PrimoCast 521 | O VERDADEIRO SENTIDO DA VIDA NÃO ESTÁ NO DINHEIRO (com Guilherme Freire e Batilani)
GARANTA SUA VAGA NO “NOVA CARREIRA”: https://finc.ly/a1aaf3adeb
No Primocast de hoje, recebemos Guilherme Freire e Guilherme Batilani para uma conversa sobre um tema que quase ninguém tem coragem de discutir: o verdadeiro sentido da vida (não está no dinheiro).
Vivemos em uma época em que nunca foi tão fácil desejar mais. Redes sociais, consumismo, comparação constante e a busca por status fizeram muita gente acreditar que o próximo carro, a próxima viagem ou o próximo milhão vão finalmente trazer realização.
Mas será que essa corrida tem um fim?
Neste episódio, falamos sobre o verdadeiro papel do dinheiro, o impacto das redes sociais na nossa percepção de sucesso, por que tantas pessoas ricas continuam infelizes, o consumismo moderno, família, propósito, trabalho, felicidade e como encontrar uma vida realmente significativa.
Se você quer construir patrimônio sem perder aquilo que realmente importa, este episódio é para você.
Hosts: Kaique @kaique.editor e Lucão @lucaszafraa
Convidados: Guilherme Freire @guilhermefclfreire e Guilherme Batilani @guilhermebatilani
Sua marca no PrimoCast: publicidade@timeprimo.com
- Dinheiro e espiritualidadePerseguição incessante por dinheiro · Felicidade e realização pessoal · O papel do dinheiro na vida
- Educação e formação de opiniãoCrítica à educação atual · Importância do trabalho infantil e tarefas domésticas · Desenvolvimento de habilidades sociais · O perigo do celular para crianças
- Expectativas e RealidadesAumento das expectativas de vida · A busca por experiências e a dopamina · A normalização do luxo
- Impacto das Redes SociaisComparação social online · Indústria do consumo · Desejo e satisfação · Impacto das redes sociais
- Valores invertidos e prioridades na vidaBens materiais vs. bens da alma · Importância do corpo e da virtude · Família e propósito
- Fazer tudo com excelênciaDiferença entre ambição e ganância · A importância do 'extra mile' · Cultura do trabalho e construção
- Experiências de perda e recuperaçãoMedo de perder conquistas · Análise enviesada e bolhas sociais · Importância de ouvir diferentes perspectivas
- O Papel do Trabalho na VidaTrabalho como fonte de fortalecimento · Perda do 'olho do tigre' · Desafio e superação
- Subida Monte Carmelo EspiritualidadeCulto à matéria vs. valores espirituais · Teologia da prosperidade · A importância de pensar no que é eterno
- Infraestrutura e desenvolvimento regionalEvasão de empregos do interior · Concentração urbana e seus problemas · Políticas econômicas e seu impacto
Está começando o PrimoCast, o podcast oficial do Grupo Primo. No episódio de hoje, Kaique, a gente vai falar sobre o verdadeiro sentido da vida. Que a gente vai falar que o verdadeiro sentido na vida não está no dinheiro.
Isso é importante.
Não está no dinheiro, Kaique. Às vezes você fica perseguindo dinheiro, fica só pensando em dinheiro, acha que tudo é dinheiro. Não é só isso.
As pessoas trabalham uma vida inteira atrás do dinheiro e quando chega lá na frente, às vezes já é tarde demais.
Já é tarde demais, entendeu? Então vamos entender se realmente, qual que é o papel do dinheiro na nossa vida, qual que é o papel da felicidade, o que que a gente tem, aquele sentimento de gratidão, a gente tem que ficar, não, tem que acordar, tem que agradecer, tem sentimento, será que tudo isso realmente é importante? Para falar sobre isso, Óbvio que a gente ia trazer aqui Guilherme Freire, que ele é professor e mestre em filosofia.
Ele é fundador do Filosofia do Zero e do Em Busca da Verdade. Guilherme, obrigado, cara, por estar aqui com a gente.
E aí, minha alegria estar aqui de novo. Eu já vim aqui várias vezes, mas para mim é sempre um prazer imenso.
Muito bom, cara.
A gente também adora, acho que é um lugar muito adequado, porque aparece muito esse tema de economia, para discutir esse tema.
Muito bom. E estamos também aqui dobradinho de Guilhermes hoje, hein, cara. Estamos aqui também hoje com Guilherme Batilani, que ele é comunicador e autor do livro Por que você fez isso? Guilherme, obrigado, cara. Batilane.
Obrigado. A gente vai ter que denominar quem que é o geek, que é o Guilherme aqui.
Eu vou te chamar de Batilane.
Ótimo, combinado.
E o Guilherme Freire a gente chama de Guilherme para a gente não chamar ele de Freire. Ia ficar meio estranho, beleza? Combinado. Beleza, cara. Vamos lá, Kaique. A gente sempre pede para a galera aqui que às vezes acompanha muito o Primocast pela TV. Mais de 48% da nossa audiência acompanha pela TV, às vezes o cara não se inscreve.
Então dá para você entrar na sua TV e se inscrever ou pega seu celular e se inscreve. E às vezes você acha que é inscrito no canal e você não é, então dá uma olhadinha lá para se inscrever.
Exatamente. Se você estiver no Spotify, dá 5 estrelas e ativa o sininho para você ouvir todos os episódios. Vamos lá, gente. Vocês entendem que no passar do tempo a gente vai ficando cada vez mais um perseguidor de dinheiro, no sentido de hábitos de consumo inacabáveis. Antes, a gente tinha muito ali até como comparação, efeito de comparação, só o nosso vizinho, que todo mundo fala, até a grama do vizinho é mais verde. Você sempre vai olhar o carro do vizinho, o vizinho trocou de carro, você fala, pô, é um ponto de atenção para eu pedir aumento lá no meu emprego, não sei o quê.
Só que hoje, com o fator das redes sociais, a gente... Ver um monte de gente consumindo, comprando e às vezes dá até impressão, Kaique, que todo mundo é mais rico que você. Não tem essa impressão? Você olha o Instagram e fala assim, cara, eu sou miserável.
E ao mesmo tempo, eu fui impactado recente por um conteúdo de um jovem adulto, de uns 40 anos, conversando com um senhorzinho, bem senhorzinho mesmo, ele devia ter uns 80, 90 anos e ele estava contando para o senhorzinho que ele estava quebrado, estava devendo $40 mil e tinha 3 filhos. E o senhorzinho falou assim, cara, eu daria tudo na minha vida para ter esses 3 filhos pequenos e é uma dívida de $40 mil. E eu queria muito entender isso, mas eu não vou entender porque eu sou um jovem de 30 anos, então é difícil compreender.
Mas parece que com o tempo vem a sabedoria de você ter esse entendimento que dinheiro não é tudo, só que às vezes você pode entender isso tarde demais.
Tarde demais, é o que você falou, né? O cara com 80 anos nessa reflexão. E aí eu queria começar perguntando para vocês, vocês acham que realmente a gente tá numa sociedade cada vez mais consumista, no sentido de, cara, o negócio tá desenfreado e não faz sentido, as pessoas não estão comprando aquilo que realmente traz conforto, tá só uma coisa, é luxúria mesmo, uma coisa de gastança doideira.
Pode começar aí, por favor.
A primeira, sobre a sociedade tá mais consumista, eu acho que isso é inevitável, né? Isso é inevitável, eu acho que é um fato muito claro assim. Eu acho que tem o fenômeno das redes sociais, as pessoas se comparam nas redes sociais e você tem toda uma indústria que fomenta o consumismo. E também com a perda de valores morais, as pessoas tendem mais para um consumismo meio desenfreado. E também tem uma vaidade, a pessoa ela quer mostrar, caramba, eu fiz, eu, olha só o meu status, olha só o meu negócio.
Só que Aristóteles falava muito bem, a única forma de você ser feliz é moderar o seu desejo, porque não tem limite para ganância humana. Se você quer encontrar a sua felicidade em ter o relógio mais caro, vai ter sempre alguém que tem um relógio mais caro do que o seu. Aí se você, não, mas é o relógio, mas agora vai ter o jato que o cara tem. E aí tem um outro que compra uma ilha e tem um outro... A escalada é infinita. Não tem como, porque mesmo os bilionários começam a brigar para ver quem chega primeiro na Lua e não tem gasto possível no planeta que vai...
Justificar isso. Então, e veja, por definição, né, se a ganância humana é infinita, se você não modera o seu desejo, você sempre vai ter aquele desejo mais e você sempre vai sentir que o que você tem é pouco. E quem já não teve o efeito de comprar uma coisa nova e ficar insatisfeito com ela depois que já comprou, que já é uma coisa melhor do que a pessoa tinha antes? Então ela na verdade ela já melhorou aquilo e ela fica assim, não, mas isso aqui não é tão bom porque O outro cara tem tal coisa.
Então, na verdade, chega um momento na vida humana que você precisa olhar e falar, cara, não é questão de mais por mais. Existem valores superiores às coisas materiais. Coisas externas, elas não são tão valiosas quanto coisas do homem. E aí Aristóteles vai falar que o corpo já é mais importante do que os bens externos. Porque afinal, ter uma vida saudável e ter uma vida em forma já é uma coisa que o dinheiro não vai comprar por si.
Claro que ele pode comprar tempo e outras coisas que são valiosas. Então a gente vai falar também, não é que o dinheiro não tem a sua importância, mas o corpo já é mais importante que o dinheiro, óbvio, pensa bem. E depois, a virtude, a alma ainda é muito mais importante do que o corpo, porque o seu corpo vai morrer, o seu corpo vai definhar. Mas aquilo que é da sua alma é o que persevera. Então, na verdade, quem você é é muito mais importante do que as outras coisas.
Então, os bens que melhoram a alma da pessoa, eles são muito mais valiosos. Um filho é muito mais valioso que dinheiro, porque é uma pessoa. Você, quando passa os anos, os bens materiais, eles não agregam quase nada. Uma casa grande vai ser vazia, o barco, meu Deus do céu, sei lá. Tipo assim, o barco é maior agora, meu Deus, então você não tem que velejar mesmo. Então o exercício que tinha já vai se perder. Quanto maior o barco, pior é o exercício, menos formativo ele é.
E na verdade o que vai acontecendo é que quando você olha para o passado, você vai olhar e falar, caramba, uma alma humana, a minha mesmo e as das pessoas ao meu redor, é muito maior do que um apetrecho externo. Não tem comparação. Então, na verdade, o dinheiro, quando a maturidade vem, e a maturidade só vem quando você começa a se automoderar, porque a maturidade não é só um tema de velhice, você pode ser mais jovem e ser maduro, e você pode ser mais velho e ter acumulado burrice.
Isso tá cheio dos boomers sem noção no mundo atual, e Deus abençoe todos eles, mas assim, quem nunca conversou com um boomer sem noção?
Esse negócio de só porque o cara é velho ele é sábio é furado.
Como quebrar isso?
Pode ser um velho burro.
O cara é sábio na medida em que ele, na verdade, acumula sabedoria. Esse é o tamanho. Mas quando a pessoa vai ficando, vai amadurecendo, ela vai valorizar bens de ordem maior. E o que acontece? O dinheiro passa a ter a função de servir esses bens maiores. Porque esse é todo o ponto, ou você vai servir o dinheiro ou o dinheiro vai te servir. E as duas coisas são bem diferentes e as pessoas não entendem a diferença no mundo atual.
E quando você bota o dinheiro para serviços bem maiores, aí o dinheiro ele ajuda muito, aí sim ele é útil. Só que a própria cultura do funk, por exemplo, você vê o Brasil foi eliminado na seleção brasileira e tal. Uma das coisas marcantes é que a cultura do funk entrou na seleção brasileira comparado ao que existia antes. Ah, o que isso tem a ver? Bom, o que tem a ver é que as pessoas agora estão preocupadas com bens de consumo.
Não é só por causa de aposta, sei lá o quê, mas o bem de consumo virou um centro. E se você voltar para a geração dos anos 70, o bem de consumo não era um centro. Na verdade, um atleta médio, às vezes ele tinha outros defeitos, mas ele tinha preocupações muito semelhantes ao que o Haaland tem da vida. Os caras eram preocupados com exercício, tinha uma série de rotinas que, apesar da bola ser diferente, as pessoas não estarem no mesmo condicionamento físico do atleta atual, é muito evidente que os bens de consumo não tinham o mesmo papel na cabeça das pessoas.
Pessoas. E o cara tinha, né, na década de 70, o cara ia ter uma Brasília e um apartamento no Guarujá. Esse ia ser tipo assim, aqui eu gastei dinheiro pra caralho.
E ele, isso trazia consigo um espírito guerreiro maior, porque há uma incompatibilidade entre o cara colecionar a bolsa e ele ter um espírito guerreiro. E isso, o que eu quero dizer com isso, esses bens, Platão fala isso, tem dois cavalos. Tem o cavalo da direita e o cavalo da esquerda. O cavalo da esquerda são as paixões mais basilares e o cavalo da direita é esse desejo impetuoso de conquista, de vitória e tal. Se você alimenta demais o cavalo da esquerda, você perde o espírito guerreiro.
Então, os bens de consumo deixam o cara mais fraco, porque ele agora só está vivendo para a autoindulgência, ele vive para uma perpétua viagem e ele vira uma criança mimada, a despeito dele ser um cara mais velho. A gente pensa na criança mimada na juventude, mas agora quando você entra na vida adulta, aí de novo vem a mesma tentação, só que agora autoimposta. Se antes eram os pais que estavam te mimando, agora você tá se automimando e se enfraquecendo.
Então esse olho do tigre, né, que até o arco do Rocky 3 é esse, né, não é todo problema do Rocky. O Rocky ganhou e agora ele é o cara bem-sucedido e não sei o quê. E aí ele tem um robô em casa, é incrível, né? O Rocky tem um robô em casa. E aí o seguinte, chega o Apolo para ele e fala, cara, você perdeu o olho do tigre, então você tem que voltar para o gueto. Aí tem aqueles caras do gueto, os caras estão com a cara, eu vou te matar.
E essa cara de eu vou te matar, aquele espírito, né, do cara que tem a fome mesmo, do cara que quer fazer a coisa, é muito poderoso. E o cara tem que reganhar isso para voltar para um caminho da virtude. Então eu acho que tem N temas aqui, mas a valorização da família, o retorno desse olho do tigre, tudo isso, o dinheiro quando ele vira o senhor, você começa a perder esses bens.
Perfeito. E você, Batilani, dá a sua visão aí.
Eu acho que a gente é muito fruto do ambiente que a gente está inserido e de fato a sociedade ela não mudou só com acesso à tecnologia de comunicação. A gente produz variedades de consumo muito maior. Então antigamente, o livro que eu citei a última vez que eu vim aqui do Paradoxo da Escolha, Você ia até uma vendinha de mercado antigamente e tinha um cara pra te receber. A galera mais veterana vai lembrar disso. Tinha uma escada que ela ia até o...
