Episódios de Terror na Esquina

243. LENDAS URBANAS e CASOS REAIS assustadores do CHILE

06 de agosto de 202631min
0:00 / 31:02

Se você estiver indo para o Chile, você PRECISA escutar essas lendas urbanas que acontecem nos arredores de Santiago, Valparaíso e Viña del Mar!Vou te contar um pouco sobre trágico DESASTRE DOS ANDES, o voo que virou notícia no mundo todo, onde os sobreviventes fizeram um acordo bizarro.

Vamos passear pelas lendas da Llorona vers. chilena, gárgulas vivas, a lenda da Calchona, o flautista de Viña del Mar e condores gigantes caçando no litoral!

01:09 La Llorona

05:42 Desastre nos Andes

09:39 S. S. Talismã

19:17 La Calchona

23:35 O flautista de Viña del Mar

26:48 Gárgula

Qual a sua história?

⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠MANDE PARA A GENTE⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

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Agradecimentos:

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⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Cibele na Terra do Medo (YouTube)⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

Vinheta:⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Marcos Paulo Gomes de Souza⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

Vitrine:

⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Amanda Melo⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

Participantes neste episódio5
A

Amanda Melo

Host
C

Cibele

Host
M

Marcos Paulo Gomes de Souza

Host
M

Marina Zamac

Host
P

Phelipe Gomes Silva

Host
Assuntos6
  • Lenda do Condor GiganteSS Talismã·Capitão Puch·Condor Chileno·Valparaíso
  • Acidente Voo 447· SociedadeVoo 571 da Força Aérea Uruguaia·Sobreviventes nos Andes·Canibalismo·Cordilheira dos Andes
  • Lenda da Llorona ChilenaLola e seu filho·Desaparecimento na montanha·Cordilheira dos Andes
  • Lenda da CalchonaBruxa Baba Yaga·Transformação em ovelha·Unguentos mágicos
  • Lenda da Gárgula de SantiagoEmpate do SL Benfica·Gárgulas vivas·Magia negra·Santiago
  • A Lenda do Flautista de HamelinA Lenda do Flautista de Hamelin·Viña del Mar·Incêndios em Valparaíso
Transcrição29 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz B

Falta 2 minutos para o próximo trem e tem mais duas histórias que eu vou contar para vocês quando tiver em Santiago. Uma delas é sobre a gárgula da casa, eu esqueci o nome da casa agora, mas eu vou lembrar para vocês depois. É sobre uma gárgula voando em cima da cidade. E tem uma outra que eu não lembro qual que era exatamente agora, mas a gente se encontra lá. A gente foi no Museu Fonck, aqui em Vinha, o Museu Funk.

?Voz A

O nome do historiador é não sei o quê lá, Funk.

?Voz B

E lá no museu tem um cabritinho. Aí você tá andando assim na sala e você, ai, cabritinho bonitinho! De repente, cabritinho com duas cabeças.

?Voz A

Vou colocar o vídeo aqui para vocês assistirem. Esse é o vídeo que eu postei de viagem em Santiago também.

?Voz C

Freaky.

?Voz A

Olha que canarinho bonitinho! Olha como que ele é fofinho!

?Voz C

Fala, pessoal! Então é o seguinte, eu tô em Fereirões, que é uma estação de esqui. Nesse exato momento vai estar um barulhinho um pouquinho chato.

?Voz D

Porque tem muita gente aqui.

?Voz C

Então se atrapalhar o áudio, já me desculpem. Estou gravando improvisado também, eu tô sem onde ler, eu tô improvisando aqui no celular, mas vai dar bom. O que eu vou contar para vocês hoje é sobre uma maldição que acontece em vários países aqui da América Latina, que é a essa é uma versão da Llorona, a lenda da Llorona, é a mulher que chora no escuro em busca da família. Mas quando você sobe para cordilheira rumo a La Parva, eu não tenho La Parva, mas aqui sobe para La Parva, uma das estações de esqui mais tradicionais aqui do Chile, a história ganha um significado um pouquinho diferente.

