EP 771 - CARMELO MAIA
Ator, produtor, advogado e empresário, Carmelo Maia dedica há mais de 30 anos sua trajetória à preservação e expansão do legado de Tim Maia. Com visão estratégica e profundo respeito pela obra do pai, mantém viva uma das maiores referências da música brasileira.
- Obras de Ana Paula MaiaCarmelo Maia · Tim Maia · Legado musical · Musical "Tim Maia Vale Tudo"
- A Vida Pessoal e Familiar de Alex AtalaCarmelo Maia · Léo Maia · Tim Maia · Direito socioafetivo · Márcio Leonardo Gomes da Silva
- Comparações com outros artistasTim Maia · Roberto Carlos · Ed Motta · Cassiano · Gal Costa · Jota Quest · Rildo
- A História do Nome Carmelo/TelmoCarmelo Maia · Tim Maia · Nome de registro vs. apelido · Racional Superior
- Versões originais de músicasGostava Tanto de Você · Tim Maia · Edson Trindade
- Especial Sinfônico Tim MaiaTim Maia · Música brasileira · Jota Quest · Legado musical
- Legislação e JustiçaTim Maia · Sistema judiciário · Processos judiciais · Código de Processo Civil
- Música 'Não te deixarei'Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar) · Tim Maia · Warner Music · Direitos autorais
- Infância e formação de PessoaCarmelo Maia · Tim Maia · Adolescência e sexualidade · Relação com a avó
Carmelo Maia:Não, não, não!
Bola:E aí, Boletá?
Carioca:Tudo certo, Carica?
Bola:Estamos ao vivo passo a—
Carioca:Eu quero saber como é que foram os shows antes de tudo. Rapaz... Carioca botando pilha.
Bola:Não tenho palavras para agradecer com patrocínio da Eugênia.
Carioca:Eugene, valeu, Eugene!
Bola:Eugênio, tamo junto, botando pilha na galera.
Carioca:Continua lotadão, tudo beleza?
Bola:Graças a Deus.
Carioca:Obrigado, rapaziada.
Bola:Criciúma, Floripa e Joinville, um beijo para vocês. Próximos? Rio Grande do Sul.
Carioca:Rio Grande do Sul, boa, carica.
Bola:O Boleta, quero agradecer também o rapaz da Mini Cross, ele mandou a minha cowboy cross.
Carioca:Ele mandou, eu vi que você postou.
Bola:Porra, a minha bicicleta extra nylon azul.
Carioca:Que legal, velho.
Bola:Você provavelmente teve essa também ou é extra light?
Carioca:Mini cross, rouba a minha, que ela é igual, rapaziada. Obrigado, Cezinho. Pai mais generoso, né?
Bola:Extra Light era o dobro mesmo.
Carioca:Eu não tive nenhuma das duas.
Bola:Não, a Extra Light era o dobro, quase o dobro, né? Eu tive a Extra Nylon azul. Então o @minicaloicross fez uma miniatura da minha primeira bike. Não, que a minha primeira foi aquela Monareta.
Carioca:Monarch.
Bola:Lembra a Monaretinha? A Mirim, a Mirim, a pequenininha chamava Mirim. Foi minha primeira bike, Monarch Mirim.
Carioca:Que legal! Aí eu tive, você postou, foi puta que demais.
Bola:Aí meu irmão ganhou uma Monareta, eu ganhei.
Carioca:Ele falou, quero dar um presente para ele, não sabia o que era, Isso que eu perguntei. Olha ela aí, ó.
Bola:Essa aí, essa aí. Não, só que a minha era aro azul, não era aro branco, né? Essa era azul. A minha era aro azul, ela era toda azul.
Carioca:Isso na época de moleque era sonho.
Bola:Porra, eu tive essa bike, cara.
Carmelo Maia:Eu tive o privilégio.
Carioca:Sabe quanto vale uma porra dessa hoje zerada? Quanto?
Carmelo Maia:Vale 15 pau.
Bola:É mesmo?
Carioca:É, meu nego pede 10, 15 pila, mas tá lá, é um zero, zero.
Bola:Caraca, R$15 mil?
Carioca:R$15, 12 pila. Que isso, vale uma grana, bicho. Eu tive essa bike, foi uma felicidade muito grande.
Bola:Então, beijo para a família Miroshki Abreu lá, Aline, um beijo todo mundo que me ajudou, pessoal de Criciúma, enfim.
Carioca:Obrigado, rapaziada, entendeu?
Bola:Foi isso. Aguardem, em julho estamos, depois da Copa aí, estamos Porto Alegre, Bento Gonçalves e Caxias, de volta com Botando Pilha com o Elgin aí na sua cidade. Obrigado pelo carinho, entendeu? E sem palavras para agradecer Todos vocês.
Carioca:É isso aí, cara.
Bola:Tem aniversário, Boleta?
Carmelo Maia:Tem.
Bola:Do seu sogro?
Carioca:Do meu sogro. Eu fui. Vicente Correia. Vicentão, um beijo, amo você, você é demais, parabéns, tudo de bom, desejo tudo de melhor para você na sua vida, Vicentão.
Bola:Grande Vicentão.
Carioca:Obrigado por me receber na sua família.
Bola:É isso aí, Vicentão, nosso coroa mais gostoso do Brasil. Desculpa, Dona Cida, mas o Vicentão é um pedaço de mau caminho.
Carioca:Ele quer ser a menta dele, ninguém segura.
Bola:E ele é, o bicho é É firme, né, rapaz?
Carioca:É firme.
Bola:Que coroa gostosa, que coroa gostosa, que coroa gostosa, coroa gostosa. Ele é um coroa gostosa. Um beijo para o meu querido amigo Vicentão, querido, simpático, do bem total, família maravilhosa. Um beijo, que Deus continue te abençoando com muitas, com muita mais energia, mais alegria, mais saúde, mais prosperidade.
Carioca:Você tem que me ver muito, Vicentão.
Bola:E um beijo para Gabi também, um beijo para Gabizinha.
Carioca:Beijo, minha amor, amo você demais. Que tá resfriax. Tá resfriada, tadinha.
Bola:Dona Aline também, as duas.
Carioca:Beijo, Dona Aline, para você também.
Bola:Melhoras, amor, fique bem, fique bem, fique bem. Bom, pedimos para que você se inscreva no canal, tá bom?
Carioca:Curta, compartilhe, ative o sininho, dê o like chocolate, faça tudo para ajudar a gente neste canal e no canal oficial de cortes do Tica.
Bola:Exatamente. Por favor, rapaziada, o programa hoje, já vou logo falando, o programa hoje promete, hoje vai, o bicho vai pegar.
Carioca:Hoje é aquele programa que você vai fraco não.
Bola:E você vai se deliciar em casa com as histórias. Eu já tive o prazer de ler os livros, tudo que tem de Tim Maia eu tô conectadaço assim, porque para mim é, acho que para a gente, né, cara, fez a trilha sonora, o forro, né, fez a base, o alicerce ali da minha formação musical.
Carioca:Boa!
Bola:Acredite se quiser, Boleta, mas é verdade. Eu sei cada coisa de música que eu boto, as pessoas falam, porra, falei, cara, não ouço Tim Maia, o Trivial, eu ouço Sul, do lado do Bia. Eu ouço Juras, eu ouço umas paradas, tá ligado? Eu adoro aquele álbum 1980, eu acho esse álbum um primor. Eu adoro ouvir essas paradas. Bom, temos Spotify para você seguir, segue a gente lá, né, Boletá?
Carioca:Segue lá, nós estamos no Amazon Music também, em todas as plataformas, o TikTok. Então onde você quiser escutar a gente, ver escutar, ouvir do jeito que você quiser. Por favor, estamos à disposição. É isso aí, cambada. Quer ajudar mais? Torne-se membro, né, Carlinhos?
Bola:Isso aí, membro do Ticaracati Cast.
Carioca:Temos a nossa plataforma também que tá aí no chat, você pode acessar a nossa plataforma, você liga para a gente, pode ligar, isso, faço o que você quiser, participe do programa.
Bola:E o Super Chat, Bola, ele tem aquela voz personalizada, você escolhe a voz, isso, você escolhe a voz lá, você manda aquela voz que você quiser. Se quiser na voz do Tim Maia, deve ter na O amigo ia ser muito bom, hein, com a voz do Tim Maia. Ia ser bom você escolher mandar uns superchats com a voz do Tim Maia.
Carioca:É possível, eu acho que é possível. Ia ser diferente, ia ser muito legal. Ia ser diferente.
Bola:Tem do Xandão e o caralho, né? Alguma voz em vídeo, pode tudo que é jeito.
Carioca:No caso do cara do B.O.I.D.
Bola:É, nossa. Então faz do jeito que você achar interessante, beleza?
Carioca:Ajuda nós. Obrigado.
Bola:Vamos nessa, gordinho. Bora começar o programa, receber essa, esse cara que é meu contemporâneo, né, velho?
Carmelo Maia:Você é um pouquinho mais velho. Você é 75? 75.
Bola:Eu sou 76. Mas estamos ali na mesma...
Carioca:Na mesma idade.
Bola:Vivemos as mesmas emoções ali, né, da nossa geração.
Carioca:Um aninho mais velho não é nada.
Bola:E simplesmente filho do rei do soul brasileiro.
Carioca:Sim. Brinca.
Bola:Do Baião Soul, tudo misturado.
Carioca:Como que deve ser foda você ser filho dele, né?
Bola:É de puta que pariu, irmão. Não deve ter sido fácil. Não deve ter sido fácil. E ele vai contar aqui. Tá com musical também?
Carmelo Maia:Sim, sim.
Bola:Tim Maia, o musical.
Carmelo Maia:Tim Maia, Vale Tudo, musical.
Bola:Vale Tudo, musical.
Carioca:Eu li o livro. Deve ser bom também.
Bola:Eu li o livro do Nelsinho Mota. Acho que eu já li esse livro umas 2 vezes, pô. Eu adoro a história do Angudo Gomes. Ele conta um cagaio louco pra caralho. Então, prazer, Carmelo, ter você aqui com a gente. Você que é o filho de Tim Maia.
Carioca:Muito obrigado, velho. De coração.
Bola:Eu queria que você contasse um pouco Quem foi o Tim Maia como pai, como sei lá, como é que você...
Carioca:Você conviveu com ele quanto tempo, irmão?
Carmelo Maia:Eu convivi até os meus 23 anos de idade.
Carioca:Bastante, até os 23. Quer dizer, podia ter sido muito mais, mas... Sim, sim. Até que foi bastante.
Carmelo Maia:Muito puto, comecei a trabalhar com ele aos 17 anos contando bordeirô no canicão.
Carioca:É mesmo? Mas ele que te levou? Ou você foi por livre e espontânea vontade?
Carmelo Maia:Não, não, nem um pouco por livre e espontânea vontade, pô. Se eu falasse que eu ia puto, porra... Carmelo, vai...
Bola:Não, porque tem uma história muito engraçada. O nome dele é Carmelo Maia, mas teu pai só te chamava de Telmo.
Carmelo Maia:De Telmo.
Carioca:Que porra é?
Bola:Por quê?
Carmelo Maia:Telmo. Então, meu pai fez parte daquela— não é seita, nem filosofia, nem religião. É um conhecimento dado ao racional superior. Quem é o racional superior? É o nosso Deus. Certo. Meu pai entrou no universo de desencanto e toda gestante, toda mulher grávida O Manuel Jacinto, que era o cara que fazia a conexão com o Racional, ele sugeriu os nomes. Então ele sugeriu meu pai, Telmo, Carmelo e Robinson. Meu pai tinha ainda recém-deportado dos Estados Unidos, ainda amargava aquele prejuízo. Foi expulso, expulso, mano, não sei por que que eu fui expulso, só por causa de uma maconhazinha.
Carioca:Ah, bobagem, besteira.
Carmelo Maia:E aí Ele ficou um pouco americanizado, ele falava Robinson, filho de Rob, filho de Roberto. No musical a gente faz uma brincadeira, um trocadilho. Na hora que ele vai me registrar, é contado: Telmo, Carmelo e Robinson. Então Telmo significa Santo Elmo, Sant'Elmo. Aí ele falava: meu filho santo, já viu filho de Tim Maia ser santo, meu irmão? Jamais. Carmelo, A mãe dele, minha avó, é filha de italiano. Carmelo no sul da Calábria é como se fosse Maria aqui no Brasil. Tá, então nome comum, nome comum. Então ele ficou muito tendencioso ao Carmelo, tá? Mas ele adorou o Telmo, ele achou mais sonoro. Então ele ficou: porra, eu vou colocar Telmo, tá? Quando chegou no cartório: Seu Tim Maia, qual o nome do seu filho? É Carmelo Maia. Eita porra! Aí quando chegou na casa da minha avó: ô mamãe! Aí mamãe: ó meu filho! Ah, Sebastião! Ô meu filho, deixa eu segurar aqui o meu netinho. Como é que é o nome dele? O nome dele é Telmo, mamãe.
Carioca:Mas que caralho, não tô entendendo nada! Ele batizou como ele deu o nome de Carmelo, mas chamava de Telmo. Aí sabe por que que ele não botou Telmo?
Carmelo Maia:Ah, cara, é maluquice do meu pai, bola, porra! É maluquice do meu pai, cara!
Carioca:Cara, chama desde que nasceu de Telma, mas deu o nome de Carmelo.
Carmelo Maia:Caralho, se falasse assim, porra, meu apelido é Caramelo, né? Que é o cachorro Caramelo. Eu achei que era alguma coisa assim.
Carioca:Cara, que loucura, Carmelo. E aí me chamavam de Telma, agora fudeu, velho.
Carmelo Maia:E era pior que, cara, que na escola, na hora da chamada, porra, achavam que eu era surdo. Então eu estudava numa escola católica, as freiras falaram para minha tia, quem me criou, que eu devia fazer uma triagem auditiva. "Porque chamavam Carmelo Maia." E eu não respondia, pô. Eu não sou Carmelo, eu sou Telmo, cacete.
Carioca:Puta, que loucura, hein.
Carmelo Maia:Carmelo Maia. Carmelo Maia.
Carioca:Caraca, que loucura. E você não respondia?
Carmelo Maia:Não, não respondia. Aí achavam que era o autista, porque eu não escutava. Achavam, cara, tudo.
Carioca:Que eu era autista.
Carmelo Maia:Ah, pô.
Carioca:Caralho, Carmelo.
Carmelo Maia:Aí meu pai ficou puto, né.
Carioca:Que loucura.
Carmelo Maia:Aí ele chegou lá e falou: Oi, Irmã Maria Angélica, com todo respeito, no documento é Carmelo, agora na boca do pai é Telmo, tá? Então, para minha família aqui é Telmo, para a senhora aí é Carmelo, mas meu filho não tem nada de autismo, nada de nenhum problema auditivo, aqui nós temos ouvido absoluto. Que maravilhoso!
Bola:E aí, cara, tu viveu com essa porra? Porque na escola te chamavam de Carmelo ou Telmo? E teus amigos da escola, como é que era?
Carmelo Maia:Carioca até hoje ninguém me chama de Carmelo. Tanto é que o meu filho que tá aqui, eu quando tive o meu primeiro filho, eu tive que colocar um filha da puta de Telmo, porra, porque eu não sou Telmo.
Carioca:Então por que você não muda teu nome no RG, cara? Muda, porra!
Carmelo Maia:Ah não, mas aí já, já, eu acho que já foi, né?
Bola:É, o documento, trocar, chama o cara de Telmo, velho. Acha que o cara esteve no Natal, cara.
Carioca:Nunca chamaram de Carmelo, bicho. Que coisa louca, irmão.
Bola:Todo mundo te chama de Telmo então?
Carmelo Maia:Todo mundo. Só faculdade Carmelo, escola Carmelo, as pessoas menos íntimas e acabou, meu irmão. Que loucura isso.
Bola:Quer dizer, ele já começou trollando o filho ao nascer, o Tim Maia já te trollou.
Carioca:E você é nascido aonde, irmão?
Carmelo Maia:Rio de Janeiro, cidade de espiros, só vive lá quem não tem medo.
Bola:É verdade, concordo 200%. É brabo lá, tá foda.
Carmelo Maia:É igual São Paulo, né, cara? Recife, é isso aí.
Bola:Mas o Rio tá desordenado, né? Tá, tá, perdeu um pouco a mão, né? A coisa, a coisa escapou demais, né?
Carmelo Maia:Sim, assim, então existem zonas que são mais tranquilas. Na verdade, eu moro num condomínio aonde parece Bangu 1, né?
Bola:Caralho, é muro alto pra caralho.
Carmelo Maia:Não, não tem nem muro, mas a assinatura do condomínio é a segurança. O meu vizinho é Vinícius Júnior, pô. Então tá tranquilo, entendeu?
Carioca:Então você tá de boa.
Carmelo Maia:Então parece que eu tô em Bangu mesmo. Eu tô tipo tomando um sol, banho de sol, entendeu? Igual os bandidos estão lá em Bangu 1, Bangu 2, Bangu 9.
Bola:Você tá preso também, literalmente?
Carmelo Maia:É, tô preso literalmente.
Bola:Foda, né?
Carmelo Maia:Estão soltos na rua, né?
Carioca:O cara, molequinho, você fazia o quê, Carmelão? Como é que era? Como foi tua infância, molequinho, desde pequeno?
Carmelo Maia:Tu quer a verdade? Porque aqui eu tô com liberdade para falar treta, né?
Carioca:Você fala o que você quiser, irmão.
Carmelo Maia:Você quiser. Então vamos começar lá na casa do meu pai. Meu pai contratava umas empregadas, né? E ele contratou uma empregada Hoje em dia a gente não pode falar assim, tem que falar afrodescendente, né?
Carioca:Afrodescendente, é.
Carmelo Maia:É, mas pô, não tem problema, né, cara? Uma neguinha gostosa, bonita, pô, não sou racista, não sou nada, meu irmão. Sim, sim. E eu sou tranquilo. Aí o que acontece? Ela era vampirinha, entendeu? Ela só tinha desses dentes aqui lá atrás.
Carioca:Só tinha os botico pra trás.
Carmelo Maia:E ela não sabia como ir embora. Aí ela falou: "Seu Tim, eu já estou indo embora, tá?" "O Nancy, vai embora, vai com Deus. Toma aqui um levadinho para você." Aí eu falei, pô, já tava de olho, né? Eu falei assim: "Ah, eu também vou agora. Você quer que eu te ajude?" "Ah, você pode me ajudar porque eu não sei sair daqui não." Falei: "Não, tudo bem." Tu já viu alguém sair para cima? Tem que descer do elevador, é para baixo lá para o térreo. Falei: "Vamos lá em cima, porque a saída é lá em cima." Aí fui lá para o terraço, cheguei lá no terraço, eu falei: "Pô, vou testar essa baliza dela, né, cara?" parmalhada aqui, né? Vai, vai, vai, vai, vai arranhar ali gostoso, né? Aí eu já agarrava. Ai, para, para, para! Mas aí daqui a pouco começou. Falei: cara, que delícia! Beleza, pagou aquele negocinho bonito, soltei o leitinho da Parmalat. Que alegria! Que que aconteceu? Desci com ela, falei: agora nós vamos descer, porque jamais eu iria te levar na saída a gente subindo. Vamos, você é tarado, né? Eu falei, mas você gostou, né? Aí desci, beleza. Quando eu chego lá embaixo, tem um mensageiro. É o mensageiro. É, seu Telmo, eu vi o senhor, hein? Puta, eu vi o quê, rapaz? O senhor tava com a empregada do senhor, né? Do seu pai, né? Eu falei, aonde? Lá no terraço. Aí eu falei, me viu pela câmera? É, sei que nada. Sabe onde tava o filho da puta? No terraço, me olhando. Tocando uma zinha, ou seja, a parada. Então a minha vida na adolescência era sacanagem pura, entendeu? Era sacanagem pura, porque assim, meu apelido na adolescência era Bozo.
Carioca:Bozo?
Carmelo Maia:É, cara, porque, cara, eu adorava.
Carioca:Todo mundo rir, você era muito gozadão.
Carmelo Maia:Não, é que sexo para mim era um negócio, sabe?
Bola:É mesmo, tu é muito taradão.
