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EP 790 - UM OLHAR CIRÚRGICO PARA O BRASIL - VALERIM, VIANA E FERRUGEM

22 de julho de 20262h18min
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Filipe Valerim, Henrique Viana e Lucas Ferrugem são sócios da Brasil Paralelo e estarão aqui para falar sobre os 10 anos da produtora, relembrando sua trajetória, os principais projetos, os bastidores das produções e os desafios que marcaram essa década de história.

Participantes neste episódio5
B

Bola

HostHumorista
C

Carioca

HostComediante
F

Filipe Valerim

Host
H

Henrique Viana

Host
L

Lucas Ferrugem

HostDiretor e roteirista
Assuntos10
  • Brasil Paralelo· SociedadeTrajetória da produtora · Bastidores das produções · Desafios da década
  • Preparação para o BrasileirãoAcesso vitalício ao conteúdo · Bônus exclusivos e presentes · Novos lançamentos futuros
  • Financiamento de empresasIndependência financeira · Venda de conteúdo e membros fundadores · Empréstimos e dívidas · Modelo de empresa com fins lucrativos
  • Produção de Conteúdo e EdiçãoA Divina Comédia (animação) · John Money e o experimento com gêmeos · Representações do Diabo no Cinema e Jogos · Uso de inteligência artificial na arte
  • DocumentáriosPrimeiras entrevistas e amadorismo · Congresso Brasil Paralelo · Série de documentários · Retrospectiva histórica sem viés marxista · Raízes dos problemas do Brasil
  • Judiciário e PolíticaTrabalho no Senado · Poder do Judiciário · Clãs políticos e coronelismo · Descentralização de impostos · CPMF e contribuições
  • Origem da Brasil ParaleloIdeia inicial e natural · Experiências empreendedoras anteriores · Dificuldades financeiras e dívidas · Formação em administração na ESPM · Influência de palestras sobre liberalismo
  • Programa Fazendo ArteConceito da música · Maestro explicando a redução · Produção cuidadosa e didática
  • Critica PoliticaDespertar de consciência · Aumento do populismo · Liberdade de expressão · Ativismo digital
  • Nome Brasil ParaleloProcesso de brainstorming · Sugestões de nomes iniciais · Significado e independência
Transcrição748 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
CCarioca

Wi-Fi, vai embora, abre aí.

?Voz B

Hello, cambada, tudo bem com vocês? Espero que sim. O Carioca está pegando alguma coisa na mochila, mas ele está aqui já faz tempo, tá, rapaziada? Eu não cheguei. O que que você esqueceu?

CCarioca

Não, que eu queria guardar meus óculos.

?Voz B

Ah, guardar os óculos.

CCarioca

Só queria guardar aqui, mas não me avisaram que estavam soltando. Mas enfim, soltar, soltar é gostoso demais, né?

?Voz B

É ótimo. Enfim, muito bem-vindos, obrigado pela presença.

CCarioca

Boa tarde.

?Voz B

Já curtam, compartilhem, inscrevam-se no nosso canal. Muito obrigado. Papo hoje vai ser muito bom.

CCarioca

É exatamente, Marcos Queza. Estamos ao vivaço aqui, 2 horas e 12 minutos, e hoje um programa sensacional.

?Voz B

10 anos em que beleza, em que puta merda!

CCarioca

Pô, essa história que eu sou testemunha desde o comecinho, cara. Mas assim, lá no comecinho do comecinho mesmo, cara.

?Voz B

Do início.

CCarioca

Que era só os três mesmo produzindo os vídeos, fazendo com as— eu lembro até a câmera, vocês usavam aquela RED, umas REDzinhas, umas Canon.

?Voz C

RED veio depois, RED veio bem depois.

CCarioca

Bem muito depois?

?Voz D

A primeira era a T5i. T3i, era antes, né?

CCarioca

Era Canon.

?Voz D

T3i, só gravava 10 minutos. Só gravava 10 minutos, a bateria durava 5.

?Voz B

Vocês gravavam o quê no comecinho, irmão?

?Voz D

Cara, quando a gente começou mesmo, a gente saiu entrevistando o pessoal. Na rua? Não, nas casas. A gente marcava entrevistas. Poderia ser na rua também, talvez tenha rolado também. Não, mas é tipo professor de história, jornalista, cientista político, o pessoal que tava analisando o Brasil. E aí a gente ficava entrevistando a galera. 1, 2, 3 horas de entrevista. E depois que a gente já tinha umas 30, 40 entrevistas, que a gente ainda não sabia bem o que a gente ia fazer com aquilo.

Era 2016, então não tinha esse monte de podcast, canais, coisa, era uma coisa ainda bem embrionária, principalmente nesse assunto assim de história.

?Voz B

A gente tava no Pânico ainda, o Pânico acabou em 17, porra.

?Voz D

Foi em 17?

?Voz B

É bom, cara. A gente tava no Pânico ainda.

CCarioca

Bom, a gente tá aqui começando o programa hoje, nós vamos receber os caras que fundaram o Brasil Paralelo.

?Voz B

10 anos de Brasil Paralelo, uma casa.

CCarioca

Nós vamos saber toda a história, vai ter surpresa legal para vocês. Aguenta aí, dessa plataforma que para mim é uma bênção para o Brasil. O Brasil precisava e o Brasil tem. Cada matéria boa que tá, uma plataforma de qualidade de conteúdo, de documentário, de cultura, de educação, né? Brasil Paralelo já fez muitos cursos também com grandes pessoas. Gosto muito, aprendi a amar mais ainda o Império Brasileiro com os docs que vocês fizeram muito bem elaborados.

Enfim, é um trabalho, cara, é um trabalho de muita qualidade, de busca também pela isenção da história. Porque no Brasil a gente sabe que o viés na história do Brasil, principalmente na educação brasileira, ela tem um viés assim, é aquele prego tortaço mesmo que você bate, ele bate cruzado, né? E Brasil Paralelo ela busca contar a história de uma forma mais equilibrada diante dos fatos da história, com pessoas e personagens importantes.

E nós vamos debater muito isso aqui hoje, tá bom, Boleta? Mas antes eu queria agradecer primeiramente a WM Tênis. WM Tênis, olha só, tudo o pessoal. Agradecer de verdade a WM, deram uma mala, me deram raquete de tênis. Vocês jogam tênis ou não? Eu tô tentando, eu só que é cara tardio, que depois de velho, e já o meu filho esporádico, tô querendo voltar a fazer aula para pegar a esquerda, né? A esquerda é muito mais difícil.

?Voz B

Obrigado pelo presente, rapaziada!

CCarioca

Um beijo, Marcelo WMT. Eu ganhei uma mala também da Wilson, raquete, bola e bolinha. Obrigado, mandou um kit maravilhoso na minha casa. Obrigado! E também eu queria, bola, agradecer ao Turistando Turistando Chile, @turistandochile. Ontem estivemos aqui com um argentino-chileno, Marcelo Dollens, e eu falei de um vinho específico. Maurício Dollens. Falei Marcelo, Marcelo da WMT. É o Maurício Dollens, e provavelmente deve ser, tomara que seja o vinho que eu falei aqui ontem.

?Voz B

Como chama?

CCarioca

Para tomar entre a gente. É um vinho para tomar com o casal, é um vinho para tomar com a tua mulher, que às vezes o vinho que você bebe, a tua mulher acha forte ou acha ele meio desproporcional. Fala, porra, Vinho tem isso, né? E esse aqui não é de mulher, vinho de casal, vinho de mulherzinha. Ele não é assim, vinho do casal. Ele tem as notas mais pegadas, mas ele tem a leveza que a mulher precisa. Não, porque a mulher gosta da coisa mais suave, almíscar com— não, não tem mais essa coisa, é crocante.

?Voz B

Ah, tomar no rabo, irmão!

CCarioca

Aí é o Leida, não é o Amina, é o Leida, mas é do Vale do Leida. Então tá aqui, obrigado pelo presente, turistando do Chile. O Amina Pinot Noir é um excelente.

?Voz B

E almoçamos bem também, ó, a televisão vai com inveja agora.

?Voz D

Pinot Noir é para o casal mesmo, concordo.

?Voz B

Zé Ortali mandou aqui, ó, Toscana Focacceria, uma focaccia de pastel.

CCarioca

Hoje eu almocei uma focaccia.

?Voz B

Puta, aqui melhor focaccia do Brasil, Toscana Focacceria tá aqui. Obrigado, Zé, valeu, irmão.

CCarioca

Quanto presente hoje!

?Voz B

Mas enfim, um dia cheio, que bom, que bom.

CCarioca

Compartilhe, estamos no Spotify, entre os maiores canais do Spotify do mundo. Muito obrigado, Spotify.

?Voz B

Amazon Music também tá me marcando.

CCarioca

No YouTube, canal do Pote, por favor, faça tudo que você sabe que é necessário. Vou até curtir aqui para ajudar. Siga também Brasil Paralelo. E vamos falar sobre isso porque tô aqui com Valerim Viana, Henrique Viana e Lucas Ferrugem. Isso, te chamo de Ferrugem também, o cantor. Você escuta Ferrugem?

LFLucas Ferrugem

Depois de uma certa fase na minha vida, começaram a perguntar se eu era parente dele, só que ele é apelido.

CCarioca

Pode vir mais para a direita, meu querido Ferrugem.

LFLucas Ferrugem

Eu era, ele é apelido, pô, meu é sobrenome mesmo.

CCarioca

O dele é apelido, eu sei, é porque ele tem ruivinho, ele tem sardinhas, sardelas na cara. Lembra que o Ferrugem tinha um Ferrugem?

?Voz B

Eu não gostei. Então ele era ruivo, né? Isso, ruivinho.

CCarioca

Enfim, vamos falar sobre os 10 anos. Sem querer eu soltei aqui, tá, pessoal? Depois acerta para mim, Alpi, é o TP. Vamos falar da Brasil Paralelo. 10 anos de Brasil Paralelo, porra, vocês chegaram até aqui, de sucesso, hein?

?Voz D

Que beleza!

CCarioca

O Lucas Ferrugem na época era Viva o mojaro!

LFLucas Ferrugem

Não, mas eu começo um pouquinho mais pesado do que eu sou agora, e aí eu engordo muito durante a BP, e aí eu reduzo de novo.

CCarioca

Você se importa a gente exibir uma foto como você era antes?

LFLucas Ferrugem

Claro que não!

CCarioca

Então acha aí, Lucas Ferrugem.

LFLucas Ferrugem

Não, eu gravei muitas coisas, mas era uma porpeta, uma porpeta.

?Voz D

Não falta na internet a foto dessa época.

CCarioca

Lucas Ferrugem era um, ele era Podia chamar.

?Voz B

E quem que foi a ideia? Como é que vocês bolaram isso?

?Voz C

Tomou uma mojada?

?Voz D

Não, tomou uma mojada foi de todo mundo.

LFLucas Ferrugem

Foi mais ou menos uma reflexão que de Natal em Natal eu ficava mais gordo numa velocidade acachapante. Aí eu me lembro que a galera já falava comigo, falava assim, ô meu, tu vai morrer, tu tá 170 kg.

?Voz B

Caralho, velho, eu pesei 130, meu.

LFLucas Ferrugem

É, agora eu peso tipo 89, por acaso.

?Voz B

Você tá bem pra cacete.

CCarioca

É o mesmo peso que eu tô.

LFLucas Ferrugem

É 1 quilo de diferença, cara.

?Voz B

Ah, merda, irmão.

LFLucas Ferrugem

Então aí eu vi que eu tava cada vez mais morrendo, as pessoas tavam me avisando que eu tava morrendo.

?Voz B

Cada vez mais morrendo, morrendo aos poucos.

LFLucas Ferrugem

E eu me fiava, eu me fiava num exame de sangue que não dava tão ruim. Aí uma vez eu fui no médico.

?Voz B

É, mas isso é uma merda, sabe o que eu fazia também? O cara, seu colesterol está bom. Aí o cara fica, sério, está bom? Então eu não preciso fazer porra nenhuma, meu colesterol tá bom.

LFLucas Ferrugem

Posso comer 2x agora.

?Voz B

Exatamente, não tem nada errado.

LFLucas Ferrugem

E aí, cara, e aí eu fui num médico sério aqui, Dr. Sidney, e falei com ele. Ele falou assim, ó, cara, esse teu exame, quando ele piorar, vai ser UTI. Não vai precisar ter a fase de vai piorando, entendeu? Vai piorar, tu vai vir pro hospital, não vai ter solução, tu vai morrer um dia. E vai acontecer nos teus próximos 10 anos, estatisticamente falando.

CCarioca

Quer dizer, um Brasil paralelo a esse de repente podia não estar aqui hoje comemorando os 10 anos. Olha lá, boleta, o tamanho do menino.

?Voz B

Olha lá, bonito, hein, meu irmão? E com a bigodeirinha, você parecia o Pablo Escobar, cara. Você parecia o Escobar, irmão.

LFLucas Ferrugem

Mano, eu acho engraçado que não só tá mais gordo, tá com uma vibe mais traficante também. Então, Pablo Escobar, puta Pablo Escobar.

CCarioca

É engraçado que o Vianney e o Vilarinho não mudaram nada, mas ele, que melhora, hein?

?Voz B

Não é outro patamar.

LFLucas Ferrugem

Tu acha que eu tinha condição de dizer que eu tava tentando jogar tênis nesse período? Não tinha, não tinha condição nem de tentar pegar o elevador.

?Voz B

Não, parabéns, que transformação!

CCarioca

A gente fica feliz porque a gente, todos, todos nós, né? É verdade. E ele também, né, meu? Melhora tudo, né, velho?

LFLucas Ferrugem

Não, e o pessoal me ajudou muito, o pessoal foi me empurrando porque a gente foi muito, muito— eu sempre tive problema de peso. E aí a gente foi muito, muito— tinha desculpas prontas para poder não cuidar da saúde porque tava querendo tocar muito, muito trabalho.

?Voz D

Agora não é o momento.

?Voz B

E aí cruza isso com o cara, a gente, a gente mudou para São Paulo, acho que foi pegou a curva. Vocês vieram de onde?

?Voz D

A gente é de Porto Alegre.

?Voz B

Porto Alegre.

CCarioca

Então, gaúcho, sempre trabalhou.

?Voz D

E querendo ou não, o ritmo de vida em Porto Alegre é incomparável, né?

?Voz B

Ah, não.

?Voz D

Você vem pra cá, no início a gente passou perrengue, ficou assim todo apertado em cowork e tal, a empresa não tava dando certo no início, quase quebrou.

CCarioca

Vocês quebraram?

?Voz D

Então, cara, era assim comendo mal pra caramba, dormindo mal toda noite e tal.

LFLucas Ferrugem

Eu tenho uma memória que é óbvio que vai dar problema, né? Sei lá, 6 da manhã, eu já sabia as teleentrega que ficava aberto tipo 5 da manhã. Então lá no escritório a gente tava Mandava vir um Mac ali da Pamplona, 5, 6 horas da manhã, vinha um Maczinho, às vezes vinha um sanduichinho mesmo brabo, irmão. E trabalhando lá no escritório, vindo cedo, fazia o que eu fazia, nugget.

?Voz B

Eu fazia, eu fazia miojo na pia do banheiro com água quente. Isso aí não, porque meu pai não vê, cara. Eu fazia escondido, ligava água quente, ligava já abrindo com a panelinha, metia água quente, ia mexendo. Fazia um miojão na pia do banheiro. É um bicho lazarento, não dá para confiar em gordo, não dá, irmão. Esse aqui pedia Mac às 5 horas da manhã, pô.

LFLucas Ferrugem

Como é que tu vai confiar nesse cara? Tu tá falando com ele achando que tá falando sério, ele tá pensando como é que ele vai arranjar alguma coisa para comer ainda.

?Voz B

O que que nós vamos gravar hoje? Não, espera um pouquinho que eu tô tentando.

CCarioca

Mas olha só, vamos lá, eu queria saber quem teve a ideia, porque vocês— eu tô errado, vocês eram alunos do Olavo, alguma coisa assim?

?Voz B

Já era um amigo.

CCarioca

Foi aquele Brasil de 2013 que mexeu com vocês, vocês eram jovens, estavam ali saindo da faculdade e vocês tiveram a ideia. Quem teve a ideia? Foram os três juntos? Vocês estudavam junto? Queria saber um pouco dessa história.

?Voz C

Porque a gente era, a gente amigo, já convivia e tal. Então é aquela ideia que ela vai, ela vai surgindo. A gente quer fazer alguma coisa junto, não saber o quê, né? E aí uma hora brota o negócio. Então não é que teve uma ideia assim, foi bem natural.

?Voz D

A gente, eu e Felipe, já tinha, os três já tinham tido negócio antes e quebrado. E coincidentemente, eu e o Henrique, a gente tinha tido banda na adolescência, várias bandas. E aí depois chegou uma hora que começou a agência. Pesquisa o nome dele no YouTube, tem umas músicas lá.

CCarioca

Você tá a cara do Messi, desculpa eu te falar isso.

?Voz B

Cara do Messi?

?Voz C

Ele tá parecendo, ele tá a cara do Messi, tá a cara do Messi.

?Voz D

Caramba, cara, é fracão, né, meu? O jeito que ele olha que parece Tom Cruise.

CCarioca

O Vero tá a cara do Messi, velho. Você botou o cabelinho do Messi, vai dar o Messi. Camisa da Argentina vai cair bem nele.

?Voz C

Dizer que futebol não sai nada, sai nada, não sai nada.

?Voz D

Chega a dar um nervoso, você começa a entrar o assunto, puta que pariu.

CCarioca

Vamos lá, vamos lá, fala aí.

?Voz D

E aí a gente tinha tido, depois desse negócio de banda, cara, vamos agenciar, vamos vender uns shows e tal. A gente tinha alguma experiência com fazer marketing, contato com algumas casas de shows lá em Rio Grande do Sul, basicamente. A gente começou a, eu tinha a própria banda, carreira solo ali, que eu tinha umas músicas e tal. E a gente tinha umas outras bandas também que a gente vendia para essas casas noturnas.

?Voz B

Como chamava a banda de vocês?

?Voz D

Ele, Felipe Valeriano, era o meu nome.

?Voz C

Quando começou, que foi no colégio, era No Balanço.

?Voz B

Era No Balanço, boa!

CCarioca

Era o quê, samba rock?

?Voz D

Samba rock, samba, pagode, essa misturança. Época mais bombada ainda. E aí, o quê, cara?

?Voz B

Dá até um desespero.

CCarioca

Não, não, não, não, não, imagina. Adoro samba rock, adoro samba rock.

?Voz C

Mas foi um negócio legal, a gente teve uns funcionários e tal assim, mas...

?Voz D

Foi uma primeira experiência empreendedora ali, acho que nasceu essa coisa de, cara, a gente quer ter um negócio, quer movimentar as coisas.

?Voz B

Você tinha quantos anos, irmão?

?Voz C

Desculpa.

?Voz D

Cara, eu tinha 17, 16, comecei novinho. Isso durou até uns 21, vai por aí.

?Voz C

E aí, cara, a gente só...

?Voz D

A gente cometeu muito crime lá. É, no início, cara, identidade falsa, tinha aquelas histórias. E aí a gente foi até esse início da vida adulta aí. E sempre correndo atrás, pedalando, aí pegou empréstimo no banco e foi, foi, chegou uma hora que não deu mais, aí quebrou, aí ficou devendo no banco e tal.

CCarioca

A banda quebrou?

LFLucas Ferrugem

A produtora.

?Voz D

A produtora que vendia os shows. É, a banda já nasceu quebrada, né?

?Voz C

A gente ficou endividado quando fechou a nossa empresa em 2012, a gente ficou endividado de 2012 até 2016, por 4 anos pagando parcela.

?Voz D

Mas pagou direitinho, pagou bacana.

?Voz B

Escobar não fazia parte.

?Voz D

E aí nesse mês a gente conheceu ele na festa, a gente foi fazer faculdade e tal, conheceu ele na faculdade.

?Voz C

Pegamos empréstimo com ele na faculdade.

