Episódios de TICARACATICAST

EP 797 - DRA. ANDRÉA VERMONT

06 de agosto de 20262h11min
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Dra. Andréa Vermont é psicanalista e doutora em Neurociências, famosa por traduzir a complexidade da mente em reflexões práticas. Com sólida bagagem corporativa e acadêmica, ela inspira milhões de pessoas através de livros, palestras e cursos focados no desenvolvimento emocional.

Participantes neste episódio3
B

Bola

HostHumorista
C

Carioca

HostComediante
A

Andréa Vermont

ConvidadoPsicanalista
Assuntos11
  • Autoconhecimento e Terapia· SaudeObrigação de fazer terapia·Terapia como caminho para a escultura original·Quando ter alta da terapia·Gestão do caos e honestidade terapêutica
  • Relacionamentos· SociedadeIdealização vs. Realidade·Amor vs. dopamina·Amor como cultivo diário·Amor como não ter utilidade
  • Relacionamentos Toxicos· SociedadeIdentificação de toxicidade·Características do narcisista·Red flags em relacionamentos·Diferença entre brincadeira e abuso
  • Infância de Gisèle· EntretenimentoCastigos físicos e recursos limitados·Estratégias de criação e amor·Brincadeira como elaboração infantil·Bullying e resiliência
  • Excesso de informação· SociedadeInformação vs. Conhecimento·Leveza na vida·Humor e arte
  • Inveja e Ciúme· SociedadeInveja e os olhos·Vida em vitrine e redes sociais·Discernimento e like
  • Transtorno BorderlineHistória de amor ou obsessão·Afetos distorcidos e negociação·Limites e orientação para filhos
  • Moda e Comportamento GeracionalHigiene: talheres vs. mãos·Etiqueta e convenções sociais·Finger foods e tendências
  • Procrastinação e autocríticaMedo de acertar·O ótimo inimigo do bom·Filosofia prática vs. diagnóstico
  • Diferenças de gênero na percepção do silêncioSilêncio como elaboração e observação·Escutatória vs. Oratória·Fuga do silêncio na modernidade
  • Ciúmes e a idade certa para beijarCiúme como zelo e proteção·Hormônios vs. Juízo·Ser referência para os filhos
Transcrição847 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
AVAndréa Vermont

Ô, menino!

BBola

Hello, hello, grande Marcos Queza! Boa tarde a todos vocês. Hoje é um dia de contemplação, dia muito feliz aqui, Marcos Queza.

CCarioca

Dia muito ótimo.

BBola

Ah, eu adoro quando a gente tem, quando a gente recebe aqui pessoas que vão engrandecer o seu dia.

CCarioca

A sua vida, muito, muito, muito. É verdade, tenho que dizer, não estão farmando auras por aí, pelo amor de Deus.

BBola

Vamos farmar aura? Eu farmei com Sérgio Malandro, com Caibro. Como é que é isso?

CCarioca

Que a pessoa tá assim, você dá na coluna, aí já para na hora.

BBola

Não para não, ela vai tremer lá, aí que ela vai farmar.

CCarioca

Vai dar mais dinheiro que para ir junto.

BBola

Pessoas que têm convulsões estão farmando aura, meu querido?

CCarioca

Acredito que sim, pelo que eu tô vendo. Aproveitar e informar a aura, quero agradecer aqui Vamos lá, Boletão. O Edu Almada me deu um presente.

BBola

Edu Almada? Quem seria Edu Almada?

CCarioca

Do Megale.

BBola

Quem?

CCarioca

O Edu Megale.

BBola

Edu Megale da Talent. Da Talent? Pô, ele veio aqui ontem.

CCarioca

Olha esse troféu.

BBola

Que que— meu Deus, do Botafogo ele não faz, né?

CCarioca

Autografado.

BBola

Porra, aí sim, hein, bola, irmão! Vocês perderam para o Fortaleza, mas classificaram. Isso que é importante. Nossa, o Nico vai babar nisso aí. Vai ter um, vai farmar a hora vendo isso aí.

CCarioca

Edu, mas você, como é que tá o pessoal da Talent lá, papai?

BBola

Vamos mandar um abraço.

CCarioca

Tá ótima.

BBola

Alô, Talent, tamo junto, hein! Estivemos lá uma para conversar com o pessoal da Talent, né, para falar sobre podcast, que hoje é simplesmente um dos maiores canais de mídia, se não for, quiçá, o maior canal de mídia hoje da atualidade, vide a figura que está aqui hoje diante de nós aqui, totalmente uma pessoa concebida popularmente via podcast. Não é verdade, Doutora?

AVAndréa Vermont

É verdade.

BBola

E as pessoas aí das agências ainda estão ainda dando aquela dormida. Acordem, acordem, porque isso aqui hoje é uma pessoa que bola. Curta, compartilhe, você já sabe o que fazer. Spotify, enfim, tamo aí. Daqui a pouco eu falo do show também. Doutora Andréia Vermol.

CCarioca

Que honra!

AVAndréa Vermont

Aí você me pergunta, que honra! Ídolos da minha juventude, eu dei muita risada com vocês, vocês são ótimos.

CCarioca

Ela é psicanalista, psicanalista, doutora em filosofia, filósofa, neurocientista e palestrante brasileira. Fraca é tudo isso, é mulher fraca. E as pessoas chegam: nossa, doutora, como é que você fez sucesso em uma semana?

?Voz D

No dia para noite você se tornou conhecida.

CCarioca

Quanto tempo na batalha, doutora?

AVAndréa Vermont

Essa é a melhor, né? Como que você surgiu da noite para o dia? Eu falo da noite para o dia estudando 30 anos, né? Pelejando desde a hora que nasceu, né? Esse é o da noite para o dia. É muito, muito esforço, né? Uma caminhada inteira. E eu acho que é um não desistir, né?

CCarioca

Pelo sotaque, você é mineirinha de onde, doutora?

AVAndréa Vermont

Eu sou de Berlândia.

BBola

Berlândia, Berlândia, Beraba, e a beleza de Araguari. A beleza e a preponderância, a bondade, e a Belezura de Araguari.

CCarioca

Estudou lá? Como é que foi a sua experiência?

AVAndréa Vermont

Estudei em Uberlândia, eu fiz filosofia em Uberlândia, fiz minha formação em psicanálise em Uberlândia também, via fazendo algumas viagens. E a minha formação em filosofia da mente com foco em neurociências em Porto Alegre, na UFRE. É através do Instituto Pachter, né, que é o Instituto de Filosofia Clínica, que lançou um movimento novo no Brasil, depois no mundo, A partir da filosofia clínica eu fui para o doutorado em filosofia da mente.

CCarioca

A turma no divã lá sentadinha, é isso? Opa, turma senta, você batia papo durante 12 anos.

AVAndréa Vermont

Eu sempre tive um divã, mas o divã ele é um movimento engraçado, porque o divã a pessoa precisa se sentir à vontade para estar. Então é raro quem já chega e já vai direto para o divã. Sempre tinha uma poltrona, né?

CCarioca

Entendi.

AVAndréa Vermont

Mas tinha gente que chegava e falava: não quero conversar não, só quero deitar ali 40 minutos, 1 hora, ficar quietinho.

BBola

Mas doutora, como é que as pessoas que estão nos assistindo nesse momento, né, que todos nós temos as nossas dúvidas, as nossas angústias, as nossas ansiedades, que são as incertezas do futuro, a nossa depressão, que é a saudade do passado, não é verdade? Eu acho que o que leva a pessoa à ansiedade é querer que o futuro chegue logo e ele não tá chegando, né?

CCarioca

Aquele amanhã.

BBola

Ah, mas as pessoas têm muita gente que a ansiedade, eu acredito que seja isso, e a depressão vem muito da ligação que a pessoa deixou aquele passado lá e e quer viver naquilo que já foi, né? Posso estar falando uma grande merda aqui, mas é o que eu acredito. Como é que você encara hoje? Você acha que a sociedade, ela está em que momento ela tá atravessando nesses 30 anos? Você acha que ela evoluiu, piorou?

CCarioca

Como é que tá?

BBola

Que tamborim estamos tocando? Como seus pacientes, por exemplo, as pessoas que passam em seu consultório e se consultam, como é que você vê hoje A humanidade, ela tá evoluindo ou ela está no colapso? Como é que estamos agora? Qual é a fotografia?

AVAndréa Vermont

Eu gosto da palavra que você falou, colapso. Não dá para falar evoluindo ou involuindo, né? Eu gosto dessa palavra, colapsando. E aí eu acho que o trabalho que vocês fazem é fantástico e a gente precisa retomar esse tipo de coisa. A gente tá ficando sério demais. Nunca se ouve tanta informação e tão pouco conhecimento. Uma coisa é informação, Outra coisa é conhecimento. Conhecimento é quando a informação transforma o meu dia a dia, ela se torna carne na minha carne.

São coisas diferentes. E com o excesso de informação, a gente tá ficando enjoado demais, estressado demais, minucioso demais, detalhista demais. A vida precisa um pouco mais de leveza. Então, por isso que a gente está colapsando. Quando eu digo que vocês prestam um trabalho, eu digo— o Nietzsche vai falar muito sobre a arte, sobre a música, sobre o teatro, sobre o humor. Isso traz uma leveza para a vida. Nem tudo— e o próprio Freud dizia isso— às vezes um charuto é só um charuto.

Nem tudo precisa ser tão detalhado, tão diagnosticado, tão pensado, tão falado. Minha filha outro dia tava lá numa crise existencial, lá com 19 anos. Quem nunca, né? E nós tivemos uma amiga que ela teve um episódio psicótico, e ela disse que durante o delírio dela ela olhava para vários arbustos e via vários arbustos, cada arbusto com capetinha dentro.

CCarioca

É por causa de alguma coisa que tomou?

AVAndréa Vermont

Foi não, por conta de uma crise mesmo emocional. Aí ela disse que ia num arbusto, falava pro capetinho: agora não, depois eu resolvo. Aí ia no outro: agora não, depois eu resolvo. E ela disse que falou isso para umas 20 moitas lá. Eu brinco que às vezes a gente fazendo travessuras nessas moitas, às vezes a gente tem que fazer isso na vida. Às vezes você tem que olhar para alguns arbustos na sua vida e dizer: conversar e falar: depois eu resolvo.

A gente tá querendo trazer minúcia demais, explicação demais. Tudo tem nome, tudo é crise, tudo tem diagnóstico, tudo muito DR. E aí a vida vai virando um compêndio de doutorado, ela vai virando uma tese. A vida precisa ser mais engraçada, a vida precisa ser mais leve, a vida precisa ser mais quinta série, sabe?

BBola

Essas coisas, deixar um pouco as coisas andarem por si só. Não é verdade? Eu acredito nisso. Eu acho que colocar muita. A vida, cara, não perca o seu norte magnético. É o que eu acredito. Você tem um norte.

AVAndréa Vermont

Você sabe o que que eu acredito também, cara? Eu tenho uma fé muito grande em Deus. E eu digo que às vezes eu tenho a sensação que Deus olha para a gente e fala assim: não atrapalha, só não atrapalha. Faz o teu, faz o teu.

CCarioca

Deixa que aqui eu vou causar, né, mulher?

AVAndréa Vermont

Não enfia a mão muito não, que você não sabe muito o que você tá fazendo. Então assim, a gente tem uma mania Ao mesmo tempo que eu sou uma cientista e uma estudiosa, isso me traz também o que não deveria acontecer, né? Talvez eu deveria ser uma pessoa mais pesada, mais— e talvez seja isso que tenha sido a diferença e que as pessoas se assimilam com o meu trabalho. Ao mesmo tempo que eu vejo isso tudo, eu também olho pra vida e digo assim: vamos ser um pouco mais leve, vamos brincar um pouco mais, vamos voltar pras coisas básicas do dia a dia, vamos pesar menos.

Então assim, isso eu acho que por isso nós estamos colapsando. Eu falo de um caso que a minha filha chegou uma vez em casa: ai, mãe, tô sofrendo bullying. Falei: o que que foi, bem? Ai, o povo lá na escola tá falando que eu sou zoiuda. Falei: bem, você é zoiuda mesmo, nosso olho é enorme, nosso olho é gigante, a gente parece um sapo. Vamos lidar bem com esse negócio, mas você tem outras características. O importante é ter saúde.

CCarioca

Quem falou que não é bonito ser zoiudo?

AVAndréa Vermont

De perto ninguém é normal, já dizia o Caetano Veloso.

BBola

Chamaram a menina de telescópio. Chamaram a menina de telescópio.

AVAndréa Vermont

O que é?

CCarioca

Qual o problema? Falcão, olhos de águia.

BBola

Mas assim, eu acredito muito numa coisa chamada assim: Deus não trai os de bom coração.

AVAndréa Vermont

Amém.

BBola

Deus não trai os de bom coração. Vão te sacanear uma vida, várias pessoas vão te decepcionar, várias. Segue, não sacaneie, não revide, faça o bem. Cara, é impressionante como a coisa—

AVAndréa Vermont

eu falo assim, cara, e eu tenho uma coisa para mim: quando não conseguem questionar sua competência, vão querer descredibilizar seu nome. Não tenha dúvida. Se não conseguem questionar sua competência, vão querer descredibilizar seu nome. Exato. Então, se você toma pedrada, você tem duas posições na vida: ou você é pedra, ou você é vidraço. Ou você fala, ou você é falado.

BBola

Você é a mão da pedra, né?

CCarioca

É isso. Mas baseado hoje no que você passa no dia a dia, qual que é a principal doença que aflige o ser humano? É TDAH? É depressão? Qual que é a maior te procuram mais? O quê? Nos dias de hoje, o quê? A doença principal do mundo, todo mundo tem TDAH, dele tem um pouquinho. Esquece essas coisas.

AVAndréa Vermont

Você tem?

CCarioca

Puta que pariu!

AVAndréa Vermont

Eu tenho também, eu tenho TAG, eu tenho TAG, transtorno de ansiedade generalizada.

BBola

É isso que eu tenho, é detectado.

AVAndréa Vermont

Mas você é meio TDAH assim.

CCarioca

Oi? Você é TDAH assim, meio.

AVAndréa Vermont

Você não tem diagnóstico de TDAH?

CCarioca

Não tenho, porque ele não foi no médico certo.

AVAndréa Vermont

Exatamente.

BBola

O que que é isso?

CCarioca

Exatamente.

BBola

Ah, mas tá muito chato isso aí de TDAH, todo Todo mundo tem. Eu sou uma pessoa que o meu TDAH, ele é confundido com reflexão. Cala a boca! Eu penso o tempo inteiro, doutora.

CCarioca

E aí ele esquece que tem reunião, sabe? Aí, porque ele tá pensando muito.

BBola

Eu penso, eu sou aquariano. Você não acredita em signos?

AVAndréa Vermont

Pensa o tempo todo.

CCarioca

Eu penso na carinha dele.

BBola

Eu reflito muito. Eu acho que o ser humano precisa de reflexão.

AVAndréa Vermont

O Bola perguntou qual que é a grande doença, né? Eu não sei se é a grande doença, mas eu acho que o grande mal atualmente é inveja. Eu acho que eu tenho praticamente certeza. Caramba, ela é a fonte de muitos males que a gente vê na atualidade. Porque o que que acontece com a inveja? A inveja ela entra pelos olhos. Tanto que no livro do Dante Alighieri, a Divina Comédia, os 7 pecados capitais são divididos por andares. É como se existisse uma montanha e os andares, cada andar de um pecado. No andar da inveja, todos os invejosos têm os olhos perfurados.

?Voz E

Por quê?

AVAndréa Vermont

Porque a inveja entra pelos olhos. Então tudo que é contra inveja é sobre olho: olho gordo, olho grego na porta. Então tudo que refere à inveja, referência é o olhar. Por que que a inveja é o grande mal? Porque vivemos numa vitrine. Então como a minha vida é muito exposta e eu estou na vitrine, e as pessoas criam vitrine o tempo todo, se você tiver melhor que alguém Só que todo mundo esquece que ninguém posta a vida comum, a gente só posta recortes de uma vida fabricada. Você não posta: partiu comer arroz com ovo.

CCarioca

Não, e a grande maioria posta mentira, né?

BBola

E aí, como as pessoas estão—

AVAndréa Vermont

me ferrei com isso aqui, partiu hashtag faxina. Ninguém posta isso.

BBola

Mas a pessoa que tá consumindo aquilo, ela tem que ter esse discernimento.

AVAndréa Vermont

Ah, mas agora você falou de um artigo de luxo. Discernimento.

BBola

Fala assim: olha, isso aqui as pessoas estão colocando Ninguém colocou o Vini Júnior, agora fez, né? Ele tá bonito.

AVAndréa Vermont

Se tem uma coisa que as pessoas não têm na atualidade é discernimento.

BBola

Que bom que eu tenho.

CCarioca

Tem zero discernimento.

BBola

Eu gosto de ter pessoas, as pessoas, desculpa, no geral eu falo o seguinte: enquanto as pessoas estão fazendo merda, lamento, eu tô buscando o meu caminho.

AVAndréa Vermont

E que é tão engraçado que vocês falaram, olha como essa história começou. Será que as pessoas veem essa vida editada e elas não não tem discernimento. Uma das coisas que a gente percebe, por exemplo, em internet, rede social, não prevalece a verdade ou a mentira. O que prevalece é o que dá mais like. Então se cria um assunto sobre uma celebridade X, o que vai aparecer não é a verdade nem a mentira, é o que dá like, é o que tá valendo. Por isso esse é o grande risco.

BBola

Você quer ver uma coisa que me incomoda? Aí você pode me dizer no comportamento, já vamos falar da inveja, mas você me acendeu uma luz aqui, por exemplo. Nossa, você tá de marrom! Falei, o que que tem? É porque tá na moda. Quem falou? Quem disse?

CCarioca

O que que é a moda inteira? Foi assim.

BBola

Aí agora tá na moda usar o tênis azul com amarelo. Tá, mas que que embolou isso, sabe? Aí acaba caindo num consciente coletivo, todo mundo usa igual, sabe? Eu falo, meu Deus, não, agora tá na moda essa sobrancelha de de teto, de—

AVAndréa Vermont

é que você cria paradigmas, né? E começa a acreditar nesse paradigma, é um pareamento humano que ninguém questiona esse paradigma. Eu dou muito exemplo de paradigma quando eu falo muito isso em palestra, as pessoas saem de lá com o cabelo em pé. Eu falo assim, e eu faço essa pergunta, cabelo em pé, faço essa pergunta para vocês dois: qual que é mais higiênico, comer com talher ou comer com as mãos? Antigamente os nossos pais comiam com as mãos, nossos avós.

BBola

Qual que é mais?

AVAndréa Vermont

Se você lavar as mãos e passar álcool 70, você elimina mais de 90% de qualquer microrganismo que estaria na sua mão. A maior fonte de contaminação de hepatite é a saliva. O microrganismo que causa hepatite, ele só morre em qualquer instrumento que ele for tocado se ele for autoclavado. Não basta esterilização. Você acha que o garfo que você come no restaurante mais chique de São Paulo foi autoclavado?

