Episódios de Programa de Indie

Os Discos de 2006, com Sonic Youth, YLT, Killers, Arctic Monkeys, Ludovic e muito mais!

24 de julho de 20261h24min
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Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos, uma era de sabedoria e de tolice. Poderia ser Charles Dickens, mas são nossos queridos indies rabugentos numa viagem no tempo de volta a 2006.

Marcado pela estreia do Arctic Monkeys, pela debacle do rock de pista do começo do novo século e pela maturidade de bandas como Sonic Youth e Yo La Tengo, o ano de 2006 é um capítulo muito curioso da história da música alternativa.

É o retrato de uma época em que ainda acreditávamos no Myspace, no Orkut e que ter um clipe na MTV era tudo o que uma banda precisava para não só fazer sucesso, como também transformar o mundo, em meio a hits do Killers, de Peter Bjorn & John, do escapismo do Beirut ou da grandiloquência do Raconteurs.

Aqui no Brasil, também teve muita coisa bacana, com discos hoje mais-que-clássicos, como Idioma Morto, Bogary, Cê e a estreia auto-intitulada da Superguidis. Isso pra não falar nos sons que vem da América Latina, da Península Ibérica e de tantos outros cantos deste planeta.

Separe seu testmonial e seu iPod e venha com a gente nessa viagem de volta a duas décadas atrás. Ah, e não esquece da playlist, claro!

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E por falar em playlist, presta atenção: aqui tem uma playlist com todos os programas de "anos" que nós já fizemos.

Já aproveita para seguir o Programa de Indie nas redes e não perder nada, hein!

E se quiser chamar o Programa de Indie pra uma parceria,⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ⁠⁠⁠aqui tá o nosso Media Kit⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠, viu?

Participantes neste episódio1
I

Igor Muller

Host
Assuntos8
  • Rock BrasileiroBulgari · Superguidis · Contestação pública · Ludovico · Caetano Veloso · Cê
  • TV on the Radio e Sonic YouthCarreira Radio TV · Sonic Youth · Pós-punk · Rock alternativo · Meet Me in the Bathroom
  • Arctic Monkeys e Radiohead/Thom YorkeArctic Monkeys · Whatever People Say I Am, That's What I'm Not · Radiohead · Isabel de York · The Eraser
  • The Killers e SamstownThe Killers · Samstown · Rock de pista · New Order
  • Música EletrônicaHot Chip · Burial · Beach House · Trip hop · Música eletrônica
  • Yo La Tengo e I Am Not Afraid of YouYo La Tengo · I Am Not Afraid of You and I Will Beat Your Ass · Rock alternativo · Indie rock
  • The Decemberists e Band of HorsesThe Decemberists · Band of Horses · The Crane Wife · Everything All the Time · Folk rock
  • Projetos anteriores de Jack WhiteThe Raconteurs · Jack White · Broken Boy Soldiers · Rock garageiro
Transcrição97 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
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Programa de Indie com Bruno Capelas e Igor Miller.

IMIgor Muller

Seja muito bem-vinda, seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinde ao Programa de Indie, nosso quartinho de bagunça onde estamos todas as semanas não apenas falando de uma visão da música alternativa, mas também falando de uma visão alternativa da música. Eu sou Igor Miller, Estou sempre ao lado dele, Bruno Capelas.

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Boa noite. Boa noite, Igor Miller. E é muito bom voltar a 2006, que foi o tema do nosso primeiro Baile de Debutantes. Hoje já chega um pouco mais grandinho, já podendo beber e dando muitas alegrias pra gente.

IMIgor Muller

Se beber, não dirija, e siga a a gente na sua plataforma de streaming, de preferência no seu agregador de podcast, sempre dando a cotação máxima. É muito importante para a gente seguir aqui dirigindo essa nave muito louca que é o Programa de Indie.

?Voz 1

E também siga a gente nas redes sociais, o nosso Instagram que é o @programadeindie, o nosso Bluesky que é o @programadeindie.bluesky.social, e claro, não esquecendo do nosso email olaprogramadeindie@gmail.com. Gmail.com.

IMIgor Muller

E se você já estiver em posse da sua chave maior de idade, já pode ficar até tarde na rua e curtir muito mais dos shows que figuram na nossa agendinha da semana.

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Agendinha da semana que começa com um grande momento do rock brasileiro, um reencontro acontecendo no Sesc Belenzinho, o Ave Sangria Toca nos dias 31 de julho e 1º de agosto. Meu Deus do céu, já chegamos em agosto! O Ave Sangria toca 31 de julho, 1º de agosto, no Sesc Belenzinho. Vale também o aviso do SPIM, o São Paulo Independent Music, que acontece de 12 a 16 de agosto em várias casas em São Paulo. Vai ter vários shows legais, vai ter Molho Negro, vai ter AutoPAP, vai ter Ludovique, adiantando o repertório do novo disco com Jovens Ateus.

Vai ter Bulgarins e Pelados numa noite especial, vai ter muita coisa bacana, além, é claro, da conferência de 2 dias em São Paulo. No mês de agosto a gente também tem o Dili EX2, que o nome é Matem, dia 22, no Bar Alto, produção da Balaclava. E o grande encontro— não, não, não, não é o grande encontro que você tá pensando— o grande encontro entre Jair Naves, Vitor Brauer e Renan Benini, dia 30 de agosto, no Red Star. Em setembro, anota aí que tem bastante coisa da Balaclava.

Tem Balaclava Fest, dias 26 e 27, no Tokyo Marine Hall, com Dry Cleaning, com Dive, com Blonde Hairhead, com o Anas. Tem um monte de banda que a gente ama aqui no programa de indie. 2 dias depois, no dia 29, terça-feira, tem Chapter House com Terra Plana no Cine Joia. A Balaclava também anunciou essa semana novidade em outubro: os irlandeses do Hipercap chegando no dia 23 lá no Cine Joia, antes, em outubro também tem o El Matou, um polícia motorizado que a gente vai falar hoje aqui no programa, tocando dia 10 de outubro lá em Porto Alegre no Opinião, 11 de outubro aqui no Cine Joia.

Para fechar a fatura, você sabe, Godspeed e o Black Emperor dia 23 de novembro também da Balaclava na Áudio, e o Primavera Sound agora com a programação dividida por dias, dia 5 e 6 de dezembro. Confesso que eu achei a escalação do dia 5 Até interessante, juntou ali o Strokes, a Lily Allen, a Carne e Barnet, o Model Actriz e o Manic Impulse. Talvez dê para ser feliz em Interlagos.

IMIgor Muller

É, estamos chegando! Para não virar comida de leões, seu Bruno Capelas. Itália campeã do mundo! E eu não estou bravo com você. 2006, nosso assunto aqui no programa de índio sem Fernando Vanucci. Vai lá!

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Ah, Itália!

IMIgor Muller

Caravaro, Zambrotta, Totti!

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Ei, eu queria dizer de um programa que já começa com resquícios do último Primavera, com The Killers. Que em 2006 estavam longe da pataquada, já mostravam ali, claro, um pouco o que viria a ser essa banda. Mas o Sandstown para mim é um disco muito, muito legal do Killers. Depois daquele começo bem, bem inglês, bem New Order do Killers, eles voltam para América e bebem ali de Bruce, de Elvis gordo, de um monte de coisa. E eu acho Sandstown um disco divertidíssimo, a começar pela faixa de abertura Sandstown.

IMIgor Muller

Não, eu acho que é interessante a gente dizer, para ter uma ideia mais ou menos de 2006, e essa mudança, uma certa— não é exatamente uma mudança, mas é um aceno diferente que o Killers fez e que poderia inclusive fazer com que o Killers fosse uma banda mais interessante do que ela é hoje. Mas é, a gente comentou em outros programas, né, essa mudança. A gente fala bastante no programa do Strokes, né, no Esse Desse, sobre essa, sobre essa novidade que abre na música, no rock alternativo de uma maneira geral.

E foram anos de muita, digamos assim, efusividade de rock de pista e um certo tom garagístico. Não só as bandas eletrônicas como Killers Como o Capelas bem lembrou, Hot Fuzz, o disco de estreia, bem calcado em New Order. Inclusive, o nome da banda tem a ver com a volta do New Order nos anos 2000. Toda uma cena desfraldada ao longo de 4, 5 anos. Em 2006, a gente já nota um certo giro, um certo desgaste dessa cena. Eu acho que o Samstown tem um pouco deste ar.

De uma banda que tá tentando procurar um caminho diferente. A gente nota em 2006 uma certa tentativa, por um lado, e aqui eu acho que talvez no programa de 2007 fique mais visível isso, e talvez a gente nem discuta isso, mas uma parte desse rock de pista, dessa coisa meio garageira, do eletro rock que tenha caído nos anos seguintes naquele tal momento new rave, seja uma certa saturação desse gênero que a gente olha retroativamente, né, desse submundo do rock alternativo que já era com data de validade, já era uma reciclagem já que não tinha muito mais o que render.

Sangraram até o último caldo, chuparam o último tutano desse osso. E eu acho que o Killers parecia indicar um caminho um pouco diferente daquilo que a gente vê no Samstown, mas depois a gente sabe que não não foi este o caminho que o Killers seguiu, e que nem as bandas que faziam sucesso na primeira metade da primeira década do século 21 seguiu. Mas eu acho que naquele momento ainda parecia que coisas aconteceriam, e talvez essa, essa, esse giro para América que o Killers fez foi ali o restolho do restolho do que podia se aproveitar.

Por isso que o Killers tá aqui, por isso que é uma banda que eu gostei, ouvi muito esse disco, ouvi muito Hot Fuzz.

?Voz 1

Estive naquele show emblemático do TIM Festival 2007, que atrasou tanto que quase foi em 2008, né?

