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Polilaminina: a molécula milagrosa?

09 de maio de 20267min
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Referências

BUENO, P. G. M. Da proteína placentária à recuperação da mobilidade em tetraplégicos: a trajetória de um medicamento brasileiro.. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 12, n. 3, p. 1–9, 2026. CHIZE, C. M. et al. A laminin-based therapy for dogs with chronic spinal cord injury: promising results of a longitudinal trial. Frontiers in Veterinary Science, v. 12, p. 1-15, 2025. ESTADOS UNIDOS. National Institute of Child Health and Human Development. Spinal Cord Injury: condition information. Disponível em: https://www.nichd.nih.gov/health/topics/spinalinjury/conditioninfo. Acesso em: 1 maio 2026.

MENEZES, K. et al. Return of voluntary motor contraction after complete spinal cord injury: a pilot human study on polylaminin. medRxiv, [S. l.], p. 1-28, 2024. DOI: 10.1101/2024.02.19.24301010.

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Assuntos2
  • Polilaminina para Lesões MedularesO que é laminina · Polilaminina: versão modificada da laminina · Estudos em animais com polilaminina · Estudo piloto em humanos com polilaminina · Tatiana Coelho de Sampaio
  • Lesão MedularO que é lesão medular · Fases da lesão medular · Diferença entre tetraplegia e paraplegia
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Sejam bem-vindos a mais um episódio do podcast Cérebro Descomplicado. No episódio de hoje, nós vamos falar de um tema que ganhou bastante destaque no Brasil. Você provavelmente viu algo sobre isso nas redes sociais ou nos telejornais. A pesquisa da bióloga Tatiana Coelho de Sampaio e a possível cura para lesões medulares.

Mas será que é realmente uma cura? E mais importante, o que exatamente é uma lesão medular? Vamos começar do começo. A lesão medular acontece quando há algum dano à medula espinhal, que é basicamente uma grande via de comunicação.

entre o nosso encéfalo e o restante do nosso corpo. É por meio dela que nós conseguimos nos mover, sentir e até regular algumas funções automáticas, como a respiração e os batimentos cardíacos. Quando esta comunicação é interrompida, o corpo pode perder, parcialmente ou totalmente, estas funções.

E essa lesão não acontece de uma forma simples, ela tem duas fases principais. A fase primária é o trauma direto, como um acidente, por exemplo. Quando nós sofremos um acidente em que a pancada acontece na região das costas, é possível que a gente tenha um dano na medula espinhal.

Depois dessa fase do trauma, vem uma fase secundária, que é uma verdadeira cascata de eventos que acontecem dentro do nosso corpo. A inflamação do local, a falta de oxigênio nos tecidos e, em seguida, a morte das células nervosas. Ou seja, o dano continua evoluindo, mesmo depois daquele trauma inicial.

E um outro ponto importante, e que muita gente confunde, é a diferença entre a tetraplegia e a paraplegia.

A tetraplegia acontece quando a lesão medular é alta, na região cervical da coluna, aquela área do pescoço. Neste caso, a pessoa pode perder movimentos e sensibilidades não apenas nas pernas, mas também nos braços e até em parte do tronco.

Já na paraplegia, as lesões ocorrem em porções mais baixas da medula espinhal, afetando principalmente a parte inferior do corpo, como as pernas e a região abdominal. Traumas que atingem a coluna vertebral ao nível torácico e lombar podem causar paraplegia. E agora vem a grande pergunta. Como a ciência está tentando reverter esse quadro?

Bom, até o momento, a tetraplegia e a paraplegia são condições consideradas irreversíveis. Mas uma das apostas mais promissoras envolve uma proteína chamada laminina.

A laminina é uma proteína que já existe naturalmente no nosso corpo, principalmente em estruturas que sustentam células. No nosso sistema nervoso, ela tem um papel essencial. Ela auxilia no crescimento neuronal.

na organização e na formação de novas conexões neurais. Em outras palavras, ela participa ativamente, tanto do desenvolvimento do sistema nervoso, quanto dos processos de reparo deste sistema. E aqui entra um detalhe interessante.

A placenta humana é extremamente rica em laminina e algumas outras moléculas importantes. E foi daí que surgiu a ideia inovadora. A pesquisadora Tatiana desenvolveu a chamada polilaminina. A polilaminina é uma versão modificada desta proteína que está presente no nosso corpo.

Ela é feita para ser mais estável e mais eficaz, por meio de um processo que a gente chama de polimerização. A proposta é criar um ambiente favorável para que os neurônios voltem a crescer e se reconectem, algo que por muito tempo foi considerado praticamente impossível até para a ciência. Mas como isso funciona na prática?

Bom, os estudos iniciais começaram com animais, como ratos e cães. Essa molécula já vem sendo estudada por esse grupo de pesquisa há mais de 20 anos. Quando os estudos são realizados com animais, a ideia inicial é entender o efeito dessa substância

e também a segurança e eficácia antes de se testarem humanos. E os resultados são, para dizer o mínimo, animadores. Os animais que são tratados com a polilaminina apresentam melhora na locomoção, recuperação de movimentos voluntários,

e em alguns casos voltam a andar, mesmo que isso aconteça de forma parcial. Além disso, também há sinais de regeneração das fibras nervosas e reorganização do tecido lesionado. Uau! Estes estudos são promissores e abriram caminho para a realização de estudos com seres humanos.

Tatiana também realizou um estudo piloto com seres humanos. E esses resultados ainda são iniciais, mas já mostram sinais positivos. Eles foram realizados com pacientes com lesões recentes, que aconteceram há menos de 72 horas. Nestes pacientes, o tratamento com a polilaminina permitiu uma recuperação parcial de movimentação e de sensibilidade.

Mas, quando olhamos para esses resultados, é sempre importante ter cautela. Ainda não estamos falando de uma cura definitiva para as lesões medulares. Hoje, esse tipo de abordagem tem melhores resultados quando aplicados imediatamente após a lesão.

Casos antigos em que as lesões aconteceram há muito tempo, provavelmente não responderiam da mesma maneira, embora eles ainda não tenham sido diretamente estudados. Mesmo assim, o cenário é muito diferente do que era há alguns anos.

A lesão medular ainda não tem cura, mas a ciência está avançando e rápido. O que parecia impossível há 20 anos atrás, hoje já começa a dar sinais que pode sim ser transformado. E talvez o mais importante de tudo isso, essas pesquisas mostram que o futuro pode ser diferente.

Este foi mais um episódio do podcast Cérebro Descomplicado. Até a próxima!

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