jogo que mudou, assim, que me consagrou, assim, pode dizer assim. Agora, os jogos que fazem isso. Não, aquela pergunta eu já perdi. Tentei mantê-la aqui, mas aí eu fui...
Olha, no final da passagem do Tinga aqui pelo Borussia, que é a chegada do Jurgen Klopp. Aqui, né? E o Tinga diz que o Klopp que comunica ele, ó, você não tá nos meus planos, guerreiro, vai ter que buscar um... E é um dia difícil pra ele, conta a história toda. O Klopp vai de carro, vamos parar no meio cinematográfico, sai de carro atrás dele, tudo mais. É, ele para e... E ainda fica com o Klopp aqui. Fico, fico. E aí quando o Klopp chega, no primeiro jogo, eu... Ele faz uma revolução aqui.
Mas o Tinga pega o primeiro ano com o Clopo. O Tinga pega o primeiro ano. E aí eu lembro, quando o Clopo chega, ele ainda dá entrevista e fala, vai ser uma honra trabalhar com o Dedê, mas também não tinha quase ninguém aqui. O Tinga vira e fala assim, o Dedê não se empolga não, só tem ninguém aqui não. Era um momento ruim, né? Não, mas o Clopo também não era o Clopo. Então fica bem claro. Ele vinha de onde? No Mais. No Mais ele subia, caía, caía, subia, subia, caía. Então assim, o Clopo, o Borussia fez o Clopo. O Clopo fez o...
Ajudou o Borussia a crescer, porque... Pra mim, assim... Eu falo assim, porque é o seguinte, quando eu falo que o Júlio é um presidente, cada um tem sua importância, que o Júlio abriu a porta pros brasileiros aqui. E quando eu chego aqui, eu tenho um peso muito grande, assim. E pra mim, quando o Júlio... Um abraço pro Júlio aí, eu falo assim, é o cara que ganhou o Champions League com o Borussia. É o título do Champions League, irmão.
Tá ligado? Então eu falo assim, então pra mim, esses caras Chapuisá, Faia Zinga, Matias Sama, Anders Lula, esses caras colocaram...
o Borussia, eu não conhecia o Borussia Dortmund. Tanto é que na época também nem passava jogo no Brasil. Não tinha internet, pô. Você conhece o Cruzeiro? Eu conheço o Cruzeiro, jogava contra o Cruzeiro, e nós jogávamos não tava tão bem, e eu falei, pô, só falta o Cruzeiro naquela época, esses anos aí, 90, o Cruzeiro sempre tava na Libertadores. E o Atlet nunca na Libertadores, nunca. E aí eu lembro, cara, eu falei, pô, só falta esses caras.
Aí eu fui em Borussia, mano, eu lembro que não teve treino nesse dia, e eu secando o Cruzeiro, seca,
o Cruzeiro contrata Bebeto. Bebeto, Gonçalves e Donizete. Eu falei, nossa. Só pro Mundial, né? O único time que fez isso, contratou um trio assim, Mundial. E eu falei, que só falta o Cruzeiro, já comandava uma noite, fala assim, né? Belo Horizonte, assim. Mas eu falei assim, caramba, em termos de... É muito desse jogo. É, porque a torcida é um atlético, não é porque eu sou atleticano. A torcida do Galo é massa. A torcida é igual esse aqui.
A torcida do Galo é... É aula, é. Eu sou da torcida lá, de pular no Mineirão e por isso eu me pegar da Cocão, de comer resto de tropeio.
Eu lembro, ficava eu e meus amigos, nós pulava aquilo lá pra ver o jogo e sentava ali, vi os caras comendo um tropeirão lá e os caras levantavam e nós já saíram, chegava lá, às vezes sobrava alguma coisa, às vezes não tinha nada. Na época, comia o resto, não dava boqueiro, não tinha nada, não tinha doença, tinha porra. Deus protege. Porra, mano. Pô, deixava a copa, chegava e já tomava. O cara fala, o cara mijou aí, mijou, então tá, toma aí. Naquela época lá, os caras eram raízes, pô.
Porra, você nem sabe. A massa atleticana é outra parada também. Então eu sou dessa época, assim, eu falo assim, então a Champions League, então o Klopp chega, fala isso aí, o Tinker ainda brinca, aí eu machuco no primeiro jogo contra o Liverpool, o Renato Augusto, gente boa pra caralho, um lance com ele e me empurra atrás, assim, eu rompo o ligamento cruzado. Com o Renato, cara? E ele nem me deu porrada. Não, sem ideia. Dou uma cutucada assim, aí eu falo, ai, que isso?
O médico sai, aí eu vou correr e não consigo, eu saio lá no campo, o médico vem,
Eita aí, Dedê, pega o meu joelho, Dedê, ligamento cruzado. Pô, doutor, ligamento cruzado. Aí já entro pro campo, assim, pô, tá de sacanagem. Entro pra dentro do campo, assim, aí vem uma bola, assim, eu vou virar, assim, porque você perde o controle do joelho. Eu caio no chão de cara, assim. Aí que eu fui dar... Pô, cara, mas aí eu falo assim, foi um dos momentos mais, assim, que eu vi o tanto que eu era amado. Foi a primeira vez que eu vi o tanto que eu era tão amado.