IMIgor Muller

Exatamente, foi quase no Natal, né? Inclusive o show tinha temática natalina, o Brandon Flowers bêbado. Isso que é, talvez seja interessante, né? É uma coisa meio jovem, bebê, atrasou todo mundo. O show atrasou por diversos motivos, um deles foi o próprio própria vibe alcoolizada do Brandon Flowers, mas teve queda de energia, enfim, muitas coisas. Mas eu acho que para abrir é bem emblemático o ano de 2006, a gente abrir com esta música em particular, com esse disco, e também com a própria onda do Killers, que é muito interessante.

Tanto Hot Fuzz quanto Samstown, eles começam com uma dinâmica coerente internamente, não tô dizendo se é boa ou ruim, mas ela é coerente. Mas depois o disco vai se perdendo, como se tivesse um lado B muito ruim E é claro, a gente precisava colocar também, a gente vive falando mal do Killers aqui nesse programa, mas é bom a gente dar uma devida relevância para eles. E talvez a gente fale dele, talvez eles venham tanto, talvez eles nos assombrem tanto até hoje, com possibilidades de incursões indesejadas em festivais que a gente esperava mais.

Mas fizeram por merecer, talvez, essa Essa tática do desespero. Talvez um menino Neymar, na hora do desespero chama ele e decepciona.

?Voz 1

O Brandon Flowers acho que merece um pouco mais do que o menino Neymar como comparação. Ainda mais, eu tava lembrando agora do show do Killers na Champions League desse ano, final da Champions League desse ano, que eles tocaram When We Were Young. E eu olhei e falei, cara, é, a gente já foi jovem, mas não mais. Não mais. É engraçado você falar desse contexto porque eu tava aqui lembrando o que que tinha desse ano e tem uma música que eu não coloquei, um disco que não dá na playlist, mas que acho que mostra um pouco desse cansaço, que é o trabalho do Yaya S, o disco que tem Gold Lion.

É um disco que eu já meio cansado do Yaya S. Eu acho que muitas dessas bandas ali dessa geração de 2001, 2002, 2003, elas já chegam nesse momento meio cansadas Hoje elas existem, né? O Yes veio no Brasil fez alguns anos, fez um bom show no Cine Joia. No detalhe não foi tão bom assim, para ser bem sincero. Mas acho que muito desse aspecto de nostalgia, assim, muito da gente tá em um Strokes aí no Primavera, tá muito ligado à nostalgia.

Até a Lily Allen, que também tem disco em 2016, a gente não colocou na playlist, também tem a ver com a nostalgia. Por mais que a Lily Allen esteja aí com disco forte, que é o West End Girl, né, um disco que ressoou nas redes sociais. Acho que vem muito mais da nostalgia do que exatamente desse espírito novidadeiro.

IMIgor Muller

Se a gente não colocou Amy Winehouse, não tem por que a gente colocar Lily Allen.

?Voz 1

Até pensei em colocar Amy Winehouse, acho um grande disco. Acho que já foge um pouco do nosso corte aqui no programa de indie, na verdade. Na verdade, mas é um disco fundamental daquele período e tem um diálogo, né, com aquela cena inglesa com Pete Doherty, com Libertines. O problema da Amy Winehouse, eu acho que não é nem o disco dela, mas é que o disco dela desencadeia uma revisão de soul, de não soul, que já tava em curso, mas que abre um espaço que vai degringolar ali em Adele e um monte de cópias de papel carbono que você fica meio triste Sabe, tipo, eu acho que, né, para a gente concluir essa primeira discussão sobre 2006, né, já que a gente citou Lil Allen, Amy Winehouse, a gente tem que passar pelo Mark Ronson, né, que talvez seja o frutunificador aí desse, desse lado que a gente olha para Kaiser Chiefs, que a gente olha para o Libertines, que também não tá na playlist.

IMIgor Muller

Exatamente. E talvez ele unificando essa cena. E essa cena, e é muito interessante você falar desse Neo Soul, por exemplo, na visão da Lilian, que vai de encontro muito com aquilo que a gente discute sobre o que é a música dos anos 2000, né? Revisitando coisas de um passado, mas sobre uma estrutura nova muito, muito, muito stank, né? Como eu falo, essa coisa meio neoclássica que se cola fachadas. É um pouco a ideia do que é o R&B de uma maneira geral, né, em que o efeito prevalece sobre a forma, uma forma meio stanky em que a gente usa.

Eu acho que a música dos anos 2000 mostrou isso, que a gente pode usar country, no caso do Kings of Leon, a gente pode usar a coisa meio garagem, meio Velvet Underground, em diversas formas, Strokes, Hives. E aí eu acho que o Mark Ronson olha muito bem para isso e traz a experiência da Motown, do soul, para dentro dessa estrutura bem fechadinha, bem constipada dessa música da primeira década dos anos 2000. Então acho que aqui conclui muito bem esse ciclo.

Eu acho que trazer o neo-soul para essa baila, trazer essa, essa música R&B para essa estrutura bem estanque do que é a música nos anos 2000, fecha bem aqui nesse circuito. Até porque acho que tem que discutir uma outra coisa aqui quando a gente falar agora de TV on the Radio.

?Voz 1

Lá vai ele, lá vai Igor Miller falar do TV on the Radio.

IMIgor Muller

Não, porque de certa forma vai se conectar, por exemplo, quando a gente fala de Strokes, quando a gente fala de A.A.S., com essa cena de Nova York, essa revisitação de Nova York. Mas eu acho que o TV on the Radio parecia justamente no confirmar dessa cena, né, dessa, desse alternativo virando mainstream, o TV on the Radio parecia uma coisa mais saudável, porque vai trazer a experiência desse rock, dessa cena de Nova York, dessa cena Meet Me in the Bathroom, e vai agregar outras coisas, né.

Acho que vai ser, por exemplo, a gente olha pro Strokes e vê um certo parentesco com o Television, eu acho que O TV on the Radio é mais sincero e mais genuíno na absorção desse pós-punk. Parecia que parecia ser uma banda até mais prolífica, produziria melhores frutos porque fazia sacola com essa cena pós-punk, mas trazia elementos que flertavam com crowd rock, tava sempre próximo ali do Radiohead. Não vou esquecer nunca, né, que o o EPzinho, um dos EPzinhos do TV Underage chamava OK Calculator.

Acho que tinha esse flerte para fazer a transição dessa cena para coisa mais experimental que o Radiohead tava vivendo, aquela bolha, né? Acho que o Radiohead se afirma como grande banda justamente nesse miolo da primeira década do século 21, quando ele tá dispensado. Acho que eles já tinham feito ali todos os todo o trabalho de revolução e daqui pra frente era só burilar. E eu acho que o TV on the Radio sinalizava se aproximar disso.

E os dois primeiros discos são excelentes. O Return to the Cookie Mountain, que é o disco desse ano, que tem Wolf Like Me, que é a música que a gente destaca na playlist, confirmava aquilo que tava no primeiro disco. O primeiro disco tinha até um certo flerte às vezes com uma coisa meio afrobeat, né? A primeira música tinha aquele sopro Os sopros tinha uma coisa assim meio, meio buscar uma origem negra, que a banda tem muita, e trazer essa experiência do krautrock, trazer essa experiência do garagem e do pós-punk.

Acho que o TV on the Radio parecia ser uma sobrevivência mais sofisticada. O que a gente viu no disco posterior também ainda rendeu bons frutos, mas parece que a banda se perde, porque aquilo que a gente vai discutir quando a gente fala de 2010, parece que o rock perde essa relevância, né? O alternativo perde essa relevância do rock de guitarras como produtor de coisas relevantes num sentido mais sofisticado da palavra. E o Tivenderade parecia ser essa cena, até porque aqui ele tá colado com o Sonic Youth, que também é um portentor, é quem faz de fato essa transição do da cena do television no final dos anos 70, a colar com os anos 90, e sobrevive, perdura fazendo uma música muito original e sempre experimental.

E aqui, o penúltimo disco deles, é os dois últimos discos, eu acho primorosos, no sentido em que eles não precisavam mais inventar, eles só precisavam aperfeiçoar aquilo que eles tinham na mão. Eles tinham um estúdio, né, prontinho na mão, parecia que que haveria uma janela aí de, sei lá, 4, 5 discos muito bons, uma banda muito firme, e viria para disputar esse espaço junto com Radiohead, junto com aquilo que a gente vê nesse Wilco, que se torna uma banda gigantesca.

O Sonic Youth parecia fazer isso. E tanto que a música que a gente destaca aqui, que é Incinerate, é uma faixa que se tornou um hit da banda, né? E muito por estar colado com essa cena, por ter feito o From the Basement, né, do Nigel Godric, que tá conectado, tá tudo ali meio conectado com uma espécie— o que que vai surgir depois do desgaste dessa nova cena de rock de pista, desse novo eletro, desse novo garagem? E parecia que bandas como Sonic Youth e MTV on the Radio apontariam caminhos viáveis do rock de guitarras.

E o TV Underage atrofiou e o Sonic Youth colapsou, como a gente sabe muito bem, né?

?Voz 1

E é um colapso muito mais pessoal do que exatamente um colapso musical, né? Ainda que é uma perfeita explicação do todo ser maior do que as partes, porque carreiras solos de cada um assim com momentos bacanas à parte nunca mais foi a mesma coisa. Nenhum dos trabalhos solo de nenhum dos membros chega perto do que é o brilho do Sonic Youth nesse momento. O que eu ia falar, né, você falou do Meet Me in the Bathroom, que eu acho que é fundamental para entender essa crise, esse momento que a gente tá falando, é que o TV on the Radio é quase uma banda de transição, né, dessa primeira onda dos Strokes para uma segunda onda do do Brooklyn, né, que ele, como o livro chama ali, as bandas que não são de Manhattan são do Brooklyn.

E aí estamos falando de Grizzly Bear, Projectors, Vampire Weekend, que já estão olhando para outras coisas. São bandas que têm guitarras, mas são bandas que não colocam exatamente o rock de guitarras como primeiro plano, estão mais interessadas ali em estudos de camadas, de outras texturas, né, O Vampire Weekend, como bem ouvinte do programa de indie bem sabe, tá ali brincando com outros instrumentos, com essa coisa meio, meio Paul Simon, meio David Byrne por vezes ali.

