O PTRR visto a partir de Leiria
Veio o vento e a chuva. Vieram a “Krirstin”, o “Leonardo” e a Marta. Voaram telhados, morreram vizinhos. O Governo fez promessas de ajudas rápidas e auto-elogios e, no dia 28 de abril, apresentou o PTRR, um plano de médio e longo prazo para todo o país. Mas no distrito de Leiria (e noutras zonas do país) ainda há estradas cortadas, pessoas desalojadas e empresas em dificuldades.
Passados quase 100 dias do início do comboio de tempestades , e Expresso está esta semana em Leiria preparar uma edição que quer mostrar que não nos esquecemos de quem ainda não recuperou. E a Comissão Política também se reuniu a partir daquela cidade para debater as necessidades das populações e as respostas do Governo.
Nesta edição do podcast feita a partir de Leiria, mas também ligado a Lisboa, participam os comissários residentes David Dinis e Vítor Matos e as jornalistas Paula Caeiro Varela, que acompanhou a apresentação do PTRR, e a Juliana Simões, jornalista da secção de Economia que viveu e tem família no concelho vizinho de Ourém, em Caxarias. A sonoplastia é de Salomé Rita e a ilustração de Carlos Paes, com ajuda de IA.
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David Dinis
Juliana Simões
Paula Caeiro Varela
Vítor Matos
- PTRR e TempestadesImpacto das tempestades em Leiria e Ourém · Promessas de ajuda do Governo · Plano de Recuperação, Resiliência e Resposta (PTRR) · Falta de mão de obra para reconstrução · População envelhecida e dificuldades de acesso a apoios
- Comunicacao PoliticaApresentação do PTRR como relançamento do Governo · Críticas sobre a comunicação do Governo · Financiamento do PTRR (novo vs. já previsto) · Comparação com governos anteriores (José Sócrates)
- Reforma constitucional e institucionalDificuldade em reformar o Estado português · Falhas na execução de apoios (ex: incêndios 2017) · Perda de técnicos qualificados no Estado · Desafios da arquitetura informática e IA no Estado
- Segurança pessoal e planejamento em tempos de criseMedidas do PTRR para gestão de calamidades · Necessidade de revisão constitucional para confinamentos · Alterações na lei de emergência e proteção civil
- ConsumidorCompra de sandálias · Adaptação a lentes progressivas
Veio o vento e a chuva. Veio a Cristine, veio o Leonardo e logo a seguir a Marta. Voaram telhados, morreram vizinhos e vieram promessas. Portanto, nós desde a primeira hora, quer nas ações preventivas antes do evento, quer no decurso do evento, quer nos momentos imediatamente seguintes.
Temos colocado todas as nossas capacidades. E autorelogias. Estes apoios estão a avançar com uma rapidez que não tem precedentes. Mas só o afirmamos para que se tenha a dimensão da tarefa que temos diante de nós. Todo o tempo que passa é sempre tempo importante.
Tudo aquilo que nós pudéssemos fazer até ontem, nós tentámos fazer até ontem. Tudo o que estamos a fazer até hoje, estamos a fazer até hoje. Tudo o que vamos fazer até amanhã é tudo aquilo que está ao nosso alcance fazer até amanhã. Passados três meses, ainda há estradas cortadas e empresas por reabrir. Há trabalhadores num regime de lay-off que não teve logo à partida os 100% prometidos. E, entretanto, foi prometido um plano.
E veio o plano. Este plano que vos apresentamos agora tem três pilares de uma ambição transformadora. O pilar recuperar, proteger e responder. É um plano que se desenvolve em 15 domínios e que compreende 96 medidas. São 22.600 milhões de euros.
Passados quase 100 dias do início do comboio de tempestades que assolou sobretudo a zona centro do país, aqui estamos em Leiria, para uma reunião especial da Comissão Política. Esta semana, o Expresso veio até esta cidade preparar uma edição que quer mostrar que não nos esquecemos de quem ainda não recuperou.
Nesta Comissão Política, estamos aqui em Leiria, eu, o David Diniz e a Juliana Simões, jornalista da secção de Economia, que viveu e tem família no concelho vizinho de Orem, em Caxarias. À distância, temos o Comissário Permanente, Vítor Matos. Olá, Vítor. Olá, olá, Política Junkies. E a nossa Comissária Intermitente, Paula Queiro Varela. Olá, Paula.
Olá a todos. Sejam todos muito bem-vindos. Olá, Juliana. Olá, Viva. Olá, David. Para quem nos está a ouvir, eu e a Juliana estamos numa sala e o David está ali na nossa redação especial aqui em Leiria, no mercado de Santana. Isso mesmo, com muito calor humano. Olá a todos. Olá a todos, muito bem-vindos todos.
Olá, eu sou José Maria Pimentel e sou autor do podcast 45 Graus. No 45 Graus trago para o microfone especialistas e pessoas com ideias que vale mesmo a pena ouvir sobre temas como ciência, economia, política, filosofia ou sociedade. Sempre de forma descontraída e com tempo para conversar. É um espaço para aprender e pensar sobre o mundo de forma mais crítica. Novos episódios a cada 15 dias. Procure 45 Graus em qualquer aplicação de podcast.
Juliana, deixa-me começar por ti. Passados estes três meses, quase cem dias, e conhecendo-te aqui a zona, o que é que as pessoas mais precisam neste momento?
