Episódios de Terror na Esquina

Histórias do Reddit sobre MERGULHADORES

03 de agosto de 202652min
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O que mais te causa claustrofobia ou talassofobia? Esse episódio sobre mergulhadores está de tirar o fôlego, vamos passar por mergulhos em cavernas, alto mar e tudo dando de errado. Só no Reddit mesmo pra tirar essas histórias bizarras!05:27 HISTÓRIA 01

11:54 HISTÓRIA 02

23:07 HISTÓRIA 03

29:04 HISTÓRIA 04

35:39 HISTÓRIA 05

43:48 HISTÓRIA 06Qual a sua história?

⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠MANDE PARA A GENTE⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

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Agradecimentos:

Hosts:⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

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⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Cibele na Terra do Medo (YouTube)⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

Vinheta:⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Marcos Paulo Gomes de Souza⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

Vitrine:

⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Amanda Melo⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

05:27 HISTÓRIA 01

11:54 HISTÓRIA 02

23:07 HISTÓRIA 03

29:04 HISTÓRIA 04

35:39 HISTÓRIA 05

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Participantes neste episódio1
A

Amanda Melo

Host
Assuntos7
  • Acidente de saturação em plataforma de petróleoMergulho de saturação · Descompressão explosiva · Morte por fervura de sangue · Plataforma de petróleo Byford Dolphin
  • Merulhador esquecido em alto marPerda de mergulhador em passeio turístico · Correnteza arrastando mergulhador · Naufrágio em Oahu, Havaí
  • Sufoco em correnteza violenta de rioMergulho em rota de navegação comercial · Correnteza violenta · Falta de oxigênio e regulador · Naufrágio de R.C. Durrell
  • Ataque de jacaré em mergulhoMergulho em caverna com baixa visibilidade · Encontro com jacaré gigante · Jacaré
  • Caverna inundada· CienciaResgate de corpo em caverna · Máscara de mergulho como monumento · Perda de nariz em resgate
  • Homem isolado em ilha desertaSobrevivência em ilha deserta · Recusa de resgate
  • Narcose por Nitrogênio no MergulhoMergulho noturno em naufrágio · Peixes-lanterna bioluminescentes · Paralisia por narcose · Naufrágio do SS President Coolidge
Transcrição159 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Foi tateando esse fundo marrom que ele topou com uma parede de pedra a um palmo do rosto. A estrutura parecia bem diferente, e como é comum ver padrões minerais incríveis desenhados no teto e nas paredes da caverna, ele parou por um segundo e aproximou os olhos para admirar aquela textura exótica na rocha. Foi exatamente nesse segundo que a parede de pedra abriu a boca, revelando fileiras de dentes afiados e uma língua enorme.

O que meu amigo achou que era um padrão mineral era na verdade a cabeça de um jacaré gigante que morava no fundo daquele poço.

?Voz 1

Sabe por que as pessoas não deveriam comer um peixe? Porque muitas pessoas comem peixe vivo, senão ele faz glu glu glu na sua barriga.

?Voz A

E é assim que começamos o episódio de hoje, não é mesmo?

?Voz 1

É um episódio sobre mergulhos. Você já mergulhou?

?Voz A

Não profissionalmente, não com roupinha de mergulho, não.

?Voz 1

Só nadando assim.

?Voz A

Então, com tanque não, mas eu tenho vontade, eu tenho muita vontade.

?Voz 1

Eu já mergulhei com óculos e snorkel. Conta.

?Voz A

O que que é snorkel?

?Voz 1

Aquele cano que sai da boca.

?Voz A

Ah, tá.

?Voz 1

Conta. Então eu mergulhei com máscara e snorkel. A gente tinha um kitzinho que a gente ia muito pra praia quando era criança. Aí cada um tinha um kitzinho assim de uma máscara, um snorkel que meu pai comprou e deixava com a gente pra gente mergulhar na praia.

?Voz A

Acho divertido, dá para ver as coisas embaixo.

?Voz 1

É maneiro. Aí uma vez eu fui filmar com uma GoPro, fui tirar uma foto, uma selfie minha com a GoPro do meu pai, bateu uma onda forte, levou a GoPro embora e eu tive que resgatá-la. Encontrei, eu encontrei a GoPro.

?Voz A

Ah, encontrou?

?Voz 1

Encontrei, mas ela tava tipo muito fundo, eu tive que mergulhar aí uns 4 metros para pegar ela, mas achei. Nossa, meu pai já tava preparando para me cascar, mas deu bom, não precisou.

?Voz A

Nossa Senhora, eu acho que Eu nunca... assim, a última vez que eu fui na praia, eu perdi meu óculos escuro e eu fiquei bem chateada, porque meu óculos escuro não é um óculos escuro normal. Como vocês percebem, eu uso óculos. E aí, meu óculos escuro tinha grau. Puts... Então assim, perdi. Aham, e estou sem, porque... Caceta!

?Voz 1

Aí, ó, ouvintes, se vocês quiserem fazer um agrado aí pra Cibs, mande um óculos só com grau.

?Voz A

Com grau, pede minha receita.

?Voz 1

E você tem talassofobia? Para quem não sabe, talassofobia é medo do mar.

?Voz A

É, é aquelas imagens, é do desconhecido além do mar, assim, aquelas imagens feitas aí.

?Voz 1

Gata, tá travando muito para mim, eu não estou nada que você tá falando, a minha internet tá um tchutchuquinho. Pode desativar o webcam, acho que vai pesar um pouco menos. Que que você acha? Aí, beleza, na hora que estabilizar um pouco a gente volta.

?Voz A

Beleza, mas você tá me ouvindo? Tá normal?

?Voz 1

Tá, pera aí que vou desconectar e vou voltar.

?Voz A

Voltou? Tá me ouvindo?

?Voz 1

Ai, cara, tomara que sim, senão vai ser chato gravar assim. Tá, acho que eu tô, acho que eu tô ok.

?Voz A

A talassofobia é aquele medo de, né, aquelas imagens de uma pessoa no meio do mar e tudo escuro e tudo muito louco. Você não sabe o que tem ali embaixo. Eu tenho um pouco, sim, assim, eu tenho um pouco de nervoso, assim, não vou negar. Eu não consigo imaginar, me dá nervoso aquelas imagens de liminal space, que geralmente são várias piscinas assim. Me dá muito nervoso. E tem aquela piscina super profunda também que, que tipo assim, as pessoas vão para mergulhar e aí vai mergulhando, mergulhando, e tem várias coisas ali também. Me dá muita aflição.

