EP 783 - FERNANDO SEGREDO
Psicanalista, treinador mental e criador de conteúdo, Fernando Segredo uniu quase 20 anos na publicidade à psicanálise para entender o comportamento humano. Conhecido por transformar temas complexos em explicações simples e diretas, conquistou milhões ao revelar os comportamentos automáticos do nosso dia a dia.
- Mecanismos de DefesaRecalcamento e recalque · Sonhos como manifestação do inconsciente · Atos falhos · O inconsciente como oceano (Freud) · Desejos proibidos
- Infância e formação de PessoaAprendizado de comportamentos na infância · Busca por segurança e reconhecimento · Impacto da exigência parental · Formação do psicanalista e análise didática
- Psicologia e PsicanálisePsicanálise vs. comprovação científica · Comportamentos automáticos · Regra fundamental na psicanálise · Expectativa de resultados rápidos
- Transicao de CarreiraExperiência em publicidade · Insatisfação com campanhas publicitárias · Mudança para a psicanálise · Liderança e gestão de pessoas
- Psicologia e Comportamento HumanoProgramação Neurolinguística (PNL) · Gatilhos emocionais · Comportamento condicionado (Pavlov) · Técnicas de venda com PNL
- Frustração e resiliência na infânciaA importância do 'não' na educação · Equilíbrio entre permissividade e tirania · O papel do pássaro ensinando o filhote a voar · Gerações e a falta de frustração · O papel do superego na formação infantil
- Tratamentos e TerapiasDrenagem de energia negativa · Sublimação (arte, caridade) · Elaboração e perdão · A cura pela fala
- Identidade de género e retrocesso socialHomem e mulher: polos feminino e masculino · O temor do lado homo · Feminicídio e discursos rígidos · Linguagem do amor e empatia
- Medos de InfanciaMedo de borboletas e mariposas · Crenças populares e superstições · Ressignificação de traumas na infância · Ondas cerebrais Alfa e Teta
- Impacto das Redes SociaisDopamina e smartphone · Consumo de informação diário · Notificações e controle pessoal
- A busca pela verdade e a dificuldade humanaDificuldade em aceitar a dor e o medo · O mapa não é o território (PNL) · Acesso aos recursos internos para resolver conflitos · A importância da disposição para resolver
- Constelações familiares e desenvolvimento pessoalCompetição entre irmãos · O papel do filho do meio · Atenção redobrada ao primeiro filho · A figura do bebê como 'Vossa Majestade'
- Dinâmica familiar pós-divórcioDivórcio como costume social · Impacto nos filhos · Mínimo de civilidade entre ex-cônjuges · Aceitação da frustração no casamento
Muito que bem!
Fala, rapaziada, tudo certo com vocês? Beijo para todo mundo, abraço para todo mundo e vamos embora, carinha!
Vamos embora! Hoje teremos aqui um papo maravilhoso, muito legal para você que tá assistindo. Presta atenção, A psicologia é o segredo do sucesso, é o segredo. E nós estamos aqui com um cara monstruoso na internet, com muitos seguidores, e o papo vai ser: você usa psicologia, Bola?
Não uso, nunca fui.
É importante, preciso ir, né?
Precisa.
Nunca fui. Minha irmã é psicóloga.
Então, e eu acho que você principalmente, eu, nós dois, né? Todo mundo, você também. Então, se você tá com algumas coisas na sua cabeça, estamos diante de um cara Fantástico, boa, Carica! Vai ser um programa especial, então fica aí, não sai daí que você vai gostar muito. Fernando Segredo, tudo bom, Fernando?
Fernandinho, bem-vindo, irmão!
Fernando tem quantos milhões de seguidores na internet, Fernando?
1 milhão e 600.
1 milhão e 600, quer dizer, que beleza! Vai ser muito mais porque o teu trabalho é muito bacana, é muito legal. Tava dando uma olhada, já tu já me pegou, já deu um tapa na minha cara, velho. Tu deu um tapa na minha cara, sério.
Então, eu recebo muita mensagem assim, pô, mas na cara assim, de graça assim.
Estragando o velório.
Mas tem que ser, né, irmão? Você não pode ir muito alisando, né?
É, não dá. A psicanálise, ela é... Ela traz muita... Porque não tem comprovação científica, né? Mas ela traz muita verdade quando você começa a entender, você começa a ver os conceitos, aí você transfere pra você aquilo lá, você fala, puta, isso é pra mim.
A psicanálise é aquela coisa que a gente vê em filme, o divã, Aí a pessoa deita e bate-papo, é isso mesmo? É bem isso.
É, só que tem as linhas, né? Tem as linhas da psicanálise. Então hoje em dia, depois da pandemia e tudo, né? Hoje eu só atendo online, né?
Então você só atende online?
Só atendo online, né? Que loucura, cara! Algumas linhas são mais tradicionais, mais ortodoxas, e tá tudo certo, né? Eu sou da linha mais não muito ortodoxa. Então atendo só online. E é de fato assim, a gente traz muita questão do passado, né? Ali da infância, né, enfim, que é a base, né.
Você vai buscar lá no fundo mesmo, é buscar lá no fundo.
Por isso que tem muita coisa que faz muito sentido, né, quando você fala, putz, a pessoa tá, sei lá, uma carência ali e tal. Pode ter certeza, ou ela teve falta de carência lá atrás, ou ela teve excesso de carência e ela quer ter cada vez mais aquilo, né.
Você acha que a dopamina é estimulada hoje por esse aparelho delicioso chamado smartphone, total, está causando um colapso no homem.
Total, total. Assim, a gente tá— eu vi uma notícia que a gente hoje, o ser humano, ele consome em um dia de conteúdo o que era consumido na década de 50 em um ano. Então em um dia a gente recebe a quantidade de informação, puta diferença.
Nossa, você fala, caramba, não é porque antes ele ia no jornal e olha lá, né?
É, exato. Inclusive até eu vi, acho que vocês já devem ter visto um post de uma repórter entrevistando o pessoal na rua na década de 70. Ah, você lê quantos livros? Vocês já viram esse pôster?
Eu não vi.
Você não viu? É uma reportagem, não sei qual canal que era na época. Ah, você lê quantos livros? Ah, eu tô sem tempo, né, mas por mês eu leio 10 livros. Isso que ele tá sem tempo, isso porque ele tava sem tempo naquela época, né? Só que eu vi um post que fez uma análise desse conteúdo que eu achei sensacional. Que a forma como a galera falava, o pessoal falava mais devagar, mais pausado. Ah, eu leio 10 livros por mês porque eu tô um pouco sem tempo, mas eu gosto de ler.
Você vê que é outra parada, que hoje em dia tá tudo muito assim, né? Tudo abreviado, tudo é banda larga, é banda larga, fibra óptica na banda. O negócio que é assim, você fala, gente, calma, né? E aí o que que eu vejo muito em consultório é a galera querendo botão mágico. Fernando, eu quero mudar e não sei o quê, como se tivesse um botão que liga e desliga na cabeça, que eu vou virar, ser menos dependente disso aqui, menos do celular, é menos ansioso, menos dependente, menos tudo, né?
Então eu vejo que a galera tá muito preocupada e tudo que é, tudo é rápido, né? Tudo é, eu quero também mudar rápido, né? Foi calma, né? Inclusive, tem até um caso interessante que eu atendi, atendi, fiz duas sessões com a pessoa. Gente, loucura! Fiz uma sessão com ela, tal, tudo beleza, marcou a segunda. Uma semana, na semana seguinte, marcamos a segunda. Basicamente, ela trouxe os mesmos conteúdos que ela trouxe na primeira.
E a psicanálise tem um negócio chamado regra fundamental. Que que é isso, né? Que é, a gente trabalha com o conteúdo que a pessoa traz, tá? Então eu não vou chegar para ela e falar assim, ó, me conta sobre o seu pai aí, sua mãe.
Não, calma, vamos, você tá falando disso, vamos, vamos no conteúdo que você trouxe.
Entendi. Então assim, ó, como é que eu posso te ajudar hoje? O que que tá acontecendo? Como é que tá? O que que você tá, né? Enfim. E a pessoa trouxe basicamente conteúdos muito parecidos com que ela tinha trazido na primeira sessão dela, né? E aí a gente vai trabalhando, a gente vai conversando, tal, tudo. Fechou o mês, minha assistente passou a conta para ela. Eu falei, ah, não vou pagar porque eu não me senti melhor. Eu falei, mas fez duas sessões, mas como assim?
Calma, né, tia, porra.
Exatamente, é tipo isso. Lançou essa, lançou essa. Aí eu falei, bom, então tá bom, não quer pagar, então não paga, né? Paciência, vida que segue, né?
Mas eu percebo muito isso, bola, que o pessoal até da turma, irmão, não é nem picareta, velho. Que tem de monte hoje em dia, né?
Tem de monte, tem de monte.
Mas não acho que seja só picareta.
É o quê? Ele não quer pagar?
Não, direito do consumidor. Eu pagaria, mas é o direito do consumidor. Ela esperava.
Mas dá exceções muito raras de alguém que paga.
Não, que as pessoas não querem resolver o problema delas. Elas querem milagre.
Elas querem milagre, exatamente. Miracle.
É, elas querem milagre, entendeu? Ela quer milagre dentro de graça. Mas as pessoas, tem muita gente que acha que tudo na vida tem atalho e não tem.
Não é. Eu falo isso.
Vai lá para o aeroporto hoje embarcar sem passagem. Não é não vou pagar.
Não, mas não é isso, é que é diferente a prestação, é diferente.
Mas cara, você usou o serviço do cara, você pode não pagar a passagem aérea, você usou o serviço do cara, você tem que pagar, tá?
Mas você pode pegar, a partir do momento que você usou o cartão de crédito, voa e fala não vou e não pagar o cartão.
Sim, você é um puta pilantra, sim, você é um safado sem vergonha, vagabundo. Sim, mas é que o caso da mulher com ele, ela foi pilantra, safada, sem vergonha, usou o serviço do cara e não quis pagar, porque Porque é malandrona, velho, lógico. Só para esclarecer, melhora em duas sessões.
Nós temos o vídeo aqui que você falou, falou a verdade.
Esse daí, ó, só tem lá.
Você lê por mês mais ou menos 5, 6 livros só porque não tem tempo, sabe? Mas se eu tivesse mais tempo, poderia mais. E que tipo de literatura que você gosta? Eu gosto muito de Machado de Assis. Você gosta de livro?
Eu gosto, leio muito.
Olha o boyzão da época.
Policial, romance, variedade, policial, romance.
E fala devagar, é verdade.
Caraca, velho, mais ou menos quando há tempo para ler.
Quando há tempo para ler.
Quantos você lê por mês, mais ou menos? Uns 3 livros. Você compra todos que você lê? Compra, eu gosto. Só ler quantos livros por mês?
2 em média.
Quanto o senhor lê mais ou menos por mês?
Nesse mês eu li 3 livros.
O senhor compra todos que o senhor lê? Compro. O senhor gosta de ler? Gosto. Que tipo de livro? Romance, né? Tem algum autor preferido? Monteiro Lobato. Quantos livros você lê por mês?
Romance, por favor.
Os livros todos que você lê?
Compro.
Em média 3 livros por mês.
O brasileiro, ele mente, né? Ele mente.
79. 79.
É, você vê que negócio, a pessoa fala mais devagar. Tudo, né? Então é uma coisa que eu falo nos meus atendimentos, porque não existe fórmula mágica, gente, para transformação pessoal ali, para o desenvolvimento psíquico, tudo. Não tem um negócio que é mágico. A evolução, eu falo muito isso, a evolução ela é gradual, ela não dá salto. Ela é, por exemplo, vai, vamos pegar aí uma mania, alguma coisa que vocês fazem assim. É fácil mudar?
Não, depende de hábito, de um monte de coisa. Você fica pior, e quanto mais velho fica pior, fica pior, né? Eu falo muito disso em relacionamento, né? A pessoa vem no setting lá reclamando do marido, da esposa, tal, tudo, não sei o quê, porque não faz isso, porque faz aquilo, porque não sei o quê. Eu deixo a pessoa falar, deixa falar, fala. Aí eu faço essa pergunta: escuta, uma mudança assim em você, pensa uma mudança em você, você precisa mudar alguma coisa em você, é fácil ou é difícil?
Ah, é difícil. Então por que que você tá exigindo do outro mudar rápido? Porque que você tá exigindo? Calma. Né, se tem disposição é o grande negócio, né. Então tem técnicas que a gente vai— por isso que eu uso a psicanálise como base, mas eu trago a PNL, hipnose e outros conceitos também.
E você consegue tudo isso online?
Online. Hipnose online é muito louco.
Então, isso que eu não consigo entender. Hipnose online, que loucura.
Só para concluir a questão do celular, eu acredito parando para analisar, é que antigamente, por exemplo, bola, adorava ir para o banco. Nunca vi, né?
Eu tinha que ir para o banco. A gente tinha, tinha que, ó, ter que, o termo já não tinha celular, não tinha nada.
Hoje você resolve tudo na palma da mão. Eu tava vindo para cá resolver um problema bancário dentro do Uber, vindo para cá.
Eu não vou na minha agência não sei há quantos anos.
Mas eu acho que vê se é isso que acarreta. Por exemplo, como eu resolvi em 40 segundos uma coisa que eu teria que ao banco há idos, pegar filas há 15 anos, 10, 15 anos, pagar e tal, você parece que, ok, qual é o próximo? Então você vai aumentando a sua carga pela, pela, pelo, pela expansão tecnológica, né? E isso, por exemplo, WhatsApp é uma coisa infernal. Sim, você tá muito acessível.
É um negócio infernal.
Trabalho 11 horas da noite, o cara tá te chamando, coisa que você poderia resolver no outro dia, merda para você, né? E você não dorme direito, por exemplo.
Eu tirei já há muitos anos a notificação no meu celular. Ah, é? Eu tirei tudo, tirei tudo. Esse é o botão mágico que a gente faz.
Ou você desliga o barulhinho.
Tudo, assim, você pega meu celular, não tem notificação. Instagram, WhatsApp, tudo.
Mas como é que te acessa? Filho e tal?
Então, aí tem um combinado com a minha esposa, que é o quê? Ó, você precisa falar urgente comigo, me liga.
Liga.
Me liga, mas pras pessoas, sei lá, minha esposa, minha filha, enfim, as pessoas próximas, ó, me liga. Então, mandou mensagem, não vou...
Não vai nem ver que tá lá, só depois. É, eu vou ver quando eu quero ver.
Quando eu preciso ver. Só que aí tem um outro controle, que é o quê? Aquela pessoa que pega toda hora o celular e fica, né? Será que tem? Será que tem? Aí é um controle pessoal dela. Por isso que, por exemplo, vai uma técnica da PNL, né? Eu uso sempre os elásticos, né, para me lembrar, né? Segundo a PNL, tudo, qualquer coisa—
O que é PNL? Só para eu entender.
Programação Neurolinguística, tá? Que foi desenvolvida lá na década de 60, 70, por Bandler e pelo Grinder, que eles analisaram lá o Milton Erickson, que era um um terapeuta que tinha um modo de operar que não era muito ortodoxo na época, que ele misturava hipnose, só que um outro jeito, enfim, que acabou se criando a hipnose ericksoniana. E aí o Bandler e o Grinder, que eles, um era linguístico, o outro era matemático, uma coisa assim, eu sou meio perdido para história assim, minha cabeça funcional, mas para entender, você usa o elástico, aí usa o elástico.
Então o que que a PNL fala, né, que tudo, qualquer coisa pode ser gatilho, gatilho emocional, né. Então aquilo que eu vejo, aquilo que eu escuto, aquilo que eu sinto, enfim, qualquer coisa pode ser um gatilho, disparar alguma coisa na gente. Então, por exemplo, vamos supor essa garrafa de água, né. Para você é uma garrafa de água, sim. Para o carioca é uma garrafa de água. Para mim, essa garrafa de água, quando eu pego ela na mão, me dá tristeza porque Foi essa garrafa parecida com essa que eu tava tomando quando eu tava no funeral de não sei quem que morreu acidentalmente.
