Convida... Teago Oliveira, da Maglore, para falar sobre o novo disco 'Fluxo Natural'
Uma das bandas favoritas do Programa de Indie tá de disco novo – e só isso já é uma desculpa excelente para fazer um novo episódio, não é mesmo?
Nessa sexta-feira, chega às plataformas digitais Fluxo Natural, o sexto disco de estúdio da Maglore. Sucessor do aclamado V, que rodou até furar aqui no quartinho de bagunça, o trabalho traz uma sonoridade diferente, pop e acessível para o quarteto.
Para falar do novo trabalho, o vocalista, guitarrista e compositor Teago Oliveira volta ao quartinho pela segunda vez em 10 meses – a última, vale lembrar, foi quando ele lançou o excelente disco solo Canções do Velho Mundo.
Na pauta, além de falar sobre os detalhes, as inspirações e os nexos contidos no mais recente rebento, Teago ainda discute o mercado da música, sua geração de compositores, fala de política e nos brinda com seu bom humor, num papo que vai pra lá de uma hora e meia de boa prosa.
Para acompanhar a audição, tem ainda uma playlist especial mapeando algumas das referências da Maglore neste novo trabalho. Separe seus fones, embarque na nave do Amor Sci-Fi e venha ouvir mais esse sonho real.
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Por falar em playlist, sabia que a gente tem uma playlist com todas as entrevistas que já fizemos no programa?
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- Fluxo Natural· CulturaProcesso criativo e composicional·Evolução sonora e poética·Influências musicais·Produção e gravação em casa·Amor Sci-Fi·Sonho Real·Caravelas
- Carreira e Mercado Musical· CulturaEvolução da Maglore·Independência e sobrevivência financeira·Cansaço físico e mental da estrada·Redução do volume de shows·Reconhecimento nacional
- Maglore e Projetos Paralelos· CulturaGravação como intérprete·Projeto de disco duplo·Show solo de Teago Oliveira·Produção musical
- Colaboracoes e parcerias musicais· CulturaParceria com Luquinhas·Colaboração com Mateus (Jorge e Mateus)·Produção para outros artistas·Diálogo entre gerações de músicos
- Experiências ao vivo e shows· EntretenimentoEnsaio aberto para fãs·Planejamento de repertório para shows·Duração dos shows
- Produção Musical e Equipamentos· CulturaSofisticação na produção·Importância do arranjo·Mitos sobre equipamentos de gravação·Bateria de Eder
Programa de Indie com Bruno Capelas e Igor Miller.
Seja muito bem-vinda, seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinde ao Programa de Indie, o nosso quartinho de bagunça onde estamos todas as semanas não apenas falando de uma visão da música alternativa, mas também falando de uma visão alternativa da música. Eu sou Igor Miller, Estou sempre ao lado dele, Bruno Capelas.
Boa noite, boa noite, Igor Miller! Prazer enorme estar aqui para seguir o fluxo de uma conversa que a gente gosta muito. O tema você já sabe, garoto esperto, garota esperta que ouve o programa de índio, é dos que a gente mais gosta. É dia de falar de Maglory.
Naturalmente você já sabe, siga a gente na sua plataforma de streaming, no seu agregador de podcast de preferência, sempre dando a cotação máxima. É muito importante para a gente seguir subindo, para seguir o fluxo pelas nossas redes sociais.
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Também nos palcos, seja na Casa de Francisca, seja no Piclis, seja em Portugal, onde mais, Porto Velho, não interessa, tá aqui na agendinha da semana.
Agendinha da semana chega recheada essa sexta-feira. Vou dizer que fazia tempo que São Paulo não tinha um fim de semana tão maluco em termos de shows. Primeiro, por conta da programação da SPIM, São Paulo Independent Music, Inclusive Edmar Filho passando aqui para dar o recado, convidando para shows e conferências.
Fala aí, galera do programa de Indy! Aqui é o Edmar da ESPM. Prazer tá falando aí com vocês e obrigado aí pelo espaço. Passando para dar um toque para quem tiver ouvindo e para convidar todo mundo para ESPM, que já tá rolando agora essa semana. E hoje temos aí mais 6 shows rolando em 3 lugares diferentes da cidade, uma programação extensa ainda no final de semana também. Mais uma conferência muito legal sobre música independente, com várias pessoas da música independente e vários profissionais do mercado que vão estar lá compartilhando informação e debatendo vários assuntos legais.
Hoje a gente tem uma noite com Ludovico e Jovens Ateus na Casa Rock'n'Roll, temos Garotas Suecas e Turmalina no Bar Alto, temos Ana Paia e a Boa Sorte, duas bandas super novas rolando no Fenda. Tá super legal a programação. Vamos deixar o convite aí para todo mundo. Quem quiser colar, é só acessar spinfestival.com e lá tem todas as informações sobre todos os artistas, todos os painéis, tem lá a venda de ingresso também. Então bora lá, ainda temos o final de semana todo pela frente, todo mundo convidado, e bora nessa!
A gente também tem hoje Replicantes no Sesc Belenzinho, FBC no Sesc Pompeia, JASA no Sesc Bom Retiro, e neste final de semana, para completar, ainda tem Uhuu, uma releitura do Cabeça Dinossauro com Juliana Perdigão, Sofia Chablau, Alana Ananias, monte de gente boa junta. Jonathan Doll tocando no Sesc 14 Bis, Juliana Linhares lançando Até Cansar o Cansaço no Sesc Pompeia, e o FBC também no Sesc Pompeia. Semana que vem tem Dillas Que Não Me Matem no Bar Alto, dia 22 de agosto, no final do mês.
Jair, Vitor e Renan, o bom, o mau e o feio, a reunião deste santo agrupamento do rock triste brasileiro lá no Red Star Studios. Turnê tá passando pelo Brasil, fique de olho na sua cidade se você não está em São Paulo. Dia 23 de setembro tem o Grouper no Teatro Gamaro, lá na Moca, meu. E dia 25 tem Maglore lançando Fluxo Natural no Cine Joia. No dia 26 eles tocam em Sorocaba no Lobo Fest. Infelizmente não estaremos lá porque já temos compromisso marcado nos dias 26 e 27 de setembro Balaclava Fest com o Ednes Day, com o Blond Redhead, com o Dive que lançou música nova e tá um tesão, com muita coisa legal no Balaclava Fest. 2 dias depois, 29 de setembro, Chapterhouse e Terra Plana.
E para completar, só um aviso que saiu logo antes da gente gravar este programa: o New Order confirmou nova data, dia 23 de novembro, no Espaço Unimed, fazendo aquela semana maluca de novembro ficar ainda mais maluca.
Sendo sul-americano, posso me dar bem, sempre me dando.
Mais uma vez chegando aqui no programa de índice, sempre com muita alegria, sempre com muita expectativa e muito frisson. A gente entrou aqui numa vibe algum tempo, ouvinte, a gente deixou escapar em alguns programas algumas informações que tinham a ver com as nossas audições de Fluxo Natural, o sexto álbum da Maglore. E hoje, finalmente, para falar com a gente aqui do sexto álbum desta banda do nosso coração, ele está de volta, Thiago Oliveira.
Sempre uma alegria. Ele teve aqui no ano passado com a gente falando do seu disco solo. Agora para falar da Maglore, que já tinha, né, inclusive no programa solo, falar um pouquinho de fluxo natural com a gente. Antes de mais nada, seja bem-vindo aqui mais uma vez a este quartinho de bagunça, seu Thiago.
Alô, adoro demais, maravilha!
Eu acho que ontem a gente viu o ensaio aberto e você falou de músicas que são de 2024, até de antes. Os discos da Maglória, eles têm um tempo de fermentação natural. Quando é que vocês começaram a pensar nesse disco? O que que ele queria ser depois do 5, que acho que é um disco muito bem-sucedido na carreira de vocês?
Ah, cara, a gente queria fazer algo diferente. Eu acho que não importa o que fosse feito, assim, a ideia era tipo assim, gente, se a gente errar a mão ou acertar Vamos fazer um disco diferente, vamos seguir essa fórmula do 5, não, vamos deixar o 5 em paz. Muita coisa deu certo no 5 e o que a gente pode fazer de mais bonito na nossa carreira agora é abandonar as ideias do 5, não repeti-las, né? E desde 2024 ali a gente vinha fazendo o fluxo natural ali, a gente tava buscando ainda.
Aí a gente se reuniu algumas vezes, acho uma dúzia de vezes, para tentar enxergar esse disco. E a gente foi deixando ele acontecer naturalmente mesmo. A gente não tinha as músicas que a gente tinha para— a gente não enxergava ainda como disco. Parece que faltava, faltava canção para amarrar, sabe? E aí esse ano a gente reuniu muita música, acho que umas 15, 16 músicas. E aí a gente começou a achar o disco ali, e ao longo do processo de gravação a gente decidiu, não, vamos gravar, é agora.
Ao longo do processo de gravação vieram as músicas Farol e Palestina nos Seus Olhos. Farol acaba tendo um papel importante no próprio nome do disco, porque na própria faixa a gente menciona Fluxo Natural. Então o nome do disco veio dela. Ela foi, acho que a última, penúltima música, ela foi feita durante o processo de gravação. E Palestina Nos Seus Olhos chegou aos 46 do segundo tempo, então Foram músicas que foram, foram músicas que determinaram o que que ia ser o disco.
O disco, ele, ele tinha uma cara até os 45 do segundo tempo. Então essas músicas, elas determinaram bastante assim como seria o disco, e a gente foi excluindo as outras músicas não por serem piores. Isso é muito curioso, porque tem música interessante que ficou de fora, bastante interessante, Mas que elas não faziam sentido quando a gente jogava junto no conjunto ali. E a Maglória, ela tem esse lance, né, bicho, de tipo assim, a gente não consegue encher linguiça assim.
A gente sente mal, a gente sente muito mal de, ah, vamos deixar essa aí, é mais para completar 10, para completar 11. Tipo assim, a gente fica, ninguém dorme, sabe? No dia seguinte, no dia seguinte, o WhatsApp ferve. É tipo, não, não podemos fazer isso. Então é muito legal ter o próprio controle de qualidade assim, de certa forma, com os seus próprios amigos, né? Porque você sabe que ninguém vai deixar a peteca cair em algum momento ali, né?