Eu sabia que os caras gostavam de mim. Foi o primeiro ano, quando eu cheio. Então, o que esses caras fazem por mim aqui, cara, de faixa,
homenagem. Essa lesão, né? A torcida do Borussia, nós vamos te esperar. Faz um placar, só falta tantos dias, 300 e alguma coisa. Ah, sim, cara. Cara, assim, é coisa assim, o crop também, todo o time. E aí, cara, então eu falo assim, aí quando eu volto, volto jogando com eles, seis meses, eu, rumors, rumors, Mario Götze, essa molecada, Nuri Sainz. Molecada. Não, sério, mas tô falando assim, esses caras... Cara, esses caras, o Mario Götze, cara,
Cara, a gente fala com ele até hoje, assim. Ele ia lá na minha casa no final de semana, levava o Golf dele lá, deixava o Golf e pegava o meu carro. Eu tinha uma BMW MX e ele ficava com o carro sábado e domingo, que eu tinha outros carros também, e ele ficava com o carro no final de semana, que ele não via pro treino, não podia. Ele tinha um Golf. O irmão, cara, assim, o irmão... Nunca bateu teu carro? Não, não, não. Deu uma raiadinha?
Não, não. É piloto, porra. Cara, assim, o Hummer chega aqui no Borussia Dubai de Munique. Cru, cru, cru, cru.
o Nuri Saim, esses caras tudo, assim, encostavam em mim, e os caras, o Dedê, o diretor falou, Dedê, tem que dar a mão, não tinha outro jogador, tinha que lançar esses caras. Estava de porra no Hummels, não, tu? Não. Porra, ruim, hein? Eu sempre de dar moral, assim, tanta coisa. Você viu o Hummels comigo aí, cara? Ele é brabo, hein? Graças a todo mundo, assim, cara. Igual eu falo assim, porque um dia o Tafarel estendeu a mão pra mim.
O Marcos estendeu a mão pra mim. Então, eu fico feliz, assim, o Nuri Saim. Então, eu falo aí, eu lembro... O pai era muito fã do Saim aqui. O Nuri Saim, cara, ele sai junto comigo. É. Porque ele vai pro Real Madrid,
É. Achei que ele ia voar. É. E aí eu lembro ainda no meu último ano, o último jogo, acho que penúltimo jogo aqui mesmo de casa, o Mario Goodson, né? Ele tá com a camisa escrita assim, DD17. Ele manda fazer uma camisa, põe aqui debaixo e tá jogando que essa camisa já tem mais de cinco jogos. Eu nem tô sabendo. E aí, no penúltimo jogo, ele faz o gol aqui, eu tô aquecendo do lado de lá, aquecendo assim e tal. E aí os caras...
o Dedê, ele sai daqui com a camisa aberta, assim, alemão não tem esse gesto. É de... É coisa de brasileiro, dançar e tal, alemão é mais... E ele, assim, moleque, ele levanta a camisa e vem, e vem correndo, e os caras, Dedê, eu tava assim, viajando assim, né, cara, os caras voam e tal, os caras, Dedê, tá com o seu nome lá, e eu não entendendo. Aí ele vai vindo assim, aí que eu vou, e assim que a camisa, assim, ó, cara. Sim. E os jogadores, a molecada, assim, do Borussia, essa, que o Borussia, o Clopo fosse muito menino novo, assim, os caras tudo, o apoio, assim, o respeito, igual o Clopo fala, assim,
o Dedê tá sentado na reserva, calado, treinando todo o jogo, dando exemplo. Os caras tinham uma pressão do caralho. Com o treinador do clube, falavam pros caras, você tá louco, cara? O Dedê tá aí. Sim. Sentado aí, no cimento, esperando a hora dele, que o time tá bem. Quando eu volto, igual eu falei, ligamento cruzado, depois eu sinto. E os caras, como é que você consegue ficar no banco sem falar nada? Você abre a boca aí e derrama.
Aí o time bem ganhando, cara. É. Não, que ele foi fazendo, esse time do Borussia aí que foi se montando, né? Foi montando, ó. E eu acho que aí,
esse time, o Borussia vira esse time que começa a pinçar jogadores até em outros lugares da Europa, né? O Lewandowski. É, o Lewandowski. Os bolonês ou o Cuba, né? O Cuba tava comigo. O Cuba chega antes já. Cuba, Blastkóvitz. Quem não me arreca pra falar. Eu falo Cuba. É, Blastkóvitz. É, Blastkóvitz. Eu tava em Cuba aí, cara. Um grande irmão. Eu lembro, cara. O clube é do caramba. Ainda bem que tem o Cuba no nome dele. A década de história é do caramba. Eu compravam, eu lembro, compravam os relógios
Eu chegava no treino lá, o Cuba traz pra mim, Dedê. Eu vendia pra ele, ele ganhava 50 reais com ele em cima dele. Eu falava lá, cara, assim... Fala assim, cara, assim, do caramba, assim, história assim... O Cuba não é malandro de Varsóvia, né? Cara, assim, ele traz uma daninha de férias, ele já fala, meus relógios, cara, meus relógios, cara. Eu falei, já sabia que era falsificado e tudo, assim. É, do Brasil? É, do Brasil, da Iapoque, eu ia lá. Os caras falavam, cara, os caras falavam,
falar que o Dedê tá usando fosficado. Tinha que trazer aquela... Primeira linha, né? Primeira linha, né? O BMW vai ter relógio. A prova d'água, a vida do Safira. Primeira linha, né? É, você não podia tomar banho também. O cara falava que primeira linha é, mas assim, não empolga também não, cara. Empolga muito também não. Não entra na praia, nem deixa na banheira de baixo. Pô, isso é a primeira linha, né? E o Lewandowski, cara? O Lewandowski, eu um ano com ele, cara. Eu falo aqui que é futebol.