Carmelo Maia:Meu pai fala: "Porra, vai devagar." Não posso nem ficar de costas para esse cara.
Carioca:Eu vou ficar sentado aqui, Carmelão.
Bola:Ai, velho, que maravilhoso. Mas assim, por exemplo, vamos dizer que você foi morar com teu pai com quantos anos? Não, então você morou com a tua avó?
Carmelo Maia:Teve uma onda dessa? Não, com a tua tia, sei lá. Nunca ninguém morou com meu pai.
Bola:Entendi.
Carioca:Ninguém, ninguém, tá?
Carmelo Maia:Minha mãe teve o meu irmão Márcio Leonardo, que é artisticamente conhecido como Léo Maia.
Carioca:Léo Maia, né?
Carmelo Maia:A minha mãe teve um caso com meu pai, se separou, eles namoravam, tá? E ela teve um caso, um affair, um relacionamento com jogador jogador, um goleiro da seleção brasileira. O meu irmão Léo é fruto deste jogador da seleção brasileira, nesse goleiro reserva do goleiro Félix do Fluminense, tá?
Bola:Quero do Goitacás uma parada dessa, não tinha onde.
Carmelo Maia:A minha mãe, a minha família materna é de Campos dos Goitacás, 5 horas do estado do Rio de Janeiro.
Bola:Sim, Goitacás lá, isso aí.
Carmelo Maia:Então assim, ele sempre moraram Lá, tá, tá. Então, quando a minha mãe volta para o meu pai, porque que acontece? Ela avisa para o jogador: cara, eu tô grávida. Isso tô reproduzindo porque foi o que meu pai disse. Porque na verdade não existe caixão para duas pessoas, mas só que meu pai morreu com dois caixões, um para língua, outro para o corpo.
Carioca:Porque ele faz O que ele falava? Puta merda.
Carmelo Maia:Então ele foi bem sincero, ele falou assim: a parada é o seguinte, a tua mãe quando veio, meu irmão, eu era apaixonado por ela, a coisa mais difícil era trazer essa mulher de volta. Ela volta grávida, que se foda, meu irmão, se ela tá grávida de outro homem.
Carioca:Você tava apaixonado por ela?
Carmelo Maia:E outra, meu irmão também não tinha culpa nenhuma, era uma criança que tava ali no ventre materno, nasceu. Com certeza naquele momento nasceu muita alegria, sim, para minha mãe e para o meu pai. Porém, tão logo depois, né, ela engravidou de mim. Mas antes, o porquê que fez ela voltar para o meu pai? Porque o goleiro, jogador de futebol, falou: cara, jogador, né, o cara era casado, o cara tinha família, falou: meu irmão, aborta, aborta isso aqui. Eu não vou assumir, cara, eu tenho família, bicho, não rola. E ela falou: não, eu não vou, eu não vou abortar. E aí, isso meu pai contando, o cara deu, parece que um saco de dinheiro para ela, mas dinheiro acaba, né, cara? Lógico. Então ela volta para o meu pai malandramente, e aí o meu pai acaba recebendo Nada contra, ela está grávida.
Bola:Sim.
Carmelo Maia:Então logo depois ele nasce, foi um momento de muita felicidade. Logo em seguida, a diferença entre mim e o meu irmão Léo são de 10 meses.
Carioca:Nossa, é pouquinho, porra.
Carmelo Maia:É pouco mesmo, por isso que o negócio comigo é, entendeu?
Bola:Eu e você, você e eu, eu e você. É porque dizem que a minha mãe tinha essa teoria quando eu quis ter O segundo filho, aí a minha mãe falou assim: espera sair do colo, não deixa o outro roubar o colo, que dá merda.
Carioca:Ah, entendi, deixa sair do colo.
Bola:É, porque imagina, deixa ele não querer tanto o colo, aí você tem um outro filho, deixa o colo.
Carioca:Pra poder carregar o outro.
Bola:É pra não roubar o colinho. Você roubou o colinho.
Carioca:Mas vocês nunca moraram com seu pai?
Carmelo Maia:Não, nunca. Aí o que que aconteceu? Houve um rompimento entre meu pai e minha mãe, tá? E minha mãe seguiu o caminho dela para Campos dos Goitacazes. Só que meu pai falou: meu irmão, para do seguinte, o meu filho você deixa, o teu tu leva. E ela levou o meu irmão Léo para Campos dos Goitacazes e você ficou. E eu fiquei com ele na Figueiredo de Magalhães em Copacabana, tá? Eu nasci no Maitá. E fiquei com ele lá. Então era 31 de março de 1975, se eu não me engano, acho que uma quarta-feira, era uma, era perto da Páscoa. Meu pai só me levou na casa da minha avó e da minha tia para eu passar a Páscoa e depois voltar. Só que minha avó cuidou de 19 filhos, meu pai é o 18º.
Carioca:É mesmo, irmão?
Carmelo Maia:Que porra!
Carioca:Porra, gostava igual você também, né?
Bola:É igual você puxou, né? Teve a quem puxar, né? Família transadeira, não vale, né?
Carioca:Família boa.
Carmelo Maia:Até cadeirante eu já comi, mas isso é porque eu tenho um saco. O Zaque.
Carioca:Olha o Carmelo, bicho.
Carmelo Maia:Bicho, que figura, velho.
Carioca:Até cadeirante.
Carmelo Maia:Não é, cara, eu não posso escutar.
Carioca:Não, não posso escutar que dá o anel.
Carmelo Maia:Pode ser, eu falo que escutava da O Anel, meu irmão. Eu falei, deixa eu te ajudar aqui. Aí a cadeira, a gente foi, foi, foi, foi, foi, foi, meu irmão.
Carioca:Que figura, velho.
Carmelo Maia:Mas voltando, onde é que a gente tava? Eu tava no Anel.
Bola:Teu pai deixou tu a pássaro, pássaro, pássaro.
Carmelo Maia:Isso, então. Aí meu pai voltou pra me buscar e minha avó falou assim: ô Sebastião, poxa, por favor, deixa o meu netinho aqui comigo, eu criei 19. Porra, mamãe, eu vou deixar ele mais um pouco, mas eu não vou querer meu filho aqui, eu quero ele comigo. Só que assim, meu pai não sabia negar nada para minha avó, então eu fui ficando. Ele, um artista, tinha que cumprir as agendas.
Bola:Quer dizer, que agenda que ele cumpria também?
Carmelo Maia:Que eu ia falar aqui que era foda, que às vezes ele, né?
Carioca:Mas uma coisa que você fala aqui, que agora que eu percebi que é verdade, que você fala que ele só ia no chacrinha porque, por causa da minha avó, é por causa da minha avó, ela falava, né?
Bola:Eu li no livro isso aí.
Carmelo Maia:Que coisa, velho, respeito máximo.
Bola:Então Aí o Chacrinha, filha da puta, ligava. É o único programa que ele nunca faltou, porque o Chacrinha era malandro.
Carioca:Ligava pra tua mãe?
Bola:Ligava. A tua avó gostava do Chacrinha, Chacrinha sabendo, ligava.
Carmelo Maia:Malandramente ligava lá pra minha casa.
Carioca:E ela falava pra ele: 'Vai faltar, não.' 'Ô, meu filho, não falta não.
Carmelo Maia:Chacrinha acabou de ligar aqui. Por favor, eu tô aqui em frente à televisão te vendo, por favor, vai, grava direitinho.' Olha aí, bicho. Não sabia dizer não.
Carioca:Pra ela. Então, você fala disso, me veio essa história na hora.
Carmelo Maia:É, não sabia.
Carioca:Que coisa, cara. Aí deixa eu amarrar um pouquinho.
Carmelo Maia:E aí, não, aí eu fui ficando, fui ficando, fui ficando, cara, e fiquei.
Bola:A frequência que você viu seu pai?
Carmelo Maia:Então, a frequência da maneira dele, tá? Não tinha uma regularidade. Por exemplo, ele chegava do Santos Dumont, se ele chegasse meia-noite, uma hora da manhã, ele parava em algum lugar para tomar uma garrafa de uísque. Porque, por exemplo, é que nem eu viajei de avião, antes eu tomo um negocinho para dar um Pra dar um relax. É, ou então tomo depois, tá? O dele não, dele era uma, duas, três garrafas de uísque. Na quarta ele pilotava até o avião, entendeu? Então assim, quando ele não tomava nada, ele não tomava na ida, ele tomava na volta. Então ele tomava na volta, chegava lá o quê? Doidão pra caralho. Isso eram 3 horas da manhã. Aí começava a chamar Ana Maria. Ana Maria, minha tia. "Ô, sua sapatão!" A minha tia não era sapatão.
Carioca:E ele causando?
Carmelo Maia:É, porque ele tinha um ciúme tremendo da minha tia comigo, tá? Entendeu? Ele tinha um ciúme tremendo. E aí, cara, ele parava de madrugada o Rio Comprido, a Tijuca, chegava lá em casa com a minha avó, pianinho, pronto. Aí ficava até 6, 7, 8, 9 horas da manhã acordadaço. Depois ele dormia. Dormia, dormia. Minha avó ia fazer uma comidinha para ele lá para 2 horas, 3 horas, ele acordava. Não dava trabalho quando minha avó era viva, não dava.
Bola:Ele não dava trabalho?
Carmelo Maia:Respeitava? Não, não, com a minha avó não.
Carioca:Máximo respeito, né?
Carmelo Maia:Com a minha avó não.
Bola:Sua avó faleceu em que ano?
Carmelo Maia:Minha avó faleceu, se eu não me engano, cara, agora você me pegou, foi em 91. Acho que foi em 91, se eu não me engano. Mas, por exemplo, tem uma história muito interessante com o Edson Trindade, que é o compositor da música "Gostava Tanto de Você".
Bola:Sei, o Edson Trindade.
Carmelo Maia:É. E aí o que acontece? Meu pai morava na Gávea, Rua Marquês São Vicente, quase em frente ao Shopping da Gávea. E aí o síndico ligou pra minha tia lá pra minha casa e falou: "É, aqui é o síndico da residência tal, do prédio tal, onde o Tim Maia mora e tal." 'Poderia falar com alguém, parente, algum familiar?' 'Claro, aqui é a irmã dele.' 'Então tem como a senhora vir ou alguém? Porque o Tim Maia tá dando tiro pra tudo quanto é lado aqui, cara.' É mesmo, irmão? Irmão, ele tava com uma pistola de 9mm. Pau, pau, pau!
Carioca:Puta merda, bicho.
Carmelo Maia:Ele via o que não tava na frente dele, porque ele fez o triátilon dele, né?
Bola:Como é que era o triátilo?
Carmelo Maia:Pô, não era nadar, nem correr, nem andar de bicicleta. Era cheirar, fumar, beber e mentir de vez em quando. Mentir de vez em quando. E aí minha tia vai, leva o cunhado dela, e aí quando chega lá é anunciado, aí ele fala: "Pô, Ana Maria, tu veio fazer o quê aqui, meu irmão?" "Ô, Tião, sua mamãe tá lá preocupada com você. Que história é essa que você tá dando tiro, Tião? Os seus dedos foram feitos pra dedilhar um violão, Tião." 'Ana Maria, não foge, senta aí que eu vou te aplicar uma dose também de uísque. Senta aí, senta aí, senta aí.' Aí quando ela sentou, ela viu lá no final, cara, o Edson Trindade todo urinado, cheio de medo, lógico, né, com medo de uma bala perdida, cara, com uma arma na mão dando piro, uma bala perdida, doidão, né?
Bola:Doidão, né? Você imagina o Edson Trindade olhando assim, uma pessoa doidona com uma arma na mão, porra, fodeu, né?
Carmelo Maia:Aí o que que aconteceu? Conseguiram tirar meu pai, né, minha tia conseguiu tirar ele. Aí ele pegou, foi tirando uma munição por vez. Na última ele falou assim: não, essa não, essa eu vou lá para casa da mamãe. Como hoje é domingo, eu quero acertar a cabeça do frigaspar. Quem é o frigaspar? Minha avó já era uma senhora idosa, ela recebia a missa dentro de casa. Então ia um padre para celebrar uma missa. Então ele falou: eu vou ficar sentado Depois do Pai Nosso eu vou acertar a cabeça do freguês. Que paroca, bicho! Que isso, meu Deus!
Bola:Devia ser um caminhão sem freio, né, velho?
Carioca:A coisa mais engraçada que você falou, que ele gostava de uísque, né? Eu conto aqui, uma vez a gente fez, ó, eu tava na Jovem Pan, tava a turnê, ele e o Jorge Ben Jor, e fomos fazer um show no ginásio Ibirapuera, porra, lotado até O Tatã, pô, irmão. E aí começamos a trabalhar credencial. Nunca me esqueço, era uma caricatura dos dois assim abraçados, enfim. E a gente ia transmitir o show e apresentar, eu, Emílio, tal. A gente tava lá, aí vem uns cara: dá credencial, dá credencial. Eu falei: não, como dar credencial, irmão? Eu tô trabalhando. Ele falou: não, a gente sabe que é, dá credencial. Mas por que, cara? Se o Tim Maia ver a caricatura dele, ele vai embora. Então todo mundo vai trabalhar sem credencial, porque ele não pode ver essa caricatura. Aqui, dei, beleza. Então fazendo, começou o show, então nunca me esqueço disso, mano. Até aí eu tô atrás do palco curtindo e tal, um copo desse, irmão, parecia de Guaraná. Aí ele cantou um pouco, ele saiu, ele pegou o copo e virou. E voltou e pá, cantando pra caralho. Falei, cara, o bicho tá com sede, virou um copo de Guaraná, puta merda. Veio o roadie, bicho, com whisky, encheu o copo de novo. Falei, não, cara, ele não tá tomando whisky, irmão. Sem gelo, sem porra nenhuma.
Carmelo Maia:Cowboy, cowboy.
Carioca:Mas o copo cheio, cara, o copo até a tampa, né? Não é dose.
Bola:Eu conheço um cantor assim desse, cara.
Carioca:Eu falei, caralho, meu filho, o homem é brabo pra caralho. E ele tomando um negócio, e não é que não ficava ruim, irmão. Eu não acreditei até hoje. Eu falei: "Putz, olha o Tim Maqui cantando Maravilhosa, não ficava ruim." Não ficava ruim nada, irmão.
Carmelo Maia:Não, ele era um touro, cara.
Carioca:Eu falei: "Caralho, o cara tá mandando um whisky." E qual é o whisky?
Bola:Só pra curiosidade, qual é a marca do whisky que ele gostava?
Carmelo Maia:Aquele mais que ele gostava? Royal Salute.
Bola:Porra! Caralho, ele torrava o cachê todo de whisky.
Carmelo Maia:Cara, ele ganhava do Washington Oliveto no final do ano.
Carioca:Cachas. É, imagina.
Carmelo Maia:Cachas.
Bola:Não, mas isso depois, né? Tô falando lá atrás.
Carmelo Maia:Ah, ele bebia lá?
Bola:Ele conheceu o Austin Oliveto ali no final dos anos 80.
Carmelo Maia:Chivas.
Bola:Chivas, ok. Mas pô, Royal Salute é caro pra caralho, velho.
Carmelo Maia:Ah, mas ele gastava.
Carioca:Eu acredito.
Bola:Gostava, né?
Carioca:Igual o teu primo.
Bola:O Edmota é teu primo?
Carmelo Maia:Infelizmente, né, cara? Pô, é sério?
Bola:Vocês são tretados?
Carmelo Maia:Eu sou doido pra comer ele na porrada.
Bola:Mas por quê, cara? Sério, velho, eu falo aqui mesmo porque eu, eu, porra, é sério que vocês são tretados? Eu fiquei triste agora.
Carmelo Maia:Ele causa, meu irmão, primeiro que para mim não é de moto, é de bosta. Não, não é porque ele chamou a rapaziada de Paraíba não, porque eu acho mó vacilo isso. Sim, eu acho que a rua tá para todo mundo. Eu botei lá no meu Instagram para ele, eu falei, ó, a rua tá aí para todo mundo, tá? Agora, é, para ser bem sincero, primeiro que ele foi no Serginho Grosman, a minha parada com ele começou aí. Ele foi no Serginho Grosman, faz tempo isso, é, tem alguns aninhos, não tem muito não, mas tem alguns aninhos. Acho que um dia que ele não tava bem, agora também o foda é qual é o dia que ele tá bem, né, vamos combinar. E aí o que que aconteceu, ele sempre teve um incômodo que era Vamos apresentar aqui agora Ed Motta, sobrinho de Tim Maia. Ele detestava essa porra, tá?
Carioca:Não podia falar sobrinho de Tim Maia, era Ed Motta.
Carmelo Maia:Não só no programa como a própria mãe dele, às vezes com os amigos. Aqui, ó, a mãe do irmão do Tim Maia, sobrinho dele, ficava puto, não gostava.
Bola:Mas aí, vamos lá, não, tô tentando fazer a parte. Ele quer ser um artista, como é que eu posso dizer, ter a personalidade dele. É foda ter o rótulo também, às vezes de uma outra pessoa. Tem filho de artista que é assim, é uma questão de escolha. Agora não, eu não tô aqui me metendo na questão familiar, é que eu gosto.
Carmelo Maia:Eu vou ser sincero contigo, olha só, o Ed Motta, eu vou falar aqui e tô cagando porque assim, eu queria mais que ele falasse de mim mesmo, porque eu sou doido para pegar ele. Não, não fala assim, não, não, não, sabe por quê, sabe por quê, cara? Presta atenção, ele foi A gente foi no Serginho Grosman. Cara, ele foi lançar, se eu não me engano, um CD chamado Duitza.
Bola:Duitza. Isso faz tempo, hein?
Carmelo Maia:15 anos. Se eu não me engano, acho que foi esse. Então, tava o Frejá, ele, e aí o Serginho Grosman falou o seguinte: "Nós estamos aqui falando de tal, que é da TV Globo, você já foi radialista, crítico de música e tal?" Aí o cara, numa humildade, falou assim: "Não, crítico de música não, Serginho, eu trabalho com música e tal." "Não, você foi crítico de música." conta alguma história aí que de repente algum artista você criticou na rádio e não gostou, e não gostou, e foi lá na rádio. Ah, o Nazi, o Nazi foi lá para me dar porrada, para não sei o quê, tá, tá, tá. E aí é de mota ou não? Frejá, como é que você lida com as críticas? Olha, Serginho, eu leio todas e escuto todas, cara. Acho que eu acho que vale a pena ressignificar Beleza, acho que não, deixa de lado. E você é de mota, Serginho? Eu sou igual essa mosca aqui, ó, eu faço assim, entendeu? E faço as palavras de Frank Zappa: todo crítico de música é aquele cara que tinha vontade de ser cantor e não tem talento e não tem capacidade. Todo crítico, aí ele vai comparando as profissões, ou seja, fazendo uma analogia dizendo que que todo fulano que queria ser aquilo não conseguiu virar. Exatamente.
Bola:Mas esse é o princípio do artista, na minha opinião. O princípio, depois eu explico por quê.
