238. Histórias assustadoras sobre skinwalkers e sereias | Terror na Esquina
Um episódio que passeia entre skinwalkers, sereias e gnomos de jardim, a gente constrói um grupo de entidades com formas humanoides.
Escute, nesse episódio, os relatos mais esquisitos sobre eles, e nos diga se o que o rapaz viu no primeiro relato foi um gnomo ou um canguru bebe de chapéu pontudo.Qual a sua história?
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Agradecimentos:
Phelipe Gomes Silva
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Phelipe Gomes Silva
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- TaracáRelato de pescadores · Alfredo · João
- Caso Lauro JardimRelato de avistamento na Austrália · Xuxa
- RPG de VárzeaRelato no Missouri · Distorsão do ar
- Criaturas planaPé Grande · Sereias · Skinwalkers · O Rake
- StickmanCriação artística · Slenderman
Foi no meio daquelas tralhas antigas que eu encontrei duas fotos bizarras, daquelas que fazem o seu sangue congelar por um segundo. Minhas irmãs ficaram tão chocadas quanto eu e corremos para mostrar a minha mãe. Quando meu pai voltou de viagem, ele foi bombardeado por perguntas. Ele era um homem extremamente ponderado, calmo e controlado. Ele simplesmente sentou na sua poltrona, pediu um conhaque, acendeu um charuto e decidiu que era hora de nos contar a verdade.
Ai, só vou pausar para falar que clima gostoso já essa história, essa coisa da família curiosa com a história do pai, aí ele vai sentar e contar uma história, me passou uma coisa boa, gente, eu só queria pontuar isso.
Gata, a gente já conversou muito sobre isso e eu já sei que você vai me falar que pé grande é uma das criaturas, eu acho que, mais possíveis de existir, que você pode acreditar que exista. Estou errado?
Estou errado? Pode ser que estou errada? Não, nunca estou errado. Não, gente, o pé grande pode sim existir. A gente já falou sobre, já foi uma conversa Já é uma conversa antiga, não tem como.
Já é uma conversa antiga. Mas esse episódio não é sobre o pé grande, é sobre criaturas humanoides que podem estar entre a gente. Desde pés grandes, sereias e skinwalkers. Então vai ser um episódio aí...
O Rake!
O Rake, sim, é outro que pode estar entre a gente como humanoide. Mas vai ser uma miscelânea de humanoides.
Nossa, que palavra bonita!
A pauta, ela foi escolhida para ser várias histórias, porém como a gente tá gravando por vídeo, vai ser uma versão mais reduzida, porque o nosso rostinho vai compensar o dobro de histórias que a gente leria. Mas, cara, não, só fica porque as histórias estão sensacionais. Quer começar? Quer começar?
Eu quero, eu quero dar as honras.
Todas estão numa, sabe, qualidade altíssima de seleção, então pode puxar uma aí, bora.
Quando eu era adolescente e morava nos subúrbios ocidentais de Sydney, na Austrália, vivi algo que até hoje eu luto para tentar explicar. Eu já tive algumas experiências estranhas ao longo da vida, mas essa se destaca pelo realismo e pela quantidade de vezes que aconteceu. O que eu via no quintal da minha casa parecia, detalhe por detalhe, um gnomo de jardim comum. A parte bizarra é que aquilo definitivamente não era uma estátua de gesso.
A figura era minúscula. Sabe quando o topo da cabeça de alguém mal bate no meio da sua canela? Bem abaixo do joelho? Era desse tamanho. Vestia o que parecia ser um capuz vermelho pontudo e ostentava uma barbicha branca bem aparada. Se alguém o colocasse imóvel no meio das plantas, pareceria um enfeite perfeitamente normal. Só que ele se movia. E muito. Eu costumava flagrar ele do lado de fora da janela da nossa sala de estar. Às vezes ele andava sem rumo pelo jardim, como se já estivesse explorando as plantas ou caçando alguma coisa no chão.
Em outras ocasiões ele subia e caminhava calmamente pelo próprio parapeito da janela. Eu vi tantas vezes ao longo dos anos que aquilo acabou se tornando parte da minha rotina. Eu já olhava pro vidro esperando encontrar ele. Mesmo quando as persianas da sala estavam totalmente fechadas, se a luz do sol batesse no ângulo certo contra a janela, eu conseguia ver a silhueta escura dele passando pelas frestas. O contorno era inconfundível, o formato exato daquele bonequinho de chapéu pontudo caminhando lá fora.
Eu passava minutos parado observando cada movimento dele, tentando entender o que ele tava fazendo. Mas a criatura parecia viver em uma frequência própria, totalmente alheia a mim. Em nenhum momento ela olhou na direção do vidro ou esboçou qualquer reação que indicasse que sabia que estava sendo vigiada. Claro que quando eu tentei contar para os meus pais, a resposta foi o ceticismo de sempre. Minha mãe deu aquele sorriso condescendente que os adultos usam quando acham que a criança está inventando histórias.
O meu pai deu risada e me lembrou de um fato óbvio: nós sequer tínhamos um gnomo de jardim em casa, e que eu soubesse, nenhum vizinho a um raio de quilômetros tinha um enfeite daqueles. Eles riram e assumiram que era pura peça da minha imaginação. Eu morei naquela casa até os meus 19 anos, e o homenzinho continuou aparecendo durante todo o tempo. A última lembrança clara que eu tenho dele foi há cerca de 20 anos. Hoje, já adulto, raramente eu toco nesse assunto porque eu sei o quão inacreditável e ridículo isso soa.
Eu só comentei o caso com a minha mãe e minha irmã. Minha mãe ainda lembra perfeitamente de mim quando garoto insistindo que havia um duende no quintal. A maioria das pessoas vai ouvir e achar que é bobagem, Mas eu sei o que meus olhos viram. Às vezes eu me pego pensando: "Será que eu testemunhei uma fração de algo real que a maioria não consegue ver? Ou será que a minha mente adolescente criou uma memória falsa tão perfeita que me acompanha até hoje?" Eu honestamente não sei, mas a imagem daquele chapeuzinho vermelho se movendo entre as plantas nunca mais saiu da minha cabeça. E quem mandou essa história foi ninguém mais, ninguém menos do que a Xuxa.
