PrimoCast 534 | A HISTÓRIA DE ISAQUE: O FILHO DA PROMESSA (Com Rodrigo Silva)
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No PrimoCast de hoje recebemos Rodrigo Silva, arqueólogo, teólogo e filósofo, para mergulhar na história de Isaque.
O filho que nasceu quando seus pais já não acreditavam mais que seria possível. O menino que foi colocado sobre um altar pelo próprio pai. O homem que herdou uma promessa gigantesca, enfrentou a infertilidade, repetiu erros da geração anterior, prosperou em meio à fome e viu sua própria casa ser dividida pelo favoritismo e pelo engano.
Isaque costuma ser lembrado como o filho de Abraão e o pai de Jacó. Mas o que aconteceu com o homem que viveu entre essas duas histórias?
Host: Thiago Nigro @thiago.nigro
Convidado: Rodrigo Silva @rodrigosilvaarqueologia
Time do Primo: Lucão @lucaszafraa
Sua marca no PrimoCast: publicidade@timeprimo.com
- O sacrifício de Isaque no Monte Moriá e seu significadoDeus pede o sacrifício de Isaque·Abraão não questiona o pedido·Deus providencia um cordeiro
- A promessa de Deus a Abraão e o nascimento de IsaqueAbraão e Sara riem da promessa·Ismael nasce antes de Isaque·Isaque significa riso
- A riqueza de Isaque e a demonização da prosperidadeIsaque prospera em meio à fome·Inveja e roubo de poços·Equilíbrio entre riqueza e fé
- A expulsão de Ismael e a questão da primogenituraSara exige a saída de Agar e Ismael·Ismael zomba de Isaque·Deus promete cuidar de Ismael
- A busca por uma esposa para Isaque e a importância do legadoAbraão busca esposa para Isaque·Rebeca é escolhida por sinal·Preocupação com a fé e cultura
- A infertilidade de Rebeca e o nascimento de Esaú e JacóIsaque ora por Rebeca estéril·Rebeca engravida de gêmeos·Conflito entre Esaú e Jacó
Tá conhecendo o PrimoCast, podcast oficial do Grupo Primo? E no episódio de hoje a gente vai mergulhar na história de Isaac. Isaac é o filho que nasceu quando seus pais já não acreditavam mais que seria possível. E o menino foi, né, o menino que foi colocado sobre um altar pelo próprio pai para ser sacrificado. Loucura, né? Parece uma loucura. Você colocaria o seu filho, sua filha para ser sacrificado? Você teria essa coragem?
Falamos isso no episódio de Abraão, falamos sobre isso, cara. E ele é o homem que herdou uma promessa gigantesca, ele enfrentou infertilidade, ele repetiu erros da geração anterior, ele prosperou em meio à fome, ele viu a própria casa ser dividida pelo favoritismo e também pelo engano. É, o Isaac, ele costuma ser lembrado como o filho de Abraão e o pai de Jacó. Mas o que aconteceu com o homem que viveu entre essas duas histórias, né, entre Abraão e Jacó? Tem um grande prelúdio.
Dá para a gente dizer que eu entendo que essa história em si a gente encara como uma continuação, mas quando a gente lê a Bíblia a gente pode encarar as histórias como um, não só cronologicamente, né, mas é uma continuação, os fatos têm impacto um no outro.
Demais, demais. Inclusive aqui a gente tem um fato que a gente pode entrar talvez até no quesito psicológico da coisa, onde tem uma repetição de padrões que você vê que o pai repetiu. Ele tem impactos, por exemplo, nos negócios que começaram no pai, que cavava os poços, ele continua os negócios. Tem até o legado espiritual, que o pai recebeu uma promessa e ele continua essa promessa, né? Você tem na minha visão, talvez pecados que foram passados também adiante, como não sei se punições ou seja lá o que for.
Vamos discutir hoje sobre todos os assuntos, mas com certeza hoje eu diria que tudo é uma grande única história, né, com vários capítulos, mas você pode olhar para ela de uma forma isolada também. Esse é o ponto de vista, mas vamos perguntar hoje para o nosso convidado, que assim, é, porra, chamar de convidado é até pejorativo, sabe por quê? Sabe onde eu vejo que a gente tá muito legal, a gente já se gosta muito? Porque a gente chega se cumprimenta e começa a brigar.
É verdade, o cara tava aqui, você não me responde, não sei o quê.
Tá muito na intimidade, né?
Aí tipo, vixe.
Aí é muita intimidade, aí se amam de verdade, é isso, né?
É, exatamente.
Você não conhece alguém, você chega, você vai ficar todo, opa, boa tarde, tudo bem, tudo bem, como você tá e tal.
Aí quando é em casa, quando os cara começa a lavar roupa suja, você fala, vixe Maria. Aí foi ver meu filho, os cara já tipo, meu Deus, não me responde há um mês.
E para isso estamos aqui com o nosso grande amigo Rodrigo Silva. Que é arqueólogo, doutor em teologia bíblica e diretor do MAB, é o Museu de Arqueologia Bíblica. Seja muito bem-vindo, Rodrigo.
Olha, eu me sinto muito bem-vindo aqui na casa. E bom, pelo menos a gente tá, a gente quebra o pau aqui, mas é sempre como amigo, e nada que eu preciso chamar o outro de Vossa Excelência.
É verdade, né?
Enquanto eu não preciso chamar ninguém de Vossa Excelência, tá tudo bem, né? Tá tudo bem. Aproveitando o ensejo, já que o pessoal não vê tudo que acontece nos bastidores, Eu tô muito feliz por algumas coincidências, ou quem acredita em Deus até chama isso de jesuicidência, né? Hoje eu conheci pessoalmente, que eu só conversava por WhatsApp, né, o Marcial, que é editor executivo da Citadel, que publica alguns livros seus aí também.
E hoje ele me trouxe um presente que eu falei, olha, tem tudo a ver com o assunto que nós vamos conversar. Eu escrevi um livro sobre o legado, tá aqui, olha, e você já pegou até o seu aqui, olha. Depois deixar mais uma aqui.
Não lançou ainda, Rodrigo, a gente tá de primeira mão.
Eu acabei de pegar esse livro uns 40 minutos, talvez uns 40 minutos antes da gente entrar aqui para o estúdio. Eu peguei pela primeira vez e é o seguinte, lembra que algumas coisas aqui, pessoal, deixa eu falar que a culpa é do Thiago, inclusive essa aliança com a Citadel, porque ele indicou. Maciel, a gente conversou, fez um grupo de WhatsApp Depois ele caiu fora do WhatsApp, ele não tá no grupo. Eu continuei e o resultado tá aqui.
E outra coisa também que eu aprendi com o Thiago é a dar palestras também, que você me indicou para o pessoal da Polo. E eu comecei a fazer palestra sobre legado. E sempre que eu falava nas empresas sobre legado, o pessoal: escuta, não tem um livro sobre isso? E eu falo assim: olha, calma que tá saindo, calma que tá saindo. Pessoal: quando? Agora então já tem aqui, O Legado Muito Além de Não Ser Esquecido. E qual a relação desse livro com o que a gente vai falar?
Bom, Isaac é um caso de legado. Você falou aí, né, passou do pai para o filho. E qual que é o legado que você tá deixando? É, Marcel, muito obrigado pela confiança da Cidadela, viu? Eu sei que, pessoal, como é que eu posso adquirir? Todas as livrarias do Brasil, né?
Tudo aí na Amazon. Podemos deixar um link da Amazon aqui? Perfeito.
Vamos deixar. Então fechou aí, esse é de vocês.
Vocês vão na descrição aqui.
Eu assassino com a minha letra, cara.
Você vê que antes o Rodrigo, muito bom, É isso aí. O Rodrigo, eu não sei se você lembra, quando ele trazia um livro pra gente, ele já trazia assinado.
Ah, com dedicatório.
Agora acho que, né, o negócio, lembra a questão de vai acostumando, dá dinheiro mas não dá intimidade, né?
Entregou agora, tiramos do plástico aqui, a gente já entrou discutindo que o WhatsApp, e pronto, não seja por isso. Vamos fazer como o Kaique, Lucão e Thiago. Tá aqui, ó. Aí enquanto isso vocês vão entretendo o povo aí.
Vamos entreter. Não, sabe o que que é? A gente vai falar sobre Isaac hoje. Eu quero trazer aqui uma, como pode dizer, uma, um presente para as pessoas.
Ah, é um presente, uma parceria que eu acho que tinha que sair, uma parceria que tinha que sair, tá?
Para o episódio de hoje a gente preparou uma oferta especial. A gente entrar aqui no tema, a gente uniu duas grandes plataformas para ajudar você a evoluir em 3 áreas essenciais. Tecnologia, conhecimento e fé. Então a gente juntou o MyHub IA com a Bíblia comentada. Muito bom. É, com MyHub você vai ter acesso a mais de 11 ferramentas de inteligência artificial num só lugar, além de cursos, agente IA, lives, uma comunidade exclusiva.
Então sabe, você usar o GPT, usa o Cloud, usa o Gemini, cara, você tem tudo junto.
Vamos fazer um agente do Rodrigo lá para a galera discutir uns assuntos lá, entendeu?
Seria interessante.
Vamos pegar todos os vídeos do Rodrigo, jogar lá, e cara, é um agente para a galera discutir com ele.
Vamos fazer.
E já com a Bíblia comentada do Professor Rodrigo Silva, você mergulha no universo das escrituras sagradas com mais de 400 aulas, séries exclusivas e o acesso a uma comunidade completa. Então você garante assinatura anual das duas plataformas por só R$99,99, Lucão, por mês. Loucura, né? Então link na bio, QR code na tela, é só você ir lá e aproveita, faça investimento em você. Vamos lá, vamos começar a história de Isaque aqui. Eu separei em alguns blocos, Rodrigo, como eu geralmente separo, né?
Se eu não me engano, a história de Isaque começa em Gênesis 21, vai até Gênesis 26, alguma coisa assim, aí termina em 32.
Se a gente pegar a promessa, a primeira menção da promessa de um filho é Gênesis 17 e 18, que aí é quando Deus promete a Abraão que ele será, que ele será o pai de uma grande nação. Aí depois que você vai ter o nascimento de Isaac no capítulo 21.
Vamos começar no ground zero então, porque eu, eu, a promessa é na promessa. E me contextualiza um pouquinho esse momento da promessa e talvez traga também um pouco de um paralelo com hoje, porque hoje eu acho que quando a gente recebe uma promessa ou alguma coisa assim, isso parece tão distante, né? Conta pra gente como que foi esse momento da promessa.
Bom, pra galera recordar, e se você não assistiu ainda o episódio que a gente falou sobre Abraão, Eu vou convidar o pessoal para assistir o episódio de Abraão e vou retomar apenas um detalhe do que a gente conversou naquela época. Abraão estava na Mesopotâmia, cidade de Ur, que hoje seria o Iraque, perto do rio Tigre e Eufrates, ali perto do Golfo Pérsico. Ele recebeu um chamado de Deus. Na verdade, a princípio, o chamado parece ser para toda a família.
Terá, o pai dele, ele e seus irmãos: vai para uma terra que eu vou te mostrar. Eles saem dali da região de Ur, Iraque, vão para Padã-Aram, que seria hoje na Alguns colocam na Turquia, outros colocam esse sítio arqueológico na Síria, e depois ele desce para a Terra Prometida. E quando Abraão estava ali no capítulo 17, Deus faz uma aliança com Abraão da circuncisão. Falou: vocês agora vão circuncidar. Todos os judeus hoje devem ser circuncidados.
Os muçulmanos também circuncidam-se porque são descendentes de Abraão, aquela promessa. E lá Deus fala com ele: Abraão, Você vai dar à luz a um filho. Aí ele já dá uma risada. Guarda esse detalhe aqui. Abraão ri, está no capítulo 17, verso 17. Então Abraão se prostrou com o rosto em terra e riu, dizendo consigo mesmo: pode nascer um filho de um homem de 100 anos? Então olha que interessante, até 100 anos Abraão não tinha filhos, né?
E aqui era uma coisa muito complicada. Ele já nasceu com 70 anos de lá. Porque na época que Abraão estava aqui, qual que era a grande glória de um homem além de posses? Filhos. Eles eram nômades. Então, nômade, quanto mais pessoas você tiver no seu clã, mais protegido você está. Por isso que havia poligamia, porque se eu tenho uma mulher, eu tenho a chance de ter 4 filhos com ela. Havia muita mortalidade infantil. Se eu tenho 2 mulheres, essa chance dobra.
Se eu tenho 4 mulheres, aí que vem as ideias dos haréns, os reis que tinham várias mulheres. Quanto mais filhos você tiver, melhor. Abraão não tinha filhos. Ele tentou várias estratégias, tentou fazer um filho com Agar, com a— depois também o Eleazar, o servo dele. Mas Deus falou: vai ser um filho que eu vou dar para você. Quando você vai para o capítulo 18, Abraão estava de novo numa tenda, no calor do dia, nômade, quando vem 3 homens andando de longe.
Abraão reconhece pelos trajes que eram dignatários. E já vou dar um spoiler para vocês: um daqueles homens se revela como sendo o próprio Deus. O próprio Deus. Eles vêm, chegam a Abraão. Abraão manda preparar uma comida e dá para eles, que era prática do deserto. Isso era a hospitalidade, uma coisa muito séria. Você chega, eu tenho que dar a comida para você. Abraão colocou a comida, se afastou, e um daqueles homens, que era o próprio Deus, falou com Abraão assim: Abraão, Você vai ter um filho seu.
Sara, dentro da tenda, riu. De novo, Abraão riu lá atrás, Sara riu aqui. E antes de prosseguir, deixa eu contar uma experiência que eu passei com a Laura, é muito parecida com essa de Abraão, porque quando você tá com os beduínos do deserto, seja deserto de Israel, deserto do Sudão, deserto do Egito ou da Jordânia, ou da Síria. Os beduínos, eles têm até hoje práticas milenares que remontam à época patriarcal, a época do período do bronze.
É interessante, eles congelaram no tempo alguns, alguns usos e costumes. Por exemplo, beduíno até hoje ele mora em tendas. Tem alguns que moram em casa de lata, casa de lata, mas a maioria mora em tendas, mais ou menos parecido com os nossos ciganos. Cigano não tem nada a ver com beduíno, mas só para fazer uma comparação. Eu lembro que eu conversei com beduíno uma vez Ele falou comigo que ele nunca dormiu, é só uma vez na vida que ele foi para um hotel e ele dormiu com um teto na cabeça.
Ele disse que não conseguiu dormir naquela noite, ele ficava com medo do teto cair na cabeça dele. Ele passou a vida toda dormindo em tendas. É muito interessante ver, eles comem com a mão. E tinha um beduíno da descida de Jerusalém para Jericó, que eu já tinha ido naquela tribo ali, eu os conhecia, E ele sempre mandava preparar alguma coisa pra gente comer, chá. E um dia eu fui com a Laura e algumas coisas interessantes aconteceram.
Primeiro, pelo fato da Laura estar presente, ele só deixou a comida e saiu. Ele não comeu junto comigo porque a Laura estava junto. E outra coisa que chamou atenção é que a Laura viu assim do, do, da, da, eles estavam em casa de lata. A Laura via assim abrindo uma cortinazinha, umas mulheres rindo, e escondia, olhava e escondia, e tirando foto com celular. Aí a Laura achou interessante porque lembrou Sara, a curiosidade. Ela, as mulheres não vinham para receber os convidados, mas ficavam rindo ali, prestando atenção em tudo que tava acontecendo, igual Sara.
Sara também ficou num canto da tenda vendo o Abrão conversar com aqueles homens, começou a rir.
Eles escutaram.
Ele falou assim: por que que você tá rindo? Ela falou: não, eu não ri, não. Você riu sim, pois tenha certeza que Deus vai te trazer um filho. Por quê? E olha o que que eles falam aqui, capítulo 18, versículo 15: então Sara teve medo e negou. Ela disse: eu não ri. Ele, porém, disse: não é verdade, é certo que você riu. Mas ele falou assim: olha, eu vou ler o verso anterior, verso 14: por acaso existe algo demasiadamente difícil para o Senhor?
Daqui algum, daqui um ano, nesse mesmo tempo, voltarei a você e Sara terá um filho. Aí a gente vai pular porque vai acontecer várias coisas aqui, a destruição de Sodoma e Gomorra, etc. Nós estudamos isso com Abraão até que no capítulo 21 vem o nascimento de Isaac. Que a gente aprende dessa primeira, dessa primeira questão da promessa? Promessa é diferente de circunstância. Quando Deus promete, ele cumpre, não pela circunstância, mas muitas vezes a despeito dela.
Essa é a primeira lição teológica do nascimento de Isaac: promessa, no caso divino, independe da circunstância. E no Oriente Médio também, aliás, antes de você pegar a palavra, no Oriente Médio também isso é muito forte, porque Diferente do Ocidente, em que as pessoas não cumprem palavra, a palavra de um oriental é coisa muito séria. Você deu a palavra, acabou. Você entendeu? Por exemplo, eu lembro de um rapaz que ele era muito apaixonado por uma menina no Egito, só que o pai da menina foi para o Iêmen trabalhar e deixou o tio encarregado de negociar o dote, e a família dele não tinha todo o dinheiro do dote.
Aí ele ficou triste que eu tinha falado, então não vai ter casamento. E eu, quando ele me contou isso chorando, desabafando, um egípcio, eu falei assim, rapaz, mas você precisa da autorização da família dela para casar com ela?
Claro.
Olha a cabeça ocidental, né? Não, mas casa-se, se amam, qual o problema? Você fez nada errado. Falei assim, não, mas eu fiz uma promessa para o pai dela que eu ia tentar o dote. Como eu não consegui, eu não posso fazer isso, eu não cumpri. Então, na cabeça deles, a promessa não é algo que está condicionado à circunstância. Nós no Ocidente a gente dá promessa com circunstância. Você vende um negócio para o cara, pô, ah, cara, eu vou desistir do negócio porque apertou aqui em casa.