?Voz 1

Tem as piscinas de treinamento de mergulho mesmo, né?

?Voz A

É, mas tem uma que eu já vi vídeo que ela tem coisas para você ver mesmo. É uma atração a própria piscina. Parece ser muito legal para quem não morre de medo.

?Voz 1

É, então, ver fotos, tá no alto mar e olhar para imensidão debaixo de você e você não ter noção do que que tá passando lá embaixo, dá sim um medinho na barriga. Se você não tem um medo, um medinho, sabe, uma pequena aflição com isso, você é uma pessoa muito forte, de verdade.

?Voz A

Não, dá uma aflição, gente. O desconhecido, aquela escuridão, você não sabe o que tem ali, pode sair um Cthulhu do nada e te engolir.

?Voz 1

Ou apenas um tubarão de metros e arranca tua perna, né?

?Voz A

Não é bom.

?Voz 1

Vamos começar o episódio? Vamos, vamos! Eu tô ansioso, tô animado para essa pauta. Essa pauta tá muito boa, eu gosto muito desse tema, não vou negar. Então vamos lá, a primeira mais light. A única vez em que eu tive a bordo de um navio cargueiro foi por causa de um projeto prático da faculdade de administração que eu cursei. A ideia era acompanhar de perto toda a jornada de um produto, desde a colheita em uma fazenda, passando pelos depósitos de transporte, até o embarque final em um navio de grande porte rumo à China, retornando depois em outra embarcação de carga.

Uma viagem puramente técnica, até que o Oceano Pacífico resolveu mostrar sua face mais bizarra. Por volta das 6 da manhã, em algum ponto completamente isolado do Oceano Pacífico, o navio quebrou o silêncio cortante da madrugada ao soar uma buzina de alerta. Logo em seguida, a tripulação reduziu drasticamente a velocidade dos motores. Foi um processo lento que durou cerca de 20 minutos. Eu fiquei intrigado com essa manobra aí no meio do nada, no meio da noite.

Eu estudante subi até a cabine de comando E lá eu encontrei o coordenador do programa conversando com o capitão do navio, que estava visivelmente perturbado. Olhando em direção ao horizonte, era possível ver por que estava todo mundo alvoroçado desse jeito. Naquela imensidão cinzenta de água profunda, estava se erguendo uma ilha de coral minúscula. Não tinha árvore, não tinha vegetação, só tinha uma quantidade absurda de pássaros cobrindo o chão.

E bem no centro daquela faixa de areia morta se destacavam duas coisas que não deveriam estar ali: um container de carga industrial e uma barraca de acampar. Com o cargueiro praticamente parado em águas profundas, o capitão pegou o megafone e começou a gritar em direção à ilha para checar se havia algum sobrevivente desse naufrágio. Depois de alguns minutos em silêncio, a porta do container se abriu e um homem saiu lá de dentro cambaleando.

Ele usava roupas rasgadas que pareciam trapos velhos, tinha a pele queimada por um bronzeado extremo devido ao sol, mas um detalhe chamava a atenção, que era que no seu rosto ele tava perfeitamente limpo e com a barba feita. O capitão gritou de novo perguntando se ele precisava de resgate ou de ajuda, e o homem respondeu de volta, mas a distância e o som das águas não permitiram que ele ouvisse a mensagem. Daí um dos tripulantes do navio se voluntariou para descer até o bote inflável.

Ele desceu pela escada de corda do cargueiro, navegou sozinho para parar a menos de 10 metros da areia. Enquanto isso, aquele cara na ilha só caminhou até um balde virado, se sentou e ficou ali observando tudo. Os dois conversaram por cerca de 5 minutos e em seguida o tripulante deu meia volta com o bote, escalou a lateral do navio e se dirigiu imediatamente à cabine. O capitão, que estava muito ansioso, a gente também, né, mas perguntou o que que o homem da ilha tinha dito e quais eram seus planos, ou como ele tinha parado ali.

O tripulante olhou para o capitão e só respondeu que ele disse que estava bem. O homem não quis dar informação sobre sua identidade, não pediu socorro, não tinha nenhuma embarcação para sair dali. Seu único sustento era uma pilha de peixes secos e um aparelho improvisado para destilar água do mar. Sozinho, a centenas de quilômetros de qualquer alma viva na Terra, e ele simplesmente recusou o navio e decidiu continuar lá parado no meio da ilha de coral. É isso, a primeira história. É assim que a gente começa.

?Voz A

Eu achei ele icônico.

?Voz 1

Você achou ele cônico?

?Voz A

Achei ele cônico. Na cabeça dele deve estar tocando aqui: sente a paz desse lugar. Para ele deve estar sendo paraíso, cara.

?Voz 1

Não tem preocupações a não ser comer e beber.

?Voz A

E é isso, ele tá lá, sabe? Ele tem uma ilha só para ele, sabe? Ele tem os peixinhos secos dele, a barraca dele e um sonho.

?Voz 1

O sonho, ele tá basicamente brincando de Minecraft.

?Voz A

Não, ele tá brincando de náufrago, sabe? Ah, ele é a pessoa mais bem resolvida do mundo, achamos, esse homem.

?Voz 1

Resolvidíssimo.

?Voz A

Você falou tudo, você falou tudo.

?Voz 1

Ele tá super bem resolvido com isso.

?Voz A

Ele tá lá porque quer.

?Voz 1

Ele possivelmente parou lá Por uma desventura, né, da vida dele. E por lá ele se encontrou um homem selvagem vivendo em meio à natureza.

?Voz A

E assim, quase que foi, a pessoa chegou, ai, você quer que eu te salve? Ele, me salvar de quê, meu amor? Tá tudo bem, tá tudo bem, lindo. Vocês querem, gente, um peixinho? Vocês ficam à vontade. Você quer uma aguinha destilada?

?Voz 1

Só não come muito porque tem que comer amanhã, mas né.

?Voz A

Mas se vocês quiserem experimentar, fiquem à vontade. Eu achei ele um divo e deve estar lá até hoje, gente, vivendo, comendo os peixinhos dele. E assim, a hora que ele quiser ir embora também, ele vai conseguir ir embora. Eu tenho certeza, a pessoa mais bem resolvida do mundo.

?Voz 1

É rota de cargueiro, né? Então muito possivelmente vai ficar passando lá vários e vários Navios, hein?