A Xuxa, a Xuxa, realmente, que a Xuxa, Xuxa mandou esse. Mas, cara, é uma história que ela não é exatamente assustadora, ela é mais fascinante, porque ele tem certeza absoluta de que viu um gnomo, um gnomo de jardim de chapéu vermelho, que é bem caricato. E ele tá em Sydney.
Eu tenho algumas considerações sobre essa história. A primeira é que se meu filho chega para mim e fala: mãe, vi um gnomo no jardim, eu ia ficar bem preocupada. Ainda mais que era um adolescente.
Ok, ela tá em São Tomé.
Eu ia pensar: meu amor, foram em São Tomé, compraram um duende na garrafa, um garra-duende. Mas eu ia pensar: será que ele está usando drogas? Será que ele é um maconheirinho?
Sensaísta? Será que ele toma chá de cogumelos?
Será que ele toma chá de cogumelos com o gnomo? Nunca saberemos.
Fumando maconha? Será?
Será? Agora, outra consideração é que eu já ouvi uma vez, não lembro onde, de que quando a gente lembra de alguma coisa, a gente não lembra exatamente daquela coisa, e sim da última vez que a gente lembrou dela. Deu para entender?
Puts, deu! Você me quebrou!
Tipo, a gente nunca lembra do fato em si. Aconteceu o fato, amanhã você vai lembrar desse fato, você já tá, você tá lembrando diretamente dele, mas depois da manhã você tá lembrando de ontem.
É como se você ficasse se contando os fatos, o que aconteceu, diversas vezes. É, eu acho que eu peguei.
Eu já ouvi falar que a nossa mente meio que funciona assim, mas Mas assim, a fonte eu não sei te precisar. Um vídeo do TikTok. Eu não lembro onde que eu vi. Então não foi, foi antes do TikTok que eu ouvi isso. Sabe aquelas coisas que você ouve e te marca pra sempre?
Sei, sei, sei.
Tem muito tempo que eu ouvi isso.
Eu falei de ser do TikTok, mas foi pra tirar com a tua cara.
Não, então, mas é porque geralmente as coisas que eu trago aqui eu vejo no TikTok mesmo. Só que essa é uma coisa muito antiga que me marcou. Aquelas coisas loucas que ficam na nossa cabeça. E aí eu tenho uma história que eu lembro claramente de ter visto um vampiro quando eu era criança.
Justo.
Eu vi o vampiro, gente, provavelmente não, mas eu tenho essa lembrança clara de que eu vi um vampiro e eu lembro como ele apareceu.
Você consegue descrever?
Ele usava capa, ele tinha um rosto mais alongado, muito branco, tem garras, né, de vampiro mesmo, mais saliente. Ele tinha boca suja sangue. E ele tava na minha— é porque para entrar na minha casa que eu morava na época, tinha que— você tinha que descer, era abaixo do nível da rua. E ele tava na parte de cima da escada, no nível da rua. Ele tinha que entrar um pouco na calçada, não era imediatamente na calçada, tinha que entrar no terreno.
Então assim, eu tenho essa lembrança claramente, só que gente Eu não sou louca, eu sei que provavelmente vampiros não existem, mas eu tenho isso. Isso aconteceu quando era criança, isso eu tenho na minha cabeça. Então você entende a comparação com a história?
Eu entendo, eu consegui pegar. É como se ele fizesse acreditar que realmente ele viu um duende, sendo que possivelmente ele não viu um duende. Eu acho que eu peguei esse ponto.
A gente não tá aqui pra duvidar de ninguém. E eu realmente, gente, eu quase todos os episódios eu gosto de avisar isso, tanto aqui quanto na Terra do Medo, de que eu gosto de contar as histórias acreditando na pessoa. Eu nunca vou chegar falando assim: "Ai, que mentira, tá inventando." Porque senão a gente pode partir do pressuposto que todo mundo que tá escrevendo pro Reddit tá mentindo.
Sim, senão a gente não teria um podcast. Eu tenho meu lado muito cético, mas eu leio pressupondo que a pessoa tá contando alguma coisa que realmente aconteceu. A não ser que a gente tenha, que a gente esteja lendo alguma coisa do No Sleep, que obviamente a pessoa está escrevendo como em forma de creepypasta. Mas aqui não é do No Sleep, então a gente pressupõe que sim, seja de fato algo que aconteceu. Pode ter sido um filhote de canguru também, com um chapéu vermelho.
Ele tava usando um chapéu? Ele tava usando um chapéu vermelho?
A mãe vestiu ele pra escolinha com um chapéu vermelho e ele quebrou a realidade.
Nossa, mas essa história é fofa agora. Agora eu quero que seja um cão guru na Austrália, né? Pode ser.
Entregando ticket, a moça do aeroporto.
Ai, gente, eu amo, eu amo, gente, eu amo!
Ele pode entregar o ticket, por que ele não pode vestir um chapeuzinho?
Poxa, é verdade, é verdade. Top Criações de A, que eu amo. Entregando ticket.
Vamos lá, vou ler. Eu vou ler mais uma para vocês, mas não vou ler a primeira para vocês.
É verdade.
Então esse é gnomo. Vamos falando aí qual que a gente acha que é o humanoide. Então esse obviamente é um gnomo porque ele fala o nome, mas tem uns que não falam o nome, mas foi interpretação dele. Foi, pode ter sido uma fada também. Eu acho que gnomo não seria oriundos da Austrália. Olha eu falando do mundo mágico onde eles deveriam nascer. Felipe sendo xenofóbico.
É verdade, às vezes, às vezes você fez uma viagem aí, sabe? Então vamos lá.
Um incidente aconteceu por volta das 8 da noite, bem no momento em que o sol tava se pondo. Eu tava no quintal atrás da nossa fazenda passando tempo com a minha família. A gente morava em uma região extremamente rural no noroeste do Missouri. O vizinho mais próximo ficava a quilômetros de distância. De repente, algo lá embaixo na linha do campo começou a chamar minha atenção. De início eu tentei ignorar e focar em outra coisa, só que a minha irmã notou o mesmo vulto.
