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674: Uma brasileira em Luxemburgo – Jetlag 079

01 de setembro de 20261h18min
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Paulinho e Gustavo conversam com a mogiana Luanna Eroles, que conta como decisões difíceis em momentos-chave da vida a levaram a empreender em um dos menores países do mundo.
Participantes neste episódio3
G

Gustavo

HostProgramador
P

Paulinho

Host
L

Luanna Eroles

Convidado
Assuntos5
  • A experiência de voluntariado de Luanna nas Ilhas Marshall como professoraIlhas Marshall·Voluntariado internacional·Educação·Cultura
  • O surgimento da Happy Kids Academy em Luxemburgo e o foco em saúde mentalHappy Kids Academy·Saúde mental·Adolescentes·Inteligência Artificial·Luxemburgo
  • A jornada de Luanna Eroles para Luxemburgo e suas experiências em países pequenosLuxemburgo·Países pequenos·Geografia
  • Desafios pessoais e profissionais de Luanna na Alemanha e o divórcioAlemanha·Crise existencial·Divórcio·Maternidade
  • A metodologia da Happy Kids Academy e a relação com valores cristãosMetodologia·Valores cristãos·Ciência do bem-estar·Esperança
Transcrição232 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
PPaulinho

Olá, pessoas! podcastirmãos.com Jet Lag entrando no ar. Eu sou o Paulinho, estou aqui com o Gustavo, que eu não sei, mas eu acho que ele teve que procurar no mapa onde fica Luxemburgo. Fala sem olhar no mapa, fica entre que países, Gustavo?

GGustavo

Rapaz, eu amo geografia, claro que eu sei que fica entre a França e a Alemanha.

PPaulinho

Não, tem mais um país pelo que eu vi, eu joguei no mapa. Faz fronteira com mais um país. Aí vai, Bélgica. Bélgica, muito bem, muito bem.

GGustavo

Não, eu sei, rapaz, é esses países de primeira que existem lá na Europa são super interessantes de você conhecer. Entrou, passou a primeira, botou a segunda marcha, acabou o país. E a gente tá aqui com a Luana, que por incrível que pareça Luxemburgo não é o menor país que ela já viveu.

PPaulinho

Olha só, ela gosta dos países pequenos.

LELuanna Eroles

Oi, gente, muito obrigada, prazer estar aí com vocês no podcast, falar de Luxemburgo e de outros países que eu vou descobrir.

PPaulinho

Que legal, ó, Luxemburgo para os futebolistas de plantão não é o técnico que já dirigiu a seleção brasileira, o Palmeiras, o Santos, tá? Não é o professor, é o país que a gente aprende na escola, os menores países do mundo. Eu lembro, tem Liechtenstein, né, Vaticano, Luxemburgo, São Marino, Mônaco, né, esses países enclave que se diz, né. E a gente vai conhecer um pouquinho dessa viagem da Luana para parar em Luxemburgo, mas passando também por outras ilhas muito interessantes que tem aí na história.

Então nós vamos conhecer a história da Luana aqui no Jetlag, que se propõe a conversar com cristãos ao redor do mundo que têm descoberto sua vocação e trabalhado com ela nesses países também. Gustavo, como é que você conheceu a Luana? Luana, como que a Luana entrou no caminho da Tente, do Jetlag?

GGustavo

Rapaz, essa é uma pergunta de difícil resposta.

PPaulinho

É mesmo?

GGustavo

Porque recentemente a gente fez uma campanha na Tente dos Estados Unidos para procurar quem na nossa lista de contatos tava interessado em educação, porque a gente tem visto, Paulinho, muitas oportunidades para cristãos trabalharem no universo da educação. Que seja dando aula para crianças, para jovens, para universitários, que seja trabalhando gerando conteúdo ou dirigindo escolas, trabalhando em volta desse mundo da educação.

Como eu recebo tanta oportunidade disso e a quantidade de pessoas que eu conheço nessa área não é tão grande interessadas em ir para outros países, eu soltei essa pergunta, mandei para 2.500 pessoas da lista de email dos Estados Unidos. Ó, Dessas, 50 pessoas falaram, eu tô interessado em saber mais. Aí eu falei, então me conta quem você é, me manda seu LinkedIn e vamos conversar. 16 pessoas responderam. Aí eu falei, cara, 16 não é um número tão pequenininho que tipo frustra, mas também não é um número grande demais que não dá para eu conversar com todo mundo.

Então marquei com os 16 para conversar. A primeira pessoa que eu marquei foi a Luana, e quando eu marquei Que eu entrei no— a gente começou a conversar em inglês, mandei um email em inglês, ela mandou em inglês, entrei no LinkedIn dela para olhar. Eu e ela éramos conexão no LinkedIn desde 2015 e ela é brasileira.

PPaulinho

Olha aí!

GGustavo

Quando entramos na reunião, ela falou hello, eu falei oi, aí acabou. Aí já somos amigos, aí acabou, né? Acho que dois brasileiros quando se encontra, acabou.

PPaulinho

Amigos de infância, né?

GGustavo

E a gente ainda não tem muita certeza de como foi que a gente desconectou no LinkedIn, mas o importante é que agora a gente se reconectou. E a Luana tem um projeto muito legal em Luxemburgo que ela tá desenvolvendo na área de educação. E eu fui atrás desse projeto, mas quando eu perguntei como você foi parar em Luxemburgo e a história começou lá atrás, indo pra um atol no Oceano Pacífico, eu falei, cara, essa história tem que ir pro Jet Lag.

A galera vai curtir ouvir a história da Luana, vai ser abençoado. Por essa história. Então vamos lá, Luana, como você foi parar aí em Luxemburgo? Começando lá de trás, tá?

LELuanna Eroles

Vamos começar, a história é longa, todo mundo tem tempo, né, gente?

PPaulinho

Vamos lá, estamos aqui para isso, a gente adora histórias, por isso que a gente faz podcast.

LELuanna Eroles

Eu entrei na faculdade terminando o high school, né, o ensino médio. Eu morava no interior de São Paulo, em Mogi das Cruzes, então sou uma mogiana, e fui morar em São Paulo, estudar lá. Aí, no meio da faculdade, eu tive um estágio que eu achei assim excessivamente maçante e desmotivador. Tava numa crise existencial, tipo, será que eu escolhi o curso certo? Tava tudo bem, era um estágio bem pago, que tava num escritório muito pequeno, mas eu não sentia gratificação pelo que eu tava fazendo, eu não me sentia desafiada.

E eu pensei, acho que eu preciso fazer uma pausa, um intercâmbio, alguma coisa, porque talvez se a minha vida for assim depois que eu me formar, é melhor eu parar agora esse curso. Curso, fazer outra coisa. Aí eu fui pesquisar o que que dava para fazer, daí eu vi que dava para trabalhar, você pode tentar fazer au pair, que é trabalhar de babá em família que tem vários filhos, dá para você fazer alguns tipos de estágio com faculdade, mas eu não tinha condição financeira de fazer os estágios sem bolsa na época.

PPaulinho

Então você tava procurando oportunidades de estudar fora, de ter uma experiência no exterior, uma experiência no exterior.

LELuanna Eroles

E eu encontrei algumas assim, trabalhar em estação de esqui, trabalhar princesa Disney, todas as coisas possíveis e imaginárias eu tava vendo.

GGustavo

Trabalhar de princesa da Disney, cara.

LELuanna Eroles

Eles falam em geral, olha, eu até fiz essa entrevista, tá? Mas no fim eu fiquei um pouquinho de peso na consciência, eu não fui princesa da Disney. Mas normalmente eles não contratam gente de fora para ser princesa por causa de sotaque, porque frustra o americaninho se vai chegar uma princesa falar com ele com sotaque. Mas tinham me pré-aprovado para ser uma princesa disso.

PPaulinho

Então você já falava muito bem o inglês, né?

LELuanna Eroles

É, eu já, graças a Deus, tive oportunidade de fazer muitos anos de inglês. E daí eu tava ainda procurando, eu vi um lugar que tinha um anúncio, na verdade era uma vaga de voluntariado para trabalhar cuidando de tipo bebês leopardo na África. E eu achei, gente, isso aqui é maravilhoso, é o que eu quero fazer da minha vida. Mas aí eu fui na casa de intercâmbio e falaram, não, é muito legal, você vem, você trabalha trabalho, você faz todo voluntariado, doação, e o pacote custa, sei lá, R$13.000.

PPaulinho

Ah, você tinha que pagar.

LELuanna Eroles

Pensando, nossa, gente, mas eu vou trabalhar de graça e eu tenho que pagar para eu ir?

PPaulinho

Porque é muito comum nesse tipo de intercâmbio mesmo, né? Eles te oferecem a experiência, você trabalha para eles.

LELuanna Eroles

Tem muitas agências no Brasil que trabalham com isso, mas me abriu uma caixinha mental de, tipo, perceber as coisas que eu gosto. E eu falei, gente, ser voluntário, com certeza a minha igreja tem programas de voluntariado e eu não tô nem pensando nisso. Voluntariado internacional, eu devo me informar. Eu sou da Igreja Adventista e eu fui procurar online e tem um site que chama adventistvolunteers.org, que na época não tinha no Brasil, mas na igreja internacional vários projetos, escola, qualquer coisa podia publicar e falar, gente, a gente tá com projeto aqui, quem quiser, bora.

Eu fui entrar e ver o catálogo, tinha mais de 2 mil vagas de voluntariado em diferentes temas, desde mais evangelístico fechado, piloto de avião, médico, equipe de cineasta na Tailândia para filmar testemunho.

PPaulinho

Mas que curso que você fez na universidade?

LELuanna Eroles

Na faculdade eu estudei comunicação social, que era com habilitação em publicidade e propaganda. Eu tive uma época que eu queria medicina, mas eu percebi que, gente, sangue, eu literalmente eu desmaio muito fácil com sangue. Aí eu fui meio que vendo outras coisas, mas a parte da arte, da comunicação e de outras coisas sempre me atraiu muito. E eu acho que isso é algo que dá um diferencial em qualquer profissional, porque comunicação, mesmo que você migre de área, isso vai ser o seu diferencial para sempre.

E é algo que as pessoas usam muito forte para promover ideias e valores que a gente não concorda ou não tá alinhado enquanto cristão. Mas eu acho que os cristãos têm que ter a mesma capacidade técnica, teórica, profissional de promover as coisas que são do bem.

PPaulinho

E você então tava procurando oportunidades, qualquer uma, né? Então você tava formada nisso.

LELuanna Eroles

Eu não tava formada, eu tava no meio da faculdade, eu morava no Butantã. Eu tive o privilégio, e Deus me ajudou também, que eu passei na USP, então eu não pagava faculdade. Eu tinha um estágio e o estágio tava me pagando em São Paulo, porque foi um ano também que em casa foi o caos. Minha mãe trabalhava numa empresa do meu vô, uma empresa que tinha 60 anos, que fechou no ano que eu passei na faculdade. Então assim, se fosse qualquer outra faculdade, eu não teria feito aquele curso naquele ano, eu ia ter que ver como que eu ia me resolver.

Mas Deus foi montando as coisas. Me ofereceram um emprego no primeiro semestre, sendo que normalmente no primeiro semestre nem tá procurando estágio, porque fizeram uma entrevista comigo no dia do trote na faculdade e alguém viu e me reconheceu e me ligou e falou, ah, você tá em São Paulo? A gente tá precisando de uma estagiária, você quer fazer? No fim, eu tinha um emprego, eu tinha uma casa compartilhada com outras meninas da igreja, eu tinha uma faculdade que eu não tinha que pagar.

