Episódios de Ciência Ufes

CIENCIA UFES 232(09) - 01.05.26 - VALESCHA GUERRA - GRUPO DE ESTUDOS E PRÁTICAS EM PSICOLOGIA POSITIVA DA UFES - CCHN - GOIABEIRAS

08 de maio de 202655min
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O programa Ciência Ufes, desta sexta-feira, fala com a professora e coordenadora do Grupo de Estudos e Práticas em Psicologia Positiva da Ufes, Valescha Guerra. Entre tantos estudos, o grupo de pesquisa pretende compreender como experiências de violência, preconceito e discriminação afetam o bem-estar e a saúde mental de mulheres e pessoas LGBTQIAP+. Os estudos investigam fatores de risco e de proteção, além de estratégias de enfrentamento utilizadas por essa população, com o objetivo de ampliar o conhecimento científico sobre essas vivências e suas repercussões psicológicas. Nessa conversa com Valescha Guerra vamos entender como esses estudos fazem uma ponte entre a Psicologia Positiva e a Psicologia Social, estudando o impacto do preconceito, do estresse de minorias e das violências sofridas no bem-estar, na saúde mental e na qualidade de vida das pessoas.

Participantes neste episódio2
H

Hélio Marquioni

HostApresentador
V

Valescha Guerra

ConvidadoProfessora e coordenadora do Grupo de Estudos e Práticas em Psicologia Positiva da UFES
Assuntos4
  • Violência PsicológicaImpacto em mulheres e pessoas LGBTQIAP+ · Interseccionalidade (raça, etnia, orientação sexual) · Trauma complexo e estresse de minorias · Tentativas de cura gay e conversão sexual · Resiliência e rede de apoio
  • Combate ao Preconceito e ViolênciaAvanços e desafios na sociedade · Criminalização e visibilização de violências · Papel das políticas públicas e demora na implementação · Inclusão de homens no combate à violência contra a mulher · Lei contra homofobia
  • História da Psicologia PositivaOrigens antigas e movimento científico nos anos 2000 · Contribuições de Martin Seligman e Mihaly Csikszentmihalyi · Diferenças entre a versão estadunidense e a brasileira (bem viver)
  • Divulgação CientíficaEssencial para o avanço e questionamento da ciência · Papel na crítica e aprimoramento do conhecimento · Exemplo de pesquisa sobre raça e inteligência · Ciência vive da controvérsia e do diálogo
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Ciência UFIS. O seu programa de divulgação da ciência capixaba.

Eu sou Hélio Marquioni, estamos no ar com mais um programa Ciência UFIS. O programa de divulgação científica das pesquisas, ações e projetos da UFIS que tem um impacto direto na sua vida, um impacto direto na vida das pessoas. Programa Ciência UFIS. Ciência UFIS, a ciência que tem impacto direto na sua vida.

E esse é o programa 232, ano 8. Programa Ciência UFES 232, ano 8. Lembrando que você acessa todos os programas Ciência UFES no portal da nossa rádio, no endereço rádio.ufes.br barra Ciência UFES. rádio.ufes.br barra Ciência UFES. E também na nossa página no Spotify. Acessa lá.

Ciência UFIS. O seu programa de divulgação da ciência capixaba. E o programa Ciência UFIS dessa sexta-feira fala com a professora e coordenadora do Grupo de Estudos e Práticas em Psicologia Positiva aqui da UFIS, professora Valesca Guerra. Entre tantos estudos que eles fazem lá nesse grupo,

Esse grupo de pesquisa pretende compreender, mais recentemente, como experiências de violência, preconceito e discriminação afetam o bem-estar e a saúde mental de mulheres e também de pessoas LGBTQIAP+.

Os estudos investigam fatores de risco e de proteção, além de estratégias de enfrentamento utilizadas por essa população, com o objetivo de ampliar conhecimento científico sobre essas vivências e suas repercussões psicológicas. Fundamental, né? Nessa conversa com Valesca Guerra, vamos entender como esses estudos fazem uma ponte entre a psicologia positiva e a psicologia social, que eu confesso.

conheço muito pouco, tanto de uma quanto da outra, mas a Valesca está aqui para dar uma aula para a gente sobre isso. Eles estão estudando o impacto do preconceito, do estresse de minorias e das violências sofridas, o impacto disso no bem-estar, na saúde mental e na qualidade de vida das pessoas. Olá, professora Valesca Guerra, seja bem-vinda ao programa Ciência UFIS. Olá, Helio, é um prazer estar aqui, olá, ouvintes, espero poder contribuir um pouco aí com vocês.

Vai contribuir muito. Essa é uma pauta que eu já queria há muito tempo ter trazido aqui, mas agora a gente conseguiu conciliar as nossas agendas, e a professora Valesca Guerra está com a gente aqui, para falar sobre... Vamos começar falando sobre psicologia positiva, que é uma curiosidade que eu tenho muito. Eu sou uma pessoa extremamente positiva, otimista, mas sou casado.

com uma pessoa que não é lá tão positiva assim, e eu acho que esse tema é muito legal, para a gente entender um pouco, né? As pessoas, eu acho que o senso comum, a gente divide muitas pessoas. Eu vejo o tempo todo as pessoas falando, ou você é otimista ou você é pessimista. Acho que a psicologia positiva ajuda a gente a entender isso. Então, eu te pergunto, o que é psicologia positiva e quais as principais pesquisas que vocês têm realizado?

lá nesse grupo de estudos e práticas em psicologia positiva da UFIS.

Então, essa é uma pergunta ótima, na verdade, porque existe um senso comum que acaba falando um pouco de psicologia positiva de uma forma muito errônea, ao nosso ver, para quem faz pesquisa na área. Eu imagino. A psicologia positiva, na verdade, ela não é uma abordagem terapêutica, uma abordagem da psicologia. É um movimento científico. Ah, legal. Então, como é que a gente pode definir isso? Enquanto o movimento científico é um grupo de pesquisadores...

percebeu que durante muito tempo a psicologia, tradicionalmente, no desenvolver da ciência, ela se focou, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, em todos os aspectos que poderiam contribuir para a redução do sofrimento. Por necessidade, por...

Tudo que é necessário, a gente quer reduzir o sofrimento e uma guerra chama muita atenção. Claro. Como a psicologia originou e tem suas bases na Europa, nos Estados Unidos, tudo isso está relacionado às guerras, então todo o impulsionamento da psicologia enquanto ciência derivou desse momento. E aí, com o passar do tempo, com a percepção de que sim, foi possível curar algumas doenças, doenças mentais, foi possível efetivamente reduzir o sofrimento,

Alguns pesquisadores perceberam que não é apenas a redução do sofrimento que traz felicidade. Então, a gente pode sim reduzir o sofrimento, mas a pessoa não se sentir bem, não ter bem-estar, não ter sentido de vida, não saber como passar pelas dificuldades. Então, você pode oferecer direitos e a pessoa não sabe muito o que fazer com aquilo. Então, a gente consegue, se a pessoa está no negativo, levar para o zero, mas do zero para o positivo, como é que a gente faz?

