#717 - Milton Leite [Narrador]
A Charla de hoje é com Milton Leite, jornalista e narrador da XSports.
- Carreira de Milton LeiteSaída da Globo · Retorno à narração · Experiência na ESPN · Desafios da profissão
- Narrativa e Perspectivas ConflitantesCriatividade na narração · Uso de bordões · Importância da emoção
- Temas Narrativos e SignificadoNarração da medalha de ouro de César Cielo · Final da Copa do Mundo de 1998 · Final da Champions League
- Mudanças em equipes e estratégias esportivasCrescimento de canais de streaming · Diversidade na narração · Concorrência entre emissoras
- Nova geração de narradoresAmizade com Lédio Carmona · Experiência com Maurício Noriega
Fala, galera! Estamos no ar, ao vivo, e sempre que viemos aqui, é sempre muito legal, estamos em São Paulo, Beto. É verdade. Os únicos cariocas que adoram São Paulo. Não sei se somos os únicos, mas... Nós adoramos. Eu gosto muito, cara. Gosto muito. Toma aquele café clássico aqui, aquele entrada no requeijão, né?
Pô, eu ainda tenho dificuldade. Não gosta? Requeijão na entrada ou na saída? Então, a entrada é o tostado, mas com saída é o frio. Ah, é? Você tem certeza disso? Pelo menos hoje o cardápio tava explicado assim. Aham.
Eu gosto muito. Eu acho que é um de carioca que eu adoro São Paulo. A gente esteve aqui recentemente. Mauro César mora aqui há muitos anos. O Zé Trajano mora aqui há muitos anos. Exatamente. Por aí vai, né? Sensacional. Estamos em São Paulo. Teremos episódios especiais ao longo da semana. Fique ligado na agenda que já está no Instagram pra você se ligar, beleza? Hoje um episódio muito legal pra mim.
Você, obviamente. Lógico, acompanho muito. Acompanho, né? É isso, cara. Pra mim, um dos maiores narradores do Brasil nas últimas décadas, certo? É, e com essa parada de... da criatividade da narração, né? Eu fiz um curso de narração sem ser narrador pelo jornalismo. Você não tem esse registro?
Ah, o Edson Moretti foi ele. Era o curso do Edson Moretti em 2004. Eu tenho uma... Eu fiz um jogo narrando, no teste, né? Meia hora narrando, meia hora comentando, eu fui bem. E meia hora reportando. Eu ainda peguei gol. Comentando, você está muito bem voando até lá.
Sempre gostei, sempre foi a minha praia. Narrando, amigo, tem que ter dom, porque é desespero. Narrar em rádio, então? Só um detalhe, eu tava narrando já meia hora, narrei gol e tudo mais, era um Palmeiras e Fluminense aí, Denis Menezes, tava encostado assim no canto ali, aí mandou avisar, avisa pro narrador que o Alberto não tá jogando hoje não, é o outro. Ou que o time de branco é o outro time.
Voador aí no peito do like, galera. Sempre gosto de falar pra vocês assim. Primeiro o Charludo, que é o Charludo. Acompanho o Charlie em todas as plataformas. Atamente. E o YouTube e o Spotify. Neste momento, você está assistindo a gente. Quem está no Spotify, né? Tá lá com a gente. Se inscreva no YouTube. Quem é inscrito no YouTube, vai lá e siga a gente no Spotify. Beleza? Faz essa moral aí, né? E agradecer. O podcast que tem mais ouvido do Brasil.
Pra você que tá com a gente aí, dando essa moral no Spotify. Show. Mantendo o chá lá no topo sempre. Muito obrigado. Mas se não tá no YouTube, vem pro YouTube também. Sobre a live agora, estamos ao vivo. Então você manda a sua pergunta. A galera gosta muito de comentar. Comentar é legal, mas mandou a pergunta. É. É muito mais maneiro, né? Sim, você vai aproveitar o convidado e tirar a sua dúvida. Pô, tá maluco. Pra você sair daquele achismo na resenha com os amigos, né? Ah, eu acho que o Milton, ele saiu da Globo. Não, você pode perguntar.
Duvido que você manda uma pergunta. Manda uma pergunta, seja criativo, beleza? Manda uma pergunta que eu vou colocando aqui no ar. Superchat é prioridade, mas mesmo sem ser superchat eu mando sua pergunta aqui pro nosso convidado, beleza? Arroba charlapodcast em todas as redes sociais. Arroba charlapodcast, certo? Instagram, TikTok, Twitter e também no Kawaii. Se quiser me segue aí, eu sou o Bruno Cantarelli. No Instagram, arroba cantarellibruno.
Siga o Betão. Me segue nessa moral também, arroba obetojr underline. Chega que tem resenha.
É isso, cara. Hoje, eu se consagro. Eu gostava quando ele ficava fazendo... Imaginando o diálogo do Arraba com o jogador. Que caricosa, cositário. Chamou o pai de homem. Como é que é seu pai? Seu pai não é homem. Seu pai não é homem.
Seguinte, um dos maiores narradores das últimas décadas do futebol brasileiro. Esteve nos principais eventos. É isso. Na batida! Sensacional, cara. Palmas para Milton Leite com a gente no chat.
Muito obrigado, muito obrigado. Que honra receber você aqui, Milton. Muito obrigado. Obrigado pra vocês dois, pra toda a equipe que tá aqui. Quero dizer que eu sou um paulistano, sou nascido na cidade de São Paulo, que gosto muito do Rio de Janeiro. É. Pra fazer essa outra via. Também tem, né? Eu tenho muitos amigos no Rio de Janeiro, adoro, trabalhei em vários momentos importantes da minha carreira no Rio de Janeiro, indo lá pra fazer jogos e eventos e tal.
Então eu queria só abrir, já que vocês são cariocas que gostam de São Paulo, eu sou um paulistano que gosto muito do Rio, e tenho grandissíssimos amigos no Rio.
Ô Milton, você é paulista de onde?
paulistano. Sou paulistano. Na cidade de São Paulo. Eu nasci num hospital, quem é de São Paulo vai saber, o Hospital Brigadeiro, que fica na Brigadeiro Luiz Antônio, que é uma avenida muito importante aqui em São Paulo, é La Cruza Paulista, né, pra quem quer uma localização, La Cruza Paulista. Então eu nasci lá e fui criado, basicamente, num bairro que é a Vila Olímpia, que é do lado do Itaim Bibi, que também é mais conhecido aqui, zona sul de São Paulo. E desde novo, você pensava em ser narrador?
Não, eu nunca pensei em ser narrador. Não, na verdade, assim, eu sempre gostei de narrar, porque eu jogava botão, futebol de mesa, né? Como se diz hoje, mas no meu tempo era botão. E eu narrava, narrava meus jogos. Eu sozinho, eu com os amigos, eu narrava loucamente meus jogos. Mas não era a narração de televisão que eu fiz depois, era uma narração de rádio, porque eu sou de uma geração de rádio, né? Eu tenho 67 anos, então a minha geração acompanhava futebol pelo rádio, porque nem tinha tanto futebol na televisão naquela época, né? O futebol na televisão entra mesmo pra valer 80, 90, né?
Você se inspirava em quem pra fazer as narrações aí? Quem eram os seus ídolos da narração nessa época? Você sabe que quando eu era mais garoto eu acompanhava muito Fiori Gilhote na Bandeirantes eu acompanhava o José Valpeixoto na Rádio Jovem Pan uma voz espeta com quem eu depois tive a felicidade de trabalhar porque eu fui trabalhar na Rádio Jovem Pan
quando o José Val já não era mais do esporte, era do jornalismo, ele fazia a parte final do jornal da manhã, da Jovem Pan, e eu entrava logo depois, eu apresentava um programa de variedades que entrava logo depois do jornal. Então eu cruzava com o José Val todo dia no corredor e tal.
Arudo que era da Rádio Tupi aqui de São Paulo não vou lembrar o primeiro nome dele agora mas enfim, e um pouco mais pra frente Osmar Santos Zé Silvério com quem também eu trabalhei na Jovem Pan então esses caras eram os caras que povoavam a minha cabeça pra quem não é de São Paulo no Rio é porque eu gosto de pesquisar narrações assim
Tem um sonho de fazer um trabalho sobre isso, que não tem muita coisa escrita sobre narração. Não tem muita coisa, acho que tem quase nada. Literatura, né? Literatura de narração, estilos, porque o rádio é muito diferente, né? Por exemplo, você pega o Pedro Ernesto, monstro. Monstro.
Caixa, em BH, mas cada um tem as escolas, né? Garotinho, aqui em São Paulo nós falamos do Zé Silvério, do Osmar próprio São Paulo e Riga, a gente sente muito, né? Um é mais acelerado, o outro tenta acaliciar, mas o Osmar pra mim era um monstro, assim, são os nações do Osmar, animal, né? No pique, com muita criatividade, né?
Você acha que eles seriam... Você fez rádio depois que foi pra TV, enfim, narrou nos principais canais do Brasil. Você acha que o Osmar seria um monstro na televisão também? Se não acontecesse o que aconteceu?
Eu acho que sim, eu acho que se ele tivesse tempo de adaptação, porque é um processo, né? Porque assim, quando o cara é inteligente, quando o cara é um comunicador como o Osmar, eu duvido que ele não desse certo na televisão por mais tempo. Ele até narrou uma Copa na Globo, né? Isso, é. Em 86, né? Mas se ele tivesse mais tempo, se ele pudesse se dedicar, eu não tenho dúvida que ele seria outro fenômeno também de televisão. Porque um cara inteligente como ele, criativo, comunicador, na essência, eu não tenho dúvida que ele faria muito sucesso.
É que nesse momento que o Osmar surge, né? Não surge, explode. Era um nosso carregado no rádio e vai pra grupo. Ele entra num cenário que já tinha tido na Copa de 92 no Sanduvale, que o Sanduvale era o grande narrador, né? E naquele momento que Galvão também... Tá surgindo. Surgindo, né? Então, assim, a disputa na TV tava pesada pra ele. Mas eu me concordo. Acho que se não é um acidente, seriam três...
Monstros. É isso. Eu acho que sim. E, Milton, na TV, cara, se você for elencar, assim, tem os que foram suas referências, mas se você olhar, assim, pra história da TV, eu acho o Galvão, assim, o Luciano é muito... Tem narrações de Luciano, assim, pra mim. Corinthians e Real Madrid, né, na Mundial de clubes aqui. Os gols do Edilson, né? Pô, é um negócio... O gol do Ronaldo contra o Santos, assim, também é... O que...
cavadinho, são os que me vem à memória. Mas acho que Galvão top 1, assim, da televisão. É. Que até hoje é meio, quase insubstituível. Eu sou louco no Luciano, mas...
Bom, depois ele vai embora. Sobre os dois especificamente, eu acho que os dois são monstros, é difícil dizer qual é melhor, na minha visão. E acho que foram os caras que transformaram a função de narrador esportivo numa coisa top do top na televisão. Porque antigamente o narrador era mais um. E assim, vou repetir aqui, o esporte na televisão ganha um incremento ali a partir dos anos 80, que é quando os dois começam a arrebentar.
Então eu acho que naquele momento a performance do Luciano e do Galvão acabam transformando o narrador esportivo numa figura que todo mundo... Nossa, o cara é narrador esportivo e tal. Eles valorizaram isso. Mas um pouquinho antes, por exemplo, que é a minha geração de começar a acompanhar a televisão, a TV Cultura aqui em São Paulo tinha uma equipe que tinha Luiz Noriega, pai de Maurício Noriega, meu querido amigo, meu parceiro mais longevo, e Orlando Duarte.
Orlando Duarte, muita gente conhece como comentarista da Rádio Jovem Pan aqui em São Paulo, mas ele foi narrador na TV Cultura e também era muito bom. Agora, o Luiz Noriega, pra mim, o cara que povoou a minha infância, a minha juventude, porque ele era um narrador sóbrio, aquele vozeirão, ele tinha um vozeirão muito grave e tal. Então, esses dois, pra mim, vieram antes até do que Luciano e Galvão. E acho que quando os dois surgem, eles dominam o cenário.
passam a ser meio concorrentes, né? Quando o Luciano vai pra Bandeirantes. Porque antes eles trabalham... O Luciano era o titular da Globo, quando o Galvão tá chegando. E depois ele vai pra Bandeirantes e os dois passam a meio que competir, digamos assim, né? Então eu acho que o grande mérito do Luciano e do Galvão, além do trabalho espetacular, foi transformar essa função do narrador esportivo numa coisa meio icônica e tal. Isso é bom explicar pra molecada, assim, porque acho que a galera não tem essa noção de que o narrador antes, ele...
Em tudo, né? Não era valorizado, não ganhava muito bem. Então era uma coisa mais de legendar a imagem ali, principalmente na TV, né? E do Galvão, do Luciano, acho que transforma o narrador na função que é. Que é de um comunicador. Transformou num show, né? Exatamente, eu acho que ele transforma em show porque eles botam personalidade na transmissão. Então quando é uma... Sim.
Isso aqui é o Galvão Bueno, isso aqui é o Luciano do Vale Eles deram personalidade Para as transmissões, eles botaram Características próprias de cada um deles O Galvão do sujeito, o Luciano do jeito dele Outros que vieram depois, enfim Eu sou fanzaço do Júnior, por exemplo Que além de ser um cara maravilhoso Um amigo querido
Um baita narrador também, que meio Luiz Luliega, aquela coisa sóbria também, sem dar grito, sem fazer escândalo. Enfim, são caras que marcaram certamente esse começo de jornada. E hoje tem tanta gente aí no mercado, porque o mercado cresceu muito. Quando eu comecei, era só TV. Só TV aberta. Aí surge TV a cabo, aí surge streaming, aí YouTube, todo mundo está fazendo tudo em lugar, internet, que nem isso, o verizou pra caramba.
Certeza. Seguinte, ó, voadora aí no peito do like. Quanto mais like a gente tiver pra mais gente aparece a nossa resenha, o Guilherme... Guilherme Salles, narrador é o nome dele. Opa! Olha aí, ó, mandou. Conça. Canta, pergunta pro Milton o desafio da volta dele na TV convencional. A gente tava até conversando sobre isso em off agora há pouco, né?
E o desafio desse novo projeto ambicioso da Exesport. Um abraço, tenho o sonho de virar narrador também. Valeu, cara. Segue aí. É uma profissão difícil. Pouco espaço, apesar do espaço ser ampliado. Mas... Antes do Vitor responder, eu estava vendo esses dias aqui. As formas de você narrar, de você aparecer, estão se multiplicando. Tem agora o rapaz que viralizou com... É, bapu de um daia!
Ele não narra bem com nenhum Ele pega os gols e ele narra no Instagram Você já viu o cara? Tem um cara que narra o X1 também O fenômeno do X1 O cara pegou o celular dele aqui Começou a filmar o jogo O cara joga lá no Instagram Pega os momentos Se não me engano ele vai pegando em cima do lance Quando libera o gol ele já pega e grava
tá viralizando esse que um da ETA todo mundo usando aí, e o cara não tá na televisão nem tá no canal, né? Então assim pra você que mandou mensagem às vezes, mano, faz, pega o teu celular cria, alguém vai te olhar Agora, ô Milton, sobre a situação da TV, primeiro explica pra galera porque que você decidiu sair da TV e porque que você decidiu voltar depois
Então, você sabe que eu resolvi sair da TV Globo, do Grupo Globo, né? Em 2024, comecinho do ano de 2024. Eu já vinha conversando com a minha mulher, que é minha parceraça e tal, sobre aproveitar um pouco mais a vida, né? E por quê? Porque eu passei já... É legal de falar. Eu tenho 67 anos, fiz agora em março 67 anos. Na época, quando a gente estava conversando, eu tinha ali 64 para 65.
E um dia, conversando com a minha mulher, eu falei pra ela assim, olha, eu ganhei um dinheirinho razoável na carreira, a gente fez um patrimôniozinho aqui, e falei, e nós vamos aproveitar isso quando? Esperar ficar com 90 anos e não conseguir sair de casa? Falei, não, nós temos que aproveitar agora. Lógico. O narrador narra feriado. Feriado, domingo, férias. Em Olimpíadas você fica um mês fora de casa, em Copa do Mundo você fica 40 dias fora de casa, enfim. É bacana? Show de bola, fiz muito isso. Mas tem o outro lado, né?