Ela começou a ficar visivelmente desconfortável. Encarando fixamente as árvores na beirada da propriedade. Minha mãe, sem dimensão do perigo, sugeriu que fôssemos ver de perto o que era. Eu e a minha irmã começamos a caminhar pelo campo aberto em direção à linha das árvores, e no primeiro passo, uma sensação horrível de que a gente estava fazendo a pior escolha das nossas vidas tomou conta de mim. Quando alcançamos mais ou menos uns 100 metros de distância da mata, eu finalmente enxerguei a coisa.
Era um humanoide bizarramente alto, tinha facilmente entre 2 metros e 3 metros de altura. Era completamente pálido, de um branco doentio, com a cabeça esticada para cima e sem nenhum tipo de traço facial visível. Os braços eram longos demais e balançavam de um jeito totalmente antinatural. A criatura saiu de trás de um tronco, deu um passo à frente no descampado e começou a balançar de um lado para o outro de uma forma lenta e rítmica, exatamente como um ovo-a-deus faz antes de atacar.
O movimento parecia cirúrgico, inteligente, como se ela estivesse calculando a nossa distância. A gente travou, o cérebro simplesmente não conseguia processar o que os olhos estavam vendo. E então o pânico assumiu o controle. Eu e minha irmã corremos de volta para casa, berrando desesperadas. Minha mãe, que tinha ficado no quintal, viu a criatura dali e entrou em choque. A gente pegou um binóculo e passamos a observar as árvores.
O monstro continuava lá, inclinando o corpo para dentro e para fora da mata, nos assistindo de volta. A minha avó tentou acalmar os ânimos dizendo que era só nossa imaginação, Só que conforme a escuridão caía, a atividade daquela coisa só aumentava. Ela passava de um lado para o outro na beira da cerca, ficando cada vez mais ousada à medida que a luz sumia. Nós corremos para dentro, trancamos todas as portas, passamos as fechaduras e tentamos passar a noite.
Dormir foi impossível. Na calada da madrugada, eu comecei a ouvir barulhos de garras arranhando o telhado da casa. Seguidos por um estrondo violento vindo de dentro do celeiro. Eu fiquei apavorado pensando que os nossos animais estariam mortos ou mutilados pela manhã. No dia seguinte, a primeira coisa que minha avó perguntou foi se mais alguém tinha ouvido estrondos de madrugada. Depois, ela levou meu avô para a caminhada matinal, fingindo que nada tinha acontecido.
Até hoje eu não sei o que era aquela entidade. Essa experiência me assombra todas as noites. A presença daquela coisa parecia física e paranormal ao mesmo tempo, algo no limbo entre a carne e o espírito. Era difícil olhar diretamente para ela, o cérebro falhava ao tentar decifrar o formato do corpo. Eu tinha certeza absoluta de que ela queria nos pegar. Até hoje eu tenho pavor de olhar pela janela à noite e dar de cara com aquela feição lisa e branca, colada contra o vidro.
Mas o que mais marcou foi o silêncio. Normalmente, o som dos grilos e dos animais noturnos enchia o ar da fazenda. Durante o encontro, a natureza simplesmente morreu. Tudo ficou em um silêncio sepulcral, esmagador. Há um detalhe que eu evitei contar no início porque é quase inexplicável. A criatura parecia distorcer o ar ao redor dela, exatamente como o calor faz no asfalto em dias quentes. Ou perto de um motor fervendo. Parecia uma miragem, só que perfeitamente nítida e muito perto de nós.
As sombras ao redor dela parecia ganhar vida. As sombras ao redor dela parecia ganhar vida, se esticando na nossa direção. E não tava quente naquela noite. Eu sei que não foi uma alucinação porque todo mundo ali viu a mesma coisa. E o pior de tudo Eu tô me mudando de volta para aquela mesma fazenda em breve. Eu só rezo para nunca mais encontrar o que quer que viva naquela mata. Então, o que que você acha que pode ser? A princípio eu chutaria tipo um alienígena, mas também gosto de pensar que pode ser um rake, talvez.
Então é porque esse desenho que tá aqui a pessoa que fez para ilustrar?
Sim, sim.
Deixa eu baixar aqui que eu mando no chat, porque sem olhar essa imagem, muita coisa se assemelhou a um lobisomem em alguns momentos.
Sim, sim.
Mas não sei, Olhando a imagem, me remete a Slenderman. E a própria descrição também da coisa alta, esguia, de 2 metros de altura. Mas o desenho também me lembra o Rake. Só que o comportamento não me lembra o Rake.
É porque é diferente. O Rake atacaria muito rápido, né, e arranharia tudo. Parece, pelo de ficar indo para frente e para trás, eu sei que é, já é uma criação de um desenhista, de um, não sei se é cartunista, mas um rapaz que faz artes, mas é o Stickman, já ouviu falar? O Homem Palito, ele faz umas artes muito legais. Deixa eu mandar uma foto para você, deixa eu pegar aqui. Enquanto eu vou pegando, é como se fosse homens palitos e eles Vivem na Mata, só que é uma criação, já é comprovado, e o cara já pega os direitos autorais em cima dos Stickmans.
Mas aí eu já lembro daquela coisa com coisas criadas, tipo Slenderman. Aí eu já lembro daquela coisa que eu aprendi com você, que eu já esqueci o nome, mas quando a coisa sobrenatural acaba ganhando vida justamente por conta da crença Que tem em cima dela?
A tupa, uma tupa.
Tupa? Isso, tupa.
Então, olha, eu mandei foto aqui de alguns exemplos de Stickmans. Tem vários, aí foi ganhando muitas formas na internet.
Nossa, que medonho, mas que legal.
Então, com certeza você já viu passar na sua timeline de terror.
Já, já.
Aí os Stickmans seriam mais ou menos isso, sabe? Mandei vários, vai estar passando aqui para vocês.
O segundo eu já vi bastante.