Muito mais obrigada pelo convite. Eu acho que, em primeiro lugar, estas pessoas precisam de ser ouvidas. Eu acho que a tempestade que o ensino veio aqui evidenciar um problema que não é novo, que é o facto de existirem regiões que são várias vezes isoladas, regiões estas que também precisam da nossa ajuda e que precisam, efetivamente.
de apoio. Isto também é uma reflexão que podemos fazer enquanto jornalistas, podemos pensar que de facto Portugal não é só Lisboa e Porto, há muito mais Portugal além disso e de facto esta tempestade deve evidenciar tudo isso. Quando falamos da tempestade de Cristin também recordamos certamente da região de Leiria que foi efetivamente muito…
muito falada e é um facto que foi muito investigada, mas a verdade é que o Conselho de Oren também foi um dos conselhos mais afetados, por exemplo, dados do mês passado mostravam que havia 17 casos de pessoas deslojadas, sendo que destes 17, 3 casos eram casos mais graves em que as casas teriam que ser construídas de raiz, portanto estamos a falar aqui de uma dimensão.
enfim, bastante significativa. Eu, de facto, sempre vivi naquela região, nunca vi nada assim, costumamos nós jornalistas às vezes escrever sobre desgraças que acontecem aos outros, mas de facto, quando nos toca, enfim…
É um choque, sem dúvida. Mas fora este ponto também do facto das pessoas precisarem de ser ouvidas, há também aqui um ponto muito importante que tem a ver com a falta de mão de obra. E isso acho que foi o problema que mais se evidenciou desde cedo.
porque de nada valem apoios, dinheiro, se não houver pessoas que efetivamente consigam ajudar. E isso verificou-se desde cedo, portanto estamos a falar de problemas relacionados com telhados, com…
com casas completamente destruídas, na verdade, quintais, etc., pessoas que precisavam de mão de obra, de pessoas que ajudassem, enfim, a repor todos estes estragos. Aliás, eu lembro-me…
do presidente da Câmara de Orem, Luís Miguel Albuquerque, visivelmente emocionado numa entrevista, acho que era à CNN, em que ele dizia, não, isto foram alguns dias depois da tempestade, que ainda havia 70% da população sem eletricidade, e ele mostrava-se mesmo emocionado porque não havia quem ajudasse, não havia equipas suficientes, nem redes, nem mesmo das telecomunicações, que pudessem ajudar.
Posto isto, também é preciso termos em consideração que, quando falamos do Conselho de Orem, cerca de 30% da população tem 65 ou mais anos, portanto estamos a falar de uma população muito envelhecida, que ela por si só não consegue, enfim, dar, no fundo não consegue…
todos estes problemas, portanto há problemas bastante graves, aliás nós vimos várias notícias de pessoas mais idosas que subiram a telhados e que efetivamente as coisas não correram bem, houve infelizmente mortes a lamentar, portanto…
Acho que no fundo são estes grandes problemas, as pessoas sentem-se pouco ouvidas, pouco apoiadas e de facto há muita falta de mão de obra e é por isso que ainda vemos, basta fazer aqui um pequeno trajeto nesta região, ainda percebemos que as marcas ainda são muito evidentes.
E foi com marcas evidentes ainda de destruição que o Governo apresentou na semana passada o PTRR, um plano de recuperação, resiliência. Paula, tu que estivestes nessa apresentação, eu gostava que nos explicasses um bocadinho.
o que é o plano, mas sobretudo o que foi aquela apresentação, o que é que a apresentação deste plano representa para o governo? Olha, eu acho que não pode desligar-se do facto de o governo estar…
Aqui prestes a fazer um ano este segundo governo e ao mesmo tempo de estar a fazer dois anos desde que Luís Montenegro é primeiro-ministro e não pode desligar-se sobretudo da forma como a resposta…
às tempestades foi percebida, ou seja, todas as coisas que percebemos que correram mal, a falta de coordenação, toda a consequência de desgaste político que isso teve para o governo, que chega aqui a esta altura em que o Luís Montenegro faz dois anos nas funções de primeiro-ministro.
e já teria a ideia de um plano de comunicação para marcar, obviamente, esta…
data redonda, e já sentia que precisava de fazer de alguma forma um relançamento de ímpeto reformista, porque todas as circunstâncias políticas em que aqui chegámos não eram particularmente favoráveis. Enfim, eu sei que por causa das tempestades, obviamente, a nossa atenção mediática ficou muito focada nesta questão, mas havia problemas antes.
no país e para o governo e portanto isso era percebido e havia já uma intenção de de alguma forma nesta altura tentar relançar o governo, era assim que se pensava dentro da… Portanto o que estás a dizer é que o PTRR não existe só porque houve tempestades. Não, quer dizer, o que eu quero dizer é que aquela cerimónia de apresentação e este momento político e a escolha para…
englobar tudo neste plano, que não é apenas um plano de resposta às tempestades, é uma coisa de longo prazo, em que há uma data de reformas que já estavam previstas, como sabemos, de resto no programa do governo. Havia medidas que já estavam previstas, os planos de água que une, que Luís Montenegro foi anunciar de novo nessa cerimónia como…
Fazendo parte do PT-R-R, há várias medidas que já… Sim, há água que já vem do último congresso do PSD, ainda no anterior governo. E há mais medidas que já estavam previstas, há as alterações nas leis de emergência e proteção civil, nas leis de emergência médica, enfim. Há várias medidas que faziam já parte, incluindo investimentos como sabemos.
