Episódios de Programa de Indie

Convida... Chococorn and the Sugarcanes, do emo caipira a 'Todos os Cães Merecem o Céu'

01 de maio de 20261h5min
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Uma das grandes revelações da nossa época está finalmente no quartinho de bagunça do Programa de Indie! Nessa semana, Bruno Capelas e Igor Muller batem um papo com a Chococorn and the Sugarcanes, que acaba de lançar seu segundo álbum, Todos os Cães Merecem o Céu.

Mais do que apenas expandir as fronteiras do 'emo caipira' do grupo de Santa Bárbara do Oeste, o novo trabalho é um retrato de uma banda na estrada, em pleno crescimento, absorvendo novas e diferentes referências. É sobre isso que a gente fala nesse programa com Filipe 'Pipe' Bacchin, Pietro Sartori e Alexandre Luz.

Juntos, os três – que tocam junto com o guitarrista Pedro Guerreiro – também falam sobre shows, futebol, American Football, rock universitário e a turnê que atualmente estão fazendo, passando pelo Sul do Brasil, Argentina e Uruguai.

É uma longa viagem, indo muito além de 30 dias de carnaval, mas que merece muito ser escutada. Vista a camisa do Messi, ponha seu cinto de segurança e entre nesse Fiat Marea com a gente. Ah, e não esquece da playlist!

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Por falar em playlist, sabia que a gente tem uma playlist com todas as entrevistas que já fizemos no programa? 

Já aproveita para seguir o Programa de Indie nas redes e não perder nada, hein!

E se quiser chamar o Programa de Indie pra uma parceria,⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ ⁠⁠⁠aqui tá o nosso Media Kit⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠, viu?

Assuntos8
  • Todos os Cães Merecem o Céu: O Segundo DiscoComposição durante turnês e influências diversas · Produção musical com Capilé e Bill Zander · Gravação no Estúdio Fernando El Rocha · Conceito visual e capa do álbum · Temáticas de viagem, pluralidade e vida agitada
  • Exposição 'Um Certo Mundo Caipira'Ressignificação do termo 'emo caipira' para além da regionalidade · Identidade caipira como pessoa fora dos eixos culturais · Cena musical regional pela internet · Temáticas de interior e crônicas de adolescência
  • Chococorn and the SugarcanesFormação da banda e o nome 'Chococorn' · Influências musicais: Midwest Emo, Emo Revival, música brasileira · Transição de sonoridade do 'Ciamês' para 'Todos os Cães Merecem o Céu'
  • Estrutura socio-economica dos caminhoneirosSurpresa com a recepção do público em diferentes cidades · Conexão com o público através de vivências compartilhadas · Cena musical em Santa Bárbara do Oeste e Americana · Importância dos amigos e da comunidade no início da banda
  • Futebol e a Relação com a JuventudeDistanciamento da juventude do futebol em meados de 2018-2019 · Associação do futebol com política e preconceito · Futebol como união e conexão entre pessoas · Música 'A Vida de Messi' e a inspiração no futebol
  • Experiência de práticaAprendizado técnico com produtores como Capilé e Fernando Sanches · Masterclass em estúdios de alta qualidade · Desenvolvimento como instrumentista e compositor · Sensação de honra e orgulho com o nível alcançado pela banda
  • Conciliação de Faculdade e BandaTrancamento de cursos para turnê · Desafios sociais e afetivos da vida na estrada · Trocas e agregações culturais em diferentes cidades
  • Viagens InternacionaisMudança de logística para turnês baseadas em 'day off' · Roteiro de shows no Sul do Brasil, Argentina e Uruguai · Ansiedade e
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Programa de Indy, com Bruno Capelas e Igor Miller.

Seja muito bem-vinda, seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinde ao programa de índio, nosso quartinho de bagunça, onde estamos todas as semanas, não apenas falando de uma visão da música alternativa, mas também de uma visão alternativa da música. Eu sou Igor Miller, estou sempre ao lado dele e Bruno Capelas. Boa noite.

Boa noite, Igor Miller. Prazer enorme estar aqui neste programa de Indy, que, entre muitos outros aspectos, vai exaltar a existência da União Barbarense nessa memória do esporte que é o programa de Indy.

a maior memória esportiva do rádio internet brasileira. Sempre lembrando a você que siga a gente na sua plataforma de streaming, no seu agregador de podcast de preferência, nunca esquecendo, é claro, de dar a cotação máxima pra gente. É muito importante e é muito importante seguir a gente nas nossas redes sociais. O nosso Instagram, que é o arroba Programa de Indie, o nosso Blue Sky, que é o arroba Programa de Indie, ponto bluesky, ponto social.

o nosso simpático e-mail olaprogramadeindie.com e o nosso apoia-se apoia.se barra programadeindie para que o quartinho de bagunça continue vivo. Pelas pistas, pelos palcos da capital paulista e mais 24 territórios à sua escolha, fica de ouvido na Agendinha da Semana.

Agendinha da Semana, que começa com o Emicida de volta, depois de uma longuíssima pausa, uma longuíssima turnê do Amarelo, o Emicida está de volta, mostrando a sua fase racional, a imunização racional de Emicida.

tocando duas datas, 30 de abril, que já foi, e 1º de maio no Espaço Unimed. Quem também toca em São Paulo e tem tudo a ver com o que a gente vai conversar hoje no programa é um show triplo lá na Casa Rocambole com Polara, Guandu e Sorosoro. Polara, uma velha conhecida da cena independente, e Guandu e o Sorosoro, uma das novas que tem dado o que falar, em breve devem aparecer aqui no nosso programa de Indie.

A gente tem também destaque para a nossa querida Evinha, musa da música brasileira, que tem sido resgatada nos últimos anos, toca dia 2 e dia 3 no Sesc Belenzinho. Provavelmente os ingressos já estarão esgotados, mas vale a pena conferir para ver se você consegue entrar, porque vale a pena, o show da Evinha é sempre muito bom. Outra banda clássica do indie brasileiro que toca em São Paulo na semana que vem.

É o Montage que toca lá no Picles, no dia 7 de maio. 7 de maio também começa o Goiânia Noise Festival, realizado pelo pessoal da Monstro Discos, que vai estar cheio de atrações bacanas. Vai ter muita banda que a gente gosta, vai ter Tom Zé, vai ter FBC, vai ter o Duda Beat, vai ter Fernando Abreu.

um monte de banda de Goiânia, que é uma das cenas mais legais do Brasil. Vale a pena conferir a programação do Goiânia Noz e se você estiver no Cerrado, vale a visita. Como uma esfirra no Esfira Quente por mim. Também neste final de semana, no dia 8 de maio, tem Bela e o Omo da Bruxa e os argentinos da Buenos Vampiros no La Iglesia. Também tudo a ver com o que a gente vai falar hoje.

com o pessoal da Chococorne. Mas pro final do mês, aí vale o destaque. Dia 21 a 24 de maio, C6 Fest na capital paulista, Parque de Ibirapuera, um monte de coisa bacana, do jazz tradicionalíssimo de gente como o Branford Marsalis.

ao nosso querido Indy com Matt Burninger, com Horse Girl, com XX, com Wolf Ellis, com Beirute, nosso amigo Zach Condon que já conversou aqui com a gente no programa de Indy vai ter Paralamas com Nação Zumbi vai ter Robert Plant num show que eu espero que irrite muito o roqueirinho tradicionalista no mesmo final de semana vale ainda destacar dia 22 de maio na sexta-feira

Tem FBC no Cine Joia, que é um show que eu não quero perder, porque o FBC tá vindo aí com um disco de rock. A primeira música foi um petardo. A gente mostra em breve no nosso programa de novidades, mas vale você procurar por Bandido Bom na sua plataforma de streaming favorita. E no dia 23 tem o Jorge Drexler lá no Espaço Unimed também, com as canções desse disco muito bacana que ele acabou de lançar, o Taracá.

Para fechar o mês, a gente não pode deixar de falar do circuito, que vai ter a sua sétima edição lá no Cine Clube Cortina e excursionando pelo interior de São Paulo com edições em Campinas, em Sorocaba e em Limeira, com Pluma, Dead Cat, Joaquim e Dupla 02, um novo projeto do Talim, do Maria Esmeralda. E, claro, eles, o Super Chunk, dia 31 de maio, aqui em São Paulo. Uma produção da Balacra.

Bom, e você acompanhou no último final de semana, pra você que tá ouvindo aqui na estreia do programa, o 5 Bandas Festival, que a gente teve o orgulho de ser Media Partner nesse ano. Mais uma edição muito, muito bacana, de muito sucesso em graços esgotados.