CCarioca

Qual faculdade vocês fizeram lá?

?Voz B

ESPM.

?Voz D

ESPM.

CCarioca

Não foi na PUC de Porto Alegre?

?Voz D

Administração.

CCarioca

Acho que não, né?

?Voz D

Aí nesse mês a gente foi fazer faculdade, conheceu ele que também tava quebrado, só que ele tava na outra ponta, ele comprava shows.

LFLucas Ferrugem

Eu quebrei vendendo. Eles compraram vendendo show, eu quebrei comprando show, o que claramente não era uma indústria muito próspera pelo jeito, né?

?Voz D

Nada próspera, não é porra.

?Voz C

Acontece em 2013 essas primeiras manifestações dos 20 centavos. E eu lembro que a mídia na época fez uma coisa interessante, uma provocação que eu acho que foi muito, foi muito importante. Saíram perguntando para as pessoas sobre o que que elas estavam protestando e ninguém sabia dizer direito. E a mídia começou a bater muito nisso, no fato de que as pessoas não sabiam. E eu acho que isso fez, essa é uma opinião totalmente pessoal, mas eu lembro disso ficar assim na O que que eu sou?

Eu concordo com essa manifestação, mas de fato eu não sei o que que eu— e isso, sabe, começa a surgir internet.

CCarioca

Eu te falo que eu acho que aconteceu porque eu tava vivendo o epicentro do problema. Aconteceu os 20 centavos, já era uma direita que não sabia o que queria, foi para as ruas porque o governo tava uma merda. A Dilma era presidente, tava horrível. E vou fazer uma revelação bombástica para vocês.

?Voz C

Fez.

?Voz B

Você votou na Dilma.

CCarioca

Quando deu aquela manifestação, quando deu aquela manifestação, eu corri para Band, corri para Band, peguei carona no helicóptero do Datena vestido de Dilma e fiz uma matéria sacaneando, porque eu falei, cara, é verdade, você fez isso em satisfação com o que tá acontecendo. Eu vou tentar ser a presidente, que eu já fazia no Pânico, falar assim, aí Adiante para rua, era meio zoando.

?Voz C

Eu lembro disso aí, assim, eu lembro do teu personagem.

CCarioca

Aí eu vou chegar lá, maravilhoso. Só que aí, aí eu vou te contar o que eu fiz. Eu dei uma Brasil paralelada, né? Nesse ínterim eu tava conversando com uma agência de Facebook, que eu tava com uma empresária nova, ela tava me mostrando umas novidades, e era ser o Facebook, era novidade de fanpage e tal, de Face e tal. E aí, o que que aconteceu? A matéria que eu gravei no helicóptero não foi ao ar. É verdade, deram teatro à tesoura, né?

Aí eu falei, o que que tá acontecendo? Ao mesmo tempo veio a seguinte notícia: dá um tempo na personagem. Aí eu, opa, agora não mexe, o bicho tá pegando, não mexe. A pergunta que eu te faço é, uma piada vale 200 milhões? Que bota por ano numa emissora, que ele joga assim, irmão. Eu refleti, eu falei, cara, que foda isso. Aí eu tava conversando com os caras da agência, eu falei, vou fazer no Facebook. Oportunidade, dava 20, 25 milhões cada vídeo.

?Voz B

A matéria?

CCarioca

Não, não, não, eu queria aquela Dima que xingava.

?Voz C

Tá uma merda, né?

CCarioca

Aí eu comecei a fazer isso e isso começou a bombar, explodiu. Quer dizer, o problema era ela, portanto que ela demorou a ir pra TV. Depois não teve jeito, veio o impeachment. Quer dizer, essa insatisfação que você falou tava, mas saiba que isso aconteceu. O partido foi atrás e isso não mudou, entendeu?

?Voz C

Algumas coisas não mudam.

LFLucas Ferrugem

Eu me lembro que aconteceu com uma galera isso aí, se eu não me engano o Danilo passou por isso também. Sim, uma galera passou por isso, né?

CCarioca

Eu passei por isso, cara.

?Voz C

Mas a gente ali, a gente ainda acho que é muito jovem e tá recém começando a pensar, estudar política e tal, trocando, né, trocando entre nós reflexões, insights. Na faculdade começa o debate, começa a acontecer, e a gente, uma das coisas que fez a gente ficar amigo, né, tanto o Felipe lá atrás, depois o Lucas na faculdade, é curiosidade. Sempre foi muito curioso, sempre gostou de estudar por conta, autodidata e tal, qualquer assunto, qualquer assunto.

O mais desinteressante que você possa imaginar. E aí começa a surgir muita fonte sobre economia, política, história, etc.

LFLucas Ferrugem

E tal.

?Voz C

E a gente tá na faculdade tendo aula de sociologia, história, não sei o quê, e começa a ter debate, começa a ter discussão com o professor e tal. O Lucas sempre foi muito bom de debate, dava treta com o professor, né, porque ia indo escalando o debate até o professor não ter Fui expulso da faculdade em 96. 96, cara, convidado de que que era?

CCarioca

Jornalismo. Porque eu era já, pô, estudava santinho de candidato do PT, mano, dentro da facul.

?Voz C

E a Chico Alencar toda hora, bandeira do PSTU, falei, galera, na nossa também, isso aí.

CCarioca

Eu falei, porra, isso aqui é o quê? O antro? É um partido? É uma faculdade? Que porra é essa? Aí eu questionava.

?Voz D

E aí Tô mole.

?Voz C

É isso?

?Voz B

Caralho. Dá pra você sair amigão assim.

CCarioca

Não me formei em jornalismo, que bom.

LFLucas Ferrugem

A gente fazia administração de empresas e a nossa professora de sociologia tinha sido líder do MST.

?Voz B

Puta merda.

CCarioca

Vendia uns cafezinhos por R$70.

LFLucas Ferrugem

Ela até era gente boa, verdade seja dita, ela até era uma pessoa muito gente boa. Mas editorialmente, conteudisticamente, a gente tinha uma... Um viés bizarro. Uma treta muito grande assim, né? Então, cara, tinha muito esse clima, né? Esse clima... Bélico, né? Por que vocês estão fazendo isso numa faculdade de business? Que que tá acontecendo?

?Voz C

A gente não tava ali com viés de direita. Não era isso.

LFLucas Ferrugem

Não, nem sabia muita gente, né?

?Voz C

Era questionando, assim... Que isso, cara? É fatos, cadê a tua neutralidade como professor?

CCarioca

É claro.

?Voz D

Não, eu acho que tinha um choque meio orgânico também, porque os três tinham tentado empreender, se ferraram, não sei o quê. Teve um pouco dessa vida prática fora do mundo acadêmico, assim. Então era uma coisa meio quase instintiva assim, sabe?

LFLucas Ferrugem

Todo mundo devendo.

?Voz D

É, a gente ouvia aquelas coisas e tal, porra, deixa o cara fazer o negócio aí, o cara pedindo por mais intervenção do Estado e mais burocracia, tipo, pô, eu sei o que nos ferrava lá atrás e tal, sabe? Então tinha uma coisa que ainda não tinha ideias muito bem articuladas, mas tive uma experiência prática prévia que geralmente as pessoas não têm antes da faculdade, aí é mais fácil de cair no papo, que acabou nos blindando um pouco.

E aí a gente ficava conversando sobre esse tipo de assunto, até que uma hora começou a ter umas palestras do pessoal do Instituto Miss Brasil, que ainda existe, do Hélio Beltrão, que falava sobre escola austríaca, liberalismo, esse tipo de coisa, que ainda era uma coisa bem nova assim para nós. E aí começa um pouco mais de teorização e tal, dos fundamentos da economia, da sociedade e tal. E aí a gente começa a se abastecer um pouco daquilo, começa a gostar.

?Voz C

Isso é bom, isso é muito artigos fáceis de ler.

LFLucas Ferrugem

Tinha um moleque na faculdade que já era amigo nosso, o Gigas, que já era muito nerd e tal. E logo no meu primeiro semestre na faculdade, ele levou o Hélio Beltrão para dar uma palestra lá em Porto Alegre. Caramba. E sei lá o que que ele vai falar e tal, um cara meio importante aí, vamos lá ver. Era mais ou menos esse o clima, né? E porra, em contraste com tudo que a gente tava reclamando, que tava escutando na sala de aula, soou muito bem aquele discurso, que era, cara, liberdade, vamos fazer, vamos acontecer.

E aqui o princípio do porquê que uma liberdade funciona e tal. Aquilo soou muito bem. A gente falou assim, cara, aquilo que a gente tá escutando na sala de aula é ruim, isso aqui que é maneiro, entendeu? Mas nessa época não tinha um raciocínio Se a gente, se tu perguntasse pra mim naquela época, ah, tu é isto, tu é aquilo, eu ia dizer, eu ia ser até, sei lá, meio ignorante talvez até pra colocar isso, uma opinião assim, falar, sei lá, não sei o que que é direita, é fascismo?

O que que é esquerda, é comunismo? Não sei, entendeu? Então acho que não era uma identidade na época, era mais uma revolta com o discurso que tava rolando. Historinha rápida, eu lembro que uma professora dessas de comportamento consumidor passou um trabalho pra gente, faculdade de business. Fotografa, eu quero que vocês fotografem um consumidor da classe C, sem acesso ao consumo de luxo, um consumidor da classe A, um da classe B, um da classe D, de cada classe, luta de classe.

Aí eu, cara, eu não tinha ainda uma implicância com esquerda em si, tá? Mas eu peguei uma certa malícia no briefing do trabalho. Eu falei, que esse trabalho aí, isso é trampa. Aí eu, de sacanagem, peguei o celular e fotografei pessoas aleatórias. Então eu peguei tipo uma menina loira da faculdade com uma bolsa Louis Vuitton, fotografei e falei, vou botar como se fosse classe C. Vai que eu vou deixar. Aí a minha cabeça era, eu vou inverter para professora, deixa ela dizer por que que não é classe C.

Eu quero que tu me explique e tal. E porra, aí começou a falar que não, que tava errado meu trabalho. Eu queria explicação, falei, tem como formalizar a explicação do porquê que tá errado meu trabalho? E aí isso não andava. Então muita provocação, muita coisa, mas isso ia despertando na gente um ambiente da gente se sentir meio feito de idiota em alguma medida, sabe?

CCarioca

A minha tinha 2 pontos. Se fosse na manifestação, tinha professor que dava 2 pontos para contra, fora FHC. Nesse nível, fora FHC, 2. Faculdade particular na época, ali na sala de aula.

?Voz B

Você até fala que foi, não ia, caralho.

CCarioca

Não, aí eu chegava, eu era malandróvisco, eu pegava.

LFLucas Ferrugem

Não, no sentido de que era de achar um absurdo Sim, claro, pô, não pode isso.

CCarioca

Eu chegava no horário, a galera lá, eu ia na diretoria falar, cadê o professor em sala de aula? Ele ofereceu, caguetava, eu falava, ó, ofereceu 2 pontos, a galera tá lá. E aí, é isso aí, galera, eu quero meu dinheiro aí. Eu criava um problema, entendeu?

LFLucas Ferrugem

Era um cara polêmico, eu era o cara que sacaneava o diretório.

CCarioca

Aí a eleição do diretório, eu ficava trolando.

LFLucas Ferrugem

Aí tem outro lado também, né?

CCarioca

Tem Mas não, eu tinha, eu lia o jornal todos os dias, eu lia Arnaldo Jabô, eu lia todos os dias. Aí o professor contando outra história, eu falei, professor, isso aqui tá errado, cara. Aí ficava puto comigo.

?Voz B

Eu li hoje que não é verdade.

CCarioca

Eu falei, eu não posso contra-argumentar, não posso não concordar com você.

?Voz C

É isso aí, é isso aí que a gente fazia.

LFLucas Ferrugem

É isso aí, cara.

?Voz C

É isso aí, é isso aí.

?Voz D

E aí acho que paralelo a esse interesse que começou a ficar cada vez maior e tudo mais, começou a surgir naquela época também o marketing digital, né? Lançamentos, marketing digital. Vender produtos online, conteúdo, esse tipo de coisa era uma coisa que tava começando a aparecer. Porque até então, qualquer coisa que você fosse fazer pra discutir esse tipo de ideias, pra falar de história, política, esse tipo de coisa, geralmente se pensa num instituto e tal, né?

Alguém aqui vai ajudar a financiar, a gente vai fazer uns eventos, um congresso, uma coisa assim e tal. Era o raciocínio mais lógico, assim. E aí, paralelo a isso, tava surgindo o negócio do marketing digital, que a gente tava super ali curioso, estudando, interessados e tal. E aí começou, né, o Henrique foi quem puxou essa dianteira, né, começou a ideia de talvez unir um pouco das duas coisas, a gente organizar esse conteúdo, tentar entregar ele numa forma com mais qualidade estética, com algum acabamento, uma forma didática para as pessoas entenderem basicamente o problema do Brasil, como é que a gente chegou até esse momento, uma recapitulação histórica e tentar o cenário do como é que é o aparelhamento do Estado hoje, por que que isso acontece, quais são os incentivos, o follow the money, pra onde é que vai o dinheiro, por que que tem as ONGs, esse tipo de coisa.

Começou a ideia de tentar transformar isso num conteúdo e através das técnicas de marketing, anúncios e lançamento de algum conteúdo online, fazer disso um modelo de empresa, né?

?Voz C

Sustentável.

?Voz D

Sustentável, né?

?Voz C

Sem depender de nenhuma doação de ninguém, de nada.

?Voz D

Que foi, acho que foi a primeira sacada importante assim, cara, que até foi um parceiro, conselheiro e tudo mais, Leandro, que que deu essa, cara, e se fosse uma empresa? Uma empresa que nem uma empresa com fins lucrativos, contrata gente e tal, e vocês estão fornecendo um serviço pra sociedade de informação e tal. Parece uma coisa meio óbvia hoje falando, mas na época era uma coisa meio...

?Voz C

É porque a gente tava, primeiro isso começou a dar muito certo presencialmente numa coisa que era um hobby, virou um hobby, uma coisa voluntária nossa. A gente chamava as pessoas pra dar aula e a gente fazia isso com slides e tal, mostrava pras pessoas, olha aí, o Brasil começou assim, Marx. Escola de Frankfurt, Estados Unidos, a história do PT, a fundação do PCdoB. A gente fazia tudo com slides, com os gráficos, e as pessoas adoravam porque ficava didático para entender.

E essa era a nossa pira desde a época de trabalhar com banner. A gente sempre gostou de comunicação, gostou de como é que as pessoas entendem alguma coisa, né? A gente gostava muito de se reunir às vezes final de semana, em vez de ir para balada, coisa assim, ficava os amigos ali conversando sobre um, né? Ah, estudei um livro aqui, deixa eu contar como é que foi. Aí em 10 minutos resumi o livro. A gente sempre gostou dessa coisa de resumir conteúdo.

CCarioca

Hoje cunhado tá uma delícia, né?

?Voz C

E aí esse amigo assiste uma dessas palestras e, pô, muito legal, não sei o quê. E eu falei, pô, cara, todo mundo adorando, não sei o que fazer com isso, cara, tá nos tomando um puta tempo. Só que, pô, eu tô fodido, tem que pagar minhas contas, não sei o que fazer da minha vida. E ele já conhecia um pouco a história que a gente tinha uma empresa, tinha quebrado e tal. Ele falou, pô, cara, vocês têm total capacidade de transformar isso num negócio.

Levem isso para internet, façam conteúdo de qualidade. Não tem quem tá fazendo isso hoje, é um mercado enorme, todo mundo precisa, quer conteúdo. Como é que vai ser esse modelo de negócio? Pô, se virem, encontrem um. E foi o que a gente começou a fazer, a gente se juntou, é uma salinha que era menor que isso aqui, isso lá em Porto Alegre. A salinha custava R$1.400 por mês, tinha 10 mil, nós tinha 10 mil para fazer o negócio.

?Voz B

Alugamos uma salinha, tinha que fazer tudo, tinha que sobreviver.

?Voz C

Alugamos uma salinha com uma câmera, acho que era emprestada, outra alugada, uma coisa assim. No início a gente tentou fazer uma parceria com uma produtora que ia ter 15%, aí não deu certo, não evoluiu.

CCarioca

Eles devem se arrepender bastante, hein?

?Voz C

Quase nada, cara. Eu acho que sim, mas não foi nem culpa deles, a relação não evoluiu.

CCarioca

Mas Deus é bom demais, sabe tudo, né?

?Voz C

Exatamente, né? Dá certo. Mas aí, por causa disso A gente teve que se virar, aprendeu a fazer. O dinheiro acabou rápido, obviamente, o dinheiro acabou rápido, os R$10 mil. Só que até acabar os R$10 mil, nós já tinha meio que conseguido chegar na ideia, no nome. Demorou para chegar no nome, que é maravilhoso, que foi uma coisa assim, uma inspiração e tal. A gente até tem uma coisa engraçada, que até hoje a gente não lembra assim quem foi que deu a ideia.

?Voz B

Ah, não lembra?

?Voz C

Eu ia perguntar isso, cara, não, porque a gente tava, a gente tava muitos dias já com a indefinição do nome, e nós já tinha feito um cronogramazinho Nós tava quase chegando lá, nós já tinha o paralelo alguma coisa, né?

?Voz D

Mas não tinha o Brasil paralelo.

?Voz C

A gente já tinha páginas de captura de lead, tudo pronto para começar a fazer a campanha. Só que tinha só uns nomes ruins até então.

CCarioca

Brasil Brasileiro, nem perto disso, eram uns nomes ingleses. Paralelando, nome inglês é o primeiro que vem, né? Mindset Brasil.

?Voz D

A gente passou por Fander, como chamam?

LFLucas Ferrugem

A gente passou por Fander, Riggs.

?Voz C

Mas Fander é interessante porque Fander já mostrava que desde o início a gente tava tratando ruim. Do financiamento fundador, tinha uma mistura de— a gente já sabia que as pessoas, porque quando a gente decide fazer negócio, tinha gente que assistia as palestras que falava assim, já tinha pessoas que, amigos e tal, cara, vamos montar um instituto, eu vou atrás de umas doações para a gente transformar isso em vídeo. E nós já tinha assim, não, isso a gente não quer de jeito nenhum, nem isso, nem se envolver em política, nem nada.

A gente só topa ir adiante se for uma coisa 100% independente. Que são as pessoas que vão bancar. Então já tinha essa cabeça. Mas aí chega um ponto que a gente fala assim, cara, nós não podemos, nós não temos mais como continuar sem o nome. Então hoje nós não vamos fazer mais.

CCarioca

Era o crowdfunder, que era uma moda naquela época, né?

?Voz B

É, você fazia a parceria com o crowdfunding.

CCarioca

E as bandas faziam, a galera financiava e entregava o CD.

?Voz B

Nossa, a banda podia ter feito, né?

CCarioca

Era uma coisa que tava nessa época surgindo, o crowdfunding.

?Voz D

Exatamente, tava super forte. Até era a ideia inicial. A ideia inicial era fazer esse conteúdo e aí com esse conteúdo a gente ia conquistar uma audiência, uma relevância nesse tipo de assunto e aí lançar uma plataforma de crowdfunding para esse tipo de iniciativas.

CCarioca

Começou assim, depois a gente abandonou o crowdfunding, mas no começo era meio isso, né?

?Voz C

Então, mas vamos chegar lá já, não é exatamente, vamos chegar lá. A gente nessa madrugada, a gente nesse dia, porque a gente fala assim, a gente não vai sair daqui hoje sem o nome. E cara, aí começa meia-noite, 1 da manhã, 2 da manhã, e nada e tal, e passa por tudo e vai para o quadro e lista vários e tal. E aí daqui a pouco a gente tava num coworking que era um coworking muito esquerdista. Sabe aquela coisa cool assim, coisa descolada?

CCarioca

Homem de coque, cara, era tudo. Tinha mais, mais homem de coque samurai, é mais radical, homem de coque roxo, sei lá, com lenço da Louis Vuitton assim descolado.