Não existe isso na cultura do Oriente Médio. Promessa independe da circunstância, cara.
Olha só. E aí, ó, antes de Isaque nascer, Abraão e Sara, então, eles passaram décadas esperando pelo filho prometido, né? Na história que o Rodrigo acabou de contar, Abraão tinha 100 anos, Sara tinha 90 anos, e humanamente a promessa parecia impossível. E já já eu quero que você fale um pouquinho mais sobre as idades, que até hoje é algo complexo de entender, na minha visão. Uma mulher de 90 anos realmente assim difícil, né, essas coisas.
E no passado você tinha um pouco dessas idades que eram muito mais avançadas, 130 anos, etc. Hoje não conheço ninguém de 130 anos, e antes era meio que comum, né. E aí diz, né, o Senhor foi bondoso com Sara como lhe dissera e fez por ela o que prometera. Então aqui Deus cumpriu sua promessa. O menino recebeu o nome de Isaque, significa riso, é, de alguma forma. E aí diz: Deus me encheu de riso e todos que souberem disso rirão comigo.
Aqui em Gênesis 21:6. Só que Isaque não era o primeiro filho de Abraão, isso é importante. Ismael, filho de Abraão com Agar, igual Rodrigo mencionou, tinha nascido 14 anos antes. E aí eu vejo que aqui foi uma cagada, né, de Abraão ali, de alguma forma. E com a chegada de Isaque começa uma disputa familiar, né? Quem seria o verdadeiro herdeiro de Abraão? É porque imagina, né, o primeiro herdeiro é o primogênito, né? Só que aqui começa uma discussão até teológica, né, Rodrigo?
Assim, de quem é realmente o herdeiro entre o legal e o real. Exato, que eu quero que você daqui a pouco aprofunda. E aí Isaque, ele passou a ocupar então o centro dessa aliança. Seguindo a ordem dada por Deus, e ele recebeu o sinal dele. Quando o filho Isaac tinha 8 dias de idade, isso é Gênesis 21:4, Abraão circuncidou ele conforme Deus lhe havia ordenado. Então queria que você trouxesse um pouco aqui de, cara, tem uma grande dúvida teológica até, porque aqui você tem o primeiro filho que é o primogênito, porém há controvérsias.
Então você tem aqui o filho com Agar, que é o Ismael, e você tem o Isaac. E até o nome é parecido, às vezes você confunde, né?
Até pensei, né, por que que o Ismael, que não ficou responsável por levar o legado aí, né?
Pô, já tava aí. Já que ele é o primogênito, já que ele é o mais velho, e no passado essa tradição era muito importante, né? Por que que Isaac, ele legalmente, né, enfim, Por que que ele foi quem levou adiante a história e por que que existe essa discussão hoje até entre alguns povos e conflitos por causa desses dois, Rodrigo?
Bom, vamos começar até pelo próprio significado do nome de Isaac, que você falou aí, né? Tem um autor, o Kutsner, Ezequiel Kutsner, é um autor judeu. Ele escreveu nos anos 1960 um artigo muito interessante onde ele acha que o nome Isaac, que Isaac literalmente é o verbo rir na terceira pessoa do singular, ele riu. Itzak. Esse verbo vem da raiz tsahak, que eles pensam que é uma onomatopeia do riso. Por exemplo, a gente quando vai rir, você fala assim: aí ele contou a piada, o outro rachou o bico e kkkkkkk.
A gente faz a onomatopeia do riso, kkkkkkk. Ninguém ri assim, mas é uma maneira como nós reproduzimos o som do riso. Se fosse em espanhol, é jajajajaja. Em espanhol é jajaja, em inglês é laugh, laugh, laugh, laugh, e assim por diante. Nas línguas semíticas seria tsak, tsak, tsak, tsak. Então tsak, tsak, e tsak vem do verbo ele riu, e esse verbo pode vir da raiz que é monomatopeia para o riso. Mas tem uma ironia aqui: a criança recebeu esse nome foi de Abraão.
Normalmente quem dá o nome para o menino é a mulher. O Abraão deu, talvez uma reminiscência do fato que ele riu duvidando de Deus e Sara riu duvidando de Deus. E tanto a risada dele como a risada de Sara implicaram numa incredulidade, porque Deus falou: eu vou lhe dar um filho. Implicaram numa incredulidade que resultou numa ilegalidade. Que sentido a ilegalidade? É curioso que você pode pecar contra Deus cumprindo a lei.
Assim, com certeza.
E Deus quer a coisa do jeito dele. Quando eu obedeço a Deus, isso é resultado da graça. Quando eu obedeço a Deus do meu jeito, esse resultado do legalismo. É por isso que não são as obras que nos salvam, que tem muitas pessoas fazendo as obras, as obras boas, e vão se perder, porque não são as obras que salvam. Então, nesse aspecto, Por que que Deus falou assim: eu vou lhe dar um filho através de Sara, aguarde. Aí ele, para poder ajudar a Deus, usou um artifício legal que nós temos nos códigos sumerianos.
Nós falamos sobre isso quando discutimos sobre Abraão, que havia— que veja bem, lembra que eu falei com vocês que a glória do homem estava nas suas posses e no número de filhos que ele pudesse ter? Porque para uma vida de clã de deserto seria importante. Ok, imagina uma mulher que fosse estéril. E é curioso, na época, que a esterilidade nunca era considerada uma doença do homem, era sempre da mulher. É lógico que biologicamente falando eu sei que isso é uma estupidez, porque pode ser o homem que é infértil, uma mulher que é infértil, mas pela cultura da época quem não podia ter filhos sempre era a mulher.
Imagina quantas vezes que o marido que era infértil, o desespero que isso deu em vários capítulos da história. Então o homem, se a mulher não desse filhos para ele, ele podia abandoná-la, pegar, dar divórcio dela ou expô-la e devolver para o pai dela sem pagar nada, porque nem, nem o dote ele tinha que devolver. Abraão não dispôs a Sara porque ele a amava demais, mas legalmente ele podia se desfazer dela. Só que havia, por exemplo, nos tabletes de Nuzi um dispositivo legal caso o homem quisesse ter filhos e a mulher não pudesse lhe dar filhos e ele amasse demais para abandoná-la.
Qual era o dispositivo legal? Ele teria filhos com uma empregada, entre aspas, barriga de aluguel. Ele teria filhos com a empregada e o filho dele com a empregada seria considerado o filho dele com a esposa que ele não queria abrir mão. Tá bom, tá certo. Então até na hora de dar o parto teria todo um ritual que a mulher daria à luz e a outra estaria junto como se nascesse da minha esposa, mas nasceu. Isso tudo era normal, era normal, era tão normal como adotar uma criança hoje, tá?
Adotar uma criança é normal hoje, né? A barriga de aluguel, não sei até que ponto isso é legal, se não é legal, tem uma discussão ética nisso aí, né?
No Brasil isso não é, né?
Eu estou na dúvida. Depois o pessoal contribuiu, eu não sei se a barriga de aluguel no Brasil é legal, não é, mas há pessoas que fazem. Né, é banco de sêmen, sim, de fertilização. Tem toda uma questão de bioética nisso aí, mas existe. Então na época também existia. Então o que Abraão fez não foi nada fora dos padrões da legalidade da época. Mas veja, o que Deus falou não era que seria através de outra mulher, seria através de Sara.
Então Abraão se antecipou, e Deus não é Deus do jeitinho. Deus não é o Deus do jeitinho. A gente, nós somos do jeitinho. Deus falou o seguinte: olha, eu quero que você coloque aqui uma garrafa d'água com a tampa laranja. Ah, tá bom, Deus, mas por conveniência eu trago essa aqui, porque a de tampa laranja eu tinha que andar uns 4 km para conseguir. Essa aqui tem aqui embaixo, aí eu pego e coloco essa aqui. Aí chega aqui: cadê a garrafa?
Tá aqui, ó, como o senhor pediu. Não, eu pedi com a tampa, eu pedi água com gás. E com a tampa laranja. Deus não é daquele que aceita a obediência pela metade. Então, nesse aspecto, legalmente o Ismael era o primogênito, mas moralmente não. E aí tem uma distinção até que as pessoas que trabalham com direito acabam discutindo, a diferença entre o que é legal e o que é moral. Nem sempre o que é legal é justo.
Perfeitamente.
Nem sempre o que é legal é justo, cara. Aí às vezes tem determinadas questões judiciais que tá dentro da lei, mas não é justo.
Você entendeu? Muito, muito, muito, cara. Você falou um negócio aqui, eu tenho visto, eu gosto muito de ver debate, né? Eu gosto muito quando você participa dos debates. Eu me sinto, eu tô seguro, sabe assim?
Ele vai ganhar.
Minha pergunta é, você tá sem pé na cabeça. Ele fala, não, cara, é porque assim, lá os beduínos que eu conheci, cara, beleza. Eu tenho isso muito debate de várias, só que assim, na verdade, como uma brincadeira, mas um debate quase que para me provocar e eu aprender e tal. E tá sendo muito legal. Eu já te falei, eu gosto muito de ver debates entre ateus, teístas e tal. Eu tenho visto muito alguns debates sobre católicos, evangélicos.
E quando você falou que é a questão das obras, né, Os católicos, se eu não me engano, tem um ponto de vista diferente, né? Que assim, a gente tem um ponto de vista onde quando você tem um evangélico, ele acredita que as obras não salvam, né? Na verdade, a gente já foi salvo, né? Então basta o arrependimento, a fé, consequência da salvação. E para os católicos, não. Na verdade, é o contrário. Sem as obras você não alcançaria a salvação, né?
Por que que isso acontece assim? Qual que é esse ponto de vista? Que Bíblia que tá sendo lida? Dos livros adicionais que os católicos costumam seguir, aonde que tem escrito alguma referência sobre isso?
Na verdade, não, né? Isso nem tá nos livros adicionais lá, os deuterocanônicos, não. Se você olhar até Santo Agostinho de Hipona, interessante, você tá um autor católico, você lê, por exemplo, As Confissões de Santo Agostinho, ou mesmo alguns comentários que ele escreveu a livros da Bíblia, Santo Agostinho tinha já o gérmen da chamada justificação pela fé, que depois vai ser abraçada por um ex-monge agostiniano chamado Martinho Lutero, tá certo?
O problema— e então até eu vou até dizer para você que se eu olhar a doutrina pura católica, quando eu falo pura não é com nenhum mérito de valor, não, pura assim estritamente católica, você vai encontrar muitos paralelos do que Lutero falava já nos pais da igreja, nos autores medievais da Igreja Católica, tô citando Santo Agostinho de Hipona. O Santo Agostinho dava uma ênfase muito grande à graça. E tinha já na época de Santo Agostinho, olha que nem existia Lutero, Santo Agostinho tá no 4º século, tinha uma luta entre Agostinho e Pelágio, sabe?
O Pelágio foi um camarada, ó como é que o lado psicológico também vem para o debate, né? Eles nunca se encontraram. Mas foram os maiores opositores no debate. O Pelágio foi um camarada assim muito disciplinado, certinho na igreja, bonitinho, seguindo toda a vida sacramental, aquela coisa toda, sem nenhum desvio de conduta. Parece que o pecado nem atingia Pelágio. Então Pelágio dava uma ênfase muito grande à conduta, ao comportamento, às obras, aquela coisa toda.
E até a questão do pecado também, o pecado original, vai ter um debate deles se a gente herda o pecado de Adão, a culpa de Adão ou não, etc. Agostinho já tinha uma vida completamente às avessas. Agostinho foi promíscuo. Santo Agostinho, ele vivia em bordel. A Santa Ana, que é a Santa Mônica, perdão, corrigindo, que era a mãe de Santo Agostinho, passava a vida toda rezando por ele. Teve um filho chamado Adeodato. Santo Agostinho era um cara que um psicólogo ia ter muito trabalho com ele.
Quando ele se converte, que ele lembra de tudo que ele foi, ele falou que ele foi tomado pela graça de Deus. A graça o seduziu. E aí ele faz toda uma distinção da graça muito bonita. Eu acho que até hoje, mesmo dentre o mundo católico, protestante, evangélico, das várias sequências, eu acho que o problema dessa questão da justificação pela fé às vezes é o tom que você usa. Porque eu tenho que tomar cuidado também com aquilo que Dietrich Bonhoeffer, que era um teólogo alemão da época do nazismo, ele diz o seguinte: cuidado com o mito da graça barata.
A graça é de graça, mas não é barata. Cuidado com o mito da graça barata. E as obras não são um meio nem a causa da nossa salvação, mas o resultado dela. O Lutero também teve um pouquinho de dificuldade com isso aí. Tanto é que Lutero, quando ele lia Paulo e lia Tiago, ele chamava Tiago de epístola de palha. Quase que Tiago não entra nas Bíblias protestantes. E Lutero falou que ele daria o gorro de doutor em teologia dele para quem harmonizasse Tiago e Paulo.
Porque Paulo dá uma ênfase muito grande na graça e na fé, Tiago nas obras. Mas esse é um bom assunto para a gente discutir aqui também, tá bom? Então depois, e Abraão tá dentro dele, tá? Porque Abraão é o pai da fé.
É verdade. E aí que acontece é, né, assim, Ismael ele é expulso, Isaque acaba ficando com herança, né? Então durante a festa em que Isaque é desmamado, a Sara vê Ismael em uma atitude que algumas traduções descrevem como zombaria. Então, a Sara, porém, viu que o filho que Agar, egípcia, dera a Abraão estava rindo de Isaque. Ela exige que Abraão mande Agar e Ismael embora para que Ismael não compartilhe a herança de Isaque. Abraão fica profundamente angustiado, mas Deus diz que cuidarei de Ismael e farei dele uma grande nação.
Agar e o filho partem para o deserto. E aí é o que tá escrito, é por meio de Isaac que a sua descendência será considerada. Aí aqui tem muitas coisas, né? Primeiro que, imagina só, você tem um filho, você viveu 14 anos com filho, 14 anos, que é o Ismael. Aí nasce um outro filho, sim, o filho prometido por Deus. Esse cara, na boa, assim, você vai passar um pouco por isso. Eu tô passando alguns, alguns anos já Mas eu imagino como será 14 anos de desenvolvimento de relacionamento com um filho.
E aí imagina de repente que começa a ter um atrito e você se vê numa situação onde você precisa mandar o seu filho embora. Na verdade, ele não queria mandar embora, Deus que acabou. Quase que, olha, deixa isso acontecer que vai dar tudo certo, né? Eu vou cuidar dele. Mas deve ter sido uma situação muito difícil, que Abraão também amava Ismael. Exato, ele amava, foi fácil, era filho dele. E até então era o único filho que ele não poderia ter mais.
E detalhe, e quando Sara manda a gara embora, a mesma, os mesmos códigos de leis de núzio que falavam barriga de aluguel. Gente, barriga de aluguel não estão nos códigos, isso é uma maneira de até anacrônica de explicar a coisa, tá? Diz que se nesse meio tempo a esposa do sujeito engravidar, então ele, ela poderá requisitar que ele mande embora a serva e o filho da serva.
Nossa, cara!
E aí então imagina, você tinha, só que o que começou a acontecer, cara, e Deus, obviamente, parte da instrução dele de esperar ter Isaque tinha a ver com os conflitos que seriam gerados. Ele não acreditou. Aí você imagina, você tinha a escrava que era Agar, só que agora você tinha um filho com ela, e aí você tinha Sara, né, e que é a mulher que você amava, porque é dito que ele ama a Sara. E aí, se eu não me engano, é dito, né, que ele ama Sara.
E aí agora tem esse filho. E aí você começa a ter um conflito entre as duas, e esse conflito obriga uma atitude a ser tomada. E a atitude foi essa, endossada por Deus. Talvez assim, depois da cagada, talvez Deus olhe e fala, cara, dentro de toda cagada, esse daqui é o melhor caminho. Não é o que eu queria, mas dentro da situação é isso que talvez seja o melhor a fazer. E aí o que me chama atenção, Rodrigo, é Está escrito: é por meio de Isaque que a sua descendência será considerada. Isso daqui tá sendo dito por Deus, certo?
Exatamente.
Como que está sendo dito por Deus e existe discussão em relação à descendência ou a quem deveria ser atribuído realmente a primogenitura, mas a legalidade de continuar, né, essa promessa, etc.?
Como que Até pelo código de leis que eu falei da época, a Sara tinha o direito legal de mandar a outra embora, porque o ventre, o filho do ventre mesmo de Sara foi Ismael. A esposa era Sara, a outra não era, a outra não era. Então legalmente é diferente das leis de hoje, sabe? Que tem muita gente às vezes famosa que morre, aí começa a aparecer um filho que ele teve com uma empregada, ou às vezes sempre tem, né? Agora que o sujeito aparece pedindo exame de DNA, na época não era um bêbado, né?
Aparece, é, parece umas paradas Na época não era assim que a coisa funcionava, tá certo? Era diferente. Mas lembremos que Deus quebrou um pouquinho os parâmetros da época quando Deus falou que ele também iria dar uma bênção para Ismael. E Ismael, olha que interessante, é algo muito amplo, mas eu não concordo.
Só tô nessa discussão porque assim, existe uma discussão entre quem é Isaac. Isso, mas para você é claro, mas assim, para a humanidade existe essa discussão. Para um povo relevante não é Isaque, concorda? Ou tô enganado?
Não, é, se você olhar, por exemplo, eu acho que eu tô entendendo sua pergunta, me corrija se eu tiver entendendo errado.
Entre povos até hoje por causa disso, que se dá início aí.
