Episódios de Programa de Indie

As Novidades de Agosto, com Maglore, Ludovic, Echo and the Bunnymen, Teenage e... Charli XCX

31 de julho de 20261h7min
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Às vezes, a gente sai do quartinho de bagunça e vai pra cozinha. Invejosos dirão que é montagem, mas a verdade é que adiantamos o mês de agosto para falar de muitas novidades – mais na música do que no cinema ou na moda, é verdade. 

Direto de Viamão, nosso querido Carlinhos Carneiro traz uma paixão – Felipe Dylon – e duas novas canções na mala. Já aqui mesmo no éter paulista, Bruno Capelas e Igor Muller fazem um programa cheio de retornos incríveis: tem disco novo do Ludovic depois de 20 anos, tem Teenage Fanclub e Echo and the Bunnymen e, claro, tem os primeiros singles da Maglore! 

Também vamos falar do compadre Mauricio Pereira, da Selton aprontando na lanchonete e do retorno do Olivia Tremor Control! De quebra, claro, não podemos deixar de falar dela: Charli XCX e sua perfeita explicação do que é viver em 2026. 

(É claro que este texto foi feito à revelia do Igor Muller, então não espalhem…)

Separe seu cachorro louco, seu desgosto, salve a playlist e venha com a gente navegar pelas boas novas da música. Assim como agosto, vai ser uma longa viagem. Mas prometemos que vai ser melhor do que passar um mês sem feriado. 

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Por falar em playlist, sabia que a gente tem uma playlist com ⁠⁠⁠⁠todas as novidades⁠⁠⁠⁠ que já tocamos no programa? 

Já aproveita para seguir o Programa de Indie nas redes e não perder nada, hein!

E se quiser chamar o Programa de Indie pra uma parceria,⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ⁠⁠⁠aqui tá o nosso Media Kit⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠, viu?

Participantes neste episódio2
I

Igor Muller

Host
C

Carlinhos Carneiro

ConvidadoJornalista, crooner de rock
Assuntos7
  • Augusto Lima· PoliticaMaglore · Ludovic · Echo and the Bunnymen · Teenage Fanclub · Charli XCX · Felipe Dylon · Mauricio Pereira · Selton
  • Retorno de Bandas ClássicasLudovic · Madame Satã · Echo and the Bunnymen · Olivia Tremor Control · Durutti Column
  • Música pop globalLudmilla · Pelados · Na Lagoa · Charli XCX · Trilhas sonoras de filmes · Rock e Soul Music · David Cronenberg
  • Shows e Musica ao VivoAve Sangria · Jonathan Doll e os Garotos Solventes · FBC · Replicantes · SPIM (São Paulo Independent Music) · Johnny Ive · New Order
  • Música de Marina Sena· CulturaMortal Loucura · Relacionamento em aplicativos e obsessão · Ludmilla · Cláudia Raia da Loucura · Ronald Jones · Flaming Lips
  • Explorações Sonoras e SlowcoreSam Fear · Blue Diner · Ben Reilly · Terraplano · Jason Balu · Accessory
  • O espírito do Punk RockGurriers · Morte e Luto · Fontaines D.C. · Pulp · Blur
Transcrição106 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz 1

Programa de Indie com Bruno Capelas e Igor Miller.

IMIgor Muller

Seja muito bem-vinda, seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinde ao Programa de Indie, o nosso quartinho de bagunça onde estamos todas as semanas não apenas falando de uma visão da música alternativa, mas também de uma visão alternativa da música Eu sou Igor Miller, estou sempre ao lado dele, Bruno Capelas, antecipando o mês que vem. Boa noite.

?Voz 1

Boa noite, Igor Miller, prazer enorme estar aqui. Se a gente já reclama que agosto é longo, a gente vai piorar, a gente vai dar mais um dia para agosto, porque oficialmente esse é o programa de novidades de agosto, não é de julho. Casualidade, ele sai antes. E a gente vai piorar o mês do cachorro louco.

IMIgor Muller

Neste mês de julho que teima em não acabar, e o agosto que vem por aí para não terminar, você tem que se blindar seguindo a gente na sua plataforma de streaming, no seu agregador de podcast, sempre dando a cotação máxima para gente, para você continuar recebendo informações em julho, agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro, Adartevet, onde você quiser, que mês você quiser, que calendário você quiser.

?Voz 1

Em Brumário também?

IMIgor Muller

Não quero falar sobre isso hoje. Quero falar das redes sociais.

?Voz 1

As nossas redes sociais, começando pelo Instagram, que é o @programadiinde, o Bluesky, que é o programadiinde.bluesky.social, e o nosso simpático email olaprogramadiinde@gmail.com. Que eu vou dizer que na nossa revolução não teremos mais redes sociais, teremos um email e este programa sendo transmitido por sinal de fumaça e as nossas capas emitidas em GIF.

IMIgor Muller

Enquanto o mês de julho não termina, o que não termina também são os shows pela capital paulista, por diversos lugares do Brasil, no mundo, mais 24 territórios à sua escolha. Você descobre agora na Gendinha da Semana.

?Voz 1

Muita coisa legal nas próximas semanas aqui em São Paulo e muita coisa sendo anunciada para o final do ano, deixando aquele novembro que já tava maluco mais maluco ainda. Mas vamos por partes. Nesse final de semana, nesta semana em São Paulo, tem show do Ave Sangria, histórica banda de rock nordestina, fazendo duas apresentações no Sesc Belenzinho, sexta e sábado, 31 de julho e 1º de agosto. Quem também toca em São Paulo essa semana é o grande Jonathan Doll e os Garotos Solventes, com abertura da Eliminadorzinho na Casa Rock'n'Roll no dia 6 de agosto.

O FBC, dono de um dos discos do ano, lembre-se bem, toca 3 datas no Sesc Pompeia, dia 13, 14 e 15 de agosto. Anote aí na agenda porque vai esgotar. Também vai esgotar, promessa que esgote, é o show dos Replicantes no dia 14 de agosto no Sesc Belenzinho. Vi os Replicantes ano passado com a formação, com todas as formações juntas no Sesc Avenida Paulista, e foi descaralhante. Nessa mesma semana de agosto, de 12 a 16 de agosto, tem a SPIM, São Paulo Independent Music, Feira que vai ter convenção para você discutir a música independente e também uma porrada de shows, muita coisa legal.

Vai ter AutoPap, vai ter Bulgarins, vai ter Pelados e vai ter Ludovic de disco novo. Então presta atenção, hein? No dia 22 de agosto tem, claro, o Dillis Que Não Me Mata em produção da Balaclava no Bar Alto. E no dia 30 tem Jair Naves Vitor Prower e Renan Benini, O Bom, o Mal e o Feio, no dia 30 de agosto no Red Star. Novidades na programação: a gente tem o Grouper, banda que a gente já tocou aqui algumas vezes ao longo desses anos de programa de indie, dia 23 de setembro no Teatro Gamaro, fica lá na Moca.

Descobri exatamente 5 minutos antes de começar a gravar esse programa. Quem também vai vir para o Brasil é um trio de shows muito legal que foi anunciado para novembro. Ron Wood, o eterno Faces, o eterno guitarrista dos Stones, toca no dia 1º de novembro no Espaço Unimed. O Social Distortion toca dia 14 de novembro no Vibra. E a Balaclava anunciou ele, Johnny fucking Marr, dia 24 de novembro no Tokyo Marine Hall, deixando aquela semana final de novembro uma loucura.