Então a gente tem essa ruptura aí de gerações e é muito, muito pertinente o Sonic Youth nesse momento.

IMIgor Muller

Completando a nossa playlist aqui, a gente colocou o Djalla Tango. Talvez não seja um disco muito forte, muito potente à época. Mas o trabalho do Djolatengo, essa, essa constância que o Djolatengo tem ao longo dos anos, né, por ser uma banda que quando estoura nos anos 90 já é uma banda veterana da própria geração, já era mais velha do que a geração que aparece nos anos 90, e traça um caminho muito original, como a gente falou no programa ano passado do I Can Hear the Heartbeat in This One.

Esse disco parece muito, e eu acho que ele tá aqui por uma coisa muito, muito peculiar, né? Além de, claro, ser uma música de 2006, mas porque o ano passado, num dos shows aqui em São Paulo, eles tocaram uma faixa do disco que é Mr. Tough, que tá aqui na nossa playlist, e foi uma, foi uma coisa assim muito divertida e surpreendente, gostosa de se ouvir. E eu acho que essa foi a lição, talvez, de tudo que a gente tá tentando olhar.

Olha quais são os caminhos que poderiam ter acontecido e tal. O Jola Tengo fez um trabalho subterrâneo de continuar trabalhando aquilo que a gente falou, né, deles irem para o, descer para o merch, conversar com as pessoas, tirar foto, de fazer o Alternativo sobreviver apesar desses momentos de bolha, como é esse momento que a gente fala, essa cena de, né, do Meet Me in the Bathroom, todo mundo estourando, todo mundo ganhando mainstream, todo mundo disputando espaço.

E o trabalho ali de topeira do Diolatengo, que antecedia a bolha dos anos 90, que passou por baixo dos anos 2000, e a gente vê eles, né, javelinhos, tocando, sendo relevantes, lançando discos relevantes. Talvez essa seja a grande lição do Alternativo. Acho que por isso que tá aqui. E também porque eu acho o nome desse disco delicioso. I Am Not Afraid of You and I Will Beat Your Ass. Eu acho que talvez seja essa. Você acha essa dica?

?Voz 1

Eu vou dizer que assim, esse foi o primeiro disco do Yola Tengo que eu ouvi. Porque foi bem na época que eu tava começando a ouvir mais o universo alternativo. Tava fazendo ali a transição de New Young Legend Urbana e Patufu para o universo alternativo e caiu esse disco na mão assim. E por mais que ele possa não ser um disco de grande estrutura, ou seja, ele não tem grandes novidades porque a gente viu, por exemplo, no I Can Hear the Heart Beating as One, ele é um disco que tem grandes canções assim.

E várias dessas músicas foram tocadas no show do ano passado, sabe, nos dois shows, né. Tem Pester Hatchets, tem I Feel Like Going Home, tem Black Flowers. Assim, é um disco muito bonito. Ele só não é exatamente inovador dentro da lógica do que a gente muitas vezes discute, mas assim, tá entre os meus favoritos da carreira do Yola Tengo.

IMIgor Muller

Yola Tengo é uma banda sobre o tempo, né, ensinando que quando a gente olha retroativamente esses experimentos, esses retornos, essas regravações O que o James falou pra gente sobre as covers e alegria de estar no palco deles, que a gente assistiu os dois shows. É sobre isso, não vou falar, é sobre isso. Mas eu acho que é um pouco disso, Alternativo, é o encantamento que eu tive com os shows o ano passado e ouvir E reouvir 2006 e ver eles sobrevivendo com essa coisa fantástica, né?

E o nosso programa que tá há 6 anos e a gente teve um disco só deles e o disco foi tão impactante. Eu acho que esse fato deles trabalharem sem se preocupar com esse impacto que a gente tá olhando, ah, qual o disco que vai saltar? Simplesmente fazer a música acontecer, e a música que importa. Eles estão sempre muito bem. E tá tudo bem esse disco ser formalmente uma reprodução do disco que talvez seja o mais emblemático deles, mas porque a música é forte.

Acho que essa é a lição do Diola Tango. E era isso que eu queria dizer, porque daqui pra frente Capela vai ter que se explicar com o Jack White.

?Voz 1

Eu acho que parte do que a gente tava discutindo ali desse fenômeno desse primeiro rock mais garageiro, ele encontra um eixo muito interessante nesse momento também, do que mais do que poderia ter sido, do que era quando surge o Raconteurs. Né, o primeiro vale lembrar, né, 2006 é o ano pro White Stripes, é o ano que Seven Nation Army deixa de ser um hino indie de pista pra virar um hino indie de estádio e pra virar um hino do futebol, de uma forma até que a gente perde total, completa significação do que é essa música.

Assim, é aquele momento que a gente esquece o que que é Seven Nation Army, o que que foi essa música dentro do alternativo. Porque ela se tornou uma coisa muito maior, ela virou um ciclope da música de uma certa forma. Psycho Killer, mesmo efeito, mesmo efeito. Estamos falando de duas músicas que passaram pelo mesmo processo. Seven Nation Army só não virou sertanejo, mas assim, tá quase, um dia vai acontecer.

IMIgor Muller

E não vai embora, né? Mas naquele momento a gente tá vendo ainda que a piada é: eu não vou embora.

?Voz 1

Ah, puta merda. Mas naquele momento a gente vê o Jack White, parece que ele tá tentando alguma coisa assim. Quando ele se junta com o Brendan Benson, que é um cara que eu acho tem uma obra bem legal assim, bem nesse encontro do power pop com folk rock, com alternative country ali, acho bem legal o trabalho do Brendan Benson. Quando ele faz esse encontro, você olha e fala, cara, ele tá tentando alguma coisa diferente para sair dessa forma, desse universo garagístico.

Eu acho o disco do Racontours, o Broken Boy Soldiers, bem interessante nesse sentido, que ele tá tentando ali várias saídas de uma canção mais estanque ali, como o Starye Shigoz, Intimate Secretary, que a gente coloca na lista aqui, que tem um ladinho meio power pop. Eu acho que tem um caminho ali dos dois, só que eu acho que a própria banda se perde na sua grande eloquência, né, na lógica de virar um supergrupo. Um pouco tempo depois, o Jack White vai ganhar esse sucesso com White Stripes, vai participar do The Crooked Vultures.

Várias coisas vão acontecer de uma forma que o Jack White vai virar também um ciclope, um titã. Um titã aqui na acepção grega da palavra do rock. Ele vai se tornar muito maior do que o universo alternativo, mas ao mesmo tempo ele vai perder justamente essa conexão com o alternativo. E claro que a Third Man tem um trabalho importante de novos artistas, de recuperar discos, tem muita coisa interessante sendo feita dentro desse universo.

Mas o Jack White em si, ele vai perder completamente o contato com o alternativo. E é muito engraçado, assim, várias vezes ao longo dos últimos 10, 15 anos, eu cruzei com Jack White em shows, em festivais, Não que era assim, nossa, eu estou indo para ver o Jack White, mas calhava de, putz, eu quero ver algumas bandas e no mesmo dia tem o Jack White. E eu sempre ia embora no meio do show porque eu sempre achava muito chato. Eu acho muito chato o que ele faz ao vivo assim.

É um show que ele pisa lá no classic rock no nível de alienar o público do que tá acontecendo e ficar se masturbando na guitarra. É muito esquisito assim, mas eu queria registrar esse Raconteurs aqui porque eu acho que houve esse momento, é um retrato muito específico desse momento em que o Jack White ainda não atingiu a rota de escape.

IMIgor Muller

Eu só quero dizer uma coisa aqui, que você falou do Brendan Benson, então eu vou falar do Jack White. Eu quero dizer que para mim o Raconteurs é a banda que significa um pouco a loucura dessa época, não só da NME, mas também do Zane Lowe da BBC e do Tio Lúcio, que toda semana tinha a próxima Smells Like Teen Spirit, que foi Fuck Forever, Stereo Goals. E eu nunca falei, velho, sabe? Um beijo pro Tio Lúcio, estamos esperando ele aqui em breve.

Deveria ser esse programa com ele. Mas eu queria dizer do Brandon Manson que ele pra mim é uma biscatinha do power pop. Parece que falta uma— ele é meio fuleiragem, sabe? Falta aquilo que a gente mais gosta no power pop, que é aquela galera que tem procedência. Parece que falta procedência. Como pra mim Eu deveria até gostar, ele tem mais procedência, mas ele acaba caindo na mesma vala. Você sabe de que que eu tô falando, né?

?Voz 1

Sei. E aqui eu discordo veementemente de você. Para mim, assim, o Igor montou a primeira playlist, eu olhei e falei, é, ele não botou, mas eu tenho que colocar porque é um Eu sabia que você ia colocar, eu olhei para colocar.

IMIgor Muller

Eu gosto um pouquinho mais do anterior.

?Voz 1

É um, para mim é um grande momento da carreira do Decemberists, o The Crane Wife, que é, cara, eu tava lendo sobre 2006, revendo listas, revendo votações, e aí tem um voto na lista de melhores do ano do A.V. Club que define muito bem a loucura que é esse disco do Decemberists. Decembers é o elo perdido entre o Jethro Tull e o R.E.M. E eu acho que tem a ver com isso, assim, o Decembers tem essa aura meio conceitual, meio prog, de contar grandes histórias e tal.

E eu vou dizer que assim, eu gosto da ambição literária disso, eu gosto do efeito sonoro que isso causa, mas eu acho que os melhores momentos do Decembers são os momentos mais pop. Que são as pequenas melodias pop que se encontram nessas histórias. Eu obviamente não ia escolher Crane Wife, que tem 3 ou 4 partes agora, não lembro, porque não queria enfadar o ouvinte com as passagens mais, mais abstratas ali. Então eu escolhi Ou Valência, que para mim é uma das canções pop perfeita que o The Decemberists fez ao longo da carreira.