É uma escada de 5 metros de altura, assim, que tinha várias prateleiras. E você não ia no mercado, você fazia a sua compra e você passava no caixa com alguém te recebendo. Você falava pra pessoa qual objeto de compra você queria, o cara ia lá, pegava o seu arroz e entregava o arroz que ele encontrava. Então era tipo 2 marcas de arroz no máximo, você pedia arroz. O cara vinha com arroz. Você pedia feijão, ele subia lá na escadinha, 3 metros de altura, pegava o feijão e voltava com o feijão.
Isso como modelo de negócio é horrível, né?
É isso aí.
Eu acho que teve um dia que um cara chegou e falou assim, por que a gente não coloca as pessoas para pegar e a gente só faz a separação?
Porque elas vão pegar muito mais do que elas precisam consumir, né?
Mas eu lembro muito de ir na vendinha com os meus...
Deve ter uma panturrilha absurda também, né? Esse senhorzinho deve ter uma panturrilha absurda para subir na escada o dia inteiro.
E era engraçado porque as outras pessoas ficavam esperando ele terminar de fazer a compra dos meus avós. Então era 2 caras pra servir a quantidade de pessoas que conseguiu entrar naquele lugar. Mas o ponto é, você não tinha muito o que escolher. Era o mundo que entregava pra você aquilo que você precisava e não aquilo que você desejava. Até porque o objeto de desejo, ele praticamente não existia. Era arroz, feijão, aí você pedia carne, o cara ia lá e buscava a carne.
Então até os desejos eram muito limitados. Tem um filme que eu gosto muito que chama, acho que chama, todo mundo sabe, O Silêncio dos Inocentes.
Sim.
No trecho final do filme assim, tem uma fala que eu gosto demais, que é quando eles estão quase encontrando o Buffalo Bill, eles precisavam descobrir de qual cidade ele vinha, qual cidade ele era. E aí, se não me engano, foi o próprio Dr. Lecter que falou, ele é da cidade da primeira mocinha assassinada. E aí todo mundo, mas como é que você tem certeza? Porque ele já matou várias mocinhas, por que que ele vai ser justamente da primeira cidade?
E aí tem uma frase emblemática no filme que ele fala: a gente só deseja aquilo que a gente vê. Então se você não vê determinada coisa, se você não sabe da existência daquilo, é impossível você desejar, não faz parte da sua realidade, não faz parte do seu mundo. Aí entra a problemática que você já levantou. Com o acesso às redes sociais, a gente vê coisas o dia inteiro.
A gente vê demais, né?
A gente vê demais, a gente passa o dia inteiro vendo coisas e consequentemente desejando essas coisas, seja objeto de objeto de desejo um corpo bonito, seja objeto de desejo o avião, o barco, a viagem, isso e aquilo. E não tem como a gente dissociar algo que a gente está vendo do nosso desejo. É uma coisa que é intrínseca. Se você passa boa parte do seu dia vendo a influenciadora tendo uma vida incrível, não tem como você não desejar uma vida incrível.
Se você vê o seu influenciador, a sua influenciadora tendo um corpo lindo, não tem como você dissociar e não desejar também um corpo lindo. Então eu acho que as redes sociais somando a ideia do a gente só deseja aquilo que a gente vê, quanto mais a gente vê, mais a gente deseja, e a gente passa o dia inteiro vendo, portanto a gente passa o dia inteiro desejando, a conclusão que a gente chega é que só vai piorar, entendeu? Ou a gente aprende a ver menos, e aí, sei lá, uma ideia besta, mas que teria um fundo de resultado, é você seguir só as pessoas que fazem parte do seu mundo de verdade, as pessoas do seu trabalho, as pessoas da sua família, família, as pessoas, aí no máximo seu objeto de desejo vai ser aquele tio rico que tem uma Hilux. Pô, já tá bom demais, já tá distante demais. Tem 3 terrenos na cidade.
O problema é que hoje a indústria não deixa só você seguir essas pessoas, porque até mesmo se eu só seguir 10 pessoas, ela vai ficar me jogando conteúdo de pessoas que eu não sigo, né, cara? Mas faz muito sentido, porque antigamente eu tinha realmente essa impressão. Até quando eu era criança, eu lembro que eu ia para para uma cidade do interior com 15 mil habitantes, eu adorava. E lá não tinha nada.
Sim, sim.
Mas era porque, tipo assim, como não...
Pode ser que o dia tinha 72 horas.
Mas como as limitações que eu tinha que fazer e o conhecimento que eu tinha era tão pequeno, então você ficava feliz em cortar um galho e fazer um xilingue, entendeu?
Mas cortar um galho e fazer um xilingue é muito bom.
Sim.
Esse é um problema, o mundo atual está procurando coisas que são menos importantes que cortar o galho e fazer um xilingue, entendeu? Só que quando você está hiperestimulado, parece chato, porque você vai cortar o galho, vai demorar.
Eu demorava 3 dias para fazer um estilingue.
Você que conhece o Walt Disney, o parque da Disney, fazer um estilingue vai ser uma coisa muito mais chata, né? Então acho que o hiperestímulo também se torna muito prejudicial no mundo.
Eu acho que é um problema aí, porque assim, a minha avó, claro, de outro planeta, ela acha que os homens modernos se tornaram fracos porque eles não fazem o próprio carro, né? Então para ela, porque o pai dela fez o próprio carro, e ela fala assim, cara, depois que começaram a fazer carro, depois Depois que começaram a fazer carro pronto, ela falou que todo mundo ficou fraco. Existe um problema também advindo da tecnologia, que o avanço tecnológico gera fraqueza, prosperidade material gera fraqueza.
Veja, eu acho que é importante falar assim, eu acho bom que as pessoas ganhem dinheiro, que elas melhorem a condição delas e que o país enriqueça. Eu acho que faz bem para todo mundo se as pessoas melhoram a condição material delas. Eu não defendo então que elas não vão atrás de melhorar a condição material delas. Eu acho que isso é uma coisa boa. Só que a mentalidade do porquê fazer isso, essa eu acho que está muito disfuncional.
Por quê? O cara não está pensando em crescer o patrimônio dele para aumentar a empresa, para investir na educação, para investir na forma física dele, para buscar beleza, para buscar coisas assim. Ele tá pensando em qual é o bem que eu vou ostentar, qual é o negócio que eu vou postar na rede social, qual é o bem de consumo perecível que eu vou levar adiante. A mentalidade corrompe a coisa e enfraquece o cara e piora a família dele.
Porque qual que é um dos maiores problemas? 96% das empresas vão falir na geração 3. Esse é o número. É loucura, é apocalipse, vai todo mundo afundando na geração 3 e tal. Porque o empresário brasileiro, ele ganha dinheiro e pensa assim: eu vou dar para o meu filho tudo que eu não tive. E eu viro e falo: cara, faça qualquer coisa menos isso, não faça isso. Dê para o seu filho mais dificuldade do que você teve, constrói dificuldade para o seu filho, faz ele ralar.
Porque quando você começa a encher o seu filho de bens de consumo, você vai zoar essa criança de uma maneira que você não consegue nem imaginar, porque enfraquece a pessoa. Então, na verdade, o problema é quais bens. É bem relevante isso, porque sei lá, se o cara paga para treinar jiu-jitsu com o Roger Gracie, o cara viaja lá para Londres e vai treinar com o Roger Gracie. Cara, é algo que vai forjar a pessoa de alguma maneira, é algo que de fato custa um...
Vai custar caro. Vai custar caro, é um dinheiro. O cara foi lá e ele foi participar da experiência de investimentos do Warren Buffett. É uma grana, é verdade, mas esse cara aprendeu muitas coisas. Agora, quando você só está botando mais conforto na sua vida, Nada foi produzido, nada melhorou, você não avançou da casa zero para 1.
Não houve desafio, né?
Não teve desafio novo. Então quando você faz isso com seu filho e seu filho só vai lá colecionar 400 coisas do Mickey Mouse e andar lá com 800 itens, e aliás a própria Disney foi ficando mais bens de consumo, a lojinha foi crescendo.
A indústria de filmes está em cima disso, né?
Está em cima disso, a coisa foi indo para um... Sempre foi sobre dinheiro? Sim, em algum nível sim. Mas se você olhar ou Walt Disney, a coisa da arte claramente tem um papel grande, a visão, a arte. Isso foi se perdendo e foi ficando mais ideológico e mais consumista. Desde a morte dele, você vê assim claramente esse arco acontecendo com a Disney, né? Mas enfim, o ponto é que se você se deixa levar pelo vórtex, e é louco porque Isso tá em todas as classes sociais, que alguém podia falar assim, ah, isso é coisa do cara que ganhou dinheiro e tal.
Todas as classes sociais estão passando pelo mesmo processo, porque o cara tá invejando, o cara tá desejando isso. Eu citei o funk porque é isso, sempre tem a próxima. Aliás, o funk pega da classe social mais baixa para mais alta, pega as duas. As pessoas estão na mesma energia, que é uma energia altamente improdutiva. Agora, quando o cara muda de energia, ele fala, não, não, calma lá, cara, dane-se isso aqui, é um controle mental, eu tô Eu tô fazendo parte de um controle mental.
Não, eu vou desenvolver a minha família. Meu filho, ó, vai aprender a treinar, ele vai aprender a jogar xadrez, sei lá, ele vai aprender a fazer alguma coisa que vai desenvolver, vai aprender matemática. Eu vou desenvolver a minha empresa, a minha empresa agora vai melhorar, o trabalho, as pessoas vão melhorar. Eu vou desenvolver a minha cidade, vamos despoluir o Rio Tietê, entendeu? Porque todo mundo, porque os empresários de São Paulo não param e fala, a gente vai despoluir o Rio Tietê.
Ah, mas tem que desfavelizar uma comunidade inteira. Ótimo. Vamos desfavelizar a comunidade? Quanto que custa? Vamos começar a fazer isso? Qual a comunidade que tá despejando? Porque todo mundo tem até vergonha de falar o problema. Aí todo mundo tem que fingir que não tem problema, falar: não, não, não, o rio tá sujo porque ninguém sabe. Não, o rio tá sujo porque tem comunidades específicas que despejam detritos lá. E aí ninguém quer mexer a mão porque ninguém quer desfavelizar isso.
Por que as empresas não se juntam e falam: vamos resolver isso? É que a mentalidade tá em outra. Cada um tá pensando: eu cuido do meu, o meu dinheiro eu vou gastar na Suíça, eu quero que se dane o o resto. E o empresário, ele tá isolado, desarticulado no sentido civilizatório da palavra, ele tá desenraizado. Tem até um conceito do marxismo que é isso, deterritorialização, né, que esses autores do marxismo pós-anos 60 falavam de desconectar a pessoa do território dela, tirar ela da família, tirar ela do terreno dela, E isso de fato está acontecendo, as pessoas estão...
Ali os caras queriam acelerar isso, inclusive. Mas esse processo de deterritorialização tinha que ser revertido, o cara tem que falar, não, esses são os meus filhos. Primeiro, ter filhos já resolve muitos problemas, porque quando você tem filhos, os caras falam, filho é gasto. Ué, jura, Sherlock? Tudo custa dinheiro mesmo, mas esse não é o ponto. Não é por isso que você não deveria ter filho. O Oswald Spengler fala, se a sua civilização está se perguntando por que ter filhos, ela já tá, ela já colapsou.
Porque você não tá querendo gerar sua descendência, você já não tá querendo sobreviver para mais uma geração. Então o filho já tira você de si mesmo, isso já é uma coisa muito boa. Depois, claro que ter um desafio profissional, a cabeça do empresário hoje em dia sempre é: eu vou, ou do mesmo executivo de empresa, é: eu vou aqui o quanto antes acumular patrimônio para pular fora, eu quero parar de trabalhar. A meta dele é parar de trabalhar.
Aposentar. O cara tem a minha idade. Só que o trabalho é o que te fortalece. Então sim, você pode mudar a natureza do seu trabalho, claro, porque você vai crescendo na vida, você vai mudando a natureza do seu trabalho, é normal. Isso aliás é o... Eu não acho que o empresário deveria estar cuidando de cada micro detalhe da operação da empresa dele conforme vai avançando. Mas o trabalho é muito importante para formar pessoas. Se você para de trabalhar, isso te faz mal.
Receber benefício do governo e não trabalhar faz mal para as pessoas, porque elas não são forjadas. Ganhar muito dinheiro e se aposentar faz mal para a pessoa, porque ela não é forjada. Pô, Guilherme, então você está criticando do cara que vendeu a empresa e está lá bilionário ao cara que está recebendo programa do governo, não está trabalhando, não sei o quê. Sim, porque o trabalho vai beneficiar todas as pessoas vivas. E é louco, porque fala, pô, mas então por que vai trabalhar?
Não é para eu curtir a vida depois? Sim, é para você curtir, mas como você vai curtir a vida de uma maneira mais profunda? Fortalecendo a sua família, tendo experiências culturais, intelectuais, tendo coisas que vão forjar você. Então, esse dinheiro você pode usar para isso. Agora, se você usa esse dinheiro porque você toda hora quer mostrar para o cara que você tem mais, é uma corrida dos ratos muito louca, que está todo mundo perdendo, porque está todo mundo correndo atrás do queijo e um rato roendo o outro no meio do caminho e todo mundo está muito louco, entendeu?
É porque acho que a galera vê o trabalho como uma dor hoje e não necessariamente deveria ser uma dor. Até trazer uma reflexão que eu não queria ir para as redes sociais, mas parecia que antigamente a galera tinha menos problemas de mudar geologicamente para melhorar de vida. Então, por exemplo, pô, que acontece muito, que não acontece em São Paulo, o cara que tá em São Paulo hoje, ele tá no talo, a família dele ganha uma renda mensal de R$5.000 a R$7.000, paga R$4.000 de aluguel e eles não saem de São Paulo.
Tipo, sofrem tudo com, tipo assim, pô, sobe aluguel, sobe preço, fica no talo, faz dívida, mas não sai. E antigamente era mais comum, pô, a família fala assim, pô, tá caro aqui, Vamos mudar para Sorocaba, vamos mudar para Avaré, vamos para o interiorzão, vamos, pô, não dá para comprar uma casa de meio milhão, um milhão aqui em São Paulo, pô, vamos comprar uma casa de R$200 mil, R$100 mil em outro lugar. Existia muito essa filosofia antigamente e a galera vivia feliz.
Eu sei porque minha família é do interior, eu ia muito para o interior e, porra, eu conheço muita gente que é feliz do interior e vive uma vida muito mais simples. Porque hoje as pessoas não conseguem abrir mão disso e ter uma vida feliz em outro lugar? É medo? É falta desse conhecimento? O que pode ser que acontece hoje?
Eu acho que o primeiro ponto é você ter a sensação de que você tá em decadência. Eu acho que isso é muito ruim. Ah, se eu estou saindo daqui, estou indo para um lugar mais simples, é porque minha vida está dando errado. E acho que ninguém gosta de ter esse sentimento. É como se você conseguisse comprar um carro de R$200 mil, tivesse que vender e comprasse um de R$100 mil. Então, por si só, já não é uma coisa muito agradável.
É downgrade, né?
É, é voltar, né? Acho que um outro ponto também é que o...
Mas concorda comigo que, tipo assim, se a pessoa tá infeliz aqui, impossível ela conseguir dar essa virada e ganhar mais dinheiro pra ficar feliz, entendeu?
