Episódios de Terror na Esquina

Coveiro revela o maior pesadelo de abrir um TÚMULO de 60 anos e outros relatos de CEMITÉRIO

17 de agosto de 202623min
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Você já sentiu a paz absoluta que um cemitério transmite? Cuidado... Essa paz geralmente é uma mentira.

No episódio de hoje do Terror na Esquina, nós vamos cruzar os portões do campo santo para desenterrar os relatos mais perturbadores, nojentos e aterrorizantes que já aconteceram em cemitérios. Descubra o verdadeiro pesadelo de um coveiro na Noruega ao abrir um túmulo selado há 60 anos, o desespero de pais que passaram a receber cartas sádicas na lápide da própria filha e o motivo pelo qual você NUNCA deve tentar resgatar um gato miando no meio das lápides às 3 da madrugada.

00:00 Relato 01

03:46 Relato 02

13:31 Relato 03

18:11 Relato 04

Qual a sua história?

⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠MANDE PARA A GENTE⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

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Email: terrornaesquina@gmail.com

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Agradecimentos:

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Vinheta:⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Marcos Paulo Gomes de Souza⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

Vitrine:

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Participantes neste episódio1
F

Host
Assuntos4
  • Cartas Sádicas em Túmulo Infantil· SociedadePerda de filha para o câncer·Vandalismo e ameaças na lápide·Suspeita sobre ex-vizinha com cachorro doente·Cartas com desejos de morte para o novo bebê
  • Pesadelo de Coveiro com Túmulos Plásticos· SociedadePrática de embalar corpos em plástico na Noruega·Decomposição impedida pelo plástico·Relato de abertura de túmulo de 60 anos
  • Homem imitando gato em cemitério· SociedadeCaminhada noturna por cemitério·Miados de gato vindos do cemitério·Encontro com homem encapuzado·Perseguição simulada com miados
  • Exumacao Bizarra de Corpos Familiares· SociedadeCemitério particular em propriedade isolada·Exumação de 4 caixões por parente·Fundo de caixão cedendo e corpo caindo·Corpo ressecado recolhido de forma precária
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
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Eu trabalho em um cemitério e eu só preciso dizer uma palavra para definir o meu pior pesadelo profissional: é plástico. Aqui na Noruega, a lei protege as sepulturas por 20 anos. Depois desse prazo, o lote pode ser reaberto e reutilizado para um novo sepultamento. Em condições normais, duas décadas são mais que o suficiente para que a terra faça o seu trabalho, e decompõe o corpo e não sobra praticamente nada. O problema é o que fizeram no passado.

Entre os anos de 1950 e 1980, virou uma prática comum por aqui embalar os mortos em plásticos reforçados antes de fechar o caixão, com a ideia de conter o odor e evitar que os fluidos vazassem. Na época, os burocratas acharam que seria uma solução higiênica e brilhante. Na prática, quando começamos a reabrir essas sepulturas décadas depois para reutilizar os lotes, a gente percebeu que a gente criou uma verdadeira maldição. Eu fiz a parte da equipe que precisou reabrir um desses túmulos históricos.

A pessoa ali enterrada tinha sido morta há quase 60 anos. Pela regra, a gente deveria encontrar apenas terra seca e no máximo alguns vestígios ósseos. Mas não foi o que aconteceu. O plástico esticado ao redor do corpo impediu a entrada de ar e a ação da terra. O processo de decomposição natural simplesmente não aconteceu. O cadáver ficou ali, selado dentro, por 6 décadas, basicamente marinando nos próprios fluidos biológicos liquefeitos.

Quando a nossa pá atingiu o caixão, e o plástico estourou. O cheiro que subiu dali do buraco foi a coisa mais insuportável e podre que eu já senti na vida. O visual era ainda pior. Não era só aquele esqueleto, tinha lá uma massa amolecida e decomposta pela metade que a terra não tava conseguindo decompor e nem absorver. Essa pode não ter sido uma história típica de fantasmas que as pessoas esperam ouvir sobre cemitérios, mas Eu posso garantir que foi a coisa mais bizarra e terrível que já aconteceu na minha vida.

