A HISTÓRIA DE JACÓ: O HOMEM QUE LUTOU COM DEUS (Com Rodrigo Silva) | PrimoCast 516
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No PrimoCast de hoje recebemos Rodrigo Silva, arqueólogo, teólogo e filósofo, para falar sobre a história de Jacó, uma história de ambição, engano, fuga e transformação.
A jornada de um homem que nasceu querendo tudo, perdeu quase tudo, e só encontrou a si mesmo quando teve a coragem de lutar com o próprio Deus.
Host: Thiago Nigro @thiago.nigro
Convidado: Rodrigo Silva @rodrigosilvaarqueologia
Time do Primo: Kaique @kaique.editor
Sua marca no PrimoCast: publicidade@timeprimo.com
- A história de Jacó lutando com DeusO encontro no Vale do Jaboque · A batalha noturna com o anjo/Deus · A mudança de nome para Israel · O deslocamento da coxa e o simbolismo · A confissão de Jacó · A bênção e a lição de Deus · Jesus como a escada entre o céu e a terra
- História de Tico e TecoNascimento e profecia sobre os gêmeos · Cultura do Antigo Oriente Próximo e primogenitura · Significado dos nomes Esaú e Jacó · A venda da primogenitura por um prato de lentilhas · A bênção de Isaac · O engano de Jacó a Isaac · A reação de Esaú
- Propósito do CasamentoO costume do dote no Oriente Médio · O trabalho de Jacó por Raquel · O engano de Labão com Lia · A esterilidade de Raquel e a fertilidade de Lia · A estratégia de Raquel com Bila · Os filhos de Jacó e suas servas · O significado dos nomes dos filhos de Jacó
- Historia do FrevoDeus como especialista em reciclagem · A caravana de Deus a caminho · A salvação divina através da dor · A possibilidade de mudança de caráter · Tendência não é determinismo · A providência divina transformando erros em bênçãos
- Sincretismo Religioso e a Verdade BíblicaO engano dos filhos de Jacó a Siquém · A circuncisão como estratégia de engano · A cultura do engano em algumas tribos · Mentiras brancas e situações excepcionais · O filtro para a mentira: amor ao próximo · A diferença entre tendência e determinismo
- A reconciliação de Jacó e EsaúO medo de Jacó ao reencontrar Esaú · A reação de Esaú ao ver Jacó · O abraço e o choro copioso · O impacto da reconciliação em José
- Violência FiccáriaO estupro de Diná · A proposta de acordo e a circuncisão · O massacre dos homens de Siquém por Simeão e Levi · A estratégia de engano e a violência · A consequência para o clã de Jacó
- A história de José e seus irmãosO favoritismo de Jacó por José · O sonho de José e o ciúme dos irmãos · A venda de José como escravo · A ascensão de José no Egito · O erro de José em não ser sábio com o preferencialismo do pai · O erro de José em arriscar a saúde do pai ao exigir Benjamin · O erro de José em convencer Jacó a ir para o Egito
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Uma história inspirou a outra.
Por que que é importante a história de Jacó? Qual que é o significado dela pra gente, hein?
Tem alguma relação da história desses dois irmãos com a história de Caim e Abel?
Ele acaba sendo o pai das 12 tribos de Israel.
Existe alguma relação entre isso e a realidade que a gente vive?
Um anjo vai lutar, que é o próprio Deus, vai lutar com Jacó e ele vai falar: "Me abençoa!" E o anjo vai perguntar assim: "Qual o seu nome?" E pra isso a gente tá aqui com Rodrigo Silva, que é arqueólogo, doutor em Teologia Bíblica, diretor do MAB, Museu de Arqueologia Bíblica. Todos Os atos de injustiça serão pagos nessa vida?
Não. Por que Deus escolheu ele? Por que fazer dessa forma? Cara, Deus já tinha escolhido Jacó.
De alguma forma, é a Bíblia reconstruindo e tentando corrigir um erro do passado?
E Deus falou assim: "Eu vou mostrar que quem mais te amar, eu te amo." Então havia uma noção muito grande da soberania de Deus na história, a despeito dele. A gente vai contar a história de Jacó hoje. E para isso a gente está aqui com Rodrigo Silva, que é arqueólogo, doutor em teologia bíblica, diretor do MAB, Museu de Arqueologia Bíblica, e papai. Como está, Rodrigo?
Eu gostei desse anúncio, papai. Gente, muito feliz por estar com vocês aqui. E a trajetória do Grupo Primo com o Nascimento da Sara tem relação. Lembra que eu estava lembrando com a Laura esses dias? A Laura chegou um dia me surpreendendo com uma cachorrinha aqui, pensava que estava chegando, né? A Luna. Gente, todo feliz. E quando eu estava indo embora, o meu social media, tava no elevador. "E aí, papai, como é que você se sente sendo pai de pet?" E eu brinquei: "Olha, eu gosto de pet, mas eu acho que ela vai brincar com a minha filha." E a Laura já estava grávida e nós não sabíamos.
Fomos descobrir a gravidez depois, né? Então a Sarinha, quem sabe um dia ela vai estar aqui junto com a Eloá. Já vou apresentar aqui, ó.
Vai ser muito legal.
As amiguinhas. Pouca— Eloá tá com quantos meses?
Dia 26, foi ontem. Então ela fez 7 meses ontem.
Pois é, a Sarah vai fazer dia 29, 1 mês.
É isso.
A diferença é pouca. Muito bom. E antes da gente falar sobre toda essa história, a gente tem um recado importante, né, Kaique? Cara, 16 produtos entre cursos, mentorias, comunidade. Cara, Barsi, Kaique. Cara, Barsi, loucura.
O legado.
Cara, o legado. Então assim, juntou 2 anos de AGF, 2 anos de Finclass, do Meu Milhão com Dividendos, Bruno Perini.
Só pelo MBA já vale a pena pelo preço que a gente está vendendo.
Tem um P do Barsi, é uma coisa assim... Era mais de 37 mil, Kaique, e aqui vai sair 12 vezes de 416.
É isso que eu estou falando, tem tudo isso, tem um MBA no meio, só pelo MBA já vale a pena você entrar nesse produto.
Olha a loucura, cara. Segue aí, é um caminho claro de quem construiu patrimônio. Clica aqui na descrição, porque daqui a pouco vai fechar, se já não fechou quando a pessoa estiver assistindo aqui. Então clica aí embaixo. Cara, a gente vai falar de Jacob. Jacob é loucura a história, né, Kaique? É. E é uma das histórias mas impressionantes e que eu, inclusive, quando a gente estava decidindo o personagem que a gente ia falar, Jacó não era uma opção, porque eu não imaginava que a gente tinha deixado passar essa. Como assim a gente não falou de Jacó ainda?
Você achou que já tinha falado de Jacó?
É, pô, é tão óbvio. Eu questionei quando o pessoal mandou: "Vai ser Jacó?" Eu mandei mensagem para a Laura: "Meu bem, confirma com eles que eu acho que Jacó a gente já falou", mas depois eu lembrei o que foi. Na história de José do Egito, a gente deu uma menção rápida A Jacó, por causa de José.
Porque eu lembro que a gente discutiu uma vez sobre Jacó, que era Joseph, Tiago. Falou. Mas enfim, a gente vai falar sobre a história hoje. Essa é uma história longa, profunda, uma das histórias mais importantes na Bíblia. Quando a gente fala assim: "O povo de Israel", às vezes as pessoas acham que o povo de Israel é apenas um espaço físico e na verdade a gente vai descobrir que é muito mais do que isso. Jacó muda de nome e vira Israel, dando um pequeno spoiler aqui, e dali saem as 12 tribos.
Então ele é um dos personagens mais importantes de toda a história bíblica e importante para compreender até toda a trajetória até que a gente chegue em Jesus depois. Então é uma conexão importante. Vamos lá, vamos começar então com a história de Jacó. Rodrigo, essa daqui vamos com muita calma, é uma história impressionante e Te falei que eu terminei de ler a Bíblia?
Não, toda?
Não. Puts, deixa eu te contar isso então. Eu te falei que a única coisa que eu ouvi audível de Deus foi pedindo para eu ler a Bíblia. E por mais que eu já tenha lido muitos dos livros da Bíblia várias vezes, 20 vezes às vezes o mesmo livro, 30 vezes às vezes, Provérbios eu já li várias vezes, eu nunca tinha lido Gênesis 1 até Apocalipse. E aí eu entrei no projeto e li Gênesis 1 até acabar Apocalipse E foi uma aventura. Foi uma aventura e eu vou te falar que com certeza muita coisa mudou.
Depois precisa ter essa conversa, essa resenha atualizada. E uma das coisas que mudaram tem a ver com a história de Jacó, porque quando você, acho que, lê uma parte só da Bíblia é como se estivesse vendo uma foto assim. Aí quando você lê a Bíblia inteira você começa a enxergar o todo e o contexto da foto. E acho que eu consigo compreender a história de Jacó agora, desde as tribos até chegar em Apocalipse. Que tem até menções, digamos assim.
Apocalipse capítulo 7 fala das tribos, tira uma lá de propósito.
Exato, acho que é muito profundo. E já fala de Jacó. Queria te perguntar, por que é importante a história de Jacó? Qual é o significado dela para a gente?
Bom, é interessante que Deus ama todos os povos, mas o Messias veio do povo de Israel. Então a Bíblia pega e pinça aquela porção da história do mundo, da história do povo de Israel, para gerar o Messias. Então nós temos Abraão, que teve o chamado, Depois dele vem Isaac e de Isaac vem dois filhos: Jacó e Esaú. Eu tenho sempre que me policiar porque a gente brincava muito quando criança falando Jacu e Esaó. Nossa!
Jacu e Esaó.
Jacu e Esaó, né? O pessoal brinca. E desses dois, Jacó, que não era o primogênito, mas tornou-se por direito, nós vamos estudar isso aqui, ele acaba sendo o pai das 12 tribos de Israel. Jacó, que também vamos falar um pouquinho, ele vai mudar o nome dele, ou não mudar no sentido que ele deixará de chamar Jacó, vai acrescentar. A pessoa fala assim: "Mudou o nome dele." Na verdade, não mudou. Ele continuou se chamando Jacó, mas agora ele tinha um segundo nome que era Israel, que é o nome do país que hoje nós temos ali no Oriente Médio.
Não, cara, muito importante. Então, vamos começar a história de Jacó. Jacó, a gente tem antes de Jacó, a gente tem Isaac e Rebeca. Então a gente teve Abraão, Isaac e Jacó.
Lembrando que o Isaac é aquele filho da promessa que Abraão tanto queria, que ele levou em sacrifício ao Senhor, etc.
Então a gente tem Abraão, Isaac e Jacó. E quando a gente está em Isaac, Isaac e Rebeca, esposa de Isaac, demoraram muitos anos para ter filhos. E aí quando a gravidez finalmente aconteceu, Ela veio acompanhada de algo incomum, porque os bebês parecia que eles lutavam dentro do ventre. Aqui então a gente tem os bebês Jacó e Esaú. A Rebeca buscava uma resposta e ela ouvia que duas nações estavam ali e que o mais velho serviria o mais novo.
Isso foi um pouco do que ela recebeu. Esaú nasceu primeiro. Esaú era ruivo, peludo, caçador. E Jacó nasceu em segundo, segurando o calcanhar do irmão. A casa já nasceu dividida, Isaac preferia Esaú, que era o homem do campo e da caça, aquele mais brutão, e a Rebeca se aproximava mais de Jacó, que era um pouco mais quieto, ligado ao ambiente da família. E aí diz assim Gênesis 25:23: "Duas nações estão em seu ventre. Já desde as suas entranhas dois povos se separarão.
Um povo será mais forte que o outro e o mais velho servirá ao mais novo." Então, Rodrigo, aqui eu acho que tem até uma coisa muito mais ampla do que só a história de Jacó e Esaú. A gente começa a ter até conflitos de hoje, talvez que tenham se iniciado desse momento. O que significa toda essa história de que eles nasceram, os dois irmãos, um nasceu agarrando no calcanhar do outro, a gente tem esse conflito do irmão mais novo serviria o mais velho, serviria o mais novo. O que você pode trazer de outros pontos de vista sobre isso?
Vamos começar pela cultura da época. Na cultura geral do Antigo Oriente Próximo, geralmente o filho mais velho é o principal herdeiro. Até na distribuição de comida, por exemplo, era muito comum naquela época, isso acontece com José do Egito, quando você tinha um filho especial, porque não era como hoje, que você come o que quiser, vai lá e sobra comida. A comida no Oriente era uma situação de deserto, ela era muito bem dividida.
Então eles calculavam a quantidade de comida pela quantidade de pessoas. E o pai tinha a maior parte dele. E o segundo depois do pai e da mãe, que tinha a maior porção, era o filho primogênito. Então cada um ganhava um tanto de comida, o primogênito ganhava mais. E todo mundo sabia que na ausência do pai era o primogênito que iria liderar o clã. Era uma situação até de proteção no deserto. Um filho mais moço jamais alteraria a voz com um filho mais velho, com um irmão mais velho.
Ele não falaria: O irmão mais velho com ar de autoridade, porque o irmão mais velho é o substituto do pai. Essa é a situação normal. Mas como todas as regras têm exceção, às vezes acontecia, e na história bíblica nós temos alguns casos, que o filho mais moço recebe de maneira honorífica, digamos assim, entre aspas, o que deveria ser naturalmente do filho mais velho. O honorífico eu coloquei entre aspas, vocês vão entender por quê.
E nessa situação aconteceu algo que chamou atenção. Nasceram gêmeos. Como é que vamos decidir qual dos dois é o mais velho se são gêmeos? O que sai primeiro do ventre da mãe. Então, o primeiro que nasceu era um menino mais peludinho. Porque tem menino que nasce com muito cabelo, tem menino que nasce mais ruivinho, porque às vezes não eram gêmeos univitelinos, ou seja, eles eram diferentes um do outro. Nasceu aquele primeiro e como a prática do Oriente Médio é sempre escolher o nome por alguma situação, letra A.
A, da circunstância do nascimento. Letra B, de desejo dos pais para aquele menino. Ou letra C, de característica física da própria pessoa. Por exemplo, o nome José, que a gente já tratou aqui. Talvez nasceu um menino meio gordinho, redondinho. E Yosef vem da raiz hebraica, que significa redondo, pleno. Pleno, redondo, gordinho. Então vai ser Yosef, gordinho. Eitzaq é risada, porque a Sara riu, então ele vai chamar Risadinha. Então, o primeiro que nasceu, esse aqui vai se chamar Esaú.
Esaú vem da mesma palavra, o mesmo sear, que tem dois significados. Pode ser algo peludo ou algo áspero. Por exemplo, tanto é que o território de Esaú veio se chamar, a gente portuguesa, como Seir. Seir. Saar. Seir significa região áspera, cheia de montanhas, que é a Jordânia. E realmente a Jordânia, ela é toda áspera, ela é cheia de montanhas. E também significa avermelhado, ruivo. Então por isso que ele teve esse nome, Esaú. Só que quando ele nasceu, o outro Foi com a mãozinha no calcanhar.
Então, pequeno parênteses. Será que isso na prática aconteceu? Cara, eu estou imaginando assim, você vai fazer um parto normal. Cara, num parto normal não tem como um nenenzinho sair segurando no calcanhar do outro. Será que não é alguma força de expressão, alguma coisa além disso? Porque a criança não nasce segurando o calcanhar da outra assim.
Nasce. Eu não vou falar do calcanhar, mas tem uma foto, por exemplo, na internet muito interessante. Eu só não lembro se era um parto normal ou cesárea, em que o menino agarrou a mão do médico de tal maneira e ele puxou o menino e o menino foi com a... Tem essa foto na internet. Galera, vocês podem procurar depois aí no Google, alguma coisa, vocês vão achar. E é uma foto que rodou o mundo. Ele agarrou na mãozinha dele, no dedo do médico e foi puxando.
E alguns médicos falam que as crianças têm uma força muito grande. Esse é um primeiro elemento. Segundo elemento: a psicologia hoje, ela está avançando a planos para descobrir algumas questões muito interessantes que eu não vou destrinchá-las aqui porque é tangencial ao nosso assunto, mas eu vou colocar à guisa de ilustração para responder ao Tiago. Você sabia que na terapia você tem que também— veja bem, não é em reencarnação nem espiritismo, nem vidas passadas.
Mas não sendo isso, eu vou afirmar: sabia que você às vezes tem que se terapizar por questões que aconteceram com seu avô? Porque hoje estão descobrindo que existem memórias afetivas que passam de maneira genética até não sei quantas gerações, a ponto que pode até explicar o déjà vu. Eu posso sonhar às vezes a Eloá pode sonhar com um lugar onde ela não esteve, mas o seu pai esteve. E não tem nada de vidas passadas em nada, porque a memória afetiva passa.
E às vezes tem tendências, traços de família que vão passando. Tanto é que você vê o Isaac repetindo alguns comportamentos do Abraão e assim por diante. Então, nesse aspecto, o bebê não é uma tábula rasa, como o pessoal pensava, uma folha em branco. Tá certo? É aquela ideia da tábula rasa, que nós nascemos iguaizinhos. Isso aqui, olha, isso não existe. Hoje a psicologia sabe que quando você nasce, você já nasce cheio de emoções, sensações e conceitos, mesmo que você não tenha a consciência plenamente desenvolvida.
Até muita gente fala da psicologia intrauterina, a música que você canta quando o bebê está na barriga ainda, esse tipo de coisa. Então, a partir disso, é muito interessante que aqueles dois ali já começassem a ter comportamentos que demonstrava um pouco da personalidade de ambos. Então, como o Jacó, não estou falando que já no ventre ele queria suplantar o irmão, mas como chamou atenção o fato do segundo esticar a mão na perninha do outro e nessa cultura do primogênito, "Opa, parece que esse aqui falou: 'Deixa eu sair primeiro'".
E aí o nome dele acabou sendo Jacob, que é justamente uma palavra que vem do hebraico yakav, que é calcanhar. Mas deixe-me dizer que quando as pessoas falam "Jacó significa enganador", eu quero explicar isso aqui, que não é que é um erro, mas não é completamente correto dizer assim. Vou explicar o porquê. Não é preciso. A palavra Jacó vem da palavra calcanhar, que significa literalmente calcanhar. É como se eu criasse da palavra calcanhar um adjetivo.
É o calcanhador.
O calcanhador. O calcanhador. E qual o sentido prático disso? Era um sentido até positivo. Sabe na caçada, quando o camarada vai olhando os passos do animal, as pegadas do animal? É um desbravador, aquele que vai olhando ali, aquele que vai no passo do outro e que vai sempre atrás, mas vai olhando, prestando atenção. Só que existem dois significados para os nomes que nós usamos: o semântico e o etimológico. O etimológico é o que o nome realmente significa, é isso aqui, ponto final.
O semântico é aquele significado artificial que o nome adquire a partir da história dele. Vou dar um exemplo: o nome Judas, em termos etimológicos, significa "Louvado seja o Senhor", Yehudah. Em termos etimológicos, mas em termos semânticos, Judas significa traidor. Você tá entendendo? Eu não sei qual a etimologia do nome Braulio, não sei, mas há uns 20 ou 30 anos atrás o pessoal tá fazendo uma campanha do governo com relação ao órgão sexual masculino e o cara brincava o Braulio.
Eu lembro até que muitos Braulios pediram para parar com aquela propaganda, que as piadinhas ficavam ali, né? Braulio passou a ser um nickname para o órgão por pênis masculino, mas "braul" não significa isso. Então Jacó significa originalmente, como eu falei, calcanhar ou calcanhador, aquele que vai no calcanhar do outro. Mas pelo caráter dele, o nome dele se tornou aquele que vai no calcanhar para poder atacar o outro. Por isso que lá na frente o Esaú vai falar assim: "Bem, agora eu entendo porque que o seu nome é Jacó, porque você realmente é um enganador." E aí criou uma expressão idiomática, aquele que vai no calcanhar do outro é porque está querendo enganar.
A serpente que vai ferir o calcanhar do Messias. Dan, que quando Jacó vai falar Dan, é uma serpente no caminho para pegar o calcanhar dos seus irmãos.
Quando você pega na mitologia, acho que é grega, é Aquiles que tinha o ponto fraco.
É o calcanhar de Aquiles.
Calcanhar de Aquiles, exato. Cara, como que a gente...
O único ponto que a mãe dele não mergulhou.
É, o ponto que não mergulhou. Como que a gente cruza eventualmente um pouco da história bíblica com a mitologia nesse caso? Porque eu tenho visto também que tem muitas religiões ou até pré-bíblicas, digamos assim, pré-histórias bíblicas que depois acabam aparecendo de uma forma muito parecida na própria Bíblia. Tem alguma inspiração, alguma coisa na outra? Ou é só uma coincidência?
Tem três. Razões que podem causar essas semelhanças. A primeira é a coincidência. Existem coincidências.
As histórias são tão grandes e vastas que alguma coisa vai ter, né?
Vai ter. Eu vou dar um exemplo aqui. Se eu pegar, por exemplo, uma biografia de Hitler e de Napoleão Bonaparte, eu vejo várias coincidências. Hitler não era alemão, era austríaco. Napoleão não era francês, era italiano. Hitler queria dominar a Europa, Napoleão queria dominar a Europa. Hitler tinha uma relação muito estranha com uma menina chamada Eva Braun. Napoleão também tinha uma relação muito estranha com Josephine. O grande inimigo de Hitler foi a Inglaterra com o Winston Churchill.
O grande inimigo de Napoleão foi a Inglaterra também com o bloqueio continental. Napoleão, quando morre frustrado, acaba... Napoleão tinha um ódio dos judeus, Hitler também tinha um ódio dos judeus. Napoleão também teve problema com o frio da Rússia. Uma das grandes causas da derrota dos exércitos de Napoleão foi o frio da Rússia. O Hitler e o Napoleão, os dois também tiveram problema com o frio da Rússia. Você viu quanta semelhança que eu peguei?
Alguém olhando a história de Napoleão e de Hitler à distância pensa assim: "Não, isso aí foi forçado." Não foi forçado. A história coincidiu. Então existem coincidências que realmente, por mais fantásticas que sejam, são apenas coincidência. Letra B, segunda possibilidade: pode ser que uma história inspirou a outra, uma se tornou uma forma, uma paródia da outra história. Uma é a outra história contada numa versão um pouquinho rebuscada.
A minha história inspirada na sua. Então a semelhança é porque eu estou plagiando a sua. A terceira razão é que pode ser que ambas as histórias venham de um núcleo comum. Por exemplo, eu posso um dia ter um insight bíblico e falar uma coisa na Bíblia, e você também um dia falar a mesma coisa ou uma coisa muito parecida, e alguém fala assim: "Ó, o Tiago falou a mesma coisa que o Rodrigo falou." O Tiago plagiou o Rodrigo ou o Rodrigo plagiou o Tiago?
Nenhum dos dois. É porque como nós dois estamos partindo da Bíblia, Então a gente tem um ponto em comum. Como a gente chama de tradição adâmica, existiu uma queda, do conflito, uma história de um fruto proibido e tudo mais, se aquilo realmente aconteceu e todas as nações são filhas desse núcleo original, eu não devo me surpreender de encontrar paralelos. E você encontra em todas as mitologias ao redor do mundo a história de um pecado que caiu no mundo, um fruto proibido, a serpente como sendo símbolo enganador, Então existem alguns elementos assim, não é porque a Bíblia plagiou esses mitos, mas é porque eles estão remetendo a uma herança comum. Sim.
E aí, Rodrigo, nesse comecinho da história diz que duas nações estão no ventre, não duas crianças, duas nações. Então aqui provavelmente a gente está falando de futuro. E aí diz que esses dois povos vão se separar e um será mais forte do que o outro. Existe alguma relação entre isso e a realidade que a gente vive hoje?
Sim, com certeza. Vamos por partes. Esses dois povos separaram. Os descendentes de Esaú foram para o outro lado do Mar Vermelho. Lembrando que o Mar Vermelho, pessoal, depois vocês olham no mapa em casa, ele forma um Y. Então, uma perna do Y, a perna que você está olhando à esquerda do mapa, porque eu mostrando aqui vai ficar ao contrário para vocês em casa. Então, para vocês em casa seria essa perninha do mapa aqui, que vocês estão olhando à esquerda, vai ser o Canal de Suez.
Tá certo? A outra perninha do lado de cá, do Y, é o Canal de Aqaba. E ali você tem então a fronteira da Arábia Saudita embaixo, Jordânia, e do outro lado Israel. No lado que hoje forma Jordânia foi a região para onde os descendentes de Esaú foram, e aquele reino recebeu o nome de Edomitas. Edomitas, tá bom? Porque lembra que Saul era peludo, ruivo, e De Edom. De Edom, de onde vem a palavra Edom, que depois vamos falar disso. Edom significa "adamah", terra vermelha.
Então os edomitas, alguns até pensam que Mar Vermelho, uma das possíveis explicações, não é a única, uma das, é que Mar Vermelho tem a ver com as montanhas de Edom, que ao pôr do sol elas deixam uma cor avermelhada no mar ali, Mar Vermelho. Bom, então esse reino edomita Mais tarde foi ocupado por povos árabes que entraram em miscigenação com os edomitas. Então muitos árabes foram para lá, começaram a dominar, e ele passou por várias fases, o reino edomita.
Houve uma fase, por exemplo, que os anabateus dominaram a região. Eles fundaram Petra, que é uma das maravilhas do mundo moderno antigo, né? Não do mundo antigo, mas do mundo moderno. Petra, você já teve Petra?
Cara, não sei.
Não, Petra é na Jordânia.
Não, então não.
Não, eu ia lembrar se eu tivesse. Indiana Jones. Um dos filmes do Indiana Jones fala do tesouro, é lá. Jornada nas Guerras nas Estrelas também foi filmado em Petra, que tem aquelas construções na pedra e tudo mais, foi lá em Petra. O rei Herodes era oriundo de Petra, que ali vieram os idumeus também, que vieram dali, região de de Petra. Provavelmente os magos podiam ter vindo da Pérsia e parado ali no reino de Edom para comprar os presentes para Jesus.