Quando um tá cansado, o outro vai lá e, sabe, e puxa. É um processo legal assim.
Eu acho que tem muita natureza nesse disco. Tem muito rio, tem muito sol, tem muito mar, onda, mas também tem muita cidade. E várias vezes, ontem a gente tava discutindo, eu e o Igor, tem muito concreto no disco. Tem várias vezes você fala em concreto. Não é uma escolha despropositada falar da natureza nesse momento, né, cara?
Foi completamente aleatório, eu juro. Eu juro para você, eu não sou muito de escrever sobre natureza tanto assim, de tantas vezes, de tantas formas, né? As coisas foram surgindo assim. Os próprios títulos das músicas, a gente tomou um susto quando a gente viu, né? Porque Farol é beleza, farol na natureza, mas farol tá ali, tipo assim, tá no mar, né? Farol, fluxo natural, o rio e o mar, raio de sol, caravelas. Cara, é um negócio muito esquisito, né?
A gente começou a perceber que o disco tava falando de coisas que a gente não tinha nenhuma intenção de falar, né? Eu acho que foi aí que a gente começou a—
foi aí que, sabe quando você tá olhando pro negócio e você começa a dar um sorriso assim?
Foi ali que a gente começou a sorrir, falou assim, ah, olha só, ó, o inconsciente, ó como é bonito inconsciente falando, né?
Artisticamente é um negócio que, puta, deixa qualquer artista feliz, né? Quando o inconsciente encontra conexão, né, com o que você tá falando assim.
E ao mesmo tempo é um disco que fala sobre cidades, né?
Sobre momentos, sobre tudo, sobre destruição, sobre guerra, sobre amor, sobre É tipo assim, é um tratado quase de coisas que a gente vive, né, o disco, né. Acho que como quase todo disco da Maglória, só que eu acho que esse, o que me deixou muito feliz nesse disco foi a sensação de ter dado um passo, sabe, de ter dado um passo assim, principalmente na poética, que era um lugar que a Maglória já já me parecia ter esgotado, né?
Eu tinha uma preocupação muito grande que me parecia ter esgotado a fórmula de discurso.
Então existe um perigo muito, muito na minha cabeça, né, neurótica. Existe um perigo muito grande do artista e da banda quando os anos passam e ele começa a reciclar na própria obra o próprio discurso e ele começa a fazer cover de si próprio. Isso para mim é o fator que determina o final artístico de um artista, né? E não que não deva acabar, mas eu fiquei muito feliz quando a gente conseguiu dar esse passo poético assim, escrever de outra forma, escrever de outras formas as coisas que a gente quer, né?
E eu acho que muito, muito disso se deve à evolução de Luquinhas também.
De ter ido para outro lugar junto com, junto com a minha evolução, de ter feito o Canções do Velho Mundo no ano passado. Foi um disco que me abriu demais a cabeça para um outro tipo de musicalidade que eu tenho, que eu posso exercer. E ao mesmo tempo me deu um frescor muito grande para escrever coisa na Maglória, assim, me deu mais liberdade para escrever coisa na Maglória. Então, tipo assim, esse passo que a gente deu Deixou a gente muito feliz assim de poder escrever de forma mais subjetiva, sabe?
Muito embora a gente saiba as complicações, sei lá, comerciais disso hoje em dia.
Já vem falando isso já há um tempo, né? Hoje em dia eu acho que só a galera mais alterna mesmo tá conseguindo fazer uma poesia de um nível legal assim. O que tá no mainstream, eu acho até arriscado falar essas coisas, ser mal visto assim.
Mas o que tá tocando mainstream, até de artistas que não são do mainstream e que estão alcançando mainstream, tá chegando, tá chegando raso, tá, tá tendo que chegar lá raso, sabe?
E eu acho que eu fico triste por um lado, feliz pelos amigos que estão ganhando muito dinheiro, tem que ganhar mesmo, tem que ser feliz, né? Tem que fazer sucesso mesmo.
Mas por outro lado, eu acho que É muito literal, né?
Tá ficando muito literal assim, processo de emburrecimento assim da sociedade, não só do Brasil, né, no mundo todo. O negócio meio evidente assim. E sei lá, eu já tô falando de outras coisas, viu?
Acho que tem uma coisa que me chamou atenção, é uma coincidência o fato de vocês lançarem de novo um disco na boca das eleições. E acho que o single ficou muito marcado por aquele período de 2022. E quando eu— ah, beleza, vai vir disco novo da Maglory. Me deu um susto do disco não ter uma carga política na superfície como tinha o 5. Mas vocês falam desse assunto. Como é que foi a escolha? Porque assim, vocês falam disso o tempo todo, a gente fala disso quando a gente se encontra e conversa.
Como é que foi? Foi uma escolha pensar, putz, eu não quero falar disso na cara assim, até para não entrar em autocombustão?
Não, não, a gente sempre falou, cara, a gente nunca premedita.
Eu nunca premedito o que eu vou escrever assim metodicamente, assim nunca. Eu quero escolher falar sobre política, não vou escolher falar sobre política nesse momento. A gente também não sabia que a gente ia lançar um disco na boca das eleições. Você tá falando isso agora, tá caindo na real. Eu tô caindo na real agora da escolha, da incrível escolha de lançar um disco antes das eleições, né? Enfim, vamos nessa. Não pode deixar a peteca cair, mas é outro momento também, né?
De, é tão sensível quanto 2022, mas eu acho que é isso, de não repetir a mesma coisa assim.
Por que que eu vou fazer um outro eles, sabe? Não faz sentido. E esse disco, ele tem, eu acho que ele tem cores mais, mais bonitas, um pouco mais poéticas do que o 5. Apesar de eu achar o 5 um disco muito bem amarrado, né, em termos gerais. Mas a gente não escolheu não, bicho, essa coisa de tipo falar ou não falar. Eu acho que o disco todo ele tem uma carga política porque a Maglory sempre escreveu sobre essas coisas de forma natural, né, sem—
a nossa forma de escrever ela é menos direta, tipo assim, a gente não escreve nas nossas músicas fora fascistas, entendeu? Sabe? E com todo respeito aos artistas que fazem isso também, que fazem muito bem, mas eu nunca me senti bem falando esse tipo de coisa. Sinto que não sai, não seria verdadeiro da minha parte.
E a gente escolheu falar sobre outras coisas involuntariamente, mas que formam, que fazem sentido assim, sabe?
O fato de você escrever sobre— a gente escreve sobre amor de Cara, escrever sobre amor é um negócio muito difícil, velho. Porque assim, é a coisa mais fácil que você pode fazer enquanto música superficial, é escrever sobre relação, amor, etc. Mas ao mesmo tempo, quando você vai ficando velho fazendo música sobre amor, você vai percebendo a fonte inesgotável que é o amor, assim, de forma ampla mesmo, assim.
Não de forma estrita, de forma...
Ampla, meu amor sobre as coisas, o amor em estado de espírito assim.
Não tô falando do romance homem-mulher, homem-homem, mulher-mulher, etc. Tô falando do amor como um estado de espírito que consegue fazer com que, sei lá, a sociedade se direcione para lugares, o indivíduo direcione, se direcione para lugares assim. E esse disco ele vai falando de um amor de uma forma diferente que a gente tinha falado antes. E aí eu fiquei pensando no quão político isso pode ser também, sabe?
Eu tenho uma sensação de que a gente conseguiu, sei lá, eu acho que é mais importante falar sobre sociedade, sobre o mundo que a gente vive, do que ficar simplesmente preso num discurso político. Eu tenho visto que muitos artistas estão abandonando, inclusive.
A coisa de falar sobre política, porque obviamente deve ter doído no bolso, né? Deve ter, deve ter.
E chacoalha, né?
É agressivo. A gente vive um período muito agressivo da parte da sociedade mesmo assim. E eu tenho visto artistas que eram muito ativistas, ativistas políticos, esses tempos eles estão mais mais caladinhos, etc. E eu entendo e tal, mas as nossas posições políticas, elas são muito claras assim, elas são muito óbvias. E então a gente não precisa deixar claro na música que a gente faz, porque a música também é um outro trabalho, uma outra, é uma outra, é uma outra forma de expressar o que a gente quer, sacou?
Então esse disco a gente foi para lugares um pouco mais difusos e ao mesmo tempo profundos na minha visão, na minha cabeça, né?
Falar sobre o próprio trabalho é um negócio meio difícil, né?
Porque você não tem ali a imparcialidade, né, de uma pessoa que não escreveu.
Eu não sei se quero acordar ou me perder num sonho real.
Igor, você quer falar do sua questão sonora. Você quer falar de A Delta do Oriente Rock?
Primeiro eu só queria comentar essa questão indireta da política, vem de encontro com a questão do, da figura do concreto, porque as duas referências ao concreto elas têm um paralelismo aí, né? A primeira, que é em Palestina, a questão do concreto, né, se desintegrando a partir de uma, de uma ação da guerra, de uma ação irracional da política. E a segunda referência tem a ver com essa questão do seu próprio eu, né, de um certo inconsciente que rompe como uma força também da natureza, né.
Eu acho que tem essa referência, esse paralelismo é muito interessante, porque nos dois casos, tanto no caso privado quanto no caso público, você tá falando sobre o risco da irracionalidade que vai romper com esse estado de coisas. Eu acho que foram duas referências muito sutis pra falar de um certo risco dessa irracionalidade. Isso, em real, vai vir de encontro com essa questão que você tá falando o tempo todo, né? Será que eu construí isso?
Será que eu tô feliz por algo que eu construí, né? É natural isso? Eu sei que eu tô feliz. E aí é muito engraçado porque essa construção dessa ideia de felicidade em Sonho Real vem pra mim com a ideia de um certo pop dos anos 70, de um adult-oriented rock, que é justamente isso, né? É um momento do rock simplesmente, cara, vamos construir canções boas e chega, sabe? Acabou. Eu só quero... Não interessa se isso é... Natural ou não, isso é bom pra caralho.
