Episódios de PrimoCast

PrimoCast 504 | COMO TRAUMAS DE INFÂNCIA BLOQUEIAM SUA RIQUEZA (e como superar isso)| Andréa Vermont

04 de maio de 20261h19min
0:00 / 1:19:25

GARANTA ACESSO A FINCLASS + MYHUB.IA: https://r.clique.ly/e9a9cc7844

Sua relação com dinheiro começou muito antes de você ganhar o primeiro salário. Ela foi construída na infância, através dos afetos, das faltas, dos medos e dos exemplos que você recebeu em casa.

Neste episódio, recebemos a Dra. Andreia Vermont, doutora em filosofia da mente, psicanalista e referência em neurociência e comportamento, para entender por que tanta gente sabota a própria prosperidade sem perceber.

Falamos também sobre como traumas de infância criam padrões de controle, escassez ouostentação na vida adulta, e como reconstruir sua relação com o dinheiro pra enriquecer na vida adulta.

Um episódio para quem quer entender de verdade por que ganha o que ganha, gasta como gasta e sente o que sente em relação ao próprio dinheiro.

Hosts: Kaique @kaique.editor e Lucão @lucaszafraa

Convidados: Andréa Vermont @andreavermont

Sua marca no PrimoCast: publicidade@timeprimo.com

Assuntos10
  • Traumas de infância e dinheiroRelação com dinheiro construída na infância · Padrões de controle, escassez ou ostentação · Experiências familiares e traumas · Inscrição psíquica sobre prosperidade · Repetição de padrões na vida adulta
  • Superando traumas financeirosRecordar, repetir e elaborar · Elaboração psíquica e tomada de decisão adulta · Validação dos sentimentos da criança interior · Diferença entre ambição e ganância · Exercício de associação livre
  • O que é ser rico de verdadeRiqueza como tempo e paz · Não precisar provar nada para ninguém · Dignidade e tratamento igualitário · A importância de abençoar outras pessoas
  • Consumo de Luxo e FelicidadeDinheiro como facilitador de escolhas · O preconceito contra a prosperidade · Dinheiro como lupa da personalidade · A importância de abençoar os outros
  • Metanoia e mudança de ambienteDescoberta da pobreza por comparação · Visão de mundo ampliada pela mudança de ambiente · Fidelidade à história familiar vs. futuro · A importância de trocar de ambiente
  • Filosofia de VidaA importância da reflexão e autoconsciência · Ser senhor da própria história (remover) · O perigo de viver sem propósito · Conhecimento como ferramenta de libertação
  • Novo Rico vs. Rico de berçoOstentação como forma de autoafirmação · Diferenças de comportamento e estilo de vida · Riqueza sem elaboração psíquica · Conceito de 'Pobre Plus'
  • Protagonismo vs. VitimismoA vaidade como raiz de ambos os extremos · Assumir a responsabilidade pela própria vida · O perigo de se colocar como vítima · O caminho do meio: autodimensão
  • Vontade vs competição e comparaçãoDiferença entre desejar e acumular excessivamente · Prioridades e escala de valores (Axiologia) · O papel da ambição na vida
  • Neurociência e pensamento positivoO cérebro não distingue realidade e fantasia · Criação de sinapses neurais favoráveis · A química cerebral e a
Transcrição214 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Se você ainda usa toner pra imprimir, tá na hora de você saber que o principal componente é o plástico. Um ano de impressão com toner em todo o mundo equivale a 20 bilhões de sacolas plásticas. É muito plástico, não é? Chegou a hora de reduzir o plástico nas suas impressões e ainda diminuir também o consumo de energia. Mude para uma impressão toner free, escolhendo as impressoras empresariais de jato de tinta Epson Workforce, com a tecnologia Precision Core. Você não vai querer continuar usando impressoras com toner, vai?

Saiba mais em epson.com.br barra toner free. As estimativas da Epson são baseadas em dados internos e de terceiros. A única coisa que se você perder, você não recupera, chama-se tempo. Rico é quem tem tempo. Como que faz pra gente balizar a nossa ambição? E esses sentimentos vão moldar a sua relação futura com dinheiro ou com escassez.

A doutora Andrea Vermonte, que é doutora em filosofia da mente, ela é psicanalista e palestrante. Dinheiro não é sobre moeda. Dinheiro é sobre energia psíquica. Ali ocorre a mudança de vida. Ali tudo muda pra mim. O que dinheiro significa pra você? Ele falou, tragédia. André, você tem vontade de ganhar um bilhão? Tenho. Mas você vai trabalhar pra isso? Não. Isso seria ganância. Eu vivi 48 anos com os meus irmãos achando que eu era errada, por ser tão diferente.

E só agora que os resultados vieram, é que eles se orgulham e dizem, no fundo você está você.

Você que está ouvindo a gente, não deixa aqui de dar o seu like. Se inscrever no Primocast, que a gente está com uma meta forte aqui para a gente bater 2 milhões de inscritos aqui no YouTube. Se você estiver no Spotify, também dá 5 estrelas. E você pode comentar lá também, né? Tem muitos comentários no Spotify. A Lorena lê todos. Ela lê diariamente, exatamente. Vamos lá? Doutora, vamos lá. Queria começar falando assim se...

É possível entender quando que começa a nossa relação com a vida financeira, com dinheiro, com prosperidade? Existe isso? Olha, até os cinco anos a gente não consegue discernir o que a gente está fazendo ainda, mas a partir dos dez isso já pode gerar algum trauma ou pode gerar uma cabeça de sucesso que você vai ser uma pessoa que vai lidar bem com o dinheiro lá na frente. É possível analisar isso?

Na verdade, a nossa relação com o dinheiro não é uma relação com o dinheiro. Ela é relação com os afetos que circundam o dinheiro. Então, na verdade, não existe um período específico. A partir do momento que você entra na vida, você já começa a lidar com questões como amor, pertencimento, poder e escassez.

E isso vai dizer a respeito da sua relação com o dinheiro. Dinheiro é uma inscrição psíquica, ela não é uma inscrição monetária. Não existe um momento em que a criança começa a lidar com o dinheiro, com a prosperidade, não é assim que funciona. A gente lida com afetos que estão ligados ao dinheiro. E esses afetos vão determinar a nossa relação com o dinheiro. Então a questão é assim, será que isso influencia? Não, não é será.

Você está sendo formado a partir do seu contato com alguns sentimentos e esses sentimentos vão moldar a sua relação futura com o dinheiro ou com a escassez. Isso é certeza. Isso não é uma possibilidade. Isso é um fato.

A gente consegue dar um exemplo do que pode atrapalhar essa nossa relação de dinheiro desde o início? O que os familiares podem fazer? Que tipo de experiência eles podem gerar ali? Que pode causar trauma, né? Que já pode interferir.

Então vamos lá. Como que isso acontece? A criança não experimenta teoria. A criança não entende teoria. Ela entende experiência. Nós, como crianças, com a nossa complexidade psíquica, a gente não entende teoria, a gente entende experiência.

Então, não adianta você explicar para uma criança o que é amor. Ela experimenta amor. Como que ela experimenta? Através do acolhimento, através da receptividade, através do abandono, através do distanciamento, através da agressividade. Isso para ela simboliza amor. Então, por exemplo, se ela tem um pai muito distante, um pai frio, ela entende que amor é frias?

Ela entende que amor é distanciamento. Assim acontece com a nossa relação com a prosperidade. Então, se eu tenho uma questão, se na minha casa a escassez é um fato, se eu passei, se os meus pais passaram por alguma questão financeira e eles ficam apegados a isso e a esse discurso.

Se na minha casa há um discurso de ter cuidado com o dinheiro, dinheiro é algo difícil de ganhar, dinheiro é algo fácil de perder, você pode ser facilmente enganado, você pode ser facilmente roubado. Cuidado com o dinheiro, porque o dinheiro pode te transformar e você vai virar uma pessoa ruim por causa do dinheiro. Essa é a inscrição psíquica que você vai ter sobre a prosperidade. A partir daí, você só reage. Então, nós, na nossa infância, a gente aprende a partir dos afetos que a gente experimenta. Na vida adulta, a gente repete.

O Freud tem um livro que se chama Recordar, Repetir e Elaborar. Na verdade, na vida adulta, a gente não escolhe como se relacionar com as coisas, com as situações. A gente só repete o que foi inscrito lá atrás. Então, a forma com que a gente lida com o dinheiro é o que foi inscrito lá atrás. Eu falava com o meu esposo agora.

Eles passaram por uma falência financeira muito grande, a família do meu esposo. Meu sogro era muito rico e eles passaram por uma falência financeira quando ele ainda era pequeno e depois eles vieram experimentando várias frustrações nesse sentido. Eu falei para ele, responda sem pensar, livre associação, o que dinheiro significa para você? Ele falou, tragédia.

Pergunta para o menino Jorge, para aquela criança, o que dinheiro representa para você? Ele diz, tragédia. Falei, como você lida com o dinheiro hoje? Com medo de perder o tempo todo? Com medo de ser enganado o tempo todo? Com medo de ser passado para trás? Com medo de uma falência?

porque lá atrás era isso que significava. Uma pessoa tinha uma vida financeira estável, o pai passa por um engano, o pai vai para a falência e, a partir dali, eles começam a experimentar várias frustrações com o dinheiro. Como que ele lida com o dinheiro hoje? Algo perigoso, algo que pode ser tirado de mim, algo que eu tenho medo.

Então, a forma com que você lida com a sua vida financeira é exatamente a forma com o ambiente com que você foi formado. Se você vive num ambiente de escassez, lá na sua infância, você pode vir acreditar que dinheiro é algo difícil, é algo complexo, é algo que eu vou ter muita dificuldade de adquirir. Então, são todas inscrições psíquicas, não monetárias. A criança não experimenta dinheiro a partir de conceito.

Ela apresenta, ela reconhece o dinheiro e a prosperidade a partir do que ela experimentou. Nossa, muito interessante. Interessante. Será que é por isso que eu sou tão controlador em casa, com questão financeira? Você deve ter passado por abstinência de dinheiro. O medo de perder. É, por ser pobre. Claro. O famoso pobre. Porque eu fui pobre na infância, mas eu não me lembro de sentir falta de dinheiro. Eu sentia falta de coisas.

Aí, hoje eu sei que eu sou um pouco mais controlador em casa com as finanças. Porque você tem medo que falte. E aí você precisa controlar. Dinheiro é algo que, se não controlar, se perde. Eu já experimentei a falta. Eu não quero viver a falta. Para que não haja falta, eu preciso controlar. Não é algo que se faz por si mesmo. É algo que exige o meu controle. Faz sentido, porque na minha infância, a gente já não teve nada. E teve um momento que a gente teve alguma coisa e perdeu.

