Epi #190
Pensamentos sobre : Avó Inhã / Pai / 25 Abril / Pós Maratona e Triatlo / Terapia / Vida …
Madalena
- Estilo de VidaTerapia · Luto pela avó · Aniversário do pai · 25 de Abril · Mudanças de vida
- Experiência com maratona e triatloMaratona de Sevilha · Prova de triatlo · Desafios do triatlo
Olá amigos e amigas, como é que estão? Já não venho aqui há muito, muito tempo, nem sei se ainda tenho podcast. Mas eu sei o que é que não tenho, não tenho música de intro, não tenho microfone, não tenho nada. Nem grande vontade ultimamente, porra pá.
Acho que já não vem aqui, não sei o número do episódio, mas acho que já não vem aqui. Está a fazer... Janeiro, Freire, Março, Abril. Está a fazer três meses. Eu acho que o último episódio ou foi a 17 ou a 27 de janeiro. Portanto, meu Deus do céu, sinto que já passou três meses. É pá, é impressionante. Três meses não é nada demais, é um bocadinho.
Mas não é nada demais. Mas parece-me já ter sido uma vida separada pelo tempo. Olhos d'água. Não me tem apetecido ouvir cá. E depois quando me apetece, não é oportuno.
Depois, quando, olhem, é como treinar, é como tudo na vida. Quanto menos, menos apetece. Quanto mais, mais apetece. Levem isto para o que vocês quiserem. Percebem? Cada um sabe de si. Mas, como não tenho vindo, depois parece que já não sei fazer, já não me apetece. Não tenho música, não tenho nada. E arrancar com o podcast de outra forma.
Fiz uns contactos, foram bem recebidos, só que é muito difícil. Tendo depois toda uma logística de vida, fazer coisas, conciliar, conciliar agendas, estão a perceber? Já a minha agenda, eu não me oriento com a minha agenda.
Quanto mais com a agenda do convidado, quanto mais com a agenda de produção. Eu acho que lá no fundo é uma ideia que eu gostava e que tinha pernas para andar, mas quando eu me ponho a pensar a sério, vai embora a ideia e fico três meses sem vir. Até estou a gagojar.
e pronto, olhem sinto que não sou, já não sou a mesma pessoa de há três meses, meu Deus mas não mesmo não mesmo meu Deus, muita terapia nesta cabeça continuo a partir pedra ainda hoje lá estive nem era para ter estado mas foi assim um bocadinho em cima da hora primeiro
Se calhar também, não sei se vim gravar podcast um bocado por causa disso. Quer dizer, não é por causa disso, mas pensei... Não sei, se calhar gostava de falar sobre isto, mas no fundo... Eu já falei sobre isto na terapia e com amigas hoje. Mas... Amanhã... Isto vai sair amanhã, não é? Sábado, fim de 5 de Abril. É o dia de anos do meu pai.
E o ano passado foi o primeiro aniversário que passámos sem ele e eu fiz uma festa lá onde era a casa onde eu vivia, com a minha mãe. Fizemos uma festa com a família, com amigos, com bolo, porque eu acho importante e faz-me sentido celebrar a vida que as pessoas tiveram e continuar a celebrar a pessoa.
Eu acho que estive sempre cá, estive sempre de folga. Não me lembro de estar a trabalhar num 25 de Abril, não sei. Pelo menos nos últimos anos não me lembro mesmo. Mas este ano estava a sentir que queria zerpar daqui para fora. Então ia trabalhar.
não ia estar, por vontade minha, não é?
