Minha Canção #18: Los Hermanos - Pt. 02
Sarah Oliveira segue destacando a trajetória da banda Los Hermanos nesta segunda parte do especial.
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Sara Oliveira
- Los Hermanos: Conversa de Botas BatidasInspiração em história real de casal em prédio desmoronando · Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante como letristas · Álbum Ventura
- Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante: Composições gravadas por outros artistasMaria Rita gravou "Cara Valente" e "Veja Bem, Meu Bem" · Ney Mato Grosso gravou "Veja Bem, Meu Bem" · Maria Rita gravou "Santa Chuva" e "Veja Bem, Meu Bem" · Maria Rita gravou "Caravalente"
- Impacto no carnaval e data simbólicaCrítica à mídia e ao olhar limitado/provinciano · Relevância atual da música
- Show Jonas BrothersRegistro ao vivo no Maracanã · Precursores de mega shows com bandas brasileiras em estádios · Volta da banda em 2013
- Los Hermanos: Casa Pré-FabricadaVersão de Marcelo Camelo em "O Bloco do Eu Sozinho" · Versão ao vivo no Teatro São Pedro, Porto Alegre
- Los Hermanos: Cara EstranhaClipe impulsionou a banda · Indicação a prêmios no VMB
- O Enfeitiçamento de JúliaSucesso do primeiro disco · George Harrison gravou Ana Júlia
- Rock BrasileiroRaimundos · Charlie Brown Jr. · CPM 22 · Banguela Records · Skank
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Quem te vê passar assim por mim, não sabe o que é sofrer, ter que ver você assim.
Eu sou a Sara Oliveira e esse é o Minha Canção Especial Los Hermanos, parte 2. Se você estava comigo semana passada aqui na rádio, você ouviu a parte 1. Se não ouviu, está no YouTube. É só procurar lá Minha Canção Los Hermanos. Está no streaming, no podcast, Spotify, Deezer, Amazon, Apple. E a gente continua falando de Los Hermanos. Que delícia. Eu sei que vocês me pediam isso desde a primeira temporada do Minha Canção, lá atrás.
Agora que a gente virou maioridade, são 18 temporadas, a gente está fazendo essa homenagem aos lúzeros.
Eu estou de volta com esse especial em homenagem a Los Hermanos. Aliás, a gente está falando de bastante coisa aqui. E quem puder assistir no YouTube esse programa em vídeo, porque tem muitas imagens do Luau MTV. Tem muitas imagens das minhas entrevistas com eles para MTV. E também, recentemente, com o Marcelo Camelo para o GNT. E é muito lindo, muito lindo mesmo. De fundo, a gente está ouvindo Ana Júlia.
Será sempre um espinho dentro do meu coração Oh, Ana Júlia O sucesso absurdo do primeiro disco deles, quando eles estouraram pro Brasil inteiro. Gente, George Harrison gravou Ana Júlia. Vocês lembram disso? Vamos tocar um trechinho aqui.
Máximo, imagina um Beatle gravou uma música tua, olha só. Então minha canção hoje é hardcore.
poesia, sentimento, melodia. Essa banda cantou e tocou o amor de uma forma muito franca, né? E também muito particular, sabe? Eu acho que quando existe essa visão, esse olhar particular, íntimo, individual e muito sincero, a gente acaba se identificando. Mais ainda, porque eu acho que a gente quer fazer parte daquilo que a gente tá ouvindo, né?
