Episódios de Os Cinéfilos Que Ninguém Pediu

Ep.129 - Óscares 1956 + Divina Comédia

06 de maio de 202654min
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Estados Unidos e Irão. Temos nova cerimónia em Hollywood, com um ícone efémero em destaque, e meta-cinema actual, com entrevista ao realizador Ali Asgari. Há ainda a série Beef e festivais em Leiria e Viana do Castelo

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Assuntos8
  • Óscares 1956: MartyMelhor Filme e Realização · Baseado em série televisiva · Produzido por ator · Argumentista Padishayevsky · Temas de solidão e autoestima · Protagonista Ernest Borgnine
  • James Dean: Leste do Paraíso e Rebelde Sem CausaCarreira e morte trágica · Adaptação do romance de John Steinbeck · Estilo de atuação naturalista · Famílias disfuncionais e incompreensão · Uso da cor e iconografia · Delinquência juvenil
  • Filmes de TerrorAs Diabólicas: Twist final e suspense · A Sombra do Caçador: Vilão Robert Mitchum · Fotografia e impacto visual · Atriz Lilian Gish · Temas de terror e humanidade
  • Óscares 1956: Samurai 1Melhor Filme Estrangeiro · Adaptação de livro de Eiji Yoshikawa · Uso da cor no cinema japonês · Comparação com filmes de Kurosawa · Mitologia do período feudal
  • Divina Comédia (Ali Asgari)Cinema iraniano contemporâneo · Metacinema e resistência à censura · Realizador Ali Asgari · Ator Bahram Ark · Crítica ao sistema e busca por valores humanos · Uso de planos fixos e minimalismo · Homenagem a Nani Moretti
  • Jacques Tati: As Férias de Monsieur HulotPersonagem Monsieur Hulot · Humor físico e crítica social · Evolução para Playtime · Reflexão sobre a sociedade de consumo
  • Série Beef (2ª Temporada)Conceito de rivalidade e mesquinhez · Elenco: Carey Mulligan, Oscar Isaac, Steven Yeun · Crítica social e personagens odiosas · Intriga internacional e corporações · Falta de desenvolvimento e respeito pelo tempo
  • Festivais de Cinema: Leiria e
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Este é um podcast de Antena 3. Descobre mais em antena3.rtp.pt

Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do Chinéfilos que Ninguém Pediu. Este podcast da Antena 3. Eu sou o João Turgal, nascido em Múrcia. E eu, Daniel Mota, nascido em Vila Nova de Gaia. Genérica e marca sonora são do músico António Vasconcelos Dias. A imagem é da designer Joana Pereira e os separadores têm a voz de Ana Markel e edição de Walter Santos. Cerca de três meses depois, voltamos a estas odisseias dos Oscars. E estamos em algures em meados dos anos 50, na 28ª edição.

O Oscar que ninguém pediu. Mais propriamente em 1956, a premiar os melhores filmes de 1955, vamos falar, como é hábito, de sete filmes. Podem ser seis. Como é hábito? Se a nossa escolha... Pouquinhos. Só na parte dos Oscars. Eu gosto de teres dito assim. Estamos alguros, em meados, e depois, na verdade, sabemos exatamente em que ano é que estamos. Sim, é só para...

enquadrar, fazemos um percurso que é primeiro, dizemos, mais ou menos e depois especificamos. E também há aqui filmes que não saem exatamente em 1955 que só são considerados mais tarde, etc como um dos filmes que vamos falar daqui a bocado. Portanto, na verdade, até faz sentido este debate que é mais ou menos. Estamos nos anos 50. Isso, isso, isso. Isso é certo. O vencedor do Oscar, o melhor filme. Ouvir falar dele pela primeira vez num filme de 1994. Qual foto de motion picture ganhou o Academy Award por 1955?

Marte. Best picture. Marte. Marte. Eu não lembro. Você não vai pensar em um erro? Ou você vai ter que iria se fazer errado. Espera. Best picture? No, eu estou desculpando. A resposta é Marte.

É o quiz show. É o quiz show. Exatamente. João Tortura, vimos aqui, a falhar numa resposta, um belíssimo filme, sobre uma grande aldrabice, uma grande aldrabice em torno de um concurso, um concurso viciado. Digamos que está em concordância com o que nós estamos aqui a fazer. Estamos a aldrabar, que sabemos muito sobre estes filmes de 1956, quando na verdade, enfim.

Pensei que ias insinuar que os meus quizzes eram Audrabados quando não são Aproveitaste para fazer publicidade estas quizzes Não, podia ser, mas para acabas Faz uns quizzes muito giros em Lisboa Onde vão poucas pessoas, portanto malta vão, por favor Isso dizes tu, isso dizes tu Eu nunca fui Exatamente, portanto estás a falar de cor Como aliás na verdade falas muito Eu fui uma vez aos quizzes Na verdade aos teus nunca fui, mas uma vez fui contigo aos quizzes Ficamos em primeiro lugar e eu pensei Como qualquer pessoa que faz, é verdade Que é para sim ficar um em um Para pegarmos dois Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes

E eu pensei, bom, 1 a 0 Nunca mais vou jogar a este Porque não quero mais... Assim foi 1 em 1 Portanto, 100% de sucesso Este filme de Delbert Man, Marty De facto, não foi o One to Waterfront Que já falámos dele nos episódios passados Ganhou 4 Oscars, ganhou os Oscars principais Filme, realização, argumento, ator O que significa que Delbert Man Tem um Oscar a mais do que Alfred Hitchcock De melhor realização

E outros tantos realizadores que podiam estar aqui nesta lista de realizadores que nunca foram galardoados. Hitchcock, neste caso, tem um filme que nós não vamos falar, que é o Ladrão de Casaca. Ganhou aqui o Oscar de Melhor, fotografia a cores. Delbert Mann também tem uma palmadora a mais, porque este foi um filme que conseguiu aquilo, um feito que poucos filmes conseguiram, que é acumular a palmadora e o Oscar de Melhor Filme.

Aliás, no século XXI, creio que só o Parasitas e o Anora é que conseguiram esse estatuto, ou seja, nestes 26 anos.

de conseguir acumular estes dois prémios. É também o filme mais curto a ganhar o Oscar, tem 90 minutos. E que filme é este? Tem como ponto de partida um talhante solteiro.

E esta conversa continua-se cada vez mais num close-up da nossa personagem principal, com ela a tentar de todas as formas que a rapariga aceite sair com ele, talvez no próximo sábado ou no sábado seguinte, e a resposta é sempre negativa.

Este filme, na verdade, para além dessa referência no Quiz Show em 94, até parece um filme relativamente esquecido, eu acho, na história dos Oscars. Mas há várias coisas em que ele foi o primeiro. Um dos primeiros filmes americanos a ser galer do Haddon Khan, enfim, talvez os primeiros a ganhar a Palma Doura, etc. Foi o primeiro filme a vencer o Oscar de melhor filme, que é baseado numa série, num seriado televisivo anterior.

Também é o primeiro filme a vencer o Oscar de melhor filme, que é produzido por um ator. Este filme foi produzido pelo Bert Lancaster, que curiosamente é mais conhecido, acho eu, que todos os outros membros do filme. E também foi o primeiro Oscar para o argumentista lendário Padishayevsky, que podíamos falar, é o único argumentista que sozinho ganhou três Oscars. E, enfim, na verdade, quando eu comecei a ver o filme, a primeira coisa que me chamou a atenção foi mesmo ele ser escrito pelo Padishayevsky.