Porém, isto foi muito giro, porque eu acho mesmo que preciso disto em vários setores da minha vida, que é perceber que não controlamos absolutamente nada e que não estamos mais seguros por acharmos que controlamos a vida, as ondas do mar, o vento, sei lá, não controlamos nada.
então ontem pronto, tive a notícia que a minha última avó faleceu não gosto muito de dizer faleceu, prefiro dizer morreu morreu e pronto, não fui trabalhar aliás não vou amanhã quando isto sair, porque vai ser o dia do velório e do funeral
Esta avó, que era a mãe do meu pai, portanto, decido escolher, acreditando eu que isto, não sei se as pessoas escolhem, se não escolhem, mas eu acho que depois às tantas tudo faz um bocado de sentido, mas decidiu aqui mostrar-me.
que nós não mandamos nem comandamos em nada da nossa vida, nada. Podemos ter umas breves epifanias de controle em que parece que estamos aí no comando, mas nós não comandamos nada, pá. E então, quão estranho é o funeral da minha avó, mãe do meu pai, ser no dia de anos do meu pai.
Esta minha avó, e isto também tem sido muito importante para mim, e eu acho que hoje fui à terapia praticamente só para falar disto, nem achava que ia ser, mas pronto. Isto também me vem mostrar, porque no último ano e meio, a minha avó estava num lar e eu não a fui ver, por opção.
Olha, eu nem sei se é cobardia. Acho que é por opção de não querer lidar. Quando ela me perguntasse, porque ela já estava um bocadinho taralhoca, pelo filho, sendo que o meu pai foi o segundo filho dela que morreu antes dela, eu não queria lidar com o facto de ou ter de mentir e dizer que estava melhor ou que estava pior ou que ainda estava entornado.
não queria lidar com esse facto e também não queria dizer a verdade eu e a nossa família mais chegada porque achámos que não valia a pena ela saber da morte de um segundo filho quando é informada de tudo e mais alguma coisa e passado 15 minutos está a perguntar outra vez porque já se esqueceu então acho que não valia a pena várias vezes durante um ano e meio
dar a mesma notícia então fugi um bocado disso e isto é mesmo tema de terapia só não me vou alongar que é um bocado chato e não tenho interesse mas eu tenho muitas convicções e julgo muito, muita coisa embora não diga
muitas coisas guardo para mim mas sou muito rígida nos meus pensamentos, na minha justiça e na minha verdade e estou agora a lidar aqui com esse contrassenso com o que eu vivo muitas vezes do que é que está certo o que é que está errado, o que é que eu vou fazer se fossem os outros a fazer o que eu estou a fazer o que é que eu achava mas como sou eu e eu sinto o que é que eu estou a fazer
da forma que sinto, não é? Então, meio que está justificado, as questões da culpa, essas coisas todas. Então, hoje fui partir um bocadinho de pedra, mas foi espetacular também, está a ser espetacular também perceber que não controlamos porra nenhuma. Pronto, ok. Já percebi que o 25 de Abril não é para não estar cá.
Estou a perceber também que quero e preciso de ressignificar o dia de anos do meu pai para que a partir da manhã não seja apenas o dia do funeral da minha avó. Eu não estava muito ligada a esta avó, não tem nada a ver com a outra avó que morreu vai fazer dois anos.
mas não deixa de ser a minha avó, não é? E gostava muito dela. Mas isto tudo até... Epá, não sei como é que são as outras pessoas, mas o meu pai morreu há um ano e meio. Eu estou sempre a pensar no meu pai ainda. Não sei quando é que isso vai acalmar, não sei se vai acalmar, não sei quando é que acalma, mas eu todos os dias penso no meu pai e várias vezes ao dia associo muitas coisas ao meu pai.
portanto estou a associar também a morte desta minha avó à morte do meu pai e ao meu pai ou seja, mais do que estar triste porque perdi a minha última avó estou triste quer dizer, estou triste
eu por um lado não estou bem triste porque eu acreditando que as pessoas depois estão todas juntas na nuvem talvez tenha até um certo conforto em pensar que a minha avó foi ter com dois dos seus filhos dois dos seus três filhos, acho que isso é fixe e isso até me deixa assim ok, fixe ainda por cima no dia de anos do meu pai pronto, isso é fixe não, não, não
Por outro lado, pronto, associo um bocado...