Entendi.
Que loucura! Eu lembrei disso. É a representação que eu tenho daquilo.
Entendi.
Exatamente.
Então associou a uma coisa, associação, né?
Só por associação. Isso aí começou aonde? No Pavlov. Nossa, tem uma história incrível assim. Pavlov, ele é um cara maluco que ele queria entender em que momento que o cachorro dele produzia saliva. E aí ele foi fazer um teste que ele tirou a glândula salivar, né, do cachorro, colocou o cachorro em cima de uma mesa e deu comida para ele. Obviamente, a primeira vez o cachorro começou a salivar quando ele começou a comer. E foi assim um dia, dois, chegou no, sei lá, quinto dia, o cachorro tava em cima da mesa e o cachorro já começou a salivar, só que ele não tinha colocado comida ainda.
Ele falou, peraí, tem alguma coisa aí estranha. Né, porque eu não coloquei comida. Ele associou, ele deixou fazer, ele se ligou que alguma coisa vai acontecer aqui, ele já começou a produzir saliva. Ele falou, deixa eu fazer o seguinte. Ele fechou a mesa, então ele botou o cachorro lá. O cachorro já no outro dia, né, cachorro já não sabia o que ia acontecer. Aí ele pegou o metrônomo, colocou uma portinha e colocou comida enquanto ele ligou o metrônomo.
E ele repetiu isso aí algumas vezes até a hora que ele só ligava o metrônomo e o cachorro começou a produzir saliva. Caraca, é o comportamento condicionado, entendeu? Só funciona o metrônomo. Então isso daí ele já, ele criou ali, ele desvendou ali o comportamento condicionado, que é o que a gente faz para transformar.
O estelionatário trabalha, né?
Mais ou menos isso mesmo.
Estelionatário trabalha aí, ele estuda isso aí. Estelionatário é sinistro, né?
Técnica de venda, por exemplo, a pessoa que estuda programação neurolinguística e trabalha com venda, puta, vai ser um vendedor, vendedor de carro.
Nossa, vendedor de carro.
A hora que ele estuda PNL, ele consegue, conversando com uma pessoa, saber se a pessoa ela é mais visual, se ela é auditiva ou se ela é sinestésica. E aí ele usa isso para poder vender um carro. Então, por exemplo, a pessoa é mais sinestésica, né, que sente mais as coisas, obviamente senta aí, sente o ronco do motor, é, sente aqui o corpo, se imagina dirigindo, se imagina dirigindo. Ele vai usar externos aí, vamos dar uma volta no quarteirão.
Pegou o cara, pegou o cara. Eu, se eu andar na desgraça do carro, meu amigo, aí, ó, puta, eu compro na hora. É bola! Acelerei, gostei, puta vida!
E dá para descobrir com pergunta, com pergunta assim. Então, tipo, entendi, sei lá, me conta, vai, me conta como é que tava teu dia ontem. Aí, se a pessoa, para onde ela olhar ela, a gente consegue descobrir qual que é o canal representacional mais ativo dela. Então se ela olhar para cima é o visual, se ela olhar para o lado é auditivo, se ela olhar para baixo é sinestésico.
Que loucura!
É sinestésico, tá vendo?
Você enrolado, você tem sempre alguém querendo entrar no teu bolso.
E aí dá para assim, eu não sou especialista em microexpressão facial, tudo, mas assim dá para você dependendo se a pessoa é destra ou canhota, dá para saber se ela tá mentindo ou lembrando, dependendo da para onde ela tá olhando. Porque tem um lado, dependendo se ela é destra ou canhota, tem um lado que é imaginativo e outro lado é lembrança. Por isso que assim, quando a gente fala de psicanálise ali bruta, ali clássica, de van, né, funciona.
Óbvio que funciona, não para todo mundo, mas funciona. Só que eu tô perdendo um monte de informação se eu não tiver olhando para pessoa. Se eu não tiver ali frente a frente para ela. Então quando eu comecei a estudar psicanálise, e foi assim uma conexão de avatar, né, porque você começou porque, irmão, é, vamos lá, eu era publicitário, eu era publicitário, trabalhei quase 20 anos em agência, 19 anos e pouco em agência de propaganda.
Desses 19, uma boa parte atendendo, né, na psicanálise. Então Eu atendi, eu trabalhava das 9, das 10 às 19, ou na agência das 10 às 10 do outro dia, né, que é varar à noite o caramba, tal, tudo. E aí eu, enfim, eu sempre fui o cara que a galera vinha conversar e eu gostava de ajudar as pessoas, eu gostava, né, daquilo lá, enfim, tudo, né.
Descobriu o talento.
É, meus pais são psicólogos, tá em casa. Mas eu falei, pô, eu acho que tá meio que na veia isso, tal. Mas eu nunca dei atenção porque eu queria ser um um publicitário mesmo, ganhar prêmio para caramba e não sei o quê, né? Enfim. E aí, em alguns momentos da minha vida assim, eu comecei a perceber algumas campanhas que eu fiz que eu falei, putz, né?
Então, mas putz, que você não gostou?
É, começou a me dar um, cara, não tá me, não representa, não sou mais isso, sabe? Então, por exemplo, vai, eu fiz campanha para camisinha Beleza, eu sou, todo mundo gosta de sexo, é legal tudo, mas pô, colocando duas mulher na cama com um cara, eu falava, cara, não é minha praia, não é muito minha praia isso, sabe?
Pô, mas eu já bolei uma aqui, ó. Eu tenho mente maluca, né, de publicitário. Já bolei uma campanha maravilhosa.
Vamos lá, brainstorm.
Brainstorm, adoro. Um casal com 3 filhos, capeta causando na casa de um casal que não tem filho.
Ele falou assim, Nós usamos camisinha, você não.
A paz está no Senhor, compre a sua paz. Se você não quer viver isso, é o melhor remédio. Ou tá os dois casais, né? O casal mais jovem ali, tá o outro cansado, os três filhos brincando, tá no mercado.
Você tá tão bem, a pessoa também.
Isso aí é muito boa na Pan, você apresentando a Pan com Rabinho, velho. O quê? Que o Rabinho é muito bom, que ele tá apresentando, não é? Carnaval acabou, porque eu não quero ir com a gente. Bom Carnaval para todo mundo. E pô, usem camisinha, vamos se proteger, rapaziada, doença, tal coisa e tal. E o Rabinho, o Rabinho vira e fala: é, e você pode também ter um filho que é bem escroto. Eu chorava de rir. Só que o cara lançou, velho, o cara lançou uma puta barbárie dali.
Eu falei, cara, que coisa maravilhosa o Rabin, bicho! Ele é muito louco, ele é muito papo. É, o Rabin é sensacional.
O Rabin, ele foi, ele fez, ele fez uma apresentação quando eu me formei na ESPM. Ele foi convidado e apresentaram ele. Ah, temos aqui uma mensagem de um ex-aluno tal, não sei o quê, né? E aí a turma lá, a galera lá que fez lá a formatura e tal, convidou o Rabin para palestrar. Nossa, cara, imagina, Rabin lá sentado, todo bonitinho lá, o Rabin falando, ah, eu não quero trabalhar, aí não sei o quê. Eu falei, nossa, os pais assim do outro lado, sabe?
Puta exemplo horroroso, sabe?
Eu lá atrás assim, né? Nossa, eu já conhecia esse texto do Rabin, né? Eu falava, puta, meu, trouxeram o cara que, nossa. E meus pais assim, ó, que merda é essa que meu filho tá se formando? E aí você fez isso, aí eu percebia que aquilo lá não tava, puta, não tá rolando mais. Eu fazia campanha pra produtos que curavam a ressaca e tava tudo certo e beleza, só que eu falava, cara, isso aqui não tô mudando a vida das pessoas, eu não tô, né?
E aí, o que que acontece? Na área publicitária, os líderes, assim, uma grande parte dos líderes que eu trabalhei, que eu vejo, assim, não são preparados pra lidar com pessoas, gerenciar pessoas. São pessoas muito criativas, premiadas o caramba, mas não tinha isso de, sabe, lidar com pessoas, lidar com time, sentar e falar, ó, você não tá bem, vem cá, tal, não sei o quê. Não é um ambiente horroroso, é um ambiente, vamos falar, ser sincero, é um puta ambiente bosta.
A gente sabe disso, cara. Trabalhei final de semana, Carnaval para caramba, varava à noite, final de ano, final de ano, puta vida. Nossa, eu rodei comercial, rodei comercial 25, 24 de dezembro até 6 horas da manhã.
É culpa do cliente, é culpa do cliente, tem que entregar. É uma merda, é uma merda, é uma bosta isso aí.
Aí vem com aquela coisa de dopamina, aí vem ansiedade, aí vem não sei o quê tudo, né? E aí eu falei, pô, enfim. Aí eu falei, pô, eu vou começar a estudar para realmente poder virar um líder melhor, né? Para virar um cara melhor. É quando eu comecei a estudar PNL, fui começar a estudar a psicanálise. Só que aí quando eu entrei na primeira sessão de atendimento, foi uma sessão inclusive social ali, tudo tal, pessoa não pagava, né? Falei, puta, é isso que eu quero fazer.
Você sentiu na hora?
Falei, puta, é isso, é isso que eu preciso fazer, eu preciso fazer isso, eu preciso continuar com isso tudo. E foi.
Mas no começo era tradicional, no divãzinho, sofazinho?
Então, eu nunca atendi no divã. A minha escola foi sempre atender olho no olho ali, tudo, né?
Sentavam de frente pro outro?
Sentavam de frente pro outro. O máximo que eu fazia na época do presencial, quando eu fazia uma sessão de hipnose, aí a pessoa deitava ali tudo pra ficar mais confortável. E aí veio isso atendendo já antes da pandemia, depois da pandemia online 100%, tal. E eu cruzando as duas, trabalhando com as duas em conjunto, né? Então das 9, 9:30 até às 19 lá em agência, e das 19, 18, 19 em diante atendendo no online. Quantas vezes eu tava lá atendendo, toca o telefone, era agência pedindo, falei, gente, eu não posso atender, não posso atender, não posso atender.
E aquilo começou a agenda a pegar pra caramba. Nossa, você fala, puta, eu tô aqui aí o celular tocando. Então quando eu atendia, eu deixava o celular do lado. Aí vem a bosta dos aplicativos de mensagem, né, de 1 da manhã, 1 da manhã, toca o Teams lá, precisamos de você aqui na reunião, 9 da noite. Eu falava, meu irmão, tô atendendo aqui, cara, não posso, né? E aí eu falei, puta, chega uma hora que eu não vou largar a mão, vou largar a mão.
Aí eu cheguei para minha chefe, falei assim, ó, vou viver meu propósito, Chega, não quero mais, obrigado, tudo. Só que eu falei isso para ela depois que ela me mandou embora.
Que do caraca, é mesmo?
Foi isso, porque ela falou, ó, não tá rolando, não tá rolando não, né? Mas precisamos ter corte aqui, tudo. E rodou uma galerinha lá na agência e falei, tá bom, então beleza, obrigado. De fato, eu vou, falei, ó, então vou viver meu propósito, tá?
E vou aproveitar o embalo, né?
Vou aproveitar o embalo e tudo, né? E Aí concentrei na agenda, falei, deixa eu ficar na agenda aqui tudo, né, e tal. E eu era redator na época de agência, né, eu era redator publicitário. Então fiz campanha para caramba assim, né.
Nossa, tem alguma conhecida que a gente lembra assim, cara?
Eu fiz de camisinha, fiz com a Anitta quando a Anitta ela tava começando a estourar assim. Eu lembro que a gente tava numa sala de reunião, a gente foi apresentar a campanha lá de Ola e fez certo, porque até hoje não deve filho, deve usar direto. É verdade, mas foi muito louco essa, essa campanha, porque eu lembro até hoje, tava mó galera na sala assim, tudo, né? E a gente apresentando uma campanha atrás da outra, uma campanha atrás da outra, tal, tudo.
E aí a minha esposa tinha falado, ó, essa mulher vai bombar e tal. E ela tava com o Show das Poderosas aí, né? E aí entrou o CEO da companhia lá, da, vou falar o nome, mas enfim, entrou o CEO da companhia Falar, não gostei de nada, tal, não sei o quê. Eu acho que a gente tem que contratar um garoto propaganda, uma música, alguma coisa assim, tal. Na hora eu falei, pô, tem a Anitta, Anitta tá estourando. Ninguém na sala conhecia, sabia quem era.
E a minha esposa, um dia anterior, juro por Deus, minha esposa, um dia a gente namorava ainda, um dia anterior ela falou, poxa, acho que tem que usar Anitta, essa mina vai arrebentar. Eu mostrei, eu juro por Deus, eu mostrei o vídeo do Show dos Poderosos, tinha 1 milhão e meio de visualizações no YouTube, tava começando aí. Contratamos a Anitta, a empresa contratou a Anitta, a gente fez o comercial lá dela, ela, enfim, ela achou das poderosas, né, tudo.
E ela caía na cama, outros casais caiu na cama, que era uma referência de um filme dos Penetras Bons de Bico lá, com uma cena lá que eles estão dançando e cai com a mulher na cama, estão dançando na pista de dança e cai, é um match cut, né. Falei, puta, vamos aproveitar isso para Ola. E aí veio a ideia.
E legal.
E aí eu lembro quando a campanha saiu Nossa, Anitta estourou! Aí Anitta foi no, na época acho que foi no Gugu, depois foi no Faustão, foi no, nossa, aí ela, tudo que é câmbio, exponencial, exponencial, assim providencial ali. A empresa pagou muito barato para ela na época, né?
Quer dizer, você fez um bom negócio para os caras, né?
Fiz um bom negócio para os caras, estourou. A campanha teve que, foi para o ar, ela teve que ser suspensa por um período. Por conta de compra mesmo de produto e tal, não consegui vender e tal tudo. E o meu bolso ganhava nada mais, sabe? Você fez um bom trabalho, só isso. Parabéns, parabéns. E aí foi por isso que eu falei, um dos motivos também, né? Falei, pô, tô trabalhando para caramba aqui e a publicidade não tá.
1 milhão de dólares, 50, você ganha a mesma coisa, a mesma bosta. Entendi, Fernando.
Vamos, vamos para tua, não vamos perder essa, não, vamos embora, a sua, o seu brilho aí, o seu talento, que além de publicitário é psicologia. Tem uma olhada no teu canal e eu queria entender, acho que todo mundo aqui, né, Bola? Todos nós queremos entender essa coisa. Por exemplo, eu li, eu vi um negócio lá que eu me identifiquei muito. Que é o sentido de urgência das coisas, né? Todo mundo, muita gente opera na hora, que é a coisa para já, né?
Às vezes poderia ter se preparado melhor. E eu me identifiquei muito dessa coisa do sentido de urgência, o porquê que as pessoas elas agem muito emergencialmente para tudo quando o bicho pega. Hoje em dia poderia ter sido um caminho muito mais tranquilo, mas as pessoas têm essa coisa de reage quando a coisa realmente chega num ponto e quando vai ver às vezes é tarde demais. Por que que as pessoas são assim?
No vídeo até falo assim, a magia da psicanálise é colocar o ser humano como evidência ali, né? Então a psicanálise ela não coloca as pessoas numa caixa, ela coloca as pessoas num pedestal, dá um microfone para elas e tem que fazer sentido para elas, né? Então Uma análise que eu fiz no vídeo ali, que acho que é mais geral ali, né, é que de fato a pessoa ela pode ter aprendido lá atrás na infância dela que o caos funciona, né. Então assim, a casa dela funcionava daquela forma ali, que a hora que fez o gol nos 45 do segundo tempo ela resolveu o negócio, ainda recebeu parabéns.
