Episódios de TICARACATICAST

EP 768 - SÉRGIO REIS

02 de junho de 20262h38min
0:00 / 2:38:05

Sérgio Reis é uma das maiores referências da música sertaneja brasileira. Com mais de 65 anos de carreira, mais de 20 milhões de discos vendidos e 4 Grammys Latinos, marcou gerações com sucessos como “Menino da Porteira” e “Panela Velha”. Sua trajetória também inclui atuações em novelas e uma importante contribuição para a cultura popular brasileira.

Participantes neste episódio4
M

Marcos Kiesa

HostHumorista
B

Bola

Co-hostHumorista
M

Marcos Carica

ConvidadoHumorista
S

Sérgio Reis

ConvidadoCantor
Assuntos15
  • Mensagem de vida e féAcreditar em uma força maior · Mistérios da vida e do universo · A importância de ser sereno e tranquilo
  • O Fenômeno "Menino da Porteira"Inspiração e gravação · Sucesso e impacto cultural · Teddy Vieira
  • Criação de Músicas e ProgramaçãoBoate Azul · Panela Velha · Pinga em Mim · Casinha Branca · Comitivo Esperança
  • Legado e InfluênciaContribuição para a cultura brasileira · Reconhecimento e admiração dos fãs · Mensagem de vida e fé
  • Colaborações MusicaisParceria com Almir Sater · Colaboração com Renato Teixeira · Amizade com Zeca Pagodinho · Lançamento de Amado Batista · Parceria com Paula Fernandes
  • Preparação para Clássico ReiInício da carreira e influências musicais · Jovem Guarda · Música sertaneja · Sucessos musicais · Atuação em novelas · Grammys Latinos
  • Histórias de vida e superaçãoAcidente de ônibus em Goiânia · Desarranjo intestinal em voo · Quedas de palco · Conflitos com outros artistas
  • Influência da música comunitáriaMúsica como forma de expressão e conexão · A importância da interpretação · Música sertaneja e suas raízes
  • Músicas de AssisãoViola caipira · Violão · Diferença entre viola e violão
  • Acidentes AéreosColeção de aviões e voos no Pantanal · Acidentes aéreos · King Air
  • Elenco e AtuaçõesParticipação em "Pantanal" · Novela "Paraíso" · Atuação em novelas da Globo e Manchete
  • Discussão sobre o mundo sertanejoCompositores e suas obras · Artistas e suas carreiras · O papel do curador musical
  • A vida de Priscila e ÁquilaFazendas e criação de gado · Pesca e vida ribeirinha · Viagens de avião e pousos em locais remotos
  • Genealogia e Historia FamiliarNascimento em Santana, São Paulo · Herança musical do pai · Família e ascendência
  • Futebol corporativo e rivalidadeJogo do Palmeiras vs. Botafogo · Torcidas e rivalidade · Jogadores como Endrick e Neymar
Transcrição994 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async
?Voz A

Opa, estamos ao vivo, Marcos Chiesa!

?Voz B

De cara assim?

?Voz A

Claro, estamos chegando, chegando a pelo de louco, nem o nosso sai de casa hoje, correria danada. Você tá bem, Boletá?

?Voz B

Eu tô bem, e você, irmão?

?Voz A

Graças a Deus, tudo certo.

?Voz C

Que bom!

?Voz A

Estamos ao vivaço.

?Voz B

Hoje eu tô muito feliz, cara.

?Voz A

Tá mesmo?

?Voz B

Puta honra.

?Voz A

É o programa de hoje para você curtir um tica clássico.

?Voz B

Realizando mais um sonho.

?Voz A

Aqui agora sempre a gente vai fazer um clássico aqui.

?Voz D

Boa.

?Voz A

Esporadicamente já tá no nosso radar, né, Boletim?

?Voz B

É isso aí, cara.

?Voz A

Trazendo personagens eternos, eternos da nossa cultura brasileira.

?Voz B

Já veio o Moacir da nossa seara artística.

?Voz A

Boa, querido Marcos Queza.

?Voz C

Boa.

?Voz B

Mas antes Já vamos se inscrever no nosso canal?

?Voz A

Seja gente boa, por favor.

?Voz B

Curta, compartilhe, inscreva-se no canal, dê o ticaracatica, dê o like chocolate, ative o sininho.

?Voz A

Obrigado, é isso aí.

?Voz B

Ajuda nós, caçador.

?Voz A

Colabore, seja uma pessoa, tem um bom coração, tem a generosidade e nos dê esse privilégio. Se você achar também que é válido para você, né, boleta?

?Voz B

É isso aí, carica.

?Voz A

Boa, porque aí você ajuda ao canal crescer cada vez mais. Já estamos a caminho aí dos 3 milhões de seguidores e precisamos que você nos ajude. Boa caridade, é uma súplica, meu querido Marcos.

?Voz B

Torne-se membro se você também quiser ajudar mais nós, humilde, humilde desse canal, desse programa. Estamos pedindo humildemente, por favor, humildemente.

?Voz A

Obrigado.

?Voz B

Então é isso, torne-se membro se você quiser também. Ajudar mais ainda, torne-se membro. Isso, certo, Carica? Temos a nossa plataforma.

?Voz A

Exatamente, sensacional. No chat tem uma linhazinha amarela ali com preto assim, link para Ticaracaticatch, lá no final do chat você clica e se cadastra aqui no nosso querido episódio, tá bom?

?Voz B

Certíssimo.

?Voz A

Pode ser, Boleta?

?Voz B

Certíssimo. Pode ligar, mandar o superchat, faça o que você bem entender.

?Voz A

Tá bom, é isso. Liga para cá, pode mandar o Super Chat, pode o Super Chat, por exemplo, Marcos Queza.

?Voz C

Fala, Carica!

?Voz A

E você consegue escolher a voz da pessoa, você pode mandar áudio, fique à vontade e aproveite hoje desse programa que vai ser histórico, histórico, sempre.

?Voz B

Porra, com ele ainda!

?Voz A

Lembrando, Boleta, que a gente também está no Spotify, uma das maiores audiências do Spotify. Muito obrigado a você que tá sempre com a gente aí no Spotify, né, Boleta?

?Voz B

Muito, muito obrigado. Amazon Music também estamos super bem.

?Voz A

Isso, segue a gente lá no Spotify. Isso, segue a gente lá porque também você vai ser impactado com todas as novidades. Tudo que surgir aqui do Tica vai aparecer no Spotify e a gente vai estar aqui sempre com você.

?Voz B

Tá bom? Boa, Carlinhos.

?Voz A

Beleza, Marquinhos?

?Voz B

Mais algo? Ontem foi aniversário da Maggie, do chalezinho.

?Voz A

Maggie, um beijo.

?Voz B

Mandar um beijo para Maggie. Querida Maggie. Você é demais. A Maggie é sensacional. Beijo, Maggiezinha.

?Voz A

Do nosso querido, que tá bombando sempre, né?

?Voz B

Chalézinho bombando sempre.

?Voz A

Chalézinho é privilégio, privilégio.

?Voz B

Lá é bom demais.

?Voz A

Então, nosso querido Chalézinho, que em breve estaremos lá, né, Boleta? Para o jantar, tomar um bom vinho, comer uma carninha, um fundizinho lá no nosso querido Brasil. Meg, beijão para você, obrigado sempre. Pelo apoio, porque a gente já tá com o Chalézinho há mais de 20 anos, né, Boletá?

?Voz B

Putz, já estamos...

?Voz A

É nosso parceiro.

?Voz B

Putz, nem fala.

?Voz A

São amigos e parceiros. Tá certo?

?Voz B

Certíssimo. Mais algo?

?Voz A

Estarei sexta-feira em Criciúma.

?Voz B

Carioca Botando Pilha, cambada, não perca.

?Voz A

E tem novidade, hein, Boletá? Não posso falar ainda. Vou te contar depois. Tá bom.

?Voz B

Novidade boa?

?Voz A

Tá praticamente...

?Voz B

Novidade boa?

?Voz C

É boa, boa, boa.

?Voz B

Então tá bom.

?Voz A

Mas você vai curtir.

?Voz B

Pena que você não pode contar, mas tá bom.

?Voz A

Ah, por hora ainda não, porque...

?Voz B

Precisa dar aquele, sabe aquele? Sim, deixa pegar.

?Voz A

Carimbo do cartório.

?Voz C

Boa.

?Voz B

Então, 5 de junho Criciúma, dia 6 Floripa, e dia 7 em Joinville, que o moço da Caloi, da Mini Caloi Bike, quer te dar um presente.

?Voz A

Beleza, legal demais. Joinville, Santa Catarina. Então, Floripa já quase acabou, Paulo, tem pouquíssimos ingressos. Então, você que ainda quer em Floripa, aproveita, corre, senão você não vai ter.

?Voz B

Tá bom?

?Voz C

Mandou bem.

?Voz A

E hoje eu estarei na Jovem Pan também a partir das 10:30 da noite com Isto Não É Um Talk Show.

?Voz B

Tá bom? Certíssimo.

?Voz A

Certíssimo?

?Voz B

Certíssimo.

?Voz A

Tá preparado pro programa de hoje, Boleta?

?Voz B

Porra, se eu tô.

?Voz A

Quer fazer as honras da casa, já que você é uma lenda?

?Voz B

Eu não, ele que é cantor, compositor, ator, astronauta, piloto, ele é tudo.

?Voz A

É, olha, Bola, eu sou como um carioca, eu posso abrir uma confissão.

?Voz B

Eu ouvia moleque ele, puta que pariu.

?Voz A

Exatamente.

?Voz C

Sérgio Reis.

?Voz B

Nós estamos quase com a mesma idade, viu, Sérgio?

?Voz A

O Sérgio Reis, ele é um artista completo.

?Voz B

Pelo amor de Deus, bicho, você tá brincando.

?Voz A

São poucos no Brasil que têm a licença, né, Bola, de poder cantar, atuar, compor, atuar. E passou por diversas, diversas. O cara foi da Jovem Guarda, meu irmão.

?Voz B

É, brinca.

?Voz A

Brilhou na Jovem Guarda. Aí, e ele é simplesmente o rei da música sertaneja no Brasil.

?Voz B

Pô, tá louco!

?Voz A

Ele é o rei. Quem é maior que Sérgio Reis na música sertaneja, meu querido Marcos?

?Voz B

Difícil, hein? Difícil, não é? Difícil.

?Voz A

E também até deputado já foi, já ator. Pantanal, quem vai esquecer de Pantanal?

?Voz B

Viajou uma pelada, não é? Ô delícia, hein, Sérgio Reis?

?Voz A

Hoje aqui no Tica-Taca Ticast. Pô, você fala a tua idade, Sérgio?

?Voz C

De boa, carica e boleta.

?Voz B

É nós, 80 anos de boleta, tá bem mais, 86.

?Voz A

Você tá com 86? Pensei que você tava com 80.

?Voz C

Dia 23 de junho eu faço 86. Eu faço dia 24 de junho aniversário, dia depois, São João, dia depois, 86 anos. 1940, 1940.

?Voz B

Tá bem, Sérgio, um pouquinho. Que legal, cara.

?Voz A

E o filho dele tá aqui também, o Marco. Marco, eu pensei que era Reis, porra.

?Voz D

Ele é Sérgio Bavini, o nome artístico que ele herdou da minha avó, que não ganhou em cartório. Ela era Clara Reis Bavini, aí usou Reis.

?Voz A

No papel não é Reis.

?Voz B

Já ganhou 12 Grêmios, irmão, só para você ver que ele é foda.

?Voz D

2, 2.

?Voz A

Ele ganhou 3 e eu como produtor E você ganhou, desculpa, pode chegar o microfone pro lado aqui, Marco, antes de começar. Você ganhou 2 Grammys em quais álbuns?

?Voz D

Produzindo ele, um solo dele.

?Voz A

Do Sérgio?

?Voz D

É, um solo dele, inclusive com participação do Dominguinhos, que era um amigão dele, eu tive a honra de gravar com o Dominguinhos. E o segundo, 2 DVDs, eu fui indicado em 4. No primeiro que eu entrei aqui, eu tô aqui há 25 anos, entrei em 2000 no Sérgio Reis e Filhos, Violas e Violeiro. Era eu, meu irmão Paulo, O Paulo já trabalhava com ele de produtor já na estrada e eu entrei em 2000 para produzir musicalmente com o Paulo. E aí o segundo ganhei com ele, o Amizade Sincera, era um trabalho dele que viajamos 16 anos, ele e o Renato.

O Renato Teixeira fez uma curadoria assim das músicas dessas canções mais regionais dele inclusive, né? Todas aquelas: Frete, Tocando em Frente, Romaria, Amizade Sincera, Amora. O Renato Grande.

?Voz A

Vou pedir pro Zaque, Zaque, se puder botar outro microfone aqui porque o papo hoje vai ser...

?Voz C

Não dá, não dá.

?Voz B

Tem jeito que tá ligado o violão.

?Voz A

Ah, então não tem problema.

?Voz C

Então vai arrastando. Eu fico aqui de muleta.

?Voz A

Fica pertinho do coroa. Isso é a beleza da vida, né? Sérgio Rey, seja bem-vindo. Obrigado pela sua obra. Obrigado pela sua persona pra arte brasileira. Confesso que eu, como do Rio de Janeiro, não tenho a cultura, não tive, pelo menos nos anos 80, muita música rural, da música do homem do campo, da música sertaneja, né? O pouco que tive foi o próprio Ivan Lynch, que trouxe um pouco de uma época da música. Isso aí, ele trouxe um pouco da música sertaneja, chegou.

E você, curiosamente, foi um cara que desbravou isso no Rio. Eu sou testemunha. Você não vai lembrar disso, mas eu fui para o primeiro show, um dos primeiros shows que eu fui na minha vida foi do Sérgio Reis. É mesmo? Lá em Cordeiro.

?Voz C

Cordeiro, lá do Rio.

?Voz A

Lá no Rio de Janeiro, que área rural. E tinha uma festa de cordeiro.

?Voz B

Carioca, bicho!

?Voz A

É, eu fui no show do Sérgio Reis.

?Voz C

Que legal!

?Voz A

90.

?Voz C

Você nasceu aonde?

?Voz A

Eu sou de Niterói, mas criado em São Gonçalo. Me considero de São Gonçalo.

?Voz C

A minha mãe Dona Clara nasceu em Laranjeiras, era carioca. Olha aí! Meu avô português morava no Rio e ela nasceu lá. Quer dizer que eu tenho metade paulista e metade carioca. Olha isso aí!

?Voz A

Família de bandeirante, né? Essa galera aí que subiu o morro e desbravou o Brasil.

?Voz B

E quando você começou essa brincadeira, Sérgio?

?Voz C

Olha, o meu pai, o senhor Érico, Todo mundo falava de Henriquinho, Henrique, Henriquinho, porque minha vó era italiana, falava: "Henriquinho, vem Henriquinho!" Ela pensava que era Henriquinho. Depois que eu descobri que era Érico. Mas ele tocava seresta, né? Aliás, você está com o violão dele, né?

?Voz B

Você ainda tem o violão dele?

?Voz C

É o dele.

?Voz B

Puta que legal, Marcão!

?Voz C

Ele toca, então Meu pai tocava seresta, tinha uns amigos que tocavam com ele, o Tio Lobo, o Tio Henrique tocava violino e eu cantava, era menino, cantava.

?Voz B

Já gostava de cantar?

?Voz C

Já gostava de cantar, com 7 anos eu já cantava.

?Voz B

Pô, que beleza, hein?

?Voz A

Puta merda, 7 anos?

?Voz C

7 anos.

?Voz A

E você morava onde?

?Voz C

Desculpa, Sérgio. Morava em Santana, eu nasci em Santana.

?Voz B

Aqui? Zona Norte?

?Voz C

Zona Norte. Eu nasci ali numa travessa, numa rua, chama-se Andradina. Número 11, a casa que eu nasci ainda existe, tá lá.

?Voz B

É mesmo?

?Voz C

É, rapaz. Assim, você sobe a Chemin de Euprá, que o povo de Santana tá sabendo, Chemin de Euprá, chegou na Alfredo Pujol, vira à direita, e a primeira direita, que é uma ruazinha que dá ali para baixo, tá a casa 11. Um dia eu parei lá.

?Voz D

Chemin de Euprá, a rua onde tem o CPOR, você vai saber.

?Voz C

CPOR, tô ligado. Então, eu um dia parei na frente da casa, né, falei: puxa vida, eu nasci aí. E tinha uma senhora na janela: Oi, senhor, senhor Sérgio Reis, é, tudo bem? Está procurando alguma coisa? Falei: Não, eu tô vendo que eu nasci nessa casa.

?Voz B

Aonde eu nasci?

?Voz C

Eu nasci aí. Você tá brincando? Falei: Não, eu nasci aí. Entra aí para ver. Vai estar igual como era antigamente, né? Lógico. 1940, pô. Imagina, mas era um parqueiro, essas coisas, né? Mas eu até conversei com essa senhora, falei: A senhora não venda essa casa, que a hora que for vender eu compro.

?Voz B

Antes de me falar.

?Voz C

Vai ser meu museu aqui.

?Voz A

Que legal! Então em Santana você nasceu. Agora, como é que surgiu a música na sua vida?

?Voz C

Meu pai, né? O teu pai? Eu cantava Orlando Silva, todos esses celesteiros antigos, que tive depois a honra e o prazer de cantar com eles e viajar com eles. Que legal! Entende? A vida ela te mostra algumas coisas, tudo já tá arrumado. Sabe?

?Voz B

Tenho certeza que Deus já traçou o negócio.

?Voz C

Deus já traçou, porque eu era um menino de 10 anos que gostava de moda de viola.

?Voz B

Eita!

?Voz C

Eu ouvia Tonico e Tinoco na Bandeirantes, eu acho que era na Bandeirantes, na beira da tuia. Se você não sabe o que é tuia, que você é carioca, não sei, é um barraco onde põe a ração, as ferramentas, depois trabalha, ela é suspensa para não entrar rato, aquelas coisas, né? E o caipira, depois que ele acabou de trabalhar, ele sentava nos degraus da tuia e tocava viola. Então era na beira da tuia.

?Voz A

Tá ok, que bom esclarecer. Que pra mim é quartinho mesmo. É, Tonico Tinoco. Quartinho, né?

?Voz C

Tonico Tinoco. E meu pai me deu uma viola, uma violinha que eu tenho até hoje. Eu tinha 10 anos, essa viola tem 76 anos comigo, tá lá guardada.

?Voz A

76?

?Voz C

Foi autografada pelo Tonico Tinoco. A um amigo, Sérgio Rey, ele não falava reis, Sérgio Rey, com um abraço, parabéns pelo som da viola e tal. Essas coisas que você não tem ideia que vai acontecer. Eu com 10 anos gostava deles, aí me transformei nesse famoso Sérgio Reis por causa da música Menino da Porteira.

?Voz B

Foi por causa da Menina da Porteira que eu virei sertanejo.

?Voz D

Essa que tinha.

?Voz C

Então eu sempre usava esse chapéu. Eu tenho fotos lá em Agenor de Campos, mano, eu usando chapéu de boiadeiro aqui. Sempre gostou? Sempre gostei. E a vida seguiu em frente. Aí tinha o Enzo de Almeida Passos, fala telefone pedindo bis, vitrola mágica. Ele se ligava, ele tocava as músicas, você ligava pedindo bis, ele tocava de novo. Tinha mais meia hora, ele tocava aquelas pedidos.

?Voz B

Que demais!

?Voz C

Era um sucesso, o Enzo era um sucesso. E ele era nosso vizinho lá em Santana, morava na Rua Doutor Zucchini, 1430, por aí, na Azulquim Santos, da Igreja Salete. E o Enzo era meu amigo dos VIPs, Márcio e Ronald, dos VIPs.

?Voz A

Sim, Márcio dos VIPs.

?Voz C

Morava na Rua Juvita também, também. E nós cantávamos nos programas do Enzo, até que um dia ele me levou na Chantecler O diretor artístico, você tinha quantos anos aí, Sérgio? Eu tinha, nessa época eu tinha 18 anos, 58. É, já tava moleque ainda. Ele me levou na Chantecler, o Diogo Moleiro, que era o Palmeira. Você lembra da música? Boneca cobiçada, nas noites de sereno. E era o Palmeira e o Teddy Vieira, o autor do Menino da Porteira.

O Teddy Vieira cuidava do sertanejo e o Diogo Morello, o Palmeira, cuidava da parte popular, que era Renato Guimarães: "Oema é o cantar do passarinho, e de ti veiga faz-me rir o que andas dizendo." Era Leila Silva. Marta Mendonça, que casou com Altemar Dutra, nosso grande celesteiro.

?Voz A

Altemar Dutra, eu sei por causa do meu pai. Meu pai amava.

?Voz C

Foi um fenômeno, né? Todos os celesteiros que eu conheci não tocavam violão direito, poucos. Tinha o Noite Ilustrada, né, o Mário.

?Voz A

Como é que é daquele?

?Voz C

Tornai-me um abril nobre, é Vicente Celestino, de 1910, meio-Deus, bem antigo, bem antigo. Daqui a pouco os bêbados Eu cheguei na rua, cantavam isso.