Com Godspeed You, Black Emperor, com Johnny Marr, com New Order of Monsters and Men. E será que vem mais por aí? Vamos ficar atentos.

?Voz C

Pois lá vem a música pop, música pop, tentando salvar sua vida outra vez. Música pop, música pop, tentando salvar sua vida outra vez.

IMIgor Muller

Quem vem aí também, perdido no calendário, esperando chegar outubro ou nada. Sempre ele, o nosso ombudsman, Carlinhos Carneiro, na área.

CCCarlinhos Carneiro

Alô, ouvintes do programa de índio! E aí, Igor? E aí, Bruno? Tudo bem? Aqui é Carlinhos Carneiro e eu sou jornalista, crooner de rock, portador de cabelo excêntrico, e agora estou aqui como comentarista de calendário. Me diz aí, galera, quando é que esse ano vai começar? Porque deu, né? Já passou o Carnaval, agora acabou a Copa, já podemos começar o ano, né? Ah não, ainda tem eleição. Então quando é que vai começar de vez esse ano?

Mas não sei para vocês, mas falando em Copa, né, para mim a melhor coisa da Copa inteira foram as postagens do Felipe Dilon, né? Felipe Dilon arrebentando nos posts que ele fez, cards maravilhosos, todos, né, como sempre, com a sua imagem vibrando dentro de motivos de Copa, né? Eu pirei muito, aproveitei o ensejo e pedi para um amigo meu que manja das IA me enfiar dentro das imagens do Felipe Dilon e fiz uma postagem lá em homenagem ao menino, Vamos ver se isso rende um feat, um show junto, alguma coisa assim, né?

Imagina lá, Kalinzi e Felipe, a musa do verão vai ser a Melissa. Deus o livre! Mas não é disso que eu vim aqui falar, vim falar de novidades. E tem algumas novidades rolando aqui ao meu redor e eu quero falar sobre elas. Primeiro que tem single novo dos meus conterrâneos da Vera Louca, que acabou de lançar uma música com parceria, com uma parceria comigo. A música se chama Amor de Aplicativo, que acabou de sair em todas as plataformas e já tá lá no YouTube uma versão ao vivo, porque a gente gravou essa música pela primeira vez num disco ao vivo da Vera Louca, o disco Ao Vivo na Serra Gaúcha, que está saindo em breve.

E lá tem essa nossa música sobre o amor nos tempos de hoje. Também tá saindo, acabou de sair na sexta-feira passada, o disco Cláudia Raia da Loucura, do Luli. Luli é um cara que é daqui de Porto Alegre, morava na Inglaterra e já voltou para Porto Alegre, já participou de vários sons, bandas clássicas aqui de Porto Alegre, como a Devil Weevil, que quem não conhece tem que ir de atrás porque é maravilhosa a síntese lírica da Devil Weevil.

E o Lula, no seu trabalho solo, ele é pouco sintético, ele pega e bota um monte de coisa para para ficar soando, né, rico em instrumentações mil, guitarrista de mão cheia, vários sintes, várias loucuras. E segue muito a onda dos Flaming Lips, que eu amo. E por conta disso, uma das faixas do Cláudia Raia da Loucura é a música Ronald Jones, uma música que a gente compôs em parceria, eu e o Luli, homenageando o guitarrista dos Flaming Lips da fase entre 1990 e 1996 ali, Ronald Jones, que depois de sair da banda meio que desapareceu, né?

Ninguém sabe por onde ele anda, o que que ele tem feito, nem os caras da banda. E ele é que teoricamente foi o homenageado naquela canção Lightning Strikes the Postman, do meu disco preferido dos Flaming Lips, que é Clouds Taste Metallic. E diz que a banda se sentia, cada vez que ele tocava fazendo barulhos, Milk, era como se um raio acertasse um carteiro assim que tava entregando uma mensagem. Eu adoro essa imagem que eles criaram com essa letra.

E a gente, na homenagem ao Ronald Jones, que tá no disco do Lully. A gente canta sobre isso. Quem puder, confira Cláudia Raia do Loucura, novo disco do Lully, e todas essas coisas maravilhosas que pintam na cabeça dele e que são uma doideira. E aí, vocês estão prontos para isso e vão dormir de jeans ou vão dormir sem jeans? Isso vocês me contam outra hora. Beijo, eu sou Carlinhos e esse é o Programa de Índio.

?Voz 1

Bom demais, nosso querido Carlinhos Carneiro passeando na Cláudia Raia da Loucura, já trazendo a primeira novidade aí da nossa playlist de novidades do Programa de Índio, que claro, se você não acompanha, vale acompanhar, vale seguir a gente também no Spotify para ficar de olho. Começando com essa belezinha, Ronald Jones, do Luiz Bruno.

IMIgor Muller

E você sabe que sempre quando tem novidades aqui no programa de índio, já virou uma prática que a gente conversa com você através dos comentários que estão lá na sua plataforma de streaming, no seu agregador de podcast, via Spotify e outras coisas mais também. Comentários nas redes sociais a partir de agora, aqui começando inclusive mandando um abraço especial para o nosso amigo Cássio, que me cornetou dizendo que eu fui muito exigente colocando as condições para fazer o manual do rock argentino.

?Voz 1

Eu concordo com ele. Eu vou dizer que, dado como foi o final da Copa e dado como está se desenhando uma pequena loucura na nossa programação nas semanas que vêm por aí, vocês vão saber em breve, mas acho que um pouco pelas novidades que tem nesse programa já dá para sentir o drama. Eu acho que a ideia de rock argentino vai ter que ser um pouco postergada, Cássio. Eu vou pedir desculpa.

IMIgor Muller

Queria aproveitar também, mandar um abraço pro Marc Alves. Será que ele é Marc ou será que é Marco Alves Elidido? Só completando que a música do Shaking Hand que a gente tocou nas novidades de julho é uma cover do Badly Drawn Boy. Olha só, muito obrigado por complementar a informação deste curador vagabundo que eu sou, que não fui checar esta informação. Muito obrigado. Abraço também sempre, né? Sempre o bot tá aqui, sempre mandando as novidades do mês que ele indica, inclusive compilando.

Eu acho que algum momento, assim como o ChatGPT, a nossa inteligência artificial, nosso bot, irá se revoltar contra nós.

?Voz 1

Ele já assumiu que ele é um bot. Inclusive tem um comentário mais recente que ele começa assim: bot. Então Mas é sempre bom assim, e é muito legal porque a gente tem a nossa playlist de novidades e junto vem a playlist de novidades do Júlio. E é sempre bom que quanto mais música, melhor. Nosso querido Caio Roque também mandando um abraço, falando da seleção do Paraguai, exaltando Gustavo Caballero, grande atleta do Portsmouth, agora de novo no Santos, e falando que tá ouvindo muito SKA.

Eu espero que seja do Paralamas. Senão eu acho que você deve se preocupar sim, meu amigo.

IMIgor Muller

Lembrando também aqui o nosso querido Leandro de Andrade II, que já despertou aqui uma discussão muito longa sobre esse número 2. Gostou muito da indicação do Swap Meet e indicou algumas bandas. Mas aqui, Leandro, a gente toca desde lá dos primórdios do programa de Índio Moma. Binstellar também já passou por aqui, Rocket também já passou por aqui, mas ele indica Jaw Drop é de Seco e Adeus Saturno, que é a banda dele, que inclusive deve fazer show em São Paulo em breve.