Então ela entendeu, ela associou aquilo que, pô, beleza, se eu deixar o negócio Não preciso garantir antes, né? Eu não preciso garantir antes. Então, se eu fizer isso aqui dessa forma, eu vou continuar. Só que aí, nesse período todo, ela se estressa, ela tem uma série de coisas, né, que ela vai por água abaixo, né?
Ela termina destruída, né?
Ela termina destruída, por mais que ganhe, mesmo ganhando. E o contrário também é muito real, né? Às vezes a pessoa, ela tem que— a terminologia ter que, que é o grande problema— ela tem que ser 100% planejadíssima ali, tudo seguia à risca, tal. Porque no caso dela, ela aprendeu que para você poder ganhar um reconhecimento, tá, porque o ser humano ele busca 100% do tempo essas duas coisas: segurança e reconhecimento. Segurança e reconhecimento é o que a gente quer, né?
A gente quer ser reconhecido, é o petisco humano, é o petisco humano, é o petisco humano.
A gente quer ser reconhecido o tempo todo da nossa vida, né?
Então validação, né?
Validação, que aí a gente vai lá para para infância, fazer oral e tal, né? Então, do contrário também é a mesma coisa. A pessoa, putz, ela, ah, você cumpriu aqui isso, isso, isso, isso, isso, tá bom, tô aqui, te amo, te amo, vem cá e tal tudo. Eu lembro, por exemplo, meu pai vai ficar chateado que eu vou contar, eu vou falar, eu falo nas minhas sessões coisas que aconteceram comigo, que acontece comigo, que eu acho que humaniza, né, a coisa.
As pessoas se identificam.
Eu sou um cara que eu não sou muito ortodoxo. Eu, psicanalista, eu tiro o crachá quando tem que tirar e conta minha história mesmo, né? Mas o meu pai, quando ele era exigente para nota assim, né? Eu nunca fui. Minha irmã é super estudiosa e eu estudava.
Minha irmã era, viu, também. Eu sou na média 5.
Eu, minha média é um pouco mais alta.
Minha média é essa, 5, 6. Não pode ter a nota vermelha.
É, eu era mais ou menos isso, mas ali por um 8. A minha irmã era 9, 10, 9, 10, 9,5. Eu já era mais ali o 7, às vezes eu puxava ali para um 9 e tal tudo. Eu lembro até hoje, eu tava na aula de, tava na aula de futebol, escolinha de futebol ali e tal, e eu tinha tirado 9 e pouco numa prova de matemática. Meu pai foi me buscar e tava na arquibancada, minha mãe tava lá já esperando, que a gente foi a pé. Depois meu pai saiu do trabalho, pegou, foi lá para pegar a gente de carro, né, que era mais tarde, era umas 6:30, 7 horas da noite.
E aí chegou lá, vai, pai, você viu, tirei 9 na prova, na matemática, tá? Por que não tirou 10?
Puta merda.
Aí eu, porra, tem que ser o 10 para receber, tal.
Tá feliz com nada, né?
Exatamente. Só que aquilo foi uma brincadeira dele, foi um, foi meu pai, era assim, é um cara assim tudo, né? Só que foi, ah, por que você não tirou 10, tal?
Só que você entendeu de outra forma.
Aí girou um drive guardou um negócio em mim aqui que eu falei, puta, eu preciso tirar 10 para me sentir reconhecido, para me sentir, porque se eu não tirar, eles não vão me aceitar, não vão me aceitar e tal. E quando que, coisa, e quando que isso saiu? Na análise, na análise. Eu falo assim, né, hoje a gente tem inúmeros cursos de psicanálise, todo mundo pode se formar porque é uma atividade livre, né. Eu acho que o conhecimento ele tá aí, e lindo ter vários cursos, tudo, mas a formação do psicanalista ela se dá no setting de análise.
Ela se dá, o cara fazer, a pessoa fazendo análise, perguntando, cavucando ali o passado, entendendo como é que foi, o que que aconteceu com ela, o comportamento dos pais, respeitando isso, sim, amando isso, perdoando isso, né? Acho que isso é o perdão, é a base para mim da vida.
Agora, para entender uma coisa, Fernando, quando a pessoa está nessa tentando chegar no ponto da família e tal, Se você sente que a pessoa tá ali resistindo, não quer te falar, você vai insistindo até a pessoa falar ou você respeita? Como é que funciona essa parte? Ah, não quero falar do meu pai, vamos supor. Como é que funciona isso?
Como é que funciona isso no setting ali, né? Eu respeito, tá? Eu respeito. Tem profissional que vai, que pega a faca e vai enfiando. Tá entendendo, né? Depende muito do momento. Na maioria dos casos eu respeito, falei, tá bom, você não quer falar, na hora certa nós vamos tocar nesse assunto, né? Às vezes eu pergunto, tá, o que que você tá sentindo quando você tá falando sobre isso? Tocou no seu pai, que que tá vindo aí? Tocou na sua mãe?
Tocou não sei o quê? O que que tá acontecendo aí? Não, vamos, primeiro passo é nomear o que você tá sentindo. Vamos nomear o que você tá sentindo, né? Que aí, opa, beleza, tô sentindo raiva, tristeza. E aí a pessoa ela começa a tirar aquilo para fora, né? E aí a gente tá numa geração ali, os filhos de baby boomers e tal ali, falando dos millennials, geração X e tal tudo, essa galera cresceu entendendo que, inclusive até os próprios baby boomers, né?
O Bola é baby boomer, né?
O que que é baby boomer? Eu não sei.
O Bola é baby boomer.
O Bola é baby boomer.
Eu sou X, eu acho.
O que que é baby boomer? Você é nascido em que?
67.
Eu acho que, eu acho que é baby boomer.
É, eu sou X, 76.
Você é X, é X até 81, né? 80, 81. E o 61, milênio 80 até 96, né? É 96, não, não é milênio, é década de 80 até 90 e pouco. Aí o Z é nascido nos 90 ali e tal. Agora a geração, a minha filha, geração Alfa, Alfa, a geração Alfa. Então pesquisa, que é uma boa aí, ó, ó, baby boomers, ó, o Bola é geração X, é o Bola X que nem eu então, é a geração Z, aí até 80 geração Y, 95 geração Z, e 2010 para frente geração Alfa. Isso aí, o que que acontece? É, enfim, são os comportamentos, né?
Só onde acontece as mudanças, as transformações e tal.
Então, por exemplo, vai, você pega ali os baby boomers X e o Y, que são os millennials, né? Essa é uma galera que cresceu ouvindo que tem que ser submisso, respeitar pai e mãe, né? Perfeito, beleza. A gente, né, até a geração Z, Alpha, também tem que saber disso, né? Tem que respeitar pai e mãe tudo. Só que teve o entendimento do quê? Que respeitar pai e mãe não pode sentir raiva, não pode sentir medo, não pode sentir tristeza dos pais.
Então são sentimentos, emoções base. A gente pode sentir raiva, só que a gente não pode, obviamente não deve, né, não deveria, né, transformar isso em processos destrutivos, né.
Suzane, bater no pai é, pô, para provar que—
mas é regra, é essencial. Bizarro, é bizarríssimo.
Aí já é outra coisa, é psiquiátrico, já para outra camada ali, né, tudo. Mas assim, as pessoas elas não se permitem sentir aquilo e engolem aquilo. E aí a psicanálise nasceu exatamente do engolir, que é o reprimir, né, que é o recalcar, né. O termo recalque vem do Freud, né, do recalque ali, que é o que na verdade o recalque é uma memória em volta de uma emoção negativa, tá? E ela não sai do nosso inconsciente porque vai causar constrangimento, vai causar dor, tudo.
Então a gente tem uma instância dentro de nós que chama-se superego, que é o nosso juiz interno, e ele bloqueia aquilo lá. Falou: não sai, isso aqui não pode sair de jeito nenhum, porque se sair, não fala disso, porque senão vai vir dor, tristeza, constrangimento. Entendeu o que qualquer coisa, né? Só que sai em alguns, de algumas formas, de algum momento vai sair. No sonho sai, no sonho sai para caraca assim. Sonho, a pessoa: putz, Fernando, tô tendo um sonho que se repete todo dia, vamos falar sobre ele.
Aí o sonho conta lá a história, não sei o quê. Por exemplo, quer ver, ó, isso aconteceu comigo, tá? É um sonho meu, na minha análise. Eu tava num processo que eu tava muito ansioso. Eu sofro muito com ansiedade, né, gente? Até hoje eu sofro, eu sou um cara super ansioso. E eu lido hoje muito melhor com isso do que na época atrás, né? Mas na época que eu tava passando por um processo muito de ansiedade, de querer lá para frente e pensar e tal e tudo, e eu tive um sonho que eu acordei me sentindo muito mal, mas muito mal.
E no dia eu tinha sessão da minha análise didática, aí eu contei o sonho. O sonho era mais ou menos o seguinte, eu já falei aqui, tem uma filha, né, de hoje de 11 anos. Na época ela era bem menor. E aí eu tava num carro numa pista tentando seguir alguma coisa que tava lá na frente que eu não sabia o que era. Eu lembro, nossa, se eu fechar o olho eu lembro exatamente tudo que era do sonho assim. Parecia um videogame assim, uma de carro assim, sabe, da antiga assim, 2D ali, da Atari, Mega Drive, tudo era o cenário, era esse.
E eu correndo, correndo, correndo, e aí a pista começou a ficar sinuosa como se tivesse uma fase piorando ali tudo, e Eu, puta, acelerando e tal. E atrás do meu carro tava um bebê conforto com urso de pelúcia, um coelhinho rosa. E eu lá correndo para caraca, tal, não sei o quê. De repente eu faço uma curva e o coelhinho sai para aquela janela. Eu paro o carro desesperado e vou lá no coelho, tal, tudo isso. Só vejo o coelho ali, mas não vejo.
Acordei, sabe, assustado. Caraca, que que é isso? Não sei o quê e tal. Levei o sonho para análise. Aí o meu analista Adriano, que é o cara espetacular assim, ele falou assim: Fernando, será que essa tua ansiedade, isso que você tá querendo fazer, essas coisas que você quer viver no futuro, que você quer trazer para hoje, não tá prejudicando a saúde da tua filha? Aí eu parei assim, falei: por quê? Falou: será que o ursinho de pelúcia não era tua filha, tal?
Aí eu comecei, ó, Dá até emoção de falar, porque eu comecei a chorar na hora, porque, puta, é isso. Porque pra mim fez sentido.
Você chorou na hora, você sentiu.
É, eu falei, puta, é isso. E aí, o que que era, né? É uma mensagem do meu inconsciente na hora ali falando, cara, você tá acelerado demais, você tá colocando em risco a tua filha, meu irmão. Vai, né, desacelera um pouco aí, né? E de fato eu lembro dessa sessão, diante dessa sessão, assim, depois dessa sessão eu mudei, assim. Falei, puta, beleza, calma, né? E sempre ele puxando. É isso, entendeu? Então assim, isso, o sonho é uma das formas.
Outra forma é o ato falho. O ato falho é, nossa, inclusive é um ato perfeito, na verdade, né? Porque o ato falho é para nós assim, mas é o ato perfeito para pessoa, porque é o conteúdo que realmente a pessoa quer que aconteça, que aconteça de fato. Então, por exemplo, vai, a pessoa tá lá, vamos imaginar um cenário aqui, o cara tá lá É casado com uma mulher, vamos pegar um nome, que chama Selma, vai, tá? Casado com a Selma, né?
Só que ele tem um caso com a Sônia, tá? Casado com a Selma, tem um caso com a Sônia, dá um pega por fora, dá um pega por fora. Aí o cara tá lá, né, no rally-rolla com a esposa dele e fala o nome da puta, meu irmão.
Manda um sono no inconsciente dele, ele tá Olha que loucura, eu li uma vez um estudo sobre essas revistas que eu gosto bastante, tipo super interessante, aquelas matérias bem extensas assim, sobre a capacidade do cérebro. A nossa inteligência, ela é tamanha que a gente não é nem capaz de percebê-la. E é por isso que muitas pessoas que seguem uma coisa chamada intuição A minha intuição me diz que eu não. A intuição é a sua inteligência que você não consegue perceber, né?
Então, por exemplo, pô, cara, vou fazer um negócio ali. Sabe quando você faz uma coisa, mas tem alguma coisa dizendo assim, porra, você tá no desejo de fazer? Principalmente relacionamento, principalmente relacionamento. Eu queria entrar nesse. Você, como psicanalista, pode ajudar. Por exemplo, Você tá entrando no relacionamento, conhecer uma pessoa, só que aí você tá adorando aquela pessoa, mas tem alguma coisa lá dentro dizendo assim, não vai. É o seu cérebro? É isso aí? Você pode ajudar a gente a esclarecer isso aí?
Assim, o Freud, ele foi, quando ele desenvolveu toda a teoria, é o Pelé da psicanálise, é o criador, é o pai da psicanálise, né? Então o Freud, quando ele desenvolveu a teoria psicanalítica, ele percebeu que o nosso inconsciente, que é essa força que nós temos dentro de nós, é algo muito grande, né? Ele comparou como se fosse um oceano e o nosso consciente fosse uma casquinha de noz. E ele opera numa força de princípio do prazer.
Então ele quer prazer o tempo todo. Então ele vai forçando o nosso consciente a agir toda hora, né? Dentro do inconsciente mora o id, que é o nosso, que na tradução do alemão é aquilo, esse, aquele que tá distante. Né? No campo consciente mora o ego. Então o id, ele quer, é a nossa criança. O id é aquela criança que se você botar um prato de salada e um sorvete, um hambúrguer, uma coisa, ele vai querer prazer, hambúrguer fácil o tempo todo, vai na hora, vai na hora.
Então naquela época, né, Freud já descobriu que existe uma força. Hoje a neurociência já mostra que, sei lá, 95% da das nossas decisões durante o dia são tomadas de forma inconsciente, porque é essa força que vem, que vem, essa inteligência, inteligência que vem, é, e a gente não compreendê-la, a gente não compreendê-la. E segundo a psicanálise, no nosso inconsciente moram 3 coisas. Já falei o primeiro aqui, que é o recalque, né?
O segundo é toda a nossa função do organismo que opera de forma inconsciente, que é o pulmão, respiração, batimento involuntário. Porque se a gente tivesse que ter consciência disso, a gente não ia ter podcast. Porque, pera aí, deixa eu respirar aqui, deixa eu converter, deixa eu mandar o sangue, deixa eu desopilar agora o fígado. É verdade, exato, funciona automaticamente, né? E a terceira grande esfera são a esfera dos desejos, tá, né?
Então, que são desejos sujos, né? Não é desejo, ah, meu desejo é ir para a Disney, não, é desejo de matar alguém, de sim, de ódio, de transar com alguém que não pode, e por aí vai. Né, que é proibido, né, que seria proibido, né. Então são essas forças aí que, pá, putz, minha intuição tá mandando não ir, tá. Então vamos lá, vamos chegar numa análise aqui, tá. Você tá se relacionando com uma pessoa, mas tem algo falando para você que não.
Vamos entender o que que é esse algo, o que que tá te incomodando especificamente, né. Qual que é o nome disso? Vamos supor, sei lá, que uma mulher começa a se relacionar com um cara e um cara legal, bacana, enfim, tá curtindo o cara. Só que ela percebe que o cara é um cara mais enérgico, mais, né, nervoso, não sei o quê, tá? E só que por outro lado ele é um cara bacana, ele é um cara, né, que sei lá, compra flor, enfim, é um cara legal, um cara divertido, mas é, tem essa atitude meio ali e tal.