Carmelo Maia:A minha definição, a minha, tudo, não nesse sentido. Mas assim, eu acho que tem certas coisas que você pode guardar para você no momento que tá ali, né? O cara tá alfinetando o cara ali, mas ele é bocudo igual você. Você também é bocudo. Não, não, eu sou bocudo Eu vou aqui no programa de vocês, porque eu não mando recado, eu não mando recado, eu tô mandando aqui a direta pra ele. Porque, vocês vão entender. Aí, daqui a pouco ele fala assim: "Eu faço as minhas frases, a minha frase de Frank Zappa. Então, todo crítico é aquele que gostaria de ser o que eu sou e não é." Aí o cara vira e fala assim: "Pô, me desculpe, meu amigo, então você tá se incomodando muito, porque se você tá falando isso tudo, você tá se doendo." Aí a galera que tava no Serginho era uma galera tipo quinta série. Ai, tipo porrada, entendeu? Até aí, foda-se, ok, tudo bem. Ó, estamos terminando aqui o programa, foi sensacional. Frejá! Aí o Frejá começou: Serginho, quero agradecer. Aí o Edmota lá atrás: é, Serginho! E o Frejá falando: Serginho, obrigado! É Frejá, pera aí, vamos lá falar. Aí começa a minha parada com Dele. ele. Quero agradecer aqui, foi lindo, foi lindo. Sentimaya, ou seja, ele trouxe o meu pai para dentro do programa quando ninguém, ninguém falou. Então assim, existe no direito uma coisa chamada honra póstuma, cara. Independente é tio dele, independente é sangue dele, vamos respeitar, porque agora eu entendi. Vamos respeitar, sabe por quê? Porque quando a mãe dele morreu Morreu. Aí tu agora vai falar: você é bocudo? Sou. Quando a mãe dele morreu, ele veio perguntar, não, vieram me pedir: dá para dar um cascalho para poder enterrar, ajudar a Luzia? Só que a minha tia Luzia, meu irmão, ali minha tia Luzia era quem eram os berços de ouro da minha família. Tinha mais por conta do Gogó, a Luzia, porque casou com homem rico, tio Bem-Bem. Tio Bem-Bem trabalhava com negócio de petróleo, um cara mais simples, mas tinha um cascaio, tinha empregada. Como é que era chamado na casa dele? Com campainha, meu irmão. Não, isso aqui, porra, entende? Mas isso na década de 80, sim, sim, sim, isso não existe, cara. Isso não existe. Então assim, essa coisa muito mimadinha de clink, clink, clink, clink.
Carioca:E aí lançou essa de um programa Não, ele é assim até hoje.
Carmelo Maia:Por exemplo, quando ele falou assim: qualquer um, qualquer um que gosta de hip-hop é burro, qualquer um. Eu falei: meu irmão, eu tenho um torpedo, um ponto 50 apontado agora para atirar nele, ele não vai saber de onde veio. Que que eu fiz? Porque eu sou amante de rap. Tem uma matéria do meu pai que no Jô Soares, meu pai fala assim: pô, Jô Soares, meu filho é MC, meu irmão, meu filho adora rap.
Carioca:Caraca.
Carmelo Maia:Só que meu pai cortou minha onda com medo de eu me enveredar para as drogas. Aí eu fui ser ator depois, porque meu pai, no fundo, no fundo, meu pai nunca quis ser cantor. É mesmo? Não, meu pai era um Steve Spielberg frustradíssimo.
Carioca:É mesmo? É mesmo? Cinema?
Carmelo Maia:Sim, meu pai queria ser cineasta. O meu tio mais velho, Antônio Maia, cantava muito mais que meu pai.
Bola:É mesmo? É. Tem algum registro dele?
Carmelo Maia:Não, ele cantava em igreja Mas não tem nada gravado dele, nada.
Carioca:Pô, pra cantar mais que o Tim Maia, cacete, hein, mano.
Carmelo Maia:Não, é sério, cantava muito mesmo, é mesmo, cara. O meu tio Altivo, que morreu ano passado com 100 anos, cantava pra cacete. Então assim, cara, acho que as pessoas precisam se respeitar. Agora, com o Ed Motta, eu não sei qual é a vibe dele, porque o que que eu fiz? Ele com 15 anos cantando, acho que E ele dançando break. E aí, meu irmão, eu falei: "Cara, eu não vou botar essa porra agora. Eu tenho material inédito dele que ele não tem." Entendi. E aí eu... Quer dizer que qualquer um é burro? E aí eu escrevo bem pra caralho e mandei. Pô, meu irmão, saiu no portal Rap Mais, não sei o quê, tá, meu irmão, mais de... Mil compartilhamentos. E aí, claro que chegou nele. Agora, cadê que ele manda o recado para mim? Não manda. Entendi. Que eu tenho, eu tenho cada artilharia bélica apontada só para hora que ele começar. A hora que ele começar, meu amigo, eu tenho até pena dele. Não, muito valente atrás de uma tela.
Bola:Eu te peço desculpas porque é coisa de família, entendeu?
Carmelo Maia:Entendeu?
Bola:E é coisa de família, é aquelas coisas que, pô, você sabe o que você tá falando, sabe? É que eu tenho, eu conheço Edno, sou amigo dele, mas eu já entrevistei algumas vezes, eu sempre achei ele um cara muito dócil assim. Entendo que ele, ele acho que bebe, sei lá o que ele faz, que ele manda os negócio do house session, perde o rumo. Como é que é o nome? Não, mas também é um cara que dá opinião dele, também acho, entendeu?
Carmelo Maia:Ele tem opinião igual meu pai, Ele, igual Romário, te mata pra Romário, como Ronaldo tapa Tom Jobim. Uma vez teve uma comparação dessa. Agora, ele tá pra quem? Porque, cara, o cara quer fazer o legado dele fazendo o quê? Por exemplo, tem uma live dele que ele falava assim: vocês têm que entender o seguinte, meu pai e minha mãe estava vindo num navio e tinha assim Steve Wonder, Michael Jackson, New New Year. Aí meu pai perguntou assim: "Aonde que é o banheiro?" "Senhor, o banheiro é ali." O timbre é igual, né?
Carioca:É igual.
Carmelo Maia:Então assim, de repente o navio atracou. No que o navio atracou, o meu pai foi no banheiro, não sei o quê, entramos num navio de novo. De repente, a gente entra no navio, o que que acontece? A gente tá vendo um movimento esquisito. Aí, pô, tô olhando assim, eu falei: cara, a gente entrou, esse navio tá indo para onde? Esse navio tá indo para o Brasil. Para o Brasil? Não, mas a gente tava indo para Europa. Não, não, esses entraram então no navio errado. Daqui a pouco, meu irmão, vem aquela galera: e agora?
Bola:Vamo lá! Vamo lá! Pô, aquela galera do samba, aquela galera do pagode.
Carmelo Maia:Aí ele começa a diminuir a galera do samba, a galera do pagode. Pô, cara, qual é a necessidade do cara? Você vai me entender agora. A minha ex-mulher falou assim: você não faz psicologia? A atitude do Edmota é a atitude clássica do verdadeiro inseguro. O inseguro é aquele que precisa te diminuir pisa em você para se fortalecer emocionalmente, entendeu?
Bola:Não, isso também é fato.
Carmelo Maia:Então assim, eu preciso pisar em você porque, cara, porque eu não me sinto competente, capaz.
Bola:É porque tinha um papo de que o Tim Maia chegou para ele e falou, não sei se é verdade, que é: você não canta as músicas. Não tinha um papo desse que ele, eles não tiveram uma relação muito uma, mas pelo que o Tim Maia deu um toque, eu faço é mela cueca e molha, esquenta sovaco e mela cueca.
Carmelo Maia:O Tim Maia tem essa, essa regra que ele faz uma música 50% é mela cueca, esquenta sovaco, e os outros 50% é música dançante, tá? Né? Só que acontece, meu pai errou. Eu não passo a mão na cabeça do meu pai.
Carioca:Sim, sim, meu pai errou com ele, errou com ele, mas ele errou contigo.
Carmelo Maia:Errou com o tio, ele errou com o tio. Os dois erraram. Os caras já tramparam dentro do avião, dentro do mesmo avião, e não se cumprimentaram. No mesmo hotel e não se cumprimentaram.
Bola:É mesmo? Chegou nesse nível?
Carmelo Maia:É, nesse nível. Então assim, o que que eu acho? Vaidade, um dos 7 pecados capitais, né, tá? Ed Motta vem de um berço de ouro aonde a educação— eu não sabia disso— é, vem de um berço de ouro onde a educação diferenciada muito educada. Meu pai é do gueto, é da rua, é da malandragem, pegou cadeia nos Estados Unidos, pegou cadeia aqui.
Bola:Sim, é outra, outra parada.
Carmelo Maia:Então meu pai queria, né, da maneira dele. Porra, Edmota, para do seguinte, meu sobrinho. Quantas vezes que eu tenho vídeos de Edmota assim, ó, igual aqueles cachorrinho de padaria que fica olhando, aqueles franguinho que fica rodando. Olhando meu pai cantar no estúdio. Porra, então assim, eu acho que a gente tem que entender.
Bola:Mas eu acho que ele admira teu pai pra caralho.
Carmelo Maia:Mas lá no fundo, lá no fundo, mas admitir é difícil.
Bola:Mas ele nunca admitiu. Claro que ele já admitiu.
Carmelo Maia:Com todo respeito, Cassiano é foda.
Bola:Não, Cassiano é bizarro.
Carmelo Maia:Eu amo, eu sou louco por Cassiano. Mas vamos lá, vamos dar a César o que é de César. Hierarquicamente, Cassiano Cassiano ou Tim Maia? Quem que tá mais alto? Então, meu amigo, ele falar que Cassiano é o rei do soul não é. É o Cassiano, ele pode ter sido, é, ele pode ter, é, o príncipe do soul, mas o Tim Maia tá no outro patamar.
Bola:Não, Tim Maia é outro patamar.
Carmelo Maia:Eu não tô diminuindo o Cassiano, não, não, não, não, não.
Bola:O Tim Maia atingiu o cross demais.
Carioca:Não tem a dúvida, Tim Maia é outro patamar.
Bola:Músicas imortais, é, assim, eu amo o Cassiano, acho ele, eu também, cara, um artista assim muito fantástico, coisa linda.
Carmelo Maia:É uma safra que a gente não vai ter mais.
Bola:Tava apresentando esses dias pra minha namorada, tava no carro, aí eu falei assim: Cassiano, isso é Cassiano. Que ela tava cantando, eu falei: não, isso é Cassiano. Aí eu adoro, mas o Tim Maia, ele, Descobridor dos Sete Mares, né, é outra coisa, né.
Carmelo Maia:Cassiano é além.
Bola:E o Ildo, adoro também.
Carmelo Maia:É uma safra que a gente não vai ter mais. Eu tenho pena dos nossos filhos.
Carioca:Você acha?
Carmelo Maia:Não, eu não tenho dúvida.
Carioca:Eu também acho.
Bola:Eu não tenho dúvida. Eu não sou tão pessimista assim. Eu acho que a gente viveu uma parada, mas os outros vão ter outros Hildons, outros Cassianos, outros Tim Maia para outras pessoas. Porque a gente, a experiência que a gente viveu tá lá, tá com a gente, mas o que vem por aí vai sentir outras emoções. Mas elas estão, elas existem. Mas o que me impressiona, por exemplo, com o Tim Maia, o próprio Rildo, Cassiano, essa galera aí, os velhos camaradas, é a capacidade da música transcender. Por exemplo, meu filho tem 17 anos, absurdamente fã de Tim Maia. Tudo bem, meu filho tinha 2 anos, velho, mal falava. Eu tinha um New Beetle, pra você ver, na época do New Beetle, e ouvindo Tim Maia no carro, né, ele nem falava. Ele falava. Não tô zoando. Daqui a pouco eu escuto assim: Tim Maia. Não tô zoando. E eu: caralho, moleque, é Tim Maia! Ele falou Tim Maia com 2 anos de idade, porque eu ouvia ele, ele já sabia o que era Tim Maia.
Carioca:Então assim, mas é qualidade, né?
Bola:O moleque tem o Tim Maia, sabe tudo, entendeu?
Carmelo Maia:Gosta, faz parte espontaneamente do legado, né, cara?
Bola:Por exemplo, gênio, gênio, cara.
Carmelo Maia:Gênio. Existem gênios que estão esquecidos, tá? Eu já fui consultado se eu poderia ajudar. Ele não veio diretamente, mas pessoas ao redor dele. Juliano Manfredini, do filho do Renato Russo, né? Porque fica essa discussão: quem que criou? Quem tem direito do uso do fonograma? Não, não, da banda. Como é que é?
Carioca:Legião Urbana.
Carmelo Maia:Tem essa E o Juliano, ele não deixa, ele entrou com ação, impede todo mundo, acaba que ninguém ganha dinheiro, nem ele nem a banda. Então, cara, eu já domino essa porra bem pra caralho, porra, né? Já fui eleito o melhor administrador de artistas, é, mantenedores de artista falecido, no caso meu pai. O próprio Xandão, filho do Chorão. Pô, Carmelo, vem cá, como é que você negociou as bases contratuais do filme do teu pai? Meu pai. Eu falei: poxa, Andão, com todo respeito, acho que cada um tem que saber o valor, né, do teu pai. Eu sei o meu, é o valor do meu pai, eu sei. Você tem que saber o seu.
Bola:É o espólio, né, que você chama, né?
Carmelo Maia:Não, não, eu digo o valor do artista mesmo.
Bola:Não, não, sim, mas você cuida do espólio do teu pai.
Carmelo Maia:É porque quando a pessoa morre, e vou falar até aqui para vocês, porque assim, eu sou advogado, e aí acho que a gente tá falando para uma, para uma uma gama de pessoas que não— e todo mundo aqui é advogado que tá assistindo. E aí vem os advogados que querem 10 segundos de fama. Porra, você falou errado, uma burrice, cara. Quando eu falo, eu falo de uma forma humana, acessível para quem tá escutando entender o seguinte: eu herdei 413 processos judiciais e 5 milhões de reais de dívida.
Bola:Caraca, irmão, que que é isso?
Carmelo Maia:413 processos judiciais? Claro que não fui eu que day, né?
Carioca:É, mas sobrou para você resolver.
Carmelo Maia:Tem lá o artigo, vou falar para os advogados aí de plantão, é aquela câmera lá, é artigo 1792, artigo 1997, artigo 1997 e artigo 618 do Código de Processo Civil. Artigo 618 do Código de Processo Civil fala sobre o inventariante e o resto fala sobre o inventário. Então assim, Claro que quem é o inventariante administra o espólio. Sim, né? Eu não— a dívida não passa para mim pessoa física, tá? Mas eu não vou ficar aqui tecnicamente falando, né? Então assim, já expliquei para esse Zé Rodelo que enche meu saco depois. Então assim, não vou ficar— vamos falar humanamente aqui. Eu herdei essa caralho toda, tá? Então eu tenho que fazer dinheiro, eu tenho que fazer a máquina gerar. Tem gênios que estão esquecidos, conhecidos, né? E eu não vou ficar falando nomes aqui. Então a gente pega o Spotify, tem lá os ouvintes mensais, tem uma métrica, tá, né? Por exemplo, se você pegar agora, entrar no Spotify, os ouvintes mensais do meu pai tá ali nivelado junto com Gilberto Gil, que tá vivo, junto com Djavan, que tá vivo. Quando é que dispara? Quando eles lançam algum álbum inédito, tá? Então assim, o meu trabalho trabalho é exatamente fazer, pegar a geração que não conheceu meu pai, dos anos de 2000 para cá, e fazer conhecer, e fazer conhecer, lógico, né? Então eu, há 28 anos, eu faço a máquina girar, eu tripliquei o patrimônio do meu pai.
Bola:Legal, cara, teu pai deu mais que o Gilberto Gil esse mês. Então, para você ver aí, ó, Caetano, tô conferindo aqui, ó, teu pai deu 4 milhões e meio.
Carmelo Maia:Então isso aí é tudo fruto do meu trabalho. É o que acontece, é um pouquinho mais, é porque lançou álbum, tá fazendo show, que isso tudo conta, gente, entende? Assim, é o herdeiro, ele não senta numa cadeira e fica esperando cair os royalties, direitos autorais. Não, eu tenho que fazer a máquina girar, entendi. Querendo ou não, isso aqui hoje é um trabalho meu, não tem a dúvida. A gente tá aqui conversando sobre sobre como é que é o legado, sobre como é que eu administro essas obras judiciais. Por exemplo, no início, que assim que meu pai morreu, eu tinha 3 ações acontecendo em 3 varas ao mesmo tempo. E aí o juiz falava assim: o filho dele realmente tem a quem puxar, né? Ele não veio hoje, né? Aí meus advogados, que eu tenho 8 escritórios, falavam assim: Excelência, com todo respeito, Carmelo Maia tá na 2ª Vara de Família resolvendo outra coisa. Então assim, ele não é onisciente, Onipotente, onipresente, não dá para tá, entendeu? Então assim, eu acho que ele deveria entrar para o Livro dos Guinness, porque porra, se eu fosse Vale do Rio Doce, Petrobras, tudo bem. Agora Tim Maia processou Deus e o mundo, e se deixar, ele processou a si mesmo, porque ele processava a gente para cacete.
Carioca:É mesmo? É, tá cá o processo.
Carmelo Maia:E era processado. Agora, uma das, uma das minhas atividades laborais, por exemplo, cara, eu tenho que ficar diariamente vendo a pirataria. E pirataria, a gente não fala em CD não, que as pessoas associam. Então, por exemplo, uma vez o Luciano Huck queria, ele queria que eu fizesse de graça, né, porque ele tava fazendo uma caridade, com todo o respeito, pegar umas letras de música do meu pai e vender na Reserva, porque acho que ele tinha umas ações da Reserva, alguma coisa assim e tal. Aí eu falei: não, cara, aqui a gente vai cobrar, né? Ele mandou alguém negociar, mas pedindo gratuitamente. Ah não, porque o Luciano Huck, ele quer fazer uma caridade e tal. Então, mas a caridade é dele, não é minha. A minha caridade eu faço. Aqui tem um preço, eu não posso dar a zero de cento.
Bola:Até porque a marca usa como marketing também, vamos combinar. Você entendeu, né? Caridade com a marca usando seu pai, eu entendo.
Carmelo Maia:Agrega valor.
Bola:Não, eu— agrega valor e aquela coisa, a marca tá se beneficiando, na minha opinião, de uma situação, né? Até porque ela tem uma loja aberta. Eu entendo dessa forma, é a verba de marketing que o cara faz, né?
Carmelo Maia:Que a minha, de uma coisa que pediu emprestado, é isso, né? E aí eu neguei. E na indústria fonográfica, a maioria das pessoas fala assim: e rapaz, Carmelo é um dos caras que mais nega. Não, eu não sou um dos caras que mais nego.
Carioca:Eu apenas, eu sei dar valor, precificar algo que você tem, ao que eu tenho, cara.
Carmelo Maia:Porque o Tim Maia virou uma marca, sim, uma marca valiosíssima, entende? Por exemplo, eu fiquei negociando 7, 8 anos com judeus americanos D'Angelo, o musical do meu pai na Broadway. Quem ia fazer meu pai, quem ia fazer meu pai era o D'Angelo, esse que morreu agora. E não rolou? Não, não rolou porque assim, eu, eu já tava fechando o musical, só que do musical o cara queria fazer uma cinebiografia. Da cinebiografia ele queria pegar todos os discos do meu pai, relançar em 100 mil, mas não paga nada. Eu falei assim, não, pera aí, pera aí, vamos devagar. Para cada produto, uma nova coisa, uma nova negociata. Eu não tô passando fome, pô, eu tô bem aqui. Então sinto muito, meu irmão, não vou, não vou autorizar.
Carioca:Vou abrir as pernas.
Carmelo Maia:Só que assim, eles pensam que, porra, que nós somos terra de tupiniquim, lá eles são os americanos. Mas era uma pergunta que eu fazia assim, cara, mas por que Tim Maia, se tem Michael Jackson, Barry White, Tina Turner, tem tanto? Eles são patriotas, nós não somos gaviotas, né? Eu não entendia. Aí ele falou, cara, porque Tim Maia, porque o teu pai, se não fosse expulso dos Estados Unidos, não era para ser nunca de vocês, era para ser nosso.
Carioca:Ele foi expulso por quê, irmão?
Carmelo Maia:Ó, de roubo.
Carioca:Roubo?
Carmelo Maia:Ele pegou um carrinho emprestado lá de Nova York, desceu até a Flórida para ficar um pouquinho corpo mais aquecido, mais um maluco igual a ele. E depois de 4 anos ele ia devolver o carro. E numa dessa, lá na Flórida, que ele tá roubando supermercado para pegar aqueles frangões grande pra caralho, para se alimentar mesmo, a polícia rapidamente achou que era lojas americanas e não era. Que bicho louco, velho!
Bola:Pirada de galinha, achou que era Lojas Americanas.
Carmelo Maia:E aí pegaram ele, pegaram ele, aí pegou 10 meses de cadeia.
Carioca:É mesmo, ficou preso lá, ficou preso lá mesmo e soltou deportado, né?