Eu acho que, o que eu quero dizer é que, do ponto de vista político, sentiu-se a necessidade de aproveitar este plano, este momento e esta…
este plano que o Governo anunciou há três meses, para fazer alguma coisa a mais. E aquela cerimónia foi muito isso, quer dizer, não houve propriamente sequer uma tentativa do Governo de fazer uma sessão de esclarecimento sobre o que era este plano ou de responder perguntas. Os jornalistas receberam…
um documentozinho com perguntas e respostas, não necessariamente aquelas que nós queríamos fazer, mas portanto aquilo que interessava ao governo comunicar, e fomos surpreendidos com uma coisa que obviamente não foi preparada naquela semana, porque aquelas cerimónias obrigam a uma logística, não é? A uma preparação, e nós só percebemos na altura que aquilo afinal era um…
Um acontecimento, era uma coisa de uma apresentação pública com 500 pessoas, debaixo da pala do pavilhão de Portugal, com um Portugal mais preparado, não é, que era ao fundo, que tinha as esquinas da bandeira de Portugal no mais preparado, ou seja, foi uma coisa perfeita para ser…
um momento de comunicação política do governo. E eu acho que isto não pode ser desligado de tudo aquilo que vinha de trás. David, foi um momento de marketing político como a oposição veio denunciar, criticar?
Eu quero ser justo e dizer que não é apenas marketing político, também não acho seja isso que a Paula estava a dizer. É evidente que em momentos destes o marketing político é uma componente importante da ação do Governo, acho que se as coisas não forem bem divulgadas não têm o seu efeito, full stop para aqui esta parte. O que é que me parece que o Governo…
Onde é que eu acho que o governo falha? Até do ponto de vista depois da própria comunicação política, eu acho que esse é um problema sistemático. Há tanta preocupação com a mensagem, com a maneira como ela passa, que depois cai no... O governo acaba por cair no espectro de querer tapar o sol com a peneira em algumas coisas. O que é que eu quero dizer? Um exemplo muito claro disso é uma entrevista que Castro Almeida...
continuo a pensar ser um dos ministros mais experientes e interessantes deste governo, deu ao público nesta segunda-feira. Onde, na verdade, no momento ele diz que 96% deste PTRR...
São financiamento novo. E sistematicamente os jornalistas perguntam-lhe, mas olha, essa outra medida que está a falar ela já estava prevista e ele insiste nos 96%. Há adnóseo como se aquilo fosse uma evidência, quando evidentemente não é. Querendo com isto eu dizer. E não consegue explicar, não é? Não consegue explicar. Acaba só a repetir essa mensagem.
Porque não há outra maneira de explicar que não seja dizendo a verdade. É claro que havia várias peças, ou que há várias peças deste plano, que já estavam previstas pelo governo, que já tinham linhas de financiamento previstas e que foram aqui incluídas porque fazia sentido. Na maioria do programa, dizer isto era dizer a verdade. E não tinha nenhum problema. Não tinha mesmo nenhum problema.
E insistir que todo ela é novo e tentar apresentar números mostrando que é uma coisa, uma peça inteiramente nova, é não só faltar à verdade, como um exagero que lhe tira eficácia. Vamos lá ver.
Aquilo que aqui temos é globalmente uma coisa que faz sentido. Ou seja, quando o Governo pensa num plano há vários anos, que começa neste ano de 2026, sobretudo com as verbas destinadas a, e que já sabíamos que existiam ou que estavam previstas, para fazer face ao que aconteceu, mais imediatamente na zona. Mas depois se alarga em dois níveis, um até ao final da legislatura, outro para lá dela.
Tudo isso é planeamento de políticas públicas e isso faz todo o sentido. O governo ter, elencar em calendário mais ou menos quais são os prazos para cada uma das medidas, ter muitas delas previstas para robustecer o país para que em novas crises não tenhamos o mesmo tipo de problema, ele possa ser mitigado ou haver linhas de orientação mais bem definidas, linhas de proteção mais consolidadas.
Tudo isso faz sentido. O que não é preciso é fingir que é tudo novo só para mostrar que é tudo novo. O que não é preciso é apresentar as coisas com uma série de buracos na mensagem que acabam por nos levar a acreditar que, na verdade, este documento ainda é um esboço de um documento, que, na verdade, é. E não tinha por... insisto.
Não tinha problema nenhum se o governo lidasse com isso, com transparência e alguma, como dizer, e alguma benevolência, não é? Faz parte, as políticas públicas vão-se fazendo, vão-se preparando, vão-se aliando, vão-se discutindo.
Ok, deixa-me passar aqui ao Vítor. Vítor, tu vês este mega plano como uma resposta aos apelos a reformas, a um governo mais reformista?
Depende do ponto de vista, Eunice. É claro que se tu meteres as reformas todas num plano compactado, num plano de reformas, que é um pacote, se quiser chamar-lhe um pacote de reformas que já estavam previstas, pode ser uma reforma ou um pacote de reformas. Ou então pode não ser nada, porque tudo...
se olharmos para tudo com tudo, acaba por não ser nada, e depois depende do que se conseguir daqui fazer. Mas pegando um bocadinho naquilo que eles estavam a dizer… E quais é que achas que são os riscos? Os riscos é isto de ser, enfim, um misto de um plano de marketing do governo de propaganda, não é marketing, é propaganda pura.
de uma série de medidas amalgamadas que estavam todas já previstas, ao contrário do que diz o Ministro da Economia ou na entrevista ao público. Essa é a parte que pode ser negativa, a parte que pode ser positiva é realmente o Governo conseguir implementar aqui aquilo que é de facto definidor e que prepara o país para o futuro e ao mesmo tempo recupera aquilo que foi destruído.
