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PrimoCast 524 | PORQUE OS INTELIGENTES ESTÃO DESISTINDO DO BRASIL (Tallis Gomes e Romero Rodrigues)

03 de agosto de 20261h35min
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No Primocast de hoje, recebemos Tallis Gomes (fundador do G4) e Romero Rodrigues (fundador do Buscapé) pra falar sobre por que os inteligentes estão desistindo do Brasil.

Um episódio pra quem quer entender o que está acontecendo no Brasil, pra quem tá pensando em sair do país, pra quem quer empreender sem se afogar na burocracia, e pra quem acredita que dá pra ganhar dinheiro aqui — mesmo com tudo contra.

Hosts: Kaique @kaique.editor e Lucão @lucaszafraa

Convidados: Tallis Gomes @tallisgomes e Romero Rodrigues @romerorodrigues

Sua marca no PrimoCast: publicidade@timeprimo.com

Participantes neste episódio4
K

Kaique Editor

HostJornalista
L

Lucão Zafra

HostJornalista
R

Romero Rodrigues

ConvidadoEmpreendedor e investidor, fundador do Buscapé
T

Tallis Gomes

ConvidadoEmpresário
Assuntos7
  • Mentalidade Empreendedora· NegociosInconformismo · Contar histórias e vender visão · Escutar e ser coachable · Entender pontos cegos e trazer talentos · Coragem e sorte
  • Democracia e Sistemas de GovernoAnalfabetismo funcional · Demagogia e populismo · Politeia vs. Democracia · Reforma política · Confronto entre STF e Legislativo
  • Empreendedorismo e burocracia no Brasil· NegociosComeçar jovem e com pouca estrutura · Superar barreiras de tecnologia e mercado · Importância de sócios complementares · Construção de cultura empresarial · Easy Taxi
  • Cenário Econômico BrasileiroPerda de talentos para o exterior · Desvalorização da moeda · Inflação como imposto · Custo Brasil · Insegurança jurídica
  • Investimento e Formação de Capital· EconomiaEventos de cauda e distribuição normal · Alocação de longo prazo em dólar · Busca por alfa no Brasil · Venture Capital vs. Lifestyle Business · Ponto de equilíbrio e rodadas de investimento
  • Desafios de desenvolvimento de IA no Brasil· TecnologiaPotencial de infraestrutura e recursos naturais · Mercado de IA · Ineficiência do mercado como oportunidade · Busca por alfa em investimentos
  • Reforma Tributária· EconomiaImpacto no fluxo de caixa de PMEs · Aumento da inflação · Experiência internacional · Dificuldade para pequenos empreendedores
Transcrição247 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Está começando o PrimoCast, o podcast oficial do Grupo Primo. E hoje, Kaique, no programa de hoje nós vamos falar aqui do porquê os inteligentes estão desistindo do Brasil.

LZLucão Zafra

Que isso, eu tô aqui ainda, hein? Você tá aqui ainda?

TGTallis Gomes

É esse o assunto?

?Voz A

Esse é o assunto.

TGTallis Gomes

Então podemos encerrar o podcast, porque tem um burro no comando. Podemos ir embora, obrigado, já acabou.

?Voz A

Só os créditos. Mas calma, Kaique, não desista do Brasil ainda. Eu sei que você é inteligente, fica aqui ainda comigo. Cara, que a gente tem muito PrimoCast pela frente.

LZLucão Zafra

Para salvar o país, a gente vai precisar de pessoas inteligentes.

?Voz A

Precisamos de pessoas inteligentes. E para falar um pouco desse fenômeno que tá acontecendo, estamos aqui com Thales Gomes, que é fundador e mentor, presidente do G4. Thales, muito obrigado por estar aqui novamente. Estão te fazendo trabalhar muito no Grupo Primo, cara.

TGTallis Gomes

Quero que vocês assinem minha carteira e dê vale-transporte.

RRRomero Rodrigues

Você que vinha aqui para Alphaville.

?Voz A

Verdade, cara. Obrigado por estar aqui com a gente.

TGTallis Gomes

Por nada, irmão.

?Voz A

Prazer. E olha só, primeira vez aqui, Kaique. Estamos com o Romero Rodrigues, que ele é empreendedor e investidor brasileiro e é conhecido principalmente por ser um dos fundadores do Buscapé. Você já usou Buscapé alguma vez? Mas demais!

LZLucão Zafra

Demais, né? Demais, cara.

?Voz A

Adorava. Muita hora, né?

LZLucão Zafra

Tipo assim, eu acho que era um hábito de entrar para ver o que tinha de bom.

?Voz A

Dá um negocinho, né? Você fala, ai, achei o mais barato, né?

LZLucão Zafra

Achei o mais barato.

?Voz A

Que maravilha.

LZLucão Zafra

Ou você tem que comprar uma TV. O tanto que você deve ter usado naquela época lá. Porra, cara. Para pegar um cuponzinho, para pegar um negócio mais barato. Videogame.

?Voz A

Pô, é loucura, jogo, né?

LZLucão Zafra

Jogar é muito.

?Voz A

Pô, peguei aqui, tem R$5 mais barato esse aqui, vou pegar esse. Não tem como, muito bom. Obrigado, Melita, tá aqui com a gente.

RRRomero Rodrigues

Prazer tá aqui com vocês.

?Voz A

Valeu. E vamos lá, então você que tá assistindo a gente, já curte, compartilha com todo mundo. Se tiver no Spotify, dá 5 estrelas, ativa o sininho para você também receber episódios toda semana aí do PrimoCast, sem falar dos quadros especiais com 24 horas e muitos outros que a gente vem fazendo.

LZLucão Zafra

Dá uma olhadinha aí, porque às vezes você acha que tá inscrito e você não tá. Cara, eu já queria puxar, porque no roteiro está aqui tipo: O Brasil está perdendo os seus melhores. Isso aí é uma realidade? Você acha que o Brasil está perdendo cada vez pessoas boas para outros países porque aqui está ruim?

TGTallis Gomes

Cara, isso sempre foi uma realidade, porque a gente perde por causa da moeda. Se você pensar, desde que o real foi lançado em 94, a gente perdeu 88% do valor da moeda. Ou seja, R$10 lá em 94 hoje vale, sei lá, quase R$1. É meio que isso, né? Então, literalmente, se a gente pensar na nossa vida, vamos pegar um horizonte temporal menor, 10 anos atrás. Se a gente pensar a nossa vida 10, 15 anos atrás, você vê que, cara, você provavelmente ganha muito mais dinheiro do que você ganhava há 10, 15 anos atrás, só que você fala assim, cara, com esse dinheiro que eu ganho hoje há 10, 15 anos atrás, cara, eu viveria uma vida muito melhor.

Eu tô certeza quem tá me assistindo tem essa sensação. Esse é o custo da inflação. E a inflação é o imposto mais vil, mais maldoso, mais injusto que o Estado pode fazer com o seu cidadão médio, porque Os cara rico igual o Romero, eles ganham dinheiro com a inflação, porque eles têm family offices, estruturas sofisticadas, que ele compra o produto financeiro certo, ele não só protege o capital dele, como ele consegue ter ganhos reais, ele dolariza patrimônio.

Agora, os favelados igual eu, que vieram da favela de Santo Amaro, a gente não tem isso quando a gente tá lá querendo crescer na vida. A gente fala assim, pô, eu quero abrir um... eu quero abrir ali o meu mercadinho no meu bairro. Aí eu preciso de pegar uma linha de crédito, aí eu bato lá no Banco do Brasil, falo: me dá uma linha de crédito aí, quanto você quer? Pô, queria R$120 mil para abrir um mercadinho de bairro ali. Não tem crédito para você não, não tem.

Aí se eu consigo crédito, vou te dar um crédito porque você é um grande cliente, te dá CDI mais 10, hein. Aí é o seguinte, 25% ao ano é o custo do crédito. Qual que é a tua margem nesse negócio para você aguentar pagar 25% ao ano?

?Voz A

Cara, é um sócio, né, entrou um sócio.

TGTallis Gomes

Mas por que que isso acontece? Por que que a Selic tá a 15%, por exemplo? Porque o investidor investidor externo, ele, ele olha para o Brasil e fala assim: olha, existe um risco tremendo para eu investir naquele lugar chamado Brasil, onde não existe segurança jurídica, onde não existe um planejamento financeiro tributário crível, onde a trajetória da dívida hoje tá batendo 90%, 90% do PIB é basicamente para compor ali o custo da dívida.

Então, onde a gente tem na verdade hoje R$10 trilhões de estoque dívida acumulado e que só no ano passado a gente teve um acúmulo de R$1 trilhão com déficit primário e serviço da dívida. Imagina, irmão, você tem uma empresa que tá devendo quase 90% do PIB, da receita da empresa, e que no ano passado você pega ali 5%, acho que é 5%, 5% da tua receita e é custo da dívida. 5, 10% sei lá da sua receita é custo da dívida para você manter as coisas rodando ali na tua empresa.

Quando você olha para uma empresa dessa, essa empresa tá quebrada, não tem como investir numa empresa dessa. Então tudo isso faz destruir o valor da moeda, né, piorar a vida do cidadão comum, da Dona Maria, do Seu João, né, das pessoas que eu convivi com elas muito tempo. Quando morava no interior de Minas Gerais, quando eu morava na favela do Santo Amaro. E aí o cara que é sofisticado, que estudou numa boa faculdade, que fala inglês, ele fala assim, cara, se tudo der certo, eu entro no mercado de trabalho aqui, eu vou ganhar, sei lá, cara, R$30 mil, o que faria o cara ser rico no Brasil, né?

?Voz A

O que faria o cara dar muito certo. Tipo assim, esse cara deu muito certo no Brasil.

TGTallis Gomes

No Brasil, em dólar ele é nada, não é porra nenhuma. Exato, certo? Em dólar é 5 doses. É, né? 5, 6 mil dólares não é nada. Então um cara bem formado que fala inglês e que vai trabalhar, pô, numa startup de tecnologia lá fora, ele vai para Califórnia, cara, esse cara vai ganhar 10 mil dólares para cima de largada, de largada. Então os cara vai ficar no Brasil para quê? Se ele ganha menos, o dinheiro vale menos, e no longo prazo o país parece pior.

LZLucão Zafra

É porque parece ter um efeito no Brasil que O rico, ele tá blindado porque ele tem opcionalidades. O pobre, ele tem o suporte. Então, ele tem um suporte e é um suporte tipo assim, o pobre que quer crescer um pouquinho, ele é esmagado por esse sistema que você falou. Porque o cara que tá ali na base dos auxílios, ele tá no auxílio ali, então ele tem um apoio do governo. Só que essa meiuca aqui, o cara que quer evoluir, a classe média, a família, o cara que quer o mínimo crescimento, ele é espremido.

TGTallis Gomes

É por isso que a gente fala, quem paga imposto é a classe média. Aquele que sustenta o custo Brasil, né, Romero?

RRRomero Rodrigues

Total. Eu acho que assim, o que é importante é esse problema da gente perder talento tá aumentando, tá piorando. Então assim, busca a PEC, quando a gente começou 98, 99, pô, perdi a DEVE, não para empresa brasileira, eu perdi a DEVE para empresa do Vale. O problema é que quem a gente tá perdendo hoje não é mais só o profissional talentoso, a gente tá perdendo o que eu chamo daquele profissional multiplicador, o empreendedor. Então na hora que você vê uma diáspora de empreendedores brasileiros indo para fora, esse cara não é só o valor que ele produz, produz, é a multiplicação do que ele produz, pelo número de empregos que ele poderia gerar, pelo impacto na economia, pelo novo produto que ele ia colocar no mercado.

Então assim, piorou muito nesse sentido, porque a gente sempre perdeu profissionais talentosos. Agora a gente tá perdendo empreendedores talentosos que iam contratar profissionais talentosos. Então o hub disso tá indo embora.

TGTallis Gomes

É verdade.

?Voz A

E o que que vocês veem que é mais difícil no Brasil logo de cara assim? Pô, o cara quer abrir uma empresa, então Por que que é mais difícil aqui do que ele fazer isso nos Estados Unidos, por exemplo? Porque eu tenho uma sensação de que às vezes a gente precisa tomar cuidado, porque eu penso assim, porra, cara, às vezes o cara fala assim, ah, não vou abrir uma empresa aqui, vou abrir nos Estados Unidos, tem uma grana aqui e tal.

Só que eu penso, cara, lá o nível da galera é muito mais elevado, cara, vai ser difícil, é um mercado foda, a galera lá tem um nível de consciência maior, o empreendedorismo é um negócio mais voraz. Aqui Eu ainda penso que se você se destaca um pouco, como a média é muito baixa, se você fizer um pouco mais do que o mínimo, você já começa a se destacar um pouco mais. Por outro lado, eu entendo que tem uma carga tributária mais difícil, tem a questão da moeda, empreendedor é espremido de todos os lados.

Então eu queria saber de vocês assim, realmente é mais difícil para o cara que começa a empreender aqui do que nos Estados Unidos, por exemplo? Eu acho que o que que é mais difícil, né?

RRRomero Rodrigues

Na prática, parar entre dois tipos de empreendedorismo. Vamos dizer, o empreendedorismo de dia a dia, de subsistência, aquele cara, pai de família, que vai montar um negócio para cuidar do dia a dia dele. É muito mais difícil no Brasil. Ah, nos Estados Unidos tem mais competição, não tem? Quando eu tava em Stanford, passei no escritório da Prefeitura de Palo Alto só para ver como é que era. Quero abrir um negócio. Ele falou, olha o seguinte, aqui na cidade a gente tem esses 4 pontos.

Falei, o que que eu posso fazer aqui? Ele já fez, fizemos um estudo. Aqui você Ah, eu queria fazer uma tinturaria ou um café. Ah não, eu queria fazer um negócio de cheeseburger. Cheeseburger não, já tem um na cidade, já tem outro ali, não vai funcionar. Então assim, o suporte que o público te dá, que a infraestrutura toda, seja público ou privado, te dá para você poder construir esse negócio, é completamente diferente da insegurança que a gente tem no Brasil.

