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Impactos da Guerra no Oriente Médio no Agronegócio Brasileiro

28 de abril de 202644min
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O mundo está de olho no Estreito de Ormuz, e o agro brasileiro sente o reflexo direto no custo de produção. Para destrinchar esse cenário complexo, Verônica Prates e Luna Coelho recebem Ana Lígia Lenat, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Nessa conversa, entenderemos como a instabilidade no Oriente Médio afeta o preço do diesel, a logística internacional e a demanda dos mercados importadores, com destaque especial para o produtor rural brasileiro.

Neste episódio, destacamos ainda os gargalos logísticos e produtivos que são escancarados em momentos de crises geopolíticas e quais são as possíveis saídas para o melhor enfrentamento do cenário.

Edição: Luna Coelho

#WomenInsideTrade #Comerciointernacional #Agronegocio #Orientemedio

Participantes neste episódio3
L

Luna Coelho

Co-host
V

Verônica Prats

Co-hostCofundadora da Witch
A

Ana Lígia Lenat

ConvidadoZootecnista e coordenadora de produção agrícola da CNA
Assuntos5
  • Guerra no Oriente MédioCusto de produção no agronegócio · Logística internacional · Demanda dos mercados importadores · Gargalos logísticos e produtivos · Efeito inflacionário no Brasil
  • Efeitos do aumento do dieselAumento do preço do diesel · Impacto no frete rodoviário · Inflação na cadeia alimentícia
  • Vulnerabilidade em fertilizantesImportação de fertilizantes · Produção de alimentos no Brasil · Impacto da Rússia nas importações
  • Exportações BrasilExportações para o Irã · Demanda por proteína animal
  • Estratégias de mitigação no agronegócioRevisão de contratos · Gestão de risco
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Olá, seja bem-vindo, seja bem-vinda a mais um episódio do Witchcast. Meu nome é Luna Coelho e junto com a cofundadora da Witch, Verônica Prats, iremos apresentar um episódio sobre os impactos do conflito do Oriente Médio no agronegócio brasileiro.

No episódio de hoje recebemos Ana Ligia Lenat, zootecnista com pós em administração de empresas, atua há mais de 25 anos no agronegócio, com experiência em inteligência de mercado, trading e relações governamentais. Co-fundadora da Women's Side Trade, atualmente coordenadora de produção agrícola da CNA, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Seja muito bem-vinda, Ana!

E para começarmos a nossa conversa, o pano de fundo vai ser a Guerra do Oriente Médio. O ponto de inflexão do conflito aconteceu ali no finalzinho de fevereiro, entre Estados Unidos e Israel. A resposta de Teheran ao ataque dos Estados Unidos foi imediata, com ataques a bases da região e ameaça direta à interrupção do tráfego no Estreito de Ornus.

Considerando ainda esse cenário macro, como você avalia os impactos mais imediatos desse conflito no Oriente Médio sobre o agronegócio brasileiro? Bem, primeiro eu queria agradecer pelo convite, é um tema que eu gosto muito de falar, acho que mistura um pouco de todos os conhecimentos que eu tenho, então queria agradecer bastante por a gente estar aqui.

Bem, não quero parecer pessimista, mas eu diria que é um grande problema para o agronegócio brasileiro. Quando a gente pensa nos fluxos que a gente tem com aquela região, a gente tem tanto o envio de alimentos para lá, então, por exemplo, o Irã, a Arábia Saudita, o próprio Emirados Árabes, são grandes consumidores de produtos brasileiros, e aí se a gente for destacar, principalmente a proteína animal.

O Irã também é um grande comprador de milho brasileiro. Então, a gente está agora no momento em que estamos no desenvolvimento da nossa segunda safra de milho, que é uma safra que é desenvolvida após, você colhe a soja, você planta o milho em cima dessa soja. E é principalmente esse milho que é exportado. E o Irã é um dos nossos principais clientes há décadas já.

Então, se a gente for pensar na venda de produtos do agronegócio, a gente tem um problema. E a gente também tem um problema, que só não é maior por causa da época do ano em que a gente está, que é em relação aos insumos, aos produtos que a gente importa da região.

Acho que o primeiro que é mais usual e que todo mundo sente o impacto, já sentiu impacto no bolso, são os combustíveis, principalmente o diesel. A nossa economia brasileira, apesar da gente ter transporte de grãos, principalmente das principais regiões produtoras, acontece também por ferrovias no Brasil, mas principalmente a gente é extremamente dependente do frete rodoviário.

Então, a partir do momento que você tem um aumento do preço do diesel, você acaba tendo um efeito inflacionário por toda a cadeia, seja naquele grão que vai para exportação, seja no grão que vai alimentar um frango ou um suíno, seja aquela fruta ou aquela verdura que é um frete curto, mas que ele precisa ser transportado até o supermercado. Então, não é...

difícil, ou melhor dizendo, é de se esperar que nos próximos meses, caso o conflito não tenha uma solução, a gente comece a observar também um efeito inflacionário na ponta para o consumidor brasileiro, principalmente nas cadeias alimentícias. Mas é claro que não é exclusivo do agronegócio, esse aumento de frete é para todo mundo. Mas como é uma cadeia que a gente está falando de baixas margens, quer dizer, o produtor tem uma margem pequena, isso quando não tem prejuízos.