Então é um reino vizinho a Israel. E na sequência do tempo, quando vem Maomé, o Império muçulmano, etc., ali também fica uma terra muçulmana. Quando você vai ter a reconfiguração do Oriente Médio na Idade Média, sendo que o Líbano estava lá criado pela França, o mandato britânico aqui na região da da Faixa de Gaza, Palestina, criação de Israel em 1948. Nessa situação toda, a família hussemita, que era dos Emirados Árabes, teve uma briga de família.
Aí a Liga das Nações Unidas resolveu doar para o rei Hussein e os descendentes dele aquele território ladeado de Israel e ele se tornou então o Reino da Jordânia. Reino Husemita da Jordânia, que é hoje a atual Jordânia, que é o reino vizinho de Israel. Quando Moisés estava para entrar na Terra Prometida, eles atravessaram o Mar Vermelho desse lado aqui no Canal de Suez, ficaram 40 anos aqui nesse triângulozinho do Y, 40 anos. Quando terminou os 40 anos que Josué foi entrar com o pessoal lá, o Abraão chega aqui por baixo E ele quer passar pelo território dos edomitas.
E eles falam: "Você não vai passar aqui." Aí Moisés entra em luta armada e Deus falou: "Não, não faça isso, porque você vai derramar sangue do seu irmão. Eles são descendentes de Esaú. Você vai dar a volta." Por isso que Josué dá a volta e eles vão entrar pelo Rio Jordão lá em cima. Agora, na atualidade, a Jordânia de novo entrou em luta armada com Israel em 1948. A Jordânia não queria deixar Israel ter o território de Israel.
E só uma notinha de rodapé, não quero entrar nesse assunto porque ele é polêmico e vasto, muita gente critica Israel que não deu as terras dos palestinos conforme a Liga das Nações Unidas mandou, que era a Faixa de Gaza e a Cisjordânia. Na verdade, quem não entregou a terra para os palestinos foi o país chamado Jordânia. Que tava dominando até Jerusalém. Então Israel foi criado em 48, somente em 67 que Israel consegue conquistar Jerusalém e expulsar o exército da Jordânia até para o outro lado do Jordão.
Por isso que aquela região é chamada de Cisjordânia. Empurra para o outro lado do Jordão, aí cria Palestina e A Jordânia então vê que não podia lutar contra Israel, fizeram um acordo de paz que dura até hoje. E esse acordo de paz, ele se dá em dois momentos. Letra A: Israel promete que sempre vai dar água para Jordânia. Então Israel, que quase não tem água, fornece água para Jordânia hoje. É um país que tem relações diplomáticas com Israel.
E além disso, é o rei Abdullah, que é o rei atual da Jordânia, e além disso, aquele Domo da Rocha, que é aquela cúpula dourada em Jerusalém, cartão postal de Jerusalém, Ali dentro da cidade de Jerusalém, dentro do território de Israel, aquele lugar sagrado para os muçulmanos está sob administração da Jordânia. Na Guerra de Seis Dias, o Moshe Dayan fez um acordo com a Jordânia e a Golda Meir também, que era o primeiro-ministro.
Então eles pegaram e falaram: "A Jordânia cuida disso aqui." Legal. Então quem cuida... E todo aquele ouro que está em cima ali foi o rei da Jordânia que... Descendentes de Esaú. Eu dei um prego, eu dei uma só para dar uma—
aí assim, vamos lá, eu ainda tô no comecinho, a história é longa, a gente tem muitas partes, mas eu queria entender mais algumas coisas, porque por exemplo, aqui diz que o mais velho servirá o mais novo. Aí a pergunta aqui é: Deus, ele escolheu Jacó desde o nascimento, ou seja, existe um favoritismo? Porque a gente tem várias possibilidades, existe a questão do livre-arbítrio e tudo mais, mas já era muito claro, já tinha aqui uma profecia sobre o irmão mais novo ser esse irmão que iria talvez ocupar esse espaço.
Então já era sabido disso? Deus tinha escolhido já Jacó? Tinha um favoritismo? Não tinha o que pudesse ser feito? Por que Deus escolheu ele? Por que fazer dessa forma? Talvez perguntas que você não tem exatamente a resposta, mas, cara, Deus já tinha escolhido Jacó.
Sim, devemos responder isso em dois níveis que não são contraditórios. Letra A: escolha não significa necessariamente favoritismo. É que na nossa cultura, a escolha é um favoritismo. Vamos supor que você tenha uma... Você está lá, a Sofia e a Eloá, suas duas filhas. Aí você percebe, quando elas estiverem maiores, já adultas, que a Sofia é mais do fazer mesmo, de pegar e fazer e tudo. A Eloá já tem uma mente mais administrativa, ela é mais calculista, ela mexe melhor com dinheiro.
A Sofia já é criativa, aquela coisa toda, gosta de... Você sabe que se você colocar a Sofia para administrar, não vai dar certo. "Porque ela é muito criativa, a mente dela não é para isso." Aí você pega e escolhe a Eloá para ser a CEO e a Sofia para um outro cargo que está mais condizente com ela. Alguém olhando de fora assim: "Puxa vida, ele botou uma como CEO e a outra não." Você escolheu de acordo com a capacidade que você via em cada uma delas.
Mas no caso que eles não estão formados, que Deus não os formou...
Mas é um esforço de Deus.
Ah, é isso que eu ia levantar esse ponto.
É o segundo elemento que eu ia colocar aqui. Mas é o segundo elemento.
O segundo elemento.
Mas eu imagino como ele é, que nem o Rodrigo falou, nesse ente, e ele vê tudo. Talvez ele já tinha visto como eles seriam, a personalidade das pessoas e até as possibilidades.
É tipo assim, mas aí Deus vê como eles seriam ou Deus decidiu como eles seriam?
Porque se você for para mim, eu acho que ele viu as possibilidades.
Exatamente. Vamos supor, ele viu duas linhas do tempo.
É uma possibilidade.
Se esse dominar, vai, o mundo vai ser assim, e se esse, daí o mundo vai ser assim.
Eu concordo com isso aí, é o O elemento que eu falei, lembra que eu falei assim, eu vou responder em dois níveis, eles não são contraditórios. Um deles é, frisando para deixar claro para quem está assistindo a gente, eleição não é favoritismo, pelo contrário. Deixa eu enfatizar isso antes de entrar no segundo ponto que o Kaique colocou, que é exatamente o que ele pôs. Quando eu sou escolhido para uma função, eu estou ali para servir.
Se você coloca a Eloá para ser a CEO de uma empresa, aquela escolha impõe a ela a responsabilidade de não deixar aquele negócio falir. Se você tiver lá 2 mil funcionários na tutela dela, se ela pisar na bola, são 2 mil pessoas que vão perder o emprego. São vários credores que não vão receber, que vão ter problema. Então, não é um favoritismo, é a imposição de uma responsabilidade. Você sabe, se você fizer besteira aqui, quanta gente vai ser prejudicada.
Então, esse é um ponto. E o segundo ponto que o Kaique colocou, a diferença entre mim ou vocês e Deus, é que essas escolhas que nós fazemos, além de passíveis de erro, porque nós somos humanos, elas são feitas a posteriori. Depois que a Sofia e Eloá crescem, que você percebe os pontos fracos e fortes delas, você toma uma decisão. Deus pode, como conhece o fim desde o princípio, ele toma a decisão lá atrás.
É porque eu penso muito, sei lá, se a gente tivesse uma TVzinha aqui que a gente pudesse ver o futuro daqui 4 anos, Tipo assim, a realidade se o presidente A for eleito, B, C e D. Se a gente vier na telinha 4 anos depois e não escolher qual é o melhor futuro, aí é doideira.
Exatamente.
Então, até agora a gente tem um casal, a gente tinha aqui Isaac e Rebeca e eles tiveram 2 filhos, Esaú e Jacó. O pai era mais chegado no mais velho, Isaac era mais chegado em Isaú e Rebeca era mais chegada no mais novo, que era Jacó. E aí Jacó nasceu aí segurando no calcanhar dele. E aí então a gente continua a história. E a gente tá na parte 2 agora.
Um dia, falei, é que, cara, tem um negócio que eu sempre quis saber, tá, que é até melhor falar aí disso antes de você ir para a parte 2, que era: tem alguma relação da história desses dois irmãos com a história de Caim e Abel? Será que é um— porque tem algumas semelhanças ali, tipo, são dois irmãos, tem conflitos. Tudo bem que o final é diferente, mas de alguma forma é a Bíblia reconstruindo e tentando corrigir um erro do passado?
Não, eu acho que a Bíblia mostrando como é que algum, infelizmente devido ao pecado, alguns padrões de distorção emocional barra espiritual começam a ficar frequentes na humanidade.
É porque é bem semelhante, a briga, por exemplo, se você for pegar casais, você vai ver vários conflitos muito parecidos entre eles.
Exatamente.
Pode ser.
Talvez irmão também, né?
E traços de personalidade, tanto é que você pega, por exemplo, se você pegar a mente de um psicopata, os seres humanos não são feitos igual carro em série, nós temos nossa individualidade, mas existem alguns elementos parecidos. Então pega a mente de um psicopata, por que que o psicólogo hoje fala assim: esse camarada é um narcisista, ele é um psicopata, ele é isso, ele é aquilo? Porque ele está demonstrando traços comuns a outros. Você entendeu isso? Traços de caráter, para o bem ou para o mal, se repetem.
Entendi.
Agora, com certeza tem paralelos, né? Tem esfriamento que faz um não valorizar a primogenitura, enfim, tem várias coisas. Mas aí a gente está nesse momento que Esaú, então, ele volta faminto do campo porque ele era caçador, e aí ele encontra Jacó preparando um ensopado, ensopado vermelho, e o Jacó propõe uma troca inesperada, que até assim, se a gente olha sob a ótica bíblica, talvez poética, profunda, a gente até compreende, mas se fosse pegar nos dias de hoje seria difícil entender o sentido disso.
"Que fome é essa, né?
O cara troca um negócio." Mas Jacó propõe uma troca, onde ele troca comida, que é o ensopado, pelo direito de primogenitura. E aí Esaú aceita. E aí diz assim, Gênesis 25:33: "Vendeu, pois, seu direito de filho mais velho a Jacó. Rodrigo, conta primeiro para a gente um pouquinho dessa história, como foi esse momento e depois ajuda a gente a interpretar qual que é a profundidade dessa passagem.
Eu achei meio loucura, tipo eu chegar para você e falar assim... Toma essa sopa. Eu falo assim: "Bro, comprei um japonês aqui, mas você vai ter que me dar o cargo de CEO aqui na empresa." Não, mas não é nem isso, é quase intangível.
É tipo: "Toma aqui essa sopa e aí você me dá o cargo de irmão mais velho." "Pô, tá bom." "Mas você não é irmão mais velho." "Não, mas eu posso falar que eu sou." É meio... Tem uma profundidade, Rodrigo vai trazer.
Existe uma ironia na maneira como o texto coloca, que a gente só vai entender a ironia pegando a cultura do Oriente Médio. Entendamos o seguinte: qualquer hoje, nossos contratos precisam de firma reconhecida, assinatura, cartório e tudo mais. No passado, nesse passado, os contratos eram feitos muito por oralidade. Eles eram uma sociedade mais oral do que documental. Então eu não preciso assinar um documento necessariamente. Se eu declarar de público perante testemunhas e munido de letra A, sacrifício, testemunhas, palavra oral pronunciada e refeição, o contrato tá feito.
Há vários casos bíblicos de contratos que foram feitos numa refeição, vários. Sempre a refeição fazia parte, e não só bíblica. Se eu pegar as tabuinhas de Nuzi, que são povos que viviam naquela época, textos legais dos hititas, ugaríticos, Nuzi e outros grupos da época, a gente vai ver que sempre tinha esse costume de refeição. Sacrifício, refeição, oralidade, preenche testemunha. Por exemplo, um dos casos interessantes que até a gente contou aqui na época de Abraão, no código hitita, se eu fosse fazer um acordo com você de empresa, traria um animal, sacrificaria o animal, cortaria o animal no meio.
Aí eu vinha de um lado segurando uma tocha e você vinha do outro segurando uma tocha. Quando a gente passasse no meio, uma carcaça do animal para um lado, outro para o outro. Aí a gente orava: que assim como esse animal foi cortado, assim eu também seja esquartejado se eu não cumprir minha parte. Você também atravessa e depois nós fazemos uma refeição juntos. Isso fazia parte. Tanto é que a palavra acordo em hebraico é brit, Brit significa justamente cortar.
E tem a expressão hebraica "cortar um acordo". Você entendeu? Então, não é simplesmente a questão assim: "Tá, me dá esse hambúrguer aí que eu te dou o senhor da empresa." Com certeza, o fato dele pedir a refeição tem mais coisas que o texto enxugou aqui.
Entendi.
Houve uma negociação, houve uma formalidade. Tá certo? Lendo rapidamente o texto, parece que só realmente: "Eu estou com fome, me dá alguma coisa para comer." "O que você quer?" "Me dá o senhor da empresa." "Não faz nem sentido essa história, mas quando você olha no Oriente Médio, peraí." E o modo como o texto coloca é muito irônico. Eu não sei qual a tradução que vocês estão aí, eu estou com a Nova Almeida atualizada. Na minha tradução diz assim, eu vou ler como está na tradução e como está no hebraico.
Gênesis 25:29 diz assim: "Jacó tinha feito um ensopado quando Esaú, exausto, veio do campo." Ele lhe disse: "Por favor, me dê de comer um pouco da coisa vermelha, essa coisa vermelha aí." É interessante que no hebraico tem um trocadilho, que a palavra para ensopado no hebraico na verdade é ensopado de ervilhas. Ensopado de ervilhas. Aí você tem a palavra Adashim, que é ervilhas. Adashim, ervilha vermelha. É um tipo de ervilha que fica vermelha, adashim.
A palavra para vermelho é adom, adom, vermelho. Então ele estava tanto desprezando que ao invés de ele pedir assim: "Me dá um pouco desse ensopado de ervilhas", ele pergunta em hebraico assim: "Me dá um adom hadseh?" A Don't Hate Seth, de uma maneira: "Me dá qualquer coisa." Eu nem chamei a comida pelo nome dela. É como se você estivesse lá, sei lá, com estrogonofe, qualquer coisa, e eu falar: "Me dá um pouco desse negócio aí." Essa forma irônica de escrever o texto, daí a palavra "edom" aplicada ao povo dele, "edom", pedir coisa vermelha, significa que ele não estava nem aí para a primogenitura.
Nessas entrelinhas aqui, eu posso ler sem forçar o texto bíblico, O seguinte quadro: o Isaac tentando treinar o filho para ser o CEO da empresa e ele sempre não está nem para nada. Não está nem para nada.
Era o que eu ia perguntar. Será que ele não estava a fim de assumir a responsabilidade?
Não estava a fim, exatamente. Não é que não tinha aptidão, não tinha interesse. Você está entendendo? Só ficava vagal e tudo.
Sabe quando você tem um filho e você está treinando ele para ele assumir o seu lugar e o Mike não quer?
"Está cagando." Exatamente.
Ele só quer ser herdeiro, ponto. Não o substituto do legado do meu pai, só quer ser herdeiro. Então, nessa situação, o outro irmão falou assim: "Espera aí, você está desprezando a herança da nossa família, você vai jogar tudo fora. Eu vou querer cuidar das empresas. Eu estou vendo, meu pai prefere você, mas eu estou vendo que você vai afundar a nossa empresa e a nossa família vai ficar com fome no futuro por sua culpa." Então, Jacó, no início, ele tinha um desejo legítimo de ter a primogenitura por duas razões.
Primeiro, Porque havia uma profecia de Deus de que o mais velho servirá o mais moço.
Será que eles sabiam?
Eu acho que a Raquel deve ter contado para ele.
E por ela ser a chegadinha nele, talvez ela tenha falado para ele.
Deve ter falado, deve ter falado. Essa é uma razão.
Será que talvez a vontade dele até de assumir isso é porque a mãe dele falou isso para ele?
Com certeza.
E ele falou assim: "Caramba, então eu já tenho um destino, eu já tenho um objetivo, vou cumpri-lo." A Bíblia não diz isso explicitamente, mas a possibilidade é altíssima.
Essa reflexão sobre profecia é uma reflexão interessante, porque às vezes você fica pensando: "Será que isso aconteceu porque já estava profetizado ou será que pelo fato de estar profetizado eu acabei buscando isso?" É interessante isso aí mesmo.
Eu acho que as coisas não são excludentes. Uma coisa acaba puxando a outra, tanto no sentido positivo como negativo. Quantas pessoas hoje que estão talvez nos assistindo que não conseguem ir para lado nenhum Que ele ouviu a vida toda que ele é um loser. Sabe, muitas pessoas têm que se libertar do papel que o outro escreveu para ele. Mas havia um desejo legítimo também. O fato de Jacó querer a primogenitura era para salvar o clã.
Porque ele sabia que na mão do Esaú, quando o Isaac morresse, ia acabar tudo. E tinha famílias no clã ali. Então, desejo legítimo. Até aqui tudo bem. Onde veio o problema? Quando ele começa a querer agir no lugar de Deus. Então, mesmo direitos legítimos, mesmo intenções legítimas e bem-vindas, quando feitas de maneira errada, contrária aos princípios de Deus, não dá bem. Você está entendendo? Não dá bem. Por exemplo, quando Eva desejou ser igual a Deus, Ali, vou falar uma coisa, vai assustar.
Onde é que estava o problema daquele desejo? Eva já tinha sido criada a imagem e semelhança de Deus. O desejo de querer parecer com Deus não é errado. Tanto é que Jesus na Bíblia fala: Sejam perfeitos como perfeito é vosso Pai que está no céu. Eu quero ser semelhante a Deus, eu quero ser perfeito como perfeito é meu Pai que está no céu, eu quero ter a imagem de Deus em mim. Isso é legítimo. Se isso é legítimo, onde está o pecado de Eva quando ela desejou ser igual a Deus e atendeu ao convite da serpente?
É que o diabo tem a característica de deturpar intenções nobres através de caminhos escusos. É aquele negócio, Rodrigo, eu vou te dar a empresa, a presidência dessa empresa. Ótimo, senhor, mas é pelos viés corretos. Não é puxando o tapete de ninguém. E ele tentou depois puxando o tapete do irmão. Ele aproveitou aquela fraqueza e, resumindo para ficar claro a questão do contexto, com certeza nesse negócio da primogenitura pelo prato de lentilha, não foi simplesmente um negócio...
Jacó aproveitou. "Ah, você quer? Então faz o seguinte." Ele deve, hipoteticamente, estou falando hipoteticamente porque o texto não diz isso, eu estou deduzindo pelo costume da época, Jacó deve ter chamado uma pessoa ou duas de testemunha, porque tem que ter testemunha, deve ter selado o pacto com o irmão. "Olha, ele está passando para mim o direito à primogenitura e não vai reclamar esse direito diante do nosso pai." Então eles pegaram aquele pacto, fizeram ali, teve a refeição que fazia parte do pacto, como eu falei, você entendeu?
O almoço fazia. Quando comeram, talvez eles devem ter ficado em segredo, A pedido talvez de Rebeca. Gente, essas coisas que eu falo não estão na Bíblia, mas não estou inventando da minha cabeça. É com base na cultura da época, vocês estão entendendo, né? É provável que isso aconteça. Então, nesse sentido, a Bíblia fala de muitos pactos, principalmente envolvendo cargos e heranças, que começaram primeiro no privado, depois foram publicitados.
Por exemplo, quando Davi falou que Salomão seria o herdeiro dele, Ninguém sabia disso. Aí quando o irmão de Salomão está lá querendo tomar o trono e tudo mais, que a Bate-Seba chegou para o Davi e falou assim: "Olha, Davi, você não falou que era o meu filho que ia sentar no seu trono? Pois a Donia já está reclamando." Aí Davi: "Olha, vai lá, pega a minha jumenta, vai lá até a fonte do Guirrom e unja Salomão, Salomão como meu rei." O Davi também foi ungido duas vezes, primeiro numa situação secreta, Quando o profeta vai até a casa do pai de Davi lá e ele unge Davi como rei de Israel, mas ninguém sabe disso, nem Esaú, nem ninguém.
Só depois que aquilo que foi acordado no privado se torna publicitado. Então, provavelmente aqui teve um acordo mais privativo. Então, a partir de hoje eu estou cedendo os meus direitos de herança para você. O Esaú deve ter ganhado mais alguma coisa além daquele prato de lentilhas. Aí o Jacó ficou feliz e estava esperando o momento em que Isaque iria publicitar isso, mas o pobre Isaque talvez nem ele soubesse que isso tinha sido feito.
Eu estou pensando aqui nessa situação, essa troca pelo prato de lentilha, eu acho que está explicitado na Bíblia, mas às vezes não é necessariamente... Às vezes o peso não está na troca, às vezes o peso está no seguinte, eu estou imaginando, Cara, imagina que tem outra pessoa em um cargo mais alto e ela tem dificuldade de falar em público. Aí vai chegar na hora do anúncio na empresa, essa pessoa que tem dificuldade de falar em público, ela vai chegar e vai falar: "Fala você, Thiago.
Fala você, vai." E já aconteceu situações muito parecidas em outros cenários. Eu falo: "Não, cara. Não, não. Vai, fala você, pelo amor de Deus, me ajuda aí." Eu falei: "Tá bom." Então, é uma situação onde a pessoa não quer assumir, seja lá por qual motivo for, esse espaço de protagonismo para levar essa mensagem adiante. No caso de Jacó, esse protagonismo, o clã adiante, a sobrevivência, a multiplicação. Às vezes, Esaú não queria isso de alguma forma e acabou que queria que Jacó seguisse, tinha mais propensão a isso, como você falou.
E aí, troca por esse prato de lentilha. Às vezes não era que, meu Deus, eu quero esse prato de lentilha, então eu vou trocar a primogenitura por isso. Às vezes era uma situação mais parecida com essa.
Há mais elementos aqui, com certeza.
A única coisa que eu fui pensando é que é uma questão comportamental. Cara, é descrito muito claramente que Esau era o caçador e Jacó era o cara que cozinhava, era uma coisa mais de bastidor. E aí eu fico pensando, cara, o cara que geralmente é o líder, seja numa empresa ou até na família, geralmente ele tem um comportamento mais alfa. Ele tem, se você for fazer o teste do DISC, ele vai ser um dominante com influente e tal. E eu fico pensando que o cara que é o caçador geralmente é dominante.
Se você for pegar quase todos os líderes hoje nas corporações, eu não lembro agora a estatística, mas mais de 90% são dominantes. E você fala comportamentalmente falando, para um ter propensão a ser o caçador e o outro ficar ali administrando, eu imaginaria que Exaú teria mais propensão a isso.
Tem uma expressão idiomática na Bíblia que vai dar uma resposta sobre isso. Olha que interessante, por isso que eu insisto tanto, pessoal, na questão da cultura bíblica. O que a gente faz sempre aqui, todos que a gente tem participado, sabe que eu terminei agora, não é um merchan porque não está no mercado ainda, é que você me dá liberdade para isso. Eu lancei a Bíblia Arqueológica, estou lançando pela BV Books. Eu gastei 7 anos fazendo essa Bíblia.
Você falou que terminou de ler a Bíblia, eu quase mencionei isso aí. E eu terminei agora, Toda a Bíblia com comentários, com notas arqueológicas, com esses detalhes do grego, do hebraico. Agora vai demorar alguns meses até ela sair, porque agora é a hora dos teólogos revisarem, pegar erro, aquela coisa toda, ler esse processo de colocar as imagens e tudo, vai demorar alguns meses, mas eu já entreguei para BV Books. Então aguardem uma Bíblia arqueológica com todos esses detalhes aqui, porque eu acho que colocar o texto dentro do contexto é muito importante.
Por que eu mencionei a Bíblia Arqueológica? Porque uma das coisas que eu estou mencionando lá são as expressões idiomáticas. E elas são a chave. E olha o que diz aqui no capítulo 25, verso 28: "Isaac amava Esaú, porque se saboreava da sua caça." Ok? Então, é o que você falou, é o macho alfa. Pai, filho. Rebeca, porém, amava Jacó. Ah não, desculpa, é o verso 27 que eu queria ler. Cresciam os meninos. Esaú tornou-se perfeito caçador, homem do campo.
Jacó, porém, era homem pacato, morava em tendas. Mas peraí, o Esaú também não morava em tenda? Todo mundo morava em tendas. Então por que falou que um era do campo, caçador, e o outro morava em tendas, sendo que ambos moravam em tendas? Essa expressão "Jacó morava em tendas" é uma expressão idiomática do hebraico, que eu encontro inclusive no sumeriano. Tem uma pedra com a lista dos reis sumerianos e os primeiros reis são citados assim: "Esses eram os reis que moravam em tendas".
E tem uma outra expressão em sumeriano, os tumkarum, tamkarum, que eram homens de negócios que moravam em tendas e eram nômades, mas adquiriram tanta fortuna e tanta expertise para poder fazer dinheiro que os tamkarum chegaram a ficar até perigosos do ponto de vista comercial, a ponto que no Império Tinha uma lei falando que um tamkarum não podia comprar propriedades num território hitita a menos que na certidão de compra ele se comprometesse durante o período da colheita não estar presente ali, no período de guerra não estar presente ali, porque eles tinham medo dos tamkarum, que embora eles não fossem reis, eles eram tão poderosos que eles tinham dinheiro para emprestar dinheiro e exército para um rei.
E eu chego à dedução que Abraão era um tamkarum, que ele tem todas as características. Inclusive, nessa lei hitita fala que os tamkarum mais poderosos eram os que vinham da cidade de Ura. Ura é Ur. E pode olhar que o Abraão conversava com o rei do Egito de pau a pau. Você vai para os Estados Unidos, você conversa com o Trump? Mas o Elon Musk conversaria. O Elon Musk chegaria lá na Inglaterra e o Rei Charles iria recebê-lo. O Elon Musk não é um presidente de país nenhum, ele não é rei de lugar nenhum, mas ele está tão poderoso hoje que é um cara que onde ele chega ele é recebido como chefe de estado.
O Abraão também, o Isaac também, ele vai conversar com o chefe dos filisteus. Então, esse pessoal é muito poderoso. Então, o fato da mesma expressão ser usada com relação a Jacó é que, na verdade, ele herdou do pai tinha aquela capacidade, aquele know-how de ser o que fazia dinheiro multiplicar. O outro ficava no campo. O outro, ainda que tivesse essa capacidade, ele era um lazy. Então, eu não saberia dizer os critérios hoje dos CEOs, como você fala, o machão, mas nos critérios da época, o principal não é aquele machão que faz e acontece.