É porque eu acho que não existe nenhuma garantia de que em outro lugar ela também seria, porque a gente sempre vai buscar o que é familiar pra gente. O cérebro humano, ele opera muito nessa lógica. Se é familiar, se eu faço algo rotineiramente e isso não me mata, fica familiar, portanto continuarei fazendo aquilo. Tem uma questão muito interessante que é legal da gente falar. Geralmente a gente acredita que o ser humano ele é muito mais inteligente do que ele é.
Então a gente costuma acreditar que a gente tem ação A para chegar na ação B e todo o nosso comportamento é voltado nessa lógica de vou fazer A, vou sair do ponto A para chegar no ponto B. E não é assim que funciona. 90% do nosso comportamento ele opera numa lógica anterior. Então vou fazer A porque fiz este A antes. Como eu fui condicionado a fazer isso desde a infância, na juventude, na adolescência, na vida adulta, eu vou continuar fazendo aquilo que eu sempre fiz.
Eu acho que a gente é muito mais estúpido do que a gente imagina que é, entendeu? Então, ah, Gui, por que que a pessoa não sai de ponto A? Porque é familiar para ela estar ali, ainda que esteja apertado, ainda que esteja difícil. Ela não sabe se em outro ponto necessariamente vai dar certo. Então assumir o risco já é mais desafiador do que um risco que você aceita. Por isso que muita gente continua num relacionamento, sei lá, o cara bate na esposa e a moça continua ali, porque na cabeça dela ela fala, ah, é um problema que eu conheço, então ele vai me bater quando ele chega bêbado, mas os outros problemas eu já acostumei com eles, já acostumei até quando eu apanho.
Então a gente sempre vai procurar se manter no que a gente, no ponto que a gente está, porque a gente foi condicionado a fazer isso, porque isso já é familiar pra gente, porque a gente meio que já se acostumou com essa situação e agora a gente vai tocando a vida como sempre fez, entendeu?
E aí tem um problema econômico também, porque muitos dos empregos estão na cidade, né? Então, na verdade, muitas vezes a ansiedade da pessoa de não ir para o interior é porque não tem o mesmo número de empregos. Isso também é um problema de planejamento do país, né? O país tinha que ser mais descentralizado, planejamento, porque muito dessa evasão do interior vem da decadência, na verdade, da indústria, né? Porque Quando você pensa em indústria, a indústria é espalhada comparado com serviços.
Serviços tendem a ser concentrados em cidades porque tem mais pessoas, e daí tem mais volume para serviços. E indústria, por outro lado, é mais espalhado pelo país. Não só indústria, como, sei lá, agricultura e outras coisas e tal. Só que se você começa a prejudicar a agricultura, logística e a indústria, como a nossa política econômica vem prejudicando, aí você tem as pessoas começam a sentir e falar, ah, é melhor eu ser médico na cidade grande do que tocar uma fábrica de qualquer coisa aqui na minha cidade.
E aí você tem uma evasão de empregos, né? E aí com essa evasão de empregos é uma concentração urbana. Se você revertesse alguns dos problemas econômicos, você pelo menos teria um incentivo um pouco maior para as pessoas voltarem. Tem um problema cultural, né? Que é o que a gente tá falando antes, é o que o Guilherme falou, é bem correto. Eu acho que tem um problema cultural. Mas tem um problema econômico. Eu acho que muitas pessoas sentem que, poxa, eu tô ganhando R$7.000 em São Paulo, mas se eu for para, sei lá, Amparo, não tem emprego, sei lá.
Mas isso é, de novo, também Amparo teve uma polêmica da IP, né? Mas sei lá, aí teu exemplo é infeliz que as pessoas vão querer entrar na questão política da IP. Mas independente da questão política da IP, pensa Quanto da indústria brasileira não foi desarticulada por más políticas econômicas? E aí as pessoas simplesmente foram perdendo esses empregos e indo para a cidade e piorando a vida delas. É o mesmo para o Nordeste. O Nordeste, o número de empregos foi retraído.
Aí as pessoas migraram para cidades grandes do Sudeste, mas isso não foi bom. Não foi bom nem para o Nordeste, nem para o Sudeste. E a minha família veio do Nordeste, sei lá, tô aqui, mas não foi bom para ninguém, porque na verdade você empobreceu o lugar de origem. Você não deveria ter empobrecido o lugar de origem com más políticas. Então, na verdade, até individualmente para quem pode ter sido. Então tem um problema assim de destruição de alguns desses lugares que levaram a pessoa a emigrar.
Eu acho que tem também o viés da perca, né? De, ah, já que eu conquistei esse emprego, já conquistei as pessoas aqui à minha volta, já conquistei esse carro, já conquistei isso e aquilo. Recentemente eu tava conversando com um rapaz que tava no Canadá Canadá, tá morando no Canadá um tempo, e como brasileiro ele odeia o frio. E lá o frio de -20, -30 graus no alto inverno. E aí ele passou numa prova muito difícil no Canadá, como se fosse a Receita Federal, a Polícia Federal daqui do Brasil.
Só que ele continua odiando o Canadá e ele não quer voltar para o Brasil porque agora que ele passou no concurso, ele falou, cara, eu não posso perder essa oportunidade de emprego que eu tava cobiçando, que eu tava desejando. E eu brinquei com ele, falei, então você quer, então quer dizer que você quer triste, mas pelo menos você tá no emprego que você cobiçava. E eu expliquei, eu falei, cara, você tá num viés de perca, que é basicamente, já que eu conquistei isso, eu não posso perder esse espaço, eu não posso perder essa oportunidade.
E aí eu fiz aquela analogia com show, né? Você paga R$1.000 no ingresso de um show e aí no dia cai um toró, cai uma chuva torrencial assim, e você fala, não, eu vou mesmo assim no show, eu vou pegar fila, eu vou passar raiva, eu vou no Uber, eu vou acabar com meu sapato, mas eu não vou perder esses R$1.000 mais do ingresso do show e você vai mesmo assim no show. Mas o ponto é esse, é essa conquista, ela tá te fazendo bem ou ela tá te fazendo mal?
O quão realizado, feliz e pleno você tá se sentindo nesse ambiente? Ah, Gui, mas eu não quero perder. Tudo bem, mas se você conquistou determinada coisa em São Paulo, você pode perfeitamente conquistar outra coisa numa cidade interior. Mas esse medo, ele prende a gente. E também tem a análise enviesada de agora eu não posso sair daqui uma vez que eu levei tanto tempo para conquistar tudo isso, né?
Nesse caso dele aí, você acha que ele tá perseguindo dinheiro ou ele nem sabe o que ele tá perseguindo?
Eu acho que ele, vamos lá, é um cara de Santa Catarina que todo mundo que ele conversa, tentando fugir da política, mas trazendo a política sem querer, os catarinenses eles são, eles estão um pouco mais apaixonados, né, pela política. E toda, e pô, quem conhece Santa Catarina, interior de Santa Catarina, é a Europa no Brasil, né. Cidades de primeiro mundo, violência baixíssima, tem indústria, tem igualdade social, é um lugar de primeiro mundo, interior de Santa Catarina.
Mas mesmo assim, todo empresário que ele conversa fala, cara, você não pode voltar pra cá nem a pau e tal, tal, tal. E aí eu falei pra ele, falei, cara, essas pessoas perguntaram pra você como é que tá sua vida aí? Ele falou, cara, nenhum. Eu falei, então eles não estão interessados em te ajudar, eles estão só interessados em expressar a opinião política deles. E como eles fazem isso o dia inteiro, sobrou para você. E aí a conversa que eu tive com ele foi, cara, pensa sobre os seus vieses, pensa que você tá escutando um público específico.
Você pode escutar outro público que pensa um pouco diferente, e você pode conquistar algo no Brasil, porque ele é um cara qualificado, ele é um cara que fala 2, 3 idiomas, ele é um cara formado em direito, ele é um cara super inteligente. Então ele pode, ele tem espaço aqui no Brasil também. Mas essa coisa de eu não quero perder aquilo que eu conquistei trava a gente. E isso acontece em boa parte da vida, né? Seja no relacionamento, ah, tá uma merda, mas pô, são 10 anos de relacionamento, vou insistir.
Seja numa empresa, a empresa tá acabando com a minha vida, mas já faz 30 anos que eu tô nela, eu não posso perder. Enfim, é um viés que faz parte da nossa vida, da tomada de decisão todo dia.
Eu só evitaria a ideia de que, ah, em São Paulo a galera é apegada ao dinheiro e daí no interior as pessoas são desapegadas. Isso também não é real, tá?
Tá cheio de gente consumista no interior no mundo atual.
Tá cheio de gente desapegada em São Paulo também. Eu sei que é chocante para as pessoas que podem olhar e falar, meu Deus, não é possível, em São Paulo as pessoas só querem saber da grana e tal. E não, na verdade eu conheço várias pessoas em São Paulo que são pessoas muito boas, e eu conheço várias pessoas do interior que são, que sei lá, vivem pelo dinheiro, entendeu? E por ostentação. E sim, tem competição de Hilux do cara que tem a— e sim, tem o cara querendo, o agroboy querendo mostrar o negócio, e tudo isso existe.
Então assim, E na favela tem também o cara querendo sentar. Tem aquela história de São José Maria Escrivá que é muito boa, do mendigo rico e da baronesa pobre, né? Que ele fala, conheci um mendigo rico e uma baronesa pobre. E a pessoa fala, caramba, como assim? O mendigo, ele era rico porque ele tinha uma única colher de prata e ele ficava polindo ela e mostrando, falava, olha a minha colher e tal. E a baronesa, ele foi na casa da baronesa e chegou lá e ela falou, abriu o cofre dela, o cofre era vazio.
Ele falou, mas por que que seu cofre é vazio? Ela falou, não, meu dinheiro tá aqui, ó, tá nos meus criados, tá nas obras de caridade, tá nos hospitais que a gente tá construindo. Eu não tenho dinheiro para mim, eu não uso dinheiro para mim. E aí ele falou, caramba, essa mulher é pobre, ela é rica, mas ela é pobre de espírito. E esse mendigo é rico de espírito, apesar dele ter poucos bens. Então as pessoas têm que olhar, porque no coração dos homens, onde tá o coração, ele tá o tesouro.
Não é tanto o quanto a pessoa tem de dinheiro, embora sim, mais bens geram uma tentação maior para o consumismo, para o hedonismo. Isso é evidente, porque você tem meios para coisas, eu não nego isso. Sim, a rede social gera uma tentação maior, mas nada está te impedindo de viver uma vida boa. Não é a sociedade, a rede social, o cosmos, economia ou não sei o quê. Então não tem nada que te impede, os incentivos podem estar errados e sim, do ponto de vista da sociedade isso é um problema e tem que mudar os incentivos.
Mas você individual que está assistindo o podcast, você pode perfeitamente deixar de ser escravo das suas paixões. Você pode olhar e falar, não, eu vou ser senhor das minhas coisas, eu vou olhar o meu patrimônio e meu dinheiro é para investimentos, é para fazer funcionar a minha casa, é para fazer funcionar coisas boas, coisas úteis e tal. Sim, eu vou melhorar a educação dos meus filhos e tal. Mas o meu dinheiro não é uma... É louco isso, porque para um cara muito responsável, o dinheiro nem é dele, entendeu?
Você nem tem como ter dinheiro para você. Porque sei lá, eu tenho um monte de filho, tenho a minha empresa, eu não sinto como se o dinheiro fosse meu, ele é para servir essas coisas. Sim, precisa fazer alguma coisa e tal, mas eu acordo de manhã e falo assim: Olha, tem meus filhos, eu tenho que cuidar deles, eu não posso olhar para mim e falar: Ah, pessoal, valeu, eu estou indo para... Para Mônaco. Como assim para Mônaco? Tenho 5 crianças lá, eu vou fazer o quê com eles?
Comprar fralda, leite.
É, leite. Ah, então leva eles para Disney. Puta, mas aí eles vão voltar Mickey Mouse e não vão querer arrumar a cama do quarto, entendeu? Preciso— deixa eu— beleza, então deixa eu pensar alguma coisa que, poxa, então ao invés de ir para Disney, que eles vão para, sei lá, para Roma visitar o Museu do Vaticano, sei lá, um exemplo. Quer dizer, o mesmo dinheiro que o cara tá gastando poderia ser usado para uma outra coisa muito mais produtiva.
E do mesmo modo é minha empresa. Não tem como olhar minha empresa e falar assim, não, cadê, quanto que eu ganho aqui? Não é quanto que eu ganho, cara. A empresa tem, sei lá, tem 40 pessoas que trabalham lá na minha empresa, e essas pessoas elas dependem do meu trabalho. Eu não posso olhar para os 40 e falar assim, ó, galera, boa sorte, boa vida, se danem. Não é assim. Tem uma responsabilidade perante essas pessoas. Então eu acho que uma coisa que mata muito do consumismo é o senso de responsabilidade.
Hoje, por exemplo, fator estatístico, muitas mulheres, porque aí também de novo, ah, então a mulher é sacrossanta, não sei o quê, todo mundo. Não, problema entre as mulheres. E as mulheres têm várias virtudes, várias coisas maravilhosas, mas hoje tá se criando uma cultura paralela de mulheres que a mulher na família, a mãe da família, ela, o dinheiro que o marido ganha é da família, mas dinheiro dela ela gasta com ela. Isso é estatístico, né?
E aí ela começa a gastar o dinheiro com ela. E o que acontece? Que é uma cultura diferente. A sua avó provavelmente pensava zero assim, aliás, tipo negativo assim. É uma cultura mais nova, fomentada também pela indústria do luxo, do consumo e outras que querem que a mulher faça isso, claro. Porque senão ela vai gastar o dinheiro com os filhos, que é um desejo natural dela, boa e não comprar a bolsa nova para competir com a amiga de quem tem a bolsa melhor.
E isso estatisticamente também gera muita infelicidade, porque a mulher começa a se comparar com outra, o dinheiro ela não tá usando para família dela, aí ela, putz, mas elas têm a bolsa tal e eu não tenho a mesma bolsa que elas. Aí começa uma corrida armamentista da bolsa, entendeu? Corrida armamentista do sapato, que aí começa a fila fila de espera para pessoa comprar bolsa e vai para um outro planeta e aquilo não preenche ela.
Então se você olhar, sua avó tinha 10 filhos e ela falava— e aí hoje o mundo pensa, filho é gasto. Só que essa sua avó que tinha 10 filhos, ela tava muito tranquila na verdade, e ela nem tinha o dinheiro dela, ela nem sabia o que é, ela nem pensava nesse raciocínio, ela tava preocupada em— a maior parte das coisas inclusive ela fazia na mão, ela não tava nem—
tinha dinheiro num jarro para os 10 netos. Como que isso era possível, né, cara?
Eu tô eu tô lembrando aqui na casa da minha avó, cara, minha família é uma família simples. Eu tenho 6 tios e eu lembro que era primo pra cacete. E tipo assim, porra, sempre tinha muita comida, minha avó tava sempre muito feliz e dava sempre muito certo. E hoje em dia, sei lá, eu por exemplo, eu tenho 2 filhos, eu sou preocupado de ter o terceiro porque eu acho que não vai dar.
