673: De entusiata a psicóloga clínica – com Dani Marques
Dri Degaspari
Paulinho Degaspari
Dani Marques
- Relacionamento abusivo· SociedadeIdentificação da violência·Memória enganosa·Série 'Shrinking'·Tempo de percepção da vítima
- Criação e Disciplina dos Filhos· SociedadeUso da 'varinha'·Pedir perdão aos filhos·Educação opressiva vs. permissiva
- Burnout em Profissionais de Saúde Mental· SaudeCérebro Porsche em Fusquinha·Sobrecarga de trabalho·Hipossensibilidade sensorial·Pós-pandemia e saúde mental
- Paternidade e Legado· SociedadeBlogs e conteúdo online·Apps de gravidez·Livros antigos sobre bebês
- Impacto da tecnologia na atenção· SociedadeConsumo de conteúdo rápido·Dificuldade de concentração·Netflix e atenção dividida·Jogos em família
- Jornada de Dani Marques para a Psicologia· SociedadeSonho adormecido de ser psicóloga·Formação em Design de Interiores·Estudo de psicanálise·Formação em psicologia
- Desconstrução de Estereótipos de Gênero· SociedadeCor rosa para meninos·Camisas de futebol rosa·Marketing de cores
- Formação de Identidade e Pertencimento· SociedadeSer diferente em grupo·Amigos nerds·Aceitação das diferenças·Livro Duna
Olá, pessoas!
Podcast Irmãos.com de número 673 entrando no ar. Eu sou Paulinho, estou aqui com Adriana, que pode dizer que criar filhos dá trabalho, mas vale muito a pena, né, esposa?
Ai, vale muito a pena! Fiquei com medo de você falar que criar filho dá trabalho, mas parir é pior ainda. Eu já ia brigar com você que você nunca pariu um filho, meu amor.
Mas eu tava junto, eu senti muita coisa também.
Bom, eu sou Adriana e eu Tô aqui com a Dani Marques, que é a única psicóloga que eu converso sem ficar nervosa.
Olha aí, que privilégio! E eu sou a Dani, tô aqui com Paulinho. Em 15 anos é a primeira vez que ele me deixou nervosa não me passando uma pauta do programa.
Olha, é verdade, é verdade, tá despautado esse programa.
Olha aí, não, mas tá tudo na minha cabeça.
Perdemos um monte de ouvinte agora, gente.
Fica, tá?
Ah não, eu não sei o que eu vou falar, mas fica que vai ser bom, vai dar bom, vai ser bom, gente.
Porque assim, essa é uma amizade de muitos anos, como a Dani falou, 15 anos que a gente se conhece, grava junto, muitas histórias para contar. E a gente já falou aqui várias vezes, este ano estamos comemorando 20 anos do podcastirmãos.com. Estamos trazendo alguns amigos que fazem parte dessa história para lembrar um pouco dessa jornada e ver um pouquinho do que mudou nesse tempo, principalmente nessa nossa área, né, Dani, que a gente tem falado.
Quanta coisa não mudou na nossa, nas opiniões, né, com relação à família, com relação à criação de filhos, né, como a gente evoluiu a cabeça. Vocês que nos acompanham esse tempo todo sabem como algumas coisas mudaram na nossa cabeça, mas a gente vai falar um pouquinho sobre isso aqui, atualizar, né, a nossa vida comparado com a primeira gravação com a Dani. Tanta coisa mudou, a gente vai falar sobre tudo isso aqui nesse episódio mais que especial do podcast.
Olha, gente, mas não vai ser um podcast no meu tempo, tá? Fica aí, fica aí, ouve. Tem uma colega nossa que anunciou que tá grávida essa semana e eu fiquei super feliz com ela e tal. E ela já saca na hora, tira do bolso um aplicativo e fala, ó, esse daqui vai ser o meu bebê, escuta o barulho do coraçãozinho dele. Essa semana eu tenho que comer isso, tem que comer aquilo, tem que tomar remédio tal, só que tem porque ele vai crescer assim.
Eu falei, cara, um aplicativo super completo que tem tudo. Eu falei, na minha época era o famoso Baby Center, né?
Eu tinha que entrar no site, já tinha alguma coisa, mas, gente, você recebia os emails diários Era semanal, era semanal dizendo como que ia ser aquela semana e tal. E a Adri já vai ter episódio falando sobre isso aqui. Adri falando, parece bruxaria, no que eles falam que vai acontecer acontece.
Ou acontecia porque eu tinha lido, né?
Ou o contrário, você sentia e tava lá no email. A gente já tinha essa tecnologia, nossos pais não tinham nem isso. Tinha o Vida do Bebê, como que chama lá? Do A Vida do Bebê, aquele livro lá, aquele manual lá com as coisas super antigas.
Eu tinha, ensinava a curar umbigo da criança com moeda.
E a gente já virou esse pessoal de no meu tempo, né?
Já viramos, a gente já virou os tiozinhos que dão, que acham que sabe tudo e ensina a grávida ou pai, né, da criança, a cuidar das coisas. Aquelas pessoas que a gente reclamava, né, quando encontrava a gente no elevador e dava, achava que sabia tudo da nossa vida.
Essa pessoa, sabe? Então, tipo, quando a minha amiga falou que tava grávida, eu vibrei com ela, curti e tal, não fiquei, ó, vai dormir. Dormir, que tu que tenta. Aquela pessoa chata que fica, ó, você pode ser ouvinte. Essa pessoa não seja essa pessoa chata, tá? Que é falar, agora acabou, agora você não vai dormir mais.
Esses dias eu fiz uma besteira dessa sem perceber, mas depois assim, no meio da minha frase eu parei assim. Uma prima nossa também tá grávida, comecei a relatar meus partos e fiz a besteira de falar o quanto eu gritei no parto da Raquel de dor, né? Aí a minha tia virou para mim e falou, vamos mudar Já sou, meu Deus, olha o que eu fiz!
Aí dá uma raiva quando a gente faz isso, né? Então, para essa minha amiga, eu também falei, ela falou, ela perguntou uma coisinha só para mim: ah, você teve enjoo, Driana, gravidez, os meninos e tal? Falei: ah, enjoo eu tive, mas aí eu consegui lidar bem com enjoo e tal. Mas, ó, uma coisa que eu tenho que te falar é: beba água, beba muita água, mesmo que você acorde várias vezes à noite, beba água. Porque eu tive infecção de urina e quase perdi o André.
Aí um amigo nosso que tava junto falou: Driana, ela acabou de descobrir que tá grávida, deixa ela curtir. Fala essas coisas não! Eu que troca direitinha!
Então, foi o que eu falei. Deu uma volta, ela não percebeu. Tamo falando disso porque assim, a maioria dos episódios que a gente gravou nesses tantos anos de parceria foram sobre filhos, né? Foram família do modo geral, é sobre filhos. O primeiro episódio, inclusive eu fiz a pesquisa aqui, entrou no ar pesquisado no dia 26 de março de 2012. A gente é um só. Filhos, episódio 169, chamado Filhos, porque já tava se preparando para o segundo, né, para falar sobre filhos.
Em dezembro, a gente já foi falar aqui, dezembro, não, foi depois do episódio que a gente fez o Dã.
Não, Dri, é março, março a dezembro.
Sim, 9 meses. Se animou com o episódio, olha aí, ó.
A Dri engravidou no episódio Filhos, pode ser, do segundo filho.
O meu André tava com 2 aninhos.
Então, e a gente tava ainda, eu sempre falo que o podcast segue a nossa vida, né? Então a gente falava sobre coisas que tinham a ver com os momentos que a gente tava vivendo. Só que eu não lembro, Dani, que eu tava tentando lembrar como a gente se conheceu. Eu só lembro da gente gravando podcast, mas eu não lembro se a gente, se foi por causa do podcast.
Não lembro também não.
Você lembra disso, essa amizade de tanto tempo?
Que pergunta, hein? Pera aí, assim, eu acho que eu ouvia vocês e eu não sei só como que a gente chegou a— eu lembro de uma vez eu na sua, na casa de um de vocês era São Bernardo, Santo André, mas acho que já tinha os dois, né?
A gente já tinha gravado podcast quando a gente encontrou pessoalmente. A gente foi na sua casa também, mas eu não lembro, coisas pequenininhas com os meninos.
Agora eu não lembro o que colocou a gente em contato assim. Depois vou perguntar para o Felipe.
O seu primeiro livro você publicou em que ano?
Você lembra?
Depois, né?
Algum tempo depois.
Foi um tempinho depois, que 2015, Coração Vermelho. E aí depois a gente começou a gravar sobre os livros também, né?
Porque nessa época, Dani, o que vocês faziam, a experiência de vocês com família e maternidade, paternidade, era o convívio da igreja, né? Vocês lá juntos trabalhando com casais, aconselhando, ajudando, ainda sem formação até na área, né? Era só os entusiastas do tema que estudavam a Bíblia e compartilhavam sobre aquilo, né?
Eu sempre gostei muito dessa área, assim. Eu tinha o sonho lá quando era jovem de estudar psicologia e não consegui. Os filhos, casei, os filhos nasceram, mas ficou em aberto isso na cabeça. Então eu lia por conta muito livro assim de educação de filhos, relacionamento conjugal. Naquela época não tinha essa quantidade de conteúdo que tem em rede social, então eu lia livros e via blogs, né? Tinha blogs de algumas pessoas.
Cara, era muito louco, é verdade, os blogs. A gente aprendia aos trancos e barrancos, né? Muito doido isso.
Aprendia. E aí eu vejo como a nossa, a minha visão pelo menos, era muito limitada. Eu tenho vergonha da Dani do passado em alguns temas assim que eu falava, meu Deus, tudo que eu falava, porque aí eu criei o meu blog Vida de Mãe lá atrás, né?
Eu lembro que tinha alguns blogs e a gente repostava os seus textos em irmãos.com. Então muitos desses textos dos blogs, se ainda não estão no ar ou se não estão mais no ar, esses textos estão em irmãos.com. Esse que você escrevia sobre vida de mãe foi um, depois teve um sobre filhos, como que chamava de filhos?
Na Contramão, Educando na Contramão. É, salve meu casamento, né?
Salve meu casamento!
Isso, nossa, salve meu Eu acho que foi.
Não, não que os outros não eram, mas eu dava muita risada. Os outros eu chorava.
E, Odrida, eu tenho uma lembrança sua e do Paulinho do Salve Meu Casamento que toda vez que eu lembro eu quero morrer de vergonha.
Sério?
Meu Deus, meu coração explode de vergonha! Porque assim, eu hoje eu não faria o que eu fiz naquela época no sentido de títulos sensacionalistas. E teve Título de um texto. A minha intenção era comunicar uma coisa, mas eu fiz— eu nem vou falar aqui o título, que eu tenho vergonha.
Pelo amor, tem que falar!
Não, começou a expor, agora vai.
Com esse tanto de música funk aí, tirem as crianças da sala.
Vamos lá, vai ter que colocar pi pi pi.
Não, você pôs o texto.