Mas deixa-me só fazer aqui uma nota dos aspectos que eu tive aqui a investigar. Do ponto de vista da área que eu acompanho e percebo mais ou menos, tudo o que tem a ver com a parte das Forças Armadas, uma ligação de militares à proteção civil e participação nas missões de apoio civil a catástrofes, aquilo para que eu olho aqui é tudo coisas que já estavam previstas.
modernização de veituras táticas, transporte, logística de emergência, infraestruturas de duplo uso, enfim, ciência e inovação para a gestão de riscos, enfim, pronto, defesa estratégica e ciberdefesa, a modernização das forças armadas no âmbito do SEIF, tudo previsto. Ciberdefesa.
algumas coisas que não estavam previstas para ser rigorosa estas que eu estou a falar que eu fui olhar para aquelas em que estava a ver agora, outra coisa interessante é cruzar este documento com aquilo que estava no programa do governo
que aí é que nós fazemos já aqui uma primeira, uma pequena triagem sobre aquilo que estava, é óbvio que isto tem que estar ligado ao programa do governo, e se nós perguntarmos isto a alguém do governo, pior seria que não estivesse ligado ao programa do governo.
Mas percebe-se que há aqui muito copy-paste no sentido de amalgamar aqui uma série de medidas e políticas que estavam já no programa de governo e pô-las aqui, como a desburocratização, o princípio que eles têm que é o once only, que é só de uma vez para entregar documentos e não serem repetidos.
a interoperabilidade na comunicação entre entidades públicas que uso também de inteligência artificial, o programa Água que Une, que é por causa de até uma das questões que os jornalistas do público colocam ao Ministro da Economia, os transportes estratégicos como o aeroporto, alta velocidade, etc., descentralização, enfim, uma série de medidas e com uma reforma do INEM e da rede hospitalar, quer dizer...
Concluindo, há aqui, e eu repito a ideia, um grande amalgamento de medidas que já existiam para fazer vista, quando se calhar o que era importante perceber era ter isto, digamos assim, expurgado daquilo que já estava previsto.
para nós percebermos exatamente o que é que é novo. O ministro diz que é 96%. Só das coisas para as quais olhei, não creio que a porcentagem seja essa. Parece-me que é muito... Deixa-me ir ali ao David, que estava a dizer que há uma... Deixa-me só rematar, dizer só uma coisa para rematar. E é, uma apresentação destas, debaixo da pala do pavilhão de Portugal, a mim faz lembrar os tempos das apresentações do engenheiro José Sócrates.
E bom, espero que a Paula não lhes caia na cabeça. Desta Paula ou a Paula? Ah, eu me apertei muito. Eu me apertei a câmera. E pronto, olha, isto é o castigo de vir. Estar aqui dos mal das pessoas. O céu em cima da cabeça. Eu espero que não lhes caias em cima da cabeça, Paula.
David, quando o Vítor estava a falar, tu estavas a contrariar um bocadinho a dizer que, apesar de tudo, há coisas novas. Que coisas novas são essas? Há coisas novas e há alguma definição. Coisas novas decorrem, por exemplo, da própria tempestade e das conclusões que se tiraram daquilo que aconteceu. Sei lá, as redes de energia, a E-rede, a REN, vão ter de investir num...
um programa para rebustecer as suas redes, que evidentemente não estava previsto, nunca ninguém tinha verdadeiramente pensado no país que fosse necessário. Ponto 1, ponto 2, a mesma coisa para as telecomunicações. Ponto 3, o próprio governo identificou algumas coisas, por exemplo...
na própria forma como a proteção civil e os outros organismos respondem a emergências que têm que ser corrigidos. É curioso porque isso significa que, na verdade, aquilo que o governo foi dizendo, tudo estava a correr bem, tudo tinha corrido lindamente, acabou por não ser exatamente assim, mas lá está, no PT-RR estão previstos não só alguns programas para revisitar todo esse comportamento das autoridades em momentos de emergência, que com...
Está previsto um montante, talvez 33 milhões de euros, para melhorar esse sistema de resposta. Tudo isso são coisas novas e eu, obviamente, não me di no essencial, acho que o Vitor tem razão, boa parte destas peças já estavam inicialmente pensadas. Imagino que o governo comece a rebustecer cada um desses eixos de atuação, há alguns novos, e não vejo nenhum mal em que tudo esteja compilado num documento que ajude.
governo e outro que venha a alinhar isto e a não perder o fio à miada. Agora, evidentemente, acho que o governo quis tanto comunicar uma coisa extraordinária que acabou por se perder no enredo que montou. Juliana, para quem olha daqui, planos destes, assim como o PTRR, dizem alguma coisa?
Eu acho que a população de Orem e da região centro não está numa posição de fazer grandes exigências, no sentido em que qualquer ajuda é bem vista. Quando falamos do PTRR, tem uma dimensão mais de curto prazo, nomeadamente a questão da reabilitação de edifícios.