Então, e a minha mulher me incentivou muito, e nós chegamos assim, eu falei, então vamos fazer o seguinte, eu vou pedir para sair da Globo, e a gente vai ver o que faz a vida depois. E foi exatamente isso. Fizemos conta, né? Será que vai dar a nossa grana até quando? E aí, apresentei isso para a Globo. Falei, olha, eu quero sair do canal, mas quero que seja bom para mim e para vocês, não quero que seja só bom para mim. Por isso que nós acertamos como seria a minha saída. Essa conversa aconteceu em fevereiro.
E eu falei exatamente assim pra eles, olha, se vocês quiserem, eu saio já. Se for facilitar a escala pra Olimpíada, eu saio já. Se vocês toparem, eu vou até a Olimpíada, que era a minha preferência. Se vocês precisarem, eu vou até o fim desse ano de 24, pra substituir, pra adaptar outra pessoa, enfim. Aí vocês veem como é. E eles voltaram pra mim e diziam, ó, então vamos fazer assim, vamos fazer na Olimpíada. Nós vamos até a Olimpíada e até lá a gente prepara outra pessoa e a gente se despede. Falei, ok.
Eles ainda me fizeram a gentileza, né? Porque a minha saída foi uma coisa muito bonita do ponto de vista da negociação pessoal, né? Com as pessoas que comandavam o esporte da Globo na época. Não teve litígio, né? Zero litígio. Pelo contrário, eu fui tratado de maneira como acho que pouca gente na história da TV Globo foi.
E aí, quando foi pra ir pra Olimpíada, eles me ofereceram, eu acho que foi, como ninguém me disse, eu acho que foi um prêmio, eu ir a Paris fazer a abertura dos Jogos Olímpicos em Paris, aquela coisa dos barcos, completamente diferente. Talvez não fosse eu escolhido.
Se eu tivesse continuado a minha carreira lá. Mas eles me deram esse privilégio de estar lá, né? Então, assim, foi muito bonito, foi muito gentil de lado a lado. A gente acordou de todas as formas, anunciamos juntos a minha saída. A gente fez um comunicado da Globo e meu. Enfim, então foi muito legal. E a partir dali, fiz várias viagens com a minha mulher, com as minhas filhas, com os meus netos. Enfim, porque era o meu objetivo.
Só que vai aquele bichinho que fica comendo a gente por dentro. Porque assim, narrar... 40 anos que estava nessa, né? Narrar, para mim, é muito divertido. Eu me sinto fora do corpo. Meu habitat. É meu habitat, eu me divirto muito. Então eu comecei a perceber que estava faltando alguma coisa. Eu fiquei, sei lá, 4, 5 meses sem fazer rigorosamente nada, a não ser passear. Aí fiz um trabalho para o UOL entre janeiro e fevereiro de 25, que foi o Campeonato Paulista que eles iam transmitir. Me convidaram, eu fiz lá uns 15 jogos, eu acho.
E depois fica aquela coisa, né? Pô, tá faltando alguma coisa. Eu sou um cara que ainda tenho vontade de trabalhar. Eu acho que eu sou ainda um cara criativo. Acho que tô fazendo um nível legal ainda. Até que surge a Exosportes lá em agosto de 25, um pouquinho antes, eles me ligam.
cara, vai sair o canal, nós vamos fazer o canal, e cara, a gente quer você, a gente quer você. Eu tenho um querido amigo lá, o Henrique Meira, que hoje é diretor de programação do canal. Eu trabalhei com ele há 30 anos atrás na ESPN. Ele era um garotão, começando carreira. E assim, é uma outra marca que eu entrei no canal praticamente quando ele estava começando lá também. Também com muita gente jovem, que é o caso da X agora.
E ele me ligou, falou, ah, os caras estão querendo você, pô, não sei o que e tal. Eu virei para ele e falei, olha, Henrique, vou ser muito sincero, eu não quero retomar a vida que eu abri mão lá na Globo, porque senão eu não teria saído de lá para fazer a mesma coisa, eu não quero. Falei para ele, então assim, obrigado, até logo.
Ele me liga de novo no dia seguinte, olha, eu conversei com os caras aqui, eles querem você de qualquer jeito, do jeito que você quiser, você escolhe jogo, você escolhe quando trabalhar e tal. Eu falei, então tudo bem, só que vai ter assim, momentos que eu vou ligar pra você e vou falar, mês que vem eu tenho uma viagem pra fazer com o meu neto, com a minha neta, e não vou aparecer. Mês que vem, ou daqui dois meses, eu tenho uma viagem com a minha mulher, que a gente quer fazer há muito tempo, não vou aparecer.
Tá tudo bem, vamos fazer desse jeito. E é assim que a gente tá se organizando. Então quando eu preciso sair, eu ligo, aviso, eles me liberam.
Quando eles precisam de alguma coisa, eles ligam, me pedem, eu faço, enfim. Então, está sendo uma relação muito saudável, muito legal. E assim, o grande barato do projeto é que pela primeira vez é um canal de esportes em TV aberta. A X-Sports é um canal de TV aberta. Claro que você pode assistir nos canais por assinatura, porque é obrigatório, né? Eu não sabia disso, fiquei sabendo outro dia.
A TV, por assinatura, obrigatoriamente tem que colocar os canais abertos no seu line-up. No seu line-up. Então, ela tá na Vivo, tá na Clara, enfim. Todas essas operadoras. Tá no YouTube, né, também? Tem o canal do YouTube, que nem tudo que a gente transmite pode ir pro YouTube, por causa de direitos e tal. Mas, enfim, é um projeto muito legal. Muita gente jovem, muita gente aparecendo, muita gente sendo revelada. Então, pra mim, tá sendo muito divertido.
Agora, Milton, aí uma pergunta de narrador, assim. Você não é narrador? Também. Pô, todo mundo é narrador aqui? Pô, ele é narrador. Agora, perguntando assim, faz muita falta quando...
Fica fora. É. Ah, eu senti. Eu achei que não ia sentir. Então. Você sabe que quando eu conversei com a minha mulher, vamos fazer, não sei o que, vai acontecer, pá. E os primeiros meses foram no óleo, porque você ainda tá vivendo aquela coisa de sair, de não ter nada pra fazer no dia seguinte. Mas eu comecei a sentir falta, eu comecei a ficar irritado, eu comecei a brigar com as pessoas. Ah, sim, é. É, até que um dia minha mulher falou, acho que tá faltando alguma coisa aí.
E essa coisa, quando você tem um espírito criativo, você trabalha... Eu tenho 48 anos de carreira, desde que eu comecei a ser jornalista, são 48 anos. E de uma hora pra outra, você parar e não ter nada pra fazer no dia seguinte, ou não pensar no evento daqui a um mês, ou pensar... Eu senti muita falta. E quando eu comecei a ter uns pegas com o pessoal da família, o pessoal começou a olhar, acho que tá faltando alguma coisa aí.
E coincidentemente, foi num momento em que surge o pessoal da XSports pra me convidar. Eu falei, vou fazer.
E assim, e hoje eu percebo que eu estava sentindo muita falta. Cara. Entendeu? De fazer jogos e tal. E assim, não é só o jogo. É conviver com as pessoas, o comentarista, o cara que... Hoje eu não faço em estádio, eu tô fazendo tudo off-tube, mas assim, com o produtor, com o cara que faz o programa antes, com o cara que tá comentando comigo. E adrenalina, eu acho.
E acho que isso também, claro. Claro, adrenalina, você tá ao vivo, você não pode errar, que você tem que acertar. Essa coisa que quem faz o ao vivo sabe como é que é. E prestar atenção no lance. Exatamente. Então acho que até isso tava fazendo falta. Tanto que assim, eu me sinto muito melhor. Você tem que passar adrenalina pra quem tá vendo também. Pra quem tá vendo, claro. Faz parte da função do narrador, né? Então, depois que eu voltei a fazer, que eu faço toda semana jogos e tal, você percebe que, pô, tava faltando isso de novo na minha vida. Tava me alimentando, né? E você que fez... Tava me alimentando.
Grandes decisões olímpicas, final de Copa do Mundo, Champions League, essa adrenalina que tá falando, tem adrenalina do dia a dia, todo jogo é uma adrenalina, mas essa adrenalina de você tá com o frio na barriga, cara, agora vai...
Vou narrar. Coisas que, assim, são raras, são poucas pessoas que fazem. Por exemplo, você narrar a medalha de ouro do César Celo, três caras do Brasil fizeram, três caras. Eu era um deles. O outro era o Galvão e tinha alguém fazendo a bandeirante, que eu não lembro quem era, enfim. Mas eu tava no Sport TV, o Galvão na Globo e tinha mais alguém em algum lugar fazendo também naquela Olimpíada.
E aí você está fazendo uma coisa que é histórica, é um momento que vai entrar para a vida de todo mundo, e só você está fazendo aquilo. Tem mais 200 caras que gostariam de estar ali e não estão. E contando aquela história. E contando aquela história. O próprio Cielo vai se lembrar. E emocionando as pessoas. Não, você falou do Cielo lembrar, eu vou te dizer uma coisa. Isso foi 2008, Olimpíada de Pequim. Lá na China, eu estava lá.
Passou o tempo, eu transmiti ele depois campeão do mundo em 2015, eu acho, 2017. Porque teve isso, o Sport TV fez dois mundiais de natação em loco, que é uma coisa raríssima no Brasil, você ir em loco num campeonato que não seja o voleibol ou o futebol, né? E eu fiz dois mundiais de natação. Não seja o Olimpíada, é. E o Cielo ganhou medalha de ouro, eu não vou lembrar em qual, eu fiz um em Budapeste e um em Barcelona, acho que foi Budapeste em 2015, que ele ganhou medalha de ouro também. Não, 2013.
E aí, passa o tempo, né? De vez em quando eu encontrava com ele em evento e tal. E ele foi trabalhar para o Sport TV na Olimpíada de 2024. Exatamente, na Olimpíada de 2024, ele comentou a natação com o Sport TV.
E aí, no primeiro dia que a gente foi transmitir o jogo... Não, foi a Olimpíada do Japão. Desculpa, eu tô fazendo confusão aqui com as datas. É, que foi 21, que era a Olimpíada de 20. Ele entra na redação, quando a gente foi fazer o primeiro dia de transmissão, e ele é seu comentarista, ele traz uma caixinha desse tamanho assim. Ô, cara, eu queria te presentear com isso aqui, porque você fez uma... Você tava na minha prova mais importante.
Eu tenho em casa, na parede, a réplica da medalha de ouro que ele ganhou em Pequim. Ele mandou fazer alguns exemplares e distribuiu pra pessoas que ele queria. Caramba!
E eu tenho lá na parede de casa isso, entendeu? A medalha de ouro olímpica, assim. E aí ele me conta que quando ele faz... Hoje ele vive de palestra, ele dá palestra no Brasil inteiro. Quando ele abre a palestra que ele vai entrar no palco, ele põe a narração de quem? Do Milton Leite, ganhando a medalha de ouro lá em Pequim. E ele me falou isso. Eu não vi a palestra dele, mas ele me contou isso. Ele falou, ó, eu entro no palco, meu nome é anunciado, e a primeira coisa que as pessoas ouvem é a sua narração da medalha de ouro em Pequim. Lembra algumas coisas que você falou pra gente? Você lembra da narração?
Cara, é assim, é uma narração muito rápida. Não, dos 50 livres. 50 livres porque o 25 não tem a Olimpíada. Isso, isso. Né? Mas assim... 25 tem mundial indoor. Isso, exatamente, exatamente. E agora, pra você ter uma ideia, o Cielo, ele bate o Milton na ramera de ouro dele, o recorde mundial durava até outro dia aí. É, caiu agora, exatamente, exatamente. Ele conquista o recorde mundial nadando no Pinheiros, cara. Exatamente. Cara, o negócio... Ele desafia o cronômetro. Exatamente, é.
Incrível, sim. E, na verdade, a prova de 25 só tem no Mundial de Piscina Curta. Isso. Porque são 25 metros. Porque a Olimpíada é a piscina de 50 metros. E, assim, é uma prova... Eu não vou lembrar exatamente o que eu falei, mas eu lembro, assim... Eu não erro rigorosamente, não. Se você... Tem no YouTube aí... Não, é assim, o urro. Acabou. Não, é assim. A prova tem 21, 22 segundos. Aí tem um pedacinho antes e tem um pedacinho depois, que é quando ele ganha, você faz aquela festa.
E assim, eu sou insuspeito, porque eu sou um cara muito crítico com o meu trabalho. Eu não erro nada nessa prova. Nada, nada. Dá largada quem tá na frente, quem tá passando, que ele tá chegando, que ele vai atropelar, que ele vai ganhar e ganhou. Sou ajudado, evidentemente, porque já há alguns anos, acho que desde 2004 ou 2000, não vou lembrar qual a Olimpíada.
Tem um virtual que aparece, quando o cara bate na parede, aparece o nome dele. Se é primeiro, se é segundo, se é terceiro. Não, se é primeiro. Então, isso facilita para você que está lá, para você saber quem é o cara que está ganhando a prova. Então, você está vendo a piscina ali, mas você está no monitor aqui. Quando ele bate, eu acerto e pá, pá. Cara...
Eu sou... Eu sempre sou muito crítico. No dia seguinte eu vou assistir meu jogo, eu vou prestar atenção no que eu falei, no que eu deixei de falar. E aquela prova, eu olho pro espelho e falo você tava bem pra cacete naquele dia. Aquele dia você tava inspirado, você cravou. É o meu golaço, entendeu? A minha medalha de ouro é aquela. Era uma prova dessa de velocidade e rapidez. É isso, os caras chegam todos juntos, cara. E a água subindo. Eu lembro que essa prova de Chile tinha um...
sul-africano que voava, tinha um francês, também tinha... O grande concorrente dele, Manadou, se não me engano. Isso, isso. O Ham Manadou. É isso aí, é isso aí. Cara, não, e pra ver ele, nessa prova, porque chega todo mundo junto. É, ali, ó. Você tá em prova de mal duração em natação, aí fica mais tranquilo. Aí tem aquelas...
que quase de resistência agora Milton, além dessa narração do Cielo, o que vem à minha cabeça na hora, aliás são duas relacionadas ao Corinthians senhoras
O fenômeno voltou, cara. Essa aí é... Um derbe, né? E o alambrado cai. Do jeito que foi. Caí no muro. 48, 43, eu acho, do segundo tempo. O Corinthians perdendo por Palmeiras, né? Uma testada. Ele vai lá e derruba o alambrado. Coisa rara de fazer gol de cabeça. Você sabe que esse gol... Conta a história desse... Esse gol é a primeira vez que eu fiz um texto pré-jogo para falar.
Era o momento também que pedia. Porque assim, o Ronaldo vem jogar no Corinthians. Na minha opinião, o Ronaldo é um dos maiores da história do futebol. Ele vem jogar no Corinthians. Eu era o narrador do Esporte TV naquela época, era bem dividido quem era São Paulo e quem era Rio, né? Eu era o narrador de São Paulo. Falei, a chance do primeiro gol do Ronaldo sair comigo é grande. Não pode ser um gol qualquer. Vai ter que ser uma coisa diferente.
E dei muita sorte, porque o Ronaldo entra no meio da semana anterior, teve um jogo em Itumbiara, Goiás. Copa do Brasil, né? Copa do Brasil. O Denilson jogava no Itumbiara. Então, e aí o Ronaldo... O Denilson jogou. O Ronaldo entra no segundo tempo, joga ali 20, 15 minutos, mas não acontece nada.
Mas eu tava com a frase pronta. Se ele faz o golaço, tá pronto. Mas você tava fazendo esse jogo, né? Eu fiz esse jogo. E fui direto de Itumbiara. A nossa equipe foi direto pra Presidente Prudente. Porque o Morumbi, naquela época, tava em reforma e tal. Então os clássicos eles levavam lá pra Presidente Prudente. Fomos direto pra lá no domingo. E aí, eu tava com a minha frasezinha pronta ali.