Então, o varejo vai ter que assumir parte desse impacto, mas em última instância, em última medida, isso chega para o consumidor final em forma de inflação. Então, geralmente, como a gente estava discutindo nos outros anos anteriores, problemas de inflação de alimentos, a gente estava falando um pouco de eventos climáticos, o que não aconteceu em 2025. A gente teve uma excelente safra ao longo de 2025, a gente teve uma boa safra que a gente chama de 25, 26, que é essa verão que acabou de ser colhida.

E a gente tem boas perspectivas para a safra, para a segunda safra, digamos assim. Então, a gente não teria problemas climáticos esse ano, a tendência é que o preço dos alimentos caíssem, mas agora, com esse carecimento de fretes, que é uma conta pesada para um Brasil, para um país que tem, se a gente for pegar uma rota média do agronegócio no Brasil, são mil quilômetros, ou seja, esse produto roda muito em um caminhão que faz um quilômetro por litro, então a gente imagina o quanto que se gasta.

Nessa conta, então é muito pesado e isso acaba impactando o consumidor final. Agora, tem um outro impacto que também leva para o consumidor, mas que o consumidor não percebe ou não sabe que isso acontece, que é a questão dos fertilizantes.

apesar daquela falácia que foi contada por Pedro Vaz de Caminha, que aqui se plantando tudo dá, o Brasil tem solos muito pobres em nutrientes. Então, para produzir a quantidade de alimento que a gente produz, seja proteína animal, seja proteína vegetal,

ou alimentos vegetais, ou seja, as carnes ou leite, a gente precisa de muito fertilizante no solo. E o Brasil não tem uma produção autossuficiente, a gente não é autossuficiente em fertilizantes. Então, se a gente pegar os três nutrientes básicos, que é o nitrogênio, o potássio e o fósforo, a gente é altamente dependente das importações.

Claro que hoje a gente, na ureia, por exemplo, que é o nitrogênio, a gente não é o maior, o Oriente Médio não é o nosso maior fornecedor, o maior fornecedor é a Rússia. Mas o que a Rússia anuncia logo que o conflito começa? Que ela está limitando as suas exportações, ou que ela vai proibir as suas exportações. 95% da nossa ureia...

a previsão é que viria da Rússia esse ano. Quando a gente tem um problema no Oriente Médio...

O que acontece? A gente também tem outros competidores nossos no mercado internacional, na produção agrícola. A China é um grande produtor, principalmente de milho. A China produz quase 390, 400 milhões de toneladas de milho. O milho é altamente dependente de nitrogênio. Estados Unidos também, cerca de 370, 400 milhões de toneladas também. O milho lá também, por mais que o solo dele seja...

Estados Unidos seja mais fértil do que o nosso, eles também precisam comprar nitrogênio. Então, é um nutriente que está todo mundo aí, digamos, na posição short e vai correr atrás. E nesse momento, quando você começa a avaliar para quem, quando esse conflito resolveu...

para quem que esses fornecedores vão vender, eles vão vender para quem tiver condições de pagar mais. E diferentemente do que a gente observou durante o conflito da Ucrânia e da Rússia em 2022, a gente tinha um ciclo de alta de commodities naquele momento. Se falava em soja no Brasil, a R$200 a saca, o milho estava passando de R$130 a R$140.

Hoje a gente está falando em milho para safrinha ao redor de 50, dependendo da região. Hoje está falando em safra, soja para safra do ano que vem, ao redor de 115 no Mato Grosso. Então a gente tem uma situação muito diferente. E lembrando que os preços dos fertilizantes no Brasil nunca voltaram aos preços do período pré-Ucrânia e Rússia.

Quer dizer, a gente estabeleceu um novo patamar de preços e hoje a gente elevou esse patamar. Então, a situação é bem complexa. A gente pode ver os produtores, se eu falar alguma coisa muito técnica, que é muito específica do meu mercado, vocês me ajudem a fazer a tradução, tá? Mas, quando a gente estava naquele período de Rússia e Ucrânia,

o produtor vinha de bons resultados no ciclo de alta de commodities, então ele investiu muito na produção, na parte técnica. Então ele adubou o solo, ele fez os tratos culturais necessários, então ele fez uma poupança. Digamos assim que o ano passado e esse ano, com a queda dos preços das commodities, o produtor gastou essa poupança.

Se esse conflito não se resolve até setembro, quando a safra vai ser colocada no chão, eu não sei o quanto o produtor vai realmente comprar de fertilizantes, a depender dos preços, e aí será que a gente tem ainda poupança no solo para fazer essa produtividade que a gente teve recorde nos últimos anos? Aí fica essa dúvida. Obrigada, Ana. É um prazer enorme ter você aqui no Weedcast e trazer toda a sua vivência, toda a sua experiência.

tanto técnica do agronegócio, quanto especificamente do comércio internacional. O assunto é complexo e a gente trouxe a pessoa certa, Luna, para conversar com a gente. Mas antes, que você já tocou na sua primeira resposta, tem vários aspectos que a gente quer aprofundar, então a gente vai falar mais sobre logística, vamos falar mais sobre essas vulnerabilidades do nosso mercado.