Os moradores e os patrulheiros das pistas juram que conhece a mulher do relato antes de ela morrer, e o nome dela era Lola. O caso aconteceu num dia bonito de alta temporada de neve. A senhora Lola e o seu filho pequeno tinham subido a montanha para passar o dia nas pistas, só que nos Andes as coisas aqui mudam um pouquinho muito rápido. Inclusive mudou aqui comigo porque tava bem tranquilinho o dia E de repente começou a ventar muito, a ventar muito mesmo.

Mas enfim, do nada uma névoa começou a subir muito rápido aqui no vale, aqui nos Andes, e aquela neblina que é muito, mas muito densa e muito pesada. E em questão de minutos a nuvem engoliu os dois no meio da descida, eles perderam o contato visual entre eles. E desesperada, sem enxergar um palmo à sua frente, a Lola, ela começou a gritar pelo nome do filho enquanto corria naquele breu, só que branco, né, naquela parede branca na sua frente.

Ela tropeçou no declive, perdeu o controle, despencou na montanha abaixo, bateu direto nas pedras afiadas de uma ravina, e você sabe o que aconteceu. Por puro acaso, um operador do teleférico estava dando volta para a cabana dele, ouviu alguns gemidos. Quando ele chegou perto, ele viu que ela já tava morta. O corpo tava retalhado pelas pedras, ela tava ensanguentada, e a única coisa que saía da boca dela era o nome do filho dela, num sussurro quase imperceptível.

Como a cabana dele ficava logo ali no topo, o cara fez uma força absurda, arrastou o corpo dela para dentro, enfaixou os cortes de um jeito, do jeito que deu, e saiu correndo para buscar o médico da estação. Quando o operador e o médico finalmente conseguiram voltar e abrir a porta da cabana, ela tava vazia. A cama tava vazia, a cama que ela foi deixada tava vazia. Não tinha ninguém, só tinha os lençóis encharcados de sangue. Nenhum corpo da Lola, nenhum corpo do garoto, do filho dela, foram encontrados. Jamais foram encontrados.

?Voz A

Ninguém encontrou o corpo deles.

?Voz C

O pessoal que trabalha nas pistas diz até hoje que toda vez que você passa perto daquela antiga cabana no teleférico, em dias de tempestades, dá para ouvir os uivos de uma mulher chamando pelo filho no meio do vento. E quando você tá lá no topo da montanha, no silêncio da noite, olhando para silhueta do Cerro El Plomo, que era o ponto de sacrifício dos incas. Eles faziam sacrifícios nessas pedras. O vento que bate na tela da cabana deixa de parecer que é vento e parece que é a Llorona.

E você não consegue mais diferenciar o que que é ventania e o que que é o choro da mãe que ficou presa no gelo para sempre. Pessoal, essa foi a história deste bloco aqui na neve. Quem sabe eu trago mais um para vocês falando do voo, do voo das pessoas que ficaram presas na cordilheira e teve um ato de canibalismo aí no meio. Quem sabe, quem sabe, quem sabe.

?Voz E

E com isso eu me despeço.

?Voz A

Essa é a história de 16 sobreviventes do voo 571 da Força Aérea Uruguaia, que deveria transportar um time de rugby de Montevidéu para Santiago, no Chile, e acabou em tragédia ou um milagre. No dia 12 de outubro de 1972, um turbo-hélice bimotor Fairchild decolou do Aeroporto Internacional de Carrasco levando 5 tripulantes e 40 passageiros. Além dos jogadores do clube, iam também amigos, familiares e outras pessoas convidadas para ajudar a custear o voo.

Cerca de 1 hora depois da decolagem, o piloto avisou aos controladores de tráfego aéreo que tava voando sobre a cordilheira e logo em seguida informou que tinha chegado a Curicó, no Chile, cerca de 178 km ao sul de Santiago, e feito uma curva para norte. Só que o piloto calculou mal aonde eles estavam e na verdade eles estavam no coração do Andes, no meio dele. E sem saber que ele tava errado, a torre autorizou que ele iniciasse a descida pra pousar.