Eu estreei minha série Atenção para o Refrão, no Globoplay, e eu falo muito dos refrões que transpassaram gerações. Então, eu acho que é isso. A gente canta aquele refrão como se ele fosse nosso, e a gente para para pensar no que a gente está cantando. E os Los Hermanos trouxeram muito isso. As pessoas cantavam uma coisa meio... Todo mundo falava assim, nossa, parece... ...
uma bitomania, ficou aquela febre pelos Los Hermanos, mas assim, é lindo as pessoas cantando nos shows. Eu vejo vídeos, eu mostro para os meus filhos os vídeos do Maracanã e vários outros, shows deles no Rio de Janeiro também, no Circo Voador, na Fundição Progresso, aqui em São Paulo também, muitos shows deles em Recife, que o público de Pernambuco ama Los Hermanos. É muito lindo, porque as pessoas cantam os refrões deles como se fossem orações.
prestando muita atenção no que eles estão falando, por isso que as pessoas se emocionam. Então eu valorizo demais o papel do Los Hermanos nos anos 2000, me emociono mesmo com isso. E quem sabe eu falo no Atenção para o Refrão sobre Los Hermanos um dia.
E tem uma coisa, eles foram esse fenômeno não à toa, né? Assim, além das letras, continua reverberando até hoje porque o Marcelo Camelo e o Rodrigo Amarante são geniais e eles fizeram arranjos muito cuidadosos, eles e a banda, né? Sempre muito ricos, assim.
Então eu começo esse segundo bloco com uma canção que ilustra muito o que eu tô falando, que é o Vencedor. Esse registro ao vivo do Maracanã, que eu digo, é muito forte a parte de o Vencedor, assim, geral cantando. E, aliás, eles foram precursores desses mega shows com bandas brasileiras em estádios. Porque a volta do Los Hermanos, quando eles fizeram aquela volta, quando foi, Gabes?
2013, que eles lotaram a Allianz e o Maracanã, e depois eles voltaram de novo em 2018, 19, lotando os estádios. E aquilo ganhou um gás para as bandas e artistas brasileiros também fazerem shows em estádios, o que está dando super certo até hoje, né? Então vamos lá. Eu acho que essa canção, ela mostra bem o que eu estou falando. O vencedor.
O vencedor, mais uma canetada de Marcelo Camelo, que está aí no álbum Ventura. E desse álbum também tem uma canção lindíssima, que é Conversa de Botas Batidas. E a gente ouve agora, depois eu conto a história dessa canção. É só lembrar que o amor é tão maior Que estamos sós no céu Abre as cortinas pra mim
Já desendou o nosso lugar e agora está de boa. Conversa de botas batidas.
Marcelo Camelo inspiradíssima, essa canção maravilhosa que está no álbum Ventura, que sempre está na lista dos melhores álbuns da música brasileira. Essa canção tem uma história muito bonita por trás. Marcelo Camelo estava lendo no jornal a história desse casal de velhinhos que estavam no prédio, que estava desmoronando no Rio de Janeiro. É uma história muito triste.
Mas a letra é de uma delicadeza sem fim. Ele faz o diálogo entre esses dois. Esse casal de senhores se amavam. Estavam ali no fim da vida e o prédio desmoronando. Ele contou essa história para mim num programa que eu tinha no canal GNT chamado Viva Voz. E a gente ouve agora um trechinho.
Conversa de botas batidas. Que sorte com essa roupa bonita, assim, na praia, assim, no cenário já bonito. Na verdade, ele se inspirou numa história real. Um hotel que desabou no centro da cidade. Dentro desse hotel tinham dois amantes velhos, que estavam se amando de forma foragida, como sempre, como bons amantes. Eu me lembro que só no dia seguinte que ficou claro.
que dentro dos escombros só tinha um casal que morreu abraçado. Não desabou assim de uma hora pra outra. Tinha um tempo de evacuar e eles preferiram terminar com essa fuga aqui na Terra e seguir essa coisa de forma espiritual. E essa música diz especificamente, o Camelo pontua alguns versos, ele deixa bem claro isso. Uma noite de aniversário em 2003, e o DJ, um amigo, colocou essa música pra tocar, comecei a chorar e eu tinha um amigo que enquanto a música tocava, ele me dizia o enredo dessa letra.
E isso me tocou de uma forma que até hoje mexe muito comigo. Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora. Vem, vamos além. Vou dizer que a vida é passageira. Lindo, é emocionante. É desses casos assim que quando a...
