EP 788 - DEDÉ SANTANA E DIEGO HYPOLITO
Dedé Santana é humorista, ator, diretor e um dos maiores nomes da comédia brasileira. Eternizado como um dos integrantes de Os Trapalhões, marcou gerações com seu humor e segue sendo uma referência na televisão e no entretenimento nacional.Diego Hypólito é ex-ginasta, bicampeão mundial no solo e medalhista de prata nas Olimpíadas. Ícone da ginástica brasileira, se tornou um dos maiores exemplos de resiliência no esporte nacional. Juntos eles são o rosto do grande Circo Abracadabra!
- Trajetória de Diego HypolitoGinástica artística · Lesões e cirurgias · Olimpíadas de Pequim 2008 · Queda de bunda · Instituto Hipólito
- História de Elias e a viúva de SareptaFormação do grupo · Transição para a Globo · Filmes dos Trapalhões · Adriano Stuart · Beto Carreiro
- Carreira de Dedé SantanaTrapalhões · Os Insociáveis · Comando Maluco · Circo · Direção de cinema
- Carreira de Diego HypolitoMedalhas e conquistas · Críticas e superação · Olimpíadas de Londres 2012 · Olimpíadas Rio 2016
- Manutenção e ESGParceria profissional · Renato Aragão · Amizade e irmandade · Separação e reencontro
- Circo AbracadabraInovação no circo brasileiro · Frederico Heder · Arena Sabesp · Temporada em São Paulo
- Copa do Mundo 2026Argentina na final · Desempenho da Argentina · Messi · França na final · Investigação contra Argentina
- O legado dos TrapalhõesImpacto cultural · Inspiração para novas gerações · Filme 'Pra Sempre Trapalhão'
- Instituto Diego HypolitoAtendimento a crianças · Unidades no Rio de Janeiro · Ginástica artística para jovens · Captador de recursos
- A vida no CircoNascimento em circo · Primeira vaia · Trabalho com a família · Humor circense na TV
- Diversificação do esporte olímpico brasileiroAtletas de ouro individual · Rebeca Andrade · Ginástica rítmica · Valorização do esporte
- Politica e HumorRestrições atuais · Humor circense · Liberdade de expressão
Estamos no ar, estamos ao vivaço! Estamos no ar, estamos ao vivaço! Estamos no ar, estamos ao vivaço! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso!
Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso!
Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso!
Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos no ar, estamos ao vivasso!
Estamos no ar, estamos ao vivasso! Estamos Tá entrando um samba aqui, velho.
Entrou um samba.
Pera aí, que loucura!
Tá bem louca essa camisa que ele tá usando, né?
Que loucura!
Olha só, estamos ao vivaço hoje, né, com duas lendas consternados.
Sim, que não tem nada a ver. Um é campeão olímpico, outro é campeão do humor. Nós vamos entender.
Mas consternados sim, bola!
Por causa de quê?
Porra, Argentina na final!
Que paroca, bicho!
Puta que liu os paroca, velho!
Argentina, não é Argentina e Espanha?
Meu Deus do céu! Mas enfim, mas vai que a Espanha ganhe e fique mais divertido, né?
Quem ganha?
Não, não sei quem. Eu acho que vai ser a Argentina essa merda aí.
Não vai, vai perder na final, ver aquela cara de bunda.
Aí estamos pedindo demais, né?
Para ver aquela alegria.
Mas enfim, estamos aqui ao vivaz, são 2:03.
Saúde!
Hoje, obviamente, você já sabe tudo que você tem que fazer. Se você puder, estamos chegando a 3 milhões aí no Instagram, no YouTube. Então chega junto com a gente, vamos lá, mete o dedo aí para seguir, compartilhar, curtir, né, Boleta?
A gente fala do patrocínio, né, cara, que a nossa queridíssima Philips hoje tá aí presente já para os nossos convidados. Um belo fone de ouvido para vocês.
Boleta, olha quem tá aqui, rapaz! Primeiro vamos ficar de pé porque atleta olímpico e medalha de ouro, a gente tem que ficar de pé como nos Estados Unidos.
Não gostei.
E aplaudir, e aplaudir, é verdade.
Segundo, é uma lenda, é uma Lenda do humor brasileiro. Então vamos ficar de pé, que também é fácil.
O cara é um trapalhão, velho. É a mesma coisa que ser um Beatles, sabia, Dedé? É a mesma coisa. Você é um trapalhão, cara.
Santana, daqui paróquia, bicho. O grande Diego Hipólito, que é um cara espetacular. Não é para qualquer um. Não é medalhista, o carioca já é um negócio difícil a rodo. Aí tu é campeão sul-americano, porra, mais difícil ainda. Aí tu é campeão mundial, mundial, mais difícil ainda. Aí tu vira medalhista de ouro olímpico, aí você atingiu o nirvana.
Você ganhou outra medalha agora, sabia? De quê?
Ganhou de quê?
Da paciência de me aturar. De ouro? Ganhou a medalha de ouro. Então vai ser de diamante. Paciência é que ele me atura, cara. O que esse cara me atura no camarim, você não sabe.
Aí você me pergunta por quê dessa, dessa fusão, né, aleatória. Não tem nada de aleatório. Eles estão com um circo. É isso, meu querido Dedé Santana e Didi.
Didi pode ser um novo Didi. Novo Didi.
Grande Dedé Santana, 90 anos, hein, Dedé? Maravilha, que delícia!
Eu tô indo para 91 já.
Que honra!
Puta merda, que alegria de você aqui, cara. Você não tem noção o quanto a minha geração, rapaz, cara, era um amor, né? Muito além. Eu rezava para vocês não morrerem, cara.
Não, sabe o que acontecia? Não é que vocês gostavam da gente, é que a gente fazia rádio, cinema, televisão, revista em quadrinho. Vocês não tinham para onde correr, não tinha como escapar. Verdade, não tinha como escapar.
Mas assim, eu rezava para vocês não morrerem. E quando vocês se separaram Foi que ano vocês separaram?
Você se lembra o ano? 84, 83?
Eu tinha 8, 9 anos. Eu fui nos dois filmes.
Ah, foi nos dois? Inclusive gostei mais do de vocês.
É melhor do que o Didi sozinho, ficou pior. Mas o filme vocês três, o da Sorte, não foi?
Atrapalhando a sua, poxa, o cara ali.
Eu lembro, eu tô falando, cara.
E outra coisa, eu fiz aquele roteiro em 3 dias. Eu bolei a história, eu fiz o roteiro em 3 dias e eu dirigi o filme com equipamento médio, não era equipamento bom, é, não era forte, não tinha grana para fazer, né? Não tava preparado para fazer, nós mesmos bancando. Vocês bancaram do próprio bolso? E deu retorno? Acreditar, você não vai acreditar, a gente fazia cheio de show, a gente não filmava sábado e domingo. Sabe por quê? Porque a gente fazia show para arrecadar o dinheiro para trazer, para botar no filme.
Olha isso! Era incrível. O Mussu falou comigo assim, você não diz que é diretor de cinema? Eu falei, não, aprendi, rapaz. Aprendi com um cara que era um mestre, né, e tal. Ele falou, então você vai dirigir o filme. Eu vou dirigir? Você vai dirigir e você traz uma história amanhã para mim aqui. Porque o Mussu era o principal do nosso escritório ali. Eu falei, amanhã? Eu fui para casa maluco. Falei, meu Deus! O que eu vou escrever de filme assim de repente, né?
Que foi de repente. Aí cheguei em casa, fiquei pensando, aí passou um trailer do Uma Chamada na Globo, da Suat. Já sei o que eu vou fazer, vou fazer Atrapalhando a Suat. E foi aí que tudo começou. E a metade do roteiro foi feito durante a filmagem. Eu fui bolando, às vezes eu falo não, quanto tempo para gravar? Eu falo faz isso, faz aquilo. E engraçado, aí passa-se muitos anos, eu fui ver um seriado que chama La Casa de Papel.
Sim, sim. E foi nessa base também, foi feito nessa base, escrevendo o roteiro na hora e tal.
Eu gosto assim, sabia?
E aí, quanto tempo de gravação deu dessa?
Você lembra? Não podia passar de 30 dias, que o dinheiro só dava para 30 dias.
Mas o filme deu dinheiro na época?
Não foi o que a gente esperava, mas também não podia, era dois filmes ao mesmo tempo.
Mas sobrou um qualquer, pelo menos?
Sobrou, sobrou. Ah, então é bom, tá bom. Se sobrou, tá bom. Foi uma correria ali que cada um assumiu uma função. Mussu falou, eu cuido da música. Falou, Dedé, lembra-se que tem que botar musical no filme. Eu falei, meu Deus, tem que botar musical no filme. Aí o Zacarias cuidou de uma parte, eu cuidei, ele cuidou da música, e eu fiquei com a direção. Eu fiquei junto com o Vitor Lustosa. Vitor Lustosa era roteirista do filme dos Trapalhões, né?
E eu peguei ele, falei, você vai me ajudar a dirigir esse filme aí, vamos embora. Que legal, cara, que legal! Que eu aprendi direção com— o pessoal pensa que eu caí de paraquedas na direção, mas não foi não. Eu fiz escola com Ari Fernandes. Sabe quem é Ari Fernandes? Não, não. O cara que criou o Vigilante Rodoviário.
Olha isso, mano!
Era ele, era. E ele falou, dou aula para você, você vier na minha casa. Eu acordava cedinho, rapaz. Eu tinha uma Kombi 59, Eu pegava aquela Kombi e corria lá para casa dele de manhã.
Tem até hoje ou não?
Não, agora não.
Que vale um caminhão de dinheiro hoje em dia, hein?
Hoje seria, vale um caminhão de dinheiro. Eu ia para casa dele e ele ficava me ensinando cinema, lente aqui, esse é direita, esquerda e tal, né? Que era um sonho que eu tinha na vida. Eu não queria, eu não sonhava, queria ser artista, eu queria ser diretor de cinema ou piloto de avião.
É mesmo? Piloto de avião?
Piloto não dá, meu pai era de um cirquinho pobre, sabe ali, e custava caro e tal. E era muito dinheiro, não podia.
Mas você tinha essa vontade?
Tinha essa vontade.
Que legal!
E agora cinema, eu dirigi o primeiro filme meu na marra, né? Eu percebi, foi nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos nós chegamos para, eu não sei se você sabe, nós filmamos em Los Angeles na Universal Studios, Saltimbão. Chegou lá, o diretor ficou doente. Aí o Renato Michel, aliás, quem me deu grande oportunidade foi o Renato, né?
Aí saí, Dedé, me ajuda, Dedé!
Aí saí, Dedé!
Aí saí, vamos, a tristeza no rosto. Dedé, você vai fazer, Dedé?
Você vai fazer a direção?
Você vai fazer a direção, Dedé?
Sabe como é que foi? Me conta. Eu tava no hotel lá, nós estamos no hotel da Universal Studios, e o diretor ficou doente. E lá também tinha um tempo certo de filmar, tava gastando em dólar, não podia passar do tempo. Aí Renato me chama lá, falou: o que que foi, velho? Que eu chamava ele de velho, que ele é velho desde novo que ele é velho. Eu entendi, velho, velho, velho para caramba. Só eu para aturar ele mesmo. Aí cheguei lá, falei: o que que é?
Ele falou: você não disse que ia dirigir cinema? Falei: disse não, vou dirigir. Então você vai começar hoje. Eu falei: o quê?
Hoje?
Tava Lucinha Lins. Eu lembro, falou sobre isso, né, que quando terminou as filmagens lá eu fui aplaudido pela equipe americana. Nem me lembrava. Legal, cara. A Lucinha Lins falou isso, até chorei.
Você pegou e matou no peito então?
Na marra, né?
Tive que ir.
Agora veio o pior, Diego. Eu não falava inglês uma palavra.
Como que você fazia?
Aí teve, pegaram intérprete Ficava do seu lado. Mas eu não achei tão difícil dirigir lá, porque você vai com a equipe de manhã, eu fazia isso, ia com a equipe de manhã e com intérprete. Eu falava, olha, aqui eu quero um carrinho assim, aqui eu quero isso, aqui eu quero uma lente aqui, nessa hora eu quero fazer uma tomada. Eles anotavam tudo. Então, na hora de filmar, você só dizia, roda e corta, é só. Entendi. Roda, acabou, cortou. Eles, ok, ok. Eles mudavam tudo sozinhos. Não foi difícil dirigir lá.
Bom, o Diego Hipólito e o Dedé estão juntos.
Qual que é a ideia?
Fazendo o quê exatamente?
Conta pra gente essa novidade.
Essa novidade de vocês dois juntos.
Como é que surgiu isso?
Não conta tudo que nós fazemos tudo.
Não é tudo não, pelo amor de Deus.
Conta aquela parte do picadeiro. Conta aquela parte do redondo, do redondinho lá do picadeiro.
Então, na realidade, eu entrei no circo, né, já tem cerca de 5 anos. E quando eu retomei a Abracadabra, que foi onde eu iniciei, pelo convite do Frederico Heder, a gente voltou, a gente começou a trabalhar em conjunto, eu e o Dedé, né? Que foi encontro nas gerações, que eu digo.
O Frederico, é o Frederico Heder, que é o nosso diretor. Claro, ele é do teatro.
Claro, claro, eles são maravilhosos, são de São Gonçalo também.
Exatamente, também de lá.
É isso aí. A mãe dele é ótima, eles são ótimos. Eu adoro o cuidado que eles têm.
A mãe dele faz aniversário junto com minha mãe, dia 4.
Como é que é o nome dela?
Surgiu agora na minha cabeça.
Regina? Não sei.
Tânia?
É um nome desse. Queridos demais, são pessoas maravilhosas.
Você conhece a mãe do Diego?
Não conheço.
É forte, sério, rapaz. Uma mulher inteligente, mas ela é muito inteligente.
Você vê pelos filhos que fez, né, pô?
Sou fã, sou fã da ideia do Neogenio.
Minha mãe é muito engraçada, minha mãe tem 10 máquinas de lavar. 10 máquinas de lavar.
Por quê?
Não sei, não entendo. Até hoje eu não entendo.
Juro, ela tinha 9, todas funcionam.
O que acontece, ela tinha 9, uma parou de funcionar, tá? E aí ela comprou mais uma porque uma tinha parado de funcionar e ela consertou a outra. Então ela tá com 10 máquinas funcionando.
Foi consertando e foi ficando. Mas como assim?
O que que a pessoa tem medo?
Ela vê uma lavandeirinha em casa, ela tá... Tem gente que faz salgado. Você não tá entendendo, todo mundo acha.
Porque quando minha mãe para de aparecer no meu Instagram, todo mundo: Cadê a Dona Geni? Por que você não tá filmando ela? Porque eu filmo, porque ela lava roupa todos os dias. E aí eu falo: Gente, eu não tenho como fazer minha mãe parar de lavar roupa.
Ela gosta.
Mas a gente entendeu, ela lava roupa de quantas pessoas, irmão?
Cara, às vezes ela lava só dos cachorros. Tipo, é assim, é uma vontade. Mas também, olha só, a gente tinha até... Recentemente a gente tinha 8 cachorros, agora nós temos 6.
Ah, então por isso ela tem compulsão.
Quantos filhos ela tem?
Uma máquina pra cada cachorro.
Na casa mora o meu irmão, que eu tenho um irmão mais velho, mora minha tia, o marido da minha tia, que é o Magno, e a minha mãe e o meu pai.
5 pessoas.
É 10 máquinas.
Eu acho que ela ora a Deus pra fazer frio, só pra poder dar um susto.
2 já bastava, irmão. Mas assim, não tem o que fazer, e ela gosta. É que eu acho que ela veio de uma realidade, né, que tipo, minha mãe foi muito humilde, né, ela veio da roça. E hoje em dia, graças a Deus, nós temos uma condição financeira melhor. E minha mãe, ela vive muito isso. Então ela tudo, ela tem muito, tá? Eu, minha mãe, tavam reclamando na minha rede social que as panelas estavam feias lá de casa. E graças a Deus eu tenho condição de comprar panelas melhores.
Eu comprei 2 jogos novos, zerado assim. Eu comprei já tem uns 8 meses, ela nunca usou nenhum.
Ela quer usar?
Não, a gente tem que usar esse, tem que fazer nessa daqui que pega o gosto. Não tem o que fazer, ela gosta disso. A minha mãe é muito engraçada.
Nesses dias eu vi uma máquina, você tá lascado, irmão. Você viu a nova máquina? Não sei quem lançou, funciona com IA. Vai ter um painel, você só quer, ela já vê o peso, já vê tudo, já funciona. Falei, olha essa máquina de lavar, a mãe vai querer uma dessa, velho.
Mas ela não quer a mais chique não, não quer tecnologia não, ela gosta das mais simples, entendi, das mais simples, porque Quando eu participei do Big Brother, eu ganhei máquina de lavar também depois.
Mais uma?
Ganhei. E aí ela nunca usou essa daí, tá lá bonitinha, tá lá em caixa, tá até na caixa.
Ela não usa.
Deixa, eu achei que ela deixa guardado na caixa.
Sim, ela tem air fryer na caixa, ela tem máquina de lavar louça na caixa.
Pô, se precisar, fala para vender uma para nós.
Ela não vende.
Não vende? Não vende. Entende? Que coisa, irmão!
Não tem muito o que fazer, ela gosta. Lá em casa tem uma quantidade de sofás surreal, para colchão.
Mas vocês moram num galpão? Não, se não é casa, onde guarda tudo isso, irmão?
Não, é muito absurdo, muito absurdo.
Caraca, Diego, que filho da puta!
A gente tem 6 cachorros e ela, nós tínhamos 8. É tudo lá, é o número 1.
Caramba, que coisa!
Com ela, não, mas a minha mãe, a minha mãe, ela é muito engraçada, tipo, e ela ama o Dedé, né?
Tipo, todas as vezes, quem não ama o Dedé? Só às vezes mulheres que de repente não. Foram quantas, Dedé?
É, deixa eu ver, te fazer as contas. Foram 3.
3? Até que não foi muito.
Mas graças a Deus, eu, se dá bem com todas. 7 anos agora, eu dei sorte, rapaz.
Que bom!