Olá, ouvinte! Tá começando mais um episódio do terror. Eu sou o Fê e tá aí um episódio de cemitérios pra vocês, toca lá, Vendertal. Não, não pode porque tem direitos autorais. Então, bom, é isso. Vou ficar triste, mas não esqueça Mesmo sem ela vender tal, você pode hypar esse episódio, você pode curtir esse episódio, você pode comentar. E se você estiver escutando no Spotify, vai pro YouTube, vai pro YouTube, você vai me fazer feliz.

Alerta gatilho: a próxima história envolve emocional de pais e mães E é mais emocional, porque a gente vai falar sobre uma criança que foi, que está morta, e estamos aqui passando pelo túmulo da criança morta. Se você tem algum gatilho que possa despertar com esse tipo de conteúdo, tá aqui, tá alertado. Então é, aqui vai ficar pesadinho, vai ficar pesadinho. Então bora lá, começa mais ou menos assim: perder a nossa filha para o câncer quando ela tinha apenas 1 ano e meio de vida destruiu o meu mundo e o da minha esposa.

Voltar daquela escuridão não foi fácil, mas nós montamos uma sepultura linda para ela. Ir até lá diariamente era a coisa que mais ajudava a atravessar esse luto. Até que os bilhetes começaram a aparecer. Não eram escritos à mão, mas eles eram digitados e impressos por um computador. Mensagens nojentas sobre nós, Ameaças veladas e textos expressando desejo explícito de que o bebê, que ainda estava na barriga da minha esposa e ela estava gerando ele ainda, também morresse.

E não parou por aí. Destruíram as flores, quebraram as asas do anjo de pedra que colocamos sobre a lápide e vandalizaram o local. Na Escandinávia, as leis sobre câmeras de vigilância em locais públicos são extremamente rígidas. Se não fosse por isso, eu teria instalado uma câmera escondida há muito tempo. Eu não tinha ideia de quem poderia estar fazendo aquilo. Nem eu e nem a minha esposa temos inimigos declarados, mas eu comecei a notar um padrão perturbador.

No início, as cartas sempre apareciam logo depois que a gente mencionava na internet quem já tinha ido ao cemitério. Se eu postava no Facebook na segunda-feira que tinha plantado flores novas lá, na terça o bilhete aparecia. Minha esposa, grávida e sensível, já não conseguia mais visitar o descanso da nossa primeira filha sem sentir um pingo de medo ou pânico. Tentando descobrir quem tava por trás disso, a gente fez uma lista de qualquer pessoa que pudesse ter algum ressentimento contra a gente.

A primeira pessoa é a Eri, A) Uma ex-colega do meu antigo trabalho que ficou revoltada quando eu fui promovido, alegando que eu recebi o cargo por apenas ser um filho a caminho. B) Uma ex-namorada minha antes de eu conhecer a minha esposa. O término foi amigável porque ela não queria filhos e eu sim, mas ela se mudou de cidade. Tem E também, que é o ex-namorado da minha esposa, que foi trocado por mim. Mas ele já tá casado há anos.

Tem V, que foi um pedreiro polonês que eu demiti da reforma da nossa cozinha por uma incompetência e problemas de comunicação. Ele ficou com raiva na época. Tem a enfermeira, que eu vou chamar de A. Ela trabalhava no hospital onde nossa filha foi tratada. A gente fez uma reclamação formal contra ela porque ela atrasava as doses de morfina da garota. E tem C, uma antiga vizinha do nosso prédio. Ela tinha um cachorro extremamente doente, em pele e osso, que chorava de dor ao tentar andar.

Minha esposa fez uma denúncia anônima de maus-tratos. O animal foi recolhido e nunca mais a vimos. Ela era uma pessoa estranha e isolada. O ápice do pesadelo veio quando eu traduzi na íntegra as cartas deixadas sobre o túmulo da minha filha. A linguagem era truncada, cheia de erros de gramática, mas de um sadismo que me faz congelar na cadeira. A carta do dia 12 de julho dizia exatamente o seguinte: vocês deveriam estar felizes que o nome da minha filha morreu.

Assim ela não cresce com vocês dois. É melhor assim. E eu desejo que o novo bebê não viva também. Eu espero que a sua esposa caia da escada e o bebê feio morra e seja melhor companhia para menininha. Talvez ela coma algo com lâmina de barbear e corte a barriga toda por dentro. Eu não acho que a criança debaixo da terra aqui era uma boa pessoa. Acho que ela era má e morreu porque foi bom ela ter morrido. Eu aplaudo quando pessoas más morrem.