Essa coisa de revelar o que está por detrás da história da música tem essa dualidade, né? Você estreita o escopo de possibilidade de apreciação daquilo, a pessoa fica, né, tem só uma leitura do negócio. E por outro, às vezes, você cria essa relação, né? Quer dizer, tipo uma letra que é meio abstrata e remete pra coisas assim, você junta com uma história e o próprio cara cria essa relação, ajuda ele a fazer as relações poéticas, né, e emociona ainda mais.
Cara estranho, parece não achar lugar no corpo em que Deus lhe encarnou. Tropeça a cada quarteirão, não sabe a força que já tem. Talhando feito artesão a imagem de um rapaz de bem, que coisa linda, né? E daí ele fala do coração também como que é? Bati no peito um coração que não divide com ninguém.
Foi um hino da época, cara estranha. O catapultou ainda mais os romanos porque o clipe não saía da MTV, rodava direto, foi demais. Olha só, o vídeo foi indicado a cinco categorias no VMB. Direção de arte, direção, videoclipe do ano, audiência e videoclipe de rock. Nossa, eu estava assistindo o documentário dos Raimundos, gente, outro dia, que está no Globoplay.
E passa bastante os anos 90, que foram anos que eu não vivi na MTV, mas eu era audiência, né? E depois os anos 2000, que eu vivi muito só no Forever's. Era só no Forever's do Raimundos e eram esses discos maravilhosos também do Los Hermanos. Porque daí Raimundos acabou no auge, em 2001, que o Rodolfo quis sair. No auge, gente. E o Los Hermanos com essas músicas. Então eu acho que eram as bandas mais ouvidas nos anos 2000 ali, né? Charlie Brown Jr., óbvio.
Los Hermanos e Raimundos. É que Raimundos começou antes. E CPM 22. Raimundos começou antes, nos anos 90. Com aquele selo Banguela Records, que os Titãs criaram pra lançar bandas independentes. Lançaram, inclusive, Skank nos anos 90. A gente já fez o Minha Canção Skank, com o Samuel Rosa aqui no estúdio, meu amigo querido.
Bom, e por falar nessa consolidação absurda de Amarante e Camelo como letristas no comecinho dos anos 2000, alguns exemplos aqui, que eles foram muito requisitados, né? Maria Naidar gravou Deixo Verão no primeiro disco dela. Roberta Sá fez uma versão linda de Casa Pré-Fabricada. É linda essa versão. Maria Rita gravou três músicas do Camelo no álbum dela de estreia. Olha só, Santa Chuva, Veja Bem, Meu Bem. Ai, que coisa linda, que nem Mato Grosso gravou também.
E olha que interessante, o Ney faz a turnê dele, o Bloco na Rua, há mil anos, né? É a mesma turnê. E ele muda, às vezes ele muda uma ou outra música, porque ele pode, gente, a pessoa pode. Ele lota shows onde quer que faça, apenas porque as pessoas vão lá pra ver o Ney Mato Grosso. Então não importa de que turnê que é, né? E ele às vezes muda, fica o Bloco na Rua e às vezes agora ele tá chamando de Homem com H.
Mas fato é que em alguns shows ele põe Veja Bem, Meu Bem, em outros não, ele faz o que dá na telha, mas é a mesma turnê e tinha Veja Bem, Meu Bem no começo. E o Ney gravou divinamente bem essa música, lindo. E Caravalente também, que a Maria Rita gravou. Então assim, eu vou mostrar para vocês Caravalente, que foi um estouro na voz da Maria Rita, e Ney Mato Grosso cantando Veja Bem, Meu Bem. É muita moral, né?
Não bota esse cartaz A gente não cai não Ele não é de nada Poiar essa cara amarrada É só um jeito de viver Rapid ou sem paz Sem ter um morto Quase morto Sem um carro
Mas a solidão deixa o coração.