Então faz sentido. Tá vendo? Porque eu experimentei dinheiro como perda, agora eu experimento dinheiro como controle. Perda fala sobre controle. Então eu preciso controlar pra não perder de novo.

Mas acontece também do... A gente tem muito hoje o novo rico, né? A internet possibilita que pessoas fiquem ricas... Do nada. Não é do nada, né? Mas assim, num período muito curto, né? Muito curto. Tipo assim, tem gente... Ela demoraria 40 anos numa carreira. Hoje ela, pô, às vezes em 3 anos ela consegue... Vamos pegar casos extraordinários. Algum influenciador, alguma pessoa que em um ano produzindo conteúdo do nada vira milionário. Tipo, em um ano produzindo conteúdo... Pode acontecer. Pode acontecer.

Acontece muito. E aí a gente vê muito desse novo rico, que é o cara que ele não tinha nada, e agora ele tem dinheiro, e aí ele vira um ostentador. Putz, é Rolex, é o Porsche. Aí a relação dele não é a... É diferente do controlar, né?

É, porque aí a relação, de novo, ela fala sobre ele, né? Existiu uma falta, existiu um... É o que você disse. Eu não passei necessidade, mas eu passei falta. Agora eu preciso extravasar e mostrar para todo mundo que não existe falta. Eu vejo isso claramente no meu meio, por exemplo. Eu convivo com pessoas assim, que viveram uma falta, que tiveram uma dificuldade, por exemplo, um amigo. O pai não assumiu.

Quando ele era criança, o pai não assumiu, não o registrou. Hoje ele vive para mostrar para o pai que ele é bem sucedido. Então ele compra grandes carros, ele faz grandes aquisições, todas coisas muito expositivas, buscando uma exposição para se autoafirmar. Para dizer, eu venci, eu dei certo, mesmo sem você. Então tá aqui, eu esfrego na sua cara. Ele podia pegar esse dinheiro e simplesmente levar uma vida muito boa e sem ostentar.

Mas eu preciso ostentar, porque eu preciso esfregar na sua cara e te provar que eu dei certo.

E aí

Então perceba que a relação com o dinheiro, ela é sempre uma relação de uma inscrição psíquica. Eu falo que o meu caso, eu também nunca passei fome, mas eu passei falta. Eu senti vontade de comer muita coisa quando eu era pequena. Eu senti vontade de comprar muita coisa quando eu era pequena. E coisas simples. Por exemplo, sei lá, o sorvete diferente, que hoje seria um gelato, por exemplo. Na minha época não tinha gelato. Hoje, ostentação para mim é esse tipo de coisa.

É poder tomar um gelato, é poder comprar um amaciante da marca mais cheirosa, porque essas eram as faltas que eu tinha. Então, por exemplo, minha mãe lavava roupa com sabão que ela fazia em casa. Então, eu sentia o cheiro da roupa dos meus colegas e dizia, nossa, deve ser muito bom ter uma roupa com cheiro de amaciante.

Hoje, ostentar para mim é amaciante. A minha funcionária fala, gente, para de comprar amaciante. Não tem mais explicação, tanto que tem amaciante nessa casa. Então, perceba que a minha falta gerou em mim uma perspectiva. Então, são sempre... A relação com o dinheiro, ela nunca é gratuita. Nunca é gratuita. Ela é uma inscrição psíquica. Agora, o que eu preciso fazer com isso? Porque eu acho muito importante, nesse momento da fala...

Dizer que existe uma solução para isso. Porque existe uma história que foi inscrita lá atrás. Eu, por exemplo, passei por muita necessidade, passei por muita falta, muita vontade, mas eu não posso ser refém dessa história. É isso que eu ia perguntar. Tem solução? Dá para corrigir isso? Tem. Por isso que o Freud escreveu recordar, repetir e elaborar.

Se eu não elaboro, eu repito, sempre, há de eterno. Seja em relacionamentos, seja com dinheiro, seja em todas as escolhas da minha vida. Quando a gente não elabora, a gente repete. Então tem gente que diz assim, nossa, eu tenho o dedo podre, eu sempre arrumo o mesmo tipo de pessoa.

Não é que você tem o dedo podre, você está repetindo até você resolver isso. O dia que você resolver essa questão, você para de repetir, você começa a escolher pessoas diferentes. A minha relação com o dinheiro não é muito diferente disso. O dia que eu elaborar essa relação, eu paro de repetir. O que eu costumo dizer? O que eu faço? Como eu passei por muita dificuldade financeira, por muita vontade, quando eu vou fazer alguma aquisição, eu chamo a minha criança, eu ponho ela no colo e eu converso com ela. Então, por exemplo, eu vou comprar um carro.

Aí eu coloco a minha criança no colo e eu digo, deixa eu te contar um negócio, eu sei que você está com vontade de comprar um super carro para mostrar para as pessoas, mostrar marca, mostrar status, mostrar isso. Mas eu acolho o que você passou, eu acolho o que você viveu, eu valido o seu sentimento.

de necessidade, de pobreza, mas quem está na sala do controle agora é a adulta, e é a adulta que precisa decidir. Eu preciso de um carro que seja seguro, que me leve para os lugares onde eu preciso estar, que seja confortável, mas que não seja um carro para curar as minhas dores da infância. E aí a adulta escolhe o carro, e não a criança.

Então, como que a gente refaz essa nossa relação? É você pegar o seu menino e sentar no colo e dizer, o dinheiro não vai embora mais, querido. Então, você não precisa controlar. Você pode viver uma vida mais tranquila, mas sem controle. Quando eu controlo, eu vivo tenso, porque eu estou segurando.

Então é sentar esse menino no colo, validar os sentimentos dele. Eu sei o que você passou, foi difícil, eu vi as suas necessidades, eu valido o seu medo, talvez lá atrás alguém não validou, eu valido, mas quem toma as decisões agora é o adulto. Deixa eu te contar, o adulto é bem sucedido, ele pode ganhar mais e ele não precisa controlar tanto. E aí você começa a elaborar essas questões.

E o contrário, porque a gente está falando muito da pessoa bem-sucedida. E a pessoa que não foi bem-sucedida por causa dos traumas da infância? A pessoa que não foi bem-sucedida é exatamente a pessoa que não elaborou. A gente não é bem-sucedido por N coisas. Primeiro, porque a gente não elaborou. Segundo, por talvez uma fidelidade à nossa história.

Tem gente que tem necessidade de ser fiel à sua história, ou à sua família, ou à sua herança familiar. Como meu pai não foi bem sucedido, eu não me permito ser.

Como os meus irmãos não são bem-sucedidos, se eu for bem-sucedido, talvez eu me destaque, tenha que me afastar dos meus irmãos. Então, eu prefiro não ser bem-sucedida para que nós possamos nos relacionar no mesmo nível. Percebe que existe uma fidelidade com a minha própria história. Uma fidelidade que eu preciso romper. Hoje, por exemplo, nossas redes sociais, nós temos mais de 15 milhões de seguidores, somando todas as redes.

Hoje, o nosso Instagram tem uma visualização diária de 29 milhões de pessoas dia, 320 milhões mês.

Você imagina que a minha vida virou em um ano. Você imagina quantas pessoas eu precisei me afastar, o quanto minha vida precisou se transformar, as abordagens, a minha segurança, a minha individualidade, que hoje ela não existe mais. Eu tinha duas opções. Ou eu aceitava isso e mudava de vida, ou eu dizia, eu vou ser fiel à minha história, à minha história de escassez, à minha história de ostracismo, e eu não vou viver isso.

André, você teve perdas com essa nova história? Óbvio que eu tive, inclusive de pessoas. Mas eu prefiro ser fiel ao meu futuro do que fiel à minha história de escassez. Pessoas que não crescem vivem uma fidelidade com a sua própria história, uma fidelidade com seus próprios afetos e uma falta de elaboração. Dinheiro não é sobre moeda. Dinheiro é sobre energia psíquica.

todo mundo que não é bem sucedido financeiramente, se fizer terapia eu consigo te provar onde está o gap eu te provo aonde que está a questão cara, isso que você falou linka muito com o que a galera fala de trocar de ambiente né, que é basicamente abandonar o que está te puxando pra baixo a sua história

Exatamente. Eu falo que a minha virada de vida não foi agora. A minha virada de vida foi aos sete anos. Minha mãe me matriculou numa escola do bairro. Todos os meus irmãos, os seis, estudavam na escola do bairro. E minha mãe me matricula nessa escola do bairro. A diretora diz, nossa, ela é muito inteligente. É uma dó ela estudar aqui. A senhora poderia matriculá-la na escola do centro da cidade, que é uma escola melhor. Tinha isso, né? As escolas do centro.

E aí minha mãe me matricula na escola do centro. Eu falo que ali ocorre a mudança de vida. Ali tudo muda para mim. Porque ali eu entendo. Até então, eu achei... Porque quando a gente vive no mesmo ambiente, você não abre perspectiva.

Você tem uma visão miope da vida. Quando eu vou para uma outra realidade, eu percebo a minha realidade. Quando eu entro para a escola do centro, eu falo que ali foi a metanoia. A primeira coisa que eu descobri naquela escola, eu era pobre. Eu não sabia que eu era pobre.

Eu achava que a minha vida era... Deve ser chocante, né? Você descobriu isso. Cara, é real isso. Porque isso aconteceu comigo também. Porque quando meu pai... Eu morava em Guarulhos, Barrio dos Pimentas. E quando meu pai morreu, eu fui morar... Minha mãe trabalhava mais pra cidade e a gente foi morar no Tatuapé. E a gente morava em dois cômodos no Tatuapé lá. Minha mãe já sufocava pra pagar o aluguel, mas era um bairro melhor.

E era perto do final do ano e eu tava brincando com meus amigos e a gente... Era a véspera de Natal.

E naquela época tinha aquele negócio de se trocar pra voltar pra brincar na rua. Então na véspera de Natal você ia pra casa e se trocava. E eu fui pra casa e coloquei a mesma roupa. Tipo, coloquei uma roupa do dia a dia. Porque eu tinha, acho que era 13 anos, não tinha essa coisa de, tipo, não sabia que era marca, não sabia que era Nike, que era roupa nova, não tinha essa coisa. Aí eu voltei pra rua.

Aí um dos amigos que não tava lá, aí todo mundo tava trocado, tênis novo e tudo mais, um amigo falou assim, Kaique, você não vai se trocar? Ali eu percebi que, tipo assim, caramba, eu tô diferente de todo mundo. Eu tô com o mesmo tênis, eu tô com a mesma camiseta. É isso. Aí eu descobri que eu era pobre. É isso. Foi aí que eu descobri que eu era pobre. Falei assim, caramba, eu sou pobre. Aí, tipo assim, aí você muda um pouco realmente a perspectiva.