E um ano que podia ter sido um desastre, tipo, financeiro, minha mãe ter que falar que não pode pagar faculdade, parar tudo, eu nem vi passar. Tudo deu certo, tudo deu certo aquele ano. Pra mim foi uma grande bênção e eu tinha muita gratidão de todas as coisas e as boas memórias que eu passei nos outros anos. Porque a minha família, na verdade, quando eu era bem pequenininha, como eles tinham uma empresa muito grande, eu tive uma infância muito privilegiada em vários aspectos.

Mas o mais importante para mim foram as pessoas e o trabalho da minha avó, principalmente, que ela fazia muita pregação, ia visitar a igreja. Eu sempre acompanhava ela e nunca me apeguei tanto à questão material.

GGustavo

Mas olha, isso também não te impediu de procurar um estágio qualquer que fosse no começo lá da sua carreira. A hora que você quis ir para outro país, você tava olhando opções das mais diversas, de babá de pessoa a babá de bicho na África. Você tava disposta?

LELuanna Eroles

Não, eu tava muito empolgada com os meus planos. E eu consegui, com o dinheiro do estágio— gente, isso em São Paulo é difícil, por isso que eu falo que Deus é bom. Eu consegui pagar o aluguel e juntar dinheiro pra um intercâmbio em um ano. E sobreviver em São Paulo, que Deus é bom. Foi pra São Paulo pra morar num kitnet na frente da faculdade. Pagava no quarto R$1.000, sei lá. E eu dividia com 4 o apartamento, então a gente pagava R$350 cada um.

Esse era o meu custo fixo. Meu salário de estagiário era R$800. Com a diferença de comida e custo fixo, eu consegui dinheiro para comprar uma passagem para o lugar que eu escolhi ir no voluntariado. Que no fim, comparando várias opções de projetos, etc., tinha uma que era mais sustentável, que ela não precisava de tanto investimento para você ir. Eu queria fazer algo em comunicação primeiro. Eu vi questão de time cinematográfico e outras coisas assim.

Só que era assim, ah, você vai trazer o seu equipamento profissional, você vai pagar as suas passagens e você vai pagar sua estadia por um ano aqui no projeto, você vai pagar sua alimentação.

GGustavo

E eu falei, gente, não, não posso, tive que passar voluntário com as suas habilidades, o seu bolso, né?

LELuanna Eroles

É meio que para movimentar. Depois que eu fui entendendo que tem alguns projetos é que é meio para você movimentar sua igreja local e falar, gente, vamos mandar alguém. E daí te mandam, entendeu? Mas assim, ou você banca 100%.

PPaulinho

Mas você acabou indo para onde então?

LELuanna Eroles

Eu encontrei um fio que tava escrito assim, olha, a gente tá procurando professores pra trabalharem aqui, é uma escola bilíngue local. Você paga a passagem, aqui tem quarto pros professores, a gente tem moradia pra todo mundo que trabalha na escola. E a gente tem um vale alimentação que cobre os seus custos do mês. Que na época eram $200 que eu recebia por mês. E eu fui ver, ah, esse parece que encaixa, porque eu consigo guardar a passagem.

Vamos ver quanto custa a passagem, vamos ver para onde é. E eu fui ler e tava escrito Ilhas Marshall. E daí veio aquela pergunta: onde que é isso? Ninguém sabe.

PPaulinho

Não sei se vocês sabiam, agora já fizeram uma pesquisa aí, né? Eu já joguei aqui quando você mencionou. E eu deixa eu ver se eu consigo compartilhar a tela aqui. Isso aqui vai ser novidade no podcast, mas vai ser legal.

LELuanna Eroles

Vale a pena. Eu tive o mesmo efeito. Todo mundo que vê acontece a mesma coisa.

PPaulinho

Aqui, ó. Aí você joga Ilhas Marshall no Google Maps. Aí, tipo, Ilhas Marshall. Vamos lá, digitei aqui, dei o Enter. Ele vai fechar aqui em algum lugar do Pacífico. Tá aqui, Ilhas Marshall. Então vamos tentar aproximar. Aí você vê uns pontinhos aqui e tal, fala, mas cadê as Ilhas Marshall? Não, as Ilhas Marshall são isso. É essa casca de ilha. Como que é isso, Luana? Que lugar é esse?

LELuanna Eroles

É a casca da ilha. As Ilhas Marshall são atóis. Inclusive, o atol de Bikini, onde foi testado as bombas nucleares, faz parte das Ilhas Marshall.

PPaulinho

É onde mora o Bob Esponja também.

LELuanna Eroles

É onde mora o Bob Esponja, é onde mora o Nemo e a Dory. Gente, o peixe palhaço é originário das Ilhas Marshall. E é onde mora a Moana, porque a Moana é marceleza.

PPaulinho

A Moana é daqui também. Caramba, é mais conhecido do que a gente imaginava. Mas olha onde fica, eu tô dando o zoom out aqui. Olha aqui, ó, pra esquerda fica as Filipinas, Austrália lá pra baixo. E as Américas vem só lá depois, né? Agora nem sei se eu consigo voltar lá mais, eu já me perdi. Ah não, ainda bem que eu pesquisei.

LELuanna Eroles

Não, é literalmente no meio do nada. De avião, as Ilhas Marshall fica 5 horas e meia do Havaí, a capital, né? Que a capital chama Majuro.

PPaulinho

Ah, o Havaí tá pra cá ainda, né? Deixa eu ver.

LELuanna Eroles

5 horas e meia do Havaí, que o Havaí já tá, sei lá, 6 horas do continente. E 6 horas do Japão, 6 horas da Austrália. Ou seja, fica literalmente no meio do nada.

PPaulinho

Já me perdi de novo.

LELuanna Eroles

No meio do nada.

PPaulinho

Caramba! E qual que é a largura das terras aqui?

LELuanna Eroles

Depende do atol, mas normalmente que vocês olham, né, isso aí é uma parte que ficou para cima da água. Algumas delas, quando a correnteza ou quando a maré sobe, ela fecha e fica aquela foto de fundo de tela, sabe, que tem uma ilha desse tamanho com um coqueiro? Ah, sim, é porque a maré subiu e daí ela parece que são várias ilhazinhas, mas por baixo ela é uma ilha só. Ah, então quando a estrutura É conectado.

PPaulinho

Que louco isso! Aqui tem vários pequenininhos, ó.

LELuanna Eroles

É, então são esses pedacinhos, mas quando a maré baixa normalmente ela consolida. Alguns desses, de um lado para o outro, ele tem 5 metros assim de mar a mar.

PPaulinho

Mas 5 metros, você consegue ver dos dois lados o mar assim. Vamos ver aqui o satélite.

LELuanna Eroles

Olha só, aí dá para ver melhor, dá para ter ideia ali de onde é a praia, onde tem vegetação. Essa não é a capital, né? Você tá em outra ilha aleatória.

PPaulinho

Ah, eu saí viajando aqui, ó. A capital onde tá o aeroporto? Aqui tá o aeroporto.

LELuanna Eroles

Algumas têm aeroporto. E, meu, aeroporto nas Ilhas Marshall também é uma coisa muito engraçada, porque eles não têm uma visão capitalista, tá? Então existe uma companhia aérea marxalesa, porém você pode ir para uma ilha e eles decidirem mudar o roteiro ou eles não voltarem e falarem, ah não, precisa de gente na ilha lá, a gente vai na ilha lá. E você pode ficar preso na ilha até 2 meses, até que algum avião volte a pousar na ilha.

GGustavo

Meu Deus, 2 meses!

LELuanna Eroles

2 meses. Tinha turista que ia lá viajar e falava, vamos fazer uma coisa legal, pegar um avião e ir para uma ilha mais remota. Só que eles iam sem saber que eles não iam voltar, pegar um voo para voltar para os Estados Unidos.

PPaulinho

Pânico! Não, e agora com o satélite dá para ver que assim ela é toda conectada, quase toda conectada por baixo, né? Mas daí o que você enxerga é isso aqui, ó, né? O que eu enxergo, esses pontinhos. Mas aí quando a gente vê o satélite, você vê que tem um atol, né, conectando todos eles e deixando esses pedacinhos fora, que dependendo da época do ano, talvez, ou da época do momento do dia, tá submerso ou não, né?

LELuanna Eroles

Sim, exatamente.

PPaulinho

Tá, mas o que que tem lá além de, sei lá, só vejo verde aqui, ó, tá vendo? Só vejo verde.

LELuanna Eroles

Se você escrever ali Majuro Majuro é a capital onde mora mais de 50% da população. Não é muito diferente desse que a gente tá vendo, mas tem muita gente que manda os filhos para Majuro. Mas tem até, dá até para ver a pista do aeroporto, uma escadinha ali na praia para pista. Tem uma Universidade das Ilhas Marshall, que é uma filial da Universidade de Fiji. Aí na capital já dá para ver mais construções, né?

PPaulinho

Ó, tem casas, olha aí, ó.

LELuanna Eroles

Construções.

GGustavo

Tem uma rua, tem uma rua, exatamente, dá a volta no atol.

LELuanna Eroles

Não tem ônibus, mas eles têm um monte de taxista que eles ficam indo e voltando assim o dia inteiro só para ver quem que eles pegam. Aí vai todo mundo entrando junto no mesmo táxi.

PPaulinho

Que legal, gente! E pertence aos Estados Unidos ou é independente? Um país independente?

LELuanna Eroles

Isso, então as Ilhas Marshall é um lugar estratégico no mapa. Antes, perto da guerra, ele chegou a pertencer aos Estados Unidos quando eles se apossaram lá por causa das Ilhas de Biquíni, né, que também porque é metade do caminho para ir para o Japão. Então se o Japão quer ir para os Estados Unidos, os Estados Unidos querem o Japão, como o voo é muito longo, é um dos lugares que dá para pousar no meio do caminho. E existe meio que um, não é uma guerra declarada, mas os Estados Unidos sempre quer dar presente para as Ilhas Marshall, manter um bom relacionamento com as Ilhas Marshall.

Aí chega a China e, ah, eu fiz um monumento para as Ilhas Marshall. E lá é um santuário de tubarões, as Ilhas Marshall, e tem muito peixe. Então tem muitos navios asiáticos que vão pescar nas Ilhas Marshall. Eles têm muito mais mar do que terra e eles são muito explorados por causa de recursos naturais. Então todo mundo tem lá a galera.

GGustavo

Inclusive teve essa exploração aí das Ilhas Bikini, né? Que foi um teste de bomba nuclear que explodiram o atol, né?

LELuanna Eroles

Não, é isso. Não só explodiram o atol, mas quando eles fizeram, soltaram a bomba, A radioatividade contaminou a água e eles eram uma população que se alimentava 100% de pesca. Então tem uma geração que assim morreu muita gente, começou a nascer com deformação, com outros tipos de problema. E os Estados Unidos têm uma dívida histórica por causa disso. Eles tinham que mandar dos Estados Unidos comida enlatada para população porque nada que crescesse ou que tivesse perto da ilha eles podiam comer.

