EP 816 - AS HISTÓRIAS DESCONHECIDAS DE SILVIO SANTOS - RICHARD VÂUN
Richard Vâun é apresentador, cantor e palestrante holandês que vive no Brasil há 30 anos. Ex-assessor artístico de Silvio Santos, acumula histórias e bastidores inéditos ao lado do apresentador. Hoje, compartilha essas experiências em palestras e entrevistas.
- O início da relação profissional de Richard Vâun com Silvio Santosaula de inglês para secretária de Celso Portioli·primeiro encontro com Silvio Santos·tradução de programas estrangeiros·Silvio Santos e o Big Brother
- A chegada de Richard Vâun ao Brasil e sua adaptação culturalsonho de conhecer o mundo·trabalho em navio de cruzeiro·primeiro contato com brasileiros·generosidade do povo brasileiro
- Silvio Santos como negociador e empresário visionárionegociações de formatos de programas·compra de filmes e séries·criação da Jequiti e o perfume de R$10·história do Boticário e os frascos de perfume
- A despedida de Richard Vâun do SBT e o legado de Silvio Santosúltima ligação de Silvio Santos·gratidão de Richard Vâun·Silvio Santos como mentor·continuidade do trabalho das filhas
- As manias e peculiaridades de Silvio Santos nos bastidoresnão bebia álcool·sorteava presentes caros·gostava de ditado por telefone·o microfone Sunrise·o bife no camarim
- A relação de Silvio Santos com o Pânico e outros artistasSilvio Santos fã do Pânico·tentativa de contratação do Pânico·Gugu e a ida para a Record·Silvio Santos e a Casa dos Artistas
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Rated PG-13. E aí, rapaziada, salve, salve!
Começando mais um TikTok.
Hoje é aquele famoso quando você consegue o, como é que é, o salto perfeito. Tem um nome, isso é carpado, né?
No meio do alvo. Como é que é o nome? Bullseye, olho do touro, olho do búfalo.
É isso aí, hoje tá perfeito. Entramos Às 14 horas em ponto, meu querido Marcos Queza. Chuva em São Paulo, El Niño comendo solto, tempo de bosta. É o El Niño, tá ligado, né?
O super El Niño.
Temos que trazer um cara aqui que eu conheci, um coroa, que ele tem várias— ele tem 60 anos de estudos meteorológicos no mundo e ele contesta o El Niño e explica por quê. Eu tava no evento da Canatec. Não, não tem nada a ver com terraplanista não. Não tem, não, é um cara sério, pô, um doutor, um cara bizarro. Eu esqueci o nome dele. Eu tava na Canatec com ele lá em Maceió, ele foi numa palestra para ele explicar sobre isso. Já anota aí, Júlia, me lembra aí, Renato, porque eu, eu vi com Fernandes lá, Michel, nosso amigo Michel da Canatec, e ele explica que a Terra Porque falam que o El Niño é, como é que é, é o clima, é o carbono, mas essas cagadas acontecem desde sempre.
Sim, não é um fenômeno que o homem, que o homem, o homem não é nada, é uma coisa da natureza mesmo, claro, da própria natureza. E não influi assim, ah, veja bem, nós estamos destruindo. Enfim, ele é contra, ele tem as teses. Vamos trazer ele, é um professorzinho, cara, com uma bengalinha, o bicho é brabo e ele tem bons argumentos. E ele pode, e ele pode esclarecer muita coisa aqui no Tica para gente.
Show de bola!
A gente que tem dúvidas, né?
Traremos.
Acho que a gente vai morrer com dúvidas, né?
Sempre, não tem jeito.
A gente não tem certeza de nada.
Não tem certeza.
Vídeo aí, ó, a certeza que nós temos aí, ó. Perdemos o Rick, né, o da dupla Rick e Leda. E pô, nossos sentimentos aí à família, aos amigos.
Fique com Deus.
As pessoas também que estavam ali, o videomaker, o outro piloto, o Ávila. O piloto e tudo, sabe? É uma coisa muito triste, né? Mas assim, eu tava em Santa Catarina ontem, Boleta, voltando de Florianópolis. Olha, foi a pior turbulência que eu peguei, viu? Desde que eu tô indo nesse um ano e meio nessa ponte aérea. Não, assim, o que é, o país atravessa, né? E o helicóptero, ele vai no teto operacional. O teto operacional do helicóptero, né, ele é um teto muito baixo, né?
E ali onde tava as instabilidades. E ir para serra, né? E é bom, a gente fica triste, a gente lamenta.
Fiquem com Deus, né?
Que Deus abençoe aí a sua alma e da família aí também, do Ávila, do videomaker. É, parece que ele era amigo do Pablo Marçal. Que coisa, é muito triste. E aquela coisa, né, velho, Ah, isso que me deixa louco, sabia?
O quê?
Acho que dá.
É, não arrisca, cara.
Vamos trazer alguém aqui para falar sobre isso aí.
Fernandinho.
Tudo bem que a gente não tem um relatório de CBIPA.
Ia ser bom pôr o Litão hoje, né? Mas o Litão tá se recuperando de jaguar.
Um beijo aí para o Litão.
Um beijo aí para trazer o Fernandinho, pô. Fernandinho.
Fernandinho é bom demais. Tem um outro caralho também que é bem legal. E a gente fica, a gente só lamenta, né? Porque tipo, porra, cara, meu Deus, que agonia, né, cara? 24 horas buscando, porra. A galera aí, aquela esperança, correu de madrugada querendo dormir, bolado também, olhando lá, vendo vários vídeos. Então uma situação assim de, cara, ai, é aquela, cara, é aquela merda do acho que dá. Eu acho que dá problema. Bom, tem que trazer o Comandante Hamilton aqui, né, cara?
Também, como isso é muito legal, hein?
Comandante Hamilton, ele é bom. Comandante Hamilton, acho que ele é o cara mais adequado para falar. Comandante Hamilton, é ele como piloto de helicóptero, ele pode ser um cara bem esclarecedor, né? Porque o piloto, ele é treinado até para tirá-lo a confiança, Marcos Queiroz. Sabia disso? Que o excesso de confiança atrapalha também na aviação. Enfim, fica aqui o nosso abraço, nosso carinho, nosso amor, nossas orações aí. É isso aí, pela alma do nosso querido Rick.
Um cara, né, uma deusa, uma louca, uma feiticeira, anos de carreira aí, um cara consolidado. E a gente fica, a gente só simplesmente, a gente lamenta profundamente.
Bom, a gente pede para que você inscreva-se no canal, curta, compartilha, avisa todo mundo. Tamo indo bem graças a vocês, graças a Deus. Obrigado, é nós.
Então temos carioca botando pilha, isso temos, temos em novembro em Fortaleza, temos em Recife, temos em São Paulo dia 4 de dezembro. Então já todos com os ingressos abertos, você já pode comprar seus ingressos aí. 14 e 15 de novembro, Teatro Rio Mar em Recife, Teatro Rio Mar em Fortaleza. E 4 aqui no Frei Caneca, bola.
4 de dezembro, Carioca Botando Pilha. Boa, tá certo. Ligamos um presente, Carica.
Opa, que presente é esse, boletar?
Tiara Palmieri.
O quê?
Comunicadamente, o livro que ela lançou aqui. Vamos ler. Muito obrigado pelo presente, valeu. Boa, Tiara Palmieri.
Tiara Palmieri tá lançando esse livro, Comunicadamente. É isso aí que te trava. Mas é uma, é um, vamos dizer, aprofundar.
Todo o livro é para os amigos da Zuzu.
É isso aí.
Obrigado, Thiara.
Eu queria mandar um abraço, Bola, Maurício Schwartz lá do Time Out Brasil. Todo mundo, Benjamin, eu tive com ele lá, rapaz, teve um churrascão. Tio Guga lá do Vacuno, rapaz, que não vem aqui também, né? Não, não é o Guga do tênis, Gustavo, é outro Gustavo, é o tio da Aline.
Tá bom.
O Guga Miroschka, um abraço. Foi uma festa sábado sensacional, que legal. Churrascada, já foi numa churrascada, Boletá? Já, ué, cara, coisa linda, né? Com essa carne pendurada, porra, coisa maravilhosa. Um beijo, Guga, beijo todo mundo aí de Florianópolis, foi uma festa fantástica. Um abraço ao Maurício, o Maurício que vai fazer a Feira Gostosa. Você conhece a Feira Gostosa, Bonita?
Que aí eu conheço a Feira Gostosa, qualquer feira é gostosa.
Não, mas essa Feira Gostosa é um encontro gastronômico com as principais barracas de comida, já sabe, de comida assim, comida gostosa, pastel. Isso, mas é uma feira Só de coisas de produtores artesanais.
Que legal, que legal!
Se quiser ir sábado, vamos junto.
Fala quando agora? Eu tô em Champs.
Champs de Fields?
Fields de Jordão?
Ah, é bonita aquela jaqueta, hein?
Gostou?
Já que a minha foi para o caralho, arruma uma para mim, pô. O motorista do Uber, devolve minha jaqueta aí. Eu tô com o nome dele aqui que me carregou. Rogério, você do Fiat aí que me levou ontem?
Eu deixei na mala.
Você sabe que eu botei minha jaqueta na mala com a minha mala? Porra, Gerão! Se puder me atender aí. Não, não, ele não tem culpa, a culpa é minha, pelo amor de Deus.
Mas vê lá, Rogério, vou ver se consigo falar com Rogério aí.
Rogério do Uber aí, valeu, taxista. Eu esqueci a jaqueta na mala, bicho. Se ele puder lembrar que é minha.
Ligando, você não atende?
Não, mas nem ele, é o sistema lá, tá ocupado. Mas daqui a pouco ele vai entrar em contato comigo. Eu falei assim, porra, bicho, eu botei no aeroporto um calor ontem. Eu falei, cara, Tirei a jaqueta, botei na mala, falei, porra, me lembra. Ele, não, não, beleza. Aí na hora de ir embora, peguei as câmeras hoje do prédio, tá lá, tá lá eu só com a mala lá. Eu, putz, eu queria checar, né?
Lógico.
Aí eu vi que eu decido checar, mas eu sou um rei de fazer essas bostas. Mas enfim, Rogérião, tô com— a gente se fala aqui, vai dar certo, ele vai encontrar minha jaqueta. Guardou com amor e carinho na mala do carrinho dele, tá bom?
Mandou bem.
Minha jaqueta que eu acabei de comprar, rapaz, puta que pariu, jaqueta zerada.
É o mesmo, nem o Richard acreditou em você.
É, o Richard tá aqui, né? Isso é um filho. Ontem foi aniversário do David Braga, nosso querido amigo David Braga, sangue bom.
Muita felicidade.
E hoje é aniversário da minha prima Marcelle. Um beijo, beijo, Marcelle. Parabéns, Marcelle Santos, minha prima querida do meu coração. Bom, estamos aqui diante, Bola, essa persona.
Ele é cantor, ele é cantor, ele é cantor, ele é tradutor, ele é apresentador, ele é humorista, palestrante. Não, tô brincando, o bicho é fraco não, velho.
Malandro, esse cara, bicho não é fraco não. Quantos anos lado a lado, tempo inteiro, com o Silvio Santos?
Direto 23 anos, diariamente, tá bom?
Do tipo assim, 1 da manhã, vem cá. Olha só, você vê isso aqui do nada.
Mas para tu me entender, você é de onde, Richard?
Holanda.
Você é holandês?
Holandês.
Como diabo você veio parar no Brasil, irmão?
Cara, é Holanda, é um país pequeno, né?
Mas é muito legal.
Eu falei para você, o título, rapidinho, cadê o nome aqui? O nome, galera, nome aqui.
Dá bronca no ar.
Eu dou bronca no ar porque, mas vamos, desculpa.
Imagina, a Holanda é um país pequeno, então já tá com o título, viu?
Eu sei que ele não sabe ver.
E o nome? Tá com título e o nome.
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É. Tá bom. É Richard Vão.
Richard Vão, vamos lá. Mas é, desde criança eu tinha um sonho de conhecer mais lugares, porque Holanda é tão pequenininho, a mesma placa que fala seja bem-vindo fala até mais. Então a gente, eu sempre falava para minha mãe, mas Holanda é muito legal.
Eu fui para Amsterdã, você foi lá? Achei tão legal. Eu não sou maconheiro, nada.
Não, nem eu.
Mas puta, que lugar legal, cara. Eu adorei aquela cidade, bicho. Engraçado, conhecia Amsterdã, mas adorei. Que lugar bacana, bicho!
É uma coisa estranha, não todo mundo, mas quando você fala da Holanda, automaticamente associa com Corinthians, Corinthians, Memphis Depay, mais amado, mamadão. Mas é que nem você fala, eu nunca usei droga na minha vida, nunca fumei um baseado, e eu falaria para vocês porque eu não tive tempo. Quando eu tinha 18 anos, eu tinha terminado meus estudos Fui dispensado pelo serviço militar. E aí eu vi um anúncio no jornal que eles estavam procurando garçom em navio de cruzeiro, puta merda, com salário de $5.000. Então fala para um rapaz de 18 anos que vai viajar o mundo, né?
Coisa ótima.
E aí eu escrevi, na época não existia nem email, eu mandei uma carta e eu fui contratado. Então com 18, ó, eu fui no navio, entrou no navio lá nos Estados Unidos. Aí eu fiquei uns 6 anos lá, e lá obviamente drogas é Altamente proibido. E eu não tive contato e nem bebo álcool, você acredita?
Nem toma um goró?
Não, não, não. Se eu tomar uma cerveja, não vou falar.
6 anos navegando hoje?
6 anos navegando.
Cara, fazia qual a principal?
O primeiro contrato foi com a Disney, com aquelas Disney Cruises que tinham as crianças, 200 milhões de crianças. E depois eu fui transferir muito bom para Aruba. E lá na Aruba, a grande vantagem que lá eu conheci os brasileiros, tá? Porque o navio saía de Aruba, fazia Jamaica, Saint Lucia, Saint Martin.
Aruba é delicioso, né?
É bom, é uma colônia. Orange Estado, exatamente.
Só chove 3 dias do ano lá, né? Você sabia? 3 dias do ano só chove lá, né?
É isso aí, exatamente. Aí lá em 1994, o Brasil implementou o Plano Real. Eu não sei, vocês lembram que $1 era igual a R$1? Então o povo viajou, né?
Eu viajei, primeira vez que eu fui para os Estados Unidos da minha vida. Olha, um, porque era um para um.
É, exatamente.
Eu peguei isso.
Imagina hoje de novo isso. Mas também o que vai ter de brasileiro nos Estados Unidos não é brincadeira, né?
Já tem, né, meu? Que o dólar é caro para cacete.
O dólar tá caro, né?
Hoje tá bem elevado, mas nada como 20 desgraçados aí para É, mas hoje em dia muitas coisas que a gente procura nos Estados Unidos agora já tem acesso aqui no Brasil, né? Eu cheguei em 96, me explicaram que o Fernando Collor, que foi o presidente que abriu o Brasil, ele abriu o comércio exterior, né?
Então hoje chegou aqui em 96.
96, por quê? Porque eu, como te falei, eu conheci no navio, no navio, e aí conheceu os brasileiros, os brasileiros, e aí eles sempre deram um cartão de visita tal, tipo, ó, se um dia você for no Brasil, tal, legal. E aí Nós pegamos um furacão.
