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Transtornos Psicomotores: Teorias da Aprendizagem e Desenvolvimento Motor

05 de maio de 202618min
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O material apresentado explora os transtornos psicomotores e a importância do estímulo para o desenvolvimento motor e cognitivo humano. O texto detalha diversas teorias da aprendizagem, como a Experiencial, a Cognitiva e a Social Cognitiva, além de conceitos específicos como a Andragogia e a Teoria da Carga Cognitiva. Destaca-se o papel da psicomotricidade na educação inclusiva, enfatizando como a movimentação corporal auxilia na superação de atrasos no neurodesenvolvimento. A obra também descreve as fases de aquisição de habilidades motoras propostas por Fitts e Posner, integrando movimento e pensamento. Por fim, reforça que a interação entre o corpo e o meio é fundamental para a construção da consciência corporal e para a aprendizagem significativa em todas as etapas da vida.Slides;

https://docs.google.com/presentation/d/10diDAd9OnBA4y5EgVFpIeM7J_erW_Lq9/edit?usp=sharing&ouid=112085487248009471672&rtpof=true&sd=true

Assuntos7
  • Psicosomática e Saúde FísicaMaturação do sistema nervoso central · Ritmo, espaço e esquema corporal · Gnosias (reconhecimento sensorial) · Afetividade na aprendizagem
  • Movimento corporal e psiquismoInterligação corpo e mente · Desenvolvimento motor e cognitivo · Teorias da aprendizagem · Psicomotricidade na educação inclusiva
  • Fases de Aquisição de Habilidades MotorasFitts e Posner · Fase Cognitiva · Fase Associativa · Fase Autônoma · Automação motora e voo cognitivo
  • Mentoria e Aprendizado com ExperientesJohn Dewey · Pragmatismo e Iluminismo · Foco nos sentidos e vivências · Aprendizagem pela prática e engajamento
  • Conhecimento e AprendizadoJerome Bruner · Schmidt e Moreira · Ativação de conhecimentos prévios · Aprendizagem significativa · Teoria da Carga Cognitiva (John Sweller)
  • Desenvolvimento cognitivo infantil na era digitalSubstituição de interações físicas por telas · Redução da exploração 2D vs 3D · Prejuízo na construção de pontes cognitivas · Impacto biológico a longo prazo
  • Casos de Uso em PedagogiaEducação Infantil (Teoria Experiencial) · Ensino Fundamental (Teoria Cognitiva) · Professor como arquiteto de pontes · Aprendizagem baseada em problemas · Carga Cognitiva Intrínseca e Extrínseca (Meyer)
Transcrição53 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Então, imagina a seguinte situação. Uma criança está lá pelo quarto ano do ensino fundamental e começa a ter umas dificuldades sérias para entender o conceito de frações matemáticas. Aquela clássica barreira da matemática, né? Exatamente. E aí a primeira coisa que a gente pensa é que o problema está nos números, tipo na didática da matemática ali na hora. Mas e se eu te dissesse que a raiz desse problema pode não ter nada a ver com matemática?

Nossa, como assim? Pois é, pode ser que quando essa criança tinha uns 3 anos de idade, sabe, faltou a oportunidade dela rolar na terra. Ou de brincar com aqueles blocos de montar meio assimétricos, de empilhar pedra no quintal.

Caramba, isso muda toda a perspectiva, né? Muda tudo. A gente tende muito a enxergar a educação só como um fluxo de informações intelectuais, assumindo meio que a mente e o corpo são coisas totalmente separadas. Mas a neurobiologia mostra literalmente o oposto. Mostra que estão totalmente interligadas. Isso. O raciocínio abstrato de alto nível, ele nasce, na verdade, do chão, né? Do toque, do movimento físico.

Olha, essa constatação, ela muda completamente as regras do jogo. Porque a educação passou muito tempo tentando criar métodos de ensino que simplesmente ignoravam esse motor biológico, sabe? O motor que processa o próprio ensino. A gente ignorava o hardware, digamos assim.