E aí, quando eu ouvi Sonho Real, ela me pegou num choque assim, né? Tipo, de você ouvir coisas que eu tava falando pro Capelas, que tem a ver com, cara, a gente tá colocando muito da nossa percepção numa coisa que talvez não tenha a ver com a realidade. Mas eu ouvi ali Fleetwood Mac, eu ouvi ali Daryl Hall e John Oates pra caralho assim, sabe? E me encantou de uma maneira que que vem de encontro com muito que a gente ouve na música hoje.
Ninguém se preocupa em fazer uma canção pop simplesmente porque ela é boa pra caralho, sem se preocupar com conteúdos, sem se preocupar com ter uma palavra de ordem. E aí você tava falando tudo isso pra mim, vem de encontro. E eu tenho que perguntar: tem a ver?
Até você ter falado isso tudo, eu achava que não. Mas agora eu tô achando que sim, velho.
Cara, você foi falando isso e foi vindo uma lembrança e umas conversas que eu já tive já com vários amigos compositores, etc., de você olhar a carreira do Paul McCartney, por exemplo, e John Lennon ali no final dos Beatles. Se você pega os Beatles no início, o Yeyeyê era uma coisa muito interessante, né, porque existia uma inocência e as músicas eram chiclete, eram super pops, as músicas eram Eram bonitinhas, eram divertidas, né?
Não eram grandes canções pop, né? Não eram canções substancialmente foda, né? E aí os caras ficaram doidão, tiveram que se provar que não eram só garotinhos, etc. e tal, papapá. E no final dos Beatles, os caras estão fazendo o supra-sumo da música pop, né?
Que é música pop foda, elaborada, bem elaborada e foda. Eu não tô dizendo que eu sou John Lennon nem o Paul McCartney, não.
Mas dentro do nosso micro-universo, a Maglória tá dando essa volta, sabe? A gente tá dando essa— a gente saiu do Às Vezes Um Clichê, né, que é a música inicial ali da Maglória, aquela fase se encontrando musicalmente.
E agora a gente tá chegando em músicas que têm uma carga profunda e conseguem ser pop, como Raio de Sol. Que é uma música quase que letárgica, mas é super pop, né?
É um pop com heroína, sabe?
É uma coisa... E é uma coisa que é bonita, assim. E Sonho Real também, tipo assim... Existe essa vontade na gente de fazer música, vamos ver até onde vai, assim. Sabe? Tentar fazer um negócio foda mesmo. Ai, ficou muito pop. Meio bicho, foda-se se ficou muito pop, cara. Quem é que vai acusar a gente de ter se vendido? A gente tentou se vender a vida inteira, ninguém quis comprar, entendeu? Não vai ser agora que vão comprar não.
Vamos fazer esse negócio mesmo. E Sonho Real, ela tem uma pegada ultra mega pop. Sonho Real eu não compus para a Maglória.
Sonho Real eu compus para outra artista.
Die Eder acabou gravando essa música. E quando a gente tava fazendo o disco, o Jota falou assim, pô, bicho, aquela música lá não lançaram não? Eu falei, não. Aí ele falou, pô, bicho, aquela música lá não tem condição não, tem que ficar na banda, tem que entrar na banda. Eu falei, é verdade. E aí, e aí acabou que—
e tem, tem muito, tem muito esse lance do Fleetwood Mac mesmo assim. Todo mundo que ouviu falou, caramba, vocês têm influência? Não, não tenho. Teve gente que falou que parece muito War on Drugs.
E Kurt Vile, uma coisa meio assim, meio Kurt Vile, meio indie country assim, pela coisa meio esfumaçada da promoção.
É, tem uma coisa dela meio assim, e eu não tenho referência nenhuma dessas porra. Eu gosto assim, mas não, eu não conheço direito a fundo para ter a referência. Foi uma música que veio mesmo, foi natural assim. A música de 4 acordes, né?
Ela tem 4 acordes, a música inteira é super simples, super clima assim, e ao mesmo tempo super canção, né?
Então eu acho que tem a ver mesmo assim com o que você falou.
Qual que é o termo? Adult-oriented rock. É isso mesmo.
Eu acho que tem a ver, cara, tem a ver pra caralho.
Eu, eu, eu fui engraçado porque a gente tava discutindo, eu e o Igor, ele falou em Fleetwood Mac, eu falei isso aqui é Beto Guedes. Isso aqui é 14 bis.
Puta pra caralho, caralho.
Pra você ver que é um universo que a Maglory dialoga esse universo, cara.
E é muito, muito esquisito essa coisa de sempre a gente ter a referência e tal, não sei o quê.
E tipo, nós estamos no 6º álbum e a galera: não, porque isso tem referência disso, daquilo.
Os fãs da gente estão nem aí pras referências.
Isso pra eles é Maglory desde sempre. Nós somos a soma dessas misturas todas para eles, né? A gente aqui, como a gente tem que sempre explicar, né, por não ser uma banda, tudo está complexo, tudo tem que ter um método. Exatamente, é exatamente.
Por não ser uma banda, digamos assim, do mainstream, uma banda enorme que dita tendências, né, nós somos obrigados a explicar as tendências que nós seguimos o tempo todo.
Isso não me incomoda não, muito pelo contrário, eu adoro falar de referência.
Inclusive ontem Na audição, nas playlists que a gente tava soltando, tinha várias músicas que a gente usou de referência, de coisas e artistas que a gente usou. Tem coisa moderna, tem até o cara que produziu o Justin Bieber, né? O disco do Justin Bieber tem um pouco o som de Farol e Raio de Sol, aquela coisa do McGee, da guitarra lá do McGee, etc. e tal.
A gente curte essas paradas também, mas o grande centro da criação da Maglória é a canção, né, que a gente faz, né, a composição mesmo assim.
Somos uma banda de compositores, digamos assim. A gente gosta de fazer experimentalismo dentro da canção e não a canção dentro do experimentalismo. Você consegue entender?
Nós não somos uma banda de experimentar para criar. Nós criamos para experimentar, né?
É diferente o processo da gente para outros, né? De certa forma é uma banda como se fosse a moda antiga, né?
Você sente que vocês fazem parte de um grupo de poucos que tá olhando para isso?
Eu não, eu não, eu não, eu não, não sei.
Acho que deve, acho que deve ter muita gente pensando como a gente. Só que a gente não tá se encontrando.
Eu acho que a gente tá vivendo uma época da hipótese da astrofísica da Terra rara. Deve ter muita gente massa e a gente não tem mais alcance, a gente não tem mais contato assim. O mercado destruiu tanta coisa, né? O mundo mudou tanto que eu acho que deve ter uma galera muito foda que a gente não tem mais alcance.
Tá ficando tudo muito nichado e a gente se sente encurralado mesmo. Eu tô sentindo que a gente tá meio encurralado assim.
Meu tipo, caralho, cadê o meu grupinho, sabe? Eu sinto isso. É, então faz sentido. Talvez a gente seja um dos poucos.
Você falou de Terra Rara, então eu vou perguntar. Me conta um pouco de Amor Sci-Fi, que acho que isso é a música assim que é dentro do disco, ela talvez pelo arranjo, pela estrutura, é uma música que salta um pouco aos olhos assim. Como é que veio essa música?
Cara, super ref. Estética do Todd Rundgren e também muita coisa do, do, aquela fase ali do Billy Joel 70, 80, sabe? É do I'm Moving Out, aquela coisa do fuzz. Ela tem uma coisa, ela tem uma coisa, é uma mistura do cacete essa música, bicho. Ela tem uma coisa meio Wings também.
Sabe, velho, você matou a charada, Capelas. A gente falou, as duas referências que a gente falou ontem foi o Todd Rundgren e Wings.
Porque vocês estão velho também, bicho.
Vocês também estão velho igual nós, os cabelos tudo grisalho.
Exatamente, cara.
Começa a ouvir Wings aí, fudeu, velho.
Tem muito a ver com isso, com uma coisa também que eu vejo ali de Podres Poderes, de Caetano. É, tem uma confluência de coisas assim, porra, não tá abrindo a merda aqui do programa que eu posso—
eu queria mostrar, esqueci o nome da música do Todd Rundgren.
A gente quase copiou essa porra, inclusive.
Ah, isso mesmo, é a primeira do disco. Exatamente, eu adoro esse disco, inclusive. Isso mesmo, I Saw the Light. E com Moving Out, que é do Ah, com Wings tem, tem, tem uma confluência de um monte de coisas assim. E eu também, e essa, o nome do almoço aí faz, chamava Van Halen antes.
Todas as músicas nossas tem apelido, né?
Então ela chamava Van Halen e ela era bem Van Halen, inclusive a linha de voz dela.
A gente curtia essa música, só que Lelão e Didi ficavam meio tipo assim, esse refrão tá um pouco Tá rolando um Van Halen real nessa voz, porque ela ia para um outro lugar, ia para um quase com hard rock, glam rock, e ela dá quase uma surfadinha nisso assim, se você parar para ver a música, né?
E aí eu mudei a melodia de voz, eu mudei a melodia de voz do refrão, e através da mudança da melodia de voz, a letra ficou outra coisa. Eu mudei a letra também. E quando eu mudei a letra, eu encontrei o amor sci-fi. Porque eu encontrei uma coisa meio Marina Lima nesse refrão.
Uuuuh, vivendo cada momento.
Tem uma coisa meio Marina Lima no balanço da voz, assim. E aí foi onde eu encontrei esse universo meio...
meio sci-fi, sabe? Tipo assim, robô se beijando, sabe?
A coisa meio, sabe?
A coisa cinematográfica, meio Blade Runner junto com a coisa toda.
E foi o maior barato, eu acho o maior barato escrever sobre ficção.
Né? Eu tenho uma pira com ficção também.
E aí essa música ela foi ficando uma das mais diferentonas do disco assim.
O Luquinhas comentou esses dias, quando a gente termina de tocar, fala assim, essa é muito boa de tocar, né? Tipo assim, ela vai para um lugar, vai para um lugar diferentão assim.
E foi massa.
Eu acho que o grande, e era o grande pedido da banda, fazer um negócio diferente mesmo assim, com som diferente.