Mas deixa eu entender, você já falava português?
Não, nada, nada. Eu falava obrigada com A no final, guaraná e frango. São 3 palavras, cara. Eu cheguei no Brasil com passaporte, $5.000 e 3 palavras de português. E aí nós pegamos um furacão e foi feio o negócio lá, quebrou os espelhos, bastante porcelana. Aí o comandante falou assim, ó, vamos ficar 2 semanas fora da da circulação, arrumar tudo, arrumar. Quem quer ficar aqui tem hospedagem e comida de graça, mas vai ter que trabalhar.
Ele falou não.
Aí um colega meu falou assim: vamos conhecer o Brasil, cara, que a gente conheceu bastante brasileiras, né? Eu percebi uma coisa logo de cara, que o brasileiro é o povo mais animado do navio.
Isso eu não tenho dúvida, rapaz.
Sabe quando você é holandês, você vem numa cidade que nem no Google Maps tem, e aí o brasileiro começou a fazer com guardanapos? Ai, ai, ai, ai, ai! E muito generoso com gorjeta, cara, porque meu salário era gorjeta, entendeu? O americano você tem que tipo assim se matar, puxa a saco, hi, good morning, hi, how are you, entendeu? O brasileiro você fala bom dia, ele já dá gorjetinha. E a parte fantástica da época foi o seguinte, o brasileiro, eu acho que até hoje é assim, se você faz um cruzeiro você já paga a gorjeta com antecedência, lá na hora da reserva. Mas o que que eles faziam? Então já tava pré-pago, você concorda?
Concordo.
Mas no final eles juntavam mais uma vaquinha. Então às vezes eu ganhava mais $500, $600 de um grupo de 30, 40 brasileiros, e me abraçavam, falavam um monte de coisa bonita que eu não entendia.
E são capazes de te matar num assalto. É esse o Brasil?
Não, não, não, não, não. Eu nunca fui assaltado no Brasil.
Que bom, que legal.
Nunca, nunca.
Que bom.
Juro por Deus, eu não A gente toma cuidado.
É, eu acho que depois de meia-noite a gente também não vai marcar bobeira, ficar ligeiro.
Não, não tem que ficar certo. Isso é Nova York, é a mesma coisa, né? Agora, uma coisa que eu queria falar sobre o gorjeta, que é uma coisa interessante. O gorjeta é o gorjeta, lá, gorjeta, é o tips, né? Você sabe que tips é uma sigla em inglês de to ensure proper service?
Não sabia.
Para assegurar serviço adequado. Então, americano, você pegou esse negócio, coloca aqui te dá um dólar, normal para eles. Agora, para um europeu e para um brasileiro, não é comum que você fala assim: pera aí, vou te dar $10 porque você carregou.
Não, a gente tem os 10% obrigatórios em restaurante agora. Agora sim, mas isso não tinha também.
Não tinha, não tinha. Mas tinha um grupo de passageiros, não dava gorjeta, cara.
De brasileiro?
Não, brasileiro não.
Ah, tá, tá.
Tipo povo de Canadá. Isso aqui passa em Canadá? Não, né?
Passa.
Não, não.
São mão de faca.
Mão de faca.
Ô canadense, vamos abrir a mão, pô.
Holandês também é mão de vaca, econômico.
O holandês e europeu em geral, ele é mais comedido, mais comedido.
Eu penso duas vezes, será que eu preciso? Será que dá para pinchinchar e tal? Mas lá tinha uns filho da mãe. Eu, os meus dedos era uma envelope, né? No final do cruzeiro entregava envelope com os dólares, mas meus dedos era tão afiados que eu colocava o envelope aqui, eu sabia só de tocar quanto que tinha dentro. É mesmo? Muitas vezes eu abri, faltava $200. Mas tinha uns aí, cara, eles pegavam um guardanapo, sabe aquele guardanapo meio vagabundo que parece uma folha de assar pão?
Não, aí eles colocavam Richard, thank you very much, God bless you, aí, ó, e me entregavam aí. Ou eles perderam tudo o dinheiro no cassino, ou esqueceram que tinha que dar $25 por pessoa no final do cruzeiro.
E a parte, o cara mandava um bilhete, um bilhete agradecendo.
É, e aí depois eu, 7 dias andando na gengiva, eu falo, thank you very much. Tem que agradecer, não pode falar nada, porque se eles reclamassem com o comandante que eu fui malcriado, aí eu ia perder meu emprego.
Empresa de cruzeiro que era? Disney.
Na época era Disney, mas é terceirizado, né? A Disney, ele contrata um serviço marítimo, Maritime Services, para cuidar dessa parte de catering. Então teve vez, mas aí voltando à generosidade do brasileiro, Eu reclamava com o metro e falei assim, putz, os cara lá não ganha nada. Semana que vem vou colocar 25 brasileiros na sua estação, você entendeu? Então eu não podia reclamar. Mas não existe um povo mais generoso que o brasileiro, não. Lá fora não, aqui eu não sei porque eu nunca trabalhei por gorjeta.
E aí você vê o Brasil, aí você vê o Brasil para conhecer, já que ia ficar parado, o navio ia ficar parado 2 semanas.
Sim, aí você vê para onde, vamos conhecer. Vem você e teu amigo, meteu o louco.
Exatamente.
Aí, sem falar português, com $5.000 no bolso, é, veio passear.
Não, esse é quando eu me mudei em 96, mas antes já veio aqui. Aí entrei em contato e tal, a pessoa me recebeu, foi me buscar no aeroporto, um desses passageiros e tal. Era um casal, ele era dentista e ela era psicóloga. Faz muitos anos que eu não tenho contato com eles. Me levaram para Caraguatatuba, para o Rio de Janeiro, para ver o Cristo. Não, por isso eu falo, cara, o brasileiro ele é povo mais receptivo do mundo. Não tô falando agora para fazer média, não, não, não, não, não, porque o brasileiro, obviamente, brasileiro adora gringo, né? Adora, adora.
Pode ver um gringo, já quer. É uma coisa do índio, né, brother?
Esse eu não sei.
Eu não—
é que o índio, o português chegou aqui, o índio já dava presente, já era uma coisa de—
pode ser, não, esse eu não sei, né?
O índio sempre tinha uma ou um pombo, um pombo com pena de arara, aí ele acaba de macaco.
É mesmo?
Não, é o índio sempre teve essa coisa de trocar presente, de presentear as pessoas.
Mas isso é que você falou, é verdade. Uma vez eu nunca me esqueço, eu tava na Jovem Pan, que eu tava lá, o Batista, ainda bem no comecinho do Pânico. Aí veio um moleque para cá, ele era filho do presidente do Carrefour. Falei, porra. Aí a Fernanda falou, sai com ele, leva ele passear. Eu falei, porra, onde eu vou levar? O perfil. Então levamos embalada mesmo. Esse moleque, ele ficou uma semana com a gente, ele foi embora, ele chorava sério, mas chorava.
Ele não queria ir embora nem foda. Que foi, cara? Pera aí, não quero ir embora. E o pai, não, a gente tem que ir. Moleque não queria ir embora, pá, meu. Comeu bem, rodízio de carne, não tá acostumado.
Não, isso é uma coisa, tá? Eu ia falar, me levaram no Restaurante, o cara vem com uma espada, eu até me recuei. Calma, vamos conversar, let's talk. Impressionante, cara, impressionante. E aí eles falam, é, como que fala, é carne para lá, carne para cá, você come até faz bico, entendeu? Incrível, é incrível, não tem em outro lugar do mundo. E olha que eu viajei, hein?
Esse moleque, ele chorava que ele não queria ir embora, bicho. Tipo, o cara é filho do presidente do Carrefour, é sinistro, né?
Mas Richard, aí você veio, passeou, voltou a trabalhar. Por que que você veio morar no Brasil?
Ah, porque eu me identifiquei, cara. Eu acho que eu falei isso para essa tua primeira vez.
Você ficou quanto tempo aqui?
Duas semanas. E aí eu voltei e aí eu falei, nossa, eu não sei se você já foi em algum lugar onde você se sente à vontade. A palavra é essa. Agora eu sei descrever porque eu falo português. Mas eu falei para minha mãe, mãe, eu acho que eu já fui lá uma vez, não sei. E aí, cara, Guatatuba lindo.
Tem muito holandês, você sabia disso?
Tem bastante holandês lá no Paraná, o Nordeste.
Não, não, Nordeste, né?
Ah, Nordeste, sim.
O Nordeste foi todo colonizado por holandês, brother. Portanto que eles estão lá nas Antilhas holandesas, lá que é Aruba, né, Curaçao ali. Os holandeses vieram também, eram grandes navegadores.
Tinha o Maurício de Nassau, né, que ele foi o irmão do rei na época, que parece que o Brasil pertenceu à Holanda durante um tempo. Mas o que que eu ia falar?
Dizem que forró é por causa dos holandeses, né, Bola?
Esse eu não sei, não sabia também. É do for all, depois virou forró.
Isso, para todos, né?
Mas o clique do brasileiro com holandês é maravilhoso. Eu nunca vi um holandês voltando daqui falando assim: ai, que merda esse Brasil! Não, não tem.
Porque depende, né?
Quem vai para o Rio, Rio se encanta. Quem vai para Bahia se encanta. Quem vai para Fortaleza se encanta. E por exemplo, lá no Sul, queira ou não, é muito europeu, europeia, europeizado, europeizado.
Será?
Ah lá, colonizado, colonização europeia. Vamos ser mais, Alemanha, tal, italiano, polonês, tem muito.
Eu fiquei um ano lá em Paraná, cara, em Curitiba parece que você tá na Europa. O povo, a educação, o asfalto, tudo mais.
O asfalto e tudo mais.
Aqui às vezes tem um asfalto, aqui tem vários buracos aqui, vários.
Mas vamos lá, aí tu veio morar para o Brasil que ano?
Esse 96, de um dia 26, vim para cá. E aí, mas você já sabia o que você ia fazer, Richard?
Você veio de louco?
Eu viemos de louco. Eu falei assim, quer saber, o comandante me garantiu, se você não gostar, você volta, eu guardo o seu lugar. Eu era o garçom do comandante. Qualquer coisa você volta, mas eu acho que tu vai gostar. Porque ele, o comandante, sempre ficava de olho nas brasileiras, né, que que embarcavam. Aí eu cheguei aqui, que que um holandês vai fazer que não fala além do frango guaraná? Obrigada. Então dá aula, aula de inglês.
Boa, exatamente. Aí eu peguei aqui numa banca no jornal, no jornal da Avenida Paulista, abri e tinha um anúncio em inglês procurando professor de inglês. Então eu entendi, olha que rua aí, Culano de Freitas, tal. E eu tava na Frey Caneca, peguei aquele mapa lá que internet não tinha na época, né? Era aqui atrás, fui lá, tal, total. Aí eu fiz um teste que chama TOEFL, não sei se você já ouviu falar. É Test of English Fluency Language, é para realmente provar que você fala inglês, entende inglês e tal.
E eu passei, e eles me fizeram um curso de umas 2, 3 semanas de como dar aula de inglês, porque não é simplesmente sentar e falar, repeat, I am, you are. Não, você tem que ter um método, né? Exatamente. Então, e eu comecei a dar aula de inglês para banco, Banco do Brasil, Banco Boston, Eles me mandaram.
O Celso Portioli foi teu aluno?
Exatamente. É mesmo? Não, não o Celso Portioli, a secretária dele.
A secretária do Celso, tá.
A Margarete. Aí quando eu cheguei lá, eu vi a, como chama aquele pôster aqui em tamanho real? É um display do Celso Portioli. E aí eu falei assim, eu já vi esse cara na TV. Eu não assistia TV brasileira porque eu não entendia, né? E aí Margarete e eu, ela queria aprender inglês, e durante a aula de inglês o Portioli veio lá, ele falou assim, tudo bem? De onde você é? Eu falei, Holanda. Ele falou, Silvio Santos quer falar com você. Eu falei, ok, amanhã.
Holanda do nada, puf, puf, cara.
Eu falei, tá bom, amanhã eu levo você lá no SBT. Ok. Aí eu cancelei.
Falava um pouquinho de português?
Aí já falava, porque isso foi em 98, tal, tal, tal. E aí quando ele fechou a porta, a Margarete falou assim, nossa, se o Silvio Santos quer aula de inglês, você vai cobrar R$100 a hora. Que eu cobrava R$30 a hora, não lembro, porque ele é rico, viu, Richard? Só isso que ela falou. Tá bom. Aí eles me levaram lá no SBT. O dia seguinte, quando eu entrei no camarim, eu falei para ele: ah, você é das bolas de bingo, do sorteio do bingo? E o Silvio daquele jeito falando: é, sou eu mesmo, das bolas de bingo.
Ele imita igual, né, cara?
Sem sotaque, né?
Se você vê, ele já fala um português meio parecido com o Silvio, de tanta convivência, né?
Que maravilha, né?
Ele fala meio Silvio, ele fala meio assim.
É você, pai. Melhor.
Não, imagina, você faz perfeitamente, hein, Richard?
Tem uns aí que consegue fazer. O Portioli também faz um sotaque.
Você é impressionante, viu?
Obrigado. Bom, aí eu sentei lá, tinha um sofá branco lá no camarim dele. Alice, deixa eu entender, você é da Holanda, né? Você fala holandês? Você conhece a televisão de lá? Sim, eu vou ter um programa lá, é uma casa, é uma casa que eles colocam pessoas que microfone, câmeras, filmem tudo que fazem. Eu falo, o Big Brother? É esse daí, é Big Brother. Eu conheço. Ah, é? Me explica esse programa, como que funciona? Expliquei, falei, as pessoas ficam lá confinadas, tal, tal, tal, e é eliminado uma por semana, tal.
Você consegue arrumar um tape para mim, para eu assistir? Porque é interessante esse conceito, nunca vi lugar nenhum. Eu falei, tá, claro, eu peço para minha família, tal. Ok, é só isso. E eu falei assim, e aula de inglês, não funciona, vai querer? Não, não, é só isso mesmo, pode sair. Aí quando o Silvio batia nas coxas, ele sentava. Ok, mais nada. Ele batia, pode ir embora. E aí eu saí de lá, falei, puta, eu cancelei duas aulas para falar com o velho, com o Silvio.
Perdi R$60, velho.
Perdi R$60, porque na minha época Aí ele falou, vai lá com a Dona Zilda, que é a secretária dele lá em cima. E aí minha mãe gravou uma semana de Big Brother, mandou as fitas, entreguei lá. Só que acontece, bola, se em espanhol, se em inglês, o brasileiro se vira. O Sílvio Santos falava inglês.
O holandês não tem como.
Não, o holandês não dá. Se eu agora, por exemplo, falasse neerlandês, não dá. Se eu agora falasse neerlandês, não dá. Se eu agora falasse neerlandês, não dá. Se eu agora falasse neerlandês, não dá. Se eu agora falasse neerlandês, não dá. Se eu agora falasse neerlandês, não dá.
Nem bu nem ba, menor condição.
Aí ele ligou, aí ele falou, ô Richard, eu recebi as fitas, não entendi nada. Eu entendi que tem dois apresentadores lá na Holanda, né? E aí ele falou assim, eu quero que você faz uma decupagem. Ok, uma decupagem, sabia o que que era. Foi, tá bom, seu Silvio, eu cuido disso para o senhor. Ok, mais nada. Aí eu fui buscar as fitas. E aí, o que que era decupagem? Traduzir, traduzir. É tipo assim, aí o apresentador falou isso, e aí o candidato fez isso.
