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Médico da LONGEVIDADE revela os hábitos diários que podem fazer você viver mais - Dr. Paulo Porto | Lutz Podcast #475

30 de setembro de 20261h6min
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Lutz veste Insider 👕 Desbloqueie o DESCONTO ESPECIAL utilizando o cupom LUTZ! #insiderstoreAcesse: https://creators.insiderstore.com.br/LUTZNeurocore: Sua saúde mental merece atenção!Acesse: https://www.clinicaneurocore.com.br/lutzpodcastDr. Paulo Porto é Médico Neurologista e Neurocirurgião.AS MELHORES PARTES DOS PODCASTS: Cortes do Lutz: https://www.youtube.com/@CortesdoLutzOFICIAL/LINKS DO EPISÓDIO:Insta do Paulo: https://www.instagram.com/ppmeloMais Informações: https://drpauloportodemelo.com/linkbioPUBLICIDADE:Entre em contato: comercial@lutzpodcast.comREDES SOCIAIS:Instagram do Lutz: https://instagram.com/lutzloboInstagram do Podcast: https://instagram.com/lutzpodcast

Participantes neste episódio2
L

Lutz

Host
D

Dr. Paulo Porto

ConvidadoMédico Neurologista e Neurocirurgião
Assuntos6
  • A medicina do estilo de vida e a individualização do tratamentoimpacto do estilo de vida na saúde·genética como piano·medicina de precisão·wearables e saúde cardiovascular
  • O impacto do mundo moderno e da alta performance na saúde mentalansiedade gerada pelo mundo·escravidão dos wearables·busca excessiva pela saúde·falta de bom senso e polarização
  • A individualização do tratamento e o autoconhecimento para a saúdeprotocolo não é universal·polimorfismos genéticos·exames de precisão·observação da própria reação
  • Fatores modificáveis que influenciam o risco de demênciaexposição cognitiva e socialização·tabagismo e etilismo·propósito de vida·balanço hormonal e sono
  • A importância da prevenção e educação em saúde para a populaçãocânceres evitáveis pelo estilo de vida·demência evitável pelo estilo de vida·redução de custos na saúde·educação física e nutricional
  • A busca por uma vida plena e independente na longevidadediferença entre lifespan e healthspan·viver com saúde e independência·construção de patrimônio e bem-estar·equilíbrio e balanço na vida
Transcrição112 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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DPDr. Paulo Porto

Ao menos 60% dos cânceres são evitáveis dependendo do estilo de vida. Demência, 45%. Nos interessa um tempo de vida independente, que eu consiga tomar meu banho, que eu consiga levantar e sentar da cadeira sozinho sem precisar de ninguém me ajudar, que eu consiga ter uma cabeça lúcida e assim eu consigo ler um livro e entender discutir com meus netos, etc. As pessoas estão tão doidas por conta desse mundo que ele é ansiogênico, ele gera ansiedade.

O cara quer dormir 8 horas e meia, ter 2 horas de sono REM, não porque isso é saudável, mas porque ele quer ganhar estrelinha lá no ouro. O cara vai correr, não é que ele quer correr 1 para 5 porque isso é saudável para ele, é porque ele quer estar ali entre o top 1%. Cara, você não precisa estar no top 1%. Existe uma nova categoria de doença que é isso, que é o cara que fica doente de tanto perseguir a saúde?

LLutz

Quero viver melhor, quero passar os próximos 20, 30 anos da minha vida da melhor forma possível. Qual que é o protocolo para essa pessoa?

DPDr. Paulo Porto

Então, o que que a gente tem que ter? Essa é a chave.

LLutz

Estamos começando mais um Lutos Podcast. Hoje eu tenho a honra de receber o Dr. Paulo Porto de Melo. Muito obrigado, cara, por ter aceito o convite.

DPDr. Paulo Porto

Imagina, é uma honra, meu cara.

LLutz

Vi alguns dos teus conteúdos, né? Você já foi no Marcelo Toledo também. Que é um grande amigo meu, agradeço ter aceito o convite. E hoje a gente está aqui para conversar um pouco sobre saúde cerebral, saúde como um todo, longevidade. Mas, cara, eu queria que antes da gente de fato entrar nessas temáticas, entender um pouco mais de como é que você entrou nesse mundo aí, né? Você fez medicina na Unifesp, né?

DPDr. Paulo Porto

Fiz na Federal de São Paulo, né? E aí eu fiz depois lá as residências de neurologia e neurocirurgia. Depois acabei prestando o título de medicina de urgência também, que é da Sociedade de Clínica Médica. E em 2018, 19, eu fiz minha pós-graduação em Harvard, né? E aí lá eu tive contato a primeira vez com medicina de precisão, que é uma coisa que me atrai bastante, e com a medicina do estilo de vida, né, que fala a favor de todas as intervenções que a gente pode fazer no nosso estilo de vida e como é que isso pode impactar na nossa qualidade de vida, na nossa extensão de vida, né, quanto a gente pode viver, viver de forma independente, etc.

LLutz

Etc., etc.

DPDr. Paulo Porto

E aí eu me dedico hoje muito ao estudo dessa área, né? Então a gente consegue encontrar aí a explicação porque que a mesma intervenção funciona para um, não funciona para outro, né? Já viu aquela história? Fala assim, ah, tomei o que meu vizinho tava tomando, mas para mim não serviu de nada. É por isso, porque a gente não é igual ao vizinho, né? A gente tem uma particularidade. Famoso documentário que tem, acho que até no Netflix, não sei se já saiu do catálogo, de dois gêmeos e que um era um atleta, então o cara super disciplinado, regrado com alimentação, treino, etc., e o outro era o famoso couch potato, né, o cara que ficava ali no sofá largadão só comendo junk food, etc.

E aí um super saudável, viveu super bem, e o outro degringolou, demenciou, dependente, etc., e a genética era a mesma, né. E aí você fala, caramba, mas pô, a mesma genética, como é que pode? Um foi para um lado, outro foi para o outro, cara. Hoje a gente sabe que a genética, ela é— quem é meu paciente vai se identificar— a genética ela é um piano. Você ganhou dos seus pais, você não escolheu marca, tamanho, cor, modelo, você ganhou.

Só que quem toca a música do piano é você. Então você pode olhar para aquelas teclas ali mais graves e falar: não gosto desse som não, não vou tocar não. Então com o nosso DNA é mais ou menos assim, a gente não escolheu, ganhou. Agora, qual parte desse DNA eu vou conseguir dar voz e qual que eu vou silenciar depende do meu estilo de vida. É lógico, isso tem um limite, né? DNA não tem botãozinho de liga e desliga. Mas, cara, teu padrão de atividade física, o que que você come, o que que você suplementa, como é que você relaxa, as tuas relações pessoais, tudo isso modula o que que você vai expressar, o que que você não vai expressar.

Entendeu? E aí isso é um negócio infinito, né? Você consegue se otimizar infinitamente.

LLutz

Mas essa linha tua de trabalho, ela é mais recente, né? A partir ali de 2018 você fez?

DPDr. Paulo Porto

É, 18, 19, a pandemia deu muita força para isso, né? Porque a gente precisou tirar coelho da cartola porque não tinha tratamento, uma doença nova. E aí eu comecei a estudar muito mais intensamente isso, principalmente porque na pandemia o volume de cirurgias caiu muito, né? A gente não podia operar, os hospitais estavam todos voltados para aquela emergência. E eu tinha tempo para estudar, né? E aí eu fui estudar e hoje eu faço muito isso, muito, né?

Então a gente hoje tem muitos instrumentos que eu não tinha quando eu me formei há quase 30 anos atrás. Hoje em dia eu consigo sequenciar o teu DNA, eu consigo ver a tua idade de envelhecimento por órgão. Então consigo ver, ah, pô, o Lutz tem um cérebro de 20 anos de idade, mas um coraçãozinho de 70. Entendeu? E o mais legal, eu consigo colocar linhas de intervenção e depois de 6 meses medir de novo e ver se isso mudou. Pô, Lutz, ó, teu cérebro, cara, continua de 20, o coração que tava de 70, ó, melhorou para um 65 aqui.

Vamos continuar, daqui a 6 meses dosa de novo e vê. Pô, cara, realmente, ó, você tá rejuvenescendo. Mesmo os wearables, né, por exemplo, o Whoop e o Oura, se você entrar ali na aba, ele fala Olha, tua condição cardiovascular tá 2 anos mais jovem, 10 anos mais jovem, 10 anos mais velho. Então isso te dá uma possibilidade de intervir antes que uma doença apareça.