Entendi. E me ocorreu também um exemplo, talvez, muita gente fala assim, a pessoa tem tudo, tem dinheiro, é rico e não é feliz. Exato. Isso é muito comum, na verdade. A taxa de busca para tratamentos psiquiátricos e tratamentos psicológicos é muito alta em população que tem renda, que tem verba.

inclusive pelo acesso. Então, é importante a gente pensar, e eu vou pedir licença aqui para falar uma frase do Ariano Suassuna que eu gosto muito, que o Ariano vai dizer que não gosta de pessoas otimistas porque eles são muito ludidos, nem de pessoas pessimistas porque eles são chatos.

A psicologia positiva, como o Ariano fala, o Ariano diz, eu prefiro ser um realista esperançoso. Então, para mim, a psicologia positiva, o movimento da psicologia, que é esse de chamar a atenção para aspectos positivos, para aspectos saudáveis da vida, da vida humana.

É isso, é apontar que existem muitas coisas ruins, mas também existem muitas coisas boas e a gente não está olhando para elas. Uma forma de ver a história do copo meio cheio, ou meio vazio. Isso, na verdade não é nem isso. Quando a gente para para pensar na história do copo, os otimistas vão dizer que está meio cheio, os pessimistas vão dizer que está meio vazio, a psicologia positiva vai dizer que tem água.

Entendi. Tem coisa boa aí. Tem coisa boa. Não importa a quantidade, tem. Então, assim, essa parte, eu acho que ela é muito importante do reconhecimento do qual é o fato. O fato hoje é que a gente tem muita violência, a gente tem muito sofrimento, a gente tem muito estresse, muita ansiedade nos dias de hoje.

Mas a gente também tem muitas pessoas agindo de forma decente, de forma digna, pessoas felizes, pessoas contribuindo para a sociedade de forma ampla. A gente também tem pessoas que não aparecem tanto na mídia, que não tem tanta divulgação. Então, não quer dizer que só porque esse lado negativo tem uma ampla divulgação, que só ele exista.

E tem uma ampla divulgação que a gente estava conversando um pouquinho antes da entrevista aqui. A pauta da mídia é extremamente negativa. Extremamente negativa. E como eu falei para você, tem um motivo para isso. Tem uma explicação para isso? Tem uma explicação científica para isso. Gera muita audiência porque o nosso cérebro não se desenvolveu evolutivamente para ser feliz. Ele se desenvolveu para sobreviver. Para promover a sobrevivência da nossa espécie.

e a minha individual enquanto pessoa. Então, o que é que o meu cérebro vai fazer? Ele vai ficar, ele vai atuar o tempo inteiro mapeando tudo que tem ao meu redor que possa parecer como alguma ameaça. Então, se for uma ameaça física, isso vai, qualquer coisa vai bloquear qualquer outro sistema para que eu foque aquilo e me salve de alguma forma.

Ou seja, a prioridade não é ser feliz, é sobreviver. É sobreviver. Então, além disso, quando não tem ameaça física, o cérebro vai focar em ameaças simbólicas. Certo. Que é o quê?

O meu chefe, ele está ameaçando de alguma forma, está me estressando, ele gera algum assédio, alguma coisa assim? Se isso gera, isso pode gerar uma morte que é simbólica, é a morte do meu trabalho, é a minha perda de status social, é uma série de coisas, talvez a perda do meu emprego.

Coisas que vão contribuir para o meu sofrimento. Que pode não ser um sofrimento de uma morte física, que ameaça a minha sobrevivência, mas ameaça a minha sobrevivência social. Então o cérebro vai tomar isso também como uma ameaça e vai prestar atenção. Por isso, ao descobrir que vender, que divulgar...

coisas, notícias negativas gera tanta mídia, é porque está ativando nas pessoas esse senso de urgência, esse senso de ameaça o tempo inteiro. Então a gente fica permanentemente prestando atenção. Tem um pesquisador da psicologia positiva que ele diz que tudo que é negativo gruda como velcro na nossa cabeça. E tudo que é negativo é como, desculpa, tudo que é negativo é como velcro e tudo que é positivo é como teflon.

Então ele passa no nosso cérebro, mas ele passa e sai rápido. Enquanto que o velcro, o negativo, ele gruda. Ele fica grudado na nossa cabeça. Então, por causa disso. Porque ele ativa esse aspecto na gente, que é de manutenção da sobrevivência. É a psicologia positiva, cuida...

De tentar grudar mais coisas boas no cérebro. Grudar mais coisas boas, porque o cérebro aprende. O que a gente chama de neuroplasticidade é essa capacidade que a gente tem de treinar o nosso cérebro. De fazer com que ele preste mais atenção em certos aspectos.

que ele não necessariamente prestava atenção hoje, é o desenvolvimento de hábitos. Então, se uma pessoa é muito pessimista, a gente pode trabalhar alguns aspectos para que ela comece a prestar atenção efetivamente nas coisas boas que realmente existem na vida dela. Pode ser que existam muitas coisas boas que ela não esteja prestando atenção.

Pode ser que não existam. Então a psicologia positiva vai tentar mostrar a realidade disso. Será que existe? Se existir, a gente pode conscientemente tentar prestar mais atenção nisso ou a gente vai identificar que não existem e tentar criar aspectos positivos para prestar atenção.

Perfeitamente, professora Valesca Guerra conosco aqui no programa Ciência UFES, falando sobre psicologia positiva e também sobre o grupo de estudos e práticas em psicologia positiva que ela coordena aqui na UFES. Fala um pouquinho então do trabalho desse grupo, professora, recentemente. Quais são as pesquisas que vocês têm realizado nesse grupo? As pesquisas de destaque? Fala um pouquinho do trabalho de vocês nesse grupo de estudos.

Então, o Grupo de Estudos e Práticas em Psicologia Positiva é um grupo maravilhoso. A meu ver, eu sou totalmente suspeita. Bacana, bacana. É muito feliz de conseguir coordenar esse grupo, de chamar a atenção das pessoas para esses aspectos. E o que a gente quer não é.

substituir conhecimento. A gente quer complementar. Por isso é um movimento e não uma abordagem. O movimento vem para contribuir com mais informações. Então, eu pesquiso como psicóloga aspectos negativos também. Eu vou pesquisar violência, eu vou pesquisar estresse, eu vou pesquisar o sofrimento, a depressão das pessoas. Mas eu vou complementar essa informação com outras. O que é que me ajuda?

a contribuir para o bem-estar dessas pessoas. O que é que está servindo como um fator de proteção? O que é que ajuda a proteger? Então, lá no grupo, a gente tem três aspectos principais da vivência universitária, o ensino, a pesquisa e a extensão.