Aí o cara, trampo, irmão. Foi dia e noite, cara, assim, trabalhei, trabalhei, trabalhei. Aí quando eu terminei, passei para uma aluna, a Sílvia, que para corrigir as coisas em português, porque eu falava, mas por exemplo, C cedilha, A tio, pelo amor de Deus, até hoje é meio complicado, né? E aí eu entreguei, cara, ele pirou, ele adorou. Ele me ligou uma semana depois, falou, Richard, eu tô ligando para você. Ele me chamava de Roger no início.
Ô, Roger, Ô Roger, eu adorei, muito bem, parabéns! Aí ele me pagou pelo trabalho e tal. E aí, o que que eu fiz?
Valeu a pena perder as aulas?
Valeu a pena, valeu a pena. Ele pagou bem, hein? Seu Silvio era muito generoso, viu, gente? E aí, o que que eu fiz? Eu comecei, ele também tinha câmeras escondidas, eu gravei algumas câmeras escondidas com Fernando Benini na época. Ele achou engraçado, pegadinhas, o holandês, né, que eles fizeram eu ficar na Praia da Sé. Eles pegaram um mapa do São Paulo. Não, mas aí eles fizeram assim, montaram uma praia no mapa, colocaram a partir do Viaduto do Chá, o Praia de Copacabana.
Então era Praia da Sé. E eu lá no 25 de Março, com licença, você sabe onde fica a Praia da Sé? E todo mundo, não, é Praça da Sé. Não, Praia da Sé. Aí eu mostrava o mapa, aí eu falei assim, da onde você tirou esse mapa? Eu comprei no Paraguai. Ah, então por isso. Ele fez eu cortar um zíper de um cara por R$10. O Silvio fazia cada coisa. Então eu comecei a ter um pouco de contato, né? E aí ele me chamou, eu conversei com ele, começaram a negociar com Endemol, porque o formato Big Brother é da Endemol. Mas aí não deu certo a negociação.
Eu não sei o que aconteceu, mas ele fez outra coisa aqui, o Silvio, a Casa artistas.
Mas aí quando eu cheguei lá, não esquece que o Silvio teve aquele problema de sequestro da Patrícia, depois ele, as Torres Gêmeas caíram. Então teve uma época que eu queria ter contato com ele, mas o tempo não permitia, né? Mas em 2002 ele entrou em contato que ele precisava de um tradutor. Ele falou, você, você fala o quê? Holandês, alemão, francês? Português mais ou menos, inglês, eu preciso de um tradutor. E eu comecei a trabalhar traduzindo justamente da maneira como eu fiz para o Big Brother os programas que vêm de fora, porque a gente tinha correspondente na Itália, na Espanha, na França, em todo lugar.
Ele olhava a televisão do mundo inteiro, entendi.
Exatamente. Formatos. E tem um programa no México que chama Sábado Gigante com Dom Francisco, e ele adorava esse programa porque nada se cria toda se copia, né? Mas não é sempre assim que ele, por exemplo, tem formatos que são inéditos. Mas brincadeiras, essas coisas, ele ficava de olho. Na Itália também, a televisão italiana e televisão brasileira é muito parecida, você entendeu?
Em termos de chupinha, muito era japonês, né? Japonês, lembra?
Jackass também.
Jackass, eu hoje não sei como que eu posso falar sem parecer arrogante, mas eu sou expert, cara. Eu consigo olhar, saber de onde que é, é tanta feio. Eu cuidei de 40 anos, muitos anos.
Ficou fazendo isso quanto tempo, Richard? Traduzindo as coisas para o Silvio?
Bom, na verdade, o tempo todo que eu fiquei com ele. É porque depois entra— ele tinha um assessor que se aposentou, era um americano. Ele falou, o nome dele era Rick Medeiros, infelizmente ele faleceu. Ele falou, Richard, tô precisando de um novo Rick para me acompanhar nas viagens, para comprar os negócios nas feiras. Tá bom. Aí ele me levou começou a me levar nas feiras internacionais. Primeiro era só eu e ele, aí depois as filhas também começaram a viajar com o Silvio.
É para poder, sabe aquele, a feira de mídia? Ele era o tradutor, né?
E em espanhol não, viu, Bola? Em espanhol ele voava, ele falava assim, parece que virava uma chave. Olha, nós temos, nós temos, mas em inglês, e aí às vezes ele ficava assim, que que ele falou? É $200 mil? Não, é muito. Você entendeu? Ele entendia, mas ele não tinha a precisão.
Isso, exatamente, a precisão.
Exatamente. Aí ele fala: não, mas fala para ele. Ele também me usava, né? Tipo: não, fala para ele que não tem interesse. Do outro lado, I'm sorry, he's not interested anymore. Não, não, wait, wait, wait, vou melhorar o preço. Exatamente.
Ele falou que ele aprendeu muito a negociar com o Silvio.
Imagino, né?
Ele era águia, né?
Eu vendo tua mãe com garantia por um precinho E compro também.
Porra, eu imagino que por 20 e poucos anos com homem, caraca, velho.
Ele era, como diz o outro, firme, forte nas negociações. E teve vez que eu falava assim, o Silvio, mas se for por um preço tão baixo, você vai perder. Ele falou, não, não, é ele que tem que vender, você entendeu? O interesse é dele, tá bom? E não é porque o cara aceitava Incrível. Teve vez, por exemplo, eu tava negociando e o cara: não, não, não pode ser bom. Eu tentava de tudo para fechar e o cara não baixia o preço. E aí, Seu Silvio, me passa o telefone dele.
Aí ele ligava: hello, é Silvio Santos. Aí ele falava meio quebrado, mas ia. O cara abria as pernas, é mesmo, fechava do preço. Aí eu falava: Seu Silvio, meu Deus, estou 2 meses. Ele: você não é Silvio Santos. O povo quer falar comigo, Richard.
Puta, que demais, bicho!
E ele comprava filme e tal, né?
É, nós fizemos uma vez um output deal. Output deal quer dizer que tudo que a Warner produzia, novela, série, filme, era nosso. Opa, perdão, era nosso, você entendeu? Se tem interesse ou não, podia passar se quisesse ou não. Exatamente. Na época, isso até dos anos 2002 até 2012, se não me engano, era também uma estratégia para que a Globo não tivesse acesso e a Record aos produtos bons. Porque teve uma época do Harry Potter, do Lord of the Rings, tinha umas coisas, se você não segurasse, a Globo ia pegar e o Silvio empeitava, você entendeu?
Então, puta, que legal!
Mas a mesma do AutoPodiu, teve umas séries que ele não gostava. Tem uma lá que era É aquelas investigação criminal, não, do médico lá com George Clooney e tal, ER, como é que chama, sala de emergência. Ah, ele não gostava muito de ver sangue, não entrar no ar, entendeu?
Curtia, não entrava, entendeu?
Mas na época ainda permitia essa situação financeira. Hoje você não pode deixar um episódio na prateleira porque é desapreciação, né, de então Puta, que loucura, né?
Então foram muitas reuniões assim, muitas reuniões.
Olha, você viu o Silvio quase todo dia então?
Todo dia. Quando assim, quando ele ia gravar no SBT, ou seja, na casa também eu ia, mas é mais no SBT. Ele gravava um dia sim, um dia não. Então tipo terça, quinta e sábado, tá? Mas ele gravava sábado, sábado ele gravava também.
É mesmo?
E aí, por exemplo, agora a única dia que ele respeitava muito era judeu, né? Era o Yom Kippur. Eu acho que foi antes de ontem. Ele, dia do perdão, ele não trabalhava, ele ficava em jejum. Mas o resto, véspera de feriado também, ele gravava normal, você entendeu? Então, mas acontece o seguinte, ele ligava logo cedo de manhã, ele acordava, fazia a esteira dele, né, o exercício dele na casa no Morumbi. Depois ele ia lá no Jassa para fazer o cabelo, unha, tudo mais.
E aí no caminho aí ele já ligava para Dona Zilda. E quando a Dona Zilda não tava, eu era secretário. Ele falou, Richard, quando eu chegar, quero falar com o Maciel, quero falar com fulano, não sei. E à tarde eu quero falar com— e a gente anotava e já avisava as pessoas. Olha, o Seu Silvio vai gravar agora das 10:30 até as 2, 2:10, você vai, ele vai querer falar com você no camarim. Então todo mundo descia no camarim, entendeu?
No finalzinho. No início era lá em cima mesmo, na presidência onde eu trabalhava. Então no final do corredor, mas minha sala era aqui no final da sala do corredor da sala dele, o povo ia lá sentar.
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Ele tinha alguma mania de comida, de bebida, alguma coisa de mania dele que a gente não saiba?
Tinha, tinha. O seu Silvio, ele não bebia álcool de jeito nenhum. Nunca vi ele bebendo uma cerveja. Não, não, não senhor. Quando ele ganhava Por exemplo, as pessoas davam um gravador, ele sorteava no auditório, entendeu?
É mesmo?
Sou bem blando, né, manda a gente sortear. Esse seu, esse vinho é R$800, quem quer vinho?
Nossa, velho.
Eu nunca vou esquecer que a Hebe Camargo ligou uma vez pra Dona Zilda, ela falou, Zilda, é o secretário do seu Silvio, é o aniversário do Silvio, o que que eu vou dar pra ele? Ela falou assim, olha, Hebe, aí eu tava pensando em dar um relógio, aqueles nomes, sei lá, não fala o nome, Hublot, sei lá, Patek Philippe. E a Dona Zilda, que trabalha 60, 50 anos com ele, falou assim, olha, Hebe, o que ele gosta é uma gravata, uma gravata para ele usar no programa, tal, a botuadura, a botuadura madura assim, pode ser do Mickey Mouse, ele gostava, tal.
E a Hebe falou assim, ah, convenhamos, né, Dona Zélia, eu vou dar uma gravatinha para o Sílvio. Mas ela mandou um relógio, ele mandou sortear no auditório. E a moça queria ganhar uma Telecena, ganhou um Philippe Patek. Falei, o que que é isso? Você entendeu?
Nem entendia.
É, ele sorteava tudo.
Que que é isso, cara?
E também coisa que eu ganhava às vezes, porque era obrigado a falar o que que eu ganhava de brinde. Se é uma caneta, se é um—
como assim você ganhava?
Você era obrigado a falar se tivesse Eu vou lá, eu te dei um presente.
Eu era obrigado a falar para ele, fosse o Silvio, ganhei uma moldura digital, que na época, gente, era um luxo, né, da Fox. Ele falou, tá bom, pode deixar aqui no camarim. E aí ele ou ficava para ele ou ele sorteava na Auditório.
Não, mas é porque para não fazer média, para não corromperem.
E ele também falou para mim assim, se um dia alguém oferecer alguma coisa para você, você me avisa, tá bom, que eu te dou em dobro. Deu, mas nunca aceita nada de ninguém. Não pode ter maracutá. E você, meu, eu não sabia o que que era maracutá, e ele falou que é confusão, tipo, não pode aceitar roubo, vai, é suborno. É, exatamente, não pode. Então eu nunca, graças a Deus, nunca recebi.
Então, mas o que eu recebi, que era um pouquinho, a produtora mandava assim, ah, o Silvio tá não sei o quê, vou mandar um negócio, vamos agradar o assessor dele, manda um vinho, manda um negócio. Aí você, tudo que você recebia, você mostrava para ele. Aí eu entregava, ele não deixava você ficar com nada. Não, não deixava.
Não, sim, sim. Por exemplo, o que que eu ganhei uma vez? Tipo um Walkman, uma coisa assim. Aí tudo bem, você entendeu? Mas ele olhava e ele falou: não, não é isso aqui, obrigado, Richard. E ele deixava aqui sortear para turma. Exatamente.
Que loucura!
Mas não tá justo isso. Eu acho que hoje em dia, na época não existia compliance, mas hoje em dia tem compliance. Você não pode ficar aceitando.
Não tem não. Que isso?
Na época não tinha.
Hoje em dia também não, não tem.
As gravadoras, a gente trabalhava em rádio, né?
Era o famoso jabá.
Não, eles davam sacolinha com suprimento, que era o CD, como sabe, ai, vai ter uma viagem, não sei o quê, né? Eles vinham, né? Ai, tem ingresso para o show para você assistir, né? Demais, é um agrado, né, para manter ali uma conexão, né?
Eu lembro que, por exemplo, a Fox, jabá, né, bolão?
Bom e velho jabazinho.
Não, jabá eu não conheci. Eu, por exemplo, Fox ou Warner às vezes falava, Richard, você quer jantar com a gente? Aí o Silvio, não, você não vai. Eu não vou estar, que que você vai falar, né? Você entendeu? Então eu não aceitei, eu não aceitava. Não, eu ia lá no Subway mesmo comer meu lanche à noite.
E você ia para Orlando com ele, com Silvio, lá quando ele morava lá?
Não, em Orlando não. O que que ele fazia às vezes?
Não, não senhor.
Não, ele ia lá para Orlando, ficava com a família dele, e aí ele emendava por exemplo, com Los Angeles, você entendeu?
Aí você ia para Los Angeles, e o diretor de Los Angeles.
Exatamente, entendi. E também eu não queria viajar no mesmo avião com Silvio, porque eu pensei, se um dia cai, eles vão falar assim, morre Silvio e outros. Eu não queria ser outros, entendeu? Eu queria ter o meu nome, meu próprio nome. Então, não, tô brincando.
Mas ele te ligava de lá do Jorlã?
Ligava, ligava.
Quase todo dia ligava pedindo coisa?
Não só para mim, mas para outras pessoas também, você entendeu? Ele fala, ô, Richard, eu tô assistindo aqui Univision, teu programa é muito bom, que chama Primeiro Impacto.
Já veio para mim já.
Exatamente. Aí a gente anotar, ele assistia.
O porquê que da onde vem o Primeiro Impacto, né?
Alarma TV, você lembra essa confusão que deu uma vez, cara? Alarma TV, ele viu lá, acho que é na Venevisão, não lembro onde que era, e ele mandou comprar todo, era 200 e não sei quantos cassetadas de episódios, mas eram vídeos fortes de motoboy decapitado, avalanche levando casas. Então, e quando foi pro ar, alguém lá, eu não lembro quem publicou na internet, mas, ah, o Richard Vão é o maluco atrás do Silvio, como se eu tivesse o poder, né, carioca, de eu falar pra ele, põe isso daí, é bom. Não, não, não, não.
Você só traduzia, né, irmão?
Exatamente. Não, eu podia dar minha opinião, tá claro? Fala, Silvio, tem um programa tal, tal, tal, tal, por exemplo, The Voice. Eu tentei, tentei, tentei, mas ele não queria, ele não queria The Voice. Eu tava na Holanda e aí eu falei assim, Silvio, tô assistindo, liguei de lá da casa da minha mãe, tô assistindo um programa aqui que a pessoa tá cantando, mas você não tá vendo quem é. Aí você aperta um botão, a cadeira gira, impressionar.
Isso não é, não é bom. Não, eu já fiz isso uma vez. Eu falei para Dona Zilda, ele fez isso no passado, porque aí é plágio, né, que é da Endemon. Mas eu falei, não, Richard, no passado ele fez um cantor com saco, e aí você tinha que adivinhar quem é que tava cantando. Eu falei assim, ah, não, não, mas ele não. Agora o SBT tem, você entendeu? Mas a Globo pegou, a Globo pegou. Então nem sempre eu consegui convencer ele.