?Voz C

Agora eu vou revelar um pouco da paranoia que a gente sempre teve assim com alguns detalhes. Um dos detalhes era o seguinte, cara, para isso aqui funcionar a gente não pode ser brega, não pode ser assim, piegas, umas aulas chatas de história e tal.

?Voz D

Porque já tinha esse estigma também em relação à própria direita. Tipo, a direita vai esticar uma foto, não sabe segurar o shift ali pra foto não ficar torta, fica tudo cagado.

CCarioca

Acabamento.

?Voz C

Então a gente falou, quem sabe fazer isso é a esquerda. Então a gente foi pro— a gente já tinha olhado um coworking, tinha uma salinha pequenininha, mas era tipo um coworking de contador e advogado assim, sabe? Cara, isso aqui não vai dar certo, não vai se inspirar. Vamos pro coworking dos esquerdistas, que só tinha publicidade só. E a gente falou, e a gente tem que tá lá falar sobre o que que a gente faz. E não pode, e tem que ser uma coisa que soe muito legal para todo mundo, sem conflito, sem nada.

Mas, e cara, era muito legal porque a gente falava para todo mundo, a gente tá aqui, queria testar o pitch para buscar a verdade, para falar de história do Brasil, para melhorar a consciência das pessoas em relação aos problemas do Brasil. E todo mundo, buscar alternativa de financiamento de forma privada, pô. Aí quando começou a sair clipe de Olavo de Carvalho, isso aí que a gente teve que vazar do coworking. Nossa, mas Mas assim, o nome é o seguinte, a gente olhou e falou, cara, o nome do cowork era Área 51.

?Voz B

Área 51.

?Voz C

A gente falou, puta, olha aqui os caras como são, como são escolares, é legal isso, tem uma coisa meio misteriosa, eles sabem fazer as coisas, né? Nós temos que ter um negócio meio assim, que seja meio um código e tal. E aí a gente chegou no Paralelo 15, que é o que passa em cima de Brasília. Ele falou, opa, tem alguma coisa interessante aí.

CCarioca

É bom também.

?Voz C

Aí daqui a pouco a gente olhou e falou assim, não, 15 é o caralho, vai lá no 30, que é o de Porto Alegre.

?Voz D

Galões de som, baiqueiros, galões de som.

?Voz C

30, porra, 15 nada, 30. Aí ficamos nessa e tal, já, opa, temos alguma coisa aí. E aí, cara, daqui a pouco, eu pelo menos não lembro, realmente eu não lembro.

?Voz D

30 depois virou amor e ódio.

?Voz C

Brasil Paralelo.

LFLucas Ferrugem

Eu sempre faço a piada que se eu não lembro é porque não fui eu, né? Porque se fosse eu, eu ia lembrar muito.

?Voz D

Eu ia lembrar muito.

?Voz C

E aí quando a frase saiu assim, a gente olhou, é, porra, Brasil Paralelo! E é engraçado porque surge desse processo totalmente criativo, brainstorming, e depois quando você começa a olhar, você começa a ver todos os significados. Mas nós não chegamos pelo significado, mas depois quando a gente olhou para o nome, a gente falou, cara, tem um puta significado! Porque a gente sempre teve essa paranoia liberal de não ter dinheiro do Estado, de nada, não sei o quê.

A gente não acredita que o Ministério da Cultura vai resolver o problema de Cultura, que o Ministério da Educação vai resolver o problema da educação. Então tem que ter iniciativas totalmente independentes para ajudar o povo a se libertar da ignorância. Então fechou o nome, fechou completamente. E aí entra a jornada do como é que nós vamos, bom, primeiro como é que vai fazer conteúdo e depois como é que vai ganhar dinheiro. O conteúdo, a gente começa a fazer as entrevistas com a camerazinha emprestada, amadorismo total.

Primeira entrevista não deu certo porque acabou a bateria, a gente não sabia que tinha que ter bateria extra, esse tipo de amadorismo assim. Mas aí evolui, a gente vence essa etapa, começa a acertar, fazer uma fotografia bacana e tal. Felipe sempre se puxou muito ali de estudar didático, estudando YouTube, como é que mexer em câmera e tal. E a gente começa a conquistar a galera até o dia que o Lucas postava esse conteúdo no YouTube, já no Facebook.

CCarioca

É o que eu falei, o Facebook ali naquela época, a gente não tinha que pagar ainda.

?Voz C

Não, não, não, era os trechinhos. Veja bem, já tinha uma estratégia de marketing digital. Era os trechinhos como teaser do Congresso Brasil Paralelo, que seria um evento online.

CCarioca

Entendi.

?Voz C

Não ia ser uma campanha.

LFLucas Ferrugem

No começo nem isso a gente fazia. A gente viu uma palestra do J.J. Abrams e ele falava do mystery box, a importância do mystery box na campanha. A gente adotou esse conceito. A gente tava largando tipo uns negócios com uma arte maneira e não falando muito bem o que que era. Umas músicas misteriosas. Aí depois a gente começa a falar que vai ter um lançamento e tal.

CCarioca

Foi uma onda, né? Teve vocês, teve o MBL, teve uma onda, teve o Terça Livre, foram surgindo esses canais, né?

?Voz C

Muito interesse pelo que era diferente do que a mídia falava.

CCarioca

Exato, um discurso de porra contra-argumento, né?

?Voz C

E aí só que chegou uma hora que nós tínhamos já umas 80 entrevistas de uma média de 2 horas. Caramba, tá muito ruim.

?Voz D

Era um congresso, só que em vez de ser presencial você vê um monte de palestra, você vê no YouTube E aí o cara que não conseguiu ver ao vivo, ele poderia pagar ali um valor e poder ter acesso ao acervo depois. Essa era a ideia inicial, né? Só que aí depois que a gente chegou lá na 50ª entrevista, a gente viu, cara, vai ser insuportável, um monte de coisa se repete, os assuntos são muito parecidos e tal.

?Voz C

Se distanciou demais daquilo do início que a gente tava fazendo, que era a gente fazer aquelas entrevistas.

?Voz D

Exatamente, aquela semente lá atrás. E daí a gente, cara, chegou um dia que a gente Lembro, a gente voltou de São Paulo com essa conclusão. Lembrou, cara, tem aquele prezi lá, que usava o prezi na época, que era aquela apresentação que a gente fazia antes, que mais ou menos organizava, tinha um certo roteiro ali do centro do que a gente tava querendo falar. E aí a gente pode usar aquilo de roteiro, tentar cortar as melhores partes do que cada um falou e meio juntar e tal. A gente não chamava de documentário, a gente não se deu conta que isso tinha...

?Voz C

Chamava de vídeo.

?Voz D

Chamava de um vídeo. E aí a gente pode tentar botar dentro daquela estrutura e acho que vai ficar melhor. E aí o que a gente vai vender não vai ser... O que a gente vai vender vai ser o conteúdo na íntegra. E uma outra sacada que foi muito relevante, que assim, beleza, essa é uma parte da motivação das pessoas que apoiaram lá no início, mas o principal era, cara, nós vamos fazer uma mídia independente, a gente tá comprometido com isso, e pra ser independente a gente precisa de financiamento pulverizado, todo mundo tem que apoiar, e aí a gente vai poder defender essas ideias aqui, tratar desses assuntos que tu não vai encontrar em outro lugar e tal.

Então você tem que comprar o produto, mas você tem que fazer— tinha essa coisa de causa, de apoio muito forte. E, cara, e pegou. A gente lançou em 2016, final de 2016. A gente tinha nessa trajetória de entrevista, porque começou com R$10 mil para fazer, e aí obviamente acabou rápido. A gente começou a pegar empréstimo, aí pegava de um amigo R$5 mil aqui, R$10 mil ali, pingadinho e tal.

?Voz C

Foi até uns R$94 mil de empréstimo, endividamento. Mas tudo de brother, tudo de brother. Nossa dívida, por coincidência, por coincidência, bem ali mais ou menos 1 ou 2 meses antes de começar.

?Voz B

Total coincidência, já tinham pago a dívida da banda.

?Voz C

Isso, da banda, tá. E aí já logo nós tá logo 94 pau de dívida de novo. E para quem assim, empresa grande hoje e tudo mais, não sei o quê, mas para quem tá no zero, 94 é um universo incrível, cara. Só que nós nem pensava, porque começou a entrar, começou a ficar bom, começou a ter cheiro de coisa grande, de coisa que ia mudar a cabeça das pessoas. E a gente começou a fazer aquilo de captar cadastro pro tal do congresso, que depois deixou de ser congresso, virou esses vídeos.

E já tinha lá não sei quantos mil cadastros e tal. Isso nos ajudou muito a pegar os empréstimos. A gente falava com os amigos, já sabia que a gente tinha quebrado uma empresa e tal, e mas mostrava, cara, esse aqui vai dar certo, essa vai dar certo, cara. A gente tinha um contratinho que a gente foi, que a gente usou todo mundo, que era bem inscritos que tinham lá. O contratinho era, exato, mostrava tudo que tava acontecendo. E tinha uma parada também da galera acreditar no que estava fazendo, achar que era importante que a gente tava fazendo.

E uma dose de, cara, vou apoiar os caras, que é importante. Mas o contrato era bem direitinho, tudo com juros, não sei o quê, tal, tal, tal. Só que os juros começavam a correr depois.

CCarioca

Ajuntagem da melhor, tô brincando. E aí a gente, e aí juros de mercado acima do mercado, essa é a pergunta. Então é ágil, ágil, um agilzinho de leve.

?Voz B

Eu quero te ajudar, tu tem que me ajudar a te ajudar.

?Voz D

Lógico, se o banco não tá te dando, tem algum motivo, né?

?Voz C

E aí o dilema de lançar, porque acho que é um detalhezinho assim, mas que eu acho que é legal de quem, principalmente de quem acompanha o Brasil Paralelo, quando a gente tem isso na mão, a gente fala o seguinte, tá, a gente quer muito impactar o Brasil, mas a gente já assumiu essa ideia de que se não for lucrativo, se não for com fins lucrativos, não dá, porque a gente tem que ser independente, não podemos depender de ajuda, doação.

CCarioca

Ficar na mão de alguém, né?

?Voz C

Na mão de alguém. Então como é que faz se eu quero que seja de graça para impactar as pessoas, mas eu também preciso vender o conteúdo? Se eu vender esse conteúdo, pouca gente vai assistir. Se eu botar de graça, como é que eu ganho dinheiro? Então tinha esse dilema. A gente teve discussões nossas por divergências, por achar que tinha que pôr ali. E no final de muita discussão, não sei o quê, a gente chegou no modelo de lançar totalmente de graça, totalmente de graça, pegar as entrevistas, como o Felipe acabou de falar, pegar essas entrevistas na íntegra.

A gente sabia que as entrevistas eram piores do que o documentário em termos de produto.

?Voz D

Melhor do que tinha tava ali, né?

?Voz C

O valor agregado tá no negócio que foi editado, no filé mignon. Mas a gente estudou um monte na internet, vários caras falavam: não, não, as pessoas valorizam isso de ter o conteúdo na íntegra e tal. Então a gente vendeu 3 coisas basicamente: vendeu conteúdo na íntegra, acesso a um grupo de Facebook de debates, tá? E o principal, que era: seja membro fundador da Brasil Paralelo e apoie a primeira mídia independente do Brasil. Nós vamos ser uma mídia independente, uma grande mídia, a maior mídia, sei lá, né?

Tentou lá vender do melhor jeito possível, que não tem dinheiro público, que não aceita dinheiro público, a gente usou o nosso próprio dinheiro, a gente tá aqui, não sei o quê, não sei o quê. Isso era um vídeo que aparecia no início do primeiro, do primeiro vídeo do documentário. Vendeu muito.

?Voz B

Que legal, cara!

?Voz D

Puta, mano! E aí pagou, tipo, primeiro dia pagou a dívida já.

?Voz C

No primeiro dia mesmo, primeiro dia vendeu R$150 mil. Oi! E em 15 dias mais ou menos vendeu R$1 milhão e 300.

?Voz B

Caraca, velho!

?Voz C

E aí começou com 5, 6 mil membros fundadores por aí, mais ou menos.

?Voz B

Vocês lembram o tema dessa primeira maratona?

CCarioca

Do congresso?

?Voz D

Era uma sequência de 5 episódios que era Começou com esse nome Congresso porque ia ser um congresso, e aí virou uma série de documentários. Basicamente ele começava, primeiro era um panorama do Brasil, aí tinha uns 40 minutos, índices econômicos, de segurança e tal, algumas pessoas dando opinião sobre isso, um panorama. Depois retrospectiva da história do Brasil sem o viés marxista, aí vamos contar e tal, mas resumidão assim, porque era 30, 40 minutos para contar toda a história do Brasil.

Mas já tinha ali uma perspectiva diferente do que o pessoal tava acostumado. Aí depois o 13, raízes dos problemas, aí basicamente vem toda a história do desenvolvimento das ideias, de Marx até a esquerda mais moderna, New Left, Gramsci, essa coisa toda. Então, como que depois do fracasso econômico da tentativa do comunismo, como que essas ideias foram aparecendo e criando outros caminhos de infiltração na sociedade e tudo mais.

Então explica um pouco como que teoricamente essas ideias se desenvolvem e tudo mais. Depois, o aparelhamento do Estado, onde que isso tá predominando, em quem tá nos institutos superiores, na elite.

CCarioca

Buscar o entendimento da audiência do porquê que o Brasil tá desse jeito.

?Voz D

Exatamente. Então era basicamente essa a gente falava lá.

?Voz C

Porque tinha um parênteses legal aí assim, isso foi uma coisa que a gente viveu muito na pele na faculdade, porque assim, por que que essas ideias que são piores elas são as dominantes?

CCarioca

Elas prevalecem.

?Voz C

Elas prevalecem. E o que a gente encontrou foi várias coisas, uma delas muito dinheiro.

?Voz B

O cara injeta muita grana.

?Voz C

Muito dinheiro.

CCarioca

E era época da Lava Jato também, né?

?Voz C

Cara, muita ONG com muito. A gente mapeou, a gente mostrava, a gente mapeou, eu não lembro o número exato, mas acho que era tipo R$15 bilhões nos últimos 10 anos do governo federal só para ONGs, terceiro setor. E a gente dava um zoom em algumas e mostrava assim, tá, essa ONG aqui, ONG de animais marinhos em Porto Alegre, que nem tem animal marinho. E aí, e aí, pô, essa ONG aqui, a gente, o que que tinha de informação financeira lá da ONG, mostrava folha de pagamento.

Aí achava lá o cara que era funcionário da ONG, aí ia investigar esse cara e via que no fundo esse cara era de vista profissional. O cara tava lá na manifestação da MCT, ele era candidato, aparelhamento, a vereador pelo PT. Então, na prática, é o seguinte: você tinha uma militância profissional trabalhando 24 horas. É isso mesmo, um dia não sei o quê, com dinheiro da gente. Mas obviamente que tinha também esses elementos do episódio anterior, da sofisticação intelectual, né?

Não que seja uma produção intelectual de qualidade, mas sofisticado, discutindo muito, debatendo, organizando ideias ali na cultura, dedo na cultura, né?

CCarioca

Porque a cultura que realmente transforma. Forma, né?

?Voz D

Perfeito. Eu acho que surgiu ali junto com isso, e talvez por isso um dos motivos desse sucesso inicial, uma consciência de muitas pessoas de que essas ideias muitas vezes prevaleciam na sociedade porque de algum modo elas estavam financiadas, entendeu? Existia um aparato para conseguir manter isso acontecendo de maneira profissional. Enquanto, em contrapartida, ideias que se opunham a isso, o cara fazia por hobby, por paixão, o cara ali, o cara fazia lá, lançava um livro lá e tal, mas para fazer a coisa ter representatividade, coisa, precisava, precisava de ir aí de uma certa forma, o cara entendeu, cara, a gente precisa apoiar e financiar, né, já que a gente tem por princípio não vai pegar dinheiro do Estado, não vai fazer esse tipo de coisa, a gente depende da gente.

Acho que muita gente meio que deu essa virada, esse clique e tal. E aí o resultado disso veio no lançamento da empresa e tal.

?Voz C

E aí, e a gente, e aí quando entrou, quando entrou essa primeira, o primeiro faturamento Aí fica, ficam evidentes, acho, na nossa trajetória assim, uma cabeça de negócio muito, muito assim, muito uma cabeça muito de negócio. A gente olhou, falou assim, nós vamos montar a maior empresa de mídia do Brasil, então isso aqui não é um dinheiro nosso. A gente, a gente já tava todo ferrado, não tinha dinheiro pagar as contas, não sei que tal.

A gente estabeleceu um salário de R$2.500 para cada um por mês, só para uma ajuda de custo, só para assim Nós vamos ganhar dinheiro é nos bônus anuais que nós vamos nos colocar como meta agora. Então ano que vem vamos correr atrás dos bônus e no futuro, se a empresa vai dar muito certo, aí nós vamos ter a nossa recompensa, vamos ser dono de uma empresa próspera. Mas ali era assim, cara, vamos agora contratar gente e advogado e não sei o quê, e tem que, e os impostos, tem que pagar o imposto desse faturamento todo aí, não sei o quê. São poucos, né? E aí, cara, começa a montar um negócio.

CCarioca

Bola, nem sabe o que que é split payment, já ouviu falar?

?Voz B

Não.

CCarioca

Relaxa que tá chegando.

?Voz C

Que pariu, esse negócio aí, né?

CCarioca

Isso aí vai ser, vai quebrar muita pequena empresa, hein, meu irmão? Esse split payment, sabe o que que é isso, Bola? Tá por fora, tá por fora. Eu não sei muito, mas eu sei que agora você vai no restaurante para pagar sua conta. Quando você paga sua conta, vamos dizer que R$100, tá? Você gastou R$100 no restaurante, o dono do restaurante pega o dinheiro, os R$100, 100, paga aluguel, funcionário, matéria-prima, e o imposto é por último.

Dá 40 dias, o cara vai lá e paga o DAS lá, dependendo do meio, caralho. E ele que diz quanto que agora não, dos 100 que você vai pagar, o banco já vai dar os 28% para o direto na cara, já vai receber 80 e quanto, é 75.

?Voz C

Mas e um pesadelo, cara?

CCarioca

Isso vai quebrar, vai quebrar o pequeno.

?Voz B

Isso.

CCarioca

Vai quebrar. A Itália deu errado, Polônia deu errado, Grécia deu errado, e agora estão apostando aqui no Brasil. A gente copia as coisas que dão errado porque o cara quer o dinheiro logo. Eles querem porque dizem que 600 bilhões a galera sonega.

?Voz C

Já pensou em quanto tempo esses 600 bilhões vira fumaça?

?Voz B

Porque também nego enfia uma, um quilo de bengala na turma, né? Você quer o quê?

CCarioca

Mas agora não vai ter como escapar. Vai ser na fonte, na fonte.

?Voz C

A gente tem uma história engraçada logo no início.

CCarioca

Até 2033 tinha um boleto para pagar.

?Voz B

Começa quando?

CCarioca

Ano que vem, mas para grande empresa. Aí vai graduando, né? Eles vão, vai entrando, vai entrando, vai ajeitando. E o que, e o embrião dessa porra toda, sabe o que que é? Acho que você tinha razão, Bola.

?Voz B

Do que você disse?

CCarioca

Dinheiro de papel, Pix. O Pix tá sendo a grande mola motriz dessa mudança.

LFLucas Ferrugem

Mas a tecnologia sempre dá alcance, né? Sempre dá alcance, sempre dá alcance. Então a gente tem meios de controle hoje que não tinha antes. E aí os cara vão usar também, governo vai usar.

CCarioca

Agora vai pagar antes, meu amigo. E detalhe, se o governo te cobrar mais, ele te devolve 45 dias depois. Olha o quanto ele inverteu, né?

?Voz B

Mas se você pagar em dinheiro, como é que faz?

CCarioca

Aí dá para dar um migué.

?Voz B

Vamos pagar em dinheiro. Vamos pagar em dinheiro, turma.

CCarioca

Vai ter nego não aceitando Pix mais, vai voltar mais caro, vai cobrar mais caro.