LLutz

Isso é um ponto interessante, cara. Não sei se você se identifica com isso, mas eu tenho um casal de amigos que eles são oncologistas e eles na cirurgia, assim, fazendo cirurgias, teve um ponto que eles pararam e pensaram que a maior parte disso aqui poderia ter sido evitado, sabe? Muitas pessoas chegaram naquele ponto por conta do estilo de vida, né? Não sei se você passou por esse tipo de visão.

DPDr. Paulo Porto

Já sim. Aliás, hoje isso é quantificado. A Organização Mundial de Saúde, a qual eu tenho minhas ressalvas, eu acho ela meio conservadora às vezes, mas a OMS estima, isso é uma publicação desse ano, que ao menos 60% dos cânceres são evitáveis. Dependendo do estilo de vida, né? Demência, 45%. Então 45% dos casos de demência poderiam não acontecer dependendo do estilo de vida. E aí você explica a ressonância e por que que isso combina tanto com os achados que a gente tem recentes do uso da tisepatida, do Monjaro.

As pessoas falam: nossa, o Monjaro, ele está protegendo as pessoas de ter câncer. Sim, mas não é porque ele vai lá e evita a célula cancerígena, é porque ele vai e reduz a resistência periférica à insulina, reduz a inflamação, controla estresse oxidativo. Ou seja, ele tira as condições ambientais para que uma célula cancerígena se desenvolva, entende? Então não é porque ele é bonzinho, vai lá e modula a célula cancerígena, não.

É porque ele reduz obesidade, ele reduz a vontade do cara fumar, ele reduz o estresse oxidativo, ele reduz a glicemia, ele reduz a resistência insulínica. Ou seja, ele vai tirando os fatores de risco do caminho, e aí naturalmente a incidência do câncer diminui, não é? Então isso é uma coisa que só confirma o que a gente já sabia, não é? Eu defendo que esse tipo de visão da medicina Ele deveria ser um negócio de amplo e restrito acesso para todo mundo.

Hoje em dia não é todo mundo que tem dinheiro para fazer um teste genético, para fazer um relógio epigenético, que custa caro, entende? Então você fala, cara, imagina o seguinte, ó, 60% dos cânceres são evitáveis. Imagina se eu testo a população inteira brasileira quando nasce, e aí eu falo, Lutz, ó, aqui no teu genético aqui, irmão, Você tem um riscozinho aqui de ter um câncer de pulmão, sei lá. Ô Lutz, não fuma não, irmão, te cuida, corre, faz atividade física e não sei o quê.

Imagina isso em escala populacional, eu evitar 60% dos cânceres, o quanto os hospitais estariam mais vazios, o quanto dinheiro ia sobrar para outras ações que não dependessem de quimioterapia, de radioterapia, que é caríssimo, entende? Para uma cirurgia oncológica, que é caríssima. Então, quer dizer, a gente reservaria o dinheiro para aquilo que realmente é inevitável. Pô, o cara se cuida e tal, cara, mas apareceu um câncer. Boa, beleza, vamos embora, tem dinheiro para isso.

Só que isso é uma coisa que, cara, você vai começar a investir agora, fazer a genética de todo mundo, para um resultado financeiro que vai aparecer no sistema daqui a 40, 50 anos. Quem que se interessa por isso?

LLutz

Pois é.

DPDr. Paulo Porto

Isso não dá para mostrar na campanha política.

LLutz

Pois é.

DPDr. Paulo Porto

Entendeu? Mas do ponto de vista estratégico, assim, isso deveria ser uma política de Estado. O Estado pensar, bom, sistema de saúde do jeito que tá é insustentável, eu preciso entender como é que eu vou reduzir esse custo todo que eu tenho. Cara, prevenção, entendeu? Prevenção.

LLutz

Até encontrar maneiras, né, dessa, do estilo de vida saudável, assim, mais fácil de ser aplicado, né?

DPDr. Paulo Porto

Exato, cara. Assim, e a gente passa por coisas tão simples, né? Assim, por exemplo, você pega os professores, vamos lá, você é bem mais jovem do que eu, na tua educação física na escola, o que que você fazia? Jogava bola, coisa do tipo, jogava bola, corria, etc. Cara, isso não é educação física, isso é recreação. Educação física, alguém te ensinou assim, o Lutz? Se você for levantar um peso grande do chão, dobra o joelho, abaixa, não dobra as costas não.

Pois é. Alguém se preocupou em fortalecer o seu core para evitar que você tivesse problema de coluna? Alguém te ensinou como, entendeu? Quadril. Então veja bem, Eu tenho certeza absoluta que os nossos professores, a quem eu presto aqui o meu maior respeito, adorariam ter essa liberdade, mas eles têm um currículo ali, tem que fazer 12 horas de futebol, 6 horas de vôlei, não sei o quê. Cara, tá, mas e educação física mesmo? Educar o indivíduo a proteger o físico dele.

Aí vamos transportar aqui para os dados reais. Problemas na coluna são uma das principais causas de afastamento do trabalho. Por quê? Porque o cara não é que ele não— você acha que o cara acorda e fala assim: ah, eu acho que daqui a 10 anos eu quero ter uma hérnia de disco. Não, cara, o cara não sabe se cuidar porque ninguém ensinou, entendeu? Então a gente passa isso para alimentação. Você teve alimentação básica nutricional na sua escola?

Ninguém tem, cara. Assim, você pegou outra fase, mas eu na minha época de escola A cantina era cheeseburger, era o que tinha, entendeu? E aí tem coisas, por exemplo, vamos lá, vamos falar de diabetes, né? Não tô dizendo que isso que desenvolve diabetes, mas isso te ajuda a controlar. Prato médio do brasileiro: arroz, feijão, a proteína e uma saladinha, certo? Legal. Se eu começo a comer esse prato pelo arroz e feijão, eu tenho um pico de glicemia e de insulina 70% maior do que se eu começar a comer pela proteína e depois pela fibra, que é alface, tomate, etc. Mesmo prato, mudei nada, só ensinei para o pessoal. Olha, começa pela proteína.

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LLutz

Mas que tipo de maltrizes pode causar esse pico ali?

DPDr. Paulo Porto

Picos e vales de insulina podem te levar a um quadro de resistência periférica à insulina que lá na frente pode te levar a diabetes, por exemplo. Picos e vales de insulina é aquela coisa: você come, aquele sensação, não sei o quê, depois ali a duas horas aquele sono. Isso interfere no aprendizado? Então são coisas assim que não envolvem, ah, vamos agregar tecnologia. Não, cara, é pensar, é o básico, entendeu? É o básico, é o básico, pessoal.

LLutz

Agora na reta final aqui do mês do cliente, a Insider preparou para vocês promoções muito legais lá no site. Tem algumas peças que estão chegando até 40% de desconto utilizando o nosso cupom. Então tá valendo bastante a pena. Caso você não conheça a Insider, quer conhecer, ou mesmo se você já é um cliente, quer aumentar sua coleção aí, agora é um ótimo momento, né? Hoje eu tô usando até t-shirt normal, clássica, né? E quer que não precisa passar, é, não desbota e tudo mais.

Mas tem várias peças lá que vão estar nessas promoções. Então aproveitem essa reta final aí do mês de setembro, mês do cliente, para poder pegar esses 40% de desconto e aumentar tua coleção ou conhecer a Insider, tá? O link tá na descrição e o QR code aí na tela. Hoje, com teus pacientes assim, né, que tipo de questões eles chegam e te trazem? Eles estão buscando o quê exatamente? É performance? É saúde?

DPDr. Paulo Porto

Cara, assim, ó, tendo duas coisas: eu tenho pessoas que já têm saúde e que querem performar, o cara quer ter uma performance sensacional, e eu tenho pessoas que ralaram a vida inteira e falaram, tá legal, agora eu tenho condição de vida boa, eu tô preocupado em viver o máximo possível, mas de forma independente. Então existem dois conceitos, né? Primeiro é um que chama lifespan, que é o quê? É O tempo que eu vou viver: 100, 120, 90, 70, a extensão da vida.

Só que tem um conceito que eu acho muito mais interessante, se chama healthspan, ou seja, o tempo que eu vou viver com saúde. Vou te colocar duas situações. Você quer chegar aos 90, 100 anos?

LLutz

Quero.

DPDr. Paulo Porto

Quem não quer, né? Quer ver seus netinhos, quem sabe bisnetos? Claro que sim. Legal, mas e se eu te falar que dos seus 80 aos seus 100, a cada 3, 4 dias você vai para o hospital, vai ter que ficar internado fazendo antibiótico na veia, você vai precisar de alguém te dar banho porque você não consegue tomar banho sozinho, percebe? Então o que que nos interessa? Nos interessa um tempo de vida independente, que eu consiga tomar meu banho Que eu consiga levantar e sentar da cadeira sozinho, sem precisar de ninguém me ajudar.