Carmelo Maia:Mas ele tinha um medo de ir para cadeira elétrica, porque quando chamavam lá para algum motivo, né, que eu agora eu não lembro, ele falava assim: porra, meu irmão, quando me chamava, eu te amo, ó grilo da cadeira elétrica. Aí ele tinha medo mesmo. Mas até quando chegou aqui no Brasil, expulso, ele tava começando, ainda não era Tim Maia, cara. Mas aí, olha só, eu não vejo assim como um mau caráter, um desvio de comportamento, não. Parece que é uma criança grande de que parece que esqueceu o que ele resolve fazer. Resolve ele, mas um outro, como é que era o nome do cara? Eu não lembro agora, mas tem um apelido engraçado. Eles resolvem entrar numa loja de móveis e roubar aqui no Brasil, aqui no Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro, e roubar cadeiras de vime. E eram 4 correndo Meu irmão, quando chegou a polícia, todo mundo largou a cadeira de vime, saiu correndo. O único que ficou correndo com a cadeira de vime nas costas, correndo, correndo, correndo, correndo, era ele. Aí voltou para pegar mais uma cadeira de vime, daqui a pouco, aí pronto, preso. Tim Maia, 9 meses, freicaneca.
Carioca:Que figura, velho!
Carmelo Maia:Porra, meu irmão, eu fiz mais merda na minha vida, porra! Não entendi porra nenhuma, para que que eu fui pegar aquela merda ali da cadeira de vime, porra?
Carioca:Eu quero roubar cadeira de vime.
Carmelo Maia:Aí só quando ele foi fui para cadeia mesmo, porque ele falou: não, eu tenho que cantar, eu não tenho nada a ver. O que que eu tô fazendo isso, cara? Não tem nada, tô trazendo uma tristeza para os meus pais, não é legal isso, tá tudo errado.
Bola:É mais companhias, né, o ambiente e a cabeça fraca, né. Ele parecia ser, pelo que eu já vi você falando, que ele era um cara muito generoso, muito. Tudo que ele ganhava, ele meio que dava. Ele era um cara assim, entendeu? Ao mesmo tempo que ele fazia umas merda Aliás, ele era um cara do outro lado, ele não tinha muito essa, era 880.
Carioca:É mesmo?
Carmelo Maia:É, por exemplo, ele comprou um dos primeiros carros que ele ganhou dinheiro para caralho naquela época, o Fiat Uno. Era Fiat Uno? Tem, antes, antes é Uno mesmo, Uno, Uninho, Premium Uno, tinha esses carros. Deu um tilt, parou lá no viaduto Paulo de Frontenac no Rio de Janeiro. Aí tu imagina, Tim Maia dirigindo um Fiat Parou. O que que ele fez? Saiu andando, ligou para a minha tia, irmã dele, que morava ali no Rio Comprido, onde eu morava. Falou: Ana Maria, para do seguinte, quer ganhar um carro? Eu ganhar um carro? Por que ganhar um carro? Porque eu nunca vou tirar esse carro aqui do viaduto. Se quiser, tu pega esse carro aqui para você, fica para você.
Carioca:Caraca, velho!
Carmelo Maia:Aí ele deu o carro assim para minha tia, entendeu? Porque ele queria ter a praticidade de ir na loja, comprar, não ter dor de cabeça, encher o saco. Nunca votou na vida.
Carioca:É mesmo?
Carmelo Maia:Não, para quê votar na vida?
Carioca:Mas não justificava, não muda, né?
Carmelo Maia:Pagava multa, cara, pagava multa. Hoje em dia é 3 reais. Mas depois, com o tempo, ele quis ser senador, mas aí não deixaram, porque ele queria, ele fundou o partido, né, o PLG, G.
Bola:Qual era?
Carmelo Maia:É o Partido Liberal geral, liberal geral, Planalto 24 horas, festa geral, liberado total.
Carioca:Aí não permitiram.
Bola:Ó, eu li no livro lá, eu li no livro do Nelsinho que o começo do seu pai foi conturbado com Roberto Carlos, dos Sputniks lá, que conturbado em que sentido? Porque eles eram da Tijuca se reuniram, foram no Carlos Imperial, né, na televisão, tá, molequinho, era uma banda que eles tinham até mais uma banda, isso não sei se era, quem era, eles eram da mesma banda, e aí eles foram no Carlos Imperial para se apresentar na TV, se apresentaram, Nikiki tava indo embora, chamaram o Roberto, o Roberto foi, essa é a questão, ou chamaram, combinado que não sai caro, né, é o combinado, foi tentar sozinho, entendeu? Para ser o Elvis brasileiro, para ser o Elvis brasileiro.
Carmelo Maia:Aí meu pai foi tirar satisfação com ele, mas lógico, foi tirar satisfação com ele, porque é aquela coisa, né, cara? Pô, o conjunto somos nós três aqui, aí vamos fazer uma sociedade. Pô, Carmelo, vem para cá trabalhar comigo, pô, vamos.
Bola:Mas isso no meio acontece para caralho, muito acontece, muito, muito. Eu já vi muita história assim, muito.
Carioca:Já aconteceu com a gente.
Bola:Muito, sim.
Carmelo Maia:Mas tu imagina isso acontecer com o temperamento de um cara chamado Tim Maia.
Bola:É, não devia ser fácil, com o coração grande que ele tinha também.
Carmelo Maia:Um cara que generoso para caramba. Primeiro, Roberto Carlos, antes dele ser Roberto Carlos, que ele veio lá de Cachoeira de Itapemirim, morava em Niterói.
Bola:Roberto, maravilhoso.
Carmelo Maia:Antigamente era difícil ele falar, que veio de Cachoeiro, Itapimirim, cara. Ele comeu muito na casa dos meus avós, que eram pensionistas, né? Eles tinham pensão. E não era ninguém, meu irmão. Então assim, até a minha avó, último dia de vida dela aqui na Terra, o Roberto Carlos todo Natal ligava meia-noite. A gente já sabia, meia-noite, certeza, é aquela parada do toque dele, né? Meia-noite, meia-noite, né? Não era 11:59 nem meia-noite e um, era meia-noite. Aí ligava, falava com ela, desejava feliz Natal.
Bola:Foi grato, né?
Carmelo Maia:Foi um cara grato. Sim, sim, tinha uma atitude bonita, gratidão. Gratidão misturado também com a mania, né? Porque depois que a minha avó morreu, ele nunca mais ligou para ninguém também.
Bola:É porque parece que tinha gratidão com a tua avó, né, de ter recebido ele no começo.
Carioca:Robertão voltou para trás falar com alguém, teu pai foi tomar satisfação com ele, tomou satisfação ele.
Carmelo Maia:Aí a porrada estanca, né, cara? Aí a porrada estanca. Imagina, a porrada estanca. Vamos, vai, conta aí, filho da puta!
Carioca:Cara é um lazarento, velho.
Carmelo Maia:A porrada estanca. E aí acho que o Sputnik acaba e cada um segue. Mas meu pai, você viu, meu pai guardou isso, porque quando ele deu uma entrevista para Bruno Lombardi, ele falou Ele falou, cara, eu tenho uma mágoa do Roberto. Eu nunca conheci os filhos do Roberto. Eu gostaria de ter conhecido os filhos do Roberto, mas hoje também para mim não dá mais. Hoje eu sou Tim Maia, meu irmão, ele é o Roberto, tá tudo certo. Mas a vida podia ter sido muito bem diferente. Meu filho conheceu os filhos dele.
Carioca:Entendi.
Carmelo Maia:Então ele tinha uma mágoa. No fundo, no fundo, talvez ele revisitava aquele lugar, pensava com carinho, mas também assim Pô, sou Tim Maia, bicho, a vaidade. Ele sabia que ele era muito melhor do que o Roberto, que a grande verdade é essa. Tanto é que a frase que tem no livro, quando ele fala: "Pode juntar Roberto Carlos e Erasmo, os dois cantando não cantam mais do que eu." E às vezes ele falava: "Por que Erasmo Carlos e não Erasmo Maia?" Se foi eu que ensinei para Erasmo Carlos os 3 primeiros acordes.
Bola:É, dizem que ele que ensinou todas as músicas no começo de carreira do Roberto e do Erasmo, são 3 acordes, o próprio Tim também. O Tim Maia foi o cara que mais permaneceu nos 3 acordes, né? Vamos combinar assim.
Carmelo Maia:Pô, às vezes música de um acorde só, né? É, como Sossego.
Bola:É uma música que só tem um acorde.
Carioca:É, que loucura, cara.
Bola:E assim, o Tim Maia ele fez do simples uma coisa foda. Sim, foda. Metaleiro, Lil' Com Olivetti. Eu sou fanático no Lil' Com Olivetti, fanático, fanático assim. Eu acho Cara, ele foi o grande, seu pai devia ser louco no Lincoln, né?
Carmelo Maia:Sim, sim, o Lincoln era um gênio também.
Bola:Os arranjos de metais, né, velho?
Carioca:Teu pai tem algum parceiro, irmão? O Edson Trindade, parceiro de música, de trabalho. Não, meu pai era muito bravo assim a vida inteira?
Carmelo Maia:Não, a vida inteira não, mas meu pai era muito benevolente porque assim, ele tinha um talento como compositor, nem quando cantor nasce, por exemplo, Edmota é um, não adianta. Edmota não gosta de música brasileira, é mentira, entende? Então quando ele tá ruim, aí ele— Colombina foi mais ou menos por aí.
Bola:Colombina é Rita Lee, né?
Carmelo Maia:Então é Rita Lee, aí vem pro pop, Colombina, aí estoura. Aí depois ele vem para aquele— não se vá.
Bola:Você ama seu primo.
Carmelo Maia:Não, eu gosto dele, cara, mas eu acho que não tem que falar do meu pai, entendeu? Sim, eu assim curto ele, curto ele, gosto dele, é de modo um beijo, pronto, pronto, entendeu? Tá tudo bem, se vai mal, se vai mal. Alô, Paraíba! Aos Paraíba!
Bola:Mas Mas assim, por exemplo, o Roberto com o Tim Maia dizem que, pelo menos eu vi no filme, né, que ele foi embora para os Estados Unidos e quando ele voltou ele deu uma cagada.
Carmelo Maia:É isso aí, ele deu uma cagada, ele fingiu que não conhecia.
Bola:Foi a mulher do Roberto que disse isso.
Carmelo Maia:A Nisse. Essa história aí.
Bola:Porque o Roberto tava muito estourado e o Tim Maia voltou preso, cara.
Carmelo Maia:Roberto Carlos estava com 8 carros enquanto o Tim Maia pedalava a pé mesmo. Eu te amo. E aí ele tentava, tentava e não conseguia, até o dia que ele conseguiu furar. E aí, pô, tu quer o quê, Tim? Quer um dinheiro? Então toma aí. Jogou para ele assim, não quero dinheiro não, cara, só quero uma oportunidade, me ajuda aí, pô. Tu ia lá em casa, bicho, pô, sabe? Minha mãe, pô, me ajuda aí e tal. Mas o cara não ajudava não. Então assim, precisou ele ser quem ele foi. Aí tudo bem, com o tempo eles gravaram Pede a ela, que aí meu pai engole ele cantando. Pede a ela, por exemplo, você falou de compositores, mas tem histórias hilárias, por exemplo, muito legais. Ele e a Gal Costa.
Bola:É boa essa história, né? Do dia de domingo.
Carmelo Maia:É, Gal Costa, Tim Maia foi para o estúdio primeiro e botou a voz dele.
Bola:Esse é Sullivan Massadas, tá?
Carmelo Maia:Esse Michael Sullivan e Paulo Massadas era um grande parceiro dos livros do meu pai de música, tá? Mas eu sinto muito porque teve uma galera que esperou meu pai morrer para entrar com uma ação. É, eu não sei se é o Michael Sullivan ou se é o Paulo Massado, um dos dois, é, me levou 300 mil. E aí é igual brincar de amarelinha, quem errou sai. Então assim, eu reproduzo o que meu pai fazia, tá?
Carioca:Não tem fácil, acabou.
Carmelo Maia:É porque não acho legal o direito Conversação é a qualquer um e a qualquer tempo, mas poderia chegar para mim e sentar e conversar. Carmelo, olha só, pô, cara, fui parceiro do teu pai, isso, teu pai nunca prestou contas.
Carioca:Agora, pô, por que que vamos acertar isso?
Carmelo Maia:Vamos acertar, vamos fazer um bem bolado aqui, tá bom? Vamos embora. Mas não, a galera começou a entrar. Fora outros que chamaram meu pai até de estelionatário, né, cara? A galera pegou pesado, pegou Pegou pesado. Mas o lance da Gal é interessante porque o Tim Maia, que sempre, não sempre não, mas de vez em quando faltava show, ou às vezes era, não era tão pontual, ele foi pontual, botou o vozeirão dele e falou: mas cadê a Gal? Olha, Tim, a Gal ela não vai vir. Mas como assim não vai vir? É porque o vestido dela não ficou pronto. 'Então ela não vai ter vestido para vir.' 'Ah, é? Então tá bom.' Aí ele foi embora. Aí a Gal marcou um outro dia, agendou outro dia, né? E resolveu botar a voz e falou: 'Olha, liga para o Tim Maia.' Aí ele falou: 'Tá bom, eu vou.' Aí a Gal ficou lá vendo a vídeo, daqui a pouco pediram para ligar para ele de novo. "Avise a Pagal que o meu vestido também não está pronto." Puta, que maravilhoso.
Bola:Mas ele era doido pela Gal.
Carmelo Maia:Aí o que que aconteceu?
Carioca:Ele queria pegar a Gal?
Bola:Ele era apaixonado pela Gal, é verdade.
Carmelo Maia:Isso eu não sabia não.
Bola:Que ele era apaixonado? Não. Ele achava a Gal a mulher mais linda.
Carioca:Mas quem falou isso?
Bola:Tá no livro lá.
Carmelo Maia:Não.
Bola:Que ele acha ela linda, que ele achava ela uma das mulheres mais bonitas.
Carmelo Maia:Não, mas achar bonita não significa que ele amava.
Carioca:Que era apaixonado.
Bola:Porra, se você tá mandando a nega sem dente e madeira, "É claro." Eu concordo com ele, ele pode achar bonita, mas ele não queria pegar.
Carmelo Maia:Não, não, até porque sabia que a Gal nunca viu rastro de cobra nem couro de lobisomem, ela era, a antena dela era outra.
Bola:Sim, mas ele não perdoava, não queria perdoar.
Carioca:A antena era outra, tava pegando o Tino, claro, né, bicho, tá errada a coisa aí.
Carmelo Maia:Eu pensei que eles tinham assim um um, não, não, a galera achava que meu pai tinha um lance que eu era filho da Sandra de Sá.
Bola:É mesmo? Cara, essa é uma história. Então eu vou te contar uma história muito boa com a Sandra de Sá em relação ao teu pai. Eu tava gravando para o Pânico, isso não foi ao ar, eu lamento profundamente, eu acho, no Pânico, não, aonde está gravando? Lembra que eu fazia um negócio do lembro, passageiro, lembro. Aí eu tava gravando, eu puxei exatamente esse assunto, que com quem? Com a Sandra de Sá, que era Sandra Sá, Sandra Sá. E aí, cara, eu puxando esse papo com a Sandra de Sá sobre o Tim Maia, porque ela foi backing vocal do teu pai, né? Ela era backing vocal do teu pai. E aí, cara, eu falei, mas porra, e aí, o Tim Maia já tentou te pegar? Tá olhando o papo, né? De dar Ele: o quê? Não, porque o Tim Maia me pegar? Eu que pegava as mulher dele. Ela mandou essa, velho, numa boa.
Carioca:Caraca, ele marcava e eu ia lá e pegava.
Bola:Ela mandou, velho, ela é gente boa demais, mandou uma figuraça, né, velho? Mandou uma figuraça.
Carmelo Maia:Ela achava que eu era filho dela. Eu falei: "Não, cara." "Mas por que filho dela?" "Não, porque teu pai não comia ela ali." "Não, quem comia, pô?" "Ela também, pô." Uma turma tende a achar que teu pai comia o mundo, né, irmão? Cara, pra você ver, ele contratava prostituta. Mas não necessariamente com o...
Carioca:O intuito.
Carmelo Maia:É, o... Como é que fala? Esqueci agora. Com o sexual, não era com... Com objetivo sexual, cara, ele tinha uma solidão, uma carência tão absurda.
Carioca:Dá para trocar uma ideia de repente.
Carmelo Maia:Ele só queria que você ficasse do lado dele, perto dele para conversar.
Carioca:Entendi.
Carmelo Maia:Porque ele sentia muito solitário, cara.
Carioca:Que coisa, irmão.
Carmelo Maia:Então tem depoimentos que as prostitutas mesmo falam, cara, para mim era um prazer, porque primeiro ia lá, ele me pagava bem, ou seja, pagava acima da com ela. Elas não transavam, elas não faziam nada, e era um show à parte para elas, porque ele tava conversando, falava uma porrada de besteira, e elas tinham uma intimidade que muitos gostariam de acessar, né? Aquela parada da acessibilidade, né?
Carioca:Curtir Maia, caralho, porra, irmão!
Carmelo Maia:E não tinha nenhum um 5 contra 1 nele, nada, não, final feliz, não, não.
Carioca:É isso mesmo. Que coisa, irmão.
Carmelo Maia:Agora, claro, às vezes ele contratava, mas aí era uma coisa assim: fala aqui com meu filho. Contratei uma preta e uma branca. Aí: Oi, oi, tudo bem? Como é que você vai? Ele: Pô, vou bem, e você? Eles passaram com você com 18 anos, né? Aquele papo, meu filho já tem 18 anos. Mão, pau grandão. Fala com ele aí, fala com ele aí.
Carioca:Mão sabe que eu comi cadeirante.
Bola:Ô Carmelo, eu queria saber, sei lá, histórias de música. Por exemplo, eu vi um musical que na época, obviamente você que deve ter produzido, ter autorizado, que foi o do Abravanel, 2011.
Carmelo Maia:Muito bom musical, né? Produção do Sandro Saim, que eu chamo de Sandro Chatim. Bicho é foda, velho, entendeu? E não, meu irmão, eu dei um porra, eu dei um supapo, eu dei no dia da estreia. Eles me sacanearam feio pra caralho, ele tava no meio de 3 coroa. Eu falei, vai, deu um bem dado. Falei, meu irmão, isso é pra tu aprender a nunca mais fazer comigo. O que aconteceu?
Carioca:Feio, velho.
Carmelo Maia:Aconteceu foi o seguinte, biografia, tá? A lei antigamente você precisava pedir autorização. Isso hoje em dia não.
Bola:Ah, é?
Carmelo Maia:É, hoje em dia você pode escrever.
Carioca:Eu posso fazer uma biografia tua?
Carmelo Maia:É tua, mas se tiver uma inverdade, ele vai ter que provar. Caso contrário, indenização. Então, por danos morais, materiais, etc., tá ferrado, entendeu? É isso que acontece. Então, na época não tinha que autorizar. Então, cada capítulo eu lia e autorizava punição à morte, tá, cara? Quando foi chegando no final, é muito simples, cara. A gente, quando vê um filme, você não tem ligação nenhuma. Eddie Murphy, comédia, você ri. Sei lá, com qualquer outro ator agora, ou drama, você chora. Então assim, não diferente seria com um ente familiar meu, a história do meu pai. Eu estava com ele no Teatro Municipal de Niterói, eu acompanhei todo o processo, inclusive quando ele foi, os 3 dias antes dele morrer, ele me chamou no hospital, foi a primeira pessoa e única que ele chamou, a minha tia, que é a última, é de saia, Ana Maria, Ela, enfermeira, 20 anos de CTI, ficou lá com ele. E ela me ligou, falou assim: 'Thelmo, vem pra cá, vem pra cá, que teu pai não sai mais dessa não.' E, cara, eu tinha pavor de hospital. Quando eu cheguei lá, meu pai tava contido, aquele barrigão, né, cara, aquela coisa aqui. E aí eu olhando, eu fiquei nervoso pra caramba. Eu tinha uma junta médica grande. Aí falou: 'Fica tranquilo, a gente só precisa ver se o teu pai saindo desse coma induzido, que ele agora a gente já tá tirando sedativo dele, devagarzinho, se algum comprometimento cerebral, porque ele teve duas paradas cardiorrespiratórias. E a primeira pessoa que ele chamou, e até agora foi você, aí começaram a acordar ele. E nisso os monitores começaram pipipipipi, o Felipe: eu quero ir embora, eu quero ir embora, eu quero ir embora, cara, tá me dando nervoso. Calma, meu filho, calma. Aí quando ele acordou, cara, ele tentava, ele me viu, ele tentava soltar. Aí minha tia pediu para tirar a contenção do braço, aí tirou. Ele pegou na minha mão, apertou. Aí com muita dificuldade ele botou a mão no coração. Aí quando botou a mão no coração, cara, ele começou a chorar. Nisso, pipipipi, aí os médicos falaram assim: fica mais um pouco, porque agora é o melhor momento dele dele nessa uma semana que ele tá aqui, que eles chamam a melhora da morte, né? E eu fiquei mais uns 40 minutos. Aquilo me angustiava, gerava uma ansiedade louca, porque, cara, eu nunca tinha entrado em CTI, nada pesado. É, pô. E assim, ele não tinha plano de saúde. Por que que não tinha plano de saúde? Vocês estão querendo me agorar, meu irmão?