E é isso que você falou. Provavelmente, se eu tivesse continuado no Barrio dos Pimentas,

Todo mundo tinha a mesma realidade que eu. Então eu não ia perceber que tinha mais coisa naquele mundo. Faz sentido. E é aí que o grego chama de metanoia. Metanoia não é uma mudança de pensamento. Metanoia é uma revolução mental. É uma mudança de mente. É uma transformação. Ali ocorre uma metanoia. Porque eu descubro que eu sou pobre por comparação. Quando você muda de ambiente, você começa a perceber por comparação.

Então eu vejo que os meus amigos tinham mobilete, eu não tinha mobilete. Os pais dos meus amigos buscavam eles de carro na porta da escola, eu tinha que ir embora a pé com sete anos. Eles viajavam no final do ano para a praia, eu ficava na cidade. Ali eu entendi. Ali eu tinha duas perspectivas, ou eu me revoltava, ou eu desejava aquilo para mim.

E dizia, existe dois modelos aqui. Ou eu começo a acreditar nisso, que os meus pais... E os pais não são culpados, não. A gente tem que parar desse mimimi também. A psicanálise não nasceu para fazer com que a gente olhe para os nossos pais e dê, ah, eles provocaram isso em mim. Não. Eles fizeram o que eles tinham, o que eles podiam com o que eles tinham. Agora o adulto é você, e é você que precisa pegar a criança no colo e resolver com ela.

Os meus pais fizeram o que eles conseguiam. Os meus pais acreditavam que dinheiro era algo muito difícil, que ganhar dinheiro era algo muito maldito, porque as pessoas ricas eram metidas, elas passavam as pessoas para trás. Quando você ganha dinheiro, você começa a humilhar as pessoas. Então, a gente tem que ser mais humilde, uma origem muito cristã. E aí, no cristão, daquela perspectiva do franciscanismo, de voto de pobreza, o bom é ser pobre, é mais difícil um rico passar no buraco de uma agulha do que ir para o céu.

Sabe essas perspectivas? E aquilo a gente acreditava piamente. Então eu tinha duas perspectivas. Ou eu traía essa história, ou eu saía dessa história, ou eu me revoltava com aquela história que eu estava vendo. Então ali eu tomei uma decisão ainda muito pequena. Eu dizia, gente, isso daqui é muito legal, e é isso que eu quero para a minha vida, e é isso que eu quero para os meus filhos quando eles crescerem. Ali eu começo, ali começa o problema.

Porque aí eu começo a conviver com os meus amigos e algo dentro de mim começa a se transformar. E aí eu começo a ter um problema com os meus irmãos. Porque aí os meus irmãos começam a ficar muito diferentes de mim. Ou eu muito diferente deles. Então a gente catava sucata. Eu cresci catando sucata para reciclagem, para comprar objeto, material escolar. Os meus irmãos vendiam a sucata, davam dinheiro para minha mãe comprar. Pão, café da manhã, café da tarde. Eu catava o meu dinheirinho e comprava CD do Pavarotti.

Mas meus irmãos diziam, essa menina é louca. Essa menina ouve ópera com oito anos. A minha mãe dizia, tem que levar no psiquiatra. Os irmãos estão preocupados com pão, ela está preocupada com caruso. Percebe como eu vivi, eu posso dizer, e isso é até muito chocante, até agora estou tendo esse insight, ainda não tinha pensado isso. Eu vivi até os 48 anos, que agora foram nos últimos anos, talvez só agora os meus irmãos tenham me aceitado.

Eu vivi 48 anos com os meus irmãos achando que eu era errada, por ser tão diferente. E só agora que os resultados vieram, é que eles se orgulham e dizem, no fundo, você estava certa.

Essa semana meu irmão mais velho me mandou uma mensagem e ele disse eu tenho muito orgulho de você e você está recebendo tudo o que você merece. Porque eu assisti o quanto você se esforçou até aqui. Só agora, 48 anos depois, eles entendem que eu não estava louca e que eu não era errada. Narciso acha feio que não é espelho. Sete irmãos. Só uma resolve ser diferente. Quem é que vai tomar pancada? É, exatamente, né?

É, o diferente, ele sofre, né? É, o Tiago falava muito do prego que se destaca é martelado, né? Se no escritório todo mundo fica louco pra ir embora às cinco e você fica até às oito, você puxa o saco. É, acontece muito isso. Se você trabalha muito, você é workaholic. Se você chega antes, você é estressado, você é ansioso. Se você quer crescer, você é ambicioso, você é ganancioso.

Há um preconceito muito grande com a prosperidade. É como se ser próspero fosse ser ruim. Sendo que é o inverso. Quanto mais próspero eu sou, mais eu posso abençoar as pessoas. Mais eu posso ajudar, mais gente vem comigo. É aquela história, quem vence quando você vence. Quando você vence, várias pessoas vencem com você. Obrigada, amor. E outra coisa, o dinheiro não é ruim. O dinheiro é uma lupa.

Se você não presta, você vai prestar menos ainda com dinheiro. Se você presta, você vai ficar muito melhor com dinheiro.

Então o dinheiro só revela quem você é. É aquela história de Midas, o rei Midas. Midas pede um dom, que ele queria que tudo que ele tocasse se transformasse em riqueza, em dinheiro, em prosperidade. E isso acontece, ele recebe esse dom. Só que agora ele não pode comer, ele não pode fazer carinho nas pessoas, ele não pode tocar nos filhos, na esposa, porque senão tudo ia virar estátua de ouro. Ou seja, dinheiro sem elaboração psíquica é prisão, não é bênção.

Então, para que eu tenha prosperidade, eu preciso ter elaboração psíquica. Senão eu entro numa prisão. Senão o dinheiro vira a minha desgraça. Quando você falou, tem gente, os novos ricos. Primeiro que existem algumas perspectivas sobre novos ricos. Primeiro, o que é novo rico? O que é riqueza de verdade? Porque se a gente limitar a riqueza a dinheiro, esse conceito é pequeno. Primeiro que é ser rico. Segundo, é que essas pessoas correm um risco muito grande.

Prosperidade sem elaboração psíquica é prisão.

Muito bom. Eu falo muito do... Eu falei muito do Novo Rico porque a gente vê que é uma característica do Novo Rico ele querer se mostrar, né? Ele querer provar para a sociedade que ele deu certo através de artefatos, assim, que é tipo assim, putz, o relógio, o carro. E a gente consegue... A gente navega muito entre os dois mundos, né, Kaique? O cara que é o Novo Rico da internet, o cara que surgiu e do nada explodiu e não sei o quê.

E o cara que às vezes já era um cara rico de berço. O cara já veio de uma família super estruturada, é um empreendedor, foi crescendo aos poucos. Então, ele foi ganhando dinheiro de maneira muito gradual. E esse cara vai ser muito mais low profile. Vai usar o relógio ali, que é o Garmin de corrida.

A camisa vai ser a camisa da empresa. Vai ser uma coisa muito... Sim. Muito distoante, né? A gente vê aqui até o comportamento. A gente tem uns quadros que a gente vai entrar até na casa da pessoa e a gente vê que, tipo... A realidade mesmo. Então, a gente conhece muitos empresários que são ricos desde berço a... O cara está há 20 anos com o dinheiro de riqueza versus um cara que é rico há 3 anos. Então, tem pessoas que a gente já foi, por exemplo, na casa e a gente já foi.

que mesmo o cara sendo multibilionário, você entra e fala assim, caramba, isso aqui é uma casa.

Você vê realmente coisas que você usaria no dia a dia, que é uma coisa real. Já um rico novo, o cara tem uma casa com o pé direito de 6 metros, uma porta gigantesca, 12 sofás na casa, e você vê que não é real. Não está sentindo naquela cadeira. Não é real, é um negócio totalmente desconexo ali. A pessoa conversa com você e você sente a essência da pessoa e não casa com as coisas que ela tem ao redor, sabe?

Marca, né? Tudo que o cara usa tem um logo. Tudo um logo, estampado. Isso tudo é pra realmente curar alguma coisa? Existe o rico. Café pro papai. Existe o rico e existe o pobre plus. Esse aí é o pobre plus. Quando você descobre que você é pobre plus, também é chocante.

Deve ser muito importante, né? Rico é quem não precisa provar nada para ninguém. Rico é quem tem tempo para desfrutar o que tem. Rico é quem não precisa usar marca para se validar. Rico é quem consegue deitar no travesseiro e dormir.

Quem consegue comer e ficar bem? Quem consegue viajar e curtir o que tem? Quem consegue não destruir sua família por causa de dinheiro? Quem tem relacionamentos estáveis? Quem consegue educar os seus filhos? Quem consegue ter tempo para assistir um pôr de sol? Quem consegue abençoar outras pessoas? Isso é rico. Pobre Plus é quem tem dinheiro na conta. Mas não tem... Tem uma casa em Angra, mas não consegue ir. Tem um carro, comprou um carro caríssimo, mas só para provar para as pessoas que pode ter um carro caríssimo.

Carrega um monte de marca no pescoço, na camiseta, no braço, porque, na verdade, está querendo tapar as dores da alma. Está lá arrebentado por dentro e quer ser validado pelo que tem. Não sabe o valor que tem. Então, precisa que os outros o amem porque ele tem uma Ferrari. Precisa que os outros o respeitem porque ele usa um, sei lá o quê, da Hermes.

Isso não é rico, isso é pobre plus. Rico é quem tem paz para viver o que tem, para quem tem paz para viver o que constrói. Eu costumo dizer que eu já era muito feliz, muito feliz há um ano atrás.

a questão de ascensão, ela mudou alguns aspectos na minha vida financeira, mas em termos de felicidade, não. Eu já era muito feliz. Eu já tinha um esposo que eu amava, eu já tinha filhos que eu amava estar com eles, eu já tinha uma casa muito mais simples, mas que eu amava estar lá, que era um ambiente que me trazia paz, eu já estava cercada de pessoas que eu amava, e eu já tinha um ativo mais caro que existe hoje, que se chama tempo.

Dinheiro você ganha e perde, peso você ganha e perde, relacionamento você começa a arrumar outro. A única coisa que se você perder, você não recupera, chama-se tempo. Rico é quem tem tempo, é quem é dono do seu tempo, é quem escolhe o que fazer com o tempo, é quem escolhe o que fazer com o dinheiro, quem não é preso ao dinheiro, não é escravo do dinheiro, não é a Ferrari que me escolhe, é eu que escolho se eu quero uma Ferrari, se eu preciso de uma Ferrari.

Não é o Patek Felipe que me escolhe, é eu que escolho se eu preciso de um Patek Felipe. Rico é quem pode fazer escolhas. Esses dias eu estava sentada com um empresário, ele me chamou para jantar, inclusive um super negócio que ele queria me propor. Vamos jantar, tal, vamos jantar. Ele pediu o melhor prato do restaurante, sei o quê. Quando a garçonete foi trazer, ela errou no prato e ele acabou com ela. Ele acabou com ela.