Então, mas aí é porque justamente o rapaz que faz essas artes, ele já divulga que é dele, né? Porque são artes muito fodas. Essa aqui é a mais famosa, achei muito foda. Achei essa aqui, você vai falar: meu Deus, essa eu conheço! Se você não falar desse aqui, meu Deus, Essa eu conheço.
Meu Deus, essa eu não conheço.
Não conhece mesmo? Cara, essa é a minha segunda. Ah, então essa do escorregador com ele levantando a mão é tipo, roda muito no Reddit. Eu já vi bastante.
Não conhecia, mas é uma coisa bem medonha. Então, coisa bem medonha.
Eu chutaria que poderia ser algum tipo de stickman ao invés de ser Slenderman, porque falta o terno. Né, para ir vários tentáculos, que é algo mais—
Falta um esporte fino, não é mesmo? Falta uma elegância, sabe?
Um smoking. Ele não tava trajado, mas justamente por causa desse comportamento do vai e vem.
E peladão seria o Rake ou o Stickman, né, vendo.
E ele ser pálido, né, a palidez dele. Mas enfim.
Mas essa, essa já é uma história mais assustadora. Essa já é um pouco mais uma coisa de ser— é porque é foda também, né, gente? Aí a pessoa já tá com o cu na mão que vai voltar para essa roça aí. Mas é isso, se você vai morar em roça, é de esquimóquer para baixo, gente.
É de lobisomem para baixo. Ela: putz, eu tô voltando, eu vou fazer um desabafo aqui para vocês.
Mas aí não tem muito o que fazer, porque daí para pior.
Faz uma dedicação, às vezes é só uma baratinha que você tá aumentando o nível.
É só uma baratinha, com certeza, com certeza, mas é só uma baratinha, tá? Hoje nós moramos em Porto Alegre, mas lá em 1989 nossa vida era em Florianópolis. Vivíamos na Barra da Lagoa. Que na época era uma colônia de pescadores muito tradicional. Nós morávamos numa casa grande, nova e moderna, bem na beira do Canal da Barra, com direito a um trapiche próprio. Eu era completamente apaixonado pela nossa sala envidraçada que dava de frente pras águas do canal.
A ilha tava cheia de novidades naquele ano, construíram a terceira ponte, o novo shopping na beira-mar e a cidade inteira se preparava pro primeiro show do Roberto Carlos por lá. Era um ano de transição, meu pai tinha acabado de vender o seu barco de pesca e se preparava pra mudar com a família para o Rio Grande do Sul. Com ele viajando pra resolver os detalhes, eu, minha mãe e minhas duas irmãs Passávamos o dia revirando os armários da casa para empacotar a mudança.
Foi no meio daquelas tralhas antigas que eu encontrei duas fotos bizarras, daquelas que fazem o seu sangue congelar por um segundo. Minhas irmãs ficaram tão chocadas quanto eu e corremos para mostrar à minha mãe. Quando meu pai voltou de viagem, ele foi bombardeado por perguntas. Ele era um homem extremamente ponderado, calmo e controlado. Ele simplesmente sentou na sua poltrona, pediu um conhaque, acendeu um charuto e decidiu que era hora de nos contar a verdade.
Ai, só vou pausar para falar que clima gostoso já essa história, essa coisa da família curiosa com a história do pai, aí ele vai sentar e contar uma história, me passou uma coisa boa, gente, eu só queria pontuar isso. Ele explicou que anos antes, quando a nossa situação financeira ainda dependia exclusivamente do mar, Ele saía para pescar com meu tio, o Alfredo, e um pescador contratado chamado João. Eles estavam afundados em dívida.
O meu pai precisava pagar aquela casa e o barco, e os outros dois precisavam sustentar suas famílias. Uma noite, por volta das 23 horas da noite, eles partiram para o alto mar. O céu estava preto. Carregado, anunciando uma tempestade, mas eles precisavam arriscar. Pescar na escuridão era crucial porque a luz da lamparina a gás do barco atraía os cardumes de tainha. O trabalho foi duro. Até às 4 da manhã, eles já tinham recolhido 3 redes cheias de peixe, mas a tempestade desabou e eles decidiram retornar.
Foi no caminho de volta que meu tio Alfredo avistou alguma coisa flutuando na água, balançando de forma estranha. Parecia um corpo humano. Eles manobraram o barco, lançaram a rede de cerco e puxaram a figura para o convés. De início, acharam que era um náufrago ou um pescador afogado, mas quando a luz da lamparina iluminou o convés, eles perceberam que havia algo de terrivelmente errado. O corpo tava completamente envolvido por uma estrutura sinuosa que parecia pele ou corpo de um peixe gigante e misterioso.
Conforme eles foram desenrolando aquela criatura, o choque foi absoluto. Não era um peixe comum e não era de forma alguma um ser humano. O pânico se instalou no barco. O que fazer com aquilo? O meu pai, ainda atordoado, sugeriu levar a criatura para terra firme, pensando que mesmo morta, aquela anomalia biológica poderia valer muito dinheiro para os cientistas dos museus. Eles cobriram o corpo e navegaram de volta às pressas. Eles esconderam o corpo perto da casa e foram até a associação pesar as tainhas.
Quando retornaram, por volta de 6 da manhã, o céu continuava escuro por conta da tempestade. Diante daquela criatura estendida, o tempo tava correndo. Meu pai alertou que o corpo logo começaria a entrar em decomposição e o cheiro revelaria o segredo. Alfredo pensou em chamar a polícia, mas foi descartado. João argumentou que se chamasse a imprensa, o barco deles seria prendido para investigação forense. Eles virariam atração de circo e ficariam semanas sem poder trabalhar.
Eles poderiam ser tratados como heróis ou como loucos, mas as contas deles não iam poder esperar. Eles precisavam do mar limpo para pescar no dia seguinte. A decisão foi tomada friamente: eles devolveriam a criatura ao oceano. Enrolaram o corpo em um tapete velho, pegaram várias pedras pesadas do quintal e amarraram junto à carcaça para garantir que ela afundasse direto para o limbo e nunca mais flutuasse. Mas antes de fechar o tapete, meu pai pegou a sua máquina fotográfica e registrou duas fotos detalhadas daquela coisa.