O ensino, a gente tem aqui na UFES, uma das poucas disciplinas dedicadas à psicologia positiva, integralmente dedicadas, que tem no curso de psicologia aqui, é uma apitativa, não existem nas universidades de forma geral, são poucas as universidades do Brasil que tem, então a gente tem uma disciplina inteira para falar sobre isso, teorias, construtos que vão contribuir, então a gente fala sobre várias teorias diferentes de bem-estar, a gente vai falar sobre...

resiliência, que é a nossa capacidade de a gente se reerguer após um sofrimento muito grande. A gente vai falar sobre crescimento pós-traumático, que é a capacidade humana de crescer emocional e psicologicamente após um grande trauma.

A gente vai falar sobre flow, que é um estado de fluxo de prestar atenção integralmente ao que você está fazendo no momento em que você está fazendo. Então, vários desses aspectos que a gente vai trabalhar na disciplina optativa que é ofertada para o curso de psicologia.

Além disso, a gente tem as pesquisas e a extensão. Na extensão, nós fazemos atendimentos. A gente tem uma parceria com o pessoal do Nutraambulatório, da professora Fabiola, lá da nutrição, que nós atendemos com uma abordagem específica que tem um pezinho lá na psicologia positiva, pessoas com transtornos alimentares.

E na pesquisa, nós fazemos várias pesquisas diferentes com populações diferentes. Então, a gente tem pesquisas que foram feitas com idosos, pesquisas que foram feitas com mães no puerpério, com profissionais de saúde na época da pandemia. Então, tentando entender qual o nível de sofrimento que estava acontecendo naquele momento, naquele contexto, e como a gente poderia ajudar, que fatores poderiam ser mais trabalhados para melhorar o bem-estar e a qualidade de vida daquelas pessoas. Mais recentemente, a gente tem focado nessa parceria mais...

integral com temas da psicologia social, que é a minha área de formação. Então, falar sobre preconceito, sobre discriminação e falar sobre sexismo, sobre violência contra a mulher, são aspectos que a gente trabalha muito dentro da psicologia social. E, para mim, a psicologia positiva veio para complementar isso. Então, a gente já tem muita informação.

sobre como esses aspectos abalam, como essas violências todas, elas vão afetar psicológica e fisicamente as pessoas, o que a gente precisa agora é, ok, eu já sei disso, o que é que eu faço para além disso? Como eu faço para ajudar essa mulher a se reerguer? Como é que eu posso contribuir para o crescimento psicológico dela após a vivência de uma violência sexual, por exemplo?

como é que a gente vai contribuir para que as pessoas LGBT, PQIA e animais elas possam se sentir bem apesar desse mundo extremamente homofóbico que tem uma alta taxa de assassinatos de pessoas trans, por exemplo então como é que a gente pode contribuir para garantir uma certa resiliência e força psicológica e emocional para que essas pessoas vivam bem apesar disso tudo Aquele mundo está acima Aquele mundo está acima Aquele mundo está acima Aquele mundo está acima Aquele mundo está acima

Então o foco tem sido esse. Perfeitamente, professora. Mas me satisfaço uma curiosidade. A psicologia positiva, você está falando que tem uma disciplina aqui na UFSS integralmente dedicada à psicologia positiva. Essa disciplina não tem em outras instituições. É uma área nova, são estudos novos da psicologia.

Contextualize historicamente um pouquinho dessa área aí chamada psicologia positiva. Então, a psicologia positiva, historicamente, enquanto o movimento científico, ela surgiu só nos anos 2000, no ano 2000. Então, é muito recente. Essa é a minha percepção. Tem 26 anos. Tradicionalmente, em termos do conteúdo em si, já existe há bem mais tempo. Certo.

Mas o conteúdo espalhado dentro da disciplina geral da área da psicologia. Tem um pai, uma mãe. Então, tem o pai de batismo. Quando a gente vai falar, por exemplo, sobre o interesse humano pela felicidade, pelo bem-estar, isso vai remotar os gregos. A gente vai para o Oriente, para Buda. Buda já falava disso. Confúcio falava sobre essas coisas. Então, a gente vai desde a história da humanidade, o humano.

têm interesse em ser feliz. Então, os seres humanos buscam o tempo todo evitar o sofrimento e a felicidade. Eles estão buscando a felicidade. Mas aí entra uma frase que me marcou muito. Eu não lembro quem falou. Vou pesquisar a origem. Talvez você até saiba. Que fala assim, a gente é muito mais infeliz na infelicidade do que feliz na felicidade.

Sim, mas isso também está relacionado, não sei quem falou. A questão da sobrevivência. A questão da sobrevivência. Porque, assim, tem um teórico que eu gosto muito. O nome dele é Paul Gilbert. Ele é um criador de uma abordagem, que é a minha abordagem de atuação, que chama Terapia Focada na Compaixão. Certo. O Gilbert vai falar que, na forma como o nosso cérebro se desenvolveu, evolutivamente falando, se a gente pegar, por exemplo, um exemplo de um outro mamífero que ele utiliza, que é uma zebra. A zebra está lá na savana.

pastando lindamente com outras zebras. E se aparece um leão, vai ativar esse sistema de ameaça e defesa, ela vai sair correndo. Claro. Vamos dizer que nesse dia o leão saiu insatisfeito e a zebra conseguiu sobreviver. O leão não conseguiu comer a zebra. Foi o dia da caça. É. E aí, quando ela percebe que ela está satisfeita, que está tudo bem, ela não está mais sob ameaça, ela volta a pastar naturalmente.

O que acontece com o humano? O cérebro humano tem novas camadas que geraram símbolos, linguagem, imaginação ultra fértil. O córtex pré-frontal maravilhoso que evoluiu. Esse córtex faz com que a gente tenha desenvolvido essa imaginação tão fértil que se fosse um humano lá na savana e um leão aparecesse, e vamos dizer que a gente conseguiu sobreviver a esse leão,

No dia seguinte, na sua casa, fora da savana, você ia estar. E se o leão aparecer aqui? E o que é que vai acontecer? E eu posso desenvolver uma fobia a leões. Eu vou ficar pensando naquilo. Porque o cérebro, ele é extremamente criativo. Então, isso pode ficar em looping na nossa cabeça. Você nunca mais vai pastar com a mesma tranquilidade. Você nunca mais, como uma zebra, passe.