Quando a gente vai para o empreendedorismo de alto impacto, startups, realmente mudar, eu concordo que no Brasil é muito mais fácil você criar alguma coisa que é 10 vezes melhor e que custe 10 vezes menos. Tem tanta ineficiência. Tem tanta dor, é mais fácil criar aqui do que na Noruega. Então acho que tem muito espaço para empreender com empreendedorismo de alto impacto. Por isso que eu faço, não à toa, venture capital. Então eu acho que aí a gente vai ter prós e contras.

Então no Brasil tudo isso é mais fácil, concordo com você. Que que é difícil? A incerteza em geral. Então incerteza jurídica, se aquilo que você tá montando não vai mudar a lei de repente. A incerteza de você não saber, por mais que você queira, você não sabe se tá recolhendo todos os impostos. Até o dia que eu vendi o Buscapé, eu comecei o Buscapé em 98, eu vendi em 2009, não tinha uma definição se serviço prestado na internet deveria pagar ICMS, que é imposto de produto.

Mas como ICMS tem telecomunicações, isso foi uma discussão enorme entre a gente e a Prosus para saber qual que era o valor da companhia, quanto ia descontar. Cara, 12 anos depois de começar o negócio, ainda não tinha se estabelecido se pagava ICMS ou não. E um auditor é mais sério, tem que apontar, ele apontava, olha, pode ser que tenha uma discussão no futuro, essa discussão vai ser de centenas de milhões de dólares. Como é que você negocia uma empresa assim? Então você tem alguns pontos que realmente são muito difíceis.

LZLucão Zafra

Legal.

TGTallis Gomes

Eu tenho um complemento aqui ao Romeu, que acho que dividindo boi aos bifes aqui também, ah, é mais difícil nos Estados Unidos porque tem uma competição é muito alta. Definitivamente as pessoas são na média mais preparadas, até porque os Estados Unidos ele é a Roma contemporânea, né? Então o que eu quero dizer com isso? Todas as melhores mentes do mundo se concentram nos Estados Unidos, eles migram para os Estados Unidos. Por quê?

Porque desde o final do século 18, onde os Founding Fathers se juntaram e fizeram uma versão contemporânea do que Aristóteles chamava de Politéia, que foi o experimento americano, que para mim foi o maior experimento da modernidade, né? A gente criou um ambiente de florescimento humano que, cara, a gente já viu em outros momentos na humanidade isso. A gente viu Roma fazer esse negócio, a gente viu em Constantinopla, a gente viu na Pérsia, a gente viu Florença.

Tava querendo lembrar Florença, obrigado. A gente viu em Florença, a gente já viu isso acontecer. Esse é os Estados Unidos hoje, tá? Então as melhores mentes vão pra lá porque elas falam, ah, cara, aqui existe meritocracia e aqui o meu esforço é propriamente recompensado se eu realmente trabalhar duro, for talentoso e acertar. Tem um ponto na cultura americana que ela valoriza o vencedor. Por exemplo, o Romero É um cara vencedor, muito bem-sucedido.

Então, quando ele senta numa mesa nos Estados Unidos, as pessoas têm um interesse genuíno em falar, cara, o que você fez? Como é que você ganhou dinheiro? Qual é o negócio? Quanto você ganhou de dinheiro? Tem esse papo, how much do you worth? Aqui no Brasil, é quase que um insulto as pessoas falarem de dinheiro, de ser bem-sucedido. Você tem uma modéstia que é quase que uma obrigação, um contrato social ali. Que tá entranhado na cultura brasileira, né, de uma vergonha de ser bem-sucedido, né.

Então, um play de te julgar por baixo, né. Isso é muito ruim pro florescimento humano, né, porque você tem um desincentivo sistemático em se dar bem. Porque todas as pessoas que empreendem no Brasil e enriquecem e se dão bem, ao primeiro contato com o público, como um todo, existe uma desconfiança de falar, cara, será que esse cara fez algum rolo? Será que ele fez errado? Bom, basta ver comentários de internet com pessoas bem-sucedidas, seus sócios aqui, por exemplo, o primo, tá?

São comentários injustos, infundados muitas vezes, de pessoas bem-sucedidas. Ah, deve ser pirâmide, deve ser golpe. Por quê? Porque o cara, ele parte de um princípio que ele fala assim, cara, isso tá tão longe da minha realidade que eu prefiro massagear o meu ego dizendo, eu acho que esse cara fez coisa errada, para eu justificar o meu fracasso. E lá dentro do meu âmago, na verdade, que eu quero justificar é a minha covardia. Porque para empreender você tem que ter o que Aristóteles chama de virtude base, que é a coragem.

É a coragem de tentar. Nos Estados Unidos, todo esse pacote que eu tô falando para vocês, ele tá entranhado na cultura americana. A cultura americana é uma cultura empreendedora. O país foi empreendido, porra. Os founding fathers empreenderam um experimento novo chamado democracia através do experimento americano, que na verdade foi muito mais próximo da Politéia, porque Senado até 1913 era indicado lá, você fazia prova pra ser senador, você não era votado, que é a única forma que você tem de proteger o tripartido, né?

Porque senão vira o que virou o STF hoje no Brasil. E aí você tem um outro elemento aqui dos Estados Unidos que é o que ele faz da vida, que é venture capital. Cara, a minha companhia ano que vem vai fazer 200 milhões de dólares de receita, tá? E vai gerar ali uns 40, 45 milhões de dólares de caixa. Essa companhia fazendo o que eu faço, que é AI, comunidade de educação, esse ecossistema nos Estados Unidos, cara, eu aposto que se eu fosse americano eu estaria tradando a pelo menos umas 15 vezes receita.

RRRomero Rodrigues

Sem dúvida, sem dúvida, né?

TGTallis Gomes

Então vamos dizer que é 10 vezes receita, crescimento que você tem, crescimento, mas vamos dizer que é 10 vezes receita. Né? Então seria uma companhia que valeria ali, cara, pô, pelo menos 2 bilhões de dólares. Eu acho que é mais, para ser sincero, nos Estados Unidos, principalmente por causa do negócio de AI, que tem gente 350 vezes receita lá com coisa de AI. Mas vamos dizer que é isso. Aqui no Brasil é muito difícil você conseguir um múltiplo desse, até porque é o seguinte, não tem fundo nesse que consegue fazer cheque desse tamanho no Brasil.

Então ele precisa ter alguém complementando esse cheque aqui. Aqui, pô, um cheque para uma empresa do tamanho da minha no ano que vem seria um cheque de 200 milhões de dólares, entendeu? Então, tipo assim, não tem esse fundo aqui que faz esse cheque aqui no Brasil, só um IPO. Aí você vai fazer um IPO no Brasil, pô, olha o tamanho da bolsa brasileira, não faz sentido você fazer IPO no Brasil. Essa que é a real, entendeu? Você for fazer um IPO, é melhor você crescer um pouquinho mais a companhia e fazer um IPO lá fora, entendeu?

Você não tem liquidez suficiente para fazer um IPO aqui no Brasil. Aí eventualmente Eu consegui, junto com os meus sócios, construir essa companhia e chegar onde eu estou gerando caixa e pagando dividendo. Mas esse é um caso raríssimo, como vocês fizeram aqui também. Geralmente, as empresas precisam de investidores como o Romero para fomentar o teu crescimento, descobrir avenidas de crescimento que são replicáveis e tal. Esse empreendedor, quando ele vai captar esse dinheiro aqui no Brasil, ele capta um múltiplo fundamentalmente pior.

E o venture capitalist aqui no Brasil não tem culpa disso. Ele na verdade é um output de um input e esse input para ele é a taxa de juros local, que é 15%.

RRRomero Rodrigues

É lógico, macro.

TGTallis Gomes

Ele tem que retornar para o LP dele, o cara que investiu no fundo dele, pelo menos 30% ao ano, tá? Para valer sentido, quer dizer, cara, 15% eu tenho deixando o dinheiro parado no banco. Se você me der pelo menos o dobro disso, eu topo tomar o risco, que é muito grande, né, de fazer venture capital. É pelo menos 30% ao ano. Então é o seguinte, como é que ele paga um múltiplozão por uma companhia se ele tem um concorrente aqui que é o governo, pô, remunerando investidor aí a 15% ao ano, que tem que remunerar porque o país tá destruído economicamente.

RRRomero Rodrigues

Infelizmente isso seca tudo. A gente faz early stage, mas da frente do early stage você acaba secando. Você não vai ter fundo com capital para poder fazer um cheque de 50, 100, 200 milhões de dólares. Você tem uma bolsa que poderia ser maior do que é, infelizmente. Então quando você pensa em M&A, a gente fez um M&A muito bem-sucedido com a Pismo, uma empresa que a gente investiu no comecinho um cheque de 1 milhão de dólares, 25% de participação na companhia.

A Visa comprou por 1 bi de dólar, então deu 200 vezes o valor do investimento em dólar. 212 milhões de dólares a gente devolveu para os cotistas. Mas quem comprou? A Visa, uma empresa internacional. Quem na Bovespa poderia comprar? Na B3 é muito difícil. Você pegar Totos, que é uma empresa maravilhosa, gigantesca, eu não sei o número exato, mas eu chutaria que a Totos deve estar com 5, 6 bi de real de market cap agora. Quer dizer, se você nos Estados Unidos talvez tivesse um market cap maior que a TOTS.

TGTallis Gomes

Eu acho, com certeza.

RRRomero Rodrigues

Então como que alguém no Brasil que tá listado conseguiria ter punch para comprar? Não consegue. Uma empresa de 4B, ela consegue comprar uma empresa de 400 milhões.

TGTallis Gomes

Exato.

RRRomero Rodrigues

800, ela dá uma alavancadinha. Então realmente é uma judiação. E aí, obviamente, como cenário ficar árido, o empreendedor vai embora. E não só o novato, A gente nem falou disso, mas o experiente. É raros os serial entrepreneurs que criam um segundo negócio no Brasil.

LZLucão Zafra

É verdade.

RRRomero Rodrigues

Eles vão criar o segundo negócio na Europa, eles vão criar o segundo negócio na Ásia, eles vão criar o segundo negócio nos Estados Unidos e a gente perde, perde todo o desenvolvimento econômico que esse segundo negócio traria.

TGTallis Gomes

E aí vai chegar onde eu gostaria de chegar. Dado todo esse cenário, e eu falo na posição de serial entrepreneur, né?

RRRomero Rodrigues

É verdade, você é um dos raros que tá no terceiro negócio.

TGTallis Gomes

Exatamente. A real é o seguinte, eu gosto do Brasil demais, velho. Vocês que me conhecem fora dos podcasts, então você sabe que eu realmente sou apaixonado pelo meu país. Então tem um pleito propósito de construir no Brasil, só que chega um momento, mano, que você cansa de apanhar, né? Aí você fala assim, cara, você começa a falar, será que eu deveria continuar no Brasil de novo? Eu tô nesse momento pensando nisso agora, falando, cara, será que Lula 4 eu continuo no Brasil?

Eu não sei, cara. Talvez não, talvez eu vou começar a expandir e olhar para lá. E olha que é o seguinte, tem um mercado gigante aqui para mim, tem 25 milhões de CNPJ aqui, eu só tenho 100 mil como cliente. Então tô barely scratching the surface aqui, nem comecei ainda o potencial de mercado que existe para o G4 aqui no Brasil. Mas o ponto é, cara, é tão difícil. Aí o pessoal começa a discutir agora split payment, que é mais um imposto que estão criando para o empreendedor.

É a forma mais imbecil que eu vi de aumentar inflação, nunca vi. Assim, é claramente quem tá propondo isso não pensou em efeito de segunda, terceira onda. Como é que a porra do dono de varejo vai ter fluxo de caixa para repor estoque?

?Voz A

Explica para o pessoal.

LZLucão Zafra

Explica. Eu queria que você entrasse nisso e até mesmo nessas outras leis aí que vira e mexe aparece aí, que é fim da escala 6 por 1 e todos esses negócios aí que pode massacrar o micro.

?Voz A

Que bombou muito, né?

RRRomero Rodrigues

O split payment é uma evolução da reforma tributária onde uma vez que todo mundo saiu do dinheiro papel e foi para o Pix, o que o governo vai fazer agora, parecido como acontece em alguns outros países, mas é diferente, eu vou explicar, você vai já explitar a parte do imposto. Então vamos supor que a carga tributária no IBS e CBS seja de 25%, para a gente não ficar especulando aqui números mais altos. De cada R$100 que você receber no Pix, R$75 cai na sua conta, R$25 já vai para o governo.

Pô, mas eu já tinha que pagar isso para o governo mesmo. Tinha, mas você ia pagar no mês seguinte, você ia poder ter esse fôlego para poder ter esse dinheiro como fluxo de caixa. Você não vai ter mais. Se tivesse apertado e decidisse que você não vai pagar o imposto, você vai até declarar, mas não vai recolher e depois vai pagar a multa, você não consegue mais também. Então tira muita liberdade, principalmente do pequeno médio, né, do meizinho e do pequeno, né, vamos dizer assim.

Pô, mas tem gente que já testou isso? Já. A Itália fez split payment. Só que o split payment na Itália é só quando você vende para o governo. Nenhum país no mundo fez split payment para pagamento para governo, pagamento entre empresa e pagamento para consumidor. Então a gente tá fazendo uma experiência, um laboratório. Eu não sei se a gente é o melhor ambiente para fazer o laboratório, porque a gente tem uma carga tributária gigantesca em relação ao nosso PIB.

A gente tem 81%, 82% da dívida em relação a PIB. Pô, é menor que Japão, menor que Estados Unidos. É, mas o nosso carrego é de 14%, e não tá fácil virar esse dinheiro a 14%, tá sofrido, não tá saindo Tesouro Direto como tava saindo antes. Então, quer dizer, é um ambiente já um pouco frágil para a gente fazer esse teste, né? É óbvio, tá sendo fazendo escalonado, vai ter uma primeira fase, não vai ser do dia para noite, vai ser ao longo dos próximos 2 anos. Mas é, de novo, uma novidade.

TGTallis Gomes

É que você tem um problema aí é que quem toma essa decisão, ele não paga o custo de estar errado, né? Então é o seguinte, se o cara explodir inflação do Brasil, aumentar 2, 3 pontos percentuais de inflação no Brasil, ele imprime dinheiro. O que acontece com a nossa moeda?

LZLucão Zafra

Vai para o saco.