Não vai dar financeiramente?
É, financeiramente não vai dar.
E tipo assim, vai ficar foda.
E minha avó, tipo assim, sei lá, minha avó acho que teve 8, um morreu quando criança, sabe? Tipo assim, E eu acho que ela não teve mais porque não conseguiu mesmo, senão ela teria tido mais uns 4.
Mas é mesmo, e ela era feliz, entendeu? O ponto todo, eu acho que sim, para ter uma família numerosa no mundo atual você tem que ganhar dinheiro, tem que ter uma série de coisas. Eu acho que a batalha pelo dinheiro é diária. Eu não acho que as pessoas não deveriam batalhar para ganhar dinheiro de novo, porque tem um monte de coisa, você tem que ter uma casa boa, você vai ter que ter um carro, vai ter que ter não sei o quê. Só que aí que tá o coração da pessoa, Pô, fala, o carro, você quer ter um carro bom porque ele é funcional?
Você quer o carro que você vai mostrar para os seus amigos? É diferente. Você quer ter a casa é porque tem que ostentar e mostrar e postar no Instagram? Ou você quer ter a casa que é melhor para sua família?
Que tem a diferença de perseguir o dinheiro e perseguir uma vida melhor.
Exatamente.
A proposta do dinheiro inicial, ela deveria ser para promover conforto e uma vida melhor, previsão. Eu acho que boa parte, o problema principal do dinheiro é quando você não tem ele, é o estresse crônico que você tem diariamente, porque você não sabe se você vai ter dinheiro. Então você não sabe se vai ter dinheiro para pagar a conta de luz, você não sabe se vai ter dinheiro para pagar a escola dos filhos, você não sabe se vai ter comida no outro dia.
Isso te promove um estresse crônico muito forte, e aí vem propensão à depressão, ansiedade e todos os problemas que isso acarreta. O melhor lado do dinheiro é a previsão de um futuro garantido. Então se tem o dinheiro na conta Pode vir um problema, pode vir outro problema, seja na minha empresa ou na minha vida, mas eu tenho dinheiro na conta o suficiente que vai me dar previsão de que tá tudo certo, vai me dar essa segurança.
Qual que é a problemática? E aí, Kaique, compara completamente com a sua avó. A expectativa de experiência do ser humano antigamente, dos nossos avós para trás, era muito baixa. Então a sua avó não sonhava em ir para Mônaco, a sua avó não sonhava com uma bolsa da Hermès, a sua avó sonhava em criar os filhos dela, em de repente comprar um alqueire de terra a mais ou para falar para os vizinhos que agora eu tenho 3 alqueires de terra também. Isso fazia parte.
Tava em plantação, galinha.
Mas esse é o ponto.
Mas aí tem um orgulho bom, né, de falar isso. Caramba, tem um alqueire a mais, tá ótimo, entendeu?
O sonho da minha avó sempre foi comprar um alqueire a mais para falar que tinha mais um alqueire, né? Mas o ponto é, a expectativa de vida era muito baixa. O sonho dela mais distante era conseguir comprar um alqueire de terra a mais. E o estilo de vida também era um estilo de vida onde todo mundo era muito parecido, então não tinha tanto esse distanciamento. Qual que tá sendo a principal problemática de vida das pessoas hoje? Ontem eu conversava com um amigo e aí eu perguntei para ele qual que seria o mundo ideal em relação a dinheiro em que ele fala, em que ele se sentiria plenamente satisfeito e resolvido financeiramente, no sentido de tem o prestígio, mas também estou realizado.
E ele falou em R$100 milhões de E eu falei, cara, é um belo grana.
Cara, nós estamos falando de um cara de 20 anos de idade.
Dá para comprar várias coisas, dá para comprar bastante coisa com R$100 milhões.
Mas antigamente, se você perguntasse para um menino comum de 20 anos de idade qual que seria a sua projeção, a minha projeção particular de quando eu tinha meus 14, 15 anos de idade era ganhar R$3.000, R$4.000 por mês, eu já estaria muito realizado, porque a minha realidade dizia que esse seria um teto muito interessante. Eu lembro da primeira vez que eu saí de casa, saí de casa muito cedo, eu lembro que eu assisti Sessão da Tarde pela última vez, acreditando que seria a última vez que eu conseguiria assistir Sessão da Tarde na vida.
Porque como minha mãe foi comerciante, trabalhou no comércio a vida toda, minha mãe não conseguia assistir Sessão da Tarde, então na minha cabeça eu também não conseguiria. Ou seja, quanto mais baixas são as suas expectativas, você tem potencial para ter o que o Mihaly Csikszentmihalyi chama no flow de experiência, surpresa agradável. Então, se você tem uma expectativa baixa de vida, se você acredita que você ganhando R$5.000 por mês você tá realizado, se você conseguir um emprego que paga R$7.000, vai ser uma puta surpresa agradável.
Você fala, meu Deus, o que que eu vou fazer com esses R$2.000 que sobra? Agora, se você tem uma expectativa de vida de R$100 milhões acumulados, se você acredita que você ganhando R$5 milhões você tá realizado, se você conseguir um emprego que paga R$7.000, vai ser uma puta surpresa agradável. Você fala, meu Deus, o que que eu vou fazer com esses R$2 mil que sobra? Agora, se você tem uma expectativa de vida de R$100 milhões acumulados, se você ganhar R$20 milhões, você fala, não, eu esperava R$100, cara, assim não dá.
É, agora, como a gente vai alimentando essas expectativas? E o que mais me pega também é a incapacidade de contemplação temporal de quem tem a régua muito alta. Aquele vídeo que eu fiz falando da Virgínia, enfim, desculpas pelo vídeo, não era minha intenção, mas o ponto que eu usei durante aquela aula era mostrar que se você cobiça um Porsche sem entender nada de carro, você vai ser incapaz de contemplar aquele Porsche, vai ser só mais uma máquina que acelera e freia como um Celta.
Só que por um acaso, quando você pisa mais fundo, ele te dá um empuxo maior e é isso. Se você consegue comprar um avião e você não entende nada de aviação, vai ser só uma máquina que voa e você vai entrar lá dentro, você vai cumprimentar o piloto, você não vai nem saber o que aquele cara faz, como aquela máquina funciona, ela vai te levar de um ponto para outro. Ou seja, a sua capacidade de contemplação é muito baixa diante do seu baixo nível de conhecimento.
E a gente normaliza muito as coisas, né?
É uma coisa que não deveria ser normalizada, né?
O que você tá falando é muito Engraçado do cara que ele é, ele tem dinheiro, mas ele não tem nenhuma riqueza cultural, vamos dizer. A gente uma vez estava na casa de um empresário assim, aí ele falou assim, olha esse relógio aqui, sei lá, R$500 mil. Caralho, bonito, né, cara? Conta um pouco mais desse relógio. Ele falou, puta, não, mas eu nem entendo nada de relógio.
Aí você me apertou.
É porque se o cara conta uma história, não sei o quê lá, tem toda uma... Você fala, nossa, isso aqui foi o relógio usado por Napoleão, sei lá. Você fala assim, caralho, animal. Interessante. Então assim, não tem nada. E o que você falou dos R$100 milhões é engraçado, porque a gente viu um Reels esses dias, até de um cara que a gente quer chamar para vir aqui no podcast, que às vezes você fala assim, ah, pô, R$100 milhões é dinheiro para caramba.
A gente foi numa casa de um outro empresário que depois eu falei assim, cara, que apartamento, hein? Deixa eu ver quanto que custa. Custava R$100 milhões. Então você fala, cara, às vezes você pode hoje ter isso, só que você pode acabar ficando triste, você fala, caramba, Eu não consigo morar ali, cara. Se eu morar ali, acabou o dinheiro.
E tem uma, né?
Ou seja, não tem fim.
Não, não, não tem fim.
É uma busca infinita. Você vai falar, caralho, mas eu sou miserável.
Mas esse cara aqui, esse é o problema. Eu já tive essa conversa com minha esposa, que uma vez a gente sentou e falou assim, pô, amor, não dá para a gente ficar normalizando algumas coisas.
Tudo, né?
Não dá para ficar normalizando. Não dá para normalizar que, sei lá, suas filhas comem salmão todo dia. É, não dá para normalizar algumas coisas.
Mas isso nem é bom normalizar.
Não, então, mas é isso que a parada é que a galera acostuma, né, e a normaliza as coisas.
Mais longe, que é que eu acho que se o cara tiver, não é bom ele ir por esse caminho ativamente. Tem vários caminhos que não é bom o cara seguir, nem que ele tenha na conta. Não sei por que que ele tá fazendo isso. Mas eu acho que assim, olha o meu helicóptero, olha não sei o quê, tá legal, mas é legal. Tem coisas que são práticas, tem coisa que é prática, você usa isso Tipo, do ponto de vista útil, eu até consigo compreender.
Mas quando é puramente para mostrar, e esse é o ponto maior, é tudo vira uma, de novo, vira uma palhaçada. Mas é o problema. Eu acho que essa questão de Virgínia Vini Jr., não tenho nada contra Virgínia Vini Jr., eu não sei nada deles, não sei nada. Mas hoje em dia o cara tá lá, o cara tá lá na periferia, ele tá acompanhando a Virgínia Vini Jr. e fala, ó, o bem de consumo deles, eu quero ter igual. Cara, isso não é uma aspiração digna pra sociedade, isso não é um bom exemplo.
Pro coletivo é ruim, né?
É ruim pras pessoas. Não quero saber do julgar o cara, sei lá o quê, eu tô falando pra sociedade. O cara tem que almejar algo mais elevado, ele tem que olhar e falar, não, cara, eu queria ter a disciplina de um atleta, eu queria ter a resiliência de trabalho de um cara, saber investir o meu dinheiro corretamente.
Ou poder ajudar minha família, sei lá, comprar um carro melhor pro pai, né?
Mas uma coisa que eu acho que quem tá vivendo esse momento, Tipo o empresário que tem um helicóptero, relógio caro, o meio dele é isso, então para ele vira normal. Para ele o anormal é o cara pegar ônibus. Tipo assim, ele fala assim, nossa, mas como assim você veio de ônibus? Tipo assim, vira o anormal, porque a galera perde um pouco acho da noção da realidade. Eu acho que é um pouco disso. O cara que ele tá assistindo isso na internet, ele tá com conflito de realidade, porque ele admira o cara que tem uma Porsche, mas ele tem que pegar um ônibus para ir para os lugares.
E o cara que tem a Porsche, ele esqueceu que existe o ônibus, porque ele não tem empatia de entender como o mundo funciona. Porque na cabeça dele, tipo assim, é normal uma pessoa que gasta R$100 mil por mês para viver, é normal.
Inclusive, a maioria das pessoas que ganham R$30 mil no Brasil não se julgam como ricas ou como alguém que ganha bem, né? Eu já escutei de médicos famosos, amigos meus, que ganham R$3 milhões por mês, que eles são classe média. Então, por quê? Porque eles estão se comparando com os donos do hospital. Então, rico para eles são os donos do hospital que eles têm que alugar o espaço. Eu acho que o que você falou é perfeito, cara. A gente vai entrando na nossa bolha e a gente vai perdendo a noção da realidade.
Eu acho que uma atividade interessante que um ex-sogro meu fazia com uma ex-namorada minha era pedir para ela pegar busão pelo menos uma vez por semana. Então ela ia na casa dos avós de busão só para ela ter um choquezinho de realidade pelo menos uma vez por semana e escutar as conversas. Eu peguei busão até os meus 18, 19 anos de idade e era muito curioso porque as conversas era: você acredita que o meu filho tá carteira assinada e tudo.
E aí outra, nossa, menina! Aí outra falava assim, e tem vale, tá? R$300 de vale por mês. E aí outra, nossa, tá resolvido na vida agora! E aí você vai escutando essas conversas da vida real, seja perguntando para o Uber, seja perguntando para, enfim, qualquer outra pessoa. É uma forma de você conseguir voltar para a realidade. Recentemente eu conheci um empresário forte aqui de São Paulo, avião próprio, casa gigantesca, enfim. E aí a gente tava conversando e eu fiz amizade rapidamente com o motorista dele.
E o motorista dele trabalha com ele há 24 anos. E com o hábito que eu tenho é perguntar de onde a pessoa vem, um pouco da história dela rapidamente. E eu falei, pô, vem de onde? Faz o quê? Ele falou, cara, tive 3 casamentos. Meu casamento 1, quanto, X tempo. 2, X tempo. 3, agora começou de novo e tal. E depois de uns 25 minutos de conversa escutando o motorista O empresário que trabalhava com ele há 24 anos falou assim: Ô, louco, fulano, por que você nunca me falou isso?
E aí o motorista riu e falou assim: Porque você nunca perguntou. Então, se em 24 anos de convivência com o seu motorista você não perguntou sobre a realidade do seu motorista, você se inseriu na sua bolha em um nível que aparentemente você nem quer sair dela. E uma alternativa pra você conseguir ter esse choque de realidade de vez em quando é você só perguntar pras pessoas como é a vida dela. E aí ela vai falar sobre a realidade financeira dela, vai falar sobre as dificuldades dela, e você vai, quem sabe, olhar para sua vida e falar assim, porra, acho que eu sou um merda mesmo em estar triste com o meu carro na ausência do meu helicóptero, né?
Esses dias eu fui visitar uns amigos da periferia assim, e eu fiquei triste porque eu falei para minha mulher, falei assim, pô, amor, eu não consigo mais conversar com meus amigos porque a minha realidade deles ficou tão distante que o assunto em comum são poucos, mas a gente tinha pouca coisa para conversar. Precisa falar, não, sim, não, tá só, eu não tô nem falando desse exercício, mas é como é difícil. E tipo assim, pô, eu amo a galera lá, pô, ajudo muito quando posso, adoro eles, a gente joga videogame junto demais, mas às vezes para mim é difícil alguns assuntos.
É bom, veja, é importante a sociedade, as pessoas têm que ter uma quantidade maior de pessoas que entram na classe média, média, as pessoas têm que sair da pobreza. Isso é uma coisa boa, tá? Longe de mim essa ideia de— existe hoje essa glorificação da pobreza. Não, acho que a pobreza é um problema, é um problema mesmo. A gente precisa viver uma vida comedida de classe média, é o ideal. E a sociedade, Aristóteles fala isso, aliás, na política ele fala: olha, o número de pessoas de classe média é o número da sanidade do país.
Se a cidade tem poucas pessoas de classe média, é uma cidade provavelmente muito disfuncional. Então tem esse elemento. Mas assim, olhando empresário, primeiro que é um problema do que as pessoas valorizam também, entra um problema espiritual mesmo. As pessoas não estão colocando valores eternos, aliás, você não vai levar o seu dinheiro para depois da morte. E a falta de entender esses valores espirituais, ela pesa demais, porque você começa a cultuar a matéria.
Mas aí eu vejo um grande problema, porque há influenciadores, tem muitos influenciadores que que tecnicamente o core dele é o espiritual e ele tá promovendo matéria.