E fazendo isso por gerações, eles acostumaram na ilha as pessoas a comer enlatado. E hoje 60% dos adultos nas Ilhas Marshall têm diabetes ou sofrem por consequência de diabetes. É assim uma—

GGustavo

porque eles aprenderam a comer os enlatados, não é que eles estavam vendo, né?

PPaulinho

Foi passando a cultura, né? Cultura, que coisa! Mas aí, para ser professora numa escola, dentista, É que os adventistas têm isso bem forte, a questão da educação, né? Escola adventista para todo lado.

LELuanna Eroles

No Brasil é super forte. Na Alemanha, assim, eu não— é, como posso dizer, não investiram em educação. Então eu sinto muito por isso.

PPaulinho

Entendi. E você passou um ano nas Ilhas Márquias?

LELuanna Eroles

Passei 2 anos nas Ilhas Márquias.

PPaulinho

2 anos? Era um ano, mas o avião não voltou. Era um ano, mas não conseguiu voltar.

LELuanna Eroles

Mudaram o trajeto.

PPaulinho

Que legal, que experiência, hein, Luana?

LELuanna Eroles

Sim, foi maravilhoso. Eu fiquei 2 anos lá como professora, primeiro no ensino primário e depois como a gente ganhou uma doação e montou um laboratório de computação para os alunos. A gente teve uma transição de diretor, que teve um problema com o diretor lá e a escola ia ficar sem diretor. Então eles pediram quem pudesse para ficar o segundo ano para ajudar a transferência dos voluntários e dos missionários.

PPaulinho

Meu filho passou aqui como se estivesse invisível.

LELuanna Eroles

Pelo menos não tava de sunga, né?

PPaulinho

É, não tava de sunga, eles falaram. Com o calor que tá aqui, corria o risco, viu?

LELuanna Eroles

E daí eu fiquei um ano a mais e pra mim foi assim maravilhoso o contato com as crianças, todo o trabalho que a gente fez, tanto em questão de saúde, em questão de esporte, em questão da educação formal em si, trabalhando dentro da escola. Eu percebi que no Brasil talvez eu teria estudado pra ser professora, Mas eu cresci também ouvindo muito dos pais algo que infelizmente algumas pessoas no Brasil pode falar, tipo, olha, vida de professor no Brasil é difícil, tem certeza que é isso que você quer? Daí você repensa mil vezes, né, antes de decidir.

GGustavo

Mas antes da gente sair das Ilhas Marshall, eu tenho duas perguntas. Eu sei que o nosso objetivo é chegar lá em Luxemburgo, mas a primeira pergunta é: o povo mesmo parece com a Moana lá?

LELuanna Eroles

Muito, muito parecidos, muito parecidos. Sim, meus aluninhos. Eu tenho foto com meus aluninhos, gente, mas depois eu tenho que mostrar para vocês ou mandar para vocês fazer uma página.

PPaulinho

Pode ser?

LELuanna Eroles

Não, eles parecem sim. E eu tinha um diário, na verdade, que eu escrevia, eu postava toda sexta-feira. Aí eu tinha, na época, quase virei uma mini influencer. Eu tinha 70 mil seguidores que liam meu diário nos dias de março.

PPaulinho

Nossa, olha que legal!

LELuanna Eroles

Era blog spot ainda.

GGustavo

É muito tempo atrás, né?

LELuanna Eroles

Blogspot. Se entrar lá, tem foto de alguns alunos. Ó, vou abrir aqui.

PPaulinho

Passa o endereço por áudio para as pessoas quiserem pesquisar enquanto estão ouvindo o podcast.

LELuanna Eroles

Sim, o nome do blog era Lá em Majuro. Não é tão fácil digitar. Majuro com J. laemajuro.blogspot.com.

PPaulinho

Legal.

LELuanna Eroles

E aí tem coisas que eu fui postando nos 2 anos lá.

GGustavo

E a minha segunda pergunta é: Olhando agora, você já morou em vários países, a cultura das Ilhas Marshall é muito diferente? Eles são muito diferentes da gente aqui no Brasil, por exemplo?

LELuanna Eroles

Em várias coisas eles são muito diferentes. Talvez os alemães são mais diferentes. Mas o marshallês, na verdade, eles são muito dóceis no sentido de assim ser humilde e ouvir as coisas dos outros. Então, interessante também que quando os Estados Unidos chegaram e eles meio que colonizaram, recolonizaram as Ilhas Marshall, trouxeram comida, estouraram lá a bomba, eles falaram pros nativos que eles não podiam se vestir da maneira como eles se vestiam.

Então, eles trouxeram vestidos pras mulheres que têm que cobrir o joelho e tem um corte bem antigo, assim, dá pra ver bem aqueles vestidos de fotinho, sei lá, 1800. As mulheres usam aqueles vestidos até hoje e mulher não pode usar calça nas Ilhas Marshall. Não pode usar calça, não pode usar camiseta sem manga ou mais aberto aqui. Até para nadar, as mulheres, inclusive as pessoas trabalhando nas Ilhas Marshall, barra eu nas Ilhas Marshall, tem que nadar de vestido com bermuda por baixo.

PPaulinho

Mas isso por causa da cultura externa que implantou isso na cabeça deles. Talvez antes não fosse assim.

LELuanna Eroles

Antes não, antes não era assim, antes era índio, né, digamos assim. Mas hoje vem americanos fazer turismo nas Ilhas Marshall ou porque eles querem ver barões, ou por causa que eles querem fazer, enfim, aventuras lá para dentro. E daí os americanos vêm de mini shorts, as americanas. Então tem um clash de cultura assim, os marxistas estão seguindo aquela receita porque eles queriam fazer o jeito que eles entenderam ou que foram ensinados que era o certo.

Eles têm muito apego a isso, a tentar fazer o que é certo, e cria essa contradição. Ficou lá, isso influencia e afetava muito a identidade deles, porque as coisas estavam mudando e eles estavam tentando ficar identificar a um ponto que já não fazia mais sentido, porque eles perderam quem eles eram antes e eles ficaram presos num eco de quem os Estados Unidos foi.

PPaulinho

Olha só que louco!

GGustavo

E o cristianismo lá, de forma geral?

LELuanna Eroles

De forma geral, tem muitas denominações que têm igreja na capital das Ilhas Marshall. Eu fiquei impressionada, achei demais. E a maioria das escolas são de igreja, maioria das escolas. Eu acho que todo mundo lê aquele verso que o evangelho vai chegar, quando chegar em todas as ilhas, as últimas ilhas do mundo, daí todo mundo pensa, não, vamos mandar Brasília é passível, vou mandar o pessoal para lá. Então hoje eles são muito cristãos por causa da presença das igrejas que tem lá e também porque já há muitas gerações dos professores que vão para ilha para trabalhar com os alunos são professores que vieram por meio de projetos de denominação.

PPaulinho

E você foi com essa ideia de que era temporário, não chegou a passar pela sua cabeça não, aqui eu encontrei o meu lugar, eu vou viver aqui para sempre?

LELuanna Eroles

Não, não chegou, porque eu fui no meio da faculdade, então um, eu sabia que eu tinha que voltar porque já que Deus me abençoou passei na USP, eu tenho que fazer honra ao trabalho que eu consegui, conseguir me graduar. Porque depois graduado você pode fazer mais coisa. Então a gente quer fazer muita coisa na vida, mas gente, estudem, terminem, façam essa, termine, né?

PPaulinho

E você conseguiu ficar 2 anos pela universidade ainda? Tipo, você duplicou?

LELuanna Eroles

Eu tive que pausar a universidade. Eu podia pausar no máximo 2 anos. Eu tentei fazer lá, eu peguei algumas matérias optativas na universidade de FIDE que tinha no campus nas Ilhas Marshall. Fiz uma matéria, duas eletivas, acho que foram duas, que eu consegui convalidar como optativa na faculdade. Então eu fui a única pessoa que trouxe, olha, eu tenho certificado de estudos da Universidade de Fiji, que na verdade foi feito no campus das Ilhas Marshall.

GGustavo

Tinha mais algum brasileiro além de você lá na época?

LELuanna Eroles

Quando eu fui, eu fui a primeira brasileira do projeto aí, não tinha ido nenhum professor brasileiro antes. Muitos brasileiros nem conheciam a ilha. Quando eu voltei no primeiro ano de férias, teve um congresso no Brasil e eles inauguraram o site de voluntários no Brasil. Então me chamaram para falar no congresso e eu voltei para as Ilhas Marshall com dois outros brasileiros, que eu falei, ah, é isso que eu queria fazer, é isso que eu queria fazer.

E daí já foram comigo. Nos anos seguintes que foram gente me contactando, ou quem eu levei depois foi levar, assim, eu voltei depois do segundo ano, mas digamos que nos próximos 5 anos foram pelo menos uns 13 brasileiros trabalhar no projeto. Eu via uma história, eu se motivava e falava, gente, eu devia estar fazendo alguma coisa assim.

GGustavo

Nosso jet lag é isso, né, Paulinho? A gente quer inspirar as pessoas para criar coragem e levar Jesus para tudo que é canto no mundo, nem que seja nas Ilhas Marshall, né? Apesar de que lá nas Ilhas Marshall o pessoal já foi.

PPaulinho

Vamos procurar outra ali do lado, procurar outras ilhas isoladas.

GGustavo

Bom, mas e aí voltou das Ilhas Marchas, terminou a faculdade?

LELuanna Eroles

Voltei, terminei. Teve assim uma volta meio turbulenta, né, porque no fim do segundo ano eu me casei nas Ilhas Marchas. Eu me casei com meu namorado que estava à distância, meu namorado aguardando eu voltar, digamos assim.

PPaulinho

Você foi namorando?

LELuanna Eroles

Eu fui namorando, eu comecei a namorar no primeiro mês que eu A gente tava namorando, eu falei, olha, gente, eu já tenho esse plano e é isso aí, é rapidinho, não sou o momento de discutir esse plano, mas vou voltar. E na época meu namorado achava que era bobeira, tipo, ah, isso é coisa de gente jovem. Ele se achando velho, tipo, sei lá, 6 anos mais velho que eu, mas ele tinha acabado a faculdade, então ele tava na cabeça dele em outro momento.

E eu fui e ele não tinha certeza se ele queria ir, não, a princípio ele não queria ir. No fim ele foi, nós nos casamos, eu voltei. E quando eu voltei para continuar a faculdade, eu engravidei, que isso não era plano, gente. Eu falei, ah, gente, casar não é igual ter filhos, né? A gente casa, já dividi apartamento com 4 meninas, você vai dividir apartamento com alguém, mas é uma pessoa da igreja, a gente casa, faz tudo certinho.

Engravidei na volta e tive que mudar todos os planos, que eu já tinha até entrevista para fazer estágio e outras coisas, né? Porque você chega em São Paulo, já tem que estar trabalhando, gente, para fazer girar a economia, se pagar. Eu engravidei, eu falei, nossa, e agora? O que que eu vou fazer? Não sei se eu consigo terminar a faculdade, não sei se eu consigo voltar a trabalhar. Eu queria trabalhar com outros projetos missionários em outros lugares.

Naquela época, o meu marido, ele não queria, porque ele era filho de pastor e por algum motivo ele esqueceu de me dizer que na verdade ele queria ter uma vida normal, ele não queria trabalhar para igreja.

PPaulinho

Típico de muitos filhos de pastor, né?