Que eu consiga viajar de avião e pegar a mala que tá ali em cima do bagageiro, sem precisar chamar aeromoça para fazer isso. Que eu consiga ter uma cabeça lúcida e assim eu consigo ler um livro e entender e discutir com meus netos, etc. Que eu consiga ir numa empresa que eu criei e dar as minhas impressões enquanto fundador daquilo ali, a minha experiência, para ajudar a moldar os negócios no novo ambiente, no novo mundo. Entende?

Então muita gente hoje me procura para isso. Fala, doutor, ó, legal, cheguei até aqui, construí um patrimônio, construí a minha empresa tal, agora eu preciso estar bem e viver muito para minha família. Entende que no nosso mundo é absolutamente desafiador?

LLutz

Por quê?

DPDr. Paulo Porto

Porque o nosso mundo é um mundo que, cara, te cobra alta performance 100%. Você tem que estar online toda hora e você tem que estar ali performando e sendo o melhor pai, o melhor marido, o melhor médico, o melhor podcaster. Cara, você tem que sempre. E aí o que que acontece com isso? Você acaba se espremendo. Não, eu vou sair daqui, vou para lá, não sei o quê. Não, mas e o almoço? Aí eu pego um negócio, eu vou comendo no caminho e não sei o quê. E isto em alguma medida virou medida de sucesso.

LLutz

É pessoa ocupada, cara.

DPDr. Paulo Porto

O Lutz, o cara, cara, meu, o cara come um sanduba no meio do caminho, tá aqui, tá ali, não sei o quê, tá? E desde quando isso é legal, entendeu? Desde quando é legal eu te mandar uma mensagem, se você não responder em 10 minutos, eu ligar te xingando? Pode mandar. Bom, espera um pouquinho, entende? Então assim, eu tenho alguns privilégios na minha vida, né? Eu tenho privilégio de ter nascido numa época que não existia celular.

Aí depois eu peguei o Bip, beija, depois o celular. Então era assim, a pessoa vai falar com você, cara, eu tinha que ir na tua casa, onde você trabalha, porque telefone fixo mesmo era um luxo. Agora a geração que tá nascendo não sabe o que é viver sem esse troço, então acha que é normal eu te mandar um WhatsApp e você ter que responder em 2 minutos, senão você brigou comigo, você não gosta de mim, você tá falando mal de mim pelas costas. Pera aí, pô. Às vezes eu tô ocupado, entendeu?

LLutz

Então a alta disponibilidade de tudo, né, de alimentos palatáveis e do tempo das pessoas, isso gera uma ansiedade muito grande, entendeu?

DPDr. Paulo Porto

Assim, a minha esposa ela é advogada e psicanalista, ela tem as duas formações, e eu te digo que uma das coisas que ela mais trabalha é mais a parte psicológica do que a parte de direito em si. Porque as pessoas estão tão doidas por conta desse mundo que ele é ansiogênico, ele gera ansiedade, entendeu? Então eu falo para ela, por amor a você, como advogada tá quase falindo, né? Porque ela é advogada de família e os casais vão para lá querendo se separar, e aquele pé de guerra e não sei o quê.

Cara, ela vai lá, entende a situação de uma forma humanizada, e a maioria dos casais que vão lá querendo separar se reconciliam. Porque na verdade não é uma incompatibilidade, o cara não gosta mais dela. Não, cara, muitas vezes é o ambiente transforma aquela relação no inferno, entende? Isso acontece não só na relação entre os casais, né? Acontece na relação entre os amigos, na relação familiar, na relação profissional. Pô, desde quando a gente acha normal porque você vota no Lula e o seu amigo no Bolsonaro, vocês brigarem, deixarem de se falar.

Pera aí, pô, eu sou de uma época que o cara era corintiano, outro era palmeirense. Quando tinha um clássico e um perdia, o outro ficava lá zoando, e tudo bem. Isso não justificava você ir lá dar um soco na cara do cara, ou vocês pararem de se falar. Não, não é? Mas o nosso mundo hoje, ele Tá indo nessa direção de tudo é muito intenso, muito polarizado. Então assim, mesmo na saúde, tá, você tem uns caras que pegam os wearables, por exemplo, que eu uso, e viram escravos dos wearables.

O cara quer dormir 8 horas e meia e ter 2 horas de sono REM não porque isso é saudável, mas porque ele quer ganhar estrelinha lá no Oura.

LLutz

Eu quero 99 no Garmin, você entendeu?

DPDr. Paulo Porto

O cara vai correr, não é que ele quer correr 1 para 5 porque isso é saudável para ele, É porque ele quer estar ali entre o top. Cara, você não precisa estar no top 1%, entendeu? Então isso é uma coisa que eu falo sempre para os meus pacientes. Eu falo, olha, você vai fazer uma alimentação legal, vai se cuidar, mas é o seguinte, eu não quero aqui louco da marmita. Vai tirar o glúten, se possível, da alimentação, se não for alguma coisa fundamental para você, porque o glúten inflama a gente de uma forma geral, né?

Mesmo quem não é doente celíaco, a gente fica meio zoado, né, fica meio distendido e tal. Agora pera um pouquinho, você tá saindo de férias com a tua namorada, tá lá num cruzeiro no Caribe, aí o cara chega ali com salgadinho para você, você fala, ai, tem glúten, não quero. Porra, deixa de ser chato, entendeu? Você vai na casa de um amigo teu, pô, o cara foi lá, preparou um comes e bebes ali, aí você vai chegar e fala assim, ô João, esse salmão é selvagem?

Porque se não for selvagem, eu não vou. Pô, pera aí, pô, deixa de ser mala. O que interessa é, no momento que você tiver controle da situação, você vai fazer o que é mais saudável para você. Pô, você gosta de academia? Gosta? Legal. Aí você viajou, vai lá no hotel e tem uma academiazinha meia-boca, não tem banco de supino, não tem rack de agachamento. E daí? Você vai ficar uma semana sem treinar no teu padrão? Tudo bem, faz o que dá.

E quando você voltar para tua rotina que você controla, você volta para tua atividade normal, né? Então isso é uma coisa que hoje o nosso mundo ele não normaliza, porque as pessoas elas tendem a ficar: ah não, vai cair minha métrica no UPI, vai cair a minha métrica no Garmin. E tudo bem, semana que vem você recupera, né? Ai, porque o Corinthians perdeu do Palmeiras, tá? E Daqui a um mês o Palmeiras vai perder do Corinthians e tudo bem, vida que segue, entendeu?

LLutz

E vira uma situação estressante, uma situação que não precisaria ser. Então você fica ali buscando saúde, né, no mesmo, e fica estressado.

DPDr. Paulo Porto

Você sabe que isso é uma fonte hoje em dia, em um certo percentual de pessoas, de adoecimento. Existe uma nova categoria de doença que é isso, que é o cara que fica doente de tanto perseguir a saúde, mais ou menos É uma doença isso também, né? O indivíduo que vai e ele tá sarado, abdômen six-pack, grande, gigante, forte, riscado, ele vai lá e fala assim: é, mas essa dobrinha aqui no sulco delto-peitoral, pô, preciso tirar isso aqui.

Cara, mas teu físico é perfeito. Não, mas isso aqui me incomoda, não sei o quê. O cara vai lá, faz uma plástica para isso. Entendeu? Então nada contra o cara fazer plástica, mas espera um pouquinho, né? Então assim, esse tipo de exagero do cara buscar uma coisa que você fala, porra, mas o cara já tá bom, né? Acaba levando as pessoas adoecer. Exemplo, o cara vai lá gigante, forte, malhado, treinado, cuida da alimentação, e fala, mas meu peitoral aqui, a porção superior do peitoral não tá legal, vou tomar uns negocinho aqui para uma química aqui, cara, tudo bem, toma sob supervisão e tal.

Aí o cara tá lá tomando e não sei o quê, aí de repente ele olha, colesterol começa a subir, hemoglobina começa a subir. Eu tenho certeza que o médico desse cara fala para ele assim: irmão, vamos dar um tempinho porque aqui começou a ter algumas repercussões, a gente precisa dar uma aliviada no pé. Não, doutor, mas enquanto eu não tiver meu peitoral mais alto Aí daqui a pouco o cara infarta, entendeu? Por quê? Porque é uma busca, um negócio assim.

E isto acontece não é só na estética. Eu cansei de ver caras dentro da universidade que o cara queria porque queria. Ah não, porque eu preciso escrever um livro de medicina que vai ser o livro mais foda do universo, cara. O cara conseguiu às custas de Perdeu a família porque ele não tava nos aniversários, ele não tava nos eventos importantes, ele não dava atenção para mulher, não sei o quê. A família não aguentou. Então eu acho assim, isso que eu defendo para os meus pacientes é: a vida é equilíbrio, é balanço, né?