Você via que ele tinha a qualidade, assim. Mas no treino, cara, eu lembro que na época tava reserva. Como ele era reserva, era o Lucas Bairros, que era o titular. Porra, o Lucas Bairros depois foi pro Grêmio ainda, né? Paraguai e o Bairros. E eliminou meu fogão. É, o Lucas Bairros. Os alimentadores, é. E aí a gente tinha, no domingo, jogava no sábado. Aí no domingo tinha um treino ali, jogava, os reservas treinavam 3 contra 3, aquele joguinho.
Pô, cara, quando caí no time do Lewandowski, pô, ficava, porque era 3 contra 3, o cara correr pra cá. Se não ficar sem correr, 3 contra 2, pô, é campo reduzido.
E ele lá andando, cara. E eu xingava, porra, Leva, caramba, e tal, e tal assim. E ele, e tal, me respeita, bosta de mim pra cara. A gente se dá muito bem assim também, o Lewandowski. E aí, a bola caiu no pé dele fazer gol. É, então. Assim, cara, eu falei, caramba. E aí, é aquele atacante, né? Não, eu não vou correr, irmão. Quem corre é o volante. E aí, o dia que o Lucas Bares machucou, deu oportunidade pra ele, ele entrou e... Nunca mais saiu. O Bares foi vendido depois. Eu falo assim, eu peguei, joguei,
com muita gente, assim, igual eu falei... Os caras que viraram uns monstros. Muitos que viraram monstros. Viu garotos e, cara, os caras... Eu falei, assim, é um orgulho, cara. Quando eu encontro com esses caras hoje, não, cara, é risada, assim. Quando o Goethe faz o gol da Copa... Ele vai jogar em Belo Horizonte, né, que o Brasil toma aquela lá de sete lá, em BH. Puta, então, mano. Eu vou no hotel lá, pô. Na tua casa. É, na minha casa.
Eu vou lá no hotel, os caras me digam, eu vou pra Belo Horizonte, sair de Belo Horizonte, aí eu vou lá no hotel ver o Rumors,
Noia, eu dei essa recepção pra gente conversar, com o Link pra visitar ele também. Aí fica lá com o Hummers, com o Mário Gould, a gente fica conversando lá. Antes ou depois do jogo? Antes do jogo, né? Antes do jogo. O que eles estavam achando? Porra, de pegar o Brasil amanhã, cara, não aqui no Brasil. Falei, não é fácil mesmo, não. Apesar que o Brasil não tava tão bem, mas é Brasil, irmão. Brasil... A Copa no Brasil nunca tinha acontecido.
Brasil sempre é Brasil. 50... Era uma loucura. Eles estavam assim, com receio. Com respeito do caramba. Isso continua.
ou no pós, né? Porque eu já vi um vídeo do... Vou falar aqui. Não é o certo, né? Joaquim Law. Aham, é. Como é que fala o nome deles? Ah, não, velho. Vou falar igual vocês aí. Até hoje aí, cara. O Joaquim Alemão falando... É outra parada. É que implica as coisas pra caramba. Mas eu vi o técnico dizendo que... Ele dizendo que no investiário pediu respeito. Que já tava... Assim, já tinham praticamente classificado. Cinco no primeiro tempo.
Cinco no tempo. Mas que era pra respeitar, não era pra ficar fazendo graça. E aí dizem,
que a ideia era que, ó, 5x0, né, gente? Só que, pô, o... que entrou no segundo tempo, o Júlio, que o Júlio entra no jogo, também quero o meu, né? Minha chance, deixa o meu nome, pô. Vai mais dois, né? Vou pensar, mas minha chance, pô. Parece que eles ficaram culpados de ter feito sete no Brasil. Eles não acreditaram muito, né, cara? Foi mais aquele... Pra seleção alemã ali, né, cara? Pô, é lógico. Dentro do Brasil, Copa do Mundo, igual eu falei, é Brasil, cara. Você pode falar,
O que quiser. Brasil vai sempre ser Brasil. Porque é o maior resultado do esporte coletivo. Numa Copa do Mundo. É, pô, numa semifinal. Nossa, olha o maior vexame da história do esporte coletivo. Sete é uma semifinal em casa. Ele gosta de carregar nas palavras. Não, vexame, sim, vexame. Sete é um em casa. Na semifinal. O cara é como o maior resultado. Sabe quando pode devolver pra Alemanha? Só se ganhar aqui de sete a um da Alemanha aqui.
Na semifinal. Mas deu um pau de sete no Brasil, já tá valendo. Tudo bem, não vai ser numa Copa, né?