É aquele que consegue dominar sobre o machão. Tanto é que você pode olhar que muitos reis têm um general de sua confiança, o general que é o... Mas o rei é aquele que manda no cara forte.
Entendi. É tipo o general e o soldado, o soldado que vai realmente para a luta lá e o general que fica administrando.
O rei até pode aparecer numa posição de caçada, de poderoso, como nós temos lá o Gilgamesh e outros mais, mas pode olhar, Ele sempre tem um general de sua confiança, que é esse cara, mas esse cara nunca vai virar o rei, ele sempre é o general.
Que engraçado, uma vez eu estava conversando com o Paulo Guedes e ele estava me contando a história do mundo em relação à esquerda e direita. Pega o comunismo... Ele começou a contar tudo e como foram todos os grandes conflitos, as guerras mundiais e tudo mais. Eu falei: "Historicamente, qual foi o componente mais importante para decidir quem ganhou entre direita e esquerda, os conflitos? Foi inteligência? Foi estratégia?" Ele pegou e falou: "Não, cara, foi poder bélico." Então sempre o mais forte ao longo do tempo foi o que ganhou.
E aí quando você pega... Eu estou pensando agora nessa história, cara, o caçador e o cozinhador de lentilha ali.
Mas o poder bélico, sem contradizer o Paulo Guedes, quem sou eu, mas o poder bélico na mão de uma pessoa inteligente. Porque lembra que o Japão desse tamanzinho botou a China de 4.
Ah, sim?
Lembro, o Japão era desse tamanzinho. A Inglaterra, uma ilha, e dominou as Índias. Então, poder bélico associado a alguém que tem cabeça. Porque muitas vezes na história, o poder bélico que ganhou a batalha não foi o que tinha maior número de tanques, de soldados, de combatentes. É o que tinha melhor estratégia. Muitas vezes nós tivemos capítulos da história onde o exército menor devastou o exército maior. Total.
Mas acho que isso não contradiz, na verdade.
É, exatamente.
Então, poder bélico sendo utilizado.
Utilizado. E aqui você vê então o morar em tendas aqui, Não é só uma descrição de onde ele morava, é uma expressão idiomática para falar da sua capacidade, que ele seria um futuro rei. Só para terminar isso aqui, a Assíria, por exemplo, poderosa Assíria, começou com reis que eram moradores de tendas. Então ele era o germem de uma grande nação.
Cara, a gente tem então esse momento onde Jacó ganha a primogenitura, ele passa a ter todos os direitos, honrarias e responsabilidades também de ser o primogênito, de ser o irmão mais velho e que culturalmente na época era muito importante, era uma bênção. E anos depois vem a segunda, digamos, perda de Esaú ou vitória, ou seja lá o que for, de Jacó. Porque Isaac, que era o pai dos dois, já estava muito velho, estava com pouca visão e aí ele pediu comida para o filho mais velho, para dar bênção para ele.
Então, de novo comida, de novo comida na questão do pacto, né, comida cerimonialista. Perfeito. Então ele queria agora dar a bênção, filho mais velho, talvez porque talvez estivesse no final da vida dele, já não tava conseguindo enxergar, tava velho. E a Rebeca, ela escutou tudo. Rebeca era esposa de Isaac, ela escutou tudo e mandou Jacó preparar a mesma refeição. E aí Jacó tava coberto com peles para imitar o irmão que era peludo, o Jacó entrou na frente do pai, se passando por Isaú, e recebeu a bênção que seria do irmão.
Então diz em Gênesis 27:35: "E o seu irmão veio astutamente e recebeu a bênção que pertencia a você." Isso aqui falando depois para Isaú. E aí eu te pergunto, conta pra gente como aconteceu essa passagem. E aí até debatendo um pouco sobre se isso é justo ou não é justo. Porque uma coisa é eu negociar ali com Isaú, cara, primogenitura e tal, combinamos. Agora você pegar, enganar seu próprio pai, você pegar a bênção que não era para você.
E aí tem outra coisa, né, cara? Alguém pega e dá a bênção. Eu fico pensando, você está orando, você errou o nome de alguém, a bênção vai para outra pessoa? Como que funciona esse negócio? E isso realmente, indo mais para frente na história, essa bênção realmente se manifestou, isso aconteceu de fato. O quão justo foi isso? Como que isso aconteceu? Pensando agora de forma prática, eu estou cego, meu filho é peludo, o outro bota uma roupa.
Cara, quão velho eu tenho que estar para realmente confundir? Se não me engano, ele cheirou também, até alguma coisa assim. Para eu pegar e confundir os dois filhos nesse nível, a voz também, acho que teve um negócio ali na história.
A voz é de Jacó, mas o cheiro é de Esaú.
E como que faz? A mãe pegou e falou: "Vamos enganar seu pai junto." É muito dos filhos. Talvez tinha uma motivação nobre ou talvez tinha um favoritismo no caso dela, porque ela já era mais chegada ali de Jacó. Descreve a cena, explica para a gente e qual é o simbolismo dessa parte da história.
Primeiro, vamos lembrar para ficar bem claro você que está assistindo a gente. De novo, eu tenho uma situação de refeição, mas não pense isso como sendo apenas um jantar comum. Não é a mesma coisa do Kaique chegar na casa lá da mãe dele e falar com o irmão dele: "Meu amigo, faz um miojo para mim aí, vamos comer. Eu estou com vontade de comer o seu miojo quando a gente era solteiro aqui." Não é isso. É uma refeição cerimonial para lavrar uma escritura, para firmar um acordo, um pacto.
Tanto é que eu quero pedir licença para citar um versículo que ilustra isso. No capítulo 26, o capítulo anterior a esse que o Tiago falou, No verso 30, fala que Isaac fez uma aliança com Abimelec, está certo? Em Gerar, que era o rei Abimelec. E quando fala que eles fizeram uma aliança, um acordo público, olha o que diz aqui: "Então Isaac lhes deu um banquete e comeram e beberam." Então você está vendo a importância, a comida fazia parte do pacto, assim como o documento com a firma reconhecida faz parte do acordo entre empresas.
Então agora o Isaac fala assim: "Ezaú, meu filho, está na hora de eu ir embora. Vamos agora oficializar a sua primogenitura, quero te preparar já." Só que já havia um outro sido oficializado antes lá atrás. Lembre-se da história de Adonias lá com Davi e Salomão, que já tinha e o outro pensou que era ele. Aquele que é feito no privado, depois vai ao público, etc. Então, quando a Rebeca ouviu isso, Jacó, é a sua oportunidade, seu irmão saiu agora para preparar uma caça para trazer.
E essa caça não seria apenas uma refeição, era uma maneira de, como nos filisteus, seu pai vai fazer, vai trazer as testemunhas, é a sua oportunidade. Aí ele pega e fala assim: "Não, então tá bom." Ele entra na tenda do pai. Nós não sabemos aqui como seria a questão testemunhal disso, se as testemunhas ficaram do lado de fora, só escutando a voz do Isaac, isso era comum na época também, pelo que nós vemos de outros tratados do Antigo Oriente Médio, e aí ele disfarça do irmão.
E dependendo da idade, da capacidade da pessoa, é fácil de ser enganada. Há vários tipos de pessoas idosas, algumas, por exemplo, que nem têm Alzheimer, mas elas têm um tipo de demência que de um momento a mente funciona bem, daqui a pouquinho ela dá uma escorregada, a pessoa volta a ser criança. "pergunta para quem já morreu", esse tipo de coisa assim. Eu não sei como estava o estado senil do Isaac.
É, se tivesse um grau ali, eu já vi, já. Tipo, meu pai tinha uma tia que gostava muito dele, errava o nome dele, chamava o nome do irmão e tava tudo bem.
Isso não é incomum. Isso não é incomum. Ali então o Jacó entra disfarçado para enganar o pai pelo cheiro e pela voz. E aí o Isaac então "Como a comida está muito boa, então me abençoa logo, me dá primeiro, oficializa esse negócio, oficializa, me dá agora a oficialização." Aí o Isaac dá a oficialização, mas antes ele pergunta assim, no verso 18: "Jacó foi ao seu pai e disse: 'Meu pai.' Ele respondeu: 'Fale.' 'Quem é você, meu filho?' Jacó respondeu ao seu pai: 'Eu sou Esaú.'" Essa parte aqui é muito importante, eu vou dar um loop, mas depois a gente vai voltar nele.
Lá na frente, um anjo vai lutar, que é o próprio Deus, vai lutar com Jacó. E ele vai falar: "Me abençoa." E o anjo vai perguntar assim: "Qual o seu nome?" Vai fazer a mesma pergunta. Dessa vez ele não mente: "Eu sou Jacó, eu sou o enganador." E o anjo desloca a coxa dele. Existe algo que não é mencionado aqui também, por isso que eu falei de entrelinhas, mas é possível do ponto de vista cultural, que havia um costume assim, tanto é que isso vai acontecer com o servo de Abraão, quando ele vai mandar o servo lá, fala assim: "Jura colocando a mão na minha virilha." Então havia muito esse costume de a pessoa pegar a perna ali na virilha mesmo da pessoa, pra gente ocidental é uma coisa meio estranha pegar lá no...
Mas era uma maneira de falar assim: "É pela minha descendência que você vai fazer isso." Era um gesto nobre. Será que Jacó também pegou ali? Você está entendendo? E o anjo desloca a perna dele depois para lembrar que ele também firmou no pai numa mentira. Para ficar bem claro para você, esse episódio do segura a virila não está aqui, mas nós temos o servo de Abraão que fala: "Põe a mão na minha coxa e jura." E era um hábito da época.
Cara, eu tenho assim lá em casa, eu sempre fui um cara muito chato com a questão de mentira. Eu já fui um cara que mentia, mudei e aí eu virei um cara muito chato nisso. Chato no nível de, cara... É verdade. Pequenas mentirinhas, para mim eu fico maluco já. E eu não aceito, mas eu também não minto nada e eu sofro as consequências disso, de falar a verdade sempre. Porque eu acredito que essa dorzinha, quando você mente para ter um ganho, No curto prazo você acaba em algum momento se lascando.
Então às vezes você mente para ter uma saída fácil, mas depois você se lasca. E eu acredito nisso. E lá em casa a gente implementou essa cultura. Não pode mentir por nada, tem que falar a verdade e é isso e tal. Pois bem, aí eu imagino agora que estou aqui na pele de Jacó. Aí eu quero a primogenitura, aconteceu tudo igual. Aí chega aqui e meu pai pergunta: "Quem é você?" "Se eu pegar e mentir e falar que eu sou Isaú, eu vou ganhar a bênção.
E se eu falar que sou Jacó? Cara, eu não vou ganhar a bênção." Então, como que esse princípio, que é um princípio bíblico sobre falar a verdade, sobre ser verdadeiro, sobre não mentir, o diabo não é verdade, é o pai da mentira e tudo mais, como que eu aplico esse princípio bíblico a esse momento que traz uma bênção? Uma benção assim, não uma vitória, é uma benção, é uma coisa muito grande. Como que eu posso talvez cruzar esses dois conceitos?
Ele fez um ato do diabo e ainda assim ganhou uma benção.
E sabe que Deus faz isso, mesmo durante as grandes catástrofes e cagadas, ele consegue transformar tudo numa benção depois. Mas, cara, como que eu entendo?
Eu vou responder isso colocando uma outra questão que você fez antes e que eu não respondi. E a consequência? Quando a gente pensa em punição, a gente fala assim: "Poxa, não foi justo isso. It's not fair", como dizem em inglês. Não é justo. O Jacó enganou o irmão, enganou o pai e ainda ganhou a bênção. Não é justo. Tinha que ser punido. Quem disse que ele não foi punido?
Exato.
Quando você fala o seguinte: "Ele ganhou", mas tá, tudo bem, ele ganhou. É quando fala bênção, a gente sempre pensa assim: bênção no sentido poético e espiritual da coisa. Eu fui abençoado é porque eu fui fiel. A palavra bênção em hebraico, baruch, ela é o barajá, né? Barajá que é bênção, baruch é abençoado. O barajá em hebraico, ela é também uma herança, ela tem um sentido mundano, se eu posso chamar assim. A bênção não é só espiritual, você entendeu?
Se você herdou uma fazenda do seu pai, é uma bênção. Bênção, para eles é bênção, é bênção. Então a bênção tem o caráter espiritual e o caráter mundano, é que muitas vezes misturava na cultura do Antigo Oriente Médio que forjou a Bíblia. Pois bem, nesse aspecto então ele recebeu, mas recebeu à custa de quê? Vou ter que adiantar um pouquinho, depois a gente volta nesse ponto. Ele perdeu a mãe, nunca mais ele viu a mãe dele, perdeu o pai, foi para lá na casa do tio, foi 14 anos enganado pelo tio, comeu o pão que o diabo amassou na casa do tio, ele sofreu na pele tudo e depois ele volta morrendo de medo e ainda paga consequências do erro dele nos filhos dele, que ele vê os filhos com traços de caráter ruins que ele teve.
Então, a partir desse momento, eu entendo o seguinte: ele teve a bênção, Mas ele poderia ter por um outro caminho e não esse. Então, ter não é a única resposta. Ter, mas ter a troco de quê? Que sofrimento eu poderia ter evitado para chegar onde eu cheguei?
Cara, aí vocês fast forward, a gente volta, né? Rodrigo trouxe várias consequências, mas quando eu estava me preparando hoje para o episódio, eu estava no carro ouvindo algumas coisinhas e aí eu vi uma coisa que fez muito sentido mesmo. Porque ele pegou e enganou o pai aqui. E aí, ele passou pela mesma coisa depois. A gente vai chegar lá depois na história da esposa, que ele esperou lá há 7 anos e na hora ele teve uma surpresa.
E aí, ele foi enganado do mesmo jeito que o pai. Que no caso do pai, trocou o irmão mais velho pelo mais novo e no caso dele vai ser o contrário, era a esposa. Você trocou também, igualzinho.
E tem um engano mais dolorido e mais semelhante do que esse ainda. Esse que você falou está certo, mas tem um mais dolorido, mais difícil.
Só um gancho antes de você falar isso aí. E eu estava vendo, depois a gente pode aprofundar quando chegar na história, mas na Bíblia a palavra que foi utilizada em hebraico tem a mesma raiz que foi usada na hora que ele enganou o pai. Então isso aqui demonstra, é quase que a Bíblia dizendo: "Olha, viu? Isso daqui é por causa daquele momento." Então tem essa conexão.
E você saberia qual seria o outro engano mais dolorido e mais semelhante, além desse que você mencionou do sogro?
Além desse?
Para Jacó. Para Jacó, cara? Mais dolorido do que o engano do sogro e mais feliz.
Com certeza o filho dele, José, né? Ele passou a vida inteira pensando que José tinha morrido, que era o filho que ele amava.
Exatamente, ou seja, ele sentiu na pele e os outros filhos o enganando.
Cara, dá para fazer uma pregação sobre paternidade.
E aí você vê vários elementos, a questão psicológica passando de pai para filho, os traços de caráter. Aquele... Então, eu tenho que tomar cuidado que aquilo que eu faço hoje, a Sarah pode herdar. Não só em termos... A gente pensa muito em... Aproveitando a ideia do Grupo Primo de investimento e tudo mais, e está certo, mas deixe-me dizer que além dos investimentos, você tem que tomar cuidado com as heranças malditas que você pode deixar para os seus filhos.
Às vezes você deixa o dinheiro, mas não preocupa com a questão do caráter e você passa traços para eles negativos. E você pode, em vida, Ainda sofre as consequências disso, como Jacó, porque o Nietzsche tinha uma frase no O Anticristo, que ele fala: o problema é que quando você contempla a escuridão, a escuridão contempla você. Então, quando você começa a atrair pessoas semelhantes ao que você é, você começa a atrair pessoas semelhantes.
E aí tem a questão da punição e da redenção. Foi justo Deus ter dado a bênção dele apesar de tantos erros? Eu vou falar de maneira leiga, mas eu já ouvi alguém explicando isso, mas se eu cometer alguma imprecisão na ilustração, peço aos juristas e advogados que assistirem aqui que me perdoem, eu sou leigo em direito. Mas eu ouvi dizer que na filosofia do direito há dois princípios que às vezes aparecem. Tem uma linha de direito que é uma linha mais punitiva e tem uma linha do direito que é a linha exemplar.
A linha punitiva é aquela que assim, olha, você quebrou meu celular, então agora o juiz fala assim, olha, quanto custou o celular do Rodrigo? Custou X? Olha, você tem que indenizar ele no valor de X e dar outro celular para ele. Essa é punitiva. Você vai pagar pelo prejuízo que você me causou. A exemplar é diferente. Você causou prejuízo do Rodrigo e ele perdeu o celular? Não é só o celular. Quantos dias ele ficou sem usar o celular?
"Ah, ele perdeu um negócio que ele usava pelo WhatsApp, que não pode mais por causa do celular que você perdeu e tudo mais. Ele estava dirigindo o carro, ele estava sem o Waze, entrou numa comunidade e quase foi assaltado por causa disso aqui e tudo mais. É o seguinte, você vai pagar para ele o valor de 1.000 celulares." "Mas eu só tomei prejuízo de uma, por que eu vou pagar 1.000?" Aí o direito exemplar. Eu quero te dar uma lição.
"Para que você não faça isso com mais ninguém, amanhã você vai pensar duas vezes antes de..." Porque você sabe que dói no bolso. É aqueles casos americanos de uma empresa que às vezes é obrigada a pagar 1 milhão de reais de indenização, 1 milhão de dólares, melhor dizendo, e tudo mais. E outros que veem a situação também, "Opa, eu não vou arriscar, porque se eu sou rico bastante para ter que pagar só um celular, eu não vou melhorar a minha empresa, porque se ele entrar na justiça, eu pago um celular e está resolvido.
Mas se ele me trouxe um prejuízo muito grande, eu não quero." Então tem o direito punitivo e o exemplar. Deus trabalha com uma filosofia de direito exemplar. Ele pune a pessoa bem na carne, bem na carne, porque ele quer tornar o caso dela um exemplo para que outros não cometam o mesmo erro. E aí, saindo dos dois tipos de direito, uma coisa que as pessoas falam, pelo menos em teoria, em teoria, As prisões, as penitenciárias, os decretos judiciais são para resgatar o indivíduo, em teoria.
Se as penitenciárias têm cumprido o papel delas ou não, isso é outra discussão que eu nem sou a melhor pessoa para tratar. Mas você sabe que tem esse debate, né? Que a cadeia torna o sujeito pior do que ele entrou lá. Mas em teoria, o camarada é tirado do convívio social para ficar um tempo preso, recluso, para pensar no que ele fez, para ser reassociabilizado, se eu pronunciar correto, ressocializado, creio que a palavra é essa.
Ele vai ser de novo inserido na sociedade. Então, durante a cadeia, ele deveria, em tese, ter cursos de cidadania, aprender uma profissão, para ele não sair de lá e continuar roubando, para ele sair ressocializado. Então, Deus faz a mesma coisa de maneira agora perfeita. "É mesmo? Você errou? Eu não vou te mandar pagar só um celular não, você vai pagar um preço muito alto do que você fez, mas lá no final eu vou te reassociabilizar de maneira mais efetiva." Sim, cara.
Deixa eu te perguntar, Jacó foi acumulando uma série de... É que assim, eu posso afirmar que foram erros porque ele quebrou um princípio bíblico, então eu posso afirmar.
Sim, sim.
Então eu posso dizer, ele errou.
Ele errou e pagou consequências caríssimas por isso.
Mas já que ele errou, a pergunta é: Existe um momento específico aqui na história dele de arrependimento? Tem. Tá, a gente vai chegar lá então. Vai. Vamos lá, a gente vai chegar lá.
Posso dar um spoiler, mas depois a gente continua? Vai.
A luta dele no Vale do Jacó. Eu estava pensando nisso, mas é que eu não lembro de ele falar assim: "Me arrependo". Acho que está subentendido, né?
Está subentendido, tanto é que isso na Bíblia é chamado de "angústia de Jacó". E a Bíblia até usa a expressão "angústia de Jacó" para equiparar o que o povo de Deus vai passar No tempo do último tempo da história desse mundo.
Não, tá perfeito. Então olha o que acontece agora. Então Jacó, ele tem a primogenitura e ele tem a bênção, mas ele não tem paz. Mas ele não tem paz. Mas não tem paz. E aí é onde a gente vem para a parte 3 então, e a parte da fuga. Então, é, Esaú, só conta para a gente como que foi essa, esse momento onde Esaú, ele percebeu que isso aconteceu. Qual foi a reação de Esaú? Como o que ele sentiu, qual foi a consequência disso.
Mas isso aí me deixou meio confuso, porque se Exaú já tinha feito esse acordo antes, por que ele ficou tão bravo? Ele já tinha meio que acordado que ele abriu mão do negócio.
O inconsequente não significa que ele não percebe as consequências da inconsequência. Então, onde é que ele percebe? "Opa, fiz besteira, mas agora é tarde demais, eu quero resolver esse negócio." Porque o inconsequente não mede resultados, ele faz, ele é impulsivo, ele quer o imediato, ele quer o aqui e agora. Até a maneira como ele falou da comida, que eu falei que no hebraico está meio irônico. O outro estava fazendo: "Estou fazendo um guisado de lentilhas." Aí você tem lá o trocadilho da palavra, "adashim adom".
Parece, né, o trocadilho. Ah, me dá um pouco desse negócio aí. O inconsequente é aquele cara que ele, por um prazer momentâneo e imediato, ele sacrifica um futuro promissor. É o cara que engravida a primeira menina que ele conheceu no carnaval lá porque ela era bonita e tinha um corpão. E aí depois ele vê que ele vai ter um filho com ela. Aí depois, que besteira que vai. Aí lá na frente, quando ele vê a besteira que ele fez, às vezes ele quer consertar a besteira dele com outra besteira.
Ele manda a mulher tirar a criança, ele xinga ela. Ou um cara que tem uma amante, ele vai com a amante, ele faz tudo e tal, tal, quando a amante aparece na porta dele lá: "Pois é, agora tem um filho da nossa relação." Ele xinga: "Que isso aí? Quer acabar com o meu casamento? Quer acabar com a minha vida?" E tudo mais. Mas ele já tava com ela lá atrás. Então, inconsequente, quando ele vê a situação caindo, aí ele tenta resolver contra a inconsequência.
Aí ele pegou e agora foi pra ira. "Eu vou resolver isso na espada, eu vou matar Jacó." Aí você vê que muitas vezes na nossa história, e a Bíblia reflete isso nos seus personagens, as nossas biografias são encontro de patologias. E voltando à fala do Paulo Guedes, a história do mundo é sempre uma história de conflitos. Ele falou numa dimensão de governos, mas eu posso atribuir também uma dimensão pessoal. A nossa vida é uma vida de conflitos, de sobrevivência.
Experiência. Não acaso lá você sobreviveu ao seu irmão mais velho, ao seu tio que às vezes te invalidava, você entendeu? Ao colega da escola, o professor que te humilhava porque você era negro, uma série de coisas assim e tudo mais. A nossa vida é uma série de superação. E assim foi. E aí agora ele, na sua, nos seus problemas emocionais, no seu, nos seus problemas patológicos emocionais, ele quis resolver a coisa com a 'Eu vou matar o meu irmão.' E o outro quis resolver com a covardia: 'Eu vou fugir e abandonar minha mãe e meu pai.' Aí que vem uma questão interessante.
Se o Jacó no início tinha a ideia de proteger o clã, o que que ele faz agora? Por medo, ele abandona o clã. Porque veja bem, se eu peguei a primogenitura, porque o irmão não tinha condição de administrar o nosso povo, meu pai tá idoso, "Meu Deus, e agora que o meu irmão me ameaça, eu caio fora? Quem vai cuidar do clã?" É igual aquela historinha, né? Como é que é? "Nana, neném, que a cuca vem pegar papai." Se papai tá na roça, mamãe foi passear, quem tá cantando, né?
Quem tá cantando? Então, quer dizer, ele agora quis resolver na ira e o outro na covardia. "Eu vou embora." Abandonou todo mundo. E a prova maior que o Esaú não tava nem aí para nada é que ele vai pegar um grupo dele, vai casar com a mulher que não é daquele clã, e ele vai fazer o grupo dele lá na atual Jordânia, bem longe da terra onde estava Jacó, onde estava o Isaac.
Caramba! E Jacó, cara, o cara lutou tanto, ele conseguiu, enganou o irmão, enganou o pai e ainda fugiu.
E ela fugiu.
É tipo você conseguir tudo que você quer e não poder usufruir, porque ele só vai voltar anos depois.
Aí então a gente aqui na parte 3, né, para escapar da ameaça de Isaú, Jacó ele foge, né, só que tem outro motivo também para viagem, né, o Isaac não queria que ele se casasse com mulheres cananeias, né, e por que evitar um casamento com os cananeias, né, enfim, Que daqui a pouco eu quero conversar um pouco sobre isso. E aí no caminho, sozinho, usando uma pedra como travesseiro, Jacó dorme e ele tem um sonho que vai mudar tudo.
E aí eu queria que se aprofundasse nesse sonho, porque tem uma escada, uma rampa conectando o céu e a terra. Aí tem anjos subindo e descendo e Deus falando diretamente com ele, reafirmando a promessa que foi feita a Abraão e Isaac, que a terra, os descendentes, a presença constante, E Jacó acorda assustado, ele chama o lugar de Betel, que é a casa de Deus, e ele faz um voto: "Se Deus estiver comigo, então o Senhor será o meu Deus." É uma fé ainda condicional, ainda negociada.
E aí diz assim Gênesis 28:13-15: "Eu sou o Senhor, o Deus de seu pai Abraão e o Deus de Isaac. Darei a você e a sua descendência a terra na qual você está deitado. Seus descendentes serão como pó da terra e se espalharão para o oeste e para o leste, para o norte e para o sul." Todos os povos da terra serão abençoados por meio de você e da sua descendência. Estou com você e cuidarei de você aonde quer que vá e o trarei de volta a esta terra.