Então, mas aí entra no ponto dessa teologia da prosperidade, outras coisas dessa linha, mas isso é uma versão teológica que aí o cara tá entrando numa linha teológica específica.
Mas até separando um pouco, tipo assim, uma coisa é ter uma teologia...
Você tem uma família, hein, cara, os caras vão te pegar na rua ainda.
É de Porsche e Rolex e um tênis da Gucci.
Mas é um problema.
Tem uma linha de uma vida boa, mas tem uma linha do luxo extremo desnecessário.
Dentro de uma visão cristã, eu diria que é errada essa teologia da prosperidade, é errada a teologia da libertação. Porque quando você vai pra teologia da libertação, o que vai ser? O socialismo cristão. Eles vão começar a falar, ah, porque viva a opção pelos pobres e não sei o quê. E normalmente, assim como tá na Bíblia, Judas falou, por que que não doa para os pobres? Porque ele queria roubar e é ladrão, como fala. E Barrabás era um revolucionário e tá lá, e era bandido.
Então, na verdade, o cara muitas vezes que fala, começa a falar demais, viva os pobres e não sei o quê, eu já pergunto o que que ele tá roubando. Já é minha primeira, quem que você tá roubando? Vai, fala para mim, quem que é, qual que é o seu golpe? É porque evidentemente o socialismo ele envolve um grau de inveja. E aí tem o outro extremo, que é o outro lado, que é: não, beleza, se você tiver fé, ó, você doar, você ganha mais dinheiro.
Não é transacional. E aí que é o problema. A questão espiritual não é transacional. Você seguindo os princípios do evangelho, você não vai ficar mais próspero por um câmbio com Deus. Você pode até melhorar de vida no sentido que está melhorando como pessoa, e daí naturalmente você vai ter algum impacto na sua vida. Sim, se você tiver mais virtudes, em geral você melhora, mas não é um elemento transacional e não é um elemento de, ah, olha, opressão, os oprimidos e tal.
Você não é nada disso. É o quê? O reino não é desse mundo. Você tem que pensar em coisas que você vai levar para depois da morte, não em coisas que vão ser para essa vida. Pensar no que é eterno. O fato do homem ter perdido Deus do centro da vida dele, é claro que impactou no culto dele da matéria, não tem como ser de outra maneira, porque é uma conta meio, meio É óbvio, você tira o espiritual, o material vira tudo, vira Deus.
Porque se falar assim, cara, agora o carro é Deus. Porque se Deus não existe e essa vida é isso mesmo, o cara cai na mentalidade do dane-se, né? Não dane-se, é isso mesmo, é tudo material. E sim, eu acho ruim. Você sabe que coisa do— se eu não me engano, aqui é um dos lugares que mais tem— não tenho nada contra o Porsche, aliás, baita designer de carros. Aqui deve ser um dos lugares que mais vende Porsche no planeta, né? Se eu não me engano, em Alphaville.
Abriu até uma loja do Porsche aqui.
É baita carro tudo, mas assim, o ponto todo é ninguém vai evoluir por causa de um Porsche. Você sabe que o empresário, aqui é um ponto, a minha leitura, o empresário raizão, meu, o cara construtor, sabe? Você conversa com vários deles.
Wilson Matheus assim, que andava de palha.
Raizão, cara raizão.
Andar de palha isso, Wilson Matheus andava de palha.
Esse cara, eu fui outro dia na casa de um amigo meu, ele tava dormindo num colchão no chão porque ele tava de mudança. O cara é muito rico. E aí eu brinquei e falei, finalmente você está com casa de empreendedor. A energia que faz uma empresa... O Steve Jobs dormia no chão, o Elon Musk dorme em container, é uma energia guerreira total. O cara não tem... O Henry Ford era loucaço de desconstruir carro na frente das pessoas, era consertador de relógio, aliás, o Henry Ford.
A energia mesmo que você admira quando você olha o empresário mesmo e fala, esse é o cara, o construtor mesmo, é o cara que vai levar o cara para... Para a Lua, o cara que constrói coisa, o cara que não sei o quê. Em geral, energia muito guerreira e muito pouco ociosa. Esse é o perigo do cara que tem um evento de liquidez, né, que é o cara que de fato ele vende as coisas e ele tem o período de se acomodar e perder esse propósito, esse legado, perder os valores espirituais.
Muito, eu tenho muitos alunos que estão nessa fase da vida, porque é isso, cara, por algum motivo ele é muito próspero, ganhou na vida, sei lá, venceu trilhou várias etapas, ele olha no Em Busca da Verdade, várias pessoas são assim, ele olha agora e fala, caramba, mas qual o propósito da minha vida? E tem, e nós não somos ensinados para essa fase ou para essa etapa da vida, e nós não somos ensinados para nada na verdade no mundo atual em muitos aspectos.
E o cara tem que aprender a falar, não, caramba, agora eu vou deixar um legado, agora eu vou construir coisas com meus filhos, agora eu vou deixar um legado cultural, cara, vou ler a obra completa do Shakespeare. Quanto custa ler a obra completa do Shakespeare? Shakespeare.
Eu acho que você tocou num ponto interessante, porque a gente também precisa comentar dos problemas que o dinheiro pode trazer do ponto de vista da saúde mental e da felicidade também. O Gilbert tem um livro chamado Felicidade por Acaso, em que ele conta sobre a nossa necessidade praticamente quase que natural de antecipar o futuro, né, de prever o futuro e tentar controlar o futuro também. Por isso que o livro chama Felicidade por Acaso, né.
No momento em que você para de procurar você do nada tá se sentindo feliz e muito bem. E o principal problema do dinheiro é que você antecipa a felicidade que o dinheiro pode te proporcionar num mundo muito diferente, que é o mundo da tua cabeça e o mundo real. Então você fica fantasiando como você vai ser no momento em que você ter determinada conquista. Eu acho que a gente conversou sobre isso a última vez que eu vim, que foi no momento em que vocês conseguiram comprar o primeiro objeto de desejo de vocês a sensação em média é: eu achei que eu ia estar me sentindo melhor, eu achei que eu ia estar mais feliz, eu achei isso, eu achei aquilo.
E às vezes, 3, 4 meses morando dentro da casa que um dia vocês tanto sonharam, você começa a ter aquela sensação de: acho que eu preciso comprar outra casa, porque eu preciso desse sentimento de novidade de novo. E também tem uma outra problemática que o dinheiro traz muito forte, que é o seguinte: ele vai subindo a sua expectativa E chega uma hora que aquilo que anteriormente te trazia muita felicidade já não traz mais. Acho que no próprio livro do Gilbert, ele dá o exemplo da experiência de praia, que é, por exemplo, eu sei lá, finge que eu com 30 anos de idade nunca pisei numa praia na vida, assisti vários filmes, e mar, praia, aquela coisa linda, eu sempre sonhei a vida toda em um dia conhecer o mar.
Aí eu vou lá, eu vou numa praia que nem é bonita, nem é um paraíso, nem é uma puta cidade incrível, mas é só areia e mar. E mar. Aquela experiência minha areia e mar, ela é nota 10, porque é uma descoberta. Meu Deus do céu, sempre quis isso! Que legal tá aqui a areia! Vai lá, joga água do mar na cara. Pô, legal demais isso aqui! No outro dia eu vou nessa mesma praia, só que lá alguém me oferece uma caipirinha e eu aceito. Anteriormente, a minha nota de praia, apenas eu e praia, era nota 10.
Agora eu, praia mais caipirinha, é nota 10. Só que só eu, praia, já é a nota 8. No terceiro dia eu vou à praia de novo, aí eu vejo o mar, pego uma caipirinha e ao meu lado senta uma menina, uma moça muito bonita que puxa assunto comigo e a gente começa a se entender e a gente tá certo. Agora minha experiência: mar, caipirinha, moça é nota 10.
Tá completa.
Mar, caipirinha, nota 8. Mar, nota 6. No outro dia eu vou para praia de novo com os meus amigos, tudo muito divertido, música alta, caipirinha, moça, toda essa ideia, nota 10. Mar caipirinha moça, nota 8. Mar caipirinha, nota 6. Mar, nota 4. E assim sucessivamente você vai vivendo novas experiências que o dinheiro pode te proporcionar. E aquilo que anteriormente te dava uma baita felicidade porque era novidade, ou só pela simplicidade que a felicidade pode, pode vir, já não dá mais.
Recentemente eu fiz uma, uma viagem com os amigos para Argentina e a gente foi no avião de um deles e o avião X. A outra viagem que eu fiz, eu fui no avião um pouco maior. E aí a gente brincou no avião, porque a hora que eu entrei, que a hora que eu entrar no avião mais comum, você vai ficar: nossa, velho, agora tô, tô, eu quero fazer essa viagem, porque a outra viagem foi— e aí você vai elevando a sua régua experiencial, porque o dinheiro ele não te dá felicidade constante, né, como a gente comentou.
Ele evita estresse, ele te dá uma certa previsibilidade, O dinheiro ele te promove experiências, e essas experiências geram pico dopaminérgico, e você vai querer cada vez mais experiências. E aí a problemática principal é, no momento em que você conheceu os melhores restaurantes, os melhores hotéis, as melhores viagens, as melhores mulheres, os melhores tudo que o dinheiro proporcionou, o que antes era simples e te fazia feliz agora já não, já não é mais, porque você não é mais o mesmo ser Mano, sabe?
Recentemente eu tava voltando do trabalho aqui e aí eu escutei uma música do Vitor Helhéu chamada Deus e Eu no Sertão. Tinha Vida Boa e Deus e Eu no Sertão, né? Eu sou um caipira pé vermelho, então eu sou criado no sítio. E claro que o pós-venvância também ajudou muito a minha tristeza, mas eu comecei a chorar sozinho porque eu lembrei da minha infância no sítio, eu lembrei quanto que aquilo me fazia muito bem. E eu sei que se eu voltar no sítio hoje conhecendo o que eu conheço, concurso, a minha nota de felicidade vai ser provavelmente 2 de 10, porque eu vou estar lá no sítio pensando: nossa, eu podia estar em tal lugar do mundo agora, eu podia estar fazendo tal coisa.
Porque você agora, você conhece, e agora sua expectativa ela se torna muito mais alta. E isso é um problema do dinheiro que pouca gente discute, sabe? E aí é por isso que geralmente rico é tão viciado ou tem tanto medo de perder dinheiro, porque e se eu perder tudo que eu já conquistei, né?
Mas manda ver, William.
Pode falar uma lista de coisas para libertar um pouco as pessoas da doença do dragão. Doença do dragão é o termo lá do Hobbit, que o dragão senta em cima, o Smaug senta em cima daquele monte de dinheiro, não faz nada com isso, né? Então não quero saber se é pobre, rico, mora na favela, tenho 30 trilhões de dólares, os conselhos são iguais. Aliás, eles vão te desintoxicar muito rápido. Um é você vai ler uma coleção de livros, vai começar a ler livros.
Se você é mulher, eu recomendo Jane Austen, maravilhoso. Olha, Orgulho e Preconceito, Mansfield Park, Razão e Sensibilidade. Você começa, você vai pegar, você vai comprar, você bota numa, no negócio. Se você não tem dinheiro para comprar, nossa senhora, você vai pegar online, entendeu? Tem literalmente, você baixa o PDF Bem-vindos 2026, custa isso, você vai pegar lá, você vai botar na sua estante, você vai você vai ler em tabela.
Se você é homem, Senhor dos Anéis, absolutamente maravilhoso. Ah, já li tudo do Tolkien. Pega o Júlio Verne, super introdutório. Se você tem 14 anos, você já tá dentro da fase para entrar nisso, você vai zerar isso. Não custou praticamente nada, não virou ponteiro. Você vai sair uma pessoa muito melhor do que você entrou. Depois você vai começar, você vai se matricular numa uma aula de jiu-jitsu, pô, isso já custa dinheiro. Ótimo, você vai começar a fazer flexão na sua casa se você não quiser.
De novo, não importa, tem 400 trilhões de dólares. Tá lá o Mark Zuckerberg sendo transformado pelo jiu-jitsu e tem gente na periferia sendo transformada pelo jiu-jitsu. Tá todo mundo sendo transformado nesse momento. Você vai começar a tomar porrada, não custa. Aliás, você pode apanhar de graça, te desafia. Custa sim matrícula, mas é super, você vai é acessível, você vai tomar porrada. Depois você vai pegar um trabalho duro para fazer, provavelmente que você nem precisava fazer.
Ah, mas Guilherme, eu já trabalho o dia inteiro, pego condução. Quero nem saber, pega um trabalho duro para você fazer, pode ser na sua casa, pode ser não sei o quê, começa a aproveitar para pintar sua casa, aproveita para consertar um negócio na sua casa que precisava. Escolhe um trabalho duro que você vai começar a executar, escolhe dentro do seu trabalho, aliás, pega um negócio que ninguém tá resolvendo a pilha de documento que ninguém resolveu, algum buraco da empresa que ninguém resolveu, vai lá e resolve.
Isso vai te dar uma visão absolutamente maravilhosa. Depois pega um dia e vai para o meio do mato. Maravilhoso. Pantanal. O Brasil tem lugares, nada de praia, nada de caipirinha. Vai para o meio do mato, algum mato violento, entendeu? Mas não precisa ser violento a ponto de você morrer, mas vai para um mato divertido, cara. Uma coisa que vai tirar da sua zona de forte, faz um bem inimaginável. Boi, sabe? Você vê o boi, encosta no boi, sobe em cima do negócio, é super.
Sobe em cima do cavalo, boi já vai dar ruim.
Não, sobe em cima do boi só se for para— aí é hardcore, aí é o rodeio mesmo, aí é rodeio, aí é outro patamar. Sobe em cima do cavalo, toca o boi, entendeu? Toca um berrante um dia, o que for, a experiência, a natureza que for, vai ser vai ser um bem imenso. E vai um dia numa missa, pega, senta numa missa e ouve. Vai ser maior do que você a missa. Não fica dando palpite, não fica pensando nada. Mas nem tenho fé, Guilherme. Ótimo, vai na missa igual, tanto faz.
Eu não tô nem aí se você tem fé ou não tem fé, só faça isso que eu falei. Se você fizer tudo isso, você vai ter contato agora com toda— por que que eu tô falando dessas coisas? Você sai de você mesmo, você sai, porque você é obrigado a sair. Tudo que eu falei te obriga a sair. Você teve que ler o Tolkien, você saiu de você É isso mesmo. Isso foi, aliás, para o mundo.
E tudo que você falou promove experiência de flow, que o Mihaly Csikszentmihalyi tanto fala no livro. Eu sei, entrando no flow total, na verdade, aqui te desafia de certo, de certa forma. Você consegue fazer, você não sente um inútil e não fica ansioso por isso, e você sai de si.
É porque a capivara, ela não tem o valor material, ela não tá preocupada quando você tem dinheiro. A capivara, ela só é, entendeu? Ela olha para sua cara, ela uma cara séria, inclusive vai ficar parado olhando para você. Você olha de volta para capivara, você vê o abismo no olhar dela, você para diante da capivara, não tem nada. Então essas coisas te tiram do material quase que imediatamente. É diferente, porque o cara fala, eu já vi o filme da Jane Austen.
