Minha Canção #18: Los Hermanos - Pt. 01
Na abertura da 18ª temporada do 'Minha Canção', Sarah Oliveira destaca a trajetória da banda Los Hermanos com a primeira parte deste especial.
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Sara Oliveira
- Los Hermanos: Discografia e LegadoAniversário de álbuns e turnês · Identidade musical e melancolia · Composição de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante · Influência na música brasileira · Música como convite à desaceleração
- Significância de músicas específicasLetra sobre fragilidade e identificação · Desconstrução da virilidade masculina
- Músicas de Declaração de AmorCelebração do cotidiano e amor singelo · Sampling por Jonga na música 'Melhor Que Ontem'
- Mensagem na músicaMedley e significado das canções
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18ª temporada do Minha Canção. Eu sei que eu já fiz um aperitivo em homenagem ao Bad Bunny, mas agora começa pra valer. E eu não tinha como não começar com Los Hermanos. Eu tô devendo pra vocês essa, não tô? Eu tava devendo pra mim mesma, eu acho.
Então minha canção especial Los Hermanos. Eu vou aproveitar aí as comemorações. Bloco de Eu Sozinho faz 25 anos. O álbum 4 faz 20 anos. E todos são muito lindos. Bloco de Eu Sozinho, Ventura, 4. O Los Hermanos, que é o disco de estreia deles, né? Enfim. E eu vou dividir em dois episódios, porque eles merecem dois episódios dedicados a eles. Então Los Hermanos parte 1. A gente começa hoje. E semana que vem eu continuo com Los Hermanos parte 2.
Hoje minha canção é dedicada a uma banda que ajudou a redefinir o jeito de sentir e fazer música nos anos 2000 aqui no Brasil. Estou falando de Los Hermanos. Vocês sempre me pediam um especial sobre Los Hermanos. Eu sempre quis fazer também. Eu tenho uma relação de afeto absurda com essa banda. Uma banda que eu acompanhei desde o início e eu fui muito próxima deles. Do Amarante, do Camelo, do Barba, do Bruno.
do Patrick, no começo de tudo, e sempre tive muito amor, muito carinho por eles, e é engraçado que ultimamente eu estou ouvindo bastante com os meus filhos, eu vou falar sobre isso. E eu pensei, gente, eu preciso realmente fazer esse especial Los Hermanos, aí coincidentemente o Barba está saindo com uma turnê aí, em homenagem ao bloco do Eu Sozinho, né? Comemorando aí 25 anos do bloco do Eu Sozinho, que é esse disco que foi uma virada para Los Hermanos, eles lançaram em 2001.
Todos os vários clipes eu anunciava, enfim. Foi muito bonito para mim ter acompanhado tudo isso. Gente, foram apenas quatro discos de estúdio e eles construíram uma obra que foi uma referência no pop brasileiro. Mais do que hits ou fases, o que ficou foi uma identidade muito própria. Um caminho que saiu do barulho e encontrou a música brasileira de uma outra forma. Não tinha medo de falar de melancolia.
se tornaram letristas muito importantes. O Marcelo Camelho e o Rodrigo Amarante são letristas importantíssimos, dos mais importantes compositores dos anos 2000. E foram muito requisitados e são até hoje, e compõem para vários artistas também. Eles seguiram carreira solo.
Essa beleza de não ter medo de escrever sobre insegurança, contradição, afeto, dúvidas, eles colocavam de coração aberto tudo aquilo para uma juventude que precisava ouvir aquilo. Atravessou muita gente, pessoas de todas as idades, influencia até hoje artistas, bandas independentes, ajudou também a consolidar o cenário que valoriza justamente isso, o detalhe, o sentimento, uma palavra bem colocada, enfim.
E eu fiquei pensando que fazer esse especial em homenagem aos irmãos é muito significativo agora em 2026, porque a gente está num mundo cada vez mais acelerado e todo mundo nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp, e todo mundo querendo validação e querendo impor sua opinião, e muito preocupado com métricas e curtidas e visualizações. E eu fico pensando, todo mundo tem que ser validado, tudo exposto, exibido, né?
E eu fico pensando assim, o que é interno, o que é misterioso, acaba ficando de lado, né? A sensibilidade, ela vai perdendo espaço, a subjetividade vai perdendo espaço. E a música dos Los Hermanos, ela é um convite para desacelerar, né? Prestar atenção no que a gente sente de verdade, assim. E eu acho lindíssimo que a molecada esteja revisitando Los Hermanos ou conhecendo Los Hermanos agora.
E é por isso que eu vou abrir esse especial com De Onde Vem a Calma, que é uma canção que eu acho que resume tudo isso que eu estou falando aqui, inclusive que eu ouço muito com os meus filhotes. Aliás, olha isso. Pode falar, Chloe.
Oi, aqui é a Chloe. E eu pedi pra minha mãe pra anunciar a música que tá abrindo o especial dela dos meus irmãos. A música De Onde Vem a Calma. Um beijo! De onde vem a calma daquele cara Ele não sabe ser melhor
Ele não sabe ser mais vir Ele não sabe não vir Oi, aqui é o Martim E você acabou de ouvir a música De onde vem a calma dos dois irmãos Que é a música que a gente sempre ouve Quando tá indo pra escola
Obrigada, filhão. Olha só, essa música de Onde Vem a Calma é do álbum Ventura, de 2003, um álbum lindíssimo. Eu não consigo dizer pra vocês qual que é o meu álbum preferido de Los Hermanos, porque eu amo todos, inclusive o primeiro. Amo mesmo, assim, cada um tem um motivo pra mim. Eu acho essa letra de Onde Vem a Calma muito forte, porque ele fala assim, acho lindo quando ele fala assim, ele não sabe ser mais viril, ele não sabe não viu, e às vezes dá como um frio, é o mundo que anda hostil.