Vamos supor que essa mulher ela tenha sofrido alguma coisa, algum abuso ou o pai dela foi assim, bateu antes desse cara, tudo. Essa é, talvez seja a intuição dela, ó, cuidado, porque tem um sinal de alerta ali ligado que você viveu lá atrás, você apanhou do seu pai, apanhou do seu primo, sofreu um abuso, tal, tudo. E aí ela não consegue se relacionar com o cara, ela não consegue, mesmo ela não consegue. Aí a gente precisa separar as duas, óbvio, né?
Precisa analisar, não analisar o cara, mas Eu tenho um caso que eu atendi que é um caso nesse sentido assim, que é um caso muito louco. A mulher, ela veio, me procurou porque ela tinha sofrido abuso de um cara. E aí ela tinha, o cara tinha quebrado duas costelas dela e tal. Ela veio 10 dias depois do acontecido, né? E foi na sessão, nas sessões ali e tal. Ela não queria prestar queixa, prestou queixa, medida protetiva, começou a caminhar, né, a entender o porquê que ela se relacionava com tipo de gente assim, né, e tudo.
O pessoal chama de dedo podre, né, mulher de malandro, puta justificativa, mulher de malandro. Porque ela entendeu, ela aprendeu lá atrás que ela tinha, que enfim, no caso da família era muito assim, o pai era muito assim, então ela aprendeu que isso era exemplo que ela tinha, era exemplo que ela tinha tudo. E aí ela foi caminhando, caminhando, caminhando, caminhando, Até que teve um dia, uma sessão, que eu falei, puta, fiquei assim, meu coração disparou, né?
Porque ela falou, ela abriu a sessão, falou, Fernando, eu preciso falar uma coisa para você, mas eu tô com medo da tua reação, eu tô preocupada com a tua reação.
Caraca.
Aí eu falei, putz, né, duas coisas. O primeiro, ela vai cancelar, não vai passar mais, que ela tava melhor, tudo. Eu falei, e tá tudo bem com relação a isso. Ou porque ela tava gostando de mim, porque acontece também, né, de ter uma transferência, uma contratransferência nesse sentido da pessoa gostar do—
é porque você traz o alívio, né?
Exatamente. Então eu falei, puta, é o lugar seguro, é o lugar seguro, é o pai que eu não tive. Eu falei, puta, ela vai falar uma dessas duas coisas. Eu já, que beleza, tranquilo, tal. Ela falou assim, Fernando, eu tô querendo voltar para ele.
Puta merda!
Aí eu falei, puta, caiu na hora aqui, tá? Beleza, crachazão aqui, psicanalista escrito, né? Aí eu falei, ah, que se foda. Arranquei e falei, ó, pelo amor de Deus, não volta para ele.
Psicanalista foi embora, foi embora.
Não volta para ele, pelo amor de Deus, não faz essa cagada, não faz, senão você vai virar estatística. Eu não quero que você vire estatística, quero que você—
puta, que situação, irmão.
Aí ela foi entendendo por que que ela tava querendo voltar para ele e tal, tudo, porque é exatamente isso, né, que o nosso inconsciente vai empurrando coisa, né. Você já viveu isso, isso é o seguro para você, porque ela viveu isso com o pai. E o inconsciente nosso, ele opera nessa dinâmica. Ele quer aquilo que ele conhece, por mais que estraga, dor, porque ele quer aquilo que ele conhece.
É o padrão que a gente chama, né?
Ele não quer o desconhecido, porque o desconhecido, ele não sabe o que que é, se vai trazer dor, se não vai e tal tudo. Ele quer o conhecido, ele não quer o que traz prazer, o que traz dor, mesmo trazendo dor, mesmo trazendo dor, mas ela quer O conhecido, ele quer o conhecido. Então entendi, isso é um padrão inconsciente nosso que funciona. E aí quando ela começa a descobrir coisas novas, ela, opa, né? É que nem, por exemplo, vai, vamos provar uma comida nova.
Você nunca comeu aquilo lá, nunca cheirou, nunca, você fica, aí você fica. Eu lembro quando eu comecei a comer, gostar de comida japonesa, foi uns 20 e tantos anos, eu não curtia, puta, negócio. Lembra a primeira vez?
Eu, nossa, tá de peixe cru.
Você não gosta?
Não, eu também acho horroroso.
Por quê?
A textura gelada, sabe? Não é uma coisa que me agrada.
É que te lembra quando você—
que me lembra? Eu lembro é uma gosma. Não sei, irmão.
Eu não gosto de peixe porque, olha só, você falou, eu não gosto de peixe porque morava perto de uma fábrica de sardinha.
E o cheiro?
E era ruim o cheiro perto assim, não tanto da Coqueiro, aí em São Gonçalo. Então cheiro, às vezes aquele cheiro eu não gostava e me Então eu não quero.
O que que acontecia ali nessa época ali?
Como é que era? Tiros. Não, tô brincando.
Desculpa, eu já tava aqui. Eu tô aí.
Um nego morto. É uma coisa leve. Por isso que ele não gosta de peixe cru.
Eu não gosto de peixe. Eu não gosto de peixe.
Eu gosto, eu não como peixe cru.
Não gosto. Literalmente não gosto do sabor. Não é uma coisa que me apetece.
Mas, por exemplo, você lembrou ali da época onde você morava. Você tinha quantos anos?
Sei lá, 8, 7, por aí.
Aí já começa a entrar, por exemplo, se fosse uma análise, tá? Como é que era tua infância ali?
Como é que era legal? Legal, ao mesmo tempo horrível, sei lá. Então eu acho que o que eu me lembro da infância eu falo aqui e eu fico puto com essa galera saudosista, sabe, Fernando? Ai, porque naquele tempo eu já fico puto. Fala assim, naquele tempo era chato, gente. Eu lembro da tarde de ficar trancado dentro de casa no portão e não tinha porra nenhuma para fazer. Aí olhava na rua para ver se tinha alguém para jogar bola, não tinha.
Era chato, era tédio, era um tédio na minha opinião, era um tédio, era ruim, né? Não, lógico que a gente guarda momentos da vida excelentes, o cérebro acho que meio que guarda as coisas mais legais, músicas, momentos e tal. Mas eu lembro do dia a dia de ser uma coisa entediante.
Então aí, lembra que eu falei o negócio da PNL, da Programação Neurolinguística, de associar e tal tudo? O cheiro, por exemplo, se você sentiu o cheiro da sardinha, talvez o cheiro da sardinha me remeta a tédio, a coisa chata, abandono. Você falou aí, né, eu tô sozinho aqui sem ninguém para brincar, sem ter porra nenhuma para fazer, pode estar ligado naquele peixe. Exatamente.
Mas não é verdade? Você não acha que Na nossa época, sabe quantos anos?
Desculpa te perguntar.
Ah, você é mais novo, mas não tinha videogame, não tinha. Eu não tinha Barça para— eu sempre fui curioso, então queria ler tudo e não tinha. Então assim, eu me lembro de muito tédio, os amigos na rua, passava muito carro também, a mãe não deixava ir na rua numa época, né? Depois eu fui para um lugar maravilhoso, mas assim, eu me lembro de muito tédio. Então muito muito tédio assim. Terminava as coisas da escola, caramba, me sentia aprisionado.
Aí depois que eu fui nadar, eu me descobri. Aí comecei a ganhar medalha, fui pro esporte. Esporte foi uma válvula de escape, porra, melhor. Aquilo era uma coisa que—
então aí você tocou no negócio muito legal, que é um que eu falo muito em sessão, isso que é o processo. Como é que a gente lida, né, qual é dos nossos desejos, nossos traumas, tal, tudo, né? A gente precisa descarregar energia. Esse, esse, o recalque, né, que a nossa memória repleta em volta de uma emoção negativa. Essa emoção negativa o Freud chamou de quântum de afeto, que é uma energia que nos afeta, que nos prejudica, que nos detona a gente, né.
A gente precisa drenar isso daí de alguma forma, né. Então, por exemplo, a pessoa que é destruidora, que fica com raiva e quebra tudo, tá psiquicamente ela tá ok porque ela tá drenando, só que ela vai ter problema na sociedade ali e tal.
Pô, o cara quebra tudo, tudo, não sei o quê, regaçou a porra toda, entendeu?
O cara, beleza, né? Esse processo que você, que você fez na natação de pegar esse tédio quanto um de afeto, na psicanálise chama sublimação, que é você pegar isso daí e transferir para uma coisa que é, que seja agradável para você, mas que faça bem para você ou para a sociedade que você tá. Então, por exemplo, processos de a pessoa tá faz uma obra artística, a pessoa faz uma caridade, isso pode ser processo sublimação, entende?
Então, pô, tô me sentindo vazio, tal, não sei o quê, tudo. Ah, vai fazer uma caridade, vai ajudar alguém, vai não sei o quê. Ah, me senti vivo, me senti sublimação, útil, né? Útil, exatamente, é uma coisa útil, entendeu? Então esse processo, ele é lindo, né?
Ele é lindo.
E o outro processo, que é o processo de elaboração, que esse daí é o ápice do ápice, que é de fato você você, por exemplo, perdoar pai e mãe, tipo, aconteceu, de você de fato ali compreender que todo mundo tem uma estrutura, as nossas estruturas, nossos inconscientes, os desejos, os traumas, tal. E o que aconteceu, esse é o topzera, é isso, esse é o top, é que a pessoa consegue elaborar. E aí ela é o perdão.
O perdão é muito legal quando eu converso com amigos, parentes, pessoas muito próximas, que elas não conseguem digerir certas atitudes da vida. O Bola tem muita dificuldade, inclusive, né, Bola?
Ah, depende da coisa, eu tenho mesmo.
Não, você tem muito dificuldade. O Bola, ele é muito binário nessa coisa de ou é ou não é. É assim, eu falo, cara, as pessoas erram. Sim. Agora, perdoar uma pessoa não significa que você vai dar a mão novamente.
Exatamente, né?
Exatamente.
Mas você tem dificuldade de perdoar? Tem coisas que acontece, não, bola, já foi isso aí, não sei o quê.
Eu não quero mais para minha vida.
Sim, mas não é isso, não é isso, não é perdoar. É o jeito que você fala, não, não é perdão. Assim, eu, por exemplo, eu não consigo ter— engraçado isso— eu não consigo ter raiva de ninguém. Eu posso estar puto na hora, mas, cara, é impressionante.
Tem, vai, um pouquinho.
Não, claro, pouquinho todo mundo tem, é normal, mas a cicatrização é muito rápida para mim assim.
É, mas é o quanto, por exemplo, você não precisa drenar 100% do quanto de afeto. Você drenar ali 50%, você lembra daquela pessoa e tá ok, beleza. O problema é quando você lembra da pessoa e fica, né? É, pô, eu não sei o quê, muda de assunto e sai, tá? Começa a falar, né? Aí o Freud é: a cura vem pela fala. A cura vem pela fala, não tem jeito, gente. Você tem que falar sobre o assunto. E, cara, vai para um terapeuta, vai para um amigo, sabe?
Fala, não guarda dentro de você, porque Quando você reprime, é como se você tivesse pegando uma bomba de pneu de bicicleta e faz assim, ó, e enche. Ah, não fez nada, tá tudo tranquilo. Aí você vai lá, aí passa dia seguinte, mais uma, até que chega um dia, meu irmão, explode. Aí explode, aí é caco para tudo que é lado, aí você vai ter que sair recolhendo tudo. Não é melhor você, ao invés de fazer primeiro, né, ao invés de fazer isso, você vai lá e tira pneu ali tudo, dá outra Aí depois da outra, aí de novo você vai compreender.
Esse é o processo de elaboração, sublimação, enfim, que a gente vai, a gente tem que mergulhar e olhar para nossa, para o nosso interior, porque senão a gente não consegue viver. A gente vai projetando o que a gente viveu nos outros, e aí chega a ser até injusto, né, eu projetar no Bola, no Carioca, ou qualquer outra pessoa algo que eu vivi lá atrás. O legal é se inspirar, né?
O legal é se inspirar e projetar, né?
Exatamente. Então, pô, vou lá, tô num relacionamento, eu inconscientemente acabo projetando uma falta que eu tive no meu parceiro, numa parceira. Chega a ser injusto até com a pessoa, que a pessoa não tá nem sabendo que tá acontecendo, né? Porque é o inconsciente da outra pedindo uma coisa que ela nem sabe que ela tem que entregar, né?
Exatamente. Não sabe nem o que tem que entregar.
Cheguei em casa, tá brava. Tá brava por quê? De que eu fiz, tal?
Não sei, à toa, né?
Por exemplo, pega o exemplo do carioca que ficava entediado lá, TED, em casa sozinho, tinha ninguém pra brincar. Vamos supor que ele tá um dia em casa, 50 anos nas costas, 40 anos nas costas, entediado. Aí chega a namorada, ele tá entediado, mas não é com ela, tá entediado que vê um papo mais.
Acaba sobrando pra ela.
Eu tenho dificuldade de me programar em sair, eu tenho dificuldade, sabia, Fernando?
Como programar em sair?
Sei, se eu deixar ficar em casa, eu fico. Mas se quiser me chamar pra sair, me levar, eu sou fácil, entende? Mas eu bolar um negócio fantástico, Olha, bolei essa programação pra gente sair, pra gente curtir. Por isso é que eu sou horrível, mas eu acho que pode fazer sentido de eu ser um cara que viver. Por exemplo, eu fui, eu lembro da minha infância, eu amo praia, amo, amo. Quando eu era pequeno, você foi à praia 3 vezes, foi muito, morando no Rio de Janeiro.
Olha só, caramba, tá ligado?
Eu ia nada, papai, vai pra praia. Nunca me levavam pra praia. Eu tenho hoje um afeto muito querido por uma tia que eu amo, tia Beth, Porque ela percebia, e levava, ela morava longe, e ela começou a me levar na praia, e ela viu que eu gostava. Então hoje eu tenho uma afinidade muito grande, e ela nem minha tia direta, ela é minha tia indireta, o marido dela que é meu tio sanguíneo. Um amor muito grande porque eu tenho essa recordação da tia me levar sempre para praia, e eu adorava ir para praia. Se ela tinha 9 anos, 10 anos, a tia me levava para praia.
Olha só, né?
Então aí, tá vendo como é que a gente vai mexendo nas peças e vai, vai, puta, esse fio aqui que tá um tempão aqui que eu não sabia onde tava.
Você vai falando, a caixa de bujim, você abre.
O meu caso é o contrário, eu sou muito mais o campo, porque quando era moleque eu ia muito mais para o interior. Minha mãe não gostava muito de ir para praia, se afogava, tinha muito medo dos filhos Sabe, eram 3, como se não tivesse açude no campo, que é pior ainda. Não, não, mas não tinha lago, a gente não ia para um lugar que tinha. Mas enfim, como eu convivi muito no interior, eu sou apaixonado pelo interior, entendi, adoro memória afetiva, né? Um sítio, sabe, um lugar com bicho.
Você nasceu em São Paulo?
Nasci em São Paulo capital. E aí para o interior, interior era férias ali, era direto, passava um mês fora. Quando tinha férias do meio do ano, final de ano, era interiorzão brabo, mas de fogão a lenha, sabe? De, era uma delícia.
É muito parecido comigo assim, adorava, adoro até hoje, né? Eu cresci, eu cresci, vim para São Paulo com 3 meses, né? Que meu pai, eu nasci no Pará porque meu pai trabalhava em Tucuruí, na hidrelétrica lá de Tucuruí na época, tudo. A minha irmã nasceu em Belém, eu nasci 3 anos e pouco depois nasci em Tucuruí. E aí com 3 meses a gente veio para São Paulo, que minha irmã ficou doente e tal, tudo, tive que tratar aqui, né. Aí graças a Deus ela se recuperou tudo.
Só que as minhas recordações de infância assim, de brincadeira, interior de São Paulo. Nossa, comida de fogão a lenha lá na casa da minha avó, tinha um fogão a lenha, puta delícia. Nossa, aquele chapa de ferro Assim, o bife era passado direto, não era nem uma ferrugem ali, nossa, de porco, puta delícia! Então aí, quando a gente fala, beleza, essa é uma recordação de infância positiva, tal, tudo, enfim, que pode trazer também negativa, né?