Eu quando era moleque no colégio eu gostava muito de física, matéria física. E tem um conceito de física que eu acho que ele se ele permeia tudo na vida da gente, né, no universo inteiro. É o conceito de entropia. Não sei se você vai lembrar disso na escola. Ele diz que tudo na vida tende ao equilíbrio. E aí tem várias frases que derivam aí, né? A energia não se cria, ela se transforma, não é? Então quando você ferve uma água, pô, a água não evapora do nada, porque ela pega energia térmica do fogo, muda de estado e evapora.

Depois ela condensa, chove, não sei o quê. Ou seja, é um ciclo. Energia, ela vai se transportando. E eu acho que isso é para vida. Então, se você dedica muita energia sua para o trabalho, irmão, as outras áreas da sua vida, tua família vai sofrer, tua saúde vai sofrer, entende?

?Voz B

Para quê?

DPDr. Paulo Porto

Vamos ter um pouco de bom senso, né? Eu acho que de uma forma geral isso no nosso mundo hoje é o que falta, bom senso. Porra, mandei o Zap para o Lutz, cara, ele não me respondeu. Ah, será que ele não gosta de mim? Será que o episódio foi uma merda e ele não quer mais me ver na frente? Não, às vezes o Lutz tá ocupado, não é? Então assim, é ter esse bom senso, cara. Putz, o Lutz defende o político X e eu não, cara. Tudo bem, opinião dele.

Eu vou bater um papo com ele e falar, pô, Lutz, cara, muda de ideia, cara. Mas é discutir, não é brigar. Entende? É divergir e respeitar a opinião do outro, e tudo bem. Então hoje a gente não tem isso na nossa sociedade, e isso está adoecendo as pessoas.

LLutz

Cara, até aproveitando isso, né, porque é legal você trazer esses pontos, porque são coisas que a gente espera que você vai falar de, sei lá, alguma questão específica de alimentação que vai adoecer as pessoas, e beleza, isso existe, mas acho legal você tratar dessas questões mais psicológicas e sociais assim, que estão adoecendo as pessoas.

DPDr. Paulo Porto

Cara, assim, ó, vamos lá. Eu, a minha formação maior é neurocirurgia, tá? Eu tenho 3 livros escritos de neurocirurgia, muitos usados ainda hoje, 2 deles para ensinar novos neurocirurgiões aqui no Brasil. A neurocirurgia é um campo da medicina onde você Não é que você não tem que minimizar a margem de erro, você não tem margem de erro. Você opera num corredor às vezes de 2mm, que o teto é uma região no-go, a lateral esquerda também, a direita também, o chão também.

Ou seja, você não pode encostar naquele corredor que você tá trabalhando. Ok, é algo que envolve alta precisão, é algo que envolve tudo isso. Mas o que que eu tirei disso depois de mais de 25 anos de carreira? A melhor neurocirurgia que existe é aquela que não é feita. Então a melhor coisa que eu posso fazer para tratar você do ponto de vista neurocirúrgico é não deixar você adoecer. Então eu vi muito ao longo da minha carreira inteira Pessoas que chegaram no bico do corvo, ou melhor, na ponta do meu bisturi, porque não se cuidaram, entendeu?

Por exemplo, o Lutz trabalha, sei lá, montando o palco do UFC. E aí um belo dia o cara chegou para você, o Dana White chegou para você, falou assim: Lutz, dá seus pulos aí, cara, porque tá atrasada essa montagem de palco, o evento começa daqui a 3 horas, se vira. E aí você vai, você bota as coisas ali em cima, pega peso sem material de proteção, porque afinal de contas, cara, preciso, o Dana tá esperando isso de mim, não sei o quê.

E aí você tá lá trabalhando, plau, dor que irradia para perna, formigamento, cara, te arrebentou a hérnia de disco. Sabe o que vai acontecer? Você vai ter que provavelmente ser operado e outra pessoa vai montar o palco no seu lugar como se você não existisse. Quem saiu perdendo nisso? Pois é, entende? Então isso é uma coisa que é uma reflexão, né? Assim, a ponta do bisturi me levou isso, né? Falou, olha, muitas pessoas chegaram até aqui porque não se cuidaram, porque cederam à pressão do mundo moderno, entende?

A melhor neurocirurgia é aquela que não é feita. Lógico, se você chegar no ponto de precisar fazer, tem gente muito boa, muito treinada, muito habilitada, que ao invés de tremer com essa pressão, brilha. Aí é onde eu particularmente eu performo melhor, sob pressão. Mas não é por isso que eu quero que as pessoas sejam submetidas a isso. Eu prefiro que elas evitem, que elas não cheguem lá. Até porque aí eu vou poder fazer o que eu faço melhor somente naqueles que não têm outra alternativa. Agora, você olhar e saber que o cara podia ter evitado aquilo, você—

LLutz

Pessoal, esse episódio está sendo patrocinado pela Clínica de Psicologia Neurocord, tá? Você que busca atendimento em psicologia, busca psicoterapia para fazer e querem profissionais muito bem qualificados. Eu recomendo demais a Clínica Neurocor. Ela é de um amigo meu, grande amigo meu, uma pessoa que eu coloco a mão no fogo por ela. Eu confio demais no trabalho dele, faz trabalho excelente. Aí na descrição tem um link para vocês conhecerem a Neurocor, né, quais são os valores, o que vocês podem esperar.

E também vocês podem responder um formulário lá que vai te indicar, que vai te permitir ter acesso a uma consulta de acolhimento. Então uma consulta gratuita ali de 15 minutinhos mais ou menos para você poder conversar sobre as suas questões e entender se faz sentido para você a psicoterapia. O link tá na descrição e o QR code na tela também. Até uma curiosidade, né, dessas pessoas que chegam ali na mesa de cirurgia.

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LLutz

Qual que é a média do porquê que elas chegam lá, sabe? Primeiro eu queria entender assim que tipo de cirurgia era mais comum, ou se você ainda faz, o que que é mais comum hoje, cara, e por que que elas chegaram ali.

DPDr. Paulo Porto

Depende muito, tá? Assim, no Brasil é muito comum doença de coluna, assim, é beabá. Por quê? Porque o cara vai correr mesmo corredor O cara corre com tênis que eu tenho certeza que você já ouviu essa história. Ah não, eu tenho o meu Mizuno, ó, não ganha jabá de ninguém não, hein? Eu tenho o meu Mizuno e eu agora que ele adquiriu o formato do meu pé, parece uma luva. Legal, quantos km você correu com ele já? Aí eu corri uns 8.000 km.

Que ótimo, 8.000 km com tênis, perdeu o amortecimento. Ah, mas agora ele tá no formato do meu pé. Legal, irmão, usa para ir passear no shopping e tal, mas para correr Então as pessoas não têm essa consciência, entende? É o cara que vai na academia, ele quer agachar com 640 kg porque a menininha tá ali do lado, ele quer impressionar. E aí o cara faz isso 3 vezes por semana, 10 anos da vida dele, cara, uma hora vai dar ruim, entendeu?

Então aqui no Brasil é muito frequente, fora os caras que infelizmente fazem porque não tem outra alternativa. Seu Zé que é pedreiro, que chega ali, vai bater uma laje, vai virar uma laje, Irmão, não tem equipamento de proteção. Por quê? Porque ele tá fazendo ali a laje no fim de semana para comunidade, todo mundo se reuniu, um deu tijolo, tudo não sei o quê, e ele foi lá para o comando de obra. Aí o cara faz isso toda semana, a vida inteira, uma hora não aguenta, entendeu?

É o outro que achou que, pô, essa história de não poder tomar uma cervejinha e dirigir é uma frescura. Aí o cara vai, toma um negocinho, fala: não, tô legal, Lutz, não vai não, que eu que dirijo aqui, não sei o quê. Plau no porte, pega o Porsche dele, plau ali no poste, porque ele acha que o Porsche tem um airbag que vai segurar. Cara, não é bem assim, entende? Então esse tipo de coisa é muito frequente no Brasil, infelizmente, né?

Assim, é muito frequente, tá? Assim, doença de coluna que poderia ser prevenível. Você dá um plantão de trauma em qualquer unidade, você vai ver um monte de gente jovem chegando que você fala, cara, porra, não. Não, pelo amor de Deus, pô, cara, teu pai tá em casa te esperando, aí você me chega aqui com a cabeça arrebentada, entende? Então isso acontece. Óbvio que existem as coisas que são inevitáveis. O cara que tem um aneurisma cerebral, cara, entendeu?

Agora, existem condições que, pô, você sabe, você descobriu por acaso que você tem um aneurisma, e aí o teu neurocirurgião vira para você e fala assim: Lutz, aneurisma pequeno, a gente só vai acompanhar, tá? Que que você precisa cuidar? Não pode fumar porque isso enfraquece o aneurisma, tem que controlar sua pressão. E aí você vai, come sal, fuma um cigarro atrás do outro. Cara, desculpa, você tá provocando, entendeu? Então existem, mesmo em circunstâncias ruins, coisas que você pode fazer para cuidar.