Depois disso dele, assim, tu que convive aqui na Alemanha, assim, 7x1, cara. Igual eu falei, a Alemanha mesmo, não acreditaram, assim. Nunca vi aquele... O alemão também não é como a gente. O brasileiro, a gente é foda, né, cara? A gente cai na pia, a gente cai mesmo. Então, o alemão, eu sempre comemorava, mas nunca, assim, com uma falta de respeito, assim, eu nunca vi, não. Os caras, igual eu falei, foi mais um choque, eles não acreditavam naquilo, não.
Eles foram tão bem recebidos lá em Cabralha, né? É, os caras ficaram, assim, tão felizes, cara.
estrutura no Brasil. Os caras ficaram sem... Esse foi o problema. Deixaram os caras em casa. Era muita bondade. Praiazinha. Tratado um pouquinho pior, né? Pra queimar o arroz. Ainda arrumaram um tibu, sabe? Fazer brincadeira com os caras. Mas aí tu ia falar do Gotze, que você foi visitar ele na semifinal. Fomos conversarmos o jogo e eles falaram. Estavam bem tenso, bem nervoso. Eu falei... Eu estava torcendo pro Brasil, mas falei,
E é verdade, tinha mesmo. Futebol, cara... O time da Alemanha era... Era bom, cara, mas não era... Se consagrou ali. Ali, né? Ali. Ali. Igual eu falo, o bom da Alemanha, assim, é um time... Eu lembro quando o Brasil foi campeão em cima da Alemanha. Eu lembro a preparação. Os quatro anos antes, a Alemanha não tinha base nenhuma. Chegaram como um zebra. Não esqueça, eu lembro o jornal aqui, tudo. O Torsten Frinkz até foi, isso, aquilo, outro... O Kahn que carregou, né? O Kahn pegando...
Pegando pra caramba, pegando, pegando. E o close. E o close. Os caras chegam na final. Então, o alemão é um time... Os caras que não desistem. E assim, o momento que o futebol alemão vivia, em 2002, como você mesmo disse, jogando aquela final ali meio como um azarão, sem futebol, o Brasil sofreu um pouquinho, mas chegou muito tranquilo. Aquela derrota... Dá pra dizer que aquela derrota movimentou tudo pra chegar em 2014.
Por isso que eu falo assim, eu vi coisas, como o Marcos veio cá no meu jogo de despedida, e ele falou, eu tinha mesmo falado isso aqui, que se encontra, que não encontra, é coisa rara de encontrar no futebol, a lealdade. Eu falo assim, no Brasil perdeu, acabou, tudo errado. Demite agora. Foi campeão ontem, olha o Flamengo hoje aí, monte de falar. Flamengo, pô, Felipe Luiz, um treinador novo, conseguiu... Cara, mas eu falo assim, o brasileiro, isso aí, cara,
cara, é uma coisa, um defeito grande, assim. Eu acho que a gente não vai aprender, não vai mudar nunca, nessa cobrança aí. Mas na Alemanha, não. Aquela derrota, ali se começou a construir o título pra próxima Copa do Mundo. Porque ali, os caras falam, tá vendo? A gente estava mal, mas a gente se uniu, e um correu pelo outro, e aí eles fizeram até a próxima Copa do Mundo, foram juntando, juntando e chegou daquela maneira. E outra coisa, que acho que mostra isso. A derrota em casa não quebrou o projeto. Perdei em 2006, na semifinal,
final, né? Aqui. Aqui? Aqui. E assim, no Brasil, beleza. Gol de Del Piero. A Itália que a galera não apostava muito e arrebentou. Mas no Brasil seria exatamente isso. Ah, fomos muito mal em 2002, perdemos. Vamos começar um projeto. 24 jogador no Brasil, só ia voltar talvez dois na seleção. Não, e assim, e se começasse esse projeto e perdesse a Copa em casa, no meio do processo, ia jogar tudo por água abaixo. É o que eu falei, se acontece no Brasil lá, dos 24 jogador, mais ou menos assim,
Só ia voltar 4 na seleção. Os outros 20 não servem. A Alemanha, pelo contrário, pegou a base. Ali em 2006, eu já lembro, Schweinsteiger. Depois mudou, era atacante ainda. Lahn já estava. Podolski já estava. Metzeler e Metzeler. Metzeler, é. Metzeler. Torsten Frinks. Torsten Frinks, um volante. É, o Frinks, é. Mas aí era uma interseção ali, mas já tinha essa galera surgindo. Tinha lá o Neuvel, o Jennings, esses caras estavam mais velhos. Ele já estava bem na Alemanha, jogando aqui.
na porta, mas na seleção tinha o Iens Lehmann e o Kahn. Ah, o Noé, né? Tinha o Iens Lehmann e o Kahn. Tava bem. Mas já deixa a base, cara. Foi construindo, né? Isso, cara. E o que mudou aqui estruturalmente pra chegar em 2014, cara? No futebol que você viu. Jogava aqui no Borussia e tal. Daqui a pouco o quê? Centro de treinamento, os jogadores que eles começaram a pescar, que a gente lembra muito de uma Alemanha muito física e daqui a pouco o biotipo muda. Mario Götz e Roy são jogadores.