Esta morte, depois há a morte do meu pai também. O mês passado fui a um funeral do pai de um amigo meu, que foi precisamente no sítio onde foi o funeral do meu pai e o velório. E eu tenho de desconstruir que isto não é tudo sobre mim. Mas eu levo tudo e mais alguma coisa para... Quer dizer, o que tem a ver com isso, obviamente. Famílias, pais, mães, perdas.
levo muito tudo ainda para a morte do meu pai e para a falta que o meu pai me faz e pronto e então sinto que a morte desta avó também está muito associada a isso por também ser a mãe dele estou calma
E não estou a sentir culpada da decisão que tomei de não fazer visitas ao lar depois da morte do meu pai. Chamemos-lhe o que quisermos, não sei o que é que foi. Quer dizer, sei o que é que foi, foi não querer lidar com. Sempre achei que me ia sentir depois culpada, mas por outro lado também estava com consciência daquilo que estava a fazer.
e estou tranquila o que me deixa o que me deixa pronto, em paz, isso é fixe e pronto, a terapia hoje também foi fixe porque eu tenho sempre muitas teorias e tenho aqui uns primos que estão a ser mesmo muito queridos comigo e generosos das conversas que já tivemos e estou a aprender e eu tenho aqui
Com eles. Engraçado. E pronto, amanhã é dia de funeral, 25 de Abril, forever. Liberdade sempre, não sejam extremistas. Nem populistas, nem otários. E sejam 25 de Abril, forever and ever.
e pronto, já não venho aqui desde maratona ainda hoje entrei para um sorteio para uma maratona disse que não ia correr mais nenhuma maratona na vida mas já não venho aqui desde Sevilha Maratona de Sevilha já não sou mesmo a pessoa de pré-maratona de Sevilha
E pá, e a maratona, as maratonas são mesmo como a vida. Foda-se, é impressionante. Desporto de endurança eu acho que é mesmo como a vida. É mesmo fodido, amigos. Pronto, vivi o que tinha de viver. Para quem não treinou para uma maratona e achou que...
Taxa de Basófia ao mais alto nível e isto vai-me sempre correr bem porque ainda não me correu mal. Claro que me correu mal. Ali a partir do quilómetro 26, 28, duro.
duro, duro, duro, duro, duro, a partir do 30 e tal, já não sabia quem é que era, acho que foi a primeira vez numa corrida, numa prova, acho não, foi a primeira vez numa prova, sem problema nenhum para vocês se o fazem, eu não gosto de fazer e sempre tentei não fazer e nunca tinha feito até lá, mas também foi uma bela lição que eu tirei dessa maratona, primeira prova em que caminhei, primeira prova de corrida em que caminhei.
eu sou adepta que nas provas de corrida é para correr, não é para andar. Portanto, a não ser que percamos os sentidos, é para correr. Não consegui. Ali a meio do quilombo, não sei, foi para aí a partir do 34, 36, mas sei que no 36 caminhei uns segundos.
tipo um minuto se calhar, não sei e mandei uma mensagem ao Ivan que já tinha acabado a maratona a dizer estou a começar a intercalar caminhada concorrida, não sei se vou acabar acabei foi o meu pior tempo à maratona nesta terceira maratona
até tenho, é pá, não é vergonha, mas podia me ter preparado melhor, até tenho vergonha então tenho o privilégio de me inscrever para uma maratona e cago nos treinos porque estou farta de correr e porque teve muito tempo vento e chuva pá, foda-se, não é? MAF, cotária, cotária
Mas pronto, foi uma aprendizagem também essa maratona. Enquanto me lembrar dela, não me inscreve mais nenhuma por hoje. Até hoje, não é por hoje. Até hoje que me inscrevi numa por sorteio. Pá, adorava. Ainda por cima vai ser dia 25 de Abril do próximo ano. Pá, amava. Amava. Amava. Amava.