Eu me levantei e falei, meu amigo, muito obrigada, estou indo embora. Ele falou, uai, calma, a gente nem jantou, nem te fiz a proposta. Eu falei, meu amigo, eu estou indo embora, porque se você trata eu de um jeito e ela de outro, para mim você não serve. Para mim, rico é quem trata todas as pessoas com o mesmo gauro de dignidade, porque dignos todos nós somos, não é pela conta financeira.

A pessoa que limpa a minha casa, que cuida da minha casa, ela não é diferente de mim em absolutamente nada. Se você não entendeu ainda isso, você é pobre plus. Se você tratar a minha assessora diferente de mim, você é pobre plus. Porque não tem nada melhor que ela. Nós somos iguais. Nós só desempenhamos papéis diferentes na empresa.

O que acontece atualmente? O mundo está cheio de pobre plus. E esses aí, eles me irritam bastante. Eles têm uma vida muito pobre, eles têm uma vida muito limitada, eles sangram e ficam tampando, fazendo curativo com nota de dólar. Isso é triste.

Isso acontece bastante. Doutor, a gente falou bastante do... Do novo rico, do rico de berço aqui, do pobre plus. Mas tem uma coisa que eu acho que é importante, que a gente fala assim, pô, o cara que fica até tarde, às vezes ele vai virar puxa saco. O cara que trabalha muito vai ser confundido com um ganancioso. O cara que se destaca vai virar chacota, o cara vai ser criticado, vai ser perseguido. Como que faz...

para a gente balizar a nossa ambição. Porque tem cada um, acho que cada um tem a sua. E tem pessoas que têm uma ambição muito baixa, tem pessoas que têm uma ambição moderada, tem pessoas que têm uma ambição gigantesca. O cara quer ser bilionário, quer ter a maior empresa do Brasil, do mundo, do país.

O que faz pra gente ir regulando isso com o tempo? A questão da ambição. Porque tem gente que você fala assim, cara, pô, esse cara tá há 20 anos aí, você passa lá no mesmo salão de... Tem um cara lá em São Caetano.

que ele tá no mesmo salão, sei lá, 40 anos. Aí você fala, será que é isso, velho? O cara tá aí? Será que ele tá feliz, né? Fico pensando, né? Como é que faz pra gente ir ajustando isso? Na verdade, a gente não baliza a ambição. É mistura de conceito. Existe ambição e existe ganância. Ambição ou você tem ou você não tem.

Ontem eu conversava com as minhas duas irmãs e morria de rir. As duas fizeram só até a oitava série. E as duas pararam de trabalhar com 40 anos. E a gente conversando e elas, porque eu morro de preguiça. Eu sou preguiçosa mesmo. Eu nunca quis trabalhar, não sei o quê, não sei o quê.

A gente está errada, não é, Andréia? Eu falei, não. Vocês são felizes assim? Sendo donas de casa, não quiseram estudar, não quiseram trabalhar, têm uma vida financeira limitada, mas vocês são felizes assim? Falaram muito. Então está tudo certo. Em alguns aspectos eu tenho o que vocês não têm. Em outros aspectos vocês têm o que eu não tenho. Tem gente que não tem ambição. Ponto. Ambição ou você tem, ou você não tem.

Agora, o que você está chamando de gente que quer ganhar bilhão e que quer acumular, isso é ganância. Há uma diferença entre ambição e ganância. André, você tem vontade de ganhar um bilhão? Tenho. Mas você vai trabalhar para isso? Não.

porque eu vou sacrificar coisas muito importantes para eu chegar nesse bilhão. E eu não quero. Eu não vou sacrificar coisas que, para mim, são preciosas para eu chegar nesse bilhão. Isso seria ganância. Então, caso aconteça, vai ser bom. Mas eu não vou trabalhar para isso. Até porque eu não tenho nem vida para gastar esse bilhão.

Eu sou muito prática, objetivo e estoica. Eu faço conta. Eu tenho aí o quê? Mais uns 40 anos de vida? A depender da grana que eu acumular, eu não vou ter nem vida para gastar isso tudo. Aí eu perco vida para acumular e não ganho vida para desfrutar?

Isso é ganância. Para que eu vou querer bilhão se eu não tenho nem vida para gastar bilhão? Ah, mas você quer seus filhos, não sei o quê. Não, meus filhos precisam construir a história deles. Meus filhos já estão ricos se eles tiverem um diploma e tiverem oportunidade de procurar a vida deles. Meus filhos já são ricos. Eles já têm muito mais do que eu tive na idade deles.

Minha mãe não conseguiu me colocar na aula de natação. Eu falo que na vida a gente tem que gabaritar a vida do filho. O pai tem que gabaritar a vida de filho. Você tem que pôr o menino na escola, na natação, para eles não morrem afogados, quando eles saíam adolescente com os amigos deles. Aparelho, faculdade. Você fez essas quatro coisas, está ótimo. Você já gabaritou a vida deles.

Minha mãe não teve dinheiro para me colocar para ele. Eu que tive que estudar e colocar. Minha mãe não teve dinheiro para me colocar na escola de natação. Minha mãe não conseguiu me ajudar com faculdade. Eu que tive que correr atrás de tudo. Meus filhos já são riquíssimos. O que sobrar para eles já está ótimo. Então, se eu quiser acumular mais, é ganância. O que é que eu vou fazer com tanto dinheiro? Vou enfiar isso onde?

Mas isso não pode ser uma coisa assim... Eu penso que o cara que vai chegar no bilhão, geralmente ele vai ser um empresário, ele está construindo alguma empresa que gera um valor muito grande e parte do valor ele vai conseguir ter para ele, por isso que ele vira um bilionário. Ele não vai... Não é uma coisa que... Cara, essa jornada preenche ele. É isso que deixa ele em movimento. Se ele parar, o cara não está mais pelo dinheiro, talvez.

É, mas aí que está o risco, né? Essa jornada te preenche, essa jornada de acumular te preenche. De crescimento, talvez.

Mas só financeiro e monetário, você não poderia preencher isso com outras coisas? É igual, você quer ver? Vou te dar um exemplo bem prático. Não é que eu não tenha ambição, não. Eu tenho. Mas eu zelo para não ter ganância. Essa fala sua, ela é meio falaciosa. Porque a gente entra nessa de, ai, estou acumulando, porque eu vou criar um império para ajudar milhões de pessoas. Cara, não é nada. No fundo, você está olhando é para você mesmo.

Não, assim, total. 70, 30. 30 é pra abençoar os outros, pra criar um império, pra arrumar milhões de empregos, mas... No fundo, você quer... Mas é que eu penso que isso é o que movimenta o cara, entendeu? Você fala assim, cara, se o cara parar... Então faz diferente, isso me movimenta também. Isso também super me movimenta. Mas faz diferente. Por exemplo, é uma coisa que tem ardido no meu coração que eu vou fazer. Imersões terapêuticas gratuitas.

Eu quero encher ginásio com 5 mil pessoas que não têm oportunidade de experimentar terapia de graça, sem pagar um real. E ficar lá com elas 12 horas. E transformar a vida delas. Se o trabalho me alimenta, faça isso voluntariamente. Se você já tem para você, para a sua família, para os seus funcionários, faça isso voluntário.

Graças a Deus, hoje nós temos uma empresa grande, temos mais de 70 funcionários, graças a Deus, todos bem remunerados, abençoamos tudo que a gente pode fazer, em todos os aspectos, premiamos, ajudamos, pagamos estudos, desenvolvimento, viagem, menino que nasce, escolhe presente, tudo que a gente pode fazer, a gente faz. Graças a Deus. Então, isso me alimenta, abençoar outras vidas. Temos transformado a vida de milhares de pessoas, graças a Deus.

Ah, André, o seu trabalho te alimenta? Me alimenta. Então, que seja agora, não só pelo acúmulo, mas que seja pelo abençoar de verdade, eu não vou pôr um real no meu bolso. Eu estava em Balneário Camboriú semana passada conversando sobre inclusão de neurodivergentes, autistas e TDAH. E me mobilizou muito a fala de algumas mães neurodivergentes. E aí a mulher falou, doutora, a senhora não viria aqui falar para quatro?

400 mães numa imersão, não sei o quê, num sábado, o dia todo? Falei, venho. Quanto que custa? Falei, menina, você não conseguiria pagar o que custa. Eu não vou pôr um real no meu bolso. Eu venho por amor a vocês, por paixão pela causa. É o meu trabalho, me alimenta. Mas ele não precisa ser só por dinheiro. Eu preciso devolver aquilo que Deus me dá. Deus me dá muito.

O que Deus fez pela minha vida é algo sobrenatural. E não só financeira, mas especialmente emocional, de cura, cura da minha história, o que ele me permite entender, o que ele me permite ler, o que ele me permite conhecer. É muito egoísmo eu ficar com isso só para mim. Ou é muito egoísmo eu só dar isso em troca de moeda. Eu preciso transbordar na vida de quem não pode pagar. Se o seu trabalho te alimenta, faz isso de graça também. Não faz só por dinheiro. Eu acredito muito nisso.

Olha só, mesmo que você tenha tido algum trauma de infância com dinheiro, sua família foi mal resolvida com isso e tudo mais, você não precisa seguir com esse trauma para o resto da sua vida. Você tem que aprender a cuidar do seu dinheiro. Por isso, o que eu vou te falar aqui é sobre a FinClass.

que com mais de 70 cursos de educação financeira, investimentos e carteira recomendada, você consegue duplicar e multiplicar o seu patrimônio cuidando do seu dinheiro, aprendendo a investir, aprendendo sobre dinheiro e aprendendo a multiplicar o seu patrimônio. Outro trauma que você pode criar desde agora é não saber nada sobre IA. Você sabe que daqui para frente não tem mais volta esse assunto. Todo mundo vai mexer com IA daqui para frente.

E o MyHub tem mais de 15 ferramentas de IA que você pode utilizar apenas com uma assinatura, tá? E por que eu estou falando dessas duas coisas que são diferentes, mas na verdade são complementares, né?

porque com uma única assinatura aqui, você consegue englobar os dois. Então, o MyHub, que tem mais de 15 ferramentas de IA, e a Finclass, que tem mais 70 cursos e carteiras recomendadas, a gente está com uma campanha aqui que é o FinHub. Então, por R$ 79,90, você consegue ter os dois aqui no plano anual.

Fechou? Então eu vou deixar para vocês o link na descrição e o QR Code na tela para você não ficar traumatizado nem com a sua vida financeira e nem com o IA. Tá bom? Link na descrição e QR Code na tela. Legal. Mas até puxando para o outro lado, como que controla um pouco nisso? Eu acho que eu estava falando com o Lucas ontem de... Eu lembro que, sei lá, há uns 5 anos atrás eu tinha uma meta e um objetivo de ganhar X.