Por volta das 15:30, o avião colidiu contra a encosta de uma montanha, perdeu primeiro a asa direita, depois a esquerda, e caiu num vale remoto na Argentina, bem perto da fronteira com o Chile. O impacto matou 12 pessoas de início, mas 33 sobreviveram, embora muitos estivessem gravemente feridos, vários com pernas quebradas pelo impacto das poltronas que foram projetadas para frente. Os sobreviventes tinham pouquíssima comida: 8 barras de chocolate, uma lata de mexilhões, 3 potes pequenos de geleia, uma lata de amêndoas, algumas tâmaras doces, ameixas secas e poucas garrafas de vinho.

Em uma semana, a comida acabou e o grupo tentou comer até as partes do avião, como algodão do estofado dos bancos da aeronave, couro das bagagens, e isso só fez eles se sentirem ainda piores. Sabendo que as buscas tinham sido canceladas e enfrentando a fome e a morte iminente, os que continuavam vivos concordaram que se morresse, os outros poderiam comer seus corpos para tentar sobreviver. Sem qualquer outra escolha, eles passaram a se alimentar dos corpos dos companheiros que já tinham partido.

Nesse meio tempo, alguns sobreviventes exploraram a área buscando uma rota de fuga. No dia 12 de dezembro, com apenas 16 pessoas ainda vivas, 3 integrantes do grupo saíram para buscar ajuda, embora um deles tenha acabado voltando para os destroços no meio do caminho. Depois de uma caminhada muito dura, os outros 2 homens finalmente encontraram 3 vaqueiros no vilarejo de Los Mantenes, no Chile, no dia 20 de dezembro. Logo depois do resgate, Os sobreviventes explicaram primeiro que tinham comido queijo e outras coisas que trouxeram na viagem, além de plantas e ervas locais.

Mas no dia 23 de dezembro, a notícia de que eles tinham cometido o ato de canibalismo estourou no mundo inteiro, exceto no Uruguai. No dia 28 de dezembro, eles deram uma coletiva de imprensa no Colégio Stella Maris, em Montevidéu, no Uruguai, e contaram em detalhe tudo o que eles viveram naquele 72 dias. A história virou livro e filme, incluindo o famoso Vivos de 1974 de Piers Paul Reed, adaptado para cinema em 1993, além de vários outros livros e escritos pelos próprios sobreviventes.

?Voz D

E o áudio vai estar um pouquinho estranho, talvez porque estou gravando pelos fones de ouvido que eu uso para treinar e não microfone que eu usualmente gravo ou meu fone de ouvido que tem um microfone melhor, o oficial. Mas esse aqui é o fone que eu uso para treinar, então o áudio vai estar um pouquinho diferente, me perdoe por isso. Eu tô no Chile, mais especificamente em Valparaíso nesse exato momento, e eu pensei, por que não gravar algumas histórias assustadoras do Chile para vocês?

Então, como eu tô numa cidade que é no litoral, que eu estou na costa do Pacífico, por que não trazer uma história que remeta ao mar? E depois da história eu vou comentar com vocês uma coisa que eu acabei passando no museu aqui em Valparaíso. Vai ter fotos enquanto eu tiver falando, que vai meio que explicar a história essa história em específico. A história começa mais ou menos assim, contando a navegação que aconteceu em 1888 do Capitão Puch no SS Talismã, que é o relato de um homem que tava navegando pelas águas do Pacífico, na costa aqui do Chile, e ele escreveu o seguinte: No ano de 1888, a gente tinha saído de Liverpool com destino à América do Sul a bordo do SS Talismã, mas o Atlântico tentou nos destruir.

Pegamos uma tempestade tão violenta que o casco sofreu danos severos e fomos obrigados a parar nas Ilhas Malvinas para alguns reparos que permaneceram eternos. Quando finalmente conseguimos contornar o Cabo Horn e começamos a subir a costa congelante do sudoeste do Chile, o inferno gelado nos recebeu com ventanias brutais. Em alguma dessas lufadas violentas, o filho de um dos tripulantes, um garoto de apenas 15 anos que tava trabalhando no mastro, perdeu o equilíbrio e foi arremessado direto nas águas pretas e gélidas do oceano.