CCarioca

Passou aquela esponja suja lá e acabou.

AVAndréa Vermont

Você acha que o copo lá do—

BBola

mas o IP não mata essas bactérias?

CCarioca

Quem?

BBola

O IP, essas coisas.

AVAndréa Vermont

Aí eu volto e pergunto, é mais higiênico comer com a mão ou com talher?

BBola

Depende de onde você passou sua mão.

AVAndréa Vermont

Só que criou-se o paradigma que o educado, que o politicamente correto, que o mais higiênico é comer com talher.

BBola

Mas você come com a mão?

AVAndréa Vermont

Não, mas eu não tenho vontade. Mas em algum momento você questiona, porque a ideia não é nem se eu como, se eu não como. A ideia é sobre paradigma. Em algum momento, quando te entregaram um garfo, você questionou por que devo comer com garfo?

BBola

Eu acho que eu nunca questionei.

AVAndréa Vermont

É assim que surge um paradigma.

BBola

Sim, claro.

AVAndréa Vermont

Quando ele vem de uma ação repetitiva que ninguém questiona.

CCarioca

Você aprende desde pequeno a comer com garfo e faca.

BBola

É uma coisa de etiqueta que a humanidade foi evoluindo.

AVAndréa Vermont

Que aí é o mesmo conceito que você falou de moda.

?Voz E

Tá bom.

CCarioca

É uma tendência.

BBola

É o país que come com garfo e faca.

CCarioca

Tá claro, não tem país que come com a mão que não tem. Tem país que a etiqueta é comer com a mão.

BBola

Que país? Os tapas. Agora tá na moda, né? Tá na moda tapas, né? As tapinhas, né? Finger foods aqui é bem comum.

CCarioca

Mas é petisquinha, salgadinho de festa.

BBola

Finger foods tá meio na moda, né?

AVAndréa Vermont

O finger foods é comer com a mão, tá na moda. Então o paradigma ele nasce dessa ideia. Então essa ideia de moda, essa ideia que é preconizada espalhada. E ela muda muito, né? O que era moda 1980 deixa de ser, de repente ela volta.

CCarioca

Exatamente.

BBola

Mas eu quero saber de onde surge isso, gente. Eu juro que eu tento, eu falo, mas quem que bolou isso?

CCarioca

Alguém lança e a turma vai atrás.

BBola

Eu fico meio na nóia.

CCarioca

Você pode lançar um negócio que se a turma for atrás vira moda. Começa a vir com uma chuquinha aqui, ó.

BBola

Ah, mas eu não sei se—

CCarioca

eu não sei, eu tô dizendo, não sabe como é que surge, não sabe.

BBola

Era uma boa pesquisa. Da onde surge as modas comportamentais?

AVAndréa Vermont

Quem dita, amor?

BBola

Como é que faz isso? Quem que é? Ah, porque agora é o lenço, tá? Mas quem que bolou isso?

AVAndréa Vermont

Isso são várias possibilidades. Se uma pessoa muito chique coloca, se uma pessoa simples coloca, é brega. Mas aí, se fulana coloca, é chique.

CCarioca

E aí, agora, e tem muito view, muito like, que todo mundo vai ver.

BBola

Se a Virgínia fez, se a Sílvia Braz coloca, é chiquérrimo. Eu entendi. Então começa essa pesquisa de azul marinho, acabou, todo mundo vai abraçar o azul marinho.

AVAndréa Vermont

Que o que vale é a capacidade de divulgação e não se é verdade ou não. Por isso que audiência hoje é validíssima. Por isso que audiência hoje é o maior ativo que se tem. Quando as pessoas pedem para tirar foto comigo, isso é uma dinâmica constante o tempo todo. No fundo, a pessoa, ela não, ela não tá muito interessada em mim, ela tá interessada na minha audiência.

CCarioca

Em postar a foto dela com você, ela quer tipo cartaz, né?

BBola

Ela quer cartaz.

AVAndréa Vermont

Hoje nós temos uma visualização no Instagram dia de 32 milhões, mês, mês 360 milhões. Claro que a pessoa quer, é a minha, óbvio, não é sobre mim.

BBola

Tá, mas eu quero entender no lado da psicanálise. Por exemplo, Silvia Brice, você falou de um nome, né, que eu já ouvi através da Dili.

AVAndréa Vermont

Eu acho ela maravilhosa, uma querida.

BBola

Sim, mas como é que é dentro desse conceito psicológico? Por que que as pessoas escolheram ela? Por quê? Qual que é o gatilho cerebral por ser ela? Ela, ela é uma das Kardashians. As Kardashians, eu queria entender por quê.

AVAndréa Vermont

Isso muda com o tempo, né? Isso muda com o tempo. Vou pegar o exemplo, por exemplo, meu. Quando as pessoas dizem, como é que você surgiu da noite para o dia? Pergunta maravilhosa. Por que que talvez as pessoas tenham se identificado com o meu trabalho? Porque isso muda com o tempo. Na atualidade, as pessoas estão procurando mais gente que pareça com gente e menos gente que pareça com avatar. As pessoas criam personalidades na internet.

Eu me pareço muito com gente, eu tenho sotaque, eu sou engraçada, eu falo dos meus filhos, eu tenho marido, eu tenho questões. Então as pessoas buscam identificar na atualidade. Se isso daqui um ano pode ser diferente, mas na atualidade as pessoas buscam identificação com gente que pareça com gente. As pessoas cansaram de se identificar com marca, com pessoas que parecem que tem um real interesse por elas. Você pode até vender alguma coisa, as pessoas nem estão muito preocupadas com isso, desde que antes disso pareça que você tem um real interesse.

Às vezes eu dou curso de vendas, eu falo isso: vender não é difícil. Desde que as pessoas percebam que não é só a venda. E isso vale porque a gente vende o tempo todo. Nós estamos falando de vender produto. Quando a gente faz um podcast, nós estamos aqui vendendo as nossas ideias. Mas o que que tá por trás disso? Qual é a intenção disso? Você veio só para hypar, só para falar bonito e criar frase de efeito? Ou existe em você um real interesse na melhoria de quem tá assistindo, um real esclarecimento, um real entretenimento?

Então o que que acontece hoje? Por que que as pessoas hoje se associam a algumas pessoas? No meu caso, no meu caso, porque as pessoas enxergam verdade, honestidade, simplicidade, conteúdo. No caso da Silvia Braz, realmente existe beleza, existe bom gosto. Então as pessoas vão escolhendo algumas questões, se pareiam, sabe?

BBola

Eu quero, se espelham, parear mesmo, uma conexão do tipo gostaria de ser, não como inveja. Veja, Shakira como referência.

AVAndréa Vermont

Vamos dizer, uma diferença entre inveja e admiração.

BBola

Referência, né?

AVAndréa Vermont

Acho que a palavra correta, ela é uma referência de beleza, de estética, de como se vestir. Então pode ser isso também. Eu, eu me ligo muito a quem é o que eu gostaria de ser, ou eu me ligo muito a quem se parece comigo e ainda assim conseguiu não desistir da vida. Eu acho que as pessoas veem muito isso em Ela se parece muito comigo e apesar de tudo que nós vivemos ela não desistiu da vida. E isso me dá um recado: não desista também.

CCarioca

Mas também não tem aquela coisa, doutora, para eu entender, tipo que a senhora falou da Silvia Brás, tá lá, a pessoa admira ver, mas a pessoa não vai conseguir chegar no que ela é. A pessoa não pode se frustrar com isso? Pode não conseguir, sabe, mira e idealiza. Eu não tenho essa bolsa, eu não tenho esse anel, eu não tenho esse relógio, não sei. É uma pergunta que eu te faço.

AVAndréa Vermont

Mas aí, a partir do conteúdo pessoal de cada um, né? Você não vê o outro pelo que ele é, você vê o outro pelo que você é. Vão existir dois olhares sobre o Bola, tá? Um vai olhar para o seu chapéu e dizer: que boné lindo, eu adoraria ter um boné desse, o Bola merece um boné desse, o cara trabalhou a vida inteira. Vai ter outro que vai olhar e vai dizer: desgraçado, esse cara não merecia esse boné, esse cara deve estar roubando para comprar um boné desse.

O mesmo boné, duas leituras diferentes. As pessoas não nos veem pelo que nós somos, as pessoas nos veem pelo que elas Entendi. Por isso eu não sou responsável pelo seu julgamento a meu respeito. Pense de mim o que você quiser, você tá livre para pensar, porque você não está pensando de mim, amigo, você está pensando é de você. Você me enxerga a partir dos seus conteúdos, você não tem o poder de enxergar os meus conteúdos, até porque existem camadas dentro de mim que você jamais vai acessar.

Acho super interessante alguém julgar alguém. Aí eu olho e fulano Como que você julga? Você não sabe nem o que se passou na vida daquela pessoa. Caetano Veloso vai dizer: narciso acha feio que não é espelho. Na verdade, você tá procurando em mim o que você vê em você. Você tá falando de mim o que você não suporta em você. E aí eu vou me incomodar com isso? Por isso que críticas— a minha psicanalista falou uma coisa essa semana que foi maravilhoso.

Outro dia alguém perguntou: nossa, vocês também fazem terapia? Vocês são uma máfia! O psicólogo faz terapia, indica outro psicólogo. Nós somos uma máfia, a gente se Uma confraria, uma Maçonaria. A gente nunca vai ficar sem serviço, porque o psicanalista tem que ter um psicanalista, que tem que ter um psicanalista. A minha psicanalista falou uma coisa essa semana maravilhosa. Ela falou, Andréia, você sabe por que que hater não te ofende? Porque os primeiros haters da sua infância foram seus irmãos. Quem é hate?

BBola

Isso aí.

AVAndréa Vermont

Quem é hate para me ferrar?

BBola

É isso aí.

AVAndréa Vermont

Que isso? Eu cresci com 6 irmãos me ferrando desde a hora que eu nasci. Meus irmãos jogavam o leite da mamadeira fora, catava água, misturava com Maizena, sacudia, me dava para tomar, roubar meu leite.

BBola

Quem é hate?

AVAndréa Vermont

Pelo amor de Deus!

BBola

Eu acho assim que o hater, né, eu vi até da mãe da minha namorada uma vez que a galera tava descendo o sarrafo em mim assim, sabe, maldade mesmo. As pessoas colocando assim, cara, eu falei, eu não ligo, tá? Eu não ligo mesmo, que eu já entendi também. Tô no ramo algum tempo, então você já meio que Aí ela falou assim, isso aí fala muito mais sobre a pessoa do que de você, mostra muito mais ela, o que ela tem dentro do que você. Falei, valeu, tá claro.

AVAndréa Vermont

E você sabe o que que acontece também, Carioca? A gente tem que ser muito maduro e entender o jogo que a gente entrou e saber se a gente quer jogar o jogo. Você pegar a Daiane dos Santos, ela tem mais de 10 cirurgias, é a carreira do atleta de alto rendimento. O médico, ele precisa virar madrugadas dando plantão, é o core business dele. O nosso core business é o jogo da internet, é o jogo de tomar pancada, é o jogo de tomar pedrada, é o jogo de ser mal falado.

E não dá para sentar, ai, ai, ai, mimimi, não, gatão. Deixa eu te contar, é o jogo. Você quer jogar o jogo? Você não quer, pede para sair. É simples assim. É igual o médico chorar porque ele tem que dar plantão. É lindo, você achou que você ia fazer o quê? Querer perder um paciente, que ele, enfim, é exatamente a mesma coisa de um atleta de alta performance chorar porque lesionou. Amigo, faz parte do game, faz parte do jogo. Quando você entrou, você não sabia que tá tendo muito na seleção brasileira, né?

Então, então o jogo da internet é esse daí. Você vai ser, eu digo assim, 98% das pessoas são extremamente carinhosas, gostam, validam, elogiam. Eu falo que a coisa que eu mais ouço atualmente: Deus é muito maravilhoso comigo. Comigo, graças a Deus. Que bom, maravilhoso. As pessoas dizem assim: o seu conteúdo salva minha vida. É raríssimo o dia que eu não encontro alguém que fala isso. Nossa, eu tava ontem mesmo, uma gerente de banco: eu tava pensando em desistir da vida e um vídeo seu me fez repensar.

Então isso me faz acordar todos os dias. Essa semana uma pessoa me perguntou, acho até que foi o Karnal, se eu não tiver enganada. Ele diz assim: por que que você continua? Quando você liga a câmera, o que que você pensa? Quando você liga o celular, você vai começar Ele falou, porque às vezes tem que questionar se vale a exposição e a pedrada. Sempre que eu ligo o celular, eu penso que eu posso— pode ter uma mãe que me ouve, vai ser uma mãe melhor.

Pode ter um adolescente que me ouve e vai se sentir motivado a sair lá do mínimo que ele teve, como eu saí, querer crescer na vida. Pode ter alguém querendo tirar a vida e pode ouvir aquele vídeo, dá uma nova chance. É só nisso que eu penso, é isso que me motiva todos os dias. É a intenção que tá por trás. E quando a intenção é pura, cara, Deus não te deixa.

BBola

Você sabe que eu entendo assim do seu trabalho, que às vezes a gente tá, sabe quando você tá ali no Rio, ali aquela parte do mar ali perto de, depois do Arpoador ali, depois do Arpoador não, perto do Vidigal, o mar tá mexido. O trabalho que vocês exercem é como se fosse uma corda e uma boia para ajudar a você tirar daquele momento que você tá passando ali. Eu entendo dessa forma. E é mesmo, não é isso?

?Voz D

É um resgate.

BBola

É exatamente um resgate momentâneo. Não é que seja por uma vida, não que seja por uma vida, né?

CCarioca

Deve ser gratificante. De vez em quando a gente também recebe aqui, puta bola, a gente tava ruim, ouvindo o programa de vocês, nós demos risada, melhoramos. Isso é muito gostoso.

AVAndréa Vermont

E eu falo isso em todo podcast que eu vou. Uma senhora um dia me mandou um, acho que uma mensagem no direct, eu nunca esqueci. Ela falou, doutora, eu só suporto a quimioterapia porque eu fico assistindo os podcasts que que vocês fazem. Eu só aguento fazer quimioterapia assistindo podcast. Então quando você pensa nisso, você pensa que tem uma criança fazendo químio, tem uma mulher fazendo uma químio, e ela tá dando conta porque ela tá aqui agora assistindo a gente. Isso faz valer qualquer coisa, qualquer coisa.

BBola

É isso aí, não tá tudo certo. Ô doutora, vamos para relacionamentos? Vamos, vamos para relacionamentos. Por que que a nossa sociedade Já que você tem 30 anos de carreira, não sei quanto tempo você tem de casada.

AVAndréa Vermont

26.

CCarioca

26 anos.

AVAndréa Vermont

Faço agora semana, dia 12.

BBola

Você sabe que isso é raro. Por quê? O que que está acontecendo? O que que é relacionamento líquido? Por que que as pessoas estão tão descartáveis com as alianças?

AVAndréa Vermont

Porque acontece várias coisas. Primeira delas, Entre o ideal e o real há uma distância gigantesca. De perto ninguém é ideal. A gente constrói o relacionamento baseado na idealização, que quando você namora é o ideal. Ele só chega bonito, cheiroso, bem vestido, bons restaurantes, passear. Pronto, idealização. E aí você casa com a ideia: ela nunca tá estressada, quando ela tá estressada ela vai jogar isso em cima de qualquer pessoa menos de você, o sexo acontece quase todos os dias, é maravilhoso, e pronto.

Ideal. Isso é a idealização. Quando eu vou para um relacionamento mais íntimo, morar junto, casar, agora eu vou lidar com— agora é a vida real.

CCarioca

Aí que o bicho pega.

AVAndréa Vermont

Agora é a vida real. E aí eu brinco assim, de perto ninguém é ideal.

CCarioca

Então quando você começa a conviver, acorda ali, né?

AVAndréa Vermont

Exatamente. Aí quando você começa a conviver com as pessoas com mais proximidade, aí você vai ver que sexo não acontece todo dia. Aliás, quase não acontece sexo em casamento.

CCarioca

Eu falei igreja evangélica.

AVAndréa Vermont

Ah, por que vocês não casam cedo? A gente vai casar para transar. Fala, então esqueça, se essa for a razão. Se tiver um lugar onde a gente não transa, eu nunca casei. Então, N coisas começa a acontecer. Outra coisa que acontece, por que que as relações acabam com muita facilidade?

BBola

Tudo tá muito descartável.

AVAndréa Vermont

As pessoas acreditam que amor é uma coisa assim, não é. Amor não é essa coisa inédita, esse negócio que você tá falando aí é qualquer outra coisa, menos amor. É fogos de artifício, é rivotril, é outra coisa, menos amor.

BBola

Orgasmo, né?

AVAndréa Vermont

Amor é uma coisa bem mais simples. Amor é uma coisinha do dia a dia, é uma coisinha muito simples, é uma relação cultivada. É um: meu bem, eu tô indo ali na cozinha tomar uma água, você quer que eu traga para você?

BBola

Um beijo, um abraço, entendeu?

AVAndréa Vermont

Então é uma relação muito mais simples, muito menos romântica do que tudo isso que as pessoas enfeitam e criam essa ideia. E isso é muito infantil. Nós estamos nos relacionando, é louco como a gente vive uma vida cíclica. Parece que a humanidade regrediu em termos de relacionamento. Não à toa, o Bauman escreveu Relacionamentos Líquidos. Eu brinco, eu vou escrever Relacionamentos Gasosos.

CCarioca

Nós já saímos do líquido, maravilhoso, gente.

AVAndréa Vermont

Já chama de amor no segundo dia. Beijou hoje, amanhã já tá chamando de amor.

CCarioca

É vida.

AVAndréa Vermont

Eu acho lindo dois adolescentes de 17 anos chamar o outro de vida. Eles nem vida tem ainda, como é que chama o outro de vida?

CCarioca

É verdade.

AVAndréa Vermont

Como assim vida?

CCarioca

Que pariu!

AVAndréa Vermont

Então vai do zero ao 30 com uma velocidade gigante. Só que tudo que vai rápido vem rápido. Existem dois tipos de relações: as relações dopaminérgicas, que é baseada em dopamina, A dopamina é o neurotransmissor do prazer intenso, mas que dura pouco. O amor, ele é serotoninérgico, ele vai devagar, mas ele se mantém ao longo dos anos, retilíneo e uniforme. É sobre isso. Então assim, nem todo dia eu— aliás, a grande maioria dos dias eu não estou bonita, a grande maioria das minhas poses não são interessantes, a grande maioria dos meus comportamentos Eu falo que eu sei que eu amo meu marido porque eu tenho dia que eu estou, eu durmo com muito ódio dele, com muito desejo que ele faleça.

E aí no outro dia de manhã eu acordo, nossa, ontem eu morri de desejo que ele falecesse, fiquei com muito ódio dele porque eu fui falar um negócio da minha terapia para ele, ele falou assim, mas essa terapia é sua, não é minha. Tipo assim, olha que sem educação, porque Que boca dura, porque não tomou um tapa na boca da mãe. Mãe dele deveria ter dado um tapa na boca dele para ele aprender a ser respondão. Aí eu não posso dar, né?