Não o deixarei enquanto não fizer o que lhe prometi. Então, quando ele foge, você vê que ele fugiu, não sei se foi o ato correto ou não, se foi covardia ou na verdade prudência. Alguém vem com uma arma, você tem que também ter uma prudência, não sei se foi ou não, Só que ele teve esse sonho que talvez seja tão icônico, tão importante na história bíblica. Queria que você trouxesse primeiro essa questão de por que não se casar com mulheres cananeias e depois aprofundar no sentido desse sonho.
Qual é o significado dele para a história de Jacó, para a história bíblica, para todo o processo e também pegar esse finalzinho onde ele fala que vai continuar a promessa de Abraão. "Você tem Abraão, você tem Isaac, agora a promessa vai continuar ali através dele, talvez seja concretizada através dele." Qual que é a mistura de tudo isso?
Esse período que estamos vivendo aqui, que na arqueologia chamamos de período final do Calcolítico e início do Bronze, ou período do Bronze, Calcolítico e Bronze, era um período que tinha uma hegemonia majoritariamente masculina. É anacrônico dizer que nesse período havia uma misoginia declarada. Muitas teorias feministas hoje querem falar que a Bíblia era machista, "misógina por causa disso, por causa daquilo". Não. Lembra que a mulher daquilo tinha um raciocínio diferente da mulher de hoje.
Tá certo? As tarefas eram divididas de tal maneira que quem controlava o lar era a mulher. A chefe da casa era a mulher. O chefe fora da casa era o homem. Então, o homem protegia o lar. E havia uma hierarquia entre o homem e a mulher, que hoje é considerado um absurdo. Falar "mulher submissa", todas essas temáticas aí que dão muita polêmica, porque o pessoal pega uma realidade do período do bronze e quer atribuir tal qual uma realidade do século 21.
Não bate, não dá match. Então a gente tem que ter essa sensibilidade de entender os contextos. Dentro desse contexto de uma situação mais assim, os reis eram homens, havia sim, por exemplo, tinha a rainha Pu'abi, rainha de Ur, mas o protagonismo ainda era masculino, tudo bem? Então os homens eram os sacerdotes, eles eram os teólogos, os escribas, eram geralmente homens. E Deus desde o início tava querendo manter o seu povo puro.
Aí já começa com Caim e Abel, onde você vê que havia o Caim tendo uma descendência que estava seguindo o legado negativo, herético e errado do seu pai Caim, e um outro que era o Sete. Quem era Sete? Sete foi irmão de Caim, Caim, que Deus levantou para substituir Abel, que tinha sido assassinado. Então você vê muito claro na história do Gênesis as duas linhagens, a linhagem de Caim e a linhagem de Sete, cada um respirando mais os ares do seu pai.
Um fazendo o culto agradável ao Senhor, o outro sempre a distorção. Um mantendo a tradição da verdade de pai para filho, o outro distorcendo a verdade. Um adorando o Senhor, outro adorando ídolos, e assim por diante. Sete. Quando isso estava bem bagunçado, quase que a dinastia se perde, Deus tira Abraão e fala: Abraão, vem cá, você vai dar sequência à dinastia de Sete. Vem, Abraão, vem, Abraão, e vai para uma terra que eu vou te mostrar.
E Deus tirou Abraão de Ur dos Caldeus justamente porque Ur era um lugar que estava mergulhado demais na idolatria. A bem da verdade, a expressão Ur dos Caldeus é uma expressão anacrônica, Urra. Não vou entrar no mérito da questão. Havia Urra, mas não era dos caldeus. E Abraão, dependendo da cronologia que você usa, ele está ali justamente no período de Urra III, quando Urra tá perdendo a hegemonia dos sumérios e começam os elamitas a tomar o poder.
É nessa transição. E você nota pela arqueologia um crescente muito grande em Urra de ídolos e mais ídolos e mais ídolos e mais ídolos. Tanto é que a tradição judaica, isso não está na Bíblia, a tradição dos judeus vai dizer que até terá Tará, o pai de Abraão era um idólatra. Então quando a família, o clã de Abraão sai de Ur, de novo eu vou fazer o mapa para vocês, vou ter que desenhar ao contrário, então vou pensar agora aqui para você em casa ver correto.
Sai de Ur, que seria hoje no Iraque, e eles vão para a terra que Deus vai mostrar, que seria aqui, Canaã, hoje Israel, tá bom? Tá vendo aqui, ó, Ur no Iraque, Israel, terra prometida aqui, que seria Beersheba, aquele lugar todo onde vai acontecer essa história. Só que imagina um triângulo, ele faz aqui, quando ele sai daqui, eles vão e chegam até o topo, aqui onde hoje seria a Síria, um lugar chamado Padam Aram. Padam Aram. Padam seria a planície de Aram.
E ali viviam os arameus, tanto é que o nome arameu, aramaico, vem de Aram, na Síria. Quando chegou naquele lugar ali, a família de Terá, pai de Abraão, descansou. Eles não continuaram até a Terra Prometida. Sabe aquele negócio assim, olha, eu quero que você cresça, pegando a parábola dos talentos, cresça a minha empresa aqui em 200%, aí eu vou até 100% e fico feliz com aquilo e paro. Ele falou, não, mas a gente combinou que você ia me trazer 200% de crescimento, você parou na metade do caminho.
Deus queria que eles viessem para cá, então eles só fizeram o triângulo, parou aqui. E Terá acaba morrendo aqui. E quando ele estava aqui já acomodados, Deus chamou Abraão de novo e falou: Abraão, seu lugar não é aqui, até que eu irei te mostrar. Não é essa, vocês pararam aqui por outros motivos, mas não é aqui, continua. Abraão deixou para trás o irmão dele com sua família, tá certo? E eles vieram para cá. Então ficaram parentes de Abraão aqui.
Quando Abraão tem Isaac, Ele manda o servo dele buscar uma esposa para Isaac aqui. Por quê? Porque os cananeus também eram idólatras, ele não queria que Isaac casasse com uma idólatra. Então ele vem, busca Rebeca, e Rebeca vem. Aí quando Rebeca agora já é mãe, conversando com Isaac, fala o seguinte: olha, para que Jacó também não se case com uma das moças daqui, como Esaú já estava fazendo, vamos também fazer o seguinte, meu filho, aproveita, você tá com medo, que eu acredito que tinham medo Sim, a covardia.
Mas você sabe que uma coisa não é excludente da outra. Às vezes a covardia está misturada também com a autoproteção, com a oportunidade. Olha, já que você tem que fugir mesmo, seu irmão está te ameaçando, tem que se autoproteger, você está com medo, está apavorado, vai embora sozinho, mas não vai para qualquer lugar não. Volta lá para Padam Aram, porque eu tenho um irmão lá, Labão, irmão de Rebeca. "Brother", tá certo? Sobrinho do seu pai.
Então vai lá e procura casar com uma das filhas dele e ele vai te apoiar lá, ele vai te segurar lá. Sabe aquele negócio? Vai para casa do seu tio lá até baixar a poeira. O Jacó vem para cá, para a Síria, só que nesse caminho, quando ele está passando, acontece esse episódio que você falou da visão da escada. Aí ele está dormindo, ele pega uma pedra, isso é significativo, Significativo. Ele pega uma pedra e põe como travesseiro.
É muito estranho, uma pedra como travesseiro. Mas quando ele está tendo aquela situação com a pedra, aí ele vê uma escadaria, uma escada ligando o céu à terra. E nessa escada diz que havia anjos subindo e descendo, subindo e descendo. E aquele sonho foi significativo para ele por duas razões. Letra A: Esse sonho lembrava para ele os ziggurats que o pai contava. O que que era os ziggurats? Lembra que eu falei que Abraão saiu de Ur?
Na cidade de Ur, eu vou sugerir a você fazer uma coisa em casa. Você vai escrever essa palavrinha aqui no Google: ziggurat, ziggurat Ur. Dá um clique nas imagens, você vai ver que lindo que vai aparecer. É uma pirâmide parecida com as pirâmides aqui. A Luciana tá até olhando, o Kaique A gente tá até olhando lá, é parecida até um pouco com aquelas pirâmides astecas do México, algumas também incas aqui que a gente tem. É uma pirâmide escalonada, ela tem aqui uma escadaria no meio, não é isso?
E essa pirâmide, essa que você vê de Ur dos Caldeus, que é uma das mais bem, bem, esse é um desenho, né, de como ela seria. Deixa eu pegar, esse é o desenho, mas pega o que sobrou dela hoje, é que era uma das mais bem preservadas. É essa mesmo. Essa escadaria que vocês estão vendo aí, ela data de pelo menos 3.800 anos de existência. E como é que funcionava? E essa, esse prédio aí estava em Ur dos Caldeus quando Abraão saiu de lá.
E como é que funcionava esse santuário, esse zigurat? Ele funcionava da seguinte maneira: o patesi, que era o sacerdote ao mesmo tempo o rei, ele subia as escadas com uma comitiva e no topo do zigurat os deuses falavam com ele. Os deuses falavam. Então quando os deuses fossem revelar qualquer coisa, o povo ficava aqui na esplanada esperando o sacerdote subir com uma comitiva e lá em cima, num santuário que ficava lá no topo, o deus falava com ele, como aconteceu com Amurabi, que trouxe as regras, as leis de Amurabi.
Aí quando ele voltava com a bênção trazida pelos deuses, a revelação dos deuses. Então quando Abraão teve esse sonho, Deus usou... Lembra que eu falei que às vezes a Eloá pode sonhar com um lugar onde já não esteve, mas seu pai esteve? Lembra que eu falei na psicologia isso? Deus pode ter imprimido, impresso na mente do Jacó uma memória do Abraão, cujo significado ele sabia porque o Abraão contou para o Isaque, o Isaque contou.
Olha, muito normal. Quantas vezes sua mãe não contou como é que era lá na Holanda com seus ancestrais lá? Holanda, né? Na Holanda é assim, na guerra o pessoal tinha que fugir. Você deve ter ouvido essas histórias na infância, principalmente dos mais velhos.
Mas está falando que esse sonho, o significado dele foi remeter a quando Abraão foi convidado a sacrificar Isaac?
Não. Esse sonho partiu dessa imagem e o que essa imagem representava para ele. O do Isaac não está longe não, vou te explicar por quê. Na cultura do Antigo Oriente Próximo, as montanhas eram o ponto mais alto da terra. Lembra, eles não tinham helicóptero, nem asa delta, nem disco voador, nem nada. Então, o lugar mais alto que o ser humano conseguia entrar, subir, era o alto de uma montanha. Então, é na montanha que os deuses se revelam, na montanha, ou no lugar como o Iraque, que é uma planura, uma montanha artificial, que era a pirâmide, o ziggurat.
Os egípcios também faziam pirâmides. Então, lembra que, ó, os 10 mandamentos Deus deu no alto do Monte Sinai. Elias foi pelejar contra os profetas de Baal no alto do Monte Carmelo. Jesus foi transfigurado no alto de um monte. O Ar-Magedom é a montanha de Meguido. Então a montanha é o lugar. Até os gregos, onde é que os deuses moravam? No monte, nos altos do Monte Olimpo, né? Então ele sabia que ali era o lugar onde Deus estava.
Só que ao invés dele ver um sacerdote subindo, Ele viu anjos de Deus subindo e descendo naquela montanha. Por isso que o Abraão, quando vai sacrificar o Isaac, Deus fala: "Traz Isaac até o alto de um monte." Então o Jacob viu aquilo ali, a imagem ficou clara na mente dele. São as bênçãos de Deus vindo e descendo.
Porque ele já tinha como referência que o alto da montanha tá Deus.
Exatamente. E o que que a gente tem no centro aí do filme que você mostrou? Uma escadaria. Isso é importante. E ele vê uma uma escada. Só que essa escada, o sonho dele é mais amplo do que o significado. Ela não liga o topo de uma escada à base— perdão, o topo de uma pirâmide à base da pirâmide, ou o topo de uma montanha à base, ao planície. Ela liga o céu à terra. E quando a gente vai para o Novo Testamento, em João capítulo 1, versículo 51, no Evangelho de João, isso aqui é aplicado a Cristo, porque João diz assim, olha: João capítulo 1, verso 51: "E Jesus acrescentou: Em verdade, em verdade lhes digo que vocês verão o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem." Então Jesus já estava se manifestando para ele ali.
E Jesus depois que vai lutar com ele, vamos falar disso mais à frente. E aí quando ele acorda daquele sonho, ele fala: "Esse lugar é fantástico, eu tenho uma esperança, Deus não me abandonou." E aí era quando Deus falou com ele: você pisou na bola, você vai pagar o preço, a consequência do seu erro, mas ainda estou com você. Sabe aquele negócio assim: vai lá, compra a sua cadeia, pega a sua cadeia, você errou, meu filho, mas eu te prometo, eu vou estar aqui fora torcendo e te esperando para quando você sair da cadeia pagando o seu crime.
E todos os domingos eu vou enfrentar a fila, humilhação, e eu vou lá te visitar e levar alguma coisa para você.
Porque às vezes o sentimento de Jacó, então, pegando isso, devia ser aquele sentimento de quem sabe quando você fez uma cagada "Mas não tá doendo." Aí de repente alguém aponta a cagada que você fez, aí você pega e aí você passa a sentir o peso da culpa, do erro e tal.
E a culpa que pode levar é o seguinte: "Agora eu não vou ter mais aquilo de volta." E Deus, como é o Deus da reciclagem: "Calma, eu não tirei aquela promessa de você, ela só vai vir de um caminho mais dolorido." Aí ele faz um... Eu acabei de cortar, mas o pensamento era esse que você queria falar?
Era esse.
Aí Jacó faz uma coisa que também é emblemática para época. Ele pega aquela pedra, faz um altar com ela. Lembra que eu falei que tinha sacrifício e tinha comida?
Aí unge.
Ele unge aquela pedra com azeite e ele fala: "Esse lugar é tremendo, é a porta de Deus, é a casa de Deus, a porta dos céus." Aí eu quero fazer alguns paralelos. O lugar que outrora se chamava Luz, que não tem nada a ver com luz como a gente coloca, é um nome antigo, provavelmente do Sumério, alguma coisa assim, ele deu o nome de Betel, Betel, que significa casa de Deus, Bet-el. Aí, dois detalhes. Primeiro, no futuro, Jacó comprou aquelas terras, que é para você mudar o nome de uma cidade você tem que ser proprietário.
Então ele comprou aquela terra, ele adquiriu aquela terra, entendeu? É como se eu dormisse na garagem aqui e falasse assim, Deus falasse assim: pois esse aqui um dia vai ser seu e vai se chamar Rodrigo e Companhia. E eu venho um dia e compro aquele lugar, sabe? Então esse foi o primeiro ponto. Segundo, é curioso que a Bíblia mostra muito assim o paralelismo da dinastia de Caim com a dinastia de Sete. Um paralelismo sempre assim de paródia, porque existem dois tipos de imitação.
Existe a imitação porque você admira e quer ser igual, e existe a imitação que você falsifica e quer vender mais barato. Então tem aquela marca que você se inspira nela e fala assim: "Nossa, essa água é tão boa que eu vou fazer uma companhia de água tão boa como essa para vender." E existe aquele que fala o seguinte: "Eu vou pegar uma água de torneira, vou só falsificar o rótulo e vou botar como se fosse essa." O diabo imita Deus nessa segunda forma para enganar.
Então você vê aqui a casa de Deus, A porta do céu, Beit El. É curioso que paralelo para onde ele quase estava voltando, foi fundado também por aquela época lá, Hammurabi, um lugar chamado Bab-ilu. Bab-ilu significa portal dos deuses, que antes já tinha sido fundado esse portal dos deuses com outro nome, Babel. Babel. Lembra Babel? Depois do dilúvio? Quando funda Babel, a palavra Babel, que significa confusão em hebraico, Babel, na verdade é um trocadilho de Bab-ilu.
Bab-ilu é portal dos deuses. Então você tem a Babel construindo uma torre para atingir até os céus e Deus mostrando a Jacó uma escada que atinge até os céus. Então você tem um contraste entre Babel e Betel. O portal dos deuses, que é confusão, Ou a casa de Deus, que é um recomeço, que é um sacrifício.
É, cara. Muito legal. E aí, Jacó continua a jornada dele. E aí, a gente vem aqui para a parte 4, que é quando ele chega à casa do tio Labão e ele conhece a Raquel perto de um poço. Temos um presentinho aqui para o nosso amigo Rodrigo. Olha aqui.
Patrocinador.
E temos um presentinho para mim também, Kaique. Dá para mandar um presente aqui?
Olha o presente que eu dei! Obrigado, Kaique! Então, Santos, é a primeira vez que eu ganho um presente aqui.
Que isso? Não, não é possível.
Não tem como.
Não é possível.
Duvido.
Não é possível. É a primeira vez.
Mas é uma mochila linda, né?
E detalhe, está personalizada aqui com Bíblia comentada.
Ah, e o meu está com portfél.
Olha só, olha só, eles fizeram personalizado.
Não sei se dá para pegar o close aqui, mas deu? Bíblia Comentada, é o nosso logo aqui do Bíblia Comentada.
Olha só meu portfólio, a turma tá espertinha no marketing hoje, né, Caíque? Olha só, personalizado. Tô com uma mochila da Hazy aqui, né, Caíque?
Que a Hazy patrocina o 24 Horas há muito tempo, há muito tempo, então eu já tenho várias coisas da Hazy.
Essas mochilas aqui, Rodrigo, que a gente ganhou são da linha Hazy Business, é uma linha business aqui dela, então tem vários acessórios personalizados, um design minimalista.
Ah, então a gente pode fazer todas as nossas coisas do Grupo Primo agora com eles personalizadas com o nosso logo?
Interessante. Eu já agradeço, a minha foi levar para Israel daqui a poucos dias. Ah, vou levar para Israel. E para quem quer estar assistindo aqui e quer personalizar produtos para sua empresa, a Haze está oferecendo um desconto de 500— tá certo aqui?
Deve estar, né?
Ainda é 500 reais na primeira compra de mochilas personalizadas.
Caramba!
Caraca! Só falar que você veio do PrimoCast, tá? Diz: ah, eu vi lá no PrimoCast, desconto 500 reais. Você vai ganhar esse desconto e também vai ter um link aqui na descrição, um QR code na tela. Pois bem, Rodrigo, estamos aqui então na parte de Labão, Lia e Raquel. Inclusive, estava ouvindo hoje no carro para poder dar uma atualizada, até que ponto foi justo ou não isso que aconteceu. Mas Jacó chegou na casa do tio Labão e ele conheceu Raquel perto de um poço, ele se apaixonou imediatamente e Labão ofereceu um acordo simples.
Simples, Kaique? 7 anos de trabalho para você ter essa moça aqui. É claro que não tem muito a ver com hoje, era outra cultura, outra época e tal.
Era o famoso dot da época.
Vamos até pedir para o Rodrigo para explicar um pouquinho para a gente a cultura da época, mas era assim, ele se apaixonou por uma moça chamada Raquel e Labão disse que se trabalhasse 7 anos para ele, ele ia ganhar a mão de Raquel. Só que Labão não entregou Raquel para ele depois de 7 anos. Então eu queria que o Rodrigo explicasse para a gente um pouquinho essa relação do costume da época, como que foi esse encontro dele com Raquel, esse período de trabalho que aconteceu.
E aí, depois de 7 anos, quando ele estava esperando aquele grande momento— imagina você 7 anos esperando aquela noite, Kaique— e aí, de repente, não era ela, cara. Explica para a gente essa história e o sentido dessa história.
Na verdade, esse costume da época ainda é praticado até hoje em muitos países do Oriente Médio. Vou contar para vocês um episódio que aconteceu comigo no Egito, Egito. Eu conheci umas meninas no Egito que eram filhas de beduínos, e ela as conhecia até na faculdade, mas elas trabalhavam também nas pirâmides ali do Egito com a família. A Laura depois conheceu essas meninas, que eu sempre contei história delas. Um dia que eu tava com a Laura lá, elas vieram correndo, a gente tirou foto com todas elas.
Por que que eu tô contando esse episódio? Elas perguntavam como é que era a questão do Brasil de casamento, e eu não consegui convencê-las da nossa cultura de não ter o dot. Olha como é que é interessante essa questão de, para a gente parece um absurdo, parece um absurdo. A mulher daqui, olha assim, pera aí, a mulher virou mercadoria, tá sendo comprada. E eu lembro da frase que uma delas falou, ela falou assim: mas como é que uma mulher brasileira aceita casar com um homem que não pagou nem um tostão por ela?
Olha que interessante, o mesmo objeto visto por culturas diferentes. Então vou explicar tratar desde a época bíblica, não perspectiva bíblica, que você quer uma doutrina. A Bíblia traz doutrinas, a Bíblia traz leis, e a Bíblia traz também descrições culturais, tá bom? Quando a Bíblia fala que a mulher tocou na orla da túnica de Jesus ali, do pano que ele tinha de oração, aquilo é apenas uma descrição cultural. Não é que agora também tem que ter um pano de oração e alguma coisa assim.
Então vamos lá, na cultura do Oriente Médio, a filha filha é um objeto, é um objeto, não, perdão, é um, vocês vão entender porque que eu tive o ato falho para o objeto. A filha é o elemento mais importante que o pai tem em casa, por isso que eu falei a palavra objeto, porque ele compara a filha a uma joia preciosa que ele está alimentando, está cuidando com todo amor e carinho. E com um detalhe, a filha é o único descendente que não trará nenhum um lucro para o seu pai.
Como assim? Vamos pensar com a cabeça do pessoal que vivia em clã no deserto, na época dos nômades. Quanto mais pessoas agregadas ao seu clã, mais protegido você está. Então, o que acontece? Eu tenho lá 7 filhos homens, eles vão até a casa do outro pai lá, negociam casamento, daqui a pouquinho vão entrar no dot, e traz a filha desse sujeito como esposa. Esposa. A partir do momento que ela vier como esposa, os filhos dessa união serão meus descendentes, não do pai dela.
Entendi, entendeu?
Então, naquela cultura, você tinha avô paterno, mas não tinha avô materno. Então, aquela filha que eu crio com tanto amor, ela vai casar com camarada, ela vai pertencer a outro clã, outra família, e vai dar descendência para um outro "Então mediante isso, eu preciso ser indenizado." Quando você faz uma compra, o que é a compra? Na verdade, se eu errar nesse exemplo, vocês podem me corrigir, vocês entendem mais de finanças do que eu.
A compra, na verdade, é um mecanismo de indenização. Por que eu estou falando isso? O sujeito lá da loja, vamos supor, um dono de uma joalheria, ele tem várias peças na joalheria dele, tem anel, tem colar, tem brinco, tem um monte de coisa. Ele investiu um dinheiro para montar a loja dele. Dele para fazer o marketing. Ele investiu um dinheiro para ir ao fornecedor e comprar aquela joia. Aquilo agora é o patrimônio dele. Eu chego na loja dele e quero comprar um presente, um anel para minha esposa, eu tenho que indenizá-lo pela falta daquele objeto.
Então o pagamento, a compra é uma indenização. Olha, já que eu estou tirando isso aqui do seu patrimônio, eu vou indenizar você. Como está tirando a filha do pai, tem que indenizar "Esse é o raciocínio deles." Porque o pai da mulher não vai ganhar um neto, não vai ganhar nada. "E você está tirando a filha da casa dele." Sim, entendi. "Uma filha que é um objeto precioso." Por isso que eu usei a palavra objeto naquela hora. "É uma joia.
Então só tem uma maneira de você tirar, se não for comprando, é roubando. E ninguém quer fazer isso. Então você paga." Além disso, havia uma ética com o dot. Você não poderia usar dinheiro da sua herança para o dot. Você não pode usar um dinheiro do seu pai. Isso, incapacidade construída.
É nessa lógica de tipo assim: "Cara, eu fiz riqueza para provar para o pai também que ele vai honrar com ela." Exatamente.
"E eu estou dando a minha filha para alguém que sabe gerar riqueza." Interessante isso. "Que vai ter condições de protegê-la, de cuidar dela. E eu dou o valor do dot." O sogro dá o valor do dot. Se eu dou o valor do dot, você ama demais a minha filha que você está disposto a pagar o quê? Você não pechincha dot.
Entendi.
Você está disposto a pagar. Então você está mostrando que você ama mesmo.
Faz um 10% de desconto aí.
Não existe isso. Então nessa cultura, para mulher ser comprada, entre aspas, bem entre aspas, por favor, para não ser mal interpretado, é um orgulho.
"Esse camarada me ama demais." Legal assim, na nossa cultura é a pegada da objetificação do negócio, nessa cultura é quase uma cultura de honra. Honra.
Por isso que elas perguntavam pra mim: "Como é que eu vou casar com alguém que não tá disposto a pagar por mim?" É muito estranho na cultura delas. Então eu tô colocando isso aqui não pra defender aquela cultura sobre essa, mas pra gente entender, raciocinar, aprender a raciocinar com a cabeça do outro. Agora, a partir disso, Você então fazia o preço e você podia...
Nessa parte eu entendi e fez muito sentido para mim. O dot, cara, porque às vezes as pessoas falam que uma mulher é interesseira, mas na verdade não é apenas isso. Você tem uma coisa de prover para os filhos e ver que o homem é um trabalhador e tal. Eu acho interessante. Só que nessa história tem uma outra parte da história, da equação, que é Labão disse: "Se você fizer isso, eu te dou minha filha." E essa parte de ownership da filha, escolher com quem vai casar e tudo mais?
Eu até queria entrar num passo antes, porque ele não pagou o DOT, ele trabalhou, então ele trocou, porque ele não tinha dinheiro, então ele trocou por trabalho.
Interessante isso.
Ele trabalhou por isso.
O Dot, ele tinha variações também da negociação do DOT.
Só que ele não tinha grana para pagar, então ele arrumou um trabalho.
Será então que esses 7 anos de trabalho é porque ele não tinha grana para o DOT?
Ele não tinha grana para o DOT, exato.
Então não foi tipo: "Trabalha para mim 7 anos, uma exploração." É tipo assim, vamos supor na época: "Minha filha é 1 milhão de reais." Ele fala assim: "Eu não tenho 1 milhão de reais, então para você honrar 1 milhão de reais, ou você me dá 1 milhão ou você trabalha 7 anos." Cara, que interessante.
Exatamente, mas você acertou, o ponto é esse mesmo. Você podia negociar o dot.
Ele vendeu o tempo dele para pagar o dot.