LELuanna Eroles

A gente queria tentar ter uma vida só, só ter uma vida normal assim. De um trabalho normal. Mas também eu acho que Deus foi abrindo as portas, porque como eu passei 2 anos trancada da faculdade, eu meio que desbloqueei todas as disciplinas até o fim do curso, que normalmente tem um período ideal que você tem que se cadastrar. Então no ano que eu tirei licença-maternidade, eu pude me cadastrar nos 2 anos que eu não fiz. De manhã eu peguei todas as disciplinas, de tarde eu peguei todas as disciplinas.

Era trabalho de casa, os professores nunca tinham tido uma aluna de bacharelado que com licença-maternidade, eles me pediram uns trabalhos assim, falar: lê isso aqui, faz isso aqui, faz a prova. E eu terminei a faculdade em 3 anos, o curso que era de 4 anos, com exceção dos 2 anos que eu tranquei o curso.

GGustavo

Gastou 5, mas você só estudou mesmo 3.

LELuanna Eroles

Então eu meio que recuperei ali parte do tempo. Também recebi uma proposta de trabalho para trabalhar em casa remoto numa agência em São Paulo de publicidade, que na época não era comum. Hoje em dia todo mundo trabalha remoto, naquela época não era. Mas é alguém que trabalhou comigo no meu primeiro estágio, que fez uma referência e falou, não, queremos mesmo assim. Eu falei, não, gente, eu vou ter uma filha, eu tô em casa, não quero ir pra São Paulo.

Me mudei pro interior de volta, interior grande de São Paulo, tentando rearranjar a vida. Mas Deus sempre foi fiel, ele foi abrindo as oportunidades e mostrando que ele se importa. Eu falei, olha, parece que tá tudo saindo dos planos, mas a cada contato inesperado que acontecia, eu tinha certeza que tava seguindo o plano. Isso era um conforto, que eu queria já estar lá em outro país, outra missão, fazendo outra coisa, mas aquela pausa eu precisava de uma maneira que eu não podia entender daquela pausa.

Ficamos em São Paulo mais 2 anos e depois disso minha filha já tava um pouquinho maior, eu queria parar de trabalhar em São Paulo e mudar um pouco o equilíbrio das coisas, né?

PPaulinho

Afinal, né, gente, quem já viveu em São Paulo, diga-se nós aqui de casa, a gente sabe muito bem como a cidade engole, né? E você fica dedicado a isso, a viver para trabalhar e disputar espaço no trânsito, né? Eu admiro quem é apaixonado por São Paulo, mas a maioria das pessoas que eu conheço não vê a hora de sair de lá.

LELuanna Eroles

Não, eu era, até hoje eu sou meio apaixonada por São Paulo, mas assim, não quero morar em São Paulo com filhos. Para uma família, só se tiver tipo os avós junto, eu não conseguiria me encaixar assim.

GGustavo

Eu vejo que não ia fechar alguma coisa, o ritmo, né, o ritmo da cidade de São Paulo. Se comparar com o ritmo da cidade que você mora hoje, que nós já vamos chegar lá, hein, não dá nem para comparar.

LELuanna Eroles

Sim, então Luxemburgo já era um dos menores lugares do mundo, né. Daí saindo de São Paulo eu tive o plano da gente vir para Alemanha porque a família do pai das crianças tinha descendência alemã. Então tinha direito à cidadania, tinha cidadania. Aliás, minha filha, ela nasceu alemã, a gente registrou ela no consulado. Tem uma outra história do nome dela que não aceitaram, dela, mas enfim, senão vai ficar muito grande aqui o jet lag.

E fomos para Alemanha para procurar trabalho, porque se você é alemão você pode entrar no país e dar entrada no seguro-desemprego, que era uma coisa que a gente descobriu porque ele tinha primos que moravam aqui e falou, olha, mesmo se não tem trabalho você pode vir, pode vir, que daí você tem os direitos aqui, eles vão te ajudar ali Moura, de outras coisas, até eles te reencaixarem no sistema. E ele ofereceu a casa dele também para a gente ficar provisório até achar um apartamento.

Daí a gente falou, vamos tentar, vamos ver como que é. Eu queria ficar mais com a minha filha e viemos. O começo foi interessante. Na verdade, eu já falava um pouco de alemão, tá, gente? Isso daí também se antecipem. Quem quer sair do país mas não fala inglês, não fala francês, não fala alemão, não fala nada, pouco a pouco o espanhol vai Vai criando.

GGustavo

A gente já falou muito disso aqui.

LELuanna Eroles

É muita coisa. Tem gente que pode pensar, ah, sei lá, eles tiveram sorte. Não vou dizer que, porque cristão nem fala muito sobre sorte. Mas existem algumas coisas. Tem um livro que eu li que ele é sobre planejamento de vida, não é um foco cristão, mas ele tem uma frase que para mim ela é muito interessante. Ela é em inglês, ela faz mais sentido, mas vou tentar trazer ela para vocês. Tem algumas coisas na vida que ajuda a gente a ficar bom em ter sorte.

Não é sobre ter sorte, é sobre você ter se preparado para fazer uso daquela oportunidade. E eu acho que quem quer sair do país vai já entendendo ou buscando que cultura, que idioma, que profissão ou que skill, né, a que habilidade. Às vezes não é uma profissão fechada, não é uma coisa fechada, mas quanto mais coisa, mais talentos você investe, mais Deus dá. Então vai investindo, não enterrem os seus talentos. Invistam seus talentos e daí vai multiplicando.

Então quando eu cheguei na Alemanha, na verdade eu já falava alemão, eu aprendi em casa, tá, gente? Então não podem reclamar que não tem dinheiro para estudar, eu aprendi a falar alemão em casa.

PPaulinho

Ah, hoje tem muitas opções, né, gente? Antigamente eu aprendi inglês ouvindo música, lendo o encarte do CD e tentando entender o que tava acontecendo e assistindo filmes, né? Mas hoje tem muito mais opções que isso. Com a internet nas mãos, Duolingo tá aí para te dar um, para te abrir o caminho. Depois daí você avança e dá para aprender muita coisa.

GGustavo

Ontem eu tive uma reunião aqui das minhas reuniões online o dia inteiro, né? E uma dessas reuniões foi em francês e as outras foram em inglês, como a maioria sempre é em inglês. De vez em quando tem espanhol. Aí à noite eu tava ajeitando o jantar aqui e tava o meu filho Paulinho, de 8 anos, fazendo Duolingo em francês. Ele fez o teste de nivelamento, sei lá como ele chegou no nível 2. E a minha filha Sofia fazendo Duolingo de espanhol, o Samuel fazendo Duolingo de italiano, cada um tava estudando um idioma diferente sentado no sofá, sabe?

Tipo, muito doido isso. E o Paulinho, não, papai, achei muito legal você falando francês, quero aprender a falar também essa língua aí.

PPaulinho

Ele já saiu no nível 2 já.

LELuanna Eroles

E na verdade, criança, quanto mais cedo eles aprendem, mais fácil é aprender o próximo próximo idioma. Então às vezes parece muito difícil aprender um idioma, mas quando você de fato libera esse espaço mental, aprende a aprender idiomas, fica mais fácil. Segundo, terceiro para frente, gente, é bem mais fácil.

PPaulinho

Aqui em casa foi assim, só para contar de exemplo, os meus filhos tinham muita dificuldade com o inglês, né? Então eles eram pequenos, a gente insistia, vamos assistir filme legendado e tal. Ah não, é muito ruim e tal, né? Só queria dublado. Quando a gente mudou para Espanha, eles tiveram contato com espanhol, começaram a aprender espanhol, o inglês veio naturalmente como um terceiro idioma, porque eles destravaram isso do segundo idioma e o terceiro veio naturalmente.

Eles têm muito mais facilidade para o inglês do que os espanhóis que estudam na mesma escola que eles, na escola normal, né, do ensino fundamental deles, porque eles, o inglês para eles é um terceiro idioma, não é só o segundo, né. Então o segundo já tinha sido destravado. Isso é muito interessante, isso Muito legal.

LELuanna Eroles

E Luxemburgo tem 5 idiomas, mesmo sendo pequeno do tamanho que é. Luxemburgo se fala muito francês, alemão, o inglês para algumas coisas de negócio. Luxemburguês é um idioma, mas se fala muito português em Luxemburgo. Sabiam disso?

PPaulinho

Português? Eu pensei que você ia falar o dutch por causa da Bélgica logo acima.

LELuanna Eroles

Não, português. Totalmente inesperado quando a gente veio para cá, não tava esperando. Luxemburgo, como ela é ali a divisa da Alemanha com a França, basicamente onde aconteceu a guerra. A fronteira dos dois países. E na época destruiu muito o país e eles tiveram que trazer homens para ajudar a reconstruir o país. E eles trouxeram de Portugal, quem tinha que vir trabalhar era de Portugal. Gostaram do país, das oportunidades, etc., ficaram, se tornaram luxemburgueses.

Então hoje quase 20, 25% da população é descendente de português e eles falam em casa português e luxemburguês.

GGustavo

20% das pessoas dá para se comunicar em português.

LELuanna Eroles

Então também quem não sabe para onde quer ir na Europa, gente, Luxemburgo, como falta muita mão de obra, eles também é muito fácil dar visto para quem não é europeu. Não é todo país da Europa que faz isso, tá? Tem alguns setores especiais, principalmente tecnologia, setor bancário ou saúde, que eles pegam e dá visto assim. Hoje eu tenho empresa em Luxemburgo, Na hora que você vai abrir uma vaga de trabalho, já fala, mas você precisa de visto para pessoas de fora da Europa? Você quer abrir uma vaga de trabalho normal?

PPaulinho

Ai, que legal! Estão super abertos para isso então.

GGustavo

Legal, mas você foi para Alemanha e já estamos falando da sua empresa em Luxemburgo. Vai, conecta essas duas coisas.

LELuanna Eroles

Tem que dar uma acelerada aqui no diálogo, né? Eu fiquei em casa com os meus filhos muitos anos. Eu tive meu segundo filho, eu queria estar com eles nos primeiros anos e eu passei por altos alto e baixo, porque também sair do país não é mil maravilhas. Eu acho que no comecinho você tá meio empolgado, daí depois vai dando terceiro ano, você vai falando, gente, quem que teve essa ideia? Aí lá no quinto ano eu já tava assim no chão, de tipo, eu quero voltar para casa, não sei o que eu tô fazendo aqui.

Tinha muito problema com o meu marido e tava assim muito, muito mal. Nada mais tava fazendo sentido, embora eu já falasse o alemão, as crianças estavam fazendo tudo. Eu sentia que eu não tava conseguindo exercer o meu propósito. E essa falta de propósito pra estar na rotina, ela tava me massacrando, digamos assim. Tipo, eu tava aqui porque tinha que estar, mas eu tinha dificuldade. E eu tentei trabalhar em mim isso de me reeducar que o meu trabalho com os meus filhos é o mais importante que eu podia fazer naquela fase.

E é por isso que eu racionalmente escolhi estar em casa ao invés de trabalhar. Mas eu não fui criada pra ser ser dona de casa. Essa foi a minha conclusão. Não posso falar que a culpa foi da minha mãe, né? Mas não, ela me preparou para o trabalho, eu trabalhei, fiz muitas coisas lá em São Paulo, mas eu tive muita dificuldade de me acostumar em ficar em casa. E eu fazia e lia e tentava fazer melhor e tentava superar minhas barreiras, mas eu tive muita dificuldade, muita dificuldade mesmo.