As bandas No Seu Limite e uma tarde quente na capital paulista, lá na Rocambole. Quente é pouco para o que estava a Casa Rocambole nesse domingo. Estava fervendo. Eu só consegui chegar pelo adiantado da hora, na hora do show do Taxidermia, o projeto da Jadza com o João Mila Emeirelles.

E parecia que eu estava em Salvador, de tão quente que estava aquele show, de tão intenso que estava aquele show, Taxidermia, que é um trabalho muito interessante com as programações do João e a presença de palco da Jatsa. De longe, uma das melhores front-woman que a gente tem no Brasil hoje. É muito bacana o trabalho da Jatsa. Talvez a gente, às vezes, não fale tanto dela aqui por escapar um pouco.

desse viés alternativo mas o que a Jatsa está fazendo está construindo uma carreira muito sólida e muito interessante, seja em estúdio ou nos palcos teve também o Black Drawing Chalks que trouxe esse rock clássico esse rock bem 90 bem stoner, para o palco dos cinco bandas, dando uma prévia do que vai ser o Bananada que está anunciado para

a gosto, lá em Goiás, lá em Goiânia, com noites, tanto no Martins Sererê, quanto no Centro Cultural Oscar Niemeyer. E, para fechar, a banda que, para mim, promete ser a grande headliner dos festivais independentes nos próximos anos no Brasil, Sofia Chabau, é uma enorme perda de tempo. É impressionante o que a Sofia Chabau e a Enorme têm conseguido construir nos últimos anos. Uma conexão com o público, a capacidade da Sofia de conversar com a audiência é um negócio impressionante.

ela só melhora nesse aspecto e vai se tornando mais ao mesmo tempo mais espontânea e mais consciente do que está fazendo no palco de como ela trabalha essa conexão com o público seja num momento mais explosivo seja num momento mais tranquilo e ao mesmo tempo como a banda está cada vez mais refinada eu acho que dá para perceber mudanças muito interessantes nas músicas novas por exemplo o cinema brasileiro que está no disco dela com o Felipe Vaqueiro Então

mas também com canções antigas, idas e vindas do amor, a dobradinha final, que já é um clássico de delícia, luxúria e segredo. Está muito bacana o show da Sofia Chablau. Eles falaram que vão entrar em estúdio nas próximas semanas, um disco só para 2027. Eu estou bem curioso para ver o que vem por aí, porque eu acho que é um disco que pode fazer a enorme perda de tempo ganhar.

Muita gente, muito público e se tornar uma das grandes bandas da cena no momento, mais do que já é. Mais do que cinco bandas, acho que vale a gente também dar uma palavrinha sobre outros dois shows que rolaram em São Paulo, antes da gente seguir para o papo com o pessoal do Chococorne, que foram as apresentações da Dingo e do Tiago e do Hélio Flanders tocando o Renato Russo. Você quer falar da Dingo, Igor?

Acho que eu não tenho muito o que acrescentar, viu? Quem esteve lá e ouviu tanto o Thiago quanto o Hélio falando, né? Sobre o que é a Dingo e sobre o fenômeno e sobre como é impressionante essa banda que ficou mais reclusa nos últimos anos, mas ainda no palco é uma banda que sobra em relação às demais bandas do Brasil.

É sintomático e é muito bom ver uma turnê que comemora o disco de estreia deles, apontando também para um disco que vai sair muito provavelmente ainda esse ano, com todo mundo ali, como se eles não tivessem perdido um dia longe dos palcos.

e caminhando levemente em direção a um lugar que a Dingo deveria estar sem hiato dentro da música brasileira, dentro desse pop, né? Mais do que o rock, uma espécie de um pop. Eu acho muito interessante. Eu já tinha tido racionalmente essa impressão.

Mas eu acho que ficou claro pra mim, vendo esse show do Maravilhas da Vida Moderna, que é o primeiro disco da Dingo, um disco maravilhoso, um disco que eu ouvi muito na época que saiu. Tem até entrevista minha, acho que com eles no Screen L sobre esse disco, que me chamou a atenção de como a gente entendeu errado a Dingo ao longo do tempo. E que acho que é uma percepção que está só sendo corrigida agora. Porque a Dingo surge ali num esteio de um rock gaúcho diferente. Então a gente tem...

eras do rock gaúcho, o rock gaúcho mais tradicionalista ali, TNT, Cascaveletes, nos anos 80, a própria Engenheiros, nenhum de nós. A gente tem uma onda dos anos 90 que é um rock gaúcho engraçadinho, que tem humor e que vai evoluindo ao longo do tempo. Um rock gaúcho meio retrô, com um cachorro grande, um monte de banda ali espelhando os anos 60. E tem uma onda que vem de uma forma estilhaçar essa concepção ali com um apanhador só.

com a própria Celton, que começa na Itália, mas é uma banda gaúcha, e com outros grupos dessa época. E a Dingo vem um pouco na sequência disso, e a gente tratou a Dingo sempre como uma banda de rock. E eu acho que isso fez mal para a Dingo, porque a Dingo não se compara em rock com as outras bandas, porque ela é muito mais do que isso, ela é muito mais outras coisas do que rock. O próprio Yacht Rock é quase não rock, né? Se a gente for olhar, de certa forma, ele usa ideias do rock, mas para uma ideia de pop expandido.

E é impressionante o que a Dingo faz no palco, assim, o domínio dos três ali, do Rodrigo, do Diogo e do Felipe, do Pirula, é um negócio muito absurdo, assim, o que eles fazem no palco, o que eles fazem em distribuição de vozes, me chamou a atenção, inclusive, eu filmei Olhos Fechados para o Azar, que é uma das minhas favoritas do disco no canal do YouTube, e o Bernardo Pacheco...

um dos principais técnicos de som da cena de São Paulo, postou esse vídeo e falou, cara, essa é uma das minhas músicas favoritas de mixar em palco. E é muito interessante você perceber esse comentário dele, porque tem tudo a ver com a distribuição das vozes, com a maneira como os instrumentos são colocados. Deve ser realmente muito divertido, se você é um técnico de som, colocar isso no palco. É muito interessante, acho que...

eu tô muito curioso pra saber o que a Dingo vai fazer em sequência, porque eu acho que eles também ganharam a consciência e conseguem comunicar essa consciência pop pro público

e tô animado pra saber o que vem por aí. A gente já tem um preview aí, né, com dúvidas, que o meu cérebro insiste em chamar de dívidas. Dívidas que me consomem, seria um baita verso, ainda que não muito dingo, mas tô muito curioso pra ver o que vem por aí. E sobre o show com Hélio Flanders e Tiago Oliveira cantando Renato Russo?

Eu confesso que eu tinha uma expectativa até meio baixa. Não por eles, mas porque existe um jeito de você tocar Legião Urbana que é muito fácil de se perder, muito fácil de virar rodinha de violão. E eu acho que o que mais me interessou nesse show foi perceber o quanto, não só o quanto os dois amam aquele repertório e o quanto eles conseguem...

buscar músicas lá do B do repertório, tocar no Descobrimos do Brasil, tocar no Vamos Fazer um Filme, Sereníssima, que por mais que seja um hit, esteja no acústico, é uma música difícil. E mais do que gostar daquele repertório, o quanto eles são capazes de mostrar essas músicas, trazer uma nova leitura para elas e trazer uma leitura assim, tá, agora eu entendi o que tem de Legião Urbana no que cada um está fazendo.

Sem falar que é muito divertido ver o Hélio e o Thiago interagindo, que são duas comadres no palco, trocando ideia e falando besteira, e ao mesmo tempo falando coisas muito importantes. E acho que é uma leitura da Legião Urbana que não tem muito papel carbono, mas que tem muito carinho e muito cuidado com esse repertório. E é uma energia que parece um pouco com a nossa energia quando a gente vai falar de Legião Urbana aqui no programa de Indy.

inclusive esperem que este ano teremos episódio especial do 2

Muito bem, você já acompanha com a gente aqui há algum tempo no programa de Indy, um dos destaques do rock brasileiro dos últimos anos, consolidando inclusive a sua posição este ano de 2026 com um disco que você vem acompanhando também aqui com a gente no programa de Indy. Todos os cães merecem o céu que encantou a gente desde esse comecinho de ano, seu capelas. Como é que é isso? Vamos receber a molecada hoje?