Está aí Neymato Grosso cantando Veja Bem, Meu Bem. E antes teve Cara Valente com Maria Rita, duas composições do Marcelo Camelo. E que moral, né? Essas regravações. Eu só queria fazer um comentário sobre Veja Bem, Meu Bem. Essa letra é muito interessante porque ele começa falando Veja bem, meu bem, sinto lhe informar que arranjei alguém para me confortar e se alguém está quando você sai.
Ou seja, parece que ele está falando de uma separação e que ele arranjou uma outra pessoa. Aí ele termina com esse verso lindíssimo. Se eu te troquei, não foi por maldade, amor, veja bem, arranjei alguém, chama-do saudade. Então é lindo, porque começa parecendo que vai falar de uma separação e depois fala sobre saudade, uma maneira bonita de falar sobre saudade. Bom, agora a gente vai com Casa Pré-Fabricada e Além do que se vê, mais duas de Marcelo Camelo e uma versão que eu ouvi outro dia no táxi.
E eu dei um Shazam que eu não conhecia. Eu falei, como assim eu não conheço essa versão de casa pré-fabricada? É um ao vivo no teatro de Porto Alegre. Foi gravado em 2012. Tá? É ao vivo no Teatro São Pedro. Abre essa janela Primavera quer entrar Pra fazer da nossa voz
Pra gente conversar Diz pro bambuzar o violão Pede pro tipo me esperar E avisa que eu só vou chegar
Além do que se vê, mais uma do álbum Ventura do Los Hermanos. E antes teve Marcelo Camelo na sua fase solo, fazendo uma versão dessa canção Casa Pré-Fabricada, que é do bloco do Eu Sozinho. Mas ele fez essa versão no disco dele, ao vivo no Teatro São Pedro. Uma versão, como eu disse, que eu não conhecia. Fiquei muito surpresa, achei muito linda.
Gente, vou finalizar aqui o Minha Canção. Hoje dedicado a essa banda que conseguiu, então, poucos discos, apenas quatro discos, deixar uma marca super profunda e importante na música brasileira dos anos 2000. Repito que Los Hermanos reiterou pra gente a importância da gente prestar atenção no que a gente tá ouvindo e no que a gente tá cantando.
as canções do Marcelo Camelo e do Rodrigo Amarante eu acho que ajudaram muita gente e eu acompanhei isso de perto e foi muito bonito a entender e respeitar a intimidade do outro a sensibilidade do outro
e ainda assim se conectar profundamente com o outro. É muito, muito bonito. Eu realmente fico muito emocionada, porque eu acho uma obra linda, e eu escolhi Todo Carnaval Tem Seu Fim para encerrar esse programa de uma forma também simbólica, porque é uma música cantada todos os anos, quando acaba o carnaval, o carnaval é a festa de rua mais importante do mundo, e a festa mais importante do Brasil, né? Então, é bonito, e tem uma ironia fina, uma crítica ali que o Marcelo faz, e depois...
que eu acho muito interessante a leitura aqui. Ele canta Toda Folha Elege um Alguém que Mora Logo ao Lado.
É quase uma crítica esse olhar limitado, provinciano, que muitas vezes valoriza só o que está mais próximo, o que é mais conveniente, né? O que está dentro daquela bolha, o que está dentro daquele circuito. Então, é uma ironia fina a mídia, mas, na verdade, eu acho que é todo mundo que vive numa bolha e só valoriza quem está na sua bolha e só ouve a sua bolha. Eu acho incrível, assim.
como essa música reverbera e é tão atual. Então vamos lá. Todo carnaval tem seu fim, encerrando esse especial em homenagem aos meus queridos Los Hermitos. Todo dia um ninguém, José, acorda já deitado Todo dia ainda de pé, José dorme acordado Todo dia o dia não quer
O dia insiste em nascer Mas o dia insiste em nascer Pra ver Deitar o meu Minha canção tá de volta Com um especial dedicado às canções Dos anos 90 Inspirado na trilha sonora da série American Love Story
Você ouviu Minha Canção, com Sara Oliveira.