?Voz C

Que é o que acontece em país assim, então na Itália é mais caro e em dinheiro tem desconto.

CCarioca

Na Itália voltou o dinheiro, na Grécia voltou o dinheiro.

?Voz B

Mas aí os cara vem, que coisa boa, hein?

CCarioca

Proibiu o dinheiro, aí eles vão botar no caixa eletrônico, sacou? Lembra do CPMI?

?Voz B

Caiu 10, já caiu 8.

CCarioca

Mas lembra da CPMI? CPMI é isso?

LFLucas Ferrugem

CPMF.

CCarioca

CPMF, lembra da CPMF que descontava assim que você sacava o dinheiro?

LFLucas Ferrugem

Contribuição por Movimentação Financeira, que era para saúde, uma contribuição, uma contribuição, né?

CCarioca

É imposição.

LFLucas Ferrugem

Manda só, já que você movimentar o dinheiro, você faz uma contribuição. Muito obrigado, muito obrigado pela sua contribuição. Você tá contribuindo, obrigado.

CCarioca

O nome já fala imposto. Imposto é imposição a você pagar, é imposição. Agora contribuição é esse nome no colo, irmão.

?Voz D

O contribuinte, eu odeio contribuinte.

CCarioca

Contribuinte o caralho, idiota que tá contribuindo com essa merda nesse governo. Contribuinte, eu não sou contribuinte, eu sou imposto a pagar.

?Voz D

Obrigado, sou ameaçado, sou oprimido.

CCarioca

O cara vai tomar minha casa, caralho, se eu não pagar, meu carro, né? Mas voltando ao Brasil Paralelo, eu me recordo lembrado muito dessa época, né? Acho que a gente até se falava pelo Instagram.

LFLucas Ferrugem

A gente no primeiro, logo já no primeiro, tentou te entrevistar, não bateu as agendas, um negócio assim.

CCarioca

Não veio não, nós fizemos muita coisa para você. Eu era o maior incentivador, eu postava nos stories quando eu assistia. Eu ficava em casa vendo, esperando que vocês eram filha da puta. Daqui a 48 horas botava o reloginho na tela. Se eu lembro disso, atrasava o lançamento, atrasava. Cada dia um episódio, vocês iam torturando a gente. Mas eu sempre já, cara, isso aqui é legal, isso aqui é esse o caminho. Eu marcava lá, falava com vocês de ideias, chamava no DM.

?Voz C

Eu troquei vários áudios contigo, muito do que pôde.

?Voz B

Hoje a gente chama o saco desde aquela época.

CCarioca

Já, eu sou chato, mas é porque eu senti que era isso.

LFLucas Ferrugem

Mas falando sério, muita gente se sentiu representada, que nem você, e era pessoas influentes. E muito do que bombou foi por isso, gente influente olhando, pô, esses cara aqui estão aí pra frente, sabe?

?Voz C

A gente teve muita ajuda na nossa história, muita, muita ajuda, ajuda de ajudar assim mesmo, nada em troca, gratuito, né? Muita, tanto das pessoas que topavam dar as entrevistas, as pessoas que toparam nos mentorar no caminho, porque muitas vezes a gente queria entrar num tema que era mais cabeludo, que a gente não tinha envergadura assim pra, e pessoas que, professores, pessoas que dedicaram tempo totalmente de graça, totalmente sem querer ganhar nada, para nos ajudar, que viram que a gente tava fazendo uma coisa legal e era de boa intenção. Então deixou ajudar vocês, pessoas que ajudaram a divulgar.

?Voz D

É o velho negócio de você quer ajuda, começa a empurrar o carro, né? Aí os cara te vem empurrando, os cara vem, sabe? A galera vê tu te movimentando com força.

CCarioca

Mas fala aí, fala aí.

?Voz C

Queria dizer que logo depois, a segunda, a gente começa a estruturar o escritório e tal, e tem que fazer a próxima série.

?Voz B

Exatamente. E aí?

?Voz C

E aí é o seguinte, A gente faz uma pesquisa com aqueles membros, tinha o grupo do Facebook, a qual os assuntos vocês mais gostaram, não sei o quê, não sei o quê. E o que dá o máximo assim é história. A gente olhou e o que dá o máximo, história do Brasil, tá? O negócio de história que a gente colocou, ele era mais para cumprir um, porque precisava contextualizar o Brasil, mas a gente não sabia muito história do Brasil assim, não era.

E aí a gente começa a falar com os amigos e atrás dela e tal. E primeira coisa que algumas pessoas, que especialistas em marketing digital falaram pra gente na época, assim, cara, esquece, vocês não vão conseguir fazer o cara virar assinante, comprar o curso de história embaixo do braço do Brasil.

?Voz D

É o troço mais chato.

?Voz C

Se vocês quiserem fazer por propósito, legal, bacana, mas não vão ganhar.

LFLucas Ferrugem

O primeiro foi maneiro porque falou muito de política nesse ambiente e tal, falar de história contemporânea, atualidade.

?Voz D

Né?

?Voz C

Aí a gente fica intrigado com esse negócio. E a gente tinha na primeira, um dos caras que a gente entrevistou na primeira foi o Luiz Felipe de Orleans Bragaes.

CCarioca

Maravilhoso.

?Voz C

E aí a gente vai lá falar com ele, pô, tem um negócio de história aqui, e tu como tem alguma ligação com a história, é, queria, a gente queria o vídeo de ti. Tu acha que é legal esse, fazer uma coisa de história? Falar, deixa eu contar uma história para vocês. E começou a falar, começou a falar. E eu lembro aquele dia a gente foi, a gente combinou assim, sei lá, uma conversa final do dia e saiu da casa dele de madrugada.

?Voz B

Mas estavam gravando ou não?

?Voz C

Não, não, não, bate-papo para ver se tinha alguma coisa. Eu lembro, para entender se valia a pena ir naquele negócio. E aí, cara, a gente saiu assim com a cabeça completamente assim, cara, tem muita coisa que a gente não fazia ideia que existia, que nós precisamos explorar. E eu lembro que dali daquela conversa eu já saí com meu patriotismo diferente. Eu já saí com uma coisa, cara, o Brasil, uma sensação imperialista, não sabia, tipo assim, eu acho que eu, sabe paixão, início de namoro, cara, eu acho que eu tô me apaixonando por esse país pela primeira vez.

E foi uma sensação de, e aí a gente se olhou e falou, vamos fazer, que legal, contra todas as recomendações de marketing, não sei o quê, vamos fazer. E aí começa a última cruzada, aí a gente começa a vasculhar quem são os especialistas, historiadores, Para quem que vocês iam falar? Quais são os livros e tal? E essa paranoia nossa de fazer um negócio muito sério. Sim, sim, sempre ficaram com essa história de direita, não sei o quê, porque o Brasil todo é esquerdo, começa a fazer uma coisa diferente, tu é considerado direito. E a gente sempre, a gente sempre falou assim, ó, é ditador, extremista.

CCarioca

Eu, quando na faculdade, quando eu contestava, ditador, você é o— me chamavam no Rio que eu tinha a personalidade do Carlos Lacerda. Você é uma lacerdista, ainda até, né?

?Voz C

Não, mas os caras me chamavam de lacerdistas.

LFLucas Ferrugem

E eu falava assim, que intelectual, também, cara, não era?

?Voz D

Hoje em dia nem sabe o que é isso.

?Voz B

Ambiente bom, pô.

LFLucas Ferrugem

Se eu escuto isso na faculdade, eu tenho que abrir o Google rapidinho.

?Voz B

Você foi expulso? Educação Moral e Cívica, que aula que você teve?

CCarioca

Várias. Sociologia, sociologia todas, é filosofia.

?Voz D

Mas, cara, eu vou te dizer que essa história que a gente ouviu do Luiz essa primeira vez, que deu essa chacoalhada, Ela nem era num ponto de tipo de disputa ideológica, de uma coisa do, principalmente mais moderna, que a gente pega a ditadura militar e tal. Não, não, não, não, era uma coisa muito, ele começava lá na formação de Portugal, porque Dom Pelágio e não sei o quê e tal. A grande diferença que eu acho que foi que nos chacoalhou, que era um negócio inspirador, era um negócio que a gente, todo mundo teve aula de história do Brasil, é sempre aquela coisa jocosa, daí vem o João, o cara subiu no cavalo, levantou a espada, comendo coxinha e se cagou, aí todo mundo era filho da puta. Era sempre isso, então é uma coisa meio que—

?Voz B

É isso, é verdade.

?Voz D

E aí, cara, ele conta com, sabe, quase que como quem viu com os próprios olhos a história, assim, com uma empolgação, e a gente ficou—

LFLucas Ferrugem

Tinha um outro elemento também, que a história do Brasil, pra mim, ela sempre soava muito isolada. A história do Brasil—

?Voz D

Sim, ela não conectava com o resto do mundo, né?

LFLucas Ferrugem

E aí essa versão da história, ela nos deu pista pra gente pensar muito sobre, tá, mas da onde que vem o Brasil, né? Porque a gente fala, como é que a gente estuda história do Brasil normalmente? Aí os portugueses vieram para cá, chegaram os portugueses, foi muito mais legal ouvir toda a história de Portugal para entender por que que os portugueses chegaram aqui. Aquilo nos deu um senso de conexão. Ah, agora eu não tô perdido, não sou uma ilha no meio do nada, entendeu? Tem uma história que começa do zero.

?Voz C

Não, e normalmente quando se falava de Portugal se falava dos ciclos econômicos, porque esse é o viés marxista de contar história, né? Luta de classe, ciclos econômicos, opressor e oprimido, etc. e tal. As pessoas só se mobilizam, esse materialismo histórico, né? As pessoas só se mobilizam por interesses materiais. Essa é a visão do professor de história marxista. E quando você começa a ver toda a história de Portugal e de antes Portugal, da Espanha, e antes ainda das Cruzadas, e aí das Cruzadas você vai vendo como que a coisa vai chegando e toda a briga dos cristãos e dos muçulmanos na Europa e tal, e de onde é que surge Portugal, que são os condados da Espanha que estão ali para fazer a proteção né, essa faixa ali para baixo de Lisboa.

?Voz D

E depois a conexão da história do Brasil com esses símbolos plantados já lá. Então só desconectar essas duas coisas.

?Voz C

O Pedro Álvares Cabral chega no Brasil, não sei o quê, tá. Mas quem que é o Pedro Álvares Cabral? O cara era grão-mestre da Ordem de Cristo. Que que é Ordem de Cristo? É a Ordem dos Templários, é a antiga Ordem dos Templários. Só disso aí você já fica assim, né, caceta, o cara que chegou no Brasil, ele era templário, caralho. Então pera aí, o que que tinha na cabeça desse cara? Que que ele tava fazendo? E aí você começa a ir na carta do Pedro Vários Caminhos, o que que eles falavam e tudo mais.

Tudo bem, às vezes o cara pode mentir, óbvio. Às vezes o cara pode dizer que tá com uma boa intenção e não tá tão assim, mas no mínimo era interessante o fato de que os cara tavam falando que queriam catequizar os índios. Os cara chegaram e falaram assim, esses caras aqui são puros, a gente tem que apresentar pra eles a verdade de Jesus, de Cristo, não sei que tal, porque na Europa a gente já perdeu, Europa já tá uma bagunça. Aqui a gente tem chance de fazer uma coisa nova.

Ah, mas isso é só um interesse para pegar o Pau Brasil, não sei o quê. Nós não, a gente não, a Última Cruzada ela não contesta, ela fala inclusive que ciclos econômicos viabilizaram todas essas empreitadas.

LFLucas Ferrugem

É fato que teve o Pau Brasil como ciclo econômico, escravidão e tudo, todos os problemas, tudo isso aí. Mas essa é a vida, mas faz parte, lógico.

?Voz C

Você fala assim, o carioca, o carioca queria ganhar dinheiro e aí começou a fazer humor, e aí movido pelo dinheiro ele foi para cá, movido pelo dinheiro ele foi para lá.

LFLucas Ferrugem

Agora ele quer essa piada agora porque essa aqui dá R$60 a mais, sabe essa explicação?

?Voz C

E esse podcast deles aí, eles querem ganhar o dinheirinho. Quer dizer, tudo isso tem também, a gente se sustentar e pagar as contas, é lógico, empreendedorismo.

?Voz D

Mas a gente faz coisas que a gente gosta, a gente se mobiliza por coisas que tocam o coração, coisas que a gente acredita, que a gente acha legal.

CCarioca

Que coisa mais gostosa! Qual que todos os coaches falam? Os teus pais falam, não, propósito é muito chato. Qual é seu propósito? Porra, sobreviver, a princípio não ter, não ficar doente e tocar a vida. Mas é, cara, se você quer, essa é muito, é muito clichê, se você quer ser feliz, trabalhe com aquilo que seja e você nunca vai parar de trabalhar. Exato. Então acho que é isso.

?Voz C

Mas eu acredito um pouco nisso.

CCarioca

Não acredito não, é isso, o sucesso ele é as pessoas de sucesso, pode ver, elas fazem aquilo que brilha os olhos. Foi o que você falou, quando eu saí você sentiu aquela entrevista com o cara, falou, cara, é isso, é uma certeza, é uma força que te move a acordar mais cedo, a trabalhar mais, a fazer e ver. Parece que vai, a neblina vai reduzindo e a estrada vai aparecendo mais.

?Voz C

A gente ama o que a gente faz. Volta e meia tem alguém que briga e fala, não, Brasil Paralelo, olha quanto eles investem em propaganda, porque olha o faturamento, eles E aí já começa a misturar as coisas, é fake news, e é fake news por dinheiro. Começa a criar toda uma teoria. Então, pô, imagina, a gente é os caras mais do mal do mundo, né? A gente faz fake news por dinheiro, é um negócio assim, pinta uma imagem.

?Voz D

Esse negócio teve uma, foi um pilar fundamental assim também para nossa empresa e para ter ganhado energia e fôlego no início e tudo mais. Porque no fundo das contas, a energia destrutiva, principalmente em relação ao Brasil, ela é muito imediata, porque a gente tem um monte de problema, uma merda, O Brasil sempre te surpreende com um monte de coisa e tudo mais. E as pessoas obviamente se atraem muito por isso também, né? A gente gosta de falar da parte ruim das coisas, né?

?Voz B

Sim.

?Voz D

Do Brasil principalmente. Então, beleza, isso até engaja, mas isso não convence as pessoas a se mobilizarem, se mobilizarem inclusive economicamente, a construir algo diferente só com a destruição por si só, né? Então acho que de uma certa forma essa recapitulação da história do Brasil, ela nos permitiu conseguir fazer algo propositivo, algo que realmente fosse inspiracional, que desse algum orgulho de ser brasileiro, que desse algum nível de patriotismo assim, sabe?

Então isso tá meio que na gênese da Brasil Paralelo, a gente começar nessa perspectiva mais otimista. A gente tem algo do que se orgulhar, a gente tem algo, e isso nos vai nos permitir fazer alguma coisa bacana.

CCarioca

Vocês criaram a maior plataforma brasileira de conteúdo. É que vocês foram, acho que na minha percepção do começo, além do que vocês imaginaram.

?Voz D

Eu acho que sim, acho que um pouquinho além.

CCarioca

Comprar filme, de comprar conteúdo, caraca. A princípio era vocês produzirem, exibirem primeiro no YouTube com a monetização. Mas nós vamos chegar lá. Mas antes eu queria mostrar o primeiro trailer dos 10 anos do Brasil Paralelo.

?Voz B

Boa, boa, boa, boa.

LFLucas Ferrugem

10 anos atrás decidimos que nunca dependeríamos de ninguém para buscar a verdade. Só havia um caminho e ele não era nem é ao lado de governos ou grandes investidores.

CCarioca

Ele é ao seu lado, aqui, ó, cada viagem, cada nova ideia, cada vez que pautamos o debate público, foi com independência. Dependendo apenas da sua confiança. Assim foram nossos primeiros 10 anos e assim serão os próximos.

LFLucas Ferrugem

É hora de celebrar a primeira década da Brasil Paralelo com novidades impossíveis de ignorar.

CCarioca

Você é o nosso convidado de honra. Aí, 10 anos, 10 anos. Quem diria que começou com uma reflex? Olha as câmeras, com uma reflex que queimava, né?

?Voz D

E olha que interessante, tem uma estatística, né, que o Brasil— não sei se é só no Brasil, mas acho que no Brasil os primeiros 5 anos das empresas, sei lá, 90% quebra, uma coisa assim, né, perto desse número. E aí depois, nos próximos 5 anos, nos 10 anos, quase que não sobra ninguém assim.

CCarioca

Vocês quase quebraram várias vezes a BP, várias, várias vezes.

?Voz C

É mesmo, no começo a gente tinha um trauma assim ali, antes de ter uma esquina, vai dobrar a esquina.

LFLucas Ferrugem

Antes de ter um CFO, a gente tinha um trauma que era o seguinte: tá trabalhando e tal, aí daqui a pouco a gente se organizava, via que não tava vendendo bem, a gente fazia um monte de conta, aí a gente falava com o pessoal: a gente vai quebrar. Não vai dar, não vai dar. Tem 16 dias, 20 dias de dinheiro aqui se a gente continuar gastando assim e tal. Gastando assim não é gastando muito, né? Não vendendo e tendo que pagar, né?

CCarioca

Para poder gerar mais.

LFLucas Ferrugem

Então aí depois teve um, teve o Rodrigo que entrou de CFO da empresa. Aí ele começou a organizar isso, dá um pouco mais de previsibilidade para gente. Mas a primeira vez que ele realmente organiza isso, ele constata que a empresa tá para quebrar em 14 dias, sei lá. Caraca, tinha quanto? R$14 mil de caixa?

?Voz C

Tinha R$14 mil de caixa em fevereiro de 2020.

LFLucas Ferrugem

É uma empresa que na época faturava 7 milhões.

CCarioca

Viva a pandemia!

?Voz D

Caraca, velho, foi engraçado porque a gente achou que— porque estourou pandemia e a gente tava com lançamento sobre educação brasileira, não tinha nada a ver com a pandemia. Todo mundo só queria saber de pandemia, COVID, lockdown, começou aquela coisa.

CCarioca

É a pátria educadora.

?Voz D

E a gente com aquele negócio na mão, é bom que, pô, a gente tava confiante, tá bom isso aqui. Mas ninguém quer saber de educação agora, não é o momento. Mas era o que a gente tinha, não tinha mais um mês de caixa para seguir dali para frente. A gente, cara, a gente vai ter que lançar isso aí. E, cara, se der errado, a gente já voltava ao Porto Alegre, vai recomeçar. Era isso, era isso o plano. Já tinha o plano de voltar e começar de novo e tal.

?Voz C

A gente tinha o acordo entre nós que nós não ia parar nunca, tá? A gente voltava, sei lá, os 3 do zero para uma salinha e nós ia continuar fazendo os nossos conteúdos.

?Voz D

Legal, deu efeito contrário. O negócio foi o maior recorde na época, sei lá, a gente foi Acho que a gente tinha 14 mil assinantes na época, foi para 60 mil assinantes.

?Voz C

Naquele ano a gente não sei se até mais de 100, não sei.

?Voz D

Até o final do ano, sim. Não, digo depois do lançamento do Pátria.

?Voz C

O Pátria trouxe uns 60 mil assinantes.

CCarioca

O Pátria Educadora, eu falo direto do Pátria Educadora porque ele é um alerta para você. Tá no YouTube ainda, tá? Você pode acompanhar, tá no YouTube. Mas se eu fosse você, assinava Brasil Paralelo.

?Voz B

Lógico, né?

CCarioca

Que tem na minha Google TV, tem na minha Google TV, na minha Philips. Top, eu Tem lá em casa, então Ambilight TV eu assisto lá. Eu tenho, vocês demoraram, a versão para assinante é estendida e tem mais conteúdo. Então se você é assinante, cara, tem filho principalmente, eu faço esse apelo para você. Eu tenho amigos que são empreendedores do setor da educação e vocês não têm noção, aquilo é uma ficha do que acontece nos bastidores, coisa até de banheiro em escola.