Eu dormi num ódio. Aí no outro dia você acorda e olha para pessoa e diz: é com essa pessoa que eu quero continuar o resto dos meus dias. Essa pessoa é que vale a pena.

BBola

Os benefícios que ele lhe dá, qual é o combo?

AVAndréa Vermont

Qual benefício, Carioca?

BBola

Não sei, tô lhe perguntando.

AVAndréa Vermont

Você sabe como que você entende que você ama alguém? Quando essa pessoa não tem utilidade nenhuma na sua vida e ainda assim você não quer que ela vá embora.

CCarioca

Caraca, bonito, hein? É verdade mesmo.

AVAndréa Vermont

Você só sabe que você ama alguém quando essa pessoa não serve para nada, não gosta nenhuma, e ainda assim você não quer que ela vá embora. Minha mãe, minha mãe não serve para nada mais na minha vida, absolutamente nada. Muito pelo contrário, ela me dá trabalho hoje, a relação inverteu. Mas eu não consigo imaginar um dia da minha existência sem ela.

BBola

Eu te compreendo. Isso é amor.

AVAndréa Vermont

Então amor é quando você olhar para ela e entender que ela não acrescenta nada na sua carreira, ela não põe um real no seu bolso, ela— mas você, a sua vida fica menos engraçada sem ela, menos cor, com menos beleza. É relações. E aí de novo outro erro: por que que as relações acabam? As pessoas buscam uma complementariedade. Aí fulano me completa, já começou errado. As pessoas não vêm para nos completar, elas vêm para nos suplementar.

Eu já sou completo, mas com você eu transbordo. Se em mim falta um pedaço e você me completa, o dia que você sai eu vou ter um problema. Aí nasce dependência emocional e daí para frente. Então, de novo, respondendo a pergunta: por que que as relações acabam? Porque você já tá indo buscar alguém alguém que precisa completar um pedaço. Solteiro, o que que é solteiro? A palavra diz, ela fala por si mesma: só e inteiro.

BBola

E o sol, que é tudo.

AVAndréa Vermont

Para ser casado você tem que ser solteiro, só e inteiro. Se você tá só e procurando um pedaço para te completar, você ainda não tá pronto para ter alguém. Você precisa primeiro se completar, você primeiro precisa se conhecer, você precisa gostar de você, você precisa entender suas potencialidades e suas limitações, porque nós as Aí entra essa salada de frutas, as pessoas já chegam com idealização, achando que amor é uma coisa fantástica, que todo dia o outro vai estar bonito, não sei o que lá.

Eu ri que essa semana eu abri uma caixinha de pergunta lá no Instagram e um senhor perguntou assim: doutora, eu sou caminhoneiro e fico muito tempo da minha vida sozinho, a senhora me dá um conselho? Falei: dou juízo.

?Voz E

Esse é o—

CCarioca

diz com cuidado, né?

AVAndréa Vermont

Ai, como é que faz para não trair? Não trair é uma decisão É uma decisão moral, não tenha dúvida. E eu acho que a pessoa que trai não é uma decisão hormonal, porque às vezes os seus hormônios vão gritar por isso nesse sentido e você vai dizer: por decisão eu opto por não fazer, porque existe uma pessoa pela qual eu amo, a qual eu tenho respeito e a quem eu não quero machucar. Não é que eu não tô sentindo vontade, vontade eu tô sentindo, mas eu não vou fazer isso por uma decisão racional.

Então a duração das relações estão muito mais ligadas à racionalidade, é muito mais neocórtex do que límbico.

CCarioca

E aquela história que filho segura casamento, doutora? Filho, gente, falar, vamos fazer um filho e o casamento melhora.

AVAndréa Vermont

É filho segura gato. Gato, já viu quando você faz um gato de energia elétrica?

CCarioca

Filho é o gato, entendi. É a gambiarra, entendi.

AVAndréa Vermont

Filho é, ah, se você vai ter um filho para segurar casamento, você tá fazendo uma gambiarra na relação. Primeiro que filho não tem, não tem razão para você ter um filho, né? Se você tem um filho por alguma razão, já começou errado. Ah, vou ter um filho para ele ser amiguinho do irmão dele.

CCarioca

Aí vou ter um filho parecido comigo, já tá errado.

AVAndréa Vermont

Filho, a gente não tem filho para querer nada. A gente só tem filho porque a gente quer distribuir o amor, porque a gente acha que a gente ama demais. Então a gente quer ter alguém para a gente poder distribuir esse amor. Essa é a única razão para ter filho. Se você quer ter filho por qualquer outra coisa, já deu errado.

BBola

A gente defende mais a procriação do que a gente mesmo, porque a gente quer preservar a espécie.

AVAndréa Vermont

Como assim?

BBola

É lógico, a gente tá aqui para se procriar, multiplicar. Exato. Então pode ver, porra, um pai entra na frente de tomar um tiro por um filho, é porque ele quer preservar, é preservação da espécie. Isso aí é até um inconsciente, já tá na nossa, chipado na nossa consciência, né? Eu acho que tem muito filho, tem 2. Que idade? Meu filho tá com 17 e a Lô tá com 14, vai fazer 15.

AVAndréa Vermont

É porque filho é um amor visceral demais, é o amor mais visceral da sua vida.

BBola

Porque preservação, eu acho também.

AVAndréa Vermont

Ah, é mais que isso. Não, não, sim, mas é metafísico, é algo que você não explica. Eu falo que Camões, quando ele escreveu: amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um não contentar-se de contente. Ele tava falando do amor de um filho.

CCarioca

Só menina Eu tenho a Bia de 19, o Tomás de 25. Ixi, mas devem estar aprontando, hein? Uma fase de sair de festa e tomar uma cachaça. Essa geração acabou com isso, não tem mais isso, né?

BBola

Deu uma diminuída aí.

AVAndréa Vermont

É a geração que menos bebe, a geração que menos fuma, é a geração que menos faz sexo também.

BBola

É mesmo?

AVAndréa Vermont

É a geração que menos faz sexo na história da humanidade.

BBola

Eu não sabia disso.

AVAndréa Vermont

Sexo, tô ligado, é um prazer primitivo. O homem da caverna, qual o prazer que ele tinha?

CCarioca

Sexo.

AVAndréa Vermont

Sexo tá ligado à dopamina, necessidade de prazer, mecanismo de prazer no nosso cérebro. Sexo nada mais é que uma reação química de prazer. Hoje nós temos estímulo demais.

CCarioca

Vixe Maria, nossa senhora!

BBola

TikTok.

AVAndréa Vermont

Então esses meninos, eles têm tanto estímulo que nem pensa nisso.

CCarioca

É, entendi.

AVAndréa Vermont

Não tem necessidade.

CCarioca

Eles têm tantos estímulos dopaminérgicos que fazer sexo Mas eu peguei uma história tua com teu filho, eu peguei meio de rabeta, não peguei inteira, que ele tomou um foguete numa festa. Você não contou? Acho que foi um outro podcast, eu peguei só um pedacinho. Então ele tomava uma cachaça?

AVAndréa Vermont

Tomava, claro, meu filho já fizeram tudo que você imaginar.

CCarioca

É mesmo?

AVAndréa Vermont

Ah, claro, claro.

CCarioca

Você teve que buscar ele na festa?

AVAndréa Vermont

Foi, mentiu que era uma festa de amigo.

CCarioca

Mentiu?

AVAndréa Vermont

Mentiu, falou que era festa na casa de um amigo. Mentira, era aquelas festas que eles organizavam pagavam pelo Facebook, punha um anúncio.

BBola

Hoje tá muito na moda isso aí, eles chamam os festas de comissão, private, e eles fazem assim, ó. Eu achei legal essa ideia, meu filho pelo menos é assim.

CCarioca

E aí, você foi buscar teu filho bêbado?

BBola

Não, ainda não, até porque ele não bebe, pelo menos na minha frente, né? Ele tem 17 anos. Se bebe, só se for o Miguel. Eu bebia o dedo dos 10.

AVAndréa Vermont

Você bebia no Miguel?

BBola

Muito. Ele vai beber, mas não tem problema, chegando inteiro e se cuidando, se preservando. É isso aí, nunca chegou vomitando, nunca nada. Mas agora é assim, ó, amanhã vai ter festa, aí eles ficam tudo aceso, ninguém sabe onde nem o horário, avisa em cima da hora. Aí tipo sábado, primeiro dá o lugar. Tipo de manhã, aí até 6, 7 horas da tarde, noite, chega o horário, é o lugar onde vai ser.

AVAndréa Vermont

É porque é festa clandestina, é meio isso, né?

BBola

Ah, é festa clandestina, meio clandestina.

AVAndréa Vermont

Aí cheguei lá, ele tava bêbado, tava desmaiado de bêbado. Nossa, velho, nossa, fiquei feliz demais! Fiquei tão feliz que a gente colocou ele dentro do carro, peguei a lista dos 10 principais amigos dele, 2 horas da manhã bati na porta da casa de todos, chamei a mãe e o pai Eu falei, vem cá para vocês verem uma cena.

CCarioca

É mesmo?

AVAndréa Vermont

Aí mostrava ele dentro do carro, falava, deixa eu te falar, meu filho é péssima companhia, viu? Não deixa andar com seu filho não.

CCarioca

Puta, você fez isso?

AVAndréa Vermont

No WhatsApp da escola era só o assunto. Nossa, mãe do Tomás passou lá em casa 2 horas da madrugada. Deixa eu te falar, meu filho é vagabundo, viu? Que achar que você tá aqui, ó, não deixa andar com isso aqui não, que isso aqui não presta. Ele é uma péssima influência.

CCarioca

Que beleza!

AVAndréa Vermont

A melhor coisa, você passa vergonhas, não repete.

CCarioca

É, tem razão.

AVAndréa Vermont

Passa vergonha que eles não repetem. Passa vergonha, ameaça.

CCarioca

A mina não deu esse trabalho.

AVAndréa Vermont

Não, a Bia não bebe. A Bia detesta bebida.

BBola

É, dizem que não se confia em pessoa que não bebe, né? Tem esse ditado, né?

CCarioca

Quem fala é o Leonardo, né?

BBola

Tem gente que fala isso. Nenhum droguezinho.

AVAndréa Vermont

Ameaça. Eu falo para eles, eu falo assim: se vocês dois brigarem, vai ser o maior desgosto da minha vida. Se eu tiver morrido, eu vou revirar no caixão. É perigoso eu até aparecer para vocês se algum dia vocês dois Me ameaça, faz chantagem emocional, faz, tá valendo tudo. Sua mãe não fazia isso com você? As mães da gente criavam umas histórias fantásticas, maravilhosas. Nossa, acontecer isso, a gente tem que usar esses recursos primitivos, né?

CCarioca

O meu era mais, né, mais na infância, homem do saco, essas coisas. Não pode ali que o homem do saco te leva. Você não pisava na rua.

AVAndréa Vermont

Mas o medo, ele tem um instrumento de preservação.

CCarioca

Meu pai tinha um medo chamado 5. Era o medo do meu pai.

BBola

Vara de goiaba, instrumento de preservação mesmo.

AVAndréa Vermont

Como é que você vai explicar para uma criança?

CCarioca

Não vale, você foi, já me cagava. Nunca mal pisava no lugar.

AVAndréa Vermont

É, hoje em dia você olhar para o menino, ele vai nem ver que você olhou.

CCarioca

Não vai nem ver que você olhou.

BBola

Aí eu apanhei, doutora, apanhei um pouco.

AVAndréa Vermont

Ele nem vai ver que você olhou.

BBola

Que foda, meu irmão! Que foda, bicho! Por exemplo, eu tenho uma, tendo filho, né, você tem uma experiência. Eu posso aqui, se você quiser compartilhar, que eu tive uma, eu era um moleque tranquilo, mas meu irmão não. Aí eu meio que tava junto, eu apanhava. Era uma época, era uma época que se corrigia com chinelo, cinta, ia pra escola marcado com as pernas, né, vala de goiaba.

AVAndréa Vermont

O recurso que eles tinham, né?

BBola

Não, eu lembro de tomar chinelada, eu achava aquilo revoltante. Eu ficava revoltado. Eu falava, caralho, velho, eu entendi aquilo como uma agressão bizarra. Eu conversava com Deus. Deus, porra, não dá! Para que que eu tô tomando essa surra aqui, essa porrada aqui e tal? Caramba! O dia que eu tiver meu filho, eu não vou fazer isso. Eu, comigo, eu falava, eu vou fazer esse pacto. E eu instintivamente fui criando com o tempo uma ideia que eu falava assim, falei assim, o dia que eu tiver filho, eu vou falar que eu amo 30 vezes por dia e vou dar 15 abraços. Eu criei pedágio na minha casa. Passou, cadê meu abraço?

AVAndréa Vermont

Você criou um processo.

BBola

É um processo de amor assim, de cuidado, de carinho. Por quê? Porque se eu fico bravo, eles não vão ter aquilo. Essa foi minha estratégia e me parece que funcionou.

AVAndréa Vermont

E você realmente nunca bateu?

BBola

Nunca bati. Eu nunca encostei a mão filho, e eu comando, tá? Vamos estudar sozinho, tá ligado? Porra, você não tá estudando. Só de eu falar assim já não vai ter aquele abraço, aquele carinho, que dá aquela assustada assim, equilibrada. Então eu bolei essa estratégia, entendeu? E falei: esporte, esporte competitivo, vai se frustrar lá, meu irmão, desde pequeno. Bora competir, competir! Não quero ninguém aqui Não, os nossos pais tinham pouco recurso.

AVAndréa Vermont

Eu não passo pano, eu não passo pano, eu não acho que violência seja interessante, mas eles tinham pouco recurso, gente. Que que eles iam fazer? Meus pais tinham 7 filhos, uma escadinha. Meu pai trabalhava, minha mãe lavava roupa para ajudar no orçamento de casa. O que que ela ia fazer? Não tinha tempo de ficar entendendo isso tudo, nem tinha nem ensino médio completo, não estudavam, não tinha recurso intelectual. Então faziam o que davam conta. E tá tudo certo também.

CCarioca

Eu também acho.

AVAndréa Vermont

Eu brinco que eu arrependo dos tapas que não pegou. Não, apanhei demais e dei muito trabalho. Imagina se não tivesse sido assim.

BBola

Mas o que que você dava trabalho?

AVAndréa Vermont

Eu era respondona, tá?

BBola

Eu era respondona, tirando autoridade da sua mãe, do seu pai.

AVAndréa Vermont

Autoridade, tirando autoridade. Tudo nessa vida que eu falei que eu ia fazer, eu fazia mesmo. Se eu falasse eu vou fazer isso, podia cair um pedaço. Ah, mas fazia mesmo. Não tinha quem não fizesse eu não fazer. Uma vez eu peguei uma bicicleta escondida do meu cunhado com 8 anos. Meu cunhado tinha uma Caloi 10, lembra daquela?

BBola

Claro que eu lembro. Nossa, aquela ideia, aquele guidão, é puta bicicleta, meu.

AVAndréa Vermont

Eu peguei escondida aquela ideia e fui para o circo com 8 anos sozinha. Aí amarrei essa Caloi 10 num pote, fui assistir. Quando eu voltei, eles tinham tirado o selinho, roubaram o selinho daquela ideia.

CCarioca

Puta merda!

AVAndréa Vermont

Nossa, quando eu cheguei com isso, que descobriram que eu tinha andado, ainda tinha deixado roubar o selim, eu apanhei até quase morrer, apanhei horrores. Então eu fazia essas coisas.

CCarioca

Mas você fazia sozinha com teus irmãos no meio?

AVAndréa Vermont

Não, eu fazia sozinha porque a minha diferença com eles é muito grande.

CCarioca

Essa aí, essa aí, essa aí, essa bicicleta é mó legal.

AVAndréa Vermont

A minha diferença com os meus irmãos era muito grande.

CCarioca

Grande de idade.

AVAndréa Vermont

De idade, quando ele, quando eu nasci, a última já tinha 7 anos. Aí daí para frente era uma escadinha, mas a minha era grande. Então eles não gostavam de brincar comigo porque eu era menor. Então as minhas artes eram sempre sozinhas, mas era arte de menino de rua, de roça, que não tinha muito recurso, não tinha brinquedo, não tinha videogame. Que que você faz?

CCarioca

Não tinha nada.

BBola

Eu falo que as pessoas, eu falo assim, gente, mas que mundo vocês viveram? As pessoas assim, ah, eu tenho saudade do meu tempo de infância. Falei assim, era muito chato. Não tinha, não tinha mal de coisa na televisão. Carioca, algumas coisas, mas também não. Às vezes o tempo demorava a passar, tinha um tédio. Sei, não que seja, veja, a gente recorda das coisas maravilhosas, mas quando você começa a refletir no que era chato, era muito chato.

Hoje tá muito mais legal, hoje tem internet, hoje tem videogame, hoje o home entertainment hoje é maravilhoso.

AVAndréa Vermont

Antigamente não tinha esse home entertainment atrapalhando tudo, tá?

BBola

Mas a minha mãe não deixava eu ir para rua. Como é que eu faço?

CCarioca

Mas nem jogar bola com os amigos, nada.

BBola

Vai para rua em São Gonçalo, irmão.

CCarioca

Ah, bom, mas quem mandou você morar em São Gonçalo?

BBola

Tá ligado?

CCarioca

Não tenho culpa, cara.

BBola

A mãe tinha medo, então eu ficava meio às vezes, uma época pequeno, meio trancado.

AVAndréa Vermont

Então assim, você nasceu no Rio de Janeiro, se você tivesse nascido em Uberlândia, sua infância teria sido muito legal.

CCarioca

Sim, mas infância foi maravilhosa.

AVAndréa Vermont

A gente pôs fogo na casa, tá? Bombeiro chegou lá, a casa queimou tudo.

BBola

Tudo. Você fez isso?

AVAndréa Vermont

Eu e meus irmãos.

BBola

É falta do que fazer.

AVAndréa Vermont

Mordeu na gente.

BBola

Isso aí é falta do que fazer.

AVAndréa Vermont

Nós temos uma história maravilhosa da nossa infância. Essa é fantástica. Inaugurou um motel na porta da minha casa.

BBola

Na porta?

AVAndréa Vermont

Na porta da minha casa. Vou fazer propaganda de graça. Motel Samambaia, motel velho lá do Berlândia.

CCarioca

Tem até hoje?

?Voz E

Tem.

AVAndréa Vermont

Ai, cara, em frente à casa da minha mãe. Imagina, 1980. Motel era uma coisa assim, todo mundo comentou, e nós, aquela meninada, nós falamos, quando abrir, nós vamos dar plantão aqui na porta para ver o povo entrando, quem entra, com que cara entra, que jeito que entra.

CCarioca

Aquela baderna, que maravilhoso!