?Voz A

É, vai passar quando ele quiser voltar para a sociedade, mas eu duvido. Às vezes esse é o ponto, ele tem tanta oportunidade para voltar que ele fala assim, gente, ainda não, calma, ainda não, deixa aqui, eu tô, eu tô ótimo, tô bem ainda, daqui a pouco vocês voltam, na volta quem sabe, vai lá, quando vocês voltarem a gente vê como é que vai estar aqui a situação.

?Voz 1

Agora eu vou te falar, agora é só ladeira abaixo, viu, real.

?Voz A

Tá, foi só para começar o primeiro, foi só para a gente esquentar, viu? Eu costumo fazer bastante mergulho em caverna no norte da Flórida e de vez em quando eu ajudo alguns projetos de exploração por lá. Desse tempo de submundo eu guardo duas histórias marcantes. Uma aconteceu com um grande amigo meu e a outra foi comigo, pouco tempo depois. Tudo começou numa tarde em que esse meu amigo resolveu checar uma fenda num poço secundário pra ver se ela dava acesso à galeria principal da caverna.

Esses poços ficam bem afastados do fluxo principal. Enquanto o tronco central tem aquela água cristalina, esses pontos isolados não têm circulação nenhuma. A água da chuva e a lama da superfície acumulam ali por anos, então o ambiente fica completamente marrom, turvo e denso. Já estavam uns 30 metros para dentro da fenda, numa profundidade de uns 15 metros. Nada absurdo na teoria, mas a visibilidade era zero. Era o que a gente chama de mergulho em braile.

A única forma de avançar era tateando a rocha com as mãos enquanto esticava a linha de vida para não se perder no breu. Foi tateando esse fundo marrom que ele topou com uma parede de pedra a um palmo do rosto. A estrutura parecia bem diferente e, como é comum ver padrões minerais incríveis desenhados no teto e nas paredes da caverna, ele parou por um segundo e aproximou os olhos para admirar aquela textura exótica na rocha. Foi exatamente nesse segundo que a parede de pedra abriu a boca, revelando fileiras de dentes afiados e uma língua enorme.

O que meu amigo achou que era um padrão mineral era na verdade a cabeça de um jacaré gigante que morava no fundo daquele poço. O bicho tava estático no escuro e claramente não gostou de ter a casa invadida. Movido por pura adrenalina, meu amigo quebrou o recorde mundial de velocidade para voltar à superfície. Jacarés costumam ignorar mergulhadores, mas a história muda quando você decide encarar um deles a 30 centímetros de distância, na escuridão da própria toca.

Se o susto dele parecia o limite do pavor, a minha história na semana seguinte trouxe uma realidade bem mais sombria. Eu fui fazer um mergulho nos canais mais profundos desse mesmo complexo de cavernas, numa seção remota, a quase 1,5 km de distância da entrada da superfície. É um setor que quase ninguém visita por causa da logística pesada e da geometria apertada das fendas. Mas o clima ali embaixo tava estranho. Apenas uma semana antes, uma equipe de resgate forense tinha entrado lá pra recuperar o corpo de um mergulhador que tinha se perdido e morrido preso no fundo.

E a operação de retirada tinha sido brutal. Conforme a gente avançava pelos canais estreitos, os vestígios daquela tragédia começaram a aparecer na nossa frente. O teto e as paredes da caverna estavam cheios de raspões e danos recentes na rocha. Dava para ver os sulcos profundos no chão de argila, marcando os pontos exatos onde o cadáver rígido da vítima precisou ser forçado e arrastado sobre a pressão através das partes mais apertadas da pedra.

Ver a rota de fuga da morte desenhada na lama destruiu o meu psicológico. Mas o verdadeiro choque de realidade veio milhares de metros para dentro do abismo. Caída no fundo, meio enterrada na lama densa, nós avistamos uma máscara de mergulho. Era a máscara original da vítima deixada para trás na tentativa desesperada de puxar o corpo através de uma fenda de pedra extremamente apertada. Os mergulhadores de resgate aplicaram tanta força bruta que a máscara acabou sendo arrancada da cabeça do cadáver.

Levando junto parte do nariz da vítima. O equipamento ficou ali, cravado no chão escuro como um monumento silencioso. Aquilo me trouxe de volta à realidade num estalo. Foi o lembrete visual do respeito absoluto que esse ambiente exige. Um erro ali embaixo e a própria caverna rasga você pedaço por pedaço.

?Voz 1

É, né?

?Voz A

Complicated, né, gente? E a Avril Lavigne?

?Voz 1

É, por quê? Como assim? O que que a Avril Lavigne disse?

?Voz A

Complicated.

?Voz 1

Complicated. Duas histórias aqui, já tô tipo respirando apertadinho, porque vou te falar, um, o cara tá mergulhando com a Tatiana, né? Mergulho com Tatiana. E tu, jacaré? vamos merendar, né?

?Voz A

Jacaré agradecendo pelo delivery. A Hebe falou aqui. Cara, mas mergulhar... Gostaria de merendar, gostaria de merendar.

?Voz 1

E depois, vamos lá, tem um comentário que acho muito paia. A equipe Família de Bem ter que se sacrificar para resgatar o corpo desse otário que vai mergulhar tatiando. É, então, é uma coisa que eu vi num documentário do cara que queria bater o recorde de mergulho, que era tão perigoso que e poderia morrer no processo. O que acontece quando o mergulhador morre? Ele tem que ficar lá, não tem como buscar, não tem como fazer resgate, porque como que a pessoa vai se colocar em perigo para resgatar uma pessoa que se colocou em perigo de propósito?

Então não se resgata corpo de mergulhador quando é águas muito profundas. Mas no caso é um complexo de cavernas, você vai se arriscar para buscar o corpo do cara que tá lá também. Eu acho complicado bater resgate nisso, sabe?

?Voz A

É, eu entendo, porque tem uns casos também. Eu vi tem pouco tempo sobre um caso de um cara que ele foi mergulhar e não era nem tão profundo assim não, mas era um conjunto de cavernas que meio que fazia um labirinto. Então mesmo não sendo muito profundo, ele meio que se perdeu ali. É aquela coisa que eu acho que a gente até já comentou aqui no terror, de você perder onde que é o O fundo, o raso, o pra cima, pra baixo, pro lado, pro outro.

E aí ele ficou perdido, ele foi resgatado justamente por conta disso, porque não era um lugar muito profundo. Mas esse negócio me pega também. Mas é aquela coisa, tem várias coisas de morrer, que daí a gente já viu, tipo, ai, isso aí é de morrer, eu não vou fazer. Que nem bungee jump, ou pular de paraquedas, ou andar de bicicleta num rio embaixo. Em cima de um penhasco, é de morrer. Tem gente que gosta dessas atividades de morrer, acha da hora.