O menino tava com aquele casaco pesado de marinheiro, o que tornava quase impossível nadar ou flutuar. Vendo o desespero do garoto, um dos meus marinheiros, um cara chamado Ben, não pensou duas vezes e pulou na água para tentar salvá-lo. Naquele instante, toda a tripulação correu para a borda gritando, tentando ajudá-lo. Foi quando um dos meus homens olhou para o céu e soltou um berro de puro terror que paralisou o navio. Descendo das nuvens, vi uma criatura imensa, monumental.

Era um pássaro gigantesco, algo que nenhum homem em sã consciência aceitaria enfrentar sob qualquer circunstância. Na água, Ben olhou para cima, viu a sombra daquele monstro e o pânico tomou conta dele. As braçadas dele começaram a perder força e, vendo o perigo, outro marujo chamado James Gray pulou na água também. Mas aquela criatura foi muito mais rápida. Ela desceu direto no garoto que tava afundando exausto. O bicho começou a bicar o corpo do menino na superfície, ignorando completamente os gritos desesperados da tripulação no convés.

Demorou um tempo terrível até a gente conseguir baixar o bote salva-vidas, e nesse meio tempo o garoto ele afundou de vez, e o sumiço dele confundiu o pássaro que tava virando os olhos em direção a Ben quando o menino voltou à superfície. Eu corri para cabine, peguei meu rifle e voltei para o convés. E quando eu pisei no deck, a cena que eu vi congelou o meu sangue. Aquela aberração, aquele pássaro gigante, tava subindo no ar, levando o garoto de 15 anos para o céu junto com ele.

E para piorar o pesadelo, o companheiro da criatura, um segundo pássaro quase do mesmo tamanho, surgiu do nada e começou a atacar Ben, que nadava de costas tentando desviar das bicadas. O pai do menino, ele corria pelo converso feito um louco, berrando: Atira no pássaro, pelo amor de Deus, atira! Eu sabia o risco. Se eu tirasse, corria o risco de matar o próprio garoto, se é que ele já não tivesse morto pela queda ou pelos bicos.

O bicho tava subindo, já tava a uns 10 metros de altura. Eu mirei rápido, prendi a respiração e puxei o gatilho. Foi quase cirúrgico. A bala estraçalhou o asa da criatura, que despencou como uma pedra direto no mar. O segundo pássaro, vendo o bote de resgate se aproximar, largou o Beni e avançou contra um dos homens do bote, acertando uma patada que derrubou o marinheiro no chão da embarcação. Outro tripulante ergueu um remo e descarregou com toda a força na cabeça do bicho, que finalmente recuou e voou pra longe.

A gente conseguiu puxar todos pra dentro. O garoto tava completamente inconsciente, mas depois de muito esforço ele acordou. Benin tava com o rosto rasgado e sangrando muito. O monstro, o monstro que eu derrubei, ainda tentou lutar na água de uma forma violenta, Mas a gente conseguiu lançar um laço no pescoço dele e a gente arrastou para bordo. O garoto contou depois que antes de apagar na água por causa do afogamento, ele sentiu as patas do bicho tentando pegar ele, mas ele pegou a pata do bicho.

E sabe aquela sensação de desespero? Então ele acabou pegando a pata do bicho, ele acordou no ar. Achando que tava muito mais alto do que realmente tava, e não teve coragem de soltar as patas. Eu já vi muitos condores gigantes na minha vida, mas eu nunca tinha visto um tão grande quanto aquele. A envergadura da asa passava dos 4 metros. A cabeça, o pescoço não tinha nenhuma pena. O topo do crânio era achatado, totalmente esfolado e em carne viva.

?Voz B

Sangrando.

?Voz D

Tinha um bico maciço de um albatroz e os pés eram parcialmente membranosos. Durante as 3 semanas em que a gente manteve aquele monstro preso a bordo antes dele morrer, ele recusou cada pedaço de comida que a gente dava a ele. Ele apenas dormia de forma profunda e era preciso sacudi-lo para fazer aqueles olhos abrirem, e eles eram bizarros. O corpo dele foi levado para Valparaíso, a cidade onde eu tô hoje, para ser empalhado. A ciência diz que são apenas condores chilenos, mas quem sentiu o vento daquelas asas sabe que o Pacífico esconde coisas muito piores.