Eu tenho um conselho: uma 9mm e sua dor para. Fácil, fácil. Eu não sou mau, eu sou, eu sou normal e faço isso porque eu gosto. Eu não gosto de vocês e eu sorrio quando penso que vocês estão odiando isso. Vocês gostaram do que eu fiz no túmulo? Eu gosto muito mais assim. Vai, não sejam tão negativos. Meses antes, em maio, a gente tinha encontrado outra carta ainda pior. Deixada diretamente sobre as flores. Você acha que a sua pequena filha tá podre agora?

Os ossos nos brilham pálidos no escuro. Eu penso sobre isso às vezes. Eu espero que você pense sobre isso também. Pelo menos ela não vai crescer e ser como vocês no futuro. Não existe futuro, só o fim. E isso é melhor. O novo bebê também vai ficar doente, morrer e apodrecer ali ao lado da irmã, e eles vão estar mortos juntos, e eu vou esperar por isso. Canta dentro da minha alma quando os maus estão sofrendo. Eu sinto triunfo e felicidade quando acontece, e é a melhor coisa do mundo.

Desejando o pior para vocês dois. Em breve tá chegando. Nós paramos de postar qualquer coisa nas redes sociais. O medo de que a chegada do novo bebê desengateasse uma tragédia maior passou a dominar cada segundo dos nossos dias. Em 27 de agosto, a gente decidiu ir junto ao cemitério. Minha esposa quase nunca mais ia por pavor do que poderia encontrar escrito sobre a lápide. Enquanto a gente tava a caminho pra pegar vasos novos pra colocar flores, eu vi um rosto conhecido entre as sepulturas.

Era Cê, a nossa ex-vizinha do cachorro doente. Ela parecia muito bronzeada, como se tivesse acabado de voltar de uma viagem. Ela devia ter chegado logo depois de nós e vinha caminhando na nossa direção, um pouco de lado. No exato segundo em que ela percebeu que a gente tava olhando diretamente pra ela, ela deu meia-volta abrupta e acelerou o passo em direção à saída. Eu fui atrás dela na hora, disposto a confrontá-la e ver como ela ia reagir.

Mas quando alcancei o estacionamento, ela já tinha entrado no carro e sumido. Eu sabia que aquilo ainda não era uma prova definitiva. Eu passei horas escaneando cada lápide daquele cemitério enorme, procurando o sobrenome da família dela. Não tinha nenhum túmulo de parentes dela ali. E naquele dia, a sepultura da minha filha não tinha sido tocada. Naquela mesma semana, eu entrei em contato com o órgão público responsável por casos de crueldade contra animais.

Descobri que havia uma ordem judicial emitida contra ela, datada de um pouco tempo depois da denúncia anônima que minha esposa fez sobre o estado deplorável do cão dela, que resultou uma eutanásia do animal. Ela tinha sido proibida permanentemente de manter qualquer animal de estimação. O motivo doentio estava escancarado na minha mente: o ressentimento por ter perdido o cachorro disposto à maltratante virou uma obsessão canalizada contra o descanso da nossa filha.

Depois que eu flagrei ela no cemitério, ela percebeu que a gente tinha identificado ela. Os bilhetes e as profanações finalmente pararam, mas a sensação de paz nunca mais voltou. Minha esposa se recusa categoricamente a pisar naquele cemitério sozinha. Quando o nosso novo bebê nasceu, a gente nos proibiu de postar qualquer foto, nome ou informação em redes sociais. Passamos a desconfiar de cada pessoa que nos cerca e a medir cada palavra antes de falar.

O vandalismo na pedra acabou, mas a certeza que existe alguém capaz de tanta crueldade destruiu a nossa tranquilidade para sempre. Como dito no chat diversas vezes enquanto eu estava lendo este relato, que horror! Meu Deus, que coisa horrível! Eu não tenho o que falar. É horroroso pensar que existe ou que existiu uma pessoa com tamanha crueldade, tamanha frieza pra torturar os pais de uma criança que— bom, que comentário mais tolo.

Existem pessoas que matam os próprios filhos, existem pessoas que matam os filhos dos outros. A crueldade tá aí, escancarada no mundo. E essa tortura que essa pessoa tava fazendo com os pais Ela extrapola vários níveis de, sabe, ela causa uma sensação tão amarga dentro da gente que dá pena de uma pessoa desse jeito. Dá pena, dá pena. Porque se eu fosse esse pai, eu teria ido contra qualquer tipo de lei que proibisse colocar câmera escondida.