Não, não, é, não teve alguma que você conseguiu convencer?
Olha, ele gostava era Roda Roda que a gente oficializou, porque ele tava fazendo rola entrando, rola rola trando, rola trando. E aí ele rolou, não, e aí eu sabia, essa daí. E aí ele comprou The Wheel of Fortune, a Roda da Fortuna, a Roda Roda. Ele comprou os direitos, comprou os direitos e começou a fazer primeiro com Chevrolet e depois com Jequiti, né?
E Show do Milhão?
Show de Milhão foi uma pessoa que viu essa ideia e ele adaptou.
Pensa no Quem Quer Ser Milionário lá fora.
Ele paga o direito disso aí ou não?
Não, porque na Globo é, passa na Globo, você não faz, né? É da Sony hoje em dia. Hoje em dia. Agora, a versão que o SBT criou, que na minha opinião é muito boa, virou uma versão em si, você entendeu? Com universitários, então que o Silvio fez algumas mudanças. E não, Show do Milhão é muito bom, é muito Caso dos Artistas também foi muito bem bolado.
Ele fez que ele não conseguiu fazer o Big Brother.
É, ele não queria, de acordo com as exigências dos holandeses lá.
Ele chegou a fazer reunião com os holandeses, foi, foi, foi.
Ele mandou gente para Holanda. Eu não, na época eu não trabalhava ainda lá, mas negociaram até e não fecharam, não.
E hoje a Globo é um sucesso bizarro, é o país do mundo que mais tem Big Brother Brasil.
E ele gosta. E ele sentia falta de fazer a Casa dos Artistas de novo, você acha?
Sentia. Mas aí realmente foi na justiça, aí ela proibiu, proibiu, proibiu. E depois o SBT fez um acerto lá, agora tá tudo certo, mas ele não podia mais fazer porque não faltava gente que falava: Silvio, volta para Casa dos Artistas, né?
Aquilo era muito bom. E ele era maluco, ele atendia o telefone no ar, né? Alô, quem é? Você quer que fique ou saia?
O Silvio era demais. Eu falo aqui, eu brinco, eu falo, uma das únicas pessoas, quando a gente foi receber uma vez o troféu, primeira vez que eu recebi a imprensa, que a minha perna tremeu. Ele chegou, eu, cara, é o Silvio, mano, tá aqui fodido, velho.
Bola, eu vou te contar um negócio. Durante esses 23 anos eu recebi muita gente que ia falar com ele, e a gente tinha que fazer um pequeno trabalho preparativo porque Hoje eu estou falando do Silvio Santos nos bastidores. Aquele da televisão todo mundo conhece, aquele caiu na água, não tem mais uma imagem que o povo brasileiro não viu até agora. Mas nos bastidores, quando você entrava no camarim, ele comia aquele bife lá, ou ele tava se vestindo e tal.
Mas teve pessoas que você falava, bom, daqui a pouco você vai falar com Silvio Santos, tá, não sei o quê, você vai querer tirar uma foto. A gente preparava Quem falou pra gente aqui?
Ele tinha, você falava, ó, não encosta nele, é isso, não faça isso. Mas chegava na hora, ele deixava fazer tudo, deixava.
Eu nunca falei isso, tipo, não encosta nele.
Quem falou pra gente aqui, Carica? Puta, alguém que veio aqui convidado falou que a gente foi no SBT. Não, tem um briefing antes, vai chegar, você fala, compra, fala oi, não encosta nele, não encosta nele, não tira foto, não usa perfume.
Não usa perfume, é verdade, perfume ele tinha, ele tinha perfume. Ele tinha alergia, ele ficava com o nariz coçando e tal. Mas eu, quando eu recebia uma pessoa, seja alguém que mandou uma carta que ele queria conversar, eu levava primeiro para sala dele lá em cima, a pessoa tirava uma foto na cadeira dele e tal. Tem muita gente até hoje, a gente tá obrigado que eu tirei uma foto na cadeira de Silvio Santos e tal. Mas quantas vezes, Bola, a gente abria a porta do camarim, quando a pessoa via Silvio Santos, ela fechava? Ela ficava assim, você é a bola?
É bem isso mesmo, impressionante.
E aí eu tava sempre lá para falar, bom, então aí ele falou, bom, ok, é você, eu vou ter que gravar, você quer tirar uma foto com Silvio Santos? Vem para cá. E ele quebrava o gelo e tal, mas tem gente que fechava e depois que sai do camarim começou a chorar. Quantas vezes ia acontecer isso? As pessoas ficavam na presença do Silvio Santos, minha perna tremia, velho.
É, ele era sinistro, ele sempre foi, né?
O que você fez com a música? Fez muito mais coisa aqui.
Não, e eu fiz aquele programa com ele que viralizou horrores, né?
Qual?
Que eu faço imitações.
Ah, sim, sem dúvida.
Já viu esse aí?
Já. Ele, eu inclusive eu falei, ele era muito fã do Pânico, viu, Bola?
Olha essa história, ele contou, ele foi na Jovem Pan para levar o Pânico. Ele queria, não, mas ele vai contar aqui, ele tem, ele tem as quentinhas.
O Será e o Vesgo foram atrás dele lá em Los Angeles.
Lembra disso?
Eu tava lá no hotel e aí eu falei assim, o Silvio, o povo do Pânico tá lá. Ele falou, ah é? Tá bom.
E aí ele foi falar, tá na internet, ele nunca deixou de falar com a gente.
Não, nunca. Não, ah, entendi.
Ele saiu do Jace, ele falava com a gente.
Não, só quando foram na casa dele ele ficou puto.
Foi invasivo.
Aí ele ficou puto. É, caralho, parabéns, levou o bolo.
Ele tá de férias, pô.
Não, teve um momento que realmente eu também às vezes precisava ligar, e aí ele achava inconveniente, ou ele tava numa reunião com outra pessoa e eu não sabia. Então, mas graças a Deus, quando o Silvio, seu Silvio, ele era muito— se você seguir as regras dele, você vive para sempre com ele. Se você inventar, não, entendeu? Então eu também já tive: ô, Richard, daqui a pouco eu te chamo, não fica ligando para cá não. Tá bom, não tem problema nenhum.
Entendeu? Entendeu? O Silvio, ele tinha muito isso, mas ele gostava do pânico. Gostava do pânico, ele queria contratar o pânico.
É, teve uma época que foi atrás, foi atrás. Lembra que vocês foram para o Gugu, o programa Domingo Legal?
Lembro.
É que mais bateu audiência. Eu acho que quando, como chama aquele lutador belga lá, o Van Damme, Jean-Claude Van Damme, deu puto de audiência. E quando o pânico foi lá, tanto é que no dia seguinte o Romero Sales e o Gugu estavam na minha sala, falou, Richard, vamos procurar formatos para incluir esse tipo de programa que dá muita audiência.
Então o Gugu também era muito fã, que legal, ao ponto que o Gugu saiu do SBT, foi lá no Pânico.
Verdade, foi mesmo.
Lembra que ele foi lá na RedeTV? Ele foi lá na RedeTV, ele foi lá, ele saiu do SBT e passou lá no Pânico depois, né? E deu uma puta audiência isso aí. Eu me lembro que a gente ainda tava lá fora, que a gente tava sem cenário.
Lembra disso?
Lembra que a gente tava meio sem cenário e o Gugu apareceu lá reformando o piso? Lembra que a gente fazia o programa na rua? Ali no estacionamento da parabólica ali, a gente fazia o programa ali, cara.
Meu Deus, reformar o piso, lembra?
Não, fazer o cenário.
Não, e o piso também que tinha fodido, iam reformar tudo.
A gente fazia isso, a gente fazia o programa no estacionamento, cara.
Lá nós pegamos a Chocando Ovo do Avestruz, pô, a japa.
Ah, eu lembro, eu lembro, eu assisti.
Foi lá fora, cara.
É tanta coisa que eu nem lembro.
Não, é obviamente 23 anos com Silvio Santos, eu tô contando umas histórias que eu lembro, mas são milhares e milhares, alguns bem interessantes, eu concordo, outros nem tanto. Por exemplo, uma característica dele é quando ele ligava num ramal especial dele, tinha um ramal que a partir daí a gente transferia para o mundo, tinha que atender no segundo toque. Era SBT, boa tarde. Se não atendesse, no terceiro ele fazia: por que que demora tanto?
Você entendeu? Eu, uma vez que às vezes eu fazia xixi na sala dele, eu andei com calça no joelho. Olha só, Sem dúvida, entendeu? Que tinha que atender no segundo toque. Ah, sem dúvida.
E tirando o bife, que mais ele gostava de comer, irmão?
Ah, ele tomava café com leite no camarim, uma torrada com queijo e um bife frito, você entendeu?
Todo mundo fala desse bife que ele fazia na hora ali, né? Ele era um filézinho mignon, era o quê?
Acho que era filé mignon.
Ele fritava o bifinho e comia fininho.
Exatamente.
Tinha uma secretária, ele não fazia o bife, né?
Dona Raimunda é a camareira.
Ele botou a Raimunda para fazer.
Outro dia ela, acho que ela foi no Danilo Gentili e lá mostrou, né, como que ela fazia tal. E Dona Raimunda também, ela cuidava da roupa dele e tal.
Camareira, camareira, exatamente, camareira do senhor.
Outra coisa absurda é aquele microfone dele, que só ele tinha aquilo, só ele que tinha.
Agora aposentou, né, tal.
Mas ele durante anos, ele lembra que o Ceará viajou, tentou comprar, ele só tinha, a gente não achou no mundo inteiro.
Agora você consegue até comprar no Temu, mas na época não é o top.
Era Sunrise.
Exatamente.
Ele só tinha um?
Não, tinha dois.
Sabe de onde que ele tirou aquilo? Não. Por que que ele usava?
Ele adaptou.
Mas por que que ele, para ficar com a mão livre, né?
Sim, exatamente, para ele poder fazer o quê?
Botar o botoque no peito.
E eu sei que ele pegava na mão para entrevistar você. Como é que você chama?
Ele queria, ele queria E quem cuidava desse microfone era o seu Joaquim, que é uma pessoa especial que cuidava do som. Só ele, só ele, entendeu? E o Agnaldo cuidava do som geral do programa, né? Outra coisa que o seu Silvio gostava de fazer é ditado por telefone. Ele falou, Richard, nós temos que mandar uma carta para Warner. Anota aí: querido Warner, querido Warner, apesar de não sei o quê, não, lê para mim o que que eu falei.
Ele gostava de fazer ditado Exatamente. E aí, leia para mim o que que eu falei. Eu falei, querido Warner, apesar dessa aqui— não, não, não é bom. Querido Warner, ficava uma hora e meia no telefone. Ou ele passava no fax, tudo era por fax, ele achava que era email. Ele falou assim, eu te mandei um email. Eu lá, F5, F5, F5. Não chegou aqui. Aí a Dona Zila falou, chegou um fax. Ah, recebi aqui o email.
Mas Ele escrevia com lápis e não saía nada direito.
Com lápis não sai nada. Eu ficava assim, olha, se o senhor escreveu aqui é 200 mil, não é 2 milhão e meio. Ah, tá bom. Aí eu tinha que, puta, cara, puta, que trabalheiro terrível.
E os carros, ele tinha filme com os carros, não tinha também? Carros, os automóveis deles, tinha uns Lincoln com a capota verde.
Tinha, tinha o Lincoln. Esse foi antes da minha época. Eles falaram que ele viu alguém lá nos Estados Unidos, eu acho que foi Jack Nicholson, que tinha um, e ele queria um, e tá lá no SBT, né? Então, é verdade, depois do sequestro ele não usou mais porque todo mundo sabia que é um Lincoln branco com capô.
Eu já trombei com esse Lincoln na Marginal. É mesmo?
Já.
Ele dirigindo?
Ah, como é que eu vou saber se era ele? Ele dirigia, ele dirigia provavelmente, mas eu já trombei. Mas eu lembro do Silvio com Passatão, Passat azul, detalhe, com a blindagem toda delaminada, velho. E o caralho, eu vi o Silvio uma vez lá, eu olhei o Passat dele, porra, a blindagem toda delaminada, bicho. É verdade, não era toda descolada?
No jato você chegava de homem, mas é, mas ele blindado, e ele gostava porque dirigindo não ia segurança. Não, e o cara, que porra é essa?
Ele tinha que fazer os CD para o Silvio, sabia?
É, como assim?
O seu Silvio na época, aquele CD-R com música, né, CD de áudio. Aí eu, aí ele falou assim, põe umas músicas boas eu escutar no cabio era Júlio Iglesias, o Rei Koneff, o James Lust, Roberto Carlos. Era muito fã do Roberto Carlos. E assim, ele chegava no SBT, tudo feliz. E quando ele ficava no escritório também, ele escutava. Ele gostava de fazer jogo online também.
É mesmo?
É, mas não de bets, mas assim, um joguinho, sei lá, paciência. Ele gostava. Ele gostava.
Que loucura, cara!
E para negociar com os artistas, como é que era?
Então, ele chamava o artista, né, e ele fechava a porta. Esse era só ele. O único que entrava era o Dantino, era um advogado, o Sérgio Dantino. Isso inclusive não tá mais entre nós, mas ele representava, acho que Galisteu, Hebe e tal. Eles entravam naquela sala e fechava a porta. Aí eu nunca participei Não, não, não, você entendeu? E Televisa também, essas novelas, era ele mais que recebia o comitiva da Televisa, que vem tudo do México, e ele falava com ele, e aí depois ele falava para mim, é, o Richard, eu fechei isso, isso, isso, isso, isso, só para ter certeza que os caras não ia acrescentar mais coisa que eu não sabia que foi falado.
Então teve coisa que— e lá na feira, olha, por incrível que parece, quando ele queria falar com alguém, sei lá, um John Garcia da Warner, um Eli Waba da Fox, ele falava assim, vai para o seu quarto, já já eu te chamo. É que nem um pai. Aí eu voltava para o meu quarto lá do hotel, ficava esperando. Pode descer, tá bom? E eu descia lá. E o que ele falou com os caras, não sabia, você entendeu? Mas eu aprendi depois de muitos anos que é o que eu não sabia era melhor para mim, cara.
Porque depende da coisa, ciumeira lá no SBT não é fraco não, era muito ciúme. Eu teve vez que eu achava que meu avião ia cair. O mais perto que você fica do fogo, cara, eu ficava entre a diretoria e o dono. E aí, você entendeu? Eu não podia falar o que que a gente tinha comprado, mas eu, no outro lado, eles precisavam saber tanto previsão orçamentária, de produção, tem que contratar mais câmera, menos, não sei o quê. Aí eu ficava naquela negócio, tipo, até onde?
E você perguntava para o Silvio, Silvio, eles estão querendo saber Não, ele falava, não se preocupe. Por exemplo, Fernando Pelégio, aí ele foi diretor artístico, trabalha comigo hoje. Ah, então. E aí eu passava um relatório tal, mas assim, pelo amor de Deus. Ah, porque senão ele ia ficar, você entendeu? E muitas pessoas falam assim, ah, o Richard, ele é privilegiado. O Richard, mas não era, cara. Quem trabalhava com o Silvio era pompom nani nani. A gente não tinha privilégio nenhum, tinha mais obrigação, inclusive.