Mas há aqui uma nota que nós temos que ter em consideração, que eu já tinha mencionado no início, que é perceber como é que estas pessoas conseguem candidatar também este tipo de apoio, porque uma vez mais nós estamos a falar de população envelhecida, muitos não têm acesso a tecnologias, a internet, etc, e grande parte dos apoios, e pelo menos isto foi um dos problemas iniciais, porque o governo também, desde logo.
lançou aqui uma série de medidas, mas muitas delas envolviam de facto aqui muita digitalização, muito conhecimento destas novas tecnologias, questões que estas pessoas nem sempre têm. Outro ponto também é a questão de se deslocarem às freguesias, etc, e também temos que ter a intenção uma vez mais que estas regiões não gozam de uma rede de transportes, enfim, tão robusta como de outras cidades. Falta também proximidade. Claro. Proximidade.
Como é que eu ia dizer? Faltam mais botas no terreno, no sentido de, se calhar, mais governantes a virem cá, mas também mais presença do próprio poder local? Sem dúvida. Eu acho que, aliás, Orem só é falado por duas coisas. Uma é o Papa vir a Fátima e outra, infelizmente, são os incêndios que é uma realidade que também, enfim, todos os verões enfrentamos esses problemas.
Mas, sem dúvida, vimos o Presidente da República vir cá, o Primeiro-Ministro, etc. E é, de facto, bom que haja esta proximidade. Mas, por isso é que dizia no início, é muito importante ouvirmos estas pessoas, percebermos realmente os problemas delas.
porque os nossos problemas não são os problemas destas pessoas, a nossa realidade não é a realidade destas pessoas, e portanto ter aqui um ponto, perceber efetivamente do que precisam é realmente importante. Há aqui medidas do PTR que fazem bastante sentido, nomeadamente no que diz respeito às telecomunicações, à existência da rede Starlink, quer se gostou ou não de...
de Elon Musk não deixa de ser medidas necessárias. E esta questão também de prevenir também é efetivamente muito importante, porque Portugal é aqui muito o país do desenrasca e infelizmente as questões relacionadas com catástrofes naturais são cada vez infelizmente mais frequentes e portanto esta capacidade de prevenir é importante e eu acho que a região.
ver com bons olhos tudo isso. Mas lá está, nós precisamos de ajuda agora e de medidas agora e portanto é de facto o esforço que temos que fazer e que o Governo tem que pôr olhos nisto. Paula, na edição desta semana, da passada sexta-feira, o Presto e o David escreviam sobre outra dimensão aqui do PTRR que é…
o governo querer, no fundo, ter mais autonomia para gerir situações de emergência. Como é que isso é possível? É uma questão que se chegou a colocar numa revisão constitucional que esteve em curso. É possível gerir situações de emergência de forma diferente, mesmo sem revisão constitucional?
Bom, essa era a nossa dúvida, foi isso que nos motivou a ir perguntar e aparentemente…
Neste instante o governo pensa que sim, sobretudo, na verdade o que o governo responde é que as medidas que constam do PT-R e algumas delas são essas a que estávamos a referir-nos, dessas revisões da criação de um regime integrado para responder a situações de calamidade não implicam revisão constitucional e portanto vão avançar sem isso.
Coisa diferente é saber se de facto algumas delas não precisam de ser, não implicam mexer na Constituição. E em relação à questão da emergência em saúde, daquilo que são os confinamentos e os problemas que foram suscitados quando foi a pandemia da Covid-19, porque os confinamentos implicavam uma restrição de direitos fundamentais, que era o direito da liberdade de circulação.
O PSD, já este PSD, esta liderança, apresentou uma proposta de revisão constitucional justamente sobre esse tema para permitir que os confinamentos passem a não ser uma questão inconstitucional como o Tribunal Constitucional na altura decretou. E portanto, eu não sei se é possível, o Governo parece acreditar que sim, mas há aqui esta contradição com…
com a própria proposta, sendo certo que também nos responderam que a própria proposta de revisão constitucional terá de ser revista e atualizada, não é? À luz de… até do tempo que já passou e portanto eventualmente o Governo ainda dará uma resposta a essa questão na segunda metade da legislatura. A verdade é que também estamos sempre a falar da revisão constitucional na segunda metade da legislatura, como se isso fosse uma coisa muito longínqua e não é.
porque entretanto daqui a um ano lá estaremos, não é? Portanto, enfim. A segunda metade começa para o ano.
Exatamente, portanto isto não obstante lá chegaremos e terá de haver respostas mais concretas, mas entretanto para já tem que ver com alterações na lei de emergência da proteção civil e portanto questões que já estão de resto em andamento e portanto mais uma vez voltamos a medidas que já estavam previstas e que agora se dá aqui este novo embrulho, se quiseres, e que se colocam também nesta…
Neste contexto de resposta às tempestades e às situações de emergência. Mas o Governo parece acreditar que é possível fazer essas alterações sem essa revisão constitucional, até porque essas alterações, segundo nos disseram, são de facto já para este ano.
David, deixa-me lembrar aqui um podcast que tu fizeste, penso que antes das últimas eleições, mas confesso que os ciclos eleitorais foram tão rápidos que já não tenho certeza. Não, mas não foram assim tão rápidos, foram mesmo as últimas eleições. Tu fizeste um podcast um bocadinho sobre a reforma do Estado e porquê que é tão difícil mudar o Estado.
As demoras que vão ser identificadas e alvo de várias queixas nas ajudas imediatas, a necessidade de reformas no PTRR, tudo isto também se explica por um Estado que é pesado e difícil de reformar.
Terrivelmente pesado, muito difícil de reformar se pensarmos no interesse de quem mais interessa, que são os cidadãos. Isso é correto? Parece-me muito evidente que, aliás, aquilo que tem acontecido aqui na região de Leiria, onde nós estamos, prende-se muito com essa dificuldade. O governo, é assim, vamos lá ver, vou recuar um bocadinho no argumento.