Bem franzinho. Abriu pros imigrantes. É isso, né? Igual eu falei, na Alemanha tem um planejamento. E por mais que demore um pouco, eles têm essa paciência. E aí, às vezes, igual eu falei, em 2002, quando a gente foi campeão, eles montam o time, eles trazem todo mundo, cara, e não falam de título, estamos planejando, e estou falando a verdade. O diretor falava, faz aqui três anos, e a gente já põe pilha, não vamos ser agora. Vamos ser agora. Então, eu falo assim,
esse planejamento, igual eu falei, essa derrota foi o passo pra vitória da outra final da Copa do Mundo. E se você for falar pra galera, você falou do Klopp um pouco, o que o Klopp tem de diferença? Você falou, cara, o Borussia fez o Klopp, né? E óbvio que ele ajudou o Borussia. E o Klopp, igual eu falei, o Klopp ajudou o Borussia a se... Isso, porque eu falo assim, você segurar um Borussia, como a gente falou aí, um leão, né?
Igual eu falo, a gente vê isso aí, você vê, com todo o respeito do Borussia, todo mundo conhece, pela torcida,
Então é um time que todo mundo quer ganhar. Vem cá que todo mundo quer ganhar. Então pega um Borussia mal, todo mundo quer bater, cara. Todo mundo quer bater. Então a gente, em ter segurado o Borussia 2004, que é isso que, graças a Deus, sou muito lembrado aqui, tenho esse respeito. Os caras falam, na pior fase você esteve aí. Na melhor fase eu sou quase nem lembrado, porque eu falo assim, mas na pior fase eu estive aqui. Não foi fácil pra mim em reduzir o salário, em ficar aqui.
A hora que você pega um time que ninguém respeita, os caras... Mas aí vem aquele processo assim,
entendendo e vai acontecendo coisas na minha vida aqui dentro do clube. Mas isso de idolatria, hoje vale muito. Cara, dinheiro não paga. Eu falo assim, dinheiro não paga. Tem coisa que eu diria, eu falo assim, um lateral esquerdo e eu falo isso. 13 anos de clube, 12 gols, menos de um gol por ano. Vou ser honesto e falar a verdade. Então é bem claro. E faço o meu jogo depois que eu vou embora, depois de 3 anos,
meu jogo despedido pela torcida, a cobrança da torcida, né? E com duas semanas é vendido os 82 mil ingressos. Assim, cara, é até difícil de falar, que eu falo assim, igual falei, quem que sou eu? Roberto Carlos, esses caras, o Serginho, não cheguei perto. Então Deus fez comigo estar nesse clube aqui, cara, quando eu trago o Linco, todo mundo, o Max, os caras vêm no meu jogo despedido aqui, os caras, nem um jogo na Alemanha. E aqui passou, cara, cem vezes melhor do que eu.
Conseguiu, e eu falo assim, até hoje eu não, igual falo assim, é difícil de falar,
Por isso é coisa de Deus mesmo. É humildade, né, cara? Você é um cara muito humilde. É gratidão. Você falou isso aqui. Eles têm essa característica de ser grato ao jogador que vem e se entrega à cultura deles e você mesmo falou. Entende o que é o clube e o que eles pensam, né? Nos melhores momentos, não vou lembrar de mim, mas, pô, na hora pica. O time podia cair e não caiu. Com certeza isso mexe com os caras. Você, pô, dele ele tava aqui, segurou a ponta. Você tentava demonstrar ser um torcedor do Borussia dentro de campo, assim?
Não, cara, não. Eu só sou... O meu estilo de jogo é da carrinha, não tem bola perdida. Então é isso? Então, assim... É isso, representa muito. Os últimos quatro anos tive que mudar a minha característica, cinco anos, né? Em defender mais. Eu lembro que o Sebastião aqui falou, porra, Dedê, só tem nós dois, eu não tenho que dar a mão, o Mário Gotts, o Rumo, os caras, o Nuri. Então, você não pode... Quando você tá com só cara fera, você faz seu jogo, pô.
Aí você tem que prestar atenção ali. Se eu for, quem vai estar aqui, quem vai cobrir? Então, assim, foi...
Aí, você pegar e ver isso aí, cara, assim, depois que acontece aí no final, assim, eu falo assim, cara, assim, igual eu falei, são três títulos em 12 anos. É, assim, é coisa assim, é só Deus, cara. Igual eu falei, não conheço um jogador no Brasil que tem... E eu falo assim, então, assim, aí o pessoal fala, alemão, povo frio. É, reserva contigo. Todo mundo fala isso aí. Pode falar, quando fala alemão, alemão frio. Não é como brasileiro, a gente chega abraçando, é, é, é. Então, alemão é o cara mais...
É um cara mais reservado. Eu falo assim, desde quando eu cheguei aqui, igual eu falei, minha primeira viagem com a Champions League, né? A primeira viagem com a Champions League, terno. Pô, avelado meteu o terno, já tava todo sem jeito. Aí os caras metem a gravata. Machucando. O Chapoici arruma a minha gravata no aeroporto. Ele arruma a minha gravata, né? Chega assim, brincando, rindo. Aí depois que eu fui perceber, ele arruma a minha gravata assim, os caras estavam rindo assim e tal. E os caras brincando e rindo assim, Andrés Molo.