Mas antes eu até queria ouvir um pouco mais sobre esses setores impactados. Então você dá um pouco de nome aos bois. Mas você trouxe alguns exemplos de produtos que o Brasil exporta para o Irã, como milho, por exemplo. A gente sabe que o Oriente Médio é um mercado relevante. A gente tem dados de mais de 12 bilhões em exportações do agro brasileiro em 2025 só para essa região. Então...

bastante significativo no percentual total das exportações do agro em 2025 e com algumas cadeias sendo especialmente impactadas, especialmente exportadoras. Tem setores, então, que eu entendo que são mais expostos ao conflito e, por outro lado, tem setores que podem se beneficiar, porque a gente está falando de um conflito que não impacta só o Brasil, mas o mercado global.

Então você pode ter valorização de commodities agrícolas ou uma maior demanda global por alimentos. Fala um pouco para a gente sobre esses casos.

É, geralmente, a gente observa esse tipo de conflito, a gente tem sempre, isso foi muito claro lá no conflito entre a Rússia e a Ucrânia, então o Brasil se beneficiou naquele momento porque a China precisou de mais soja, porque ela estava no processo de substituir o farelo de soja nas rações, mas ela acabou ficando sem o farelo de girassóide canola, que a Ucrânia era muito importante, então ela teve que voltar a comprar mais soja, para esmagar mais soja lá e produzir farelo.

Nesse momento, nesse conflito, claro que se a gente for pensar em outras indústrias, de tecnologia, indústria bélica, provavelmente a gente tem um ganho. Mas quando a gente pensa na produção de alimentos, na segurança alimentar, que hoje é tão cara para grande parte dos países do mundo, saiu um estudo da FAO no final do ano passado.

E eles tentaram avaliar quais países eram autossuficientes na sua produção de alimentos para garantir a sua própria segurança alimentar caso qualquer fluxo internacional fosse cessado. E só teve um país na América do Sul que conseguiu isso. Eu não tenho certeza agora, depois eu posso verificar para vocês se foi a Goiânia ou a Goiânia francesa.

ou até o Suriname. Mas nem o Brasil, nem Estados Unidos, nem a União Europeia como um bloco é autossuficiente em produção de alimentos. Então, quando a gente tem um conflito dessa magnitude...

em que você vê um fluxo de fertilizantes bastante afetado, primeiro porque eles são grandes produtores, não necessariamente fornecedores do Brasil, mas eles são grandes fornecedores do mundo todo. Se a gente for considerar também que...

do ponto de vista deles, os países que estão afetados lá dentro. Porque, por exemplo, o Irã, ele bombardeou praticamente todos os países da região, mesmo os que não estão envolvidos no conflito, para tentar marcar o seu ponto de vista. Então, esses países, quando a gente olha o mapa ali do...

principalmente da Península Arábica ali, muito se fala em rotas alternativas, pode chegar, de repente, a gente desembarca em Oman, de Oman você corta toda aquela parte do Estreito de Hormuz e você entrega para os erminados árabes, mas essas rotas não estão estabelecidas.

Você pode ter um oleoduto que corta a Arábia Saudita, mas ele tem uma vazão pequena. Também tem um outro oleoduto que sai dos Emirados e vai para o Oman, mas para receber os alimentos ali, eles teriam um problema, porque você não consegue... Como é que você desconecta um container que é refrigerado, precisa de energia elétrica? Quer dizer, ele tem ali no navio, você não consegue encontrar um slot tão fácil, né? Então, as repercussões...

A verdade é que a conclusão a qual a gente chega é que esse é um ganho, usando uma palavra não muito adequada, mas um jogo, perde-perde. Quer dizer, não tem soma zero e não tem ganha quando a gente pensa nesse conflito. O timing dele foi muito ruim. Lógico, você não tem um momento bom para você começar uma guerra, mas a gente veio de período.

de três anos seguidos, com problemas climáticos, todo mundo viu o que aconteceu com o preço do café no mundo, todo mundo viu o que aconteceu com o preço do cacau no mundo, acabou que o próprio preço do cacau desmantelou um pouco da própria demanda, foi tão grave isso que acabou destruindo parte da demanda, porque as indústrias descobriram que existiam substitutos, então veio o sabor chocolate, não o sabor.

cacau nos produtos, mas é, foi uma forma de você contornar o aumento de preço, então não é como se a gente estivesse partindo de um ano em que a gente tem estoques de alimentos ou estoques, grandes estoques de alimentos no mundo.

A gente vê problemas de safras de arroz, de alimentos básicos, quer dizer, o principal grão consumindo no mundo fonte de carboidrato é o arroz. Então, pode não ser a realidade para o americano, para o europeu, mas para a América Latina, para a Ásia, principalmente, que é o maior consumidor, isso é uma realidade. Então, não é como se os países tivessem muita garantia de que, ah, tudo bem, eu posso me fechar seis meses, como a China falou, eu tenho petróleo para seis meses.

mas quantos outros países têm a capacidade de fazer esse tipo de planejamento estratégico e se preparar para um conflito que não estava muito latente. Aí eu peço a ajuda de vocês que são especialistas na área, mas tinham outros conflitos que a gente imaginava que poderiam acontecer e não ter essa reviravolta do Irã.