Vamos lá, salve, salve, pessoal. Estamos aqui com o Felipe Pips Baquim, o Alexandre Luz e o Pietro Sartori. Tudo bem, pessoal? Tudo ótimo. Tudo ótimo, muito bom estar aqui. Massa demais, massa demais. Quem acompanha o programa de Indy já conhece a Chococorne. Há um tempo a gente já fala de vocês, acho que desde a época dos CMAs. Mas acho que eu preciso que vocês contem um pouquinho de vocês pra gente. E vou pedir pra vocês... Que Jesus...

falarem quem tá falando, porque a gente tá só no áudio aqui, então o ouvinte vai precisar dessa identificação vocal no começo, depois vai ficar natural mas queria saber antes de tudo como é que vocês começam a banda, né? Por que Chococorne? Como é que a banda começa a existir? Oi, eu sou o Pipe e a Chococorne a gente começou ela meio que oficialmente em 2021 a gente já toca junto com formações diferentes desde antes disso, desde bem moleque tipo 13, 14 anos e 3

rolaram bandas diferentes, com pessoas diferentes, mas com a gente envolvido. Só que a gente considera que o ChocoCorn começou em 2021, quando um amigo meu falou que ia ter uma festa de Halloween. E daí eu falei, pô, põe minha banda pra tocar, então. E ele falou, coloco sim. E daí precisava fazer a banda, fazer o show, tudo. E daí já tinha a ChocoCorn meio rascunhada antes, mas aí virou oficial pra esse show, montamos o show. E a partir daí, Foguete Não Tem Ré.

Foi só pra frente. Eu preciso perguntar, eu sei que vocês estão cansados de responder, mas o porquê Chococorne and the Sugar Canes? Chococorne é porque tinha uma festa lá em Santa Bárbara do Oeste, que é a nossa cidade, que chama Chocomilho. É uma festa evangélica e quando a gente inventou essa banda aqui no nono ano, eu achava engraçado esse nome, Chocomilho, a gente achava engraçado. E daí a gente só traduziu pro inglês e foi isso. No nono ano? É, 2021? Tava no nono ano? Não.

Não, não, 2019 foi quando a gente deu o nome pra mim. Foi um pouco antes da gente considerar que ela começou, mas foi no nono ano. Caramba, vocês estão com quantos anos, bicho? Agora eu tô me sentindo, velho. É, o Pietro tem 22, o Ale tem 21 também e o Pedro tem 21 também. Nossa senhora.

Eu acho que justamente por causa da cidade, Capelas, a gente tem que perguntar, né? E uma das questões que sempre envolve a gente, sobretudo nesse último disco, que são as influências. Porque a gente tá falando de uma molecada de 21 anos que tem influências que remetem, talvez, pelo menos o que a gente percebe daqui até mais aos anos 90. Conta um pouco pra gente como é que funcionou as primeiras influências e quem que vocês estão olhando agora, inclusive, pro trabalho novo. Então, eu acho que...

É, o que o Pietro falando. Eu acho que quando a gente faz o CMAs, assim, no primeiro álbum, a gente tinha umas influências mais diretas, assim, miradas, ali no Midwest Emo, Emo Revival e coisas do tipo. E a gente também começa a ouvir muita coisa brasileira contemporânea nossa, então os próprios Belo e O Homo da Bruxa foram uma grande inspiração, um eliminadorzinho. A gente começou a escutar Polara, que é uma banda que ainda está viva, mas é lá dos anos 2000, né?

E depois do CMAs, a gente começou essa onda de turnê, que não parava mais, a gente não conseguiu sentar mesmo pra compor num estúdio ou coisa do tipo, ou todos os cães. Então todos os cães têm mais influência de coisas que a gente ouvia numa jam do Spotify durante as viagens e coisas do tipo. Então eram coisas muito diversas, desde, sei lá, começar a ouvir Djavan, Los Hermanos e umas paradas mais brasileiras, até ficar voltando sempre ali pro Radiohead.

e coisas do tipo. Eu sei que o Todos os Cães, por um fato, é menos inspirado pelo emo do que os Ciamês.

Mas colocar uma inspiração certeira, certa, mirada, é muito difícil, porque a gente tava por todo canto, por todo lugar. Então tem umas referências, umas inspirações mais diretas, no lado estético, tipo o Porter Robinson, que é um artista de eletrônica lá da gringa e tal, mas é muito difícil, a gente não pensou em uma sonoridade específica pro álbum, foi meio natural.

É engraçado você falar que tá menos emo, porque eu queria falar do emo caipira, né? Que é uma coisa que vocês trazem desde o começo. E é uma estética muito definida, o que me impressiona pra uma banda que é tão nova. Como é que vocês trouxeram isso? Como é que vocês começaram a falar, pô, isso aqui é emo caipira? Porque tem um sabor diferente de só pegar, sei lá, o American Football e traduzir pro português. Não é isso só, né? Fala, pessoal. Tudo bem? Boa tarde. Sou Alê, baterista da banda.

Então, sobre o caipira, ele surgiu mais ou menos nessa época que a gente tava vendendo Midi West Ham, lá em 2021 mais ou menos, um pouco antes, particularmente em 2020. A questão é que a sonoridade sempre agradou bastante, porque a Midi West Ham surge como uma mistura de Andy Rock com...

jazz e post-hardcore, então é interessante nesse sentido como essas misturas elas trazem inovações específicas. Mas enfim, a questão que a gente sempre pensou é que não cabia tanto para a nossa realidade trazer um género que tem um nome específico de uma localidade dos Estados Unidos, sabe? Então a gente como esse ímpeto sempre tenta fazer alguma coisa nova ou tentar ressignificar os conceitos.

A gente pensou que seria mais interessante se a gente particularmente traduzisse com outro significado, que não fosse uma parada só regional do Midwest americano, mas fosse mais um negócio do caipira como pessoa, como identidade. E o caipira como identidade não vai necessariamente do interior de São Paulo, de Goiás ou de Minas Gerais, só que o caipira que a gente...

estar falando seria mais a pessoa que está fora dos eixos culturais de São Paulo e Rio de Janeiro, então a pessoa que é, sei lá, aqui de Forta Alegre, que curte fazer um som, pessoa que é do interior de Minas Gerais, sabe? Esse tipo de pessoa que não está necessariamente inserido onde o mercado musical trabalha mais, só que ainda assim quer ter uma cena musical...

e fazer parte dessa coisa, e dentro disso a gente tem muita proliferação pela internet, né, então é como se a nossa cena regional fosse mais pela internet do que de fato geograficamente. Então é meio que dentro dessas uniões, assim, o Emo Caipira ali funcionou também como uma questão de trazer a estima um pouco significativa para o interior de São Paulo, que é de onde a gente é necessariamente, então tem um pouco dessa questão de...

de ser saudoso de onde você mora e tal, porque eu acho que essas temáticas de interioranas, de cidades de interior são muito bonitas em relação às suas questões interpessoais um com o outro, e como essas crônicas de adolescência funcionam numa dinâmica diferente quando você mora numa cidade que...

Tem menos de 200 mil habitantes, sabe? Então é meio que isso, essa questão do emo caipira. De sonoridade, a gente nunca... Como a gente meio que trouxe esse nome pro Brasil, a gente não queria necessariamente que fosse uma coisa só de fato de emo caipira, porque como a gente já tava fazendo um som que era mais ligado pro indie rock do que pro emo mesmo, a gente nunca pensou em fazer um grupinho com uma sonoridade super exclusiva e tal, eu acho que não era ponto, nunca foi.

Então muita gente que tinha outras sonoridades, outras vertentes, ainda assim se considerava homem caipira, mas pelo contexto social, assim, de inserção na cena musical, cultural, dentro da internet. E é isso, hoje em dia a gente...

As outras pessoas acabam usando mais o termo que a gente, porque a gente acabou se ligando com outras coisas e tal. Mas ainda assim é muito orgulhoso fazer parte, ser a bandeira dessa questão, porque deu muita motivação para muita gente criar banda e muita gente se ressignificar dentro do contexto de ser caipira ou não.

É engraçado você falar isso porque quando eu ouvi o Todos os Cães Merecem o Céu, eu falei, eles estão menos emo caipira. O emo caipira foi parar na capital, foi tirar férias no Rio de Janeiro e aí deu uma confusão. É isso a história desse disco? Como é que nasce o Todos os Cães Merecem o Céu? Então, como o Pietro falou, a gente tinha um...

Uma turnê infindável que a gente está até hoje, então a gente não teve muito tempo de fazer as composições desse álbum. No fim, algumas questões de composição surgiram, a inspiração surgiram nas nossas viagens, então a gente conhecendo muita coisa nova, muitas pessoas novas.

E é engraçado porque geralmente em toda viagem a gente tem uma fixação muito específica em algum cantor, algum artista, alguma banda, e predominantemente brasileiros. Então é uma coisa, é um exercício que a gente sempre faz pra tentar se desconectar um pouco da cultura americana, sabe? Então, é legal porque a gente criou e descobriu bastante coisa junto.