Era um momento incrível dos shows quando eles tocavam elas nos dos discos, sempre assim, sempre era muito bonito. E eu gosto muito da verve poética do Colin Meloy. Eu acho que muitas vezes ele se perde em algumas metáforas. Os últimos discos do December, especialmente o último, eu acho que ele se perde muito em algumas buscas por arranjos diferentes, de tentar sair dessa fórmula mais outcountry, mais calcada nesse Falcão também.

Mas é uma banda que eu gosto demais assim, e que bebe, bebe no R.E.M., bebe muito no Smiths, bebe em New Young, bebe um monte de coisa que a gente gosta. E no Cranioife assim, grande fase, um belo disco duplo que merece, merece estar aqui. E é muito engraçado porque o que você fala do Decembers eu acho dessa banda que você colocou na sequência. Queria muito gostar, mas eu não consigo assim. Lembro de ver o show deles no primeiro Lollapalooza e fica tipo, não, não, não rola.

IMIgor Muller

Bom, no caso ali do Lollapalooza, talvez era uma banda pequena demais para estar naquele palco, eu acho.

?Voz 1

Pode ser, mas com essa música que você botou na playlist, eu lembro que foi um momento bonito, mas o resto do show eu fiquei meio alienado ali.

IMIgor Muller

Experiência? Então, eu acho que eu gosto muito desse disco. Eu acho esse disco lindíssimo, assim, espetacular, por tudo aquilo que a gente tá discutindo até agora. Porque ele vem, de certa forma, muito próximo da forma como a música tava sendo, como rock alternativo tava sendo balizado pelo, por esse salto intermediário, esse mainstream do alternativo. Então ele vai beber muito, por exemplo, na maneira como Kings of Leon se apossou de elementos do country dentro daquela estrutura meio new wave de composição de músicas.

Mas o Band of Horses vai trazer coisas mais interessantes e vai se conectar aqui com outras bandas que a gente tem na playlist, porque ele vai trazer muito da experiência meio garagística Eu acho que tem um pouco, tem um Band of Horses parecia sinalizar com aquelas bandas dos anos 90 que não estavam muito bem ajambradas com o assunto geral do que era o rock nos anos 90. Quando a gente fala de Ben Folds, a gente fala de Morphin, Trail of the Dead, algumas coisas meio assim, o próprio Granddaddy e o Sparklehorse que tá aqui também na nossa playlist, acho que eles ficam flutuando num rock alternativo que vai herdar muito das discussões daquilo que a gente fala do rock alternativo pós-Automatic for the People, pós-Bang There.

Eu acho que o Band of Horses traz à baila isso, porque tem muito do country, tem muito do folk, tem muito da música country, mas tá ajambrado no rock alternativo e no rock alternativo de garagem, de guitarras, de jogos de guitarra. Você vai ouvir dentro desse disco Everything All the Time jogos de guitarra que muitas vezes lembram Television, mas tem muito dessa beleza do country, do folk, do alt-folk. Isso é muito legal e o disco é muito bonito.

Se você ouvir o disco inteiro, você vai ver muita coisa bonita acontecendo. Depois parece que a banda fica meio xoxa. Eu acho que ela perdeu um pouco essa força da mescla, da tensão entre essa coisa mais Americana e a coisa de banda mesmo alternativa de garagem. Mas o Band of Horses parecia sinalizar isso, assim como Sparkle Horse, que tava construindo isso desde o final dos anos 90, que aquilo que a gente fala, tem Grandaddy, tem Jason Molina, tem o Wilco, tem muito todo mundo disputando a posse do fogo nessa época.

E o Wilco vai lá e simplesmente joga água no fogo e acende a sua própria fogueira, né? E aí todo mundo fica meio obliterado nessa transição do Wilco, que vai saltar nos próximos discos. Como eu falei, o Wilco do Camelo, um disco que parece que vai caminhar para Doutor Renato, o Rock, o Whole Love, vai ser um disco grandiloquente, um disco de banda com a cabeça gigante.

?Voz 1

Você não falou, você falou isso no áudio para mim.

IMIgor Muller

Falei no áudio, desculpa. É verdade, é que a gente não pode falar, que a gente tava falando de um disco que a gente vai falar em breve. É verdade, é verdade, desculpa. A gente vai chegar nesse assunto, tá bom, galera? Só confia. Mas assim, o disco do Camelo tinha uma coisa meio Adulterated Rock, um flerte, vamos dizer assim, mas com toques de Lennon. Então acho que o Band of Horses tá dentro dessa ótica. E essa música Funeral em particular, ela tem muito também de uma coisa que a gente não vai colocar aqui na playlist, mas tá acontecendo talvez no seu melhor momento, que é o post-rock.

Eu acho que Funeral tem flertes de post-rock, que é o momento para mim mais saudável desse post-rock dos anos 2000. É esse momento aí, 2005, 2006, e dali para frente a coisa vai degringolar, vai ficar derivativa, como a gente sempre insiste. Mas o Band of Horses merece essa questão, porque eu acho que tudo aquilo que você fez de questionamento do nosso amigo do Decembers parece justamente essa, essa coisa de querer mostrar mais do que pode.

Eu acho que o Band of Horses não quis mostrar e acidentalmente conseguiu chegar nesse resultado, tanto que eles nunca conseguiram repetir. Talvez seja essa a questão que a gente coloca aqui.

?Voz 1

É engraçado quando você fala do Band of Horses, e eu posso estar sendo muito leviano aqui, mas é que nem quando a gente vai discutir o Lumineers com Marcelo Costa, e a gente sempre pensa no Luminaires naquela, oh, hey, bem babaca de rádio. E o Marco fala, não, mas eu gosto dos primeiros discos. Ou quando a gente vai falar do próprio Kings of Leon, que tem coisas muito interessantes ali nos primeiros discos, e que depois vai virar uma das maiores atrocidades que esse universo do rock alternativo já produziu.

E acho que é bem desse encontro que a gente tá falando, desse eixo que a gente tá falando aqui do programa de indie. Nessa grande eloquência que ao que o Yola Tengo se opôs de uma certa forma, muita gente foi para um caminho mais comercial e se perdeu, muita gente não tinha bala na agulha para ir além, e muita gente foi para o caminho comercial e lá ficou e nunca mais voltou, como é o caso de certas bandas, acho que pelas quais o nosso narrador Luiz Roberto é apaixonado, né.

IMIgor Muller

Eu imaginei que ele fosse aparecer na final da Copa, mas enfim, esse assunto para outra hora. Só complementando dessa discussão, acho que tem bandas dos Estados Unidos que estão procurando, estão tateando esse caminho, né? Aquilo tudo, aquilo que a gente falou do Jolatengo, né? Seguir numa trilha alternativa do trabalho ali, né? Do, do, do lavouro propriamente da alternativa, enquanto todo mundo tava buscando o caminho. Né, muita gente tava tentando encontrar o seu quinhão, né, todo mundo tava numa corrida do ouro.

Eu acho que tem várias tentativas saudáveis aqui na nossa playlist. Por exemplo, tá o Roadster nessa faixa em particular, que tem para mim essa busca pelo passado encontrando soluções de rock, de canções que não foram muito bem exploradas e que poderiam ter sido exploradas naquela época. Por exemplo, essa faixa em particular do Roadster me lembra um tanto de Elvis Costello às vezes, sabe?

?Voz 1

Eu acho que Bruce tem.

IMIgor Muller

Então acho que esse caminho do Bruce Springsteen, por exemplo, que o Killer só sinaliza, eu acho que era um caminho a se buscar. E mas na verdade todo mundo foi engolido pelo sol do final de 2010, né? Que é uma discussão que a gente faz no programa lá de 2010. Eu queria concluir falando aqui na nossa playlist né, de Walkman, que também tá conectado com a cena do Meet Me in the Bathroom, que trouxe até talvez um tom de hardcore muitas vezes para essas texturas que foram exploradas de garagem e tal.

O Walkman traz essa tendência do hardcore. E aqui nesse disco de 2006 eles estão se aproximando daquilo que eu tô falando de Sparkle Horse, Band of Horses, trazendo esse interior do Americana que foi expandido e foi tateado pelo Wilco, pelo R.E.M., o Walkman tenta agregar. Por isso que o Walkman é uma banda que enquanto existiu talvez não tivesse tanta importância no mainstream, mas parece ser a banda que mais experimentou e mais trouxe um certo sentido de querer ser art rock dentro dessa geração e trazer essa experiência dessa coisa meio americana, que o Cold War Kids também tá aqui trazendo isso com outras bandas de guitarra, tentando olhar do avesso a história.

Eu acho que são tentativas salutares e todas elas fracassam no final das contas, né?

?Voz 1

Porque uma vence, assim como o Wilco oblitera todo mundo do alt-country. Tem uma banda que vai obliterar todo mundo nessa, nesse universo mais americana, mas que também tem um lado de guitarras pós-punk até, por certa forma, que é o National. Eu tava ouvindo o Hold Steady. Engraçado, o Hold Steady é uma banda que eu passei muito tempo sem ouvir porque eu não comprava o livro por causa da capa. Eu olho a capa do Hold Steady, do Boys and Girls in America, e eu acho que é uma— e assim, para você achar que é uma banda meio new rave, tipo Hot Chip, algo assim, é muito fácil.

E é outro som que eles estão fazendo ali, completamente diferente. Nosso amigo Thiago Pereira inclusive descreveu Hold Steady como talvez um dos maiores discípulos de Paul Westerberg. E quando você vai ouvir, você fala, nossa, tem uma coisa aqui, eu já ouvi, parece que eu já ouvi isso antes. E aí, eu, por que eu já ouvi isso antes? Porque muito do que o Roadster vai beber no Bruce Novos Costelos, o National também vai beber. E o National encapsula essa estrutura de uma forma que ele encapsula, protege, embala, segue em frente.