TGTallis Gomes

O que causa inflação? Impressão de dinheiro, ponto, acabou. Isso é uma definição econômica básica, tá? Se tu é o básico economista, sabe disso. Então quanto mais do ativo tem disponível no mercado, menos ele vale, certo? Por que diamante vale dinheiro? Porque a turma lá pega, acha os diamantes, bota num cofre e deixa trancado e solta só um pouquinho para o mercado, porque aí você valoriza. É, cara, é a mão invisível, né? É Adam Smith, é oferta e demanda, é isso que faz preço no final do dia.

Então, o ponto é: quando eu estou imprimindo dinheiro, eu estou destruindo o valor daquele ativo. É por isso que hoje, o que eu te falei, cara, R$10, lá em 94, hoje vale R$1. A tendência vale menos.

RRRomero Rodrigues

Por quê?

TGTallis Gomes

Porque tá sempre imprimindo dinheiro para pagar a sanha gastatória desse governo, né? E aí, quando a gente faz o split payment, você tem um problema grave, que é esse pequeno e o micro ali, principalmente empreendedor, que não tem acesso a capital para ter fluxo de caixa e financiamento de fluxo de caixa. Ele usava esse fluxo de caixa para poder repor o estoque e ganhar mais dinheiro. Ele fala, porra, agora eu eu vou e pago imposto.

LZLucão Zafra

Então, cara, é microalavancagem que ele conseguia fazer ali no mês.

TGTallis Gomes

O cara literalmente vende o almoço para comprar o jantar. Essa é a vida do empresário brasileiro.

RRRomero Rodrigues

A propósito, esse cara já tomou crédito, não é que ele não tá ali, exatamente, já tá serasado, ou seja, ele já tá pagando juros. Agora ele vai ter que pegar uma linha maior ainda.

TGTallis Gomes

É, cara, e tem um problema que é o seguinte: eu tava dando uma olhada nos números ontem, Santander divulgou double digits de aumento de inadimplência de um mês para o outro. Acho que 21%, caramba, é um número altíssimo, tá? Então assim, os sinais estão aí, irmão, vai dar merda. Você tem hoje 40% da renda das famílias brasileiras tá em estoque de dívida, tá? E você tem por volta de 25% da renda das famílias de baixa renda brasileiras indo para bet.

Então, cara, 65% da renda das famílias de baixa renda brasileira, na média, tá comprometida. Tá comprometido, tá? O serviço dessa dívida tá em 20% por mês, com tendência de subida. E quanto mais se aumenta a inflação, é mais se aumenta o juro, mais aumenta o custo de serviço da dívida. É isso que os gênios que assumiram o Ministério da Economia não perceberam, que é o seguinte, que eles acham o seguinte: ah, só aumenta juro, né?

E com isso aí imprime mais dinheiro e tá tudo bem, a gente faz as nossas ações aí. Aí depois fica chorando para o Banco Central baixar juros, como se fosse uma decisão arbitrária, né? Não é decisão técnica. Então é uma loucura que os cara tem na cabeça. Mas por que que eu tô dizendo isso aqui? Porque não existe a menor chance, marquem as minhas palavras, de não ter uma explosão em inflação se implementar o split payment como foi proposto.

Vai ter. E quem vai pagar a conta, como sempre, é o pobre. Porque eu tenho acesso a capital, eu aumento o preço, eu tenho elasticidade de fazer preço, tenho marca premium. O micro, pequeno, não tem. Ele não tem o que fazer, entendeu?

RRRomero Rodrigues

Ele vai ter que talvez fugir, voltar a receber, vai dar desconto. Se você pagar no Pix é mais caro, você pagar em dinheiro vai voltar o dinheiro.

TGTallis Gomes

Como era cartão de crédito antigamente, né? Tem que baixar uma lei e falar que tem que sobreviver.

RRRomero Rodrigues

Então ele vai ser criativo, cara, vai ter que dar um jeito, né, velho?

LZLucão Zafra

O cara vai parar de aceitar o Pix. É, o Nicolas, ele cantou uma bola do Pix há uns 2 anos atrás, né, que começou a ter um olhar maior em cima disso, começou a acontecer, né?

TGTallis Gomes

O que vai acontecer é que vai voltar dinheiro papel.

RRRomero Rodrigues

É uma piscina quentinha.

LZLucão Zafra

O problema do dinheiro em papel, uma coisa é você usar dinheiro quando você tá na Europa, que com 4 moedas você janta. O problema é que o papel, como você falou, R$10 é um, tem que ter muito mais dinheiro no bolso para você resolver essas coisas.

TGTallis Gomes

É igual ligar carro russo, né?

RRRomero Rodrigues

Argentina, isso que eu ia falar, hotel em Mendoza, uma caixa de sapato, o cara falou, você só pagou transfer até agora?

?Voz A

Não, não, loucura.

LZLucão Zafra

É tipo na Argentina, você Você anda, a galera anda de mochila nas costas, não é porque a galera gosta de carregar roupa, não, porque tá carregando um saco de dinheiro nas costas.

TGTallis Gomes

É muito triste, cara, não dá. E pensar que, pô, a gente tinha tudo para caminhar, para ser, sei lá, top 5 economia do mundo, se fizesse os ajustes que precisam fazer. Até porque tem R$7 trilhões para serem investidos em infraestrutura de ar nos próximos 5 anos. A gente tem 85% da produção energética limpa contra 25% dos Estados Unidos. A gente tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo. A gente tem um zoning que permitiria a gente ser a infraestrutura de AI para o mundo.

Ou seja, a gente poderia ser o que a China foi para o mundo como fábrica nos anos 90, a gente poderia ser para infraestrutura de AI.

RRRomero Rodrigues

Mais óbvio do que fazer data center no espaço. A gente tem energia limpa. E outra, lembra que o pessoal fala muito de latência? Falar, mas Brasil, você não vai nunca atender o resto do mundo. Tem latência, tem pelo menos 150 milissegundos, 200 milissegundos de latência, que não dá para ter para aplicação crítica. Você precisa às vezes de 10 milissegundos. O mistério do Mercado Livre, você sabe, em 10 milissegundos você joga para direita ou para esquerda.

Mas a gente esquece que AI, uma boa parte do processamento é treinamento, não é inferência. Então a gente poderia ser a Islândia do treinamento de modelos do mundo.

TGTallis Gomes

É isso, é isso. Assim, tem muita oportunidade de fazer o Brasil dar certo, tá? Falta gente que queira fazer o Brasil dar certo. E aí, de novo, eu sempre falo isso para deixar muito claro: ah, mas pô, não tem um candidato certo. Ou ah, agora tem o cara que fala as coisas que eu gosto, ele é novo, é outside. Não adianta, irmão. Você pode colocar Madre Teresa de Calcutá na presidência da República, ela não vai resolver nada, porque ela depende do Senado, ela depende do Congresso.

E hoje a gente ainda tem uma anomalia na democracia brasileira, que o STF legisla, né? Então não adianta o Senado e o Congresso passar uma lei que o STF vai e caneta e fala, não, na verdade é outra parada. Você tem decisões monocráticas que acontecem ainda, né?

?Voz A

O que me parece também é que falta uma capacidade intelectual mesmo dos caras poderem fazer alguma coisa nesse sentido que vocês estavam pensando, por exemplo, né? Aí o que que teria que—

TGTallis Gomes

como resolveria isso?

?Voz A

Os empresários teriam que ter uma participação maior dentro do governo, por exemplo?

LZLucão Zafra

Porque parece óbvio, né? Por exemplo, eu preciso de um cara no financeiro, logo eu não vou procurar alguém que fez letras, eu vou procurar alguém que fez uma faculdade, um mestrado, alguma coisa no mundo de economia e finanças. Parece um pouco óbvio as coisas, né? Pô, eu vou procurar alguém para ser o ministro da saúde, tem que buscar um médico, alguém que tá dentro da área da saúde, e não alguém totalmente aleatório. Aonde que a gente perdeu a mão na contratação da galera para cuidar do país?

?Voz A

Parece assim que não tem, não tem critério, principalmente quando a gente vê qualquer tipo de votação no Senado, né, no Congresso. Cara, é um circo. Você fala assim, cara, não parece que tem ninguém cognitivo que consegue resolver alguma coisa aí.

RRRomero Rodrigues

Sabe?

?Voz A

É um papo de louco, né?

RRRomero Rodrigues

Eu acho que a gente precisa de uma— política é bem fora da minha área de expertise, eu vou passar a palavra para o Thales, provocando já ele, mas assim, acho que a gente precisa de uma reforma talvez mais profunda, porque o brasileiro, quando você sai talvez de algumas grandes cidades, algum grande centro econômico, ele tá numa situação difícil, ele vai buscar a situação mais fácil. Quem que resolve o meu problema de hoje, né?

Então você mesmo comenta muito sobre voto distrital, uma reforma política maior. Eu acho que talvez tenha que partir um uma coisa mais profunda. Eu não sei se o sistema como tá hoje ele consegue se corrigir tão fácil.

?Voz A

Acho que não.

TGTallis Gomes

Vamos lá, é pra gente pensar o básico. Como é que eu sou ele?

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TGTallis Gomes

Eleito governador de São Paulo, a maioria dos votos de São Paulo tem que ir para mim, certo? Certo. E o meu voto e do Romero vale o mesmo tanto que o voto de, sei lá, de uma pessoa analfabeta que não sabe ler, certo? Certo. Então beleza. Então tendo isso como verdade, 80% da população adulta brasileira é analfabeta funcional, são Certo? Então, ou seja, essa pessoa não tem capacidade de análise crítica. Logo, Sócrates ensinou para gente há 2.500 anos atrás que se você tiver doente, você vai procurar um médico para curar a sua doença.

Você não vai procurar um vendedor de doces para curar sua doença, né? Mas se a gente fizesse uma eleição ali no ambiente fechado, mas agora temos um candidato aqui que é médico e temos outro que é vendedor de doce. Falem as suas propostas, candidatos. Aí o vendedor de doce vai falar assim, ó: por mim vocês comem doce à vontade, dorme até a hora que quiser, faz o que quiser, picanha para todo mundo. E aí o médico vai falar assim, ó: não pode comer doce.

Na verdade, ao invés de duas refeições, vocês vão ter que ter uma porque tá apertado aqui em casa, tem que mexer no orçamento. E vai tomar remédio amargo, vai ter que acordar 6 horas da manhã e trabalhar muito. Ó, aposentadoria, esquece, não fecha essa conta, a gente vai ter que revisitar esse modelo, tal.

RRRomero Rodrigues

Quem que você acha que vai ser eleito?

TGTallis Gomes

É o vendedor de doce. Por quê? Porque você precisa ser popular para ser eleito em uma democracia. Logo, o que que Aristóteles e Platão ensinou para gente? Que num regime democrático é impossível ter homens virtuosos. Virtuoso, porque o homem virtuoso ele vai sempre falar das ações impopulares, que são as únicas que te levam para o caminho da virtude. Nunca é o caminho popular que te leva para virtude, cara. É sempre o impopular.

É acordar cedo, treinar duro, comer certo, ser fiel à tua esposa. É sempre coisas que te custam no curto prazo, mas te paga o dividendo no longo prazo. Isso não funciona na democracia. A democracia só funciona coisas viciosas. Logo populares. Faz o que você quiser, seja livre, seu corpo suas regras, pode abortar mesmo. Então são essas coisas que a maioria, como não tem pensamento crítico, logo não faz análise de segunda e terceira ordem, eles falam assim: é isso aí que ele tá falando, me parece mais confortável mesmo.

Então o ser humano, ele é um animal político que ele busca sempre o caminho mais fácil, conforto. Então a democracia, ela sempre vai favorecer os viciosos, logo os demagogos, né? É por isso que Aristóteles, Sócrates e Platão, que é quem cunhou o pensamento crítico, político e a ciência política ocidental eram contra a democracia. O que Aristóteles concordava era com um regime chamado politeia, que é o seguinte: o povo tem que ter direito à voz, só que ele tem que ter uns mediadores a essa voz que fazem contrapesos a ela para que eu possa protegê-los deles mesmos.

Por exemplo, você tem 3 filhos dentro de casa, você vai ser impopular falar para os seus filhos que eles não podem tomar sorvete depois do almoço todos os dias. Mas você tá protegendo eles deles mesmos.

RRRomero Rodrigues

Por quê?

TGTallis Gomes

Porque eles não sabem que isso é um grande problema, né? Esse é o regime que foi criado nos Estados Unidos pelos Founding Fathers, né, no final do século 18. Então o experimento americano, a democracia americana, na verdade é uma politeia, porque você tem voto distrital, Senado é indicado, você tem os colégios eleitorais lá que a Hillary, por exemplo, na primeira eleição do Trump, ela teve mais voto que o Trump, só que o Trump que foi eleito porque ele teve a maioria dos colégios.

Então os colégios são pessoas que têm discernimento crítico e que fala assim, cara, o Trump é melhor que a Hillary, desculpa, não dá pra ouvir vocês desse jeito, entendeu? Então, e você tem um sistema de pesos e contrapesos que protegem ali, porque senão você vai ter assim, por exemplo, hoje, quando você pega principalmente o Norte e Nordeste do Brasil, a maioria esmagadora das pessoas que recebem benefícios sociais estão infelizmente no Norte e Nordeste, né? E que eu deixe claro, eu não sou contra benefício social, tá?

?Voz A

Eu sou contra ele ser usado como curral eleitoral.

TGTallis Gomes

Social, que para mim benefício social tem que existir. Inclusive é uma medida liberal do Milton Friedman, da Escola de Chicago. Só que tem que ter prazo para acabar e tem que ter uma trajetória para que essas pessoas tenham condições de sair de lá.

LZLucão Zafra

Tipo, a pessoa tem que ser assistida para ter uma evolução, claro, fazer parte da jornada, né?

RRRomero Rodrigues

Fala, você mede o sucesso de um programa social pelo número de pessoas que tá saindo deles.

TGTallis Gomes

E aqui a gente divulga com, com um clamor de eu sou bem-sucedido, com orgulho, com quantos números entraram, né? A gente já viu o Lula falar isso várias vezes, né? A gente colocou tantas pessoas no Bolsa Família. Na verdade, o orgulho tem que ser, cara, formamos tantas pessoas para ser mestre de obra, para ser encanador, e que agora não precisa de benefício social. Porque pode ter certeza, essas pessoas, elas, quando elas conseguem aprender um labor novo, se empregar e prover para tua família sem depender de auxílio, isso mexe com o brilho delas, isso mexe com quem elas são.