Até a gente imaginava que fosse ter alguma coisa mais importante acontecendo na Venezuela do que o próprio Irã. Então, você não tinha esse tipo de planejamento. Eu acho que isso se reflete até um pouco na posição da Europa em não enviar ajuda, não querer que esse conflito se prolongue, porque eles também...

acabam sendo afetados, quer dizer, não é só a gente, mas de forma geral, o agro todo acabou sendo afetado. E quando a gente pensa em fluxos, o que acontece? A partir do momento que você segura esses navios lá, você está segurando, não é como se tivesse navio atracado esperando para ser chamado, não é um...

pontos de táxi, né? O navio tá parado em algum lugar, tá esperando pra ser chamado numa emergência. Não, ele tá rodando. Se ele não tá rodando, ele tá perdendo dinheiro. E aí, a partir do momento que ele fica lá parado, que ele não consegue passar pelo estrelado de Hormuz, nem pra um lado, nem pro outro, isso vai afetar todos os fretes, todo o frete global. Então, você vai ter o que a gente chama de atrasos, né? Os demurrage nos portos constantemente.

Isso é uma equação muito difícil de fechar em poucos meses. Quanto mais longo o conflito for, mais tempo a gente demora pra acertar esse tipo de coisa.

Continuando um pouco nessa questão de logística, de fluxos, o Estreito de Hormuz é responsável por circular em cerca de 20% do petróleo mundial. E além, claro, do custo do frete, nós temos ali um seguro da carga que está transitando, que está nesse caminho que...

precisa atracar em algum lugar ou que vai sair para outro lugar, e isso aumenta, porque aumentam os riscos, aumenta o custo de um seguro também. Como essas disrupções logísticas estão afetando a competitividade do Brasil no comércio internacional e o cumprimento de contratos? O primeiro impacto que a gente viu imediatamente é a questão de container. Então, existe uma falta de containers no mundo.

E ali é uma rota importante também, a gente fala muito do petróleo que passa por lá, dos alimentos, que às vezes a gente tende a fazer uma conexão mais com porões de navios, mas ali também é uma rota importante de contêineres. E se a gente for pensar nas nossas exportações especificamente de carnes, isso é um grande problema.

Quando, para vocês terem uma ideia, durante o conflito da Rússia e da Ucrânia, o preço do container chegou a subir mais de 30%, 40%. Ele já começou a subir agora, porque o que acontece é...

Muitas vezes, o contêiner está parado lá e ele não necessariamente viria para o Brasil. Então, a hora que ele conseguir descarregar ou passar pelo Estreito de Jormuzo, ou ele voltar à rota, seja lá qual a solução que eles deem, ele vai ter que voltar e cumprir aquela entrega, ele vai ter que cumprir aquele trajeto que ele estava...

planejado para ele cumprir. Então, até ele conseguir chegar de volta no Brasil, vai demorar um tempo. Fora que pode acontecer muitas vezes das próprias operadores logísticos ou dos armadores, as empresas que estão operando aquele frete.

simplesmente falarem, olha, a gente não vai operar essa rota, a gente vai alterar, mas para alterar essa rota e para tentar desenhar a nova rota, ele vai ter que refazer o cálculo. Então, se ele parava, fazia quatro ou cinco paradas, de repente ele vai fazer só três paradas, mas aquele custo da tripulação, ele vai ter que diminuir em menos pontos. Então, isso acaba agregando, quer dizer, cada situação...

dessa conta, dessa situação que a gente está prevendo, ela vai aumentando um ponto naquele custo daquele frete. Então, primeiro que você tem um atraso, então quando você tem atraso, você tem mais tempo de tribulação a bordo, você tem mais custo com mão de obra, você tem mais gasto de combustível, porque não imagine que o navio está parado, atracado no porto.

esperando, ele está totalmente desligado. Não está. Você tem produtos lá dentro, você tem a tripulação que nem tem autorização para ficar tanto tempo fora, dependendo do país. A tripulação não pode transitar normalmente. Aquele cara tem que ficar dormindo no navio, às vezes ele não consegue nem sair. Ou seja, você tem um mínimo de energia que é gasto ali dentro para manter essa tripulação lá. Então, às vezes são repercussões que as pessoas não imaginam que acontecem, mas tudo isso vai encarecendo.

Então você vai ter o atraso, você tem o custo que é maior para manter a tripulação, para o combustível, e isso é um efeito em cadeia. De repente, se a gente pensa em um setor de tecnologia, que tem uma margem maior, chip, celular, estou pensando em alguns setores, isso não vai impactar tanto no produto final. Mas quando a gente está falando de produtos básicos, minério de ferro, petróleo...

itens de construção, tudo que é meio comoditizado, sem ser não necessariamente agrícola, tudo isso você tem um impacto muito grande. Às vezes você pode chegar até a inviabilizar aquele transporte, aquela exportação por isso. Ana, e a gente está falando aí de atraso, de custos mais altos, e a gente, infelizmente, hoje, 22 de abril, que estamos gravando esse episódio, a gente não está vendo um cenário de resolução de curto prazo.

Na realidade, até antes de gravar o episódio, a gente falava justamente sobre as incertezas, a volatilidade enorme e falta de clareza quanto ao próximo passo factível no curto prazo. Diante desse cenário, alguns analistas têm falado em estratégias de diversificação, revisão de contratos.

até maior gestão de risco, que eu não acho que também seja algo de curtíssimo prazo, mas na prática, o que você tem visto os produtores fazendo para mitigar esses impactos? Olha, acho que no primeiro momento, se a gente for pensar no produtor brasileiro, ele tentou ver o que havia de estoque interno no Brasil e ele tentou comprar alguma coisa. Claro que o timing do...

do conflito, ele nos prejudica muito, porque ele aconteceu no momento em que a gente estava terminando de colher a soja, e aí eu estou falando dos principais grãos, então a gente estava terminando de colher a safra verão, e a gente estava partindo para o plantio da safra inverno. Então, os insumos para a gente produzir essa safra de inverno, eles já estavam internalizados, o produtor podia não ter recebido ainda, mas ele já tinha feito a compra.