Você sabe que na tradição muçulmana a áqeda, que é amarração do Isaque, a gente vai falar ainda do sacrifício de Isaque, mas eu vou ter que antecipar esse dado só para responder esse ponto. Na tradição muçulmana, o filho que Abraão sacrifica não é Isaque, é Ismael, ou Ismail, como fala em árabe, Ismail. E o lugar do sacrifício não é Jerusalém, como no caso bíblico, mas é Meca, tá certo? Então foi em Meca que Abraão levou Ismail para sacrificá-lo ao Senhor.
Tem uma, tem duas versões da história, tem duas versões.
E tem outra coisa também, né?
Embora que a versão humanas, ela é da Idade Média, né?
Não, esse livro que eu tô lendo, que eu tô achando interessante, do Que Precisa Ter Mais Fé para Ser Ateu, Frank Turek e Norman Geisler, os dois autores, são dois autores, suficiente para ser ateu, ele traz algumas reflexões importantes. Ele fala que não, não é possível existir duas verdades contraditórias.
Concorda? Sim, existe só uma verdade.
E aí você tem, e aí não é sobre quem está certo, quem está errado, é sobre O seguinte ponto: quando você olha para uma Bíblia, né, então quando você olha tanto para católica ou evangélica, enfim, uma protestante, você vai ver que existe, né, Jesus sendo colocado como Deus. Ele morreu e foi ressuscitado. Quando você olha para o que os muçulmanos acreditam, quando você vai ler a fonte deles, é dito que Jesus nem morreu, nem chegou a morrer.
E essa outra alteração agora, assim, não dá para as duas coisas coexistirem. Então não é sobre quem está certo, quem está errado, é sobre é impossível ambas estarem certas, concorda? Porque são informações contraditórias. Mas se uma das informações está errada, seja desse lado, desse lado, você acaba anulando boa parte da outra.
Você pode ter as duas erradas, mas não as duas certas. Se elas são contraditórias, Você pode ter duas erradas, mas não duas certas. Uma tá certa, automaticamente elimina a outra. Exatamente.
E aí é difícil, né?
É a história que a gente tá contando agora.
Tá bom. A diferença que eu coloco sobre sacrifício, é lógico que aqui eu posso comprar briga com muitos muçulmanos, mas lembremos que o Alcorão, muitas tradições vêm do Alcorão, outras não vêm do Alcorão, vem de tradições muçulmanas fora do Alcorão. Por exemplo, o Alcorão não tem a palavra Jerusalém. O Alcorão não conta aquela história da Hégira, que o Maomé, ele estava indo com a jumenta dele de Meca para Medina e que ele foi transportado até Jerusalém, de Jerusalém até o paraíso e voltou.
Essa é uma história muito contada, mas ela não está no Alcorão, são tradições posteriores. Então assim, eu vou chamar de tradição islâmica aquilo que pertence ao Alcorão e aquilo que não pertence ao Alcorão, mas fazem parte da cultura muçulmana. Devemos lembrar que isso é uma tradição tardia e em grande parte tomada da própria Bíblia, tá certo? Abraão é Ibrahim, só que pega uma história e modifica um pouco. Jesus— agora mesmo quando você pega o Alcorão, você nota algumas coisas que chamam atenção.
Por exemplo, o Alcorão diz que Jesus é um profeta menor do que Maomé. Maomé é o maior profeta, só que não tem nenhum milagre de Maomé. E tem vários milagres de Jesus. Jesus nasceu de Maria Virgem, Maomé não nasceu de uma virgem. Jesus reconhece, claro, tá no Alcorão. Maria, quando deu à luz Jesus, era virgem. Jesus é o profeta que voltará para colocar o fim do mundo. Você falou no início de falarmos disso, o fim do mundo. De acordo com o Alcorão, quem voltará para estabelecer o juízo final não é Maomé, é Jesus.
Aí é interessante que se você até não quiser aceitar a Bíblia e ficar só com o Alcorão, lendo as páginas do Alcorão e da tradição muçulmana, que eu falei que é maior do que o Alcorão, né, você vai ver que é interessante. Maomé é o maior profeta, mas Jesus fez muita coisa que Maomé não fez. Maomé não fez nenhum milagre, Jesus fez vários, você entendeu? Então essas coisas nós temos que levar em consideração também. E você não tem nenhum lastro arqueológico anterior a isso como nós temos em relação à Bíblia Sagrada.
Então, são coisas que a gente tem que colocar na balança também. Agora, o que que é bíblico e o que que a gente consegue lastrear ou rastrear, dar lastro e rastreio pela arqueologia? Eu consigo saber que de fato os árabes provavelmente descendem de Ismael, são ismaelitas. E uma coisa, uma notinha de rodapé: não confundir árabe com muçulmano. Tá certo? Nem todo muçulmano é árabe, nem todo árabe é muçulmano. Então, por exemplo, tem muito muçulmano, tem muito árabe cristão, tem muito árabe cristão.
A Turquia é majoritariamente muçulmana, acho que 98% da Turquia, 97% são muçulmanos, mas os turcos não são árabes, eles são turcomanos, tá certo? Dos otomanos. Você tem o Irã, O Irã também é muçulmano, mas ele não é árabe, é persa. O Egito é uma polêmica, porque o Egito na verdade também ele é africano, ele é camita, mas como a própria mãe do Ismael era egípcia, Agar, e o Egito depois se tornou parte da República Árabe Unida, e o Egito fala árabe, diferente da Turquia e do Irã, então os egípcios às vezes são considerados árabes também para alguns autores, outros negam que os egípcios sejam árabes puros.
A Jordânia são árabes puros, o Líbano não. O Líbano também tem uma grande parte muçulmana, mas os libaneses são fenícios. Então a gente tem que, tem que ver que a gente pensa: todo árabe é muçulmano e todo muçulmano é árabe. Não são sinônimos perfeitos, é bom deixar isso claro. Então nem todo muçulmano é descendente de Ismael. Os árabes são descendentes, os Emirados Árabes são descendentes de Ismael, o rei da Jordânia é descendência de Ismael, e assim por diante.
Interessante. E aí, Rodrigo, então assim, é passado algum tempo, a gente tem aqui dizendo assim sobre aquela passagem, talvez uma das mais reflexivas da Bíblia, que diz: tome o seu filho, seu único filho, Isaac.
Eu queria, antes de entrar nesse papo, só falar alguma coisinha do descaso de Ismael com Isaac. Então, um ponto aqui interessante, é É o verbo que fala, que você falou assim, alguns traduzem como caçoou dele, né, zombou dele, né. Metsachek vem da mesma raiz de itsak. Então tem um trocadilho bíblico aqui. O Ismael, que na minha tradução diz assim, ó, Sara, capítulo 21, verso 9: Sara viu que o filho de Agar, a egípcia, que Agar, egípcia, teve com Abraão, estava zombando de Isaque.
Mas no original hebraico não está de Isaac, está apenas Metsarrek, tá certo? Ismael Metsarrek. Ou seja, Ismael estava rindo, mas é um riso de deboche. E como Isaac significa risada, isso significa que o deboche estava sendo assim contínuo, contínuo e de muitos dias.
Bullying, bullying.
Boa palavra, eu ia usar essa palavra agora. Só que convenhamos, poxa, Deus ia deserdar Ismael apenas por causa de uma questão de bullying? Criança faz isso mesmo, é normal. É muita maldade da parte de Deus pegar um menino de 14 anos e só porque ele tava— isso é briga de criança. O Isaac também tinha que responder. Mas tem um problema aqui, por isso que eu fiz questão de pegar isso. Isaac significa ele riu. E qual o significado dele riu?
Remete à incredulidade de Abraão e de Sara. Ele estava rindo de Isaque, provavelmente debochando também da promessa. Então a coisa era mais do que um bullying, a coisa era mais do que uma briguinha de criança, sabe? Bobo chato comedor de meleca.
Não, estava debochando diretamente de Deus.
A coisa era mais séria. Por isso que quando a Sara tomou as dores, eu falei assim: faça o que a Sara tá Tá mandando, é melhor. Porque se Ismael e Isaac— agora a Bíblia não diz isso, eu que tô complementando— se Ismael e Isaac crescerem juntos, Isaac vai se tornar uma ameaça para a aliança. Vamos separar os povos, não dá para ser igual não, vamos separar.
Fica. Mas olhando dessa forma, Deus ainda foi benevolente, porque ele poderia falar assim, cara, varrer esse moleque aqui com toda essa turma.
Exatamente. Deixa só a minha galera aqui, benevolente, provavelmente por causa de Abraão, né? Como ele mostrou por causa de Abraão, que ele tinha uma promessa para Isaque. Tanto é que assim, o povo árabe é riquíssimo. Olha o petróleo na mão deles, olha os Emirados, olha o Dubai, o que que é. E outra mais, quando a gente estudou sobre José do Egito aqui, o outro que você deve assistir também se você não viu ainda, quem salva José dos irmãos hebreus foi uma caravana de ismaelitas que estava passando.
É lógico, salva assim, eles compram José e o revendem no Egito. Não é que salvam porque eram heróis, mas de qualquer maneira foram usados por Deus para impedir a morte de José, uma caravana de ismaelitas, descendentes de Ismael.
Caramba, Rodrigo! Agora vem assim para mim uma das passagens mais profundas de toda a Bíblia.
Nossa, é o sacrifício, cara!
Essa é uma das partes mais profundas e você vai lendo ela, você vai digerindo, é como se fosse um vinho assim, ó. Ela vai ficando melhor, é como se fosse uma cebola, você vai vendo camadas diferentes da mesma história. E diz assim: tome o seu filho, o seu único filho Isaac, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto em um dos montes que eu lhe indicarei. Lucão, Deus diretamente, Deus, ele vem para Abraão e fala assim: cara, pega o seu filho, Igual você faz holocausto de um monte de bicho, faça um holocausto com seu filho também, cara, na mão dele, e sacrifique seu filho.
E sacrificar significa matar, não significa matar, mas implica em matar. E aqui ele nem questionou, cara, ele nem questionou, cara. Se eu pedir para você fazer com seu cachorro, você não vai fazer?
Não, não vou fazer, né? Sai fora.
É tipo assim, é uma coisa que você Pensa, cara, pô, será que Deus pediria isso para mim? Será que eu faria isso? Mas tem sentido ou não, né? E aí Abraão, ele parte cedo acompanhado de Isaque, dois servos. E depois de 3 dias de viagem, só o pai e o filho seguem a viagem. O Abraão leva o fogo e a faca, e o Isaque, que seria sacrificado, ele leva a própria lenha, né, que seria madeira. Ser usada para o próprio sacrifício. É no caminho.
Imagina a situação, imagina a música tocando nos ouvidos de Abraão ali, sabe? Quando a gente vem para um dia importante na empresa, você já vem tipo, cara, hoje é um daqueles dias. Imagina você indo, caminhando, sabendo que você vai ter que fazer. Não é tipo, tá, agora faz. É você vai ter que fazer o sacrifício. E aí Isaque faz uma pergunta, cara, o fogo e a lenha estão aqui. Mas onde tá o cordeiro para o holocausto? Cara, imagina você como pai ouvir isso, né?
E Abraão, ele responde que Deus providenciaria o cordeiro. Ele diz assim: Abraão, Abraão! Aliás, ele diz que Deus providenciaria o cordeiro. No alto monte constrói, né, o altar. Ele amarra Isaque. Ele chega a amarrar o filho. Imagina a hora que você tá amarrando o filho. O filho acho que já viveu coisa suficiente para ver como que funciona o holocausto outra vez.
Né?
E aí, antes do golpe, cara, ele é interrompido. Pô, assim, Rodrigo, cara, assim, pô, cara, não sei, me traga todas as camadas dessa cebola aí.
Vamos começar pelo seguinte: eu também não consigo nem imaginar, tem cenas que você não consegue nem imaginar, eu sacrificando a Sarinha. Não consigo nem imaginar. Mas eu vou tentar, de uma maneira assim muito, muito tímida, imaginar o processo psicológico aqui. Abraão tinha tal intimidade com Deus— a gente tava brincando aqui no início do programa, né, me dá dinheiro, mas não me dá intimidade— que ele tinha tal intimidade com Deus que ele conseguia reconhecer um pedido de Deus de uma maneira que talvez eu e vocês não consigamos.
Então vamos imaginar o seguinte: Eu amo a Laura. Se hoje, se antes de conhecer a Laura, nem conhecia a Laura, era uma menina qualquer, se alguém falasse assim, olha, Rodrigo, você tá disposto a fazer uma doação das duas córneas agora e ficar cego? Não, de jeito nenhum, de jeito nenhum ficar cego. Por que não? Depois que eu morrer eu posso até fazer doação de órgãos, mas vivo tirar minhas duas córneas? Não. Mas hoje que eu amo a Laura, que eu conheço a Laura, que eu convivo com ela, se eu soubesse, para longe de qualquer questionamento, que para Laura servir, para Laura viver, eu preciso de abrir mão dos dois olhos, eu vou me tornar cego num tapa.
Então a gente sempre pensa do ponto de vista assim: eu não teria coragem de matar o meu filho. Mas pensa ao contrário, o que você faria pelo seu filho? Tá certo. O que que eu faria? O que que você faria pela Sofia? O que que eu faria pela Sara? O que que você faria? Muita coisa. Se alguém falasse o seguinte: olha, para que suas filhas vivam, tem que cortar o braço. Qual dos dois, direito ou esquerdo? Corta os dois para garantir.
É o que você faria. Então, esse mesmo amor que eu tenho pela minha esposa, pela minha filha, e você também, Abraão tinha em relação a Deus, assim como eu em sã consciência não aceitaria cortar um braço meu nem tirar os meus olhos, mas por amor à minha esposa, minha filha, eu não titubearia em falar: sim, pode cortar. Abraão tinha esse mesmo sentimento em relação a Deus. E aí é o que Jesus no Novo Testamento vai explicar assim: ame sua família, mas você não pode amar nada acima de Deus.
Jesus até fala: aquele que ama o seu pai e sua mãe mais do que a mim não é digno de mim. Aquele que ama o seu filho mais do que a mim não é digno de mim.
Mas essa colocação é difícil também, né?
Sim, mas só que é o seguinte, você, ela lembra que o fato de uma coisa ser difícil não significa que ela é irreal.
Porque essa daí, será que é real?
É real. Porque assim, você fala do Jesus falar isso, Abraão?
Não, não, tô falando de Jesus, porque eu entendo, consigo compreender Eu preciso amar Deus acima de tudo, inclusive minha esposa, filhos, etc. Mas na prática, na prática, cara, é muito difícil.
Na prática é difícil até o amor que você já demonstra.
Oi?
Na prática é difícil até o amor que você já demonstra para quem está fora dele. Eu vou falar de paternidade porque está 4 meses de pai, eu tô, tá isso, tá na célula, né? Se eu esquecer a minha experiência com a Sara, olhar apenas o que que é ser pai, é um saco. Você não tem mais noite direito de sono.
Eu vi, você já chegou hoje um pouco mais ácido e tal, não deve estar dormindo direito.
Note que a minha nasceu depois da dele, né?
Então a minha já passou um pouco dessa fase.
Mas veja bem, Você tá saindo para um lugar toda arrumada, criança gofa na sua roupa e caga. E isso, e detalhes, isso aí é de somenos importância. Ela vai crescer e ela vai sair de casa, e eu não vou ser mais o centro da vida dela como ela é da minha hoje. Ela vai ter a vida dela, ela vai casar, ela vai estudar, ela vai— eu tenho vários amigos que os filhos moram no exterior, fala assim, olha, Eu vi os meus netos duas vezes na vida, porque, por exemplo, uma fisioterapeuta que eu tenho, ela falou, a filha dela mora na Austrália, tem um neto que ela só viu uma vez na vida, e a filha tá na Austrália, não vai voltar mais para o Brasil, casou com australiano.
Então, até pensando aqui bem no sentido do primo aqui de investimento, é um investimento sem retorno nenhum. Vamos ser frios aqui, deixa o amor de lado, tô falando apenas agora De maneira assim bem materialista. Filho é um investimento sem retorno nenhum, que esse negócio aí, não vou ter filho para quando eu tiver velho, ficar, não, ele vai cuidar da vida dele.
Nada garante, nada garante.
Na melhor das hipóteses, ele pode colocar num asilo ou contratar uma nursing home, né, uma cuidadora ali para você. Ele não vai gravitar a vida dele em torno de você. Que tipo de investimento para comparar com finanças, você encomendaria para o pessoal: invista nisso aqui, mas não invista pouco não, invista todo recurso que você tem nessa carteira aqui, e depois que você investir bastante, nós vamos usar o dinheiro dessa carteira para comprar carro, televisão e casa para outras pessoas que não você.
Ninguém ia querer fazer um investimento desse. Mas se você olhar friamente, o filho é esse tipo de investimento. Então o golfo, o cocô, a fralda suja, a noite mal dormida, que é um saco, isso é pouco perto do fato que ele vai embora. Então se olhar no sentido lógico cartesiano, filho não faz sentido, até pela teoria da evolução das espécies de Darwin. Por mais que o Stephen Hawking fala, então Richard Dawkins fala do gene egoísta, que a gente tem uma tendência a que o nosso gene passa para gerações seguintes, mas isso é Na filosofia isso não compensa, você tá entendendo?
Eu quero é a lei da sobrevivência, sobrevivência do mais apto. Se a sobrevivência do mais apto, por que que mesmo o mundo animal a fêmea se sacrifica para salvar o filhote que é menos apto do que ela? Ah, é o gene egoísta. A vontade de passar o gene para frente é tão grande que causa em mim um sacrifício em prol do outro que é mais fraco. Isso não faz sentido. Agora, tudo isso que eu tô colocando friamente, eu vou colocar, vou piorar o meu exemplo aqui.