Havia até situações, por exemplo, os judeus têm... Vou contar uma historinha de judeu aqui. Um dos... Eu não sei se isso é em Yiddish, Se tiver algum judeu que está assistindo a gente, até me ajuda aí nos comentários. É o cast, o cast que está envolvido com o dote. Tem uma história judaica muito interessante entre os rabinos que os judeus tinham medo do tal do judeu vermelho. O judeu vermelho era uma linhagem de judeus que já tinha a fama de passar a perna em todo mundo.
Então, os judeus fazem muita piada contra o judeu vermelho. O conselho. É coisa da época dos judeus da Polônia, os sefaraditas lá da Espanha, os judeus estavam espalhados pela Europa. Isso é coisa da época medieval. E diz que um filho saiu de casa e o pai deu dois conselhos para ele. Falou: meu filho, primeiro conselho que eu te dou: case com uma moça judia. Tá bom, meu pai. Segundo conselho: que ela não seja de uma família de judeu "Vão passar a perna em você, não sei o quê." "Não, tá bom, meu pai." E ele conheceu uma menina, se apaixonou pela menina, a menina era judia.
Aí ele falou: "Opa!" Só que quando ele foi conhecer a família, eram judeus vermelhos. Aí ele mandou uma carta para o pai: "Pai, eu conheci uma menina, vou me casar com ela, ela é judia, mas é de família judeu vermelho." "Não faça isso, que eles vão enganar você." Aí falou: "Mas o meu sogro propôs para mim um dote diferente." Porque às vezes acontecia o fato, quando a menina estava demorando a casar, "O pai ofereceu dote." Podia negociar.
"Ao invés de você ter que pagar o dote para minha filha, que é o convencional, ela vai ter um dote para casar com você." E havia outras situações também em que você paga o dote para a moça e ela ganha do pai também um pequeno dote para sobreviver na sua ausência. Aquele dinheiro é dela. E esse dote, eu vou voltar à história do Judeu Vermelho, ele era dado às vezes em forma de moedas que elas colocavam como um colar colocar às vezes na cabeça.
Até entre beduínos tinha esse costume. Os beduínos mais antigos, eles casavam, no casamento tinha moedas que eles colocavam assim enfeitando. E Jesus contou a parábola de uma mulher que tinha 10 moedas e perdeu uma moeda e ficou desesperada varrendo a casa para achar aquela moeda. Aquela moeda que a mulher tinha era o dote do casamento que o pai lhe deu, e esse dote era o seguro de vida dela. Se o marido vai para uma guerra, morre, acontece qualquer coisa, Ela usa aquele dinheiro do dot dela para sobreviver.
Olha que interessante. Então há várias modalidades do dot. Voltando à história do judeu vermelho, ele falou: "O meu sogro prometeu para mim que se eu me casar com ela, eu terei 7 anos de cast." 7 anos de cast. Ou seja, ao invés dele ter que pagar o dot, o sogro que daria o dot para ele. E o que significaria esses anos de cast? Ele não precisaria trabalhar, trabalhar, não precisaria fazer nada, o sogro ia dar tudo para ele, dinheiro, carro, o que ele quisesse durante 7 anos.
Ele aceitou, o pai alertou, ele aceitou. Depois que ele casou, primeiro dia maravilha, vida de Nababo, tudo chegando lá. No segundo dia também, ele mal pediu uma água, já tava, sabe? Ele ficou feliz, todo paraíso. Quando completou 7 dias, O sogro chegou para ele e falou: "Você está feliz?" "Estou muito feliz, feliz demais, feliz demais mesmo." "Então, seu cast acabou agora, você tem que trabalhar agora." "Não, mas como assim?" "Não, ah, ah, ah, ah, o senhor não vai me enganar não, o senhor falou que eram 7 anos que eu teria." Ele falou: "Sim, mas de acordo com a nossa tradição, quando um judeu está muito feliz, um dia equivale a um ano.
Então, 7 dias, 7 anos acabou." "Acabou." Aí ele ficou desesperado, mandou uma carta pro pai, que tava trabalhando igual um louco pro sogro agora. Aí o pai falou assim: "Olha, contrate um judeu vermelho como advogado pra te livrar." Contratou o judeu vermelho, falou assim: "Olha, vamos chegar pra ele, deixa que eu vou fazer uma pergunta, você fica calado." Ele chegou pro sogro e falou assim: "O meu cliente tá querendo o divórcio." Ele falou: "Divórcio?
Por quê? Ele não tem direito a pedir divórcio." Ele falou: "Tem." "Deixa eu fazer uma pergunta pro senhor. Pelas suas contas, ele já tá 7 anos casado com ela, né?" porque um dia equivale a um ano de felicidade. Então ele tá 7 anos, ok, ela não está grávida. Se ela não deu filhos para ele em 7 anos, ele pode pedir o divórcio sem ter que— então essa anedota judaica contada da Idade Média, mas eu a trouxe aqui apenas para ilustrar como é que não só nos tempos bíblicos, mas na Idade Média até hoje tem a questão do dot.
No mundo judaico assim mais secularizado não tem isso, tá bom? Mas você ainda encontra questão de dot no Egito, em muitas comunidades muçulmanas, entre beduínos, e você então tem que mostrar que você ama. Uma outra ilustração rápida para o pessoal de casa entender: quando a pessoa casa, ele faz um contrato de casamento. Então, no papel, ele já está casado, só que ele tem um prazo para levantar o dinheiro do dot, para voltar e receber a noiva.
Então, no primeiro contrato, vem as famílias, "Meu filho vai casar com sua filha." "Então tá bom, eu quero tanto para casar com a filha." "Tá bom." Então ele tem dois compromissos, ele já assina o papel, "tô casado no papel, só que eu não posso ter relação com ela, não posso morar com ela. Eu vou agora preparar um lugar na casa do meu pai, no terreno do meu pai, vou preparar uma casa, vou levantar o dinheiro e vou voltar com um Dodge para buscá-la." E ele voltava depois de um Tempo. tempo.
José, marido de Maria, mãe de Jesus, a Bíblia fala que ele estava casado com Maria, mas não podia ter relação com ela. Aí veio o anjo falando: olha, você tá grávida do Espírito Santo. Maria já estava casada com José. As pessoas lêem isso na Bíblia, não entendo como é que ela tava casada com José e não podia ter relação com ele. Ela estava no período em que José estava construindo a casa para eles morarem e levantando o dote, quando ela apareceu grávida.
Morrada. Outra situação: Jesus falou com os discípulos assim: "Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus, creiam também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu teria dito: vou preparar um lugar para vocês, e quando eu for e preparar lugar, eu voltarei e vos receberei para mim mesmo." Evangelho de João, capítulo 14, versos 1 a 3. A linguagem que Jesus usa com os apóstolos é a linguagem de um noivo Jesu indo para casa do Pai para poder preparar um lugar para voltar para buscar sua noiva, que é a igreja.
E o dote, qual o dote que Jesus pagou? O seu sangue na cruz do Calvário. Quando a gente tava no Egito, não sei se você lembra, tinha muitos prédios lá no Cairo que eles levantavam assim, ficava com os ferrinhos para fazer em cima. E eu expliquei lá, talvez não sei se vai lembrar, que o filho casa e ele mora no andar de cima. Aí o outro casa. Então quando faz o acordo com a família, ele vai, ele prepara uma casa na casa do pai e volta para buscá-lo. É essa cultura do dot, no caso de Jacó. E depois vai entrar no engano de Labão.
Mas e aí ele pega e ele trabalha 7 anos, ele honra tudo, né? Ele faz a parte dele do combinado. E pelo que entenda aqui, a Bíblia dá alguns indícios que ele era um bom trabalhador, um cara engajado, etc. E aí ele não recebe o combinado, ele recebe a a irmã, a Lia. E aí tem uma discussão aqui: qual que é o simbolismo disso? Por que que isso aconteceu? Era legal fazer isso ou não? Que que você vê?
É, todas as nuances legais daquela época nós não temos, porque a arqueologia tem fragmentos de história. Então eu tenho as leis de Nuzi, o código de Hammurabi, eu tenho as leis de Eshnunna, que são códigos legais da época que às vezes lançam luz sobre práticas bíblicas. Sabe? Mas algumas coisas a gente dá para entender. Havia alguns costumes patriarcais. O meu clã é assim que funciona. E antes de responder essa pergunta, Thiago, eu tenho que ir um pouquinho na psicologia do texto.
Lembremos que na Bíblia fala que Labão tinha duas filhas, uma chamava-se Raquel e a outra Lia, ou Leah em hebraico. E nós falamos na primeira parte do nosso bate-papo sobre sobre a questão dos nomes na Bíblia, o significado. Lembra que a gente falou do Jacó, que é Tiago, que era enganador? Não era enganador etimologicamente, mas passou a significar enganador e coisas assim. Pois bem, quando o nome era dado, só para refrescar sua cabeça, você que está assistindo a gente, no Oriente Médio o nome era escolhido pelo significado.
Lembra disso, né? A gente falou aqui do nome Tiago, do nome Jacó, O que significa Raquel? Rahel em hebraico significa ovelha. Ovelha. E ovelha era um animal precioso para família. Então o pai colocar na filha um nome de ovelha é porque era uma filha realmente preciosa aos seus olhos. Mas a mais velha tinha o nome de Lia, ou Lea em hebraico. Lea significa cansada, fraca. Cansada, fraca. Por que que alguém ia colocar o nome de cansada, fraca numa menina?
A gente tava passando alguns apertos em casa com a Sarinha, nossa filhinha, com cólica. E isso é triste, mas até que foram poucas as cólicas dela, porque a gente recebeu um casal que foi nos visitar e a mulher falou o seguinte: nossa, minha filha, quando teve cólica, ela ficou chorando praticamente dia e noite, com poucas horas de intervalo, durante praticamente os 3 primeiros meses. Eu não dormia, ninguém dormia, porque ela chorava de dia, não passava, chorava à noite, não passava, e dava tudo e tal.
Hoje eu até suspeito, ela falava que era refluxo, mas na época não se falava muito disso, pensava que era cólica, era refluxo, e ela chorava dia e noite, dia e noite, dia e noite. Pois bem, essa experiência dos pais com relação às crianças varia, e na época já era um motivo para você colocar um nome ou um apelido numa criança. Cansa. Então talvez uma criança que fosse muito assim desanimadinha, não brincava, não interagia: "Ah, cansada, é Leah, Leah." Agora vamos traduzir os nomes para nossa língua para entender como é que soava nos diálogos.
"Olha, eu quero apresentar minhas duas filhas, essa aqui é ovelha, essa aqui é a cansada." Percebeu o pejorativo? E tem mais um detalhe que me chama atenção: quando a Bíblia fala do amor de Jacó por Raquel, o nosso lado mais romântico fica torcendo pelos dois e pensando que a Raquel é maravilhosa, linda, bela, e a Lia, ou Léa, é a sem graça. A gente nem dá bola por ela, mas a verdadeira heroína é a Léa. E eu vou chegar em alguns detalhes interessantes para você.
Primeiro, olha o que a Bíblia fala no Gênesis capítulo 29, versículo 11: 12. Leia tinha uns olhos sem brilho, porém Raquel era bonita e formosa. Aqui fala que Jacó gostou de Raquel porque Raquel era bonita, mas olha a descrição: Leia tinha olhos sem brilho. Algumas Bíblias trazem olhos vesgos, olhos fracos. Tem um significado nisso Você sabe que no Oriente Médio tinha também muita superstição. A Bíblia não endossa superstição, mas descreve.
Eu vou explicar rapidamente, vocês vão entender. Se Jesus tivesse aqui hoje na cultura brasileira e o Kaique espirrasse, se Jesus tivesse sentado aqui no lugar, talvez Jesus falaria com o Kaique assim: "Saúde!" Ao Jesus falar "saúde" para o Kaique, Jesus está repetindo uma superstição medieval, que na Idade Média acreditava que quando a pessoa espirrava, o espírito saía pela boca. Então você tinha que pronunciar uma bênção, Deus te crie, te dê boa sorte, para alma voltar.
Senão você podia morrer no espirro. Mas isso era Idade Média. Hoje eu falo saúde quando você espirra apenas por uma questão de educação. O que começou com uma superstição virou apenas uma expressão idiomática. Tudo bem até aí? E se Jesus hoje falasse "saúde", Kaique, Jesus não estava nem endossando a superstição, nem cometendo um deslize científico de achar que falar "saúde" vai curar a gripe do outro. É apenas uma expressão idiomática de uma que nasceu com a superstição.
Naquela época já tinha muito medo do mau-olhado. O tal do mau-olhado Não vem de hoje, vem do passado. E havia a crença que pessoas que não tinham uma boa energia— eu tô falando em linguagem atual, né— que tinha uma boa disposição, que tiveram muito susceptíveis ao ataque de demônios, eram pessoas que tinham olhos fracos. Jesus vai usar essa expressão idiomática lá na frente, ela falou o seguinte: se os seus olhos forem maus, todo o corpo será "Uhum." Se você for uma pessoa negativa...
Exatamente. Jesus não está endossando... Quero repetir isso bem claro, viu, Tiago, para ninguém entender. Jesus não está endossando a superstição, mas ele está pegando de uma superstição uma expressão idiomática. "Se os teus olhos forem maus", disse Jesus, "o corpo todo é mau." "Uhum." E Lia tinha os olhos fracos. Inclusive, nós temos na Mesopotâmia orações que foram encontradas pedindo proteção contra as pessoas de olhos fracos.
E sabe quais eram as mulheres que tinham mais medo de estar perto de uma mulher de olhos fracos? Mulheres que iam se casar porque elas geralmente tinham problema na gravidez. Havia inclusive orações para proteger uma mulher grávida de mulher de olhos fracos. Então a mulher que fosse tida como olhos fracos— e até hoje na cultura do Oriente, se você pegar as beduínas, elas pintam muito o olho assim, olho, pintam muito olho, porque o olho é a parte mais sensual da mulher, a mais linda.
Então, se a mulher não conquista pelo olho, ela é fraca. Ou tem um rabino que falava o seguinte: quando você for se casar, olhe primeiro os olhos da mulher. Se os olhos dela forem atraentes, não precisará examinar o corpo, tudo será bom. Então, tô colocando todo esse contexto para entender a expressão: Lia tinha olhos fracos. Então, ela já cresceu à sombra da irmã. Sabe, ela já cresceu à sombra da irmã, ela já era desprezada do pai.
E para piorar, o pai forçou o casamento dela com Jacó para obrigar Jacó a ficar trabalhando mais tempo para ele. E para piorar a história, aí eu falo e paro para vocês também comentarem um pouquinho, a Lia não dava filhos.
A Lia não dava filhos?
A Raquel, perdão. A Raquel, corrigindo, a Raquel não dava filhos. Raquel estéril e a irmã tendo um filho atrás do outro. A irmã de olhos fracos. Com esse contexto histórico arqueológico que eu apresentei, o que que vocês acham que passou na cabeça de Raquel e de outras pessoas que viviam nessa cultura? De quem era a culpa de Raquel não ter filhos?
Começou a culpar a irmã.
A irmã, porque era irmã, era quase como se fosse Que naquela cultura alguém contaminado por um vírus do Ebola, e se todo mundo começar a passar mal aqui, a culpa foi do fulano que viajou lá para o país e trouxe o Ebola, contaminou todo mundo.
Mas só para a gente, assim, é porque acho que talvez a gente tenha ido um pouquinho para frente, mas sensacional, nunca tinha ouvido isso. Mas quando eles começam a ter filhos é depois, quando eles já estão juntos?
Sim, depois. É porque logo no início fala que Jacó amava Raquel, mas não Lia.
Sim.
E a reação dele não foi boa, ele não queria Lia.
Não.
Ele não queria Lia e aí ele negociou com Abraão para ele poder...
7 anos mais de trabalho.
Ter Raquel. Só que aí ele teve que pagar mais 7 anos. Então assim, cara, é justo isso?
Não.
Você acha que é o "aqui se faz, aqui se paga"?
Em parte, sim.
Ou foi um "cara, eu tenho um produto, eu tenho algo que ele quer, então eu posso fazer o que eu quiser"?
Parte, sim.
E só sendo mais frio assim, pô, vale a pena, porque o cara já 14 anos trabalhando, né?
Já, ele já sabe, tipo assim, os primeiros 7 anos difícil, mas é que aí depois ele já teve acesso a Raquel, né?
Alguns leitores permitem que o Labão, em confiança, já deu a Raquel para primeira alínea, depois a Raquel com ele lá no início dos 14 anos, mas ele tinha É porque se fosse uma coisa, até na cultura da época, de ele tem que trabalhar para depois ter, é tipo assim, cara, eu desisto. Mas aqui tem uma pegada, tem uma jogada do Labão também. Eu vou entrar na questão do ser justo, mas só falando da esperteza do Labão. Lembra que eu falei que o dote tem variáveis?
Havia situação que o pai dava o dote, etc., podia substituir o dinheiro por trabalho. Se o Labão falasse o seguinte: "Só daqui a 7 anos eu te dou minha filha", "O Jacob podia desanimar na metade dos 7 anos e ir embora." "Ah, não tô pensando, né?
Vou embora." "Vou embora.
Deixou um contrato lá, mas sumiu. Agora não. Se ele já casou com a minha filha e ainda não me pagou o dot, ele tá me devendo." Vou traduzir da seguinte maneira. Vamos pegar um "Um carro que você queira me vender de qualquer maneira." O carro do Barsi.
Aquele lá?
"Tá bom, você quer me vender o carro?" Aquela foi a maior cagada, sabia?
Sabe por quê? Porque não devia ter vendido por R$40 mil, cara. Tinha fila de espera para comprar aquele carro.
Tinha que ter vendido por R$100 mil.
Mas sabe o que eu pensei nisso também? Por ser o carro dele, agregou valor.
Mas total, sei lá.
Mas vamos supor que você esteja tentando me convencer a comprar o carro do Barsi. Aí você tem duas maneiras de me convencer. Você fala assim: "Rodrigo, faz o seguinte, junta dinheiro, junta os R$100 mil, junta os R$100 mil e depois que você tiver os R$100 mil, você volta aqui e eu vendo o carro para você. Quanto tempo você acha que precisa levantar?" "Ah, eu preciso de uns 5 meses para levantar R$100 mil." "Daqui a 5 meses você vem." Opa, deixei cair aqui.
Ao vivo se faz assim. "Daqui a 5 meses eu volto com os R$100 mil e..." "Eu vou sair e pago o carro, beleza?" "Beleza." "Só que nesses 5 meses eu posso pensar melhor." "Descobre que está grávida." "A Laura está grávida, eu posso falar: 'Ó, Thiago, desculpa, eu não vou querer o carro mais não, mas vamos pensar agora numa outra estratégia.'" Fala assim: "Cara, eu confio tanto em você, está aqui no podcast, estamos ouvindo, está aqui a chave do carro do Barsi, pode levar o carro, você me paga daqui a um tempo." "e todo mundo viu que você me deu a chave do carro em confiança.
Agora não tem como desistir da compra. Agora eu já peguei o carro." Na primeira situação, eu continuava um comprador em potencial. Na segunda, agora eu me tornei um devedor. Então, quando ele já entregou as duas filhas lá no começo dos 14 anos, você entendeu? Já entregou por antecipação, agora você é um devedor. Se você agora desiste, ter a dívida.
Sabe o que me chama muita atenção? Para mim aqui, eu refleti sobre isso só nesse podcast, porque antes eu não tinha refletido sobre isso em Jacó. Eu fico sempre procurando qual é a consequência das cagadas bíblicas. Então eu fiquei procurando José, por exemplo. José foi um cara que foi: "Pô, não é possível, o cara é perfeito." José era o exemplo, cara. Eu não achei uma passagem onde, sei lá, "Ele errou, sabe uma passagem onde ele errou?
Eu vi ele sendo injustiçado, mas não vi ele errando em nenhum momento." Eu sempre procuro isso. E Moisés errou, teve a consequência e tal. E aqui Jacó, ele errou. Você pode interpretar dessa forma que ele errou em algum momento. E aí, não sei se você lembra, Kaique, mas o grande erro do começo da história foi quando ele enganou o pai, porque o pai chegou, ia dar a bênção para Isaú e deu para ele.
Trocou.
O que ele fez? O que ele fez? Ele pegou e enganou o pai e trocou a bênção do irmão mais velho para o irmão mais novo. Ele enganou o pai, certo?
Sim.
Aí o cara trabalhou 7 anos. Quando ele trabalhou 7 anos, ele chegou para falar com o pai. O pai fez o quê? Ele enganou ele, falou para trabalhar 7 anos e ao invés dele pegar a irmã mais nova, ele pegou a irmã mais velha. Então foi a mesma enganação enganação, a mesma enganação. Só que ao invés de ele pegar o irmão mais velho e dar o irmão mais novo, ele pegou o irmão mais novo e acabou dando o irmão mais velho. Então ele assim, o mundo, sabe o mundo dá voltas?
O mundo deu uma volta de um jeito que ele passou pela mesma coisa que ele fez com o pai dele.
Mas como que é? Não existe a palavra sogro nesse contexto hebraico. O pai é o meu pai biológico e o pai da minha esposa é meu pai.
Entendi.
Até uma pergunta que eu queria fazer, tipo assim, Como que se chamava isso, ou como se chama isso? É karma ou uma justiça divina, sabe? Como que a gente classifica isso? Porque querendo ou não, ele fez algo e meio que pagou com isso, meio que sofreu na mesma moeda.
Biblicamente não existe karma. O que seria isso?
O karma é mais uma linha ou espírita kardecista ou das religiões hindus, do hinduísmo, né, que acredita que você tem tem que voltar, reencarnar para pagar o seu karma, dívidas que você deixou da vida anterior.
Ah, tá.
Eles têm várias explicações. Por exemplo, no— algumas linhas do kardecismo explica-se que— sério, isso aqui é verdade— que Juscelino Kubitschek era Nero reencarnado.
Nero?
Nero. Que Nero destruiu uma cidade pelo fogo, que foi Roma, e Juscelino teve que construir uma cidade, Brasília, e não pôde ficar nela. Loucura, sabe, que Joana d'Arc era Judas. Judas traiu Jesus, Joana d'Arc teve que morrer.
Joana d'Arc era Judas?
Judas. Então tem esses tipos de coisa assim. Eu, como respeito às crenças de todos, eu respeito, mas eu não concordo com isso. E respondendo assim de maneira clara, biblicamente não vejo luz para isso na Bíblia.
Qual que poderia ser esse conceito de geralmente exatamente onde você errou é onde você errou na linguagem divina?
É uma justiça. Não tô respondendo de acordo com a Bíblia, com o que eu creio, com gente ouve de linhas reencarnacionistas. Eu tô colocando no plural aqui porque, como eu falei, o kardecismo de Allan Kardec não é mesmo espiritismo de Umbanda, são linhas diferentes, tá? A reencarnação vista no kardecismo não é exatamente a reencarnação vista nas religiões hindus. E quando eu falo da Índia, são—
não, mas acho que não estão nem falando de reencarnação.
Aqui se faz, aqui "Não, mas a lei kármica é isso. A que se faz é que se paga numa outra encarnação. Então você tem que pagar por uma dívida que você deixou da lei anterior." "Não, mas nesse caso que foi meio que na mesma encarnação..." "O seu medo te sobrevém geralmente, o que você mais tem medo te sobrevém." "Agora vamos falar dessa vida, sem reencarnação." Aí eu já começo a ver uma base bíblica para o seguinte: todos os atos de injustiça serão pagos nessa vida?
Não.
O apóstolo Pedro falou: nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra nos quais habita a justiça. Então, que nesse aqui não há. Então haverá muitas situações na história do sujeito que— vou dar um exemplo: Josef Mengele, camarada. Quantas pessoas que o camarada matou! Não valia nada, que ele era um demônio em figura de pessoas e morreu de velhice aqui no Brasil, entre o Brasil e Argentina, dividindo o Brasil.
Não sabe a história de Josef Mengele, né? O grande— não aconteceu nada com ele, você tá entendendo? Então há casos que a injustiça acontece. Agora, há muitos outros casos em que Deus intervém e pune. Por exemplo, Herodes, que morreu todo carcomido por vermes na sua arrogância. E há casos que Deus, que Deus na onisciência, que ele sabe que caso ele vai aplicar que regra. Por que que ele puniu Herodes, mas não puniu Caifás desse jeito?
Por que que o Herodes morreu carcomido por vermes desse jeito e Calígula não? Você tá entendendo? Nero não. Nero que matou tantos cristãos. Deus sabe, Deus sabe que medicamento dá para que doença diferente. Eu não sei. Em segundo lugar, Há situações em que Deus permite que a pessoa pague por erros dela em vida, até como uma forma de expurgar a pessoa, purificar a pessoa. Você sabe, os psicólogos dizem que em algumas situações, apenas um trauma para curar o outro trauma.
Sabia disso? Tem situações, por exemplo, técnicas de psicologia, que a pessoa, para vencer um trauma, ele é exposto novamente à situação daquele trauma. Calma. Então, às vezes você precisa conviver com uma aranha para curar sua aracnofobia. Às vezes você precisa passar por uma situação de isolamento para curar o seu pânico de lugar fechado. Acontece isso. E como é que Deus faz isso? Aí entra o meu terceiro e última parte da resposta.
O nosso inconsciente procura padrões de comportamento. Já ouviu falar da teoria dos carros vermelhos? Ela diz assim: você anda na rua, você quase não vê nenhum carro vermelho. Compre um carro vermelho e parece que a metade da cidade resolveu comprar um carro como o seu. Você começa a ver carro por todo lado, todo lado. Antes do algoritmo da internet, antes da IA, o nosso inconsciente já estava procurando parâmetros de comportamento.
Então a gente começa a buscar, buscar, buscar. E há pessoas às vezes que estão tão mal resolvidas emocionalmente que ele começa a atrair inconscientemente para si pessoas similares a ele. Aliás, esse é um bom termômetro que você pode fazer para sua própria vida. De cada 10 pessoas que chegam para se relacionar com você, seja profissionalmente, no mundo do amor ou como parente, quantas são pessoas que agregam e quantas são tóxicas?
Se você tem 10, de cada 10 pessoas, 9 são tóxicas e só uma são boas, não é mera coincidência. O que acontece? De alguma forma, o seu inconsciente está atraindo aquilo. Às vezes até por autopunição. Só vou fechar isso aqui. Até por autopunição. O Jacó, ele sabia que ele era um enganador, que ele merecia ser punido por ele ter feito o que ele fez com o pai, com a mãe e com o irmão. Com a mãe não, porque a mãe participou, né? Ele sabia.