Deu sorte, que bom! Arrumei uma rainha, porque ela era a primeira rainha da Oktoberfest Santa Cruz do Sul.
Você não é besta, não é?
Eu sou palhaço, mas não sou bobo. Peguei logo uma rainha, né? Que beleza! É a Christiane Bublitz, ela é alemoa, né?
Alemoa.
Eu também tenho sangue de alemão, sabia?
Não sabia.
É por parte de um amigo íntimo do meu pai. Não, peraí, que que houve? Não, não, peraí. Não entendi.
Que que aconteceu?
Por parte de um amigo íntimo seu lá. Não, não, vou te explicar.
Explica.
É que quando a minha mãe tava pra me ter, antes nunca tivesse me tido, né?
Antes nunca tivesse me tido, é verdade.
Ela precisou de uma transfusão de sangue. E a única pessoa, foi naquela época lá. E esse alemão que o enfermeiro conhecia, o sangue compatível, cedeu o sangue pra minha mãe.
Que susto, bicho.
Minha mãe era afrodescendente. Meu pai descendente de cigano da Ucrânia. E o cigano, ele tem uma coisa: se você fizer um benefício para ele, o primeiro filho que nasce, ele põe o nome do alemão. Por isso que o meu nome é Manfred, porque o nome desse alemão era Manfred. Entendi. Por isso que eu digo que tem que seguir o alemão.
O alemão fez um benefício e teu pai botou o nome.
É coisa de—
E o circo vem desde o teu pai, Dedé? O circo vem desde o teu pai?
Eu nasci na barraca de circo, né?
Teu pai já mexia com isso?
Eu entrei em cena a primeira vez com 3 meses Ele, ele de São Gonçalo, São Gonçalo, Niterói, né? Nós somos orgulhosos de todo mundo.
Só eu não nasci em São Gonçalo.
Como já não sabia?
Fala, fala onde eu nasci, o nome, o quê?
Venda da Cruz, Vaca Braba, Vaca Braba. Ele nasceu na Vaca Braba ali, indo por entre o Morro do Castro Barreto, ali, ali.
Agora todo mundo vai saber que eu tô, eu tô preparando um filme agora que vai chamar Pra Sempre Trapalhão, né? Eu não queria botar trapalhão no meio e tal, mas o diretor é o Felipe Cunha. Felipe Cunha é o produtor, o diretor, e ele falou: não, tem que botar trapalhão. Aí eu vou contar essa história toda aí da América Braba, onde eu nasci. Conta lá. É, tem, tenho a Dira Paes, vai fazer minha mãe, né?
Ah, que legal!
A Dira Paes. Tem outros também ainda. Boa, mas vamos lá, conta aí, Dedé. A história foi essa então, foi. E o pessoal não queria me registrar, rapaz.
Por quê?
Porque o nome era alemão em 36, que na época tava vindo da guerra, eles não aceitavam botar o nome. Meu pai falou, não, vai ser Manfro, e teimou com isso. Aí o meu tio era um ator dramático, falou, vamos lá. Foi lá, fez um drama, rapaz. Como é que chama ali onde registra?
Cartório.
No cartório. E ele fez um drama, todo mundo chorou e tudo, né? Mas o cara não registrou. Aí meu pai era palhaço, né? Fez palhaçada, o pessoal deu risada, não registrou. Aí meu pai ia saindo, falou: você tem naquele convite, né? Naquele tempo chamava permanente. Meu pai falou: você tem permanente? Aí meu pai falou, meu tio falou: tem uns 10, me dá essas 10 aí. Foi com a permanente lá, distribuiu. Aí o cara chamou: não, vem aqui, vamos registrar. Aí registrou. Já tinha corrupção nessa época.
Já era molhar a mão, a coisa vai, né? Mas Dedé, pô, você nasceu no circo, com 3 meses você falou que já tava no palco.
Eu entrei sem querer com 3 meses, é até uma história, não sei se dá tempo de contar. Claro que dá, fica à vontade. É assim, meu pai tinha, chamava LP antigamente, famoso discão. Ele ali tinha cachorro latindo, criança chorando, tiro, efeitos especiais, né? Então ele preparou um disco com choro de criança e botou um boneco. Minha mãe era uma escrava, porque todo papel de escrava ia para minha mãe, porque o circo antigamente era circo-teatro.
A primeira parte era picadeiro, números circenses, e a segunda parte era palco, era peças, dramas, comédia e tal. Isso era um drama, chamava Cabana do Pai do Mário e tal. E aí na hora Tinha uma hora que minha mãe era vendida para uma fazenda e o filho ficava. E aí a criança chorava e tal. Meu pai falou, prepara isso. Preparou. Aí na hora de entrar, eu ficava num caixotinho na beirada do palco, né?
Botava uma palha ali.
É, botava. Não era nem berço, era um caixotinho. Então a minha mãe na hora falou, ah, eu vou entrar com o Manfred mesmo.
Em vez de entrar com o boneco.
Pegou o Manfred e entrou comigo no colo. E eles com disco preparado para chorar. Aí na hora da venda tiraram eu do colo da minha mãe. Você chorou de verdade? Exatamente. Eu não sei se estava quentinho e tal.
Que maravilhoso!
Eu chorei e a plateia toda chorando e os artistas começaram a rir e a plateia não entendeu. Aí meu pai parou, meu pai fazia o senhor dos escravos e tal. Brancão, né, alto. Ele parou e falou, olha, eu vou explicar o que aconteceu. É que o meu filho é esse que tá aí, ela é minha esposa. Explicou para plateia e ele chorou na hora certa. Então foi o meu primeiro aplauso, foi com 3 meses de idade. Que beleza! Minha primeira vaia aos 16 anos, né? Por que que teve?
O que que você aprontou?
Meu pai tava com o Chico São Bernardo do Campo aqui, né? Né, e trazer aqueles duplas sertanejo e tal. E tava anunciado Tunica e Tinoco nesse sábado, lotava, né, lotava. Era Luiz Gonzaga, Tunica e Tinoco, Cascatinha e Ana, Trio Parada Dura, Irmãs Galvão, aquela que lotava o circo, né, As Marcianas. E o circo lotou, rapaz, de uma maneira que estavam quase quebrando o circo. E eles não chegavam, nossa, porque eles faziam 3, 4 shows O outro circo, outro circo, outro circo.
E o do meu pai era o último. E o meu pai toda hora dizia, vai lá, entra e faz alguma coisa. Eu entrava, fazer alguma coisa, fazer uma graça. Não veio, não veio, entra lá de novo, faz alguma coisa.
Na terceira vez, jogava você para os leões, né, meu?
A terceira vez o povo começou a baixar.
É lógico, né, meu?
Aí meu pai entrou correndo no picadeiro, chegaram, chegaram, chega! Então minha primeira vaia, tinha 16 anos de idade.
Mas é bom já acostumar também, né, cara? Olha, eu vou, eu sou, nós somos, o Brasil é testemunha ocular do fatídico queda de bunda, a queda de bunda. E você foi lá, volta por cima e arregaçou, porque não deve ser fácil, não deve ser fácil para um atleta se preparar tanto né, e cair de bunda, ainda mais no Brasil, né. E aqui no Brasil é assim, né, tá cheio de prata, não vale bosta nenhuma, ninguém se esforça por porra nenhuma e adora criticar.
Você foi muito criticado, zombado, né, mas depois deu a volta por cima e arrebentou.
E eu queria que você contasse um pouco dessa, dessa tua trajetória, né, cara, que é espetacular.
É, então eu tive uma carreira assim de muitos altos e baixos, né, tipo, e era uma época que a televisão tinha era muito predominante, né? Então tudo que acontecia, ao mesmo tempo que você ganhava espaço na televisão, você era muito julgado. Isso é como se você falhasse, né? E eu tinha tentado as Olimpíadas de 2004 e eu não tinha me classificado, porque nessa época a equipe não era tão— não é que não era tão preparada, nós não tínhamos técnica, uma técnica tão avançada.
Então eu já era quarto do mundo no ano de 2003, E eu não me classifiquei para as Olimpíadas de 2004. Então já era uma frustração, é a questão de não ter me classificado. E tinha tido um ano muito— no ano de 2004 foi um ano de muitos resultados. Eu consegui 8 medalhas em Copas do Mundo. A primeira foi no dia 4/04/2004, e depois eu consegui 69 medalhas em Copas do Mundo na minha carreira toda.
69? 69, cara, que beleza, irmão!
E eu competi menos do que 69, é porque eu ganhava muitas vezes no solo e no salto também. E isso com 11 cirurgias, tá? Que eu operei 5 vezes o pé direito. É 11 cirurgias: 5 pé direito, 1 pé esquerdo, 2 o joelho direito, 1, 2 o ombro esquerdo, 1 coluna. Eu enxertei dos 2 joelhos para reconstruir meu pé, rompi o bíceps, quebrei meu pé mais de 30 vezes. E isso você pensa que nesse, num período de 10 anos, ginásio, andar de moto, bicho, não desistiu nem um pouquinho.
Eu tinha 8 hérnias E isso nesse período todo, antes das Olimpíadas de 2008, que foi uma Olimpíada que eu era muito conhecido no Brasil, existe uma responsabilidade muito grande. Por mais que eu não tivesse é um amparo muito grande naquela época visando o Brasil, não tinha, não preparava com uma equipe multidisciplinar grande como existe hoje. Hoje em dia a Confederação Brasileira é super equipada, os atletas têm tudo do bom e do melhor.
Nessa minha geração era eu e o treinador. Então eu fui 3 meses antes, eu tinha tido dengue, 2 meses e meio antes eu tive dengue hemorrágica, que emagreci 10 kg para dar um gás. Meu joelho é exatamente 3 meses antes dos Jogos Olímpicos, mas eu cheguei nos Jogos Olímpicos ainda como favorito. E eu competi o primeiro dia, no primeiro dia eu me classifiquei em primeiro lugar.
Foi em Pequim, né?
A gente não tinha o tablado olímpico no Brasil, tá? Eu competi no jogo, não tinha, não, no Brasil não tinha. Hoje em dia nós temos vários, inclusive no meu instituto, Instituto favorito, tem o tablado que a Rebeca compete, salto que a Rebeca compete, a paralela que a Rebeca compete. Então hoje nós temos a ginástica, evoluiu muito. Então eu cheguei como favorito, só que assim, eu era, eu virei um atleta celebridade. Isso é muito ruim porque eu perdi um pouco da noção também, muito do que era referência para mim.
Então atleta é atleta. Eu, a gente tinha encontrado o Carioca antes do nosso podcast aqui. E a gente tava conversando, né, sobre as questões anteriores. E tipo, era um período que a ginástica via só o Diego Hipólito, né?
Era muito amador. Como é que era o nome daquela menina? Tinha tua irmã, né?
Daiane Santos, o Diego Hipólito e a Daniela Hipólito. Isso aí. Então era muito tudo em cima só dos 3 atletas.
E tinha uma menininha nos anos 90 ali, a Jade Barbosa.
Jade Barbosa, anos 90, a Luísa Parente.
Luísa Parente, Luísa Parente também, a precursora, né?
Ela conseguiu 2 medalhas em Jogos Pan-Americanos de ouro, uma no salto, eu não lembro a outra onde foi. E depois veio o surgimento da Dani em 2001 com a primeira medalha mundial da ginástica. A Dayane em 2003 com o primeiro ouro em campeonatos mundiais, né? E depois no masculino eu tive 2005 ouro, 2006 prata, 2007 ouro, 2011 bronze, 2014 bronze e medalhista olímpico no Rio 2016, fazendo 10 anos agora, né?
E legal.
Então quando eu caí de bunda em Pequim, foi muito difícil porque era uma geração que tipo você caiu, você é criminoso. Então eu não tinha coragem de sair na rua. E eu saí na rua algumas vezes, eu apanhei de pessoas que eu nem conhecia.
Não é possível que você apanhou, é mesmo, não é possível.
Todo mundo sabe, é uma coisa que era muito grave, cara.
Então é o que você falou, você era muito mirado, era muito alvo em tudo, em você, em tudo, em tudo.
Só que eu lidava muito bem com isso, com todas as críticas. Eu sempre fui muito, muito tranquilo, que eu acho que foi isso que me fez parar até no Porque aí eu tive as Olimpíadas de 2012 que eu caí de cara.
Londres.
Mas Londres eu tinha operado 4 vezes naquele ano. Eu, 10 minutos antes da competição, eu tive que enxertar— enxertar não, tipo—
Pô, você é um herói, velho.
Você tá brincando, velho. Colocar infiltração de xilocaína no meu pé pra eu conseguir competir. E se você desse um soco no meu pé, eu não sentia meu pé. 10 minutos antes da competição. Eu entrei e aí caí de cara. E ninguém sabia que eu tava tão ruim. Eu tinha, tipo, uma semana antes das Olimpíadas de Londres, eu tinha feito uma, é um inchaço do osso, é quebrar como se quebrasse.
Seria um estresse?
Não, é uma, eu esqueci o nome, é um inchaço do osso. O osso incha, é que é como se fosse que você quebrasse por excesso de treino ou por uma grande pancada. E eu tinha feito isso um mês antes no pé anterior, no pé esquerdo. Depois eu fiz no pé direito. Então eu tava muito quebrado antes das Olimpíadas, só que era uma vaga que era de direito minha, não era uma vaga do país, era uma vaga que eu tinha conquistado por ter sido medalhista mundial.
Então não tinha como não entrar. Então Rio de Janeiro já era tipo, eu já era mais velho, eu tava com 30 anos de idade. Para ginástica, 30 anos de idade nessa, na minha geração, era uma, era o máximo de tipo de idade. Ninguém ficava até essa idade. Os atletas na minha final tinham 10 anos a menos do que eu. Caramba! Era uma, uma idade muito diferente. Então, quando eu entrei, eu já tinha uma super responsabilidade. A minha classificação olímpica foi muito difícil porque eu tinha tido mudança de treinador. Meu treinador tinha sido acusado de abuso sexual um mês antes.
Eu lembro disso.
Um mês e uma semana antes dos Jogos Olímpicos, eu ia entrar no Faustão, aí não entrei, desmaiei antes do programa. Foi uma super confusão a classificação olímpica. Então quando eu entrei, eu tava muito diferente, eu tava muito assim, meu Deus do céu, preciso entrar nessa competição. Me classificar foi muito difícil. E eu vim, e eu só continuei na ginástica depois de 2012, porque 2013 mudou a aparelhagem. O solo, os aparelhos antigamente, eles não tinham mola. Depois de 2013, eles começaram a ter mola.
Mas foi mais porque teria a Olimpíada no Rio, eles deram um gás, seria isso?
Não, isso não foi por conta do Rio de Janeiro, foi porque como os atletas tinham muitas lesões, eles mudaram os equipamentos para impulsionar, impulsionar. E também na hora de chegar ele machuca menos. Então todos os aparelhos eles tiveram mudanças. O salto, vocês lembram que era um cavalo, né, que ele era lateral? Hoje em dia ele é uma mesa, chamado de mesa de salto. Ele é diferente do que ele era nessa época. Então tudo melhorou.
Então Eu falei, cara, Deus tá me dando uma oportunidade de eu continuar na ginástica. Só que mesmo assim a gente só começou a ter essas aparelhagens no Brasil em 2014, que foi a maior compra da história de aparelhos que o Brasil teve, que são os aparelhos inclusive que tem até hoje. Não, tem mais. Hoje em dia a ginástica é muito equipada, nós somos exemplo mundial a ser seguido. Hoje em dia ginástica tem, é o máximo, né? Mas para eu chegar lá foi muito difícil.
Então quando eu cheguei no Rio de Janeiro as pessoas acharam que eu cheguei sem responsabilidade. Muito pelo contrário, era minha única oportunidade.
Sem responsabilidade?
É, não, eu digo assim, mas tranquilo, cara, não tem o peso do mundo nas costas. Não, não, mas não é isso. Ele tá dizendo o seguinte, Paulo, ele entrou ali já meio que, ah, ele vai participar, mas não tem um compromisso com a vitória.
Assim, é o que todo mundo achava, porque só que na minha cabeça eu falava assim, caramba, pô, já tinha surgimento de grandes atletas, e graças a Deus Porque o céu tem espaço para todo mundo brilhar. Mas aí tinha Arthur Zanetti, tinha a Jade, tinha a Rebeca, tinha a Dani, tinha Flávia, tinha o Nori, tinha o Francisco Barreto, tinham grandes atletas nessa, nesse time. Então a responsabilidade não era sobre o Diego, só que nesse dia tinham 18 mil pessoas assistindo.
Nossa, então é quando você entra, é um estádio fechado Todo mundo torcendo por você. E eu senti, sabe que por mais que eu tenha sido muito criticado, eu acho que o brasileiro gostou muito de mim. Então isso que me motivava. Mas isso me motivava, porque eu não desistia, porque eu via, cara, as pessoas falando comigo, pô, não desiste não, tenta mais uma. Então quando eu fui medalhista, foi algo muito surreal. Eu acho que minha história, ela parece que foi escrita à mão.
Eu acredito muito em Deus. Então quando, é, Por que que eu falei dessa história toda? Porque depois que eu entrei, saí da ginástica, a gente fica um pouco sem rumo, né? O que que a gente, o que que eu vou fazer?
Então conquistei tudo, dediquei uma vida inteira para o esporte.
E você começou moleque também, muito novo, comecei com 7 anos de idade e eu terminei minha carreira com 30 para 31, né? Então eu falei, o que que eu vou fazer? Eu não tenho mais condição de ficar na ginástica, eu vou terminar no auge. E eu tinha muitas lesões, né? A minha quantidade de lesão, eu falei, não tem como eu ser mais nada competitivo hoje ainda.
Ainda te prejudica, prejudica, você tem sequelas.
Incrível, né? Ele lá no circo, ele salta da pirueta, ele faz número no circo, você faz os números lá no abracadabra, ele dá salto, pirueta.
Mas é diferente. Quando eu entrei no circo, eu tive o convite do Fred. Rita, o nome da mãe dele, Rita, Dona Rita, um beijo. Mãe do Fred, agora, um beijo.
Rita do Mudoá.