Você tem um filho com paralisia cerebral, um filho com autismo grave não verbal. Tá rolando agora na internet, não sei se já viram, um vídeo de um pai sul-coreano que ele descobriu que tava com câncer terminal e ele tinha um filho autista de grau elevadíssimo e ele não tinha mais, ele ia morrer. E ele então, depois, ele dá todo o dinheiro dele para que uma empresa especializada cuide do filho dele. E ele despede do filho. Já viram esse vídeo?
Não.
É lindo, chora, é lindo, é triste. Ele despedindo do filho assim na avão, filindrando assim, né, balançando. Vamos pensar assim, uma criança de autismo grave— e antes que alguém coloque na internet que eu tô desrespeitando o espectro autista, estou dando um exemplo frio. Tá bom? Uma criança não verbal que só fica se batendo, ela não vai contribuir, ela não vai, ela não vai casar. Não tô falando que nenhum autista casa, tô falando aquele caso mais grave do não verbal, lógico, ou outras doenças mentais que uma criança tem.
Uma criança com paralisia cerebral tá lá na cadeira de rodas, ele não vai te dar netos, ele não vai trabalhar, ele não vai cuidar de você, ele não vai progredir para a sociedade, ele não vai gerar, ele não serve nem para ser empregado aqui. E agora, para que manter essa criança viva? Ponto. Agora eu vou fazer de novo esse mesmo discurso colocando o elemento que responde a sua pergunta. E quando você ama, e tudo isso que eu falei antes, que é lógico, friamente lógico, e tudo isso perde o sentido.
Pergunta o pai com o filho de paralisia cerebral. Se ele vai querer a morte do filho. Esse tempo morreu perto de mim lá um pai que o filho dele tinha uma paralisia cerebral. O menino morreu quase com 40 anos e os pais já idosos. Os pais estavam inconsoláveis no caixão de um menino que passou a vida toda na cama, não deu retribuição nenhuma, nunca falou eu te amo, papai, ele nunca deu um diploma para orgulho do pai dele, ficou na cama 40 anos.
Quando ele morreu, os pais estavam inconsoláveis. Pergunta se eu tô chateado com o golfo, com cocô, ou com as noites mal dormidas, ou qualquer coisa parecida. Pergunta se eu tô preocupado se essa cara vai me trazer retorno dos investimentos que eu estou fazendo nela e vou fazer outros mais? Não, eu quero que ela seja feliz. Então não é bem o contexto de Blaise Pascal, mas eu vou tirar do contexto e vou citar a frase de Blaise Pascal: o coração tem razões que a própria razão desconhece.
O sentido não é tão romântico assim, mas eu vou colocar nesse sentido. Então quando você ama a Deus de verdade, como você ama a sua família, aí essa colocação que você fez, que do ponto de vista racional realmente é difícil, do ponto de vista emocional deixa de ser.
É, cara, não, é uma reflexão profunda mesmo, você entendeu?
Do ponto de vista racional é profundo.
O desafio é que fala assim, que aí você não é digno, cara. Isso é pesado, é pesado, porque amar Deus assim Eu acho que tá mais como um objetivo de querer que seja assim do que ser de fato para mim. Porque assim, é, se alguém falar assim, ah, tira um braço para salvar sua filha, beleza, é na hora. Só que, cara, é tão mais fácil fazer algumas coisas para Deus que a gente não faz, que na prática eu penso refletindo, mas eu achei muito bom essa questão sua Você falou assim, não é digno, que ele arremete ao ponto que a gente falou da justificação pela fé.
Você deu agora o argumento que eu precisava. Na verdade, nunca tem na Bíblia uma parte, você é digno por si mesmo. Então vou contar para vocês o que que é o nosso amor por Deus. Eu acho que eu dei essa ilustração uma época aqui. Se eu dei, vou pedir licença a vocês para repeti-la. O nosso amor por Deus, por mais bonito que ele seja, mesmo o amor que Abraão teve de levar Isaac e sacrificar, isso não torna Abraão digno. Deus é tão perfeito, tão maravilhoso, tão tudo, que o que torna, nos torna dignos diante de Deus é ele mesmo, pelos méritos de Cristo.
Não é o meu amor por ele que me torna digno diante dele, é o amor dele por mim que me faz digno, apesar de eu não merecer. E o exemplo que eu ia dar era esse: Uma vez um pai chegou de viagem, passou longo tempo fora de casa, e quando ele chegou, a menininha dele chegou, falou: ei, papai! O papai, filho, abraçou, aquela coisa toda. Nem tinha 2 aninhos, ele falou assim, 3 anos. Ei, filhinha, conta as novidades para o papai. Novidade? papai, eu já sei escrever.
Você sabe escrever? É. Ah, então escreve para papai ver. O senhor quer ver eu escrevendo? Quero. O senhor vai ter muito orgulho de mim. Tá bom, pega lá. Ela pegou uma caneta um papel igual criança pega assim, coordenação motora, e começa a fazer assim, ó, aquele monte de rabisco, né? Fazer uma carta para o papai. Ótimo! Agora assina a carta. Tá aqui, papai. Aí ele: que carta linda! Tá feliz, papai, com a minha carta? Tô! Que carta linda!
Que coisa linda que a minha menina escreveu! Que caligrafia bonita! Ele queria incentivar, só que ele elogiou tanto, elogiou tanto, que a menina perguntou assim: é, papai, o que que tá escrito aí? Ele deu uma resposta que veio do céu. Ele falou: filhinha, aqui está escrito que você não sabe escrever. Aqui tá escrito que você tá longe ainda de aprender a escrever, mas aqui tá escrito que você ama o papai, e o papai te ama tanto que eu consigo ver nessas linhas a carta mais linda que papai podia receber, mais linda do que se fosse um poeta escrevendo para o papai.
Então o amor nosso por Deus, ele é falho. Ele realmente é tudo que você falou, a gente não tem condições. Você falou muito bem, coisas menores para Deus a gente falha. Na verdade, não somos nós que fazemos a obra, é ele que opera em nós, tanto querer quanto efetuar de acordo com a sua bondade. Está na Bíblia: Deus que opera em vocês. Então ame Deus e deixe as consequências com ele. Ele também não vai dar nenhuma prova, isso é promessa bíblica, ele não vai dar nenhuma prova que esteja acima das nossas capacidades.
Sim, isso é importante. E aí, Rodrigo, quando Abraão vai sacrificar Isaac, né, aí o anjo do Senhor interrompe Abraão e fala: Abraão, Abraão! Sim, estou aqui, né, respondeu. Não estenda sua mão contra o rapaz, disse o anjo, não lhe faça nada. Agora sei que você teme a Deus, porque não negou dar a mim o seu filho, o seu único filho. Abraão ergueu os olhos e eis que viu um carneiro preso pelos chifres em um arbusto. Foi até lá, tomou o carneiro e sacrificou como holocausto em lugar de seu filho.
Quer que você explicasse a passagem para gente, mas ao mesmo tempo refletisse sobre esse tipo de coisa? Ó, não estenda sua mão contra a paz, não lhe faça nada. Agora sei que você teme a Deus. Antes não sabia. Então assim, qual é o sentido disso? É Deus, primeiro explicar a passagem e depois refletir sobre isso. Deus já sabe de todas as coisas, né? Deus tinha dúvida da fé? Não. Precisava fazer ele passar pela provação? Por que então esse tipo de coisa acontece se ele já sabia de tudo, né?
Então explica para a gente a passagem. Também acho legal trazer um paralelo aqui que Eu li essa passagem várias vezes ao longo, talvez, dos meus últimos 7 anos. Já li essa passagem de uma forma material, já li essa passagem sobre a ótica de Jesus.
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Aqui, né, vou falar daqui a pouquinho sobre esses paralelos. Me traz um pouco de toda essa história, Rodrigo. E você quer um café, cara?
Não, não, obrigado. Eu já tô com água. Bom, vamos por partes. Em primeiro lugar, lembremos que Nós temos um problema aqui, que o elemento que nos faz comunicar com o mundo exterior— você falou aí antes, né, gente, se tudo é uma Matrix, alguma coisa e tudo, naquela discussão ali— o elemento que me faz comunicar com esse mundo exterior, seja ele real ou fictício, é a linguagem. Não tem outro. Se você não tem linguagem, e até aquela discussão que vale tanto para área bíblica como para evolução das espécies, né, o que que veio primeiro, pensamento ou a fala?
O pensamento. Mas é complexo.
Se é o pensamento, você pensou em que idioma?
É verdade.
Se for a fala, e você sabe que dá um nó até no evolucionismo, né? Porque o ser humano, ele aprendeu a falar. A fala não é algo que evoluiu com a humanidade. A fala é resultado de aprendizado.
Então, bom, mas a Eloá, ela pensa antes de falar, pô.
Sim, mas ela, para pensar, ela tem que pensar em alguma língua. Ela tá ouvindo vocês falando, mas não entende nada. Sim, mas ela tá ouvindo. Você pensa que não, o inconsciente, desde o útero, a criança tá ouvindo a voz.
Mas aí é uma linguagem não verbal assim, né? Aliás, não verbal, não é o português, porque ela não entende ainda.
É o português. Que língua, quando a Maíra tava grávida, que língua você falava?
Porque assim, velho, Se você tiver pais mudos e ninguém falar nada, e por exemplo, hoje eu passei por uma situação com a Eloá engraçada. Eu peguei uma roupa da Maíra, aí eu peguei a roupa, fiz assim, ó, cheirei a roupa. Aí ela puxou e fez, ela cheirou também. Aí ela deu para eu cheirar e tal, e a gente não falou nada. E ela não sabe falar ainda, não entende.
Mas assim, ela não sabe falar, mas ela entende a linguagem. Tanto é que depois tem um livro muito interessante, virou documentário também, Lanfãs Selvagens, sobre os meninos lobo, que são crianças que foram criadas supostamente, ninguém tem certeza absoluta, são crianças que apareceram na floresta, tipo Mogli, né, na floresta da Índia. E o pessoal acha que os animais criaram esses meninos, porque como é que eles sobreviveram lá ninguém sabe.
Mas essas crianças têm hábitos animais e muitas delas nunca mais aprenderam a falar, passou o período da lalação. Então a gente pensa que a lalação A lalação é quando a criança fica lá, ela tá conversando. Tanto é que há pedagogos e também pediatras que recomendam que quando a criança tá falando, você conversa com ela, porque ela está falando. É lalação, ela tá imitando a fala dos adultos, ela está imitando a fala dos adultos.
E a criança então, ela está no mundo verbal. Só que nós temos um problema. Essa língua que nós usamos, seja ela alemã, hebraico, grego, português, inglês, chinês, não importa, ela sempre tem delimitações para explicar a realidade. E ela explica a realidade de uma maneira muito artificial. Por exemplo, isso aqui é realmente garrafa ou é botiga? Ué, bota, você entendeu? Isso aqui é o quê? A gente que deu o nome de garrafa. Outro país vai dar outro nome para ela.
Então, primeiro, a língua é artificial. Além de ser artificial, ela é inadequada. Por exemplo, mesmo o mais rigoroso cientista ateu materialista continua chamando de átomo o que não é átomo, porque o átomo é divisível. E a palavra átomo significa não divisível. A gente ainda continua falando céu azul sem que na verdade o céu não é azul. Olha, olha que coisa, eu tô pegando agora a descrição mais concreta da realidade, que é a física.
A física arvora para si a descrição mais concreta, porque a poesia ela é, né, ah, os seus lábios são como favos de mel, você tá falando comparações, né, analogias e tudo mais. A física não, ela é concreta. Né? Em artigo científico físico é metro tal, é matemática, precisões e tudo mais. Só que mesmo um físico vai falar: nossa, o de hoje tá azulado, né? O céu tá, o céu está azul. E o céu nunca está azul, é o reflexo da água que tá ali, é dispersão.
É, o átomo é divisível, a gente chama de átomo. Olha que pôr do sol lindo eu vi lá no— o sol não se põe, é a Terra que gira. Então, mesmo o mais forte dos cientistas usa uma linguagem imprecisa para descrever a realidade, porque não existe uma linguagem adequada. Você tá entendendo? A gente chama de planeta o que na verdade não é planeta, porque planeta significa aquele que está caminhando. O planeta não tá caminhando, sabe? Outras coisas mais que eu poderia dizer.
Então Deus tem um pensamento que é inalcançável para nós, mas a única maneira que Deus tem de conversar conosco é usando aquele elemento que nós temos chamado linguagem. Então Então a Bíblia é Deus falando com sotaque humano, não com sotaque divino. Com sotaque divino ele jamais diria: agora sei que não me negas. Mas com sotaque divino: eu tenho doutorado em teologia. Eu não ia entender Deus. Deus fala com sotaque humano. O sotaque divino nem os anjos entendem.
É um mistério que só Deus pode ter. A palavra— por isso que o Evangelho de João fala que o Logos de Deus, a palavra, se fez carne e habitou no meio de nós. Noutras palavras, quando falam que Deus é uma trindade, eu não entendo nada. Quando falam que Deus não teve começo nem terá fim, eu não entendo nada. Quando falam que Deus é onipotente, onisciente, onipresente, também não entendo nada. Agora, quando dizem que Deus se fez carne, habitou no meio de nós, eu comecei a entender Deus.
Então, a linguagem que Deus usa é uma linguagem matizada à nossa realidade, não a realidade dele. Na realidade de Deus, Deus não precisa nem falar, ele já sabe o fim. Na realidade de Deus, Deus nem raciocina. Ele sabe, ele já sabe o fim desde o princípio, ele nem raciocina. Como é que é isso? Muito louco. Então Deus falando com linguagem humana, ele fala: agora eu sei que você não me nega o seu filho. E esse tipo de linguagem eu posso usar mesmo sabendo de antemão o resultado daquilo ali.
Por exemplo, às vezes você quer contratar um rapaz aqui, olha, eu gostei desse rapaz, eu vou contratá-lo porque ele é bom, ele é inteligente, eu já gostei do papo dele trabalhando conosco. Mas um dia você aplica um teste para ele, aí você fala assim: olha, agora eu sei que eu realmente acertei em te contratar, agora eu sei que você pode ser um CEO da empresa. Você não sabia antes? Claro que você sabia, você já tá testando o rapaz há muito tempo.
É até uma maneira de você exteriorizar para ele a sua aceitação. Agora eu sei que eu acertei em te contratar. Agora? Então você não sabia antes? Por que que você contratou então? Então Deus usa a linguagem. Aí tem um detalhe curioso. Olha como é que Deus fala com Abraão. Olha como é que Deus é maravilhoso. Tem uma palavra que aparece várias vezes aqui no texto, é a palavra makom. Makom em hebraico significa lugar. Essa palavra tem um sentido básico aqui, lugar, que Deus fala assim, olha, por exemplo, verso 3: rachou a lenha, o holocausto, e foi para o lugar que Deus lhes havia indicado.
No terceiro dia, Abraão ergueu os olhos, viu o lugar de longe. Chegaram ao lugar. Abraão deu aquele lugar o nome de O Senhor Proverá. Aquele lugar, lugar, lugar. Quando você vai para o livro de Deuteronômio, no capítulo 12, em vários versículos, quando Deus vai falar do tabernáculo dele, aquela tenda móvel, onde ele habitar, Deus sempre fala assim: porque esse é o lugar que o Senhor escolheu, o lugar que o Senhor escolheu. A mesma palavra que aparece aqui.
Agora, olha que interessante, para onde que Deus manda Abraão? Abraão estava em Bercheva. Bercheva está 95 km ao sul de Jerusalém, sudoeste, sudoeste de Jerusalém, 95 km. Andando em animal, jumento ou camelo, Você dá uns 35 km por dia de caminhada. Então realmente, na época, de Beer Sheva a Jerusalém daria 3 dias de caminhada. E Abraão chega até a cidade de Salém. Interessante que ele já havia passado pela cidade de Salém antes.
Quem morava lá? Melquisedeque, que ele reconheceu como sacerdote do Senhor. Só que ele não fica na cidade. A cidade de Salém que Abraão viu de Melquisedeque era hoje até fora da cidade velha de Jerusalém. Abraão foi ali, deixou quem sabe os homens dele ali e subiu sozinho com Isaque até um morro, um monte que ficava lá no alto chamado Moriá. Curiosamente, é no Monte Moriá que pelo menos Abraão— vamos botar 1800 antes de Cristo— 900 anos depois de Abraão, Salomão vai erguer um sacrifício no Monte Moriá Moriá e vai construir o Templo de Jerusalém.
Olha só, tá certo? E depois, mais à frente, vai construir o templo que Jesus conheceu em cima do Moriá, que hoje está aquele domo da rocha, aquela cúpula dourada de Jerusalém. Então olha como é que Deus trabalhou. Jerusalém é o lugar que Deus escolheu. E para apontar para quê? Por que que Deus mandou Abraão sacrificar Isaac 3 dias depois lá e tudo mais? Porque aquela cena Deus ia aproveitar aquela prova de Abraão para fazer dela uma lição, no sentido de lição de escola mesmo, para as futuras gerações.
Ele ia mostrar que o que ele impediu Abraão de fazer, que era apenas um teste de fé, ele teve que fazer literalmente. Porque de acordo com João 3:16, Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu único Filho para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna. O próprio Deus Pai teve que oferecer o Filho dele em sacrifício em Jerusalém para o perdão dos pecados. E quando Jesus estava na cruz do Calvário, e você vê várias coisas, o Isaac sobe até o Moriá carregando o madeiro, Jesus vai até o Calvário também levando a cruz de madeira.
O Isaac não oferece resistência, ele aceita o sacrifício. Jesus também não oferece resistência. Ele: Pai, seja feita a tua vontade e não a minha. E Jesus morre. A diferença é que no caso de Jesus não houve nenhum anjo para impedir o sacrifício. O sacrifício foi feito por Cristo Jesus. E 3 dias, 3 dias depois, Jesus ressuscita.