Os caras lá e... Aí depois o Anders Moura vem, ele senta do meu lado, abre a bolsa, pega a meia. E ele falava italiano, que jogou na Juventus com o Júlio Cello. Ele me dá a meia, eu tava com o terno sem meia. Sem meia, pô. O cara jogou na Itália, o cara veio assim, não, por favor. Aí ele me dá a meia. Os caras tem meia reserva, não tinha nem meia, pô. Preocupado, põe o terno, assim, põe. E fui aprendendo isso aí, né, cara? Então, você vê a simplicidade, os caras me dão uma meia ali e não debocharam de mim, assim.
jogando, aprendendo. Então eu falo assim, cara, Deus colocou pessoas muito, muito legal na minha vida, cara. Porque você é um cara especial. E você ficou pra sempre na história desse clube, cara. Porque eu acho que tem ídolos que são ídolos por títulos, né? A gente tá muito nesse debate no Brasil, assim. Título, um cara muito goiador. Meu time tem o Jefferson. Porra, lateral, pô, goleiro, pô. Pô, o Jefferson foi os maiores ídolos da história do Botafogo.
Pô, o Jefferson foi os maiores ídolos da história do Botafogo. Pô, eu, o Osso. Porque o eu, o Osso se identificou. Ficou na B, né? Entendeu que poderia ter saído, não saiu. E aí,
Isso vai criando o amor do torcedor de ver, cara, esse cara valoriza o que eu amo, que é o meu clube aqui e tal. Acho que é isso que ficou no coração. Cara, mas eu falo com você. Estou até chocado em ver você falar assim, porque a gente vai ver poucas pessoas ter esse pensamento que você tem. E isso valoriza. E por isso que a gente tem que entender também, quando o jogador tem a chance de ir embora, o cara vai. É. Porque conversa com outros e fala, irmão, você viu lá?
Os caras vão. Olha no Flamengo, você fez uma moda de falar. Assim, igual eu falo o Fábio. O Menos passou por isso. Fábio Fluminense. Quantos anos o Fábio de Cruzeiro, cara?
O cara que eu respeito. E aí, pega uma fase ruim lá. Mesmo assim, ele quer ficar no time. Os caras mandam ele embora. É isso. Você vê ele chorando. O Cássio. O Cássio. O maior ídolo do Corinthians. Ameaçaram a família do cara. Uma oscilação. Cara, eu falo assim, então... Cara, assim... Pra mim, cara... Igual eu falo assim... Isso aí, cara. A torcida, igual eu falo... Os caras falam... Flamengo, pô... Torcida do Flamengo, Atlético.
Pô, aí. As torcidas no Brasil, cara. São fora da curva, assim. Lógico que tem as mais. Você falou... Desafio qualquer uma. Fazer isso aqui que os caras fazem aqui. É todo jogo.
É contra o Wolfsburg ou é contra o Bahia de Munique. Não é porque é contra o Bahia de Munique amanhã que os ingressos estão vendidos. Não vende daqui uma semana e digita lá quantos ingressos foram vendidos. E quantos anos. Na fase boa, no osso e na carne. Então isso faz a diferença. Hoje o Bruno me chamou a atenção aqui que tem uma bandeira na Muralha Amarela. Uma das bandeiras é a bandeira do Borussia com a bandeira do Brasil.
Ali dentro. Pelos brasileiros que passaram aqui. Que passaram aqui. Como eu falei, todo mundo amoroso.
Everton, o Léo, meu irmão, Felipe Santana, Tinga, Flávio Conceição. São! Ah, cara, foram, igual agora, foram muitos caras que passaram aqui. A gente fica até... Essa relação do Brasil com o Dortmund, com o Borussia, é muito legal. Por essa característica da torcida do Dortmund, de ser uma... Essa torcida que... Eles até cobram, né? Teve um, acho que uns três anos atrás, deu uma diminuída boa, ficou muito tempo sem brasileiro aqui. Os caras sempre quando me viam,
dia que vai vir um brasileiro, e aí... Eu tenho até oportunidade agora, semana passada eu recebi aqui o Cauã, lateral esquerdo. Garoto, lateral esquerdo, o Borussia me liga. Antes de fechar, já tinha pedido a minha opinião. Onde, Cauã? Do Cruzeiro. Cruzeiro. Ele é reserva lá, mas o menino tá voando. Mas falava muito bem dele lá. E aí, o Borussia me liga semana passada, o Borussia compra ele, e ele chega aqui semana passada, vou receber o pai, a mãe, vou receber ele aí, e... Você é um anfitrião, pô.
É, assim... O que eu não tive, eu puder fazer. E o maior prazer, cara. Igual eu falei, é um prazer poder ajudar as pessoas, né? Igual eu falo assim, ele chega aí, a gente conversa ainda. O menino dá pra ver que é um menino simples pra caramba. Ele dá entrevista e fala que quer fazer história como eu. Eu falo na entrevista, você não vai fazer história como eu. Você vai fazer a sua história e, se Deus quiser, vai ser maior. Porque a história dele ser maior ou menor não vai mexer na minha história. Pode. Nesse negócio de ego, cara. A sua história é a sua história, cara.