Eu não reconheci, necessariamente, na escrita deste filme, as mesmas coisas que o Network, que é aquele filme que eu tenho como maior referência do Padishayevsky, tem.

mais tardiamente. Mais ácido. Mas há, parece-me, e não sei se tu concordas, há claramente aqui uma escrita acima da média. E há ali, exatamente. E não só se calhar a escrita, alguns toques de realização. Esta cena inicial... É o primeiro filme do Delbert Man. É isso, funciona bem com este close-up a mostrar, de facto, o desconforto, a passar desconforto ou a desilusão da personagem.

para o desconforto do espectador. O filme acho que aborda a solidão, aborda a autoestima, as convenções conservadoras e familiares. Acho que até o faz de uma forma, do ponto de vista da história em si, de uma forma curiosa, tendo em conta que estamos nos anos 50. Ou seja, a ideia de que uma pessoa pode atingir a felicidade de uma forma menos convencional, digamos assim. Sim, sim, sim.

Eu, como pessoa que tem 34 anos, que este filme tem um protagonista que tem 34 anos e que já é considerado um vencido da vida... Está bem, mas ter 34 anos nos anos 50 não era a mesma coisa que ter 34 anos agora. Estava-me a pensar. Agora as pessoas que estão a olhar para mim e falam, então, Daniel, nunca mais caso.

Já foste, já foste Já estou fora E não sou talhante Que é pena, porque se calhar tinha mais gente para cortar carne Do que para estar aqui a desfiar filmes Mas eu achei um filme surpreendente Porque é daqueles que Na verdade acho que se não tivesse vencido este Oscar Eu não sei se teria ouvido falar dele E se não fizéssemos estes belíssimos episódios Eu o teria visto Mais um pouco de gabarulice Belíssimos episódios Porque são episódios que dão um prazer Dão prazer para nós Para vocês é um secador

Quando é que eles voltam a falar do Avatar? Não é agora. E depois também acho que foi talvez o primeiro filme que eu vi, ou pelo menos com o Ernest Barknin como protagonista. O que ganhou o Oscar. E de facto ele é uma pessoa altamente carismática e que lá está, também é um leading man relativamente pouco óbvio, tendo em conta o que é que eram os... Sim, sim.

O glamour, o Clark Gable e a Cary Grant. Portanto, temos aqui uma persona fisicamente muito diferente, mas também, lá está, tendo em conta a personagem, se calhar também faz algum sentido. Há também um aspecto curioso, que é a forma como é apresentado o potencial casal deste filme. Você começou a crer muito, meu amigo. Eu crio muito também. Eu sou um grande crer. Isso é algo muito recente comigo, isso bruxando em teus com a coisa mais importante. Eu crio todo o tempo, qualquer coisa pequena.

Temos aqui uma espécie de um duelo para ver quem chora mais. Eu começo sempre assim os meus dates. Não sei como é que tu eras no teu tempo. Era, claro. Auto-comiseração. Começava logo assim. Sabes que eu choro imenso. Choro imenso para apresentar. E não é para mais mentir. É um coração de pedra. Portanto, enfim. Um coração de pedra, para que perceba, sou eu. E claro, claro, claro. Claro, claro.

Acho que o filme tem algumas questões mais naífas, algo datadas, mas acho que é um naífas encantador. Sim, até porque lá está, como dizia, aquele lado de alguém fora dos padrões sociais vigentes conseguir vencer e encontrar o seu caminho, por mais que haja esse lado datado, há um lado intemporal que acaba por ressoar hoje em dia. Eu acho que indiscutivelmente o filme também vale por isso.

E também o próprio filme, ele em si Também é de certo modo um underdog Que acabou por ganhar o Oscar Porque lá está, não era uma grande produção E é um ano com produções mais Enfim, que são mais conhecidas Que já vamos falar, como o Aleste do Paraíso Por exemplo, do Elia Kazan Ou o Bad Day at Black Rock Que é o filme do John Sturges Que foi também nomeado para melhor realizador Bad Day at Black Rock Curiosamente, não foi um dos filmes que nós vimos Mas é o filme que Paul Thomas Anderson diz Que se nós ouvirmos o filme A ouvir o comentário do realizador Aprendemos tudo o que é preciso saber Sobre como fazer um filme Aprendemos tudo o filme

Então devias ter visto Na tua religião Me fustigo perante vós, ouvintes do nosso podcast Bom, já vamos voltar ao Marte Pelo menos para a parte da nota Agora vamos seguir para outros filmes Indo no nosso USA vs World Temos agora o vencedor do Oscar do melhor filme estrangeiro Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes Yes

Ora, nota-se muito a veneração nesta altura de Hollywood pelo cinema japonês. E este é o último Oscar especial para uma produção internacional, antes de ser tornado mesmo uma categoria competitiva de melhor filme estrangeiro. Com nomeados e depois com entrega. E aqui este filme Samurai 1, que parece um filme parece uma adaptação qualquer de um famoso seriado de animação que eu via quando era garoto.

E Miyamoto Musashi, é o nome da personagem É o nome do próprio samurai Filme de Hiroshi Inagaki Que se não fosse o vencedor do Oscar de filmes estrangeiros Então é que nunca tinha ouvido falar Mas há coisas neste filme que tu conhecerias sempre Porque qualquer um de nós já viu Kurosawa O Toshiro Mifune O samurai principal de todos os samurais Mas não sentes que para ti foi particularmente difícil Pelo menos para mim foi, ter visto este filme E ter feito assim a separação na minha cabeça Entre estar a ver um filme japonês do Kurosawa Com o Toshiro Mifune E estar a ver outra coisa E estar a ver outra coisa

E não é só isso, é a questão também da cor Porque o facto de teres um filme A maior parte dos filmes samurais que eu tinha visto Era um preto e branco E já é o segundo que surge São dois anos seguidos, creio Com filmes japoneses a vencer o Oscar E são filmes a cores Sendo que eu gostei particularmente mais deste filme Do que do amor de samurai Que nós falamos no último episódio de Oscars Nós já viemos há muito tempo E não tenho uma memória muito forte de nenhum deles De nenhum deles

Este aqui impressionou-me muito. Eu acho que a utilização da cor é daquelas coisas que em Hollywood ainda estava a ganhar lastro. Vamos falar de alguns filmes que este ano foram feitos que já usavam a cor de uma forma muito eficaz, particularmente os dois filmes com o James Dean. Mas das roupas, à iluminação, às paisagens... Este filme tem uma...

É luxuoso, visualmente, eu acho. E a realização é muito impressionante. Tão impressionante que eu me fiquei a perguntar porquê que este Hiroshi Inagaki não teve mais destaque. Este filme faz parte de uma trilogia, Samurai 1, 2 e 3, lá está. Que também, por sua vez, são baseados em livros de um senhor chamado Eiji Yoshikawa.

E estes três filmes foram lançados numa caixa recentemente, para reavivar um bocado a memória desta trilogia, menos conhecida do cinema japonês desta altura. Sendo que, por exemplo, no caso dos cineastas japoneses, há ciclos todos os anos de mestres japoneses desconhecidos com grandes filmes de realizadores que nunca ninguém ouviu falar.

que mesmo no Japão não são muito conhecidos. Também há um esforço pelo Japão nesta altura para, digamos assim, reter a grande fantasia em torno do período feudal que este filme também retrata, que entretanto se tornou um bocadinho mais moda e se calhar por isso é que estes filmes estão trazidos de volta e se calhar enamora mais o público americano ver este tipo de filmes do que necessariamente ver um filme do dia-a-dia japonês.

E pronto, a mitologia, a parte visual e os penteados muito alternativos, digamos assim, que eram utilizados na altura, é uma imagética que foi ficando mais na moda fora do Japão e se calhar por isso o Japão acabou a aceitar um bocadinho mais, sendo que aqui havia uma tendência para se afastarem dessa altura da sua história.