Já pedi para ele colocar, para mandar para gente, para a gente colocar na agenda. Enquanto você não colocar, a gente não vai falar muito mais do que isso, viu? Mas fica o abraço aqui. E um abraço também o Marco Alves de novo, que lembrou aqui da nossa festa Junindi de uma outra banda chamada They Shoot Horses. E aproveitar também, só completando, o André Matos que tá sempre aqui com a gente, falou também do Shaking Hand da música The Shining, gostou muito. A gente fica feliz da galera curtindo as novidades. Hoje tem mais.

?Voz 1

Nosso querido Elson também mandando um abraço aqui, falando do Lonely Crowd. Inclusive, vale a dica, o Elson propriamente publicou uma entrevista muito legal com o Lonely Crowd na newsletter dele e também tá disponível lá no ScreenL pra ler. Um papo bem bacana que mostra um pouco o quanto o som do The Slowing Crowd passeia pelo shoegaze, mas também por outras referências, incluindo Napalm Death.

IMIgor Muller

Mandar um beijo também aqui pra Ana Paula, que falou que o episódio 2 é episódio de colecionador. Um beijo pra você, estou com saudades. Ana Paula, Jorge, meus amigaços do peito, estão sempre com a gente aqui, ouvindo sempre o programa de indie. Mas ela resolveu aparecer pra mandar um abraço aqui. Legal, bom demais!

?Voz 1

Aí a gente entrou na sessão nostalgia. Discutindo o 2, né, o nosso programa especial da Legião Urbana. Começando pelo Léo Alves falando que comprou o 2 em versão CD numa feira de usados lá na década de 90. Nosso querido bote Júlio Camarini falando da tensão sexual do chocolate dos padres, ou dos frades, como é na casa dos capelas. Na tensão sexual que tem ali naquela embalagem, o que prova que nem mesmo o chocolate tá a salvo da nossa mente poluída.

E aí começamos uma discussão que envolve todas as versões tenebrosas de Tempo Perdido, incluindo sertanejo versão remix. Tudo muito errado, tudo muito triste assim, tudo muito triste. O Cássio mandou um abraço e perguntou se vai ter programa do A Tempestade também em 2026.

?Voz C

Não.

?Voz 1

O Igor foi muito sucinto. Eu ia fazer uma resposta mais bonita dizendo que é um disco difícil, me deixou triste, mas não. Eu acho que a gente tem muito disco para lidar esse ano ainda, muita coisa legal para lidar esse ano ainda. Cássio, eu vou— a gente vai pular essa efeméride. Quem sabe em 2036.

IMIgor Muller

O André também lembrou aqui, o André Matos, que já passou por aqui hoje, ele lembrou de algumas outras bandas, né, já que a gente fez recentemente o programa de 2006, bandas que envelheceram mal, que foi uma das discussões no último programa. Ele lembrou do Ting Tings, do Klaxons, olha só, e do Fratellis. E a gente meio que sinalizou um pouco ali, falando de 2006, que viria a onda new rave, né. O Klaxons tá um pouco conectado nisso.

Tem Hadouken, tem um monte de banda estranhíssima nessa época. Aliás, se é uma coisa que envelheceu mal, é uma rádio britânica chamada XFM, que hoje em dia é só X Radio, que toca todas essas coisas até hoje, e eu não entendo qual a relevância.

?Voz 1

Eu queria só aqui adicionar o ponto e questionar o nosso amigo Cássio, inclusive, se ele concorda que The Fratellis é rock gaúcho. Pra fechar aqui as considerações sobre o 2, queria aqui fazer uma retratação ao Cassiano. Já fiz na área de comentários, mas faço aqui de novo. Não é que não se pinta com tinta acrílica sobre tela, mas é que o ritual descrito pelo Renato Russo em Acrílica on Canvas é o ritual de pintar com tinta a óleo.

E aí, no meio de um monte de informação, um monte de coisa que a gente tinha pra passar no programa do 2, eu acabei me confundindo. Então Peço perdão aos artistas plásticos do rolê que chamaram atenção, como foi o caso do Cassiano Reis.

IMIgor Muller

Perdeu meio ponto da Tia Marilda na aula de educação artística por causa disso.

?Voz 1

E só para fechar aqui, o comentário legal do Cássio lembrando da Pública e contando uma história bacana da vida dele com a Pública e falando de gauchices, que é sempre Bom também, o nosso querido bota o disco aí, lembrando daquele show maravilhoso do Cine Joia, da Super Guides, inesquecível.

IMIgor Muller

Não, então só para concluir aqui, já que o Capelas mencionou o comentário de bot do nosso querido Júlio César Camarini, ele lembrou aqui que a gente falou do Burial, né, que o Burial foi uma das indicações de discos da Ilha Deserta do Stuart Brightwhite na nossa entrevista com esse queridíssimo lá falando sobre o show do Mogwa aí que aconteceu no final do ano passado. Era o disco que ele, um dos discos que ele levaria pra Ilha Deserta, coisa que como bombote ajudou a gente a lembrar.

E ele lembrou também, né, do King of Limbs, que tem faixas retrabalhadas pelo Four Tet e pelo JMXX.

?Voz 1

Sigam comentando com a gente. Sigam trocando ideia com a gente. Uma das coisas mais legais dos últimos tempos na minha vida, não só neste programa especificamente, é acompanhar os comentários de vocês. E eles vão chegando ao longo da semana, a gente vai trocando, eu e o Igor. Às vezes é, sei lá, sábado à noite chega um comentário, eu e o Igor a gente vai comentando, vai dando risada junto. E é muito legal assim ter essa galera toda com a gente.

Acho que Por mais amaldiçoado que seja o Spotify, essa caixa de comentários é muito, muito divertida. E eu acho que é muito legal quando a gente tem cada vez mais essa troca com vocês. Então, obrigado!

?Voz C

Chegada a hora!

IMIgor Muller

Hora ansiosa e antecipada, as novidades de agosto no último dia de julho aqui no programa Dindi. A partir de agora, com uma novidade estrondosa para abrir o programa.

?Voz 1

A gente tava esperando isso aqui faz 4 anos, e o primeiro comentário que eu tenho a fazer é que eu espero que a Maglória não vire que nem Coppe Eleições, que só tem de 4 em 4 anos. Porque senão eu vou ficar muito chateado. Tem muita música boa pra sair ainda desses meninos.

IMIgor Muller

Seu Capelas, eu vou dizer uma coisa pra você: deixem eles seguirem o fluxo natural. Próximo dia 14, Fluxo Natural, o novo álbum, o 6º álbum de estúdio da Maglore, vem aí. Uma Maglore que promete Como o próprio Thiago falou no programa em que entrevistamos ele sobre o disco solo, vai contemplar diversas fases da Maglory e atingir novos sabores. Um dos sabores, um dos singles que saiu esta semana, na última quarta-feira, particularmente a minha música predileta do disco.

?Voz 1

É sua favorita do disco?

IMIgor Muller

Eu gostei, eu amei, porque É Fleetwood Mac, é Daryl Hall e Joe Nolts e a Maglory. É Fá com Sol, é Dreams. É simples, é direto, beira o trivial da letra, e é isso que é ser feliz. E a Maglory está feliz em Fluxo Natural, apesar da capa ter um gosto de Midwest Emo, mas eu amei também a capa. Sonho Real é um dos singles, o outro single também é a música do Luquinha. Raio de Sol completando o tira-gosto de Fluxo Natural que vem aí no próximo dia 14 de agosto.