AVAndréa Vermont

E no bairro não tinha quase ninguém, a nossa casa era a primeira do bairro. O bairro da onde a gente morava era uma fazenda, então tinha nossa casa. E meteram um motel lá na porta. Um belo dia, tinha uns 2 meses que inaugurou o motel, a vizinha bateu lá na porta da casa da minha mãe e falou, Dô Maria, Corre lá atrás do motel. Falou: é porque, aflo, os meninos da senhora tá tudo lá brincando de encher bexiga. Minha mãe chegou lá, a gente tinha aberto o lixo, todas as camisinhas garejadas, tinha uns 200 bexigas cheias já e amarradas.

BBola

Que porra é essa?

CCarioca

Que do caralho, velho!

AVAndréa Vermont

Tinha umas 20 bexigas cheias e meu pai policial militar, ele chegava, ele enlouquecia, porque era PM, meu pai PM, minha família inteira é PM. E meu pai chegava puto da vida porque aí contava, ele ia lá no motel e falava: absurdo, você joga o lixo por aqui, que não sei o quê, que não sei o quê. Hoje quando a gente conta isso, a gente fica lembrando, fala: gente do céu, o que que é aquilo que nós passamos? Sopramos um mundo de camisinha.

CCarioca

É fazer bexiga, mas caralho, você não sabia o que É igual eu falei uma vez, eu tava em casa, uns trem muito doido.

AVAndréa Vermont

Por exemplo, cachorro tava namorando, você fazia assim, eles não soltavam.

BBola

Lembra disso? Jogar balde d'água era clássico.

CCarioca

Não, segurou ele para não soltar.

BBola

Ah, sim, vai fazer cocô, cachorro vai fazer cocô. Aí você fica, é, os cachorro tá fazendo cocô, você faz assim, ele não faz.

AVAndréa Vermont

Nem sabe hoje em dia.

CCarioca

Eu fazia isso, eu via na TV propaganda de mods, né? E a mulher fica mais segura e não sei o quê. Eu, cara, Caralho, velho, que porra é essa de mods, bicho? E abria a aba, eu, e a segurança da mulher e não vaza. Eu, porra, fui no armário do banheiro da minha mãe, abri um saquinho de mods, eu falei, puta, peguei um, eu vou abrir, vai acontecer alguma mágica, alguma mágica. Pô, puta comercial fodido, que as bolinhas, segurança para mulher, o caralho.

Eu falei, porra. Aí peguei o negocinho, uma bolsa, um travesseiro, travesseiro é com negócio para colar. Eu, que bosta é essa? Não sabe, não entendia o que era. Eu mexia, mas criança era assim mesmo, cara.

BBola

Doutor, eu mexia no— minha mãe vai saber agora.

CCarioca

Mãe, vocês não sabiam o que era camisinha? Não.

BBola

Então eu mexia no— eu tomei um tapa na boca uma vez porque Eu falei, tinha uma banda chamada Camisinha de Vênus, Camisa de Vênus. Aí eu, nossa, adoro Camisa de Vênus e tal. Eu falava essa besteira, era besteira falar de camisa de Vênus. Aí depois com a de Vênus da AIDS, aí virou uma coisa popular, aí fez propaganda. Eu mexia no, eu lembro até hoje, mãe, desculpa, era o armário na esquerda, lá embaixo tinha uma caixa e eu li todos os fascículos de Vida Íntima.

Lembra disso? Era uma revista, eram os fascículos de sexo e tal. UOL disse historinhas de educação sexual. Não, de educação sexual, chama Vida Íntima.

CCarioca

Eu li aquela porra toda, era moleque pequeno, mas entendia. Curioso, mas entendia.

BBola

Claro, curioso. Devia ter, sei lá, 10, 11 anos. Eu lia, lia tudo aquilo.

AVAndréa Vermont

Você sabe qual que é um dos produtos menos fornecidos por empresa que fornece coisas para o hospital? Sabe o que atualmente menos fornece?

BBola

Criança não quebra mais.

CCarioca

Que eu me quebrei, meu Deus do céu!

AVAndréa Vermont

É verdade, ralado pelo home entertainment.

CCarioca

É, mas quebrar em casa, menino, fica em casa.

AVAndréa Vermont

É verdade, não quebra braço, não quebra dente, não arranca a cabeça do dedo, não toma ponto.

CCarioca

Putz, eu me quebrei tanto! É isso aí, nossa, cair de bicicleta, arranhava, quebrava braço. Ele meteu lá, tinha ardido do inferno.

BBola

Você acha isso bom ou ruim? Quero entender melhor isso aí.

AVAndréa Vermont

Vamos explicar isso cientificamente. Nós não nascemos para apatia. Inclusive as nossas fibras musculares, elas vão ficar melhor e vão ter o desenvolvimento completo delas quanto mais estímulo a gente passar. Na verdade, não é nem que é bom ou ruim, é que comprovadamente no máximo 2 horas de questões envolvidas com digital e tela. Mais do que isso, você começa a ter um comprometimento motor e neurológico, tá? Então criança precisa se movimentar, se movimentar.

E outra, a criança se elabora brincando. Aí também é uma teoria. A criança, ela se elabora brincando. A criança não tem essa capa, tanto que terapia com criança em geral é um jogo, é um desenho, é uma pintura. Quando você vai atender a criança, você cria um recurso lúdico para que a criança conte a respeito das suas angústias. Ela demonstra suas angústias a partir de um recurso lúdico. Por quê? Porque a criança não tem o recurso da fala até certa idade.

A gente não consegue colocar, nomear o que a gente está sentindo. Ou seja, a criança se elabora através da brincadeira. Criança que não brinca não se elabora. Então uma criança angustiada, ansiosa, ela brinca, ela corre, ela faz um monte de coisa, ela se elabora. Outro dia nós estávamos numa fazenda e o menininho falou para mim, achei bonitinho demais, olha, por isso que a gente trabalha 6 anos. Tia, a senhora é tão conhecida, a senhora é uma psicanalista tão famosa, a senhora podia me ajudar?

Olha que bonitinho, chegou em mim e falou, é filho dos caseiros. Falei, que que foi, meu filho? Ele falou assim, tia, olha aqui, eu tô mordendo em todos os nozinhos do meu dedo, será porque que eu faço isso?

?Voz E

Isso.

AVAndréa Vermont

Aí eu fui explicar para ele o que que era ansiedade, o que que era angústia. Tudo aqui tava mordidinho, tava cheio de caco. É, tia, e como é que eu resolvo isso? Falei, você faz assim, você vai brincar mais. 15 dias depois eu fui lá, ele falou, tia, olha como meus dedinhos melhoraram, só ficou a marca. Outro dia ele me perguntou, tia, eu durmo com os meus pais, eu queria parar de dormir com os meus pais, o que que eu vou fazer?

Aí nós criamos um recurso lúdico, criei um quadrinho com ele, falei, você vai marcar X toda vez que isso acontecer.

BBola

Enfim, então a criança ela se elabora brincadeira.

AVAndréa Vermont

Então uma criança que fica o tempo todo dentro de casa no computador, comprovadamente— o tempo todo não, mais que de 2 a 3 horas— comprovadamente ela vai ter algum comprometimento, alguma sequela, algum déficit, enfim, daí para frente. Então é necessário essa atividade. Quando você falou assim, você acha que isso era bom? Não é que eu acho não, é que cientificamente isso é muito bom.

BBola

Ok, tá claro. Tá claro. Então, por exemplo, esportes coletivos, eu adoro isso aí, para mim isso é esporte, frustração, competição, cara, que a vida é uma competição, a vida é resultado. É isso, ele já tem que aprender desde cedo que a vida é com ele e nem sempre será comigo. Porra, não ganhei hoje, porra, joguei mal, porra, vou treinar mais, porra. Felipe, porra, Felipe, cara, galera, foi mal, sabe?

AVAndréa Vermont

E aí você aprende a conviver no coletivo, você aprende que existem outras pessoas, você aprende solidariedade, você aprende colaboração, você aprende uma série de questões.

BBola

E digo mais, eu acho que é o único lugar— nós temos filhos mais ou menos contemporâneos, né? Você ficou embasbacada com situações de pais que você fica horrorizada. É possível, né? Pais extremamente criam filhos numa bolha. Quando você vê um treinador de um time dar um esporro, mas aquilo me dá um prazer, porque é o único profissional ainda que tá resistindo. A dar uma dura no filho de alguém.

CCarioca

Mas depende do pai. O pai é capaz de querer ainda bater no treinador.

BBola

Não, quando é esporte federado não tem muito jeito.

AVAndréa Vermont

Eu tava fazendo um podcast com um médico, até vou lembrar o nome dele, eu esqueci. Maravilhoso, ele é um dos maiores especialistas no Brasil em TDAH e autismo. Ele tava falando, comprovadamente, ele falou, doutora, comprovadamente no consultório eu pego direto, virou uma síndrome das crianças e adolescentes com flacidez muscular.

CCarioca

Caramba, nós tínhamos uma musculatura muito mais rígida e muito mais preparada, porque fazia muito mais. Eu brincava na rua, subia as ladeiras correndo.

AVAndréa Vermont

Só que alguns comprometimentos são temporários, alguns comprometimentos são temporários, outros não. Porque você tem uma fase em que você vai ter o estirão, que você vai ter o aumento de fibra muscular, que você vai ter uma série de coisas.

CCarioca

Se você perder aquela fase, perdeu, já era.

BBola

Só dá um recado aqui para galera, nós temos uma plataforma aqui no link do chat você pode entrar. A gente vai daqui a pouco atender telefone e também ler o Super Chat, que o nosso é IA.

AVAndréa Vermont

Ah, que legal!

BBola

É, ele escolhe a pessoa que vai ler ou ele pode mandar por áudio. Daqui na nossa plataforma é só linkar aqui no chat, você entra aí e é o primeiro podcast que as pessoas podem ligar aqui.

AVAndréa Vermont

Ah, que legal, interativação como o tempo do rádio.

BBola

A gente, nós somos roots, porra, né? A gente é raiz e a gente trouxe esse recurso para que você que tá assistindo e gosta da Doutora Andréia possa participar também, não é verdade?

AVAndréa Vermont

É muito bom, adoro, não é verdade? Participar.

BBola

Vamos lá, eu tenho filho adolescente, eu tenho problemas no sentido, eu tô querendo me colocar para que outros pais também, né, entenda, e também tira minha dúvida. Eu tenho um ciúme danado da minha filha, tem 14 anos. Eu falei ontem para ela, você não quero você beijando ninguém, agora não é hora, não beija, não Pode conversar, manda cartinha, mas não quero. Qual que é a idade certa? Eu tô perdido um pouco.

AVAndréa Vermont

Idade certa para quê?

BBola

Para beijar. Eu não quero que ela beija agora. Vai beijar com 17, filha, beija com 18.

AVAndréa Vermont

Não, não existe idade certa e nem idade correta.

BBola

Mas qual que é? Que que eu faço?

CCarioca

Compra um 38.

AVAndréa Vermont

Primeiro que você tem que entender o que que é o ciúme, né? Eu vou falar uma coisa, vai. Exatamente, eu vou falar algo muito disruptivo e que isso não pode ser levado para o lado ruim. O ciúme não é uma emoção ruim. A gente lida com ciúme como se fosse uma emoção ruim. É a exacerbação, é o abuso que as pessoas chamam de ciúme. Isso não é ciúme. Ciúme é outra coisa. Ciúme é zelo. Ciúme é dizer: eu te amo tanto dentro de mim que eu quero cuidar de você quando você está fora de mim.

Quando você não está aqui perto de mim, eu temo que outras pessoas te machuquem. Então eu te amo tanto que se eu pudesse eu te guardava dentro de mim, não como dependência, mas como proteção. Isso é chama ciúme. Então ciúme nessa perspectiva é zelo, carinho e amor. Então, no primeiro, não é ruim você sentir o que você está sentindo. Você é pai, você conhece o mundo, você conhece homem, você conhece todos os perigos ao qual ela está sujeita, e você sente muito medo que ela se machuque de alguma forma. Então tá tudo certo, tá válido.

CCarioca

Eu não sou pai, já comprei um revólver. Alguém encostar nela, vai ver.

BBola

Eu dei uma orientação, eu Eu fiz um apelo, é isso, um apelo.

AVAndréa Vermont

Então, e qual que é a idade certa? Não há idade certa. Eu brinco que o dia que eu morrer eu vou conversar com Deus, eu vou falar: o senhor fez um negócio invertido, o senhor deu o hormônio e o desejo primeiro e o juízo depois. É verdade, Deus deveria ter dado juízo depois do hormônio. Aí quando a gente tem juízo, a gente já não tem hormônio mais e nem vontade. Com 50 você sabe com quem usar, para quem usar, de que jeito usar, mas você já não dá conta de usar.

BBola

Se administra melhor o caixa.

CCarioca

Você tem toda razão.

AVAndréa Vermont

Então com 14, 15 anos, que isso?

CCarioca

Os hormônios atuam antes. E aí eu digo o seguinte: se coloque no lugar dela.

AVAndréa Vermont

Eu falo isso direto para o meu marido. Ele fala: ai, mas o Tomás não sei o que lá, mas a Beatriz— Eu falo: com 19 anos você tava fazendo o quê?

CCarioca

Exatamente.

AVAndréa Vermont

Com o que que você tava fazendo com 19 anos? Ah, ela tá lá dentro do carro, será que ela tá lá agarrando namorado? Será que tá?

CCarioca

Você com 19 anos dentro do carro, tava contando baralho.

BBola

A minha mãe me deu uma coisa muito boa. Ela sempre falou assim, que eu sou uma pessoa muito respeitadora, né? Sou mesmo, tá? Eu vou aqui falar. Ela falava um negócio que fica até hoje ecoando na minha cabeça. Toda vez que eu ia sair, ela falou assim, cuida da filha de alguém, você é responsável pela filha dos outros. Ela batia nisso de deixar minha cabeça louca.

CCarioca

Sim, mas você beija a minha, você não tá descuidando, meu filho?

BBola

Você, a partir de gosta, cuida da filha dos outros. Você é o responsável pela filha de alguém.

CCarioca

Você pode cuidar com carinho.

AVAndréa Vermont

Agora, você sabe a melhor coisa que você pode fazer pela sua filha de 14 anos para que ela não erre nas escolhas dela? Porque você não vai ditar o momento da escolha, claro. Você vai ajudar a direcionar a escolha, seja para ela uma referência a ponto dela desejar um homem muito parecido com você. Ela não vai errar. Flores para ela no aniversário, ela não vai errar.

BBola

Fui receber outro dia, ela foi fazer intercâmbio, cheguei com flores para ela.

AVAndréa Vermont

Então você pode ter certeza que ela não vai escolher alguém diferente, ela Hoje eu achei bonitinho, minha filha mandou cedo para o meu esposo um vídeo escrito assim, uma menina correndo e abraçando o pai, uma moça correndo e abraçando o pai, e no vídeo tava escrito assim: eu não imaginaria um mundo sem um pai como você.

CCarioca

Que legal!

AVAndréa Vermont

É sobre isso. Então assim, seja uma referência para ela a ponto dela não reconhecer pessoas que não sejam muito parecidas com você. Então tá bom, vai dar muito certo.

CCarioca

Vamos lá, que ela seja igual também não é ruim, né?

AVAndréa Vermont

Igual a quem?

CCarioca

Igual ao pai, igual a mãe, igual, igual.

AVAndréa Vermont

É porque não existe ninguém igual, né? Graças a Deus, a nossa, a nossa existência, ela é individual, né? Deus não fez ninguém igual e ninguém em série. Então a nossa existência, ela é muito pessoal.

CCarioca

Já tá chorando já?

BBola

Deixa quieto.

AVAndréa Vermont

O que que foi, carioca?

CCarioca

Ele chora do nada.

BBola

Não chora. Você vai à porta do carro ali, eu só me emocionei por ela, minha filha, assim um pouco.

AVAndréa Vermont

E é isso, é bonito.

BBola

É, mas dá vergonha.

AVAndréa Vermont

Vergonha de ser um pai?

BBola

Não sei, é um amor mesmo.

AVAndréa Vermont

A maior segurança.

CCarioca

Que bom, que bom.

BBola

Não é dor, não é dor, é amor. Eu sinto isso aí, me dá, sei lá, me bate, eu não seguro, eu tento aqui.

AVAndréa Vermont

A maior segurança que você vai ter nesta vida é de ser um pai tão fantástico que ela vai escolher o mundo que foi criado.

BBola

Eu queria ser mais presente. Não, sim, mas vamos mudar de assunto. Eu queria que você falasse agora, que é um tema muito discutido na internet. Vejo você falando sobre isso, vi vários temas. É um relato que vamos diferenciar. Vamos lá, relacionamento tóxico, quando você se envolve com pessoas narcisistas, ciumento, qual é o limite do ciúme, pedir celular ou não, eu queria que você desse um esboço às pessoas que estão assistindo, estão passando por situações aí que elas estão tentando entender e não conseguem.

AVAndréa Vermont

Então vamos falar um pouquinho sobre relacionamento tóxico. Então, primeira coisa assim, é sempre observe quando alguém entrou na sua vida se sua vida melhorou ou piorou, tá? As pessoas precisam entrar para fazer a gente transbordar. A gente já tem uma vida que é uma luta danada, isso é para todo mundo. A vida dos outros só parece conto de fada de longe. A vida de todo mundo é uma grande luta. A gente luta inclusive para não morrer, para existir o tempo todo.

N coisas: ganhar a vida, pagar conta. A vida da gente já por si só é uma luta. Você trazer mais luta para sua vida é complicado. Então, o que que é relacionamento tóxico? Eu parto do pressuposto que aí passa por amizade, passa por parente, passa por marido, esposa. Se a pessoa entra na sua vida e piora a sua vida. E isso passa especialmente por família também, porque parece que relacionamento tóxico é só com marido, com namorado.

Tem parente que é extremamente tóxico, tem parente que só faz piada desagradável, tem gente que só fala coisas que não precisa ser ouvidas, tem gente que te tenta te diminuir numa simples fala.

BBola

Isso é horrível.

AVAndréa Vermont

Então isso é extremamente tóxico. Então a gente precisa ter a coragem de sair da vida dessas pessoas ou convidar essas pessoas a saírem da nossa vida. Então relacionamento tóxico é todo aquele que faz com que você seja menos do que você já é. Você já é, você já tem as suas questões, e essa pessoa vem para arrancar um pedaço. As pessoas têm que chegar na nossa vida para agregar, para que a gente se torne uma pessoa melhor, para que você fique mais alegre.

Tem gente que não te acrescenta nada, mas o cara te indica uma série, um filme, conta uma piada boa. Eu tenho gente que assim, que são pessoas extremamente simples, mas que eles agregam na minha vida muito mais que os maiores intelectuais do mundo, porque são pessoas que sempre trazem alguma coisa que torna minha vida um pouco melhor. Então toxicidade tem a ver com isso. Tem gente quer treta. A pessoa só te procura para você resolver problema, sempre, sempre vem com alguma questão.