PPaulinho

Desculpa tocar num tema pessoal, Mas da maneira que você falou, o pai dos meus filhos, eu imagino que aconteceu alguma coisa aí no meio do caminho. Você concorda com a opinião de que se você não está bem no casamento, o morar fora vai amplificar todos os problemas que você não tinha conseguido resolver antes de ir?

LELuanna Eroles

Sim, eu concordo. Eu concordo. Em São Paulo tinha já algumas coisinhas que já estavam acontecendo. Depois que a gente— não sei se essa parte é censurada da conversa, tá, gente? Porque daí vai ser polêmico pros cristãos. Em São Paulo, quando a gente voltou das Ilhas Marshall, eu tive a oportunidade de trabalhar de casa, tudo. Eu engravidei e na época o meu marido ele ficou desempregado por 2 anos em São Paulo quando a gente voltou.

Ou seja, ele não voltou direto trabalhar, mas ele ficava com a minha filha e eu ia trabalhar e estudar também. Aí eu fazia os dois. O plano de ir para Alemanha para mim também era para mudar um pouco os papéis e ajudar ele a se recolocar num lugar em que ele estava provendo para família, porque eu achei que isso ia ajudar ele a se sentir tipo, ok, eu tô, não é ela que tá pagando as contas, eu não tô aqui na casa dela, da mãe dela, whatever, no carro da mãe dela.

Eu vi que tava numa situação que a gente não ia conseguir sair tão fácil. Então também orando, eu tive esse plano mental que para mim era eu com Deus falando, Deus, a gente tem que fazer alguma coisa, porque isso aqui não vejo, não vejo luz no fim do túnel. Então fomos para Alemanha em parte porque eu queria trocar esses papéis e voltar a ser o que eu estaria em casa e mudar essa rotina, porque para mim era algo que não tava, tava aumentando cada vez mais o gap.

Porque eu indo para São Paulo na empresa, a empresa tava bem, da empresa me promovia, ia ser mais difícil em algum momento eu virar e falar, tá, agora eu vou ficar em casa, você vai trabalhar. Porque eu queria ter também o segundo filho. Então assim, tivemos nossas complexidades lá, viemos para Alemanha, nós ficamos na Alemanha mais ou menos 5 anos, e eu acho que daí tudo tudo culminou junto. O meu mal-estar de Alemanha, eu queria desesperadamente para o Brasil, ele não queria voltar de jeito nenhum.

Mas a gente tinha muito problema conjugal no sentido de falta de conexão, de não conseguir fazer o culto, não querer ler junto a Bíblia, outras coisas que eu não esperava encontrar. Eu acho que eu casei com 18 para 19 anos, né, gente? Então meu desconto ali de eu ter sido empolgada que casei logo de cara uma pessoa que eu namorava a distância. Enfim, Deus sabe. E na Alemanha então eu tava muito mal, eu era dona de casa, eu queria voltar para o Brasil, eu não tinha como me sustentar, me pagar aqui.

Eu comecei a pesquisar para ver se eu voltasse com as crianças para o Brasil, o que que era. Daí eu descobri que isso é considerado rapto internacional de menores e tem todas as complicações legais, etc., atrás disso. Então eu tinha que entrar num acordo, tinha que conversar. Eu conversei com ele e falei, ah, vamos passar umas férias no Brasil. Você melhora um pouco, daí você volta, a gente tenta de novo. A gente foi pro Brasil.

Quando eu fui pro Brasil, eu vi minha mãe, minha avó. Eu chorei muito, chorei muito. Fiquei lá de cama, semana inteira na cama. Aí me baixou assim, eu falei, gente, eu preciso... Eu não quero mais. Tipo, eu falei com Deus, falei, Deus, me desculpa, eu vou estar te decepcionando muito. Mas eu não consigo, eu já passei todos os meus limites, eu não consigo. Não quero voltar pra Alemanha, não quero continuar esse casamento. Aí eu conversei com ele.

Ele entrou em choque porque ele não achou que eu ia de fato me decidir por alguma coisa, mas ele falava, você tá no Brasil, eu quero que você volte. A gente vai mudar totalmente o assunto desse podcast, Tadinho.

PPaulinho

Não, mas é bem interessante porque no meio de toda essa história eu tô imaginando, o que que ela tá fazendo em Luxemburgo agora, né? O que que aconteceu?

LELuanna Eroles

Não, mas é importante para quem que vai que nem eu empolgado na frente, começa a dar coisa que parece que tá errado, tem luz no fim do túnel.

PPaulinho

Por isso que é importante, por isso que eu tô achando legal, porque no momento da história que você tá, você não queria saber de Alemanha, de morar fora do país de jeito nenhum. Pedindo desculpa para Deus, eu vou ficar aqui no Brasil. Mas a gente tá falando com você, você não está no Brasil, então quero saber o que aconteceu nesse caminho.

LELuanna Eroles

Então eu conversei com ele, ele falou, olha, eu gostaria que você voltasse pelo menos uma vez, eu gostaria de tentar de novo. Se daqui 6 meses você ainda quiser ir para o Brasil, você pode ir para o Brasil com as crianças. Mas eu preciso que você volte para Alemanha e não agora no meio do nada já fique direto aí nas férias. Eu falei, ok, acho justo. Embora eu acho que a gente teve 8 terapeutas de casal. 8, 8. Então não estou falando, não vou falar de quem é o problema, mas não tô falando de pouco problema no relacionamento, tá? 8 terapeutas de casal.

Não foi por falta de tentar, e fomos casados 10 anos, tá? Quando eu voltei para Alemanha, ele pegou o passaporte das crianças ele eliminou todas as autorizações de viagem que eu tinha, todos os documentos que eu tinha, e falou para mim: olha, agora que vocês estão aqui, os seus filhos nunca mais vão para o Brasil. Então assim, quando eu cheguei de volta, exatamente, eu senti que, meu, que situação em que eu me pus tentando ser a boazinha.

Mas para mim, o mais impressionante, e que me ajudou depois a ter as ideias, a empresa que eu abri, foi todas as maiores dificuldades que eu tive. Voltando para cá, eu descobri que tem muitas brasileiras, mulheres no exterior em geral, que passam por isso e as pessoas não sabem a questão de você tá no lugar, mas como você teve os filhos no exterior, às vezes você não pode voltar, você não tem opção de voltar com os filhos. Mas Deus me ajudou mesmo assim, que eu não tinha nem como pagar uma advogada, mas eu descobri que na Alemanha tinha um sistema Que eles ajudavam quando você não tem condição de pagar um advogado e eles pagam para você.

Então, em 2 anos de um divórcio que foi assim caos, nós tivemos mais de 7 processos na juíza. Desde processo tipo, ah, eu preciso de autorização passaporte. Ah, não vou dar autorização passaporte. Aí caiu o COVID, porque isso aconteceu em janeiro de 2020. Ou seja, em março de 2020 tinham todas as outras coisas que iam acontecer, que vocês sabem, né, o que aconteceu.

PPaulinho

Muito bem, lembramos como se fosse ontem.

GGustavo

Impressionante, né, Paulinho? A gente começou a gravar esses Jetlags antes do COVID, mas de 2021 para cá, 2022, não tem um episódio que em algum momento a pessoa fala, aí teve o COVID.

PPaulinho

Tá na marca, é o marco, né, da nossa história, né, gente? Não tem como, mudou muita Nossas vidas, né?

LELuanna Eroles

Eu esqueci um ponto importante. Naquelas férias que eu fui para o Brasil, que eu tava muito mal, e para mim eu já tava assim início de depressão, recebi uma ligação tipo uma semana antes de ir para o Brasil de um ex-chefe meu. Ele me fez uma ligação por Facebook e eu pensando, gente, o que que essa pessoa tá me ligando no Facebook? Eu atendi anos, eu não falava com ele. E ele falou, olha, você mora na Europa, a gente tá procurando, tem uma vaga de trabalho no lugar que eu dou consultoria, eles precisam de alguém na Europa.

Eu acho que combina com você. E eu falei para ele, olha, eu ia começar esse mês a procurar trabalho porque eu era 100% dona de casa. Ele falou, ah, mas você precisa fazer entrevista com o dono da empresa. Era uma empresa de São Paulo bem relevante no setor de seguros, e por isso que eu achava que eu também tinha conexão do Gustavo de seguros, porque ele também trabalhou pelo setor de seguros. É. E daí naqueles meses eu falei, ah, mas eu tô indo para São Paulo tipo daqui X dias.

Falar, tá bom, então você vem daqui 3 semanas, você fala direto com o dono. Eu fui, eu fiz uma entrevista de emprego na minha situação que eu estava, no momento que eu estava, e amaram. Falaram, gente, é ela a pessoa que vai representar a empresa na Europa. Então quando eu voltei, eles estavam revisando algumas coisas, mas assim, tudo aconteceu junto e eu sabia que eu tinha conseguido um emprego antes de eu saber que eu ia precisar, porque eu concordei voltar achando que íamos tentar e se não der certo eu ia voltar no Brasil.

Eu voltei para Alemanha com emprego que eu não procurei, que veio do mesmo jeito que veio o estágio quando eu tava com a minha filha, do mesmo jeito que antes também veio o estágio quando fecharam a empresa da minha mãe. Todas as vezes que eu precisei, antes de eu precisar, eu recebi uma proposta de emprego que veio tipo do nada, desde, veio de uma ligação do Facebook, veio de um X. E quando aconteceram as coisas, eu meio que já estava amparada antes de eu saber que eu ia aproveitar disso.

Por isso que eu também sentia que, embora fosse muito controverso e tivesse muitos outros fatores, eu sabia que Deus ainda se importava, ele tava comigo, porque o timing tava muito perfeito. Então eu comecei a trabalhar, recebia de uma empresa no Brasil dinheiro, um salário aqui em euros. Confiaram em mim mesmo eu estando em casa há 6 anos, tipo dona de casa. Todas as outras barreiras que eu ia ter aqui em Luxemburgo para achar um emprego, porque Se você tá aqui, você já fala com algum sotaque.

Ah, e sua experiência? Ah não, eu tenho uma ótima experiência no Brasil, numa universidade que é a USP, mas eles não reconhecem. Eles, Universidade de São Paulo, whatever. E sem trabalhar 6 anos, tipo, você é a pessoa que não sei, boa sorte, mas você tá procurando um emprego. Mas eu consegui um emprego, então eu comecei a trabalhar. Eu conversei com ele, falei, não, então a gente tem que ver como que vai fazer com a casa, com onde, quem que vai morar.

Ele não queria, ignorava o assunto, põe do lado, não queria falar. Durante COVID nós moramos 1 ano e meio juntos na mesma casa, em quarentena. Mas sim, pode falar, mas Jesus na vida, ninguém matou ninguém. E a gente morava numa vila de 200 pessoas, e eu moro até hoje nessa vila. E o mais curioso para mim do COVID foi descobrir que desde que eu morei para— me mudei para Alemanha, eu já estava em quarentena, porque não mudou nada na minha vida, não mudou nada.

GGustavo

O estilo de vida já era esse, né?

LELuanna Eroles

O estilo de vida já era esse. Era por parte disso também que eu não tava bem, mas eu já estava em quarentena. Porém, no momento em que eu decidi, foram acontecendo outras coisas. Ele queria falar sobre— falar para as crianças antes de decidir como que ia fazer, com que dividir a casa, que dia quer fazer. Não, você tem que falar hoje para as crianças que você quer separar e que você vai fazer isso com a gente. Você tem que falar com as crianças, porque eu não vou conversar com você antes de você falar com as crianças.