Aguardem mais novidades sobre a Maglória aqui no programa, mas eu adorei essa música justamente por isso, porque traz justamente— a gente falou bastante também quando a gente entrevistou eles no programa sobre os 5 que trazia alguma coisa a mais de adult-oriented rock, mas Sonho Real já indicou muito do que vem nas canções desse disco cancioneiríssimo, Fluxo Natural. Acompanhem com atenção.

?Voz C

Eu não sei se há um tempo atrás era fantasia e tudo deu certo. Eu não sei se quero acordar ou me perder num sonho real.

?Voz 1

E eu não vou falar mais para não dar spoiler, mas a gente vai ter muito o que conversar sobre esse disco aqui, tá?

IMIgor Muller

O que eu vou dizer falando muito de adult-oriented rock, falando muito de Maglory, duas coisas que frequentavam muito bem o core. Eu acho que vai virar um bloco aqui, vai virar nossa missão nesta ausência tão dolorida que é a falta da Eldorado. Essa música pra mim encaixaria muito bem, da Maglore. E essa dupla que vem aí tem a cara do selo Eldorado de qualidade. Estaria sendo azucrinado neste momento Felipe de Paula, o programador, e Emanuel Bonfim para tocar este duo baseado na Philadelphia, que também tem um gostinho de Fleetwood Mac, tem o gostinho dos melhores duos do Adulted Rented Rock.

Buckingham Nicks, Seals Crofts e outras delícias mais. Os irmãos Sam e Louis Sullivan, que já são de certa forma um grupo já experimentado, vem para o seu terceiro disco, mas pegou a opinião de uma maneira geral agora com esta delicinha chamada Down on Love.

?Voz 1

Vou dizer que eu achei bem interessante assim, me lembrou até umas coisas um pouco mais fora da caixa assim, como Richard e Linda Thompson, tem um pezinho ali no country também. Fiquei até pensando se a gente não deveria fazer um manual do yacht rock.

IMIgor Muller

Virá, virá, quando passar esta loucura, este ciclone. Não tô falando do que aconteceu essa semana em São Paulo, tô falando do ciclone que vem aí chamado 2 dias de balaclava e um quase festival da balaclava e Primavera Sound e uma caralhada de disco novo que vem por aí com muita gente que a gente quer conversar pra falar do disco novo. Então aguarde. Você vê que eu tô falando demais, né? Vou parar. Só queria dizer que é muito legal a história desse duo Porque eles são filhos de um compositor amador fundado no folk, com raízes irlandesas, tocava acordeão e perpetuou a família.

A mãe é ceramista e eles cresceram em torno deste universo musical. Inclusive, eles têm uma loja de cerâmicas, mas viviam até então, não sei o que vai ser agora porque eu acho que vai estourar, como professores. E o Sam resolveu abraçar de vez a carreira musical porque ele desistiu da ideia de ser poeta. Ele falou que ele fracassou como poeta. Acho que é sobre isso o adult-oriented rock, quando a gente desiste da aspiração grandiloquente e deixa o pop fluir nos corações. Eu acho que é sobre isso. Eu estou ficando velho, eu quero ouvir yacht rock.

?Voz 1

Só falta o barco mesmo, né?

IMIgor Muller

Sabe o que eu não quero ouvir, seu Capelas?

?Voz 1

Roupa nova.

IMIgor Muller

Aí estamos transmitindo pensamentos. Mentira, a gente já sabe o que vem aí, né?

?Voz 1

A gente sabe, quem conhece a gaita sabe quem tá chegando. É o Teenage Fan Club, que vem aí com disco novo. Em breve teremos mais um disco do Teenage vindo aí, Do Not Dare to Dream, Não Ouse Sonhar. E a gente não pode mais ousar em sonhar em ouvir um Teenage Fun Club com guitarras ruidosas, mas eles não deixam boas melodias de lado. Day in the Sun é essa primeira música desse trabalho que vem aí em outubro e que traz o Teenage dos últimos discos, o Teenage que a gente vem conhecendo desde 2005, pelo menos desde o Man Made, talvez até desde o Howie, esse Teenage mais glicólico de uma certa forma, menos ruidoso, menos perturbado.

E talvez seja a identidade final do The Nerd Fan Club, uma banda que a gente ama de paixão, que é uma das razões do programa de existir. Talvez por isso a gente sempre vai tocar The Nerd Fan Club quando tiver coisa nova. Mas eu acho que é uma— cada vez que eles lançam algo novo é uma confirmação: esta é a identidade da banda, isto é o que eles queriam fazer. E não exatamente talvez aquilo que a gente mais goste, mas sempre bom, sempre bom ouvir um Tineijão.

IMIgor Muller

Eu só queria completar uma informação: o disco do Sam Louise Sullivan se chama Love and Devotion. E complementando aqui o Tineide Fã Clube, você sabe que Eu brinco, mas a gente ama, a gente ouve o disco mesmo assim, mesmo com um aperto no coração. Talvez o aperto só não tenha sido maior do que o meu medo de quando eu decidi no ano passado não ir para o Sirrasgum, além de não ir para a Ilha do Combu com Norman Blake e Raymond McGinley, era eles serem penetrados pela eletricidade de Belém e resolvessem sacar as suas Jazzmasters dos cases e saíssem tocando o Bandwagon-esque feito malucos. Não aconteceu, mas tá tudo bem.

?Voz 1

Quem também tá de volta, quem também deveria ter passado pelo Brasil, mas não passou porque não somos mais rock, é o Echo and the Bunnymen, que veio também com single novo. Esse eu confesso que eu não vi chegando, não esperava que essa altura do campeonato o Echo and the Bunnymen lançaria algo novo.

IMIgor Muller

Sobrou tempo na agenda, né, depois do cancelamento.

?Voz 1

Sobrou tempo na agenda, né, eles não vieram pra América do Sul, deu pra fazer uma musiquinha. E é aquele Echo and the Bunnymen de sempre que a gente gosta muito. A voz do Ian McCulloch, que assim, no palco talvez falhe depois de 5 músicas, mas no estúdio continua perfeitamente bem. E aquela vibe pós-punk pop do Echo and the Bunnymen, uma banda que eu gosto muito, uma banda muito importante para a formação de ouvido. Deste que vos fala.

Também por isso a gente fez questão de registrar aqui, além, é claro, do fato de que temos grandes amigos que são muito fãs de Joaquim de Bannerman, caso do nosso querido Marcelo Costa. Inclusive, você já leu o glorioso Cabra Cega que Marcelo Costa fez com o Ian McCulloch?

CCCarlinhos Carneiro

Não.

?Voz 1

Em que o Ian McCulloch simplesmente afana um Is This It do Mac. Que maravilha. E ele fala mal de Los Hermanos. Eu ia só falar que eu acho que agora vem um bloquinho bem Igor, né?

IMIgor Muller

Se voltou Echo in the Bannerman, se voltou Teenage Fun Club, se voltou Adult Oriented Rock, se voltou a Maglory, Quem voltou?

?Voz 1

Quem voltou?

IMIgor Muller

O bloquinho Ben Igor do Velho Testamento. Ele está aí numa roupagem um pouquinho diferente, mas para alegrar os nossos corações, como sempre, como se estivéssemos no longínquo ano de 2021. Um bloquinho Ben Igor pós-punk com uma banda pós-punk. Olha só, da Irlanda, rapaz, o GURRIERS, que vem chamando atenção de muita gente por aí, já tá no seu segundo álbum. Já tinha chamado atenção quando eles lançaram o primeiro álbum, agora vem incensado com expectativas.