?Voz A

Não, eles cantavam isso, os bêbados da rua. Era o Raul Seixas dos bêbados, assim, né? Que hoje os caras cantam Raul Seixas.

?Voz C

Eu lembro que eu chegava na rua: "Tornei-me um ébrio na bebida, buscou a esquecer, aquela ingrata, aquela homem que me abandonou." Então você vê que a gente tem uma vida, são 68 anos de carreira. Que beleza, hein, mano? De 58 até hoje.

?Voz A

Tá, e você foi para Chantecler e gravou o quê? Suas músicas? Como é que foi a parada?

?Voz C

Antes de gravar na Chantecler, eu cantava Roy Orbison, Elvis, entendeu?

?Voz B

Você era roqueirão.

?Voz C

Era ruim, era roqueiro.

?Voz B

Fudido, olha só.

?Voz A

O Elvis ali era o cara que tava brilhando.

?Voz C

Elvis foi o Elvis, o resto foi um caminhão de japonês tudo igual. É mesmo? Pode falar o que você quiser, não tem. Tem um inglês lá, como é o nome dele?

?Voz A

Roy Nelson?

?Voz C

Não, não, o inglês que morreu lá, que canta.

?Voz B

O inglês? Que música?

?Voz D

Vários ingleses famosos, Elton John.

?Voz A

Não, que morreu, ele morreu.

?Voz C

Morreu.

?Voz A

Morreu.

?Voz D

Freddie Mercury.

?Voz C

Freddie Mercury, que ele cantava também.

?Voz A

Isso é bizarro.

?Voz C

Entendeu? Os mais que cantavam, fizeram sucesso, foi Freddie Mercury, foi os Beatles e Elvis. O Elvis era um fenômeno.

?Voz A

É porque Beatles é uma grande divisão na música assim pop, vamos dizer assim.

?Voz C

Ah, eles inventaram.

?Voz D

Tá certo que todo esse povo, tanto Elvis quanto Beatles, eles nunca fizeram uma turnê mundial, não existia PA, não existia... O Elvis tocava num cassino, num mercado...

?Voz B

O máximo foi pros Estados Unidos, né?

?Voz D

Tanto que quando essas bandas acabaram, nenhum deles fizeram uma turnê mundial, mas os Rolling Stones, como continuaram, fizeram. Olha que pecado o Elvis nunca ter feito.

?Voz C

É o povo que vem pra cá, cara.

?Voz B

Verdade mesmo.

?Voz C

E os Beatles? É o povo que vem, né, filho?

?Voz B

O Paul veio, o Paul veio direto.

?Voz C

Eu levei ele no show, levei ele no show na chuva. Puta merda!

?Voz D

Primeira vez que ele assistiu um show, sempre tava no palco. É mesmo?

?Voz A

Você nunca tinha assistido um show?

?Voz C

Como é que eu podia deixar de ver o Paul McCartney, cara? O Crispim da minha geração, ouvindo eles cantando. Beatles é Beatles, né? Pode brincar.

?Voz B

Mas na tua época, Sérgio, a música já dava grana?

?Voz C

Não, não morria de fome também, porque antes de gravar, antes de fazer show...

?Voz B

Se hoje em dia Tua turma enxurrava de energia.

?Voz C

Eu cantava na noite, tinha uma boate ali na Peixoto Gomes de São Balanço.

?Voz B

Você ia cantar lá?

?Voz C

Ia lá 11:30 da noite, saía 4 horas da manhã.

?Voz B

É mesmo?

?Voz C

De sexta para sábado, no sábado tinha feijoada, eu dormia na boate e ficava até meio-dia, uma hora cantando.

?Voz D

Caraca, meu amigo, é bom contar os seus podres aqui.

?Voz C

Conta, Marco, vai.

?Voz D

Antes do Menino da Porteira, ele era da Jovem Guarda. Sim, tanto que a abertura do show dele era uma música do Tim Maia: "Hoje é dia de Santo Rei", ele fazia. "Hoje é dia de Sérgio Reis" e tal.

?Voz B

Que maravilhoso!

?Voz D

Ele cantava de tudo. Aí o que aconteceu uma vez, ele foi numa formatura e ele viu uma banda cantando Menino da Porteira, mas até lá teve uma vez que ele cantava, eles vieram cantar numa casa, uma casa de pelado, de samba canção, os músicos não queriam tirar, ele tava, como é que era o nome da casa, pai?

?Voz B

Você cantou samba canção?

?Voz C

Era a casa da Eni, era uma casa de moças que tem medo de dormir sozinha, entendeu?

?Voz A

Eu sei como é que é. Essas casas, elas encontram homens que também não sabem dormir sozinhos, é meio isso, né? Ou então estão cansados.

?Voz B

Maravilhoso. As moças têm medo de dormir sozinhas. Isso é bom demais!

?Voz D

Nessa época que surgiu o Mindo da Porteira. Mas conta a história aí.

?Voz C

Vai, Jairão. Por exemplo, nós fomos lá, fui cantar nessa boate e tinha um empresário, meu amigo, famoso, estava bem, falou: "Vou fazer um aniversário meu lá." A Enie era uma casa... Onde era? Em Bauru.

?Voz A

Bauru, é famosa essa casa. Sim. Na época, né?

?Voz D

A Enie era uma fazendinha.

?Voz B

Sim, sim, hoje em dia...

?Voz C

A Enie era de uma delicadeza, ela... Ela convivia com a sociedade, ela trabalhava, ela e os filhos.

?Voz B

E as moças que não gostavam de mim sozinha não podiam transar lá dentro.

?Voz C

Ela dava tudo, ela dava médico, dava um carro, tinha o chalé delas atrás, é uma chácara grande, ela fazia, construía, as meninas moravam lá, tudo bem.

?Voz B

Mas não podia transar lá.

?Voz C

Quer sair? Tá, paga, quer levar? Paga 300 para levar ela lá fora.

?Voz B

Tá, entendi.

?Voz C

Vai para um motel. Então, aí, esqueça de falar tantos detalhes.

?Voz A

Não, mas é que o Roberto Carlos canta detalhes.

?Voz B

Deixa o Sérgio Ricardo cantar.

?Voz C

Tem pessoas que não sabem que isso existe, pô.

?Voz A

E existe. Não, claro que sabe. Não, tem gente que nunca conferiram isso, mas que existe, existe.

?Voz C

Carioca nunca foi. Não, o que que ele falou? Esse não foi.

?Voz A

Eu não sei como é que é essa, ele tá explicando.

?Voz C

"Eu também não." Aí eles fizeram um show, mas depois vamos cantar todo mundo pelado. Aí tinha um conjunto meio de samba lá, né? E os caras, os velhos não queriam tirar a roupa.

?Voz B

Lógico, né?

?Voz C

Roupa não canta.

?Voz B

Canta pelado.

?Voz C

São 20 mulheres e eu, empresário, secretário, tudo nu, entendeu? Nuzinho mesmo, descalço.

?Voz A

Pé descalço?

?Voz C

Vai ouvindo, vai ouvindo. Aí os velhos depois resolveram tirar a calça. E ficar de cueca, samba canção e meia branca e tocar a noite toda sem camisa, não podia ficar com a camisa. E foi uma noite memorável, foi muito legal. Foi isso na INI? Isso lá na INI.

?Voz A

Em Bauru? Bauru. Mas aí que surgiu a música Menino da Porteira?

?Voz D

Não, nessa época ele fazia essas formaturas e esses eventos.

?Voz C

Ah, tá.

?Voz D

E ele foi num desses e ouviu uma banda de baile, tipo dessas de casamento, cantar Menino da Porteira. Os caras tiveram que tocar a música só pela introdução umas 3, 4 vezes. Chamou a atenção dele e aí ele ligou pro produtor, que era o Tony Campello.

?Voz C

Eu já tava com sucesso no Menino da Gaita. Você não trouxe a gaita, né?

?Voz D

Não trouxe a gaita hoje.

?Voz C

Nem eu.

?Voz B

A gente tem gaita? Não tem, não tem gaita.

?Voz C

Aí vai vendo.

?Voz B

A turma deixa um monte de coisa por aí.

?Voz A

Aí tava falando de silly gaita, mas não temos a gaita.

?Voz B

Silly gaita é outra coisa.

?Voz C

Era uma música bonitinha. Era um rapaz, olhos claros, bem azuis. Menino da Gaita era uma versão do Fernando Arbex, eu que fiz. Foi sucesso. E eu fui contratado para cantar em Tupaciguara, que era a terra da Nauvinha Aguiar.

?Voz D

Ali lembra a cidade.

?Voz C

A Nauvinha Aguiar.

?Voz B

Eu não lembro o que eu fiz ontem, irmão.

?Voz C

Em Tupaciguara. Aí fomos lá e eu cantei para as mulheres. Eram duas cidades Tinha 2 mil pessoas naquele baile, lotado, lotado. Eram debutantes da cidade vizinha, de Tupaciguara. E estavam lá, e teve o show, eu apresentei para elas, e depois reiniciou o baile para dançar a noite toda, né? Aí elas vão dançar com os padrinhos, aquelas coisas, né? E o conjunto, quando reiniciou a festa depois de toda essa apresentação, a introdução do Menino da Porteira.

Faz para mim a introdução do Menino da Porteira. Cê quer ver? Só isso aí já sabe que é.

?Voz A

Não tá tocando aqui pra mim, tá?

?Voz C

Isso é o mistério. Essa música, essa introdução, todo mundo já sabe que é o Menino da Porteira.

?Voz B

Na hora. Na hora. Quando eles deram a introdução, a turma: "Ei!" Toda vez que ouvia já começava a cantar na hora.

?Voz C

Vamos cantar um pedacinho.

?Voz B

Isso é um clássico.

?Voz C

E a poeira ia abaixando, eu jogava uma moeda, ele saía pulando. Obrigado, boiadeiro, que Deus vai lhe acompanhando, pra aquele sertão afora, meu berrante atorrando.

?Voz B

Aô, lasqueira!

?Voz A

Conclui aí, pô, bonito isso aí.

?Voz B

"La la la la." Tá aqui, pariu, viu, meu? Só falta uma pinga agora, tá, viu? Só falta uma pinga. Ei, pinga em mim, pô!

?Voz C

Aí, quando deu essa introdução, aquele salão inteiro: "Ah!" Quando o cantor começou a cantar, todo mundo cantou.

?Voz B

Veio abaixo.

?Voz C

Veio abaixo. E eu quieto lá no canto, falei: "Poxa vida, eu gravei o Menino da Gaita, se eu gravar o Menino da Porteira, eu vou pegar esse público". Sou do interior de Minas Gerais, do Passeguara. Aí não tinha telefone, eu estava num hotel. Falei: "Amanhã eu vou ligar pro Tony Campello". Logo cedo eu liguei pra ele de lá: "Tony, aconteceu isso, isso, isso, isso". Contei tudo. Ele falou: "Tudo bem". "Ah, legal, grandão, faz o seguinte".

"Como é que faz o arranjo?" Ele falou: "Procura o maestro Elcio Álvares, porque quando eu gravava na Chantecler, ele fazia todos os arranjos do sertanejo." Elcio Álvares, o maestro. "Procura ele que vai dar certo." Eu falei: "Faz um negocinho, tipo assim, um baiãozinho, para não correr muito com a letra." "Toda vez que eu viajava pela estrada..." É o cururu isso. É o cururuzinho, né? Baiãozinho, cururu.

?Voz D

Batuca nessa mesa aqui.

?Voz C

É para tu ouvir lá como é que eu fiz.

?Voz B

É boa, Sérgio. "Vou pegar um martelo, você vai pegar um ferro." Em que ano foi isso, Sérgio?

?Voz A

Você lembra o ano?

?Voz C

Em 72.

?Voz A

Em 72 você lançou Menino da Porteira?

?Voz C

73. 73 eu lancei os Menino da Porteira.

?Voz A

Tá, aí você vai atrás do compositor e tal.

?Voz C

É, mas daí a editora já autoriza, né?

?Voz D

Olha que engraçado, o compositor era o diretor artístico.

?Voz A

Pode puxar o microfone pra você, melhor do que você ficar. Pode trazer o microfone pra você?

?Voz D

O compositor era o diretor artístico da Chantecler que ele contou antes. E o compositor que inclusive batizou ele de Sérgio Reis, porque ele é Sérgio Bavini.

?Voz C

Porque eu cantava com o Roy Orbison, eu era Johnny Johnson.

?Voz B

Bonito também Johnny Johnson, bonito.

?Voz C

Aí o Márcio me ouviu e falou: "Pô, isso aí é nome de preservativo, pô." Chega na farmácia, me dá dois de 20.

?Voz B

Johnny Johnson, é bonito, né, Johnson e Johnson. É Johnny Johnson, caraca.

?Voz C

Aí ele falou: "Não, é uma gravadora popular, Santa Clara Popular." Bem popular. Aí ele falou: "Meu nome é Sérgio Bavini." Eu falei: "Não, Sérgio Bavini não vai legal." "Minha mãe é Clara Reis, posso usar o Reis?" Aí o palmeira, do Palmeiras, falou: "Sérgio Reis." O Teddy Vieira, que era o autor do Hino da Porteira, tava mexendo nos arquivos do lado ali, falou: "Teddy, Sérgio Reis é bom, né?" Aí ele olhou, falou assim: "Sérgio Reis, Sérgio Reis, Sérgio Reis é bom." Então você tá batizado como Sérgio Reis por mim e pelo Teddy Vieira.

?Voz D

Que coincidência, bicho!

?Voz B

Isso não é coincidência.

?Voz D

Batizado pela... Porque na verdade ele é de Santana. Essa imagem dele de sertanejo é tão forte que ele canta... Pode pôr as músicas aí. Ah, não.

?Voz B

Ele acha que ele é do interior.

?Voz D

Ele canta... É tão forte que ele canta todas essas músicas sertanejas com sotaque de paulista e ninguém percebe.

?Voz C

É.

?Voz D

Tão forte.

?Voz A

Mas é a viola, não é?

?Voz D

Não tinha viola, era orquestra. Se você pegar o arranjo de Menina Porteira, é uma flauta.

?Voz C

Ah, tá.

?Voz B

Não tinha viola.

?Voz A

Mas não foi o Som Brasil, de repente, que pode ter dado?

?Voz C

Bouldrin Quem?

?Voz A

e tal.

?Voz D

Meu pai nunca foi no Bouldrin.

?Voz A

Você nunca foi no Bouldrin?

?Voz C

Não, nunca fui.

?Voz A

No Som Brasil?

?Voz C

Nunca. Nunca fui, nunca fui.

?Voz A

Olha que loucura, nem com Nara Lima Duarte?

?Voz C

Não, nunca fui. Não sei por quê.

?Voz A

E a Inesita Barroso?

?Voz D

Fui sim.

?Voz A

Ah, então.

?Voz C

Viola, minha viola.

?Voz D

Ele virou um sertanejo de alma por conviver nesse meio depois de 73. Mas olha como é forte essa imagem. O cara não canta "Fizemos a última viagem".

?Voz C

Nunca. É verdade.

?Voz D

Ele canta "Fizemos a última viagem".

?Voz B

Não tem sotaque caipira.

?Voz D

Mas é tão forte a imagem dele com esse chapéu, com isso aqui, que ele virou um caipira de alma mesmo. Conhece tudo de capim, de gado, de avião. Tudo que a música levou ele, ele conhece tudo.

?Voz C

Conheço. Quis aprender tudo.

?Voz D

O apelido dele é o homem que sabia demais.

?Voz A

Eles querem trocar o microfone e tirar a viola. Pode chegar, pode chegar. Aplausos pro Youssef.

?Voz B

Nosso mestre. Funcionário de Bilu. Bilu, Bilu é funcionária de Isaac.

?Voz A

Tá bom, hein?

?Voz C

Fala aí.

?Voz A

Não, mas olha só, vamos voltar um pouquinho, porque só para você saber, é, não, é importante também, Nira Porteira, valeu. Mas eu queria entender a Jovem Guarda, porque a Jovem Guarda é antes aí, é antes.

?Voz D

Então como é que surgiu dessa casa da ENI?

?Voz A

Ah, então foi na Jovem Guarda, mas tu fez sucesso primeiro como Jovem Guarda com Coração de Papel, Johnny Johnson, como chamava?

?Voz B

Se você pensa que meu coração O coração é de papel.

?Voz A

Testa aí, testa aí.

?Voz C

Agora bota o microfone dentro. Não vá pensar, pois não é. Ele é igualzinho ao seu. E sofre como eu, porque fazer chorar assim a quem ama é difícil.

?Voz B

Bonito, bonito, hein? Puta merda!

?Voz A

Aí tá, sentou na Chantecler, Rua Santana, conheceu os amigos, esse foi teu primeiro sucesso.

?Voz C

Primeiro sucesso foi eu.

?Voz A

Na Jovem Guarda.

?Voz C

Só que na época da Jovem Guarda eu compunha, só num ano, dois anos, eu compus 300 músicas.

?Voz B

Caramba!

?Voz C

É mesmo, tinha Max Roberto. Vai embora daqui, quero ficar só. O Denidino falou coruja, e eu fiz só quero ver, porque o coruja, coruja, eles faziam isso, né? Aí eu fiz um sucesso seguinte deles: eu só quero ver você sorrir, não vejo a hora de perdoar, você chorou, você sofreu, e o culpado sei que fui eu. Ei, que foi, hein? Tchuru, tchuru, tchuru, tatatá. Ah, ah, ah.

?Voz B

Entendi.

?Voz A

Aí, mas esse movimento da Jovem Guarda, só pra eu entender bem.

?Voz C

Eu amei muito, muito.

?Voz A

Era o Roberto, você, aquele cara era bom também, o do bigodinho, do carro vermelho lá.

?Voz C

Eduardo Araújo. Eduardo Araújo. Mas éramos amigos, eu vi ele namorando a Silvinha. Ele é o bom, é o bom, é o bom. Meu carro é vermelho, esse cara era estouradaço, né? Ele cantava Maria como ninguém. A gente até hoje tem contato com ele direto. É meu compadre duas vezes, meu e da Ângela. Que beleza! O Eduardo Araújo e a Silvinha são padrinhos do Vinícius, filho do meu enteado, tá? Filho da minha segunda esposa. E depois, quando a Silvinha pegou um câncer E tava, já pegou cérebro.

Eu falei, falei para ela, vamos casar, vamos adiantar o casamento que eu quero eles no altar com a gente. Legal. E eles, a Silvinha, pusemos uma cadeira para ela sentar e ela assistiu o nosso casamento. Elas eram como irmãs, porque na verdade a Silvinha Araújo e a Ângela foram as vocalistas que mais gravaram no Brasil. A Ângela gravou com todos que você imagina: Chitão, Zezé, Leandro, Leonardo, todos esses que conhece.

?Voz B

Já gravou?

?Voz C

Ela gravou, ela tem 50 anos de carreira, tem 72 anos. Fora, ela fazia Chiquititas na Argentina. Depois das Chiquititas, ela gravou com Manzaneiro, Ricky Martin, Laura Pausini, e ela gravou com Julie Iglesias. E hoje ela é minha esposa, porque ela cantava, mas não viajava, só cantava em estúdio. Tá. Depois eu precisei de um vocal no show e pedi para ela. Ela e o Ringo, que é o nosso tecladista hoje. Ringo só não tá aqui hoje porque ele tá operado.

?Voz D

O Ringo gravou com o Quincy Jones, pô, em Milão.

?Voz A

Aí sim, é fraco.

?Voz B

É, a turma é fraco.

?Voz C

Então a gente tem uma banda, nós somos 5, 6, que é uma orquestra, né? Então essas coisas vão acontecendo na vida da gente. E agora pergunta como é que eu fui cantar numa gravadora sertaneja, porque que eu, menino de Santana, do cara do rock, da Jovem Guarda, meu pai nasceu em Osasco, minha mãe no Rio, não tem nenhum parente no interior, nenhum. E eu gostava do Toniquinho.

?Voz D

Tanto que todas essas músicas sertanejas depois de 73, ele compunha na Jovem Guarda mais de 300 músicas e nunca compôs uma música sertaneja, porque ele não era, ele é aqui de Santana.

?Voz C

Eu era de Santana.

?Voz B

Não tinha vivência, né, do sertanejo. Não, ele nunca compôs uma música sertaneja.

?Voz C

Eu ouvia, mas não tinha vivência.

?Voz B

Sim, lógico.

?Voz C

Não tinha o traquejo. O que que fala ali?

?Voz B

Tá, não tá funcionando o mic aqui, Isaac.

?Voz A

Tá indo pro ar? Só pra saber se o mic dele tá indo pro ar. Só isso que eu quero saber. Zaque tá indo para o ar.

?Voz D

Isso é uma viola caipira, não é um violão. Ela tem 10 cordas.

?Voz B

O que que é 12 cordas? 10.

?Voz D

É uma viola caipira, não é um violão.

?Voz C

Essa é uma viola.

?Voz A

Eu não sei a diferença da viola do violão.

?Voz B

Pode entrar aí, para arrumar bagaça aí.

?Voz A

Vai, entra aí.

?Voz B

Vou falar aqui, Marcão.