Eles navegaram até o ponto exato do encontro e lançaram o fardo pesado nas profundezas. Depois daquela madrugada, os três homens selaram um pacto de silêncio e nunca mais tocaram no assunto. Em sinal de profundo respeito aos mistérios insondáveis do mar. Quantas fotos! Meu pai as revelou secretamente e guardou no fundo do baú, fingindo para curiosos que eram apenas registros de uma fantasia de carnaval muito bem feita. Meu pai terminou seu conhaque dizendo que o homem já tinha pisado na Lua e logo viajaria para outros planetas, mas Ainda era um completo ignorante sobre o que habita no fundo do seu próprio lar terrestre.
Nós achamos a história dele fascinante e decidimos manter segredo. Mas agora, em pleno século 21, com meu pai, meu tio e o João já falecidos, eu decidi que era hora de compartilhar isso com o mundo. O mar guarda segredos que a nossa ciência nem começou a arranhar. E cadê as fotos para gente ver?
Infelizmente não temos as fotos para gente ver. Don Corleone, ele não liberou para gente ver essas fotos. É a pessoa, manteve em segredo essas fotos e não postou na postagem que Cara, você tem uma foto, tá ali, posa para a gente ver. Para que fazer segredo de família nesse caso? Acho injustiça.
Você já contou a história, meu amor, você já contou a história, você já tá revirando no caixão.
Com seu uso eu consigo achar seu IP, eu consigo ir na tua casa e consigo roubar essas fotos.
Ainda faz chantagem, gente, sabe? Mas que assim sem as fotos é uma bela de uma história de pescador, né?
É fantástica, né? Fantástica, gostosa de escutar, sabe? Tá lá fazendo o seu corre e pensando no futuro. Até por isso que a gente descartou, porque, né? Porque sim.
Mas eu achei uma história muito gostosinha, muito bom imaginar um pai sentando assim com os filhos na frente e contando a história de quando ele achou uma sereia. Tá bonito, né?
Pegando o conhaque, o charuto, super uma boa memória. E uma boa memória com fotos que não existem.
Mas você acredita que possa existir? Agora falando sério assim, não necessariamente sereias como a gente conhece nas lendas, mas talvez um ser místico diferente do que a gente ver por aí, não necessariamente místico. Por que que eu falei místico? Um ser que mistura ali peixe e outra coisa, talvez humano, minimamente senciente, talvez isso, e que viva no mar.
Cara, eu não sei, eu penso muito sobre, porque a gente não conhece quase nada dos oceanos, mas eu penso qual que é a possibilidade de viver num lugar onde não tem luz, não tem tanta luz, sabe? Aí eu fico me questionando sobre isso. Então me passa uma sensação de não acredito tanto, mas o mar é tão grande, a gente não explorou ele, então quem sou eu para falar qualquer coisa?
É porque tem essa história de, ai, a gente não explorou o mar, coisa e tal. Mas assim, até uma certa profundidade já foi explorado. Então eu acho que criaturas que a gente não conhece criaturas que a gente não conhece, elas vivem muito numa profundidade em que não vai luz.
Não vai luz. Isso.
E a pressão é muito grande.
É absurda. Então, muito possivelmente o corpo dela é mole, não tem uma estrutura física, não seria viável fisicamente ter uma estrutura corporal mais humanoide. Então, eu acredito que ser senciente nessa profundidade não seria viável fisiologicamente pra algum ser.
Sim.
Então, Se fosse para existir algum tipo de ser mitológico, uma entidade que mora no mar, eu acredito que já teria descoberto.
É, mas eu acredito, por exemplo, que pode existir bichos enormes, muito grandes, em profundidades muito grandes que a gente não descobriu. Isso aí realmente eu acredito, sabe?
Mas vai saber, vai que um dia surge uma sereia morta aí numa praia. É verdade, a gente nunca vai saber. Não, a gente vai saber nesse caso, né?
Se divulgarem, a gente vai saber.
É, se a NASA não passar recolhendo e levar para Área 51. A Cifra falou que tem medo do fundo do oceano, muito medo mesmo. Sabe uma coisa que eu tenho medo? Que é um medo, aquele medo que eu não vou experienciar, mas é quando você mergulha a uma profundidade que você não consegue saber o que que é para cima, o que que é para baixo, e o que que é esquerda, o que que é direita, porque tudo tem a mesma tonalidade, cara.
Mas eu já tive essa sensação na praia, assim, de tomar um caixote, de tomar um caixote e não saber onde que é para cima e para baixo.
Eu já passei uns aperto bem, bem foda disso, mas dá para ter essa sensação com caixote, dá para ter essa sensação.
E aí o meu pai, uma vez eu lembro que ele me deu uma dica, que é tipo assim, Tipo assim, quando você tomar um cachote e você não saber onde que é fundo, onde que não é, solta o seu corpo. A direção que seu corpo ir é para onde você tem que nadar. Aí eu olho, faz sentido, que aí você meio que boia, né? Imagina, eu tenho muito pavor de estar no meio do oceano, tipo, não precisa nem tá mergulhando, mas eu estou no meio e só água. Só vejo água e nada mais.
Ah, eu não tenho problemas com isso, não tenho. Para mim é tranquilo, mas dá uma sensação de insegurança, amigo.
É tranquilo, mas imagina você sem barco, sem nada, naufragou. Você tava num barco, naufragou, você tá no meio do oceano, você, suas perninhas no fundo, embaixo d'água, e você não consegue enxergar nada.
Você conhecendo o Felipe do jeito que é, eu, cara, eu sou extremamente inimigo do sobrevivencialismo. Não sou sobrevivencialista, eu sei, eu me rendo. Apocalipse zumbi, então vou ver a Bife.
Então vou te falar que eu também, eu acho que eu me entrego. Me leva, Deus! Gente, levanta os bracinhos assim para ele me levar mais fácil. Me leva!
Inimigo do sobrevivencialismo, gente. Me coloca numa situação que eu tenho que sobreviver Não conte comigo, não conte.