pra você e deixa as pessoas interpretar. Esse foi, desde quando eu cheguei aqui no Borussia Dortmund, como eu falei com você, são 27 anos, cara, assim, já passei cada um aqui, igual eu falei, traduzi pro Amoroso, pro Everton, que é atacante e não gostar de ficar na reserva e tá certo mesmo, pode falar assim, foi um dos momentos mais difíceis, cara, assim, pra mim, pro Evanilson, eu lembro a situação, o treinador tira o Evanilson no jogo na Champions League, o meu irmão até segura o Evanilson no vestiário, o Léo, pra não dar briga com o auxiliar, aí um dia
Depois, tinha um grande lateral também, Evanilson. Fez história aqui, cara. Porra, negão, seleção. Foi seleção, é. Ó, cara, assim. Aí, Evanilson lá no vestiário, assim, como eu falei, era jogador, só tinha líder mesmo. Evanilson também já... Aí, todo mundo sentado no vestiário. Lênis Lema, todo mundo, Stefan Rodgers, os caras tudo. Aí, o Zama entra. Nós perdemos o jogo, né? Aí, o Zama começa a falar lá e tal, tal, da dura e tal. Aí, ele fala assim, aí, questão do Evanilson, a multa,
Aí deu uma multa nele lá e falou a atitude que ele fez de sair e tal, tal, tal. Que é normal, os jogadores fazem isso aí. Então, tudo normal. O bom com o alemão, ele fala com você na cara e tá resolvido. Eu lembro o Jens Lehmann com o Romain Weidenfeller. Os dois não se bicavam, mas se respeitavam. O Lehmann e o Weidenfeller, né? Respeitavam. Pô, rivalidade gigante. Ganava tudo do lado do outro. E você vê os caras, às vezes, conversando.
Mas, assim, isso é legal. Já vi os dois discutir. Falaram, faz a sua, faz a minha. Mas se bicavam porque era diferente? É, cara. Tipo, né? Goleiro. Sempre falam goleiro.
Foi doido. Foi doido, mas assim, os caras super... E aí o Evanilson vai e fala, pede a palavra, né? Só que o Evanilson já tinha falado ali, né? Antes ali, o grupo brasileiro Evanilson, todo mundo nós ali e tal. Se falar, eu vou falar também. Aí os caras falam o DDC e falam, você vai traduzir, vai traduzir direito. E aí os caras ali, tranquilo, eu já tava cargado, cara. É, eu tenho que traduzir. Aí eu não esqueço, cara, quando o Zama vira e fala, ele fala, isso aí que dá multa e tal, atitude. Não, não, não.
Aí o Evanilson levanta a mão. Ô, Dê, eu quero falar agora também. É só, respira assim, cara. Parece que o problema era eu que tava com o problema. Esse jeito traduzi pra lá e pra cá, né? Ô, Dê, fala com... Eu queria pedir desculpa a todo mundo que tá aqui dentro, aqui do vestiário, todos os jogadores. Mas fala com o treinador, que aí ele não peça desculpa, não. Porra, cara! Onde você traduzir isso? Pra todo mundo, mas pra... Técnico, não. Era melhor falar pro treinador e pra todo mundo, não. Personalidade, assim...
Aí eu, amoroso, é pra falar do jeito que ele falou. E todo mundo olhando pra mim e falou, dá um tempo aí, velho. E os caras tudo olhando já assim, ansiosos. Eu olhei pro Evanilson, não pode falar. Aí eu vou e traduzo, né? Todo tremendo, ele queria... Pedir desculpa. Fala, Dede. Aí queria pedir desculpa aí pra todo o elenco, mas o treinador, pro senhor,
Não pede desculpa, não. Assim, o Ivanilson jogou com ele depois, normal. Isso que é legal. A forma como você falou direta do alemão... Que ele atratou ali... O cara tem que pensar, pelo menos ele tá sendo honesto. Não, o Ivanilson jogou, igual fez história aqui. Porra, que cara feliz, né? É, é, é. Jogador que, igual eu falei, o Ivanilson fez história, amoroso, todos aqui, igual eu falei, todos os brasileiros que passaram aí, cara, assim...
Então, por isso, esse carinho da torcida do Borussia com o brasileiro. Pra terminar, Dedê, ensina a gente a disparar em alemão aí pra gente não fazer fake.
na rua, então aqui a gente tem que... O cara acabou de falar que ficava... O diabo tem que traduzir. É, eu vou sair aqui sem falar nada, cara. Um sorriso, o Jair já basta logo. Um sorriso, um sorriso. E aqui, ó... Os caras já vão ver que é brasileiro. Já aprendi, já aprendi. Dunk. Dunk, obrigado. Obrigado, né? Prazer, como é que é? Alguém me ensinou, muito prazer, esqueci. Não precisa falar essa palavra de fita aí. Como é que é?
Foitmich. Foitmich, é. Foitmich. É, menos você tocar na mão e dar aquele sorriso. Como é que é? Aí. O pessoal gosta muito de brasileiro. A gente brasileiro, né? A gente sempre... É isso aí, os caras... É brasileiro. É um palavrão mais usado, tipo assim. Isso é bom. Scheisse. Scheisse é... É tipo merda o modo de falar assim. Scheisse. Essa é uma palavra que eu aprendi aqui. Isso aí. Essa palavra é sempre usada aí. Scheisse. Desse jeito aí. Scheisse. Ele é um gol. Scheisse.