É curioso porque neste ano tínhamos uma nomeação para outro filme japonês, muito mais famoso, o Contos da Lua Vaga, do Mizoguchi, nomeação para melhor guarda-roupa a preto e branco, que não venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro. O filme também era mais antigo, mas lá está, seria válido neste ano para este estatuto e o que venceu foi o filme japonês, Samurai 1. E há outros filmes internacionais que eu até acho que teriam mais valor aqui do que este Samurai 1. Quem sabe, se não vamos falar deles mais tarde, veremos.

Ora bem, então entre neste USA vs. World. Por onde é que foi o teu voto? Pá, eu desta vez vou ter que dar o meu voto aos Estados Unidos.

Pronto, então foi bem-se. Por causa que estava convidado, disseste que gostaste mais do outro. Gostei muito, mas eu acho que o Marty é um filme que é mais... Ou seja, surpreendeu-me mais, impressionou-me mais ver aquele filme nesta altura do que este Samurai 1, que lá está. Há muitos filmes, pelo menos no nosso imaginário, há alguns filmes japoneses com este tipo de imagética, com este tipo de estética e com este tipo de história.

E já vi outros filmes, nomeadamente o Kurosawa, que são... Se é para escolher, vamos ver esses. Embora não seja uma diferença muito grande, também voto no filme de Albert Mann, no filme norte-americano. E, portanto, vamos ouvir o hino americano.

E pronto, e com isto temos um empate. Fica 4 igual neste USA vs. World após a vitória de Marty, na oitava edição em que houve Oscar de melhor filme estrangeiro. E a propósito de música, vamos continuar com uma pequena passagem pelo Oscar de melhor canção. É o tema título de Love is a Many Splendor Think.

It's the April Rose That only grows In the early spring Tive alguma pena, João? Que os nossos ouvintes não te ouvissem a trautear a canção enquanto ela tocava.

Trautear medianamente Também não estávamos a esperar que cantasses bem Não, mas é no sentido que Não é propriamente uma música que eu Conheces assim propriamente muito de cor Mas entretanto não está nos autópotos 5 mais ouvidas Da semana Talvez não Aqui na voz dos 4 Aces Como disse o original Love is a Man is Splendor Think A colina da saudade no título nacional

E podíamos falar sobre as excelentes traduções. Sim. Conhecias esta música? La Vida Manis Pellandre de Tadrinho? Não. Mas devia, porque isto é um clássico. É um clássico, mas muito mais clássico. Mas muito, muito, muito mais. Muito mais. Era esta música que estava nomeada também para o Oscar de melhor canção.

Yes Yes A CIDADE NO BRASIL

Sabes qual é a parte mais triste disto? É que eu não me estou a lembrar do nome desta cantiga e só me lembro de Unfinished Symphony, que é uma cena dos... Também não é Symphony, é sympathy, mas está com a grande embarulhada. Mas eu percebo, porque é Unchained Melody. Exatamente. Do filme Unchained. Portanto, esta sim ficou muito mais na... Cantiga de casamento. No conhecimento mediático, popular. Mas, de facto, não foi esta a música que venceu o Oscar de melhor canção.

Mas isso é uma coisa recorrente e que vai acontecer muitas vezes. E nós agora vamos falar de filmes que uns nomeados e outros não, neste ano de 1955, porque na verdade há aqui filme de mais para trás, que na verdade são mais conhecidos do que o Marty e do Samurai 1. Sem dúvida, e mais até do que os nomeados para melhor filme que foram estes.

Aqui estão os cinco nomeados e eu acho que nenhum sai daqueles obrigatórios e daqueles super conhecidos. Não é, não é. Mas, no entanto, se formos logo à categoria ao lado, e ao cado já passamos um bocadinho por aí, somos à categoria melhor realização, temos o Márcio, que foi o vencedor, depois temos uma coisita assim, levesita, pouco conhecida como o Leste do Paraíso, onde estrelava um certo jovem que, entretanto, aqui nesta cerimónia já, se recebesse, já teria recebido um Oscar póstumo, porque a sua carreira foi tão rápida como a sua vida.

que era um senhor chamado James Dean. E vamos então ouvir aqui uma dupla passagem por ele, porque ele teve não um, mas dois filmes neste ano. Falte-me, pai. Eu tenho que saber quem sou. Eu tenho que saber quem sou. Eu tenho que saber onde ela é. Eu te digo verdadeiro, Cal. Depois que ela saiu, eu nunca ouvi de ela. Não é um lugar para crianças. Um minuto atrás você disse que não queria se ele bebe. Ele disse um pouco de bebe. Você me abrindo! O que?

Você diz uma coisa, ele diz outra, e todos mudam de novo!

Três nomeações para este filme de Nicholas Ray, mas, de facto, o que há em comum é este mito efémero, esta estrela cadente, ampliado também, obviamente, pela morte trágica. Neste mesmo ano de 1955, como tu dizias, ele foi nomeado...

Duas vezes, pelo East of Eden e também pelo Gigante, no ano seguinte. Foram, no fundo, os três filmes que ele fez. E eu reconheço já aqui a minha lástima, que era, nunca tinha visto nenhum dos três. Tinha visto, obviamente, imensas imagens icónicas do James Dean, mas nunca tinha visto nenhum e agora vi estes dois.

Eu, na verdade, ainda só vi um. Portanto, a nível de lástimas... Estás agora superas porque eu já vi estes dois. Estás agora superar. Mas o que eu sempre achei mais curioso, e atenção que no Gigante ele não está exatamente a contracenar com dois atorzinhos, está a contracenar com Elizabeth Taylor e com Rock Hudson, que eram dois símbolos gigantes da altura de Hollywood. Mas o que eu vi foi o A Leste do Paraíso, o Isso à Vida, adaptado do romance do John Steinbeck.

Adaptado mais ou menos, na medida em que é só uma parte do livro. Ou seja, é uma partezinha final.

Aquilo é um épico que passa por várias décadas e que nós acompanhamos um momento já durante a Primeira Guerra Mundial. E o que eu acho curioso é, nós já falámos aqui de atores que influenciaram completamente a forma como se representa, como se atua em cinema, depois de terem aparecido. Obviamente o Marlon Brando é assim o grande nome que nós já falamos, por causa do elástico chamado Zé, etc. Mas o James Dean se calhar acaba por ser o, talvez por causa do lado trágico, o lado mitificador do que lhe aconteceu, mas o James Dean é muito diferente do que se fazia na altura. E o Leste do Paraíso, para mim, para lá.

Era quase autobiográfico também, porque ele era um desalinhado a fazer de desalinhado. Mas não sentiste que o desalinhamento dele não era só da personagem, mas também a forma como ele está a interpretar nesse filme, comparado com os atores que estão em torno dele? Não sentes que há ali um desencontro muito curioso e que na verdade até acaba por ter alguma graça?

porque ele claramente interpreta as coisas de forma diferente, está num estilo muito mais naturalista, muito mais do ultramet, se calhar, e que talvez por isso tenha ficado muito conhecido, também pode ter ajudado, de facto, a ter falecido muito, muito novo, mas são dois filmes muito fortes, imagino eu, o Rebelo e o Hidalgo da Cosco, como tu há bocado disseste.