Carioca:Para que plano de saúde? Aí pensava assim.
Carmelo Maia:É, então assim, ele tá, ele tava num hospital da prefeitura de Niterói.
Bola:Não é o Antônio Pedro, é da universidade, da UF, da UF.
Carmelo Maia:Federal.
Bola:Então não é um plano da rede, mas é uma, é, não é, mas é um hospital também que nego chega lá, salva a vida, aqueles hospitais que acidente, nego sabe.
Carioca:Sim, sim, gosta do negócio, clínicas aqui.
Bola:É isso aí, Antônio Pedro é um hospital que bate de tudo, baleado, o caralho. Os caras ali estão preparados, hospital de guerra, a gente fala de guerra.
Carmelo Maia:E aí, cara, o que que acontece? Eu fico lá até um certo tempo, cara. A única— e ele tentando falar alguma coisa e eu não consegui entender. E a minha tia, que já tá acostumada com paciente de CT entubado: Tião, faz o seguinte, se for sim, você pisca uma vez, se for não, você pisca duas vezes. Só que ele tentava falar, eu não, cara, não sou da área de saúde. Desesperado, olhando para ele assim, eu ficava nervoso. O que que ele tá falando, cara? Eu não tô entendendo. A a única coisa que eu entendi foi quando ele falou: vai tomar no cu, seu bobão. Falei: ele já tá bom, ele tá bom pra caralho, deixa embora, deixa embora. Zero, zero.
Bola:Mandou você tomar no cu?
Carmelo Maia:Mandou tomar no cu, mandou tomar no cu, tá? Vai tomar no cu, seu bobão. É, eu entendi. Já tá bom, já tá bom. Aí eu fui embora, 3 dias depois ele faleceu, ele faleceu.
Carioca:E ele foi o quê?
Carmelo Maia:Foi, foi É embolia? Não, quando você— a sepsemia, né? Que você, os órgãos, infecção generalizada, isso, infecção generalizada, múltipla falência dos órgãos, isso aí.
Carioca:Entendi.
Carmelo Maia:Tinha diabetes, não cuidava, não cuidava, ele comia um pudim sozinho, manjar sozinho.
Bola:Então levou a vida do rock and roll, né? Até durou muito, né? Se você parar, quando ele foi pai, tinha na época 75. É, então, e obeso pra caralho. Tava quantos quilos ali, cara?
Carmelo Maia:Mais de 150.
Bola:Então, obeso, né, cara? Mais de 150, com droga, com bebida. E ele chapava até aquele momento ainda, ou ele tava mais light?
Carmelo Maia:Ali ele já tava mais light, era só uma garrafa. Não, cocaína ele tinha parado, por incrível que pareça. Cocaina ele tinha parado, whisky ele tinha dado um um tempo bom. Só maconha que não, tá? Só maconha que ele não parava mesmo. Quando ele teve gangrena de baurete, ele chama de baurete. Quando ele teve gangrena de Fournier, né, que ele falava assim, pô, Fournier foi um francês que perdeu o saco na época e fizeram uma homenagem a ele. Então ele teve uma, essa doença que é uma bactéria que come você todo, mas graças a Deus, ele, cara, Deus foi muito bom para ele porque ele não queria ir para o hospital, ele se automedicava, ele mesmo aplicava. Eu tô passando pomada de Arnica da Índia. Eu falei: é mesmo, pai? É, eu tenho piodermite. Eu falei: mas piodermite da onde, cara? Derme é pele, ite o sufixo inflamação, pus da pele. Eu tenho isso. Quem era eu para falar alguma coisa, né? Eu sei que daqui a pouco meu pai começou a ficar com tempo com febre, delirando. Aí eu ligo para minha tia, minha tia manda o urologista ir lá e tá delirando para caramba. Aí de repente o cara tá lá examinando, cara, mas o cara tinha um— meu pai tinha uma saúde de touro que ele acordou do delírio e quando ele viu o médico examinando, ele se jurou que o médico tava querendo meter o dedo no cu dele. Ele falou: filho da puta, sai todo "Vai embora daqui, seu médico viado!" Meu irmão, expulsou minha tia, a irmã dele, expulsou todo mundo, meu irmão, todo mundo. E aí, daqui a pouco, ele começou a ele mesmo a contratar uma enfermeira e aplicar Besetacil.
Carioca:Puta merda.
Carmelo Maia:Um belo dia eu chego na casa dele, cara, o saco dele parecia uma marmita.
Carioca:Nossa Senhora.
Carmelo Maia:Ele veio andando Ele falou: e aí, meu filho? Aí, olha o tamanho do meu saco. Caralho, meu irmão, eu falei: que isso, cara? Que isso? Puta merda, coisa estranha. Eu fiquei nervoso, eu falei: caralho, pai, que isso, cara?
Carioca:É.
Carmelo Maia:Aí falei com a minha tia. Eu sei que a equipe da produção dele, no meio da semana, conseguiu levar ele para o São Bernardo, que era ali nas Américas. E ele delirando, ele nem sabia que tava sendo levado. Quando ele chega lá no São Bernardo, meu irmão, ele Ele acorda e sai correndo. É mesmo, correndo, meu irmão.
Carioca:Pô, tinha algeriza no hospital.
Carmelo Maia:Pavor.
Carioca:É mesmo, cara.
Carmelo Maia:Quando eu fui visitá-lo, ele na Clínica São Vicente, que foi esse caso, que aí ele não tinha mais para onde correr. O urologista falou: olha, eu tô vindo aqui pela segunda vez, eu vou te falar, se pegar corrente sanguínea, você morre. Aí ele foi para Clínica São Vicente, foi para Clínica São Vicente, tirou tudo Aí ele falou: pô, meu irmão, tiraram 1kg de pele necrosada. Nossa Senhora! Mas ninguém entendeu como é que a minha cicatrização era rápida. Eu tava fumando meu baurete todo dia aqui na Clínica São Vicente. Aí os médicos falavam assim: caraca, irmão! Ele falava assim: porra! Os médicos falavam: nossa, Tim Maia, mas que evolução, rapaz! A sua gangrena de Fournier evoluiu de uma maneira rápida. Tão rápida, tão diferente de todo mundo. Mal sabe os cara que é cannabisativa, é medicinal. Eu fumo esse baurete, mando acender essa palha, abrir essas varanda, joga o bom ar nessa caralho toda e tá tudo certo.
Bola:É, ele foi o precursor do canabidiol, cara. É, tá aí, ó, canabidiol aí, meu irmão.
Carmelo Maia:Do bafômetro, do bafômetro. Pô, eu com 18 anos na casa dele, tinha lá geladeirinha dele com Né, mas cervejinha e tal. Então, cara, eu pegava até o ovo. Oi, pai, chega aí. Aí, pô, pegava mesmo, botava aí atrás do sofá, né? Tá tomando o quê, meu irmão? Eu tô tomando Pepsi. Tem certeza? Eu falei, pô, tenho, pai. Chega aqui, para assim, ó, aqui no meu nariz, no meu nariz. Pô, sorte na hora, bola! A sorte que eu não tinha, ia ficar aquele cheirinho, né? Aquele perfume da cerveja, que é Alcozin. Alcozin, lá ele, né? Então, pô, aí, meu irmão, eu falei: não, pai, tô tomando Pepsi. Pepsi, lá, meu irmão, tô ligado, hein? Falei: não, estou no Pepsi, tô lá na sala tranquilo. Então tá bom. Aí eu voltava para sala, meu irmão, Tomava no sapatinho. Ele era caretaço comigo, não tinha esse negócio não.
Carioca:Você não tinha essa, ele era loucão, mas com você... Total. Cara, que loucura, cara.
Carmelo Maia:E assim, não vou falar, não conto mentira, tá? Eu conto mais derrota do que vitória.
Carioca:Sim.
Carmelo Maia:Mas por exemplo, o Tim, saxofonista da banda, quantas vezes o meu pai, cara, causava uma insegurança na A casa de espetáculo, se vai ou não vai, se vai ou não vai, para caralho, isso eu nunca me esqueço. Aí o Tinho ligava para mim, lá para minha casa, para pedir para eu ir buscar o meu pai para ele. Então assim, algumas vezes, não vou falar que foi mérito meu não, mas acabou sendo a força que fez mover o meu pai, ele ia junto, não tenha dúvida, ele ia junto. E aí um belo Um dia desses eu levo meu professor de literatura, que é igual o Eddie Murphy, dava aula igual o Eddie Murphy, terno e gravata, bonito, elegante. E ele falava assim: o seu pai quando morrer será o anti-herói da literatura, só vão valorizar o Tim Maia depois que ele morrer. Falei: pô, tem que levar esse cara para ver o meu pai, né, pô. Aí levei, falei: pai, o Guimarães aí. O Guimarães, porra, aplica uma dose aí para o Guimarães, meu irmão. Aí Guimarães não bebia nada e tal. E eu chegava no camarim, eu já ficava preocupado porque assim, tinha uma galera que gostava de um pó, tinha uma galera que adorava um baseadinho. Então eu começava a falar assim, aí disfarçadamente, vamos que meu pai amanhã tem que fazer show.
Carioca:Vamos causar, né?
Carmelo Maia:Meu pai foi o único artista boli carioca que abriu o camarim para familiares conhecidos e desconhecidos. Nunca viu você na vida, ele ficava aqui até 6, 7 horas da manhã amarradaço, fumando uma viado, cantando.
Bola:Era alegria, era a vida social dele, né?
Carmelo Maia:Sabe?
Carioca:E vamos dar um tempo, vamos cheirar aqui todo mundo.
Bola:Era balada dele, era balada dele, né?
Carmelo Maia:É o after.
Bola:É porque, por exemplo, eu conheci uma dupla sertaneja, agora vou tentar lembrar, Henrique e Diego.
Carioca:Henrique e Diego, tem.
Bola:Que é estouradaço e tal.
Carioca:São foda.
Bola:A gente, eu fui naquele São João de Campina Grande, grande, meu, os cara atrasaram quase 2 horas para entrar porque tava, eu tava com o Mussão lá, o Renan da Resenha, maravilhoso, cara. Os caras vivem na fazenda, eles vai fazer o show, cara, o Mussão falando, a gente fazendo uma puta balada no camarim antes do show. Os cara tem que tá, não, mano, tô no meu momento de lazer aqui, vou atrasar um pouquinho, tomando uma. E os cara tocando e cantando, fazendo uma festa literalmente dentro do camarim para poder fazer o show. Eu tenho uma história, eu tenho duas histórias engraçadas que eu não sei se uma vou contar pessoal minha, que eu não te contei, com teu pai, completamente apaixonado pelo teu pai. E porra, eu fui, quando eu fui no ano que seu pai morreu, que a minha primeira ia ser a minha primeira, são três histórias, a minha primeira entrada no Pânico. Eu trabalhava na Jovem Pan em Niterói e eu acabei dando a ideia, falei falei, gente, avisei o Pânico lá na época, programa estouradaço no rádio. Tim Maia tá aqui perto da rádio, que é Antônio Pedro, a rádio ali na Biscoito Taboraí, na rodoviária, duas ruas para trás. Você vinha, ia no hospital, falei, eu quero fazer a cobertura para o Pânico, eu faço flash para vocês pela rádio. Pela rádio eu dei uma de Tim Maia, não acordei.
Carioca:Puta, você para não acordar é fácil.
Bola:Aí foi o Anderson que cobria e ficou todo um dia, uma é a segunda, em 97, eu tava pela Jovem Pan fazendo a Fórmula Indy.
Carioca:Eu fiz a Fórmula Indy no Rio.
Bola:Pô, trabalhei pra caralho. Eu ia cedo, tipo a vanzinha do Jornal Fluminense, a gente dormindo na MBzinha assim, velho, lá de Niterói indo lá para Jacarepaguá. Aí tá ali na Avenida das Américas, velho, sabe quando você tá no vidrinho assim cansado, já vem lá de Nikiti e tal.
Carmelo Maia:Aí tô olhando assim, encosta o carro do lado, o cara, um ômega, Tim Maia.
Bola:Eu não fiquei louco, né, meu irmão?
Carioca:Eu, caralho, Tim Maia, pô!
Carmelo Maia:Ele fez assim, ele mandou um dedão no meio, abraço, num ômega assim.
Bola:Assim, ele enorme no Ômega, mandou o dedão no meio e foi embora. E era domingo de manhã, tipo 7 e pouca da manhã.
Carmelo Maia:Isso era o quê, 97?
Carioca:97, corrida da Fórmula Indy.
Bola:Aí tem que ver a data da Fórmula Indy, foi 97, um domingo. E aí a outra é o seguinte, tinha um maluco da minha rua que tocava na banda do teu pai, chamava William, era um trompetista, não sei se você vai lembrar dele, eu lembro do nome dele, William.
Carioca:A banda Vitória Regia, é isso?
Bola:É, é um Cabelinho branco, cabelinho preto, de bigodinho, de cabelo enroladinho, tocava acho que saxofone, metalzinho. E eles estavam no show de acho que Goiânia, uma coisa assim, ele contando essa porra, né, lá na rua lá, o caralho. Ele ficou louco, puto que a banda tocou mal pra caralho, tipo assim, ficou puto. É porque se não tocasse bem ele ficava puto, ele era muito perfeccionista, o ouvido dele era muito foda.
Carmelo Maia:Absoluto.
Bola:Tipo, essa banda não tocou bem, velho, e metal assim, você não tá sincado, fodeu, cago no show. Ele ficou tão puto que ele chegou no hotel, no prédio, e picou todas as passagens aéreas dos caras e falou: "Vocês tocaram mal, vão tudo voltar comigo." É mesmo? Picou as passagens aéreas, vamos se foder.
Carioca:Vou voltar de busão.
Bola:É, fez a galera voltar. Tocaram mal pra caralho aqui, ó.
Carioca:Jogou tudo pra trás.
Bola:Porque antigamente sem o carbono você não voava.
Carioca:Nada, nada.
Bola:Pilhete, fez todo mundo voltar e se foda, vai tomar no cu, mandou todo mundo voltar.
Carioca:Ele dava essa reclamada mesmo, Carmelo, ao vivo?
Carmelo Maia:Dava, porque o que acontece, cara, pra gente é trabalho, né, cara? Porra, pra quem tá do palco, pra lá é entretenimento. Então assim, caralho, ele achava uma falta de respeito você sair com a tua esposa, você bota uma beca pra ir show, gasolina, gasto, ingresso, estacionamento, ingresso, salgadinho, bebida, a birritinha lá, pá pá pá. Aí, pô, ele tá indo trabalhar, ele vai dar o que ele sabe fazer melhor, que é cantar.
Carioca:Porra, e se de repente fazer bem feito, pois é.
Carmelo Maia:Aí, se de repente alguém erra um acorde, ou então você que é quem botou todo equipamento de retorno de som, o técnico de som, o PA, Ah, cara, ele ficava muito puto com o público, entendi. Ele ficava puto pra caralho. Aí a galera às vezes fala assim: mas vem cá, aquilo era um pouco de folclore, né, do grave, do médio, agudo, retorno.
Bola:Não, cara, você imagina, gente, mesmo, é porque era muito ruim a sonda aqui, era muito ruim. E o Tim Maia tocou muito no subúrbio, né? Então, puta que pariu, só pegou desgraça. O Tim Maia, ele veio do subúrbio para, né, ele era o rei da escola, né? Cara, era o rei do subúrbio. Ele só depois que ele ascendeu para, para que aí ele ficou entre os ricos assim. Mas o Tim Maia, no final dos anos 70, começo dos anos 80, Tim Maia era o rei do subúrbio. Bangu, Cassino Disco Club, ele ia no Imperial, ele era um cara do povo, né? É isso aí, é Melo Tênis Clube, essas porra. O Tim Maia era o rei do subúrbio, então Mas assim, depois do meados dos anos 80 que ele ascendeu pra galera mais rica. Tô falando besteira?
Carmelo Maia:Sim, sim.
Bola:Mas ele era o cara, o rei do subúrbio, né? Sim. E é mais louco, né? O Tim Maia hoje, qual música do Tim Maia, Bola, você acha que é mais estourada com a molecada adolescente hoje?
Carioca:A molecada?
Bola:É a mais estourada. É impressionante isso, né?
Carioca:A semana inteira.
Bola:Não.
Carmelo Maia:Eu já sei. Não, nessa não.
Bola:Não, a música estourada. Tipo, a minha filha tem 14 anos.
Carmelo Maia:Desculpa. Acenda o farol. Acenda o farol. É mesmo?
Bola:Porque viralizou no TikTok. Ah, não sabia, cara. Essa música, se perguntar para minha filha qual música eu tinha mais, ela vai cantar Sendo Farol. É muito legal isso. E é do disco Club, né, de 78, esse álbum, você não me fala a memória. E é uma música de 78, disco Club. É, tinha mais disco, é, tinha mais disco. É esse, o CD de 80, para mim, é o que eu mais gosto.
Carmelo Maia:Eu tô trampando, trabalhando eu fiz com a banda J-Quest, porque eles estão fazendo 30 anos de carreira. Sim, né?
Carioca:Outra banda legal, hein?
Carmelo Maia:E foi meu pai quem deu o nome à banda, né? J-Quest. Ah, é? Foi meu pai quem deu.
Bola:J ou J? Que era J-Quest.
Carmelo Maia:Era Johnny Quest, J-Quest. Aí Hanna-Barbera, uma notificação, mude o nome. E aí eles não sabiam qual. Então, um belo dia, meu pai tá no Planeta Atlântida tava cantando, eles não eram famosos ainda. Aí tinha um alambradozinho que era para galera VIP, né? Então a galera do Jota Quest, que era J Quest na época, eles estavam entrando no alambrado porque eram convidados e tal. E o segurança resolveu, não reconheceu, não sabia. Não, não, vocês não podem entrar. Só que o meu pai, cara, que que ele fazia? O show para ele é como se tivesse em casa. Ele tá olhando para todos e para tudo. E ao invés dele tá cantando tava aqui e olhando para aquela multidão, não, ele sacava a parada que tava acontecendo aqui embaixo. Aí quando ele viu, ele olhou, ele falou assim: ô segurança, ô meu irmão, deixa os meninos do Jota Quest aí, meu irmão. Ô, e o cara aí? E o cara, meu irmão? Deixa os cara do Jota Quest aí, meu irmão. Então assim, ele ficou muito furioso porque o segurança não queria deixar a galera do Jota Quest. Aí a galera do Jota Quest, eles se reuniram e falaram assim: pô, meu irmão, tu viu como é que Tim Maia chamou a gente? Jota Quest. Pô, se a gente não pode mais usar o nome, né, J Quest, pô, por que não vamos usar Jota Quest, já que o Tim Maia padrinhou a gente de Jota? Jota.
Carioca:É, puta, que demais! Não sabia dessa história, que legal, cara.
Carmelo Maia:Então assim, eles estão fazendo 30 2 anos de carreira, e são 16 faixas. Ele, eles e meu pai.
Bola:É mesmo? Que legal, cara.
Carioca:Que demais! Quando sai isso?
Carmelo Maia:Já saiu Acendo o Farol no The Town e tem umas participações. Negra Lee, meu pai e eles. Tiaguinho, meu pai e eles. Puta que legal, meu pai e eles.