Essa passagem é impressionante mesmo. É muito, muito interessante. Fico até pensando, né, às vezes eu quase que, por mais que Deus saiba de tudo, talvez esse tenha sido o momento onde talvez Deus colocou nos planos de que, putz, vou mandar Jesus, sabe? Por causa desse sacrifício onde ele mandou alguém no lugar como, como Cordeiro.
Na verdade, a promessa do Cordeiro desde Eva, quando ele falou, né, descendente seu vai esmagar Deus foi construindo ao longo do Antigo Testamento várias tipologias.
Ele veio para só apertar o botão, né?
Tá vendo? Ó, estão vendo? Ó, eu tô preparado. Isso aqui vai acontecer, vai acontecer, vai acontecer.
É, eu entendo que é o jeito, né, pelo que você explicou, que é o jeito que Deus faz para conseguir se comunicar com os humanos e os humanos entendam, né? Acho que ali ele, essa coisa do sacrifício, para ele, para o Abraão entender, né, o que que ele tava abrindo mão ali.
E que Deus fala tão diferente assim. A gente quer às vezes que Deus fala, responde, né? Responde tal coisa e tal. Aí Deus não chega e fala: pode fazer isso. Deus, ele vem e faz um negócio, quase que fica um pouquinho aberto, mas ao mesmo tempo te dá direção. Porque talvez é isso que o Rodrigo falou, ele tá te respondendo, mas assim, responder: faça isso, talvez não traduza o que ele tá querendo te dizer. Talvez seja mais amplo do que faça isso, mas que a gente entenda às vezes.
E esse é o problema de alguns ateus que vivem na internet criticando Bíblia e tudo mais. Eles pegam a sombra, pegando o mito da caverna de Platão, eles pegam a sombra e criticam a sombra achando que com ela estão criticando a realidade, ou negam a realidade com base na sombra. Para quem não sabe, o mito da caverna de Platão é isso: havia vários homens que estavam no fundo de uma caverna com algumas fogueiras ali, e eles viam sombras projetadas na parede, e eles achavam que aquilo era realidade, ficavam assombrados ali, acorrentados, até que um deles conseguiu sair da caverna e ele viu a realidade fora da caverna, né, que projetava aquelas sombras lá dentro.
A Bíblia é a palavra de Deus, ponto. É assim eu creio. Mas é como eu falei, é Deus falando com sotaque humano. E a língua, além dela ser dúbia, você falou assim, por que que a Bíblia cada um entende de um jeito? A língua é dúbia, a língua não é exatamente perfeita para decifrar tudo. Quantas vezes, quantas vezes, estou falando de uma intimidade aqui, você tem alguém perto de você que você falou uma coisa, a pessoa entendeu outra, ficou chateado com você.
Você vê que a linguagem realmente ela deixa de— quantas não, não foi isso que eu quis dizer, mas foi isso que você falou. Tanto é que o Rui Barbosa falava que não há crime de hermenêutica, porque às vezes as pessoas entendem de maneira diferente, mas era o jeito que Deus tinha de se comunicar. Aí o que acontece com alguns que vão criticar a Bíblia na internet? E eu tenho sempre aquela questão das pessoas ficam fazendo careta assim para vídeo de cima.
Nossa, cara, isso daí é, para mim, desculpa, academicamente falando, é quem não tem argumento. Argumento. Que quem tem argumento, ele tem que ser clássico até para discordar.
Tem um assunto que eu tô mais animado para falar, que a gente não vai falar no podcast de hoje, mas eu quero muito discutir sobre isso, cara, com o Rodrigo. E talvez trazer, talvez trazer uma bancada liderada pelo Rodrigo aqui. Queria convidar o Rodrigo, cara. Queria falar sobre o fim do mundo, cara.
Ah, legal, cara, uma coisa leve.
Sério, não, é sério mesmo, cara. Assim, tem várias coisas sobre isso. Uma vez eu e o Rodrigo, a gente ficou discutindo lá na Foi no Egito, né, Rodrigo?
Foi no Egito.
Então, no Egito, a gente tá discutindo sobre o fim do mundo, sobre apocalipse e paralelos com o que tá acontecendo hoje na humanidade, de que será que estamos realmente próximos do fim do mundo. E aí, na minha leitura, cara, eu passei a acreditar que sim. Essa foi a provocação, Rodrigo. Aí ele trouxe lados a favor e lados contra da minha tese. Mas aí tem mais uma coisa que eu comecei a misturar, eu comecei a juntar várias coisas. Por exemplo, Você acredita que a gente vive numa simulação tipo Matrix?
Tipo Matrix? Eu acho que seria loucura demais.
Sério?
É, acho que seria loucura demais, cara.
Eu comecei imaginando isso, depois eu comecei a chegar numa conclusão que a gente tem muito mais chance de estar vivendo numa simulação, ou seja, o nome que for isso, do que não está. Sabia?
O Pedro Loz lá fala muito sobre isso, porque tem duas possibilidades.
Ou a sociedade nunca vai chegar ao ponto de desenvolver algo tão perfeito a ponto de a gente realmente sentir que isso daqui é a realidade, tá bom? Então talvez a humanidade nunca chegue nisso, e aí talvez faça sentido a gente viver aqui onde a gente está. Ou se isso não for verdade, e me parece não ser verdade pelo ritmo de evolução das coisas, Não faz sentido que a gente seja a primeira humanidade que vai construir a simulação.
A gente já deve estar vendo uma simulação pensando no mundo infinito, tá? Aí eu comecei a me questionar assim, ó, isso anula a minha busca pela verdade? Porque o Tassos me falou assim que Jesus disse que ele é o caminho, a verdade e a vida. Se ele é verdade, então a gente pode buscá-lo até de uma forma de uma forma questionadora, e a gente vai chegar nele porque ele é verdade, de uma forma lógica. Se a gente for realmente em busca, a gente vai encontrá-lo.
E aí então eu falei, bom, então não preciso ter medo de nada porque eu acredito que ele é verdade. Então no meu questionamento eu vou chegar em Jesus. E se a gente tiver numa simulação? Aí eu pensei, isso não anula, se a gente estiver numa simulação, que exista um criador. Porque vamos descobrir que a gente então está numa simulação e alguém criou a simulação. Se a gente continuar seguindo essa lógica, vamos chegar à conclusão lógica de que existe um criador da mesma forma.
Sim, né? Lá na origem de algo que a gente vai chegar ali na origem que existe um Deus.
Você assistiu Matrix recentemente? Não, cara, vale muito a pena. Tirando essa parte da ação, lógico que é muito legal visualmente, mas, cara, mas sabe onde começou a me pegar?
Porque assim, eu comecei aí para o lado do Apocalipse, o anticristo, que pode ser a própria inteligência artificial, entre outras teses ali, mas Não vou aprofundar nisso, mas do jeito que as coisas estão indo, talvez esteja indo para o fim do mundo de fato. Aí a Maíra começou assim: então eu não quero ter mais um filho, vai acabar. Aí eu comecei a pensar assim, cara, é muita coincidência de todas as humanidades que viveram até hoje aqui a gente viver no fim do mundo, cara. Aí não é muita coincidência ser na sua vez o fim?
Aí ia ser ruim, né? Não, e se a gente vive numa simulação, eu queria saber onde eu compro os pontos de habilidade, né? Se dá para eu colocar uma coisa, eu compro as coisas, já ia comprar faixa preta de jiu-jitsu.
Eu acho o tema provocante. Vocês sabem que muito antes do Matrix filme, se a gente for lá na época do Platão, tô falando em séculos e séculos atrás, antes de Cristo, Platão já falava do mito da caverna e do mundo das ideias, o mundo real e o mundo das aparências, que nós vivemos no mundo das aparências com as sombras e tudo mais. Mais recente, mas também ainda distante do nosso tempo, Você tem René Descartes, que enfrentou o ceticismo na sua força maior, o ceticismo máximo, que chegou ao ponto de falar o seguinte: eu não posso ter certeza de nada, nem que você exista, porque quem me garante que você também não é uma criação da minha mente?
Você nem existe. E o Descartes, que já tinha uma fé mais voltada para o teísmo, para a existência de Deus, Descartes falou assim: peraí, vamos demolir então todas as nossas crenças para reconstruir a partir de uma base sólida. Porque tudo que você crê pode ser cultural, pode ser que seu pai passou para você, etc. Vamos demolir tudo. Tem alguma certeza da qual eu não posso escapar racionalmente? Tem. Descartes falou qual: a minha existência.
Porque ainda que vocês que estão aqui comigo sejam uma criação da minha mente, uma ilusão, Para que essa ilusão exista e me engane, eu tenho que existir primeiro. Então eu posso duvidar de tudo, até de vocês nessa mesa, mas eu não posso duvidar da minha existência. Eu existo. Cogito ergo sum. Penso, logo existo. Se eu existo, então tem que ter uma causa primeira que me formou. Aí eu caio em Deus, e ele vai reconstruindo de novo todo o edifício do pensamento teológico a partir desse ground zero.
Então assim, essa questão do Matrix já é um pensamento filosófico indo de longe. Agora é um tema provocante mesmo. Vamos pedir o pessoal também o que que eles acham aí, colocar nos comentários aí, falar sobre Apocalipse, né? Porque o começo está no fim, né?
E cara, é assim, a gente gravou muitos personagens já. Esse daqui é um dos últimos grandes personagens do Antigo Testamento, dos patriarcas. Matamos todos. É, acho que é a última, né? Sim. E acho que tá na hora de a gente, cara, falar do fim, meu. A gente faz quantos anos que a gente grava junto aqui?
Nossa, acho que desde 2022.
Tá na hora de a gente falar.
4 anos gravando aí, 4 anos de série.
É como se a gente tivesse—
15 nós já fizemos.
Não sei, é como se tivesse uma série mesmo que fala, cara, mas e o fim? E o fim, cara? E a gente tá na hora de falar do fim, cara. Tá na hora de falar do fim.
Vamos fazer um negócio legal.
Apocalipse. E Apocalipse, vou te falar, quando você lê metade você vai falar, cara, ferrou, né? Que que tá escrito aqui? Não, porque não é tão simples quanto parece Apocalipse, certo?
Mas tem uma chave, mas tem uma chave, sabe qual é? Se você entender o contexto da época de João, muitos símbolos que para nós hoje são estranhos vão deixar de ser. Se você aceitar o desafio, a gente consegue explicar o Apocalipse do capítulo 1 ao 22 Numa tacada, numa conversa aqui, de maneira ilustrada, que o pessoal vai entender.
A gente vai fazer isso.
E não vai ser uma coisa de 8 horas não, fique tranquilo.
Mas se você quer saber essa chave, então espere o episódio.
A chave que vai ver, eu quero falar sobre isso.
Só que eu quero falar sobre o tom realmente como a gente faz aqui, explicando a história, refletindo sobre ela, mas depois filosofar um pouco sobre o fim. Sim, claro, né? Porque tem muitas coisas que eu queria externalizar, testar, provocar. Mas hoje a gente vai falar sobre Isaque.
Quem não tem, quem tem argumento, ele tem que ser— você falou dos debates, eu tenho uma preocupação muito grande. Eu prefiro perder o debate e ganhar a pessoa, e não ganhar o debate, perder a pessoa, você entendeu? E aí, nesse aspecto, o que que muitos fazem? Eles pegam a letra da Bíblia e começam a debochar de Deus. Ah, tá vendo aqui, ó? Deus se arrependeu, gente. É a mesma coisa falar assim, aqui, ó, átomo é divisível. É óbvio que é divisível, mané, porque não tem outra maneira de chamar átomo.
Convencionou chamar átomo. Então a Bíblia, ela é a revelação que nós temos de Deus, mas ela não esgota o ser de Deus.
Cara, é bizarro isso daí, mano.
Essa que é a questão. A Bíblia, ela é a revelação de Deus, mas ela não esgota o ser de Deus. Então querer pegar a Bíblia para desconsiderar Deus, como o Richard Dawkins no filme Deus é um Delírio, no livro Deus é um Delírio, né? Ah, o Deus da Bíblia é passional, Deus da Bíblia é chato, Deus da Bíblia é isso. Na verdade, gente, por favor, obrigado aqui mais uma vez, aproveitando que a Citadel tá aqui. Eu escrevi um livro com eles, mas o livro não esgota quem eu sou.
Esse livro é importante, tô muito feliz, mas esse livro não é o ser do Rodrigo, não se resume, não se resume a isso. Eu sou maior do que esse livro. Então Deus também é maior do que a Bíblia que ele mandou as pessoas escreverem, cara.
E aí, né, tem um próximo grande acontecimento. Lembra que a Sara tinha 90 anos quando nasceu Isaque? E a Sara, com 127 anos, ela morre. É, Abraão, ele compra a caverna de Maqpelah para sepultar ela. E aí, depois disso, Abraão decide procurar uma esposa para Isaque. Ele não quer que o filho se case com uma mulher cananeia, e nem que ele deixe a terra prometida também. Por isso ele envia o seu servo mais antigo à Mesopotâmia, a terra dos seus parentes.
E aí o servo, ele chega a um poço, pede um sinal, né? A mulher escolhida, ela ofereceria água a ele e aos camelos. Aí Rebeca aparece, faz exatamente isso. Ela aceita deixar sua família e viajar para uma terra desconhecida. E quando se aproxima dos destinos, ela vê Isaac no campo, e aí eles acabam se relacionando ali. Cara, eu vejo que tem um cuidado aqui com essa não mistura de povos, de religiões, de culturas diferentes, etc., né? E qual que era esse cuidado, esse carinho extra?
Eu tenho que analisar isso com muita muito critério sociológico para não cometer anacronismo. É porque se eu falar hoje, olha, eu vou querer agora que os meus filhos só conversem com os da minha religião e tudo mais, não faz sentido isso. Então primeiro, para eu entender isso aqui, eu tenho que ver como é que era a época e depois tirar o princípio da época e como eu aplico hoje, tá certo?
Naquela época, assim, na Bíblia não fala sobre não falar com outras pessoas, mas fala sobre é o jugo desigual no casamento.
Exatamente, fala, fala o jugo desigual no casamento. Isso é uma coisa importante para ser colocada. Mas, por exemplo, tem vários protagonistas da Bíblia que não eram do povo de Israel. Rute, Rute, Raabe, aliás, estavam até na ascendência de Jesus. Até na ascendência de Jesus aparece essas mulheres que não faziam parte do povo de Israel. Daniel mostra várias pessoas na Babilônia que eram legais. É, você tem o rei dos sírios, o comandante dos sírios, Naamã, que se converte, demonstra mais a viúva de Sarepta, que era do Líbano, atual Líbano, que ela ajuda o Elias.
Então Jesus falou que Elias foi mandado a uma viúva que não era do povo de Israel. Jesus falou que Deus tinha, ele tinha ovelhas que não eram daquele aprisco. Então não é uma discriminação no sentido de Deus só amava os judeus. Pelo contrário, tem uma passagem que ele fala o seguinte: vocês pensam que eu amei vocês mais do que eu amei os filisteus, que quando eu tirei de Caf-Tor Olha que interessante, eu também amei os filisteus.
Paulo, quando vai pregar para os gentios, mostra que Deus é o Deus de todos. Se Deus é o Deus de todos, então por que essa separação? Pela mesma razão que Deus separou Isaque e Ismael. Deus tem uma preocupação muito grande em que a revelação doutrinária, a promessa do Messias, não se perca. E aí eu tenho que falar uma coisa aplicando para os dias de hoje com muita cautela. Eu não posso ser um sociopata da fé. Que que é um sociopata da fé?
Aquela pessoa que acha que só ele e os dele que vão para o céu e todo o resto é gente do mundo. Você tá entendendo? É o clube, é outra, não é essa que é de outra comunhão, é de outra, não posso nem ter contato. Não, não é por aí. Pelo contrário, são todos, todos nós temos a capacidade de, pela graça de Deus, nos tornarmos filhos de Deus. E é Deus que determina as coisas, não sou eu, tá certo? Mas eu tenho que ter alguns critérios.
Eu tenho que aceitar todos, mas eu não posso aceitar tudo. E quando passa para os meus filhos, aí vem a importância do legado. Eu tenho que saber qual que é o caminho que os meus filhos vão ter. Então eu vou colocar os meus filhos numa escola que ensine os meus valores. Eu vou crer que os meus filhos têm amizade com crianças que tenham mais ou menos os meus valores, pelo menos o mais próximo dos meus valores. Senão eu já tô criando os filhos para outro criar, e eu não posso deixar de lado o meu papel de pai e a minha responsabilidade como exemplo para os meus filhos.
Senão vai virar baderna. Você sabia que hoje tem um livro do— eu vou lembrar o nome do autor aqui— é You Lost do Kidner. Acho que é Kidner o nome do autor, David Kidner. Dá uma checada, eu lost meu nome do livro em inglês. Acho que é David Kidner, eu vou checar ali. Ele tem uma pesquisa séria sobre religião que 65% dos jovens evangélicos saem da igreja até os 20 anos de idade.
É, tá falando sobre isso.
65%. Isso é um número muito alto.
Ele trouxe um número até maior, 3/4, ele falou.
Você entendeu? É muita coisa, 65%. You Lost Me, o nome do David— é Derek Kidner, obrigado. Derek Kidner, leiam esse livro. Parece que esse livro até tem em português. You Lost Me é o nome dele em inglês. E por quê? Por que que muitos jovens estão afastando da igreja? Porque não tem em casa modelo.
E além disso, um ponto interessante é porque quando você começa a se deparar com os confrontos de questões hoje que são defendidas, né, por exemplo, o Big Bang, né, e aí o pai terceiriza a fé e tal. E aí quando falta em casa essa defesa da fé e a gente não consegue argumentar para o nosso filho, nosso filho às vezes também não consegue depois argumentar, ele mesmo acaba acaba ficando em dúvida, vai abrindo mão. E hoje eles não pensam assim.
Aí ele tem muita informação, né?