BBola

Aí, acho que tem que provocar a outra para reagir.

AVAndréa Vermont

E nas simples coisas, tipo, coisa do tipo: ai, você viu o que falaram de você? Não, não tô interessada, porque eu não quero saber, não tô interessada. E outra, por que que você vem? Eu sempre faço uma pergunta além do que é dito: por que que você tá falando isso para mim assim, qual que é a intenção? Você tá querendo que eu entre em contato com isso, que eu me entristeça? Você tá querendo invalidar o meu discurso, me descredibilizar?

Qual é o seu objetivo quando você faz isso? Essa semana, e eu vou falar, não tô nem aí não, se a pessoa assistir, dane-se, mandei um save the date do meu aniversário. Vou fazer meu aniversário. Eu demorei 50 anos para comemorar um aniversário. Eu nunca tive um aniversário porque eu nunca tive condições de ter um aniversário.

?Voz E

Aniversário.

AVAndréa Vermont

E hoje o aniversário para mim é uma oportunidade muito festiva. Se você faz uma festa, ou se você vai numa churrascaria, ou se você se dá um bonequinho de presente, o que vale é você comemorar a oportunidade que Deus te deu de mais um ano. Agora, dia 16 de julho, fez um ano que a minha irmã faleceu. Eu tenho certeza que ela adoraria ter te dado a chance de ter mais um ano. Então, se Deus me deu mais um ano, eu gosto de comemorar, eu acho massa.

É uma oportunidade que eu tenho de estar aqui mais um ano. Pergunta para alguém que tá morrendo, que tá com câncer, se ele não queria ficar aqui mais alguns dias. Claro, então eu quero comemorar, mandei o Save the Date. A outra me responde: que que é isso? Que convite estranho, esquisito é esse que você mandou?

BBola

É porque não entendeu o Save the Date.

AVAndréa Vermont

Ah, é porque, porque sei lá o porquê. É porque é sobre o conteúdo interno da pessoa, é sobre por que o conteúdo interno da pessoa. É o máximo que você conseguiu me dizer, que é estranho? Você não podia ter dito que é bonito, que é diferente, o que que significa, o que que é Save the Date? Não, você quis dizer que é estranho. Que palavra é essa? Que toxicidade é essa? Que necessidade de alfinetar o outro é essa? Pelo amor de Deus.

Então, relacionamento tóxico passa por esse princípio. Narcisista, o narcisista ele não se relaciona, não se relaciona, não. Você não tem um relacionamento com narcisista, você está numa condição ali, mas aquilo não é um relacionamento, porque o narcisista ele não se relaciona outro. Ele usa da presença do outro para os objetivos dele. Então a pessoa diz: ah, eu estou num relacionamento com narcisista. Você está, mas ele não está.

CCarioca

Entendi.

AVAndréa Vermont

Porque o narcisista, ele não consegue enxergar o outro. O outro é um espelho, ele só vê a ele, ele não te vê. Eu estou com você, mas eu não estou te vendo, as suas prioridades, as suas vontades, os seus sentimentos, os seus afetos. Estou vendo a mim. E ai de você se você não refletir tudo que eu quero, eu vou te destruir. Então o narcisista, ele é muito legal até você derrubar o jogo dele. Eu trabalhei com narcisista maravilhoso, porque aí ele plota uma personalidade para ele te ganhar.

Então ele vai plotar uma personalidade, ele vai ser tudo que você precisa, que ele vai ser tudo que você precisa que ele seja. Então se é um homem com uma mulher, ele vai ser interessante, ele vai ser galanteador, ele vai ser educado. Se ela tem uma necessidade paternal, ele vai fazer esse Até enquanto for interessante para ele, enquanto ela validar essa personalidade dele. Porque aí o momento que ela não valida, ele começa a invalidar, ele começa a destruir o jogo.

Então o narcisista, ele faz isso com você. Por isso que ele suga a sua motivação de vida, a sua energia. Porque aí ele começa, quando você duvida da personalidade dele, é ele que faz você duvidar da sua. E aí ele começa a fazer você duvidar da sua percepção. Isso é coisa da sua cabeça. Fulano, você me trata mal. Não, não te trato mal, você que é sensível demais, você que é muito frágil. Por isso que você não alcança nada na vida com essa fragilidade toda.

Você vai, você acha que você vai chegar em algum lugar? E aí ele começa a minar sua personalidade, e aí ele te destrói. Então, relacionamento, as pessoas às vezes me perguntam: doutora, como me relacionar com narcisista? Primeiro, narcisista tem cura? Não procura.

BBola

Como é que diagnostica?

CCarioca

Como que você sabe?

BBola

É porque são muitas variantes hoje, né? Tem muita, é tóxico, é não sei o quê, você fica.

AVAndréa Vermont

E essa é a dificuldade, porque é comportamental, né?

BBola

Não existe exame, não tem, não é ciência exata, né?

AVAndréa Vermont

É relacionado a um comportamento.

BBola

Como é que o médico dá lauda ou detecta? Ou numa consulta, você, a pessoa lá falando, você consegue entender?

AVAndréa Vermont

Quem traz o narcisista nunca é o narcisista, é alguém que tá relacionando com o narcisista. Então é isso, o narcisista não procura ajuda, ele não acha nem que ele precisa. E aí, por algumas características de comportamento, então são red flags. Então inicialmente a pessoa ela era muito ideal. Então essa pessoa que é muito intensa no início, que traz uma idealização muito importante, é muito perfeita em tudo aquilo, aí depois ela começa a ter alguns comportamentos de diminuir o outro, de manipular o outro.

Os interesses dela começam a prevalecer. Então você começa a perceber aí traços de um comportamento narcisista.

BBola

E aí é pé fora, né? Vaza, vaza rápido.

AVAndréa Vermont

Não tem conversa, não tem negociação, não tem ele vai melhorar. Isso não vai acontecer. A única coisa que você pode fazer é se salvar. Você não vai salvá-lo.

BBola

Pula do barco.

AVAndréa Vermont

Se ele tiver alguns minutos com você, ele vai te manipular de de novo, tá? Caramba, se ele tiver alguns minutos com você, ele vai te mentir. Que isso? Você pode ter certeza.

BBola

Mas como é que—

AVAndréa Vermont

até porque eles são extremamente habilidosos.

BBola

Mas como é que a pessoa pode detectar? Ela pode detectar no comportamento, tanto homem quanto mulher, tá? Não é, né? Detectar em outras situações dele com outras pessoas para ir acendendo o sinal da pessoa. Pessoa, onde que a pessoa vai? Mas aí também a pessoa não entra numa nóia? Tem isso também?

AVAndréa Vermont

Como é que faz numa nóia de perceber que a pessoa—

BBola

porque agora, por exemplo, você acabou de classificar uma pessoa, muitas pessoas estão assistindo agora, vão olhar e vão começar a se identificar, e vai entrar numa paranoia. O cara é narcisista, que é que o cara é, uma mulher é, o companheiro, a companheira, o gay, traços de personalidade de transtorno de personalidade narcísica ou de narcisismo, todo mundo tem.

AVAndréa Vermont

Na verdade, a gente tem traço de um monte de coisa, né? Daí a ser é uma coisa bem diferente. Eu costumo— aí é eu que tô dizendo, senão daqui a pouco é eu que estou dizendo. Eu costumo dizer o seguinte: a gente precisa observar sempre o dano. É igual a pessoa diz assim, eu tenho TOC. Eu falo, tá, pera aí, vamos analisar se é TOC ou se é mania.

CCarioca

A gente é—

AVAndréa Vermont

a gente sempre olha o dano, a consequência e o quanto isso inviabiliza a sua vida. Vida. A gente tem traços de narcisismo, todo mundo tem, o que beira um pouco ao egoísmo, que beira um pouco ao egocentrismo, que beira um pouco a vaidade. Todo mundo tem alguma coisinha, algum traço. Qual que é a questão? É a continuidade do comportamento, o quanto isso acontece o tempo todo, é o quanto você usa isso para manipular o outro, e é o grau de destruição que isso causa.

Então eu tenho alguns comportamentos que podem parecer, ou que podem até ser relacionados a um narcisismo. Mas eu olho para isso, eu consigo me arrepender disso, eu consigo entender que eu tô errada e eu procuro causar o menos dano possível. O narcisista, ele causa um dano, olha pelo resultado. Jesus diz assim: pelos frutos vos conhecereis. Quer ver red flag? Comecei a namorar um cara, todas as antigas namoradas dele não prestavam. Nossa, elas não valiam nada na boca boca dele, tá?

?Voz E

Tá.

AVAndréa Vermont

Ai, a fulana era isso, a Beltrana era aquilo, a triclana não me deu valor. Sério, Alicrim Dourado, você é o perfeito. 10 pessoas na sua vida, as 10 não prestavam.

CCarioca

Você que é o bomzão, né?

AVAndréa Vermont

É igual homem que trai. Ai, minha mulher é tetraplégica, minha mulher tem esquizofrenia, e por isso que eu tô traindo que tem namante e manda. Para!

BBola

Eu acho que a pessoa que trai é a pessoa que trai assim, velho. Eu acho que a traição não é o outro, é a pessoa se trai.

AVAndréa Vermont

Então esse é um red flag, é um red flag. Uma pessoa que sai de vários relacionamentos: ai, a fulana, nossa, já eu já atendi vários casos assim.

BBola

Como assim?

AVAndréa Vermont

Ai, minha ex-esposa, ela se separou de mim, ela me proibiu de ver meus filhos, ela tirou tudo que eu tinha, ela falou mal de de mim. Aí a outra, e a outra também, a outra proibiu a família, a primeira namorada, não sei o quê, não sei o quê. Você tem um rastro de destruição para trás, e você que deu azar.

BBola

Você que deu azar. Nossa, a Márcia tem um dedo podre, né? Nossa, como se ela tá em dedo podre.

AVAndréa Vermont

Agora você sabe um do— para mim, de novo, para mim, não estou falando da teoria lá que você vai lá no livro procurar, tô falando para mim de experiência de vida. Um dos maiores red flags: pessoa perfeita demais no começo. É pessoa perfeita demais no começo, a minha orelha já fica assim, ó, em pezinha. Porque todo mundo tem um furo. Essa semana ganhei um perfume lá maravilhoso, uma menina me mandou para me presentear. Tô lá gravando o perfume, a hora que eu olho a filmagem, meu pé horroroso, sem fazer, com a joanete desse tamanho.

Todo mundo tem um furo, todo mundo. De perto ninguém é normal, de perto ninguém é perfeito.

CCarioca

É verdade.

AVAndréa Vermont

O cara que já no segundo dia te manda um buquê com 400 flores, te leva para jantar, senta, puxa cadeira, é educado. Ah, eu, eu sou mineira, quando a esmola é demais o santo desconfia. Você tá doido? Se você puser R$1.000 lá debaixo do pé do santo, até o santo pisca, falou: o que aconteceu aí, Fica? Da onde você tirou dessa?

BBola

Doutor, outro red flag, outro, vai, outro red flag.

AVAndréa Vermont

Isso aí é experiência de consultório, experiência de vida não é experiência de livro. Ai, doutor, outro dia eu ouvi dessa: nossa, como é um namorado maravilhoso!

BBola

Falei: sério?

AVAndréa Vermont

Deixa eu ver foto. Eu adoro ver foto. Me mostra no Instagram. Realmente lindo, bonito, que abdômen engomado, corpão. Por que que ele faz? Ah, ele é diretor de tal coisa. Tem filho? Não, não tem filho. Quantos anos? 45 45 anos, bonito, rico, sarado, não tem filho e tá solteiro. Laranja madura na beira da estrada, ou tá bichado, ou tem marimbondo no pé. Laranja madura na beira da estrada, ou tá bichado, ou tem marimbondo no pé.

CCarioca

Laranja madura na beira da estrada, ou tá bichado, ou tem marimbondo no pé.

AVAndréa Vermont

Você que tropeçou nesse príncipe tem 45 anos, foi você. Ninguém achou 58.

BBola

Toda regra tem a sua exceção.

AVAndréa Vermont

Quem tem quantos anos?

CCarioca

Eu tenho 59.

BBola

Tem filho?

CCarioca

Não tem.

BBola

Casou há quanto tempo pela primeira vez?

CCarioca

8, 9 meses.

BBola

E aí, doutora, tá cheipado?

CCarioca

Olha lá como eu tô, culpa dela. Aí, ó, como eu tô gomado.

BBola

Mas o Bola é uma regra, é uma exceção. Perfeição total da regra.

CCarioca

Eu achei que eu nunca ia gostar.

AVAndréa Vermont

Não entra dentro da definição de perfeição.

CCarioca

Não, tô longe.

BBola

Mas ele é perfeito.

CCarioca

Não, no meu coração. Tô longe, irmão, tô longe.

BBola

Ah, pessoa, mas vamos lá, eu quero entender.

AVAndréa Vermont

Pessoa tá super dentro do padrão, rico, bonito, bem-sucedido, separado, não tem filho, tem um puta de um apartamento, tem um empregão. Você olha na rede social da pessoa, ela já conheceu vários lugares do mundo.

CCarioca

Esquisito, né?

AVAndréa Vermont

Epa, eu corro légua, você tá doido? Morro de medo. Mesma coisa que topar com lobisomem de noite, sai fora. Você tá doido?

CCarioca

É verdade.

BBola

Eu quero saber de ciúmes. Vamos lá, relacionamentos com ciumentos. Por exemplo, vou dar um exemplo aqui: casais que mexem no celular do outro. O que que você acha?

AVAndréa Vermont

Eu acho que se você precisa mexer, já é um problema. Então é, se você precisa, porque assim, na minha casa, e aí não existe regra, cada um cria a sua regra. Essa é a regra da minha casa: eu, meu esposo, meus filhos, todos temos a mesma senha de celular.

CCarioca

Na minha casa também. Se é, mas eu sei da minha mulher, ela sabe, é sobre isso. Só que eu não mexo no dela, não mexe no meu.

AVAndréa Vermont

É sobre isso.

CCarioca

Pronto.

BBola

O simples fato de você precisar, eu não gosto, já fui Porque eu não gosto de mexer e nem gosto que mexa no meu.

AVAndréa Vermont

Não, eu também não gosto que mexa, mas se quiser mexer pode mexer.

BBola

Não, se quiser ver, quer ver?

AVAndréa Vermont

Tá, vê a senha, sabe? Não, mas se casar—

BBola

mas por que que tem que ter a senha?

AVAndréa Vermont

Não, não é que tem que ter, mas é porque não ter, porque não ter.

BBola

Não, porque assim, vou falar de mim, eu jamais vou mexer no celular da outra pessoa. Pessoa, entende? Não tenho necessidade.

CCarioca

Mas eu sei a senha.

BBola

Mas você já mexeu do seu marido para fuçar?

CCarioca

Para não, nunca mexi também, tá?

BBola

E se ele não te desse a senha?

AVAndréa Vermont

Aí o pau ia quebrar.

BBola

Por quê?

AVAndréa Vermont

Porque se ele não me der, porque ele tem alguma coisa para esconder.

BBola

Eu acho isso também, mas eu não tenho.

CCarioca

Quem falou? Não, mas então dá a senha para ela.

BBola

Ó, ela quer a minha senha e eu não quero dar.

AVAndréa Vermont

Pode falar.

?Voz E

Eu me metendo, quando a pessoa ela quer por tudo, não dá nada, eu acho que ela tá escondendo alguma coisa.

AVAndréa Vermont

Então, a verdadeira senha, nunca vou mexer.

CCarioca

Ela tá dizendo que a pessoa não quer dar as coisas.

BBola

Não, mas eu nunca, eu nunca gostei, eu nunca gostei de invadir. Eu não quero saber da vida de ninguém, sabe assim? Eu acho fofoca, eu sou uma pessoa assim, eu gosto muito de Ouro. A minha mulher, minha mulher, a sua intimidade. Eu acho isso uma coisa basilar e secular para o ser humano, sabe?

CCarioca

Tem um negócio muito bom, ela nasceu na África, acho que ela é uma girafa, que o pescoço dela estica. Eu tô na cama, eu vejo, só vejo uma cabeça, ela tá deitada lá. Com quem você tá falando? Com Cadu.

?Voz E

Ah, tá bom.

CCarioca

Porra, mano.

BBola

Não, acho que se o Ok, mas eu não sei, eu acho que eu nunca entrei.

AVAndréa Vermont

Eu tenho essa conversa, você sabe o que que eu penso? Eu penso o seguinte: o ser humano maduro, eu falo isso para todo mundo, você pode fazer o que você quiser. Sim, pode mesmo. Sim, se eu resolver sair ali naquela rua, a hora que eu ir embora daqui pelada, eu posso. E não há quem me impeça.

CCarioca

Entrar no motel pode, desde que eu me banque.

AVAndréa Vermont

Lógico, tudo que você for fazer na vida, banca. Isso é coisa de gente adulta, maduro. Assuma, assume, você faz o que você quiser, você é livre, mas banca. Então, por que que para mim não é um problema saindo do meu celular? Eu não tô dizendo que o meu celular não tenha coisas tal ditas erradas, não. Grupo de mulher, às vezes um negócio, piadinha, uma brincadeira. Os meninos que cuidam do meu Instagram, hoje eu já nem cuido mais, uma equipe que cuida, morre de rir.

Chega 10, 15, 20 cantadas todo dia. Imagina, tô nem aí. Não quer dizer que seja um celular de uma Não é, mas eu sou assim, eu banco o que tiver aí, eu banco.

BBola

Sim, eu também. Mas por exemplo, se me pede alguma coisa, pode ver, eu não tenho problema, pode ver, beija, não tem problema.

AVAndréa Vermont

É, mas ela não tá pedindo para ver, ela quer a senha.

?Voz E

O que que quer?

AVAndréa Vermont

Ela não quer ver, porque se ela quisesse ver—

BBola

então dou minha senha. Você acha que essa é minha recomendação?

CCarioca

A sua? É o que você quer fazer, não é o que a recomendação é.

BBola

Não quero ouvi-la, é uma coisa minha.

AVAndréa Vermont

Eu vou te falar do que funciona para Para mim, eu falo assim, que a verdade ela é só uma, ela não tem— por isso que é bom falar a verdade. Eu acho, eu acho muito mais fácil falar a verdade, né? Porque eu sou moralista, não, é porque eu sou estoica, eu gosto das coisas mais simples. Então assim, ah, quebrei a xícara, quebrei. Daqui um ano, se você me perguntar, eu te conto a mesma história, porque a verdade ela não gera confusão.

A mentira, a mentira toda hora você tem que estar— você quer saber se uma pessoa mentiu? Espera para contar a história duas vezes.

CCarioca

Escorrega.

AVAndréa Vermont

Por isso existe a variação. Pede para uma pessoa contar a história duas vezes, a história não se repete. Então eu gosto de uma relação mais leve em que eu não tenho que ficar gerenciando. Você não ter as senhas, tem que ficar gerenciando, fica gerando conversinha. Aí tá lá, bem, ó, quiser mexer, mexa. Foda-se o que tem aí, eu banco. Se aparecer um homem pelado aí, eu te falo por quê, se foi, se não foi, se quis, se não quis, se achei bom, se restaurante, você é pequeno, parecia uma pepeca.