Bola:Garotinha bom, hein? Lá de São Gonçalo, né?
Carmelo Maia:É legal pra caralho o disco. É bom, garotinho. E você que gosta dos b-sides, porra, eu gosto de b-side pra caralho.
Bola:3 sides, eu sou do C-side, meu irmão. Tim Maia, eu já falei para você aqui, eu gosto de músicas, né, juras, adoro. Eu gosto de músicas: tá doendo então, é por isso, irmão, por isso. Eu Adoro isso. Tá difícil de esquecer. Eu amo, eu amo, eu adoro, adoro. Timaia, tá maluco, chega a me arrepiar.
Carioca:Eu gosto de Dia de Santo Reis.
Bola:Aí você se queima, você se queima.
Carioca:Que música legal, velho.
Bola:É a época que o Timaia pegou a música do Nordeste, ele misturava.
Carmelo Maia:Baian Soul. Baian Soul. Baian Soul, é baian com soul.
Carioca:É a música que eu acho que eu mais gosto essa.
Bola:É a mesma época, né, o Antônio Gilberto. Coronel Antônio Beto, no dia do casamento, sua filha Juliana. É, ele misturava, né? Mas o Jota Quest, você falando de Jota Quest, o Jota Quest, pô, conheci muito no começo ali, o meu começo de carreira na rádio. Eu ia muito show com eles, a gente fez uma amizade muito grande. E assim, o Jota O West, ele se baseia arquitetamente falando a carreira deles em música exatamente, ele segue a mesma, é o DNA, não, não, mesmo a mesma técnica do Tim Maia. Pode perceber, eles lançam uma música para dançar e a babinha, mela cueca, e depois vem banana, nananana, eles podem ver, eles lançam uma molha o sovaco e a outra mela a cueca. Eles seguem, é cartilha do Tim Maia, pode ver, todo sucesso do Jota Quest é uma mela cueca e uma esquenta sovaco. Eles seguem a risca, é, eu já vi eles falando sobre isso.
Carmelo Maia:Tá foda mesmo o disco, tá bom pra caralho.
Bola:Um abraço aí. Quando é que eles vão aparecer aqui? Porra, Flauzino, porra, trazer o Flauzino aqui, a menina.
Carioca:Porra, Marco Túlio já roubou minha carteira na Jovem Pan.
Bola:Toda a galera, Márcio Buselinha, os caras são muito gente boa, cara. São amigos queridos e a gente sente saudade. Quando tiver uma agenda aqui em São Paulo, vocês estão mais do que convidados a colar aqui no Tica para a gente bater um papo.
Carioca:Não dá para vir todo mundo, né?
Bola:Dá, bota aí também, foda-se, senta aí, vamos tomar uma.
Carmelo Maia:Você chegou a escutar o meu pai cantando em espanhol? Não. Pô, então é um disco que nós achamos Cara, 50 anos depois.
Carioca:Onde tem isso?
Carmelo Maia:Já tá no Spotify, chama Eu Te Amo. Eu Te Amo, é aquela música: eu amo você, menina. Sim, mas só que ele cantando em espanhol.
Bola:Caralho, que legal!
Carioca:Que loucura!
Bola:É que tinha essa onda, né, na época. Roberto cantava italiano, eles gravavam mesmo.
Carmelo Maia:Mas se você for parar para analisar, hoje ele foi o precursor passou em cantar música espanhola. Não foi Anitta, não foi Alexandre Pires, que Alexandre Pires, se eu não me engano, Roberto explodiu também na América Latina. Mas você imagina, na década de 60, bicho.
Bola:60? É, ele gravou esse disco em 60, antes dele fazer sucesso aqui. Ele fez sucesso em 70, Primavera, né?
Carmelo Maia:Ele fez sucesso com Azul da Cor do Mar, Primavera, foi logo nesse disco. Quando ele gravou disco. Mas isso é 70. Então, 70, 68, tá voltando aos Estados Unidos, é 70, ele gravou esse disco, ele pegou a mesma base e gravou tudo em espanhol.
Bola:Sim, era meio comum. Se você pegar discos do Roberto, Roberto tem espanhol, italiano, italiano, eles gravavam porque as gravadoras queriam.
Carmelo Maia:Mas não nessa época, mais pra frente, por ali.
Bola:É, não acredito que ele possa ter sido o Primeiro, mas era meio comum. O Roberto, pô, você chega na— você sabe qual a música do Roberto mais estourada na Argentina?
Carioca:Não sei.
Bola:Que você canta na rua, todo mundo canta. E aqui no Brasil, nego caga, né? Lá é: eu quero ter um milhão de amigos. Você chega na Argentina, você cantando isso, todo mundo canta, cara.
Carioca:É mesmo?
Bola:Impressionante.
Carioca:Sabia?
Carmelo Maia:É mesmo?
Bola:É em espanhol essa música na Argentina. Se você é hino, se você chega na Argentina, fazer: yo quiero tener un millón de amigos, un millón de amigos, um milhão. "Um milhão de amigos, eles vão cantar." Os argentinos conhecem essa música, "Eu Quero Ter Um Milhão de Amigos". "Eu quero ter um nanê sem teto." É meio uma música meio... Tem uma pegada, né? Tem essa pegada. Mas pô, eu queria saber uma coisa. Por exemplo, você contou a história da tua mãe, né? Eu vi no musical, aquela música tem a ver? Assim, o teu pai fez música, por exemplo, pra tua mãe. Eu queria saber algumas músicas que foram sucesso, feitas pra alguém, que realmente fizeram sentido. Eu acho isso muito legal como curiosidade.
Carmelo Maia:Não Quero Dinheiro, Só Quero Amar, ele fez pra Janete, que foi uma namorada dele.
Bola:Por quê? Ah, cara, você sabe o motivo?
Carmelo Maia:Me dê motivo, cara. Olha só, ele foi pra Londres, como quem vai pontear Aérea, Rio-São Paulo.
Bola:Eu vi no filme, na série, eu vi. Eu lembro dessa namorada do estúdio ali.
Carioca:E não é perto não, hein, caraca.
Carmelo Maia:Exatamente. Então assim, eles tiveram uma treta lá, Janete voltou para o Brasil, e aí: vou pedir para você voltar. Então assim, ele fez para Janete. Agora, boa parte das músicas eu não vou negar, ele fez para minha mãe. Meu pai era completamente apaixonado pela minha mãe.
Carioca:Que legal, velho!
Carmelo Maia:Ele era completamente apaixonado pela minha mãe.
Bola:Me Dê Motivo ele fez para quem? É Massadas, é Massadas.
Carmelo Maia:Michael Sullivan e Paulo Massadas.
Bola:Não, não é Michael Sullivan não.
Carmelo Maia:É?
Bola:É aqui, ó.
Carmelo Maia:É Michael Sullivan e Paulo Massadas.
Bola:Não, é Paulo Massadas, mas não é Michael Sullivan. Deixa eu ver aqui. Eu acho que essa não é Me Dê Motivo, não é Paulo Massadas, é Ivanilton. Ivanilton de Souza Lima e Paulo Massadas.
Carmelo Maia:Ah, tá.
Bola:Não é Michael Sullivan. Essa acho que não é. Que pra mim essa música—
Carmelo Maia:É um clássico.
Bola:Não, não é só um clássico, essa música ela é Logicamente por causa do Tim Maia, né? Com certeza o "churururu" foi o Tim Maia, que é o barato da música, né?
Carioca:Tô errado? Não, tá certo.
Carmelo Maia:Churururu, churururu.
Bola:Isso aí, velho, é a cereja do bolo, né? E me dê motivo quando entra, é caralho, que música, né, velho? Que mágica, né, velho? Não é uma música, é uma mágica, porra.
Carmelo Maia:E assim, ele tem uma introdução, né, que é declamada, né? É engraçado.
Bola:Você é telefone.
Carmelo Maia:Às vezes você fica pensando que está amando, que está sendo amado, que encontrou tudo que a vida podia oferecer. Em cima disso a gente constrói os nossos sonhos, os nossos castelos, e encontra um mundo de encanto onde tudo é belo, até que a mulher que a gente ama uma vacila e bota tudo a perder. E põe tudo a perder.
Bola:Isso é me dê motivo. Mas tem uma verdade aí ou não? Era uma coisa que tinha acontecido naquela época? Você sabe especificamente em me dê motivo?
Carmelo Maia:Ele, por exemplo, é igual eu falei, meu pai era muito benevolente, muito generoso. Muitos compositores que ainda não tinham lá o seu pedigree, já eram famosos, ele dava ali tipo assim 90%, ele fazia 5, 10% que queria fazer uma parceria.
Carioca:Ou então, pô, aí põe teu nome aí, quero encomendar uma música contigo.
Carmelo Maia:Ou então alguém apresentava, por exemplo, a música Leva. A música Leva na verdade não foi feita para ele.
Bola:A música Leva, Leva do rádio, Lisandrão, era um comercial para o rádio.
Carmelo Maia:Eu tô ligado, a Rádio Bandeirantes, que ele falou, não, meu irmão, transforma essa porra em música, eu quero cantar.
Bola:É, Leva foi, eu sei, por causa do Lisandro, Lisandrão, Lisandrão, diretor da rádio. É, a música leva, né? Foi bom acordar com você o ano inteiro. Era a música de final de ano do tema da Rádio Bandeirantes. Aí os artistas gravavam, falavam: pô, vamos dar pro Tim Maia gravar. O Tim Maia gostou pra caralho e botou no disco. E todo mundo acha que é uma mina, na verdade é o rádio conversando com o ouvinte. Pode ver, ó.
Carmelo Maia:Foi bom acordar com você o ano inteiro. Gostava tanto de você, cismavam que: ah não, o Tim Maia fez filha dele que morreu.
Bola:Porra, é isso aí, tem uma lenda, né?
Carmelo Maia:Não, e não foi. A música não é do meu pai, não foi feita para filha de ninguém, entendeu? Quem fez foi o Edson Trindade.
Bola:Então assim, e você sabe o motivo da música? Você tem inspiração assim?
Carmelo Maia:Não, mas não, é o Edson Trindade que fez. Então assim, ele morreu, não sei, morreu. Eu era adolescente, eu não tive pouco acesso. Não, eu tive acesso, mas assim, não de ficar conversando 15 anos, 14 anos, entendeu? É, eu tava batendo caminhão, Tava comendo alguém, não tava ali no hype pra papo dele.
Bola:Não tava dando aquele valor ao que você tava vivendo.
Carmelo Maia:Não, não tava.
Carioca:Queria saber de outra coisa.
Bola:E esse cara foi o maior parceiro do teu pai, né?
Carmelo Maia:Um grande amigo de cachaça, né? E de música foda, né? Sim, sim, sim. Edson Trindade é bizarro, mano.
Bola:E ele conhecia ele da onde? Da onde ele conheceu esse cara? Aí tu, porra, peguei pesado, né?
Carmelo Maia:Pegou pesado, né? Que eu nasci em 75, Edson Trindade já 'Pô, já tava velho, gostava tanto de você, né?' É, ele tem outras também, mas era pesada essa música. Mas não foi feito para irmã nenhuma. É, não, não foi.
Bola:Não sei, parece uma pessoa, uma coisa de despedida também, de morte, né?
Carmelo Maia:A música, a música Voltou a Clarear, eu não sei, essa aí é um cara, né, nem triste que é um, como é que a gente vai falar, é um disside. É disside, se escuta. Voltou a clarear essa aí, uma história real. Eu não vou falar o nome da mulher porque, para evitar, era mulher dele, tá? E um sobrinho do meu pai foi em casa, na casa, rapidinho, emprego. Ele tava desempregado, aí meu pai deu um faz-me rir, deu um carro para ele, para ele, e uma habilitação, não é autonomia de táxi para girar, né, com fazer dinheiro, ganhar um troco. Então ele ia lá de vez em quando. Poxa, mas meu pai também demorava com aquela coisa do pô, já te deu o carro, deixa eu fazer dinheiro aí, para dar um valor, né. E o cara tava cantando a mulher do meu pai, comeu a mulher do meu pai, engravidou a mulher do meu pai. Que loucura, brother! E aí, olha só, como é que a gente—
Bola:como é que é o nome da música?
Carmelo Maia:Voltou a Clarear.
Bola:Voltou a Clarear.
Carmelo Maia:E aí, como é que descobriram? A minha família é origem pobre, né? Então, a minha família de Ramos, não sei se você saca, subúrbio do Rio de Janeiro, Praia de Ramos, ali, claro, Ramos, claro, não tem nada a ver com Praça São Espenha, não, de Ramos, nada a ver. A galera de Ramos, ou seja, essa mulher do meu pai sai da casa do meu pai, que era na Barra, e vai para Praça São Espena. A minha família de Ramos, coincidência, eu não acredito, estava vindo de Ramos para Tijuca para vir nos visitar. Quando soltou na Praça São Espena, viu a mulher do meu pai e o sobrinho se beijando, se agarrando.
Carioca:Puta que pariu!
Carmelo Maia:Duas vezes, em momentos na frente.
Carioca:Que beleza!
Bola:Quem que avisou?
Carmelo Maia:Não, aí que tá o barato, porque, porra, quando falaram assim: e teu pai vai ser pai agora, a gente vai ganhar um irmão, uma irmã. Aí começou a espalhar, aí a galera falou assim: pô, a gente tem que avisar o tio, tem que avisar o tio. Mas quem que vai avisar? Aí eu vou avisar. Aí alguém avisou, né? Só que chegou na mãe, a minha tia, um em casa o meu primo que tava comendo. Coitadinha, ela era baixa visão, né? Nossa Senhora, cega, para ser sincero. Aí ela liga para o meu pai e fala: o Tim, olha, eu quero falar para você o seguinte, tão falando aí que meu filho teve relações com a sua, e meu pai não sabia de nada. Meu irmão, nossa, ele quebrou a casa inteira. Cara, ele quebrou a casa inteira, mandou a mulher tomar naquele lugar, ajudou o moleque pra caramba, já mandou embora. E ela perdeu a criança, teve clamps, entendeu? Não era dele, era tudo meu primo, entendeu? Então assim, e ficaram juntos ou nunca mais?
Bola:Não, mas os dois ficaram juntos, será?
Carmelo Maia:Os dois quem?
Bola:Não, não, não, não vingou ainda. Não, merda feita.
Carmelo Maia:É, não, não vingou. E aí o que acontece nisso? Ele faz, voltou, clarear, que começa assim: ninguém me avisou, ao menos me contando, ninguém me ajudou.
Bola:Bota, puxa para tu ver, eu tô vendo aqui, tá aqui, ó, já tô com a letra aqui, ó. Ninguém me avisou que estavam me enganando, ninguém me ajudou, nem mesmo me contando. Quantas vezes eu pensei que absurdo, muitas vezes tive que chorar, no entanto resolvi Eu vi sair do escuro, voltou a clarear. Me sinto iluminado por conseguir sair assim sem ter me machucado e nem ferir ninguém também. Apesar de compreender quando eu fui traído, aprendi que estou numa melhor. Persistir e encontrar felicidade. Voltou a clarear, ninguém me avisou.
Carmelo Maia:É isso aí, poxa, poesia, cara.
Bola:É bonito, bonito.
Carioca:Rapaz, uma situação brava, né?
Bola:Porra, tinha o Martins, Tim Maia e Cláudio Maza.
Carmelo Maia:É, mas assim, é, para minha mãe, cara, ele fez muita coisa. Ele era um apaixonado. Então assim, só para—
Bola:pô, legal essa história, não tinha ideia.
Carmelo Maia:Só para fechar a história da minha mãe, porque eles perguntam sobre a minha mãe, né? Minha mãe, o que que acontece? Eu sou uma mistura de negro com indígena. Minha mãe é indígena, é uma mulher linda, mas somos 4 filhos maternos. O meu irmão, o Márcio Leonardo, artisticamente conhecido como Léo Maia, cara, eu acredito assim, ele gostaria muito que meu pai tivesse ele como um pai, né? Meu pai tinha um carinho por ele, sim, não vou negar, nunca vou negar isso. Meu pai sempre teve um carinho por ele até 1993, tá? Meu irmão nunca morou, eu nunca morei, nunca ninguém morou com meu pai nessa uma ação agora de direito socioafetivo.
Bola:Ah, tem, tá rolando isso?
Carmelo Maia:Não, já acabou, ele perdeu em primeira instância, perdeu em segunda instância. E assim, o que fica chato, que eu quero só registrar aqui, eu não tenho nada contra o meu irmão, né? É quando eu estava fazendo um projeto voltado para crianças, porque isso faz parte do legado, eu preciso resgatar essas crianças que não conheceram O Tim Maia escutou na voz da Ivete Sangalo, mas não sabe quem é o Tim Maia, entende? Então eu projetei e levei para Universal Music. E aí o que que acontece? Rafael, diretor artístico lá, falou assim: Carmelo, eu vou levar para a galera do marketing e te devolvo. Tu conhece a família de Vinícius? Falei: que Vinícius? Vinícius de Moraes? Falei: não, cara. Projeto muito parecido, do caralho.
Bola:Arca de É, né? Tipo Arca de Noé, né? Que o Vinícius fez, foi do caralho aquilo.
Carmelo Maia:Era exatamente, era exatamente o Arca de Noé. Eu só fui conhecer depois, mas eu não sabia.
Bola:O Arca de Noé, eu fui educado com Arca de Noé, tá ligado, bola? Não, Arca de Noé, você não lembra?
Carioca:Não lembro da Bíblia, não do Vinícius.
Bola:Não, do disquinho do Vinícius, porra. É, pô, tem várias músicas do peido, do cheiro.
Carmelo Maia:Música para público.
Bola:80. Lembra?
Carmelo Maia:Eu também não tenho.
Carioca:Já era velho.
Bola:É, já era, será?
Carioca:Eu sou de 67.
Bola:Galinha-d'Angola, 13 anos, adolescente. Arca de Noé tem uns puta sucesso. Eu vou relembrar um pouquinho.
Carmelo Maia:De repente eu fico sabendo assim, ó, Carmelo, infelizmente não vai dar, cara, para fazer o teu projeto voltado para criança. Crianças. Falei: mas por quê, cara? Porque você já fez um trabalho para crianças.
Bola:Eu falei: eu?
Carmelo Maia:Que isso, cara, tá maluco, Rafael? Cara, aqui, ó, tem um perfil aqui no Instagram chamado Tim Maia for Kids. Não, cara, eu nunca fiz não, cara. Aí eu falei: bom, é mais um daqueles projetos que as pessoas fazem, que eu tenho que notificar, que eu tenho que não sei o quê, e depois eu sou o alvo, né? Aí o que que o que que eu fiz? Bode Carioca. Fui lá no Instagram, aí vi assim, era uma logo, é Team Maya for Kids by Léo Maya. Pô, cara, eu falei, caramba, é meu irmão! Liguei para os meus advogados e falei, olha, faz o seguinte, entra em contato com o empresário, não notifica, vai lá conversar, vamos regularizar essas questões dele, tá em ordem, cara. Não quero prejudicar o meu irmão. Eu não tinha atenção, tá? Então assim, nós ficamos 4 meses, vamos fazer a coisa certa, né? 4 meses tentando conversar, regularizar, negociar tudo direitinho para ele fazer o projeto que ele quisesse, mas pedindo autorização. Por quê? Porque ele não, ele não é filho. Não é porque eu, Carmelo, não quero que ele não seja, tá? Eu provei por lá, eu não precisava provar. Nessa lei de direito socioafetivo, eu não precisava provar nada. Quem entra, ingressa com ação, é que tem que provar. E o pré-requisito e único fundamental, qual é? É a manifestação voluntária, ou seja, manifestação de vontade, no caso do meu pai em vida, de dizer através de algum documento, sabe, que eu faço questão Não, tenho ele como meu filho, sim, tá, tá, documental oficializado, e pum, acabou, era isso. Então aí a galera vai falar o seguinte: pô, mas cara, ele falou lá no Faustão o meu filho Léo, o meu filho Zé Carlos, o meu filho sei lá o quê. Meu irmão, antigamente você poderia ter uma consideração por qualquer pessoa e fala assim: pô, eu tenho essa pessoa aqui com filho, mas tu tratava um filho. Eu entendi, você tá entendendo?