A gente queria tanto fazer algo diferente que a gente se A gente, a gente até falou, né, se ficar ruim a gente faz só para ser diferente mesmo, sabe?
Deixa ser ruim mesmo.
E como a gente queria essa outra, algo diferente, eu liguei para Mateus do Jorge e Mateus, né? E falei, bicho, é o seguinte, eu preciso de um solo de extrato, que extrato é a guitarra que eu mais odeio. Eu não sei tirar som de Stratocaster. É engraçado que Stratocaster é a guitarra que eu mais odeio. Eu não sei tirar som de Stratocaster, mas meus guitarristas preferidos todos usam Stratocaster.
George Harrison usava pra caralho, Jimi Hendrix, que é o maior de todos, usava muito Stratocaster, e David Gilmour, porra, que é do Pink Floyd.
Meus melhores, meus heróis de guitarra.
Pepeu, né, som de Stratocaster pra caralho também. Aí eu falei, Mateusão, sei que você é roqueiro, eu sei que você é roqueiro, faz um solo para nós. Não avisei para ninguém.
E aí quando os caras ouviram, né, a música, os cara falou, porra, você fez um solo? Quem fez esse? Lelão perguntou, quem fez esse solo invocado aí? Van Halen mesmo. E aí eu não falei nada, os cara, eu falei, e aí, vocês curtiram? Os cara, porra, curti muito, vamos nessa.
Eu falei, ó, que massa. Então mandou Então o Mateusão mandou ver mesmo, sacou?
Pra não dar suspeita, né?
Foi o maior barato escrever Amor Sci-Fi, velho. E ela tem esses dois momentos distintos ali, né? Uma coisa meio tipo estação primeira lunar, mangueira, não sei o que foi que eu falei ali. Ela tem uma parada muito massa ali de aquela caidinha final assim. Foi um barato fazer essa música.
A gente já sabe dessa relação entre vocês e Jorge Mateus, mas o ouvinte médio do programa de hoje deve estar assim: o que aconteceu? Então conta um pouco como surgiu essa amizade, por favor.
Cara, Mateus, ele gosta. Mateus, Jorge Mateus, ele saca todo mundo, tá, da cena da gente. Ele, por exemplo, agora tá ouvindo muito o Valfredo, Em Busca da Simbiose. Tá pirando no disco novo do Lou, né? Eu acho isso maravilhoso, eu acho muito foda, né? Ele curte o Bulgarins, ele já foi no programa do Bial com o Bulgarins, eu acho, uma vez.
E a gente acabou ficando amigo.
Ele foi no show da Maglory. E aí a gente se conheceu e depois ele chamou a gente pra tocar no aniversário dele. Ele tem um parque lá em Goiânia e foi uma experiência surreal assim, foi surreal assim. Cheguei lá, tipo, era o aniversário do cara junto, era aniversário dele, da mulher dele, Marcela. Eles são todos muito gente boa, galera, tipo, é absurdo. E Sarinha também, que virou nossa amiga também, que é esposa do Mauro, que acabou virando amigo.
Eu virei amigo dos amigos dele.
Sacou? Isso é uma galera muito massa lá da nossa cidade assim.
A gente chegou lá para tocar no evento e tinha umas paradas plotada com os nomes da Maglória, tipo assim, o copo da festa era da Maglória.
Eu ficava sem entender, eu falei, caralho, tô vivendo um sonho aqui, um sonho dentro do sonho, cara. Mico de circo assim, o cara botou para tocar no aniversário dele, para os amigos dele, barato.
E ficamos amigaço, ficamos trocando altas figurinhas.
Ele manja muito de guitarra, né, de Ele saca muito assim de som, enfim, saca muitas, muitas coisas assim.
A gente acabou ficando amigo e eu fiquei sem medo assim de falar, porra, man, faz aí um negócio, você que é mestre guitarrheiro das Stratocaster. Que assim, Stratocaster é Mateus, depois conheço muitos amigos estrateiros, mas quando você vai, quando você vai na casa de um cara que você vê a quantidade de Stratocaster pendurada na parede, você fala, não, esse cara deve ser especialista.
E aí eu falei, pô, Mateusão, manda, manda um som de Strato valente aí pra gente. E aí ele mandou, ficou do caralho.
Esse é um disco gravado em vários estúdios, mas muito gravado neste lugar que você tá falando com a gente, que é o estúdio da sua casa. Faz diferença gravar em casa com a Maglória? Agora com experiência da Maglória que dá pra comparar mais.
Faz muito, 90% do disco foi aqui, né? A gente gravou 1 ou 2 violões no estúdio de Orsini, fica na casa dele também, do Bruno Orsini, onde eu gravei os harmonies do meu disco solo, harmonies e piano do meu disco solo. Eu ainda não tinha piano, agora eu tenho um pianinho ali, ó, pianinho, agora tem. Agora, agora, mas o harmonies não tem como ter, então vou ter que continuar indo lá por Orsini, que lá tem muita coisa legal, né? Eu fiz algumas vozes lá também.
Mas 90% do disco foi feito aqui. É um estúdio modesto, galera, não é um estúdio grande, mas assim, tem uma certa estrutura para gravação. Enfim, não é um, não é uma plaquinha Scarlett vermelha com Ableton ligado, muito embora já vi muito disco foda, tá? Mostrei para vocês essas coisas aqui, tem até muita coisa, tem umas coisinhas legal.
Muito embora tenha muito disco muito bom feito por uma gurizada com uma Scarlett de 2 canais e um Fruity Loops, viu? Queria dizer que essa história de equipamento também tem seus mitos.
Mas a gente tem aquela coisa de um processo de curadoria de equipamento que a gente há muito tempo pesquisa, de microfones e a forma de tocar. Tem a bateria de Eder, tem as guitarras da gente, então O som é muito característico o tempo todo, assim, e a gente adquiriu uma experiência fazendo. O Bonazzi, ele me ajudou, ele coproduziu o Canções do Velho Mundo comigo no ano passado, e esse disco ele produziu junto com a gente, e na mixagem ele ficou mais livre ainda pra mixar. Ele já tinha entendido o que a banda queria, como é que a banda—
então ele foi uma soma muito grande também.
E até de certa forma até terapêutica, porque muitas das escolhas da gente durante muitos anos, por nós fazermos uma música que é muito palatável, digamos assim, que é muito pop, né, dentro de uma certa visão, formato canção, nós sempre tivemos muito, muito critério quando chegava na mixagem, quando chegava na estética, enfim, porque tudo pode começar a ficar meio farofento demais também.
E o Bonazzi foi um dos caras que virou para a gente, falou assim: galera, deixa eu contar uma história para vocês.
Vocês estão num processo de autossabotagem e de neurose muito grande com a própria obra de vocês. Isso não é pop, galera. Isso que vocês estão fazendo tá longe de ser comercialzão farofento, mas assim, tá muito longe.
E vocês têm tanto medo que vocês não estão permitindo deixar o som ficar maior. Deixa o som ficar maior, deixa o som ter agudo de novo, deixa a coisa ficar— faz uma música grande, sacou? Põe o disco do Rolling Stones, o novo, junto do disco da Maglória, e não tenha medo de soar maior do que o disco do Rolling Stones, que já é gigante de som, de grave, de agudo, de tudo. E a gente falou assim, vai, vai, tá bom. E E se você botar pra tocar o disco novo do Rolling Stones, o nosso não tá atrás não, sabe?
Coisa louca assim, de tipo assim, vamos fazer um som grande agora, sacou? Porque o 5, o 5 ali, tudo bem, o 5 ele foi projetado pra ser um disco que soa pequeno, né?
Que soa antigo, né?
Que soa muito anos 60.
Até porque da forma como ele foi gravado, foi tudo muito calculado ali pra soar um '60s, sabe?
E esse disco, a gente falou assim, não, é um disco de indie rock brasileiro com toda a gama possível de força ali.
Tá alto, a master tá alto, tem comprimido assim, tá. Enfim, algumas pessoas vão dizer, nossa, parece um disco mais bem produzido, né?
Porque a referência da galera é o som ultra pop grande, etc.
e tal.
E a gente não teve medo de fazer Isso nesse disco, né?
E gravar em casa te abre possibilidades que gravar no estúdio não abre, assim. Eu não tenho nada contra gravar no estúdio, passei a minha vida em estúdio. Mas gravar em casa tem essa coisa de você parar, fazer o café, dormir, voltar no dia seguinte, fazer de novo. E dentro do processo de produção, eu aprendi muito nos últimos anos. Eu dei um salto, eu não tenho modéstia nenhuma, tá? Foda-se. Eu dei um salto, eu dei um salto muito grande, muito, muito grande nos últimos 3, 4 anos no que eu entendo como produção.
Não me encaro como produtor musical, mas produzo discos. Em produção e arranjo eu acabei dando um salto muito grande, tendo um entendimento muito grande de algumas coisas. Eu sei muitos anseios que os artistas têm, por exemplo, de mixagem. Não é mixagem, às vezes é arranjo, é produção. Não vai resolver na mix. O cara que fala que vai resolver na mix é o mesmo cara que fala para você que segunda ele vai depositar dinheiro. Não vai, ele não vai, entendeu?
Não adianta cair nessa. Então é arranjo, sabe? É tipo assim, puta, mas assim, ah, já tá gravado, a bateria já foi toda gravada, já tá assim. Aí você olha e fala assim, é, mas infelizmente a gente vai ter que regravar a bateria inteira da música inteira.
Ah, regravou a bateria da música toda, o som do baixo já não tá mais.
Então você vai ter que regravar o baixo. Então esse não é o baixo, vamos ter que arrumar outro baixo. Essas coisas foram dentro do estúdio em casa, você foi entendendo o que que é a produção. Que muitas vezes o artista ele não tem a possibilidade de fazer isso, ele não tem a chance de fazer isso, ele chega para gravar com aquele baixo, com aquela guitarra, com aquilo, com aquela mesma bateria, grava todas as baterias no dia, no dia seguinte, aquela produção em série de gravação.
E não é assim que se produz disco no mundo.
Estúdio taxímetro, né?