E o inconsciente dele, de certa forma, um homem tão inteligente que ele era, tão bom nos negócios, porque ele fazia "Mas uma parte, o inconsciente bloqueava, ele ficava ingênuo e se deixava ser enganado pelo sogro. Mais à frente na vida dele, vai ser enganado pelos filhos, vai ser enganado pela mulher, todo mundo enganava ele. Ou seja, o seu próprio inconsciente gerou uma busca de outras pessoas para punirem-no pelo que ele fez." Isso aí.
Cara, e aí, olha só, então ele pegou, foi enganado, ou punido. E aí ele esperava Raquel receber o Leah, fez um acordo com Labão de trabalhar mais 7 anos para ter Raquel. Então, no final das contas, ele ficou com as duas.
Ficou com as duas. A poligamia era aceita na época.
14 anos de trabalho, acabou ficando com as duas. Ele amava Raquel. Raquel era estéril e Leah não, pelo contrário, Leah era muito fértil. E aí Raquel permitiu que ele tivesse filhos. Com a Lia, que não era a esposa, ela era tipo a concumbina, a gente chamaria.
Legalmente, olha que interessante isso, até bom você ter colocado esse ponto. Legalmente, pelas leis da época, a gente ressuscita, como eu falei com você, as leis de Eshnunna, os códigos de Nuzi, códigos de Hammurabi, a Lia era a primeira esposa, porque ele casou primeiro com ela.
Mas ele chegou a casar?
Chegou, chegou, ele casou com a Lia, Lia, e depois houve mais 7 anos para ele casar com a Raquel. Lembrando que eu falei que o texto é bem—
Tem um negócio que assim, foi a Lia, e aí ao invés de esperar 7 anos, na outra semana já ele—
é, como eu falei, o texto bíblico ele dá margem para as duas leituras, dá margem para o fato de que ele ficou 7 anos trabalhando ainda para ter a Raquel depois. Mas há uma segunda margem, eu participo mais dessa, que o Labão antecipou o casamento da primeira Primeira, no caso, depois que trabalha 7 anos, na noite de núpcias ele descobriu que tinha sido enganado.
Mas será que ele descobriu uma hora depois ou será que ele descobriu no começo, antes de noite?
Dá a entender que foi.
Porque assim, é muito conveniente também às vezes, né? Ele pega e: "Puta, olha, não é ela", depois de, enfim.
Sei lá. A gente pode, eu posso levantar aqui algumas hipóteses, tá? Certeza absoluta a gente não sabe. Havia um costume na época que hoje é praticado entre alguns grupos. Alguém já me falou que ciganos ainda têm essa prática, alguns grupos de ciganos. Não posso afirmar, mas o que a questão seguinte: era muito importante para o pai ter a certeza perante a comunidade, o clã, a tribo, que ele entregou a filha virgem.
Sim.
E havia então toda uma festa de casamento que durava dias Eram dias de festa de casamento. Em determinado momento, tinha a cerimônia de entregar o dot, a negociação do dot, como o dot foi oficializado ali. Aí o pai chegava com a filha, porque ele foi buscar a esposa, e eles iam para uma tenda no meio do pátio.
Sim.
Enquanto tava todo mundo lá comemorando e tudo, os dois estavam na tenda. E quando a filha saía, ela entregava pro pai um pano sujo de sangue para mostrar que ela entregou virgem. E o pai mostrava aquilo e guardava como comprovação. Agora vamos imaginar, muitas dessas festas aconteciam à noite e as pessoas bebiam vinho, ficavam alteradas. Obviamente o camarada meio chapado à noite, e não pense naquela visão sexual que nós temos hoje da lingerie, daquela coisa toda.
Isso é agora, na época não era o cara deitar por cima ali, tirou a... E as mulheres usavam muito também o véu, né, cobrindo aqui e tal. Naquela situação, eu consigo imaginar mil possibilidades.
Imagina a Lia, ela sabia que ela não era amada, ela ia se meter nessa situação assim, né?
Ela não tinha escolha. Lembra que a gente tá vivendo um universo patriarcal, onde a filha é mais mandada. O pai manda, ela obedece. Coloque um outro ingrediente nisso aí. Se proceder a minha analogia de que Lia era preterida até do pai, porque não faz sentido o cara colocar na filha o nome de cansada.
É, e eu acho que também tem uma coisa ali que...
Seja nome ou apelido, né?
Porque também se casar, ter marido e tudo era um status e uma conquista. Então se para ela fosse o único jeito de conseguir um marido também, ela talvez participaria da briga também. Exatamente.
Em pleno século 20, com toda liberdade feminina, imagina quantas mulheres deram mal no casamento, que casaram para sair de casa.
E aí a gente pegou e assim, Lia tem uma importância muito interessante, que quando a gente lê essa história, ela é meio que a renegada, a mulher que não é amada, que a gente não torce, mas ela teve Judá, né? E enfim, a linhagem de Jesus passou por Lia, então muito importante a história dela. Mas aí ela começou a ter filhos, e aí depois Raquel, que era estéril, também começou a ter filhos. E aí daqui a gente começa a ter toda a linhagem de Jacó, que são os filhos que geram depois as tribos, a gente vai chegar lá.
Mas aí no final das contas, quais foram os conflitos que foram gerados de ter esses filhos? Porque se ele amava Raquel, Raquel era a principal, a gente começou a gerar conflitos familiares. O que começou a acontecer de conflitos familiares desses filhos e qual que é a importância desses filhos aqui para a história?
Vamos começar pela própria O nome sempre é a forma como eles nascem. Lembramos o que falamos, vamos lembrar o que a gente já falou antes: nomes são escolhidos pelo significado, correto? Falei isso. Aí a Bíblia diz assim, olha como é que vai dizer assim, ó, capítulo 29, verso 31: quando o Senhor viu que Lia era desprezada, então mais uma confirmação que ela era desprezada, ela desprezada pelo pai, pela irmã, pelo marido, fez com que ela fosse fecunda, ao passo que Raquel era estéril.
Deus fez isso talvez Sei lá quais que eu uso. Pegou ela que estava sofrendo, que não estava amada por ninguém, e Deus falou assim: eu vou mostrar que quem mais te amar, eu te amo.
Exatamente, esse é um ponto importante. Aí diz assim: assim Lia ficou grávida e deu à luz a um menino, a quem deu o nome de Rubem. Rubem é uma expressão em hebraico, em hebraico bíblico, a exclamação é feita assim: "Who?" "Who?" "Who?" "Who?" é exclamação de espanto, de surpresa. E Ben é filho, tá certo? Ben David, filho de Davi. Então Ben é filho. Então olha: "Who, Ben?" "Oh, menino!" A própria exclamação dela já demonstra uma surpresa.
Você falou uma coisa muito importante, a gente pode explorar mais. Deus queria mostrar para ela: "Filha, você é amada, eu estou te dando filho." Mas ela não acreditava que podia ser amada por alguém, tanto é que ela se se surpreendeu quando nasceu o menino. Sabe que a pessoa fala assim: "Nossa mãe, tudo na minha vida deu errado." "Nossa, sério? Vamos supor que o Grupo Primo sorteie uma coisa aqui." "Nossa, não ganhei nada." "Sério?
Ganhei?" E tanto é que ela se surpreendeu que ela fala assim, olha, depois que ela dá o nome do menino de Rubem, ela fala assim: "O Senhor viu a minha aflição, por isso meu marido vai me amar." Mas Jacó não demonstrou afeição dela. Aí ela ficou grávida outra vez, verso 33, e deu à luz um filho e disse: O Senhor ouviu que eu era desprezada e me deu esse filho. O verbo ouvir em hebraico, você quando dá ordem, você fala o verbo shemá, shemá Israel, ouve, ó Israel.
Não tem o profeta Samuel? Shmuel em hebraico significa o Senhor ouve, "Ouvi", ou "o Senhor ouviu". Então, como ela falou que o Senhor ouviu a aflição dela, o menino se chamou Shimeon, ou Simeão, que significa "o que ouve". Ela vai colocando o nome nos filhos de acordo com o sentimento dela. Olha o terceiro: "Raquel ficou grávida ainda outra... Lia ficou grávida outra vez, deu à luz um filho e disse: Dessa vez meu marido vai me unir a ele, porque agora eu já lhe dei três filhos.
Dessa vez", quer dizer que até agora não "Viu? Sabe como é que a palavra unir é ficar atado a? É a palavra Levi em hebraico. Levi significa aquele que está amarrado a." E ela falou: "Agora meu marido vai se unir a mim." E deu o nome do filho de Levi. Aí vem o quarto, que é o Judá. Aí ela fala: "Ela ficou grávida e deu à luz um filho." E fala: "Dessa vez eu louvarei o Senhor." "Seja louvado o Senhor." E o nome do menino é Yehudá, que significa "Louvado seja o Senhor".
Aí ela parou de ter filho. Aí quando a Raquel começa aquela briga com ela, aí a Raquel engravida também, né? E a Raquel usa um artifício que a gente sabe que havia na época pelas leis que eu falei. Uma das leis dizia o seguinte: lembra que eu brinquei até contando a história do judeu aqui com os anos de cast? Pois bem, se a mulher não desse à luz a um homem, perdão, a um filho para um homem, e detalhe, filho homem, ela podia engravidar 8 vezes e nascer 8 meninas, não vale.
Ela tem que dar um filho homem para ele, por causa daquilo que eu falei, o filho homem vai dar descendência para mim, a filha mulher vai dar descendência para o sogro dela. O camarada podia abandoná-la, pedir divórcio, abandoná-la sem direito a nada. É como se fosse quase que um, como é que eu falo assim, quando você compra um negócio, ele vem com defeito, você devolve na loja. Você devolve na loja. Não quero não, não atendeu, você devolve.
Não quero. Então, dos recursos legais que uma mulher tinha, dos poucos que a mulher tinha na sociedade patriarcal de evitar o abandono do marido, ela podia pegar uma serva dela para servir de barriga de aluguel. Então "Então eu vou dar minha serva para dormir com..." Isso tá nas legislações da Mesopotâmia, você entendeu? A gente tem isso nas leis mesopotâmicas. Ela pega a empregada, ela fala assim: "Deita com a minha empregada, ela vai engravidar e o filho será nosso." A Raquel fez isso, ela pegou a Bila e falou assim: "Ó, você vai dormir com o meu marido." Aí a outra, a Léa, falou: "Ah, é?" Pegou a empregada dela também.
O Jacó ficava pegando as mulheres e as empregadas. E foi tendo filhos, tendo filhos, até que Raquel depois deu à luz a José. José. E no final da vida ela dá à luz a um menino e ela morre no parto. E esse menino é interessante que Jacó que deu o nome para ele. Ele falou: esse menino vai chamar Benoni. Lembra que eu falei Ben, filho Rubem? Benoni significa filho da minha amargura, da minha angústia. Aí o pessoal: não, não vai botar o nome do menino de filho da minha amargura, chama de Benjamin.
Benjamin, filho da minha mão direita. Então ele tinha os dois filhos do útero de Raquel: José e Benjamin, tá certo? José e Benjamin. Só que José começa a crescer sendo o filho da amada cercado por irmãos. Ah, é verdade, da não amada. E para quem a predileção de Jacó gosta do Benjamin, né? Mas antes do Benjamin, é do José. É José.
Na Apple TV eu comprei o filme de José que ela adora.
E qual que é o filme de José mesmo?
É José do Egito.
Ah, o desenho?
É o desenho. E tipo assim, eu tô lembrando que eu assisti com ela recente, tem, ilustra muito isso de tipo assim Tipo assim, o José é o estudioso, o pai foca nele e os irmãos fazem um trabalho pesado. E os irmãos não gostam de José por causa desse clima.
Esse favoritismo e tudo mais. E aí depois desencadeia a história de José. Mas já já a gente chega na história de José. A gente faz um pequeno parênteses daqui a pouco.
A gente já falou de José aqui.
Já, cara, é um dos melhores podcasts que a gente já gravou e é um dos meus personagens favoritos.
E José é interessante, que o nome José, só lembrando desse bate-papo que a gente Jôsef em hebraico significa aquele que é abundante, que é redondo. Talvez o menino nasceu muito gordinho, então aquele que prospera.
Será que José era gordinho, meu?
Oi?
Será que José era gordinho, cara?
Talvez, não como criança, né? Sabe aqueles bebês Johnson Johnson? Arrodinhado. Todo cheio de dobrinha. Do Michelin, né? Então assim, eles chamavam de Jôsef, que Jôsef significa o círculo, aquele que é abundante, que agrega, Sabe quando a pedra bate na água e vão aqueles ciclos? Aquilo é Yosef, aquele que vai cada vez crescendo e vai agregando, vai crescendo e vai agregando.
E aí ele pega e trabalha 17 anos, ele vai tendo um monte de filho no meio do caminho e chega uma hora que ele acaba com o relacionamento dele com Labão e eles discutem para eles poderem encerrar esse relacionamento comercial deles. Labão não gosta disso, ele tenta até de uma forma injusta tentar reter ele, mas acaba que depois de várias negociações, negociações, Jacó, ele fazia o dinheiro da empresa. Exato, ele era o cara que trabalhava.
E aí ele decidiu ir embora mesmo. E aí ele, depois de 14 anos trabalhando, levou a família dele e eles começaram a voltar em direção a Esaú. Eles iam ter aquele encontro, porque até então Jacó estava com muito medo de Esaú. E aí nesse caminho que ele faz, acontece uma das cenas mais difíceis de entender, na minha visão, nessa história. História, e uma das mais icônicas, que é quando ele tem uma batalha, né, com o que é o anjo, que é Jesus, o que é Deus, o que que é, né? Assim, explica um pouco desse contexto e o que que é o simbolismo.
Eu posso falar só de um detalhe importante antes disso que a gente pulou? Claro, é rapidinho. Lembra que mais uma vez Jacó foi enganado na hora de sair da casa do Labão porque a Raquel roubou os ídolos do pai?
É verdade.
E tem um detalhe econômico nisso aqui. Muita gente pensa que a Raquel, são os terafins, que ela roubou os ídolos assim porque ela era religiosa demais, aí o pai era religioso, então ela quis levar aqueles ídolos para continuar adorando lá. Nananinanã. De acordo com as Tabuletas de Nuzi, quando você fazia um acordo comercial envolvendo terras com alguém, o certificado de propriedade da terra Era um ídolo, um ídolo do lar. Então havia ídolos que eram objetos de culto, de adoração da religião, e haviam ídolos que eram, era um instrumento de compra e venda, de herança, de escritura de propriedade, escritura de propriedade.
É porque a religião e a sociedade eram muito entremeadas, não era como a nossa sociedade que tem separação igreja-Estado. Então Então, olha o que é interessante, quando ela sabia que o Labão ia mandá-los embora ali, que ele ainda queria enganar de novo o Jacó com as ovelhas lá, né, que ficavam de cores diferentes e tudo, ela falou assim, tem uma coisa que chama atenção, ela conversa com a irmã dela, a Lia, perdão, a Raquel chega para Lia e fala o seguinte: "O nosso pai está nos tirando tudo e nós vamos ficar sem herança." "Nosso pai está nos tirando tudo e nós vamos ficar sem herança." Essa parte é importante, eu estou procurando o verso que ela fala isso aqui.
"Nós vamos ficar sem herança." Então ela pega e rouba os ídolos do pai, que são certificados de propriedade, porque de acordo com essa lei, numa eventual disputa pela terra, o juiz perguntará: "Tá bom, quem está com o certificado de propriedade?" "Ah, aqui onde funciona o grupo primo é meu." "Não, não é meu não, é do Kaique." O juiz fala assim: "Puxa a escritura lá, tem nome de quem?" "Ah, tem nome do Kaique." "Então é do Kaique, não é do Rodrigo, acabou, não tem mais conversa." Se a escritura tem nome, o juiz pergunta: "Quem tem os ídolos?" E os ídolos eram pequenininhos, você entendeu?
Ela ia entregar para o marido e indenizar o marido pelo que o pai fez. Olha ela também enganando o pai.
Cara, que cagada.
Aí quando o pai vai correndo desesperado lá Lá atrás deles, me devolve os ídolos. Aí falou assim: eu não tenho ninguém não, e se tiver alguém que vai morrer. Aí o pai começou a vasculhar tudo. Quando chegou perto dela, ela sentou em cima dos ídolos, falou assim: eu tô menstruada. E mulher menstruada não podia tocar, que ela tava impura. Então não tocou. Só que o Jacob falou assim: não tem nada comigo. Aí o Labão fez com ele um acordo.
Também não sabia, né, Jacob?
Ele também não sabia, não sabia. Aí o Labão fez com ele assim: olha, vamos fazer o seguinte, vamos colocar uma pedra aqui, chama as testemunhas e você vai jurar perante essas testemunhas que nem você, nenhum descendente vai passar daqui para lá para reclamar nenhuma terra para você. Tá, eu juro, vamos embora. Aí depois o texto bíblico dá a entender que mais tarde Jacó ficou sabendo dos ídolos, porque ele manda todo mundo tirar os ídolos que eles tinham e ele enterra debaixo de uma árvore, acho que era um carvalho.
Então ele tava trazendo a maldição para casa dele. E ele tava voltando, voltando, e o medo de encontrar o irmão, encontrar os fantasmas do passado, os traumas e os demônios do porão. E quando ele está atravessando o rio, ele sabe que o irmão tá chegando, porque alguém falou com ele: seu irmão tá vindo aí com uma guarnição de guerreiros, e ele deve estar com sangue no olho. Jacob ficou com medo. E olha que curioso, muito poderoso.
Ele separou o clã dele em grupos. E quem que ele mandou na frente? Raquel e os filhos de Raquel vão na frente. Não, Lia, perdão. Lia e os seus filhos vão na frente, Raquel fica atrás. Até ali você nota que ele ainda tava tendo a preferência por Lia, pelos filhos de Lia, e os filhos de Raquel eram menosprezados. E eles cresceram num lar que aconteceu o que muitos pais negam, mas acontece em algumas preferencialismo, o pai prefere um filho ao outro.
Eles cresceram sabendo. E naquele momento Jacó tava angustiado, e à noite ele foi orar. E naquela grande angústia dele, ele orando, orando, orando, orando, foi quando aparece um homem. E é interessante que no Gênesis fala um homem, tá? No Novo Testamento fala anjo.
Um anjo.
Então era um anjo em forma humana. Mas você sabe que em alguns momentos excepcionais do Antigo Testamento, o anjo não era anjo, era o próprio Deus em forma angelical.
Então a gente teve, acho que na primeira parte do podcast, você falou, ou foi em outro momento, que você ia mostrar que era Jesus que tava. Era Jesus, né? E, mas, cara, Qual que é o embasamento disso? Porque quando a gente interpreta, a gente pode olhar que era Deus, mas quando você fala que é Jesus, é muito específico e que Jesus aparece em outros momentos da história também, que você trouxe em outro podcast talvez. Por que era Jesus que apareceu?
E esse encontro, qual que é o sentido? Você está andando, aí aparece lá um homem, aí ele luta com o homem, aí fica lutando a noite inteira com o homem. Cara, eu estava vendo ontem o Melhores Knockouts do UFC, vai acontecer? Uma luta não dura 5 minutos, cara, porque alguém vai enfiar um soco no queixo, o cara vai cair. Como que você fica lutando uma noite inteira, entendeu? Nem criança assim você fica brigando a noite inteira. Então eu queria entender porque parece tão complicada essa situação de fato acontecer, por que que Deus iria se sujeitar a isso?
Aí ele desloca a coxa dele, qual que é todo o simbolismo de por que que Jesus estava lá nesse momento, cara?
Tá, vamos voltar de trás para frente, da última coisa que você falou para primeira. Deus lutaria conosco? Acho que a última parte da sua fala pode ser sintetizada nessa pergunta: Deus lutaria conosco? Agora que nós somos pais, todos aqui, né, vamos falar das nossas experiências. Eu ainda não viajei com a Sarinha de avião, não tive, mas eu já vi muitos casos.
É uma loucura, desafio. Trampo.
Então vamos pensar assim, de maneira desapaixonada, é um trampo viajar com a criança no avião. E vamos supor que ela tá inquieta, ela tá inquieta, ou ela não quer ficar na cadeira, ela não quer ficar. E eu já vi muitas situações em que o pai segura a criança, ele literalmente tá lutando com ela, porque ela tá resistindo, ele tá lutando. Ou quando ela tem que tomar uma vacina que ela não quer, ou tem que remédio.
Já tentou dar? É que você só fez pequenininho. "Tenta dar remédio para uma criança de 3 anos." Ela não quer. É um mata-leão.
E você tem que lutar literalmente com a criança. Para quem não tem sentimento envolvido, fala assim: "Pegando uma viagem daqui para Dubai, 14 horas, dá um dramim para essa criança, que ela vai dormindo daqui até lá e você tem paz." Dá um dramim para ela. Alguns dão um celular, né? É o mesmo dramim. Dá um dramim que a criança pare. Paga. Mas um pai, uma mãe que ama o seu filho, vai ter coragem de dar um calmante pesado para criança?
Você não vai fazer isso. Você prefere lutar com ela. Por que que você luta com ela? Primeira razão: para o bem dela. E no caso de Deus, tem mais outras duas razões. Além de ele lutar conosco por nosso próprio bem, ele podia nos adormecer. Usando a ilustração do Dramin, Deus podia tirar o nosso livre-arbítrio.
É que nesse caso, Jacó não tava procurando uma briga. Ele ali, mas eu vou chegar nesse ponto, eu vou chegar nesse ponto.
Ele tava assim, vou chegar nesse ponto. Então Deus luta, porque às vezes tem que nos segurar, que ele podia dar um draminha. Qual o seu draminha de Deus? Tirar nosso livre-arbítrio. Ele não faz isso, ele deixa o nosso, nosso eu falar e ele luta. Letra B: Deus não luta conosco usando os poderes de Deus. Sim, quando ele fala o grande conflito entre o bem e o mal, é Thanos, né? É Thanos, você tá entendendo? O próprio fato de, como o Apocalipse fala: "E o dragão lutou com Miguel e seus anjos." Se Deus tivesse usando todo o poder contra o diabo, não teria grande conflito entre o bem e o mal.
Então você também não usa com seu filho todo o poder de um adulto. Você falou "mata leão" aí como figura de linguagem, mas você não vai lutar, porque vai ser desigual. Você luta, você faz uma força na proporção do que ela precisa. E letra C: Deus também luta conosco porque, já que eu mencionei o tema do grande conflito entre o bem e o mal, como é que você prepara um soldado para uma guerra? Jogando xadrez com ele? Jogando boliche com ele?
Ou botando ele dentro de uma barraca cheia de gás lacrimogêneo para ele sobreviver?
Pô, mas beleza. Aí Deus... Luta de treinamento. Vou te treinar, vou ficar a noite inteira lutando com você?
Qual que é o negócio?
Jacó ainda tinha muitas questões emocionais mal resolvidas. Tanto é que ele estava atraindo todo tipo de pessoas tóxicas para ele. Ele tinha se entregue a Deus, mas ele ainda tinha muita coisa para mexer. E existem terapias até mais pesadas hoje, interessante, muita coisa que Deus fez com Jacó no passado e com outros personagens da Bíblia, o pessoal da área da psicanálise, da psiquiatria, da psicologia foram descobrir depois. Existem elementos da psicologia que você tem que defender a partir da luta.
Você acha que foi um Legendários então?
Deus falou assim: "Vou meter o Legendários nele." Sem dar detalhes, né? Mas é um Legendários, exatamente. Eu não vou dar detalhes aqui do que acontece no Legendários, mas você que foi, você sabe que o Legendários às vezes é assim. A Laura deu a definição do Legendários: é te destruir destruir para te reconstruir.
Sim.
Porque ela pega a nossa masculinidade, a nossa autoconfiança. Imagina o Tiago Negro, um cara que todo mundo quer pagar não sei quantos mil reais para ter uma palestra sua. De repente você tá ali tendo que enfrentar o que você enfrentou, te humilhar, te reduzir ao pó. Alguém pode fazer a mesma pergunta do Legendários: para que que eu acho aquilo. E se eu não fosse, talvez eu questionaria qual o valor daquilo. Mas a gente, graças a Deus, ah, para que orar na montanha?
É ridículo, porque não participou, você entendeu? Houve deturpações do Legendários, eu sei que houve, você também sabe que houve, mas eu não posso, em nome da deturpação, negar o funcionamento e as pessoas sinceras que estão ali. Então o Legendários assim realmente, ele te destrói. O Deus fez um Legendários com Jacó, Ele lutou. E lutou por quê? Quando Jacó viu aquele homem, ou anjo, que o Novo Testamento coloca anjo, o Jacó sentiu que havia algo divino, espiritual.
Eu não sei, porque a Bíblia não fala o que o Jacó viu naquele estranho. Talvez no início, pelo que dá a entender a Bíblia, ele começou a lutar pensando que era um inimigo. Depois que ele viu que não era um inimigo, alguma coisa aconteceu que ele falou: "Opa, espera aí, espera aí, esse camarada pode me abençoar." abençoar. E abençoar é que leia. Ele pode me dar a bênção que eu não consigo ter desde que eu enganei meu pai. Sabe aquele negócio?
O Schopenhauer falava demais disso aí, que o Schopenhauer falava que a grande desgraça do ser humano é a nossa vontade, porque a vida é uma constante oscilação entre a ânsia de ter e o tédio de possuir. Eu conheço colegas que têm doutorado, mas se sentem uma ameba. Eu conheço pessoas pessoas milionárias que se sentem pobres. Eu conheço pessoas inteligentes que se sentem burras. Jacó já tinha, mesmo do jeito errado, ele tinha a primogenitura legalmente, era dele.
Ele já tinha a mulher, tinha um clã, tinha um filho, ele já tinha dinheiro, mas ele se sentiu enganador, o cocô do cavalo do mosquito, o mosquito do cocô do cavalo do bandido. Aí deu, ele falou assim: me abençoa, quer dizer, me liberta dessas dores. 'Você quer a bênção?
Você vai ter que lutar por ela, não vou te abençoar não.' É que pode ter tido diálogos que a gente não sabe também, né?
Exatamente.
Às vezes se é Deus e Deus fala alguma coisa, deixa claro, aí já a motivação muda já.
