Ubiratan Brasil: Flipoços, Guto Graça Mello e Nanini nos palcos
Ubiratan Brasil faz um balanço do Flipoços 2026, fala sobre o legado de Guto Graça Mello, que morreu nesta terça-feira, 05 de maio, e analisa “Fim de Partida”, novo espetáculo com texto de Samuel Beckett, estrelado por Marco Nanini, em cartaz no Sesc Pinheiros.
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- Legado de Guto Graça MelloDiretor musical da Rede Globo · Trilhas sonoras de novelas · Produção musical · Tema de abertura do Fantástico
- Marco Nanini em "Fim de Partida"Peça de Samuel Beckett · Análise do texto e personagens · Cenografia e direção · Teatro dentro do teatro
- EleiçõesExperiência em Poços de Caldas · Organização do evento
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Tudo bom? Posso que ficou com metade da minha voz, mano. Tô vendo, Mirata. Você não tá vendo, não. Você tá ouvindo. Vou ligar pra Gisele agora. Que isso. Que isso. Me devolve o bire inteiro, né, Mirata. Apropriação em débito é essa, menino? Que isso? Foi, foi.
Trabalhar eu não me cuido, e aí eu juntei trabalho e estava já ameaçado de uma gripe, ela veio, peguei umas noites de febre, tive que ir no pronto-socorro ontem aqui em São Paulo, mas não era grave. Nossa, Bira! É, o meu maior medo era a febre que não passava.
Descobri que não é COVID, não é nenhuma gripe pesada, mas é laringite, faringite, aquelas coisas, né? Nossa, a gente abriu o programa falando das ITs, né? Olha aí, tá vendo? Tá vendo? Então eu tô nessa aí e também, né, eu não me vacinei devidamente, deixei pra nunca, né, as...
As novas fases, a mais recente da gripe, a influenza, a covid. Agora aprendi, já que sobrevivi, vou ter que passar dessa fase e vou me vacinar. Ainda mais na minha idade, não posso vacilar. Mas está tudo bem. Agora, o pior foi antes. O último dia lá no domingo, com a Aline, uma pessoa maravilhosa, Aline Midley.
Mas assim, eu tava febril, você tem que ter um ânimo que você arruma de onde não existe. Depois da tarde, conversando com a Luciana ao vivo, deu umas tossidas no ar, que eu detesto fazer isso também. Então se eu fizer aqui, me desculpem. Acontece, acontece. Ela veio aí, ó. É só chamar que ela vem rapidinho, desgraçada. Mas pra gente resumir, Flipoços vale a pena, apesar de você ter saído de lá assim.
Não, a culpa é totalmente minha. Foi porque eu me apliquei tanto. Se eu tivesse ido e ficaram direitinho, só feito o mínimo necessário, tava voltando só o ditante. Mas não, eu aproveitei a cidade maravilhosa. O Leandro conheceu também. Sim. Você já tinha ido lá, Manu? Tinha, já fui, sim. Foi tanto no Flipossos, quanto eles fazem um também de música, que é muito bonito também. Música erudita, né, se eu não me engano.
Muito bonito. Olha só, que legal, que legal. Então, assim, a cidade é muito acolhedora, as pessoas são muito gentis, muito gentis. Uma gentileza que não é interesseira, que não está esperando algo em troca. Não, eles são naturalmente gentis com você e não só o pessoal da feira que te conhece e sabe da tua importância. Você está lá.
Na rua mesmo, é muito bom sentir essa civilidade, né? Que a gente perde tanto aqui em São Paulo. Às vezes você tem em condomínios, você tem em clubes, mas no dia a dia é difícil alguém olhar para você e falar bom dia, boa tarde. Às vezes eu virava e falava bom dia, bem baixinho assim para a pessoa. Bom dia, bom dia. Respondia alto. Então é acolhedor. Aí é um festival em si maravilhoso que a Gisele organiza. É um trabalho...