Meus filhos tinham 3 e 5 anos, e eu fui ficando preocupada porque eu queria assim— já era uma situação muito ruim e delicada, mas eu queria que a gente tivesse toda a delicadeza do mundo para falar com as crianças, porque eu acho que as crianças, tudo que pode impactar, a maneira como pode impactar, mas eu não sabia como convencer ele disso. Eu recebi uma outra ligação aleatória no WhatsApp de uma mulher que eu não conhecia, e ela falou: olha, eu tô num grupo numa igreja aqui, teve uma mulher que veio, ela falou de vocês.

Eu não te falei, mas faz 2 meses que eu tô orando por você. E sempre que eu oro pelas pessoas, eu gosto de ligar e perguntar como é que elas estão, para eu saber se as coisas pelas quais eu estava orando, elas estão acontecendo, ou como que a pessoa tá se desenvolvendo. E a gente conversou, conversou, e no fim ela falou: ah, eu queria muito te ajudar, mas daqui onde eu tô eu só posso orar por você, não tem nada que eu posso te ajudar.

Eu até sou psicóloga, mas eu não trabalho com adulto para ajudar você e o seu marido, mas eu sou psicóloga de criança. Se vocês tivessem numa fase mais cedo em que vocês ainda não conversaram com seus filhos sobre o divórcio, ela falou literalmente isso, eu poderia ajudar. Mas como vocês já são assim mais para frente, eu nem, na verdade, eu nem sei se você tem filho. Você tem filho? Eu já tava arrepiada assim até, até a nuca, assim tudo, tudo.

E tipo, já, já quase chorando, falou, esse, a gente não falou sobre durante aquela conversa, eu falei, é exatamente isso que eu precisava. Eu precisava de alguém que consiga também falar com ele e a gente ter um plano para conversar com essas crianças, porque assim, ele tá torcendo para o trauma. Não sei, é o que eu sinto no meu coração. E essa mulher apareceu, gente. Ela me falou exatamente com todas as palavras, foi isso que ela falou: não tem probabilidade nenhuma, não tem como ser outra coisa, não tem como, não dá para não crer, não dá para ser chance.

Não dá para ser de uma pessoa que você não conhece ligar no seu número de celular e falar isso, que era o que você tava precisando sozinha na Alemanha, uma brasileira. E eu não tinha contado isso para ninguém, eu tinha falado só para Deus, porque muitas coisas que eu passei aqui, se eu falo para minha mãe, se eu falo para família, é o desespero alheio, né, que tipo eles estão lá, não pode fazer nada, elas estão. Passo a passo de todos os pontos que foram acontecendo, Deus sempre proveu, Deus sempre proveu.

Foi uma situação assim muito difícil, ao ponto de eu crescer na outra empresa, eu poder trabalhar home office. Então podia estar com os meus filhos e trabalhar e sustentar ao mesmo tempo. Passar todos os problemas que teve na questão divórcio, todos os 7 processos que não precisavam existir, porque era processo tipo, ah, eu quero fazer o passaporte. Ah, ele não deixa fazer passaporte. Tá, tem que entrar com processo judicial para permissão de passaporte.

Ah, precisa de X. Ah, não quero pagar pensão. Tá, processo judicial para pedir pensão. Tudo, tudo foi processo, tudo, tudo foi processo horrível. Mas eu sempre fui protegida, mesmo não podendo pagar isso, aquilo. O que fez também muita diferença foi que chegando na juíza eu falava alemão e ele não, embora ele é alemão e eu sou brasileira. A juíza também, acho que ela me deu uma moral. Mas depois de estar aqui um bom tempo e trabalhando na outra empresa, a empresa, eles me passaram para um cargo maior, eles me convidaram para sócia na empresa do Brasil.

PPaulinho

Isso é em Luxemburgo, aí já estamos em Luxemburgo.

LELuanna Eroles

Isso é eu morando aqui na fronteira, sempre morei aqui na fronteira.

PPaulinho

Você sempre morou na fronteira com Luxemburgo, e essa é a questão. Então você não teve que mudar nem nada, você falou que sempre esteve na mesma vila, né? Então você tá no cantinho da Alemanha, quase Luxemburgo, e a empresa fica em Luxemburgo.

LELuanna Eroles

Me chamaram para ser sócia, na verdade, da outra empresa de seguros que eu trabalhava, e cuidar de produto de software. Eu fiquei com eles 7 anos, e agora em janeiro eu já tinha começado um projeto que era um projeto social. Eu fui também pós-COVID numa conferência em Madrid, na Espanha, que falava sobre coisas de seguro em geral, e falaram que saúde mental custa mais para seguradoras do que câncer hoje em dia. Todo mundo deveria saber disso.

Isso eu já sabia. O que eu não sabia que eles falaram logo em seguida foi: de todas as faixas etárias que sofrem de problema de saúde mental, a que mais tem crescido descompassadamente, tipo 300% ao ano, são adolescentes. E na hora que falaram isso no Congresso, eu me senti paralisada, digamos assim. Acabou aquele painel, mudou de assunto, foi outra pessoa, e eu ainda tava pensando nisso. Eu fiquei pensando nisso um bom tempo.

Eu falei, gente, a gente tem que fazer alguma coisa aqui, que absurdo é esse? Eles falam e já mudaram de assunto, tipo, ninguém se mobilizou.

PPaulinho

Próximo tema, né?

LELuanna Eroles

Eu trabalhava num software de análise de risco de saúde para seguro, e eu fiz o desenho software.

GGustavo

Na verdade, eu migrei de comunicação para software, a inversa do Paulinho que migrou de computação para comunicação.

PPaulinho

Eu pensei nisso exatamente, eu estudei primeiro computação e tô na comunicação hoje.

LELuanna Eroles

E a gente, depois que eu passei lá e a gente começou a fazer apresentação internacional, em 2024 nós ganhamos 4 prêmios internacionais com software, que deu muita visibilidade. Deus abençoou, porque aqui fora era só eu, eu era todo o time, mas eu ia falar no palco O bom é que quem emprega também ganha esses skills, né, gente? Depois vão pôr vocês para falar.

PPaulinho

É verdade.

LELuanna Eroles

Deus abençoe. Tem a diferença. A gente ganhou um prêmio na Suíça, ganhou prêmio em Las Vegas, ganhou prêmio em Madrid, ganhou prêmio tipo inovação do ano no setor. Mas eu senti ainda que eu queria fazer outra coisa. Tava tudo dando certo, mas eu vinha voltando a pensar, não, você tem que fazer alguma coisa no projeto para saúde mental de adolescente. Aqui as escolas, elas também não estão preparadas para isso. E meio que eu tentando ter meu brainstorming, tipo, gente, já que eu tenho que estar em Luxemburgo, eu também não quero estar aí só trabalhar com qualquer coisa.

Eu quero que a minha estadia aqui, pelo fato de eu não poder sair daqui, ela tenha— não tenha um pouco de propósito, ela tenha todo o propósito. Eu quero que eu nunca me lembre da minha estadia aqui pelo fato de eu não poder sair daqui, não tenha assim memória alguma, nada das lembranças sejam isso, não defina a minha identidade ou a identidade período que eu tava aqui. E dentro dos meus brainstorms, eu pensei, vou fazer uma startup, a gente vai fazer uma ferramenta de inteligência artificial para ajudar a fortalecer fatores positivos de prevenção de saúde mental para adolescente, que era o oposto que a gente fazia em seguro.

Em seguro a gente mede risco, é que eu queria medir proteção, o fator de força cognitiva, e treinar e aumentar isso. E comecei com tecnologia, mas depois eu descobri que no Luxemburgo eles têm um formato de empresa que é empresa de impacto social, que ela é meio que entre uma ONG e uma empresa normal. E eu abri a empresa, eu abri empresa de impacto social. A gente descobriu que as escolas precisam muito, mas que é muito burocrático entrar direto com IA.

Então eu peguei os treinos que eu fiz de IA para fazer livros impressos. Tudo fazendo o contrário, né?

GGustavo

Voltando para uma metodologia clássica, saindo daí, voltando para o clássico.

LELuanna Eroles

Que acabou dando um clique com minha experiência nas Ilhas Marshall, que eu estive morando no país mais pobre do mundo e menor do mundo, trabalhando com educação, com crianças super felizes. E hoje eu estou num outro país menor do mundo, só que é o mais rico do mundo, que eles têm um problema enorme em educação porque as crianças não têm esperança. E a minha história, se eu pudesse resumir ela, ela é sobre esperança. Para mim, os momentos que eu não parei, que eu não que eu não desisti, que eu não sucumbi, foi por causa da esperança.

E é uma esperança que só Cristo dá, não tem nada que possa te dar esse nível. Tem gente que pode achar até que tá na inocência. Ou quando eu falo aqui do projeto, falo, gente, a gente tá fazendo isso para criança, tem uma metodologia que a gente faz, a gente traduz várias pesquisas dos Estados Unidos sobre florescimento humano, tudo tá bem embasado, são práticas que a gente traz para escola, são práticas normalmente a gente faz culto em casa, mas que pessoas que não fazem culto em casa não têm costume de fazer.

E a gente tá trazendo porque agora se tornou prioridade no país e todo mundo, porque isso foi publicado pela UNESCO, desenvolvimento socioemocional. As escolas têm que aplicar porque o problema tá crescendo assim descompassadamente de bem-estar. A minha empresa chama Happy Kids, não falei, né? Happy Kids Academy. E a gente tem o Happy Kids AI, que hoje não está em comercialização, está em incubação. Não sei por quanto tempo. E a gente acabou de receber aprovação do governo para trabalhar com escolas públicas.

E tem uma primeira região do país, o país tem 10 regiões, microrregiões, que já fechou com a gente em setembro. A gente vai começar a treinar todas as crianças de escola pública da 4ª série, que é a faixa etária desse primeiro programa, com o treino presencial.

PPaulinho

De Luxemburgo?

LELuanna Eroles

De Luxemburgo.

PPaulinho

Quantas crianças nessa faixa tem em Luxemburgo? Você deve ter esse número.

LELuanna Eroles

Nessa região são 10 regiões, são 600 crianças.

PPaulinho

Então, 4ª série, Luxemburgo, uma de 10 são 600 crianças.

LELuanna Eroles

Então, digamos que tá ali em torno de umas 6 mil crianças. E a gente recebeu contato de mais 4 regiões que já estão falando que eles gostariam de fazer o projeto, começar a conversar e ver como põe na fila. Se em um ano de projeto a gente tiver 50% de todas as escolas públicas do país, é Deus também, porque é muito difícil entrar o sistema público em Luxemburgo. Eles são muito bairristas, digamos assim. Para um estrangeiro chegar e receber o aval deles, o aval é muito difícil.

Então assim, Deus tem abençoado muito e tem muito trabalho para fazer. A gente tá fazendo material para poder ser replicado em qualquer lugar do mundo que tiver uma associação, uma empresa, uma escola queira implementar os projetos, que tenha os materiais pedagógicos para desenvolvimento de resiliência, e a minha história ela é sobre resiliência, tem gente que olha e fala, ah, que bonitinha, ela quer fazer isso, né? Tipo, ah, mas ela é uma bonequinha, não sabe nada.