Exatamente, querida, querida. E quando eu entrei no circo, eu falei, não vou entrar, porque eu tinha impressão de circo, circo de Soleil, né? Tipo, ah, eu vou entrar mais um artista lá no meio. Eu falei, cara, eu achava algo, eu tinha uma impressão não tão positiva do circo, tá? E esse circo que a gente tá foi o primeiro circo a ter orquestra ao vivo. Nós temos guitarrista, nós temos tecladista, nós temos 4 cantores.
Ele tá no ponto musical, exatamente.
Nós estamos, mas depois eu falo exatamente onde tá o circo, que a gente tem que, vocês têm que ir lá para ver, para entender um pouco. É na Arena Sabesp, exatamente no coração de São Paulo, que é ali do lado do shopping, no shopping, no Plaza Shopping ali. É sensacional, foi, ele foi o percursor de muitas coisas.
Tem 4 cantores Ao vivo, caralho!
4 cantores ao vivo. Nós temos os irmãos Brauna, que são covers, além back vocals da Ivete Sangalo, são campeões do Canta Comigo também. Nós temos o Wesley, a Sadili, nós temos mais de 20 bailarinos no palco. É o primeiro lugar onde teve um circo com o picadeiro, ele é todo de madeira em cima, as cadeiras foi o primeiro circo a ter cadeiras acolchoadas, foi o primeiro circo, se eu não me engano, a ter ar-condicionado, primeiro circo a ter telão de LED.
É o primeiro circo a muitas coisas. E é muito impressionante, o primeiro circo a ter uma praça de alimentação que tem até um carrossel no meio da praça de alimentação.
Mas deixa eu entender uma coisa, Diego. Esse circo é teu e do Dedé, é isso?
Não, esse circo é do Dedé.
Merda, tá?
Frederico, entendi.
Grupo Red, que foi a pessoa que me levou o ciclo. Porque nessa época eu tive um período bem na pandemia que eu quebrei financeiramente. Eu não sei como, perdi, mas eu tinha restaurante em São Paulo, eu tinha patrimônios, fechou tudo, irmão. Cara, eu não sei o que aconteceu.
Parece que eu acredito muito, eu sei o que é isso, já passei por isso várias vezes. Tem experiência em quebrar e comer comigo.
E o Diego também já quebrou o pé quantas vezes?
Quebrar é com ele.
Exato. E o circo, na realidade, eu me reinventei, porque quando eu entrei, depois virei mestre de cerimônia, que aí me ajudou nas minhas palestras.
Apresenta tão bem o espetáculo, é incrível. A gente que ele entra, ele apresenta o espetáculo. E até eu falei para ele, eu não gosto de você apresentando espetáculo, espetáculo. Não, não faço bem. Não, não é que você não faz bem, você é uma atração. Acho que você tem que aparecer na hora de fazer os seus saltos. Você aparecendo antes já quebra um pouco, entendeu? Porque ele apresenta muito bem o espetáculo, né?
Que legal!
E é muito bonito, é porque assim, é uma história para vocês entenderem também. É, a minha vida foi muito sobre profetizar o bem, né? Falar coisas boas sobre a palavra. E o Abracadabra é exatamente isso.
É, já mágica acontece.
Exatamente.
Quando a mágica acontece, abracadabra, saiu.
Eu fico muito feliz porque o Frederico Heder inovou o circo no Brasil. Hoje tem vários circos imitando ele, o estilo de palco, de formação de escada, bailarinos. Tem muitos circos já começaram a imitar ele, e isso é a renovação do circo no Brasil. Porque o Beto Carreiro me dizia assim, ah, daqui 5 anos não existe, vai acabar. Só que ele nunca pensou que ia aparecer um Frederico Heder que ia dar um movimento desse jeito. Porque o que inovou primeiro foi o Beto Carreiro, e agora o Frederico Heder é incrível, hein?
Que só você vendo o espetáculo, não é um circo comum, né? E não é só lei, porque só lei para mim, que sou artista circense, circense. Sou nascido em Barraca do Circo. Soleil não é um espetáculo circense, é um espetáculo que tem números circenses, mas não é um espetáculo circense. Agora, o Éder não, é um espetáculo circense, né?
Continua tradicional ainda, com palhaço, com mágica, essas coisas.
Inclusive, ele me pediu para, no início, ele falou: quero uma coisa, eu falei, bem manjada, uma coisa bem tradicional de circo. Você faz umas piadas tradicionais de circo e tal, até Isso aí é um negócio bem, bem manjado, bem tradicional do time. Ele falou, porque eu quero isso, eu quero aquele tradicional mesmo.
Você sabe o que acontece, Bola? Eu, quando eu faço show lá no Claro, no Rio, Teatro Claro, é do Header, né, cara? O foyer do teatro, que é uma das coisas, é um diferencial. Ele é, rapaz, o pipoqueiro com aquela roupa, sabe assim? É, cara, entendeu?
Isso é uma uma coisa que vocês, que as pessoas ficam muito impressionadas, porque o padrão de roupa do Heather é Broadway, cara, exigente.
Isso é, você chega no teatro, já é um espetáculo. Com certeza eu vou, quero ver isso. E ele não larga na mão dos outros não, ele que tá lá, ele fica de noite ali.
Um botão que põe numa camisa, o camarim é impecável. Respeito, olha só, o respeito com artista É muito bacana. Ele tem um camarim, tem um frigobar meio clássico, a luzinha no lugar, sabe? O sofá, o tapete, o cuidado do artista para o palco, sabe? É tudo bem acabado, bem cuidado.
Camarim tem bosta?
Não, é não, não, não, não, não.
Quando eu fui no teatro dele, eu falei, pô, Red, por que que você se meteu em circo, cara? Você faz um teatro tão lindo, tão— ele falou, rapaz, eu amo circo. Circo, a minha paixão. Eu fui no circo em São Gonçalo, lá em Niterói, primeira vez, e com 7 anos de idade ele viu um tal de Lambança. Falei, viu o palhaço Lambança? Eu falei, eu quero fazer isso, eu quero circo, eu quero. Ele tinha 7 anos de idade, e para mim trabalhar com ele, ele vinha 10 anos me convidando. É mesmo?
10 anos?
10 anos.
Por que demorou tanto?
Demorou porque eu falei, eu tô com uma certa idade, você faz 3 2 sessões sábado, 3 domingo.
Você tá fazendo as 3 sábado?
Não, agora ele falou, Dede, agora você vai trabalhar comigo. Porque eu passei para 2 sábado e 2 domingo. Falei, fechou, assinamos hoje.
Aí 2 sábado, 2 domingo.
Aí eu fui lá para ficar 3 meses, né? Fui para ficar 3 meses. Já tô há quanto tempo, Marcos? Acho quase 2 anos, né?
Cachaça, rapaz.
Não é amor, é bom trabalhar lá. Você se sente orgulhoso. Você como circense, entrar num espetáculo desse, você se sente bem, você tem orgulho.
Nós estávamos em Anápolis antes, antes de Goiânia, antes do Goiânia.
São José foi um sucesso assim estrondoso.
Imagino, pô.
E tem outra, Santos também foi.
Você ficou quanto tempo, por exemplo, você foi para Anápolis, você ficou quanto tempo lá?
3 meses.
3 meses?
3 meses em Santos.
Vocês têm que morar no lugar.
É, não tem jeito, tem que ficar lá de quinta a domingo. Meu Deus, quinta, domingo.
É uma renúncia, né? Vida de cigano, né?
Mas eu gosto. A tua descendência cigana? Teu pai era cigano que você falou? Então descendente, né? Descendente de cigano, mas cigano é a única coisa de cigano que eu sei, é o que o meu pai falava comigo quando eu ia pedir dinheiro para ele. Ele falava: bonatá de mico. Quer dizer, cigano tá sem dinheiro.
O Dedé, como é que você conheceu o Renato, o seu Renato?
Tô brincando, Renato Aragão. É sacanagem, cara. É sacanagem. Mas como você conheceu o Renato Aragão? Tudo começou, você conhece o Arnoldo Rodrigues?
Arnoldo Rodrigues, né, que faleceu de uma forma bizarra, né, num barco, né, pescando, né, meu?
Pescando, foi salvar uma criança.
Ele foi salvar?
Ele foi salvar uma criança que tava se afogando. Mentira! Eu acho que ele não nadava direito, sei lá. Salvou a criança e morreu. Tadinho. O Arnoldo Rodrigues, eu tava no Teatro Recreio no Rio de Janeiro fazendo uma peça que era Walter Pinto. Pessoal só puxando na internet para saber quem são esses caras. E ele ia todo dia lá assistir, todo dia. Eu falei, esse cara deve ter alguma mulher aqui, porque era teatro em revista, direto aqui, né, mulher, né, e tal.
E um dia ele me esperou me parou na saída. Você sabe quem sou? Eu falei, quem que não sabe, né? Ele era um dos diretores da TV Tupi do Rio de Janeiro. Falei, você é o Arnoldo? É, sou Arnoldo, rapaz. Eu falei, você tem alguma namorada aqui? Não, rapaz, eu venho aqui te ver todo dia. Eu falei, me ver?
É mesmo?
É, venho te assistir, gosto muito do teu trabalho e vou te levar para televisão. Eu falei, não, não quero ir para televisão. Eu não queria ir para televisão. Acabou que eu fui para televisão Convenceu. É, e ele falou, você vai para o ensaio, eu vou chegar mais tarde. Eu tive uma grande decepção na minha vida porque era a Urca, a plateia era os artistas, ficava na plateia, e na hora do ensaio eles chamavam, mas a plateia era tudo ali, era obrigado a ficar assistindo o ensaio.
E tinha ali, tinha Lúcio Mauro, era Jarará, que é Ratinho, tava lá também. Caramba, só astro mesmo ali, né? E eu entrei, eu entrei, ele falou, Dedé, quem é o Dedé aí? Dedé? Eu falei, eu, eu, eu. Aí o cara falou, vem aqui o assistente. Eu vi quando ele perguntou para o assistente, quem é esse aí? Não sei, o Arnoldo que mandou, ele disse que é de teatro e tal. Aí ele falou, então vamos lá, vamos lá, você entra aqui e fala. Aí eu entrei, comecei a falar, ô meu amigo.
Ele falou, para, Para que isso, cara? Dedé, rapaz, você fala muito baixo, você não serve não, sai, sai, sai. É mesmo, rapaz? Foi uma vergonha que eu passei. Eu não tinha coragem de sair do palco ali, a plateia. E eu fui, fui devagarinho saindo ali e tal, não sabia como sair dali. Bom, eu trabalhava num teatro, 2000 lugares, que era lotado quase todo dia, sem microfone. O cara disse que eu falava embaixo. Olha só, aí eu falei, nunca mais eu boto, vou meter, chegar no Renato, né?
Nunca mais eu ponho o pé em televisão, não quero nem saber. Quando eu ia saindo, quando eu ia saindo, tinha um gay magrinho, era muito conhecido do pessoal lá, que ele era figurinista na TV Tupi. Ele falou, Tetê, você aqui, meu amor, e tal. É, tô aqui, eu tava arrasado aqui, mas tô indo embora, né? Sabe o que ele falou para mim. Ele falou, você vai trabalhar aqui? Eu falei, acho que não. Ele falou, é pena, aqui não tem nenhum artista igual a você.
Se tivesse igual a você aqui, arrebentava. Eu falei, eu não vou embora, eu vou ficar. E aí resolvi ficar, bateu o pé. Aí o Arnold chegou, eu expliquei para o Arnold o que tinha acontecido. Arnold falou, não, pera aí, tu vai entrar no meu quadro então. Você entra no meu quadro e tal, você faz um garçom. Dá para improvisar? Falei, dá. Você faz um garçom então, uma hora te puxa. Eu falei, vem cá, quando você briga comigo, você pode me puxar com força?
Ele falou, por quê? Porque eu tô atrás do balcão, você me puxando, eu vou dar um voo por cima do balcão, vou cair em cima da mesa, vou rolar no chão. Mas como fazer isso? Eu falei, você só me puxa, porque eu sou do circo, com força. Ele me puxou, dei um voo por cima do balcão, caí. Rapaz, era Ao vivo, o programa, a plateia chorava de rir, aplaudiu e tal e tal. Aí eu fiquei fazendo o quadro dele. Meses depois ele me chamou lá, falou, olha, preciso falar com você, tem um rapaz aí que veio do Ceará, né, e ele não tá acertando muito, e nós vamos falar com ele.
E ele disse que tá acostumado a trabalhar com companheiro, com colega e tal, sozinho, e não sabe fazer esse tipo de humor sozinho assim. E tal. E nós escolhemos você, Dedé. Caramba, você vai ser o cara! Você quer trabalhar com ele? Eu falei, eu vou ver ele trabalhar, eu vou lá ver ele. Aí eu fui escondido com Arnaud na plateia assistir. Eu falei, Arnaud, esse cara é muito bom, rapaz. Ele tá fazendo coisa errada. Vocês botaram o cara para dançar e cantar, é o que ele não sabe fazer, mas o resto ele é muito bom.
Então você topa? Topo. E aí foi o primeiro encontro. Eu morava ali em Ipanema, tinha um apartamento. Ele levou o Renato lá. E quando ele me apresentou o Renato, foi engraçado, porque ele falou— eu falei: muito prazer, Dedé. Ele falou: muito prazer, Didi. Ele já era Didi no teatro. E ali foi nosso primeiro encontro. Ali me mostrou os textos, eu li o texto, falei: quem escreve isso? Ele falou: eu. Eu falei: você escreve isso? Falei: é eu que escrevo.
Eu falei: cara, o dia que você fizer o que você escreve, você vai ser o maior humorista do Brasil. Ele falava: vocês cariocas, ele tinha um sotaque bem carregado, muito gozador e tal. Eu falei, não, rapaz, eu tô falando sério e tal e tal. Ele botou isso na história dele que fizeram na Globo, tem essa cena. E aí eu falei com ele, mas quando você for escrever, me chama, eu quero escrever com você. Aí eu ia lá para escrever com ele, eu falava, vamos botar coisa de circo.
Ele falou, como coisa de circo? Aqui você dá um tapa, né, eu te dou um tapa, você quer? Mas como faz isso? Olha, vou te explicar. Aí a gente ia cedo para televisão, eu dava uma cerveja, cerveja por contrarregra, ele botava um tapete, a gente ensaiava cair, levar tapa e tal, e funcionou. Aí não deu outra, rapaz. Mas isso então na Tupi, mas só os dois, só os dois na Tupi, na Tupi.
Aí virou o Trapalhão?
Não, ainda foi na Record.
Era o que isso aí? Era o programa do Arnô?
A Tupi já não pagava a gente direito, você sabe, imoralizou.
Até hoje a televisão não faz isso.
Quem moralizou a televisão no Brasil foi o Boni, né, que moralizou. Que lá na Globo, quando o pagamento caía na sexta-feira, caía no sábado, domingo, eles te pagavam na sexta, era certinho, né. E um dia eu entro com ele num quadro, como eu fiz Globo da Morte, já trabalhei no Globo da Morte, falei: Bobô, você fez Globo da Morte de moto? Eu fiz, eu fiz 8 números de circo.
Putas, que paroca!
Eu fiz barra, trapézio, Saltei, não, não, saltei, né? Saltei, fiz parada de mão.
Eu sempre fui ruim de equilíbrio.
Equilíbrio eu nunca consegui. Agora eu percebi, no Globo da Morte não sou equilibrado. Era equilibrar.
É de boa isso.
Não, mas esse dia eu pedi uma moto, eles trouxeram a moto e eu rodei com a moto dentro do cenário com o Renato. E no final eu falei para ele, pula pela janela. Ele é muito corajoso, era uma, ele é meio atleta também, né? Ele deu um pulo na cama e saltou pela janela, pá, quebrou a janela. A plateia ficou doida, né? Aí eu rodei, rodei, rodei com a moto e entrei no cenário. 15 dias depois, o Renato vem para mim: olha a merda que você fez, e não sei o quê, que é descontar o cenário no nosso pagamento. Ele era casado, tinha 2 filhos. Como é que eu faço?
Eu tô ferrado.
Não vai ter comida, Dedé. Olha o que aconteceu.
E você sabe que quando começou, os dois eram comediantes. Não era Didi e Dedé, era Dedé e Didi. Era dois comediantes.
Sim.
Aí eu venho de circo, sou oitava geração circense. Eu chamei ele um dia, falei, Renato, não tá dando certo a nossa dupla. Ele falou, por quê? Porque dois engraçados, dois engraçados não dá dar certo. E ele falou, e o que que a gente faz? Falei, um tem que preparar a piada e o outro dá piada. Então eu vou fazer o escada para você. Ele falou, aí você vai se prejudicar? Falei, não, não vou me prejudicar. A gente vai fazer um pacto de fazer uma dupla e não separar.
E fizemos essa dupla. E ele falou, mas por que que eu tenho que ser o comediante? Eu falei, simplesmente porque você é mais engraçado do Ele falou, você acha que você é muito mais engraçado que eu, por que que eu vou fazer graça se você faz melhor do que eu? Aí fizemos e deu certo. Aí viemos parar na Praça da Praça, acabou eles convidando a gente para fazer. Foi o dia que a gente ficou com medo, achou que ia mandar a gente embora.
O Hélio Ansaldo era o diretor e ele não, ele chamou a gente lá para fazer um programa nosso. Isso, né?
Que legal.
E aí nós fizemos o programa, era Dedé de Dittro, sem o Guilherme, que já trabalhava com a gente, que é o Pincel, que é padrinho do meu filho que tá aí, né? Sargento Pincel, padrinho do Marcos. E aí começamos a fazer, e um dia eles chamaram de novo.
Como é que é o nome dele? Guilherme. Roberto Guilherme, que faleceu há pouco tempo.
Faleceu há pouco tempo. Aí me chamaram de novo com Renato lá. Falei, Renato, acho que o programa não funcionou, vão mandar a gente bora, porque não tão gostando. Aí voltamos lá, eles falaram: não, é, chamamos vocês aqui porque o programa tá indo muito bem e vocês começaram a ganhar do Fantástico.
Caramba!
Então nós precisamos aumentar 15 minutos no programa. Falei: para ganhar do Fantástico? Vamos aumentar 15 minutos no programa.