Eu queria— gente, eu tô com dificuldade de falar, mas enfim, vamos lá. Era Xoxota Peluda.
Ah, eu lembro, verdade. Ah, pô, não dá vergonha? Não, é mó bom. Quer dizer, não é bom, mas não é bom não, gente.
Eu lembro desse texto, foi muito bom do texto, mas eu queria chamar o público, e aí eu fui apelativa ao extremo.
Desbloqueou essa memória agora aqui.
Agora o Dani enlouqueceu. Muito bom, mas era bom. Eu lembro que eu entendi a ideia do texto mesmo, sabe? Se cuidar e tal.
Mas olha como a gente muda, né? Eu falaria sobre o tema hoje a partir de outra perspectiva, não colocaria um título desse, mas na época, enfim, a Dorina passa nessa.
Agora você falou dos blogs, eu lembrei que eu acho que deve ter sido assim uma relação dos seus textos no blog com os artigos em irmãos.com. Eu acho que foi aí que começou o nosso contato. Não sei se eu achei o blog primeiro ou você achou o site, a gente começou a se falar.
Pode ser. Quem publicava meus textos na época era o Genizar, lembra?
Lembro, é outro blog muito grande da época. Sim, então acho que a partir daí a gente começou a se falar até que chegou a ideia de vamos gravar um podcast sobre isso, porque você já tinha o seu conteúdo nos blogs, né?
Pô, legal! Eram temas que vinham das leituras e da minha experiência como mãe, assim, não era profissional, né? Então Isso, mas que legal.
Eu tô pensando, é porque hoje em dia tem os Reddit, tem os fóruns, os fóruns, né, blog, blog mesmo. Acho que existem blogs, né, que o pessoal escreve. Mas sim, não sei se ainda tá viva essa cultura de blog, né?
Sabe, tem muita gente produzindo conteúdo no Medium, né, Medium, né, que o pessoal põe. Não sei se ainda tá tão popular, põe o texto lá. Tem gente que no LinkedIn faz artigos e deixa lá. Não é uma rede social que a gente usa, mas principalmente relacionados trabalho, as pessoas colocam lá. E a galera tá colocando em redes sociais, que é muito mais volátil, né? Muito mais difícil um texto que você publica nas redes sociais ter essa longa vida como tem um texto num site, num blog, que pode ser pesquisado e encontrado tantos anos depois.
Aí tem gente que coloca inclusive o texto dentro das imagens do Instagram, né? Como que isso vai propagar? Vai alcançar instantaneamente, mas não vai ter longa vida, né, de chegar tanta gente tanto tempo depois como os textos da Dani. Acho que até hoje para muita gente, né?
É, mas o pessoal, não sei como vocês percebem, mas o público de hoje, o público mais novo, não tem paciência, parece, de ler como tinham antes, sabe?
Dá a impressão que precisa ser rápido, breve, chamativo, com muito, sei lá, com os clickbaits, né? Ou ragebaits, tem que, o pessoal lança hoje também para atrair para um tema, e muito rápido e leve, né? A gente reclamava antes da geração YouTube, né, que queria vídeos rápidos. Na verdade, o YouTube hoje é o lugar dos vídeos mais completos, né, Você consegue assistir um raciocínio de 20 minutos, até vídeos mais longos, como o canal Nostalgia, que faz de 1 hora sobre um tema e tal.
E aí o volátil, o rápido, caiu para as redes sociais mesmo, né, onde as pessoas vão lá sem dar muita atenção, passando no feed, pouco é retido, né, nessa leitura.
Me dá muita angústia porque eu sou uma pessoa de pensamento muito complexo assim. Então quando surge um tema, são 50 abas que aparecem na minha cabeça. Aí eu quero transmitir aquele conteúdo. Pro pessoal, eu falo, como que eu vou fazer isso num vídeo de 3 minutos? Aí eu fico desesperada assim, me dá uma angústia. Aí eu abri o canal no YouTube, só que mesmo assim eu tenho dificuldade com câmera. Para mim é muito, não é minha zona de conforto, sabe?
Se eu pudesse escrever, só que aí eu escrevo um texto longo ali, pouca gente lê, aí dá aquela frustração. A gente vai fazer o que pode, né? Podcast é super legal, eu acho, porque dá para ampliar muito, explorar muito um tema.
É porque podcast, por mais que agora a gente também tá gravando em vídeo, olha Olha só, tá me ouvindo aí?
Você que tá ouvindo, novidade, novidade desde janeiro. Por mais que, mas novidade com a Dani, olha aí, a primeira vez, é verdade. Quem ainda não viu a Dani falando, não segue ela nas redes sociais, essa é a Dani.
E aí, não, é que podcast dá para você fazer muitas coisas enquanto você tá ouvindo, né? Então também é uma atividade multitarefa. Então eu acho que por isso que o pessoal até dá tempo de você ouvir um podcast uma hora, uma hora e meia, e tal. Mas vídeo é muito, é muito louco isso, sabe? Porque essa semana, dentro do nosso grupo de adolescentes aqui da igreja, o líder de adolescente, ele postou um vídeo de 7 minutos de um devocional.
Você parar, você parar para pensar, cara, 7 minutos não é muita coisa, mas aí os adolescentes bonitinho assim, que eles são sinceros, eles ouviram assim, falaram, ó, consegui ouvir até no máximo 3 minutos, depois não deu mais não, mas agradeço o seu esforço. 2 falaram viram isso.
Caramba, 2 adolescentes!
E aí eu falei, nossa, é! E ele se esforçou, ele fez igual, ele é super esforçado, ele fez o vídeo, ele fez o vídeo.
Ah, eu não vi isso.
Não, é que tá no grupo.
Eu não tô nesse grupo. Nossa, ele fez um vídeo de 7 minutos? Ele fez o vídeo assim, meia dúzia de adolescente da igreja, 2 falaram que não viram.
Nossa, você foi muito esforçado, eu achei muito legal, mas eu só consegui assistir até 3 minutos. Daí teve uma outra, aí a outra menina escreveu, ai, eu gosto muito da sua atitude, mas a próxima vez façam menos longo, porque esse realmente é muito longo.
Isso é muito sintomático, gente, é muito sintomático essa noção de tempo, né?
A gente que viveu, a gente tá vivendo os dois, né? A gente viveu lá atrás, né, um outro momento sem toda essa tecnologia, e agora. Então a gente consegue comparar. Eles não, né? Eles estão vivendo só agora. Então a gente fica, causa um estranhamento isso assim, essa noção de tempo, né?
Mas por outro lado, por exemplo, meu filho, se ele senta para ver um vídeo, é muito engraçado isso, né?
Esses dias apareceu para mim assim Instagram, né?
Você que reclamava da fase da galinha pintadinha, você não pode reclamar da fase do seu filho vendo alguém jogando videogame, sabe? Porque gente, eles ficam horas assim, tem vídeos. Eu falava para o Dan, falei, quanto tempo tem esse vídeo? Cara, 42 minutos vendo um menino jogar um outro jogo, sabe?
O André aqui, ele assiste, tem um cara que chama Cellbit, eu não sei se vocês conhecem, ele é referência de RPG assim, ele é o mestre em RPG. E ele fica assistindo, ele cria histórias que duram aí meses e ele acompanha. Só que assim, cada episódio ao vivo tem todos os personagens ali, dura 4 horas e ele fica assistindo 4 horas de um episódio. Então você nota assim, ah, o que interessa eles conectam, né?
Sim, o nosso filho tá aprendendo programação, né, amor? Programação de jogos. E ele gosta de seguir uns cara que fala inglês aí, né? Então aí para mim é mais cansativo ainda, né? Porque daí outro idioma. E ele fica uma hora vendo o cara ensinando programação, código de programação em inglês, sabe? E aí, por outro lado, o vídeo de devocional de 7 minutos, mas é porque não tem toda essa atenção.
Mas é diferente. Eu acho que assim, não quero dizer que nossos filhos são super especiais, mas são. Mas o fato é que assim, tanto seus filhos, Dani, quanto os nossos tiveram uma criação que valorizaram isso, né? A gente sempre enfatizou aqui sobre a leitura, sobre a atenção, nossos filhos conseguem ler um livro do começo ao fim, conseguem dar atenção para ele, conseguem ficar horas lendo, consegue assistir um filme de 3, 4 horas com raciocínio bem complexo, porque a gente desenvolveu isso. Não é toda essa geração que consegue esse feito, né?
Isso pede um trabalho dos responsáveis intencional mesmo assim, e trabalho no sentido literal, porque dá muito trabalho, né? Vocês são exemplo, eles veem vocês lendo também, né?
A gente tá numa fase de ver filmes cabeça com eles, sabe? Não é mais filme adolescente só o infantil já passou, mas adolescente. Então a gente pega alguns filmes sobre a Segunda Guerra Mundial ou sobre essa época, a gente tava aí esperando chegar a hora para apresentar para eles a ditadura, ou filmes mais cabeça assim, tipo Blade Runner, que é um filme que não é para qualquer um, sabe? Eles saem de um filme como esse e falam, caramba, que filme legal, quanta coisa que tem para conversar sobre esse filme! A gente passa horas ou dias depois falando sobre isso, sabe?
E uma coisa que para mim é muito doido, porque a gente não faz aqui em casa, e eu percebi que acaba sendo meio comum são as pessoas que assistem filme com o celular na mão. Aí eu fiquei, como assim, velho? Como assim? A gente, eu nunca vi, sabe, assim, alguém assistindo filme dando scroll no celular, sabe?
Não é nossa bolha, mas assim, ó, a Netflix já admitiu que os filmes e séries deles são feitos para pessoas que não estão dando total atenção para aquilo. Tanto que muitas vezes o plot do filme é explicado várias vezes por personagens diferentes para que a pessoa pessoa se distraiu na primeira vez, pegue na segunda. Então a coisa fica meio assim cíclica, repetitiva, para pegar as pessoas distraídas que estão com o celular na mão ou estão fazendo qualquer outra coisa, deixando a tela, a TV, como uma segunda tela mesmo, sabe?
É reflexo do momento que a gente tá acontecendo, né, do funcionamento dessa geração, que é triste, né? É triste demais isso assim, porque é uma atenção dividida, né, essa dificuldade de manter foco. E tem uma coisa assim, falando de manter foco, que eu sei que vocês fazem aí também, que a gente faz por aqui, foi esse hábito de sentar à mesa e conversar desde que são pequenininhos. E isso é um exercício de foco, né? Então você tá ali focado nas pessoas que estão sentadas, não dividindo atenção e discutindo um tema.
Eu lembro a gente fazia isso com eles bem pequenos, e hoje a minha filha tá adulta agora, né, 19 anos. O quanto ela gosta de sentar na mesa e ficar. Às vezes a gente fica mais de uma hora aqui só batendo papo na mesa, né? Só que isso foi uma construção, não veio aleatório, né, do nada. A gente teve que batalhar por isso.