Aí a representação de cada um. Mas quando, por exemplo, vai numa técnica de PNL, vai, que eu quero fazer para pessoa ali, pensa num lugar seguro seu, lugar onde você foi muito feliz. Para você poder ativar isso em algum momento na sua, na sua vida, né? Pensa num lugar muito feliz. Esse, por exemplo, pode ser um lugar feliz meu, pode ser um lugar feliz seu, né? E aí a gente ativa.
Pode ser uma desgraça para outra pessoa.
Puta, não tem mais isso, não sei o quê e tal. Aí a gente tem que deixar a pessoa. E aí vem, né, o conceito da, da hipnose ericksoniana, né? Que é o seu, é a sua imagem, é aquilo que representa para você, é aquilo que tá certo para você. Né? E aí, numa técnica dessa, por exemplo, eu gosto muito de orientar quando atendo, vai, executivo, gente assim mais atleta, tudo, né, a disparar âncora. Então você pega alguns atletas ali, tem até um vídeo na internet que mostra uma corredora australiana chamada Michelle Janeke, que ela corria, se não me engano, acho que 400, 200 metros com obstáculo.
Né, barreira, com barreira, isso. E aí era, sei lá, 8, 10 corredoras, e as corredoras tudo lá, né, tudo séria, tal, batendo aqui no peito, alguma coisa assim. Bicho, ela pulava, fazia sinal de borboletinha, botava a mão na cintura, ela fazia um monte de coisa disso, entendeu? Isso aí é tudo gatilho que ela disparava, provavelmente para poder correr melhor, para poder correr melhor. E a mulher disparava, né, disparava na frente ali tudo.
Então Então dá para usar numa técnica dessa. Ah, putz, eu vou entrar numa reunião importante, vou ter uma conversa difícil, vou ter— pensa num lugar seguro, por exemplo, e ancora isso daí com algum movimento, algum gesto, algum objeto, alguma coisa, entendeu?
Eu pago um pau para o Bernardinho, por isso que ele acha que foi tão vencedor, é do vôlei, né? Bernardinho, ele acha que é o profissional hoje mais contratado por empresas para palestra, por técnica. Porque, por exemplo, o voleibol, ele é um esporte que ele é muito decidido do placar 20. A gente fala isso, né? Quando chega no 20, o bicho pega do 20 aos 25 para concluir o jogo. Pode ver, tá sempre pau a pau ali. A coisa acontece entre o 20 e o 25, né?
Ali determina Quem leva ou quem não leva. Ó, que filha da puta! Ele pegava, ele tinha compulsão por treinar. Então, por exemplo, uma vez, acho que estava na Holanda, eu vi essa história, achei do caralho. E era um feriado lá, e quando é feriado lá é assim, feriado fecha tudo. Não é igual aqui que tem 50 feriados, mas é meio feriado, né, porque tem um monte de coisa aberta e tal. Lá fecha tudo, lá fecha tudo.
É proibido qualquer pessoa trabalhar, tipo assim, 2 por ano e fecha tudo e se lasca.
E dane-se, os jogadores ficaram sabendo e começaram a rir entre eles e falou assim, vamos treinar, puta! Porque ele tinha um hábito de chegar na cidade, foda-se, deu 18 horas de voo, troca de roupa e bora treinar, entendeu?
Pô, feriado vai estar fechado o ginásio.
E aí o cara no ônibus falou, olha, Eu nem holandês sou, tô aqui porque eu nem ia buscar vocês no aeroporto. É, não abre nada. O Bernardo falou assim, como assim não abre nada? Não vai abrir o ginásio para a gente poder treinar? Não, não vai, não vai abrir ginásio. Os caras já, lógico, puta, que delícia! Caralho, vamos descansar, vamos dormir, maravilhoso! Mercado hóspede, que delícia, vamos descansar. Desceu do ônibus, todo mundo sobe, troca de roupa, estacionamento.
Nós vamos treinar no estacionamento do hotel, foda-se, foda-se, nós vamos bater bola, treinar no estacionamento do hotel. Aí pergunta por quê?
Sem rede, sem nada.
Não, é treinar físico, vamos bater bola, bater bola no estacionamento aqui. Eu já vi que é bom e dá para fazer. Mas qual que era a lógica dele? Ele, toda vez que estavam com ele, ele levava o cara para o estresse máximo.
Por quê?
Porque entre os 20 e os 25 é onde o bicho pega. Se eu transformar esses caras a se acostumar com esse estresse, essa coisa que incomoda, tá tranquilo, tá de boa. E é por isso que ele venceu, tá de boa, porque ele estressava, né?
Então aí é o processo, exatamente. Então, por exemplo, eu tomo banho, que é bem na TV, é isso aí, porque é do estresse do caralho.
É verdade, era estressante, mas atingiu o objetivo, atingiu o objetivo, exatamente, atingimos o objetivo.
Eu tenho uma, eu tenho um hábito meu que é tomar banho gelado todo dia.
Meu pai era assim, meu pai era assim, meu pai nunca viu meu pai resfriado, nunca vi. Meu pai tomava banho gelado o ano inteiro, o tempo todo, o tempo todo.
Nunca tomou banho quente?
Nunca. Eu que eu vi, nunca.
Eu tomei muito na infância.
Nunca entrei no banheiro depois dele sair, tá embaçado.
Minha mãe, o mal da mãe, tomava banho frio, banho frio.
Cara, que louco!
Porque tem a parte física do negócio, tudo de imunidade e tal, tudo que a gente sabe, mas tem a parte cerebral mesmo do negócio, né? Então até o próprio Joe Dispenza já falou sobre isso. Tem um livro dele chama Como Se Tornar Sobrenatural, né? E na imersão dele que tem lá nos Estados Unidos, eles fazem vários testes e tal tudo. Eu ainda não fui, quero muito fazer essa imersão dele, que você fica lá 4, 5 dias lá, você faz vários exames e nossa, é um negócio louco assim.
E foi comprovado da conexão neural, de neurônios ali, é porque você tá se estressando né? Você tá se colocando no ambiente de estresse, então você tá ativando dois neurônios ali que grudam. É isso, sinapsou, sinapsou. Isso é isso que o pessoal fala da expansão da consciência, a neuroplasticidade e tal, tudo, né? Então quando você toma um banho gelado, você tá se colocando no ambiente de estresse. É o que o Bernardinho fez no, puta, vamos treinar aqui ambiente de estresse e não sei o quê e tal, tudo.
Porque a hora que passar nos 20 a 20, 21 a 20 com os Estados Unidos, os cara tão apertando lá, meu, Você tá preparado, o cérebro tá, já tá, já tá funcionando naquela, naquela, naquele modo, né? Porque para nossa mente não interessa se a gente tá tendo uma conversa difícil com alguém ou se a gente tá vendo um leão na nossa frente. É, dispara o sistema simpático, ele liga, puff. E aí a gente precisa ativar o sistema parassimpático, como respiração, Meditação, calma, pensa num lugar feliz, pensa num lugar feliz.
E aí, aonde que eu conecto as duas? Pô, Fernando, você tá falando de neurociência, não sei o quê, que eu estudei, mas não sou especialista, e psicanálise. Onde você conecta tudo isso? Aí volto para Freud: o inconsciente é um oceano tentando entrar numa casquinha de nós. Imagina a força disso. Que que o nosso consciente precisa ter para tomar decisões mais assertivas? Tempo, comprar tempo. A gente precisa comprar, é isso, a gente precisa comprar tempo.
E como que a gente compra tempo? Respirando, usando uma pulseirinha para te lembrar. Outra técnica de PNL, por exemplo, você ativar os sentidos, né? Então você tá ali muito nervoso, tá, você, tô vendo uma garrafa de água, tô sentindo a minha respiração, tô sentindo o clima aqui do estúdio. Você traz para os sentidos, né? Aí você volta para o presente.
Você pode falar por que que você tá usando? Para te lembrar de quê?
Para mim lembrar do passeio.
Eu já caí no passeio 32 vezes.
Eu tô brincando, nada do passeio, cara. Isso aqui é para mim lembrar da Yasmin.
Mas foi bom para caralho. Que passeio? Passeio o pau na sua cara.
Não, tô brincando. Isso aqui é para lembrar da—
bom demais!
Isso aqui é o qualquer um dos dois, é para mim lembrar da Yasmin.
Entendi.
Não, não, não, não, a gente já tá, já tá com antivírus instalado, já tá terapizado, né? Não, tá instalado, tá instalado. Queen, você gosta de música?
Tem, né?
Mas essa aqui é malandro. Eu sou quinta série, cara, adoro as piadas quinta série. Nossa, eu sou, eu adoro piada quinta série. Eu adorava ver vocês no nosso, por exemplo, a memória do Pânico é uma memória para mim muito afetiva porque assistia muito com meu pai. Puta, a gente dava muita risada e tal. Então se eu tiver que lembrar de um momento feliz com meu pai, o cara era domingo ali vendo Pânico, dando risada.
É, o teu pai queria ver as paniquetes, é lógico.
Mas a pulseira, da Então aqui eu gatilhei o quê? Ah, toda vez que eu olhar, duas pulseiras, eu tô com duas, mas é a mesma coisa assim, né? Toda vez que eu olhar, me lembrar de ser mais consciente, me lembrar de respirar tudo. Então assim, você pode gatilhar qualquer coisa. Por exemplo, eu atendo atleta de triátilo, né? Triátilo é uma, pô, que é brabo, hein? Puta, você tem que ter uma cabeça ali. Eu fiz triátilo uma época, tudo.
Você tem que ter uma mentalidade ali de esforço, resiliência e o caramba, né? Eu lembro a primeira prova que eu fiz, ora, os últimos 10 km de bike eu comecei a chorar, cara. Comecei a chorar.
Os ESP doendo.
Falei, puta, tava doendo já. Comecei a chorar que tinha uma prova que eu fiz, tinha uma subida muito íngreme da bike. Comecei a chorar. Falei, puta, aquela subida de novo, tá? Aí eu falei que se for, eu paro.
Não vou conseguir, né, meu?
Não vou conseguir tudo. Eu oriento a galera o quê? Toda vez que você olhar pro computador de bordo, olhar pro relógio, você vai lembrar de força, daquilo que a pessoa precisa, que ela acha que ela precisa. Para desempenhar aquilo. Então, por exemplo, vai, vai, já atendi atleta que queria usar a raiva como combustível. Então toda vez que você olhar para o relógio, cara, você vai sentir essa raiva, e essa raiva vai se transformar num combustível, numa força extra para você fazer.
Em quanto tempo? A hora que você olhasse, aí a pessoa continua o processo.
Então os meus elastiquinhos é para isso, é para, é uma técnica de lembrança. Tem outra técnica que é de que aí é o condicionamento, né, ruim. Mas eu uso, aí eu oriento usar elástico de escritório, que é, por exemplo, você fez alguma atitude ruim ou algo que você não queria fazer, que você quer mudar e tal, você vem e puxa para sentir uma dorzinha, para sentir uma dorzinha. Então, por exemplo, condicionamento, condicionamento.
Então vou ficar, vou ficar condicionamento, eu vou ficar 21 dias sem reclamar.
A primeira reclamação, puta, por eu perco o braço.
Minha mão cai tanto elasticada que eu vou ficar só o cotovelo.
Eu percebi muito isso, sabe onde? Na China. Até conversei com uma amiga minha que foi para Taiwan, que para mim é mais ou menos a mesma cultura, mesmo não sendo países, né, independentes. Mas o chinês, cara, eu fiz um teste desse aí, os cara riram para caralho. Eu fui estar mandando lá, e por isso que é importante você conhecer outras culturas, Aí, nego, pô, os cara que são educados, né, não sei o quê. Eu falei, eles não são educados, eles são condicionados.
Como a do tchauzinho que você falou?
É, do tchauzinho.
Como é que é?
Maravilhoso.
Porque assim, cara, eu percebi que eles são muito— parece um exército, é tudo, cada um faz uma função e ninguém atropela ninguém. A organização da coisa, eu falei, caraca, velho, que foda! Eles não fogem do escopo.
Eu falei, não é possível, né?
Praticamente o Brasil, ele é bom e ruim ao mesmo tempo, né? A delícia, a dor e a delícia de ser o que é. Porque o Brasil é uma zona, improvisa e tal. E lá não, lá aí tem uma menina, algumas meninas que só ficam fazendo assim, ó, dando tchau, né? Você passava lá, aí eu vou olhando aquilo, eu falei assim, que porra é essa, cara? Sabe assim, a pessoa no mesmo lugar, 2 horas depois tá a menina com o mesmo lugar, com o mesmo rosto, com a mesma, passa uma Aí, cara, isso não é educar, isso é condicionar.
Aí, e a disciplina. Aí eu falei, tá. Aí eu tava já tomando uma, a galera ali, né, os dealers ali e tal, não sei o quê, a galera do que tava no evento. Aí eu vi pelo vidro assim, tava a menina no mesmo lugar, a chinesa. Aí eu falei assim, não, os cara falou, poxa, cara, que isso é educar. Eu falei, não, cara, eles são condicionados. Aí eu falei, e eu vou provar, eu vou passar ali 20 vezes, e as 20 vezes no espaço de 10 minutos, e ela vai dar como se fosse o banheiro e voltar.
E todas as vezes que eu passar, eu vou fazer o mesmo movimento, o mesmo tchau. Ela vai subir a mão, vai dar tchau, vai rir em 2 segundos e vai recolher e vai ficar no mesmo lugar e vai fazer a mesma coisa. As 20 vezes que eu passar, ela vai fazer a mesma coisa. Ela vai ficar puta, como você falou assim? Não vai, porque ela já está condicionada. E ela nem vai perceber.
Aí eu começava a ela. É isso, isso é condicionamento e acaba virando cultural, né? Porque eu falo assim, a mudança ela vem por dois motivos, né? Duas formas que você consegue mudar e melhorar, né? Ou por hábito, né? Que é repetição, repete, repete, repete, ponto. Aquilo vira seu, né? Vira costume. Inclusive, a Universidade de Londres fez um estudo que os gurus aí de internet fala que tem que ser 21 dias, 90, não, é 66 dias pela Universidade de Londres, você adquiriu um novo hábito fazendo a mesma coisa 66 dias.
66 dias, a média com isso, você acostuma com isso, 2 meses e uma semana.
2 meses, uma semana. Então tem hábitos que demoram 250 dias, tem hábito demoram 6 dias, mas a média são 66 dias, né? Ou você muda por isso, por repetição tal, que aí acaba virando o hábito, ou por um trauma negativo muito forte. Eu falo muito um exemplo no consultório que é o seguinte: Imagina que você vai, você trocou o interruptor do banheiro de lugar, tá do lado direito, você coloca do lado esquerdo. Já aconteceu isso com todo mundo? Ou parou de funcionar o interruptor, tem que acender outro.
Quer trocar aqui o bonequinho, bola?
Não, pode deixar aí, não mexe.
Ele não quer nem que encosta.
Trocar, mas não é porque ele quer quebrar, não é porque ele quer trocar, ele quer quebrar o negócio. Esse negócio eu não macho nunca mais.
E aí, o que que acontece? A primeira vez você vai, puta, você tá desesperado. Aí a segunda, até uma hora que você acostuma, você vai na outra tomada, né? Beleza, esse é, você aprendeu que arruma outra, fudeu, você arruma outra, aí você vai na outra, você continua indo na outra, você dá esse chute aí na cabeça, né? Repetição, você vai repetindo ali, tá? Beleza, entendi que agora é outra tomada. Agora você pegar a outra, deixar desencapado cortado o fio, na primeira que você meter a mão ali, já entendi, pronto, você não vai mais, não mexo mais, entendeu?
Então é uma vez só, já basta, porque é uma carga, é a descarga emotiva muito alta naquele momento de proteção, né?