Ardo, mas o final sempre é recompensador. Muito bem. Bom, vamos de flipossos passar por uma notícia triste do dia de hoje, a perda de Guto Graçamelo. O que você pode dizer sobre ele para a gente, Birá? Pois é, que pena, né? Embora o Guto fazia já meses que não estava bem, no último mês ele piorou de saúde, ele ficou...
quase que praticamente um mês inteiro internado no Hospital Barrador, lá na Barra Tijuca, no Rio, e morreu hoje, segundo familiares, por uma parada cardiorrespiratória, estava com 78 anos. O Guto tem uma importância grande. Primeiro, e é sempre mais lembrado por isso, por ser o diretor musical da Rede Globo, nos anos 60, 70.
O que isso representou? Foi quando a Globo decidiu criar novelas com assuntos brasileiros, não mais os cubanos, que era na sua origem. E aí cada novela começou a ter a sua própria tria sonora, criada especialmente. Então eram convidados pessoas maravilhosas, músicos melhores que tinham no mercado, para gravar especialmente.
para as novelas, como Gabriela, por exemplo, foi uma das novelas mais marcantes, a primeira, com a Sônia Braga. E que o Guto pediu para o Dorival Caymmi fazer a trilha sonora de abertura, incluiu outras músicas. A primeira trilha que ele assinou foi Cavalo de Aço.
junto com o Nelson Motta. Vocês não eram nem projeto de vida quando essa novela passou. E eu assisti com o Tarcísio Meira. Eles já faziam algumas coisas no programa musical que a Marília Pera tinha, chamada Viva Marília. Era um programa muito legal também na Globo. A Globo investia muito nesses trabalhos artísticos de novelas e shows.
Ele fez Pecado Capital, imagina, Pecado Capital. Essa trilha, essa música de abertura do Paulinho da Viola, para mim, é uma das maiores obras-primas que a gente tem na nossa música. Verdade. E Sarah Mandair também, que tem uma trilha genial, pensando naquele mundo fantástico que era aquela novela. Estúpido Culpido, que foi a última novela em preto e em branco que a Globo produziu.
também com músicas dos anos 60, ele recuperou aquele momento artístico nos anos 70, ele trouxe os anos 60, que não estavam tão longe ainda, para as paradas. Então, ele foi uma pessoa muito importante. Além de produzir discos, ele chegou a produzir, eles Regina, produziu o João Gilberto, ele só lamentava de nunca ter sido convidado.
para produzir alguma coisa do Chico Buarque. Ele queria muito ter feito isso e não conseguiu. E em outras paradas ele também participava ativamente da vida, da carreira da mulher dele, a atriz Silva Massari.
Ela é atriz especialmente de musical, mas não só. Nos últimos anos ela tem feito mais musicais. É uma atriz maravilhosa, gostosa demais de ver ela em cena. E ele estava sempre lá acompanhando ela também. Então o Guto é aquela pessoa que sempre trabalhou nos bastidores.
mas que deixa uma carreira, um nome marcante. Quando ele foi gerente geral e depois foi subindo na Som Livre, ele estava num momento em que Cazuza gravou lá, Lulu Santos no início da carreira. Então foram mais de 500 discos.
que ele produziu naquele período de som livre, Rita Lee, Roberto Carlos, Maria Brethânia, enfim, ficaria horas aqui falando e lembrando de nomes. E ele criou o tema de abertura do Fantástico, quando o Fantástico foi ao ar.
no fim de 73, foi uma coisa muito em cima da hora que ele tinha que fazer, que tinha que se compor a música, e ele recebeu, junto com o Daniel Filho, ele criou a música, a letra, nas vésperas do Natal, foi uma coisa meio de rompante, e é uma música muito bonita de se ouvir, né? Pena que a Globo toda ano fica mudando, só não tem uma parte daquele ritmo. Eu adoro ver a abertura original mesmo, aquela em preto e branco, aquela...
trilha cantada, como era. E ali você vê como as pessoas dos anos 70 imaginavam o futuro, que é o que nós estamos vivendo hoje. Nós estamos vivendo um futuro muito maior do que as pessoas imaginavam. Mas ainda assim é muito bonito. Então o Guto vai deixar uma boa lembrança, mas já a história ele já deixou. Isso é que é importante.