Daqui a pouco nós vamos entrar nesse, é Eles aparelham os fiscais. Então, até um negócio aí bem delicado e acontecendo, né? E você que tem filho, você tem que ficar atento na educação do seu filho. Até recentemente lá na Brasil Paralelo eu falei um negócio que depois virou, né, lá no programa, é do livro que eu fiz isso mesmo, né? O livro era bizarro, apareceu na minha mesa, apareceu o livro na minha Sabe o kit? Eu olhei, falei: esse devolve.

Não, não, devolve, não vai ver acordo meu dinheiro. Eu fui lá. Ah, não, mas ele, esse livro vai ser tratado em 3 matérias. Eu falei: então quando começar o livro, o meu filho sai de sala de aula. E meu filho: porra, pai, tu me ferrou. Falei: passa de ano, você vai sair da sala. Fechou? Ele: fechou, pai. Fechou então, então tá amarrado aqui, estamos selados. Aí você está fazendo um grande mal para o seu filho, diretora. Eu falei assim, não, eu tô ensinando o que você nunca vai ensinar, coragem.

Então ele vai ter que ter a coragem. E deu certo, ele vai terminar o terceiro ano, já passou para o IBMEC, agora para o vestibular do ano que vem. Aí sim, vai ser economista, bonicão, e tem vacinado, vacinado agora, vacinado, né? Assiste a Brasil Paralelo também. Assiste aí, cara, isso aqui que é importante para você. Então assim, é um posicionamento que muitos pais às vezes não querem se comprometer. Como teve pais que me ligaram, falou: assisti sua entrevista na Brasil Paralelo, achei demais a sua postura.

Eu falei: e você fez o quê? Obrigado, se eu não quero, se você concorda comigo, faça o mesmo com o seu. Se você acha injusto, faça o mesmo e mostre para ele o aonde tá o cerne da questão, aonde tá o problema.

?Voz C

Muita gente entrou em contato com a gente depois do Pátria Educadora relatando, foram muitos relatos, teve muito professor, muito, muito, muito, pois professores que ficam em silêncio para não se incomodar, não sei o quê, se tornaram assinantes da Brasil. É muita, muita gente, mas muitos pais começaram a entrar em contato, mandar emails, etc. e tal, dizendo o seguinte, mais ou menos o seguinte: Depois do documentário eu não consegui dormir.

Fui, peguei os materiais do meu filho, fui, entrou em choque para ver se não é possível, isso não deve ser verdade. E verdade, os materiais escolares, começaram a investigar, estavam afastados, e aquilo despertou para passar a acompanhar o que o filho tava.

CCarioca

Acredite que isso foi o que aconteceu comigo também, tá? Quando eu vi o sistema, aquele sistema lá de Brasília com MEC, depois a outra, que a outra, meu Deus, aquela rede.

LFLucas Ferrugem

É isso que torna tão difícil mexer, mudar, inovar, fazer qualquer coisa, porque você fala, não, mas então vai entrar um cara agora que eu gosto, vai trocar o ministério, o ministro da Educação, vai nada, meu filho. Tem aqui, ele pode até botar, ele pode botar o Rambo no ministro da Educação, porque ali do outro lado da rua vai ter o cara que escolhe quem é o professor, vai do outro lado vai tocar no Discord, do outro lado vai ter o cara do livro didático do outro lado. Isso aí para mexer já é meio difícil, já não é bem assim.

CCarioca

Teve lá o Nadalinho, sozinho não consegue nada.

LFLucas Ferrugem

Oi?

CCarioca

O Bolsonaro colocou um cara fantástico, o Carlos Nadalinho, na Cealf, Carlos Nadalinho na alfabetização.

LFLucas Ferrugem

Esse cara é muito legal, entrevistou ele no Papo Educador, maravilhoso.

?Voz B

E quer dizer, o que ele falou não tem como.

CCarioca

E hoje tá aí o Paulo Freire, tem muita gente que gosta.

LFLucas Ferrugem

Ele fez coisas muito boas, o Nadalinho, pela educação, sendo elas a proposta mais transformadora era primeiro, cara, a gente não pode— tem sempre aquele papo, né, que o Brasil é um dos piores nos rankings do PISA, que mede lá o adolescente. O papo dele era bem óbvio, cara, os melhores países em educação, eles não medem só lá na frente, né, eles medem um pouquinho mais atrás para a gente saber como é que a gente tá indo. Então bota ali um teste no 4º, 5º ano, que é o Pous, o nome, que é o paralelo ao PISA, para a gente começar a medir um pouquinho antes, né, porque chegar lá, chegou lá, não tem mais, chega lá com 15, 16 anos, a gente mede A gente tá nos últimos lugares do mundo. É, já fez.

CCarioca

É uma geração perdida, né?

?Voz D

Bota antes e vai para o mercado de trabalho.

LFLucas Ferrugem

E foi o Nadalim que, enquanto o Nadalim, ele não é, ele não foi, tanto que ele não é um político, né? Ele exerceu o cargo durante um tempo, ele a vida inteira se dedicou a esse tema e trabalhou com esse tema, dono de escola e coisa assim. Ele que nos mostrou basicamente através de documentação, nos apresentou Ministro da Educação de Portugal, nos apresentou pessoas importantes disso aí. Que a educação que funciona, ela é simples como, cara, é muito simples.

Qual é a teoria para educação funcionar desses grandes países que viram a mesa da educação e tal? Cara, o governo tem que entrar nas escolas, então tem que ter governo, mas o governo entra com uma coisa muito simples: ele quer saber se as crianças aprendem a ler 60 palavras por minuto até a 4ª série e realizam as 4 operações básicas de matemática sem nenhum espetáculo. Tu conseguiu fazer a criança fazer isso cedo, valeu, cara.

Ela tem base educacional, ela tá alfabetizada e ela tem base educacional. Todas as outras operações matemáticas que ela normalmente precisa na vida, se ela não for Stephen Hawking, vão derivar dessas 4 operações matemáticas. E todo o aprendizado dos outros conteúdos e matérias vai derivar dessa habilidade de leitura e interpretação. Então aquilo ali é meio que o motor do carro, né?

?Voz C

Lembrando que não estamos falando do filho daquela família que tem super condições, que não sei o quê, tal. Tão falando 200 milhões de pessoas, falando da massa.

CCarioca

Isso, isso de entrada, tamo falando na entrada.

LFLucas Ferrugem

Educação enquanto sistema de país, né? Não o que que é para cada indivíduo, mas tipo estratégia de país.

CCarioca

Eu vi no Brasil Paralelo, eu fiquei em choque. Teve uma educadora, uma mulher ligada à educação, não vou lembrar o nome dela agora, foi no programa do Brasil Paralelo que eu assisti, que ela fez, ela chamou atenção de uma coisa bizarra, porque parece que o melhor, os melhores alunos hoje do Brasil são de Sobral, no Ceará.

?Voz D

Ela participa do Pátria Educadora. Ilona, o nome dela.

CCarioca

Isso. E ela foi em um programa depois, acho que repercutir, não lembro agora exatamente o programa, e ela falou que a USP, porque estavam querendo seguir esse modelo lá de Sobral, né? Na USP? Não, não, modelo de Sobral. Pô, por que que Sobral é tão bom? E foram ver que era um método aplicado lá esse um método bem simples e funcional, porque as melhores notas vinham de Sobral.

LFLucas Ferrugem

Método simples incentivou a prefeitura com aqueles que têm as melhores notas recebem mais orçamento.

CCarioca

É isso aí, pronto. E aí o pessoal da USP aqui, que meio que foi contra, a porra, não é possível, porque você é contra uma coisa que tá funcionando? Vamos trazer para cá, porque é tudo que funciona.

LFLucas Ferrugem

Porque o Pátria Educador explica, cara, o propósito número 1, e é sério, eu falo com a linguagem deles, eu discordo, é o propósito número 1 da educação é saber para que tu quer educar, né? Para que que tu é? Eu quero educar o meu filho, mas para quê? Se tu achar que ele tem que ser o cidadão revolucionário, porra, todo o programa de educação vai mudar. Se tu achar que ele tem que ser um bom trabalhador, tudo vai mudar. Se tu achar que ele tem que ser, sei lá, católico, todo o programa vai mudar.

Então tu tem que saber para quê, qual é a finalidade daquela educação. Então mudou a finalidade, muda tudo que o cara valoriza.

CCarioca

Quer ver uma coisa interessante? Interessante. Vocês são pessoas muito inteligentes, são caras bem informados, de uma classe, acredito, de uma classe média baixa que vocês vieram, não é verdade? Acho que eu não tô sendo incoerente, acho que eu tô tentando aqui entender. Vocês repararam, vocês, eu sou um pouco mais velho que vocês, mas ali a gente beira a mesma geração, vamos dizer assim, né?

LFLucas Ferrugem

Tu tá na faixa superior da geração.

CCarioca

Eu tô na ponta e vocês no rabo do começo. Repara uma coisa, e hoje isso já mudou no Brasil: vocês não aprenderam mercado financeiro, vocês não foram educados, não teve educação financeira, nunca.

?Voz B

Não, eu fui entender aqui, eu falo, até hoje eu ponho meu dinheiro na poupança. Pouca gente sempre aprendeu, literalmente pobre na poupança. É, a gente sempre aprendeu na vida, ponha seu dinheiro na poupança.

CCarioca

Ele saiu da Jovem Pan em 2017, até hoje ele deixou o dinheiro no Não, no FGTS tirou, tirou, porque eu enchi o saquinho.

?Voz B

Um teco eu usei para comprar apartamento. Não tô brincando, nem sabia que eu tinha dinheiro lá.

CCarioca

Então, só para você entender, então a gente não tem. Mas aí eu acho que houve também o lobby dos bancos: deixa na mão do gerente que ele sabe o que faz, né? A gente tem essa cultura de hoje, o meu filho, a minha filha, eles têm aula de educação financeira. Mas isso foi uma briga dos pais. Com a instituição, quais instituições, do tipo, cara, meu filho tem que saber o que que é juros, meu filho tem que saber o que que é inflação, ele tem que saber o que que é bom.

Eu achava que bolsa era leitão, bolsa era boa. Eu demorei anos, olhava aqueles ON, OM bolsa, eu, para mim aquilo era um código criptografado. Aquilo não me foi educado na primeira educação, cara. Acho que a primeira educação, o cara tem que entender o valor do dinheiro, o que é investimento. Isso não é ensinado na escola.

LFLucas Ferrugem

Cara, mas desde adolescente, sem nenhuma neura política, a questão é: tem caminho?

?Voz D

Educação financeira, Carol, quer acumular patrimônio?

CCarioca

Eu acho que esse nem é o viés da coisa só.

LFLucas Ferrugem

O viés, 70% endividado, né, cara?

CCarioca

É 70% endividado. E não é quem controla o sistema no Brasil, são os banqueiros. Você acha que o banqueiro quer entregar para as pessoas a informação? Eu falo assim, eu dinheiro comigo, que a gente aqui, o meu profissional, não, todo mundo gosta do gerente do banco. Eu odeio, tá? Nem sei o nome.

?Voz B

Vou fazer assim, me liga, eu falo assim, o que que você quer?

CCarioca

Eu chamando, o que que você quer?

?Voz C

Tá?

CCarioca

Eu aprendi uma coisa depois de velho, uma coisa importantíssima que eu acho que vale um documentário, que é chamado custódia. A gente trabalha que nem um fela da mãe. A gente rala para caramba, aí a gente ganha o dinheiro que a gente precisa porque a gente tá ralando. Depois, repara, a gente não sabe o que fazer com ele, deixa na mão dos outros, entrega o seu ouro, aquilo que você suou, virou noite, trabalhou, viajou, e fala: cara, eu preciso fazer uma reserva porque eu vou ficar velho um dia.

Aí você entrega na mão do cara que vai cupinizar, que vai fazer um bônus para ele do que você ganhou. Pô, é ter digno o que você trabalhou e que você ganhou, porque você precisa guardar. Eu não tive herança, eu preciso me proteger de uma aposentadoria que não vai existir para minha geração. Isso é sabido, não vai ter aposentadoria. Atenção, você que contribui para Previdência, saiba que você não vai receber, ou se receber, vai receber menos que um Bolsa Família.

Então assim, a gente precisa se preparar. Então as pessoas precisam entender o que que é custódia, é a coisa mais importante. Não adianta trabalhar que nem um corno filha da mãe para tratar e não saber o que fazer. É um pecado que eu acho que é uma contribuição interessantíssima que o Barsi tem feito, né?

?Voz C

Legal.

CCarioca

A filha do Barsi, o Fábio, toda a galera, educar as pessoas para fazer o que fazer.

?Voz C

Eu acho que tá acontecendo, Carioca, assim, a internet, as redes sociais tá dando espaço para muita gente boa na área do empreendedorismo. Na área de educação financeira. Acho que tá acontecendo, não é de uma hora para outra, demora no início também, né? Aí tem, é isso, vai acontecendo. A gente volta e meia faz alguma coisa nessa área, não é o nosso maior foco, mas volta e meia a gente inclui alguma coisa.

LFLucas Ferrugem

Tem muita gente que hoje reclama, né? Pô, porque na internet tem muito palpiteiro, tem muito influenciador, etc.

?Voz B

e tal.

LFLucas Ferrugem

E aí tem gente que atrapalha o mercado, seja qual for o mercado, charlatão, etc. Cara, tu lembra como é que era antes? Antes era muito pior. Antes tu não podia ver um monte de gente falando, não tinha escolha, e tu não tinha escolha, tu não tinha poder de escolha, cara.

?Voz B

Tu ia naquele e acabou.

LFLucas Ferrugem

Eu tenho um programa de TV aqui como uma revista, ou vai estudar na faculdade.

?Voz C

E outra coisa, quando não tem poder de escolha, existe mais incentivo para deixar latão, porque o cara não tem concorrência. Então ele começa a baixar a qualidade do que ele tá entregando e não vai ter, só tem ele. Hoje em dia, cara, Tem espaço para charlatanismo, claro, mas hoje em dia tem a competição. Então o cara que é bom mesmo, ele vai crescer. Em algum momento ele vai crescer, as pessoas vão começar a melhorar e indicar, etc.

LFLucas Ferrugem

Correção: antes o jornal te falava um negócio que podia ser meio charlatão e não tinha o que fazer. Hoje em dia o cara fala um negócio meio charlatão, vem 50 cara fazendo react do vídeo dele, metendo pau, não sei o quê.

?Voz C

Então, pô, a gente é um pouco assim, a gente tem assim Quem tem alguns setores que se incomodam muito conosco, um deles é academias, acadêmicos, né, o pessoal de mestrado, doutorado, história, não sei o quê.

CCarioca

Tipo, quem é você? Você não é habilitado para fazer isso. É a primeira coisa, é que ele descredibiliza.

LFLucas Ferrugem

A galera que se apresenta, a galera que é arrogante o suficiente, porque não é academia que se incomoda com a gente, é a galera que é arrogante o suficiente para dizer que eles são academia e todo mundo que não concorda com eles não são academia.

CCarioca

Qual é sua bibliografia?

LFLucas Ferrugem

São centenas de escolas. A gente tem, sei lá, 20% da nossa base de assinantes, que são 800 mil assinantes, são de professores. Centenas de escolas, alunos em todas as universidades do país passando o nosso conteúdo, é think tank. Os nossos entrevistados, que muitos deles gostam muito da BP, tudo doutorado aqui, lá fora, etc. e tal. Mas aí esses não conta, esses aí não são academia. Academia é nós, que não gosta Academia, e se não, não é da academia.

Então tem porra nenhuma, os caras são os arrogantes, entendeu? São os arrogantes. Tu não concorda comigo, tu não é da academia. Não, mas tá aqui, eu sou doutor. Não, mas não é da academia. Mas eu dei aula durante 20 anos, cara, formei 5 mil alunos, agora são sucesso nas redes sociais. Academia é nós, tu não é da galera, você vai para lá, tu não é da panela, velho, tu não tá convidado para o churrasco, entendeu?

?Voz C

Eu não sei se foi ano passado ou no retrasado agora, falhou memória, a gente mapeou, foram 900 trabalhos. Teve um ano, teve um ano, não sei se foi o último, não sei se foi o anterior. Eu lembro que foi algo em torno de 900 trabalhos de conclusão citando o Brasil Paralelo, e alguns, alguns sobre o Brasil Paralelo dessa galera. Ah, máquina de revisionismo!

?Voz D

Tem que atualizar esse número, viu? Foi isso, foi faz o quê, uns 5 anos já?

?Voz C

Isso faz tempo isso aí.

?Voz D

Agora naquele ano, era só um ano, são milhares, são É, com certeza milhares.

CCarioca

Bom, vamos fazer o seguinte, Boletá, uma dica boa para turma, cara.

?Voz B

Dica boa, presta atenção, cambada.

CCarioca

Você já imaginou pagar apenas uma vez por uma coisa que você costuma pagar todo mês? Mensalidade do seguro do carro, conta de luz, aluguel.

?Voz B

Putz, seria muito bom, né, cara? Pois é, meu irmão, ideia de gênio.

CCarioca

Para quem gosta de filme bom, documentário e até audiolivro, eu tenho uma novidade imperdível. Pela primeira vez pela primeira e última vez na história do Brasil Paralelo. Olha o que que os caras liberaram para você: o acesso vitalício com bônus exclusivos. Vitalício, exatamente. Você paga apenas uma vez e dá adeus às mensalidades. É acesso para sempre ao conteúdo da Brasil Paralelo. Eu já tenho essa situação aí, e ainda com um monte de presente que parceiros trouxeram para comemorar, sabe o quê? Os 10 anos da BP.

?Voz B

Como assim, cara? Deixa eu entender. Pera aí, eu pago uma vez só, tem acesso, e ele dá o que eles já lançaram e ainda vão lançar isso?

CCarioca

Exatamente, Boletá. Olha só, já vem coisa gigante nos próximos meses. Presta atenção, uma animação que conta a história da Divina Comédia, e John Money, um filme que eles gravaram com elenco internacional sobre um experimento científico que pautou o debate sobre o gênero no mundo inteiro.

?Voz B

Agora, Carica, se eles já fizeram mais de 100 originais em 10 anos, você imagina tudo que eles vão fazer nos próximos anos, irmão?

CCarioca

Exatamente.

?Voz B

Que paróquia, hein?

CCarioca

E quem virar vitalício agora, fala, vai ver tudo isso sem nunca mais, eu disse nunca mais, pagar mensalidade.

?Voz B

E com um monte de presente, certo?

CCarioca

Exatamente. Só se liga, são mais de R$400 em presente. Assinou, ganhou o boletão.

?Voz B

Então você que tá assistindo a gente, aproveita essa oportunidade que é única, que o Carioca já me avisou aqui que vai durar pouco. Aponta a câmera do seu celular para o QR code aqui na tela, tá? Ou entre em brasilparalelo.com.br/ticaracaticast. Carica!

CCarioca

Ou então tem um linkzinho aqui nesse episódio, você entra lá, clica, faz a sua, vai pagar uma uma vez, irmão, e para sempre você vai ter na sua casa um conteúdo bom para você, para sua esposa, para o seu pai, para sua mãe, para os seus filhos.

?Voz B

Vou lançar um negocinho para aluguel, paga uma vez, uma vez na vida. Imagina, você não vai alugar Brasil Paralelo, tá aí, aproveita.

CCarioca

É como uma casa própria, você só vai comprar.

?Voz C

É melhor que casa própria, você tem que pagar o imposto, senão lá não paga nada, cara.

CCarioca

Corre, porque daqui daqui a pouco vai ter o tal do split, não marca bobeira, vai ficar mais caro.

LFLucas Ferrugem

Os cara vão te pegar dizendo que é pânico eleitoral.

CCarioca

Você sabe o que é o mais louco? Assine Brasil Paralelo. Você sabe o que é o mais louco? O mais louco dessa porra toda é igual aquela, uma vez eu quebrei o pau com a galera do Black Block, do livro e tal.