Quando sai o gol, eu solto a frase, ainda sou ajudado, porque o Alambrado cai, era um Corinthians e Palmeiras, era o finalzinho do jogo, o Corinthians estava perdendo o jogo, enfim. Tudo pra mim facilitou pra ser uma narração que ficasse marcada, né? E eu estava com a frase pronta, senhoras e senhores, o fenômeno voltou. E aí eu grito o gol, né?
E a partir daquele gol, isso muda um pouquinho também o meu jeito de fazer, porque em todos os momentos que eu considerava importantes, eu criava uma frase. Então, por exemplo, todos os títulos que eu narrei depois daquilo, se você pegar a minha história, sempre tem uma frase. Antes de gritar, Palmeiras é campeão da Libertadores. Eu tinha uma frase que eu falava antes.
vinculando a conquista ao time, a história do time, enfim. Alguma coisa, algum mote, e falava. Então todos os títulos depois tiveram. Eu tinha uma frase preparada para o caso de o Romário fazer o milésimo gol, que foi anos depois. Se eu estivesse narrando, a chance era menor, porque o Romário estava jogando no Rio e tal. A chance era menor. Mas se cai uma escala, o time dele veio jogar em São Paulo e o gol saiu aqui, eu estaria narrando. Eu tinha uma frase pronta também.
Não usei, mas ela tava pronta, entendeu? Então aquilo mudou um pouquinho também é o meu jeitinho. Tem uma outra que eu me lembro que é o título mundial do Corinthians. Também, também. Banzai, alguma coisa assim. É, teve porque assim... Como é que é o mundo vira o Bando de Loucos? Banco de Loucos, é. Uma coisa assim. Eu nem lembro direito como é que ela fala. É sensacional. Eu lembro que o Banzai tinha.
Porque aquele ano, 2012, o Sport TV não fez a Libertadores. Porque alguém tinha comprado. Acho que a SPN tinha comprado, o Sport TV não comprou. A Globo fez, mas o Sport TV não. Mas a gente fez o Mundial no final do ano. Então a gente foi pro Japão e tal. E também levei a frasezinha pronta para o caso do 40 ser campeão. O de 12? Do 2012. Foi a Fox. Fox, né? Não lembro o que o Sport TV não fez. Eles chegaram com exclusividade. Exatamente.
E era uma coisa que na TV aberta... E o último título mundial, né? É, o último título mundial. Um clube brasileiro. Isso, exatamente. Nunca mais. A gente via... A gente conversou aqui sobre o Luciano e sobre Galvão. Os mundiais a gente ouvia do Galvão. Sempre tinha essa coisa. O mundo vermelho aos seus pés.
O mundo é tricoloto, ele é santano. Era muito marcante ter um preâmbulo ali pro título. E sabe por quê? Porque, na verdade, assim, esse tipo de coisa, ela fica pra história. Fica. A gente eterniza a nossa voz num momento desse. Porque, por exemplo, quando forem falar do Ronaldo, daqui 20 anos, vão lembrar a carreira do Ronaldo.
Vão falar da volta dele no Corinthians, vão falar do primeiro gol dele no Corinthians e a chance de ser, a minha gravação que entra é muito grande. Então você vai estar sendo lembrado como o Cielo. Quando falarem do Cielo há daqui 40 anos, vão lembrar da prova que ele ganhou e vão lembrar da minha narração. Enfim, você acaba se eternizando junto com aquele momento. Isso é uma parada muito bacana do narrador, né? Vocês têm isso, né? Vocês imprimem a voz de vocês nesses momentos, né? Então assim...
você vai cair pra fazer um jogo desse histórico, você naturalmente, e ainda mais cravando uma narração perfeita, você entra pra história junto. Entra pra história junto, é isso. É muito, eu acho uma profissão muito bacana, é vocação total, né? Não dá pra, o cara falar assim, eu vou ser narrador, vamos lá, vou narrar, vou treinar aqui um pouco. Não, é de você, você nasce com isso, porque você tá contando, ainda mais quando vocês vieram do rádio, né? Você conta...
Você conta aquela história pro... Tá legendando uma história. Nasce de um... A carreira nasce... Tá escrevendo a imagem. Numa época que não se via o lance, né? O rádio nasce de um momento que você não via, né? É, aí você tinha que moldar o... Você imaginava, né? Exato. Que é o grande barato do rádio. É o cara imaginar... Eu, quando eu fiz rádio há muito tempo, né? Não fazia futebol, esporte, nada. Eu fazia programa de variedades aqui há muito tempo. Mas é curioso como as pessoas...
viajam no que você tá falando, elas vão imaginando, você mexe com a imaginação das pessoas no rádio, e acho que esse é o grande barato do rádio, adoro, sempre trabalhei muito tempo em rádio, sempre adorei trabalhar em rádio, por causa disso, porque você tá mexendo com a imaginação, as pessoas às vezes não conhecem nem seu rosto, porque se você não é um cara, uma figura muito pública, a pessoa não sabe seu rosto, mas ela viaja nas coisas que você fala, né? Agora, Milton, por exemplo...
Meu parceiro Breno Boechat mandou uma pergunta aqui. Tamo junto, Breno. Bota em boca, eu não vejo o Breno aí. Vamos marcar alguma coisa. Milton, você foi um dos primeiros a deixarem a seleção de ouro da ESPN Brasil, da ESPN do Trajano e tudo mais, e ir para o Sport TV lá atrás, né?
Na época, me senti meio traído como fã de esporte. Depois, pulei o muro com você. Como é que foi esse período? Como é que... Pulei o muro é bom. Pinta essa decisão. Eu estava falando aqui, eu lembro. Pô, linha de passe contigo apresentando. Lá atrás, né?
Em 99, não, no segundo semestre de 98. O primeiro da Copa ele abutificou? É, na verdade, quando a gente foi para a Copa, ele nem era a linha de passe ainda. O nome do programa era A Copa é Nossa. Que era um programa que a gente fazia todos os dias, pós-rodada. Então sentava eu, Trajano, Paulo César Vasconcelos, que estava na Copa pelo Jornal do Brasil, que ele era editor de esportes. Tostão.
Não lembro se o Fernando Calasanzas na Copa foi, mas enfim, a gente tinha um time que era, o programa era Copa é Nossa, todo dia, depois da rodada, a gente fazia o programa. Detalhando a rodada. Que entrava aqui no Brasil, acho que nove da noite, porque tinha um fuso de cinco horas na época. A gente fazia o programa lá às duas da manhã. Não, era ao vivo. Às duas da manhã e o programa aqui entrava às nove.
E aí, quando a gente volta para o Brasil, em função da repercussão que o programa tinha tido, ele vira um programa semanal, e aí sim o Linha de Paz que eu apresentei enquanto estive lá na ESPN. Então, a experiência ESPN na minha vida foi um negócio fundamental. A presença do José Trajano na minha vida foi fundamental, porque eu trajo... E vou contar para vocês como é que eu fui parar na ESPN.
Eu trabalhei na TV Jovem Pan, que não é essa aí de YouTube, é uma TV que era concessão, enfim. Onde eu comecei como narrador. Comecei a ser narrador esportivo em televisão lá. E eu fiz muito tempo futebol de salão, que a gente tramitia lá de terça-noite, de sábado à noite, era uma rodada dupla do Campeonato Metropolitano aqui de São Paulo e tal.
E quando a ESPN começa a montar o seu time, porque em 1995, no meio do ano... TVA, né? Antigamente era TVA. Mas aí ela passa a usar a marca ESPN, porque os americanos se associam com o canal. E aí era meio a meio, ESPN e TVA. Você tava pensando, o Trajano contou aqui de...
quando chegam os americanos se já tava na SPN quando... É, na verdade eu acho que é a segunda parte, né? Que é quando eles compram tudo. Porque era uma sociedade era meio a meio. Em 90 e... Eles falam assim, vou americanizar e tal, o trajano pede a palavra só que sem falar em inglês, fala em português Aviso com essa moça aí que é Brasil, hein? Mas isso já é quase, acho que é ano 2000 isso. Ah, tá.
Porque quando a gente vai para a Olimpíada da Austrália é que esse processo acontece. Que os americanos compram a parte inteira da TVA e aí passa a ser só ESPN. E abriu, né? Que a editora abriu, sai da jogada. Mas isso já é anos 2000. Então, em 95, eles iam criar ESPN Brasil. Né? Porque era um canal independente da ESPN americana. Porque como é que funcionava antes? Você tinha o canal americano, que é ESPN.
E aqui em São Paulo, a TVA botava eventos que ela tinha eventualmente em cima da programação. Então, por exemplo, tava tendo um jogo de golfe lá na ESPN americana. Mas eles tinham comprado o Campeonato Paulista aqui. Fazia o quê? Parava o golfe, entrava o futebol, faz o futebol, olha que acabou o futebol, volta com a programação da ESPN americana. Era assim que funcionava. Dá pro golfe, que o golfe tem quatro horas. Mas como eles...
Dá pra pegar o fim do jogo. É torneio de bilhados. É torneio de bilhados, tudo isso.
Só que aí, como eles estavam começando a comprar evento, comprar evento, não ia caber tudo. O que eles fizeram? Eles resolveram criar a ESPN Brasil, que é um segundo canal. E aí, só com a programação daqui. E aí, eles começaram a comprar eventos. Compraram o Campeonato Japonês, compraram o Campeonato Paulista, compraram assim, não sei o que e tal. Se eu não me engano, tinha que ter que iria 59,60.
Isso, isso, isso. É, exatamente. E aí eles começaram a contratar a gente, começaram a formar a equipe. O Juca Kifuri, que fazia com o José Trajano o cartão verde na TV Cultura, um dia o Juca vira pro Trajano e fala assim, cara, você tá precisando de narradora aí? Tem um cara, eu vi um menino narrar lá na ESPN, menino, né? Eu já tinha 40 anos. Você tá narrando lá na TV Jovem Pan, eu vi um jogo de futsal com ele outro dia e tal, traz o cara aí.
Me liga a secretária do Trajano na segunda-feira. Me liga, o Trajano queria falar com você e tal. Não dá pra você passar aqui. Fui lá onde era a ESPN antigamente, que era uma casinha do lado da Exosportes, curiosamente, onde eu tô trabalhando hoje. Sento na frente do Trajano, e o Trajano falou, não, Paulo Soares, que faleceu recentemente também, figura sensacional, amigão da galera.
O amigão vai tirar férias em janeiro. Então, pô, vem aí fazer. Vou te dar uns três, quatro eventos pra você narrar em janeiro. Depois a gente vê como fica, não sei o quê. Eu fui lá, eu narrei, acho que dois ou três jogos do campeonato italiano. Que eles transmitiam na época. O Silvio Lancenotti era o comentarista. E fiz, acho que dois ou três programas de boxe. Lutas de boxe. Que eu nunca tinha narrado, mas fui narrar lá, cara de pau.
Quando acabam as férias do Paulo Soares, ele volta, o trajano virou pra mim, cara, vai ficando aí, a gente vai pagando um cachezinho pra você por jogo, porque a gente comprou japonês, a gente comprou alemão, a gente comprou não sei o que e tal, falei, tá bom.
Fui ficando, fiquei lá 10 anos depois disso. Aí logo depois a gente assinou um contrato, enfim. E aí apresentei não só o Linha de Passos, apresentei um programa de natação que chamava Planeta Água, que ficou pouco tempo no ar, enfim. E assim, o Trajano foi um cara que me ajudou muito, foi um cara que me ensinou muito sobre televisão. O Trajano eu acho um cara genial, né, do ponto de vista de criação, ele é um vulcão, né, de repente ele tem umas ideias meio malucas, mas que funcionam.
Então, assim, a experiência e a SPN pra mim foi fundamental na minha carreira. Ele buscou uma galera, né? É, isso que eu ia perguntar. Do meio escrito, do jornal, apostando na televisão. É porque eu acho que a principal escola de narração de TV é a SPN, né? Com certeza. Ele teve aqui e falou, os principais narradores da Globo hoje todos foram da SPN. Passaram por lá, exatamente. Todos, assim.
Tem algum motivo do porquê isso? Você sabe que o Luiz Roberto, nós começamos... Não vou dizer junto, eu já estava um pouquinho... Ele era narrador de rádio, da Rádio Globo, e era um baita narrador. Todo mundo baita, né? É um avião. Ele trabalhou na equipe dos Mar Santos, né? Primeira vez que eu ouvi o Luiz, eu trabalhava na Rádio Globo do Rio.
Falei, cara, esse cara é... É o avião na Rádio. E aí o Trajano leva ele pra ser narrador na TV. Então a gente trabalhou durante praticamente um ano juntos na TV. E aí ele foi pra Globo. Em 98, 97, 98, ele vai pra Globo. E virou esse monstro que ele é hoje, né? Então, Paulo Andrade, que tá lá hoje, passou pela ESPN, passou pela SVC também. Ele vai na Água. Everaldo Marques, é o que que ele arrolar, enfim. Bilânio também.
vilane, ou seja, todo o time da Globo todo o time da Globo o Nivaldo Prieto me narrou na ESPN? sim, eu quando cheguei na ESPN ele era o narrador principal eu passo a dividir com ele, depois ele sabe que ele também foi pro SBT depois mas trabalhamos juntos, Nivaldo Prieto mas por que a ESPN revelou tanto narrador assim, você acha? era o olho do Trajano? acho que tem isso, o olho do Trajano e acho que teve aquele momento como o Beto disse, tem uma coisa de era muita gente boa reunida ali né?
Então você tinha Paulo César Vasconcelos, você tinha Fernando Calazans, na Copa de 98, o Trajan não consegue convencer o Tostão a voltar a trabalhar em televisão, porque ele tinha trabalhado na bandeira antes e tal. Enfim, então acho que era tanta gente boa, né, que as pessoas iam entrando no meio do clima e iam sair pra Efeira Soando, enfim. E quando chega o convite da Globo? Bom, na verdade é assim, eu resolvo sair da ESPN no final de 2004.
Eu tinha tido alguns atritos contra a Jana, a gente tinha meio que se desentendido, e eu falei, cara, eu não quero acabar com a amizade que eu tenho contra a Jana, eu não quero brigar com ele. E se eu continuar aqui, eu vou brigar com ele. Então, em prol da nossa amizade, eu cheguei pra ele e falei, meu contrato vai vir a ser agora no final do ano, e eu acho que eu não vou renovar, porque, cara, eu não quero que a gente estrague a amizade que a gente construiu nesses 10 anos. Você era o principal narrador do canal. Era o principal narrador do canal.
E... E sempre o 4, né? 2004 você resolveu pensar em sair... No final de 2004. 24 você resolveu sair da Globo. Também, 20 anos depois. E aí o que aconteceu? Naquela época eu já trabalhava na Rádio Eldorado aqui em São Paulo. Que acabou agora, infelizmente, né? Eu era diretor de redação do jornalismo do AM, da Rádio Eldorado aqui em São Paulo.
E eu falei, bom, vou ficar com a idola e ver o que acontece aí no meio do caminho, né? Só que na metade do ano de 2002, eu fui para os Estados Unidos, eu me transmiti pela ESPN, que foi um negócio de maluco que o Trajano fez na época, porque eles compraram com exclusividade o Campeonato Mundial de Basquete, que foi em Indianápolis, nos Estados Unidos. Campeonato de Seleções.
E fui pra lá até emitir o campeonato. E lá eu conheci Emmanuel Castro, que é um diretor que hoje ele é mais consultor da Globo, ele não tá mais no grupo. Mas ele na época era o diretor de operações da Aberta, da TV Globo. E era o responsável pelo Sport TV. Era o diretor responsável do Sport TV. Conheci, fomos jantar juntos. O André Kfouri era muito amigo dele. A gente sentou junto lá, jantamos uma noite. O tempo passou, passou e foi embora. Ele foi embora, eu terminei o Mundial e fui embora.