Então a parte de composição desse álbum, pelo que eu sei, o nome, ele surgiu... Ele foi uma das primeiras coisas que surgiram, o nome, e a gente foi desenvolvendo o álbum posteriormente durante... Acho que a primeira música, Vida de Mestre, surgiu, acho que foi exatamente tipo dia 1 de janeiro de 2025. Só que ainda assim, a gente tinha até outubro pra finalizar o álbum, pra começar a pré-produção mesmo, sabe? Então foi meio corrido a questão de composição, a gente até teve algumas questões entre nós.

Só que no fim foi muito prazeroso porque foi um processo feito de maneira mais profissional do que a gente tinha feito antes. Então a gente voltou com a presença do Capilé, que é o vocalista e guitarrista do Sugar Candy, a banda Sugar Candy. E também com o Bill Zander, que é vocalista e guitarrista da banda Zander. E também gravamos no estúdio do Fernando El Rocha, que é o Estúdio El Rocha.

Então, o cara que está no CPM, para o pitch, foi super legal estar inserido nisso. E também o respaldo dessas pessoas, de parte técnica e profissional, de a gente saber que a gente está fazendo um negócio com um caminho bom.

a validação deles foi muito interessante. E é isso, depois a gente teve algumas questões de parte visual, eu lembro que a gente, foi mais o PIP, se ele quiser aprofundar depois, a questão da parte visual, que a capa foi meio que a gente que fez, no caso do PIP, mas foi interessante porque a gente escavou o conceito até onde a gente conseguiu e foi uma capa feita totalmente por nós, desde a parte do design, menos de fato o vitral em si, né? O vitral físico, ele é uma...

com outra pessoa que fez, até porque a gente precisa fazer vitral. Mas as fotos também, a questão audiovisual mesmo, as fotos foram a Bianca da gravadora Maison Hits, que trabalha com a gente. E os clipes também a gente está desenvolvendo por nós. Então está sendo bem legal essa parte.

Eu acho que é legal isso que vocês falaram, porque muita gente tem uma certa mitologia do teste do segundo disco, da maneira de se fazer um segundo disco, eu acho que vocês contaram isso de uma maneira muito bacana, porque o primeiro disco é as músicas que você escreveu a vida inteira, ou pelo menos todas as músicas que você escreveu até aquela hora, e aí tem que fazer o segundo disco e você não tá em casa pra escrever o disco, você não tem mais o mesmo hábito de composição. É um disco de estrada? É um disco de quarto de hotel? O que ele é pra vocês?

Cara, eu acho que tipo... O C.M.A.S.E tinha meio que uma temática que todo mundo abraçou, que era muito óbvia e clara e completa. Que era o lance de você ser um adolescente e começar a vida jovem adulta, saindo da sua cidade e tal. E o Todos os Cães, eu acho que ele tem muito mais temáticas envolvendo ele. Acho que as músicas falam de coisas muito mais diversas e por muitos outros lados. Mas eu acho que a principal coisa que inspirou ele foi o fato de que tipo...

Você começa a viajar muito, conhecer outros lugares, outras pessoas, até conhecer seus ídolos e coisas do tipo, assim, e você começa a ter uma visão da vida muito mais plural, assim, você tem... Você ganha muito mais noção de muita coisa, você conhece muitas vivências e coisas do tipo. Então eu acho que dá pra definir um pouco todos os cães de alguma maneira ali como...

Uma ode é essa vida de viagens, essa vida meio conturbada no sentido bom, meio caótica, agitada. E que a gente começou a viver muito, até porque quando a gente voltava para as nossas cidades, a gente não estava junto na nossa cidade da infância, que a gente compunha as coisas e tudo. Estava cada um em uma cidade, na faculdade, tudo.

Então, era dividir alguns dias da semana na casa dos pais, outros na República, outros em algum Airbnb, seja ele muito bom, seja ele terrível, tá ligado? Dependendo de onde você ia tocar.

Então acho que dá pra definir sim o Todos os Cães como um álbum meio road trip, assim. Eu acho que tem até uma certa ordem das músicas não intencional que significam um pouco isso. Então entra algumas vias que falam justamente sobre sair de casa e viajar, a vida de Méssica, sobre a honra de tudo isso. E depois acho que entram algumas músicas com umas temáticas um pouco mais...

existenciais ali, tipo Seja Gentil, que é uma parada meio luta contra o cinismo, e agitopropaganda, que tem um teor mais político, e por aí vai, assim, eu acho que ele é muito uma reação a tudo que a gente estava muito deslumbrado, conhecendo pela primeira vez.

Eu lembro de quando a gente conversou aqui no programa com o Lúcio Ribeiro e ele falou que ele tem acompanhado alguns dos shows que vocês fizeram aí pelo Brasil. Ele falou assim, cara, é sempre muito impressionante, porque, sei lá, a gente vai ver eles tocando no Nordeste, vai tocar no Sul e tem uma galera tocando. E todos os shows que eu ouvi de vocês aqui em São Paulo, parecia que tinha algo acontecendo, um fenômeno acontecendo, uma coisa diferente do que a gente vê na média do cenário independente.

Foi surpreendente pra vocês chegar pra, sei lá, pra tocar a primeira vez em Porto Alegre ou em Natal e ver uma galera já cantando, assim, e falando muito dessa torna de siamês? Como é que foi pra vocês isso? Mano, foi surpreendente, sim. Eu acho que é a sensação mais louca que eu já tive na minha vida mesmo, assim. Tipo, se falasse isso pra mim, ou no começo da banda ou antes de ter a banda, eu não ia acreditar, sabe? De verdade, porque pra gente...

parece muito distante da realidade de quando a gente começou a tocar junto, sabe? E tava tocando, tipo, na casa da avó do Pietro, tá ligado? Na aniversário da mãe do Pietro, entendeu? Então, tipo, é muito distante uma coisa da outra e a gente não imaginava que essas coisas iam acontecer. E até hoje eu acho que a sensação mais diferente que eu já tive, eu lembro, a gente lembra muito bem da semana que a gente lançou o Ciamês, deram alguns dias, acho que cinco dias ou uma semana, e a gente fez nosso primeiro show em Curitiba.

E foi a primeira vez que a gente saiu do estado e a gente tinha acabado de lançar o disco tinha uma semana e a galera já sabia cantar todas as músicas. E a gente finalizou o show com a última música do Cianis, que é o Tusca é Nosso, e tinha um cara chorando falando, essa é a música da minha vida. E, entendeu? Tava tão longe. E ele nunca tinha disputado um Tusca. Não, não, entendeu?

Inclusive isso fala um pouco sobre esse fenômeno que tem um ver um pouco com o emo caipira, mas acho que também tem muito a ver com a gente ser pessoas que passaram a adolescência na pandemia, né? Tipo, os anos de ouro da vida dentro de casa, que a gente se conecta muito por todo lugar que a gente vai, né? E a gente encontra pessoas que têm vivências parecidas. As pessoas não sabem o que é o Tusca, mas eles entendem perfeitamente o que a gente tá falando na música, porque eles sentem a mesma coisa.

E isso é muito legal e é uma coisa muito real que aconteceu na Chico Corne, tipo...

Todo lugar que a gente vai, cada cidade, a gente se conecta com as pessoas de verdade, porque eles se parecem muito com os nossos amigos da nossa cidade. E isso é muito legal. Então, por exemplo, essa experiência em Curitiba foi insana, sabe? A primeira vez que a gente tocou em São Paulo, eu lembro.

Porque existe essa barreira, né? Pelo menos no interior de São Paulo, que você ser uma banda do interior e existem as bandas que tocaram em São Paulo e as bandas que nunca tocaram em São Paulo. E você poder fazer um show em São Paulo pela primeira vez e ser uma parada rentável, ter como ir pra São Paulo, ter uma oportunidade, um palco lá pra tocar, era algo gigante, ainda é algo gigante em Santa Bárbara, sabe? É diferente.

E quando a gente chegou lá em São Paulo as pessoas sabiam cantar as músicas que a gente escreveu no nosso quarto em Santa Bárbara. E daí quando a gente chegou pra tocar em Pelotas as pessoas sabiam cantar. E a gente chegou em Salvador e as pessoas sabiam cantar. E cada vez foi sendo mais bizarro. Mas o mais gratificante de tudo é que a gente se conectou com essas pessoas e são nossos amigos de verdade.

Geralmente as bandas do rock alternativo, mesmo até de capitais, de outros estados, em algum momento elas migram para São Paulo. Vocês já surgiram para o público nacional como a banda de Santa Bárbara do Oeste, ali da região americana, essas outras cidades.