Sim, sim, é isso. A gente também já falou isso algumas vezes aqui, né, nesses tantos programas aí, da prioridade da mesa, do diálogo, da televisão desligada, do celular longe, né. Temos que admitir, há algumas raras e pequenas exceções em que a gente permite a TV ficar ligada. Por exemplo, uma final de um campeonato, sabe, ou algum jogo muito importante. O jogo tá acontecendo, é ao vivo, não dá para parar, a gente vai abrir uma exceção. Mas isso é muito raro e Enfim, como a gente disse, é uma exceção.
Aí tem que ter as exceções, eu acho assim. Acho que a regra fica mais legal quando tem pequenas exceções assim.
E a gente não é contra eletrônico, inclusive a gente tá super se divertindo com jogos da Netflix, né, amor?
Eu acho que não chegou no Brasil ainda.
Ah, sério?
Não sei se já chegou.
É, ah não, não é possível! Sério que não tem?
A Netflix tem colocado aqui, pelo menos, eu não sei se em que partes do mundo está acontecendo, jogos para se jogar em equipe, em galera.
E é muito legal.
Então você entra no jogo, você com seu celular você escaneia o QR code que aparece na tela, e todo mundo que escaneia entra como um jogador daquele jogo. Então tem jogo para 2 pessoas, 4, 10 pessoas, jogos que você desenha no celular, o outro tem que adivinhar o desenho que aparece lá. Aí você vota no desenho, se você ganhar votos você ganha pontos, você enganou alguém você ganha ponto, sabe?
Tipo, foi Tem jogos que você tem que continuar a frase, sabe? Tem uma frase, é muito legal.
São jogos mais educativos assim?
Não, não são educativos, são jogos de festa, jogos de galera, de se divertir. Mas é principalmente de exercer criatividade. Isso é legal, você pensar além do horizonte, sabe?
E os meninos dão um show na gente, dá uma raiva.
É muito difícil ganhar deles. É porque ainda tem muitos jogos que só tem em inglês ainda. Então você tem que pensar em inglês, responder em inglês, para enganar outra pessoa. Porque assim, às vezes tem uma pergunta lá, aí todo mundo tem que escrever uma resposta mentirosa para aquela pergunta.
Você tem que enganar seu oponente.
Aí todas as respostas aparecem na tela, inclusive a resposta verdadeira. Então você não pode errar, por exemplo, em como você escreve uma palavra, porque o jogo não vai errar, sabe? Você não pode cometer esse tipo de erro, porque você tem que convencer outra pessoa de que a sua resposta é verdadeira. Então assim, desenvolve um pouco o raciocínio.
Não, tem todo um exercício aí cognitivo, é bem legal, é divertido e já faz um exercício também.
É um tempo em família.
É muito engraçado, a gente dá muita risada. E aí tem aquele jogo das palavras também, esse tem em português. E esse é legal porque esse a gente faz com eles em espanhol, português e inglês. Que aí aparece é um monte de letras assim, que aí você tem que conectar as letras e formando palavra, o máximo de palavra que vocês fazem, sabe? Então tipo, aí você coloca lá, aí em português, aí você vai unindo lá: papel, papelão, papeleta.
Aí vai, pau, sabe assim, vai escrevendo. E aí no final vai fazendo o ranking de quantas palavras você conseguiu e tal, é bem divertido. E esse tempo em família É divertido, né? Muito, muito divertido.
São coisas que a gente vai descobrindo, tem cada resposta absurda. E assim, a gente não facilita para eles e joga de igual para igual. Tipo, um dia um ganha, outro dia outro ganha, nós quatro.
A gente nunca facilitou. Eu lembro do Daniel pequenininho, a gente jogando Uno e eu ganhava dele no Uno. Ele ficava triste. Eu falei, filho, uma hora você vai ganhar, meu amor. Você quer que a mamãe deixa você ganhar? Às vezes ele falava, quero.
Eu falei, não, mas mamãe não E tem uma idade que eles ficam muito bravinhos, né, de perder. Tem criança que desiste, ah, não jogo mais também.
A gente passa por tudo isso, né? E assim, coisas que aconteceram, que, né, que a gente viveu em toda essa época, desde que a gente tinha nossos filhos pequenininhos. Nesse seu primeiro episódio com você, deixa eu só ver quem que tava nesse episódio aqui. Curiosa também, eu não fiz essa pesquisa não.
Um filho só, e falamos sobre filhos.
É, tava o Cassiano, a Eugênia, a esposa do Cassiano, Cassiana. E a Dani. O enunciado é: Paulinho, Dri, Cassiana, Eugênia e Dani cumprem mais uma antiga promessa e tentam entender por que tanta gente opta por não ter filhos. Tentam descobrir qual a melhor maneira de discipliná-los. Olha aí, imagina o que a gente falou, Dani.
Eu acho que eu nem quero ouvir esse podcast.
E tentam explicar o maior amor do mundo nesse programa que tenta ser o primeiro de uma nova série. Olha que enunciado criativo! O que A gente tinha de noção, a gente tinha perguntas, a gente tinha perguntas, lógico.
Sim, mas é uma família de um filho de 1 ano com a Raquel, tinha o quê, 4 anos?
É 2012, 2012, é 4 anos.
E o André, gente, a gente foi prepotente.
Ouçam lá que você tinha quase nenhuma experiência.
Eu tinha experiência de leitura de livros, eu já tinha linda, que a Línia tem 1 ano, mas ó, mas veja que Legal, eu acho que a gente toca isso porque assim, eu brinco muito com as palavras tentam, né? Tentam entender, tentam descobrir e tentam explicar, que tenta ser uma nova série.
Olha aí, não, isso é uma coisa legal do podcast, que a gente fala as coisas a partir da nossa vivência, né? Então a gente não quer ser o detentor da frase, da verdade, de tudo, né, amor?
Sim. E eu acho que assim, eu uso muito lá no consultório analogia da escada. Você só vai chegar no degrau 10 se você pisar no 1, no 2. E aí eu tenho essa sensação, né? A gente teve coragem de pisar nesses primeiros degraus e falando e construindo para chegar onde a gente chegou agora, né?
E sabe que é legal? É com essa ideia do podcast também, eu vejo que isso é tão importante para os pais e para as mães. Isso é uma coisa que eu falo para quem tá grávido de novo também, assim, né? Grávido de novo, assim, grávido de novinho, tá? Faz pouco tempo grávida, grávida de novo é bom, não é? Isso funciona também, porque é bom você fazer parte de uma comunidade, sabe? Juntos. E aquela questão da multidão de conselhos tem sabedoria mesmo, sabe?
Porque às vezes a gente fica perdido com umas coisas tão bobas, e às vezes uma pessoa te dá uma luz de uma coisa que você não tinha nem noção de que era daquele jeito. E por outro lado, você também pode ser bênção na vida de outra pessoa. Eu acho que é muito arrogante você achar que detém de toda a verdade, que faz tudo, e que do seu jeito é o jeito certo, sabe?
Porque assim, às vezes você vai ouvir uma pessoa passando por uma coisa, você falar que alívio, ela passa por isso também, né? Essa troca de experiência assim é terapêutico também, né?
E foi o que a gente fez no programa, né, com um monte de filhinho novo.
E eu acho que nesse programa eu falei de varinha, viu?
Eu tô achando que esse é um assunto que, enfim, né, a gente mudou muito. A gente tem uma concepção totalmente diferente hoje. E já falamos sobre isso inclusive, né? Já tem alguns, um episódio recente que a gente fez que é o sobre disciplina. Deixa eu até achar o número dele aqui se as pessoas quiserem gostaria de ouvir para entender como a nossa perspectiva mudou com relação a isso. Disciplinas e Castigos na Educação Infantil, 593, de 2 de abril de 2024.
A lei tem 2 anos aí, a gente conversou sobre isso porque a nossa opinião mudou, né, muito nesse sentido, né, Dani?
Mudou. Eu, nossa, por alguns anos eu preguei, divulguei, aconselhei pessoas a usarem a varinha, eu chamava de varinha, né, e tinha todo um método. Eu tinha lido num livro livro, né? Eu li no livro, eu acho que chama uma teoria.
Qual livro que é? É esse livro, Estourando o Coração da Criança, o livro de capa verde.
Aí tem um outro que chama A Mágica do 1, 2, 3. E aí eu lembro que eu juntei esses dois e fiz a minha própria teoria. E aí eu divulgava, porque assim, funciona. É o que eu digo, funciona. A criança fica comportada. Mas depois, estudando, né, fazendo a formação em psicologia, trabalho na que eu desconstruí completamente essa ideia. Então recalculando rota total assim, deixa eu ver, há 8 anos mais ou menos que eu recalculei rotas.
Você falou que, você comentou que até teve momento de pedir perdão para os seus filhos, né?
Sim, de assumir, olha, eu achei que eu tava fazendo a coisa certa, a intenção foi boa, mas agora a gente percebe as consequências disso, né? Então eu não posso seguir propagando essa ideia só por uma questão de ego, né? Só para não admitir que eu errei. Tudo mais. Senão a gente também coloca outras famílias num caminho prejudicial.
Então é que se a gente não admite ou se a gente não toca nesse assunto mais, a gente pensa: as crianças estão grandes agora, a gente não toca mais nesse assunto. Só que eles vão ser pais e mãe, né? Então você também tem esse ciclo, você tem que acabar com esse ciclo na família, né?
E olha só, né, acho que isso é uma lição importante para todo mundo assim. É, de repente você acha que tá fazendo tudo muito certo, mas você tem que estar aberto para aprender novas coisas, né? E a Dani de hoje precisa pensar nisso também. Talvez uma coisa que eu acredite muito hoje, que eu acho que eu tô fazendo certo, daqui 10 anos eu vou olhar para trás e falar, ai, meu Deus, acho que até o final da vida, né?
Mas a gente tá sempre aprendendo, sempre mudando, sempre entendendo coisas novas também. Isso é muito bom, a gente ter a cabeça aberta para aprender coisas novas.
Isso é importante, né, amor? Que é cada vez mais difícil com a idade, né? A gente acaba entrando num, né, numa fase assim de que eu já aprendi tudo que tinha que aprender, agora é só administrar o que eu já sei e tal. E assim, fisiologicamente a gente fica mais limitado também no aprendizado se a gente não dá, não mantém isso ativo, né? Nossa mente vai se fechando, vai ficando cômoda e fica difícil mudar opiniões. Tanto que tem essas brincadeiras, né, da pessoa cabeça dura que não muda de opinião e tal. Quanto mais velho, mais difícil.
Mas aí a pessoa fica amargurada demais, gente, sabe? Esse negócio de música boa era música dessa época. Não, porque comédia romântica boa só dos anos 90 e dos anos 2000. Hoje em dia não tem comédia romântica boa mais. Você fala, cara, como assim? Você já assistiu tudo para saber se não tem?
Falando de filhos, né, criei dois, eles estão aí bem saudáveis. Então assim, eu sei tudo que faz, né, com a criação de um filho.
Apanhei, então morri, né?