Sim, é curioso, lá está, está em ambos os casos em famílias muito desfuncionais, em que reina a incompreensão, algum passado traumático está ali, vai despontando em alguns momentos.

aqui claramente com contornos edipianos neste filme e logo a primeira cena em que há uma espécie de uma perseguição com algumas aspas é bastante boa e de facto logo aí percebe-se a iconografia do próprio James Dean. O que é engraçado também nestes dois filmes é que são dois filmes a cores e especialmente no caso do Rebelo Sem Causa era fácil imaginar os filmes a funcionarem muito bem também a preto e branco com aquele preto e branco sujo, visceral como os filmes do Marlon Brandt que estavam imediatamente para trás

Mas também funciona bastante bem a cor. E, obviamente, no caso do Rebelo Sem Causa, o casaco vermelho tem aquela iconografia que não teria que ser, obviamente, preto e branco. O filme do Kazan é um melodrama muito bem feito. Talvez não seja tanto o cinema que eu mais gosto. E gosto, efetivamente, mais do filme do Nick Ray. O filme do Nick Ray, do Fúria de Viver, é quase um filme pioneiro enquanto filmácido de Liceu. Sobre a delinquência juvenil. Que houve muitos depois.

Houve muitos, foi uma espécie de coisa que fez escola e eventualmente também já teria havido antes, mas é daqueles mais destacados numa dada altura, pelo menos é a referência nos anos 50. Eu tenho pena que tu não tenhas visto, até porque, até do ponto de vista do uso da câmera, há planos oblíquos, picados e contra-picados, que são, eu diria, menos óbvios de se tivermos em conta o cinema de Hollywood, também uma cena externa e interna num planetário que vale muito a pena.

É o único filme, lá está em que o James Dean não está nomeado, mas é curioso porque estavam nomeadas as duas contracenas principais do James Dean e que tem um lado muito de metacinema ou de relação com a realidade, tendo em conta o lado trágico.

James Dean morreu no acidente automóvel, como soubemos. O Salminer morreu assassinado aos 30 e tal anos. E a Natalie Wood suicidou-se aos 40 e tal. Suicidou-se? Isso é toda uma história que não se sabe. Mas pronto, de qualquer das formas, tiveram os três um destino trágico. Os outros dois estavam nomeados para este filme. E eu acho que é um belo filme, que eu acho que só não é uma obra-prima maior para mim, do ponto de vista de gosto pessoal.

Porque há um lado de retrato psicológico. Acho que as personagens precisavam de respirar mais. E por outro, porque também é assim. Porque há ali uma espécie de questão de honra máscula. Talvez sobre a questão da masculinidade tóxica. Com alguns princípios um tanto ou quanto duvidosos. No Free de Viver.

Sim, que temos que eventualmente ter que tirar por contexto nos anos 50. Mas acho estranho que isso vindo de Nicholas Ray que tinha acabado de fazer o filme que eu escolhi como ultrário. O Johnny Guitar. É um filme muito feminista, até progressista para a altura. Até acho estranho que isso tenha acontecido. É uma questão de ouvir. Só me deu mais vontade de ver o filme.

O filme tem um lado bastante dúbio que pode cair para esse lado ou pode cair para outro lado. A própria figura de James Dean, eu acho que partilhava... Não vou tão leis como lhe chamar andrógeno, mas eu acho que é uma figura que tem uma masculinidade diferente. Seria o típico da altura. E há uma figura do pai que também tem esse lado. E até especialmente no momento em que alguém está a apanhar umas coisas do chão.

fica na dúvida se no fundo há essa exaltação ou se a questão da honra é se pega por aí ou não que eventualmente até pode contribuir para não só não diminuir mas ampliar o valor do filme mas sem dúvida James Dean ficou nunca saberíamos o que é que teria sido mas eventualmente teria sido um Marlon Brando ou seja

O que também não é. Ou seja, estamos a falar de um ator que tem um percurso. Extraordinário. Extraordinário, porém. Sim, porém. Exatamente, porém. Uma queda violenta. Uma queda violenta. Sim, sim, sim. Vamos agora sair dos Estados Unidos para um filme que estava aqui para uma nomeação, para melhor argumento, e vamos até a França. Alô, alô. Rio, oi, oi.

O filme é contido nas palavras E este certo também é contido nas palavras E é o primeiro filme onde a personagem mais famosa Do Jacques Tati aparece Nas férias do Sr. O Lobo Também é só o segundo dele, não é? Sim, ou seja, é uma espécie de Charlie Chaplin francês Sim

Com algumas diferenças Mais alto Mais alto É a diferença mais óbvia Mas é porque ela era uma verdadeira torre Com um cachimbo bem proeminente Sempre Com um tipo diferente de slapstick Mas igualmente muito marcante

É, mas é um póster muito recorrente nas paredes Pelo menos das casas onde eu fui vivendo Havia sempre alguém que tinha um póster disto Não sei se ouvi uma distribuição geral do póster É capaz Mas eu acho que Ver a transição e a evolução Do que o Tati faz aqui Nas férias do Sr. Loh Para o Playtime, que para mim é a obra-prima Máxima dos filmes que eu vi do Jacques Tati Para mim é o meu tio Que também é um filme que vamos falar ali no meio Já, já, já E aí

Mas eu percebo que o Playtime seja, obviamente, uma reflexão notável sobre... E uma construção completamente... Sim, sim, do ponto de vista visual e geométrico. Fascinante. O filme obviamente também ressoa muito hoje em dia na época da inteligência artificial sobre lá está o poder das máquinas. Voltaremos a falar do Playtime eventualmente mais tarde. Eu acho que o filme para mim acaba por ser demasiado cerebral e acho que como perde um bocado o humor muito presente nestes filmes, eu não consegui entrar tanto nele. Mas é, obviamente, um ótimo filme.

Sim, e o que começa como uma espécie de um, para a nossa sensibilidade, século XX, XXI, o que começa como uma espécie de Mr. Bean a interagir com as pessoas, acaba com uma observação sobre a sociedade de consumo e capitalista no playtime. Enfim, eu acho que a evolução... Não, Mr. Bean é o que era, ou seja, também os filmes do Chaplin eram muitas vezes o humor físico misturado.

com muito mais coisas. A questão é essa. O Chaplin também tem ele próprio uma evolução muito curiosa de começar com uma coisa muito mais física, como tu disseste, mas que havia sempre alguma crítica, mas de repente aparece o grande ditador onde há muito mais para além de só o humor físico. Ele está lá, não deixa de lá estar, mas há uma análise. Eu acho que o início deste Sr. Lowe é muito mais um transiundo curioso e divertido e acaba numa espécie de uma análise ou sentido da vida.

que eu acho muito fascinante de ver como é que um artista vai crescendo e vai mudando ao longo da sua carreira. Tendo ponto partido, as trivialidades ou as manias mais bizarras do ser humano, mas é engraçado isso, ou seja, a partir das coisas mais mundanas, como se acaba por refletir sobre, de facto, a própria condição humana. Voltaremos, então, certamente a Tati. Tivemos este Férias de Mr. Lou, tivemos antes a dupla de James Dean, Rebelo de Rebel Without a Cause.

Queres explicar aos nossos ouvintes porque é que disseste férias de Mr. Olô em vez de Mons.io Olô. Ou de Senhor. Porque simplesmente me enganei. Só por isso. As férias do Senhor Olô. Assim é que faz sentido o título em português. Então como estava a dizer, dupla de Dean Aleste. Podia ser um treinador de futebol da altura. Era um míster.

A Leste do Paraíso e também o Fúria de Viver. Para trás ainda tivemos o Marti e o Samurai 1, vencedor do melhor filme e melhor filme estrangeiro. E agora vamos para aqueles não nomeados que nós consideramos ultra, acho que ninguém pediu, vamos ver se escolhemos ou não o mesmo. Qual é a tua escolha? Queres apresentar? A minha escolha, continuamos na França, basicamente. Pronto, então de facto a escolha é diferente. Será hoje ou jamais?