Eu teria colocado não uma, não duas, eu teria colocado 3, 4, 4 câmeras escondidas para poder pegar esse filho da puta, essa filha da puta, qualquer pessoa que tivesse fazendo isso comigo. Não teria lei que me impediu caçar essa pessoa até o inferno. Não, não teria, não teria lei. Eu sinto muito se essa história te afetou, ela é de fato muito pesada, muito pesada. Bom, Não deixando de ser pesado, mas ainda bizarro, temos a próxima história.

Isso aconteceu há cerca de 2 anos. Eu morava apenas 3 quarteirões de distância de um cemitério colossal de mais de 1 milhão de metros quadrados. O meu bairro era cortado ao meio por esse camposanto. De um lado, as ruas eram organizadas em quadras retas, e do outro, um labirinto de velas escuras e arborizadas. Eu tinha um grande amigo que morava do outro lado do cemitério. A gente costumava passar o sábado juntos, quase sempre pousando um na casa do outro.

Naquela noite, por volta das 3 horas da madrugada, a mãe dele acabou pegando a gente rindo muito, muito, muito alto e fazendo muita bagunça bem de madrugada. Então ela acabou me expulsando de casa. Como já era de madrugada, o caminho mais rápido para voltar para minha casa era seguir por uma rua reta que margeava toda a extensão do cemitério. As suas estavam completamente mortas. Eu caminhava em silêncio quando, de repente, eu ouvi um som de dentro do cemitério.

Era um miado. Era um miado agudo, um ganido desesperado que parecia o de um gato sendo massacrado ou preso por uma armadilha. Eu senti um aperto no peito. Pensei em ignorar e seguir andando, mas o som de dor não parava. Eu decidi pular a grade de ferro do cemitério para tentar achar o bicho e tirar ele dali. Foi, fui me embrenhando na escuridão, pisando devagar entre os túmulos e as lápides antigas. O som vinha do centro do cemitério.

Conforme eu fui me aproximando, a cerca de 30 metros de onde o barulho saía, eu percebi que o miado continuava alto e contínuo. Exatamente no mesmo lugar, sem se mover um centímetro. Dei mais uns passos na direção do som e, num estalo, o choro do gato parou. Um silêncio absoluto e pesado tomou conta do ar. Eu parei no meio do caminho. Naquele segundo, um calafrio horrível subiu pela minha espinha e todos os meus instintos me mandaram dar meia-volta.

Foi quando um homem usando um casaco de capuz escuro saiu de trás do jazil de pedra, a cerca de 15 metros à minha frente. Ficamos nos encarando em silêncio por alguns segundos intermináveis na escuridão. Eu não conseguia ver o rosto dele sob o capuz, ainda olhando fixamente para mim. O homem abriu a boca e imitou o miado de gato mais e fino que eu já ouvi. Eu dei um estrondo de susto e no segundo em que eu soltei o ar, ele disparou na minha direção correndo feito um louco.

Eu virei as costas e saí em um tiro desembalado, saltando as sepulturas e correndo pela minha vida naquela escuridão. Eu corri por cerca de 30 segundos sem olhar para trás, e quando eu criei coragem e olhei por cima do ombro, eu vi que ele tinha parado de me perseguir e tava caminhando calmamente de volta para trás mesmo jazigo. Eu alcancei a grade, pulei para fora do cemitério e continuei trotando em pânico na direção da minha casa.

Cerca de 1 minuto depois, já a um quarteirão de distância, eu ouvi o som do miado recomeçar ao longe, no escuro. Os mesmos miados de dor ecoando pela madrugada. Ele tava só esperando a vítima para dar o surto em cima dela. E cara, que bizarro! Já não basta estar no cemitério de madrugada, encontrar uma pessoa miando para atrair pessoas é muito assustador. Eu faria um cocôzinho na roupa sem dúvida alguma, porque eu tenho, e quem tem, tem medo, e eu tenho muito medo dessas coisas, principalmente humanos agindo de forma completamente bizarras.