Acho que não vai acontecer, obviamente, mas amava. Se calhar devia visualizar esta merda para acontecer. Já nem sei, depois de maratona o que é que aconteceu. Já aconteceram umas meias maratonas, umas corridas 10 km e... Caralho, me foda. A minha primeira prova de triátilo. Eu acho que nunca aprofundei bem aqui o tema.
porque ai filhos para que é que eu me meto nestas merdas não tenho palavras para isto então a corrida só não chegava estou farta de correr estou farta de coisas que me levem ao limite então vou para o triatlo para além disso ainda tenho pânico
fiz a minha primeira prova pronto, meti-me no triátilo para começar, obviamente que o Ivan foi aqui o grande a minha inspiração vamos vomitar foi a minha inspiração acho que estar assim ao lado de alguém que faz algumas provas de triátilo de já longo
Tem duas hipóteses, eu acho que já devo ter dito isto aqui, há alguns no caminho que é ou odeia e vai separar porque vai dar merda constantemente, ou começa a achar uma certa graça ao sofrimento e à dedicação e depois também quer igual para si. Pronto, foi o meu caso.
Quero igual para mim, já mesmo ao início de correr, ao fim de um ano de corrida, eu achava que tinha uma certa graça, porque apercebo-me que gosto de coisas que me metem medo, foda-se também, não é?
não sei explicar isto mas que me leva a um certo desconforto o que me leva a um certo desconforto e a um certo sofrimento parece que me atrai um pouco pronto, então meti-me no triáculo bike, primeiro andar de pedaço com pés solos, depois encaixar os pés depois comprar um fato depois começar a inscrever-me em provas
depois rolos, depois pânico de ir para a rua, andar de bike, depois ir ao mar a primeira vez, uma semana antes da primeira prova, pânico total, porque eu tenho medo de mar, porque já ia morrendo afogada, então um bocado tenso para mim.
E no dia pré-prova fui fazer o triátulo de quarteira, distância sprint. Das distâncias mais curtas, existe, sei lá, super sprint, sprint standard, 70.3, full. E pelo meio se calhar há mais uma distância, que agora me estou a esquecer. Olímpico. Será que o Olímpico é o super sprint?
Vamos esquecer o super sprint. Olimpícic sprint standard. 70.3. Full. Será que é isto? Não sei do que falo. Sou nova nisto, ok? Pronto, fui fazer um sprint. Quarteira. Uma prova do campeonato nacional de triatlo.
750 metros a nadar, 20 bikes, 5 a correr. Estou forte a correr, estou forte. Esta semana, por acaso, só treinei uma vez, talvez amanhã, para esparcer um pouco pré-funeral, talvez vá dar uma corrida, para chorar tudo o que tenho a chorar, e depois estar calma e adulta no funeral.
mas esta semana é complicada porque estou aqui numa fase de mudança de vida e não tenho mesmo tido tempo, não tenho mesmo tido tempo e estou extremamente cansada, mas faz parte e está a ser boa esta mudança.
Mas estou forte na corrida, pá. Treinar bem dá resultados. Agora, eu achava que era um nojo a nadar, e sou, mas sou um nojo maior a andar de bike, porque tenho muito medo. Por acaso, na segunda-feira fiz ali, linda a velha, estoril. Ai, tenho que emocionar. Que horror. Desculpa, já tinham saudades.
eu borro-me eu tenho pânico eu nem consigo engolir fico com a boca boa seca tenho mesmo muito medo de andar na rua se for tipo melides campo poucos carros até gosto bastante tenho medo de estar em cima de uma bike foda-se de pés presos no dia pré-prova que ir pela primeira vez foda-se, não é?