Ah, eu tenho um tumor benigno na cabeça. Pô, Lutz, legal, pequenininho, cara, que relaxa. Isso aqui não é câncer, a gente vai acompanhar, tá? Se um dia isso crescer, aí a gente mexe, tá bom? Ó, o que que eu vou te recomendar? Faz ressonância de 1 ano em ano, tá? Aí o Lutz some, volta 10 anos depois com uma laranja na cabeça. Pô, irmão, 10 anos, entendeu? Já viu isso aí acontecer milhões de vezes. Então assim, que loucura, né?

LLutz

Tem vez que eu acho que a gente é meio doido, cara, que a gente não se— parece que tem momentos que a gente só não se importa com a nossa saúde, né?

DPDr. Paulo Porto

É, eu acho que tem um misto de coisas, cara. Tem gente que não quer se deparar com aquilo, é verdade, que falar eu não vou fazer porque senão eu vou ver que cresceu, eu vou ter que— tem gente que faz isso. Tem gente que muitas vezes é por desconhecimento, né? Então assim, a gente é muito bom em se prevenir de coisas que a gente conhece o risco. Mas o que a gente não conhece? Vou te dar um exemplo figurado aqui. Hoje vamos ali na Praça da Sé às 2:30 da madrugada, mas é o seguinte: nós vamos de Rolex, correntão de ouro e falando no iPhone 18.

Vamos? Você vai olhar para mim e falar: você é louco, não vou, mas nem amarrado eu vou. Porque você conhece o risco. Agora imagina que vem um cara, sei lá, da Suíça. Eu falo assim, irmão, vamos hoje ali na praça comigo? Cara, o cara vai com Rolex, vai com correntão, vai falando no celular, porque para ele qual o problema? Vamos numa praça na Europa, eu faço isso todo tempo. Então ele não conhece o risco. Então como é que ele vai se prevenir de uma coisa que ele nem imagina que que vai ser arriscado.

E na área de saúde tem muita coisa que as pessoas não conhecem o risco, não é? Saúde aqui no Brasil ainda é um tema difícil, prevenção ainda é um tema difícil, né? Hoje em dia a gente ouve, cara, assim, você vai falar para uma mulher que é para ela fazer reposição hormonal porque ela tá na menopausa, que que vem na cabeça dela? Não, mas hormônio dá câncer. Dona Maria, pelo amor de Deus, essa crença caiu 20 anos atrás. Mas é a crença que tá na cabeça das pessoas, entendeu?

Você vai falar para um homem: olha, tua testosterona tá baixa, você precisa repor. Eu não quero ficar bombado de academia, cara. Não tô falando disso, tô falando de você repor para chegar no nível fisiológico. Não, mas dá câncer de próstata. Cara, deixa eu te falar uma coisa: risco de câncer de próstata é aumentado tanto com nível mais alto quanto com nível muito baixo de testosterona. As pessoas não sabem disso. Entendeu? Então eu acho que tem um pouco de tudo.

Tem o cara que é o desencanadão, que deixa a vida me levar. Tem o outro que não tem noção de que aquilo faz mal. E tem a outra parte, que é aquela galera que sabe e tem medo de ir lá e ver, entendeu?

LLutz

Quando chega um paciente para você e ele chama assim, fala assim, doutor, eu quero viver melhor, né? Não necessariamente viver mais só por viver mais, mas eu quero viver melhor, quero passar os próximos 20, 30 anos da minha vida da melhor forma possível. Qual que é o protocolo para essa pessoa? Que tipo de exame ou teste ela deveria fazer? E após isso, né, o que que ela precisa mudar na vida dela e como é que tem que ser a rotina dela?

DPDr. Paulo Porto

O protocolo é não ter protocolo. Então o que que acontece? Vamos lá. Que carro você tem? Qual marca de carro você tem?

LLutz

É um ônibus Volkswagen.

DPDr. Paulo Porto

Um Volkswagen, você leva ele para consertar na Ford? Não, não. Mas tem 4 pneus, não tem? Tem câmbio, direção, vidro, estofado, som, ar-condicionado. Por que que você não leva? Porque apesar de a estrutura geral ser a mesma, existem particularidades. E nós estamos falando de uma máquina que, comparado ao corpo humano, é uma máquina tosca. Então você aplicar um protocolo para uma máquina sofisticada como o corpo humano é tosco, né?

Então o que que a gente tem que ter? Individualização. Essa é a chave. Eu vou te dar o meu exemplo da minha esposa. Eu tomo 18 mil unidades de vitamina D por dia. E a minha vitamina D hoje, eu dosei acho que semana passada, ela não é 56. A minha esposa toma 2000 unidades e a vitamina D dela é 90, a mesma vitamina D. Por quê? Porque eu tenho polimorfismos genéticos, ou seja, eu tenho uma configuração do meu DNA que me coloca barreiras para absorver, para ativar, para converter a vitamina D.

Então eu preciso de uma dose mais alta, entende? Isso acontece para vitamina D, para vitamina B, para vitamina C, para vitamina A, para coenzima Q10, para tudo que você pode imaginar no nosso corpo. Então essa é a razão pela qual às vezes alguma coisa funciona para você, mas não funciona para o teu pai ou não vai funcionar para o teu filho, porque apesar de a genética ser muito parecida Existem variações. Então, óbvio, isso é uma coisa que, cara, assim, é uma coisa que eu exerço com muita paixão e ao mesmo tempo me causa muita dor.

Eu acho que isso deveria ser uma coisa que tá ao acesso de todo mundo. Tipo, você nasceu, faz o teu código genético, faz o teu relógio epigenético, faz o teu exame de metabolômica, faz a tua lipidômica, faz a tua microbiota intestinal. Porque eu vou saber como é que você funciona. Eu vou saber se o Lutz vai precisar lá para frente suplementar com metilcobalamina, ou se pode ser hidroxicobalamina, se pode ser ácido fólico, tem que ser metilfolato, se pode ser coenzima Q10 normal, ubiquinona, ou se tem que ser ubiquinol.

Porque senão você vai tomar um negócio que o teu corpo não converte, vai sair pelo xixi. E você acha que você tá se cuidando, gastando ali os tubos, e cara, não tá adiantando nada. Então o ideal, ideal é conheça a si mesmo, tá legal? Eu sei que a minha vitamina D eu preciso de doses mais altas, eu sei que a coenzima Q10 eu tenho que tomar na forma reduzida, cara. Eu sei que colesterol para mim não é um grande problema, eu lido tão bem com colesterol que eu posso comer um cheese bacon que Não sobe meu colesterol, entende?

Outro exemplo clássico: sal. A gente tem a Organização Mundial da Saúde falar no máximo 2 gramas de sal por dia. Para quem, Zé? 2 gramas de sal para a maioria das pessoas. Tem gente que com pouco sal passa mal, a pressão cai demais, e eu consigo ver isso geneticamente. Legal, entendeu? Então essa é a chave. Qual que é o problema? A gente a gente não tem como hoje em dia fazer isso para o seu Zé, porque é um exame, são exames que custam caro, entende?

Então o meu, a minha inquietação é, hoje em dia eu consigo nas pessoas que vão no meu consultório, que tem condições de pagar por isso, fazer uma medicina de altíssima precisão. Eu desenho aquilo ali quase uma escultura do que vai ser a suplementação dessa pessoa, o estilo de vida. Eu consigo dizer para você, Lutz, para você, segundo a tua genética, irmão, Não dá para fazer mais do que 4 séries de 8, tá? O intervalo entre uma série de outra, em uma série de exercícios e outra, tem que ser de 2 minutos, 2 minutos e meio.

LLutz

Mas dá para ver isso?

DPDr. Paulo Porto

Ou tem que ser 30 segundos. Cara, para você, o melhor para você treinar ABCD. Ou, cara, o melhor para você treinar A, 24 horas de intervalo, B. Olha o grau que a gente chega de precisão. E aí, ao mesmo tempo, eu vejo o grosso da população que não tem acesso a isso. E eu fico muito, muito triste, porque se tivesse acesso, cara, quanta coisa seria evitada, quanta doença seria evitada, o quanto as pessoas poderiam viver mais e viver bem.

Ontem mesmo no consultório, cara, eu vi um senhor, ele vai saber que eu tô falando dele, de 83 anos, tem uma das maiores firmas de engenharia trabalhando. E você olha para ele, você fala: não, não tem 83 nem a pau. E não é pela pele, não, é pelo vigor. O cara que tem vida, que tá movimentando, que tá produzindo, que sobe escada, que desce, que liga para o funcionário, que organiza, que decide. Eu quero ser assim, entendeu? Agora, se eu não tiver acesso ao meu código Pode ser que no caminho eu derrape, eu não chegue nesse ponto, entendeu?