Essa ideia, apanhei a vida toda e tô aqui Tá vivo como? Cheio de trauma, cheio de coisas.
Tá vivo como? Em que condições, né? Um trapo, né? Mas é isso, eu escuto as pessoas mais velhas assim, a gente ouve falando isso, ah, mas na minha época era assim, assim, assim, era muito melhor. E aí não se abre para entender assim, porque, né, por que que estão fazendo diferente? Vamos olhar para isso também, né? Tentar estudar.
E eu confesso que tem coisa que era melhor mesmo na nossa época, mas a gente tem que tomar cuidado com as coisas que fala. Igual, por exemplo, eu acho um absurdo muitas vezes como os alunos desrespeitam os professores, sabe? De peitar a professora, ou o professor tá tentando dar aula e a molecada tá tocando terror, não tá nem aí ouvindo. E aí o professor acaba não chamando atenção porque pai e mãe vai lá e briga e discute com o professor e tal.
E aí eu caí nessa nesse erro aí de falar para os meninos: na minha época a gente respeitava o professor.
Eu acho, mas tem outra coisa também, não, pera aí, ó, tem outra coisa também. A gente tem a nossa memória muito comprometida, né, corrompida. Nem todas as lembranças são exatamente como foram de fato. Você parar para pensar, eu pelo menos consigo lembrar de muitos momentos que meus professores foram desrespeitados ou que alguém que tirou uma bolinha de papel nele, o que respondeu, o que foi expulso da sala por responder o professor e tal.
Às vezes a gente acha que na nossa mente era aquela disciplina, que às vezes nossos pais contam da época da palmatória, que na nossa época também não era bem assim, né?
Tem muita coisa que eu acho que, sei lá, a leitura que eu faço é que assim, teve aquela época super extrema de palmatória, ajoelhar no milho, né? Os alunos tinham que se levantar quando o professor, era muito medo, né, do professor. Não era nem respeito, era medo. E aí foi, acho que as áreas que estudam isso foram falando sobre a importância de dar voz para criança, os malefícios de uma educação opressiva. Só que aí o pessoal acho que migra para um outro extremo de as crianças mandam na sala de aula.
Então fica tudo meio bagunçado, porque eu acho que o saudável seria esse meio do caminho, né? Nenhum professor opressivo que impõe medo e nem os alunos fazendo o que quer dentro de uma sala de aula, né? Se a gente conseguisse chegar, eu acho que tem professor, tem sala de aula que consegue, que a gente não tem números para falar disso, né? Pois é, mas são, acho que são exceções assim. Igual educação de filho mesmo, né? Que a gente saiu de uma educação super opressiva lá dos nossos pais, avós, e aí hoje você cai numas famílias que as crianças mandam nos pais também, desrespeito, que tem pai e mãe que tem medo de perguntar coisa para o filho, sabe?
Sabe, por reação do filho dar xilique ou dar trabalho ou ficar emburrado, sabe? Assim, ah, eu nem vou falar isso com a minha filha porque minha filha, se eu pedir isso para ela, ela vai ficar um tempão sem falar comigo.
Nossa mente sempre opta pelo caminho mais cômodo, né? Então se é para não ter trabalho, eu vou por esse caminho que vai ser, é mais seguro, né? Sem pensar nas consequências a longo prazo, médio e longo prazo, né? Infelizmente.
E tem uns pais que têm medo de perder amor dos filhos também, né? Então acha que, ah, não posso punir punir, não posso punir no bom sentido que eu digo assim, né, de colocar um limite, uma regra, que ele vai deixar de me amar, vai amar menos, né. E aí acaba cedendo assim.
E você nesse período todo, né, Dani, começou como uma leiga, digamos assim, tratando o assunto só pelo seu interesse mesmo no assunto, mas logo sentiu esse desejo de se aprofundar, né, e entrar mais no tema, né. Só para continuar aqui na retrospectiva, o primeiro foi sobre filhos. No mesmo ano, no mês seguinte, olha só, o 172 foi Sobrevivendo ao Casamento, nosso segundo episódio. Depois a gente começou a falar sobre casamento mesmo.
Depois veio algumas, uma seriezinha que a gente fez de uma coisa versus a outra assim. Então amor e paixão, depois foi autoridade e submissão, amor e finanças. Aí 2014, isso aí. Uma coisa legal que eu verifiquei aqui, de 2012 a 2026, todo ano a gente teve pelo menos um programa que a gente gravou junto, sem falhar nenhum ano.
Sem falhar, hein? Sem falhar. Que legal, Paulinho!
Aí em 2014 foi os desafios do casamento na era digital. Olha só os temas que a gente vai entrar.
Meu pai amado, marido do céu!
Isso foi muito cringe, né? Dani, você tem ideia de quantos episódios a gente gravou junto, ou você gravou com a gente no podcastirmãos.com?
Nossa, vou chocar!
Calculando pelo menos um por ano.
Sim, chegou a 20, chegou, chegou a 20, mas não chegou a 30.
28 programas, 29 com esse aqui.
Ó, quase nos 30, hein? Que legal!
Fala mais o nome dos temas aí, amor. Tô divertido, tô gostando aqui.
Até agora a gente tava falando de feios.
É que é muito ruim os títulos. Os desafios do casamento na era é digital.
Mas é que assim, tinha que ser um tema que transmitisse o que ele dizia.
Ele ficou chateado mesmo.
Não fiquei chateado, mas é bom para época. Aí a gente deu um salto porque você tava lançando o seu livro sobre consciência social. Como que é o nome dele?
A Caixa da Ditadura?
Não, não, aquele cinza que tem a pessoa passando de carro assim, a ilustração da pessoa passando de carro.
Coração Vermelho.
É o Coração Vermelho mesmo.
Coração Vermelho, que fala sobre desigualdade e injustiça social.
Especial, que o carro passando, olhando para criança, é a capa do episódio, não é?
Não é capa do livro, é uma das páginas.
É uma das páginas.
Isso, eu peguei uma ilustração.
É isso, que é quando a pessoa— olha só, eu li tanto esse livro para os meus filhos que eu lembro exatamente dessa imagem e sobre o que fala. É a pessoa que doa dinheirinho lá no farol só para aliviar sua consciência, mas na verdade ela não tem uma situação de necessidade.
Agradecer a Deus porque eles têm casa e carro e comida.
Então foi muito para os meninos.
Foi com você, Dani, com o Felipe, seu marido, com o Burjá, nosso amigo Burjá, que hoje tá na Espanha também, que a gente falou sobre consciência social. Isso em 2014, você estava lançando o livro Coração Vermelho, que estava sendo vendido por apenas R$15 com frete grátis.
Nossa, Dani, que frete grátis, gente!
Ô Dani, mas que pacotão, hein, para ser chamada de esquerda! O livro chamado Coração Vermelho vermelho falando sobre consciência social em 2014. Olha isso!
Não, e vermelho, né? Eu lembro que o pessoal falou, ah, escolheu a cor vermelha do BT.
E falar de consciência social, enfim.
Mas depois a gente continuou falando sobre casamento, infidelidade. A Dri sempre cita esse programa.
Esse programa é muito legal, do infidelidade.
Eu lembro que eu gostei bastante, porque eu lembro que naquela época ao nosso redor tinham vários amigos conhecidos que estavam caindo na infidelidade, né?
A gente falou isso no programa, acho que a gente não falou não, acho que sim, que a gente tava fazendo direta para ele.
É, tava tendo alguns exposed na época, né, de pessoas, né, sendo reveladas suas infidelidades. Eu lembro que a gente chegou a essa conclusão assim.
Eu lembro que eu tive a ideia de gravar esse programa porque a gente tinha gravado um podcast com a Nancy do Select no podcast da Cepal, e eu fiquei muito chocada porque ela era esposa de pastor e ela tava falando que ela tinha sido traída pelo marido dela, sabe? E Aí foi, caramba, aí foi um negócio tão chocante assim, a forma como ela narrou sobre a questão do brilho do palco, de ser ele ser pastor e chamar atenção de todo mundo.
Daí eu falei na época, eu falei, amor, a gente precisa falar sobre infidelidade. Você lembra disso?
Eu não lembro de estar relacionado, mas eu lembro de um fato de um conhecido nosso que tinha caído, digamos assim, e isso me preocupou muito porque era uma pessoa que tava para mim acima de qualquer tentação, digamos assim. Assim, sabe, cara? O cara pregava, o cara tinha uma vida que parecia muito reta e tal, e de repente descobre que já tem um caso há mais de um ano com outra pessoa e tal. E eu fiquei, cara, eu não tô— eu, Paulinho, eu, Paulinho, eu mesmo não estou ileso a isso, sabe? Não tô ileso. Não é porque eu tô—
como assim não tá ileso?
Eu acho que foi esse o incômodo desse episódio, de pensar falar, cara, podia ser eu, sabe? Que que eu tenho que fazer para evitar isso?
Não teve um autor recente que assumiu que há 6 anos tinha uma última?
Não cita nome que você não sabe, Dri. Morreu e morreu santo.
É verdade, não foi esse não.
Não, não vamos lembrar com risco de não citar nomes equivocados aqui, mas isso tá sempre acontecendo, né? Isso chamou atenção, nossa atenção na época. Depois a gente falou sobre comunicação não violenta. Eu lembro muito desse episódio, foi bem legal.
O comunicação não violenta Que ano?
2016.
Foi ano de eleição?
Foi.
Ah, então tá bom, era isso que eu queria saber.
Não, não foi ano de eleição.
2018 foi ano de eleição. 2018, eleição.
Tava preparada então para ensinar o pessoal no jantar?
Não, a gente não sabia o que tava por vir ainda.
Amor, relança o comunicação não violenta, por favor. 2016 foi, foi, vamos gravar de novo, Dani, sobre isso. É verdade.
2016 foi eleição local, né? Prefeito, vereador, essas coisas. Sempre tem eleição em ano par, né? Então foi eleição também, mas não foi eleição majoritária. Depois a gente vai para despedida de solteira da Jaque, né, que a gente fez, que foi a vez delas.
Deve ter entrado a Xoxota Peluda aí, será? É que eu tenho que editar isso, é mais trabalho para mim depois. Vamos embora! Ai, gente, gente, é normal. Ou você que tá ouvindo você tem, ou você conhece É igual soltar pum, gente, é normal de ter que normalizar essas coisas, não é?
Deve ter gente que gosta, gente que não gosta.
Eu vou sair um pouquinho, vocês conversam, depois eu volto, que eu tô ficando vermelho, ó, tô vendo aqui na câmera.
Despedida de solteira, é isso, podcast? É por isso que eu nem participei, eu só, na verdade, eu falei isso aqui agora.
Ótimo recorte, hein, para colocar como chamado do episódio.
Não, e o pior, não, eu lembrei desse episódio, vocês falaram sobre isso e pediram para cortar na edição, e só eu ouvi, eu fui o único homem que ouviu esse tema.
Ele ficou vermelhozinho.
Vocês falaram sobre depilação, eu lembro disso, gente.
Beijo, Jaque, já que tá casada ainda, olha só aqui.