já percebi porque é que se cai eu antigamente não percebia só caímos parados quer dizer, a maior parte das vezes caímos quando estamos muito devagarinho ou parados claro, e assim esfulei-me toda
Mas pronto, eu achava que era um nojo a nadar, mas sou um nojo ainda maior a andar de bike, por causa do medo e da minha tensão. Mas foi muito giro à prova, correu-me bem. Eu achei que ia desistir na natação ou que não ia cumprir o cut-off. Mas consegui. Mas sou uma merda, pá. Eu não devia dizer isto de mim.
porque depois começa a acreditar mas sou mesmo, eu sou mesmo uma merda eu a correr estou fixe mas o resto, pá porque é que eu me meti nesta merda? e agora para o mês que vem tenho outra prova agora vai começar a festa das provas e das corridas e do caraças e entusiasma-me bastante estou-me a cagar, tipo sou uma merda mas vou na mesma, toda confiante e e e
Eu acho mesmo que aquilo que estava a dizer no início, eu já não sou a mesma pessoa do que pré-maratona. A maratona e este início de treino a full patriátilo, isto é transformador.
Foda-se. Mas para a vida. Só não estou a perceber. É que parece que andei a engordar. Em vez de emagrecer. A treinar que nem um cão. Tipo todos os dias. Olho para o meu relógio. Tipo as calorias. Mas pronto. Também talvez não esteja a comer da melhor forma. Neste último mês. Mas pronto. Montes de mudanças de vida. Portanto.
Não tem sido fácil, tem sido uma vida um bocado corrida, um bocado cansativa. Pronto. Mas tenho treinado muito. Desde a maratona, a maratona foi ali a meio de fevereiro.
Portanto, desde o início de março, o março inteiro e o abril inteiro, assim dois meses, foi quando comecei a treinar para triátilo full time com as três modalidades. Estou muito consistente e sai muito do pelo e estou a gostar muito que isso esteja a acontecer. Não percebo o porquê, talvez um dia.
que coisas que me causem desconforto e que eu acho que sejam difíceis ou que sejam duras de cumprir tipo, sei lá, vou trabalhar às oito da manhã nesse dia não posso treinar então, pronto, já tem-me acontecido, não é? acordo, tipo, acho que também estou a andar de bike nos rolos pronto, ter essa logística dura não sei porque dá-me não sei o primeiro
dá-me, não sei pá, dá-me power, dá-me, não sei explicar, tenho sensações boas por sentir que estou a fazer coisas que são puxadas e que me saem do pelo.
terapia é precisa mas pronto e acho que é isto já aconteceram montes de merdas agora não sei explicar, o Ivan já foi fazer o triátil de Setúbal, eu já fiz essa prova já fomos correr os 10 km da Rábida aos 10 km não sei do que, a meia da 25 da Vasco da Lama ou da 25 de Abril da 25 de Abril montes de corridas montes de merdas, tipo vida a rolar E aí E aí
e tem sido bom estamos fortes pronto e agora é fazer aí uns triatlos de sei lá os que vão a vendo os que vão a vendo é fixe é muito fixe tenho também descoberto que gosto de nadar é um bocado estranho porque eu a minha cabeça desliga mesmo na natação estou-me só a concentrar
Sorry, estou-me só a concentrar no barulho da respiração e naquela música. A minha cabeça desliga um bocado, é fixe, adoro, estou a adorar. Continuo a odiar as velhas da natação, o gangue das oito e das nove filhas da... Foda-se, que velhas de um cabrão, meu. São mesmo fodidas as velhas da hidroginástica.
Elas acham que aquilo é tudo delas. Elas podem empurrar. Elas podem passar à frente. Elas são umas cabras. Foda-se. Mas pronto. Acho que é isto, amigos. Acho que é isto. Acho que também o que é que tenho mais para dizer.