Exatamente. E no mundo inteiro não é assim. Você pode fazer ótimos discos assim, pode, mas não é assim que eu encaro que é produzir disco para mim hoje em dia, né? Tiveram ótimos discos, foram feitos assim.
Dama Glória, Todas as Bandeiras, ele soa super bem. E ali é praticamente uma guitarra, um baixo e uma bateria, a mesma caixa, os mesmos pratos, o disco inteiro. Mas a gente foi tendo outras necessidades à medida que a gente vai sofisticando, né? A gente vai tendo outras necessidades de produção. Então esse disco, o Fluxo Natural, tecnicamente ele é um disco, na minha opinião, ele é mais—
não posso dizer bem produzido, que eu acho que não é esse o termo, mas ele é um pouco mais sofisticado na produção do que os outros.
Não significa que é melhor nem pior, mas ele tem uma sofisticação ali um pouco mais aguçada em alguns momentos assim em relação aos outros.
Teve uma frase que você falou pra gente na última entrevista, você falou: a curva da Maglória é uma curva sempre ascendente. Isso não é natural, a sofisticação não é um caminho natural. E é muito engraçado porque a gente ficou trocando figurinha, eu e o Igor, e a gente ficou vendo vários momentos que a gente fala, ah, isso aqui vem lá do Veroz, isso aqui vem do 3, isso aqui vem do 4. Disco funciona como uma síntese também dos aprendizados de carreira.
Sim, mas essa ideia de sofisticação, ela vai um pouco contra o fluxo natural assim. Não sei, eu tô, eu queria jogar esse pensamento aqui, cara.
Eu acho que a necessidade É a ocasião que faz o ladrão também, sabe?
É tipo, o que que a gente pode fazer agora, galera, para a gente não entrar no processo de coverização de si próprio mesmo, sabe?
Eu acho que nos últimos anos, eu acho que a forma como a gente encarou a música, a música da gente e a música em si, acho que fez com que a gente se sofisticasse assim.
O Luquinhas, ele é melhor hoje do que há 4 anos atrás, do que no 5, né? Eu sou melhor, sem dúvida alguma. O Dieeder tá tocando melhor.
Foi, cara, Dieeder gravando a bateria desse disco foi um negócio inacreditável, inacreditável o que aconteceu. Eu tinha horas que a gente desligava o metrônomo. Sabe, juro para você, a gente desligava o metrônomo e ele tocava e ele esquecia que ele tava gravando sem o metrônomo. No final da música a gente ligava o metrônomo de novo, ele tava cravado, naturalmente cravado. Óbvio que você tem milissegundos que escapam ali para ali, e eu, foda-se milissegundos.
Se eu quiser, se eu quiser encaixar milissegundos, eu trigo uma bateria, faço no no Webilton Live, mas sabe, tipo assim, um nível de precisão técnica e ao mesmo tempo uma apuração mesmo musical ali de entender os arranjos da música e de fazer ele mesmo. A banda se autoproduz, né? Os próprios arranjos são autoproduzíveis ali.
Então, tipo assim, é um tipo de sofisticação que vem com o tempo. Eu acho que a gente, cara, eu acho que a sofisticação ela pode, ela pode ser natural.
Por exemplo, Uma banda que eu sou muito fã, como por exemplo o Wilco.
O Wilco, ele foi entrando no nível de sofisticação altíssimo. O Radiohead também, também com a hora tem umas horas também que os cara vão para um lugar que nem a gente consegue acompanhar mais. E errado somos nós, infelizmente, não conseguindo chegar no nível de sofisticação para entender a música dos caras, né?
Mas que é um negócio inacreditável assim.
E a gente de certa forma a gente tá aprendendo, bicho. Tamo velho, mas assim Chegou tardiamente, mas chegou, sabe, para a Maglória um nível de sofisticação, disco após disco assim.
E a gente sabe que é natural às vezes cair, o cara faz 2, 3 discos ali, tipo assim, e depois ele fica ele mesmo ali, sabe, aquela historinha mesmo da coisa.
Então agora a gente teve a sorte. Eu já fiquei pirando muito assim se isso não vem Pelas dificuldades que a vida de músico independente trouxeram pra gente de tentar se provar e se firmar o tempo todo e competir nesse mercado doido, né?
Porque talvez se a gente tivesse vários milhões na conta e a gente tivesse desligado da música, talvez eu não, talvez Luquinhas não, não sei. Ou talvez eu sim, talvez eu estivesse fazendo propaganda de bet agora, sei lá, tivesse mudado completamente minha visão de mundo. Mas eu queria dizer com isso que eu aceito os milhões, tá? Eu prometo que eu não vou largar o meu jeito de ser.
Bom demais. Ano passado a gente tentou prever o que ia ser o disco da Maglória a partir do que a gente tava vendo no Canções do Velho Mundo. Agora eu reverto o caminho. O que que o Canções te ensinou, além dessa conversa toda de produção? Acho que olhando mais para o teatro compositor, o que que a experiência do Canções te ensinou que você trouxe para Cara, eu não sei dizer exatamente o estalo que eu tive ali de composição.
Eu acho que eu tô numa safra boa.
Safra boa vai, safra boa vem, safra boa acaba, né? E a gente precisa saber conduzir. Eu acho que o aprendizado é esse também. A gente precisa saber conduzir as fases da nossa carreira, porque nós trabalhamos com criação, e criação para mim é uma coisa séria. Eu exerço a criação de uma forma muito espontânea. Eu não tenho uma formação musical acadêmica pra sustentar a minha criação. Ela vem muito... Ela pra mim é muito sensorial.
O Canções do Velho Mundo foi um disco que eu fiquei muito feliz.
Até agora eu tô muito feliz com o disco. Isso é um bom sinal, porque eu canso muito rápido do que eu crio. Então o disco ainda me rende, assim, boas lembranças.
E quando eu escuto o disco, eu ainda tenho uma sensação muito boa, de que eu não enjoei da coisa. É muito diferente de—
você tem o hábito de se escutar?
Não, eu odeio me escutar, eu não escuto, tá? Mas quando eu vejo os outros escutando, né, quando outras pessoas escutam e colocam para tocar, enfim. E eu tive que escutar agora de novo porque a gente tava mixando o novo da Maglória e eu entrei no Anoide, tipo assim, não, não, algumas escolhas têm que ser um pouco diferente, vamos ver, vamos ouvir.
E tava completamente diferente.
Eu falei, graças a Deus, tá muito diferente. Né, sonoramente é tudo muito diferente, que é uma coisa difícil de fazer, chegar em duas coisas muito diferentes sendo o compositor quase que majoritário. Ainda bem que Luquinhas divide quase metade comigo, né, do processo de composição ali na Maglória. Mas o meu solo foi todo sozinho.
Mas o que me ensinou foi mais isso mesmo, tipo assim, de saber controlar, de saber ter menos ansiedade na forma de criação, sabe?
Tipo assim, calma, agora não, agora não, agora não, agora não, agora não. Tá, beleza, isso aqui é preguiça. Agora sim, sabe? Isso aqui é preguiça, isso aqui é vagabundagem. Aqui já é vagabundagem, aqui é você se sabotando. Não, não vamos fazer, vamos fazer. Eu acho que é um pouco, me trouxe um pouco a experiência de saber a hora certa de entregar as músicas que me convencem assim, sabe? E é isso.
E saber que eu posso ficar, sei lá, quanto tempo sem compor música.
Eu gostaria que não, mas é algo que eu tenho que aceitar também, que acontece dentro do universo mesmo do compositor.
Ou entrar numas de fazer o que dá na telha mesmo e soltar um monte de música ruim mesmo e foda-se, entendeu?
Como faz a noite para ver o fim do dia nascer? Quero sonhar só com você.
Vamos aproveitar que você falou da parceria com Luquinhas. É, o Luquinhas emplacou 4 músicas nesse disco, mas uma delas, que é Caravelas, você canta, assim como no 5, né, Vira-Lata. Que a gente conversou durante o 5, né, durante o lançamento do 5, que você acaba cantando. Como é que funcionou essa decisão? Pô, a música é do Luquinhas, mas eu quero cantar, foi isso?
É, no 5, no 5, Vira-Lata, eu pedi pra cantar.
Falei pro Luquinhas, eu amo muito essa música, eu quero muito cantar essa música, você deixa eu cantar ela na banda? E ele falou, claro, vamos nessa.
Nesse disco a gente chegou mais separado, eu e Luquinhas.
Nós chegamos em universos separados, assim, até esteticamente, musicalmente, vontades distintas e tal. E pra mim ali já cheirava algo legal nisso, né? Quando você tá distante também musicalmente um do outro, né? Tinha algo legal pra fazer o disco assim, é um combustível legal, né, pro disco. Mas ao longo do processo de feitura do disco, as músicas dele ali, eu, a gente foi, a gente foi fazendo um processo de curadoria. Eu dei ideia dele abrir o disco, falei, Luquinhas, ó, Sul-Americano, ou ela é single, se ela não for single, ela é a primeira música do disco, tá?
Ela precisa estar numa posição de destaque porque eu considero uma música de destaque do disco, Sul-Americano. Ela tem a poética dela muito forte. Até muita mensagem nela, né? É uma música que pra mim é emocionante, assim. E Caravelas, ele gravou a voz. E aí ele tava mostrando pro Mau, que fez teclado no meu disco solo, fez piano, tocou piano, que é muito amigo dele.
E eles ouvindo, eles chegaram à conclusão que eu que tinha que cantar a música. E eu não tava preparado pra cantar essa música.
Eu nem queria cantar essa música. Eu falei, não, porra.
Canta você, vamos dividir os vocais, né?
Vamos fazer o negócio. Eu sempre curto de brincar, né, de banda, né, banda. E ele falou, não, não, não, velho, grave uma voz sua. Se não ficar, eu deixo a minha voz. E aí eu matei em um take só, ele se fudeu.