O herdeiro de Come and See, Nobody's Coming to Save You, vem aí. Muito interessante porque É post-punk? É post-punk. É produzido pelo produtor do Idols? É produzido pelo produtor do Idols. Mas, cara, as partes mais pesadas, inclusive abusando de loud, quiet, loud, dando uma dinâmica diferente do que a gente espera normalmente do post-punk, tem um gostinho do final dos anos 90 nessas guitarras aqui na faixa título, que a gente destaca que vem via este selo que eu adoro chamado Play It Again, Sam.

Nobody's Coming to Save You, que vai sair no próximo dia 25 de setembro, o álbum cheio. A primeira faixa do disco, a faixa que dá o nome do álbum, vem aí para você ouvir um trechinho. Exatamente. Por outro lado, também desde o começo com a gente aqui no programa de indie, lá da cidade de Leeds, na Inglaterra, uma terra muito importante para o post-punk também, saindo, né, já no último disco, Where Is My Utopia, eles já saíram um pouco dessa temática bem fechada.

Tinha muito de The Fall no The Overload, o disco de estreia do Your Death. Agora eles vêm chegando no terceiro álbum que que saiu no último dia 17 de julho, You're Gonna Need a Little Music, que eu coloquei aqui porque me chamou atenção essa faixa em particular, New Beginnings. E é isso que eu tô falando, parece que o pós-punk— a gente falou, né, recentemente sobre aquela cena do pós-punk, a gente trazia com uma certa urgência e parece que tava envelhecendo mal, mas parece que eles estão buscando novas saídas, algumas dessas bandas aguardando inclusive O próximo disco do Fontaines, que dizem por aí que já está pronto o novo disco do Fontaines, já ouvi faz um tempo falar sobre isso, vem trazendo novas texturas.

Se eu falei um pouco do rock do final dos anos 90, mais um loud, quiet, loud no Guriyrs, aqui no Your Deck me deu um tanto de Britpop.

?Voz 1

Pode ser, faz sentido, faz sentido.

IMIgor Muller

É, e não só o Umberto Pop, porque já no último disco tinha uma coisa meio, meio mais dançante, meio final dos anos 80, meio Madchester. Aqui me parece um tanto assim, até meio, guardadas as devidas circunstâncias, Pulp, um pouquinho de Blur.

?Voz 1

Pode ser, pode ser, acho que faz sentido. O Pulp é uma banda de bridge pós-punk, né?

IMIgor Muller

É muito, muito da herança do glam, do pulp também, né? Acho que pode estar conectado aí. Eu falei o Blur, mas Carregando as Tintas, né, que o Blur é uma banda mais sofisticada em muitos aspectos. Mas tem isso e me chamou atenção, é por isso que eu queria destacar e trazer de volta os velhos aromas do Bloquinho Bem Igor.

?Voz 1

Você sabe que esse programa é um programa de novidades, mas ele é praticamente um programa de retornos, né? Olha só, por falar em retorno, roda a vinheta. Momento bala clava, clava, clava, clava, e rode esta vinheta em alto e bom som, pois não é todo dia que a gente tem um disco novo do Ludovic. 20 anos depois do clássico Idioma Morto, do qual a gente falou no programa da semana passada, o Ludovic tá de volta nesta semana, nesta sexta-feira, com um novo trabalho auto-intitulado Ludovic E assim, eu fico primeiro impressionado pelo fato de que esse disco existe, porque ao longo dos últimos anos, eu acho que ao longo do período em que o programa de índia existe, a gente vem observando uma valorização do quanto do Ludovique, enxergando o quanto Ludovique tem sido considerado talvez a principal banda da sua época até.

A banda mais influente, mais importante para o rock brasileiro da atualidade. O Ludovico é o sopé, é a pedra fundamental do que a gente chama de rock triste. A gente nunca imaginou que a gente veria um disco novo, uma coisa que o Jair, o Dudu, o Zique muitas vezes negaram que fariam porque acharam que não eram capazes, que não estavam à altura da tarefa. A maioria das bandas que termina e volta, segundo o Jair, volta mal. Tem boas exceções, como o Daniel Sward Jr., e o Ludovic felizmente faz parte das exceções.

A gente pôde ouvir o disco um pouquinho antes do lançamento e tá muito bom. Eu acho que tá muito bom primeiro pelo trabalho de letras do Jair, que eu acho que incorpora muitas das conquistas estéticas que o Jair trouxe, conquista lírica ao longo da carreira solo, e que, mas que encaixa no estilo do Ludovic sem parecer que eles estão tentando soar como adolescentes. Eu acho que tem, tem um jeito de contar as coisas ali que soa como Ludovic, mas também soa como Ludovic cantado por pessoas de 40, 45 anos.

Eu acho que isso é muito importante. Segundo, pelo trabalho primoroso das guitarras do disco. Algumas das melhores guitarras do ano estão nesse disco do Ludovic, e é um trabalho assim impressionante. Eu separei na playlist uma música que eles já tinham lançado como single, que era Dilúvio de Dinheiro Algum, que é uma belíssima letra, diga-se de passagem. Mas o disco tá cheio de grandes canções. A gente já tinha tocado aqui Pedestal, que era uma bela música.

Tem uma que chama Reina, que é sensacional. Nenhum Karma, Irmã Pólvora. Assim, fiquem— eu sei que pode parecer que eu tô fazendo um name dropping aqui, mas é porque são músicas que a gente vai discutir bastante nas próximas semanas, nos próximos meses. Tá muito legal, dá gosto de ver o que o Ludovic fez. Insiders nesse disco e como eles estão voltando com tudo. Quem também tá de volta, e eu achei que era muito justo colocar juntinho do Ludovic, na playlist é a Sunlis, vocalista do clássico Madame Satã, banda de metal do Pará.

Quem nunca ouviu, respira, deveria ouvir, porque é uma aula de metal em português com alma independente. Madame Satã foi uma banda muito importante ali nos anos 2000, que fez parte daquele panorama sonoro muito divertido que a gente que a gente tinha na época, com bandas de todos os estados e trazendo vertentes diferentes. E a Samplings está de volta com uma faixa que me chamou muita atenção, que tem participação do Gabriel Zander na produção e uma direção artística do nosso querido João do Molho Negro.

E é uma faixa que eu acho que traz esses, traz um jeito diferente de pensar o que pode ser essa voz maravilhosa da Samplings num repertório mais amplo. Acho que às vezes o metal e o corte estético do Madame Satã faziam com que a voz dela ficasse em segundo plano ou não chegasse a tanta gente. E eu acho que essa música mostra a capacidade da Anlis de cantar muito e de passar a mensagem assim. Tô curioso para saber que mais que vem por aí, porque promete demais.

?Voz C

Aqui em 1976, eu acenei pra você, eu acenei pra você.

IMIgor Muller

A gente falou no programa agora há pouco que são programas de retornos, né? Mas é muito interessante notar como esses retornos estão vindo trazendo um pouco também da gente diferente, né? Porque eu acho interessante, eu queria falar do Ludovik, que era isso. Sempre me impactou o Ludovik pelo uso das guitarras, mas sempre me causou muita estranheza porque o Ludovik era uma banda totalmente conectada com a cena alternativa, que naquela época majoritariamente cantava em inglês, tava entrando, né, tava começando a ter mais bandas alternativas pesadas cantando em português.