E tudo bem, você não pode obrigar os outros, mas você fica à vontade para fazer as suas coisinhas de morrer. Mas eu fico pensando realmente para quê? Eu entendo para quê, porque a pessoa gosta, porque a pessoa quer, mas eu fico me— é porque para mim é um negócio muito distante. Eu estar no meio de uma caverna em que eu vou estar com um tanque de oxigênio nas minhas costas, tudo escuro, breu. E de repente, um jacaré pode estar lá, ou eu posso encostar num corpo. Não sei, isso é muito fora da minha realidade.

?Voz 1

Isso porque é um mergulho que você faz static, pra você ver alguma coisa, você tem que ficar, tipo, a 30 centímetros, menos de 30 centímetros de alguma coisa pra você enxergar o padrão mineralógico daquela pedra, que é incrível. Vale a pena? Não sei, às vezes uma imagem do Google fica mais gostoso de você ver.

?Voz A

Às vezes, às vezes uma imagem do Google resolve, mas às vezes não. A pessoa, quando gosta de adrenalina, às vezes para ela tá ali, gente, escalar o Monte Everest. Que você passa, que você passa por um monte de corpo, um monte de morreu lá.

?Voz 1

Mas é aquela questão, a pessoa se aventurou, não tem como fazer resgate no Everest. Se a pessoa morreu Vai ficar lá, vai virar coleção de copos. Por que que uns mergulhos não deixa coleção de copos também?

?Voz A

Mas tem uns lugares que eu acho que não rola esse resgate mesmo.

?Voz 1

Sim, você vai mergulhar em fossas, não tem como ficar resgatando qualquer maluco que quer mergulhar numa fossa.

?Voz A

É, ninguém foi atrás do OceanGate resgatar latinha amassada perto do Titanic. É corpinho amassado de bilionário, não, porque não tem como mesmo. Tivesse, eu acho que é, eu acho que lugares que tem como sem você botar em risco a vida de quem tá resgatando, ok. Porque, ah, não adianta a gente ficar assim também, tipo, ai, porque aí o otário se meteu lá. A gente é otário também para várias coisas, a gente se mete em situações também muito, muito perigosas, sabe.

Às vezes um É porque se você for por esse lado, eu acho que dá para colocar no ramo de, nossa, vou resgatar o otário que tava andando no Rio de Janeiro 10 horas da noite, foi assaltado, sabe? Tipo, dá para colocar em vários outros. Então, mas aí dá para colocar em vários outros. Qual é o limite que você abre essa exceção? Eu acho que para a gente pode não fazer sentido, para outra pessoa faz. Você entendeu o ponto que eu quero chegar? Para aquela pessoa, ela gosta daquilo, ela acha, e ela entende os riscos.

?Voz 1

Mas eu não tô falando da, não tô julgando o gozo da pessoa, tô falando do resgate em si, né? Que no caso aí teve para resgatar, do cara até perdeu o nariz, a máscara. Aí na hora que o cara tava mergulhando, ele se tocou do quão perigoso é aquilo que ele tá fazendo.

?Voz A

É porque quando você faz esse tipo de coisa, você sabe dos riscos. Gente, o cara de 127 horas Ele teve que arrancar o próprio braço porque o idiota teve que ir para lá e não avisou para ninguém. E eu posso chamar ele de idiota porque ele bate em mulher, tá, gente? Assistam Supernatural 2, vocês vão saber. Então posso xingar ele à vontade. Mas ele teve que cortar o próprio braço e ele sabia dos riscos, sabe?

?Voz 1

Ok, é mergulho com Tatiana, é a frase do episódio.

?Voz A

Mergulho com Tatiana.

?Voz 1

Quebrar o gelo, perdão. Bora, próximo. O naufrágio do SS President Coolidge em Vanuatu é um dos pontos de mergulho mais famosos do mundo. É uma estrutura colossal onde é possível entrar a partir de uma praia e descer pela proa, passando dos 15 metros de profundidade até atingir 70 metros no fundo do oceano. Eu tinha apenas 14 anos na época. Os meus pais eram mergulhadores experientes e, naquele dia em específico, nosso grupo já tinha descido até o navio duas vezes.

Foi então que o guia local nos ofereceu uma experiência diferente: um mergulho noturno. O plano era simples e seguro: era descer até o limite de 25 metros para observar uma colônia de peixes-lanterna que costumava se aglomerar em um dos porões de carga do navio. Esses peixes possuem órgãos bioluminescentes abaixo dos olhos que brilham em um tom verde fluorescente muito intenso sob a água. Ao entrarmos no compartimento escuro do naufrágio, o efeito visual foi avassalador.

Eu me lembro daquela sensação de estar encarando aquela luz verde flutuando por uma eternidade. O tempo parecia ter congelado e de repente algo mudou no meu corpo. A minha respiração começou a ficar estranha, tava começando a ficar pesado. Eu tentei esticar o braço para checar o manômetro na minha cintura e verificar o nível de oxigênio, mas eu percebi que precisava aplicar toda a força dos meus músculos só para mover a mão alguns centímetros.

Com esforço absurdo, eu puxei o medidor e o tanque ainda tava na metade. O alívio durou poucos segundos, Sabendo que algo tava muito errado, eu estendi o braço e segurei o braço da minha mãe para sinalizar que precisava subir. Os meus dedos falharam, a força sumiu e eu perdi o contato dela. Naquele instante, o meu corpo começou a afundar verticalmente no breu daquele porão. Eu tentei bater as pernas para retornar, mas eu não tive nenhuma resposta motora.

Eu tava completamente paralisado da cintura para baixo. Minha mãe reagiu rápido, conseguiu me agarrar pelo braço antes que eu sumisse no escuro, mas o meu peso morto começou a arrastar ela junto comigo. Percebendo a gravidade da situação, o meu pai, ele correu para agarrar minha mãe, tentando chutar água com força total para frear aquela queda em família, né? O guia de turismo entrou em pânico, mas agiu rápido para coordenar uma subida de emergência controlada em direção à costa.