Eu gostei muito do que você falou de estar em lugares diferentes, porque é interessante que a gente sempre conversa aqui entre nós, do quanto a parceria do Luquinhas com, na chegada do Luquinhas na Maglore, trouxe cores novas para Maglore. Eu acho que um pouco desse, dessa verve cancioneira que a gente vê da Maglore tem ali, tem ali certas texturas que tem a ver com Luquinha. Mas ao mesmo tempo eu tô vendo as músicas do Luquinha nesse disco novo que ele tá indo para um lugar que eu já tava acompanhando nas redes sociais dele, que ele tá entrando numa numa certa sofisticação harmônica.
Falei, Luquinha, em algum momento ele vai virar Fusion. Eu queria saber a sua opinião sobre as composições do Luquinha nesse disco.
Vira não.
O Luquinha já deu a volta. Ele, ele, ele dominou para ser dominado, entendeu? Ele já, ele já deu essa volta aí.
Eu não, eu não toco, né?
Eu não me considero instrumentista, eu toco guitarra, mas assim, eu decoro o que eu crio, eu só faço criar. Luquinhas é um multi-instrumentista real e compositor, né? Eu sou um compositor e toco as minhas canções. Luquinhas toca qualquer coisa, absolutamente qualquer coisa. E quando ele cria, ele tem esse diferencial, né? O diferencial dele harmônico, né, de criação e tal. Tem uma sofisticação sempre nas criações dele, é um grande barato.
E o processo foi muito legal, assim, porque eu pude ficar muito livre pra... Os arranjos são meus, por exemplo.
O arranjo de guitarra de Raio de Sol é meu, não é dele, né? E a música é dele, né?
E tem as complexidades do filho da puta fazendo os acordes que eu não consigo fazer, né? E ele me deu a liberdade de fazer a guitarra Que eu achei uma guitarrinha muito massa.
Ela combina com a guitarra de farol, que foi uma guitarra que eu criei também, né, cara? Decorando e tendo tempo para executar e gravar, eu sou um ótimo guitarrista, sacou? Eu sou um excelente guitarrista.
Me botou no palco, me mandou fazer uma improvisação com alguém, fudeu.
Aí acabou, aí já era para mim. Mas me dando espaço e tempo para criar, eu consigo me desenvolver.
Por isso que eu não me considero tanto assim instrumentista, né? Mas os arranjos são meus. E o arranjo de Paralô, que é uma das mais complicadas, que essa música eu adoro porque eu sempre quis fazer uma música que beirasse o prog, e ela tem, ela tem um pouco de prog Brasil.
E foi para mim, eu pulei de felicidade quando essa música começou a ficar desse jeito. Os arranjos ali do plan, plan são meus, mas aí eu pedi para ele executar. Que eu não tava executando tão bem. Tem isso também. É, o Luquinhas é o cara que salva.
Às vezes o Luquinhas aqui tá assim, ó, ele, tá, então faz aí.
Que maravilha, me poupou 8 horas de gravação, sabe?
O cara é paranormal, velho, não tem como.
Ele é muito bom tocando, ele é muito foda, né?
E aí, tipo assim, os arranjos são meus ali, são meus e de Lelão também, tem umas coisas de Lelão ali.
E tal. E ele controla muito, muito arranjo também, né?
Eu não toquei em Sul-Americano. Sul-Americano não fiz nada, só fiz o back vocal, só fiz os back vocals. Sim, eu só conduzi. Eu falei assim, galera, grava essa música aí, tá massa, tá ligado?
Eu ia perguntar disso assim, olhando a ficha técnica do disco, tem várias músicas que não tem você, ou Luquinha só faz percussão e voz, ou Lelo não participa assim. É muito doido porque me lembra o trabalho de uma certa banda que fazia a mesma coisa, assim, ah, vamos trocar de instrumento aqui. Mas como é que é a sensação de, ah não, assim, nós somos uma banda, nós temos 4 instrumentistas nos seus instrumentos e a gente vai inverter tudo e a gente ainda permanece sendo uma banda?
Cara, super normal. Eu acho que isso aí é maturidade, de saber que não teve espaço ali.
Precisa fazer.
Alguém fez e ficou melhor de outro jeito, e as possibilidades vão se, né, tipo assim, eu, todo mundo fez um pouquinho de uma coisa ou outra. Por exemplo, o baixo de Sonho Real fui eu que gravei.
O Luquinhas, ele não quis gravar.
Ele falou assim, não, velho, tá na sua mão, baixa, tá fazendo, tá, o som tá melhor, tá mais interessante.
Então eu fiz o baixo ali de Sonho Real.
Sonho Real, acho que o Luquinhas não tocou.
Não tocou, né? Igual o Sul-Americano também, eu acabei não tocando ali.
E Léo e ele conseguiram fazer e eu não conseguia chegar no, por exemplo. E aí tem outro momento, por exemplo, Palestina. Palestina, ela não se resolvia, ela não se resolvia. Eu pegava guitarra, Léo pegava guitarra, e aí Luquinhas fez uma base de guitarra no refrão.
E aí, Lelão Uau!
Fez um solinho que fica o tempo todo ali no refrão rolando, com base numa criação da guitarra de Luquinhas naquele momento ali. E quem tinha que gravar os teclados, que era Lelão, não gravou, e eu fiz os rounds. É tipo, é inexplicável a coisa como vai, né? Acho que Lelão criou uma vibe diferente para ela, eu entendi. O Lelão tem isso, né? O Léo, ele Ele é muito pontual às vezes, ele aparece pouco, né, às vezes na criação ali dos arranjos, ele aparece às vezes muito pouco, mas a vibe toda da música tá sendo construída com ele assim. E se botar assim?
Não.
E se fizer assim? Não. E se você testar isso aqui? Eu falo assim, não toca você. Ele falou, não toca você. Eu falo, não toca você, não toca. E sabe, tipo assim, E aí a gente vai criando a coisa meio que, meio que junto. Depois ele tem que se foder que ele tem que tocar teclado e guitarra ao mesmo tempo, né? E ele fica parecendo o Pateta multi-instrumentista com gaita de fole. É porque tem que pisar às vezes no pedal de sustento do teclado, dá uma nota pedal que fica soando enquanto ele tá fazendo um solo de guitarra no meio do coisa.
Preguiça de chamar o músico convidado, né, é grande. Então ele Ele se vira ali no multi-instrumentista assim.
Ah, cara, é um grande lance, é um barato fazer ainda, é um barato fazer disco com a banda assim, com a Maglória assim, funciona, né?
Funciona muito bem.
Vocês fizeram essa semana um ensaio aberto para fãs, é uma experiência diferente, né? A gente tava discutindo audição, que é uma coisa que tá na moda, e só audição, pô, eu ouço disco na minha casa. Como é que foi para vocês fazer o ensaio aberto Assim, que muita gente já considerou um show antes mesmo de ser um show.
É, parecia um show mesmo.
A gente ensaiou, né, mas foi como foi, foi em pegada de show quase, né. Foi uma demonstração ali do disco, do que a gente pode fazer ao vivo do disco, né. Cara, audição, gosto de audição, tá, mas eu acho muito cansativo você ir pra audição.
Principalmente em São Paulo tem essa tradição de chamar a galera e chama imprensa.
Para mim fica uma coisa um pouco meio pomposa demais assim, de alta sociedade se encontrando para saber que na meia-noite vai sair o disco e todo mundo vai compartilhar e vai dizer que é foda, etc.
E na hora do momento da audição você vê a galera tá no celular, sabe? Então tipo assim, é para não deixar a galera dispersa, a gente fez a audição Mas eu queria também que o público da gente participasse, porque na verdade isso foi até ideia de alguma pessoa que falou: pô, nas audições dos artistas o público nunca pode ir, por que que na Magalu vocês não fazem algo diferente? Por que que vocês não deixam a gente ir na audição de vocês para ouvir as coisas em primeira mão?
E aí eu tive a ideia de falar assim: pô, é verdade, velho, por que que a gente não pode chamar a galera que tá sempre nos shows, que compra ingresso, sabe, que tá ali na frente do palco? Vamos chamar essa galera, vamos deixar essa galera entrar numa audição também, sabe, vamos fazer um um negócio massa, vamos criar aí. Então a gente criou. E na verdade a audição é no dia do disco, né? Geralmente no dia que o disco vai ser lançado.
Então o disco só vai ser lançado sexta-feira, hoje é quarta, né? Então todo mundo já escutou o disco já há uma semana que a gente mandou o link para quem comprou o ingresso, sacou? É para galera se habituando assim com o som do disco. E olha o que aconteceu, aconteceu exatamente o que do que a gente esperava, que a galera ouvisse o disco em casa, fosse ouvir o disco na audição de novo, que pudesse entre eles conversar sobre isso.
Que eu peguei muita gente conversando sobre as músicas ali do disco, porque já conhecia o disco, estavam ouvindo juntas, né?
É muito legal você ouvir junto o que você já ouviu sozinho antes.
Essa foi a grande, acho que, sacada do lance da audição.
Então a gente viu o nosso próprio público conversando sobre as músicas.
Tinha uma galera dizendo que essa, tipo assim, essa música vai para o final do show? Não, nenhuma música vai tirar Espírito Selvagem do final do show. Eu falei, ah, possivelmente esse cidadão tá certo mesmo, possivelmente vai ser difícil tirar, né? Mas a vida é assim, né? Perdas e ganhos. E tipo, aí foi, ainda mais agora, ainda mais, pois é, ainda mais agora, não tem como.
E aí tipo, porra, tipo, depois a gente foi lá e tocou o disco, foi assim, ó, galera, foi mais ou menos assim que rolou na gravação, né?
Na gravação foi muito diferente, né? Mas enfim. A nossa forma de traduzir o que a gente gravou ao vivo aqui pra galera. E eu achei massa a experiência de audição, velho. Eu acho que tinha que ser dessa forma assim, sabe? Tinha que ser com esse espírito mesmo de celebração do disco que a nossa galerinha já conhece assim, sabe?
Os shows vêm aí em breve.
Vocês já tinham um problema na turnê dos 5, que vocês tinham que tocar 2 horas e meia para tocar tudo que as pessoas queriam. E agora, 3 horas e 40, virou Bruce Springsteen? O que que vocês— como é que vocês estão planejando o show novo?
Cara, o disco tem 35 minutos, 36, 37, 38, por aí.