Como é que é o Super Nani? É boa a ideia, o Super Nani?
Super Nanny, outro programa legal.
Eu vi lá na Inglaterra, né, que lançou lá, tinha aquele que não sei que modelo de carro que é, mas parece um táxi preto lá, aquele Chrysler, Chevrolet, que ela andava com aquele carro especial. E ela era uma mulher que colocava uma criança no tapete de castigo, não sei o quê, que sentava com criança: você não concorda com a mamãe? Você entendeu? Só que no Brasil é para o chão de orelha. Então quando eu mostrei essa ideia, ele falou: É, ele fazia assim.
É, aqui no Brasil não tem Nani, né, Richard? Você que vem da Europa, você não, mas na Holanda também não tem Nani. Em geral não tem. Tá bom. Eu falei, se você ouvir, a moça lá é uma brasileira, Solange Ribeiro. Aí, brasileira? Eu falo com ela. Aí a gente ligou lá, fomos na sala dele, e ele entrou em contato. Ela queria, cara, tipo uns 10 mil libras por episódio. Isso não existe.
Aí ainda tem para vir fazer aqui?
Não, para a gente fazer assim. Então, além do license fee, que é a taxa, tinha que pagar o salário dela. É mais então, o senhor disse não, mas R$10.000 não dá. Aí ele jogou para, acho que é $1.000, em vez de libra, dólar. E a moça lá, mas senhor, se eu, meu, mas ele fechou por $1.500.
É mesmo?
Fechou, fechou. Ele falou, olha, se você não me, não me baixa o preço, eu vou fazer a Super Babá. Aqui no Brasil, tá me ouvindo? Porque aqui a moça cuida da criança, faz o barroco, farofa e limpa o vaso. Então eu vou fazer uma versão bem barata e vai dar mesmo sucesso. Mas o senhor não pode, é R$1.500, é última oferta. Tá bom, você é seu, viu? E ela cedeu, cara. Esse negócio de pedir, eu já vi pessoas ferro. Não vou, não, não vou, não vou, não vou. Eu vou, entendeu?
Que coisa!
E hoje eu aprendi com ele a fazer justamente isso, né? Você tem várias técnicas para coisa, cara.
Ele te ensinou muito, né?
E quando ele não conseguia alguma coisa, ele ficava bravo?
Não, não. Ele fazia, fazer o quê? É mesmo? Fazer o quê, entendeu? Vamos para o próximo. É, ele não— você pode ver, quando ele foi sequestrado, cara, isso foi sequestrado, não, é o cara invadiu a casa dele. Quando ele perdeu o banco, quando ele teve câncer de próstata, são momentos fortes na vida desse homem, né? Que eu tô falando os bastidores, na televisão ele já nunca demonstrou Tipo assim, pessoal, eu tive câncer de próstata.
Não, mas ele não, ele não, como que fala, não demonstrava, não demonstrava. A gente também não perguntava, bola, não perguntava, o senhor tá bem? Como que tá o próstata? Não, de jeito nenhum.
Ninguém falava nada?
Não, não.
Ele é muito fodido. Ele foi, quando ele quis contratar o Pânico, ele foi na Jovem Pan, lembra?
Lembro. Agradecer.
Ele foi na rádio.
É, mas a história é um pouco mais complicada, muito nebulosa. Se a galera soubesse, não dá para falar. Mas caraca, velho, outra história aqui, mundo dos negócios não é para criança, meu irmão. Ah, não é, não é, né, bola?
Outra coisa um pouco que fascinava ele é as línguas. Ele comprava tradutores. Agora já estão bem avançados. Eu tenho agora o AirPods.
Eu tenho AirPods também.
E você fala em chinês, daqui a pouco você comprava aparelhinho, aí eu tinha que digitar, você entregava para pessoa, aí você apertava, fala ok, ok. Principalmente com chinês, vietnamês, sei lá, vietnamita. E aí uma vez ele me passou um programa turco, ele, alguém deu uma fita para ele, VHS, programa turco.
Traduz aí para mim.
Exatamente. Falou, tá bom, Seu Silvio. Aí ele sabia que eu não falava turco e não tinha ninguém no departamento que falava turco. Tô falando de 2008, 2009. E aí eu assisti a fita. Olha, é o seguinte, como nós somos inteligentes, eu sou loiro, mas eu tenho capacidade. Você assiste o programa, fala: ah, entendi, então se ele faz assim, tá ok, tá fazendo daquele jeito. Mas realmente tinha umas regras, fala assim: por que que ele perdeu então, o outro ganhou?
Não entendi. Aí tinha um aplicativo que você fala assim: I would like two chickens, please. Sabe? Então eu é o início desse tradução em total.
Você botava na TV.
É isso no alto-falante.
Puta merda!
Aí ele falava assim. Aí eu coloquei em DVD. Já tinha um software para colocar legendas. Quando eu mandei para ele, eu trabalhei duas semanas. O que eu passei nem um ferro passou. Coloquei lá e mandei o DVD para ele totalmente legendado em português. Aí ele me ligou.
Nossa Senhora!
Ô Richard. Você fala turco? Eu falei, não, senhor. Mas como é que você conseguiu colocar? Como que eu posso acreditar que o que tá escrito lá ele realmente fala? Eu falei, porque eu usei meu iPhone. Mas que que é iPhone? Que que você usou? Ele me fez descer lá no camarim no dia seguinte para mostrar como que funcionava. Ele falou, não, mas você é louco, você ficou assim cada frase. Eu falei, isso, ele ficava admirado. Ele falou assim, esse tipo de funcionário que eu preciso.
Que pensa fora da caixinha. Ele falava isso. Então a gente, dá um jeito, né, resolve. Ele gostava porque ele tinha que ser inventivo o tempo todo. Seu Silvio tá pegando fogo aí, seu Silvio não tá vendendo os perfumes. Ele precisava toda hora inventar um negócio.
Ele cuidava de tudo, cuidava tudo, tudo.
Por exemplo, do Chiquiti, do perfume, tinha um perfume lá, ele falou assim, chamou os presidentes lá, eu acho que é Mônaco, o outro lá, eu Não lembro o nome dele, Lázaro. Ele falou assim, ó, eu quero lançar esse perfume que tem que custar R$10. Aí o cara, só embalagem já é R$7. Ele falou, não, mas não importa, eu vou lançar esse perfume que custa R$10 e você vai ter que se virar nos R$30, tá bom? Mais nada. E os caras saíram de lá, pum, toda vida, como é que eu vou fazer isso?
Se só embalagem é R$7, mais o líquido R$2, R$9, mais o lucro, mais o transporte, mais embalagem. Imposto. E ele anunciando, tem imposto, mas o que que o senhor fazia isso? Porque ele sabia que a Dona Maria que comprava a Telecena, é que compra Telecena, ela sim comprava esse perfumezinho, mas também comprava aquele, como chama, esmalte, um lápis, creme. Exatamente. Então era uma venda que ele sabia que no catálogo a pessoa, aqui eu vou economizar no perfume, vou comprar um maquiagem, um batom, entendeu?
Então no final das contas dava certo, só que os caras não entendiam isso, entendeu?
Porra!
E ele fazia muito, né?
Fazia.
Teve um cara que ficou rico porque comprou, ele comprou embalagem de perfume e estocou e acabou não vendendo. Um cara comprou o estoque dele e o cara ficou milionário.
É, eu vou levantar essa história.
Não, ele comprou muita embalagem e não usou, e tava encostado, tá? E aí, numa negociação, um cara comprou tudo, essa, essa lote, esse lote de perfumes, e o cara tá aí hoje no mercado. Não sei se é Natura, qual que é o bagulho, um cara muito grande. Eu vou levantar essa história. É absurdo essa história aí. O cara comprou o resto porque ele tinha uma coisa encalhada lá que não servia para nada.
Pode ser, pode ser igual dos relógios.
E o cara pegou aquilo e fez um negócio bizarro.
Sabe aquele relógio que tinha bom dia só às 7 horas?
Ele me deu, ele me deu, ele já me deu esse relógio.
O relógio, né? Você viu como gringo já não tá lá ele Ele tinha comprado 60 mil daqueles lá, mas aí infelizmente Deus o levou. E a Daniela, que agora cuida do SBT, do grupo junto com as irmãs, ela me perguntou, o meu pai comprou 60 mil desses relógios? Porque ela recebia um relatório do inventário, né? E aí ela pediu para eu colocar uma pilha, pilha, bateria, pilha, né, adicional, porque alguns relógios já não tinha mais, já tinha esgotado.
Então tinha 60 mil e ela botou para vender. Vender, entendeu? Porque não pode ficar parado estoque, né?
Então tá aqui, ó. No fim dos anos 70, Silvio Santos pretendia entrar no ramo de perfumes e cosméticos. Anos 70, a marca se chamava Tenson. Ele chegou a encomendar um estoque enorme, estimado em cerca de 70 mil frascos de vidro. Só que a oportunidade de investir pesado na montagem da sua própria emissora acabou redirecionando o dinheiro para e os frascos ficaram encalhados no galpão. Aí entra o tal do Miguel Krisner, que na época ainda estava começando o Boticário em Curitiba.
Ele soube do estoque, foi até São Paulo, viu aqueles milhares de frascos e comprou tudo do Silvio pagando em 10 parcelas. Foram necessárias 2 carretas para levar as embalagens para Curitiba. E aí vem a melhor parte: aqueles frascos em formato de ânfora foram utilizados por o Boticário e acabaram se tornando o símbolo da marca. Entre os produtos associados a essa fase estava Água Fresca, lançada em 79, que se tornaria um clássico da perfumaria brasileira.
O negócio ajudou o Krisner a ampliar muito a produção e a linha de perfume, justamente quando o Boticário começava a sua expansão.
Que legal!
Olha, eu essa história não conhecia não.
Nasceu por causa do Silvio Santos, brother.
Rapaz, rapaz, o símbolo é o vasinho.
Então, o frasco que o Silvio comprou, ia montar o perfume e acabou. Quer dizer, ele já queria, você vê que depois ele monta o Jequiti, né? Mas você vê que era uma parada que ele, né?
Você vê, o seu Silvio, ele era tão versátil. Ele gravava o programa dele, às vezes roda, roda, qual é a música, programa Silvio Santos, sorteio da Telecena, e ainda fazia reunião com diretoria à tarde. Ele chegava no Morumbi, tomava um café, ligava o Richard lá, cara, ele não parava. Não parava, você entendeu?
E tem uma história que eu ouço faz muito tempo, não sei se é verdade, não sei nem se você tava lá, que uma vez ele tava indo para o SBT de carro e o carro dele quebrou. Foi, ele montou na garupa de uma moto e o cara levou ele. É verdade isso?
É verdade, essa história é verdade. E tem mais um que ele lá no SBT, no Anhanguera, agora tem uma alça. Ele perdeu e eu não sei o que deu na cabeça dele, estacionou o carro e saiu e veio andando Até o SBT ele tinha pedido a saída. E aí as pessoas, é, as pessoas olhando, era o Silvio Santos lá na faixa de emergência? Ele chegou lá crocante lá no SBT. Foi a pé, foi a pé, foi a pé.
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Caraca, duro para não chegar atrasado.
Exatamente. Não, o seu Silvio era muito pontual, cara. Isso combina bem com o europeu, mas ele era muito muito pontual.
É verdade.
Porra, entendeu? Outra coisa que eu também acho que o Seu Sílvio, ele falava que era um negócio, tinha que ser bom para os dois. Para você ver como ele era um bom negociador, né?
Teve uma vez, o Bola, o Cariúcha, Cariúcha, filha da puta, tinha o Chacó você de Cariúcha.
Ele tinha que—
que maravilhoso! Pera aí, carinha, deixa eu ver um pouquinho.
Tinha um pacote de filmes lá da Warner, sei lá o que que é. E aí o cara falou assim, ah, esse pacote vai sair 5 milhões de dólares. Falei, tá bom. Aí o Silvio falou assim, oferece 1,5 bilhão. Eu, tá bom.
De 5 milhões para 1,5, para depois fechar em 2, né?
Mas a sorte foi, eu pensei, agora eu vou ganhar um cookie. Eu falei, Silvio, conversei com Warner, consegui fechar por 1,2. Eu economizei $300 mil ainda em cima do valor que ele tinha falado. Ele ficou marara, ele falou assim: não, você não entendeu. Eu falei: 1,5, não é 1,2. Ele falou: não, Seu Silvio, mas eu consegui, o senhor não entendeu.
É barato, é, pô, lógico.
Eu falar para o senhor: o senhor não entendeu. Ele falou: eu economizei mais $300 mil. Mas, ô Richard, essa é comissão do rapaz, ele tem que comer, ele tem uma filha, ele tem uma família. Ele acabou comigo no sentido assim: liga lá e fala que você enganou, é 1,5. E aí eu liguei lá, o cara quase teve um orgasmo múltiplo. Desculpa, I'm sorry, 1.5. Ele não gostava, ele tinha que ser bom para Warner também, não é só para o Silvio Santos.
Olha que mágica, entendeu? Quando ele ligava, ô Richard, me faz um favor. Toda vez que ele ligava, me faz um favor. Eu tô trabalhando, ele me pagava um salário, como assim um favor, você entendeu? Então essa gentileza ele tinha.
E é engraçado, eu sempre falei aqui, eu nunca trabalhei no SBT funcionando.
Nossa, é uma família, cara.
Eu ia lá participar de Mas sempre que eu vou lá eu me sinto bem. Assim, um lugar, eu não sei o que que é, velho. Eu falei, pô, que lugar legal de trabalhar, velho. Eu nunca trabalhei lá, hein.
Não. Aí ele criou as filhas, né, tem 6 filhas, né. Ele criou do mesmo jeito. Se você pega uma Daniela, uma Patrícia, é a mesma coisa.
Mas quando ele faleceu, todo mundo falou, agora não vai para frente, que isso era a alma, era dele. Então, mas você acha que as filhas vão tocar direitinho?
Claro que vai, tá em plena Por exemplo, você vê o Celso Portioli agora tá ficando em primeiro lugar nos domingos. A Patrícia tá batendo recorde com o programa dela, agora vai voltar de voz.
Então eu pegar o fim do pai, tá?
Sem dúvida.
Como que é peixe filho de peixe? Não cai longe do pé.
O peixe não cai longe do pé, é isso?
O fruto de peixe, peixinho, é.
E o fruto não cai muito longe do pé.
Exatamente.
Então você vê a Patrícia, nossa, muito boa, velho.
Vai dormir com barulho desse? Você é herdeira do Silvio Santos, que então, pô, puta responsabilidade também, bizarro assim. Você sabia que o Celso Portioli, ele tinha aquelas caravanas lá do Caravana da Alegria, que chamava, que ele envia lá Santa Isabel, rock e tal, São Roque, aí tinha lá as Ronaldinhas, Rosa e Rosinha, as Irmãs Galvão, e o Richard vão como atração internacional. Ele sempre me deu chance, porque além do Silvio Santos eu trabalhei, trabalho até hoje com grandes artistas.
O Gugu, você entendeu? O Celso Portioli, o Ratinho. O Ratinho me deu um programa de televisão lá em Curitiba. Eu falei para você outro dia, Maringá. Eu me enganei, eu não sei por que que eu falei Maringá. Eu fiquei em Curitiba, Rede Massa Central em Curitiba. Ele fez, ele criou um programa para mim me colocou lá e ficamos em segundo lugar na audiência. Legal, você entendeu?