E tu és seguro que não se deixa de trás? E o escândalo. Tu imaginas o escândalo?

Não pode acabar com uma forma. Somos monstres, Deus não gosta de monstres. Oh, minha cabeça é queimou! Eu vi uma história de louco.

Olha, vamos ter monstros diabólicos nas nossas duas escolhas. Ah, mas o teu é um monstro diabólico mais carnívoro. Quer dizer, este também acaba por ser um monstro diabólico pequeno. Bom, mas aqui o diabólico mais diabólico é a intenção. Até porque está na própria palavra no título do filme. Exatamente. Este filme chama-se As Diabólicas.

Le Diabolique É o único filme, para além do Senhor Olor É o filme que eu tinha já procurado Deste ano Porque é um clássico de terror Ou de suspense É uma espécie de um Hitchcock mais ácido e mais violento E é um dos grandes twists finais Pá, sempre

Para mim é talvez o meu filme favorito deste ano, acho eu. Um filme muito contido, de apenas duas horas, mas que tem personagens e cenas absolutamente épicas, seja nas duas personagens principais interpretadas pela Vera Closot e pela Simone Signoret, ou pelo fantástico marido, o Paulo Maurice, que tem uma cena, quem não viu o filme não sabe do que é que eu estou a falar, mas quem viu sabe que há uma cena em que há uma espécie de um ressurgimento desta personagem barra desta pessoa, que é absolutamente icónica e especial.

E depois, ao mesmo tempo, é um filme que fala sobre sororidade de uma forma muito ácida e é mais um grande filme do Henri Josse Clouseau, que a gente traz para aqui, já trouxemos o Salário do Medo. Falámos no propósito do Sirat, por exemplo. Exatamente, é um belíssimo realizador que vale muito, muito a pena ver todos os filmes conseguirem dele, mas particularmente, se não conseguirem ver mais nenhum, que vejam estes dois filmes, As Diabólicas e O Salário do Medo.

Curiosamente, escolheste o teu filme favorito neste Ultras e, na verdade, o meu filme favorito deste ano do que vi também está. Também é esta minha escolha de Ultras. É um só tiro absolutamente certeiro de um ator transformado aqui em realizador. A salvação do meu coração. Não é isso, Harry? Então você pode dizer que foi o dinheiro que nos juntou. O resto não importa.

E depois acontece, digamos, uma tragédia no final deste shirt que nós praticamente não vemos neste A Sombra do Caçador. Exatamente, dois filmes de suspense. Sim, sim, sim, é verdade. Este que é o 25º melhor filme de sempre na lista da Sight & Sound, mais recente, feito em 2022. E é um grande, grande thriller, talvez com um dos maiores vilões de todos os tempos.

Uma interpretação épica do Robert Mitchum. Exatamente. Tem vários momentos. Com os punhos tatuados. Nos momentos mais dias diabólicos. Até é um monólogo fascinante sobre o amor e o ódio. E uma das figuras, lá está o filme, mete muito medo. Nomeadamente na conjugação entre este caçador e as crianças. Entre o demónio e a pureza. Mas também tem as passas, um sentido de humor muito precioso.

E é um filme de uma beleza Para a fotografia é inacreditável É até que acaba Até acaba sendo meio criminoso Que o Charles Lawson, que só fez este filme Até acaba sendo meio criminoso que ele só tenha feito este filme Porque a capacidade que ele tem De colocar a câmera no sítio certo, à hora certa Para causar o máximo impacto Eu acho que é um filme absolutamente brilhante É talvez o meu segundo favorito deste ano Só para não dizer que está equiparado à minha escolha anterior E para me desdizer imediatamente E para a fotografia

Mas é curioso que são dois filmes que trabalham no mesmo espaço, trabalham no espaço de atenção, de que haver terror. Este eu acho que até... Bem, na verdade são os dois de terror, pensando bem. Pelo menos na fronteira, vá. Sim, sim, sim. E eu acho que este filme tem coisas iconográficas também muito fortes. E lá está a personagem, o vilão de Robert Mitchum. Por alguma razão já existiram algumas refeituras, digamos assim, deste filme, mas nunca nenhuma ultrapassou a força do original.

E depois também tem o uso de uma atriz muda, da Lilian Gitch, na parte final do filme, que não é tão autobiográfica como a Gloria Swanson no Sunset Boulevard, mas é também um papel muito icónico. Lá está de uma atriz de outro tempo, que agora volta ao sonoro para fazer um papel muito, muito especial. Neste Night of the Hunters, A Sombra do Caçador, filme de Charles Lawton, que foi, de facto, a minha escolha, o traje que ninguém pediu.

Havia aqui muito mais escolhas possíveis Nos filmes estrangeiros O Ardette do Dreyer Que é também um belo filme sobre a fé, sobre a religião Sobre a espiritualidade, sobre o conservadorismo Também o Pecado Mora ao Lado do Billy Wilder Um daqueles filmes mais icónicos com a Marilyn Monroe Havia várias escolhas possíveis Ou o Riffy Fee Um famosíssimo ice movie francês O que é que vai acontecer? Cada vez que fizemos estes episódios de Oscar Vamos deixar mais filmes de fora Claro

A produção não vai diminuindo, a produção vai aumentando. E nós também vimos mais coisas, eventualmente, mais para a frente. E, portanto, inevitavelmente, isso vai acabar por acontecer. Mas vamos... O Martin foi, de facto, o grande vencedor. Venceu quatro Oscars. E vamos à nota. Ora, eu não dou meios. Mas este era um que pediu ao meio. Mas pronto, vou-lhe dar um 7. Pronto, ficamos com a mesma nota. De facto, também dou um 7 em 10. Estava-te convencidíssimo que ias dar um 7,5.

Eu gostei bastante do filme, mas não é dos meus filmes favoritos de Oscar. Está ali assim, meio da tabela, puxar para cima. Já é um bocado mais assim. Meio da tabela dos filmes que vencedores de Oscar. Quanto é que darias à noite do Caçador? 9, 9,5, 10. Também dá 10. Eu acho que são os dois filmes de 10 em 10. Sim, está ali na escala, pelo menos. Se não está, andaria para o próximo. Talvez um 9 em 10.

Portanto, fica então com 7 em 10 este... Contenta da nota do filme de 1950 e tal. Nunca sabe o que pode acontecer. Fica então com 7 em 10 este Marte e fechamos assim este episódio de Oscar, esta longa e empreitada episódio, a parte do Oscar. E agora, movemos-nos até ao período contemporâneo para um filme iraniano. A novidade que ninguém pediu.

Dado o período atual, acabou por ser uma coincidência, mas temos aqui os Estados Unidos, em Hollywood, com a cerimónia de Oscar. Ia dizer bem dos Estados Unidos e dos filmes dos Estados Unidos. E agora temos o Irão e também, da minha parte, eu vou dizer bastante bem deste filme. Eu também acho que vou dizer bastante bem deste filme adaptado do grande romance italiano. Ou não, não é? Estou justificando. Estou com o Rio de Janeiro, estou aqui.

Estou com o Rio de Janeiro, estou aqui. Estou com o Rio de Janeiro, estou aqui. Estou aqui. Estou aqui. Estou aqui.

Romance como os Lusíadas, não é? Esse grande romance... É romântico. O caso de Divina Comédia é que é o romance lato, digamos assim. Só vocês todos que entram, cuidado. Esses poemas épicos, lá está, mas isto não tem nada a ver.

Não tem nada a ver, mas é uma comédia. É, é verdade, é verdade. E é divina. E tem momentos divinais. Exato. E é divina, é religiosa também, embora seja, obviamente, com um forte e apurado sentido crítico à questão iraniana. E também com as questões metacinematográficas muito presentes, outra vez, no cinema iraniano. E outra vez, nunca é necessariamente mais.