Exato, ignorava o corpo. E hoje o nosso foco, no nosso mergulho de hoje, é justamente analisar um material acadêmico muito robusto sobre isso. A gente vai se basear muito nos estudos da professora Maria Cristina Trois Dornelis Raul, que fala sobre transtornos psicomotores e as teorias da aprendizagem. Um material riquíssimo, por sinal.

Muito. A nossa missão aqui é desconstruir um pouco essa mecânica de como o ser humano aprende de fato.

Vamos tentar mapear como essas teorias educacionais evoluíram, saindo daquelas respostas mais instintivas lá do passado, até chegar no mapeamento neurológico de como a gente forma memórias e, o mais importante, tirar ferramentas práticas para a sala de aula a partir de tudo isso. Perfeito. E para quem acompanha a gente entender o funcionamento atual dessa mecânica toda, eu acho que a gente precisa dar um passo para trás, né? Olhar para as falhas lá do passado.

Com certeza. O ponto de partida cronológico ajuda muito. Sim. Lá no início do século XX, o modelo padrão era praticamente a transmissão unilateral. A ideia de que o aluno era um balde vazio e o conhecimento era um pacote estático que o professor entregava ali de cima para baixo.

E aí a primeira grande ruptura contra esse modelo foi a teoria experiencial. Que foi liderada pelo John Dewey, né? Isso, pelo Dewey. E o material que a gente está analisando destaca bem que a base filosófica aqui, ela vem do pragmatismo e do iluminismo. Então tinha um foco gigantesco nos sentidos humanos. O corpo voltando para o centro da conversa. Exato. A premissa era que o currículo escolar tinha que nascer das demandas e das vivências dos próprios estudantes, respeitando a individualidade.

Mas aí eu te pergunto, sendo bem pragmático agora. Pode perguntar. Como é que um educador garante que algum aprendizado estruturado, sabe, de fato aconteça? Se são os alunos que estão guiando o processo através da experiência pura e crua. Isso não só há meio como um convite para o caos. Um caos produtivo, talvez, mas ineficiente?

Olha, até soa e seria muito ineficiente se a proposta fosse só um abandono tátil ali, tipo, solta as crianças e vê o que dá. Que é o que muita gente acha que é, né? Exatamente. Mas a genialidade da teoria experiencial, na verdade, não é deixar a criança fazer o que ela quisesse em rumo. É reconhecer que o nosso sistema nervoso evoluiu para colher dados através da adaptação.

Do ambiente. Para sobrevivência, no fim das contas. Isso. O cérebro precisa de atrito com o ambiente. Sabe aquele caos aparente de uma criança brincando numa poça d'água, testando se o brinquedo afunda ou não? Aham, jogando pedra, vendo água espirrar. Isso não é bagunça. É o sistema nervoso codificando as leis da física ali, em tempo real. E a experiência direta resolve aquele que é o maior problema da educação tradicional, que é a falta de engajamento.

Ah, faz sentido. Porque é tipo aprender a andar bicicleta, né? Como assim? Tipo, a teoria experiencial é andar de bicicleta. Ninguém aprende a ter equilíbrio lendo um manual gigante que o professor escreveu no quadro. Exatamente. Você precisa subir na bicicleta, sentir o peso, cair algumas vezes...

A experiência prática ali é a própria aula, né? O engajamento dispara porque a sua sobrevivência, não cair de cara no chão, está em jogo. Nossa, uma analogia perfeita. A sobrevivência dita que a gente preste atenção naquilo que afeta a gente diretamente. O aluno deixa de ser passivo porque ele precisa resolver um problema físico imediato.

Mas aí que está, a vivência só pela vivência, ela acaba esbarrando num teto estrutural uma hora, não esbarra. Sim, ela tem um limite bem claro.

Porque, pensa bem, uma criança pode brincar com água e areia a tarde inteira. Ela vai entender intuitivamente que a lama fica pesada, densa. Mas a lama em si não vai ensinar para ela a fórmula matemática da densidade. Não, de jeito nenhum. Esse salto da percepção física lá na poça d'água para o conceito abstrato, isso não acontece por osmose, né? Não acontece.