Essa safra, a safra verão e essa safra de inverno, ela não foi afetada em termos dos preços desse conflito e nem da disponibilidade do fertilizante.

Agora, como eu comentei, abril, maio, começa a ser o período em que o produtor começa a se programar para ele fazer as compras dos fertilizantes para a safra que ele vai começar a plantar em setembro, outubro, talvez novembro, vai depender do clima esse ano, que tem um elninho chegando aí.

Então, vai depender um pouquinho, mas mais ou menos ele começa a se planejar nesse momento, começa a fazer as cotações e que surgem os pacotes de venda de insumos para os produtores. Aí, esse é o grande problema, né? Porque se a gente for pegar soja para o ano que vem, a gente está falando aí de uma soja de 110, 115, depende da região, claro, que a gente está falando. Se a gente for jogar um aumento de 30, 40% de preço de fertilizantes,

Esse produtor já está trabalhando com margem bastante negativa. Ele não cobre nem os custos de operação, que a gente divide no mercado agropecuário, tem os custos operacionais, depois você vai colocando amortização, depreciação, e você vai formando o custo total. Então, não cobre o custo operacional. O produtor brasileiro vai deixar de plantar?

Olha, dificilmente. A gente pode não ver aumento de área, mas essa é a atividade que ele faz. Como é que ele deixa de plantar, se isso depende da renda dele, da família dele, de todos os empregados que, porventura, ele tenha, dependendo do porte. Então, ele não deixa de plantar. O que ele faz é arriscar. Então, ele deixa de adubar.

Ou se ele fala, não, eu não posso deixar de adubar, mas eu posso deixar de aplicar, de repente, os meus tratos culturais.

Isso pode deixar a planta mais fragilizada, quer dizer, se a gente tiver alguma condição climática que favoreça o desenvolvimento de uma praga e aquela planta não estiver protegida, a gente tem pera de produtividade. Então, é meio que uma sinuca de bico que o produtor se coloca. Ou ele diminui a fertilização e garante que ele vai ter os tratos superiores, mas sem a fertilização a planta não consegue exprimir todo o seu potencial, ou ele fertiliza, mas ele fica sem dinheiro para pagar os tratos culturais, o que a planta pode ficar sujeita a uma praga. E aí

E aí é o nosso problema da nossa agricultura tropical, porque diferentemente de países que tem o inverno muito marcado e muito forte, que mata toda a praga, a neve não deixa nada sobreviver, o nosso tem um clima bom não só para a lavoura, tem um clima bom para a própria praga. Então isso é um problema. Então as perspectivas mostram que a gente deve ter uma safra 26, 27, que começa plantada em setembro de 26 e vai até ali desenvolvimento em 27, bastante desafiadora.

Agora, o conflito se resolve amanhã, o que também não é difícil imaginando, a gente não consegue imaginar como o Trump pensa, mas a gente sabe que às vezes ele toma decisões, que a gente não sabe como que foram pensadas, mas de repente ele resolve esse conflito amanhã.

Tem tempo desse fertilizante chegar no Brasil? Tem. Tem tempo desse preço cair? Tem. Então vai depender muito de como isso se resolva, de quanto tempo mais demora esse conflito, para a gente imaginar realmente qual vai ser o impacto real. Mas eu diria que se ele perdurar, pelo menos ao longo do mês de maio, não tiver solução até maio, início de junho, aí a gente já começa a ter problema que mesmo que o produtor queira investir na safra.

ele dificilmente consegue fazer essa contratação a tempo desse produto chegar aqui. E, Ana, o governo tentou dar uma resposta ali, e saíram várias manchetes falando de um pacote de cerca de 60 bilhões para conter o preço do diesel, seria uma forma de frear o impacto no final da cadeia de produção, incluindo subsídios e reduções de impostos.

Na sua avaliação, essas medidas são suficientes ou não? Que outros instrumentos poderiam apoiar o agro nessa situação tão volátil que a gente está passando? Claro. Eu acho que as medidas não são suficientes, mas a gente também tem uma restrição orçamentária forte no Brasil. Então, não dá para a gente também exigir que todo esse ônus caia na conta do Tesouro Nacional.

Mas claro que foi um apoio, apesar da gente saber que tem algumas distribuidoras que ainda não entraram, porque quando elas fizeram a conta, somando todos os incentivos ainda, eles não iam conseguir importar o diesel. Então tem algumas distribuidoras que não entraram ainda. Mas de qualquer forma, aquele primeiro ímpeto de dar uma estilingada no preço, isso acabou sendo contido.

Agora, o que a gente precisa pensar, e aí tem que ser pensado em conjunto, qual que é o plano de nação, qual que é o plano de país, qual que é o plano de Estado e não o plano de governo. Eu acho que se a gente...