Esse Ibope de hoje que a turma acha que é 8, 9, era 50, 60.
Lá dava 90. Então Aí o Renato falou, caramba, como é que eu vou escrever? Acho que eu vou pegar o Carlos Alberto para me ajudar a escrever. Porque o Renato escrevia sozinho. Mas uma coisa eu tenho orgulho, eu levei o humor circense para televisão, eu fui o responsável. Que legal, cara! Isso aí foi o terceiro. Eu não tô botando azeitona na minha boca.
Aí entrou o Roberto para me ajudar a escrever, porque o Renato escrevia sozinho. Mas uma coisa eu tenho orgulho, eu levei o humor circense para televisão, eu fui o responsável. Que legal, cara! Isso aí foi o terceiro. Eu não tô botando azeitona na minha boca. Aí entrou o Roberto.
Era você ou quem tinha Roberto Ferreira? Aí o Renato falou, Dedé, que tal se a gente a gente botasse mais um. Que tal? Era 30 páginas, a gente decorava. 30?
É, a gente, 15 minutos.
É, na realidade mesmo, quem dirigia era a gente mesmo. O Helençaldo só chegava no final, falava: passa aí para mim ver. A gente passava tal hora e ele que assinava. Normal. Aí o Renato falou: vamos botar mais um. Eu falei assim: Renato, vamos botar um Negão. Ele falou, Negão? É porque todo seriado que vem com Negão aí e arrebenta, é sucesso. E ele fala, quem? Eu falei, eu tenho Negão.
Ah, já conhecia por causa do samba, né?
Eu conheci o original do samba 7 anos antes de conhecer. Tá no filme do Mussu, maravilhoso, tá no filme do Mussu. Eu conheci ele 7 anos antes de conhecer o Renato, e ele não saía da minha casa. Eu ia assistir o show dos originais demais. E ele entrava no começo tranquilo, sossegado, deitado, escorregando em pé sem cair, fazendo o pôster. E o povo ria muito. E ele falava, mas meu compadre— aí eu fui na casa dele, tá no filme dele.
Eu fui lá na casa dele pedir para ele. O Renato falou, ele decora. Eu falei, decora? Sabia eu lá se ele decorava. Ele decorava, sabia que ia funcionar, sabia que ia funcionar. E ele não queria, meu amigo, ele não quis. Ele não queria de jeito nenhum. E o Renato falou, olha, já escrevi para ele, escrevi pouquinho, só umas piadinhas, só para ele se adaptar. O Renato é muito inteligente, cara, o cara não é fácil, Renato não é fácil, é inteligente para caramba.
Aí eu falei, vamos, e ele nada, nada, nada, nada, até que ele falou, meu compadre, eu não sou comediante, eu sou tocador de reco-reco. Eu falei, você é comediante, você é que não sabe. Aí acabei convencendo ele ele. E aí entrou Mussu, e o último foi o Zacarias.
Aí o Mussu já queria apresentar.
Mussu, quem tinha?
Não, Zacarias, você quer dizer?
Não, quem me apresentou Mussu? Quem? Jair Rodrigues. Porque eu era diretor de uma casa de show aqui em São Paulo, eu tava como diretor, e o Jair Rodrigues cantava lá. E eu falava, Jair, faz um negócio em cena comigo, você é muito engraçado. Eu vou te apresentar um cara engraçado. Passado. E me apresentou Mussu. Jair Rodrigues me apresentou Mussu. No primeiro dia que eu conheci Mussu, eu fui no boteco com ele do lado, ele falou, me dá um mé aí. Eu falei, mé?
Que porra é mé?
Ele falou, olha, ele me chamava de compadre. Compadre, eu ponho meio copinho de mel e encho com pinga e misturo. O mé era pinga com mel que ele tomava. E foi assim. Depois veio os Quer dizer, o Mussu eu trouxe para o grupo e o Zacarias foi o Renato que trouxe. Mas como é que eu conheci o Zacarias?
Você não acreditou?
É mesmo? Porque ele chegou com ele na hora do ensaio, de terno, gravata, seríssimo, uma voz bonita. Ele era locutor de rádio, era radioator. Quando ele chegou, falou: muito prazer, seu Dedé e tal.
Eu falei: Renato, quem que é esse cara?
Mas ele falando normal. Aí eu falei, Renato, quem vai servir? Ele falou, esse é o comediante? Ele falou, é. Falei, cara, mas isso tá mais pra gerente de banco do que pra comediante. Ele falou, não é gerente, ele foi caixa de banco. Ele tinha sido caixa de banco. E aí chegou na hora do ensaio, rapaz, eu não aguentei. Eu falei, pô, Renato, você deu na mosca. O cara é melhor do que qualquer um de nós aqui. O cara é bom pra caramba, né?
Aí ele ficou com aquela voz de, não, Na hora de correr, que tinha uma cena de correr, ele começou a correr. Ele era uma mistura de desenho animado com cinema mudo. Ele corria assim, eu não aguentava, eu caía.
O Zacarias é meio um caipira, né? Um mineirinho, mineirinho.
Sabe o que ele falou para mim?
O que que ele falou?
Ele imitou um cara da terra dele lá de Sete Lagoas.
É mesmo?
Era um cara que vivia lá, que tinha aquele cabelo, que falava daquele jeito. Ele pegou esse tipo, né?
Ele viu o caipira lá e imitou o caipira.
Pô, cara, era um grande ator, maravilha, é imortal, né?
Portanto, que imitam até hoje. O Gui Santana faz igual.
Apaziguador, ele era um apaziguador, é, porque de vez em quando dava treta, eu e o Renato, eu brigava muito com o Renato, né? Porque ele achava que tinha que fazer de um jeito, eu achava que tinha que fazer de outro. Eu falei, você não sabe mais do que eu, rapaz. Eu sei melhor do que você.
E a gente, quem sossegava era o Zaca.
Muitas vezes ele tinha razão, muitas vezes ele tinha razão, mas a gente discutia muito e tal. E o Zaca, Renato te ama, rapaz, você é um irmão para ele, para com isso. Eu não falo mais com esse desgraçado, ele vai ver. É muito difícil, né, conviver. A gente convivia mais com a gente do que com a família. Era Era 2 filmes por ano que a gente fazia, era show, comercial, televisão.
Como é que era a gravação na Globo? Como é que era a gravação? Vocês começavam na segunda?
Não, naquela época não era regulamentado. A gente começava 9, 10 horas da manhã e até às 4 da manhã, e no outro dia tava lá 10 horas da manhã de novo. Mas de quantos dias vocês gravavam? 2 dias, 2 dias por semana. E muita coisa que a gente criava na hora. Né? O grande, eu acho que a gente faz uma grande injustiça com um grande diretor nosso.
Hilton?
Não, não, o grande diretor nosso chama-se Adriano Stuart. Adriano Stuart, ele foi o grande diretor dos Trapalhões.
Você acha?
Ele vinha de circo também. O pai dele é o Walter Stuart, que fez o Cirquinho Bombril, primeiro circo tal. E ele dava todas as dicas pra gente. Ele criou aquele musical Foi o Adriano Stuart que criou aquilo. Então é muita injustiça, a gente quase não fala dele, mas ele fez Os Trapalhões. O Adriano Stuart, bom para turma saber. E ele, a gente ia tocando, errava, ele fala: não, não, não começa não, toca daí, você fala isso. Ah não, não tá no script.
Então ele só me chamava de vez em quando, fala: Dedé, segura eles lá, não deixa esticar muito e tal. Aí eu tinha que segurar um, segurar o outro e tal.
Pô, e morreu novo, né?
Adriano Stuart, rapaz, novo para caramba. Era um cara, ele chegou a ganhar prêmio de cinema.
Agora sim, como ator, ganhou prêmio. Bom, aí vocês foram, nós quatro, vocês juntaram e foram, fizeram a Record, correto?
Fizemos aquele título que eu odeio, é o Insociáveis, os Insociáveis da Record.
É mesmo?
É porque o Ellen Salt falou assim, vocês fazem o programa programa, o título eu arrumo o título, tá? Aí quando chegamos lá, qual é o título? Ele falou Os Insociáveis. Eu olhei para o Renato, olhou um para o outro, pô, legal, pá. Saímos da sala falando que merda, rapaz. Mas ele era o diretor, era o diretor da linha de som.
Eu não sabia disso.
Os Insociáveis, que miserável.
Aí depois virou Os Adoráveis.
Depois não, depois virou Os Trapalhões. Os Adoráveis é outra época já. O que que é Os Adoráveis? Foi na TV Era Ivan Cury, Vandellê Cardoso, Teddy Boimarino, tá faltando um aí, o Renato, e eu, eu era o quinto.
Eram os Adoráveis Trapalhões.
Foi criado pelo cara que criou os Trapalhões, chamava-se Emanuel Rodrigues.
Esse cara inventou os Trapalhões?
Esse cara que inventou. Esse cara era um paraibano, mas escrevia muito bem. Você chegava nele e dizia, eu queria escrever uma parte cômica, nós 4 aqui com esse rádio aqui. Ele fazia, ele fala, peraí, peraí, tá aqui na hora. Caramba, ficava ótimo. Emanuel Rodrigues, tá? Aí isso foi, aí você fez questão de falar no Walter Stewart, no Adriano, tem que falar mesmo, porque eu acho que é uma ingratidão a gente não fala nele, rapaz.
Tem que falar, tem que falar.
E o grande cara nosso no cinema que eu acho que segurou mesmo a gente do cinema, chama-se Jota Betanco. O Betanco que foi o Betanco, Betanco que fez os primeiros filmes nossos todos, né?
Que ano foi o primeiro filme?
Você lembra o ano?
E qual foi o primeiro filme que vocês fizeram?
Primeiro filme, A Onda do Iê-Iê-Iê.
Mas não virou muito, ou virou?
Na época ninguém fazia mais filme preto e branco. O Jarbas Barbosa tava produzindo Chica da Silva colorido, e o Átila e Ório, que era um ator premiado, Vida Seca, Só o Trem Pagador, ele falou: o que que vocês queriam fazer? A gente queria fazer cinema. O Átila me levou lá, mas depois de meses conseguimos convencer. Ele falou, era o irmão de Chacrinha, Jarbas Barbosa, era o grande produtor na época. Aí o Jabba falou, olha, eu preciso me encher mais o saco, eu vou fazer esse filme com vocês em preto e branco, vocês topam?
Porque eu tenho muito material lá e vou jogar fora, vou aproveitar esse material. E aí ele falou, mas tem uma coisa, o Chacrinha quer entrar no filme. Aí o Renato escreveu uma história lá que o Chacrinha entrava e tal, e ninguém esperava, bateu todos os recordes de bilheteria. Era um filme em preto e com Dedé e Didi, chamava A Onda Vem Aí, A Onda do Iê Iê Iê.
Na Onda do Iê Iê Iê.
Sabe quem abriu?
66, 66.
É, sabe quem abriu o filme? Quem? Cantando Simonal. O Wilson. Renato e seus bluecaps. Foi um filme que a gente fez sobre a história de um cara que ia ganhar um concurso.
Aí, mas o primeiro filme, eu puxei aqui, o primeiro filme que vocês fizeram juntos, os 4, A Onda do Iê Iê Iê. Sim, mas depois Depois foi Os Trapalhões na Guerra dos Planetas em 78. Aí, isso aí, ó, na onda do E.
Olha aquele, por incrível que pareça, eu e Renato.
Ah, mas você não mudou muito, não mudou mesmo, não mudou.
Dá para ver que você é mesmo o Renato.
Ó o queixinho dele, olha a orelha, a orelha ali, tá ali. Ô Dedé, a orelha que eu tô, Dedé. Olha a carinha de tristeza de sempre, rapaz.
Dois canastrão, rapaz, nesse filme e bateu tanto. E tem esse filme em algum lugar na internet?
Mas dois canastrão de marco maior aqui na onda do Yeyê, que era a época do Yeyê, né?
Mas sabe qual foi a sorte nossa? Eu acho que foi, foi a mão de Deus que entrou aí, porque os Beatles lançaram um filme na mesma época, Estados Unidos e Inglaterra. E o povo, quando tocava música, começava a dançar no cinema e acendia a luz. Dava aquele— é o Sílvio César, o galã.
Sílvio César, grande cantor, adoro.
É o Sílvio César.
Que voz bonita esse cara tem, né?
Ele era—
você sabe que eu ouço Sílvio César, cara?
Eu ouço ele no duro, cara, juro por Deus. Ele criou a música E Mônica, é uma música que ganhou O Bola nem sabe quem é Silvio César, ele é da Bossa Nova, né? Da Bossa Nova, grande intérprete. E o que aconteceu com a gente, o brasileiro imita muito, né?
Claro.
Quando o nosso filme entrou no cinema, eles começaram a dançar no meio das músicas, acendia a luz, dizia que ele deu um arroê que eu vou te contar.
Que loucura, né, cara?
Eu levei uma semana para ver o filme.
Com medo?
É, não, porque eu não sabia que eu podia chegar lá e falar eu sou o diretor do filme, quero ver. Não, eu queria entrar na fila, mas a fila era grande. Então, que idiotice, idiotice!
Você não viu antes?
Eu vi depois, eu vi no cinema no Meia. Fui lá no Meia ver o filme, eu não tinha visto filme. Fui ver lá no Meia, lotado, rapaz! Mas era, imagina, era uma coisa incrível.
Mas por que que demorou tanto tempo de Meia a Meia para fazer o segundo em 78 assim? Por que que demorou tanto tempo?
Quase 10.
Aí demorou, demorou bastante.
Mas por quê?
Porque ninguém, não sei, o O Jarbas tomou um prejuízo enorme com Chica da Silva. Aí o pessoal não acreditava, falou, não, é cinema novo, vamos perder tempo fazendo isso aí, foi um golpe de sorte e tal. E depois apareceu o próprio Jarbas, que fez o Alibaba e os 40 Ladrões e arrebentou a bilheteria de novo. De novo, que era o Alibaba e os 40 Ladrões. Foi o— e eu acho que o melhor trabalho meu e do Renato no cinema, porque nós temos 7, 8 filmes, só os dois, só Dedé e Didi, tudo com recorde de bilheteria.
O melhor trabalho nosso eu acho que foi no Aladdin e a Lâmpada Maravilhosa. É o melhor trabalho nosso no cinema, eu acho que foi esse, que era um trabalho de ator mesmo. E depois o filme mais engraçado Dedé e Didi, é Robin Hood e o Trapalhão na Floresta. Ali a gente já tava meio de sociedade no filme e tal. Foi feito todo numa fazenda, já o Jota Betanco de novo.
Entendi. Eu me lembro essa cena. Qual que você acha que é a cena mais clássica do Dedé?
Eu lembro.
Será?
Mais clássica aí, ó, no cinema. Esse aí, esse aí, Lâmpada Maravilhosa. Muito bom, porra.
Eu tenho, eu tenho disco, cara, disso aí. Ah, é desse aí? Não, eu tenho disco do Serra Pelada.
Eu vim inteiro. Eu sei tudo aquilo lá em Serra Pelada, esse Os Trapalhões, tudo câmera escondida. É mesmo? Nós entramos lá, entramos naquele buraco, tava um medo, lógico. E a gente não tinha, você enche o saco de terra, mas não enchia o saco de terra, botava só um pouquinho porque era muito pesado. E os caras xingando a gente, tudo quanto é nome, o chupa-sangue, o chupa-cabra, não sei o quê. Porque a gente tava, eles não sabiam que era a gente, que as câmeras estavam escondidas mostrando a gente. Quando descobriram que era a gente, parou. Serra Pelada parou.
Você fez cinema, Diegão? Não, nunca fez, nunca participou nada?
Aí tá aí uma ideia, tá na hora já, hein?
Já, quantos foram seus? 67 filmes você fez?
67 filmes.
Tô com 73, né? 73, 74, como principal uns 45, como na frente.
Meu Deus, mas a cena que eu falei icônica, qual seria? Eu me recordo muito bem, sendo eco.
Ai, meu Deus, eco! Ai, não me lembro bem, meu Deus. Eco da caverna aí, velho. Eu não sei se é Minas do Rei.
Alibaba.
É, agora aí a gente fez um trabalho muito bonito, foi no Alto da Compadecida. É bom que o Ariano falou assim, de todos que fizeram, eu gostei mais foi dos Trapalhões porque ficou mais autêntico, né?
Eu adoro essa história, sabia?
Eu fiz uma cena ali que o Renato caía. E ele falou, se prepara que a gente vai ter que fazer isso umas 4, 5 vezes, a cena, né? Porque você vai passar por um papel dramático aí na hora, até pegar o jeito, né? Que a hora que levava o tiro, rapaz, eu me emocionei tanto na hora que o Renato levou os tiros e ele caía e eu ia, que ele tava, rapaz, eu não me segurei, cara. Eu me emocionei tanto de verdade que ficou aquela cena ficou, não repetiu mais.
Ele falou, você não vai fazer melhor do que isso nunca. Aí ficou. Tem essa cena, o Alto da Compadecida, que o Renato leva o tiro e eu pego ele nos meus braços chorando quase.
Mas agora tem que botar o Diegão num filme, entendeu?
É, mas pô, cara, agora precisamos botar quem? Diego Hipólito no cinema.
Já no circo já tá.
Olha o Estrela 007 que ele tem.
Eu acho que ele Ele na outra encarnação foi circense, viu?
Será?
Ele tem, ele tem aquela fibra. Outro dia ele tava machucado tudo, eu falei: você vai entrar? Vou entrar. E ele entra machucado, chega lá, você não diz que ele tá machucado, tá nada, ele faz tudo normal e tudo. Que beleza, hein? É verdadeiro circense.
Deve ser um orgulho muito grande, né, Diego, trabalhar com Dedé Santana, né?
Com certeza. Domingos. Dedé é um embaixador do circo brasileiro. E essa temporada, além de ser um orgulho de trabalhar em conjunto dele, é comemoração dos 90 anos, né? Então é uma temporada especial para contar a história do Dedé também. Então é, desde que eu iniciei com ele, eu falava assim, caramba, tô com Dedé Santana, né?
É verdade. Eu vou fazer para você, velhozinho, daqui. Porra, tá de brincadeira?