?Voz B

Quebrou o pau, mandou o cara tomar no cu.

CCarioca

Ela falou assim, nós quebramos a Bradesco, símbolo capitalista. Aí eu falei assim, minha filha, Quem que é cliente do Bradesco? Pobre. E você acha que o banco vai ficar com esse prejuízo? Ele vai repassar para o pobre os vidros que vocês quebraram? Claro que o cara que paga ali, que recebe o salário pelo Bradesco, vai pagar. Então vocês estão atrapalhando a vida do pobre.

?Voz B

Ficou bravo com os black blocos.

CCarioca

Eu só não quebrei a cara do cara que eu peguei o copo d'água, fiz assim, porque eu lembro dos meus filhos. Eu não quero que meu filho tenha uma cena de eu batendo numa pessoa. Então foi o que me Irmão, o cara me xingou dentro do meu programa, bicho, te mandou tomar no cu. Vamos ver, vamos ver. Vai, isso é passado, bola.

?Voz B

Hoje eu sou uma pessoa, hoje você é amigo do Tico Santa Cruz.

CCarioca

Eu sou gratidão, gratiluz, sou gratidão e gratiluz. Vamos ver mais um vídeo aqui do Brasil Paralelo. Roda aí, da Brasil Paralelo. Vamos lá, quer um?

?Voz C

Cadê?

CCarioca

Pede lá um café. Isso.

LFLucas Ferrugem

Quer café?

?Voz D

Não, não, não, não.

?Voz B

E está bonito, hein? Puta mega! Caraca, velho, brabo isso aí!

LFLucas Ferrugem

Muito, cara, a gente tá muito entusiasmado.

CCarioca

Em breve o lançamento?

LFLucas Ferrugem

Em breve, esse ano.

CCarioca

Esse ano lança A Divina Comédia. Queria que você falasse um pouco desse projeto e o quanto ela é importante para cultura da nossa querida população brasileira?

LFLucas Ferrugem

Maravilha, cara. É bom, primeiro, né, por mais que dispense apresentação, é bom retomar. A Divina Comédia, mesmo que a gente esteja em tempos de muito hype do Odisseia, a Divina Comédia talvez seja o maior poema da história. Pensa que é um livro que já vendeu 600 milhões de cópias, né, desde que foi feito, e que é patamar de, porra, Senhor dos Anéis e coisa assim, né. E que não passa disso. Divina Comédia é uma história que o Dante Alighieri, o cara que basicamente solidificou o conhecimento da língua italiana, criou a identidade cultural italiana, conta a história do percurso dos infernos até o céu.

Então ele se sente perdido no meio da vida e ele canta que ele vai até o fundo do inferno e depois até o círculo mais alto do céu. E o mais interessante é que ele transforma essa jornada poética muito bonita, estilística, em uma simbologia, em símbolos que servem para todas as vidas humanas. Então é o livro, é o livro mais importante, é o livro mais importante que tem tudo sobre tudo, digamos assim. Então esse ano, é, e aí a gente pegou esse livro e um colaborador nosso lá, craque demais, o Asaf, que já virou sócio até, pegou umas férias dele e falou, cara, o meu sonho é fazer esse negócio, deixa eu fazer uns testes aqui com as tecnologias todas que a gente tem disponível agora de de AI, animação, etc. Ele já é bom de animação, de edição, e ele fez um testezinho, fez um VTzinho.

?Voz B

Porra, as puta imagem!

LFLucas Ferrugem

Aí ele nos apresentou e a gente perguntou, tá, mas dá para fazer isso aí? Ele falou, cara, assim, se a gente montar um time aqui, dedicar um time e tal, dá para fazer. E foi fazendo vários testes, melhorando, melhorando, melhorando. A gente ficou segurando um pouco a divulgação para ver até onde a gente conseguia ir naquilo, mas ficou muito sólido. O fato é que ficou muito sólido. E a gente decidiu fazer. Então é uma coisa que é uma história que nunca foi bem adaptada para cinema, em grande medida pela dificuldade que é adaptar.

Porque, porra, como é que eu vou fazer o cara aí nos círculos do inferno, depois ir para o céu e tal? Isso aí é um horror, né?

CCarioca

Imagina a direção de arte, câmera, de uma escala megalomaníaca, né?

LFLucas Ferrugem

Hollywood teve coragem de fazer esse negócio. Se o cara bota 250 milhões no Odisseia pra Hollywood fazer isso aí, cara, vai mais, tá?

?Voz B

Vai mais.

LFLucas Ferrugem

Então é uma história que a gente carece desse negócio. E da mesma forma que várias tecnologias possibilitaram os filmes que a gente tem hoje, as tecnologias atuais possibilitam os que tem vindouros, né?

?Voz B

O negócio cada imagem tá louco.

LFLucas Ferrugem

Então sei que tem uma polêmica toda com o uso de AI na arte, porque substitui os artistas, etc., mas isso também não é o objetivo do produto. Ele mistura dubladores importantes, qualidade, refino humano, ano. É, muita gente, ele gera muito emprego no mercado artístico, tem muito artista trabalhando. E ele é um projeto que não daria para fazer de outra forma também, né? Então tem que ficar bem claro isso, né? Assim, o único jeito de ver é tendo auxílio dessa tecnologia, senão não existe esse projeto.

Então ele não tá competindo com, sei lá, um documentário lá que tu aperta um botão e agora os caras são de AI falando em vez das entrevistadas. Então é diferente, mas a gente tá muito entusiasmado, tá tendo uma recepção muito boa.

?Voz D

A gente lança esse ano. É muito legal, é uma obra de uma riqueza assim de interpretações que a gente tira para nossa vida, porque ele vai explorando os níveis do menos grave até o mais grave no inferno, depois purgatório. A nossa obra, esse filme que vai ser lançado, ele vai se concentrar só no período do inferno.

?Voz B

Se der certo, a gente vai fazer o purgatório, para o céu.

?Voz D

Então ele vai trabalhar vários vícios humanos, o contexto que ele vivia na Itália na época.

?Voz B

Pode ir preparando, Germano.

?Voz D

É, então acho que tem muita chance. E então é muito legal, aí você, pô, você tá no círculo dos luxuriosos, e aí qual que é a pena que eles estão recebendo por ter vivido uma vida de extrema luxúria e e tudo mais, não sei o quê. E aí serve como uma metáfora do como que a vida do luxurioso e como que aquilo ali te coloca em perdição na própria vida, de uma certa forma. Não só especulando uma vida após a morte, mas na própria vida, como que você se fode com aquilo ali e tal.

LFLucas Ferrugem

Aí, sei lá, os avarentos, os, enfim, todos os níveis, os gulosos, já que a gente falava, os gulosos podem, os gente tem uma pilha com guloso.

?Voz B

Porque ele bota ele, porra, é ruim, é ruim, é ruim, é um pecado capital, né?

?Voz D

Comendo para sempre, mastigado pelo cachorro, mastigado por cachorro, é um negócio ruim. Mas é uma experiência estética absurda, você fica colado no negócio.

CCarioca

Então em breve na Brasil Paralelo você vai ver A Divina Comédia.

LFLucas Ferrugem

E a gente tá fazendo com auxílio de professores intelectuais que leem a obra italiano, que dedicaram a vida fazendo isso para ter uma acuracidade muito forte, o que hoje é um tema, né?

?Voz D

Para tentar extrair o máximo de significado de cada metáfora e tentar de algum modo traduzir isso ali, né?

?Voz C

Discussão do Odisseia toda em torno disso, era a principal discussão, é essa, né?

CCarioca

Adaptar bem para uma animação, fazer, tentar fazer a melhor adaptação daquilo.

?Voz B

Quanto tempo para fazer esse slogan?

LFLucas Ferrugem

É o melhor que eu posso.

CCarioca

É, dentro daquilo, muito tempo. Lembra do martelo? O melhor que eu posso.

?Voz D

Para fazer 8 meses, talvez 8 meses, talvez.

CCarioca

Ó, eu sou o rei de— eu encho o saco deles, bala, 10 anos. Eu sei disso, eu sou pauteiro. O meu sim, já viu que eu peço há 10 anos e nunca foi atendido?

LFLucas Ferrugem

Qual é?

CCarioca

Você, pô, vocês esquecem. Eu falo com vocês assim, não é que deve ser chato para cacete? Ah, ele sabe, vai sair, hein?

?Voz D

Vai sair, vai sair, vai sair!

CCarioca

Aleluia!

LFLucas Ferrugem

Tô com o pôster no celular até aí, ó.

CCarioca

Esse você tem que relançar aqui.

?Voz D

Segunda-feira, vamos fazer, vamos fazer, cara. Porque você sabe que Carioca pediu demais, agora os cara pedem demais.

LFLucas Ferrugem

E a gente, assim, ó, já dando a real, o que eu sei do Enéas, que ele tinha uma campanha política muito louca e que ele era um cardiologista muito respeitado, um cara, um gênio e tal. É isso que eu sei. Mas fica uma galera vindo assim, ó, pô, vocês têm que contar a história do Enéas, cara. Fico, porra, a gente já trabalhou aqui, história do Enéas é essa, vamos fazer história do Enéas.

?Voz D

Vamos pesquisar, vamos descobrir agora.

CCarioca

E o título tem que ser Farol Enéas, porque é meio enviesado o título, achei. Não, farol, ele deu a luz. Não tô dizendo que ele tenha sido a luz, não tô dizendo que ele tenha sido o cara. Por que que eu falo tanto do Enéas? Porque que eu vejo, o Enéas, ele em 90, ele viu 2025. É nesse sentido, ele era um cara que era tratado como lunático. Tem entrevistas dele maravilhosas, maravilhosas. Falando no Falcão, que ele teve uma votação expressiva na primeira loucura dele dos 30, assim, meu nome é Né, não sei o quê.

E o cara dizia coisas que naquele momento você achava aquele um cara reaça, loucaça, e ele tava dizendo, gente, presta atenção, né? Isso é assim por causa disso, por causa disso, por causa daquilo. E era interessante entrevistas que aparecem trechos hoje na internet dos jornalistas sendo piores do que hoje, colocando rótulos nele. E ele, muito pelo contrário, meu senhor. E ele dizendo com muita clareza, e que naquele momento vendia uma narrativa para gente que ele era louco.

LFLucas Ferrugem

Eu lembro de um vídeo muito bom, acho que é no Roda Viva, que alguém fala, porque ele fala assim, nós não podemos deixar essas pessoas governarem o Brasil, elas não têm educação nenhuma e Aí o cara, o jornalista fala, mas isso não é uma visão de excluir certas classes, etc.? Ele muito pelo contrário, eu tenho um amor fraternal por todas elas, devemos amá-las e fazer tudo que pudermos para elas prosperarem, mas esses são canalhas.

CCarioca

Ele fala do presidente que não é alfabetizado, ele tem esse trecho também, né? É que ele fala, pô, mas como vamos deixar qualquer concursado tem que estudar horrores? Para fazer. Aí o senhor, me desculpa, mas o senhor, o homem não tem nenhum para assumir o Brasil. Isso deveria ser impedimento. E ele tem razão, desculpa. Como é que um presidente da República, não tô aqui sendo diretamente ao atual, mas a qualquer um, entende? Um presidente da República, no mínimo, ele tem que ter um bacharelado.

Gente, não é questão de excluir É questão de controlar um país, é muita responsabilidade, um certo orçamento grande. Ah, mas é a democracia. Porra, pera aí, cara, então coloca no Banco do Brasil qualquer cara, então não faz concurso, escolhe a dedo, no sorteio. Sorteio da Caixa Econômica Federal para quem vai trabalhar lá.

?Voz D

Vamos ver quem é o mais carismático aí, a gente bota, a gente faz uma entrevista, não faz sorteio, mais legalzão, já que não precisa ter habilidade.

CCarioca

Vamos fazer por sorteio. A eleição tá, mas o cara, qual é o currículo?

?Voz C

Currículo.

CCarioca

Tem que ter um currículo. Não tô dizendo muito ganhar porque tem mais títulos, mas isso aí a gente faz através, deveria se fazer através da cultura.

LFLucas Ferrugem

Era em tese, o sistema era para funcionar mais ou menos assim, ó, estamos escolhendo o líder, falou bem, estamos escolhendo o líder do nosso país. É, vamos, claro que vai ter outras coisas que não são só intelecto. A gente não vai escolher alguém só porque é inteligente, a gente não escolhe nada na vida assim. Esse cara é o mais inteligente, mais inteligente seu filho da mãe, né? A gente vai escolher por valores, por moral, por direção, por missão, quanto o cara comunica bem isso.

Mas a gente era para também botar nesse pote de coisas o quanto esse cara é preparado e capaz de fazer o que eu quero que ele faça, o que ele defende fazer e tal. Mas quanto mais tu deteriora a cultura, menos tu tem esse aspecto e mais tem um populismo de baixíssimo nível, de uma inflação de promessa. Tu promete 10, eu prometo 20. Aí tu promete 30, promete 50. Aí tu, 70 ou 80, né? E aí tu vai leiloando, digamos assim, de uma forma mais ou menos legal, legalizado, mas um leilão, né?

Então o cara fala, pô, eu vou dar R$200 para quem é pobre. O outro fala que é R$500, outro fala que é R$1.000, outro fala que é R$1.500, outro fala que é R$5.000. E é isso aí, a gente vai vendo geração para geração.

CCarioca

Como é que vocês estão analisando? Eu assim, dos 10 anos, eu tô tentando colocar um marco ali no começo de vocês. Eu tenho a sensação de que não só o Brasil Paralelo, mas outros, Oeste, o Terça Livre, e milhares de canais, a Jovem Pan também, todo mundo, a própria Globo News. Eu acho que essa diversidade, né, esse crescimento absoluto na internet sobre influenciadores, pessoas que falam, que mostram Né, surgiram grandes nomes.

Eu acho que, queria saber o que vocês acham nesses últimos 10 anos, é o que melhorou. Eu acho que piorou, porque parece que foi feito o exame junto com vocês e todos os outros, né, foi feita uma ressonância magnética, foi detectado o problema e não cuidaram. Não é que não cuidaram, avançou, e de uma forma— vocês fizeram Os Três Poderes, eu me recordo desse episódio.

?Voz C

Você já teve uma experiência de descobrir que alguém tava fazendo sacanagem com você, enfim, roubando, sei lá, ou mentindo, alguma coisa assim? Quando você começa a desconfiar, você começa fazer pergunta, a pessoa percebe que a pessoa percebe que você tá desconfiando. E aí que ela começa a fazer, ela começa a ficar nervosa, ela começa a ficar, e aí ela acelera a coisa. Eu acho que o sistema, e aqui não tô nem, ainda nem nomear um ou outro partido, isso aqui é um sistema assim, o sistema de incentivos de corrupção, de governar mal, etc. e tal, que é operado por vários desses políticos todo aí, pelo presidente atual, etc. e tal.

Esse sistema é isso, ele, ele tava muito confortável porque ninguém tava percebendo tá acontecendo. Eu acho que esses últimos 10 anos foram, foram 10 anos de despertar de consciência, de educação descentralizada, de acesso ao outro lado da história, etc. e tal. Então é que o diagnóstico que você falou não é só que a gente descobriu que tinha um problema, mas o causador do problema percebeu que a gente tava descobrindo e ficou nervoso.

E aí começam as Aumenta o populismo, tenha problema de liberdade de expressão, etc.

LFLucas Ferrugem

Então eu acho que melhorou muito, sendo honesto.

CCarioca

Melhorou?

LFLucas Ferrugem

Acho que sim.

CCarioca

Sim, claro, você tá sendo otimista, na minha opinião.

?Voz C

É que acontece, né? Não sei o que que não.

LFLucas Ferrugem

Eu acho que melhorou o seguinte: qual era a chance de melhorar o Brasil anteriormente? Eu acho que era mais baixa que atual. Por que que eu digo isso? Porque as pessoas tinham um grau de compreensão ainda menor. E aqui eu faço análise de todos os lados, assim, eu acho que as pessoas estão muito mais conscientes em todas as vertentes políticas do que que elas acreditam, muito mais, incomparavelmente mais. Então, com muito mais meios de ação.

Então você vai ver desde a direita militando e pedindo alguma coisa até a esquerda querendo cancelar alguém e falar que esse cara não é isso, até todos os influenciadores de direita, todos web comunista. As pessoas ganharam possibilidade de falar de arrecadar pessoas pra uma ideia, de botar narrativas diferentes. Os políticos acabaram, por essa dinâmica toda tecnológica, tendo que falar muito com as pessoas, mais do que antes, né?

Não é só propaganda agora que funciona, o cara tem que falar mais e tal. Então eu acho que isso dá condição de todo mundo pensar melhor, debater melhor, cobrar mais e fazer tudo isso aí. Agora, sobre os reflexos de que a gente gostaria de ver a coisa ir mais rápido, gostaria de ver a coisa não retroceder e tal, Acho que serve para toda, toda, todo lado que tu tiver de fundo. Eu acredito nisso, que seria muito ilusório tu achar que tu vai jogar um jogo e outra parte nunca vai responder, né?

Então isso não é possível na humanidade, né? Não tem isso. Tu olhar, sei lá, toda Segunda Guerra Mundial, a gente conta a história como se fosse, não, aí, pô, veio um grande mal nazista e depois a gente respondeu e ganhou. Porra, não foi assim. É o tempo inteiro, vai e volta, vai e volta, vai e volta.

?Voz D

Essa expansão do grau de consciência também, né? Que nem você tem um câncer aí, você faz um examezinho ali de sangue, aí você pegou um negocinho ali fora e tal. Aí beleza, pô, acho que agora a partir dessa consciência o câncer vai melhorar.

?Voz B

Vamos cuidar.

?Voz D

Não é, agora que eu sei ali que talvez tem alguma coisa estranha, vai começar a melhorar. Não necessariamente, talvez você descobriu só um pedaço, aí o cara vai descobrindo, você vai descobrindo, você vai vendo que o negócio é gigante. Então tem um pouco disso, no final das contas, o grau de consciência das pessoas do Brasil vai aumentando, né?

LFLucas Ferrugem

E vai impondo restrições, cara, e vai impondo restrições, que é o seguinte: antes tu não sabia. Por exemplo, se eu me preocupo com os gastos do Judiciário, antes eu nem sabia os gastos do Judiciário, nem chegava em mim os gastos. Então agora, então agora tu até pode ficar triste, falar assim: pô, eu como cidadão não queria pagar tanto para os gastos do Judiciário. Pode ter essa opinião, e eu entendo, ela tá certa. Agora, pô, gera pelo menos um constrangimento.

O cara daqui a pouco, um olha para o outro lá e fala assim: cara, eu acho que não é assim que a gente devia fazer, viu? Acho que a gente devia pegar mais leve aqui nos gastos disso aqui. Será que gera? Gera, gera, gera, gera na política, gera na política. Por que que tu acha que o PT tá endossando tanta operação antifacção agora? Por causa da eleição, por causa que essa é uma preocupação das pessoas, por causa que as pessoas estão conscientes do problema.

Se o cara não fizer essa porra, ele não tem voto. Então, então existe, mesmo nas alas diferentes do teu pensamento, existe uma pressão. Por que que o Flávio Bolsonaro alivia todo o discurso que o Jair Bolsonaro deu sobre algumas coisas? Porque ele entende que se ele não fizer isso, ele não tem voto. Então, para esquerda também funciona uma certa pressão. Então, para todos os lados funciona esse ativismo digital, essa oportunidade de falar, de analisar, etc. Faz os caras estarem mais receptivos.

?Voz D

Começou com a culpa não foi minha, eu votei no Aécio.

LFLucas Ferrugem

Começou, se fosse resolver os problemas do Brasil, a esperança era que o Aécio Neves resolvesse o Brasil para direita.