Então a gente vai, para infelicidade de alguns, a gente vai tirar algumas músicas do repertório, tá, para acrescentar essas 11 músicas durante algum tempo. Show de lançamento vai ser assim nas cidades onde a gente pode fazer show de lançamento. Entenda esse show de lançamento como um show de mais de 2 horas e meia agora. Que nós não vamos tirar 11 músicas para colocar 11, nós vamos tirar 5 ou 6. Ou seja, o show vai ficar maior, né?
Então agora vai ser um show de 2 horas e meia mesmo. Antes dava 2 horas e 10, vai, 2 horas e 15. Agora vai ficar 2 horas e meia mesmo, 2 horas e meia de show. Para quem é fã, isso é ótimo, mas para quem não é fã e vai estar no lugar acompanhando só o fã, vai ser um pouco penoso ficar 2 horas e meia. É bom conhecer antes, sabe?
Eu acho que tem uma coisa de cara, né? Cada turnê tem uma cara, as músicas às vezes ganham uma cara nova. Vocês já olharam para o repertório e falou assim, ah, tem que mudar isso aqui, ou trazer uma que não tava no repertório recente? Além das 11, vocês têm que mudar coisa? Vocês estão olhando para isso?
Como é que tá, velho? É, mudou tudo agora, mudou tudo agora, mudou tudo agora. A gente vai mudar o repertório inteiro.
Porque é como se fosse um outro momento da banda.
É, cara, cada disco novo é como se a gente tivesse um poder novo. É tipo jogo de RPG, você desbloqueia uma habilidade, sabe, nova.
Então agora você tá com outra roupa, você tá com outra skin.
Ah, eu sou jovem, viu, eu jogo as coisas também. E então agora a gente tá no outro momento, a gente tá com uma outra visão assim. Do nosso próprio repertório. Então possivelmente algumas coisas vão mudar, mas tem coisas que é imutável, tipo assim, Espírito Selvagem vai continuar no repertório, possivelmente Invejosa continue no repertório, né, Motor, Mantra, não sei, Mantra já não sei, mas algumas podem rodar, Dança Diferente pode rodar, A gente pode trazer de volta outras músicas, como Quando Chove no Varal, no momento mais down da parada.
A gente pode trazer músicas do Vamos Pra Rua. Vamos Pra Rua a gente não toca muito tempo, a própria música, e ela se conecta um pouco com algumas coisas do fluxo natural. Então a gente vai rearranjar esse repertório. E é bom que ele dá uma oxigenada no próprio, no próprio, na própria vibe de tocar da banda. Assim, a gente já tava um pouco saturado de tocar esse repertório também, né? Então é bom que a gente vai dar uma sacolejada assim.
E é bom que sacode o público também para viver outras músicas também ali.
Do repertório, né, cara? É um grande barato assim viver a relação que a gente vive com o público da banda assim, porque é um show onde a galera conhece as músicas todas, né, velho?
E é isso, é difícil, conhece e canta as músicas todas, né? Então, e a gente sente que se a gente mudar isso e convidar a galera para ouvir outras músicas que estavam ali apagadas e ir jogando com esse repertório novo Eu acho que muita gente vai aderir, sacou? Tipo assim, porque na verdade a Magloire é uma banda só com música foda. Quem vê tá pensando que eu tô falando sério, mas você tem que explicar pra galera, você tem que falar que eu sou sarcástico pra caralho.
Vocês rodaram muito na turnê dos 5. A nível, eu vi vocês duas vezes em Porto Velho, por exemplo, que é um lugar improvável pra ver muitos shows. E a gente sabe que tocar muito é uma maneira da banda sobreviver, se pagar, viver financeiramente. Por outro lado, é aquilo que você sempre faz questão de dizer recentemente, assim, ah, a gente tem 15 anos de estrada, a gente tem 18 anos de banda, o tempo vai passando, a gente vai cansando de fazer as coisas que a gente sempre faz.
O plano agora é tocar tanto quanto vocês tocaram nos 5? É seguir essa vida de estrada, é fazer menos e melhor? Qual é a jogada?
Não, Capelas, tem um lance que é, eu acho que para a gente continuar tendo um volume cada vez maior de show, a gente precisava de uma estrutura cada vez mais confortável para que isso fosse acontecendo. Porque a gente sente mesmo, e eu sinto isso olhando para os caras e para mim, que fisicamente tá ficando mais difícil, né? Fisicamente tá ficando mais difícil acordar 2, 3 horas da manhã e pegar um voo. Então a gente tem que pegar voos mais caros, tem que ficar em hotéis melhores, a gente tem que ficar, a gente precisa de mais tempo para almoçar, enfim.
E às vezes uma turnê miserável dessas, onde você faz 5 cidades em 5 dias, você sai muito moído.
E às vezes você sai moído e uma semana depois você tá gripado, tá doente, tá, sabe, que são coisas que vão acontecendo quando vocês vão, quando você vai chegando ali na casa dos 40, que é a nossa, a nossa situação atual.
E infelizmente a Maglória ela não alcançou esse lugar de muita grana, de, na verdade, eu acho que nenhuma banda independente alcançou. Ficamos todos, mas também não podemos reclamar porque a estrutura da gente é legal, é uma estrutura boa. Boa, mas você precisa fazer, você precisa ter uma estrutura mega para você tocar 20 vezes no mês, senão não tem como, cara, você não aguenta, é impossível, inviável, sacou? É muito cansativo, sacou?
É o cansaço mental, você dá uma envelhecida. E eu sinto isso no corpo mesmo assim, tipo assim, eu tava olhando o Lelão andando esses dias e carregando os bagulhos, tipo assim, e vendo vídeos de 2014, 2013, forma de se locomover já mudou, sabe?
Então tipo assim, você fica, caralho, mano, a gente tá realmente envelhecendo.
Falar que prazer envelhecer com os caras, é um prazer enorme assim, é muito legal isso tudo.
Mas para continuar fazendo, para tendo um volume muito grande, precisava ter uma estrutura.
Por isso que eu entendo a galera do sertanejo fazer 30 shows, às vezes 3, 4 shows numa noite, né? Eu entendo, porque a estrutura é muito mega, é muito absurda a estrutura dos caras, né? Então os caras têm uma qualidade de vida que é proporcionada pela quantidade de estrutura que eles têm para fazer e para entregar aquilo tudo. Muitas vezes entrega muito menos que a gente, foda-se. Essa é a verdade.
Ou seja, menos shows, shows de 2 horas e meia a gente vai ver.
É isso, é isso. É, menos shows também. Eu acho que, e também assim, não querendo ser fatalista também, eu acho esse disco ele deu uma oxigenada assim na mente de todo mundo. E o disco ainda nem saiu, mas enfim, mas independente da repercussão que ele venha a ter comercial ou não, musicalmente falando, ele foi um disco que pra gente, pra mim principalmente, ele deu uma oxigenada no pensamento também de saber que ainda é possível, ainda tem uma lenha queimando, tem um fogo queimando.
Mas eu já sinto que a Maglória, ela já cumpriu um lugar dentro da história assim do que a gente pode chamar de música alternativa assim no Brasil. São 6 discos, sabe? São 6 discos e eu acho que a Maglória ela cumpriu assim Um lugar bem legal assim. Então eu entendo que tipo assim, reduzir, reduzir o volume talvez seja um comportamento natural pra gente, talvez seja algo que seja positivo, sacou?
Pra banda assim, reduzir o volume de shows pra manter o fogo, o fogo aceso.
Exatamente, sabe?
Porque senão eu acho que vai chegar num ponto de que a gente não vai aguentar, sabe? Então vamos manter a chama ali. No fogo baixo. E umas horas, saca, só quando é no fogo baixo que se faz a melhor comida, porra, entendeu?
Tem que saber jogar a favor, saca? Ali é o final de carreira do Ibrahimović do Drogba, que os cara já não corriam tanto, mas que dava uns passe cabuloso, entendeu?
E aí conseguiam fazer um gol, tirava um gol da cartola. Então a gente tá chegando naquele momento ali, galera vai ver a gente menos, mas vai ver a gente melhor.
Né, enfim, eu tenho uma preocupação com voz também, né, e eu tenho uma pira muito grande assim.
A galera fala assim, pô, vocês não são reconhecidos por um grande público nacional.
Fala assim, cara, a gente tá em Manaus, tem 500 pessoas arrancando nossas camisas em Manaus. A gente sai de Manaus, a gente vai tocar em Porto Alegre, tem 600, 700 pessoas esperando a gente para cantar 2 horas. Bicho, não sei mais o que que vocês querem que a gente seja. Não tem como você lotar um estádio sendo uma banda de rock alternativo no Brasil, amigo, entendeu?
Não tem, não tem, não tem público suficiente para isso. Adoraria esse ultra reconhecimento assim, mas se um dia ele vier, eu gostaria que ele viesse no momento que eu não estivesse baixando todas as músicas para cantar. Então que seja agora ou nunca.
Uhuu é o fluxo natural, tem que seguir como um farol. Com tanta coisa pra guiar, deixe perder, deixe estar. Tudo que foi, o que fica, vem pra se ver muito maior. Com tanta coisa pra mudar, Então deixa o menino sonhar.
Eu sempre faço essa pergunta, eu já tinha feito a pergunta no 5, fiz de novo no Canções do Velho Mundo e vou fazer de novo. E aí, o que que tem na manga? O que que tem na gaveta por vir de novidade?
Caralho, irmão, que isso?
A gente tem que apertar em algum momento, não é só elogio.
Tá achando que eu sou o quê, meu amigo? Eu acabei de lançar 2 discos em 10 meses, cara. Que que é isso? Eu tô, porra, eu consegui atingir o nível de produção da galera dos anos 70, os cara fazendo 2 discos por ano quase. E eu não quero fazer isso de novo não, não quero fazer de novo. Não, não, não tô brincando.
Eu pretendo gravar alguma coisa como intérprete futuramente, então talvez um disco de forró, alguma coisa inusitada. Uma coisa bem fora do lugar, bem fora do lugar mesmo, para exercitar mesmo, sabe, a coisa de cantar e de interpretar a música assim, que eu também piro assim de fazer. E produzir, eu tenho vontade de produzir outros artistas assim. Eu, cara, produzi uma menina, chama Bela Martins, acho que é só Bela, e eu tô achando que ela não tá no lugar que ela merece.