A gente que trabalha no agro, a gente não quer que só o agro seja o motor do Brasil, a gente quer que a indústria também se desenvolva, a gente quer que serviços se desenvolva, tecnologia, mas considerando que nós somos uma parte importante da economia, a forma como os subsídios ou os planos são anunciados, eles não são efetivos.

Então a gente precisa realmente ter uma política de diminuição, considerando que o nosso alimento é transportado em cima de roda, o alimento que está no dia a dia na nossa mesa, ele é transportado em cima de rodas de caminhão, o que é necessário, o que precisa ser feito para que a gente tenha uma mínima segurança de que a gente vai ter diesel suficiente para passar por esses conflitos que estão ficando cada vez mais constantes.

há quanto tempo a gente não falava de choque de petróleo? Desde a década de 70. De repente, em menos de um período de quatro anos, a gente está falando no terceiro conflito. Então, porque eu estou considerando a Ucrânia, estou considerando Israel, Hamas, e também estou considerando agora...

o Irã. Então a gente passa pelo terceiro conflito, quer dizer, num período de quatro anos, são choques sucessivos que vêm fazendo com que, não é nem questão do preço do produto, porque preço em algum momento as coisas se estabilizam. Isso no final não adianta em qualquer cadeia o consumidor que vai pagar, então somos nós que vamos pagar, que vamos ter esse processo inflacionário, mas isso se estabiliza. O problema é quando você não tem o produto, mesmo você subindo o preço, você não consegue comprar, você não consegue ter acesso a ele.

Então, isso que a gente precisa enfrentar, quer dizer, a gente tem, não sei se vocês ouviram, mas nos dados do mês passado, agora de março, o estado que foi o líder na nossa balança comercial foi o Rio de Janeiro, porque a gente bateu recorde de exportação de petróleo. Até tinha se falado da gente colocar taxa de exportação de petróleo, não faz sentido nenhum, a gente não tem capacidade de refino.

então não faz sentido a gente colocar uma taxa, mas será que não era possível a gente colocar um acordo olha, a gente vai exportar, mas a gente pagando a preço de mercado a gente quer dar garantia de que parte dessa fertilizante ou dessa orelha ou desse

que enxofre que tem desse refino volte para o Brasil. A gente paga o preço de mercado, mas isso volte. Já se fala há tanto tempo que a gente é muito dependente dos fertilizantes. E, de novo, como eu falei, nossos solos são pobres. A gente precisa ter muito fertilizante.

é muito dependente da maior parte dos nutrientes. E até quando a gente vai continuar? A gente nunca vai conseguir ser autossuficiente. Mas quais são as alternativas? Não é no momento de guerra, quando você está no olho do furacão, que você vai olhar outros fornecedores, porque esses outros fornecedores, já tem muita gente olhando para eles, como eu disse, no mercado internacional hoje, tem Canadá concorrendo com a gente pela compra de fertilizantes, Estados Unidos, a própria China, Índia. Então você tem grandes consumidores também concorrendo com a gente.

Então, cada um aí vai ficar com um pedaço, a gente não vai ficar sem nada. Mas o que eu quero dizer é que a gente precisa ter uma visão de Estado. Como é que a gente faz para resolver isso no longo prazo? E como que a gente cria uma política que envolva iniciativa privada também, mas que a gente pense no longo prazo? E que não, independentemente do que vai dar as eleições de 2026, que a gente não tem que se preocupar agora em 2026 e nem 2030 e nem 2034.

É isso que a gente precisa trabalhar, porque você aguenta um choque, dois choques, três choques, mas quanto tempo que uma cadeia consegue ser viável, economicamente viável e competitiva, se você não ataca o principal problema dela, e que é uma cadeia estratégica, que é um setor estratégico para a economia nacional. E esse é um momento, digamos assim, oportuno, tentando ser um pouco...

fazer do limão uma limonada, mas para esse tipo de reflexão, pelo que você trouxe, Ana, porque a gente não está num primeiro choque, a gente está vindo numa sequência deles e algumas vulnerabilidades já não são novidade. O fertilizante talvez seja o caso mais claro disso. As nossas dificuldades de logística interna não são uma novidade.

E eu digo que o momento é relativamente oportuno porque nós estamos, mais uma vez, em período de eleições, em um momento em que se constroem propostas, em que se discute, se abre para a discussão da sociedade, dos setores, de o que é mais relevante para a gente. E verdade, seja dita, você tem a visão do governo, que é mais pautada pelo curto e médio prazo.

E muitas vezes do setor privado também, porque é muito regido pelo choque, pelo risco, por o que eu vou fazer na próxima safra, não daqui a 50 anos. Mas pensando no médio e longo prazo, considerando que talvez esse cenário de conflitos não seja algo que vai se encerrar na próxima semana, que pode ser, como você bem disse, a gente não tem como...

ter muita precisão se amanhã se encerra um dos conflitos. Mas se na próxima semana começa outra, a gente também não consegue ver com muita clareza. O fato da vida é que a gente está vivendo um momento, por exemplo, em que a relação dos Estados Unidos com a China já vem em um crescente de tensões há alguns anos. Então, você tem a situação na Ucrânia que...

poderia ter sido encerrada muito rapidamente e não foi. Então, os choques, enfim, as crises geopolíticas, aparentemente vieram para ficar pelos próximos meses e anos. Com isso em mente, você acha que a forma do agronegócio lidar com risco geopolítico e as cadeias globais de valor estão mudando, tem uma visão do produtor, do setor privado?