É isso, entendeu? Assim, é um negócio mais rápido assim, ó, você vai resolver na vida. Se você não dá, fica gerando, porque onde falta comunicação sobra imaginação.

BBola

É isso aí, isso aí faz sentido.

AVAndréa Vermont

Até que no podcast ficar sem sua senha, ela não tá, ela não tá.

BBola

É que esse papo surgiu no dia da Cris, da Cris, que o Bola não tava aqui, que dava uma senha. Não, ela ficou revoltada. Você tem que dar, a Cris Paiva.

AVAndréa Vermont

Ah, sim.

BBola

Eu falei não, não acho, não quero. E também não quero, eu não quero, não faço questão. Não tô assim, me dá a senha e não dou a minha.

AVAndréa Vermont

Não é isso. É, não, porque aí já seria demais.

BBola

Porque assim, eu acho que a confiança, o relacionamento, é uma crença minha. São dois indivíduos que se encontram, mas que cada um tem a sua, os seus afazeres e seus cuidados. Eu confio, porque, por exemplo, quer ir trabalhar, estudar, vá. Mulher, para mim, ela tem que ter a realização dela, os sonhos dela, viver a vida dela. Porque tem, antigamente eu vi muito isso das mulheres terem esperar o homem, se realizar pelo homem, e eu acho isso, eu vi que isso não dá certo.

CCarioca

Eu cresci vendo Isso.

AVAndréa Vermont

Agora não diga assim, dê a senha ou não dê a senha, porque eu acho que isso vai da maturidade da relação, tá? Por exemplo, casalzinhos aí de adolescente, 19 anos, namora, o namorado tem a senha da namorada. Eu acho um absurdo. Menininho de 19 anos, ah não, para, ué, é possessão. Aí você manda uma mensagem, sua filha metendo o pau no namorado, namorado lê, faz, você me ferra.

BBola

Eu acho que é uma invasão de privacidade.

AVAndréa Vermont

Você é casado com a pessoa, Aí, aí, para mim aí é uma outra leitura.

BBola

É, não, mas aqui que eu acho assim, de verdade mesmo assim, eu acho invasão de privacidade. Eu odeio invasão de privacidade.

AVAndréa Vermont

Mas só é invasão se o outro invadir. Tá bom, não quer dizer que o outro vai invadir.

CCarioca

Tá bom, pode ser que ele invada, pode ser que não.

BBola

E aí?

CCarioca

Mas ele tem a senha.

AVAndréa Vermont

E como é que ele invadiu? Aí a gente senta e conversa. O que que você tá procurando?

CCarioca

Por que que ela invade?

AVAndréa Vermont

Se você não confia em mim, pega andando.

?Voz D

É isso aí.

AVAndréa Vermont

A confiança não se faz baseada em dados, em fatos. A confiança é algo que se constrói, viu, girafa? A confiança, ela se constrói. Se você duvida de mim, já partiu do pressuposto, você não deveria nem estar aqui.

CCarioca

Tem toda razão, tem toda razão. Perfeito.

AVAndréa Vermont

Nada que eu vá explicar vai fazer você confiar mais ou confiar menos. Confiança é assim: ou você confia ou ou não confia. Não existe confiar mais ou menos, não tem meio termo. Aí eu confio mais ou menos em fulano. Não, você não confia.

BBola

É isso aí, é isso aí, é isso aí.

CCarioca

Eu também acho isso.

AVAndréa Vermont

Você vai receber a senha hoje?

CCarioca

Vai.

AVAndréa Vermont

Tô confiante aqui.

BBola

Você quer a senha? Você quer a senha?

CCarioca

Ela tá aqui também fazendo doce.

BBola

Tá fazendo doce? É, né?

AVAndréa Vermont

Mulher é um bicho tentado, né?

BBola

Por quê?

AVAndréa Vermont

Nossa, mulher tentada demais. Fala que quer. Eu acho quer dar, agora não quer mais não. Por exemplo, criança também não queria.

BBola

É, quem falou que eu queria? Mas quem que acendeu a vela aqui foi a Cris, Cris Paiva, que ela perguntou. Falei, não, não dou e não acho legal. Mas é uma questão de que também não quero. É, confio, porra, tá tudo certo, entendeu?

AVAndréa Vermont

Tá tudo certo. É porque para você não é importante, você não quer, mas para ela talvez seja, talvez seja um voto de confiança que você tá dando.

CCarioca

Será?

AVAndréa Vermont

E na relação a gente não faz só o que que a gente quer.

CCarioca

Exatamente.

AVAndréa Vermont

Às vezes a gente faz algumas coisas para que o outro se sinta melhor.

BBola

Pronto, aí você me acabou de quebrar meu dia.

CCarioca

Ela tá aplaudindo.

AVAndréa Vermont

Às vezes a gente faz coisa só para o outro se sentir melhor.

BBola

Você tá ligado que no carro vai ter DR, né?

CCarioca

É verdade, você tem razão. O carro agora vai ser uma delícia. Se sentir melhor.

AVAndréa Vermont

É, ué, mas ela deve se sentir você também.

CCarioca

Caralho, tô Ela é maravilhosa agora, amor da minha vida.

BBola

Como é que faz com DR?

AVAndréa Vermont

Aí não faz, né? Resolve.

BBola

Como é que resolve as DR?

AVAndréa Vermont

De novo, aí eu vou te falar o meu jeito, né? Eu sou estoica, eu não gosto muito que a conversa se prolongue.

CCarioca

Eu acho que já mata ali mesmo e acabou.

AVAndréa Vermont

É, uai, as coisas é isso. Eu sempre dou esse exemplo. Esses dias o Jorge chegou lá em casa: nossa, tem que ir para academia, tô tão cansado. Falei: não vai. Ah, mas o personal tá me esperando. Falei, então vai. Mas eu tô com preguiça. Falei, então não vai. Não tem que filosofar em cima disso.

CCarioca

Tá aprendendo as coisas, viu?

AVAndréa Vermont

A gente tem gente que não quer resolver, quer conversar. Tem gente que não quer resolver, a pessoa quer conversar, quer esticar assunto.

CCarioca

Uai, que isso! Trocar ideia.

BBola

Eu vi uma vez um cara, não sei se um evento que eu fui fazer, eu achei do cacete. Aí ele falou assim: você não quer ter problema em casa? Eu vou lhe dar uma dica. Eu achei sensacional. Ele falou assim: quando você chega em casa, fica, porque a gente vai trabalhar, fica 8, 9, às vezes 9 horas fora de casa. Abre a porta da tua casa, primeira coisa, deixa a bolsa, já olha para o olho da sua mulher e ouve, e ouve por 15 minutos, e olha no olho dela e fica 15 minutos. Passou os 15 minutos, pode pegar teu celular e tocar tua vida.

CCarioca

Já resolveu.

AVAndréa Vermont

Você sabe o que que a gente aprende depois dos 40, 45? Até 45 era aquela história, antes, aquele ano, quer ser feliz, quer ter razão. A gente comprava até assinatura de razão, se tivesse, era assinar 30 mega de razão.

BBola

É isso aí, isso aí.

AVAndréa Vermont

Nós, depois dos 45, é maravilhoso. Eu mudo de opinião assim com 5 minutos. Aí eu acho isso, eu acho aquilo. Não, você tá errado. Eu já tô achando que você tava achando. Ó eu achando. Concordo com você, é isso aí, para acabar a conversa, para acabar. E eu concordo fácil.

BBola

Tem uma pessoa que não aguenta mais barulho, né?

AVAndréa Vermont

Se tem uma pessoa que mudou de opinião fácil atualmente é eu. Ah, mas eu não concordo com você. Falei, eu concordo com você, agora já tô concordando com você.

CCarioca

O marido da Rita Lee voltou com a ex-namorada.

AVAndréa Vermont

Sério?

BBola

Você viu isso? Eu vi.

CCarioca

Eu não quero saber disso, mas me conta umas fofocas. Que legal, amor! Puta merda, o filho da Carla Perez vai casar. Casar. É mesmo? Caralho, que legal! E a Virgínia? A Virgínia tá com o Vini junto, tá grávida.

BBola

Cada 6 horas vem um boletim.

CCarioca

Puta merda!

AVAndréa Vermont

O que que isso muda na minha existência?

CCarioca

Você falou, você tá certíssima. Não, é legal, velho.

AVAndréa Vermont

Eu sou mata discussão, eu mato a discussão rapidinho. Para você brigar comigo, você vai ter que fazer muito esforço. Eu mudo de opinião na hora.

BBola

Qual é teu ponto fraco, você Os meus filhos. Tá, mas numa relação sem os filhos, filhos a gente já sabe, numa relação tá fácil de responder.

AVAndréa Vermont

É você desconsiderar o que eu penso, porque eu sou um ser que pensa 24 horas por dia, até dormindo eu penso. Se eu tiver a sensação, é aquela frase: não concordo com o que você diz, mas defenderei até a minha morte seu direito de dizê-lo. Você não precisa concordar comigo, mas não desconsidere o meu pensamento e a minha opinião. Isso me deixa puta.

BBola

Isso me leva para um lugar, não acho legal que você falou agora, é só para deixar de ser puta.

AVAndréa Vermont

Isso me leva para um lugar ruim, é ruim, leva para uma versão de Andréia que não é boa, é, né? Porque existem algumas versões que não são legais. Eu não gosto que desconsidera o que eu penso. Esse é meu ponto fraco, desconsiderar o que você pensa, achar que eu não sou um ser pensante, sabe? Vim com esses argumentos, é, e vim com os argumentos assim, Ai, você tem que fazer isso porque não sei o quê lá. Não, para, para. Eu sei o jogo, eu sei como é que as coisas funcionam.

Fala para mim o que você quer de verdade. É só você falar o que você quer de verdade, eu te digo se eu aceito ou não. A verdade, ela é boa por isso, ela te dá liberdade de escolha. Não queira me manipular, não queira me conduzir, não queira me enrolar, porque aí você tá diminuindo a minha inteligência. Se tem uma coisa que eu sei, que eu sou inteligente. Não queira diminuir minha inteligência, achar que eu não penso. Isso eu penso.

CCarioca

Muito bem, boa, muito bem.

BBola

É isso mesmo, doutora, tá hoje. O Isaac falou assim, cara, vamos para o telefone, boleta.

CCarioca

Só passando uma pergunta, queria saber o que que é o tradutor de alma.

AVAndréa Vermont

Ah, que maravilhoso, que maravilhoso!

CCarioca

Vamos ir para o telefone.

AVAndréa Vermont

Tradutor de almas, a gente foi até para o Guinness Book, foi o maior evento no YouTube com manutenção de público durante 2 dias. Nós fizemos em março nós tivemos 52 mil pessoas online e ao vivo sábado e domingo inteiro sem cair ninguém. Ficaram legal o tempo todo. É uma imersão que a gente faz anterior ao lançamento de uma nova turma de psicanálise. A gente tem um instituto, Instituto André Avermont, que forma psicanalistas. Anterior, a gente hoje, nós somos Top of Mind Brasil duas vezes, ganhamos agora um Latin America num prêmio e ganhamos como um dos melhores projetos mental do mundo em Cane.

Então o curso é super premiado. A gente poderia vender mil cursos por dia se deixasse, basta o link ali, mas eu não faço isso. A gente faz um evento, 2 dias, a pessoa experimenta psicanálise na prática. Se fizer sentido para ela, ela é convidada a se matricular na nova turma. Então o Tradutor de Almas é isso, é 2, são 2 dias de evento, um evento transformador que a pessoa fez em março.

CCarioca

Vai ter quando?

AVAndréa Vermont

Agora, 29 e 30 de agosto.

CCarioca

Agosto, 29 e 30 de agosto.

BBola

Aí tá aí, ó, não é uma palestra, Doutor de Almas, transforme suas dores em propósitos.

CCarioca

Legal, velho.

AVAndréa Vermont

Não é uma palestra, não é uma aula, são 8 sessões onde a gente vai mergulhar na sua infância, a gente vai falar sobre ansiedade, a gente vai falar sobre futuro. É psicanálise na prática, é experimentar essa ferramenta de autoconhecimento, de transformação.

CCarioca

Bobeira que são vagas limitadas.

BBola

O link, o link é só, já tá o link nesse episódio.

AVAndréa Vermont

Show, obrigado!

BBola

Nesse episódio já tá o link, a galera já pode entrar aí para esse evento, dia 29 e dia 30 de agosto. Um evento fantástico, ao seu gosto. Vai lá, transforme suas dores em propósito. Tradutor de Almas, maravilhoso!

AVAndréa Vermont

Obrigada pela oportunidade.

BBola

Vamos, conta com a gente sempre. Eu já tô te amando desde que seu marido fica com ciúme. Minha namorada também não tá muito tempo, você tem que dar te ama, minha namorada te ama também. E obrigado, obrigado. Eu passei a te amar também ouvindo. É, como é que eu posso dizer? Eu diria que você dá um carinho em nossas incertezas.

AVAndréa Vermont

Ai, que bom!

BBola

Sabe assim, sabe um travesseiro que você ajusta? O pescoço tá um pouco para o lado incomodando, aquele travesseirinho que ajeita. A mão que ajeita é um bom nome isso aqui, né? A mão que ajeita, a mão que consola. Olha, a mão que faz um carinho no seu amigo, né, bola.

AVAndréa Vermont

É porque a lucidez ela nos liberta de nós mesmos.

BBola

É muito bom, né?

AVAndréa Vermont

Quando a gente é lúcido, a gente consegue lidar melhor com as questões, né, sem sofrer.

BBola

É, e a casca, né? Eu digo que a casca, eu acho que assim, para tu ficar bom na tua vida, tu tem que sofrer para cacete. Eu acho que o calo é que faz, é o calo, é a dor.

AVAndréa Vermont

A dor ensina, não Eu brinco que desgraças são horríveis de serem vividas, mas maravilhosas de serem contadas.

CCarioca

É verdade, é verdade.

AVAndréa Vermont

Tem fato na sua vida que de duas, um, ele te destrói ou ele te faz uma pessoa infinitamente melhor.

CCarioca

Tem toda razão.

BBola

Bendita, maldita dor, como uma vacina quando eu era pequeno. Ela dói, mas ela protege.

AVAndréa Vermont

Dói, te prossa, você dá uma febrezinha, mas ela te dá imunidade.

CCarioca

É a mesma coisa o resto da vida.

BBola

É isso aí.

CCarioca

Quer ir para o telefone?

?Voz E

Quero.

CCarioca

Então vamos.

BBola

Depois eu vou fazer a pergunta se ela brigava muito na escola, saía na mão com as amigas, porque colégio não é mole não, hein? Colégio é complicado.

AVAndréa Vermont

Brigava na escola?

BBola

Porra nenhuma! Eu apanhei de maneta, pô. Já apanhei de maneta, não tô zoando. É morar perto do morro, moleque do morro veio com um bracinho só, enfiou a porrada com o braço só.

AVAndréa Vermont

Mentira!

BBola

Juro por Deus. Então o troncho era— aí meu irmão veio com um pedaço de caibro, deu nele. Aí resolveu.

CCarioca

Tá com problema aqui, a picaracaca.

BBola

Tá com problema, é muita gente. Deve ser isso, né? Deve ser isso, deve ser isso, muita gente ligando. Mas você não brigava não na escola?

AVAndréa Vermont

Não brigava, não brigava. Eu sempre fui muito sonsa, eu era muito na minha, eu era de ficar nos cantos observando. Não à toa hoje eu sou o que eu sou assim, de em termos de pensamento. Eu sempre fui muito de ficar na minha assim, nunca fui de brigar. Não, não, ainda mais agressão física, nem física nem verbal.

BBola

E bullying na escola?

AVAndréa Vermont

Sofri demais. Sofreu muito? Muito, porque eu era horrorosa. Como assim? Nenhum mosquito da dengue não me picava de tão feia, feia, um tadinho, cabelinho feio demais, toda atrapalhada, toda trabalhada na feiura, muito feia.

BBola

Pode ter sido o que te fortaleceu.

AVAndréa Vermont

Foi, ué, eu tô falando, eu tive hater desde que eu nasci. Então seus irmãos, né, na escola, e nós éramos muito pobres, e a minha mãe sempre, sempre sonhou alto a gente. Se tem uma coisa que minha mãe fez bem foi estimular a gente a estudar. Então minha mãe me pôs na escola que era considerada a melhor escola da cidade, só que lá só tinha rico e a única pobre era eu. Então eu sofria bullying pelo tênis que eu usava, pela camiseta que eu usava, pelo jeito que eu me comportava, pelo meu pai que não me buscava de carro.

BBola

Então você vai no Face olhar a vida dessas pessoas só para sentir um leve prazer.

AVAndréa Vermont

Às vezes eu encontro essas pessoas na rua, né? Aí elas dizem, eu estudei com você, Você lembra?

BBola

Aí você, puf, na cara.

AVAndréa Vermont

Outro dia eu falei para um no clube: nossa, estudei com você, você lembra de mim? Falei: lembro demais. Você lembra tanto que você praticava bullying comigo? Tanto que você me xingava? É, eu não, Dé. Falei: claro que você sim, Gustavo. Chama Gustavo, inclusive.

CCarioca

Gustavão, seu trouxa!

AVAndréa Vermont

Gustavo Pedrosa.

BBola

Olha, ela ainda dá o supremo, ela ainda dá o supremo.

AVAndréa Vermont

Eu te adorava. Falei: para, Gustavo, você me chamava de pobre, de feia, de quebrada.

CCarioca

Seu tonto!

?Voz D

Aí, ó, para!

BBola

Vem aí, Gustavo.

AVAndréa Vermont

Mas hoje a gente é amiguinho aqui.

BBola

Alô, alô, alô, quem é?

?Voz E

Oi, Luciana!

BBola

Primeira, raro ligar mulher aqui. Luciana, da onde?

?Voz E

Sorocaba.

CCarioca

Eu ouço aqui Sorocaba.

BBola

Luciana de Sorocaba, pode falar, Luciana.

?Voz E

Funciona? Eu tenho uma filha que teve um diagnóstico de borderline, tá? E tem sido muito desafiador porque o pai tem muito medo de que ela tenha crise, que ela fale coisas e que ela reaja de uma maneira negativa. E dessa forma ele faz muito os desejos dela, e eu sou contra, né? Então eu gostaria de saber qual seria o equilíbrio, tá? Porque para mim tem sido muito desafiador lidar com tanto com meu esposo assim como com a minha filha.

AVAndréa Vermont

Entendi. Ó, a primeira coisa que vocês precisam fazer é terapia, porque na verdade vocês estão com mais dificuldade de lidar com a maternidade, a paternidade de vocês, do que com transtorno de personalidade borderline em si. O que que acontece? Uma pessoa com transtorno de personalidade borderline, ela não é o borderline. A gente tem mania de falar o depressivo, o ansioso, o borderline, o bipolar, e rotula as pessoas como se a pessoa fosse a doença.