E o Silvio não queria que você fosse artista?
O Silvio não queria bola, não queria, não queria.
Ele te dava oportunidade, mas não queria que você fosse.
E aí, é porque era importante para ele, né?
É verdade, ele vai parar de trabalhar comigo.
Ele falava assim, uma vez eu sentei com ele, né? O Gugu saiu, foi para Record, e não tinha ninguém para colocar no lugar. Aí eu pensei, agora eu vou, eu vou Porque ele sabia que eu queria ser artista, entendeu? Ele ria das minhas piadas.
Você veio do entretenimento, né?
Veio, veio lá no navio, já fazia. Aí eu sentei com ele e falei assim, o Silvio, eu sei que eu sou porra nenhuma. Ele me chamava de Aspone, eu não sabia o que que era, mas é o assessor de porra nenhuma. Eu falei assim, Silvio, eu queria, eu sou artista, não é que eu queria ser artista, eu queria ter uma chance no vídeo. Ele falou assim, sei, sei, mas você, mas é o seguinte, você tá Aí ele me sentou e falou: se o Celso Portioli quebrar uma perna, você vai lá, você faz negócio de torta na cara até melhor que ele.
Mas o que você faz, ninguém faz. Eu preciso de alguém de confiança. Você tá comigo há quanto tempo? Isso foi em 2009, então vai fazer 10 anos, o seu, mais ou menos. Então, e quanto que você ganha? Eu acho que é R$3.000, não lembro. Tá bom, então vou aumentar, eu vou dobrar seu salário, você vai ganhar R$6.000. Mas você vai ter que ser meu assessor. Agora é o seguinte, se você é convencido que você é, o que que você quer fazer?
Fala, eu quero ser o gringo no domingo, né? Google, tá bom. Se você acha que você vai ser o gringo no domingo, então você vai lá, você vai numa outra emissora e faz igual eu peguei o Ratinho na Record. Ele começou lá na Gazeta, ele foi na Record. Mas aqui no meu, na minha emissora, eu não quero que você se torne artista. Você tem olhos azuis, você é boa pinta, a Globo vai pegar você. Por favor, Globo, vai pegar você. E eu perco um bom funcionário, um bom amigo, amigo e um artista.
Então aí eu subi lá, o RH ligou para Dona Zilda, falou: Dona Zilda, só para ter certeza, dobrou mesmo o salário do Richard? Porque não existe isso, né? Tudo tem uma previsão orçamentária. E aí eu chorei, eu falei: puta, eu vendi meu sonho por R$6.000. Mas não é isso. A Dona Zilda me falou na época, aquela é como se fosse a minha mãe brasileira, ela falou: Richard, o que você conseguiu, muito brasileiro não conseguiu. Você tá do lado do homem. Eu comprei o meu apartamento, respeita, assim, entendeu? Você tem medo?
Ele fez tua vida, né, Richard?
Fez, fez.
Então eu acho que ajudou assim, tipo, na tua casa.
Foi, foi. Eu consegui comprar meu apartamento.
Mas você falou para ele: quero comprar meu apartamento ou não?
Não, não, isso eu não cheguei. Uma vez ele perguntou que carro que eu tinha. Você, que carro que você tem?
Vou te dar um Doblo.
Eu tinha um Astra na época, que era, tá bom, é vendeu ou você tá financiado? Umas perguntas. E não, se o Silvio, a roda de frente é minha, o resto é do Banco Bradesco. Ele falou, tá bom, então quanto que custa um carro assim? Eu falo, eu acho que paguei R$39 mil. Ele fazia essas perguntas tal para ver, porque é estranho, né?
Ele se localizando, né?
Exatamente. E na época, então não é que eu vendi meu sonho. Hoje, por exemplo, eu tive esse programa lá em Paraná, o Ratinho adorou. Ele falou, Richard, você não é melhor nem é pior, você é diferente. Ele falava assim, então, e isso que eu— e eles falam que é legal, né? E agora eu tô tentando encabeçar um projeto para mim apresentar na televisão, mas eu represento formatos lá da Europa, porque agora eu posso escolher qual formato, né?
Tô com 3 agora, mas não é para ele. É, inclusive, depois desse podcast, eu vou lá na Disney Disney para a gente negociar uma coisa que vem lá da Holanda e vai dar tudo certo.
Quando descer, você continua fazendo essa, então, atuando na área, né? Você acabou virando um executivo de compras de formatos.
Exatamente, porque eles me procuraram agora, porque como eu tenho livre entrada não só no SBT, eu tive com o Leon no outro dia, eu tenho livre acesso.
Você virou tipo um negociador, exatamente, de plataforma de streaming.
Exatamente. E emissora aberta também, porque hoje Hoje em dia tudo é coprodução, né? Por exemplo, a Disney vai criar uma coisa, eles precisam de uma TV aberta para fazer o produto viralizar, disseminar o conteúdo. Exatamente, porque, como diz outro, TV aberta ainda é o meio mais, que mais alcança no Brasil.
Entendi. Então você ainda continua prestando serviço para essa galera, que legal, continua na área. E por que que você não ficou no SBT, você acha?
Olha, quando o Seu Silvio morreu, em primeiro lugar, eu achava que ele ia mais um pouco. Eu, ele morreu com quase 94, mas eu pensei, não, ele queria um pouquinho, ele falou que iria fazer 100 anos.
Ele vai, se despediu dele, foi, é mesmo, ele ligou antes de ser internado.
Que outro dia eu falei, as pessoas, mas ele não ligava para ninguém enquanto ele tava internado. Falei, não, enquanto ele tava lá no hospital, ele realmente não falou mais com ninguém. Mas uma semana antes eu tava fazendo compra lá no Carrefour, sabe lá onde eu tava. E ele ligou: ô, Richard, tudo bem com você? E tudo, mas com uma voz diferente, uma voz carinhosa, né? Falei: tô bem. Por que que você não tá no escritório? Eu falei: porque hoje é sábado, seu Silvio.
Ah, é sábado e você não trabalha não, né? Você não? Ok, eu só liguei para ver como que tá as coisas. Muito obrigado, viu, Richard? De nada, seu Silvio. Não, você é boa gente, boa gente. Tá bom, seu Silvio, obrigado por tudo. E aí ele Aí depois nunca mais falei com ele, entendeu?
E ele não, cara, ele ligou para agradecer.
E é engraçado que é uma coisa que não passava na nossa cabeça, o Sílvio morrer, né?
Quando ele foi para o hospital, eu fiquei, orei, orei, orei, orei.
A gente não passava, o Sílvio vai morrer um dia. Não é uma coisa que não vinha. E é óbvio que ia acontecer, mas tô dizendo, sabe, você não imaginava, a tal pessoa vai morrer e tal.
Não, do Gugu também. Eu lembro que aquele dia foi uma surpresa e o Sílvio sentiu muito. Naquele dia específico, acho que foi 19 de novembro, 20 de novembro, a Dona Zilda não tava, ela tinha um compromisso particular. Então eu tava no lugar dela e tal, e o telefone tocou. Oi, cadê a Zilda? Fala, hoje ela teve um compromisso e tal.
Eu que tô aqui.
É, olha, é o seguinte, o Gugu sofreu um acidente. Ah, é? Mas ele já tava na Record, tudo mais e tal. Eu falo, ah, é? É, mas parece que é coisa séria. Então tá bom. Aí eu anotei Tá, tá, tá. Meia hora depois, ô Richard, era uma outra pessoa, parece que o Gugu foi para o hospital, coisa séria, hein? Você acha que vale a pena avisar o Silvio? Que ele não gostava de notícia de morte. Bom, quem quer, né? Quem gosta? Eu falei, não, vamos esperar.
Aí quando vem a confirmação que ele tinha morrido, liguei para Dona Zilda, eu falei, Dona Zilda, eu sei que a senhora tem compromisso, mas eu não tenho coragem de ligar. E ela ligou para Dona Íris E a Dona Alice que deu o recado para ele. Mas ele ficou muito arrasado, muito.
Ele chegou a comentar com você?
Não, comigo não, não comigo não. Mas ele ficou muito arrasado. Depois eu fiquei sabendo que ele já estava se conversando, tentar voltar, entendeu? Mas eu não tenho como comprovar.
Era o cara que ele mais gostava, né?
Sucessor natural.
Tem uma história muito boa que tá no livro, não sei se do Boni ou da televisão, Gugu, que para mim é uma lição até de vida, né? Inclusive quem deu a lição foi o Roberto Marinho, que o Gugu foi contratado pela Globo. Sim, você sabe dessa história?
Foi que ele foi atrás para falar com o Doutor Marinho.
É verdade, isso foi antes da minha época, mas não, não, foi bem antes da sua época. Mas porque o Silvio tava com problema na voz e o Gugu era a única coisa que ele tinha para ter o SBT vivo, né? E a Globo contratou o Gugu, e o Silvio ficou louco, falou, não, eu não posso, cara, eu não posso, eu tô, vou me aposentar, minha voz sumiu, e você vai assumir isso aqui. Não é uma questão de não quero que você vai, é que você é o cara que vai ficar aqui.
É verdade isso daí, para manter a TV viva. E o Silvio foi com o Gugu no Rio conversar com Roberto Marinho. Chegando lá O Roberto Marinho sabia. E o Silvio chegou para o Roberto Marinho, falou que, olha, se você levar o Gugu— já tava com contrato assinado, tá, Bola? Já tava firmado lá, já tudo certinho, já tava feito. O Gugu já estava contratado. O Silvio foi lá para reverter, chegou para o Roberto Marinho e falou assim: Doutor Roberto, Doutor Roberto, se o Gugu for embora Você quebra minhas pernas, eu vou parar.
E o Gugu, eu preciso do Gugu lá, senão vai quebrar minha emissora. O Gugu é a única pessoa que eu sinto confiança para que o SBT sobreviva. Se você me levar o Gugu, você acaba com o SBT.
É verdade.
Ao contrário da Globo, que você tem um time de estrela. Mas o Gugu para mim é fundamental. Aí o Roberto Marinho falou assim, ouve, vem cá, vem aqui ver meus cavalos, olha que lindo. Que o Roberto Marinho era louco por cavalo, né, hipismo, né, turf, essas paradas. Ele criava, ele tinha aras. Aí o Silvio: mas e o Gugu? Aí ele fala assim: relaxa, Silvio, isso aí deixa com os advogados, tá resolvido. Vem cá ver meus cavalos.
Tipo assim, eu não estava na época, mas eu me sinto confortável o suficiente para saber que isso foi a verdade, porque foi a Dona Zilda Voltou.
Então ela disse que o Roberto Marinho, tipo, vem ver meus caras. Não, a grandeza do cara, né? Do tipo, você acha que eu vou tirar você por causa de um cara?
E você sabe que tá feito.
Aí o Silvio, mas como que nós vamos fazer ele? Fale, deixa isso. Silvio, isso é um problema para os advogados. Você sabe que hoje eu ajo assim por causa do Roberto Marinho. Ligo, pô, mas não sei o quê. Falei relaxa, tá tudo certo, deixa que os advogados resolvem.
Mas é verdade, é verdade, é verdade. E o Gugu, eu lembro que quando o Silvio gostava de alguém, você também tinha que aguentar.
E a saída dele para Record, você tava lá? Como é que foi? Não foi fácil?
Não foi fácil, não.
O Silvio sentiu muito?
Sentiu. Mas pelo valor que o Gugu negociou lá, ele falou assim, não, até se falou, eu vou, se você não vai, eu vou. Mas eu lembro também, o Gugu uma vez Ele teve um crel dele, cara. Porque o que acontecia, o Silvio ia lá nas feiras e acompanhava ele, e ele gostava de negociar. Eu acho que isso tava no sangue dele, uma coisa que era mil ele queria comprar por 500, entendeu? Aí o que aconteceu, uma vez o Gugu foi para feira de televisão lá na França, em Cannes, que chama a cidade, junto com o Silvio.
Não, não sabia que tava lá, entendi.
E nem eu. Ele foi lá, né, né? Ele tem direito, tem um avião. E o Lucianuk, já eu cruzei com ele lá. Celso Portioli já foi. Eu acompanhei a Eliana uma vez, uma semana inteira, lançamentos. Mas o Silvio sabia que Eliana ia. Foi o Portioli, foi o Sérgio, como chamar, Fernando Pelégio, Eliana e eu. Aí a gente andou na feira. Então o Seu Silvio tinha conhecimento disso, mas do Gugu não. Então nós chegamos num stand lá, e aí o Seu Silvio, olha, aqui eu tenho clipes, que é esse coisa de videocassetadas.
Pergunto para ele quanto que é? Aí eu falei com o cara, quanto que você tá pedindo? Qual a emissora que vocês são? Fala. Aí eu peguei meu cartão, falei SBT. Ah, outro SBT? Another SBT? O que que ele falou? Outro SBT? Não, é um só, eu sou aqui. Acabei de falar com alguém do SBT. Aí o cara falou, pera aí, eu tenho o cartão aqui. Na hora que eu mostrei, era a pessoa ligada ao Gugu. O senhor virou marara, mas ele não demonstrou. Ele falou assim, não, quanto que você tá pedindo?
Aí o cara já tinha subido o preço, porque quando a demanda é grande R$1.000 ficou R$3.000. Aí quando voltou, ninguém pode mais nessas feiras porque infla os preços. E é verdade, você entendeu? Então é a única vez que eu lembro que o Gugu falou assim, não vou mais, não vou mais, não vou mais.
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Quem sabe tudo?
E a galera meio que te procurava para fazer uma social assim, puxa, fazer uma média, puxa saco também.
Que tinha demais.
Mas me conta agora, conta aí, vai, um ali que não digo puxa-saco, que é pejorativo demais, mas que tentava ali ser seu amigão, pô, dá um recado para o Silvio, tentar se dar bem. Vai, vai, Richard, vai, vai, Richard, vai, vai, diga, diga, diga alô, diga alô, diga alô, Cristina.
Não, eu não, não, eu não, sabe por quê não, o carioca? Porque eu não era o message boy, entendeu? O que eu faço, você não era o message boy, né? Por exemplo, a Eliana queria falar com ele. Ela falou, Richard, você acha que o Silvio pode me atender? Aí ligava lá, Seu Silvio, a Eliana gostaria de falar com o senhor. É ok, eu falo com ela. E aí fazia ligação só. Então ele nunca perguntou o que que ela quer. Não, não, não. Ele, ele, mas também foi, não, agora não, fala que eu falo com ela amanhã no camarim.
A gente vai, Eliana, ele tá numa reunião agora, mas amanhã no camarim com você, entendeu? Isso sim. Mas eu não lembro ter uma pessoa que fala assim, ah, Fala de mim para ele, uma coisa. Não, não, a pessoa tinha uma coisa que queria mostrar, né? Todo mundo na época queria ser apresentador de programa infantil, você lembra? Saiu a Eliana, depois depois Jude, não sei o quê. E aí ele falava assim, ah não, mas mais uma que quer ser? Não, não, não, não, não, não.
E Maísa também, né?
Ele adorava.