Então, para quem quer realmente uma vida mais plena, né, a chave é se conhecer. A chave é se conhecer. Ah, eu não consigo fazer esses exames porque é muito caro, cara. Então presta atenção em você. Você foi, você comeu um negócio, não te fez bem. O que que tinha aqui que eu comi que não bateu legal? Pô, você tomou um vinhozinho à noite, uma cerveja, e acordou meio zoado. Pô, acho que antes de dormir não é legal beber não, porque tá me bagunçando, cara.

Você tomou café antes de dormir e teve uma noite agitada? Talvez você tem um polimorfismo da CYP1A2 e do ADORA2A. Talvez você metabolize devagar a cafeína. Então, por mais que você apague, zoa a tua arquitetura do sono. Você não tem um sono reparador. Precisei fazer exame genético para isso? Não. Mas eu observei a minha reação a fatores diversos. Porra, usei um desodorante aqui, cara, e me deu uma coceira aqui embaixo do braço.

Irmão, olha a fórmula, vê o que que tem ali. Sabe que outro dia eu atendi um paciente? Isso é muito engraçado. E aí ele veio, paciente diabético, não sei o quê. Eu vi os exames, eu falei: Seu fulano, o senhor tem que tirar o açúcar, tal, não sei o quê. Ó, mas eu não como açúcar. Falei: Tá bom, que que o senhor acorda, como é que é o café da manhã do senhor? Ah, eu como um pãozinho, mas é um pão integral, e eu tomo ali minhas duas xicrinhas de Nesquik.

Aí eu: O quê? Nesquik. Eu falei, mas eu tô falando para o senhor que o senhor não pode comer açúcar. Ué, mas eu não como açúcar, eu não ponho açúcar no Nesquik. Eu falei, o senhor não, mas ele tem açúcar. Não tem, que não sei o quê. Eu falei, pelo amor de Deus, olha o rótulo do raio do Nesquik, tá lá escrito contém açúcar, porra. Ainda mais agora, né, que tem aquele negócio gigantesco, entendeu? Mas então é isso. Aí quando ele olhou, coitado, ele tomou um susto, ele falou Doutora, pois é, entendeu?

Então é isso, a gente não tem condições financeiras de fazer um exame sofisticado. Exerça sua observação, exerça sua arte de observação. Pô, comi isso aqui, não me fez bem. Pô, quando eu faço um jejum eu fico, eu fico bem, entendeu, cara? Quando eu vou correr, se eu corro no asfalto me incomoda o joelho, se eu corro na grama não me incomoda, cara. Respeita o teu corpo. Entendeu? Ah não, olha, aqui eu vi que o doutor falou ali no podcast do Lutz, eu confio no Lutz, cara, eu acho que eu vou guardar uma grana e eu vou fazer esses exames.

Porque não são exames que você vai fazer o resto da sua vida. Você fez, você tem o teu mapa na tua mão para tua vida inteira.

LLutz

Quais são os exames assim? Eu sei que deve ser muitos, mas se puder dar uma lista.

DPDr. Paulo Porto

Cara, perfil genético, com certeza absoluta, tá? Certeza absoluta. Existe um relógio epigenético que eu gosto bastante E não ganha um jabá, hein, que devia fazer o meu de graça, hein. É um relógio genético, foi desenvolvido por Harvard, que chama TrueAge, que é muito legal também fazer.

LLutz

Você tem, só antes de você continuar, você disse do teste genético e você disse relógio epigenético.

DPDr. Paulo Porto

Isso, qual que é a diferença, cara? A genética é o teu hardware, entendeu? O TrueAge, ele mostra O reflexo do teu estilo de vida no teu hardware.

LLutz

Foda.

DPDr. Paulo Porto

Então, o que que eu tô fazendo que tá zoando o meu? Eu tô usando o meu hardware da forma que eu deveria usar? Exemplo: tem muita gente, você usa Mac? Não. Tem muita gente que tem um MacBook Pro, e o cara compra o Pro porque é o mais avançado, mas ele não usa nem 10% do que tem, entendeu? Então pode ser que você tem um DNA foda e você não usa.

LLutz

Porque eu já fiz teste genético, mas eu esse eu nunca tinha ouvido falar.

DPDr. Paulo Porto

Então tem nuances aí, entendeu? Que as pessoas podem fazer exame de metabolômica, é muito útil. Metabolômica, ele faz o quê? Ele vai analisar na tua urina o que sobrou do teu metabolismo. Então como é que eu comparo isso? Eu quero saber como é que o Lutz está comendo. Aí eu sigo você no mercado, aí eu olho a tua sacola para ver o que que você comprou no mercado. Isso quer dizer que eu sei o que você tá comendo? Quer dizer que eu sei que você comprou.

Se eu quiser saber o que você tá comendo, eu tenho que ir na tua casa olhar o que tá no teu lixo, que você pegou, usou aquilo ali e descartou o que sobrou. Então, pelo que sobrou, eu sei o que você usou. Metabolômica faz isso, tá? Lipidômica é um exame que eu consigo avaliar como é que tá a tua proporção de ômega-3, como é que tá o teu estado, se tá mais inflamatório, se não tiver mensurável, entende? Hoje em dia, cara, assim, a gente tem muita possibilidade.

O TrueAge, por exemplo, ele vê mais de 1 milhão de sítios, né, de locais do seu DNA. E o melhor, ele responde a intervenção. Hoje ele tá assim, daqui a 6 meses eu mudei meu estilo de vida, eu faço de novo, ele mudou. Por quê? Porque ele responde a gente, é um organismo vivo. O teu DNA ele é imutável, assim naturalmente imutável. Existem técnicas de edição genética, isso já é possível hoje, mas naturalmente ele é imutável. Então o que que eu tenho que ver? Como é que eu tô usando isso aí? Entendeu?

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LLutz

Sabe quanto custa esse True Age, cara?

DPDr. Paulo Porto

Assim, o True Age ajuda aí, pô.

LLutz

Faz o do Lutz, mandem para nós, cara.

DPDr. Paulo Porto

Agradecemos muito. Mas aqui assim, por que que eu defendo tanto, né? Não é porque eu achei bem interessante, cara. Então, por que que eu defendo tanto, cara? Não é porque eu seja apaixonado pelo, ou receba alguma coisa, é porque a minha pós-graduação foi feita em Harvard, né, em 2018, 19. Então eu vi a seriedade científica por trás disso, porque ele é um método desenvolvido, validado e publicado por Harvard. Então não é que o seu Zé da esquina que fez um negócio e falou, vem aí que é bom.

Não, é um negócio que tem lastro, entendeu? Tem lastro. É assim, porque senão, cara, assim, mesmo exame genético, né, hoje em dia tem um monte de exame genético aí que você vê que tem um da moda aí que o cara faz para dizer se você descende de europeu, de índio, de—

LLutz

esse é uma bosta, né?

DPDr. Paulo Porto

O que que isso tem a ver, cara?

LLutz

Uma vez eu fiz um, cara, eu gostei muito. Eu não lembro o nome, cara, foi recomendação de uma doutora também para questões de saúde mental, foi bem legal. É bem completo assim, mas tem que tomar cuidado com esses aí, né?

DPDr. Paulo Porto

De, assim, o painel que a gente usa ali no consultório, ele tem o relatório, tem quase 200 páginas, entendeu? E aí eu não quero nem saber se você é europeu, índio, branco, preto, amarelo, vermelho, não quero saber. Eu quero saber o seguinte: qual que é o SNP, que é como se fosse o CPF do teu gene que tá alterado. Quero saber ali no detalhe. Se o laudo não me mostra isso, serve para nada, entendeu? Então, uma coisa é você ter um laudo comercial, tal, que você vai ali fazer seu check-up, o cara fala, não, mais R$300 você faz o seu genético.

Pô, que legal, hein? Que tipo de genético vai vir, né? A outra coisa é você fazer um genético que você pega ali, vem o resultado, 200 páginas, você abre, você falou assim, cara, não entender o que tá escrito aqui. Ótimo, esse é o bom.

LLutz

Doutor, eu queria falar um pouquinho com você sobre demência. Quão genético é a demência, né? Se tem ou se tem como ser evitada com hábitos e estilo de vida e tudo mais. E como é que você vê hoje, quais são hoje os maiores vilões assim, né, que fazem esse problema aparecer?