E hoje eu ganho duas vezes mais do que isso. E tipo assim, cara, parece que o negócio nunca chega, entendeu? Aí às vezes eu brinco assim... Nunca é suficiente. É, nunca é suficiente. Até brinco, você fala assim, cara...

Aí eu falei, pô, eu assisto, às vezes, alguns canais pequenos, que eu gosto de ver criadores de conteúdos novos e tudo, para ver o que a galera está pensando. E é uma galera que ainda não viu tudo que eu vi. Então, a galera tem uma cabeça muito mais fechada. Eu falo assim, cara, deve ser tão bom não pensar tanto.

Deve ser tão bom ver tudo que a gente viu, porque provavelmente, se a gente não tivesse conhecido todo mundo que a gente conhece, acesso que a gente tem, a gente não estaria com essa ambição que a gente tem hoje, entendeu? Como que a gente consegue trabalhar isso na nossa mente, cara? Porque às vezes vira... Para você se sentir insatisfeito. É, vira um pouco disso. Às vezes o cara está ganhando 5, 6 mil reais e o fato dele querer ganhar 10 está consumindo tanta mente dele que ele não está conseguindo usufruir os 5, 6 que ele está ganhando que já foi um sonho dele um dia. É isso mesmo. É isso mesmo.

Existe uma pesquisa científica que o aumento salarial só faz diferença emocional para a gente durante 90 dias. Depois você nem percebe que você recebeu um aumento. Você já ajustou sua vida para o novo valor. É assim mesmo. Se você ganhava 5, você vivia uma vida de 5. Aí você passou a ganhar 10, você começou a viver uma vida de 10. E a sensação é de que você está sempre precisando melhorar e está sempre precisando ganhar mais.

A perspectiva é essa mesmo. A gente sempre ajusta para os novos valores e para a nova perspectiva. Qual é a grande questão? Eu brinco que esse é um ditado bem mineiro e é lá da minha avó. Minha avó dizia assim, depois que você vê, você não desvê mais. Você tomava o vinho X. Aí você passou a tomar o Angélica Zapata. O X já não vale mais nada. Agora, seu paladar. E assim vai. A gente precisa escolher até onde a gente vai.

Porque depois que você experimentar, você não volta para trás. Nós estávamos agora na Europa e eu sempre quis tomar um Brunello de Montaltino. Sempre quis. Mas achava caríssimo. Lá na Itália é muito mais barato. Eu vim da casa, enfim. Mas poderia ter pago o valor. E tomei um Brunello de Montaltino. Eu falei, agora chega. Daqui para cima eu não posso subir.

Porque se eu subir, daqui a pouco o Brunel já não vale mais nada. E eu já preciso daquele de 4 mil e o daqui a pouco de 10. E aí isso não para. É um buraco deste tamanho. Então, eu tinha um carro de 150 mil. Não estou dizendo o meu caso, mas um exemplo. Aí está um Creta. Que delícia esse Creta. Carrão. Aí você compra um outro carro ali de uns 300 mil. Cara, o motor é outro.

tecnologia, o veludo de dentro, é outro. Você já sente que o Creta era uma carroça. Aí você muda do de 300 mil para um de 600 mil. O de 300 mil era o luxo de entrada. Aí o de 600, você fala, cara, que carro era aquele? Olha isso aqui, o piso vai de zero a 100 em 10 segundos. Aí você vai para o carro de um milhão.

E você só vai achando melhor. Depois que você vê, você não desvê. Eu tenho uma amiga muito engraçada. Eu recebi ela na minha casa tem 15 dias. Ela é muito rica. Ela falou assim, amiga, eu já decidi várias coisas na minha vida. Falei, sério? Ela falou, não, amiga, eu tô falando sério mesmo. O meu shampoo, eu não vou experimentar mais de outras marcas. Eu vou ficar nele. Eu já decidi. Isso aí já tá anotado. Não vou. Os vinhos eu não vou mudar. As viagens eu não vou fazer outra. Amiga, eu decidi.

Porque quanto mais você experimenta, mais você quer, mais você tem que viver uma vida pra trabalhar, pra manter aquilo. Quando você vivia uma vida de 5 mil, você trabalhava pra 5 mil. Quando você vive uma vida de 10 mil, você tem que trabalhar pra manter uma vida de 10 mil. E se você jogar o seu patamar pra 50, você vai ter que trabalhar pra manter uma vida de 50. Então é sobre isso. Você tem que escolher até onde você quer ir.

Ah, André, mas isso é uma mentalidade de escassez. Não, não é. É uma mentalidade de realidade. Até onde você quer ir?

Ah, eu quero um carro de um milhão. Ótimo. Excelente. E um de cinco milhões. Como diz o moço que eu experimentei o vinho, ele falou assim, a partir do Brunello de Montaltina, ele vai ter várias opiniões, inclusive haters dizendo, ah, não tem nada de vinho. Mas eu tô falando da minha opinião. A partir daqui a diferença é pouca. E é mesmo de um, sei lá, um vinho de 60 reais pra um Brunello, a diferença é pá, de verdade. Você sente um ganho de paladar.

Mas do Brunello para o de 2 mil, de 5 mil, o ganho é mínimo. Agora é só ostentação. Agora é só questão de postar a foto com a marca. Um carro de 1 milhão te leva num lugar. Uma Ferrari Spider de 5 milhões, a diferença agora é marca, é foto, é rede social. Agora você já está atuando para outra perspectiva. E a perspectiva do status. Você quer trabalhar para ter status? Para manter o status? E o preço que o status vai te cobrar?

Aí você faz essas perguntas e vê o que você quer organizar a sua vida. Eu não critico ninguém, eu acho que cada um sabe onde quer chegar. Eu sei das minhas prioridades.

E as minhas prioridades eu não sacrifico em vista da questão financeira. Eu não estou disposta a sacrificar a minha crença em Deus, eu não estou disposta a sacrificar a minha família, eu não estou disposta a sacrificar a minha saúde. O meu trabalho e a minha vida financeira vêm em quarto lugar. Então, eu não vou sacrificar esses outros três valores em detrimento disso. Eu acho que, para a gente ganhar dinheiro, primeiro a gente precisa fazer uma escala de valores. Em filosofia, isso se chama axiologia.

Primeiro eu preciso desenhar a minha axiologia. O que para mim está em primeiro lugar, o que está em segundo, o que está em terceiro. A partir dali eu me organizo de como eu vou colocar a minha vida financeira a partir dessa perspectiva. Interessante isso. E quando a pessoa tem também o clássico, que é a roda dos ratos, a pessoa que não consegue sair do lugar, ela está estagnada.

Acontecia muito, eu lembro quando... Até 2019, antes da pandemia, eu ia para o trabalho todo dia de transporte público. Hoje a gente mora em Alphaville, mora perto do escritório, não precisa mais. Mas...

Era uma coisa que eu via frequentemente, cara. Uma galera... Às vezes eu pegava metrô e ônibus com as mesmas pessoas sempre e as pessoas não estavam felizes ali na vida que elas tinham. O que faz uma pessoa não estar feliz com a vida que ela tem e mesmo assim segue vivendo essa vida?

É porque a vida... Eu sou formada em filosofia também. Tem um filósofo que vai dizer o seguinte. É o Locke. A existência precede a essência. Primeiro eu existo, depois eu sou. A gente nasce em uma tábula rasa. Não tem nada escrito. Primeiro eu existo, depois eu construo alguma coisa aqui por cima. A vida por si só não tem sentido nenhum. A vida tem o sentido que a gente dá a ela.

A vida irrefletida não é uma vida vivida. Essas pessoas que se viam no metrô, sem julgamento, talvez só uma reflexão acerca de, a grande maioria das pessoas não vivem uma vida refletida, vivem uma vida vivida. E a vida vivida não tem sentido por si só.

Doutora André, o que é uma vida vivida e o que é uma vida refletida? É você olhar para você dentro do metrô e se perguntar, cara, é isso que eu quero para a minha vida? Cara, essa empresa que eu trabalho é onde eu quero trabalhar? Esse relacionamento que eu tenho é o que eu quero ter? Essa conta bancária é a que eu quero ter? Não, não é. Então, o que eu vou fazer para mudar isso? O que é a vida vivida? Eu sou avô.

Deixar a vida me levar, a vida leva eu. Ah, eu nasci aqui. Ah, arrumei uma oportunidade. Eu trabalho aqui. Ah, passei nesse concurso. Ganho dois mil reais. Ah, então vou ficar aqui, porque tem aposentadoria. Ah, casei com essa pessoa. Ah, vou ficar aqui. Uma vez eu atendi uma senhora de uns 70 anos. Três sessões, ela só falou mal do marido dela. Nas três.

Eu falei, mas tem três sessões, a senhora só fala mal do marido da senhora, a senhora não vai separar dele? Não, não vou separar dele, não. Eu falei, mas a senhora só fala mal dele? Não, eu tenho quem me atenta, mas eu tenho quem me esquenta. Essa é uma vida vivida, não é uma vida refletida. Eu só levo. A vida vai me trazendo os resultados e eu vou vivendo de acordo com eles. A vida é como se fosse um rio. Eu tenho duas perspectivas diante do rio. Ou eu remo.

Vou ter trabalho. Eu vou estar em ação o tempo todo. Mas eu escolho para onde eu vou. Quem rema é senhor da sua história. E existe outra perspectiva diante dessa vida, que é um rio. Boiá. Eu me entrego, mas aí quem comanda é o rio. Eu posso cair numa cachoeira, eu posso parar no meio de um arbusto, eu posso morrer afogado. Aí você vai. Na vida, ou eu vou ou eu conduzo. Essas pessoas da roda do rato, elas só vão.

Por isso, a minha vontade de... Porque quando você desperta, a pessoa acorda e fala cara, eu não tinha pensado nisso. Por isso que um podcast como esse é tão importante. Porque, às vezes, num podcast como esse, a pessoa tem um insight e ela sai da roda do rato. Ela diz, eu nunca tinha pensado nisso. Eu preciso refletir sobre isso. E aí ela começa a construir uma vida refletida. Eu costumo dizer que conhecimento liberta. Com conhecimento, a gente faz melhores escolhas. Quem não conhece, não escolhe. Só vai.

Então, conhecimento, quanto mais eu conheço, mais eu faço boas escolhas. Aquela pessoa que está ali levando aquela vida, ela desconhece a grande maioria das coisas. Por isso ela não tem condição de refletir e por isso ela não tem condição de mudar. Mas aí, você tinha dito anteriormente que ambição você tem ou não tem. Se a pessoa tem esse despertar, ela não consegue criar ambição nesse ponto de partida? Dentro da realidade dela.

A minha irmã, que só fez a oitava série, nunca vai desejar o que eu desejo. Esqueça. Isso é o modelo mental dela. Felicidade pra ela é poder almoçar e dormir até as três e meia da tarde. Nossa, é uma boa. É bom. Felicidade pra ela é pesar cem quilos, mas não precisar fazer dieta. Entendi.