Fala assim, cara, eu sou capaz. Isso é importante para uma nação, mas não existe essa discussão. Por que que não existe essa discussão? Porque a virtude não é premiada na democracia. É pelo contrário, na democracia é premiado o vício. Então não tem como. A única forma de mudar o Brasil seria se a gente mudasse o sistema político do Brasil. E mais uma vez, não tem como, porque para mudar o sistema político do Brasil a gente teria que convencer o Senado, Congresso e o Judiciário, que é quem se beneficia disso, que é o que Aristóteles chama de oligarquia.

Pessoas que estão preocupadas com dinheiro e poder, não com bem comum, que é o que ele chama de aristocracia.

LZLucão Zafra

Mas você acha que se no Brasil tivesse os pesos nos estados como tem nos Estados Unidos, a gente estaria muito melhor?

TGTallis Gomes

Com certeza. Esse é um primeiro passo para essa transformação. Porque assim, não adianta eu virar e falar, beleza, o Brasil vai virar uma monarquia amanhã. Não vai acontecer. Agora a gente pode fazer uma reforma aonde a gente começa a ter voto distrital. Isso é um negócio que talvez passe, entendeu? Aí aos poucos você vai, pô. Então, por exemplo, tem um problema muito grave no Brasil hoje. Que é financiamento público de campanha.

Cara, essa é uma distorção gravíssima. Sabia que um partido— descobri isso outro dia— cada voto que um partido recebe é R$14 a R$16 por voto, dependendo do voto? E aí vai para o fundo partidário do partido para as próximas eleições.

RRRomero Rodrigues

Não sabia isso.

TGTallis Gomes

Então é por isso que os cara bota Tirica, esses cara que puxa voto para caramba, porque é dinheiro, pô. Tipo um Nicolas que recebe 1 milhão de votos é R$14 milhões para o partido, pô. Os cara é um ouro partido, entendeu? Então o incentivo é todo errado, velho. Incentivo é para ganhar voto, não é para botar a melhor pessoa para discutir política. Por exemplo, a gente tá numa eleição que é a eleição mais importante da história do Brasil, mais importante e decisiva.

Diria que é um divisor de águas, porque se o Lula for reeleito, ele indica mais 4 juízes. Com que já tem lá, esquece. Eu questiono se tem eleição em 2030, Se o Lula ganhar aqui novamente agora, é muito grave o que tá acontecendo. E a gente tem hoje R$10 trilhões de estoque de dívida, uma trajetória da dívida terrível que só piora, cara. Medidas extremamente perigosas para economia brasileira, sabe? Medidas que não visam o técnico, mas visam sim uma ideologia, medidas ideológicas.

E o que está sendo discutido no Brasil hoje? Se o Flávio tava na festa do astronauta do Vulcar ou não. Meu irmão, eu quero que se foda se ele tava na festa do astronauta. O que que esses filha da puta vão fazer com a trajetória da dívida? Você vai ter coragem de tomar uma medida impopular? Como que você vai garantir que a minha geração possa se aposentar? Não que eu quero, porque eu não quero, mas tem gente que quer. Conta para turma a verdade, que eles não vão se aposentar, porque não vão.

Não tem como. Eu desafio qualquer um me provar matematicamente que tem como a minha geração se aposentar. Não tem como. Então é o seguinte, sabe o que que você tem que fazer agora? Largar de ser frouxo e ir para o Congresso e para o Senado defender uma mudança que tem que ser feita, senão vai quebrar o país, que é o seguinte: aposentadoria tem que estar desindexada do salário mínimo. Não dá para aposentadoria, indivíduos improdutivos estarem ganhando como os indivíduos produtivos.

A gente já perdeu o bônus demográfico. Ela tem que estar indexada à inflação para não perder poder de compra. Mas ele não tem que ficar ganhando a mais não, um indivíduo improdutivo. Que isso, aposentadoria no Brasil é loucura, tá indexado ao salário mínimo. E aí, pô, como é que o cara faz política demagoga no Brasil, que é o que ganha eleição na democracia? Vamos aumentar o salário mínimo. É óbvio, não muda nada na vida dele, não é ele que paga a conta.

Daqui a 20 anos ele tá morto, não muda nada na vida dele. Ah, eu entro na história, né? Mas destrói o Brasil. Então são pessoas que só pensam no curto prazo. Se você quer mudar o Brasil, meu irmão, é quem tá me assistindo aqui tem que começar a fazer as perguntas desconfortantes. Fala assim, olha, me prova matematicamente como que a minha geração aposenta. Me prova matematicamente como que o juro que hoje tá 14, 15 não vai estar 20 daqui a 5 anos.

RRRomero Rodrigues

Vocês acham?

LZLucão Zafra

Uma vez a gente gravou um 24 Horas com o Ike, e o Ike é inteligente para cacete, né? E ele falou que uma das coisas que ele acha que é ruim na política é que o político ganha muito mal. Ele falou assim, cara, pensa numa empresa, quanto que ganha um CEO e qual é o tamanho da bucha de um CEO? Agora pensa num governador, pensa num prefeito, qual é a bucha que esse cara carrega? Vocês concordam com isso? Você acha que tipo assim, cara, que uma das mudanças talvez até era ao contrário?

Tipo assim, cara, talvez se o cara ganhasse melhor não teria tanto desvio, roubo, entre outras coisas que acontece hoje?

RRRomero Rodrigues

Olha, eu acho que em partes eu concordo com o Eike, mas não totalmente. Eu gosto muito, o Thales trouxe o exemplo e eu concordo, os founding fathers, eles eram todos empresários e os primeiros presidentes, todos americanos, eram pessoas de mercado que serviam naquele espírito que eu tenho muitos amigos que já serviram para o público, no espírito de falar, pô, é minha vez de ser o síndico. Eu vou lá e vou ajudar, eu vou lá e vou fazer o condomínio prosperar, eu vou fazer aqui por todos.

E não é para sempre não, é 4 anos e depois eu não volto mais. Eu acho que um fenômeno que acontece, não é só Brasil, é global, é a figura do político profissional, que ele se forma, ele é político a vida toda, independente dele ter outra atividade empresarial ou não, mas ele é a vida toda. E ele vai mudando de cargo e fica até estranho, você fala assim, pô, ele não vai se candidatar para nada nesse ciclo? Ele já foi isso, isso e aquilo, ele vai parar essa carreira.

Mas que carreira? Ele é um servidor público, ele deveria estar fazendo aquilo pelo conhecimento dele, pelo giveback, para devolver, e por um período limitado de tempo. Não existia isso. Então eu acho que se eu fosse, de novo, como alguém que não entende de política, mas se eu fosse dar um pitaco em forma política, seria limitar isso. Não é só limitar um STF a ter prazo e mandato, talvez combinar o que que realmente, quanto tempo você pode servir no público, entendeu?

Independente se você era deputado estadual, agora deputado federal, agora é senador, agora governador. Não, pera aí, pera, isso não faz sentido. O lado de melhorar, eu acho que a remuneração ela pode ajudar, mas eu acho que, eu acho que ela não vai resolver totalmente, sabe? Porque Principalmente num ambiente que já esteja muito deteriorado, você vai ter que pagar muito dinheiro pra ele abrir mão do que ele tá fazendo com o poder que ele tem daquela caneta.

Então eu não sei se aumentar 10 vezes a remuneração dos políticos ia resolver, por exemplo, o problema da corrupção no Brasil.

TGTallis Gomes

O problema de você analisar esses problemas com a nossa lente é que nós somos homens virtuosos, cara, que temos ética, né?

?Voz A

Exatamente isso.

TGTallis Gomes

Que quer fazer o certo.

LZLucão Zafra

Tipo assim, não dá pra saber qual o grau da maldade, né?

TGTallis Gomes

Dá para saber assim, é só você olhar os jornais, né? Lava Jato, tá tudo aí, tá escancarado, não tem segredo para ninguém, né? O atual presidente tava preso, né? Então assim, esses caras, eles são viciosos, eles são do mal, eles não são do bem. Há um pequeno grupo que é uma grande exceção, é do bem. Eu conheço alguns que são do bem, mas a enorme maioria do mal. Eles são oligarcas, eles só têm dois interesses: dinheiro e poder. O deus dele é dinheiro.

Os caras, eles, eles, sabe o anel do Senhor dos Anéis? É isso, dinheiro pra eles é isso.

RRRomero Rodrigues

Ah, dinheiro!

TGTallis Gomes

Ele faz tudo pelo dinheiro, entendeu? São essencialmente prostitutas, fazem qualquer coisa por dinheiro, falam qualquer coisa por dinheiro. Bom, eu já vi o presidente passar a mão num crucifixo com Jesus Cristo, você tem que me ajudar, tal. O cara é ateu, velho, cansou de falar isso, entendeu? Então assim, é tipo, é de uma falta de respeito com quem é cristão de verdade esse tipo de coisa, uma falta de respeito com a crença das pessoas, entendeu?

É um utilitarismo de algo que para mim, por exemplo, como católico, é muito sério. Eu mexer com a minha religião assim, cara, isso é maldade, esse é o mais puro mal. E o Thomas Paine, que é um dos Founding Fathers, meu favorito, ele escreveu no final do século 18 um panfleto chamado Common Sense. O Common Sense, ele, ele foi basicamente uma Ele transformou uma guerra fiscal contra a coroa britânica em uma revolução, e ele foi um estopim da revolução.

E o Common Sense, ele tem uma frase que ela é emblemática e resume o que é o Estado. Ele fala o seguinte: o governo só existe porque nós somos maus e temos as nossas flaws, né, as nossas falhas. Falhas. Então o governo existe para nos proteger de nós mesmos. Uma sociedade não. Ele separa a sociedade do governo. Uma sociedade existe porque a gente se junta para fazer coisa boa. Por exemplo, eu me junto com o Romero, falo, Romero, investe em mim, eu quero criar uma nova empresa.

Então a gente se junta, faz uma coisa boa. Agora existe um governo que fala assim, a hora que o Romero falar, fazer uma coisa errada comigo, fizer com o Romero, tem que ter um governo, um sistema de justiça para poder legislar sobre isso e falar, cara, quem tá certo, quem tá errado. Ou seja, se a gente não fizesse merda, não precisava de um governo, um terceiro fazendo isso. E ele tem uma frase que resume o que é o governo, que ele fala o seguinte: o governo, no melhor dos cenários, é um mal necessário, e no cenário normal ele é um mal absoluto.

Porque as pessoas vão sempre ascender ao poder, salvo raras exceções, em busca de uma agenda pessoal de dinheiro e poder. Então ele vai tomar decisões, quando o cara tem ali uma caneta muito poderosa, ele vai tomar decisões que vão contra o bem comum. Não é aristocracia, é muito difícil fazer isso.

RRRomero Rodrigues

Sim, logo tem exceções, mas a gravidade leva para isso.

TGTallis Gomes

Raras exceções, raras, que é o que eu falei, raras exceções. Só que é muito difícil resistir ao poder do anel, entendeu? E o Aristóteles falava que a virtude é um hábito, né? Então são pequenos hábitos diários que vão te treinando na prática, que ele chama de frônesis, né? Treinando na prática pra ser uma pessoa virtuosa. Então a virtude não é uma ideia, ela é um conjunto de hábitos que você faz durante o dia. É muito difícil, por exemplo, que você consiga resistir, você tá de dieta e você gosta muito de pudim.

Você tem um pudim na geladeira, pô, é muito difícil você resistir àquele pudim ali que você tem muita vontade de comer. Comer doce. Mas se você tem um hábito de lutar contra os seus impulsos carnais, pode ser que você consiga. Só que você concorda que é uma minoria de pessoas que vão conseguir? É uma minoria. Logo, o que que nós como sociedade deveríamos fazer? Lembrar que o inimigo não é pessoas de esquerda e pessoas de direita.

Na verdade, a gente é a sociedade. É a gente que produz, inclusive a gente que paga a conta da brincadeira desses caras lá, entendeu? Que eles fazem merda, eles não pagam a conta, eles— é tudo de graça na vida deles, eles ganham dinheiro para caramba. Um monte é envolvido em corrupção e a gente paga a conta aqui e paga o efeito perverso das decisões que eles estão tomando lá, que é um bando de decisão merda. E por que que eles tomam essas decisões merda?

Ah, porque eles são burros? Não só isso, são também, mas porque eles são maus. Então é o que o Romero tá falando, faz todo sentido, né? E isso inclusive tá no livro 6º do A República de Platão, onde ele fala do, do, do dilema lá dos marinheiros, né, dos barcos. Ele fala o seguinte: em algum momento a gente pegou os homens que mais entendiam de astronomia e eles pegavam um leme dos barcos e pilotavam os barcos. Em algum momento esses homens falaram assim: cara, na verdade dá mais dinheiro eu fazer astrolábio e vender astrolábio.

E aí quem tava com o leme, com a mão no leme, são pessoas que não sabiam de astronomia. É o que a gente passa hoje, né, que é o que o Aristóteles depois vai trazer para o mundo real, vai chamar de tecnocracia. É a proposta do livro do Alex Karp, o CEO da Palantir. Que é o sócio do Peter Thiel, que ele fala o seguinte, cara, se nós como Ocidente não pegar pessoas como nós aqui, eu, vocês, Romero, que são tecnicamente competentes, e entrarmos para política e continuarmos sendo governados por imbecis viciosos, a gente nunca vai transformar esse negócio.

Agora, a questão é como que a gente entra para política se a política é um regime democrático onde os virtuosos não têm espaço para poder se eleger porque não são demagogos. Essa é a grande questão, entendeu?

LZLucão Zafra

Aí a pergunta que conclui muito é, cara, ainda dá? Ainda vale a pena investir nesse Brasilzão? Ainda tem saída? Porque tipo assim, a gente falou de uns cenários ruins, mas será que tem um horizonte de um cenário bom?

?Voz A

Eu fico pensando assim, como que o empreendedor ele consegue ter uma visão estoica de tudo isso, no sentido de, cara, eu preciso focar aqui no que depende de mim, eu não vou conseguir fazer ter uma reforma política no país, isso não vai se consertar enquanto eu tiver vivo.