Como é que é a vida de vocês lá? Vocês já tinham um público lá? Ou vocês já se soltaram de uma vez só? E depois vocês passaram a ficar conhecidos por lá? Como é que é? Santa Bárbara em si, a cena musical é meio inexistente. É meio bizarro isso, na verdade. Porque Chococó... Chococó, não. Santa Bárbara não é uma cidade tão pequena. Santa Bárbara tem 200 mil habitantes. Ela não é minúscula.

Mas Santa Bárbara faz divisa com a Americana, que é uma cidade do mesmo tamanho, só que é mais desenvolvida, pelo menos em torno de comércio e vida noturna, esse tipo de coisa. Então parece que toda cena musical que tá rolando, de coisas novas, cultura, tá rolando em Americana, que é a cidade do lado. Em Santa Bárbara não tá acontecendo nada, tanto que em Santa Bárbara não tem estúdio de gravação, não tem casa de show e nada. Rolam vários eventos de cover.

lá, inclusive eu diria que uma das grandes influências pra gente começar a fazer banda foram os eventos que a própria cidade produz de cover, tem um rockfest bem grande, que aliás esse ano vai tocar frez no Angra, é um evento grande, só que não tem muito espaço pra mandar autoral, e a gente foi abraçado por Americana, mas eu diria assim, que a nossa base e o principal ali...

sustento que a gente tem no começo, a fundação da Chococorn, são os nossos amigos. A gente começou a Chococorn fazendo o show na festa do meu amigo, e depois a gente organizou as nossas festas, que a gente alugava uma chácara, colocava 70, 60 amigos nossos lá pra beber, e tinha um show nosso, e eventualmente tinha um show de algum amigo nosso que tinha banda, e daí a hora que a gente foi ver, a gente tava fazendo uma espécie de festival numa edícula pra 50 adolescentes, com três bandas, tá ligado? E Então... E aí

Foi por isso, assim, sabe? Foi pelos nossos amigos que começaram a comprar a ideia de ir pra rolê que tinha banda. E, eventualmente, quando a gente começou a tocar nas casas de show...

em Americana, principalmente a Hup, que é uma casa em Americana, que abraçou muito a gente no começo, foi o nosso primeiro show aberto ao público, foi na Hup. Os nossos amigos, de cara, toparam ir e seguiram colando na Hup todo mês, enquanto a gente fazia show lá, por um ano. Sempre dava 40, 50 amigos nossos indo lá. E se não fosse por isso, a gente nunca teria saído de Americana, sabe? Se não fosse pela constância do pessoal curtindo o que a gente tá fazendo e colando com a gente, a gente não teria saído de lá.

Animal, aproveitar o gancho da pergunta do Igor e perguntar como é que é a vida de faculdade, como é que vocês estão fazendo para conciliar faculdade e banda ao mesmo tempo? Até queria saber que curso que vocês fazem, onde é que vocês estudam, porque imagino que vocês não consigam estudar todo mundo na mesma cidade, né? Não, a gente, para esse ano aqui, para essa turnê gigantesca, a gente trancou.

Trancou. Não, depois dá pra voltar e continuar, mas a gente trancou o curso nesse semestre aqui, porque uma turnê com 55 datas não ia dar pra fazer nada. Mas eu estudava letras espanhol na UFSCar, em São Carlos mesmo. O Pipe fazia relações públicas em Bauru. Relações públicas mesmo. E o Pedro estava fazendo geografia na Unicamp.

E o Pedro tava no último ano já, então... Pra ele doeu até um pouco mais, assim. Mas até ano passado a gente continuou. Nas faculdades, assim. E era difícil, véi. Tipo, pra mim, pelo menos, eu não sei os moleques, assim. Mas era mais difícil no sentido...

Não tanto no sentido estudo Tipo, você conseguia se virar, assim, estudando e tal Mas era difícil Cinco bola é dez Mas era muito difícil No sentido Pô, eu tenho uma república lá Eu tenho amigos lá Toda vez que eu volto de uma viagem Eu escuto a sufoca de todo mundo Mas eu não tava lá pra viver, tá ligado? Então...

Acho que nesse sentido social, assim, afetivo, era meio difícil, assim, pra mim, sabe? Tipo, apesar de eu estar vivendo um monte de coisa foda, tipo assim, pô, eu amo minha vida, tá ligado? Só que dava saudade, assim, de tipo, pô, não, eu quero ser um morador desse lugar igual as pessoas com quem eu convivo nesse lugar.

Eu quero estar vivendo essas mesmas coisas, assim, também. Então era um pouco triste, assim. E eu acho que quando você faz uma escolha definitiva, tipo, não, agora tranquei, agora eu vou ficar só com a banda mesmo, assim. Fica um pouco mais fácil, porque daí pelo menos eu tô 100% em um lugar, e não tentando estar 50% em cada, assim, tá ligado? Mas, assim, o estudo sempre deu pra se virar, assim. Acho que nunca tivemos grandes problemas, assim.

E eu acho também que rolou uma troca muito legal com essas vivências que a gente tá criando individuais em cada cidade, porque, por exemplo, Pietro morou numa rap e daí quando a gente tocou em São Carlos, os meninos da rap tocaram com a gente, tá ligado? E eu fazendo faculdade em Bauru, entrei pra bateria universitária, a gente gravou percussão com eles pra nossa música 30 dias de carnaval, tá ligado? Então a gente foi criando coisas nesses lugares que foram agregando ao universo da Chococorne, então...

Foi muito bom e tudo isso. Uma coisa que vocês falaram, e eu acho que eu queria recuperar, queria ouvir também o Pietro e o Pips, foi dessa experiência de gravar em estúdio, gravar com Capilé, gravar com Fernando Sanches, figuras aí que fazem parte do underground, um nível melhor de produção do ponto de vista de equipamento técnico. Como é que foi isso pra vocês e como é que foi esse salto dos CMAs pro Todos os Cães nesse aspecto mais técnico?

Assim, a gente tem um grande entusiasta de tecnicidades sonoras na banda, que é o Pedro, que não está na reunião aqui conosco, mas... Quando a gente parte do C&M, vai fazendo as turnês e... Tendo essas experiências em diferentes casas de show, e ter que tentar uniformizar o som para todo show ter uma entrega boa, né?

Você aprende muito logo de cara quando você está viajando e tendo que lidar com esses pormenores, com esses percalços, tá ligado? Então quando a gente chega ali perto de gravar o álbum com o Capilé, o Pedro especificamente já está muito mais antenado do que na época do CMAs.

Então ele já gravou outras bandas, ele já produziu, mixou outras bandas, ele já manjava muito mais. E a gente já tinha noção, assim, um pouco de, tipo, se a gente fosse gravar o CMAs agora, o resultado já seria, tipo, 10 vezes melhor, assim, de gravação, seguramente, tá ligado? Mas, de qualquer jeito, gravar com esses caras, assim, é meio que uma masterclass, assim, ao vivo, sabe? Tipo, ainda mais que...

Você fica atento no que eles estão fazendo, eles vão explicando, assim, você fica tipo, ah, caramba, que legal, tá ligado? E só tá numas salas, assim, nos estúdios, tipo, ultra bem tratados e ver como eles microfonam bateria e tudo que eles usam, assim, e tipo... Pra além disso é uma questão de você manjar muito de técnica, também é uma questão muito de acesso, né? De você ter um lugar próprio, um lugar muito irado e muito bem tratado pra fazer tudo isso. Então...

Foi uma grande honra e eu até ficava meio nervoso, tipo, o Fernando Sanches está gravando pra nós, o que eu faço, o que eu falo, o que eu converso aqui, tá ligado? Eu não sei o que eu acho aqui. Mas, tipo, o Capilé, por exemplo, o Fernando é um pouquinho mais quieto, mas o Capilé já é muito tipo assim, fala pra caralho, e conversa muito, e dá risada, e fica contando piada. Aí fica mais fácil, assim, quando o cara vai quebrando gelo, aí você fica menos nervoso, tá ligado?

Mas... Foi muito enriquecedor, assim. Eu lembro que pra mim, baixista, teve uma música que a gente chegou pra gravar, que era Fogo na Chakra Klabin. E... Eu não tinha entendido muito bem como fazer o baixo mesmo dessa música. Tipo, como tocar ritmicamente. E daí eu perguntei pro Capilet. Tipo, ó. Não sei muito bem o que fazer. Dá umas dicas aí. E ele foi...

comunicando pra mim como fazer a linha de baixo ali, num sentido, tipo, de algumas maneiras que eu nunca pensei conscientemente, assim, sabe? Tipo, ah, não, agora a música tem que respirar, então você solta notas mais longas, você deixa elas respirarem, e daí agora não, agora você tem que dar um segmento na música pra ela fluir, só que você pode usar um meio que uns staccato, sabe? E, tipo, quando eu vou usar uma linha de baixo, eu não penso nisso, eu penso, tipo, ah, isso aqui é legal, isso aqui não é, tá ligado? Então, eu acho que no sentido...