Eu tô achando que ela Tipo assim, ninguém tá vendo e as músicas dela são foda, são fodas as músicas dela. Ela vai tocar agora no Manuxo, eu acho, lá no Rio de Janeiro. E eu tenho muita confiança no trabalho dessa menina, viu? A gente produziu umas 4 ou 5 músicas e ela lançou o disco agora recentemente. E tem coisas, ela é jovem assim, tem coisas muito legais assim, muito bem escritas e muito bem pensadas assim. Eu fiquei, porra, É um compositor massa.
Eu quero achar artistas que eu possa somar, que eu possa, sabe, ajudar eles a encontrar, a tomar decisões melhor do que eu tomei quando eu tava na idade dele, sabe?
Eu tenho essa vontade assim de produzir. E de inéditas, cara, eu tô sem nenhuma pressa, sem nenhuma cobrança, porque Cara, minha cabeça ela tá completamente esgotada. E olha que tem música sobrando, viu? Eu tenho muita música sobrando.
É essas que a gente quer ouvir, não quer esperar a versão de deluxe 20 anos do Fluxo Natural. A gente é fominha.
Pois é. Então tem essas.
É, cara, a gente pode—
eu não tinha pensado nisso, mas quer dizer, já tínhamos pensado, mas tinha esquecido. A gente tinha um projeto de fazer ele duplo. Né, de fazer a parte 2, né. Mas a gente não sabe se isso vai para frente, precisamos de tempo. Eu preciso, é, não, eu preciso muito, eu preciso muito descansar, descansar. É porque assim, não foi só musical, né, o rolê da Maglória, ele me toma muito estrategicamente também. Eu acabei fazendo a capa dessa porra, não era nem para ter feito.
Na verdade, foi a capa que foi todo mundo fez junto assim. Azevedo, né, Grão, ele é designer, né? Então ele manja assim. E ele me viu fazendo e foi dando os toques. Não, não, põe essa cor aqui, faz assim ali. E aí no final foi assim, pô, você não quer assinar a capa não? Ele falou assim, não, essa aí você vai assinar, essa foi você que fez, irmão. Aí eu falei, tá bom, vamos nessa. E tem todo o planejamento também, né, de misturar as coisas do meu solo com o da Maglória.
Agora a Maglória vai vir atropelando o meu processo do disco solo, que tá, que eu tava curtindo muito. Tô curtindo muito fazer o meu negócio solo, principalmente sozinho mesmo, voz, guitarra, violão, gaita e histórias. O meu show solo, ele tem uma dinâmica bem, bem interessante que eu tô desenvolvendo, e ele tá crescendo ainda assim, né, em termos artísticos assim, tá crescendo ainda, tô aprendendo. Então, tipo assim, Música nova, não, não, não, não, não.
Eu quero, eu quero uma provocação aqui também, mais uma, né, como sugestão para um futuro que tá na minha cabeça algum tempo, que eu acho que deveria você, Hélio e Roger ou fazer um Rat Pack ou chamar o Luquinhas ou o Dinho do Bulgarins para fazer um Cross Bestiary, né, Xin Yang.
Cara, você acabou de tocar num ponto muito sensível. A minha geração, a minha geração, Pugarins, Eterno Rei, Dingo, Terno, o Terno não tem mais, né, porque o time ficou do tamanho de uma galáxia, né. Toda essa geração ela dialogou muito pouco. Essas bandas, elas dialogaram muito pouco. Eu tenho algumas ideias do porquê, mas não quero elaborá-las porque envolve falar, falar não só sobre mim, falar sobre os outros.
Às vezes a gente pode ser injusto, né?
Mas eu acho que a gente dialogou muito pouco e produziu muito pouco enquanto bandas da própria geração.
E isso não tá acontecendo com a garotada mais nova.
Você vê a Sofia Chablau com o Felipe Vaqueiro fazendo um negócio massa. Galera nova, ela tá sabendo dialogar, tá sabendo fazer coisa junto.
E a nossa geração ela não fez, e a gente colheu as consequências de não ter feito, viu? E agora que a gente tá ficando velho, seria muito interessante.
Eu gostaria muito de fazer igual aqueles Wild Burries, como é que era, o Tom Peck. Isso, é isso, que era o Tom Petty, o George Harrison e Roy Orbison, e o cara do Jeff Lynyrd Skynyrd. É isso, Jeff Lynyrd. Então, putz, eu queria muito fazer.
Depende da galera também.
Eu tenho super vontade de fazer algo assim e eu acho que sairia algo muito foda e somaria em algo muito bacana. Seria algo que seria bom vocês pedirem para eles também.
Ah não, mas você sabe que eu já, já, eu vivo azucrinando o Rodrigo com isso, né?
Pois é, temos que, temos que fazer. O Rodrigo é um gênio, né, velho? É o Roger, né? O Roger tá falando, tá falando do Fischmann. É ele mesmo ali, é um absurdo, né? Aquela voz ali tem que ser aproveitada. Não, os cara é talento puro, né, velho?
E a gente também é fã de todo mundo, velho.
Fã do Bulgarins, gosto do Terno Rei. Acho o Ale um cara sensacional. Ali, né, o Ali Sater. Eu nunca consigo chamar de Ali. A gente tava falando esses dias e combinando ele vir aqui, a gente fazer algo junto e tal. Acho que tá na hora assim, tá na hora de juntar essa galera. Uma galera muito boa assim.
Vem aí Oliveira Gonçalves, Fischmann. Pois é, pois é, CSN brasileiro.
É isso.
E o vinil, quando sai o vinil?
Dada a situação das fábricas, até março desse ano tava tudo bem. Alguma coisa aconteceu com as fábricas. Aí eu tô adiantando essa fofoca, que disco meu, disco da Maglory, as fábricas estão demorando.
Algum gringo filho da puta deve estar prensando disco no Brasil e usando as fábricas todas. Todas elas começaram a ter uma demanda muito absurda de prensagem. E nós artistas, que somos apenas um pouquinho menores do que Djavan e Caetano Veloso, estamos ficando de fora da prensagem.
A culpa é do Gilson.
Porra, Gilson, mandar uma mensagem para o João. Ó, outra banda foda, o João.
João, a gente sempre se fala, né? O João, guitarrista do Gilson, guitarrista do Gil também, da própria turnê agora que de Gil que tá encerrando, né? Eu vou mandar mensagem para ele assim: tu tá acabando, fala para Flora para acabar com essa máfia do Dendê, cara. Tô quase dando voz a Lobão lá, Deus me livre.
É o preço do petróleo.
É, antigamente era da Guerra da Rússia, né? É, antigamente era da Rússia e da Ucrânia, que não tinha manufatura para fazer vinil e não tinha válvula Pra, sei lá, enfim, a culpa é sempre dos outros mesmo.
Thiago, é isso, a gente vai parar de te azucrinar só no próximo disco agora, ou seja, pode descansar.
Um prazer enorme, é sempre um prazer estar com vocês, meus amigos.
Prazer não, papo maravilhoso.
Como é bom conversar com quem escuta música, né?
Porque desabafando aqui com vocês, puta que pariu, viu, galera?
A imprensa também às vezes é meio difícil, cara.
A galera não escuta o disco, é só na base do release mesmo, sabe?
Então, tipo assim, a vontade que eu tenho é fazer release só de IA agora. Meus próximos releases vão ser todos feitos no ChatGPT, todos. E as entrevistas de quem fizer pergunta assim vai ser tudo ChatGPT.
O meu já tá treinado mesmo, então tá ótimo. É isso.
Você falou em ouvir, Thiago, eu preciso falar isso para você. O disco chegou pra gente numa quinta-feira. Aí é lógico que eu dei play, uma quinta-feira à noite, eu dei play e tipo ouvi umas 4 vezes na quinta-feira à noite. E o Capelas, não, vou deixar pra ouvir amanhã com calma. E aí chegou a sexta-feira, nada dele me responder sobre o disco. Sábado eu tava ocupado. Domingo de manhã eu falei, Capelas, cadê a resposta? Aí num sábado de manhã, 11 da manhã, ele me responde num áudio de 6 minutos.
E eu respondo a ele com áudio de 9. Este domingo era o domingo da final da Copa, ou seja, vocês deslocaram a nossa atenção sobre a final da Copa do Mundo. Se é uma coisa que a gente fez, foi ouvir esse disco.
Ah, galera, obrigado, obrigado, obrigado de coração.
É isso, não fizeram mais do que a obrigação.
Foi exatamente, já dizia, já dizia a mãe de todo mundo, né? É isso que eu falei, é uma alegria, tipo, que a gente é fã. Foi uma das bandas nacionais que criaram essa trama para a gente decidir criar o programa no rádio, continuar na internet. Então é muito especial quando saiu o 5 e agora quando saiu o Fluxo, quando saiu o seu disco, quando saiu o disco do Luquinha. Vocês são muito especiais pra gente, a gente tá muito feliz de poder ter essa liberdade pra conversar uma hora e meia na hora do almoço, depois da audição em que vocês tocaram e que o Thiago estava numa crise de faringite, que ele dormiu mal essa noite, ele ainda teve paciência pra ficar uma hora e meia com a gente, atrasar o almoço. Então a gente só tem a agradecer, cara, de poder participar desse rolê, velho.
Cara, eu que agradeço. Desejo todo sucesso do mundo para vocês, que é merecido demais. Manjam muito de música, são caras que sabem do que estão fazendo, são ótimos profissionais, além de ser pessoas bem-humoradas.
E com isso eu me despeço e aguardo o Pix de vocês.
Combinado, combinado.
Já põe, já põe o preço para visitar o estúdio de vídeo que eu tô devendo aí, eu já mando num valor só.
Um beijão, galera, valeu demais! Beijo, querido, obrigadão! Até mais, galera, valeu, abraço!
Vejo formar no ar uma montanha toda de água. Toda melhor que o mar, o mar onde anda a minha onda.