Exatamente. Então não vou te— tanto é que Deus deixou claro que era Deus, eu vou daqui a pouquinho entrar na questão de ser Jesus, que ele falou assim: 'Eu não te abençoar, não te soltarei enquanto você não me abençoar.' Falando: 'Deixa eu ir porque o dia já tá raiando, tem que ir embora.' 'Não, eu não vou te "Então tá." Aí o que Deus faz? "Tá bom, então você quer ser abençoado? Tá." Tocou na coxa dele. Eu falei isso da outra vez, que embora a Bíblia não descreva esse ato dele com seu pai, mas descreve o ato de Abraão com seu servo falando: "Coloca a mão na minha coxa e jura." E havia muito esse costume de você colocar a mão na virilha do outro para receber a bênção.
Então é muito provável que ele tenha feito isso com seu pai Isaac, porque havia esse costume da época. É como se falasse assim, tá, o Thiago assinou um contrato com o Rodrigo, alguma coisa da fim class. Pelo que eu conheço da cultura de hoje, deve ter tido uma firma reconhecida no contrato. Ah, mas como é que você sabe? Que ele só falou que ele assinou o contrato. Não, realmente, no episódio que chegou até a mim não fala de firma reconhecida, mas na época, contratos como que o Thiago fez com Eu digo: exigir uma firma reconhecida.
Então eu deduzo que deve ter tido. Então, na época, o tipo de bênção que ele falou exigia você colocar a mão na virilha do outro para receber a bênção. E aí, justamente aquilo deslocou.
E a família toda ficou olhando isso acontecer?
Não, não, não. A família tava separada. Ele deixou a família num acampamento dormindo, separou o clã, porque no outro dia ele teria que enfrentar o irmão, e ele foi para um lugar à parte. Inclusive é o Rio Yaboc, que eu estive nesse rio gravando lá, coisa mais linda, foi até muito legal. Eu falei da história de Jacó lá, é muito, muito impressionante. E ali ele desloca. Então eu vou te mostrar onde é que você errou, cara. Eu vou te mostrar, vou tocar na sua ferida.
Tipo assim, o cara errou no comprometimento da palavra.
É porque pena que eu não posso dar exemplos dos legendários Legendários, mas você sabe o que eu tô falando.
Sim, o cara errou na palavra.
Se alguém é legendário, tá assistindo a gente, deixa o comentário aí que alguém já participou de uma experiência legendária. Que é que, ou mesmo você não participou do legendário, se você já participou de uma experiência psicológica controlada de alguém que botou você assim para te amassar. Eu tenho um pastor adventista que eu admiro demais, e permita-me citá-lo como exemplo aqui, chama-se Alejandro Bullion, um dos maiores pregadores.
Foi, não é que ele tá, graças a Deus, pregando até vive hoje, apesar de aposentado, um dos maiores pregadores adventistas que passou nesse país. E ele é peruano, não é brasileiro. Mas o Alejandro Bullion, ele tem uma experiência na vida dele, um livrinho fininho chamado Conhecer Jesus é Tudo. Eu vou te dar esse livro para você ler, dá para vocês dois. Esse livro mudou minha vida. E ele conta que ele já era pastor de igreja e ele tava querendo entregar a credencial dele como pastor porque ele tava sentindo vazio.
Ele falou: eu prego, mas não tá servindo para ninguém o que eu tô pregando. Até que o Pastor Bullion chegou ao presidente do campo dele, que seria como se fosse um bispo, não é? E falou assim: olha, tá aqui minha credencial de pastor, eu não posso seguir mais como pastor. Aquele presidente, de maneira muito sábia, ao invés de aceitar a demissão dele, falou: não, eu vou te tirar da igreja que você está e vou te mandar para um lugar melhor.
Aí ele pensou: bom, de repente é isso que eu preciso, de novos lugares. Só que aquele presidente mandou o Alejandro Bullion para ser pastor no meio da floresta amazônica. Ele falou: eu tava reclamando que eu estava no purgatório e caí no inferno. E quando ele estava um dia andando na floresta amazônica com a mochila dele para visitar uma tribo que ele ia pastorear, pensando a vida dele: puxa vida, mas que droga, eu já tava querendo largar a igreja que eu tava porque eu não tava aguentando ser pastor e tudo mais, e ele me manda "Vou para um lugar pior ainda?
É daqui que eu quero sumir mesmo." E começou a chover. Ele se perdeu na floresta amazônica e quando ele se perdeu, ele caiu no meio de um lamaçal. E naquele lamaçal, caindo, ele tentando sair daquela lama na floresta amazônica, ele tentava puxar um galho assim, o galho vinha com tudo, ele caía de novo e machucado, aquela coisa toda. E ele gritou no meio daquela lama: "Deus!" "Meu Deus, o senhor não vê que eu estou perdido?" E naquele grito caiu a ficha dele: "Eu estou perdido sim, dentro da igreja." E quando ele gritou, é uma coisa de me arrepiar, apareceu um índio.
O índio não falava nada, só fez gesto para ele assim, ele deu a mão para o índio, uma mão forte e calejada, o índio tirou ele de lá e o índio não falava nada, só fazia sinal para ele "Vamos segui-lo". E ele foi seguindo o índio, foi seguindo o índio pela floresta, a chuva foi parando. Quando chegou no lugar lá que era a aldeia, o lugar que ele ia pasturar, o índio só apontou. Ele já ficou tão desesperado que ele saiu correndo e caiu na ladeira assim.
E no outro dia, a mochila dele estava seca, a roupa dele estava seca, não tinha marca de lama, não tinha nada. E ele perguntou para o moço: "Nossa, eu quase que me perdi aqui, eu caí, machuquei. Cadê o índio que me trouxe?". Aí o outro: "Não tinha nenhum "Quem é índio". esse índio? Você tava sozinho, chegou sozinho aqui, desceu." Até hoje ele não sabe quem é esse índio, mas dali ele entendeu de uma maneira tremenda 3 parábolas que Jesus conta.
Jesus conta a parábola da ovelha perdida, da moeda perdida, que eu fiz menção aqui, e do filho pródigo, que na verdade eram 2 filhos perdidos. Se você olhar, é uma tríade que Jesus conta. Ovelha perdida, O que é uma moeda? Um animal que está perdido fora do aprisco e sabe que está perdido. Porque o bicho sabe quando ele está perdido. O boi tenta voltar para casa, cachorro tenta voltar. Animal sabe que está perdido. Então você tem alguém perdido fora que sabe que está perdido.
Moeda não. Moeda não tem consciência. E a mulher perdeu a moeda dentro de casa. A moeda é alguém perdido dentro de casa e que nem sabe que está perdido. E a parábola seguinte dos dois filhos filhos. O filho pródigo perdido fora, no meio dos porcos, sabendo que tava perdido, e o mais velho perdido dentro de casa sem saber. E o Bullion falou: eu sou o filho mais velho, eu sou a moeda da parábola, estou perdido dentro da igreja sem saber.
O Bullion teve ali uma experiência semelhante a do Jacó. Então Deus é muito sábio, Kaique, Thiago. Deus às vezes sabe que a gente precisa de coisas meio lúdicas, meio assim, pega, pede para sair, sabe? E ele aperta, ele machuca. Deus pode trazer uma doença se preciso for. Deus quer salvar você. Até, vou falar uma coisa pesada, Deus pode provocar até um luto na sua família, ele pode tocar naquilo que mais te dói porque Deus quer salvar você mais do que uma mãe de tirar um filho de uma casa pegando fogo.
E se ele precisar te machucar e colocar o dedo na sua ferida para fazer isso, ele vai. Por isso que a grande angústia na Bíblia, no livro de Jeremias, é chamada de angústia de Jacó. E ele falou: "Tá bom, eu tô machucado, mas eu não vou te soltar. Quem quer dá um jeito, quem não quer dá uma desculpa. Agora você tá preparado pra bênção? Então tá bom. Qual é o seu nome?" Se Deus é onisciente, pra que fazer uma pergunta dessa? É o mesmo jeito que ele perguntou pra Adão no Éden: "Por que que você fugiu?
Quem te fez saber que você tava nu?" Deus já tinha a resposta. "Qual é o seu nome?" A mesma pergunta que o pai dele tinha feito na hora da bênção. Só que no pai ele respondeu: "Meu nome é Esaú." E agora ele perguntou: "Qual é o seu nome?" "Meu nome é Jacó. Eu sou o enganador, eu enganei meu irmão." É aquela hora que você para de dar desculpas para os seus erros e você confessa. Por isso que a Bíblia fala que é importante não apenas pedir perdão, mas confessar os nossos pecados.
Hoje o evangelismo meio barato fala 'Não, pede perdão, Jesus vai te abençoar, que isso é a coisinha mais linda de Jesus.' Tá, mas a Bíblia fala que pedir perdão é um passo número 2. O passo número 1 é confessar o meu pecado. 'Eu fiz isso de errado, Senhor.' Agora sim, você não vai ser mais Jacó. Agora você tá preparado para mudar de fase, mudar de nome. Você vai ser Israel, porque você lutou com homens e com Deus e prevaleceu.
A última parte da resposta, por que eu sei que é Jesus? Eu mostrei no nosso outro bate-papo, antes, quando a gente começou a falar, que aquela escada que ele teve em Betel, eu mostrei o Evangelho de João, Jesus falando que aquela escada era ele mesmo. "Vocês verão o Filho do Homem com anjos subindo e descendo sobre o Filho do Homem." Jesus mesmo se identificou com a escada. Paulo mostrou situações no Antigo Testamento em que era Jesus que estava.
Por exemplo, a nuvem que acompanhava o povo era Jesus. Eu participo de uma linha do cristianismo que entende que Jesus é Deus. Eu creio na Trindade: Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Jesus é Deus. E a Bíblia fala que ninguém jamais viu a Deus. Mas se ninguém viu a Deus, como é que fala que Isaías viu Deus, Moisés viu Deus? Aí o Evangelho de João fala, João 1:18: "Ninguém jamais viu a Deus." Ponto. "O Deus unigênito que está no seio do Pai..." O Pai foi quem o revelou.
Opa, então com essa parte do Evangelho de João eu aprendo que todas as visões de Deus do Antigo Testamento, eles viram Deus através da pessoa do Filho Jesus. E em algumas aparições angélicas do Antigo Testamento você vê que era um anjo. Por exemplo, quando Daniel vê o anjo Gabriel, Gabriel, dá a entender, você vê que é um anjo, tá certo? É um anjo, em várias situações é um anjo. Mas há muitas situações em que o anjo não é um mero anjo.
Por exemplo, vou dar 2 ou 3 exemplos. Quando Abraão vai sacrificar o seu filho Isaac, o anjo do Senhor, tá certo? O anjo do Senhor vem, melahi Adonai, o anjo, esse anjo, malahi Adonai, Abraão morre, o anjo do Senhor vem e fala: "Não faça mal ao menino, porque agora eu sei que você não me negou o seu filho." O anjo está falando em primeira pessoa. Quando ele também vai receber 3 anjos em casa, ainda estou falando de Abraão, 2 vão à frente para tirar Ló de Sodoma, o terceiro fica para trás e ele dialoga com esse terceiro como se esse terceiro fosse Deus.
Ele fala assim: Senhor, se houver tantos na cidade, o Senhor não poupará essa cidade? Sim, eu pouparei. E um terceiro exemplo que eu poderia dar: Moisés na sarça ardente. Quando o anjo do Senhor aparece na sarça ardente, o anjo do Senhor fala da sarça: Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó. Então Deus apareceu em forma angélica algumas vezes no Antigo Testamento. Então, pegando isso aqui com o fato de de Jacó ter lutado com Deus.
Então essa é mais de uma epifania. Epifania é uma aparição divina de Deus em forma angélica. Então Jacó lutou com o próprio Jesus, por isso o nome Israel, porque ele lutou com Deus.
Diz aqui então: então o homem disse: seu nome não será mais Jacó, mas sim Israel, porque você lutou com Deus e com homens e venceu, né? Gênesis 32:28. 18. E aí a gente tem essa luta, e acho que é como se marcasse essa nova fase, né? Então, Jacó, que agora é Israel, né? E aí aqui, quando eu passei por essa passagem, como eu te disse, eu li a Bíblia inteira. Depois é legal a gente um dia bater um papo sobre isso. Aí foi quando me liguei, né?
As tribos de Israel não é necessariamente Você pensava num espaço físico, que você tem o Israel, tem um país hoje que você viaja para lá, você pensa que são as tribos de lá. E aí, na verdade, não.
Na verdade, as tribos de Israel são os filhos de Jacó.
Aí eu falei: "Puta, cara, olha só que coisa sensacional." E aí a gente tem um próximo passo, porque ele pega, ele venceu e agora ele vai encontrar Isaú. Só que esse encontro, Tinha 14 anos, talvez, talvez até mais tempo, com muito medo. E ele tem esse encontro com o irmão que na cabeça dele queria matar ele, coisa e tal. Como que foi esse reencontro com o irmão dele? Teve uma reconciliação?
Interessante, até a cura de Deus ainda demora um processo. Depois ele lutou com o anjo, novo homem, sim. Mas ainda assim, capítulo 33: quando Jacó ergueu os olhos, viu Esaú se aproximando e com ele 400 homens. Repartiu os filhos entre Leia, Raquel, as duas servas, pôs os seus filhos à frente. Então você vê que a cura acontece, mas o processo de desencadeamento dela ainda demora um pouco. Aí ele encontra com o irmão, e a coisa mais linda, que eu acho que isso vai afetar positivamente a José, a reconciliação.
O Esaú abraça e os dois choram copiosamente. Uma das mais lindas cenas de reconciliação é essa aqui. E o José era criança, ele viu o pai se reconciliando com o tio. E embora a Bíblia não diga isso, eu posso deduzir pelas entrelinhas, ele deve ter ouvido a história. José, não sei quantos anos José tava aqui, tem que fazer o cálculo, mas ele viu a história. Poxa, esse é o meu tio que papai tinha. Depois ele vem e apresenta apresenta o irmão dele, que olha, a minha família, sei que são seus sobrinhos e tudo mais, olha o que que eu conquistei.
Assim, com aquele alívio do peso tirado, o José cresceu vendo aquela cena de reconciliação. E aquilo que a gente tava falando lá do afetação, não sei se a palavra correta seria esse, é de um elemento psicológico aqui que vai desencadear nos meus descendentes lá. Eu vejo mais isso em José também, quando José lá na frente no Egito, podendo vingar dos os irmãos. Ele perdoa os irmãos com base no exemplo do tio dele, que o tio dele tava mais forte, tinha motivo, tinha motivo, e o filho perdoou, o tio perdoou o pai.
Aquela cena ficou na mente de José. Lá na frente, quando ele tava na mesma situação do tio, como governador do Egito, super poderoso, super poderoso, e os outros lá tudo morrendo de medo, ele também abraça e começa a copiosamente. É interessante, é lindo isso, essa cadeia do como é que as coisas emocionais vão se repetindo ao longo da história, né, cara? Verdade. E os filhos de Jacob ainda tiveram muitos problemas. Você vai ver depois lá a questão de Dinah. Não sei se a gente pode já passar essas partes assim.
Claro, vamos sim.
A Dinah, que aí já vai contar isso em Curioso, que aí vai contar quando Jacob chega a Siquem, ele chega a Siquem, que hoje é um território ali misturado com os palestinos ainda, hoje é um lugar de conflito lá, eu tive em Siquem e muito interessante.
É porque aqui, cara, é complexo a gente ter essa passagem, porque cara, eles têm então a filha dele, Dinah, e aí ela vai para Siquem, ela é violentada lá, só que assim, aí imagino, cara, sei lá o vível, né, disso. Mas, pô, se uma filha violentada, você fica maluco. E aí você tem várias situações de como reagir, mas geralmente você vai para cima, você vai para o pau na hora. Só que aí os irmãos, eles propõem um acordo, né? E o acordo é que os homens fossem circuncidados.
É, mas o acordo já— então eles propõem um acordo já de—
só que aí é uma mentira, é uma mentira. Ele chega depois e, cara, aí mata geral e saqueiam tudo. Então, claro, né, porra, cagada, fizeram besteira ali quando violentaram a filha deles.
Chama atenção deles por culpa de vocês.
Só que eles fizeram também outra besteira. Jesus nos ensina a não reagir desse jeito, as coisas e tal. Então assim, como que a gente pode interpretar essa passagem?
Olha, vamos lembrar que em primeiro lugar foi em Siquém que cerca de 1600 anos depois Jesús vai encontrar com a mulher samaritana no Poço de Jacó. Então você vê que interessante, né? Ficou mal falado, ficou mal falado o lugar. E no caso dos irmãos, a questão do— Paulo Vieira fala muito de ecossistema, isso é uma coisa realmente que merece ser levado a sério. Eu não vou dizer que a tendência é determinismo. Não é o fato de o meu pai ser alcoólatra, drogado e mafioso que eu vou nascer, vou ter que ser obrigatoriamente drogado, alcoólatra e mafioso.
Isso não é verdade. Mas eu tenho que sempre procurar as tendências que estão na minha família. Eu vou dar uma sugestão para você, de alguém que não é psicólogo, mas precisou muito deles. Procure fazer, com a ajuda de um profissional de saúde mental, no seu portal uma árvore genealógica da sua família. Procura conhecer quantos casos há na sua família de pessoas com depressão, de pessoas fracassadas, de pessoas revoltadas, de pessoas assim assado.
Porque, repito, não é determinismo, mas você pode ter algumas tendências que serão descobertas a partir da sua árvore genealógica. Que que os irmãos de Jacó cresceram aprendendo? Lembra que eles não eram só filhos de Jacó, eles eram filhos de Jacó, de Lia, de Raquel, netos de Labão, sobrinhos de outros filhos de Labão que ele tinha. A história de Jacó, eles cresceram num clã que dizia o seguinte: enganar é a melhor forma de sobreviver.
Era, era uma consequência disso.
Sim, tem a própria consequência que o Jacó fala: por causa de vocês, nós vamos ter que cair fora, nós vamos ter que cair fora porque agora nós vamos ser odiados de todo mundo aqui. E lembra depois que Judá e Tamar também, que a própria Nora também vai—
Cara, mas não é louco você pensar que as tribos de Israel, assim, não são os patriarcas, mas os líderes da tribo, os fundadores aqui da tribo, cara, que deram depois origem à história que a gente conhece pô, eles pegaram e mataram geral na cidade.
Mataram geral.
Isso para mim, assim, não dá para dizer se é injustamente ou justamente. Acho que matar não é justo, né, assim, biblicamente. Então assim, injustamente eu vou dizer, caraca, então você tem sangue nas mãos, né?
Tem sangue nas mãos. Mas eu posso ler isso de outra maneira. Eu posso ler assim, olha como é grande o poder redentor de Deus. Deus pegou um bando de homens selvagens e os transformou na nação que trouxe o Messias ao mundo. E os descendentes desses hoje formam um país que é a única democracia do Oriente Médio. Um país que hoje, hoje, se você come tomate cereja na sua casa, isso é coisa do judeu, que é um dos descendentes de Jacob, descendente de Judá.
Se você tem hoje o seu celular aí, que a maior parte do circuito do seu celular, da Intel, da IA, a gente tá falando tanto IA aqui, tá certo? É judeu, você tá entendendo? Então olha como é que Deus consegue mostrar que aquilo que eu falei, tendência não é determinismo. Eles eram selvagens fracassados, isso significava que os descendentes precisavam ser.
Mas só para trazer também um ponto, aqui também não dá para dizer apenas que foi uma mentira, na verdade foi uma estratégia, né? Porque A gente pegou, acho que, qual a história que foi? Foi Josué, né? Antes de sair conquistando tudo, fizeram a circuncisão todo mundo porque eles iam ficar debilitados, aí depois foram para guerra, né? Então é complexo mesmo. Aí aqui diz em Gênesis 34:25 que 3 dias depois, quando eles sofriam dores da circuncisão, 2 filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, pegaram as suas espadas, atacaram a cidade desprevenida e mataram todos os homens.
Então foi uma estratégia para eles aproveitarem pegarem as pessoas desprevenidas. E também não foram todos, né? Foi Simeão e Levi, que é os irmãos de sangue de Diná, né? O que significa o Simeão e Levi mesmo?
Tem algum significado?
Eles eram mais—
não eram os mais velhos, mais velho era Rubens, né? Rubem. Mas a própria ausência de Rubem aqui já mostra que tava meio bagunçado o negócio, porque quem tinha que tomar conta só faz cagada, né?
Só no final que ele se redimiu.
Exatamente. Mas ele era, e pior, aquele que tecnicamente deveria ser o líder do clã porque ele era o mais velho. E para piorar, ele já não era um cara muito bom, o pai repetindo o erro de Isaac tinha preferência por José que era mais novo, depois vem Benjamim, né? E aí nós temos um outro agravante nisso aqui, além da ausência de Rubem que era o homem mais poderoso, aqueles dois tomam da parte deles e fazem todo, todo estrago com eles ali através do engano.
E a Bíblia nunca orienta que as coisas de Deus podem ser feitas à base do engano. A circuncisão era uma coisa muito cara, era parte da aliança que Deus fez com Abraão, era o símbolo de Abraão e seus filhos. De novo, o que que eles fazem? Eles estão negociando a primogenitura deles. Porque o que que o Esaú fez? Ele ganhou a primogenitura pintura, mas ele vendeu por um prato de lentilha. A gente conversou da outra vez. Agora, a mesma coisa, eles tinham o símbolo de Deus com Abraão, que era circuncisão.
Eles pegam e usam aquele símbolo tão caro para enganar um grupo e depois matá-los numa lei de ferocidade. A questão do engano é interessante, que em povos do deserto aprendi isso com beduínos. Eles têm uma ideia do engano muito curiosa. Curiosa, é, dependendo da cultura, o engano é tido como a esperteza que faz você se dar bem. Por exemplo, tem alguns países da África, da África subsaariana, que quando os missionários iam pregar em algumas tribos ali da África subsaariana, tinham dificuldades, que toda vez que apresentava a história de Jesus e Judas, o pessoal se apaixonava por Judas.
Nossa! Nossa, não é possível.
E ele ficou complicado administrar isso porque eles eram tribos caçadoras, eles viviam ainda como caçadores-coletores, apesar de ser no século 20, século passado. E o que que acontece nessas tribos? A cultura deles, como eles enalteciam muito o caçador e o momento da caça, o melhor caçador é aquele que engana a a presa através de uma armadilha, através de uma paciência. No mundo animal, o mais— por que que o leão é o rei da selva, né?
Embora quem caça é a leoa, mas ela sabe enganar a presa, sabe? A cobra naja, né? Ela engana, ela seduz a presa, ela faz uma armadilha que pede. Então, na verdade, a caça não é tanto do mais destemido, do mais corajoso ou do mais forte. Na lei da selva, a caça dá vitória para o mais esperto. Cara, como que... Então, para eles, assim, só fechando aqui, enganar você no comércio, assim, então essa tribo tinha essa questão, eles se apaixonavam por Judas porque Judas enganou Jesus.
Então, na cultura deles, o superior da história, o personagem principal não é Jesus, é Judas.
Mas na história ele sabe que Judas não enganou Jesus, que Jesus já sabia.
Mas lembra que eu tô falando que o evangelho foi levado para pessoas pagãs que não tinham esse background ainda. Então foi nesse contexto, pessoas pagãs que não tinham background cristão. Então até mostrar para eles que Jesus sabia e tudo mais foi um parto. E nessa cultura também, às vezes assim, por exemplo, o cara te passa a perna no comércio, isso não é deslealdade, é esperteza.
Mas só para aí, coisa pessoal aqui, para eu poder afunilar "Olha lá o que é o certo mesmo." Porque tem uma lógica mesmo, isso que você falou de quando você vai caçar um animal mesmo e é legítimo isso para você sobreviver, no passado faziam isso, você geralmente tem um engano mesmo. Você vai fingir alguma coisa, o animal vai para lá, pum, aí cai numa armadilha, sei lá o quê e tal. A gente faz isso na vida real aqui, uns homens, "Se acontece algo como isso, eu vou falar que é mentira." Inclusive em casa, cara, a gente tem grandes discussões assim.
Ontem, Sofia botou um negócio no pé, como se tivesse machucado, chegou na escola, eu estava com ela, aí a professora falou: "Machucou e tal." Ela ficou meio assim, a professora falou: "Você torceu?" "Torci." Aí eu vi assim, não é verdade isso daí. Só que eu não quis mentir na frente da professora, depois em casa a gente conversou, foi um quebra-pau. Mas o ponto é, ela mentiu, porque ela falou que ela não queria fazer a educação física.
Ela usou a estratégia dela.
É isso.
Errada.
Só que é o tipo de exemplo que assim, pequenas coisinhas assim que não iriam machucar ninguém, pequenas mentirinhas, para mim é uma coisa, até pelo meu histórico de vida que já menti, é uma coisa que eu falo, cara, é uma coisa assim inaceitável para mim, qualquer mentira, mentira pequenininha assim, sabe? Cheguei e dou duas ideias. A tal da mentira branca. "Não, você chegou 2:11." É uma mentira para mim. E aí eu estou só nessa dúvida de: "Cara, o que a Bíblia fala sobre o que é a definição de falar a verdade ou de falar mentira?" Só para entender até que ponto eu estou extremo demais ou não.
Até como um papel de pai aqui, é porque é uma coisa até tipo: Sofia é uma menina, ela estava com 6 anos, né? 7. Essa mentirinha pode encadear na cabeça dela: "Pô, me livrei de uma coisa que eu não queria fazer por causa de uma mentira pequena." Isso pode desencadear um negócio gigantesco depois. Só que tem outro lado também.
Também, que olha o que aconteceu. Eu peguei uma bronca nela no outro dia, que eu levo ela para escola. E aí no outro dia ela falou: "Ah, pai, pode deixar que eu entro sozinha", entendeu? Então assim, porque eu entro com ela, levo ela. Como ela tomou essa bronca, ela foi para o lado de, na minha cabeça, que não correr o risco de levar outra bronca. Tipo assim: "Nossa, ele está me supervisionando, então melhor para eu esconder dele, digamos assim, né?
Porque às vezes quando você é bravo demais, a pessoa vai para lá de esconder. Sim. Então assim, é difícil, né? Essa situação de paz é sempre complexa. Mas biblicamente, o que é a mentira? O que é a verdade?