É uma linguagem muito técnica de produtor mesmo, mas acho que me ajudou um pouco a me entender também como baixista, como instrumentista, como eu penso numa linha e coisas do tipo. Então, pra além de todo o lado técnico de gravação, o lado de composição, você aprende muita coisa também. É muito legal, tá ligado? Não sei, Sainz. Pra mim, o mais bizarro foi...

Aquela parada que eu já comentei um pouco sobre a gente ir pra cidades longe, ser uma coisa que eu nunca imaginei que ia viver, e sentir essa mesma coisa no estúdio, e o que mais me pegou foram vivências normais do dia a dia, tipo, o Taco Fernando e Taco Capilé almoçando, sabe assim, todos os dias. E daí eu pensei, pô, esses caras são gênios, eles são lendários, são pessoas muito importantes pra música, e eu tô aqui sentado do lado do cara, tipo, normalmente.

E eles almoçam também, né? Eles comem. É uma pessoa normal. E eu me senti muito honrado de poder estar com eles e muito orgulhoso do nível que a banda chegou. Tipo assim, eu tava usando o mesmo banheiro com os caras, os caras tão fazendo xixi aqui, eu já tô fazendo xixi aqui também. Esse papel higiênico que eu tô usando foi o Capilec e botou aqui no banheiro, cara. E foi um pouco essa sensação pra mim. Morar por um tempo em São Paulo, né? A gente passou duas semanas em São Paulo pra isso.

Então é um pouco do que a gente escreveu em A Vida de Messi, né? É a honra e o orgulho de ter chego nesse lugar da Chococorne. E pra mim, ficar lá foi, tipo, ficar maravilhado com o olho aberto, vendo eles trabalhando, assim, e fazendo a mágica deles, tá ligado? Já que a gente falou de A Vida de Messi, eu acho que o Igor quer fazer uma pergunta especial pra vocês.

Não é exatamente uma pergunta, mas uma curiosidade que me encantou, né? Porque o ano passado, inclusive, o Pelados tinha lançado uma música chamada Modric. E aí vocês começaram o ano com a gente aqui, trazendo a vida de Messi. Eu tô muito feliz, porque nas últimas gerações que a gente teve aí de bandas...

houve um certo distanciamento do futebol, ficou muito nichado para uma certa juventude o futebol, mas vocês estão trazendo de volta para o Roca Alternativo, o futebol eu fiquei muito, muito, muito contente, eu queria saber qual é a relação de vocês, não só com o Messi, com o futebol em geral, né? Falando um pouco, vocês falaram de futebol, de ter uma desconexão com a juventude, eu sinto isso também, eu acho que houve um momento ali, talvez por 2018, por 2019, que a gente...

Jovens, no geral, fomos nos distanciando no futebol, talvez por política, e o futebol começou a ser relacionado com coisas, talvez com a direita ou com preconceito.

lembro de todas as histórias do Neymar, inclusive o Neymar não é uma pessoa boa, tem todas as palavras do Neymar que estavam saindo na época. Tem o clássico, nem todo brasileiro que gosta de futebol gosta do Neymar. É, sabe? Eu acho que durante essa época essas coisas começaram a surgir e realmente houve um distanciamento, pelo menos da juventude e da cultura que estava produzindo arte e cultura do futebol e foram duas coisas distanciadas.

E eu passei por esse momento igual, talvez os meninos passaram também, de gostar do futebol anteriormente, e a vez no momento na vida que parou de gostar de futebol. E depois quando essas coisas começaram a se unir de novo, eu percebi que, pô, eu gosto muito de futebol, e eu sempre gostei de jogar futebol. E o futebol não é essas coisas, futebol não é o preconceito, futebol tem muita coisa legal no futebol. E voltei a jogar bola, e foi mais ou menos quando a gente se mudou também, cada um para a sua república.

e futebol já tinha voltado para a minha vida, tinha voltado a assistir os jogos do Corinthians, e a gente começou a viajar, e eu percebi que o futebol é muito mais a união do que a separação das pessoas, né? Porque a gente ia para as cidades, e eu conversava com as pessoas sobre os times locais, conversava sobre o Corinthians, porque tem corinthiano em todo lugar do Brasil, e a gente dava risada junto, e era uma coisa que conectava muito as pessoas e a gente, eu me senti...

muito contente e na República também assistir os jogos com os meninos da República foi uma coisa muito importante para a minha vida, era muito legal voltar da aula e assistir o jogo do Corinthians e o Corinthians estava uma merda e a gente sofria junto, e daí eventualmente chegou o ponto que o Corinthians ganhou o Paulista e foi um dos melhores dias da minha vida.

E é legal que a gente viaja no Brasil, a gente encontra as pessoas que sentiram essas coisas também, sabe? Que tem os times do coração local. Então a gente chega, por exemplo, em Caxias do Sul e pergunta, gente, pra qual time vocês torcem? E o pessoal torce ou pro Juventude ou pro Caxias. E daí a gente conversa depois do show sobre os times locais e sobre futebol. E acho que é essa a relação. E daí futebol foi tornando uma coisinha legal pra gente de novo e virou o background da música.

Eu queria falar desse momento que vocês estão vivendo agora, né? Vocês estão em Porto Alegre enquanto gravam com a gente. Vocês lançaram o disco, já saíram em turnê e já se enfiaram nessa turnê maluca de praticamente show todo dia, junto com o Vitor. Como é que está sendo essa experiência dessa turnê de rodar e descer até Argentina, Uruguai? Como é que está sendo essa vivência para vocês?

Então, em questão de logística, a gente sempre fez a turnê baseada em ir e voltar das cidades. Então, por exemplo, a gente tinha um show em BH no final de semana e a gente saía de Santa Vábia, ia para BH e voltava. Só que agora a gente percebeu que a logística que funciona muito melhor em redução de custo é se você basear no roteiro em day off. Então a gente saiu especificamente nessa viagem. A gente saiu dia 9 do 4.

É, a gente saiu no 9 de abril, que a gente foi no primeiro show de Maringá. Marília. Marília. Aí depois a gente fez Maringá, Londrina, Ponta Grossa. Então a gente fez o interior do Paraná, depois a gente desceu e fez o interior de Santa Catarina, né? O interior, digamos assim, as cidades que não são capitais, né? Porque é tudo no litoral. Então a gente fez Blumenau, Joinville.

balneário, depois agora a gente tá aqui no Rio Grande do Sul, então a gente fez o Passo Fundo, Santa Maria e Caxias e Porto Alegre fizemos também, e nessa quinta-feira a gente faz pelotas, e bom, a questão é que a gente nunca foi, eu nunca saí do país particularmente, então eu tô um pouco ansioso em relação a isso, um pouco de medo dessas questões de fronteiras, mas por sorte, o pessoal do Bela, né, que a gente tem bastante contato, inclusive eles estavam aqui em casa Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus Jesus

em casa não, no Airbnb ontem, explicaram que é mais tranquilo do que eu imaginava, questão de fronteira e tal, porque eles foram, acho que semana passada, eles estavam no final de semana lá e na Argentina não teve ideia, então... é isso, eu tô um pouco ansioso, a gente sabe que os shows não vão ser tão animados como são aqui no Brasil, porque as pessoas não conhecem a banda, necessariamente, né? Mas mesmo assim vai ser um show que vai ser legal pra gente criar uma...

um público talvez na Argentina, em Montevideo, na Argentina e no Uruguai, aliás, perdão. E também a chance de tocar em outros lugares da América Latina vai ser muito interessante isso. E, enfim, essa será a turnê com o Victor Bauer, que faz parte da Mais Um Tour, que é um projeto da nossa gravadora Mais Um Hits, que a gente está fazendo parte.

Só que daí depois, logo depois do dia 10 Que a gente volta pra casa já Aliás, no caso a gente vai fazer Floripa e Curitiba Dia 8 e dia 9 de maio também

Mas depois do dia 10 a gente já volta pra casa, só que dia 26 ou 21, lembro agora, a gente já vai tocar, a gente já vai sair pro interior de São Paulo de novo porque a gente vai fazer, se não me engano, Ribeirão Preto, São Cardas, depois a gente vai fazer Goiânia, Brasília, depois BH, Espírito Santo, Rio de Janeiro e voltamos pra cá. Então esse vai ser outro circuito.

E logo após a gente vai ter uma semana de descanso, que é assim, sei lá, e vai fazer Manaus, Belém, São Luís, e vai descer o Noreste de novo. Então assim, tá sendo meio difícil a questão de aguentar, porque a gente tem que dormir muito pouco e tem que dirigir bastante. Essas são as piores partes da turnê. Mas a gente come bem, a gente...