O filme você não pode ficar querendo emular a roupa, emular não sei o quê. O livro não tem como você querer emular nada, sabe? Você tá ali, você tá tendo que forçar sua mente para prestar atenção naquilo aquilo. É porque se você não sai de você mesmo, é claro que o dinheiro vai te escravizar. Não importa se é pouco ou muito, ele vai te escravizar porque é o mundão, é a indústria da propaganda, é o sei lá o quê, entendeu? Então eu acho que tá precisando muito as pessoas.
E tem gente que tá terminantemente online, sabe? Eu entendo super, eu tô online, a gente tá aqui online, você tá assistindo a gente online, sabe? Ouvindo a gente online, sei lá o qualquer, mas eu acho que é tão importante pegar essas coisas, é importante para quem é empresário muito bem-sucedido, muito importante, como eu falei agora, muito importante. É importante para quem tá começando a vida, é importante. Então, tem gente que vai falar, ah, pô, Guilherme, você sempre fala para ler, para lutar jiu-jitsu, fala isso todo negócio, mas as pessoas quando elas executam é aí que muda, porque aí elas conseguem falar outras coisas, porque depois eu vou falar de Aristóteles, se o cara não conseguiu ler o Tolkien antes, como é que ele vai ler o Aristóteles Entendeu?
Tipo, como é que eu vou chegar para ele e falar assim: Lê aqui a Ética Nicômaco. O cara vai se assustar, ele vai falar: O Guilherme está muito louco e tal. Eu falo: Cara, lê O Senhor dos Anéis, você vai conseguir, você vai conseguir, você vai aprender muitas coisas. E eu acho que isso é muito importante para quem está buscando crescer na vida, para quem tem não sei o quê. Ele fala: Isso tudo que você falou não tem nada a ver com dinheiro.
Pega um dinheiro seu e investe, investe um dinheiro. Ah não, investe um dinheiro no negócio que você vai, que é longo prazo, aliás, você não pode mexer nele. Abre, bota lá um dinheiro, pega um dinheiro que você fala, eu não posso mais acessar, eu não tenho mais poder sobre ele. A história do Ulisses, porque quando na Odisseia, vamos ver se vai vir um filme, né? Vamos ver se vai vir o filme do Christopher Nolan ou não, sei lá, a gente espera para ver o que vai rolar.
Mas quando sair esse filme, a gente vai te convidar aqui para saber sua opinião.
Vai ser a minha alegria. Mas é a história do Odisseu. Se o cara quer demais ir por prazer, na Ilha de Circe eles viram porcos, que eles chegam lá e de maneira irrefletida eles falam, ah, deixa eu seguir aqui o rumo. Ela transforma todos eles em porcos. E o Odisseu, quando ele passa na frente da Cereza, ele quer ouvir o canto, só que ele quer ouvir o canto sem se corromper. Como que ele ouve o canto sem se corromper? Fazer, me amarrem no mastro e se eu gritar e falar, olha, eu vou, me tirem, vocês não vão mexer comigo, não importa o que eu faço.
É a autorrestrição. Então, poxa, você tá falando para mim para pegar uma coisa que eu posso fazer. Então eu tava lá me lascando e eu obtive um sucesso material. Você tá falando para eu pegar e, entre aspas, renunciar isso que eu conquistei? Fala, exatamente isso que eu tô falando para você, para você renunciar alguma coisa que você conquistou. Porque esse ato de renúncia vai te fortalecer de uma maneira muito substancial. O ato de você abrir mão de algo, o ato de você doar algo.
Aliás, outra experiência que tira você de qualquer coisa: doe alguma coisa. Pegue e doe uma coisa, qualquer coisa, entendeu? Vai e doe alguma coisa. Ah, mas isso é para fomentar a caridade, a filantropia. Eu nem estou interessado aqui nesses conselhos nisso, nesse ângulo aqui específico. Eu estou interessado na pessoa começar a se desprender da escravidão mental do aparato propagandístico monetário barra não sei o quê, porque eu não sei, é um mundo de muita propaganda, é tudo propaganda.
O cara abre lá, é tudo, tudo é bet agora, tudo tá foda mesmo, tudo é bet, tudo é bem de consumo, tudo é mercado de luxo, tudo é influencer, tudo é não sei o quê, cara. Eu entendo o cara que ele começa a sentir infeliz, porque tá lá se lascando o dia inteiro, aí, né? Lá tá os cara, o o pessoal sambando lá no negócio, ele fala, pô, a minha vida tá lá, os cara roubando em Brasília, o outro sambando lá. Eu entendo super, mas a gente tem duas opções aqui: de entrar em desespero, que super eu compreendo, mas não é uma boa, é cair no consumismo e falar, é isso mesmo, agora eu entrei no— agora eu quero que se dane, é ganhar o meu Porsche, dar golpe.
Não tô falando quem compra Porsche, todo mundo dá golpe, mas é isso, ganhar uma Porsche, dar golpe nos porque por meios lícitos ou ilícitos eu vou enriquecer. E fala, não, cara, vamos para outro caminho, que é trabalho duro, voltar à virtude do trabalho, a construir as coisas com visão de longo prazo e se desprender disso. E eu acho que essa purificação espiritual, todo mundo tinha que uma vez no ano pelo menos fazer o que eu falei agora.
Tem um período, sabe, que ela tira e fala assim, eu vou focar no que o Guilherme falou uma vez vez no ano. Você não vai fazer isso todo dia, que faça uma vez no ano, fala, cara, vou me desprender.
Eu sei que às vezes a gente fica um pouco chateado, um pouco insatisfeito com a vida que a gente tem, né? Às vezes você tá no mesmo trabalho ali faz tempo, às vezes você acha que você tá ganhando mal, que você tá no lugar que não tem uma meritocracia, né, em relação ao seu resultado. E aí você fica sentindo aquele peso, né? E o negócio vai ficando ruim, você vai ficando com mal-estar, você começa a não querer nem trabalhar, né?
Eu sei bem como é isso. Já tive empregos assim antes de vir trabalhar no mercado financeiro. Por isso eu vou te falar que uma oportunidade que nos dias 18 e 19 de setembro você terá o evento da Nova Carreira, para você que talvez tem interesse em trabalhar no mercado financeiro, queira ser um consultor de investimentos, queira ser um assessor, quer entrar nesse mundo da Faria Lima, né, queira trabalhar aqui no Grupo Primo. Olha só, você gostaria de vir trabalhar aqui com a diferente.
Então esse evento é para você. São 2 dias de evento, tá, com várias palestras, com vários especialistas. Tem Tiago Negro, tem Bruno Perini, que eu sei que vocês gostam bastante, mas também tem outros nomes de pessoas muito relevantes aí no mercado financeiro e que vão te ajudar muito nessa nova fase da sua vida. Às vezes você só precisa ouvir alguma coisa ali que te faça ir para uma nova etapa, né, mudar um pouco os ares, mudar um mudar um pouco a direção, né?
E quem sabe você não se reencontra aí, começa uma carreira nova. Hoje tá liberando aqui na segunda-feira o lote zero, tá? Então você vai ter um preço promocional de R$150 aqui no ingresso. Baratinho, vai, R$150 para você assistir 2 dias de evento. Eu acho um preço bem justo. Então aproveita, porque depois vai ficando um pouquinho mais caro, vai ficando R$250, vai ficando R$350. Aproveita para você adquirir o do Nova Carreira. Vou deixar um link na descrição e um QR code na tela para você, tá bom?
Te vejo lá no evento porque eu estarei lá também. Eu vou falar um caso aqui que é até um sócio nosso que fala muito disso, né? Ele sempre fala, né, pô, você sabe quem que é, pô, cara, vou comprar uma Porsche, não sei o quê lá. Ele fica mostrando e tal. Eu não sei se eu tô agindo errado, cara, mas ele fala tanto isso que eu falo, cara, compra essa porra, compra, porque se você vai entender que que é tipo assim, você vai ficar feliz, mano, você vai ficar eufórico no começo, vai ser legal, você vai se sentir bem e tal, mas depois é um baita carro, pô, legal a tecnologia, mas vai ficar normal.
Isso não é uma coisa que todo dia você vai entrar nele e falar, caralho, não vai acontecer.
Vai chegar um dia que você vai falar assim, caralho, tipo assim, você vai parar de falar que tem uma Porsche, você vai ter um carro, vai ter um carro, é meu carro.
Entrada vai, já vai ser nota 6, né? Já não vai ser nota 10 mais.
Mas às vezes eu acho Acho que se o cara tem grana e ele tem esse desejo muito grande, eu, na minha visão, às vezes ele tem que fazer, meu, faz aí. É que ele vai descobrir que não tá lá, porque talvez ele descubra só dessa forma do que você ficar falando, ah, cara, isso aí é besteira, é besteira. Aí ele fica te taxando de, ah, você tá falando isso, você tá ficando louco, né?
Eu lembro de um cara uma vez que chegou numa discussão e ele chegou e falou assim, é que você não tem os meios para comprar isso.
Eu sempre comento com amigos, que eu tenho desejo de que todo mundo, seja para suprir os seus traumas e continuar sua vida normalmente, viva uma experiência pelo menos de uma semana sendo muito rico, muito famoso, que aí todo mundo já te acha incrível, todo mundo fala que você é foda. E aí você finalmente percebe que não é isso, sabe? Às vezes a gente trabalha igual maluco para tentar ter o prestígio, para as pessoas começarem a olhar para a gente, enxergar o nosso talento, nossa habilidade, ou quanto a gente trabalha.
E sei lá, você tem experiência de fama por uma semana, aí você falar, tá legal as pessoas gostarem de mim, mas agora eu quero continuar minha vida normalmente. Ou experiência de grana, a mesma coisa, né? Pô, parece legal você ter uma Porsche, ter uma Ferrari, ter isso, ter aquilo, mas beleza, eu acho que minha vida anterior tava mais legal. Porque eu sinto muito isso, cara. Você imagina que quando você comprar esse Porsche você vai ter essa uma sensação X, e a sensação não vai ter nada a ver com aquilo.
Ou depois de um tempo ela não vai ter nada a ver com aquilo que você esperava, né? Mas eu penso como você também, Lucas, vai lá, compra, sente, e aí daqui uma semana você fala, é, cara, não era, não era o que eu imaginava não, cara.
Pô, você vai ficar feliz.
O único problema com esse raciocínio é que se o cara não estudar, ele também não sabe qual é a boa, porque daí ele, beleza, ele vê também que o Porsche não é bom, mas ele também, aí, porque o Porsche não era o Lamborghini agora, é fogo. Porque tem isso também, às vezes o cara, ele compra o Porsche, não entende a lição, né, do negócio.
Na verdade, que Ele fala, na verdade era Ferrari, cara.
Se fosse, tem vários bilionários fazendo isso hoje.
É que se fosse um Rolls-Royce, aí eu estaria feliz. Então assim, nunca duvidem da ganância humana. E tem dizer, isso que volta para o mito do Rei Midas, porque se tudo vira ouro, nada tem valor algum. Se o cara, se tudo é ouro, se tudo é é incrível, nada tem valor. Mas você sabe que eu, os antigos, então para eles isso era um tema claro, porque a pessoa fala isso é um problema atual, mas você vai lendo a Bíblia, os clássicos gregos, o mundo deles era assim, porque tinha esses imperadores da Pérsia, da Babilônia, sei lá o quê, que o cara tinha palácios de ouro, o cara ficava jorrando, falava traga um jarro de ouro derrame.
Então não é também que os antigos não experienciaram esse tipo de coisa. Claro que ao molde deles tudo tinha um jeito, mas assim, a experiência básica tava lá. E você vê todos esses profetas, esses filósofos e essas pessoas e tal, elas olhavam para isso e chegava uma hora que elas falavam assim: olha, tem alguma coisa aqui que é muita pobreza, tem alguma coisa aqui que é fraca, que não é não é poderosa.
E aí depois você olhava uma conclusão padrão, né? Todo mundo que passa por isso é pobre.
E você olha o profeta Elias ou profeta Daniel, Daniel tá lá, ele tá, jogam ele numa cova dos leões, ele sai e ele sai tranquilo. E aí você fala, cara, isso é riqueza. O imperador da— eu peguei o caso do Daniel porque o Nabucodonosor, né, que é um homem de riqueza infinita. É apresentado assim, que ele tem de fato um império muito grande. E é isso, dinheiro, jorra, ele tem tudo do bom e do melhor. E ele olha o Daniel e ele fala assim, olha, eu não sei o que ele tem, entendeu?
Mas ele tem alguma coisa que eu não tenho. E tá aqui, ele foi escravizado, ele foi trazido aqui como servo, mas ele tem algo que eu não tenho. E essa experiência de descobrir isso, eu acho que de um muito do dinheiro vem de vida empresarial, vida profissional, que envolve de novo um espírito guerreiro que as pessoas estão ignorando, que é o que eu mais admirava. E eu sim admiro muito mais o empresário que ele tá na, que ele fica se reinventando e lutando, e você nem sabe, o cara quer chegar em Marte.
É isso mesmo, mil defeitos do Elon Musk, mas só do cara ser louco o suficiente querer chegar em Marte e tá buscando isso, tem algo de inspirador por trás do cara que não para nunca, que ele, ele tá sempre no drive, na luta. Mas abstraindo isso, tem um momento da vida em que você fala, cara, quais são os bens mais valiosos que eu quero para minha vida? De novo, o cara consegue fazer muito mais. Eu lembro de um amigo meu que eu tava conversando com ele, ele tinha isso, ele queria pegar uma mulher por dia.
E aí eu falei para ele, falei, olha, você não vai ter ter posterioridade. Você não vai ter o quê? Um filho? Você não vai ter uma próxima geração? Se tiver um filho, você não vai educar ele porque vai ser perdido por aí? Você não vai ter sequência. Sua vida, ela tá fadada a uma vida que nunca você multiplica aquilo que você tem de melhor. Esse amigo, enfim, mudou de vida, casou, filho, tudo. Ele mudou radicalmente porque chegou uma hora que ele falou assim, ele é de fato.
E de novo, o cara para vencer, porque igual alguém falar assim, ah, deixa o cara pegar 60 mulheres porque aí ele vai descobrir que não é assim. Sim, mas se alguém educar ele, porque também de novo tem o cara que acelera o carro, bate na parede e não aprende a lição, tá? Sim, a dificuldade forja a lição, mas eu aprendi a não subestimar a burrice humana. E às vezes não é só burrice. Esse meu amigo, por exemplo, ele só não tinha formação, então não era, não era nem burrice.
Porque de fato eu acho que no mundo atual tem muitas pessoas que não têm formação, elas estão entrando no mundo, elas estão até ganhando dinheiro, estão fazendo isso aqui, mas não tem formação. Porque já viu a educação no Brasil, entendeu? É método Paulo Freire, é uma coisa pior que a outra. O cara entra na escola, ele não sabe 2 2, se ele souber, 2 2 é 2 2, é viva Che Guevara. Fala, como assim, cara? Eu queria saber matemática.