À medida que o grupo reduzia a profundidade e a gente subia em direção à superfície, a pressão diminuiu e minha mente começou a clarear, embora eu ainda estivesse completamente atordoado e confuso. O diagnóstico técnico foi narcose por nitrogênio, um estado de intoxicação severa que afeta o sistema nervoso de mergulhadores quando o corpo absorve gás em altas pressões. No período em que eu fiquei paralisado encarando os peixes brilhantes, eu tinha afundado dos 25 para 40 metros de profundidade e eu não percebi.

A física do oceano quase me transformou em uma latinha amassada. Eu guardo até hoje a memória nítida de estar afundando no mar à noite, incapaz de mover um único músculo para salvar minha própria vida.

?Voz A

A gente mergulhar à noite, né?

?Voz 1

É, olha, eu entendo, essa experiência deve ser muito incrível. Você vê os peixinhos brilhando lá, deve ser lindo pra caceta. Eu ia ficar muito feliz de experienciar isso, mas olha, cara, ele caiu 15 metros. 15? Não, é, ele caiu 15 metros, ele não percebeu que ele afundou 15 metros.

?Voz A

Então, isso é independente de ser de dia ou de noite. Mas tem isso da pressão. É porque a gente tá na pressão atmosférica. Se a gente vai descendo... É porque quando eu entendi isso, fez muito sentido na minha cabeça. Que quanto mais você mergulha, mais é o peso de toda aquela água que tá em cima de você, em cima de você. Tipo, te esmagando. Então faz todo sentido. Então tem essa coisa, você pode ficar nauseado, coisa e tal, gente. E faz muito sentido pra mim você descendo e descendo sem perceber.

?Voz 1

Você tá distraído, você tá paralisado, né? Ele tava, ele não tinha força para fazer nada. Caraca, já tem muitos fatores lá que te colocam em risco. Esse é só mais um para foder com você.

?Voz A

Mas assim, ainda assim eu tenho muita vontade de mergulhar.

?Voz 1

Eu tenho muita vontade, eu tenho vontade de entrar em tanque de tubarão, aquele que tem a jaulinha e tem o tubarão em volta.

?Voz A

Eu tenho vontade de mergulhar, eu tenho pavor de tubarão, tá? Eu tenho, tipo, fobia de tubarão. Mas eu tenho muita vontade de ver de perto.

?Voz 1

Eu tenho o medo, mas aquele medo que fascina. Que tipo, nossa, eu iria muito, eu iria super. Eu ia ficar feliz de mergulhar.

?Voz A

Não, eu sou do nível de ter medo de tubarão em piscina.

?Voz 1

Tá bom.

?Voz A

É, eu sou essa pessoa.

?Voz 1

Ok.

?Voz A

Sabe? Eu... De eu mergulhar, eu tinha piscina na minha casa quando eu morava no Rio. Aí eu mergulhava de noite, eu não conseguia, eu saía desesperada assim, achando que tinha tubarão na piscina.

?Voz 1

O medo, válido, o medo super válido. Por que não?

?Voz A

Já que nada tá aí. Mas eu mergulharia com tubarões.

?Voz 1

Vamos marcar, vamos marcar.

?Voz A

Vai ser o Vamos Contar Histórias de Fundo do Mar no Fundo do Mar.

?Voz 1

Você que tá escutando a gente, então se inscreve no canal para ajudar a gente a contar histórias do fundo do mar no fundo do mar, no fundo do mar. Bora, próxima, bora!

?Voz A

Eu tava fazendo um mergulho em um naufrágio na costa de Oahu, no Havaí, há mais ou menos 30 metros de profundidade. Comigo estavam a minha ex-namorada e o dono de uma operadora de mergulhos local. Nós dois já éramos mergulhadores bem experientes, então a gente tava só curtindo a descida, explorando os destroços e observando algumas tartarugas que nadavam por ali. Tinha um grupo grande no naufrágio antes, mas eles subiram bem na hora em que a gente começou a descer.

Então o lugar ficou completamente deserto. Éramos só nós três naquela imensidão. Na metade do mergulho, uma silhueta começou a se aproximar no meio do azul. Do nada apareceu um quarto mergulhador. Sozinho. Ele nadou direto na direção do dono da operadora, gesticulando desesperado. O profissional puxou aquela prancheta de plástico debaixo da água e os dois começaram a rabiscar mensagens furiosamente. Logo em seguida, o dono da loja veio até a gente e mostrou o que tinha escrito na prancheta: vocês dois ficam aqui embaixo e termine o mergulho de vocês.

Eu vou subir com ele agora. Na mesma hora, ele puxou o regulador reserva dele, o Octopus, e entregou na boca do cara para ele conseguir respirar. A gente não entendeu direito o que tava acontecendo ali embaixo, então só continuamos o nosso passeio, tiramos algumas fotos e fizemos a subida de rotina tempos depois. O verdadeiro choque bateu quando a gente pisou no deck do nosso barco e ouviu a história completa. Aquele cara era de uma embarcação totalmente diferente e tava mergulhando em um ponto turístico que ficava muito longe dali.

De alguma forma, ele se perdeu da dupla, ficou desorientado, e a correnteza arrastou o corpo dele por mais de 1 km em mar aberto até ele passar, por puro milagre, por cima do nosso naufrágio. Na direção em que ele tava indo, não tinha absolutamente nada além do oceano aberto e o Tahiti, a milhares de quilômetros de distância. Mas a pior parte da história foi o erro humano. O barco de turismo daquele cara foi embora, voltou para costa, e ninguém a bordo percebeu que faltava um passageiro.

Deixaram o cara para morrer no meio do oceano. Se ele não tivesse flutuando exatamente por cima do nosso grupo e avistado as nossas luzes a 30 metros de profundidade, ele estaria morto. O mar ali te empurra direto pra longe da terra firme. Como a própria equipe dele nem sabia que ele tinha sumido, ia demorar muitas horas até alguém dar falta dele. A essa altura, ele já seria só um pontinho invisível perdido na imensidão preta do Pacífico. É o cara mais azarado e mais sortudo do mundo.

?Voz 1

Mais azarado e mais sortudo, ele foi esquecido num passeio turístico e foi achado num passeio turístico muito longe de onde ele tinha sido perdido.

?Voz A

Ah, Biu, o que é um pontinho preto imenso no centro do Pacífico, galera? O que que é isso? E tem um filme que é baseado em fatos reais que é exatamente essa história, tipo, um casal foi mergulhar junto com um grupo E aí eles vão mergulhar todo mundo, coisa e tal. E aí teve uma confusão ali na hora da chamada, na hora de ver quem tinha voltado ou não tinha voltado. E aí o barco foi embora e eles ficaram na imensidão do Oceano Pacífico.