Então, pessoal, é o seguinte: lembra que eu falei que eu tinha uma coisa para contar do museu aqui de Valparaíso? Então Eu fui no Museu de História Natural e tá aqui, olha, pessoal.

?Voz A

Eu lia sobre o condor gigante e aqui tem um exemplar dele, cara. Ele é bizarro de gigante, bizarro.

?Voz C

Aí, pessoal, eu tô aqui no museu. Eu contei a história para vocês do bichão gigante, né, da ave gigante que pegava no barco.

?Voz A

Eu tô falando baixo assim, não sei se vai dar para entender, mas aqui tem o albatroz gigante, cara.

?Voz B

Ele é gigantesco.

?Voz A

Vou virar a câmera.

?Voz B

É gigante.

?Voz D

A imagem que eu tô mostrando agora, o vídeo que eu tô mostrando agora é de um condor gigante que tá empalhado no Museu de História Natural de Valparaíso. É um condor imenso, facilmente ele tem mais de 4 metros de envergadura. Não tava escrito lá qual que é o tamanho da envergadura dele, mas facilmente ele era imenso. Inclusive, a do albatroz, que vai estar também nesse vídeo, eu medi mais ou menos com meu braço. Eu tenho 1,75, 1,77 de altura.

Então o meu braço aberto tem 1,77 e deu 2 de mim. E sabe, quase 2 inteiros de mim. Então mais de 3 metros e meio um albatroz. Um albatroz gigante. Agora, o condor, ele era maior que o albatroz. Então dá pra você imaginar que envergadura maior de 4 metros é possível pra um condor chileno.

?Voz A

Eu vou te contar uma história que vem da zona central do Chile. Do tempo em que as histórias do campo eram passadas ao redor do fogo. É, agora eu vou te contar a lenda da cauchona, ou cauchona. Cauchona, o nome é cômico, mas segura, é legal. O nome vem da palavra caucha, o idioma mapudungu, que se refere a alguém descabelado ou com o cabelo todo bagunçado. No interior do Chile vivia uma mulher com um marido e dois filhos pequenos.

A vida deles parecia normal, mas a família não fazia ideia de que ela praticava bruxaria em segredo. Escondida em casa, ela guardava alguns frascos com unguentos mágicos. Bastava esfregar aquela poção pelo corpo para se transformar em qualquer animal. Toda noite, antes de ir para cama, A mulher lançava um feitiço no marido e nos filhos pra que eles caíssem num sono profundo durante a madrugada toda. Assim que a casa ficava em silêncio, ela passava um ungüento, se transformava em uma grande ovelha negra e saía vagando pelos campos no breu da noite.

Antes do sol nascer, ela voltava pra casa, passava o ungüento de novo e recuperava sua forma humana. Só que numa dessas noites ela se esqueceu de lançar o feitiço do sono. No meio da madrugada, os dois filhos acordaram bem no momento em que a mãe passava o ungüento e se transformava na ovelha. As crianças esperaram ela sair, foram até o esconderijo, pegaram os frascos querendo imitar a mãe e passaram a poção no próprio corpo, e na mesma hora se transformaram em duas pequenas raposas.

Só que tinha um detalhe: eles não sabiam como desfazer a magia. E vendo que não ia conseguir voltar a ser menino de volta, os dois começaram a chorar na sala. O pai acordou com aquele choro, barulho estranho, e quando abriu a porta não encontrou nem esposa e nem os filhos. Ele só viu duas raposinhas desesperadas no chão. E como ele já tinha ouvido histórias e boatos sobre as bruxas da região e seus ungüentos, acabou ligando os pontos.

Ele pegou os frascos, passou a pasta nas duas raposinhas e imediatamente os dois meninos voltaram ao normal. Assustados, os filhos contaram ao pai tudo que viu a mãe fazer e, apavorado com a descoberta e temendo pelo futuro das crianças, o homem pegou todos os frascos de ungüento que encontrou, foi até a beira do rio e jogou tudo na água corrente. Em seguida, arrumou as coisas dos filhos e fugiu daquela casa pra nunca mais voltar.