E é justamente essa limitação que forçou a próxima grande evolução cronológica que a gente vê no material. A teoria experiencial, olha, ela é imbatível para criar aquele banco de dados sensorial inicial e para gerar motivação. Sim, a criança quer estar ali.

Mas se não tiver um arcabouço para sistematizar isso, para organizar e classificar essa vivência toda, a memória tátil não vira conhecimento acadêmico. Então os pesquisadores começaram a pensar, tá, como é que a gente processa e armazena isso? O que nos empurra direto para a teoria cognitiva da aprendizagem, certo? Exatamente.

Aí entram os teóricos como Geroni Brunner e mais recentes como Schmidt e Moreira. Eles tiram o foco só do ambiente externo e começam a colocar um microscópio, sabe, na nossa arquitetura mental. O foco muda do fazer para o pensar, raciocinar e armazenar. Perfeito. E o grande pilar que o texto traz aqui é o conceito da prensagem significativa. Do Moreira, né? Isso.

A ideia principal é que o cérebro humano não assimila informações do nada, no vácuo. Para um dado novo entrar e ser compreendido, ele precisa obrigatoriamente se conectar com algo que já existe na sua estrutura cognitiva. É o que chamam de ativação de conhecimentos prévios, não é?

Isso. Imagina o cérebro não como um HD de computador que você solta um arquivo lá e ele fica salvo, mas como uma rede orgânica. Se a informação nova não encontra semelhanças ou até contrastes com o que você já sabe, ela evapora da memória. Não tem onde ancorar.

Tá, mas deixa eu testar uma coisa com você aqui. Se a regra de ouro dessa teoria é que a gente sempre precisa de um gancho prévio para aprender algo novo, como é que alguém aprende um conceito que é 100% inédito? Se a estrutura anterior não existe, a informação simplesmente bate e volta. O professor nunca vai poder ensinar algo do zero.

Olha, é uma ótima pergunta. Mas, na prática, é raríssimo a gente encontrar um conceito que seja, assim, 100% inédito se a gente souber fragmentar ele até a sua essência mais básica, sabe? A fatiar o problema. Exato. E é isso que redefine o papel do educador. O professor deixa de ser aquele transmissor de dados e vira uma espécie de arquiteto de pontes. Gostei do termo. Arquiteto de pontes.

Na visão cognitiva, o papel dele é investigar a mente da turma, ver quais experiências sensoriais ou conceitos básicos já estão lá e construir essa ponte até o assunto complexo. É a base do que o Brunner chama de currículo em espiral.

Que é aquela ideia de você apresentar o básico, deixa a turma consolidar aquilo, e lá na frente você volta no mesmo ponto, mas adicionando uma camada extra de complexidade? Exatamente isso. Mas pelo que a gente leu nos arquivos, o professor não pode simplesmente construir uma ponte infinita de uma vez só, né? Tem um limite físico aí.

A teoria cognitiva é ótima para estruturar, mas tem o conceito da carga cognitiva. Sim, os estudos do John Sweller. O cérebro tem um gargalo biológico. Que é bem estreito, na verdade. A nossa memória de trabalho, que é onde a gente manipula as informações no momento, ela consegue processar, tipo, de 5 a 9 elementos de informação de cada vez. É muito pouco se você pensar bem.

Se o professor tenta empurrar 12 conceitos novos de uma vez, a estrutura colapsa. O aluno não desliga por falta de inteligência. Ele desliga por sobrecarga de sistema mesmo. Exato. O cérebro desliga a chave. E olha que interessante para onde isso leva a gente. A gente tem a teoria experiencial colhendo dados soltos por aí e a cognitiva organizando tudo no limite mental. Mas a gente volta para o seu questionamento de antes. Qual? Do gancho prévio. Isso.

Se a cognição precisa de bagagem para ancorar novas ideias, de onde vem o alicerce original lá do começo? Quando um bebê nasce, ele não tem conhecimento de matemática para ancorar nada. Ah, entendi. Qual é o primeiríssimo gancho? Sim. E a resposta que o material da professora Raul dá para isso não é filosófica, tá? Ela é puramente anatômica. Tudo começa na psicomotricidade.