E ele vai fazendo isso ao longo da carreira, de uma certa forma que também o National oblitera todo mundo, mas o National acho que faz uma coisa até mais engraçada assim, porque ele, ele, o Wilco tem uma coisa que você olha e fala, isso é uma canção do Wilco. Mas eles continuam existindo bandas de alt-country até hoje, né? It's All New Young. O national não, eu acho que o national ele empacota a coisa num padrão que tudo parece national.

É difícil você sair dessa esfera, e se você sai, vira Nick Cave. Não tem muito para onde fugir assim, né? Uma coisa meio, meio doida. O grupo Pão de Açúcar é meio que isso, sabe? Você vai comprar, você vai comprar no Extra, no Pão de Açúcar, ou no Compre Bem?

IMIgor Muller

Você tá dando dinheiro para o mesmo preço. Não vamos ser patrocinado depois que a gente fala mal de Arctic Monkeys, né?

?Voz 1

Na boa, mas tem o que falar mal. Eu fui feliz com esse, porque eu só tenho o que falar bem dessa fase do Arctic Monkeys.

IMIgor Muller

Eu fui feliz, eu fui feliz. E outra banda também que tava naquele Tim Festival, inclusive, e fez um show delicioso. Como eu sempre defendo aqui, o velho requenguelo: show é a banda tocando. Era tipo essa banda com uns 2, 3 holofotes gigantes assim tocando, um baterista insano. E depois disso nunca mais repetiu um show desse no Brasil.

?Voz 1

É, eu tenho Eu tenho a noção de que o Art Monkeys é uma banda ruim de palco, porque eu não tava nesse show. Eu era um jovem petis. E depois eu vi, vi no primeiro Lollapalooza, no Primavera e tudo mais. Mas, cara, a juventude é redundante. E eu sempre achei o Art Monkeys ruim de palco, muito ruim. Mas, cara, esse disco É uma delícia.

IMIgor Muller

Alô, balaclava, o Capelas tem uma banda, chama Juventude Redondante.

?Voz 1

Mas, cara, whatever people say, that's why I'm not. Assim, a gente falou de todo cansaço da cena de Nova York e eu acho esse disco melhor do que quase tudo que tá ali. Assim, é o filho, né? O Art Monkeys é o filho bastardo do Libertines com Strokes. E um filho que foi criado pela tia Mimi, foi maravilhoso, né? Porque assim, esse disco é no skip, né? Aquela coisa que os jovens falam, que não tem filler, é só porradaria, é só música boa.

Diz que você pode botar o disco inteiro para tocar na pista e é do cacete. O Alex Turner já com algumas das melhores letras da carreira dele. A letra de A Certain Romance é um tesão. Eu amo esse disco assim, e é um disco que é engraçado que na época eu não gostava tanto. Arctic Monkeys demorou para bater. Eu acho que tem muito culpa do Tio Lúcio nesse aspecto, que vendia demais o Arctic Monkeys. Mas hoje eu reconheço que é um discaço.

Inclusive, se alguém tiver para vender baratinho em vinil, eu quero. Esse é o bloquinho Ben Igor de uma música da playlist.

IMIgor Muller

Não, como eu falei, né, que o Radiohead tava se afirmando justamente nessa época, acho que nem tanto pelo trabalho propriamente, pela construção sofisticada e pelo vanguardismo, mas mais, sei lá, tem até alguma coisa que aconteceu nesse momento aqui do Radiohead, sobretudo no ano seguinte, quando veio In Rainbows, que coloca o Radiohead ali no patamar de banda gigantesca que nunca foi exatamente até então. Mas no meio de tudo isso, né, dessa crise, saída da EMI, uma banda procurando mais autonomia e procurando mais, cada vez mais, o Thom Yorke já falava isso na época do Kid A, que ele tava na cabeça dele, já não pensava mais tanto no sentido melódico, mas mais no sentido rítmico.

No meio de todo esse balaio, de toda essa discussão, de todo esse impasse de não saber o que fazer, ter feito dois discos monumentais que revolucionaram não só a própria música do Radiohead, mas deram uma ossatura pro Radiohead de banda colossal no que experimentou e no que fez avançar a música pop de uma maneira geral. E eu não tô falando isso, vamos lá, faz tempo que a gente não fala dele, Alex Ross. O resto é ruído. É, escuta só, agora ele só escreve livro de música clássica, mas ele ainda escreve muito bem.

E ele que fala que o Radiohead é a banda mais relevante do rock desde os Beatles. E ele explica onde estão as inovações. E o Radiohead já tinha inovado e tava nesse impasse, né? Tanto que o Hey, I'll Tell You a Thief é um disco que é um disco que tem muitas canções fantásticas, muitas canções que são marcantes para os fãs de Radiohead, mas ele não tem essa força conceitual que os outros têm. Então a banda tava meio perdida no que fazer.

E a gente vai ver no In Rainbows, como a gente já tem programa aqui sobre In Rainbows, que é uma banda que encontra um compasso sublime entre a experimentação e a simplicidade, né, nesse ponto que se conectam tanto com R.E.M. Mas no meio de tudo isso tem um experimento que são os que é a, o talento do Thom Yorke sem a virtuosidade do Jonny Greenwood, que é esse trabalho que é mais eletrônico dele. E assim, os discos solo dele são difíceis, mas o Eraser, o Tempo, como o Radiohead é uma banda que sempre tá, né, a gente sempre Acho que talvez o fato do Radioactive ter se tornado um disco grande é porque foi posterior, foi com o tempo que foi sendo assimilado, as músicas do Radioactive vão sendo assimiladas com o tempo.

E o Razor é um disco solo do Thom Yorke que foi crescendo com o tempo. É um disco que na época também demorei assim, tipo, sei lá, 6 meses depois que eu comecei a ouvir ele, mas de uma maneira mais palatável. Mas tem isso assim, essa construção rítmica, não tão comum para aquilo que a gente costumou a esperar do Radiohead, talvez porque a gente tá esperando Radiohead mais pós-Britpop. Mas o Eraser dá muito das bases, por exemplo, do que vai ser explorado lá no limite no King of Limbs, que eu acho que é um disco que merece revisão, merece ser reescutado e merece ser recenseado para a gente entender o que mudou, o que se perdeu na música hip-hop de uma maneira geral e o que pode ser trazido de lição para trazer para que a música não fique esse cinismo que a gente vive hoje.

E o Eraser é uma espécie de base, ele tem músicas, melodias que tanto que ele vai tocar o lance do From the Basement, começa com ele tocando lá, fazendo um voice piano, e ele toca músicas desse disco e elas desnudas mostram a força das melodias do Thom Yorke. E é por isso que ele quer maquiar, ele não quer fazer aparecer essas canções fáceis, ele quer as maçãs envenenadas. E o Eraser é um pouco protótipo disso. E eu coloquei, claro, a faixa título, mas tem faixas que me pegam muito mais ali dentro, que talvez sejam de experimentos.

Ouçam o Eraser de novo, de cabo a rabo, pra tentar entender melhor do que essas coisas que eu falei solto aqui.

?Voz 1

Eu vou falar que tem uma coisa, eu não lembro qual foi o programa que a gente discutiu, mas vale aqui como nota de rodapé para o ouvinte esperto que particularmente gostar e quiser mergulhar nesse caldeirão. No mesmo ano a gente tem a estreia do Boreal, o disco que chama Boreal. A gente gosta muito mais do segundo disco do Untrue, mas é um disco que vai estar ali na mesma, na mesma vibração, né? Obviamente Tem que falar de Boreal, tem que falar de Fortet, as duas coisas ali juntas que acabam se misturando um pouco dentro dessa lógica assim.

Acho que vale o comentário, a gente falou muito do Boreal, acho que foi no programa do WinRainbows que a gente discutiu isso, eu não tô enganado.

IMIgor Muller

A gente, o Boreal lançou um tempo atrás uma faixa inédita, a gente trocou num programa de novidades. É verdade, eu acho que a gente Deve ter tido um programa que a gente comentou o segundo disco. Eu não lembro qual o ano, se é 2008, segundo disco.

?Voz 1

2007.

IMIgor Muller

2007. Então acho que a gente fez programa em 2007, comentamos. Eu acho que tem isso assim, essa, esse flerte com a eletrônica que traz saídas diferentes. A gente comentou também Boards of Canada, a gente falou bastante nesses últimos tempos sobre Boards of Canada. Acho que esses experimentos que bandas que estão calcadas na música eletrônica trazem de novidades subterrâneas, né, de experimentos, estão nesse locus, nesse lugar.

Boards of Canada, Four Tet, Burial e o Radiohead barra Thom Yorke estão circundando isso. A gente falou do fato do Thom Yorke tá próximo assim talvez um pouco de— é que quando a gente fala de Warp, né, é mais difícil porque o Warp tem um, tem uma, né, o trip-hop tem uma proximidade melódica que poucas bandas romperam, talvez só o Party Sad, mas tá ali também, tá nessa discussão. E o Tom York talvez não seja tão discutido dentro dessa, desse lugar porque é o Tom York.

Porque a gente vai olhar para outras coisas. O Radiohead é muito mal interpretado, tanto para quem gosta quanto para quem não gosta. Acho que para quem não gosta tá tudo bem até não querer interpretar, mas para quem gosta tem muita interpretação errada, que é justamente isso, tem que olhar para essa força rítmica. E por isso talvez o King of Limps não tenha tanta importância, mas trazer o Burial para essa discussão é importante.

?Voz 1

Tem dois pontos aqui, que é tudo que é rítmico é mais difícil de compreender, né? É mais difícil de estudar, é uma discussão mais musical, uma discussão que tem muitos preconceitos. Tudo que é rítmico, de uma certa forma, também se estabelece com padrões, com padrões de classe, com padrões étnicos, e isso tudo afeta a discussão. Mas eu ia voltar só no ponto do Burial, que eu gosto muito. Sem o Burial não tem XX, tá?

