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17 - Da prudência

03 de maio de 20265min
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A prudência é uma virtude pouco mencionada. Mas imagine a seguinte situação: seus amigos compram para você um ingresso para a pré-estreia de um filme que você estava ansioso para ver; o filme começa a meia-noite, mas você deverá acordar 05:30, pois terá uma prova importante naquele dia. O que você faria? Reflita comigo e descubra se você é prudente.

Assuntos3
  • A virtude da prudênciaDefinição e importância da prudência · Prudência como virtude das virtudes · Impulsividade como inimigo da prudência · Consideração do futuro e incertezas · Filosofia de Epicuro e hedonismo
  • Exemplos práticos de prudênciaEscolha entre filme e prova · Desejo de consumo e empréstimo · Maximização de prazer vs. consequências futuras · Prudência em ofícios perigosos · Prudência na paternidade e direção
  • Benefícios de uma vida prudenteMelhores decisões e caminhos · Vida mais prazerosa e feliz · Cálculo de riscos e incertezas
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Vamos supor que seus amigos compram pra ti uma entrada pra pré-estreia de um filme que você está esperando há muito tempo.

A sessão vai começar à meia-noite, mas você precisa acordar às cinco e meia da manhã, pois tem uma prova muito importante naquele dia. O que você faz? Outro exemplo. O bem de consumo que você mais deseja, que vai te trazer muito status, acabou de entrar em promoção. Ainda assim vai te faltar dinheiro.

O banco, no entanto, te oferece a oportunidade de pegar um empréstimo. E aí, o que você faria? A resposta para essas perguntas vai depender do seu nível de prudência. Prudência é a virtude das virtudes.

A prudência condiciona todas as outras virtudes. Sem ela, nenhuma virtude saberia o que fazer para alcançar o bem maior. Porque a prudência é a capacidade de avaliar o que é bom e o que é mal para o homem. O que nós devemos escolher e o que devemos evitar.

O maior inimigo da prudência é a impulsividade, aquela proveniente das fortes emoções. A alegria, a excitação, a tristeza ou a raiva podem nos levar a atitudes precipitadas, a agir sem pensar. A prudência, no entanto, considera o futuro. Ela é fiel ao futuro.

E é claro que nós não temos uma bola de cristal, mas não se trata de saber o que vai acontecer, mas de prever o que pode acontecer. A prudência, ela sim leva em conta a incerteza, o risco, o acaso. Ela leva em consideração a consequência das nossas ações.

Eu acho que vale a pena aqui citar a filosofia de Epicuro, o hedonismo. O hedonismo propõe que a felicidade se encontra no prazer. Ele diz que o prazer é o início e o fim de uma vida feliz. Ora, mas isso significa que devemos escolher todos os prazeres? Não, não, não, não, diz Epicuro.

Devemos escolher apenas os prazeres mais duradouros e os que não trarão dor no futuro. Pensa aqui comigo, você está numa pizzaria e a pizza está muito boa. Você comeu quatro pedaços, já está sem fome. Mas porque a pizza está muito boa, você continua comendo até o décimo pedaço.

Você quis, então, maximizar o prazer. Mas qual é o resultado futuro disso? Mal-estar, moleza, azia, dor no estômago, talvez alguns problemas no banheiro mais tarde. Logo, não agiu com prudência. Entenderam qual o valor da prudência?

A prudência deixa a vida mais prazerosa. Quanto mais prudência, melhores vão ser as nossas decisões. Com mais precisão, escolheremos os melhores caminhos para alcançar aquilo que nós desejamos. Uma vida com prudência só pode ser uma vida mais feliz. E não se trata de levar uma vida apática, paralisada, mas apenas de calcular os riscos.

Veja o piloto, o alpinista, o explorador, o soldado, o mergulhador. A prudência faz parte de cada ofício perigoso. Só que é muito difícil ser bom sem ser prudente. Um pai amoroso, se for imprudente, pode cometer erros fatais. Um motorista que dirige bem o seu carro, mas se for imprudente, ele vai ser considerado um mau motorista e ainda moralmente condenável.

Então, penso que vale a pena ser prudente, pensar bem antes de agir, cuidar da vida que temos, não desprezar as incertezas do futuro e ser feliz.

Tchau, tchau.

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