O motor biológico vem antes do raciocínio intelectual. E isso me chamou muita atenção, porque quando a gente fala de desenvolvimento motor infantil, a gente logo pensa em fortalecimento de músculo, osso, a criança aprendendo a andar. E não é só isso. É a maturação de todo o sistema nervoso central. Isso integra ritmo, noções de espaço, o esquema corporal e um conceito-chave do texto, as guinóseas.

Dinosias. O texto define bem isso como reconhecimento de informações através dos sentidos, né? Para visualizar, imagina alguém com os olhos vendados tentando mapear uma sala que não conhece. É um ótimo exercício mental.

A única forma de eu saber onde estão as paredes ou se tem uma mesa no meio é andando e esbarrando nas coisas. O choque físico ali de tatear o limite do móvel é o que permite que a minha mente crie o mapa da sala. Sem o movimento, sem esbarrar, o mapa simplesmente não existe.

Nossa, o paralelismo é perfeito. O esquema corporal que a criança desenvolve, que é a percepção inconsciente de onde termina o corpinho dela e onde começa o resto do mundo, é desenhado por esses esbarrões. E a afetividade entra muito forte aí também, né? O sistema não arquiva tudo do mesmo jeito. A gente grava o que tem emoção envolvida, o que desperta algum afeto ou curiosidade.

Com certeza, a afetividade é o combustível. A cognição e a área motora evoluem juntas. Se a criança tem um atraso motor ali nos primeiros anos, ela não vai explorar os móveis dessa sala vendada.

E aí, anos depois, quando a escola tentar ensinar geografia ou matemática, a ponte não vai ter onde se apoiar. O corpo e a mente não estão separados. Não estão. E para entender como essa interação motora vira uma habilidade real, o material traz a teoria de Fitts e Posner, lá do final dos anos 60. Eles mapeiam como a gente sai de um esforço mega consciente para algo automático em três fases.

Vamos passar por elas. A primeira é a fase cognitiva. Isso. É quando você está aprendendo, sei lá, amarrar o sapato. Tem muita insegurança, a criança erra muito. Neurologicamente, o córtex pré-frontal, que é a nossa área do pensamento consciente, está operando no talo. A memória de trabalho inteira está ocupada tentando não errar o laço. O rendimento é mínimo? Mínimo.

Mas com a continuidade, com o atrito ali do erro, a gente passa para a fase associativa. Que é quando a mecânica começa a conversar com o cérebro. Os erros diminuem. O cérebro pega os padrões e começa a tirar a carga do córtex pré-frontal e jogar para as áreas mais profundas.

E aí a gente chega na fase autônoma. O movimento flui. Você não pensa mais em como segurar a caneta ou amarrar o tênis. E olha o pulo do gato educacional nisso. É genial, né? Sim. Quando o movimento fica automático, o cérebro libera os espaços da memória de trabalho. Se a criança não precisa gastar energia pensando no formato da letra A, ela ganha banda larga mental para focar na historinha que ela está escrevendo.

É a automação motora que permite o voo cognitivo. Por isso, se você pula essa maturação, o aluno fica preso lá na fase cognitiva de um monte de tarefas básicas, sobrecarrega e não aprende os conceitos complexos depois. Bom, entendendo todo esse funcionamento da máquina, a pergunta prática que fica para quem está nos ouvindo, e talvez trabalhe em sala de aula, é como eu aplico isso no chão de fábrica? Como adaptar na prática?

Isso. O material da professora Raul tem ótimas direções. Por exemplo, na educação infantil, a balança tem que pender quase toda para a teoria experiencial pura, não é? Exato. O ambiente da creche tem que ser focado no contato sensorial. O professor precisa colocar areia, água, folha seca, brincadeiras livres que trabalhem a lateralidade. O objetivo não é absorver intelecto, é construir aquele mapa espacial primário.

Fazer as dignoses. Mas aí o tempo passa. E quando essa criança chega lá no ensino fundamental, o jogo vira. A teoria cognitiva entra com força.