IMIgor Muller

Já que você falou de XX, seu Capelas, eu acho que aqui a discussão caminha, né? A gente entrou nesse eletrônico britânico e tal, e aqui uma dobradinha de música eletrônica que tem a ver com essa sobrevivência do trip-hop, tem a ver com a volta do New Order, tem a ver com o louvor que o Killers fez no Hot Fuzz. Eu acho que, por exemplo, Hot Chip, né, nesse disco de estreia, que eu acho uma delícia, que também é uma banda que tava lá no, no Teen Festival.

Foi legal para caramba o show. Aliás, a energia acabou durante o show do Hot Chip, eles sentaram na beira do palco, ficaram ali de boa, voltaram, tocaram Ceremony numa versão deles e tal. Uma banda muito legal que traz isso, traz a música eletrônica, essa tradição que deriva do New Order, que que sempre volta para ensinar os jovens como é que faz a coisa e todo mundo copia. Tudo bem. Nessa época, Hot Chip era uma banda muito legal e muito relevante, se aproveitando dessa esteira da música de pista e trazendo canções feitas com música eletrônica.

Isso era muito legal na época e foi muito divertido esse disco do Hot Chip. Do outro lado, a gente tem, já que eu falei de trip hop, essas coisas, trazendo essa sobrevivência, essa reexistência do trip hop. Eu acho que se você falou de Burial, XX, antes do XX a gente tem o Beach House, que faz uma música mais sofisticada que o XX também, porque tem mais repertório. O XX, tipo aquilo, né, eles não são exatamente músicos muito esmerados e estão repetindo os mesmos efeitos, como eu falei no programa do C6.

O Beat House tem uma consciência de programação e traz essa versão mais amainada de um trip-hop, mas traz também muito de um dos momentos mais palatáveis do Cocktail Twins, por exemplo. E é uma banda legal, é uma banda que faz muita coisa e muita coisa se perde, mas sempre que lança coisa, o último disco deles é um disco muito legal. E aqui que nessa época eles estavam abrindo a porteira, né? E pensando pelo outro lado também, a gente tá falando de Inglaterra, mas está falando de uma legítima Legrand, que aí a gente pode conectar com o universo do Daft Punk também, né, que faz essa música eletrônica sofisticada dentro de um ramo pop, aqui é justamente em cima da navalha daquilo que a gente tá falando de experimentalismo, né?

?Voz 1

E o air, não esquece do air.

IMIgor Muller

É verdade.

?Voz 1

Tem essa diferença do beach house para o X-Axis. Eu acho que aqui é justamente o ponto. O beach house é mais, tem mais recurso, mas no caso do X-Axis o que ganha é o minimalismo. E aí a coisa fica meio confusa assim. É fácil entender porque o X-Axis fez mais sucesso que o beach house.

IMIgor Muller

Ó, Seu Capelas, daqui para frente para mim o programa vai descambar, velho. Eu já falei o que eu queria falar hoje.

?Voz 1

A gente está saindo do bloco conceitual e indo para o bloco histórico do programa de índio, tá? Agora é a playlist. A playlist tá entrando muito mais numa coisa meio jukebox e menos numa análise sofisticada como foi até agora, eu acho.

IMIgor Muller

Eu vou dizer para você o seguinte, ó, Eu era jovem naquela época, fazia sentido isso.

?Voz 1

Inclusive era meu toque de celular essa música que a gente acabou de ouvir aqui.

IMIgor Muller

Mas cara, como envelheceu mal essa porra, bicho!

?Voz 1

Cara, eu acho que tem muita coisa que envelhece mal dessa época. Várias delas a gente vai tocar agora e tentar fazer uma reelaboração disso. O Pet Shop Journal and Joe eu vou dizer que eu não gostava nem na época. Hoje eu até acho fofinho e tal, é legal, música retrô boa para tocar na pistinha quando a gente quer fazer uma festinha e tal, as pessoas ficam felizes, é a melodia do Assobio e tal. Mas eu confesso que tem um pedaço dessa época que é meio maluco assim.

Ah não, vamos gostar de bandas da Suécia. Ah não, vamos gostar de bandas de não sei o quê, da onde assim. Parece que tem um certo exotismo de onde vem a banda que já contribui para que tipo, ah, fez uma música fofinha, é de um lugar estranho, vamos embora, vamos gostar. Não tira o valor pop dessa canção.

IMIgor Muller

Tinha o clipe também, né?

?Voz 1

Do clipe, da força do clipe, né? A gente tá falando aqui do Peter Björn Bo Jon, mas assim, a gente poderia estar falando do OK Go, que estoura uns aninhos depois. Tem um monte de clipe divertido. O clipe, eu acho que o clipe hoje tá numa grande fase, no sentido do vídeo ser uma peça de divulgação. Mas aquela, a ideia de clipe era muito forte, fazia muita diferença. Assim, se a banda tinha um clipe legal, mas a música era meio é, às vezes fazia mais sentido que muita banda legal que não fazia clipe bom.

IMIgor Muller

Sabe o que é isso? Isso é Wes Anderson.

?Voz 1

Pode ser, pode ser. Mas é, Peter Brennan Johnson precisava passar aqui nessa, nessa revisão do que foi esse ano, assim como um disco que eu vou dizer que eu gosto até hoje, que é o Begin to Hope da Regina Spektor. Que é um bicho muito específico dentro dessa cena de Nova York. É uma russa que vem morar em Nova York, que é amiga dos Strokes, mas que faz umas coisas meio malucas no piano. Mas também ela não chega num nível ali meio Fiona Apple.

É uma doideirinha assim, mas é uma doideirinha que eu gosto muito assim, que fez parte de uma porta, foi uma porta de entrada para muita coisa. Esse disco da Regina Spektor, o Begin to Hope. E acho que marca muito esse momento assim que alguns artistas produzem coisas muito legais. E é muito doido assim porque a gente não coloca, por exemplo, nessa playlist, sei lá, Jona Nilsson, que muita gente leva em consideração, mas eu acho um disco dificílimo de ouvir até hoje assim.

Tem gente que ama de paixão, eu confesso que não me bate, mas me bate a Regina Spektor. Pelo senso pop, pela capacidade de cativar ali, e também porque, sei lá, eu achava ela gatinha na época. Preciso confessar aqui, sem nenhum juízo de valor aqui, sem nenhum momento assim, era de fato, de fato, para o Bruno Capelas de 14 anos assim, eu falava. Quem também tem um disco muito importante nessa época é Cat Power. A gente tava até discutindo aqui nos bastidores, eu e Igor Miller, qual é o grande momento de Cat Power.

Ele prefere o Moon Pix. Eu acho que é o The Greatest, que ela grava com a banda do Al Green, tem essa sonoridade soul. Eu acho que muito do que Cat Power queria fazer com o projeto estético se encontra o arranjo mais correto para mim, assim, para a voz dela, porque ela queria fazer. É um disco, a faixa título tem Livre em Bars, que é linda. Tem muita coisa legal nesse disco. E depois eu acho que tem coisas interessantes na carreira dela, os discos de covers ali e tal.

Mas esse disco para mim é um momento que assim eu falo, pô, é muito legal de ouvir isso aqui. Quando eu quero ouvir Cat Power, é para esse disco que eu vou, para o The Greatest, que enganou muita gente, que muita gente achava que era um Greatest Hits e não era, né? O que se justifica?

IMIgor Muller

A gente já discutiu bastante, talvez no programa do Neutromilk Hotel, sobre o nosso amigo Zé Condom, que a gente já deu uma cacetada nele esse ano por causa do show do C6. Mas, cara, nessa época não, nessa época era novidade, mas ali uns 2 anos para frente Se tornou um negócio muito grande dentro da nossa percepção do alternativo aqui no Brasil, o Beirut.

?Voz 1

Mas, cara, sabe por que isso, né? Era aquela, é muito, o Beirut para mim é muito sintomático da lógica daquela época. Eu vou falar aqui enquanto o Igor vai fazer uma sonorização ao fundo com ukulele que ele tem em casa. Não vou fazer nada, ele está mostrando o ukulele para mim.

IMIgor Muller

Esse ukulele é do Fábio Carbônico.

?Voz 1

Mas assim, O Beirute é um símbolo de uma coisa que a gente queria muito acreditar naquela época, que é assim, cara, se qualquer banda que a gente gosta tocar na novela vai fazer sucesso porque é bom. A gente olhava para o referencial dos anos 80 e até para os anos 90 e falava assim, se o que a gente gosta no alternativo conseguir chegar às massas, isso vai ressoar nas pessoas porque é bom. E acho que para cada Beirute a gente tem um pullover como exemplo.

Platonismo é total, é total. Mas assim, é sempre um exemplo que a gente via assim na época. Da mesma forma que o Beirute, sei lá, a gente falava, não, o Ludovi tem que tocar em novela, ou o Grã tem que tocar em novela. Ou se a banda chegava na MTV, a gente achava que já tinha atingido o máximo. E o Beirute de fato conseguia bateu, cara. O Beirute entrou na trilha sonora de uma minissérie da Globo sobre Dom Casmurro e de repente virou uma banda que bateu para galera assim, bateu muito forte.

E claro, tem a ver com eles terem vindo, com a sonoridade que é diferente, tem um mise-en-scène ali dos instrumentos todos diferentes, saindo ali do padrão baixo, guitarra, bateria, claro. Mas o Beirute é a comédia romântica perfeita para os milhares de tramas que a gente alternativa. E eu acho que como registro de época é muito salutar a gente colocar aqui, fechando o que a gente falou no começo do ano, no show do C6, fechando até a entrevista que a gente fez com o Zac Condon, que foi uma entrevista muito legal, diga-se de passagem.