É muito, é razoavelmente fácil a quem está nos gabinetes ministeriais percorrer as muitas ideias que tem e fazer um documento. É muito fácil porque essas ideias são, quer dizer, hoje até um motor de IA consegue alinhar essas várias ideias, é pedir ao Copilot, pedir ao Comet, pedir aos Sets Apesar a dizer que o PTRR podia ser feito por inteligência artificial.
Claro que podia, não tinha nenhum problema, era ótimo, porque o Copilot ajuda imenso a sistematizar ideias e a fazer. É muito fácil, é verdade. Olha, o Paulo Portas teria feito um excelente programa de reforma do Estado. Se recorresse a mecanismos de inteligência artificial… Não sei se é preciso recorrer a Corpo 16.
Exato. Agora, qual é o problema? Não estou, obviamente, a tirar mérito ao Governo. Muitas das ideias que ali estão vinham do próprio Governo, portanto elas estão lá. O que eu quero dizer é, do ponto de vista de execução, as coisas falham muitas, muitas vezes. Vejamos uma notícia que faz manchete no Jornal de Notícias nesta segunda-feira.
Nos incêndios de 2017 foram prometidos apoios que em alguns casos ainda não chegaram às famílias que agora ameaçam por estar em tribunal.
E é nestas coisas, que eu ia dizer nestas pequenas coisas, mas parece que para cada uma dessas famílias são as coisas essenciais das suas vidas, é que o Estado não deve falhar. E eu creio que, por exemplo, no que respeita à alegria e na dificuldade de atribuir apoios muito pequenos, para a dimensão do Estado, não é? 5 mil euros, 10 mil euros, para reparações nas suas casas.
o Estado continua a repetir falhanços que aconteceram há um ano nos incêndios que assolaram a região centro, ou exatamente em 2017 nos incêndios anteriores. E o reforço do Cirespa é justamente uma das medidas que também está neste documento e que é tudo menos nova, não é?
Também, eu acho que essa tem, eu ainda estou para ver, acho que o governo anunciará esta semana o que é que vai fazer o assírio, tenho dúvidas que o que aí vem responde ao essencial, mas teremos tempo para ver isso com atenção. Não, mas isto é só para reforçar a ideia de que depois há dificuldades de execução de anos, porque há quantos anos é que nós andamos a ouvir falar?
E o ponto é, há muitas causas para isto, eu tratava disso nesse podcast, que começam com a enorme razia de bons técnicos do Estado que foram sendo perdidos ao longo da última década e meia, para dizer o menos, sobretudo desde o início da crise financeira. Tem muito a ver também com a dificuldade de recrutar para o Estado, e aqui já não estou a falar só de pessoal técnico, mas também de pessoal político que tem mais conhecimento sobre as coisas, tem a ver com as dificuldades.
da arquitetura informática do próprio Estado, com as dificuldades em usar, lá está, a inteligência artificial, que hoje já facilita a vida de muitas empresas. Há muitas pequenas explicações para a grande dificuldade do Estado em cumprir com coisas essenciais.
Eu, para ser sincero, acho que este governo está ciente disso, em muitas coisas. Acho que o Ministro das Reformas do Estado tem tentado atalhar alguns desses pontos, mas tudo isso demora tempo a concretizar. E este delay, mesmo partindo do pressuposto que o governo chegará lá...
Esse delay vai ser a missão mais difícil deste governo, porque até se conseguir passar do papel uma boa reforma, uma reforma, para a execução prática e conseguir ter daí efeitos, eu acho que o governo vai ter muito mais dificuldade nesse ponto do que em montar ótimos powerpoints para mostrar aos portugueses que têm ideias para reformar o país.
Sim, certo que este governo até diz que não governa por PowerPoint, apesar de... Não, não, é ainda mais do que isso, é que Luís Montenegro foi um líder na oposição e um líder parlamentar que sempre criticou essa forma de o governo de António Costa comunicar.
era muitíssimo crítico dos governos que se alimentavam, segundo ele, a apresentar powerpoints e depois não executavam nada. Era muito crítico dos governos que cortavam no investimento público e olha onde é que está o investimento público nos últimos 10 anos. Pois. É muito mais fácil falar de fora do que o que está por dentro, esse é sempre o problema, não é? Inevitavelmente têm todos no mesmo erro. E também não é o primeiro governo a querer fazer powerpoints e anunciar grandes programas. Têm todos no mesmo erro, Vitor Matos.
todos no mesmo erro, por isso é que eu estava a bocado a dizer que isto me fazia lembrar o Engenheiro José Sócrates que não se punha debaixo da pala do do Pavilhão de Portugal, sabe-se lá porquê mas era capaz de fazer uma apresentação sobre uma coisa que depois nunca aconteceu com um paraquedista com um senhor a cair de paraquedas e a entregar exatamente a pen para passar o PowerPoint ou então ministro das infraestruturas e fazer uma grande cena
Ora, este amalgamento dos 22 mil milhões de euros, 22 mil milhões de euros são 8% do PIB. Não é? Pois há aqui uma parte que é de fundos europeus. Pois, 22 mil milhões de euros é um terço. Um terço menos de um terço.
o que é que isto significa? Que uma parte depois é de privados, uma parte é de PPPs, uma parte é de fundos europeus e depois o Ministro explica, não, isto afinal do Estado é só não sei o quê e portanto isto em 10 anos para o Estado eu fiz aqui uma conta
Se fosse os 22 mil milhões de euros da Árava, 0,8% do PIB ao ano, o que para as contas públicas era difícil, mas o Sérgio Aníbal, que sabe fazer estas contas muito melhor do que eu, diz que para o Estado aquilo representa mais ou menos 0,3% ao ano.