Sim, não é demais. É um filme muito meta, como tu acabaste de dizer. Eu acho que acaba de ser uma certa carta de desamor, por um lado, ao cinema. Mas amor também. Mas amor ao mesmo tempo e à força que o cinema pode ter de resistência. É um excelente exemplo de cinema que também acho que é um cinema possível. Grande parte deste filme passa-se em planos fixos, com conversas longuíssimas entre personagens. É um filme de recursos e de meios muito escassos e claramente um filme feito de dentro. Ou seja, o ator principal, o Bahram Ark, é ele próprio também realizador.

E faz de realizador e é realizador. E a Sadaf Asgari, que é uma espécie de uma sidekick que ele tem aqui no filme, é também obra produtora na vida real, digamos assim. Portanto, eles fazem de eles próprios, é uma espécie de um metacinema sobre si próprio e sobre a dificuldade de continuar a fazer cinema e de resistir à censura. E ao mesmo tempo o lado romântico de lutar neste espaço artístico e no espaço de influência possível.

Sendo que depois a realidade acaba sempre por atropelar e a realidade acaba sempre por se sobrepor ao que é possível fazer no cinema.

O que nós temos aqui também é o realizador que, no fundo, quer, está à procura de licenciar o seu filme, de o poder exibir. A uma dada altura ele até diz que mais do que uma especificidade de resistência, é uma forma de se sentir humano, a hipótese de exibir o filme no Irão e, de alguma forma, há um lado autobiográfico do próprio realizador deste filme, deste Divina Comédia, o Ali Asgari, que eu entrevistei e que nos diz também, que nos fala dessa importância de exibir o filme.

Acho que muitas vezes dizemos que sim a muitas coisas. E com isso perdemos muito dos nossos valores humanos. A personagem do filme não quer perder valor como ser humano. Por isso diz não ao que lhe oferecem em vários momentos. Ele quer manter-se fiel aos seus ideais. Por isso menciona a busca pela salvação, ao dizer que não ao que está a acontecer, ao dizer que não ao sistema.

Foi uma entrevista muito interessante que me deu muito prazer fazer e acho que este certo mostra logo bem isso. E acrescentou ao filme, provavelmente. É daqueles filmes que o documentário em torno e sobre o filme também pode acrescentar à intenção. Eu acho que o filme é evidente.

pegando aqui um bocadinho nas palavras do Ali Asgar, eu acho que o filme é um bocadinho evidente para falar, e no bom sentido, para falar sobre as questões que hoje em dia têm que se enfrentar, não só as questões políticas e geográficas de fazer um filme no Irão, como também a própria multiplicidade de coisas que estão a acontecer ao mesmo tempo e que estão a mudar a face do cinema.

Há ofertas para fazer coisas com inteligência artificial, há ofertas para tentar adaptar e criar coisas mais, digamos, fáceis e de consumo mais imediato. Há uma referência muito curiosa ao Daran Aronofsky, que recentemente fez uma espécie de, acho que a palavra certa é cagada, em inteligência artificial.

E que, enfim, para mim caiu completamente Muitas escadas na minha consideração E eu até acho que o filme acaba por mencioná-lo De forma consciente e de forma jocosa E bem, porque o que ele fez recentemente O seu filme, digamos Não sei se o objetivo é esse Mas devia, não é devia Porque a verdade é que o Aronofsky Enunciou esta parceria e esta criação De um filme sobre a guerra civil americana Em inteligência artificial há algum tempo Portanto, pode ser uma referência a isso?

Ou pode ser uma referência a ele ser Vergada ou uma necessidade de apresentar um certo tipo de história Não sei Não sei se o filme

Mas sim, o filme faz também muito desta referência ao cinema atual. Sim, o filme também tem um lado de comédia que se calhar marca uma diferença face a outro cinema iraniano. É muito evidente, ainda que no último filme do Panay isso também acontecesse. Mas há alguns outros dados mais específicos. Por exemplo, a questão das restrições aos animais no Irã era algo que eu não sabia muito.

O filme até dá uma espécie de último plano de um cão. Fazendo também, de alguma forma, uma espécie de paralelismo, como o próprio Aliás Gari me disse, entre a personagem do realizador e a personagem do cão, de alguma forma, as restrições que eles têm. Há uma cena muito curiosa, que é quando ele tenta obter a licença, que nós nunca vemos a contracena, nunca vemos o contraplano da pessoa com quem ele está a falar. Uma espécie de regime sem rosto, com o objetivo também é falar mais das instituições do que propriamente os indivíduos.

E, em vez do carro, que é o clássico nos filmes do Panay, temos aqui uma lambreta cor-de-rosa, guiada por uma mulher. De cabelo azul. De cabelo azul, exatamente. De Louis de Worms de Cala, a vida dela. Também é essa a estreia. Exatamente. É, ao mesmo tempo, uma homenagem ao cinema, já vamos perceber como, e também um acto de emancipação.

No Irã, as mulheres ainda não têm permissão para conduzir legalmente motociclos. Muitas raparigas fazem-no hoje em dia, mas não existe nenhuma regra que o permita. É por isso que a personagem do filme está a quebrar muitas regras. A mulher está a conduzir e o homem está atrás. Mas como referiste sobre o Nani Moretti, claro que me inspira nele. Gosto muito do seu cinema, gosto muito dos seus filmes e, de certa forma, é uma homenagem a querido diário.

Esta homenagem a Moretti, mas também aquele lado da emancipação, porque não é suposto, tendo em conta algumas leis iranianas, a mulher conduzir a moto. Sim, é curioso ele falar de Nani Moretti, e acho que devia ter sido evidente a homenagem a Nani Moretti, mas na verdade eu acabei por pensar mais até em algumas películas de metacinema ou de pessoas a tentar criar o seu filme, como por exemplo o Barton Fink dos Irmãos Cohen. Por acaso o filme levou mais para aí do que necessariamente para a Nani Moretti, mas é uma homenagem visual mais evidente. E também é curioso perceber-se...

que todos os elementos deste filme acabam por ser elementos de revolta barra reconquista de espaço ou tentativa de vencer um espaço que está-lhes boicotado pelo regime. Curiosamente, com os recentes desenvolvimentos, eu já não sei muito bem o que é que este filme pode eventualmente, o que é que poderia eventualmente ter sido acrescentado a este filme, entretanto, ou o que é que ele deixaria de dizer. Portanto, era uma pergunta que eu teria feito ao Ali Asgar.

Eu também fiz, a propósito dessa questão. Mas até se, tendo em conta que o filme foi feito antes, o que é que aconteceria a posteriori? Ou seja, tendo em conta já pensando num futuro filme do Ali Azgari, se ele tenciona envolver algumas destas questões, nomeadamente a repressão massiva dos protestos em janeiro, obviamente os ataques norte-americanos e israelitas. Ele diz que sim, que promete de alguma forma referir isso, nem que seja em subtexto em futuros filmes, mas deixa uma espécie de mensagem política. Nem ditadura, nem agressão externa.

Acredito que as pessoas estão, de qualquer forma, pressionadas por ambos os lados. Mas não é algo com que nos possamos sentir felizes. Estamos sob ataque dos Estados Unidos. Não é normal regozijar-me-nos com isso. Ainda que compreenda a frustração das pessoas com o regime vigente. De qualquer forma, acho que algumas mudanças têm mesmo que acontecer.