Eu tô dando risada, mas é demais, né, cara?
Eu lembro dele, você não tem noção, você não tem noção da nossa felicidade de você tá aqui, do seu tamanho.
Eu ficava olhando teu podcast lá, falando, puxa, um dia eu vou conhecer.
A gente bateu um papo uma vez, né? A gente fez uma reunião de noite, eu fiquei impressionado com o Dedé.
Encontrava você todo ano Orlando. A gente ia na casa do Gilson jantar todo ano.
Ah, isso aí, todo ano.
E eu lembro que a primeira vez que eu fui no restaurante do Gilson, que era o Vitórios, o Gilson Vitórios, isso, picanha.
Não passamos, passamos o Ano Novo lá.
Isso, exatamente.
A filha do Renato tava comigo, a filha do Renato tava comigo. Eu cheguei, sabe quando você chega, só foi cá, e o Marcos tava lá, viu?
Parece o Dedé, meu.
O Marcos tava lá também, tava o Marcos.
Aí tava todo mundo, mas eles eram priminhos, sabia?
Ah, é? Ela já fez 5 filmes. Que legal! Faz uma peça com a Ana Rosa que chama Violetas na Janela, tá indo muito bem. É, é. E agora vamos falar de Orlando?
Vamos! Eu lembro que eu cheguei no restaurante, eu olhei e falei, caramba, parece o Dedé, velho!
Que porra!
Aí eu disse, o Dedé tá ali? Eu falei, nem fodendo, cara, mas nem fodendo que o Dedé tá ali! Aí fui cumprimentar e tal.
E todo ano a gente se encontrava Orlando, eu fui convidado agora, não sei por quê, é para ir receber uma homenagem e um prêmio na NASA, que vai ser entregue por um astronauta mesmo.
Que demais!
Dia 6 de dezembro, que legal, em Orlando, no Cabo Canaveral. Será que eu, a minha filha, as minhas, falei, eles querem te estudar, é por isso.
Legal, cara, que pô, merecidíssimo, rapaz.
Eu não tô nem acreditando, né?
Ainda até agora, demais, cara.
Pô, me convidar para ir lá receber um, eu não tô acreditando até agora ainda. É incrível, acreditar na hora que acontecer.
Vai acontecer, óbvio. Mas você quer ver, eu tive o privilégio de te conhecer no Graffiti, lá no programa do Dudu, lá em Belo Horizonte. Eu fui fazer o show, eu fui fazer o Graffiti, não sábado, programa de rádio, a Gera aqui. E aí do nada entrou o Dedé no estúdio, bicho, que ele tava divulgando acho que o circo dele, alguma coisa lá.
Era o festival de circo, sabe tudo, velho. Festival de circo lá.
Isso.
Aí eu conheci o Dedé, tava tendo lá em Mariana. Em Mariana todo ano tem um festival de circo, a cidade vira um grande circo. Cada lugar que você vai tem um número, tem um palhaço na rua, tem. É uma coisa, é uma coisa enorme, é um desbonde, é um desbonde.
E aí eu conheci o Dedé e tamo tentando há bastante tempo dele vir aqui. Graças a Deus chegou essa hora e você tá aqui. E saiba que você, toda a nossa geração deve muito a você, ao Renato, porque assim, vocês eram, vocês são os verdadeiros embaixadores da alegria, assim, literalmente, do humor brasileiro. Mas o que o Bolange representa para uma geração que não é a minha, a minha geração assim passava o Chaves e tal, mas o Estrapalhões para mim foi muito mais.
Eu acho que o politicamente correto amordaçou vocês. Você acha? Eu, amordaçou vocês. Vocês não podem falar mais nada, não pode. Aí tem que apelar para o palavrão e tal, né? Porque amordaçou. Que que você hoje, você não pode brincar com nada, com nada, né? E nós tínhamos essa facilidade, né? O Múcio era um cara que chegava e falava, compadre, naquela cima lá você fala assim, ô negão. Eu falava, ô negão. Ele dizia, negão é teu passado e tal, né?
Ele pedia, né, para fazer. Eu falava, Renato, insinua aí de bico, eu sou bicho e tal. Isso aí pegava muito, né? Pirua. Eu adorava fazer isso. Hoje você não pode fazer mais nada, não pode brincar com mais nada. É, Não é uma brincadeira, é uma coisa de palhaço.
Você era pegador, né?
É, pegador em que sentido? Fala baixo que a minha mulher vai ouvir isso aí. Não, na época, na época.
Agora não mais. Mas você era mulherengo, né? Era, era muito, né? Era tua fama, tua fama. Não sei porque eu nunca ouvi com o tio.
Era terrível.
Você era terrível, Dedé.
Era, mas o Diego dá risada.
Você, você dizem que você, a mulherada que desvia um pouco teu caminho. Isso faz sentido, Dedé Santana? Era meio de saia, tirou o foco, ele ficou sem graça.
Não durmeu, eu parei depois que eu casei com a Cristiane. Ela é braba para caramba, não dava para brincar, não dava para brincar, não dá para brincar com ela.
Desculpa, Cristiane.
Vamos falar do rédea, vamos falar do rédea agora. Vamos lá. Círculo, é melhor, é melhor.
Tá em São Paulo até quando?
Abracadabra!
Que dia está o circo?
O horário, como é que tá? Dia 17, dia 17 é a estreia. A gente pretende ficar aí quanto tempo?
Você, ele é uma curta temporada, ele funciona quinta, sexta, sábados e domingos. Nas quintas e sextas, 7:45 a sessão, tá? Aí sábado e domingo a gente tem como ver lá pelo próprio Instagram do Abracadabra Circo local. Então é, as atrações mudam, o circo tá voltando a São Paulo, né, no coração São Paulo, né, que é na Moca, na Arena Sabesp, que vai ser— a gente depende muito do público, né?
Pô, nem fala, quanto mais, tô torcendo para o público ir para a gente ter moral, que eu quero ficar mais em São Paulo, né? Oportunidade que eu tive de vir aqui, que eu moro em Santa Catarina, né, meio, meio, você mora lá, né? Balneário, minha Santa Catarina, né?
Pô, que vida ruim!
Mas você mora em Balneário?
Cidade horrorosa, você põe o pé na rua, os carros param para você passar. É horrível.
Aonde você mora? Em Balneário você mora agora? Balneário Camboriú.
Eu moro numa praia que chama Cabeçudas, chama Cabeçudas. Que beleza! Eu falo igual moço aqui, é minha praia. E ali em Balneário mesmo é muito bom morar em Santa Catarina, cara, tirando o Rio, né? Mas é muito bom, é muito bom, né?
Eu tô por lá sempre também.
Eu quero ver se vocês vão lá assistir o espetáculo, tá?
Eu quero assistir, eu quero ir.
Você sabe até quando que tá essa temporada?
Então é porque na realidade circo sempre depende do público, do público.
É que a gente fala, a gente vai ficando enchendo, encher vai ficando.
Eu torço para encher, para demorar mais.
São Paulo sempre foi uma praça muito fiel ao Abracadabra e que o Manoel humor, com novos números, de uma maneira nova. Como a gente contou, o circo ele é muito diferencial, ele é muito inovador, né?
Então a turma tem que ir.
O mais legal é contar uma história, porque a gente fala que felicidade é uma questão de prioridade e ela ocupa e deveria ocupar o tempo e espaço todos os dias da gente. A gente tem que decidir ser feliz todos os dias. Então é um musical local, dentro de uma lona, de uma maneira que você não— o tempo, você não pega chuva, você não pega barro, não pega— você é tudo em cima de—
é tudo asfaltado, em cima do asfalto.
E os preços são acessíveis. Então é, você pode adquirir o ingresso direto lá na nossa bilheteria, de 10 da manhã às 10 da noite, ou direto pelo Uhu.com.
Nós vamos fazer melhor, como é que é? Vamos fazer melhor nesse episódio.
Vai estar o link de vendas do espetáculo.
Obrigado, cara, por baixo aqui você já clica e já compra o ingresso.
Hoje estará em São Paulo, você de São Paulo, Teatro Sabesp, quinta-feira, Arena Sabesp, sexta, é quinta, sexta, sábado e domingo. Sábado e domingo duas sessões com Deda Santana, Diego e Feriado. Então você saiba que você pode, vai ter o linkzinho aqui embaixo desse episódio, tanto aqui no YouTube você pode chegar antes, tem muita coisa, só tem food truck, tem muita coisa legal.
Até antes de você comprar, você já tem a lona ali, antes de você chegar na bilheteria, você já tá confortável ali. Depois que você entra no circo, você tem todos os food trucks, estacionamento, tem estacionamento, muito bom, muito legal. Lá tem cachorro-quente, tem pizza, tem hambúrguer, tem algodão doce, tem brinquedo para as crianças também, tem absolutamente tudo, é tipo bem completo mesmo.
Que legal!
Legal, Diego, queria que você me falasse sobre esse nosso ciclo olímpico. Eu sei que foge um pouco do assunto, mas você vai ter que ir embora já já que você vai treinar, não é isso aí?
A gente tem um ensaio geral hoje às 5 horas lá no centro.
O Dedé vai ficar mais um pouco, você vai ter que sair 3:30.
A gente vai falar de esporte, já tem uma medalhinha para você.
Olha aí, para a gente?
Claro, do Instituto Hipólito.
Então conta um pouco sobre o Instituto Hipólito. Tá aqui, nós vamos deixar no nosso cenário, tá?
Ah, claro.
Presente que fica aqui. A gente faz esse tipo de— quem vai deixando coisas aqui, ó, nosso saudoso Oscar deixou a bola aí, foi para o céu, e tá aqui autografada.
Temos autografado, pô, eu vou mandar meu boneco aí para vocês, todo atleta que vem aqui.
A galera do vôlei tem bola assinada. Caramba, Caju e Castanha tem um pandeiro.
Me perdoe, rapaz.
Sabe o que que a gente tem aqui atrás? O Dedé vai ficar em choque. Ó o que que a gente tem. Cadê, cadê o Tá aqui, ó, a colher. Vamos ver se não, vamos ver se ele sabe de quem é. Quem que faz isso aqui? Você lembra esse cara? Ah, você vê, hoje sua memória tá boa.
Vamos ver se tá bom.
Quem é o cara que entortava a colher?
Conheço dois que fazia isso.
Quem que fazia isso no Brasil e era famosão, mas não é brasileiro?
Eu tô querendo lembrar o nome dele. Uri Geller. Uri Geller, você acredita que ele mandou autografou para gente lá de Israel? Tá, tá, o autografado.
Ele passa o dedo assim, ele entorta a colher.
Aqui, ó, canetinha.
Aí, o Uri Geller é para assinar aqui, ó.
Cara, o Uri Geller mandou, que tem um amigo nosso lá em Israel, mostrou para ele. Ele fez um vídeo, mandou a colher para nós lá de Israel entortada. Ele assinou aí, ó, tá assinada a colher.
E é dura, é. Como é que é?
O cara tem a manha, né?
Como é que ele entorta isso?
Ô Diego, eu queria que você falasse um pouco do seu instituto, como é que ele funciona, onde é, quem quiser patrocinar, como é que faz?
Quem quiser participar, o instituto indiretamente também foi culpa do circo, porque eu me tornei captador de recursos do circo, né, que eu entendi, comecei a entender das leis por causa do esporte, né? Não, porque o Fred me ensinou mesmo, como assim como a gente tem a Sabesp agora, ele me levava nas reuniões e eu comecei a aprender. Então a gente começou a sempre ser um circo, porque manter bilheteria é muito difícil, né? Então o circo é aprovado por todas as leis, e eu comecei a entender por conta disso.
Então eu comecei, eu tive um sonho de querer ter um instituto para atender as crianças é que não tinham o que eu tive na minha infância. Então fazem 4 anos e 2 meses mais ou menos que existe o Instituto Hipólito, já tem 2 unidades.
Onde é, Diego?
Um é na Penha e o outro em Macuco. E aí atendem 400 crianças.
Onde é?
Macuco é Santos?
Não, Macuco é Rio de Janeiro mesmo, é mais no sentido Teresópolis, ali Cachoeira de Macaco.
Ah, Cachoeira de Macaco, lá próximo.
É no interior do Rio, no interior do Rio.
E um é na Penha. E ali eu comecei, é um sonho mesmo que eu tinha, foi num período meio complicado, mas eu queria contribuir para a sociedade aquilo que me foi dado, né? Porque eu iniciei, eu tive muitas sortes, né, que foi Deus na minha vida. Mas eu falei, cara, eu quero que essas crianças tenham o que eu não tive. Então o colar das meninas é feito pelo mesmo, pela mesma pessoa que fazia o colar da minha irmã. A roupa das crianças, dos meninos, é feito pela mesma pessoa que fazia a minha roupinha.
Eu me preocupei dos meninos para uma questão até de não ter um bloqueio de questão de preconceito, das crianças fazerem shortinho igualzinho de futebol e camisetinha igualzinha de futebol. A gente tem os aparelhagens iguais, a Rebeca tem, a Flávia tem. Nós temos a treinadora do ginásio, a Vivi, que era treinadora da Jade Barbosa, é uma medalhista mundial. A nossa treinadora é coordenado pelo Fernando Simon, que é marido da Patrícia Amorim, que é uma pessoa que veio do Sporting, da natação, né?
Exatamente, que me levou para o Flamengo. Fernando foi que uma das pessoas que me trouxe na época que eu tava em Porto Alegre para o Flamengo. Flamengo. É, o meu irmão é a pessoa que coordena, que é a pessoa que mais sabe montar ginásio. É, o ginásio inteiro de carpete, que é uma, para ser um ambiente limpo, obrigatoriamente qualquer pessoa que entra no ginásio ele tem que entrar sem o tênis. Qualquer pessoa que vá, autoridade ou quem que seja, o banheiro é todo sem mictório.
Mandei tirar os mictórios e não tem chuveiro, por uma questão que a ginástica já teve problemas de questão de assédio. Os nases, tudo é monitorado com câmera para que a gente tenha a questão de proteção, né? Então as luzes são todas impecáveis porque tem a questão de cumprimento de horário, né? As crianças, elas têm o— elas podem atrasar 2 minutos. Se ela atrasa 3 minutos, ela tem uma falta. Com 2 faltas, a criança é substituída porque a fila é uma fila interminável.
São mais uma semana. Mas é no Rio, é no Rio, é no Rio, ele, ele, a Alca Carioca, porque o esporte tem muito da questão da disciplina de horário, e eu tenho muito isso. Então eu quis que as crianças tivessem tudo que eu não tive no meu início. Para você ter noção, a gente faz passeios culturais, as crianças já foram todas no Maracanã com os pais, todas as crianças já foram ver no teatro, ver Quebra-Nozes no Teatro Municipal lá no Rio Rio de Janeiro.
Todas as crianças no final do ano passado ganharam um colchão da Ortobon, é que eles doaram para a gente. Uns 400 crianças ganharam um colchão.
Você cuida de 400 crianças para peneirar e ver se você já encontrou algum talento ali?
Assim, o nosso objetivo é um objetivo social. Todas as crianças que ganham, que tem um talento a mais, a gente encaminha para o Flamengo, que maior clube no Rio de Janeiro. Tem todos os meninos praticamente do Flamengo vieram do Instituto Hipólito. É mesmo, cara?
Porque é lá, captador, né?
É porque a pessoa vê o Diego Hipólito fazendo ginástica, os pais na realidade vão lá. Eu sou muito presencial lá, tanto eu quanto a minha irmã quanto meu irmão.
Você quer entender como é que você consegue fazer esse trabalho que deve ser árduo e fazer o circo, velho?
Que o cara não para, ele não para. Às vezes ele sai correndo Pega o carro, fala, tem que correr no aeroporto, não posso perder esse avião. É uma correria o tempo todo.
Foi isso que o Careca tava conversando comigo, que a gente tava falando, ah, no esporte, esporte é muito difícil. Eu falei, eu acho que hoje em dia é mais difícil para mim, porque eu trabalho muito mais hoje do que eu trabalhava no esporte. Quando eu era atleta, eu só vivia pela ginástica. Hoje eu sou captador de recursos, tanto é para o meu instituto, Eu também, eu palestro bastante, palestra motivacional. Eu tenho a questão de trabalhar, pô, não dá para fazer filme.
Mas eu já tive convite de fazer meu filme depois das Olimpíadas do Rio de Janeiro.
Na época eu não aceitei. Eu fiz a minha biografia, mas eu aceitei inicialmente, depois eu desisti porque me recordou muitas coisas da minha infância que eu não tava muito bem tratado. Então por isso até que minha biografia demorou me inspirou muito a sair. E eu não me liguei muito na biografia. Isso é um plano que eu penso futuramente. Eu acho que histórias como as de todos nós que estamos aqui, nós 4 que estamos aqui, são pessoas que venceram na vida.
Então, quando a gente vence na vida, quando você e as pessoas estão fracas de esperança, principalmente depois da pandemia, que as pessoas estão amando coisas, não pessoas, a gente tem que motivar pessoas. Então tem as questões que eu faço hoje em dia também, presença VIP, eu nunca acho que nem eu ir para uma festa separada. Vocês que me conhecem sabem que eu sou meio pesteiro.
Maravilhoso!
De graça agora recebendo?
Pô, maravilhoso!
Vamos lá, porra!
Caraca!
Mas eu sou muito presente no instituto porque é muito importante. É, então, que as crianças me vejam, não tem dúvida, porque motiva demais elas. A gente teve semana passada uma competição, é, que era da Federação Carioca, mas que eu estive presente. Eu fiquei o tempo todo todo lá. E é muito legal assim, tipo, o instituto ele mudou. Eu acho que eu amadureci muito como pessoa depois do instituto. Eu tive as minhas medalhas olímpicas faz 10 anos esse ano, no dia 16 de agosto.
Então faz já muito tempo e eu fico muito impressionado que eu nunca imaginei que uma criança de onde eu vim, sendo vendedor ambulante como eu fui no Rio de Janeiro, poderia ter oportunidade Fui lá, cara, fui no Rio de Janeiro. Eu vendia refrigerante, eu vendia sanduíche. Que legal, porque a gente tinha uma realidade muito pobre, tá? Eu tive 3 momentos muito marcantes na minha vida. Um foi quando a gente não tinha o que comer, que foi no Rio de Janeiro.