O que, digamos assim, reforça a minha ideia, posso estar completamente errado, mas reforça a minha ideia que isto é uma enormíssima amálgama de coisas que são do Estado, que não são do Estado e que o próprio Estado depois não controla, para fazer aqui o enorme efeito de anúncio público.
E, quer dizer, eu digo isto porque eu acho que às vezes o problema não é o que está de bom, ou seja, não estou a dizer que isto é mau, mas um bocado dá de razão àquilo que diz o David, as coisas que estão lá, que são verdadeiramente importantes para aquilo que nós estamos aqui a ver e que é preciso extrair aqui aquilo que evidentemente é novo e...
e importante sobretudo de apoio às populações e às pessoas, fica tudo misturado numa série de medidas e de propostas e depois nós não conseguimos distinguir aqui o que é que é mais imediato e o que é que não é, até porque há aqui um problema de...
de calendarização que ainda é desconhecido, não é? E o que é que eu tenho de dizer? E até de quem vai liderar a nova agência científica que vai estar, ou supostamente monitorizar. Ainda há muita coisa para saber sobre a concretização deste plano, nós continuaremos atentos e colaborantes no escrutínio.
E vamos então ao que não nos sai da cabeça. E agora, Juliana, o que é que não nos sai da cabeça? Bem, comportista que sou. Temos pelo menos dois nesta edição da Comissão Política. Verdade, verdade, estou contigo, Juliana.
Tenho que dizer sem dúvida o campeonato, foram quatro anos sem ganhar o campeonato, portanto foi uma festa, eu sou da região de Bioran, mas nasci no Porto, portanto tenho aqui uma pequena veia norteanha e portanto foi uma grande felicidade, claro, o meu pai é que se...
Sportinguista se calhar não ficou assim tão contente, mas já ganharam dois campeonatos, não há pouco tempo, portanto já tiveram o seu momento de glória foi o meu momento e portanto sem dúvida foi... Estou-me a sentir insultada no meio disso. Eu e a Juliana estávamos a trabalhar na noite de sábado. É verdade, é verdade, eu disse, ajudou-me aqui deu-me aqui um tempinho para ir festejar os momentos.
Não, mas sim, é bom, é bom também estas celebrações, sei que houve alguns problemas, houve o tripulamento, não é? É só de uma terra. Exatamente, que é de lamentar e, mais uma vez, é importante que haja medidas a nível da segurança, mas sim, não falando de coisas tristes, aqui o que não me sai da cabeça é sem dúvida o campeonato do futebol. Juliana. Obrigada. A mim, eu sou só um alentejano lucido. Jesus.
Bem, então nós vamos ainda retomar um bocadinho da conversa e a Juliana vai à vida dela. E a ti, Vitor Matos, também é o porto que não te sai da cabeça ou qualquer outra coisa?
Não, o Porto, eu como sou mais velho que a Juliana, tenho mais memória e festejei tantas vitórias do Porto. Esta é só mais uma. Não estava esquecido, Vitor Matos? Não estava? Hã? Não estava esquecido? Não, não estava esquecido. Eu aos 13 anos festejei um... Um campeonato europeu. Um campeonato europeu, um campeonato do mundo, um campeonato nacional e depois daí, enfim, pronto. Havia uma altura que eu senti falta de superer.
percebes? porque senão aquilo já não dava pica o Vitor Matos já chega então pronto, o que é que nós falamos? não sai da cabeça olha Onísio, eu li o teu texto sobre o livro do José Fernandes eu fui à apresentação do livro já tinha conversado com ele sobre isto e a apresentação do livro foi muito como é que ia dizer? emocionante Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Letra Let
emocionante, emotiva, eu tinha muita emoção lá dentro, porque o José Fernandes é um colega nosso, que é fotógrafo, eu já fiz muitos quilómetros com ele a acompanhar campanhas eleitorais, é um grande companheiro e um grande fotógrafo e acima de tudo é uma excelente pessoa. E eu não digo isto de forma gratuita, não me fazer favores a ninguém.
E ele fez um livro. A mãe dele morreu em 2022. A senhora teve um processo de desligamento do mundo e de geração física lenta. Acabou por morrer de Covid-19.
E o Zé foi acompanhando essa fase da mãe, depois como filho, não é? Mas também quis ir registrando como fotógrafo. Claro que ele não fez isto para fazer um livro, não é? Essa fase. E a mãe, ao mesmo tempo em que se isolava do mundo, ia fazendo sopas de letras.
Daí que o livro dele seja uma justa posição entre as fotografias que ele foi fazendo da mãe e esses cadernos de sopas de letras, tanto que são facsimilados nesta pequena edição. E isto é incrível, porque tem a nota manual pessoal da mãe dele e depois tem as fotografias do Zé. E as fotografias são de um pudor.
e de uma beleza e de um poder e de um significado que mostram como ele fez um trabalho que não era um trabalho e ele não esteticiza aqui nem a mãe isto é difícil de explicar ele consegue fazer uma estética ética deste momento que é uma coisa dele para ele também para se reconciliar com estes momentos e ele disse-o lá na e ele disse-o lá na rua
na apresentação, mas só para dizer que é um trabalho muito bonito e não chamaria um trabalho, mas um testemunho.
muito bonito dos últimos meses da mãe dele e aqui um grande abraço ao Zé Fernandes e ele continua a ser como é, porque faz a falta de pessoas assim. E quem nos está a ouvir pode ver algumas dessas fotografias no texto que está publicado no site do Expresso. Paula Queiro Varela, a ti eu creio que não te sai da cabeça.