Tem muita informação. E aquela questão, não tô falando com isso que todos os pais têm que ser especialistas em biologia, doutrinadores. Não, não.
Mas eu acho que todos os pais têm que ser especialistas sim na sua fé, na sua fé, saber o que crer.
Paulo falando, sabendo como é que é dar a razão da fé que é em vós. Aí o que acontece, o pai, e além de, é David mesmo, David David Kahneman. Além de não saber, não dão exemplo. Hoje nós já temos um problema, mesmo fora das igrejas, que é a terceirização da educação. Tem um longo debate aí que eu não quero entrar nele, e que tem um debate que eu quero entrar depois, que tem a ver com homeschooling. É o governo ou se é, são os pais. Aí o que acontece? O pai não dá exemplo, ele terceiriza.
Se acha certo não ser Você obrigar o pai e a mãe a colocarem uma criança na escola e não ter liberdade de, se você quiser, você ensinar e educar seu filho?
Cara, acho que você tem que ter a liberdade.
Não é sobre se é melhor ou pior, porque acho que tem opiniões diferentes, mas é sobre você não ter liberdade de, se você quiser, você contratar professor e tal, e você ensinar sobre a base do que você acredita na sua própria casa.
Não, eu acho que tem que ter.
Cara, isso daí é louco. Se você olhar os países mais avançados do mundo, os países mais avançados do mundo têm maior fé na família. Você educa o seu filho da maneira que sua família achar. Se é um amish, seja como amish. Você é mórmon, seja como mórmon. Países de tendência totalitária, eles querem sequestrar a educação para si. Você pega a Revolução da Juventude Educacional de Mao Tsé-Tung na China, com o Livro Vermelho, Você pega quando teve depois da Revolução Russa lá, esqueci o nome da época do— a gente até tinha um livro, nossa, do— tudo bem, daqui a pouquinho eu lembro.
A Revolução Russa que teve também, é o Estado quer ter os seus filhos para nós, porque os filhos são do Estado, nós que vamos doutrinar os seus filhos, que a gente quer fazer tudo. Pega de novo então o bolchevista, na época dos bolchevistas, do Mao Tsé-Tung da China, é aquele negócio A criança é nossa, o Estado é nosso. Você pega alguns países de ditadores muçulmanos, como era do Saddam Hussein no Iraque, aquela coisa toda e tal, não pode expor criança, é tudo nosso dentro da caixinha.
Aquela coisa lá, o Afeganistão, é tudo nosso e tudo mais. Por quê? Porque se eu tenho seus filhos para mim, eu tenho sob controle as próximas gerações, e o deus dos seus filhos passa a ser o Estado. Você entendeu? Passa a ser o Estado. O Gramsci, ele falou muito disso aí, Antônio Gramsci. Eu discordo, eu discordo da filosofia dele, mas eu parabenizo a estratégia dele, você entendeu? Vamos doutrinar as crianças, vamos doutrinar as crianças.
Então, se eu tenho interesses escusos e de totalitarismo, quanto mais cedo eu arranco as suas crianças de você melhor eu tenho condições de fazer a cabeça delas. Com um agravante: é muito fácil hoje você ser o tio legal, o professor legal, se você incentiva a criança a quebrar as regras que ela tem em casa. Sabe aquele avô que dá balinha escondido para as crianças? Não gosta do vovô mais do que da mãe, que a mãe proíbe de comer bala antes do— não vai comer chocolate se não comer salada toda.
Tá escondido. Isso é ótimo. Então hoje nós temos uma sociedade laça onde todos os valores são criticados, a família é criticada, e eles querem sim roubar os filhos dos pais. Eles querem roubar o filho, educação de casa. E aí gera esse tipo de situação assim abjeta. Eu vejo em Isaac uma coisa muito forte. Isso na época bíblica era muito forte, o papel dos pais para com os filhos, tanto do ensino como para com o exemplo. Tanto é que a maior parte das pessoas não sabiam ler nem escrever, mas era obrigação saber de cor várias passagens da Escritura para mãe passar para o filho.
A primeira professora do filho era a mãe, e a maior parte das mães de Israel não sabiam ler ou escrever. Olha uma frase de Isaque que ilustra isso aqui. Gênesis capítulo 30:24, versículo 63, diz assim: Ao cair da tarde, Isaque saiu para meditar no campo. Erguendo os olhos, viu, e eis que vinham camelos. A hora que ele vai encontrar com Rebeca. Mas olha que interessante, quando ele vai ver a Rebeca, antes, o que que ele tá fazendo?
Meditando. Lashuar é a palavra que aparece aqui. Lashuar é um hapax legômeno, só aparece uma vez essa palavra na Bíblia. Alguns traduzem lashuar como meditando, outros como rezando, orando. Tem uma tradição judaica que até coloca a oração da tarde baseada em Isaac. É uma tradição oral. Isaac iniciou essa oração da tarde que muitos rabinos têm, muitos judeus têm, a oração da tarde. Eu não sei, mas ele já era um rapaz que tava meditando.
De onde ele aprendeu isso? Ele via que Abraão era amigo de Deus. Então não dá para ter filhos amigos de Deus se você é apenas colega dele ou um distante desconhecido. Não dá para ter filhos amigos de Deus se você é apenas um conhecido de Deus distante. Você tem que ser amigo de Deus. E nós não podemos, gente, terceirizar a educação das crianças. Você pode, você pode até terceirizar o ensino. O meu filho pode até aprender. Eu faço isso, é coisa minha, tá?
Eu tô assumindo para mim. Eu faço uma dicotomia entre ensino e educação. Nem sempre são sinônimos perfeitos. O ensino você pode aprender até por conta própria, educação não. Ensino você pode aprender por autodidática. Eu nunca fui a um curso, nunca assisti uma aula de inglês. Isso é ensino. Mas a educação tem que vir de modelos, e modelos humanos. E tem muitos pais que desde pequeno— a gente tá falando aqui do Estado querendo sequestrar as crianças, mas tem muito pai preguiçoso também que ele já quer se livrar dos filhos desde cedo.
Ele já quer mandar os filhos, ele quer terceirizar a educação. E muitos professores hoje não estão aguentando sala de aula porque o pai que não dá educação nenhuma joga a criança dentro de sala com mais umas 30 para pobre coitada da professora ali cuidar, e entrega como você entrega um cachorro para um canil para o cara ensinar alguns truques para o cachorro. Desculpa a comparação, mas é assim que muitos pais Sabe quando você quer ensinar o seu cachorro a dar patinha, sentar, parar de latir para o vizinho?
Você não tem tempo para. Aí você pega o cachorro, manda para um treinador, o treinador ensina, perfeito, devolve para você. Isso vale para o cachorro, não para o seu filho. Então não podemos terceirizar a educação.
Que o papel aí, no caso do professor, né, é o ensino, né, não a educação de base, né.
Eu sei que muita gente vai me criticar por essa dicotomia que eu tô fazendo aqui, mas eu tenho fundamentações filosóficas para falar o que eu tô falando. Para mim, educação e ensino não são sinônimos perfeitos.
E aí, né, então Isaac conhece Rebeca, eles se relacionam, ele viu o amor do pai dele pela mãe, isso é importante também. Exatamente, exatamente. Então ele teve um pouco da— ele aprende, a gente aprende, né, não só pelo que é dito, mas pelo que é visto e vivido. E a gente replica muito do comportamento. Aí Isaque, ele tinha 40 anos quando ele se casou com Rebeca, só que a Rebeca era estéril, né? Então a gente vê um pouco da história, e ele não abandona a Rebeca, repetindo, e ele não abandona a Rebeca como pai não abandonou a mãe.
40 anos, Isaque deve ter ouvido a história do Abraão, que, né, mas sei lá, mil vezes, né? Falando assim, ah, filho, quase lá o Deus apareceu, quase que eu te saquei.
Talvez para ele seja mais fácil, talvez, né? Assim, sabendo que o pai passou por história muito parecida, exato, e que acabou tendo ele e a mãe era estéril, ele, ele vê a mesma história de que Rebeca era estéril, ajuda ele de alguma forma.
Mas ele não carregava o peso de ser um meio que um escolhido assim?
Poderia ter, poderia sim, por que não?
Depois de ter mandado embora outro irmão, acho que poderia sim.
A Bíblia não afirma isso explicitamente, mas é provável pelas entrelinhas do texto.
Claro, acho que aqui tem uma pequena diferença, pensando, porque, ó, ela era estéril, e aí durante 20 anos, né, ele viveu com a possibilidade de não ter filho, né. E então ele tinha um pouco desse risco da infertilidade. Só que aqui, o que acontece? Isaque orou ao Senhor em favor da sua mulher porque era estéril, e o Senhor respondeu a sua oração, e Rebeca, sua mulher, engravidou, né. Aqui acho que mostra uma coisa interessante, que é quase que eu vejo que antes Abraão, por mais ser um cara de muita fé, ainda assim Não é como se ele fosse ativo na oração de ter um filho.
Não é que ele não queria ter um filho, é que aqui eu vejo talvez um grau de confiança diferente, porque Isaque veio de uma mãe que era infértil. Então talvez daqui gere também uma confiança a ponto de ele pegar, botar a mão na barriga assim de Rebeca e profetizar que isso vai acontecer. E de fato aconteceu, lógico, de fato aconteceu, né? E só que assim, ele engravidou, ela engravidou, né, de gêmeos. Então diz que os bebês lutavam entre si dentro dela.
Por isso perguntou: por que isso está me acontecendo? Foi então consultar o Senhor, e o Senhor lhe disse: duas nações estão no seu ventre. Desde as suas entranhas, dois povos se separarão. Um povo será mais forte que o outro, e o mais velho servirá ao mais novo. E aqui também já começo a não entender por que que assim as crianças não tinham nenhuma influência sobre o que acontecerá no futuro delas. Elas eram girininhos ainda e Deus já tava dizendo que eles teriam conflito, etc.
Cara, para quê que Deus tá colocando isso assim? Não sei, né, tudo tem um motivo.
Mas enfim, e aí eu cheguei aí, mas lembre que algumas coisas, Deus tem várias formas de fazer a profecia, tem várias formas. Tem profecias condicionais, tem profecias não condicionais, tem a profecia onde Deus apenas antecipa, dá um spoiler do que vai acontecer, não necessariamente do que Deus quis que acontecesse. A Bíblia muitas vezes ela descreve, não prescreve ou subscreve.
É o que você tá dizendo, às vezes é que não é que Deus desenhou que fosse assim, é que Deus, sabendo que vai ser assim, já está dizendo que vai, já está dizendo, exatamente.
E Deus dá a possibilidade de você mudar. É um exemplo clássico, é a destruição de Nínive, quando o profeta Jonas, profeta de Deus, Vai lá e destrói, fala que Nínive vai ser destruída. E quando ele vai lá, ele fala, o povo se arrepende, pede perdão, e a profecia não se cumpre.
O que que aqueles que não acreditam no livre-arbítrio falam sobre essa passagem de Nínive?
Você disse os que não acreditam no livre-arbítrio, tem aqueles que acreditam, calvinistas.
O que que eles defendem sobre essa passagem especificamente?
Sobre essa seria leviando a minha parte responder agora aqui sem ler um autor calvinista, porque eu vejo que assim, teologicamente, talvez o debate vai ser de outras passagens.
Porque assim, Lucão, tem o que eu vejo, pelo menos assim, dos maiores debates dos teólogos geralmente giram em torno de vários assuntos, mas esse em especial, que é sobre se você tem livre-arbítrio ou não.
Judas foi escolhido por Deus para negar Jesus e depois se matar. Então assim, eu considero assim, é uma doutrina muito complicada. É muito complicado esse negócio de Deus escolheu, sabe? Você tem, alguns tentam amenizar, fala que tem o calvinismo de 5 pontas, né, aquela coisa toda e tal, tentam amenizar um pouquinho, são mais radicais. Tem uns que chegam ao ponto de dizer que se o ladrão entrou na sua casa e matou você, esquartejou sua esposa, ainda fez mal para sua filhinha que tava ali pequena, foi Deus que quis. Então É muito complicado isso aí para mim, você entendeu? Muito complicado.
Isso aqui daria um incremento também, valeria a pena essa discussão.
Mas o dia que eu acreditar nisso, eu descreio do amor de Deus.
É claro.
Então eu pensei um pouco nessa questão, que isso não é descrição de um Deus que ama.
Eu também pensei. Não, e eu acho que assim, a ausência do livre-arbítrio realmente assim, a ausência do livre-arbítrio já demanda um Deus que não ama.
Porque uma característica de amar é justamente você dar liberdade do outro não te corresponder. Não existe outra forma de amor. Se eu amo e obrigo o outro a me amar de volta, isso não é amor. O amor já pressupõe a vulnerabilidade da rejeição.
Não, mas ele não obriga, mas ele também fala que você não vai ser salvo, não é?
Mas não vai ser salvo por qual razão? Eu gosto de fazer a comparação assim, porque olhando realmente grosso modo, parece que Deus é um chauvinista, um tóxico, tá falando: ou fica comigo, senão vou te mandar para o inferno. Também já vi muita crítica disso na internet, das pessoas não entendem o ser de Deus. O que Deus está dizendo ali é o seguinte, vou fazer uma comparação. Olha o problema da linguagem, a comparação que eu vou fazer é muito tímida, mas ilustra.
Imaginem que a água tivesse capacidade de pensar, expressar-se, e o peixe também. E o peixe agora começa a discutir com a água: eu não quero mais viver dentro da água, eu não quero viver dentro da água, eu vou para fora. E a água vira para o peixe, fala o seguinte: viva, fique em mim, você viverá. Se você sair daqui, você vai morrer. Eu vou sair. Peixe, eu tô te falando, se você sair de mim, você vai morrer. Eu vou sair. E sai e morre.
A água foi egoísta? A água foi chauvinista? Não. Quando ela falou com o peixe: fique em mim, senão você vai morrer, ela estava apenas descrevendo uma realidade. Para o peixe não tem vida fora da água. O único jeito dele viver é na água. Então quando ela fala: fica comigo, senão você vai morrer, não é como aquele namorado possessivo que fala assim: ou você continua no namoro, senão vou te matar. Não, sentido não é esse, porque se a menina termina o namoro com ele, ela tem milhões de outras opções melhores do que a dele.
Mas no caso do peixe da água, não existe outra opção além da água para ele viver.
Caramba!
Então quando Deus fala com a gente: viva em mim, senão você vai morrer, é porque vida só existe em Deus, ponto final.
É isso aí, cara. E aí, né, então diz aqui, né, que ao chegar a época de dar à luz, confirmou então que haviam gêmeos no ventre. O primeiro a sair era ruivo, e todo seu corpo era coberto de pelos como manto, por isso deram-lhe o nome de Esaú. E depois saiu seu irmão com a mão agarrada no calcanhar de Esaú, por isso deram-lhe o nome de Jacó. Isaque tinha 60 anos de idade quando Rebeca os deu à luz. Então ele era 20 anos mais velho, né, que Rebeca. Isaque amava Esaú.
E perceba que ele ficou 20 anos, 20 anos, é isso aí. Então que você fala assim, não, mas ele pôs a mão na barriga dela e terminou. Ainda que trabalhe com essa hipótese, ele ficou 20 anos sem ter a resposta, né?
Mas no caso dele, ele esperou, né?
Esperou antes dos filhos, né? Não, não esperou.
Tô falando assim, aprendeu com o pai, né?
Que a gente tem que ver que não é Shazam, não é eu que determino na minha hora.
Cara, você imagina o quanto você espera 20 anos pelo negócio que você pediu, né?
E detalhes, há milagres realizados, milagres não realizados. Deus operou o milagre dele, mas não curou Sara. Sara morreu. Ele teve a desdita de perder a mãe.
É verdade. E aí, Isaque amava Esaú porque saboreava as caças que ele trazia, e Rebeca amava Jacó. Então cada um tinha um favoritinho aqui, né? Cada um tinha um favoritinho. A Rebeca amava o mais novo, Esaú amava, Isaque amava mais velho. E aí começa então, cara, isso é um grande Também confesso que histórias de muita reflexão aqui entre esses irmãos, que olha, dá o que falar. A gente fez, a gente fez, Jacó, é muito interessante, né?
E aí passa um tempo, é uma grande fome atinge a região. Isaque vai para Gerar, território governado por Abimeleque, e ali Deus aparece diretamente a ele, ordena: não desça ao Egito, Procure estabelecer-se na terra que eu lhe indicar.
Que a última vez que o Abraão foi não deu bom, né?
Exatamente.
Agar veio com ele de lá.
Então conta um pouco para a gente esse negócio, porque você tem uma promessa que vem lá de cima e que tem isso um pouco de continuar na região, né, que Deus indicar. Que que implica essa história de Egito?
A terra de Canaã, que era a terra que Deus deu para Isaac e Jacó, e que eles começaram a comprar essas terras. Tanto é que quando fala que Abraão pegou o Moriá e deu o nome agora de Adonai Ere, o Senhor proverá, para ele dar um novo nome para montanha, porque ele adquiriu a montanha. Você sabe que eu tenho uma tese sobre isso, que os patriarcas foram adquirindo propriedades na terra. E depois, quando eles voltam para o Egito, na época de Jacó, a gente terminou Jacó falando isso, né, de que Deus deixou que eles fossem para o Egito Mas o tempo que eles ficaram no Egito foi a época que os cananeus tomaram conta da terra, dominados pelos egípcios.
E depois de 40 anos, eles têm que voltar e tomar de volta essas terras na base da espada com Josué.
É, cara, é loucura isso.
Então a descida para o Egito era uma coisa muito perigosa. Abraão também, quando foi para o Egito, quase entregou a esposa dele para o faraó e voltou com presentes de faraó. Entre os presentes veio uma escrava chamada Agar, que vai ser a mãe de Ismael. Que dá toda a carga, dá todo o problema hoje que nós temos aí do conflito entre judeus e muçulmanos até hoje. Aí, ou seja, a guerra começou ali. Então Deus falou: Isaac, não desça para o Egito, fica aqui mesmo.