CCarioca

Porra, é sinistro, né, cara? Então, cara, acho que é o teatro das tesouras. Parabéns ao Brasil Paralelo para esclarecer. Assista também Teatro das Tesouras, muito bem produzido, colocando ali os fatos, mostrando em evidências, em fatos, gente. Porque a narrativa, ela pode até existir, mas ela tem que partir dos fatos. E os fatos ali ficam bem elucidados e você pode ter a ideia do Teatro das Tesouras que nós fomos— porque assim, veja, hoje nós temos a possibilidade, vocês tiveram lá, moleque, Porto Alegre, um escritoriozinho, e criaram um canal de comunicação e informação.

Isso há 20 anos atrás era impossível, impossível, porque eram clãs. Ainda são clãs no Brasil. Tem até um canal também que também tem que parabenizar aí, que tá crescendo e mandando muito bem também em relação a clãs. Eles fizeram sobre os clãs do Brasil.

LFLucas Ferrugem

Ah, o Esporte Mix, né?

?Voz C

Isso, são muito bons.

CCarioca

Você viu isso aí? Muito bom, muito bom, muito muito bom, cara. Não tão bom quanto Brasil Paralelo, porque eles são muito bons, são muito bons. O texto é maravilhoso, mas acho que falta um pouco mais de produção, mostrar, né? Brasil Paralelo não, ela é mais cuidadosa, ela mostra os vídeos, ela mostra reportagem. Eu acho que ali é muita fala, acho que—

LFLucas Ferrugem

mas o bom da vida é que a gente não precisa escolher na internet, pode ver um depois do outro.

?Voz B

Exatamente.

LFLucas Ferrugem

Então eles são muito bons, eu recomendo muitos vídeos.

CCarioca

A sacada é mostrar a bola. Por exemplo, antigamente era o poder da mídia, ainda é, né? Mas era muito mais 3 canais de TV, 2 de jornal. E que que acontece? Olha que loucura, eles fizeram o seguinte fazer um cálculo. O Brasil é o seguinte, é por, por, por estados, né, como as capitanias. Acho que, acho que o grande problema do Brasil são as capitanias, e estão aí até hoje, né, os coronéis. Então Maranhão tem a família Sarney, Pernambuco são os comunistas lá, os Arraes, não sei o quê, sei lá.

Bahia, ACM. Goiás, pô, eu vi que é o Caiado, a família do Caiado somando em tudo há 200 anos, em 200 anos a família Caiado coordena. Então, né, e aí todos esses caras de cada estado e esses clãs, esses coronéis, se encontram onde? Em Brasília. E juntos eles decidem o que fazer. Só que para chegar nesse poder, eles têm meios de comunicação, eles tinham todo um sistema muito parecido, né? Os Cascunha Lima na Paraíba, né? Cada estado tem o seu, os os Gomes no Ceará, juntamente com o cara lá do Iguatemi, entendeu?

Então cada cara, e lá eles elegem o senador, deputado, e eles lá se encontram em Brasília para decidir um pouquinho para cá, um pouquinho para lá, né? Eu acho que o Brasil, um dos grandes problemas do Brasil hoje, sem sombra de dúvidas, não tem hoje. Se você fizer assim, você pode ajudar um grande problema do Brasil, chama-se Senado Federal. É a primeira reforma política. Porque como é que pode São Paulo tem 40 milhões de pessoas e ter 3 senadores?

Aí juntou Amapá com Rondônia, já tá mal que São Paulo para tomar uma decisão com 80% da receita. Cara, é o Senado, o grande gatilho do problema hoje do que o cara consegue mudar é o Senado, junta Rio Grande do Norte, Sergipe. Caraca, você é maior que Minas, São Paulo, Rio. Porra, 80% da verba do que produz no Brasil não tem poder sobre o país, entendeu?

?Voz C

Toda vez que tiver uma narrativa, seja no âmbito do Legislativo ali de fazer uma lei, ou do Executivo de regular o mercado, não sei o quê e tal, toda vez que tiver uma narrativa assim, não, porque não dá para deixar a coisa, não dá para deixar o São Paulo dominar, porque senão não vai sobrar para toda vez que tiver uma narrativa de concentrar controle para aquele que concentra controle decidir qual é a melhor maneira de tocar as coisas, sempre desconfia.

Porque, porque esse é um dos problemas não só do Brasil, mas de muitos países que não prosperam, a capacidade que as pessoas, que a população tem de participar do jogo verdadeiro, né? Por mais que Estados Unidos tenha problema, etc. e tal, mas a capacidade que a população americana tem de mobilidade social, qualquer um pode prosperar financeiramente, etc. e tal. No Brasil também, mas na prática é mais difícil por uma série de questões, é um sistema que acaba sendo complexo e tal, mas é isso.

Então Essas permanências muito longas no poder, elas demonstram que o país ele tem instituições fechadas, ele tem pouca liberdade. E aí se mobiliza pouco, cresce pouco, fica os mesmos no poder, fica mais confortável.

CCarioca

A grande trava, a grande trava, você que tá assistindo hoje, nós vivemos hoje sobre o Judiciário. Hoje quem manda no Brasil é o Judiciário. E te falo e te afirmo, como foi o primeiro cara a fazer um movimento muito forte nesse sentido foi Fernando Henrique Cardoso. Fernando Henrique Cardoso. Pode procurar aí que você vai encontrar ele dizendo que a palavra final era o STF, quando o STF era, eram homens ocultos, na época dos homens ocultos.

Se tem um impasse, parente no Império lá, desde lá do regime militar, uma coisa assim.

LFLucas Ferrugem

A família dele é muito tradicional, mas como todos esses aí, o avô dele fez alguma coisa, como carioca fala, mais para trás ainda, lá no Império. Estudando a história do Brasil, a gente conhece político de hoje, né? Aí tu tem impressão, o cara político ali, presidente da Câmara, isso, aquilo. Aí tu pega um livro qualquer, às vezes a gente tá estudando um negócio para qualquer outro motivo, né? Pô, vamos estudar aqui esse negócio do Getúlio Vargas.

Aí tu olha o sobrenome e fala, mas pera aí, sobrenome mesmo? O meu bisavô, ele era, ele foi senador, e o meu tetravô foi governador.

CCarioca

E a pergunta que fica, vai chegar lá no golpe do imperador. Pode buscar nos últimos 30 anos, desde a redemocratização, que a última Constituição de 88, todos os presidentes de Senado e Câmara, veja de onde é, que aqui nós tivemos a política do café com leite na Primeira República, que era São Paulo e Minas, né, que foi quebrado com Getúlio. Mas, ó, cara, obrigado, Brasil Paralelo, tá afiado, hein? É, mas é o estudo, né, Brasil Paralelo? Obrigado.

?Voz C

É vitalício.

CCarioca

Desde 88 para cá, se você pegar, você assim, você que acompanha, né, que se interessa, porque tem gente falar a política é chata. Não, a política interfere na conta do seu condomínio, velho.

LFLucas Ferrugem

E não é chata não, puta novela, né?

CCarioca

É gostoso até. Mas se você pegar uma análise assim, um insight que eu tive agora, todos os caras que foram presidente da Câmara e presidente do Senado e do Congresso são dessa turma que eu te falei. Não tem cara daqui de baixo. Pode ver, o presidente do Senado hoje é do Amapá, né, do Amapá, o Alcolumbre. E o outro é da, não sei se é Paraíba, Hugo Motta, não sei se é Pernambuco ou Paraíba, entende? O anterior foi, pode ver, nunca é dos estados que eu te falei que produzem mais, sempre dessa, desse representante dessa turma que eles criam rodízio ali.

Inocêncio de Oliveira, teve o cara do que leluou a coxinha, que morreu lá, o velhinho careca. Lembra que ele tinha a lojinha, a cantina, ele tava ganhando dinheiro? Lembra o velhinho careca, que ele até morreu já? Ele era do baixo clero, que foi presidente do baixo clero, velho, velhinho assim, apareceu o Mr. Magu. Eu esqueci o nome dele agora. Então é dessa turma que eu tô falando. Esses caras hoje dos estados menores têm mais poder.

Por quê? Porque o orçamento vai o quê? 80% dos estados vai para a União, é isso?

LFLucas Ferrugem

Dos estados, é, eu não sei, acho que muda de estado para estado, né?

CCarioca

Porque não, não, a União retém, depois dela volta.

LFLucas Ferrugem

É porque é porque vai, cara, então aqui esse rolê é grande, é porque vai por contribuição. Lembra que a gente tava falando da contribuição, né? O Brasil é muito maravilhoso. A Constituição de 88, ela era para descentralizar reforçamento, porque estavam traumatizados com a ditadura militar que começou a centralizar tudo. Então a ditadura militar tirou o poder dos estados e municípios e puxou para eles. E os cara traumatizado que saiu falaram, cara, a gente vai criar descentralização, impostos vão ser arrecadados.

CCarioca

Severino Cavalcanti, me sopraram aqui.

LFLucas Ferrugem

Os impostos vão ser arrecadados localmente nos estados e municípios para a União não centralizar tanto poder e não puder ser policialesca. Perfeito, beleza. Mas existe, por uma série de teorias, existem algumas coisas que é difícil arrecadar localmente, é mais fácil pegar longitudinal, tipo receita de grande empresa, não sei o quê, algumas coisas. Aí criaram a figura, numa outra comissão, criaram a figura da contribuição, que seria impostos amarrados específicos a uma causa.

Tipo, pô, contribuição para saúde, que é a CPMF. É, o CPMF também foi. E então específico para uma coisa, né? Então específico, eu vou fazer uma contribuição na União específico para isso aqui, e o resto arrecada localmente. Pô, arquitetura de primeiro mundo. Aí você vai olhar, eu não vou lembrar o número de cabeça, mas dá para hoje em dia com a IA, você joga aí, você vai olhar o crescimento das— que que a União entendeu muito rapidamente?

A contribuição é o bom, esse negócio de contribuição é legal. Então eles começaram a aumentar muito o volume dessas contribuições. Quando chegou num determinado ponto, aumentou muito o volume das contribuições, mas tem um problema ainda: ela é meio associada a esse custo específico. Eu tenho que gastar esse negócio na saúde, Eu tenho que gastar esse negócio na educação, porque essa era a premissa, lembra?

CCarioca

Para um orçamento específico de política nacional, a gente pega, o CPMF ele surgiu para saúde, especificamente para saúde, que descambou rapidamente.

LFLucas Ferrugem

Mas então o orçamento primeiro cresceu muito, a contribuição para a União trazia muito dinheiro. Aí olhou esse negócio, falou, tá, mas ainda tem um problema, a gente não gasta esse dinheiro como a gente quer. Como é que a gente resolve isso aí? Simples, a gente começa a dizer que o resto do orçamento vai colapsar quebrar, o governo vai ficar insolvente se a gente não puder desatrelar a contribuição disso aí. E aí passa isso no Supremo em 2002, 2003, alguma coisa assim.

E aí os cara começa a jogar dinheiro para o outro lado. Então o negócio que nasceu justamente com uma desculpa perdeu a desculpa e ficou muito relevante. Então quando a gente fala que o dinheiro dos estados e municípios sobe, por isso que eu tô falando disso, é porque, cara, eu não conheço nenhuma conta que seja entendível sobre quanto dinheiro de São Paulo vai para União e quanto volta, porque são muitos lugares em que isso acontece.

Então a conta da contribuição usa uma forma de prestar conta, a conta dos repasses usa outra forma, o que vai para empresa privada usa uma forma via BNDE, não sei o quê, o que vem via orçamento público usa outra fórmula.

CCarioca

É claro.

LFLucas Ferrugem

E aí, porra, para fazer, eu não sei, a Previdência não é simples entender.

CCarioca

As pessoas já pagam a Previdência na fonte, porque quando tem a CLT já paga lá. Aí tem que pegar o orçamento de outro lugar para cobrir o rombo.

LFLucas Ferrugem

E a contribuição previdenciária, aí tem a do carro.

CCarioca

A do carro para mim é mais bizarra, que é o IPVA. É a coisa mais bizarra, caríssimo, caríssimo. A gente quer mudar agora, caríssimo. Agora não é para carro, não é para estrada, não é para selo pedágio. Lembra que era o selo pedágio? Que era pedágio, aí o estado não conseguia operar aquilo. Eu vivi, todo mês, tá, todo ano Não, todo mês, todo mês era 5, 6, 7, 8. Era ano depois, aí falou, é o que ele falou, se por ano, se a gente pode cobrar R$200 por ano, a gente pode cobrar R$35 por mês.

Aí era um, todo mês tinha que comprar na banca, velho, o selinho e botar no carro. Você não tinha selinho para estrada?

LFLucas Ferrugem

Caralho, era assim cobrava IPVA antigamente?

CCarioca

O pedágio tinha o IPVA, que era uma coisinha pequenininha, tipo é o seguro aí, licenciamento, que cobra R$80, mas era o selo pedágio. Aí veio o IPVA, e que hoje banca hospital. Se tirar o IPVA de um estado, o estado quebra.

?Voz D

Já tá quebrado, quebrando.

?Voz B

Fazer igual Estados Unidos aqui, por peso do carro.

CCarioca

É, pô, com blindagem então, que é São Paulo, mas com passageiro dentro.

?Voz D

Tanto motorista dentro ou sem?

?Voz B

Não sei.

CCarioca

É importante. Vamos ver o último VT aqui da Brasil Paralelo e eu queria que eles explicassem também sobre, que é muito interessante o que vem por aí.

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LFLucas Ferrugem

It's still a pretty drastic procedure though, isn't it?

— Anúncios inseridos dinamicamente —

CCarioca

It was a failure, and money is hiding. How do you know?

— Anúncios inseridos dinamicamente —

CCarioca

Eu queria que você explicasse um pouco sobre essa produção que foi feita fora do Brasil.

?Voz D

Foi feita aqui e fora do Brasil, mas o elenco é todo estrangeiro.

CCarioca

Que loucura! Vocês fizeram, oi, trouxemos esses caras. Explica um pouco dessa história e o porquê dessa produção.

?Voz D

Então, 2021, 22, a gente fez um documentário chamado As Grandes Minorias, falava de várias coisas, dentre elas alguns experimentos do século 20 e tal. A gente descobriu essa história que até então era inédita para nós, que a história de dois gêmeos, né, que contou ali no trailer, que do interior do Canadá dos anos 60, que um deles foi fazer aquela cirurgia de circuncisão que um monte de gente faz e tal. Aí deu um problema na maquininha lá e pum, um deles perdeu o pênis durante a cirurgia.

Os pais ficaram desesperados, não sabiam o que fazer e tudo mais. E na época quem tava bombando várias entrevistas e tal era um intelectual muito respeitado e famoso e tal, era esse tal do John Que ele basicamente tinha uma teoria de que gênero já existiu. Ele que foi o cara que disseminou essa ideia de gênero, que separa o sexo do gênero. Então existe o sexo masculino e feminino, mas tem o gênero, que é um conceito de como você se sente, uma coisa um pouco mais abstrata, mais ampla.

E isso é construído socialmente. O sexo tem pouca influência nisso. Dependendo do jeito que uma pessoa é criada, se ela tem mais estímulos com padrões que a gente entende como femininos, ela vai se identificar com gênero feminino. Se for o contrário e tal, ele defendia isso. Ele tinha uns experimentos que ele fazia com pessoas que nasciam intersexo, que tem um pouco, a gente chama de hermafroditas e tal, que tem aí um pouco das duas coisas.

E na época não sabia dizer o que que era porque não tinha exame de DNA e não tinha como saber o que era cromossomo XY, XX e tal. Então tinha que decidir o que que fazia com a pessoa e tal. E aí nos testes dele ele viu que independente de qual gênero você escolhia, no conceito dele, você adotando determinado padrão de condicionamento você conseguia fazer a pessoa se identificar com o gênero dela e se desenvolver normalmente. Então, só que ele começou a querer expandir isso, ele queria dizer que na verdade isso era para qualquer pessoa, independente dela ter nascido nessa condição específica.

Qualquer pessoa, se você condicioná-la de determinada maneira, teoria da tábula rasa, aquela coisa, né? E aí ele, os pais assistem uma entrevista desse médico na televisão. Aí ele até mostra uma pessoa que transicionou para outro gênero, para outro sexo e tal. A gente confunde, é complexo. E aí ele, segundo essa entrevista, ele disse que isso é um procedimento muito tranquilo, deu muito certo, que ele tem muita confiança. Um cara que falava com muita confiança e tal, o cara que transmitia uma certa credibilidade. E os pais ficam mexidos com aquilo.

?Voz B

Talvez seja essa solução, porque estavam desesperados, procuraram tudo que é médico, não tinham o que fazer. Mudar o gênero. Exato.

?Voz D

Exato, né? Na cabeça deles é, talvez ele pode crescer como uma pessoa normal e tal, não vai saber que teve esse problema. E aí eles procuram esse médico, e aí eles ficam receosos. No início, o médico, para o médico era uma baita oportunidade, porque ele começou a ser criticado. Aí tem um arqui-inimigo dele que a gente vê na história aí, que é o Milton Diamond, que ele era um especialista em biologia, é um biólogo e tal. E ele, por experimentos que ele fazia com animais e com ingestão de testosterona de fêmeas no útero ainda da mãe, ele descobria que independente de qual que era o padrão e estímulos que ele dava, chegava um momento que aquilo começava a aparecer.

E aí o nível de hormônio que ele recebeu ainda dentro da barriga da mãe acabava predominando, independente de como que você cria e tal. Então ele era um cara que tentava refutar o Money e publicava coisas e começou a confrontar em diversos momentos. E o Money precisava Porque ele dizia assim, cara, isso aí pode até funcionar para esses casos específicos de intersexo, que teve uma questão hormonal diferente ali quando tava na barriga da mãe e tal.

E aí ele dobrava a posta, era aquele cara que não aceitava, muito orgulhoso, não aceitava que tava errado nunca, e sempre dobrava a posta.

CCarioca

E aí eu conheço um cara aí no Brasil, na República atualmente, que tá bem parecido.

?Voz D

Quanto mais ele é apertado, mais ele dobra a posta. Então esse cara fazia isso. E aí, fazendo isso, ele viu nessa família uma oportunidade, porque aqui é um caso de uma pessoa que nasceu numa condição normal, que os pais estão meio dispostos a fazer essa loucura que ninguém ia topar em condições normais. Então vai ser a comprovação da minha teoria. E aí ele convence os pais a fazer, ele faz uma cirurgia inicial lá, que criança é castrada e tudo mais.

E assim, os pais, e com consultas com ele e tal, ele era psicólogo, começa a tentar. Primeiro, ele não pode nunca saber que isso aconteceu pra dar certo, na teoria dele, e ele tem que ficar recebendo diversos estímulos e tal. Então, ele, os pais começam a fazer esse experimento com o próprio filho, né, por influência do Money, e começa a dar terrivelmente errado. Como era, no início parece que vai dar certo, mas depois começa a dar errado.

A criança fica toda esquisita e não se entende, não se encontra. Começa a ser um— a família toda começa a se despedaçar em cima dessa mentira, porque uma mentira vai demandando outra mentira. Aí você vai vendo aquele efeito.

?Voz C

Teu filho, isso assim, meu brabo, hein, brabo!

CCarioca

Você só olha no detalhe, é bem dramático.

?Voz D

É baseado em fatos reais, história real, super bem documentada.

CCarioca

É bem dramático, é bem dramático.

?Voz D

Aconteceu nos anos 60, caramba, e explodiu nos anos, final dos anos 90. Só que durante todo esse período, mesmo o negócio dando errado, ele ficou publicando que tava dando certo. Morto. Então ele publicava que era um sucesso e tal, publicou a mentira, e isso repercutiu muito porque foi bem na época que começou todos os movimentos de questionar. Aí você tem um pouco do movimento feminista, de uma certa forma, tentando vender a ideia de que tudo é uma construção social, porque a sociedade patriarcal que impõe determinados costumes, determinadas coisas e tal.

Então isso era conveniente para essas coisas. Isso, de uma certa forma, fundou muito do debate que se tem essa coisa de gênero, ideologia de gênero, chame como queira chamar, ou até mesmo do feminismo, é baseado nesse negócio que no fim das contas deu totalmente errado. É uma prova contrária. Isso acabou vindo a público depois, nos anos, final dos anos 90, que deu tudo errado. A família se despedaçou por completo. Chegou o momento que eles decidem contar e tal. Não vou falar muito para não dar—

CCarioca

é uma história real, você botar na internet você vai ver, para não dar spoiler.