Eu me sinto um pouco assim também. Eu acho que eu falaria me mate rápido e de forma indolor.
Então, cara, eu sou inimigo, não conte comigo. Se eu tô nessa situação, eu tô precário, minha vida depende muito da minha vontade de fazer alguma coisa para sobreviver.
Não só vontade, mas também de habilidades que a gente não foi ensinado.
Tem isso, eu não sei dar um nó direito, vou fazer o quê, gente? Eu não sei fazer uma arma direito. Então, sabe, o zumbi vai cair em cima de mim. Você acha que eu tenho capacidade de me defender de um zumbi? Eu não confio.
Ai, amigo, eu concordo com você. É meio triste falar isso, mas realmente, imagina, aí tem que aprender a lutar com zumbi, lutar com os outros. Gente, vocês já assistiram The Walking Dead até o final? Imagina, aparece um nigga na sua frente, entendeu? Uma pessoa que quer explorar, quer matar você, todos os seus aliados, com requintes de crueldade para fazer você trabalhar para eles, e ainda tem que fugir de zumbi que tá invadindo sua base.
Ah não, mas para mim já não é mais triste não, já sou conformado com isso, já assumi. Falo isso rindo, mas é sério, eu sou inimigo de sobrevivência. Caiu meteoro, chance de sobreviver de 0,1%. Tem chance de sobreviver? Tem, mas Eu tô nos outros 99%.
Não contem com Felipe para repovoar a Terra, gente.
Não contem, não contem. Vamos lá para mais uma historinha. Vamos lá, vamos lá. Eu tava voltando do trabalho e passava das 11 horas da noite. Meia-noite e a estrada estava completamente escura e eu era o único veículo rodando por ali. À minha direita havia apenas uma parede de floresta densa que subia em direção às montanhas, cortada de vez em quando por pequenos riachos que desciam a encosta. À minha esquerda, um rio acompanhava a rodovia por quase todo o trajeto.
De tempos em tempos surgia alguma clareira ou entrada de terra aberta por caçadores locais. A noite estava extremamente clara e a lua ajudava os meus faróis a iluminarem as margens da pista. Eu dirigia com as portas travadas e os vidros fechados, deixando apenas a janela do motorista com uma fresta mínima aberta. Esse detalhe acabou salvando a minha vida. Eu tinha acabado de cruzar uma ponte estreita sobre um desses pequenos riachos quando eu notei de relance uma silhueta escura projetada contra o vidro do passageiro.
Parecia uma névoa, uma fumaça preta densa flutuando do lado do carro. De repente, algo bateu com força na lataria e começou a esmurrar e puxar a maçaneta da porta. No mesmo instante, aquela fumaça se solidificou, ganhando a forma de uma criatura horrorosa que parecia um bode, correndo em duas pernas emparelhadas com o meu veículo. O monstro agarrava a maçaneta repetidamente, tentando abrir a porta a todo custo. Mantendo perfeitamente o mesmo ritmo de velocidade que eu enquanto eu pisava fundo no acelerador, desesperado para escapar.
Olhando de soslaio, sem desviar os olhos da pista, eu consegui notar que ele era esguio, magro, com pelos em um tom castanho escuro. O rosto não tinha aquele focinho alongado de um lobo ou de um cachorro, era uma feição formatada quase humana, ostentando dois chifres curtos projetados para frente, que também poderiam ser orelhas pontudas. O mais perturbador era que enquanto corria, ele parecia falhar na realidade. Ele piscava, sumia por um segundo, se reformava logo em frente, como se estivesse mudando de densidade.
A criatura não emitiu nenhum som enquanto tentava invadir o carro. O ataque durou exatamente o trajeto entre um riacho e outro. Assim que nos aproximamos da ponte próxima ao córrego, bem antes da entrada começar a subir a montanha, o monstro travou os pés e interrompeu a perseguição. Logo em seguida, pelo retrovisor, eu consegui ouvir um uivo monstruoso ecoando pela escuridão atrás de mim. Aquele monstro deixou marcas profundas e arranhões reais de garra na porta do meu passageiro.
Aquela região é um trecho da estrada terrivelmente solitário. Pra se dirigir à noite já foi palco de vários acidentes fatais inexplicáveis. Como é uma Floresta Nacional protegida, ninguém mora por ali. Já se passaram mais de 10 anos desde aquela madrugada. Eu nunca mais passei por aquela rodovia. Eu voltei a ouvir aqueles mesmos uivos de longe algumas poucas vezes nos anos seguintes. Mas nunca mais permiti que nada chegasse tão perto de mim.
E finalmente os refrescos, ou os skinwalkers, né?
Sim, pode ser muito um skinwalker de um bode, talvez.
Fala onde passa essa história, não?
Acho que não, não, né? Não, não, não, na Virgínia, uma floresta nacional na Virgínia, amigo. Não é perto do rancho Skinwalker, né? Skinwalker é mais lá no centro dos Estados Unidos.
Ah, mas não sei, eu achei, me lembrou inclusive muito uma história, me lembrou inclusive muito uma história que a gente já contou no, acho que foi no último episódio de Skinwalkers que a gente trouxe Acho que na Terra do Medo, até o vídeo que a gente fez sobre os skinwalkers na Terra do Medo, que era um justamente o skinwalker que corria na velocidade do carro. Sim, sim, durante um trecho grande e tal. Então assim, eu acho que muito possivelmente, sabe?
Se não for skinwalker, eu diria que é um Goatman, um homem-bode. E tem aquela famosa história barra creepypasta chama O Homem-Bode de Anansi. Já ouviu falar? Já leu?
Eu acho que eu nunca li.
Aproveitando o gancho, eu acho que você deveria— eu pedi do Dufê para você ler ela na Terra do Medo. Aliás, já vai.
Ai, gente, ó, Sibeli na Terra do Medo. Se você quer mais histórias, creepypastas e coisas muito loucas, histórias do Reddit, história dos inscritos, creepypastas, às vezes, de vez em nunca, caso real, os melhores da Terra do Medo.
Cara, olha, voto em peso que eu e a Jo, voto em peso para você ler O Homem-Bode de Anansi. Ela dá para você ler de primeira ou dividir em duas partes, ó, sensacional.
