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O que o Censo diz do Brasil atrás das grades

01 de maio de 20265min
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Neste episódio semanal, você irá conhecer um pouco do raio-x da população carcerária do Brasil de acordo com dados do Censo 2022.

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Erivento Nunes

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  • Censo Carcerário 2022Diferença entre Censo e Senapem · Perfil demográfico da população carcerária · Concentração de presos por região · Relação entre falta de educação e saneamento e encarceramento · Déficit de vagas no sistema prisional · Condições das unidades prisionais · Custo de um preso para o Estado · Necessidade de políticas públicas
  • Números e metodologia de estimativa de públicoIBGE e domicílios coletivos · Agendamento com diretores de unidade
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Olá, pessoal, tudo bem? Eu sou Erivento Nunes e você está no Estatística com H Podcast. Neste episódio semanal, você irá conhecer um pouco acerca do que o censo nos diz do Brasil que está atrás das grades.

Nesse episódio, então, nós vamos mergulhar em um Brasil que muitas pessoas preferem não ver, ou até mesmo esquecer, mas que os números insistem em mostrar. Vamos falar aqui sobre a população carcerária e como o Censo 2022 colocou um holofote sobre as celas do país.

Você sabia que se a população carcerária brasileira fosse uma cidade, ela seria maior que capitais como Cuiabá e Florianópolis? Estamos falando de quase um milhão de pessoas, mas como se conta quem está privado de liberdade? Você saberia dizer? É importante explicar que o censo não conta apenas casas, mas domicílios coletivos.

Então é importante explicar acerca do que é feito em relação à população carcerária. Bem, não sei se vocês sabem, dentro desse contexto, da logística do censo nos princípios, é importante dizer que o IBGE não bate de cela em cela da mesma forma que bate nas casas.

No censo de 2022, os presídios são domicílios coletivos, assim como asilos e quartéis, e o recenseador agenda com o diretor de cada unidade. O IBGE registrou nesse censo cerca de 479 mil pessoas em unidades físicas durante a coleta.

Aqui vem um ponto importante para você não se confundir. Por que o censo diz 479 mil e o Ministério da Justiça fala em mais de 900 mil?

Bem, é que o censo foca em quem está fisicamente lá no dia. O sistema prisional, o Senapem, conta a todo mundo, quem está lá e quem não está. Conta quem está no semiaberto, em prisão domiciliar ou com tornozeleira. E, a partir daí, pensa-se em traçar um perfil de quem está preso. Quem é o rosto do sistema prisional brasileiro?

Qual é o gênero e a idade? Sabe-se que a esmagadora maioria são homens, 96%, na faixa predominantemente jovem, entre 18 e 34 anos. O Sudeste concentra a maior parte, sendo que São Paulo sozinho tem quase 200 mil presos.

É importante falar sobre desigualdade, discutir brevemente o perfil socioeconômico. Muitas vezes, muitos vêm de territórios mapeados pelo Data Favela, conectando com o tema anterior, falando sobre população. População e amostra. A falta de acesso à educação e saneamento básico nas periferias, muitas vezes se reflete na ocupação das celas...

anos depois. E isso é uma realidade muito dolorosa. Temos um déficit que ultrapassa 200 mil vagas. O censo ajuda a provar que as unidades operam muito acima da capacidade projetada. Mas por que será que esses dados importam? Bem, dados não são apenas números. Na verdade, são ferramentas de gestão.

E dentro disso, como planejar saúde e educação dentro dessa realidade? É como planejar vacinação, alfabetização dentro de presídios sem saber quantos são e onde estão. Então é necessário ter essa informação, ter essas ferramentas. Pois segundo os direitos humanos, existe a menção ao dado de que um terço das unidades no Brasil tem condições consideradas ruins ou péssimas.

É interessante dizer que o custo de um preso para o Estado, o impacto da economia das famílias, muitas vezes chefiadas por mulheres que ficam do lado de fora, tentando manter o seu sustento, estabelece uma certa conexão social.

O censo de 2022 e os dados de 2025 nos mostram uma realidade interessante. Eles nos mostram que o Brasil continua prendendo muito e muitas vezes prendendo mal, de forma incorreta. Olhar para esses dados, para essas informações, é o primeiro passo para pensar numa forma de ressocializar em vez de apenas punir. Porque punir por punir...

não faz a menor diferença, porque você não consegue reintegrar esse indivíduo à sociedade. E você, o que você acha desse cenário? Esse Estado te surpreende? Bem, é muito interessante dizer que, na grande maioria das vezes...

essas informações são usadas de maneiras incorretas, porque quando, na verdade, esses dados são preciosíssimos para que nós possamos pensar em políticas públicas que venham a solucionar o grande problema do aumento da população carcerária no nosso país.

Bem, e assim chegamos ao final de mais um podcast. Espero que vocês tenham gostado. Um grande abraço e até a próxima. E não deixem de seguir a nossa página.

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