de lidar com esses riscos para mais médio e longo prazo? Essa é uma excelente pergunta. Eu diria que a gente tem grandes produtores bem estruturados, que se planejam não só do ponto de vista de insumos, se a gente pensar em quantidade, em ter produto,

mas também trabalham bem ferramentas de gestão de risco, seja uma proteção em bolsa, porque a maior parte dessas commodities você acaba tendo uma forma de você se proteger, tanto do lado dos insumos quanto do lado dos produtos. O problema é que a nossa realidade não é de grandes produtores.

o Brasil é um país que tem muitos médios e pequenos produtores, e para esse, muitas vezes não há viabilidade ainda dessas ferramentas de proteção. Então vamos supor, se ele quer comprar ou vender, ele é um produtor, então ele provavelmente vai vender o produto dele, ele tem que comprar um produto na B3, ele vai comprar o milho na B3 para ele se proteger da variação do preço do milho.

Qual que é o contrato mínimo da B3? Quer dizer, para ele é viável isso? Quantos mil reais ele tem que gastar? Se tem chamada de margem, ele vai ter que colocar um pouco de dinheiro todo dia, ou se subir, ou ele não vai desembolsar nada se cair. Mas isso pode quebrar o fluxo de caixa dele. Então, é um grande problema isso. Eu acho que é uma solução que deve ser pensada...

pelo governo ou apenas pelo governo? Não, eu acho que tem muita coisa que o produtor pode fazer, até dou exemplos aqui da casa em que eu estou hoje, que é a CNA, tem a parte do cenário, que é uma parte de assistência técnica e gerencial para o produtor, que faz muita diferença, mas sozinha não consegue resolver.

E aí pensando de ponto de vista estrutural, o que o Brasil pode fazer? Considerando que realmente a gente provavelmente nunca vai ser autossuficiente fertilizante. A gente tem uma potência que é a Embrapa, que infelizmente tem sido sucateada nos últimos governos e aí independentemente do lado do governo, se é direita, se é esquerda, se é centro, a Embrapa não recebe os recursos necessários para desenvolver pesquisa científica.

A gente teve agora esse ano a Maria Ângela que foi reconhecida, a doutora Maria Ângela que foi reconhecida com o equivalente ao prêmio Nobel da agricultura por sua pesquisa justamente nisso, em fixadores de nitrogênio em plantas que não são leguminosas como a soja, que diminuiriam muito a nossa dependência de importação de ureia, por exemplo, sulfato, monopônio, super simples.

Mas o fato é que a Embrapa poderia ser um grande celeiro de soluções para a gente. A gente tem hoje em vigência no Brasil uma lei de insumos, quer dizer, que se propõe a ser também uma alternativa de fertilizantes.

o insumo é uma gama gigante de produtos tem produtos de controle tem produtos, mas tem fertilizantes tem remineralizadores que fazem com que a planta utilize melhor os nutrientes do solo só que realmente falta pesquisa e aí eu entendo que esse ponto específico a gente não pode deixar a Embrapa que é uma

que foi construída a tantas mãos e com tanto dinheiro que já foi investido nela, deixar agora se sucatear e a gente depender apenas de tecnologias externas que não necessariamente vão ser adaptadas no curto prazo para a realidade brasileira. Então, o que a gente tem de melhor está disponível, a gente precisa realmente investir. E aí, tem parte da iniciativa privada também que precisa investir, mas não adianta, é uma empresa pública, é uma empresa estatal.

Então, tem algumas coisas quando a gente pensa, justamente voltando para a discussão de governo ou de Estado, que isso dá esses resultados no longo prazo. Então, precisa ter investimento estatal, porque pesquisa muitas das vezes, se a gente for considerar todo o ciclo para você dar certo um produto, quantas pesquisas você não fez e que foram jogadas no lixo? Então, para a Inestia Privada, colocar aquilo no mercado vai ter um custo muito alto.

Eu vou dar um exemplo básico agora do que a gente está vendo com as canetas emagrecedoras.

Então, a partir do momento que cai a patente, você vê o preço despencar. Mas enquanto tinha patente, é justamente para aquela empresa. Ela demorou, teve 50 projetos da mesma caneta que foram jogados no lixo. Então, aquilo foram milhares de dólares, anos e pesquisadores que foram envolvidos. Então, ela precisa ser remunerada por isso. Agora, quando a gente pensa num plano de governo que ele tem, já existe essa estrutura, ela está pronta, ela só precisa ser bem trabalhada, então, aí sim, isso se paga, né? Porque se você está falando em bem-estar...

da sociedade. É, Ana, como a gente falou no começo, daria para continuar aqui muito tempo, tem muito pano para manga, tanto do lado da iniciativa privada quanto da parte pública, mas encaminhando agora para o final, você poderia compartilhar um pouco da sua trajetória no agronegócio, no comércio internacional?