Porque assim não pode continuar. Resta saber de que forma, que mudanças é que vão existir, tendo em conta que também sabemos que intervenções externas norte-americanas não costumam arredondar num processo democrático, propriamente. Sim, e basicamente o que o Osgar também diz aqui é que as coisas não estavam bem.

parecem que sejam a ficar melhores. Que também é um bocado a percepção que acaba por ser de fora. A teocracia continua. E até se pode fortalecer de uma certa maneira. E até se pode fortalecer, exatamente, porque é isso que muitas vezes acontece por causa destes ataques externos, que é uma união revolucionária. E é muito curioso o filme acabar com, e acho que isto não é spoiler, mas há uma referência óbvia ao fim do regime do Bashar al-Assad na Síria. Muito óbvia.

É evidente É explícita Exatamente, não é uma parte Da narrativa do filme necessariamente Mas é o sítio onde o filme chega E onde o filme nos deixa com questões E que nos enquadra também historicamente No que é que o filme está a falar E nos deixa a perguntar Até agora tivemos este tipo de repressão Que repressão é que vem a seguir? Será que o reprimido quando se torna líder Também não vai ser ele próprio Alguém que cria repressão

Fora tudo isto, podemos falar da parte cinematográfica em si do filme. E o filme, como eu disse há pouco, vive muito de planos únicos, planos de sequência longuíssimos, de encenação até relativamente complexa, porque há vários atores em cena num plano apenas, ou às vezes o plano tem uma pequena aproximação ou qualquer coisa desse género, mas há muito passado à frente de uma espécie de um platô.

E parece-me que é uma abordagem minimal na realização. E quando no início falava do cinema possível, dá um pouco acerca disso, que é, talvez, de certo modo, tendo em conta todas as restrições, este tipo de abordagem muito minimalista seja a única possível. Sim, sim, sim. Quer dizer, lá está. A ideia também é uma espécie de contraste entre as cenas de plano fixo e depois as cenas em movimento com a moto. Mas mesmo elas são planos de sequência fixa.

Ou seja, não há uma decupagem gigante sobre a pessoa em cima da moto e vários planos. Não, não, não há cortes. Não há cortes, é um plano longo. É isso, é isso.

Sim, sim, sim. Nesse caso até podia ser um bocado de música de um jazz à união. Temos estado a ouvir também em fundo. Essa é uma referência implícita, mas há várias explícitas, seja de realizadores, seja de filmes, seja de personagens icónicas como esta. Águas. Águas.

Cá está, Bond, James Bond. E deixe-me adivinhar, tu depois perguntaste ao Alias Gari quem é que ele achava que ia ser o próximo Bond. Não perguntei, claro, está. Aquela ele achava interessantíssima. Sim, sim, sim. Mas de facto perguntei-se se a ideia de tanta referência norte-americana seria porque...

Há um paradoxo que é, ao proibir os principais cineastas iranianos de exibirem os filmes no próprio país, algumas referências populares acabam por serem inevitavelmente norte-americanas, algumas eventualmente pela Porta do Cavalo, porque não imagino que alguns dos filmes norte-americanos sejam exibidos e tenham direitos de exibição também no Irã, mas isso acaba por acontecer. Ele diz que sim, esse é um dos aspectos, mas o outro, e que há pouco falámos, é uma espécie de carta de amor ao cinema.

Eu, o Baram e os outros argumentistas adoramos cinema e temos um grande amor pelo cinema. Como o filme é sobre a exibição de um filme num cinema, decidimos incluir várias referências que apreciamos nas nossas vidas pessoais. Alguns dos cineastas que mencionamos são os meus favoritos, outros não, são do Baram. Ele gosta muito do Matrix, que aparece tantas vezes. Eu não sou assim tão fã.

Asgari, estamos juntos Matrix também não compreendo Mas pronto, enfim Tu e o Asgari lá têm as suas parcenças Enfim, eu acho que ele diz isto Para poder falar do Matrix outra vez

Sim, mas eu também uso a Matrix por um lado da inteligência artificial. Estava à espera que cada altura estes personagens começassem à bulha e de repente talvez alguém ia cair para trás com a câmera lenta. Estava à espera de uma cena assim. Não, porque o filme é super sóbrio, era o que mais faltava que existisse uma coisa dessa. Podia haver alguma lógica e isso funcionar. Mas o filme tem um sentido muito coerente de um lado sóbrio do ponto de vista de criação visual.

Eu acho que é um bom filme. Talvez não sejam um dos meus filmes iranianos favoritos e às vezes também o name dropping de cinema às vezes está no assunto tanto quanto excessivo. Lá vem o Spielberg, lá vem o José. Eu acho que é um filme que vale mais por isto que acabaste de fazer com Ali Asgar e que é por percebermos as camadas que existem para além do filme, que levam ao filme ser o que é. Mas também acho que este Comédie Ela Ri é um belíssimo filme. E qual é a nota que tu dás? Eu dou um 6 em 10.

Belíssimo filme, 6 em 10 Mas também é assim Eu vou dar a mesma nota que dei ao Marte E que achei um filme superior Mas eu vou dar ela por ela Vou dar os mesmos, 7 em 10 Tu não saís do 7 há meses Não, eu passo a vida a dar meios

Portanto, continuo a dar os meus meios. Nunca deixe só meio a um filme. Neste caso, por acaso, meio não, porque eu acho que o mínimo é um. Nunca dei zero. Já deixe de dizer? Acho que não. Se chama-se do onde? Acho que não, dei um. Um porque era o mínimo. Deste zero. Eu dei um do zero. Acho que não. Estás enganado? Porque é de um a dez. A nota é sempre de um a dez. Mas vão ouvir, se quiserem perceber se eu dei ou não, para ver como a minha palavra conta.

Vão ouvir hoje uma... A verburrear durante o início de termos sobre um filme péssimo. Não vale a pena péssimo, é verdade.

Fico com 6,5 em 10 este filme iraniano Divina Comédia e vamos para as notas finais. O Toca e Foge, que ninguém pediu. Ora, temos duas notas e começamos com uma série que traz Daniel Mota. Eu já vi parte, antes já posso dar o meu toque. E se calhar vamos andar à bolha. Ah, não, acho que não. Por a imensa dor de saber que você escolheu a pessoa errada.

Como eu não percebi isso? Vou gravar isso.

Chama-se Bif, é a segunda temporada de série de uma espécie... Chama-se Bif, mas com o bem tudo, não se chama Bif Bif de Bif Não se chama Bitoque, exatamente Não é um bif em inglês Porque chama-se Rixa Podia-se chamar Abulha Era o que eu estava a dizer, daí é a lógica de andarmos à Abulha sendo que o título brasileiro é Tretas Portanto, dá para várias coisas Dá para vários contextos Uma coisa que é absolutamente óbvia, é que tem um elenco E aí

Dudes, sem dúvida nenhuma E esta segunda temporada do Richa É daquelas séries antológicas Desta segunda temporada nada tem a ver Em termos de personagens Eu vi a primeira e vi esta segunda Mas temos aqui Carrie Mulligan, Oscar Isaac Kaylee Spaney e ainda o Charles Melton Que nós vimos no meio de Summer com algum destaque

E na verdade mais um sem fim de atores secundários Que surgem lá pelo meio E aqui começa a parte da crítica É talvez demasiados Eu não senti que seja esse o problema Mas amigo, tu da Richa viste rir Eu já vi a Cha Eu vi 5 episódios E eu vou-te dizer Eu vi 5 episódios e até o 5º, 6º Eu estava assim

É engraçado como eles pegaram num conceito de bulha entre duas ou três pessoas na primeira temporada. Expandiram aqui um bocadinho, meteram casal contra casal, pessoas contra pessoas. E de repente o que acontece é tipo intriga internacional e vai e dá uma volta. E o último episódio é das coisas mais desastrosas que eu vi nos últimos...