A zebra vai. A zebra vai. A gente não consegue. Mais. A gente não consegue. Aquele trauma vai ficar. Aquele trauma vai ficar e você vai ter que trabalhar isso de alguma forma. Pessoas que têm medo de avião, por exemplo. Eu sou uma pessoa que tem medo de avião. Nunca me aconteceu nada muito sério dentro de um avião que me impedisse de voar. Eu sempre vou. Nunca deixei de voar. Mas tem pessoas que passaram por coisas muito sérias e elas param.

De voar. Porque aquilo fica na cabeça. Você desenvolve uma crise de pânico. Alguma coisa. Então, essa infelicidade. Ela é mais profunda. Porque nós temos uma capacidade de imaginação e simbologia. Que faz com que aquilo permaneça na nossa cabeça. Isso fica registrado na nossa cabeça. Enquanto que outras espécies não tem.

Perfeitamente, professora Valesca Guerra conosco aqui no programa Ciência UFIS, falando sobre psicologia positiva e falando também sobre os estudos no grupo de estudo que ela coordena em práticas em psicologia positiva aqui na UFIS. Professora, vamos falar um pouquinho mais.

Sobre essas pesquisas, vocês têm pesquisado, têm concentrado esforços em compreender como as experiências de violência, preconceito e discriminação afetam o bem-estar e a saúde mental de mulheres e pessoas LGBTQIAP+. Vamos falar desses dois grupos.

Fala um pouquinho para a gente como é que essas experiências de violência afetam a essas duas populações, principalmente. É claro que a gente tem violências contra minorias, outras, mas eu percebo que vocês têm estudos concentrados nas mulheres e na população LGBTQIAP+. Como é que essas violências afetam esses dois grupos?

Então, a violência vai afetar de forma similar no sentido de trazer muito sofrimento, tanto físico quanto mental. E aí, aqui é interessante a gente lembrar que a gente fala como se fosse separado físico e mental, saúde física e saúde mental, mas que na prática não é.

Tudo que afeta a nossa mente negativamente vai afetar o nosso corpo, porque faz parte, é um todo integrado. E tudo que afeta o nosso físico vai afetar a nossa mente. Então, elas não são separadas. A gente usa, ah, isso aqui afeta a saúde física. Mas se você vai verificar, por exemplo, vai fazer pesquisas sobre saúde física, você vê que quem tem doenças crônicas tem sérios problemas de saúde mental também.

Tem um nível de sofrimento mental muito grande. Então são coisas que são interligadas, elas não são separadas. Afeta de forma ampliada a saúde física, de forma geral, o desenvolvimento de doenças, a saúde mental, aumento de depressão, aumento de ansiedade, perda de sentido de vida. Então tem uma série de coisas, o desenvolvimento de transtornos, traumas, transtorno de estresse pós-traumático, transtorno de trauma complexo, por exemplo, que é aquele trauma de uma violência vivida.

de forma recorrente e pequena ao longo de muito tempo. Não é só uma violência pontual. É algo que você vai vivendo, que a gente vê nessas duas populações. É uma vivência de trauma complexo. Então, é importante a gente chamar a atenção para essas duas. Mas a gente não fica só nessas duas. Dentro dessas duas, a gente ainda tem, dessas duas populações, recortes de cor e etnia. Porque assim...

Várias coisas que afetam as mulheres afetam mais as mulheres negras. Várias coisas que afetam a população LGBT afetam mais a população LGBT negra. Então, com o olhar da psicologia social, a gente compreende que a gente precisa pensar nessa pessoa de forma interseccional. Tem uma interseccionalidade ali, uma combinação de identidades diferentes. Se for uma mulher negra homossexual, o nível de sofrimento vai combinar essas três coisas, por exemplo.

Então, dentro desses grupos, o que a gente tem estudado são basicamente noções de crescimento pós-traumático, da vivência de violência, com que frequência você vive essa violência, a discriminação vivenciada no dia a dia, tanto de pessoas assumidas como de pessoas não assumidas. Essa é uma população, a população não assumida normalmente não se assume por medo da violência, por medo da discriminação.

E aí, esse não assumir, ele é uma forma de proteção para a pessoa. E a gente quer entender como é que ela lida com... Ela continua no mundo, ela continua vivendo e vendo a discriminação que outras pessoas sofrem. Ela não fala que é, mas ela vê aquilo. Então, como é que ela lida com isso? Quais são as estratégias que ela usa para lidar com essa violência que ela não sente diretamente direcionada a ela, mas que ela sente porque ela é não assumida dentro daquele contexto. Aquele outro.

pessoas que sofreram, por exemplo, tentativas de cura gay, de conversão sexual. A gente está com uma pesquisa de mestrado encerrando agora sobre essa população. A gente ouve falar disso, professor, principalmente em época de campanha eleitoral, muita gente fala disso. A gente não acredita, mas existe e é frequente.

Existem tentativas reais de diversos grupos, inclusive grupos profissionais de psicólogos, que tentam, através da religião, mudar a orientação sexual de uma pessoa. E é muito importante dizer que orientação sexual não é uma coisa que seja mutável. Nasce com a pessoa. Até o momento, o que a ciência tem mostrado é que é algo que a pessoa... Tem uma tendência que a pessoa nasce com ela. Então, não tem como mudar.

Se eu não tenho como mudar, não vai ter religião, partido político, o que quer que seja que vai contribuir, você só vai contribuir para o sofrimento, de forma geral, daquela pessoa. Então, quando a gente trata, isso é completamente banido na psicologia.

Mas existem psicólogos que acreditam. Inclusive tem psicólogos que lutaram numa tentativa de fazer com que fosse permitido e atuavam nessa forma na prática, eles tiveram o título de psicólogos cassados. No Brasil já aconteceu isso? Já aconteceu. E é importante que aconteça, porque...

A gente precisa seguir a ciência. A psicologia é de base científica. Se a ciência nos diz, e os conselhos federais apontam toda uma regulamentação que diz que a gente não pode fazer, a gente não pode fazer.

só que algumas pessoas não concordam com isso e aí elas atuam nesse sentido mas assim, normalmente por debaixo do pano para não ser caçado e coisas desse tipo mas muitas igrejas buscam fazer isso esse foco de cunho religioso infelizmente ele é muito grande ainda tratamentos psiquiátricos também tentam mas de forma geral de forma ampliada todos os dados científicos eles vão mostrar

Que qualquer tentativa de cura gay, de conversão de orientação sexual, eles trazem só danos, tanto físicos como emocionais, psicológicos para a pessoa. Então a gente queria entender o que é que explica, como a gente pode contribuir, o que é que a gente pode trabalhar para a resiliência dessas pessoas. E o que é resiliência? A resiliência é essa capacidade que a gente tem de se reerguer após a vivência de um sofrimento muito grande.