Não dá, né?
Não, e para sempre casadas, para sempre.
Vocês estão trazendo traumas meus aí das edições de podcast. Ó, gravamos um muito legal sobre coisas de menino, coisas de menina, que foi na época lá do azul é de menino, rosa é de menina. E sabe que legal? A gente tá fazendo um retiro aqui na igreja e eu tô fazendo as camisetas, fiz a arte das camisetas e tô negociando com a empresa que faz e tal. Aí eu tinha feito camiseta bege, era bege e azul. No que eu cheguei na igreja, as meninas falaram, ah, nessa paleta é azul bebê, né, nessa paleta tons pastéis podia ter um rosa também para as meninas, né, e tal.
Aí eu falei, mas quem disse que rosa é para menina? Tá bom, vamos pôr rosa também. Só que daí a gente, os meninos, em protesto, falaram, todos os homens agora vão pegar rosa também. Aí os homens todos pegaram rosa porque não tem essa de rosa é cor de menina.
Tem um monte de menina que pegou azul, tem um monte de menina que pegou azul.
Então mesclou bastante assim, ficou legal.
É muito legal poder desconstruir esses temas, né? Pensar quem que inventou, da onde veio isso, né? Que rosa é de menina. E o mais engraçado é descobrir que na época eles tinham escolhido ao contrário, era para o azul ser de menina, né? A equipe de marketing lá em 1940 era o azul que era de menina, e aí depois muito caro.
E aí, gente, a Frozen veio aí para, né, para ajudar.
A Cinderela já era azul também, né?
Cinderela, Cinderela, ela é azul.
É, então, mas sabe o que eu acho engraçado? Que, sei lá, camiseta, hoje você vê homens usando rosa tranquilamente, de uma camisa, uma camisa polo, enfim. Mas vai comprar uma bicicleta rosa? Não compra, né?
Olha, verdade, um uma patinete rosa. É verdade, um capacete rosa.
E uma coisa interessante também, é muito comum aqui na Europa a terceira camisa de um time de futebol ter uma edição especial rosa. Acho que todo time já teve. Real Madrid já teve, Barcelona já teve, o Linares aqui da nossa cidade desse ano é rosa. Então tem assim, é super normal. Mas eu nunca vi no Brasil isso. No Brasil não se aceita camisa rosa. O Internacional de Porto Alegre chegou a cogitar, eu acho que foi no final do ano passado ou no começo desse ano, de fazer uma terceira camisa rosa.
O patrocinador anunciou que ia fazer, o técnico fez um comentário super machista falando que era camisa de menina, camisa de mariquinha, alguma coisa assim, que não ia aprovar de jeito nenhum esse tipo de camisa. Foi super assim, ele foi queimado por causa disso, mas a galera no geral concordou que não usaria, um homem não usaria uma camiseta de time rosa, sabe?
A camisa do Linares aqui, do Linares, é a cidade onde a gente a gente mora. A camisa de futebol rosa, cara, eu, a gente é mais vendida muito na rua, o pessoal usando, é muito bonita.
Você quer que eu continue?
Quero.
Falamos sobre a corrupção começa na infância. Isso sim, ano de eleição, outubro de 2010, na época da eleição inclusive.
Nós estamos, tem um livro, né, Quando Nasce o Coração, é sobre corrupção. Eu não sei se a gente falou do livro.
Isso não, com certeza foi para anunciar o livro. É a imagem do podcast É a capa do livro, é uma imagem do livro.
As crianças estão tudo com camisa do Brasil.
É, a criança tá colando, é, a criança tá colando do amiguinho da escola e todos estão com a camisa do Brasil. Eu não entendi.
É só para falar que é o seu recorte, é do Brasil, é isso.
Não tá generalizando, é o uniforme da escola, que era verde e amarelo. Coincidência.
Nossa, eu não prestei atenção nisso. Melita, vou voltar lá para ver.
Falamos sobre homeschooling, esse também foi polêmico em 2019, lembro bem desse programa. A importância do hábito da leitura na infância, também lembro muito desse programa, como foi gostoso. 376.
Aí veio a quarentena, fizemos plantão de quarentena, falamos um monte de bobagem na quarentena, né, amor? Filhos em casa, por falar em como a gente mudou algumas opiniões.
Mas foi pouca coisa, só no começo que a gente não tinha muita A gente achar que ia durar pouco também. Depois a gente foi lidando com o que, como que é ter os filhos em casa durante a quarentena, preso, o que fazer com eles.
Foi divertido, eu fiz muitos jogos com ele. Foi assim que o Daniel ganhou a paixão pelo cubo mágico.
Cubo mágico, é verdade.
Hoje ele participa de competições de cubo mágico.
Fizemos muitos jogos e incentivamos, tá, no plural, porque estávamos juntos em casa.
Estávamos juntos, marido.
Eu lembro que a gente fazia à noite temática em casa, tipo acampamento, sabe? A gente também fez festa junina, só nós quatro, dançamos quadrilha.
É tão legal, né? A gente fez comida japonesa, comida espanhola, comida mexicana, e aí a gente trazia pedido de oração. Aí a gente fez comida italiana, você lembra disso?
Eu lembro de fazer tortilha. Eu lembro de você contando, Dani, Eles foram no McDonald's e lavaram tudo com álcool dentro do carro.
Não, eu ainda fiz um vídeo disso ensinando as pessoas. Ai, gente do céu, parece que foi um sonho, patrão do céu! Que era essa Daniela, né? É, passando álcool em tudo.
O que vivemos, né, gente?
Cara, a gente já fez umas coisas loucas. Eu lembro Porque o primeiro, eu falo isso para todo mundo, quando a gente, a gente é bom demais mudar de ideia, né? E a gente assumir as bobagens que a gente faz na vida. Mas quando o André nasceu e ele veio para casa, eu pedi, eu pedi para o Paulinho comprar um galão de 20 litros de água mineral para dar banho no menino.
Não, mas eu não comprei, eu, eu, eu cheguei à razão antes. Ela não queria dar banho na água da pia.
A minha mãe é muito fofa, porque minha mãe tava esquentando a água e eu: para, para, para, para, Paulinho, vai lá, compra um galão de água mineral para a gente dar banho no menino. Minha mãe desligou a torneira, olhou para mim e falou: filha, deixa eu te falar uma coisa, você acha que no hospital eles usam água mineral para dar banho no menino? Nossa, gente, mas ó, eu acho que isso, eu acho que gravou o vídeo lavando as coisas do McDonald's de coco ganha, hein, Dani? Parabéns, parabéns!
E não fiz só isso, eu chegando em casa Coloquei tudo no forno para matar qualquer vírus, né? Menos o que não tinha refrigerante, né? No forno.
Eu não acredito, você fez isso?
Foi para o forno para matar qualquer vírus, depois a gente comeu.
Olha só, gente, Dani, muito louco, né?
Às vezes a gente esquece, mas a gente viveu a pandemia, né, gente? Já virou histórico, já tá nos livros de história, acredito. Mas a gente viveu isso, que coisa! E se bobear não vai dar, né?
Ainda bem que a gente fez dancinha também na Eu falei isso para os meninos. Olha aí, ó, a gente já fez até dancinha na pandemia.
Também a gente tem que, como é que fala, nos perdoar, né? Imagina você ficar confinado dentro de casa com gente morrendo para todo lado, você quase enlouquece, né?
E você sem notícia, e muda ministro de saúde de cá, muda ministro de saúde de lá, e vacina que não chega.
Eu falo, gente, é uma loucura, tudo foi politizado, né? Quem se protegia era era de esquerda, quem achava que era tudo besteira era de direita. E se você fosse de direita, você não podia se proteger, porque enfim, foi louco.
A gente sobreviveu a isso, né?
Essa guerra foi o começo do caos, né? Na verdade, começo do caos foi um pouquinho antes, porque depois parece que o negócio foi de um jeito, foi a ladeira, né? Estamos se recuperando agora, né?
Não, e a Dani não cansa de, né, de tocar onça com varinha curta, né? Na sequência ela lança uma caixa chamada Ditadura 2021, no auge da discussão política.
Você aguenta?
Eu entro com essa, né?
Mas foi muito bom, gostei. Li bastante também, eu achei bem legal.
E esse livro ganhou um edital aqui na Prefeitura de São Paulo, ele foi distribuído nas escolas da rede pública de São Paulo. Olha que Legal, da capital, né? Não do estado, da capital.
Legal. A gente também falou sobre educação sexual como prevenção do abuso, muito importante, que era uma época que você tava estudando muito sobre isso, né, Dani? Continua até hoje, né? Acho que é uma das suas frentes até hoje, né, Dani?
Até hoje. Mês de maio é o mês que eu mais trabalho, porque é o Maio Laranja aqui de prevenção, né, conscientização. Aí eu tô sempre em algum canto. E eu acho que nesse episódio não tinha saído o saiu o livro Infância Protegida ainda?
Não, não, esse ainda não.
Não, acho que escreveu depois, porque acho que vai ter, porque a gente gravou o podcast sobre Infância Protegida aqui na frente, 2024.
É isso.
Depois veio Relacionamentos Abusivos, o 544, que a gente ainda tava falando, né, sobre a gente primeiro tinha falado a Infância Protegida, depois relacionamentos, aquela coisa do estar, de morar com seu inimigo, né, de não saber que ele é o seu pior inimigo que está junto de você. Olha, e esse alerta bem grande.
E esse podcast foi em 2023. Eu lembro depois que eu assisti o filme E Assim Que Acaba, que vão, né? Não sei se você leu, se você leu o livro ou se você assistiu. Cara, é forte, né? Eu lembro que eu assisti, eu falei, é com o Justin Baldoni lá, até que deu até confusão lá com eles lá. Eu lembro que eu assisti o filme, eu falei assim, ah, eu acho que eu vou lidar bem, né, com o assunto. Junto e tal, depois que a gente estudou bastante e a gente leu e tal.
Eu lembro quando eu assisti o filme, eu falei, Paulinho, vamos assistir junto e vamos gravar um podcast, porque a gente precisa, a gente precisa falar sobre isso de novo, sabe? Porque a questão, igual, sem querer dar spoiler do filme, já dando, não, não, não, já dando, sem querer dar spoiler, mas falar só um pedacinho do filme. Igual, por exemplo, tem horas no filme que ela aparece uma cena, é uma sequência de uma cena no filme.
E aí ela pisca, aparece outra sequência de uma cena da mesma ação, da mesma coisa, e ela fica tão confusa, ela não sabe qual que é verdade, qual que não é, sabe?
Assim, por exemplo, como ela percebeu e o que é realidade, e o que é realidade.
Então assim, por exemplo, que ela foi tirar o forno, ela foi tirar uma coisa no forno, e aí ela queimou a mão. E o marido chega e fala: ai, amor, como assim você queimou a mão? Ai, sua tonta, não precisava tirar as coisas de dentro do forno rápido, não sei o quê. E aí ela pisca, vem outra memória, ele gritando com ela: tem que tirar do forno que tá queimando, tem que E aí ela tira, e daí ela fica, cara, eu não sei o que que é verdade, o que que não é. Foi alguma coisa assim a cena, eu tô até meio confusa.