?Voz D

A viola caipira é o instrumento da viola, esse nome viola caipira, ela tem 10 cordas e afinação aberta, que no caso é um ré maior. Então ela faz aquele sonzinho mesmo do... Bem caipira.

?Voz B

Mas não tem uma de 12 cordas também? É violão, violão de 12. Entendi.

?Voz A

Usa o outro agora, pode usar, vê aí agora se tá funcionando. Agora tá, agora tá, pode deixar pro Sérgio. Obrigado, Youssef, valeu.

?Voz D

E essa aqui, esse instrumento é a viola caipira. Entendi, tipo É o instrumento que faz o...

?Voz C

Canta uma sertaneja.

?Voz A

Qual?

?Voz C

Vai. Que bonito, velho.

?Voz B

É bonito demais isso aí.

?Voz D

Minha sustância ingênua, minha bela, meu amor.

?Voz C

Pra você quero mostrar meu sofrer, a minha dor. Meu socorro, —Bem caipira, né?

?Voz D

—É maravilhoso!

?Voz C

—Bonito demais!

?Voz B

Mas a coisa mais engraçada do mundo, sabe o quê? Eu sempre achei que o Serjão era pé vermelho, sempre achei.

?Voz D

Aquilo que eu te falei, né?

?Voz A

Essa comunicação da É o jeito de cantar.

?Voz D

É desse que ele construiu. Não, cara, ele canta bem tudo, cara. Ele canta bem tudo. A voz dele, eu falo pra ele, ele é um abençoado. Não tô falando isso, eu sou suspeito pra falar. Mas você pega as coisas dele, ele cantando Seresta, ele cantando música romântica.

?Voz C

É um cantor, é um famoso crooner. Ele é um intérprete.

?Voz D

Ele interpreta bem, e seja sertanejo, qualquer canção. E é essa. Legal. Ô Sérgio, na época da Jovem Guarda, bombava com Erasmo, Roberto, toda essa galera.

?Voz A

E era aqui em São Paulo, esse movimento surgiu em São Paulo, né?

?Voz C

São Paulo também, mas foi São Paulo. Sucesso era muito grande, sucesso grande.

?Voz A

Você não podia andar na rua, Sérgio?

?Voz C

Não, eu não, eu até andava, mas Roberto tinha um aeroíris aquele de 4 portas só para não ia pintar de batom, era só para ele sair da Record. Parava Consolação, é mesmo, não é brincadeira, parava. Eu me lembro que um dia o Erasmo fez um aniversário, ele morava na Zona Sul aqui, e ele fez um coração de papel assim e mandou um recado para mim: "Se você pensa que meu coração é de papel, não é. Meu coração te ama e se você não vier no meu aniversário, não falo mais com você." Mas qual era o teu nome na Jovem Guarda?

?Voz A

Sérgio Reis. Já era Sérgio Reis?

?Voz C

Já era Sérgio Reis.

?Voz A

Já? Ué, mas não é 73? O Johnny Jones saiu quando? Era porque... A cronologia agora escapou da minha mente.

?Voz D

Lançado o Menino da Porteira, mas ele já era da Chantecler, que o cara era diretor artístico.

?Voz A

Ah, ok, tá claro, tá claro. Como compositor e tal.

?Voz D

Sim, como ele disse, o Ted era da parte mais sertaneja e o outro pessoal que era o dele era da parte popular. Entendi.

?Voz B

Então ele era da Jovem Guarda, mas Sérgio Reis.

?Voz D

Sérgio Reis. Já era Sérgio Reis. Por coincidência, como que o autor da porra da música Menino da Porteira era o diretor artístico dele na Chantecler?

?Voz C

Não é coincidência, tem razão.

?Voz A

E aí devia ser uma enigma, um enigma de boa na Consolação, né? Era forte o negócio, né, Sérgio?

?Voz C

Depois teve o Celso, TV Celso, TV Celso, na Praça Roosevelt ali, ali que o Eduardo Araújo fazia programa, os VIPs faziam programa. Aí era assim, quem cantava nesse programa não cantava na Jovem Guarda. A Jovem Guarda tinha aquele grupo fechado, Golden Boy.

?Voz A

Tinha o do Roni Fon lá, o programa do Roni Fon, não tinha isso também? Como é que era o nome do programa do Roni Fon? Ronifon tinha um programa do Ronifon?

?Voz C

Era o Ronifon? Foi tirado, o Roberto tirou. O Roberto? É, mas ele contou isso no jogo, é verdade. Como Roberto tirou? Porque o Ronifon, Roberto Carlos não tem aquele cabelo e aquela, não é o príncipe, até hoje, até hoje. E ele tinha aqueles cabelos, meu bem. Aí um dia o Roberto falou para o Marcos Lázaro, ou ele ou eu aqui, Roberto Lazarento, velho. Desde já conversaram, já trocaram ideia.

?Voz B

Robertana mais feinha, ele ficou enciumado. Não, mas Roberto é bizarro.

?Voz C

Ele falou mesmo, mas eu fui um bobo, um idiota mesmo, mas são amigos até hoje.

?Voz A

O Roberto é impressionante, o cantar do Roberto é muito especial, né, cara?

?Voz C

Esquece. Não é? Não tem pra ninguém.

?Voz A

A afinação.

?Voz C

Aquela voz, se você põe pra ouvir, você ouve até o Rio de Janeiro no carro. Leonardo, por exemplo, do Leandro e Leonardo. O Leonardo cantando chora.

?Voz A

O Bruno do Marrone também.

?Voz C

É, o Bruno ainda joga lá para cima, ainda grita. Leonardo não.

?Voz D

Boleta, ele tá rouco que ele foi no jogo do Palmeiras 4 a não sei quanto e ficou gritando.

?Voz B

É mesmo, Sérgio? E aí, ó lá, não pode se desgastar assim. Eu sou. E você? Bota. Botafoguense. Sou Rio, né, meu irmão?

?Voz C

Nós fomos lá e metemos, eles estavam ganhando de 3, nós metemos 4 neles lá no Não me lembro esse dia não, que eu quase quebrei minha casa.

?Voz B

Eu nunca me esqueço.

?Voz A

Hendrick destruiu esse jogo, que ódio.

?Voz B

A gente tava fazendo aqui a noite por causa do Fala Fazenda.

?Voz A

Cheguei em casa, tava 3x0 o Botafogo.

?Voz B

Aí eu falei: "Carioca, tá 3x0, fora o chocolate, não vou nem ver." Não vi o jogo.

?Voz A

Eu não queria ver esse jogo, eu tava com uma pressa de ir mesmo.

?Voz C

Primeiro virou o jogo, segundo tempo fez 4 gols.

?Voz A

Não, ele fez 4 gols em 15 minutos. E digo mais, eu tava aqui gravando o programa, fui para casa, já tinha começado o jogo. No intervalo, o Bola me liga, fala: tá 3x0, fora o chocolate para vocês. Eu, covardão, e eu tava com mau pressentimento. Bola lembra disso, não queria ver o jogo. Falei: não quero ver esse jogo não, não sei por quê, não vai dar bom. Mas 3x0, pô, 3x0, agora, porra, agora tô em casa, porra, jogando em casa, 3x0 é nós.

E o Palmeiras, aí entrou o Hendrick, destruiu o jogo e acabou com tudo. E ali foi aquele jogo Dividiu o time inteiro, acabou, perdeu um titular.

?Voz C

O Palmeiras tem uma coisa boa, ele tem ele e tem o outro que não foi agora, que tava machucado. Como é o nome dele? O contundiu, pô.

?Voz A

Não, mas o Estevão acho que nessa época ainda não jogava.

?Voz C

Não, mas eu tô dizendo agora, agora já era do Palmeiras, não foi para seleção porque tá machucado.

?Voz A

O Hendrick já era meio uma, tinha 16 anos, já tinha assinado com o Real. O Português não colocava ele de Quando não colocava ele, de roubada, vamos dizer assim, tava 3x0, ele falou: cara, tem esse moleque que nego fala, vamos jogar o moleque.

?Voz C

O moleque acabou com o jogo, acabou, acabou. Essa garotada, eu fico feliz. Pô, você pega um Neymar, Neymar, menino simples lá de Santos, craque, craque, sabe? Você vê, ele é tão craque, ele é tão ídolo que o Brasil jogou agora, todos aqueles outros jogadores da que era da, com jogo contra quem agora? Com Panamá. O jogador do Panamá, o Neymar foi lá porque tá machucado, mas foi prestigiar. Chegou lá, entrou no campo, depois que acabou o jogo todos os jogadores do Panamá foram falar com ele.

Verdade, verdade. Então eu fico até irritado às vezes porque tem alguns, alguns comunicadores, porque o Neymar, mas é corneteiro, né, velho? Cai a toda, pô.

?Voz D

Eu e o Neymar, com os olhos no aeroporto, caiu no nosso papelão.

?Voz B

Que ele toma de pancada, velho.

?Voz C

É, um dia eu almocei com ele, só tive uma vez um contato com ele. Foi no aeroporto também, né, pô? Foi no aeroporto, lá no aeroporto de Congonhas, no restaurante, tava lotado, ele chegou com mais duas pessoas, eu peguei e falei: "Vem cá, senta aqui, oi, Serginho e tal." Almoçamos juntos. Foi a única vez que eu tive com ele. Mas você vê, o Neymar é um craque. Craque. Craque. Estamos torcendo muito. Sabe por quê?

?Voz A

Que ele é um craque. Fala aí, Sérgio.

?Voz C

Se deixar ele sozinho, não segura. Tem que ele chama 2, 3, 4.

?Voz B

Se ele tiver bem, não segura mesmo.

?Voz C

Não segura. É como aquele, no outro do Palmeiras, que joga do outro lado lá, o Estevão.

?Voz A

Que ele é terrível de break. É, mas aquele, não tô puxando sardinha pro meu time, mas o Luiz Henrique é na mesma. Caraca, bicho, esse moleque, a hora que encaixar, estamos com ataque fulminante, hein, cara. Se encaixar, ficou legal.

?Voz D

Não é? Ficou legal. Pena, pena do Estevão não estar machucado, mas o Hendrick, Neymar na frente, pelo amor de Deus, e tem banco.

?Voz A

A gente tem banco.

?Voz D

É, você viu o segundo tempo lá, né? Foi legal, trocou todo mundo.

?Voz A

Esse fortão que entrou, o Cano também, um fortão lá que entrou, um careca, bicho, é brabo, porra, brabo. E o moleque que era do Vasco também fez o gol.

?Voz C

Essa meninada aí, vamos ver. Eu acho que é porque fico feliz. Tá aí, né, 10 dias, eles saem, eles saem das periferias jogando na rua. Vai ver jogo lá fora, Sérgio, ou não?

?Voz B

Vai para os Estados Unidos?

?Voz A

Não, não, vou ver aqui. Ô Sérgio, eu posso te pedir uma música? Pode. Essa música me marcou porque eu sempre te vi nos programas e tive contato a música do campo por sua causa. Mesmo o Rio, eu gostava de ouvir, porque já tínhamos artistas sertanejos, mas porque a música ela é construída ali. Com 5 anos, 6 anos, eu acho que você forma o seu escopo emocional com a música, onde você conecta dali para a vida inteira. E eu lembro de ouvir você, 10, 11 anos, que olha como é que eu demorei para ter contato. Eu não sabia nem o que era turiqui-turuco. Eu não sabia.

?Voz B

Puta merda.

?Voz A

É porque eu não ouvia, eu rio. Rio, pô. Primeira música que me pegou no meu emocional, a música que forjou, tipo assim, que eu me emocionei e falei, eu diante de um rádio ouvi e o mundo parou. Fala logo que eu tô curioso, cara. Foi Travessia. Travessia? Milton Nascimento.

?Voz D

Ah tá, mas não vou saber.

?Voz B

Mas ele cantou Travessia, o Serjão? Meu pai nunca gravou Travessia.

?Voz A

Sim, mas eu tô dizendo o nome.

?Voz D

Travessias, tem certeza?

?Voz A

Não, que seu pai gravou. Tô dizendo que me formou o estilo. Não é Romaria? Não, não, não, não foi o Sérgio Reis, Milton Nascimento. Tô dizendo que eu ouvi o rádio, Mineirinho lá não é fraco, né? E eu ouvi isso no rádio, é o que tocava no Rio, é isso que eu tô dizendo. Mas no teu show eu ouvi uma música, e olha que louco, graças a você eu nunca mais esqueci dessa música. Eu vou pedir para você cantar, graças a você e graças ao show de eu ter ido.

Eu lembro que era mais ou menos assim: tocando a boiada Isso aí, é muito legal essa música.

?Voz B

Como chamam? Boiadeira Errante. Então vai, Boiadeira Errante, rapaziada.

?Voz C

Sou um boiadeiro errante que nasceu naquela serra. Meu cavalo corre mais que o pensamento, ele vem no passo lento porque ninguém me espera. Tocando a boiada, uê, uê, uê, eu vou cortando estrada. Tocando a boiada, eu vou cortando estrada.

?Voz B

Tá que pariu! Essa música, ah, tomar banho, bicho!

?Voz D

Essa música é de 56.

?Voz C

Você sabe a história do Ted Vieira?

?Voz D

É o mesmo autor do menino. É mesmo? Não, não, agora o menino da porteira é de 50 e pouco também.

?Voz C

É o que era o Teddy Vieira comigo. Eu ouvia as músicas do Teddy Vieira com Tonico e Noco, fui batizado Sérgio Reis pelo Teddy Vieira, sim, e cheguei, gravei todas essas músicas dele, e depois ele morreu num acidente em Muri, perto de Itapetininga, em 65. Eu ainda era da Chantecler. Nós convivemos muito com ele. Acidente de carro? Um acidente de carro. Eita, nossa! Morreu ele, morreu uma dupla sertaneja e o Paulo Queiroz, que era o nosso diretor de uma editora nossa lá.

E no final das contas, eu fiquei com isso na cabeça e o tempo passou. Aí eu gravo Menino da Porteira. Aí, de repente, aquele conjunto lá em Tupaciguara, Toda vez que eu via, olha a música do meu amigo Teddy Vieira. Por isso que eu gravei, porque eu trouxe ele na memória, porque eu fui no enterro dele. Puta merda! Não é brincadeira, o tempo passou. Fiz esse sucesso todo. Um dia eu tava, gravei quase todas as ideias, Rei do Gado, eu com o Almir Sater na novela, né?

Depois nós vamos falar das novelas. Boa. Aí o que acontece, Gravei tudo isso daí. Um dia eu tô em casa, Antonieta, que era da editora da Gaviota, falou: "Sérgio, tem um presente para você aqui, vem buscar." "O que que é? Não posso falar." "Chegando aí, é um presente que um filho de um compositor deu para você." Aí eu cheguei lá, ela falou: "Liga aí." "Quem é?" "Fala com o filho do Teddy Vieira." O Tedinho Vieira. Aí eu falei: "Oi, Tedinho, tudo bem?" "Tudo bem, Sérgio, como é que você tá?" Foi tudo bem.

Que presente é esse que você tá me dando? Falou: ai, Sérgio, quando eu mudei aqui para Poços de Caldas, eu achei a viola do meu pai num saco de pano assim. E aí eu falei: mãe, o que nós fazemos com essa viola? Disse ele me contando. Olha, filho, essa viola teria que ser de Sérgio Reis. Por quê? Porque quando seu pai morreu em 65, você era menino, menino, e não tinha negócio de editora, direito autoral, ganhava O pai morreu, eles passaram certas dificuldades.

Entendi. Aí eu venho e gravo Menino da Porteira. Rebenta. Aí arrebentou. Aí ele estudou, fez faculdade, virou. Então o que nós ganhamos, o que eles ganham hoje é muito. Não tem lugar que não toca Menino da Porteira, Brasil inteiro. Não tem mesmo. Eu vou com os índios lá no Tucumã, no inferno, eles querem Menino da Porteira. Eles querem Menino da Porteira, não tem jeito. A música caipira mais famosa que tem é o Menino da Porteira.

Sim, é verdade. Aí ele falou, então Esse presente é a viola do meu pai, tá aí que eu tô dando de presente. Que legal! E eu tenho essa viola na minha casa.

?Voz B

Você precisa abrir um museu, Sérgio. Pelo amor de Deus.

?Voz C

Eu tenho essa viola em casa. Ela é leve igual uma pena, né, Marco? Madeira fina, uma beleza.

?Voz A

E você toca nela de vez em quando?

?Voz C

Toco. Agora o Marco vai levar no luthier pra dar uma ajustada nas trastes, pra afinar melhor. Já fiz isso.

?Voz D

É que ela é tão antiga, se você mexer muito ela desmonta. Entendi. Tipo a traveira. É, aquela viola que ele falou que ganhou do meu vô, a trave é de madeira, madeira na madeira. Essa do Ted é uma viola antiga que não tem o tensor, que é esse negócio que tem pra você regular o braço. É uma viola antiga, então reconstruí, mas ela é tão fininha, tão levinha, que se ficar mexendo muito ela desmonta.

?Voz A

Ela é nova, tá bonita. Ela é mais pra preservar do que executar.

?Voz D

É a viola com que ela fez essas músicas, cara.

?Voz C

Junto aos Grêmios todo, não dá o valor dessa viola para mim.

?Voz B

Eu imagino, eu imagino, porra.

?Voz A

E olha só, e a coincidência, né, é uma música que me tocou e é dele, e eu pedi do nada e é dele. Então, mas coincidência, ela saber.

?Voz C

Você vê o que é a vida, você vai, vai andando, vai andando, vai andando. Aí conheci Renato Teixeira, eu sou artista que mais gravou Renato Teixeira. E deu: "Meu pai chegou aqui no fim de dia há muito tempo em cima de um cavalo" e tudo. Tem uma mora que é linda. Cavalo preto. Nossa, tem um monte de música. E no final, ao me ir embora, o Rui Barbosa falou para mim: "Rui, que eu fiz o filme Menino da Porteira e pedi para o Rui Barbosa, Mago de Boiadeiro, escrever o roteiro." De quem foi a ideia de fazer o filme, Sérgio?

Foi do Muracy Duval, que era um jornalista amigo nosso. O Horacílio Duval e Antônio Marcos, que é do mesmo escritório que eu. Fomos fazer. E o Estevam, um cara que fazia filme pornográfico aqui na coisa. Porno chanchada, né? Pornográfico.

?Voz A

Sim, sim. Na época, sim. Mostrava meio peito assim.

?Voz B

Meio não, teta de maluco.

?Voz A

Sala especial. Tem que botar ele num lugar muito especial, porque é uma pessoa que alegrou muito os brasileiros.

?Voz C

E ele ganhou muito dinheiro. Nós fizemos 4 milhões de espectadores. Caraca, a gente lançava no Arte Palácio.

?Voz B

Eu fui ver O Menino da Porteira, você não sabe que eu chorava, bicho, que o menino morre no final.

?Voz C

Eu chorava, morria de chorar.

?Voz D

Puta merda, nunca me esqueço.

?Voz C

No segundo filme, o Mago de Boiadeiro, ele tem uma briga dele, um cara com um lábio, bateram meu pai, esse é o filho da puta, porque ele não abriga no filme, meu filho. Não podia ver. Aí desceu do cavalo, moendo o cara, saiu quebrando um pau dentro da água e soco num outro até que ele desmaiou, arrastei ele para fora da água. E o filme assim, bem feita a cena, bem feita.

?Voz B

Não sei se era feita, não era briga feia, não é?

?Voz C

Então era, eu tinha que fazer, não tinha conversa não. E depois o Rui Barbosa falou: Sérgio, não, vou te pôr numa novela da Globo. Eita, você tá louco, Rui? Não, vou fazer. Você não queria? Não, não queria não, nunca passou na cabeça para fazer uma novela. Aí o Rui Barbosa fazia novelas das 6, das Era novela, porque as novelas do horário nobre já tinha os autores já próprios daquela. E o Rui Barbosa queria fazer uma das novas, mas não tinha espaço.

Mas vamos fazer. Fizemos Paraíso em 82. Paraíso, aí o Cadu Moliterno, Roberto Bonfim, entendeu? Com todos esses atores aí. E fiz Suárez. O Jofre ficava com os gatos, cachorro, tudo em volta dele, nunca via os bichos, andava atrás dele, era uma figuraça.

?Voz A

É porque dava comida.

?Voz C

Eu comprei, o Jofre Soares tinha um, ele tinha um Carmanghia, eu falei: me vende esse Carmanghia.

?Voz B

Pô, isso é sonho, ele vendeu, pô.

?Voz C

Eu tenho um amigo que tem um que tá abandonado lá, aí eu comprei um original conversível. Comprei um conversível 7,5 original. Você vendeu, Sérgio? Não, eu fui comprar lá no cara, ele que me levou. E eu pus o carro em cima de um caminhão, vim para São Paulo. Até hoje vendi ele ano passado.

?Voz D

Da minha mãe, que vai meter aquele motor de Subaru no carro.

?Voz A

Mas por que que você vendeu o carro aqui?

?Voz C

Já vi, eu tenho um monte de traço velho lá, que então já chega uma hora que, porra, Marco, não tem que deixar.

?Voz B

Eu mando aqui, ele tem, ele tinha, vendeu bem pelo menos.