Então, se é o seu pai, a sua mãe que está dizendo para você que você é errado, que você precisa mudar, como é que essa pessoa se estrutura para ficar bem depois de ser rejeitada pela própria família? Que, na verdade, é o primeiro contexto de exclusão da população LGBT, é a família.

Então a gente foi investigar, uma das minhas mestrandas, a Samela, ela investiga esses aspectos da conversão sexual. E a gente percebeu a importância de uma rede de apoio bem estruturada. Se for familiar é melhor, mas no geral não é. Normalmente são a família de escolha, os amigos que apoiam. Uma rede de apoio bem estruturada para além dos amigos, se eu tenho acesso à saúde, eu tenho acesso à educação, eu tenho profissionais que me apoiam.

E também, quanto você é assumido, quanto mais assumido você for, mais isso te protege de tentativas de conversão. Porque o assumir, nesse caso, fala sobre uma capacidade que a gente tem também de reforçar a nossa própria identidade. Então, eu me assumo, eu estou disposta a enfrentar.

Se eu não me assumo, eu fico mais suscetível a pressões que podem contribuir para um sofrimento maior.

Perfeitamente, professora Valesca Guerra conosco aqui no Ciência UFES, falando sobre psicologia positiva e sobre o trabalho no grupo de estudos que ela coordena aqui na UFES, Práticas em Psicologia Positiva. Professora, uma ouvinte nossa está atenta aqui ao nosso programa, está adorando nossa conversa, quer conhecer melhor o trabalho de vocês.

Fala para a gente, onde é que encontra esses estudos, esse trabalho? Como é que faz até, talvez, para se comunicar com vocês? Tem Instagram, tem rede social? Conta para a gente. Tem Instagram, tem Instagram sim. Na verdade, tem sido a principal rede que a gente tem utilizado, o Instagram, o site a gente tem, mas a gente acaba não atualizando tanto. Isso é um trabalho que acaba sendo meu, e aí com tantas coisas na universidade a gente não consegue atualizar.

mas o Instagram está sempre atualizado tem um congresso agora o Congresso Brasileiro de Psicologia Positiva eu sou da comissão de organização eu sou presidente do comitê científico vai acontecer agora em junho na PUC de Campinas na semana de festa junina de 24 a 27 de junho então é uma forma também de conhecer tudo que está acontecendo a cada dois anos a gente pessoal da Associação Brasileira de Psicologia Positiva se organiza para promover esse evento

E o Instagram é o GEPSI Positiva, G-E-P-P-S-I Positiva, onde eu sempre estou colocando informações, os estudos, os artigos nossos que saem, todas as informações elas têm lá e tem como entrar em contato comigo também. G-E-P-P-S-I Positiva, no Instagram. GEPSI Positiva, é isso. Legal. Professora, nossas pesquisas aqui, não só na sua área, mas em todas as áreas,

a gente percebe que tem contribuído para a implementação de políticas públicas de combate a essas violências. Eu te pergunto, como é que o seu trabalho, esses estudos, esses estudos nossos aqui na sua área, têm contribuído?

para a implementação de políticas públicas de combate às violências contra mulheres e contra as pessoas LGBTQI, AP+, essas duas populações que vocês têm concentrado os estudos. A gente tem conversado com o poder público. Qual a sua avaliação dos governos no combate a essas violências?

De forma geral, a minha avaliação da atuação dos governos, ela não é muito positiva. Por quê? Porque eu acho que é mais por conta de uma demora muito grande de seguir o que a ciência está apontando já há muito tempo. Já faz muito tempo que se estuda violência contra a mulher, já faz muito tempo que se estuda, que se sabe coisas que podem ser feitas.

Não quer dizer que coisas não foram implementadas. Foram. Mas o tempo que demora acaba parecendo muito mais política de um governo específico do que uma política pública. Entendi. E isso é algo muito sério. Porque quando a gente fala da vivência de violência, da defesa pública, de segurança pública, isso tem que ser uma política do governo como um todo, não de um governo específico. Tem que ser algo que é público. Uma política de Estado.

Uma política de Estado e não uma política de um governo específico. Você entende? Então, como a psicologia positiva é muito recente em termos de movimento, de juntar informações científicas para promover esse tipo de coisa, a gente vê mais intervenções feitas nas universidades, programas separados do que realmente implementados.

Mas existem algumas tentativas em algumas cidades, existem algumas tentativas, por exemplo, especialmente dentro das escolas, para redução de bullying, trabalhar certos aspectos de habilidades socioemocionais para contribuir com essas questões de diminuição de violência. Você faz algum trabalho em escola?

Atualmente não. Mas a gente já teve uma pessoa, uma mestranda minha, que fez um trabalho muito bonito em algumas escolas de Cariacica. E a gente vê um efeito e vê o quanto os jovens querem falar. Eles precisam desse espaço. Todo mundo quer falar. Todo mundo precisa. O jovem talvez mais ainda. E os jovens estão nessa fase, os adolescentes estão numa fase de precisar dessa troca muito intensa.

E a gente não tem dado tanta oportunidade nesse sentido, mas precisava realmente de mais atenção. No geral, as políticas públicas demandam um tanto de informação científica juntada a tanto tempo, pensar de que forma isso pode ser aplicado, de que forma isso pode ser implementado, descobrir a verba para aquilo. Então, eu entendo o porquê demora. Mas demora muito tempo. Por exemplo, no caso de violência contra a mulher...

Só esse ano veio sair esse programa de todos e todas contra a violência que inclui os homens na defesa das mulheres. Isso não acontecia antes. Então foi a primeira vez que se incluíram homens para dizer eu estou aqui também para lutar contra a violência contra a mulher. Isso é algo que já tem sido falado há muito tempo. É necessário a inclusão de toda a sociedade. Não podem ser só as mulheres falando.

Especialmente porque a violência vem basicamente dos homens nesse sistema patriarcal que a gente vive. Então, essa questão eu acho que demora muito ainda. E ainda vai demorar para se implementar mais. Mas existem, não aqui no Brasil, em outros lugares, implementações bem interessantes de conceitos e de conhecimentos da psicologia positiva em termos de políticas públicas.

A psicologia positiva é brasileira? Não, a psicologia positiva não é brasileira, mas ela tem traços, que é interessante falar, brasileiros de adaptação. Como o conhecimento sobre a felicidade humana vem de vários pontos do mundo inteiro, historicamente.