Eu sei que você vai errar também, você vai para a terra dos filisteus, mas o estrago vai ser menor.
E tem também aquela questão de que aqui Isaac mente, né, no caminho. Exatamente, igual o pai, né. Conta, só que é uma mentira que assim também, a tal da mentira branca, né. É tipo aquela mentirinha que, pô, não é tão mentira assim. Ela pode ser verdade ou mentira, depende do seu ponto de vista, né?
É isso que é o perigo às vezes, quando a pessoa quer relativizar coisas sérias, né? Normalizar coisa, normalizar. Olha, é um estágio. Você normaliza coisas erradas e depois normatiza. Qual a diferença entre uma coisa e outra? No início você normaliza, tudo normal. Depois você normatiza, vira lei. É porque o mundo hoje tá assim, tá assim, cara. Ó, quer um exemplo que eu vou dar? Isso que é trágico, mas aconteceu. Olha, olha dois casos que aconteceram recente nos Estados Unidos.
Não sei se vocês ouviram falar disso. Uma mãe, ela matou— não vou falar a palavra aqui para não— ela espremeu três filhinhas, as três dormiram. Aí essa mãe foi condenada, foi condenada. Mais ou menos na mesma época Uma outra mãe entrou no incêndio para salvar, parece que, 3 ou 4 filhos, e essa ficou toda queimada. Ela sobreviveu, salvou os filhos, mas ficou toda queimada. Isso é recente. E houve nas redes sociais todo um esforço para fazer uma vaquinha para ambas as mães.
A primeira alegou que ela estava sofrendo depressão pós-parto. E por estar em depressão, ela estava fora de si. Ela precisava de dinheiro para ter um bom advogado para livrá-la ou da prisão perpétua ou da pena de morte. E ela precisava de ajuda e tudo mais. E ela foi a público e pediu e tudo mais. Aí as pessoas começaram a fazer uma campanha financeira, uma vaquinha para ajudar essa primeira mãe. E ao mesmo tempo começaram a fazer uma vaquinha para ajudar a outra que se queimou toda a fazer cirurgia e tudo mais, né?
Curioso, a primeira, a segunda mãe queimada recebeu parece que $45 mil que deu a vaquinha dela. A outra deu mais de $1 milhão. Agora explica por que que uma mãe que pratica a morte dos seus filhos demanda mais afeto e compaixão das pessoas do que a outra que entrou no incêndio e salvou. A gente tá notando que o mundo está virando.
Você falou que a que recebeu 1 milhão foi a que fez a cagada?
É o contrário. É, depois eu posso passar para você o link dessas matérias.
Não é possível isso, cara.
Ela que—
sério isso? Ah, não é possível. Já era, já era.
Reseta a simulação.
Agora lembra que você falou que a gente ia fazer um filme, um filme, um bate-papo aqui sobre o fim. Jesus falou: quando vier o Filho do Homem, porventura achará fé na terra? E por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. E já a gente tá falando de Abraão, Isaque, paternidade, legado e tudo mais. Eu quero pedir licença para falar o que que Paulo disse aqui em Timóteo. E aqui o que Paulo falou está diretamente ligado a tudo isso que nós estamos falando, da terceirização da educação, pais que não se dão ao respeito, pais que se deixam transformar em Homer Simpson, que o Homer Simpson é estereótipo hoje, né?
Então Paulo fala bem, bem claramente aqui o seguinte, olha, 2 Timóteo capítulo 3: mas você precisa saber disto, nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis, pois os seres humanos serão egoístas, avarentos, orgulhosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, convencidos, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus, tendo a forma de piedade, mas negando o poder dela.
Antes de continuar a leitura, olha que curioso, quando você lê a lista aqui, você pensa que Paulo tá falando só dos ímpios, das pessoas que não têm Deus no coração, que não querem saber da espiritualidade, nem da fé e tudo mais. Mas ele aqui fala: tendo forma de piedade, mas negando o poder dela. Ele tá falando de pessoas religiosas. A gente lê, pensa que tá descrevendo ateus. Ele tá descrevendo crentes, que elas têm forma de piedade, são boazinhas.
Vamos ajudar essa mãe, você entendeu? Então, na igreja talvez, mas na igreja é uma coisa, em casa é outra. Mas negando o poder dela. Fique também longe destes. Então, aquela preocupação que a gente colocou lá de Abraão, que o Isaque ficasse pegasse uma esposa que fosse mais ou menos da mesma fé ali, do mesmo clã. O Abraão preocupado com isso, o Isaac, né, a questão de separar descendência de Caim e Abel. Olha, a gente não deve discriminar ninguém, mas a gente tem que cuidar quem a gente traz à mesa para almoçar.
Porque às vezes eu fico pensando, até o like que você dá num perfil já diz um pouco da filosofia. Que eu já sei muita gente assim, não, mas eu não concordo com que o fulano fala não. Mas quando você olha o perfil do fulano, tá o like daquele indivíduo lá. Só o like entrega, entrega. E não só o like, o próprio algoritmo também te entrega. Uma pergunta para você fazer: o que que o seu algoritmo tem entregue para você?
Abre seu explorar aí no Instagram.
O que que o seu algoritmo tem entregue para você? Ele já é um bom sintoma da filosofia de vida que você tem. É verdade, você tá deixando legado. É verdade, né? Eu tive agora, até aproveitando o ensejo, se vocês me permitem, eu quero fazer uma homenagem póstuma aqui. Eu já mencionei em alguns programas aqui um grande mentor que eu tive, agora está no passado, Doutor Milton Afonso, fundador da Golden Cross. Ele faleceu morreu semana passada.
Foi agora?
Foi agora. Eu fiz o funeral dele, 104 anos. 104 anos. E uma coisa que marcou muito, porque hoje como tá falando de Abraão para Isaac, e coincidentemente veio o livro do Legado, a gente tá falando de pai e filho e tudo mais, eu lembrei do Doutor Milton. Esse homem ajudou mais de 70 mil jovens a estudarem, mais de 70 mil de todas as naturezas que você pode imaginar, você entendeu? Se bobear, tem gente assistindo a gente que recebeu bolsa dele para estudar. Sabe o Xande, aquele cantor de samba? É o Xande. Qual que é o sobrenome dele?
É do Axé?
Xande Pilares. De Pilares. Xande de Pilares.
Você falou Axé?
Eu falei não, falei Axé.
Eu não falei Axé não, minha cabeça. Você falou Axé, então é isso.
Mas é samba, não tem nada a ver com axé não. O Alexandre, o Xande de Pilates, ele estava um dia numa, numa, num Réveillon que contrataram o Xande para cantar numa festa de Réveillon, e ele foi como artista famoso, despretensiosamente contrataram, não podia ser qualquer outro. Quando ele chegou lá, ele querendo saber quem eram as pessoas, viu um senhorzinho lá Aí aquele é Doutor Milton Afonso. Ele parou. Milton Afonso? É, pera aí, o dono da Golden Cross?
Eu posso ser propaganda que é o Golden Cross hoje, nem, né? É o dono da Golden Cross. Para tudo. Aí ele vira. Eu tenho isso aqui no meu celular, esse vídeo. Ele ajoelha e fala assim: quero dizer uma coisa aqui. E ele improvisa: com 11 anos de idade eu ganhei a Golden Cross. E eu posso falar, a mãe dele, ele fala nesse repente que ele faz lá, que a mãe dele perdeu o dedo polegar. Se o Xande Pilares ver esse vídeo, ele pode confirmar que isso aqui não é mentira.
E a mãe dele era costureira, pobre, e o Dr. Milton, sem nem saber quem que era aquele menino, ajudou ele a estudar no colégio particular. E falou, hoje eu virei compositor, por isso eu rendo a minha homenagem ao senhor. Tem muita gente rica no mundo, tem muita gente começou pobre e virou rico. Tem muitos, você deve conhecer uns trocentos cujas vidas dariam até boas biografias. Mas quantas pessoas podem olhar para a riqueza que ele acumulou e perguntar assim: o que que as outras pessoas se tornaram devido ao fato que eu me tornei quem eu me tornei?
Essa é uma pergunta muito importante, tem que fazer. Porque sucesso sem beneficiar o outro é apenas um eufemismo para o orgulho, para o egocentrismo, você entendeu? Então assim, quantas pessoas o Dr. Milton ajudou? Então quando eu olho assim, ele ficou rico, mas graças ao fato dele ficar rico, quantas pessoas mudaram de vida para melhor, você entendeu? Graças à pesquisa de alguém. E aí você fala assim, ah, mas quem sou eu? Eu sou pobre.
Meu amigo, você pode fazer essa pergunta até com relação a quem trabalha com você. Se você é um frentista ou um funcionário público, ou um professor de escola primária, ou um professor universitário, ou até um desempregado na fila do desemprego, não importa. Apenas tem que fazer todo dia o seguinte: a vida do fulano está melhor porque ele trabalha junto comigo, tá pior? A vida do meu filho tá melhor porque ele nasceu meu? Quando eu falo melhor, não é porque você tem mesada para ele, não.
Melhor no sentido de ambiente seguro. A vida do meu filho tá melhor porque ele nasceu de mim ou tá pior do que poderia ser porque ele nasceu de mim? Em outras palavras, eu escrevi isso quando eu fiz o funeral dele, eu escrevi na minha Bíblia: o que os outros se tornaram pelo fato que você virou quem você é? Então a gente tem que fazer essa pergunta. Isso é forte, você entendeu? Isso é legado. Abraão Abraão poderia olhar para Isaque e falar assim: Abraão ficou rico, mas o que Isaque se tornou pelo fato que Abraão foi quem ele foi?
Isaque, o que que Jacó e Esaú se tornaram pelo fato de que Isaque— isso não significa perfeição não, gente. O Abraão deu muita bola fora, a gente estudou aqui a história de Abraão. Isaque deu bola fora, mas lembra os rascunhos da menina lá da cartinha que eu contei na parábola? Pois é. Faça o seu melhor para Deus e não se deixe ser daquelas pessoas que têm mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus. Forma de piedade, mas negando o poder.
E aí então assim, Deus confirmou a promessa feita a Abraão: Isaque teria aquela terra, teria uma descendência numerosa, e por meio dela todos os povos seriam abençoados. E aí então ela, pela primeira vez, ele deixa de ser o herdeiro.
Olha a última frase que falou: por meio dela todos os povos seriam abençoados. Abençoados. A confirmação do que eu acabei de falar.
É isso mesmo.
Eu vou te dar uma bênção, mas por meio da sua bênção todos os povos serão abençoados. Olha como é que isso aqui é de Deus. Isso que termina. Você acabou de dar a frase bíblica que sustentou biblicamente que eu acabei de falar. Você falou assim, olha, Deus deu a bênção para Isaac e por ele todos os povos seriam abençoados.
É isso aí, é isso demais.
A gente trabalha com o muito com essas coisas no PrimoCast. E aí ele deixa de ser o herdeiro da promessa. Ele ouve do próprio Deus que a aliança continuaria por meio dele, né? Só que mesmo assim ele fica com medo. Isso que é o mais louco, né? A gente ouve e tal, e é Deus falando. Acho que ele não devia ter dúvida, e ele ainda assim fica com medo. E aí quando os homens de Gerar perguntam sobre a Rebeca, ele fala que é irmã dele, igual o pai fez com a mãe, que ele temia ser morto porque ela era muito bonita, tinha beleza.
Ele repete o erro. Só que a mentira é descoberta quando Abimeleque vê Isaque acariciando Rebeca, que era esposa dele. Aí o rei percebe que eles eram casados, confronta Isaque e ordena que ninguém toque no casal. Isso é loucura por si só, né? E assim, eles ainda saem abençoados, né? Quase que abençoados assim. Foi uma coisa de grande reflexão para mim, porque, pô, cara, O cara faz cagada, me parece do ponto de vista que foi uma cagada, né?
E ainda sai abençoado do negócio. Você notou que Deus realmente tá do lado do cara?
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De outra maneira, Deus abençoa a despeito de nós.
É, cara, é tipo tinha um propósito.
É quase que a despeito de mim.
É tipo Deus vai empurrando. Não vai, vai que você precisa completar a missão, né, cara?
É um paradoxo porque você tem que perseverar. É um paradoxo, você tem que perseverar, lutar, mas é a despeito de você que a coisa acontece.
Ou talvez assim, como Deus sabe todas as possibilidades, a gente não sabe o que aconteceria, se não seria pior se ele tivesse, vamos supor, deixado ele ser punido. Ou às vezes também o que eu vejo na Bíblia, que às vezes a punição vem depois de outra forma.
De outra forma, tem isso também.
Do mesmo jeito que o pedido pode vir depois, uma coisa que podia ser para um caminho mais fácil acaba sendo um caminho mais tortuoso. Por causa do erro do— não atendi o Waze. O Waze tá mandando vir por aqui, eu quis passar por lá.
Isso é um erro crucial e contra o Google. E aí, cara, acontece, Isaac fica rico. Eu queria falar um pouco sobre a riqueza de Isaac, tá?
Por favor.
É assim, mesmo no ano de fome, então pensa, era uma crise, Isaac planta naquela terra e ele colhe 100 vezes mais.
Ele cresce, enriquece, se torna extremamente poderoso, torna-se objeto de inveja dos outros lá, né?
Exato. E aí começa a ter assim inveja, o pessoal começa a roubar os poços dele, etc. e tal. Tem até os nomes dos poços, né, que um é Ezequiel, outro é Sitna, e tudo isso tem a ver com desavença, né, contenda e tudo mais. Só que aqui Deus abençoava ele, porque não, tudo bem, pode pegar esse poço. Ele ia cavar o próximo, próximo, e ele sempre achava água. E ele era um cara muito rico, pelo que eu entendo. Isaque ficou muito rico.
E isso é só um dos exemplos bíblicos de alguém muito abençoado por Deus e que tinha muito dinheiro, aparentemente. Fala um pouquinho sobre isso, Rodrigo, porque às vezes as pessoas usam para descredibilizar algumas pessoas dizendo que quem tem dinheiro, enfim, é quase que quem é abençoado, quem é próximo de Deus, não deveria ter patrimônio. Isaque é um exemplo claro do oposto disso.
Isaque, o próprio Abraão, Abraão, Abraão. Abraão, pessoal pode lembrar do bate-papo que tivemos sobre Abraão. Abraão era um tumcarum, na minha opinião, que era uma expressão técnica que usava lá na Mesopotâmia. Abraão era quase que um Elon Musk, e não tô exagerando não. Tanto é que ele foi recebido pelo rei do Egito. Qual empresário é recebido pelo Trump? Tem que ser alguém, não é, tem que ser um empresário, o empresário Você tá entendendo?
Então vamos lá, com relação à riqueza, Isaac, a demonização da riqueza, eu poderia dizer o seguinte, eu vou traçar uma linha. Houve uma época da teologia em que havia, letra A, uma romantização da pobreza e uma demonização da riqueza, uma demonização hipócrita. Eu vou dizer por quê. Geralmente os que dominavam o discurso da demonização da riqueza, eles mesmos não viviam como pobres. Tá certo? Vamos pegar aqui um exemplo. A gente pega, e para os católicos não pensarem que eu tô atacando a Igreja Católica, eu vou dar exemplo dos protestantes também daqui a pouco.
Mas quando São Francisco de Assis vai encontrar com o Papa, que o Papa manda São Francisco, ele foi lá para receber a bênção do Papa para ele ter a ordem dos franciscanos liberada. A primeira ordem que recebeu do Papa é: vai ficar com os porcos, que você tá como eles. Que tava tudo maltrapilho e tudo mais, ele fazia o voto de pobreza e tudo mais. Olha o contraste: São Francisco de Assis foi lá no meio da pocilga e o Papa todo cheio de anel de ouro, aquela coisa toda.
Aí o pessoal: olha, não faz isso não, porque todo mundo tá percebendo São Francisco de Assis. Então chama São Francisco de volta. Eu abençoo você e tudo, e abençoo o voto de pobreza e tudo mais e tal. Só que os monarcas mesmo viviam na pobreza, né? Muitos santos eram pobres, mas a pessoa não é pobre. Quando você vai dando um loop para o comunismo, é a mesma coisa. O comunismo prega que todo mundo tem que ganhar pouco, mas vai no Kremlin para você ver se o pessoal que mora no Kremlin come a mesma.
Vai para o palácio lá do Fidel Castro para ver se Fidel Castro comia mesmo a mesma ração que o povo comia, tá certo? Mao Tsé-Tung, vai. Mao Tsé-Tung comia a mesma comida que os operários da China comiam. Então é uma visão hipócrita. Então, por muito tempo ficou assim, aquela— isso nós temos reverberação dela até hoje, você entendeu? Pode olhar que muitos hinos clássicos das igrejas— agora eu tô entrando no âmbito evangélico protestante— são hinos que de certa forma também demonizam riqueza.
Por exemplo, um deles diz assim, olha: da terra riquezas são vis e ouro não tenho a guardar, mas são meus os tesouros do amor que a graça infinita pode dar. Da terra riquezas são vis. Então não pode ser rico, ser rico é uma ofensa a Deus. Então repito, uma época de romantização da pobreza e demonização da riqueza, sendo que os que faziam discurso, eles mesmos não viviam como pobres, a maioria deles, né, os líderes eu digo. Aí nós saímos dessa época feudalista e tudo mais, aí entra na época do capitalismo.
O protestantismo nasce nessa época. Aí o protestantismo, num primeiro momento, ele também tem, ele tem entre meios com a formação do capitalismo. Você tem o Weber, o próprio Lutero, o capital, aquela coisa toda e tal. Começa o compasso a sair, o pêndulo sair daqui para um outro lado. Começa agora a valorizar o capital. Aí os pais, Alemanha começa agora a ser capitalista, aquela coisa toda, a beleza do dinheiro e tudo mais e tudo.