LZLucão Zafra

É mais um ano de Lula e vamos embora.

RRRomero Rodrigues

É muito otimismo, muito estoicismo. Então assim, o que eu não posso controlar não vai me incomodar. E focar naquele problema, focar naquela dor. Eu acho que sim, na minha opinião sim, o Brasil é um ambiente muito rico para se investir empreendendo. Não é fácil, mas ele é rico de oportunidade, no sentido que ele é, infelizmente, como cidadão extremamente ineficiente, cheio de dor, cheio de problemas. Quanto mais problema tem, mais oportunidade para você criar um negócio tem.

Obviamente vai ter todos esses problemas que a gente comentou, essas fadigas. Então assim, eu pensando com a minha cabeça aí, tira o chapéu de investidor, de empreendedor, põe o chapéu assim: tenho que cuidar do meu dinheiro e pensar no dinheiro da minha família. Eu vejo o Brasil como um mercado incrível para você buscar o que eu chamo de alfa, para você buscar ganhos como com venture capital, como com distressed debt, o que seja, tá?

Aí obviamente quando eu penso em falar eu preciso comprar uma ação e não vou poder mais vender nessa ação, eu vou comprar um bonde, não vou mais mexer nesse bonde pelos próximos 40 anos, eu penso em dólar. Mas quando eu quero buscar alfa, eu penso em Brasil.

TGTallis Gomes

É, eu concordo plenamente com o Romero, inclusive assim que a gente aloca lá no nosso Nosso family office, a gente aloca a nossa carteira pessoal. Longo prazo é dólar, né? Brasil é busca de alfa, é deal que a gente faz ali, é coisa de flipagem. Que é ruim, né? Porque assim como a gente pensa assim, todo mundo que tem minimamente uma estrutura financeira pensa igual. Então o Brasil é, meu irmão, é papel de flipar, entendeu? Porque, cara, não dá para pensar em horizonte longo prazo, que isso aqui é uma loucura. Isso aqui não tem longo prazo, né?

RRRomero Rodrigues

Mas nos negócios, vocês estão lá com private equity, vocês estão encontrando empresas Porque tem alfa, né?

TGTallis Gomes

Então assim, tem alfa, é isso que é o ponto. Mas é que a real é o seguinte, a minha posição como empreendedor, tá? É, por que que eu empreendo no Brasil? Número 1, eu amo esse país. Número 2, a competição é muito fraca. É muito fácil fazer dinheiro no Brasil, mano, é muito fácil mesmo. Eu falo isso o tempo inteiro, a turma fica louca comigo. Nossa, ele é muito arrogante e tal. Não é, brother, é muito fácil.

?Voz A

Por que que é muito fácil, Thales?

TGTallis Gomes

Porque não tem competição, que 80% da população adulta é analfabeta funcional. Tão simples quanto isso. Aí, pô, a turma que tá ali meio que tentando fazer alguma coisa é muito pouco informada, entendeu? Então assim, não é difícil ganhar dinheiro no Brasil, essa é a realidade. Ganhar muito dinheiro no Brasil é difícil demais, ganhar algum dinheiro no Brasil é fácil demais, essa que é a verdade. Então, é, e a gente criou vários moats aqui, né, várias vantagens competitivas aqui muito grande.

Então, cara, G4 hoje é o maior canal de distribuição de soluções empresariais para PME do Brasil. De longe, né? Então assim, cara, é muito difícil alguém replicar isso. Então, cara, esses muros nos deixam muito confortável para poder lançar outros produtos, produto de software, produto de AI, produto de comunidade, que é o que a gente vai lançando e compondo receita e crescendo. Isso que faz a gente ter todo esse crescimento. A gente vai faturar R$750 milhões já esse ano.

Ah, tá vendo? Você cresceu muito no governo Lula. Não, eu cresci apesar do governo Lula, porque se não tivesse governo Lula, se tivesse continuado o Paulo Guedes ali controlando a economia que vamos lembrar, né, ele deixou o Brasil inesperado, tá, numa pandemia, numa pandemia.

RRRomero Rodrigues

Então se fosse esse o cenário, talvez já tinha feito IPO, jurozinho de 6, precisa ser 4, 6, 10, tá ligado?

?Voz A

Jurozinho de 6 ia ser bom, hein, cara.

LZLucão Zafra

A gente já teria feito IPO numa dessas assim, porque assim é tanto dinheiro que ia estar chovendo, você teria comprado sua casa com, meu Deus, tava comprando à vista, mas com, porra, com imposto de 4%, 4,5% ali.

TGTallis Gomes

Assim, a vida de todo mundo é que as pessoas falam, ah, eu não como dólar. É, não sei, o cara não entende.

LZLucão Zafra

Essa frase é bizarra, né?

TGTallis Gomes

Exatamente.

RRRomero Rodrigues

Porque quem tá sentado no quinzão tá feliz, né?

LZLucão Zafra

Essa frase falaram muito, eu não como dólar.

TGTallis Gomes

Mas o cara que fala isso, primeiro que nem sabe o que ele tá falando, e muito isso é bot da turma de esquerda.

LZLucão Zafra

Irmão, se você tem um carro e abastece, pronto, você já tá comendo em dólar. Exatamente, já tá comendo em dólar. Se você toma café, você já tá comendo em dólar.

TGTallis Gomes

Reposto de frete é em dólar. Sim. Então isso impacta na prateleira do supermercado. É que a real é o seguinte, a esquerda ela é mal. Tanto que existem teses que demonstram cientificamente, tá, que a pessoa ser de esquerda é uma doença mental. Não tô brincando, existem teses, existem papers. Procura esse negócio na internet, você vai ver o que eu tô te falando. Tem, cara, tese acadêmica mostrando que ser de esquerda é uma doença mental.

Porque o ponto é o seguinte: não faz sentido nenhum ser de esquerda. A esquerda, ela destrói exatamente a vida daqueles que ele alega proteger. Porque o ponto é o seguinte, cara, a minha vida, a vida de vocês, a vida do Romero, irmão, jura 20, eu vou ganhar dinheiro igual. A gente aloca ali porque a gente já tem capital. O problema é quem tá precisando ganhar dinheiro. Esse cara tá enrolado, esse cara não consegue se mover na vida, não tem mobilidade social.

Um governo como esse. E aí entra o meu ponto, né? Ah, mas você ganhou dinheiro no governo Lula. Cara, eu ganhei dinheiro na Dilma, na Dilma, fundei a Singu na Dilma, saudando a mandioca. Eu fundei a Singu. Então assim, eu ganhei dinheiro em todos os governos. Por quê? Porque eu sou um bom empreendedor, certo? Mas eu não posso olhar para mim e ser egoísta e falar, já que eu tô ganhando dinheiro, tá tudo bem, o Brasil é isso aí.

Que eu acho de uma covardia gigante, que eu vejo um monte de gente falar assim, ah, mas o Brasil sempre foi isso. Vamos lá, vamos crescer, tanto faz se é esquerda ou direita. Cara, isso é covarde quem fala isso, desonesto intelectualmente. Não é tanto faz não, isso muda completamente a vida das pessoas que eu convivi minha vida inteira, que é quanto que as pessoas têm para poder gastar para comer ali no final do dia, e que ela vai olhar na prateleira, vai ser a decisão se ela come frango ou come ovo.

Que eu cresci muitas vezes na minha vida fazendo mexidão de ovo. Já comeram mexidão? Pega o arroz, feijão, esquenta ali, bota manteiguinha, bota um ovo, tudo de resto da geladeira, joga lá já.

?Voz A

Por quê?

LZLucão Zafra

Porque não tinha carne, certo?

TGTallis Gomes

Certo, porque carne é caro, né? A minha vida, eu adolescente, carne era um luxo. Era no máximo um bife, é um fígado acebolado, é o fígado acebolado, e tinha o alcatra, né? Cochão duro, cochão duro. Então assim, para mim isso era de vez em quando. Então eu conheço o Brasil de verdade, eu sou o Brasil de verdade, eu só fiquei rico, mas eu sou o Brasil de verdade. Então eu não esqueci isso. Então quando eu olho um negócio desse e eu consegui sair da caverna, né, eu já fui de esquerda, já tive foto do Lula na minha geladeira, cara.

Por quê? Porque eu caía nessas narrativas porque eu era um adolescente sem informação, ruim de matemática. Então caía nessa, nessas narrativas. Aí quando eu comecei a ter informação, eu falei, ah, entendi, esses caras me usam, né? Então você, pô, sai da caverna, abre um admirável mundo novo para você, e você começa a ficar com pena das pessoas que estão ali. E que a verdade é, enquanto as pessoas não acordarem e olhar para homens vencedores e falar assim, cara, Esse cara é vencedor, será que eu deveria ter inveja dele e ficar com raiva por ele tá abrindo os meus olhos e fazer exatamente o que a turma que tava na caverna de Platão lá fez, né?

Pega o cara que falou, isso aí que você tá vendo é tudo sombra, vai, mata ele, fica com raiva dele, em vez de falar, cara, pera aí, deixa eu olhar para trás, deixa eu ver o mundo real, né? Então assim, o meu convite a essas pessoas, não sintam raiva das pessoas que estão abrindo os seus olhos, porque as pessoas como eu que estão fazendo isso, a minha vida tá boa e continua melhorando, tá? Não vai mudar nada se o Lula for reeleito. A sua que vai estar na água.

?Voz A

Muito bom. Como que vocês enxergam assim, o porquê que vocês conseguiram ter sucesso independente, né, apesar dos governos que a gente teve? Por que que vocês conseguiram chegar no sucesso empreendendo no Brasil? O que que vocês veem que fizeram dar certo?

RRRomero Rodrigues

Acho que tem uma combinação de de características e que eu vejo em todo empreendedor que eu conheço. Eu vejo no Thales, eu vejo no César da Gimpese, eu vejo no Davi do Nubank, todo mundo, o Sérgio da Cris, todo mundo que eu converso, e é muito parecido. Então acho que primeiro, o Thales usou a palavra coragem, eu concordo. Eu gosto até de dar um duplo clique nela. Eu brinco que a palavra que eu busco num founder quando eu vou investir é inconformismo.

O cara é inconformado com o mundo como ele tá. Ele fala, cara, não é possível que o mundo é assim. Que que é esse mundo assim? Ah, não é possível que eu vou, não ligo para uma loja, ela não vai dar preço de um produto. No meu caso, pô, não é possível que eu não consigo ir numa academia e usar um dia só. Eu tenho que assinar um plano anual, eu só quero fazer hoje. Pô, não é possível que eu fico 2 horas num telefone para ser atendido pelo saque do meu cartão de crédito.

Pô, não é possível que eu tenho que pegar um cheque especial a 9% e eu tenho aqui um apartamento quitado e ninguém resolve esse problema, não consigo usar como colateral um ativo real. Então acho que essa é a fagulha inicial. Segunda característica: ser um ótimo contador de histórias. E apaixonado por esse problema e um ótimo contador de histórias, você cria o que o Steve Jobs chamava de campo de alteração da realidade. Então assim, você começa a convencer todo mundo que o mundo pode ser diferente.

É totalmente etéreo. Ah, vamos fazer. Quem disse que vai fazer? Nós vamos fazer. Você vai convencendo, convencendo, convencendo, convencendo, convencendo, convencendo. Então segundo isso, ser um bom vendedor, conseguir vender esse propósito, essa visão. Acho que o terceiro e quarto, terceiro para não ficar muito longo, o terceiro é você escutar mais do que falar. Então você, o que o americano fala de coachable, aquele founder, aquele empreendedor que fala assim: não, não, isso aí não vai dar certo, a gente corta, esquece.

Todos em comum, ele sempre anotava. Eu lembro, eu brincava, eu fazia café com o Cezinha da Well Hub, todo mês a gente ia no Levain ali na Tietê, e ele levava o caderninho dele, ele anotava tudo, ele perguntava e anotava, anotava, perguntava, anotava. Às vezes eu brincava, ele fazia uma pergunta qualquer, eu dava uma resposta bem estúpida, aí ele começava a anotar assim, aí ele parava, olhava para mim, a gente ria. Tipo, mesmo a resposta estúpida, ele começava anotando, não começava refutando.

E acho que o último é entender seus pontos cegos e trazer gente boa para cobrir. Então, pô, acho que um exemplo claro é, pô, o que o Thales, o Alfredo, Nardom fizeram, como eles são complementares, sabe? É cada um com seu superpoder, mais de um superpoder se complementando e tornando aquele time forte. Então isso é o que eu procuro no founder. Eu acho que isso é um pouco do que a gente usou na fórmula do Buscapé também para empreender: sócios complementares completamente indignados como funcionava o mundo, olhando um problema grande que a gente achava que podia resolver.

TGTallis Gomes

Muito bom, cara. Eu complementaria aqui, assina embaixo tudo que ele falou, concordo plenamente. Complementaria com um elemento, tá?

RRRomero Rodrigues

Sorte.

?Voz A

Assim, eu ia perguntar exatamente isso.

TGTallis Gomes

Tem que ter um pouco de sorte, sem dúvida. Mas só lembrar que a sorte ela favorece os preparados, tá?

RRRomero Rodrigues

Os bravos. Eu adoro essa frase: sorte favorece.

TGTallis Gomes

Claro, se você não tiver preparado, você pode ter a sorte que você quiser. Imagina o seguinte, Alguém vira para você e fala assim: Kaique, hoje é seu dia de sorte, irmão. Tem um G6 ali fora, ele é seu se você levantar voo nele agora sozinho. Você sabe pilotar? Pô, mas eu não sei pilotar. Então foi nada, perdeu.

LZLucão Zafra

Cara, a primeira viagem internacional que eu fiz na minha vida, eu tive a sorte de ter tirado um visto um mês antes. Um mês antes eu tirei passaporte e conheci o Neymar.

?Voz A

Ou seja, você tava minimamente preparado.

LZLucão Zafra

Eu tive, tipo assim, o Thiago, porque o Thiago ele queria fazer uma surpresa, só que ele esqueceu que ia vir da periferia, né? Então ele queria falar uma semana antes que a gente ia para Paris. Irmão, o periférico não tem passaporte. Só que eu fui num shopping e tinha Receita Federal lá, falei assim, cara, verdade, pô, vai que tem oportunidade de eu viajar para fora, pô, tô ganhando melhor, vai que eu viajo daqui uns 2 anos.