Não, olha aqui, ó, Che Guevara, tal, bota a camisa dele. Fala, pô, mas eu queria saber triângulo, como é que funciona o triângulo. Eu tô brincando porque eu já tive esse tipo de aula, literalmente assim, tá? Tinha uma aula do mestrado de filosofia, eu tinha uma aula do mestrado de filosofia, foi muito boa. Eu encontrei um cara em Santos, olha só que coisa, que tava nessa aula, que ele me viu contando num podcast, algum programa, algum dia.
E aí ele falou, eu tava nessa aula, e é verdade, cara, eu tava lá, eu vi, tal. Porque eu entrei numa aula lá do mestrado, e aí o professor bateu na mesa, falou, vocês sabem porque nós estamos aqui, né? Aí eu pensei, pô, para estudar o autor, né? Na minha ingenuidade, eu pensei para estudar o autor. Aí ele pegou uma foto de um político proeminente brasileiro, segurou e falou, estamos aqui para combater o fascismo, esse é o nosso inimigo.
Aí eu falei, cara, o negócio é, o negócio é, eu sabia que tinha me alistado numa batalha. Ainda bem que eu não levantei a mão e falei para estudar o autor, porque eu ia estar off, né?
Você ia estar errado, né?
E aí eu fiquei, aí eu lembro que eu, e aí eu lembro que eu cheguei para o meu orientador e falei, cara, o que que a gente vai fazer, entendeu? Porque assim, eu não vou conseguir estudar aqui, não, não vou conseguir fazer essa matéria, a gente vai ter que dar um jeito aqui. Aí sim, a gente deu um jeito lá, deu um jeito lá, consegui transferir de alguma maneira e tal. Mas assim, eu falei, cara, não dá. Então assim, com esse tipo de educação, que é muito mais comum hoje ainda do que foi na minha época, loucamente a educação ficou mais assim, não menos.
O mundo foi demandando mais habilidades e mais valores, e a educação foi ficando com menos. Então tem uma disparidade muito grande nesse cenário, vai ter que ser forjado de outra maneira.
Cara, entrando um pouco nesse tema polêmico assim, minha esposa fez USP, né, ela fez odonto, e às vezes ela brinca com minhas filhas que elas vão fazer USP. Eu falei assim, meu amor, dependendo do curso eu não vou deixar não, tá? Só para deixar claro, porque é uma preocupação muito que eu tenho com a próxima geração. E que que a gente tem que fazer com nossos filhos, para os nossos filhos eles não ficarem— que a gente pode fazer agora, né, pelos pequenos ou até os mais adolescentes ali, para eles não entenderem o mundo errado e perseguir mais o dinheiro do que a felicidade deles.
Acho que um livro que tá reconhecido mundialmente já e tá sendo muito debatido é do Jonathan Haidt, sobre a geração ansiosa.
Muito legal.
Muito legal esse, recomendo demais para você que é pai e tá assistindo isso. A gente tá, acho que o ponto número 1 é tirar o celular das crianças, né? Acho que o primeiro ponto, porque de fato a socialização é a maior correlação que existe entre a tristeza e ansiedade das crianças é a socialização distante, que hoje em dia a gente tá num ambiente, mas a gente tá mexendo no celular. Então a gente não está sociabilizando, a gente está conversando com pessoas que não estão perto da gente.
E aí, quando a gente tá em casa, a gente está fazendo a mesma coisa, a gente tá socializando com pessoas que estão distante da gente também. E as crianças, querendo ou não, como eu falei lá atrás, o nosso comportamento ele é moldado ali naquele momento, e a gente vai meio que replicar o resto da vida aquele comportamento que a gente aprendeu na infância, atitude. E se a gente não aprender que o fator essencial para você ter sucesso na vida, prosperidade, para você se sentir bem, feliz e realizado é o bom convívio com as pessoas que você convive, o que que você vai aprender a fazer o quê na vida?
Se você não consegue lidar com gente, você não consegue manter um bom relacionamento, você não consegue ser feliz, enfim, entender que o mundo não gira em torno de você, entender que as pessoas pensam diferente de você, você entender que existem pessoas que você vai ter que aprender a lidar. E se você não desenvolver essa habilidade, isso vai tornar um, vai ser um prejuízo para o resto da sua vida. Então acho que o que eu falaria não, mas o que eu faria com as crianças hoje é tirar o celular.
Em países de primeiro mundo já tá sendo conversado, rede social só depois dos 16 anos no mínimo. Por mim, eu fui ter rede social, tinha Instagram, tinha 19, 20 anos. Anos já, fui um pouco mais tardio.
Eu fui ter Facebook com 15 anos.
Você foi mais novo?
Foi mais novo, 15 anos eu acho que eu tinha Facebook, eu não tinha Orkut.
Eu fui ter celular com internet aos 19, eu fui um pouco, eu saí de uma caverna.
Minha primeira rede social foi Orkut, mano.
Mas querendo ou não, até para o jovem que sai hoje, os caras não querem tomar fora em balada mais, porque é muito mais confortável ele lá no direct mandar uma mensagem para a menina Oi, te vi na balada. E aí? Você estava uma gata.
Isso aí para mim é uma coisa constrangedora. O cara não tem coragem de chegar numa mulher estranha. Fala assim, meu Deus.
Você percebe que o cara não tem coragem de sair de casa.
Chegar na mulher já é um 8 etapas. Já estão muito otimistas com a geração nova. O cara saiu de casa, abriu a porta, o Enzo pega um sol, ele derrete. Fala, meu Deus.
O que você falou é muito legal. Já é um desafio que já tá em outro patamar, né? E quando a gente era criança, a gente era meio forjado a falar com estranhos, a falar com desconhecidos. Enfim, isso é uma habilidade que tá sendo isolada cada vez mais, porque tudo se resolve pelo celular, tudo é ali rapidamente. Nas minhas caronas, cara, eu lembro quando eu tive que pegar carona para ir para o Colégio Agrícola e voltar, eu não tinha outra alternativa que não entrar no carro de 10 desconhecidos por dia.
E aí eu me vi obrigado a ser o cara mais gentil e agradável possível dentro do carro, carro, porque já que o cara tava me dando carona, minha única obrigação era ser legal e fazer a viagem do cara ser mais legal. Então, se você, do ponto de vista numérico, sei lá, se eu peguei 1.000, 2.000 caronas na minha juventude, isso me forjou a criabilidade social e isso me deixa pronto para conversar com qualquer pessoa a qualquer momento.
Uma criança que o celular resolve todos os problemas, uma criança que não se vê desafiada, e alguns pais falando sobre hipótese dela ser alfabetizada em casa, sendo que para mim a principal função da escola não é cagar conteúdo, é explicar para criança que o mundo não gira em torno dela. Você precisa aprender a conviver com o Felipinho, com o Gustavinho, com a Maria, com— você precisa aprender a conviver com essa turma. E você vai entendendo que você precisa ser vários eus dentro de você para você conseguir ser agradável e gentil com todo mundo.
Mundo. E se você não é desafiado a isso, com 20, 25 anos de idade você não vai aprender. Então acho que a primeira coisa que eu falaria para as crianças hoje, ou como pai se eu tivesse filhos, é não tenha celular. Se tiver celular, aquele Moto Gzão antigação que só tem WhatsApp e tá tudo certo.
Eu super concordo, não dá rede social. Acho que TV tinha que ser final de semana e controlado, e cortar TV, cortar celular, cortar tudo isso é fundamental, tá? Isso é loucura. Aliás, fazer de outra maneira, não tem o menor nexo. Ah, mas meu filho não vai ficar tecnológico. Ensina programação para ele quando ele tiver 14 anos, você vai ver que é muito mais interessante do que meter o celular na frente dele. Ele não vai aprender, aí que ele não vai aprender nada.
Não fez a menor diferença para a gente, cara. A gente foi começar, eu fui começar a ter contato com computador com 14 anos, não mudou nada na minha vida.
Isso é besteira. Agora, eu, o que eu faria sobre, pensando em dinheiro, né, que é o tema, eu acho que uma experiência, eu não gosto de errada, é porque sei lá o que que ele fez para merecer aquele dinheiro. Mas eu gosto muito da experiência de botar a criança para trabalhar em algo, fazer um trabalho, e aí ela ganha um dinheiro por aquele trabalho. É um mini empreendedorismo, né? Estamos falando aqui de coisas bem lúdicas, né?
Lavar seu carro, né?
É isso, a criança vai lavar o carro, fazer uma coisa, vai ganhar R$50, sabe? Arrumar o próprio quarto, alguma coisa que seja e que você pague pouco para olhar e falar, caramba, 5k é difícil. Porque ela vai chegar na loja, ainda mais com a inflação atual, vai falar, cara, isso aqui compra um Trident. E aí ela, eu acho que é bom para ela isso.
E potencializando o que ele tá falando, dinheiro físico, gente, porque a criança ela tem uma dificuldade de entender que aquele plástico ele é finito. O dinheiro físico, que nem você falou, você vai dar duas notas de 2 e uma moeda de R$1, ele vai saber que acaba, que vai tipo assim, se ele vai comprar um chiclete, vai sumir uma daqueles itens.
É uma lição.
Agora você só tem 4.
É, agora só tem 4.
Agora se você der um plástico para ele, que é um cartão de crédito, ele vai falar, pô, minha mãe me deu isso, depois minha mãe põe mais.
Então fica um negócio num nível mais avançado. Eu botaria a criança para fazer algo de empreendedorismo micro, a famosa tenda de limonada, vender biscoito, vender tipo, ela tem que preparar o bolinho. A gente fez com a nossa filha mais velha, isso foi muito muito bom.
Quantos anos sua filha tem?
Minha filha mais velha tinha 7 quando a gente fez isso, 6, 7, e agora ela tem 8. Então a gente fez ela, ela basicamente ela preparou o bolo e vendeu. Isso é muito bom porque tem N habilidades, ela tem que montar embalagem, ela tem que preparar o bolo, mas só vale se a criança fizer tudo. Se o pai entra e dá aquela ajudada, já não vai. Ele pode guiar e falar, ó, faz isso.
E também eu acho que eu ouvi o não não é muito importante, né?
Ouviu não, porque ela vai vender, a pessoa fala não.
Como assim não?
Ela vai vender o bolinho lá R$7, a pessoa fala não.
Aí é caro. O primeiro você chora, o segundo você vai aprender.
E aí ela vai descobrir que ela tem um dinheiro que ela gastou para fazer aquele bolo e demora para você retornar. E aí tem um salto para isso.
Sim.
E ao mesmo tempo ela descobre que se ela vendesse mais bolos, ela teria um resultado melhor, e assim por diante. Então tem habilidade possibilidades. Essa experiência da atendida de limonada e tal fez muito bem, fez bem para mim. Eu lembro um dia que eu era criança e comecei a fazer essas coisas para comprar, porque eu olhei para meus pais e falei, desses daí não vai vir nada, né? E aí ficavam tocando na—
Guilherme com 5 anos, muito pequeno.
É, eu tinha, pior que é. E aí eu cheguei num momento muito engraçado que eu falei assim, eu falei, olha, aqui na casa, aqui em casa a galera deixa o Big Brother rodando na sala, sala. Eles deixam um monte de coisa, eu vou ficar idiota se eu assistir essas coisas. Então preciso comprar uma TV. Então eu saí da— isso eu tinha, era muito pequeno, não lembro como foi. Aí eu lembro que eu olhei e falei, cara, mas aqui me virar aqui para— aí eu comecei a montar esses microempreendedorismos para comprar tal da TV, entendeu? TV com videocassete, tinha até TV com videocassete embutido, sabe?
Não adianta, hein?
É.
E aí você passava fita e tal. Eu falei, cara, porque aí eu vou assistir no videocassete algumas coisas, desenho, coisa de criança mesmo. Cresci Dragon Ball no videocassete e falei, cara, não vou ficar assistindo Big Brother, senão vou ficar burro. E aí eu lembro que aquilo foi muito formativo. Até hoje eu uso mais essas habilidades que eu aprendi nesse momento do que outras coisas que vieram da escola, porque você se frustrava, isso que você ouvia, não tinha o outro cara que se dava mal, você tinha vários problemas ligados a isso.
E eu acho que o prazer também. Eu comecei a vender as coisas muito cedo também, e eu lembro que eu senti uma coisa muito gostosa de comprar um negócio por R$1 e vender por R$2.
Isso.
E olhar aquele R$1 e falar assim, isso aqui é pedagógico, é meu.
Eu não tive experiência do empreendedorismo, mas eu vendia ferro velho.
Ah, lá vem, lá vem, cara. Puta que pariu.
Eu transformar um monte de fio velho do meu pai, que eu descascava e transformava um monte de lixo em dinheiro, era uma coisa absurda. Eu transformava um monte de fio velho do meu pai, que eu descascava e transformava um monte de lixo em dinheiro, era uma coisa absurda.
Eu lembro que quando a gente foi estudar fora, meu pai falou, ó, eu tenho R$10 por semana para cada um, e aí se vocês quiserem transformar isso em mais dinheiro, eu posso passar e comprar bolacha com esse dinheiro, e aí vocês vendem as bolachas lá no colégio. E eu lembro que eu e meu irmão, a gente tinha a mala de roupa cada um e a mala de bolacha.
É a mala de bolacha.
Era engraçado porque a gente tinha que contabilizar os foods, porque já teve vez da gente esconder as bolachas e os macacos da reserva florestal—
meu Deus, cara—
e eles só abriam, tipo, roubavam uma e foda-se. Eu acho que tinha uma certa maldade nos macacos, sabe?
E se você explicar isso para alguém, né, a pessoa não vai acreditar, né, cara? Eu fui atacado por macacos, eles roubaram a bolacha.
A gente, experiência Brasil full time, isso é Brasil, isso a Holanda nunca vai entender.
Não, não, era proibido vender bolacha lá no colégio. A gente tinha que esconder para passar pelo diretor sem a bolacha, e a gente escondia na floresta. Eventualmente os macacos roubavam nossa bolacha, e também os veteranos também roubavam. Então eu tive que contabilizar o que que é furto muito cedo também. Mas acho que o ponto, fazer um DRE, o ponto interessante que me pegou aí, isso, isso me desenvolveu muito também, era como eu ia vendendo de quarto em quarto, eu ouvia muito não, porque na segunda-feira todo mundo tinha comida própria, mas na quinta-feira eu sabia que não tinha.
Na quinta-feira todo mundo já tinha comido o que tinha para comer e ninguém tava, e ninguém tinha comida mais. E eu lembro de sentir muito prazer nessa venda e me acostumar muito cedo com o não. Então a primeira vez que você vai vender e a pessoa te fala não, te dá um certo, nossa, o que que eu tô fazendo? Por que que eu tô fazendo isso, né? Deve ser, que humilhação que eu tô passando aqui Agora. Aí o segundo não, você dói também, mas é uma dor um pouquinho mais leve.
O terceiro não dói, mas é um pouquinho mais leve. Depois do seu centésimo não, aquilo é praticamente nada para você, e você começa até contabilizar a quantidade de sim. O não, ele se torna uma coisa inexistente. Por exemplo, quando eu pegava carona, supostamente passava 200 carros para um me dar carona. E aí, se você me perguntasse no final da viagem quantos carros passaram por mim, eu não fazia a menor ideia, mas eu sabia quantos carros tinham me dado carona.