Foi o privilégio de estar dentro desse circuito com o gravador. A gente come bem, a gente fica em lugares bons, a gente não passa perrengue de habitação. Pelo menos eu não acho que a gente passa, a gente até dorme em alguns lugares ruins, mas assim, nada que... A gente tem um lugar quente, uma cama boa, um chuveiro quente na maioria das vezes.

É isso, a gente tem que ter algum cuidado em relação à nossa relação de amigos em si, porque como a gente está misturando uma questão de trabalho com a questão de convívio, de amizade mesmo, a gente não pode folgar em muito momento, a gente tem que ser profissional, mas a gente não pode ser um robozinho, como a gente lida com arte, lida com expressão, a gente não pode perder completamente e ser um negócio super...

engessado, então a gente tem que criar esses momentos de livres assim, pra gente ser amigos, mas também criar esses momentos profissionais de passagem de sol e tal. E é isso, a gente cria muita história e é muito bom sempre conhecer as pessoas, ter essa dinâmica de viagem

tipo viagem de terceirão, assim, sabe? Que a gente vai zoando a viagem inteira, mas quando precisa a gente é sério, sabe? Enfim, é isso. Essa é a nossa dinâmica de turnê e espero que a gente consiga um tempo livre, assim, pra ser nós mesmos e por alguns meses, sem ter alguma relação com a banda depois de terminar a turnê, porque eu acho que a gente já tá na metade, já tô meio cansadão, assim, mas já tá tudo certo. E como é que tá sendo fazer a turnê com o Vitor? Aí não é mais porque vocês tocam junto com o Vitor também quase toda noite, né?

Mano, é engraçado, é engraçado. Mano, ó, vou dar um exemplo aqui, ó. Ontem, a gente chegou em Porto Alegre ontem, e o Belo e o Ombro da Bruxa chegou também em Porto Alegre ontem, que eles estavam fora do país, tá ligado? E daí a gente tá no Airbnb e a gente falou, vamos chamar o Belo e o Ombro da Bruxa pra vir pra cá. Então veio aqui, Belo e o Ombro da Bruxa, agregados do Belo e o Ombro da Bruxa, veio também a banda que eles tocaram lá, que é Buenos Vampiros, etc.

Aí, por algum motivo, o Victor, quando ele chegou no Airbnb aqui, ele pegou todas as roupas que ele tinha, inclusive as do corpo, ele tacou na máquina de lavar. Todas, todas. Então ele tava com uma samba canção e com um cobertor enrolado nele, como se fosse um cachecol, assim. E daí veio todo mundo aqui, e foi umas 30 pessoas aqui, e ele ficou a noite inteira com samba canção, descalço.

e com um cobertor enrolado neles. E a gente ficava, Vitor, você quer uma blusa? Ele, não, tá suave, tá suave, já já vai ficar pronta a minha. Não ficou pronta a dele, então ele ficou a noite inteira, rolei com todo mundo aqui, parecendo um monge, tá ligado? Vestido. E ele tava descalço ainda.

Aí ele começou a reclamar que ele tava com frio no pé, tá ligado? E daí o Bruno Meneg, que ele tá trampando com a gente nessa tour de road, montador de palco, diretor, etc. Ele falou, você não tem uma meia pra colocar? E o Victor falou, eu tenho uma meia pra colocar. E daí ele foi lá botar uma meia, que até aquele momento ele tava descalado. Por algum motivo. Então esse é o Victor Brauer, entendeu? Esse é o Victor Brauer. E é bem divertido, é bem engraçado.

muita piada, ele fica aloprando a gente eu lembro que antes da gente saía em turnê com ele, a gente ficava tipo nossa, a gente vai zoar muito o Victor Brower não, é o contrário é o contrário

Ele é um diabrete, tá ligado? Fica no ombro, assim, fica aluprando o dia inteiro, assim. É engraçado, é legal. E como é que tá sendo a resposta da galera às canções do disco novo, né? Vocês falaram, ah, teve esse choque quando vocês tocaram o primeiro disco, quando vocês foram fazer os primeiros shows. E como é que tem sido a resposta do público e também juntar os dois repertórios num show só? Acho que as pessoas ainda, assim, têm muito apego pelo Ciamade, né? Porque foi um... Então...

um álbum que surgiu em algum momento específico da vida das pessoas e a parte da natureza humana é que a gente se apega muito mais pela música em relação ao que ela nos lembra do que de fato da música em si, né? Então...

Como é um álbum que foi lançado em 2024, muita gente tem essa questão afetiva mesmo do álbum em si. Claro que o álbum tem as suas questões, ele não é tão bem gravado, tanto de questão de performance quanto de questão técnica mesmo.

Só que no fim as pessoas gostam, acham um charme nisso E eu acho que o de Ciamese é muito divisor de mares Porque tem tanta gente que odeia a banda até hoje E não se propõe a ouvir nem um segundo de música E tem gente que ama de coração, que tatua o Ciamese no corpo

Tatuou a logo da banda. E tem as pessoas, aliás, dentro desse grupo que amam o Ciamê de Paixão e gostam do álbum novo, mas tem as que não gostam do álbum novo. E assim, eu acho que é natural, né? Porque eu acho que demanda um pouco de tempo para as pessoas gostarem. Não porque o nosso álbum é difícil de ser digerido e precisa de tempo, mas sim, de fato, para as pessoas criarem emprego pelas coisas. Demanda um tempo. E...

Também como a gente teve um pouco de mudança de sonoridade, acho que as pessoas tinham muita expectativa que a gente se mantesse muito no mesmo gênero da parada, sabe? E eu não sei se as pessoas se decepcionaram ou não, mas, cara, assim, no que a gente se propõe a fazer, todo mundo curtiu pelo menos a energia que a gente tá fazendo, porque isso não mudou, sabe? A nossa performance dentro dos shows, a gente continua sendo muito legal de presenciar, imagina pra quem tá vendo, tanto que a gente sempre é elogiado e isso é, fico muito feliz de poder, é...

entregar isso, tanto que uma das coisas que mostra-se é que, por exemplo, quando a gente toca em Vida de Messi, já é a quarta música do show e o pessoal já está aquecido, mas quando toca essa música em si o pessoal fica muito feliz e dança pra caramba. Então, por acaso, ela é a música mais antiga, que a gente já tocava desde o começo do ano passado, sabe? Então, assim, essa demora é inevitável, mas...

Eu acho que as músicas estão em uma qualidade até maior de composição, de arranjo, que os siamês. Então eu só aguardo que tudo dessa época, que as pessoas criem tanto carinho quanto tem pelo siamês, sabe? É mais isso. E claro que no show as músicas dos siamês são explosivas, né? Tanto que a gente guarda só as mais queridinhas pra tocar.

tanto as nossas queridinhas quanto do público. A gente tá tocando por enquanto do Ciamen só, Ciste Faz Feliz, Caminhão de Mudança, Noção Fóssil e Dom Bosco, as quatro que a gente toca fixa no nosso setlist, e o resto a gente vai... tem algumas fixas do álbum novo, e tem algumas que a gente vai atendendo de show em show, pra gente não cansar também, mas...

É isso. E geralmente quando pega em bisa, a gente sempre toca uma música do Ciamês que o pessoal ama, assim. Então é legal porque a gente também gosta das músicas, então não é um fardo pesado de carregar, sabe? Não é que nem, por exemplo, o Radiohead, que não gosta de tocar Creepy, ou o Los Hermanos... A gente gosta de tocar Dom Bosco, sabe? Então não tem nenhum problema. Por enquanto. Por enquanto. Inclusive, eu adoro a despedida de vocês com Creepy.

Cara, mas agora a gente não faz mais, porque agora a gente tá terminando uma com todos os cães, que é em outra afinação.

Mas eu acho que era um dos momentos mais legais também. Um dos melhores momentos do show é quando vocês despedem com o Creep, porque é totalmente inesperado, é muito bom. Nossa, mas toda vez eu ficava tipo assim, a gente realmente tá fazendo isso, tipo... Caramba! Mas eu acho que existe uma certa dificuldade em lidar com todos os cães, assim, porque apesar do C.A.M.A.S. ter angariado tanto amor e tanto carinho e tanta paixão, assim, a gente... Tipo...

A gente não se vendeu, tá? Não é isso que eu tô falando. É um álbum com uma produção, com uma gravação melhor, assim. Então a gente vai gravar ele e lançar ele, produzir, e a gente pensa, tipo assim, não, essa é meio que a declaração real da banda. Primeira declaração real, porque o C.A.M.A.S. é um álbum que a gente ama, mas a gente com certeza entende que ele tem uma barreira pro público geral por uma questão de qualidade e de impacto sonoro e tudo.