Assim, quando a gente lançar o livro do programa de Indy, vai estar no livro porque a entrevista é legal, ele falando das questões dele de depressão, de saúde mental. É legal assim, e eu acho que é um bom registro de época. Não dá para falar desse período sem falar de coisas como Beirute. Eu tava lembrando agora de uma outra banda também meio maluquinha que tem a ver com o Peter Bjorn and John, que é o I'm from Barcelona, que se eu não me engano é de 2006 também.

Pô, eu acho legal para caralho a banda de 35 pessoas assim, que não dá para fazer turnê porque não dá assim, era sueca também, apesar de ser I'm From Barcelona. Tinha muita dessas bandas assim, e que ainda, Gogó Bordelo, a internet permitia facilmente essa, essa livre circulação de ideias, por assim dizer. A banda estoura, faz o quê? E chega um monte de gente, chega uma música, cara, o Gogó Bordelo fez uma carreira até hoje em cima disso.

Né? O Gogó Bordelo vira e mexe aparece no Brasil. A gente fala, nossa, o Gogó Bordelo ainda existe! E sempre tem alguém disposto a ir lá ver o Gogó Bordelo. Por falar em essa fera, é outra banda que também teve uma espécie de segunda vida, eu acho, nesse momento, foi o Bela e Sebastião, né?

IMIgor Muller

Eu acho interessante essa fase Tanto o disco amarelinho, o Dear Catastrophe Waitress, quanto esse disco. Porque os discos, né, os discos clássicos do Balanço é Baixa, ela tem aquela coisa assim meio desajeitada, né, meio essa coisa indie desajeitada, meio TV personalities. Esses discos são mais esmerados, são bem feitos, eles são bonitos num sentido clássico da palavra, no sentido de produção bem feita. De bem construído. E por isso que eu gosto muito, por isso que eu fiz questão de colocar.

Eu adoro essa faixa que a gente colocou aqui, porque parece que assim, eles pararam de brincar de ser meio desajeitado, aquela coisa que eu falei, Wes Anderson, é de ser tipo freakzinho e tal. Ainda tem muito disso, mas porra, vamos fazer música, vamos sentar e vamos tocar o que a gente aprendeu esses anos todos tocando no palco, vamos tocar de verdade. Eu acho que esses dois discos têm muito disso. E eu acho que é uma vida um pouco diferente, é um Belan Sebastian que acaba pegando gente que não compra essa ideia do indie underdog, do indie meio, né, o instrumento é mais bonito do que a capacidade do cara tocar, sabe? Acho que tem um pouco isso.

?Voz 1

Eu sempre li o Belan Sebastian, especialmente o Belan Sebastian da primeira fase, como o encontro ali de Smith com Nick Drake, assim, uma coisa bem meio deprê, assim, meio eu sou um desajeitado para vida. Acho que muito da crítica que a gente faz ao fã de Smith nos programas recentes bate também um pouco no Belém Sebastião, nessa coisa do desejo que não se realiza e tudo mais. E acho que parte dessa, desse ethos existe na cena indie de São Paulo até hoje, muito por conta do que tudo que esses discos lançaram.

E esse Belém Sebastião 2006 é outro Belém Sebastião, mais alegre, mais soul de branco assim, é meio, meio pop, é R&B de branco de uma certa forma, meio adulto, até dentro das limitações do que é o Belém Sebastião, claro. Eu acho interessante assim, eu acho que é um caminho interessante para banda. Confesso que eu acho que é um caminho que se esgota esteticamente, que eles seguem fazendo, mas é um caminho que se esteticamente muito rápido, mas nesse momento é legal.

Que da mesma terra do Balance Sebastian vem também um disco que eu, esse caralho, eu ouvi muito nessa época, que também ali eu acho que tá na mesma esfera sonora, que é o Camera Obscura com Let's Get Out of This Country, o segundo disco do Camera Obscura. Cara, como eu ouvi isso aí na época assim, acho que muito dessa coisa fofa adolescente, de ter ali uma referência meio obscura, né? Primeiro, o single do Câmera Obscura fazia referência ao Lloyd Cole, que é Lloyd, I'm Ready to Be Heartbroken.

Assim, cara, eu acho que é muito um som de uma época, de uma certa forma, que tá encapsulado em canções como essa, em discos como esse. Assim. É um espírito que também passa ali por bandas que depois viraram, sei lá, caricatura, né? A banda da Zoeida Chanel com o É Noir do Cheyenne, essa coisa meio fofouca que de uma certa forma chega até aqui no Brasil, né? A gente não pode esquecer Malu Magalhães, é um pouquinho depois disso aqui, é filha, é filho isso aqui.

Clarice Falcão, da primeira fase, talvez de todas as fases, seja também filha disso aqui. Esse fofoque, de uma certa forma, cara, tá muito ligado com esse momento, né? Pegue um violão, cante sobre seus sentimentos, sabe? E eu acho que é aquilo, é muita, tem muita coisa legal que a gente tem que às vezes peneirar para achar coisas nesse meio desse processo. E eu acho também que Parte às vezes daquela coisa, eu sempre faço essa piada assim, quando alguém me pergunta aqui que eu gosto de música, eu sempre fico com meio que medo de responder, porque se eu falo que eu gosto de rock, o cara vai achar que eu gosto de Foo Fighters, e se eu falo que eu gosto de folk, o cara vai achar que eu gosto de Morfondance Songs.

Então eu tenho que ter cuidado com as coisas que eu respondo, e parte do equívoco nasce desses momentos aqui. Frustrado fiquei eu com a continuidade da carreira dessa banda que aparece na sequência na playlist, que é o Pipettes. Mas assim, frustrado porque eu era um jovem adolescente que tinha muitos sonhos, né? Porque eu achava que era possível uma banda ter uma discografia longeva fazendo essa emulação de girl group dos anos 60, tipo, repetindo e continuando sendo legal. E óbvio que não, óbvio que é uma mágica.

IMIgor Muller

Você era jovem, eu tinha sonhos, cara.

?Voz 1

É óbvio que é uma magia que você faz num disco e no segundo já fica ruim, não dá para repetir duas vezes. Mas Pipettes, cara, Pipettes tem duas coisas importantes, né? Primeiro que é um disco que me apresenta todo o universo de girl groups. E um dia eu fui ouvir Ronettes, eu fui ouvir The Crystals, eu fui cair no caldeirão do Phil Spector, é por culpa de Pipettes, que tocava muito também naquela época. Eu ouvi muito Paul Shapes. E segundo, que a nossa querida Rosé hoje é casada com Graham Coxon.

IMIgor Muller

Agora, seu Capelas, é chegada a hora.

?Voz 1

Vem, ela vem aí, por favor. Eu só queria poder dar alegria ao meu povo. Eu tô saudando a mandioca.

IMIgor Muller

A língua dos índios é a verdadeira língua brasileira. Em Brasília, 19 horas.

?Voz 1

Eu vou dizer aqui para os nossos ouvintes que a gente só não se meteu à besta de fazer um programa sobre o Bulgari, que eu teria enchido o saco do Igor para fazer, porque no final Ia ficar um programa tipo aquele do Teenage do Bando Vagonesque. Ah, essa música é muito legal, essa também, essa é incrível. A gente assim, são grandes canções pop, não tem uma, uma tecidura de profundidade maluca. Acho que aonde tem tecidura de profundidade é no Aleluia, mas aí é um disco, cara, que eu preciso estudar muito para chegar no nível do que o Fábio tá querendo dizer.

Fazer ali. Mas o Bulgari, assim, discos perfeitos do rock alternativo brasileiro. Bulgari, concordo com o Igor que o Vingang Stilo tem momentos até mais altos que a da Livre, né, que a gente é maluco. Mas, cara, o Bulgari assim é um disco que eu fico assombrado com a capacidade de composição, de produção, de variação que tá dentro do disco assim. É um, eu acho que é um manual, é um manual esse disco para quem quiser fazer rock em português falando de amor e falando de questões da vida sem ser tchauroladão, sabe?

E sem também querer ser tipo poético demais, sabe? Esse disco é uma aula. E acho que esse é o melhor elogio que eu posso fazer ao Bulgari assim, além de falar ouve aí, ouça e ouça e ouça. É, desde que, desde que a gente começou a fazer o programa de índio, acho que é um dos discos que eu mais escutei na vida.

IMIgor Muller

Fale tudo que quiser de mim, faça de conta que eu sou. Eu quero falar, ah, se o rock viesse com manual de instruções.

?Voz 1

Acho que se de um lado eu falei isso do Cascadura, porque acho que é uma banda que eu redescobri Ao longo da minha amizade com o Igor, acho que uma das grandes vitórias que eu tenho nessa amizade é quando eu vou encontrar o Igor, ele tá com uma camiseta do Super Guides, que eu sempre, é isso, eu sempre fiz essa piada: ah, o Brasil começou a dar errado quando a Super Guides acabou. Também parte um pouco desse, dessa ingenuidade dessa época, mas até a própria existência de uma banda como a Super Guides para mim no Brasil já era um milagre.

Assim, se você parar para analisar. É uma banda de slacker rock, college rock assim na puta que pariu, sabe? Escrevendo com o coração na ponta da paleta assim. Eu acho o primeiro disco da SuperGuides assim um negócio absurdo. Eu acho também um disco que a gente não fez disco de 20 anos, que a gente fez um belo, um belo programa com eles ano passado quando eles voltaram, uma entrevista muito legal com o André, com o Marco, com o Diogo.

E os cara até ficaram meio de saco cheio de tanto que eles viram a gente ano passado. Eu fui até Porto Alegre para ver o show. Mas assim, o primeiro disco do Super Guitars, os três são incríveis, mas o primeiro eu acho que é o mais interessante do ponto de vista de entender a energia do que é essa banda. É muito sensacional. Sensacional, é muito sensacional, é moleque, é honesto, é apaixonadaço, tem um lado depressivo, mas tem um lado também tipo, cara, você ouve essas músicas, você quer viver assim.