E na época ele falou pra mim, falou, pô, daria tudo pra ter você lá com a gente, porque você é um baita narrador, você isso, você aquilo. Passou, o tempo passou, dois anos depois, 2004, quando eu saio da ESPN, que o meu contrato acaba, passei a mão no telefone, Emanuel, só pra você saber, não sei qual é a situação hoje, tanto tempo depois, mas eu tô no mercado. Eu saí da ESPN, eu terminei meu contrato lá, não renovei.
Se você tiver algum interesse ainda em conversar comigo, eu estou no mercado. E foi assim. Eu fui para o Rio, conversei com ele. Tivemos uma reunião. Depois ele veio a São Paulo, a gente se encontrou de novo. Eu sei que eu saí da ESPN em dezembro de 2004. Em abril de 2005, eu extraí o Nusport TV. Dia 1º de abril, foi meu primeiro contrato. Eu assinei dia 1º de abril de 2005 com o Grupo Globo.
Cara, e aí começa a sua trajetória no Grupo Globo e transmitindo tudo que transmitiu. 19 anos, quase 20. Quase 20, quase 20. Perguntei em você, ó, porque a galera não para de perguntar aqui. E que é algo absolutamente natural. Eu vou começar falando o seguinte, Betão. Quem vê as nossas transmissões nos vê muito respeitosos no ar. Sim. A gente fala muita coisa que não pode falar no ar fora do ar.
A gente tem uma mania feia de levar as besteiras até um segundo de levar pra nós. Você quer ver? É uma mania. Quem tem as nossas vidas na mão é Paulinho. Paulo, sei lá. É bom ficar de bem com ele, hein? Tem que ficar bem com ele. A gente quer ficar bravo com ele. Vou acabar com a tua vida. Abre aqui. Tá fechado, tá fechado aí. Tô gravando aqui. Pra quem não sabe, Paulinho fica ali com o... Lá ele, Butão, né? Abre e fechado.
Aí ele aperta o botão aqui e tá o Betão falando no ar. É. Se ele fechar o botão aqui, o Betão não fala no ar. Ou seja, enquanto o Betão tá falando besteira, ele tá aqui. Aí ele fala, pum, já era, acabou. Já era, acaba o charla podcast. Aí no limite. Entra ao vivo, uma. Meio dia e cinquenta e cinco, tá aqui falando as maiores atrocidades. Você não fala mal de ninguém? Não. Fecha o botão.
Milton Leite e o Rogério Senni, Milton. Explica pra galera. E como é que hoje é ele? Como se ele é bravo contigo? Se não é... Desde aquela época ele nunca ficou bravo comigo. Você sabe que esse episódio acontece em 2007. 2007. Eu estava na Vila Belmiro pra transmitir um São Paulo e Santos pelo Campeonato Brasileiro. Sei lá, se era paulista, se era brasileiro. Mas eu no São Paulo e Santos, o André Rizek era o comentarista.
Estava acontecendo ao mesmo tempo a Copa América de futebol na Venezuela. E o Rogério Senna estava com a seleção lá na Copa América. E antes de a gente entrar no ar, tem aqueles programas de pré-jogo e tal, a gente ia entrar no programa que antecedia a rodada do Campeonato Brasileiro. Porque o nosso jogo, inclusive, era Premiere, nem ia no ar no Sport TV, não sei o quê. Então estou eu lá e André Rizec sentadinhos, virados para a câmera aqui, né? Estou olhando aqui para a câmera.
E aqui no monitor embaixo tem uma entrevista coletiva que os jogadores do Brasil estavam dando e era o Rogério Senna, o personagem do dia. E tu, eu e o André Rizec aqui, a câmera com a gente de frente, fora do ar, fora do ar. Aquilo nunca foi dito no ar. Você sabe que tem o retorno aqui, né? Porque o cara que tem o botão lá, acho que apertou errado, mas... O Paulinho deles lá. O Paulinho do Sport TV. Tava fora do ar. E a entrevista tava enfadonha, tava chata, né? E naquele momento que...
Vocês estão vendo o que está no ar. O que está no ar. Era o Rogério falando. Era o Rogério falando e eu estou com o André esperando que a gente ia entrar depois. E estamos olhando ali. Eu virei para o André e falei, está chato pra caralho isso aqui, né? Eu falei, o Rogério é chato pra caralho. O Rogério Senna é chato pra caralho. Foi a frase. Passou, passou, fizemos o jogo. Participamos, fizemos o jogo. Acabou, acabou. 2007.
Até 2009, até 2009, aquilo fica adormecido no YouTube. Alguém gravou, alguém botou no ar, botou no YouTube. Esse trecho foi pro ar? Nada disso foi pro ar. O que eu falo sobre o Rogério não foi pro ar. Fica dois anos sem ninguém saber daquilo. De repente, o pessoal do Pânico, que faz rádio em São Paulo, na época acho que eles estavam ainda na Jovem Pan, se eu não me engano.
Ou na TV? Não, na TV, acho que era Rede TV. Sim, que era o programa da TV, né? Era o programa da TV, o Pânico na TV. Alguém do programa, não sei por que cargos d'água, talvez tenha sido avisado por quem gravou e botou lá.
Alguém descobre isso. E aí passa a usar todo domingo, à noite, todo domingo, à noite, eles botam aquilo no ar. Qualquer coisa que acontecesse no programa, entra lá e me diz, você é jato, caralho. Todo domingo, todo domingo. E nunca alguém veio pra mim fazer uma brincadeira, me perguntar o que eu ia achar. Nunca. Aquilo ficou anos no ar, né?
Uma vez a Sabrina Sato, que fazia parte da equipe do programa, que hoje é lá, esse monstro sagrado, né, de pessoa tão famosa e tal, mas na época ela era só repórter do programa. Um dia a Seleção Brasileira jogou em algum lugar, que eu não lembro se foi Goiânia, se foi Campo Grande, enfim, eu sei que foi lá no Centro-Oeste. E eu estava no hotel, que a Seleção Brasileira também estava. E aí um dia eu estou descendo para fazer alguma coisa, eu ia sair, passando pela recepção, lá vem tentar me entrevistar. Puta!
Eu falei, olha, querida, com você eu não vou falar. E pra meu azar, escapou o negócio da... Era uma caneta, que acho que dessas que fica presa na mesa, que você puxa, ela tem um elástico. Aquele troço escapou da minha mão e voou na frente. Parecia que eu tinha tirado a caneta nela. E não foi nada disso. Mas eu falei, olha, você vai me desculpar, mas com você eu não vou falar, né? Vocês estão me sacaneando há anos e agora você vem querer me entrevistar? Não, obrigado. Até logo.
E óbvio que eles botaram isso no ar também, né? Óbvio que eles botaram isso no ar. É da humildade. Exatamente isso. Então o episódio foi esse. Aí, na época, quando o negócio... Mas quem gravou isso quis... Pois é, quando o negócio vaza, alguém, algum gênio lá da Globo, veio pra mim e falou, sabe o que acontece?
o sinal que sai aqui do caminhão, vai pro satélite e desce lá na emissora, se você tem uma parabólica virada pra ele, ele capta a imagem. E alguém pode ter gravado usando uma parabólica. Bora, Globo. Alguém qualquer, né? Alguém qualquer. Tem um vídeo do Galvão que eu acho que foi também isso dele. Essa é a mesma coisa. Essa é a explicação que eles dão. Mas, na verdade, por que alguém estaria gravando aquilo? Do nada. Pô, olha, o Milton vai falar uma cagada. É, vai.
É, pra explicar pra galera, tem duas opções. Ou alguém que trabalhava na equipe, gravou. A minha alternativa é essa. É o mais lógico, né? Alguém que tá lá no switcher, alguém que tá lá na central de gravação do canal. Pô, o que o Milton falou aqui? O cara grava, leva pra casa e faz o que quiser daquilo. Eu acho essa a explicação mais razoável. Mas, enfim, só pra fechar a história, quando o São Paulo volta, os jogadores voltam da seleção, não sei o quê e tal, eu vou fazer um jogo no Monumbi.
Isso depois que o episódio já tinha vazado, né? Isso muito tempo depois, em 2009. Eu vou fazer um jogo no Morumbi. Aí o Juca, não sei se vocês conheceram o Juca, que é assessor de imprensa. Sim, parceiro. Juca é parceiro, nossa. Ele era assessor de imprensa do São Paulo na época. Eu tinha trabalhado com o pai dele, que também foi jornalista no Estadão, durante um tempo e tal. Aí o Juca vem na cabine antes do jogo, traz a escalação, traz a informação, não sei o quê. Ele olha pra mim e fala, ó, Milton, o Rogério não pegou nada, ele tá tranquilo.
Tá nem aí. Deu risada quando eu falei, quando eu contei pra ele que tava rolando esse troço. Falei, tá bom, então tudo bem. E assim, nunca tive chance de encontrar o Rogério e conversar com ele sobre isso. Nunca. Aí um belo ano, em dois... Não vou lembrar qual foi o ano agora.
O Galvão Bueno passou a fazer no programa dele de segunda-feira, a premiação dos melhores do Campeonato Brasileiro era no programa do Galvão. As pessoas votavam na internet. O vencedor entrava ao vivo ali. E aí, na última rodada, depois do que acaba o campeonato, no programa seguinte, e os caras lá que ganharam os prêmios para receber. Então tinha a seleção do campeonato, os melhores, não sei o quê.
E o Galvão, naquele ano, que acontece esse episódio que eu vou contar, ele levou todas as pessoas que eventualmente apresentavam o programa. Que era eu, Luiz Roberto, Kleber. E a gente ficou sentado na beirada do palco, o Galvão ali apresentando o programa, e lá uma arquibancadinha com todo mundo que ganha o prêmio que ia ser chamado. E aí o Galvão começa, o Beltrana, fulana, ciclana, vem aqui, o cara vem, compreende todo mundo, vai lá, recebe o troféu.
E o Rogério Senna, naquele ano, ganhou como o craque da galera. Ou seja, os torcedores escolhiam, porque os jogadores que ganhavam o prêmio eram notas que eram dadas durante o campeonato, pela imprensa. E o craque da galera era a votação popular. E o Rogério Senna ganhou aquele ano. Aí o Galvão chama, Rogério Senna, craque da galera. Ele desce, ele vem, ele cumprimenta o Luiz Roberto, ele cumprimenta a Kleber, cumprimenta mais alguém que estava do meu lado.
Quando ele vira na minha, ele olha pra mim e fala assim, você não, você acha que eu sou chato pra caralho? Não vou falar. E passa ele.
E vai lá com o Galvão, recebe o troféu. Depois ele vem e senta do meu lado. Ele falou, cara, que eu tava brincando, não sei o quê. E tava, eu me cumprimentou e ficamos conversando o resto do programa, enfim. Então, com o Rogério, nunca tive problema nenhum. Com a torcida do São Paulo, nem tanto. Porque os caras me odiavam. Os caras, cada vez que eu ia fazer jogo lá, quando eu entrava, passava no corpo. Você não falou que o Rogério era ruim?
Você falou que era... Os caras jogavam bolinha de papel, me xingavam. Sério, meu? Cara. Isso durante um período, né? Depois o pessoal esquece também. É, pô.
Mas pra... Vai. Então, essas... Essas que estavam dizendo aqui de como isso foi pro ar e tudo mais, é, geralmente, é assim. Uma história que não é nem um pouco divertida como essa, uma história mais pesada, né? Aquele... O vídeo do William Wack.
Ele vai pra mídia dois anos depois do acontecido. Também. Aí depois a pessoa que... Mas nesse caso a pessoa que cortou, foi, depois falou, disse que cortou, mas cortou e não sabia o que fazer e depois de dois anos resolveu jogar na mídia e tudo mais. Mas assim, é assim. É o Eduardo Manoel. Na parabólica não vai rolar essa parabólica. Olha, ele vai falar alguma coisa aqui. Eduardo Gadelha mandou aqui. O pior é que essa história de parabólica...
e mirar no satélite é certo. Você realmente vê alguns sinais de transmissão. Dizem que hoje em dia não mais. Dizem que hoje em dia, porque o sinal agora é codificado, não sei o que, hoje em dia não mais. Naquela época era possível, sem dúvida. Não, tem uma do Galvão, do Sirão. Sirão, só se pega com o microfone na cabeça. Para vir. Com o Pelé, né? Não, ainda bem.
Foi um corte interno Aquilo também não estava no ar Também não, era uma publicação interna Falando com o Ciro Ciro José Que era o diretor do Ciro da Globo O Galvão estava sendo cobrado Pelo tempo E aí ele falou Tem que conversar com eles ou vocês O cara deve ter dito Não deixa o Pelé falar tanto Fazer o que? É o Pelé
Ele aprendeu onde que aperta, aí eu te ligo e ligo. Aí eu te ligo e ele vai lá e liga. Porque ele é muito bom, né? Você não tem ideia do que acontece em off em transmissões. Cara, o Betão já presenciou. Eu já presenciei em off, cara.
Eu já presenciei briga de narrador documentarista. Aí, enquanto o repórter tá falando, papai, você tenta separar o negócio. Cara, eu falei essa classe na internet. O rapaz aqui, a bola pra gente tá falando, calma, gente. Quebrando. Mas o que a galera que não trabalha com televisão, não tinha, eu acho, até a história ser contada, é essa visão de que tava em off. Muita gente acha que é não. E tem outros vazamentos que aí tem outros vazamentos que aí
Que já aconteceu, eu vendo em casa, que aí é assim, entra no ar. Ou só a voz entra no ar, né? Você sabe que teve um episódio na Olimpíada do Rio? Eu fui transmitir uma noite de atletismo lá no estádio, que é o estádio do Botafogo hoje, do Newton Santos. Na época nem era Newton Santos ainda. E eu fui transmitir uma prova lá. E eu comecei a ter um bate-boca com o cara que estava coordenando a transmissão, o cara que fica no seu ouvido ali o tempo todo.
Só que na hora que ele me falou alguma coisa, que eu fui xingar o cara, porque a gente estava brigando por alguma razão, que eu nem lembro qual é mais. Briga de trabalho ali, igual o time de futebol. Briga de trabalho, é, não, falou isso, falou aquilo, se entendeu demais. E eu esqueci de desligar o microfone. E eu falei, não lembro qual foi o palavrão que eu falei.
mandei um filho da puta assim, foi um palavrão pesado e foi pro ar aí quando você se ouve porque você fala, se tá fora do ar você não ouve de novo, se tá no ar você ouve a hora que aquilo voltou na minha orelha eu falei, puta mas aí já tinha ido aí no dia seguinte o diretor me chama na sala dele, me dá um puta expor enfim tem coisas que estavam no ar o narrador de TV ele fica com um ponto
E fica um cara falando no ouvido. É, o Espírito Santo de ouvido. Ele fica ali orientando. As pessoas não sabem disso também, não. Nem sempre é o Espírito Santo. É, nem sempre. Às vezes pode ser um papirotinho. Nas transmissões, normalmente, quando você tá no estádio, são duas pessoas. Porque você tem uma no...
caminhão, que é o cara que tá no estádio quando você vai estar lá no caminhão, que fica, agora vou soltar o VT, vou soltar o replay daquele gol. Agora tem uma câmera aqui que pegou a foto não sei do que jeito, né? E tem um cara que fica na emissora, que é o coordenador geral da transmissão, que ele fica falando, agora precisa soltar o foguete, agora precisa fazer tal coisa. É, te livrando em algumas coisas. Ó, o fulano, o repórter lá tá falando pouco, pede pra ele acionar, não sei o que e tal. Ele dá mais uma cara geral pra transmissão.
Então são duas pessoas que falam sobre. E você botar o foguete assim, Sport TV, ô canal campeão, é drama! Entendeu? Isso é o foguete. Isso é o foguete. Foguete é a propaganda. E aí o Milton tem que falar, tipo, Sport TV, ô canal campeão. Você tem que dar uma deixa pro cara do áudio na emissora saber que ele tem que apertar o botão pra entrar o comercial gravado. E aí você tá ali coordenando a tua transmissão toda e com essas...