Eu vou responder em dois níveis. Letra A, pegando a sua própria história para entender os irmãos, os filhos de Jacó, e depois eu vou entrar na questão do que biblicamente que é mentira, o que que não é. Vamos pensar diferente. Que você tolerasse essa mentira da Sofia. É o que o Kaique foi colocando. Ela vai mentir de novo e vai ter bons resultados. A mentira está me trazendo lucros e dividendos.
Que é igual o crime, no começo sempre traz um bom resultado.
Exatamente. Então, que legal, eu estou mentindo e estou ganhando. Daqui a pouco ela vê que você também mente. Você vai vender uma casa lá, você fala assim: "Não, essa casa..." "Não, tá tudo certo." Ela ouviu você falando com a Maíra antes: "Nossa, aqui tá caindo o telhado, vou passar essa casa pra frente logo." Ela vai vendo, ela vai crescendo naquele universo ali, a mentira passa a ser pra ela já um modus vivendi. Ela já começa a ver a mentira como uma coisa legal do dia a dia, faz parte. Então os irmãos de Jacó...
Eu tive um pouco disso, que eu via meu pai mentindo muito quando eu era criança, mas muito. Teve uma fase ali da minha adolescência ali, Era normal, é normal, virou normal.
E os irmãos, não, corrigindo, os filhos de Jacó cresciam nisso, um engano. É o engano do avô, é o engano da mãe, né, que ela enganou o marido, é o pai, é todo mundo lá e tal. Então vou enganar também. Olha o perigo dessa cosmovisão. Então aí a gente entende a cabeça dos filhos de Jacó, porque que era tão normal para eles enganarem. Depois vou enganar o pai com a morte, suposta morte José. Agora, na Bíblia, aí nós entramos numa questão ética muito delicada.
Existem, inclusive, uma faculdade, na Faculdade de Teologia tem o curso de ética, ética bíblica, ética cristã. Há situações, para resumir de maneira muito clara, que são excepcionais, e a Bíblia não as oculta, mas a Bíblia trata o excepcional como excepcional. Excepcional. E o excepcional só é permitível diante de Deus quando ele não é para ganho espúrio próprio. Ganho espúrio próprio. Então vou dar um exemplo para você. Deus disse: não matarás.
E Deus abominava sacrifício de criança. Mas o dia que ele falou com Abraão: sobe ao monte e mata o o filho durante aquela trajetória, desde o lugar onde Deus falou até o Moriá, 3 dias de viagem, o pecado de Abraão seria poupar Isaac. Porque naquele momento, de maneira excepcional, Deus deu uma ordem: vai e sacrifique Isaac. Aquela situação excepcional, Abraão deveria obedecer a Deus. Então, ali era uma situação excepcional, mas não era para ganho próprio, era para mostrar submissão, tá Tá certo?
Segunda situação em que a mentira talvez seria tolerada. Lembra que Raabe escondeu os dois espias na casa dela e falou: "Não tem ninguém aqui." Também uma vez quando o Davi... Deus falou com Samuel assim: "Samuel, vá até a casa de Jessé e eu vou ungir um..." A gente já fez de Davi?
Acho que fez, né?
Tô tentando lembrar aqui.
Acho que fez, não é possível.
Fez. Depois dá uma olhadinha, que agora já fizemos, não tem como. É, o Davi já fez, né? Depois a gente confere. O Davi, quando ele vai ser ungido, 3,7 milhões de visualizações em 2 anos. 3,7 milhões. Então depois, se você não assistiu, aproveita que eu tô esquecendo, vai lá e assiste de novo. O Samuel falou, Deus falou para o profeta Samuel: vai até a casa de Jessé Jezabel, e você vai ungir um dos filhos dele para ser meu rei.
Aí o Samuel fala assim: "Mas se Saul, o rei, souber, ele vai me matar. E se alguém me perguntar?" Diga que você está indo oferecer sacrifício. Você tá entendendo? E saindo do texto bíblico para a realidade moderna, quantos judeus foram salvos da morte porque uma em família, escondeu esses judeus no sótão ou no abrigo, e os nazistas passavam lá: "Tem algum judeu aqui?" "Não, não tem judeu aqui." Então são situações excepcionais.
Seria muito legalismo da minha parte dizer assim: toda e qualquer mentira é do diabo, porque a Bíblia fala que o diabo é o pai da mentira, tá? Então você acha que aquelas pessoas deveriam ter virado para os nazistas e falado assim: "Não, não, tem 4 judeus guardados no sótão da minha casa aqui, pode abrir e pegar." "Peraí." E Raabe também, quando eles perguntaram assim, ele disse: "Não, não, não tem ninguém aqui, não." Você entendeu?
Qual que é o filtro então?
O filtro é o seguinte, letra A, como eu falei: entender situações excepcionais como excepcionais. O primeiro engodo da mentira é quando a gente pega o excepcional torna corriqueiro, torna rotina, tá certo? Uma coisa é defender judeus perseguidos pelos nazistas no sótão da minha casa. Outra coisa é eu contar para o professor de educação física que eu tô com o pé machucado, que eu não quero fazer educação física. Essa é a primeira coisa.
Segunda característica: mesmo nas exceções, que você fizer algo que não é o convencional, correto, correto, você tem que se perguntar: eu estou fazendo isso para beneficiar quem? Por isso que eu falei, é um ganho espúrio, pessoal, ou é para abençoar o outro? Então vou te dar um exemplo. Vocês sabem que eu guardo o sábado, eu guardo o shabat, eu guardo o sábado. Só que é quando, na época que Jesus estava, já começaram muitas tradições judaicas sobre o sábado, que foram perpetradas depois no Talmud, na Guemará, na Mishná, nos textos lá e nos tratados sobre o Shabat da linha judaica ortodoxa mesmo.
No Shabat você não pode apertar botão de elevador, você não pode acender uma lâmpada, no Shabat você não pode andar de carro, você não pode acender fogo na sua casa, um monte de coisa. Aí chegaram para Jesus, quando Jesus curou a mulher de sábado, ele falou assim: "É mesmo? Não posso curá-la porque hoje é Shabat?" Deixa eu perguntar para vocês uma coisa: se o boi de vocês cai no buraco no sábado, vocês deixam de tirar o boi porque é sábado?
Não, a gente resgata o animal, tá? Se vocês podem resgatar um animal no sábado, por que que não posso livrar da doença uma filha de Abraão? Vocês esqueceram que o sábado foi feito por causa do homem e não o homem por causa do sábado. Então, por exemplo, eu uma vez eu estava indo pregar em Belo Horizonte numa igreja Adventista no bairro da Concórdia, perto da Igreja Batista de Lagoinha ali atrás. E quando eu cheguei lá à tarde para falar, foi na parte da tarde, disso, chegou um moço e falou: "Moço, por favor, tô morrendo de fome, me dá um dinheiro." E eu não gosto de dar dinheiro assim não, raras vezes eu dou, já dei, não vou mentir que nunca dei, já dei, muitas vezes odeio na verdade.
E essa mentirinha? "Puta, não tenho hoje." É, na verdade é quase que uma força de expressão, né?
É uma força de expressão, é, mas temos que cuidar para não normatizar a mentirinha, aí entra naquilo que você falou. Aí eu virei para ele e falei assim: "Olha, meu amigo, dinheiro eu não dou." "Mas você também não vai ficar com fome. Vamos procurar um restaurante aqui, eu vou pagar um prato de comida para você." Ele falou assim: "Mas olha, não tem restaurante aberto aqui, hoje é sábado." E realmente já era sábado, 4 horas da tarde.
Na Igreja Adventista, no sábado, tem um culto para jovens na parte da tarde do sábado. Realmente sábado, no bairro de Belo Horizonte, na Concórdia, não ia ter. Aí eu falei: "Puxa vida, é verdade, onde é que eu vou achar um restaurante para você comer aqui agora?" Mas tinha um "Eu tenho uma mercearia na porta da igreja." Eu falei: "Não tem problema não. Você tá precisando de comida? Comida você vai ter." Ele falou: "Eu tô desempregado, minha família tá assim, assim..." Eu falei: "Então nós vamos fazer a comida pra sua família." Eu fui com ele lá, peguei o carrinho do supermercado e comecei a comprar.
Fiz uma senhora compra pra ele. Não tô falando isso pra me exibir não, é só pra ilustrar. Botei tudo ali, tudo, tudo, tudo, tudo. Fiz uma compra, até nem vi o tempo passando. E os irmãos da igreja começaram a chegar e viram guardador lá fazendo compras na mercearia, um guardador do sábado, um Adventista do Sétimo Dia. Depois que eu passei a compra, ele agradeceu demais. Depois eu passei o endereço dele para o pessoal da ADRA, que é uma agência para ajudá-lo e tudo mais e tal.
Aí eu entrei na igreja e eu vi que muitos estavam assim até sem graça pela situação. Eu falei: vocês estavam assustados por ver um Adventista do Sétimo que diz guardar o sábado fazendo compras ali. Na época não era ainda tão conhecido como hoje, mas muita gente levava visitas para me assistir, tudo. E as visitas ficavam confusas. Você falou que tem que guardar o sábado, mas eu vi o próprio pregador de vocês comprando. Falei: meus irmãos, aqui nós estávamos numa situação excepcional.
Naquele momento, guardar o sábado era pecado. Transgredir, entre aspas, estou colocando entre aspas, o sábado, para mim ali era cumprir o mandamento. E eu não estava fazendo nada diferente do que Jesus falou quando respondeu a questão do sábado para os fariseus. Vocês se lembram o que fez Davi quando ele e os seus homens entraram no santuário e comeram o pão que só é permitido ao sacerdote comer? Legalmente Davi estava errado, porque realmente aquele pão do santuário só o sacerdote podia não pode comer.
Mas Davi tava com fome, os seus pães, seus servos. O que que o sacerdote fez? Elezé foi lá, pegou o pão, falou: coma. Então há situações na história. Agora, é diferente de, com base nesse episódio da Concórdia em Belo Horizonte, eu não tô ligando vocês, tô falando eu enquanto adventista, já seria incoerente eu não me programar e resolver no sábado sábado fazer a compra lá de casa só porque durante a semana não me programei. Aí você pode falar: "Rodrigo, você está sendo incoerente, porque você falou que guarda o sábado, mas eu estou vendo você no sábado fazendo compra, lavando seu carro.
Você não falou que guarda o sábado?" É diferente daquela situação. Com isso eu respondo a sua pergunta sobre a mentira. Tevemos que cuidar que situações excepcionais são excepcionais, ou seja, elas não acontecem toda terça-feira, 10 horas A) São excepcionais, têm um caráter excepcional. E letra B) Eu só estou liberado para descumprir a lei de Deus quando o amor ao próximo está em jogo. Aí eu vou realmente falar que não tem ninguém aqui em casa enquanto eu estou escondendo 4 judeus no meu sótão.
Faz sentido, cara. Cara, a gente tá aqui então no momento onde, meus, cara, era bom de filho naquela época, né? Não tinha televisão, não tinha televisão, né, cara? Não tinha uma criança atrás da outra, né? Meu Deus do céu! Se bem que você é bom também, né, Kaique? Eu tô com 2 só, mas foi seguidinho, né? Foi seguido, seguidíssimo, né?
Estamos numa fase difícil ainda, mas tá ficando melhor cada dia, cara.
Mas era, acho que filho é difícil mesmo, né? Não é fácil. Eu tenho 2.
O Jacó, pelo que tá aqui no nosso roteiro, tem 13 filhos.
Isso se não houver mais meninas que não foram mencionadas no texto bíblico. Falo da Dinah assim, en passant, né?
É verdade.
Mas se você pegar na história, como o Rodrigo tinha mencionado, né, ele tinha as duas esposas, né?
Aqui só estão os homens, né? Só estão os homens.
Pode ser que havia outras meninas.
Olha só, só são os homens que estão mencionados.
Ah, então ele tem muito mais.
A Dinah apareceu assim. Raquel tangenciada.
Caraca, cara, olha só, então tem muito mais. Que loucura! Porque aquilo, ele tinha as esposas e tinha as servas, então ele tinha muito.
Não dá para fazer um filho em menos de 9 meses, mas dá para fazer 2 em 9 meses, né? Se tiver 2 esposas. Então ele teve Dalia, Rubem, Simeão, Levi, Judá e Sacares e Bulom. E de Raquel ele teve José e Benjamim, que eram os mais amados, né? E aí de Bila, que era uma serva de Zebriel teve Dan e Naftali, de Zilpah ele teve Gade e Asser, só que ele tinha um favoritinho que era o José dele. E aí o Jacó dá uma túnica especial para o José, aí José teve aquele sonho dos irmãos se prostrando e a gente entra no podcast José, passa 6 horas agora e volta para cá.
Exatamente.
Que aí tem a história de José.
Gente, assista. Assistam, vale a pena. Esse José foi, nossa, foi um dos mais legais. Se você não assistiu, assiste. Se assistiu, assiste de novo e deixe seu comentário.
Dá para fazer um super, super compilado de 30 segundos. Então Jacó já tá um pouco mais velho aqui, não tanto ainda, mas já tá mais velho, já tinha bastante filho. José era o filho favorito dele. José teve aquele sonho de que os irmãos iriam se prostrar. Os irmãos ficaram enciumados, venderam o irmão. Isso, isso. Venderam o irmão como escravo, né? E aí ele foi para o Egito, lá ele passou por uma série de percalços que duram quase 6 horas, um podcast que a gente gravou.
E aí ele vai ascendendo, né? É um cara que mantém a fé, vai ascendendo. Imagina, ele viveu com a injustiça dos irmãos, mas foi ascendendo e virou o braço direito do Faraó, grande administrador do Egito. Aí o mundo passa por uma grande fome, e nessa grande fome que o Egito tinha estocado sementes, vêm pessoas ao redor do mundo inteiro para poder entregar ouro, prato, tudo que eles tinham, em troca de comida, sementes e algumas outras coisas.
E algumas dessas pessoas que vêm, né, o José reconhece na época, e que são os familiares dele, são alguns dos irmãos. Aí tem um enredo de vai e vem ali, até que de repente ele fica diante dos irmãos, e aí depois ele tem um encontro com Jacó, né, mais para frente. E aí, Rodrigo, quando ele tem esse encontro com Jacó, como que é finalizada a história de Jacó?
Pois é.
E qual que é a grande mensagem da história de Jacó?
A história de Jacó, e diz que Jacó viveu ainda com seus filhos ali, viu? Tanto é que é interessante, na hora de abençoar os filhos, ele pegou os dois filhos de José e os abençoei, e eles viram duas tribos.
Sim.
E Manassés perdeu, né? Rubem perdeu, e era o primogênito. Aí vira Manassés e Efraim. E ele até coloca, e de novo, que na hora da bênção ele dá a bênção errada. Aí eles querem corrigir, ele falou: não é assim mesmo. Ele abençoa o mais moço. Você vê que a coisa, mesmo com as terapias de Deus, com as curas de Deus, há traumas que você cura, há traumas que você supera, há traumas que você convive com eles. A coisa ficou até ali.
Só dá uma ênfase também no fato de que Jacó, que fez tudo que ele fez na vida, ele vive como se tivesse perdido o seu filho mais precioso, né?
Com certeza, que a maior parte da época José esteve longe dele. Quando ele foi rei, é uma coisa interessante, teve um salto aí, porque imagina, hoje eu tô amando a Sarinha, tô curtindo mesmo a paternidade. Nossa, é muito curioso, mas como é que você pode amar uma bolinha de carne desse tamanho assim que depende de você.
E caga a cada 3 horas?
É, exatamente.
A minha é uma bomba atômica, velho. Um dia eu peguei lá, cara, eu fui limpar ela.
Lavar as costas todas?
Não, começando, né? Aí, cara, eu peguei a fralda dela, eu falei: "Não é possível que ela fez isso." Então eu peguei a fralda assim, não é que tava cocô, ela tava tipo como se fosse se eu tivesse enchido de água a fralda, ela tava assim transbordando de cocô. Cara, eu falei: "Como que eu limpo isso nela, né, cara?" Aí eu fui limpando, tal, limpei. Aí eu botei a roupinha, aí veio a Sofia, a Maíra, lá no quarto. Aí falou assim: "Você limpou direitinho?" Eu falei: "Limpei, amor." Aí ela olhou: "O que é isso no pescoço dela então?" Ela de roupa, tava no pescoço dela, tava com um rastro de cocô, velho.
É normal, o bebê explode, né?
Explode.
Eu bebei, explodiu, cara. E a gente ama. Agora imagina que agora essa criança ali é tirada e você vai reencontrar com ela só quando ela tiver com 30 anos.
Aí é duro. Só que você passa a vida vivendo como se ela tivesse aqui.
Fica escurrido, mesmo que tenha a felicidade de reencontrar, de saber que foi apenas um susto, mas você perdeu tantas etapas. Você viu de luto, pô, você viu de luto, não tem nada. Eu perdi etapas que não voltam. Então Jacó teve isso. Então algumas lições que eu aprendo de Jacó. Letra A: Deus é um grande especialista em reciclagem. A vida de Jacó é uma constante reciclagem de erros que Deus vai tornando em bênçãos. Até o erro dos filhos de Jacó virou uma bênção para o Egito, que salvou o Egito e Canaã.
Olha que interessante, talvez se não fossem os José no Egito, o Egito teria desaparecido como civilização e teria afetado todo mundo lá. É mais ou menos como hoje, você sabe que apesar, você pode ter qualquer opinião sua sobre China e Estados Unidos, de amor ou ódio. Mas se essas duas potências colapsarem hoje, até os negócios daqui vão ficar afetados. Não é por aí? Se o Egito colapsasse, ia afetar toda a região de Canaã. Então você vê que José salvou o Egito.
Então outra coisa que eu aprendo: ainda que alguém te jogue no buraco, tá dentro da parte da reciclagem, a caravana de Deus tá a caminho.
Mas foi José, né?
Foi José. E Deus tá ali. Outra coisa que eu aprendo de Jacó: Deus vai— se você deixar Deus salvar você, ele vai salvar você, nem que para isso ele precise machucar você. Porque Jacó continuou mancando depois do encontro com o anjo. Aliás, em razão disso que alguma linha do judaísmo não come hoje o nervo da coxa de alguns animais, por causa Jacó, porque o Jacó foi ferido ali, né? Então ele continuou sequelado. É como assim, eu vou te curar, mas você vai manter essa cicatriz aí para você lembrar.
Outra coisa que eu aprendo da história de Jacó: você pode até nascer como o enganador, mas você pode, não precisa terminar como enganador. Você pode nascer como Jacó, mas terminar como Israel. Outra coisa que eu aprendo da história de Jacó é tendência não é determinismo. Eu encontro várias tendências aqui do engano, do passar a perna do outro, de enganar e ser enganado. Mas não precisa ser assim. José não enganou. E a última coisa que eu aprendo, aliás, a penúltima coisa de Jacó, a última vai vir daqui a pouquinho.
Você perguntou em determinado momento, cara, eu vi a história de José, onde é que José errou? José Ele errou.
E embora hoje o José não seja o tema, eu só vejo uma possibilidade, mas vamos ver.
Eu vou falar de pelo menos 3 erros de José.
3? 3 erros de José. Aí eu tô curioso, então.
E por que que eu vou falar? Porque tem a ver com Jacó. O primeiro erro de José, ele não foi sábio para lidar com o preferencialismo do pai.
Perfeito, esse é o erro que eu imagino.
Você entendeu? Ele pegou a roupa, ele ficou exibindo para os irmãos, foi contar a história.
Fala do sonho, vocês vão tudo se prostrar para mim.
O segundo erro dele, porque nem todos os erros são morais.
Faltou sabedoria.
Faltou sabedoria. Segundo erro dele, naquele momento que ele ainda não tinha se revelado para os irmãos, ele arriscou a própria saúde e a vida do pai, porque ele já sabia que o pai estava idoso, de luto, e ele ainda força que os irmãos tragam Benjamin.
Verdade.
E o irmão fala assim: "Não, se a gente trouxer, o meu pai vai morrer. Não quero nem saber, eu quero Benjamin aqui." Ele arriscou, ele foi até o extremo ali. Eu não faria uma coisa dessa.
Ele deu uma abusadinha. Deu uma abusadinha. Esticou a corda. Ele esticou a corda ali.
Ele teve um lado humano, por mais que ele perdoou os irmãos, reconciliou, ele teve um momento ali de: "Vou mastigar um pouquinho aqui em banho-maria." E terceiro erro de José que inclui o Jacó. Deus começa toda essa história com o chamado de Abraão para lagar a terra e ir para a terra da promessa e ali se estabelecer. E José no final... "Já tá bom." Talvez incentivado pelo faraó, pela: "Traz seu pai para cá, não vai embora daqui não." Porque veja bem, o Labão não queria abrir mão do Jacó.
Olha de novo, outro padrão. Por que o Labão não queria abrir a mão de Jacó? Porque Jacó era o cara que trazia dinheiro para ele. O faraó também não queria abrir mão de José e José podia ter ido embora do Egito, ele não era um escravo mais.
E provavelmente, pelo José pedir para Jacó ficar lá e ele estava tão emocionado, ele falou assim: "Pô, se meu filho favorito pediu para eu ficar, eu vou ficar." Exatamente.
Vamos supor que eu fosse seu irmão e eu tô morando lá em Vitória, no Espírito Santo. Aí você fala assim: "Ó Rodrigo, puxa, cara, eu quero ser perto aqui, eu quero que a Heloai e que a Sofia cresçam com o tio perto e tudo mais. Cara, muda aqui para Alphaville, eu vou te ajudar e tudo mais." Aí eu pego e largo o Espírito Santo e venho ficar para cá, mas não porque seria meu interesse, é mais interesse seu. Você tá entendendo? Eu queria tanto que os meus sogros morassem ali no meu condomínio, que eles moram em Belo Horizonte, "É bom ter a presença deles ali para ajudar a criar minha filha." Então o José: "Eu não posso deixar o Egito, o Faraó vai ficar chato trabalhando para ele aqui e tudo mais, mas o Faraó tá fazendo um convite, pai, você não quer vir morar aqui não?" Aí esse último erro eu ponho a metade em cada conta.
Não, e um baita erro, né?
Um baita erro. Aí Jacó vem com os filhos dele todo, começam a residir no Egito, sendo que o lugar deles era em Canaã, eles já tinham adquirido terras Canaã. Havia propriedade de Jacó, de Abraão, Isaac e Jacó ali, tinha terras enormes em Canaã. Eles praticamente abandonam as terras deles em Canaã para ficar no Egito, para depois de algumas gerações virar escravo do Egito e só sair de lá por mão de Moisés para recuperar a terra de Canaã.
Mas é, por um lado ele salvou o povo dele, mas por outro ele também escravizou o povo dele.
Foi isso que o povo virou escravo do Egito. Então o êxodo hoje Foi por causa do erro de Jacó e de José, cara.
Mas isso aí para mim é um erro clássico de visão de curto prazo. Porque o longo prazo ia ser mais difícil, ele ia ter que recomeçar tudo, mas ele ia recomeçar tudo no lugar certo. Ia ser mais difícil, mas como o mundo estava passando fome, Egito era abundante, ele era um cara poderoso. "Vem todo mundo para cá, gente.
Está tudo confortável por aqui." E sabe qual a leitura bíblica de tudo isso, para terminar o último elemento? Na cultura deles é o seguinte: se Deus permitiu, Deus fez. A gente separa aquilo que Deus permite do que Deus faz diretamente. Mas na cultura deles misturavam. Tanto é que quando Daniel vai escrever sobre o ataque do rei Nabucodonosor, a gente já fez Daniel aqui, né? Daniel falou o seguinte: "No terceiro ano do reinado de Joaquim, veio Nabucodonosor, rei da Babilônia, a Jerusalém.
O Senhor lhe entregou nas mãos a Joaquim, rei de Judá e tudo mais." O José também, quando ele vai falar com os irmãos, ele fala o seguinte: "O Senhor permitiu que vocês me fizessem esse mal." Então havia uma noção muito grande da soberania de Deus na história, a despeito de. Então Deus viu que Jacó errou, que José errou, mas isso aqui está a magia, o milagre, o inexplicável da providência divina. Deus consegue tirar bênçãos até daquilo que originalmente ele não desejava.
Ele estava, Deus consegue transformar até os erros humanos em bênçãos. Deus permite que o erro aconteça, Deus não intervém em todos os erros, e ele tira depois uma bênção, tira depois uma lição. E essa lição às vezes é tirada em meio à luta. Eu já passei pela angústia de lutar com Deus algumas noites, como Jacó. Não aquela mesma angústia de Jacó que profetizou Jeremias, que é mais reservada ao tempo da grande tribulação, mas uma angústia de Jacó pessoal.
E o que eu deixo para vocês de finalização, de lição assim dessa história, é isso: Deus continuará sendo seu Deus, quer ele te dê fartura, quer ele te dê primogenitura, quer ele machuque a sua perna e lute com você e te deixe sequelado. Deus é Deus. Deus, você vai prevalecer, porque Deus está lutando com você, porque ele está treinando você como um grande guerreiro para a luta do bem contra o mal. E guerra não se vence jogando carta, você tem que treinar o exército em situação realmente de batalha.
Qual o próximo personagem bíblico que a gente tem que falar, hein? A gente nem tinha se ligado que a gente não tinha falado de Jacó. Eu pensei que tinha, porque a gente entrou É, de quase 4 horas aqui de conversa de muita qualidade. Deixa aqui nos comentários qual o próximo episódio.
A gente já fez sobre Paulo, a gente fez mais recente, né, Caí? Fez, fez, né? Gente, a gente tem que nos ajudar porque a gente tá esquecendo quais os personagens.
Deve fazer o quê, sei lá, 5 anos que a gente grava, né, personagens assim.
Eu já te fiz uma proposta que você ainda me enrolou.
Maria?
Não, Maria, uma delas, mas não só isso. Pegar vários desse episódio episódios e a gente transformar em livro. Ah, sim, vocês querem pegar isso? Gente, coloca aí nos comentários, a gente quer um livro que vão ser todos nós aqui como coautores. A gente pega tudo isso, transforma em texto, o nosso bate-papo aqui, e você pode ter um livro, os melhores personagens da Bíblia Sagrada.
Cara, olha só, se você gostou, coloca nos comentários aí. Grande abraço, até a próxima e tchau!
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