Poder ir para a festa e comer absolutamente tudo o que ela quiser. Eu vou abrir mão de comer isso porque, que besteira. Meu prazer é comer. Que absurdo. Você vai para os lugares e você não pode escolher, você não se dá o prazer de se esbanjar de comer. A ambição dela é outra ambição. Os prazeres dela são outros prazeres. Então, até reformulo o que eu disse. Não é que ela não tenha ambição, mas a ambição dela é outra.

Ela troca ficar, depois do almoço, até 4 horas da tarde dormindo, por ter estabilidade financeira. Ela troca depender do marido por fazer escolhas, comprar o que ela quiser, viajar para onde ela quiser. A ambição dela é outra. Muito bom. Entendido. Para mim, ficou claro. É, porque até uma coisa que... Até para essa galera que está...

Hoje meio perdida, porque eu sei, porque eu já tive perdido já. E o Tiago me ajudou muito quando eu estava perdido. Porque é muito difícil para a pessoa que ela... Ela está no meio termo ali. Ela percebeu que a vida dela não é normal. Tipo assim, cara, está ruim. Está ruim, eu quero fazer alguma coisa. Só que está, mas o que eu faço? Eu já estive nesse lado aí. E foi muito difícil se eu não tivesse uma pessoa do meu lado ali para me ajudar. Que foi o caso do Tiago.

O que essa pessoa pode fazer de pontapé inicial para conseguir mudar a realidade dela ou mudar o que ela acha que está errado ali? Porque vira um negócio muito de conflito. É muita coisa para fazer ao mesmo tempo. É tipo, pô, largar os amigos, não ouvir o que sua mãe às vezes está falando para você, ou seu marido, ou sua esposa. É largar um emprego. É tipo assim, vira realmente um caos na pessoa ali e às vezes até deprime a pessoa, né? Porque ela percebeu que a vida dela é ruim.

Só que a ação para melhorar a vida dela é tanta coisa ruim que ela tem que fazer em seguida que ela acaba desistindo e fica cada vez mais frustrada naquela vida. Quando a gente atua só em comportamento, dificilmente a gente consegue mudar alguma coisa. A gente já tentou algumas áreas da nossa vida, várias coisas, várias vezes, e não conseguiu.

Ah, mas é porque você não teve boa vontade. Não, você teve. Por exemplo, dieta. Quantas vezes a gente já não tentou dieta, começou agarrado, você estava com boa vontade, você queria, mas no meio da história deu errado. Então, atuar em comportamento é como uma planta que está doente e eu corto só a folha. Se eu não atuar na raiz da planta, eu vou viver cortando a folha e não vou ter sucesso.

O que eu faço para mudar de vida? Não é sair fazendo várias coisas. Ah, eu não ouvi minha mãe mudar de ambiente, fazer isso, fazer aquilo. Não, eu tenho que atuar na raiz. Por isso eu volto a dizer o livro do Freud. Recordar, repetir e elaborar. Esse é o caminho. Primeiro eu preciso pegar a temática. Ah, eu quero trabalhar a questão financeira.

Eu vou lá e pego uma folha. E faz o exercício que eu fiz com o meu esposo. Quando você pensa em dinheiro, quais as primeiras palavras vêm à sua cabeça? Escreva, sem pensar. Isso chama associação livre. Pensa lá na criança, fecha o olho, lembra daquela criança e quando você pensar em dinheiro, escreva as primeiras coisas que vêm à sua cabeça. Isso é recordar.

Qual o conceito que eu tenho a respeito de dinheiro? E faça isso com tudo. Sucesso, relacionamento. O que eu estou fazendo quando eu faço isso? Eu estou indo na raiz. Eu estou tentando trazer da inconsciência para a consciência. Eu só tenho poder com aquilo que está no meu consciente. Com aquilo que está no meu inconsciente, eu sou o escravo. Por isso, Freud diz, o homem não é senhor em sua própria casa.

Quem é a nossa casa? A nossa mente. Não ser senhor é não mandar na nossa mente. Como que eu passo a mandar na minha mente? Não deixando questões inconscientes, mas trazendo a consciência. Eu quero trabalhar a área financeira, eu preciso trazer à consciência o que está inconsciente na minha vida financeira. Como eu faço isso? Estou te dando uma dica.

Um exercício de associação livre. Pare agora o podcast e se pergunte, quando eu penso em dinheiro, quais as primeiras palavras que vêm à minha cabeça? Quais os primeiros sentimentos que vêm à minha cabeça? Anote. Isso é recordar. Depois olhe para a sua vida e diga assim, quantas vezes eu repeti isso?

que foi o exercício que eu fiz com meu esposo. Quando você pensa em dinheiro, você pensa em quê? Tragédia. Agora olha para a sua vida e perceba como o dinheiro você repetiu sempre no formato de tragédia. Foi o que você também fez. Perceba como eu sentia falta e hoje eu tenho controle. Então você recordou, você repetiu. Agora, a terceira coluna, elaborar. É assim que eu quero lidar com dinheiro.

Eu quero continuar lidando com dinheiro com medo. Então vamos lá, vou fazer esse exercício de forma bem prática. Quando eu penso em dinheiro, qual a primeira coisa que vem à minha cabeça? Escassez.

Segunda coluna, quantas vezes eu lidei com dinheiro como se fosse algo escasso? Eu ia comprar um tênis e eu disse, não, vou comprar o mais barato, porque isso daqui... Aí eu identifico situações que eu lidei com escassez. Terceira coluna, elaborar. Eu quero continuar lidando assim? Deixa eu olhar para a minha vida financeira, deixa eu olhar para a minha conta bancária, deixa eu olhar para a minha oportunidade de crescimento. Eu preciso lidar com a vida assim, com escassez?

Aqui eu faço recordar, repetir, elaborar. Outro dia eu fiz um podcast com o Vilela, do Inteligência Limitada, e eu morri de rir dele. Ele falou assim, André, eu tenho uma fantasia na minha cabeça, eu morro de medo de virar mendigo. Falei, como assim?

Da onde saiu essa crença? Falei, me fale mais sobre isso. Morro de medo. Eu imagino a cena. Eu na rua, todo sujo, com uma coberta velha, num canto, uma chuva fria, e as pessoas passando e dizendo, lembra esse cara? Ele era famoso, ele tinha até podcast, olha o que ele virou agora.

Falei, mas de onde você tirou isso? E aí a gente começou a trabalhar isso e eu falei assim, agora vamos elaborar. Olhe para você, olhe para a vida que você tem hoje, olhe para o patrimônio que você tem hoje, olhe para a inteligência que você tem hoje, olhe para a influência que você tem hoje. Qual a chance disso acontecer? Ele disse, nenhuma. Falei, e o que você faz o dia inteiro? Ele falou, eu trabalho alucinadamente para não virar mendigo. Falei, então para agora. Olha como a gente vive em função do trauma.

Quando você olha para a terceira coluna, você diz, cara, peraí, olha, por isso aqui, eu não preciso disso. Eu não preciso de controle. Eu tenho uma condição que hoje me permite não controlar. Eu posso olhar para a minha vida financeira e olhar para entender que eu não vou virar mendigo nem que eu queira, nem que eu me esforce nessa vida. Eu posso olhar para a minha condição e dizer assim, vamos pegar aí alguém que está ouvindo o nosso podcast, que está no começo de carreira, ou que está quebrado, ou que fracassou, que frustrou.

É igual uma pessoa um dia disse assim pra mim, é, porque, claro, eu passei várias viradas na vida. Eu já me reinventei várias vezes, já tive vários trabalhos, já fui executivo de várias empresas, já comecei várias vezes e dei errado. Outro podcast estudaria. E uma vez uma pessoa disse assim pra mim, é, você vai ter que começar do zero. Eu falei, eu não começo do zero nunca mais. Inexiste a possibilidade de eu começar do zero. Eu tenho uma história, eu tenho uma vida, eu tenho experiência, eu tenho anos de estudo. Ninguém começa do zero.

Isso é elaborar. Mesmo que você esteja fracassado, você não começa do zero. Você tem uma história, você tem experiência. Ah, eu tenho 18 anos. O que eu vou fazer? Eu quero empreender. Vai lá, então, elabora isso. Quais suas possibilidades? Seus pais podem te ajudar? Você faz faculdade? Você tem acesso a conhecimento? Ah, eu não posso pagar nada. Você tem como assistir o YouTube, um monte de canal, um monte de coisa? Você tem ideias?

Você procura pessoas? Você muda de ambiente? Você busca network? Você procura facilitadores, como foi o Tiago para você? Então, percebe? Então, de novo, eu vou dar a fórmula. Recordar. Então, primeiro, pensa em algum tema da sua vida e a primeira palavra que vem à sua cabeça. O que eu estou fazendo? Um exercício de tomada de consciência.

Depois, segunda coluna, repetir. Olha para isso e percebe quantas situações da sua vida você agiu em função do seu trauma ou dos seus afetos. Terceira coluna, elaborar. O que eu vou fazer com isso agora? Eu quero continuar agindo assim? Eu quero continuar trabalhando como se eu fosse algum dia virar mendigo?

Bom exercício pra todo mundo fazer aí de casa, hein? Doutora, deixa eu falar. A gente falou muito, né? Tava falando agora, ah, o Vilela botou isso na cabeça, né? Putz, virar mendigo, ficar pensando nisso e tal, né? O cara fica na loucura. Por outro lado, tem pessoas que acreditam que se elas mentalizarem as coisas boas, as coisas podem aparecer, né? Tem até o livro muito famoso lá do Segredo, né? Não, cara, se você ficar pensando, né? Cara...

Se você tem o fake until naked lá, né? Se você fingir que você já fizer coisa de rico, você vai ser rico. Você acredita nessa coisa da força, do pensamento, do cara que pensa positivo e vai dar tudo certo? Tem isso? Não tem isso.

Na verdade é assim, essa teoria está errada. Ela é errada no discurso e na forma com que ela é comunicada. Ela não está errada num todo, mas ela é errada na forma com que ela é comunicada. Como que o nosso cérebro funciona? O meu doutorado é em neurociências. O cérebro não identifica realidade e fantasia, ele só reage.

Então, você coloca um óculos de inteligência artificial, que é uma montanha russa, você começa a se movimentar e gritar como se você estivesse numa montanha russa. E todo mundo ao redor está te olhando e você está parecendo um idiota. Você está sentado no meio de um shopping berrando como se você estivesse na pior montanha russa da Disney. O seu cérebro só reage, ainda que você não queira. Ele reage. Então, o cérebro não sabe o que é fantasia e o que é realidade. Ele só reage.

Se eu tenho pensamentos e uma mentalidade de vitória, eu crio esse ambiente e o meu cérebro começa a reagir baseado nisso. Eu começo a criar sinapses. Sinapses são caminhos neurais que vão me levar a algum lugar.