?Voz 1

Nossa, Oceano Pacífico é um dos mais perigosos também, né? Mas é um medo real ser esquecido assim num passeio, ainda mais num lugar que você vai estar, sei lá, sem amparo nenhum. Você ser esquecido no mundo.

?Voz A

E eu vi um filme há pouco tempo também, que esse filme é muito idiota a premissa, mas a merda é que ele foi baseado em fatos reais também. Mas um grupo de pessoas ali, amigos, eles foram com um iate grande, um barco, pro alto mar assim, pra festejar e party, festas. E aí eles pularam no mar, só que eles esqueceram de jogar a escada. E aí eles não conseguiam subir de volta.

?Voz 1

Esse filme é antigo, não é? É um pouquinho mais velho.

?Voz A

Esses dois filmes eu vou tentar lembrar o nome. É porque provavelmente são nomes muito genéricos, tipo Pânico em Alto Mar, sei lá.

?Voz 1

Provavelmente é Pânico em Alto Mar.

?Voz A

É, mas aí eu vou— esses dois filmes que eu citei, eu vou tentar lembrar o nome, eu vou mandar pro Fê. Ou então eu— o Fê não vai lembrar. Eu coloco nos comentários quando ele lançar o episódio.

?Voz 1

Show, beleza, beleza. Mas olha, você ser esquecido num city tour, que é um passeio turístico no meio de uma cidade, é ok. Você tá lá no meio de uma cidade, você tem muitos andares.

?Voz A

Google Maps, meu amor.

?Voz 1

Você tem— hoje em dia com tecnologia, internet, não tem como—

?Voz A

pode ser num lugar que você não fale a língua, pode ser tipo assim perdido no Japão, meu amor. Google Tradutor.

?Voz 1

Mas te esquecerem no meio do oceano, no meio de uma savana, no meio Sabe, cara, é de foder.

?Voz A

Não, é de foder. E assim, pavou. É o que eu tô te falando, ele foi o cara mais azarado e mais sortudo do mundo porque ele foi encontrado.

?Voz 1

E foi, foi.

?Voz A

E outra, mas assim, esse casal que, ai, fica aí mergulhando que depois a gente, depois vocês sobem aí. Eles falaram que ele já tava acostumado a mergulhar, mas eu ficaria apavorada mesmo assim.

?Voz 1

Ah, eu tava lendo, eu fiz até uma carinha, tipo, nossa, vai deixar eles ali mesmo?

?Voz A

É tipo, ah, legal, vamos resgatar esse aqui, mas aí vai ter mais 2 perdidos. Vai que eles não eram tão experientes assim, sabe?

?Voz 1

Acho arriscado, é arriscado. De fato, não seguiram protocolos. Às vezes o protocolo é dar prioridade para quem tá, para quem tá perdido, não sei. Pode ser saideira, saideira, saideira. Eu já passei por muito sufoco na água, mas o dia mais tenso da minha vida foi quando um parceiro de mergulho ficou completamente sem ar comigo. E não foi daquele jeito que a gente gosta. A gente tava explorando o naufrágio de R.C. Durrell. No Rio São Lourenço.

Na teoria, era um mergulho sem necessidade de descompressão, a pouco menos de 30 metros de profundidade, e a gente nem tava dentro da estrutura do navio. O problema, na verdade, era sua localização. O navio descansa de ponta-cabeça bem no meio de uma rota de navegação comercial ativa. É o caminho por onde passam cargueiros gigantescos de até 200 metros de comprimento. E para piorar, a correnteza ali é absurdamente violenta. Você simplesmente não pode subir direto para a superfície se der alguma merda, porque se você fizer isso, você pode ser atropelado e triturado por um navio de carga.

A única forma de navegar ali é se segurar em cabos de aço grossos que foram instalados para mergulhadores conseguirem se puxar contra a força da água e se estabilizarem de volta para o barco. A gente tava iniciando a nossa saída e parecia tudo sob controle. Como meu parceiro tava sem oxigênio, ele vinha na minha frente respirando pela minha mangueira de ar reserva de 2 metros, e eu vinha logo atrás com uma das mãos firme no joelho dele para garantir o contato físico.

Nossa, é parecendo jiu-jitsu isso daí, é a coisa mais gay que eu tô lendo. Em um determinado segundo, eu precisei soltar o joelho dele rápido para ajustar um detalhe no meu equipamento. Bastou esse piscar de olhos e na mesma fração de segundo em que eu soltei, a correnteza pegou ele de um jeito que arrancou ele do cabo guia. O tranco foi tão violento que ele chicoteou o cara para trás, arrancou o meu regulador da boca dele, e quando eu olhei para baixo eu fiquei em desespero.

Ele conseguiu se segurar em um cabo mais adiante na força do ódio, mas a correnteza virou o corpo dele de cabeça para baixo. Ele tava ali pendurado no meio da rota de navio, sem um regulador, sem uma gota de gás no tanque, flutuando de cabeça para baixo e balançando de um lado para o outro na água, igual uma bandeira que tava estendida ao vento. Eu me joguei na direção dele o mais rápido que eu pude, tentando não ser levado também, e eu fui recolhendo os 2 metros de mangueira que tinha ficado soltos na água.

E eu consegui alcançar o cara, enfiei o regulador na boca dele, mas como ele tava de ponta-cabeça, o equipamento entrou invertido e ele começou a engolir água ao invés de respirar. Ele mesmo conseguiu desvirar o bocal, só que no meio desse pane, com a mão dele se escorregou e ele soltou do cabo. Vendo ele, vendo ele ser levado, eu agarrei o corpo dele com tudo, mas pra fazer isso eu precisei soltar minha própria mão da corda guia.

Em um reflexo de pura sobrevivência, eu joguei as minhas duas pernas ao redor do cabo de aço e entrelacei os pés, usando o meu corpo como uma corda humana para segurar o peso de nós dois contra aquela enxurrada, aquela correnteza que tava passando debaixo do rio. Eu não sei de onde eu tirei forças, mas eu consegui ir puxando a gente de volta, centímetro por centímetro, pelas pernas, Até que nós dois conseguimos agarrar o cabo com as mãos de novo.

E foi nesse momento que um terceiro mergulhador apareceu, viu o caos que tava acontecendo ali no nosso grupo e desceu pra ajudar a gente. E a gente voltou pro barco em segurança. Mas eu te garanto uma coisa, que aquele rio quase matou nós dois.