PPaulinho

Não sabe nada, né? Inocente.

GGustavo

Não sabe nada são eles.

LELuanna Eroles

Não sabem nada mesmo, mas é também algo que eu vivi, algo que eu acredito, e eu acho que a maneira como a gente se conta a nossa história conta muito para o nosso futuro, e a gente nem sempre se dá conta do peso que os nossos pensamentos têm. A Bíblia, ela ajuda a gente a dar um norte para onde a gente deve olhar. E também Deus trata a gente com muita gentileza e acolhimento, se a gente for começar a migrar e começar a usar, né, palavras da semântica psicológica.

PPaulinho

Mas assim, você já tá vendo como um grande desafio Luxemburgo todo assumir esse programa, mas você deve ter um sonho mais internacional também, né? Se há algo que brilha seus olhos, que você vê como uma resposta para o momento de hoje, devem existir portas que você pode tentar entrar também com esse programa em outros países, né? Tem alguma coisa nesse sentido já encaminhado?

LELuanna Eroles

O treinamento em pessoa, eu não tenho nenhuma pretensão de tentar manter meu time dando treinamento em outros países, mas a gente quer criar parcerias em outros países para pessoas que queiram implementar e ser um ponto focal nacional. Da metodologia. A gente teve conversa, teve gente que perguntou em diferentes países da África, teve gente que perguntou na Turquia. No Brasil a gente tem já uma secretaria municipal que tá implementando, fazendo um teste do programa.

E como a gente mora em Luxemburgo, a gente ganha muito crédito com alguns órgãos internacionais, porque Luxemburgo tem muita coisa da União Europeia. Então você fala que é de Luxemburgo, eles acham que é amigos. E eu tive oportunidade ano passado, esse ano também, a gente tá indo em congressos da UNESCO para falar da nossa metodologia. E o que é mais importante do programa é que, como ele é sobre saúde mental, não tem um governo, um lugar, uma área, uma janela 10/40, não sei como é que vocês falam, e não aceite um programa desse na escola.

Não tem nenhum. Porque nas reuniões da UNESCO eu fui falar com gente que era Ministério de Singapura, Ministério do Omã, Eu não tenho capacidade de desenvolver isso agora. Qualquer pessoa que tem um ministério em países árabes, países asiáticos, em países africanos, todos os lugares eles vão aceitar um programa escola de saúde mental. Todos os lugares eles vão aceitar.

GGustavo

E a gente tava conversando, né, Luana, no outro dia, e apesar de ter todo esse arcabouço ou transfundo, né, tem umas palavras que em português parecem chiques quando a gente traduz do inglês. É que a tradução de background é cristão. Todo isso, esse cristianismo em volta do que você construiu como metodologia, você tava lá me explicando que em Luxemburgo o cristianismo nas escolas ele não pode aparecer de jeito nenhum, tem algumas restrições.

Como é que essa história de você apresentar o cristianismo em Luxemburgo e como que isso refletiu no resultado final do teu trabalho que você tá entregando agora, que acaba sendo útil para muitos e muitos países que também têm essa situação.

LELuanna Eroles

Sim, com certeza. Sim, aqui o ensino ele é laico, embora a maioria, na Alemanha principalmente, a maioria do kindergarten de escola tem nome de santo e é gerido pela Igreja Católica. Mas Luxemburgo em si, eles têm um controle de conteúdo e tudo que eles querem se manter totalmente não religioso. Mas quando a gente fala sobre bem-estar, a ciência tem mostrado cada vez mais que você ter esperança, você ter propósito e você ter a capacidade cognitiva de transcendência, ou seja, de visualizar as coisas como um plano maior, isso te protege.

Então isso hoje é ciência, isso não é achismo, isso não é partido religioso. As coisas que a gente promove, que a gente traz para os alunos, eles são baseados em experimentos e outras implementações científicas. E existem muitas universidades do mundo que elas têm se juntado para promover esse tipo de pesquisa dentro de psicologia positiva e dentro de florescimento humano com estatística. Tem um estudo que tá acontecendo que é o maior do mundo, que é The Global Human Flourishing Project.

São 220 mil pessoas sendo entrevistadas em mais de 30 países por 5 anos. É um estudo longitudinal, começou, a gente tá no ano 2. Para ver o que que difere satisfação de vida e bem-estar das pessoas em países. E os primeiros achados já falam que um dos pontos que mais influencia, claro que tem relacionamento positivo, etc., é crença religiosa. Assim, você acreditar que tem um Deus, você já tá muito mais protegido de saúde mental do que qualquer outra coisa.

Isso é feito pela Harvard e outras universidades dos Estados Unidos junto com a Gallup, financiado pela Templeton Foundation, que é uma fundação bem importante dos Estados Unidos. Que é religiosa. Mas eu acho que com tanta incerteza, com tanta guerra, com tantas coisas, com inteligência artificial, eu acho que o ser humano ele tende a se questionar qual que é o papel dele, porque tudo vai parando de fazer sentido. E é nesse momento que se torna inquestionável, ou é difícil de contrabater, quem vive falando que uma vida cristã não faz sentido, porque a vida secular hoje não faz mais sentido, porque você tem que estudar para ter um trabalho, para ter inteligência, mas a máquina pode fazer O que você pode fazer?

Ou você tá aqui tentando prosperidade, mas pode ter uma guerra a qualquer momento, você vai perder tudo que você comprou e a casa, você vai ter que sair correndo. E de repente nada faz sentido, nada faz sentido. Que sentido a gente pode se dar ou entender o propósito pelo qual a gente tá aqui? Isso eu acho que é uma porta de oportunidade para o cristianismo, o momento que as pessoas estão. E Deus fala na Bíblia, e a gente também tem outras, muitas pessoas inspiradas que escreveram sobre isso.

A mensagem da saúde, o que que a gente precisa para ter saúde, ter uma vida de qualidade, é o primeiro passo para pessoa descobrir o cristianismo.

PPaulinho

Olha que legal! Mas você não pode utilizar isso abertamente no seu material, isso tá implícito, e você não vende ele como material cristão.

LELuanna Eroles

Aqui eu não vendo ele como material cristão. Ele tem valores que são essencialmente cristãos, mas são valores, são essencialmente humanos. E que são essencialmente baseados na ciência de bem-estar, que tem sido mais promovida, que é falar que você precisa ter esperança, você precisa ter uma visão otimista do futuro e acreditar que as coisas acontecem para o seu melhor, que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que fazem o bem.

GGustavo

Daí você tem que fazer esse ajustezinho na comercialização ali, que alguns que nos ouvem aqui podem tremer.

LELuanna Eroles

Não, mas eu digo, são princípios que a pessoa, ela se habituando a ouvir isso, eu acredito que no momento que ela tiver o contato por outro lugar, ela vai reconhecer a voz.

PPaulinho

Sim, sim, exatamente. Mas eu queria entender um pouco mais sobre o programa e também para deixar claro a maneira com que você produziu esse conteúdo e produziu esse programa, porque pode parecer a ideia de que você falou assim, ah, eu fui da IA para os livros impressos. Parece que falou para IA, faça um conteúdo e eu vou imprimir como um livro, né? Eu tenho certeza que não é isso. Como que é esse programa e qual a relação da IA com esse programa produzido?

LELuanna Eroles

Sim, não, quando a gente tava construindo o sistema de IA para dar conselho para adolescente, para falar sobre problemas, a gente fez uma ontologia de pontos principais, temas principais, reações principais. Tem toda uma estrutura de conteúdo que vai por trás de um sistema próprio que que não é só um alelêmia que vai lá e fala. E isso eu já tinha derivado de pesquisas e treinos de psicologia, sempre psicologia positiva, o que a gente usa, porque não é tratamento, ele é para pegar pessoas que não precisam de psicólogo, embora hoje em dia acho que todo mundo tá precisando um pouquinho, né, e dar conselhos que seguem o nosso script, digamos assim.

Não é um conselho aleatório da IA, então eu tenho que definir para IA quais são, né, os guardrails, tem que definir quais são as proteções, quais são as pautas padrão, os protocolos de ação.

PPaulinho

Então a IA seria esse acompanhamento do adolescente?

LELuanna Eroles

Essa era a primeira parte do projeto. No fim a gente teve que ir para frente e para trás, porque aqui na Europa para liberar essa IA vai demorar muito com o AI Act. Então a gente foi rolando, o software foi virando outras coisas e isso tá numa caixinha, a parte de interação direta.

PPaulinho

Mas quando você fala a gente, é uma equipe, pessoas especializadas no tema que montaram esse programa junto com você.

LELuanna Eroles

Sim, eu tinha 2 co-founders, um nos Estados Unidos, um no Brasil. Aqui eu tenho 2 funcionárias full-time, vários voluntários e pessoas espontâneas que me escrevem, tipo, nossa, muito legal sua empresa, posso me voluntariar? Eu posso ajudar? O que que eu posso fazer? E normalmente as pessoas aparecem também num timing que, tipo, pensa, nossa, isso aqui eu não vou não consigo fazer, eu precisava tanto que alguém me ajudar. E daí, sei lá, 2 dias depois eu recebo um email de alguém: nossa, vi vocês no jornal, queria saber como que eu posso ajudar.

Eu não comentei, mas a plataforma de inteligência artificial, em fevereiro nós fomos convidados para Índia porque teve o AI Impact Summit, que estavam todos assim, um monte de presidente, todos os CEOs da OpenAI, da Anthropic. Quem é de TI talvez você viu, Paulinho, que às vezes para as pessoas eu falo e as pessoas não sabem. O que que é isso? Nós fomos finalistas numa competição e pagaram passagem e hotel para a gente ir para lá, de tecnologia de IA para impacto social.

Então estava no palco aquele momento que o Sam Altman não quis dar a mão para o cara, eles levantaram a mão assim. Eu não sei se você viu meme disso, eu estava lá no palco, eu vi isso acontecer. E lá tava tipo, meu, tava o Lula, tava o Macron, e eu não sei que salada que eles fizeram. Eu pensei, gente, quem foi o dono de startup, começo de vida, que nem foi para, tipo, na mesma plateia que essas pessoas. Tava o príncipe de Abu Dhabi, sério, assim, só Deus para explicar.

Sentou no meu lado um cara que ele tava com um chapéu vermelho, e eu comecei a conversar com ele, ele perguntou, ah, você faz? Ah, tô começando startup e tal, e você? Ah, eu sou dono da Red Hat, que é uma empresa, uma empresa que os nerds da computação conhecem só. Nossa, gente, Então assim, oportunidades que eu nunca imaginei que Deus tem proporcionado para gente, tem dado muita visibilidade em Luxemburgo e outros lugares também, na França, gente de Ministério da França falando com a gente.

PPaulinho

Mas esse programa então ele já está sendo aplicado, mas ainda está em desenvolvimento, tá sendo testado. Poxa, que legal! E aí, como que é aquela Luana que não queria voltar para Alemanha de jeito nenhum? Se transformou nessa Luana empreendedora que tá fazendo essa diferença. Como é que tá o— parece pergunta de celebridade, né? Mas como é que tá o coração hoje com relação a tudo isso?