?Voz A

Tirei, mas puxei o Neymar em 2018, cara.

RRRomero Rodrigues

A sorte ela se divide entre o completamente aleatório, comprei uma rifa, treinei. Existe algo que a gente chama de aumentar sua superfície de sorte, que é justamente o preparo. Então assim, você podia ter ficado jogando videogame em vez de pegar fila na Receita, na Polícia Federal, para tirar o passaporte. Você foi lá aumentar tua superfície.

LZLucão Zafra

Não, eu pensei, eu lembro que na época tinha uma, eu era filmmaker na época, editor, e tinha uma galera viajando. A gente ficava dentro da XP ali, tinha um outro que viajou para XP Miami para fazer um negócio. Falei assim, cara, vou tirar aqui que vai que aparece um cara tirar férias, aparece uma oportunidade, eu vá.

TGTallis Gomes

Eu fiz isso, cara. Sorte favorece os preparados.

LZLucão Zafra

Então assim, fala aí, você deu muita sorte de começar a prospectar taxistas, os cara começar a aceitar usar seu aplicativo?

TGTallis Gomes

Eu acho que foi um negócio, liga o seguinte, cara, eu dei uma sorte de um fundo alemão que nunca tinha feito investimento no Brasil, tá, que na verdade ele era uma venture builder ele fazia copycats, ele copiava o negócio que tava dando certo nos Estados Unidos e replicava e fazia esse negócio na Europa e na Ásia e vendia para o cara que tinha criado originalmente nos Estados Unidos. É isso que eles faziam. O cara olhou o meu negócio e falou, cara, você eu topo investir.

Por quê? Por que que não copiou? Puta sorte, velho. O cara olhou para mim e falou, cara, eu vi alguma coisa nesse cara que eu prefiro investir nele, tá ligado?

RRRomero Rodrigues

Mas assim, eu acho que o caso do empreendedor E acho que para o público aqui, que tem muito a ver com o Primo e com a casa, assim, eu gosto, eu tenho uma base matemática grande, engenheiro e tal, eu gosto de ver o mundo dividido entre duas coisas. Você tem distribuições normais, então a distribuição normal, quanto tem de altura o Homo sapiens? Ah, tem 1,70m, mais ou menos 30cm, não é mais ou menos 7m. Terremotos, é uma distribuição normal.

Mas tem uma parte do mundo, e as pessoas esquecem de estar expostas a essa parte do mundo, que é evento de cauda. Então assim, você tem que saber em que momento você tem que estar exposto a evento de cauda e a distribuição normal. Que que é evento de cauda? Tá acontecendo nesse instante aqui um terremoto, mas ele é 0,00. E acontece esses terremotos continuamente no mundo inteiro, sem parar. Só que existe um que vai acontecer em algum momento, em algum lugar, que vai ser 7 graus na escala Richter.

Então, como é que você fica exposto a eventos de cauda sem prejudicar, obviamente, a tua distribuição normal? Isso vale para portfólio. Eu penso no meu portfólio assim, eu falo, pô, eu tenho o meu dinheiro, eu tenho o meu portfólio inteiro dividido em 2 blocos. Um bloco é distribuição normal, eu quero trazer qual é a média, olha para trás e tal. Outro é o seguinte, como é que eu vou estar exposto a isso aqui? Então assim, quem capturou Bitcoin a $1.000 Tava pensando com essa cabeça mesmo sem saber essa teoria.

Pô, eu vou colocar aqui 5% do meu patrimônio, se der errado eu perdi 5%, é meio ano de rendimento. Mas se der certo, isso aqui explode. Então venture capital é muito pensar com a cabeça de vento de cauda. Empreender é pensar com essa cabeça de vento de cauda. Então você já tá predisposto, já tá com mindset diferente. Tipo, o que que daria se o Buscapé tivesse dado errado? O que que eu teria perdido naquele tempo que eu perdi, né?

Eu fiquei 2, 3 anos lá no começo, deu Nada. Eu ia voltar para faculdade, que eu fui dropout, teria uma história ótima, teria aprendido um monte de coisa. Eu achei que era um puta risco que eu tava correndo quando eu tranquei a faculdade. Pô, risco nenhum, risco nenhum. Então as pessoas às vezes não avaliam muito o risco real e não conseguem se expor a risco da forma certa. Eu acho que o que todos os empreendedores fazem super bem é saber se expor a risco da forma certa.

TGTallis Gomes

E tem uma coisa legal complementar o que o Romero tá falando, né? Da forma que ele falou de alocação de investimentos, por exemplo, é a forma que eu lidero a companhia. Porque liderar a companhia, na verdade, é mexer alavancas. E aí, essencialmente, quando você pega o teu orçamento anual, você fala assim: Cara, em quais caixinhas eu vou colocar esses dinheiros aqui que eu tenho para poder investir no crescimento da companhia? Pô, eu quero crescer 50% esse ano com relação ao ano passado.

Quais novas avenidas de crescimento eu vou crescer para poder capturar esse alfa, esse 50% de crescimento que eu quero? E dentro dessa captura, quais caixinhas que eu vou apostar? Então eu quero estar exposto a vento de cauda. Por exemplo, lá em 2022 a gente tomou uma decisão de começar a implantar AI na companhia.

LZLucão Zafra

Por quê?

TGTallis Gomes

Porque novembro de 2022 foi quando a humanidade teve contato pela primeira vez comercial com a LLM. Dezembro de 2022, então, primeiro playbook de implantação no G4 de AI. E olha que interessante, cara, em 2022 eu fiz R$9 milhões de geração de caixa.

LZLucão Zafra

De caixa.

TGTallis Gomes

Ano passado eu fiz R$104 milhões de geração de caixa, ou seja, aumentou 11 vezes e meia a geração de caixa em 3 anos. E esse ano a gente vai para R$150 milhões. 2022 eu tinha 450 pessoas, ano passado eu fechei com 500 pessoas, aumentei 10% headcount só. Esse ano eu tô com 450, ou seja, tô com o mesmo número de pessoas que eu tava em 2022 fazendo R$150 milhões de geração de caixa até o fim do ano contra R$9 milhões de geração de caixa.

Por quê? Porque eu fiz exatamente o que o Romero que é, me expus a um vento de cauda chamado AI. Eu falei, cara, não entendemos muito bem dessa história, só sei que tem alguma coisa aí, vamos implantar, vamos ver como é que a gente faz isso dar certo na companhia. Fizemos o negócio dar certo na companhia, cara, aprendemos. Vamos ensinar para outros empreendedores como implantar isso na companhia. Fizemos produto de educação, pô, aprendemos tanto que vamos criar um software. Criamos o G4OS, entendeu? Assim, isso é se expor a vento de cauda, né?

RRRomero Rodrigues

Ou seja, no teu orçamento, todo ano você reserva uma parte para wild bets.

TGTallis Gomes

A gente chama de orçamento suicida.

RRRomero Rodrigues

É isso, tá tudo bem, exército.

TGTallis Gomes

É o meu vento quieto.

RRRomero Rodrigues

Eu tava na— a Prosus comprou o Buscapé, e a Prosus era dona da Móvel e também do Fabrício. Então eu tive a sorte de estar no board da Móvel quando a Móvel comprou o iFood. E, cara, aquilo não foi à toa. Aquilo foi de um exercício contínuo do Fabrício de estar fazendo bets e bets e bets e bets e bets. Porque o business da Móvel, quando eu entrei no board, era um business de feature phone. O iPhone tava sendo lançado, era download de wallpaper e ringtone, ia morrer, precisava inventar alguma coisa nova.

E o Fabrício criou uma cultura de inovação onde o business começava, em um mês se ele não dava resultado ele morria. Ele começava tipo 5 a 10 business por mês, até começar a entender qual que era o framework que tinha que buscar para dar certo. Ele falou, pô, para dar certo no— e eu lembro até hoje ele falar isso, falou, para dar certo no iPhone eu preciso encontrar uma coisa que seja escova de dente, que você use todo dia, 3 vezes por dia, porque senão o cara não vai instalar o app na primeira página.

E daí, quando apareceu o iFood passando na frente, ele teve sorte de comprar, investir no iFood. Não faz sorte.

TGTallis Gomes

Então eu queria inclusive fazer uma lembrança aqui, a gente vai fazer uma live junto com os teus sócios, né? Exatamente, Bruno Perini, dia 11 de agosto, e com o Thiago Nigro, eu, Alfredo Nardono, dia 11 de agosto. Augusto, onde a gente vai fazer uma aula gratuita para você que tá me assistindo aqui agora, onde todos esses fundadores vão te ensinar sobre gestão de operação, marketing, vendas, criação de audiência, estratégia, cultura, gratuitamente, turma.

Essa vai ser uma das maiores lives de gestão que já aconteceu na história da internet brasileira. Dois grandes grupos que entendem muito de vendas e marketing e gestão se juntaram para gratuitamente te ensinar a ser um gestor melhor. O objetivo é fazer com que você tenha oportunidades, alavancas para conseguir dobrar os lucros da sua empresa. Então, ser mais eficiente, né, crescer mais. E o Thiago Nigro e o Bruno Perini, né, que tem aqui a Portfólio, que tem dezenas de bilhões investidos, né, vão te ensinar a fazer uma alocação mais inteligente da tua carteira de investimento.

Então você pegar esse dividendo que eventualmente você vai pagar no teu negócio e alocá-lo melhor para você capturar esse alfa nova que o Romero tá ensinando. Então assim, ó, clica aqui no link da descrição.

RRRomero Rodrigues

Que dia, que horas? Repete aí.

TGTallis Gomes

11 de agosto às 8 da noite.

RRRomero Rodrigues

11 de agosto, 8 da noite.

TGTallis Gomes

8 da noite. Clica aqui no link desse episódio, tá? Ou no QR code aqui na tela. Se inscreva, não perca essa oportunidade. Lá em Carangola a gente fala uma coisa, turma, a gente fala: cavalo não parcelar duas vezes não. Não vai acontecer isso de novo, viu?

?Voz A

É verdade. Muito bom, Thales, que bom que você lembrou disso.

TGTallis Gomes

Opa, deixa eu limpar o pavio aqui pra gravar podcast.

?Voz A

Às vezes você fala, pô, vou tomar um café com o Lucão lá. Vou tomar um café com o Lucão. O que que eu queria falar com vocês é o seguinte, o que que pra vocês foi mais difícil quando vocês estavam lá no começo e que vocês sentiam talvez um um peso Brasil assim, fala assim, caramba, difícil mesmo, hein.

LZLucão Zafra

Mas assim, cara, eu quero que vocês puxem a lembrança do primeiro 1, 2 anos de empresa mesmo, desse momento de nascendo no empreendedorismo, meio que fazendo sem saber o que tava fazendo.

TGTallis Gomes

A história da minha vida, velho. A real é o seguinte, eu comecei a empreender com 14 anos, né, porque eu fui pai aos 15. Eu tenho uma filha de 23, mas eu vou falar da EasyTax, porque senão vira um negócio tão Out of the blue, sabe? Moleque de 14 anos aprendendo em Carangual. Deixa eu falar da EasyTax, tá? Então é assim, EasyTax na verdade foi a terceira tentativa que eu tive de fazer alguma coisa, tá? Então você vê, eu comecei com 14, eu fiz a EasyTax com 22 para 23, cara.

Eu fiquei quase uma década ali tentando fazer alguma coisa até que eu acertei uma parada. E por que que eu gosto de destacar isso? Porque tem muito jovem que me segue, e quem me segue sabe que eu sou muito honesto intelectualmente, Então eu não vou virar para você falar: se joga, faz mesmo, vai dar certo. E eu acho que cada vez mais geração e geração que vai passando, eu fico vendo que a turma tá mais ansiosa, Romero. Então o cara tá mais assim: puta, mas o cara com 23 anos já tinha feito esse táxi, eu já tô com 25, passou meu tempo.

E tem um monte de imbecil na internet que falando assim: ah, você tem 30 anos, desiste, irmão. O Marcos do Quebec começou com 21. Galera, estão pegando a exceção da exceção da exceção, botando como regra. O KFC, pô, o Colonel Sanders montou com 60 também. Então assim, não tô dizendo que vai ser mais fácil para o cara de 60, ele tem muito mais risco, tem um carrego maior, tal, tem família, pelo menos deveria ter. Então eu sei que é mais difícil, mas a real é o seguinte, eu queria deixar claro que o fato de eu e o Romero termos começado super jovens ali não impede de você que tá me assistindo e tem 30 largar o teu emprego com responsabilidade em algum momento e fazer o teu negócio.

Isso dito, eu comecei a Easy Taxi, eu morava na favela do Santo Amaro, era literalmente um favelado. É isso aí. Então assim, quando eu comecei a empreender era uma loucura, porque é o seguinte, eu trabalhava na Ortobom, tá, no marte da Ortobom, tá. Eu pegava o mototáxi, depois eu pegava um ônibus, eu pegava uma van. Eu trabalhava no Città América, lá na Barra da Tijuca. Aí, meu irmão, teve escritório lá.

LZLucão Zafra

Você lembra? Você tá?

TGTallis Gomes

É lá que é o Ortobom, pô.

RRRomero Rodrigues

Do Bom de Faro era lá.

TGTallis Gomes

E quando a gente juntou com o Bom de Faro, cara, eu tava no Ortobom e eu trabalhava para caralho, tá? Eu não ficava de brincadeira não. Tanto que no Ortobom você entrava, se eu não me engano, 7 horas da manhã e saía 5 horas da tarde. Eu bati a ponto naquela época, bati a ponto, né? 5 horas da tarde todo mundo ia embora, eu ficava escondidinho na minha sala, fechava a persiana, sala de marketing lá, e ficava trabalhando. Que eu falo, cara, eu pego um puta trânsito para voltar mesmo.

Não, prefiro ficar fazendo coisa aqui, cara, ficar trabalhando, ficar trabalhando até umas 9 da noite, que é a hora que o trânsito parava ali. E aí depois eu ia embora para casa. Na hora que eu chegava em casa era o segundo tempo, filhão, porque antes de eu empreender, precisar aprender umas coisas. Então eu preciso aprender uma linguagem de programação. Eu lembro que eu usei o Khan Academy para aprender o básico de Python. Eu queria aprender mais.