O teu sistema de proteção, né, ele ativado, ele ativou na hora ali.
Aí você, beleza, ufa, agora já sei que aqui eu não posso mais meter a mão, né? Então, ó, a não ser que a pessoa seja sadomasoquista e fica lá tomando choque, né? Tomando choque direto. Aí não rola. Mas assim, são as duas formas, né, que eu falo, ó, talvez seja mais interessante repetir, né, do que ficar sofrendo trauma, trauma ali toda hora, né. Seja mais saudável para você, ó, vamos mudar esse hábito aqui, vamos, né, entender qual que é a dificuldade que tá aqui, vamos um passo de cada vez, né, 1% por dia, do que de fato arrancar o Band-Aid de uma vez, né. Vamos devagar ali tudo. E aí processo caminha, né?
Bom, eu queria tocar num ponto que eu acho que é importante e muito discutido hoje em dia sobre esse conflito de gerações, né? Muito se fala que a geração atual é mimada, que demora a sair da casa dos pais, diferente da nossa, né? Eu queria muito, e por você ter falado sobre essa coisa da infância, eu queria tentar encontrar uma resposta. Vamos lá. Nossa geração, eu não digo você, me parece que não, mas eu e o Bola e muitos de nós aqui dessa geração, não sei o Renato também, que tá aqui, o nosso parceiro Renatão aqui, nosso diretor, a gente é pau para caralho, velho.
Uma geração que as coisas já na vida na base do chinelo, na base da vara de goiaba, fazia cagada assim, sentada. Né, de apanhar. A gente apanhou, eu apanhei, meu irmão apanhou, bola apanhou. Era uma cultura, sim, era de bater.
Fazia coisa errada, tomava também. Apanhei também, apanhou, apanhou.
Eu nunca bati em um filho, não transferi, né? Nunca, nunca. Eu lembro de pedir a Deus quando tomava uma surra por ter feito merda, de falar assim: eu prometo que eu nunca vou transferir isso. Era uma coisa que eu tinha comigo, tipo assim: eu não vou transferir, eu vou criar técnicas, formas de resolver melhor, porque isso aqui é um absurdo, certo? Sabe, eu achava absurdo, né? Você tomou uma surra É apanhar, tomar chinelada, correada, apanhava, né?
E era uma coisa cultural, não era uma coisa por maldade, era uma coisa que educa-se dessa forma. Porém, eu acredito que essa geração que não foi educada dessa forma, mais frágil. Faz sentido?
Faz, faz sentido, porque o que tem acontecido muito, que eu tenho percebido as crianças hoje em dia, não vou generalizar, né, mas é preciso passar pelo processo de frustração. A criança, a psicanálise fala que a gente precisa, a educação vem pelo não, é falando não que educa. Só que a gente tem que agir com equilíbrio. Exatamente, é o equilíbrio, né. Então, por exemplo, eu apanhei também, enfim, muitos amigos meus Também, puta, meu pai também teve muitos nãos, tudo, né?
O que eu oriento assim hoje quando eu atendo pais e até quando eu faço conteúdo sobre isso tudo, a gente tem que ir para o equilíbrio, né? E para o— não é nem o seu comportamento super tirano. Por exemplo, vamos trazer o exemplo do Michael Jackson, né?
Super tirano, exatamente. O pai era o capeta, né?
O pai era um capeta porque Era um ex-lutador de boxe e transferiu aquele treinamento de boxe para educação dos filhos, né? Então, e aí o Michael Jackson cresceu como, coitado, né? Cresceu um cara sensível, já era um cara mais sensível, que dançava, que, né, tinha uma veia artística extremamente apurada, tudo. E aí o cara cresce achando que ele tem que ser perfeito para agradar o pai. E a mãe, no caso, para não sofrer, ou para não sofrer.
Então, que é mais para não sofrer do que para agradar o pai, ou para conquistar um amor. Ele queria não sofrer.
É um trauma ali que ele passou absurdo, né? E aí aquilo desenvolveu uma culpa e vitíligo, né? O vitíligo foi o demônio, a presença somática ali dele e tudo, né? Então precisa Como educar os filhos, né? Como que a gente tem que educar os nossos filhos? Agindo com equilíbrio. Putz, Fernando, mas 100% do tempo eu vou ser pedagogo? Não, não é isso. Mas, por exemplo, tem momentos que você, na minha opinião, você tem que, eu acho, é, tem que ser, falar não.
Por quê?
Porque eu tô mandando, porque quem manda aqui sou eu, sua mãe, acabou. Ah, mas eu quero dormir na casa de fulano. Tá, você não vai dormir, não vai. Ela tem que lidar com a frustração, ela tem que saber que aquele pai, aquela mãe, necessariamente ama ama, mas também deixa triste. Ama, mas frustra. Ama, mas eu fico puto com ele também. Ela precisa entender, porque se ela não entende aquilo, que ela não entende que a pessoa, pô, fulana me frustra, tal, não sei o quê, o que que pode acontecer, né?
Aí eu vou lá e maltrato ela, eu vou lá e aí, por exemplo, um comportamento de um feminicida é assim, é um cara que nunca ouviu não. Tudo bem, vamos pegar o traço nesse sentido, sem ser psicopatia, nada, mas É um cara que não controla, que ele ouve, primeiro não, como é que é? Você não vai fazer o que eu tô pedindo, que eu tô mandando? Ah não, não sei o quê. Aí começa, aí vai narcisismo, aí vai uma bola de neve, né? Até a hora que chega, ele vai lá, entendeu?
Então o não, ele é necessário. Se frustrar e frustrar a criança é necessário. Só que também não é sempre frustrar a criança, tem que ter um equilíbrio, entendeu?
Por exemplo, é, por exemplo, eu quero entender. Por exemplo, eu percebo, por exemplo, eu tento, eu não moro mais com meus filhos, né, mas eu tinha uma estratégia quando chegar no 16, 17, começar a tornar o ambiente um pouco inóspito para ele. Sabe qual é? O que que é, bicho? Vai procurar você, meu irmão. Por quê? Porque o cara precisa criar independência. Sim, senão o cara vai estar 40 anos morando comigo, caralho.
Você sabe como, entendeu?
Vai tornando as coisas mais difíceis. Tipo assim, ah, porra, tá, valeu, se vira, irmão. Sim, sabe qual é? Não quero você aqui dentro.
Sabe como passa?
Falta de amor, mas para ele crescer.
Sabe como o pássaro ensina o filhote de passarinho a voar? Jogando do ninho, cara. Não tem outra, joga, se vira, né?
Ele vai ficar no ninho ali, não vai aprender nunca.
Exato. Inclusive até tava nos meus pais agora no último feriado e falei essa história para eles. Eu falei, ah, por isso que um monte de passarinho pequenininho aqui, filhotinho no chão aqui. Foi por isso? Falei, é por isso, porque eles montaram um ninho num lugar não muito alto, joga e tá lá no chão tentando voar, entendeu? E provavelmente não vai conseguir voar, né? Então assim, é isso, a gente tem que educar as nossas, as nossas crianças a se frustrarem, mas também não só se frustrarem.
Tem que pôr, por exemplo, vai, minha filha tem várias vezes que eu eu dou uma bronca nela ali, sou mais, nunca bati, mas eu sou mais, ah, eu quero dormir na casa de fulano, não vai dormir, ah, você é chato. Falei, é, tô aqui para ser pai, não tô aqui para te agradar. Passa meia hora, eu vou lá no quarto dela, oi filha, tudo bem? Como é que você tá? Fiz aqui um para você, ó, te amo, viu? Aí te amo, pronto. Ela entendeu que esse cara me frustrou, mas ele também me ama, e eu lidei bem com essa frustração, né?
E aí, voltando para psicanálise, né, que ferveu inconsciente ali, emoção e tal, não sei o quê, vamos comprar tempo para o nosso consciente poder agir de uma forma mais equilibrada, né? Deixei meia hora ela quieta ali, não deixa sossegar. Filha, tudo bem, tá? Mas eu queria dormir lá e tal. Falou, filha, lembra que a gente combinou? Nosso combinado é esse: você pode dormir só na vovó, você pode dormir só nessa amiguinha aqui, nessa outra a gente não conhece os pais.
Aí tá bom, beleza. Ela entende, ela entendeu, né? Então assim, o que eu vejo hoje muito muito assim, que que acontece, né? Vamos pegar um pai, uma mãe que apanhou para caramba quando era, né, apanhou muito criança, quando a criança apanhou como forma de educar.
Vamos deixar claro, porque os pais faziam isso, gente, não por maldade, é por crença que aquilo funcionava, aquilo funcionava.
Mas vamos lá, aí cresceu, casou, teve um filho. Nossa, eu nunca vou bater! Só que aí entende o nunca vou bater com ser permissivo 100%, fazer qualquer coisa.
Aí Aí lascou.
Você pega, por exemplo, lá os cara lá de Copacabana que fez o estupro coletivo, é molecada que nunca ouviu não, é molecada que nunca ouviu um não na vida. E se ouviu, driblou pai e mãe para conquistar aquilo que queria, passar a perna, e conseguiu passar a perna, entendeu? Então tinha que ter ouvido não, entendeu?
E é um cara desse que dá trabalho, né? Às vezes dá muito trabalho.
É, dá um puta trabalho, tem uma educação forte, dá trabalho.
Mas aí, se não der trabalho, dá essas cagadas que aconteceu.
Exato, entendeu?
Que é isso então, a falta de— porque assim, cara, eu tenho algumas dúvidas, eu tenho muitas dúvidas em relação à preocupação que as pessoas têm. Porque, por exemplo, essa coisa da mulher ir ao trabalho, isso prejudicou. Pode, gente, não é machismo, tá?
É uma questão de que sentido.
Porque antigamente, por exemplo, a minha geração, a sua Eu não sei você, mas a minha mãe era do lar, é, tinha cuidado dos filhos. Então a atenção maternal, ela era direta, tipo o tempo todo sendo olhado, sendo cuidado. Não pode isso, as coisas, a comida tá aqui. Hoje a mulher trabalha e o filho terceirizou, então celular, não, não, terceirizou para Babá, colégio longo, babá ou alguém que voque, cuida.
Mas os dias de hoje não pedem isso.
Sim, mas é uma equalização. A gente tem que entender o porquê. Porque assim, realmente há uma cagada que precisa ser consertada. Isso é uma constatação, acho que meio uníssona assim. Todo mundo percebe que que essas gerações são mais frágeis, são mais preguiçosas, são difíceis de trabalhar. Obviamente elas são muito mais informadas porque a internet, a tecnologia comunicativa e tal, sabem muito mais. Mas tem alguma coisa aí que tem alguma coisa certa que tá errada, sabe?
Tem alguma, sabe, tem um incômodo na sociedade hoje de filhos saírem bem mais tarde de casa. Não sei, eu tô falando merda, não sei.
Não, assim, tem uma questão, vamos, tem uma questão interessante assim que é o caráter, né, a alma de caráter masculino e feminino. Na minha visão ali, trazendo Jung também, trazendo, a criança ela precisa ter a visão do ânimos e do ânima, que é a alma de caráter mais feminino e mais masculino. Então mesmo em casais homoafetivos é importante a criança enxergar essas duas coisas, né. Então o que que é isso, né? Caráter mais de alma mais feminina é o cuidado, o amor, o afeto, o carinho, o ânimos ali, fé, força, determinação.
A criança precisa ter isso assim, né, do ponto de vista psicanálise. Por exemplo, tem uma série que eu acho sensacional, Modern Family. Essa série é fantástica, fantástica, porque conta a história de uma família, né, são 3 famílias e uma família é a família grande, né. E uma das 3 famílias é um casal homoafetivo. Que é o Mitchell e o Cameron, né? E eles adotam uma menina no Vietnã e tal, tudo, adotaram a menina. Primeiro episódio conta essa história deles adotando e tal.
E ao longo da série fica muito claro, o Mitchell é o advogado, é o cara que sai com a pasta, com terno, tal, tudo, que é o Animus, né? E o Cameron é o que fica em casa, que que cuida, que faz a comida, tal, não sei o quê. É o Animas. Só que o Cameron, ele, ele é do Missouri. E quando ele— eles teve uma temporada que eles— a temporada começa eles viajando para lá, redneck e tal, tudo. Esse papel se inverte, o Cameron vira o cara de chapéu, fivelona, tal, tudo, bota, é o cara que vai lá no gado e não sei o quê.
E o outro mais delicado, mais ali né, do caráter de ânimas ali, tudo na cabeça da criança. Não, então, mas ela entende isso daí, e a série mostra que ela não fica confusa com isso, entendi, ela entende isso daí, né. Então quando assim, a mulher no mercado de trabalho, tudo, e eu acho que tem que estar, e tá tudo certo, é uma coisa que a própria mulher tem uma culpa, né.
Eu percebo que as mulheres falam, cara, eu quero, por isso que elas Por que que eu tô engravidando tão tardiamente, né?
Deixar a vida pronta, tal, tudo. Eu acho que assim, vamos tirar esse peso, gente. Tenha tempo de qualidade com seus familiares, seus filhos. Não é quantidade de tempo, é tempo de qualidade, né? É você, puta, eu tenho uma hora só com meu filho, então eu vou fazer essa hora, vai ser uma puta de uma hora. Então assim, né? E se você quiser ter mais tempo de qualidade, então tá Ah, tá bom, hoje eu tenho, eu trabalho das 9 às 18, eu tenho que sair de casa às 8, chego em casa às 19, eu tenho só 2 horas com meu filho.
Beleza, vamos aproveitar esse jantar ali e tal, tudo, e começa a se preparar para poder sair desse ambiente de trabalho, para empreender, para poder fazer uma outra coisa, para ir para o digital, para não sei o quê, para você poder ter o seu tempo que você quer. Quero ter 2 horas, é pouco para mim, eu quero ter 4 com ele.
Vou tentar fazer menos isso, menos aquilo, tentar equalizar as coisas, tentar equalizar.
Mas assim, é uma questão muito ali de fato, ali de viver aquele tempo de qualidade. Porque hoje o que eu vejo são os pais ali, tá bom, vai lá, toma o teu celular, vai lá, que não sei o quê, tudo não tá nem aí. Eu sei que é o dia a dia, é uma, nossa, gente, é um inferno da gente mandando tal, não sei o quê, mensagem, tudo. Às vezes tem que dar o celular e tem que deixar a criança vendo televisão lá, e tudo bem. Mas será que todo dia assim?
Será que não pode tipo duas vezes na semana, meia hora? É, entendeu? Então teve uma vez que eu fiz, eu fiz, eu faço uma conta que é sensacional. Inclusive acho que o Maurício Meirelles ele fez isso e falou, fez essa conta num podcast, não sei se foi aqui, mas enfim, que uma pessoa que eu atendia reclamando muito do pai e tal, não sei o quê. Aí eu perguntei, né, quantos anos tem teu pai? Ah, meu pai tem 75, 73. Expectativa de vida do brasileiro hoje, homem, 76 anos.
Aí na hora já fui fazendo a conta e tal. Quanto tempo de qualidade você passa com seu pai por semana? Ah, passo no máximo 1 hora por semana. Aí eu fiz a conta, falei: tá bom, você tem mais 7 dias com teu pai. É como assim?
Caraca, é verdade!
É como assim? Fiz a conta, mostrei para ele. Puta, mas falei: ó, agora você tem uma escolha. E aí é o que eu falo, né? Pessoas conscientes têm um grande poder nas mãos, que é o poder de escolher as coisas, poder escolher como é que ela vai. E a psicanálise traz isso. Você tem uma escolha agora. Que que você vai fazer? Você vai continuar, né, com essa uma semana com uma hora ruim? Você vai aumentar essa hora? Ou você vai fazer essa uma hora que você tem, que é o que você tem mesmo, ser do caramba? Aí a pessoa: opa, perfeito, entendi.