Bola:Tá claro, tá claro.
Carmelo Maia:Você não pode chamar de neguinho hoje em dia, você não pode. Aliás, para namorar até por WhatsApp tá dando união estável. A grande verdade é essa. Então assim, o meu pai, ele vinha de Campos dos Goitacazes, eu tinha contato, eu não tinha convivência. Convivência é ato contínuo, contato é uma vez. Eu vinha nas férias É, aí eu tinha contato com ele. Então assim, o meu irmão, com certeza quando ele nasceu, cara, foi uma felicidade absurda. Então logo depois eu nasci. Aí eu vou perguntar para vocês, que são duas pessoas inteligentes: se meu pai tem duas crianças aqui na frente que ele não tem nada contra, por que que ele só registra uma e a outra não? Meu irmão, cara. Eu era um recém-nascido. Ele me registrou e não registrou meu irmão.
Bola:É, se ele não registrou, é porque ele não considerava filho.
Carmelo Maia:Cara, eu não posso, eu não posso levar esse fardo, essa culpa.
Bola:E ele nunca trocou essa ideia com você, teu pai, de não ter registrado seu irmão?
Carmelo Maia:Ele trocou ideia com todo mundo. Ele falava: não, cara, ele não é meu filho, ele é um eu não tenho problema nenhum, tem um carinho por ele, tá tudo certo. E de maluquice, de doideira, ele não tinha nada. Porque aí, onde começa coisas que a gente, entre aspas, eu não posso contar, mas eu conto um pouco. Nessa ação, o meu advogado falou assim: Carmelo, vamos dar uma sacaneada, cara, pega. Porque ele tá dizendo o seguinte, na inicial ele diz que você e ele, sua mãe e seu eu e meu pai moraram 7 anos juntos. Olha, eu nunca morei com meu pai. Então vamos fazer o seguinte, Carmelo, pega desde o seu nascimento até o 23º ano, mas principalmente essa janela de 1 a 7, porque é o que ele fala na inicial, os 7 primeiros anos. Tu vai pegar Natal, Dia do Pai, as datas especiais, aniversário eu e meu pai. Teu aniversário, tá? Meu aniversário. Não é qualquer festa, não. Sim, datas específicas, ele tem que estar junto, lógico. E ele vai ter que trazer aos autos as mesmas provas robustas que você tem.
Bola:Mandou bem. Não é sacanear, é estratégia, a estratégia de advogado. E muito bem, e muito bem fundamentada. Parabéns, advogado bom que você tem.
Carmelo Maia:Sim, cara. E aí O que que acontece? Eu não levei só foto, e não era época de inteligência artificial não, tá? E outra, mesmo até que fosse, hoje em dia tu viu que deu merda no outro dia na televisão aí, uma advogada botando negócio de AI, detectou e vai pagar 80 e poucos mil reais de prejuízo. É, então assim, eu levei vídeo, meu pai narrando. Sabe onde você vai achar isso? No GloboPlay. GloboPlay, tu viu? Meu pai me filmando, eu com sei lá 5 anos de idade, nadando no clube municipal lá na Tijuca. Aí, Telmo, ô, como é que você tá? Não sei o quê, papapá. E Ana Maria, Ana Maria, cuida do meu filho, papapá. Ele vai narrando. Ou seja, o que a gente faz hoje com um celular, estamos aqui, pô, não sei o quê. Cara, ele tinha uma Super 8 e duas câmeras alemães, uma profissional profissional e uma portátil.
Bola:É o cineasta, né, que você falou.
Carmelo Maia:Então assim, eu tenho um acervo gigantesco que o Nelson Motta chama de a caverna de Ali Babá. Sempre nasce uma coisa. E aí assim, por que que se eu tenho as fotos e os registros com meu pai, como que ele não tem, sabe? Então assim, eu levei tudo E quais eram as provas dele dos anos 2000 para cá? Quem que colocou o sobrenome dele de Maia? A viúva de Lulu Santos, Scarlet Moon.
Bola:Scarlet.
Carmelo Maia:Agora, ele, por exemplo, se você não parar para pensar, você é induzido a erro. O primeiro sobrenome que você tem é do teu pai ou é ou da tua mãe?
Bola:O primeiro, o primeiro da minha mãe.
Carmelo Maia:Pois é, ele induziu o magistrado a erro, dizendo que era filho adotado do meu pai, dizendo que é que tem uma lei que diz o seguinte, por exemplo, a Xuxa é Maria não sei o quê, la Xuxa Meneghel, das Graças. O Lula é Luiz Inácio Lula da Silva. Então ele disse que desde pequenininho ele era chamado Leo Maia. Mentira, nunca fui chamado de Leo Maia. Márcio Leonardo, que é o nome composto, não é nem nome de família. Tanto é que eu tenho, porque, cara, eu sou o cara dos registros. E aí o modus operandi, eu comecei a ficar muito antenado desde quando meu pai morreu. Eu tenho matéria dele, Leo M. Aí alguém falou para ele, cara, porque a mãe do Edmota, porque M, cara. M de quê? M de merda? M de quê? Eu queria botar, eu queria botar Léo Maia, mas sei lá, família aí, não sei como é que é, né, se não vai gostar, não sei o quê. E aí alguém, que eu não lembro quem, que falou para ele: cara, esse negócio de nome assim com sobrenome, tipo Kennedy, isso é lá para os Estados Unidos, aqui não funciona não. Aí ele botou o Léo Maia. Cara, eu por uma questão assim, acho que é meu meio-irmão, nunca tive nada contra. Falei, cara, era uma forma de ajudar, deixa ele cantar, porra, sabe?
Bola:Deixa ele fazer, deixa ele fazer, ele canta bem, né?
Carmelo Maia:Eu acho que ele canta pra caralho até, ele canta pra caralho, acho que ele canta pra caralho. Mas o que acontece, não adianta, o carioca, se você não tem alguém para te dirigir, né? Tanto é que essa galera da Record fala assim: porra, se o Carmelo Maia te produzisse, te administrasse, tu tava bem. Mas eu não tenho intenção nenhuma, cara, porque são pessoas difíceis de lidar. Porque assim, você fala para ele ou para outros como que tem um temperamento dele assim: cara, tu não nasceu com talento para compor, faz uma parceria com o Nando Reis. Qual é a tua pegada? Qual é a vibe. Ah, se é rap, pô, faz com MC. Não é rap, mas sabe, cada um no seu nicho. E vamos chamar o melhor produtor. Aí o cara fica contando várias histórias mentirosas, que ele vira o verdadeiro mitômano. Que que é o mitômano? É o cara que conta tanta história que acredita, fica orgânico aquilo. Tantas histórias repetidas vezes, juntada vira uma verdade, entende? Então, por exemplo, tem uma matéria dele que ele fala assim: porra, bicho, tu, cara, e eu fico assim, meu sonho era ter o amor da minha mãe, tá? E cara, é engraçado, enquanto eu sempre falei assim, olha, eu posso ganhar na Mega-Sena e herdar toda herança do meu pai, eu nunca vou ter o amor ter a minha mãe. Eu queria só fazer uma viagem com a minha mãe. Mas você, você, para Nova York não, pode ser para Maricá, Paquetá. Mas nunca vou ter. Minha mãe abandonou 3 filhos, só cuidou dele. Nessa ação de direito socioafetivo, no meu Instagram, de repente chega alguém que fala assim: aí, tua mãe é mó gostosa, hein?
Carioca:Eita, porra!
Carmelo Maia:Foi pouquinho Quem é você? Sou teu irmão. Mas não conheço meus irmãos maternos. Aí eu falei: pô, meu irmão? Como é que é o nome da tua mãe? É Geisa. Eu falei: mas aí eu já fico grilado, né? Eu falei: mas vem cá, tu tá vindo para quê? Que eu acho uma puta de uma sacanagem isso que o nosso irmão tá fazendo não contigo. Teu pai nunca teve ele como pai. Teu pai nunca veio aqui em Campos dos Goitacazes, se fez um show, nunca deu ideia para ninguém aqui. Eu convivi, o pouco que eu convivi com Márcio Leonardo. Aí o cara digitando, né? E tudo que ele digitava, cara, eu printava e guardava. Eu falei, vai que daqui a pouco o cara apaga. Eu printava e guardava.
Bola:É, o certo é ir no cartório, né?
Carmelo Maia:Sim, ata notorial. Não tô de bobeira não, se derrubou da marca do Guarulhos, tá? É bom, é caro para caralho fazer isso, né? É muito mais caro você não fazer ata notorial, né?
Bola:É isso. Você fez a ata?
Carmelo Maia:Claro, claro. Não, não precisei fazer ata, sabe por quê? Eu precisava me resguardar. Aí o cara foi contando, contando, contando, contando, e eu fui deixando. Aí eu falei assim, ó, presta atenção, você tá me contando essa história toda 'Por livre e espontânea vontade, eu não fui até você, não sei quem é você, nem você sabe quem eu sou, certo? Certo. Você pode fazer uma gentileza? O que você tá contando, escreve a próprio punho, printa e me manda.' 'Claro, vou fazer isso agora.' Aí demorou uns 2 dias, o cara escreveu. E se colocou à disposição para ser testemunha.
Carioca:Caraca!
Carmelo Maia:Ao meu favor e contra o outro nosso irmão, que ele teve convívio ou não. Ou seja, os dois conviveram e eu não convivi. E é tipo, você, Carioca, é meu irmão, tá claro para mim, tá claro. Eu não conheço você, você nem me conhece, cara, e você quer me ajudar sim contra ele, que vocês conviveram junto, cara.
Carioca:Cara, eu falei, cara, que coisa de louco!
Bola:É, mas isso na justiça também, não sou advogado, mas parece que pode ter algum conflito de tipo de treta, inimigo capital que eles chamam, né? Não sei como é que é o nome desse dispositivo jurídico, porque, por exemplo, o que acontece, você tem uma treta com teu irmão, certo? Você é uma treta, declarar, todo mundo sabe que você não fala com seu irmão, caralho, a 4. Aí tem uma coisa da tua 'Oi, irmã, vou dar um exemplo.' E aí ele vai depois para outra irmã e fala: 'Pô, mas ele me odeia.' Ele tem isso, né? Tem, pode ter isso.
Carmelo Maia:Pode não ser, entendeu? Mas esses argumentos, é isso aí, é tudo questão jurídica. É, isso tudo é usado estrategicamente. Até que não tem a treta, nego vai falar que tem. Sim, sim, para fragilizar.
Bola:Mas para mim, cara, assim, na boa, é bom você falar, vou dizer por quê. Porque eu tô te conhecendo hoje, a gente se falou pelo Instagram algumas vezes e tal, porra. Fiquei muito feliz de te conhecer, já queria ter te conhecido há mais tempo, até pela admiração, meu amor que eu tenho pelo seu pai. E que bom que a gente tá se conhecendo e ouvir de você e não ouvir dizer é muito, muito melhor, né? Não, é esclarecedor. Ele me ajudou, como a gente sempre fala, vamos ouvir a outra parte, sim, para dar aquela— você tá entendendo?
Carmelo Maia:É, o vinho tem dois lados, né, cara?
Bola:Faz sentido, porque a gente fica aquela coisa que assim, o que parece, tá, você muito sincero com você, sim, que você é o cara que se isolou, pão no cu de todo mundo, não tô nem aí, é, entendeu?
Carmelo Maia:Ficar ansioso, isso, entendeu? Isso é o cara que quer herança, tá sentado, isso. Não é, não, não é, cara, não é, não é.
Bola:Tá muito claro para mim, tá muito claro, né?
Carmelo Maia:Eu vou falar assim, ó, você não precisa nem acreditar em mim, vamos lá, é muito simples.
Bola:De fato, irmão, de fato é foda.
Carmelo Maia:Quando você ingressa com uma ação, é protocolado, data, hora, tem tudo ali. Então assim, ele falou assim, não, pô, porque meu irmão quer me fuder, porque meu irmão me processou, que o meu caralho 4 meses eu trazendo os meus advogados aqui para São Paulo, gastando passagem aérea e hotel para chegar e conversar com ele, regularizar. Só que o que ele queria era outra coisa. O que ele queria era ser reconhecido filho adotivo, quando meu pai nunca reconheceu. E te digo mais, além das fotos, além dos vídeos, cara, eu levei Aí o Tim Maia falando, entendeu? Que aí não tem como, botei mais ainda no, sabe, nos olhos da goiaba. E aí, aí, cara, aí eu botei com o pé na porta, porque acontece, pega imposto de renda. Aí tu acha que Tim Maia é maluco? Imposto de renda de 1980 a 2000, tudo certinho. 1980, Receita Federal era a coisa mais fácil de enganar, todo mundo sabe disso hoje em dia, tudo Cruzado, e tinha mais do jeito que era tudo errado, ele ia querer mais receber, mais do que, do que, entendeu? Dependente, ele poderia botar lá Carmelo Maia, Márcio Leonardo, não sei quem, não sei quem, não sei quem, para receber imposto de renda, só Carmelo Maia. Então assim, cara, eu, eu, eu tive uma pessoa, uma mulher que falou assim: aí tu ainda há de ter câncer. Cara, aí eu falei para ela assim, olha só, com todo respeito, eu não desejo isso para ninguém, mas o dia que você tiver câncer, não porque eu estou desejando, não, é porque tudo que a gente emana para o bem ou para o mal volta, você vai lembrar de mim, tá? Aí bloqueei ela.
Bola:Então assim, isso me fez muito mal por muitos anos, e até você maturar a ideia de hoje, eu percebo que você fala isso com muita tranquilidade.
Carioca:Maturidade, né?
Bola:Sim, até porque o processo se encerrou, né?
Carmelo Maia:Não, eu faço, o Carioca, eu faço terapia há 30 anos, tá? O, eu não sei se é sócio, eu não sei o que que é do Nizangan, da agência África. A gente aqui, ele falou assim para mim: posso fazer tua biografia? Eu falei: minha biografia? Caralho, meu irmão, a tua vida é só desgraça e tu conta numa leveza, conta numa leveza.
Carioca:Pô, meu irmão, pensando nisso, cara, O bicho deve ter tido pizza pra caralho e tá de boa.
Carmelo Maia:Não, cara, eu tomo 4 remédios de tarja preta por dia para ficar assim como eu tô aqui com vocês, entendeu? Eu tomo Alprazolam de 1 grama de manhã, outra de noite, canabidiol e pregabalina, que tem efeito ansiolítico.
Bola:Pregabalina eu tomo também.
Carmelo Maia:Somos lírica, lírica, lírica. Eu como a lírica de vez em quando, entendeu?
Bola:Lógico, né?
Carmelo Maia:Porque a lírica, ela tem ansiedade, né? O primeiro efeito é para quem tem dores crônicas na coluna e na lombar, como os antigos dizem, nas juntas. Eles atiraram para um lado e acertaram também um outro.
Bola:Tipo Viagra, tipo Moncharo, tipo a Copex.
Carmelo Maia:Então a minha psiquiatra, para não aumentar a dose do frontal, ela falou: cara, eu vou botar aí o Lirica.
Bola:É bom, eu tô, eu descobri que eu tinha tag, o Lirica que resolveu, entendeu? Mas nem tarja preta resolveu.
Carmelo Maia:Mas não é tarja preta, o Lirica não é tarja preta, não, mas é tarja vermelha.
Bola:Tem que ter receita, mas não é um remédio tarja preta que é mais forte.
Carmelo Maia:Minha mãe, ela tava nessa ação como testemunha. Ah, é? E engraçado porque assim, aí vira filme, vira poesia, tá? Eu acostumado já, né, 413 processos judiciais. Se você quiser se esconder de mim, vai para minha casa, porque minha casa é o fórum, né? Então minha casa você não me encontra. E aí, meu irmão, época de COVID, essas coisas, era audiência virtual, né? E aí o que acontece? 3 horas tá marcada audiência, primeira a entrar na janelinha, minha mãe, só que de cabeça para baixo. Ela Ela não tinha nada com tecnologia, zero.
Carioca:Aí ficava aqui: "Hã, hã, hã, hã, hã, hã." E ela de cabeça pra baixo. Tadinha, velho.
Carmelo Maia:E aí, cara, de verdade, eu peguei o celular e fiz assim, ó. E fiquei gravando ela. Por quê? Eu falei: "Cara, é o único momento que eu tenho pra olhar minha mãe dessa maneira." Ela tá viva ainda? Sim, sim.
Bola:E não tem como.
Carmelo Maia:Não, não tem, não tem, esquece, gente. Não tem, não tem, não tem nem comigo nem com meu irmão, esse que me ajudou. A outra, não quero falar pela outra, mas o Jason, que é um cara, encontrei com ele agora, conheci meu segundo encontro depois de 40 anos, 4 décadas, né? Ele tem 40. E conheci minha família materna um pouquinho agora. Cara, então assim, onde é que eu tava?
Bola:Desculpa que não há possibilidade.
Carmelo Maia:A sua mãe, perguntei, antes eu tava falando da minha mãe. O que mesmo que você filmou? É, ela tava de cabeça para baixo. Aí o juiz entrou: é, boa tarde. Aí ela de cabeça para baixo: é, boa tarde, qual o nome da senhora? Só tá pela parte de quem? Meu nome é Maria de Jesus Gomes da Silva, eu estou pela parte de Márcio Leonardo Gomes Silva. Tá, então vamos fazer o seguinte, a senhora, por favor, desliga o seu áudio, a sua câmera, porque a audiência ainda não começou. Aí ela: tá, desculpa, porque eu não tenho cachorro latindo, não sei o quê, bababá. E eu ali namorando um pouco a minha mãe. E aí alguém desligou para ela. Mas o que que acontece, não dava para botar a minha mãe como testemunha. Porque, cara, brincar de justiça é coisa séria. E a minha mãe é o tipo da pessoa que assim, é igual humor, é pingue-pongue, é rápido. O juiz vai te perguntar a mesma coisa 10 vezes de forma diferente. Por exemplo, ele perguntou para uma pessoa lá: Fulano, você conhece conhece o instituto de adoção? Olha, eu já passei perto, já passei perto, assim, eu sei onde fica, mas nunca entrei não, meu irmão. Eu tava com o áudio mutado, eu ria para caralho, porque o instituto de adoção, o cara não tá falando de um espaço físico.
Carioca:Lógico, eu já passei perto. Eu já passei perto, mas não conheço não.
Carmelo Maia:Eu já passei, nunca entrei, mas já passei perto.
Carioca:Então, que pariu, entendeu?
Bola:Aí eu já passei processos em que eu na camerazinha assim, eu confesso que eu meti um caramuru muruá com o mute assim, ó, festejando, sem ninguém perceber.
Carmelo Maia:Mas assim, eu ria, cara, porque eu já tô acostumado. E assim, e aí o cara: mas você então, que a parte fulano de tal passou perto mas nunca entrou, mas na sua família tem alguém adotado? Tem, tem. Olha, tem fulano e ciclano. O Tim Maia, ele tinha consciência da adoção dessas pessoas? Sim, claro, tinha consciência total. Inclusive, aí o cara se empolgava, né? Aí o juiz daí ia dando corda. Então o depoente diz que não sei o quê, papapá, que a pessoa tinha, que o Tim Maia era um cara muito inteligente, que inclusive tinha consciência da adoção de A e B e tá, tá, não sei o quê. Então assim, tava muito esclarecido para o juiz que o Tim Maia conhecia adoção. Então Tim Maia fez o que quis, mas também Tim Maia não fez o que não quis. Então eu não posso levar esse fardo, essa culpa, porque o meu pai não considerou o meu irmão Márcio Leonardo Gomes da Silva, que é o nome dele, Ele induziu, ele enganou o Judiciário. O nome dele hoje é Márcio Leonardo Maia Gomes da Silva. Aí, se você não tá prestando atenção que o sobrenome da mãe vem primeiro e o do pai vem por último, é, mano, tanto somar. Olha aqui, ó, aí ele te mostra. Aí você sabe aquela parada assim, ó, aqui, ó, e é, tu não pensou, o tico-teco, você não Eu não sou, mas ele botou o Maia, cara. Tem gente da minha família que quer tirar esse Maia dele. Eu tô cagando e andando, cara, porque assim, eu acho que aí, vamos lá, é terapia. O cara quer ter um pai, mas um pai que não queria ser pai dele. Acho que o cara tem que fazer terapia, ele tem que se conhecer, ele tem que se tratar. Mas não sou eu que tenho que falar isso. Lógico, entende? Outra coisa é a questão do Tim Maia 4Kids. Porra, eu tentei regularizar, ele deu o recado bem grande para o empresário até dele, que era Branco. O apelido do empresário é Branco. Irmão, foda-se! Meus advogados reproduziram exatamente.
