Episódios de FILOSOFIA CLÍNICA - Diálogos Transversais

MATERNAR - O Cordão, Paula Prizo

09 de maio de 20263min
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O maternar se define e ressignifica a cada singularidade acolhida... Pode acontecer antes, durante e após concepção, gestação e parto. Pode envolver seres, projetos, sonhos, ideias e saudades... Transcende gêneros e laços sanguíneos. Envolve percepção, presença e trocas. Traz desafios, assombros e encantamentos...

Hoje, trazendo a bonita partilha de Paula Prizo (teóloga, psicanalista e filósofa clínica, que integra o coletivo @mulheridades_fc), com "O Cordão"...

Ana Rita de Calazans Perine

orior.com.br/ana-rita

Participantes neste episódio1
A

Ana Rita de Calazansperini

HostFilósofa clínica
Assuntos1
  • Culpa maternaDefinição e ressignificação do maternar · O cordão umbilical e a ligação mãe-bebê · A transição do nascimento e a descoberta do mundo exterior · A ligação invisível e permanente entre mãe e filho · Paula Prizo
Transcrição8 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Sou Ana Rita de Calazansperini e cá estamos com Filosofia Clínica Diálogos Transversais. Hoje com o tema Maternar. O maternar se define e ressignifica cada singularidade acolhida. Pode acontecer antes, durante e após concepção, gestação e parto.

Pode envolver seres, projetos, sonhos, ideias e saudades. Transcende gêneros e laços sanguíneos. Envolve percepção, presença e trocas. Traz desafios, assombros e encantamentos.

Deixo com vocês a partilha de Paula Priso, teóloga, psicanalista e filósofa clínica que integra o coletivo arroba mulheridades underline fc, com o texto de sua autoria, o cordão. O Cordão Ao dar a luz Ao dar a luz

A nova mamãe mantém uma ligação invisível com seu bebê. Algo ainda os une. O cordão. Durante a gestação, por ele a criança recebeu alimento e oxigênio. Estavam ligados. Eram dois em um. Que a mãe sentia ou o bebê sentia. Compartilhavam a existência.

Talvez a maior dor do nascimento seja a dor do corte do cordão. E agora? Pensa o bebê. Como irei respirar? Como irei me alimentar? Então os pulmões se abrem. Já não precisa mais do cordão. Ele tem fôlego e chora. A barriguinha ronca. Ele sente fome. Logo descobre que agora tem o seio da mamãe.

Curiosamente, ouve o mesmo som de quando estava em sua antiga morada o ventre. A melhor música de todos, o som do coração da dona do cordão. Mesmo sem existir fisicamente, o cordão permanece. A ligação não se rompe com a tesoura. Por toda a vida, a mãe vai respirar pelos filhos, perder o fôlego a cada susto.

Através desse cordão, ela os segura em seu colo, ainda que crescidos e vivendo a própria vida. O cordão faz com que uma mãe sinta as dores dos filhos, suas alegrias, lutas e vitórias. Ele os conecta e por meio dele a mãe sempre transmitirá alimento e novo fôlego de vida.

o amor e a segurança que um dia o bebê teve dentro de seu ventre. Talvez você não possa vê-lo, mas está aí o cordão.

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