Então agora a gente tem acesso a uma produção, uma gravação fidedigna, sabe? Tipo, de uma qualidade imensa, sabe? Então é esse álbum que a gente quer que alcance os ouvidos do público geral, tá ligado?

Então os shows nossos estão vendendo esse álbum, porque agora ele é o projeto que a gente tá trabalhando, que a gente tá focando todas as nossas forças, sabe? Só que pensando que a gente é uma banda de nicho e a gente vai tocar também pra nichos, sabe? Tentar achar esse equilíbrio de como vender as duas ideias é uma parada muito difícil, assim. Eu achei que ia ser um pouco mais fácil.

Mas tá sendo bem legal E tipo O pessoal que foi em outros shows Vem conversar com a gente, fala que Nosso show tá cada vez melhor E a gente tá cada vez mais animado E mais vivo, e é um show majoritariamente Do álbum novo, então

Eu fico bem feliz, assim. Eu só acho que... Está levando um tempinho para as pessoas acostumarem, assim, com a nova setlist, com as letras do álbum novo. Mas já tivemos dias muito impressionantes, assim, nessa turnê. Tipo, Caxias a gente tocou agora no sábado? No domingo? No domingo. No domingo, é. Tipo, antes de ontem. A gente tocou em Caxias e o pessoal ficava cantando as músicas, velho. Parecia que estava num estádio, mano.

Eu fiquei... Pô, é essa? Por que isso está acontecendo, tá ligado? Foi meio bizarro. E foi bem legal.

Mas é isso.

chegando quase no final da entrevista e acho que tem uma pergunta importante pra fazer pra vocês que é sobre o emo quem acompanhou o emo ao longo das últimas décadas ficou muito marcado aqui no Brasil por algumas bandas específicas que representam uma fração do emo como é que vocês olham pra isso e como é que vocês se apresentam em relação a essas bandas, aqui eu tô falando de Fresno tô falando de, sei lá, For Fun, de NX0 de CPM consome

Como é que é a relação de vocês com esse som e até entender, putz, tem um estigma ali, mas o nosso emo é diferente ou não? A gente presta tributo a isso aqui. Como é que vocês olham para essa tradição? A gente nunca ouviu muito essas bandas, o que pode ser meio pecaminoso de falar assim, mas a gente nunca ouviu muito. Quando a gente começa...

escutar o emo lá pro CMAs e querer fazer um som parecido era muito mais baseado no American Football, ou já no emo revival gringo também de 2010 ali, Mondins, Modern Baseball e Yara, Yara, Yara, tá ligado? Por aí vai.

Mas eu acho muito legal, tipo, o Fresno acabou de lançar um álbum, né? E eu vi pessoas falando bem, bem no Twitter, assim, por exemplo, tá ligado? Eu acho muito legal que isso esteja vivo ainda de alguma maneira ou de outra, assim, apesar das diferenciações que o tempo causa, assim. Tipo, por exemplo, eu vejo o Lucas como um cara com muita visão, assim. Tipo, eu queria muito conhecer ele, inclusive. Eu acho bem legal.

Mas eu sinto... Como eu vou explicar isso? Eu sinto que a gente está numa geração de bandas novas atuais muito interessante.

que são muito familiares de sonoridade, então elas têm inspirações específicas em coisas que todo mundo já conhece, mas talvez o jeito que a gente está se portando, ou tentando se enfiar nos meios, é diferente. Eu sinto que tem uma pessoalidade muito grande na relação das bandas. Por exemplo, o próprio Belo e o Omo, o Eliminadorzinho, talvez seja uma...

Uma virtude de quem ainda não é gigantesco e pode sair do show e conversar com pessoas sem, sei lá, ter um monte de pôs estranhos, meio que excediando. Mas eu sinto que essa bolha que a gente está criando é uma parada muito preciosa, é muito bonita. E eu acho que ela vive mais pelo momento e menos pela nostalgia, talvez.

Tipo, o pessoal gosta de zoar a gente, assim, online, que a gente tem muito fã adolescente, tá ligado? E é verdade, não é mentira. Só que eu fico tão feliz com isso porque, tipo, a adolescência é uma fase de descoberta de coisas novas e de você se admirar tanto com as coisas e a gente tem essa oportunidade de talvez marcar a vida muito pessoal de pessoas que estão conhecendo a gente, então, sei lá. Se na minha adolescência o que me marcou era, tipo, Twin on Pilots, tá ligado? E ver que um adolescente vai ser marcado por nós, sabe, uma banda de, sei lá...

do interior de São Paulo, pequena, tá ligado? Pra mim isso é a coisa mais feliz do mundo, assim. Eu fico muito feliz com o jeito que as coisas estão se tornando, com o jeito que a cena está crescendo, tipo o Jonah Buggy tocando no Lollapalooza, o Belo e o Homo da Bruxa tocando em festival. Pô, mano, é de uma felicidade imensa e sentir que tá todo mundo crescendo junto, assim, também.

É incrível, sabe? É bem incrível. Cinco bandas dessa bolha, Chococorna, então, que a gente deveria ouvir, escutar. Todo ouvinte desse programa deveria prestar atenção. Olá, bom, acho que Magnolia, em homenagem ao cara Magnolia, hoje que é o vocalista, que tá de aniversário, dia 28 de abril, isso aí. Eu vou falar Eliminadorzinho, porque eu gosto muito deles e... Esse cara é bom, esse cara é bom. Eu vou falar três, então, porque sobrou três.

Tangulo Manos, que é muita referência, Tangulo Manos. Eu acho que é a melhor banda do Brasil, Tangulo Manos. Belo Amo da Bruxa, nossos amigos queridos do coração. E vou ter que falar, Lupe de Lupe, Victor Brower, né? Que trabalha a gente, tem ajudado a gente nessa turma bastante. Então, infelizmente, muito carinho, muito respeito pelo Victor, que é uma pessoa muito legal. Então eu não vou falar isso na frente dele.

E vai, name drop aqui. Plano Real, em Cira Key, Vinca Major, Jonah Buggy, Imperia Contra Ataca... Ai meu Deus do céu. Pelados, que não é da bolha, eu acho. Idio, Idio Banda. Pelados é muito bom também. Pô, eu devo estar esquecendo um monte de banda. Mas enfim, acho que foi o suficiente.

Pra fechar, então, cinco discos da Ilha Deserta, da Chococorna e do Sugar Kings. Eu nunca ouvi esse disco, mas eu acho que eu botaria aquele disco do McNamara, que tem, tipo, 200 músicas, porque aí você tem 200 músicas diferentes pra ouvir na Ilha Deserta. Boa, boa, boa. Eu vou falar a luz do Djavan. Eu acho que, por afinidade, eu acho que talvez a banda escolheria O Bloco Deu Sozinho e o Dolos Hermanos. E agora tem mais dois que eu escolher, porque eles...

É, então talvez... Acho que... I Redeed, S.C.A.C.A.C.T.O. I Redeed e Nurtured Porter Robbins. E faltou mais um? Vocês não vão levar o American Football, porra? Não, não. Já ouviu muito, cara. Não precisa ouvir mais, já tá tudo decorado, né? A gente já ouviu muito. Mas se o American Football vier esse ano, eu lanço aqui a campanha, a Chococorne abrindo. Por favor, imagina que irado.

Ia ser lindo. Ia ser lindo. Em seis anos de programa, foi a primeira resposta pragmática diante de um disco, né? Um disco em torno da sua utilidade. Isso foi sensacional. Jamais esperaríamos. Muito bom.

A gente esteve aqui com o Pietro, com o Alexandre, com o Pipe. Foi um papo legal demais. Espero que vocês tenham gostado também. Pessoal, foi um prazer. A gente vê Chococorna em São Paulo, dia 16 de julho, né? Casa Natura.

Yes! Com o Belo Homem da Bruxa, que é uma desenha doida. Maravilhoso, maravilhoso. E fiquem atentos nas redes sociais dos meninos. Chococorne Banda no Instagram e em outras redes, eu acho. Para datas ao redor do Brasil, porque eles não param. Foguete não dá ré.

Ouçam nos streamings também, né? Todos os cães merecem o céu. O Descasso vai com certeza figurar com a gente entre os melhores do ano. E a gente tá esperando, eu sei que não é do tempo de vocês, mas no próximo disco uma música pro Gilson Batata, grande ídolo da União Agrícola Barbarense. É isso, valeu galera. Brigadão demais.

Seu Capelas, por hoje ficamos aqui e fecha! Fecha! Fecha! Vamos Brasil! Fecha que não sai! Mais nada! Ei! Brasil, fecha! Fecha que não sai! Fecha que não sai!

Não sai mais nada!

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