Olha esse sorriso tão indeciso, está se exibindo para a solidão. Não vão embora daqui, eu sou o que vocês são, não solta da minha mão. Eu acho que desmonta a ideia da força o tempo todo. Inclusive desmonta a ideia da virilidade masculina, né? Fala de fragilidade, de identificação, de perceber ali que no fundo...
Ninguém tá tão sozinho assim, né? Muito lindo. Fiquei muito emocionada de abrir o especial com essa música. E daí agora a gente vai ouvir o último romance, que é outra lindíssima. E até quem me vê lendo jornal na fila do pão Sabe que eu te encontrei
É tão diferente assim. Daí o último romance. E esse é do Rodrigo Amarante. A gente tocou antes, abriu com De Onde Vem a Calma, que é do Marcelo Camelo. É lindo que o Amarante escreveu assim, Até quem me vê, lendo jornal, na fila do pão, sabe que eu te encontrei. Ah, que bonito, né? Simbolizar essa alegria do cotidiano. Tão simples, assim. Uma coisa tão simples do cotidiano. E ele prestando atenção nisso.
de uma maneira inesperada, muito bonito. Ela fala de um amor de um jeito direto, sem rodeio, mas, ao mesmo tempo, muito próprio. Não é aquele amor idealizado demais, nem cheio de declarações. É um amor singelo, observado de perto, suas tentativas, os gestos pequenos. Enfim.
Vocês sabem que o Jonga acabou de sampliar essa canção no disco que ele lançou em 2025. Ele sampliou o último romance na música Melhor Que Ontem, que é a música dele. O álbum se chama Quanto Mais Eu Como, Mais Fome Eu Sinto. Vamos tocar um trechinho de Melhor Que Ontem do Jonga.
Você é quente igual sol lá da Bahia, nós é encontro do rio com o mar. Na sua pele tem sal de caraiva, seus olhos são jogun e emanjá. Não sei se eu esqueci que existe ódio ou se tu me lembrou que existe amor. Você não tava no começo da festa, só sei que ficou quando ela acabou. Taí Jong, Gassampleando, o último romance do Los Hermanos. E a gente vai com mais uma do Amarante, agora tem o Vento. E o meu avô tocava na gaita essa música. Massa.
E se chover demais, a gente vai saber, claro, de um trovão. Se alguém depois sorrir em paz. Só de encontrar.
Assistir a onda bater, mas o estrago que faz a vida é curta pra ver. Amarante inspiradíssimo em o vento. Muita gente canta essa música a plenos pulmões. Aliás, todas essas que eu tô tocando aqui, aquele DVD deles do Maracanãzinho é maravilhoso. Maravilhoso. Agora eu vou falar do 4, desse disco que está aqui, esse vinil maravilhoso.
Que tem o vento, essa música que a gente acabou de tocar, mas tem Fez Cimar, Dois Barcos, É de Lágrima, Pois É, Condicional, Morena, Paquetá. Ai, tem tanta música linda, eu adoro essa capa, adoro esse vinil.
Nos bastidores desse disco aqui, o 4, essas forças criativas da dupla, Camelo e Amarante, já estavam muito bem definidas. A gente já entendia muito bem de quem que era... Acho que antes desse disco a gente já conseguia entender, ah, essa música é do Amarante, ah, essa música é do Camelo. Mas é isso, né? O Marcelo Camelo vinha com uma escrita muito direta e confessional.
E do outro lado tinha o Amarante com esse olhar um pouco mais abstrato, bem imagético. E o vento que a gente tocou agora, ali mergulha total nesse universo. E a própria sonoridade acompanha isso, né? Muito linda essa música. E agora a gente vai com uma dobradinha que eu amo, A Flor e Quem Sabe. São duas canções que...
Foi na época que eu descobri Los Hermanos, antes de eu trabalhar com música. E a coisa mais linda, porque quando tocava no show, eu ia, na época que eu estava começando, foi o meu primeiro ano de faculdade, e o Marcelo já me conhecia e ele morria de rir, ele olhava para mim, eu já mudava a feição quando começava a flor, sabe? Adoro, adoro a flor. A gente canta até hoje gritando, né? Quem sabe o que é ter e perder alguém sente a dor que eu senti.
Quem sabe o que é ter e perder alguém
Duas canções daquela Tira o Pé do Chão, que eu pulei muito. Ai, ai, ai. Quem sabe é do primeiro disco deles de 99, que tem Ana Júlia. Antes teve a Flor, que é do segundo disco deles. O Bloco Deu Sozinho, que mostra essa ruptura do som deles. Letras mais profundas, os arranjos mais bem elaborados. Os naipes de metais, chiquérrimos ali. Flertando com a música brasileira, com a MPB. Mas também não deixando de lado o hardcore. Ah, eu gosto muito. Gosto demais.
Desse mesmo disco tem Sentimental e Primavera. Primavera eu anunciei tanto no disco, o clipe. Vamos fazer um medley aí, dessas duas canções de bloco do Eu Sozinho.
Mais sentimental que eu Primavera soprando Com caminho mais feliz Mais feliz Pois a rosa que se esconde No cabelo mais bonito É um grito, quase um mito Uma prova de amor
Amanhã, Sara Oliveira está de volta com a segunda parte do programa dedicado a Los Hermanos. Você ouviu Minha Canção, com Sara Oliveira.