?Voz A

Esse daí é do Kean Academy. Esse daí é, cara, raiz, né?

LZLucão Zafra

O que manda um promptzinho lá e faz alguma coisa.

TGTallis Gomes

Fui aprender o básico de Python, porque, cara, você mexer com base de dados, você, pô, fazer algumas coisas ali, Python me servia assim para, no mínimo, que o que eu queria é o seguinte, eu queria ter condição de falar com gente técnica, sim, para não ser um completo imbecil ao pedir alguma coisa.

RRRomero Rodrigues

Enganado no sentido do prazo, é, e querer saber o que é possível, né?

TGTallis Gomes

Já que, pô, eu sempre fui líder da companhia, eu queria, pô, jogo. Deixa, sabe que eu tô dando um prazo que é razoável? Sabe que eu tô cobrando que é razoável? Eu queria ter o básico de entendimento de estrutura de software ali, de lógica, né, lógica, só para poder fazer. E análise de base de dados fazia uma diferença, saber, pai. Aí, pô, fui estudar economia, fui estudar contabilidade, que eu sou um dropout, assim como o Romero também larga a faculdade.

Então, cara, eu precisei me preparar para empreender. Em um momento que eu estava empreendendo, eu me lembro que ao mesmo tempo que eu tava tentando ali fazer esse táxi dar certo. Eu também precisava lembrar que eu precisava pagar minhas contas. Eu não tinha anjo, nada disso, não tinha esses negócio no Brasil direito naquela época, era muito raro essas coisas. Ninguém acreditava em mim. Os cara que fazia isso que eu falava com eles, cara, eu sou um cara sem formação, sem track record, pô, favelado, não conheço ninguém, cara, nunca consegui acessar esses capitais.

Então a gente fez ali o nosso MVPzinho e ficava, cara, tentando fazer o negócio dar certo, que era fazer o taxista comprar um negócio louco chamado smartphone, que 4% da população brasileira tinha em 2011, com internet. E tinha que convencer o taxista a botar um plano de dados no smartphone, que onde todo mundo ficava vendo a cara dele na campanha da Nextel. Não sei se vocês lembram, ele era garoto da propaganda Nextel. Você lembra disso?

É verdade, eu tinha esquecido. Ele era garoto da propaganda Nextel, pô. Eu sou Romero, fiz o Buscapela, lá lá lá, vendia Nextel. Aí os taxistas tudo comprava Nextel, não queria smartphone, entendeu?

RRRomero Rodrigues

É verdade, Nextel não—

TGTallis Gomes

Era naquela época, pô. Era no Rio de Janeiro, só tinha Nextel, todo mundo. Eu tive que convencer o taxista, não pagava minuto, né? Exato. Eu tive que convencer ele a comprar um smartphone, botar plano de dado, que era um negócio de rico. A maior barreira era o smartphone, comprar plano de dado, instalar o EasyTax e usar o EasyTax, responder. Responder, exato, era uma pica. E aí eu ainda tinha outro tamanho, que eu tinha que conseguir convencer alguém chamar. Vou até chamar, meu irmão.

LZLucão Zafra

Caramba, é verdade, você tinha que convencer, você tinha que pegar as duas pontas. Primeiro convencer o cara de rodar e o cliente para pegar o táxi.

TGTallis Gomes

Antes convenceu o cara de comprar um smartphone.

RRRomero Rodrigues

Marketplace é muito foda, é um bicho-cabeça. Tem o preço para ter o consumidor, você tem o consumidor para ter o preço. Então assim, você queria arrumar o táxi e ninguém chama, no dia seguinte o cara nem aí, não dá mais o telefone.

LZLucão Zafra

Gente, para vocês terem noção, gente, não era que tipo assim, pô, ele criou um aplicativo e já tinha um hábito de consumo da Uber rodando para ele.

RRRomero Rodrigues

Não, não, não, ninguém tinha smartphone, ninguém usava app. Filho.

TGTallis Gomes

A primeira vez que o brasileiro usou um app para chamar algum serviço foi comigo, foi com EasyTaxi, foi 2011. Então era um mato altíssimo. E não é que eu tinha um facão não, meu irmão, eu tinha tesourinha de cortar unha ali que eu tinha que resolver. Esse era o meu início ali. E com tudo isso eu tinha uma filha, eu tinha que pagar as contas, ajudar a pagar as contas da minha filha. É bom, eu tinha que pagar minhas contas, tinha que comer.

Tanto que, cara, Eu falei isso várias vezes, isso é real. Eu comia miojo todo dia. E eu tive dias que eu tinha uma escolha, que a gente queria começar a rodar um teste de ads, que eu falei, cara, tudo bem, eu consigo comer uma vez por dia só. Aí o meu sócio botava um dinheirinho, meu sócio botava um dinheirinho, a gente se juntava lá e rodava um ads. E eu tive bons sócios, né? Daniel Cunha, um cara super empreendedor que foi meu sócio, era muito organizado, ajudava a gente muito nisso.

A gente começou junto ali, fez um ótimo trabalho. Depois eu convidei outros sócios técnicos, o Vinícius Grácia, que foi o CTO, que realmente fez a versão estruturada do EasyTaxi. A primeira versão foi feita pelo Márcio William, né, que foi o primeiro CTO que a gente teve, que é um cara, cara, muito estudioso. Tanto que eu me lembro que o Márcio trabalhava no Tobom. Aí eu chamei ele para assessor, falei, Márcio, você sabe programar mobile?

Ele falou, não, mas assim como eu, ninguém sabe no Brasil, mas eu descubro. Eu falei, beleza, se você souber e fizer a primeira versão, você é meu sócio, eu te dou tanto por cento da empresa. Então, cara, eu fui montando a parada, que é o que o Romero falou, eu tinha que vender um sonho. Como é que eu faço o Márcio largar o emprego dele de programador COBOL ali na Ortobon para ganhar X% de nada? Para ganhar X% de nada. E, cara, e fazer EasyTaxi, que foi isso que ele fez, ele largou.

E, cara, o Márcio não era boy não, tá? Ele morava em São João do Meritinho, o pai dele é pedreiro. Ele largou o emprego dele no Ortobom, que era um bom emprego, tá? Programador sempre ganhou bem, né? Era um bom emprego. E acreditou no nosso sonho ali de construir um negócio, cara, não tinha nem indicativo que esse troço ia funcionar, tampouco ia conseguir dinheiro. Isso foi muito foda, mas ele quebrou essa barreira.

RRRomero Rodrigues

Campos de distorção da realidade, é exatamente isso, o teu inconformismo.

TGTallis Gomes

Que é o que eu falo, vocês, existem dois tipos de pessoas: quem sabe vender, quem trabalha para quem sabe Acho que era um caso muito parecido, tá?

RRRomero Rodrigues

Acho que assim, o meu outlier moment foi na 8ª série, em 91, 92. Eu estudava no colégio bom, sou de família de classe média, não faltava proteína, mas só podia repetir arroz e feijão. Bife era um só, mas você podia comer arroz e feijão várias vezes. 3 moleques em casa, calma aí, né? E hoje eu não sei como meu pai fazia, tá? Porque o que meu pai ganhava na época, hoje eu sei, era menos do que as 3 mensalidades do colégio que ele tinha que pagar.

TGTallis Gomes

O cara se virava.

RRRomero Rodrigues

Fizemos colégio bom, colégio alemão. 8ª série tinha uma aula adicional lá de computação, tinha acabado de começar PC XT e tal. Me apaixonei por programação. Meu pai se formou em engenharia, perdeu o emprego uma vez, falou: não vou mais depender de ninguém. Virou empreendedor. Eu queria também ser empreendedor. E eu falei: pô, vou empreender com isso então, informática. Então eu tive essa vantagem de entrar no colegial já sabendo o que eu queria fazer.

Eu escolhi engenharia querendo empreender com, chamava informática na época, com digital. Comecei a faculdade, juntei um grupo de amigos, criamos lá um think tank, não tinha esse nome na época, mas enfim, várias ideias, várias ideias, veio a ideia do Buscapel. Borges, meu sócio, queria comprar uma impressora, não tinha nenhum site na internet que falava para gente impressora, nem no Brasil, de produto, nem no Brasil, nem nos Estados Unidos, lugar nenhum.

Vamos criar. Começamos, colocamos no ar em 99, terceiro dia, único ativo da empresa era uma linha telefônica, que tinha que comprar linha telefônica naquela época, R$900. Que era uma grana na época. Tocou o telefone, era um dos maiores varejistas do país. A gente, pô, feliz para caramba. O cara fala assim, ó, me tira do resultado de busca. A gente falou, não, mano, faz sentido. Falou, você não me tirar, vou te processar. Ou seja, o cara que deveria pagar para a gente queria processar a gente.

Caramba, aumentou o inconformismo. Porque ele queria tirar do resultado de busca, ninguém queria ter preço comparado, porque o segredo do varejo era você ter muito ponto comercial. O cara foi para tua loja E aí você faz o malho de venda, não deixa ele sair sem o produto. Se ele sabe o preço antes, se você tem marca, você tinha preço alto, você nem vai para o teu ponto. Então tinha uma luta do varejo contra a gente de processo, tomou processo, tomou vários processos.

Mas, e aí curiosamente a gente atingiu o ponto de equilíbrio só 3 anos depois disso, em 2002, e todos os varejistas passaram a pagar, menos esse cara. E um dia a gente tomou pela primeira vez a decisão de tirar alguém do resultado de busca, foi esse varejista. Era uma terça-feira de manhã, a gente tirou, ele passou a terça-feira inteira fora. Quarta-feira tocou o telefone, já tocava mais o telefone, tocou o telefone de novo, mesmo cara.

Falou, pô, eu vi que você usou meu conteúdo aí por 3 anos, agora você me tirou, tal. Eu falei, ah, você percebeu? Ele falou, é, não, as vendas caíram, a gente viu, tal, não sei o quê. Eu falei, tá. Ele falou, ó, e se você não me colocar de volta até o final do dia, eu vou te processar.

TGTallis Gomes

E foi exatamente a primeira vez Eu chorei, eu não vou mentir.

RRRomero Rodrigues

Graças a Deus era telefone, eu chorei. Falei, acabei de começar o business, botei o negócio no ar, o cara tá me processando, fudeu. Um dos maiores varejistas do país. Quando ele ligou para falar que ia processar de novo, eu abri uma risada, falei, por que que a gente não senta, toma um café? Mas eu acho que o que que eu quero dizer com isso, eu acho que para quem tá realmente querendo mudar o jeito como o mundo funciona, assim, eu não lembro qual era o câmbio da época, eu não lembro qual era a taxa de juros da época, época, tá?

Então acho que eu estaria sendo injusto. Eu lembro que levou 9 meses para abrir o CNPJ nosso, mas isso não impediu, era o normal, isso não impediu a gente de fazer o negócio. Então acho que assim, um empreendedor que é outlier, se ele não consegue abrir um CNPJ mesmo no Brasil de 1998, que levava 9 meses, ele já tá desqualificado, ele não tem que ir para final de Wimbledon mesmo. Então assim, eu acho que o Thales também, talvez ele lembre, mas não foi relevante isso, porque o problema que está resolvendo é tão grande Você tá começando daqui tão pequenininho, você tem tanta coisa para construir que o macro não importa.

TGTallis Gomes

Concordo.

RRRomero Rodrigues

O macro vai importar depois. A burocracia podia ser melhor? Podia, mas não importa, ela vai vir depois para te morder no bumbum, entendeu? Então acho que é, eu acho que as dificuldades que a gente encontrou é muito das dificuldades que o G4 até ajuda hoje em dia. Pô, cultura, eu tive muito problema de cultura, tipo, eu tive que ser chefe sem nunca ter sido funcionário.

TGTallis Gomes

Estagiário.

RRRomero Rodrigues

Nunca fui nada, e eu tinha que ser chefe, que é o case de um monte de empreendedor. Um monte de empreendedor. A gente tava no mercado onde não tinha ninguém, não existia internet. Então assim, por que que eu vou contratar alguém de mercado que é caro, que vai vir com um monte de vício, se eu posso contratar estagiário da faculdade que tá morrendo de tesão, vontade, não sei o quê e tal, e que eu consigo moldar? Então assim, no Busca Pé chegou uma hora que eu acho que a gente era quase todo mundo estagiário, e a gente definiu um negócio muito louco, foi o seguinte, ainda bem que eu acho que já o status of limitations já passou.

Mas a gente falou o seguinte: olha, o estagiário que mandar muito bem ganha um estagiário. Então a gente tinha figura do estagiário gestor também. A gente tinha beliche no escritório porque tinha galera que iria ficar trabalhando à noite, depois jogando Counter-Strike, que trabalhava, morava longe e tal, dorme no escritório. Imagina hoje o departamento jurídico de uma empresa onde o cara deixa o beliche no escritório para galera ficar à noite trabalhando.

LZLucão Zafra

Então assim, nesse aspecto, a ignorância ajudou Tá, mas eu vou te falar, não pode nem orar, pô, que dá problema. É, o Ministério Público não gosta, mas depois toda segunda a turma reza lá.

TGTallis Gomes

Mas quem quer mais reza. Mas, cara, você vê a cultura que o Buscapé tinha, ele é um negócio que assim, eu sou grato ao Romero, já falei isso com ele várias vezes, né? Porque o Romero abriu alas para que a EasyTax acontecesse, porque ele foi o primeiro, a primeira leva de empreendedores de internet no Brasil, né? Foi pré-bolha ali. E eu vim na segunda leva de empreendedores de internet no Brasil. Então o Romero permitiu com que eu estivesse onde eu tô hoje.

Ele abriu essa porta pra gente, né? Como eu contribuí abrindo porta para outras pessoas, e que agora tem outras gerações abrindo porta.

RRRomero Rodrigues

Obrigado pelo carinho.

TGTallis Gomes

Não, mas é verdade. E isso é um negócio importante da gente reconhecer e pensar que tem porque o Edmund Burke, né, que é um, talvez um dos meus filósofos favoritos, ele, eu citei o Paine aqui, o Burke foi um dos maiores inimigos intelectuais do Paine, né, porque o Paine ele era um liberal radical reformista, então ele achava que cada geração a gente deveria destruir tudo que foi feito e construir do zero, ele era um grande revolucionário, e que eu gosto de algumas coisas do Paine, discordo de outras.