E no final da madrugada, a mulher voltou pra casa, ainda na forma da ovelha negra. Quando viu a porta da casa aberta, a casa vazia e os frascos jogados no chão, ela ficou desesperada. Ela raspou o fundo dos potes com a pata, tentando juntar cada restinho do ungüento que sobrou pra tentar virar de novo a sua forma humana. Só que a quantidade não era o suficiente. O pouco ungüento que restou só deu pra transformar a cabeça, o cabelo longo e as mãos de volta em forma humana.

Do pescoço pra baixo, tudo era ovelha. O resto do corpo era uma ovelha. A transformação parou bem no meio do caminho e ela ficou presa pra sempre naquela forma híbrida meio mulher, meio ovelha, e era uma criatura incapaz de falar, que só conseguia imitar o balido da ovelha. Até hoje, quando os camponeses do interior do Chile ouvem balir uma ovelha solitária vagando pelos campos na calada da noite, eles sabem do que se trata: é a Calchuana.

E por tradição, muitos ainda deixam um prato de comida do lado de fora da casa. Alguns dizem que é por compaixão por uma bruxa se arrepender do passado, outros deixam apenas para garantir que ela coma e vá embora em paz.

?Voz E

Eu andei pesquisando algumas lendas das cidades que eu tô visitando aqui na minha viagem para o Chile, e uma das cidades é Linha del Mar, e eu acabei encontrando uma que me deixou meio encabufado, que é uma lenda urbana que foi criada aqui na cidade. Cidade de um flautista que eles denominaram Flautista de Vila Del Mar. E ele é uma figura que tá sendo uma referência com a lenda urbana porque ele é uma figura encapuzada, bem misteriosa, que fica tocando uma flauta de uma forma super, super quebrada.

E o pessoal tá achando muito estranho. E tem umas imagens, vou deixar passando aqui para vocês, mas tem um relato do Reddit que E eu vou ler para vocês, para vocês verem o que que é. Ele falou assim: eu moro em Viña del Mar, no Chile. É uma cidade praiana turística, então não temos o costume de ir muitas lendas urbanas, mas essa história quase todo mundo por aqui conhece. Na Rua Valparaíso, que é o centro comercial da cidade, às vezes aparece uma pessoa parada na esquina ou perto da entrada das lojas.

Ele veste trapos, a calça aos pés, usa luvas e uma máscara simples com 3 buracos. Fica ali tocando uma flauta no nível bem básico, meio que uma criança tocando flauta. Ele não fica pedindo moedas, não pede comida, mas às vezes ele aceita de quem oferece. Ninguém nunca viu o rosto dele, praticamente não tem registro dele falando. Eu mesmo já cruzei com ele 2 vezes. A primeira foi quando eu tava comprando sapatos com minha mãe. A gente viu o cara mexendo no lixo e depois ele saiu andando enquanto tocava a flauta.

Minha mãe ficou tão assustada que começou a chorar ali mesmo. A segunda vez foi à noite, numa esquina mais escura. Ele tava tocando flauta e tentando espantar os cachorros, mas sem usar a voz. Ele dava umas bufadas abafadas. E toda vez que eu vejo esse cara ou alguma foto dele, eu sinto um desconforto estranho. Não é exatamente medo, é só uma sensação esquisita porque ele parece um personagem saído de um desenho de terror, só que tá ali na rua, na vida real.

Eu nunca cheguei a falar com ele, mas particularmente fico com a teoria do incêndio. Afinal, Valparaíso, que é a cidade que fica do lado, tá sempre em chamas. E aqui eu vou contar umas teorias para vocês sobre quem é esse cara e sobre quem é essa figura, a cidade se divide em várias hipóteses. A versão mais comentada por aqui é de que ele teria sido vítima de um dos grandes incêndios que costumam acontecer em Valparaíso.

?Voz A

Ele teria ficado gravemente queimado e por isso ele se cobre inteiro e mal consegue emitir os sons.