?Voz D

Ele tinha um Impala, ele tem um Landau, puta, tem um Landau 82. Eu tô reformando um carro bola faz 26 anos. Tô brincando, eu tenho Mustang 68 igual aquele azul ali, só que preto. Fastback.

?Voz B

Puta merda, isso é uma maravilha.

?Voz D

Mas não sai da reforma essa porra.

?Voz A

É um rio de dinheiro, né?

?Voz D

É ele que me impôs esse vírus, bicho. Ele tem todos esses carros velhos, Landau. Landau é legal, hein? Eu viajo com meus projetos com uma Veraneio dele que ele desbravou o Brasil com essa Veraneio. Eu uso ela até hoje porque é o único carro que cabe as coisas.

?Voz B

Mas originalzinha? 83 original, motor a diesel.

?Voz C

Motor a diesel, diferencial de D20 com 5 marchas. Viajo com ela, veraneio 8.3.

?Voz A

É, eu viajo, nem sei como é que é veraneio 8.3.

?Voz D

Se tiver, Isaac, bota aí. Carro da rota, é que você é carioca.

?Voz A

Farolzão quadrado?

?Voz D

Não, redondo, redondo. Quadrado é moderno demais.

?Voz A

8.3. Pois bem, veraneio, que tem— meu pai tinha Caravan, que era mais ou menos a mesma.

?Voz C

Comprei a primeira que veio. É, comprei de veículos em Santana, que era do Gilmar. Aí, ó, essa aí, essa aí, essa aí, ó, isso quando a rota virava com isso aí, a gente cagava na calça. Eu tô ligado nessa veranê aí.

?Voz B

Cagava na calça.

?Voz C

Nós reformamos ela já 3 vezes, tá nova. Nossa, cagava na calça.

?Voz D

Você já tava jogando bola. Eu fui divulgar minha banda Anjos da Noite com Bizerra da Silva e ele não falava esse nome. Eu falei: mas que que é patamo, bezerra? É o patamo. Era a Camburão da Rota aqui.

?Voz B

É o patamo. Mas usava veraneio também, era veraneio.

?Voz C

Patamo que não quebra, é trator, não quebra. É isso aí. Eu dei para ele: é sua, fica aí, usa, entendeu? Que eu já tô velho também. Com 86 anos, quero andar de Porsche. Boa, boa.

?Voz B

Não tenho ainda, quer coisa velha para comprar.

?Voz A

Ô Sérgio, você também virou, além de ator, né, que você tava contando aí a cronologia da novela Paraíso que você falou.

?Voz C

Aí fiz o Paraíso. É isso aí. Aí depois, aí mataram Chico Mendes. Sim, mataram Chico Mendes, 8:30. O que que acontece? O Jaime Monjardim, que era da Globo, foi para Manchete. A Manchete tinha feito uma novela, acho que era Cananga do Japão, uma coisa assim.

?Voz D

Não, era com a Maitê. Como é que era o nome daquela? Dona Flor? Não, Dona Flor não. Dona Benja. Dona Maria.

?Voz B

Era com a Juma, pô.

?Voz C

Caraca, era ela e a Hanna. Ela fazia o papel de uma judia. Deu 15 pontos de Ibope, que nunca a Manchete fez. Porque 15 pontos de Ibope era muito Ibope. Aí mataram Chico Mendes. E aí o Jair Monjardim já tava dirigindo a Manchete. Falou assim: "Pô, nós precisamos fazer uma viagem, uma novela rural." E tinha um dos autores, um dos caras da Globo que foi trabalhar lá com ele, falou assim: olha, o Benedito Rui Barbosa tem uma novela que nós íamos fazer na Globo e a Globo não quis fazer, entendeu?

Vamos fazer aqui, vamos, chama o Rui Barbosa. Aí chama, vai atrás do Rui Barbosa. Rui, eu te ponho horário nobre.

?Voz A

É o Benedito Rui Barbosa?

?Voz C

Benedito Rui Barbosa. Ele não tinha horário, mas eu falei: eu te ponho "Depois do Jornal Nacional, apoiam você." Na época não tinha Jornal Nacional, é um sucesso absoluto, a Globo é um sucesso absoluto.

?Voz B

Sim, não tenha dúvida. Não tenha dúvida, né?

?Voz C

Aí tudo bem, vamos fazer. Aí eu falei: "Rui..." Eu tava aqui no Murumbi falando: "Rui, vamos trazer o Almir Sater?" "Quem é o Almir Sater?" Ele já nem tinha noção de quem era o Almir Sater.

?Voz B

Pô, o Almir Sater é incrível.

?Voz C

O Sater é o violeiro. Falei: "Ah, eu já vi ele tocando, toca no programa da minha televisão, eu já vi, ele é bom." Tocando uns programinha de televisão.

?Voz A

O que que você quer pôr ele?

?Voz C

Falei: Rui, ele é pantaneiro, ele tem um sítio lá dentro do Pantanal, do Rio Negro. Sabe? Conhece? Pô! Nós vamos fazer na novela uma parte na minha fazenda e outra no Rio Negro, no Rondon. E é bom, você imagina uma fogueira, umas costelas de chão, dois eu e ele cantando dueto. Chama o Rui Barbosa, chama lá o Chama lá o Almir. Aí tá, liga pro Almir. Não achava, não achava, não achava. Aí liguei pro Seu Sater, o pai dele, em Campo Grande.

Seu Sater, cadê o Almir? Cadê o filho? Ele está no Ceará e depois ele vai tocar no Free Jazz, não sei aonde, Estados Unidos. Montrose, Festival de Montrose. Me dá o telefone. Ele me deu, eu liguei pra ele, falei: ô Milão, chamava ele de Milão, Milão. Vou te trazer para fazer uma novela no Pantanal. Ou não, não vou não, eu vou tocar no Free Jazz, vai tocar para aqueles americanos lá, aquelas mulheres de bunda muito grande. Não entende bosta nenhuma, hein?

Que coisa horrível. Mas pô, você é pantaneiro, você tem um elemento lá dentro da pele, o filtro. Que bom, que bom, que bom, delícia. Você tem um sítio dentro do Pantanal, nós vamos lá no Rio Negro. Rio Negro, no seu Rondon, porra, nós vamos pescar, vamos trabalhar, vamos ganhar dinheiro, nós vamos beijar as mulher bonita, que que você quer, porra? Aí ele deu um silêncio do outro lado e falou: é, grandão, pensando bem é bom. Aí então você vem, venho.

Então tal dia você possa lá, aparece aqui, eu sei onde é Rio Negro, então vai na Rio Negro, eu desço do meu rancho direto de barco, ele chegou lá. Agora, o Mira é pantaneiro, sim, ele desceu o rio e chegou lá. E aí já pagava e já, já para começar. Ele já é muito tímido, o Almir é muito educado, tímido, né? Ele chegou lá e calor desgraçado, nós no lugar. Nossa Senhora, Paulo!

?Voz B

Como fazer com a musiquita aiada?

?Voz C

Cláudio Março, não é tudo tela. E o Cláudio Março jogava gamão com outro e tal, isso, aquilo, né? Aí o Almir falou assim: O Jaime falou: "Homem, nós temos uma cena logo amanhã cedo, que é uma festa que o Rei do Gado vai fazer para o filho que vai chegar. É um churrasco, então seria bom ter umas modas junto." Falei: "Tudo bem, pega a viola." Aí o homem foi lá no quarto onde eu pus ele, pegou a viola e nós começamos a cantar.

?Voz D

A viola essa aqui de 10 cordas que eu expliquei.

?Voz A

Sim, não é o violão, é a viola mesmo.

?Voz C

E eu de violão.

?Voz B

Que é o instrumento dele. Aí fizeram o repertório.

?Voz C

É, aí eu falei para ele, ele tem uma música, ele não me deixava gravar, entendeu? Por que não? Porque ele fez uma música para um filme de 16mm, ele e o Paulo Simões, entendeu?

?Voz D

Ele e o Almir tocando, tocando em frente, Renato Teixeira e Almir.

?Voz C

Não é Tocando em Frente, era outra, Comitivo Esperança. Comitivo Esperança, ele e o Paulo Simões. Não é ligeiro.

?Voz A

É boa essa música, hein? Vai, manda ver, isso é bom, isso é bom, isso é bom.

?Voz C

Bonita, hein? Puta merda! Essa música é sensacional! Essa música aí nós cantamos amanhã. E quando chega o verão lá, tem a chuva de manga que eles chamam. Você tá no rio, tá o sol ali, vem uma nuvenzinha e chove em você. Um minuto para, daqui a pouco você tá assim, todo mundo, que é um calor desgraçado, mas não importa. Aí começou a chover, nós estávamos dois sentados numa varanda assim, ele falou: câmera aqui, luz aqui, canta!

E nós gravamos essa música naquela cena, primeira música que nós cantamos, não tínhamos nem começado a gravar novela. Cantando essa música, que o Jaime já pegou e já no domingo já pôs naquele programa que tinha da noite para mexer, brigar com o Fantástico.

?Voz D

É, o da manchete. Essa música virou tipo uma das fortes da novela Pantanal, o Comitê de Esperança do Almir com Paulo Simões. Essa música.

?Voz C

Esses dias o Almir foi, eu fui também, fui visitar o Rui Barbosa, tá com 95 anos, entendeu? 95, que beleza! 95, tá forte, eu sou Tava 9, 10 anos mais que ele, fez 86, 96. E ele ficou numa alegria porque a gente chega lá e canta para ele. O cara fica aí, porra. E aí tava toda a família reunida e eu aproveitei e fiz uma homenagem a eles todos, que tem a Edmar, as filhas dele, que ajudam ele, escrevem também. Aí eu falei, olha, vocês são da família Todos juntos aqui.

Eu devo a minha vida, a minha carreira artística para vocês. Eu e o Almir Sater, principalmente o Almir Sater, que ninguém conhecia. Ele entrou na novela, depois ele já fez Ana Raio, Zé Trovão, depois tinha mais duas, quatro novelas cada um seguido.

?Voz A

Aí não dá, né? Quase que foi para os Estados Unidos e você trouxe ele para a visão eterna, porque o cara fez sucesso. Foi, foi um sucesso. E ele é muito lembrado, obviamente. Quem curte a música e vive, conhece.

?Voz C

Revisão, aquele avião que era o meu avião, era o meu King Air. Era teu? Era meu, alugava para Globo., que foda isso, bicho!, brinca!

?Voz B

Teve quantos aviões, Sérgio? Tive 15. 15?

?Voz C

Caraca, você montou, abriu uma linha aérea, pô! Não, mas eu tinha voo até no Pantanal.

?Voz D

Tem mais avião que a Gol, pô!

?Voz C

No Rio Negro, no Rio Negro nós tínhamos, era eu, eu, o Arizinho, que era meu sócio, a fazenda era dele, Expedito Teixeira, um amigo meu de Belo Horizonte, e Jesse, um gaúcho. Os quatro, eles quiseram entrar, entra, entra tudo de sócio. E nós estamos comprando, precisava de avião para levar as pessoas até lá. Sim, eu levei a Hebe, levei um monte de gente. Que legal, entendeu? Pescando. Então a Hebe era terrível.

?Voz A

Pescar é bom, né? Não, eu conheci o Rio Paraguai, achei muito legal.

?Voz C

Que é tinha uma minhoca igual uma cobra pequena. A gente punha num balde, uma lata de 20 litros de banha com água, minhoca sua, para pegar jaú pesado mesmo. Lá tinha os buracos mesmo. Aí enfiava a mão lá, pegava, punha no forno. Era terrível. Tuvira, eu pesquei com tuvira. Tuvira é legal também. É bonitinho. Aquilo é isso.

?Voz A

O pretinho danado, né?

?Voz B

E você não parava com os aviões então, Sérgio?

?Voz C

Não parava. Nós tivemos aerocomando, tive sertanojo, Era sertanejo, igual esse que caiu lá em Belo Horizonte, enfiou no prédio. Aquilo é dois Magneto, tive problema com aquilo, avião. Tinha um outro que nós arrancamos asa numa árvore, caímos dentro da árvore.

?Voz B

Nós quem? Você tava dentro?

?Voz C

Eu e o Arizinho, pilotava junto.

?Voz B

Puta que pariu!

?Voz C

Um dia nós estávamos levando o senhor que era presidente da John Faber, e ele tinha a esposa dele, era a dona Ruth, era médica. E já era cega. Ruth é o nome da minha mãe, inclusive. É, nome da mãe dele. E eles queriam ir lá no Pantanal. Sérgio, vamos lá, ali é na minha casa, tocar piano. La fai, o xalana, peidoche, cê faz. O alemão cantando, ele adorava. E aí, vamos lá. Aí nós fomos pousando lá no Pouso da Garça. Quando nós bicamos o avião, entendeu?

Era um minuano. Quando bicamos o avião, entra um monte de capivara na pista. Nossa! Levanta o avião, levanta ali. Aí nós passamos por cima. Aí varamos a pista, caímos num lago no fim da pista, dentro da água. Falei: "E agora?" "Não, fica tranquilo, aqui não é fundo, o avião vai ficar aí, vai demorar para afundar." Depois eu reboque. Aí tiramos a Dona Ruth toda molhada.

?Voz B

Pô, essa é emoção, Sérgio, assim que eu gosto. Você caiu com o avião então?

?Voz C

3 vezes. 3 vezes? Avião pequeno, amigo, avião grande quando cai morre 18, 20. 20, 30, 80, 200. Você viu o Luciano Huck, Luciano Huck não caiu? Caiu, foi pane seca, né?

?Voz B

Ninguém morreu.

?Voz D

Pane seca, pequeno, ele pousa em qualquer pasto.

?Voz A

É porque foi pane seca também assim, o cara morre planando, né?

?Voz D

Não pousa em cima de um tijolo.

?Voz B

Como é o nome dela? Madêle Mendonça, foi no King Air. Mateu no fio, né?

?Voz D

E caiu na pedra da Via Chueca.

?Voz C

Bateu na pedra. Se caísse no mato, não morria. Não morria.

?Voz A

É, sabe, em cima de árvore de repente, né?

?Voz C

Eu tive um piloto amigo meu, ficou uma semana em cima de uma árvore nas Cantanheiras de Manaus. Puta merda! Não, é brincadeira. Caiu 3 vezes.

?Voz B

Que pariu, Sérgio! Graças a Deus!

?Voz C

Pode nós enfiarmos numa árvore grande?

?Voz D

Pai, conta pra eles aquele dia que te deu uma indisposição.

?Voz B

Uma indisposição?

?Voz D

Porque assim, cara, ele conhece pra caramba de gado, capim e avião, porque ele já deu perceber por causa do Hotel do Pantanal. E ele depois com o Kinguér viajava por causa das novelas para poder cumprir as datas nesse negócio, rapaz. Era o tempo inteiro no avião, dentro do avião. Então aconteceu um taco, chegou.

?Voz C

Eu fiz um show em Goiânia, fui eu que lancei o Amado Batista. É mesmo? É, Paula Fernandes também.

?Voz B

Também? Caraca, velho!

?Voz C

Eu vou contar para vocês. Conta!

?Voz B

O Maicon foi fazer um show em Goiânia.

?Voz C

Eu tava em Goiânia, o Amado tinha duas lojinhas do tamanho desse estúdio aqui. Loja de discos? Loja de discos, lá em Anguera. E eu tava com sucesso do Menino da Gaita em 72, 73, Menino da Porteira. Eu ia lá fazer sucesso, fazer tarde de autógrafo para ele. Ficamos amigos. Para divulgar a loja. Vender disco também, divulgar o disco, né? Eu cantava numa boate lá, chamava Cafona. Mulheres bonitas, sozinha também, nessa época. E eu tô um dia cantando lá e um cara maravilhoso, o Zé Luiz, dá para você cantar o João de Barro aí.

Eu já tava com sucesso, menino da gaita, menino da porteira, já dá para você cantar aí o João de Barro. Falei, ó, você tá aqui amanhã? Não, eu tô na exposição aí. Os cara vinham da Bahia, de Exposição de Goiânia era muito grande. Aí os cara vinham para lá sem as mulher, caía na gandaia, na boate, né? Vendia os boi dele lá, depois vinha lá para nós.

?Voz A

Os vaqueiros, os vaqueiros.

?Voz B

Ganhava dinheiro e ia gastar em outro canto.

?Voz C

No dia seguinte, falei: amanhã eu canto para você. Aí eu fui na loja do Amado, fui lá, falei: Amado, eu preciso de uma música, o João de Barro. Eu só sei um pedaço. E o João de Barro, para ser feliz como eu, Certo dia resolveu arranjar uma companheira. Bonita essa música. Aí tá, gravamos. Fui lá, peguei. Antigamente tinha os toca-disco, e esses fones que vocês têm na orelha agora, você chegava naqueles box, ficava ouvindo para ver aquele, se era aquele disco.

Você podia testar o disco ali, degustar. Aí eu gravei, eu manuncei e fui embora. Aí chegou de noite, eu fui buscar um violão na casa do meu empresário lá, do divulgador da RCA Victor. Aí, quando nós estamos saindo da casa dele, na curva lá na Praça Cívica em Goiânia, um ônibus veio, enfiou em cima de mim e me arrastou com o meu corcelzinho. Bá! Arrastou. Aí eu desci. Que pariu, bicho! Anjo da guarda bom, hein, Sérgio? Eu disse sim, falei: porra, cara, era um ônibus que tava sendo recolhido, era o motorista, cobrador e o fiscal, estavam levando o ônibus já para ir para garagem.

E era uma curva assim, eu já tava na frente, ele entrou em cima de mim, me pegou. Puta merda! Falei: amigo, você não me viu? Aí eu pensei que era um paralelepípedo. Aí pensou que era um paralelepípedo? Aí foi lá, olhou, olhou a chapa do carro atrás, Eu falei: "É, aqui é Goiás, rapaz, aqui não é São Paulo não, aqui é Goiás, amigo. Tem conversa não, tá bom?" Eu abri a porta do corcel, tirei o violão. Quando eu tirei, já virei na cara do fiscal, bum, 13 pontos na cara.

?Voz B

Quebrei o braço do motorista, quebrei a cara do fiscal.

?Voz D

É louco, tem 9 prisões na ficha. Não tem? Brigava toda semana até os 50 anos.

?Voz A

Você era brigão? 9? 9 prisões. 9 por briga?

?Voz C

Por briga. Puta, sério? Mexeu comigo, não enche o saco. Eu quebrei o violão, precisei comprar outro pro cara lá, fui 5 vezes lá pra— o meu show seria 1 da manhã, passou pras 3, porque eu tive que ir pra delegacia e tal, aquelas coisas todas.

?Voz D

Mas você tá mudando o assunto, fala do—

?Voz A

Desarranjo. E ele não contou do Amado Batista e da Paula Fernandes?

?Voz C

Aí o Amado emprestou, do dia seguinte ele foi lá, viu? Que é o povo, que que houve? É, o cara me atropelou, acabou com meu carro. Aí o motorista de praça, eles tinham raiva desse cara que ele mandava o ônibus bater e fugir, tá? Entendi. Eu não deixei, ele quis sair, arrastou meu carro, eu pus na frente dele. Aí chegou o dono da empresa de ônibus, que era dono da Ford, e meu carro era um Ford Corsair. Aí eu falei para você: vai me pagar o carro.

Lógico que você fez no meu ônibus, não vai não. Você fez meu ônibus, enfiei no meio do meio da porta do Landau. Ele não tinha Landau, era LTD. Enfiei no meio do da coluna mesmo, da coluna. Bem, bem, pronto, agora tô tranquilão. O meu amassado e o seu também. E agora? Aí foi o inferno, eu já parei de fazer tudo, senão o pau ia queimar mais. Bom, tudo bem, passou, fiz sucesso com o João de Barro.

?Voz A

Tudo por causa da porra do João de Barro.

?Voz B

E o desarranjo? Quero saber do desarranjo.

?Voz C

Desarranjo? Nessas viagens que eu fazia para lá, às vezes a boate ia até de madrugada. A gente saía de lá e parava naquele trailer que ficava aberto a noite toda, comia um sandubão comprido com milho cozido. Ei, delícia! Puta merda! Comia aquilo lá. Aí fui 4 horas da manhã, eu tinha que sair 7 horas da manhã do hotel para pegar um avião para ir para o interior de Minas, do Rio, da Bahia, Goiás, e atravessar, voar uma hora e meia. Era um mono. Eu e o Cleitão, meu guitarrista.

?Voz D

Então andava comigo, era igual a ele. De tanto andar junto, eles ficavam igual, igual. E ele era um palhaço de circo, e eles são, tem o mesmo tamanho, nasceram no mesmo dia, 23 de junho.

?Voz C

Ele era 2 anos mais velho, só que ele pintava o cabelo.

?Voz D

O apelido dele é Olha Ele Aí, porque ele vinha, era Olha Ele Aí, né? Ele tocava antes de eu ter nascido com meu pai. É mesmo?

?Voz C

Eu ponho o chapéu nele, a mãe em cima dele, eu ia, entrava no hotel.

?Voz D

E aquele palhaço de músico com altas tiradas. Inclusive, ele é o cara que deu o nome à minha empresa de som. Eu tenho uma empresa de som que ele que batizou: Ejaculação, o som da porra.