LELuanna Eroles

Sim, não, eu acho que hoje faz tudo muito mais sentido olhando para trás. Eu acho que até as coisas que eu aprendi vendo dificuldades, vendo maneiras de pensar diferentes, o que que bloqueia a pessoa do potencial dela. O que que ajuda a pessoa a desenvolver o pleno potencial. São coisas que eu aprendi na prática que hoje podem me ajudar a ser um profissional melhor. Que não sou psicóloga nem nada, mas para o que eu escrevo, para como a gente prepara as interações do usuário na plataforma, a interação que a gente tem com os alunos em sala de aula, é tudo assim com muita oração, muita criatividade, mas baseada em pontos que foram a experiência que eu tive, que não tem como eu desconectar.

E eu acho que isso que faz o diferencial, assim. A bagagem de vida que a gente tem, os problemas que a gente tem, se tornam ferramentas. E a coisa que escola nenhuma ia me ensinar.

PPaulinho

E você hoje não tem essa pretensão de voltar para o Brasil, ou pelo menos aquele desespero de voltar para o Brasil?

LELuanna Eroles

Não tenho desespero de voltar para o Brasil. Tô aqui super curtindo minha fase Luxemburgo. O que eu mais gosto de Luxemburgo é que todos os sites são .lu, e eu sou uma pessoa que meu apelido é Lu. Então todos os lugares que eu olho, eu sinto que assim, é para mim. Entendeu? Eu estou no lugar onde eu deveria estar.

PPaulinho

E os relacionamentos assim, você consegue ter contatos, amizades? O pessoal é muito fechado, é aberto? Como você tem sentido?

GGustavo

Conta um pouquinho para a gente, você conseguiu se libertar da quarentena?

LELuanna Eroles

Eu fiz um esforço porque aqui na verdade fui conhecendo meus vizinhos. Graças a Deus eu tenho um vizinho que ele também é cristão, uma família cristã, tem 3 filhos, continuando tendo filhos. Vão ser que nem o Gustavo. Os dois são filhos mais novos de famílias que tiveram 12 filhos.

PPaulinho

Então, acostumados.

LELuanna Eroles

Mas eles são os fofinhos aqui do lado. Em Luxemburgo eu tenho reativado e conversado com as pessoas sobre saúde mental de adolescentes, e muitas pessoas têm se cativado pelo nosso projeto. Muitas mães que passam muito problema, as pessoas param para conversar, a gente vai em evento Muitas pessoas querem agradecer, querem ver como elas podem contribuir. Vai se criando vínculos que são mais profundos, porque isso é um problema que todo mundo tá vivendo que tem filho nessa idade, todo mundo aqui pelo menos.

Mas eu fui até na Índia, que é berço da meditação, eles também estão vivendo esse problema. Isso me surpreendeu muito, porque eu achei que estatística na Índia ia estar diferente de estatística em Luxemburgo, na Europa. Não está. O Brasil também não está diferente dessa estatística. E tudo colaborou porque eu tenho a experiência agora de ter sido professora, que faz diferença. Eu não comentei, mas eu comecei um doutorado na Universidade de Luxemburgo em educação para fechar o último gap.

E como brasileiro, embora eu sofreria preconceito com várias outras coisas ou profissões, eu estou numa ótima posição para vender felicidade, gente. Falar que temos um trem de felicidade. Quem que fez? Ah, brasileira. Nossa, eu quero!

PPaulinho

Isso é uma coisa que a gente é conhecida pela alegria, né?

LELuanna Eroles

É conhecido pela alegria. E isso acabou se tornando um argumento e um ponto de confiança que as pessoas têm, que em outras situações, outras conversas, podia ser um preconceito.

PPaulinho

E assim, tem alguma maneira da gente conhecer esse programa? Nossos ouvintes podem entrar no happkids.lu?

LELuanna Eroles

Tem dois sites, tá, gente? Mas tem um outro Happ Kids que é uma creche Luxemburgo. Então se escrever só happykids.lu vai cair no site da creche. O meu é happy-kids-lu. Esse é o site institucional nosso. E se você escrever em happykids.ai, vocês caem no site da plataforma. E daí pode entrar na waiting list, na lista de espera, ou quem quiser testar, quem quiser ajudar, quem quiser fazer doação, gente. Então a gente pode receber doação porque a gente é não-profit.

PPaulinho

Porque não lucrativo, né? Não lucrativos, não é bem ONG, né? Aquele meio de caminho entre empresa e ONG, né?

LELuanna Eroles

É que assim, eu como dona não posso tirar dividendos da empresa. A empresa pode pagar salários, mas não tem distribuição de lucro.

PPaulinho

Mas você tem salário da empresa?

LELuanna Eroles

Eu tenho salário. E na verdade a gente tem uma primeira fundação que fez uma doação para gente, que também assim, por Deus, como eu já trabalhei com TI e tudo, eu descobri que o setor social ele é meio subdesenvolvido. Então quando manda projeto pedir patrocínio, eu acho que as pessoas não mandava com cara de PMP, não sei o que, de objetivo e ação, etc. E a gente conseguiu uma primeira doação, foi bem grande na verdade, porque para ter 2 funcionários no Luxemburgo, só Jesus, né, cara?

Mas é de 1 ano, então eu sei que até dezembro eu tenho salário, mas eu sei que Deus provê, as coisas vão continuar rodando.

GGustavo

É isso aí, eu sei exatamente o momento que você está vivendo, sem entrar em muitos detalhes.

LELuanna Eroles

Mas é isso aí, mas é passo a passo, gente.

PPaulinho

Ah, mas que legal, Luana, que história incrível! Eu tenho certeza que tinha muito mais coisa para falar aí, e eu acho que vale a pena você voltar para outro episódio do podcastirmãos.com que não seja sobre a sua história, mas que seja sobre o tema, para a gente conversar sobre esse desafio da adolescência, com certeza, que o mundo tá vivendo, falar mal das redes sociais, Tudo isso a gente gosta de fazer aqui, falar mal das mães, né, das mães, dos pais.

LELuanna Eroles

Com certeza, muito obrigado por todos os ouvintes. Espero que tenha falado algo para vocês, pode ajudar vocês na caminhada espiritual. A certeza, quando tiverem nas baixas espirituais também, que Deus tá lá.

PPaulinho

Que bom! E Gustavo, e nós, que temos de anunciar aqui pela Tente?

GGustavo

Paulinho, a gente tem agora em outubro uma nova turma do Go Experience online começando na primeira quarta-feira de outubro. Então se você tem curiosidade, tem interesse de aprender um pouco mais, de começar a aprender sobre esse universo, de levar sua fé junto com a sua profissão para o seu local de trabalho, o Go Experience é a porta de entrada. Então nas quartas-feiras à noite, horário de São Paulo, aqui a gente vai ter as 4 aulas que a gente já fez várias vezes.

Nossos ouvintes estão acostumados a ouvir. Vai ser muito legal dessa vez, com novos professores entrando aí para participar conosco. E no mês de outubro, no último fim de semana, a gente vai ter o Go Equiper, que a gente tem também todos os anos. A gente vai ter ele na Alemanha. Então, se você é nosso ouvinte, mora na Europa e tem interesse em fazer o nosso treinamento completo que vai te ensinar não só sobre teologia do trabalho ou como levar Jesus para o seu local de trabalho, mas também sobre adaptação cultural.

A gente vai falar sobre esse choque cultural, a curva de adaptação cultural que a Luana explicou tão bem aqui hoje, o fundo do poço e a subida depois, e outra queda e outra subida. Enfim, a gente vai trabalhar esses assuntos, como você pode trabalhar com uma equipe multicultural, Como manter a esperança e a sua fé em tempos difíceis e em lugares difíceis. Então a gente vai trabalhar esses assuntos em outubro na Alemanha.

PPaulinho

Em que lugar da Alemanha?

GGustavo

É uma cidadezinha que chama Sisheim. Ela fica uma hora, é uma hora de Frankfurt, perto de Heidelberg, perto de Stuttgart.

PPaulinho

Que legal! E vai ser em que idioma esse curso?

GGustavo

Vai ser em inglês.

PPaulinho

Alemão ou português?

GGustavo

Vai ser em inglês. Mas ele vai ser em inglês, mas eu estarei lá dando aulas em inglês e eu ando convidando os brazucas tudo para ir nesse negócio. Então se você é brasileiro, mora na Europa ou tem condições e quer aparecer lá, vai ser muito legal o susto que esses alemães e noruegueses vão ter quando eles verem a turma cheia de brasileiro, né, cara?

PPaulinho

É só balançar um chinelo havaiano que a galera junta, galera junta, e vai ser um uma espécie de centro de missões, como um acampamento.

GGustavo

Então tem os alojamentos, a gente vai passar lá o fim de semana, sexta, sábado e domingo, estudando juntos, compartilhando refeição, jantar, caminhando lá no quintal do local que é na Floresta Negra ali. Enfim, muito legal, tô cheio de expectativas para esse evento de outubro. Mas para aqueles que não puderem ir fazer o Go Equipped lá na Alemanha no final de novembro, nós teremos ele aqui no Brasil, em Brasília, no lugar muito legal.

Fizemos uma parceria com a LifeShape. Vamos ter o GoEquipped acontecendo aqui em Brasília no último fim de semana, na última semana de novembro. Então dessa vez, Paulinho, olha só, vai ser 3 meses intensos, hein, Gustavo? Ah, nem só tô te contando os GoEquipped.

PPaulinho

E a Luana vai estar nesse da Alemanha então, Luana?

LELuanna Eroles

Sim, vou estar. Vou com mais 2 ou 3 pessoas de Luxemburgo, estamos fechando carro, caravana.

PPaulinho

Ai, que legal!

GGustavo

É isso aí. E bom, tem também promessa de ir outros que já passaram aqui nesse Jet Lag. Nosso casalzinho lá da Itália já passou aqui, tem um casal que tá na Hungria, tem um casal que tá em Portugal, todo mundo.

PPaulinho

Jet Laggers estarão por aí também.

GGustavo

Vai ter o Marcos da Holanda. Que vai também tá lá com a gente. Então se quiser aproveitar e tirar foto e mandar um olá pessoas para todo mundo, vai ser bem legal.

PPaulinho

Eu quero que você faça fotos e mande para mim também, Gustavo.

GGustavo

Todo mundo aí, esse negócio de você morar na Espanha e só eu ficar indo nos eventos de missões aqui no Brasil. Olha, eu tenho um monte de abraço para te mandar, vou mandar eles tudo aqui em público, viu? Você é muito querido, muito querido, o pessoal te ama e eu esqueço de falar. Todo mundo gosta de você e da Dri muito, muito, viu?

PPaulinho

Ai, que legal, gente, que legal! A gente sente falta de estar perto do pessoal, mas sente o carinho à distância também, é muito bom.

GGustavo

Bom, no próximo Jet Lag, Paulinho, eu conto mais do Go Equipped, mas o Go Experience, quem quiser fazer, já entra aqui no nosso site tentebrasil.com.br e começa já a se inscrever. Beleza.

PPaulinho

Beleza, obrigado, obrigado, Luana. Que esse seja o primeiro encontro de muitos que a gente pode ter por aqui, tanto no podcast quanto pessoalmente nos encontros da Tente aí pela Europa e pelo mundo.

GGustavo

Paulinho tá convidado.

LELuanna Eroles

Quem for passar aqui por Luxemburgo tem que me avisar agora.

PPaulinho

Que legal, muito bom. Mais um contato na Europa, Gustavo.

GGustavo

Isso aí, é isso aí, é isso aí.

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