Ela é oficialmente estadunidense. Com esse nome, Psicologia Positiva, vem dos Estados Unidos. Vem dos Estados Unidos, então o Martin Seligman batizou, ele foi o pai de batismo, mas ele não criou. O que ele fez foi apontar, junto com o parceiro dele, o húngaro Mihaly Csikszentmihalyi, que existiam esse tipo de pesquisa e que precisava se dar mais atenção a essas coisas. E aí juntou com conhecimento com vários pesquisadores norte-americanos, pesquisadores europeus, e eles foram...

criando mais informações e mais pesquisas sobre essas coisas. Investiram muita verba nas pesquisas nos Estados Unidos para esse tipo de questão. E isso começou a se desenvolver um pouco mais. Então, foi só em 2000 que isso aconteceu. Mas a gente tem dados de pesquisas científicas e teorias desde os anos 70, que falam sobre isso, de alguma forma.

Perfeitamente. Professora Valesca Guerra conosco aqui no programa Ciência UFES, falando sobre psicologia positiva. Professora, eu vou fazer uma pergunta para você que eu fiz para uma pesquisadora da enfermagem que teve com a gente aqui no programa Ciência UFES, também pesquisa.

muito parecido com o que vocês pesquisam, mas eles pesquisam mais voltado para a saúde física e mental de quem sofre violência. E eu vou fazer a mesma pergunta a você, como o Ariano Suassuna, uma realista esperançosa. Estamos vencendo o preconceito e a violência contra as minorias ou não?

Eu vou responder da mesma forma que ela, sim. Eu acho que estamos vencendo, mas isso não é algo que eu acredito que eu vá ver no meu tempo de vida. Perfeito. As coisas estão melhorando, apesar de parecer que não. Se a gente for olhar registros históricos, existia muito mais violência antes do que existe hoje. Só que hoje a violência tem mídia. Ela é difundida, ela é divulgada.

O preconceito diminuiu muito. Isso, mas o preconceito ainda tem muito. Mas eu lembro da minha época que a gente nem discutia essa questão, nem existia essa palavra bullying. E o bullying era... Ontem mesmo eu estava conversando com uns amigos. O bullying, na minha época, era muito mais forte. Era muito mais escrachado, escancarado. As pessoas não sei se sofriam mais ou menos do que hoje. Isso eu não posso dizer, porque eu sofri muito pouco.

Mas eu acho que no passado era muito mais forte.

Então, o que acontece, de forma geral, é que antes as coisas não eram visibilizadas e elas não eram criminalizadas também. Então, há um tempo atrás, se podia um marido matar a esposa em defesa da honra, se podia bater, se podia fazer coisas terríveis que hoje são criminalizadas. Isso não só com a esposa, mas com outras pessoas também. Então, essa vivência da violência, ela vem sendo criminalizada. Com a criminalização, a gente tem mais notificações que antes não aconteciam.

Para pegar um exemplo da lei, até pouco tempo atrás, o adultério era um motivo para se matar. Ou seja, acho que a mulher mais era... A pessoa ia para o tribunal do júri e era inocentada.

E isso há pouco tempo, essa lei caiu. Tem uma pesquisa que foi feita, eu vi isso há muitos anos, uma pesquisa que foi feita no Recife, numa pesquisa de doutorado, entrevistando pessoas que estavam presas por homicídio. E, tipo, 90% dos crimes lá foram feitos em defesa da honra.

Isso nos anos 2000. Então, é interessante a gente imaginar que é uma coisa recente, a gente está dentro de um prazo de 26 anos de vida, as pessoas ainda estão assassinando outras em defesa da honra. A quantidade de feminicídio que a gente vê está relacionada a isso, a defesa de honra, a uma percepção de maior poder, a uma necessidade de manutenção desse poder.

Só que o que é que tem hoje? Hoje tem lei, hoje tem denúncia e hoje tem coisas que não existiam. Então hoje a gente vê isso, parece que é amplificado, mas na verdade está sendo registrado. A mesma coisa com relação à vivência de preconceito. Já existem lei contra a homofobia, mas isso é de 2019.

tem sete anos só, mas existe uma lei, então hoje a gente consegue ver, parece que é maior, parece, mas na verdade está diminuindo por conta desse aprendizado, só que não necessariamente isso é uma coisa que é rápida, porque mudar a forma como as pessoas pensam, como as pessoas sentem é algo que é demorado, não é algo simples, então não vai acontecer de um dia para o outro, eu acredito como ela também.

que se não estivesse melhorando, a gente já tinha desistido. Sabe? Estava fazendo outra coisa. De estudar, de pesquisar, de fazer essas coisas. Eu estava fazendo outra coisa. Mas por estar melhorando, a gente vê que existe uma saída. Agora, eu não acredito que eu vá ver...

um mundo tão melhor no meu tempo de vida. Eu acho que é algo assim, se você quer comer tâmara, alguém tem que ter plantado antes para você, aquele ditado. Então, eu estou tentando plantar uma tâmara para que alguém colhe mais na frente. Daqui a mais para frente. Então, meus filhos, talvez os meus netos, vejam um mundo melhor do que eu vou ver no meu tempo de vida. Eu acho que a gente espera muito que as coisas andem e aconteçam e as pessoas sejam responsabilizadas no tempo de vida da gente. Verdade. E não necessariamente isso vai acontecer.

Até porque nesses tempos de aceleração do tempo, a gente tem uma tendência cada vez maior de querer que as coisas aconteçam cada vez mais rápido. Cada vez mais rápido. E as coisas, na verdade, estão todas muito rápidas. Se a gente parar para pensar de forma ampliada, o mundo está muito acelerado e algumas consequências que antes poderiam levar décadas estão um pouco mais ágeis. Mas são um pouco.

Não é tanto assim para que a gente veja um mundo completamente mudado e diferente. Mas existem bons exemplos ao redor do mundo, eu acho, de lugares que a gente consegue ver com baixa taxa de criminalidade.

Com respeito às pessoas, com respeito ao homem e à mulher. Então, eu tenho visto com maior frequência quando eu busco ativamente por esses exemplos. E isso é importante, essa busca ativa e consciente de eu quero saber onde está dando certo, o que está dando certo.

Eu não quero só notícias negativas no meu telejornal. Eu quero ter informações que me mostrem que as coisas também estão caminhando para um mundo que eu considero mais justo e mais digno para as pessoas. Eu quero olhar o copo meio cheio também. Eu quero olhar o copo meio cheio. Eu quero ver que tem água e dizer, ok, tem potencial para mais.

Muito bacana. Professora Valesca Guerra, conosco aqui no programa Ciência UFIS, na rádio UFIS FM 87.1, falando sobre psicologia positiva e os estudos que eles realizam lá num grupo de estudos e práticas em psicologia positiva aqui na UFIS.