?Voz A

Dito isso, que mangueirão, hein?

?Voz 1

Que mangueirão, cara! Que rolê, viu? Que rolê! Que mangueirão!

?Voz A

Que mangueirão! 2 metros de mangueirão!

?Voz 1

Que sufoco mais LGBT esse! Foi mais gay do que dar beijo no cotovelo.

?Voz A

Se pornô gay foi esse que a gente acabou de ler.

?Voz 1

Mas mesmo assim, que sufoco! Porque eu vou te falar, duas coisas me assustam. Uma, a correnteza debaixo do rio, né? Porque São 3 coisas, no caso. A correnteza debaixo do rio. Um rio com uma profundidade de ter um cargueiro virado de ponta-cabeça, com espaço suficiente pra outro cargueiro passar em cima. E cargueiros que são gigantes. Então, tipo, meio que uma megalofobia aqui, sabe? Medo de cargueiros muito altos. É bizarro pensar que isso existe.

?Voz A

É, eu tenho pavor disso, tá? Também. Eu tenho muito nervoso de... Ai, esse medo é muito esquisito, né? Mas eu tenho medo de coisas grandes. Mas do nada a gente tá terminando cheio de putaria. Mas não, realmente tenho medo de coisas muito grandes. Eu tenho nervoso até de imaginar coisas muito grandes, assim, me dá um—

?Voz 1

Por curiosidade, um cargueiro ele pode chegar a medir de 56 a 73 metros de distância, contando a distância da Quilha ao mastro. Eu não sei o que é uma quilha, mas o mastro é onde fica hasteada as bandeiras. As bandeiras não, hasteada as velas. E isso dá mais ou menos 24 andares de altura.

?Voz A

É muito impressionante. Sabe um conteúdo que eu tenho medo e me fascina ao mesmo tempo? É esse povo que fica tirando craca de navio.

?Voz 1

Tá, ok. É um trabalhinho desgraçado.

?Voz A

Você já viu vídeo disso? Não, amigo. Se eu ver, eu vou, eu vou achar para te mandar. É um negócio assim, tem uma pessoinha desse tamanho, um navio desse tamanho, e ela tá lá tirando craca do navio. E isso já me deixa apavorada, sabe? E eu fico, eu fico pensando assim, durante a história eu tava assim, meu Deus, se eu fosse essa pessoa, eu ia estar morrendo de vergonha também. Eu morrendo e tá preocupada com a vergonha. Eu ia morrer de vergonha.

Ai, meu Deus, eu estou sendo carregada, vou morrer feia para caramba, situação complicada aqui, Senhá. Mas eu ia estar com mistura de muito pavor e ao mesmo tempo muita vergonha de estar dando trabalho para os outros, de demorar séculos para te achar, sabe? Ai, que situação, sabe?

?Voz 1

Isso ia dar um Muito trabalho para os teus familiares, que é ficar um tempão procurando e a mobilizar.

?Voz A

Ai, eu ia ficar com tanta vergonha! Ai, que situação, sabe? Então ali na situação também a gente tá sendo carregada pela correnteza, tudo estrupiado.

?Voz 1

Esse amigo dele merece um prêmio, cara. Eu ia ser eternamente grato por causa desse amigo, porque ele fez fez de tudo para salvar esse cara. Ele fez de tudo. Sim, ele é amigo. Eu agradeço teu amigo, porque poucos fariam isso. Muitos deixariam você.

?Voz A

Estamos gravando, estamos gravando no Dia do Amigo. Já fica esse episódio de homenagem para esse amigo. Amigo, você é um amigo.

?Voz 1

Amigo, você é um amigo. Você é mais que amigo, você é um friend.

?Voz A

Você é um friend. Obrigada, amigo. Você é um amigo.

?Voz 1

Olha, antes da gente encerrar o o episódio. Se fizer, deixa eu ler um negócio para você. Deixa eu te contar uma tragédia que foi o acidente de Byford Dolphin. Vai ser uma surpresa para mim, então vou fazer uma, o comentário durante a minha leitura, porque foi a nossa queridíssima pauteira Hebe que traz pautas maravilhosas e ela falou vale a pena. Então estou confiando. Mergulhar por lazer exige certos cuidados, mas quando a gente fala de mergulhar para trabalhar em plataforma de petróleo no fundo do mar, o assunto é bem diferente.

Em águas muito profundas, a pressão sobre o corpo dos mergulhadores é imensa e muitos cuidados são necessários para que eles sobrevivam. Uma forma de lidar com isso é descer ou subir lentamente, de modo que o organismo consiga se adequar às mudanças de pressão. Mas isso demanda muito tempo, tornando o trabalho nas plataformas de petróleo impraticável. Então, a solução é o chamado mergulho de saturação. Basicamente, os mergulhadores se acostumam com a pressão apenas uma vez e convivem com ela por todo o tempo necessário para o seu trabalho.

Para manter essa pressão, eles vivem em câmaras pressurizadas por até 28 dias. É algo extremamente arriscado que exige muita especialização. Afinal, qualquer erro pode ser fatal. Em novembro de 1983, quando um grupo de 5 mergulhadores morreu na plataforma de petróleo de Byford Dolphin, disse que eles não sentiram dor, mas o acidente continua sendo uma das histórias mais horríveis que se tem registro. Mas o que que aconteceu em Byford Dolphin?

A plataforma, ela tava extraindo petróleo do Mar do Norte na costa da Noruega. 4 mergulhadores estavam em 2 câmaras pressurizadas preparando para o mergulho saturado. Com eles, outros 2 mergulhadores faziam a operação de sino de mergulho. Uma outra câmara onde eles entravam para descer até o fundo do oceano. Era muito importante que os 4 mergulhadores entrassem no sino e só tivessem contato com o ambiente no fundo do mar, para evitar que houvesse a descompressão.

Sendo assim, os profissionais responsáveis pelo sino deveriam seguir um procedimento padrão. Primeiro, ele precisava fechar a porta do sino de mergulho que tava ligada à câmara pressurizada. Depois, ele ia aumentar a pressão do sino de mergulho para selar a abertura. Depois, ele ia fechar a porta da câmara pressurizada que tava ligada ao sino de mergulho. Depois, despressurizar o corredor que ligava a câmara do sino de mergulho.