Várias coisas. Daquelas que se podem contar e uma que eu não tenho a certeza que não seja uma revelação para duas das pessoas aqui presentes pelo menos, é que já há data para o jantar que Vítor Matos prometeu.
a propósito de uma certa o David ainda não sabe ainda não foi informado o David e Anís ainda não estão informados não, Anís já sabe mas eu acho que é importante que os ouvintes assíduos deste podcast saibam que aqui as promessas cumprem-se isto é como os outros
Para já ainda é só uma data possível, mas acho que é importante irmos fazendo aqui este update. Vitor Matos vai cozinhar para esta equipa. Muito bom. Depois farás a reportagem, farás a reportagem. Sabes que o Vitor Matos foi eleito-chefe do ano, portanto. Justamente. E tu, David Diniz, o que é que não te sai da cabeça?
Então, fazendo batotas várias, três coisas e, por exemplo, muito sucesso em todas. A primeira é informar os excelentíssimos ouvintes desta Comissão Política, sobretudo os mais assíduos, mas também os que por cá vão passando, com prazer nosso, claro está.
que, respondendo a uma solicitação bastante antiga do camarada Vitor Matos, decidi este fim de semana esbuçar alguns motos para estender esta comissão política a alguma coisa mais comunitária. E depois, mais tarde, a seguir a falar com o Vitor Matos e o que eu nisso lereço sobre este assunto, com mais calma, direi mais sobre este tópico.
O segundo mote é, pegando na excelente recomendação do Vítor Matos, aqui deixada, e um abraço também ao Zé Fernandes, com quem aliás estou em Leiria, já lhe vou dar o abraço, que fui ver uma extraordinária exposição de fotografia no Porto, onde estava, e daí não ter conseguido ir...
responder ao convite do José Fernandes para estar com ele no fim de semana, uma exposição de Viviane Maier, que está no Centro Português de Fotografia no Porto, bem perto dos clérigos, mesmo ao lado dos clérigos, para quem quer não conhecer bem a cidade, que vale muito a pena visitar. A Viviane Maier foi uma fotógrafa nova iurquina que, na verdade, nunca expôs em vida e que só foi descoberta já depois de ter morrido.
É uma fotógrafa extraordinária, com um repertório magnífico sobre, sobretudo, vidas de Nova York e de Chicago, onde ela também morou. É altamente, altamente recomendável. E depois, por fim, deixo uma recomendação de um livro.
não consigo resistir a isso eu estava a ler o que vos falei aqui sabe vou errar uma semana sobre inteligência artificial que é um bom livro também mas acabei por pegar este fim de semana depois de o ver nas prateleiras e perceber que estava no clube num livro extraordinário que a Leia publicou há duas, três semanas em Portugal que se chama 1929
É sobre o grande creche da Bolsa de Nova Iorque, mas também sobre as similitudes entre essa crise enorme e, diz o autor, jornalista do New York Times, aquela que nós estamos a viver hoje. Eu ainda só estou a descobrir o livro, li 15% da obra, mas devo-vos dizer, é mesmo muito, muito, muito.
E a ti, Eunice Lourenço, o que é que não te sai da cabeça? A mim, tu que me percebes tão bem, Paula Caio Fanella, não me sai da cabeça que compras!
Já compraste as sandálias? Já comprei sandálias! Dois pares, dois. Dois pares de sandálias, uma já estriei e agora não me sai da cabeça que têm de arranjar a ocasião para estriar as outras, que são brancas e bastante altas e é preciso sol para pôr os pés ao léu.
E também não me sai da cabeça outra compra que fiz nas minhas folgas, que foram os óculos novos. Para quem me conhece e sabe que eu tenho uma graduação bastante elevada, na ordem dos 9,75, e que portanto sem óculos, muito aflita, vou partir para uma etapa nova da minha vida, que são as lentes progressivas.
Já comprei, estou à espera que cheguem, vão demorar algum tempo, ainda talvez na próxima comissão política esteja de óculos novos, mas não me sai da cabeça que será uma nova etapa e que estou desejosa de perceber se me vou conseguir adaptar bem.
E terminamos por aqui esta comissão política feita de forma descentralizada entre Leiria e Lisboa, com os cuidados sonoros da Salomé Rita, com a ilustração do Carlos Paes.
Venham até à Zona Centro, venham passear, ajudar, porque vir até aqui passear, comer, usufruir destes sítios também é uma forma de ajudar estas populações e fazer com que não se sintam esquecidas, que também tenham quem as ouça, como nos dizia a Juliana logo no início. Tenham todos uma boa semana.
Olá, eu sou José Maria Pimentel e sou autor do podcast 45 Graus. No 45 Graus trago para o microfone especialistas e pessoas com ideias que vale mesmo a pena ouvir sobre temas como ciência, economia, política, filosofia ou sociedade. Sempre de forma descontraída e com tempo para conversar. É um espaço para aprender e pensar sobre o mundo de forma mais crítica. Novos episódios a cada 15 dias. Procure 45 Graus em qualquer aplicação de podcast.