É que eu já ia dizer o seguinte É que eu estou no quinto episódio E não tenho certeza que vai acabar de ver a série Porque eu acho que ela entra em altos e baixos Eu também gostei desse contexto Não tendo a comparação com a primeira série Mas acho que o primeiro episódio Apresenta bem aquela espécie de rixa Entre os dois casais O segundo episódio já começa a sentir Já está a crescer demasiado rápido Não gosto muito do arco Da personagem do casal mais novo Da Kelly Spain e do rapaz Da ascendência coreana Yes E aí

Depois o terceiro volta-me a chamar a atenção e o quarto episódio é talvez das coisas de mais mau gosto que vi em muito tempo. Nós falámos da sensibilidade do The Pit. É quase um anti-The Pit no sentido de serem tudo personagens absolutamente odiosas, médicos, enfermeiros, tudo que envolve os próprios. Tudo é pintado com uma cor e a cor é pessoas de merda. E nem sequer é em crescendo. Podia ser um fenómeno em crescendo, não há crescendo rigorosamente nenhum. Nem sequer é um galho de esperança.

somos todos uma ganda cagada as pessoas são todas isto e ninguém mal nada eu gosto de séries como White Lodge, como Fargo séries que têm um lado inclusivamente a terceira temporada do White Lodge que tu criticaste eu aprecio crítica social o que é que eu não aprecio? crítica social através de pessoas que são impossíveis de existir que são pessoas sem qualquer tipo de qualidades sim

E estas personagens todas são todas umas bestas. E falta de respeito pelo tempo. Ou seja, mesmo o White Lodge tem o seu tempo. Tem as coisas que respiram. E tens ali um momento e tu vais ficando intrigado, obviamente também pela construção visual, pela música que vai entrando. Tu vais ficando intrigado e aquilo vai tendo o seu tempo para respirar.

Aqui não, é um constante martelar. É martelar, olha mais uma personagem horrível, olha mais uma, olha mais uma, mais uma. No quarto episódio é meia hora e meia hora há umas 15 personagens horríveis naquele episódio. E secundárias, e que aparecem só por uma vez. Aparecem uma vez, uma enfermeira horrível, depois um médico horrível, tudo horrível. Toda a gente é má. E depois no quinto acrescenta na misantropia um bocado de ódio para os animais.

E portanto eu provavelmente não vou ver mais isto. Pronto, o que é que sucede? A série sai desse lado dos ódios aos animais e misantropia para o que ela julga ser possível depois de tudo isso, que é um final.

onde de repente estas pessoas é suposto provocarem-nos emoção e carinho. Eu já estou a odiar. Sério, não vale a pena. Não construíste nada, até agora, neste argumento e nesta criação do cineasta Lee Sung-Gin, não construíste nada para eu me agarrar. Ou seja, a única coisa que me está aqui a agarrar é que eu tenho muito carinho para estes atores. É isso, e que são fortíssimos. Mas de repente, quando ele faz uma personagem que não tem qualquer tipo de lado decente, pá, eu adoro a Carey Mulligan, mas ela não consegue invocar em mim aquela personagem de nenhum tipo de simpatia, empatia.

É, mas podia ter até do sentido humor Poder ser um humor mais surrealista Por exemplo, o The Curse O The Curse também tem mais personagens Pelo qual estou no desgrande simpatia Mas tem, lá está, além do respeito do tempo É muito mais criativo Tem um sentido humor, mesmo humor muito ácido Que eu acho que aqui não existe muito Não há muitos momentos em que uma peteça Se quer sorrir

Sim, e eu acho que a primeira temporada tinha como, pelo menos do que eu me recordo, tinha como, digamos assim, ideia central uma análise da mesquinhez. E esta segunda temporada começa com a mesquinhez e com um lado de suborno sobre suborno emocional e acaba com intriga internacional em torno de...

De complôs, de grandes corporações Que querem dar a volta Não faz sentido absolutamente nenhum Para onde é que a série pretendeu ir nesta segunda temporada E acho que à altura parece que é só porque pode É incrível que tu estás a dizer muito mal Mas eu agora fiquei com mais curiosidade de ver Porque não estou a imaginar a intriga internacional É isso, mas é que quando começa a acontecer Tu estás assim, mas é que série que eu estou a ver agora Entretanto já aparecem 10 séries ao mesmo tempo E conseguir João, tu repara nisto Isto chama-se compasso de espera porque eu estou a procurar o nome do ator E conseguir É isso

desperdiçar a presença do ator que ficou muito conhecido pelo parasita do Song Kang-Hoo consegui desperdiçar essa presença num papel ridículo ele só aparece lá para trás e não volta a aparecer? não, não, ele aparece até o último episódio porque ele no quarto e no quinto desapareceu e tem uma cena no último episódio que ultrapassa o ofensivo torna-se profundamente idiota e eu não consigo ter qualquer tipo de carinho por esta série e foi mesmo uma série, uma temporada que eu acho que começa muito melhor de qualquer caso

Mas rapidamente vai perdendo o gás Mas se gostam de Voltarem a confirmar que de facto existem Indivíduos que não valem nada Pronto, se quiserem carregar O mundo está feliz Portanto é fixo Vamos fechar com coisas mais felizes Ou não também Porque também há aqui uma homenagem Estocantes, emocionais Mas vamos fechar entre Leiria e Viana do Castelo A coitada não se consegue mexer

A gente é como é. Não como gostava de ser. Coitada é a corcunda desde que nasceu. Nós vamos perder o hotel. Basta eles olharem para as folhas da computabilidade, veem que nós não fazemos dinheiro desde Março. Eu vou explicar.

Este hotel é extraordinário. Temos aqui um excerto do mal viver, porque em Viena do Castelo, o João Canijo tem direito a uma grande homenagem nos encontros de cinema de Viena do Castelo. Até quarta-feira temos muitos workshops, muitos debates e muitas conferências. É também uma discussão muito interna. E em termos de exibição, de facto, há o destaque para a homenagem ao Canijo com...

grande parte da filmografia do grande realizador português que nos deixou há pouco tempo a ser exibida em Viena do Castelo, como referi até quarta-feira. Em Leiria, há o Leiria Film Festival, aqui com destaque para a curta-metragem. São 65 curtas de 20 países, com foco ainda no cinema de Macau e na obra da atriz e realizadora portuguesa Júlia Bruisel, que ouvimos há pouco uma das curtas que ela realizou.

Foi também colaboradora nos argumentos dos filmes de Manoel de Oliveira, portanto uma figura não muito conhecida do cinema português, mas que merece ser conhecida em contraponto com João Canisro, homenageado em Viena do Castelo. Gostamos sempre de descentralizar e aqui fomos até Leiria e até Viena. Leiria que existe.

Eu diria que existe, sem dúvida, sem dúvida. Portanto, dois festivais ou uns encontros cinematográficos e um festival no fecho deste episódio. Sigam-nos nas redes, mandem-nos mensagens, deixem-nos sugestões. Estamos sempre abertos. Como viram nas nossas redes, tivemos um simpático casal a ouvir-nos durante este festival. Há quem diga. Neste episódio. O festival é um festival. O mais azar desta semana.

Mas nós estamos abertos a outro tipo de situações do género E gostamos sempre de acolher as pessoas Exatamente E mencionando aqui as palavras proféticas, digamos assim Do filme A Sombra do Caçador Que tu trouxeste como o traje de 1956 E também criticando aqui um pouco o Biff Porque o mundo não está fácil E é dada altura a personagem da Rachel Cooper Diz It's a hard world for little things

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