O não, a rejeição, do ponto de vista matemático e da exposição, ela vai, ela vai se tornando nada para você. Então às vezes, sei lá, eu, quanto, e aí, como é que foi as vendas hoje? Vendi 20 bolachas. Quantas pessoas te falaram não? Faço a menor ideia, porque eu nem lembro disso, sabe?
A frustração é importante. Eu lembro quando eu tinha um objetivo de comprar uma chaqueta de R$120 e eu trabalhava o dia inteiro e levava aquela quantidade que eu achava lá de copo para vender e o cara me dava R$30, assim, que droga, não foi o suficiente, amanhã eu vou ter que fazer mais.
Isso é muito bom, isso é a melhor coisa, tá muito melhor, porque você dá mesada para o seu filho, ele não ganhou nada para aquilo, entendeu? Outra dinâmica, você pode falar, ó, lê 10 livros que eu te dou 5, sei lá, 5 livros, R$5. R$1. Falei, cara, R$1 um livro, caraca, que esforço! Mas é isso, o cara aprende que ele se esforça para caramba para ganhar algo na vida. Isso é muito bom. E eu não acho que tem que também deixar tudo vinculado a dinheiro, né?
Tem que ser uma coisa pontual, porque também senão fica, claro, a criança fica demais também só dentro de dinheiro. É, tem que ter um raciocínio. Essa história da leitura, eu, o avô bisavô da minha esposa, que os 3 filhos foram muito bem-sucedidos, justamente o que ele fazia era: você vai ler e você pode escolher o próximo livro, você ganha dentro de uma lista se você ler e fizer o resumo para mim e tal. Então aí não vinculava o dinheiro, mas vinculava um presente, é uma outra coisa que é fascinante também, é uma outra dinâmica possível.
Tipo, você comprar 3 presentes legais, assim, ó, você lê, te leva para o sítio, né?
Sei lá, realmente uma experiência, uma coisa boa. E eu acho que para os mais velhos, isso acho que mais na adolescência, tá, não os mais novos, eu acho que tem que ter um dia que você abra uma conta de investimentos da criança, do adolescente ali, e ele bota um dinheiro lá e ele vê o que acontece com aquele dinheiro.
E trabalhar, trabalhar, porque eu, a criança do interior, eu acho que ela ainda consegue mais, que é tipo assim, que tem muita gente que é contra, mas eu fiz muito isso. Tipo assim, minha avó mandava eu arrancar os matos de um quintal gigantesco, irmão. Eu tinha tipo, sei lá, 12 anos, sol de rachar, eu com chapéu arrancando os matos para ganhar sei lá o quê, entendeu? Mas tipo assim, a galera é contra o trabalho. Vocês são a favor do trabalho para uma criança?
A gente não tem a palavra em português, mas eu lamento que a gente não tenha, que é a palavra chores, né? Porque são as tarefas da casa. Essas tarefas, porque a gente a gente vai direto do arruma sua cama para trabalho infantil. Então não tem a categoria, não tem categoria chores aqui, as pessoas não têm essa cabeça, que é pintar a casa, cortar grama, fazer essas coisas. Porque esse lavar roupa, eu acho muito importante ter essas tarefas.
Mas é, eu acho que a sua pergunta, eu acho que se torna problema quando a criança não vai para escola, ou isso prejudica os estudos dela porque ela tem que trabalhar.
É que hoje vira problema.
Se a mãe tirar foto da filha lavando louça, vira um problema.
O que eu tô entendendo é que— mas isso é muito estúpido, é muito estúpido, tá? Porque é bom para criança lavar louça, é bom fazer essas coisas.
Fundamental, né?
Eu acho que trabalho infantil gerar um problema, para que que a criança vai trabalhar? Tem que estar sendo formada, tipo Claro, eu acho que isso é bem evidente, mas não faz, não tem sentido lógico ser ruim para criança ela lavar louça, esfregar o chão. Na verdade, isso é uma das coisas mais importantes que criança pode fazer para formá-la. Se ela aprende a esfregar o chão, se ela aprende a lavar uma louça, se ela aprende a arrumar a cama, se ela aprende a fazer isso, qualquer atividade manual, atividade manual, isso é amplamente formativo, isso é muito bom.
Isso na verdade é uma das melhores coisas. Minha mãe me fazia fazer uma série de coisas que eu acho que funciona, funciona muito aliás. Para ficar, você tem que arrumar, começa com arrumando sua própria cama, já é um negócio. Mas lá em casa a gente tá na linha de todo dia cada um tem a sua, cada um tem que fazer uma tarefa. Isso muda muito a casa.
Deixa eu voltar um passo atrás aqui, que a gente tava falando, né, o Bartolini falou assim, Pô, cara, às vezes o cara vai perdendo as referências, então ele sonhava em ganhar R$5.000, só que aí se ele passa um pouquinho, ele fica super feliz, mas aí o outro cara que... Depois vai se acostumando. Mas assim, isso também não é a gente pensar pequeno, porque o que eu quero perguntar aqui? Que até que ponto é perigoso a gente não tá nesse desejo da conquista, do crescimento, de você ser uma pessoa mais bem-sucedida, né, de você ganhar mais dinheiro mesmo, né, ter suas coisas, é para você cair nessa coisa assim, pô, a pessoa que ela tem um pensamento pequeno, ela não tem visão, ela acha que o mundo é só aquilo, ela é o hobbit no condado lá que acha que a vida vida, ele tá lá, cara, é uma vida simples, não sei o que lá, babá, mas ele acha que é só aquilo, né?
Acho que a gente equilibra isso, entendeu? Para a gente também não ficar não, cara, eu tenho que ficar aqui, sabe, sendo mediocridade, um medíocre. Exatamente.
Acho que a resposta tá no enunciado, né, como diz a professora Neide. Como a gente equilibra isso? Acho que a palavra de fato é equilíbrio, cara. Essa é uma palavra fundamental. Você obviamente, se isso te Porque às vezes o flow não tá no dinheiro, no resultado dinheiro. Às vezes o flow tá no resultado trabalho mesmo. A pessoa trabalha e o dinheiro se torna tanto consequência que ela quer colocar esse dinheiro em hospital, quer investir em educação, ela quer fazer outra coisa porque ela não quer gastar com ela. O dinheiro é só resultado.
Tipo um carpinteiro que pega uma madeira e faz uma cadeira para vender ou para usar.
Qualquer atividade que você— exatamente, qualquer atividade que você faz com as as mãos, te desafia, seja intelectualmente ou com as mãos literalmente, vai te promover flow. E aquilo por si só, aquela atividade, vai te promover felicidade. Então o quanto você tá, o quanto você, a sua ambição, ela se torna praticamente irrelevante, porque aquilo por si só te dá prazer. Agora, se você trabalha única e exclusivamente para você ter mais e acumular mais e ter, enfim, comprar o bem material e tudo mais, eu acho que nesse ponto se se torna problemático.
Então eu acho que eu perguntaria para pessoa: para quê e a que custo? Para que que você quer exatamente o que você tá fazendo? Por que que você tá— por que que você tem essa ambição? Porque às vezes é só um fator traumático que ela teve na infância. Ah, eu era pobre na infância, eu tinha um tio rico, eu achava incrível as coisas que meu tio tinha, eu me sentia humilhado e agora eu quero humilhar os outros. Sei lá, não interessa E eu acho que você saber o seu porquê te dá mais orientação para você continuar fazendo.
Agora, se a resposta do seu porquê for só, cara, eu só quero continuar fazendo isso porque eu faço isso e eu não tô nem no jogo do dinheiro mais, eu tô no jogo do continuar fazendo para contribuir para o coletivo, eu acho que a sua ambição se torna praticamente irrelevante, porque só a execução do trabalho já te promove esse prazer e essa realização pessoal.
Sabe?
Eu acho que em termos de trabalho tem que ir para cima, tem que trabalhar duro, tem que fazer as coisas, tem que criar coisas, tem que ter cabeça de construtores e não de quem arranca dos outros, né? É builder, sabe? Acho que tem que ter uma cabeça de eu vou construir coisas, eu vou inovar, eu vou crescer no trabalho, eu vou prosperar, eu vou ser promovido. Eu acho que qualquer raciocínio que não seja esse é muito negativo. Então, poxa, pode parecer paradoxal com o outro, mas não é.
É porque a sua ênfase está na cultura do trabalho, não na cultura do dinheiro pelo dinheiro. E aí o dinheiro vai ser uma consequência, porque se você tá na cabeça de, cara, eu entrei aqui na empresa, eu tô trabalhando para ser promovido, eu não tô entrando aqui para fazer negócio medíocre, eu tô aqui para me destacar mesmo, para ser promovido, eu entrei aqui para isso e eu vou fazer tudo no meu alcance para isso. Não manipulando os outros, puxando tapete, contrário, eu dando o meu melhor.
Colocando esse trabalho adiante. Essa cabeça de ser útil deixa rastro, né? É uma frase desse livro Caminho, que é um baita livro. Aliás, se um dia eu escrever também outro, mas é um livro sobre cultura de trabalho, é um livro que eu recomendo muito, que são pontos de meditação, né, isolados sobre trabalho. E essa cultura do tipo, olha, eu vou ser útil, eu vou, ela traz uma saudável ambição, que é uma saudável ambição de você, poxa, eu vou fazer o melhor trabalho que eu posso, eu vou ser o melhor, você mais útil, né?
Eu vou ser mais útil. Então isso vai gerar uma condição financeira melhor, porque não tem como você ficar se destacando dentro da empresa, não sei o quê, ou nos negócios, ou no que quer que seja, e não se desenvolver. É impossível, na verdade. E é engraçado porque A diferença tá naquele extra mile mesmo, tá naquele, é o detalhe, é aquele uma hora a mais que o cara ficou depois que ele resolveu, é ali que ele é forjado. Tem um, tem um quê que a margem é pequena.
Uma coisa interessante do tênis, por exemplo, quando o cara joga tênis, que é, tênis tem várias vantagens sobre futebol, eu acho. Futebol tem várias belezas, mas ele tem um problema do ponto de vista formativo, que é ser um esporte coletivo, que é o problema de todo esporte esporte coletivo. Você pode botar— o maior problema formativo é você, do esporte coletivo, pensando na criança especial, não atleta, né, porque atleta é outro jogo.
Mas você pode botar a culpa nos outros. Sim, acontece. Quem nunca teve essa experiência no futebol, que o cara vai lá e bota a culpa nos outros. Esse é o problema maior. Esporte individual, você não tem como botar culpa em ninguém. Já é, você pode botar culpa na raquete, na rede, dia a dia, Puts, mas assim, chega uma hora que você olha e fala, cara, acho que o problema é quem tá segurando a raquete. É, é você. E não tem isso, as margens das vitórias são baixas, a diferença entre a vitória e derrota é pequena.
E eu acho que isso é muito bom para as pessoas, porque chega um momento que você vai falar, cara, eu perdi, mas é por pouco. Pouco. E eu acho que a criança, o adulto, quem tá numa empresa e tal, ele tem que ter uma cabeça de, cara, qual é o extra mile que eu vou botar que vai mudar o negócio? O dono da empresa, o que que a minha empresa vai ter? Qual que é o, qual que é aquele, aquela milha, aquele, aquele trabalho a mais que faz o cara falar, caramba, isso aqui é o outro patamar?
Então essa busca da excelência é a melhor forma de você não cair na ganância, mas crescer financeiramente. Exatamente, porque você tá tão obcecado, você tá tão high performance, tá tão com a cabeça de, cara, é performance, não é obsessão. Eu não defenderia, eu acho que o equilíbrio é uma coisa muito boa, eu não defenderia a obsessão também, embora exista isso sim em algum nível quando você pensa no esporte, no empreendedorismo tem um grau de obsessão envolvido, especialmente das pessoas que vão chegar nos postos mais altos.
Mas eu acho que para gigantesca maioria das pessoas o raciocínio é sim um equilíbrio ambicioso, um equilíbrio corajoso, um equilíbrio de, cara, eu sim, eu cuido da minha vida de vários aspectos, mas eu vou, eu vou além da expectativa. Isso tende a produzir o melhor resultado.
Interessante, senhores. Daria para a gente ficar falando mais umas 3 horas aqui, isso é muito interessante, né, Kaique? Mas vou liberar vocês, né, senão a gente vai parecer o Vilela, né, cara? Lá 5, 6 horas gravando podcast no porão, né? Aí os caras não conseguem sair de lá. Pessoal, obrigado por terem vindo aqui falar com a gente, sempre bom. Batilhão, eu sei que você tá lançando um livro, né, agora. Inclusive quase causou o meu divórcio lá por causa disso, cara.
Por causa desse livro, ela tá tranquila, cara.
Só para quem não vê essa história, o Batilhão lançou um livro, né, que é— qual que é o nome? Por que Você Fez Isso. Por que Você Fez Isso. E aí embaixo tava o subtítulo, falava sobre neurociência, fala sobre traição, amor, traição, que ela— aí ele me mandou uma mensagem dias atrás, falou assim, Luca, eu vou te mandar um presente. Falei, beleza, manda aí, né? Mas eu não perguntei, né, pô, o que que é, né? Homem não pergunta porra nenhuma, né?
Aí, porra, chegou o livro em casa e minha mulher ela abre todas as minhas encomendas. Falei para ela, cara, isso é crime, hein? Ela abre todas as minhas encomendas e ela pegou esse livro, por que você fez isso aí embaixo, traição, não sei o quê. Aí ela pensou assim, mano, por que que ele tá comprando esse livro, cara? Por que que Por que ele tá comprando esse? Por que que ele quer saber sobre isso? Que problemas que ele tá tendo, né, que ele precisou comprar um livro?
Cara, e ela me ligou, velho, ela ficou me ligando, tava em reunião, eu vi ela me ligando, me ligando, tipo assim.
Caraca.
Só que na hora que ela abriu e viu a dedicatória e viu sua foto aqui, aquela, que bom que ela foi mais invasiva.
Ainda bem que ela foi mais invasiva.
Caramba, amor, porra.
Eu vi o story dela, dei muita risada também, aí brinquei, falei, pô, espero não ter causado os grandes problemas.
Engraçado isso, engraçado. O livro já tá disponível então para ter?
Tá disponível, tá lá no meu Instagram, só entrar lá no link da minha bio lá que o livro tá lá disponível.
Ou vai na Amazon também para rankear melhor.
Pode dar Amazon também, fique à vontade, Kindle é na Amazon.
E você, Guilherme?
Bom, tô no YouTube, Instagram, né? Instagram Guilherme FCL Freire, YouTube Guilherme Freire, só entrar lá. Minha empresa Em Busca da Verdade e Filosofia do Zero, só digitar também Em Busca da Verdade e Filosofia do Zero no Google que vai aparecer lá.
Importante.
E é isso.
Muito bom, pessoal. Se você tá assistindo aqui o PrimoCast pelo YouTube, não esqueça de se inscrever aqui no canal, que você assiste pela TV, que eu sei. E se você tiver no Spotify, dá 5 estrelas e ativa o sininho para você receber notificação de todos os episódios. Um grande abraço, até o próximo episódio e tchau!
Grupo Primo AGF
Nova Carreira