Apesar do lado meio depressivo, para mim é um disco de pulsão de vida assim, tipo, o rock faz barulho e faz sentido para mim assim. Eu posso estar sendo um pouco poético, um pouco exagerado, mas é porque é um disco que eu Realmente assim, ele mudou um pouco a minha concepção de música. Acho que se algum, se eu cheguei a ponto de parar um dia para fazer um programa como o programa de indie, é porque discos como esse primeiro disco da Supergeeks passou na minha vida ali quando eu tinha 15, 16 anos e me pegou assim.

Eu falei, tá, eu acho que eu gosto disso aqui. Muita gente faz o caminho contrário, né? Ouve Superkids porque ouviu Pavement. Eu não, eu fui ouvir Pavement porque eu gosto de Superkids. Eu fui ouvir Guido Barbosa porque eu gosto de Superkids. Então é um pouco do caminho que eu fiz. Outro disco dessa época que eu gosto muito, esse também eu acho que vale aqui o contraponto, duas bandas da mesma época, da mesma cidade, que com projetos estéticos diferentes, mas muito interessantes, é o caso da Pública.

Pública eu acho que tinha uma coisa ali muito rock inglês, um pouco Madchester, Stone Roses, Beatles, um pouquinho de Oasis, mas era mais Madchester mesmo. A Pública tinha um trabalho muito legal. Polares, eu acho um discão de canções. Os discos da Pública ao longo da carreira toda tem grandes canções. Long Place é a melhor delas. Inclusive tem Carlinhos Carneiro no clipe fazendo uma ponta maravilhosa. Vale a pena ver o clipe de Long Place também nessa época, essa lógica de, cara, se o clipe tocar na MTV, a banda vai fazer sucesso.

E Long Place chegou em muita gente que que talvez não chegasse graças a esse clipe. Mas é, eu acho que é isso assim, a Pública foi uma banda que nunca conseguiu encontrar um público assim. Se tem, se a Super Guides tinha ali a sua cena, as suas algumas centenas de pessoas que abraçavam, a Pública queria comunicar com mais gente, não conseguia. E eu acho que isso tem muito a ver com outra banda que tá aqui nessa playlist, que é o Ludovik, que na época o Ludovik era meio feio da cena, né?

O Ludovic nem falava com a galera do hardcore, nem falava com a galera do alternativo. Era muito, ele era muito para todo mundo e pouco também ao mesmo tempo. E hoje, quando a gente olha para o idioma morto, e acho que aqui também vale resgatar o nosso papo com o Ludovic quando eles comemoraram 20 anos do Servil, o último programa que a gente fez na Eldorado, Eu acho que muito do que a gente conversou ali tá registrando assim: não existe como entender o rock brasileiro atual sem passar pelo Idioma Morto e pelo Servil, sem passar pelo Ludovic.

Sem o Ludovic não tem Lupe de Lupe, não tem Gordura Trans, não tem Novo Emo, não tem Chococorn, não tem uma cacetada de banda que a gente gosta e toca aqui para vocês nas novidades. O Ludovic é o Não é o marco fundador, acho que tem muita coisa, óbvio, mas a primeira concepção do que a gente pensa em rock triste enquanto estilo, enquanto gênero, é esse disco do Ludovic. E eu acho que é muito engraçado assim, porque o Ludovic falava para pouca gente, tocava muito, mas tocava sempre para pouca gente, enquanto a Publica buscava chegar em lugares mais profundos, maiores e tudo mais.

E eu acho que isso também ecoa de uma certa forma que a gente falou lá no E eu lá tenho. Enquanto bandas como Ludovico e Super Guido estavam aqui batalhando na cena, é claro, com um sonho de serem bandas maiores, né? Os caras, né, o Jair, por exemplo, fala como ele largou faculdade para seguir com a banda e tudo mais. Mas são bandas que conquistaram o seu lugar, e a pública acho que ficou um pouquinho para trás assim. Assim, a gente olha um pouco, ficou, nossa, fica meio que quase como uma curiosidade assim, nossa, eu não lembrava dessa banda há muito tempo.

Mas era uma época muito, muito gostosa e muito, muito confusa também da cena alternativa brasileira, em que até Caetano Veloso gravava um disco com a estética indie, né, Gormila?

IMIgor Muller

A banda dele era tipo uma molecada também, né, dessa geração aí, não é?

?Voz 1

Era o Do Amor, era uma molecada assim. A gente brinca que o C é o Strokes, é o disco Strokes do Caetano, né, os Dizzy do Caetano. A banda C é Pedro Sá, que era do Mulheres Que Dizem Sim, irmão do Jonas Sá, Ricardo Dias Gomes e Marcelo Calado. Esse sim, os dois do Do Amor. E cara, é um disco muito curioso assim, porque o Caetano vinha numa fase meio maluca, tinha gravado uns discos italianos, aí gravou com Jorge Maltner, aí era a fase do— um pouco antes disso ele tinha feito um disco em inglês, foi a fase do MTV Bota Essa Porra Pra Funcionar.

E aí ele vem, aparece com o Cê, que é um disco de pé na bunda, com umas letras assim porradaria assim. Eu gosto muito desse disco, talvez seja o melhor disco do Caetano neste século, é bem possível que seja. Tem, pô, tem Rocks, tem Não Me Arrependo, tem Homem, é um discão.

IMIgor Muller

Esses moleque que tocavam com ele também era da Orquestra Imperial, né?

?Voz 1

É essa cena do Rio de Janeiro anos 2000, Orquestra Imperial, Mulheres que Desencintam, com a Nina Bello, filhote de Los Hermanos. É após Los Hermanos, é a galera do—

IMIgor Muller

o Sá era guitarrista, não era?

?Voz 1

Do Orquestra Imperial, tocava com o Mais Dois, tocou com o Maltner, tocou com Cassim, tocou com todo mundo assim. Todo mundo tocava com todo mundo nessa época. É tudo Taeko qualitá, Taeko qualitá do rock, do rock carioca. Mas era a galera que não era a galera do rock sem bermudas, né? O rock bermuda do Rio de Janeiro dessa época é outro. Mas é um discão o Rocks, o C. Eu separei aqui Rocks, que acho que é a música que mais deixa clara essa brincadeira com Strokes.

Mas é um grande momento assim, e vinha muito dessa estética assim, desse momento de ilusão, meu. Até o Caetano Veloso fez um disco indie, meu, como assim? E acho que é um bom ponto aqui para a gente fechar o Policarpo Quaresma. Janeiro continua sendo o pior dos meses, mas não chegamos ao fim. Tem um, tem um apêndice aqui, um bônus track. Eu vou dizer que ele tava melhor justificado porque o Igor tinha botado uma música do Boris, aquela banda japonesa, mas o Boris, a música de 2005.

Aí a gente teve que tirar, pois seria um erro jornalístico. Então ficamos aqui só com o tradicional bloco mezzo latino-americano, mezzo Argentina, mezzo portuguesa. 2006, eu acho que— mas eu acho que é legal, porque normalmente a gente faz aqui essas incursões.

IMIgor Muller

Queria numa pizza argentina.

?Voz 1

A gente deve— a gente meio fugazeta, meio portuguesa. A gente faz essas incursões e olha muito para história e tudo mais. Eu acho que aqui tem dois exemplos legais de como a estética alternativa, ela muitas vezes, se de um lado eu dei risada, né, fiquei zoando, a gente ouve as bandas da Suécia e tal, do outro ela também ajuda com que a gente queira ouvir bandas de todos os lugares, isso faça sentido para gente. 2006 é o ano da estreia do Linda Martini, talvez uma das bandas mais legais de Portugal até hoje.

Eles vieram tocar no Brasil ano passado, 3 vezes e foi, foram 3 shows assim, uma banda que tem muito a dizer a partir de Lisboa, mas olhando, né, para o mundo. E um dos maiores sucessos do Lina Martini é desta nessa estreia, Olhos de Mongol, que é Amor Combate. Tem, é um disco que tem Cronófago, Dá a Tua Melhor Faca, algumas das melhores músicas do Lina Martini estão ali. E eu acho que é uma banda que assim, se você não conhece, a gente já falou aqui várias vezes no programa, Mas você não conhece, vale a pena ir atrás, porque trafega muito dessa sonoridade noise que a gente gosta, rebatendo influências, e às vezes até rebatendo influências de música brasileira que a gente não imaginava serem lidas no universo noise.

Lina Martini é legal demais. 2006 também é o ano de um dos EPs que formam ali a primeira Primeira vértebra da carreira do El Mató, em 1 milhão, 1 milhão de euros, que é o EP do El Mató, que tem Chica Roteira e tem Amigo Piedra. Por si só já valeria a pena tá na sua coleção, porque é o El Mató. Acho que talvez se existe uma banda que simboliza o que que é o rock alternativo nesse som latino, é, em espanhol, essa banda é o El Matón nesse século 21.

E como nota de rodapé, vale dizer aqui também que 2006 é o ano do Raro, que é talvez o disco mais legal do El Cuarteto de Nos, banda uruguaia, que muita gente conhece essa música por causa da versão do Vespas Mandarinas aqui no Brasil. Mas o Quarto É Tudo É Nosso tem bem mais que isso ainda, que eu coloquei justamente Cha Nosse, que é Acer Conmigo, aqui na playlist para a gente fechar esse giro pelo mundo em 2006.

IMIgor Muller

Itália! 2010 é logo ali, hein?

?Voz 1

2010 é logo ali.

IMIgor Muller

A gente continua sendo comida de leões. Às vezes de bacalhau.

?Voz 1

2030 também.

IMIgor Muller

Olha, 2030 acho que tá mais longe do que a gente imagina, cara. Outubro vai ser um ano longo.

?Voz 1

Eu não consegui chegar em agosto ainda, então vamos com calma.

IMIgor Muller

Agosto continua sendo o pior dos meses.

?Voz 1

Subscreva o relator. Bom, nessa vai, bora, fecha.

Os Discos de 2006, com Sonic Youth, YLT, Killers, Arctic Monkeys, Ludovic e muito mais! | Castnews Index — Castnews Index