Então você viu, ele que montou ela de Shirley Temple, né? Foi ele que criou esse daí. Ela vem lá do surgiu. E eu nunca vou esquecer que a Maizinha entrou na sala dele, ele foi lá em cima, aí ela, ela era uma criança diferenciada, cara. Ela falou assim, aqui que ele senta, né? Parecia alma velha aí num corpo de criancinha, sabe? Muito, muito legal. A Maísa é uma pessoa, e os pais dela, gente fina, hein?
É mesmo, cara.
O cara tava na telefônica, sabe? O pai dela eu conheci, o pai da Maísa, muito educado, gente que não podia comer milho.
E era meio fortinho, moreninho.
Larissa Manoela, igual dos pais.
Larissa Manoela, os pais dela não conheci não, não conheci não.
Mas da Maizinha sim, sem dúvida. Gente normal como vocês.
Sim, normal, gente boa. O pai dela, eu lembro muito bem deles assim, que meus filhos eram pequenos, gostavam da Maísa, e eles eram muito legais assim na época.
Outra história que eu também acho engraçado, que eu pensei, eu vou contar isso para o Carioca e Mr. Ball, é lá em Las Vegas Você podia comprar, sabe aquele anel de Elvis Presley? Um anel que parece que ele comprava uma que parecia que era coisa, $5. Ele colocava no dedo, ele falava assim, ó, tá vendo? Todo mundo vai achar que é uma fortuna porque tá no dedo do Silvio Santos. E é coisa de $2. E comprava de saco, entendeu?
Então uma pedra vermelha, eu lembro que ele é verdade.
Eu lembro que ele tinha aquela pulseira, tinha de cobre, de equilíbrio. Eu não sei o que que era aquilo para manter o equilíbrio. Ele usava muito aquilo, usava.
E o relógio que falava, né, no camarim. Eu dei para ele um relógio de cucu e ele tá, cada vez que tava a hora cheia, ele ficava lá, vem, lá vem, cucu, cucu. E ele adiantava os ponteiros, faltava 12, que ele fica cucu. Esse é holandês, né? Na verdade vem da Áustria, né? Surgiu holandês, copiou. Não, é fascinante. Eu acredito que tá lá até agora, entendeu? Qualquer coisa, bugiganga, ele gostava.
Ele gostava das bugigangas, gostava.
Às vezes as pessoas davam presente caro para ele. E aí uma vez eu vi a Rainha Elizabeth, era uma coisa, um bonequinho que fazia assim, ó, e era com aquele LED de calculadora. E ela falou, Richard, tô vendo aqui, a rainha tá dando tchau para mim, hein? Ele gostava, ele gostava. Que tão simples e humilde que ele era.
A história boa é da da máscara, da máscara também. Olha o que ele fez.
Não, ele comprou a casa lá em Orlando, só que na época economicamente o Brasil tava super bem e todo mundo começou a viajar. Você lembra disso? A empregada fazia, como chama, enxoval lá em Orlando. E aí ele falou, puxa vida, Richard, agora tá tendo uma invasão de brasileiros, não tem mais como eu andar na Disney que todo mundo me Cara, é um saco. Ele falou, eu imaginei mesmo, sabe, que o Silvio gostava de tirar foto com todo mundo.
Aí ele, ah, ele nunca via ele recusando, nunca, nunca, nunca, seja lá em Las Vegas, seja onde for. Mas se você tá com sua família, com suas filhas, os netos, ele, você tá de cenoura bravanel e a pessoa, Silvio! E aí tinha umas idiotas que puxavam ele, Silvio, Silvio! Pô, homem de 80 e poucos anos, você tem que ter respeito, né? Ele falou, não, eu vou, eu vou fazer uma máscara Uma máscara assim, não vão me reconhecer. Então, bom, aí ele me mandou para Los Angeles, para Hollywood.
E como ele te mandou?
De executivo. Eu já vi o executivo, comi os nozes e água, água oxigenada. E aí não tive varizes quando eu desci, porque teve circulação. Eu para trás, para frente, para trás, para frente. E aí me mandou lá. E aí primeiro entrei em contato com, obviamente, com essa fábrica. Eles fizeram uma bem boa, realista, realista, de latex, sei lá, alguma coisa.
Era do que a máscara?
Era um homem velho, né? Porque, mas assim, é um cara normal, como que eu falo, é um velho, entendeu? Mas não era Silvio Santos, tá? Aí então trouxe, trouxe uns 4, um era um pouco mais de carnaval, outro não sei o quê. Então teve uma que ele gostou, só que aí o que ele esqueceu é o seguinte: lá em Orlando tá o quê, 35 graus, e latex, cara, é uma beleza. Nossa Senhora, coçar, suar! Ele quase estourou, todo roxo.
Ele foi no parque de máscara e foi, ele queria ir lá.
Mas e também tem outro negócio, você não pode entrar numa loja, um banco, qualquer estabelecimento com máscara. Você acha que é o assaltante, né? Lógico, entendeu? Bom, então não funcionou. Aí depois a gente Esse é o Pessini, Olivão Pessini, ele era craque. Eu acho que também não tá mais entre nós, não está. Ele fez uma máscara, nos colocamos Silvio Santos numa cadeira com molde de gesso, com duas canudinhas, não, dois canudinhos no nariz assim.
Silvio Santos: eu tô bem, eu tô bem, eu tô bem. A médica lá medindo a pressão, porque a gente pensou assim, ele morrer Da casa dele.
Isso eu fiz no Luciano, dá um nervoso tirar o molde da cara. Puta que pariu, bicho!
E a gente falou, falou, Silvio, isso não é brincadeira, vai esquentar na hora de endurecer. Não, mas não tem problema, eu quero fazer uma máscara. Tá bom. E aí, da família não gostou não. A Dona Íris, pela que eu fiquei sabendo depois, ela falou tipo, qual foi o idiota que deu essa ideia? Mas foi ele, ele falou com o Orival Piscina, ele tá no camarim. Tá bom, então semana que vem eu vou lá na minha sala, tá, na casa dele.
E ele fez ou não?
Só que olha, pensa comigo, que a gente burro, nós fizemos molde de rosto de quem? Dele, de Silvio Santos. Então você vai fazer uma máscara do Silvio Santos? É, pois é, né? Então não deu certo.
Uma máscara diferente.
Exatamente. E tinha que ficar de olhos fechados. Então quando saiu, parecia o Tutankhamon, cara.
Máscara mortuária, né? A pessoa tá lá até agora, tá de olho fechado.
Não, e tá com essa fisionomia, porque pesa, né?
Exatamente. Então não deu certo, não deu certo. Mas ele tentou se disfarçar de tudo, qualquer forma. E também Também, todo mundo sabia na época onde ele morava, né? Virou um ponto turístico lá. Ó, tô aqui na rua na frente do Silvio Santos, tocava campainha, você entendeu?
E ao mesmo tempo ele ia no Jassa, que no mesmo dia, mesmo horário, isso sozinho de carro. Sim senhor, coisa engraçada, né, velho?
O Jassa ficava no Faria Lima, aí depois mudou. O Jassa é um grande amigo do Silvio Santos, ele considerava dele um grande amigo e um clique, sabe? Ele, o filho dele, o Robson, também.
Robson, querido.
Eu, o Jassa cuidou muito bem da imagem do Silvio, né? Porque o seu Silvio parecia uma hora descolado, hora mais moderno assim, entendeu?
Eu não gostei quando ele ficou cabelo branco, o Silvio.
Eu também não.
Ele fez um programa, depois ele pintou.
Eu não gostei muito.
Eu achava estranho quando ele tava com a dentadura errada. Às vezes ele colocava Eu achava estranho, eu nunca falei, você se põe uma dentadura decente, você entendeu? Mas ele tá, olha que ele grava de pijama.
E o resort, e o resort buffet é muito boa, do buffet.
Ah, sim, lá em Las Vegas.
É capaz de mandar o cara de executiva para comprar uma máscara, olha isso aí, que loucura.
A gente tava lá na feira, porque a feira ficava em Las Vegas, a feira de televisão. Aí nós ficávamos no Caesars Palace Puta de um motel. Essa é uma parte boa de trabalhar com um cara como Silvio Santos, você fica nos hotéis que jamais eu ficaria lá. E aí tem aquele buffet no café de manhã, tinha à la carte e tem um buffet. Ele assim, ô Richard, você vai comer no cardápio ou você vai fazer o buffet? Eu faço, Silvio, eu como bem, então acho que vale mais a pena. $15 o buffet.
Então tá bom, então você pega o buffet, tá bom? Agora é o seguinte, Você vai lá, você pega tudo que você quiser, seu ovo poché, seu panqueca, seu rabanada, tudo que você quer, mas você pega para mim 3 croissants. Só que não deixe ninguém te ver, hein? Você põe num guardanapo, você dobra e põe por baixo do prato, e quando você chega você me entrega disfarçando, porque senão eu tenho que pagar $15 também. Cara, eu fui lá, um croissant, 2 croissants, 3 Quando eu cheguei perto da mesa, ele falou: ah, é disfarça, disfarça.
E o garçonete veio, ele falou: não, não, fico com você, fico com você, né? Não, não, thank you, no thank you, tal, tal. E aí ele colocou num pratinho do lado dele e ia comendo migué. É, fez assim para não pagar $15 no buffet, cara.
Que coisa, né, bicho?
E quando ele tava lá em Aspen, ele foi esquiar E aí ele tava no chalé número 5.
E você imagina, você já imaginou o Silvio esquiando na sua vida?
Ele esquiava, cara, ele esquiava.
Não é uma coisa que a gente não imagina, fazia até uma acrobacia, né?
Lógico. E aí ele tava num chalé lá com a família, então ele ligava de lá, $2 por minuto, com a Embratel. Ô Richard, como é que eu faço para conectar aqui no Wi-Fi do chalé número 15, que eu tô no 14, mas eu quero usar o Wi-Fi do vizinho, fosse o Silvio, você tem que saber aceitar, porque R$9,99 por dia, eu roubava o Wi-Fi. Eu falei, não, mas aí tem que ter a senha do cara. Não, então deixa para lá, eu fico sem. Era assim, você entendeu? Mas as pessoas falam, agora ele sai do SBT, tá falando as coisas do Silvio.
Mas engraçado, tava sem dinheiro, isso ele não tem nada demais, não gastava uma fortuna para ligar. Ele tava num cruzeiro lá, fazer 10 dias de internet.
Ele tava numa cruzeiro com a família toda na Austrália. Ele gastou 7 meses para chegar lá de avião, que é longe para Dedéu. E ele tava no cruzeiro, ele me ligou do navio. Sabe quanto custa fazer uma ligação de caminhão em 2010? Ô Richard, você que já trabalhou no navio, quanto que eu tenho que dar de gorjeta para o garçom? É um garçom muito bom, hein? Eu acho que ele é das Filipinas. Eu falo, se o Silvio aí, eu ficava feliz com $100. $100, né?
Ok, só que ele dava $100 cada vez que ele ia, em vez de uma por semana, você entendeu? Então ele era muito generoso, demais, meu. É, não, não, ele acreditava mesmo quando a gente dava um conselho para ele.
Isso aqui, o garçom, que ele toda hora—
nossa Senhora, tem um podcast lá das Filipinas, alguém contando essa história do outro lado, você entendeu? Olha, eu tive um brasileiro que ele me dava $100 por minuto, você entendeu, cara? Que loucura! Era muito generoso. Final do ano ele dava gratificação e presente, presente também.
O que que era mais legal, Richard?
Não, ele dava dinheiro.
Aí te dava em grana?
Grana no final do ano. Mas, por exemplo, para os artistas, ele sempre escolhia uma coisa diferente, uma coisa legal, uma moldura digital, um relógio que falava, você entendeu? Então seu Silvio foi muito criativo nessa parte.
É, é. E os relógios que encalharam lá?
É, não, agora estão vendendo, né? Inclusive você, quem tá me assistindo agora, se você quer comprar, compra agora porque vai virar relíquia.
Eu tenho já o meu, ele me deu o Relógio, vai virar relíquia. Ele me deu o relógio do Silvio, tem razão, tá lá em casa guardado lá, relógio do Silvio Santos. E você tem que ir embora já já, né?
Não, não, não, não, não, estou vendo aqui telefone.
Quer fazer?
Vamos atender o telefone, a galera, que hoje que tá o Richard Van, que foi 23 anos assessor do Silvio Santos, pessoal, com muito orgulho e muito gratidão.
A gratidão que eu tenho pelo Silvio Santos, pela família Abravanel, né? Deve ser bizarro, não cabe nesse respeito.
Você votaria?
Ah, sem dúvida. Não mais na função, né? Agora eu sou artista. Se a Daniela achar que eu tenho o perfil—
eu não conheço a Daniela, eu queria muito conhecer a Daniela. Ela vem?
Aí eu acredito que vem, você entendeu?
Daniela Beirute aqui?
Bom, aí eu não posso te garantir porque eu não sou secretário dela, mas você falou de um jeito muito convencente. Não, chama, estende o convite. Daniela Beirute, você entendeu? Porque ela é o pai dela, lá, você entendeu? O que ele fazia com família, aí eu não tenho, não posso te contar. Ela vai de repente te contar histórias que você fala, ah, legal. Mas do que eu te contei hoje é tudo verdade com relação a profissional.
Qual era o hobby dele assim de final de semana? Tinha alguma coisa de lazer assim?
Ele tinha um hobby de, ele gostava do Kristal Swarovski. Sabe aquele ratinho, aquele borboleta? Você vira a estatuazinha, ele ia lá no aeroporto no aeroporto, já chegou a corujinha. E ele gostava.
Só que aí, que do caralho, você já tem a girafã.
Mas o povo descobriu qual era o hobby dele e começaram a dar os cristais, um maior que o outro. Tem um que deu um mamute de 80 milhões de quilates e ele ficou puto. Ele falou, meu, é meu hobby, porque agora tem que comprar. É, ele tinha tudo. Aí ele mudou para boneco. Boneco. Sabe, dentro da Disney tem uma loja que vende a Dorothy, a Cinderela, bonecos. Estão lá no SBT, inclusive numa vitrine. E aí ele lá na loja da Disney, a Cinderela já chegou, tem o Pinóquio, tem não sei o quê. E aí ele começou, o homem, como chama aquele homem de palho da Mágica de Oz?
Espantalho.
Exatamente, Homem Espantalho. Aí ele começou Colecionáveis, povo descobriu, começou a comprar esse boneco e mandar. Então ele não gostava, ele falou, pô, roubaram meu hobby, você entendeu?
Porque barato ele ir buscar, não é ganhar, pô.
Então isso é uma coisa que eu sei que ele não gostou muito não, entendeu?
Alô, chegou a girafa? Chegou a girafinha? Eu queria de Swarovski. Alô, eu gosto de bacará.
É cristal, você também tá humilde.
Porque é barato, mas eu só tenho uma peça.
Eu também, é caro para cacete.
Eu tenho uma peça de bacará, porra, é sério, é a única peça que eu gosto. Tem Murano também, mas eu gosto mais de bacará.
Alô, alô, alô, quem fala?
É o Rafael Cavalcanti de Volta Redonda.
Fale, Rafael, que que você manda, meu velho?
Richard Van aqui.
Pô, eu tô acompanhando aqui, sou muito fã do Silvio Santos, né, e tô vendo as histórias aqui.
Queria que ele falasse sobre a saída do Ratinho, né, temporariamente, que que o Silvio Santos fez, que que ele falava quando o Ratinho saiu.