E nesse dia foi um dia que eu falei que um dia eu mudaria a realidade da vida da minha família. E o outro foi a minha queda olímpica, né, que os olhares da minha mãe, né, E o outro, no dia que eu entrei no Big Brother, esses 3 rostos da minha mãe marcaram muito minha vida. Porque eu falava uma coisa para minha mãe, que como eu sou uma pessoa muito mundana, né, eu gosto de estar na rua, eu sou uma pessoa muito que vivo muito, rodinha nos pés que a gente fala, né? Eu sou Ronaldinho Gaúcho da ginástica, eu sou aleatório demais, cara.
Eu tenho qualquer lugar Olha, tu tá fazendo aqui com eu lá. Fui jantar com ele lá em Goiás outro dia, tinha uma banda tocando. Quando eu vejo, tava o Portola cantando sertanejo, tava eu cantando aleatório, tava cantando o pessoal lá cantando, e eu animo mesmo, mantendo afinado. Mas você é maravilhoso, velho. Eu sou uma coisa impressionante lá no circo, que no final, né, tem as pessoas que vêm tirar foto comigo. Um lado fica o Diego tirando foto e do outro lado com eu tirando foto, dando autógrafo.
E eu fico aqui tirando foto, eu olho para lá, as crianças fazem questão de dar salto, fazem salto na frente dele.
É lógico, mas pô, mas você sabe que eu fico muito, muito impressionado como a vida é justa assim e legal comigo, porque é o instituto, eu acho que é só algo que eu, que as crianças que fazem por mim. Eu só sou usado aqui em terra, um instrumento para poder contribuir para algo que eu não tive. Mas quando eu vejo e fico pensando, tem 10 anos que eu saí da ginástica e as pessoas ainda terem um conhecimento sobre quem é Diego Hipólito ainda hoje, para mim é muito gratificante, porque eu vi a autência, eu vi Oscar, eu via grandes atletas. Eu nunca imaginei que eu pudesse um dia—
pô, tu é medalhista de ouro, cara, é outro nível. Vamos lá, em esporte individual no Brasil, Marlon Maggi é contar no dedo, Robert Scheid, não é querido também?
Não são tantos atletas assim no ouro individual, de ouro olímpica, mano, é um negócio muito foda.
Individual no Brasil, porra, são poucos, cara, você não tá brincando.
Tá chegando, meu.
São pouquíssimos.
Joaquim Cruz, não Barbosa, perdão. Joaquim Cruz, né? Vamos lá. Robert Scheid, temos a Artuzanete, você, a nossa amiga lá, Rebeca Andrade.
Nós temos a Sara, a Sara do judô.
Como chama o tio do judô?
Aurélio Miguel.
Aurélio Miguel.
Aurélio Miguel.
No judô, judô são bons.
É, judô acho que tem bastante, tem mais medalhas, eu acho, em quantidade. O esporte, a principal atleta da história de todas as modalidades hoje é a Rebeca, que ela tem 8 medalhas olímpicas, que é um número absurdo, né?
É que também na ginástica tem várias categorias, né? Ajuda, né? Igual na natação lá, o cara tem, o americano, o americano que tem 50 medalhas, Michael Phelps. Michael Phelps tem medalha porque nada, de 400, 200, 100, borboleta, costas, peito, o cara domina.
Ele vai sozinho, vai com a turma, vai, tem mais chance de medalha.
Mas é uma grande atleta, né, a Rebeca, né?
Ela é um gênio, né, da ginástica, né? Em conjunto, acho que do que a gente viu no início, porque nós tivemos percursores, mas a gente está colhendo frutos muito positivos. E hoje as ginásticas estão num período muito positivo. Esportivo. A ginástica rítmica, que conseguiu sua primeira medalha mundial da história, tinha muita chance de medalha olímpica, vai chegar nesse próximo ano que tá entrando agora com muita chance de medalha mundial.
Já nesse ano, agora, desculpa, nesse ano já tem muita chance de serem as primeiras campeãs do mundo da história da ginástica rítmica. É um período que o esporte vive diferente, né, da nossa geração. Eu vejo que é, é, o esporte é valorizado, mas como a gente tem hoje a internet que deu acesso a muitas coisas, eu vejo um pouquinho menos de heroísmo das pessoas em geral. A gente tá tendo uma Copa do Mundo que eu tô vendo mais pessoas assistindo do que eu vi na última Copa.
As últimas Olimpíadas também eu vi mais do que na anterior, mas a gente tá voltando agora a falar mais de esporte. E o esporte, ele é inclusivo, né? Ele muda absolutamente tudo. Mudou tudo, tudo. É o que mudou minha vida, né? Hoje, hoje o circo, na realidade, eu acho que é uma extensão do Diego. Eu nunca imaginei que algo iria me motivar tanto quanto a ginástica me motivava. Eu gosto demais, cara, é muito legal. Eu gosto dos bastidores, eu fico lá no camarim, fica sempre eu e Dedé lá. Eu sou, quem me conhece no meu dia a dia, eu sou muito bobo, né?
O Dedé sabe, eu tenho humor para tudo, eu tô rindo o tempo tempo todo dando risada. Eu falei, por que que você tá rindo aí, Diego? Não, é muito engraçado isso aqui.
Eu tô risado o dia inteiro. Mas, ó, quero aproveitar, né, que eu já tenho que ir para o ensaio. Eu quero convidá-los primeiro, agradecer a oportunidade.
Imagina, você é um parceiro, uma grande honra, irmão.
Vocês fazem parte da minha história também com o Pânico.
Quantas vezes você foi lá?
Eu fui.
Que você, a gente encheu teu saco, né?
Mas você sabe que eu me senti me sinto até homenageado, porque assim, eu vi vários artistas que passavam, né? Porque eu acho que tem muita gente tem ego inflado. E eu saber que um menino como eu cheguei, que eu tinha oportunidade, tinha o Tombos e Hipólito, né? Que teve uma época que parecia que era muito, que para mim era divertido, eu olhava aquilo, eu achava o máximo. Se vocês fizeram parte da minha história, eu acho que é saber que hoje eu tô em outro lugar, outro ramo, me reinventando, continuo pela ginástica.
Quero convidar todos vocês assistirem, estarem lá todas as quintas aos domingos com o Diego Hipólito, com Dedé Santana. Um circo diferencial que você tem artistas nacionais, internacionais, no coração aqui de São Paulo, na Moca, na Arena Sabesp, com tantas pessoas especiais, mais de 150 profissionais envolvidos, destinados a alegrar, entreter, mas principalmente emocionar cada um de de você, de vocês. Se você quiser adquirir seu ingresso, direto nas nossas bilheterias, 10 da manhã às 10 da noite, ou no Uhu.com.
Muito obrigado, bom ensaio. Dede, você fica mais um pouquinho?
Dede, um pouquinho, que eu também ensaio.
Mas fica mais um pouquinho, vai.
Obrigado pelo presentinho, tá?
Valeu, que isso, tamo junto. Ó, todo mundo sabe que é linha Copa, tá aí, ainda tem a final da Argentina, Espanha campeã. A Mambilate TV, Espanha campeã, se Quiser.
E aí, na bundinha, desculpa para mim ensaiar menos.
Não fiz um spoiler. Você que não me assistiu nas Olimpíadas, não teve oportunidade de ir num Pan-Americano no Rio de Janeiro, eu faço acrobacias. E inicialmente contada a minha história por nada menos que Galvão Bueno. Então, cantado por 4 cantores ao vivo, depois eu contando, dando, contando sobre a minha história, sobre meus altos e baixos, no meio da plateia. Então dei o spoiler, vai lá assistir Diego Hipólito e Dedé Santana, imperdível.
Obrigado, irmão, de coração, velho.
Porra, a gente ama o Diego, mas o meu amor por você é monstruoso. Comediante, comediante você, rapaz. Você não tem noção da minha, da nossa alegria, né, Boletim, de ter você aqui com essa saúde maravilhosa, com esse sorriso no rosto, com essa lucidez, com É sua memória, cara.
Aqui, olha, olha, impressionante ali, ó. Se eu não viesse aqui, eu apanhava. É verdade, Marquinho. Então não perde, vê tudo de vocês. A namorada dele vê tudo de vocês. Que legal, que legal!
Eu tô muito feliz que você tá aqui.
Esqueçam de vir aqui só para me visitar.
Obrigado, obrigado.
Vamos tirar foto depois aí, vamos. Vamos, mas Dedé, vamos tentar mais esse finalzinho do programa para saber histórias, pô. Eu quero saber como é que vocês foram para Globo, que aí acho que foi o divisor de águas, né? Foi o divisor de águas antes do Fantástico.
Tem várias histórias.
Vamos embora, quero saber a boa.
Que a gente foi para Globo, né? Um conta uma coisa, o outro fala outra, o outro fala outra, e cada um conta a história do seu jeito. Mas é assim, eu, você sabe quem foi Augusto César Manucci?
Sim, claro.
Ele chegou a ser o diretor-geral da linha de show da Globo, né? Mas antes disso, eu tenho um tio que chama Colé. Vê na internet aí onde é a câmera, qualquer um aqui, vê na internet aí.
A sua câmera é aquela?
É Colé. Ele era o rei do teatro de revista, tá? E foi a época que eu fui para o Rio. Eu passei fome no Rio, dormi na praia. Você não sei se vocês sabem, eu aqui em São Paulo fui verdureiro, engraxate, ajudante de mecânico, e trabalhei, eu me aposentei Eu lembrei até por causa dessa carteira que eu tenho do, como é, Ministério do Trabalho? É porque eu trabalhei na Conselheiro Crispiniano como cortador e infestador de camisa.
É mesmo?
Ali perto do Viaduto do Chá. Que loucura, velho! É uma história longa. E aí fui pro Rio passar fome, depois acabei entrando no teatro. No meio artístico. E meu tio me deu um emprego lá no teatro, né? Eu não queria falar pra ele, então acabei entrando. E quem estava nessa peça era o Augusto César Manucci. Eu tenho que contar assim para chegar lá. E o Augusto viajou o Brasil inteiro com ele, Rio Grande do Sul e tal, fazendo teatro e tal.
De repente a companhia acabou, acabou. De repente eu vejo lá diretor-geral da linha de show, Augusto César. Falei, caramba, meu amigo, ele é capaz de nem dar bola mais, né? E era amigo de camarim, A gente era amigo mesmo de chegar, por exemplo, nós chegamos em Porto Alegre, o hotel era muito caro. Ele falou comigo assim, Dedé, eu falei aí com o gerente, eles deixam a gente ficar no camarim. Ele falou, você topa ficar no camarim?
Eu falei, topo, tem banheiro aqui perto, tudo. Nós ficamos morando no camarim do teatro para não pagar hotel, para sobrar mais grana para gente, né? Bom, passou o tempo e tal, aí Banrisul. Aí já tava na Record, era Os Insociáveis. Eu tava fazendo um filme para Nauta dos Marçais.
Esse nome eu não vou esquecer nunca mais, Os Insociáveis.
Que nome de doer, né?
É de doer, irmão.
Puta dedé. Nós achamos ótimo.
É um nome insosso.
É, Os Insociáveis.
É insosso. Aí eu tô, vou pegar um avião, porque antigamente você podia fazer, vamos dizer, Globo no Rio e podia fazer Record em São Paulo, tá? Antigamente era assim, você sabia disso, né?
Porque não tinha rede, né?
Não tinha rede. E nós fazíamos aqui a Record e no Rio a gente fazia a Tupi. Então eu tava no aeroporto, quem aparece lá no aeroporto? Ia pegar o mesmo avião que eu, Augusto César Minuto. Eu falei, não vai nem me dar bola mais, né?
Diretor da Globo.
É, meu anjo, vem cá e tal. Me abraçou, como é que você tá? Então eu falei, ah, tô bem. Então, pô, tu não me procurar na Globo? Falei, eu vou procurar você agora, é todo poderoso, Vênus platinada, aquela, tinha aquela história, né? E tal. Ele falou, pô, sabia? Pô, Zé, tenho gostado muito de vocês, eu vejo vocês de vez em quando. Falei, o quê? Você tá brincando? Você vê aquela merda que a gente faz lá? Porque Era Rede Globo, né?
É padrão de qualidade. É, você sabe que ali até às vezes até o guarda-roupa a gente arrumava. Eu fui com o Renato na Vila Romana arrumar as roupas para a gente fazer o programa, entendeu?
Você tinha que se virar.
E algum material de contrarregra que eles não sabiam fazer, eu ia lá, eu fazia o material.
E era uma coisa, mas vocês faziam sucesso na TV Esse é.
Aí ele falou assim, vem cá, vocês não querem ir para Globo não?
Porra!
Eu falei, como? Ele falou, vocês não querem ir para Globo? Ah, falei, você tá louco, brincando agora? Você tá com brincadeira com padrão de qualidade da Globo? Você queria levar seus palhaços lá? Não tô perguntando se tem padrão ou não, tô perguntando se você quer ir ou não para Globo. Eu falei, ô Augusto, quem que não quer para Globo, todo mundo quer ir para Globo. Ele falou, você tá indo para onde? Eu falei, tô fazendo um filme com Renato, Planalto dos Macacos, lá no Rio e tal.
Você fica onde, hotel? Falei, não, eu fico na casa do Renato. É produção assim, né? Fico lá na casa dele. Ele falou, tem telefone lá?
Tem.
Me dá o telefone aí. Ele falou, o Boni vai ligar para você. Eu falei, para mim? Falei, não, faz o seguinte, a casa do Renato, ele liga para o com o Renato. Quem cuida mais da parte de negócio é o Renato. Ele falou, ah, tudo bem, então aguarde um telefonema do Boni hoje. Caramba, vai ligar nada, né? Aí cheguei lá na casa do Renato, a gente filmava no outro dia. Falei, Renato, encontrei Augusto César. Tu conhece ele? Claro, rapaz, viajei com ele, tá, tá, conta a história.
E ele falou, olha, ele disse que o Boni vai te ligar. Vai ligar nada. Papai Noel e tal. Ele e o coelhinho da Páscoa vão te ligar. Aí ficamos lá, ele vai, aí esperamos, esperando, esperando, aí jantamos, já era umas 10 horas da noite. Renato, vamos dormir que amanhã a gente sai 5 da manhã e tal para filmagem e tal. Aí eu, cadê o teu boninho que ia ligar? Cadê ele? Falei, ele vai ligar, rapaz. Então sei lá, eu fiquei meio decepcionado também.
Ligar, pô.
Eu sei que acho que era 1 hora da manhã, meia-noite, telefone tocou.
É no mês.
E quem ligou, rapaz? O Boni. O Renato não acreditava que era o Boni. Ligou mesmo na cara dele. Achou que era sacanagem minha ou brincadeira, desligou o telefone na cara do Boni. Aí ligou de novo. Aí o Boni falou que queria encontrar com ele, mas não podia você na Globo. Marcou naquele Antiquários, Antiquários, Antiquários, marcou lá. Aí o Renato falou, pô, como é que eu vou? Tem filmagem. Eu digo que você não tá bem, você não tá passando bem, tá doente.
Eu vou sozinho e eu vejo o que dá para filmar comigo e tal. Eu vou para filmagem, tu fica e tal. Aí ele ficou e foi nesse almoço e tal. E um nervoso na filmagem do Vim embora, meu Deus, o que que aconteceu e tal. Aí cheguei já na hora da janta. A esposa do Renato era uma mãe para mim, né? Ela até roupa minha ela lavava lá e ela fazia janta e tal. Aí cheguei lá e aí eu falei, Renato, ele falou, é, então. E ele não tocava no assunto e eu doido que ele tocasse no assunto.
Aí falei, e aí, Renato, como é que ficou? Ficou, ele falou, pô, uma merda, rapaz. Fui lá e tudo. E aí ele falou, ai, que merda, cara, estamos contratados na Globo.
Eu falei, pô, o quê?
Estamos contratados na Globo? Eu falei, pô, e outra coisa, ele, o Boni não quer que a gente apareça lá, que fale nada. A gente tem que mandar os documentos, tudo nosso. Eles vão fazer, vem fazer o pagamento aqui na casa da gente, vem trazer.
E vamos ficar 4 meses fora do Claro, é porque a Globo tinha isso, né?
Para mim não é muito perigoso. Ele falou: é, mas a gente tinha que arriscar, que arriscar. Falei: como é que foi o contrato? Tudo que eu pedi eles deram. Caramba!
E mudou tua vida de vez ali, né?
A vida de todo mundo, né? Aí a gente não podia falar nada e tal, mas não chegou a 4 meses. Acho que com 2 meses, depois 3 meses, foi em 77. Aí fomos gravar o primeiro lá, né? Caia dura para trás. O Augusto César quis dirigir. E aí, cara, ele era aquele cara que falava assim: dá piada. Não, assim não. Agora você vira para cá e fala para essa câmera. Foi uma merda.
É, programa foi uma merda, porque engessou demais.
Muita audiência o primeiro programa, segundo foi muito dirigido, afundou, né? E era 7 horas antes do Fantástico. Nossa, foi lá para baixo, mas foi. Mas eles já deviam estar de olho, porque a gente, como tava ganhando do Fantástico também, já tinha alguma coisa atrás disso.
Aí eles deixaram rolar ou botaram o Wilton Franco?
Não, chegou um dia, a gente falou, pois é, cara, e aí e tal. Falou, alguém tem que falar com Augusto no camarim, os 4. Alguém tem que falar com Augusto, dá um toque. Aí olharam todo mundo para mim. Eu acho que eu vou fazer essa Sou bobo, você acha que eu vou botar essa cena no filme? É boa. Quem é o grande amigo dele?
Você, lógico.
Vai você falar com ele. Eu falei, cara, tem coragem? Eu falei, tenho. Tem coragem de falar com ele? Eu falei, eu tenho, eu vou lá falar com ele. Fui lá, quando cheguei lá, falei, ô Augusto, tudo bem? Pô, Dedé, tal, tudo bem e tal. Eu falei, ô Augusto, preciso falar com você.
Deixa eu te falar uma coisa.