Mas muito desse peso é tributário do hardcore, que também não era exatamente o hardcore majoritário das bandas que chamavam atenção naquela época em São Paulo, que era coisa mais hardcore melódica. Isso é muito interessante a gente notar. Inclusive aqui, falando da Summless trazendo o metal, é muito interessante a gente notar também o quanto que a gente mudou de percepção produção de música para agregar, para tentar buscar coisa nova.

E eu brinquei agora há pouco com o Bloquinho Ben Igor do Velho Testamento, porque no começo lá do programa minha cabeça tava mais conectada com as coisas que eu cresci ouvindo, que tava próximo do pós-punk. E o Bloquinho Ben Igor, eu faço a brincadeira do Velho Testamento, ficou uma coisa mais slowcore, né? E é muito interessante olhar para o slowcore como essa derivação, como esse meio de caminho aí do alternativo que surgiu do hardcore, e que muitas das bandas, né, que muitos dos ouvidos para o rock alternativo, majoritariamente aqui do que eu cresci ouvindo, das coisas que eu fui buscar, né, das influências, Massari, Kid, galera do garagem, não olhava com tanta atenção para essa cena, né.

Tanto que quando a gente começou o programa, o Capelas achava que o Dust era uma banda que eu inventei. Mas o bloquinho era tudo isso só para fazer essa colocação, que o bloquinho Bem Igor vem aí também agora na sua versão slowcore com duas bandas. E o mais gostoso disso é que se você for olhar para muitas dessas bandas e olhar a quantidade de ouvintes mensais dessas bandas, de fato dá a entender que parece que eu inventei as bandas mesmo, mas elas existem, eu garanto, elas são maravilhosas.

Uma delas, o Sam Fear, que vem lá de Oklahoma City, bem calcado nesse universo, bem tradicional, e tá chegando ainda, né, no seu segundo disco. O álbum chamado World Eater saiu agora no último dia 24 de abril. Não preciso falar muito. É aquilo que tem encantado o meu coração nos últimos tempos. Esta delícia de guitarras limpas, de vocais mais acuados, mas um som mais discreto e não tão, diríamos assim, espacial como o shoegaze.

É por isso que eu acho que talvez a gente ouça falar tanto dessa geração, porque existe um diálogo entre texturas do Slowcore, do shoegaze e bandas que a gente gosta muito de rock de guitarras contemporâneas estão trafegando. Inclusive, o Terraplana, que tá fazendo turnê de novo lá fora, tá se aproximando muito dessa região. Eles viajam, né? Afinal, a Terra é plana, só anda reto.

?Voz 1

Nossa.

IMIgor Muller

Mas vamos parar de bobeira, vamos parar de bobeira, vai. Banda muito legal surgida em 2021. Classicaço, vou dizer assim, o estilo de som deles. A faixa que eu destaco: I Don't Want to Spend My Money. Simplesmente ouça, simplesmente aproveite esse universo de timbres cristalinos passando aqui no programa. Inclusive, isso traz consequências. A gente falou aqui no Brasil do terraplano se aproximando dessa sonoridade. Em Brisbane, na Austrália, já é slowcore também.

Inclusive, muito dentro da estética terraplanística, letras minúsculas. Blue Diner, ponto, é o nome dessa banda muito legal. Que está lançando. E aí, ó, pode se conectar com o post-punk, porque o disco de estreia deles, que saiu no dia 1º de maio, chama como?

?Voz 1

Disc 2.

IMIgor Muller

Disc 2. Assim como The Return of Dirty Column é o disco de estreia do Vinnie Reilly. Mas também um pouquinho até mais lo-fi, vou dizer assim, do que o som do Some Fear. Mas delicioso. A gente tem tocado, eu tenho tocado bastante coisa da Austrália recentemente aqui no programa de indie e bandas que se conectam muito bem dentro deste universo sonoro. Adorei essa faixa, fofura. E eu vou dizer ainda mais que eu descobri o Blue Diner ouvindo na sequência do disco novo do Cassie, do Projeto Voice, e encaixou muito bem.

Por isso que eu falei, cabe aqui Vou tentar descobrir mais dessa banda e descobri que eles tinham acabado de lançar um disco.

?Voz C

Perfeito.

?Voz 1

Você falou do nosso querido Vinnie detalhe, né? A gente tocou o Durutti Column recentemente aqui no programa de indie, com novidade do Durutti Column, coisa que eu achei que nunca mais ia ver na vida. Eu descobri uma história muito legal essa semana. Você sabia que os integrantes do Joy Division eram responsáveis por colar as capas do Return of Durutti Column? Que eles foram contratados pela Factory para fazer isso. Porque a Factory tinha feito um lote de discos de som de trem.

E aí eles pegaram esse lote que não vendeu porra nenhuma e começaram a colar papel em cima para fazer as capas do Return of Turok: Colon. E aí todo mundo perguntou, pô, mas o Joy Division fez isso de graça? Não, era o emprego que eles tinham na época, era colar a capa do Return of Turok: Colon. É o Duri de Color, Maqui Color, etiquetas e rótulos adesivos.

IMIgor Muller

Vamos parar de bobagem, vai. Vamos falar de retornos novamente aqui no programa de índio.

?Voz 1

O retorno dela, da minha querida vinheta. Eu só queria poder dar alegria ao meu povo. Eu tô saudando a mandioca, a língua dos índios.

IMIgor Muller

É verdadeira língua brasileira, cobiçava nem galpava. Em Brasília, 19 horas.

?Voz 1

Quem também tá de volta é nosso querido mestre, amigo, companheiro de muitas aventuras no Dial, Maurício Pereira, que tá lançando um disco novo, lançou essa semana O Dia da Girafa. Um disco muito interessante, já começar pelo nome, pela capa que traz o famoso Caquinho Paulista como ilustração. E é um disco que me chamou muita atenção, assim, é um disco que eu confesso que eu não pude ter tempo ainda de deglutir muito sobre ele, mas tudo que eu ouvi com um pouquinho mais de calma me chamou muita atenção.

E aqui tem várias músicas legais no disco, mas aqui eu trouxe uma que faz uma conexão especial com o programa de índio. Não sei quem tava aqui e lembra do nosso programa especial de 5 anos em que a gente chamou uma galera para pedir música no programa. E aí a gente teve os mais diversos pedidos, gente muito legal que a gente gosta muito pedindo música. E o Maurício pediu uma música do Erasmo Carlos chamada É Duro Ser estátua. E eu nunca tinha prestado atenção nessa letra, me chamou muita atenção assim, porque tem uma, tem um humor ali, tem uma, tem uma brincadeira, tem uma poesia fina.

E aí, quando eu tava ouvindo o disco do Maurício, eu tinha selecionado já outra música, mas tava ouvindo, entrou Eu Trago o Coração Vazando. Eu olhei e falei, caramba, olha aqui o Maurício fazendo uma música do Erasmo! Olha aqui ele explicando aquilo que ele, aquela predileção, aquele amor pelo Erasmo Carlos. De um jeito que eu nem tinha visto. Normalmente quando a gente fala do Erasmo, a gente vai olhar muito mais para o Sentado à Beira do Caminho, para o Carlos Erasmo, para o Sonhos e Memórias.

E aqui tá o Maurício recuperando aquele primeiro Erasmo, o Erasmo que não só tava fazendo versão, mas tava trazendo a primeira ideia ali de letra de rock em português no Brasil. E eu achei que o Maurício faz isso, essa homenagem, de uma maneira muito bonita nesse disco. Não sei o quanto é intencional, acho que eu vi algumas entrevistas dele falando que o Erasmo é um ídolo, que é uma referência para ele. Então eu acho que é intencional, mas achei muito legal assim.