Professora, nesse mundo de relações fluidas, liberdade, muita liberdade nas relações, olhando para o futuro, eu tenho a impressão que a gente vai viver no mundo sem preconceito, sem violência contra as minorias.

Eu também sou um realista esperançoso. Talvez eu seja até um iludido, que eu tenho a tendência até de ser otimista. Eu vejo um mundo para o meu filho de 13 anos, eu penso muito no futuro dele daqui a 10 anos, como é que vai estar.

como é que vão estar, o mundo como vai estar. E olhando para as relações que a gente vive hoje, essas relações mais fluidas, muita liberdade de pensamento, de exercício de toda a ordem, religioso, sexual, em todos os planos, política, liberdade de pensamento.

Eu vejo um mundo, talvez não sem o preconceito ou sem a violência, mas com muito menos. Você vê assim também? Também. Eu também vejo assim. Eu acredito que a gente já consegue ter noções, sabe? Pequenos exemplos disso. Fleches. Fleches, assim, que a gente vai... Mas, de novo, a gente tem se a gente buscar ativamente isso. Contradizendo a Ariano, eu sou otimista também nesse sentido.

Mas ele é mais um otimismo nesse sentido de esperança do que necessariamente de querer que isso seja no meu tempo. Sabe? No quanto eu acredito. Entendo. E também tem uma outra questão, que é a busca por bem-estar é algo que todas as pessoas fazem. Mas que a gente também pode estar nesse processo excluindo outras formas de compreender.

essa vivência. Então, por exemplo, quando eu falei que existe uma percepção mais brasileira da psicologia positiva, a gente pode falar sobre aspectos que a gente chama de bem viver, que são a forma de bem-estar da cultura indígena, ou de povos tradicionais que a gente tem aqui no Brasil, que vão incluir aspectos de uma vida digna, de um trabalho decente, de contato com a natureza, de espiritualidade.

solidariedade. Solidariedade é uma noção coletiva que é muito diferente da versão de psicologia positiva individualista que a gente vê nos Estados Unidos. Então, quando vem para o Brasil, isso é adaptado. Bacana. Isso é acolhido de uma forma de dizer, mas a gente já tem.

Vai olhar os povos indígenas e como eles lidam com essas questões. Vamos conversar com eles para tentar entender, ok, o que é que vem da terra, dessa terra, desse local, que na verdade não é a terra que vai mudar sozinha. Somos nós as pessoas que estamos escolhendo construir uma sociedade menos preconceituosa, com quem quer que seja, uma sociedade que garanta acesso a serviços de saúde, de educação, a trabalho digno, a um trabalho decente que garanta a sobrevivência das pessoas.

Tudo isso impacta a saúde mental. Então, quando a gente diz que é importante fazer essas pesquisas, é também nesse sentido de amplificar esse olhar, não só para aspectos psicológicos, mas para aspectos estruturais da sociedade que vão contribuir para que as pessoas tenham vida digna e possam ser felizes.

Perfeitamente. Que aula da professora Valesca Guerra conosco aqui no programa Ciência UFIS. Ela que é lá da psicologia e está falando com a gente aqui sobre psicologia positiva. Falando em futuro, falando em juventude, na turminha que vai começar a vida por agora, professora. Boa parte da nossa audiência aqui na rádio UFIS FM, no Ciência UFIS.

É de estudantes do ensino médio que querem estudar conosco aqui na UFES, querem produzir ciência. Eu te pergunto, qual recadinho você deixa para essa turminha do ensino médio que quer estudar com a gente aqui na UFES? O que essa turminha vai encontrar?

lá no curso de psicologia da Universidade Federal do Espírito Santo, que é a sua praia. Minha praia, gente. Vocês vão encontrar tanta coisa legal. O curso de psicologia é muito variado. A gente tem professores atualmente de diversas áreas diferentes da psicologia. Então, vocês vão encontrar muitas áreas diferentes, muitos cursos diferentes, muitas matérias diferentes para estudar.

Tem dois elementos que eu acho importantes aí. Primeiro, a gente tem acompanhado no SISU, processo seletivo de ingresso aqui na UFIS, um avanço da concorrência para o curso de psicologia.

O curso de psicologia não era um curso há anos atrás tão concorrido. E ele tem crescido, um dos cursos mais concorridos da UFIS. Um outro elemento é que a gente tem muitas notícias boas comparando o curso de psicologia da UFIS com os cursos de psicologia pelo Brasil afora. É um curso muito conceituado, não é isso?

Sim, é um curso bem conceituado e não apenas o curso de graduação, mas o mestrado e o doutorado também. O nosso mestrado e doutorado acabou de ganhar nota 6 na CAPES, que é a segunda maior nota e só existem cinco cursos de pós-graduação aqui na Universidade Federal do Espírito Santo que são nota 6 hoje. E o de psicologia é um deles.

Ou seja, você já está dando um recadinho para essa turminha do ensino médico que quer vir estudar, fazer psicologia conosco na UFIS, que ele não tem só a graduação. Já é um recadinho. É um recadinho, tem outras coisas. Tem mestrado, tem doutorado e de alta qualidade. Exatamente, exatamente. Então, essa nota acabou de sair, foi muito recente.

Lembrando que essa nota 6 é de um índice que vai de 1 a 7. De 1 a 7. E a nota 6 e 7 são programas que têm um nível de internacionalização... Mais elevado. Mais elevado. Exato. Então, assim, dentro do curso de graduação em psicologia, vocês vão encontrar...

neurociência, vocês vão encontrar aulas de etologia, que é a parte da evolução do comportamento, vocês vão encontrar políticas públicas, como atuar em políticas públicas, vocês vão encontrar muito psicologia de desenvolvimento, que é algo que é muito importante. Tem uma quantidade enorme de extensões diferentes, ou seja, de atuações e inserções durante a graduação, para que vocês possam testar coisas diferentes.

na comunidade. Então, a gente tem grupos de extensão que trabalham com idosos aqui na UNAP. A gente tem grupos de extensão que trabalham com adolescentes em defesa de moradias dignas aqui no Estado. Então, é um amplo repertório de informações de várias formas de pensar a psicologia diferentes. Então, a minha sugestão para vocês é que quem tem interesse venham de coração e de mente aberto.

sem escolher de antemão o que você vai fazer, para que você possa experimentar o máximo possível e absorver mais conhecimento. A gente não tem que ter preconceito com conhecimento. Então, entrem de coração aberto e experimentem as formas diferentes de pensar o mundo que o curso de psicologia oferece, porque isso vai contribuir muito para a sua formação enquanto profissional.