Augusto, não tá dando muito certo, cara, tá dando muito certo. Que, pô, você amarrou a gente, tem que dar piada, virar para cá, né? Não é isso, a gente é palhaço de circo, você tem que botar esquerda e deixar a gente fazer e procurar e tal. Ele falou, olha, para dirigir merda eu não faço, se é para fazer bosta eu tô fora. E para dizer mais, tô fora agora, tá aí, não dirijo mais você. Ficou Puto, saiu, foi embora. Eu falei, caralho, e agora? Agora estamos ferrados. Não tinha televisão para voltar.
Então já tinha saído 2, 3 meses da outra.
Aí ficamos lá, a gente, todo mundo na mão.
E quem dirigiu aí?
A gente tava que não passava uma melancia, uma bananinha aí, uma E a gente tava lá no camarim e tal, e ficamos lá esperando. Aí o menino lá da produção, não me lembro o nome, falou, olha, o Boni mandou vocês esperarem aqui. E aí ninguém saiu do camarim, ficamos lá no camarim. Aí chegou o Boni, depois de não sei quantas horas, o Boni foi lá, né, era na Lopes Quinta, né, o Boni foi lá já de botânico, O Boni chegou lá, cara, e a gente tava, rapaz, se cagando todo.
Lógico, né?
Aí o Boni chegou, falou: eu vim falar com vocês aqui. Falou: puta merda! Tirou um papel, falou: tem 6 nomes aí, vocês escolhem o diretor. Aí respiramos, aí olhamos lá e tal, olhamos. Aí eu falei: olha, tem um cara aqui, Renato, que eu conheço. Ele falou, quem? Adriano Stuart. Você conhece? Ele é bom porque ele é da liberdade. Não, ele é de circo. O pai dele é circense, fez o primeiro turno. Então ele sabe bem o que é esse humor, que essa coisa de circo.
Vamos escolher, vamos. Escolhemos ele. Dali uma hora o Adriano tava lá e foi, foi lá. Aí vamos gravar, vamos gravar. Aí Adriano falou, peraí, são 4, 4, bota uma câmera no geral, que era uma câmera no geral abertona, tudo, e uma em cada um deles, uma câmera em cada um deles e uma na geral. E vamos lá. Aí erramos. Toda vez que a gente errava com Augusto, tinha que ir do começo. Erramos, falando, vai do começo. Falou, não, vai do começo não, vai da parte que errou, toca daí, tal, tal, tal.
E ele foi tocando, tocando, tocando, foi 2 programas, bateu. Subiu audiência lá em cima, a audiência foi lá para cima. Puta que alivia, hein, Dedé! Mas a gente— mas o Wilton Franco, o Wilton foi depois, foi lá na TV Excélsior, não foi na Globo.
Ah, o Wilton não foi? Não chegou nem a dirigir na Globo?
Excélsior, que ele fez os adoráveis Trapalhões. Ah, o Wilton era um puta diretor, eu adorava ele.
Eu tive o privilégio de conhecer o Ele diz, criança, como é gente inocente.
Ele era um criador, ele criou gente inocente, povo na TV, tudo aquilo. Ele era genial também.
O Hilton, eu tive o prazer de conhecer, que ele foi diretor do Beto Carreiro World antes de morrer ali. A gente trocou uma ideia.
Eu, você sabe que eu tenho duas gerações, né? Uma Trapalhões e outra Dedé e o Comando Maluco. Comando Maluco, maravilhoso.
Como é que foi essa coisa do Beto Carreiro? Porque é uma história meio doida. Entender, porque o Beto Carreiro, a história de vida dele é muito louca, né?
Eu conheci o Beto Carreiro com 14 anos de idade.
É mesmo?
Ele ajudando meu pai no circo. Ele não, a família dele. É um caso até bem engraçado. Meu pai chegou com circo lá, a gente tava todo estourado. É, antigamente era a União Antiga, e armamos o circo. Ele permitiu a gente armar o circo no terreno da casa dele, que era do lado. Era um terreno enorme de esquina e a casa dele ficava aqui. E tinha até no muro, tinha um portão. Tá no livro do Beto Carreiro isso, tá no livro do Beto Carreiro.
Do portão você ia para o terreno que eles jogavam bola. E ele cedeu o terreno para o meu pai. Até tem uma história engraçada. Ele queria ser artista, o Beto, né? E ele foi para o meu pai e falou: o senhor Cascário, eu queria, eu queria ser artista. Aí meu pai falou, mas você quer fazer o quê? Ele falou, quero ser cowboy brasileiro. Meu pai falou, não vai dar, cara. Por quê? Porque cowboy americano, você pode ser vaqueiro ou boiadeiro, agora cowboy não vai dar.
E ele acabou sendo cowboy brasileiro, andava com uma onça, chicote. E eu sei ali que eu conheci o Beto, né? E ali a família dele ajudou a minha família, porque começou a chover muito, não dava espetáculo, público não vai com chuva e tal. E aí eles começaram, eles davam comida pra gente, dava café.
Da onde o Beto era?
São José do Rio Preto. Ah, do Rio Preto. Aí eles pediam água, luz, tudo pra gente. Aí o pai dele fez uma vaquinha com os parentes. Libanês tem grana, você sabe, né?
Tem ouro, tem ouro.
Eles fizeram uma vaquinha e foram pro meu pai e falou assim, tá no livro do Beto isso. Foram para o meu pai e falaram assim, olha, Seu Oscar, nós juntamos uma grana aí, dinheiro, e para o senhor puder mudar. O senhor falou que se mudasse era bom para o circo, que era novidade. Então nós temos dinheiro para o senhor mudar aqui. Meu pai falou, não, pelo amor de Deus, eu não posso aceitar isso. Ele falou, não aceita? Meu pai não aceita?
Aceita? Ele, aí o pai do Beto falou, Seu Oscar, aceita que vai ficar mais barato para a gente. É verdade, no livro do Beto. Isso. Mas o Beto Carreiro é um cara, depois eu tô nos Trapalhões, com quem eu encontro no aeroporto?
Beto Carreiro.
Beto Carreiro. Que coisa! E eu não lembrava direito dele. Pô, eu sou o Sérgio, rapaz. Que Sérgio? Pô, tu cansou de tocar violão comigo lá em casa, que eu queria ser cantor, queria ser artista lá? Pô, tá brincando? Você é aquele cara? É, pô. Aí abracei ele. A gente foi garoto junto. E tal. Ele falou, vem cá, quem faz as propagandas de vocês lá? Eu falei, no duro, no duro, a gente não tem ninguém assim. Tava começando, nós mesmos tava começando na Globo, não tem ninguém, é nós mesmos que tratamos.
Tem um empresário lá, mas é empresário de show, às vezes ele quer o Elcio, Elcio Spanner, ele que tá. Não, vocês têm que ter um cara, uma empresa tal, tal, tal. Eu posso fazer isso para vocês. Ele falou, vou mostrar meu escritório. E me trouxe aqui na Augusta para ver o escritório dele. Quando eu vi, era 4 andares, cara. Eu falei, alugado? Falou, não, é meu isso aqui, é meu escritório. Aí mostrou o estúdio, tudo. Eu falei, porra, cara!
Ele falou, então quer fazer comigo? Eu falei, eu não mando isso aí, tem que falar com o Renato, com o Mussu, com o Zacarias. O Mussu e Zacarias, se eu falar, tá tinha falado. Agora tem que falar com o Renato também. Aí fui lá, falei com o Mussum: meu compadre, quem resolve essas coisas é tu, compadre, eu não resolvo esses negócios. Mussum não queria saber. O Zacarias, mesma coisa. Aí eu fui no Renato: pô, é uma boa ideia. O Renato, ele saca as coisas.
É uma boa ideia, nós precisamos mesmo de uma empresa para isso. Aí chamou, chamou arrumou o Beto, marquei com Beto e ele, apresentei o Beto para ele, ele passou a ser o homem dos comerciais. Primeiro comercial que ele arrumou para gente, os dois primeiros, foi da Caloi. Pedalando, pedalando, pedalando com a Caloi, pedalando, pedalando, a poupança nunca dói. Ele foi o primeiro que ele arrumou, e o segundo foi com a Pepsi Escola, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, para fazer moeda nossa, copo nosso, talher nosso, figura nossa, cartazes nosso.
Eu tive esse copo, 3 milhões de dólares na época. Porra, eu não sabia o que que era isso.
3 milhões, se hoje é dinheiro, imagina na época.
Ele licenciava as coisas de vocês.
Ele que fez.
Eu tinha esse copo, era um copo branco de plástico.
Exato, eu sei, figurinha da Peppa.
Tinha copo de Elton John, Tina Turner, mas era só Rio Grande do Sul.
Não, mas eu tinha, e tinha as moedinhas.
Não, não, a moeda não lembro. Lembro do copo branco do Chapa. Se achar aí, bota aí.
Sabe que se abrir a Peppa era uma figura nossa? Eu lembro do copo branco, eu lembro do copo branco. Tem a moedinha, os bonequinhos, talher. Tem gente, você acredita que tem pessoas que leva no circo para me assinar?
O Bola vai lembrar do copo dos Trapalhões. Claro, isso aqui foi um sucesso.
Lógico que eu lembro. Aí, ó, é isso aí.
Eu tinha o do, eu tinha, cacete.
Claro que você tinha.
Eu tinha o do, porra.
Claro que tinha pessoas que leva lá no circo para me assinar.
Caraca, mano, isso aí é a moeda.
Não tá a moeda aí? Tem a moeda também. A moeda eu não lembro, eu lembro do copo. Cartazes. O cartaz tem a gente de vários.
Eu tinha esse copo aqui, certeza tinha esse copo aqui, esse branco aqui.
Eu tinha um dos 4 também.
Essa época tinha copo do Queen, copo da Tina Turner, copo do— lembra dos anos 80, né, cara? Muito anos 80 isso aí.
E aí que nós fizemos o nosso.
Você ganhou 3 milhões? O Chapalhão ganhou 3 milhões para fazer isso aí?
Era essencial. Você juntava sampi e trocava por um copo?
Era 3 milhões geral.
Junte 8 mais Mas para licenciar, ó, tampinha, junte 8 mais 10 cruzeiros, regou um copo.
Pô, claro, já fizemos muito isso, muito, muito.
E aí que o Beto Carreiro entrou na nossa vida.
Aí o Beto Carreiro foi, e vocês mostraram o Beto, né?
E outra coisa que pouca gente sabe, quando nós saímos da Globo, o Renato ficou por causa do Crianças Esperança, certo? Mas eu saí, todo mundo saiu, né? O Múcio tinha acabado de falecer e tal, e não tinha mais programa, não tinha mais razão. E todo mundo, aquela época, dia que o Dedé brigou com Didi, tinha separado, sabe onde nós estávamos? Onde? Bota aí, Os Trapalhões em Portugal. Nós somos convidados pelo Boni, que mandou a gente para lá para entregar um prêmio para os comediantes em Portugal.
Que legal!
Era tipo tapete vermelho, premiação, aquela premiação e tal.
Que bacana!
Até teve uma coisa engraçada aí também. Eu sou, eu acho que eu sou meio maluco, cara, porque você acha, é porque a produção veio lá, é, vocês têm que botar smoke. Aí nós tivemos que sair correndo. Não, a gente, a gente foi comprar um smoke em Portugal, não sabia e tal. Aí a produção falou, que cor vocês querem o limusine de vocês? Porque vocês vão chegar na limusine. Eu falei, Renato, que boa, uma carroça! Ele falou o quê? Falei, todo mundo chega de limusine, nós vamos chegar de carroça.
Genial!
Você é maluco e tal. Falei, vamos chegar de carroça. Aí eu pedi uma carroça, os caras, é o que nós queremos, carruagem. Eu falei, vocês deixam antes, a gente vai de carro até a carroça e fica perto, aí a gente entra na carroça e chega de carroça.
Que maravilha!
E o Renato me xingava, rapaz. A gente tava de smock e começou a chuviscar, e a gente na carroça. Aí o Renato falou, eu vou dirigir essa carroça. Eu falei, Renato, não dá, porque os cavalos estão acostumados com o cara que dirige. Não, eu vou dirigir a carroça. Tá bom, então você vai. Ele foi. Nós chegamos no tapete vermelho com a carroça. O Renato, em vez de puxar as duas rédeas, ele puxou uma, um lado só, e a carroça entrou pelo tapete vermelho.
Rapaz, foi um auê! No outro dia, conclusão, no outro dia só deu hoje. Em toda reportagem, a televisão veio e contratou Dedé e Didi para fazer Os Trapalhões em Portugal. Ficamos lá 3 anos e meio em primeiro lugar de audiência.
Que loucura!
Agora, só para a gente poder encerrar, que você tem horário, você vai embora.
Eu queria saber, com pena, mas eu preciso trabalhar, eu sei, eu sei, mas só Claro, como é que tá hoje?
Como é que tá sua relação com o Didi?
O Didi tá bem? Sempre foi boa, sempre foi.
Vocês brigaram aquela época do filme?
Mas foi uma briga de empresa, não foi uma briga nossa. E a gente continua se falando do mesmo jeito, porque eu não considero— eu digo isso sempre, eu repito isso— Renato não é meu amigo, não é meu é meu colega, ele é meu irmão, cara. Eu tenho ele como um irmão. Aprendi muito com ele, aprendi muito de família, de convivência com filhos, porque eu saí muito cedo de casa. Meu pai morreu muito cedo, né? E ele aprendeu muito de circo, de humor, de coisa comigo.
E eu aprendi, foi uma troca muito legal, né? Eu convivia na casa dele com a família dele, eu dormia na casa dele, entendeu? Ele é um irmão para mim. Eu tenho um carinho muito grande por ele.
Que legal!
Então um beijo aqui para o Renato Aragão, meu amigo, tá? O Rica quer ver o Dedé para ele ir embora.
Deixa o Rica ver o Dedé, o Dedé vai embora.
Ó, nós vamos entrar aqui no ar com o Rica Perrone diretamente dos Estados Unidos. Ele tá lá na Copa e ele queria te mandar um abraço, que a gente vai trocar uma ideia rápida com ele aí.
Tá com a camisa da Somate, banda Ferraz.
Quando eu vi que era o Dedé, eu falei, meu Deus, cara, eu tô quebrando porque eu sou muito—
Pera aí, pera aí que eu não sei usar isso.
Eu vou botar para você.
Já tá aqui. Aí, ó, é o Rica. Fala, Rica.
Quando eles falaram que eu ia entrar aqui, eu entrei na câmera que tava você, eu falei para o pessoal da produção, eu falei, caraca, eu sou muito fã do Dedé, cara.
Brincadeira, cara.
Só para te dar um abraço, cara. Nunca falei contigo, é uma honra, cara.
Desde que você tá onde agora?
Eu tô nos Estados Unidos, cara. Não, que lugar de vocês, cara? Nossa, tô em Orlando.
Tô em Orlando.
Tá ruim, né?
Tá bom, tá ruim lá. Eu tenho uma filha que mora lá em Orlando.
Que legal!
É, olha, um abraço, muito obrigado pelo carinho. Você tá com um cara que eu amo aí atrás, é o Zico, né? É o Zico. Olha ali atrás de você. Aí, Pelé. Fiz filme com Pelé, cara. Cara mais humilde que eu conheci.
17 vezes.
Ah, é?
17 vezes. Até hoje, tá?
Muito obrigado pelo carinho, viu? Valeu, cara. E em dezembro eu tô aí.
Aí quem sabe vocês não se encontram. Vou fazer a ponte, né, Rica Perrone? Ele vai ganhar um prêmio na NASA. Vou fazer a ponte com o filho do Dedé. Você vai conhecer o Dedé em se bobear, você vai até na NASA na premiação dele.
Pronto, vai ser uma das maiores honras da minha vida.
Demorou, beijão, cara.
Fica aí, fica aí, Rica, que eu já te chamo. Fica aí que a gente chama. Eu só que eu vou me despedir do Dedé aqui.
Obrigado, Dedé.
Você precisa ir lá para o circo, então já saiba. Abracadabra, de quinta a domingo, Arena Sabesp. Quinta, sexta, sábado e domingo. Sábado e domingo, duas sessões. Link aqui nesse episódio para você comprar seu ingresso, uhu.com. Curta a temporada, aproveite para ver o Dedé, o Diego Hipólito. Dedé, posso aí te dar um abraço?
Obrigado.
Saiba que você, cara, você é uma das maiores referências. Obrigado, obrigado. Cheiroso, boloca, homem cheiroso. Eu botei a meia-idade, por isso que a mulherada amava, que ele é um homem cheiroso.
Fazer a foto aqui, vem cá, já faz a foto aqui com Gente, aqui, ó, ó, nojento!
Saiba que você, saiba que você, cara, é um patrimônio desse nosso país, da arte, do circo, do humor. E o que você fez pelas crianças, eu não, rapaz, é os Trapalhões. Os Trapalhões, você também, porque você criou, você tá no meio. Saiba que você é um monstro sagrado, tá? A gente te ama muito, viu? E volte sempre quando quando quiser, para contar mais histórias.
A gente quer Pra Sempre Trapalhão, meu filme. Pra Sempre Trapalhão. Como é que é o nome?
Vai sair esse filme?
Vai sair, vai sair.
Tá, é você e o Didi também, o Renato Dragão também?
Só eu?
É só você? Poderia não dar a história da sua carreira?
Então, tipo Filho de Francisco, vai ter eu desde criança e tal.
Que legal!
Eu inaugurei Brasil Brasília, cara. Aí inaugurei a televisão em Brasília.
Você inaugurou em 60?
Eu fui o primeiro circo que chegou em Brasília. Eu fiz o primeiro teatro em Brasília com uma peça que chamava de Cabral a JK. Eu tenho história, eu tenho história.
Esse você tem.
Você volta para contar, pô. Volta para contar.
Acabou que não bateu foto. Vem cá, aproveita e bate aqui foto que a gente vai entrar com rica.
Pode vir, vem aqui, vem aqui.
Aqui a gente não pode sair do ar porque o Rica vai entrar, senão a gente se erra. Dedé, te amo, vem cá. Ó, meu irmão te mandou um beijo, hein, Dedé? Tá lá no Rio, tá lá em São Gonçalo, te mandou um beijo, meu irmão Márcio. Manda um beijo para o Márcio aqui, ó, para o Márcio aqui, ó.