Já o Burke não, ele acha que na verdade você tem um compound de conhecimento que eu tenho, por exemplo, aprender contigo no Buscapé e usar esse aprendizado para construir dali para cima com EasyTaxi. Eu gosto mais, o Burke é conservador, né? Ele é o fundador do pensamento conservador, que a gente fala assim: deixa eu conservar o que é bom e usar isso para criar, inovar e refundar e fazer ainda melhor, mas sem destruir aquilo. Ele fala que existe um contrato na sociedade com quem já morreu e quem ainda vai nascer, que a gente tem que pensar em quem vai nascer e usar aquilo que foi aprendido por quem já morreu.

O Paine, ele discorda. Eu concordo mais com o Burke. Por que que eu tô dizendo esse negócio? Os empreendedores, eles têm que começar a olhar para o Romero, né? Muitas vezes olhar para outros meus contemporâneos como mim e falar assim, cara, o que que eu posso aprender com essa turma para a partir daqui construir mais? Isso é importante nessa era porque é uma era de pouca humildade intelectual, onde as pessoas estão com muitas certezas com base em alguma resposta que o ChatGPT deu para elas, entendeu?

Sim, tá faltando um pouquinho mais de profundidade intelectual e humildade. Falar assim, cara, esse cara tá fazendo essa porra 30 anos, talvez ele saiba mais coisa do que eu. Deixa eu ouvir o que ele tá falando, ao invés de eu ficar com raiva de falar, ah, mas ele tá falando que acredita na meritocracia, eu não acredito. Calma, meu querido, calma, você acabou de chegar. Ouve quem já passou por isso, reflete, né, e tenta pegar em cima disso aí e construir alguma outra coisa.

E aí sim, depois lá para frente você a ver o que que você concorda, discorda, né?

LZLucão Zafra

Caramba, eu não sabia dessa história do Buscapé, porque, cara, o cara literalmente revolucionou o mercado. Eu já usei muito, mas pensa, realmente, os varejistas bloqueavam.

RRRomero Rodrigues

Não é que eles mandavam o preço, a gente tinha que ter um robô que entrava e conseguia burlar e buscar.

LZLucão Zafra

Cara, pensa como antigamente era a diferença de preço discrepante de um lugar para o outro, porque não tinha um preço médio das coisas, ninguém tinha noção do preço das coisas.

?Voz A

Ganhava a marca mais famosa.

LZLucão Zafra

É, ganhava a marca mais famosa. Não existia agregação de informação. É, então tipo assim, pô, um lugar podia vender a mesma TV por o dobro do preço e ninguém ia ficar sabendo disso. E quando você põe a transparência do negócio, tipo assim, cara, você melhora para todo mundo. É uma doideira, meu.

RRRomero Rodrigues

Agora, um fato engraçado e para compartilhar com vocês, para você ver como não tinha academia, né, de startup, do como criar uma startup, não tinha nada escrito. Então a gente ia descobrindo. A ideia original do Buscapé era pegar preço de loja de rua. A gente desenvolveu, ficou 6 meses desenvolvendo um software que tinha que ter 1,44 megas no máximo, porque tinha que caber num disquete.

TGTallis Gomes

Ah, que loucura!

RRRomero Rodrigues

Para o disquete ser distribuído em banca de jornal, que tinha umas revistas que vinham com os disquetes e tal. O varejista pegava esse disquete, instalava um programa no computador, esse programa procurava no softwarezinho de gestão dele ou planilha de preço de Excel. Quando dava meia-noite, ele conectava na BBS. Meia-noite porque era pulso único para poder mandar os dados para o nosso servidor central e a gente comparar isso. 6 meses fazendo o programa, é razoavelmente sofisticado fazer um programa desse até nos dias de hoje. Um mega e-mail, fazer tudo isso, conectar, irmão.

TGTallis Gomes

Exato.

RRRomero Rodrigues

Perdemos um tempão fazendo. Eu peguei uma caixinha com 10 disquetes, rodei a Vila Mariana, fui na padaria, fui na loja de papelaria, fui na lojinha de informática, fui na banca de jornal, botei com os 10 disquetes. Todo mundo me chamou de louco, não conseguiu entender. Como assim? Tipo, você tá louco? Vou dar meu preço porque tal. E você vê como a teimosia e esse inconformismo é importante. Empresa morreu por algumas semanas, aí veio a ideia de capturar o pouco de preço que tinha online.

Só tinha 4, 5 sites, nessa época era 98 ainda, 4, 5 sites online só. E aí fomos para capturar os preços online. Mas a provocação para quem tá empreendendo: precisava ter alguma coisa no disquete para descobrir que ia dar errado aquilo? Sketch não precisava nem estar formatado. Então assim, tem tanta coisa hoje, você pode testar hipótese tão fácil, você pode descobrir tanta coisa que antes você precisava construir. Até porque o que o Thales falou, os blocos estão prontos.

Você queria fazer um e-commerce, você tinha que criar uma Stone, você tinha que criar uma, você tinha que criar uma VTEX, você tinha que criar tudo para poder vender um produto. Não tinha nenhum bloco pronto.

LZLucão Zafra

Hoje você pluga 3 empresas, tem um Esquece.

RRRomero Rodrigues

E tecnologia, código, nada mais é do que conhecimento. Então, se vale para tecnologia, vale para conhecimento. Eu acho que nesse aspecto que você comentou, o G4 faz um papel muito legal de conseguir capturar todo esse zeitgeist que foi acontecendo ao longo das décadas em empreendedorismo e levar para empreendedores não partirem do zero.

TGTallis Gomes

A gente tenta traduzir as melhores práticas. A gente acredita que se eu traduzo esse pacote de soluções aqui e entrego de uma forma prática, na língua que o empreendedor entende, isso faz muita diferença. E o que você falou é muito verdade, assim, era o meu caso também. Eu fui empreendedor antes de ser funcionário e eu chuto que é o caso de, sei lá, 50% dos empreendedores no Brasil. Às vezes o cara, ele empreende por necessidade, então muitas vezes ele nunca teve um emprego formal, nunca trabalhou numa empresa organizada, ele não sabe construir um funil de vendas, ele não sabe construir cultura, ele não sabe, cara, qual pergunta que eu tenho que fazer para poder contratar um cara, um diretor de tecnologia, né?

Então o G4, ele consegue dar esse pacote de ferramentas para esse empreendedor, para ele não ter que partir do zero e pegar aquele talento que ele já tem ali, aquilo que ele já faz muito bem, obviamente conseguir fazer melhor, né?

?Voz A

Muito bom. É para a gente ir para o final aqui, eu queria puxar o seguinte, que eu acho que vai ter até muito a ver com a nossa live, Thales, no dia 11. É, para a gente não ter essa coisa assim, para o empresário não ficar à mercê do fator Brasil, da troca de governo, ah, não sei o quê, da ineficiência do país, o que que a empresa precisa ter, cara? O que que, quais são os pilares que a empresa precisa ter que, cara, vão ser os alicerces dessa companhia, que não vai deixar ela ser frágil, onde Porra, às vezes por uma troca de governo ela derruba, uma pandemia vai tudo para o saco, algum acontecimento acaba o negócio do cara.

TGTallis Gomes

Cara, o que eu sempre falo para turma é o seguinte, e o Romero brevemente falou sobre isso, né? O macro para quem tá começando importa bem menos, tá? Porque é o seguinte, imagina que nessa mesa aqui tem um bloco de dinheiro de 2 trilhões de dólares, tá? Aí a gente tá disputando esse mesmo bloco de dinheiro aqui, cara. Eu não tô nem aí quem tá ali controlando essa disputa, tá? Eu tenho certeza que eu vou conseguir meter a mão e pegar um pedaço desse negócio aqui.

Esse é o mercado no Brasil. O Brasil, apesar dos pesares, é um país continental com 220 milhões de pessoas que tem 2 trilhões de dólares de Véio. Então assim, vai ser ruim para o Brasil a reeleição do Lula? Não, vai ser péssimo. Tem problemas inclusive estruturais. Como eu disse, ele vai indicar mais 4 ministros para o STF. Eu tenho dúvida se tem eleição em 2030, mas aí é dúvida, eu posso estar completamente errado. Isso é um exercício de futurologia que eu tô fazendo com nenhum compromisso com a verdade.

Agora, o que eu tenho certeza é que ano que vem, beleza, vamos ter retração. De quanto? 1% do PIB, 2% do PIB, continua 2 trilhões na mesa. Tem 2 trilhões na mesa, meu irmão. Tem dinheiro para pegar. Então esse negócio vai importar muito mais para Vale do Rio Doce, para o Itaú, para o BTG, do que para o empreendedor que fatura 1 milhão por ano. Que quem tá me assistindo agora, que vai me assistir na live, o cara que faturou 5 milhões por ano, 10 milhões por ano, galera, isso aí não faz diferença nenhuma.

Sabe o que vai fazer diferença no negócio desse empreendedor? Vai fazer diferença a qualidade das pessoas que ele tem trabalhando ali atendendo o cliente dele, a qualidade do produto ou serviço que ele tá entregando para o cliente dele, a preocupação que ele tem é quando o cliente dele precisa de ajuda, é o quão eficiente ele é no custo de servir esse cliente para ele buscar um pouco mais de margem, como que ele tá plugando AI na companhia dele para que ele possa escalar esse negócio dele, crescer mais sem necessariamente ter que aumentar o IPEX.

Isso importa muito mais do que quem vai ser eleito no ano que vem para o empreendedor, tirando todas as outras coisas negativas que a gente falou aqui, tentando olhar o copo meio cheio. A real é o seguinte: se vai ser o Lula ou Flávio Bolsonaro ano que vem, eu não sei. Eu só sei que só tem condição de ser os dois. Nenhum, não tem outro nome tem condição de ir para o segundo turno a não ser esses dois. Não briguem comigo, briguem com o sistema.

Essa é a democracia, toma aí. Agora, dado que esse é o cenário, eu sei que eu estou preparando a minha companhia para o pior, porque esse é um lema de gestão que eu tenho, Romero. Eu espero o melhor, mas eu me preparo sempre para o pior.

RRRomero Rodrigues

Sempre seja paranoico no planejamento e otimista na liderança e na execução.

TGTallis Gomes

Perfeito, perfeito. Então eu acho que no final do dia é um fator de quando alguém faz negócio com alguém, né, quando eu compro um produto ou serviço de alguém, eu tô comprando a solução para um problema. A pergunta que o empreendedor tem que fazer qual é a forma mais eficiente de entregar a solução para o problema desse meu cliente e continuar fazendo com que eu continue entregando ao longo do tempo sem perder esse posto para um concorrente. E aí tem esses elementos que a gente falou aqui, né?

RRRomero Rodrigues

Concordo 100%. Acho que a chapéu de investidor, falar um pouco de capital, duas falácias aí, duas coisas que eu acho que é importante a gente desmontar um pouco, porque às vezes as pessoas acreditam muito que só tem um caminho. Então eu faço venture capital, vou jogar contra. Tem gente que fala assim, ah, mas se eu não levantar dinheiro com venture capital, a empresa não é boa. Não é verdade, tá? Não existe só o caminho de venture capital ou de captação com investidor para você construir uma empresa grande, tá?

E acho que não tem problema nenhum você ganhar, criar um grande business. Que o pessoal gosta de falar, mas se é lifestyle business, você pode criar um lifestyle business de R$300 milhões de faturamento que dá 20% de margem, é um belo lifestyle.

TGTallis Gomes

Lifestyle.

RRRomero Rodrigues

E a segunda falácia é, e a gente olha muito isso quando a gente vai investir, a capacidade da empresa atingir o ponto de equilíbrio sem precisar de mais dinheiro, né? Então assim, pô, eu preciso, se eu entrei também no venture capital, eu preciso fazer todas as rodadas até o final. Pô, adivinha só, você tem, sei lá, eu nem sei quantas rodadas um Nubank super bem-sucedido fez, talvez até a série G, ou seja, 8, 9 rodadas. Sabe quantas rodadas o Google fez?

Só até a Série A. Sabe quantas rodadas o Mercado Livre fez? Só até a Série A, não levantou mais nenhum capital depois. O Buscapé, até a Série A. O G4 nem levantou, nem precisou, tá? Então assim, ah, o acesso a capital tá difícil, tá? É mais difícil sem capital, é, mas não é impossível. A gente tem muita prova viva aí de que dá para fazer.

?Voz A

Muito bom, pessoal. Obrigado, baita aula que a gente teve aqui, gente.

TGTallis Gomes

Aprendeu com o Romero, sempre muito bom.

?Voz A

Muito bom, precisa voltar mais aqui, voltar mais, sabe? Agendadoria é muito difícil, cara, trabalho muito difícil.

LZLucão Zafra

A gente vem junto, a gente já vem na resenha, né?

?Voz A

Isso, já trabalhando nisso.

RRRomero Rodrigues

Eu venho, se o Thales tiver na mesa, eu venho.

?Voz A

Já curte o episódio, compartilha com todos os empreendedores. Naquele, às vezes você tem o tio que é empresário, tá preocupado, fica falando um monte de besteira, manda para ele, cara.

LZLucão Zafra

E aproveita e copia o link aqui, participa da live do dia 11, né?

?Voz A

Acho que uma das coisas que é muito importante para você que é empresário, empreendedor, é você lucrar mais, né? Ter mais margem no seu negócio, ter um caixa saudável, Tudo isso a gente vai falar bastante na live, que aí você não fica com uma empresa frágil, qualquer coisinha já desmonta tudo aí, né?

LZLucão Zafra

Às vezes seu pai tá com o coração duro, é empresário lá, coloca na TV da sala lá, fala assim: não, pai, só fica aqui do lado, deixa só passando lá, não vai chamar atenção dele.

?Voz A

Na hora que o Thales falar as paradas, o cara fala: ixi, esse cara aí, velho, pelo amor de Deus, hein?

LZLucão Zafra

Eu tenho que rever meu negócio aqui, certo?

?Voz A

Então compartilha com todo mundo, dá 5 estrelas no Spotify, fechado? Até o próximo episódio, grande abraço e tchau, valeu!

TGTallis Gomes

A burst pipe, a dead water heater, the AC calling it quits.

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