Agora eu consigo escolher, fazer uma hora legal para cacete.
Vamos fazer uma hora legal para caramba. Então eu vejo muito assim, Carioca sabe, tipo, ai, se eu não tenho o que eu desejo, então que se lasque, entendeu? Então eu tenho uma hora por dia com meu filho, faz essa uma hora ser do caramba, sabe?
E assim, por exemplo, eu acho que tudo voltando, né, o Marcelo Rezende, saudoso Marcelo Rezende, falava uma coisa que ficou guardada, entendeu? Ele fala, ele falava assim, todo crime É fácil de resolver, é só voltar. É do corpo para trás, tudo vai, o corpo fala. Então a vida é assim, a consequência. Por exemplo, hoje percebe-se uma sociedade em que o divórcio vira uma coisa natural, e isso virou costume. Sim, que era uma coisa antigamente, né?
Era duro, né? A pessoa, imagina. E pior ainda para mulher, né? Nossa, só divorciada ali.
E para os filhos, enfim, era uma coisa traumática. A criança chegava na escola, isso aí, o pai separado, meio que isolava. Era uma coisa muito assim. Hoje o isolado é quem tem pai que tá casado, né? É impressionante, é impressionante. Então assim, mas isso gera consequências, né? Sugera consequências essa o seio familiar, ele, ele, ele, ele, há uma nova sociedade.
Então é uma nova sociedade. Tem até um livro que fala, né, que ainda somos uma família, né, que conta, né, que mesmo separados, né, continua sendo uma família. Pai, mãe, filho continua sendo uma família, né. E aí é preciso o quê? Respeitar essa dinâmica, né. Então, por exemplo, tem casal que eu conheço que a mulher vai pegar os filhos na casa dele e ele fica de costas para mãe, olha na cara. Aí Aí, nossa, numa sessão eu quebrei a pessoa, tá?
Que exemplo você tá dando para os seus filhos tratando uma mulher desse jeito? Nossa, aí vem uma ficha caindo, né? Bem uma bomba, né? Uma ficha, uma bomba caindo, né? Fala, puta, mas eu vou ter que engolir tudo? Não, não é engolir, é aceitar, é trabalhar, é o processo de elaboração, é uma sublimação.
Puta, você fica com raiva, o maior carinho do mundo, não respeita, não é estender a mão, vem cá, vou tomar um café.
Não, Não, se fez mal, civilidade, mínimo de civilidade, entendeu? Pelo menos para quem é, para quem, para os seus filhos, para quem você mais ama no mundo, né?
Para não dar um exemplo ruim, né?
Para não dar exemplo ruim.
Não precisa ser o melhor amigo, mas também não pode ser o maior inimigo, né?
Exatamente.
Mínimo de civilidade, ter, tratar com normalidade, tratar com normalidade, como se nada tivesse acontecendo.
Exato.
Não deixar transparecer, né?
É. E assim, eu até falando, né, será que também não é processo do divórcio também não é uma falta de aceitar processo de frustração. Por exemplo, vai, a pessoa tá casada ali 2, 3 anos, se frustrou com o marido ou com a esposa, tal, tudo, não sei o quê, tá, não quero mais, divorciou, não quero mais, não quero mais, acabou. Não consegue, não sabe se frustrar, não sabe aceitar que o outro não sei o quê. Nossa, gente, o que eu vejo de casal que separou por Ah, porque separou? Ah, porque ele é por bobagem, não foi nem por traição, por não sei o quê, nada.
Faltou a surra lá do pai, aí, ó, tomando uma cintada lá. Começando a concordar com a cultura.
Faltou a cinta lá.
Não, mas é um dilema, é um dilema, é um dilema.
A primeira coisa ruim, já quer separar, já quer, já quer separar, já quer aquilo, né?
Não tem resistência, né?
Porque não tem tem resistência, porque aí você fala, é problema do chinelo, é saudade do chinelo, é problema da geração, problema dos pais, é problema dos pais. Isso aí foi o pai que causou. Porque voltando, né, o nosso superego, que é o nosso juiz interno, a criança ela desenvolve o superego sendo espelho pelo superego dos pais. Então pais que foram muito permissivos vai criar crianças que são permissivas, ponto. E pais que foram muito tiranos vai criar crianças muito É isso, é esse, é o espelhinho mesmo, é a esponja.
Não tem jeito, é o espelho.
Principalmente até os 7 anos, né? Até os 7 anos é nossa.
Ô Fernando, como é que condiciona o cérebro com a verdade? Porque as pessoas, eu percebo assim conversando até comigo mesmo, acho que com bola, com todos, todos nós, nós temos uma dificuldade em aceitar a dor, o medo, a verdade, enfrentar. E a gente vai colocando para debaixo do tapete, vai dando um jeitinho aqui, vai aconchambrando aqui, colar.
Às vezes tem coisa que a gente não quer enfrentar, resolve uma coisinha, mas não resolve duas.
Em relacionamento, até com filho ou com amigo, tem coisa que às vezes o bola fez e eu falo, porra, caralho, como é que eu vou contar isso para o amigo? Como a gente consegue ou com a gente mesmo, né? A gente tem os nossos defeitos e foge deles e não quer enfrentar aquilo. Como vencer esse obstáculo?
Excelente pergunta, e a resposta é simples e desafiadora: tem que falar, tem que enfrentar. Não tem outro, não tem outro método, não tem outro caminho. Por exemplo, se você tá com uma coisa dentro de você que tá te incomodando, trazendo a Programação Neurolinguística de novo para cá, a PNL tem vários pressupostos, né? Então, por exemplo, o primeiro pressuposto é que o mapa não é território. Aquilo que eu vivi não é território 100%.
Então, por exemplo, você gosta de campo e viajar para campo, carioca, praia. E quem tá certo, quem tá errado? Ninguém, ninguém, né?
Entendi.
Um outro pressuposto muito forte da Um outro pressuposto muito, muito forte da programação neurolinguística é: a gente tem dentro da gente tudo para resolver os nossos conflitos, basta a gente acessar, né, saber acessar. Então a gente precisa de fato ali querer, né. Eu falo muito de disposição, né, de estar disposto a querer resolver. Putz, Fernando, eu quero melhorar e tal, tudo. Tá bom, eu vou medindo se a pessoa tem um grau de chegar na conversa ali de fato para chegar no ponto principal, no crucial, tá disposta, ou ou não.
Se ela não, eu vou para técnica, sabe, que é coisa ali tudo, até que chega uma hora que ela consegue falar, ela consegue lidar. Vou com conhecimento, com teoria, tudo. Agora, as pessoas que de fato, Fernando, eu quero entender o porquê que eu sou tão explosivo com a minha esposa, com a minha filha, com meu marido, eu quero entender de onde que vem isso, eu tô muito nervoso no trabalho, eu quero entender por que que eu tô tão triste.
Quando a pessoa chega com o porquê Aí é a psicanálise bruta, porque a psicanálise vai te mostrar onde que é o porquê daquilo lá.
Entendi.
E aí vai, e a pessoa tem que estar disposta a tirar todas as defesas, né? Então negação, racionalização, intelectualização, né? Ela tem que tirar todas as defesas, né? Por exemplo, teve um caso que eu atendi uma vez que acho que foi umas 10 sessões e a pessoa estourava o tempo toda hora. São 50 minutos de sessão, ficava 1 hora e 20, 1 hora e Ela não parava de falar, não parava de falar. Isso é um comportamento oralizado, tá fixada na fase oral, né, que é onde a gente recebe a amamentação, tudo.
E eu até falo que o leite, né, a comida ali é quase que um secundário, porque o que a criança precisa ter ali é afeto, carinho, reconhecimento da mãe, de quem tá amamentando ali e tal, né. E abraço, enfim. A pessoa que é muito oralizada chega no ambiente, só ela fala, só ela não sei o quê. Teve alguma questão ali na fase oral que a gente precisa investigar.
Eu sou essa pessoa.
Aí ele fala mais que eu bato, meu velho.
Mas estou trabalhando, trabalhando.
É um trabalho, é um processo.
Exato. O maior problema é a percepção, né?
É saber o freio. E aí chegou na hora.
Mas eu tenho amigos que me controlam, meu chat querido.
A gente vai trabalhando, a gente tenta melhorar, né? Vai aos poucos, vai devagarzinho, vai devagarzinho, vai resolver.
Mas eu tô na eterna busca.
A gente vive na paz, velho. Mas por exemplo, a hora que você percebe que você tá—
a gente não é brigão, mas eu tenho esse defeito absurdo.
O bolo tem um elástico, né? Você puxa, power! Você pode fazer, deixa o elástico no braço, no carioca. Puxa, né? E vai puxando, de verdade, e vai puxando. Mas eu lembro que lá pela, sei lá, 12ª, 11ª sessão, chegou no final ali, já tinha estourado o tempo de novo. Viu? Você pode puxar, viu? Você pode, né? Não sei o quê, você tá muito quieto, você não tá falando nada, tal, tudo. Aí eu falei, agora ele deu abertura, meu irmão!
Mas agora vai.
Mas eu falei, eu deixei você falar mesmo porque você tá oralizado, você precisa falar, e agora que tua análise vai começar. Aí ele ficou assim, né? Aí eu apresentei esse conceito da fase oral ali para ele, tudo, né? Do amamentar, que a criança precisa receber carinho, atenção, afeto, reconhecimento, segurança nesse momento. A hora que eu falei esse conceito, na próxima sessão ele falou, cara, quando tava no final da minha amamentação ali, de um ano, ano e pouco, nasceu outro irmão. Então a mãe meio natural, a mãe vai dar atenção para o outro e o outro tá aqui.
É a minha minha mãe, a mesma coisa da minha mãe. Quando eu quis ter o segundo filho, aí eu queria assim, tive o primeiro, tava gostando, tava um ano ali e tal. Minha mãe falou assim: não deixa o outro roubar o colo do outro, espera ele sair do colo.
Sensacional.
A hora que sai do colo, venha outro, porque treta de irmão próximo é porque roubou o colo.
É aí, nossa, gente, não tem assim, não tem comprovação científica, não tem pesquisa e tal, mas no consultório isso aí sai direto assim, tipo, principalmente quando é em 3, né, 3 irmãos, né. Isso, o mais velho compete com o do meio e o mais novo é juntado com o mais velho, sabe.
É exatamente isso.
O do meio é o largado, é o não sei o quê e tal.
E ele é mesmo.
E é porque, porque roubou o trono do mais— agora imagina, vamos, você é o mais velho, do meio, mais novo. Eu sou Você é o mais novo, mas vamos pegar, por exemplo, tem um título que só o filho mais velho tem. O filho mais velho, ele carrega uma grande responsabilidade, que foi transformar uma mulher em mãe. Então essa mulher, que quando ela virou mãe, imagina, tudo era novo para ela, por mais que ela quisesse ter filho, mas tudo era novo.
Então a atenção muito provavelmente foi mais redobrada, mais cuidado, mais não sei o quê. Naquele filho. Só que ela percebe, porra, não precisava de tudo isso. Até uma campanha publicitária de fralda que fala sobre isso, né? Primeiros filhos e segundos filhos, né? Então tem lá a mãe lá no comercial maravilhoso, a mãe lá com a filha no colo, recém-nascido lá de uns 4, 5 meses e tal, tudo numa festa infantil. Aparece uma prima distante e tal.
Meu, a menina tava branca assim, asséptica, sabe? Parecia que passou Mercholat nela inteira, assim, álcool em gel inteira nela. Ai, que lindo! Posso pegar no colo?
Você lavou a mão? Você fez não sei o quê?
Não, não me cobre. E a menina fica assim, tipo, puta, né? Não vou nem relar na criança, né? Corta, tá a mesma mãe com outro filho no colo, o moleque já com uns 2, 3 anos, maiorzinho, no chão ali do lado ali brincando. No mecânico, o carro suspenso. Aí o mecânico assim já enxugando a mão preta de graxa, colocando a toalha em cima assim. Ah, deu tanto, não sei o quê. Ah, deixa eu pagar aqui, deixa eu pegar minha bolsa. Segura ele no colo, por favor.
Aí o cara pega a criança com a com a mão preta assim. Então assim, que que isso mostra, né? Que teve um cuidado exagerado no começo, que ela percebeu que não precisava.
Mas é o primeiro, né?
É o primeiro, tudo, né? E aí o mais novo ali, no caso do meio, numa família com 3, né, se ele nasce muito próximo, a mãe já sabe disso, tipo, ah, vou deixar ali mais de boa, não preciso tanto isso, não preciso tanto aquilo, tal. E quando ele vê esse serzinho, né, o irmão mais novo, o mais velho, ele, puta, quem que esse cara tá roubando aqui, que esse tá roubando minha atenção, né? O Freud tem uma frase que é assim: senhoras e senhores, com vocês a Vossa Majestade, o bebê. Porque é isso, né? Imagina, você tem, tem filho também?
Não tem.
Eu tenho uma filha. Quando eles eram moleque ali, 2 meses, 1 mês de idade, chorava, o que que acontecia?
Todo mundo corre.
É isso, multidão, multidão. Por isso que é quando socorro imediato, socorro imediato. Pode, vamos atender, o que esse, o que o rei tá, a rainha tá pedindo aqui, né? Aí vai lá, pega, vê se tá não sei o quê, se precisa de limpeza, se precisa tá com fome, se não tá, enfim. Aí vem aquela coisa de reconhecimento, carinho e tal. E aí me lembrou de um caso aqui também que eu, isso aí eu vi do meu professor, né, na pós na psicanálise, né?
Ele contou uma história bárbara assim que fala sobre o reflexo né, do, das coisas que a gente viveu no passado, como isso fica, né, dentro da gente mesmo, fica ali, né. Ele atendeu um caso de um cara que tinha medo de borboleta. Vamos, vamos, né, borboleta não faz mal para ninguém, né, mas eu sou um caso muito clássico para ter medo de borboleta.
Mas vai lá, vamos ver se vai bater.
Um puta medo de borboleta, não conseguia ver borboleta. Enfim, vamos, para banalizar, borboleta O cara tinha pavor, né? Foi numa sessão de hipnose, botou lá, né, no transe e tal, tudo, começou a falar, começou a falar, começou a vir: tô no berço, tô chorando para caramba, tal, não sei o quê. Aí na técnica, coloca na técnica que eu uso, coloca o adulto na cena, né? Então eu faço a pessoa sentir aquilo lá e vai para o primeiro momento onde ela sentiu aquilo.
Então ela, pô, tô no berço, tô chorando muito, tá, não sei o quê. Beleza, quando eu chegar no 1, você hoje adulto, consciente, vai entrar na cena e vai olhar essa cena e vai me descrever essa cena. O Wilson contando foi genial assim. A hora que foi no 1, cara, eu tô vendo aqui o bebê chorando, ele tá roxo já, e aí já tá no pânico, né, já tá no desespero ali, roxo, e em cima tem um Olha ele, puta, com borboleta. Puta merda, aí veio a associação, ele tá olhando direto para aqui.
Exatamente. Aí na técnica, que que a gente faz? Que que ele fez, tá? O que que esse bebê tá precisando agora que só você pode dar para ele melhor do que qualquer terapeuta do mundo? Puta, esse bebê precisa receber um abraço agora, meu. Vai lá e abraça, conversa com ele, tá? Como é que tá o bebê? Puta, o bebê agora tá tranquilo. Tranquilo, tá tranquilo, tá de boa, tá suave, tá não sei o quê e tal. Colocou o bebê no berço de novo, ressignificou.
Porque para o cérebro não importa se você tá vivendo ou se você tá imaginando, ele ativa as mesmas áreas, né? A neurociência comprovou isso aí já. Ressignificou.
Meu pai, meu pai e minha avó diziam que borboleta, se encostasse a mão, cegava.
Eu também, eu vi isso aí também.
Mariposa, não borboleta.