Se eu tenho medo o tempo todo, eu crio uma sinapse de medo. E o que esse medo vai me levar? A bloqueio, a travas, daí para frente. Se eu tenho uma sinapse, se eu penso sobre eu vou conseguir, vai dar certo, eu vou me esforçar para isso, eu crio uma sinapse de coragem. Consequentemente, o meu cérebro começa a liberar alguns neurotransmissores. Acitocina, dopamina, serotonina.

Esses neurotransmissores vão facilitar. Facilitar o quê? Com que eu estude, com que eu me posicione, com que eu crie ambição, com que eu procure pessoas. Então, na verdade, é uma química. Não é algo esotérico, exotérico. Não é fora de mim, é dentro de mim. Então, esse pensamento, em parte, ele está certo.

Eu crio uma perspectiva na minha mente, a minha mente reage a essa perspectiva, inclusive quimicamente, a partir dessa química, eu começo a colher resultados. Então, é fato. Eu falo o seguinte, essa semana eu me ouvi isso. André, você nunca desistiu de você, né? Nunca.

nem quando faltava feijão na lata. Eu sempre tinha certeza que o que eu fazia era muito bom e que ia dar muito certo. E eu criei esse ambiente neural. E aí eu colhi os resultados disso. Eu tinha certeza que em algum momento ia dar certo. Eu nunca senti medo, eu nunca senti desistência, eu nunca pensei, nossa, já estou com 46 anos, até agora não aconteceu. Nunca. Eu pensava, em algum momento vai acontecer, porque isso é muito bom.

Isso gerava sinapses, essas sinapses geravam uma química favorável, essa química favorável me rampava para ir atrás de resultado. Então, eu sempre acordei cedo, eu sempre estudei muito, eu sempre li muito, eu sempre me posicionei, eu sempre estive com pessoas que eu achei que poderiam me ajudar, e aí a coisa aconteceu.

Então, percebe que é uma matemática? Eu gosto muito mais dessa matemática, porque ela leva qualquer pessoa para esse lugar, do que essa história de mentalize. Eu acho tudo muito difícil. Eu gosto mais... De novo, eu sou muito estoica e eu sou muito prática. Eu gosto de entender, na prática, como é que as coisas funcionam. Porque, se eu entendo na prática, essa lógica vale para mim, ela vale para você, e ela vale para a moça que está lá na portaria.

Se ela colocar essa receita na prática, não vai dar erro. Então, passa por aí essa ideia. Tem muito a ver, então, com a confiança. Mais do que a positividade, mais do que materializar com o pensamento, é muito mais, eu confio que em algum momento vai dar certo, somado à ação.

Você mesmo disse que, pô, você lia muito, estudava muito, estava com pessoas boas, então, automaticamente, a tendência era que algo bom fosse acontecer, né? Então, é uma coisa meio que a confiança somada com a ação, é isso?

O sucesso é muito mais transpiração do que inspiração. Você precisa criar um ambiente mental, mas você precisa correr atrás disso. O ambiente mental te favorece correr atrás disso. Se você reclama o dia inteiro, você ativa uma área no seu cérebro que baixa os seus neurotransmissores bons, favoráveis. Você fica mais lento, mais lerdo, mais deprimido, mais chateado, mais melancólico. Consequentemente, com menos resultado.

O simples fato de reclamar ativa uma área no nosso cérebro que se chama núcleo acúmbens. O núcleo acúmbens baixa toda a qualidade de neurotransmissores no nosso cérebro. Quando eu sou grato, o inverso acontece. A palavra gratidão não é só frase de autoajuda.

Isso é provado. Pessoas que exercitam mais gratidão têm o núcleo acúmbens mais ativado. Consequentemente, tem mais no cérebro, serotonina, dopamina, ocitocina. Isso é um cérebro potente. Isso é um cérebro que acorda cedo, isso é um cérebro lúcido, isso é um cérebro criativo. Então, percebe que isso tudo é química.

Como que eu crio essa química? O meu cérebro não distingue realidade de fantasia. Então, pense sempre naquilo que você quer que aconteça, para que você favoreça a química. Quando eu tinha 17 anos...

Aliás, na faculdade, eu tinha 18 anos. Entre um intervalo e outro de aula, eu pegava uma folha de caderno. Isso eu fiz durante cinco anos. Pegava uma folha de caderno e ficava testando rubrica. E aí dava para os meus amigos e fazia assim. Guarde isso aí que daqui 20 anos esse autógrafo vai valer muito dinheiro. E ia entregando. Para um, para dois, para três, para vinte. Eu sempre tive certeza que eu ia dar autógrafo.

absoluta certeza. Elas riam de mim. André, você não tem nem comida. Você traz banana pra faculdade. Eu passei cinco anos comendo banana, porque eu não tinha dinheiro pra comprar coxinha na universidade. Eu passei cinco anos comendo banana. Tanto que a hora que eu desci a escada da formatura, o povo levantou banana. Meu apelido era André Sacolão. Eu comia banana e dava autógrafo. Falava, e guarda, porque esse autógrafo vai valer dinheiro daqui a alguns anos. E como que isso não pode ser confundido com arrogância, por exemplo?

Arrogância é você achar que isso vai te fazer melhor que os outros. Arrogância é sobre o outro. Certeza é sobre você. Eu não achava que eu ia ser melhor que os meus amigos por isso, mas eu tinha certeza que isso ia acontecer. Eu não acho até hoje, né? Até hoje eu continuo não achando. Não era arrogância, era uma certeza.

Quando eu era pequena, os meus irmãos brincavam e eu ficava vendo eles brincar e eu tinha umas ideias. Eu falava, gente, por que ele está falando isso daquilo e o outro falando aquilo daquilo outro? Eu tinha umas ideias sobre as coisas que eles falavam. E eu, pequena, eu lembro de eu falar assim, Gêmea, eu tenho umas ideias muito boas.

Ninguém pensa esses trem que eu estou pensando, ninguém faz essas conexões que eu estou fazendo. Eu já de muito pequeno, eu gostava do que eu pensava. Eu já achava que era bom. Nunca foi arrogância, foi reconhecimento de capacidade e busca por mais capacidade. Você gosta do que você faz? Eu gosto do que eu faço. Você reconhece a competência que você tem? Sim.

é sobre não precisar de aplausos e é sobre não achar que o aplauso te mobiliza. Hoje eu sou uma pessoa que eu busco ser imune à crítica e à elogio. O elogio é tão perigoso quanto a crítica. Porque se você vai cedendo muito ao elogio, você começa a acreditar numa realidade que talvez não seja você.

Então, eu busco ser imune às duas coisas. Eu ouço muito a minha voz interna e Deus. Essas duas vozes me direcionam. Mas eu evito ouvir muita elogia e muita crítica, porque isso pode ser um perigo e isso pode te levar. O que é arrogância? É quando você acredita em algo que não é você. Isso é arrogância. Eu gosto muito de uma história, que é uma história, na verdade.

A parte verdadeira da história é que Jesus entrou em Jerusalém, no domingo de Ramos, e as pessoas sacodem o Ramos. Por isso tem a missa de Ramos. Jesus entra em Jerusalém e eles reconhecem que ele é o Messias. E começam a gritar, aleluia, osana, Messias. Esse é um fato.

a história é que Jesus entrou em cima de um burrinho. E a história conta, a metáfora conta, que quando Jesus entrou em Jerusalém em cima do burrinho, e as pessoas começaram a sacudir os ramos e gritar Osana, Aleluia, rei dos judeus, ele é o Messias, o burrinho levantou a cabeça, começou a rir, ficou satisfeito.

Aí Jesus bateu nas costinhas dele e falou, calma, burrinho, é para mim. Não é sobre você, não, é sobre mim. Eu sou esse burrinho. Eu sempre estou atenta e entendendo que não é sobre mim. É sobre uma obra maior que está sendo construída, que transforma a vida das pessoas. O dia que eu achar que é sobre mim, a graça desce. E aí eu não carrego mais a graça. E aí eu só sou um burrinho.

Você acha que esse pode ser um dos principais problemas das pessoas que acham que elas são especiais demais? O filme é sobre ela, o protagonista? O filme é sobre ela. O protagonista, né? Eu acho que assim, por que isso pode confundir? Porque muita gente fala assim, você precisa ser o protagonista da sua vida, você precisa tomar as rédeas.

Mas aí isso confunde com a pessoa achar que é tudo sobre ela. Tipo assim, a vida é uma série, né? Você é só um episódio, você não é o protagonista da série inteira. Você pode ter o dinheiro que for, a fama que for. Você não é muita coisa. Nossa, isso é forte, né? Os astronautas voltaram agora daquela volta ao redor da Lua, né? Achei maravilhoso. Acessaram o lado da Lua que ainda não tinha sido acessado, o lado escuro da Lua.

E eu amei, eu fiquei dias acompanhando aquela viagem, e eu amei o relato deles quando eles voltaram. O que vocês viram de diferente de quem foi em 1969, não sei o que lá, não sei o que lá? Ah, nós vimos, foi lindo, nós percebemos que a Terra é muito pequena e que o ser humano, se nós conseguíssemos enxergar ele de lá, nós não passaríamos de partículas. Você é partícula. Viva como partícula.

Você não significa nada. Se amanhã você for embora, a vida continua do mesmo jeito. Se você tiver bilhões de seguidores, a Terra não vai parar para você, partícula. E se você tiver 200 milhões na conta, o mundo, partícula, vai continuar existindo. Seus filhos não vão suicidar, partícula. A sua esposa não vai pular na cova junto com você, partícula. O seu dinheiro não vai evaporar, partícula. As suas empresas não vão embora com você, partícula. Você é partícula.

Viva como se fosse uma partícula. Simples assim. A vida não para por causa de você. A gente não é isso tudo que a gente é. Eu perdi minha irmã 16 de julho do ano passado.

Em vista de toda a dor e de toda a desgraça que foi, o mais assolador foi perceber que no outro dia o sol amanheceu, todo mundo continuou vivendo, não foi feriado, os bancos não fecharam. Ela era coordenadora do Hospital Escola da Universidade Federal de Berlândia, no outro dia o hospital continuou funcionando, o departamento dela não parou, passou alguns meses, nós comemoramos o Natal, o Réveillon, o ano virou e está todo mundo vivendo.

É bizarro que o Flávio falou um pouco disso, né? Você é particular. Tem dia que você provavelmente nem lembra dela. É normal isso. Como eu, por exemplo, eu perdi meu pai, tem dia que eu nem lembro. A vida só parou pra ela. Infelizmente. Ou felizmente. Como diz a Bia, né? Amiga querida, né? Beatriz Barbosa. É do game.