Vozes na tua mente. E você não pode dar espaço aqui. Tá falando. Você tá narrando o jogo. Você tem que fazer o comentarista falar. O outro comentarista. Você tem que chamar o repórter. É loucura. É maluquice, cara. O Gil Arruda mandou. Teve uma também no Troca de Paz. Que ele não tava ouvindo um cara do... Um caralho do... Eu não tô ouvindo um caralho do que vocês tão falando. TVS. TVS.
Mas acho que não foi... É, troca de passes, né? Ele falou. É, não sei se troca de passes... Não, pode ter sido, pode ter sido. Porque eu tava no estádio pra entrar no troca de passes, que é o programa que vem depois do jogo. E aí tá lá e... Você tá vendo o monitor dos caras falando no estúdio e tá sem som, né? É. E aí o cara vai chamar, vai chamar. Eu viria e falei assim, mas eu não tô ouvindo um caralho do que ele tá falando.
E isso foi para o ar, porque eu já estava no ar, né? E aí quando eu falo, caralho, a câmera vem em mim, assim, né?
A gente olha o Papalinho e chega assim, tá ouvindo porra de um, na hora é direto. Tô ouvindo porra de um. Esse fone aqui, né? E hoje você falar um negócio desse, até que não é tão pesado, porque se fala coisa muito pior na televisão. Mas naquela época não era. É, eu te amo. Tô ouvindo um caralho.
Tinha liturgia ali. Total. Aqui, eu segurei aqui porque eu vi essa mensagem quando o Mil tava começando a contar a história. Mas Maurício Noriega comentou na nossa foto, falou, papo de qualidade com o Mil Tão aí. Um abraço que é legal. Um abraço pro Noriega aí. Você sabe que o Noriega, a primeira vez que eu encontrei com o Noriega, ele estava na minha primeira transmissão no Sport TV e ele
Eu estava também na última dele. A gente ficou 19 anos praticamente juntos, né? E naquela época eu tinha uma característica, que é que o comentarista e o narrador era praticamente dupla fixa. Você não misturava muito. Então quando eu fiz o meu primeiro jogo no Sport TV, que foi em abril de 2005...
Foi um Corinthians e Cianorte no Pacaembu, Copa do Brasil. O Corinthians tinha perdido lá de 3x0, precisava fazer 5 aqui, enfim, era um negócio assim. Precisava fazer quase gols de diferença e fez 5x1 no Pacaembu. Noréga já estava naquela transmissão. Quando eu chego no Pacaembu pra fazer essa transmissão, foi meu primeiro jogo no Sport TV.
Maurício Noriega está na cabine, eu viro pra ele e falo, ó Noriega, eu tenho muito prazer em te conhecer, porque você é o segundo Noriega que entra na minha vida. E lembrei do episódio do pai dele, narrador da TV Cultura, de quem eu era apaixonado, por quem eu era apaixonado, como narrador, eu assisti os jogos que ele transmitia, né, ele não gritava gol, né, quando saiu o gol ele falava assim, tá aí o primeiro gol do São Paulo!
Era o grito de ele, era assim, é. E um cara muito inteligente, enfim. Então eu falei pro Noriega aí, falei, cara, então você é o segundo Noriega que entra na minha vida.
E nós tivemos uma convivência, temos até hoje, o Noriega é meu amigo até hoje, a gente se fala, ele já foi lá em casa, eu vou na casa dele, enfim. Está lá brilhando na Record. Está brilhando na Record, enfim. E virou um grande amigo meu, assim. A gente se chama de irmão, de tão próximos que a gente ficou desde o começo da nossa relação. Eu queria saber de você, Milton, assim, você explicou pra gente a sua decisão ali de aproveitar mais a vida, né?
com a sua tomada de decisão de saída da Globo. Mas eu vi você falando sobre também uma outra parte, queria que você falasse pra gente, de análise de momento, né? Das empresas de comunicação. A Globo, como outras, né? Mas a Globo é muito grande, né? Então, eu de fora como espectador, entendi que ela, em determinado momento, começou a meio que...
Olhar e... Ou entender que estava perdendo alguma coisa para esse mercado que você mesmo lembrou, né? Streamer, youtuber, essas outras vertentes, casete, TV, estavam surgindo. E eu, como espectador, sentia que ela estava tentando, de algum jeito, certo ou errado, né? Fazer alguma coisa para tentar conversar com esse público que talvez ela estivesse perdendo.
Lá de dentro, você sentia isso? Você, como um cara que estava muito tempo na casa, sentiu, às vezes, uma tentativa de mudança de discurso ou mudança de perfil com os chefes? De dentro, você sentia isso, de fato? Essa tentativa de conversar? E uma outra pergunta, se você já pensou, assim, pô, você é o substituto do Galvão, assim.
É, na verdade, vou começar pelo fim, né? Esse substituto do Galvão eu nunca imaginei que seria. Por quê? Porque tinha gente na minha frente, né? O Cleber Machado estava lá, quando eu cheguei ele já tinha, sei lá, 20 anos de Globo, 15 anos de Globo. O Luiz Roberto estava lá já há muito tempo também e tal. Com o tempo da TV aberta, né? É, e a Globo tem muito essa coisa do interno ali, da política interna e tal. Naquela época mais do que agora, Itália.
Então, nunca me imaginei sendo sucessor do Galvão. O que eu imaginei, que acabou não acontecendo, é que eu teria mais oportunidade na TV aberta. TV aberta, sim. Narrei muito. Eu fiz uma final de Champions League em Wembley, em Londres, na TV Globo. É que o Globo transmitia. Que é uma coisa rara. Por quê? Porque o Galvão Bueno, que normalmente faria isso, ele estava num jogo de... numa prova de Fórmula 1 em outro lugar que não ia dar tempo dele chegar lá.
E ele, naquela época, era um cara mais importante na Fórmula 1 do que só fazer a final da Champions.
E aí tinha um diretor em São Paulo, o Marco Mora, uma figura que também me ajudou muito, já falecido, que resolveu me colocar naquela final.
Barcelona e Manchester United, o jogo foi em Wembley, aquele Barcelona do Messi, do Guardiola, do Iniesta, né, Chave. Barcelona atropela o Manchester. É, ganha, acho que três a um, se não me engano. Enfim, então eu tive, até essa chance eu tive, eu fiz uma final de Champions na TV Globo, narrando em local lá em Wembley. Então, assim, é... Só que nos meus últimos anos, sei lá, nos dois últimos anos de TV Globo, você começa a perceber assim, pô, essa escala aqui normalmente seria minha, não sou eu que estou escalado, botaram outra pessoa.
Então você vai percebendo, nunca ninguém me falou, a partir de agora nós vamos diminuir essa escala porque a gente precisa favorecer outras pessoas. Nunca ninguém me falou isso. Mas você começa a perceber, você fala, pô, isso aqui sempre fui eu que fiz, dessa vez nem me lembraram de me escalar, eu estou fora, aquela outra coisa, aquele evento talvez era a minha chance e tal. Nada a reclamar, eu acho que é um direito da empresa, não tenho nada em contrato que diga, este jogo eu tenho que fazer, nunca teve isso.
É um direito da empresa. E é um direito meu achar que o espaço que eu tinha está sendo perdido e que eu possa pensar em fazer outras coisas, né? Então, juntou um pouco tudo, Betão, para ser muito sincero. Eu percebi que isso estava acontecendo, até porque, vocês percebem isso, a gente tem hoje uma política de diversidade dos canais, que não é só da Globo, todo mundo está fazendo isso.
Porque acho que isso foi uma exigência do mercado. Não é que alguém na Globo algum dia acordou, não. Precisamos botar mulher para narrar aqui, precisamos botar negro para comentar, precisamos botar não sei o quê. Não teve isso. Em nenhum momento. Acho que o mercado começou a exigir das emissoras essa representatividade. Que não é só no esporte. Pega as novelas de hoje, pega as novelas de antigamente, né?
A própria bancada do jornalismo, o Ad News, né? E acho que tá absolutamente correto. Eu acho que tá correto. Tem que ter espaço pra todo mundo. O que eu não acho que seja muito correto é se dá espaço. A pessoa, ao ter o espaço, ela tem que mostrar que ela tem o mesmo nível que eu, ou que é melhor que eu, ou que é pior que eu, enfim. Isso não aconteceu. As pessoas começaram a ser escaladas na TV Globo e no Esporte TV sem ter demonstrado.
tanta competência para passar na minha frente, por exemplo. Mais para ocupar aquele espaço. Mais para dar uma satisfação para o mercado, para ocupar aquele espaço, do que por ser melhor que eu. Vamos dar chance? Todo mundo tem que ter chance. Mas, na hora do vamos ver...
Ninguém ali tava fazendo melhor que eu. Né? Mas tudo bem. Repito, é um direito da empresa de botar quem ela quiser pra transmitir. Eu nunca entrei na sala de diretor, como fizeram comigo, como fizeram comigo, mas eu nunca entrei na sala de diretor. Pô, mas essa vaga aí, essa escala era minha. Por que você botou fulano pra fazer? Nunca fiz isso. Fizeram contigo, né? Saía a escala e olhava, esse jogo eu acho que era meu, mas tudo bem. O cara preferiu outro.
Comigo fizeram. Teve um... Não vou citar muito... Não dá muito spoiler aqui, porque eu acabei entregando as pessoas. Eu uma vez fui escalado para um evento qualquer, na TV Globo, e a pessoa que normalmente faria aquilo entrou na sala do diretor e falou, pô, por que você escalou o Milton para fazer isso?
O diretor olhou na cara dele e falou, porque eu quis. Porque eu sou o diretor. Simples assim. Entendeu? Eu nunca fiz isso, mas vários fizeram isso. Eu vi várias pessoas fazerem isso ao longo da minha jornada. E acontece o tempo todo. Enfim, então foi por isso. Juntou um pouco tudo. Eu queria aproveitar mais a vida. Eu percebi que, hum, acho que estou perdendo espaço. Porque houve episódios, Betão e Bruno, que me machucaram muito. Por exemplo, a saída do Júnior da TV, do Grupo Globo.
Jota Júnior é uma das melhores pessoas que eu conheci na vida. Um coração gigante, uma pessoa do bem. Vou te dar um exemplo. Quando eu fui contratado, eu disse aqui que eu assinei meu primeiro contrato dia 1º de abril de 2005 na TV Globo.
Fui ao RH, assinei o contrato, desci na redação, pra falar com o Marco Mora, que era o diretor, falar, tá tudo certo, tô à disposição de vocês e tal. Ah, legal, beleza. Semana que vem tem Corinthians e a Norte, não vamos botar pra você pressionar nesse jogo. Ótimo. Estou saindo da redação, desço pra pegar meu carro no estacionamento da Globo. A hora que eu tô chegando no meu carro, toco o meu telefone. Quem era? Jota Júnior.
Milton, estou passando para te desejar felicidades aqui no canal. Pô, você é um puta cara, você vai acrescentar muito para mim. O cara com o qual eu concorreria com escalas a partir dali. Eu estava vindo para São Paulo e ele era o número um em São Paulo.
O cara me ligou pra mim, foi a primeira pessoa que falou comigo depois que eu assinei meu contrato com a Globo. Ou seja, uma coisa pra poucos, né? Sim. Então, fiquei muito chateado da forma como ele foi demitido. O próprio Maurício Noriega, quando ele é demitido da Globo, também foi uma coisa que me machucou muito. Porque eu falei, cara, um cara como o Noriega, tá aí brilhando, tá aí na recota, fazendo sucesso. Como é que eles podem simplesmente abrir mão num cara como o Noriega, né?
Então, você vai percebendo, né? Eu virei pra mim mesmo, olhei no espelho e falei assim, não quero que isso aconteça com você.
Aí você começa a juntar as pedrinhas aqui e ali e fala, cara, deu. Vou sair e sair por cima, sair prestigiado, sair com o carinho da empresa. Não devo, assim, a empresa foi muito generosa comigo na minha saída, foi muito correta comigo, enfim. Mas eu não queria chegar ao ponto que outros chegaram.
Você acha que com esse mundo hoje da audiência da internet, dos influencers, do jornalista hoje, ou até quem não é jornalista, ter esse tamanho, as suas páginas pessoais e tal, isso às vezes está na frente do talento em alguns momentos. Tem gente entrando em vaga por ser muitos seguidores e aí a televisão fica num...
Quer trazer isso pra agregar um público novo e tá abrindo espaço pra gente que não estaria ali em outros momentos? Acho que tem. Acho que tem um pouco disso. Não sei nem se é o caso da Globo, mas o que eu percebo no mercado é um pouco isso. E a própria Globo já tentou fazer isso e me parece que vai tentar de novo agora na Copa do Mundo, que eu tava lendo outro dia, que eles vão fazer um time de influencers que vai comentar a Copa, não sei o quê. Mais de 20 pessoas, pelo que eu li.
E assim, a minha percepção, posso até ter errado, mas a minha percepção é que as coisas não se misturam. É muito difícil o público do YouTube, da internet, e vocês talvez tenham até mais visão disso do que eu, porque eu não sou desse meio.
Ele não é muito de televisão. É difícil você fazer essa migração do cara que é sucesso na internet só pegar as novelas. Um monte de cara desses que é sucesso na internet, chega na novela e não acontece nada. E acho que nas outras áreas também não. Porque são públicos que dificilmente se conversam. O cara do YouTube dificilmente... Eu sei de gente que, por exemplo, não tem nem aparelho de televisão em casa. Porque o cara acompanha tudo pelo celular, pelo computador, pelo YouTube, internet, streamings, alguém. É por aí mesmo.
O público de Instagram não se mistura com o YouTube? É diferente. Você falou de alguns profissionais que são seus amigos, Milton. E eu acho que a gente tá num momento que foi muito legal ver o Lédio voltando às transmissões, né? E me surpreendeu que você tava trocando ideia com a gente em off, como sua dupla era o Noriega, né? E o Lédio mais baseado no Rio. Você falou, cara, o Lédio é um grande amigo meu, assim. E eu queria que você falasse do Lédio, até falando... E eu queria que você falasse do Lédio.
No ar, uma experiência que eu tive que mostra nessa vaidade de TV coisas difíceis. Quando era lá da rádio, repórter de rádio, o Lédio foi o primeiro cara que eu conhecia de TV que falou comigo. É, na fila do lanche no Maracanã, assim. Lanchinho cansado.
E de chegar e falar assim, cara, você é muito bom e tal, pô, segue firme aí. Pô, eu achei isso. Eu não esqueço disso até hoje. Ele não precisa fazer isso. E as pessoas não fazem isso. Essa é a questão. Ele vai emprestar o prestígio dele pra te dar moral. E as pessoas não fazem isso. Você sabe que a coisa mais gentil que eu acho, o elogio que tem mais valor é aquele que o sujeito que faz o elogio não precisa fazer.
Um cara do tamanho do Lédio. Não precisava falar com ele, que é um cara que tá começando, ninguém conhece e tal. Ele foi lá e fez questão pra dar uma força, pra criar uma coragem nele e tal. Ele fez toda a diferença na minha vida. Você sabe que a minha passagem pela Globo, foram quase 20 anos, 19 anos e pouquinho, me proporcionou conhecer pessoas incríveis, que são meus amigos e continuam sendo meus amigos. Recentemente, agora o Lédio teve um problema de saúde.
A gente conversou várias vezes. Conversei com a mulher dele, a Germana, que é uma figura também muito bacana. Você sabe que o Lédio...
eu fiz menos jogos com ele, não foi dupla fixa, porque ele mora no Rio, em São Paulo, então as duplas eram separadas. Mas eu fiz, por exemplo, uma Eurocopa em 2016, na França, em que ele era o comentarista. A gente ficou o mês inteiro juntos.
E é uma figura encantadora, o Lédio, ele faz aquele personagem ranzinza, né? Mas ele é uma figura deliciosa. Você sabe que no começo o Lédio tem dois filhos, dois meninos, né? Que hoje são pirulões, né? Um ele sempre citou, é o que eu chamo? É o Roberto, que é o Bob, que é o mais velho. Homenagem a Roberto Dinamite, por isso que o menino chama Roberto. E o outro é Miguel, o mais novo, né? São dois garotos, que hoje estão gigantes, né?
O Bob já deve ter 18, 20 anos, enfim, tá nessa faixa aí. E eu lembro que quando...