Acho que a gente falou disso, né? A pessoa que tá dentro da violência, ela demora anos para identificar isso, né? E a gente que tá de fora, tá tão óbvio, né?
Muito. E o filme, eu achei que ele ficou tão claro isso, no sentido de que ela, não, gente, ele não tá me maltratando, ele tá me protegendo, ele inclusive tá me protegendo de mim. Sabe? Eu tô sendo protegida de mim mesma, sabe? Então assim, tipo, que ela caiu da escada e aí a imagem que ela vê é ela caindo e ele esticando o braço para tentar segurar ela. E sendo que na verdade ele tinha empurrado e tinha soltado a mão, e ela só viu a mão dela assim e na cabeça dela ele tava tentando pegar ela. Então tipo assim, ele me empurrou, ele tava tentando me pegar, sabe?
Assim, é uma memória enganosa tentando proteger a relação assim, né?
Muito doido. É o filme.
Uma das coisas mais difíceis para mim ali na clínica é estar dentro de um atendimento que tem violência, e aí você tem que esperar o tempo da pessoa perceber isso. Porque as minhas tentativas de falar antes, a pessoa espana, ela não dá conta. Alguns saem da terapia, outros entram numa crise de choro absurda e não consegue dar conta. E aí você tem que ir construindo terreno de conscientização que às vezes dura 1 ano, 2 anos para pessoa se dar conta.
Uau, que difícil, cara! É muito louco isso, porque você pode, nossa, você pode fechar as portas, a pessoa não querer mais terapia e voltar para aquela vida e voltar.
Exato. Aí eu não posso correr esse risco. No começo de clínica eu atravessava, minha ansiedade atravessava o processo do paciente. Eu falava, isso é violência, você vai acabar morrendo, você precisa sair dessa relação. Aí A pessoa, alguns entram numa crise de choro absurda e sai, não volta mais. É, então aí é isso assim, é ter que esperar. Aí eu aprendi que para salvar aquela pessoa eu tenho que esperar o tempo dela se dar conta, né?
Tem que ajudar ela a construir essa, até porque ela pode até sair dessa relação, mas se ela não tiver construído esse caminho, ela entra rapidinho em outra relação violenta de novo em seguida.
Você já assistiu a série Falando Real Shrinking na Apple TV.
Sim, a gente é tudo doido por essa série.
Nossa, nós somos apaixonados por essa série, muito.
Terminamos ontem.
Nós tínhamos a nova temporada ainda, estamos atrasados, já assistiu as duas primeiras só. E é muito legal. Você que é da área, né, eu acho que deve ser feito com uma boa consultoria de psicólogos e psiquiatras, né, uma uma série como essa, eles tratam assuntos pesados de jeito leve, mas com seriedade, né? E esse da violência dentro de casa tem um, nas primeiras temporadas pelo menos, tem o caso de uma pessoa que é atendida que tem o cara violento dentro de casa, e a gente vê esse mesmo tipo de comportamento, sabe?
Ela reconhece, ela chora o tempo todo, chega em casa, não consegue lidar com aquela situação, se sente culpada por saber abandonar ele, né?
Isso. Aí depois ela se sente culpada por tudo que ela fez.
Mas é engraçado que eles vão lá, porque é muito engraçado o jeito que conta.
Então é, nossa, é muito legal os roteiristas assim, fantástico. É que assim, eles fazem ali com psicólogos coisas muito antiéticas, né? Eu dou risada, eu falo, jamais alguém faria trazer o seu paciente para morar com você.
Mas isso é tratado como absurdo mesmo, né?
Mas ao mesmo tempo eles tratam temas muito profundos, né, que te levam a refletir. É uma série que te leva para vários lugares, assim, é muito legal, é muito bom, é muito bom.
A gente se pega assim discutindo um tempão sobre. E o mais louco é que são 20 e poucos minutos só cada episódio, sabe?
Entre 20 e 30 episódios, são curtos, mas muito profundo, muito tocantes, né? Galera muito boa que tá por trás, vai estar pegando aos personagens, né?
Dá vontade de fazer parte daquele grupo, né?
Gabi. Eu sou muito fã da Gabi, é a melhor. A Gabi é maravilhosa.
Não, e o relacionamento dela com a vizinha branca, ela fala, eu falo aqui em casa, nossa, como eles são muito honestos um com o outro e continuam sendo amigos.
Fica aí, gente, essa é uma série que a gente já indicou em 2 Vem Na Minha. Se você não ouviu, não assistiu ainda, é agora, gente. Tem que pagar aquele meizinho lá ou pegar aquele mês grátis da Apple TV e assistir, que vale muito a pena. Ó, eu vou continuar aqui na nossa retrospectiva, depois eu quero voltar no tema psicologia para você contar como que você foi parar nessa área aí, que da entusiasta na ideia de aconselhamento até se formar e tá trabalhando nisso.
Mas continuando, a gente então vai falar sobre relacionamentos abusivos Depois, A Formação de um Machista, episódio muito marcante para mim também. Eu sempre lembro de muitas coisas que a gente conversou lá nesse episódio. Aí sim, a gente falou Disciplinas e Castigos na Educação Infantil, Infância Protegida em 2024, que eu acredito que é quando você tava lançando o seu livro. No ano passado, a gente falou sobre ansiedade na infância.
E já na sequência, eu lembro que a gente gravou sobre ansiedade na infância, a gente assistiu a série Adolescência, falou, Dani, Mas vai ter que voltar já em seguida para o podcast. 15 dias depois você tava de volta falando com a gente sobre a série Adolescência.
Sabe que é muito doido que a gente gravou A Formação de um Machista em 2023 e gravamos sobre o episódio de Adolescência em 2025, 2 anos depois? E tinha muito padrão na série que foi coisas que a gente conversou sobre A Formação de um Machista, que é muito doido isso, né? Que é outro país, outro idioma, outra cultura. Cultura. A gente falou através da nossa cosmovisão do Brasil ali, do que a gente viveu e do que a gente conhece.
E o Adolescência se passa no Reino Unido, com uma história completamente europeia lá, localizada, mas que tem muito a ver com a formação do machista, né?
São padrões que se repetem aí nas diferentes culturas, né?
E é legal, Dani, assim, agora fazendo essa retrospectiva completa, que eu nem tinha pensado em fazer, mas foi legal fazer para a gente lembrar tudo que a gente falou. Legal que são esses temas, mas são sempre coisas que quando vem à mente a gente fala, precisamos conversar sobre isso e precisamos chamar a Dani para falar com a gente. É verdade, é verdade, porque você para a gente é referência, né, nesse tema. Tem a identificação com nossos ouvintes que já ouve você há quase 15 anos aí, e a gente pode conversar livremente, abertamente sobre esses temas, né, que a gente foi aprendendo juntos no decorrer desses anos, né.
Ah, é muito feliz, eu fico muito feliz de ter essa abertura aqui com vocês. São temas que eu fico com vontade de falar em alguns lugares, É o que eu disse para vocês, não consigo gravar um vídeo de 3 minutos, sou péssima com YouTube. Aí quando eu tenho oportunidade de poder falar bastante, explorar, fico muito feliz e conscientizar pessoas. E tem várias pessoas que me seguem hoje que fala assim, ah, te conheci no irmãos.com, assim. Então muito legal, assim, uma história muito bacana.
Mas conta sua história então com a psicologia. Dane, como que você foi dessa entusiasta por tema de família na igreja para se formar para poder ajudar famílias com mais conhecimento, com mais estudo, com mais preparo, que é o que você faz hoje?
Olha, muito curiosa essa história, porque eu tinha um sonho lá da juventude que ficou adormecido, porque o sonho de ser mãe, formar uma família, tava no topo da lista, né? Então eu fui investir nisso. A minha primeira formação é em design interiores. Então nunca trabalhei com isso, lá em 2003, e nunca trabalhei. Na época, assim, casei logo, já tava trabalhando numa agência, não deu certo, aí ficou adormecido. Só que assim, eu sempre amei tema relacionamento, sempre amei ouvir pessoas, e as pessoas me falavam assim, nossa, Dani, você devia ser psicóloga, você escuta muito bem.
E eu tenho uns episódios da vida assim, tipo, fui na pandaria. É muito curioso isso. Eu fui na padaria, sentei no balcão, pedi um pão na chapa com café com leite. Em 10 minutos o chapeiro tava chorando comigo e contando do divórcio dele. Eu não era psicóloga na época, né? E eu amava essa experiência. Eu lembro de uma médica dermatologista que começou também a chorar na consulta. Eu fui lá me consultar e ela começou a chorar. Então acho que eu sempre tive essa facilidade assim e essa paixão pelo do tema.
Mas eu nunca pensei em fazer uma segunda faculdade assim, eu tinha muita preguiça de voltar a estudar depois de ter sido mãe, e tal.
Depois de velho, né, é mais difícil.
É, nossa, não vou dar conta, né. E a Raquel, eu lembro que a Raquel, o André tava, acho que o André tava com 6, a Raquel com 9 quando virou a chave. Vocês conhecem o Ronaldo Lidório, né?
Sim, amigão.
E tem um irmão mais velho trabalho dele, que entrou em contato comigo. Eu não conhecia, vi algum texto, eu não lembro se foi no blog Salva Meu Casamento, se foi texto de você no irmãos.com. E aí ele falou, Dani, você tem muito jeito com essa área, você precisa fazer uma formação. E ele era psicanalista na época, ele é psicanalista, né? E aí ele se dispôs a me ensinar psicanálise. Ele começou a me mandar texto, ele falou assim, eu vejo muito potencial, você só precisa da parte da teoria, porque eu acho que você vai ampliar esse teu leque de ajuda e dessa área que você gosta.
E aí nesse meio tempo eu fui estudando os trechos de psicanálise e aí me virou uma chave assim, eu quero fazer psicologia. De repente eu mudei de ideia. E aí foi isso assim, eu comecei a conciliar a rotina das crianças, falei, eu preciso estudar numa faculdade perto de casa, casa, que eu consiga levar eles para escola, vou para faculdade, busco e trago para casa. E aí deu certo assim, me apaixonei absurdamente assim. É para isso que eu nasci. E foram 5 anos de formação, amei demais.
E foi legal que todos esses anos a gente foi gravando, né? Então o seu conhecimento da faculdade você ia compartilhando com a gente, até que de repente a Dani tá formada. Eu falei, caramba, Já tá formada, já foi, né?
Isso, ó, já deu agora 5 anos de formada já. Então contando a formação mais a clínica, já foram 10 anos aí de trajetória.
Foram 5 anos antes de começar a universidade gravando com a gente, 5 anos fazendo a universidade e 5 anos depois.
Deu certinho, vocês me pegaram em várias versões aí.
Então que vem que vai vai ter diferente daqui 5 anos. Tem que reinventar aí.