?Voz E

Por outro lado, existe uma história bem mais triste que diz que a foto pertenceria ao filho dele que faleceu e ele toca instrumento como de forma de luto. Outra A maioria das pessoas acham que é apenas um homem pobre com problemas de saúde mental e sem nenhum faro público, ou até um personagem criado por moradores de rua para chamar atenção e conseguir dinheiro e fama.

?Voz C

E claro, como quase toda lenda urbana, tem quem jure que ele é um anjo ou algum tipo de demônio que fica caminhando pelas ruas.

?Voz A

Se você for a Santiago do Chile e conversar com os moradores mais velhos de Quinta Normal, eles vão te falar sobre a Mansão do Boá. É um casarão antigo cercado por uma energia pesada, famoso pelas gárgulas grotescas de pedra esculpida no telhado. A lenda diz que os antigos donos praticavam rituais de magia negra e que aquelas estátuas eram demônios guardiões. A lenda diz que os antigos donos praticavam rituais de magia e que aquelas estátuas eram demônios que eram guardiões de lá.

Os locais juram que na calada da noite o peso da pedra evapora e as criaturas ganham asas para caçar pelo Vale de Santiago. Eu achava que era só folclore de turista até ter acesso ao diário de um conhecido meu, o MJ. Eu vou chamar ele assim, de MJ, que viveu o pesadelo na pele em um bairro perto dali. Ele tava visitando o apartamento de uns amigos na Rua El Bosque, perto do setor de Porcuro. Era um quarto andar, então ele já tava um pouco mais alto.

Ele tinha acabado de jantar e a noite estava tranquila. E resolveu dar um passo até a varanda para relaxar e olhar a imensidão da Cordilheira dos Andes ao fundo. Ele tava ali totalmente relaxado no vento frio quando avistou algo estranho a mais ou menos 1 km de distância. Era um objeto vermelho e enorme voando a uns 200 metros de altitude, vindo direto na direção do prédio. O cérebro dele tentou racionalizar aquilo como um avião de pequeno porte, daqueles modelos antigos dos anos 50.

Ele ficou encarando, tenso, achando que o piloto tava perdido porque voava baixo demais, perigosamente perto das janelas dos edifícios. Mas conforme aquilo chegou perto, ele quebrou a lógica. O corpo dele travou por inteiro quando ele percebeu que as asas daquela criatura, que tinha uns 4 metros de envergadura, começaram a bater de cima para baixo. E não era metálica, era um monstro. Era alado porque tinha asas e tinha um tom vermelho escuro.

Ele tava se movendo em zigue-zague pelo bairro, cortando o céu entre os prédios. Num piscar de olhos, aquela aberração passou exatamente na frente da varanda dele, a uns 50 metros de distância, voando paralelo à rua Bilbao. A essa distância, ele conseguiu ter uma ideia da anatomia daquela criatura. A parte de cima era rígida, dura, quase imóvel, enquanto a parte de baixo mexia freneticamente para dar direção ao voo. Mas o que fez o estômago dele revirar foram os pés da criatura.

Ela tinha garras gigantescas e protuberantes e vinha carregando alguma coisa pesada de grande volume. Olhando fixamente naquele breu, ele teve a nítida e apavorante certeza de que o monstro carregava, prensando com as garras, o corpo de uma pessoa indefesa. Aquilo passou como um raio ganhando velocidade, e em pânico lembrou que tinha uma janela enorme que dava para o outro lado do quarteirão. Ele saiu correndo feito um louco por dentro do apartamento, gritando: Vem, ó, Vini, para os amigos que estavam na mesa.

Ele se jogou contra o vidro e ainda conseguiu ver a silhueta vermelha sumindo por trás dos prédios, indo em direção ao breu das montanhas. E o evento durou tudo uns 40 segundos, foi muito rápido. Quando ele contou isso, ele desabafou dizendo que reza todas as noites para que aquilo na garra fosse apenas um animal grande. Mas a verdade que Santiago esconde atrás da lenda é muito pior. As gárgulas da Mansão do Boá não são de pedra, elas, elas são de carne, osso, sangue, e continuam caçando lá fora.

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