O Bob era pequenininho, né? O Lédio brincava, chamando o Pequeno Bob, que era o filho dele, o Pequeno Bob. E em muitas transmissões que eu fiz com o Lédio, o Pequeno Bob era personagem. Entendeu? Ah, porque o Pequeno Bob faria isso, porque o Pequeno Bob não sei o quê, porque o Pequeno Bob deve estar assistindo, enfim. Ele foi muito personagem nosso das transmissões. Porque uma das coisas que mais me agrada é quando eu tenho intimidade com o cara que está do meu lado.
Na Uriaga foi esse exemplo, o LED foi outro. Porque a transmissão fica muito melhor. Você joga uma coisa, o cara pega, devolve, como se fosse um jogo de tênis e tal. Então o LED é uma figura encantadora, uma figura que eu gosto muito dele. Falei muito com ele agora recentemente, quando ele ficou doente. Combinamos de brevemente eu ir ao Rio pra encontrar com ele e outros grandes amigos que eu tenho no Rio, enfim. Então o LED é um dos caras que eu...
A Globo me proporcionou algumas amizades que vão pro resto da minha vida. Eu acho que assim, essa questão do LED que foi um negócio meio que...
Ficou todo mundo muito surpresa, né? Porque de uma hora ele fez um desabafo. Primeiro ele fez um desabafo nas redes dele sobre o momento da nossa profissão, né? Ah, tá. E logo depois aparece ele, ninguém entende. Caramba, o que aconteceu com o LED e tal? Internado. Internado, né? Fazendo vídeo ali no hospital. E eu acho que assim, e aí você via nas postagens...
A diversidade do nosso meio, todo mundo tava ali, de todas as emissoras, de todo mundo dando força pro LED, assim, é... Acho que todo mundo parou e olhou e falou assim, cara, a gente fica numa correria absurda da nossa profissão. Cara, mas a vida é um sopro, né? É um sopro.
O cara tava bem ali, né? Acabou que ele faz os exames, descobre alguma coisa e aí, porra, bate um desespero. Todo mundo se identifica, né? Eu senti muito essa solidariedade do meio. Acho que cada um que chegou ali e escreveu. E muitas pessoas que nem conhecem o LED pessoalmente, mas foram ali e falaram. É por isso que a gente fica numa correria mil por hora. Como você mesmo falou, né? Como você resolveu dar essa desacelerada pra ficar com os seus mais próximos. E se você tá um dia viajando pra fazer um jogo...
E você pode amanhã curar no hospital. E aí você pensa, caraca, que loucura. E graças a Deus ele tá bem agora. Mas acho que serviu muito essa... Uniu muita gente ali em torno dele. Pensando nisso. Primeiro que ele é um cara excelente. Que todo mundo gosta. E pra ver como é rápido, né? Por isso que a gente tem que aproveitar...
Tudo que pode. Você sabe que o Lédio começou a receber tanta mensagem quando ele publicou que ele estava... Alguém publicou que ele tinha sido internado às pressas, não sei o que e tal. E ele começou a receber tanta mensagem que a mulher dele, a Germana, que também é uma figura incrível, ela criou um grupo de WhatsApp dos amigos do Lédio que estavam mandando mensagem para fazer o boletim médico do dia. Todo dia ela informou, olha, tá melhor, tá assim, tá assado e tal. Para a galera deixar o telefone dele em paz, entendeu? Cara, olha só.
Seguinte, Led um dia no Charlotte. Sim, imagina o Led. Histórias de bordão, Milton. São sempre espetaculares. Eu acredito que tem algumas histórias curiosas que a galera não sabe. O Se Consagro é... Você busca bordão na vida?
cotidiana na vida é mas assim nunca me preparei para isso nunca pensei nisso nunca achei que isso que era um caminho enfim primeiro que que o que eu começo a usar é o famoso que beleza
Que nem é meu. E assim, eu já falei isso várias vezes que a maioria dos bordões que eu uso não foi eu que inventei, né? Eu só roubei e passei a usar. O que beleza, quando eu trabalhei na Jovem Pan aqui em São Paulo na rádio, o Vanderlei Nogueira que tá lá até hoje, era ou continua sendo o principal cara do esporte da Jovem Pan. E ele na época era repórter de campo. Hoje ele nem vai mais a campo, mas ele era o repórter de campo principal da Jovem Pan.
E ele usava esse que beleza, né? Irônico, né? Que é um que beleza que não tem nada de beleza e tal. E na minha convivência com ele, eu peguei, né? E ouvia o tempo todo e tal. E um dia numa transmissão, se eu não me engano, foi na Olimpíada de 2000.
Acho que nem na Copa de 98 ainda, acho que foi a Olimpíada de 2000. Eu, numa transmissão, falei, que beleza! E aí você começa a receber repercussão, você fala, cara, as pessoas gostaram, né? Aí o que beleza ficou. E assim foram outros. O que fase, por exemplo, era um cara que era diretor de operações da ESPN.
Que também tudo que dava errado é falar Que fase a nossa, não sei o que E eu passei a ousar também É muito bom, né? E entrou, ou agora se consagra Talvez seja um dos poucos que eu criei Veio na minha cabeça, usei, ficou E você sabe que teve um episódio Até o Marco Mora que eu já assisti algumas vezes aqui Que são pessoas que marcaram muito a minha vida Zé Trajano, Marco Mora, seu Tuta Da Jovem Pan, né?
pessoas que me indicaram caminhos, né? Sim. Aí o Marco Moro, onde eu meto um que agora se consagra numa transmissão do Sport TV, ele me chama na sala dele segunda-feira, olha pra mim e fala, cara, eu tava vendo o jogo ontem, ele tinha um filho na época, tinha uns seis, sete anos. Tava vendo um jogo com o meu filho, é o que você falou isso? Moleque olhou pra mim e falou assim, pai, não tá errado isso que ele falou? Moleque de sete anos.
Ele falou, pô, então pensa bem se vale a pena você usar, se isso não vai pegar mal pra você, porque as pessoas percebem, então.
A partir dessa conversa, quando eu usava isso, eu falava assim, agora eu se consagro. E aí eu fazia um adendo. Atenção, o Ministério da Educação adverte, que agora eu se consagro tem um erro de português. Então não repita na frente da sua professora, não repita na frente do seu pai, não sei o que e tal. Que foi até o segundo momento do... Mas assim, eu nunca fiquei pensando, cara, preciso criar um bordão, preciso inventar uma coisa. Nunca fiz isso.
Fui pegando. Fui pegando e, assim, você percebe que faz sucesso, ele fica, né? Percebe que não repercussiu nenhum, dá licença, você não vai ficar. E foi assim. Isso acabou virando uma característica do meu trabalho, uma marca do meu trabalho, ao ponto de ter jogo que eu não uso bordão nenhum, que eu passo 90 minutos sem usar nenhum bordão e as pessoas acham que eu usei.
Não teve que beleza. Ficou no imaginário das pessoas. O Gil Arruda mandou aqui. Isso é maneiro demais. A ideia é de traduzir os bordões na língua local quando você transmite futebol internacional.
Teve isso também. Que é a tradução dos seus bordões. E nem sempre é uma coisa que tem uma tradução literal. Por exemplo, em espanhol, tem um negócio que eu falo, cega o jogo, né? É, segue o jogo. Em espanhol é siga la pelota. Que não é exatamente a mesma coisa, mas o cara que tá ouvindo percebe e entende, enfim. Aí quando é inglês eu falo inglês, quando é alemão eu falo alemão, enfim. Mandar um abraço pro Gil Arruda, que também é um bom cara, um narrador de primeiro time também.
Ah, legal. E isso é tudo parte de uma característica que você sempre imprimiu na narração, que é criatividade. Quando eu citei lá atrás do curso de narração, o Edson Mauro falava muito disso. Narrador, que é outro extremamente criativo. Gosta de usar, né? Ele usa as coisas da própria TV Globo. Quando lançava Big Brother, ele começava a usar. O Fulano de Tauron deve fazer o Big Brother do região. Falou, é o bingo, é bingo. Jogaram Twitter, cheio de seguidores.
Tchau
E ele falava isso no curso. O narrador tem que ser criativo. Absorver as coisas. E você sempre teve essa marca da criatividade. Olha aí o... Perdão, Milton. Eu ia falar só o que é o seguinte. O narrador esportivo, ele é um jornalista. Normalmente é um jornalista ou é um cara de informação. Mas ele tem mais do que a função de informar, de mostrar o que está acontecendo no jogo, de contar aquela história. Ele é um entertainer. Ele faz entretenimento.
porque você tem que ter meios de segurar a pessoa com você. Senão o cara com 10 minutos fala, esse jogo tá um saco, né? E muda de canal, e vai embora. Porque muitos jogos que estão um saco. É a maioria dos jogos. E nem sempre o jogo faz isso. Nem sempre o jogo segura as pessoas. Então você tem que fazer um pouco esse papel. Por isso que eu acho que a gente tem um viés, né? Muito jornalista. É informação, é o comentário, é você ser preciso.
E você tem um entretenimento ali. Você tem que prender as pessoas. Você tem que brincar, você tem que divertir. O cara que tá na frente da televisão, ele tá ali pra se divertir. Ele tá ali pra se emocionar. Como diz o Gavão Bueno, né? Que o narrador é um vendedor de emoções, né? Então você tá ali pra emocionar a pessoa pro bem e pro mal. Porque o time dela tá ganhando, ela vai ficar eufórico. Se o time tá perdendo, ela vai chorar na frente da televisão.
Então você tem que tá do lado desses caras, né? Você tem um costume, ou tinha...
de acompanhar os narradores, nossos parceiros aqui da América do Sul, né? Que tem uma forma diferente. O argentino tem muito essa coisa da emoção passional. E as frases antes do gol, né? É, e ativar os jogadores. Então, a transmissão argentina é muito cheia de recursos do narrador, né?
Eu, assim, nunca tive essa preocupação de acompanhar de perto. Já vi algumas coisas que de vez em quando você cruza com essas pessoas, inclusive em outros lugares, em eventos e tal, mas nunca tive muita... Eu saí dos argentinos porque você ouve mais, que tá mais próximo da gente. Eu, uma época, na ESPN ainda, eu tramiti muito campeonato argentino. Então, quando você recebia o VT pra gravar em cima, ou seja, ouvia a narração do cara que tinha feito lá, né? Então, você percebia muita coisa. E eles são absolutamente alucinados, né?
Agora, tem uma pergunta aqui que também faz parte da minha cultura de futebol GRB, mano. Sempre lembro do Milton dos Games. É, eu ia perguntar isso aí. É desafio de botar a voz no jogo. A minha época do FIFA era com o Milton Leite. É assim, né? Eu fui o primeiro no Brasil a fazer isso. Primeiro no Brasil, meu. Que é o que eles chamam de localização do jogo. Que é quando você grava o jogo com a voz local. Local, local. Com o idioma local.
E isso foi... EA Sports. EA Sports. É você em PVC? Não. Não cheguei a fazer com o PVC. O PVC veio depois. Qual era o nome do comentarista? Então, nos primeiros jogos que eu fiz, os primeiros jogos eram Antônio Moreno, que é um cara de dublagem. Ele nem era de esportes, nada. Mas ele tinha um vozerão, assim. Se você pegar muita série de televisão, até hoje tem coisas com a voz dele. Em 98, eu tava saindo da Copa da França. No dia seguinte à final da Copa da França, eu tava na França ainda. Me liga um cara aqui do Brasil.
Pô, eu sou aqui da EA, nós queremos gravar, ver com você um negócio de videogame, não sei o que. Eu falei, cara, não faço a menor ideia do que seja isso, né? Nem jogava videogame. Eu falei, não, quando é que você volta? Eu falei, já está o outono no Brasil. Vamos marcar então. No dia seguinte que eu cheguei, eu fui lá com a... Na...
Electronic Arts, né? Que tinha um escritório aqui. Electronic Arts, é. Que é o EA, né? E aí o cara me apresentou o projeto e falou, olha, a gente fez uma enquete na internet e o seu nome foi o mais citado para ser o novo narrador, que até então era o Silvio Luiz que fazia. E eles queriam trocar.
E aí você foi o mais votado, queria saber como é que é, se você quer, não quer e tal. Fechamos, na semana seguinte eu comecei a gravar, porque isso foi segundo semestre de 98, de 98, eles queriam que o jogo saísse no final daquele ano, pro Natal, pras vendas de Natal.
E era o FIFA 99, que eles lançavam no finalzinho de 98. Então foi a primeira vez que eu gravei. Fiquei no FIFA acho que sete, oito anos. O último que eu gravei foi em 2006. Que saiu como FIFA 2006, foi a última vez que eu fiz. Aí depois teve o Thiago Leif, o Mauro Betting fez... Não, Mauro Betting não, Mauro Betting é só do PES. O PVC gravou, enfim, várias pessoas gravaram no Depois de PES.
Nivaldo Prieto, exatamente. Bilani fez. Bilani acho que fez também. Eu vi, acho que eu vi o Laif falando da dinâmica. É trabalhoso pra caramba. Porque na verdade não é um trabalho de narração.
Embora você vire narrador lá no jogo. Você vai gravando partes, né? E você vai lendo textos. É muito mais um trabalho de ator, de interpretação de texto do que propriamente de narrador. Porque você tem um monte... Você não tá vendo jogo nenhum aqui pra narrar em cima. Você tem uma lauda cheia de frases, de nome de jogador. Você grava trocentos nomes de jogador cada vez.
E as frases, às vezes, com indicação. Ó, isso é um perigo de gol, isso é fora da área, isso é não sei o quê. Pra você saber a entonação, né? Porque se o cara tá pra fazer o gol, você tem que dar... Se o cara tá com a bola lá na defesa, é bola na defesa, né? Então você entra numa cabine, vamos... É isso. O microfone ali e um texto na sua mão.
Então, agora, por exemplo, eu vou gravar agora em maio, dia 18 ou 19 de maio, eu entro no estúdio para gravar, porque agora o jogo não sai mais físico, né? Agora é só tudo na internet. Você baixa lá, então de tempos em tempos eles renovam as frases. Então nós vamos gravar agora em maio, eu e o Mauro Bet, que é meu parceiro.
Agora a gente grava assim 4 dias, 5 dias grava 3, 4 horas por dia e tal mas no começo, quando você não tem nada de arquivo eu fiquei em estúdio assim, durante 2 semanas eu passava 5, 6 horas todo dia no estúdio 10 dias gravando, por quê? porque você tem que fazer um banco agora não, você vai mudando alguma coisa de situação nova de jogo que eles põem nomes novos que trocam de times de times e tal, então hoje em dia você grava muito menos porque você já tem um arquivo inteiro que é reaproveitado todo ano, claro bom
Cara, sensacional. O FIFA 2000 é o que é o mais...
Me lembro, eu tava tentando lembrar do nome do Antônio Moreno. Antônio Moreno. Teve o Rogério Vogel, que hoje é esse narrador principal da ESPN. Você sabe que na época que eu gravava o FIFA, quando o Antônio Moreno sai, os caras me perguntam, pô, você não conhece alguém pra fazer o comentarista? A gente tá precisando de uma voz bacana e tal. Rogério Vogel, na época, ele era locutor de chamadas da ESPN. Ele só gravava os textos de chamada, ele não era narrador ainda.
E eu falei pra ele, falei, o Volga, você tá afim? Porque os caras tão precisando de um cara com uma voz, ele tem um vôlezerão, né? Os caras tão precisando de uma voz bacana. E não era narrador, né? Não, ele era locutor de chamada. Ele gravava as chamadas do canal. Domingo, 10 da noite, tem Corinthians e Santos, o dia de... Ele era esse cara. Mas uma voz espetacular, né? Aí eu falei pra ele, falou, os caras tão precisando de alguém lá, você tá interessado?
Ah, vou lá conversar. Foi lá, ele ficou durante dois, três anos também, ele era a voz do comentarista.