Os caras, pô, tá mevando. Chaisa, tá frio. Tá calor. Calor pra caralho. Chaisa, eu falo que os caras, vocês gostam de quê, pô? Pô, tá calor, eles não gostam, cara. Passou de 30 graus, quando dá aqui no verão aqui, os caras, oh, meu Deus. Quase morre. E aí, tá com o inverno, tá chovendo. Chaisa, chaisa. Pô, cara, pô, tá de sacanagem. A palavra que eu mais aprendi a falar aqui, logo quando eu cheguei, foi essa palavra aí. Pô, sensacional. Cara, palmas pra um dos ídolos mais humildes que já passaram pelo Charla.
13 anos de Borussia Dortmund. Primeiro episódio do Charla na Europa, aqui nesse estádio, que é o estádio que eu mais queria conhecer na vida. Em frente a um cara que recebe a gente e fala da história desse clube, da história dele. 13 anos de Borussia Dortmund. E o jogo de despedida pra mais de 81 mil pessoas. O cara que faz o gol da Alemanha do título Mario Götze com a camisa da fera, beleza? Entendeu? Uma honra pra gente conversar contigo. Pela primeira vez, você volte mais ao Charla. Então é um cara muito legal.
E, mano, parabéns por isso tudo que você construiu, de sair lá da comunidade em BH e hoje ser ídolo num país como a Alemanha, assim, e ter esse respeito dessa torcida. Pra mim, é a melhor torcida da Europa. Bom, cara, assim, satisfação, tô falando com vocês. Parabéns pelo programa. Sou fã, já acompanho, já vi Evaristo, muitos outros. Cara, é muito legal, cara. Parabéns à maneira que vocês trazem o empreendimento. Falando sério, mas falando com descontração, lembrando a história. Parabéns e pode até contar comigo aí. Eu tô sempre acompanhando lá.
Próximos dias aqui, principalmente. Cara, te ver aqui, pode ver aí. Zé, prazer enorme te conhecer. Muito legal. Muito brabo, você é um cara espetacular, um vencedor mesmo. Não é campeão por ator, né? Campeão na vida. Muito bacana mesmo, prazer. Igualmente, brigadão mesmo. Tamo junto. Viva o Dedê, viva o Borussia Dortmund. O primeiro episódio do Charla na Europa. Mano, sendo recebido por um ídolo aqui dessa casa sensacional, cara.
Tamo junto, beleza? Reclames. É o quê? Reclames. Reclames, me avisa aí, Paulo. Temos de falar da Brahma.
Porque, ó, estamos na terra da cerveja e a gente bebe a Brama, né? Brama, Braminha, tá doido? Tá aqui, tem mais de duas mil marcas de cerveja, mas a Brama é Brama. É Brama, pô. Galera, traz Brama na mala pra cá. Raíssa, raíssa. Essa é a parada, ó. Você comprando a sua Brama agora aqui no Zé Delivery, a parada é a seguinte, você ajuda o seu time do coração. 10% de todas as compras que você fizer no Zé Delivery vão pro seu time do coração. É a SAB, Sociedade Anônima da Brama, beleza?
Brama, o Charla é Sabe e a Brama sem álcool, Zé. Exatamente, se você por algum motivo não pode beber a Brama com álcool. Vai dirigir, por exemplo. Exatamente, você vai beber a Brama a zero e aí você vai estar ajudando o seu clube, mas ainda com 20% de tudo que você comprar de Brama a zero no Zé Delivery, 20% vai pro seu clube credenciado no Sabe, né? Como a gente. Charla também é Sabe, né? É isso aí, tamo junto. Charla é Brama, Charla é Sabe.
É nóis. Aqui ó, é isso. Antielote também é Brama. É. Temos falado a Sporting Bet, cara, que é a nossa
parceiraça. Leva a gente aí pelo mundo. Outro dia, Beto Júnior esteve no All-Star Game da NBA. Eu, Enzo Grisalho. Isso. Ainda não encontrou o homem que tá aqui na tela, que é Checker. Ainda não encontramos o Monster Vice President. Isso aí. Mas vai rolar. Tá rolando, né? Dependente de bairro ele aqui na Alemanha, ele é um homem mundial. Isso aí. Pode estar em qualquer lugar. Ó, a parada é assim. A gente faz sua fézinha na Sporting Bet, beleza?
As melhores odds. Dica pra você. Campeonato Brasileiro, mano. Tem odds sensacionais no Brasileirão, então se livre aí. E o
Brasileirão tá pegando fogo. Libertadores. A parada é a seguinte, a pós esportiva é só pra você brincar, tá, beleza? Não vai se complicar financeiramente. Se liga, hein? Beleza? Vai lá, então. Faz a sua fézinha aí na Sporting Bet. O Charla e a Sporting Bet. Tamo junto, beleza? Uma brincadeira pra maiores de 18 anos, hein, galera? Vamos lá, hein? Isso aí. Vai, Paulinho. É isso? É isso. Show. Fechou. Dedê, tudo nosso. Vamos lá na loja agora. Vamos lá, Dedê. Vamos lá, vamos lá. Vamos lá na... Vambora.
Claro, claro. Ó, tchau, tchau, galera. Tchau, tchau! Pode falar tchau, tchau aqui. Direto do signo na parque. É o Charla no Borussia Dortmund. Valeu, tamo junto, é nóis.