Aí o professor vira o arquiteto de pontes de vez. O material traz um exemplo excelente de um professor de geografia. Esse exemplo é muito bom. Em vez do professor entrar na sala projetando um mapa abstrato no quadro e pedir para a turma decorar o que é altitude, ele recua. Ele usa a aprendizagem baseada em problemas e resgata as memórias sensoriais das crianças.

Memórias tipo de brincar na areia. Isso. Aquele esforço muscular de subir um morrinho de terra no pátio ou de sentir água desmanchando a lama. Ele pega esse arquivo sensorial e usa como âncora para ensinar sobre erosão, orientação espacial, o efeito da chuva no ambiente, o corpo físico do passado, ancorando a teoria do presente.

É fantástico. Enquanto o professor faz isso, ele também tem que modular o piso das informações. Entra aquela questão da carga cognitiva de novo, né? Os princípios de Meyer. O Richard Meyer. Ele dividiu o esforço mental em duas cargas, a intrínseca e a extrínseca.

A intrínseca é tipo a complexidade natural da matéria. Se o professor de física vai ensinar termodinâmica, a matéria é difícil por si só, ponto final. Tem que ter esforço. Exatamente, não tem como fugir. Mas o problema real é a carga extrínseca, que é basicamente a distração, o ruído que o próprio professor coloca na aula sem perceber. O Meyer chama de princípio da redundância.

que é aquele clássico erro de colocar um slide com um texto gigante, um gráfico do lado, uma animação inútil girando no canto da tela e o professor lendo o mesmo texto do slide em voz alta. É o combo da sobrecarga. O cérebro do aluno esgota a energia tentando conciliar o que está ouvindo com o texto que está lendo e com a imagem girando, e ele não aprende o conceito.

O princípio da coerência diz justamente isso. Se a imagem ou a musiquinha não serve para explicar a matéria diretamente, tira da aula. Só atrapalha. Então, para orientar o professor, a sacada é ler a turma. Se a turma está ali errando muito e insegura, eles estão na fase cognitiva do FITS.

Isso. O professor deve tirar o pé do abstrato e usar métodos experienciais, da material prático. Agora, se a turma já está dominando o básico, já está na fase autônoma, aí sim ele aplica a teoria cognitiva para aprofundar o raciocínio crítico.

Essa é a síntese perfeita. A metodologia não é uma receita de bolo. Ela tem que se adaptar ao estágio neurológico do aluno. O que nos dá uma visão muito clara e amarrada das coisas. Se a gente comparar na visão experiencial lá do Jui, o estudante é o explorador ativo da selva. Ele está lá se sujando e colhendo a matéria-prima.

Já na visão cognitiva, ele continua sendo o explorador ativo, o protagonista, mas o professor entra entregando uma bússola e as plantas do projeto para ele não se perder com tanta informação. Isso. O aluno passa de coletor para construtor.

E sem um corpo em movimento ali na base, a mente não tem material de construção nenhum. Exatamente isso. E sabe, pensando nessa base toda que construímos hoje, tem uma provocação final que não está explícita nos dados acadêmicos básicos, mas que salta os olhos se a gente analisar o cenário atual. Qual seria?

A gente viu que a base do raciocínio profundo da matemática complexa que você mencionou lá no começo se constrói pelas experiências físicas e táteis na primeira infância. Sujar a mão, ter contato com espaço em três dimensões, tatear a natureza. Certo. Agora, o que vai acontecer com o desenvolvimento cognitivo profundo de gerações inteiras se a gente está substituindo precocemente essas interações de corpo inteiro por telas planas? Nossa, é verdade.

Imagina que aquela exploração caótica, rica, está sendo reduzida a um simples deslizar de dedos num vidro totalmente liso em duas dimensões. Que pontes cognitivas a gente está deixando de construir na base anatômica dessas crianças? O que isso faz com as gnosias? É um impacto biológico muito assustador de se imaginar a longo prazo, né? A gente pode estar prejudicando o hardware sem perceber.

Com certeza. Fica o convite para a gente repensar não só a escola, mas a própria biologia do aprendizado no nosso dia a dia. Fica aí, então, essa reflexão de peso para quem nos acompanha. A gente vai ficando por aqui. Até o nosso próximo mergulho.

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