E por fim, desconectar o sino de mergulho do sistema de câmaras pressurizadas. No sábado, 5 de novembro de 1983, os dois mergulhadores saturação voltaram do trabalho do fundo do mar, saíram do sino de mergulho e entraram na câmara pressurizada, como mandava o procedimento. A porta do sino foi fechada e a pressão foi aumentada para selar a abertura. Porém, antes do terceiro passo, que era fechar a porta da câmara pressurizada, fosse concluído, um dos mergulhadores desconectou o sino de mergulho e isso expôs a câmara pressurizada a 9 atmosferas à pressão atmosférica comum, que é 1.

A descompressão explosiva foi tão forte que uma rajada de ar empurrou o sino para longe e matou um dos mergulhadores responsáveis por ele, até ferir gravemente outro. Mas o que aconteceu com os 4 homens dentro da câmara foi muito pior. A diferença de pressão fez com que o sangue dos 4 mergulhadores dentro das câmaras fervesse instantaneamente. É mais ou menos como um gás refrigerante, quando você sacode ele com muita força e abre em seguida.

Se acredita que as proteínas e as gorduras do corpo tenham cozinhado, parando a circulação quase instantaneamente. Um dos 4 mergulhadores, o que deveria fechar a porta da câmara, foi empurrado para fora com a pressão. Mas o corpo ficou preso na abertura, que se abriu. Os seus órgãos internos foram expelidos para fora com a pressão e encontrados até 10 metros de distância do local da explosão. Quem acompanhou a cena disse que foi como dissecar um cadáver.

Um dos profissionais responsáveis pelo sino foi considerado culpado pelo erro, mas como se fosse um erro humano, já que desconectou o sino antes da hora. Contudo, as famílias dos mergulhadores discordaram da decisão. Faltavam indicadores visuais para determinar a hora certa de realizar cada passo e a comunicação entre os profissionais era difícil com o barulho da plataforma. E desde então, os procedimentos de segurança nesse setor melhoraram muito e o acidente da plataforma Byford Dolphin permanece como um dos mais horripilantes da história.

É o efeito que, tipo, que pressões atmosféricas, pressões em geral Pode fazer, né? É bizarro, bizarro. É igual panela de pressão.

?Voz A

Mas assim, é bem assustador de pensar, mas é uma morte considerável. Porque não dói, né?

?Voz 1

Tipo, é um negócio muito rápido. Não é uma coisa terrível, gente. Vai ser muito rápido.

?Voz A

É, quando você vê, você tá ou no céu ou no inferno.

?Voz 1

É aquelas mortes que não dá nem pra você ter noção de que você tá morrendo.

?Voz A

É, mas é um susto, tipo, muito rápido.

?Voz 1

Acho que o maior susto foi do cara que abriu errado e falou, putz, fodeu. E acho que nem fudeu deu tempo de pensar, foi tão rápido que nem fudeu rolou.

?Voz A

Já foi e acabou. É uma morte, é uma morte chata, né? Qualquer morte é chata, ninguém quer morrer, mas não deve ser.

?Voz 1

Todo mundo quer conhecer Deus, mas ninguém quer morrer.

?Voz A

Exatamente. Então assim, É uma coisa chata que é morrer, é inconveniente, mas das mortes possíveis, até mortes possíveis nessa situação, por exemplo, afogamento, Deus que me livre.

?Voz 1

Não, afogamento você tem completa noção de que você tá morrendo, é lento, é dolorido, é doloroso, é caralho a 4, é uma das piores mortes que tem. Exatamente, então assim, até que você perca consciência, mas vai doer, vai doer pra caralho.

?Voz A

Vai doer. Eu não gosto de sentir dor, é essa questão. Então me apetece esse tipo de morte, que é tipo assim, morreu, deixou de existir, é só, sabe? Mas é muito doido pensar como a natureza, coisas da natureza, tipo pressão, vácuo, pode acabar com a gente assim, ó. Que nós somos realmente poeira de estrela, né?

?Voz 1

A gente é muito efêmero, a gente é muito efêmero.

?Voz A

Eu fico, eu sempre me perguntei, tipo, nossa, como que deve ser morrer no vácuo? É basicamente isso também, né? O sangue ferve, você meio que implode.

?Voz 1

Ou você vai se expandir muito ou você vai se contrair muito.

?Voz A

Exato.

?Voz 1

No caso deles foi de explosão, foi pra fora. Mas tem os que implode, que aí é... Que implode. Isso. Que o deles foi...

?Voz A

Os milionários no Ocean Gate.

?Voz 1

Isso. O deles foi implodido porque tava adicionando pressão. O deles foi retirando a pressão, foi retirando a pressão, foi muita pressão retirada. Que loucura, muito rápido. Mas então, pessoal, esse foi o episódio de hoje. Espero que vocês tenham se sentido com claustrofobia igual eu me senti durante a narração dessas histórias. Você se sentiu claustrofóbica?

?Voz A

Sim, porque eu sempre ouço me colocando no lugar, aí eu fico pensando. A que mais me deu agonia foi a da caverna, porque junta talassofobia com claustrofobia. E aí sim, é do caralho.

?Voz 1

É isso. Não se esqueçam também de Mergulho com Tatiana.

?Voz A

Mergulho com Tatiana.

?Voz 1

E não se esqueça que no momento em que este episódio já foi ao ar, Coach Maintenance, muito, muito pedido e aclamado por Felipe, foi ao ar.

?Voz A

Isso foi citado no vídeo, que Joana e Felipe pediram Ultimamente anuncia na Terra do Medo.

?Voz 1

Já quero o meu próximo pedido. Meu próximo pedido foi: eu quero 4 horas de vídeo para eu poder me deliciar num voo. Então fica a seu critério fazer, tipo, se vira.

?Voz A

Quer fazer falta? Você tinha pedido outra creepypasta, só não lembro qual é.

?Voz 1

Eu também não lembro qual que era não. Já fez o meu outro Glenmond?

?Voz A

Não.

?Voz 1

Então faça, é o meu próximo pedido, tá?

?Voz A

Me manda escrito, digitado, tá?

?Voz 1

Mando. Metro Glamour, ó, chuchuzinho beleza, tá? É muito bom, muito bom. Mas dito isso, meu muito obrigado a todos que ficaram até aqui, o pessoal do chat, Hebe, Bruno, C, Doug, Gabriel, Manuel, Vanilla, e tinha muita gente que acabou saindo. Esse episódio foi muito gostoso, pipocou muito. A Jô tava aqui também e É isso, obrigado e cuidado com as tachonas. Cuidado com as tachonas. Cuidado com as tachonas. Tchau, tchau!

?Voz A

Desculpa, não resisti.

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