Manda link para tia, manda link para tia.
Mando, mando. Cara, ela é muito boa. É uma das minhas creepypastas favoritas.
Tá, vou trazer em homenagem a vocês.
Obrigado, obrigado. Mas sim, podemos bater o martelo que pode ser muito um skinwalker. Eu concordo com você, eu concordo.
Ai, foi a primeira coisa que eu pensei assim, e eu lembrei dessa história que a gente já leu no episódio de skinwalker, justamente porque essa história me traumatizou. Porque eu já falei aqui algumas vezes que eu não tenho carro, mas eu tenho uma moto. E eu fico pensando, esse povo conta a história de bicho, skinwalker, correndo do lado do carro. Imagine eu numa motinha sem proteção nenhuma, sem uma porta para me dividir. A porta sou eu, a carcaça ali sou eu.
Ia virar objeto de ritual de um skinwalker.
Ou ele ia pular na minha garupa e aí a gente ia passear. Pelos Estados Unidos inteiro.
E fazendo assim um road trip.
Era o outono de 1998 e minha vida tinha virado de cabeça para baixo muito rápido. Eu tinha acabado de me separar do meu marido e me vi sozinha em uma cidadezinha pacata no Kansas, com 2 filhos pré-adolescentes para sustentar. Naquela região, as oportunidades de emprego eram raras. Eu precisava de algo perto de casa onde pudesse ficar de olho nos meus filhos e garantir que teríamos um teto sobre as nossas cabeças. Foi aí que eu vi um anúncio de vaga para a unidade local do Walmart.
A loja tava passando por uma expansão gigante para virar um supercenter e precisava de funcionários para trabalhar 24 horas por dia. Acabei sendo contratada como gerente de departamento. Eu me afundei naquele trabalho. Eu montei o setor do absoluto zero. No dia da inauguração, cada prateleira, cada layout de produto e cada mercadoria tinham passado diretamente pelas minhas mãos. Quando as aulas começaram, eu tentei ajustar os meus horários para os meus filhos, mas os turnos de final de semana eram obrigatórios.
Eu costumava entrar muito cedo, de madrugada. Naquelas horas, o pessoal da reposição já tava indo embora e a loja ficava um deserto completo. Havia apenas alguns operadores de caixa nos caixas da frente e eu geralmente era a primeira gerente a pisar no chão da fábrica. Era uma manhã específica. Cheguei ainda mais cedo do que o normal, bati o meu ponto e tava prestes a sair da sala de triagem de cargas quando um garoto, que parecia ter a mesma idade dos meus filhos, passou correndo por mim.
Ele tava tão rápido que quase me atropelou. O menino parecia extremamente agitado, nervoso, falando sem parar. Ele repetia que tinha perdido a sua identity dentro da loja e que precisava ver as fitas do circuito interno de TV imediatamente para descobrir quem tinha pegado o documento dele. Aquele me acendeu um sinal de alerta na hora. Primeiro porque a cidade era minúscula, eu conhecia ou pelo menos sabia da existência de praticamente todas as crianças da idade dos meus filhos ali, mas eu nunca tinha visto aquele menino na vida.
Segundo que em 1998 era bizarro demais um garoto daquela idade andar por aí carregando uma carteira de identidade. Eu disse que não sabia de documento nenhum, mas que ele podia me acompanhar até a sala da administração para pedir ajuda. Havia apenas uma mulher no escritório naquela hora, uma funcionária da equipe de transição que inclusive tinha me contratado. Eu expliquei a situação rapidamente, deixei o garoto com ela e saí para começar minhas tarefas.
Só que no meio do corredor Eu percebi que eu tinha esquecido o meu coletor de dados. Dei meia volta e caminhei em direção aos escritórios para pegar o aparelho. Conforme eu fui me aproximando da porta aberta, eu comecei a ouvir a voz do garoto. O tom dele tinha mudado completamente. Ele estava agressivo, hostil, exigindo aos gritos ter acesso imediato às fitas de segurança. A mulher do RH tentava manter a voz mansa, explicando calmamente que apenas os chefes de segurança ou gerente geral da loja tinha autorização para mexer no sistema de câmeras, mas que ela notaria o caso.
O tom de voz daquele menino me causou um arrepio tão ruim na espinha que eu me aproximei devagar da porta para ver o que tava acontecendo. O garoto tava de costas para mim, mas eu consegui ver o rosto da funcionária do RH perfeitamente além do ombro dele. Ela tava branca. Completamente pálida, sem uma gota de sangue no rosto, com a expressão de puro terror, drenada. Foi aí que o menino sentiu a minha presença. Ele girou o corpo num reflexo bizarro e marchou direto na minha direção, passando por mim como um furacão, saindo do escritório e sumindo pelos corredores em direção à saída da loja.
A mulher do RH continua estática, Ela olhou para mim com os olhos arregalados e simplesmente soltou: "Você viu os olhos dele?" A verdade é que eu tinha visto, mas eu não consegui responder nada. Eu fiquei paralisada, em completo estado de choque, tentando processar o impossível. E o que aconteceu depois tornou tudo ainda mais sinistro. Eu nunca mais vi aquela mulher na empresa. Quando eu perguntei por ela nos dias seguintes, a gerência me disse que ela tinha sido transferida às pressas.
Outros funcionários comentavam à boca pequena— adoro essa expressão, meu Deus— outros funcionários comentavam à boca pequena que ela tinha sido demitida direto pela matriz, sem explicações.. E esse foi o terceiro mistério daquela madrugada. Porque quando aquele garoto girou o corpo e passou colado a mim na porta do escritório, eu olhei fixamente pro rosto dele. Se você já teve o azar de olhar bem perto, no fundo dos olhos de uma cobra cascavel, então você sabe exatamente o que eu vi na feição daquele menino.
Pesadíssima, né? Pesa.
Arrepiei toda.
A mulher foi demitida por causa da Georgina Kalahara, da cidade pequena dos Estados Unidos.