A vida é um game. Isso é do game. A vida parou pra ela. Naquele instante, só pra ela. A gente continua sofrendo. Minha mãe está arrasada porque ela tem 80 anos. O Natal não foi o mesmo. Mas a vida só parou pra ela. Eu continuei gravando vídeos. Eu continuei fazendo podcast. Eu continuei trabalhando. Minha mãe tá viva. Meus irmãos continuam existindo. A pessoa que convivia com ela continua existindo. Isso é partícula.

Viva como partícula. Para de se der essa importância toda. Ah, é doutor André. O que é doutor André? Eu sou um comedor de feijão. Sou um comedor de feijão com farinha. Se eu sentar aqui agora, junto com vocês dois, e se eu não fizer diferença na vida de vocês, você sabe para que eu sirvo? Nada. Nada. Todos os dias eu saio de casa com a reta ambição de transformar a vida das pessoas. Pode ser só dois que eu encontrar, mas eu preciso transformar.

Porque eu sou só partícula. Que doutor André. Doutor André, o quê? Se eu for atropelada ali, ó, já era. Os 15 milhões de seguidores vão seguir outras pessoas. Meu dinheiro, meu marido vai viver muito bem com ele. Meus filhos também. Partícula. Partícula. Ah, eu tenho 15 milhões. Ah, isso muda o quê na sua vida, o comedor de feijão? Ah, eu tenho 200 bilhões na conta, eu tenho helicóptero, eu tenho avião. Tá.

Isso só faz diferença na vida das pessoas. Se você não faz diferença na vida das pessoas, não faz diferença nenhuma. Jesus chegou na figueira, meteu a mão na figueira. Não tinha figo. O que Jesus fez? Amaldiçoou a figueira. Por quê? Porque a árvore tem que frutificar e alimentar os outros. Se você não alimenta os outros, a natureza dá um jeito de acabar com você rapidinho.

Muito bom. Baita reflexão. E o contrário disso? Porque tem muita gente também que se sente o oposto de protagonista. A pessoa se sente mais inferior, se joga pra baixo, se sente incapaz, negatividade. Não é só o reclamar. Ela se inferioriza o tempo todo e cria histórias na própria cabeça que tá todo mundo contra ela.

fonte da sua própria cabeça. Eu gosto muito de um conceito de Mata Tereza de Calcutá. Mata Tereza de Calcutá diz assim, a humildade é a verdade. Se você é bonito, seja bonito e aceita que você é bonito. Se você é inteligente, assuma que você é inteligente. Se você é capaz, assuma que você é capaz. O contrário do protagonista é o vitimista.

É o que acha que o mundo... Oh, vida, oh, azar, eu não posso nada, eu não consigo nada, eu sou feio, todo mundo olha para mim. Bem, você precisa de terapia. É isso que você precisa. Você precisa entrar em contato com isso e, detalhe, entender qual é a vantagem disso. Porque ser vítima também tem um vantajão. Porque perceba que a vítima recebe a ação, ela não é senhor da ação. E receber a ação é passivo.

Eu fico aqui e é os outros que fazem comigo. Eu não tenho trabalho nenhum. Foi meu patrão que não me promoveu, foi minha mãe que não me pôs na escola, sou eu que não tenho oportunidades de emagrecer, eu não tenho dinheiro para comprar caneta, eu não tenho dinheiro para fazer dieta. Percebe que você é sempre passivão. Você que recebe as ações, mas você não é senhor das ações.

Que dó de você. Os extremos são burros. O protagonista é péssimo, o que tem síndrome de protagonista excessivo. Mas o vitimista também é péssimo. O ideal é o caminho do meio. Qual é o caminho do meio? Autodimensão. Quem você é?

O que é que você pode? Aonde você pode chegar? O que é que você pode fazer pelas pessoas? Sem esquecer que você é partícula. Uma partícula importante, mas partícula. O vitimista é a outra face da mesma moeda do protagonista em excesso. Os dois partem do mesmo princípio emocional. A vaidade.

Os dois se vangloriam de alguma coisa. Um de achar que é demais, o outro de achar que é de menos. Os dois gozam, Freud vai falar muito sobre isso, gozam no mesmo lugar, o lugar da vaidade, de se achar e de se colocar em evidência. Um por se achar demais, o outro por se achar de menos, mas os dois estão em evidência. Muito bom, muito bom. Para finalizar, a gente falou muito de dinheiro, o programa todo aqui, desde a infância e tudo mais.

Vou trazer uma clichê aqui. Tá bom. O dinheiro traz felicidade? No fim das contas, isso pode preencher alguém? O dinheiro traz muita felicidade. Há um preconceito sobre a prosperidade e isso precisa ser quebrado. A vida é muito melhor com dinheiro. Com dinheiro você paga boas escolas, com dinheiro você tem excelentes planos de saúde, com dinheiro você escolhe o que você vai comer. Você não escolhe o que você vai pagar, você escolhe o que você quer comer.

Com dinheiro você escolhe para onde você vai, com dinheiro você proporciona coisas boas para os seus familiares. Óbvio que o dinheiro traz felicidade. Ele não é a felicidade, mas o dinheiro facilita muito a vida. Por que o dinheiro facilita a vida? Porque o dinheiro nos permite fazer escolhas. Sem dinheiro você não escolhe.

Essa é a questão emocional do dinheiro. Dinheiro não é sobre moeda, dinheiro é sobre escolhas. Quando eu tenho dinheiro, eu escolho o que eu vou comer, onde eu vou morar, o carro que eu vou andar, o plano de saúde que eu vou ter, onde os meus filhos vão estudar. Quando eu não tenho dinheiro, eu não sou senhor das minhas escolhas.

E não há nada pior que não ser senhor de si mesmo. Você vai para o restaurante, você come o que o seu dinheiro dá, seu filho estuda onde consegue, você vive, talvez não é no bairro que você gostaria, talvez tem violência, tem risco, você deixa seus filhos, mas você fica preocupado o dia inteiro, você vai chegar lá e eles vão estar vivos. Você não escolhe, você é escolhido. O dinheiro traz uma perspectiva de escolha. Quando eu ganhei meu primeiro dinheiro, a primeira coisa que eu fiz, e fiz com muito orgulho.

Cheguei na casa da minha mãe e meu esposo foi abrir a janela dela, a janela dela caiu. Ele falou, nossa, meu bem, preciso trocar a janela da casa da sua mãe. Falei, vamos fazer mais que isso. Vamos reformar a casa da minha mãe. Ele é arquiteto, minha mãe dizia todo dia, Jorge, será que fica bom pintar isso aqui? Será que fica bom trocar isso aqui? E eu via que, aos 80 anos, ela tinha vontade de ter uma casa diferente.

Ele falou, vamos trocar a janela? Eu falei, vamos fazer mais que isso. Chamei ela e falei, mãe, nós vamos reformar a casinha da senhora. Vai ficar do jeito que a senhora quer. Vai ficar bem bonitinha. Com 80 anos, quantos anos ela vai viver nessa casa mais? Talvez cinco? Talvez no máximo dez? Mas, com o dinheiro, eu posso ajudar ela.

Quando eu mudo para minha casa nova, eu fiquei muito constrangida de levar a minha funcionária. Eu falei, ela vai perceber a diferença de uma casa para a outra, sendo que ela nem casa própria tem. Antes de ir para minha casa nova, eu chamei ela e falei, eu falei, Osvaldina, comprei uma casa nova, mas você também, aos 60 anos, vai ter a honra de ter uma casa nova.

Você nunca teve uma casa no seu nome. E você disse que era o seu maior sonho. Era olhar num papel e ver seu nome. Agora nós vamos comprar sua casa. O dinheiro não traz felicidade? Traz. Ele não é a felicidade. Mas ele proporciona muita coisa boa para as pessoas. Ele abençoa a vida das pessoas. Ele abençoa quem está ao seu redor. E eu não falo isso para me vangloriar de forma nenhuma. É só para dar exemplos.

Lá no condomínio onde a gente mora, todo domingo à noite eu peço pizza para o pessoal que trabalha lá. Se está calor, eu peço picolé para eles chuparem picolé. Isso tudo é o dinheiro que proporciona. Sem dinheiro a gente não consegue fazer isso. Então, o dinheiro é, de novo, é aquela frase, quem vence se você vence. Se você tem dinheiro, quantas pessoas são abençoadas com o dinheiro que você tem? Então, sim, o dinheiro traz felicidade.

Ele não é a felicidade, mas ele facilita a felicidade. Só que junto com o dinheiro traz felicidade, o dinheiro é uma lupa. Se você era ruim, você fica pior com o dinheiro. Se você era doente, você fica mais doente. Se você era carente, você fica mais carente. Se você era ostentador, você fica mais ostentador. Se você era bom, você fica muito melhor. Dinheiro traz felicidade é aquela história do rei Midas. Eu volto nela.

Tudo que ele tocava virava ouro. Dinheiro, ascensão, sucesso, sem elaboração psíquica, vira prisão.

é isso aí doutor, que aula que a gente teve aqui sobre dinheiro caramba, prosperidade desde lá da infância se você gostou desse episódio, deixa o seu like dá 5 estrelas no Spotify se você não gostou, também deixa o like dá 5 estrelas no Spotify tudo bem também a gente quer bater a nossa meta de 2 milhões de inscritos aqui, doutor, como é que faz pra te encontrar nas redes sociais enfim

Instagram, arroba Andréa Vermon. YouTube também, Andréa Vermon. E no YouTube nós temos um canal, no Divã com a doutora Andréa, que é um podcast também. Que legal. É bem legal. A Bia já foi, Ana Beatriz Barbosa, algumas pessoas. Aliás, a Bia é a madrinha, inclusive, do podcast. E bem legal. A gente fala de saúde mental, fala de saúde como um todo, fala de uma série de assuntos bem legais no Divã com a doutora Andréa Vermon. E nas redes, arroba Andréa Vermon. Muito bom, doutora. Vermon com T mudo.

Isso. Muito obrigado, viu, doutora? Eu que agradeço, meninos. Quantos anos vocês dois têm? Eu tenho 32. 32 também. Novinho. Dá pra vocês fazerem muita coisa boa. Muito podcast ainda, né? A gente já tá fazendo há sete anos. Será que dá pra fazer mais um set aí? Eu, se eu tivesse 32 e ouvisse tudo o que vocês ouvem, eu ia ainda muito mais longe. É? Então vamos, vai, Caio. Então vamos. Não tem como. Não tem como que dá, Dada. É, não tem como.

Tava pensando em parar por aqui, mas já que ela falou, a gente vai seguir. Você tá com preguiça.

É ambição. É ambição. É, pessoal, obrigado. Até o próximo episódio. Grande abraço e tchau.

Anunciantes1

Finclass

external
PrimoCast 504 | COMO TRAUMAS DE INFÂNCIA BLOQUEIAM SUA RIQUEZA (e como superar isso)| Andréa Vermont | Castnews Index — Castnews Index