Professora Valesca, você está no Ciência UFIS, é um programa de divulgação científica. A gente fala sobre ciência aqui e a gente fala sobre as pesquisas, projetos e ações da UFIS que têm um impacto direto na vida das pessoas e a psicologia tem um impacto muito grande, principalmente nesses tempos que a saúde mental tem sido colocada em xeque em muitas áreas. Na sua opinião, qual a importância da divulgação científica para a ciência e para a sociedade?

Então, a divulgação científica é absolutamente essencial, porque ciência é algo que só faz no coletivo, ela só existe através dessa comunicação. Então, o fazer ciência existe por conta dessa troca, não apenas no sentido de troca entre pares, eu com outros pesquisadores dialogando, mas a partir do momento que a gente divulga essa ciência para outras pessoas, aí ela pode ser.

questionada, ela pode ser criticada e é dentro dessa capacidade intelectual do cérebro humano, de diversas fontes, diversas pessoas, inclusive fora do contexto científico, que vão trazer pra gente de volta um olhar

que fazem a gente questionar muitas vezes coisas que a gente não tinha pensado antes. Então, a divulgação científica é absolutamente essencial, não só para que aquilo que está sendo estudado seja diretamente implementado, mas para mostrar que a gente está errado muitas vezes, e que é preciso que alguém aponte. Porque ciência se faz assim, ciência se faz no coletivo e na troca. Então, eu preciso tirar da minha cabeça, e para trazer um exemplo aqui, já existiu pesquisa científica.

alguns anos atrás, que mostrou que existia diferença em termos de raça no nível de inteligência. Obviamente, publicada por pesquisadores brancos e que mostrou que os brancos eram mais inteligentes do que os negros. Então, o que esse tipo de pesquisa quer dizer? E por que esse tipo de pesquisa precisa ser divulgado?

Porque ele tem que ser criticado. A gente precisa mostrar com novas pesquisas que não é assim, que não é desse jeito. Que não é isso. Então, as pesquisas, elas precisam ser colocadas e não só, precisam ser divulgadas não só para dizer olha como a ciência é maravilhosa, olha tudo que está mostrando. Não.

Olha o que a ciência está mostrando. A gente precisa criticar isso também. Esse diálogo sempre precisa acontecer. Ele não pode ser excluído. A ciência vive também da controvérsia. Ela vive também desse diálogo que é incessante. Então, a gente precisa colocar isso. Então, uma coisa é o que eu penso como pesquisadora na minha vida pessoal, nas minhas escolhas teóricas que eu faço. Eu posso pensar uma teoria linda? Eu vou conversar com a pessoa? E a pessoa vai dizer, não, não é assim, não.

Porque na vida dela aquilo não cabe. Então, esse diálogo precisa sempre acontecer. Então, a divulgação científica tem um papel essencial de amplificar o que está sendo feito para que a gente possa criticar, melhorar e aprimorar com isso a vida das pessoas.

Perfeitamente. Professora Valesca Guerra conosco aqui no Ciência UFIS. Ela que vem lá da psicologia, do curso de psicologia, falando sobre psicologia positiva. Professora, ficaríamos aqui horas e horas conversando sobre isso. Você deu uma aula para a gente aqui hoje, mas estamos chegando ao final da nossa conversa, da nossa entrevista aqui no Ciência UFIS. Microfone aberto para suas considerações finais.

Repete o endereço do Instagram e convida os nossos ouvintes, as nossas ouvintes a conhecer o trabalho de vocês.

Muito bem, gente. Queria começar agradecendo por terem passado esse tempo aqui comigo agora. Verdade. O Instagram é gpsipositiva, g-e-p-p-e-s-i-positiva. Lá vocês vão encontrar muita divulgação de pesquisas, divulgação dos artigos que são feitos, dos congressos também que acontecem na área, divulgação ampliada de tudo.

E alguns posts que a gente faz também de conteúdo. Claro. Que são muito importantes para trazer alguma noção, tanto de neurociência, como isso é importante para a gente entender que muitas vezes a gente sofre achando que é nossa culpa a forma como a gente pensa, quando na verdade é a forma que o cérebro funciona. E aí, entendendo que é assim que o cérebro funciona, a gente consegue se libertar um pouco da culpa.

Relaxar um pouco mais. E assumir a responsabilidade de, ok, agora que eu entendi que o meu cérebro funciona assim, deixa eu escolher o que eu faço. Para mim, a psicologia positiva se tornou uma parte fundamental de como eu gostaria que o mundo caminhasse daqui para frente.

Não nesse sentido de um otimismo iludido, mas no sentido de entender o que efetivamente pode contribuir para que as pessoas tenham uma vida mais justa, uma vida mais digna, tenham acesso a direitos. E com essa estrutura mais equalitária, a gente consiga contribuir para trazer sentido, para trazer bem-estar, para trazer bem viver.

E formas de existir no mundo que sejam mais satisfatórias, para que a gente compreenda também que essa vivência é de felicidade, ela não é algo só individual. No geral, a gente busca a felicidade de forma particular, a minha felicidade.

Quando, na verdade, é muito difícil a gente conceber ser feliz quando pessoas ao nosso redor estão sofrendo tanto. Então, felicidade também é algo que é coletivo, porque fala de um bem que é compartilhado. Então, eu acho que compreender isso, a psicologia positiva tem me ajudado muito a caminhar nessa direção de construção do que eu vejo como sendo um mundo melhor.

Perfeitamente. Professora Valesca Guerra falou com você aqui no programa Ciência UFIS, na rádio UFIS FM 87.1. Quero agradecer, muito, muito obrigado pela sua participação aqui no programa Ciência UFIS. Obrigada a vocês. Você está no programa Ciência UFIS.

Estamos chegando ao final de mais um programa Ciência UFIS. E esse foi o programa 232 Ano 8. Programa Ciência UFIS, 232 Ano 8. Ciência UFIS. O seu programa de divulgação da ciência capixaba.

Cultura, jornalismo e música boa. UFIS FM 87.1 Ciência UFIS. Um programa de divulgação científica das pesquisas, ações e projetos da UFIS que tem um impacto direto na sua vida, um impacto direto na vida das pessoas. Eu sou Hélio Marchionne, vou ficando por aqui. Grande abraço. Ciência UFIS. Ciência UFIS.

o seu programa de divulgação da ciência capixaba. Rádio UFES, a sua rádio universitária.

CIENCIA UFES 232(09) - 01.05.26 - VALESCHA GUERRA - GRUPO DE ESTUDOS E PRÁTICAS EM PSICOLOGIA POSITIVA DA UFES - CCHN - GOIABEIRAS | Castnews Index — Castnews Index