Não vai tomar no cu! Eu tava romper no clima da história. Desculpa. Ah não, que ódio! Acabou com a minha imersão, filho da puta.
Eu não sirvo para ter um podcast de história de terror. Eu vou começar a fazer react aqui porque—
mas nem eu, mas nem eu. A gente tem que cancelar, cancela o terror.
Pessoal, vou comentar aqui. Nossa, eles não levam a história a sério, fica Rindo depois da história. Ah, eu não posso fazer nada.
Ah, não posso fazer nada. É o nosso jeitinho.
É o nosso jeitinho. Mas, cara, olha, a moça foi demitida, sumiram com a moça, sumiram com a moça, né?
Daí, porque assim, falar que foi demitida é muito esquisito. Ela, ela sumiu sem explicações, sem nada. E aí a gente sabe que tinha um circuito interno de câmeras de segurança que nem todo mundo tinha acesso. Não sei, não sei.
O que me faz pensar é uma coisa de outro mundo que tava disfarçado com corpos de crianças, talvez reptilianos, por causa dos olhos de cobra, mas Voltado para réptil e sem querer quebrou o disfarce ali, precisava eliminar, fez o confronto direto com a moça e teve que chamar o resgate.
Porque a OP também viu os olhos, né?
Puts, agora tu me pegou. Por que que não eliminou a OP? Às vezes ela não sabia que a OP também viu.
Amigo, eu acho que vai mais para o campo da vingança. Eu acho que ele ficou com raiva da gerente.
Da gerente, você acha que não foi queima de arquivo do Exército Americano?
Acho que não. Eu acho que foi ranço, acho que foi ranço.
Foi mais pessoal mesmo, foi mais pessoal.
Porque assim, achei esquisito que ele queria procurar identidade, mas não queria, queria ver alguma coisa no sistema de segurança. Às vezes alguma coisa foi pega durante a madrugada, porque ela chegava bem cedo, né? Alguma coisa aconteceu na madrugada que essa criatura queria queimar, né? Queria. Mas a Jo falou: eu fui pego roubando tortuguita no Walmart.
Às vezes foi isso, às vezes foi.
Aí não queria, né?
Quebrou o disfarce ainda e teve que eliminar com a moça.
É, eu achei essa história muito boa, misteriosa mesmo. É muito boa, é muito boa. Me deu uma— não, e a pessoa também, ela sabe escrever, tá? Porque esse final, a forma que foi escrito, porque ela poderia só falar assim: ai, tinha olho de cobra. E aí ia ser super anticlimático. Mas se você já teve o azar de olhar de perto no fundo dos olhos de uma cobra cascavel, então você sabe exatamente o que eu vi na feição daquele menino. A pessoa também, ó, a arte Elevou o clima lá, porque ela não entregou mais cedo.
Ela citou ali que, ai, você viu os olhos daquele menino? Eu vi, mas aí não citou para gente.
Eu achei cinema. Você é uma criança dos olhos negros, vai saber.
É, vai saber.
Temos aí reptilianos, crianças cobras, sei lá, crianças répteis. Use a criatividade.
Eu gostei bastante dessa história, tá?
História de disfarce, pessoas que se disfarçam me pega muito. Mas Uma Noite Sem Cientes também são histórias que eu gosto bastante, principalmente quando vai para skinwalker e lobisomens, as sereias até. Nossa, essa história da sereia foi muito boa.
Ai, a história da sereia foi tudo, gente, foi uma sensação muito gostosinha. Ah, desculpa, as minhas histórias favoritas foram as que eu li. Ai, eu arrasei na escolha de todas, eu fui certeira.
Foi mesmo, muito boas, muito boas.
Eu peguei as melhores do episódio, que todas foi você que escolheu. Eu tô tomando as honras como se fosse tudo escolha minha.
Mas vamos lá, qual que vai ser a frase desse episódio? Nossa, difícil, né? Difícil. Canguru de Chapéu Pontudo. Cara, então é isso. Se você quer mais histórias assustadoras, acesse Sibéria na Terra do Medo. E se você quiser ainda mais histórias assustadoras, escute de novo Terror na Esquina, mais uma vez pelo YouTube. Acessa no YouTube, se inscreva no canal, curta, compartilha, manda para os seus inimigos, para sua tia favorita, para o seu sobrinho maior de idade. Não mande para pessoas menores de idade.
Vou mandar a real aqui para vocês, tá ouvindo pelo Spotify? Eu sei que é cômodo, é maravilhoso, mas vai no YouTube do Terror, dá força, porque o YouTube paga. Bom, fechou.
Estamos aqui há quase 5 anos, em outubro estaremos completando 5 anos, e ajuda o podcast para caramba. E além disso é motivação, né? Motivação.
Gente, porque assim, tal qual a desova da sereia, a gente precisa trabalhar. Eles desovaram a sereia por causa do capitalismo, porque eles iam— o capitalismo falhou, falha e falhará em todas as sociedades nas quais ele colocar os seus tentáculos, a fim de— visando a expropriação do homem pelo homem. Então a gente precisa ganhar dinheiro. Então vai pro YouTube.
Justamente, precisamos pagar a internet pra estar aqui gravando pra vocês e subir os vídeos na internet. Então vai pro YouTube, se inscreva e reproduza lá o vídeo porque ajuda a gente pra caramba.
É isso. Engaja, comenta, a gente adora.
Meu muito obrigado você que escutou a gente até aqui, meu muito obrigado Cecil, C, Joana, e tinha mais alguém aqui no chat que eu não lembro quem era. Meu muito obrigado a vocês que compartilharam essa, que compartilharam essas histórias com a gente. E se você quer estar aqui no chat com a gente, apoia.se/terroinaesquina, que com R$5 você já tá aqui com a gente. Episódios extras, cara, R$5, tudo de bom, acabou merchan. Acabou o episódio.
Gravação toda semana, duas vezes agora, né? Porque agora tem dois episódios para vocês.
É isso, ou seja, conteúdo demais. Cuidado com o menino com os olhos de cobra, com a Georgina Calahara, a Cascavel do Pirauí. Tchau, tchau!
Cibele na Terra do Medo
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