Márcio, um beijão, cara! Eu ia estar lá agora, tá lá em São Gonçalo, meu irmão. Beijão, Márcio!
Aí, ó. Papai, aí vem cá, Dede, vem cá. Fica aí, Rica, não vai embora não, que a gente quer falar com você. Aí, vamos lá.
Aí, nojento, nojento. Aí, te amo, Macalé. Tchau, tchau, prazer.
Obrigado, Dede.
Um beijo.
Vou te passar o contato do Rica Perrone.
Pega aqui, ó.
Aí você, quando você for aos Estados Unidos, você fala com ele aqui. Aqui, ó, para ele conhecer o Dedé.
Chica vai levar vocês andar de Ferrari, meu.
Aqui, ó, pega, tira foto aqui, que ele tem duas lá. Aí, fechou? Valeu, obrigado, valeu, beijão, obrigado, beijo, meus amores. Dedé, foi uma honra, hein? Ó, fica aí na linha porque nós vamos falar agora. Aí, lógico, 90 anos, o cara parece ter 50, bicho. Tá animal, né?
Tô com uma dor na bunda.
Você tá bem bola aí? Quer ir embora? Quer que eu toque para o Rica? Dá para ir?
Tô bem.
Cadê o Rica Perrone? Cadê o Rica Perrone?
Rica Perrone tá com tristeza.
Que Copa merda, meu irmão!
Mas espera aí, não, calma aí.
Copa merda, cara!
90 anos! 90!
Deve ter 90 anos.
Vai fazer 91.
Não, vai fazer 91.
Impressionante, né, irmão?
Caraca, irmão, ia dar uns 70 para ele no máximo, irmão.
90, amigão! 90 tem você Alegria, porra!
Vocês não têm noção da alegria que vocês me fizeram hoje, cara.
Pô, não, eu passei o, cara, eu passei o contato para o filho dele. Ele vai te chamar aí quando ele for nos Estados Unidos.
Não sei quanto tempo, ele é gente boa demais, irmão.
Ah, cara, eu sei, eu sou 78, né, meu povo? Os Trapalhões para mim é tipo, porra, é tipo religião, né, cara? Assistir todos os filmes. Eu comecei a gostar de carnaval por causa da Didi e Dedé, Mussum e Zacarias da Claro, porra, loucura isso.
É isso aí, meu querido amigo Rica Perrone. Que Copa merda, hein, cara? Eu tava com essa expressão, eu tava com essa impressão. Copa merda, Copa merda no geral. Ah, Copa merda, né, Rica?
Também achei pior dos últimos anos. Esse técnico, os dois finalistas não encantaram ninguém em nenhum momento, né?
Argentina, isso é verdade.
Vamos, vamos, Argentina.
Não, mas Argentina, grande jogo que foi contra a França, a França, mas foi tangos e tragédias, né? Mas é estilo argentino na tragédia. E vai ser a tragédia, se Deus quiser, domingo.
É, o problema é que eles chegaram grandão, cara.
Eles chegaram virando, mas assim que é legal. Aí o argentino se perde quando ele se acha.
Relaxa.
E quando é que ele não se acha?
Não, não, não, não. Olha só, rapidinho, eles passaram um aperto do caralho em vários jogos. Eles não estavam com essa bola toda. Primeiro foi Copa para Copa Série B, só jogaram com time merda. O primeiro jogo foi ontem de time grande para Argentina, ou eu tô errado?
Mas o problema é que agora é só ele ganhar mais um, irmão. Esse aqui é o problema desse jogo, 3, 4 rodadas.
Mas já tem aquele velho ditado: não dá para ganhar todas. Que que você acha?
Satanás está no controle, Careca. Satanás tomou a frente há alguns anos. É só você ver o que anda acontecendo com o mundo, coisa tá feia. Argentina tá ganhando, Careca. Isso não Não dá certo, não.
E tem um Zé Ruela que trabalha com a gente aqui, o nosso diretor, veio com a camisa da Argentina, cara.
Não devia ter deixado entrar na firma, não tinha que ter deixado. Eu já expulsei, não podia entrar na firma.
Cadê o Renato?
Vem cá, Renato, que ela tá com casaco da Argentina, pô.
Como é que pode um negócio desse, cara?
Ele toca, não, por causa do Burro Chaga.
Eu falei, vai se foder! Eu falei, eu falei, cara, conta para Galera, quem foi Simeone?
O ódio, o meu ódio nasceu de verdade com Simeone, cara. Nem foi com Maradona nem com Caniggia, não. Simeone é o cara que eu mais odeio. Eu torço contra o Atlético de Madrid porque tem Simeone, cara.
Simeone, Astrada e mais alguns, né? O que batem os volantes argentinos ao longo da história, o Simeone.
Olha aqui a carinha dele, olha aqui.
Vê se não é para expulsar um cidadão desse aqui.
Que que é isso, cara? Que que é isso, mano?
Ainda é um negócio, é falso ainda.
Ele ainda pagou para AFA, tá escrito tudo torto.
Se é argentino, é falso.
É nada.
Então até o original é falso.
Você sabe que não tem terremoto na Argentina, Rica? Porque não tem terremoto na Argentina. Não, na Argentina não tem terremoto porque nem a terra engole eles.
O boné, tá? Escolhe um aí, ó. Tu falou que eu tava de automático, boné da Ferrari, ó. Escolhe um boné.
Esse é do Senna, esse é bonito, hein?
Eu tô, eu tô aqui hoje, né? Eu sou Ferrari, tá tudo aqui, tá?
Você tá ali, mostra do outro lado, Rica, para nós ver os boné aí que você mostrou atrás do quadradinho.
Ih, desculpa, não faltou.
Eu vou escolher um Landinho Norris.
Eu tenho um deles, bonito. E esse aqui da Mercedes, posso escolher da Mercedes? Pode. Então quero do Senna, eu tenho, eu quero, irmão.
Ganhei um puta bonequinho do Carica porque ele tirou foto com o Jack Stewart sem mim.
Ixi Maria, sem mim não, você que não entrou, você que bateu a foto. Como é que você ia entrar na foto? Só se você fizer selfie, porra. Ele me arrumou uma foto com o Jack Stewart, pô. Eu tenho também foto lá no espaço da Heineken, lá na Fórmula 1.
Ô, Rica, eu vou fazer inveja para vocês, eu principalmente. Ó, eu só quero dizer que ontem para o GP de Monza, vou realizar meu sonho de ver a Ferrari.
Caraca, em Monza? Puta merda!
Ô, Rica, eu morro, irmão.
Porra, irmão, só para te falar uma Camarada, a melhor coisa da Copa foi ver você. É a minha opinião, tá? Melhor coisa da Copa chama-se Canal do Rica Perrone e o hospício. Eu vi quase todas as lives todos os dias e eu adoro o seu trabalho. Você sabe que eu gosto de você como pessoa e profissional.
Eu tava muito nervoso, Carica. Você achou que eu tava muito nervoso?
Ontem foi foda. Aquela Inglaterra vai se foder, eu concordo número, gênero e grau. Os Com o time daquele, que papelão, né, brother? Que papelão, né?
Mas que merda aí, de manhã a gente analisando com o Liska lá o painel do jogo, né, cara? O lance do gol da Argentina tem 10 jogadores da Inglaterra dentro da área pequena e a bola tá fora da área.
É bizarro, né? É, o Rica, você tá sabendo dessa investigação que abriram contra Argentina por causa da faixa das Malvinas? Você viu isso aí, cara?
Loucura. É que eles têm que fazer uma, eles têm que fingir que a Argentina vai ser punida em alguma coisa, né? Porque dentro do campo ela não é punida em nada, ela pode fazer tudo que ela quiser. Aí eles proibiram a torcida da Inglaterra de entrar com faixas falando das Malvinas. E aí a Argentina entrou com jogadores com a faixa das Malvinas.
Ou seja, que beleza, que beleza, mano!
Vai acontecer porra nenhuma, relaxa. Os cara tão aqui sendo investigado pela FBI, na AFA tá sendo investigado pela no FBI nos Estados Unidos e não acontece nada.
Não vai acontecer nada, tem razão, tem razão.
Que loucura, hein, cara? Que loucura!
Mas vamos lá, vamos na tua opinião. O que que dá hoje?
Hoje, depois da classificação do jeito que foi ontem, eu acho que a Argentina vai ser campeã, infelizmente, cara.
Puta vida!
Não, você errou a França, você errou a França. Então isso é um bom sinal.
Peguei!
Eu tava junto contigo, achei que a França ia levar essa Copa que nem a gente em 2002, com o pé nas costas.
Não vai dar, gente, eu tenho certeza que vai dar Argentina.
Mas você sabe o que é louco, Ricardo? Futebol é muito parelho e muito mental, e muito aquela coisa do craque do indivíduo. Eles têm o Yamin Amal lá, o Amal, e a Argentina tem um Messi bizarro, bizarro. Teve um lance lá que foi 30 cara dando voadora nele, aqui ninguém tira a bola do Cara, vai se foder, mano, porque não dá ninguém acertar a voadora nele.
Eu falei, meu Deus do céu, o seu negócio tem que dar no joelho, é, pô, tem que dar no joelho.
Ele é realmente psicopata. Eu falo, quando eu vi a carinha dele quando faz o gol da Inglaterra, eu virei para o meu filho, eu falei assim, filho, se prepara, se liga no olhar do Messi. Ligaram o modo psicopata do cara. Eu só falei isso para o Nico.
Não dá para botar o cara que acertou o Neymar naquele no Brasil, na Costa, para dar no Messi.
É Márcio Nunes, faltou um Márcio Nunes. Então, mas faltou Márcio Nunes para o, para o, faltou Márcio Nunes do Messi.
Você sabe que tem uma coisa curiosa? Eu tenho alguns amigos, muitos, né, médicos, que minha esposa é médica, e eles me falam uma coisa assim, não foram 3 ou 4, eu já ouvi de vários, o cara fala assim, o autismo num grau tipo do Messi, que é quase insignificante, né, para o convívio social e tal. Quando focado em um esporte, ele é um ganho, porque o cara tem um nível de concentração que nenhuma outra pessoa consegue ter. Absurdo, né?
O Messi usou esse grauzinho lá. Não sei se chama, acho que é autismo que chama o que ele tem, né, que ele tem um leve, eu não sei. Eu já li que era autismo, mas eu não sei se tem uma outra palavra. Mas o Messi tem tipo um foco, e ele consegue ter um nível de concentração acima das pessoas normais, porque ele joga esse foco inteiramente ali, porque ele é muito obcecado por isso, muito, muito profissional e tal. E aí ele consegue tirar proveito disso, do excesso de concentração que ele tem.
E isso não tá no jogo que a gente tá olhando de fora, tá no mínimo detalhe daquele drible curto, sabe? Do cara tá enxergando detalhadamente a coisa com muita precisão. E isso é um ganho para ele. E outra vez também, uma outra pessoa falou para mim que quem tinha esse tipo de característica jogava tênis, ia muito bem.
Entendi. Ô, Rica, eu tô te ligando até, pedi para te chamar hoje justamente para ver se a gente consegue reverter esse cenário. Falei, não, liga para o Rica Perrone, que eu tô com, eu tava com todos os pressentimentos que a Argentina é para final. Mas hoje bateu pressentimento de que eles vão perder de uma forma— fizeram a gente sofrer até agora em todos os sentidos, mas o final para a gente vai ser feliz. Eu tô te ligando só para dizer isso para você.
É o Messi perdendo o pênalti, saindo chorando da Copa do Mundo, e a gente sim, e recebendo a medalha de segundo lugar.
Eu tô te ligando, podem anotar aí, podem guardar essa imagem, a internet pode de rodar, eu fiz questão de te ligar por assistir o hospício quase todo dia com o Liska, maravilhoso Liska, adorei ele, é o Duda, né, o Duda Garbi. E assim, tô te ligando para te avisar que vai dar, vai dar bom para nós no final, vai dar bom para nós, tá? Para isso que eu fiz questão de te ligar, para nós espanhóis. Pode me cobrar. Bateu aquele, aquela coisinha ruim.
Quando você vier para cá, a gente paga uma paella para você, irmão.
Aquela coisinha ruim que tava batendo aqui, aquela coisinha ruim que tava batendo em mim para eles avançarem, eles inverteram. Porque eu vou dizer o que que acontece com futebol e o psicológico. Argentina, ela tava com aquele psicológico de tipo assim, caraca, a gente tá sofrendo, passando por um time pequeno, mas a gente tá passando, né? Egito, só sofrimento. Suíça, foi só Cabo Verde, eles sofreram. E agora, como eles ganharam de um time grande, eles inverteram, eles vão estar no papel da França e a Espanha sem peso. Você não concorda?
Eu concordo, cara, mas é, eu acho que a Argentina tá com aquela coisa meio de ninguém me bate, ninguém consegue parar, sabe?
Pode fazer 3 que nós viramos.
Isso no futebol é, isso tem um peso grande, sabe? Então assim, a gente, a gente sabe que tem, a Argentina tem as armas dela, né, de o Messi, que porra, é genial, e a bravura dela. E eu acho que é um jogo, cara, que é a frieza, é quase que uma corrida do Senna com Schumacher, é a frieza absoluta contra do cara que é coração quente, não sabe o limite, entendeu? Acho que a Argentina vai no talo do talo e a Espanha vai com toda aquela frieza dela para tentar, sabe, conseguir o resultado pelo método. Vai ser uma final muito maluca, mas eu tô com bem pé atrás.
Domingo às 14, é isso?
A final é 16 aí, 16 aqui, aqui é todos os jogos agora são 16 horas.
É, enfim, eu acho, cara, que a França tava com essa parada: ninguém me bate, sou foda. E num pênalti mudou o jogo. Os caras sentiram, em nenhum momento da Copa eles sentiram pressão, né? E Argentina em nenhum momento da Copa sentiu que ela era fodona. Tem isso, hein?
Eu acho que esse é o que a gente tem para se apegar, assim. Além da Espanha ter uma defesa muito, muito competente, coisa que a Inglaterra Tá de sacanagem, né?
É sacanagem, meu amigo. Boa sorte, vou estar falando contigo. Se, ó, se a Argentina, Espanha, se a Argentina perder, pode ligar.
Nossa Senhora, a gente se fala comemorando com a camisa do Botafogo.
A gente se fala terça que vem.
A gente se fala na terça. Ó, pode seguir aí Canal do Rica, e o hospício tá todo dia Rica, todo dia até segunda-feira, quando o Lisca volta ao trabalho.
Nós perderemos o Lisca e vamos atrás de um substituto à altura.
É isso aí, o hospício Duda Garbi, Lisca, e o nosso querido Rica Perrone. Também tem o canal do Rica Perrone, pode seguir o canal do Rica Perrone, que eu sigo. Ele faz as melhores análises de esporte, futebol que eu conheço. Não tem ninguém disparado. Para mim, você é o novo— como é que é o nome dele? Não, do Jornal dos dos Esportes, porra. Caralho, fugiu agora. É uma mistura de João Saldanha com o nosso querido, com o nosso querido do Da Vida Como Ela É, porra.
Caralho, nem me bote na mesma prateleira.
Claro, vou te colocar, vou te colocar. Porra, fugiu o nome agora. O 01, Nelson Rodrigues. Caraca, você é o— você, cara, você é herdeiro de Nelson Rodrigues e João João Santana.
O João Santana não, Joel Santana não, não viajei.
Não é João Santana, é Saldanha.
João Saldanha.
João Saldanha, você é o João Santana.
Não tô aumentando não, você é filho de João Saldanha, você herdou João Saldanha e Nelson Rodrigues.
Confia, a loucura do Saldanha e do Nelson Rodrigues, nada.
Seu texto é muito bom, seu texto é muito bom. Fica com Deus, irmão. Beijo, irmão.
Beijo, valeu, rapaziada.
Não esquece meu boné.
Beijo, valeu.
Ó, tamo aqui só para agradecer a nossa querida Philips que patrocinou esse episódio histórico.
Uma final de Copa do Mundo na melhor TV do mundo. Exato, ainda dá tempo.
Ambilight TV. E também depois você vê série, vai ter o Campeonato Brasileiro, tem um monte de coisa para você ver. Ambilight TV. E aqui, ó, nossa querida Bumbit.
Sensacional, tá aqui no centro. Qualidade qualidade de som. Isso aqui é bumbite espetacular.
Já peguei a bumbite aqui, botei no banheiro. Tá aqui a bumbite.
A qualidade de som disso aí é um negócio absurdo.
Tá aí o QR code na tela. Compre nas melhores lojas. Tem no Mercado Livre, tem na Magalu, você encontra com preço bom. Você pode comprar.
As outras não chegam nem perto.
A bumbite que é sensacional para você curtir um sonzinho no seu banheiro. Leva para qualquer lugar. 15 horas de duração de bateria. Portátil, serve como power bank, te ajuda como power bank.
É maravilhoso.
Enfim, vamos nessa, gordinho. Vamos até semana que vem. Melhoras aí, você tá um pouquinho enjoado aí do intestino, tá com dor, inflamação. O Bola, o Bola fez o programa com dor o programa inteiro. Ele tá assim, ó, mas vai ficar tudo certo. Me avisa, hein?
Beijo, pode deixar.
Vamos nessa, tchau, rapaz. Só para dar a última aqui, eu vou estar em Porto Alegre, imperdível, Carioca Botando Pila em Porto Alegre. Atenção, Porto Alegre é lourinho.
Não marca bobeira que você vai ficar sem ingresso.
Tô chegando daqui a 15 dias, eu tô aí, Carioca Botando Pila em Porto Alegre, no Anrigues. Tá aí, ó, Porto Alegre, Anrigues, dia 1º, Bento Gonçalves, dia 2, Caxias do Sul, esperando vocês aí lá na Ux. Pessoal de Porto Alegre, Bento, estaremos juntos, tá bom? Beijão para todos vocês e até a próxima.
Valeu, beijo, tchau, tamo junto!
Philips
Fone de ouvidoUhu.com
Ingresso para o circo Abracadabra