?Voz D

E enfim, para resumir a ópera, eles vão a público, expõe e tal, o money é exposto, mas no fim das contas a história não ganha tanta repercussão. Mesmo eles indo na Oprah na época, saiu 3 documentários na BBC ou 4, saiu um monte de artigo, saiu livro, saiu um monte de coisa na época, o negócio deu uma chacoalhada, mas foi morrendo, ninguém mais quis repercutir muito. Até teve uma série ou outra de televisão que fez um negócio inspirado, depois tiraram do ar e e tal.

Então ficou essa coisa, uma verdade meio inconveniente e tudo mais, mas que ao mesmo tempo tem muita riqueza ali nessa história. E a gente viu isso em 2000, voltando lá pro início, voltando em 2021 por aí, e a gente, cara, isso aqui é muito potente. Só que, cara, isso precisa ser contado no filme. Como é que ninguém fez um filme desse negócio?

?Voz B

É sério, verdade mesmo, porra.

?Voz D

E a gente, porque a história toda ela tem todo o arco, cara, tudo que você precisa pra contar uma boa história tem ali. E aí a gente, cara, a gente não tinha a menor condição de fazer um filme na época, a gente tava ali aprendendo a fazer documentário e E já um dia alguém tem que fazer, um dia alguém tem que fazer, nem contava muito que ia dar. E aí 2025 agora a gente conseguiu fazer nossa primeira ficção, foi Oficiando o Diabo, deu certo para caramba, público aprovou para caramba, parou de pé, financeiramente deu super certo também.

E aí nos deu um fôlego para começar a investir em mais ficções, que sempre foi um sonho e um pouco do que a gente acredita que mais não consegue.

CCarioca

Que bom, né? Porque tentaram fazer um filme, ligaram para um cara errado Pois é, teve esse financiamento aí que não deu muito certo, não deu certo. É, tentaram copiar vocês aí de fazer uma produção fora, deram uma ligada aí para o financiador um pouco, contando o quanto controverso, né? É, acontece. Então, quando que vai lançar esse filme?

?Voz D

Não, não lançou esse ano, não lançou. A gente tá, a gente ainda tá para fechar a data, ou esse ano ou início de ano que vem e tal.

?Voz C

Já tá meio filme, é que aí que entra as ambições, né? Primeiro filme, Oficina do Diabo, já foi um salto enorme. O investimento do filme, apesar de ser muito mais barato do que normalmente se gasta para fazer filme, porque nosso dinheiro feito em casa, desnecessário, basta competência, não é verdade? Vamos combinar aqui, eu acho que não é que, não é que prova que não serve para nada, mas prova que dá para fazer sem. Prova que se você fizer um trabalho que o público aprove muito e você tiver um bom modelo de negócio, você pode ser lucrativo. Não quer dizer que não precise, que não possa ajudar.

CCarioca

Lei do Audiovisual, vocês usaram ou não?

?Voz C

Zero, não, zero, zero. Tá entendendo aí, galera? Oficiante do Diabo, primeiro filme, 100% financiamento nosso.

CCarioca

A Lei do Audiovisual de todo ruim, tá?

?Voz C

Ela não é ruim, ela não é ruim.

CCarioca

Você sabe a proposta, como é que funciona a Lei do Audiovisual? É 3% de cada tela vendida de celulares, televisores, de que é vendido, eletroeletrônico, tem tela, exibição, esse dinheiro vai para esse fundo, é, vai para esse fundo porque as pessoas consomem.

?Voz C

Mas as deduções são mais legais ainda, né? Que o pagador de imposto é que decide para quem que ele vai direcionar aquele imposto que ele pagaria. Então, interessante.

CCarioca

O problema é que não é feito dessa forma.

?Voz C

Mas enfim, a gente sempre defendeu essa ideia de que se nós, se nós fizermos um produto de qualidade que realmente gere valor na vida das pessoas, vai se encontrar uma forma disso parar de É, e mesmo quando a gente sempre teve essa, a gente sempre teve essa teoria e a gente foi comprovando isso com documentários, mas volta e meia alguém falava, é, mas filme é diferente, porque filme— e a gente até achava isso mesmo, né? É, pô, quando é filme é diferente, mas é muito mais difícil realmente.

?Voz D

E é muito difícil, você fica ali, sei lá, 2 anos produzindo, mais 3.

CCarioca

Vocês estão acostumados?

?Voz D

Começou, foi super atrasado, os 2 deram 1 ano de produção mais ou menos.

?Voz B

Né?

?Voz C

Tanto o de Omani quanto o de China.

?Voz D

Começar da concepção ali foi final de 2024, e daí ele se desenvolveu mesmo ao longo de 2025.

CCarioca

E daí ele ficou caro, teve o Fred Gilson que bombou para caramba lá, filme é caro, filme é caro.

?Voz C

E aí faz o primeiro, aí começa, vamos investir em filme, começa a ver filme. E aí, por que não fazer um internacional americano com ator americano americano, que daí a gente consegue lançar no mundo inteiro.

?Voz D

Pô, mas né, isso até foi um negócio que veio depois, porque no fim a gente achava que essa história era muito poderosa, ela era importante, era relevante ser contada e as pessoas vão se conectar e tudo mais. Só que aí a gente falou, cara, mas pô, a história aconteceu no Canadá, então Estados Unidos, Canadá, e ainda nos anos 60, negócio de época e fora do Brasil. E essa história ela não faz sentido no Brasil, adaptar essa história para o Brasil, tipo de debate que tava acontecendo, tipo de contexto Só faz sentido se a gente contextualizar lá.

CCarioca

Mas vocês vão vender para o mundo inteiro?

?Voz D

A gente, cara, porra, a gente consegue operar bem o mercado aqui no Brasil. Já fez o primeiro Fixando, deu certo. Tem uma galera aqui de confiança que a gente trabalha junto e tudo mais. E muito desse filme é cena interna, né? Escritório, é sala de aula, é a própria casa. Então a gente pode reconstruir várias dessas coisas até para ficar coerente, que é um filme de época. Então dificilmente a gente encontraria locações específicas para fazer isso.

Então a gente consegue concentrar uma boa parte da produção aqui com a galera e operando do jeito que a gente já domina. E aí às vezes a gente faz só as externas nos Estados Unidos. Aí eu fui para lá, a gente foi para lá no início do ano passado e conheci um produtor de casting lá muito bom. O cara conseguiu um elenco muito bom, os cara talentosíssimo assim.

CCarioca

Da onde? Da onde?

?Voz D

A maioria de Los Angeles.

CCarioca

Não tem jeito, é ali, né? Igual Rio para fazer dramaturgia, Cerimônia de liturgia também, viu? Tem a galera lá para fazer, é, exatamente, os profissionais, né, que é uma indústria, como se fosse um boletim que ali, olhando para ali, nem para todos os gostos, para muito caro, para médio, para muito legal, cara.

?Voz D

Veio muita gente boa assim, foi uma experiência espetacular. E aí a gente trouxe, cara, foram 25 americanos que a gente trouxe para o Cacau, passaram quase 3 meses aqui filmando, foi uma doideira, cara, ano passado. E aí no finalzinho, as últimas 2 semanas, a gente foi para o Canadá para fazer as externas lá e as coisas que tinha que ser lá e tal. E aí é isso, cara, o filme tá espetacular assim, tá?

CCarioca

Então tá bom, em breve no Brasil Paralelo.

?Voz B

Ó, lembra de você, amigo, tem oferta, a maior oferta da história do Brasil Paralelo. Paga uma vez só para sempre, você vai ter Brasil Paralelo para sempre na sua casa. O code tá aí, não marca bobeira, link na descrição.

CCarioca

Vai lá, vai lá, aproveite essa oportunidade.

?Voz B

Vai lá, depois acaba, você se lasca.

CCarioca

Vai lá, Super Chat boletar. Bora, irmão, vamos lá. Vamos lá, 10 anos de Brasil Paralelo aqui, ó.

?Voz D

Sandro Almeida enviou uma mensagem: o Estado é nosso maior inimigo. Boa chat, Ricardo. É gênio de nunca confiar em um desarmamentista. Barbosa, Benê, bola e carica. Mandei duas referências bibliográficas. Abraços de Friburgo, RJ.

?Voz B

Muito obrigado, Sandrão, valeu.

CCarioca

Um abraço com a voz, é porque aqui é nossa, aí nós temos uma plataforma agora. Escolhe a voz da pessoa que vai falar, entendeu? O cara que manda, ele pode mandar em áudio, ele escolhe na IA a voz, escreve, escolhe a voz. Você fica com essa voz, tá um pouco presa, é a voz do Bolsonaro. Vocês perceberam que é exatamente pouco presa, uma voz caseira, né? Vamos lá. Leandro Túris enviou uma mensagem: a desigualdade no Brasil vai aumentar exponencialmente o filho da pátria educadora vai trabalhar em subemprego.

?Voz D

Quem estudou bem vai ganhar muito, não vai ter meio termo.

CCarioca

Parabéns, BP, pela excelência do trabalho. Chupa, Globo!

?Voz B

Quem mandou?

CCarioca

Leandro. Leandro, essa voz é o Vinheteiro. É a voz do Vinheteiro, eu acho. Eu acho que essa é do Vinheteiro. Tem mais aí, mais um aqui, ó.

?Voz B

Vamos lá.

CCarioca

Vamos ver quem escolheu para ser a voz. Gustavo Abade enviou uma mensagem. Padrão. Sou um pai homeschooler do RS, fico feliz de ver a galera do BP falando em educação. Abraço a todos, família Abade.

?Voz B

Obrigado.

CCarioca

Faz homeschooling, né, que é um tema também espinhoso, hein?

?Voz D

Eu admiro, tem que ter coragem.

?Voz C

Nem não era para ser, né? Se tornou uma coisa espinhosa, mas é uma coisa que não era para ser.

CCarioca

É porque é difícil também, né? Porque o homeschooling, ele é muito bom por um lado, mas também eu acho que a escola, para uma criança, escola, o movimento escolar, o ambiente— obrigado, Bola, por ter feito essa colocação— é um embrião do mercado de trabalho, né? Que você vai ter um amigo filho da puta, você vai ter um cara que vai conhecer. É um projeto emocional, né, inteligência emocional.

?Voz C

Mas até aí discussão saudável, né? A pessoa escolhe o que ela quer ou não quer, e pode ter um que defende, outro que não defende.

?Voz D

Tem liberdade, liberdade.

?Voz C

Agora, quando a discussão começa assim, não, eu acho que tem que ser proibido, o que que você tem na cabeça, né? Essa discussão em relação à liberdade, discussão moral em relação que se o Estado tem que proibir uma família de educar seu filho, aí onde eu acho que já começou só.

CCarioca

Bom, queria agradecer e parabenizar Felipe, 10 anos, parabéns! Tá fazendo falta nas locuções, não quer mais trabalhar de locutor no Brasil Paralelo, virou vagabundo, não quer mais ir para CBN. Cara, engraçado ouvir a voz dele, ele foi a voz de quase todos os documentários.

?Voz D

Então eu tô voltando, de vez em quando eu faço. Agora, antes de vir para cá, eu tava gravando um, tava gravando.

CCarioca

Precisamos mais da sua locução, que é muito boa, tá, no Brasil Paralelo. Né? Eu adoro também, queria falar do Primeira Arte, dizer que para você assistir, que para mim é um primor de documentário, Salvador, que é bom demais. Primeira grande produção de vocês assim com muito cuidado, né? Para tanta gente que gosta de música, sobre a redução. Primeira Arte é do caralho, é assim, aquele primeiro episódio é de chorar, né? Não, é sensacional.

Vocês pegaram o maestro lá para explicar, é a coisa da redução, né? Impressionante como a música vira um beat e tal. Então se você quer entender, fala assim, pô, música antiga era muito melhor, hoje é uma merda. Vai lá, põe a Cine Brasil Paralelo, assiste lá.

?Voz B

Primeira Arte, vitalício, são 3 episódios, é isso?

CCarioca

3 episódios, são 3 episódios, um primor, uma produção maravilhosa. Também tem muita gente que gosta do Natal, que vocês fazem especial de Natal da Brasil Paralelo também.

?Voz B

Já é muito Rio de Janeiro, Cidade em Chamas, muito bom, adoro.

CCarioca

Bom também, mas o Primeira Arte é um primor. Então assim, se você gosta de música, quer entender um pouco do conceito, o que é, porque a gente ouve falar de música, mas entender a matemática, entende? Tá tudo lá. Então, para você ter um entendimento do que tá acontecendo com a música, que é a primeira arte, tá lá. Primeira Arte na Brasil Paralelo, mais do que recomendado, é um dever para você que gosta de música, é um respeito à música, e é feito de uma forma assim Bem, bem, melhor documentário sobre música que eu já vi.

Sobre música, não um estilo, um cantor, um artista, não. Sobre o conceito da arte música. Muito legal. Muito obrigado, Valerim. Parabéns por já.

?Voz B

Obrigado pelos convidados para festa de 10 anos.

CCarioca

Isso aí. Henrique Viana, muito obrigado. Lucas Ferrugem, né, monjaradação aí. Nosso amigo, patrocínio Lili, nosso Pablo Escobar.

LFLucas Ferrugem

Que a Lili tem feito propaganda?

CCarioca

Eu vi, cara, tá bom demais, né?

LFLucas Ferrugem

Eu tô no aeroporto esses dias, eu tô no aeroporto esses dias, vejo uma frase enorme sem nenhum produto divulgado.

?Voz B

É, tem problemas?

LFLucas Ferrugem

A culpa não é sua.

CCarioca

A culpa não é nossa.

LFLucas Ferrugem

Sério?

CCarioca

Aí eu olhei assim, com a fita métrica assim, né?

LFLucas Ferrugem

Eu olhei, que porra é essa? Aí eu olhei embaixo assim, a marca do Monroi. Só isso, só botando no inconsciente, só fazendo inception de que a culpa não é sua. Só isso, só isso. Propaganda. Tá vendendo.

?Voz C

Porra, é do mal, hein?

LFLucas Ferrugem

Achei meio distópico, cara.

?Voz C

Meio do mal.

CCarioca

A culpa não é sua, tá?

LFLucas Ferrugem

A culpa não é sua, é fogo, né? Só isso. Não, e assim, ó, por algum motivo, não sei se tem alguma regulação, alguma coisa, mas não tem assim nenhuma menção ao produto.

CCarioca

Não é claro, né? É porque fala com quem compra, quem precisa. Isso é que é um anúncio dirigido.

LFLucas Ferrugem

Os cara deve Eu não sei disso, mas tô supondo, os cara devem ter feito um estudo pensando assim, ó, cara, o cara que precisa disso aqui, quando ele lê isso aqui, ele já fica entusiasmado na hora.

CCarioca

Não vai na farmácia, já compra.

?Voz B

A culpa não é minha, cara.

CCarioca

Tem a dica para comprar agora, uma dica boa.

?Voz B

Mas precisa ter bala, hein? É, Ricardo, comprei ontem. Comprei ontem, comprei ontem.

CCarioca

Não, mas é meu último mês, se Deus quiser. É aplicativo, tá? Não compra na farmácia não. Vai na farmácia, compra pelo aplicativo, você ganha R$100 de desconto.

?Voz B

Tem promoção, é.

CCarioca

Olha aí, sabia dessa?

?Voz C

Sem pau!

CCarioca

É bom desconto, né? Belo desconto, R$100, dá para tomar uma cerveja.

?Voz B

Você só paga R$4,800.

CCarioca

O cara tomando Monjaro e pegando cashback para comprar cerveja, sem álcool e sem glúten, tá? Mas, cara, parabéns aí pelo trabalho que vocês fazem. Vocês fizeram uma revolução, vocês abriram caminho para muita gente, vocês profissionalizaram, vocês cresceram, vocês foram, acho que, muito além do imaginável. Que bom que a Apple, né, demorou mas chegou, né? Vocês sabem do que eu tô falando, de poder baixar na Apple Store. Demorou quantos anos para isso acontecer?

?Voz C

Demorou bastante dinheiro para poder investir.

CCarioca

Eu lembro que os caras são complicados, os caras são complicados. Não, veja bem, vocês Vocês receberam muitas perseguições também, né?

?Voz D

Desafio tecnológico mesmo ali para contratar engenheiro software não é barato.

CCarioca

É, mas hoje com a IA fica esperto. Depois a gente passa a data aí para vocês. Boa, boa. Então parabéns, tá? Eu não poderia estar segunda-feira porque eu tô gravando exatamente nesse horário, exatamente no horário eu tô gravando. Mas eu queria muito, é do lado da minha casa onde vocês vão fazer, do lado, do lado. Até que hora vai ficar?

?Voz C

Não, vai lá. A hora que terminar, não sei, nós vamos dar o pulo lá.

CCarioca

Eu vou estar, eu cheguei em casa meia-noite, não vai dar. Eu cheguei em casa meia-noite, é, não vai dar.

?Voz D

Mas já valeu aqui, aqui a gente já tá comemorando de uma certa forma.

CCarioca

Então parabéns por 10 anos, que vocês prosperem cada vez mais. Você que tá do outro lado, ter a consciência de que você tá assinando um conteúdo importante para tua família, entende? Para você, para tua família. E aproveite a grande mudança, né? Se você tá inconformado com os absurdos que você tá vendo aí, é na cultura, é na cultura, é no estudo, é no filme, é no canto, é na arte, velho, é na cultura. Então a Brasil Paralelo já 10 anos comemorando com muito êxito, mostrando a força que o Brasil tem de mudar pela cultura.

E você financia, é você, entendeu? Não adianta você pagar coisas que vão desvirtuar coisas que você acredita. Se você acha que é bacana, Brasil Paralelo, ela tem esse cuidado com a isenção, é verdade, tem esse cuidado em: olha, veja bem, aqui existe uma outra versão, olha isso aqui. Então é interessante. Não tô dizendo para você só Brasil Paralelo, não. Ela também faz parte de um contexto. Então é importante ter esse posicionamento.

Tá aqui, é isso aqui. Isso aqui também existe essa versão. Então tem história do Brasil, Brasil Império, dezenas de produtos maravilhosos que você vai desfrutar não só com entretenimento barato, é um entretenimento que vai trazer valores e conhecimento para você.

?Voz B

E aproveita agora que é vitalício, Carioca.

CCarioca

Exatamente, oportunidade para você que reconhece aquela linha da Netflix.

?Voz B

Você vai ver tudo.

CCarioca

Eu sou fã, mando um abraço para o Renato Dias lá, que é um programa, Cartas da Mesa, é muito legal, tá? Eu ia até fazer um lance com vocês, mas a minha agenda não bateu. Mas eu queria ter, cara, como eu queria ter feito.

LFLucas Ferrugem

Ia ser bom aquela ideia.

CCarioca

Eu era boa aquela ideia. Eu ia ser um destempero. É da merda, mas uma merda boa. Eu acredito.

LFLucas Ferrugem

Foi exatamente assim que a gente avaliou na reunião quando a ideia veio. Puta, vai dar merda, só que vai ser uma merda boa.

CCarioca

Problema bom. Problema bom, problema bom.

?Voz D

Mas história, quem sabe ainda não rola agora.

CCarioca

Claro, tô dentro, conte comigo, conte comigo. Vamos, vamos tentar encaixar a data. Faço muita questão de encontrá-los pessoalmente e deles olharem já com olhar assim, pô, humorista é complicado, que não sabe de onde vem a porrada, né? Você já entra no psicológico do cara antes de começar. Isso é muito bom, seja desestabilizante, galera.

?Voz D

Valeu!

CCarioca

Amanhã estaremos aqui de volta, né, Boletim?

?Voz B

14 horas, César Menotti e Fabiano.

CCarioca

César Menotti e Fabiano aqui amanhã, show de bola! 2 da tarde esperando vocês.

?Voz B

Obrigado, beijo, até amanhã! Valeu!

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