Pode ir na mão assim, borboleta e mariposa. Aí pronto, é igual sapo, a merda feita.
Merda pegasse, colete do sapo era veneno, cara.
Eu não pego sapo na mão, também que tem outro, né, meio esquisito o sapo, mas não pego até hoje porque eu tenho medo de ser um veneno. É, eu pego, mas eu vi borboleta, falava isso, a borboleta falava isso, pó da asa.
É, o pó da asa serve, cara. Aí eu ficava, eu via borboleta, não que eu tenho medo Adoro borboleta.
É igual comer formiga, faz bem para os olhos.
Sinto até falta.
Se você está tomando ar, aí chegava igual na minha infância.
Eu lembro de ver muita borboleta e vagalume. Eu não vejo nem borboleta nem vagalume hoje em dia. É muito raro ver uma borboleta.
Antigamente tinha um monte, antigamente um monte. Hoje eu não vejo vagalume. Eu vi, nossa, mas muito. Eu vi uma vez quando era moleque. Olha lá, né?
Muita gente no interior via para caralho.
Eu via muito hoje. Hoje não vejo mais vagalume. Eu via muito vagalume e borboleta, muito. Não vejo mais.
Uma coisa que eu tinha no jardim de casa, que você não tinha no jardim de casa: tatu-bola.
Tatu-bola, nossa! Brincava com vários na escola, puta.
Fazia, pegava os tatuzinhos, não vê mais.
Tatu-bola, fazia jardim de casa, tinha para caralho de coisa.
Pegava os meus lá, caralho, em casa não se vê mais.
Que mais? Quando fica vesgo e bateu um vento, bateu um vento e ficar, vai ficar todo entortado. Tava, vai entortar a boca.
É friagem, entorta a boca.
Vai entortar a boca.
É andar descalço, frio gripado, leite com manga, leite com manga, você vai morrer.
Chinelo virado, aí vai morrer.
É chinelo virado, vai morrer. Aí você fala para uma criança, aí você fica borbulhando, chinelo virado, mas a pessoa não vive, né? Colapso. A pessoa não vive, né? Ela vai andar Uma bolinha, puta, vou morrer, né?
Vira um neurótico, né?
Vira um neurótico, né? E aí, por exemplo, por que que uma criança acredita, né? Porque até os 7, falou dos 7 anos, né? Até os 7 anos a parte do lóbulo pré-frontal não começou a formar, começa a formar a partir dos 7, né? Então a criança não tem um pensamento analítico, ela não. Então se você falar, mas tomar leite com manga você vai morrer, vai crer, a chance dela acreditar, porque ela tá na onda alfa, onda teta, ela tá na maioria da vida dela ali, do tempo dela, tá nessa onda que é a onda do inconsciente, que é quando você sugere alguma coisa.
Entendi.
Por isso que hipnose de palco funciona. Eu fazia de vez em quando, eu fazia sugestão, autossugestão, tudo funciona porque você tá com o teu inconsciente ali borbulhando nessa onda, e aí a coisa funciona, né? Por isso que a acaba acreditando, né? A gente acabou acreditando que, puta, se eu ficar vesgo, bater um vento, vou ficar vesgo, a boca vai entortar.
Fecha a janela que se bater o ventão, se bater o ventão, já era.
Se pegar uma borboleta na mão aqui, tudo. Quando você ouviu isso? Ah, tinha 5 anos.
É verdade.
Apontar para fruta estraga.
Apontar para fruta estraga.
E não podia apontar para estrela que nascia uma birruga também no dedo.
Isso aí eu não vi.
Nunca aponte para uma estrela.
Essa Nasce verruga também.
Olha só, vamos testar hoje para ver se não tem como pensar.
Ele falou que se assobia à noite chama cobra.
É cachorro ruivano, vai ter desgraça.
Ah, não sabia dessa também não.
Cachorro ruivano à noite vai ter desgraça. Se o cachorro do Nara— fodeu! Agosto então, puta que pariu!
Lobisomem, lobisomem, lobisomem, apocalipse!
Lobisomem, cachorro Rui Vô e apareceu Borboleta, Mariposa, acabou.
Ó, vamos pôr, eu tô mudando de assunto aqui, vamos aleatório, né? Não, é lógico, lógico. Até para tentar espremer o máximo do seu trabalho de psicoterapeuta, tem um papo rolando na internet e eu acho muito esclarecedor isso, né, sobre homem no polo feminino, os red pill, tá? Tá, né? O homem tem que ser assim, a mulher tem que ser assado, a mulher não gosta de homem sensível demais. Ai, você foi muito no polo feminino, você está romântico.
Vamos esclarecer essa babaquice, que na minha opinião é uma babaquice, ou não, posso estar sendo babaca de não reconhecer. Essa coisa do homem mais durão, do homem mais sensível, o que funciona, o que não funciona na psicanálise, meu querido Fernando. Vamos lá, vamos para esse tema.
É um tema, é um tema brabo, espinhoso, espinhoso para caramba assim, porque tudo aquilo que a gente— a psicanálise ela é muito, né, clara ali, né? Tudo aquilo, por exemplo, que a gente nega com veemência É um desejo nosso, né? Então nega tudo aquilo que a gente, né, tem asco, tal, enfim. E quando a gente fala também com uma certa veemência, com uma certa autoridade ali, tal, é porque a gente tá escondendo algo, né? Então, pô, a mulher tem que ser assada, o homem tem que não sei o quê, tal, tudo.
Então pera aí, vamos lá. A gente vive numa dualidade interna, né? Então a gente tem de um lado o nosso, o nosso egocentrismo, e do outro lado nossa empatia, que vive ali numa base complementar, né? Então, se ora tô 90% empático e 10% egocêntrico, e vice-versa. Isso eu expando também, vamos expandir isso também para outras, para outras áreas. Então a gente tem uma dualidade de lado homo e lado hétero, né? Pois bem, esse é um assunto delicado, tá, gente?
Eu acho ótimo. Aqui é, tem que entender.
Vamos embora. Quando a gente pega, por exemplo, um comentário desse, pô, o homem tem que não sei o quê lá, até que papapá, papapá, que que acontece, né? A gente tem o nosso lado hétero, nosso lado homo. Algumas pessoas, vamos pegar um homem, algumas, alguns homens são 90% hétero e 10% muito homo. O que que isso quer dizer? Quer dizer que ele é um cara mais, né, mais masculinizado, mais ânimos e tudo mais. Ele não teme o lado homo dele porque é um lado pequeno.
Não é que ele é machista, ele não teme o lado homo dele porque é um lado 10%, que não vai atrapalhar em nada. Agora você pega uma figura que começa discursos assim, tacidos, tal, tudo, pode ser gritando, pode ser que o lado homo dele seja ali 40%, até maior. Só que às vezes ele vive numa sociedade ou num ambiente familiar, ou onde ele tá, ele não pode mostrar, que ele não pode mostrar no polo feminino.
Ai, preguiça!
Aí ele não sei o quê, tem que ser assim, tem que ser, é porque ele tá, pode estar temendo aquilo, tá tentando esconder, ele tá tentando esconder aquilo, entendeu? Então assim, aí vira esses discursos tal. O que, qual que é o grande problema, né, num discurso desse, né? Eu até fiz uma palestra num congresso em abril, né, na Bahia, falando do comportamento do feminicida, né, que o feminicida ele começa com esse discurso, né, ele tem que ser assim e tal tudo, e ele esbarra no que a gente tava falando de não aceitar frustração, que aí a gente traz o conceito de clivagem de objeto da Melanie Klein, que é aquilo, é o cara ele não sabe, ele não consegue entender que aquela mulher frustra.
E não é a mesma opção, objetos diferentes. E aí aquilo que eu desejo, eu não consigo realizar, não é de ninguém mais. E aí ele vai lá e destrói. Então hoje, por exemplo, é a posse, é o possessivo, enfim. Então é um assim, o que eu fico preocupado, né, que são perfis grandes, a galera grande assim tal. E eu vejo pelo meu próprio perfil, né, Puts, é uma baita de uma responsabilidade. Eu, se eu falar qualquer coisa lá, é muita mensagem que chega, que infelizmente eu não consigo responder todo mundo.
Fernando, e gente mandando textão, história da vida. Aí eu falo, gente, eu preciso fazer alguma coisa para ajudar essa galera, porque sozinho eu não consigo. Tenho horas no meu dia atendendo lá que eu não consigo atender todo mundo, né? E aí eu percebo a responsabilidade que é de um perfil grande, de um perfil público, né, que a gente fala aqui, pode ser que 20% não vai aceitar e não vai, ah, beleza, mas os outros 80 ou 50, ou que seja 10%, se pegar aquilo lá, você pode transformar a vida para o bem ou para o mal.
Não tenho dúvida.
Então você pega um discurso desse de um cara, de um, você pega um cara que tá ouvindo um discurso desse, que tá com autoestima baixa, que não sei o quê, que teve uma mãe ausente e tal, ele vai entender que, porra, a mulher tem que ser o que ele tá mandando, tem que ser o que ele tem. Ele se encoraja disso, dessa forma, sendo que o trabalho deveria ser outro. Deveria ser, pô, você teve tua mãe ausente e tal, cara, puta, sinto muito.
Vamos melhorar isso, vamos reconhecer isso, sabe? A tua mãe teve você, teu pai, né, tava trabalhando, tua mãe teve você nova. Enfim, vamos trazer o contexto que você viveu ali para poder entender, para poder trazer o teu olhar hoje, teu olhar consciente, teu olhar empático, né? Eu falo muito sobre os 3, meus 3 pilares de atendimento e tudo que eu faço é empatia, consciência e amor. Vamos olhar com amor, vamos olhar com empatia sobre essa situação, né?
Então, a minha mãe foi ausente, não sei o quê. Tem um vídeo meu até que estourou bem assim tudo, que eu falo sobre isso. Um cara que eu atendia que reclamava que a mãe não falava, falava que amava ele, não falava de jeito nenhum, né? E ele tinha contado sessões anteriores que o prato favorito dele era um escondidinho, que a mãe fazia. E aí teve um dia que ele chegou em casa super tarde, depois de faculdade, trabalho, caramba, tudo cansado, né, não sei o quê, tudo.
Chegou lá, tava lá na mesa, ó, fiz para vocês, quente no micro-ondas, ponto, acabou. Aí ele falou aquilo, contei, aí eu guardei, né, falei, ah, agora eu vou pegar na curva. A hora que ele terminou de falar, eu falei, bom, você falou que sua mãe não te amava, né, e esse escondidinho que ela deixou na mesa? Puta, ele começou a chorar. Aí você entende que é o olhar empático, né? Porra, tua mãe, sabe, ela fala que não consegue, mas é a linguagem do amor dela, né?
Então vamos traduzir isso para outras formas. Isso é o que eu acredito. Agora você vem com um discurso desse super duro, rígido, que o homem tem que ser, que a mulher que não sei o que lá e tudo, esconde um grande temor aí, alguma coisa que tá, que na minha opinião é um homem recalcado aí, um lado, ele teme o lado homo. Então tem que ser um machão mesmo ali, durão, pá, não sei o quê.
É porque ele teme o lado, porque não, mas eles dão como técnica: a mulher não gosta do homem que está no polo feminino, você não pode demonstrar.
Pode revelar que se ele for para o polo feminino ele pode gostar, e aí se ele gostar daquilo, como é que ele vai falar para um pai que é militar, por exemplo? Por exemplo, ou para um grupo de amigos que é tudo meio machão ali e tal, entende? Ele teme o lado homo, ela temor do lado homo, é o temor do mal.
Aí ele tem que se expressar de alguma forma para não—
eu sou machão, eu sou machão durão aqui, e aí ele quer ensinar outros ali, entendeu?
Entendi. Bom, é, a gente agradece muito aqui essa conversa maravilhosa.
Muito legal, Fernando. Inscreva-se no nosso canal, então contato com você?
Instagram?
Perdão, tá, isso não, pode falar. Meu Instagram, @psiferndosegredo. Me sigam aí nas redes sociais, manda mensagem, tudo. Pô, foi um, nossa, fiquei muito feliz com o convite.
Adoramos o papo. É, inclusive, pera aí, o presente, o presente, já temos presente. Você já ia esquecer, né, cara? Você já ia esquecer. Né? Deixa eu ver.
Muito obrigado, irmão.
Olha aqui, álbum de figurinha. Olha aí, deixa eu ver o que que é isso aqui. É Freud.
Eu sou Jung, é isso?
Jung.
Jung. Jung.
Jung. Jung.
Jung. Jung.
Jung.
Jung.
Jung.
Jung. Jung.
Jung.
Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung.
Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung.
Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung. Jung.
Jung.
Jung.
Ah, que legal! Copinho de boteco, Copa-Americana, né?
Raiz, né? Raiz.
Isso aqui para tomar um cafezinho. Imagem Arte, é isso?
Imagem Arte, isso aí.
Obrigado pelo presente, Brasil, para Copa do Mundo. Aquela cervejinha no Copa-Americana não tem nada igual, né?
Legal.
Muito obrigado pelo presente. A gente pede para que você inscreva-se no nosso canal aí, Ticaracatica. Vamos chegar a 2 milhões.
Vamos embora! Curta e compartilhe. Botando pilha, o show do Carica.
Exatamente, fique esperto. Isso, estaremos no Rio Grande do Sul aí julho, hein? Agora em julho estaremos juntos. Então pode botar a data aí, Isaac, para nós. Já chegou a arte? Não tem problema, chegou, bota aí para nós aí. Então estaremos aí em Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Porto Alegre, agora no final de julho. Tá aí, ó, Porto Alegre dia 31 de julho, 1º de agosto Bento Gonçalves, dia 2 de agosto Caxias do Sul.
Compre logo seu ingresso que esgota, tá?
Beleza, então corre aí. Aqui. Muito obrigado, valeu, Boleta! Vamos nessa, até mais! Então amanhã tem mais. Valeu, Fernandão! Obrigado, querido!
Obrigado, irmão!
Obrigado!
Procura o Fernando aí ajudar você se tá embaralhado da cabeça. Todos nós temos, né, embaralho desembaralhado.
Então vamos embaralhar o baralho, várias cartas, vamos organizar o baralho.
Boa, né? Com esse trabalho tão importante que é a psicanálise. Também tem a psicologia, tem na psiquiatria, quando tanto o profissional da psicanálise e do psicólogo percebe que não tem mais sentido na conversa, vamos para os psicotrópicos.
Posso só falar um negócio? Lógico, de verdade, assim, acho que o que vocês fazem assim é um trabalho que eu acho que ajuda muito as pessoas, né? Eu falo, a risada, dar risada, tudo é um trabalho lindo, é um trabalho que ajuda muito. Eu tenho certeza disso, que no perfil de vocês, no Muito, graças a Deus.
Então continuem, porque assim, o bálsamo, o humor é o bálsamo da alma, né, velho?
Aguentar, mas vamos fazer.
Exato, continua. Então eu quero agradecer de verdade, tá aqui, tô muito feliz por vocês.
Que isso, cara! E parabéns pelo seu trabalho. Obrigado, porque eu tava vendo no Instagram, tem mensagens ali muito importantes, que como se fosse um manual que às vezes a gente precisa dar uma voltada assim, sabe? Você tá usando aparelho assim, cara, você tá com aparelho tão bom na sua mão Por que que você não dá uma lida no manual? Vamos fazer direito, dá uma estudadinha, porque tem coisa, você dá para melhorar essa máquina tão boa que você tem.
Quando eu comecei a fazer conteúdo foi isso, falei, puta, os psicanalistas são muito, né, com todo respeito, mas deixa eu traduzir um pouco mais, né?
Muito legal a gente poder olhar para gente como se fosse um manual e falar assim, poxa, mas tem isso, esse recurso eu não sei usar. Eu acho que é meio nesse sentido. Então Então aproveitem e um abraço e até a próxima.
Valeu, galera!
Beijo, beijo!