?Voz C

Maravilha, ele era palhaço, ele é linguista.

?Voz D

Ejaculação, é a minha empresa de som.

?Voz A

Porra, ainda é o palhaço linguista, que mais?

?Voz C

E eu, cara, conheci o Cleiton, cantava em circo, muito circo, né? Comecei carreira.

?Voz D

A mãe dele domava leão.

?Voz B

É, a mãe do palhaço é do Cleiton.

?Voz C

E ele rodava no Globo da Morte. Eu rodei no Globo da Morte com ele, duas motos e uma bicicleta. Você? Eu?

?Voz B

É, não bate bem, velho.

?Voz C

Não, eu sou um cara que mexe com tudo.

?Voz B

Não bate bem.

?Voz C

Eu dirijo qualquer coisa que você puser na mão. É brincadeira, é brincadeira.

?Voz D

Não, vai vendo porque que ele perde o rumo.

?Voz C

Ele é João Montoya, que vai uma na outra, velho. Morte. Desarranjo, desarranjo. Tô eu e o Cleitão no avião, de manhã comeu aquele sanduba, aquilo foi 4 da manhã, mas às 6:30 eu tomei um café da manhã, café com leite e ovos mexidos, e puta que pariu, entrou no avião já aquele ovo. Chegou uma hora de voo, blup, blup, começou. Falou: olha, tá ruim aqui, eu vou ter que soltar aqui dentro mesmo. Não, pelo amor de Deus, do piloto. Não, aí começou tudo por causa do João de Barro, vai começar o show dele.

Nós íamos pegar uma frente fria de chuva, aí eu peguei, me dá um mapa aqui, eu peguei, mexi com avião a vida inteira, né, onde dá para parar, pousa aí para direita aí, alterna aí, tem uma cidade que tem uma pista, aí pousamos lá chovendo muito, uma pista de terra, nós pousamos na pista de terra com lama e tudo, Quando o avião parou, ele desligou, eu abri a porta e desci. Quando eu desci, me caguei tudo. Quando eu pulei da asa, já era.

?Voz B

Olha, eu vou te contar, mano, mas graças a Deus vocês vieram aqui, Marcão.

?Voz C

Não acabo de imaginar, velho. Aí, velho, toda cidade do interior que você chega, que tem pista de terra, quando chega um avião ou vai o taxista, ou vai alguém lá pra ver se te conduz. Sim. As pistas são fora da cidade às vezes, né? Aí eu peguei, arranquei calça, joguei fora a calça.

?Voz A

Eu já sentava em cima do barro e falava: "Véi, é barro." Não, eu não.

?Voz C

Tá molhado. Eu peguei, arranquei, fiquei pelado, me lavei, porque chovia tanto. Ele se lavou, a chuva caía na asa, ele se lavava na água que caía na asa. Me lavei, porque eu tava todo cagado. Lavei perna, lavei tudo. A calça jeans foi, lavei o tênis dele, depois o tênis seco eu lavei lá e entrei no avião sem tênis. Sem calça. Depois eu nem entrei de cueca, peguei uma cueca lá dentro. E aí, peraí que eu tinha mais vontade, eu falei: "Peraí que eu já ainda volto aí." Aí eu saí aí, fui de camiseta, pelado, descalço.

E tem atrás de uma moita de colonião, colonião é um pasto. Nessa chega o taxista. Aí chegou um senhor, chegou um cara lá da cidade com uma D10, a diesel, né? Falou: "Vocês estão precisando de condução aí, manda chamar." Aí o Cleitão falou: "Não, é que tem um cantor cagando atrás daquela moita." Sacana, sacana. "Quem é?" Falei: "É o Sérgio Reis." "Ah, você tá brincando." O cara não vai acreditar nisso aí, ele pelado de camisa. Aí eu lá agachado, soltando o resto que ficou.

O cara parou do meu lado assim, ele abriu o vidro dele, falou: porra, Sérgio Reis, eu imaginei um dia te conhecer, mas nunca atrás do pé de colonhão, pô. Falei: a coisa tá feia aqui. Falou: não. Falou: meu cunhado, era um domingo, o meu cunhado é farmacêutico, eu vou lá e vou buscar uma, me traz um copo, uma garrafa d'água mineral e filatomicina, era um negócio assim que eu tomava.

?Voz B

Falou: não, não, é mesmo, para travar.

?Voz C

"Não, eu vou lá e trago." E o cara foi lá, foi gentil, trouxe tudo. E depois eu segui viajando. Mas você foi embora de cueca? Fui. Mas tava com a mala dentro do avião.

?Voz B

Ah, boa, verdade, é verdade.

?Voz C

Aí fui de avião e até chegar lá...

?Voz A

Eu já abandonava as coisas lá da fazenda mesmo.

?Voz C

É maravilhoso. Eu larguei lá no mato. Largou, largou. Mas onde você jogou a calça? Você é uma infâmia, viu? Eu não quero nem ver você caçando na Caioá.

?Voz A

Tô sendo de boa, viu? Ele falou uma coisa certa. Onde você jogou a calça?

?Voz C

Não passa nem cobra lá. Não passa. Você imagina o que você falou.

?Voz B

Um taxista chegando pra buscar os caras, ele encontra o Sérgio Reis cagando atrás da moita.

?Voz A

Mano, que situação, velho! E como é que você conheceu o Amaro Batista? Como é que você lançou? Você falou que lançou ele. Era o dono da Nova Paula, o Fernando.

?Voz C

A gente começou a gravar. Ele gostava de cantar, fazer um disquinho. Aí ele gravou uma música que é Desisto, foi o grande sucesso dele. Olha os que beijei, olha os que sonhei. Olhos de saber sonhar, nada mais restou, tudo se acabou, sou obrigado a desistir. Ele queria cantar no Bolinha, porque o Bolinha era sucesso em Goiás.

?Voz D

Vai para a parte que interessa.

?Voz C

Aí o que acontece? Bolinha sacana. Aí eu peguei e falei: pô, você quer cantar lá, mano? Eu arrumo para você. Não, porque tem um produtor lá, que o produtor queria uma grana. Eu não vou dar grana para ninguém. Eu não tenho, eu trabalho com vendedor de disco, não tinha muita grana. Aí, então, não, eu arrumo, eu vou para São Paulo. A hora que eu falar tal sábado você vem, eu venho. E eu marquei um sábado, avisei ele, falei eu vou.

Ele vinha de ônibus, eu não tinha nem dinheiro para pegar avião, vinha de ônibus. Chegou de ônibus, peguei ele na rodoviária, levei lá para o Bolinha, que era na Excélsior TV, Excélsior.

?Voz D

Aí conta o Bolinha o que que falou.

?Voz C

Aí chegamos lá, eu encostei na, fomos lá para Cuxia, onde do lado do palco assim acabou um bloco. E o Bolinha, ele fazia 5 blocos do programa, e sempre com a mesma camisa, só que ele mandava fazer 5 iguais, ele suava muito, trocava toda hora, ele trocava, chegava no camarim, as meninas, as camareiras secavam.

?Voz A

Mais uma atração do clube do Bolinha. Isso mesmo, Sergio Rey.

?Voz C

Ele era muito amigo, mas uma atração. Eu era o único artista que a esposa dele deixava entrar na casa dela, não gostava. Mas eu vi as meninas dele crescer.

?Voz A

A Vitória a gente conheceu, né, Bola? Conheceu, conheceu. Mas uma atração diretamente de Goiás.

?Voz C

Mas o poderoso é meio assim, né? Do clube do Bola. Pegou e saiu. Quando ele voltou, falei: "Boloi, esse aqui é o Amado Batista que eu te falei, ele quer cantar." Aí o Bolinha falou assim: "Para, você fica de cacho com esses moleques dando para eles? Quem come quem aí?" Aí o Amado, humildezinho, ficou, se encolheu, falou: "Não, é brincadeira." "Pô, Bolinha, não sacaneia, pô." Aí ele ria, aquele jeitão dele. Bolinha, gente boa. Falei: "Não, tô brincando." "O que que você quer cantar?" "Não, eu tenho uma música, eu tô usando." "Não, não canta uma só não, faz o seguinte, canta 3, 4, canta o que você quiser." "É mesmo?" "Eu vou abrir esse bloco, Sérgio Reis entra, eu chamo o Sérgio Reis, ele canta 2 e depois você vem, termina o bloco você cantando." E o Amado cantou 4 músicas e o Bolinha gostou porque o Amado... Caraca, que legal! Aí a turma começou a aplaudir e tal.

?Voz D

Pois ele naquela caravana aí...

?Voz C

Aí ele falou: "Você não quer participar?" "Você não quer participar da Caravana do Bolinha?" "Mas não tem grana não, hein, mano! Eu sou turco, eu sou pão duro." Aí o Amado: "Não tem problema, não, tô brincando, tem um cachê para você." "Então tá bom." A partir daquele dia, o Amado entrou todos os sábados e ia fazer show domingo com o Bolinha nas cidades, Caravana do Bolinha e o Amado. E virou esse fenômeno.

?Voz A

É, o Amado Batista é gigante, né, cara? Gigante! Tem que trazer ele aqui, pô!

?Voz D

O Amado é muito gente boa e ele é muito Eu sou muito grato ao meu pai, ele ajudou meu pai aí, meu pai internado, caramba.

?Voz C

Ele é tanto quanto o Roberto de famoso. Tanto quanto. Ele tá num lugar a mais. É muito, muito famoso.

?Voz B

Eu nunca me esqueço, eu tava na Transamérica, tinha que fazer um evento no campo do Bragantino em Bragança, que era de linguiça, era uma festa. A gente foi apresentar, foi a primeira vez na vida, lembro que nós descemos do palco assim, aí atrás do palco a gente ia embora, Eu vi um busão, Amado Bafri. Caralho, o cara tem ônibus, bicho!

?Voz C

Ele tem, puta que pariu!

?Voz B

Mas não era moda ainda, né?

?Voz D

Mas com a cara dele, eu falei, puta, meu pai, ele tava no hospital internado numa dessas 20 que ele internado 5 vezes por ano, né? Aí, pô, uma dessas daí, o Amado deixou uma maleta lá, o meu pai, Amado, esqueceu, tá esquecendo aí, chegou lá, ele pagou hospital para Quebrei 9 vértebras, tava sem fazer show, quebrei 9 vértebras, quebrei 8 costelas, trinquei 9 vértebras, caí de um palco alto pra cacete.

?Voz C

Puta que pariu, bicho! Em Minas Gerais. Aí trinquei 9 vértebras, quebrei 8 costelas, perfurei pulmão direito, uma costela me perfurou, eu trinquei esse ombro esquerdo.

?Voz D

Tem na internet, você pensar de um rei caindo do palco, parece.

?Voz C

Fui parar no hospital em Belo Horizonte. Entendeu? Tava lá no Mater Dei, que é o melhor hospital do Brasil, tá? Aonde o Neymar veio operar o pé, lá no Mater Dei. Não teve Einstein, não teve Sírio, não teve nada. O pé não, as colunas dele tomou aquela porrada, né? Ele, ele, ele ganhou os melhores prêmios. Eles ganharam que os americanos vêm, Organização Mundial de Saúde, fica 200 caras vendo o que que o hospital tem de errado. Eles ganharam pontos mais que os Estados Unidos.

?Voz A

É, deve ser bom em ortopedia, né? Trauma, isso mais ligado nisso, geral, geral, entendeu?

?Voz B

Então ele deixar uma linha ali com grama para pagar.

?Voz C

Ele foi em casa me visitar.

?Voz B

Pô, que legal, velho!

?Voz C

Ele queria saber quanto que eu tinha de gasto todo mês, porque eu ia ficar 90 dias parado. Fiquei 90 dias, não ia fazer show. Aí ele veio com a mala com 300 mil, deixou lá Mala no chão. Amado, a tua moça, porque ele ia embora, ele mora aqui na Granja Viana, entendeu? Tem aqui, tem em Goiânia. Aí ele, ele ainda ir embora, ele entrou com aquela mala pesada. Amado, é só uma mala. Falou: não, aí tem 300 mil, paga tuas contas, depois a gente resolve isso.

Ninguém tira um real do Amado Batista, menos o Sérgio Reis. Ele é seguro, ele não é brincadeira.

?Voz A

Não é à toa que ele construiu império, né? É, ele tem, ele é pecuarista forte, né?

?Voz C

A fazendinha dele custa 350 milhões. Barato, fazendinha grande, tem 4 aeroportos. Putas que paroca, velho, parecendo a tua, Sérgio.

?Voz A

Aonde é a fazenda dele?

?Voz C

É em Pocalinho, lá onde eu fiz o Rei do Gado, perto do Rei do Gado, vizinho da fazenda do Dr. Roberto Marinho. Roberto marinho da Globo. Aquela fazenda que nós pousávamos lá era do Roberto Marinho.

?Voz B

Quer um cafezinho, Sérgio?

?Voz A

Cafezinho? Quer cafezinho, Marco? Eu aceito. Pô, vamos mandar uma música aí, pô.

?Voz B

Que que vocês escolhem, Marcão?

?Voz A

Vai, eu posso pedir uma? Pode também. Não, bola, bola, bola. Cavalo Preto. Você tem a queda? Ele tem a queda. Vamos botar a queda primeiro. A queda, a queda. Ele tem a queda aí, ó, para dar relembrada aí, só para lembrar da dorzinha agora, ó. Tem ela, ó, a lá.

?Voz C

Olha o Sérgio. A nela, velho, é que faz comida. Puta, foi embora.

?Voz D

Foi embora. Sumiu. E ali, meu amigo, era um chão de concreto, um palco alto, bicho, 3 metros de altura.

?Voz B

Eles pularam lá, eu caí em cima de uma moça. Tudo bem que o Sérgio não tem 2, mas...

?Voz C

Eu caí em cima de uma moça e ela afastou, eu bati nela e com o chapéu eu caí no pé dela. A cabeça. Por isso que eu não tive traumatismo craniano.

?Voz D

O pé dela ficou desse tamanho, se ela não tivesse lá...

?Voz C

Batia no chão. Depois eu fiz um especial, fiz um programa com Geraldo Luiz na Record, e eles trouxeram ela. Nós nos encontramos no quarto. Ela tá com um pezão, né? E nós choramos juntos. Vocês quatro. Porque, pô, ela salvou minha vida.

?Voz A

Que ano foi isso, Sérgio?

?Voz C

Você lembra o ano? Sei nem que ano eu nasci, mas tá quieto.

?Voz B

Sai um cavalo preto, Marcão? Vai!

?Voz C

Eu tenho um cavalo preto por nome de Ventania, um laço de 12 braças no couro de uma novilha. Tem um cachorro bragado que é para minha companhia, sou um caboclo folgado, aí eu não tenho família. Oh, lasqueira!

?Voz B

Bonito! Isso é bonito demais! Sabe essa música aí?

?Voz A

Já sei, cara. É dos anos 50 também?

?Voz D

Não, não é tão antiga assim, acho.

?Voz A

Tem o mistério da Boate Azul, né? Existe esse mistério?

?Voz B

Eu não sei qual, meu.

?Voz D

Eu vi ontem o Tarcísio cantando Boate Azul no Pânico e contando que Boate Azul é por causa da morte do Papa João XXIII, não sei o quê, a história da música Boate Azul, que fechou tudo por causa da morte do Papa.

?Voz C

Eu não tinha ouvido essa história.

?Voz D

Era um papo assim, eu vi o Tarcísio contando isso ontem.

?Voz B

Não sabia disso, não. Eu já ouvi essa história também.

?Voz A

Por causa da morte do Papa. E aí tava tudo fechado, só tinha um único lugar para fazer qualquer coisa.

?Voz D

E nasceu a música.

?Voz C

Tem músicas que ficam para sempre. Pois é.

?Voz A

Que ninguém sabe quem é o compositor, né? Tem um monte.

?Voz D

Morte é ruim, né, senhor? Eu sei, por exemplo, aquela Tristeza do Jeca que a gente cantou. Bonito isso também. Ela é tipo meio um domínio, ninguém sabe o compositor, parece, né?

?Voz C

Até eu vou dizer, é domínio público alguma coisa.

?Voz D

Sabe uma música, ou Carica e Boleta. Tocando em Frente era uma música que o Almir fez na época do Pantanal e não deixava ele gravar. Por isso que eu perguntei para ele, era Tocando em Frente, ele não deixava gravar porque ele fez a música, para quem gravar, pai?

?Voz C

Não, para ele lançar um filme de 16mm que ele gravou.

?Voz D

Mas a cantora que gravou primeiro foi?

?Voz C

Primeiro foi a irmã do Caetano. Sim.

?Voz B

E ele não queria, falou: não, segura aí, segura aí, porque ela já tinha gravado. Tadeu Veloso, sei lá quem é.

?Voz A

Tá aqui, ó, a história é o seguinte: a canção é composta pela parceria de Benedito Seviério e Aparecido Tomás de Oliveira. A dupla compôs a música em 63, Boate Azul. A inspiração da letra surgiu após uma noite frustrada em Apucarana, Paraná, Pucarana, uma antiga boate Blue Night, onde o show que eles fariam teve de ser cancelado. Ah, devido à morte do Papa, não é isso? João XXIII. Então cancelaram o show, inicialmente censurado.

?Voz B

Não houve errado, que legal, não tinha nada aberto. O que que tinha aberto?

?Voz D

Também acho válido, mas essas casas têm sido tema dessa conversa hoje, rapaz.

?Voz C

Que é certo daqueles beijos que eu te dei. Isso é sucesso, meu amigo.

?Voz D

Ele nunca gravou, cara.

?Voz A

Poderia ter tocado a letra da música.

?Voz D

Olha, bicho, e ele gravou. Eu ia fazer uma piada pra você ver. Deixa eu te falar. Pode fazer, Carica.

?Voz A

Falei: por isso você devia ter feito: pica ne mim. Não, piada ruim.

?Voz B

Piada ruim. Mas vamos seguir em frente.

?Voz C

Tem uns que cantam assim, igual. Carica, não é nada demais também, né? Você tem uma noção?

?Voz D

Puta, até esqueci o que eu ia falar, cara.

?Voz C

As puta barbaridades. As mina cantava na boate do Sérgio. Que bom, Marcão, dessas mesmo, velho.

?Voz B

O cara lança um peixe ali, puta que pariu, do nada, bicho. Você quer? Eu vou pegar, pega aqui, desculpa, foi mal.

?Voz C

Tem histórias e histórias.

?Voz A

Não, aí beleza. E a Paula Fernandes? Você não contou da Paula Fernandes?

?Voz C

Você não contou da Paula Fernandes também? O Marcos Viana era um maestro que escreve para orquestra lá de Belo Horizonte. Ele era o autor da abertura do Pantanal.

?Voz D

"Pã-rã-rã-rã-rã-rã, são corveias e serpentes os rios que cantam o coração do Brasil." Marcos Viana.

?Voz C

Ele estava lançando a Paulinha Fernandes, muitos anos atrás, né? E um dia ele chega em Belo Horizonte, eu estava na gameleira, eu sou o recorde do parque da gameleira em Belo Horizonte. 82.600 pagantes. Você tem uma ideia, Maracanã ontem tinha 72 mil e eu pus 82 mil pessoas. Eu falei até com meu amigo Roberto Contígio ontem, ontem, falei: Roberto, vem lá. Falei: não, está registrado aqui no Ministério da Cultura, eu vou te dar esse documento.

Nenhum artista levou 82 mil pessoas lá. É, não sei, mas tudo bem. E eu tava fazendo esse show, aí ele veio falar comigo, fazendo: eu tô lançando uma menina nova, ela canta muito bem. Quando fazia o CDzinho, né, fazia aquele CDzinho, ela é contralto, ela canta bem. Agora chega na rádio, puta, que eu recebia de louco, os cara me dava de louco. Eu tinha uma caixa de televisão daquele tamanho, de uma televisão só de que esses cantores tentando dar para mim tocar e ajudar.

Aí falou: mas não dá, chega na rádio, o cara joga, não canta. Você não faz uma música com ela? Porque se o cara vê lá Sérgio Reis, por curiosidade, ele vai ver, pô, vamos ver como é que ela é, que o Sérgio Reis gravou com ela. Já é outra história. Já é outra história. Tá bem, aí eu gravei com ela Sem Você. Na incerteza desse amor que é tão doído. Bonita música. Sem você, Você, você, bonita música. Aí eu gravei e ela decolou com essa música.

E aí depois o Roberto, bicho, ela fez o Roberto. Ela começou, a voz dela é boa para ouvir, não adianta. Ela compõe, ela é esperta, canhotinha. Ela chegou na casa desse meu amigo Roberto Contígio, que eu falei para ele ver lá se tá registrado esses 82 mil pagantes lá. 'Olá, ou não, eu vou ver no Ministério da Saúde.' Falei com ele ontem, ontem, essa semana ele vai me dar esse documento. Boa. Aí ele, ele, o Roberto Contígio, ela foi na casa dele, ele fazia, ele tinha uma casa com fogão a lenha, fazia uns, ele era assim, política, entendeu?