DPDr. Paulo Porto

Então vamos lá, primeiro vamos entender o que que é demência, né? Porque as pessoas falam em demência, já pensam direto em Alzheimer. Alzheimer é uma das formas de demência. Então eu tenho, por exemplo, a demência senil, a demência vascular, a demência por carência nutricional, dentre elas se destaca a vitamina B12, a vitamina B1, que é a tiamina, que tá presente na demência do alcoólatra, por exemplo. Eu tenho demência por trauma de crânio, famoso, a demência pugilística, em boxeadores.

Eu tenho a demência de Alzheimer, eu tenho demência de Parkinson, tem uma demência de corpúsculo de Lewy, de Pick, ou seja, uma série de tipos, afronto temporal, vários tipos diferentes, cada uma com a sua peculiaridade, mas todas têm em comum prejuízo de memória. O que muda é quando isso acontece. Começa pelo prejuízo de memória, começa por uma alteração de comportamento. O que que acontece? Qual tipo de memória some primeiro?

A memória recente, a memória de fatos tardios, é a memória visual, a memória matemática? Ou seja, tem muitas nuances aí. Na demência de Alzheimer especificamente, somente 30% são de natureza genética.

LLutz

Caraca, o resto bem menos do que eu pensava, é idiopático.

DPDr. Paulo Porto

Ou seja, não tem antecedente na família, mas apareceu. Naquela pessoa. O que que a gente tem de ambiente que influencia isso? Primeiro, exposição cognitiva, ou seja, o quanto você usa sua mente. E aí eu não tô falando que o cara precisa ser um Machado de Assis, mas ele precisa exercitar a mente sempre. E qual que é a forma mais simples de exercitar a mente que a gente tem? Tem ideia? Ler, socializar. Porque quando a gente tá socializando, a gente tá ali conversando com a pessoa, você não sabe o que aquela pessoa vai te falar.

Aí ela te fala, você tem que ouvir aquela língua, traduzir aquilo, botar junto do teu repertório, contextualizar, elaborar uma resposta e devolver. Olha quantas áreas cerebrais eu ativei. E aí eu devolvo, eu olho na cara da pessoa para ver a reação dela, para ver como é que eu vou ajustar reforçar o meu discurso, tá? Tanto que existe um estudo famoso de Harvard que acompanhou pessoas recém-nascidas por 80 anos, e uma das principais causas de declínio cognitivo foi pouca socialização.

Então, a pouca socialização é um fator de risco tão importante quanto fumar o bebê, cara.

LLutz

E hoje está muito forte, né?

DPDr. Paulo Porto

E ninguém dá importância para isso. Entendeu? É por isso que durante o isolamento social tanta gente piorou a memória, porque parou de socializar, certo? Então isso é um fator de risco conhecidíssimo. Fator de risco número 2, os clássicos.

LLutz

Mas eu nunca tinha ouvido falar disso.

DPDr. Paulo Porto

Pois é, mas isso é público, tá? Segunda coisa que é muito importante os clássicos, né, fumar, beber, atividade física. Isso é para qualquer doença crônica, né. Então se você não fumar, se você não beber, se você tiver uma atividade física saudável, você reduz o seu risco. Terceira coisa: propósito. A pessoa tem que sentir que ela tem algum propósito na vida. Por isso que é muito frequente a gente ter alterações logo depois que o cara aposenta.

Percebeu isso? Nossa, o Floriano era tão assim, trabalhava, fazia isso aí. Nossa, foi para casa, ficou meio bobinho.

LLutz

É mesmo, né, cara?

DPDr. Paulo Porto

Falta de propósito.

LLutz

Parece que a pessoa tá normal, parece que ela envelhece trocentos anos em 1, 2.

DPDr. Paulo Porto

A interpretação do nosso corpo é assim: cara, não preciso mais disso aqui, missão cumprida, posso começar a reduzir a marcha, certo? Propósito é importante nas mulheres especificamente. Importante, balanço hormonal. Estrógeno protege imensamente o cérebro contra deterioração. A gente que é homem, a gente não sente muito isso porque a gente nunca teve estrógeno em dose alta, mas a mulher sempre teve, perdeu de uma hora para outra.

Tanto que 2/3 dos casos de Alzheimer são em mulheres, tá bom? Que mais? Fator altamente modificável e que prejudica muito e aumenta muito o risco de demência? Sono. Por que que é isso? Vamos lá. As células cerebrais, elas estão coladinhas uma na outra, os neurônios, não é? E é por isso que se tiverem muito longe fica difícil de um neurotransmissor ir de um lado para outro e manter o sistema funcionando. Aquilo é tão colado que não tem como limpar os dejetos tóxicos que vão se acumulando durante o dia.

É por isso que quando você dorme, fase N1 e N2 do sono, chamadas de sono superficial, os seus neurônios reduzem de volume em 60%, eles contraem. E aí abre-se um espaço para passar o líquido cefalorraquidiano por ali e limpar o que sobrou do metabolismo durante o dia. Isso é um sistema que foi descoberto 10 anos atrás, chama sistema linfático, tá bom? E aí no sono profundo então essa limpeza é feita, e durante o sono REM também.

Quando eu tomo remédio para dormir eu caio direto no profundo, o neurônio não descolou um do outro, eu não limpo, eu vou acumulando lixo, acumulando lixo, aí ele começa a se depositar formando as tais placas de beta-amiloide, as mesmas do Alzheimer, e a minha memória piora. Então sono é um fator de risco que tem que ser assim protegido a todo custo, porque ele faz diferença no risco de demência, tá? Então veja bem, falamos de socialização, de propósito, de etilismo, tabagismo, atividade física, preservação de sono, não é?

Não falei ainda de remédio nenhum, hein? Vamos falar de comida. Hoje a maior parte dos pesquisadores sérios já chama a doença de Alzheimer de diabetes tipo porque se verifica que a resistência insulínica aumenta muito o risco de demência. O que que é resistência insulínica? A glicose, ela tá fora da célula, ela precisa entrar na célula para produzir energia e aquela célula funcionar. A resistência insulínica é quando a célula não se abre mais para entrar glicose com cargas baixas de insulina.

Então fica um monte de açucarzinho, de glicose rodeando a célula e lá dentro tá faltando, ela tá morrendo de fome. Pô, como é que isso é possível, cara? É que você comeu tanto doce na tua vida que a célula parou de responder a ele, não abre mais a porta. Ah, mas isso é cascata. Ah é? Vamos fazer uma analogia. O Lutz, vamos no show do, sei lá, do Iron Maiden. Nós vamos na pista e vamos ficar do lado da caixa de som. O que que vai acontecer?

A gente vai chegar, som alto e tal, dali a pouco A gente acostumou, certo? Porque o meu corpo foi lá e regulou o receptor auditivo para baixo, aquele som não me agride mais. Só que a hora que eu saio do show, o Lutz, eu preciso gritar com você para você ouvir, porque eu regulei o receptor para baixo. Se eu passo a minha vida inteira me entupindo de açúcar, a célula, irmão, regula o receptor para baixo, entendeu? Então esses são fatores assim plenamente modificáveis, não é?

Eu não falei aqui de nada sofisticado, e são fatores que você há de convir que no nosso mundo moderno tá complicado. Você fala assim, mas eu não como açúcar. Ah não? Você gosta de macarrão? Gosta de molho vermelho? Muitos restaurantes põe molho, no molho vermelho, um pouquinho de açúcar para tirar acidez. Você tá comendo açúcar e nem sabe, né? Sono, cara, sono ele funciona muito melhor quando a gente naturalmente, né, quando a gente tem um lugar silencioso, escuro e friozinho.

Aqui em São Paulo é difícil, hein? Porque você tá ali, a rua é barulhenta, sempre tem uma luzinha que entra pela janela. Então hoje em dia proteger o sono é um ritual. Vedar a janela, janela antirruído, ou senão dormir com plugue de ouvido, máscara de dormir. Então nosso mundo hoje, ele realmente, ele joga a gente numa direção que não é legal, entendeu? Mas quando a gente observa, a gente identifica as coisas, a gente encontra eixos de proteção.

Por que não? Custa alguma coisa? Você maneirar no açúcar? Custa alguma coisa você socializar? Custa alguma coisa, cara, eu vou me aposentar daqui a 5 anos, tá? Eu preciso arrumar alguma coisa que faça sentido para mim, para eu continuar sentindo que eu sou útil para alguém ou para o mundo, eu tô fazendo alguma coisa. Cara, pode ser e servir sopão para os necessitados, é um propósito, é um, às vezes um até um hobby, né, que a pessoa se dedique, vai escrever um livro, vai Cara, pô, eu agora eu quero aprender a tocar violão.

Essa é uma grande frustração minha, aliás, hein. Olha só, cara, eu sei operar cérebro e graças a Deus opero bem, mas eu com violão nunca aprendi. Mas um dia, quando me aposentar, vou aprender, né. Então é isso, é você intervir no que você consegue intervir.