Mas a gente não pode esperar a Dani virar avó, né?
Pode, porque não, não esperar, mas agora vamos chegar lá, né?
Ó, a gente pode marcar um episódio sobre ser sogra, porque eu tô me tornando sogra.
Olha isso!
Falar sobre as sogras, né, gente? Nunca criticamos, né?
Nunca criticamos a sogra. E aí eu tô numa, eu tô num momento agora assim, eu preciso ser uma boa sogra, o meu genro precisa gostar de vir, ele precisa gostar de vir em casa, né? Como que se faz isso? Como que é?
Para não afastar, né? Para garantir os natais já, ó.
E na igreja você serve ainda algum ministério de aconselhamento? Como é que tá essa relação com a igreja?
Então isso ficou um pouquinho bagunçado porque assim, por um tempo eu e o Felipe, Felipe e eu estávamos no Ministério de Pré-adolescente, liderando o Ministério de Pré-adolescente. A gente fundou esse ministério porque é uma igreja muito nova, ela tem acho que 8 anos, né? Então a gente começou quando ela nasceu. Então a gente fundou o ministério, ficou com os pré-adolescentes até que o ministério se formou, cresceu, e aí transferiu para uma outra liderança.
E aí eu migrei para o Ministério Infantil para ajudar no Ministério Infantil. Eu atendo crianças, tal, me identifico com essa área. Só que aí eu tive um quase burnout assim no final do segundo semestre do ano passado. Nem sei se na época eu falei com vocês, né?
Acho que não.
Um quadro de esgotamento. Então assim, de lá para cá eu saí de tudo assim, eu precisei continuar só com o básico necessário da vida, diminuir o número de atendimentos. Então agora que eu tô me recuperando assim, tem 2 meses que eu tô me recuperando, não voltei ainda, mas já a gente já sentou para conversar assim que a gente tem ideia de abrir grupo terapêutico na igreja, fazer por grupos, porque é muito difícil você atender individual, é, a demanda é muito grande, né? A igreja cresceu bastante.
Ah, mas agora eu quero saber do seu burnout, já que entrou no tema.
Vamos voltar ao burnout.
É, porque não dá para passar por cima, né? Uma psicóloga, né, que ajuda os outros com burnout, vivendo isso. Você identificou logo por trabalhar na área ou demorou?
Mas isso é muito bizarro, é muito bizarro. É igual um cozinheiro que passa fome, sabe? Não, brincadeiras à parte, é bom saber que psicólogo é ser humano também, né?
É bom saber.
Olha, e o número de profissionais da saúde mental com esgotamento é gigante. A gente aqui que tá dentro dessa bolha Você ouve um relato atrás do outro.
Você acha que esse grande número de psicólogos passando por isso tem a ver com carga de trabalho somada com o fato de estar recebendo? Eu não sei se isso impacta ou vocês são treinados para isso, mas recebendo essa carga dos problemas das outras pessoas, dependendo de como você se identifica com esses problemas, quanto eles te afetam, ou às vezes a sua incapacidade de ajudar alguém, sabe, que você acha que precisa muito pedir ajuda e você sofrer por isso, por não conseguir ajudar naquele momento? Tem tudo isso relacionado, você acha?
É um combo, né? A leitura que eu faço hoje, não só eu, tem vários profissionais falando, né? A gente que tá dentro dessa bolha, você ouve muito podcast, muitos profissionais falando o que que tá acontecendo. Primeira coisa, a gente tá vivendo um pós-guerra, né? Uma guerra, a pandemia ela teve uma configuração de guerra silenciosa, né? Então assim, muita gente muita gente morreu, muita gente enlutada, muita gente desenvolveu ansiedade, depressão.
Então assim, os profissionais da área da saúde mental estão pegando esses feridos de guerra, isso é número 1. E eles são feridos de guerra também, né, eles estão no meio de tudo isso também. Então isso é uma das coisas. Outra coisa é, profissional da saúde mental, a ferramenta de trabalho dele é o próprio cérebro dele, né, o próprio organismo, corpo dele. Então quando você tá ouvindo uma pessoa na sessão, você fica 50 minutos em estado de alerta, né?
Seu cérebro fica todo acionado, ele é um gasto de energia muito grande. Está prestando atenção na fala, nos movimentos, conectando um balançar de perna com o que a pessoa falou. Então é um estado de atenção que te consome uma energia. Aí você pega lá 7 pacientes no dia vezes 50 minutos, é um cérebro que no final do dia tá muito esgotado assim. Eu chego aqui em casa no estado de esgotamento muito grande assim, não fale comigo por um tempo assim, preciso me recuperar.
Aí quando tem um cenário em que o psicólogo é introspectivo, que é o meu caso, perfil introspectivo, ele consome bateria num relacionamento. O extrovertido ganha bateria no relacionamento. Então no meu caso eu chego aqui com a bateria negativada em casa, né? E eu ainda encontro energia para socializar com o pessoal de casa, porque não faz sentido ficar cuidando de gente lá no consultório e deixar a minha família. Então vou sentar na mesa, eu vou ouvir os meus filhos, meu marido, a gente vai interagir aqui.
E eu tenho, no meu caso, né, existem outros profissionais também que tem um organismo que a gente chama de altamente sensível, né, um tipo de cérebro assim. E eu tenho um cérebro também, isso eu recebi diagnóstico recente, a gente vai poder gravar episódio sobre isso depois, né. Não se fala de diagnóstico, na verdade é identificação de perfil, de alto funcionamento, assim, que antigamente se falava muito de superdotação, altas habilidades, se fala ainda, né?
Mas eu recebi recentemente, depois do burnout, né, fui fazer avaliação e tudo mais. Então eu tenho um cérebro de alto funcionamento, que é um cérebro que não para, ele abre abas para qualquer tema, ele abre 57 abas, é um pensamento ramificado. E é um funcionamento de corpo que é altamente sensível. Então você sente 10 de raiva, eu eu sinto 100. Você sente 10 de tristeza, eu sinto 100. Então no meu caso foi esse acúmulo de coisas, essa descoberta de funcionamento que me levou assim uma série de sintomas no corpo que eu achava que tava tendo mil doenças, né?
E aí eu fui descobrir que era o meu corpo me sinalizando dos meus excessos, porque como o meu cérebro funciona 200 por hora, para mim isso é o normal. O meu corpo é tipo um cérebro de de um carro de corrida num corpo de Fusca. Então meu corpo não foi, foi não acompanhando isso, tudo isso assim, e desencadeou no esgotamento. No meu caso foi isso, eu identifiquei, eu tô em tratamento, né? Mas tem casos de outros psicólogos que eu sou— ah, tem acho que um fator a mais, a era digital. Eu tô falando muito?
Não, não, tô super interessado, tô adorando, eu tô É que você falando, eu lembro de ter conversado com você num dia que você falou para mim, Dri, é que eu tinha visto uma coisa muito doida na rua, falei, ah, eu preciso compartilhar com a Danice. E eu lembro que eu mandei a foto para você e você falou, Dri, hoje eu estou esperando receber um diagnóstico de um exame que eu fiz e que você tava com suspeita até de doença autoimune.
Não sei se você lembra que você falou para mim e tal. Isso, exatamente. Exatamente, exatamente.
Aí eu falei, cara, eram muitos sintomas horríveis, porque você sentia dor física, né?
Muito louco isso, né?
São vários sintomas, sensações no corpo horríveis assim, desequilíbrio para andar. E aí eu comecei a ficar com hipersensibilidade à luz e a som. Então assim, precisa andar com tampão de ouvido, coisa que nunca existiu, sabe? Aí eu fiz um exame de audição, o resultado saiu: você tá escutando muito muito mais do que se deveria escutar, né? E você escuta sons que as pessoas não escutam, né? E aí imagina o impacto disso no ambiente, né?
Todos os sons do ambiente entrando, a luz excessiva, foi, o organismo foi sobrecarregando. E aí eu acho que soma-se a isso, não só no meu caso, a era digital, porque assim é muito conteúdo, isso para todo mundo, né? É muito conteúdo entrando na nossa cabeça o o tempo inteiro. Então é um cérebro que tá em estado de alerta por causa do trabalho e por causa do celular na mão, é WhatsApp chegando toda hora, matéria de artigo científico que você fica lendo o tempo todo no Instagram, chega um tema diferente que te interessa.
Aí você chega em casa, ao invés de desligar o celular, te mantém ligado. E aí você pensa, um cérebro que não desliga nunca vai pifar mesmo, tá certo, né? E aí você fica também nisso, ó, eu preciso estar na rede social, social, eu preciso produzir conteúdo. Olha aqui, essa psicóloga tá produzindo. E é uma autocobrança, né? E aí, com a minha terapia pessoal, eu fui entendendo todo esse contexto, o meu funcionamento específico. E eu tô colocando ordem nessa casa agora.
Eu tô num tempo de vamos limitar isso, vamos cortar isso, você não precisa disso, para eu conseguir me reorganizar. Porque senão, só ladeira abaixo, gente.
Caramba, Dani, que é agora que que você falou, eu lembro que você falou que talvez na última gravação você tava à espera de algum diagnóstico mesmo. Mas que bom que você tá em tratamento, né? E pode abrir isso para os nossos ouvintes também, de saber que ninguém tá imune.
E que interessante isso, eu nem sabia que tinha isso. Eu gostei da definição do cérebro Porsche no Fusquinha.
Esse fui eu que inventei. E aí eu falo, é que é o que eu sinto, né? Eu costumo brincar que o meu cérebro é o meu superpoder e minha kriptonita simultaneamente.
Porque eu só sei que se eu fosse você, eu usaria superaudição para algumas coisas mais interessantes, escutar coisas, né?
Então tem horas que eu queria ter, viu?
E às vezes eu tô atendendo um paciente online e aí começa a doer, porque aí dói a audição, uma estourar a audição. Aí eu tenho que abaixar o som bastante. Só que aí, quando tá no presencial, paciente que falou muito alto, não tem como abaixar o som da pessoa. Mas eu descobri recentemente que tem um negocinho que filtra som, que você coloca no ouvido, ele regula o som do ambiente. Eu preciso ir atrás disso, deve ser caro.
Eu acho que os AirPods da Apple, eles estão evoluindo para isso, sabe? Você conseguir controlar o quanto que você ouve e outros concorrentes possivelmente não.
Mas até no ambiente ela falou.
Então, mas é isso mesmo, o AirPod ele filtra, você consegue ouvir, regular o volume do ambiente.
Tem um amigo nosso de Vinhedo que ele tem o aparelho e ele falou que ele consegue mudar até a questão do agudo, do grave, aumentar o grave, diminuir o agudo.
É, mas nesse caso é porque ele tá com perda de audição, então ele coloca o aparelho para poder ouvir melhor, pelo É, eu não sei se esse aparelho também reduz o volume de onde você tá, né? Mas que louco!
Eu vi falar que tem, eu vou pesquisar assim. Mas é muito louco, sabe? Então meu corpo, ele tava com todos os órgãos do sentido hiperativados, e aí dava sensação de doença.