Era o Rogério Volcker, que depois virou narrador. Hoje ele é o principal lá na ESPN e tal. Pô, considerado um dos maiores off do Brasil. É, é. Fazia aquelas gravações da Discovery, né? Aqueles programas, assim, do Ártico. Ah, ele, cara. Ele fazia alguma coisa disso aí. É, é, é, é, é. National Geographic. National Geographic, é. A mãe ursa polar. 14 quilômetros, até encontrar uma força. Foi legal, hein? E aí eu fazia...
O Leão Simba. Que ansiçam. Também deve ser um trabalho do cara entrar em estúdio e ficar ali, cara, a saga da leoa. Ele tem o nome, ele se batiza um bicho. Agora, Milton, queria perguntar pra você também em relação, você já falou do Cielo, eu tirei o estômago de momentos. Se eu perguntar pra você, suas cinco maiores narrações, cara. Cinco que você tem mais carinho.
Essa do Cielo é imbatível, acho que a top one é essa do Cielo. Essa é a 0-1. Porque essa, Bruno, é aquela que não erro. Juro por Deus, eu já vi ela dezenas de vezes, eu me emociono cada vez que eu vejo. Você sabe que, contei a historinha aqui da Olimpíada que eu fiz com o Cielo, você sabe que no dia que a gente ia fazer a prova final dos 50 metros,
Eles botaram nós dois estúdios pra fazer aquele pré-jogo antes do jogo e tal e tal. E era como aqui, uma mesa, aquele ali, tinha um monitor aqui, né? Aí o cara entra no ponto e fala assim, ó, vou botar uma gravação pra vocês verem, eu quero que vocês ouçam pra depois vocês comentarem. Eu falei, tá bom. A gente vira pro monitor exatamente assim. Tem um monitor aqui, entra a prova dos 50 que ele ganhou com a minha narração. Cara, quando volta pro estúdio, tô eu com um nó na garganta, olho cheio de lágrimas, e ele também.
Ele olha pra mim e fala, cara, eu me emociono cada vez que eu vejo. Eu falei, e eu tô aqui quase chorando, porque eu também não aguento ver isso. Então essa é a prova que toda vez que eu vejo, eu me emociono, eu fico com o olho cheio d'água, porque eu falo, cara, esse dia eu tava iluminado.
Essa do Ronaldo eu acho muito boa, pelas circunstâncias todas. Só uma dúvida antes. Fez alguma coisa diferente nesse dia aí? Cielo? Não, porque isso é anterior. Porque isso é 2008. O lance começa de fazer coisas diferentes em 2009. Não, eu tô dizendo que fez alguma coisa diferente durante o dia que você falou. Tava iluminado. Tem esses dias, né? Ah, não. Assim, eu me preparei como eu me preparava sempre. A única coisa que teve nesse dia foi assim. Alexandre Pucieldi.
técnico de na sessão, famoso coach, ele era o comentarista. E ele, naquela Olimpíada, ele tava como técnico de alguém que eu não vou saber que é Emirados Árabes, Catara, no país árabe. E ele tinha uma credencial que dava acesso a todos os lugares, né? Então ele foi ao vestiário, foi à piscina de aquecimento antes da prova, antes do programa. E aí, quando ele volta pra nossa posição, tava com o Guilherme Roseguini, brilhante repórter da TV Globo, que tava começando no canal naquela época.
ele senta do meu lado e fala assim, olha, não sei se ele vai ganhar, mas eu senti que o homem tá bem. Eu senti que o homem tá voando e acho que ele vai fazer uma prova legal. Falou isso pra mim. Então você já ficou com aquilo dentro de você, né? E a gente sabia que o Cielo era um dos maiores da história, enfim. A gente tava preparado pra ele fazer uma prova legal.
Então acho que tudo isso motivou. Acho que tudo isso foi fazer a minha cabeça ficar preparada e quando começa a prova é uma loucura. Essa é a 01. Essa é a 01. Tem essa do Ronaldo que eu acho muito boa. Tem uma outra que pouca gente vai lembrar. Na Olimpíada da Austrália, que foi a minha primeira Olimpíada em Tóquio, a ESPN já tinha feito 96, mas tudo tubo. Em 2000 nós fomos pra lá. Eu e João Palomiro eram o outro narrador. Nós dois fomos pra lá.
E tem uma prova de atletismo, não sei se vocês vão lembrar, porque vocês são muito jovens, né? Cat Freeman. Cat Freeman. Era uma corredora de 400 metros. Australiana aborígene. Ela era dos povos originários da Austrália. E ela tava lá. Ela já era campeã do mundo, ela já era uma puta atleta. E eu vou transmitir a final. O estádio Olímpico de Sydney, que foi construído pra aquela Olimpíada, ele tem mais de 100 mil lugares. Naquela noite tinha, assim, 105, 106 mil pessoas no estádio. Ela não tinha nobre, né?
E ela era a grande estrela da equipe australiana. Então, naquele dia, todo mundo queria estar lá. Cara, a hora que vai dar a largada da prova, faz um silêncio no estádio. Eu lembro que na transmissão eu falei assim, cara, é impressionante, 100 mil pessoas, não tem um barulho aqui na porra do estádio.
E ela faz uma prova maravilhosa e eu narro bem, enfim. Essa é uma prova que eu gosto muito. Raramente ela é lembrada, porque não é brasileiro, né? Mas é uma prova que eu gosto muito. E aí tem outras coisas, porque eu fiz três finais de Copa. Porra! Eu lembro da Copa, o Brasil perde em 98, eu narrei aquela final na ESPN. O Brasil, a Espanha, o primeiro título da Espanha em 2010 na África do Sul, eu narrei aquela final.
E depois eu narrei o outro título da França quando ela ganha a final em Moscou, né? Moscou. Em 2018. Eu narrei três finais de Copa, que pra mim são inesquecíveis. Porra, tá mal. Eu narrei... É de 98, quando chega a escalação pra você.
Então, esse é um episódio muito interessante, porque a hora que chega a escalação, não tá o nome do Romário. Não tá o nome do Ronaldo, tá o nome do Edmundo, pra começar o jogo, né? Aí a gente olha, eu olho pro comentário, diz que era o Tostão, eu falei, caralho, Tostão. Era o Tostão. O Ronaldo não tá aqui. E o Trajano tava por ali, embaixo de mim, assim, tava Galvão Bueno, o Arnaldo César Coelho, o Falcão. Chamou o comercial. Vamos pro comercial pra entender isso aí.
Eu falei, caralho, o nome do Ronaldo não tá aqui. Aí a gente começa a especular, falamos no ar que não tava aqui, não sei o quê e tal.
E aí começa um corre-corre, né? Porque cadê o Ronaldo? Cadê o Ronaldo? Aí começa a chegar a informação de que... Aí a FIFA passa um outro comunicado impresso, escrito à mão, xerocado, eles distribuem para todo mundo, dizendo que o Ronaldo tinha chegado depois da delegação do Brasil no estádio, porque ele tinha ido fazer um exame, porque ele estava com um problema no joelho.
Foi a informação que chegou. E, na verdade, não tinha sido nada disso. Ele tinha tido uma convulsão, tinha sido levado para uma clínica, e aí se bancou a escalação dele no estádio, a hora que ele chegou. Cara, ninguém sabia. A hora que entra o time do Brasil, a gente vê o Ronaldo. Aí a gente percebe que a escalação tinha sido alterada no monitor que a gente tem no estádio. Aí o Ronaldo joga, enfim. O Brasil toma de 3 a 0.
Quando acaba o jogo, nós estamos indo para o centro de imprensa. Na mesma perua estavam eu, Tostão, Trajano, Juca Kifuri. Por quê? Porque a ESPN fez um acordo naquela Copa com a TV Cultura para usar o mesmo estúdio. A TV Cultura fazia o cartão verde no domingo. E a gente usava o estúdio a semana inteira para os nossos programas, que viria a ser o Linha de Passa e tal. Então, por isso o Juca Kifuri estava com a gente no carro, porque ele ia fazer o cartão verde. Era ele, acho que falava, na época, sei lá.
e o Flávio tava lá pela rádio, né? E aí no carro, né? Eu tô aqui, eu, Tostão, Juca Kifuri ali, uma van, né? Trajando atrás. Aí o... Tostão vira pra... O Juca, né? Falando com um monte de gente, jogador, gente da Comissão Técnica do Brasil, apulando o que tinha acontecido. Uma hora ele vira e fala assim, cara, tão me falando aqui que o Ronaldo teve uma convulsão na concentração hoje de manhã.
convulsão, o cara do Tostão vira assim e fala se ele teve uma convulsão mesmo e botaram pra jogar, é um crime o Tostão falou, porque o cara podia morrer em campo, porque quando você tem uma convulsão, você tem uma descarga de adrenalina, de química não sei o que e tal, que se você continua fazendo um esforço depois, você pode morrer, tem um ataque do coração
Estou falando, cara, estou do meu lado. E o Juca lá, pá, pá, pá. E só depois, no dia seguinte, é que só foi saber pra valer que tinha sido uma convulsão, que ele tinha tido uma convulsão na concentração. E o mais incrível é assim, ninguém viu a delegação do Brasil sair da concentração e não perceberam que ele não estava junto.
Por quê? Porque todo mundo tinha ido pro estádio. Tinha quase ninguém na concentração do Brasil. Era distante, né? Era um castelo. Era uma cidadezinha próxima. Era de logística diferente da casual. A Globo, que tinha um acampamento dentro da concentração, ela já tinha desmobilizado todo mundo. Todo mundo tinha ido pro estádio. Pra ver a final. Era o final da Copa do Mundo. Então ninguém percebeu que os caras entraram no ônibus e o Ronaldo não tava. Ninguém deu informação até a escalação. Até essa escalação? Aí se... Tchau.
E durante o jogo se sabia que alguma coisa tinha acontecido, mas ninguém sabia direito o que era. Isso só foi vazado de noite, de madrugada, na França. Esse era perceptível para o narrador, assim, cara, ele não tá...
Com certeza. Ele não era o Ronaldo que jogou aquela Copa. Que era, pra mim, a melhor versão dele. Ele com 21 anos, né? É. Copa de 98. Partida que ele faz contra a Holanda é loucura. Semifinal, né? Que vem o Marcelo. É que ele chama a responsabilidade. Seguinte, tem um... Galera pedindo pra eu perguntar. Não sei se teve problema ou não com o Eurico Miranda. Teve? Teve. Se eu vi, eu vivo. Ah!
Ah, vou do basquete. Tá me ameaçando aqui. Era do basquete ali embaixo, no Tijuca, né? É, não, no Vasco. No ginásio do Vasco. São Januário. São Januário, porque ali aconteceu o seguinte. Era Vasco e alguém, não vou lembrar quem era o adversário do Vasco. O ginásio lotado e a gente se transmitia na quadra. Uma mesinha na quadra.
E atrás aqui era arquibancada, do lado de lá não tinha arquibancada, era uma parede. Parede, é. E antes do jogo, nós chegamos mais cedo, vários jogadores, acho que era o Flamengo, ou era algum time do Rio, não, jogadores do Vasco, próprio Vasco. Rogério, que era da Seleção Brasileira, Elinho, tinha uns três ou quatro casos. Timaço do Vasco. Era o Timaço, foi base da Seleção Brasileira da Olimpíada de 2000.
Então, quando a gente chega, eu conheci quase todos aqui de São Paulo, conversa e conversa e tal, um vira pra mim e fala assim, o Vasco não paga salário há três meses. O outro fala, olha, a gente tá jogando na raça aqui, porque prometeram mundos e fundos pra gente e não estão pagando salário. E o Vasco tinha base da seleção de basquete, base do não sei que esporte, gente no atletismo. Adriana Beari e Schelda. Rodrigo Pessoa, o cavaleiro, que ganhou medalha na Olimpíada, era da equipe do Vasco, enfim.
E eu, Vasco jogando, ganhando, fazendo uma partidaça e tal, no meio da transmissão eu falo assim, e pensar que esses caras estão sem receber salário. Os caras estão jogando essa bola aí sem receber salário. Porque o Vasco não está pagando em dia. Puta! O Rico estava vendo. O Rico estava na casa dele vendo o jogo, ele não estava no ginásio, ele estava na casa dele vendo o jogo. Pega o carro, vai a São Januário. E de repente eu estou aqui atrás e estou ouvindo um zzzz. Eu estou de fone, né?
Eu viro, tá Eurico Miranda. Vai desmentir agora o que você falou. Você vai desmentir o que você falou. E aí, eu tô transmitindo o jogo. E atrás da tabela, de cada tabela, tem uma câmera, né? Que era pra mostrar os lances de sexta.
E aí o diretor de TV que estava no caminhão fala para o câmera lá, vira e mostra o Milton. O cara, vum, bota a câmera em mim e o Eurico Miranda aqui atrás. Quando eu vejo no monitor que eu estou no ar, eu falei, ó, está aqui, ó, o presidente do Vasco está me ameaçando aqui, disse que vai bater em mim depois do jogo, porque ele acha que eu vou desmentir que os caras do Vasco estão sem receber. Eu falei, a minha fonte é muito boa, não vou desmentir nada, os caras estão sem receber há três meses.
Está aqui o senhor Eurico Miranda. Ele é assim com o dedinho, fazendo assim para mim.
E atrás dele a torcida do Vasco. Eu falei, se ele fizer assim, os caras vêm pra cima de mim, né? Pra vocês terem uma ideia, eu tenho quase 50 anos como jornalista, nunca precisei sair de lugar nenhum escoltado. Naquele dia eu saí dentro da viatura da polícia militar. Porque aí o pessoal da polícia percebeu o que tava acontecendo, botaram três, quatro soldados atrás de mim, não deixaram ninguém ficar na grade, né? Afastaram todo mundo, ficaram ali esperando acabar o jogo. A hora que acaba o jogo, vem um tenente que tava comandando o batalhão lá.
e assim na minha vida, eu falo assim você vai sair com a gente daqui você não vai com o pessoal da TV, você vai com a gente, nós vamos botar você numa viatura e a gente combina a gente encontrar longe pra te entregar em algum lugar e foi assim que eu saí do estádio, saí numa viatura de polícia, foi a única vez na minha vida que eu entrei numa viatura de polícia. E o caminho até a viatura? Não, cercado de soldado a hora que eu entro na viatura
Aí a gente sai e ninguém chega nem perto. Não aconteceu nada. Mas se eu tivesse ficado lá e se a polícia não tivesse me ajudado, eu tinha sido espancado lá, não tem a menor dúvida. Não sei se foi depois disso, mas eu lembro de a ESPN estar numa das emissoras que o Vasco, nessa época, não deixava, era proibido de fazer vídeo. De entrar em São Januar.
A espelha chegou a ser proibida a gente Acho que sim Daqui a pouco o filho do Eurico Vai fazer vídeos dizendo que a gente tá mentindo Que é absurdo Que o canal só quer falar mal do Eurico Mas essas coisas estão no Youtube, são fatos Esse ano de 2000 É o ano que o Vasco começa O Vasco bate no teto E começa depois a
Sim, você tem relatos dos atletas olímpicos que falam exatamente isso que o Bito disse. O vôlei, por exemplo, masculino e feminino. O Vasco montou duas equipes. Base da seleção. Base da seleção. E passou um tempinho, se eu não me engano, e oferecendo salário muito acima. E o marketing que eles fazem é assim, o Vasco é o time que mais medalhas ganham na Olimpíada.
Porque ele, como todo mundo praticamente do Brasil que tinha ganho medalha era do Vasco, então o Vasco é o maior ganhador de medalhas da Olimpíada. É, porque ele abordou principalmente os atletas que eram favoritos. É, exatamente. Por exemplo, o Robert Scheid. É, exatamente. Aí a galera que não é Vasco pegou no pé porque tinha uns favoritos a ouro, que ganharam prata. Mas você tá vendo?
É, daí. O vice, né? É, porque o Roberto Chádera favoritaça pro ouro. Foi prata. As meninas, a Adriana Bé-Achera favoritaça pro ouro. Foi prata. O Balubê do Rue refugou. Entre outros. Ó, o Glauber Coelho mandou aqui. Isso é muito legal.