A sua filha precisa de limites, como qualquer filho. Ela precisa de orientação, como qualquer filho. Ela precisa de regra, como qualquer filho. Se vocês começam a negociar isso, vocês vão criar um problema, porque daqui a pouco ela vai usar do transtorno para criar uma situação, para manipular vocês, conseguir o que ela quiser. O que que é o transtorno de personalidade de personalidade borderline, ele é um transtorno ligado a afetos, exatamente afetos.

Se os afetos aí na sua casa estão distorcidos e estão sendo manejados de forma errada, imagina o problema que vocês estão tendo. Então a minha indicação é que você e seu esposo procurem uma orientação terapêutica para saber melhor como lidar com ela.

CCarioca

Respondido, Luciana.

?Voz E

Eu posso fazer mais uma pergunta? É natural nesse caso que, por exemplo, ontem foi meu aniversário e foi bem difícil, foi um desafio, porque ela tá com quantos anos? 20 anos. E tá muito desafiador, sabe? E assim, minha filha que mora longe ligou, ela ficou com ciúme da ligação. Ó, eu que tô aqui com você. E foi criando, aí o outro filho chegou E sabe, foi muito difícil. E tem hora que eu fico tentando manejar aquilo, né, e eu literalmente fico perdida sem saber o que fazer, sabe, porque vira uma confusão e todo mundo fica em casa pisando em ovos.

Ontem as pessoas chegaram, ficaram desconfortáveis e acabou o meu aniversário, né.

AVAndréa Vermont

É, tá vendo a palavra que você traz? É: eu não sei o que fazer, eu não sei lidar, eu fico pisando em ovos. Tá vendo como existe uma inabilidade de dicas para vocês de lidar com o transtorno dela. A Ana Beatriz tem um livro maravilhoso que eu recomendo para vocês, que chama Mentes que Amam Demais. O borderline é exatamente uma mente que ama demais, por isso ele vive nas bordas, né? Ele vive no limite, ou ele exacerba para um lado, ele exacerba para o outro.

Então, de novo, é um transtorno relacionado a afetos. Então percebe como ela ficou negociando com você? Sou eu que tô aqui, ela tá longe, você tá falando com ela, você tá dando atenção para ela. Ele sempre uma sensação que os afetos dele, que o amor dele tá sendo negociado ou trocado. E aí ele entra nessa crise, nessa condição. De novo, ou se vocês não tiverem condição de terapia, aprofundem numa leitura para vocês entenderem o transtorno, para vocês saberem como conviver.

Senão vocês ficam refém disso. Aí a casa inteira adoece com borderline. Aí não fica só ela borderline, vocês ficam codependentes do transtorno dela.

?Voz E

Muito obrigada, doutora.

AVAndréa Vermont

Obrigada, querida.

BBola

Deus te abençoe aí, viu, meu amor?

CCarioca

Um beijo, Luciana.

BBola

Fica tranquila, respira, reza, lê, vai procurar ajuda e vai dar tudo certo. Confia, confia que dá, confia que dá. É isso aí, são os percalços, né, onde a pessoa vai ali lidando com a dificuldade que a vida oferece.

AVAndréa Vermont

O borderline sofre muito mais a pessoa ao redor do que ele mesmo, porque como ele é um transtorno relacionado a— de novo, a Bia foi muito feliz na capa do livro, né? Mentes que amam demais. Então tudo relacionado a afeto para ele é muito problemático. Então ele é aquele que a namorada termina, ele enfia o carro dentro da garagem, que é capaz de fazer coisas inacreditáveis. Eu me mato por causa de você.

BBola

Eu justifico os comportamentos muito rápido, né?

AVAndréa Vermont

E por isso Insider, né? Ele está nas bordas, no limite dos afetos. Quando ele odeia, ele odeia com muita intensidade. Quando ele ama, ele ama com muita intensidade. Quando ele entristece, ele entristece com muito.

BBola

É o famoso, a pessoa extremamente intensa, a pessoa muito intensa. Alô? Alô? Quem é?

CCarioca

É o Pedro.

BBola

Fala aí, da onde, irmão?

CCarioca

Campinas, aqui, São Paulo.

BBola

Paulo, Campinas. Botar aí, hein, 22 e 23 de agosto, tá bom?

AVAndréa Vermont

Show!

BBola

Aparece lá no Iguatemi, lá no teatro, fechou? Dá um toque para rapaziada aí. Bora lá, fechou!

AVAndréa Vermont

Tem uma perguntinha aí para você, sou todo ouvidos. Aí eu queria assim, né, para o pessoal que tá ouvindo, para saber como que a gente identifica para buscar um propósito na vida, né, tanto para trabalhar ou é alguma área da vida.

CCarioca

Tá uma merda a ligação, mas tô ouvindo.

BBola

Como que identifica o propósito?

CCarioca

Já desligo na cara, tá ruim, a gente desliga, doutora.

AVAndréa Vermont

Doido, o menino tava falando de propósito, maluco.

CCarioca

Ele vai superar, ele supera. Chocada!

AVAndréa Vermont

Ele vai traumatizar.

CCarioca

Não vai não, fica tranquilo.

AVAndréa Vermont

Ele tava falando de propósito.

CCarioca

É mais um cliente para senhora.

BBola

Propósito também, de propósito, tudo certo, tudo um propósito.

CCarioca

Quem fala? Boa tarde, irmão!

?Voz D

Boa tarde, bola! Boa tarde, carioca! Primeiro quero pedir desculpa a vocês que na terça-feira eu entrei ao vivo, mas eu tava muito muito nervoso. Eu me chamo Léo Lima, aqui de Recife, Pernambuco, sou radialista. E cara, eu fiquei tão emocionado de estar falando com vocês que perdi a noção.

CCarioca

Que que é isso?

BBola

Perdeu não, tá tudo certo. A Doutora Vermont aqui, manda, manda aí tua pergunta, velho.

?Voz D

A oportunidade aí, Doutora Andréa. Bola carioca! Eu tava falando sobre o programa de rádio que eu apresento, e esse programa ele é de informação, prestação de serviço E na abertura do programa tem uma mensagem de otimismo, né, uma mensagem para as pessoas, lições de vida, histórias, conselhos. E eu queria perguntar, Doutora Andréa, o seguinte: eu sou servidor público desde 2017, trabalho em uma prefeitura, Pernambuco, Prefeitura de Jaboatão, mas o programa de rádio que eu apresento é como se fosse a válvula de escape, né, precisando estar no ar hoje, financiamento falando, mas eu me sinto numa obrigação de apresentar esse programa porque eu sei que do outro lado um monte de precisando ouvir a palavra.

Pessoas depressivas, pessoas estão no mundo das drogas, enfim, pessoas que perderam um ente querido e tem um comunicador como seu companheiro. Gostaria de perguntar à Doutora Andréa, eu não tenho um dia de preguiça, eu acordo assim, não tem um dia de preguiça para apresentar o programa, que eu seja uma missão de Sim, que legal, parabéns!

BBola

Tá bom, valeu, parabéns!

CCarioca

Você não perguntou bosta, né? Não perguntou bosta.

?Voz D

Não, você é normal, eu quero perguntar normal assim. É normal, entende a bola, carioca. É sério, eu não tenho, eu não tenho que apresentar o problema assim, gente.

CCarioca

Caiu também, aí caiu, vai dar problema na linha. Caiu, caiu. Ele não tinha pergunta, ele só perguntou bosta. Ele é bem louco, esse tio, velho.

BBola

Não, ele Que ele trabalha na prefeitura, que tá legal, é normal, irmão.

CCarioca

Continue fazendo, continue fazendo, irmão. Alô, quem fala? Alô, meu nome é Ricardo. Fala, Ricardo, tudo bem, irmão? Tudo bem, cara? Tô bem, e você, meu velho? Prazer falar com vocês, todo nosso. Que que você manda aí, Cardô? Obrigado, irmão, que legal! Então queria falar, vou te acompanhar, nossa, mais de 10 anos aí. Obrigado, pânico! Você, que joia!

BBola

Valeu, irmão, um abraço!

CCarioca

Espero um dia conhecer vocês. Posso fazer uma pergunta para a doutora? Deve. Bacana. Ô, doutora, sonho te conhecer. Por incrível que seja, hoje eu acordei, eu durmo sempre suas entrevistas, né, aprendo bastante. Te conheci através da doutora Ana Beatriz e eu sou, eu sou muito procrastinador, né? Sim, muitos sonhos assim, e eu gosto de desafios, só que eu procrastino muito, mas eu queria saber como eu posso resolver este problema, né?

AVAndréa Vermont

Desculpa que eu tô emocionado.

BBola

Fica tranquilo, brother.

CCarioca

Fica frio, Ricardo.

BBola

A gente procrastina um pouco você, Ricardo.

AVAndréa Vermont

Na verdade, a procrastinação ela tem a ver com necessidade de perfeição e com medo de acertar. O procrastinador na verdade ele é um medroso, ele evita, ele estende a linha do tempo para ele fazer qualquer coisa Porque ele tem muito medo de fazer e aquilo não sair da forma com que ele gostaria. Então ele vai adiando, adiando, adiando, como se todas as ações que ele tivesse que fazer são um grande desafio. Então o procrastinador em geral ele é perfeccionista e ele tem muito medo de acertar, dá covardada, né?

Exatamente. De novo, eu sou super estoica. Qual que é, qual que é o remédio para procrastinação? É você parar de ser misericordioso com você. Aí você falar que vai fazer, vai fazer. Se eu falar que sei lá o quê, ir para academia 4 horas da tarde, não dá, não cabe filosofia. É pôr short, pôr tênis e ir. Se eu tenho um projeto que fazer hoje, eu tenho que sentar no computador e desenhar isso hoje, é sobre a procrastinação. Ela briga com a filosofia prática.

Filosofia prática vai te dizer: se você tem que fazer, faça. O problema é que na atualidade a gente filosofa e arruma diagnóstico procrastinador, fica filosofando: ai, mas por que que eu deveria? Será que isso agora porque eu tô angustiado, será que eu deveria fazer? Cara, você tem que fazer, faça. Simples assim, mata, mata na raiz. Tem que fazer, faça. E para de querer acertar e fazer 100% aquilo que deveria. Ah, é muito, tem que estar muito perfeito.

O ótimo é inimigo do bom. Faça o bom primeiro até você conseguir fazer o ótimo. Ah, eu quero fazer, eu sempre dou o exemplo da academia, eu quero ficar muito bem, mas vai demorar aí uns 3, 4 anos para aparecer músculo, vai lá e faz o teu, faz o teu e faz o teu e faz o teu e faz o teu todos os dias. Faz o bom até você conseguir fazer o ótimo. O procrastinador, ele tá sempre em busca do ótimo, aí ele não faz nem o bom. Ejaculação precoce, entendeu?

CCarioca

Infelizmente eu sou assim mesmo, mas vou seguir dicas, viu, doutora? É isso aí, coragem!

BBola

Mas já foi, bola tá muito— é o último da plataforma porque a plataforma hoje tá mais Vamos lá, tá afogada, né? Tá dando umas— é muita gente, é muito sucesso da sua parte. Sei lá, tem 7.000 e 7.500 pessoas. Alô, ao vivo, ao vivo, fora 95% é depois.

CCarioca

Quem fala?

BBola

Vai escalar. Alô, é o Wellington, da onde?

CCarioca

É um Cat Ford aqui de Londres.

BBola

Tá em Londres. Fala aí, meu velho, manda aí.

CCarioca

É um grande privilégio falar com vocês aí primeiro, tá bom?

AVAndréa Vermont

Obrigada, querido.

CCarioca

Estamos aqui em família usufruindo da sabedoria da doutora. Que beleza!

AVAndréa Vermont

E vai uma pergunta.

?Voz D

Eu tenho.

CCarioca

Aqui em casa a gente tem uma brincadeira, gente, tanto eu faço quanto elas fazem comigo, mas eu faço isso por—

BBola

tá difícil proteger elas do lado de fora.

CCarioca

O que que a doutora acha sobre isso? Repete, por favor. Por favor. As brincadeiras entre a gente, tipo um bullying, brincadeiras entre vocês, você, tuas filhas. Isso aí, acha que, acha que simula um bullying para fortalecer elas, salvada.

BBola

É isso, tá falando, velho.

CCarioca

Quando se fofoca, isso aí. Que que a doutora acha sobre isso?

AVAndréa Vermont

A pergunta é ótima. Fátima, brincadeira só é brincadeira quando dois se divertem. Quando só um ri, não é brincadeira, é ofensa. Se eu te chamar de gordinho, você achar graça, e a gente fazer zoeira, e você me chamar de— agora, quando eu te chamo de algo onde eu e toda a turma se diverte, você fica chateado, isso não é brincadeira, isso é abuso emocional no mínimo. Então esse é o limite. Eu digo assim que tem famílias que são muito tóxicas e a gente entender qual é o limite entre a toxicidade e a brincadeira que prepara para a vida.

Tem coisas que eu posso brincar com os meus filhos e dá para fazer zoeira, tem coisa que não dá, que é zona perigosa ali, que você vai pisar pode explodir uma bomba. Então eu digo o seguinte, aí a gente faz muita zoeira aqui em casa e eu vejo muitas famílias nessa perspectiva. Família às vezes é muito perverso com algumas questões que são muito sensíveis. Então assim, a brincadeira é engraçada? Porque se a brincadeira foi engraçada e tá todo mundo se divertindo, esse é o limite da piada.

Não existe piada politicamente correta ou incorreta, existe piada e existe abuso. Se eu, eu sempre falo isso para os meus filhos: ah, mãe, larga de ser chata, eu tava brincando. Eu falei: mas eu tava me divertindo? Porque para ser brincadeira, dois precisam se divertir. Então, meu amigo aí de Londres, esse é Wellington, esse é o limite aí na sua família e na sua casa. Cuidado com brincadeiras que podem parecer que estão preparando o filho para a vida, mas às vezes está mexendo em áreas muito sensíveis e que não vale a pena a gente entrar.

BBola

Valeu, entendi.

CCarioca

De muita, de muita valia, hein, doutora.

BBola

Muito obrigado, hein.

AVAndréa Vermont

Obrigada, querido. Deus te abençoe.

BBola

Beijo para vocês.

CCarioca

Valeu, vai visitar o bebê.

BBola

Vai lá, gordão.

AVAndréa Vermont

Não, vai lá, vai comer um bicho Wellington.

BBola

Eu acho que o maior abuso que uma família pode fazer com a pessoa, maior abuso, é dar açúcar. Não, é pedir dinheiro emprestado.

AVAndréa Vermont

Eu também acho. Carlos enviou uma mensagem.

?Voz D

Vamos lá.

AVAndréa Vermont

Doutora, qual o valor do silêncio? Bola, sem ser invasivo, sua mão direita tremendo, está tudo bem contigo?

CCarioca

Tá tocando um pandeiro de leve, tá tudo bem, tô treinando pandeiro, fica tranquila.

BBola

Doutora, qual o valor do silêncio? Pergunta Carlos.

AVAndréa Vermont

Eu falo que a gente só deve falar alguma coisa quando que a gente for falar for mais importante que o silêncio. O silêncio é o lugar da elaboração, o silêncio é o lugar da observação. Quando a gente é uma pessoa muito barulhenta, a gente perde muitas, muitas coisas ali envolvidas numa situação. Então eu digo que o silêncio, ele é, o valor dele, ele é ouro, né? A palavra é prata, o silêncio é ouro. Silenciar é permitir que o outro tenha espaço dentro da gente.

Qual que é a coisa mais difícil hoje? As pessoas dão curso de oratória. Eu falo que eu vou vender um curso de escutatória. Por que que é difícil escutar? Porque a gente não faz silêncio. Quando você tá numa discussão com a sua namorada, você tá falando, ela não tá te ouvindo, ela tá ouvindo a resposta que ela vai te dar. Então a cabeça dela já tá—

BBola

é isso aí, ela não tá te ouvindo.

AVAndréa Vermont

É normal silenciar, é silenciar todas as vozes dentro da gente, dá espaço para que o outro habite dentro de mim e dialogue com as minhas questões. Por isso o silêncio, ele é tão valoroso. E há uma grande dificuldade no mundo moderno, a gente foge do silêncio, a gente coloca música, a gente liga a televisão, a gente coloca às vezes 3 coisas ao mesmo tempo, tá no celular. Silencia e veja o que acontece. Você consegue ficar assim 10 minutos absolutamente em silêncio, sem nenhuma tela, sem nenhum estímulo, sem nenhuma música, sem nenhuma conversa.

E aí perceba o que acontece dentro de você. Faça esse exercício, experimente ficar 10 minutos em silêncio.

CCarioca

Viu?

BBola

A bola vai ficar 6 horas. Não, vamos lá, vai. É, tá aqui. Edilene Alves enviou uma mensagem: boa tarde, tudo bem com vocês?

CCarioca

Eu amo a Doutora doutora pela simplicidade e pela sinceridade.

BBola

Eu chorei muito com a doutora com os primeiros vídeos e hoje os vídeos da doutora é a minha terapia. Muito obrigada e Deus abençoe a todos.

AVAndréa Vermont

Edilaine, obrigada, Edilaine, obrigada pelo carinho, querida. Eu faço com muito amor. Eu falava essa semana com uma pessoa e eu vou falar isso até acontecer. As pessoas me perguntam se tem um sonho, um sonho: fazer um grande evento de saúde mental gratuito sem cobrar ingresso.

CCarioca

Puta, que legal!

AVAndréa Vermont

Tem um grande sonho. O Brasil é o país mais ansioso do mundo. O que que a gente percebe no Tradutor de Almas? 2 dias inteiros intensos de pessoas entrando em contato com verdades que pode transformar a vida delas para sempre. Imagina, este é o meu sonho, eu tenho este sonho. Imagine um grande evento gratuito onde milhares de pessoas pudessem o dia todo ouvir sobre saúde mental, com técnicas, com experiências imersivas, entrar em contato com questões sua infância, elaborar algumas questões.

O conhecimento liberta, eu acredito nisso profundamente, por isso diuturnamente eu trabalho. Quando você conhece, você faz melhores escolhas, melhores opções. Então quando ela fala isso, é o seu conteúdo é minha terapia diária, é isso que me movimenta, sabe? Eu fui muito liberta pelo conhecimento, o intelecto me salvou. Ai de mim se não fossem os livros, ai de mim se não fosse os estudos, ai de mim se não fosse as terapias. Então o meu intelecto me salvou, por isso eu tenho essa sede tão grande que as pessoas se desenvolvam, se envolvam, se conheçam. E isso é maravilhoso. Essa fala dela aí confirma o que eu tenho tentado fazer.

BBola

É isso aí, mais uma. Vamos embora, que tem a galera que gosta de ser, hein? Meu Jesus amado. Diego Sanches enviou uma mensagem: parabéns, Carica e Bola, pelo episódio. Doutora, admiro demais seu trabalho. O que você acha da nova trend que os pais fingem escanear a barriga da criança para fingir que tem vermes e as filmam chorando. Abraços, Deus vos abençoe.