LLutz

Eu conheço dois casos na minha família mesmo, de dois avós meus, E um deles aposentou e tipo se largou completamente, e o outro passou a estudar coisas que ele— ele é bioquímico e ele começou a estudar outras coisas que ele ama, física também, começou a se dedicar a essas outras áreas. E tá voando até hoje, é fazer cerveja artesanal, e aí sabe esse tipo de coisa. Então, e o outro acabou Não é uma demência assim, mas foi ficando meio estranho, foi declinando. Então é bem interessante você falar isso.

DPDr. Paulo Porto

Então você vê na prática aí, na tua experiência pessoal, o quanto isso faz diferença, entendeu? E assim, são coisas que dependem da gente, né? Porque assim, o mundo ele não vai mudar. Assim, a pressão por respostas rápidas de celular não vai mudar, a não ser que você coloque o limite, entendeu? Você bota o limite, ele Não, esse tempo meu aqui é sagrado, faço nada, é para mim, é um tempo para mim. O que que você vai fazer para isso, cara?

Você vai fazer yoga, se você vai mergulhar de cilindro que ninguém te liga lá embaixo, se você vai atirar, se você vai fazer pintura, cara, mas você precisa ter um tempo para você, você precisa ter um propósito, porque o corpo ele é assim. Se você parar de fazer atividade física, daqui a pouco sua massa muscular vai embora, porque que o corpo falar, meu, não preciso mais disso, joga fora. Cérebro igual, entendeu? Igualzinho. Por que que as pessoas acham que elas precisam exercitar musculatura, mas não o cérebro?

Porque tem sentido. O cérebro é um órgão que ele é muito caro para o organismo, ele custa caro. É um órgão que pesa aí, sei lá, 2 kg, só que ele consome 20% da energia do corpo. Então, proporcionalmente, ele gasta para caramba. Então, a todo tempo ele tá avaliando, pera aí, eu preciso, Preciso? Ah, não preciso, diminui. Por quê? Porque tá gastando demais. Então se você não ficar gastando demais, ele vai embora.

LLutz

Perfeito, doutor. Muito obrigado, cara.

DPDr. Paulo Porto

Obrigado, Elton.

LLutz

Maravilhoso, cara.

DPDr. Paulo Porto

Podíamos continuar aqui.

LLutz

Maravilhoso, eu agradeço demais, cara. Imagina, nós trouxemos várias informações, cara. E olha que, porra, já fiz quase 500 episódios aqui falando de saúde, mas você trouxe muitas coisas interessantes e novas assim para mim. Principalmente em relação à demência e à socialização, e que é um problema real, né? Eu faço psicologia hoje, né?

DPDr. Paulo Porto

Que legal!

LLutz

E uma das coisas que a gente vê, aí tava discutindo esses dias, né, com o pessoal lá, que as pessoas estão tendendo muito a ficarem sozinhas e a não socializarem mais. Elas estão com preguiça de socializar, elas têm a impressão que estão socializando nas redes sociais e meio que já tem esse gasto gasto, né, de energia que deveria estar sendo gasto em sair conversar com as pessoas e tudo mais, e elas estão se afastando disso.

DPDr. Paulo Porto

A questão maior aí é que a gente não tem uma dissociação entre mente e corpo, entendeu? Isso não existe, cara. Isso é uma coisa que eu converso sempre com a minha esposa, eu te falei, ela é psicanalista. Ia ser legal trazer ela aqui porque o papo ia ser legal. Sim, as pessoas têm essa falsa impressão. Por que que foi criado isso, né? Sempre sistematização de estudo para facilitar o estudo das pessoas. Mas na prática, cara, não existe separação.

Assim, você fica nervoso, teu coração dispara. Então como é que você pode dizer que é separado, né? Quando assim, hoje eu emprego muitas, muitos biohackers nessa hora, que eu gosto muito, cara. Pessoa tem crise de ansiedade, irmão, Box breathing, respiração 4-7-8, água gelada na cara. Pronto, você tá usando o teu corpo como interruptor para tua mente. E o caminho inverso naturalmente é verdadeiro, entendeu? Então isso é uma coisa que as pessoas precisam parar com essa coisa.

Não tem dissociação, cara, não tem dissociação. Agora você imagina, tua vida inteira você fica ali: ai, porque eu acho que eu vou morrer de infarto, que eu acho que eu vou morrer de infarto.

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DPDr. Paulo Porto

Cuidado com o que você deseja.

LLutz

Verdade, cara.

DPDr. Paulo Porto

Entendeu? Então assim, existe um experimento, cara, que é muito legal, que eu acho que mostra muito isso. Você procurar no YouTube faz tempo que eu não vejo esse vídeo mais, cara. Eu perdi ele. Sabe aquelas coisas daqueles monges vestidos de aquela roupa laranja e tal? Que aí você vê ali, tem uma passarela. Eu já vi com as duas coisas, já vi com aquelas pedras incandescentes e já vi com caco de vidro. E aí você vê o cara caminhando ali em cima com cara de paisagem.

Mas falei, irmão, que isso, cara? Porra, é a primeira vez que eu vi aquilo. Eu falei Esse cara é o melhor ator da face da terra, porque o cara tá andando, esse troço tá pelando o pé dele, ele tá com cara de paisagem. Aí os caras sofisticaram isso, eles começaram a medir parâmetros, que a minha paixão é medir parâmetro, parametrizar. Então o monge passava em cima daquele troço ali pelando, sendo medida a frequência cardíaca. Ele chegava ali na ponta, o cara media adrenalina dele para ver se disparou adrenalina, porque não sei o quê, parâmetros.

E, cara, nada mudou. Só como nada mudou? Porque a mente desse cara bloqueou a condução de estímulo de dor, e ele realmente não sentia dor. Não é que ele tava fingindo que não tava sentindo dor, entende? E isso é um negócio que você vê acontecer muito frequente. Pô, você vê o cara das forças especiais O cara se envolve lá no, sei lá, na captura do Maduro aqui na Venezuela, foi o Delta Force, né? O cara foi lá e tomou um tiro. Quando que ele viu que ele tomou um tiro?

Quando ele já tava na aeronave voltando para base. Aí ele olha e falou assim, nossa, nossa, tomei um tiro, cara! Você tomou um tiro e não sentiu? Por quê? Porque você ali estava tão focado, e aquilo ali, adrenalina, que não sei o quê, que que você suprimiu a informação sensitiva que não era relevante para você cumprir o que você tinha que cumprir. Quem que faz isso? A fisiologia tá ali, mas quem fez isso foi a tua mente, entendeu?

Foi a tua mente que fez aquilo acontecer. Ela direcionou o liga e desliga de alguns sistemas para canalizar para o outro. Então como é que as pessoas têm coragem de dizer que, ah não, isso aí, perfeito, doutor.

LLutz

Bom, As pessoas podem, prazer todo meu, cara. Depois a gente pode trocar contatos e marcar outras coisas. Como é que as pessoas podem acompanhar mais o seu trabalho? Melhores formas, não sei se tem YouTube, Instagram.

DPDr. Paulo Porto

Tem um YouTube, não é do tamanho do Lutz Podcast, né? Acabei de bater 350K, pessoal.

LLutz

Tá ótimo, cara.

DPDr. Paulo Porto

Mas tem lá, a gente é, não é fácil, YouTube é diferente, né? O Instagram você vê que a galera viraliza do dia para noite, YouTube não, aquele Fall never arrives all at once.

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DPDr. Paulo Porto

De consciência social mesmo, porque não é todo mundo que pode pagar minha consulta. Às vezes o cara até pode pagar, mas ele mora, sei lá, em Angola. Acho que você também deve ter um monte de uma galera que é de fora, né? Um monte. Só que o cara não pode vir para informação de saúde. Então é a minha forma de levar um pouquinho de saúde para as pessoas, né, que não tem condições financeiras ou logísticas de vir até mim. E tem o Insta, né, cara.

Então YouTube é fácil, o cara entrou lá na barra de busca, põe lá Doutor Paulo Pordimelo. E no Insta é @ppmelo.

LLutz

Legal.

DPDr. Paulo Porto

Então a gente tá ali também, óbvio que numa profundidade menor por conta do formato da plataforma, né, tem que entregar alguma coisa em 3 minutos. Então a gente entrega pérolas ali, pílulas diárias para que as pessoas tenham um despertar, digamos assim. E tamo lá construindo.

LLutz

Legal demais, cara. Vou deixar todos os links aí na descrição, facilitar a vida do pessoal. É isso, mais uma vez muito obrigado, cara. Prazerzão.

DPDr. Paulo Porto

Prazer foi meu.

LLutz

E é isso, gente. Muito obrigado pela sua atenção. Até a próxima e tchau, tchau.

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