Coisa que pouca gente percebe e poucos narradores percebem também quando não falam, né, cara? Mas que é uma, acho que a função mais nobre do narrador é essa aí. É o Glauber Coelho falando, meu pai era eficiente visual e depende 100% das narrações pra acompanhar os jogos. Milton sempre foi um dos melhores pra ele acompanhar, não só pela...
Pela acessibilidade, mas pela qualidade no geral. Um abraço. Isso aí. Eu acho assim, que não tem maior elogio do que um elogio como esse. E você sabe que eu não conheço o Globo, eu não sei se é a mesma pessoa, mas acho que não. Eu já encontrei outras pessoas que me falaram isso. Falaram, cara, com você eu consigo entender onde é que tá a bola, o que tá acontecendo no jogo, o que você descreve com muita precisão e tal. Então acho que prêmio maior que esse não tem.
E assim, sempre que o narrador tá no ar tem que pensar em quem tá acompanhando de ser alguém que chegue em todo mundo. Tem uma boa aqui também o Gui mandou aqui qual foi a narração mais difícil da vida do Milton? Um abraço de Mauá, São Paulo. Você sabe que uma coisa que eu sempre achei muito difícil de fazer são lutas, né? Por exemplo, eu cheguei numa época que eu fiz muito judô, não só em Olimpíada mas eu cheguei a fazer torneios, tive uma transmissão de esporte espetacular na Globo Tchau
que foi um torneio de judô que teve em, não sei se Rio Grande do Norte, em algum lugar longe, Espírito Santo, foi no Espírito Santo, foi em Vitória. E sempre tive mais dificuldade com esses esportes, porque eles são muito sutis, as regras são muito sutis, judô, karatê, essas coisas. Então, as maiores dificuldades que eu tive na minha carreira foi para esse tipo de evento, de lutas, e para eles eu me preparava muito mais do que para os outros. É, judô para você é o mais difícil esporte?
É, desses de lutas, foi o mais constante que eu fiz, né? Foi o mais constante. E eu achava muito difícil, porque o cara dava o golpe e você falava, não, isso aí é um vazalha. Aí o cara vem, não, é um pôr. É um pôr. Entendeu? É, é, é. É muito sutil, né? Olimpíada é uma loucura, né, cara? Olimpíada é uma loucura. Narrando vários esportes. Vários esportes, cada dia você faz uma coisa. Mas sempre falo, galera, não acho. Pan-americano é pior que a Olimpíada.
Porque o Brasil vai bem. Aí você tem que fazer. Pra nós, pan-americano, é consagração. Porque o Brasil ganha medalha em tudo, né? Então, pra você prender o público, é muito melhor. O Brasil ganha na Olimpíada, sei lá, 12 medalhas. Não conhece. 100, caramba. Aí o cara chega na final do windsurf.
Aí eu enxergo o final do boliche Tem boliche no pano Seguinte, Milton Daqui pra frente, o que você observa Pra sua carreira A legião de fãs que você tem
É muito difícil você ser um narrador criticado, você é um narrador que as pessoas gostam, amam e tal, dos bordões também e tudo mais. Então você tem uma legião de fãs, assim. O que você tem pra falar pra essa galera que fala, pô, na X-Sports, muito legal pra galera acompanhar, mas assim, o que você tem como observação da profissão daqui pra frente, já que você sentiu falta, assim?
Cara, eu continuo querendo narrar e óbvio que eu torço para que o canal cresça, né? Porque eu sei que ele crescendo, eu vou crescer junto e vou ter chance de fazer outras coisas legais de novo, né? Como eu já fiz tanto e tal. E eu quero continuar me divertindo. Hoje eu estou numa fase da minha vida que o mais importante para mim é eu ter prazer em fazer as coisas, em me divertir. Já teve momentos na minha carreira que eu precisava ganhar dinheiro, que eu tinha filho para sustentar, tinha faculdade para pagar, tinha...
Então o trabalho era fundamental para eu ter a sobrevivência. Hoje em dia já não. Eu tenho como me virar sem precisar trabalhar tanto. Por isso que eu estou trabalhando muito menos, por isso que hoje eu tenho condição de selecionar onde eu quero e onde eu não quero trabalhar, as coisas que eu quero fazer, enfim.
Quero continuar trabalhando, porque eu me acho, apesar dos meus 67 anos, que para a molecada de hoje é velho para caramba, né? Mas eu me acho ainda criativo, eu me acho com disposição, eu me acho fazendo o meu trabalho em bom nível. Se você é muito sincero, eu sou muito crítico, já falei isso aqui.
Se eu sentisse que a minha narração já não é mais o que já foi um dia, eu já teria parado. Entendeu? Porque eu também não vou me expor, não vou jogar fora todo o patrimônio que eu construí da minha carreira só porque eu quero ficar. Não faria isso. Mas enquanto eu estiver sentindo que eu estou bem, está me dando prazer, eu estou me divertindo, eu estou convivendo com pessoas bacanas, eu vou continuar mais um pouquinho.
E é muito legal o novo canal, como é a Exesport, né? Sensacional. Essa oferta de jogo, de jogo, de nave aberto. E crescendo, né? Porque, por exemplo, o ano passado eles chegaram a fazer uma proposta pra transmitir a Copa do Mundo desse ano. Não deu, porque o mercado já tava com tudo vendido, né? Os pacotes todos já estavam vendidos, então não venderam pra isso.
Já li essa semana que estão pensando em fazer Libertadores no próximo ciclo, fazendo uma parceria com a Palma, não sei se é verdade. Foi o que eu li na internet. Então, a tendência é crescer, a tendência é abrir mais espaço, a tendência é contratar mais gente, a tendência é fazer programas, enfim. Não, e assim, pra explicar pra galera, a XSports, assim, é um canal que chega com esse pé no acelerador de brigar pelos grandes campeonatos mesmo, assim, é o que você sente, assim?
O que eles dizem internamente é o que se fala. E essas iniciativas que eles tiveram recentemente mostram isso. Estamos fazendo o Campeonato Brasileiro da Série B, que já é um baita campeonato, porque pega o Brasil inteiro. Estamos fazendo as finais do Campeonato Paulista da 2ª Divisão A2 aqui em São Paulo, que está tendo finais. Essa semana deve definir os dois times que sobem. O Juventus está de um lado.
Contra o Votapuranguense, se não me engano. O Betting foi ao estádio dos Juventus hoje. Acho que é o jogo hoje, eu acho. Ah, talvez seja isso. Podia ir, inclusive. Já fui num sábado ver o jogo lá. Enfim, então você percebe que é um movimento de fazer cada vez mais coisas. A gente transmite a Liga dos Campeões de vôleibol da Europa. Também só tem Timasso jogando. Tem vários brasileiros inclusive jogando lá e tal.
Campeonato português, campeonato espanhol, campeonato inglês, campeonato da segunda divisão da Inglaterra, campeonato alemão, enfim. Acho que a tendência é crescer e acho que vai dar muito fruto. O legal é que essa briga por direitos é muito legal, porque... E é pesado. Cada vez mais. A ponto de a Globo só comprar metade da Copa. Ter que dividir com o SBT, porque o pacote... A Globo chia... Ela até soltou uma nota recentemente reclamando da relação da Live Mode com a FIFA, né?
Botando culpa nisso, né? Mas, de fato, ela não pegou, não conseguiu pegar. E antigamente era impensável a Globo não ter todos os jogos. Dessa vez, ela só tem metade. A gente começa a ver que todos os campeonatos têm direitos, né? É isso, é isso. E também acho que não passaram. Daqui a pouco vai ser, pum, né? Traz aqui e tal. Cara, quando você imaginou que um canal no Brasil transmitia o campeonato da Arábia Saudita. Exatamente.
E hoje transmite o campeonato da Arábia Saudita. Um craque jogou antes. É, pois é.
E assim, o legal da ExSport é de trazer essa quantidade de campeonatos, ainda mais os europeus, né? Pra TV aberta, né? Que dá oportunidade. Vai numa contramão, por exemplo, uma casa que o Milton já trabalhou. Por exemplo, hoje, a Disney Plus, por exemplo, que transmitia pro assinante do canal do streaming Disney Plus,
Ela agora colocou os eventos de futebol numa caixinha premium dentro do Disney+. Então tornou mais... Mais caro. Mais caro, porque o cara compra o pacote. Mas não, pra ver a La Liga, a Premier League, você tem que pagar um outro. E aí você tem... O La Liga tem que pagar um plus a mais.
E aí a X-Sport tá levando pra TV aberta campeonato alemão, outros campeonatos. Acho que é um movimento muito bacana. Seguinte, ó. Seguinte. Palmas para Milton Leite, que é o seu melhor podcast. Palmas pra vocês. Referência sensacional, Milton. Obrigado por falar das coisas de uma forma tão aberta. Acho que é uma aula pra quem...
gosta da profissão, gosta de jornalismo, né, que eu acho que o narrador, mais do que essa questão de narrar e passar emoção, cara, muitas vezes é um apresentador também de telejornal, você tá com um evento ao vivo ali, você tem uma responsabilidade. Pode acontecer de tudo. E além disso, você tem que passar emoção, além disso, tem que ter bordões criativos.
Isso é muito legal, e eu gostei muito de falar sobre essas coisas do que acontece em off também, né? Não vem, cara, porque isso a galera não pensa como é, né? A galera olha lá na TV e julga. Então, cara, enquanto você quiser narrar, portas abertas de todas as emissoras aí, porra, Milton Leite na área, os maiores narradores do Brasil das últimas décadas aí, Milton. Tamo junto. Bruno, Betão, queria agradecer muito a vocês, todo... Paulinho, né, que é o homem do botão. É!
todo mundo aqui dizer que eu fiquei muito feliz de vir, porque me senti muito honrado, né? Porque você vai olhar o povo que já passou por aqui, é um povo pesado, né? A gente sabe de você que tem, entendeu? Falta o LED agora também. Vamos combinar, eu falo com ele pra ajudar a trazer o LED. Mas fiquei muito feliz de poder estar aqui com vocês, porque a gente sabe da repercussão que tem, de como... Sabe que eu tenho um pessoalzinho que me ajuda...
Eu faço eventos, eu apresento eventos, dou palestras e tal, né? E a empresa lá que faz isso, quando eu falei pro cara, falou, ó, tô indo lá com o pessoal do chá.
Cara, você vai fazer o charla, caramba, é o melhor podcast de esportes, eu falei, eu sei, por isso que eu tô indo, por isso que eu topei o convite. Ainda bem que as nossas agendas bateram pra gente poder estar aqui e tal, e participar, e foi muito legal. Agradeço muito a vocês. O carinho que vocês têm me tratado, desde que a gente começou a conversar as primeiras vezes e tal, e, enfim, quem sabe a gente volta mais outras vezes pra fazer. Que nem mais história pra contar.
Obrigado, viu? Muito obrigado Foi muito legal, muito obrigado mesmo De coração, muito obrigado a todo mundo que assistiu Faltava o Milton, pô Milton Leite esteve no Charla Podcast Completando o time dos narradores aí Quase fechando Paulinho, vai me avisando aí Melita é o café oficial do Charla Podcast Foram quantos, Melita? Três
É o café oficial também do Real Madrid, você sabe, né, Beto? É o café galáctico, né? Galáctico, sensacional. Café Melita, cupom charla 15, 15% de desconto em qualquer produto Melita. E aí, cara, café coado, café expresso, solúvel, tem cappuccino? Tem. Tem chocolate? Tem.
Esse aqui é brabo, porque é café gourmet. Isso. O fera de um março. O que eu ganhei da minha mulher? Eu não quero interromper o merchandising, mas sabe o que eu ganhei da minha mulher de Natal? Uma máquina dessas de café. Mas café não de cápsula, assim. Aquelas grandes. Italiana, né? É, de botar cafezinho lá. Bota aqui o pó, torta. É, exatamente. Melita, a gente foi pra Alemanha agora e é verdade. Fomos lá no Borussia Dortmund. Melita. É mesmo? Lutga. É Melita alemã, né? É.
E tô esperando a Melita mesmo, a gente vai tomar um café no Bernabéu. Ah! Aí sim, né? Você não conhece ainda também. Não, conheço. É, então, ó, Melita, tamo junto, café é Melita, beleza? Açaí, atacadista, atacadista oficial do futebol brasileiro, espalhado por todo o Brasil, né? Sim, mais de 60 séries, né? E o preço é bom?
É atacadista, né? E se você entrar no nosso QR Code na tela aí... Ah, eu preciso que ainda é melhor, né? Baixar o aplicativo Meu Açaí, amigo, aí é o desconto do desconto. O QR Code te leva pra baixar o aplicativo Meu Açaí, como bem disse, Betão. Desconto do desconto. Lembrando que vale pra você fazer suas compras de mês, comprar pro fim de semana e vale pra você que tem comércio. Isso, repou o estoque, depósito, tudo mais.
patrocinador do Brasileirão Série A, Brasileirão Série B e da Copa do Brasil. Pensou o futebol, pensou açaí, o atacadista oficial do nosso futebol. Tamo junto açaí. Tamo junto, basta o meu açaí. Pega a dica, tamo junto. Brahma, o Charla é Brahma, né, Beto Jor? É isso aí, o Charla sabe, sabe um projeto muito legal da Brahma, que é a Sociedade Anônima da Brahma. Aí o QR Code que tá aqui na tela agora te leva pro Zé Delivery, pedindo Brahma no Zé Delivery e cadastrando qual é o seu time de coração.
10% do valor da sua compra vai pro seu time de coração. Sabe, Sociedade Anônima da Brahma, beleza? E se você estiver pensando ou não gostar, ou tiver que tomar a Brahma Zero... Zero álcool. Zero álcool vai ser 20% pro clube. 20% ainda mais. Vai dobrar. É isso aí. Brahma Zero, 20% vai pro seu clube de coração. Lembrando também que o Zé Delivery com a Brahma estão numa parada muito legal, que é o seguinte. Cashback? Pediu a Brahma no Zé Delivery. Tu é mengão, velho. Você vai pedir no intervalo, né? Isso.
Tá pronto? Tô vendo o Flamengo e Galo, mano. Você vai escrever lá o teu time, tudo mais. Você vai pedir no intervalo. Se por algum motivo o piloto tiver algum problema e chegar já com a bola rolando, e você, por exemplo, desceu pra pegar a sua cerveja e saiu um gol, cara, você vai receber um cashback completo do teu pedido. Dinheiro todo, é. Dinheiro todo. Se você fez uma bolsa lá com cerveja, refrigerante, vai receber o cashback de tudo. Porque você...
E a Brahma não quer que você perca o gol, né? É isso aí. Imagina perder o gol do Arrasca. Imagina. No jogo do final de semana, eram quatro gols. Ah, ele podia perder um. Um, pelo menos. Acho que o do Plata não teria que perder, que foi um golaço, né? Inclusive... E perder o gol do Plata pegando cerveja, não dá. Nunca critiquei. O Plata merece. O Melhete merece. Deixa ele beber. Brahma, hein, Plata. Beleza? Tamo junto, ó. Brahma, Charle, Brahma, o Charle sabe. Tamo junto.
Sporting Bet, Casa de Apotes que patrocina este programa, as melhores odds do mercado. Estamos em semana de libertadores, competições internacionais, e co-presidente americano, além de champions. Então faça sua vez na Sporting Bet. Agora, olha pra mim aqui, a parada é a seguinte, aposta esportiva é só entretenimento, beleza? Pra dar um olho na rodada. Irmão, tu não vai ficar rico com essa parada. Não é renda fixa, não é disso.
Pra você se enrolar financeiramente, beleza? Se ligou no recado. Tamo junto, é Sporting Bet. Charla, é Sporting Bet. Faz teu nome aí.
Mas na Maceió A melhor é a esporte de Bet É a hora de 18 anos, hein, galera É isso Fechou? Fechou, Milton, até a próxima Obrigado, foi ótimo Obrigado mesmo Parabéns aí pela carreira, hein Obrigado Show de bola Se consagra, que beleza Que beleza Às vezes eu falo assim, que fase É bom, então Faz tá boa, tem que aproveitar, hein Queira, estamos juntos, é nóis Tchau
Brahma
CervejaMelita
CaféMeu Açaí
AtacadistaSporting Bet
Casa de Apostas