AVAndréa Vermont

Eu vi essa trend, gente, com a criança, assustar a criança. Passa o celular assim, lá na televisão tá aparecendo um bicho, aí fala: tá vendo o tamanho do bicho que tá na sua barriga?

CCarioca

Que maravilha!

BBola

É o bicho-papão, porra, moderno.

CCarioca

Que maravilhoso!

BBola

É o boi-da-cara-preta.

AVAndréa Vermont

Brincar mais, porque aí você dá a sensação à criança que tem um bicho lá dentro da barriga dela. De novo, a brincadeira só é engraçada quando— se fosse uma brincadeira, na perspectiva da brincadeira, está tudo certo.

BBola

Porque depois você explica que é brincadeira, mostra aqui, filha.

AVAndréa Vermont

Mas criar esse terror todo numa criança, a condição dela de elaborar isso, de nossa, é maldade, é maldade. Imagina ter um alien dentro de você, é maldade, é maldade, maldade. A trend é ruim, viu? De péssimo gosto.

BBola

Lusa Helena enviou uma mensagem.

AVAndréa Vermont

Boa tarde, tudo bem? Que podcast maravilhoso! Admiro muito a doutora. Eu quero muito formar com você, doutora. Tenho 52 anos, já levei muita, como se diz, muita porrada na vida. Tudo que você tá falando aí eu já passei, e eu quero me tornar uma pessoa agora para ajudar o próximo, e quero que seja com você. Me indicaram uma amiga que já fez curso com você, você é excelência nisso. O que você me diz para mim com 52 anos?

BBola

O que que você me diz para uma pessoa com 52? Faça.

AVAndréa Vermont

Eu te digo o seguinte, que eu demorei 50 anos para acontecer. A gente não pode desistir do sonho porque às vezes ele tá a um passo de acontecer e a gente desiste bem ali no lugar certo.

CCarioca

Então, final, né?

AVAndréa Vermont

Roberto Marinho começou a Rede Globo depois dos 60, o KFC começou a empresa dele depois dos 60. Então assim, nunca é tarde para a gente começar alguma coisa e para a gente sonhar. O que define a nossa longevidade é a nossa capacidade de sonhar. Eu acredito muito nisso. A gente envelhece e começa a morrer quando a gente para de sonhar. Então 52 anos não é barreira, você tá no melhor momento da sua vida. Ana Beatriz me disse isso um dia, falou, você vai fazer 50, vai começar o melhor momento da sua vida.

É verdade. Fantástico! Então vai, faz lá o Tradutor de Almas, entra na próxima turma. Vai ser uma honra ter você lá conosco. Obrigado pelo carinho.

BBola

É isso aí, vamos embora! Mais um aqui, Zacarias. Olha que bonitinho aí. Doutora, não sou diagnosticado, mas me identifico muito com vários sintomas que leio, estudo sobre TDAH, faço terapia, e apesar de tentar corrigir meus comportamentos investimentos. Tenho muita dificuldade de manter minha rotina da forma como acho que seja o certo para minha vida. Não mantenho, no caso, risos. Seria a minha única escolha ir atrás de um possível diagnóstico e corrigir com remédios, ou a correção de comportamento é o suficiente?

AVAndréa Vermont

Não dá para eu te falar que é suficiente porque você não é meu paciente, mas antes de ir atrás de diagnóstico e de remédio, você precisa ir atrás de terapia, porque a terapia vai te habilitar a viver dentro desse Eu não gosto muito de rótulo. Por exemplo, eu sou TDAH, eu descobri TDAH já muito mais velha, mas eu me adaptei a isso e consegui fazer tudo que eu precisava fazer na vida. A questão não é o que você tem, a questão é se você é funcional.

O fato de você ter TDAH ou não, você é funcional, a sua vida funciona, os seus objetivos estão alcançados, então tá tudo bem. Não se preocupe com diagnóstico, se você vai atrás de TDAH, se você vai tomar remédio. Preocupe-se em corrigir os comportamentos pensamentos que te atrapalham, que te inviabilizam alcançar seus objetivos. O resto é bijuteria.

CCarioca

É isso aí, muito bem.

BBola

Boa, mais uma. Quem tá aí, ó, tava sumido, agora ele apareceu, voltou, voltou com tudo. Vamos ver esse danadinho aí.

AVAndréa Vermont

Medo?

BBola

Não, é um cara que, porra, não foi porque— ah, botei duas vezes.

AVAndréa Vermont

Que exa enviou uma mensagem. Surpresa, eu voltei!

CCarioca

Olá, meus amores! Que alegria, estou de volta! Eu sei o quanto que vocês sofreram com a minha ausência, bastante, mas não chorem, papai voltou! Gastei meu dinheiro na Copa do Mundo. Ai, ai, ai, meus cartões!

BBola

Tá bom, parabéns.

CCarioca

Ninguém perguntou também, né?

BBola

Parabéns, meu brother.

CCarioca

Valeu, irmão. Pode se preparar para a próxima Copa já. É isso aí, fica mais 4 anos sumido.

BBola

É isso aí, obrigado. Aí, Dile no Cio Chiesa enviou uma mensagem. Não, é, entrou sem querer. Surpresa! Deixa passar, deixa passar, porque o botão aqui O botão, ele não entrou. Acho que tem muita gente aqui, ele deu uma agarradinha, aí eu apertei duas vezes. Vai ter que, a hora que acabar, você avisa. Mas tem uma aqui tendo, Flávio. Flávio, vamos botar o Flávio aqui, ó. Boa tarde, boa tarde, bola carioca, doutora. Doutora, trabalho na enfermagem especificamente, estamos tendo um aumento de agressão e não tem mais nova para ofender ou questionar os profissionais de saúde e da educação. O que a senhora atribui a isso?

AVAndréa Vermont

É que na verdade é realmente não é só na enfermagem não, a ascensão da violência e da agressividade ela é uma, uma, um dado na nossa sociedade, não só aos profissionais de enfermagem. A questão é que a gente tá de novo, né, é a quantidade de estímulo, é a pouca forma de dar vazão a esse estímulo. Nós temos um mecanismo de regulação dentro de nós que é a questão das nossas buscas e a questão do prazer. Prazer não só prazer sexual, enfim, não.

É fazer um exercício físico, é fazer uma meditação, é ir para um parque, é ter coisas que você gosta. Isso vai descomprimindo a gente. Hoje as pessoas estão com a emoção toda adoecida, e aí isso sai em forma de agressividade, seja com professores, seja no sistema de saúde. Essa crescente é É próprio da sociedade. A gente tem que se perguntar para onde nós estamos indo. Cada dia mais, entre aspas, evoluídos, com mais conteúdo, e cada dia mais beirando o primitivismo em relação ao limite com o outro.

CCarioca

É isso aí, coisinha, né?

AVAndréa Vermont

Estoura.

BBola

Mais uma, vamos lá. Abre o canal aí, Isaac. Agora vai, agora vai. Eu encaixei o ticaracatica aqui.

?Voz D

Vamos lá.

CCarioca

Foi legal, hein?

BBola

Ele tá demorando. Tá demorando, né? Você reparou? Era para ter ido, né, Zaque? Sim, mas ele— eu apertei aqui, ele não foi.

CCarioca

Só apareceu o Silvio.

BBola

E aqui tá como reprodução, ele vai entrar. Aí entrou, ó.

CCarioca

Você abriu o canal aí, Zaque?

AVAndréa Vermont

Às vezes é o áudio, ele te machuca.

BBola

Agora foi.

AVAndréa Vermont

Enviou uma mensagem.

?Voz E

Eu leio aqui, é que ela tá falando em turo.

BBola

Tirou, vamos lá.

AVAndréa Vermont

Ela tem um neto de 14 anos, fica o dia inteiro em casa.

BBola

Sabe o que acontece? Eu começo a cozinhar o dia inteiro em casa e também de manhã, e eu fico o dia inteiro no computador, no celular, com jogos, com WhatsApp, principalmente. No computador, mas eu completamente deslizo cada dia. Ele não compreendeu o que ela disse, né? Ela falou muito baixo, a minha querida Sílvia Dutra. Não deu para compreender, tá? Tem outros aqui, mas eu vou botar aqui. Pronto, o último aqui, ó. Pronto. Aí, Maria, o que que aconteceu hoje? Muita gente aqui, cara. É verdade, todo mundo quer contigo.

CCarioca

Agora foi. Maria enviou uma mensagem: eu sou grata por tudo que a psicanálise me ensinou hoje, levo minha vida com mais leveza e com muito mais propósito. Boa, Maria, viu?

BBola

O que trabalha vocês. Bom, a gente já tá indo para o final aqui, eu queria uma última pergunta para a gente encerrar, doutora. Primeiramente, coloque o arroba da doutora aí, por favor, meu querido Zacarias. Tá aí, ó, Doutora Adriana de Maltz.

CCarioca

Tem o Tradutor de Almas.

AVAndréa Vermont

Não perca, vai ser uma honra ter vocês lá.

CCarioca

Boa, tá bom.

BBola

A última pergunta é uma pergunta um pouco dupla, mas é uma coisa que eu tenho. Por exemplo, quando é que a pessoa acha toda pessoa deve fazer terapia ou não? Ou quando é que o terapeuta— porque às vezes eu posso estar completamente equivocado, mas eu sinto que algumas pessoas nunca têm alta e o terapeuta também nunca deita alta e vai deixando a pessoa ali como cliente, como uma forma de, né, dinheiro. Cliente, exato. Qual é o equilíbrio?

Toda pessoa é obrigada a fazer terapia ou qual é a hora de parar ou não? Dá um, tem um balanço aí para galera compreender.

AVAndréa Vermont

Primeiro, toda pessoa obrigada a fazer terapia? Não. Toda pessoa que quer crescer e melhorar é obrigada a olhar para si. A gente não cresce se não olhar para dentro da gente mesmo. Esse daí, isso é fato. Se você não se conhecer, os seus limites, as suas questões, o que você quer, o que você não quer, seus propósitos, as metas, não vai dar certo. Então assim, e outra, a gente tem N coisas que acontece na vida da gente que a gente precisa elaborar lá atrás, quando você não tinha capacidade de escolha.

Então aconteceu coisas com seus pais, com a sua infância, com a sua educação, você não tinha capacidade de escolha, você só absorveu. Isso precisa ser resolvido durante a vida de alguma forma. É obrigado a fazer terapia? Eu poderia puxar para o meu lado e dizer sim, é obrigado. Não, não é obrigado. Eu acho que é um excelente caminho. Agora você precisa olhar para si. Existem outras formas de fazer isso? Tem gente que se encontra muito bem na meditação, tem gente que se encontra muito bem, por exemplo, já vi gente que fala assim, e não tô dizendo que isso é terapia, mas é terapia, terapêutico.

Tem gente que fala, eu tô correndo e durante a corrida eu consigo entender várias coisas, eu me elaboro. Tem gente que numa, sei lá, numa oração, numa situação, uma instituição específica, ela tem ali os seus insights. Então o importante é mergulhar para dentro de si. A gente é uma peça básica, se é que eu posso dizer assim, né? A gente é uma escultura. Essa é a melhor metáfora. A gente é uma escultura. A gente nasceu perfeito, a escultura era maravilhosa, o autor fez a mega escultura.

Só que durante a vida, desde que a gente nasceu, as pessoas foram dando retoque na escultura. O pai olhou para o nariz, achou que era pequeno, pôs um pedacinho de argila. O outro veio, passou uma tinta. Isso aqui não é legal, isso aqui não é bonito, isso aqui. E a gente foi se tornando uma anomalia. Nós fomos nos tornando esculturas adulteradas, cheio de retoque. Qual que é o nosso papel nessa existência? E eu acho isso bonito demais, é ir arrancando tudo que foi sendo colocado nós para que a gente volte a ser a escultura original.

Esse é o nosso papel durante a vida. Eu nessa existência quero ser o melhor de Andréia que eu puder ser. Eu quero que a minha, que a sua experiência comigo, talvez você não vai ter outras e nem eu, mas que seja a sua melhor experiência. A Mãe Teresa de Calcutá dizia que todas as pessoas que se encontrarem comigo no dia de hoje saiam da minha presença pessoas melhores. Esse é meu mantra. Todos os dias de manhã eu peço isso para Deus, que a pessoa que me encontra no aeroporto, que seja no podcast, seja no vídeo, que a minha vida possa de alguma forma transformar a vida dessa pessoa.

Como que eu vou fazendo, fazer isso? Sendo menos doente. Quando a gente está doente, a gente sangra em cima de quem não cortou a gente. Por isso que o nosso trabalho durante a vida é terapêutico, não necessariamente na terapia, mas é terapêutico. Eu não tenho direito de sangrar em cima de quem não me cortou. Eu não tenho direito de pegar o trauma que os meus pais colocaram em em cima de mim e devolver isso em cima dos meus filhos.

Eu não tenho direito de pegar as condições que o meu pai viveu e jogar isso para o meu casamento, projetar isso no meu marido. Então uma vivência terapêutica, ela é importante. Se você puder fazer terapia, obviamente que eu indico. Eu acho que terapia é assim, eu acho que é o melhor que a gente pode fazer pela gente na vida. Ontem à noite conversava com a minha filha, ela falou, mãe, muito obrigado por a senhora ter me dado a Fernanda.

Fernanda é a psicóloga dela. Ela falou, ela é um presente. Eu acho terapia maravilhoso, mas se você não puder, procure questões que te levem para dentro de você para te devolver a escultura inicial que Deus fez, que essa é maravilhosa.

BBola

E essa é a pergunta: vira muleta às vezes para pessoa?

AVAndréa Vermont

Quando que a gente tem que ganhar alta? Isso que que eu fazia: se a pessoa me procurava por uma questão pontual, quando ela entendia essa questão e ela entendia que o processo dela era aquilo que ela veio buscar, essa pessoa estava de alta, tá? Era um fato pontual. André, eu perdi minha mãe, eu não tô conseguindo entender isso. E aí ela ficava ali 2, 3 anos, e aí em algum momento você percebe que a pessoa tá mais em paz em relação a esse luto, e a própria pessoa consegue caminhar com as suas próprias pernas. Não dá para fazer reserva de mercado, não dá para ficar fazendo gestão do caos.

?Voz D

Caos.

AVAndréa Vermont

Tem gente que faz gestão do caos, gestão do caos, cria mais caos, porque aí você fica gerindo o caos e o caos não acaba nunca, e você vai pondo dinheiro no bolso. Isso não é honesto. Por autoconhecimento, aí para mim não tem alta. Eu, por exemplo, eu não quero alta jamais, porque eu entendo que assim como o meu corpo precisa tomar banho, minha alma também precisa. Ontem eu passei raiva com uma pessoa, eu fico louca para ir para terapia para mim entender o que que aconteceu.

Então Então tem tanta coisa acontecendo na minha vida o tempo todo que eu entendo a minha alma como eu entendo o meu corpo. Como eu preciso tirar os excessos de sujeira do dia, eu entendo que a minha alma durante uma semana ela acumula uma série de sujeira. E para eu não perder o réu primário, eu preciso fazer terapia, porque senão eu vou perder o réu primário. Porque às vezes a gente não faz terapia para gente, a gente faz terapia para aguentar quem não faz terapia.

BBola

O meu psiquiatra uma vez falou uma coisa para mim que foi assim, caraca, velho, porque o que que acontece? Há uma diferença entre o profissional liberal e o mercado corporativo. O mercado corporativo é o inferno, não é verdade? É ali que é conhecer o inferno. Vai para o mercado corporativo, ali você vai conhecer o que que é o inferno.

AVAndréa Vermont

É verdade.

BBola

Aí ele falou assim, falou assim, bicho, tu tá cheio de gancho. Eu adorei essa metáfora. Tipo assim, comece a— as pessoas não querem que você vá, então elas vão te puxar. Então vamos tirando gancho por gancho até você poder andar.

AVAndréa Vermont

É isso.

BBola

E isso acho que valeu muito para mim.

AVAndréa Vermont

Eu dou exemplo assim, não sei se aqui em São Paulo, no Rio de Janeiro tinha isso, mas lá em Minas tinha carrapicho. Sabe o que que é carrapicho?

BBola

Que aquilo gruda no pé, no pé principalmente, que vai agarrando na meia.

AVAndréa Vermont

Você vai, terapia é isso, você vai arrancando os carrapicho da semana.

BBola

É isso aí.

AVAndréa Vermont

E quem que vai tacando carrapicho na gente? As pessoas, são os fatos. Então se você não arrancando aquele carrapicho, incorpora em você, daqui a pouco você é o próprio carrapicho.

BBola

Exatamente.

AVAndréa Vermont

Então você tem que ir arrancando para separar o que é seu, o que é do outro, que jeito que eu vou caminhar pela vida.

BBola

Isso aí, doutora, um prazer te conhecer.

AVAndréa Vermont

Isso, prazer é meu.

BBola

Você é uma mulher incrível.

AVAndréa Vermont

Vocês são dois caras que eu assisti me salvaram muito nos domingos à tarde.

BBola

Sempre aqui também. Doutora tá lá no Instagram, vai estar no evento.

CCarioca

Tá, Doutor de Alma, dia 29 e 30 de agosto.

BBola

É isso aí, você vai poder ter essa experiência. Ela tá sempre aí nas suas redes, tá aí, ó, 29 e 30 de agosto, online, ao vivo. André Vermont, tá? O link tá aqui na descrição, faça lá sua inscrição.

CCarioca

E mandar uns parabéns para quem, meu querido?

BBola

Olinto, querido Olinto do Agro, nosso querido Olinto. Um beijo, um beijo para você, meu querido irmão. Adorei te conhecer.

AVAndréa Vermont

Eu que adorei. Obrigado.

BBola

Faça mais programas, converse com as pessoas. Saiba que comigo você conversa também, né? Eu te ouço sempre por aí num corte ou outro, tô sempre aprendendo alguma coisa, né?

AVAndréa Vermont

Obrigada.

BBola

Que na vida a gente tem que buscar o conhecimento. Prazer te conhecer.

AVAndréa Vermont

De vocês é maravilhoso, viu?

BBola

Muito obrigado.

AVAndréa Vermont

Continuem fazendo, continue Continuem, vale a pena. Eu falo que a gente salva vidas.

CCarioca

Conte com a gente.

BBola

Humor é o bálsamo do dia.

CCarioca

Edu Megali, beijo, irmão. Obrigado pela camisa do Palestra, valeu.

BBola

É isso aí.

AVAndréa Vermont

Fala para ele mandar uma do Flamengo.

CCarioca

Agora você se lascou, Edu.

BBola

Sou botafoguense, não vai dar certo isso aí.

AVAndréa Vermont

Sofredor.

BBola

Beijo, fica com Deus. Gabi, beijo. Mozão, beijo aí. Beijo a todos vocês que vieram aqui ao programa. E até semana que vem. Um beijo, galera.

CCarioca

Obrigado, cambada.