O seu Silvio tinha um— estranho que ele tem que falar tinha, né? Eu ainda falo tem um carinho muito grande pelo Ratinho. Agora, o que aconteceu naquele, aquela fase que o Ratinho saiu, eu não sei. Isso é uma coisa entre Ratinho e o Silvio. Não tô desconversando, não, realmente eu não sei.
Entrava os dois na sala.
Exatamente. Eu sei que o Ratinho sempre tinha, se eu falar medo é uma palavra forte, mas por exemplo, a Dona Zildo, eu ligava, o Ratinho, o Silvio tá na linha. Aí, o que que ele quer? Ele tá bravo? Ele ficava meio assim, né? Não, ele só quer perguntar uma coisa.
O Ratinho causava pouco lá, né?
Exatamente. E não tem homem mais humilde que Ratinho, viu? Qual o nome dele?
Ele se chama Rafael.
O Ratinho hoje ele É o maior, né?
Ele é muito simples, né?
Ele é muito passada com ele no programa dele.
Puxa, viu? Trabalhei um ano com ele.
Nossa, ele é um simples, né?
O Seu Sílvio ainda tinha um ar do passado, como falam, uma elegância, uma aristocracia, vai, vamos dizer assim.
É uma nobreza, vamos dizer assim.
Agora o Ratinho não, é muito humilde. É exatamente, eu amo o Ratinho. Um beijo, obrigado, Rafael.
Um sujeito simples, valeu. O Silvio, eu tenho certeza, se você perguntar para o Ratinho quem deixou o Ratinho milionário, porra, foi o Silvio, né? Sem dúvida, porque ele ensina o cara a negociar. Ele não dá o salário, ele fazia metade, metade, vamos rachar, o que lucra é nosso. Fazia o cara correr atrás das coisas para— e assim o Ratinho descobriu esse tino empresarial, né?
Mas se você perguntar para o Ratinho, ah, o senhor é um bom artista, ele vai falar, não, eu sou um bom vendedor. O Ratinho falou isso outro dia eu falei numa reunião, eu falei, eu sou um bom vendedor. Que artista vende? Isso vem a calhar bem, né? Então eu, eu vou até mais longe. É óbvio que eu, minha vida, eu devo minha vida profissional, minha vida devo a Jesus, mas a minha vida profissional ao Silvio Santos. É o único patrão que eu tive até agora.
Depois trabalhei um ano agora com o Ratinho, mas o Ratinho teria se virado de outra forma, viu, se ele se ele não tivesse sido ratinho, ele teria se dado bem.
Ele fizesse, ele ia fazer bem feito, agilizado, né?
Porque eu mostro uma ideia para o ratinho, ele olha, fala assim: não, essa aí eu não gostei. Ele fala: não, essa aqui não gostei. Aí quando eu mostro outra, isso é genial, isso é genial, isso vai dar dinheiro. Então ele tem esse mesmo tino que o Silvio tinha. Ele olha para uma coisa e já percebe se vai rolar ou não, tem futuro ou não tem futuro.
Alô, a visão, né?
Alô, quem fala? Fala, João de Campinas. Que que você manda, João?
Ó, primeiramente queria mandar um abraço para você, Bola Carioca.
Muito obrigado, irmão, valeu, meu irmão, muito obrigado.
Mas eu queria fazer uma pergunta para o Richard, é a questão do fim, se ele ainda tinha contato com o Sílvio e se ele estava ali na partida dele. Como que foi essa despedida do Sílvio?
É, eu falei, né, agora pouco, que uma semana antes dele ser internado, ele ligou no sábado, ele perguntou por que que eu não estava no escritório. Eu expliquei, olha, Silvio, hoje é sábado, eu não trabalho. E ele agradeceu, ele tava com uma voz carinhosa, ele tava com uma voz de— agora eu sei que foi de despedida. Mas no final, assim, antes dele ser internado, a gente falava por telefone porque ele não vinha mais no SBT para gravar, né?
Ele grava o telefone eu mantinha o contato com ele todos os dias e por fax também, obviamente. Mas o Silvio, até o fim, ele tava no ativo, na ativa, né, que tem que falar, é nativo, nativa.
É boa, respondido, João?
Respondido. Obrigado pela oportunidade aí.
Obrigado por ter ligado, irmão.
Valeu, meu brother.
Um abraço. Mais um aqui.
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Aí eu posso te contar uma história? É que eu anotei aqui porque tem outra coisa. Fala, cara. Uma vez no final do ano, não me pergunte se era 2018, 2019, não lembro, eu vi um anúncio de um panetone. E aí era uma caixinha, a moça que vendia era Junqueira, alguma coisa assim, ela faz aqueles bolos artesanais. Custo caríssimo. Aí ela produziu um panetone numa caixinha, você abre, começa a piscar luzes de LED. Cara, ele vai adorar.
Vou comprar para o Silvio.
Liguei lá, R$600. Bola! Um único panetone. Eu falei, quer saber, eu vou comprar para ele, vou comprar de gratidão. Entendi. Essa história é fofa. E motorista levou para o Morumbi. Umas 2 horas depois ele me liga: ô Richard, é você que me mandou esse panetone? Eu falei: foi, seu Silvio. Mas você é genial, é muito bem bolado, eu nunca vi. Olha, eu escutei ele abrindo, todo feliz. Faço às suas ordens, né? Agora é o seguinte, quanto que você pagou?
Né? Aí, Seu Silvio, é presente? Não vou. Não, não, por uma razão, eu vou dar uma para cada uma das minhas filhas, para Íris e para as pessoas. Eu acho que é um bom presente. Parabéns, viu, Richard? Não tem pessoas como você, criativo e tal. Então, Seu Silvio, eu vou te dar o telefone da pessoa lá, o senhor liga lá. Falou, tá bom então. Parabéns, Richard, adorei, muito, muito bom, parabéns. Bom, eu liguei, meus mamilos tava tão duro de felicidade que eu pensei, né, agora Aí eu liguei para Mariana Junqueira, falei, ó, só para te falar que o Silvio vai te ligar.
Porque eu tinha que ligar com antecedência, porque o povo pode achar que é brincadeira, né? Olha, o Silvio Santos vai te ligar, ele gostou do panetone e tal. Ele tá ligando aqui. 10 minutos depois ele me liga, ô Richard, você ficou maluco? Você pagou R$600 nesse porcaria aqui? Eu não acredito, você não pode ficar. Ele acabou comigo, cara. Cara, ele falou R$600, isso é quase um salário mínimo. Não, eu não gostei, eu não gostei, eu não acho necessário que você tenta puxar o saco, companheiro.
Tony, desce aqui. E eu assim no telefone, tipo, e ele não me deu gratificação nesse ano, cara. Ficou bravo desse jeito, tirou minha gratificação.
Puta merda, meu Deus!
Tipo assim, homem não era fraco não.
Maldita hora que você deu, falou assim, eu preciso aqui em casa.
Pois é, compra Eu continuo comprando os panetones da Junqueira, viu, pessoal que tá me ouvindo? Porque é um negócio que não tinha nada a ver. É muito bom. Mas esse foi uma história que eu contei para minha mãe. Ela falou, mas sabe quando você não tem explicação? Ele ficou puto porque eu gastei R$600 em um presente, você entendeu?
Então os presentes dele deviam ser tudo, tá aqui um carrinho de plástico.
Mas quando você leva uma patada de um Silvio Santos, se você se recupera, é até umas coisas que ele falava. E assim, eu tenho que falar não, Ah, eu recuperei, entendeu?
Temos aqui, ó, que ele precisa ir embora.
Paulo Humano enviou uma mensagem: das versões que saíram para TV Cinema, qual a menos pior? José Rubens Chachá, O Rei da TV, Rodrigo Faro, Leandro Hassum.
Das 3 versões do filme do Silvio Santos, se você viu a série sobre o Pior?
Não, eu não achei nenhum de pior. Eu acho que os três foram bons. Agora, eu gostei mais do Rodrigo Faro. Eu acho que ele conseguiu, que ele é muito fã do Silvio também, né? Quem não é?
Eu nunca vi nenhuma série do Silvio.
Você não viu?
É muito bem feito.
Eu nem sei onde tem.
Mas, como diz outro, o Silvio também gostava de assistir. Eu acho que ela existiu. Agora, tem umas coisas que eles contam que é, como chama, licença poética, tal, tal, tal. É diferente quando eu falo Exageram um pouco, exageram. Por exemplo, uma história também lá que eu achei hilário. A gente tava lá em Cannes e foi na época, você conhece esses filmes de Emanuelle? Claro, não é erótico, é sensual, não é pornô chanchado e tal.
Aí tinha um stand lá e foi bem naquela época que lançaram aqueles óculos VR, aqueles que você coloca, aí você consegue ver. Quando ele viu lá, ele detectou, aí entendeu? É muito engraçado, velho. Ele tentou, era uma poltrona assim, sabe aquele de massageador do chão? Ele inclinou para trás, opa, ele inclinou para trás e falou assim: ai, olha só, isso aqui é mulher, isso aqui é mulher. Ele ficava fascinado, você entendeu?
Que maravilhoso!
São momentos que você fala: que que acredito? Interessante isso à cultura brasileira? Nada. Mas para você ver como ele era simples, ele é homem, ele era macho, ele era, ele gostava de mulher.
Vários vídeos do Silvio assim, como é que, amor, que bolsa bonita!
É, mas é que a Samambaia ficou louco.
Não, mas aí tem o título, é sempre assim, ó: a presa, a presa quando cai no território do predador.
Você lembra que ele foi com carrinho de golfe fingindo que ele ia para o motel com ela em Lanzarote.
Verdade.
Então essa ideia eu dei para eles, queria me linchar lá no SBT, a produção adorou. Ele falou, ô, Richard, que eu vi o Barack Obama no último dia da presidência dele, eles fazem uma brincadeira, tchau recepcionista, obrigada por tudo, agora meu é um novo celular e tal. Ele passando a vassoura na frente da Casa Branca para deixar tudo limpinho para o próximo presidente. Eu falei, Silvio, eu vi o Barack Obama passeando com carrinho de golfe, nós temos aqui no SBT, por que que o senhor não finge que você não tá indo para o hotel com ela em Ganzeroli?
Porque ele falava assim, isso aqui é mulher, não é aquela porcaria que eu tenho em casa. E ele brincava, né? Ele falou, eu vou fazer, eu vou fazer. Aí eles fizeram plaquinhas, motel para lá, Copacabana para lá, e ele foi, cara, ele foi. Ele gostava dessas coisas.
Mais uma aqui, mais um Super Chat.
Tem que ir embora, cara.
Ele enviou uma mensagem: eu queria agradecer muito ao espaço dado pelo Bola, pelo Carioca, na entrevista do Meu nome é Cariovan. Há 8 anos eu luto contra o carcinoma ductal pancreático, que entrou em metástase hematogênica. Hoje sou considerado terminal, mas Deus sabe de todas as coisas.
Sabe.
Atualmente estou em campanhas no TikTok, Instagram, para estar arrecadando recursos para ir ao Canadá. Quem quiser conhecer a minha história, @cariovan_. Inclusive eu mandei um vídeo no Instagram do Bola. Se você puder dar uma olhada, Bola, eu agradeço muito.
Vou olhar, irmão. Amém, muito obrigado. Deus te abençoe.
Deus te abençoe, meu irmão. É o Cariovan_. Cariovan_Santos.
Boa, Cariovan!
Quem puder entrar lá, Cariovan_Santos. Um abraço, meu irmão, fica com Deus aí.
Em nome de Jesus, ele vai ser curado.
Boa, boa, Richard!
Vamos lá, é de novo.
Cariovan Santos enviou uma mensagem.
Tadinho, de novo. Olá, carioca, sou Cariovan Santos.
Obrigado pelo espaço, duas iguais, né?
E por contar contem um pouco da minha história.
Há 8 anos venho enfrentando uma grande batalha pela vida. Queria agradecer de coração pelo carinho.
Deus abençoe.
Amém, amém, tamo junto!
Valeu, Carivã, fica bem, meu irmão.
Força, irmão!
Aí, vamos lá.
Lucas Moreira enviou uma mensagem.
A voz do Silvio: vocês dois me inspiram muito como comunicadores.
Como Silvio Santos é todos os melhores anos. Que vem farei comunicação em audiovisual, sou de Taubaté, ESPM. Manda um abraço, carica e bola. Tenho um personagem inspirado em duas pessoas, uma é o Sílvio. Aí, como é que ele chama?
É o Lucas Moreira.
Abraço, Lucas! Obrigado, irmão!
Valeu, Lucas! Um abraço, Lucas Moreira!
Valeu, irmãozão!
Meu querido Richard, prazer mais uma vez de te encontrar.
Fiquei com inveja boa de você, teve uma vida muito boa ao lado do Silvão, pô, que legal!
Privilégio, né?
Que feliz!
Eu trouxe para você um presente que vem lá da Holanda.
Ah, eu já ganhei!
Da Holanda tem várias coisas boas que saem. Uma é queijo, outra é tecnologia. Inclusive, eu tô vendo aqui, a Philips é holandesa, né? E um tamanco. Eu ia te dar essa de pantufa para você usar durante de Pô, vamos te dar um presente também, holandês.
Ô, Júlia, Júlia, Júlia, mas o Júlia, cadê a Júlia?
Imagina.
E aproveitando, traz o negócio lá, a caixinha. Cadê a Júlia?
Aproveitando que a gente tá esperando a Júlia, eu quero agradecer a família Abravanel. Se eu pudesse agora falar com Silvio Santos, eu não ia falar nada, eu ia abraçar ele, dar um beijo na testa, falar assim: obrigado, pai. Ele eu sou um pai, entendeu? E por me ensinar que R$5 é muito dinheiro, cara, ele me ensinou que R$5 é muito dinheiro, principalmente quando você não tem. E o seu Silvio é uma lenda, não esquecem do Silvio Santos.
Eu, enquanto eu respirar, eu vou falar dele, vou defender ele. Ele é um ser humano, né, como todos nós. Ele tinha os defeitos igual, mas ele acertou mais do que ele errou. É muito mais. E eu não tenho como agradecer. Um Aspone lá de uma pequena cidade da Holanda, tive a honra.
Não, você tem um total valor, privilégio.
É privilégio de ter trabalhado e ter dividido.
Aqui, ó, da Philips.
Espetacular.
Obrigado, gente, não precisava.
Philips, que é o nosso patrocinador aqui. Temos um patrocinador, né, da Philips. Filips, áudio e vídeo, Filips, para você aí.
Obrigado, Filips, Deus abençoe.
Aí, a Filips aqui tá sempre contigo, caracatica. São vários anos, você já sabe que é a melhor coisa. Vamos nessa, boleta! Bora, amanhã, amanhã, meu querido Marquinhos, que é maravilhoso. Você, tô trabalhando tanto bola que eu não sei nem mais onde eu tô.
Você tá com agenda pouco cheia, então, com agenda tranquilassa, hein?
Amanhã, Rafael Brandão e Jorlan, Mr. Olympia, Mr. Olympia, aqui os preparativos em outubro agora. Agora vai ter o Mr. Olympia lá em Las Vegas. E amanhã, de Zorlan e Rafael Brandão aqui no Ticaracatica. Lembrando que tem Paul Cabanes e Oswaldo Barros na quinta-feira, tá certo? Obrigada, valeu, rapaziada! Até amanhã, 2 da tarde, tamo aqui. Valeu!
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