Belíssima resenha, Bira. Obrigado. Maravilhosa análise mesmo. Eu que adoro trilhas sonoras de novela, principalmente das novelas antigas. Enfim, grande perda. Mas a gente fala ainda hoje sobre teatro à volta de Marco Nanini aos palcos paulistanos, Bira.
Então, menino, olha que legal. O Marco, ele está já naquela fase da carreira, né? Em que ele sabe que ele tem coisa para fazer, né? Não é mais o mesmo ator, né? Está com 76 anos, então é muito mais limitado. Mas ele tem o talento que não se perde nem com a velhice. E ele sempre gosta de fazer clássicos. E ele sentia a falta de um Samuel Beckett na vida dele. Ele nunca tinha feito.
E aí que, sabendo disso, o ator Guilherme Weber, que é um grande ator, grande até na altura, ele tem 1,93m, 1,94m, mas ele é um grande ator também na qualidade.
veio com a proposta de montar fim de partida, que foi muitas vezes traduzido aqui no Brasil por fim de jogo. Eles trocaram o jogo por partida porque o partida também é um jogo, jogo de futebol, partida de futebol, partida de vôlei, jogo, mas também a partida é aquela saída, você está partindo para algum lugar.
E essa história, como todas as histórias do Beckett, elas são muito fechadas, são aqueles ambientes sombrios e meio claustrofóbicos em que as pessoas não conseguem fazer o que pretendem fazer a vida inteira. E aqui é a mesma coisa. Aqui o Marco vive um personagem chamado Han, que é um velho paralítico e cego.
que vive em função, só sobrevive graças ao seu assistente, o Clove, que é o papel do Graham Weber, que sempre quer partir e nunca consegue, mas que é um serviçal, que ele é quase que um... ele é a pessoa que vive quase como escravo.
do Han. E os pais do Han, olha só, ainda tem os pais do Han, né? São duas pessoas que moram num lixo. Literalmente moram num lixo. E são interpretados pela Helena Inês. Olha que delícia ver a Helena Inês na cena. É outra também que tem 77, se não me engano. E o Ari França.
Então, são quatro personagens que dependem muito uns dos outros, que querem sair de onde estão, mas que por conta dessa dependência e também pela própria inabilidade pessoal, não conseguem nunca sair. E aí, esse clima claustrofóbico... E...
É bem traduzido pelo cenário. A Daniela Thomas, que é uma craque, essa mulher é impressionante como ela consegue sempre pensar em coisas muito originais para o teatro, pelo menos na minha opinião. Ela criou um cenário que é assim, é como se fosse um... Imagina um porão de um navio ou o que seja. Então é um lugar totalmente fechado, tem uma janela só.
Ele é baixo, até ela construiu uma altura abaixo da altura do Weber, para que ele fique sempre curvado, porque o Clove é um personagem que está sempre subserviente, então ele está sempre curvado mesmo. E ali até o próprio espaço impõe que ele fique daquele jeito. E é um texto do...
do Beckett, que mais, não sei se mais, mas muito se aproxima do próprio teatro, como ele brincava também com isso. Tem uma cena, por exemplo, que o Nanini, cego e paralítico, ele é levado para passear pelo Clove, e aí ele sente o calor assim no rosto, e ele pergunta para o Clove, ah, esse calor aqui é do sol? E o Clove diz, não, é do refletor.
sabe, então tem esse jogo toda hora de mostrar como é o teatro é como se fosse um teatro dentro do teatro então a ideia de construir também esse cenário meio claustrofóbico, que ele está dentro de um teatro e o que é fora é como se fosse um barco o Rodrigo Portela que dirigiu ele criou essa ideia, assim, aquilo é um barco
E o grande mar são os nós na plateia ali no Teatro Pinheiros, do Sesc Pinheiros, que é muito mais aberto, é um lugar amplo, aberto. Então, quando eles se viram muitas vezes para as pessoas, é como se estivesse olhando para fora em busca da liberdade, em busca de uma maior abertura. É um espetáculo muito bonito, muito bem construído. O Rodrigo Portela é um dos melhores diretores da atualidade.