Bola:Branco da gravadora, eu lembro do Branco da gravadora, não sei se pode ser.
Carmelo Maia:Eu não conheci porque eu não tava. Então falou o seguinte: Ele falou que não vai, que a parada dele é o seguinte: ele é filho, ele vai tocar o projeto e foda-se. 4 meses. Quando foi do segundo pro terceiro mês, o meu, os meus advogados falaram assim: Carmelo, é melhor a gente entrar com uma ação, porque não vai por bem, não vai, cara, porque eu tô sentindo que esse cara vai entrar com uma ação contra Você, carioca e bola, vou ser bem sincero para vocês. Nós entramos com ação nesse dia que nós entramos, no dia que a gente protocolou, eu passei mal para caceta. Eu fui parar no Samaritano lá do Rio de Janeiro. Eu já tive esofagite, que é inflamação no esôfago, que mal comparado a dor, que em regra quem tem esofagite não tem dor. Dor. Mas quando a pessoa tem dor, e eu não vou falar que eu sou azarado, porque graças a Deus foi por isso que eu fiquei sabendo que tinha, a dor de esofagite é mal comparado à dor do infarto. Caraca, é uma dor! Então assim, eu liguei para minha ex-mulher, na época era minha mulher, eu falei: você tá onde? Tô passando mal pra caralho. Pô, tô indo para um curso aqui, não sei aonde, não sei o quê. Eu falei: até ela chegar, eu tava sem carro, peguei um Uber e fui direto. A sorte, com um amigo meu era diretor do hospital. Falei: Marquinhos, me ajuda, porque, cara, eu tô com uma dor reflexa aqui atrás, tô com pressão alta, que eu sou hipertenso. E aí, meu irmão, foram 4 eletrocardiogramas que eu fiz. Os 4 deram que eu tinha infartado. Caraca, os 4! E aí, o que que acontece? Vem primeiro você, né? Eu sou o Doutor Carioca, tudo bem? Eu vou aqui botar o eletrocardiograma, não sei o que 'Não, tudo bem.' Aí sai. Aí vem você de novo, aí sai. Aí daqui a pouco entra Doutor Bola. Doutor Bola, eu vim fazer. Eu falei: 'Não, Doutor Bola, eu já fiz duas vezes.' 'É, não, mas é que tá dando um errozinho, eu vou confirmar, eu tenho que confirmar porque tá persistindo.' 'Mas que erro?' 'Então tá dando como se você tivesse infartado.' Infartado? O cara, vou ligar. Então você tá sozinho? Eu tô. Eu vou ligar para mãe dos meus filhos então, para ela vir para cá agora comigo, cara. Daqui a pouco vem. Doutora Bianca, olha, eu já fiz 3 vezes. É, mas tem que repetir, porque às vezes isso é um detalhe, cara, mexe aqui, dá um sei o quê, tá, tá dando isso. É como se tivesse uma fibrose. O que que é fibrose? É quando tá cicatrizando do infarto que você teve, mas você nem sentiu, irmão. Eu fiz o teste da enzima, o teste lá de quê, de que caralho, comecei 7 horas da noite, só fui sair do hospital meia-noite. Aí eu liguei para o meu amigo que é diretor, falei: Marquinhos, tão falando que eu infartei, cara. Quem foi o médico que falou isso? Falei: Ah, foi o Dr. Carioca, Dr. Bola, Dra. Bianca, Dr. Irmão, o cara ligou para lá, sentou os porra em todo mundo e falou assim: olha só, Esse cara é ansioso para caralho. Vocês vão fazer um ecocardiograma nele. Se não tiver ninguém, ele é meu vizinho, amanhã eu estou pegando esse cara 6 horas da manhã e levando ele para fazer um ecocardiograma. E aí eu fui fazer o ecocardiograma, cara. A médica falou assim: olha, você não infartou não, tá? Mas eu sugiro que você procure o seu cardiologista. Acalme-se. Cara, então assim, tá claro, eu nunca contei isso para ninguém. Eu passei mal porque eu entrei com ação contra o meu irmão.
Bola:Posso te ajudar nessa questão? Eu acho que eu posso te ajudar. Eu vou te contar o porquê que você não tem culpa. O teu advogado, ele fez um negócio na ação. Eu não sou advogado, mas a gente passa por certas coisas na vida e a gente aprende. É melhor em situação assim você entrar primeiro. Sabe por quê? Porque se você deixar entrar, você tem que se defender. Você entrando primeiro, o outro tem que se defender. Por isso foi isso que o advogado fez. Não é culpa sua.
Carmelo Maia:Não, não é, tá ligado?
Bola:Lógico, se o cara entra, você vira, você tem que se defender.
Carmelo Maia:A estratégia foi essa. Exato, a estratégia foi essa, foi certa.
Bola:É lógico, mas aí o que que acontece?
Carmelo Maia:Parada, surpresa.
Bola:É muito louco o jurídico, né?
Carmelo Maia:É muito louco. Surpresa. Olha que loucura, nós entramos com ação, correto?
Bola:Correto.
Carmelo Maia:Eu achei que eu fui o primeiro a entrar.
Carioca:Não tinha sido?
Carmelo Maia:Não, não, cara. O cara, 4 meses, meus advogados indo aqui para São Paulo para conversar com ele. No segundo mês ele já tinha entrado com ação. Entendi, você não tinha sido notificado na calada. E assim, que ele fique na calada é uma coisa. Agora, os advogados, cara, eles não são inimigos, são profissionais. E pela ética, qual é?
Carioca:Olha só, Doutor, já fizemos conciliar, né?
Carmelo Maia:Vou ser bem sincero para o senhor, nós já entramos com o negócio. Vocês estão vindo do Rio de Janeiro para cá gastando aí uma despesa de aéreo e hotel, e o meu de repente ele não, os cara ficaram caladinho, entendi. Só que aí, cara, sabe o que acontece? Antes de você ser humorista, tu é ser humano. Sim, o meu advogado, antes dele ser advogado, é ser humano de contencioso, de porrada, que ele não gosta de perder, que ele é que nem eu. Eu não jogo nem Paroim porque eu não, meu filho tá ali, nunca joguei PlayStation com ele na vida para não ter treta. Aquela porra de enquete, meu irmão, eu ficava toda hora ansioso para caralho. Falei, caralho, eu não posso perder essa porra, não posso perder essa porra, não posso essa porra não. Aí eu falei: Ih, cara, 58%! Aí eu falei: Ah, caralho, porra, por que que eu parei? Não gosto de perder. Eu sou competitivo pra caralho, qualquer porra. Aí o que que aconteceu? Ele chegou e falou pra mim assim: Carmelo, não é por nada não, meu irmão, agora tá na hora de botar o pau na mesa.
Bola:Entendi. Chegou o basta, o famoso basta.
Carmelo Maia:O teu irmão, cara, e os advogados dele com ele não foram éticos comigo. E eu sendo sincero o tempo inteiro, cara. Então agora, Carmel, chega. Aí o que que acontece? Aí a estratégia, tá? Nunca contei isso, tô contando para vocês aqui de forma.
Bola:Claro, claro, obrigado.
Carmelo Maia:Até estratégia, team my 4 kids. A gente sabia que eu ia ganhar e que ia ter uma condenação. Eu poderia, antes do juiz mandar executar a condenação, falar: para aqui, eu não quero fazer isso com meu irmão, para aqui, cara. Mas eu, de tanto que eu ficava sabendo e vendo às vezes podcast, o cara falando tanto mal de mim o tempo inteiro, e eu sendo um all boys, eu falei: cara, isso não tá legal. Aí entra o meu lado frio.
Carioca:Pô, mas só você tá levando salame, velho.
Carmelo Maia:Meu irmão, eu fui estrangulando, estrangulando juridicamente, juridicamente, até o final, até o final. Aí começou o quê? Aqui, ficar desesperado porque vai ter que pagar $1.000, $1.000.000, que a justiça tava cobrar a cada show que ele fizer. O show dele é R$35.000 na época, não sei quantos shows ele fez, com correções, que não sei o quê, vai ter que pagar de indenização para mim X mil R$100 mil. Aí quando foi para execução para mandar ele pagar, meu advogado falou: Carmelo, vai receber? Eu falei: não, agora que chegou na execução eu quero que ele não me pague, eu não quero receber nada dele, não quero, tá? Pronto, o jogo acabou, tá tudo certo. Eu só quero que ele entenda que ele não tem o direito de fazer o que ele está fazendo. Ele sabe que que ele não tem. Então, para mim, eu não quero receber nada dele e nem quero pegar dinheiro dele. Eu não quero o mal dele, eu só quero um ponto final.
Bola:Respeito. Pronto, acho que essa é a palavra, né?
Carmelo Maia:Entendeu? Acho que essa aí, o meu advogado deixou bem claro o seguinte: Carmelo, eu vou respeitar você, o meu, o ônus sucumbencial, ele vai ter que cobrar. Eu trabalhei, né, cento e poucos mil reais. 'Puta vida, ele vai ter que me pagar.' Falei: 'Aí, meu irmão, ele pensasse antes.' A minha parte, que era até maior, eu falei: 'Eu não quero receber.' Não, eu não quero receber.
Bola:Eu: 'Porra, legal da sua parte, não quero receber.' Legal, eu te entendo profundamente, que é aquela coisa que você falou do lado humano, né?
Carmelo Maia:Quero.
Bola:Ei, tá tudo certo. Podemos ir para o Super Chat, neném? Vamos lá, coisa linda.
Carioca:Quero atender um telefone. Tem mais um neguinho?
Bola:Não, acho que não, já esgotamos o tempo.
Carioca:Temos um só.
Bola:É, temos dois, tem dois aqui, ó. Então vai, porra, puta entrevista, adorei te conhecer pessoalmente. Personal Leo Tavares enviou uma mensagem: parabéns pelo excelente podcast, fala para o Carmelo que o supino reto já está preparado para ele fazer.
Carioca:Personal Leo Tavares, você tem um personal? É o teu personal?
Bola:Aí dentro, mas não é, não é teu personal.
Carioca:Tá pronto para você fazer já, irmão.
Bola:Prontinho. Lá ele tá aqui, ó. Carmelo, obrigado por aturar a fisioterapeuta doida. É que você não botou o fone, cara.
Carioca:Obrigado.
Bola:É que você tava sem o telefone. Vai, vou botar para você ouvir de novo. Ixi, tá rápido a plataforma! Não, tentar de novo, pera aí. Deu start, tá aqui, ó. Vai entrar depois, já conheço. Kidinho Milena, Cadinho Milena. Ah, é Carmelo, obrigado por aturar a fisioterapeuta doida.
Carmelo Maia:É minha fisioterapeuta Maluca, é, tá aqui, mano, também. Ela entra lá em casa soltando gases, pelo amor de Deus. É por isso que é maluca, é mesmo.
Bola:O meu irmão, queria que só para a gente poder ir embora, queria que você falasse do musical do Tim Maia.
Carmelo Maia:Não, eu tenho um presente para dar para vocês. Porra, obrigado! Um presente, presente esse que tem 50 anos anos, 50 anos, a tua idade, a minha idade, 76.
Bola:É isso aí, cara.
Carmelo Maia:Isso aqui, peraí que eu vou tirar com carinho, com carinho, irmão. Caralho, esse original tá melhor que o original porque as vozes separadas. Entendi. Melhor que o original, só para sacanear.
Bola:Aí sim, time mais racional. Vocês lançaram agora?
Carmelo Maia:Lançou pela Três Selos Rocinante, que é um clube de assinatura.
Carioca:Que isso, hein?
Carmelo Maia:Você quer para você, bola? Obrigado, eu vou autografar com carinho.
Bola:Eu quero, claro.
Carmelo Maia:Esse aqui é para Júlia.
Bola:Oi, Júlia!
Carioca:Tá bom, já senti.
Carmelo Maia:E aí vocês guardem.
Bola:Porra, obrigado, cara. Seroma, seroma, explica para o Bola o seroma.
Carmelo Maia:Seroma: Sebastião Rodrigues Maia, ao contrário, amores.
Carioca:Ao contrário é amores.
Bola:Não, e segundas às sextas, como é que era?
Carmelo Maia:Vitória Regia, a única que paga os domingos e após 21 horas.
Carioca:É isso aí, que legal!
Bola:Obrigado, presente mais racional, que é considerado no Cebo original o LP mais raro do Brasil. Esse tábua de esmeralda, tão brigando ali, né?
Carmelo Maia:Eu vou te falar um país, você é rápido, você vai pensar. Eu vou falar um país, você vai associar uma característica a esse país.
Bola:Iraque, guerra.
Carmelo Maia:Exatamente. Verdadeiramente, meu irmão. Tim Ma Racional no Iraque, eu achei lá pirata.
Carioca:É mesmo?
Bola:Pirata no Iraque? No Iraque, caralho, velho. Esse, esse álbum original, não, a história. Um dia você volta aqui para a gente conversar mais, eu vou trazer o Edmar.
Carioca:Tô brincando, tô brincando.
Bola:Como é que se diz? Esse disco aqui é uma fase muito doida, né? E é muito louco porque acho que o Tim Maia mandou recolher os originais.
Carmelo Maia:Ele mandou destruir todos os discos depois que ele viu o Manuel Jacinto comendo uma fiel, porque na verdade, tipo, J.D., João de Deus, ele parou de comer todo mundo, né? Então assim, acreditando na parada, e o cara— e ontem eu escutei até um cara que já Foi racional, é racional, que o cara fazia um trisalzinho lá, né? Já era falando, já era evoluído. E meu pai não fazia nada.
Bola:Bem-vindo ao mundo onde tem seres humanos, né?
Carmelo Maia:Ele construiu um hotel para extraterrestres, né? Só que os extraterrestres eram seres humanos como nós. E aí o meu pai, que acreditava, ele falava assim, pô, ele ia para rua divulgar porque ele tinha medo É, meu pai queria ser resgatado pela nave e na janelinha, né? Entendi.
Bola:Isso aqui, para quem quiser comprar o Tim Maia Racional, onde acha?
Carmelo Maia:Então, para quem quiser, tem que assinar no Clube Três Selos Rocinante a trilogia. São três discos da fase Tim Maia Racional. O terceiro volume vai sair, nunca saiu em vinil, porque esse terceiro volume foi que a gente achou alguns anos atrás.
Bola:Repete o lugar para a galera voltar.
Carmelo Maia:3 Selos Rocinante.
Bola:3 Selos Rocinante. Então você pode ter o seu Tim Maia Racional, que é o, o, o Que Beleza. É isso aí, esse disco aqui é antológico. E o original, que esse aqui não deixa, é original também e melhorado, que ele é masterizado inclusive O Joãozinho tá dando uma gagada, eu quero trazer ele aqui. A gagada que mais vocês gostam disso deles, né? É, dá uma gagada, uma gagada. Cagada de família, cagada de família. Enfim, mas eu sou fã pra caralho dos dois, né?
Carmelo Maia:São dois monstros. Maria Rita, João e Pedro Mariano, mas são os quatro, né?
Bola:Não, mas é que tem uma outra história aí. Sim, sim. E eu sou muito fã do João Marcelo. João Marcelo, um beijo para ele.
Carmelo Maia:Vamos trazer ele.
Bola:É foda, é foda. E o Pedro também, a Rita. Eu acho todos eles, inclusive, eu tava ouvindo um álbum dele de 1983, Aos Amigos. Ai, bom para caramba! Eu amo César Camargo Mariano, meu querido. Prazer do caralho. Deixa eu te dar um abraço aí, pô. Você é um puta cara, gente boa para caralho. Prazer te conhecer, cara. Prazer.
Carmelo Maia:Saio daqui, para mim, um sonho, um sonho.
Bola:Para mim também, cara.
Carioca:Muito obrigado, irmão.
Bola:Seu pai, seu pai, vou te dar um abraço. Meu pai, eu não digo nem que ele foi um cara realmente muito, um cara muito além, porque o Tim Maia é mais do que um ser humano, ele é uma alma, e uma alma boa. Porque se todo mundo que tá vendo esse programa hoje tá celebrando alguma coisa na vida, tá comemorando alguma coisa na vida, tá sorrindo, tá tendo alguma sensibilidade, ou momento de sofrimento ou de alegria, eu tenho certeza, em qualquer lugar, em qualquer cantinho desse Brasil, Tim Maia faz parte da felicidade desse país.
Carioca:Sim, boa.
Bola:E assim, quem nunca cantou, abraçado aos amigos, a semana inteira fiquei esperando a ti ver sorrindo, virou Até indo do Corinthians, né?
Carmelo Maia:Partir ver Corinthians, problema que deu na minha vida, né?
Bola:Tu soube, né?
Carmelo Maia:Não soube. Pô, ele me ameaçou de morte e tudo. Aí eu tive que falar com os Gaviões da Fiel, os donos. A treta foi tanta porque, só para explicar, porque eu não quero mais problema com ninguém, e os donos da Gaviões foram maneiríssimos comigo. Não tive nada contra a torcida. Torcida pode cantar, fazer o que ela quiser. O problema foi o presidente na época, que eu não me lembro, é março alguma coisa, sei lá, não lembro, não quis receber, não quis nada. E aí, cara, você tem que esgotar até entrar no judiciário todas as tentativas. E nessas que não quer receber, não tem outro caminho a não ser o judiciário. Porque o que aconteceu? Campeonato Brasileiro, Corinthians estava em declínio, os cara fizeram uma paródia, uma versão E o Corinthians começou a subir. O presidente, que ele bota a letra da camisa no manto sagrado. E aí o que que acontece? Agrega valor à marca. Só a lojinha do Corinthians, só 80 milhões de reais. Porra, 80, bobagem, né?
Bola:Com a letra da música, vem de camisa com a letra da música.
Carmelo Maia:Você imagina, Pô, se aquilo é uma edição limitada, daqui a não sei quantos anos vai a leilão, vale uma grana.
Bola:Claro, você tá certo, cara, você tá certo.
Carmelo Maia:E aí eu te entendo perfeitamente. Eu tentei falar com o presidente, presidente nada. Aí quem administra a música, a obra Não Quero Dinheiro, Só Quero Amar é a Warner. Então a Warner, chapéu, chapéu, chapéu, representando o meu pai e a mim, entrou com uma ação. Ação essa que era, cara, de compor alguma coisa Coisa, eles tinham um acordo e ninguém quis acordo nenhum, cara.
Bola:Aqui clube não tem dono, né, tá ligado? Aí o cara larga o clube e fica lá, pimba, usa politicamente o negócio.
Carmelo Maia:A galera da Gaviões da Fiel, os donos mesmo, os caras, os cabeças, foram super generosos, educados. Os caras entenderam e falaram: Carmelo, faz o seguinte, não dá ideia para esses formigas, porque o que tá te atacando aí é formiga. Quem manda aqui somos nós, irmão. Já entendi o papo reto, a visão que você tá dando. É isso aí.
Bola:Bom, amanhã, Boleta, teremos aqui o nosso querido Eduardo Corrêa, bodybuilder, já foi para o Mister Olimpia, foi várias vezes. Era nosso amigo lá na Max Titânio. Eduardo Corrêa aqui, Edu Corrêa, vai ser uma puta entrevista. E na quinta, o Du Menezes, para falar de Copa do Mundo. Jogo já, hein, no Brasil, mas já começa a Copa na quinta.
Carioca:Sábado tem jogo.
Bola:E o Du Menezes vai estar aqui com a gente a partir das 2 da tarde, 14 horas. Estão esperando vocês aqui. Carmelão, fica com Deus.
Carmelo Maia:Obrigado, obrigado, irmão, de verdade. Realizaram o meu sonho, cara.
Bola:Aí, ó, moleque, valeu!
Carioca:Obrigado, até amanhã, rapaziada!