E fazia todas as reuniões lá, fazia comida mineira e juntava Além da Paula Fernandes, naquela noite que a Paula Fernandes foi lá tocar, ela sentou quietinha, tava tocando uma dupla nova lá que eles contratavam, que ela põe dois microfone para cantar para quem tava lá, ganhava R$300 para cantar. Eu e Léo, não, Vitor e Léo, Vitor e Léo, uma duplinha. Eles cantar lá, não falei nada, fiquei quieto. Aí ela chegou "Canta aí." Ela pegou o violãozinho de canhota, quando ela cantou, a Ângela de ouvido absoluto gravou com o Júlio Iglesias, com todo mundo, falou: "Bem, ela é contralto, olha que voz linda." Falei: "Tudo bem, vou gravar." E gravamos, e deu resultado.

Chamei o Vitor e o Léo, fui cantar com o Vitor e o Léo, a gente cantava todas as músicas, aí fizemos um show, eu, o Vitor e o Léo lá pro Roberto Contígio e os políticos que tinha lá. Falei: "Cara, vocês não podem ficar aqui." vamos para São Paulo. Aí eles vieram para São Paulo, entendeu? Cantaram numa boate de um amigo meu que eu pus eles cantando lá. Eles cantaram 4 anos lá. 4 anos? 4 anos lá. E depois eles iam, faziam em outras casas para poder pagar o aluguelzinho.

Até que o Eduardo Araújo foi numa boate que eles estavam cantando, falou: eu quero contratar vocês. O Roberto, Eduardo tem a Number One, que é uma gravadora dele, um selo. E eles gravaram com Eduardo Araújo, tava o long play pronto. Aí a gravadora, qual é a famosa, não é RCA, é outra, BMG? Não, BMG era RCA. Aí eu sei que eles chegaram lá, falou: quem é que tem essa? Não, nós estamos na gravadora do Eduardo Araújo. Eduardo Araújo, nós queremos lá falar com ele, chama ele.

Ele veio, falou: não, eu paguei, eu gastei dinheiro. Falei: tá bom, quanto foi? Nós pagamos, gastei R$600 mil, tá aqui, eles são nossos. Eles pagaram Eduardo Araújo, aquele que ele gastou no long play deles, entendeu? Com direito até lançar, até eles lançarem. Pagaram para Eduardo tudo que ele pagou para lançar os meninos. E eles foram para, não é, não é virgem, Pô, uma gravadora, Sony.

?Voz A

Vamos embora, a gente vai tentando aqui. Preciso de poligrão, poligrão, poligrão. É, menores, né?

?Voz C

Vitor e Léo são pessoas que eu ouvi, orientei e deu certo. Que legal, Vitor!

?Voz D

Na hora da piada do Carica, eu ia falar o seguinte, que eu esqueci, lembrei, cara. Esse cara A gente tava falando das músicas, né, que ele não gravou Boate Azul, que eu estranho porque ele gravou simplesmente tudo. Porque depois do sucesso do Menino da Porteira, a música sertaneja ela não tocava nem em AM.

?Voz C

Quando ele gravou, tocava em AM de manhã, 5 horas da manhã.

?Voz D

O disco Saudade de Minha Terra, que é o disco que ele fez primeiro sertanejo, tinha duas músicas de cada região do país, duas do Centro-Oeste, 2 do Nordeste, 2 do Sul, Panela Velha, Pinganimim, 2 do Chico Mineiro, do Centro-Étimo. E esse disco estourou todas as faces.

?Voz C

Impressionante. Não esquecer disso, Tony Campello é o que cuidou de mim como produtor.

?Voz D

E o que que aconteceu com isso? Todos os compositores do país inteiro caíram no colo dele. Ele tem 128 isso ser desgravado.

?Voz C

Multiplica 128 por 12 com disco e tudo, com long play, com coisa.

?Voz D

Ninguém tem isso.

?Voz A

Você tem guardado isso aí? Eu tenho tudo, eu tenho dois fãs.

?Voz D

Além disso, o Renato Teixeira é o cara que ele mais, o artista que mais gravou Renato foi ele. Todos os compositores queriam gravar com ele porque ele colocou a música certa. Os caras iam com maestro com o Elcio Alves, com o Salinas, e uns puta arranjo, e embalou.

?Voz C

Ele gravava 2 discos por ano, 2 por ano, certo? E não tinha bateria não, era tchiquitiqui e é cunhé.

?Voz D

Se você pôr Menino da Porteira, é tudo percussão de orquestra.

?Voz C

Lembra que eu falei? E o coralzinho, violino.

?Voz A

Na época isso era, isso aqui é de Sullivan, aí tinha o Lico Olivetti, era tudo orquestrado.

?Voz D

Ninguém era foda. Pode pôr, é uma flauta da orquestra.

?Voz B

É mesmo? É, os pífano, tipo um pífano.

?Voz D

É uma flauta com uma fenda que tinha na gravadora.

?Voz C

Depois começamos gravar com Zé do Rancho. Zé do Rancho era um violeiro que é o avô do Chitão. Do Sandy Júnior. A esposa do Chororó, a esposa do Chororó, Noely, é filha do Zé do Rancho. Ah, entendi. O Zé do Rancho foi o sogro do Chororó.

?Voz B

Mas por que você não gravou Boate Azul? Por que nunca gravou? Não aconteceu?

?Voz D

Por isso que eu falei que eu estranhei, porque ele gravou tudo, cara. Tudo.

?Voz B

E essa música é um hino, né, cara?

?Voz D

Tudo. É assim, mas é que a Boate Azul, ela tem um clima meio mariachi, mais pro pro Zé Rico, milionário Zé Rico. É a pegada dele, o negócio dele, o sertanejo que ele canta, é o menino da porra, fala de porteira, poeira, cavalo, sertão mesmo.

?Voz A

Boate Azul não é essa pegada. Que a pegada de hoje, né, bebê, farra, ele não tinha essa pegada dele.

?Voz D

As músicas dele é tipo rural mesmo.

?Voz C

Eu gravava alguma coisa do Léo Canhoto que era De quem que você foi fã, Sérgio?

?Voz B

De quem que você foi fã?

?Voz C

Eu era fã de Lúcio Gatica, Altemar Dutra, entendeu? E do Zeca Pagodinho, eu gosto muito dele. É mesmo? Ele é meu fã, o Zeca é inveja. O Zeca é bom demais.

?Voz D

Imagina junto esses dois, pega fogo.

?Voz A

Nossa Senhora! Zeca Pagodinho é bom demais.

?Voz B

E com 9 prisão e tal.

?Voz C

O outro com 18. A minha esposa Ana tava vindo do Canadá, entendeu? E o Zeca tava no avião e sentou assim perto dela. Ela falou: Zeca, por favor, eu sou a esposa do Sérgio Reis. O Sérgio Reis, eu sou fã dele demais. Então quando chegar em São Paulo, quando chegar no Rio, a gente liga para ele. Aí ele ligou: Sérgio, tá bem? Vem lá, vem lá comigo, quero você. Eu tenho uma música para você. Eu ia dar para o Martinho da Vila, vou dar para mim.

Não tem nada de Martinho da Vila não, dá para mim. Sacaneando ele. Boa. Essas coisas, você nem sabe a quem é teu fã. É, eu fui na Globo agora há pouco tempo, esse que tá fazendo essa novela, Dona, como é o nome dele? Lázaro Ramos. Lázaro Ramos. Lázaro ajoelhou, me abaixou, ajoelhou e pôs a mão na minha bota assim, falou: cara, eu sou teu fã demais. Me beijou Tudo, então essas coisas eu falo, poxa vida, eu sou fã deles, eu acompanho todos eles, vejo as novelas, eu assisto tudo, eu não tenho frescura, eu tô vendo todas as novelas agora, eu quero ver.

Ele tava em Portugal e tem uma história até interessante, esse chapéu aqui, ó, autografado aí atrás do Zé Amaro. Tá aqui o nome dele do lado, ele vende 100 mil chapéus, ele vai nos Estados Unidos, manda fazer 100 mil e vende esses chapéus todos nos shows. Beijinhos e abraços ao ídolo Sérgio Reis, né, Amaro? Esse cara faz 30 shows no mês. Bonito esse chapéu, hein, Sérgio?

?Voz A

Deixa eu ver como é que eu fico com esse chapéu, Sérgio, se você não se incomoda. Deixa eu ver se combina. Você é louco, carica!

?Voz B

Nada, nada, é nada, velho.

?Voz C

Eu fiquei parecendo com o Eduardo Araújo, cara. Nem ligaram, maluco. É mesmo? Bigode preto.

?Voz D

O Vinícius, o neto dele que mora no Porto, Vinícius, gente boa, já gostei dele. É o filho do meu irmão, o Conrad. Eles foram lá para Portugal e esse cara, ele se veste Ele canta as músicas sertanejas.

?Voz C

Não canta nada que é português, só as músicas que ele faz.

?Voz D

Boiadeiro português, ele toca cabra, né?

?Voz C

Não tem boi lá.

?Voz A

O Bola teve uma fase boiadeiro. Acha aí, Isaac, o Bola uma época, quando eu conheci o Bola, era boiadeiro em todos os rodeios do Brasil.

?Voz B

Tô falando sério, o Bola 97, 98 e 99. Tá de sacanagem, todos, todos.

?Voz A

O Bola tinha uma bota, eu lembro, de cobra, couro de cobra, a calça jeans, a fivela desse tamanho, desse tamanho, chapéu, chapéu e camiseta listrada.

?Voz C

Olha, esse português, esse portuguesinho, o Zé Amaro, esse mês aqui ele fez 28 shows, ele faz 28, 30 shows no mês. Caraca, ele me ligou essa semana, entendeu? Porque eu tenho, eu tenho um fã na Inglaterra Eu estava aqui no aeroporto de Cumbica e veio um português, um senhor: "Sérgio Reis, eu sou teu fã e tudo mais." Falei: "Ué, meu nome é Waldo." "Como vai, seu Waldo? Quanto tempo o senhor está aqui no Brasil?" "Não, eu não moro no Brasil, eu moro numa cidade perto de Londres, eu moro lá em Londres.

Vim visitar uma irmã que mora aqui em Guarulhos." E fiquei amigo desse Waldo. E ele me ligou esses dias: "Sérgio Reis." 'Você conhece o Zé Amaro?' Falei: 'Pô, é meu amigo, meu irmão, eu vou fazer ele ligar para o senhor.' E eu peguei essa semana, Zé, contei a história, né? Esse português ficou meu amigo, ele e a Nairi, a esposa dele, a Nairi é brasileira, é a Nairi, é português, né? Eu e a Nairi adoramos esse menino. Então tá bom, eu liguei: 'Zé, você liga para ele?' 'Ligo, me dá.' Aí o Zé Amaro de Portugal ligou para ele lá em Londres, ele ficou louco essa semana.

Sérgio Reis, eu não, eu, é por isso que eu amo você, eu te amo, cara, nós estamos todos rezando para você. A música tem isso, te dá, abre fronteira que você não sabe, não tem a dúvida, no mundo você vai. E o Zé Amaro, ele fez uma música inteira, né, bicho? É, né, nós vamos para Espanha, vamos todo lugar, conhecido no mundo inteiro.

?Voz A

Aquela música, eu gosto daquela, aquela música também assim, ó, a mãe, esse eu sei O nome do amigo? Renato Teixeira. É, acho que é um amigo. Gravou?

?Voz D

Acho que eu sei. Não, ele gravou com ele naquele, naquele que eu ganhei o Grammy, o Amizade Sincera. Será que gravou com o Renato?

?Voz C

Mas não deu uma foto para você, Isaac? É, amanheceu, peguei a viola, botei na sacola e Fui viajar, amanheceu, peguei a viola, botei na sacola e fui viajar. Chegou a noite, fui dormir. Amanheceu, peguei— Essa música eu perdi no canto, mas é boa essa música.

?Voz A

Essa música é boa, né? É demais. É que foi abertura do programa, né? É meio isso, né? Foi abertura do Som Brasil, foi.

?Voz D

Acho que foi. A música dele que foi abertura lá foi o Frete do Fagundes com o Bino e Caga Pesada.

?Voz A

Pedro e Bino. Mas eu lembro dessa música aí por causa do Som Brasil, né? Som Brasil, tô correto? Tocamos, aí toca. Como é que é a história de— vamos, 2 clássicos aí de Pinga de Mim, que é muito legal. Isso é nos 80, ele não queria gravar Pinga de Mim.

?Voz D

Você não queria?

?Voz C

Não, eu já conto. Esse Amaro, o Sérgio Reis, eu fiz uma música, eu canto Casinha Branca. Falei: é a minha, né? Ele fez uma— não, não, não, eu fiz uma música para minha avó que chama-se Casinha Branca. Que é onde eu morava com ela, e fui lá ver, a casa tá abandonada, toda quebrada, e me bateu saudade. Aí ele fez, eu falei, eu gravo com você. E nós fizemos um clipe lá em Portugal agora, numa vinha, estavam colhendo as uvas, e nós no meio com a Mercedes, que ele tem carros antigos também, e nós dois cantando.

?Voz D

Caipira português é chique, velho, anda de Mercedes conversível, você é louco!

?Voz C

Ele não brinca, ele cobra 15 mil euros um show, dá 90 mil. Caralho! Faz 29 esse mês.

?Voz B

Pô, 29 shows no mês, é bastante bacalhau.

?Voz C

Não, não é brincadeira. Tem bastante.

?Voz A

Está bem, está bem, está bem.

?Voz C

E português é bom também. Eu não sei, eu vivo aqui, casinha branca, saudades tenho de ti. Eu gravei com ele. Então você vê um português lá em Portugal que só canta música sertaneja Ele gosta do estilo, né? Vou trazer ele para cá porque ele me pôs para cantar lá. Ele tem uma banda que eu não precisava nem levar a minha. Muito obrigado. Não, não é brincadeira, verdade. Não fui para Portugal, sanfoneiro dele, tudo. Eu entrei lá, Sérgio, panela velha, lá maior, né, velho?

Cantava 4 músicas, aquele povo tudo cantando, porque em Portugal Tem a SIC lá, que é uma televisão, é da Globo, passa assim: 10 horas da manhã, Rei do Gado, 2 da tarde Pantanal, 6 da tarde a outra novela. Todas as novelas que eu fiz, repete lá no mesmo dia. Puta merda! Para quem não vê de manhã, vem à tarde.

?Voz B

Pelo amor de Deus, tá?

?Voz A

Merda! Estão pedindo aqui para você tocar o Rei do Dá? Hey, dublado!

?Voz C

Como que é dublado? Pediram, pediram. Então qual que é aí?

?Voz B

Faz tempo, hein? Vai lá! Bonito, hein?

?Voz C

No bar de Ribeirão Preto eu vi com meus olhos essa passagem quando o champanhe corria nas altas rodas. Jogadas, a gran final. Nisso chegou o peão trazendo na testa o pó da viagem, pediu uma pinga para o garçom, que era para rebater a priagem. Levantou a almofadinha, E pro dono não tenho fé, quando um caboclo que não se enxerga num lugar desses vem por os pés. Senhor, que é o dono da casa, não deixe entrar um homem qualquer, principalmente nessa ocasião que está presente o Rei do Café. Ó, que que é isso? Muito bom! Pegaram desprevenido, né?

?Voz A

Isso aí era meio uma onda meio batuca com repente, uma coisa que o cara não vai parando, ele vai contando a história, né? Eles contavam isso, é tipo uma crônica, né?

?Voz D

É uma crônica.

?Voz C

Blues meio rock. Essa música, essa batida, mas a batida É do Teddy Vieira, é dele. Mais uma do Teddy. Bola, bola, Sérgio Reistyle.

?Voz B

Olha aí, ó, porra, a boleta, cara, é o Yellowstone.

?Voz A

Ele andava assim, fivelão, ele tinha uma case chapéu, pô.

?Voz B

Até hoje tá guardada.

?Voz A

Aí, olha eu novinho também. Essa foto, eu te digo, ela tem 27 anos. É isso aí, né, bola?

?Voz B

Fazendo rodeio de barretos.

?Voz C

O que é? O Ceará, o Japa, Carioca e eu.

?Voz A

Molequinho, molequinho, ainda tinha cabelo. Aí depois perdi o cabelo e nasci de novo.

?Voz B

Rádio Fiat Jovem Pan.

?Voz A

Mas como é que você foi a história do pinga em mim, Sérgio? Não, porque essa música é um clássico.

?Voz C

Essa música foi gravada por Teodoro Sampaio, né? Sim. Aí, Batista, ninguém sabe mais sertanejo que esse cara.

?Voz A

É mesmo, é? Tudo que você quiser saber. É o nosso, é o nosso Iá de sertanejo.

?Voz D

Ele tem um programa chamado Arena Sertaneja da TV e ele é um curador. Onde é o programa? Onde é o programa?

?Voz C

Eu agora tô na TV Oxigênio, tá lá, mas ninguém vê.

?Voz A

Não, mas olha, vamos divulgar, ué, tá no YouTube. Mas tá no YouTube? Como é que é o nome no YouTube do canal? Programa Arena Sertaneja na TV. Programa Arena Sertaneja na TV. E você conta histórias lá? Como é que é o teu nome? Desculpa, Batista Alencar. Batista Alencar. Então sabe tudo, você sabe tudo de sertanejo, coloca lá.

?Voz D

E vai todo mundo lá, Renato, O Renato, meu pai, as duplas, ele conhece todo mundo. E ele sabe de quem é o compositor, que ano que é.

?Voz C

Isso é um barato, isso é um terror. Ele sabe qual mulher é de quem, ele sabe tudo. É mesmo? É verdade. É o Léo Dias do Sertanejo.

?Voz B

Mas é isso aí, a pinga de mim.

?Voz C

O Theodoro Sampaio gravou, eu tinha um programa na Band, eu e Luiz Vieira, nosso querido Luiz Vieira, saudoso amigo. E ele trazia os repentistas, os cantores coisas do Nordeste, eu trazia daqui do Sul essas coisas. E veio com os meninos lá que gravaram o Pinga Nimi. Era o— eu não vou saber quem foi— Teodoro Sampaio. Só que o Teodoro Sampaio começaram a tocar e eles não gravaram como eu Pinga E nessa casa tem goteira. Não, ele gravava assim: E nessa casa tem goteira.

Mais devagarzinho. Pinga ne mim. Era uma missa sem padre. Aquela merda não acabava. E eu pedi direto: Tira essa merda do ar, depois edita, porra. Vou tirar os cara do ar, meu amigo. E aí eles iam pro meio do povo naquela, na Sesc lá, que tem aquelas pedral. Ninguém cantava, não conhecia a música, né? Lógico, né? E eu fiquei com essa música É irritante na cabeça. E um dia, Tony Campello: eu vou gravar, vou gravar o Filha do Tivo.

Essa música é muito longa, Tony, eu não quero, você vai tirar música, vai quebrar. Não, eu quero cortar. Não vai cortar nada. Era uma briga diretor com, aí eu falei assim: você vai gravar o Pinga de Mim. Falei: não grava essa merda da música aí não. Grandão, eu tive que aguentar os Filha do Tivo que você queria, agora você vai aguentar o Pinga de Mim, tá? "Então você faz o arranjo, tira o tom." As duas estouraram, né? É, tira o tom.

?Voz B

Impressionante.

?Voz C

Tira o tom. Aí eu tirei o tom e fui embora.

?Voz A

Você fez ela balada, né? Você fez ela para dançar, né?

?Voz C

É, fui viajar e o Tony fez os arranjos, meu amigo, e... Vira um Vanerão, cara.

?Voz B

Aí, vai ser muito bom, velho.

?Voz C

Vai! Nessa casa tem goteira, pinga de mim, pinga de mim, pinga de mim. Nessa casa tem goteira, pinga de mim, pinga de mim, pinga de mim. Lá no bairro onde eu moro tem alguém que eu Eu adoro, ela é minha paixão. Vai! Pra aumentar o meu castigo, meu amor brigou comigo, me deixou na solidão. Por incrível, por incrível que pareça, fez a minha cabeça, tô morrendo de paixão. Pra curar o meu desespero, vou meter pica no pé. Sua boca, meu coração, e nessa casa tem goteira. Pinga em mim, pinga em mim, pinga em mim, e nessa casa tem goteira.

?Voz B

Essa música é, pô, isso aí é um clássico.

?Voz C

Então, aí essas coisas acontecem. Tony Campello é um produtor excepcional. O dia que eu fui gravar o Filho Adotivo, ele falou: Serjão, eu vou lá em cima conversar com o Mário Os Marzão, os Marzão era filho do compositor Mário Zan, que fez o Xalana, certo? Os Marzão era o diretor artístico da RCA. Eu vou lá no quarto andar falar com os Marzão: vai esquentando a bola aí para gravar Filha do Tio. Eu levei a letra, pus lá e tal, gravei dois canais, antigamente era um, dois, três canais, gravei dois, falei: Tony, Tony, vem, Tony, tá aí, ó, dois canais.