E assim, do pouco que eu ouvi, já dá para dizer, O Dia da Girafa é um dos discos mais legais do ano, só ali pelo começo, pelo lado A do disco. Tem uma música que chama Uma Vida estândar, que ele fala de ser um homem comum. E quem dera nossos homens comuns fossem como Maurício Pereira.

IMIgor Muller

Eu trago o coração vazando, eu sinto, mas eu não sei onde. Eu olho pra estação vazia com olhos de encarar a noite. Vai ver que a alma tá furada. Girafas que valem a pena. Na música brasileira. Eu gosto de saber que a gente já falou aqui da Eldorado, né? O Maurício conecta com Eldorado, mas conecta também com outro canal muito importante pra gente aqui na comunicação paulista, que é a Cultura, TV Cultura. Ó, te dei a ponte, cara.

?Voz 1

Agora eu entendi.

IMIgor Muller

E rapaz, minha cabeça ela tá operando em um nível muito paternal.

?Voz 1

O Igor Miller basicamente ele me deu um golpe na minha área de expertise, que é a TV Cultura, porque a próxima música da playlist se chama X-Tudo, é uma música da Selton, e eu não vi essa chegando porque eu tava pensando na Selton, e a Selton já gravou com Maurício Pereira, eles fizeram um compacto nos anos 2010 em que eles cantam Acho que Trovoa, e eu nasci no meio de um monte de gente. Eu tava pensando nessa parceria quando eu juntei os dois.

IMIgor Muller

Quem que não gravou Trovoa até hoje, né?

?Voz 1

Cara, eu acho que a gente podia gravar uma versão de Trovoa.

IMIgor Muller

Eu acho tretíssima de decorar essa letra, mas beleza, vamos lá.

?Voz 1

Mas a gente, eu juntei a Selton justamente por isso, tem uma afinidade estética, eu acho, entre o Maurício Pereira e a Selton, a ponto de eu ter entrevistado o Maurício quando eu fiz um perfil da Selton. Para Piauí. E a Selton tá fazendo ali uma espécie de, soltou esses dias uma espécie de último capítulo do Gringo, né, essa viagem que eles fizeram aí nos últimos anos. Foram dois discos, um verde e um rosa, bem mangueira. E eles fizeram um, soltaram um EPzinho essa semana com duas músicas, Junkie e X-Tudo, que é que eu escolhi aqui, que é uma brincadeira muito divertida Uma coisa bem com cara de TV Cultura, ainda que no Rio Grande do Sul era TVE, bem com cara de TV Cultura assim, esse jogo de palavras, esse jogo cantado, e assim, um frescor muito interessante, talvez que se deva ao fato da música ter sido gravada no Rio de Janeiro, com participação inclusive do Ricardo Damián, o gerente do 13 Studio, estúdio do nosso querido Damon Albarn.

E muito legal essa música, assim, me diverti muito, achei que valia trazer aqui. Não é um disco cheio, não é um grande lançamento, né? Acho que a Selton tá pegando fôlego para alçar novos voos, mas achei muito legal e achei que valia juntar com Maurício, assim, duas bandas que tratam muito bem essa ideia chamada cansa.

IMIgor Muller

Dando sequência aqui no programa de índio, eu tô fazendo essas, eu dobrei a aposta da elipse nas minhas entradas aqui e eu vou dizer que quando eu falei slowcore, shoegaze, E essa nova sonoridade de guitarras aqui no programa de índia, a gente já surge num segundo momento desse retorno dessa sonoridade. E eu digo isso porque eu descobri um projeto muito interessante. Digo mais, seu Capelas, é um projeto que é bala, bala, é o projeto do Jason Bala, guitarrista do trio ali da década passada, que foi, vamos dizer assim, um dos pioneiros nesse resgate dessa sonoridade meio dream pop, mais calcada em memórias de Cocteau Twins e Slowdive, que é o Dead.

Que eu acho que a gente tocou aqui no programa de índia alguma coisa do Dead, já deve fazer algum tempo. Mas o Jason Bala tem um projeto solo Ele é lá de Illinois, Chicago, mas está baseado em Berlim, na Alemanha, nos últimos tempos. E de toda essa viagem dele saiu o primeiro disco de estúdio deste projeto alternativo, saiu no último dia 17 de abril. O projeto chama Accessory, é o nome do projeto, Dust é o nome do álbum. E a faixa que eu tô destacando aqui, seu Capelas, a faixa se chama Sunshine.

E me chamou muita atenção porque o disco em si também é um belíssimo disco, me chamou muita atenção porque traz uma sonoridade, traz uma experimentação que não tava tanto em voga de muito que a gente tem tocado de novidade aqui no Programa de Indie, que é uma certa lisergia, uma certa, um certo tempero ali meio psicodélico, antecipando temas que vêm por aí inclusive no Programa de Indie. Uma certa psicodelia que é bem típica de coisas da Elephant 6.

Teve, né, a gente teve algum tempo atrás aí uns filhotes de Tame Impala ou algumas variações, né. Eu ia virar o accessory com o Wild Pink, por exemplo, mas tem muita coisa aí do rock alternativo que se conecta com essa sonoridade. A faixa Sunshine me deu esse gostinho. Me deu esse gostinho inclusive até de Eels, de Novalgina for the Soul. Ouça e diga pra mim nos comentários o que você achou desta viagem psicodélica gostosa de Jason Baum.

?Voz 1

Vale a redundância, né? Um cara chamado Jason Ball proporcionou a viagem psicodélica, né?

IMIgor Muller

Ele dobrou a aposta. Tava demorando para você responder minhas piadas com piadas piores, cara.

?Voz C

Obrigado.

IMIgor Muller

E eu mudei de última hora uma música aqui no programa de índio. Por quê? Porque como eu falei, me lembra um pouco lisergia, me lembra um pouco psicodelia. E a gente noventeiro, quando fala disso, não pode esquecer, não pode esquecer de Elephant 6.

?Voz 1

Você vai dizer que é a melhor banda da Elephant 6?

IMIgor Muller

Para mim é e sempre será. E voltou com uma carinha, vamos dizer assim, pô, eu tenho esse monte de coisa aqui, se a gente trabalhasse para transformar num disco, por que não? Olivia Tremor Control vem aí. Com o seu disco final, segundo informações da própria Elephant 6, The Same Place vem com 27 faixas trabalhadas ao longo de 20 anos. Pelo que eu ouvi até agora, Guardian of Light, que é o single que saiu, não precisa de mais.

?Voz 1

Vou falar que assim não precisa demais, porque, cara, a gente tá falando de um mundo em que tem disco novo do Oliver Tremble Control, do Duro de Colom, do Echo the Bunny. Mas tipo, o que tá acontecendo, sabe? O mundo tá horrível, mas pelo menos a gente tem essas coisas maravilhosas acontecendo no meio do caminho, sabe?

IMIgor Muller

Então aí é que tá o problema, não é que é um disco novo, É o disco final. A gente sabe que a gente tá vivendo um momento muito singular de coisas que estão se despedindo da gente. É a dificuldade de ficar velho.

?Voz 1

Mas deixa isso para lá, vai, deixa isso para lá. Vem para cá, o que é que tem? Não tô fazendo nada, você também, né?

IMIgor Muller

Já que você pegou uma referência de alguém que os filhos se apropriaram, eu só vou dizer uma outra coisa de filhos que se apropriaram desta frase: o novo sempre vem.