Acho que é isto. Tive aí uma situação, caralho, também. Não quero expor muito, mas... A minha sogra, na Páscoa, teve um grave problema de saúde. Olhem, filhos, dou-vos esta. Quando tiverem infecções urinárias, é para ir logo ao médico. Não é para deixar andar. Por causa de uma infecção urinária, a minha sogra teve a bater a bota.
de septicémia, porque os rins deixaram de conseguir drenar a urina, que se espelhou pela corrente sanguínea, septicémia, e posteriormente choque cético, que será o estado, o estádio merda mais grave que acontece após septicémia, ou dentro de uma septicémia, não sei termos. Portanto, esteve a bater a bota.
ligada às máquinas e também foi um momento de reflexão porque basicamente houve ali um dia ou dois que lhe fizemos o funeral, não é? Começámos a pensar como é que ia ser a nossa vida sem ela porque do hospital o feedback era corre sérios riscos de vida preparem-se para o pior e foi na Páscoa foi, ai filhos, foi mesmo olhem, morte e ressurreição não, não
Estão a ver o que aconteceu a Jesus? Aconteceu à minha sogra. Podem-lhe chamar Jesus a partir de agora. Jesus e Isabelinha. E depois, como por milagre, teve uma recuperação super rápida. Não sabia que gostava tanto daquela mulher. Foda-se!
Depois eu também ia trabalhar, ia para fora, então no segundo dia, aquela de internamento, pedi para ser eu a ir vê-la. Só podia ir uma pessoa por dia, nos cuidados intensivos.
E como eu ia para fora e não sabia se ela, se quando voltasse, tinha sogra ou não, fui vê-la, pá, porra, e depois, quando a vi, depois, passado uns dias, uns tempos, em casa, ai, filhos, apareceu uma Madalena arrependida, agarrada à mulher a chorar, eu não sabia que gostava tanto dela, e disse-lhe.
E ela disse, mas eu sabia que gostava tanto de ti. Caralho, pá, que dureza, é uma dureza. E lembrei-me, obviamente, também do meu pai, não é? Às vezes temos aquelas teorias, é isso, é, ai, se ganharmos um euro a milhões, o que é que vamos comprar? É isso, ou teorias do piso, de, o que é que será pior? Uma morte com doença lenta, em que tens tempo para te preparar, ou uma morte rápida, em que não sofres durante os meses?
não experienciei a morte mas experienciei o pré-morte que depois deu em ressurreição, graças a Deus ai filhos, sabem tive um ceninho de do que é que podia ser uma morte sem aviso e sem sofrimento e sem preparação e caralho, não sei se não é pior
E eu acho que é muito mal estar mesmo a sofrer à espera que uma pessoa morra. Quando sabemos que é isso que vai acontecer. Pronto, como foi o caso do meu pai, por exemplo. Tipo, paliativo, já sabemos. É mesmo só prolongar a dor. Mas não sei.
Também não temos de escolher, não é? Porque estas teorias de merda não servem para nada. Portanto, é isto. Não sei se tenho mais alguma coisa a dizer. Acho que não. Entretanto, filha que fez anos, filho que vai fazer anos.
Olhem, é a vida a seguir. Terapia, terapia, terapia. Treinar o mais possível. Descambo logo quando não estou bem. Emocionalmente, comida é impressionante. Ontem e hoje, claro. Claro como a água das Maldivas. Se não me apetece ir para a merda. Mas pronto. Também estou a aceitar.
Vou-me embora, vou dormir, que já é tarde. Tenho de dormir, tenho de descansar a cabeça que amanhã vou ter um dia tough. E ainda gostava de saber como é que vou ressignificar o 25 de Abril pós-funeral. Tenho de descansar um bocado a cabeça. Contei, não descansei nada e estava de puto, sozinha com eles, quando soube. E é isto. Vou-me embora.
Voltarei. Voltarei. Sim, voltarei. Voltarei. E não voltarei daqui a três meses. Nem daqui a três semanas. Talvez volte daqui a três dias. Para ter isto também. O que é que eu tenho para dizer daqui a três dias? Voltem breve. Beijinhos. Portem-se bem e marquem terapia.