E aos pouquinhos isso foi caminhando, caminhando, caminhando. Demorou por muito tempo. As igrejas evangélicas, se você perguntar, mesmo as pentecostais, Assembleia de Deus, Deus é Amor, elas começaram nas periferias, era das pessoas semianalfabetas. E até hoje a maior parte das igrejas conservadoras, das mais tradicionais, é classe C e D. E os hinos continuam lá, né? Riqueza não posso ter, eu terei uma casa só no céu, aqui não pode, tudo mais.
Só que aos pouquinhos foi surgindo a chamada teologia da prosperidade. Aí a teologia da prosperidade, a meu ver, ela comete o mesmo erro do passado, só que trocando os personagens. Se no passado a ênfase era demonizar a riqueza e romantizar a pobreza, hoje nós corremos o risco de romantizar a riqueza e demonizar a pobreza, a ponto que alguns chegam assim: não, se você não tem uma Ferrari, se você não tem um Lamborghini, é porque você não seguiu os passos corretos, você não seguiu o o mentor, você não fez todo o curso.
E tem muitos cursos, né, na internet de ficar rico que a pessoa faz um curso atrás do outro, um curso atrás do outro, e sempre quando ela não consegue alcançar o resultado do especialista, não, é porque você não seguiu tudo que tinha que seguir. E quando você dá um banho teológico nisso, nós corremos o risco de cair no outro erro, que é o erro de: por que que eu sou rico? Porque eu prosperei. Eu fiz meu pacto com Deus, eu dei o dízimo, eu dei o dízimo dobrado, eu fui fiel, eu dei oferta na igreja, eu participei da quinta-feira do milagre especial, eu passei debaixo da escada, eu dei meu relógio de ouro lá no altar da igreja e Deus me deu 4 vezes mais, Deus me abençoou.
Você não teve fé o bastante, por isso você tá aí até hoje no CLT e eu já tenho 4 empresas e tudo mais. Aí a gente tem que cuidar porque estão cometendo o mesmo erro agora. Então só o que prosperou que foi abençoado pela fé e o outro não? Como eu resolvo esse axioma? Primeiro lembrando que extremismo é um lado da verdade ficou louco. Como encontrar uma visão equilibrada disso? Eu acho que todos nós temos o direito de ser ricos e podemos incentivar isso sim, mas de repente nem todos conseguiram Nem todos conseguirão, nem todos serão empresários, nem todos virarão Milton Afonso.
Tem gente que vai nascer, morrer com CLT. Deus sabe, até de repente Deus até impede alguns de serem ricos, porque você sabe que ser rico e manter a fidelidade a Deus é muito complicado. E sabe por quê? Porque vou contar para vocês um pouquinho. Não que eu seja rico, mas eu convivo com muitos que são. Quando você tem muito dinheiro, tem um perigo também, que é o seguinte: vai diminuindo o número de pessoas que têm coragem de falar não.
É verdade, você entendeu? Fulano de tal, prepara um bife. Sim senhor, sim senhor, sim senhor. Olha, eu tô querendo. Ah, sim senhor, ótima ideia. Todo mundo fica falando sim, isso todo mundo te servindo, servindo, servindo. E como o paladar não retrocede, Você tá tão acostumado a ser servido. Lembra uma vez que você até contou aqui a diferença? Um dia que você ficou no, você voltou para o Ibis comparado com outro hotel. Você tá tão acostumado a ser servido que você esquece como é a vida de servir.
Aí Jesus fala: aquele que quer entrar no reino tem que começar servindo os seus demais. Mas vamos entender, é como se falasse comigo assim: você tem que ser um atleta de futebol gol. Para o Neymar, beleza. Para Rodrigo, que não sei jogar bola, é horrível. Imagina, assim, para entrar no reino você tem que marcar um gol de placa. Aí o Neymar, beleza, eu tô dentro. Rodrigo ia passar perto. O rico também passa perto, porque para o pobre que tá acostumado todo dia a ganhar ordem, Deus fala: comece servindo.
Ele já faz isso todo dia. Para o rico é difícil. Então um rico que consegue, apesar da riqueza, servir Neymar merece o meu aplauso. Ele merece meu aplauso porque não é fácil. Se eu fizer um gol de placa, eu mereço 4 vezes mais aplauso do que Neymar, que Neymar é craque. Então um gol que o Neymar faz é mais um da carreira. Se o Rodrigo, que não é futebolista, fizer um gol de placa, eu mereço 4 vezes mais aplauso que o Neymar. Então o rico que consegue servir, ter humildade, viver pelo evangelho, não se vender pelo dinheiro, esse cara merece aplauso de pé.
Por isso que o céu comemora mesmo, você tá entendendo? E vou até finalizando já minha resposta, vou até colocar uma coisa que talvez vai surpreender vocês: o rico também é discriminado, justamente pelo que você colocou. As igrejas não estão preparadas para o rico, elas não entendem às vezes que também é difícil ser rico. Você vai numa igreja às vezes simples de bairro, todo mundo vem te pedir alguma coisa, coisa. Você só quer assistir o culto e ir embora para casa, senão banco aberto.
Mas tem muita gente, só quer te pedir, tem gente não quer ser seu amigo, ele quer o que você vai dar para ele, você entendeu? Qualquer um vai se aproximar da sua filha só porque ela é sua filha. Não é fácil ser rico também, não. As invejas, igual o Isaac teve ali, pessoas querendo puxar o tapete. Para manter a riqueza, você tem que trabalhar muito, porque dólar não dá em árvore, até onde eu saiba. Então hoje, como é que a gente equilibra isso para fechar a minha resposta de maneira clara: prepare-se, não, porque prepare-se para o muito e espere pouco.
É isso aí, você entendeu?
E deixe Deus te conduzir. E quem disse que só prosperou o que conseguiu o Lamborghini, a Ferrari e morar em Alphaville? Eu conheço um monte de senhor aí aposentado que passou a vida toda como CLT, você vê, e a pessoa mais realizada que eu já vi, feliz ali com os filhos dele, os netinhos dele, tem gente no campo lá, tá feliz, tranquilo lá. Que o prazer, o prazer que ele tem de comer um tutu de feijão com ovo cozido, ovo caipira cozido ali no fogão a lenha, às vezes é maior do que o de alguém que teve um almoço no Athénée Plaza de Paris.
Então prepare-se para o mundo muito, espere pouco e deixe Deus abençoar você. Se você for rico, que seja aquele rico que sabe servir e que entrará no reino de Deus. E se você continuar pobre, que seja um pobre também que não use a sua pobreza como uma arrogância espiritual ou até uma desculpa para não crescer.
Ah, Deus ama os pobres, é isso, né, cara? E aí, né, então Isaque, ele prospera em tudo que ele faz. Isso eu já vi pessoas passando por isso, aquela pessoa que, cara, parece que ela faz cagada e continua tudo que ela faz dando certo e ganhando dinheiro e tal. Você fala, cara, não é possível, Deus tá abençoando essa pessoa, não tem como explicar, né? E aí isso aconteceu com Isaque, né? Ele, todo poço que ele cavava dava água, né?
Ele criava patrimônio até o ponto que Abimeleque, que foi quem expulsou ele anteriormente, procurou Isaac para fazer um tratado, fazer um acordo, né? Porque reconheceu que, putz, cara, Deus tá com ele e eu não posso estar contra Deus. Estar contra ele é estar contra Deus. Que é um dos grandes aprendizados da minha vida, é não me levantar contra alguém que Deus levantou, por mais que o meu julgamento humano, cara, me faça acreditar que essa pessoa tá errando, porque tem alguma coisa ali. Eu já cometi esse erro umas 3 vezes na minha vida.
E isso volta, um desafio, se você me permite, Acreditar que se você tá com Deus também, quem se levantar contra você vai se ferrar.
Exatamente.
Mas aí que tá o problema: nós não conhecemos, nós não confiamos no nosso advogado. Se você tem um bom advogado competente, você recebe um processo aqui, você vai preocupar? Se você não fez nada errado, sim, sim, um processo calunioso, você não fez nada errado, te mandam um processo calunioso de gente tá querendo puxar o seu tapete, mas você tem um bom advogado, advogado, o melhor do país, você vai se preocupar?
Não precisa, né?
Não precisa. Então a mesma coisa espiritualmente. Mas o problema é que na comparação, às vezes a gente, mesmo tendo o melhor advogado do Brasil, a gente ainda quer escrever a peça por nós mesmos, que não confiamos no talento dele para nos defender.
Exatamente. E aí, o que que acontece? Então passa um tempo, né, Isaac, ele perde a visão, ele acredita que ele tava chegando próximo do fim dele, Jacó e Esaú. Ele era mais próximo de Esaú, que era o mais velho. E aí ele pede, né, para o filho caçar, prepara comida favorita. A gente já falou muito sobre essa passagem, né, nos outros episódios. E aí ele resolve dar a bênção para Esaú. Aí ele é enganado, acaba dando a bênção para Jacó, né.
E passa um tempo, Isaque, ele vive por muitos anos, ele morre com 180 anos. E aí os dois filhos se encontram para sepultar ele, assim como Isaque e Ismael tinham se reunido antes, né, para sepultar Abraão. Esaú e Jacó fizeram a mesma coisa, né. E Isaque, assim, eu vejo que quando a gente fala dos patriarcas, a gente fala de Abraão, Isaque, Jacó. Ele parece ser aquele com, com, assim, todos são importantes, mas ele parece ser aquele menos falado, talvez com menos conquistas, etc. e tal.
Legal.
Então queria que você finalizasse aqui, Rodrigo, trazendo um pouco dessa reflexão final, talvez, sobre Isaque, que foi alguém que ele não deixou de preservar a promessa, não deixou de ser um guardião, né, um elo entre Abraão e Jacó, né. Ele teve a sua importância na história. Mas o que que você pode concluir sobre a história de Isaque aqui para gente?
Bom, eu posso concluir pelo menos 3 coisas. Letra Deus não fez seres humanos em série como os carros, que você pode fazer um recall e fala vale para todos. Cada um tem uma história. O Abraão fez grande conquista. O Isaque é uma história até meio apagadinha. Quando você escolheram Isaque, eu falei, o que a gente vai falar muito sobre Isaque?
A gente fez render o negócio, vocês são bons, né?
Mas assim, se você olhar comparando Isaque com Jacó, Jacó tinha muito mais coisa para falar, Abraão muito mais. Mais, mas ele tem importância dele também aqui. Isaque ficou rico, mas Jesus não. Significa então que Isaque não— a história dele é a dele. Jesus não nos tornou rico, não significa que ele é menos que Jesus. Salomão foi rico.
E para Deus, né, assim, não dá para dizer qual foi mais importante.
Exato, esse é o ponto.
Eu gosto de falar, não, ele é mais— o Rodrigo é melhor do que eu para Deus porque ele sabe mais. Cara, não existe.
O único que eu posso falar que é mais importante é Jesus porque ele era o filho de Deus. Deus. Mas realmente, dos personagens da Bíblia, de A a Z, é isso o ponto que eu colocar. Isaac não é mais importante do que Jacó, Jacó não é mais importante do que Moisés, Moisés não é mais importante que Elias. Cada um teve o seu papel. Então deixe Deus dirigir sua vida. Esse é o primeiro ponto de Isaac. Segundo ponto de Isaac que eu queria destacar é a questão do riso, que o nome dele significa ele riu, que eu falei.
E a palavra, o nome vem da palavra riso, que pode vir de uma onomatopeia da risada. E a Bíblia tem uma teologia do riso. Você pode olhar que tem vários risos diferentes na Bíblia, e risos geram consequência. Você tem o riso da incredulidade. Quando Abraão e Sara riram, era o riso da incredulidade, redundou numa repreensão de Deus. Você tem o riso da maldade, o riso de Ismael, que eu falei que é a mesma palavra, né? Né, que ele tava rindo dele lá, caçoando do irmão.
É o riso da maldade, é o riso que vai redundar no castigo de Deus. Tem uma ética do riso. Hoje você ri com as pessoas ou ri das pessoas? O riso da desgraça alheia. Tem o riso da esperança. Por exemplo, quando Noemi, ela falou assim: agora eu vou chamar a bem-aventurada. A Bíblia fala: nossa boca se encheu de riso. Tem o riso de Deus. Deus não é um ser mal-humorado, senão ele não criaria o ser humano tão capacitado a fazer coisas engraçadas.
E quem ri por último ri melhor. E os risos de Isaac, corretos, serão apenas o exemplo do riso último que teremos. E a terceira e outra última coisa que eu pego de Isaac: a submissão ao pai e ao Deus do pai dele, que se tornou seu Deus também. Ele tinha um pai em quem ele confiava. Isaac não tinha menos medo da morte do que nós. Isaac não tinha menos medo do sacrifício do que nós, mas ele tinha tamanha confiança no pai dele que ele foi submisso.
Ele acreditou no Deus proverá e foi tranquilo ali. Deixa o pai, pode ir, faça sem mim. Tanto é que, apesar de, dentre os patriarcas, ser aquele que tem a biografia menos expressiva, Ó, nós temos Abraão, Isaac, Jacó e José. Nós fizemos programas sobre todos eles. Se eu fosse escrever um livro, se agora me pedisse, Rodrigo, escreve um livro sobre os patriarcas, você fala assim, olha, qual dos patriarcas? Vou escrever sobre Abraão, vou escrever sobre José, sobre Jacó, daria livro.
Sobre Isaac, eu não sei se eu teria interesse em escrever num primeiro momento, ou mesmo se editor ia querer num primeiro momento escrever um livro sobre Isaac.
Isaac.
Mas olha, de todos os 4, apesar de ser a biografia num primeiro momento mais com menos coisas para se explorar, ele foi o que se viu mais de perto como modelo de Cristo. Foi, levou madeira até o Moriá, aceitou ser sacrificado, acreditou em Deus, o cordeiro aparece ali nos arbustos. E aí a Bíblia é isso, pessoal. Pessoal, a Bíblia é Deus contando histórias de pessoas como eu e você. Deus não quer seres humanos que têm veias de plástico, que você rasga a veia e sai sangue, não sai água, ou melhor, que sai água e não sai sangue.
Deus quer seres humanos capacitados e também com a possibilidade de voltar-lhe as costas, pessoas frágeis, pessoas que têm a fé por um lado, como Isaac, que aceitou o destino, mas falhou por outro, quase entregando a esposa dele lá para o rei, como fez o pai. Um Isaac que teve medo, um Isaac que não entendeu talvez a morte da mãe dele, mas um Isaac também que meditava, que orava. Pessoas têm altos e baixos, virtudes e defeitos, pessoas como eu e você.
A Bíblia não é uma coletânea de heróis da Marvel, é uma coletânea de pessoas simples como cada um de nós com a sua crença, sua descrença, sua aprovação, sua firmeza. Esse livro é o testemunho de que Deus pode agir na vida da pessoa. Só falta um livro que não foi escrito na Bíblia. Sabe qual? A sua história. Essa não está aqui, mas ela pode se basear nas que Deus colocou nesse livro, e ele vai estar com você como esteve com Isaac.
Muito bom, sensacional, Lucão! Últimas palavras? Já que estamos próximos do fim do mundo?
Bom, então a última coisa que você pode fazer talvez é assinar a collab, a parceria que a gente tá fazendo aqui do MyHub.IA com Bíblia Comentada. Eu acho que você tem que aproveitar se você quer aprender muito mais sobre a Bíblia agora com o apoio da IA. A gente vai fazer lá um super agente lá para você conseguir estudar melhor, né? A gente vai deixar o link na descrição, QR code na tela. É isso aí, super promoção, aproveite! Porque o mundo está acabando.
E eu sempre pergunto, é, qual o personagem que você quer que a gente fale depois? Mas assim, eu quero muito falar sobre apocalipse. Agora vem nosso próximo episódio, vai ser um episódio importante na nossa trajetória.
Sabe o que que eu vou fazer?
Eu vou me preparar muito para esse episódio.
Eu preparei réplicas da besta.
Tá brincando?
Tem sim, muito bem feitas, igual esse aqui do Star Wars.
Não quero que você traga não.
Vamos botar no escritório do escritor.
Muito bem feito. É muito incrível, tá bom? A gente vai colocar aqui que aí vocês vão ter noção do que a gente tá falando.
Mas esse eu quero que a gente faça os modos que ele fez, que a gente fez Jesus. Lembra que a gente veio com calma, a gente veio para gravar sério?
Vamos na resenha, só vai assistindo aos pouquinhos aí, tá bom? Deixa com a gente.
O próximo vai ser sobre Apocalipse.
Nós vamos transformar todos esses episódios no livro.
Ó, a gente já falou isso aqui no passado, não sei se o pessoal de casa Mas a editora já tá querendo, mano.
Já dá, já dá.
Lembrando também, tem o livro, né, o livro novo.
É verdade, ó, o livro nosso, Legado, que está na Amazon. No momento que a gente tá gravando agora não tá disponível, mas quando você vê já está disponível na Amazon. E eu recebi aqui em primeira mão, ó, para Thiago e Maíra, com apreço. É muito intelectual. É exato, com apreço. É isso, cara. Então, muito obrigado pelo livro, Rodrigo. Ó, vai na Amazon, lê esse livro. Eu ainda não li, mas eu não preciso ler para saber que ele deve estar uma, assim, uma sacanagem de tão bom esse livro. Vou ler ele com muita calma.
Se inscreva, né? A galera assiste aqui, tem um monte de views aqui nesses episódios, às vezes o cara não se inscreve.
É, mas aí é que às vezes tá ferrou, hein? Não sei, entendeu? Tá faltando alguma coisa ali, cara. Beleza, clica aqui embaixo, se inscreve. Grande abraço, até o próximo episódio e tchau!
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