Tem ainda a iluminação do Beto Bruel, que também é um craque, é um dos melhores iluminadores de teatro aqui do Brasil. Todas as iluminações dele são perfeitas. Então, assim, é toda uma conjunção de grandes atores, de um autor muito interessante. Às vezes as pessoas não entendem muito o Beckett, acham ele meio incomunicável, acham ele meio pessimista. Mas, na verdade, ele às vezes está até se divertindo. O próprio Marco me falou...
As pessoas chamam ele de pessimista e muito crítico. Essa peça, por exemplo, ele escreveu ainda sentindo os efeitos da guerra. Já nos anos de 40 para 50, a guerra era muito presente ainda. E o Macro falou que ele tinha um humor ácido, o humor dele...
É mórbido, ele não tinha muito compaixão e nem aquele cuidado com as pessoas. Ele falava o que tinha que falar na lata. Isso podia ser engraçado para alguns e podia ser triste para outros. Hoje, ouvindo isso...
A gente percebe que é mais pra engraçado, apesar de tudo. É um espetáculo muito bonito, vale muito a pena ver. Como eu já falei, está ali no Sesc Pinheiros. Posso passar o serviço já? Claro, por favor, Biram. Ó, ele está em cartaz de quarta a sábado às 20 horas, domingos e feriados. Acho que agora já não sei se vai ter mais feriados. Feriado era o primeiro de maio, às 18.
Mas nos dias 20 e 27 de maio, vão ter sessões extras às 17 horas. Então, ali no Sesc Pinheiros, as sessões... Já falei os horários, já falei. O ingresso é R$ 90,00. Em princípio, vai ficar até 31 de maio. Como sempre, as temporadas no Sesc são muito apertadas.
E, de novo, eu lembro sempre, quem tiver muito afim de ver, não conseguir achar nada na internet, que provavelmente já vai estar indicando o esgotado, pode tentar ver na bilheteria física, até com certa antecedência, e hoje para comprar para depois de amanhã, semana que vem. E, ainda assim, se não achar lugar, tem a famosa fila da esperança, que, geralmente, a maior parte, para não dizer todo mundo, eu não quero dizer sempre todo mundo, mas a maior parte das pessoas conseguem entrar.
Consegui ingresso. Porque sempre sobram lugares de pessoas convidadas que não vão. Tem gente até que compra ingresso e não vai. Acho isso tão esquisito. Também. O cara do Sesc me contou isso uma vez. Às vezes tem dez lugares vazios que foram comprados. Nossa, que doido. Mas enfim.
Que seja, né? Então, assim, eu acho que vale muito a pena e é um daqueles espetáculos que, se eu não tivesse chance nenhuma de comprar ingresso, eu tentaria, mais de uma vez, se fosse até o caso, de ver ali na fila da esperança, porque é um daqueles espetáculos memoráveis.
Eu estou aqui no site do Sesc e ainda tem pouquíssimas datas com ingressos que estão disponíveis. Não sei quantos são, quais lugares, enfim. Mas corre lá no site ou no aplicativo do Sesc, se você tiver perto de uma unidade, vai na bilheteria para garantir.
Isso, vale muito a pena. Esse é um espetáculo que eu recomendo que seja visto. E quem tiver condição e puder rever, também é melhor ainda. Boa. Muito bem. Lubiratã Brasil, que volta agora na próxima terça-feira, aqui no Fim de Tarde Eldorado, para a Derradeira. Um abraço, Vira. Até lá. Vai, até lá. Um abraço, queridos. Valeu. Fim de Tarde Eldorado.
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