Isso me assusta para um caralho. E Se eu encontrar uma pessoa de madrugada imitando gato, eu vou sim fazer um cocô. Bom, eu acho que o Davi comentou aqui que é muita burrice, né, entrar no seminário. Acho que mais burrice ainda é— na verdade não é burrice, né, é imprudência— a mãe do amigo mandar ele embora de madrugada para casa sabendo que pode ser que aconteça alguma coisa neste caminho. E se acontecesse qualquer coisa ela sim seria culpada.

Porque vamos para a última história. Os meus avós moravam no lugar completamente isolado, no meio do nada, cercado por florestas densas. Na propriedade deles existia um pequeno cemitério particular onde tava enterrada toda a família que viveu ali no passado. Pelo que me contaram, todos eles foram mortos em uma tragédia antiga. Anos atrás, quando eu ainda morava com os meus avós, um parente distante dessa família falecida apareceu na propriedade querendo remover os corpos dali para reenterrá-los na cidade que eles moravam agora.

Meu avô ficou extremamente feliz com a ideia porque há tempos ele queria reformar e ampliar a casa, mas não fazia isso por receio de mexer nas áreas das sepulturas. Eles se juntaram para fazer a exumação por conta própria e eu fiquei ali perto assistindo tudo. Eles desenterraram 4 caixões, 3 do tamanho adulto e um pequenininho de uma criança. Todos pareciam absurdamente velhos e desgastados pela umidade da terra. Um dos caixões maiores estava em um estado deplorável, cheio de buracos e rachaduras na madeira podre.

Foi exatamente esse o caixão que o meu avô e o parente foram carregar. Enquanto eles suspendiam a estrutura, o fundo do caixão simplesmente cedeu e se desfez em pedaços. O corpo lá dentro despencou direto no chão. O cadáver era basicamente uma estrutura de ossos, mas ainda coberto por um resto de músculos ressecados e tecidos escuros e empedrados. Eu senti o meu estômago embrulhar e assisti aqueles dois homens visivelmente enojados e desconfortáveis pegando aquele corpo podre do chão e empurrando de volta para dentro do que sobrou do caixão, de cabeça para baixo, de qualquer jeito, só para não ter que tocar mais naquilo.

Em seguida, eles carregaram os quatro caixões para caçamba da picape do sujeito e ele dirigiu até o estado do Kansas, onde o resto da família tava enterrado. A gente achou a cena inteira uma loucura surreal e bizarra, mas ninguém ali teve coragem de questionar isso. Essa história, ela é tragicômica porque, né, eu acho que eu não preciso dizer muito sobre isso. O simples fato de você estar carregando um caixão já é algo que É uma situação muito agradável.

E você está carregando um caixão podre e ele abrir, você tem que recolher um corpo ressecado no chão, deve ser mais desagradável ainda. Então é isso, não exumem corpos porque é crime exumar corpos sem um aviso legal, um alvará que te permita fazer exumação. Talvez o que eles estivessem fazendo fosse algo ilegal. Mas se ele tinha o aval para enterrar em outro lugar, então talvez ele tinha aí uma permissão para fazer uma exumação.

Mas exumações são ilegais. Se você tem algum tipo de história sobre cemitério, conta aí para gente. Eu estudava numa escola que era relativamente perto da minha casa E para ir para essa escola, na maioria das vezes, voltar dessa escola eu passava do lado de fora de um cemitério. E quando eu descobri que passar por dentro cortava um caminho maneiro e dava uma sensação bem tranquila, porque, cara, é mágica. Parece quando você entra num mistério.

Parece quando você vai para esse tipo, ah, eu acho que até acontece com praças e campos dentro de cidades, as árvores elas abafam o som dos carros e da movimentação nas ruas. Isso causa uma sensação muito gostosinha, é uma sensação de paz, porque você tá com barulheira de carro E de repente tu fica mais tranquilo, o carro fica só no fundinho e dá uma sensação de uma paz, mesmo que seja uma paz estranha, mas ela dá uma sensação de paz.

Aí eu passei a cortar caminho pelo cemitério, era um momento que eu fazia introspecções, pensava na minha vidinha de ensino médio, E eu acabei gostando de passar por lá. O Davi falou que tem uma história assustadora de cemitério, depois conta aí pra gente. E se você gostou desse episódio, comenta bastante. Quem sabe aí não rola uma parte 2, talvez necrotérios, não sei, não sei. Comenta, comenta aí. E bom, dito isso, cuidado com os cemitérios e tchau!