Nossa, que doido!
E você trata isso com que especialista?
Com psiquiatra. Então tem um medicamento que eu tomo para reduzir Reduzir essa sensação de excesso assim no ambiente que tava me causando ansiedade crônica. E psicólogo, terapia, que eu já tô com ele já há vários anos, e atividade física. Aquilo que todo mundo recomenda: uma boa noite de sono, atividade física, beber muita água. E principal— não, não digo principal, uma das coisas super importantes: corrigir meu comportamento.
É isso, diminuir o acesso às informações. Também, né? É o fogo, né, Dani?
Porque quando eu tô me sentindo muito bem, meu cérebro começa a ficar hiper criativo. Ele quer criar um livro, ele quer criar um perfil novo, ele quer criar um podcast. E aí eu ia na onda, sabe? Aí meu corpo foi estragando no decorrer do caminho, né? Então agora sim, eu tenho que segurar tudo isso. Eu preciso, Dani, uma coisa de cada vez. E não é fácil, viu? É difícil, é difícil.
Mas tem que reverter isso que você segura tudo para alguma atividade que você faça, né? Um hobby, um esporte.
Eu lembro que você fazia umas coisas tão legais. Não, eu não tô falando sério.
Você lembra que você colocava?
Não, porque é muito difícil, amor. É muito isso. Para mim é uma crise, Dani, de você tipo assim a semana, cara, o que eu vou fazer? Ou eu faço uma torta, ou eu faço um arroz, ou faço macarrão. E aí as misturas, eu, aí eu é frango, é carne, é porco, sabe assim? Mas é sempre isso, os três. E aí é legal, você tem um acesso de criatividade. Eu lembro que que você tinha um blog também, de comida, do Lancheira Saudável. Eu adorava, você fazia lanchinho tipo assim berinjela com ovo, e aí as crianças comiam.
Eu falava, caramba, eu colocava ovo, rostinho no ovo das crianças para mandar para escola assim, né?
Tá vendo?
O blog Lancheira Saudável.
Olha aí, eu lembro.
Na verdade era um projeto de outra pessoa Aí eu fui convidada a participar, eu cuidei das redes sociais. Mas é isso, é quando eu tô bem eu vou entrando em tudo quanto é coisa assim. Então é um autocontrole, né? Mas é isso que você falou, pegar essa energia e descarregar numa atividade física, alguma coisa assim, né?
Vai jogar tênis, jogar beach tênis, né? Que é bom.
Ai, eu tenho preguiça de exercício.
Vai jogar RPG com o André, olha aí, ó.
É, então, e o André, ele é super criativo também, a cabeça dele é mil por hora, só que ele escreve, né? Então eu chego no quarto dele, ele tem mil cadernos com todas as páginas escritas assim, escrito, escrito, escrito. O livro, ele tem um livro de 300 páginas que ele escreveu, criou o universo assim. Então ele também tem um, mas o bom disso é que aí eu vou ajudando ele a cuidar desde cedo, né, para não chegar onde eu cheguei.
Muito bom, muito bom, Dani! Que legal, que gostoso a gente bater esse nosso ponto anual, conversar com você, principalmente com essa lembrança. Foi um pouco mais pessoal até, né, esse episódio, da gente poder avaliar esse nosso tempo de amizade, de parceria, ver tudo que a gente já conversou e como isso— agora é aquela coisa de artista quando dá entrevista, né? É, tudo isso fez o que eu sou hoje, né? Nos fez ser o que somos hoje, né?
Eu não me arrependo de nada, eu só me arrependo do que eu não fiz, né? Mas é mais ou menos isso, né? O que nós somos hoje é fruto de tudo que a gente viveu, dos erros que a gente cometeu, as dúvidas que a gente teve, né? E hoje a gente tá onde tá.
E é muito bom saber que a gente pode gente caminhar com você e nas fases da nossa vida, né? Igual vendo aí os podcasts, a gente tudo é fase das vidas que os nossos filhos estavam vivendo, que a gente tava vivendo, que os nossos amigos estavam vivendo, os assuntos que nos interessavam na época. Quando eu virar sogra, a gente pode gravar um podcast.
Pode ter certeza que esse podcast vai rolar.
A hora que surgir a primeira nora aí, a gente grava.
Uma flechinha aí rondando já, mas eu falei, tá muito cedo, tá muito cedo.
A gente começa, né, uma fase desafiadora assim agora, porque nunca é perfeita para nós, né? Nunca é perfeita para nós.
Os nossos filhos são muito bonitos, né?
Aí pronto, não tem jeito, começa a rondar, né?
Muito interessante.
E essa é uma outra coisa, porque os nossos filhos são muito diferentes da grande maioria dos adolescentes, né? Só o fato de assistir filme nerd e ler.
Então assim, gostarem de ler, gostarem de ler, saberem discutir.
E tem um vocabulário, eles têm um vocabulário muito mais rebuscado do que a maioria dos colegas deles, que é um desafio também para eles, né, de fazer parte da bolha dos jovens e adolescentes mesmo sendo diferentes, né? Aí às vezes eu vejo ele sofrendo com algumas coisas assim, eu falo, ah, Nossa, a gente fala para eles, ó, desculpa, mas a culpa é nossa.
Ontem a gente teve essa conversa aqui em casa.
Aí a gente tá lendo um livro do Dostoiévski, e aí o Paulinho falou, nossa, ia ser bom o André.
Eu falei, não, o André não vai ler agora, o André não vai nem ouvir o podcast. Você ia se identificar com Dostoiévski nesse livro, porque ele tá falando exatamente o que você tá sentindo agora. Só que ele, o Dostoiévski, reafirma isso. Então Não é uma época de reafirmar isso, é tomar cuidado.
Eu falei para ele, eu falei, não, filho, além de você não ler esse livro, você não vai nem ouvir o podcast que a gente vai gravar.
E nesse momento já foi para o ar, tá? Você que tá ouvindo a gente aqui, o episódio já foi para o ar no Literário. Só que não, nesse lapso de tempo a gente ainda não terminou o Dilema, a gente já lançou o episódio que foi anteriormente.
O livro é legal, nossa, o livro é muito bom.
Mas o André, vocês acham que ele leria se vocês falassem, pode ler?
Ah, com certeza, mas com certeza ele ia devorar.
Então são meninos fora da curva mesmo assim, né, que são pessoas profundas, né. Eu acho isso o máximo, né, porque você vê tanta coisa superficial, né, por aí.
Então, mas aí para eles o que mais pega é a questão de que por que que a gente tem que ser tudo igual e para pertencer a um grupo. Por que que a gente não pode fazer um grupo de gente que é diferente, sabe? Então tem muita coisa que ele não gosta, mas que ele aceita por fazer parte do grupo, e isso tá ok. E eu falei para ele, isso tá ok. Mas aí as pessoas não aceitam o que é de diferente dele, entendeu? Ele fala, não, mas você é muito estranho, gostar disso não é normal, sabe assim?
E ele fala, mas seria legal ele ter amigos com gostos parecidos, né? Ele conseguir formar uma turma que tem gostos parecidos.
É difícil. Tem um bem próximo, tem um bem próximo, mas assim, quando você é diferente, ele, eles os dois são bem diferentes. Estamos usando essa palavra diferente, o que tá fora do que é o padrãozinho, né? Só que quando você é diferente, você encontra um outro diferente, ele não vai ser diferente igual você, ele vai ser diferente outras coisas. Então assim, a probabilidade de se encaixar é mínima. Talvez o que possa rolar é você entender que ele é diferente, você aceitar as diferenças dele da mesma maneira que ele entende que você é diferente e entende suas diferenças.
Mas é mais difícil, né? Mais difícil do que você gostar de todas as músicas, tá todo mundo cantando hoje, fazer os mesmos, os mesmos videozinhos de TikTok, tá todo mundo fazendo, você se encaixa fácil, sabe? Mas se você é contra isso, fica muito mais difícil.
O que dá às vezes é encontrar alguém com perfil um pouco parecido com o seu e que curte algumas coisas coisas que você curte, né? E tem algumas identificações, mas assim, 100% igual nunca vai ser.
Isso que a gente tenta passar para eles, e que eu falo para eles assim, que tá tudo bem também ser diferente, né?
Sim. O André, ele fala que eu faço parte do grupo dos estranhos da sala. Eles chamam ele de estranhos porque são super nerds, são muito nerds, muito nerds assim. Eu adoro os amigos dele, eles vêm aqui em casa. E assim, usa uns cabelos muito diferentes e não tô nem aí para ninguém, sabe? Usa roupa que quer sem ligar para fazer uma coisa diferente.
Muito bom, é muito legal. Tem muito ainda para falar sobre isso, faz parte do super nerd.
E aí, de vez em quando, no meio da conversa, ele quer citar uma frase do Frank Herbert do livro Duna, e eu falo, filho, não, elas não vão entender, infelizmente. Só que aí ele fica frustrado porque os meninos que todo mundo entende, sabe?
Eu acho que os seus meninos tinham que ser amigo do meu André, porque ele leu toda a série de Duna. Pronto, os nossos também colocar em contato.
Pois é, vamos sim. Mas beleza, Dani, vou te liberar, porque se deixar a gente passa o dia conversando. Assuntos não vão faltar, principalmente um episódio sem pauta, que a gente vai falando, que vai Vai embora, qualquer falta serve, né? Qualquer falta serve.
Não, mas hoje a gente ainda vai assistir um festival iberofolk com os meninos e eles estão super empolgados para ver uma banda iberofolk presencial.
É aqui, aqui vai ter um festival, tá tendo festival muito legal na nossa cidade, a gente vai com eles lá. É culpa nossa, 100% culpa nossa.
E eles gostam, mas aí você vai vai ter algum adolescente lá? Não, não vai.
Só vai ter os velhos e eles.
Eles precisam formar um grupo desses de nerds aí na Espanha, né?
Tem que encontrar, galera. Mas beleza, Dani, obrigado mesmo. Obrigado. Assim, esse é um episódio para comemorar essa nossa amizade, esse tempo juntos, e esperar por muito mais pela frente ainda. Tenho certeza que a gente tem muito comemorar. Muitas figurinhas para trocar.
Gente, parabéns pelos 20 anos! Assim, é uma honra fazer parte dessa jornada. Assim, que orgulho do trabalho de vocês! E acho que outras pessoas já falaram isso, talvez eu esteja repetindo assim, mas enfim, a gente gosta de ouvir. Assim, quando a gente olha aí o podcast, vocês não falham, sabe? Não falham. Alguém que faz assim, você sabe que vai chegar um conteúdo fiel e de conteúdo muito profundo, relevante. Tem coisa mais divertida, um tema mais superficial, mas tem muita coisa muito profunda assim.
Então, um trabalho que eu sei que dá muito trabalho para vocês, né? Não só para gravar, mas pesquisar a pauta, montar a pauta, chamar as pessoas. Então assim, parabéns e que honra fazer parte mesmo.
Você é da equipe.
Obrigada, tamo junto.