'Eu acho que já tá boa, eu tô bem de voz, garganta já morreu.' Aí, 'Tá bom, vamos ouvir.' Eu, Tony, tem um cacueta assim, ele vai assim no nariz, né? 'Vamos ouvir, ouve o canal.' 'Canal 1.' 'Põe o outro canal.' 'Ouviu o canal.' 'Põe o primeiro de novo.' 'Ouviu.' 'Põe o segundo de novo.' E tudo bem. Aí ele falou assim: 'Tá bom, né, Tony?' Ele falou: 'Não, nem sua mãe compra esse disco.' 'Utá, merda.' 'Você não deu emoção nenhuma?' Eu tô olhando lá no microfone, você veio com a letra.

Nunca mais vem gravar comigo com a letra na frente. Vai estudar essa letra, que é coisa muito séria. O filho adotivo é uma coisa muito séria. Então vem interpretar. Tem um monte de cantor que eu conheço, tem voz mais bonita que a sua, mas não vende para ninguém porque não interpreta. Caraca, entendeu? Não põe emoção, né? Tem cantor que tristeza Lembra um deles antigo? Que tristeza eu sinto agora em minha vida. O cara cantava rindo, como essa música é triste, caralho.

Então vai aprender a letra e volta. Fechou o estúdio e mandou embora. Aí eu fui interpretar naquela fase das prisões.

?Voz D

Puta louco, já derrubou câmera em programa ao vivo.

?Voz C

É mesmo? No Canal 9 não me pagava, quebrei câmera e tudo, caralho. Aí vai ver, fui na Tupi também, tá? Mas eu e Jamelão, Jamelão chegou lá, ele era brabo, hein? Jamelão chegou com uma sacola, uma mala de aquelas que menino leva caderno na escola, chegou lá no caixa, falou: "Vem receber dois cachê." O cara do caixa riu: "Você tá brincando, não tem grana, não vai receber não." Ele pegou o.38 e falou: "Mas eu mato você, você e quem tiver aí dentro, vai buscar meu cachê." O cara saiu correndo e veio com o cachê.

?Voz D

Jamelão era bravo pra caralho, Jamelão era louco.

?Voz C

Eu entrei no escritório, eu entrei por trás, vi um cara numa máquina elétrica, aquelas máquinas elétricas. Cheguei lá, falei: "Dá licença." Desliguei. "Não tem cachê para mim, vou levar essa merda embora." "Você não pode levar." "Posso levar, me paga que eu devolvo." Levei a máquina elétrica embora. 2 dias depois vieram correr meu cachê e levaram a máquina de volta.

?Voz D

É assim que tem que ser, você esqueceu o que eu ia falar.

?Voz B

Imagina, bicho.

?Voz A

Mas você tinha tamanho, o Serjão tinha vantagem de ter o tamanho, né?

?Voz B

É pequenininho, né? É pequenininho, né? Pequenininho.

?Voz C

Aí eu não dava moleza pra ninguém.

?Voz A

E você assim, durante a sua carreira assim, teve artista que você teve indisposição?

?Voz C

Difícil, quem tinha indisposição era eu e o Agnaldo Timóteo. Adeba Bidida, junto, junto.

?Voz D

Caraca, bicho, tem uma história, eu até mostrei para ele, porque o Pânico brincava muito, muito, muito da dicção. E ele falava para mim, fala: se você quiser aprender a cantar, vai ouvir Aguinaldo Timóteo, porque ele tinha uma dicção perfeita. Aí eu mostrava para ele, esses cara fica zoando. Falei: pai, é uma homenagem, eles não tão zoando.

?Voz C

Mas é verdade, o Timóteo, por exemplo, cantou assim, o Aguinaldo Rayol: livre nasci como a brisa. Cantava maravilhoso, né? Mas não era livre, não é livre, é livre. E o Timóteo veio e gravou livre. A diferença perfeita, né? Perfeita. Então eu falei para colocar, tá cantando.

?Voz D

Eles estavam num carro conversível do Timóteo na sua terra. Ah, é? O cara que mais brigava no meio artístico chamava-se Aguinaldo Timóteo. Ele teve Eles começaram a brigar com os malucos voando na beira-mar. Nós com conversinha, porrada e cara na areia.

?Voz A

Tá achando que você é o que, boy?

?Voz C

Não sou não. Dois correram, os dois ficaram. Um deles de moto enfiou a cara dele na areia. Se eu não tiro, ele matava o cara afogado. Que isso! Na praia de Copacabana, não é mentira. O que vocês estavam fazendo?

?Voz B

Olha isso, sou muito fã dele agora.

?Voz D

Quando vocês falam, quando vocês imitavam, ele falava, eu falava, puta, eles têm que saber dessas histórias do Timóteo.

?Voz C

Mas é uma delas, era amigo dele de irmão, era eu, ele, Marcelo Costa, todos esses caras.

?Voz A

Eu vi o Aguinaldo Timóteo pela primeira vez, obviamente, mas pessoalmente, ele era candidato a governador do Rio. Rio, puta vida, em 80 e poucos, bicho. E aí eu tava, era aniversário de São Gonçalo, ele apareceu lá, oi bebê, nice, tudo bem. E ele era meio, ele era forte, ele era, ele usava umas camisas de bicheiro, não é? Ele usava umas camisas meio estampadona, cheio de ouro, ele era tudo meio.

?Voz B

Conheceu o Guinaldo na Leandrine, você, ele fazendo um carro lá, um Peugeot conversível.

?Voz C

Ele gostava de conversível.

?Voz D

Eu conversei com ele, ele foi com o meu Mustang, mano.

?Voz A

Mas eu acho que esse "rah", essas coisas que ele usava, como os locutores de rádio usavam, eu acho que era por causa da qualidade da gravação. Então, pra ficar em— Ficção. É, pra poder ser compreendido. Se você pega as gravações do Agnaldo Timóteo, isso tem que ser dito aqui, e eu vou dizer, não tenho uma coisa que eu acredito. Você concorda, cantor? Sim, mas eu acho que os negros nessa época meia-boca do Agnaldo, eles não davam um tapa legal como era para os brancos.

Se você pega as gravações de todos os caras negros assim dos anos 60, 50, os caras gravavam meia-boca. Então gravavam mesmo. Se você pegar aí a diferença de qualidade musical de gravação, é muito superior. E aí eles tinham que fazer esses, como no rádio, né, amanhã 3 hits na bandeirantes, é por causa do da qualidade mesmo, da dicção, da transmissão mesmo.

?Voz D

Mas eu acho que no começo, porque na década de 70 ele era muito famoso, né, cara?

?Voz A

Não, eu tô falando isso lá atrás. Se você pega gravações antigas de Jabelão, dessa turma aí do samba, porra, a qualidade era horrível, cara, assim, de, sabe, de cuidado, entendeu?

?Voz C

Hoje a tecnologia, ele tem um estúdio em casa. Você lembra que o estúdio aqui da Gravodisc Pegou fogo, né? Que era do filho do Elcio Alvarez.

?Voz D

Olha que estranho, o dono desse estúdio, um dos sócios, era o Elcio Alvarez, que é filho do Maestro Alvarez do Menino da Porteira, cara. Que eu ganhei os Grammys junto com o filho do Maestro Alvarez, ganhou os Grammys comigo. Ele mixa como ninguém. Como assim, velho? Como assim? O Elcio Alvarez era o cara que ganhou os Grammys comigo, porque eu gravava no meu disco e mixava lá que os cara tinham uma puta SSL. O disco pegou, o estúdio pegou fogo faz uns, antes, um pouco antes da pandemia.

Puta merda, o cara tinha acabado de gastar uma grana, um piano no estúdio aí, R$80 mil ele gravou. Pô, no estúdio aí? Eu liguei o da Atena, o telhado caindo, estuca em cima do piano assim no meio do fogo, bicho. Acabou, acabou tudo.

?Voz C

E ele não tinha seguro?

?Voz D

Tinha seguro, mas um equipamento, eles tinham mais de R$1,5 milhão de reais só só de microfone lá dentro, cara.

?Voz A

Quando eles gravaram o nome desse estúdio, gravou disco, todo mundo gravou lá, todo mundo, o técnico, trocaram a mesa, parou, a mesa que tava no gravodisco tá na casa dele agora, nós compramos.

?Voz D

Eu tinha comprado um pouquinho antes, ele comprou uma puta SSL de R$2 milhão, eu comprei a que tava lá e foi para o meu estúdio. Ele, uma puta SSL, durou 2 anos, pegou fogo a SSL, os microfone, o cassete.

?Voz A

Não tinha seguro disso, não é isso, cara?

?Voz D

Os prédios do centro antigo não era laje, aquele estuque, algum ratinho comeu um negócio, pegou fogo, foi pro saco, velho.

?Voz A

Pô, que pena. Eu queria saber a história de Panela Velha.

?Voz C

Panela Velha foi assim, que é um sucesso bizarro também, né? Eu estava em Porto Alegre, um dia de frio, como tá fazendo aí, lá agora tá frio, e tava chovendo. Eu pousei no aeroporto e o divulgador nosso da Fui lá, me pegou com uma Brasília, e tamo andando, e ele me levando para o hotel. Aí ele começou a cantar, subirar, Panayela Velha é que faz comida. Ele subia e cantava Panayela Velha. Que música é essa? Falei: isso aí é do Morazinho.

Falei: pô, você não me arruma essa música? É, Morazinho mora no meu prédio, pô, é meu amigo, eu falo com ele. Ele foi no Morazinho, falou: Sérgio Guedes quer ouvir essa música, que é Aí ele me trouxe o disco do Moraizinho, Moraizinho me deixou, autorizou gravar, e foi assim. O divulgador da RCA, ele veio para São Paulo, ninguém tocou, ninguém dava chance, entendeu? Os gaúchos não tem jeito de entrar aqui. Eu trazia Osvaldine Magrão, tanto é que eles ganharam o Festival Rimula aqui, era um gaúcho.

Eles mandaram para mim uma fita Eu levei para o Manoel Marimbem, que era o presidente da comissão lá., os gaúchos mandaram para ela, um amigo meu, mas não falei, eu nem ouvi a música. Ele deu a fita cassete para ele, ela foi classificada e eles ganharam uma baita caminhão, uma D20 dupla, entendeu? Mas não tem, o gaúcho não tá aqui. Mas essa música Panela Velha, ela é gostada, ela é gostosa. Eu chego no show assim: quem quer Panela Velha? Aí a turma: é eu! Bastante, hein?

?Voz B

Eu falei quem que é, não é quem que quer.

?Voz C

Quem quer?

?Voz D

Faz a introdução, faz a introdução. Ele fala, agora só a mulherada canta, hein? Homem não canta não, é a mulherada.

?Voz C

Não me interessa se ela é coroa, vai Sidoca! Ela vem, faz comigo amor. De novo, vamos lá. Não me interessa se ela é coroa, Panela velha é que faz comida boa. As mulheres já cantaram, agora eu, só o homem, só eu, hein? Silêncio. Não interessa se nós é idoso. Aí eu pego um véio lá no meio: Cadê, Ianovelha? Ele também faz: Cadê o gostoso? Aí começa aí todo o show. Aí é pau-pau.

?Voz A

Boa, muito boa essa música.

?Voz B

Quer buscar o telefone aqui?

?Voz A

Vamos, vamos, vamos. Vamos ver se tem alguém no telefone, né? Fazer a gente aqui no podcast, estamos resgatando também essa interatividade com o público, né? É claro que é bom ter ideia quem é que tá curtindo, o cara ter a oportunidade de trocar uma ideia, de mandar uma pergunta ou de ter o privilégio de falar contigo, Xará. Alô, nosso churrasqueiro de canela, tá ligado, né?

?Voz C

Alô, essa festa era boa. Alô, Bibida, tem alguém na linha? Alô? Quem é? Quem é? Quem é? Quem é? Quem é?

?Voz B

Quem não sabe? Quem não sabe?

?Voz C

Por alguém? Quem é? Quem é? Uma lágrima metida.

?Voz B

Alô?

?Voz A

Não entrou ninguém? Tá funcionando isso aí, Zacarias? Será que tá funcionando? Era para estar, né? Muito bem, muito bem. Vou tentar, vou tentar entrar aqui na plataforma. Não apareceu mesmo ninguém aí? Ninguém fala? Ninguém responde? Alô? Deixa aberto que vai que alguém entra, né? Vai, vai, salve, vai, salve, salve, sabe? Até o sanduíche.

?Voz B

Vamos ver se temos super aqui, ó, usar aí, Luquinho.

?Voz A

Eu tô tão feliz que você está aqui que eu acabei nem conectando as coisas que eu deveria conectar. Saudade, velho. Não, não, bola, porra, puta merda. E você ainda tá gravando? Você gravou a última gravação que você fez? Aí, ó, deixa eu ver.

?Voz B

Oi, Henrique, tudo bem, irmão? Ah, Boleta, prazerzão conversar contigo, brother. Prazer todo nosso. Tá falando da onde, xará? Montes Claros, Minas Gerais, terra do Galo.

?Voz A

Montes Claros, Minas Gerais. Que que você manda, hein? Sérgio Reis tá te ouvindo, Sérgio Reis tá te ouvindo aqui, cara.

?Voz B

Eu só tenho para falar para o Sérgio que meu avô faleceu em 98, ele tinha 90 anos de idade, e eu passava todo, todo ano ficava com ele na roça, que ele era fazendeiro, e eu cansava de escutar as músicas Sérgio Reis naquelas rádios AM Antigamente era maravilhoso, nostalgia escutar ele, não canso de escutar.

?Voz C

Como é que é o nome? Como é seu nome? Henrique. Henrique, é o Sérgio que está falando. Tudo bem, Henrique?

?Voz B

Como é que tá Montes Claros? Agora tá mais fresco, mas daqui é quente de manhã.

?Voz C

Aí é quente, mas eu vou aí comer aquela carne de sol É, Batista, como é o nome? Agosto a gente tá lá. Agosto. Em agosto eu tenho show aí.

?Voz B

Vai no show, Henrique. Agosto, cara. Quando é que nós estamos lá, Batista? Não, tudo bem.

?Voz C

Agosto eu vou estar em Montes Claros, com certeza.

?Voz B

Já tá convidado para ir no show.

?Voz A

Pronto, ele vai responder. Aí ele tá aí.

?Voz B

Agosto, já vai no show, Henricão.

?Voz C

Eu não sabia que tinha o show, mas já vou procurar ingresso. Boa! Aí, ó, já avisa o povo.

?Voz B

Então eu já vou postar no Instagram já.

?Voz A

29 de agosto, o show do Serjão aí, Monte Claro.

?Voz C

Eu fui para Salinas, passei aí por Monte Claro, fui para Salinas, que é pertinho aí, né, onde tá a cachaça.

?Voz B

Salinas não, cara.

?Voz C

Não aguento, que não aguento, que não aguento, que não aguento.

?Voz B

Vai tirar o Serjão, bicho, tá louco.

?Voz C

Eu tenho uma cachaça, para você ter uma ideia, que foi feita para mim aí em Salinas, é o Pinga de Mim. Ela, ela é, ela ficou 3 anos no tonel de carvalho e mais 2 anos num tonel de vinho do Porto. Vê se é ruim. Eu fui Que é essa para nós? É meia-lua, lambique meia-lua. E é uma maravilha porque eu mandei fazer as garrafas, vieram de Londres como se fosse whisky.

?Voz D

Olha aí, eu fiz um livro dele, da minha vida. Obrigado, Henrique. Vou mandar para você, carica.

?Voz B

Boa, boa. Eu não bebo não, mas eu tomo uma com ele com prazer.

?Voz C

Aí, ó, mas temos um golinho só para molhar o beijo.

?Voz A

E vou te falar, o homem é bom de churrasco, hein?

?Voz C

Pera aí, pera aí, que vamos começar de novo. Você não bebe nada de álcool?

?Voz B

Já desliguei na cara dele.

?Voz A

Já falou muito, bota uma pessoa aí, bota uma pessoa aí. Vamos dar esse privilégio para a galera.

?Voz C

Começa a beber, senão você vai morrer cedo.

?Voz B

Exatamente, irmão. Começa a mim para mim Saco.

?Voz A

Alô, é bom, é que leva uns 2, 3. Aí, quem tá falando?

?Voz B

Oi, é o Fábio. Fala, Fabião, tudo bem, irmão? Tudo bom? Que que você manda, meu velho? Eu sou Leandro. Ô, Leandrão, fala, velho.

?Voz A

Rapaz, eu sou o maior fã de Sérgio Reis.

?Voz B

Você fala de onde, Leandro? Camaçari, Bahia.

?Voz C

Ali no Nordeste. Pô, que legal!

?Voz B

O que que você quer saber? E você não?

?Voz C

timo! Como é o nome dele? Leandro. Leandro. Leandro. Léo. Leandro, abraço do Sérgio Reis para você. Manda um abraço para o seu pai. Como é o nome do velho? Cezílio. Cezílio, porra, nome bonito, né?

?Voz B

Prisílio.

?Voz A

Eu faço, irmão.

?Voz C

Não sou não, não sou não, não sou não. Fala, queria saber se ele fez alguma parceria com Jair Rodrigues. Aí, ele é muito amigo meu. Do Brasil, da música. Quando caiu, olha, eu, eu, o Jair Rodrigues gravou uma música que eu gravei do Pelé: abre a porteira que eu quero estar, saudade grande me faz chorar, abre a porteira que eu quero entrar. Eu ia gravar, o Pelé deu para mim, mas o Jair gravou na frente. Abre a porta, Jair, você entrou na frente, sacaneou aí, ele ria, falou: é, mano, você acha que eu ia perder essa boca?

Besta, ele era amigo do Pelé e foi Nova York encontrar o Pelé quando jogava no Cosmos, e o Pelé acabou não me dando nem autorização e eu não pude lançar, mas tenho gravada essa música. Tem gravado? Tem gravado. Abra a porta aí, cara. Fala aí, é ele que tá falando, Leandro. Rapaz, eu também aprecio muito whisky aí, mas para ganhar esse whisky Que whisky?

?Voz A

É cachaça? Já tá pedindo, tá pedindo bola.

?Voz B

Tá muito Zé Pidão, a gente desliga na cara.

?Voz A

É muito pedinte, né, irmão? Essa porra não é programa de benefício não, cara. Porra nenhuma. Porra, liga lá no PROCON, caralho.

?Voz C

Não vendo bebida, porra. Quem fala?

?Voz A

Oi, oi, oi, é o Gustavo, é o Gustavo.

?Voz B

Fale, Gustavão. Olá, tudo bom?

?Voz D

Boa tarde aí, bola, carioca! Boa tarde!

?Voz B

Que que você manda? Você fala de onde, Gustavo?

?Voz D

Fora da cidade de Salto, aqui interior do estado de São Paulo, perto de Dayatuba.

?Voz A

Salto? E tu? Salto?

?Voz D

E tu? Exatamente, exatamente, exatamente.

?Voz C

Fala, o que que você manda? Tem muito assalto aí?

?Voz A

Não, é o salto quando o rio, não é? É salto quando o rio, não é? O Rio Tietê, não é isso?

?Voz C

Isso não tem nada a ver, por causa de salto alto.

?Voz A

Conhece Barra Bonita? Conhece a Lapa? Você conhece a Lapa, irmão?

?Voz C

Conhece a Lapa toda. Mas faz a pergunta aí, Salto.

?Voz A

Aproveita que é o Sérgio Reis tá aqui, pô. Oi, pode falar, irmão.

?Voz C

O cara travou. Alô, estamos ouvindo, estamos falando. Tu é gago ou tá falhando a ligação?

?Voz A

Tá nervoso mesmo, brother. Ele tá se cagando igual o Sérgio Reno, avião desceu, cagando na asa.

?Voz B

Pode falar com calma, Gustavão, de boa.

?Voz A

Respira e fala.

?Voz D

Tá ruim a ligação? Confundir dele com ação?

?Voz C

Quando você transa com tua mulher demora assim também?

?Voz A

Bicho! O cara é nervoso demais.

?Voz B

Gusttavão, obrigado viu irmão, que até você falar vai acabar o programa. Um abraço Gustavo!

?Voz A

Ele meio gago eu acho... Tá vindo mais um telefone— Quem falou falou, quem fez fez lá.

?Voz B

Alô, alô, quem está falando? Aqui é o Washington. Fale, fala de onde, Washington? Eu sou de Piabiru, no Paraná. Boa, o que que você mandou, Washington?

?Voz C

Washington, tá ouvindo o Sérgio Reis aí?

?Voz A

Alô, peraí que tá morfético aí na minha vida presencialmente.

?Voz B

Foi um showzaço, realmente. E eu queria perguntar para o Sérgio o que ele mais sente falta na música sertaneja e se ele tem alguma história legal com Mazaropi, que eu também sou muito fã.

?Voz C

Tenho, tenho uma história legal com Mazaropi, sim. Quando eu lancei o filme Menino da Porteira, lancei num cinema aqui, chama-se Arte Palácio, e ele tinha que lançar, mas teve um problema com o copião do filme dele e eu tive uma semana na frente dele. O cara falou: "Ó, Sérgio, lança teu filme Menino da Porteira aí, depois o Mazzaropi vem e lança daqui uma semana." Na sequência. Só que o Conselho Nacional de Cinema, o Concine, quando você põe o público, um, por exemplo, o cinema tem 1000 lugares, se você puser 501, 502, 2, não pode tirar do ar o teu filme, tá?