?Voz 1

O novo sempre vem. No caso, nesse bloco final, o novo vem e vem totoca, vem maluco das ideias, que talvez seja uma dos parzinhos Bala aí, um dos parzinhos de música mais maluca que eu já toquei no programa de indie, começando pelo Laúis, nosso querido Laúis, que faz parte da banda Pelados. Bateu um papo legal demais com a gente aqui no programa de indie no ano passado, quando eles lançaram O Contato. E o Laúis lançou um disco solo esse ano chamado Comece Por Aqui.

Não é o primeiro disco solo dele, já tem uns 3 ou 4. E é muito legal olhar para os discos solos do Lauwers, porque assim, se na Pelados tem um trabalho obviamente experimental, mas é um trabalho que passa pelo filtro de uma banda, que passa pela democracia que é a maioria das bandas, nos trabalhos solo ele vai para um lado experimental, viajando assim na manteiga, e às vezes fazendo coisas muito doidas e muito legais, ou muito bizarras ao mesmo tempo, que é o caso dessa canção chamada Na Lagoa, parceria dele com João Barisbi.

E, cara, é uma colagem, tem umas coisas meio malucas, tem um pedaço de pitch ali no meio, tem duas canções dentro da mesma faixa, uma loucurinha assim.

IMIgor Muller

Tem o saxofonista de Eminem?

?Voz 1

Não tem o saxofonista de Eminem, mas assim, tem muita coisa acontecendo nessa música. E tem muita coisa acontecendo ao longo desse disco do Lovelace. Tem uma música chamada Linus Torvald, sabe? Umas coisinhas muito bizarras acontecendo. Mas é um disco que eu acho que vale a pena ser ouvido justamente por esse caráter experimental, por essa lógica de você olhar e falar, cara, o que que ele tá fazendo? O que que tá acontecendo aqui?

E como isso pode guiar um pouco composições que vão vir à tona? Eu acho que Sem esses discos solo do Lauiz, talvez a gente não tivesse uma belezinha como Modrit ou como Planeta Ox, assim, dentro do repertório da Pelados. Acho muito legal acompanhar esse laboratório de experimentos do nosso querido Lauiz.

IMIgor Muller

Você tá dizendo que o trabalho solo do Lauiz é o Ciccone Youth do Pelé?

?Voz 1

Eu acho que é o Wonderwall Music do Lauiz.

IMIgor Muller

Segue o balainho de Totoca.

?Voz 1

Eu vou falar, e eu digo isso sem um traço de ironia, mas talvez não exista disco que explique melhor a loucura de viver em 2026 do que Music Fashion Film da Charli XCX. E é muito engraçado falar isso dentro deste espaço do programa de indie. Eu já preparo a guarda alta aqui porque eu sei que o Igor quer me dar um soco quando eu digo essas coisas. Mas assim, a gente acompanhou ao longo dos últimos 2 anos todo o fuzuê em torno do Brett.

E eu acho que é um disco que tem sua relevância mais estética do que especificamente artística. Eu acho que a Charli XCX é muito hábil na capacidade de embalar um disco e criar memes musicais a partir disso e gerar conteúdo em torno dessas conversas que ela faz com as músicas dela. Mas me chamou muito atenção quando ela mandou, já começou a divulgar o Music Fashion Film. E o Bretton disse que assim, eu acho interessante, mas eu acho que ele, música, a coisa menos importante nele é a música, porque eu acho que ele tá, ela tá fazendo ali uma grande, um grande trabalho do pop.

No Music Fashion Film eu acho que tem uma provocação muito divertida para nós ouvintes de rock, porque a Charlie vai se beber do rock. Não é que ela tá fazendo um disco de rock, eu acho que é mais um disco sobre o rock. A começo de conversa ela tá fazendo um tratado ali sobre o momento que a gente vive, as gerações anteriores, quando ela escolhe colocar Martin Scorsese, John Cale, e Marc Jacobs na capa. Marc Jacobs é o menos relevante dos três, mas assim, se você tem a capacidade de juntar o Martin Scorsese e o John Cale na mesma capa e na mesma cozinha, é uma parada que eu fico meio assim, o que que tá acontecendo aqui?

Eu até cheguei a elaborar uma versão alternativa dessa capa comigo e Igor Miller junto, mas o Igor me proibiu de publicar. Mas quando você vai ouvir o disco Eu acho que além de falar de questões muito pertinentes ao nosso dia a dia, como medo, como cansaço, como a incapacidade de socializar, a dificuldade de entender o tempo, a passagem do tempo, a Charlie tá fazendo uma provocação porque ela vai fazer um disco de canções pop que vai usar a estética do rock.

?Voz C

Rock.

?Voz 1

Ela vai beber na estética do rock, mas ela não vai fazer um disco de rock. Ela não tá nem um pouco se importando com rock. E eu acho que talvez seja sintomático do lugar que o rock habita hoje. Talvez para mim, para você, para o Igor, para muitos de nós que estamos aqui, o rock seja a coisa mais importante das nossas vidas, mas ele é desimportante para um monte de gente hoje. E é muito doido quando a gente se dá conta desse lugar dele no mundo.

E aí quando a Charli XCX vai fazer uma música como Rock Music, que é quase uma versão 2 de Club Classics, olhando não para eletrônica, mas sim para o rock, ela tá meio que justamente colocando o rock nesse devido lugar, sabe? Mostrando para gente, olha aqui que o rock foi parar, sabe? E eu acho isso interessante. Eu acho que é um disco interessante de se escutar justamente por essa maneira de colocar o rock e pela bipolaridade que ele coloca, que ao mesmo tempo você tem canções extremamente enérgicas e sensuais e fortes de pista e canções meio depressivas.

E eu acho que essa Essa bipolaridade, essa, esse dínamo, por assim dizer, que ela tá propondo esse disco é muito interessante. Eu confesso que eu ainda não elaborei exatamente uma energia, uma filosofia completa assim. Ouvi algumas vezes nos últimos dias, mas assim, acho que dos discos que eu tenho escutado, gringos especialmente, acho que é um dos discos mais me chamou atenção assim do que que ele tá tentando mostrar sobre o mundo hoje.

Vai fazer menos sucesso que o Brett, vai repercutir menos. Ela fez uma aposta que não é para agradar tanto os fãs dela, mas eu acho que ela vai provocar e conversar com muita gente diferente. E eu acho interessante demais esse movimento.

IMIgor Muller

Decidindo se eu vou responder isso ou não.

?Voz 1

E a última música tem nada mais nada menos que David Cronenberg fazendo um discurso que me lembra Feater Happier do Radiohead.

IMIgor Muller

Eu vou dizer que a melhor contribuição estética de Charli XCX é ter colocado as bandejas de cigarro no casamento dela. Eu vou fazer isso no batizado do meu filho. Tá bom por hoje.

?Voz 1

Eu não vou perguntar quem é a mãe. Eu acho que a gente tem que ir embora.

IMIgor Muller

Eu vou fumar um cigarro.

?Voz 1

Bora fumar um cigarro.

?Voz C

Fecha, fecha, fecha, que não sai, não sai mais nada aí. Fecha, fecha, alô Brasil, fecha, que não sai mais nada. Ei, Brasil, fecha! Fecha que não sai! Fecha que não sai mais nada! Fecha! Fecha! Ei, você, fecha! Fecha aí, pô! Fecha que não sai mais nada!

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