Tá. Como você comentou no começo, eu sou tecnista de formação, e logo que eu me formei, eu acabei indo trabalhar numa dessas grandes tradings, a BCD da vida. E fiquei lá por praticamente 12 anos, e dentro dessa empresa eu trabalhei com inteligência de mercado, trabalhei na área de trading. E aí depois eu me vi morando em Brasília, tive que me reinventar.

trabalhei um tempo aí em RH não vou contar para quem mas aí depois eu acabei voltando para o agro e hoje estou aqui na CNA, na área mais voltada para relações governamentais mas eu sempre uso um pouco do meu conhecimento lá atrás de trading e de inteligência de mercado que me ajuda bastante também e se você pudesse falar um pouquinho assim para as nossas startups principalmente

Como, considerando esse cenário complexo e de grande volatilidade, habilidades que você foi acumulando ao longo da carreira e de experiências, como você recomendaria para quem quer atuar no setor, em instituições como a CNA?

Tá. Às vezes, palavra de quem está de dentro, acho que a Verô também pode me ajudar, que já trabalhou um pouco com esse público, mas o agro, ele costuma ter, as pessoas que estão de fora têm uma visão de que ele é um pouco fechado. E eu acho que é verdade. A gente tende a se proteger porque tem muita informação errada no mercado.

Mas é uma área que, por outro lado, geralmente acolhe muito bem as pessoas. Então, quando a gente pega a lista de melhores empresas para se trabalhar no Brasil, sempre tem as grandes do agro que estão lá, porque realmente é um ambiente mais acolhedor. Então, se você vier sem preconceitos em relação à área disposta a trabalhar, você pode ter certeza que você consegue fazer uma carreira.

Agora, falando especificamente sobre áreas, eu acho que dentro do agro, a área de comércio exterior, ela é uma das grandes vedetes, porque quando a gente pensa em produzir no Brasil, mesmo que a gente seja pequeno, a gente está sempre olhando para o mercado internacional, quer dizer, o que pode ter de demanda no mercado internacional que eu possa, de repente, suprir.

Então, mesmo que de repente às vezes você não trabalhe como um CLT ou como um sócio da empresa, mas tem muito espaço para prestar consultoria. E é um mercado que paga relativamente bem quando você apresenta uma solução que seja efetiva. Então, tem bastante espaço ainda para crescer nessa área, principalmente de comércio internacional.

por exemplo, agora, a gente está discutindo com todo o tarifácio que teve, eu sei que é um assunto para outro podcast que vocês já gravaram, mas, por exemplo, o mel do POI teve que encontrar outras saídas, se a gente vai pegar as frutas também de todo o Vale do São Francisco, também tiveram que encontrar alternativas, então, esse tipo de profissional foi muito necessitado nesse período, que conseguisse fazer a ligação com uma demanda externa, de repente, encontrar essa oportunidade do Brasil.

O que você vai ter muita dificuldade numa empresa familiar, por exemplo, de fazer todo esse desembaraço aduaneiro. Então, não só é só conectar, mas você fazer com que o produto saia e chegue na ponta. Então, tem muita oportunidade nesse mercado e o Brasil vai continuar seguindo e crescendo na produção agropecuária. E a partir do momento que a gente não tiver demanda suficiente no Brasil, os excedentes vão ser exportados. Pessoalmente, eu tive experiências muito positivas trabalhando com agro.

é um setor, aliás, é talvez um dos principais setores em que você tem a oportunidade de trabalhar com o comércio internacional no Brasil, feliz ou infelizmente, ainda é o...

Powerhouse, o grande setor exportador do Brasil. E acho que vai continuar sendo. É um potencial incrível, enorme que o país tem. E, enfim, um ex-chefe que a Ana também conheceu, sempre falava da tecnologia e toda a inovação que existe na produção do agro. E como a gente fala pouco e reconhece pouco isso. Então, é bastante inovação, sim. O agro brasileiro tem...

capacidade imensa de produzir com efetividade, com eficiência e com sustentabilidade, também, né? Sempre defender. Enfim, acho que agora o que a Ana não mencionou é que além de ser reconhecido como um setor um pouco fechado, também é reconhecido como um setor um pouco masculino. Mas você tem mulheres profissionais incríveis trabalhando nesse setor como a própria Ana. E acho que tem que ter mais start-ups vindo para esse setor também.

Exato, e assim, se a gente for pegar grandes empresas, eu acho que até agora no momento da sucessão também, se a gente for pegar do ponto de vista do produtor, na sucessão a gente tem visto, a gente tem um programa de jovens aqui na CNA, cada vez mais a gente vê as mulheres participando mais, e trazendo projetos muito legais. E nas empresas...

tudo bem que hoje em dia tem os programas de Day, mas eu vejo o quanto as minhas contemporâneas cresceram independentemente disso. E que o agro, ele realmente conversa muito bem com o feminino. O nosso jeito de negociar, o nosso jeito de conversar, de pensar justamente em relações de longo prazo, porque é isso que precisam ser pensadas, então essas parcerias levam a esse ganha-ganha. Então...

tem cada vez mais se aberto. Então, hoje é comum ver nas salas de aula dos cursos específicos do agronegócio, que são mais tradicionais para a área, mas nas empresas também isso tem crescido. E eu tenho também experiências muito boas, raros os momentos em que eu senti algum tipo de preconceito por ser mulher no agro.

E agora eu deixo um convite para as ouvintes, seja você uma profissional de carreira, em transição de profissão, ou só uma curiosa pelo comércio internacional, o IT está sempre de portas abertas. Todas as informações estão dispostas no nosso site, vem conhecer a nossa rede. Obrigada e até o próximo episódio.

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