Que você passou do limite. Então você alcançou sucesso. Menino da Porteira fez tanto sucesso, ficou 90 dias no ar, caraca! E ele esperando para botar o dele. Chegou uma hora que eu chamei o pessoal de lá, falei: olha, o Arte Palácio em cima tem a Sala São Paulo. Falei: olha, vamos tirar o filme daqui, vamos pôr lá para cima. Mas por quê? Vamos lançar Mazaropi. Fui no Mazaropi, falei: Mazaropi, eu vou tirar o meu filme do cartaz, senão vai ficar o mês inteiro aí, você não Entendeu?

Eu passo para sala de cima, ele falou: pô, você vai fazer isso? Claro, pô, respeito, que eu era muito fã do Mazzaropi, era um artista excepcional, ele que criava tudo, criador, uma beleza de pessoa, empreendedor, né? Empreendedor. E eu peguei, cedi a minha sala que era dele, eu só entrei ali porque ele falhou, mas só que o sucesso do filme foi muito grande e não podia tirar, mas eu fui, falei com Vou tirar e vou pôr na Sala São Paulo. Então ficou uma amizade forte eu e Mazaropi, tá?

?Voz B

Boa, Sérgio!

?Voz A

É isso aí! Vamos aqui para o Super Chat, bonitão!

?Voz D

Vamos lá, vamos lá, carica!

?Voz A

Vamos aqui para o Super Chat aqui, vamos lá!

?Voz B

Tum! Quebrou!

?Voz A

Tá rapidão essa plataforma hoje! Quebrou! Tá ouvindo aí, Isaac? Na internet? Ué, mas vou atualizar de novo.

?Voz D

Tem alguma coisa aí?

?Voz A

Oi, oi, não, manda outro link aí para mim ou não, Zach? Ok, vamos lá. Sérgio Reis hoje ao vivaço aqui no Ticaracati Cast. Algum bizil deu, mas vamos lá.

?Voz D

Olha o que tem ali em cima, bicho, um brasileiro com o peidozão.

?Voz A

Você tá entrando, o Zach, você sabe por que que é brasileiro aqui, ó? Explica para ele, Boleta, porque que tem um brasileiro.

?Voz B

Fala que a senhora namorou uma menina, ela tem filhos.

?Voz D

É o brasileiro de presente.

?Voz C

É o nosso brasileiro original.

?Voz A

Já vem com brasileiro?

?Voz C

Não, brasileiro, bicho, de presente. Já vem com brasileiro?

?Voz A

Não, bola. Já vem na hora.

?Voz B

Então aí, pronto.

?Voz C

Lucas Tumler enviou uma mensagem. Salve, Boleta e Carica! Agradeçam o Serjão por tudo que fizeram pelo saudade João Guerreiro. Não só eu, mas todos os fãs do João somos gratos ao Sérgio Reis e o Renato Teixeira por darem a oportunidade dele cantar no DVD Amizade Sincera.

?Voz A

Eita, tem Rio, enviou uma mensagem. Boa tarde, Sérgio. Boa tarde aí, o pessoal do Cala a Boca Cast.

?Voz B

Poxa, nunca mais nos encontramos aí nos aeroportos, não é, da vida, para tomarmos um cafezinho.

?Voz C

Um forte abraço no coração. Vocês são demais, todos vocês são demais. Tá aí presente o filho adotivo, foi um grande sucesso o seu, cara. Um forte abraço, um grande beijo, meu enorme respeito.

?Voz A

Os amores, meus amores, é bom, viu? É, olha, primeiro que falou da saudade que fizeram pela saudade do João Carreiro.

?Voz C

É, o João Carreiro, ele estava depressivo. Ah, é? E nós pegamos o João Carreiro, falou: não, você vai cantar com a gente no nosso DVD. Ele não acreditou, e dali ele deu reação de novo, reagiu para a vida, graças a Deus. Que bom! Já perdemos ele, teve um problema de saúde e morreu, mas o João Carreiro cantou no DVD e depois continuou a carreira dele.

?Voz A

É muito difícil isso, né, Sérgio, manter. Porque, por exemplo, você tá com 86 anos e tô fazendo show ainda ativo, são cara trabalhador. E tem uns artistas, né, que é muito triste porque o cara tem uma obra maravilhosa em vida, às vezes não reconhece, depois o cara morre, nego, porra, dá aquela moral, né. É o caso provavelmente dele, do Cassiano. É, exatamente, porra, o Cassiano, monstro, né, cara, tá ligado. O Cassiano, eu fico meio triste com, porque ver essas pessoas.

?Voz C

Você sabe o que me entristece?

?Voz A

Vamos lá, diga aí, Sérgio.

?Voz C

Quando esses artistas entram na droga, né, e morrem, morrem muito jovem. Por que Elvis morreu? Porque Whitney Houston, tem uma história minha com a Whitney Houston. Eu tava recebendo o Grammy, tava eu e o Jair Rodrigues lá em Los Angeles, na Califórnia, e quando jogaram, derrubaram as torres de Nova Aí nós ficamos no atentado, ficamos preso lá. Não teve o Grêmio, era na terça-feira, não teve. Então nós ficamos lá vendo o que ia acontecer.

Jato passando para cima e para baixo, ninguém sabia o que estava acontecendo, mano. Aeroporto fechado, tudo fechado. E nós ficamos lá. Aí eu tava um calor danado, eu falei, bom, eu vou aqui no shopping do lado de onde era, nós estávamos hospedados, então tinha um shopping. Eu falei, eu vou lá comprar uma bermuda. E tinha uma banca assim cheia de bermudas, né, que você ia lá, escolhia baratinho. Tô escolhendo uma, uma. Aí uma delas falou: não, não, não, não, não, essa não.

Era uma voz feminina falando para mim não comprar aquela. Quem era? Whitney Houston. É mesmo? Aí ela veio, eu falei: posso te ajudar, por favor? Aí ela escolheu duas bermudas para mim e eu expliquei, contei para ela que eu Eu assisti o DVD dela num porta-aviões quando os Estados Unidos nas Malvinas tinha um DVD dela cantando para os marinheiros dentro do porta-aviões. Um espetáculo! Eu conversei com ela 20 minutos lá, tive a honra de conversar.

Uma cantora excepcional. Para que morrer? Entende o que eu falo? Porque um artista desse morre. Então eu me cuido para isso, porque tem esses fãs que gostam que me acompanha. Eu tenho dois fãs que tem tudo que é meu, entendeu? Um Juliano, que é do interior de Minas, de Lavras, e tem o Rodrigo, que é de Ouro Fino. Tanto é que eu tenho o título de cidadão de Ouro Finense. No dia 10 de julho eu vou estar em Ouro Fino cantando você tá fazendo.

Que legal fazer show, você homenageado e tudo mais. Então é isso, eu me cuido para não morrer cedo, não, porque eu gosto da vida também, e porque não é uma traição que eu faria com meu público. Você tá certíssimo.

?Voz B

Até onde não dá. Boa, Sérgio!

?Voz C

Eles vão me aguentar até ficar velho, capenga. Graças a Deus! Com 4 bengalas, 2 na boca.

?Voz A

Tem que estar aí, Sérgio! Dando violão na turma. Tem que estar aqui, Sérgio, com a gente sempre. É claro! Vamos lá, mais um aqui. Vamos ver se agora vai. Aí foi!

?Voz D

William Campos enviou uma mensagem. Ticaracaticast, Sérgio Reis.

?Voz C

Cara, ele foi muito amigo do meu tio-avô Celso, morava ali perto da Voluntários da Pátria ali.

?Voz D

E o meu vô, que faleceu há 2 anos aí, jornalista do Globo, contava muitas histórias dele.

?Voz C

Eu amo esse cara. É demais, tem muitas fotos dele antigamente aí que meu avô deixou de herança aí para nós. Um abraço, Sérgio. Legal, precisa trazer essas fotos para a gente autografar e matar a saudade do avô, tá bom?

?Voz A

É o Celso, avô dele.

?Voz C

Olha aí que beleza!

?Voz A

Trabalhava, meu avô morava ali perto da Voluntários da Pátria. Ele era jornalista do Globo e contava muitas histórias Boa, boa, amigo. Que pena, essa saudade fica. Aí, ó, mais uma aqui, ó, diretamente dos Estados Unidos.

?Voz C

Olá, meu amigo, aqui é o Eloísio, super fã do Sérgio Reis, para mim o melhor de todos os tempos. Nós vemos em breve, parabéns para você.

?Voz B

Que bola! Muito obrigado, irmão.

?Voz A

É o Elo Júnior. Ah, é o meu amigo meu amigo, um abraço para ele, Eloy, meu querido Eloy, mora lá em Nova York.

?Voz B

Eloy, abraço, Eloy, obrigado.

?Voz A

Que voz, hein? Ah, mas essa voz é do "Um Meu Bicho" é o Aiyá, né? A pessoa escreve Aiyá, que ele escolheu a voz do Fábio.

?Voz D

A voz é falsa, você escreve.

?Voz A

É Aiyá que fala.

?Voz C

Esses dias um viado me ligou, será que era Aiyá ou era viado mesmo?

?Voz A

Pica em mim, nessa sauna tem goteira, pica em mim.

?Voz C

Não, falando sério, não tenho nada, eu tô ligado, meus melhores amigos são homossexuais. É isso aí, são profissionais, maravilhosos, maravilhosos, maravilhosos. Tem razão, nós tínhamos o Denner, o Denner, todos os homossexuais, quando eles entram para fazer, você vê que artista artista fabuloso que é o Neymar do Grosso.

?Voz A

Vixe, mano, é maravilhoso, maravilhoso!

?Voz C

Ele faz uma direção de teatro com iluminação, tem que admirar. Ele é maravilhoso. Eu acho que tem uma coisa, viu, muita gente é preconceito, então eles mostram que são capazes, mas que não era uma outra época, não, mas tem que acabar com isso, pô. Era uma outra sua vida, faz o que você quer.

?Voz A

Melhorou muito, Sérgio, da época lá atrás.

?Voz C

Pelo amor de Deus, nem pensa.

?Voz A

É isso aí, vamos lá, mais uma. Vamos lá.

?Voz B

Jociandre Barbosa enviou uma mensagem: Sérgio Reis é patrimônio cultural brasileiro, merece o respeito de cada brasileiro. Carica, tô gostando muito do programa, hein? Isso não é um talk show, cara. Obrigado por nos dar mais essa alegria. Bola, cara! Convida aí o pessoal para assistir o canal Presta ou Despresta aqui no YouTube. Forte abraço, rapaziada! Vamos assistir o canal Presta ou Despresta, por favor, tá? Obrigada! Aí, estão todos convidados.

?Voz A

Vamos ver se tem mais um aqui, porque ficou meio confuso aqui, rapaz. Atrapalhado? Não, não. Deixa eu ver se tem mais um aqui. Essa plataforma às vezes some umas paradas. Tá tudo certo. Acho que, acho que foi tudo, ou apareceu mais alguém aqui? Ah não, tá tudo certo. Boa, chega de superchat. Ô Sérgio, antes de— programa chegou ao final, né, Boleta? Chegou ao final. Agradecendo você pela audiência, belíssima audiência. É um prazer te dar um abraço.

Te conheci, além de ter ido nesse show lá nessa cidade que eu te falei, Obrigado. É Cordeiro, né? Eu te conheci também no churrasco que você fazia para a gente, para os artistas lá em Canela, na Festa da Música. Festa da Música, muito legal mesmo.

?Voz D

Não, não, não é, só tinha o nome, só o nome de um amigo, filha de um amigo, que eu fui muito lá.

?Voz B

Sérgio, puta merda!

?Voz C

A gente fizeram Rancho Sérgio porque ele tinha um restaurante que era de massa e quebrou. E era uma coisa de sapé. E ele pegou e falou: pô, Sérgio, restaurante não vai indo bem, que que eu faço? Eu tenho contrato com esse aí, com essa casa aí. Eu falei: Raul Cortes, que era da Cobran, Companhia Brasileira de Marketing. Raul, põe o negócio de sapé, monta um negócio de— você tá aqui na Vila Madalena, que é lugar de barzinho da noite.

Põe o Rancho do Serjão aí, porque eu era um sozinho na porta, bicho. Mas ele falou assim, pô, mas quem é Serjão? Quem que vai identificar que é Serjão? Depois, Rancho do Sérgio Reis, não põe Serjão. Eu tava andando a pé onde ele tinha o escritório, era perto aonde ele Eu tinha o rancho. Vamos lá, vou te mostrar. No caminho passou um taxista. Aí, Sérgio, sou teu fã, tá vendo? Eu achei que era teu também. Pois não, não era meu. Aliás, eu tô com tudo bloqueado porque ele vendeu para uns cara lá, os cara não pagaram funcionário.

?Voz B

Beleza. E era assim, onde você, como era, você não tem nada a ver.

?Voz C

Eu não tenho nada a ver. Já estamos com tudo bloqueado. Ei, Brasilzão! Não tem um contrato, não tem documento, não tem nada que eu possa ir lá. Eu nunca recebi nada, entendeu? Só era amigo do Raul Cortes.

?Voz A

Então vamos fazer um apelo aí às autoridades para que faça a coisa certa, né, gente? Termine logo isso, pelo amor de Deus.

?Voz C

Não, pego até o meu, meu, meu, é, eu sei como é que é, o meu, a minha aposentadoria de 3 salários mínimos, que eu comprava meus remedinhos, né? É isso aí, entendeu?

?Voz A

Aliás, vamos pedir para as autoridades que analisem com carinho.

?Voz B

Não tem nada a ver, gente, não tem nada a ver.

?Voz C

Mostra, manda um juiz mostrar para mim aonde eu assinei que tem meu nome lá, que eu era o dono.

?Voz B

Serjão pode ter 30 mil, Serjão. É, pode ser o do foguete. Vamos foder o do foguete.

?Voz A

Tanto Sérgio, o Sérgio, pra gente ir embora, obviamente nós vamos encerrar o programa cantando, você vai escolher a canção. Eu queria que você olhasse para aquela câmera ali, mostra o Sérgio aí, tô vendo.

?Voz C

O que que é?

?Voz A

Eu queria muito ouvir isso de você, eu adoro as pessoas mais experientes da vida. Eu queria que você deixasse a mensagem. Pois não, o que que é a vida para você?

?Voz C

A vida é tudo, a vida É, primeiro você tem que acreditar numa força maior lá de cima, um Deus, né? É aquela ali, essa aí, um Deus. Quem duvida, procure. São 8 bilhões de pessoas no mundo, não tem ninguém com a mesma identidade, nem gêmeos. É um mistério muito grande. Temos outras outras galáxias aí fora. Eu tinha um amigo meu, Enrico Pisani, italiano, que ele fez toda a parte eletrônica do Furnas. E um dia ele trouxe um italiano, amigo dele, que estudou com ele, para ver Furnas, que é lindo aquilo lá, Minas Gerais.

Eles estavam entrando no trailer dele, estava calor. Quando eles chegaram na porta do trailer, eles viram um disco voador enorme, enorme, Eles filmaram com Super 8, 1 minuto e 40. Filmar, Henrique, guarda, guarda, filma. Ele filmou aquele monstro andando assim a uns 2.000 pés, o céu tava limpo, e até chegar numa nuvem. Quando chegou na nuvem, a nuvem ficou cor de abóbora na hora. Depois acabou o filme, mas eu vi esse filme 10, 20 vezes.

Era tão grande que se ele pousasse em cima do Pacaembu, ele tampava o Pacaembu. Era uma nave-mãe, né? Claro, com certeza. Então não tenho dúvida disso. A vida é isso. Quem tá aqui existe outras culturas. Deus, primeiro lugar. E eu sou um cara que depois de tanta briga, tanto nervoso que eu era, hoje não sou mais. Você fica velho, você fica mais suave, mais tranquilo, tranquilo. Eu sou sereno. Boa, Sérgio. Eu não ando, não tenho— se pegar fogo no meu carro, eu não deixo apagar.

Não, vai apagar, deixa queimar. O seguro paga, eu pego outro, Eu não sou escravo de lata, nem famoso. Eu nem sei o quanto eu sou famoso. Sabe por quê? Essa semana eu fui no jogo do Palmeiras, né, Vinícius? O Vinícius é corintiano. Mas como ele falou, eu vou cantar para ele a música. Então, para você saber: Salve o Corinthians, que já não tem mais salvação, está quebrado. E último na seleção, não importa. Ele tem meus dois filhos corintianos.

Isso aqui é corintiano, dois filhos meus. Ele é corinthiano. Desgraça da família.

?Voz A

Tu fazia show do Levar para o Estádio, levaram no teu lugar.

?Voz C

Lógico. E eu fui no Palmeiras dele, foi porque ele faz um trabalho comigo, né, Vinícius? Vem aqui, Vinícius, vem aqui mostrar o teu neto. Teu neto mais velho foi aprender o que é bom, né, Vinícius? Morou 10 anos em Portugal, ficou esse ano com a gente. Gente. Fala ali no microfone, Léo.

?Voz D

Ai, ele deu uma—

?Voz C

nós fomos lá no Palmeiras. Eu queria conhecer, eu tenho o costume de conhecer os estádios de futebol. Legal. Eu moro em Portugal, visitei os estádios todos de Portugal, e a gente queria ir no jogo do Palmeiras.

?Voz D

Queria levar ele porque fazia muito tempo que você não ia, né?

?Voz C

Faz um tempinho. Fazia um bom tempo. Ele, ele já me levou em vários jogos do Corinthians.

?Voz D

Ele sendo palmeirense, já foi comigo, já foi comigo.

?Voz C

Me respeita, por favor. Sim, sim, nada a ver. Os cara legal demais. E Vampeta, puta, amigo meu, maravilhoso, tudo aí. Então eu acho que o futebol é isso, unir as famílias, né? Tem que acabar essa briga, essas guerras. Eu fui no Palmeiras, ele assustou da forma que as pessoas iam falar comigo na hora que tá chegando lá, aquele mundo, 40 mil pessoas, 50 mil pessoas. E os cara vinha, veio um, falou: 'Quer foto?' O cara falou assim para mim: 'Não, Sérgio, eu quero só te dizer uma coisa: você é um brasileiro que você é exemplo, você é um caráter que eu admiro você, sigo você pelo seu caráter.' Que legal!

São coisas bonitas que falam para gente. Então isso é a vida. E ele fotografou e filmou, mas tinha 4, 3, 4 corintiano lá. Nossa Senhora! Bora! Tem a turma do senta, cacete, palmeirense. Aí me puseram na equipe. Eu pensei que era do São Paulo. Não, puseram na equipe. Não, porque o cara levanta: senta aí, cacete! Entendi. É porque tá sentado para ver o jogo. Quando levanta, meu amigo, uma loucura! E nós ficamos lá assistindo o jogo. Agora que o Palmeiras ganhou de 4 a 1, né?

?Voz D

E do momento que a gente saiu do carro até o momento da gente voltar Voltar para o carro, né, depois do jogo, foram todas as pessoas que a gente cruzou vieram falar com ele.

?Voz B

Impressionante.

?Voz D

Embora uma hora, você que tiver noção que ele é muito famoso, mas nesse dia realmente eu tive a comprovação.

?Voz A

Porque você falou assim, meu avô é foda, pode falar.

?Voz C

É isso aí, foi bom, foi um momento gostoso. Então é isso. Então eu vou, como eu tenho show em todo o Brasil, ando muito.

?Voz B

Fala o show aí, Sérgio.

?Voz C

4 de junho 6 de junho em Cristais, Minas Gerais. Certo. Então viajando amanhã para lá. 6 de junho Rio do Sul, né, Santa Catarina. Certo. 3 de julho Aracitaba, Minas Gerais. Boa. 4 de julho Vitória, Espírito Santo. 10 de julho Ouro Fino, Minas Gerais. 11 de julho Anápolis, Goiás, junto com Almir Sater, eu e o Almir. 18 de julho em Lavras, Minas Gerais, Sérgio Reis e Almir Sater. 23 de julho, Cruzilândia, Minas Gerais. 24 de julho, São José dos Campos, São Paulo.

E 25 de julho, Bragança Paulista, junto com o Amir Sá. Tá com show, hein, Sérgio? Que beleza! E vai buscar, tem que trabalhar, buscar uns troco, mulher gasta muito.

?Voz A

Vamos encerrar com o Sérgio Reis. Obrigado, obrigado, um abraço para você. Amanhã, Vandellay Nogueira e Flávio Prado aqui. Vamos falar de Futebol, mulher. Brasil já chegou nos Estados Unidos. Vamos lá com Sérgio Reis. Valeu, galera, até amanhã às 14 horas. Vamos ficar com esse, com essa lenda aqui.

?Voz C

Vai, honra! Que música é?

?Voz D

Ando devagar, eita, porque já tive pressa.

?Voz C

E leva esse sorriso, porque já chorei demais. Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe? Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou nada sei. Conhecer as manhas e as manhas, o sabor das massas e das maçãs. É preciso amor para poder pulsar, é preciso paz para poder sorrir, é preciso a chuva para florir. Todo mundo ama um dia, todo mundo chora um dia, gente cheia e o outro vai embora. Cada um de nós compõe a sua história, cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz. Tá que pariu, velho! Valeu, Sergião!

?Voz B

Valeu! Que que é isso?